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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA RENOVADA

EDUCAÇÃO TEOLÓGICA COM EXCELÊNCIA


RELIGIÕES E SEITAS
Anderson Andujar

TEOLOGIA
MARINGÁ-PR
APRESENTAÇÃO

RELIGIÕES E SEITAS

Professor: Anderson Andujar


Este livro tem por finalidade expor um resumo de algumas das religiões e seitas mais
difundidas no Brasil. Não houve a pretensão de esgotar o assunto sobre cada uma
delas, uma vez que existe uma vastidão enorme de dogmas, doutrinas e
especificidades em cada uma. Também não abordamos todas as religiões e seitas,
uma vez que o presente livro se propõe a ser apenas uma introdução ao assunto. O
mesmo não redime o acadêmico de aprofundar suas pesquisas em outras fontes.
A disciplina “Religiões e Seitas” está dividida em cinco unidades.
A Unidade I traz a Introdução e a Definição dos termos Heresia e Seita.
A Unidade II fala sobre o Catolicismo Romano.
A Unidade III fala sobre a Congregação Cristã no Brasil e os Adventistas do Sétimo
Dia.
A Unidade IV fala sobre as Testemunhas de Jeová e o Mormonismo.
A Unidade V fala sobre o Espiritismo, o Budismo e o Hinduísmo.
Bons estudos.
SUMÁRIO
UNIDADE I .............................................................................................................................................. 4
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 4
HERESIA E SEITA – DEFINIÇÃO ............................................................................................................ 4
UNIDADE II ............................................................................................................................................. 8
CATOLICISMO ROMANO .................................................................................................................... 8
UNIDADE III .......................................................................................................................................... 16
CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL .................................................................................................. 16
ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA ......................................................................................................... 18
Unidade IV ............................................................................................................................................ 22
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ................................................................................................................ 22
MORMONISMO ................................................................................................................................ 25
UNIDADE V ........................................................................................................................................... 32
ESPIRITISMO ..................................................................................................................................... 32
HINDUÍSMO...................................................................................................................................... 36
BUDISMO ......................................................................................................................................... 37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................................................ 39
UNIDADE I

INTRODUÇÃO

Seitas e heresias não são acontecimentos apenas do nosso tempo. Desde o


início do cristianismo tem havido doutrinas que contradizem a “Palavra de Deus” e que
procuram dar outras interpretações aos textos Sagrados. Jesus predisse que
apareceriam falsos Cristos procurando enganar, se possível, até mesmo os
escolhidos. Paulo faz muitas referências aos homens amantes de si mesmos, os quais
nos seus tempos procuravam se impor ao verdadeiro Evangelho. João combateu as
heresias que negavam que Jesus veio em carne, dizendo que as mesmas eram
manifestações do anticristo.
Uma das primeiras heresias que apareceu após a instituição da igreja foi o
gnosticismo. Surgiu no primeiro século, provavelmente com Simão, o mago, na
Babilônia e se espalhou com outras ramificações mais radicais.
Através dos tempos tem surgido muitas seitas heréticas. Sã os “ismos” que tem
aparecido para confundir e arrastar muitas pessoas para o inferno.
Faz-se necessário estudar essa matéria uma vez que os ensinos heréticos e
as falsas seitas constam dos ensinos bíblicos, dentro da escatologia como sinais dos
tempos.

HERESIA E SEITA – DEFINIÇÃO

HERESIA

Heresia vem do vocábulo grego “háiresis” que quer dizer: seleção, escolha,
preferência. O termo háiresis aparece no original em At 5.17; 15.5; 24.5; 26.5; 28.22.
Podemos definir heresia como uma doutrina ou um conjunto delas que
divergem dos verdadeiros ensinos bíblicos, e apesar de terem "aparência" de verdade,
contudo não passam de mentiras. Suas origens quase sempre são as distorções nos
ensinos da Bíblia, ou seja, o abandono da verdade. A heresia não pode ser confundida
Religiões e Seitas

com a apostasia. O apóstata é alguém que rejeitou completamente a fé cristã; o


herege continua vinculando-se à fé.

SEITA

O termo seita significa facção, divisão. Podemos definir seita como um grupo
religioso, filosófico ou corrente que prega ou ensina práticas, preceitos e doutrinas
contrárias à Palavra de Deus. Qualquer ramificação de uma religião é considerada
uma seita. Para nós, cristãos, no entanto, seita significa uma ramificação herética do
cristianismo. É um grupo religioso que se separa de um grupo maior. Podemos dizer
que as seitas são o produto final das heresias. Nem toda heresia culmina na formação
de uma seita, mas toda seita possui em seu conteúdo doutrinário elementos heréticos.
Todas as seitas possuem forte semelhança com a fé cristã legítima, e é
justamente essa semelhança que se constitui na principal estratégia do diabo em
relação a elas (2Co 11.13-15).
As seitas são povoadas por pessoas zelosas, mas destituídas de verdadeiro
entendimento (Rm 10.2). Devemos evitar o erro de questionar a sinceridade dos
adeptos de qualquer seita. No entanto, precisamos reconhecer que esse zelo extremo
a que se dispõem é uma característica do espírito de religiosidade que age por detrás
delas.

COMO RECONHECER UMA SEITA

Existem milhares de religiões neste mundo, e obviamente nem todas são


certas. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que viriam falsos profetas usando
Seu nome, e ensinando mentiras, para desviar as pessoas da verdade (Mt 24.24).
Podemos identificar uma seita por aquilo que ela prega. Se o que uma seita
ensina sobre: a Bíblia Sagrada; a Pessoa de Deus; a queda do homem e o pecado; a
Pessoa e a obra de Cristo; a salvação, e; o porvir, não se coaduna com os ensinos da
Escritura Sagrada, estamos diante de uma seita herética. Além disso podemos ainda
observar algumas características comuns entre as seitas:
1. Têm outra fonte de autoridade além da Bíblia.
2. Subestimam o valor do Senhor Jesus ou colocam-no numa posição
secundária, tirando-lhe a divindade e os atributos divinos como
consequência.
UNIDADE I 6

3. Creem apenas em determinadas partes da Bíblia e admitem como


"inspirados" escritos de seus fundadores ou de pessoas que
repartem com eles boa parte daquilo que creem.
4. Distorcem as Escrituras, usando versículos tirados fora do seu
contexto.
5. Ensinam a salvação pelas obras.
6. Ensinam o homem a desenvolver sua própria salvação.
7. São exclusivistas quanto à salvação.
8. Se consideram o grupo fiel dos últimos tempos.
9. São proselitistas, ou seja, costumam buscar suas presas em outras
religiões, conseguindo desencaminhar para o seu meio, inclusive,
muitos bons cristãos.
Raimundo de Oliveira enumera algumas razões para o surgimento de seitas
falsas no mundo1:
1. A ação diabólica no mundo (2Co 4.4).
2. A ação diabólica contra a Igreja (Mt 13.25).
3. A ação diabólica contra a Palavra de Deus (Mt 13.19).
4. O descuido da Igreja em pregar o Evangelho completo (Mt 13.25).
5. A falsa hermenêutica (2Pe 3.16).
6. A falta de conhecimento da verdade bíblica (1Tm 2.4).
7. A falta de maturidade espiritual (Ef 4.14).
Os líderes das seitas frequentemente são carismáticos e considerados muito
especiais. Podemos afirmar que compartilham entre si algumas características que os
distinguem. São elas:
1. Recebem revelação especial de Deus.
2. Reivindicam ser a encarnação de uma deidade, anjo ou mensageiro
especial.
3. Reivindicam ser designados por Deus para uma missão.
4. Reivindicam ter habilidades especiais.
5. Estão quase sempre acima de repreensão e não podem ser negados
nem contrariados.

1
OLIVEIRA, Raimundo de. Seitas e Heresias. 23 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 8.
Religiões e Seitas

Qualquer pessoa está sujeita a cair em uma das armadilhas das seitas, no
entanto podemos identificar alguns sinais naqueles que estão mais propensos a uma
queda. Geralmente são pessoas:
1. Desiludidas com estabelecimentos religiosos convencionais.
2. Desiludidas com toda a sociedade.
3. Intelectualmente confusas em relação a assuntos religiosos e
filosóficos.
4. Que têm uma necessidade por encorajamento e apoio.
5. Emocionalmente carentes.
6. Necessitadas de uma sensação de propósito, um objetivo na vida.
7. Financeiramente necessitadas.
Nós cristãos temos meios de ajudar as pessoas que estejam envolvidas com
alguma seita. Augustus Nicodemus nos afirma que:

Podemos e devemos ajudar as pessoas que caíram vítimas de alguma


seita. Na carta de Tiago está escrito que devemos procurar ganhar
aqueles que se desviaram da verdade (Tg 5.19-20). Para isto,
entretanto, é preciso que nós mesmos conheçamos profundamente
nossa Bíblia bem como as doutrinas centrais do Cristianismo. Mais
que isto, devemos ter uma vida de oração, em comunhão com Cristo,
para recebermos dele poder, amor e moderação.2

A seguir vamos conhecer as principais seitas e suas características.

2
LOPES, Augustus Nicodemus. Como reconhecer uma seita. Monergismo.com, disponível em
http://www.monergismo.com/textos/seitas_heresias/reconhecer_seita_nicodemus.htm. Acesso em 18 de
maio de 2016.
UNIDADE II

CATOLICISMO ROMANO

A Igreja Católica Apostólica Romana ou catolicismo romano é um dos três


ramos do Cristianismo que, com os protestantes e ortodoxos, formam sem dúvida
nenhuma o maior grupo dentro do Cristianismo. É uma religião que influenciou e
influencia profundamente o mundo ocidental e a humanidade de modo geral.
Infelizmente, em nome de sua tradição contrária às Escrituras, o catolicismo romano
sacrificou o autêntico Cristianismo ao longo dos séculos.
É importante observar que as doutrinas comuns entre católicos romanos e
protestantes são muitas, porém, com pesar, dizemos que as divergências que há entre
eles e nós, além de também serem muitas, são bastante acentuadas. No entanto,
reconhecemos que o catolicismo romano, embora tenha incorporado muitas doutrinas
antibíblicas, preservou também doutrinas fundamentais do Cristianismo.
Esta Igreja reivindica para si a fundação do cristianismo, mencionando como
data de sua fundação o ano 33 da era cristã dizendo ter sido iniciada por Jesus, tendo
o apóstolo Pedro como a pedra fundamental. Dizem ser a Igreja dos Apóstolos
(apostólica). Mas, ao analisarmos os fatos, veremos que o catolicismo romano surgiu
muito tempo depois.
Até a metade do segundo século foi preservada a pureza doutrinária da Igreja
e o Espírito Santo tinha plena participação no viver dos cristãos. Essa pureza foi
mantida graças à ação dos líderes remanescentes da Igreja, que foram discípulos
diretos dos apóstolos.
Já no final do século II, como os apóstolos previram, começaram a surgir
indivíduos introduzindo novos conceitos doutrinários com aparência de zelo, mas, que,
na verdade não passavam de heresias como, por exemplo, o movimento iniciado por
Zeferino, bispo de Roma, que em l97 d.C., questionava a divindade de Cristo.
Doutrinadores falsos já existiam no tempo dos apóstolos, mas não prosperaram.
Outros surgiram em vários lugares, contudo não constituíam uma ameaça séria à
integridade doutrinária da Igreja.
Religiões e Seitas

Nesse tempo, a perseguição estava ainda em vigor, de modo que somente


quem estava disposto a sofrê-la aceitava ser cristão, o que, aliás, não eram poucos,
face as muitas evidências do poder de Deus entre eles. O povo de Deus se mantinha
na sua simplicidade. As igrejas eram autônomas. Mas a doutrina era uma só: a dos
apóstolos. Não havia a figura de um líder eclesiástico geral. Muito menos um papa.
Todos tinham apenas Jesus como seu Sumo Pastor.
No início do século III, mais precisamente no ano 323, o imperador Constantino
abraçou o cristianismo. A partir daí cessou a perseguição à Igreja como um todo. O
imperador concedeu numerosos favores aos cristãos. Praticamente o cristianismo
tornou-se a religião oficial do Estado. Em consequência, por ser a religião apoiada
pelo imperador, houve a adesão de grande número de pagãos os quais, sem a devida
conversão trouxeram seus costumes para o seio da Igreja.
Os cargos eclesiásticos passaram a ser ocupados por pessoas nomeadas ou
que se autonomeavam, excluindo por completo a participação do Espírito Santo. A
partir daí o formalismo religioso tomou o lugar do culto simples e vivo.

FONTE DE AUTORIDADE RELIGIOSA – A BÍBLIA E A TRADIÇÃO

A Igreja Católica Romana afirma que a Bíblia, por si só, não constitui todo o
campo do conhecimento de Deus, e que, por isso, deve ser suplementada pelos
ensinos da tradição. “As verdades que Deus revelou acham-se na Sagrada Escritura
e na tradição”3. “À tradição deve ter-se na mesma consideração em que se tem a
Palavra de Deus contida na Sagrada Escritura”4.

ORGANIZAÇÃO E CARGOS DA IGREJA CATÓLICA ROMANA

Estruturalmente, o Catolicismo Romano é uma das religiões mais centralizadas


do mundo. O seu chefe, o papa, governa-a desde a Cidade do Vaticano, um estado
independente no centro de Roma, também conhecido como a Santa Sé. O Papa é
selecionado por um grupo de elite de Cardeais. Estes exercem o que é chamado
Infalibilidade Papal, isto é, o direito de definir declarações definitivas de ensinamento
Católico Romano em matérias de fé e moral.

3
Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã, Editora Vera Cruz Ltda., 1ª edição, agosto de 1976; p. 160, resposta à
pergunta 870.
4
Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã”, Editora Vera Cruz Ltda.,1ª edição, agosto de 1976; p. 162, resposta à
pergunta 887.
UNIDADE II 10

A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são, em ordem


descendente: Papa, Cardeais; Patriarcas; Bispo (Arcebispo e Bispo Sufragário); Padre
e; Diácono.
A autoridade do Papa vem da crença de que ele é o sucessor direto de Pedro
e, como tal, o Vigário de Cristo na Terra. Baseiam-se para tal no texto do Evangelho
de Mateus capítulo 16 e versos 18 a 19. É fato que ele exerce uma influência político-
religiosa entre as nações, mas, biblicamente, esse cargo não existe. A teoria de que
Pedro foi o primeiro papa não resiste à análise bíblica. A tradição católica romana diz
que Pedro foi papa em Roma durante 25 anos.
O catolicismo afirma que “O Papa, a quem chamamos também Sumo Pontífice
ou romano Pontífice, é o sucessor de São Pedro na Sede de Roma, o vigário de Jesus
Cristo na terra, e o chefe visível da Igreja”5.
Refutações acerca do papado de Pedro:
1. De acordo com a Bíblia, Cristo é a pedra (petra), rocha grande e
firme. (Ef. 2.20, At 4.11. Mc 12.10-11, 1Pe 2.4). Nestes versículos
pedra se refere a Cristo e não a Pedro. Pedro é “petros”, rocha
pequena e móvel, logo, a igreja jamais seria fundada sobre uma
rocha frágil (Mt 16.18).
2. Dos oitenta e quatro pais da igreja antiga, somente dezesseis
concordaram em ser Pedro a rocha onde Cristo fundou sua igreja.
3. Os papas eram ricos, orgulhosos, celibatários, irrepreensíveis. Pedro
era casado, pobre, humilde e repreensível. (At 3.6, Mt 8.14-15, At
10.25-26, Gl 2.11-14).
4. Os papas aceitavam a adoração de homens e se consideravam
pessoas infalíveis. Pedro se considerava falível e não aceitava a
adoração de homens.
As seguintes expressões sobre o papa contrariam a Bíblia:
1. Sumo Pontífice: Jesus é o Sumo Pastor (1Pe 5.4).
2. É a Ponte ou caminho entre nós a Deus (Jo 14.6; 1Tm 2.5).
3. O Vigário de Jesus é o Espírito Santo e não o papa (Jo 14.16-18).

5
Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã, Editora Vera Cruz Ltda., lª edição, agosto de 1976; p. 44, resposta à
pergunta 191.
Religiões e Seitas

4. O chefe invisível da Igreja é Jesus. Um Cristo visível só pode ser um


falso cristo (Mt 24.23-24; Ef 1.20-22).

MARIOLATRIA

A Igreja Católica Apostólica romana tributa a Maria, mãe de Jesus, vários títulos
e honrarias que pertencem exclusivamente a Jesus Cristo. O Concílio Vaticano II diz:
"Os fiéis devem venerar a memória primeiramente da gloriosa sempre Virgem Maria,
Mãe de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo". Os protestantes se esforçam para
respeitar Maria dentro do que diz a Bíblia sobre ela, enquanto o ensino católico no
Brasil sobre Maria é tão fora da Bíblia que o culto que se presta a Maria pode ser visto
como simplesmente Mariolatria. Dentre os principais pontos sobre a teologia mariana
podemos destacar:
1. Concebida sem pecado.
2. Sempre virgem.
3. Medianeira e intercessora.
O que a Bíblia diz sobre esses pontos?
1. Maria não foi concebida sem pecado. A Bíblia diz que todos pecaram
(Rm 3,23). Só a respeito de Cristo se pode ser dito “Com efeito, nos
convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem
mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus.”
(Hb 7.26).
2. Maria teve outros filhos, consequentemente não permaneceu virgem
(Jo 2.12; Mt 12.46; 13.55-56; Mc 3.31; Lc 8.19; Jo 7.3,5,10; At 1.14;
1Co 9.5; Gl 1.19). O fato de Maria ter sido virgem no ato da
concepção de Jesus é ponto pacífico nas Escrituras, porém, afirmar
que ela continuou virgem após o parto é antítese de Mateus 1.25:
"Contudo, não a conheceu, enquanto não deu à luz um filho, a
quem pôs o nome de Jesus".
3. Maria não exerce mediação a favor do pecador. "Porque há um só
Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1Tm 2.5);
"Se, todavia, alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus
Cristo, o justo" (1Jo 2.1).
UNIDADE II 12

OS SACRAMENTOS

A prática da igreja católica consiste em sete sacramentos: (1) Batismo; (2)


Crisma ou Confirmação; (3) Confissão ou Penitência; (4) Eucaristia ou missa; (5)
Matrimônio; (6) Extrema unção; (7) Santas Ordens. Enquanto que os cristãos
protestantes reconhecem, pela Bíblia, apenas dois: (1) Batismo e; (2) Ceia.

A MISSA

A missa foi instituída em 394 d.C. no lugar do culto cristão. A sua finalidade é a
repetição do sacrifício de Jesus na cruz, sem derramar sangue. A bíblia em Hebreus
9.22-28 e 10.8-14 esclarece sobre esse procedimento errado. Cristo ofereceu pelos
pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de
Deus (Hb 10.12).

O PURGATÓRIO

A doutrina do purgatório foi aprovada em 1439, no Concílio de Florença,


confirmada definitivamente no Concílio de Trento (1549-1563), mas ela já existia
desde 1070. Essa doutrina ensina que os cristãos parcialmente santificados, que são
a maioria, passam por um processo de purificação para depois entrar no céu. Essa
crença veio do paganismo e é muito antiga, e não há espaço para ela na Bíblia.
A Igreja Católica descobriu quatro lugares no além: céu, inferno, purgatório e
limbo. Para o limbo vão as pobres crianças que morrem sem batismo. Não vão para
o inferno, dizem, mas ficam numa sombra eterna, sem penas, sem sofrimentos, mas
também sem gozo algum. A Bíblia diz que o batismo não salva ninguém (At 10.47; Ef
2.8-9; Mt 3.15; Tt 3.5). Cristo mencionou: dois caminhos, duas portas, dois fins (Mt
7.13-14; 25.34-46). A Bíblia menciona esses dois lugares depois desta vida: o céu e
o inferno, que nas línguas originais bíblicas são assim chamados: Sheol, Hades,
Geena (Lc 16.19-31; 12.4-5). Para o cristão não há mais condenação (Jo 5.24; Rm
8.1), pois alcançou justificação pela fé (Rm 5.1). O purgatório do cristão é o sangue
de Cristo que nos purifica de todo o pecado (1Jo 1.7-9).
Religiões e Seitas

A IDOLATRIA

Ainda que a Igreja Católica insista em dizer que não adora imagens, apenas as
reverencia, sabemos que isso não passa de justificativas para o culto idólatra. Qual a
diferença entre cultuar e reverenciar?
De acordo com uma teologia católica, a imagem seria apenas um memorial de
alguma verdade ou pessoa espiritual; e a veneração assim prestada seria dirigida
àquela verdade ou pessoa, e não à imagem propriamente dita. Entretanto, no nível
popular, as pessoas realmente veneram as próprias imagens, e a cuidadosa distinção
entre adoração e veneração é forçada ao máximo.
O problema do catolicismo romano é que o fiel crê na intercessão feita por
aquele santo, representado na imagem, pensam que o espírito daquele santo pode
ajudar, proteger, guardar etc., daí todo tipo de objeto e representação material daquele
santo passa a ser venerado, cultuado, adorado, e isso é idolatria. Além disso, as
imagens desses santos são veneradas ou adoradas mediante alguma forma de
cerimônia que supostamente lhes transmitem a honra e reverência do povo. Ora, se
a imagem é apenas recordações dos nossos irmãos de fé, então por que se presta
consagração à imagem, se faz procissão, se oferece flores, se beija, curva-se diante
dela? Por que se ora a ela, faz pedidos, faz-se poesias e cânticos a ela? Assim sendo,
a declaração católica romana de que a honra devolvida nas santas imagens é uma
veneração respeitosa, não uma adoração, parece mais com uma charada teológica
ou talvez o desejo de errar (Gl 6.7).
Deus condenou os ídolos (Sl 115.4-8), e também condenou as imagens (Ex
20.1-6). Era expressamente proibido ao povo de Israel fabricar imagens esculpidas ou
fundidas (Ex 20.4; Dt 5.8). Os profetas condenaram a prática com qualquer forma de
idolatria (Is 30.22; 42.17; 45.20; Os 13.2; Hb 2.18).
As principais cerimônias e os dogmas católicos foram instituídos
paulatinamente na prática da igreja a partir do século IV como podemos observar na
tabela abaixo6:

33 a 196 Nesse período da História, a Igreja não aceitou nenhuma doutrina


antibíblica.

6
Adaptado do livro Seitas e Heresias de Raimundo de Oliveira, p. 11-2.
UNIDADE II 14

197 Zeferino, bispo de Roma, começa um movimento herético contra a


divindade de Cristo.
217 Calixto se torna bispo de Roma, pondo-se à frente da propaganda
herética e levando a Igreja de Roma para mais longe do caminho de
Cristo.
270 Origem da vida monástica no Egito, por Santo Antônio.
370 Culto dos santos professado por Basílio de Cesaréia e Gregório de
Nazianzo. Primeiros indícios do turíbulo (incensário), paramentos e
altares nas igrejas, usos esses introduzidos pela influência dos pagãos
convertidos.
400 Orações pelos mortos e sinal da cruz feito no ar.
431 Maria é proclamada a "Mãe de Deus".
593 O dogma do Purgatório começa a ser ensinado.
600 O latim passa a ser usado como língua oficial nas celebrações
litúrgicas.
609 Começo histórico do papado.
758 A confissão auricular é introduzida na igreja por religiosos do Oriente.
789 Início do culto das imagens e das relíquias.
819 A festa da Assunção de Maria é observada pela primeira vez.
880 Canonização dos santos.
998 Estabelecimento do Dia de Finados.
998 Quaresma.
1000 Cânon da Missa.
1074 Proíbe-se o casamento para os sacerdotes.
1075 Os sacerdotes casados devem divorciar-se, compulsoriamente, cada
um de sua esposa.
1095 Indulgências plenárias.
1100 Introduzem-se na igreja o pagamento da missa e o culto aos anjos.
1115 A confissão é transformada em artigo de fé.
1025 Entre os cônegos de Lião aparecem as primeiras ideias da Imaculada
Conceição de Maria.
1160 Estabelecidos os 7 sacramentos.
1186 O Concilio de Verona estabelece a "Santa Inquisição".
Religiões e Seitas

1190 Estabelecida a venda de indulgências.


1200 Uso do rosário por São Domingos, chefe da inquisição.
1215 A transubstanciação é transformada em artigo de fé.
1220 Adoração à hóstia.
1226 Introduz-se a elevação da hóstia.
1229 Proíbe-se aos leigos a leitura da Bíblia.
1264 Festa do Sagrado Coração.
1303 A Igreja Católica Apostólica Romana é proclamada como sendo a
única verdadeira, e somente nela o homem pode encontrar a
salvação.
1311 Procissão do Santíssimo Sacramento e a oração da Ave-Maria.
1414 Definição da comunhão com um só elemento, a hóstia. O uso do
cálice fica restrito ao sacerdote.
1439 Os 7 sacramentos e o dogma do Purgatório são transformados em
artigos de fé.
1546 Conferida à Tradição autoridade igual à da Bíblia.
1562 Declara-se que a missa é oferta propiciatória e confirma-se o culto aos
santos.
1573 É estabelecida a canonicidade dos livros apócrifos.
1854 Definição do dogma da Imaculada Conceição de Maria.
1864 Declaração da autoridade temporal do papa.
1870 Declaração da infalibilidade papal.
1950 Assunção de Maria é transformada em artigo de fé.
UNIDADE III

CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL

A Congregação Cristã no Brasil é vista por alguns como uma seita, por outros,
como um movimento contraditório. Nosso objetivo nesta lição é demonstrar o caráter
sectarista e exclusivista desta Igreja, pois suas doutrinas são fundamentadas em
versículos isolados das Escrituras e mal interpretados. A Congregação Cristã no Brasil
vê as demais Igrejas como seitas.
Seu fundador é Louis Francescon, nascido em 29 de março de 1866, na
comarca de Cavasso Nuovo, província de Udine, Itália. Imigrou para os U.S.A
chegando à cidade de Chicago, Estado de Illinois em 1890. Em 1891 teve
compreensão do novo nascimento e aceitou a Cristo como seu Salvador. Em março
de ano seguinte, junto ao grupo evangelizado pelo irmão Nardi e algumas famílias da
Igreja Valdense, fundaram a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana, tendo sido eleito
Filippo Grili como pastor e Francescon como diácono.
Por razões ligadas ao batismo nas águas e ao batismo com o Espírito Santo,
Francescon rompe com a Igreja Presbiteriana e junto com Giacomo Lombardi dirige-
se ao Brasil em 8 de março de 1910, com destino a São Paulo. Parece, todavia, que
de início seu trabalho foi pouco promissor, até que em 18 de abril, G. Lombardi partiu
para Buenos Aires, e Francescon foi para Santo Antônio da Platina, no Paraná,
chegando lá em 20 de abril de 1910, deixando estabelecido ali um pequeno grupo de
crentes pentecostais, o primeiro grupo desse segmento no Brasil.
Ao retornar em 20 de junho para são Paulo, após um contato inicial com a Igreja
Presbiteriana do Brás, onde alguns membros aceitaram a mensagem pentecostal,
bem como alguns batistas, metodistas e católicos romanos, surge a primeira
"Congregação Cristã" organizada no país. A partir daí o trabalho da Congregação
Cristã espalha-se por onde existe colônias italianas, notadamente na região sudeste
do país, principalmente nos Estados de São Paulo e Paraná, onde até hoje se
concentram. Seu fundador, o ancião Louis Francescon, faleceu em 7 de setembro de
1964, na cidade de Oak Park, Illinois, U.S.A.
Religiões e Seitas

A CCB, como tantas outras seitas, acredita que só eles estão certos, só eles
são salvos; afirmam, também, que as demais igrejas evangélicas pregam mentiras e
que não há salvação para aquele que não é batizado na Congregação Cristã. Dentre
suas principais doutrinas podemos destacar:
1. A rejeição ao cargo de pastor. Não aceitam nenhum outro pastor
além de Jesus.
a. Refutação: Ef 4.8; Jr 3.15; At 20.28; 1Pe 5.2-3.
2. A obrigação do uso do véu pelas mulheres.
a. Refutação: O texto de I Coríntios 11 trata do comprimento do
cabelo para homens e mulheres, tendo em vista o costume da
sociedade gentia de Corinto. Paulo não impôs nenhuma prática
judaica para os cristãos a não ser as mencionadas em Atos 15.
19-20.
3. A obrigação da saudação com ósculo santo.
a. Refutação: Costume judaico.
4. A proibição da pregação do evangelho fora dos cultos no templo.
a. Refutação: At 2.46; 5.42; 16.13; 20.20; Rm 16.5.
5. A proibição dos pregadores estudarem e se prepararem, pois, o
Espirito Santo colocará na boca a palavra.
a. Refutação: 2Tm 2.15; Sl 119.105; Pv 7.1-3; Dt 6.6-9; 1Tm 4.13;
2Tm 4.13; Pv 9.9; Sl 119.9-16; Sl 19.7-8; Sl 1.1-2; 2Pe 3.18.
6. O ancião detém enorme poder, é insubstituível e infalível.
a. Refutação: Gl 2.11; 1Tm 5.20.
7. Prega contra o dizimo.
a. Refutação: Ml 3.10.
8. Condena outro tipo de saudação que não seja “A paz de Deus”.
a. Refutação: Rm 16.24; 1Co 1.3; 2Co 1.2; Fp 4.23; 1Tm 1.2; 2Jo 1;
Jd 2.
9. O obreiro não pode ser assalariado.
a. Refutação: 2Co 11.8; 1Tm 5.17-18.
10. Todos os que estão predestinados à salvação, um dia Deus os
encaminhará à sua igreja (Congregação).
a. Refutação: At 2.47.
11. Santa ceia, só uma vez por ano.
UNIDADE III 18

a. Refutação: At 2.46; 1Co 11.25.


12. No dia do batismo, qualquer pessoa que esteja assistindo e que pede
para ser batizado, ela o batiza. Afirma que o problema é da pessoa e
Deus e não da pessoa e a igreja.
a. Refutação: Mc 16.16; At 8.36-38.
13. Ensina que quem peca, principalmente o adultério, não tem retorno.
a. Refutação: Mt 12.31-32; 1Jo 1.9; 2.1.
14. Ela não se preocupa em restaurar o pecador, deixando-o num canto
da igreja abandonado.
a. Refutação: Mt 18.15-17; 2Co 2.5-8; Tg 5.20.
É importante afirmarmos que, mesmo não sendo considerada como seita por
alguns leigos ou alguns que se dizem estudiosos, a CCB, deve ser tratada com
cuidado dobrado, a fim de estarmos preparados para refutar quaisquer erros lançados
pelos membros da mesma, que vem com a intenção de nos persuadir e nos tirar do
propósito do verdadeiro ensino Divino.

ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA

No princípio do século XIX, falava-se pouco da segunda vinda de Cristo. Por


esse tempo Guilherme Miller, pastor Batista, leigo, de Nova Iorque – U.S.A, lendo o
texto de Daniel 8.13-14, passou a ensinar que as 2.300 tardes e manhãs ali referidas
eram de anos, somou 2.300 anos ao ano 457 a.C., data em que Esdras chegou a
Jerusalém, vindo da Babilônia, e encontrou o ano de 1843, d.C., passou então a
pregar que Cristo voltaria à terra naquele ano, daí o título “adventista”. Isto foi em
1818. Como Jesus não veio, Miller alegou que havia errado nos cálculos, visto que
usara o calendário hebraico em vez do romano, recalculou e marcou nova data para
21 de março de 1844 e depois para 22 de outubro de 1844. Sendo outra vez
decepcionado, Miller acabou por admitir seu erro e, humildemente, faleceu em 1949,
esperando a volta do Senhor Jesus.
Hiram Edson um fervoroso discípulo e amigo pessoal de Miller, teve uma
"revelação". Nela compreendeu que Miller não estava equivocado em relação a data,
mas sim em relação ao local. Disse que Cristo havia entrado no dia anterior no
Religiões e Seitas

santuário celestial, não no terrenal, para fazer uma obra de purificação ali. Edson
partilhou com outros membros de seu grupo as "boas-novas". Outros dois grupos se
uniram a essa nova revelação: um dirigido por Joseph Bates que dava ênfase a guarda
do Sábado e outro dirigido por Ellen G. White, que dava ênfase aos dons do Espírito.
Dessa forma começa os Adventistas do Sétimo Dia (Sabatistas). A denominação
oficialmente foi organizada em 21 de maio de 1863.

ELLEN G. WHITE

As revelações de Helen White contribuíram muito para a formação das


doutrinas dos adventistas, e seus escritos foram em larga escala responsáveis pela
expansão da Igreja. Ela e seu esposo disseminaram amplamente seus ensinos
proféticos e doutrinários por meio de revistas e livros. Embora a Igreja adventista
afirme que a Bíblia é sua autoridade doutrinária, ainda crê que Deus inspirou Ellen
White em sua interpretação das Escrituras e em seus conselhos, conforme se
encontram em seus livros.
Dizem os adventistas:
“CREMOS QUE: ... “Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo, e seus
escritos, o produto dessa inspiração, têm aplicação para os adventistas do sétimo dia.”
[...] NEGAMOS QUE: A qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White
sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas.”7.

DOUTRINAS E REFUTAÇÕES

Jesus é o Arcanjo Miguel


Ellen G. White afirma em seu livro “Os Patriarcas”, pág. 366, que Jesus é o
Arcanjo Miguel (Ellen G. White, uma grande precursora do Adventismo).
Refutação. A Bíblia apresenta muitas diferenças entre Jesus e Miguel: Jesus é
criador (Jo 1.3), Miguel é criatura (Cl 1.16). Jesus é Adorado por Miguel (Hb 1.6),
Miguel não pode ser adorado (Ap. 22.8-9). Jesus é o Senhor dos Senhores (Ap.
17.14), Miguel é príncipe (Dn 10.13).

7
Revista Adventista, fev. 1984, p. 37.
UNIDADE III 20

A natureza pecaminosa de Jesus


O Adventismo declara que: “Em sua humanidade, Cristo participou de nossa
natureza pecaminosa. De sua parte humana, Cristo herdou exatamente o que herda
todo o filho de Adão – uma natureza pecaminosa (Sl 51.5)”8.
Refutação. Jesus foi concebido pelo Espírito Santo no ventre de Maria (Lc 1.30-
35), diferenciando-se de todos os homens que nasceram em pecado. O texto em
questão declara que Jesus era Santo, inocente, imaculado e separado dos pecadores.

O sono da alma
Afirmam que, depois da morte, somos reduzidos ao silêncio. Que morte é morte
mesmo, incluindo a própria alma. Ao morrer, o homem deixa realmente de existir.
Refutação. Isso é uma inverdade, pois declarou o Senhor Jesus: “Eu sou o
Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus de
mortos, mas de vivos” (Mt.22.32); “Hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc.23.43). Dessa
forma, analisando as palavras de Jesus, é impossível admitir, com base nessa
passagem, que o malfeitor arrependido está deitado em sono inconsciente.

O sábado
Dizem os adventistas: “Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação
eterna”9.
Refutação. Vivemos sob o Novo Concerto (Hb 8.6-13). O sábado é um
mandamento da Lei, dada ao povo israelita. Não há no Novo Testamento nenhuma
determinação para se guardar o sábado, no entanto encontramos os outros nove
mandamentos sendo ratificados no Novo Testamento. A guarda do sábado foi
ordenada em memória da libertação de Israel do Egito (Dt 5.15). O sábado é uma
ordenação formal, revestida de prática exterior, o descanso físico, Jesus nos deu
apenas duas ordenanças formais: a ceia e o batismo.

Nossos pecados lançados sobre satanás


Os adventistas ensinam que o bode emissário de Levíticos 16.22-26 simboliza
Satanás. Todas as nossas iniquidades serão carregadas pelo diabo. Segundo eles

8
Estudos Bíblicos. CPB. p. 140-1.
9
Livro “Testemunhos Seletos”, vol. III pág.22, White ed. 1956.
Religiões e Seitas

durante o milênio, Satanás, levará sobre si a culpa dos pecados que fez o povo de
Deus cometer, e será confinado e esta terra desolada e sem habitantes.
Refutação. Parece fantástico que alguém, que se diz evangélico, aceite
doutrina tão contrária ao evangelho. Será que não se dão conta das implicações de
tal ensino? Isto faria o diabo nosso co-salvador com Cristo, a expiação de nossos
pecados seria realizada em parte por Cristo e em parte por Satanás. O simbolismo
real desta passagem mostra Cristo levando sobre si os nossos pecados. Veja Jo 1.29;
Is 53. 6; Hb 10.18; 2Co 5. 21.

O paraíso
Asseguram os adventistas que o paraíso não existe presentemente, existirá no
futuro, para isso, eles torcem as palavras de Cristo dirigidas ao ladrão arrependido da
cruz, dizem que a tradução está incorreta, em vez de ser: “Em verdade te digo que
hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43), deveria ser: “Em verdade te digo hoje:
estarás comigo no paraíso”. Desse modo os sabatistas tentam adaptar a Bíblia à sua
doutrina.
Refutação. A Bíblia ensina que o paraíso existe, é uma instituição do presente.
O apóstolo Paulo foi arrebatado até ele, o paraíso, e elevado para o terceiro céu (2Co
12.2-4), onde os santos, que dormem no Senhor e que assumirão os seus corpos
ressuscitados no dia do arrebatamento da Igreja (Ef 4.8; 1Ts 4.13-14).
Unidade IV

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

A seita das Testemunhas de Jeová foi fundada por Charles Taze Russell, em
1872. Ele nasceu em 15 de fevereiro de 1852, e era filho de Joseph L. e Anna Eliza
Russell. Tinha grande dificuldade de aceitar a doutrina da condenação eterna ao
inferno e, em seus estudos, veio a anular não apenas a punição eterna, mas também
a Trindade, a Divindade de Cristo e o Espírito Santo. Em 1870, com a idade de 18
anos, Russell organizou uma classe bíblica em Pittsburgh. Em 1879, ele procurou
popularizar as suas ideias e doutrinas aberrantes. Ele co-publicou a revista "The
Herald of the Morning" com seu fundador, N. H. Barbour e, em 1884, Russell tomou o
controle da publicação dando-lhe o novo nome de “A Sentinela Anuncia o Reino de
Jeová”, e fundou a Sociedade Bíblica Torre de Vigia.
Russell alegava que a Bíblia só seria corretamente entendida de acordo com
as suas interpretações. Era um perigoso arranjo, já que era ele quem controlava o que
era escrito na revista Sentinela. Além disso possuem uma tradução própria das
Escrituras, chamada de “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas” repleta
de erros propositais, a fim de oferecer sustentação às suas doutrinas heréticas.
Depois da morte de Russel, em 31 outubro de 1916, um advogado do Missouri
chamado Joseph Franklin Rutherford recebeu o controle da Sociedade Torre de Vigia
que era conhecida, então, como Associação Bíblica Dawn. Em 1931, ele mudou o
nome da organização para "As Testemunhas de Jeová".

DOUTRINAS E REFUTAÇÕES

Russel que considerava Guilherme Miller, fundador do Adventismo, um grande


mestre, herdou dos sabatistas a mania de fixar datas dos eventos bíblicos, criou um
sistema complexo de doutrinas, já corrigidas em alguns pontos pelos seus
sucessores, porém continuando falsas.
Religiões e Seitas

Sobre a trindade
Dizem que a doutrina da Trindade é uma superstição herdada do paganismo
egípcio e babilônico.
Refutação: Mt 3.16-17; 28.19; Jo 1.1-3; Ef 4.4-6; dentre outros.

Divindade de Cristo
Negam que Jesus Cristo seja Deus, afirmam que é um ser criado, como são os
anjos e o homem. Dizem que Deus criou a Jesus como filho e, então usou-o como
seu sócio.
Refutação.: Cl 2.9; Hb 1.3.

O Espírito Santo
Dizem que o Espírito Santo é um poder ou influência de Deus para executar a
Sua vontade. É a invisível força ativa do Todo Poderoso ou um fluído que emana de
Jeová Deus.
Refutação: Sabemos que o Espírito Santo é uma pessoa da Trindade. O
Espírito Santo agindo como pessoa: fala (At 8.29); intercede (Rm 8.26-27); dá ordens
(At 16.6-7; 13.2); tem vontade (1Co 12.11); ama (Rm 15.30); convida (Ap 22.17); pode
ser resistido (At 7.51).

Transfusão de sangue
Citam textos como Gn. 9.3-4; Lv. 3.17; Dt.12.23 afirmando que sendo o sangue
a alma, não podemos passá-la a outra pessoa, pois desobedecemos ao mandamento
de amar a Deus com toda a alma. Além disso, consideram que o recebimento de
sangue por um paciente equivale a comer sangue.
Refutação. A palavra alma vem do hebraico “Nephesh” e do grego “Psyché” e
tem cinco significados nas Escrituras.
1. Alma como Sangue – Dt 12. 23; Lv. 17.14.
2. Alma como pessoa – Gn 46.22-27.
3. Alma como vida – Lv 22. 3.
4. Alma como coração – Dt 2.30.
5. Alma como centro da vida moral do homem. Essa é responsável e
será julgada – Mt 10.28; At 20.10.
Unidade IV 24

Morte
Para as testemunhas de Jeová, após a morte a alma deixa de existir.
Refutação: A Bíblia assegura que a morte física não atinge a alma, que
continuará existindo, separada ou não de Deus (Hb 9.27; Ap 6.9-11; Lc 16.20-28).

Inferno
As testemunhas de Jeová dizem que o inferno é a sepultura, outras vezes
dizem que é este mundo, não têm certeza de para onde vão, e negam o inferno com
medo de sua realidade.
Refutação: A história do Rico e Lázaro fala do Sheol, onde havia o paraíso (seio
de Abraão) e o lugar de tormentos. Já o inferno, a Bíblia a ele se refere, como um
lugar de tormento destinado a todos que não aceitaram Jesus como Salvador
(Lc16.24; Mt 8.12; 13.42; Ap 20.13 -15).

Segunda vinda de Cristo


As Testemunhas de Jeová afirmam que a segunda vinda de Cristo se deu em
1914, como não aconteceu o que se previu após o referido evento, eles afirmam que
“Jeová é vagaroso com respeito a sua promessa...”
Refutação: O modo como Jesus voltará está descrito em numerosas
referências, tais como Mt 24.27; 2Ts 1.7-8; 1Ts 4.13-17 e outras.

Os 144.000
A princípio, os Testemunhas de Jeová ensinavam que somente eles iriam para
o céu. Tão logo completassem o número de l44.000 adeptos, estaria pronto o rebanho
de Deus. Acontece que a seita cresceu mais do que o seu fundador imaginava e
superou em muito aquele número. Para conciliar as coisas, em 1935 Rutherford
apresentou a Doutrina da Grande Multidão que se resume no seguinte: 144.000 são
os servos escolhidos para reinar com Cristo no reino celeste, as demais testemunhas
viverão aqui na terra sob o domínio de Cristo e da Igreja no céu. Os 144.000 também
são chamados de “O pequeno rebanho”, é a única e verdadeira igreja, os que ficarem
na terra não serão considerados igreja.
Refutação: A Palavra de Deus não faz discriminação entre os salvos na
eternidade, veja 1Co 15.51-52; Ap 3.21; Jo 14.1-3; 17. 24.
Religiões e Seitas

MORMONISMO

O fundador do mormonismo é Joseph Smith Junior, nascido em Sharon, estado


de Vermont, nos U.S.A, no ano de 1805. Cresceu em meio a pobreza superstição.
Com 15 anos, no estado de Nova York, foi orar num bosque, quando teve a primeira
visão. Smith viu dois anjos que ficaram parados sobre a terra. Eram eles, segundo
Smith, o Pai e o Filho e disseram-lhe que todas as igrejas estavam erradas e que ele
não deveria se unir a nenhuma delas, pois, o evangelho de Cristo logo seria
restaurado.
Smith teve ainda uma segunda visão, com 18 anos, nesta visão ele viu o anjo
Moroni que, segundo lhe disse, havia morado naquela mesma região há uns 1400
anos e que Mórmon, seu pai, era um profeta e tinha gravado a história do seu povo
em placas de ouro. Quando estava para ser destruído pelos inimigos escondeu-as,
enterrando no pé de um monte onde hoje é Palmira.
Moroni emprestou a ele o “Urim e Tumim” que eram lentes com as quais
traduziu as placas de ouro, cuja tradução recebeu o título de “O livro de Mórmons”.
Em 1830 devolveu as placas de ouro ao anjo que as guardam até hoje. Smith ainda
diz ter recebido de João Batista o sacerdócio de Arão e que na fundação da igreja
recebeu a revelação de que seria “O Profeta”. Smith teve 27 esposas e 44 filhos e ao
pregar a poligamia causou um cisma na igreja.
Após vários casos com a polícia, Smith e seu irmão Hiram foram sequestrados
e mortos a tiros em 27 de junho de 1844, em Carthage, Illinois, U.S.A.
Têm como principais literaturas o “Livro de Mórmon”; “Doutrinas e Pactos”;
“Pérola de Grande Valor” e o “Discurso do Ancião King Follet”. Não obstante O Livro
de Mórmon conter muito da Bíblia Sagrada, ele a condena como um livro mutilado e
cheio de erros, que Satanás usa para escravizar os homens. Isto é dito textualmente
em 1Nefi 13.28-29 e 2Nefi 29.3,6.
A opinião mais comum entre os estudiosos do mormonismo é que o conteúdo
de O Livro de Mórmon, em grande parte, foi tomado de um romance de Salomão
Spaulding, um pastor presbiteriano aposentado, que escreveu uma história fictícia dos
primeiros habitantes da América.
Unidade IV 26

DOUTRINAS E REFUTAÇÕES

Segundo Raimundo de Oliveira O próprio Joseph Smith, fundador do


mormonismo, escreveu aquilo que até hoje é aceito como "Regras de Fé d'A Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias", as quais se seguem 10:
1. Cremos em Deus, o Pai Eterno, e no seu Filho, Jesus Cristo, e no
Espírito Santo.
2. Cremos que os homens serão punidos pelos seus próprios pecados
e não pela transgressão de Adão.
3. Cremos que, por meio do sacrifício expiatório de Cristo, toda a
humanidade pode ser salva pela obediência às leis e regras do
Evangelho.
4. Cremos que os primeiros princípios e ordenanças do Evangelho são:
primeiro, fé no Senhor Jesus Cristo; segundo, arrependimento;
terceiro, batismo por imersão, para remissão dos nossos pecados;
quarto, imposição das mãos para o dom do Espírito Santo.
5. Cremos que um homem deve ser chamado por Deus, por profecia e
por imposição de mãos por quem possua autoridade para pregar o
Evangelho e administrar ordenanças.
6. Cremos na mesma organização existente na igreja primitiva, isto é,
apóstolos, profetas, pastores, mestres, evangelistas, etc.
7. Cremos no dom de línguas, na profecia, na revelação, nas visões, na
cura, na interpretação de línguas, etc.
8. Cremos ser a Bíblia a Palavra de Deus, quando for correta a sua
tradução; cremos também ser O Livro de Mórmon a Palavra de Deus.
9. Cremos em tudo o que Deus tem revelado, em tudo o que Ele revela
agora, e cremos que Ele ainda revelará muitas grandes e importantes
coisas pertencentes ao Reino de Deus.
10. Cremos na coligação literal de Sião, na restauração das Dez Tribos;
que Sião será construída neste continente (o norte-americano); que
Cristo reinará pessoalmente sobre a Terra, a qual será renovada e
receberá a sua glória paradisíaca.

10
OLIVEIRA. Op. Cit. p. 77.
Religiões e Seitas

11. Pretendemos ter o privilégio de adorar a Deus, o Todo-Poderoso, de


acordo com os ditames da nossa consciência, e concedemos a todos
os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar, como ou o que
quiserem.
12. Cremos na submissão aos reis, presidentes, governadores e
magistrados, como também na obediência, honra e manutenção da
lei.
13. Cremos ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos e
em fazer o bem a todos os homens. Na realidade, podemos dizer que
seguimos a admoestação de Paulo. Cremos em todas as coisas e
confiamos na capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa
virtuosa, amável e louvável, nós a procuraremos.

É CRISTÃO O MORMONISMO?

Esta talvez pareça ser uma pergunta enigmática para muitos mórmons, bem
como para alguns cristãos. Os mórmons dirão que eles incluem a Bíblia na lista dos
quatro livros que reconhecem como Escrituras, que sua crença em Jesus Cristo é
parte central de sua fé, e que isto é indicado pelo seu nome oficial, A Igreja de Jesus
Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Há Mais de um Deus Verdadeiro?


A Igreja Mórmon ensina que há muitos deuses, e que os seres humanos podem
vir a ser deuses e deusas no Reino Celestial. Eles ensinam ainda que aqueles que
alcançam a divindade teriam o que eles chamam de "filhos espirituais" que adorariam
e orariam a eles, assim como nós adoramos e oramos a Deus Pai11.
A Bíblia ensina, e os cristãos evangélicos têm crido através dos tempos, que
há um só Deus vivo e verdadeiro, e que além dEle não há outros deuses (Dt 6.4; Is
43.10-11; 44.6,8; 45.21-22; 46.9; Mc 12.29-34).

Deus Pai uma vez já foi homem como nós?


A Igreja Mórmon ensina que Deus Pai foi um homem como nós, que progrediu
até tornar-se um Deus e, mesmo nessa condição, continua a possuir um corpo de

11
O Livro de Abraão, 4.1-5.21 em A Perola de Grande Valor; Princípios do Evangelho, p. 9, 11, 290.
Unidade IV 28

carne e osso. Para completar, o mormonismo ensina que Deus tem um pai, um avô,
e assim sucessivamente12.
A Bíblia ensina, que Deus é espírito (Jo 4.24; 1Tm 6.15-16), que não é um
homem (Nm 23.19; Os 11.9; Rm 1.22, 23) e que sempre (eternamente) existiu como
Deus — onipotente, onipresente e onisciente (Sl 90.2; 139.7-10; Ap 19.6; Ml 3.6).

Jesus e Satanás são espíritos irmãos?


A Igreja Mórmon ensina que Jesus Cristo é nosso irmão mais velho, e que
progrediu até chegar a ser um deus, havendo primeiro sido gerado como um "filho
espiritual" por meio do Pai e de uma mãe celestial, e depois concebido fisicamente
pelo Pai e pela virgem Maria. A doutrina mórmon afirma que Jesus e Lúcifer são
irmãos13.
A Bíblia ensina, que Jesus é o único e verdadeiro Filho de Deus; Ele tem
sempre existido como Deus, e é co-eterno e co-igual com o Pai (Jo 1.1-14; 10.30; Cl
2.9).

Deus é uma trindade?


A Igreja Mórmon ensina que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três deuses
separados14.
Em todo o Novo Testamento o Filho e o Espírito Santo, bem como o Pai são
identificados separadamente como Deus, e agem como Deus (Filho: Mc 2.5-12; Jo
20.28; Fp 2.10-11; Espírito Santo: At 5.3-4; 2Co 3.17-18; 13:14); mas, ao mesmo
tempo, a Bíblia ensina que existe um só Deus, e que os três são manifestações
distintas do mesmo e único Deus.

O pecado de Adão e Eva foi um grande mal ou uma grande bênção?


A Igreja Mórmon ensina que o pecado de Adão era "um passo necessário no
plano da vida e uma grande bênção para toda a humanidade" 15.

12
Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, Mormon Doctrine, p. 365.
13
Princípios do Evangelho, Doutrinas de Salvação, Vol. 1, p. 9, 15-6, 54, 57.
14
Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, pp. 361-362; Mormon Doctrine, p. 576-7.
15
Princípios do Evangelho, p. 31; Doutrinas de Salvação, Vol. 1, p. 114-5; Livro de Mórmon, 2 Néfi 2.2.
Religiões e Seitas

A Bíblia ensina, que a queda do homem foi um grande mal, e que através disso
o pecado entrou no mundo, colocando todos os seres humanos debaixo da
condenação e da morte (Ez 18.1-20; Rm 5.12-21).

A morte de Cristo beneficia àqueles que a rejeitam?


A Igreja Mórmon ensina que a obra redentora de Cristo apenas garante o que
ela chama de "salvação geral", que consiste no fato das pessoas serem ressuscitadas
— acontecendo para todos, indiferente de terem aceito Jesus Cristo pela fé. Para eles,
a obra redentora não é suficiente em si mesma para dar a vida eterna. Em vez disso,
seria preciso acrescentar as nossas boas obras 16.
A Bíblia ensina, que a obra redentora de Cristo é, antes de mais nada, a solução
provida por Deus para o problema do pecado da humanidade (1Pe 2.24; 2Co 5.21; Ap
21.1-4).

Podemos nos fazer dignos diante de Deus por nossos próprios méritos?
A Igreja Mórmon ensina que todo homem receberá a salvação, referindo-se a
ela como sendo nada mais que "uma conexão inseparável do corpo e do espírito,
propiciada pela expiação e ressurreição do Salvador" 17. Mas, para obter a salvação
"máxima", que eles chamam de exaltação e que significaria "morar na presença de
Deus", a única possibilidade é se a pessoa perseverar "em fidelidade, guardando
todos os mandamentos do Senhor até o fim de sua vida terrena 18". As obras seriam
requisitos para se poder "morar na presença de Deus”19.
A Bíblia ensina, que nós somos salvos do nosso pecado e morte espiritual pela
provisão graciosa de Deus de perdão e vida eterna. Não podendo ser merecida nem
conquistada pelas nossas obras (Ef 2.8-9).

A Bíblia é a única e definitiva Palavra de Deus?


A Igreja Mórmon ensina que a Bíblia foi adulterada, tem perdido muitas de suas
verdades e que não contém o Evangelho em toda a sua plenitude 20.

16
Princípios do Evangelho, Doutrinas de Salvação, Vol. 1, p. 69, 291-2; Regras de Fé, p. 86, 88-9.
17
Princípios do Evangelho, Doutrinas de Salvação, Vol. 1, p. 359.
18
Princípios do Evangelho, Doutrinas de Salvação, Vol. 1, p. 292.
19
Terceira Regra de Fé; Doutrinas de Salvação, Vol. 2, p. 5.
20
Doutrinas de Salvação, Vol. 3, p. 190-1; Livro de Mórmon, 1 Néfi 13.26-29; Ensinamentos do Profeta Joseph
Smith, p. 12.
Unidade IV 30

A Bíblia ensina, que a Bíblia é a única, final e infalível Palavra de Deus (2Tm
3.16; Hb 1.1-2; 2Pe 1.21) e que ela permanecerá para sempre (1Pe 1.23-25).

A igreja primitiva caiu em apostasia total?


Ao contrário, a Igreja Mórmon ensina que houve uma grande e total apostasia
na igreja estabelecida por Jesus Cristo; este estado de apostasia "ainda prevalece,
exceto para aqueles que se voltarem para um conhecimento do 'evangelho
restaurado' pela Igreja Mórmon21"
A Bíblia ensina, e os cristãos evangélicos têm crido através dos tempos, que a
Igreja verdadeira foi divinamente estabelecida por Jesus e por isso nunca pode, nem
jamais poderá desaparecer da terra (Mt 16.18; Jo 17.11; 1Co 3.11). Os cristãos
genuínos admitem que têm havido tempos de corrupção e apostasia dentro da Igreja,
mas creem também que sempre tem existido, pela vontade de Deus, um
remanescente de pessoas que guardam e propagam os princípios fundamentais da
verdadeira doutrina de Cristo contida no Evangelho.

OUTRAS DOUTRINAS

Acerca de Jesus Cristo


"Ele não foi gerado pelo Espírito Santo...22".
"Jesus Cristo foi polígamo: Maria e Marta, as irmãs de Lázaro, eram suas
esposas pluralistas, e Maria Madalena era outra. Também a festa nupcial de Caná da
Galiléia, onde Jesus transformou água em vinho, realizou-se por ocasião de um dos
seus casamentos23".

Acerca da igreja
"É evidente que a Igreja foi literalmente expulsa da Terra; nos primeiros dez
séculos que seguiram logo após o ministério de Cristo, a autoridade do sacerdote foi
perdida entre os homens, e nenhum poder humano poderia restaurá-la. Mas o Senhor,
em sua misericórdia, providenciou o restabelecimento de sua Igreja nos últimos dias,

21
Mormon Doctrine, p. 44; Princípios do Evangelho, p. 100-1; Doutrinas de Salvação, Vol. 3, p. 269-75.
22
Revista de Discursos, 1-50.
23
Brigham Young, Wife nfl 19, 384.
Religiões e Seitas

e pela última vez [...] foi já demonstrado que essa restauração foi efetuada pelo Senhor
através do Profeta Joseph Smith"24.

Acerca do batismo pelos mortos


"Temos aqui [Hebreus 6.1,2] a explicação de como as portas de sua prisão
poderão ser abertas e eles postos em liberdade; pela crença do Evangelho, através
do batismo pelos mortos. Os que ainda estão na carne fazem trabalho vicário para os
seus mortos, e, assim tornam-se salvadores do monte Sião"25.

Acerca do matrimônio
"O matrimônio, na teologia mórmon, é um contrato sagrado, ordenado
divinamente. Sob a autoridade do sacerdote, um homem e uma mulher são casados
não somente para essa vida como maridos e esposas legais, mas também para a
eternidade"26.

Acerca do castigo eterno


"Não devemos dar uma interpretação particular a este termo; procuraremos
entender corretamente o seu significado. Castigo eterno é o castigo de Deus; sem fim
é a punição de Deus; ou, em outras palavras, é o nome da punição que Deus inflige,
sendo ele eterno em sua natureza. Por isso, todos aqueles que recebem castigo de
Deus, recebem um castigo eterno, dure este uma hora, um dia, uma semana, um ano
ou uma era"27.

Concluindo, os mórmons e os cristãos evangélicos têm em comum importantes


termos bíblicos e preceitos éticos. Contudo, os pontos já mencionados são alguns
exemplos das múltiplas diferenças fundamentais e inconciliáveis entre o cristianismo
bíblico e o mormonismo.

24
Mediação e Expiação, pp. 170-1, 178.
25
O Plano de Salvação, p. 32.
26
Quem São os Mórmons? p. 13.
27
O Plano da Salvação, p. 35.
UNIDADE V

ESPIRITISMO

O Espiritismo é uma doutrina religiosa baseada na crença na existência do


espírito (alma) independente do corpo e em seu retorno à Terra em sucessivas
encarnações, até atingir a perfeição. Creem na eternidade da alma e na possibilidade
de comunicação entre vivos e mortos, isto é, entre encarnados e desencarnados.
A prática atual do espiritismo de invocar os mortos, não é recente. O espiritismo
atual é a continuação da necromancia e magia dos tempos antigos. Até os Hebreus
chegaram a ponto de praticarem esta abominação, contrariando a expressa vontade
de Deus.
Hoje, o espiritismo está sob nova roupagem, mas a essência é a mesma,
apenas surgiram novos nomes. Hoje se diz: espiritismo, umbanda, macumba, etc, o
que era necromancia ou magia. Hoje se chama: médium, macumbeiro, pai de santo,
ou cavalo, estas mesmas figuras que eram chamadas de mago, pitonisa, adivinho,
feiticeiro. O que era: oráculos, cavernas, astros é hoje chamado, de centros, terreiros,
tendas, etc.
Através dos tempos, têm sido redutos do espiritismo a China, a Índia, a África
e os povos indígenas em geral.

ALLAN KARDEC

Allan Kardec, um professor francês, deu nova dimensão ao espiritismo,


codificando suas doutrinas, diríamos que ele foi o grande precursor do espiritismo no
mundo. Na realidade, seu verdadeiro nome era Leon Hipollyte Denizart Rivail. Adotou
o nome de Allan Kardec, pela revelação de um espírito. Ele é, ainda hoje, a figura
mais destacada do espiritismo.

RESUMO HISTÓRICO

Tudo começou com estranhos acontecimentos em 1847, envolvendo as irmãs


Fox (Margareth e Kate). Essas irmãs começaram a presenciar estranhos
Religiões e Seitas

acontecimentos em sua casa. Sons estranhos, lençóis arrancados das camas,


cadeiras e mesas tiradas do seu lugar. As meninas criaram um meio de se comunicar
com o autor desses fenômenos, que respondia às perguntas com um determinado
número de pancadas. A partir desse acontecimento, que recebeu ampla cobertura dos
meios de comunicação, sessões espíritas se propagaram por toda a América do
Norte.
Da Europa o espiritismo avançou para a América Latina. No Brasil, a primeira
sessão espírita kardecista deu-se em Salvador, Bahia, em 1865, dirigida por Luiz
Teles de Meneses. Em Salvador foi também fundado o primeiro jornal espírita
brasileiro, em 1873, “O Eco de Além-túmulo”. No Rio de Janeiro, Augusto Elias da
Silva, organizou a Federação Espírita Brasileira (FEB) em 1884, tendo, no ano anterior
(1883), fundado o jornal “O Reformador”, que é órgão oficial da FEB, até hoje.
Atualmente o Brasil tem quase 200 jornais espíritas.
O Brasil tem o maior número de espíritas em todo mundo. Todas as
ramificações do espiritismo somam 30 milhões de adeptos no Brasil (kardecistas,
umbandas, candomblé, quimbanda, esoterismo, ecletismo, rosacrucionismo,
teosofismo, legião da boa vontade, manto amarelo, dentre outras).
A forma de trabalho usada pelo espiritismo, é forte e vem influenciando muitas
pessoas. Com sua metodologia de divulgação através dos meios de comunicação,
como rádio, televisão, internet, jornais e revistas, conseguem através da numerologia,
signos, mapa astral, búzios, cartas, bolas de cristal e outros, alcançar muitos adeptos,
que uma vez influenciados por estas práticas, acreditam estar no caminho certo.

SUBDIVISÕES DO ESPIRITISMO

Raimundo de Oliveira classifica o Espiritismo em28:

Espiritismo Comum
1. Quiromancia - Adivinhação pelo exame das Linhas das mãos. O
mesmo que "quiroscopia".
2. Cartomancia - Adivinhação pela decifração de combinações de
cartas de jogar.

28
Oliveira. Op. Cit. p. 30-1.
UNIDADE V 34

3. Grafologia - Estudo dos elementos normais e principalmente


patológicos de uma personalidade, feito através da análise da sua
escrita.
4. Hidromancia - Arte de adivinhar por meio da água.
5. Astrologia - Estudo e/ou conhecimento da influência dos astros,
especialmente dos signos, no destino e no comportamento dos
homens; também conhecida como "uranoscopia".

Baixo Espiritismo ou Espiritismo Pagão


1. Vodu - Culto de negros antilhanos, de origem animista, e que se vale
de certos elementos do ritual católico. Praticado principalmente no
Haiti.
2. Candomblé - Religião dos negros ioruba, na Bahia.
3. Umbanda - Designação dos cultos afro-brasileiros, que se
confundem com os da macumba e dos candomblés da Bahia, xangô
de Pernambuco, pajelança da Amazônia, do catimbó e outros cultos
sincréticos.
4. Quimbanda - Ritual da macumba que se confunde com os da
umbanda.
5. Macumba - Sincretismo religioso afro-brasileiro derivado do
candomblé, com elementos de várias religiões africanas, de religiões
indígenas brasileiras e do catolicismo.

Espiritismo Científico ou Alto Espiritismo


1. Ecletismo - Sistema filosófico dos que não seguem sistema algum,
escolhendo de cada um a parte que lhe parece mais próxima da
verdade.
2. Esoterismo - Doutrina ou atitude de espírito que preconiza que o
ensinamento da verdade deve reservar-se a um número restrito de
iniciados, escolhidos por sua influência ou valor moral.
3. Teosofismo - Conjunto de doutrinas religioso-filosóficas que têm por
objetivo a união do homem com a divindade, mediante a elevação
progressiva do espírito até a iluminação. Iniciado por Helena
Religiões e Seitas

Petrovna Blavastky, mística norte-americana (1831-1891), fanática


adepta do budismo e do lamaísmo.

EXEMPLOS DE ESPIRITISMO CIENTÍFICO OU ALTO ESPIRITISMO

1. L.B.V: Legião da Boa Vontade, voltada para assistência social,


mantém atualmente creches, asilos, orfanatos, escolas, programas
de TV e rádio.
2. Rosa-Cruz: Sociedade secreta semelhante a maçonaria;
3. Maçonaria: Sociedade secreta baseada na cabala, astrologia,
numerologia etc.
4. Teosofia: Conjunto de doutrinas religioso-filosóficas, cujo lema
principal é a união do homem com a divindade.
5. Movimento Cristão Gnóstico Universal: Movimento baseado no
conhecimento espiritual e filosófico que procura elevar o homem a
divindade.
6. Esoterismo: Doutrina ou atitude de espírito que frisa que o
ensinamento da verdade deve reservar-se aos iniciados, escolhidos
por sua inteligência e valor moral.
7. Pró-Vida: Movimento responsável pela maior divulgação das ideias
da Nova Era no Brasil.

ESPIRITISMO KARDECISTA

1. Possibilidade de se comunicar com espírito desencarnados.


2. Crença na reencarnação.
3. Crença de que ninguém pode impedir o homem de sofrer as
consequências de seus atos.
4. Existem muitos mundos habitados.
5. A caridade como virtude única.
6. Deus, embora exista, é um ser impessoal, habitando um mundo
longínquo.
7. Mais perto dos homens estão os “espíritos guias”.
8. Jesus foi um médium e reformador judeu e nada mais.
9. Não se faz necessária a expiação, uma vez que o homem nasce bom.
UNIDADE V 36

10. Não houve queda do homem no Éden e nem em outro momento


algum da história.
11. O inferno não existe.
12. A igreja cristã é barreira ao progresso e ao desenvolvimento humano.
13. Crer na Bíblia como livro santo e inspirado é um ultraje.

HINDUÍSMO

O Hinduísmo é a principal religião da Índia. É um tipo de união de crenças com


estilos de vida. Sua cultura religiosa é a união de tradições étnicas. Atualmente é a
terceira maior religião do mundo em número de seguidores. Tem origem em
aproximadamente 3.000 a.C. na antiga cultura Védica.
O Hinduísmo da forma que o conhecemos hoje é a união de diferentes
manifestações culturais e religiosas. Além da Índia, tem um grande número de
seguidores em países como, por exemplo, Nepal, Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka
e Indonésia.

CRENÇAS

Aqueles que seguem o Hinduísmo devem respeitar as coisas antigas e a


tradição; acreditar nos livros sagrados; crer nas divindades; persistir no sistema das
castas (determina o status de cada pessoa na sociedade); ter conhecimento da
importância dos ritos; confiar nos guias espirituais e, ainda, acreditar na existência de
encarnações anteriores.
O nascimento de uma pessoa dentro de uma casta é resultado do carma
produzido em vidas passadas. Somente os brâmanes, pertencentes as castas
"superiores" podem realizar os rituais religiosos hindus e assumir posições de
autoridade dentro dos templos.

DIVINDADES

Os hindus são politeístas (acreditam em vários deuses). São os principais:


Brahma (representa a força criadora do Universo); Ganesha (deus da sabedoria e
sorte); Matsya (aquele que salvou a espécie humana da destruição); Sarasvati (deusa
Religiões e Seitas

das artes e da música); Shiva (deus supremo, criador da Ioga), Vishnu (responsável
pela manutenção do Universo).

BUDISMO

O budismo não é só uma religião, mas também um sistema ético e filosófico,


originário da região da Índia. Foi criado por Sidarta Gautama (563 - 483 a.C.?),
também conhecido como Buda. Este criou o budismo por volta do século VI a.C. Ele
é considerado pelos seguidores da religião como sendo um guia espiritual e não um
deus. Desta forma, os seguidores podem seguir normalmente outras religiões e não
apenas o budismo.
O início do budismo está ligado ao hinduísmo, religião na qual Buda é
considerado a encarnação ou avatar de Vishnu. Esta religião teve seu crescimento
interrompido na Índia a partir do século VII, com o avanço do islamismo e com a
formação do grande império árabe. Mesmo assim, os ensinamentos cresceram e se
espalharam pela Ásia. Em cada cultura foi adaptado, ganhando características
próprias em cada região.
O budismo se estabeleceu no Japão por volta do ano 575.

OS ENSINAMENTOS, A FILOSOFIA E OS PRINCÍPIOS

Os ensinamentos do budismo têm como estrutura a ideia de que o ser humano


está condenado a reencarnar infinitamente após a morte e passar sempre pelos
sofrimentos do mundo material. O que a pessoa fez durante a vida será considerado
na próxima vida e assim sucessivamente. Esta ideia é conhecida como carma. Ao
enfrentar os sofrimentos da vida, o espírito pode atingir o estado de nirvana (pureza
espiritual) e chegar ao fim das reencarnações.
Para os seguidores, ocorre também a reencarnação em animais. Desta forma,
muitos seguidores adotam uma dieta vegetariana.
A filosofia é baseada em verdades: a existência está relacionada a dor, a
origem da dor é a falta de conhecimentos e os desejos materiais. Portanto, para
superar a dor deve-se antes livrar-se da dor e da ignorância. Para livrar-se da dor, o
homem tem oito caminhos a percorrer: compreensão correta, pensamento correto,
UNIDADE V 38

palavra, ação, modo de vida, esforço, atenção e meditação. De todos os caminhos


apresentados, a meditação é considerada o mais importante para atingir o estado de
nirvana.
A filosofia budista também define cinco comportamentos morais a seguir: não
maltratar os seres vivos, pois eles são reencarnações do espírito, não roubar, ter uma
conduta sexual respeitosa, não mentir, não caluniar ou difamar, evitar qualquer tipo
de drogas ou estimulantes. Seguindo estes preceitos básicos, o ser humano
conseguirá evoluir e melhorará o carma de uma vida seguinte.
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