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PODER JUDICIÁRIO

INFORMACÕES SOBRE ESTE DOCUMENTO NUM. 61


Nr. do Processo 0501643-20.2013.4.05.8013S Autor Eliane Cavalcante Neto
UFAL - Universidade Federal de
Data da Inclusão 12/11/2013 20:30:30 Réu Alagoas
Ana Karênina Rodrigues Pacífico Chagas às 08/11/2013
Última alteração 11:14:30
Juiz(a) que validou FREDERICO WILDSON DA SILVA DANTAS

PROCESSO 0501643-20.2013.4.05.8013

Recorrente: UFAL – Universidade Federal de Alagoas


Recorrido: Eliane Cavalcante Neto
Juiz sentenciante: Marcelo Barbi Gonçalves

VOTO-EMENTA

ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. DESVIO DE FUNÇÃO. PAGAMENTO DE DIFERENÇAS


SALARIAIS COM BASE NA REMUNERAÇÃO DE TÉCNICO DE ENFERMAGEM. SENTENÇA DE
PROCEDÊNCIA. RECURSO PROVIDO.
1. O conjunto sistemático de atividades, atribuições e poderes laborativos, integrados entre si, que formam uma unidade no
contexto da divisão do trabalho estruturada definem a função. Por sua vez, a tarefa consiste em uma atividade específica,
estrita e delimitada, existente na divisão do trabalho estruturada. É uma atribuição ou ato singular no contexto da prestação
laboral.
2. Uma mesma tarefa pode estar presente na composição de mais de uma função, sem que isso venha necessariamente a
comprometer a identidade própria e distintiva de cada uma das funções comparadas. A tarefa de fazer curativos, por
exemplo, pode estar presente nas funções de Auxiliar de Enfermagem, Técnico de Enfermagem, bem como de Enfermeiros.
3. O que se verifica no presente caso é que a autora, por ter executado determinadas tarefas comuns ao cargo de Técnico de
Enfermagem, acreditou estar desempenhando atribuições de Técnico de Enfermagem. Contudo, uma mesma tarefa pode
compor várias funções, conforme salientado anteriormente, sem, necessariamente, comprometer a identidade própria e
distintiva de cada uma das funções comparadas.
4. Na análise do disposto no art. 11 do decreto n.º 94.406/87, verifica-se que o legislador apresentou uma série de
atividades a serem executadas pelo Auxiliar de Enfermagem que são comuns as desenvolvidas pelo Técnico de
Enfermagem. Assim, verifica-se que o Técnico de Enfermagem posto ter qualificação superior em relação ao Auxiliar de
Enfermagem pratica todos os atos inerentes às suas funções (previstas no art. 10 do Decreto n.º 94.406/87), e pratica
também aqueles inseridos na esfera de competência dos Auxiliares de Enfermagem. Esta mesma dinâmica observa-se com
os enfermeiros que podem praticar atos inseridos na esfera de competência dos técnicos e auxiliares de enfermagem.
5. Para que fique configurado o desvio de função, exige-se a prova de que o trabalho exercido é fruto de esforço intelectual
próprio, que não necessita supervisão constante, e que detenha a responsabilidade pelo trabalho desenvolvido e autonomia
para decidir frente a situações conflitantes.
6. Dessa forma, tem-se que o mero desempenho das tarefas apontadas na inicial, associada à confirmação do exercício das
mesmas por testemunha, não caracteriza o desvio de função, até porque, in casu, as atividades exercidas pela recorrente não
destoam das exercidas pelos Técnicos de Enfermagem. Na realidade, constata-se que o nível de complexidade a elas
relativo está dentro da exigência do grau de instrução requerido no concurso público prestado pela parte autora.
7. Ademais, tem-se que a investidura em cargo público efetivo, após a Carta Magna de 1988, ocorre, exclusivamente,
mediante aprovação em concurso público, devendo o servidor exercer as funções inerentes ao cargo para o qual foi
admitido, sendo vedado o desvio de função. Desta feita, verifica-se que ao servidor é devida, apenas, a percepção dos
vencimentos do cargo para o qual foi admitido, ainda que, erroneamente, tenham exercido de forma temporária outras
atribuições. Não se mostra admissível, portanto, a correção de um erro pela prática de outro, em detrimento do interesse
público.
8. A administração pública está adstrita ao princípio da legalidade. Inexistindo previsão legal de pagamento de vencimentos
diferenciados, em caso de desvio de função, está à mesma impossibilitada de assim proceder.
9. Recurso conhecido e provido, para, reformando a sentença de piso, declarar, com base nos argumentos acima expostos,
pela improcedência do pleito autoral.

ACÓRDÃO

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Vistos, relatados e discutidos os autos, à unanimidade, ACORDAM os Juízes da Turma Recursal da Seção Judiciária de
Alagoas, à UNANIMIDADE em DAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do Relator. Participaram do
julgamento os Juízes Federais Frederico Wildson da Silva Dantas, Felini de Oliveira Wanderley e Sérgio José
Wanderley de Mendonça.
Maceió/AL 12 de novembro de 2013
FREDERICO WILDSON DA SILVA DANTAS
Juiz Federal Relator

Visualizado/Impresso em 21 de Novembro de 2013 as 16:45:59

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