Você está na página 1de 3

30/10/2018 Buke shohatto – Wikipédia, a enciclopédia livre

Buke shohatto
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O Buke shohatto (武家諸法度, lit. Vários pontos legais para famílias de guerreiros?) foi uma coleção de editos do
xogunato  Tokugawa  regulando  as  atividades  e  responsabilidades  dos  daimyō  (senhores  feudais)  e  o  resto  da
aristocracia  guerreira  samurai.  Estes  formaram  a  base  do  bakuhan  taisei  (sistema  de  domínios  do  xogunato)  que
remete  à  fundação  do  regime  Tokugawa.  Os  conteúdos  dos  editos  foram  vistos  como  um  código  de  conduta,  uma
descrição do comportamento adequado de um daimyō, e não simples leis a serem obedecidas. Aplicando as noções de
moral e honra, portanto, o xogunato viu o cumprimento das leis apesar da não­possibilidade de controle direto.

Os artigos primeiramente foram lidos a um grupo de daimyō pelo xogun aposentado Tokugawa Ieyasu, no Castelo de
Fushimi no sétimo mês lunar de 1615. Foram compilados por um grupo de acadêmicos do xogunato, incluindo Ishin
Sūden, e visavam inicialmente limitar o poder dos daimyō e assim proteger o controle do xogunato sobre o país.

O xogun da época, o filho de Ieyasu, Tokugawa Hidetada, formalmente promulgou os editos, e cada xogun sucessor os
renovou,  reforçando  as  restrições  aos  daimyō  e  o  controle  do  xogunato.  Durante  essas  significativas  gerações,  no
entanto, as regras se desenvolveram e mudaram significantemente.

Índice
Artigos promulgados em 1615
Promulgados em 1635
Promulgações posteriores
Notas
Referências

Artigos promulgados em 1615
1. A classe samurai deve se devotar a propósitos adequados à classe guerreira, como arquearia, esgrima, hipismo e
literatura clássica.
2. Diversões e entretenimento devem ser mantidos com ressalvas e não deverão ser atividades caras.
3. Os han (domínios feudais) não são para fugitivos de portos e foras­da­lei.
4. Os domínios devem expulsar rebeldes e assassinos em serviço de seus territórios.
5. Daimyō não poderão se engajar em atividades sociais com pessoas de outros domínios (nem samurais ou o povo).
6. Castelos podem ser reparados, mas essa atividade deve ser reportada ao xogunato. Inovações estruturais e
expansões são proibidas.
7. A formação de revoltas e conspirações em domínios vizinhos devem ser imediatamente reportadas ao xogunato,
bem como se deverá expandir defesas, fortificações e forças militares.
8. Casamentos entre daimyō e outras pessoas de influência não poderão ser arranjados em âmbito privado.
9. Os daimyō deverão se apresentar em Edo para serviço ao xogunato.
10. Convenções que determinam uniformes formais devem ser seguidas.
11. Pessoas comuns não poderão andar em liteiras.
12. Samurais do reino deverão praticar a frugalidade.
13. Os Daimyō deverão escolher homens hábeis para servir como administradores e burocratas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Buke_shohatto 1/3
30/10/2018 Buke shohatto – Wikipédia, a enciclopédia livre

O  edito  de  1615  continha  o  núcleo  do  xogunato,  seguindo  os  códigos  de  conduta  dos  samurais.  Políticas  similares
foram impostas ao povo e reforçadas ao longo do Período Edo.

Alguns  itens  afirmavam  a  necessidade  da  frugalidade,  um  conceito  central  das  noções  confucianas  de  governo
adequado. Outros se referem a leis de suntuário, regulando como as pessoas deveriam se apresentar, suas roupas, seus
meios de transporte, e outras regras.

Alguns itens foram incluídos para prevenir a formação de alianças contra o xogunato, por exemplo, os itens regulando
os  casamentos  entre  famílias  de  daimyō.  Os  fudai  daimyō  tinham  menos  poder,  eram  mais  confiáveis  para  o
xogunato, e poderiam ser facilmente punidos com a perda dos domínios e privilégios. No entanto, os tozama daimyō
eram  muito  mais  poderosos  e  menos  confiáveis  e  o  xogunato  carecia  de  força  para  lhes  impor  diretamente  suas
políticas para os domínios tozama e temia potencias alianças militares entre vários domínios tozama.

Regulamentos sobre a construção, expansão e reparo de fortificações também servem para prevenir a criação de forças
que poderiam ir contra o xogunato, como faz uma referência à política do sankin kōtai,  segundo  a  qual  os  daimyō
deveriam fazer peregrinações regulares a Edo, para se apresentarem a serviço.

Promulgados em 1635
Os editos foram relançados em 1629, e novamente em 1635, pelo terceiro xogun Tokugawa, Iemitsu. Embora houvesse
várias alterações, a maioria das estipulações eram sobre os mesmos temas. Daimyō  foram  impedidos  de  se  rebelar,
formar  alianças  e  partidos,  e  jurar  lealdade  a  outro.  O  sistema  do  sankin  kōtai  foi  mais  detalhado  neste  edito,  e
descrito mais especificamente.

Esse ano é também significativo pela implementação de políticas classificadas como kaikin (proibições marítimas), às
vezes  referidas  como  Editos  Sakoku.  Ainda  que  as  restrições  marítimas  não  apareçam  na  versão  de  1635  do  buke
shohatto, algumas políticas de viagens domésticas e religião são descritas.

Algumas novas estipulações são as seguintes:

1. Deve­se tomar cuidado ao manter estradas, barcos, pontes e docas para se facilitar as comunicações.
2. Postos privados de pedágio são proibidos, assim como a eliminação de rotas de balsas existentes.
3. Navios capazes de carregar mais de 500 koku são proibidos de serem construídos.[1]
4. Terras pertencentes a santuários xintoístas e templos budistas não poderão ser tomados destes.
5. O cristianismo é proibido.

Promulgações posteriores
Os  editos  foram  republicados  a  cada  sucessão  dos  xoguns.  As  promulgações  sob  Tokugawa  Ietsuna,  Tokugawa
Tsunayoshi e Tokugawa Ienobu em 1663, 1683 e 1710 respectivamente contaram com alterações no estilo, apesar de
poucas  mudanças  substanciais.  Entre  as  novas  estipulações  estavam  as  proibições  do  junshi  (suicídio  ritual  para
acompanhar a morte de um senhor feudal), de abusos de poder e da aceitação de subornos, e a supressão da opinião
popular, junto com estipulações sobre sucessão de daimyō em um clã ou domínio.

Os sete xoguns seguintes republicaram o buke shohatto na forma de 1683, com apenas poucas mudanças de estilo.
Ainda  que  os  editos  fossem  pronunciados  juntamente  com  os  Shoshi  hatto  (leis  para  samurais),  estes  últimos  se
tornaram demasiadamente obsoletos após 1683 e absorvidos pelo corpo das ordens xogunais e das proibições (kinrei­
ko).

Notas
1. Hall (1991), pp. 194­195

https://pt.wikipedia.org/wiki/Buke_shohatto 2/3
30/10/2018 Buke shohatto – Wikipédia, a enciclopédia livre

Referências
Hall, John Carey. (1910). The Tokugawa Legislation. Yokohama. pp. 286–319 (http://www.uni­erfurt.de/ostasiatische
_geschichte/texte/japan/dokumente/17/tokugawa_legislation/). Accessed 30 July 2007.
Sansom, George (1961). "A History of Japan: 1334–1615." Stanford, California: Stanford University Press, pp. 401–
6.
Sansom, George (1963). "A History of Japan: 1615–1867." Stanford, California: Stanford University Press.
Hall, John Whitney (1991). Cambridge History of Japan, Volume 4. New York: Cambridge University Press. ISBN
0521223555.

Obtida de "https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Buke_shohatto&oldid=49770350"

Esta página foi editada pela última vez às 04h28min de 5 de setembro de 2017.

Este texto é disponibilizado nos termos da licença Atribuição­CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada (CC BY­SA 3.0) da
Creative Commons; pode estar sujeito a condições adicionais. Para mais detalhes, consulte as condições de
utilização.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Buke_shohatto 3/3