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A PAZ ETERNA ENTRE

JUDEUS E ÁRABES NA TERRA

VOLUME II

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G U S TA V O T E L E S

A PAZ ETERNA ENTRE


JUDEUS E ÁRABES NA TERRA

VOLUMEII

Rio de Janeiro, 2018

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A paz eterna entre judeus e árabes na Terra: Volume II
Teles, Gustavo

isbn: 978-85-518-1024-8
1ª edição, maio de 2018.

capa e editoração eletrônica: Talita Almeida

Editora Autografia Edição e Comunicação Ltda.


Rua Buenos Aires, 168 – 4º andar, Centro
rio de janeiro, rj – cep: 20070-022
www.autografia.com.br

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É proibida a reprodução deste livro com fins comerciais sem
prévia autorização do autor e da Editora Autografia.

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Dedico a Deus, ao universo, ao Planeta Terra, ao Brasil, a
Caxias, a São Luís, a Parnaíba, a Teresina, ao Rio de Janei-
ro, aos meus pais, à minha família, aos meus amigos, aos cris-
tãos, aos judeus, aos árabes, à humanidade, à editora Auto-
grafia e à uma doutora que, com sua doçura e encanto, me
inspirou a criar esta obra de amor sobre o fato histórico mais
importante da história da humanidade: o conflito milenar en-
tre judeus e árabes.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
CAPÍTULO I
A JUDEIA ROMANA E O INÍCIO DA PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS. . . 11
CAPÍTULO II
A MORTE DE JERUSALÉM E O NASCIMENTO DA PALESTINA . . . . . . 29
CAPÍTULO III
A PESTE DE CIPRIANO E A CRISE DO IMPÉRIO ROMANO . . . . . . . . . 39
CAPÍTULO IV
O FIM DA PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS E AS LUTAS COM OS
BÁRBAROS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
CAPÍTULO V
AS INVASÕES HUNAS, GERMANAS E A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO
DO OCIDENTE. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
CAPÍTULO VI
CONSTANTINOPLA E O NASCIMENTO DO PROFETA MAOMÉ. . . . . . . 89
CAPÍTULO VII
O PROFETA MAOMÉ E O NASCIMENTO DO ISLAMISMO. . . . . . . . . . . 105
CAPÍTULO VIII
A INVASÃO DOS ÁRABES NA PENÍNSULA IBÉRICA. . . . . . . . . . . . . . 125
CAPÍTULO IX
O EMIRADO DE CÓRDOVA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141
CAPÍTULO X

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O EMIRADO DE CÓRDOVA E O REINO DE LEÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . 155
CAPÍTULO XI
O CALIFADO DE CÓRDOVA E O INÍCIO DAS CRUZADAS . . . . . . . . . . . 171
CAPÍTULO XII
AS CRUZADAS E O MASSACRE DOS JUDEUS EM JERUSALÉM . . . . . 185
CAPÍTULO XIII
O SAQUE DE ZARA E A DESTRUIÇÃO DE CONSTANTINOPLA . . . . . . 211
CAPÍTULO XIV
A PESTE NEGRA E A GUERRA DOS CEM ANOS ENTRE A INGLATERRA E
A FRANÇA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 229
CAPÍTULO XV
O REINO DE GRANADA E A DESCOBERTA DA AMÉRICA . . . . . . . . . . 249
CAPÍTULO XVI
MARTINHO LUTERO E A INQUISIÇÃO DO TRIBUNAL DA IGREJA
CATÓLICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 261
CAPÍTULO XVII
O INCÊNDIO DE LONDRES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 275
CAPÍTULO XVIII
A REVOLUÇÃO FRANCESA E A IGUALDADE DOS JUDEUS PERANTE AS
LEIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 297
CAPÍTULO XIX
OTTON VON BISMARCK E A EXPULSÃO DOS JUDEUS DA RÚSSIA. . . 329
CAPÍTULO XX
O FIM DA BELA ÉPOCA E O INÍCIO DA PRIMEIRA GUERRA
MUNDIAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 349

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 383

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INTRODUÇÃO

S
audações querido(a) leitor(a). Como foi visto no livro
I, durante a Antiguidade Clássica da história da humanidade, os ju-
deus, em seu processo judicial contra os árabes, alegaram que as ter-
ras de Canaã (Israel) foram dadas aos judeus por meio do judaísmo (Velho
Testamento). Os árabes, em petição de contestação, contestaram as alega-
ções dos judeus alegando que as terras de Canaã pertenciam a milhares de
anos ao povo árabe. Para resolver a disputa pela posse da terra de Canaã, os
escribas judeus em 1100 a.C. criaram o judaísmo, o Deus único de Abraão,
o inferno, o diabo, os demônios, fizeram justiça com as próprias mãos e to-
maram as terras dos árabes à força e à força os árabes retomaram as terras rou-
badas pelos judeus. Por Canaã judeus e árabes começaram uma guerra de
milhares de anos. Durante a guerra milenar entre os judeus e os árabes no
Planeta Terra, apareceu um terceiro grupo alegando que a terra de Canaã
pertencia a ele e deste terceiro grupo faz parte os cristãos.
Neste livro II veremos como os judeus conseguiram, com a ajuda do ju-
daísmo, do cristianismo e do islamismo fazer os romanos, os germanos e os
índios americanos crerem em infernos, diabos e demônios que só existem
em livros de religião, mitologia antiga, peças teatrais, filmes de terror, pintu-
ras de arte e no imaginário doentio da humanidade.
O livro I trata da queda da Suméria ao nascimento de Jesus Cristo. O li-
vro II trata do nascimento de Jesus Cristo ao início da Primeira Guerra Mun-
dial. Como o livro I, o livro II é um conjunto harmônico de contos poéti-
cos em forma de rimas e versos de amor e saudade que, como o primeiro,

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tem por objetivo narrar o sofrimento dos judeus durante 3 mil e 100 anos dos
quais fazem parte a Idade Média, moderna e contemporânea da história da hu-
manidade.
Depois de ler atentamente este livro, você entenderá facilmente por que os
judeus foram quase todos exterminados da face da terra pelos nazistas durante a
Segunda Guerra Mundial. Esta obra política, jurídica e espiritual é um roman-
ce de ficção científica baseado em fatos reais cuja missão principal é levar a paz
ao conflito milenar entre os judeus e os árabes. Se você ama a verdade, amará
este livro, pois como no volume I, é da verdade sobre os fatos que ele trata. Um
abraço de luz em seu coração.
Cordialmente, seu amigo,
Dr. Luís Gustavo Rodrigues Teles.

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CAPÍTULO I

A JUDEIA ROMANA E O INÍCIO DA


PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS

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E
m 33, no mar Mediterrâneo, num barco de guerra ro-
mano, o soldado romano Juliano (Enok) chegou ao porto da Judeia
romana. Desceu da Galé e marchou com outros soldados em dire-
ção ao quartel-general do exército romano em Jerusalém. No castelo do rei
de Jerusalém, Herodes Agripa I, Juliano sentou-se para almoçar e um solda-
do romano lhe disse:
– Está vindo de Roma, meu rapaz?
– Estou.
– Já ouviu falar de Jesus Cristo?
– Ainda não. Quem é ele?
– Dizem os judeus que é o filho de Deus que desceu à terra, prati-
cou muitos milagres, foi crucificado aqui em Jerusalém e ressuscitou 3
dias depois.
– Que tipos de milagres ele praticou?
– Curar doentes, multiplicar pães e peixes, converter o vinho em água,
andar sobre a água, ressuscitar um morto e a si próprio.
– Onde ele está?
– Fugiu para não ser crucificado de novo.
– O que ele fez de errado para ser crucificado?
– Estava incitando as massas de judeus a se revoltar e se libertar da Ju-
deia romana.
– Ele era judeu?
– Era.
– Foram os judeus que criaram o monoteísmo em 1133 anos atrás,
não foi?

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– Foi. O monoteísmo, ou crença em um só Deus, é a base da religião ju-
daica dos hebreus. Por causa de tal crença, os árabes os odeiam e eles odeiam
os árabes.
Assim que o sol foi se pondo em Jerusalém, alguns judeus corriam atrás
de uma moça chamada Adelle (Leia) com um pão nas mãos. Ela caiu no
chão. Os homens que a perseguiam, pegaram pedras para apedrejá-la e uma
lança de madeira com ponta de aço foi arremessada na areia entre a moça e
os judeus. Os judeus olharam para juliano e um deles lhe disse:
– Por que nos impede de fazer justiça?
– Apedrejar uma jovem caída no chão por causa de um pão? É isto o que
vocês entendem por justiça?
– A palavra de Deus do judaísmo diz que o crime de roubo deve ser pu-
nido com a pena de morte para que o ladrão seja libertado do demônio.
– O que leva os seres humanos a roubarem não é o demônio, mas a mi-
séria e a fome.
– Nosso povo não passaria fome se o Império Romano não tivesse inva-
dido nosso território.
– Nada justifica a morte de um ser humano por causa de furto e roubo,
pois o Deus que vocês amam, também vive dentro dos corações dos ladrões.
– Deus não vive dentro de ladrões como vocês romanos. Vamos apedre-
jar este soldado ladrão irmãos.
Os judeus começaram a jogar pedras no escudo de Juliano e correram
com a chegada de outros soldados romanos. Juliano disse a Adelle (Leia):
– Você está bem?
– Estou. Obrigado por salvar a minha vida.
– De nada.
– Vai me prender?
– Vou não. Você está livre. Levante-se e perdoe os seus perseguidores,
pois com o ódio que estão sentindo dos árabes e de nós romanos, eles não
podem ver dentro de seus corações o Deus que tanto amam. Deixe esse pão

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aí no chão. Eu lhe dou dinheiro para você comprar comida. Tome. Isto é
tudo o que tenho.
– É muita bondade a sua. Eu nem sei como lhe agradecer.
– Diga obrigado ou então pode me dar um beijo e um abraço.
– Muito obrigada.
Ela o abraçou e o beijou. Ele largou o escudo no chão e a abraçou. En-
quanto a beijava de olhos fechados, sentiu o amor de Deus surgindo em seu
coração como uma estrela surgindo na escuridão do universo. Após o beijo,
Juliano pegou o escudo no chão e lhe disse:
– Este escudo pode me proteger de pedras, lanças, espadas e flechas,
mas não pode me proteger de sofrer de saudade quando eu não estiver mais
com você.
– Você me ama?
– Amo. Eternamente e para sempre.
– Apesar de nossos povos serem inimigos, eu também amo você.
– Como você se chama?
– Eu me chamo Adelle e você?
– Eu me chamo Juliano. Muito prazer em conhecê-la.
– Prazer maior ainda é o meu. Você é casado?
– Sou não. Pois se eu fosse, eu jamais me atreveria a beijar outra mulher.
Aceita jantar comigo?
– Aceito.
Os judeus que estavam ali observando os dois caminhando de mãos da-
das, bateram palmas enquanto os soldados romanos sorriam. Ao chegarem
a uma tenda, o dono dela mandou assar um carneiro enquanto as estrelas e
a lua cheia iluminavam o amor de Deus que estavam sentindo um pelo ou-
tro dentro de seus corações. Enquanto Juliano bebia vinho, Adelle cantava:
– Eu roubei um pão esta tarde e aqueles de roubei correram atrás de
mim para me matar, eu caí no chão com o pão na mão e aqueles que me
perseguiam pegaram pedras em suas mãos para me apedrejar e um corajoso

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soldado romano me salvou de morrer por causa de um pão. Ele é o meu he-
rói, o meu protetor e também o meu amor.
– Vê aquela árvore.
– Vejo.
– Ela era uma pequena semente que foi trazida de uma terra distante
por um passarinho a Jerusalém. O passarinho planta a semente na terra e o
sol e a chuva fazem ela germinar e florescer. Como o passarinho que trouxe
de uma árvore a semente de um lugar distante para Jerusalém, você, como
um anjo, trouxe o amor de Deus do céu para plantar dentro do meu coração
que floresceu de alegria e de paz ao beijá-la. Eu odiava vocês, judeus. Mas foi
odiando que eu descobri algo muito importante em minha vida.
– Que algo é este?
– Que da escuridão surge a estrela, que da noite surge o dia, que da lama
surge a flor, que do medo surge a coragem, que da ignorância surge a sabe-
doria, que da morte surge a vida e que do ódio, surge o amor.
– O amor de Deus é muito poderoso, pois só ele é capaz de fazer dois
inimigos, dois amigos e um ser humano infeliz em um ser humano feliz.
– Como queima na lenha o fogo, queima também minha alma de amor
por você.
– Quanto mais lenha o fogo queima, mais intenso ele fica e quanto mais
te vejo e ouço, mais intenso por você fica o meu amor.
– De onde você é?
– Eu sou de Roma.
– Como é lá?
– É um lugar muito frio, cheio de verde e água em todo lugar.
– Quanto tempo você vai ficar aqui?
– Só até amanhã.
– O que você veio fazer aqui?
– Eu vim trazer ordens do imperador Tibério ao rei de Jerusalém.

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– Vai me deixar aqui para que os judeus me matem por ter me apaixona-
do e jantado com um soldado romano?
– Vou não. A menos que não queira ir para Roma comigo.
Após o jantar, Juliano e Adelle foram namorar na casa dela e assim que
amanheceu, partiram para o porto da Judeia, entraram em uma Galé civil
romana movido a remos, velas e partiram pelo mar Mediterrâneo em dire-
ção à Roma. No mar Mediterrâneo, próximo à Ilha de Creta, na Grécia, Ju-
liano disse a Adelle:
– Adelle meu amor, aquela ali é a ilha grega de Creta.
– Foi ali que surgiu a democracia?
– Foi não. A democracia surgiu na ilha de Atenas.
– Roma já foi uma República, não foi?
– Foi por 536 anos. Teve seu fim há 60 anos atrás.
– Qual foi a causa ou as causas que puseram fim à República Romana?
– Corrupção no governo, instabilidade política e guerras civis.
– Quem foi o primeiro imperador romano?
– Foi o imperador Caio Otávio.
– Qual é a história dele?
– Era o filho adotivo do líder político e militar Júlio César, responsável
direto pela mudança da República Romana para o Império Romano.
– O que o Caio Otávio fez de importante?
– Criou o segundo triunvirato com Marco Antônio e Lépido após a mor-
te de Júlio César e dividiu a República Romana em três partes iguais que as
governaram como ditadores militares.
– Quem era o imperador Marco Antônio?
– Era o amante da Cleópatra, rainha do Egito com quem junto fez guer-
ra civil em 31 na batalha de Aacio com o imperador romano Otaviano e per-
deu, o que o levou ao suicídio com a sua amante e rainha do Egito.
– E o Lépido?

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– Foi um competente general romano que após a batalha de Aacio, foi
condenado ao exílio por Otaviano que recebeu do senado romano em segui-
da os títulos de Augusto e imperador de Roma.
– E Roma?
– É a cidade eterna.
– Por que se chama assim?
– Por que tem 2500 anos de história.
– É nova em comparação a Jerusalém.
– Quantos anos tem Jerusalém?
– 4000 anos.
– Está com saudade de lá?
– Estou não. Estou é feliz por estar bem longe de lá onde queriam me
matar por causa de um pão. Já faz quase um século que nós judeus estamos
sobre o controle e o domínio forçado de vocês romanos.
– Sinto muito. Como foi que começou a dominação dos romanos na Ju-
deia romana?
– Foi com a chegada do exército romano do general Pompeu há 99 anos
atrás. Vinte e três anos depois, Herodes, por ordem dos cônsules Marco An-
tônio e Otaviano, foi nomeado como o primeiro rei da Judeia romana.
– E os árabes não fizeram nada para ajudá-los?
– Fizeram não. Eles são como os romanos. Não estão nem aí para nós
como seres humanos.
– Perdoa os romanos, os judeus e os árabes pelos males que lhe causaram.
– Perdoo sempre e eternamente.
Três dias depois, o barco de madeira a velas entrou no mar Tirreno e
aportou no porto de Roma. Juliano disse a Adelle:
– Seja muito bem-vinda à Roma, minha querida e amada Adelle.
– Muito obrigada, querido soldado da minha alma. Que cidade incrível.
Nunca vi nada igual.

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– Tudo o que tem aqui foi construído com dinheiro roubado dos germa-
nos, dos judeus, dos árabes e dos egípcios. Graças a isto, nós romanos somos
o povo mais amado da Europa, do Oriente Médio e da África.
– Aonde estamos indo?
– Tomar um banho no rio Tibre.
– Onde fica a nascente dele?
– Fica na Emília-Romanha, região montanhosa ao norte da Itália.
Assim que chegaram à foz do rio Tibre no mar Tirreno, Juliano abraçou
Adelle dentro da água e lhe disse:
– Faz 4 dias que a conheço e estes 4 dias foram os dias mais felizes da mi-
nha vida. Como o sol que não para de produzir luz, como a fonte do rio Ti-
bre que não para de produzir água, minha alma também não para de pro-
duzir amor por você a cada segundo que passa.
– Como o sol e a água do rio Tibre não param de criar flores belas nas
terras da Itália, também o amor de Deus e o seu amor por mim não param
de criar felicidade dentro da minha alma.
– É estranho.
– O quê?
– Faz 4 dias que a conheço e sinto como se a conhecesse há milhares
de anos.
– Engraçado.
– O quê?
– Sinto a mesma sensação quando estou com você. Talvez nossas almas
tenham vivido como marido e mulher em outras vidas.
– Mas o judaísmo e o cristianismo não creem em reencarnação.
– Só por que os judeus e os cristãos não creem em reencarnação, não
existe nenhuma lei no mundo que me obrigue a pensar e acreditar nas mes-
mas coisas que eles e nem de te amar como se tivéssemos vivido como ma-
rido e esposa em nossas vidas passadas.

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Ele a beijou, fechou os olhos e por um momento se sentiu como se es-
tivesse no céu onde sonha Deus. Após o beijo, ela disse:
– O que é o amor para você?
– É o espírito de luz de Deus que a tudo no universo criou.
– Meu espírito é um pedaço do espírito de Deus?
– É.
– Então é por isso que você vive me chamando de amor de Deus?
– É. Filho de peixe, peixe é. Filho de Deus, Deus também é. Você é uma
deusa e por ser uma deusa, seu espírito é imortal como os dos deuses roma-
nos, árabes, judeus, meu e de Deus, cujo universo repousa feliz dentro de
seu cérebro cheio de estrelas e sabedoria.
Após o banho, os dois foram à casa dos pais de Juliano e enquanto Adel-
le ficou conversando com seus pais, ele foi ao palácio do imperador Tibé-
rio e lhe disse:
– Imperador Tibério. Entreguei há 4 dias atrás vossas ordens escritas ao
rei da Judeia romana e cheguei hoje pela manhã lhe trazendo notícias nada
agradáveis sobre o povo de Jerusalém.
– Que notícias são essas?
– Veja meu escudo.
– Estou vendo. Por que está tão amassado?
– Por causa de pedras arremessadas por judeus enlouquecidos que cor-
riam atrás de uma moça para matá-la apedrejada por que roubou um pão.
– Você salvou a moça e eles jogaram as pedras em você?
– Sim. Devido a fome, a miséria, a ignorância, a dominação romana, aos
altos impostos os judeus estão tão violentos que não estão poupando nem os
judeus do apedrejamento. Dizem os judeus lá na Judeia romana que a pro-
fecia do judaísmo se cumpriu e o filho de Deus foi crucificado pelo gover-
nador Pôncio Pilatos no ano passado.
– Jesus Cristo foi crucificado, mas não ressuscitou. Dos seus milagres
só se tem conhecimento e testemunho por parte de quem presenciou, mas

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nenhum testemunho de quem vivenciou os milagres. A história deste Jesus
Cristo é semelhante à história do deus Hórus do livro dos mortos do Egito.
Certamente é mais uma invenção dos judeus para criar medo nos corações
e mentes dos soldados romanos e fé e coragem nas mentes e nos corações
dos judeus para se libertarem do domínio romano sobre a Judeia romana que
eles dizem terem sido dada a eles em testamento por Deus. Não se preocu-
pe com os judeus, mandarei aumentar os impostos deles com o mesmo nú-
mero de amassados em seu escudo.
– Por favor, meu imperador, não faça isto. Os adoradores de Jeová vão se
revoltar contra nós e haverá mais mortes e mais revoltas.
– Não se preocupe com aqueles infelizes. Caso se revoltem contra nós,
serão todos mortos.
– Não entende o poder que o ódio tem?
– Entendo. Terminou?
– Terminei. Pode ir, mas deixe o escudo aqui.
Assim que saiu do palácio do imperador Tibério, Juliano foi a casa dos
pais para se reencontrar com a sua amada. Ao chegar lá, ele ouviu Adelle di-
zer aos seus pais:
– Os romanos em Jerusalém mataram meus pais e roubaram tudo o que
tínhamos. Eu era rica, fiquei na completa miséria e me tornei ladra para so-
breviver. Só não fui apedrejada até a morte por roubar um pão em Jerusalém
porque Juliano salvou minha vida quando caí no chão atirando uma lança
entre mim e os meus perseguidores. Eu devo minha vida ao filho de vocês e
talvez isto explique o porquê de eu amá-lo tanto como amo.
– Eu também amo você, Adelle. Esquece o que passou e não lembra
mais, pois lembranças desagradáveis não irão lhe causar nenhum tipo de
sentimento agradável. Agora, por favor, lembre-se apenas dos seus momen-
tos agradáveis e experimente este vestido para ver se serve em você.
– Que bonito. Obrigada. Fazia tempo que eu não usava uma roupa nova.
Vou experimentar. Com licença.

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– Como ela é educada, bela e fina, meu filho. Você tem sorte de arru-
mar uma mulher assim.
– Quando vi a miséria do povo judeu na Judeia romana, eu chorei de
tristeza e a tristeza encheu meu coração de compaixão pelo sofrimento da-
quele povo que ama tanto seus deuses.
– Quem são os deuses deles?
– Jeová e Jesus Cristo. O primeiro é o pai e o segundo é o filho.
– E a mãe quem é?
– É o Espírito Santo.
– Oi, amor. Gostou do vestido em mim?
– Gostei. Você é uma obra do amor e a arte divina mais bela que já foi
criada por Deus na terra. Bela também é a terra. A terra não para, não gira
em sentido contrário e como um pássaro ela nunca está no mesmo lugar.
Lugares belos como Roma há em muitos lugares da Terra e do universo, mas
nem no universo e na Terra há algo tão belo quanto você. O amor é doce e
a arte é divina. Doce e divino também é o meu amor por você que purifi-
ca minha mente dos maus pensamentos e faz feliz minha alma, meu cora-
ção e minha mente.
Em 37 d.C. na Ilha de Capri, quartel-general do Império Romano, o
Imperador de Roma, Tibério dormiu de noite e acordou sem vida na ma-
nhã seguinte. Calígula e Tibério Gamelo sucederam o trono e se tornaram
os novos imperadores de Roma. Durante o almoço com alguns militares, sa-
cerdotes e empresários, o imperador Calígula disse aos amigos enquanto be-
bia vinho:
– Estou muito triste e em profundo pesar com a morte do imperador
Tibério, apesar de o trono eu ter-lhe sucedido junto a Tibério Gamelo. Es-
tou tão triste que nem mesmo o vinho, a companhia dos homens mais no-
bres de Roma e o título de imperador do mundo civilizado me consegue tra-
zer uma gota sequer de felicidade. Vou sorrir, mas é apenas por fingimento
para disfarçar minha tristeza, pesar e não estragar o seu almoço e a sua tarde.

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Enquanto isto em uma praça pública de Roma, Adelle aproximou-se de
Juliano com um bebê no colo e lhe disse:
– Oi amor, que surpresa boa vê-lo aqui. O que você está escrevendo nes-
te papel?
– Leia você mesma.
– Adelle meu amor, eu te amo. Vou pedir dispensa do exército só para
passar mais tempo com você e o nosso bebê. E como vamos sobreviver?
– Do comércio da venda de alimentos e remédios à população de Roma.
Em 11 de novembro de 38, o Imperador Tibério Gamelo foi assassina-
do. Enquanto isto no comércio de alimentos e remédios de Juliano e Adel-
le, entrou uma velha romana e disse a Adelle:
– Senhora. Eu sou muito pobre e não tenho dinheiro nem para com-
prar um pão, pois graças à política de construção de grandes obras públicas
do imperador Calígula, todos os pobres estão passando fome em Roma. Me
dê este pão aqui, por favor.
– Se eu lhe der este pão, lucraremos menos esta semana, mas prefiro lu-
crar menos esta semana do que vê-la sentindo fome. Leve 3 pães e ofereça-
-os com amor a Deus antes de comê-los e depois agradeça por ele ter criado
o trigo para alimentá-la.
– Muito obrigado, minha filha. Que Deus abençoe você e a toda a sua
família.
– Muito obrigada de coração, senhora. Vá em paz e que Deus a
acompanhe.
Em 2 de janeiro de 41 em Roma, Juliano disse a Adelle:
– Os imperadores romanos estão tendo dificuldades para manter os po-
vos conquistados calmos.
– Os seres humanos nasceram para viver livres de qualquer tipo de opres-
são, de exploração, de escravidão, de desigualdade, de miséria e de ignorân-
cia. Não é privando os colonos dos seus direitos e explorando-os com pesa-
dos impostos que se domina e controla uma grande população, mas parece
que não entendem de política os imperadores romanos.

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Em 24 de janeiro de 41, o Imperador Calígula, a imperatriz Gesônia e a
filha Júlia foram ao teatro e ao saírem do teatro foram assassinados pelos sol-
dados da guarda pretoriana. Enquanto isto em Roma, Juliano disse a Adelle:
– As ervas medicinais já estão prontas para a venda e cura das doenças
do povo romano.
– De todos os tipos de doenças que afligem os corpos e as mentes dos ro-
manos, a pior delas é a ignorância e tal doença maldita só pode ser curada
por meio do remédio do cultivo da sabedoria.
Em 43, os exércitos do Imperador Cláudio desembarcaram ao sul da
Ilha da Britânia. Em Roma, Juliano disse a Adelle:
– Adelle meu amor, os soldados romanos estão lutando com os soldados
bretões pela ilha da Grã-Bretanha.
– Os sonhos dos imperadores romanos de conquistarem a Europa e o
mundo pela violência e pela espada parece não ter fim.
– Os sonhos de tais imperadores romanos têm tornado a vida dos povos
deste planeta um verdadeiro pesadelo.
– A Europa tem terra, água, ar e comida em abundância para todos os
europeus e os povos da terra, por que então os europeus vivem em guerra
entre si por causa de terra, água, ar e comida?
– Porque devido à baixa consciência e a alta ignorância, os seres huma-
nos como partes do espírito de Deus não entendem que tudo neste planeta
pertence a Deus e a toda a humanidade.
Em 44, as legiões romanas montadas em lombos de elefantes conquista-
ram a Ilha da Bretanha. Dias depois em Roma, Juliano disse a Adelle:
– A ilha da Bretanha agora faz parte do Império Romano, mas os bre-
tões não têm os mesmos direitos que os romanos perante as leis do direi-
to romano.
– Esse direito romano é muito estranho. Será que o imperador Cláudio
não entende que com leis desiguais, os bretões se revoltarão contra o Impé-
rio Romano? Ninguém tem o direito de privar alguém de seus direitos por

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meio da violência das espadas e de leis draconianas aprovadas pelos gover-
nantes e desaprovadas pela população.
Em julho de 50, enquanto muitos templos druidas e celtas eram quei-
mados pelos soldados romanos na Ilha da Britânia, Cataraco, líder da resis-
tência britânica caminhava acorrentado com outros bretões pelas ruas de
Roma. Adelle perguntou a Juliano:
– Quem são aqueles sujeitos cheios de tatuagens nas caras e nos braços?
– São os escravos de guerra da Ilha da Britânia.
Em 13 de outubro de 54, morre envenenado o Imperador Cláudio e
Nero o sucede como o novo imperador do Império Romano. Assim que Ju-
liano soube da novidade, disse à sua amada Adelle no comércio deles:
– Assim como todo rato que entra em buraco de cobra morre, também
todo imperador que ocupa o trono de Roma morre.
– Veja quanta gente pobre andando pelas ruas de Roma. Olha ali na-
queles morros as casinhas dos pobres de Roma. Veja o palácio do imperador
e as terras do Império Romano na Europa, no Oriente Médio e na África.
– Estou vendo.
– Se os governantes de Roma dessem terras para os romanos construírem
suas casas, plantarem seus alimentos, diminuíssem os impostos, empregas-
sem, enriquecessem e educassem o povo pobre romano, eles seriam amados
por todos e permaneceriam para sempre no poder até morrer, mas fazem o
oposto e por esta razão todo imperador que ocupa o trono do Império Ro-
mano sempre acaba morto por aqueles que o apoiam social, política, econô-
mica, jurídica, espiritual e militarmente.
– Quem é o novo Imperador?
– É Nero.
Em 18 de julho de 64, Juliano e Adelle estavam dentro do Circo Máxi-
mo quando alguém gritou:
– Fogo, fogo no Circo Máximo. Saiam e salvem suas vidas enquanto
há tempo.
– Vem, meu amor. Vamos sair daqui.
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– Quanta gritaria diante de um incêndio.
– Tá todo mundo com medo de virar churrasco humano.
– Vamos sair por aqui.
– Vamos. Vai você primeiro.
– Olha só como está a rua.
– Está em chamas. Estamos no inferno dos judeus ou dos cristãos?
– Que pesadelo. Onde será que tudo isto começou?
– Não sei. Tá quente aqui esta noite, não está?
– Está. Tal quentura parece a que queima em meu coração de amor
por você.
Durante cinco dias e cinco noites, o incêndio destruiu 25% de Roma.
Quando o incêndio terminou, o Imperador Nero disse ao povo de Roma:
– Povo de Roma. A culpa do incêndio de Roma foi dos cristãos. Meus
soldados viram homens com cruzes e tochas nas mãos incendiando os postos
e armazéns de produtos inflamáveis a sudeste do Circo Máximo.
Enquanto isto, no comércio de Juliano e Adelle em Roma:
– Por pouco o fogo não destruiu nosso comércio.
– Construímos nosso negócio jurídico com capital honesto e o que é ho-
nesto Deus preserva e conserva – Adelle disse.
Semanas depois, o historiador romano Tácito escreveu em uma folha
de papiro:
– Contudo, nem por indústria humana, nem por larguezas do impe-
rador, nem por sacrifícios aos deuses, foi conseguido afastar a má fama de
que o incêndio tinha sido mandado. Assim pois, com o fim de extirpar o ru-
mor, Nero inventou uns culpáveis e executou com refinadíssimos tormen-
tos os que, aborrecidos pelas suas infâmias, chamava de vulgo cristão. O au-
tor deste nome, Cristo, foi mandado executar com o último suplício pelo
procurador Pôncio Pilatos durante o Império de Tibério e, reprimida a per-
niciosa superstição, irrompeu de novo não somente por Judeia, origem deste
mal, senão pela urbe própria, onde se conflui e se celebra quanto de atroz e

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vergonhoso houver por onde quer. Assim, começou-se por deter os que con-
fessavam a sua fé. Depois pelas indicações que estes deram, toda uma ingen-
te multidão (multitudo ingens) ficaram convictos, não tanto do crime de in-
cêndio quanto de ódio ao gênero humano. A sua execução foi acompanhada
por escárnios e assim uns, cobertos de peles de animais, eram rasgados pe-
los dentes dos cães. Outros, cravados em cruzes eram queimados ao cair o
dia como se fossem luminárias noturnas. Para este espetáculo, Nero cedera
os seus próprios jardins e celebrou uns jogos no Circo, misturado em vesti-
menta de auriga entre a plebe ou guiando ele próprio o seu carro. Daí que,
ainda castigando os culpáveis e merecedores dos últimos suplícios, tinham-
-lhes lástima, pois acreditavam que o castigo não era por utilidade pública,
mas para satisfazer a crueldade dele próprio.
Em 66, teve início a primeira grande guerra entre soldados romanos e
soldados judeus na Judeia romana. Nesta batalha, morreram 100 mil judeus,
foi destruída Jerusalém e o que restou foi apenas o muro das lamentações.
Em Roma, Juliano disse a Adelle:
– Quanto mais os romanos perseguem os cristãos, mais tem aumentado
o número deles no Império Romano.
– Pobres romanos. De tanto sofrerem nas mãos dos seus governantes,
agora estão se convertendo aos milhares ao cristianismo só para morrerem
logo pelos soldados romanos e pararem de sofrer.
– Aqui na Europa, os europeus adoram matar e morrer.
Em 67, tem início em Roma os Jogos Olímpicos na Grécia. O Impe-
rador Nero montou em um carro de corrida, largou em alta velocidade e
numa curva, o carro do Imperador virou e de cara no chão caiu o imperador
de Roma diante de uma multidão de gregos e romanos. Enquanto isto em
Roma, Adelle disse a Juliano:
– Faz três anos que teve início a guerra civil entre os soldados romanos
e os cristãos em Roma.
– Leis justas a do direito romano não é?
– É. Muito justas mesmas. Chegaram ao auge do seu esplendor em
termos de terror, injustiça e desigualdade. Prender, torturar e matar seres
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humanos inocentes que não cometeram nenhum tipo de crime de furto, de
roubo, de tráfico, de estupro e de assassinato é o que a Justiça romana en-
tende por justiça.
Em 68 Nero foi assassinado pela guarda pretoriana, Galba sucedeu-o
e tornou-se o novo imperador de Roma. Em Roma, Juliano disse a Adelle:
– Quanto mais o tempo passa, mais cruéis e desumanas estão se tornan-
do as leis do direito romano.
– Espero que não evoluam para mais cruéis ainda senão não vai sobrar
ninguém em Roma para nos proteger das invasões dos povos germanos.
Em 80 d.C. foi concluído pelo Imperador Romano Tito, o Coliseu
de Roma, iniciado em 72 pelo Imperador Romano Vespasiano. Em Roma,
Adelle disse a Juliano:
– Hoje será a inauguração do Coliseu Romano.
– Tô sabendo. Ele é redondo e de pedra como a roda de uma carroça.
Deveriam tê-lo feito em forma de cruz, pois será lá agora que serão tortura-
dos e crucificados os perseguidos adoradores do Deus Jesus Cristo do livro
da Bíblia.
– Em tal lugar, lá não entro nem de graça. Por favor, meu bom Deus,
não estou orando por poder sobre os outros e ouro, mas para que remova das
mentes dos ambiciosos a ambição dos que odeiam, o ódio dos que mentem,
a mentira dos que são invejosos, a inveja dos que traem, a traição dos ego-
ístas, o egoísmo dos que são arrogantes, a arrogância dos que são iludidos,
a ilusão dos que são intolerantes, a intolerância dos que são impacientes, a
impaciência dos que são violentos, a violência dos que são cegos, a ceguei-
ra dos que são cobiçosos, a cobiça dos que sofrem, o sofrimento dos que são
injustos, a injustiça dos que são orgulhosos, o orgulho dos que são impiedo-
sos, a impiedade dos que estão enfermos, as enfermidades dos que estão na
escuridão, a ignorância dos que são negativos, a negatividade dos que são in-
felizes, a infelicidade dos que são loucos, a loucura dos que são ciumentos,
o ciúme dos que são caluniados, a calúnia dos meus olhos, as minhas lágri-
mas e do meu coração a tristeza que sinto vendo tantos seres humanos ino-
centes sofrerem desnecessariamente.

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– Senhor, meu bom Deus, criador dos sóis e das estrelas. Destrói as fron-
teiras que impedem as almas encarnadas de viver em paz neste planeta. Des-
trói a ambição dos corações dos homens como a luz a escuridão. Destrói toda
a maldade dos corações dos seres humanos para que não se matem mais. Dai
bondade para quem é mau. Dai sabedoria para quem é ignorante. Dai ge-
nerosidade para quem é egoísta. Dai luz para quem vive na escuridão. Dai
amor para quem está cheio de ódio. Dai paciência para quem é impaciente.
Dai tolerância para quem é intolerante. Dai alegria para quem é triste. Dai
comida para quem tem fome. Dai remédio para quem está enfermo. Dai di-
nheiro para quem não tem emprego. Dai casa para quem está desabrigado.
Dai liberdade para quem vive preso. Dai proteção para quem está despro-
tegido. Dai positividade para quem é negativo, dai força para quem é fraco,
dai humildade para quem é arrogante, dai perdão para quem não sabe per-
doar, dai compaixão para quem não tem piedade, dai sanidade para quem
é louco. Dai água para quem tem sede, dai visão para quem é cego, acorda
quem está dormindo e liberta por favor os cristãos da crucificação romana.
Em 100 d.C. Juliano e Adelle deram seus últimos suspiros, suas almas
viram seus guias de luz, foram com eles ao encontro com Deus e 3 dias de-
pois retornaram ao Planeta Terra na velha cidade de Jerusalém, na Provín-
cia da Judeia romana do Império Romano no Oriente Médio ou Ásia Menor.

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CAPÍTULO II

A MORTE DE JERUSALÉM E O
NASCIMENTO DA PALESTINA

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E
m 120 na Judeia romana, um árabe persa chamado Almir
(Juliano) ao chegar próximo à muralha da cidade sagrada de Jeru-
salém, sentou-se em uma pedra e escutou o canto dos pássaros e as
vozes de alguns judeus que diziam:
– Já faz 200 anos que nós judeus estamos em guerra com Roma e 1200
anos com os árabes. Eles nos odeiam, não conhecem e nem amam Deus,
pois se amassem, não nos odiariam.
Almir levantou da pedra e disse aos judeus:
– Ei vocês aí, judeus.
– Quem é você?
– Eu sou Almir do império persa.
– O que você quer aqui?
– Dizer que nem todo árabe odeia os judeus.
– Está indo para Jerusalém?
– Estou.
– Venha conosco.
Almir desceu correndo morro abaixo, escorregou, caiu, todos riram, se
juntou ao grupo e entre eles conheceu a jovem e doce Ariel (Adelle) por
quem se apaixonou no primeiro olhar. Ela perguntou:
– O que veio fazer em Jerusalém?
– Vim ensinar a verdade sobre Deus ao povo de Jerusalém e acabar com
a guerra milenar e o ódio que nossos povos sentem um pelo outro.
– Que verdade é essa?
– Que Deus é o amor e que em toda a criação de Deus só o amor é real.
– Este lugar quente e belo em que estamos não é real para você?

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– É não.
– Eu não sou real?
– É.
– Você não disse que tudo na terra e no céu é ilusão?
– Disse.
– E então?
– Seu corpo é uma ilusão da sua mente que tem como raiz o seu espíri-
to que é real porque é eterno e não temporário. Dentro do inconsciente do
seu cérebro quando você sonha você cria e quando acorda destrói um uni-
verso inteiro de ilusões, mas não destrói as almas daqueles que vivem presos
dentro da sua cabeça, pois toda vez que você sonha de novo, as almas deles
continuam lá vivendo em outros corpos. O mesmo acontece com nossas al-
mas quando Deus sonha, acorda, sonha e acorda eternamente para encher
o céu de trevas durante a noite e o céu de luz durante o dia.
– De onde veio à cabeça e o coração de Deus?
– Da alma dele da qual faz parte a minha e a sua.
– Como é a alma de Deus?
– É cheia de luz, amor, bondade, compaixão e perdão.
– Onde você adquiriu está sabedoria?
– Aprendi com os sábios da Índia.
– Me conta como é a Índia?
– É um sonho divino no universo finito de Deus.
– Todos que conheço acreditam que o universo é infinito.
– Dizem isto porque não podem ver o que há além dele.
– O que há além dele?
– Um outro universo, milhões de vezes maior que este em que vivemos, cujas
árvores são maiores do que tudo o que existe neste universo e ao nosso redor.
– Todos os seres humanos que crio em minha mente todas as noites
quando sonho são eu? Todos os seres humanos que estão neste planeta
são Deus?
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– São. De onde vocês são?
– Somos da cidade de Belém.
– O que vieram fazer aqui?
– Visitar a cidade santa em peregrinação.
– Você já esteve no Egito, Almir?
– Já.
– Meu sonho é viver lá. Como você faz para sobreviver?
– Fazendo mágica.
– Faz uma mágica aí para a gente ver.
– Ponha uma venda em meus olhos e escreva um número na areia com
o seu dedo.
– Escrevi.
– É um coração.
– Como você consegue fazer isto?
– Meus guias de luz que me acompanham vida após vida, olham e me
contam o que é e os seres humanos, me dão o dinheiro para eu sobreviver
em qualquer lugar que vou.
– Chegamos a Jerusalém.
Um soldado romano do outro lado da muralha de Jerusalém abriu uma
janela no portão e perguntou:
– Quem são vocês?
– Somos 6 judeus de Belém em busca de proteção contra os árabes.
– Entrem.
Assim que anoiteceu, Almir disse a Ariel:
– Desde quando Jerusalém se tornou colônia do Império Romano, hou-
ve pequenas, médias e grandes revoltas pela libertação e em tais revoltas
morreram cerca de meio milhão de judeus pelos soldados romanos.
– Quem é o atual imperador de Roma?
– É o imperador Adriano.

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Enquanto Almir e Ariel conversavam, as tropas de milhares de judeus
liderados pelo messias Simão Kokbar cercaram Jerusalém com tochas nas
mãos. Dentro das muralhas de Jerusalém, Ariel disse a Almir:
– Estamos cercados.
– Vamos lá no alto da muralha ver quem nos cercou?
– Vamos.
Assim que chegaram ao alto da muralha viram milhares soldados e to-
chas acesas em torno de Jerusalém. Ariel disse a Almir:
– Assim que amanhecer, a cavalaria e os arqueiros romanos sairão de Je-
rusalém e matarão muitos que estão ali embaixo com tochas acesas nas mãos.
Horas depois, quando o sol chegou, os portões de Jerusalém foram aber-
tos e a cavalaria romana correu em direção à cavalaria dos judeus e depois
de um dia inteiro de soldados romanos e judeus caindo de cavalos na areia,
os judeus perderam a batalha e Almir, Ariel e seus amigos parentes foram
expulsos de Israel. Enquanto caminhavam pela noite em direção ao deser-
to, viram Jerusalém em chamas, sentaram-se em pedras e Almir disse a Ariel:
– Em vez dos romanos cremarem os mortos, queimam é o lugar onde
morreram. Nunca vi uma cidade em chamas antes. Os cadáveres dos mor-
tos que estão queimando lá estão se sentindo como se estivessem no infer-
no dos cristãos.
– Deus parece estar com ódio de nós judeus e de vocês árabes para fazer
com que os romanos nos castiguem tanto.
– Não é Deus quem está com ódio de nós árabes e vocês judeus e sim o
imperador romano Adriano que foi quem ordenou incendiar e destruir Jeru-
salém. O ódio faz de uma criança inocente um adulto demente que não dis-
crimina quem mata, seja amigo, inimigo, desconhecido ou parente. Odiar
é fácil, difícil é perdoar. Os que odeiam vivem doentes e os que sabem per-
doar vivem saudáveis.
– Jerusalém é um lugar sagrado para nós judeus, vocês árabes e os cris-
tãos, mas o imperador Adriano não tem respeito por nossas tradições.

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– Perdoa ele, pois na escuridão ele não pode ver e amar Deus dentro dele
e de nós, pois os deuses romanos e gregos que ele ama não vivem em nossos
corações como fragmentos do espírito imortal e luminoso de Deus.
– Não há perdão pelo que o imperador romano está fazendo de mal aos
nossos povos, mas eu perdoo o imperador Adriano, pois na minha religião,
odiar é pecado e dos mais graves. Minha religião, o judaísmo, me ensinou
a amar a Deus acima de todas as coisas. Dentro do coração do imperador
Adriano vive o Deus que eu amo e fora do coração do imperador Adriano
está o diabo que eu odeio.
– O rei de vocês que morreu crucificado disse antes de morrer para amar
o próximo como a ti mesmo, pois o espírito do próximo é parte do espírito de
Deus e de teu próprio espírito. Amar o próximo significa amar a Deus e amar
a Deus significa não odiar ninguém por mais perverso que seja. Jesus disse,
perdoai o próximo como eu vos perdoei. Quem é o próximo? São os roma-
nos. Se você não aprender a perdoar os erros do próximo, nunca você apren-
derá a perdoa os seus erros próprios, pois os erros do próximo são os seus er-
ros e os seus erros são os erros deles.
– Complicado a escrita de vocês árabes e também a maneira de vocês
pensarem.
– Jerusalém é só uma ilusão dos sonhos e dos pesadelos que Deus criou
dentro da mente dele quando se deitou para dormir pela primeira vez.
– O que o fez dormir?
– A criação do mundo material e espiritual.
– Não faz sentido nada do que você está me dizendo. Foi o sábio Zara-
tustra quem te ensinou estas coisas?
– Foi não. Quem me ensinou estas coisas foram os meus guias de luz que
sabem de tudo sobre o mundo físico e não físico. Se quiser saber algo, pode
perguntar a eles que eles lhes respondem.
– Ô guias de luz do meu amigo árabe Almir. Por que os seres humanos
se sentem tão sozinhos? O que eles disseram?
– Por que o Deus dos judeus é um só e por ser um só ele se sente muito só.

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– Esses seus guias de luz estão é com gozação comigo, não é não?
– É não, eles são muito sérios. Eles estão dizendo também que é para
você me dar um abraço e um beijo para que haja a paz eterna na terra.
Em 138 d.C. o Imperador Romano Adriano, que mandou destruir e re-
construir Jerusalém, morreu envenenado. Dias depois no Império Persa, Al-
mir disse a Ariel:
– Que solzinho maravilhoso este da Pérsia, não é meu amor?
Enquanto isto fora das muralhas de Jerusalémum judeu observava
de longe o exército romano marchando dentro de Jerusalém. Ele disse a
um amigo:
– Veja irmão, os soldados romanos ladrões marchando pelas ruas de
Jerusalém.
– Estou vendo. Os europeus da Europa fria querem fazer do Oriente
Médio uma Europa quente.
– Deve ser para se bronzearem.
– Com esse sol quente daqui, os europeus vão ficar pretos que nem a
maioria dos judeus e dos árabes que vivem aqui.
– Os judeus e os árabes só vivem em guerra e por esta razão estão cor-
rendo o risco de perderem suas terras para os ladrões romanos do ocidente.
– É engraçada as leis dos romanos. Elas proíbem seres humanos hones-
tos como nós de andarmos armados e permitem que soldados ladrões deso-
nestos como aqueles soldados andem armados.
– Nosso povo está tão triste e os romanos tão alegres. Não existe nada
pior nesta vida do que viver numa colônia romana.
– Antigamente os árabes nos perseguiam e agora são os romanos.
Neste mesmo instante dentro de Jerusalém, um soldado romano disse
a outro soldado romano:
– Veja os judeus nos observando de longe, irmão.
– Estou vendo. Queria eu saber o que estão pensando aqueles judeus.
– Certamente estão nos xingando de ladrões, invasores e filhos do cão.

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Enquanto os soldados romanos marchavam por Jerusalém olhando os
judeus nos morros de areia, ali próximo o historiador romano Flávio Josefo,
escreveu em uma folha de papiro:
– Jerusalém foi arrasada por aqueles que demoliram as suas fundações,
nada foi deixado que poderia convencer os visitantes de que tinha sido uma
vez um lugar de habitação.
Em 150 na cidade de , capital do império Persa, Ariel disse a Almir:
– Neste mundo só tem uma coisa que não terá fim.
– E o que é?
– É o meu amor por Deus e por você.
– Me fala mais de teu amor por mim.
– Ele é um amor antigo que não tem começo e nem fim. É existente,
sincero, fiel e desinteresseiro.
Como os escudos dos soldados que os protegem das espadas e das fle-
chas, o amor que sinto por você me protege da tristeza e da raiva. É a felici-
dade em minha mente e minha alma. É a luz da minha vida, o meu guia e
o meu melhor amigo que me faz feliz toda as noites e todos os dias enquan-
to estou com você. Me senti mais feliz aqui entre vocês árabes persas do que
lá entre os judeus.
Após a reconstrução de Jerusalém, a Judeia romana foi rebatizada de
Palestina e Jerusalém, Elia Capitolina. Eu gostaria de ver como está Jerusa-
lém. Vamos voltar lá?
– Vamos. Meia-volta, camelos. Vamos voltar a Jerusalém.
– Essa noite eu sonhei com um monte de parentes meus que morreram.
– Assim como os parentes de seus sonhos não morreram, também seus
parentes não morreram no sonho de Deus. Deus está vivendo em um plane-
ta sofrido em que muitos deuses estão lutando entre si por causa de inverda-
des e poder. Deus é infinito, como infinito é o meu amor por você que bri-
lha junto com o brilho das estrelas do universo de teus sonhos, do universo
em que vivemos e no universo em que Deus vive. O sonho de um Deus não
é igual ao sonho de um ser humano ou de um animal. O sonho de um Deus

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é eterno. O sonho de um ser humano é temporário. Tal sonho eterno e tem-
porário, como o passado e o futuro formando o presente, ele forma a nossa
realidade neste Planeta Terra que foi criado com amor por Deus apenas para
eu te dizer o quanto é belo e verdadeiro o meu amor por você.
Após 4 semanas de viagem pelo deserto, Almir e Ariel entraram como
visitantes montados em camelos na Elia Capitolina (Jerusalém). Ariel dis-
se a Almir:
– Das cinzas de Jerusalém renasceu a Elia Capitolina. Está irreconhecí-
vel. Estou me sentindo como se estivesse em Roma ou na Grécia.
– Eu também. Olha ali o Monte Templo.
– Estou vendo. Foi construído em um lugar considerado sagrado para os
judeus, os árabes e os cristãos porque foi ali que Abraão quase assassinou seu
filho em sacrifício a Deus. Aquele outro templo ali é o da deusa Vênus ou
deusa do amor que é mais bela que qualquer mulher na terra e feia se com-
parada com a sua beleza que foi construída onde Jesus morreu.
Em 160, Almir e Ariel deixaram a Judeia romana e partiram para Ale-
xandria no Delta do Egito. Em Alexandria, na margem esquerda do rio Nilo,
Almir viu uma estátua do deus Hórus e disse a Ariel:
– Aí está o deus Hórus do Egito na cruz. Hórus simboliza o sol e a cruz
do zodíaco os planetas girando em torno do sol.
– Há milhares de anos que os seres humanos sabem que há vários pla-
netas girando em torno do sol. Como eles sabem disto se não podemos ver
os planetas daqui?
– Por meio dos deuses annunakis e de suas naves no espaço eles podem
ver os planetas girando em torno do sol.
– Como é lindo o pôr do sol em Alexandria.
– Mais belo ainda é o seu rosto sorrindo.
– Tá chovendo, relampeando e trovejando forte hoje.
– Todo ano chove aqui nesta época.
– Me fala um poema de amor.

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– É difícil crer que na criação de Deus haja algo mais belo que você. É
surpreendente a beleza de seu rosto. Só mesmo esta terra linda para ter fei-
to algo tão perfeito assim como você. Teu olhar é bonito e encantador como
o nascer e o pôr do sol. Teu sorriso parece o céu se enchendo de azul. Nada
neste universo se compara em beleza à beleza do teu rosto.
Em 170, morreu Ariel em Alexandria. Em seu sepultamento, à margem
do rio Nilo, Almir disse ao corpo sem vida de Ariel:
– Minha querida esposa, nem mesmo a morte foi capaz de matar o amor
que sinto por você em minha mente, coração e alma, pois você está morta e
mesmo morta eu te amo da mesma forma. Por favor meu amor, ressuscita e
traz a alegria de volta à minha vida. Descansa em paz, pois quando eu mor-
rer mandarei sepultar o meu corpo ao lado do teu.
Após o sepultamento, Almir sentou-se em uma cadeira próxima a uma
mesa e escreveu em uma folha de papiro:
– Querida Ariel. Não consigo esquecer o seu rosto bonito sorrindo. É
tanta a saudade que sinto de você que eu já não sinto mais nem vontade de
comer, beber, dormir e viver. Viver com você é um sonho e viver sem você
é um pesadelo.
Em 190, o velho Almir morreu solteiro, sua alma viu Ariel, se abraçaram
e juntos foram guiados por seus guias de luz em direção ao céu. Três dias de-
pois retornaram ao Planeta Terra, ele em Roma e ela na Grécia.

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CAPÍTULO III

A PESTE DE CIPRIANO E A
CRISE DO IMPÉRIO ROMANO

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E
m 211 em Roma, Marco Aurélio Antonino (Caracala) se
tornou o novo imperador de Roma. Próximo dali, Adriano (Almir),
um vendedor romano de manuscritos antigos de todas as partes do
mundo disse a Júlia (Ariel), uma jovem e bela grega que procurava pelo ju-
daísmo e o cristianismo:
– O judaísmo e o cristianismo são duas religiões proibidas para venda
em Roma. A pena para quem vendê-los é semelhante a pena de atentado à
vida do imperador.
– Eu quero tanto ouvir a palavra de Deus nos dois testamentos.
– Para quê?
– Para me tornar tão santa quanto a mãe de Deus.
– O coração da mãe de Deus é maior que tudo o que existe neste univer-
so em que nascemos, morremos e vivemos sucessivamente e eternamente
até que nos libertemos das reações das nossas más ações cometidas em nos-
sas vidas passadas. Teu coração é uma igreja e nesta igreja você deve medi-
tar e orar diariamente a Deus para que haja paz em toda a humanidade e isto
trará paz a Deus e a você até o dia em que você morrer.
– Nascemos para morrer e amar a Deus.
– Quanto mais os seres humanos nascem e morrem, mais medo de
morrer eles têm sem entenderem que nunca nasceram e nem morreram,
pois sonhos são assim. As almas daqueles que sonhamos todas as noites são
feitas de ilusão criada por sua alma e por ser criada por sua alma faz par-
te da sua alma como nossas almas fazem parte da alma de Deus. A pala-
vra de Deus é aquela que vem do fundo da sua alma onde Deus vive den-
tro de você lhe amando, lhe perdoando por todos os seus erros e sempre
lhe dando bons conselhos.

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– Você não entende. Eu quero entender por que os governantes de Roma
não querem o judaísmo e o cristianismo no Império Romano.
– Eu vou te explicar. Veja este manuscrito do livro dos mortos do Egito.
Foi deste livro que foram retirados e adulterados muitos textos do judaísmo
e da Bíblia. Este livro dos mortos foi dado à humanidade pelos deuses an-
nunakis há 450 mil anos atrás. Quando os seres humanos foram criados eles
eram muito inocentes e não sabiam nada sobre direito, religião, arte, políti-
ca, ódio, amor, o que eram, onde estavam, de onde vieram e o que são. En-
tão os deuses annunakis ensinaram aos seres humanos o julgamento e a pu-
nição dos deuses após morte para adorarem os bons e odiarem os maus, para
que aprendessem a odiar para se tornarem tão insensíveis e traiçoeiros quan-
to eles, para que assim não houvesse paz eterna dentro das mentes dos se-
res humanos.
Em 212, o imperador Caracala editou o Édito de Caracala, ou a Cons-
tituição Antonina, que consistia em:
– Poder satisfazer a majestade dos deuses imortais de introduzir, no cul-
to dos deuses, os peregrinos. Sendo que concedo a todos os peregrinos que
vivem no território a cidadania romana, salvaguardando os direitos das cida-
des, com exceção dos Bárbaros vencidos. Assim, este édito aumentará a ma-
jestade do povo romano.
Assim que a notícia do Édito de Caracala chegou às ruas de Roma,
Adriano disse a Júlia enquanto caminhavam de mãos dadas por uma estrada
que separava um campo de trigo de um campo de tulipas:
– No sistema democrático de direito conhecido como República, todos
os cidadãos são iguais em direitos e deveres perante as leis. No sistema mo-
nárquico, todos os súditos são desiguais em direitos e deveres perante as leis.
– O que você acha do Édito de Caracala?
– É um avanço na lei em direção à cidadania e igualdade de todos os ci-
dadãos perante as leis do Estado, apesar de não beneficiar os germanos es-
cravos de guerra.
– Nenhum cidadão tem o direito de escravizar outro cidadão, pois escra-
vidão significa privação injusta de direitos e abuso de poder.
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– Infelizmente essas são as leis do direito do Império Romano. Pelos ti-
pos de leis, podemos ver claramente o tipo de consciência elevada tem o im-
perador Caracala.
– Se os romanos, os bretões e os germanos se unissem com os árabes
do Oriente e os povos da Eurásia, eles poderiam conquistar o mundo in-
teiro sem utilizar nenhuma arma e criar um reino só com um só rei nes-
te planeta.
– Chegará o dia em que os seres humanos se cansarão de fazer guerras
entre si e neste dia eles darão as mãos, reconstruirão suas cidades e nunca
mais pensarão em guerras novamente, pois neste dia eles compreenderão
que tudo o que existe neste universo pertence a Deus e a toda humanidade.
Gaia é a energia amorosa de Deus que mantém todo este planeta vivo e ela
aguarda pacientemente a chegada deste dia em que todos verão Deus uns
nos outros e viverão em paz em sociedade, como as árvores vivem em paz
umas com as outras nas florestas.
– A perseguição aos cristãos e o preconceito contra os judeus continu-
am em moda em Roma.
– Lembra daqueles soldados romanos crucificando os cristãos dentro do
Coliseu de Roma há 100 anos atrás?
– Lembro?
– Eles são os cristãos que estão sendo perseguidos agora. Sabe quem são
aqueles que os estão perseguindo?
– Sei não. Quem eram?
– Eram os cristãos que eles crucificaram há 100 anos atrás que voltaram
para se vingar da crucificação.
– Há 100 anos havia cerca de 10% da população de Roma convertida ao
cristianismo. Hoje temos cerca de 25% da população de Roma. Se continu-
ar todo mundo se convertendo ao cristianismo em Roma, ela vai se tornar a
primeira cidade do Império Romano a se converter ao cristianismo e aban-
donar as velhas crenças nos deuses pagãos de Roma.

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– Quanto mais se convertem os romanos em cristãos, mais cruéis se tor-
nam as penas do código penal romano e os shows de horrores dentro do Co-
liseu Romano.
– Os seres humanos são assim. A cada vida que passa eles defendem uma
coisa e outra, mas o que todos devem defender vida após vida são os seus di-
reitos contra a tirania dos seus governantes que se deixam guiar pela política
do ferro, da tortura e do sangue humano.
Em 217, o imperador Caracala dirigia-se com suas tropas em direção ao
templo do deus lunar Carras e a guerra com os partas (árabes) quando dis-
se aos soldados:
– Alto lá, soldados. Vou urinar.
O imperador Caracala desceu do cavalo, entrou em um matagal próxi-
mo de uma estrada de areia e depois um soldado romano foi até o impera-
dor e o viu deitado morto no chão com um punhal cravado em suas costas.
Assim que a trágica notícia chegou a Roma, Adriano disse a Júlia:
– O imperador Caracala foi assassinado a punhaladas.
– Por que ele teve um carma tão ruim assim?
– Por que matou a punhaladas alguém em alguma das suas vidas
passadas.
– Morrer da mesma forma que matou é o que acontece com quem
mata alguém?
– É. Com o carma é assim. Semeou ódio, colhe ódio, semeou amor, co-
lhe amor. E enquanto os imperadores romanos não amarem, protegerem e
nem derem aos romanos o que têm direito, vão continuar sendo assassina-
dos com punhaladas nas costas.
– Quem é o novo imperador de Roma?
– É o imperador Marco Opélio Macrino.
– Os romanos estão em guerra com os germanos, os cristãos, os judeus
e os árabes. Querem conquistar o mundo?
– Querem. Já pensou como seria o mundo conquistado pelos romanos?

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– Já. Todos os romanos seriam considerados livres perante as leis e os
vencidos seriam considerados escravos sem direito a cidadania e a liberdade
perante o direito civil romano desde o nascer até o morrer.
Em 218, um golpe de estado liderado por Heliogábalo resultou na luta
de seus exércitos contra o exército do imperador Marco Opélio Macrino
que, após a derrota, fugiu da batalha e na fuga foi assassinado a golpes de
espadas. Assim que soube da trágica notícia, Adriano disse a Júlia enquanto
passeavam de cavalo em frente ao Coliseu de Roma:
– O Heliogábalo assassinou Caracala com punhaladas de um punhal e
foi morto por golpes de espadas. Acredita agora na lei do carma?
– Acredito. Pois é coincidência demais morrer da mesma forma
que matou.
– O carma dele pelo assassinato do Caracala voltou em dobro.
– Quem é agora o novo imperador de Roma?
– É Marco Aurélio Severo Alexandre.
– Onde ele nasceu?
– Nasceu em Arqa, Palestina.
– Será que ele irá conceder a cidadania e cobrar impostos iguais aos ro-
manos e os palestinos?
– Não sei, mas se der, permanecerá para sempre no poder. Se não der,
será assassinado como os demais imperadores.
– Acredito que os judeus na Palestina não querem a cidadania romana e
nem impostos iguais aos dos romanos, mas a criação de um estado livre, so-
berano e independente do Império Romano.
– Se o imperador Marco Aurélio der a independência aos judeus pales-
tinos, os romanos o matarão. Se Marco Aurélio não der a independência,
os palestinos o abandonarão e de traidor da Palestina o chamarão e o con-
siderarão.
Em 236, a Legio seconda vigesima Primigenia, ou Décima-segunda le-
gião afortunada, do imperador Marco Aurélio, encontrou-se na cidade de
Moguntiaco na fronteira ao leste entre o Império Romano e o Império Persa
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com o exército persa sassânida. Após um longo dia de batalha, os exércitos
pararam de lutar para descansar. O imperador Marco Aurélio aproveitou a
oportunidade para enviar um mensageiro romano ao acampamento dos ára-
bes persas. O mensageiro romano foi avistado saindo da escuridão da noite
pelos olhos persas árabes com um papiro enrolado na mão, então eles larga-
ram as armas no chão e voltaram a jantar. O cavaleiro romano desceu do ca-
valo, caminhou por entre as tochas dos soldados persas, entrou na tenda do
líder dos árabes persas, desenrolou o papiro e leu o seguinte:
– Saudações, caro líder dos guerreiros árabes persas. Admiro muito a bra-
vura do seu povo. Gostaríamos de ser, nós romanos, aliados dos persas em
nossa luta contra os bárbaros germanos. O que acha do meu acordo de paz?
O mensageiro romano saiu da tenda, caminhou entre os soldados ára-
bes, as chamas das fogueiras e em meio ao silêncio, desapareceu na escuri-
dão e reapareceu no acampamento romano. Desceu do cavalo, caminhou
entre as fogueiras, os soldados romanos, entrou na tenda do imperador pa-
lestino Marco Aurélio, desenrolou o papiro e leu o seguinte:
– Saudações, imperador Marco Aurélio. Agradeço pelos elogios sobre
a verdade da bravura do povo árabe. Achei vosso acordo de paz bem inte-
ressante.
– Estão vendo, senhores generais? Acabou a guerra sem sangue derra-
mado e violência. Minha missão já está cumprida e passo o cargo de impe-
rador romano para o meu amigo e aliado, Maximino Trácio.
– Senhor imperador, não precisamos dos árabes persas para derrotar-
mos os despreparados e assustados germanos. Vossa decisão custará a sua
própria vida.
Do lado de fora, os soldados romanos escutaram os gritos do imperador
Marco Aurélio pedindo socorro sem que nenhum soldado fosse socorrê-lo.
Assim que a notícia chegou à Roma, Adriano disse a Júlia que salvava uma
abelha do afogamento em uma fonte:
– Os soldados do imperador Marco Aurélio o assassinaram na guerra
contra o império sassânida e proclamaram um novo imperador em seu lugar.
– Quem é o próximo a ser assassinado?
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– Gaio Júlio Vero Maximino. O primeiro imperador não romano da his-
tória dos imperadores de Roma.
– O trono do imperador romano Gaio Júlio Vero Maximino foi constru-
ído com os tesouros roubados das terras dos judeus, dos árabes e dos germa-
nos e esta é a prova de que dinheiro roubado dá azar. Sabe o que é que leva
os seres humanos a se tornarem ladrões?
– Sei. Uma é a fome e a outra a inveja que os governados têm de serem
como seus governantes que se fossem honestos e amassem a Deus, não fur-
tariam e nem roubariam de ninguém nenhum tostão. Se todos os governan-
tes fossem honestos e amassem a Deus como eu amo você, eles seriam ho-
nestos e os povos que os invejam também.
Em 240 a peste de Cipriano ou sarampo atacou violentamente o Impé-
rio Romano. Em Roma, Adriano foi vítima do sarampo. Enquanto milha-
res de romanos morriam por dia no Império Romano, Adriano resistia bra-
vamente dia a dia com o corpo e a cabeça em chamas por causa da febre
alta do sarampo. Enquanto agonizava de dor em cima de uma cama, Adria-
no dizia a Júlia:
– Meu amor, meu corpo, minha cabeça, minha mente, meu coração e
minha alma ardem nas labaredas do fogo do sarampo e do meu amor por
você. Tal amor em meio a tanta dor crema minhas células como os cremató-
rios queimando cadáveres humanos. É difícil, neste estado de agonia e tran-
sição da vida para a morte dizer o que é maior, se é o fogo da febre do sa-
rampo ou se é o fogo do meu amor por você. Não fique triste com a minha
morte, pois meu espírito sempre esteve com você e estará até o dia em que
você morrer para juntos voarmos de mãos dadas em direção ao céu. Adeus,
meu amor.
– Não morra, meu amor. Fala comigo de novo. Não faça isto comigo.
Não me deixe, volte. Por favor, meu amor.
Horas depois em meio a madrugada, Júlia adormeceu ao lado do ca-
dáver do seu amado. No sonho, ela viu e ouviu um de seus guias de luz di-
zendo-lhe:
– Minha querida Júlia, não fique triste. Alegre-se.

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– Como posso me alegrar se aquele que me dava alegria todos os dias
agora não está mais aqui comigo?
– Entendo tua dor. Venha comigo. Aqui está a causa de tua tristeza. Dê
um beijo na boca dele e o faça reviver.
– Meu amado Adriano, aceite este beijo e volte a viver.
Ao ouvir isto, a alma de luz de Adriano entrou pela boca e ao chegar ao
seu coração morto e cheio de escuridão, se encheu de luz e voltou a bom-
bear sangue e calor para todo o corpo. Seu nariz voltou a respirar, ele abriu
os olhos e disse:
– Onde estou?
– Você está em meu sonho.
– Nunca estive num planeta tão belo quanto este. É muito mais belo que
a realidade em que vivíamos felizes em meio aos momentos de paz, guerra
e criancices dos seres humanos infantis. Nem mesmo a morte será capaz de
separar meu espírito do teu porque o meu espírito é o teu espírito e o teu es-
pírito é o meu espírito que são partes do espírito, da consciência, da bonda-
de, da luz, do sonho e do amor de Deus.
Assim que Júlia despertou do seu sono, ela viu Adriano preparando um
chá para acalmá-la e lhe disse:
– Ainda estou sonhando?
– Está não. Seu amor por mim me ressuscitou. Entende agora o po-
der que o amor tem e que os governantes não querem que os romanos de-
senvolvam?
– Entendo. As marcas do sarampo sumiram do teu corpo e da tua cabeça.
– O amor cura doenças e ressuscita os mortos.
– O que você viu do outro lado?
– Muitos anjos de luz ao seu e ao meu redor e você chorando e pensan-
do em se suicidar a noite inteira. Que bom que não se suicidou, pois se ti-
vesse se suicidado, teria criado mais carma e não teria me ressuscitado com
um beijo em um sonho.

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– Essa noite foi a noite mais horrível que já tive em toda a minha vida e
também a melhor. Eu sou a única em Roma e na Europa que viu você mor-
rendo e ressuscitando. Se eu disser que ressuscitei você rirão de mim e vão
dizer que enlouqueci de vez.
– Que digam todos em Roma e na Europa que você enlouqueceu, pois se
a morte não foi capaz de me separar de você, o que dizer então da loucura?
Em 238, morreu o primeiro imperador bárbaro do Império Romano,
Gaio Júlio Vero Maximino e em seu lugar ficou Gordiano I. Assim que a trá-
gica notícia chegou à Roma, Adriano disse a Júlia enquanto plantava um pé
de maçã numa praça pública de Roma:
– Morreu mais um imperador do Império Romano.
– O Império Romano está em crise e em decadência. Desde a chega-
da da peste, milhares de romanos morreram de sarampo nas zonas rurais e
urbanas. O campo ficou vazio de agricultores, o povo romano ficou fraco e
estão sendo alvos fáceis de conquistar pelos germanos godos da Escandiná-
via. Estão dizendo por todo o Império Romano que a peste é um castigo de
Deus por causa da perseguição aos cristãos e aos judeus. Por esta razão mui-
tos romanos estão se convertendo ao cristianismo para se protegerem da mor-
te iminente pela peste de Deus, segundo eles.
– Deus não fez este mundo para que um fosse rei e outro fosse escra-
vo. Deus fez os seres humanos semelhantes para que seus direitos fossem
iguais perante as leis e não diferentes para uns e iguais para outros. Sempre
que acontece algo ruim como a Peste de Cipriano é um aviso de Deus que
algo muito pior ainda está por vir. É o Planeta Terra interferindo na perse-
guição e matança injusta dos seus filhos diante de seu olho azul que tudo
vê em muitos lugares e ao mesmo tempo. Não sei explicar com certeza qual
a causa desta peste, talvez seja causada por algum mosquito, uma bactéria
ou um vírus.
Em 28 de março de 238, o imperador Giordiano I, dividiu o trono do
Império Romano com o seu filho Marco Antônio Gordiano. Em Roma, ca-
minhando nas ruas entre os contaminados pela peste de Cipriano, Adriano
e Júlia ofereciam aos contaminados água oferecida com amor a Deus e com

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tal água iam curando todos aqueles que a bebiam. Quanto mais milagres eles
faziam, mais almas se convertiam ao cristianismo. Depois de um dia intei-
ro de trabalho de cura, Adriano disse a Júlia em uma fonte de água pura en-
quanto o sol ia se pondo lentamente no horizonte:
– O amor que sentimos um pelo outro e por Deus é tão poderoso que
ele nos forneceu o poder de curar os doentes e dar visão aos que estão viven-
do com ódio de si mesmos e a Deus na escuridão.
Em 30 de março de 238, o imperador Giordano I liderando o exército
romano invade por mar e por terra a cidade de Cartago no norte da África.
Como o choque entre dois mamutes enlouquecidos, assim foi a batalha en-
tre os romanos e os cartagineses. Após o término da batalha, um cartaginês
sobrevivente montado a cavalo correu em alta velocidade em direção ao rei-
no da Numídia. Na Numídia, o cartaginês, disse ao governador :
– Governador, o exército romano do imperador Giordano I invadiu e to-
mou à força a cidade de Cartago que lutou com coragem e foi vencida lu-
tando por justiça.
– Vá o mais rápido possível ao governador de Roma e diga que necessito
da ajuda de sua legião para invadirmos e libertarmos Cartago da escravidão
imposta a ela pelo imperador Giordano I.
O cavaleiro cartaginês correu em cima do cavalo marrom o mais rápido
que podia por terra e mar até entregar pessoalmente a mensagem ao governa-
dor de Roma que enviou duas legiões romanas para libertar Cartago do im-
perador Giordano I. As legiões romanas do governador se encontraram com
a legião romana do imperador Giordano I que perdeu a batalha por Carta-
go e foi assassinado por golpes de espadas dos soldados das legiões do gover-
nador de Roma, assim como seu filho.
Assim que a trágica notícia da morte do pai e do filho em Cartago che-
gou à Roma, o povo de Roma se entristeceu e, por meio da guerra com as le-
giões e do consentimento do senado romano, os imperadores Pupieno e Bal-
bino foram assassinados pela guarda pretoriana dos imperadores a mando de
Marco Antônio Gordiano III, neto do falecido imperador Giordano I e so-
brinho do imperador Gordiano II.

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Enquanto isto em Roma, Adriano enchia o jarro de barro de Júlia com
água que levantava a jarra para o céu e dizia a Deus em voz alta:
– Senhor meu bom Deus, aceita esta água que ofereço com amor e faz
dela a cura para a doença da peste de Cipriano. Tomem, cristãos. Tomem,
judeus, esta água oferecida com amor a Deus e diga às suas células para cura-
rem a doença da peste em vocês. Tenham fé que suas células, e Deus, irão
lhes curar e vocês ficarão bons.
– Eu estou curado da peste de Cipriano. É um milagre. Muito obriga-
do por me curarem.
– Nós não o curamos, mas foi a fé em sua cura por meio de suas células
e do amor a Deus.
– Eu fiz este milagre?
– Fez.
– Obrigado, Deus. Obrigado, Jesus. Perdoa-me por eu nunca ter acredi-
tado em sua existência e por todos os meus erros.
– Fica calmo. Deus perdoa você e lhe ama, apesar de seus erros. Deus
não é nenhum tipo de pai severo ou juiz que julga e pune seus filhos como
criminosos por seus erros. Deus é perdão. Deus é amor. Deus é bondade.
Deus é compaixão. Deus é liberdade. Deus é paz. Fica em paz, meu ami-
go. Deus te ama. Em termo de amor, não há julgamento, punição, precon-
ceito, discriminação, maldade e nem pecado em Deus, pois Deus ama a to-
dos igualmente, independentemente de estarem certos ou errados. Nenhum
ser humano que ama Deus e se ama sente felicidade e paz vendo e sentindo
seu filho com medo dele. Deus também é um pai assim e ele não lhe criou
com amor para você viver com medo toda a sua vida, seja de dia ou seja de
noite. Deus é destemor e o medo é a escuridão da ignorância dentro da sua
mente e do seu coração. Você não precisa confiar e nem desconfiar de Deus
para ser salvo do sofrimento de viver ao morrer, pois ao morrer é Deus que
você irá ver, independentemente de acreditar que ele exista ou não, pois
um filho ingrato pode esquecer de seu pai, mas Deus nunca esquece os fi-
lhos que tem, sejam os que estão acordados e dormindo, na luz e na escuri-
dão, na sabedoria e na ignorância. O medo surge em nossas mentes devido

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ao amor que os seres humanos na escuridão sentem pela ilusão criada pela
mente gigantesca de Deus que é infinita para os que são cegos e finita para
aqueles que podem ver. Devido ao apego causado pelo amor à ilusão, eles
sentem medo da separação da ilusão e quando perdem algo ilusório, criam
em suas mentes doentes a ilusão do medo e do ódio que rouba suas forças,
suas sanidades e saúde física e mental. Como cobras surgindo de uma co-
bra, do medo surge o ódio e medo e ódio mantêm as almas dos seres huma-
nos presas à escuridão da ignorância que as impede de verem a luz, ama-
rem a Deus, a si mesmas e a toda a humanidade como se filhos seus fossem.
– É grande a diferença entre o ódio e o amor, como é grande a diferença
entre a realidade e a ilusão, a luz e a escuridão, a sabedoria e a ignorância,
o meu amor por você e o seu amor por mim. Quando se ama com amor, se
ama de verdade. Quando se ama com paixão, se ama de ilusão. O amor de
verdade é doce e indolor. O amor de ilusão é amargo e doloroso. O amor de
verdade é fonte de paz e sinceridade. O amor de ilusão é fonte de guerra e
aflição. Em meio a verdade e a mentira, a paz e a guerra, eu vou te amando
em meu coração e alma cada vez mais.
Em 241, o imperador Gordiano III entrou em guerra com o império
persa árabe sassânida e tomou o reino da Síria e da Mesopotâmia. Assim que
a notícia da tomada da Síria árabe pelas legiões romanas chegou à Roma,
Adriano disse a Júlia:
– O imperador Girodano III recuperou os reinos da Síria e da Mesopo-
tâmia nas guerras com os árabes persas sassânidas. O Império Romano está
sendo engolido lentamente de um lado pelo império persa sassânida e por
outro pelo império bárbaro germano. Estas guerras dos romanos contra os
árabes, os judeus e os germanos estão criando um ódio intenso entre estas
nações e isto não é nada bom para as futuras gerações de seres humanos que
ainda virão ainda mais inteligentes, pois a cada vida, aumenta o poder e luz
da alma encarnada em termos de experiências bem sucedidas e sabedoria
adquirida. Infelizmente, dominados pelo ódio e pela escuridão, os reis e im-
peradores dos germanos, romanos, judeus e árabes não podem ver as conse-
quências de seus atos, pois a escuridão os cegam e os impedem de ver Deus

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e o amor em todo lugar, seja na ilusão ou na realidade. Vivemos diariamen-
te em dois tipos de realidades diferentes, uma é acordando para viver uma
nova experiência durante o dia acordado e a outra é vivendo uma nova ex-
periência sonhando. Uma é real e a outra é ilusória. Como a realidade e a
ilusão, há dois tipos de verdades, dois tipos de religiões e dois tipos de leis.
– E quais são?
– A verdade de Deus sobre como realmente as coisas são e a verdade de
como são realmente as coisas criadas pelos seres humanos. Para Deus, nós
espíritos imortais dele encarnados em corpos de seres humanos mortais, so-
mos o seu sonho, sua consciência e sua alma. Para os seres humanos sem sa-
bedoria nós somos apenas carne e osso e nada mais. É por verem o mundo e
o universo como algo desligado de Deus, como veem seus governantes, que
os seres humanos se desligam de Deus e esquecem o que realmente são e
onde estão e devido a isto enchem as mentes e o coração de escuridão, ne-
gatividade, ignorância, medo e ódio que geram guerras e ceifam a paz nes-
te planeta Terra. É tanto ódio, escuridão e negatividade vinda das mentes
do seres humanos e dos animais que Deus, mesmo dormindo, tem dificul-
dade de controlar sua mente, seus pensamentos e suas palavras. Há dois mil
anos atrás, este planeta, este universo e Deus encarnado eram mais jovens e
por serem jovens eles cometeram muitos erros até encontrar e atingir a ilu-
minação e se tornar perfeitos como perfeito é o meu amor por você, que foi
o mais longo e fiel amor já registrado na história da humanidade encarna-
da em corpos feitos de ilusão, de nada. Do nada tudo surgiu no universo. É
do nada que surgem os sonhos que são apenas ilusões da mente de quem so-
nha. O nada da realidade em que vivemos veio da cabeça, dos pensamen-
tos que vieram do coração e da alma de Deus que é tão bela quanto bela é a
luz do meu amor por você.
Em 13 de janeiro de 244 em Misiche, Arábia Saudita, a legião romana
liderada pelo imperador romano Gordiano III se encontrou com o exército
árabe persa do império sassânida liderado pelo imperador Sapor I. Depois
de 3 meses de batalhas, o exército do imperador Sapor I, consagrou-se ven-
cedor da guerra de imperadores. Assim que a trágica e dramática notícia da

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derrota e morte do imperador Gordiano III chegou à Roma, Adriano disse à
Júlia, enquanto curava a perna machucada de um carneiro:
– Teve fim a batalha de imperadores na Arábia Saudita, mas não teve
fim a peste de Cipriano e a perseguição aos cristãos e aos judeus no Impé-
rio Romano.
– Só haverá fim à perseguição aos cultos judeus e cristãos no Impé-
rio Romano quando as leis forem mudadas pelos senadores e legisladores
de Roma.
– Os políticos e os juristas só vão mudar as leis quando mudarem de
consciência e só vão mudar de consciência quando mudarem a maneira de
verem a realidade como ilusão e a ilusão como realidade e passarem a ver
a realidade como realidade e ilusão como ilusão. O universo é uma ilusão
em forma de sonho criada pela mente e pensamentos que vêm do fundo do
coração e da alma de Deus. Nada neste mundo passageiro e temporário é
mais puro que a alma de Deus que é feita de vida, luz, amor e realidade na
sua forma mais pura, cuja pureza só pode ser comparada com a pureza do
meu amor por você. Nosso amor é grandioso como a alma do Criador. Com
amor a tudo a alma de Deus criou. A alma de Deus é o início de tudo o que
existe na realidade e na ilusão. De onde veio a alma de Deus ninguém sabe,
mas eu sei que eu amo você.
– Se tua felicidade depende de meu amor, eternamente viverá feliz e
em paz, pois dependo da tua felicidade e paz para me sentir sempre feliz
e em paz.
Em 270 teve fim a peste de Cipriano no Império Romano. Em Cartago,
o Bispo Cipriano escreveu em seu livro Sobre a Mortalidade (De Mortalitate):
– Esta provação, que agora as entranhas, relaxadas em um fluxo constan-
te, descarregam a força física, que um fogo originário na medula fermenta
nas feridas da garganta, que os intestinos estão agitados com contínuos vô-
mitos, que os olhos estão em fogo com o sangue injetado, que em alguns
casos os pés ou algumas partes dos membros são removidos pelo contágio
da putrefação da doença, que da fraqueza surgida pela mutilação e perda
do corpo, também a marcha é enfraquecida, ou a audição obstruída, ou a

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visão escurecida, é proveitoso como uma prova de fé. Que grandeza de es-
pírito é essa para lutar com todas as forças de uma mente inabalada contra
tantos ataques de devastação e morte? Que sublimidade para permanecer
ereto entre a desolação da raça humana e não mentir prostrado com aque-
les que não têm fé em Deus, mas em vez de se alegrar e abraçar o benefício
da ocasião que nesta [está] corajosamente manifestando nossa fé, e pelo so-
frimento suportou, indo daqui pra frente com Cristo pelo caminho estreito
que Cristo pisou. Nós podemos receber a recompensa da vida dele e fé se-
gundo seu julgamento.
Enquanto isto em Roma, Adriano disse à Júlia enquanto limpava o pó
de cima de alguns manuscritos antigos do deus Hórus do Egito:
– Júlia meu amor, o tempo passou, seu corpo mudou e o meu amor por
você aumentou. É intenso esse sentimento de amor que tenho por você em
meu coração, alma e mente. Você vive no sonho de Deus e em meus sonhos,
minha cabeça e meu coração. Meu coração fica tão feliz ao vê-la que ele
disputa com minha alma para ver quem te ama mais, se é ele ou ela. Meus
olhos podem estar sem alegria e sem brilho por algum inconveniente da
vida, mas basta lhe verem para a tristeza desaparecer e voltar a brilhar de paz,
alegria, amor e felicidade. Não entendo por que te amo tanto. Às vezes tenho
a impressão que sempre estivemos juntos em todas as nossas vidas passadas.
– Se vivi minhas vidas passadas com você eu não sei, mas gostaria de vi-
vê-las em todas as nossas vidas futuras sempre em amor e ternura.
– Foi como um sonho viver esta vida com você, é pena que a velhice e a
morte estão vindo para me separar de você mais uma vez.
– Como um sonho que termina e recomeça na noite seguinte, a morte
porá fim ao nosso sonho e a vida fará dele um novo começo como o sol mor-
rendo na noite e renascendo no dia seguinte.
– É impossível o sol iluminar todo o planeta Terra de uma só vez, tam-
bém é impossível meu coração se iluminar em felicidade sem teu amor. A
morte irá separar nossas almas de nossos corpos e me fará sofrer de sauda-
de até quando te reencontrar e me livrar de todo meu sofrer de viver vários
anos sem ver você. Nem o tempo, nem a distância e nem a morte poderão

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matar o amor puro de alto nível que sinto por você dentro de minha mente,
meu coração e minha alma.
– Teu corpo ama o meu corpo e o meu corpo ama o teu corpo. Tua alma
ama a minha alma e a minha alma ama a tua alma. Eles se amam assim por-
que foram feitos um para o outro como o sol e a luz do sol.
– O sol é dourado, bonito e grandioso. Ele é assim porque foi criado e
mantido com o amor vindo da alma do Criador. Quando a alma, o coração
e a mente de Deus sentem felicidade, todos os seres humanos sentem felici-
dade em seus corações, mentes e almas. Quanto mais Deus sente amor pela
humanidade, mais estrelas surgem no céu e mais amor surge nos corações e
nas mentes dos seres humanos. Quando a mente de Deus se entristece, to-
dos no universo se entristecem, mas quando estou perto de você, nem mes-
mo a tristeza de Deus e dos seres humanos são capazes de entristecer a mi-
nha mente, meu coração e minha alma.
– Minha alma criou o meu corpo, meu corpo criou a minha cabeça, a
minha cabeça criou os sonhos em minha mente e todos aqueles seres huma-
nos que vivem em meus sonhos, todos te amam tanto quanto eu.
– Há duas maneiras de sonhar, uma é dormindo e a outra é acordado.
Quando estou acordado, te amo dormindo. Quando estou dormindo, te amo
acordado. Talvez você não compreenda o que quero dizer, mas não é difícil
compreender o quanto eu amo você.
Em 280, enquanto dormiam e sonhavam o mesmo sonho, Adriano e Jú-
lia viram suas almas deixando seus corpos, se encontrando com seus guias de
luz e voando com eles em direção aos braços de Deus. Assim que amanhe-
ceu, seus corpos sem vida foram encontrados lado a lado na mesma cama.
Três dias depois, suas almas retornaram ao planeta Terra, desta vez em Bi-
zâncio, província romana na Grécia.

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CAPÍTULO IV

O FIM DA PERSEGUIÇÃO
AOS CRISTÃOS E AS LUTAS
COM OS BÁRBAROS

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E
m 300, o jovem Diógenes (Adriano), em Bizâncio, sen-
tou em uma pedra e ficou observando o sol nascer no horizonte. En-
quanto o sol nascia no horizonte, nuvens se uniam no céu formando
um belo rosto angelical de mulher. Diógenes montou no cavalo, foi passear
por Bizâncio e viu, por todos os lugares onde passou, edifícios, palácios, fó-
runs, mansões, pontes, praças, igrejas e ruas sendo construídas. Ao chegar à
praia, Diógenes viu uma obra de arte em forma humana observando o mar
de Mármara. Ele sentou ao lado dela e lhe disse:
– Bom dia, Égia (Júlia).
– Bom dia, Diógenes.
– Como você está?
– Eu estou bem e você?
– Eu também. Quando Jerusalém se tornou a Elia Capitolina, ela mu-
dou completamente. Bizâncio, com as obras de construção pública do im-
perador Constantino, está ficando também irreconhecível.
– Dizem que é para fazer dela a sede do poder do Império Romano por-
que fica próxima aos campos de batalhas no Oriente Médio.
– Quanto mais longe é a capital do campo de batalha com os judeus,
os germanos e os árabes, mais difícil ela é para eles conquistarem, você
não acha?
– Acho. Tanta gente no Império Romano vivendo na miséria e na igno-
rância e os governantes e políticos gastando todo o dinheiro do povo na cons-
trução de uma cidade-estado que enriquecerá os empresários e empobrece-
rá ainda mais o pobre povo romano.
– Todo este desperdício de verbas públicas mostra a falta de habilidade
e competência dos governantes e políticos de Roma governarem a distância.

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Se os povos conquistados tivessem os mesmos direitos que os romanos pe-
rante as leis do direito romano, eles não se importariam em serem romanos
e viverem como romanos, mas os governantes, os políticos e as leis romanas
excluem da cidadania os germanos, os árabes, os judeus e os cristãos nasci-
dos em Roma.
– Faz 300 anos que os governantes e políticos de Roma estão perseguin-
do os cristãos e os judeus por causa de religião.
– Deveria ser um direito de todos os seres humanos crerem em quantas
religiões quisessem ou não crerem em nenhuma, mas faz mais de 3000 mil
anos que os seres humanos na escuridão não respeitam este direito.
– O respeito é sinônimo de avanço espiritual, mas aqueles que não res-
peitam os direitos humanos querem ser maiores que Deus, está acima de to-
das as leis, privar a todos de seus direitos, não querem avançar espiritualmen-
te e nem querem deixar ninguém avançar espiritualmente para um grau de
consciência mais elevado. O desenvolvimento da consciência como da es-
piritualidade humana está intimamente ligado e ambas se desenvolvem por
meio do amor-próprio, a Deus e pela humanidade. É impossível desenvol-
ver a consciência e a luz do espírito sem amor e devido às guerras e preten-
sões dos governantes e políticos romanos por mais terras, os povos da Euro-
pa, da África, do Oriente Médio e da Ásia estão todos com ódio dos romanos
e os romanos com ódio deles. Tal ódio entre eles teria fim se unissem seus
impérios como tem fim à noite com a chegada do sol. Tal ódio entre nações
é passada de pai a filho, de filho a neto, de geração em geração. Enquanto
os seres humanos estiverem contaminados pela doença do ódio, suas cons-
ciências nunca evoluirão para um grau mais elevado, assim como sua alma,
pois a consciência é um atributo da mente, a mente um atributo do espírito
e o espírito um atributo de Deus, cujo amor infinito pela humanidade é tão
elevado quanto o meu amor por você.
Em 28 de outubro de 312, assim que amanheceu na Ponte Milvia sobre o
rio Tibre, Constantino disse aos soldados do exército romano leal ao seu governo:
– Cavalheiros, hoje a noite eu tive um sonho e neste sonho vi uma gran-
de cruz de madeira em chamas no céu durante o dia. Logo em seguida vi o

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deus sol invicto que me disse para eu mandá-los pintar em seus escudos o
símbolo da cruz, pois estarão protegidos contra a morte no campo de bata-
lha com o exército romano do imperador Magêncio.
A guerra civil dos imperadores romanos foi violenta como a dos leões,
mas o exército do imperador Constantino consagrou-se vitorioso com uma
vitória esmagadora sobre o exército romano do imperador Magêncio que
atribuiu ao deus sol invicto romano. Neste exato momento, enquanto nave-
gavam pelo estreito de água salgada que liga o mar de Mármara ao mar Ne-
gro, Diógenes disse à Égia:
– Como são gozadores os imperadores romanos. Construíram sobre o lo-
cal da morte do Cristo o templo da deusa do amor.
– Tal templo de Afrodite sobre o local de morte de Jesus Cristo são os im-
peradores romanos dizendo aos judeus: matem o amor de Deus de dentro de
vocês e se encham de ódio, doenças, ignorância e medo.
– É bom o executivo, o legislativo e o judiciário do Império Romano
abrirem os olhos, pois o número de cristãos no Império Romano já está em
torno de 30%. Se todos os romanos se converterem ao cristianismo é bem
provável que haverá uma guerra civil no Império Romano por uma demo-
cracia em que todos os romanos tenham direito à vida, à liberdade, à saúde,
à educação, à segurança, à propriedade, ao lazer, ao voto, à cidadania e a par-
ticiparem diretamente das decisões de todos os seus governantes.
– A relação entre Estado e povo é o Estado controlando o povo e o povo
sendo controlado pelo Estado, mas o certo é o Estado controlando o povo e
o povo controlando o Estado. Se o dinheiro dos impostos é do povo, é justo
que o povo decida de forma democrática o que deve ser feito com tais im-
postos, você não acha?
– Acho. Temos dois imperadores no Império Romano. O que você acha
desta política de governo de gestão de dinheiro, serviços públicos e pessoas?
– Já tentaram isto antes, mas não deu certo. Para governar o mundo in-
teiro basta apenas um imperador e o que dizer então de um pequeno impé-
rio como o romano?

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– O governo romano está perseguindo, prendendo, julgando e punindo
os cristãos com penas de morte e confiscando todos os seus bens que adqui-
riram por meio de herança e do trabalho honesto.
– Há 300 anos, o governo romano tem perseguido, torturado e matado
os cristãos porque há 300 anos estão em guerra contra os germanos, árabes e
judeus e como os imperadores necessitam de capital para financiar as guer-
ras das invasões bárbaras e de sublevação dos povos dos territórios conquista-
dos. Estão confiscando ilegalmente os bens dos cristãos há mais de 200 anos.
Em março de 313, o imperador Constantino criou o Édito de Milão
que consistia no seguinte:
– Nós, Constantino e Licínio, imperadores, encontrando-nos em Mi-
lão para conferenciar a respeito do bem e da segurança do império, decidi-
mos que, entre tantas coisas benéficas à comunidade, o culto divino deve
ser a nossa primeira e principal preocupação. Pareceu-nos justo que todos,
os cristãos inclusive, gozem da liberdade de seguir o culto e a religião de sua
preferência. Assim qualquer divindade que no céu mora ser-nos-á propícia
a nós e a todos nossos súbditos. Decretamos, portanto, que, não obstante à
existência de anteriores instruções relativas aos cristãos, os que optarem pela
religião de Cristo sejam autorizados a abraçá-la sem estorvo ou empecilho
e que ninguém absolutamente os impeça ou moleste. Observai, outrossim,
que também todos os demais terão garantia à livre e irrestrita prática de suas
respectivas religiões, pois está de acordo com a estrutura estatal e com a paz
vigente que asseguremos a cada cidadão a liberdade de culto segundo sua
consciência e eleição. Não pretendemos negar a consideração que merecem
as religiões e seus adeptos. Outrossim, com referência aos cristãos, amplian-
do normas estabelecidas já sobre os lugares de seus cultos, nos é grato orde-
nar, pela presente, que todos os que compraram esses locais os restituam aos
cristãos sem qualquer pretensão a pagamento. As igrejas recebidas como do-
nativo e os demais que antigamente pertenciam aos cristãos devem ser de-
volvidos. Os proprietários, porém, podem requerer compensação. Usa-se da
máxima diligência no cumprimento das ordenanças a favor dos cristãos e
obedeça-se a esta lei com presteza, para se possibilitar a realização de nosso

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propósito de instaurar a tranquilidade pública. Assim continue o favor divi-
no, já experimentado em empreendimentos momentosíssimos, outorgando-
-nos o sucesso, garantia do bem comum.
Assim que anoiteceu, Diógenes chegou do trabalho e disse a Égia:
– Acabou a perseguição aos cristãos por meio do édito de Milão editado
pelos imperadores Constantino e Licínio.
– Hoje é um dia especial para os cristãos, então vamos comemorar.
Em 11 de maio de 330, a cidade de Bizâncio foi rebatizada pelo impe-
rador Constantino de Nova Roma. Na Nova Roma, Égia disse a Diógenes:
– Meu amor, Bizâncio mudou de nome, agora chama-se Nova Roma
porque é a nova capital do Império Romano.
– Quem Deu permissão a ele para fazer isto? Foi o povo? Foi você?
– Foi não. Foi o senado e os sacerdotes, pois o povo não se importa com
o que fazem os governantes com os seus impostos. Se o imperador Constan-
tino deseja receber notícias rápidas sobre a guerra contra os árabes no Orien-
te Médio, bastaria ter comprado alguns navios e não construído uma cidade
inteira apenas para enriquecer aqueles que lhe concederam o poder execu-
tivo do Império Romano.
Enquanto isto, na Elia Capitolina (Jerusalém), um judeu disse a uma
moça árabe:
– Tá cada vez mais violenta e injusta a ocupação romana na antiga Jeru-
salém. Há séculos estão levando as riquezas das nossas terras e nos excluin-
do cada vez mais de nossos direitos. As guerras dos romanos contra os ger-
manos, os gregos, os árabes e nós judeus estão destruindo a economia da
máquina estatal romana. Não podemos mais permitir que sejamos tão hu-
milhados, explorados e oprimidos pelas leis injustas e impostos abusivos dos
romanos. Não podemos perder esta oportunidade de libertarmos Canaã do
Império Romano.
– É preferível morrer a viver em um país sem liberdade e igualdade. Li-
berdade ou morte, este será o lema da nossa revolta.

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Em 351 na Síria Palestina, as cidades Tiberíades e Dióspolis se revoltaram
contra a ocupação romana na região. Para acabar com a revolta, o impera-
dor romano Constâncio Galo, cunhado do imperador Constâncio II, filho
do imperador Constantino, enviou o mestre de cavalaria romana, Ursicino.
A batalha foi feroz como as batalhas das águias e milhares de romanos e ju-
deus morreram a estocadas de flechas e espadas. Assim que a notícia do con-
trole da revolta na Síria chegou à Nova Roma, agora rebatizada de Cons-
tantinopla, o sábio Diógenes disse a Égia enquanto observavam a lua cheia
brilhar na escuridão e na luz do universo:
– Houve outra grande guerra com milhares de judeus mortos em bata-
lha com a legião romana pela liberdade da Palestina.
– Há quanto tempo os judeus estão lutando com os romanos pela li-
berdade da Palestina da escravidão imposta de forma ilegal pelo Impé-
rio Romano?
– Quatro séculos.
– Me fala um poema de amor.
– Quando a semente morre, nasce o vegetal e a flor. O ódio é a semente,
o vegetal é a sabedoria e a flor é o amor por Deus e o beija-flor o ser que ex-
perimenta a doçura do amor de Deus que é tão doce quanto um beijo e um
olhar teu. O papel e a escrita foram criados um para o outro, assim como a
luz do sol e o sol. Como o sol e a luz do sol, assim somos eu e você nesta his-
tória de vida e morte que sempre se repete com certeza, como o amanhecer
e o entardecer, para quem entende que nunca se nasce e se morre, o tempo
não existe e a existência é eterna e feliz. A vida e a morte são como o inverno
e a primavera e seja na primavera ou no inverno, a gente pode ser feliz em
qualquer lugar se quiser. Aquele que pensa ilusoriamente que nasceu e mor-
rerá, vive temendo a vida e a morte como uma serpente teme uma ave de
rapina. Todas as noites e dias enquanto estou acordado e dormindo eu pen-
so “eu te amo, eu te amo, meu amor”. Meu sonho de vida é ver você sem-
pre diante da minha vista. Meu pesadelo de morte é sempre ver você distan-
te de meus olhos. O amor que sinto por você guia minha vida em direção à
felicidade mais elevada que eu jamais sonharia encontrar se minha mente,

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coração e alma não te amassem. Posso tolerar qualquer coisa nesta vida e
na morte, menos viver longe de você e de seu amor, seja por um dia ou por
uma noite. Não importa se neva no verão e faça calor no inverno, que a lua
mude de direção e o sol nasça no oeste, eu jamais conseguirei viver e esque-
cer você por nenhum dia sequer. É firme a montanha diante do vento e do
vendaval das tempestades. Firme e inabalável é meu amor por você dian-
te do tempo e da saudade. Me abraça e me beija antes que a morte venha e
me separe de teus braços.
Em junho de 354, o imperador Constâncio Galo mandou o Conde do
Oriente, Nebrídio para atacar os isaurianos (gregos) que estavam atacando
a cidade de Seleucida, à margem do rio Tigre. Em Constantinopla, Dióge-
nes disse à Égia:
– Os imperadores romanos estão tendo dificuldade em controlar os gre-
gos e os outros povos dos territórios ocupados pelo exército romano.
– Com leis que beneficiam poucos e prejudicam muitos é normal que
haja revoltas e saques em todo o império, pois a fome, a miséria e impostos
abusivos geram descontentamento e raiva dentro dos corações e mentes dos
seres humanos e quando os seres humanos estão dominados pelo desconten-
tamento e pela raiva, eles se revoltam contra seus governantes, sistema de go-
verno e leis abusivas, antidemocráticas e desiguais que geram preconceito, vio-
lência, crime e desigualdade. Todo cidadão tem o direito de viver em liberdade
e o dever moral de lutar pela paz para que haja justiça e igualdade entre roma-
nos e colonos romanos perante as leis do direito do Império Romano, dos go-
vernantes de corações de pedra insensíveis ao sofrimento humano.
Após fazer as pazes com os germanos alamanos (alemães), o imperador
Constâncio Galo, foi condenado à morte pelo imperador Constâncio II que
se tornou o novo imperador a ocupar o trono do Império Romano em Cons-
tantinopla. Assim que a notícia da sucessão do cargo de imperador de Roma
chegou a Constantinopla, Diógenes disse cantando à Égia com um instru-
mento musical nas mãos:
– Égia, você é a mulher mais bela do planeta Terra e do universo. Meu
amor por você é eterno. Nem na lua e nas estrelas há algum ser ou Deus que

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te ame mais do que eu. Você é tão bela que somente um novo nascimento
seu é capaz de superar a beleza que devido às suas boas ações em vidas pas-
sadas mereceu nascer tão bela assim.
– Constantinopla é uma ponte de terra, florestas e rios que ligam o oci-
dente ao oriente, a Europa e a Ásia. Como Constantinopla ligando a Euro-
pa e Ásia, há também entre minha alma e a tua uma ponte de luz e amor
que nos mantêm sempre ligados um ao outro, mesmo o mundo e a huma-
nidade estando em estado de guerra ou em estado de paz.
Em agosto de 354, o exército do reino dos alamanos rompeu o tratado
de paz com o Império Romano e saqueou alguns povoados romanos. Em
Constantinopla, Diógenes disse à sua amada Égia:
– Égia minha bela, os alamanos romperam o tratado de paz e declara-
ram guerra com os romanos.
– Os reis germanos são assim. Um vem e traz a paz com os romanos e aí
vem outro e traz guerra de novo.
– Os que os reis germanos devem fazer é dar muita terra do Estado para
todos os germanos e colonos do império germano para que construam seus
lares, plantem seus alimentos, vendam, aluguem, construam, deem, empres-
tem e façam o que quiserem com elas para poder sair da ignorância e da mi-
séria que leva povos inteiros a se tornarem ladrões e assassinos coletivamen-
te. Você não acha isto justo?
– Acho. Os imperadores de Roma deveriam fazer o mesmo. Se o povo
romano paga impostos aos estados para enriquecerem os políticos, os impe-
radores, os sacerdotes, os empresários e os militares. É justo os governantes
enriquecerem o povo romano também. Se todos no Império Romano fos-
sem ricos, todos teriam acesso ao saber, seriam pacíficos e felizes como feliz
eu sou quando ouço sua voz e vejo você sorrir.
Em 355, germanos lencienses saquearam alguns povoados romanos. O
imperador Constâncio II enviou para conter a invasão, o saque e os assassi-
natos, o mestre de cavalaria Arbécio que cumpriu com êxito sua missão. En-
quanto isto em Constantinopla, Diógenes disse à Égia:

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– Estou com meu amor em Constantinopla entre o mar de Mármara e o
mar Negro, entre a vida e a morte, entre a paz e a guerra, a luz e a escuridão,
entre a sabedoria e a ignorância, entre o ódio e o amor, entre o destemor e o
medo, entre o sonho e o pesadelo, entre a realidade e a irrealidade quando
estou perto e longe de você. Não sei o que é melhor ou pior para mim, se é
viver perto de você ou longe de você.
Em 361, o imperador Constâncio II casa com Faustina que se tornou a
imperatriz do Império Romano. Assim que a notícia se espalhou por Cons-
tantinopla, Diógenes disse à Égia:
– A imperatriz Faustina deve estar se sentindo tão feliz quanto eu no
dia em que te vi pela primeira vez sorrindo para mim. Aquele momento fi-
cou marcado em minha mente desde aquele amanhecer até os dias de hoje.
Sempre que estou triste, penso naquele dia e volto a me sentir feliz. A felici-
dade me ama, pois nunca me abandona quando estou em sua presença. A
tristeza também me ama, pois também nunca me abandona quando estou
longe de você. O amor que sinto por você em minha alma, coração e men-
te é a causa da minha felicidade na sua presença e da minha infelicidade na
sua ausência. Sua presença acalma a minha mente e sua ausência a pertur-
ba. Como eu posso te amar tanto, se o amor que sinto por você vive me fa-
zendo sofrer quando não estou com você no amanhecer e no entardecer?
– Você me ama, apesar de seu amor por mim fazê-la sofrer porque sabe
que a faço sofrer não por querer, mas por causa do trabalho ou outra obri-
gação importante, para vivermos com conforto e dignidade neste mundo de
ilusões cheias de luz e escuridão.
Após a lua de mel, o imperador Constâncio II deu início à campanha
militar contra o império persa árabe sassânida no Oriente Médio. Em Cons-
tantinopla, Diógenes disse à Égia:
– Tá disputada a posse pelas terras do Oriente Médio entre os romanos
e os árabes persas sassânidas.
– Seriam mais felizes os romanos e os árabes se não disputassem as ter-
ras de Deus e de toda a humanidade entre si.

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Em 3 de novembro de 361 em Mopsucrenas no Oriente Médio, morre
o imperador Constâncio. Em Constantinopla, Diógenes disse à Égia:
– Querida Égia, meu amor por você é tão maravilhoso que nem a velhi-
ce deste corpo foi capaz de acabar com o que eu sinto por você, dentro da
minha cabeça e do meu coração. Em breve este corpo estará morto, mas o
amor que ele sente por você irá com a minha alma, para servir de lembran-
ça dos momentos felizes que vivemos nesta vida.
Enquanto isto, Justiniano era nomeado pelo senado de Roma como o
novo imperador do Império Romano. Justiniano disse aos senadores:
– Meus queridos amigos, agradeço ao deus Hélio, Zeus e vocês por me
escolherem para ser o novo imperador de Roma de forma pacífica e sem
conflitos. Pena não ser pacífica a situação no leste com os árabes persas do
império sassânida e os alamanos ao norte por causas das terras que compõem
as nossas fronteiras. Os alamanos são grandes e fortes, os árabes são peque-
nos e fracos e o exército romano bem treinado e equipado. Precisamos aca-
bar com todos estes conflitos de uma vez por todas, seja pela diplomacia ou
pela força.
Em 363, o exército do imperador Juliano marchou com ele à frente no
cavalo em direção à fronteira entre o Império Romano e o árabe persa sassâ-
nida na Ásia menor, região do Oriente Médio. Ao chegar à fronteira, o exér-
cito do imperador Juliano se encontrou com o exército persa e depois de três
meses de batalhas, o imperador Juliano foi atingido no peito por uma lança
e ao cair do cavalo, caiu no chão e morreu. Perdeu a batalha, o reino e o car-
go de imperador do Império Romano do oriente. Enquanto isto em Cons-
tantinopla, o velho e sábio Diógenes disse à sua velha amada e doce Égia:
– Égia meu amor. Mesmo velha, você é doce como o suco das frutas
que nascem nos galhos das árvores na estação da primavera. Não existe nes-
te planeta mulher com os olhos mais belos que os teus. Como a lua encan-
tada pela luz do sol e pela beleza da terra, como a lua cheia, sou eu encan-
tado com a sua luz e sua beleza. O sol casou com a terra e a terra casou
com o sol e dessa união nasceu a lua e as estrelas. Eu sou o sol, você é a ter-
ra e nossos filhos são a lua e as estrelas do céu negro do universo. Eu te amo

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tanto que morreria de sede, de fome e de tristeza se você morresse primeiro
que eu. Um momento de paz é mais valioso que uma eternidade inteira de
sofrimento. Uma eternidade inteira de sofrimento é o sofrimento que sin-
to em meu coração e mente vivendo longe de você por um só momento. A
cada dia que passa, a velhice e a morte estão vindo do futuro para nos sepa-
rar aqui no passado.
– A morte e a velhice só irão nos separar fisicamente, pois espiritualmen-
te permaneceremos juntos para sempre.
– Toda alma encarnada tem um carma e o meu carma é viver casada
para sempre com você.
– É preciso compreender a arte da vida para entender o poder do amor,
pois o amor, que é Deus, é arte divina que está além da compreensão huma-
na e de qualquer limite como o amor incondicional e infinito que sinto por
você dentro da minha alma, do meu coração e da minha mente.
– O papel fez de você um grande poeta e tuas poesias fizeram de mim a
mais feliz das mulheres.
– Não foi o papel que fez de mim um grande poeta, mas o amor que eu
sinto por você em todo o meu corpo e em toda a minha alma. Sua alma e
seu corpo são tão belos quanto o sol e a terra. Quando o sol nasce no leste,
ele ascende ao céu e no céu brilha intensamente, e quando morre no oeste,
ele perde o brilho e desaparece. Quando o sol desaparece, surge a escuridão.
O amor nasce e morre em nossos corações como o sol nascendo e morren-
do no horizonte. Quando o amor morre em nossos corações, nasce o ódio.
Quando nasce o ódio, o ser humano fica na escuridão, perde a visão, o amor
próprio e passa a amar a morte.
– Quando eu morrer eu quero ser cremada junta com você, na mesma
pilha funerária.
Em janeiro de 364, as tropas desmoralizadas do imperador Flavio Jovia-
no retornavam à Roma, da batalha contra o exército persa do império sas-
sânida liderado pelo imperador Sapor II. Um soldado romano disse a outro
soldado romano:

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– O tratado de paz entre o imperador Joviano e o imperador Sapor II ce-
deu grande parte das terras do Império Romano do oriente aos persas. Tal
mazela jamais aconteceu em toda a história de Roma.
Assim que a notícia do vergonhoso tratado de paz do imperador Jovia-
no com o imperador Sapor II chegou à Constantinopla, o velho Diógenes
disse à velha Égia:
– Ô, minha veia querida. Nem mesmo a velhice foi capaz de roubar a
beleza que existe em teu rosto.
– A verdadeira beleza é a beleza interior, ou seja, o bom caráter decora-
do com boas qualidades. Não adianta nada uma jovem ser bela de corpo e
rosto se é mentirosa, interesseira, traiçoeira e invejosa.
– A inveja surge na mente de uma mulher quando ela vê em outra algo
que ela não tem e entendo porque você nunca invejou a beleza de nenhu-
ma mulher deste planeta, pois devido a teu amor por Deus, nasceu em to-
das as tuas vidas mais belas do que elas.
– Na ilusão eu sou apenas um pedaço da alma de Deus e na realidade
eu sou toda a alma de Deus. Para quem vive na escuridão é difícil compre-
ender o que quero dizer, mas para quem vive na luz pode muito bem ver o
quanto eu amo você.
Em 18 de abril de 364 na Galácia, província do Império Romano na Ana-
tólia (Turquia), o imperador romano Joviano morreu de morte súbita. En-
quanto isto em Constantinopla, Diógenes disse à Égia:
– Minha querida e amada companheira de tantas noites e tantos dias, a
lua está tão bonita hoje, não é?
– É.
– Ela é como você que é bonita tanto de dia como de noite.
– Por que será que uma pedra tão grande e pesada quanto ela não cai so-
bre a terra?
– Por causa da compaixão que ela sente por nós, seres humanos.
– A compaixão é uma palavra tão bonita e um sentimento tão positivo,
no entanto, os seres humanos vivendo na escuridão, a temem como um rato

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teme uma serpente. O ódio é uma palavra tão feia e um sentimento tão nega-
tivo, no entanto os seres humanos não a temem como se fosse uma flor sem
veneno. O amor que sinto por você é como um poderoso veneno que aluci-
na a mente e ilumina de felicidade o meu coração e de paz a minha alma.
Em 374, o imperador romano Valentiniano liderou um exército em di-
reção ao rio Danúbio na Panônia para atacar os quadros (germanos) e os ja-
zigos (gregos). Em Constantinopla, Diógenes disse à Égia:
– Égia, meu amor. Não és a filha do imperador do Império Romano,
mas é a mulher que mais amo neste planeta Terra. Sei que não sou teu es-
cravo e nem teu senhor, mas ao mesmo tempo sou tua paz e você o meu
amor. No passado te amei, no presente amo e no futuro sempre te amarei.
– O amor de Deus é a fonte de toda a felicidade deste mundo belo cheio
de guerra e sem paz. Como o mundo cheio de guerra e sem paz assim sou
eu, minha mente e meu coração sem você. Não sente paz e felicidade estan-
do longe de mim e de meu amor, pois sabe, meu amor, que sem você, tam-
bém não sinto nenhum tipo de paz e felicidade longe de meus braços. Meu
desejo por te amar e ser amada por você é maior que o desejo dos impera-
dores em conquistar este planeta e fazer dele seu império e os povos da ter-
ra seus escravos sem vontade própria, como são os soldadinhos de brinque-
do dos príncipes filhos dos reis.
– Os príncipes brincam com soldados de brinquedos e seus pais reis brin-
cam com soldados de verdade e os sentimentos e emoções de seu povo, mas
quando acordarem seus príncipes e reis, verão que não há nada neste plane-
ta e neste universo, um amor maior que o meu por você.
– Teu amor em relação ao meu parece ser o mais forte de todos, mas teu
amor por mim em relação ao meu amor por você é como a flor de um pe-
queno jarro comparado com as flores que surgem todos os anos na estação
da primavera que fica abarrotada de flores, como fica abarrotado o meu co-
ração de amor por você sempre que a vejo e penso em ti.
Em 380 morreu nos braços de Égia o velho Diógenes. Mais tarde, em
sonho, Diógenes apareceu à triste Égia e lhe disse:

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– Meu amor. Não fique triste com a minha morte, pois como você pode
ver, eu não estou morto. Eu estou vivo em seu sonho e ao seu lado enquan-
to você dorme. Você não pode me ver e nem me ouvir, mas eu posso vê-la e
ouvi-la. Quando você der seu último suspiro, eu estarei com você seguran-
do a sua mão.
Em 395, o imperador romano Dioclesiano, por meio de decreto lei, di-
vidiu o Império Romano em Império Romano do Ocidente com capital em
Roma e Império Romano do Oriente com capital em Constantinopla. No
dia seguinte, enquanto dormia e sonhava, a alma de Égia saiu de seu cor-
po mortal, segurou a mão de Diógenes, chorou de felicidade e em meio ao
som da galáxia que representa o amor de Deus, eles voaram com seus guias
de luz em direção ao coração e a alma de Deus, para três dias depois, retor-
narem ao planeta Terra, desta vez em Ravena, Império Romano.

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CAPÍTULO V

AS INVASÕES HUNAS, GERMANAS


E A QUEDA DO IMPÉRIO
ROMANO DO OCIDENTE

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E
m 415, em uma pequena embarcação de madeira movida
a vela no mar Tirreno, a jovem e bela Moneta (Égia) olhou para a
cidade de Ravena e disse a Giovanni (Diógenes):
– A nova capital do Império Romano ficou muito bela com as reformas
públicas que os governantes romanos fizeram nela.
– É verdade. Por causa de reformas como estas e a de Constantinopla, a
economia do Império Romano do ocidente e do oriente estão em crise. De-
vido à crise, muitos funcionários públicos foram despedidos. Devido às de-
missões em massa, o Estado e os comerciantes estão arrecadando menos, fa-
mílias inteiras estão se mudando para o campo para trabalhar em latifúndios
e não morrer de fome.
– Vê estas sementes em minhas mãos?
– Vejo.
– Se os governantes as plantassem nos locais públicos de Ravena, daria
para alimentar todos os anos centenas de famílias.
– As grandes obras públicas dos governantes romanos e as guerras com
os germanos e os hunos estão acabando com a economia do Império Roma-
no e empobrecendo ainda mais a classe média romana.
– Quantas capitais teve o Império Romano?
– Teve quatro. A primeira foi em Roma, a segunda em Milão, a terceira
em Constantinopla e a quarta em Ravena.
– Encosta o barco ali, vamos descer e caminhar um pouco.
– Pronto. Estamos em terra firme. Deixe eu ajudá-la a descer. Segure
minha mão, venha.
– Aonde vamos?

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– Vamos tomar um banho naquele rio de água clara e depois comer algo.
– O que achou da viagem de barco de Roma a Ravena?
– Achei maravilhosa. Ontem à noite a lua cheia estava tão bonita e o mar
tão calmo. A Deus eu agradeço por ter tido a alegria e a oportunidade em
minha vida de fazer tal viagem com você.
– Você é tão bonita que não parece que é real. Só de olhar para o seu ros-
to meus olhos purificam todas as impurezas da minha mente. É difícil crer
que exista neste planeta uma mulher com um rosto mais belo que o teu.
– Obrigada. Quando foi que os hunos entraram em contato com os ger-
manos e os romanos pela primeira vez?
– Foi por volta de 358 com os germanos ostrogodos e com os romanos
foi em 370. Em 370 os romanos convidaram os hunos a viverem na Panô-
nia. Os hunos aceitaram o convite e na Panônia foram derrotados pelos ger-
manos alamanos (alemães). Desde então, os hunos começaram a saquear
as cidades romanas em busca de riqueza e comida para alimentar seu povo
e suas famílias.
– Começou a guerra entre o Império Romano e o império huno?
– Começou.
Em 434, Átila se tornou o imperador do maior império da terra que ia
do mar Negro ao mar Báltico, ou seja, metade da Europa e da Ásia. Ele dis-
se à multidão de cavaleiros hunos montados em cavalos e sentado na grama
enquanto o vento assobiava e o lobo uivava para a lua cheia:
– Queridos irmãos. Além das fronteiras do nosso Império, há uma guer-
ra de impérios entre os germanos, os romanos, os judeus, os árabes e os cris-
tãos. Em tal guerra eles estão roubando terras do nosso Império e matando
nossos irmãos e suas famílias por mais terras. Isto é uma declaração de guer-
ra. Se guerra é o que querem, guerra terão.
Algumas semanas depois, o imperador Teodósio I, disse à imperatriz e
esposa Élia Eudócia:
– Não se preocupe com os hunos, Elia Eudocia, pois assim que a mura-
lha construída em torno de Constantinopla estiver pronta, nós deixaremos

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de pagar tributos em ouro a eles e contrataremos mais soldados romanos e
germanos para combatê-los e expulsá-los do nosso território de volta ao deles.
– Com licença, imperador Teodósio I.
– Pois não, soldado. O que deseja?
– Informar que milhares de hunos montados a cavalo estão vindo em di-
reção à Constantinopla.
– Mandem uma delegação a cavalo até o exército dos hunos para desco-
brir o que querem em nosso território.
Enquanto isto em Roma, Giovanni disse à Moneta:
– Moneta, meu amor. Eu não sei se você já reparou, mas é muito co-
mum aos seres humanos dizer que tudo o que existe na natureza é deles, ape-
sar de não terem criado nem uma folha e uma formiga sequer.
– Na escuridão o ser humano pensa que todo o sonho de Deus é dele. Só
dele, mas não é só dele, é de Deus e de toda a humanidade e por esta razão
não há motivos para lutar armados por terra e água, assim como os animais.
Na escuridão o ser humano só pensa em “eu” e “meu”, nunca em “Deus”
e “nós”. Não se preocupe com os seres humanos, não permanecerão para
sempre na escuridão.
Horas depois, milhares de hunos montados em cavalos com flechas e
arcos nas costas, espadas e lanças nas mãos se encontraram com a delegação
romana a cavalo do imperador Teodósio I que lhes disse:
– O que querem aqui, guerreiros hunos?
– Queremos as tribos do império huno que migraram para o Império Ro-
mano. Queremos em dobro o valor do tributo de 80kg de ouro por ano para
160kg de ouro por ano. Queremos que abram os mercados romanos para os
comerciantes hunos. Queremos um resgate de 8 soldos por soldado romano
que fizemos prisioneiros em nossa viagem para cá.
– Isto é extorsão, senhor.
– O que você disse?
– Que levarei sua mensagem imediatamente ao imperador Teodósio I.

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Assim que o mensageiro voltou com a resposta do imperador Teodósio
I e o ouro do tributo e do resgate, Átila partiu dali em direção ao território
do Império Parta (árabe persa). Em 440, o imperador Teodósio I descum-
pre o tratado com os hunos e Átila e seu exército atacam impiedosamente
os mercadores bizantinos às margens do rio Danúbio, a região da Ilíria (Sér-
via, Montenegro, Kosovo, Albânia, Bósnia, Herzegovina e Croácia). Assim
que a notícia dos ataques dos hunos à Europa chegou à Roma, Giovanni dis-
se à Moneta:
– Os hunos estão atacando, pilhando, roubando, matando muitos euro-
peus, destruindo e incendiando muitas cidades e templos cristãos por toda
a Europa.
– Enquanto os hunos estão atacando o império bizantino pelo leste, os
germanos vândalos liderados por Genserico está atacando o Império Roma-
no do ocidente pelo oeste.
– Em Cartago?
– Sim. Dizem que é questão de tempo que Cartago caia nas mãos dos
germanos vândalos da Europa.
Em 441, o exército huno atacou a região dos Bálcãs e saqueou Margo,
Singiduno (Belgrado) e Sirmio. Átila fez uma trégua de 1 ano com o impe-
rador Teodósio I que aproveitou astutamente a oportunidade de trazer para
África o remanescente do exército romano e enfrentar na Europa a ameaça
huna. Em Roma, Giovanni disse à Moneta:
– O imperador Teodósio I do império bizantino paga tributos aos hunos.
– O império bizantino está em plena decadência. Até pouco tempo an-
tes da divisão em dois impérios romanos, quase todos os povos da Europa, da
África e da Ásia pagavam tributos aos imperadores romanos.
– Todo ser humano cria carma com suas más ações e como toda nação
é formada por seres humanos, toda nação também cria carma e como cria,
tem que receber a reação da má ação que cometeu em forma de sofrimen-
to. Talvez pagando tributos aos germanos, os romanos entendam o que sen-
tem aqueles que pagam tributos para Roma.

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Em 443, Átila rompeu a trégua com os romanos e com seus soldados
saqueou Ratiara, Naisso, Sérdica, Filipopolis e Arcadiopolis. Após a derro-
ta do exército bizantino próximo à Constantinopla, o imperador Teodósio
I aceitou a derrota e os termos do acordo de paz entre os hunos e os roma-
nos no qual incluíam 1963 quilos de ouro em indenização e mais 687 qui-
los de ouro por ano por ter feito guerra com os hunos. Em Roma, Giovan-
ni disse à Moneta:
– Minha querida Moneta, os romanos estão lutando contra os hunos por
terras e riquezas.
– Se não houvesse fronteira, não haveria mais guerras. Se não houvesse
mais guerra, não haveria mais miséria. Se não houvesse mais miséria, não
haveria mais ignorância. Se não houvesse mais ignorância, não haveria mais
violência. Se não houvesse mais violência, haveria paz, amor e prosperidade
em todo lugar deste planeta Terra.
– Seria maravilhoso viver em um planeta em que todos os seres huma-
nos fossem livres, ricos, cultos, civilizados e felizes.
– Isso só vai acontecer quando todos os seres humanos deixarem de amar
a ilusão e amarem a Deus. Certa vez um árabe e um judeu se encontraram
em um deserto sedentos de sede. Em meio a uma alucinação, eles viram
uma grande pedra de ouro e um disse ao outro: “Você está vendo o que es-
tou vendo?” “Estou. Deve ser uma miragem.” “É não. É ouro de verdade.”
“Parece que é mesmo. Vamos dividi-lo ao meio?” “Vamos.” Assim que anoi-
teceu, os dois milionários exaustos de caminhar pelo sol quente dormiram.
Assim que amanheceu, o árabe roubou a pedra do judeu e fugiu. O judeu
quando acordou seguiu as pegadas do árabe e ao encontrar o árabe, eles bri-
garam pela pedra e enquanto brigavam, o céu se entristeceu e começou a
chorar sobre o árabe e o judeu que ao beberem a água da chuva do céu, acor-
daram e viram que a pedra pela qual estavam lutando era uma pedra sem
valor como todas as outras pedras do deserto. Estas duas pedras são a Arábia
Saudita e a Palestina ou o Império Romano e o Império Huno. Quando os
seres humanos compreenderem que as terras pelas quais lutam até último
soldado é só ilusão, a elas não darão tanto valor, mas a Deus que é real e está

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além da ilusão e da compreensão humana. A este darão todo o valor que me-
rece por nos ter criado e nos ter mantido vivos por infinitas vidas que fica-
ram guardadas no passado da humanidade neste planeta Terra e no universo.
– Vivemos em dois universos diferentes de micro e macro. No início e
final destes dois universos infinitos está o início de nossas almas e tal início
fica na alma de Deus, que é o início e o final de tudo o que é real e irreal. De
todas as artes belas do mundo real e irreal, nada é mais belo que o amor que
sinto por você dentro do meu coração e deste planeta Terra que vibra de fe-
licidade com a felicidade que você dá à minha alma. A felicidade que você
me dá é semelhante à felicidade que este planeta dá à escuridão e às estre-
las do universo e à felicidade que a escuridão e as estrelas do universo dão à
mente de Deus que, quando está feliz, feliz ficam todos os seres em todos os
planetas deste universo cheio de belezas em que vivemos.
Em 445, uma epidemia seguida de fome e terremoto destruiu parte da
muralha de Constantinopla e deixou em pânico os bizantinos que corriam
de um lado para o outro, histéricos como formigas próximas aos pés de um
ser humano. Assim que a notícia dos terremotos em Constantinopla chegou
à Roma, Giovanni disse à Moneta:
– Constantinopla está sendo castigada por epidemias, terremotos e pâ-
nico em massa por causa do medo que estão sentindo de morrer pelas fle-
chas dos arqueiros hunos.
– Temer algo que não existe como a morte... Só mesmo os romanos para
serem assim. As religiões politeístas e monoteístas dos romanos fizeram de-
les o povo mais medroso da Europa.
– As religiões dos romanos ensinam a temer a Deus e a temer o diabo e
o temor a ambos é o que está fazendo os romanos viverem com medo, pois
temer a Deus é temer a si mesmo e ninguém que é normal deve temer a si
mesmo e viver sem paz. Devido ao julgamento de Deus no céu e a punição
pelo diabo no inferno, os romanos estão com medo de morrerem sem saber
que a morte é o início de uma nova vida sem julgamento e punição.
– Os bois, as vacas, as galinhas e os bodes têm medo dos seres huma-
nos e por sentirem medo dos seres humanos, os animais são facilmente

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controlados por eles. Acontece o mesmo com os governos e os povos da ter-
ra, ainda usam o nome de Deus para fazer imoralmente isto. Os seres huma-
nos são partes do espírito e da consciência de Deus e, no entanto, os gover-
nantes do planeta Terra os tratam como se fossem animais.
Em 447, Átila atacou novamente Constantinopla, mas o povo romano
lutou lado a lado com os soldados romanos e conseguiram suportar o fardo
às custas de um grande número de perdas de vidas humanas. Após a retira-
da do exército huno, na Trácia, um romano chamado Calinico escreveu em
uma folha de papiro e a luz de vela enquanto a lua brilhava bela no céu en-
feitado com variados tipos de estrelas e cores:
– A nação bárbara dos hunos, que habitava na Trácia, chegou a ser tão
grande que mais de cem cidades foram capturadas e Constantinopla chegou
quase a estar em perigo e a maioria dos homens fugiram dela. Houve tantos
assassinatos e derramamentos de sangue que não se podiam contar os mor-
tos. Inclusive capturaram igrejas e monastérios e degolaram monges e don-
zelas em grande número.
Assim que a notícia do massacre dos cristãos da Trácia chegou à Roma,
Giovanni disse à Moneta:
– Moneta meu amor, minha flor e meu tesouro mais valioso, os hunos
quase dizimaram todos os romanos da Trácia.
– Pobres infelizes, espero que com suas mortes tenham eliminado todas
as más ações cometidas em vidas passadas dos seus carmas e tenham tido
um bom nascimento neste planeta para continuarem se aperfeiçoando e cor-
rigindo seus erros sem medo de nenhum inferno ou julgamento de Deus.
Em 450, próximo à Ravena, um soldado romano aproximou-se a ca-
valo com um papel enrolado na mão. O soldado romano desceu do cavalo
e caminhou ao lado de um huno entre milhares de outros e muita fumaça
até entrar na tenda do imperador Átila. Em huno, o soldado romano disse
a Átila:
– Saudações, imperador Átila. Trago-te uma mensagem de Justa Honó-
ria Grata.
– Quem é esta Justa Honória Grata?
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– É a irmã do Valentiniano III, imperador do Império Romano do
ocidente.
– Dê-me aqui a mensagem dela. “Querido Átila, sou prisioneira de meu
irmão Valentiano III que me prometeu a um senador que não desejo casar.
Salve-me dos dois, por favor, e em troca te darei o meu anel, o meu amor e
a minha mão em casamento.”
– Onde está o anel?
– Está aqui.
– Vá e lhe diga que se me der metade do Império Romano, eu aceito
me casar com ela.
Assim que o cavaleiro romano voltou à Ravena, a mensagem de Átila
foi confiscada e levada ao imperador Valentiniano que disse a Justa Honória
Grata diante de sua mãe:
– Mamãe, Honória prometeu se casar com Átila se ele vier salvá-la de
mim e do senador Herculano. Ela traiu o nosso povo. Merece como pena
o exílio de Ravena e da cidadania romana. Vá embora daqui, huna infiel, e
bom casamento para você e o imperador Átila.
– Você vai mandar sua irmã de mão beijada para Átila? O que vão dizer
na posteridade? Acalma-te e perdoa tua irmã que tem o mesmo sangue que
o teu e o meu em tuas veias. Perdoa ele também, minha filha.
– Lamento, mas não tem perdão não, mamãe.
– Se ela for exilada, eu vou junto com ela.
– Tá perdoada, Honória.
Em 20 de junho de 451, em Châlons (França), o general romano Ae-
cius com um exército de 180 mil soldados romanos e germanos gépidas, os-
trogodos, rúgios, escirianos, hérulos, turíngios, alanos e burgúndios aguardavam
pacientemente a chegada do imperador Átila, o exército huno e o exército
de germanos visigodos. Assim que a notícia da batalha iminente entre os dois
exércitos chegou à Roma, Giovanni disse à Moneta:
– Se os hunos passarem pelo exército do general romano Aécio, vivere-
mos de favor nas terras do império dos hunos.

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– O lado bom nisto tudo é que graças aos hunos, dois povos que viviam
lutando entre si se uniram e agora lutam lado a lado nos campos de batalhas
para não virarem escravos.
– Já faz quase duas décadas que Átila e seus soldados vêm aterrorizan-
do as cidades dos germanos e dos romanos. Não há ninguém mais odiado
pelos europeus na Europa que o imperador Átila e seus soldados. Átila não
conseguiu conquistar o império bizantino e agora está tentando conquistar
o Império Romano do ocidente por meio da mesma política do medo e da
violência.
– Se o imperador Átila vencer o Império Romano do ocidente, certa-
mente conquistará o império bizantino e se tornará o primeiro imperador
do mundo.
– A vida de milhões de inocentes tem mais valor para Deus que monta-
nhas de ouro e a conquista do mundo inteiro por um imperador ambicioso
que não se importa em assassinar inocentes cristãos, árabes e judeus desar-
mados apenas para realizar seu sonho de grandeza.
– O que Deus quer é que todas as nações se unam em uma única na-
ção com um só exército para não haver mais guerras, mas não é por meio
da guerra que Deus quer a unificação de todas as nações em uma só nação,
mas por meio da inteligência, da diplomacia e da paz.
Enquanto Giovanni e Moneta conversavam sobre o que seria o melhor
para todos os seres humanos na Terra, o general Aécio viu de longe o exérci-
to de meio milhão de hunos e germanos visigodos a cavalo e outros a pé com
espadas e lanças nas mãos. Aécio disse aos romanos e germanos:
– Senhores, eis aqueles ateus que estão perseguindo e aterrorizando to-
dos os cristãos, judeus e árabes do mundo civilizado. Se perdermos esta bata-
lha, nossas esposas e filhos serão todos mortos. Ganhando ou perdendo sere-
mos lembrados para sempre como aqueles que deram as próprias vidas para
salvarem as vidas dos inocentes. Boa sorte a todos e vamos salvar as crian-
ças, as mulheres e os idosos dos hunos nômades comedores de carne crua.
Os dois exércitos correram gritando em direção um ao outro e um a um
foram caindo os soldados romanos, germanos e hunos na grama – muitos

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deles, cristãos e judeus. Assim que a notícia da derrota do exército do impe-
rador Átila em Châlons chegou à Roma, Giovanni disse à Moneta:
– O exército do imperador Átila perdeu a batalha em Châlons.
Em 452, Átila retorna à Ravena para reclamar seu casamento com Justa
Honória Grata. Ao saber que Átila estava chegando com os hunos para casar
com Justa Honória Grata, o imperador Valentiano III fugiu de Ravena para
Roma e em Roma, Moneta disse a Giovanni:
– Aquele ali não é o imperador Valentiniano?
– É.
– O que ele está fazendo aqui?
– Não sei, mas espero que não tenha nada a ver com a volta dos hunos
à Itália.
No dia seguinte, o imperador romano Valentiniano III mandou ao en-
contro do imperador Átila o cônsul romano Genádio Avieno, o ex-prefeito ro-
mano Mêmio Emílio Trigécio e o papa Leão X que lhe disse:
– Salve, Átila imperador dos hunos.
– Salve, romano. Quem é você?
– Eu sou o Papa Leão, enviado do imperador Valentiniano III.
– O que deseja?
– Desejo que vá embora do Império Romano com os seus soldados.
– Vai fazer isto com apenas 2 homens?
– Vou não. Vou fazer isto com isto.
– O que é isto?
– É o filho de Deus crucificado na cruz pelos judeus.
– É para mim?
– Sim, é para você. Tome.
– Muito obrigado.
– De nada.
– O que o filho de Deus disse a humanidade antes de ser crucificado?

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– Que aqueles que fazem o bem vão para o céu após a morte e aque-
les que fazem o mal vão para o inferno após a morte. A mensagem do filho
de Deus foi de amor, bondade, compaixão e misericórdia e não há nada de
amor, bondade, compaixão e misericórdia o que você e seu exército de bê-
bados estão fazendo com as crianças, as mulheres e os idosos do Império Ro-
mano, árabe e germano.
Após a longa conversa com o Papa Leão, Átila disse aos hunos:
– Cavaleiros e arqueiros hunos, montem em seus cavalos e vamos vol-
tar para casa.
Em 453, morre de hemorragia no baço de tanto consumir álcool, o im-
perador Átila do império dos hunos da Ásia. Em Roma, Giovanni e Mone-
ta estacionaram o pequeno barco na ilha da Córsega e mergulharam nas
águas claras do mar Tirreno. Enquanto nadavam nas águas claras do mar
Tirreno, viram dois tubarões enormes nadando em torno deles. Moneta dis-
se a Giovanni:
– Giovanni, meu amor. Tem dois enormes tubarões nadando em tor-
no de nós.
– Estes dois tubarões são o império huno e o outro é o império germa-
no. O huno já foi. Agora só falta o germano. Calma. Ele só quer um pouco
de carinho humano. Vá amigo, siga o seu amigo e vá procurar alimentos no
mesmo lugar que ele.
– Com a perseguição aos cristãos, judeus e árabes, a peste de Cipriano e
as invasões dos bárbaros hunos, morreram mais romanos em batalha do que
nasceram crianças no Império Romano e graças a isto, os germanos ostro-
godos, visigodos, alanos, burgúndios, suevos, vândalos e outros germanos agora
em grande número, cobiçam todas as riquezas e terras do Império Romano.
– O Império Romano era um pequeno reino que foi aumentando às cus-
tas da anexação forçada de outros reinos que foram submetidos injustamen-
te à escravidão e privação de bens e direitos. Devido à escravidão e privação
de bens e direitos, os povos conquistados à força pelo Império Romano estão
nutrindo um ódio pelos imperadores romanos ainda maior que no passado.
Devido ao medo de perderem suas terras, bens e direitos para os romanos,

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os germanos estão com tanto ódio dos romanos. Esta é a razão pela qual do
medo surge o ódio nas mentes e corações dos seres humanos e porque os
germanos estão se aproveitando da crise do Império Romano do ocidente
para retomarem de volta todas as terras que os romanos lhes roubaram há
centenas de anos.
– Se não fosse a ambição e a ignorância dos governantes romanos e ger-
manos, os romanos e os germanos poderiam juntos ter criado o maior im-
pério da terra e evitado que os hunos quase os dizimassem por completo. A
história dos europeus é semelhante à história dos sumérios. Os sumérios vi-
vendo em cidades-estados viviam em guerra e por esta razão foram alvos fá-
ceis para a invasão de povos de outras terras como foram os europeus alvos
fáceis para os selvagens cavaleiros hunos da Ásia.
– Então tais invasões germanas do Império Romano foram geradas pelo
medo, pelo ódio e pela vingança?
– Sim.
Em 454, o imperador Valentiniano III mandou assassinar o general ro-
mano Flávio Aécio e em 455, o imperador romano Valentiniano III foi as-
sassinado por dois soldados da guarda pretoriana. Assim que a notícia che-
gou à Roma, Giovanni disse à velha Moneta:
– Minha querida velha, você é a velha mais bela do planeta Terra. A ve-
lhice que rouba a beleza e a juventude das mulheres está deixando você ain-
da mais bela. O amor de velho é mais belo que aves voando em bandos no
céu. Todo o bem que fazemos aos demais volta em dobro para nós, assim
como todo o mal. Felizes são os que fazem o bem nesta vida, aqueles que
amam Deus como eu amo você. De todos os tesouros do planeta Terra, o
mais valioso de todos para mim é o seu amor.
Após suceder o trono do Império Romano do ocidente, o novo impe-
rador Petrônio Máximo casou-se com a Elia Eudócia, ex-esposa e impera-
triz do imperador Valentiniano III. Na noite de lua de mel, o imperador Pe-
trônio cheio do álcool nas veias, deitou-se na cama e dormiu. Horas depois,
Elia Eudócia acordou com a voz do imperador Petrônio que dizia enquan-
to dormia e sonhava:

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– Hahaha, mandei matar o imperador Valentiniano III e ainda casei com
a mulher dele. Eu sou o máximo e por ser o máximo eu mereço para sem-
pre como imperador governar o Império Romano e todo o planeta Terra.
Assim que amanheceu em Roma, Elia Eudócia escreveu em uma fo-
lha de papiro:
“Saudações, rei Genserico do reino vândalo germano de Cartago. Des-
cobri hoje de madrugada que o imperador Petrônio Máximo, meu esposo,
foi o mandante do assassinato do meu ex-esposo, o imperador Valentiniano
III. Preciso da sua ajuda para libertar o Império Romano de um imperador
usurpador. Atenciosamente, imperatriz Elia Eudócia.”
Assim que terminou de escrever a mensagem, Elia Eudócia foi até um
soldado romano, lhe deu um saquinho com moedas de ouro e lhe disse:
– Vá a Cartago e entregue esta mensagem ao rei Genserico. Traga a res-
posta do rei e ganhará um novo saquinho cheio de moedas de ouro.
– Para a senhora eu vou até de graça, minha imperatriz.
– Obrigada. Vá logo e boa viagem.
O soldado montou no cavalo e saiu dali correndo em direção ao por-
to de Ravena onde estavam Giovanni e Moneta que conversavam no barco:
– Lá na Palestina, os judeus e os árabes já não suportam mais a presen-
ça autoritária e abusiva dos soldados e das leis romanas.
Em 22 de abril de 455, barcos a velas de Cartago cheios de soldados
germanos desembarcaram em Roma, derrotaram o exército romano. O im-
perador romano Petrônio Máximo fugiu e foi linchado pela população de
Roma. Longe dali, no mar Tirreno, Giovanni e Moneta observavam o sa-
que a Roma pelos vândalos germanos liderados pelo rei Genserico que le-
vou grande quantidade de ouro, prata, a imperatriz Elia Eudócia e as filhas
Placidia e Eudócia com ele para Cartago. Assim que os vândalos deixaram
Roma em suas embarcações de volta a Cartago, Giovanni e Moneta volta-
ram à Roma e lá Moneta disse a Giovanni:
– Quanta destruição. Agora entendo por que os germanos do rei Gense-
rico se chamam vândalos, pois são mestres em vandalismo.

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Em 468, a frota de navios do rei vândalo Genserico do reino germano
de Cartago enfrentou no mar Mediterrâneo uma frota de navios de guerra
romanos vindos do Império Romano do ocidente e do oriente. De longe no
barco, Giovanni disse à Moneta:
– Nunca vi uma batalha marítima como esta. O mar Mediterrâneo está
parecendo o mar Vermelho. Pobres seres humanos romanos e germanos, são
como os árabes e os judeus. Não conseguem mudar e nem viver em paz uns
com os outros, pois estão sempre lutando por terras que pertencem a Deus
e a toda a humanidade.
Em 474, o Império Romano do oriente reconheceu a soberania vânda-
la sobre as províncias norte-africanas de Baleares, Sicília, Córsega e Sardenha.
Em Roma, Moneta disse a Giovanni:
– O Império Romano do ocidente está encolhendo.
– Impérios nascem de reinos e quando morrem reinos voltam a ser assim
como toda vez que morremos voltamos a nascer outra vez.
Em 476, em Ravena, o rei germano Odoacro, descendente dos hunos,
exonerou do cargo o imperador romano Rômulo Augusto, decretando com
isto o golpe de misericórdia que ceifou a vida e o fim do Império Romano
do ocidente. Enquanto os germanos dividiam entre si as terras do falecido
Império Romano do ocidente, as almas de Giovanni e Moneta voavam sob
a guia dos seus anjos de luz em direção à alma de Deus para três dias depois
retornarem ao planeta Terra, desta vez em Constantinopla, capital do Im-
pério Romano do oriente.

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CAPÍTULO VI

CONSTANTINOPLA E O NASCIMENTO
DO PROFETA MAOMÉ

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E
m 500, em Constantinopla, o jovem bizantino Herácli-
to (Giovanni) desenhava em uma folha de papiro. Uma jovem e
bela bizantina chamada Martina (Moneta) sentou-se a seu lado,
olhou o desenho da universidade no papiro e disse:
– Está muito bonito este desenho que você fez no papiro.
– Obrigado. Vou guardar este papiro como uma lembrança deste dia
tão bonito que em breve ficará preso ao passado da história da humanidade.
– Você estuda na universidade de Constantinopla?
– Estudo.
– Qual curso?
– Arte, e você estuda também na universidade de Constantinopla?
– Estudo.
– Qual curso?
– História da arte. Como você se chama?
– Eu me chamo Heráclito, e você?
– Eu me chamo Martina. Muito prazer em conhecê-lo.
– Prazer maior ainda é o meu.
– Sabe desenhar seres humanos?
– Sei.
– Então me desenha.
Assim que Heráclito desenhou Moneta na folha de papiro, ele lhe deu
o desenho e ela lhe disse:
– Muito obrigada. Ficou muito bonito meu desenho, tão bonito quan-
to os milhares de desenhos e pinturas em quadros nas paredes de dentro da
universidade de Constantinopla.
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– Obrigado. Esta universidade é a primeira universidade criada no pla-
neta Terra. Foi criada em 450 pelo imperador bizantino Teodósio II. Nela
se ensina medicina, filosofia, direito, economia, aritmética, geometria, astrono-
mia, música, história da arte e arte. Lá dentro também tem a biblioteca im-
perial formada por todo o conhecimento grego e romano adquirido nos últi-
mos mil anos e cerca de 100 mil manuscritos que foram salvos do incêndio
da biblioteca de Alexandria e outras bibliotecas antigas que o Império Ro-
mano confiscou dos povos dos territórios conquistados por meio da força e
da violência há centenas de anos.
– Esta universidade é também o embrião do nascimento das ciências e
do saber humano.
– O que possibilitou o nascimento do pensamento lógico e racional en-
tre a humanidade foram a escrita, os números e o papel, mas quem criou a
escrita, os números e o papel e quando?
– A escrita foi criada em 3500 a.C. pelos sumérios, os números foram
criados em 2000 a.C. pelos indianos e o papel em 60 d.C. pelo chinês
Cai Lun.
– O que os seres humanos deveriam inventar é uma maneira de fazer
milhões de cópias iguais a este desenho e estas folhas de papiro do curso de
história da arte.
– Arte é tudo aquilo que possui forma e cor. Tudo o que existe neste pla-
neta e no universo é a arte do amor, do espírito, da consciência, da incons-
ciência, da mente e do sonho de Deus. Tudo o que existe neste planeta Ter-
ra e no universo é belo porque Deus é belo. Só há dois tipos de arte: a arte
material e espiritual. A arte material é ilusória. A arte espiritual é real. A arte
material representa o inexistente. A arte espiritual representa o existente. A
arte material é como a escuridão do universo e a arte espiritual é como as lu-
zes do universo. De todas as artes que a alma de Deus criou com amor no
universo e no planeta Terra, você é a mais bela de todas.
– Obrigada, artista. Eu gosto de ciência porque ela estuda Deus de for-
ma detalhada e aprofundada nos seus mínimos detalhes, pois o espírito de
Deus vive dentro de cada átomo que compõe a matéria. Se não existisse, os

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átomos não poderiam fazer viver tudo o que vive de belo na natureza des-
te planeta. Mas não gosto do fato de estarem ensinando que Deus não exis-
te nas ciências humanas.
– Por milhares de anos, a humanidade tem vivido em guerra por causa
de monoteísmo e politeísmo. Tais guerras diminuíram e aumentaram a fé
em Deus de uns e de outros.

Em 527, em Constantinopla, noite de Páscoa, Justiniano se tornou o


novo imperador e sua esposa Teodora imperatriz do Império Bizantino. As-
sim que a noite chegou e ficaram a sós, o imperador Justiniano disse à im-
peratriz Teodora:
– Teodora meu amor. Hoje tu és a imperatriz do Império Romano do
oriente, amanhã serás a imperatriz do Império Romano do ocidente e de-
pois de amanhã a imperatriz do mundo inteiro.
– O mundo inteiro é pequeno para mim perto do amor que tenho por
meu marido e imperador. Tal amor, como a bebida, me deixa embriagada
de felicidade todos os dias. A cada dia que passa, como o vinho, maior e mais
doce é este amor que sinto por você, meu imperador do coração de ouro.
Amor mais belo e valioso que o meu, nem neste mundo e nem nas estrelas
há. Estou me sentindo hoje a mulher mais feliz do mundo, não porque me
tornei a Imperatriz do Império Romano do Oriente, mas porque sou amada
por sua alma, coração e mente.
– Se ser amada por mim te faz se sentir a mulher mais feliz do mundo,
será feliz para sempre, pois para sempre te amarei.
– Me amarás para sempre, pois para sempre é o amor meu por você em
meu coração, alma e mente.
– A minha mente e o meu coração é a tua mente e o teu coração. O vi-
nho que envenena minha mente, meu coração, meu corpo e meus ossos
com o doce veneno do amor faz minha alma e meu corpo delirar de felicida-
de ao te amar cada vez mais de dia, de noite, de tarde e de madrugada. Não

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há palácios e montanhas de ouro que sejam mais valiosos e caros a mim que
o teu amor. Não sei explicar o que é o amor que é inexplicável, mas sei ex-
plicar o quanto sofro quando estou longe de você e o quanto fico feliz quan-
do estou com você.
– Eu sou a luz da tua vida como teu amor é a luz do meu coração. A re-
lação entre o Estado e o povo deve ser tão doce como o vinho ou o amor en-
tre o marido e a esposa. O Estado que trata seu povo como uma prostituta é
traído e abandonado por ela por outro. O estado é o pai e a constituição de
leis do estado é a mãe e o filho é o povo. É dever do pai e da mãe dar o que o
filho tem direito, que é amor, carinho, respeito, atenção, consideração, comi-
da, remédio, roupa, livro, casa, emprego, dinheiro e proteção. O mesmo em
relação ao governante e o povo. Entendeu o que eu quis dizer, Justiniano?
– Entendi, minha querida imperatriz Teodora, que o meu coração tan-
to adora.
Enquanto isto, do lado de fora do palácio do imperador Justiniano, He-
ráclito disse à Martina:
– Martina, maravilha das maravilhas do Império Bizantino. Os árabes,
os hunos, os judeus e os germanos estão comendo o Império Romano como
lagartas comendo uma folha e ficando maiores a cada mordida. Em breve,
tais lagartas lutarão entre si para comerem umas as outras e ficarem ainda
maiores e mais gordas.
– Toda a fome de poder e terra dos imperadores e governantes poderiam
ser resolvidas facilmente se todas as nações se unissem em uma só nação, as-
sim qual governante faria guerras por elas se todas elas lhe pertencerem as-
sim como aos demais?
Em 11 de janeiro de 532, 100 mil bizantinos, romanos, gregos, cristãos,
judeus e cientistas se reuniram no hipódromo de Constantinopla. Próximos
a uma estátua de um deus romano guiando uma biga romana com 4 cava-
los, estavam Heráclito e Martina. Heráclito disse à Martina:
– Martina, minha querida esposa e amiga. Vai ter início a corrida de
cavalos.

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– Que vençam os cavalos mais rápidos. Lá vão os cavalos e os seres hu-
manos correndo lado a lado em busca da vitória. O que é aquilo?
– É a igreja de Santa Sofia em chamas. Veja lá embaixo.
– Estou vendo. O povo está lutando contra os sodados romanos. É guer-
ra civil.
– Qual é o objetivo desta guerra civil?
– Depor o imperador bizantino Justiniano do poder e proclamar outro
imperador em seu lugar.
– O povo está matando os soldados romanos e os soldados romanos estão
matando o povo. Como eles têm coragem para fazer isto uns com os outros?
– O povo e os soldados romanos estão morrendo da mesma maneira
que mataram outros em suas vidas passadas. E os que os estão matando te-
rão em vidas futuras algo semelhante. Que Deus remova seus carmas e lhes
ajudem a ter amor uns pelos outros. Devido às guerras de libertação do Im-
pério Romano do ocidente e aumento dos impostos, o povo de Constanti-
nopla está passando fome e ficando cada vez mais pobre. Esta é a causa des-
ta revolta popular.
– Que cenas horríveis a que que estamos vendo. Parece que estou den-
tro de uma história de suspense e terror.
Por uma passagem subterrânea que liga o hipódromo ao palácio impe-
rial de Constantinopla, corriam de mãos dadas a imperatriz Teodora e o im-
perador Justiniano. Ao chegarem ao palácio imperial, o imperador Justinia-
no disse à imperatriz Teodora:
– Os rebeldes massacraram os soldados romanos, incendiaram a igreja de
santa Sofia e agora estão incendiando o palácio de Constantinopla.
– Eu te avisei para você não fazer guerras contra os germanos e nem
aumentar os impostos do povo, mas você teimoso do jeito que é, nunca
me ouve.
– Minha querida esposa, tuas palavras são lei sagrada para mim da qual
não ouso desobedecer. Mas diante da situação, só me resta renunciar e

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fugir daqui com você para um outro lugar onde possamos viver em paz
como antes.
– Mesmo que a fuga seja a única salvação, não fugirei, pois aqueles que
usam a coroa não devem sobreviver à sua perda. Se quiseres fugir, César,
foge. Tens dinheiro, teus navios estão prontos e o mar aberto. Eu, porém,
fico. Gosto desta velha máxima: a púrpura é uma bela mortalha. Tem cal-
ma. Ainda há muitos soldados dando suas vidas para nos salvar e logo chega-
rão mais outros e terá fim a revolta.
Assim que terminou a revolta, Heráclito disse à Martina:
– As tropas do general Belisário degolaram cerca de 30 mil bizantinos
por causa de seu protesto contra a guerra no Império Romano do ocidente
e a cobrança de altos impostos.
– O povo bizantino deveria ter o direito de protestar contra as medidas
econômicas e financeiras do governo.
– A História já mostrou que governos que excluem a participação ativa
de seus povos e as decisões políticas dos cidadãos acabam sendo enterrados
vivos no chão. Matando 30 mil bizantinos porque estavam protestando por
direito à alimentação e viver sem exploração é a maneira que os governantes
do Império Romano têm para acabar com a fome de seu povo.
Em 534 é editado o código de Justiniano que em parte consistia em:
– Relações sexuais entre judeus e cristãos são proibidas, sob pena de
castigo severo. Judeu não tem mais direito de obter cargos públicos. O ju-
deu que construir uma sinagoga perderá os seus bens e será punido com a
pena de morte.
Assim que a novidade jurídica chegou às ruas de Constantinopla e aos
ouvidos dos bizantinos, Heráclito disse à Martina:
– O imperador Justiniano decretou por meio de lei o Código Jurídico de
Justiniano (Corpus Juris Civilis).
– Do que trata tal código de leis?
– De leis criadas pelos imperadores romanos desde o tempo do im-
perador Adriano (117 d.C.). A primeira parte é formado pelo digesto ou

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pandectas que consiste em fragmentos dos jurisconsultos clássicos em latim
e grego. A segunda parte é formada pelos institutas, obra destinada à introdu-
ção do direito moderno romano. A terceira parte é formada pelas novelas ou
leis antissemíticas contra os judeus e a religião judaica no Império Bizantino.
– Já faz mais de 500 anos que os romanos têm excluído ilegalmente os
judeus dos seus direitos à igualdade e à liberdade de adorar seus deuses em
paz, os cultos cristãos são semelhantes aos cultos judeus. Por que os gover-
nantes bizâncios não privam também os cristãos de exercerem cargos públi-
cos e abrirem igrejas?
– Porque eles são cristãos. Por serem cristãos, acham que são os escolhi-
dos de Deus e por acharem isto, acham que só eles têm direito a ter religião
e rezar missas.
– Coitados destes pobres judeus, todo mundo no mundo os odeia.
– Odeiam todos os povos, os judeus por inveja, por serem eles os escolhi-
dos de Deus para trazer a verdade sobre Deus à toda a humanidade, para que
não haja mais guerras por causa de deuses e religiões diferentes.
– Os deuses annunakis odeiam os deuses pleidianos porque os pleidia-
nos estão entre os melhores dos melhores de todos os extraterrestres criados
pela mente de Deus no universo.
– Os deuses pleidianos representam o lado positivo da mente de Deus.
Algumas semanas depois, navios bizantinos de guerra zarparam do por-
to de Constantinopla no mar de Mármara em direção ao mar Mediterrâneo
e a cidade de Cartago sob domínio germano vândalo. Sobre a muralha de
Constantinopla, construída pelos imperadores romanos Constantino e Teo-
dósio I, Martina disse a Heráclito:
– Aonde estão indo os barcos de guerra da marinha romana?
– Pescar peixes para alimentar o povo de Constantinopla.
– Provavelmente estão indo para Cartago, recuperar as riquezas que rou-
bou dos bizantinos há alguns anos atrás.
Horas depois a marinha bizantina e cartaginesa se reencontraram no
mar Mediterrâneo para uma velha disputa de embarcações. Assim que

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anoiteceu em Constantinopla, acenderam as tochas e em meio ao fogo e a
fumaça, Heráclito disse à Martina enquanto olhava para o palácio do impe-
rador Justiniano:
– Como é belo este palácio.
– Não preciso viver em um palácio cheio de luxo para me sentir a mu-
lher mais feliz que a imperatriz do mundo. Tudo o que preciso para ser feliz
é ter seu amor tanto de dia quanto de noite.
– Este planeta em que estamos vivendo nossas experiências de vida não
precisa da luz das estrelas para se iluminar em felicidade e criar coisas tão
belas e maravilhosas como as flores da primavera e o zumbido doce das abe-
lhas. Tudo o que este belo planeta precisa para produzir e criar artes divinas
tão belas é somente da luz do sol e da lua, da mesma forma tudo o que pre-
ciso para ser feliz neste mundo é ter seu amor e a sua companhia.
– No passado sempre contigo estive. No presente contigo estou, no fu-
turo contigo sempre estarei. Não tema o presente. Não tema o futuro, pois
contigo em amor sempre estarei nos momentos de dificuldade e alegria que
ainda estão por vir.
– Quando a primavera chega, ela sempre traz flores belas. Como a pri-
mavera, você chegou à minha vida enchendo minha mente de alegria e meu
coração de amor.
– O amor que está em teu coração é semelhante ao amor que está em
meu coração e também no coração de Deus. Como tudo o que existe nes-
te mundo de ilusões é feito de amor, luz e escuridão, somente de luz é fei-
to meu amor por você.
– Perfeito é o amor de Deus que faz de homens ladrões, homens hones-
tos e de políticos ambiciosos, políticos generosos que não amam nem ouro e
o poder, mas a felicidade e a liberdade de seus povos da escravidão obscura
do medo, da miséria, da ignorância, da escuridão e do ódio.
– O ódio não é capaz de fazer ninguém feliz, pois o ódio não é o cami-
nho para a paz entre a humanidade. Por causa de poucos que governam,
muitos de forma irresponsável e insensata, muitos seres humanos estão

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padecendo de tristeza e de ódio a Deus, que ama como eu todos aqueles
que o amam e odeiam.
– O ódio e o amor é como o sentir de quem vive na escuridão e na luz, a
dualidade da irrealidade e realidade, mas tal dualidade não existe entre nós,
pois entre nós dois há amor e onde há amor há paz, há saúde, há alegria, há
luz, há sabedoria, há Deus e unicidade. Deus é o amor. O amor é Deus. Mas
neste mundo em que ninguém se ama e ama a Deus, o que Deus e amor sig-
nifica somente entende eu e você.
– Não temo Deus, o tempo e nem a morte, pois sei que diante de tantas
mentiras ensinadas, Deus me ama e eu amo Deus e como amo Deus, amo
você. Como Deus nunca nos abandona, eu também nunca te abandonarei,
pois se um dia eu te abandonar, para sempre infeliz serei. Não desejo a infe-
licidade, tudo o que desejo é sempre viver feliz ao seu lado.
– O tempo é eterno, eternas são nossas vidas e como nossas vidas, o meu
amor por você, que a cada dia mais forte fica.
– O Império Romano era grande ontem, hoje é pequeno. Nosso amor
hoje é pequeno como o Império Romano do oriente, mas amanhã será tão
grande como era o Império Romano do ocidente antes da chegada violenta
dos germanos suevos, visigodos e eslavos.
– Quem ama de verdade Deus, como eu amo você, está feliz. Seja em
meio a paz, seja em meio a guerra.
– Querida Martina, antes de conhecê-la, meu coração e mente viviam
em guerra entre a alegria e a tristeza, a luz e a escuridão, a coragem e o
medo, o amor e o ódio, mas agora meu coração vive na luz e na felicidade
de teu amor e bondade. Sem tamanho amor e bondade eu jamais consegui-
ria, mesmo que fosse o rei da humanidade, sentir em meu coração tamanho
amor e felicidade, por ter você em minha cama que era minha e agora tam-
bém é sua. Como também é seu o amor que sinto em meu peito.
– Teu peito é macio como um travesseiro de penas de algodão, mais ma-
cio ainda é o amor que tenho por você em meu coração.
Nos dias que se seguiram, a marinha bizantina liderada pelo general
romano Belisario tomou Cartago, Sicília, ilhas Baleares e parte da costa
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levantina peninsular. Em 539 o imperador Justiniano deu ordens para o ge-
neral Belisário atacar e tomar Roma dos germanos ostrogodos liderados pelo
rei Teodorico. Na praia de Constantinopla, Heráclito e Martina se sentaram
em uma velha embarcação de madeira e Martina perguntou a Heráclito:
– Esse rei Teodorico não foi o rei que derrotou o rei Odoacro que depôs
o último imperador da Roma do ocidente, o imperador Rômulo augusto?
– Foi.
Alguns dias depois, o general Belisário tomou Roma dos germanos os-
trogodos. Em 565 morre o imperador Justiniano e com ele o seu sonho de
ressuscitar o Império Romano do ocidente. Em 568, os germanos lombardos
invadiram a Itália sob o comando do rei germano Alboíno. O imperador Jus-
tino II mandou imediatamente uma legião de soldados romanos interceptar
o exército germano dos soldados lombardos. Assim que as notícias da bata-
lha chegaram à Constantinopla, Heráclito disse à Martina:
– Meu amor, o Alboíno, rei germano dos lombardos invadiu a Itália e
está lutando com o exército de romanos do imperador Justino II.
– Qual o motivo desta guerra?
– Recusa do imperador Justino II em continuar pagando tributos aos
lombardos germanos.
– Antigamente eram os romanos que cobravam tributos aos germanos.
– Todo o mal injusto e ilegal que um ser humano doa a outro de graça
tem que passar pelo mesmo mal na roda do carma. O mesmo acontece en-
tre nação e nação. Com a destruição e desagregação do Império Romano do
ocidente pelo exército do rei germano Odoacro, o império bizantino tam-
bém está perto do mesmo fim.
No dia seguinte, o imperador bizantino Justino II fez a paz com o rei
Alboíno, cedeu terras romanas e concordou em voltar a pagar tributos aos
lombardos. Assim que a notícia da cessão de terras chegou à Constantino-
pla, Heráclito disse à Martina:
– O Império Romano, que no passado fora o credor dos germanos, ago-
ra é o devedor.

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– Só assim o povo romano compreende o que sentiram os germanos, os
judeus, os árabes e os hunos pagando tributos aos seus governantes em tro-
ca da vida e de proteção contra outros germanos, judeus, árabes e hunos.
– Se estes quatro povos se unissem em um só Império, eles conquista-
riam o mundo inteiro e viveriam para sempre como reis neste pequeno e ao
mesmo tempo imenso planeta.
– Estes povos querem ser como os deuses guerreiros deles, que vivem lu-
tando contra outros deuses pelo poder supremo em todo o universo.
Em 25 de abril de 571 na cidade de Meca na Arábia Saudita, Abda-
lá, pai do recém-nascido Abul Alcacim (Maomé), disse à sua esposa Amina
bint Wahab:
– Minha querida Amina. Esta noite tive um sonho e um anjo me disse
que nosso filho seria um grande líder político, militar e religioso que fará da
Arábia Saudita o maior império que já existiu neste planeta Terra e em toda
a história da humanidade.
Enquanto isto em Constantinopla, Heráclito disse à Martina:
– Os árabes são de um povo muito religioso e crente em Deus e o judaís-
mo e o cristianismo não são muito bem-aceitos por eles porque tais sistemas
de crenças monoteístas em um só Deus contraria todos os seus costumes,
crenças, fé e modo antigo de pensar e viver. Os judeus também são muito re-
ligiosos e o ódio impede que eles e os árabes de avançar espiritualmente na
adoração a seus deuses. Os judeus de hoje não devem ser perseguidos pelos
erros dos seus antepassados, pois punir um inocente pelos erros de outros é
crime, é tolice e criancice.
– Tal criancice vai ser difícil de extinguir, pois o amor mórbido (ódio)
que os árabes e os judeus sentem um pelo outro é transmitido de geração a
geração, de pai a filho e neto, desde o nascimento até a morte. Em vez dos
árabes e judeus ensinarem seus filhos a amarem a Deus e a perdoarem os er-
ros alheios, ensinam a odiar Deus e a se vingar dos erros alheios. Pobres seres
humanos, nem as religiões e as ciências humanas foram capazes de os ensi-
nar a amar a Deus e perdoar os erros alheios.

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– Os seres humanos só vão aprender a amar a Deus e a perdoar os er-
ros alheios quando aprenderem a se amarem e a perdoarem os seus pró-
prios erros.
– Com medo de Deus e com ódio dos seres humanos, nem os árabes,
nem os germanos, nem os hunos, nem os romanos e nem os judeus apren-
derão a amar a eles mesmos. Todas as grandes religiões dos seres humanos
ensinam a ter medo do castigo de Deus e a se arrepender dos erros que co-
meteram. O objetivo de todas elas é colocar medo na mente com histórias
de diabos e infernos para que você sinta medo, adoeça suas células e sofra
um bocado antes de morrer e renascer mais uma vez.
Em 572, as relações diplomáticas entre o Império Bizantino e o Impé-
rio Persa árabe sassânida cominou em uma guerra desastrosa para os roma-
nos bizantinos que perderam a Síria para os persas. Alguns dias depois em
Constantinopla, Heráclito disse à Martina:
– O Império Bizantino perdeu a Síria Palestina para os árabes sassânidas.
– Foi perdendo terras que o Império Romano do ocidente foi morren-
do lentamente.
Em 574 o imperador Justino II enlouqueceu, Sofia, imperatriz do Im-
pério Bizantino disse ao imperador Justino II:
– Justino. O povo do Império Bizantino está insatisfeito com os fracas-
sos militares de vosso governo. Seria melhor retirar-se da política e nomear,
à dignidade de césar, o general Tibério para ser o novo imperador do nos-
so império.
Alguns dias depois, Heráclito disse à Martina:
– Martina. O general Tibério é o novo imperador de Roma.
– O Império Romano está parecendo uma República onde o chefe do
poder executivo só governa por alguns anos.
Em 578, morre o ex-imperador romano Justino II e Tibério II com po-
deres absolutos de imperador, reuniu seus exércitos e marchou em direção
à reconquista do falecido Império Romano do ocidente para enfrentar os

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visigodos germanos e expulsar os árabes mouros do norte da África. Herácli-
to disse à Martina:
– O imperador Tibério II está tentando ressuscitar o falecido Império
Romano do ocidente e do norte da África.
– Um império é como um ser humano, depois que morre, dificilmen-
te ressuscita.
Em 579, o imperador Tibério II mandou um grande exército para reto-
mar a Síria dos persas. Em Constantinopla, Heráclito disse à Martina:
– O Tibério perdeu a guerra com os visigodos e venceu a guerra com os
mouros e agora seus exércitos estão em guerra com persas pela posse da Sí-
ria e os povos indo europeus (bielorrussos, russos, ucranianos, bosníacos, búl-
garos, croatas, macedônios, montenegrinos, sérvios e eslovenos) migraram para
a região dos Bálcãs (Albânia, Bósnia Herzegovina, Bulgária, Grécia, República
da Macedónia, Montenegro, Sérvia, Kosovo, Turquia, Trácia, Croácia, Romênia,
Eslovênia, Áustria).
– Daqui a pouco o Império Bizantino vai se tornar um império fantasma.
– Os eslavos estão fugindo das terras do Império Bizantino para não se-
rem convocados para ir à guerra e morrer pelo imperador Tibério.
Enquanto os soldados bizantinos padecem com ossos quebrados, os
empresários que fornecem armas para o exército e a marinha romana estão
cada vez mais ricos, o povo romano cada vez mais pobre e as mães mais tris-
tes por causa das perdas de seus filhos e maridos. Em 582, o imperador Ti-
bério II foi assassinado por meio de envenenamento. Em Constantinopla,
Heráclito disse à Martina:
– O imperador Tibério II está morto.
– Morreu de quê?
– Não sei.
– Quem manda matar os outros acaba sendo morto, essa é a lei do car-
ma da qual nem Deus escapa. Quem é o novo imperador?
– É o Flávio Maurício Tibério Augusto. Genro do general e imperador
morto, Tibério II.

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Em 590, o imperador romano Maurício entrou em guerra com os per-
sas e depois da guerra, Heráclito disse à Martina:
– Acabou no Oriente Médio a guerra contra os persas.
– Quem venceu?
– Os romanos.
– Qual foi o resultado da guerra?
– O reino da Mesopotâmia oriental e a Armênia voltaram ao controle
do Império Bizantino.
– E a situação com os eslavos?
– Massacraram as províncias romanas dos Bálcãs e agora estão em guer-
ra contra o exército romano.
Em 595 em Constantinopla, Heráclito disse à Martina:
– Minha velha companheira fiel, é divertido passear pela floresta com
você. Olha só estas flores, como são exóticas e bonitas. Vi muitas belezas
no céu e nas cidades do Império Bizantino, mas eu nunca vi em toda a mi-
nha vida no céu e na terra uma velha com um rosto e um sorriso tão boni-
to quanto o teu.
– Em meio a bela floresta de Constantinopla, eu caminho feliz com a
felicidade caminhando ao meu lado. A floresta está repleta de flores e as fo-
lhas cantam com o vento forte vindo de todos os lados. Pode a Terra durar
milhões de anos e em milhões de anos eu continuarei sempre te amando
com amor puro, eterno e verdadeiro. Com amor eu crio luz que alegra tudo
o que existe na vida. Com amor, eu faço as flores desta floresta sentirem ale-
gria com o seu próprio perfume. Todo dia é dia de dizer eu te amo mais uma
vez. Não me canso de dizer eu te amo porque eu te amo.
– Dizem os bizantinos que o amor entre um homem e uma mulher ter-
mina com a morte física do corpo e recomeça com o renascimento da alma
em outra vida.

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Em 600, as almas de Heráclito e Martina deixaram seus corpos mate-
riais e com seus guias de luz foram ao céu espiritual e 3 dias depois regres-
saram ao planeta Terra, desta vez nas cidades de Medina e de Meca, Ará-
bia Saudita.

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CAPÍTULO VII

O PROFETA MAOMÉ E O
NASCIMENTO DO ISLAMISMO

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E
m 610, no mar Vermelho entre o Egito e a Arábia Sau-
dita, uma pequena embarcação árabe de madeira movida a vela le-
vava pai e filho. O filho, Zayn (Heráclito) perguntou ao pai Jessé:
– Pai, qual é a largura do mar Vermelho do Egito a Arábia Saudita?
– É de 210 quilômetros.
– Quanto tempo alguém levaria para atravessá-lo, caminhando dia e noi-
te sem parar?
– Um mês eu acho.
– O Moisés manteve o mar Vermelho aberto por um mês?
– Não sei.
– Moisés deveria ser considerado um Deus pelos judeus pelos milagres
bons e maus que fez, mas não é. O próximo profeta que vier à Terra, certa-
mente voará pelo ar como os anjos de Deus no céu e erguerá uma monta-
nha na ponta do dedo medinho como fez a lenda do deus Krishna da Índia
quando esteve lá há milhares de anos.
– O que é aquilo?
– Parece uma embarcação com problemas.
Assim que se aproximaram, o pai de Zayn, Jessé, disse a um senhor
de idade:
– Bom dia, capitão. Precisando de uma ajudinha aí?
– Sim.
– Venha. Me dê sua mão.
– Obrigado.
– De nada. Seja bem-vindo a bordo. Para onde o senhor estava indo?
– Eu estava indo para Meca e vocês? Para onde estão indo?

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– Para Meca.
– Quanto custará a viagem?
– Só um obrigado.
– Não vai me cobrar nada?
– Vou não. Uma amizade, vale mais que algumas moedas de prata.
– É muita bondade a sua. Muito obrigado por salvar minha vida. Foi
Deus quem mandou vocês aqui. E esse rapazinho aí, quem é?
– É o meu filho Zayn.
– Olá, Zayn.
– Olá, senhor.
– Quantos anos você tem?
– Eu tenho 10 anos e o senhor?
– Eu tenho 60 anos. Para não afundar no mar, joguei muitas mercadorias
valiosas para fora do barco, mas consegui salvar esta joia da literatura persa.
– Quem escreveu esta joia persa?
– O profeta e poeta Zaratustra.
– Posso olhar?
– Pode. É seu.
– Obrigado. Sinto pelo seu barco, senhor.
– Não sinta, aquele barco não era meu, mas de Deus, que o criou com
o poder do amor do seu espírito luminoso. O lado bom nisto tudo é que ago-
ra vou dormir tranquilo todas as noites, pois não dormirei mais com medo
de ladrões o roubarem. Mais cedo ou mais tarde eu ia ter mesmo que deixá-
-lo quando a morte vier.
– Você não está triste por ter perdido um barco tão caro e bonito quan-
to aquele?
– Estou não. Por que vou ficar triste por não ter perdido algo que não é
meu, mas de Deus? O tempo que passou por minha vida fez de mim um sá-
bio e não um tolo.

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– Senhor. Aqui diz que Zaratustra recebeu de um anjo a palavra da exis-
tência de um Deus único que governa todo o universo. O que o senhor sabe
sobre o profeta Zaratustra?
– Ele nasceu sorrindo na Pérsia há um milênio (século VII a.C.). Era um
ser humano que amava tanto a si mesmo e a Deus e devido ao amor a si mes-
mo e a Deus se encheu de compaixão seu coração pelo sofrimento da huma-
nidade e dos animais neste mundo de ilusões. Quando completou 23 anos
de idade, se retirou para o deserto da Pérsia. No deserto, foi tentado por uma
entidade maligna. Sete anos depois retornou do deserto ao seu povo e lhes
disse: “No deserto fui tentado por um demônio e um anjo me revelou as pa-
lavras de Deus. Ele me disse que Deus é um só, ele é a fonte e a alma de toda
a criação. Todos na Pérsia estão depositando suas fés em deuses que não exis-
tem.” Em 10 anos de pregação, o único seguidor de Zaratustra foi seu primo.
Por causa de suas ideias sobre a existência de um Deus único, Zaratustra foi
perseguido e hostilizado pelos sacerdotes e outros do povo da Pérsia por 10
anos até ser preso pelos príncipes persas porque suas mensagens sobre a exis-
tência de um deus superior a todos os outros deuses persas estava corrompen-
do as mentes dos persas e ameaçando o sistema de crenças, costumes, tradi-
ção e forma de controle do governo da Pérsia por meio do medo aos deuses
sobre os árabes persas. Com 40 anos, realizou milagres e se preocupava com
a educação do povo persa. O rei persa Vishtaspa reconheceu que as mensa-
gens de Zaratustra representavam o início de uma grande reforma religiosa,
de uma nova era na história da humanidade e se converteu ao zoroastrismo,
religião criada pelo santo Zaratustra. A partir de então, o zoroastrismo se tor-
nou a religião oficial do império persa. Aos 77 anos, o mensageiro Zaratus-
tra foi assassinado enquanto rezava para o fogo dentro de um templo cons-
truído em sua homenagem.
– A história do profeta Zaratustra parece a história do Buda e do Jesus
que viram o demônio antes de obter a iluminação espiritual. Por falar em Je-
sus, o senhor sabia que lá na Europa, os germanos e os romanos cristãos es-
tão tratando os judeus como demônios que vieram do inferno para destruir
a sociedade humana e o planeta Terra?

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– Os judeus não são demônios e nem filhos do diabo, mas partes do es-
pírito de Deus e como os seres humanos são os seus espíritos e seus espíritos
são Deus, Deus também é ser humano, mas muitos seres humanos – devi-
do à escuridão da ignorância – não podem ver isto, pois se vissem, romanos
e germanos tratariam judeus com igualdade perante às leis.
No dia seguinte, ao entardecer, a embarcação com Zayn, Jessé e Rafí
chegou à cidade de Jidá, no litoral da Arábia Saudita. Jessé devolveu a em-
barcação a um amigo e ao amanhecer partiram os três amigos árabes numa
caravana de camelos em direção à cidade de Meca, 77 quilômetros de dis-
tância da pequena cidade litorânea de Jidá. Ao chegarem à Meca ao anoite-
cer, o velho Rafi disse:
– Meus queridos amigos. Se um dia forem a Yatrib, já sabem onde me
encontrar, mas para que lado fica a Caaba Negra de Meca?
– É logo ali.
– Foi um prazer conhecê-los e viajar com vocês. Espero encontrá-los fu-
turamente mais uma vez.
– Vai passar a noite na Caaba?
– Vou não. Vou passar a noite naquele albergue ali para peregrinos.
Em 613, Jessé e o Zayn se encontraram com Maomé e Maomé disse ao
amigo de infância Jessé:
– Jessé meu amigo, você está de volta à Meca. Como foi a viagem ao
Egito com o seu filho?
– Foi tranquila. Você está diferente. O que houve? Ganhou um
novo filho?
– Ganhei não. Estou diferente porque há alguns dias, no alto do Mon-
te Hira, eu recebi a visita do anjo Gabriel que me disse as novas palavras de
Deus à humanidade.
– Foi mesmo? E o que foi que o anjo Gabriel lhe disse?
– Estou indo a uma reunião com uns amigos, se quiserem ouvir o que o
anjo Gabriel me disse, venham comigo e me sigam.

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Assim que chegaram à residência de um amigo chamado Al-Arqam,
Maomé disse aos seus amigos árabes que o aguardavam para ouvir as men-
sagens do anjo Gabriel:
– Queridos irmãos. Há alguns dias eu ouvi as mensagens de paz, amor e
guerra do anjo Gabriel. Ele me disse que Deus me escolheu para transmitir
as suas novas palavras à humanidade. Perguntei a ele por que Deus me esco-
lheu e ele me disse que foi por causa da pureza do meu coração e meu amor
por Alá. Ele disse, em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Lou-
vado seja Deus, Senhor do Universo, Clemente, o Misericordioso, Sobera-
no do Dia do Juízo. Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda! Guia-
-nos à senda reta, à senda dos que agraciaste, não aquela dos abominados,
nem a dos extraviados. Eis o livro que é indubitavelmente a orientação dos
temente a Deus, que creem no incognoscível, observam a oração e gastam
daquilo com que os agraciamos, que creem no que te foi revelado, no que
foi revelado antes de Ti e estão persuadidos da outra vida. Estes possuem a
orientação do seu Senhor e estes serão os bem-aventurados. Quanto aos in-
crédulos, tento lhes dá que os admoestes ou não os admoestes. Não crerão.
Deus selou os seus corações e os seus ouvidos, seus olhos estão velados e so-
frerão um severo castigo. Entre os humanos há os que dizem “Cremos em
Deus e no Dia do Juízo Final.” Contudo, não são fiéis. Pretendem enga-
nar Deus e os fiéis quando só enganam a si mesmos, sem perceberem isso.
Em seus corações há morbidez e Deus os aumentou em morbidez. Sofre-
rão um castigo doloroso por suas mentiras. Se lhes é dito “Não causeis cor-
rupção na terra”, afirmaram “Ao contrário, somos conciliadores. Acaso, não
são eles os corruptos?” Mas não o sentem. Se lhes é dito “Crede como cre-
em os demais humanos”, dizem “Temos de crer como creem os néscios?”
Em verdade, eles sãos os néscios, porém não o sabem. Em quando se depa-
ram com os fiéis, asseveram “Cremos.” Porém, quando a sós, com os seus
sedutores, dizem “Nós estamos convosco; apenas zombamos deles.” Mas
Deus escarnecerá deles e os abandonará, vacilantes, em suas transgressões.
São os que trocaram a orientação pelo extravio, mas tal troca não lhes trou-
xe proveito, nem foi iluminada. Parecem-se com aqueles que fizeram arder
um fogo, mas quando este iluminou tudo que o rodeava, Deus extinguiu a

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luz, deixando-os sem ver, nas trevas. São surdos, mudos, cegos e não se re-
traem (do erro). Ou como (aqueles que, surpreendidos por) nuvens do céu,
carregadas de chuva, causando trevas, trovões e relâmpagos, tapam os seus
ouvidos com os dedos, devido aos estrondos, por temor à morte, mas Deus
está inteirado dos incrédulos. Pouco falta para que o relâmpago lhes ofus-
que a vista. Todas as vezes que brilha, andam à mercê do seu fulgor e, quan-
do some, nas trevas se detêm e, se Deus quisesse, privá-los-ia da audição e da
visão, porque é Omnipotente. Ó humanos, adorai o vosso Senhor, que vos
criou, bem como aos vossos antepassados, quiçá assim tornar-vos-íeis virtu-
osos. Ele fez-vos da terra um leito, e do céu um teto, e envia do céu a água
com a qual faz brotar os frutos para o vosso sustento. Não atribuais rivais a
Deus, conscientemente. E se tendes dúvidas a respeito do que revelamos ao
Nosso servo (Mohammad), compõe uma surata semelhante à dele (o Alco-
rão), e apresentai as vossas testemunhas, independentemente de Deus, se es-
tiverdes certos. Porém, se não o dizerdes e certamente não podereis fazê-lo,
temei, então, o fogo infernal cujo combustível serão os idolatras e os ídolos,
fogo que está preparado para os incrédulos. Deus não se furta em exempli-
ficar com um insignificante mosquito ou com algo maior ou menor do que
ele. E os fiéis sabem que esta é a verdade emanada de seu Senhor. Quanto
aos incrédulos, asseveram “Que quererá significar Deus com tal exemplo?”
Com isso desvia muitos e encaminha muitos outros. Mas com isso só desvia
os depravados que violam o pacto com Deus, depois de o terem concluído,
separam o que Deus tem ordenado manter unido e fazem corrupção na Ter-
ra. Estes serão desventurados. Como ousar negar a Deus, uma vez que Ele é
inerte e nos deu a vida, depois nos fará morrer, depois nos ressuscitará e en-
tão retornaremos a Ele? Ele foi quem vos criou tudo que existe na Terra, en-
tão, dirigiu Sua vontade até o firmamento do qual fez, ordenadamente, sete
céus, porque é Omnisciente.
Em 619 em Meca, morre Cadija, a esposa de Maomé. Maomé em seu
enterro, com lágrimas nos olhos e tristeza no coração, jogou um buquê de
flores sobre o caixão de sua amada dentro da cova e lhe disse com a voz em
plena ausência de alegria:

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– Querida Cadija, sou agora um homem solteiro perante as leis da Ará-
bia Saudita, mas com você sempre estarei casado em pensamento e espí-
rito. Você está morta, mas meu amor por você permanecerá para sempre
vivo dentro da minha mente, da minha memória, do meu coração e da mi-
nha alma. Descanse em paz, minha amada, e que os anjos de Deus levem
tua alma ao céu onde nos reencontraremos após eu também morrer. Adeus,
meu amor. Vá em paz aos braços de Deus e não me esqueça. Coveiros, po-
dem cobrir a cova e o caixão com areia, pois dessa areia que o sol ilumina
fará nascer neste lugar onde dorme seu sonho eterno minha amada, as flo-
res mais belas deste planeta.
Após o enterro, Zayn disse ao pai Jessé:
– Como é azarado o Maomé. Quando nasceu, morreu o pai. Quando
era criança morreu a mãe. Quando se tornou adulto morreu o avô e agora
perdeu a amada para a morte.
Alguns dias depois, Maomé disse a uma multidão de árabes em torno de
uma fogueira no alto do Monte Hira em Meca:
– E o anjo Gabriel me disse “Fala a verdade, mesmo que ela esteja con-
tra ti. Vá em busca do que o tiver inspirado e seja paciente.” Quanto àque-
las, dentre vossas mulheres, que tenham incorrido em adultério, apelai para
quatro testemunhas, dentre os vossos e, se estas o confirmarem, confinai-as
em suas casas, até que lhes chegue a morte ou que Deus lhes trace um novo
destino. Não tomeis por amigos os judeus nem os cristãos: que sejam ami-
gos entre si. Porém, quem dentre vós os tomar por amigos, certamente será
um deles e Deus não encaminha os iníquos. Matai-os onde quer se os en-
contreis e expulsai-os de onde vos expulsaram porque a perseguição é mais
grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita Sa-
grada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal
será o castigo dos incrédulos. Anseiam (os hipócritas) que renegueis, como
renegaram eles, para que sejais todos iguais. Não tomeis a nenhum deles por
confidente, até que tenham migrado pela causa de Deus. Porém, se rebela-
rem-se, capturai-os então, matai-os, onde quer que os acheis, e não tomeis a
nenhum deles por confidente nem por socorredor. Combatei aqueles que

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não creem em Deus e no Dia do Juízo Final, não renunciem o que Deus e
Seu Mensageiro proibiram, e nem professem a verdadeira religião daqueles
que receberam o Livro até que, submissos, paguem o Jizya. Ó adeptos do Li-
vro, não exagereis em vossa religião e não digais de Deus senão a Verdade.
O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão somente um mensageiro de Deus
e Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espíri-
to. Crede, pois, em Deus e em Seus mensageiros e digais Trindade! Absten-
de-vos disso, que será melhor para vós. Sabei que Deus é Uno. Glorificado
seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho. A Ele pertence tudo quan-
to há nos céus e na terra, Deus é mais do que suficiente guardião. O cas-
tigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e se-
meiam a corrupção na Terra é a morte, ou que sejam crucificados, ou que
lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será para eles um
aviltamento nesse mundo e no outro sofrerão um severo castigo. Assim que
os meses sagrados tiverem transcorrido, matai os idolatras, onde quer que os
acheis; capturai-os, acossai-os e espreitai-os. Os fiéis que, sem razão fundada
(por alguma injúria ou são cegos ou aleijado), permanecem em suas casas,
jamais se equiparam àqueles que sacrificam os seus bens e suas vidas pela
causa de Deus.
– Maomé, Maomé.
– Sim, irmão Jessé?
– Seu tio Abu Talib está morto.
No dia seguinte no enterro do tio de Maomé, Jessé lhe disse:
– Maomé. Ouça seu amigo com atenção. As mensagens do anjo Gabriel
têm enfurecido muitos chefes de tribos da Arábia Saudita que levam muito
a sério os antigos costumes e tradições do nosso povo.
– Não tenho medo dos inimigos do Islã. Se meu destino é morrer pre-
gando a palavra de Deus, que seja cumprido o meu destino.
Jessé saiu do enterro despreocupado pela noite em Meca e num beco
escuro de Meca foi atacado por alguns árabes, hostis às mensagens do anjo
Gabriel, e o jogaram sobre um monte verde cheio de espinhos e um deles
lhe disse:

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– Jessé, seu velho miserável. Se continuares ofendendo nossos costumes
com suas mentiras sobre o anjo Gabriel você morrerá da próxima vez.
Jessé disse olhando para o céu de mãos postas no ar e joelhos no chão:
– Senhor? O que fiz de errado para levar tantas pauladas? Por que todos
que te amam tem que sofrer tanto quanto eu?
Assim que chegou em casa, Zayn disse a seu pai:
– Pai? O que aconteceu com o senhor?
– Fui atacado pelos opositores das mensagens do anjo Gabriel à huma-
nidade e porque me converti ao islamismo.
– Ainda bem que se converteu ao islamismo, pois se tivesse se converti-
do ao cristianismo ou ao judaísmo, eles teriam lhe matado.
– Eu não fui o único a ser agredido pelas forças dos governantes árabes
conservadores. Nós muçulmanos estamos sendo perseguidos na Arábia Sau-
dita por causa do islamismo que nem os cristãos no tempo do Império Ro-
mano por causa do cristianismo e os judeus no mundo inteiro por causa do
judaísmo. Aqui em Meca não é mais um lugar seguro para vivermos.
– Quem foi que fez isto com o senhor que eu quero matar?
– Livra-te de teu ódio e perdoa quem me machucou como eu perdoei,
pois Deus vive como espírito dentro dos corações cheios de escuridão e ig-
norância deles.
Em 622, todos aqueles que se declararam muçulmanos ou seguidores
do Islão do anjo Gabriel e Maomé começaram a deixar Meca em direção a
Yathrib (Medina), entre eles ia o velho Maomé, Jessé, Zayn e outros muçul-
manos, por causa da perseguição dos árabes que rejeitaram as mensagens do
anjo Gabriel. No caminho a Yatrib, Maomé disse aos seus seguidores:
– Queridos amigos, lamento imensamente por ter lhes obrigado a esta
marcha forçada por causa de nossa fé nas palavras de Deus e do anjo Ga-
briel. Agora sei como se sentiram os judeus sendo expulsos de Jerusalém pe-
los assírios politeístas séculos atrás.
Enquanto isto entre os muçulmanos e Maomé, Zayn perguntou ao
pai Jessé:

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– Pai. Quantos quilômetros tem daqui a Yatrib?
– 389 quilômetros.
– Tem algum lago no caminho?
– Tem não.
– Será que conseguiremos chegar vivos em Yatrib por esta travessia pelo
deserto da Arábia Saudita?
– Conseguiremos.
Depois de semanas caminhando pelo deserto seco e cheio de pequenas
montanhas da Arábia Saudita, o grupo de muçulmanos de Maomé chegou
a Yatrib. Em Yatrib, Jessé disse a Zayn:
– Cadê o mapa da residência do nosso amigo Rafi?
– Está aqui no livro do Zaratustra que ele me deu.
– Vamos fazer uma visita a ele?
– Vamos.
– Será que ainda está vivo?
– Não sei.
Assim que chegaram a residência do velho Rafi, Jessé disse a Zayn:
– Que bela mansão ele mora. Tem certeza que é aqui mesmo?
–Tenho.
Jessé e Zyan foram levados por um árabe para dentro da mansão e lá vi-
ram o velho Rafi lendo um livro sentado em uma cadeira simples. Ao ver
Jessé e Zyan, o velho Rafi disse a eles:
– Queridos amigos. Há quanto tempo. Que bom revê-los.
Enquanto os velhos amigos conversavam sobre os acontecimentos em
Meca, Zyan se levantou para beber um pouco de água e enquanto cami-
nhava pela mansão, viu a bela Layla (Martina) oferecendo flores, incensos,
água, frutos e folhas com amor e respeito à estátua de pedra do profeta, po-
eta e santo persa Zaratustra e cantando:
– O que lavra a terra com dedicação tem mais mérito religioso do que
poderia obter com mil orações sem nada fazer. Aquele que diz uma palavra
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injusta pode enganar o seu semelhante, mas não enganará a Deus. Deus que
é um só está sempre à tua porta, na pessoa dos teus irmãos de todo o mun-
do. Não trabalhar é um pecado. Aquele que semeia o grão, semeia santida-
de. Age como gostaria que agissem contigo.
O copo de bronze que estava na mão de Zayn caiu em pé no chão.
Layla belamente vestida, olhou para trás e disse a Zayn:
– Quem é você?
– Eu sou o Zayn, amigo do senhor Rafi.
– Pensei que fosse um ladrão.
– Se eu fosse um ladrão, a única coisa que eu roubaria daqui seria você.
Prefiro que separem minhas mãos dos meus braços do que me apropriar in-
devidamente do que não me pertence. Posso não morar em um palácio, mas
tenho o que muitos príncipes e reis não têm.
– E o que é?
– Honestidade, amor por Deus, por mim mesmo e por toda a hu-
manidade.
– Você me ama?
– Amo mais do que qualquer coisa nesta vida.
– De onde você é?
– Eu sou de Meca.
– O que você veio fazer aqui em Yatrib?
– Proteger a minha vida dos ataques dos árabes de Meca que rejeitam as
mensagens do anjo Gabriel.
– A história de vocês muçulmanos é semelhante a do santo Zaratustra
cujas mensagens do anjo de Deus lhe renderam o desprezo, a perseguição,
o ódio e a rejeição do povo politeísta do antigo império persa.
– Zaratustra foi perseguido pelos politeístas persas e nós muçulmanos pe-
los monoteístas adoradores do deus Ball cabeça de bode que rejeitam o mo-
noteísmo judeu, cristão e islâmico. Faz 1700 anos que nasceu o conceito de
Deus único nas mentes dos árabes e até hoje eles não mudaram. Devido ao

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ódio que sentem a milhares de anos pelos judeus, as almas e os pensamen-
tos dos árabes não evoluíram espiritualmente. Por esta razão, como seus ído-
los de pedra, só mudam por fora. Os adoradores dos deus Ball cabeça e per-
nas de bode de Meca, adoram o Deus único de Abraão que é o mesmo Deus
dos cristãos, dos judeus e dos muçulmanos, mas não o Deus verdadeiro cuja
alma criou com amor o universo inteiro dentro do sonho da sua mente bri-
lhante, cheia de sabedoria, amor por si mesmo e pela vida.
– Se foi com amor que a alma de Deus a tudo criou no universo e no
céu, então tanta a vida como a morte são ilusões do amor?
– A vida é real porque é espiritual e eterna, mas a morte é ilusão porque
é material e temporária.
– Como você é sábia.
– Milhões de homens e mulheres já viveram e morreram nestas terras
quentes e secas do deserto da Arábia Saudita, mas dentre estes milhões de
homens e mulheres, poucos eram sábios de verdade.
– O que é um homem e uma mulher sábios?
– São os conhecedores da verdade e um homem sábio não se deixa ilu-
dir por mentiras ou inverdades.
– O que é a verdade?
– É um conjunto de verdades espirituais imutáveis e eternas que liber-
tam as mentes, os corações e as almas dos seres humanos do medo, da tris-
teza e da raiva. Entre estas verdades estão a que Deus é um só e que apesar
de parecer ser muito grande é tão pequeno quanto o meu espírito e o teu. É
pelo fato da alma de Deus ser tão pequena e o corpo de Deus ser tão gran-
de que tudo grande neste universo e neste planeta Terra vem sempre de algo
pequeno como a árvore da semente, o ser humano do bebê e o meu amor
por você do meu coração.
No do dia seguinte em uma nascente de água fria em Medina, Layla viu
na sombra de uma grande pedra o muçulmano Zayn sentado nela enquanto
escrevia algo em um papel. Ela aproximou-se dele e lhe disse:
– Olá, Zayn.

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– Olá, querida Layla. Veio banhar-se?
– Vim. O que você estava escrevendo?
– Um poema de amor.
– Posso lê-lo?
– Pode.
– Da semente nasce a árvore, da árvore nascem as flores. Do amor nas-
ce a vida e da vida nascem as boas qualidades. Uma mulher tão bela quan-
to uma flor e com qualidades tão nobres que só você possui, isto a torna úni-
ca no mundo e muito querida a Deus que está sempre conosco na alegria
e na tristeza, experimentando o que é bom e o que é mal. Como nós sem-
pre aprendemos com nossas experiências passadas, agradáveis e desagradá-
veis, aprendemos com isto a acertar, evitar o erro e buscar a mestria na per-
feição científica e espiritual. Ontem aprendi que em toda a criação de Deus
só é real o amor de Deus, cujo brilho e calor mata o ódio, a tristeza e o medo
das mentes dos seres humanos como o brilho e o calor do sol matam a vege-
tação das terras de Medica e Meca. Como semelhantes são as aves do céu,
os peixes do mar e os camelos, semelhante ao amor de Deus é o meu amor
por você.
– Que bonito. Você fez isto para mim?
– Fiz.
– Obrigada. Guarda aí meu poema de amor e vem banhar-se comigo
antes que esta fonte seque pelo sol da Arábia Saudita e eu morra de calor.
– Aqui dentro desta água fria, no meio do deserto, eu me sinto como se
estivesse no céu cercado de luz como este planeta cercado de azul.
– Este planeta, como nós, vive na luz e na escuridão e como ele, esta-
mos em busca da iluminação.
– É necessário dois sóis para iluminar todo o céu da Terra de azul e é ne-
cessário só o meu amor por você para iluminar a minha alma, o meu cora-
ção e a minha mente de felicidade. Aceita esta flor que a fonte me trouxe?
– Aceito.
– Posso te dar um beijo e um abraço?
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– Pode.
Em 624, em Brad, assim que o dia surgiu no horizonte, o líder político,
religioso e militar, Maomé montou em seu cavalo com 300 cavaleiros muçul-
manos armados em direção à cavalaria bem armada do líder árabe, Abu Su-
fyan, líder do clã dos Omíada. Após retornar da batalha, Zayn disse à Layla:
– Querida Layla, tire esta flecha da minha costa.
– Aguenta firme. Pronto?
– Sim.
– Pronto. Está livre.
– São tão diferentes as flechas dos cupidos e dos seres humanos. As fle-
chas dos seres humanos criam dor em nossas costas e as flechas dos cupidos
criam amor em nossos corações. Todos os dias quando acordo ao seu lado,
milhares de cupidos atiram em meu coração flechas de flores perfumadas
em meu coração e por esta razão acordo todos os dias com amor por você,
ainda maior que o dia anterior.
Em 21 de março de 625 o sultão Abu Sufyan saiu de Meca com um
exército de 3000 soldados em direção à Yatrib. Em Yatrib Zayn disse à Layla:
– Graças ao milagre da vitória dos 300 sobre os 800 ano passado, Maomé
se tornou o governador e converteu o povo árabe de Medina ao islamismo.
– Será que o sultão Abu Sufian, adorador do deus Ball, irá deixar Mao-
mé governar e pregar a palavra de Deus em paz?
– Não sei.
Em 23 de março de 625, o exército de Abu Sufyan encontrou-se em Me-
dina com o exército muçulmano do governador Maomé e depois de um dia
inteiro de luta, Abu Sufyan derrotado mais uma vez, voltou com o remanes-
cente do seu exército para Meca. Em Yatrib, Layla disse a Zayn:
– Lá vai o exército do sultão Abu Sufyan de volta à Meca.
– Espero que não volte nunca mais a Yatrib (Medina).
Em janeiro de 627, em Medina, o escriba Muçulmano Salman e-Far-
si disse a Maomé :

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– A grande maioria do povo de Medina se converteu ao islamismo, mas
desde a tentativa de tomada de Medina pelo exército do Abu Sufyan temos
vivido com medo de uma nova invasão. Seria bem sensato mandar cons-
truir uma trincheira em torno de Medina para que o povo fique calmo e se
sinta seguro.
– Mandarei fazer isto imediatamente.
Enquanto isto no sepultamento do pai de Layla, Zayn disse a ela:
– Querida Layla, nesta dimensão é tão natural morrer quanto nascer.
Não se preocupe com a alma do seu pai, pois aonde a alma vai, com ela
Deus vai.
Em abril de 627, ao amanhecer um exército de 10 mil soldados lidera-
dos por Abu Sufyan chegou às trincheiras de Medina e depois de um dia sem
conseguir invadir e tomar Medina, o exército de Abu Sufyan fez uma pausa
para o descanso e à tarde desapareceu revelando as estrelas.
Durante uma noite inteira de vento e chuva forte, os soldados de Abu Su-
fyan, prevendo um mal presságio dos deuses pagãos árabes, debandaram e
deixaram Medina de volta à Meca enquanto os muçulmanos, sob as ordens
de Maomé, prendeu e matou alguns dos grupo de conspiradores do clã dos
Banu Qurayza. Enquanto isto no mar Vermelho, Zain e Layla passeavam de
barco a vela. No barco ele disse a ela:
– Pelo mar Vermelho navego em segurança com aquele que ama mi-
nha alma, minha mente e meu coração. O vento do mar Vermelho é forte e
suave como forte e suave é o amor que tenho por você que navega ao meu
lado. Quando o céu da terra desenvolve amor por Deus, ele se enche de
azul. Quando o mar Vermelho desenvolve amor por Deus, ele se enche de
vermelho. Quando as árvores desenvolvem amor por Deus, elas se enchem
de flores, quando meu coração, mente e alma desenvolvem amor por você,
eles se enchem de felicidade. Você encantou minha mente e meu coração
com a sua beleza, doçura e encanto. Nunca vi nada igual a você, nem acor-
dado e nem dormindo.
– O mesmo cupido que flechou teu coração com as flores perfumadas
do amor também ao meu coração flechou.

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– O sol destrói a escuridão do mundo. Quando você surgiu em minha
vida, a escuridão da tristeza e da solidão também aos poucos foi me deixan-
do e agora sinto-me iluminado em felicidade. Assim como o sol brilha de
felicidade pelo amor que sente por Deus, o meu coração brilha de felicida-
de pelo amor que sente por você. A escuridão esconde a beleza do mundo,
as nuvens escondem o sol, a lua, as estrelas e o céu iluminado de luz, mas
a escuridão e nem as nuvens podem esconder a beleza e o brilho do meu
amor puro por você. É dever do cavalo no xadrez proteger o rei e a rainha
e o meu dever nesta vida é proteger e amar você. Como o cavalo que dá a
vida para proteger o seu rei e a sua rainha, eu também estou disposto a dar a
minha vida para protegê-la. Como um rei que abandona seu reino, eu tam-
bém abandono minha vida de solteiro para ter o seu doce amor por inteiro.
Grande é o sol, pequenas são as chamas das velas. Grandes são aqueles que
amam, pequenos aqueles que odeiam. Os que amam vivem na luz e os que
odeiam vivem na escuridão. Lá se foi a escuridão e com ela a tristeza que eu
estava sentindo em meu coração. O sol destrói a escuridão do mundo e faz
ele mudar de cor e brilhar. Protegidas da escuridão, as flores desabrocham e
os passarinhos cantam. Livre da escuridão, as flores liberam um doce e su-
ave perfume no ar e os passarinhos cantam “eu te amo, eu te amo” sem pa-
rar meu amor. A luz do sol, só faz esquentar minha pele e aumentar ainda
mais o meu amor por você.
Em março de 628, Maomé partiu de Medina para a peregrinação à
Meca, com 1600 soldados a cavalo. Ao chegarem a Al-Hudaybiyah, soldados
de Meca se opuseram à peregrinação dos militares sob a liderança de Mao-
mé. Maomé do cavalo disse aos soldados de Meca:
– Soldados de Meca. Viemos em paz em peregrinação à Caaba e não
para fazer guerra e confiscar terras.
Abu Sufyan disse a Maomé:
– Para visitar Caaba é necessária a permissão dos velhos coraixitas.
– A maioria das tribos da Arábia Saudita se converteram ao islamismo
e se uniram a nós em nossa causa de unificação dos clãs da Arábia Saudi-
ta para nos protegermos dos ambiciosos e egoístas romanos e mongóis que

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cobiçam nossas terras. Não faz sentido vivermos em guerra civil. Vamos nos
unir e nos proteger contras as invasões dos nossos inimigos para que não se-
jamos vencidos e escravizados por eles.
– O que você quer em troca de nossa colaboração à causa do Islã?
– A sua amizade e permissão dos velhos coraixitas para que eu e meus ir-
mãos possamos peregrinar à Caaba de Meca uma vez por ano.
– Vou me reunir com os anciões coraixitas. Aguarde aqui.
Após se reunir com os sábios coraixitas em Meca, Abu Sufyan lhes disse :
– Maomé quer permissão para que ele e seus soldados possam visitar Ca-
aba Negra todos os anos e propôs um tratado de paz e aliança entre os ára-
bes de Meca e Medina.
– Diga a ele e seus soldados que têm permissão para visitar Caaba desar-
mados e que aceitamos seu tratado de paz.
Maomé e seus soldados visitaram Caaba e com tal visita teve fim a guer-
ra civil entre as tribos e clãs na Arábia Saudita. Dias depois em Meca, Zayn
disse à Layla :
– Maomé casou com a filha do Abu Sufyan.
– Isso faz parte do tratado de Al-Hudaybiah?
– Faz.
Em junho de 632, Medina, com 62 anos, morre o líder político, mili-
tar e religioso dos muçulmanos, Maomé. No enterro do Maomé, Zain dis-
se à Layla :
– A vida e a morte são palavras diferentes e nossos corpos estão morrendo
e vivendo ao mesmo tempo e nossas almas, mesmo após a morte, permane-
cerão sempre juntas eternamente, mesmo que vivendo em corpos diferentes.
Em 637, o Califado Ortodoxo da Arábia Saudita retomou novamente
a Síria dos bizantinos. Em 639 tomou a Armênia e o Egito dos bizantinos.
Em 652, o norte da África. Na Caaba Negra de Meca, Zayn disse à Layla:

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– O califado ortodoxo iniciou a guerra mundial de conquista dos muçul-
manos e foi substituído pelo califado Omiada que continua com a mesma
política de conquista inspirada pelos ideais do islamismo.
Em 665 o califado omíada toma todo norte da África. No ano 700, a
morte chegou e as almas de Zain e Layla deixaram seus corpos materiais.
Eles viram seus guias de luz e com eles foram ao encontro de Deus e 3 dias
depois retornaram ao planeta Terra, desta vez na Hispânia Romana (Penín-
sula Ibérica).

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CAPÍTULO VIII

A INVASÃO DOS ÁRABES NA


PENÍNSULA IBÉRICA

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E
m 31 de julho de 711, em Cadis, Península Ibérica, as
tropas islâmicas do norte da África lideradas pelo general árabe Ta-
rique entraram em confronto direto com as tropas visigodas do rei
germano Rodrigo, às margens do rio Guadalete. Enquanto isto, algumas fa-
mílias de visigodos deixaram Cadis montadas em carroças cheias de móveis e
roupas puxadas por cavalos e bois em direção ao reino das Astúrias, no Canal
da Mancha. Entre eles iam, em cima dos móveis e roupas puxados por car-
ros de boi, os pequenos Enzo (Zayn) e Lorena (Layla). Lorena disse a Enzo:
– Por que os árabes invadiram a Península Ibérica?
– Pelo mesmo motivo que nós, germanos visigodos, invadimos o Impé-
rio Romano do ocidente nos séculos passados.
– Que motivo é este?
– Inveja. Os romanos tinham palácios, ruas pavimentadas, piscinas pú-
blicas, templos, bibliotecas, tribunais, sistema de leis organizadas, pessoas
cultas, bonitas, bem educadas, alimentadas, ricas e felizes e nós, o que tínha-
mos? Ruas feitas de capim, terra e lama, tendas feitas de couro de animais,
um monte de gente mal vestida, pobre e infeliz, então por inveja tomamos
tudo o que pertencia aos romanos e os árabes muçulmanos, por inveja de
nossas florestas verdes e água em abundância, agora estão nos matando e nos
expulsando de nossas terras como fizemos com os romanos.
– Devem ser os germanos que expulsaram os romanos em suas vidas pas-
sadas e os árabes os romanos que expulsamos do Império Romano do oci-
dente se vingando.
– Entende agora como funciona o carma e o porquê que dizem que a
inveja mata?
– Entendo.

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– Você tem algum parente na batalha entre os muçulmanos e os germa-
nos cristãos lá em Cadis?
– Tenho não, graças a Deus, e você?
– Eu também não. Queria tanto que os seres humanos parassem de agir
como crianças e agissem como adultos, mas parece que quanto mais velhos
se tornam os homens e as mulheres, mais infantis eles ficam.
– Às vezes penso que esta guerra entre cristãos e muçulmanos tem a ver
com os judeus.
– Por quê?
– Por causa da perseguição aos judeus nos últimos 700 anos no Impé-
rio Romano. Em 612 aqui no reino visigodo, foi editado um decreto em que
judeu que não se convertesse ao cristianismo perderia todos os bens e seria
expulso do reino. Os judeus pertencem à mesma raiz da árvore da família
árabe e como um dos lemas do islamismo é proteger os adeptos e seguido-
res dos livros sagrados do judaísmo, cristianismo e islamismo, penso que vie-
ram libertar os judeus dos abusos das leis dos imperadores europeus cristãos.
– Por causa dos imperadores romanos e germanos, os árabes odeiam tan-
to os romanos como os germanos sem saberem que estão odiando a eles mes-
mos e o Deus Alá que tanto amam.
– Por causa do judaísmo, do cristianismo, do islamismo e de Deus, os se-
res humanos estão destruindo a humanidade e toda a natureza.
– Que me perdoem aqueles que amam o judaísmo, o cristianismo e o is-
lamismo, mas o judaísmo, o cristianismo e o islamismo não são as palavras
de Deus, mas dos seres humanos que as criaram. Se o judaísmo, o cristianis-
mo e o islamismo fossem as palavras de Deus, os seres humanos não disputa-
riam por aquilo que todos têm direito, que é viver no mundo como sendo de
Deus, de toda a humanidade, pois o que Deus quer é paz na terra por meio
da religião e não guerra por meio da religião. As religiões humanas não fo-
ram criadas para fazer os seres humanos lutarem e se matarem. Elas foram
criadas para ensinar aos seres humanos a amar a Deus por meio do livre ar-
bítrio e não por meio da violência.

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– Amar a Deus à sua maneira é o pior dos crimes entre a humanidade.
– Na escuridão, a humanidade rejeita a luz e por rejeitarem a luz que é
amor, eles rejeitam Deus também, pois Deus é o amor que a tudo criou e
está nos átomos de cada arte criada na natureza. Na luz, a humanidade re-
jeita a escuridão e por rejeitarem a escuridão, eles rejeitam também a inve-
ja que cria o ciúme, o ódio e impede a humanidade de viver em paz eterna
neste planeta Terra que só terá paz e será feliz quando a humanidade parar
de lutar entre si.
Após a vitória dos árabes mouros muçulmanos sobre o exército do rei
Rodrigo, o rei Rodrigo foi encontrado pelos árabes com uma lança enfia-
da em seu peito. Horas depois, o califado Omiada, batizou a península da
Hispânia romana visigoda de península de Al-Andaluz. Em 718, nas mon-
tanhas geladas das Astúrias, os germanos visigodos e outros que fugiram da
invasão muçulmana, fundaram o reino das Astúrias, com capital em Can-
gas de Onis. Enquanto os germanos cristãos comemoravam o nascimento
do reino das Astúrias em meio a dança, música, bebedeira e comedeira, Lo-
rena olhava para o vale ao redor da montanha, a lua cheia, as estrelas no céu
e disse a Enzo:
– Como é lindo ver o mundo daqui de cima.
– Vejo beleza e alegria em tudo o que vejo, mas nada disso que vejo se-
ria belo e alegre se eu não estivesse aqui com você.
– É tudo tão belo na natureza que é difícil crer que tudo o que existe,
que vejo e ouço é verdadeiro.
– É tudo belo na natureza porque a natureza é o sonho de Deus. Pelo so-
nho dá para ver o quanto Deus é belo.
– Moro dentro de um crânio de osso cheio de escuridão, mistérios, es-
trelas e segredos revelados. De todos os mistérios e segredos no universo, o
maior de todos é o meu amor por você.
– É tão belo o amor, a paz, a alegria, a verdade, a compaixão, o perdão, a
sabedoria e a fidelidade, mas na escuridão, os seres humanos rejeitam tudo
o que é belo. É tão feio o ódio, a guerra, a tristeza, a mentira, a ambição, o
egoísmo, a arrogância e a ignorância, mas na luz, os seres humanos rejeitam
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tudo o que é feio. Em meio a beleza e a feiura, eu vou vivendo feliz e em paz
com você nesta montanha do reino das Astúrias.
– O reino das Astúrias está coberto pela luz prateada da lua cheia. Daqui
a algumas horas estará coberto pela luz dourada dos raios do sol. Em meio
aos raios prateados da lua cheia e dourados do sol eu vou vivendo com a mi-
nha mente, o meu coração e a minha alma, livres do ódio, do medo e da tris-
teza, graças ao meu amor por Deus, por mim mesma e por você.
– Se os cristãos germanos e os muçulmanos árabes se amassem como eu
e você nos amamos, viveriam em paz eterna na Europa, na África e na Ásia.
– Se os cristãos germanos e os muçulmanos se unissem em um só Impé-
rio, eles conquistariam o Império Bizantino e o huno facilmente, mas são
egoístas demais para dividir o planeta Terra que pertence a Deus e a toda a
humanidade. Esse negócio de várias nações divididas por fronteiras e mura-
lhas armadas é um negócio sem sentido algum. A Ásia, a África e a Europa
devem ser uma só nação com várias línguas, várias religiões, uma só moeda,
um só rei, uma só lei e um só sistema de governo sem lideranças em que to-
dos participem diretamente por meio do voto de todas as decisões dos seus
governantes. Tenho certeza que isto traria paz eterna a humanidade deste
planeta Terra.
– Quem está feliz com esta invasão muçulmana são os judeus.
– Por quê?
– Por que desde o III Concílio de Toledo em 8 de maio de 589 foram
editadas leis discriminatórias, desiguais e injustas pelos governantes germa-
nos visigodos aos judeus, tais como não praticar o comércio com os cristãos,
o batismo forçado de crianças filhas de casamentos entre judeus e cristãos.
Tais leis levaram os judeus à miséria e a ajudarem os árabes muçulmanos
a invadir a Hispânia romana que agora se chama península de Al-Andaluz.
Assim que amanheceu no reino das Astúrias, o exército de 300 soldados do
rei cristão visigodo Pelágio desceu as montanhas das Astúrias e marchou dia e
noite em direção à Covadonga (Espanha) onde se encontrou com o exército de
1400 soldados do governador muçulmano Munuza. A batalha de reconquis-
ta da Hispânia romana visigoda foi violenta e cruel. Os cristãos perderam 289

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soldados e os muçulmanos 600. Assim que retornou da batalha de Covadonga à
Cangas de Onis, Enzo entrou em casa e viu Lorena de joelhos no chão, orando
para uma estátua de Maria com Jesus nos braços a seguinte oração:
– Santa Maria. Santo Cristo. Traz de volta o meu amor que me deixou
para lutar com os muçulmanos em Covadonga. Por favor, Santa Maria e
Santo Cristo, não deixem os muçulmanos matarem o meu amado. Por favor,
Santa Maria e Santo Cristo. Sem meu amado não posso ser feliz.
Enzo lhe entregou uma flor e lhe disse:
– Acalma teu coração, querida, e aceite esta flor que lhe dou com a alma,
o coração e a mente cheios de amor.
– Enzo, você voltou! Obrigada pela flor. Como é bom vê-lo mais uma
vez. Eu estava com tanta saudade de você que eu estava pensando em me
jogar desta montanha abaixo só para não sofrer mais de saudade.
Em 721, o exército muçulmano foi derrotado pelos visigodos cristãos
das Astúrias na cidade de Tolosa (Espanha). Em Tolosa, Enzo juntou vá-
rios cadáveres de cristãos visigodos e muçulmanos árabes e os cremou em
meio a muita madeira seca. Enquanto os cadáveres dos cristãos e muçulma-
nos iluminavam o campo de batalha, à noite, os espíritos dos soldados mor-
tos observaram o que fizeram, se arrependeram, fizeram as pazes e voaram
com seus guias em direção ao coração e a alma de Deus. Um soldado visi-
godo disse a Enzo:
– Por que você queima os soldados cristãos e muçulmanos?
– Para que seus espíritos vivam unidos na próxima vida.
– A Bíblia judaica cristã sagrada diz que não existe outra vida após a mor-
te, mas apenas o céu ou o inferno.
– Não existe nenhuma lei no mundo que me obrigue a pensar como
pensava quem escreveu a Bíblia Sagrada. Creio que nossos corpos são mor-
tais, nossas almas imortais e que os espíritos destes soldados que ardem no
fogo alto se arrependeram da batalha que travaram.
Enquanto os dois soldados amigos conversavam, belas e sensuais
mulheres de Tolosa com carne assada, frutas e vinho em pratos e copos,

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aproximaram-se dos dois amigos, lhe deram comida, vinho, sentaram ao lado
deles e uma delas disse a Enzo:
– Muito obrigada por libertar Tolosa do domínio árabe.
– De nada. Obrigado pela comida e pela bebida.
– De nada. Você é bonito. Tem esposa?
– Tenho.
– Onde ela está?
– Está aqui dentro da minha alma, do meu coração e da minha mente.
– Você deve amá-la muito para guardá-la em todos estes lugares dentro
de você.
– Amar muito é pouco para definir a intensidade do meu amor por ela.
– Já a traiu alguma vez?
– Já não.
– Sempre tem uma primeira vez, não é?
– É. Mas não para mim.
– E ela? É fiel a você?
– É. E sincera também. Ela me prometeu que se eu morrer na guerra
contra os árabes, ela tomará veneno só para não sofrer de saudade de mim.
– E você acreditou?
– Acreditei.
– Hahaha.
– Do que é que você está rindo?
– Destes cadáveres de soldados queimando na fogueira abaixo da
lua cheia.
– Como estes cadáveres empilhados queimando na fogueira, assim são
os corações dos seres humanos que odeiam Deus sem saberem que Deus são
todos eles e não somente Rosna, Moisés, Zaratustra, Buda, Jesus e Maomé.
– Eu sou Deus?
– É.

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– Para a igreja católica eu não passo de uma pecadora viciada em tóxi-
cos e uma prostituta.
– Prostitutas são as mentes dos papas católicos que veem o diabo den-
tro das pessoas, das plantas, da música e dos animais e o inferno em todo
lugar ao invés de ver Deus dentro das pessoas, das plantas, da música e dos
animais. Os papas católicos têm olhos, mas nada podem ver devido a escu-
ridão da ignorância da ilusão que os envolvem como o casulo envolve o bi-
cho da seda.
Enquanto isto em Cangas de Onís, Lorena, sentada em forma de lótus,
debaixo de uma árvore, olhou para a ponta do nariz e começou a meditar
em Enzo. Enquanto ela meditava, ela via e ouvia Enzo dizendo a prostituta:
– Queria tanto que este fogo queimando os cadáveres queimasse tam-
bém a saudade que sinto da minha amada. Tal saudade só faz aumentar o
amor que sinto por ela dentro da minha mente, meu coração e minha alma.
Tal saudade queima minha alma, meu coração, minha mente e os faz arder
de amor. Mesmo estando longe dela, sinto-a sempre perto de mim em pen-
samentos. Meu corpo está aqui, mas meus pensamentos, mente, coração e
alma estão em Cangas de Onís dentro da alma, do coração e da mente da mi-
nha amada Lorena.
– Moça de sorte essa Lorena. Eu queria encontrar um homem que me
amasse assim também. Mas os homens de Tolosa não me dão nenhum va-
lor e respeito só porque trabalho de noite e de madrugada como prostituta.
– Os homens de Tolosa não te dão nenhum valor e nem te respeitam
porque eles não se dão nenhum valor e nem se respeitam, pois se dessem va-
lor e se respeitassem, eles se amariam, amariam Deus e a você como sendo
parte dos corpos e espíritos deles, portanto esquece as ofensas dos que vivem
na escuridão que te ofenderam e magoaram. Perdoa-os e viva em paz com
Deus, pois Deus te dá valor, te ama e te respeita do jeito que você é.
– E você me ama?
– Amo como um pai ama uma filha.
– Prefiro mil vezes ser ofendida de prostituta do que ser rejeitada por um
soldado apaixonado.
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– Há muitos homens solteiros neste acampamento que adorariam estar
aqui no meu lugar conversando com você. Por que não vai bater um papo
com eles?
– Por que minha alma, meu coração e minha mente não se apaixona-
ram por nenhum deles?
– Lamento não poder realizar seus desejos, mas eu prefiro ser queimado
vivo na fogueira do que trair minha amada Lorena e o Deus que tanto amo
que vive dentro do coração e da alma dela.
Lorena abraçou uma árvore, fechou os olhos, imaginou que era Enzo,
sentiu paz em sua alma, felicidade em seu coração e satisfação dentro de
sua mente. Em 732, o exército árabe muçulmano marchou de Córdova,
Al-Andaluz, em direção à Gália (França). Na cidade de Poitiers, na Gália,
o exército árabe muçulmano de 80 mil soldados liderado pelo governador
de Al-Andaluz, Al-Gafiq, encontrou-se com o exército franco germano cris-
tão de 80 mil soldados liderado pelo prefeito de Paris, Carlos Martel. A ba-
talha foi longa e violenta. Do lado árabe morreram 12 mil soldados e do
lado franco, 1500 soldados. Enquanto isto em Cangas de Onis, Enzo dis-
se à Lorena:
– As guerras com os árabes têm me feito sofrer de saudade de você e te
amar ainda mais. Meu amor por você é aquele tipo de amor que se desen-
volve mesmo estando longe ou perto, dormindo e acordado, durante o dia
e durante noite.
– A árvore é tolerante e paciente com o frio e o calor, com os animais e
com os seres humanos. Seja tolerante e paciente como as árvores em rela-
ção ao amor e a saudade.
– Só há uma maneira de curar a dor da saudade.
– Que maneira é essa?
– Estando perto da pessoa amada.
– O que você sabe sobre o califado Omiada?
– É a forma de sistema de governo monárquico criado após a morte do
profeta Maomé. Tal forma de governo e de governar da família dos Omiada,

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expandiram o Império Árabe da Arábia Saudita da Índia a Península de Al-
-Andaluz.
– É o maior império do planeta Terra, o árabe muçulmano?
– É.
– É engraçada a história dos cristãos, dos judeus e dos árabes.
– É?
– É. Há 1800 anos os judeus criaram o judaísmo e impuseram a cren-
ça em um só Deus à força aos países árabes politeístas. O islamismo foi cria-
do há 100 anos e os islâmicos estão impondo à força aos cristãos sua religião
como os judeus aos árabes no passado.
– Não tem nada a ver esta guerra entre cristãos, árabes e judeus por cau-
sa de religião, fé e Deus.
– Os judeus utilizaram o judaísmo e a crença em um só Deus para
mudar a fé e roubar os bens e as terras dos árabes e os muçulmanos estão
utilizando o islamismo para mudar a fé dos cristãos e roubar seus bens e
suas terras.
– A consciência humana se desenvolve lentamente neste planeta cheio
de feras de duas e quatro patas. É mais fácil um jumento voar do que mudar
a consciência da humanidade da guerra para a paz.
Em 750, com a queda do califado Omiada e ascensão política e militar
do califado dos árabes abássidas, os Omiada perderam as terras no Oriente
Médio e na África do Norte. Entre os sobreviventes do massacre da família
Omiada, estava o príncipe Abderramão I que fugiu de Damasco (Síria) para
a Península de Al-Andaluz e em 756, declara a independência de Al-Anda-
luz do império árabe abássida e se torna o Emir (príncipe) da Al-Andaluz in-
dependente, agora Emirado de Córdova. Enquanto isto, em Cangas de Onís,
Enzo e Lorena nadavam em um lago no alto de uma montanha do reino das
Astúrias. Quando pararam de nadar, Lorena, disse a Enzo:
– Minhas costas estão doendo de tanto nadar.
– Como suas costas, é assim que fica meu coração quando estou sofren-
do de saudade longe de você.

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– Vê este lago cheio de água?
– Vejo.
– É assim que ficam meus olhos quando estou sofrendo de saudade
de você.
Algumas semanas depois, o príncipe de Al-Andaluz, Abderramão I, to-
mou Sevilha (Espanha). Sabendo da situação de Sevilha, o emir Alfiri Al-Su-
mail, levou seu exército em direção ao encontro do exército do emir Abder-
ramão I às margens do rio Guadalquivir em Córdova, capital da península de
Al-Andaluz. A batalha foi longa e selvagem. O emir Alfiri Al-Sumail conse-
guiu se salvar com vida da batalha de Guadalquivir e o exército do emir Ab-
derramão I marchou vitorioso com seu exército sobre a capital da penínsu-
la de Al-Andaluz, Córdova. Enquanto nas montanhas do reino das Astúrias
em Cangas de Onís, Enzo disse à Lorena enquanto observavam o sol se pon-
do no horizonte:
– O sol está se pondo de um lado para amanhã nascer em outro lado do
horizonte, deveria se pôr com ele as guerras e nascer a paz eterna entre a hu-
manidade no planeta Terra.
Algumas semanas depois, o emir Alfiri Al-Sumail formou um exército ára-
be de 20 mil soldados e tentou retomar Córdova do emir Abderramão I. Mais
uma vez perdeu a batalha, fugiu para Toledo e lá foi assassinado. A notícia de
que a península de Al-Andaluz se tornou um lugar seguro para os amigos da
dinastia Omiada, logo se espalhou por todo o império árabe abássida.
Em 775 em Bagdá, capital do império árabe abássida, o califa Alman-
çor nomeou o governador da África, Alá ibne Mugite, como chefe do exército
abássida na invasão da península de Al-Andaluz. O exército abássida lidera-
do pelo governador da África Alá ibne Mugite, desembarcou em Beja (Por-
tugal). Tomaram Beja e sitiaram Camona por três meses com o exército do
emir Abderramão I, preso dentro das muralhas dela.
Com a comida, a água e a moral dos soldados do emir Abderramão I se
esgotando, Abderramão I escolheu 700 soldados e os mandou acender uma
grande fogueira em frente ao portão principal. Arremessou a bainha de sua
espada na fogueira e disse aos seus soldados:

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– Vamos atirar nossas bainhas na chama e prometer que tombaremos
como soldados, caso a vitória não possa ser nossa. Nós conquistaremos ou
nós morreremos.
Após a batalha com o exército do governador da África, Alá ibne Mugi-
te, as cabeças de seus generais foram enviadas ao califa Almançor que as re-
cebeu quando estava em visita à Meca. Enquanto isto em Cangas de Onís, a
velha Lorena disse ao velho Enzo:
– Meu querido amigo, a cada dia, mais próximo fica o dia da nossa morte.
– Não se preocupe com a morte. Ela não pode matar as nossas almas e
nem o nosso amor transcendental que está além de toda a dualidade da rea-
lidade e da irrealidade. A beleza dos corpos das mulheres quando são jovens
é como o sol brilhando no céu pela manhã e quando estão velhos são como
o sol desaparecendo no horizonte com a chegada da noite. Quando ficam
velhos, os maridos perdem o interesse por elas, então as abandonam e as tra-
em. Vai fazer isto comigo também?
– Quando as mulheres estão velhas, os homens perdem o desejo por elas
e elas a autoestima por si mesmas porque pensam e acham que estão enve-
lhecendo e vão morrer sem saber que suas almas jamais envelhecerão e mor-
rerão. Meu amor por você não é algo físico que envelhece e morre com o
corpo e o tempo. Não creio ser uma bela história de amor entre um homem
uma mulher envolver traições e choro. Posso não ser o melhor de todos os
escritores que já nasceram, mas não sou um dos piores e mais tolos de to-
dos para ao menos pensar em traí-la e estar com outra mulher em meus bra-
ços ao invés de ti.
– Vou sentir saudade de você quando a morte matar meu corpo físico.
– Não se preocupe com nossos corpos físicos, pois serão enterrados den-
tro do mesmo buraco ou queimados na mesma pilha funerária.
Em 778, o governador de Saragoça (Espanha), Solimão ibne Iocdam Alá-
rabe al-Celbi, encontrou-se com delegados do líder dos francos germanos cris-
tãos, Carlos Magno. O motivo do encontro foi o de auxílio militar dos fran-
cos para ajudarem os exércitos dos governadores de Saragoça e Barcelona a
vencer o exército do Emir Abderramão I em Córdova. O imperador do sacro

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Império Romano germano, Carlos Magno enviou um exército numeroso de
cristãos em direção à cidade de Saragoça, mas ao chegar ao portão principal,
o governador ordenou que não fosse permitida a entrada do exército franco
em Saragoça. O exército de Carlos Magno, retornou à Gália (França). Em
Cangas de Onís, reino das Astúrias, Enzo disse à Lorena:
– Minha velha querida. Como o tempo passa rápido. Parece que foi on-
tem que eu te vi criança, adolescente, adulta e velha.
– Agora só falta me ver morta para eu morrer de saudade de você en-
quanto voo com os meus guias de luz em segurança em direção à alma
de Deus.
– Só há duas alegrias neste mundo para mim.
– E quais são?
– Uma é morrer e a outra é viver para sempre com você.
– Seria tão bom se a gente vivesse juntos vida após vida como uma só
alma e um só corpo tão reluzente quanto o sol.
– O sol todos os dias em seu trabalho diário traz do oeste o céu azul, o
despertar das flores, o canto dos pássaros e a beleza do seu rosto que é mais
belo e encantador que a beleza do dia e da noite. Meu amor por você é como
a luz do sol e seu amor por mim é como a luz da lua, que estão o dia inteiro
aumentando a beleza e o amor que elas tem uma pela outra. A luz do sol e
da lua são os campos de energias do sol e da lua que estão sempre dia após
dia, noite após noite sempre juntos em amor, eternamente trocando ener-
gias puras como o campo de energia do meu coração trocando energia de
amor puro com a energia amorosa que vem do campo de energia de teu co-
ração, que representa o amor de Deus. Sem a luz do sol e da lua se amando
eternamente como minha alma à tua, os frutos das árvores não seriam do-
ces e nem eu feliz.
Em 779, o emir Abderramão I disse a Huceine Ibne Iáia, aliado políti-
co do governador Solimão:
– Meu caro Huceine Ibne Iáia. Te nomearei governador de Saragoça se
matares por mim o governador Solimão.

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– Tenho um tempo para pensar sobre a proposta?
– Tem.
– Já pensei. Aceito sua proposta.
Enquanto isto em Cangas de Onís , o velho Enzo disse à ve-
lha Lorena:
– É tão grande o meu amor por você que nem mesmo as garotas mais
belas da Europa, as guerras contra os árabes e a velhice foram capazes de me
impedir de te amar e nem deixá-la ou esquecê-la.
– O pior inimigo é aquele que se faz de amigo. Fico feliz por você nun-
ca ter me deixado e nem me traído.
Em 783, o governador de Saragoça, Huceine Ibne Iáia, rompeu o acor-
do de subordinação de Saragoça a Córdova e declarou publicamente que
Saragoça era um estado independente do domínio Omiada na penínsu-
la de Al-Andaluz. Abderramão I enviou um exército com 6 armas capazes
de destruir fortalezas, muralhas, castelos e fortes. Enquanto isto, em Can-
gas de Onís, Lorena mandou construir um túmulo com dois lugares. Após
cobrirem com uma tampa de concreto o túmulo de Enzo, Lorena foi para
casa. Olhou para o sol se pondo no horizonte e ficou lembrando das coi-
sas que Enzo lhe dizia enquanto o espírito de Enzo estava sentado ao lado
dela em uma pedra onde costumava ver o pôr do sol com ela. Ao seu lado,
ele a viu chorar e lhe disse:
– Querida Lorena. Não chore. Eu não morri. Eu estou aqui ao seu lado.
Um guia de luz de Enzo lhe disse:
– Lamento lhe dizer, amigo, mas ela não pode lhe ouvir.
– Ela está chorando pensando que eu morri.
– Na escuridão os seres humanos criam os seus próprios sofrimentos com
ilusões criadas por suas mentes controladas pela ignorância.
– Enzo. Você está aqui comigo?
– Estou, meu amor.
– Eu sinto você aqui perto de mim. Eu estou com muita saudade de você.

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– Não sinta saudade de mim. Eu não a deixei. Eu estou aqui com você.
Eu te amo tanto que nem a morte é capaz de matar o amor que sinto por
você desde muitas vidas passadas.
– Eu te amo, Enzo. Não me abandona. Fica aqui comigo até o dia em
que eu morrer.
– Ficarei, meu amor. Não se preocupe. Meu amor, cuidado, tem uma
cobra se rastejando em direção aos seus pés. Levante-se e venha comigo.
Enzo estendeu a mão, pegou a mão de Lorena e lhe disse:
– Levante-se, por favor, meu amor.
Lorena se levantou, olhou para baixo e Enzo lhe disse:
– Nem pense nisso. Não crie mais carma. Permaneça viva e complete
seu ciclo evolutivo.
Lorena olhou para o céu, sorriu e caminhou com Enzo em direção à
pequena cabana de madeira na beira do lago do topo da montanha em Can-
gas de Onís, no reino das Astúrias.
Em 786, Abderramão I mandou construir pela península de Al-Andaluz,
estradas, aquedutos, a mesquita de Córdova sobre as estruturas de uma basí-
lica visigótica dedicada a São Vicente e permitiu que os cristãos e os judeus
praticassem livremente seus ritos religiosos e adoração a Deus. Enquanto isto
em Cangas de Onís, a velha Lorena disse à sua neta Louise:
– Minha netinha querida. Quando eu morrer, eu quero que você man-
de sepultar meu corpo ao lado do corpo do Enzo e em troca te deixarei esta
casa, este lago e estas terras que me deram muita alegria quando Enzo es-
tava vivo.
Em 788, morre o velho emir Abderramão I que foi enterrado na gran-
de mesquita de Córdova que mandou construir quando era vivo. Enquan-
to isso, Louise ajudava sua avó Lorena a caminhar até o lago. No lago, ela
olhou para a água e viu o reflexo do seu rosto na água e o do espírito de luz
de Enzo em forma de anjo brilhando. Ela olhou para trás e disse a Enzo:
– Querido Enzo. Eu vi seu reflexo na água. Que bom que ainda está
aqui comigo. Em breve estarei com você em espírito para irmos de mãos

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dadas ao paraíso. Tenha paciência e me aguarde, pois já não suporto mais
sofrer de saudade de você dentro deste corpo mortal que está perdendo a vi-
são, a audição, os movimentos, mas não a capacidade de minha mente, meu
coração e minha alma de te amar cada vez mais a cada segundo, minuto,
hora, dia, semana, mês e ano que passa. Se for necessário esperar a eterni-
dade inteira para viver mais uma vida com você, para sempre pacientemen-
te eu esperarei.
Em 790, morre a velha Lorena e ao morrer, seu espírito vê o espírito de
Enzo em meio a neve. Depois de um longo abraço e um beijo na boca, os
dois anjos voam com seus guias de luz em direção à realidade na alma de
Deus. Depois de três dias, suas almas retornaram ao planeta Terra, ela em
Bagdá, Arábia Saudita e ele em Córdova, Península de Al-Andaluz.

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CAPÍTULO IX

O EMIRADO DE CÓRDOVA

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E
m 1810, na mesquita de Córdova, na península de Al-An-
daluz, um jovem judeu chamado Amon (Enzo) viu uma jovem ára-
be chamada Aysha (Lorena) meditando na mesquita de Córdova e
se levantando para ir embora. Aysha caminhou em direção à saída da mes-
quita de Córdova e Amon lhe disse:
– Aysha, Aysha.
– Quem é você? Como sabe o meu nome?
– Eu vi escrito aqui neste alcorão que você esqueceu ali.
– Ó, as palavras do anjo Gabriel transmitidas pelo profeta Maomé. Per-
dão, livrinho querido, por tê-lo esquecido e muito obrigada a você por ter
me devolvido.
– De nada.
– Como você se chama?
– Eu me chamo Amon.
– Muito em prazer em conhecê-lo.
– Eu lhe digo o mesmo. Onde você nasceu?
– Eu nasci na Arábia Saudita e você?
– Eu nasci aqui em Córdova.
– Qual é a sua religião?
– Judaísmo e a sua?
– A minha é o islamismo.
– A diferença da minha religião para a sua é que Moisés transmitiu dire-
tamente de Deus os dez mandamentos à humanidade e Maomé transmitiu
diretamente o alcorão do anjo Gabriel.

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– Devido à violência e maldade entre os seres humanos, Deus já não
transmite mais suas palavras pessoalmente, mas por meio de mensageiros
como o anjo Gabriel, pois tem medo que os seres humanos o torturem e o
matem como fizeram com o messias Jesus.
– A história do messias dos cristãos é duvidosa, pois é semelhante a his-
tória do deus Hórus do Egito. A história de Moisés também é duvidosa, pois
é semelhante à história do rei Sargão I da Arcádia, mas a história de Mao-
mé não é duvidosa, pois ele existiu realmente e não é invenção dos escri-
bas árabes.
– A história de Maomé recebendo a palavra de Deus em cima de uma
montanha é semelhante a de Moisés e a do profeta Zaratustra persa, cujas
ideias influenciaram várias religiões como o judaísmo, o jainismo, o bu-
dismo, o cristianismo e o islamismo. Maomé não é invenção dos gover-
nantes árabes, pois os governantes do império sassânida são parentes do tio
de Maomé.
– Os sassânidas são inimigos dos Omíada em Al-Andaluz. Como você
conseguiu entrar aqui?
– Meus familiares são parentes e amigos dos Omíada.
– Há quanto tempo você chegou?
– Há 2 dias.
– É a primeira vez que vem à Mesquita de Córdova?
– É.
– Ela é como Jerusalém, um local sagrado para judeus, árabes e cristãos.
– Meu coração é como esta mesquita e tal mesquita feita de carne e san-
gue, é onde eu oro a Deus todos os dias e noites para que cesse todo o derra-
mamento de sangue humano inocente neste planeta. É dentro da mesqui-
ta do meu coração que está o amor pela vida que é o meu guia e também
o meu Deus.
– Como é possível Deus está dentro do meu coração e do seu?
– Da mesma forma que é possível o sol e a lua estarem ao mesmo tem-
po em vários lugares.

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– Melhor adorar Deus entre o sangue e a carne do que adorar Deus en-
tre as pedras e o ferro, não é?
– É. Se os seres humanos soubessem o poder que o amor tem, eles não
odiariam mais ninguém e só pensariam em fazer o bem.
– Faz-se o bem cultivando bons pensamentos para que possa colher sa-
bedoria e alegria em suas vidas eternas dentro da consciência e do sonho
de Deus.
– Eu sou o sonho de Deus?
– É. E o mais belo que ele já criou, com o poder do seu amor e da sua
alma que penetra todos os átomos materiais e espirituais que compõem este
planeta Terra e o universo. Meu coração não é tão grande quanto o de Deus,
mas tem tanto amor e luz quanto o dele.
– Este planeta necessita de mais espíritos de luz como você para des-
truir a escuridão e negatividade que os seres humanos presos à ignorância
criaram dentro de si mesmos. É por causa de tanta escuridão e negatividade
sendo geradas pelas mentes e pensamentos dos seres humanos que este pla-
neta está tendo dificuldade de criar plantas e animais e está secando e se tor-
nando deserto em vários lugares do globo terrestre. Doente como este pla-
neta está também a humanidade, que só pensa em guerra em vez de paz.
– Tem algo muito errado com a humanidade e eu sei o que é.
– O que é?
– Do outro lado do Oceano Atlântico tem uma civilização de seres hu-
manos que estão oferecendo corações em massa de seres humanos para os
deuses annunakis do planeta Nibiru e tais sacrifícios humanos é o que está
fazendo os árabes, os judeus e os cristãos se matarem tanto. Enquanto tais
sacrifícios não cessarem, não cessarão as guerras entre os europeus, africa-
nos e asiáticos.
– Por que os seres humanos são tão diferentes?
– Por causa da interferência de vários tipos de extraterrestres em
seus DNA.
– Que papéis são esses aí com você?

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– São as aulas de medicina da universidade de Córdova.
– Onde fica a universidade de Córdova?
– Fica aqui próximo.
– Me leva lá para eu conhecer?
– Levo sim. Vamos lá?
– Vamos. Me conta aí como se deu a conquista da península de Al-
-Andaluz.
– Deu-se com o sequestro de Florinda, filha do Conde João, governador
visigótico de Ceuta, por Rodrigo, rei germânico visigótico da Hispânia. In-
dignado com o crime de sequestro, o governador de Ceuta convidou tropas
muçulmanas a desembarcar na Hispânia para a guerra de Guadalete onde,
com maioria dos soldados, os muçulmanos em Andaluzia venceram o exér-
cito do rei Rodrigo que morreu em batalha e com ele o domínio visigótico
germânico sobre antiga Península Ibérica, Hispânia Romana visigótica e ago-
ra Península de Al-Andaluz.
– Os germanos visigóticos e os romanos bizantinos devem estar muito fe-
lizes com nós muçulmanos, não é?
– É. Muitíssimo felizes mesmo. Acho que nunca estiveram tão felizes
em todas as suas vidas.
– Muita beleza, muita riqueza atrai ladrões e a prova que estou falan-
do a verdade são as invasões da Península Ibérica pelos romanos, visigodos
e árabes.
– Antes dos romanos criarem a Hispânia, quem vivia na Península
Ibérica?
– Fenícios, cartagineses, lusitanos, suevos, francos e outros.
– Quem criou este nome Península Ibérica?
– Foram os gregos.
– Quando se deu a romanização da Península Ibérica?
– Por volta do ano 218 a.C.
– E a dominação germânica?

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– Por volta do século V da era cristã.
– E a muçulmana?
– Por volta de 711 da era cristã.
– Há uma disputa muito grande no continente europeu entre os cristãos
e os judeus por causa de quem é o povo escolhido de Deus para ensinar a
verdade e a mentira à humanidade.
– Mentira?
– Sim. Deus é amor e perdão e não julgamento e punição. Infernos, dia-
bos e demônios são invenções dos políticos para controlar a humanidade por
meio do medo a Deus, a morte e ao diabo.
– Deus não me julga por meus erros e me perdoa por tudo que faço
de errado?
– Sim. Quem te julga e quem te pune é a humanidade e você mesma.
Se perdoa por teus erros para não sofrer mais de arrependimento e não erra
mais. Só se perdoa quem se ama, então se ama e vive em paz e sem medo.
Não tema Deus, não tema a morte, pois o Deus que tu amas e te ama vive
dentro de teu coração. Se você ama a Deus, você se ama. Se você se ama,
você ama Deus. Se você não se ama, não ama Deus, mas isto não impede
de Deus amar você e nem eu.
– Você me ama por que você se ama, você se ama por que ama Deus,
você ama Deus por que Deus ama você e como Deus te ama, eu também te
amo? O que você tem a dizer sobre o judaísmo, o cristianismo e o islamismo?
– O judaísmo, o cristianismo e o islamismo são o velho, o novo e o no-
víssimo testamento de Deus à humanidade. Nem o velho, nem o novo e
nem o novíssimo testamento em 3 tempos diferentes como passado, pre-
sente e futuro, não são as palavras de Deus, mas dos seres humanos que
aqui viveram.
– Os seres humanos inventam e dizem ao povo que Deus disse que
quem é bom vai para o céu e quem é mal vai para o inferno e o povo incul-
to da Terra acredita neles.
– Como é a sociedade dos europeus?

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– De cima para baixo é como uma pirâmide, do topo à base estão os im-
peradores, reis, políticos, empresários, sacerdotes, militares ricos e o povo po-
bre, faminto e inculto.
– Muitos pobres e analfabetos e poucos ricos e cultos como na Arábia
Saudita?
– Sim.
– O que leva um ser humano a se tornar inculto?
– Falta de comida na infância?
– Falta de comida?
– Sim.
– O cérebro da criança se forma dos 0 aos 2 anos de idade. Se duran-
te este período a criança não for bem alimentada, o cérebro dela não se for-
ma direito e ela fica retardada para o resto da vida. Retardado é o imbecil ou
o idiota que tem inteligência tão reduzida que não aprende artes simples,
como ler e escrever.
– Agora entendo por que os governantes preferem mandar seus exérci-
tos para a morte no campo de batalha do que mandá-los para o campo para
plantarem batata e alimentarem o povo pobre de graça, pois sem batatas o
povo fica analfabeto, retardado e acreditam em tudo o que dizem os gover-
nantes, não é?
– É. É mais fácil controlar um povo inculto por meio da mentira do que
controlar um povo culto por meio da verdade.
– Estamos em meio a uma guerra de incultos cristãos, judeus e mu-
çulmanos?
– Estamos. Espero que a ciência os ajudem a largar as armas e viverem
em paz uns com os outros em toda a humanidade.
– A ciência não crê na existência nem de Deus e nem do diabo. O diabo
não existe, pois ninguém nunca o viu, mas Deus existe e nós podemos vê-lo
em todo lugar ao nosso redor e dentro de nós. Deus são nossas almas e cor-
pos humanos sem almas, são corpos de defuntos.
– O que você tem a dizer sobre os incultos?
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– Os analfabetos não são seres humanos sábios, pois como não sabem
ler e escrever não têm acesso à sabedoria e nem ao conhecimento ilimitado.
Interpretam tudo errado, não entendem nada do que dizemos a eles, não sa-
bem falar, não sabem pensar, não sabem se comunicar, não sabem o que é
certo e o que é errado, possuem uma baixa consciência, vivem na escuridão,
não conhecem as leis, não ligam para política e nem se importam com o que
os governantes fazem com os impostos que pagam aos estados.
– Muitos dos crimes são causados por causa da ignorância e desconhe-
cimento das leis, se todos soubessem ler, escrever e conhecessem as leis não
haveria mais guerras na Terra.
– Isso só vai acontecer quando os governantes derem o que os seus po-
vos da Terra tem direito, que é emprego, alimentação, saúde e educação.
– Se o povo da Terra for esperar isto dos governantes, permanecerão para
sempre sofrendo na miséria, na ignorância e na violência.
– Se nesta guerra entre três fés, a muçulmana vencer, todos na Europa
andarão com turbantes nas cabeças e com vestidos longos até os tornozelos.
– O cristianismo ensina os cristãos a adorar a Deus de joelhos no chão,
o judaísmo ensina o judeu a adorar Deus em pé, o islamismo a adorar Deus
de joelhos e cabeça no chão e o budismo a adorar Deus sentado no chão.
Só está faltando mais um profeta criar uma nova religião e ensinar todo
mundo a adorar Deus deitado no chão. Esses seres humanos são engraça-
dos, não são?
Assim que chegaram à universidade de Córdova. Amon disse à Aysha:
– Eis a grande universidade de Córdova.
– Legal. Agora já sei onde irei continuar meus estudos de história da hu-
manidade. Muito obrigada por me trazer aqui.
– De nada.
– Já está escurecendo.
– Aceita jantar comigo?
– Aceito.

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Após o jantar, Amon deixou Aysha em casa e com um beijo e um abra-
ço eles se despediram. No dia seguinte, Amon e Aysha se encontraram no
jardim da universidade de Córdova.
– Eu sonhei com você esta noite.
– E como foi o sonho?
– Vi você vestida de noiva entrando na mesquita de Córdova para se ca-
sar comigo.
– Que engraçado. Eu tive o mesmo sonho.
– Que tal transformarmos nossos sonhos em realidade?
– Vamos continuar namorando. Se a gente der certo, a gente casa.
Combinado?
– Sim.
– Como é bela a universidade de Córdova e a Península de Al-Andaluz.
Olha só estas colinas e montanhas verdes ao nosso redor. Nunca vi nada
igual lá na Arábia Saudita. Estando aqui com você, estou me sentindo como
se tivesse morrido e sido trazida para o céu.
– Toda a beleza que possui Córdova e a península de Al-Andaluz é pá-
lida se comparada com a beleza de teu rosto. Como uma flor vermelha em
meio a flores brancas, como a luz em meio a escuridão, assim é a beleza de
seu rosto em relação aos outros rostos humanos. Como o sol gerando luz a
todo instante, assim é o meu coração gerando amor por você.
Assim que as aulas terminaram no final da tarde, os dois saíram da univer-
sidade de Córdova abraçados e sorrindo da felicidade e viram pássaros que can-
tavam e voavam enquanto o sol ia se pondo, a lua cheia chegando e as lâmpa-
das iluminadas por óleo de mamona se acendendo por toda Córdova.
Viram uma praça cheia de árvores, flores, bancos e estátuas de mármore
de anjos sorrindo e chorando com asas abertas e encolhidas. Eles sentaram
em um banco e Amon disse à Aysha:
– Aysha, meu bem, que mais venero nesta Terra. Estamos cercados de
árvores, flores, gramas, anjos de pedra ao nosso redor. Aquele anjo ali sorrin-
do de asas abertas é a minha alma sentindo amor quanto está perto de você.

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Aquele anjo ali chorando de asas encolhidas é a minha alma sentindo sau-
dade longe de você. Estes anjos criados por artistas humanos têm o coração
e a alma de pedra. Quando abrem e encolhem as asas, eles sentem felicida-
de e tristeza. Quando o sol vem, as flores sentem amor por ele, se abrem e
começam a cantar como pássaros a canção de amor que só os anjos conse-
guem escutar. Quando o sol se vai, as flores se entristecem de saudade, enco-
lhem suas pétalas e param de cantar. Como as flores abrindo e encolhendo
suas pétalas quando vem e se vai o sol, sou eu quando você vem e vai, quan-
do estou perto e longe de você, sentindo amor e saudade.
– Estas lâmpadas de vidro iluminadas por óleo de mamona em torno das
ruas e praças de Córdova simboliza para os europeus bárbaros a chegada da
luz do saber e das ciências. Nossos guias de luz ao nosso redor. Como o céu
que protege as flores dos raios quentes do sol, estes guias protegem nossas
mentes, nossos corações e almas dos pensamentos negros que vêm de outros
seres vivos e de dentro de nossas cabeças. Como nossos guias nos protegen-
do dos maus pensamentos, o amor que sinto por você me protege da triste-
za e da raiva e protegida por esta luz, que é teu amor, eu me sinto feliz e em
paz com o universo inteiro e comigo mesma. Que haja paz onde haja guer-
ra, que haja amor onde haja ódio, que haja água sobre o fogo, alegria sobre
a tristeza e que você sempre me ame como eu sempre te amei. Assim como
o sol que aumenta de tamanho a cada dia que passa, também meu amor por
você fica maior a cada segundo que passa. Não há felicidade sem paz e a mi-
nha paz é estar ao seu lado. Quando o sol surge, as flores se abrem e os mor-
cegos se calam. O que isto quer dizer?
– Significa que quando o amor por alguém chega brilhando para você,
seu coração se abre e floresce de luz e paz. Quando o amor chega, os maus
pensamentos que são como vampiros que sugam a paz e energia de uma
alma atormentada pelo sofrimento se calam e dormem tranquilos, deixando
a pessoa feliz e em paz. Puro e brilhante como o ouro é o fogo. Puro e bri-
lhante como o ouro e o fogo é o meu amor por você.
Em 822, Al-Hakam I, se tornou o Emir do condado de Córdova. Aysha
disse a Amon:

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– O Al-Hakam I se tornou o emir do Condado de Córdova. E eu me tor-
nei a mulher árabe mais odiada em Al-Andaluz nos últimos 12 anos porque
me casei com um judeu. Minha família foi contra o nosso casamento. Meus
amigos foram contra o nosso casamento e os judeus também, mas eu não me
separei de você por causa de nenhum deles porque o amor verdadeiro en-
tre dois seres humanos está acima de qualquer preconceito e qualquer coisa
neste planeta e no universo, já que o amor verdadeiro é Deus.
– A minha família e os meus amigos judeus também eram contra eu na-
morar e casar com você, mas minha família e meus amigos não mandam em
minha vontade e nem em minha vida.
Em 832, os exército muçulmano do emir Al-Hakam I, marchou em dire-
ção ao encontro do exército cristão do rei das Astúrias, Alfonso II. Amon dis-
se à Aysha em Cangas Onis:
– Querida, o exército do emir Al-Hahkman I está em guerra de novo
com o exército cristão do rei Afonso II na fronteira oriental das Astúrias.
– O rei Afonso II. Este rei tomou Lisboa, Galiza, Leão e Castela dos mu-
çulmanos com a ajuda do primeiro imperador do sacro Império Romano
germano, Carlos Magno.
Em 842, morre o rei Afonso II das Astúrias. Seu irmão, Ramiro I, tor-
nou-se o novo rei. Na Península de Al-Andaluz, Aysha e Amon enquanto ca-
minhavam de mãos dadas pela bela cidade árabe de Córdova, conversavam:
– O que é aquilo, amor?
– É mais uma revolta de cristãos e judeus contra o domínio muçulmano.
– Que horrível ver cenas de violências extremas entre os seres humanos.
Mais horrível ainda é viver em um lugar onde todo mundo quer nos ver mortos.
– Aqui está parecendo a antiga Suméria do ano 2060 antes de Cristo
onde todos viviam lutando entre si por causa das riquezas que as terras do
oriente e do ocidente ofereciam. Faz mais de 3 mil anos que a humanidade
deste planeta Terra vem vivendo em guerra.
– As guerras neste planeta só vão ter fim quando todas as nações se tor-
narem uma só nação ou quando todos os reinos se tornarem Repúblicas.

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– Mesmo que todos os reinos se tornem Repúblicas, ainda assim haverá
mais guerras, pois as Repúblicas sempre terão exércitos e enquanto houver
vários exércitos não haverá paz para sempre neste planeta Terra.
– Está de dia aqui em Córdova, mas há tanta escuridão e ódio sendo cria-
dos nestas ruas pelas mentes doentias dos cristãos, judeus e muçulmanos que
parece que está de noite.
– É a guerra das três fés. Seria bom que não existissem mais religiões, as-
sim viveriam em paz os judeus, os cristãos e os muçulmanos.
– Ali é a guerra dos analfabetos. Seus mestres Moisés, Jesus e Maomé
lhes ensinaram que Deus é paz e amor e eles entenderam que Deus é guer-
ra e ódio.
– Os mestres dos judeus, dos cristãos e dos árabes possuem um olho em
forma de lua e um olho em forma de sol. Viviam na escuridão e na luz. Pre-
gavam mentiras e verdades a seus seguidores.
– Estão lutando ali os árabes, os judeus e os cristãos, não por causa de
mestres espirituais, fés, deuses e religiões, mas por causa de ouro, pois se ne-
gam a pagar os cristãos e judeus impostos abusivos aos árabes muçulmanos,
– Seria bom que não houvesse mais dinheiro, pois assim os povos não
brigariam e nem se matariam por isso como nos tempos dos nossos primi-
tivos ancestrais que caçavam, plantavam e colhiam grãos para dividirem a
caça e a colheita entre todos e protegê-los da fome. Hoje em dia se alguém
for depender dos governantes e do povo que tem vai viver debaixo das pon-
tes e morrer de fome.
Em 860, o rei Ramiro I do reino das Astúrias contrai matrimônio com a
bela Paterna. Enquanto isto, Amon disse à Aysha em Córdova:
– Nosso amor é como o vinho tinto, quanto mais o tempo passa, mais
doce fica.
– Tal vinho amoroso embriaga meus sentidos, minha mente, minha
consciência, minha memória, meu coração e minha alma de felicidade.
– O mesmo tempo que enfraquece os falsos amores humanos é o mes-
mo que fortalece o meu amor sobrehumano por você.

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– Com a morte se aproximando de nós, cada minuto viva com você é
ainda mais precioso que as horas felizes que vivemos no passado.
– Mesmo que tentemos caminhar para trás, não poderemos voltar ao pas-
sado. Tudo neste mundo temporário parece passar, menos a febre do amor
que sinto por você hoje que está mais forte do que aquela febre de amor do
passado.
– Vou sentir saudade deste mundo e de você quando o meu corpo físi-
co morrer.
– Eu também de você. O renascimento humano é sempre doloroso para
mim porque a infância é sempre a fase em que sou obrigado pelo tempo e
pelo destino a viver sofrendo de saudade de você.
Em 890, as almas de Aysha e Amon deixaram seus corpos mortais, vi-
ram seus guias de luz e com eles foram para casa, a alma de Deus. Três dias
depois, em plena alegria, voltaram ao planeta Terra, ele em Toledo e ela em
Sevilha, emirado de Córdova na península de Al-Andaluz.

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CAPÍTULO X

O EMIRADO DE CÓRDOVA
E O REINO DE LEÃO

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E
m dezembro de 910, na ponte San Martin em Toledo,
emirado de Córdova, um árabe chamado Leonardo disse a uma cris-
tã chamada Heloísa:
– Querida Heloísa. Há quanto tempo. É um imenso prazer revê-la.
Como você está?
– Estou bem, graças a Deus, e você?
– Eu estou muito feliz por reencontrá-la novamente. Quando chegas-
tes de Sevilha?
– Cheguei ontem.
– Como foi a viagem?
– Foi legal. Eu estava com saudade de Toledo.
– E eu de você.
– O dia está ótimo para um banho. Vamos pular da ponte San Martin
no rio Tejo?
– Vamos. Me dá a tua mão. Pronta?
– Sim.
– Vamos lá.
Assim que mergulharam no rio Tejo, soltaram as mãos, nadaram até a
margem, sentaram em uma pedra, sorriram e começaram a conversar.
– Foi neste rio que nos conhecemos e brincamos muito quando éramos
crianças – ele disse.
– Lembro de todos aqueles momentos felizes como se fosse ontem.
– Lembra naquele dia em que te beijei pela primeira vez?
– Lembro.

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– Desde aquele dia nunca mais consegui dormir direito por causa da sau-
dade que eu sentia de beijá-la mais uma vez.
Após o beijo e o abraço, Leonardo disse à Heloísa:
– Meu amor. Não volte mais para Sevilha. Fique aqui em Toledo e se
case comigo.
– Você tem casa? Você tem trabalho?
– Tenho. Vê aquela bela casa do outro lado do rio?
– Vejo. Bonita ela.
– É a nossa casa.
– Como você a conseguiu?
– Meu pai deixou de herança para mim ao morrer na batalha com os
germanos cristãos.
– Os muçulmanos e os cristãos se odeiam e a gente se ama, como isto é
possível?
– Quando existe amor entre um homem e uma mulher não existe pre-
conceito e nem discriminação por causa de religião e fé. Como uma ponte
ligando os dois lados de um mesmo rio, o amor que sentimos um pelo ou-
tro liga nossas almas e nossos corpos em um só corpo e uma só alma. Quan-
do não existe amor entre um homem e uma mulher, a ponte desaba, se que-
bra e os casais se separam.
– O que é o amor para você?
– É Deus na sua forma mais pura e o sentimento elevado que sinto por
você dentro da minha mente, do meu coração e da minha alma.
Enquanto isto Abdallah Ibn Muhammad, descendente da família dos
Omiada, sétimo emir de Al-Andaluz disse à sua esposa, a emir Onneca
Fortunes:
– Já faz 30 anos que o germano visigodo Omar Ben Hafsun criou rebeli-
ões de cristãos contra nós, árabes muçulmanos em Al-Andaluz.
– Deus fez a Europa não só para os europeus, mas para os seres huma-
nos do planeta. Estes cristãos querem a Europa só para eles.

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– A situação para Omíada em Andaluz está ficando cada vez pior. Na
África estamos em luta contra o império sassânida e na Europa contra o sa-
cro Império Romano germano e o Império Bizantino. Os cristãos visigodos
e francos dia a dia estão tomando cidade a cidade em Andaluz. Até pouco
tempo, só havia o pequeno reino das Astúrias em Andaluz e agora já há o
reino de leão que está devorando as terras de Andaluz como fosse uma ze-
bra, e não para de crescer.
– Se não fosse a interferência da família abássida, nós já teríamos con-
quistado toda a Europa e a Ásia.
– A culpa de todas estas guerras na Europa, na África, no Oriente Médio
e na Ásia é dos imperadores romanos que iniciaram as guerras de conquistas
na Ásia, no Oriente Médio e na África. Foram eles os responsáveis pela cria-
ção do reino do ódio na Terra entre as nações.
– Como são tolos os seres humanos deste planeta. Se odeiam aos milhões
por causa dos erros dos seus governantes ao invés de odiarem os imperadores
romanos que criaram toda esta confusão entre as nações.
– Como é hilário o destino. O Império Romano era o maior império da
Terra e agora é um dos menores. Eram os romanos ricos e felizes às custas da
miséria e da infelicidade dos povos escravizados e agora estão ficando cada
vez mais pobres e infelizes.
– Esta história do Império Romano é Alá dizendo à humanidade que o
mal que se faz aos demais terá que passar pelo mesmo mal, pois esta é a lei
do carma, da qual nem eu escapo. Andaluz é uma ponte entre o Império
Abássida e o sacro Império Romano germano e como toda ponte, seu obje-
tivo é unir os dois lados do mesmo rio e fazer as pazes com os abássidas e os
germanos.
– Como faremos isto?
– Uniremos os árabes e os germanos em um grande império tão nume-
roso que conquistaremos sem guerras todo o planeta Terra.
– Os árabes e os germanos são egoístas e ignorantes demais para aceitar
tal acordo de paz.

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Em 912, morre em Córdova o emir Abdallah ibn Muhammad e nasce
na fazenda de Heloísa e Leonardo em Toledo, o filhote de um de seus cava-
los. Heloísa diz a Leonardo:
– Hoje é esta égua que está parindo o seu bebê e em breve a próxima a
dar à luz serei eu.
– Sua barriga está tão bela quanto a lua cheia no céu. É questão de al-
guns dias para você dar à luz.
– Darei a luz em Andaluz, aquele que andará na luz e no caminho
dos justos.
– Justos são aqueles que defendem os direitos e a igualdade de todos os
seres humanos perante as leis dos estados que os controlam e ao mesmo tem-
po os protegem. Injustos são aqueles que tentam privar os seres humanos des-
tes direitos. Todos os julgamentos nos tribunais deste planeta Terra são ilu-
sões da mente de Deus tentando convencê-lo a se julgar e se punir na Terra
para julgar e punir os deuses no céu. É difícil controlar uma mente huma-
na que é infinitamente pequena se comparada com a vastidão do universo.
O que dizer então de controlar a mente de um Deus? E controlar a mente
de um Deus no céu é o que os seres humanos na escuridão da ignorância da
ilusão estão tentando fazer perseguindo, julgando e punindo judeus, muçul-
manos e cristãos por causa de fé e religião. Não é conquistando o mundo in-
teiro por meio da violência que os árabes mudarão a fé de todos os seres hu-
manos neste planeta Terra.
– É direito dos seres humanos seguirem a religião que quiserem ou não
seguir religião alguma. Se este direito fosse respeitado por todos os seres hu-
manos não haveria mais guerras por causa de religião. Não é por meio da
violência que os líderes políticos, religiosos e militares devem mudar a fé de
alguém, mas por meio da livre escolha. Não importa se os seres humanos
são religiosos ou não, Deus não os abandonará e nem deixará de lhes amar.
O que importa aos seres humanos é aprender a respeitar as leis justas e sen-
satas dos Estados e os seres humanos, independentemente de cor, classe so-
cial ou credo religioso.
– E a situação dos judeus em Andaluz?

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– Está igualzinha à do sacro Império Romano germano, no Império Bi-
zantino e no Império Abássida. Continuam sendo tratados com desigualda-
de perante as leis dos Estados em que se encontram. No começo da invasão,
a Hispânia Romana visigoda, os judeus viram a chegada dos árabes como li-
bertadores dos abusos das leis criadas pelos reis cristãos. Mas depois de con-
tinuarem sendo marginalizados perante as leis dos árabes, viram que os ára-
bes não mudaram suas consciências em nada.
– Queria ser eu o emir de Córdova para decretar a igualdade em direi-
tos e deveres perante as leis aos judeus, muçulmanos e cristãos. Infelizmen-
te sou um simples criador de vacas e por essa razão nada posso fazer pelos
árabes, judeus e cristãos a não ser lhes vender por um preço justo, manteiga,
queijo, coalhada, doce e leite para que fiquem fortes, saudáveis, tenham bons
pensamentos e sejam felizes tanto na morte quanto na vida.– Deus compar-
tilha toda a nossa alegria e o nosso sofrimento, pois também vive encarnado
dentro de um corpo de carne e osso mortal.
Em 913, Abderramão III, emir de Córdova, liderou seus soldados em di-
reção à Andaluzia Oriental para sufocar uma rebelião de judeus e cristãos e
recuperar numerosos castelos em Monteleón. Enquanto isto em Toledo, Le-
onardo disse à Heloísa:
– Nós, árabes, estamos tendo muita dificuldade em controlar o compor-
tamento não-civilizado dos judeus e vocês cristãos.
– Rebeliões e revoltas de cristãos e judeus contra a ocupação muçulma-
na é sinal de insatisfação popular. Se os judeus e os cristãos pagassem im-
postos iguais aos árabes e pudessem ocupar cargos públicos, não estariam se
revoltando. Justiça é dar a cada um aquilo que é seu e de direito. Nós, cris-
tãos, e os judeus devemos ter os mesmos direitos que vocês muçulmanos.
– Você odeia árabes?
– Odeio não. Não é culpa de todos os árabes a semiescravidão que os ju-
deus e cristãos estão passando com a ocupação muçulmana, mas dos seus go-
vernantes que os governam por meio de mão ferro, do medo e de um gran-
de exército.
– Seria maravilhoso viver em uma sociedade sem exércitos, não seria?

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– Seria. Mas sem ele faríamos nossas próprias leis e nos mataríamos mu-
tuamente todos os dias até não haver mais nenhum ser humano vivendo nes-
te planeta. A existência de um só exército é um instrumento jurídico e mi-
litar do Estado necessário para evitar que os seres humanos se matem entre
si. A ignorância acerca de si mesmo e de Deus cria fronteiras e obstáculos à
convivência pacífica e harmoniosa entre os povos e as famílias. Todos os se-
res humanos são membros de uma mesma família cujo pai e a mãe é este
planeta que é tão belo e poderoso e que atrai com a sua beleza e poder, al-
mas de todas as partes do universo.
– Não sei quanto aos povos de outros planetas, mas neste em que vive-
mos, 99% são retardados e doentes mentais devido à falta de comida na in-
fância e de conhecimento verdadeiro na fase adulta e na velhice e é por ser
assim a política humana que os seres humanos se tornam cegos, egoístas, in-
sensíveis, ambiciosos, arrogantes, grosseiros, intolerantes, irreligiosos, menti-
rosos, traiçoeiros, sádicos, loucos e iludidos a tal ponto de esquecerem o que
são, o que é Deus, onde estão e a quem tudo o que existe neste planeta per-
tence. Quando se lembrarem destas pequenas verdades, que os governantes
tentam esconder sobre Deus, sobre eles e nós mesmos, não haverá mais ne-
cessidade de muitos idiomas, moedas, leis, religiões, deuses, reinos e exérci-
tos diferentes, mas uma sociedade humana civilizada e avançada em conhe-
cimento científico e espiritual.
Nos anos seguintes, o exército árabe do emir Abderramão III tomou Se-
vilha. Assim que Heloísa soube da notícia, ela disse a Leonardo:
– Ainda bem que eu não estava lá. Os árabes conquistaram Sevilha pela
força das armas e você me conquistou pela força do amor. Como os cristãos
expulsando os árabes do reino de Leão, assim foi você expulsando toda a tris-
teza que havia dentro do meu coração.
Em 920, na batalha de Valdejunquera, o exército do emir Abderramão III
derrotou os exércitos dos reis Ordonho II de Leão e Sancho Garcês I de Na-
varra. Em Toledo, Heloísa disse a Leonardo:
– Meu amor, estou sendo destratada em Toledo por todos os cristãos e
árabes porque me casei com um muçulmano.

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– E eu pelos muçulmanos por ter casado com uma cristã. Perdoa e
os abençoa, pois estão nos ensinando a perdoar e desenvolver mais amor
por Deus.
– Claro que perdoo. Pois o Deus que amo vive dentro de seus corações
e não odiarei o Deus que amo só por causa das indelicadezas dos cristãos e
dos muçulmanos.
– Só há um casal no emirado de Córdova mais odiado pelos muçulma-
nos e cristãos que os judeus.
– E quem são?
– Sou eu e você e tudo isto por causa do amor que sentimos um
pelo outro.
– Somos odiados pelos cristãos, pelos judeus e pelos muçulmanos por
causa das nossas religiões e de nossos deuses, no entanto não mentimos, não
roubamos, exploramos, oprimimos, agredimos, não matamos e nem deseja-
mos nenhum mal a eles.
– No futuro, estes cristãos, muçulmanos e judeus que nos odeiam por
causa de nosso amor um dia nascerão como um árabe e um judeu, se ama-
rão e sofrerão muita perseguição dos judeus, muçulmanos e cristãos por cau-
sa de amor, religião, Deus e união.
– Espero que nunca passem por isto, pois é horrível, mas para vi-
ver feliz ao seu lado, eu enfrento qualquer preconceito e qualquer
obstáculo.
– Você enfrenta qualquer obstáculo nesta vida para viver comigo porque
você sabe e você sente o quanto você é importante para mim e o quanto eu
amo você. É exagerado o amor que sinto por você porque ele está acima de
qualquer medida e limite. Não sei explicar a intensidade do amor que sinto
por você em minha mente, em meu coração e minha alma, mas sei que tal
amor está acima do meu controle sobre mim mesmo, pois o amor controla
a minha vida e me faz feliz todos os dias. Conheci muitas garotas belas, ricas
e educadas antes de conhecer você, mas nenhuma fez meu coração, minha
mente e minha alma criar tanta alegria quanto eu sinto quando estou em
tua companhia. Talvez você não entenda o que eu quero dizer, mas é fácil
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entender que não há neste mundo e neste universo alguém que te ame tanto
quanto eu te amo e que só em sua presença eu sou capaz de experimentar o
que de mais belo neste universo e planeta Deus criou, que é o amor verda-
deiro, que está acima do dinheiro e do próprio eu. Ninguém neste planeta
foi capaz de criar dentro de meu coração o amor por Deus que você criou.
Eu sinto tanto a sua falta quando não estou com você. Só em sua presença
eu experimento a paz verdadeira que não é diferente da felicidade, mas é a
união com Deus, com tudo o que existe e com você. Eu te amo tanto que
quando bebo álcool eu me lembro de você ao meu lado e neste momento
eu choro de saudade por você não estar ao meu lado. Ó minha amada Helo-
ísa, você é para mim o que o céu é para os cristãos, os judeus, os budistas e os
muçulmanos. Não existe para mim lugar algum na criação de Deus em que
eu possa ser feliz se não estiver em equilíbrio, harmonia e amor com você.
Deus é a realidade e a irrealidade e você é o meu Deus, a minha realidade e
a minha irrealidade, o meu amor e a minha saudade. O meu amor por você
diminui o meu sofrimento e a saudade de você aumenta o meu sofrimento.
De todos os teus amigos, eu sou o teu melhor amigo. De todos aqueles que
te amam, eu sou o que mais te ama. Sinto vontade de viver quando estou
com você e vontade de morrer quando não estou. Nunca senti nada igual
ao que sinto por você, que está acima do amor próprio, de mãe, de pai, de ir-
mão, de filho, de amigo, nação e Deus. Deus é infinito para os crentes, mas
é finito se comparado à imensidão do amor que eu sinto por você em minha
mente, minha alma e meu coração. Minhas palavras podem não ser as mais
belas já criadas pela humanidade, mas são as mais sinceras que já vieram do
fundo de um coração e de uma alma.
– Eu entendo o que você quer dizer, pois o que sente por mim não é di-
ferente do que sinto por você, como não é diferente uma estrela da outra. Os
seres humanos não entendem, não compreendem e nem conseguem defi-
nir o que é amor, pois devido ao ódio milenar entre as nações, eles esquece-
ram como é simples e fácil amar a Deus e os demais como a si mesmo, pois
cada ser, independentemente da nação, da cor e do credo religioso é um
mesmo ser que parece imenso, mas na realidade é tão pequeno que nem
parece real. Também não parece ser real o amor e a felicidade que sinto em

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minha mente, meu coração e minha alma por você, pois antes de conhecê-
-lo eu nunca havia experimentado nada igual.
– Deus é silencioso para quem é surdo e barulhento para quem escuta.
E é difícil para mim dizer quem ama mais, se sou ou se é você.
– Que bom que você me ama. Assim tenho certeza que você ama Deus
e que eu posso confiar em você.
– Não estamos aqui neste planeta por acaso. Estamos aqui por causa dos
apelos da humanidade por paz. Deus nos enviou a este planeta para ensinar
a verdade sobre ele e fazer dele uma só nação. A este objetivo de paz eter-
na neste planeta eu sou fiel, como sou fiel e serei fiel a você em todas pró-
ximas encarnações.
Em 16 de janeiro de 929, Abderramão III, já considerado emir de Al-An-
daluz, decretou a morte do emirado de Córdova e o nascimento do califado
de Córdova, sendo ele o califa ou chefe do poder executivo, legislativo, ju-
diciário e religioso de Al-Andaluz. Assim que a notícia chegou a Toledo, Le-
onardo disse à Heloísa:
– Oi, mais bela das mulheres cristãs da Europa, da Ásia e da África. O
emirado de Córdova agora é o Califado de Córdova e o emir de Córdova
agora é o Califa de Córdova.
– Mudou o nome da região ocupada e do cargo de ocupador, mas não
mudou a maneira injusta de governar os povos conquistados por meio da de-
sigualdade, do medo, do ódio e da violência.
– A maneira injusta e autoritária de governarem os povos da Terra só vai
mudar da água para o vinho quando eles mudarem suas consciências de in-
feriores para superiores, de baixas para altas. Para isto, necessitam os gover-
nantes de conhecimento e sabedoria, mas os infelizes não querem ler, só
querem é saber de festas, guerras, dinheiro e putaria.
Em 928, Abderramão III, ocupou a fortificação de Bobasto e acabou
para sempre com as agitações políticas, econômicas, militares e sociais de
Omar Ibn Hafsun, último foco de agitação e sublevação contra o domínio
muçulmano em Andaluz. Assim que a notícia chegou a Toledo, Leonardo
disse à Heloísa:
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– Heloísa meu amor, lamento lhe dizer, mas acabou em Al-Andaluz a
pretensão dos cristãos de criarem um reino independente de Andaluz.
– O alcorão é um código de leis religiosas e morais que condenam, como
o cristianismo e o judaísmo, o furto, o roubo e o assassinato. No entanto, teu
povo parece não levar isto a sério.
– Em uma guerra não existem regras e nem códigos de leis de conduta
moral, pois todas as guerras, sejam internas ou entre Estados, são imorais e
onde há imoralidade não há direito, não há justiça, mas apenas crimes e au-
sência de paz.
– A única guerra que os seres humanos deveriam travar é a guerra con-
tra os pensamentos negativos dentro de suas mentes, que foram criadas para
gerar luz e bons pensamentos. Mas nesta era de escuridão a maioria dos se-
res humanos não sabe o que são e nem onde estão, de onde vieram e para
onde irão e não sabem utilizar as palavras para dar alegria aos corações hu-
manos, pois veem Deus em um lugar muito distante e não em todo lugar e
dentro do seu coração. Ó meu amor, o que quero dizer com isto tudo é que
eu te amo tanto que sou incapaz com números inteiros, naturais, racionais e
irracionais medir a extensão, o peso e o tamanho do amor que está além de
qualquer medida ou pesagem. Deus é maravilhoso, pois se não fosse, ele ja-
mais permitiria sentir dentro de minha mente, coração e alma, tamanho e
pesado amor por você.
– Tuas palavras bonitas encantam a minha mente, alegram meu cora-
ção e trazem paz à minha alma. De todas as coisas que me arrependo nesta
vida, a maior de todas é não ter deixado Sevilha antes para viver com você
em Toledo.
– De todas as cidades do planeta Terra, a que mais amo é Toledo, pois
foi nela que conheci e me apaixonei por você. De tal paixão nasceu o amor
que sinto por você em minha mente, coração e alma que se desenvolve jun-
to com o tempo, graças a Toledo. Toledo bondoso, a você ofereço os meus
respeitos, por ter desenvolvido tamanho amor por esta moça linda de Sevi-
lha que depende de teu ar para viver e criar mais amor por Deus em minha
mente, em meu coração e em minha alma.

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Em 933, o exército do emir Omiada Abderramão III, marchou em di-
reção à Toledo. Na maior e mais bela igreja no alto de Toledo, Heloísa dis-
se a Leonardo:
– O que é aquilo?
– É o exército do emir Abderramão III.
– O que eles querem aqui?
– Acabar com o que resta do movimento judeu cristão antimuçulma-
no em Andaluz.
– Haverá guerra em Toledo.
– Sim. Lá vai a cavalaria do exército de rebeldes cristãos em direção ao
exército muçulmano. Vamos sentar aqui e ver a batalha?
– Vamos. Quem você acha que vai vencer?
– Os muçulmanos, e você?
– Os cristãos.
– Toledo está parecendo o coliseu romano de Roma. Começou a luta
de gladiadores.
Após a batalha, o último foco de resistência contra o domínio autoritá-
rio e injusto muçulmano em Al-Andaluz foi sufocado e enforcado diante de
milhares de testemunhas para servir de exemplo ao demais, que se não res-
peitassem as leis dos árabes iam entrar na espada. Em 939, o rei cristão Ra-
miro III do reino de Leão uniu seu exército ao exército do rei de Navarra
Sancho II e do rei de Aragão Garcia Sanches I e numa só coligação marcha-
ram com cavaleiros e a pé em direção à Simancas (Espanha) no Califado de
Córdova em Al-Andaluz.
Em Simancas, os reis dos reinos cristãos germanos criados a partir do rei-
no da Astúrias se encontraram com o exército de 100 mil árabes bem arma-
dos do califa de Al-Andaluz, Abderramão III. Enquanto isto em Toledo, Le-
onardo disse à Heloísa:
– O exército de 100 mil soldados árabes do Califa de Córdova que saiu
daqui de Toledo a uma hora dessas já deve ter se encontrado com os exérci-
tos dos reis cristãos que invadiram o califado de Córdova.
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– Meu Deus do céu. Andaluz está um verdadeiro matadouro de seres
humanos.
– Aqui mesmo em Andaluz já houve muitas batalhas de exércitos con-
tando 100 mil soldados e aqueles que morreram em batalha voltaram a este
lugar amaldiçoado para se vingar.
– A Península Ibérica é amaldiçoada porque é muito bela e a beleza dela
cria inveja na mente, no coração e na alma de quem nela caminha. A inve-
ja nasce assim. O visitante vê com seus olhos a Península Ibérica. A mente
dele se apaixona por ela. A paixão cria o amor pela Península Ibérica em seu
coração e o amor a felicidade em sua alma. Da felicidade da alma pela ter-
ra, nasce a cobiça, o ciúme, a raiva, o egoísmo, a ambição e a cegueira da es-
curidão da ignorância da ilusão que enlouquece o ser humano, aí então ele
cria o senso de possessão em sua mente e esquece que a Península Ibérica
pertence a Deus e à toda a humanidade e por esquecerem isto, os seres hu-
manos ficam se matando entre si como os animais.
– Há 450 mil anos, este planeta Terra pertenceu aos deuses annunakis e
aos seres humanos, mas depois que os deuses annunakis deixaram este pla-
neta, os seres humanos esqueceram tudo o que eles haviam ensinado de im-
portante e passaram a lutar por cada centímetro de terra, apesar de haver
água e alimentos em abundância para todos neste bondoso planeta que to-
dos os dias enche meus pulmões de ar e meu coração de mais amor por você.
Após a derrota para os exércitos dos reis cristãos, o emir Abderramão III,
montado em um cavalo disse a um soldado árabe:
– Só perdemos esta batalha por causa da traição dos nobres árabes e dos
meus soldados.
Em 15 de outubro de 961, morre o emir Abderramão III. Assim que a no-
tícia chegou a Toledo, Leonardo disse à Heloísa:
– O emir Abderramão III morreu ontem.
– Pena que não tenha morrido com ele o poder ditatorial dos Omíada.
Eles estão tratando cristãos e os judeus como os romanos da antiga Judeia
romana tratavam os judeus e os árabes que viviam lá. Isto faz 1000 anos, mas
ainda está vivo o ódio de séculos de humilhações, pois os árabes estão dando
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de volta aos europeus o presente dado séculos atrás para aprenderem a res-
peitar a soberania dos estados árabes, berço da criação da humanidade de
onde partiram todos os seres humanos para colonizar o planeta Terra intei-
ro. Viemos todos de uma mesma mãe e um mesmo pai. Não eram Adão e
Eva, mas a primeira mulher e o primeiro homem criados pelos deuses an-
nunakis. Todos nós temos o mesmo sangue que o nosso pai e a nossa mãe,
criados pelos deuses annunakis. No entanto, devido à ignorância, os seres
humanos derramam o sangue de seus pais e de seus irmãos e ainda come-
moram quando fazem esta coisa horrível e abominável.
– Na escuridão o que é horrível é abominável é belo e divino para os se-
res humanos.
O filho do emir Abderramão III, Aláqueme II, novo emir de Córdo-
va, fez as pazes com os reinos cristãos ao norte da Península Ibérica e esta-
beleceu novos limites de fronteiras com eles. Sabiamente, o culto e estu-
dioso Aláqueme II aproveitou a trégua para desenvolver a agricultura por
meio da construção de imensos sistemas de irrigação, alargar ruas, construir
mercados e comprar mais livros em Damasco, Bagdá, Constantinopla, Cai-
ro, Meca, Medina, Kufa e Basra. Enquanto isto em Toledo, Leonardo dis-
se à Heloísa:
– Dizem que o novo emir gosta de ler e que possui uma biblioteca com
600 mil volumes e um catálogo de 44 volumes.
– Em termos de conhecimentos, nós cristãos da Península Ibérica temos
muito a agradecer aos árabes, pois antes da chegada de vocês, ninguém na
Península Ibérica sabia fazer papel. Graças ao papel e o conhecimento árabe
no ramo da Medicina, da Geografia, da Astronomia, da Navegação e da Ma-
temática, estamos saindo da escuridão e vendo um novo mundo que nem
imaginávamos que existia.
– As ciências são outras religiões criadas pelos governantes dos Estados
para controlar os ateus como as religiões controlam os crentes em Deus.
– Por que você chama as ciências ateístas de religiões dos Estados?
– Por que todas elas só falam de Deus nos seus mínimos detalhes, mas
na escuridão os cientistas não podem ver isto.

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Em 974, o exército árabe do emir Aláqueme II impôs a sua supremacia
militar e política sobre os estados monárquicos de Leão, Navarra e Aragão
e derrotou no Marrocos no norte da África os exércitos dos árabes ziridas e
dos fatímidas. Enquanto isto, os velhos Leonardo e Heloísa caminhavam de
braços dados pelas ruas de Sevilha quando passaram de mãos dadas e ves-
tidos de mulher e homem dois homossexuais embriagados. Heloísa disse a
Leonardo:
– O que leva um homem a ter uma relação homoafetiva?
– Os desejos trazidos de outras vidas. Certamente aqueles dois ali eram
prostitutas em vidas passadas que nem mesmo o nascimento no corpo de um
homem foi capaz de apagar o desejo que suas almas sentem pelos homens.
– As lésbicas eram homens que amavam mulheres?
– Eram.
– Então não é possessão demoníaca?
– É não.
– É verdade que o emir Aláqueme II tem um harém cheio de rapazes
adolescentes?
– É. Na escuridão, os seres humanos homens veem as mulheres como
sendo homens e as mulheres veem os homens como sendo mulheres. Mas
na luz, os homens e as mulheres não veem os homens como mulheres e nem
as mulheres como homens, mas como espíritos, almas ou anjos tão iguais en-
tre si quanto as estrelas no firmamento do céu negro deste universo.
– É verdade que o imperador romano Adriano, que mandou destruir Je-
rusalém, e o imperador grego Alexandre o Grande, que mandou incendiar
Persepólis, apreciavam mais os homens que as mulheres?
– É. Talvez você não concorde com o que eu vou lhe dizer, mas o amor
entre pessoas do mesmo sexo é amor entre corpos e almas e por ser amor en-
tre almas é amor do Criador. Por ser amor divino entre espíritos deve ser vis-
to o amor entre mulheres e entre homens como algo tão normal quanto o
amor de um homem e uma mulher, pois apesar de terem direito à liberda-
de, têm também a paz, ao amor e a felicidade.

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– Fazia anos que eu não visitava Sevilha. Ela está completamente dife-
rente desde a última vez que a vi.
– Como Sevilha que mudou da semente para flor, Sevilha também mu-
dou por você o meu amor, que como o sol, não para de brilhar e crescer.
– Você me ama mais hoje que estou velha e feia do que ontem quando
eu era jovem e bela?
– Como era jovem e belo o teu corpo no passado assim será para sempre
e eternamente a tua alma no futuro.
– Graças ao amor que sentimos um pelo outro, unimos nossas almas,
nossos corpos, nossas fés, nossas religiões e nossos deuses em uma só alma,
um só corpo, uma só fé, uma só religião e um só Deus. Com isto conquista-
mos a paz e a felicidade em nossas mentes e nossas almas. Os árabes e os cris-
tãos também alcançariam a paz e a felicidade se amassem como nos ama-
mos, com amor e fidelidade.
Em 975 morreu o velho e sábio Leonardo. A velha e sábia Heloísa de co-
ração partido mandou cremar seu corpo. Juntou as cinzas. Guardou dentro
de um pequeno coração de ouro. Colocou o coração em um colar e o colar
em seu pescoço. Ela então disse ao colar de ouro:
– Lindo coração de ouro que ganhei de presente do meu amor. Em bre-
ve as cinzas de meu corpo serão guardadas junto às cinzas do meu amor, que
em meu coração repousa em paz e comigo irá aonde quer que eu vá.
Em 976, morreu a velha e bondosa Heloísa. Sua alma encontrou-se com
a alma de Leonardo e juntos assistiram seu corpo ser cremado e suas cinzas
guardadas dentro do coração de ouro que a filha de Heloísa e Leonardo usou
em seu pescoço elegante e seu coração cheio de amor por Deus. Leonardo
e Heloísa se despediram da filha e partiram dali na companhia de seus guias
de luz em direção à fonte criativa de tudo o que existe, que é a alma brilhan-
te de Deus e 3 dias depois, em alegria, retornaram ao planeta Terra desta vez
em Córdova, península de Al-Andaluz.

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CAPÍTULO XI

O CALIFADO DE CÓRDOVA E
O INÍCIO DAS CRUZADAS

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E
m 1006, próximo à janela da grande mesquita de Córdo-
va, um jovem árabe de 20 anos chamado Almir (Leonardo) orava a
Alá por paz entre os muçulmanos, judeus e cristãos na Terra. Em
meio aos outros árabes, seu rosto começou a brilhar de felicidade. A moça,
obra de arte ao lado, Samira (Heloísa) viu a luz saindo do rosto do Almir en-
quanto ele orava de olhos fechados e com um sorriso levemente nos lábios
de cereja, Samira disse a Almir:
– Seu rosto está brilhando. Como você consegue fazer isto?
– Amando a Deus e orando por paz entre todos os povos.
– Ore porque o Criador escutou a sua oração e a paz que você enviou aos
povos deste planeta residirá para sempre em teu coração. Deus tem muitos
ouvidos e dentre estes muitos ouvidos estão os meus e os teus.
– Suas orelhas são muito bonitas e possuem traços perfeitos. Para serem
tão bonitas é porque foram feitas por um grande artista que tem muitas ore-
lhas, muitos nomes e que todos os religiosos conhecem como sendo Deus,
aquele cuja mente repousa todo o universo.
Um velho muçulmano meio careca e caolho disse a eles:
– Ei vocês dois. Estão atrapalhando as orações sagradas a Alá. Vão con-
versar em outro lugar.
Almir se levantou, segurou a mão de Samira e a ajudou a se levantar.
Enquanto caminhavam de mãos dadas pela mesquita de Córdova, ele disse:
– Fiquei cego de amor com a beleza de seu rosto. Acredito que não haja
no mundo inteiro uma mulher árabe com um rosto mais belo que o teu.
Fora da mesquita de Córdova, os dois se abraçaram, se beijaram, fecha-
ram os olhos e sonharam acordados com as lembranças agradáveis de suas
vidas passadas. Em 1009, Maomé II al-Madi liderou uma revolta popular e

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uma guerra civil que depôs o califa Hixam II e o fez por vontade popular o
novo califa de Córdova. Enquanto isto, Almir pôs uma flor rosa na orelha
de Samira e lhe disse:
– Ó mais bela de todas as mulheres árabes do planeta Terra. Sempre que
olho para o seu rosto, ele parece florescer como uma flor tanto de dia como
de noite. Como encanta minha mente, meu coração e minha alma, a bele-
za da lua cheia também encanta a minha mente, o meu coração e a minha
alma a beleza do seu cabelo preto tão belo, macio e brilhante como uma
seda negra. Ó meu amor de rosto de flor, seu rosto parece o nascer do sol du-
rante o dia e o pôr do sol durante a noite.
Em 1013, os soldados árabes berberes do Marrocos no norte da África
atravessaram em barcos o estreito de Gibraltar, desembarcaram em Majada,
atravessaram Sevilha, atacaram e saquearam Córdova. Após o saque, Almir
disse à Samira em Córdova:
– Nunca vi Córdova tão bonita quanto agora.
– Nem eu. Quanta destruição. Quantos mortos. Estou me sentindo
como se estivesse vivendo dentro de uma história de terror.
– Já ouviu falar da arte morta?
– Já. Eis ela aqui diante de nossos olhos e ao nosso redor.
– Eis ali também o cadáver do califa Maomé II al-Madi.
– Em uma revolta popular, o califa Maomé II al-Madi motivou a morte
de muitos árabes e numa revolta de árabes berberes perdeu a vida.
– O carma dele foi imediato. Devido a isto não sofrerá na próxima vida
o mal que cometeu nesta passada.
Em 1 de julho de 1016, um enorme exército berbere, liderado pelo go-
vernador hamúdida de Ceuta, Ali ibn Hammud al-Nasir invadiu e conquistou
Córdova e foi aclamado pela população de Córdova como o novo Califa de
Córdova da dinastia Hamúdidas. Enquanto o exército berbere marchava por
Córdova, Almir disse à Samira:
– Parece que este é o fim da dinastia da família dos Omiada.
– Eu acho que não.

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Em 22 de março de 1018, aproveitando da insatisfação popular do povo
de Córdova com o governo despótico do califa berbere Ali ibn Hammud al-
-Nasir, um descendente da família Omíada chamado Abderramão IV reivin-
dicou o Califado de Córdova. Houve guerra entre os dois e o califa berbe-
re da dinastia Hamúdidas foi assassinado. Em Córdova, Almir disse à Samira:
– Aqui em Al-Andaluz é igual ao antigo Império Romano em que os go-
vernantes das monarquias reinam menos tempo que os presidentes das Re-
públicas.
Em 1030, em Córdova, capital da Península Árabe de Al-Andaluz, um
grupo de velhos eruditos muçulmanos se encontraram na grande mesqui-
ta de Córdova para uma reunião. O líder da reunião, Omar Abdala, disse
aos músicos:
– Músicos. Parem a música, por favor. Obrigado. Cavalheiros. Boa noi-
te. Que bom que todos vieram a esta importante reunião sobre as questões
da política nacional e internacional do califado de Córdova. Como todos sa-
bem, ao norte do califado de Córdova estão os reinos cristãos de Leão, Cas-
tela e Navarra. Ao leste o sacro Império Romano germano. Ao sul o califado
de Fatímida. Como um rebanho de ovelhas cercados por lobos, assim so-
mos nós aqui na Península de Al-Andaluz. Em 100 anos de governo da di-
nastia dos Omiada fizemos de Córdova uma das cidades mais importantes e
ricas do continente europeu que rivalizam em esplendor e beleza com Ra-
vena e Constantinopla. Em Córdova criamos 70 bibliotecas com 900.000
volumes de ciência. Fundamos uma universidade de Medicina. Submete-
mos os reinos de Leão, Castela e Navarra à cobrança de impostos. Muitas
guerras travamos com os reinos cristãos de Castela, Navarra e Aragão, com
as rebeliões internas dos colonos cristãos e judeus e as guerras contra o cali-
fado de Fatímida da África. O que quero dizer com tudo isto é que as guer-
ras com os vizinhos faliu nosso tesouro adquirido em exportações para os
bizantinos e outras partes da África e da Europa. Só nos resta duas alterna-
tivas: continuar lutando até a morte ou voltar para a Arábia Saudita e mor-
rer da mesma forma.

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– Há 300 anos que nós, árabes, chegamos à Península de Al-Andaluz e
pelo instituto jurídico da usucapião dos romanos, as terras de Al-Andaluz é
nossa por direito. Os reinos cristãos não têm o direito de nos roubar as terras
que ganhamos legalmente. Se fugirmos, os cristãos dirão que somos covar-
des por toda a posteridade da história da humanidade, portanto devemos fi-
car e lutar.
Assim que a reunião terminou, Almir disse à Samira :
– Os cristãos não querem andar com turbantes nas cabeças e nem rezar
de joelhos e testas no chão para Alá.
– É direito deles andar e rezar da maneira que quiserem.
Em 1031, o último califa de Córdova da dinastia Omiada, Hisham III
foi deposto e foi proclamada a república em Córdova e eleito para chefe do
poder executivo da república, o xeique Abul Hazm Iauar Ibne Maomé. Abul
em sua nomeação disse aos nobres ministros do conselho de estado, aos ma-
gistrados, aos empresários e aos políticos árabes:
– Cavalheiros, estou muito feliz por terem me escolhido como o líder
de vocês neste grande período de instabilidade econômica, política, militar,
cultural, espiritual e social no antigo califado de Córdova cujos principados
muçulmanos de Almeria, Múrcia, Alpuente, Arcos, Badajoz, Carmona, De-
nia, Granada, Huelva, Morón, Silves, Toledo, Tortosa, Valência e Saragoça
se tornaram independentes com a morte do califado de Córdova.
Assim que a notícia da criação da república de Córdova foi adotada em
Al-Andaluz, Almir disse à Samira na biblioteca de Córdova:
– Querida Samira. Agora temos uma República em Córdova.
– Mudou a forma de governo de Córdova, mas não mudou a maneira
de poucos governarem muitos e enquanto for assim nenhum sistema de go-
verno dará certo no planeta Terra.
– Temos o direito de eleger um presidente.
– Mas não temos o direito de demitir.
– Temos direito à liberdade.

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– Mas não temos direito a participar diretamente das decisões dos nossos
governantes por meio do voto e nem criar leis.
– Mas é melhor a República que a monarquia, pois se a República se
espalhar para toda a Europa, os europeus cristãos se tornarão republicanos
e todos nós viveremos em paz uns com os outros novamente, como antiga-
mente, num tempo que a humanidade não mais se lembra, pois se lembras-
se, recordaria de como foi bom viver em paz consigo mesmo, com a nature-
za, com os demais, com o universo e com Deus.
– Vamos à universidade e à grande mesquita de Córdova?
– Vamos.
Almir e Samira saíram de mãos dadas da biblioteca de Córdova e en-
quanto caminhavam em direção à universidade de Córdova, ele disse a ela:
– Estamos caminhando de mãos dadas em pleno amor e plena paz, as-
sim deveriam andar a Europa e a Ásia.
– É necessário amor entre duas pessoas para que andem felizes e em
paz, amor também é necessário para Ásia e Europa andarem felizes e lado
a lado em paz.
Assim que chegaram à universidade de Córdova, Samira disse a Almir:
– Os árabes são ladrões, mas são mestres não apenas no saber, mas tam-
bém na arte de construir belos edifícios. Tais belas construções como esta
têm enriquecido muitos empresários, políticos, reis, sacerdotes e empobre-
cido muitos judeus, cristãos e árabes na Península Ibérica e em todo o im-
pério árabe. Tal império árabe, com esta política de enriquecer os ricos e
empobrecer os pobres, desabará como o teto podre de uma casa e morre-
rá sobre seus próprios escombros como desabou o Império Romano do oci-
dente diante de seu próprio esplendor artístico, cultural, militar, espiritual
e imperial. Antigamente as guerras na Europa eram entre politeísmo e mo-
noteísmo e agora é monoteísmo e ateísmo que significa a morte dos deuses,
diabos, demônios, inferno, anjos e de Deus. Tal movimento científico fará
com que os homens pensem de maneira lógica e racional e pensando de ma-
neira lógica e racional, os seres humanos deixarão de crer em mitologias e

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lendas, esquecerão Deus e o satanás e crerão que são mortais e desprovidos
de alma como um defunto.
– A humanidade é uma maravilha, com muitos crendo em vários deu-
ses e em um Deus e não crendo em nenhum Deus. Com certeza a huma-
nidade será ainda melhor no futuro, não é?
– É. Muito melhor. Com toda a humanidade pensando que é mor-
tal como pensam os filósofos gregos e os animais, maior será o amor pelo
materialismo e menor o respeito pelos direitos alheios, pois você sabe que
o respeito às leis justas, aos seres humanos justos e a Deus é sinônimo de
avanço espiritual. Quanto mais materialistas ficam as mentes e os corações
dos seres humanos fascinados pelo esplendor e poder que o feitiço do ouro
tem sobre as mentes dos outros, menos desenvolvidos espiritualmente fi-
cam suas almas, seus corações, suas mentes, seus sentidos, seus pensamen-
tos, suas consciências e suas ações. Quanto maior é o amor dos seres huma-
nos pelo Deus ouro e menor é o seu amor pelo Deus que como o mel da
flor preso entre as suas pétalas durante a noite vive preso dentro das men-
tes e dos corações dos seres humanos que fazem da beleza e do valor do
ouro a meta principal de suas vidas infelizes cheias de desgraças e sem gra-
ça. Nesta universidade, os professores ensinam aos seus alunos: você nas-
ceu, você está envelhecendo e você morrerá. O mesmo ensinamento en-
sina os animais aos seus filhotes.
– Em vez de universidade de Córdova, tal universidade deveria ser co-
nhecida como a universidade dos animais árabes com mestrado e doutorado.
São ridículas a cultura e a forma de pensar dos seres humanos, como ridícu-
la é a maneira de pensar dos animais. Todos os animais, sejam eles vegeta-
rianos ou carnívoros são todos assassinos natos. A alma de um ser humano
é tão grande e maravilhosa como grande e maravilhosa é a alma de um ele-
fante. Apesar de toda a força e peso que possui o elefante, ele se deixa apri-
sionar por cordas frágeis em relação a seu poder como o ser humano se dei-
xa escravizar pelas mentiras criadas por seus governantes que limitam o seu
poder e direito de viver livre e feliz como estes passarinhos que cantam ale-
gremente em Córdova acima de nós.

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– O vento alimenta o fogo e o canto dos pássaros alimenta o amor que
sinto por você.
– Puro como o fogo e a luz do fogo é a pureza do meu amor por você.
Puro como meu amor por você é a verdade sobre Deus e tais ciências ateias
têm por finalidade impedir os seres humanos de compreenderem a verda-
de sobre Deus e a si mesmos, para que não se amem e nem vivam em paz
com a humanidade. Esta universidade Córdova é um restaurante e cada ci-
ência ensinada uma refeição diferente. Nela quem entende de direito ára-
be nada entende de economia e administração de empresas. Quem entende
de história não entende de juros financeiros. Quem é formado em medici-
na não entende direito. Os que estudam aí serão os líderes dos cargos públi-
cos do Estado e da sociedade que giram em torno de leis e números com-
plexos. Sem governantes que não entendem todas as ciências nada poderão
fazer como líderes do povo para melhorar as leis e dar aos seus povos os di-
reitos que Deus lhes deu.
– Entendi o que você quis dizer. Agora vamos à mesquita de Córdova.
Assim que chegaram à mesquita de Córdova, Almir disse à Samira:
– Está vendo estes detalhes árabes talhados nas paredes da Mesquita de
Córdova?
– Estou.
– Todas elas estão dizendo eu amo você, minha querida, meu coração
e minha vida.
– Esta mesquita de Córdova com suas altas e belas muralhas é a mistu-
ra de uma igreja cristã com uma árabe.
Assim que entraram na mesquita árabe. Almir disse à Samira:
– Eu não posso falar de amor se não sentir o que é amor. Ninguém pode
falar de Deus se não sentir Deus. Por meio do amor que sinto por você pos-
so sentir Deus e a coragem equilibrar e controlar minha mente, meu cora-
ção e a minha alma.
– Como é que está a situação do império bizantino lá com os árabes?

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– Não está nada boa para os cristãos bizantinos, pois os árabes querem
conquistar a Europa também pelo leste europeu. Por causa das conquistas
do Império Romano no Oriente Médio, o ódio entre os bizantinos e os ára-
bes no oriente europeu é tão latente quanto o ódio entre os árabes e os cris-
tãos no ocidente europeu. Há séculos, tal ódio tem sido transmitido oralmen-
te de pai a filho, mãe a filha, geração a geração, vida após vida.
– Vamos sentar e rezar em paz e em silêncio.
Eles sentaram no tapete vermelho da mesquita de Córdova e Almir, de
olhos fechados, fixou seus pensamentos no fundo do seu coração e disse a Deus:
– Querido Deus, os cristãos, os judeus e os árabes estão à beira da ani-
quilação e do apocalipse cristão. Por favor, Alá, não deixe os cristãos, os ára-
bes e os judeus se odiarem e se matarem mais. Curai os que estão cegos de
ódio e limpai vossas mentes dos maus pensamentos. Dai sabedoria a todos,
Senhor, para que os seres humanos vivam em paz uns com os outros, por fa-
vor. Mudai da escuridão para a luz as consciências dos seres humanos, Se-
nhor. Como eu, que não odeio os cristãos, os árabes e os judeus, faça dos se-
res humanos seres civilizados como eu.
Enquanto isso, de olhos fechados, Samira dizia em pensamentos a Deus:
– Querido Deus. A maioria dos seres humanos deste planeta está como
este planeta: seco de amor e cheio de ódio. Fazei deste planeta um planeta
inteiramente verde e dos seres humanos incivilizados seres humanos civili-
zados que se amam, amam o Senhor e toda a humanidade. Faz das minhas
palavras o teu dever e traz a paz de volta à humanidade para que os seres hu-
manos voltem a serem felizes e voltem a lhe amar como naquele tempo que
a humanidade levava a sério a espiritualidade e a iluminação espiritual. Mos-
trai a todos, Senhor, a realidade para que não se iludam mais com ilusões e
vejam o quanto o Senhor é grande e nos ama. Deus, fazei, por favor, com
que os seres humanos te amem tanto quanto eu amo o Almir.
– Você está brilhando, Samira. É bom sentir o amor de Deus?
– É. Jamais eu teria obtido a iluminação se minha alma, meu coração e
mente não tivessem amado você. Vamos ver o sol se pondo entre as monta-
nhas de Córdova?

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– Vamos.
Assim que saíram da mesquita de Córdova, Almir disse à Samira:
– Eu nunca vi em toda a minha vida um pôr do sol tão belo como este
em que vejo em Córdova com você.
– Daqui a pouco a lua cheia estará sobre nossas cabeças.
– A lua cheia veio do mar para iluminar o céu de beleza e você veio do
céu para iluminar o meu coração de felicidade. Tendo seu amor, sinto-me
como se tivesse duas almas, dois corações, duas mentes, duas cabeças e qua-
tro braços. O sol faz nascer milhões de flores todos os dias neste planeta e
você faz nascer milhões de bons sentimentos em meu coração.
– Fale o que quiser, mas teu amor por mim nunca será maior do que o
meu amor por você. Grande é teu amor por mim como grande é a formiga
em relação ao céu da terra. Como as flores que lançam pólens no ar e criam
flores na terra sem parar, assim é meu coração lançando e criando pólens e
flores de amor em meu coração sem parar.
– Perto de você meus olhos brilham de felicidade, longe de você eles es-
curecem de infelicidade. Com você tudo é alegria. Sem você tudo é triste-
za. Está além da compreensão humana o amor puro que sinto por você em
meu coração. É tão puro o amor que sinto em minha mente e meu coração
que até mesmo o ar puro que vem das florestas e das montanhas de toda a
Terra gostaria de ser tão puro como puro meu amor por você é.
– Os romanos viviam em guerra com os germanos há séculos por causa
de ouro, diamante, rubi, pérola, ferro, bronze, terras, rios, montanha, praia,
ambição, poder sobre os outros, religião e cidades como os sumérios, os egíp-
cios e os gregos que viviam lutando entre si e outros povos vieram e os sub-
meteram à escravidão e ao seu poder, o mesmo aconteceu com a chegada
dos muçulmanos a Península Ibérica aqui na Europa. Os gregos viviam lu-
tando entre si e com a chegada do exército do Império Persa à Grécia, os gre-
gos se uniram para destruir o exército de Dario. O mesmo aconteceu com
a chegada dos germanos e os romanos e a chegada dos muçulmanos à Pe-
nínsula Ibérica. Como os romanos e os germanos, os gregos e os persas, os

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egípcios, os árabes que invadiram a Península Ibérica vivem lutando entre si
pelas terras que, ilegalmente e por violência, turbaram.
– Essa guerra dos árabes para conquistar a Europa vai ser uma guerra que
vai levar séculos para acabar, pois luta de séculos sempre é assim quando os
contendores são impérios governados por líderes cegos que não podem ver
Deus dentro de si mesmos e de todos os seres vivos. Se vissem poderiam ver
também o quanto eu te amo e é belo o meu amor por você.
Em 1043 em Córdova, Almir disse à Samira:
– Os reinos cristãos estão tomando ao norte as terras da Península de Al-
-Andaluz. O pequeno reino das Astúrias criou o reino de Leão, Castela, Na-
varra, Aibargoce, Barcelona e continuam fazendo pressão para nos expulsar
das terras da Europa.
– Estas guerras na Península de Al-Andaluz entre os muçulmanos e os cris-
tãos já vêm se arrastando há 332 anos. Há milhares de anos, os seres humanos
têm usado as religiões humanas para roubar, matar e escravizar outros seres
humanos em nome de Deus e do ouro. Por causa das maldades dos crentes ju-
deus, cristãos e muçulmanos, todos na Europa estão perdendo a fé em Deus e
se tornando ateus como os animais das águas, das terras e dos ares.
– Todas estas histórias de deuses na sociedade humana teve início há 450
mil anos com a chegada dos deuses annunakis que eram adorados pelos se-
res humanos como sendo deuses guerreiros. Devido a adoração a tais deuses
reptilianos, a consciência humana não evoluiu espiritualmente, como não
evolui fisicamente uma semente jogada sobre as areias quentes dos desertos
da Arábia Saudita e do Egito.
Em 1061, Almir e Samira deixaram a península muçulmana cristã ju-
daica de barco pelo mar Mediterrâneo em direção ao Oriente Médio. Assim
que anoiteceu e as estrelas e a lua cheia apareceram no céu negro do uni-
verso, Samira disse a Almir:
– Como é lindo e encantador este planeta.
– Seria ainda mais lindo e encantador se não houvesse mais fronteira e
nem guerras por causa de religiões, deuses e terras.

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Em 1070 tem fim a república de Córdova. Em Córdova, Almir disse
à Samira:
– Chegou ao fim a República e da taifa de Córdova que agora faz par-
te da taifa de Sevilha.
– Melhor Córdova ser taifa de Sevilha do que dos reinos cristãos de Na-
varra e Leão. Os reinos cristãos estão com tanto ódio de nós árabes que es-
tão descontando todo o ódio que sentem de nós nos pobres judeus em toda
a Europa, por causa do apoio que deram a nos árabes na invasão da Penín-
sula Ibérica há 300 anos.
– A religião dos cristãos fala de amor e perdão, no entanto os cristãos não
aprendem a perdoar os seus erros e nem os dos judeus.
– Os cristãos pensam que por que seguem Jesus Cristo são santos e por
serem santos acham que têm mais direitos que os demais seres humanos de
religiões diferentes.
Em 27 de janeiro de 1095 no Concílio de Clemont-Ferrand, o papa da
igreja católica de Roma na França Urbano II disse a milhares de cristãos
francos germanos ali reunidos:
– Queridos irmãos. Queridas irmãs. Precisamos libertar os cristãos que
estão presos pelos turcos seljúcidas na Palestina e na Turquia. Precisamos ur-
gentemente liberar o caminho de peregrinação à Terra Santa (Jerusalém)
bloqueado pelos turcos seljúcidas. Precisamos evitar que os turcos conquistem
toda a Europa e para esta razão apelo a todos os cristãos que se unam em ar-
mas e libertem Jerusalém do controle dos árabes turcos. Aquele que morrer
em batalha com os inferis turcos muçulmanos terá a remissão de todos os
pecados e as minhas bênçãos.
Os cristãos do império franco e germano foram solidários com o apelo
do papa Urbano II e passaram a roubar os bens dos judeus e a matá-los na
Renânia (Alemanha), Spier (Países Baixos), Colônia, Trier, Metz, Praga, Ra-
tisbona, Worms, França, Inglaterra e outras cidades de países da Europa por
serem os responsáveis pela crucificação de Jesus Cristo, por não aceitarem
Jesus Cristo como seu salvador e para financiar as guerras de reconquista no
Oriente Médio.

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Em abril de 1096, 5 mil cavaleiros cruzados liderados pelo monge Pe-
dro eremita, chegaram à Constantinopla famintos e lá roubaram e entraram
em conflito com a população local que mataram 150 cavaleiros cristãos cru-
zados. Mesmo assim, o imperador bizantino Aleixo I Comneno, recebeu os
cruzados cristãos em Constantinopla de braços abertos. Mesmo assim os
cristãos cruzados continuaram a roubar e matar o povo de Constantinopla
e foram convidados a montar acampamento próximo à fronteira com a Tur-
quia muçulmana.
Após montarem acampamento fora de Constantinopla, os cruzados cris-
tãos entraram em território turco e de longe os turcos muçulmanos observa-
ram os invasores a distância por 30 dias, então o sultão turco Kilij Arslan man-
dou a cavalaria turca atacar a cavalaria cristã próxima à cidade de Niceia. O
choque de cavalarias foi violento e intenso e muitos cavaleiros turcos, cris-
tãos e cavalos caíram feridos e mortos nas areias quentes do deserto da Tur-
quia. Enquanto isto em Córdova, Almir disse à Samira:
– Minha velha querida de tantas vidas, a morte está próxima e graças a
ela, enfrentarei o meu maior medo e pesadelo que é viver vários anos sem
ver você até reencontrá-la mais uma vez.
Assim que os cristãos cruzados tomaram a fortaleza de Niceia, o sultão
turco Kilij Arslau mandou cortar a água que dava acesso à fortaleza. Uma
semana depois, os cruzados cristãos saíram da fortaleza. A maioria foi mor-
ta por flechas turcas e os que conseguiram escapar da batalha, fugiram em
pânico em direção à Constantinopla enquanto as almas de Almir e Samira
deixavam seus corpos mortais para trás e com seus guias de luz, voaram em
direção ao céu espiritual e 3 dias depois retornaram ao planeta Terra na ci-
dade de Jerusalém no Império Árabe abássida.

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CAPÍTULO XII

AS CRUZADAS E O MASSACRE
DOS JUDEUS EM JERUSALÉM

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E
m maio de 1097, dois peregrinos depois de uma longa
caminhada pelo deserto chegaram à Jerusalém e do alto de um pe-
nhasco viram a cidade sagrada dos judeus, árabes e cristãos enquan-
to duas jovens e belas mulheres, uma árabe e uma judia engravidaram en-
quanto o sol iluminava todo o Oriente Médio. Uma se chamava Rosana e
a outra Marília. Rosana, ao sul da muralha de Jerusalém disse a seu mari-
do árabe Omar:
– Esta noite eu tive um sonho e nele vi um cisne branco andando entre
as flores que nasciam da lama de um lago aos pés de uma grande montanha
verde. Depois eu vi o cisne andando e sentando em uma pequena ilha ver-
de dentro do lago. Após se levantar, ele deixou a ilha, voltou a andar sobre a
água e dentro do ovo dele nasceu um bebezinho humano com rosto de anjo
e penas de cisnes nas costas. O bebê se levantou do ovo, bateu asas e voou
em direção ao sol. Depois eu acordei. O que será que tal sonho quer dizer?
– Que você está grávida e esperando a chegada de um anjo que veio a Je-
rusalém para acabar com todas as guerras entre os seres humanos na Terra.
Enquanto isto ao norte da muralha de Jerusalém, Marília disse a seu
marido judeu Avner:
– Querido. Esta noite eu sonhei com um anjo de luz e ele me disse com
uma flor de luz na mão que eu estava grávida e que eu daria à luz a paz en-
tre judeus, os cristãos e os árabes neste planeta. O que este sonho quer dizer?
– Não sei. Só espero que não seja o contrário, pois dividir meu sangue e
minha alma com você é tudo o que sempre mais sonhei desde que a vi pela
primeira vez.
Em 19 de junho de 1097 o novo exército cruzado franco germano de
30 mil soldados entrou sem permissão em território turco próximo à Niceia
e lá foi recebido pela cavalaria e arqueiros árabes turcos. Em meio a fumaça
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da areia do deserto da Turquia levantada pelos cascos dos cavalos e dos sol-
dados, espadas francas e turcas tocavam a música fúnebre da morte e do fer-
ro que seguidas de gritos de cavalos e seres humanos representavam o in-
ferno dos judeus, dos cristãos e dos islâmicos. A batalha fez lágrimas saírem
dos olhos do Criador no céu e suas lágrimas assim se transformaram em se-
mentes e flores de compaixão. Horas depois, os soldados francos cristãos to-
maram a cidade turca de Niceia. Assim que a notícia da chegada dos germa-
nos francos cruzados e a tomada de Niceia chegaram à Jerusalém, Rosana
disse a Omar:
– As religiões humanas inspiradas em Deus foram criadas com amor
para que houvesse paz entre a humanidade, no entanto há eras os líderes es-
pirituais e os reis da Terra as têm utilizado para que haja guerra entre a hu-
manidade. Tais líderes políticos e religiosos deveriam ter vergonha e pregar
e incitar a paz entre os povos da Terra e não a guerra. Quando há conflitos
entre dois seres humanos, o estado intervém entre eles como árbitro e por
meio da conciliação, mediação, arbitragem, compensação, novação, transa-
ção, adjudicação, diplomacia e outras formas de solução de litígios é resolvi-
do de forma pacífica e amigável a avença e tal avença entre os seres huma-
nos não é diferente da avença entre nações por meio da justiça, pois a justiça,
como as religiões, foram inspiradas por amor a Deus para fazer o bem e não
o mal entre a humanidade. Há uma grande diferença entre justiça e injus-
tiça, bem e mal, luz e escuridão, sabedoria e ignorância, amor e ódio, mas
apesar de todo problema, por mais complexo que seja, se usada a fórmula
certa, sempre se chega a uma solução simples. Todas as religiões dos seres
humanos dizem que Deus é o amor e o amor é o Deus de todos, inclusive
de Jeová, Jesus Cristo, Buda e Alá, mas os seres humanos só vão entender
o que isto quer dizer quando aprenderem a amar os outros e a si mesmos
como sendo Deus. No dia em que os seres humanos aprenderem isto, verão
o quanto é belo, divino e maravilhoso o amor de Deus. Os seres humanos
fazem dos ensinamentos dos santos suas leis e suas religiões, mas o que de-
vem fazer é fazer do amor a sua religião, o seu Deus e agradecer por todos
os dias de vida que tiveram em suas infinitas vidas que viveram num passa-
do remoto em que todas as almas dos seres humanos viviam em um só lugar

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e todos eram unidos e felizes. Este lugar é o céu espiritual de Deus, um lu-
gar tão belo que nenhum ser humano é capaz de criar em sonhos. É onde
está a fonte da vida em tudo, a realidade e a alma de Deus que criou e man-
tém seu corpo humano.
Após descansarem da batalha de Niceia, os soldados cristãos deixaram
a cidade de Niceia e marcharam em direção à Antioquia. Enquanto isto em
Jerusalém, Marília disse a Avner:
– É verdade que no reino dos francos os papas da igreja católica estão
queimando os judeus e árabes muçulmanos na fogueira por que não querem
aceitar Jesus Cristo como sendo o salvador?
– É.
– Em que ano foi inventado este tribunal da santa ignorância e para quê?
– O tribunal da sangrenta Inquisição foi criado em 1022 em Orleans na
França para castigar os judeus, os árabes e os cristãos protestantes, cátaros,
valdenses, muçulmanos e ateus da Europa, por se recusarem a ouvir e seguir
as mensagens de Jesus Cristo.
– Essa história de guerra santa é só pretexto para os papas e os reis da igre-
ja católica e das monarquistas convencerem os povos da Europa a ir para
guerra, criar novos reinos e reconquistar as terras que perdeu no Oriente Mé-
dio e na África.
– Os cristãos odeiam os judeus e os árabes, mas é tanto ódio que nem
mesmo entre eles conseguem viver em pacificamente em sociedade. Jesus
falou de amor, compaixão, justiça, bondade e misericórdia, mas na escuridão
os cristãos interpretam Jesus falando de sangue, morte, roubo, assassinato,
impiedade, ódio, vingança, egoísmo, ambição, violência, guerra e injustiça.
– Estão loucos os cristãos, os árabes e os judeus?
– Estão. O Deus ódio é tão poderoso que domina e controla a quase to-
dos os seres humanos.
– Os papas estão ensinando errado os evangelhos aos cristãos da Europa?

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– Estão. Com os papas e bispos é assim: judeu, protestante, muçulma-
no e ateu que não se converter ao cristianismo vai queimar na fogueira da
santa Inquisição.
– Que maneira estranha de converter alguém a uma fé.
– Estranha e desumana. É um ato atentatório à dignidade e direitos hu-
manos do cidadão como pessoa humana e sujeito de direitos perante as leis.
A ignorância e o ouro fazem dos seres humanos ladrões, hereges e assassi-
nos natos.
– O que é heresias?
– É difamar, injuriar, caluniar e contestar os dogmas da igreja católica.
– Para qual propósito o tribunal da Inquisição foi criado?
– Para perseguir, prender, julgar, condenar, matar e confiscar os bens
móveis e imóveis dos protestantes, judeus, muçulmanos e ateus para aumen-
tar o poder econômico, político, social, cultural, militar, moral e espiritual
da igreja católica sobre os povos da Europa.
– Para quê que a igreja católica quer tanto poder?
– Pelo mesmo motivo que os reis.
– Não entendi.
– Todo rei sonha em fazer do planeta Terra o seu reino.
– Entendi. Para conquistar o mundo, não é?
– É. Para fazer do planeta o seu reino, o rei tem que matar todos os reis
da Terra. Para fazer da religião católica a única fé do mundo, ela terá que
matar todas as outras fés.
– No início do milênio da era cristã, os cristãos eram perseguidos e cruci-
ficados em público pelos romanos, agora os cristãos perseguem judeus, mu-
çulmanos, protestantes, ateus, cientistas e qualquer um que não aceite Jesus
Cristo como sendo o único Deus dos seres humanos neste planeta.
– Prender, jugar, punir, roubar e matar seres humanos inocentes por opi-
nião política e religiosa não é crime?

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– É. É crime de abuso de poder. Mas para os papas juízes onipotentes
da igreja católica é uma ação juridicamente lícita e um ato de compaixão e
amor ao próximo louvável por Deus.
– Quais são as penas para crime de heresia?
– Tortura, estrangulamento, enforcamento, asfixiamento, afogamento,
crucificação, banho de óleo quente, esfoliação, empenamento, fogueira, de-
capitação, esquartejamento, dentre outras.
– Pelas penas de morte da Igreja Católica e do direito das monarquias eu-
ropeias, podemos ver facilmente o tipo de personalidade e mentalidade que
tem os líderes espirituais e reis da Europa.
– Tais líderes espirituais e reis eram quem deveriam estar sendo queimados
nas fogueiras para livrar a humanidade de monstros psicopatas que não tem
nenhum respeito pelas leis e nem pelos direitos humanos alheios. É direito de
todo cidadão crer em quantos deuses quiserem ou não crer em Deus algum,
ter quantas religiões quiser ou não ter religião alguma. No entanto, a igreja ca-
tólica quer obrigar a todos a serem católicos e aceitar Jesus como sendo o seu
Deus. Deus deu a vida a todos para ser vivida e não morta pelos papas e padres
que se vestem de preto como os corvos e os urubus para julgarem e punirem
sem serem doutores em leis jurídicas, seres humanos inocentes que não mata-
ram, não roubaram, não agrediram e nem puseram em perigo a vida de nin-
guém. A igreja católica e o estado romano monárquico estão matando seres
humanos para salvar por meio da tortura e outras penas cruéis as almas encar-
nadas de irem queimar e sofrer para sempre no inferno que só existe no imagi-
nário doentio de quem vive com a mente e o coração preso à obscura realida-
de das histórias dos livros de religiões humanas do planeta Terra.
– Esse estado e igreja do Império Romano sempre tiveram sede por san-
gue humano inocente. Antigamente eram os cristãos, agora são os judeus,
os muçulmanos, os politeístas, os ateus e os próprios cristãos. Isso é que é de-
monstração de amor e fé, não é?
– É. A igreja católica dos cristãos perseguidos, crucificados, tortura-
dos e comidos por leões agora se tornou a perseguidora, a crucificadora e a

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torturadora de inocentes que sofrem em uma organização que antes era re-
ligiosa e agora é criminosa.
– Como Jesus mudou a água para o vinho, as leis do Estado e da igreja
romana mudaram os cristãos de ovelhas dóceis e inocentes para lobos selva-
gens e sanguinários.
– Os padres e os papas são como os reis, os militares, os nobres políticos,
os empresários e o povo inculto e ignorante de Roma que não entendem
nada de direitos humanos, mas entendem de tudo acerca de direitos desu-
manos. Em sua santa ignorância, os papas e os bispos acham que é ameaçan-
do, torturando e matando que conseguirão calar as bocas e fechar os olhos
de todos os seres humanos da Europa e fazê-los cristãos. Jesus disse aos cris-
tãos “amai o próximo como a ti mesmo e a Deus acima de todas as coisas”.
Matar e torturar Deus que vive nos corações dos que estão sendo persegui-
dos, julgados, presos e assassinados injustamente na fogueira da Inquisição
é a forma dos padres e dos papas demonstrarem aos olhos dos seus povos o
amor que sentem por Deus e pelo próximo. Os cristãos na escuridão são as-
sim. Se Jesus tivesse dito aos cristãos “matai-vos uns aos outros e odiai-vos
Deus acima de todas as coisas”, os romanos e os francos amariam Deus e o
próximo como sendo Deus ou a si mesmos.
– Por que é que os papas da igreja católica estão pegando tão pesado com
os cristãos e com os outros povos?
– Desespero para não perder dinheiro, prestígio e poder sobre as mentes
e as almas das massas que estão despertando para a realidade e contestando
o poder divino da igreja e do Deus Jesus Cristo. Com a derrota das cruza-
das no Oriente Médio, o povo, tolo e inculto da Europa, que achava que os
exércitos cruzados de Cristo eram invencíveis agora estão deixando a igreja
católica. Sem dinheiro e fiéis, toda igreja fecha suas portas e encerra ativi-
dade de enlouquecer as mentes inocentes do povo inculto com inverdades.
– Ainda bem que não tem nenhum papa ou padre franco aqui escutan-
do o que estamos pensando e falando, pois se tivesse, adeus casamento, his-
tória de amor feliz e nenéns parecidos com o papai e a mamãe.

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– Milhões de cristãos perderam suas vidas em guerra contra os árabes
na Península Ibérica e milhões de árabes perderam a vida na guerra na Ásia
Menor. Sinceramente não sei dizer quem é pior na escuridão se é o cristão
ou é o muçulmano.
– Líderes políticos e espirituais que incitam ódio entre povos não devem
ser seguidos, pois quem segue tais líderes cegos, doente de ódio ficará e odia-
do por todos será. Se os iludidos cristãos soubessem que o diabo, demônios
e infernos são invenções dos políticos para controlá-los por meio do medo e
roubarem seu dinheiro por meio de dízimos, nunca mais entrariam em uma
igreja para procurar por Deus e a salvação do inferno.
– O povo da Europa paga dízimos à igreja católica em troca da salvação
da alma do inferno e do diabo e também para enlouquecerem e falarem to-
lices aos outros, para que se matem e se odeiem por belezas naturais e ouro.
– Deus é o amor e foi do amor que surgiu o céu, as montanhas, os rios
e as flores e como é amor o que sinto por você. Aqui está em meu coração
a fonte de minha vida e a prova da existência de Deus. O universo é a ener-
gia do amor da alma de Deus e o mundo dos sonhos e ilusões dentro de sua
mente e grande cabeça. Grande é a cabeça de Deus, grande também é o
meu super amor por você.
– Fazia dias que eu não sentia paz e alegria em minha vida. Graças a
Deus você está aqui comigo.
– Que bom estar aqui com você, pois neste mundo de cegos só você en-
xerga a verdade e o amor de Deus em todo lugar.
– Sociedade de loucos é assim. Eu não sou a rainha de Jerusalém, mas
se digo a todos que sou a rainha de Jerusalém todos rirão de mim e dirão que
sou louca e com razão, pois é loucura querer ser o que não é. Tudo no uni-
verso pertence a Deus que o criou, no entanto os seres humanos dizem que
tudo o que pertence a Deus pertence a eles e brigam por tais coisas como se
tais coisas só deles fossem. A humanidade está completamente doente, fí-
sica e mentalmente, e tal doença levará milhões de anos para se curar en-
quanto não morrerem nas mentes, nos corações, nos sentidos e pensamen-
tos dos seres humanos esta ideia macabra de existência de inferno, demônios

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e diabo. Certamente quando tais ideias obscuras morrerem, os corações e
mentes dos seres humanos ressuscitarão e aí então verão o que estão fazen-
do de errado a este planeta, a Deus, e a toda a humanidade. A sociedade hu-
mana não é um cão para viver presa na escuridão da ignorância da ilusão e
nem um porco para viver na lama, na ignorância e no lixo. A sociedade hu-
mana é uma constelação de espíritos que compõe o grande espírito do amor
de luz do grande artista, cuja arte mais bela que criou está aqui ao meu lado,
escutando minhas palavras.
– Ó como é bom amar e viver livre do ódio e longe dos seres humanos
que não têm paz e nem deixam ninguém viver em paz. Viver em paz com
suas famílias, amigos e pátrias é o sonho da maioria dos seres humanos deste
planeta e só haverá paz neste planeta quando todas as nações, como vários
espíritos se tornando um só espírito, se tornarem uma só nação e seus gover-
nantes alimentarem, vestiram, educarem, empregarem, habitarem e ensi-
narem a verdade aos seus governados.
– Com cada um pensando só em si mesmo... Tal sonho de uma só nação
só se realizará em sonhos e em livros. Sabe por que o judaísmo, o cristianis-
mo e o islamismo ensina o seres humanos a temer a Deus?
– Sei. É para que os seres humanos temam e odeiem Deus e os judeus,
os cristãos e muçulmanos lutem melhor nos campos de batalha.
– O medo é gerador de ódio?
– É. Devido ao medo dos cristãos perderem seus bens e direitos para os
árabes muçulmanos, eles estão com tanto ódio dos árabes que querem ma-
tar a todos no Oriente Médio. A mesma coisa é o ódio que os turcos árabes
sentem devido ao medo de perderem seus bens e seus direitos para os cris-
tãos. Deus não é um doente mental para criar infernos e punir almas como
a igreja católica criou a Inquisição para punir os infiéis judeus e os árabes
muçulmanos na fogueira. Se o judaísmo, o cristianismo e o islamismo fos-
sem as palavras de Deus, elas seriam assim, não existe inferno, não existem
demônios, não existe diabo, não existe morte, não existem doenças e velhi-
ce para o espírito. Vocês almas iludidas fazem minha mente sofrer com a
ignorância e egoísmo, mas eu perdoo vocês e continuo amando-os como

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sempre amei. A felicidade de vocês é a minha felicidade. O sofrimento de
vocês é o meu sofrimento. A vida de vocês é a minha vida. A alma de vo-
cês é a minha alma. Vocês vivem dentro da minha alma, da minha mente
e do meu coração. Não tenham medo de mim e nem do meu julgamen-
to, pois eu não odeio e nem julgo ninguém. Eu não criei este universo e
este planeta para que vocês se matassem pelo que pertence a mim e a to-
dos vocês. Criei este universo e este planeta para vocês serem felizes. Não
preciso do medo, do ódio e da tristeza de vocês para ser feliz, mas do amor
e da confiança em vocês em mim, nas minhas palavras e nas minhas men-
sagens de amor e paz. Vamos orar a Deus para ele destruir a escuridão, a
negatividade, a ilusão, a maldade e a ignorância das mentes e dos corações
dos seres humanos.
– Senhor, meu bom Deus, quebrai os feitiços e as correntes que pren-
dem fortemente os corações, as mentes e almas dos seres humanos: a ilusão.
Iluminai-vos com a luz de vosso amor e sabedoria. Dê-lhes paz. Cura a ce-
gueira, suas doenças mentais e físicas e lhes devolvam a sanidade. Dê aos ce-
gos, adoradores de ilusões, olhos espirituais para que enxerguem a verdade
e lhe vejam e lhe amem em todo lugar. Liberte-os do ódio que corroí ossos
como a ferrugem ao ferro. Faz de teu planeta Terra um lugar de paz, queima
o amor mórbido que os seres humanos sentem por derramamento de san-
gue inocente. Parai todas as injustiças e dai comida, remédios, roupas, mó-
veis, casas, cavalos, empregos e paz aos povos da Terra. Deus, eu te imploro
por tudo o que é mais sagrado, dai-me o que peço, por favor.
– Senhor, meu bom Deus, de coração aberto peço por paz na terra. Com
a luz da verdade, destrua a escuridão da mentira das mentes e dos corações
da humanidade. Libertai todos os seres humanos da escravidão e fazei de
todas as nações uma só nação em que todos saibam ler, escrever e tenham
educação. Trazei de volta a democracia a este sofrido planeta para que os se-
res humanos não mais vivam se matando como animais. Alimentai os que
tem fome, saciai a sede de quem tem sede, curai quem está doente, libertai
os seres humanos do ódio, do medo, da inveja e da tristeza.

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No dia seguinte em Jerusalém, Rosana e Marília se encontraram em
uma praça em frente a uma mesquita árabe. Rosana disse à Marília:
– Olá, Marília. Você está grávida?
– Estou e pelo que vejo você também. Como tem passado?
– Tenho passado bem e você?
– Eu também. Tá vendo aquele símbolo da meia lua em cima daquela
mesquita árabe?
– Estou. Para que aquela lua se torne cheia ela precisa da luz do sol e tal
sol é a estrela do símbolo dos judeus. Somos árabes e judeus vivendo há mi-
lhares de anos na mesma cidade e por esta razão todos os templos de Jerusa-
lém deveriam possuir em cima deles uma meia lua e uma estrela que juntas
formam uma lua cheia para iluminar as mentes, os corações e as almas dos
seres humanos com as luzes do sol, da lua e do amor de Deus.
– Os seres humanos deste planeta não podem ver Deus em tudo como
eu e você, por esta razão, as amizades, os namoros e os casamentos dos ce-
gos sempre terminam em violência, assassinato, divórcio e separação judicial.
– Também ficaria bonito no alto desta mesquita o símbolo da cruz do zo-
díaco em um único símbolo de confraternização e união selada sem sangue
e sem violência. Certamente isto traria paz à África, à Europa e ao Orien-
te Médio. Juntos criaríamos o maior império da Terra e o povo mais religio-
so e culto do universo.
– Tal união só seria completa com a suástica budista no alto daquela
mesquita. O budismo, o islamismo, o judaísmo e o cristianismo são qua-
tro religiões com quatro visões diferentes sobre a realidade e a irrealidade
em que vive a humanidade. Elas são como 4 grandes árvores cujos galhos
vivem espinhos e serpentes venenosas. As folhas, as flores, os frutos e o mel
são as verdades sobre Deus e os espinhos e as serpentes são as mentiras acer-
ca de Deus.
– Toda ilusão vem da realidade assim como toda falsidade vem da ver-
dade. Não sei se estou certa acerca disso, mas sei que é muito bom ser sua

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amiga, pois de todas as amigas árabes que tenho, você é a única que me tra-
ta com respeito e igualdade.
– Nós cristãos, judeus, muçulmanos e budistas somos todos iguais espiri-
tualmente e em direitos e deveres perante as leis justas dos estados e de Deus.
Todos nós seres humanos de diferentes religiões somos partes do espírito de
Deus como os raios do sol são partes do sol. Nós somos a alma de Deus. Nós
somos um único ser. Olhando para o sol não é difícil compreender como a
alma de Deus criou nossas almas e olhando para dentro de nós mesmos não
é difícil compreender qual é a nossa relação eterna com Deus neste mundo
de ilusões em que o que parece ser verdadeiro na realidade é uma ilusão ho-
lográfica da mente do Criador. Cuide bem do seu bebê e até a próxima vez.
Em 20 de outubro de 1098, os cruzados cristãos tomam à força a pobre
cidade turca de Antioquia. Assim que a notícia chegou a Jerusalém, Marí-
lia diz a Avner:
– Antioquia está a poucos quilômetros de Jerusalém.
– Os cristãos devem amar muito os seus líderes políticos e espirituais
a ponto de abrir mão da própria vida para matar e roubar em nome deles.
– Lá na Europa os líderes dos cristãos estão dizendo aos cristãos que
nós, árabes e judeus, estamos possuídos pelo demônio e que para nos liber-
tar do demônio irão matar a todos ou nos submeter ao trabalho análogo ao
de escravo.
– Esse negócio de estarmos endemoniados é invenção dos papas e dos
reis católicos para fundar novos reinos cristãos no Oriente Médio. Os líde-
res políticos e espirituais dos árabes também dizem aos árabes que os cris-
tãos estão endemoniados.
– Isto também é invenção deles para fundar novos reinos muçulma-
nos na Europa. Como são tolos os povos pobres e incultos árabes e cristãos,
não são?
– Bota tolos nisto. Agora entendo por que os líderes políticos e espirituais
não alimentam e nem educam seus povos, pois mantendo-os na escuridão
da ignorância e da ilusão fazem com eles o que bem querem. Fomos nós,
judeus, que trouxemos Deus a uma antiga humanidade sem Deus. Fomos
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os escolhidos por Deus para ensinar a humanidade esta grande verdade e
aqueles que viviam presos a inverdades, adorando como loucos um monte
de deuses que não existiam e que ainda resistem à mudança de consciência
da velha energia do ódio a Deus para a nova energia do amor a Deus. Antes
de levarmos a verdade sobre Deus a uma humanidade politeísta sem Deus,
Deus pensava consigo mesmo enquanto via e ouvia as orações dos politeís-
tas “eu criei tantas coisas belas neste planeta e em vez dos seres humanos me
adorarem, oferecerem orações a mim e conversarem comigo todos os dias
sem medo, eles adoram os deuses de fantasia que criaram para que não pu-
dessem me amar e esquecer que eu existo. Por que não me amam? Eu amo
todos eles e os perdoo por todos os seus erros. Então por que não me amam
e me temem como se eu fosse um juiz inquisidor que manda almas em cor-
pos humanos para sofrerem de dores horríveis na fogueira? Eu não sou um
monstro e nem um defunto. Eu não estou feliz com o que está acontecen-
do entre os seres humanos da Ásia, da África e da Europa. Eu grito para os
seres humanos do fundo dos seus corações para que não se matem, não se
odeiem, se amem e deixem os judeus, os árabes, os cristãos e os budistas me
adorarem em paz, pois são as orações deles que fortalecem o meu poder e
amor por eles.” Por que os seres humanos não amam Deus?
– Por que tem medo dele. Por essa razão rezam indiretamente para Deus
e indiretamente Deus aceita as rezas só para ver seus filhos felizes, em paz
e sem medo.
– Qual a causa de tal medo?
– As mentiras sobre Deus ensinadas pelos deuses annunakis e os escri-
bas das religiões tais como o dia do Juízo Final que os papas têm se utilizado
para levar aos cristãos de toda a Europa a matar os árabes e nós, judeus, por
causa da invasão árabe da Europa pelo ocidente e pelo oriente.
– O juízo final não é o apocalipse?
– É.
– É o dia em que Jesus retornará à terra para derrotar o satanás?
– É.
– É nisto que creem os cristãos e os árabes?
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– É. Estão todos aguardando a chegada do messias cercado de anjos ar-
mados de espadas, lanças, arcos e flechas.
– Os anjos são retratados como superiores aos seres humanos, no entan-
to possuem as mesmas armas que os seres humanos e os extraterrestres armas
superiores às dos anjos de Deus, não consigo entender isto?
– As almas dos seres humanos são anjos encarnados e são anjos porque
a alma de Deus anjo também é.
– Deus é um anjo dentro do coração do ser humano.
– É. Ele encarnou no reino dos deuses apenas para ensinar a mesma ver-
dade sobre ele mesmo para que os deuses parassem de lutarem entre si com
espadas, flechas e arcos.
– Conversar com você é como viajar para outras dimensões e planetas
que vão desde o universo micro até o universo macro.
– A alma e o ser humano são a combinação do amor da realidade e da
ilusão, do que é verdadeiro e falso, puro e impuro, feio e belo, bom e mal
e é por esta razão que alguns seres humanos são bons, honestos e sinceros,
como nós judeus, e maus, desonestos e mentirosos como os governantes cris-
tãos e árabes.
– Nós, judeus, estamos carregando a cruz do Cristo nas costas aonde
quer que vamos neste planeta Terra por termos revelado a verdade à huma-
nidade, mas conseguimos fazer de todas as nações povos crentes em um só
Deus, um só espírito, um só amor, uma só vida, um só corpo, uma só men-
te, uma só consciência, um só sonho e um só ser essencialmente real e irreal
em todos os aspectos e por esta razão que Deus é completo e perfeito como
completo e perfeito é o meu amor por você.
Em 1099, o nobre cruzado e militar cristão franco Godofredo de Bulhão
cercou Jerusalém. Omar disse a Rosana, Marília, Avner, Tamires e Abel:
– Fiquem calmos. Eu conheço um túnel por onde fugiremos de madru-
gada. Venha comigo.
As duas famílias árabes e judias entraram no túnel e caminharam por
ele com algumas velas acesas dentro de uma caixa de vidro penduradas

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nas mãos. Assim que chegaram ao final do túnel viram os soldados cris-
tãos. Eles se sentaram em um lugar seguro e começaram a orar, em si-
lêncio, por um milagre que pusesse paz entre os cristãos e os árabes em
Jerusalém.
Assim que a madrugada chegou, eles viram de longe soldados cristãos
dormindo perto de uma árvore. Silenciosamente passaram por eles e cami-
nharam rapidamente para bem longe de Jerusalém em direção ao deserto,
com lágrimas escorrendo pelos olhos enquanto 20 mil almas de judeus par-
tiram de Jerusalém em bandos em direção aos braços de Deus, como aves
voando da mesma árvore em direção ao céu. Cansados de caminhar, se sen-
taram e deitaram na areia.
Assim que amanheceu, os olhos do pequeno Abel viram o sol nascen-
do no horizonte e após um dia e uma tarde inteira de caminhada pelo sol
quente, as duas famílias chegaram ao Mar Morto. No Mar Morto, eles se
banharam na água salgada e se sentiram como se tivessem nascido de novo
enquanto os reis e papas cristãos da Europa romana e germana fundaram
no litoral da Ásia menor o Condado de Edessa, o Principado de Antioquia,
o Condado de Trípoli e o Reino de Jerusalém.
Em 1100, um novo exército cruzado formado por cavaleiros templários
(franco) e teutônicos (germano) chegou à Constantinopla e depois invadiu o
território turco onde, em emboscadas criadas pelos turcos árabes, perderam
três exércitos em dois meses em Mersivan, Nivernais e Aquitânia. Em Aqaba,
às margens do Mar Vermelho, Rosana disse à Marília:
– E se os cristãos cruzados vierem para cá?
– Fugiremos para a Arábia saudita.
– Há séculos que os cristãos vêm perseguindo judeus e árabes. Será que
eles não se cansam disto não?
– Perdoa os cavaleiros cristãos, pois eles estão vivendo na escuridão da
ignorância da ilusão e devido a isto, não podem ver Deus dentro de nossos
corações e nem dos seus.
– Esses cristãos são muito abusados. Não deixam a gente viver em paz.

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– Os cristãos fazem isto para que nós os odiemos e assim a gente odeie
Deus que vive dentro do coração deles. Não há perdão para os crimes que
os cristãos estão praticando em massa no Oriente Médio, mas assim como
Deus os perdoa por seus erros, eu perdoo os cristãos cruzados e os abençoo
para que suas auras negras se tornem tão claras quanto à luz do sol. Que eles
percam o gosto mórbido que tem em fazer os árabes e os judeus sofrerem.
– Estamos sofrendo devido ao carma das nossas más ações cometidas nas
vidas passadas. No futuro estes cristãos que estão matando os judeus e os ára-
bes serão mortos por aqueles que estão matando sem piedade e compaixão
por causa de riquezas e religião.
– As religiões dos judeus, dos muçulmanos e dos cristãos fizeram deles
os maiores monstros em forma humana deste planeta.
– Não foram as religiões dos cristãos, dos judeus e dos cristãos que os
transformaram em monstros, mas seus líderes políticos e espirituais que se
utilizam indevidamente delas para convencerem os incultos cristãos, judeus
e muçulmanos a matar e saquear outros povos para enriquecê-los e engran-
decê-los ainda mais. Apesar das religiões humanas ensinarem coisas que não
existem como demônios e diabos, elas são uma coisa boa, pois fazem os se-
res humanos pensarem em Deus, seja com amor ou temor. Pensar em Deus
é o que diferencia seus pensamentos e consciências dos pensamentos e das
consciências dos animais. Religião verdadeira é aquela que ensina a verda-
de e uma religião que não ensina só verdades não é religião, mas “irreligião”
e por serem “irreligiões” as religiões humanas, elas não fazem nenhum ser
humano sábio, mas fazem deles os mais tolos e loucos.
– Loucos são aqueles que odeiam a si mesmos, a Deus e os outros, pois
o ódio só cria é mais carma, sofrimento e dor, mas os judeus, os cristãos e os
muçulmanos não sabem disto, pois suas religiões ignoram as leis do carma
e por esta razão os pobres coitados não sabem como se livrar do sofrimento
e libertar os demais. Que Deus dê paz e alegria a estes pobres infelizes ado-
radores de ilusões.
Em 1144, caiu o Condado de Edessa no Oriente Médio e em 1145, o
papa italiano Eugênio III e o abade francês São Bernardo convenceram os

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reis do Império Franco e do sacro Império Romano germano, Luís VII e
Conrado III, a retomarem Edessa e manter o controle marítimo cristão na
região do Oriente Médio.
Seis meses depois, enquanto o exército germânico do rei Conrado dor-
mia nas terras árabes, uma chuva de flechas e espadas turcas caíram sobre
eles e os que fugiram se juntaram ao exército franco. Depois os reis Luís
VII e Conrado III marcharam em direção à Jerusalém e de Jerusalém, par-
tiram para atacar a cidade de Damasco. Em Damasco, enquanto a batalha
entre os cruzados cristãos do Império Franco e da Germânia investiam fu-
riosa suas cavalarias pesadas contra as tropas dos árabes de Damasco, alguns
nobres cristãos a cavalo aproximaram-se dos reis Luís VII e Conrado III e
lhe disseram:
– Para nós chega de guerra contra os árabes por causa da ambição dos pa-
pas da Europa por terras, ouro e seguidores. Se os papas querem o Oriente
Médio para eles, que venham eles lutar em nome de Deus. Deus é paz e não
guerra. Deus é amor e não ódio. Deus é perdão e não vingança. Não faremos
a Damasco o que nossos irmãos francos fizeram com o povo de Jerusalém.
– Mais nobres. Viemos de tão longe para nada? Há fortunas incalculá-
veis na cidade de Damasco que foram trazidas da Europa para cá. Todas es-
tas riquezas pertencem a nós cristãos por direito divino.
– O que os árabes nos roubaram na Península Ibéria já pegamos de volta
e lhe demos uma lição da qual nunca mais se atreverão a invadir novamen-
te o reino dos cristãos.
– Todos na Europa vão dizer que somos covardes.
– Tô pouco me lixando para o que dizem ou pensam os incultos infeli-
zes da Europa. Vamos, homens. Chega de matança e roubos. Vamos voltar
para casa onde estão sofrendo de saudade nossas queridas esposas.
Os nobres se retiraram da batalha e o rei Conrado III foi com eles. En-
quanto isso, no Golfo de Aqaba e em uma pequena embarcação de ma-
deira movida a vela, navegando em direção ao Mar Vermelho, Abel disse à
Tamires:

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– Minha doce Tamires, flor mais bela do deserto da Arábia saudita,
os cristãos continuam mantendo os estados feudais que criaram no Orien-
te Médio.
– O que você sabe sobre o feudalismo?
– É um conjunto de instituições e também uma organização social, po-
lítica, econômica, cultural, militar e espiritual em forma de controle social
da nova sociedade europeia que nasceu com a desfragmentação do Impé-
rio Romano do ocidente em pequenos reinos germanos que foram surgindo
violentamente a partir do século XI. Na antiga ordem, todo o poder político
era exercido pelo estado e todos que possuíam e não possuíam terras estavam
sujeitos as suas leis. Com o feudalismo, quem possuísse propriedades terri-
toriais exerceriam sobre elas o poder de uso, usufruto e posse. O feudo é um
reino e o rei o senhor do feudo que é o poder executivo, legislativo e judiciá-
rio que por meio de contratos escritos fornece terras, trabalho, comida, casa
e proteção em troca da lealdade de seus servos e irem as guerras por seus reis
quando necessário. Foi o Carlos Magno, primeiro imperador do sacro Im-
pério Romano germano que deu origem a este tipo de sistema de governo
em que nenhuma alma tem direito a propriedade e outros direitos que são os
pilares que sustentam o templo político do sistema democrático de direito.
Em 1149, enquanto o exército dos reis Luís VII deixava o Oriente Mé-
dio, em Meca, Abel disse à Tamires:
– Dizem que em Jerusalém, os cristãos trocaram o símbolo da meia lua
do islamismo das mesquitas árabes pela cruz do Jesus Cristo.
– Ficaria melhor se deixassem o símbolo da meia lua e da cruz sobre a
cúpula, pois Jerusalém pertence a cristãos, muçulmanos, judeus, budistas,
confucionistas, hinduístas, Hare Krishna, zoroastristas, politeístas, ateus e a
todos os seres humanos. Pode até parecer que esta guerra é por religião e fé,
mas não é. A guerra é por ouro e terra.
– Quem são os cristãos que em Jerusalém estão?
– São os bárbaros germanos francos do Sacro Império Germano Roma-
no do Ocidente que os romanos converteram em cristãos.
– Quantos tem lá dentro?
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– Cerca de 50 a 60 mil.
– Esses europeus não deixam o túmulo de Jerusalém do rei dos cristãos
e dos judeus em paz. Será que eles não sabem que é crime também pertur-
bar o sossego dos mortos?
– Os cristãos sabem como fazer o mal, mas não sabem como fazer o
bem. Os cristãos germanos que estão em Jerusalém crucificaram e assassi-
naram 20 mil seres humanos idosos, mulheres e crianças, judeus e árabes
que viviam em Jerusalém. O símbolo da cruz é o símbolo da morte lenta e
da tortura violenta e sangrenta. É um símbolo místico que representa má
sorte. Antes dos romanos se converterem ao cristianismo, o Império Roma-
no do ocidente era o maior e mais próspero império da terra e agora nem
existe mais. No entanto, eles enfeitam seus lares sem paz com cruzes de pau
para adorarem seu Deus crucificado. Dentro dos lares cristãos, judeus e ára-
bes, se os filhos começam a fumar e beber álcool, os pais veem neles o dia-
bo e para libertar seus filhos do diabo, eles os matam e os proíbem de exer-
cerem livremente seus direitos naturais, o livre arbítrio de fumar e beber em
paz e sem medo. Com os desejos frustrados, com medo, tristeza e raiva, os
filhos perdem a paciência com seus pais autoritários e abusados e os matam
para se livrar de almas do diabo. Quem priva alguém de exercer seu direito
à liberdade e outros direitos é como um rei criminoso que rouba cidades, es-
craviza povos crendo que está acima das leis e da justiça terrena. Há muitas
injustiças acontecendo dentro dos lares dos seres humanos por causa de re-
ligião e desconhecimento de seus direitos. Seria bom que todos na terra co-
nhecessem seus direitos e deveres como cidadãos do estado democrático de
direito para não serem enganados e roubados facilmente.
– Educar como alimentar a todos na Terra não seria um bom negócio
para os reis, políticos, empresários, magistrados, sacerdotes e militares que
ganham muito dinheiro com a violência, ignorância de seus povos. Estes la-
drões e assassinos cristãos que estão em Jerusalém, como seu Deus Jesus,
morrerão lentamente por causa de suas falsas crenças.
– Os cristãos não creem que roubar ladrões e matar assassinos e ino-
centes em nome de ouro e Deus seja pecado, mas uma benção, que quem

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morrer nesta guerra santa terá a salvação da alma no reino de Deus. O rei-
no de Deus é aqui na terra, mas os seres humanos vivem sonhando com o
reino de Deus em outro lugar. Os cruzados cristãos querem é pegar de vol-
ta o ouro que os árabes roubaram da Península Ibérica e trouxeram para cá.
– Agora entendo por que os francos fizeram uma caminhada de 5 meses
até aqui ao invés de combater os turcos na Península Ibérica. Pobre plane-
ta Terra que criou todas as belezas no céu e no mar. Deve estar muito triste
vendo o que está acontecendo aqui em Jerusalém entre seus filhos.
– Tal tristeza do planeta Terra neste instante é semelhante a tristeza que
sinto quando não estou perto de você.
– Eu e você nos amamos. Se os cristãos, os árabes e os judeus se amas-
sem, amariam também Jerusalém. Pobre Jerusalém já foi destruída pelos as-
sírios, pelos egípcios, pelos babilônicos, pelos gregos, pelos persas, pelos ro-
manos e pelos cristãos. Estes cristãos não sentem compaixão e piedade pelos
judeus e pelos árabes. Jesus ensinou amar uns aos outros, no entanto os cris-
tãos odeiam os judeus e os árabes.
– Os cristãos odeiam os judeus e os árabes porque eles se odeiam e quem
se odeia odeia a si mesmo, aos demais e a Deus. Com ódio a Deus e em ple-
na escuridão, os seres humanos matam outros seres humanos sem saber que
estão matando a si mesmos e a Deus. Os árabes, os cristãos e os judeus só vão
entender Deus quando amarem alguém tanto quanto eu amo você.
– Como o deserto e o mar, os corações e mentes dos seres humanos es-
tão vazios de amor e cheios de ódio por Deus.
– Quando os seres humanos aprenderem que tudo no mundo e no uni-
verso pertence a Deus e aos seres humanos e deixarão de ser egoístas e ambi-
ciosos, aprenderão a dividir o que é de Deus e de toda a humanidade.
– Esse povo louco sem amor por si mesmo e por Deus, que é o amor
que tudo ama e perdoa, só vai deixar de ser louco e se tornar generoso com
os outros quando entenderem o que é o amor por Deus, que não é diferen-
te do amor que sinto por você, dentro de meu coração e entre meus seios.
– Entre duas dunas de areias, o sol nasce e morre. Entre dois seios nas-
ce e morre o amor por Deus. Quando o amor de um ser humano por Deus
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morre dentro de seu coração, o ser humano fica na escuridão, se transforma
num monstro com a mente e o coração cheio de ódio e ignorância.
– Quando árvores são queimadas e mortas, outras nascem em seu lugar.
Quando o coração do ser humano com o fogo do ódio convertem em cinzas
o amor que sentem por Deus o amor de Deus volta a nascer e florescer mais
uma vez, pois o amor é a energia positiva do espírito de Deus e por ser posi-
tiva ela é eterna, como Deus e como meu amor por você.
– Em tua presença sempre tenho a sensação que já estou vivendo com
você há mais de 3 mil anos para te amar tanto quanto amo.
– Ama-me e queima a tristeza de teu coração, pois é para amar a Deus e
queimar a tristeza dos corações dos homens que Deus fez com amor as mu-
lheres que, como as flores dos campos, representam o amor de Deus. Se
cada grão de areia que há neste deserto fosse um pedaço do meu amor por
você seria mais belo que o céu de Deus imaginado pelos escribas muçulma-
nos, cristãos e judeus.
– Os muçulmanos, os cristãos e os judeus por causa de suas religiões e
seus governantes vivem se apedrejando mutuamente achando que isto fará
Deus feliz.
– Deus nunca disse isto, mas o que ele quer é paz na terra e disto eu não
duvido. Mas na escuridão, os seres humanos enganados e iludidos por fal-
sas crenças, não ligam para o que Deus quer, pois na escuridão o que im-
porta não é a vontade de Deus, mas a vontade de seus governantes que es-
tão criando para aqueles que virão viver neste planeta um mundo ainda pior
do que este.
– Diante de tanta insensatez e estupidez, tudo o que posso dizer com
certeza é que enquanto as democracias não derrubarem as monarquias, suas
religiões e suas leis, ainda haverá neste planeta muitas guerras por precon-
ceito, ouro e terras.
– Os germanos destruíram o Império Romano do ocidente e os muçul-
manos venceram os germanos na Europa e no oriente, parece que o Alá dos
muçulmanos árabes é mais poderoso que o Jeová dos judeus e o Jesus dos
cristãos.

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– Em Jerusalém, os cristãos devem estar se sentindo como se estivessem
no céu, não é?
– É. Presos em Jerusalém, os cruzados cristãos ladrões se sentem em se-
gurança e em proteção. Ha vários portões de entrada e saída de Jerusalém,
mas se um cristão sair por uma delas, morre de flechas ou de estocadas de
espadas.
– Foi daqui do Oriente Médio que partiu a milhares de anos atrás as pri-
meiras galés com os seres humanos que colonizaram o norte do continente
africano e o sul do continente europeu. Os europeus ficaram tão felizes com
seus colonizadores que resolveram fazer deles seus colonos.
– Se não fosse o ódio, as guerras e os governantes dos povos da terra, toda
a África, Ásia e Europa seriam hoje um grande, próspero e feliz império, de
dar inveja a qualquer civilização extraterrestre. A diferença entre um ser hu-
mano e um extraterrestre é que o ser humano só vive pensando em conquis-
tar a terra enquanto o extraterrestre só vive pensando em conquistar o uni-
verso. É enorme a ambição entre o humano e o extraterrestre.
– Pobres cristãos, deixaram seus lares na Europa apenas para viverem
dentro da prisão de Jerusalém. Além de temer Deus, agora temem os árabes
turcos muçulmanos. Os árabes mataram muitos europeus na Península Ibé-
rica e os europeus estão matando muitos árabes no Oriente Médio. Quais fo-
ram os fatores sociais, políticos, econômicos, jurídicos, culturais e espirituais
que propiciaram o nascimento do litígio entre os francos e os muçulmanos?
– Foram os nascimentos de Jesus e Maomé. Se não tivessem nascido, a
Europa e a Ásia não lutariam por causa de fé e religião.
– Que religiões são essas que enchem os corações e mentes dos cristãos
e dos árabes de ódio e os impelem à guerra, a morte iminente nos campos
de batalhas?
– São as religiões da ilusão da escuridão da ignorância que prendem a
mente, o coração e a alma do ser humano ao temor a Deus e a si mesmo.
Como a água mudando de cor em contato com a tinta, a mente do ser hu-
mano muda em contato com o ódio à sua consciência, de pura para impura,

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boa para má, alta para baixa. O ódio é o pior dos inimigos, pois ele faz do
amigo o pior inimigo e do inimigo o melhor amigo.
– Que linda história de amor a dos árabes, judeus e cristãos, não é?
– É. Linda mesma.
Em 1187 as tropas turcas otomanas do sultão Saladino retomaram Jeru-
salém e mataram todos os cristãos que nela estavam vivendo ilegalmente e
abusivamente. Assim que a notícia chegou à Europa, o papa italiano Gregó-
rio III convenceu os reis Filipe Augusto do Império Franco, Frederico Bar-
ba Ruiva do Sacro Império Romano-Germânico e Ricardo Coração de Leão
da Inglaterra a retomar Jerusalém e a matar os infiéis árabes muçulmanos.
Enquanto os três reis marchavam em direção à Jerusalém, diante do sol
Tamires – em Jerusalém – rezava a Deus por paz no Oriente Médio e o rei
barba ruiva caiu do cavalo exausto pelo calor e morreu afogado abaixo das
patas de seu cavalo. O rei Filipe Augusto do reino Franco vendo a morte do
Barba Ruiva como um mal presságio, bateu em retirada de volta ao Impé-
rio Franco com seus soldados. Ricardo Coração de Leão, porém, continuou
a marcha em direção à Jerusalém e conquistou Chipre, Acre, Jaffa e depois
assinou um tratado de paz com o sultão Saladino, onde os cristãos ficariam
com o que conquistaram e Jerusalém em mãos dos árabes muçulmanos, sen-
do permitida a peregrinação de cristãos desarmados à Jerusalém. Enquanto
isto em Jerusalém, Tamires disse a Abel:
– Graças a Deus teve fim este pesadelo de 100 anos de guerras entre os
reinos da Ásia menor (Oriente Médio) e Europa.
– Lá na Europa todos os cristãos acreditavam que o exército de Cristo
era invencível. Agora não pensam mais neste mito. Milhões de seres huma-
nos, judeus, muçulmanos e cristãos morreram nessa guerra dos 100 anos por
causa dos papas romanos que estão mandando os europeus matarem todos
aqueles que não aceitarem a fé cristã como dentre todas as religiões, a única
e verdadeira religião e palavra de Deus. Se Jesus Cristo podia ver o futuro e
o fim da humanidade, ele não pôde ver os horrores que seus seguidores radi-
cais praticariam em seu nome e de seu Pai Nosso no céu.

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Em 1193, o velho Abel escreveu em uma folha de papel à sua amada
Tamires, que jazia morta e sepultada :
– Querida Tamires, filha mais amada e nobre da Ásia menor que até
morta é bela. Amarga como o limão é a saudade que sinto de você dentro
de minha mente e meu coração. Tão grande e belo como o Oceano Atlânti-
co é a grandeza e a beleza do meu amor por você. Nesta noite, sentado em
uma pedra debaixo de uma árvore iluminada pelas luzes das estrelas, da lua
cheia e de uma vela, eu escrevo com uma pena de pavão na mão em uma fo-
lha de papel a infelicidade da saudade que estou sentindo longe da sua com-
panhia agradável. Antes de você me deixar, eu via este mundo como sendo
o lugar mais belo e alegre do universo, mas ao partir para outra vida parece
que foi com você toda a beleza e alegria que havia neste planeta e dentro de
mim. Quando você aqui estava, o vento frio e suave que vinha dos rios, das
montanhas, do céu, do mar Mediterrâneo e do Oceano Atlântico alimen-
tavam o fogo do meu amor por você em meu coração com alegria. Agora
eles alimentam o fogo da saudade que, como o fogo do meu amor por você,
não se apaga com a água, com a areia, com o tempo, com a distância, com
a morte e nem com nada a não ser com a sua volta aos meus braços que so-
frem de tristeza, como os árabes se retirando aos poucos da Península Ibéri-
ca por não poderem mais abraçar você. As belezas e riquezas da Península
Ibérica foram as responsáveis por muitas guerras, choro e sangue derramado
entre fenícios, cartagineses, lusitanos, celtas, suevos, eslavos, romanos, visi-
godos, francos, cristãos, muçulmanos, judeus, politeístas, cientistas e ateus.
Juntando todo o sofrimento que estes povos passaram por milhares de anos
não pode ser comparado com nem mesmo um dia meu vivendo longe de
quem meu coração neste mundo inteiro mais ama. Tamires, meu amor, mi-
nha vida, minha alma, meu coração, meu céu, meu Deus, eu estou morren-
do de saudade. Eu te amo tanto, Tamires. Você é tão linda. Eu não consigo
esquecê-la nem acordado e nem dormindo. Estes dias longe foram os mais
longos e os mais dolorosos de todas as minhas vidas.
Após escrever os poemas de amor e saudade à sua amada morta, Abel fe-
chou os olhos, chorou e junto com suas lágrimas, sua alma deixou seu cor-
po mortal. Ele viu a alma de Tamires do outro lado da vida, se abraçaram e
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voaram com seus guias de luz de volta para casa para 3 dias depois retorna-
rem ao planeta Terra, desta vez ele em Zara e ela em Constantinopla.

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CAPÍTULO XIII

O SAQUE DE ZARA E A DESTRUIÇÃO


DE CONSTANTINOPLA

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E
m 1203, em Constantinopla, a imperatriz Irene disse ao
imperador bizantino Isaac II:
– Querido Isaac, veja como está belo este dia.
– Estou vendo e tudo o que vejo parece muito com a beleza do seu cor-
po e do seu rosto.
– Meu rosto seria mais bonito e feliz se não estivéssemos entre milhões de
cristãos e muçulmanos ao oeste com ânimo de conquistar Constantinopla.
– Muitos povos como os germanos, os árabes e os hunos já tentaram con-
quistar Constantinopla antes e, como antes, nenhum povo da Terra será ca-
paz de conquistá-la porque Constantinopla é inconquistável.
Enquanto isto sobre um monte verde de frente para o mar de Márma-
ra, a cristã Sofia observava a beleza do palácio imperial de Constantinopla
enquanto seu namorado, Antonino, o cristão se aproximou com um peda-
ço de colmeia cheia de mel de abelha, dizendo-lhe enquanto caminhava:
– Meu amor. É doce o mel das abelhas, mas doce ainda é o meu amor
por você. Coma isto para você ficar ainda mais bela e doce como uma flor.
– Obrigada. Senta aqui ao meu lado e vamos apreciar juntos a beleza
do pôr do sol.
– Sonhei com você esta noite e em meus sonhos eu a vi grávida em meio
a um monte de flores lunares que a medida que você ia caminhando elas
iam se desabrochando.
Ali próximo um judeu de Zara chamado Zafir disse à sua esposa Celeste:
– Querida Celeste, esta noite sonhei com você.
– E como foi este sonho?

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– Eu caminhava por uma montanha toda verde cheia de belas árvo-
res e vi uma ilha no meio do lago com uma grande flor sobre ela. Quando
o sol saiu de trás das nuvens, a flor se abriu e eu vi um bebê sorrindo para
mim e depois vi a flor se transformando em você e você pegando o bebê em
seu colo.
Assim que o inverno terminou em Zara, os milhares de cavaleiros feu-
dais germanos cruzados marcharam em direção à cidade-estado de Cons-
tantinopla, que permaneceu com os portões fechados até que os cruzados
os derrubassem, entrassem e atacassem o povo romano em pânico de Cons-
tantinopla.
O imperador Bizantino Aleixo III fugiu com medo de morrer enquanto
as grávidas Celeste e Sofia, escondidas por seus maridos em porões de casa,
saíram após 3 dias do saque cristão e viram Constantinopla em meio a cha-
mas, ruínas, fumaça e cinzas. Tal cena de muitos cruzados e bizantinos mor-
tos nas ruas, fizeram as mulheres chorar. Zafir disse à Celeste:
– Não chora, meu amor. Isto é só ilusão da mente do Criador para testar
tua força. Evita olhar o que te entristece e vamos para um lugar cuja paisa-
gem seja mais agradável de apreciar.
Próximo de Zafir e Celeste, Antonino disse à Sofia:
– Os cruzados queriam matar nossos filhos para obter riquezas e libertar
Jerusalém do domínio árabe muçulmano. Estão os cristãos com tanto ódio
e só pensando em se vingar dos árabes que nem se importam mais em ma-
tar crianças e os pais das crianças. Esqueceram completamente o que o mes-
sias Jesus lhes ensinou sobre bondade, perdão, misericórdia, piedade, paz,
Deus, compaixão, força, liberdade, remissão, retidão, sinceridade, honesti-
dade e amor.
– O ódio enlouquece as mentes, os corações e as almas dos seres dos hu-
manos e está espalhada por toda a Constantinopla a prova de que estou fa-
lando a verdade.
– Deus está tendo um pesadelo neste momento, mas todo pesadelo tem
sempre um começo e um final e logo Deus voltará a sonhar e a paz reinará
novamente neste universo e neste planeta Terra.

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– A paz de Deus depende da paz entre todos os povos que compõem as
sociedades da humanidade.
– São os papas os responsáveis por toda esta destruição.
– Tais papas estão mais para reis e generais militares que representantes
de Deus na terra. Deus não disse aos papas “matem todos os árabes porque
estão endemoniados.” Foram as mentes doentias dos papas que criaram tais
palavras que levaram em 100 anos a morte de milhões de muçulmanos, ju-
deus e cristãos.
– Deus perdoa os muçulmanos e os cristãos que devido à má influência
de seus governantes estão matando crianças, mulheres e idosos no Oriente
Médio e na Europa. Abençoa-os para que removam de dentro de si a escuri-
dão e a ignorância que os impedem de ver dentro dos corações dos que ma-
tam aqueles que os amam, mesmo sendo morto por eles em massa. Deus nos
dá ar para respirarmos. Deus nos dá água para saciarmos nossa sede. Deus
nos dá alimentos para não sofrermos de fome. Deus nos dá luz para vermos
as belezas que há na natureza e no entanto os seres humanos fazem sofrer
aquele que mais os amam e que na vida e na morte nunca os abandonam.
Como Deus em relação ao amor que sente pela humanidade, assim sou eu
em relação a amor que sinto por você.
– Você vê Deus como sendo belo, bondoso e amoroso, mas os cristãos, os
judeus e os islâmicos veem Deus como um monstro, como a máquina esta-
tal que foi criada pelos governantes para julgar e punir os criminosos da so-
ciedade civil e dos Estados. Deus não é um monstro que vive julgando e pu-
nindo as almas dos seres humanos em dimensões diferentes, mas o amor, o
perdão e tudo que é belo, puro e bom. Tão belo, puro e bom quanto Deus
é, é também o meu amor por você, que envelhece junto com o meu corpo,
mas não morre quando meu corpo morre porque eu o levo comigo no cora-
ção da minha alma para outra vida, como um semeador leva com ele uma
semente para plantar em outra terra. Como a semente em outra terra germi-
nará e se tornará uma grande árvore cujos frutos darão origem a outras árvo-
res, meu amor por você em minha alma e em outra vida continuará a se de-
senvolver até crescer e se multiplicar por toda a eternidade.

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– Os judeus, os cristãos e os islâmicos acreditam que o corpo é mortal
e a alma é imortal. Que Deus é um só e que o dia do Juízo Final está pró-
ximo. Tal crença foi o que levou os judeus, os árabes e os cristãos a se odia-
rem e se matarem.
– É crime perseguir, julgar e punir qualquer judeu, cristão ou muçul-
mano porque não creem no mesmo Deus. É direito de todo judeu, cristão e
muçulmano adorar Deus à sua maneira, seja em pé, sentado ou de joelhos
no chão. Adorar Deus de diferentes maneiras não é crime, mas um direito
divino. Crime é impedir que tais adorações aconteçam para impedir que a
mente de Deus fique satisfeita, pois Deus, estando com a mente satisfeita,
satisfeitos todos nós, espíritos eternos, ficamos. Como satisfeitas ficam as cé-
lulas do corpo quando o estômago não está com fome.
Enquanto o povo de Constantinopla ficava a se lamentar pela batalha,
os cavaleiros cristãos venezianos voltaram para casa com tesouros de valor
inestimável acumulados durante milhares de anos de saques dos povos con-
quistados pelo Império Romano do oriente.
Em 1217 em Roma, o papa Inocêncio III abençoou o rei da Hungria,
André II e o rei da Áustria, Leopoldo VI que partiram em barcos de guerra
romanos em direção à cidade de São João D’Acre, no Egito. Enquanto isso,
em Constantinopla, os jovens filhos de Sofia e Antonino caminhavam de
mãos dadas sobre as ondas pequenas do mar de Mármara que ia e voltava
da praia, cantando “eu te amo, ser humano. Eu te amo, ser humano”. Za-
fir disse à Celeste:
– Sabe o que estão cantando as ondas do mar de Mármara?
– Sei não, o que é?
– Eu te amo, meu amor, eu te amo para sempre e eternamente em mi-
nha alma.
– Veja como o amor e a sabedoria está em tudo o que podemos ver. O mar
de água salgada e o mar de água doce representam o amor salgado e doce. O
mar de água salgada representa o amor da saudade e o amor doce o amor que se
sente quando se está próximo da amada. As ondas do mar de água salgada repre-
sentam as lembranças da amada que vêm e vão constantemente, sem que haja

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qualquer controle ou pausa. As ondas do mar doce representam a renovação da
felicidade que quando desaparece imediatamente aparece outra em seu lugar.
Veja o céu azul. Ele é como as ondas do mar que vive indo e vindo iluminar e
escurecer a natureza. Veja as árvores, nascem em uma e renascem em outra ár-
vore como a alma do ser humano renascendo a cada corpo e depois voltando a
nascer novamente neste planeta. Como a vida e a morte são as ondas do mar que
vêm e vão e nunca se cansam de ir e vir como não cansa de ir e vir o meu amor
por você, da minha alma e consciência espiritual, seja quando estou dormindo
ou acordado. Saudades de você eu já experimentei, amor por você eu sinto em
meu coração. A saudade de você é como um pesadelo que se repete todos os dias
e todas as noites vivendo longe de você. O que quero lhe dizer com tudo isto é
que tanto a saudade quanto o amor que sinto por você só fazem a minha men-
te, o meu coração e a minha alma te amarem ainda mais a cada dia que passa.
– O tempo é sábio, pois ele é paciente e tolerante com os erros das almas
de Deus encarnadas em seres humanos que lutam para eliminar seus car-
mas passados com boas passadas no presente para que no futuro tenham um
nascimento melhor neste planeta cheio de belezas, que foram criadas com
amor pelo espírito de Deus para que as almas encarnadas apreciassem a arte
de amar a Deus, cuja premissa máxima é despertar as almas iludidas para a
realidade e perceber que por trás da beleza de uma bela ilusão há uma be-
leza muito maior na realidade. Na ilusão, as almas encarnadas criam o seu
próprio sofrimento com os seus erros. De tanto errarem, elas se acostumam
a errar e quando isto acontece não param de errar mais, pois errar para elas
se tornou um vício do qual elas não têm poder para se libertar. Na realidade,
as almas encarnadas destroem o sofrimento que criam, pois na luz da reali-
dade e da verdade tudo é claro como claro tudo é na natureza durante o dia.
Por ser feito de amor espiritual, este planeta ama Deus e é do seu amor por
Deus que surgem as flores, as plantas, os animais, os seres humanos, os rios,
os mares e as chuvas. É por causa do amor que o sol sente por Deus que ele
brilha no céu e cria todo tipo de vida no planeta Terra. É também por causa
do amor que minha alma sente por sua alma que dela emana como emana
da terra as flores e do sol a luz solar, a felicidade que ela sente em te amar.

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Alguns dias depois o exército da Hungria e da Áustria desembarcaram
no porto de São João D’Acre e de lá partiram para o ataque à cidade egípcia
de Damietta. O sultão do Egito ofereceu Jerusalém e uma generosa oferta
em ouro se os cristãos tirassem do cargo de líder dos cruzados o cardeal Pelá-
gio. Ao saber da proposta do sultão do Egito, o cardeal Pelágio disse aos reis
da Hungria, André II e Leopoldo VI:
– Não devemos aceitar as propostas do infiel sultão do Egito, pois não é
verdadeira e confiável e você sabe como são mentirosos os muçulmanos ára-
bes. Vamos atacar Damietta agora e daqui reconquistaremos Jerusalém das
mãos ímpias dos árabes muçulmanos. Quem tiver comigo, me siga.
Os soldados germanos atacaram Damietta e depois de uma longa ba-
talha perderam a primeira batalha. O sultão ofereceu novamente a mesma
proposta, mas cheio de ambição por todas as riquezas de Damietta, os cris-
tãos cruzados lutaram contra os egípcios de Damietta por 8 meses até ven-
cê-los e tomar Damietta e todos os seus tesouros. Enquanto isto, em Cons-
tantinopla, Zafir disse à Celeste:
– Meu amor. A cada dia que está passando mais bela você está se tornan-
do e quanto mais bela você se torna, mais belo se torna meu amor por você.
– Seu amor por mim é belo como belo é o espírito de Deus, mais belo
ainda que o espírito de Deus é o meu amor por você.
– Muitas vidas com você eu estive e quanto mais vidas vivo com você,
mais feliz eu fico.
Em 1221 chegaram mais reforços aos cristãos que empreenderam uma
luta épica contra os árabes muçulmanos egípcios e o resultado terminou em
um acordo em que consistia voltar à Europa vivos ou mortos em batalha no
Egito. Aos poucos os cristãos germanos húngaros e austríacos foram se reti-
rando de barco do Egito em direção à Áustria e à Hungria. Enquanto isso,
em Constantinopla, Zafir disse à Celeste:
– Ó mais bela de todas as mulheres deste planeta Terra e do universo,
meu amor por você em relação ao seu por mim é como o universo em rela-
ção ao planeta Terra.

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– Acho que é o inverso. Pois se meu amor por você e o seu por mim fos-
sem postos em uma balança, o meu lado ficaria embaixo e o seu em cima,
pois meu amor por você é grande e pesado como o universo em relação ao
teu leve amor, que é leve e belo como o planeta Terra.
– Quem está certo sobre quem ama mais, sou eu ou você? Eu não sei,
mas uma coisa eu sei.
– E o que é?
– Eu sei que amo você, mas não sei se amo mais do que eu ou Deus.
Mas eu sei que amo você e isto eu tenho certeza, pois se eu não te amasse,
eu não pensaria em você, eu não escreveria para você, eu não cantaria para
você e nem dividiria todo o meu tempo com você. Mas eu penso, eu escre-
vo, eu canto e dividido todo o meu tempo com você, com o maior prazer,
como se fosse a maior de todas as honras.
– Honrado é aquele que é sincero, sincero é aquele que ama a verdade.
Ama a verdade aquele que ama Deus, pois não há verdade maior que esta,
como não há amor humano e extraterrestre maior que o meu por você. Nem
os deuses e nem os anjos podem desenvolver um amor maior e mais puro
por Deus que o que eu desenvolvo com pureza por você. Assim como puro
e belo é o amor de Deus, puro e belo também é o meu amor por você, so-
mente Deus e eu podemos compreender.
– A compreensão do que é puro e impuro, bom e mal, eterno e tempo-
rário na natureza e no universo surge por meio da lógica e da razão do que é
realidade e ilusão, cujo entrelaçamento amoroso enlouquece minha mente
e meu coração. Por amor a Deus e por você, estão acima de todas as artes di-
vinas e belas criadas na Terra e no universo. A irrealidade temporária de teu
corpo mortal e a realidade eterna de tua alma são tão encantadoras como o
pôr do sol num belo final de tarde no mar. É tanta beleza e luz em você que
faz meus olhos, minha mente, meu coração e a minha alma verem na ilu-
são do universo você como a única alma verdadeira em toda a criação men-
tal, material e espiritual de Deus. A mente de Deus vive em conflito entre
o bem e o mal, a luz e a escuridão, a sabedoria e a ignorância, o amor e o
ódio, a generosidade e o egoísmo e é por ela ser assim que assim também são

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as mentes dos seres humanos, desde o dia em que nascem até o dia em que
morrem. Há muitas guerras sangrentas no mundo inteiro entre os inúmeros
reinos que nela existem. Tais reinos como o chinês, o persa, o cristão e o tur-
co otomano têm como objetivo conquistar o mundo inteiro e fazer dos povos
da Terra seus escravos. Se tais povos conseguirem conquistar o mundo, nós
seremos seus escravos e perderemos nossa terra, nossa liberdade, nossa in-
dependência e a nossa soberania. Já houve muitas guerras neste planeta por
causa de ouro, terra, mulheres e deuses, mas nenhuma destas guerras foram
vencidas pela justiça e pela honra, pois não há justiça e nem honra na guer-
ra, apenas injustiças e desonras, pois é por meio das injustiças e das desonras
que se vencem as guerras e se estabelece a paz na guerra. Se conquista o co-
ração e a mente de uma mulher por meio do amor. Se conquista reinos e im-
périos por meio do terror, pois o terror impõe o medo às mentes e corações
dos seres humanos e tira suas forças e sem forças nenhum homem, mulher,
criança ou idoso tem coragem de lutar. Nas lutas em que lutam os covar-
des, os covardes são os primeiros a cair em batalha. Não tema a escuridão do
mundo e nem das mentes humanas, pois sempre depois da noite vem o dia,
como da tristeza vem a alegria, da maldade a bondade, do ódio o amor, da
ignorância a sabedoria. Aqueles que não veem Deus nos corações de todos
os seres vivos jamais alcançarão a sabedoria mais elevada. Inabalável como
a montanha é aquela que a Deus e a tudo de bom ama e a tudo que é ruim
não ama e nem odeia. O que ama o que é bom e odeia o que é mal não é
um sábio, é um animal, pois o sábio nada odeia e o que odeia não é sábio, é
tolo. Só os tolos odeiam a si mesmos, a Deus e a todos. Quem ama Deus se
ama, ama todos, até mesmo os tolos como se os mais sábios fossem. Como
as hienas e os crocodilos que nascem e morrem, muitos reis e imperadores
nasceram e morreram tentando conquistar o mundo por meio da força e da
violência. O mundo é grande e os reis são pequenos, mas na ilusão, para os
reis, o mundo é pequeno e eles são grandes. Somente por meio do amor, da
paz, da verdade, da tolerância e da sabedoria é possível conquistar este mun-
do, como este mundo conquista a todos. Nem todos neste mundo são pie-
dosos como você é, pois você não pertence a este mundo em que tudo pare-
ce estar nascendo e morrendo, pois nada neste mundo nasce e morre, como

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nada em teus sonhos nasce e morre. Tudo o que nasce e morre em teus so-
nhos é só ilusão da tua mente. Não tema a ilusão e nem a realidade. Dife-
rente de você que sonha dormindo, em teu mundo todos sonham acordados
e por causa disto não compreendem a verdade mais elevada que está além
da ilusão e da realidade. Sede bom. Cultiva bons pensamentos em tua men-
te. Ora por paz na terra e na terra paz haverá.
Em 1228, partiu do sacro Império Romano germano o exército cruzado
do imperador Frederico II de Hohenstauffen em direção a Jerusalém. En-
quanto isso em uma adega de vinho, à beira mar em Constantinopla, Zafir
disse à Celeste:
– Toda vez que os romanos, os germanos e os judeus estão em guerra,
os hunos mongóis das estepes frias da Ásia vêm aqui e dão uma lição neles.
Em guerras contra os chineses, os turcos muçulmanos, os persas, os mongó-
is, Rússia e a Ucrânia, Genges Khan e seu bando de assassinos e ladrões as-
sassinaram cerca de 70 a 100 milhões de seres humanos inocentes no Orien-
te Médio, na Europa, na África e na Ásia. Em seu leito de morte, o último
desejo de Genges Khan foi que eliminassem os milhares de chineses que vi-
viam na cidade murada de Tangut. Ao morrer Genges Khan, todas as crian-
ças, mulheres e idosos chineses de Tangut morreram juntos com ele.
– O ódio destrói mentes e corações, famílias e nações. O ódio faz dos se-
res humanos animais irracionais e como prova a própria história, os maus
sempre morrem jovens.
– Todos os milhões que morreram e todos os milhões que mataram nes-
ta guerra na Ásia foram os que mataram e morreram em batalhas em vidas
passadas. Os que morreram nesta guerra, nas próximas vidas matarão quem
os mataram por vingança. Por causa do ódio e da roda do carma, nunca ha-
verá paz na Terra enquanto os seres humanos não aprenderem a se amar e a
se perdoar, pois somente quando aprenderem a se amarem e se perdoarem,
amarão e perdoarão os erros de seus irmãos que, iludidos pela ilusão da igno-
rância da escuridão, vivem vendo um no outro o diabo e não Deus.
– O sonho de todos os imperadores é matar todos os povos da Terra e im-
por à força à sua crença religiosa e leis sob pena de morte dolorosa e lenta

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em caso de desobediência para se sentirem importantes, felizes. Tudo o que
eu preciso neste mundo para ser feliz é ter o seu amor.
– Meu amor a você te darei permanentemente para que em todas as suas
vidas futuras você seja feliz para sempre. Lá vai o sol descansar por mais um
dia de trabalho.
– Em seu trabalho diário, o sol alimenta as plantas com a sua luz forte
e tudo o que toca purifica, com exceção das cavernas escuras e da malda-
de dentro das mentes e dos corações dos seres humanos. A luz do sol não é
capaz de destruir a escuridão da ignorância e os maus pensamentos dos co-
rações e das mentes dos seres humanos, mas é capaz de alimentar com luz
o amor que eu sinto por você em meu coração e mente, como alimenta a
lua do sol e a da lua as flores das montanhas. A luz da sabedoria e do amor
a Deus é superior à luz do sol e da lua cheia porque são as únicas luzes que
podem destruir a maldade, a ignorância, a escuridão e a negatividades das
mentes e dos corações dos seres humanos. Os seres humanos estão em bus-
ca de ouro para serem adorados como reis, mas a verdadeira riqueza não é a
riqueza do ouro, mas a sabedoria e o amor de Deus. Se o amor de Deus e a
sabedoria pudessem ser convertidos em vinho e todos os mongóis se embria-
gassem por tal vinho, animais como os Genges Khan e seus guerreiros nun-
ca mais pensariam em matar e roubar outros povos e violarem suas leis. Os
reis da Terra possuem muitas riquezas cuja beleza é superada somente pela
beleza que você possui.
– Hoje à noite está tão estrelado o céu negro do universo.
– O universo é como este planeta e os seres humanos que amam Deus
são como o universo e as estrelas, pois o universo é cheio de escuridão e as
estrelas cheias de luz. As estrelas vivem em paz e iluminando umas às outras.
Os que odeiam Deus são como as estrelas que morreram e perderam o seu
brilho. As luzes das estrelas representam o amor de Deus pela vida e a escu-
ridão do universo o ódio e a inveja que os seres humanos na escuridão nu-
trem por Deus em suas mentes e corações. Antes dos romanos converterem
os germanos ao cristianismo, os germanos não pensavam em conquistar o
mundo, mas apenas viver em paz com suas famílias e amigos. O sonho dos

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romanos, dos germanos e dos islâmicos de conquistarem o mundo transfor-
mou a vida de seus povos num pesadelo tão grande quanto o que sinto quan-
do estou longe de você. Tais sonhos de grandeza dos povos da África, Orien-
te Médio e Europa chegou à Mongólia que quer crescer como o Império
Romano, sacro germano, islâmico e quanto maior é o império, mais pesada
é a sua queda. O que os seres humanos em sua breve vida como o relampe-
jar de um relâmpago devem conquistar não é o mundo inteiro e grandes im-
périos, mas suas mentes, seus sentidos, seus pensamentos negativos e a ân-
sia por poder em seus corações. Nunca estamos sozinhos. Deus que vive em
nossos corações está sempre conosco, como estão sempre conosco os nossos
guias de luz. Quando nossos guias de luz estão conosco, sentimos paz, felici-
dade e amor. A paz, o amor e a felicidade eterna faz dos seres humanos deu-
ses imortais e destemidos que fazem nossos guias, Deus e este planeta feliz.
– Neste planeta cheio de belezas, mesmo que eu estivesse com todos os
anjos do céu ao meu redor, ainda assim eu não sentiria felicidade alguma se
você morresse ou me deixasse por riquezas e mulheres.
– Eu amo tanto você que não há nada mais precioso e valioso para mim
neste universo estrelado do que a sua felicidade, pois a sua felicidade é a feli-
cidade de Deus e também a minha felicidade. A terra não pode ser feliz sem
o amor do sol por ela e nem eu pelo seu amor, que não é uma montanha de
ouro, mas é de todas as riquezas deste planeta o que para mim tem mais valor.
– O que tem valor? Os seres humanos na escuridão não dão valor e o
que não tem valor eles dão valor, como a guerra em meio a paz, eu vou te
amando cada vez mais.
Em 1229, no Oriente Médio, o imperador do Sacro Império Romano
germano Frederico III assinou um tratado de paz com o sultão Aiúbida al-Ka-
mil que lhe concedeu a posse de Jerusalém, Belém e Nazaré por dez anos. En-
quanto isso, na igreja de Santa Sofia em Constantinopla, Zafir e Celeste sa-
íram da igreja casados. Após a luz de mel, ele viajou com o pai a negócios e
em Atenas, Zafir escreveu à Celeste:
– Querida Celeste, de rosto belo como o céu, o amor que sinto por você
ilumina a minha alma e o meu coração. Sem minha alma, meu corpo não

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pode ser feliz e sem você minha alma também não pode. Eu te amo tanto
quanto as estrelas amam este planeta e este planeta ama as estrelas. Quão
elevadas são as estrelas, elevado também é o amor que sinto por você saindo
de dentro do meu peito, como a luz saindo das estrelas. Como minha som-
bra, a infelicidade e a saudade andam lado a lado comigo onde quer que eu
vá e só me abandonam quando vejo você sorrindo com o brilho das estrelas
que sai de dentro de você. Como o escorpião paralisando suas presas com o
seu veneno, o amor que sinto por você paralisa minha mente, meu coração
e mata minha alma de amor. Quando sento perto de você é como se estives-
se no céu. Para se sentir no céu, as almas iludidas desejam rios de ouro e rei-
nos de diamantes e tudo o que eu desejo para ser feliz é só um abraço, o seu
amor e um beijo seu. Querida e bela Celeste, esses dias todos sem ver você
tem sido os piores dias da minha vida. A sensação desagradável de não vê-
-la é como a sensação de uma alma atormentada pela perda de algum ente
querido que partiu para outra vida. A dor e a aflição da saudade que sinto de
você é como a de um ser humano carregando uma cruz nas costas, pregos
nas mãos, nos pés e espinhos na cabeça e no coração.
Assim que voltou à Constantinopla, Zafir disse à Celeste, com uma flor
e uns poemas nas mãos, enquanto o sol ia se pondo e as estrelas iam apare-
cendo no céu negro do universo:
– Toda vez que olho as estrelas eu me lembro de você. Toda vez que
penso em você, mais amor nasce em minha alma, coração e mente. Quan-
to mais amor por você nasce em meu coração, alma e mente, mas feliz e em
paz eu me sinto. Quanto mais sinto paz e felicidade, mais feliz fica a alma
de Deus. Quanto mais feliz fica a alma de Deus, mais feliz ficam os extra-
terrestres e a humanidade. Quanto mais feliz ficam os extraterrestres e a hu-
manidade, mais feliz fica o universo, as estrelas, este planeta e eu que te amo
onde quer que eu ande.
– Onde quer que você ande, se não andar comigo, alegria nenhuma na
vida consigo sentir. Com você longe de mim eu me sinto infeliz, com você
perto de mim, eu me sinto feliz. Me sinto feliz e infeliz quando estou e não
estou com você porque te amo. Que bom que está de volta. Senti muito a

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sua falta. Sofri de ansiedade, preocupação, insônia, fome e febre alta. To-
dos os dias eu orei a Deus para te proteger na viagem de ida e volta a Atenas.
– Teu sofrimento não foi diferente do meu, pois os mesmos sintomas
que você sentiu, eu também senti. O amor por você em meu coração lon-
ge de você fez ele queimar e arder de paixão e saudade. As chamas da sau-
dade eram tão intensas que faziam meu coração gritar de dor como se mi-
nha alma estivesse sendo rasgada ao meio. Graças a Deus estou vendo você
novamente, pois somente a sua beleza é a única arma no universo inteiro
que pode serrar ao meio a saudade e a tristeza que sinto quando estou lon-
ge de você.
– É doloroso amar quando se está longe de quem ama, mas vale a pena
quando a gente se encontra. Nossos encontros são como o encontro da na-
tureza com o sol e o sol com a natureza. Dentre todas as coisas belas neste
planeta, a mais bela de todas é você.
Em 1244, na Faixa de Gaza no Oriente Médio os germanos cristãos do
imperador Frederico II são derrotados pelos árabes e perdem Belém, Naza-
ré e Jerusalém. Assim que a notícia chegou a Zara, ele disse:
– Os papas diziam que o exército de Cristo era invencível, pois ele tem
a proteção de Jesus Cristo, mas depois de tantas derrotas para os muçulma-
nos, já percebi que Jesus Cristo não está do lado daqueles que lutam por
uma causa injusta e que usam o nome de Deus para cometerem tais injus-
tiças. Por causa das derrotas para os árabes, muitos cristãos estão perdendo
a fé em Jesus Cristo e na igreja católica e por esta razão ela está queimando
seres humanos por opinião política e religiosa. O direito germano, romano
e muçulmano são muito desumanos e intolerantes acerca do direito de ex-
pressão e crença religiosa dos seres humanos. É direito dos seres humanos
expressarem livremente suas ideias e adorar seus deuses antes de morrer e se
encontrar com Deus.
– É crime mandar queimar seres humanos inocentes por opinião políti-
ca e religiosa, mas o povo pobre e inculto da Europa vê tais cenas de horror
como sendo o mais divino de todos os atos de compaixão e amor ao próximo.

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Em 1248, o rei Dagalia Luís IX levou suas tropas de germanos fran-
cos para o Egito e, após uma breve batalha, tomou a cidade de Damietta.
O sultão do Egito ofereceu Jerusalém de presente para a retirada do exér-
cito franco de território árabe egípcio, mas o rei dos francos germanos, am-
bicioso como os demais reis que o antecederam, queria o Egito, o norte da
África e Oriente Médio só para ele e o rei Luís IX, por causa de tal ambição,
caiu prisioneiro dos egípcios muçulmanos e a rainha da Gália teve que pa-
gar um alto preço em prata e ouro aos egípcios árabes por seu resgate. Em
1257, a Pérsia, é conquistada pelos hunos mongóis. Em Atenas, Grécia, Za-
fir disse à Celeste:
– Os mongóis tomaram a Pérsia dos árabes. Os árabes agora estão em
guerra com os mongóis, os judeus, os romanos e os germanos. Espero que
não voltem à Constantinopla e façam com ela o que fizeram os exércitos do
imperador Átila.
– Com os árabes lutando contra os mongóis, será mais fácil os soldados
cristãos libertarem Jerusalém do controle dos árabes muçulmanos.
Em 1258, os mongóis entraram no Iraque e destruíram Bagdá. Em
Constantinopla, Zafir disse à Celeste:
– Como os animais que não sentem compaixão pelos animais que ma-
tam, os mongóis não sentem compaixão pelos seres humanos que estão ma-
tando no Império Árabe. Parece que a doutrina militar, política e religiosa
islâmica do Juízo Final dos muçulmanos irritou não só os judeus e os cris-
tãos, mas também os hunos mongóis da Ásia. Dizem os judeus, os cristãos
e os muçulmanos que Deus julga e pune a humanidade com justiça e mão
de ferro, mas isto não é verdade. Dizem os islâmicos que o anjo Gabriel dis-
se para matar todos os povos da Terra que não se converterem ao islã e isto
não é verdade, pois um anjo jamais incitaria ódio entre os seres humanos e
Deus jamais julgaria e puniria aqueles que ama de alma, mente e coração.
Em 1259, os mongóis tomam a Síria dos árabes. Em Zara, Zafir disse
à Celeste:
– O Império Abassida está chegando ao fim.

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– Como o Império Romano, o Império Árabe invadiu outros países e
impôs aos povos invadidos a escravidão e por esta razão está tendo o mesmo
fim que o antigo Império Romano. O mesmo acontecerá ao Império Huno.
– As religiões e as ciências dos seres humanos fizeram deles os maiores
ladrões e assassinos do planeta Terra e do universo.
Em 1279, o imperador mongol, Kublai Khan se tornou imperador da
China. Rapidamente as notícias da conquista da China chegaram à Cons-
tantinopla. Zafir disse à Celeste enquanto caminhavam de mãos dadas pela
praia, sentindo o vento forte nas faces e ouvindo a bela canção do mar:
– Este planeta Terra deveria ser rebatizado de planeta Guerra, pois paz
permanente nele não há. Nunca em toda a história da humanidade tantas
mulheres ficaram viúvas de uma só vez. As ciências materiais e espirituais
dos seres humanos transformaram este planeta numa grande prisão cheia de
ladrões mentirosos, desonestos e impiedosos.
– A diferença desta prisão planetária para a prisão do Estado é que na pri-
são do Estado, o ladrão sofre dia e noite e na prisão planetária o ladrão sofre
vida após vida, reencarnando sucessivamente na roda do carma.
– Nem de carma, nem de Deus e nem de direito, entende a maioria da
humanidade, pois se entendessem, não viveriam em guerras por terras que
pertencem a Deus e a toda a humanidade.
– Fazer os seres humanos ver o mundo e o universo como nós vemos
é tudo o que os deuses annunakis e os governantes deste planeta Terra
não querem.
Em 1270, o rei franco Luís IX, voltou ao Egito para pegar de volta o res-
gate que sua esposa pagou para libertá-lo e se vingar das humilhações que
sofreu na prisão dos egípcios anos atrás. Assim que seu exército de milhares
de cruzados cristãos desembarcaram no litoral da África foram atacados por
uma peste que estava ceifando a vida de vários egípcios e que ceifou as vi-
das dos seus soldados, que morreram aos milhares e sem combater os infiéis
muçulmanos egípcios, regressando à Gália. Enquanto isso, em uma grande
plantação de trigo, em Constantinopla, Zafir e Celeste observavam um de-
senho imenso e belo sobre ela. Zafir disse à Celeste:

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– Esta arte é obra humana ou extraterrestre?
– Não sei. Mas sei que eles levaram um monte de trigo para plantar em
seu planeta e alimentar o seu povo com pão e bolo.
Em 1271, o príncipe Eduardo da Inglaterra, montou um exército cru-
zado cristão para libertar o estado de Jerusalém do domínio árabe abássida
e partiu com ele para a cidade de Acre (Israel) e lá entrou em combate com
as tropas muçulmanas do sultão árabe do Egito, Baibars, que reduziu o rei-
no de Israel a uma pequena faixa de terra entre Sídon e Acre. Em Constan-
tinopla, Zafir disse à Celeste:
– Minha velha querida do meu coração e da minha alma. Ha um novo
exército cruzado tentando reconquistar Jerusalém.
– O que os cristãos cruzados deveriam fazer era deixar o povo de Jeru-
salém em paz e morrer em paz também. A cada dia estamos cada vez mais
próximos da morte.
– A morte é uma ilusão da mente, é a porta de uma vida a outra. Mui-
tos seres humanos que vivem na escuridão da ignorância temem a morte e
por temerem a morte vivem tristes e infelizes crendo que deixarão de existir.
Os que creem em reencarnação também vivem com medo de morrer e re-
nascer no corpo de um inseto ou ir para o inferno, mas nós seres humanos
só reencarnamos em corpos humanos e após a morte não tem inferno, de-
mônios e tristeza, mas anjos, céu, alegria, Deus e a volta a este planeta Ter-
ra. Entre a alegria e a tristeza, a morte e a vida, vive a alma humana sofren-
do, vida após vida.
Em 1295 em Constantinopla, Zafir disse à Celeste:
– Bom dia, minha velha querida do meu coração. Parabéns pelos 100
anos de idade.
– Obrigada. Estas flores são para mim?
– São. Se eu retirar uma destas flores destes frágeis galhos que aguen-
tam tempestades, elas irão murchar e morrer de tristeza como murcham e
morrem de tristeza o amor entre aqueles que não amam suas companheiras
como eu amo você. A morte em breve virá, mas ela não poderá apagar do

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registro akáshico da minha alma as lembranças alegres que tivemos em nos-
sas vidas passadas. Todos os dias as flores se abrem e se fecham com a chega-
da do sol e da lua. Elas são como o meu amor por você a cada vida e a cada
morte. As guerras entre os europeus, os árabes, persas, chineses, europeus
me mostraram o que existe de pior neste planeta Terra e o amor que sinto
por você me mostrou o que existe de melhor nesta vida. Infinita é a bonda-
de de Deus por me permitir amar você por toda uma vida. Tudo o que mais
desejo neste instante é que quando eu morrer, eu possa ter a oportunidade
de amar você uma vez mais na minha próxima vida em busca da mestria.
– São necessárias muitas vidas para se alcançar a mestria. Olha aquele
passarinho cantando no galho daquela árvore.
– Estou olhando. O que tem ele?
– Está dizendo que nossas almas estiveram juntas em vidas passadas e
que continuarão juntas no futuro.
– Está vendo aquele outro passarinho cantando?
– Estou. O que ele está dizendo?
– Eu te amo, meu amor, eu te amo tanto.
– Teu amor por mim é tão grande quanto um pavão perto de um ele-
fante, se comparado com o amor que eu sinto por você dentro do meu cora-
ção que, apesar de velho, não perdeu a capacidade de amar a Deus e a você.
No dia seguinte, ao acordar, a velha Celeste viu Zafir morto ao seu lado.
No dia seguinte Celeste morreu de saudade e foi sepultada na mesma cova
que Zafir. A alma dela se encontrou com a alma dele e juntos voaram com
seus guias de luz em direção à alma de Deus para 3 dias depois retornarem
ao planeta Terra, desta vez ela em Milão e ele em Gênova, Itália.

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CAPÍTULO XIV

A PESTE NEGRA E A GUERRA


DOS CEM ANOS ENTRE A
INGLATERRA E A FRANÇA

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E
m 1320, em Milão, dois cavaleiros vestidos de armadu-
ras de ferro caminhavam em cavalos brancos e lanças nas mãos, em
direção à arena de torneio de cavaleiros. Assim que chegaram à are-
na, em sentidos opostos, investiram furiosamente um contra o outro e um
deles caiu do cavalo enquanto os milaneses nas arquibancadas sorriam e gri-
tavam entusiasmados. O cavaleiro vencedor lançou sua lança no chão, des-
ceu do cavalo, ajoelhou-se em uma só perna, abriu a viseira do cavaleiro ca-
ído e lhe disse:
– Você está bem, cavaleiro?
– Estou. Você é uma mulher?
– Sou.
– Me ajude a sentar, por favor. Obrigado.
– De nada.
– Posso ver seu rosto?
– Pode.
Ao ver os lábios, os dentes, o nariz, os olhos, o cabelo, a testa, as sobran-
celhas, a boca, o queixo, as orelhas e o rosto bonito de Mônica (Celeste) em
frente ao sol, a mente, o coração e a alma de Nemestrino (Zafir) se enche-
ram de amor instantaneamente e em seguida ele disse:
– É difícil dizer o que é mais belo, se é o sol, o céu ou o seu rosto. Me
ajuda a levantar, por favor. Obrigado. Ai.
– Tá doendo muito?
– Tá.
– Por favor, me perdoe.
– Eu te perdoo.

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– Obrigada. Deixa eu ver seu rosto.
– Lamento, mas não posso mostrar meu rosto no momento, pois você
amassou a minha máscara de ferro com a sua lança.
Um ferreiro foi passando por eles com um martelo de ferro na mão e
Mônica disse a ele:
– Ei, ferreiro. Venha aqui.
– Pois não, milady?
– Me dá aqui este martelo.
– É todo seu.
– Obrigada.
– De nada.
– Cavaleiro, deita a cabeça de lado aqui neste tronco.
Assim que Nemestrino deitou a cabeça no tronco, ela começou a bater
na cara dele com o martelo enquanto ele gritava:
– Ai, ai, ai.
– Aguenta firme, tá desamassando. Pronto. Vê se sai.
– Nossa, como tá feio o seu rosto machucado.
– A verdadeira beleza é a beleza interior, o caráter e a generosidade.
Mônica viu uma senhora simpática quebrando uma barra de gelo e
lhe disse:
– Senhora, posso pegar este gelo?
– Pode.
– Obrigada.
– De nada, minha filha.
– Passa esse gelo em teu rosto.
– Obrigado.
– De nada. Tome de volta o seu martelo, ferreiro. Muito obrigada.
– De nada, milady.
– Sabe qual é a diferença entre um ferreiro e um juiz de direito?

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– Sei não. Qual é?
– É que o ferreiro usa o martelo para criar grades e o juiz usa o martelo
para prender os criminosos atrás das mesmas grades. Tanto os juízes do tri-
bunal de justiça como os papas da igreja católica estão fazendo o papel de
juízes de direito na Inquisição, os juízes de direito deveriam fazer o mesmo
que os papas e rezarem missas em latim para que nenhum crente entenda
o que eles dizem e continue seguindo-os e servindo-os com dízimos. Os ju-
ízes da igreja católica trocaram a cruz pelo martelo para julgar e punir ile-
galmente os protestantes, os judeus, os muçulmanos, os ateus, os budistas e
qualquer um que não aceite os dogmas da igreja católica.
– Agora entendo por que os judeus sempre foram hostilizados pelos eu-
ropeus na Europa e pelos árabes no Oriente Médio.
– Por quê?
– Por que a igreja católica e os islâmicos não querem concorrentes que
falam de deuses com palavras, costumes, ensinamentos e consciências dife-
rentes. Tanto o judaísmo, como o cristianismo e o islamismo são códigos reli-
giosos, políticos e militares e por serem códigos de guerra, são adorados pela
humanidade, pois a humanidade desta era ama a guerra.
– As religiões humanas são as diferentes partes de uma mesma religião
como as diferentes páginas de um livro formando um mesmo livro, as mes-
mas raízes formando a mesma árvore ou os mesmos espíritos formando o
mesmo espírito.
– O machucado do seu rosto desapareceu. Como foi que você fez isto?
– Eu não fiz nada, quem fez isto foi a neve que ficou tão feliz por você
tocar nela com suas mãos belas que me curou.
– Qual é a sua religião?
– É fazer o bem, amar o próximo como sendo Deus, perdoar os erros
dos governantes, falar a verdade, ser honesto, cultivar bons pensamentos, ad-
quirir conhecimento verdadeiro, praticar boas ações, esquecer os momentos
tristes que viveu, apreciar o bem estar de todos os seres vivos, amar a nature-
za, a mim mesmo, a Deus e a toda humanidade. Orar por sabedoria, saúde,

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força, alegria e dinheiro para o próximo, abençoar e libertar todos que vi-
vem na escuridão da ignorância da ilusão, esta é a minha religião. E a sua
religião, qual é?
– É a mesma das árvores da natureza que é viver em paz, em equilibro e
em amor com a natureza e com Deus, produzir sombra, frutos e flores para
aquele que conquistar o meu coração com poemas de amor.
– Cavaleira do belo rosto, meu corpo está coberto por ferro como meu
coração está coberto com a luz do amor que sente por você. Tal luz amoro-
sa em meu coração me protege da raiva e da tristeza. Não há neste mundo
e no universo inteiro uma mulher que seja mais bela que você e nem um
homem que te ame mais do que eu. Enquanto os reis e os imperadores so-
nham em conquistar o mundo inteiro, eu sonho apenas em ter seu amor e
ganhar um beijo seu.
Depois do beijo e do abraço, os dois cavaleiros medievais montaram em
seus cavalos e caminharam lado a lado em direção ao sol que ia se pondo
entre as montanhas verdes e floridas de Milão. Minutos depois chegaram a
uma pequena e bela cabana de pedra e madeira na beira do lago Cava Se-
grate. Nemestrino acendeu uma fogueira próxima ao lago enquanto Môni-
ca pescava um grande peixe. Mônica disse a Nemestrino:
– Ei amor, peguei um peixão dos grandes. Só esse aqui dá para gente so-
breviver por uma semana.
– Traz ele para a fogueira.
– Não posso, ele é muito forte. Vem me ajudar.
– Já estou indo. Segura firme.
Enquanto ele corria para ajudá-la, o peixe a arrastou para dentro da la-
goa e se mandou com a vara de pescar para outro lugar. Mônica disse a Ne-
mestrino, dentro da lagoa cheia de flores fechadas boiando sobre a lama e
abaixo dos raios da lua cheia:
– O peixe levou o anzol, a linha e a vara de pescar com ele.
– Não se preocupe, temos uma rede de pescar aqui.
– Pega ela e entra aqui que a água do lago está muito agradável.

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Ele entrou no lago, lançou a rede na água, pegou alguns peixes, levou
para fogueira, brindaram com taças de prata cheias de vinho e ela disse a ele:
– O bom humor e a alegria fazem parte da luz do amor de Deus. O vi-
nho dá alegria às nossas mentes e corações e no entanto, a igreja católica vê
o vinho como pecado e coisa do diabo. Tudo o que dá alegria aos seres hu-
manos é coisa do diabo para a igreja católica e tudo o que entristece os seres
humanos como queimar inocentes em fogueiras é coisa de Deus para ela.
A igreja católica só está faltando queimar por heresia quem fuma e bebe vi-
nho. Já pensou como seria alegre o céu na terra da igreja católica sem fumo
e vinho?
– Já. Seria muito alegre como alegres são aqueles que não bebem e nem
fumam que estão queimando inocentes na fogueira expiatória de pecados
humanos da Inquisição por causa de opinião política e religiosa. Se a igreja
católica que tem o poder absoluto sobre as leis, os governantes e os governa-
dos em toda a Europa ocidental, caso ela mande matar os alcoólatras e fu-
mantes, não terá mais fiéis nas igrejas, pois todo mundo na Europa ociden-
tal fuma e bebe álcool. Certamente se os papas católicos não se privassem
por causa de medo do diabo e do pecado o seu direito de beber álcool, cer-
tamente não achariam graça alguma em assassinar vivos na fogueira seres
humanos inocentes.
– O que acontecerá com tais papas mandantes destes assassinatos em vi-
das futuras?
– Serão queimados vivos em fogueiras em uma vida futura.
– E as vítimas?
– Serão aqueles que mandarão queimá-los nas fogueiras como um ato
de vingança.
– Quem são as vítimas do tribunal da Inquisição?
– Cristãos, judeus e muçulmanos.
– Onde e quando foi que teve início a Inquisição?
– A partir de 1183 em Orleans, império franco germano chegou ao co-
nhecimento dos juízes do tribunal público contra a heresia que ao sul da

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Gália, os cristãos cátaros estavam ensinando aos francos que existiam dois
deuses, um bom e o outro mal. O Deus bom que criou o mundo espiritual
e o Deus mal criou o mundo material. O Deus bom seria Jesus que foi en-
viado do céu para libertar as almas humanas do fogo do inferno e o Deus
mal que enviado para levar as almas ao inferno. Após a morte, as almas boas
iriam para o céu e as almas más reencarnariam como animais no reino ani-
mal. O espírito fazia parte do lado bom do ser humano e o corpo fazia par-
te do lado mal. Eram contra o casamento e assassinavam mulheres grávidas
porque levavam dentro de si a semente do mal e tais ensinamentos foram
interpretados pelos papas juízes do tribunal público contra a heresia como
heresia. Em decorrência disto, em 1184 no Concílio de Verona, o tribunal
público contra a heresia passou a se chamar tribunal da Inquisição e a perse-
guir, julgar e punir os cátaros em toda a Gália. Até agora houve 50 mil pro-
cessos contra os cátaros no tribunal da Inquisição e 1% deles foram conde-
nados a morte na fogueira.
– Quanto é 1% de 50 mil?
– Cerca de 800.
– Acho que é direito de todo ser humano crer no que quiser como sendo
verdadeiro ou falso. Não faz sentido algum os ensinamentos dos cátaros cris-
tãos com a realidade em que vivemos, pois tanto o mundo material quanto
o espiritual, o ilusório e o real foram criados pelo mesmo Deus cuja realida-
de e irrealidade que compõem este universo repousa dentro de sua imensa
mente. A alma do ser humano após a morte não reencarna no corpo de um
animal, mas no corpo de um ser humano e este ciclo eterno de nascimen-
tos e mortes da alma em corpos humanos é para sempre, mesmo que Deus
morra e nasça em outro corpo, pois sonhos nascem da consciência da alma
que é imortal. Não existem infernos em nossos sonhos e nem nos sonhos de
Deus. Infernos só existem em livros como a Bíblia, o judaísmo, o zoroastris-
mo, o budismo, o hinduísmo, o jainismo, o islamismo, em peças teatrais,
pinturas, esculturas de pedra e no imaginário doentio da humanidade. Mas
pensar e dizer aos outros o que se acha, como se pensa que é a realidade, de-
veria ser visto por todos os seres humanos deste planeta como um direito e

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não um crime hediondo e atentatória ao Estado e a dignidade do ser huma-
no como sujeito de direitos.
– A igreja católica está praticando o crime de censura de liberdade de
expressão aos cátaros e de crença religiosa contra os judeus e os árabes mu-
çulmanos.
– Diante de tudo aquilo que é justo, belo, moderado e divino, nem
Deus, nem o tempo e a morte tem o direito de tirar a vida de alguém injus-
tamente por meio de penas cruéis como a de tortura e de morte na fogueira.
– Os papas cristãos, devido aos milagres de Jesus Cristo, se tornaram tão
poderosos como os imperadores do antigo Império Romano que adoravam
proporcionar às massas romanas shows de atrocidades humanas, como as que
aconteceram aos cristãos durante 300 anos antes de o cristianismo ser con-
siderado como religião pelos imperadores romanos que a viam como uma
praga, uma peste e uma maldição como a praga de Cipriano, que foi enviada
pela natureza deste planeta para punir os romanos politeístas por suas menti-
ras e perseguição aos cristãos e judeus e para fazer do cristianismo a religião
oficial do Império Romano.
– Foi uma praga que fez dos romanos politeístas cristãos?
– Foi, pois devido à praga de Cipriano, todos os romanos interpretaram
aquilo como sendo um castigo de Deus.
– A natureza castiga os seres humanos por suas maldades e os seres hu-
manos botam a culpa em Deus? O planeta Terra é um ser vivo e como todo
ser vivo reage ao mal que lhe é feito e eles botam a culpa em Deus. Será que
ninguém ensinou aos humanos que Deus, ao criar o universo, deu o livre
arbítrio aos seres humanos e aos planetas? Pensam eles que Deus é um as-
sassino? Nós somos partes deste planeta como este planeta é parte de nós e
na lei da ação e reação da natureza, o mal que fazemos ao próximo volta-se
contra nós mesmos em dobro. Os seres humanos estão matando este plane-
ta e em reação à sua sobrevivência, este planeta está matando os seres hu-
manos. Esse planeta é como o nosso corpo, nos dá vida, mas também nos
dá morte. Só temos este planeta para vivermos neste universo. No entanto,
estamos matando por riquezas aquele que poderia nos alimentar e abrigar

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por uma eternidade inteira. Não faz sentido você morar em uma casa e de-
pois começar a depredá-la e a queimá-la. Depredar e queimar é o que esta-
mos fazendo com o nosso lar, mas sou o único ser humano neste planeta
sem religião que ama Deus e que crê que o mundo seria melhor em nossas
próximas vidas se ele fosse um só reino com um só rei ou uma só democra-
cia com um só presidente.
– Você não é o único não. Eu também estou com você nesta luta e tenho
esperança que no futuro este planeta será igual aquele em que reina Deus
com a sua infinita sabedoria e bondade.
– O peixe está bom. Vamos comer?
– Vamos.
– E aí? O que achou do meu peixe?
– Achei muito bom, foi o melhor peixe que já comi em toda a mi-
nha vida.
Em 1346, a colônia genovesa de Cafta no Mar Negro foi cercada pelas
tropas mongóis à margem do Mar Negro. Em Cafta, os soldados mongóis co-
meçaram a morrer com uma peste negra. Os cadáveres dos mongóis doentes
foram arremessados por catapultas para o outro lado da muralha de Cafta e
os genoveses de Cafta começaram a adoecer e a cremar milhares de cadá-
veres dos doentes dentro de Cafta. Alguns genoveses conseguiram escapar
do cerco de barcos, alguns foram para Constantinopla, outros para Gênova,
Veneza e Roma. Enquanto isto no porto de Veneza, Nemestrino viu imen-
sos ratos pretos saindo correndo de um barco de madeira vindo de Cafta em
direção às ruas de Veneza e disse à Mônica:
– Amor, olha só o tamanho daqueles ratos pretos de olhos vermelhos
saindo daquele barco com nome de Cafta.
– Estou olhando. Eles parecem os papas juízes do tribunal da Inquisi-
ção da igreja católica.
Em 1347 Nemestrino e Mônica viram milhares de seres humanos do-
entes e sem vida pelas ruas de concreto da cidade de Gênova. Suas mentes,

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corações e almas se encheram de compaixão pelos sofrimento daqueles in-
felizes seres humanos enfermos. Então Nemestrino disse à Mônica:
– A peste de Cipriano veio para converter os romanos em cristãos e esta
outra veio para quê?
– Para converter os cristãos monarquistas em cristãos republicanos.
– Estamos dentro de um filme de terror.
– Como estes seres humanos doentes estão por fora assim são as men-
tes, os corações e as almas daqueles que odeiam Deus e vivem na escuridão.
– Os donos de cemitérios vão ficar mais ricos que os reis vendendo tan-
tas covas para estes mortos.
– Veja só quantos homens, mulheres, idosos, adultos, adolescentes e
crianças chorando a perda dos entes queridos pela peste negra.
– Estou vendo. Vejo também muitos seres humanos deixando a cidade
de Gênova com suas famílias e bens.
– Olha ali um papa da igreja católica caminhando entre os mortos com
a cruz de Cristo na mão.
– Estou vendo. Ele está tentando ressuscitar os mortos e curar os doentes
com um pedaço de madeira na mão, mas parece que não está conseguindo
nenhuma coisa e nem outra.
– Olha ali aquele médico vestido de forma engraçada com uma másca-
ra e uma vareta na mão caminhando entre os cadáveres dos seres humanos.
– Estou vendo. Parece a mistura de um híbrido entre um corvo de bico
gigante e um ser humano. Ele está tentando curar os enfermos com sangria,
sangue sugas e remédios, mas parece que o tratamento do doutor não está
adiantando em nada.
– Nem os papas e os médicos podem ressuscitar os mortos e curar os en-
fermos com a peste negra, mas nós podemos curá-los com o poder do amor
a Deus. Vamos ao trabalho.
– Está maluco? Se nos aproximarmos dos enfermos vamos morrer jun-
to com eles.

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– Não tenha medo, pois enquanto seu coração estiver preenchido com
o amor de Deus nenhum mal vai te acontecer.
– Quem será o primeiro?
– Esta criança rezando aqui que chora a enfermidade de sua mãe en-
quanto morre lentamente no chão. Não chore mais, querida criança. Sua
mãe não irá morrer desta peste negra.
– Só um milagre pode salvar a minha mãe da morte.
– Por favor, Senhor meu bom Deus, abençoa com o seu divino e puro
amor esta água para aqueles que estejam enfermos recuperarem suas saú-
des, alegrias e vontades de viver. Tome. Dê esta água oferecida com amor a
Deus e à sua mãe.
– Beba, mamãe querida.
– Diga-lhe para fechar os olhos.
– Feche os olhos, minha querida mamãe.
– Diga a ela para olhar para o fundo do seu coração e pedir a Deus e às
suas células que lhe curem.
– Faz o que ele disse, mamãe.
– Cubra o rosto dela com o pano. Agora retire o pano do rosto dela.
– Mamãe, desapareceram os sintomas da peste negra do seu rosto.
– E do resto do meu corpo também. Muito obrigado, anjo de Deus, por
me libertarem daquela enfermidade que me fazia sofrer.
– Não fomos nós que a curamos, mas a sua fé em Deus.
Depois de um dia inteiro de trabalho, eles dormiram em Gênova e Ne-
mestrino sonhou com o julgamento dele em um tribunal da Inquisição da
igreja católica. O papa de Roma lhe disse:
– Nemestrino, o senhor está sendo acusado por este Santo Tribunal de
Justiça da igreja católica romana cristã por heresia. O que tem a dizer em
sua defesa?
– Que heresia, santíssimo padre?

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– De estar dizendo em público que Jesus é o Deus Hórus do livro dos
mortos do Egito. Que infernos, diabos e demônios não existem, que a Bíblia
é a palavra dos homens e não de Deus, que nós padres estamos enganan-
do o povo do mundo inteiro para lhes roubar os bens e dinheiro, que padres
não têm competência e nem direito de julgar e punir ninguém, que a mo-
narquia é o governo do diabo, que o povo deve tomar as terras dos reis e da
igreja e dividir com os pobres.
– Mesmo que eu tenha dito isto, que crime cometi se não roubei, não es-
tuprei, não matei, não agredi, não trafiquei e nem menti?
– Crime de lesa-majestade, difamação, calúnia e injúria contra a monar-
quia e a santa igreja de Deus.
– Se é tão santa a igreja de Deus, por que então ela está assassinando se-
res humanos inocentes que morrem em agonia dentro de fogueiras?
– Para salvar suas almas das tentações da carne e do inferno.
– Acham que é com dor que salvarão as almas dos cristãos, judeus, mu-
çulmanos e ateus que não roubaram, mataram, violentaram, agrediram e
nem sequestraram ninguém?
– Achamos.
– Acham que Jesus acha isto bonito?
– Quem está sendo julgando aqui é o senhor e não nós. As acusações
contra o senhor são verdadeiras ou não?
– Quem está sendo difamado, injuriado e caluniado neste santo tribu-
nal sou eu e por estar sendo caluniado, injuriado e difamado, eu peço a ab-
solvição das minhas acusações e uma indenização por dano material moral.
O papa condenou-o à morte na fogueira. Ele se viu gritando e queiman-
do no fogo, então acordou do seu pesadelo e não viu sua amada que chegou
logo depois com alimentos nos braços, comprados no mercado de Gênova.
Mônica lhe disse ao entrar no quarto alugado:
– Os cristãos estão dizendo e crendo por toda a Europa que a culpa da
peste negra é dos judeus que vieram do oriente e envenenaram os poços dos
povos cristãos. Muitos judeus estão sendo mortos aos milhares na fogueira e

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nas ruas em toda a Europa por causa de tal crença falsa. Por que os cristãos
odeiam tanto os judeus?
– Por causa de falsos títulos e inveja. Os judeus dizem ser os escolhidos
de Deus para trazer ao mundo a crença em um só Deus, mas os católicos di-
zem que, por causa do nascimento de Jesus Cristo de Nazaré, os cristãos são
os escolhidos de Deus.
– Os cristãos estão pegando carona na fama do Cristo para serem reco-
nhecidos como os escolhidos de Deus. Mas que ridículo isso.
Em 1330, em Milão, Itália, Nemestrino disse à Mônica:
– Os papas da igreja santa católica de Deus dizem que os hereges estão
possuídos pelo demônio por causa de suas crenças e opiniões políticas e re-
ligiosas. No entanto, eles mandam torturar e matar qualquer um que desa-
fie contrariar seus interesses econômicos, políticos, militares, sociais e es-
pirituais.
– Os papas da igreja católica estão apelando e impondo na teoria e na
prática o temor a Deus nas mentes, nos corações e nas almas dos europeus
judeus, muçulmanos, protestantes, cristãos e ateus porque depois da derro-
ta dos exércitos cruzados no Oriente Médio, o povo europeu está perdendo
a fé na igreja e se tornando ateu. Os ateus são como os animais que não cre-
em em Deus. E o que a igreja católica está fazendo com os hereges, o mes-
mo deveria ser feito a ela e seus líderes espirituais macabros. Esses papas da
igreja católica são uns monstros. Foram eles os responsáveis pelas mortes de
milhões de muçulmanos, judeus e cristãos nos 200 anos de cruzadas santas.
Tudo isso por causa das mentiras da Bíblia judaica e cristã sobre julgamen-
tos de Deus, existência de diabos, infernos, demônios, Jesus Cristo, besta do
Apocalipse, juízo final etc.
– Eu nunca li a Bíblia toda, mas meus pais me disseram que o que povo
europeu deveria fazer na Europa era tomar as terras dos reis e da igreja e di-
vidirem entre si.
– Quem manda matar alguém também é julgado e condenado com a
pena de assassino e os papas que estão pagando para outros matarem por
eles são assassinos.

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– Que absurdo isto. Queimar pessoas inocentes por causa de opinião
política e religiosa. Os ensinamentos da Bíblia judaica cristã tem deixado o
povo europeu completamente louco e violento, aiiiiiiiiiiiiii.
– Que foi?
– Tem um rato preto enorme ali. Tira ele daqui.
– Senhor rato, a porta está aberta. Pode sair em paz. Pronto, meu amor.
O rato se foi.
– Obrigada, você é o meu herói. Vamos ao teatro hoje à noite?
– Vamos.
Assim que anoiteceu, Nemestrino e Mônica, entraram no teatro de Mi-
lão. Sentaram em poltronas confortáveis e viram no centro do teatro um ra-
paz fantasiado de Jesus Cristo falando com Deus. Ele dizia:
– Senhor, meu bom Deus. O mundo que o Senhor criou com o poder
de seu amor está dividido por fronteiras e preconceitos que impedem o povo
da terra de viver em paz uns com os outros. Como animais que não querem
dividir a água, a terra e a comida das florestas com outros animais, os seres
humanos não querem dividir o mundo. Todos querem este mundo só para si.
Devido ao egoísmo surge a ambição na mente e no coração humano. Quan-
do o egoísmo e a ambição tomam conta da mente e do coração humano, o
ser humano se torna desumano. Quando o ser humano se torna desumano,
ele se torna um animal e como um animal ele não aprende a dividir o que
é de Deus e de toda a humanidade. O Senhor quer união e paz e os gover-
nantes querem desunião e guerra. Em meio a desunião e a guerra, a huma-
nidade tem vivido há séculos.
Um ator fantasiado de papa entrou em cena e disse a Jesus:
– Você se parece com o Jesus Cristo da Bíblia.
– Eu sou o Jesus Cristo da Bíblia.
– É mesmo? E o que veio fazer aqui em Milão?
– Vim repetir o que eu disse séculos atrás em Jerusalém.
– Repita, quero ouvir.

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– Deus é amor e não ódio. Deus é bondade e não maldade. Deus é luz
e não escuridão. Deus é paz e não guerra. Deus é sabedoria e não ignorân-
cia. Deus é união e não desunião. Deus é generosidade e não egoísmo. Deus
é justiça e não injustiça. Não existe julgamento e maldade em Deus. Deus
não é um monstro. Deus é toda a humanidade.
– Não é isto o que está escrito na palavra de Deus da Bíblia Sagrada.
– A Bíblia Sagrada não é a palavra de Deus, mas as palavras dos escribas
judeus e cristãos.
– Soldado, venha aqui.
– Aqui estou, vossa santidade.
– Este homem diz que é a reencarnação de Jesus Cristo e que nós da
igreja católica estamos enganando o povo inculto da Europa. Isto é here-
sia. Prenda este homem e o encaminhe ao Tribunal da Santa Inquisição
de Milão.
– Sim, senhor. Venha, louco criminoso.
– Não vou a lugar algum com você. Me deixe em paz.
– O que eu faço com ele, papa?
– Ponha aquelas madeiras e galhos ao redor dele, depois acenda uma fo-
gueira para libertar o endemoniado.
– Sim, senhor.
– Você é judeu, muçulmano, protestante ou ateu?
– Sou judeu.
– Você aceita Jesus como sendo o seu Salvador?
– Aceito não.
– Você vai queimar na fogueira se não aceitar Jesus como sendo seu
Salvador.
– Não aceito mentira alguma como sendo meu Salvador.
– Queime ele, soldado.
– Eu não. Queima o senhor.
– O quê? Como ousa me desobedecer?
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– Papa, eu não gostei do tapa que o senhor me deu. Tome isto, seu
impostor.
– Pare, é crime bater em papa.
– É mesmo? Tome isto e isto e isto, seu canalha.
– Pare.
– Por quê?
– Por que Deus está dentro do coração do papa carrasco.
– Mas ele queria lhe matar.
– Eu o perdoo. Perdoe ele você também.
– Tá bom. Eu perdoo você, papa.
Os milaneses bateram palmas para os atores e assim que as palmas cessa-
ram, os atores agradeceram e saíram do palco. Em 1348 em Avinhão, Fran-
ça, Guy de Chauliac, o mais famoso cirurgião da época e médico pessoal do
Papa Clemente VI, escreveu em uma folha de papel:
– A grande mortandade teve início em Avinhão em janeiro de 1348. A
epidemia se apresentou de duas maneiras. Nos primeiros dois meses mani-
festava-se com febre e expectoração sanguinolenta e os doentes morriam
em três dias. Decorrido esse tempo, manifestou-se com febre contínua e in-
chação nas axilas e nas virilhas e os doentes morriam em 5 dias. Era tão con-
tagiosa que se propagava rapidamente de uma pessoa a outra. O pai não ia
ver seu filho, nem o filho a seu pai, a caridade desaparecera por completo.
Não se sabia qual a causa desta grande mortandade. Em alguns lugares pen-
sava-se que os judeus haviam envenenado o mundo e por isso os mataram.
Enquanto isto em Milão, Mônica disse a Nemestrino:
– O povo europeu está doente e a Europa cheia de mortos.
– Não é só a Europa que está cheia de enfermos e mortos, a África e
Ásia também.
– Todos na Europa estão dizendo que a peste negra foi causada pelas bru-
xarias dos cultos judeus.

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– Tudo o que acontece de ruim aos europeus eles põem a culpa nos ju-
deus. Esta peste negra não tem nada a ver com os judeus. Isso deve ser cau-
sado por algum inseto da natureza ou pulga de algum rato.
– A praga já chegou em Portugal e na Grã-Bretanha. Graças a Deus não
há nenhum caso da doença misteriosa aqui em Milão.
Em 1350, a peste negra chegou aos países da Escandinávia. Nemestri-
no disse à Monica em Milão:
– A peste negra dizimou metade do povo de Portugal e está fazendo o
mesmo nos países da escandinava.
– Que doença horrível é esta peste negra. Ela mata o ser humano em
cinco dias.
– Horrível também é a guerra entre a França e a Inglaterra que come-
çou em 1337 e ainda não acabou. Está havendo revoltas camponesas em
toda a Europa feudal.
– Revoltas populares é sinônimo de insatisfação dos povos em relação a
má política dos seus governantes. É impossível um povo se sentir satisfeito
vivendo num sistema cheio de reis e igrejas que roubam o seu dinheiro por
meio de impostos e dízimos.
– Qual foi a causa desta guerra entre a França e a Inglaterra?
– Foi por causa da sucessão do trono do maior império da Europa
Ocidental.
– França?
– Sim.
– Quais foram as causas desta guerra?
– A conquista da Inglaterra em 1066 pelo rei francês Guilherme, o du-
que da Normandia. Desde 1066, os sucessores de Guilherme na Inglaterra
têm possuído grandes feudos na França que impediam o processo de centra-
lização monárquica francesa. No século XII, o rei Henrique II da Inglaterra
se casou com Leonora da Aquitânia e tornou-se vassalo do rei da França nos
ducados da Aquitânia e Gasconha. Desde então, as relações entre os reis da
Inglaterra e da França ficaram muito tensas. Pelo Tratado de Paris de 1259,

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o rei Henrique III da Inglaterra abandonou suas pretensões sobre a Norman-
dia, Maine, Anjou, Touraine e Poitou, mas ficou ressentido por que tinha
que pagar impostos aos franceses que limitavam sua autoridade perante ou-
tros vassalos da França na Inglaterra. Indignado pelas ameaças da França de
tomar o ducado de Gasconha, o rei Henrique III entrou em guerra contra
o reino da Escócia, aliado da França e então teve início a Batalha Naval de
Sluys entre a marinha inglesa de 250 navios e 20 mil soldados e a marinha
francesa de 190 navios e 20 mil soldados no Canal da Mancha.
– Quem venceu e quantos morreram?
– A Inglaterra venceu. Morreram 9 mil ingleses e 15 mil franceses.
Quantos navios ingleses foram afundados eu não sei, mas os dos franceses
foram 184. Depois da Batalha Naval no Canal da Mancha, os ingleses de-
sembarcaram na França. Em 1346, na França, teve início a Batalha de Cré-
cy. Nesta batalha os exércitos da Inglaterra e do Sacro Império Romano Ger-
mano com 19 mil soldados enfrentaram os exércitos do reino da França e
de Maiorca com 30 mil soldados. A Inglaterra e o Sacro Império Romano
Germano perderam 300 soldados e a França a maioria, 6 mil soldados. Foi
esta guerra entre França e Inglaterra a primeira guerra de canhões da histó-
ria da humanidade.
Em 1347 teve início a Batalha de Calais, no norte da França entre o
exército inglês de 34 mil soldados e o francês de 8 mil soldados. Após a notí-
cia do fim da batalha de Calais chegou à Milão, Nemestrino disse à Mônica:
– Não sei quantos morreram nesta batalha, mas sei que foram os ingle-
ses que venceram.
– Até quando estes seres humanos vão se matar por causa de terras?
– Não sei, mas sei que enquanto existir fronteiras entre nações será
para sempre.
– O ser humano, o animal e a planta evoluem da infância à juventude e
da juventude à velhice, mas a consciência do ser humano não evolui e nem
envelhece com o passar dos séculos e nem dos anos devido a escuridão da
ignorância da ilusão.
Em 1353, acabou a peste negra e Nemestrino disse à Mônica em Veneza:
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– Mônica, meu amor. A peste negra acabou na Europa.
– Muitos seres humanos mortos pela peste negra foram cremados aos mi-
lhares, assim como na fogueira do Tribunal da Santa Inquisição.
– Santa ignorância você quis dizer, não é?
– É. Foram 75 milhões o número de vítimas da peste negra.
Em 1356 tem início a Batalha de Poitiers entre o reino da Inglaterra e
o ducado de Gasconha, com 6 mil soldados e o reino da França com 11000
mil soldados. Nemestrino disse à Mônica em Milão:
– Os franceses perderam outra batalha contra os ingleses. Os ingleses pa-
recem os mongóis da Ásia, ninguém consegue vencê-los.
Em 1364 tem início a Batalha de Cocherel entre o reino da França e os
ducados de Borgonha, da Bretanha e da Gasconha com 5 mil soldados con-
tra os reinos da Inglaterra e Navarra com 6 mil soldados. Nemestrino disse
à Mônica em Roma:
– Começou outra batalha na França entre franceses e ingleses. Desta
vez venceram os franceses.
– Espero que não tenha mais guerras entre eles, mas muitos séculos de
paz, amor e tranquilidade.
– Em todos os planetas do sistema solar, os extraterrestres devem estar di-
zendo que no planeta Terra vive o povo mais incivilizado do universo.
– E a situação dos muçulmanos na Península de Al-Andaluz, como está?
– Não existe mais Al-Andaluz. O que existe agora é só o reino muçul-
mano de Granada. É questão de tempo para os árabes serem expulsos da
Península Ibérica pelos reinos cristãos como os cruzados cristãos do Orien-
te Médio.
Em 1401, as almas velhas de Nemestrino e Mônica deixaram Milão
com seus guias de luz, voaram de volta ao lar para 3 dias depois retornarem
ao planeta Terra, desta vez no Reino de Granada, Península Ibérica.

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CAPÍTULO XV

O REINO DE GRANADA E A
DESCOBERTA DA AMÉRICA

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E
m 1420, no alto de um monte de areia ao redor da cida-
de de Granada, capital do reino de Granada, um judeu chamado
Elias (Nemestrino) se encontrou com uma árabe chamada Leila
(Moneta). Ela disse a ele:
– Olá, estranho. Posso curtir o pôr do sol com você em paz e segurança?
– Pode. Não tenha medo de mim. Eu amo Deus e vejo um pedaço da
alma dele brilhando dentro do seu coração. Acalma teu coração e fica em
paz. Vim aqui para o alto deste morro para fumar um cigarro e apreciar a be-
leza de granada e do sol se pondo entre as montanhas da Península Ibérica.
– Não vai me machucar e me matar?
– Por que eu faria isto se você não me fez nenhum mal? E mesmo que
me tivesse feito algum mal ainda assim eu preferiria me jogar daqui de cima
do que pensar em fazer algum mal a você.
– Não sei por quê, mas confio em você. Divide este cigarro aí comigo.
– Divido. Senta aqui ao meu lado.
– Como você se chama?
– Eu me chamo Elias e você?
– Eu me chamo Leila. Muito prazer em conhecê-lo.
– Igualmente, o prazer é meu em conhecê-la. Onde você nasceu?
– Eu nasci aqui em Granada e você?
– Eu também. Seus pais são judeus, muçulmanos ou cristãos?
– São muçulmanos e os seus?
– São judeus.
– Ouvi dizer que os judeus estão fugindo com suas famílias do reino de
Granada para outros países europeus que os odeiam porque causaram a peste

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negra, facilitaram a invasão árabe na Península Ibérica e porque condena-
ram o Deus Jesus à crucificação.
– A peste negra não foi culpa dos judeus e quando a ciência evoluir mais
um pouco e descobrir a causa da peste negra verão os cristãos que estão er-
rados e eu estou certo. Por centenas de anos os cristãos romanos e germa-
nos têm tratado os judeus com desigualdade e desumanidade. Queriam os
cristãos que os judeus lutassem contra os árabes para protegê-los? Os judeus
condenaram Jesus Cristo, mas seus descendentes não são responsáveis pe-
los atos dos seus antepassados. É justo punir um inocente por um crime que
não cometeu? No passado antes da invenção da escrita em 3500 a.C. era co-
mum as tribos bárbaras punirem uma família inteira por causa do erro de
um dos seus familiares. Velhos hábitos são difíceis de mudar, pois tais velhos
hábitos são passados de pai a filho vida após vida. Os judeus estão indo em-
bora do reino de Granada porque não suportam mais o governo autocrático
e autoritário da monarquia do reino árabe de Granada.
– Pobres judeus, como são desafortunados, há milhares de anos vivem
mudando de uma terra a outra por causa da ignorância e da intolerância re-
ligiosa dos cristãos e dos muçulmanos.
– O cristianismo e o islamismo são cópias adulteradas do judaísmo,
pois tratam sempre da mesma história de julgamento de Deus e punição
no inferno e tais histórias foram criadas para criarem medo nas mentes
e nas almas encarnadas para que não amem a Deus, pois ninguém ama
aquilo que teme. Jeová não é um monstro, mas as almas de todos os se-
res vivos.
– Eu vejo Alá como sendo Jeová e Jeová como sendo Alá, mas os cristãos
não. Os cristãos amam um Deus que foi criado pelos judeus que não tem po-
der algum de ressuscitar os mortos na vida real, pois a história de Jesus Cris-
to é a história do mito do Deus Hórus do Egito.
– Os cristãos estão depositando sua fé em um Deus que nunca existiu?
– Estão.
– Estão loucos os cristãos?

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– Estão, pois só loucos creem que coisas irreais são reais como Jesus, jul-
gamento de Deus, diabos, infernos e demônios. Deus é um grande espírito
feito de amor e luz como é feita a minha alma e a tua.
– Eu sou a minha alma e a minha alma é a alma de Deus, isto quer di-
zer que eu sou Deus?
– Sim. E eu amo Deus e eu amo você.
– Como vocês judeus são gozadores. Eu sou árabe, mas eu gosto de vo-
cês. Você já ouviu falar do humanismo?
– Já. O humanismo é um movimento renascentista intelectual, artístico,
político, jurídico e científico de valorização da dignidade da pessoa-humana
perante as leis dos Estados como sujeitos de direito. Por ter a valorização da
dignidade do ser humano um conteúdo racional é chamado de humanismo.
O humanismo é a descentralização de Deus como o centro do universo para
ser o homem a medida de todas as coisas. É um movimento ateu expressado
por meio das letras, do desenho, da pintura, da música, da escultura, da es-
crita e da arte. É uma mudança radical na consciência e na maneira de pen-
sar do ser humano. É um movimento de total descrença nos ensinamentos
da Bíblia dos cristãos, dos judeus e dos muçulmanos. O ateísmo é a descren-
ça em Deus e no diabo, no céu e no inferno. Tal movimento tem por obje-
tivo combater as inverdades criadas pelas igrejas e ensinar aos seres huma-
nos a pensarem como os animais. Tanto as universidades quanto as igrejas
são instituições criadas e mantidas pelos governos monárquicos. Vendo os
governos monárquicos que a velha ordem ou sistema religioso de controle
por meio do medo a Deus e ao diabo não serve mais para controlar as men-
tes e almas das massas, eles criaram uma nova forma de controle social que
consiste em matar Deus dentro do coração, das mentes, das consciências e
dos pensamentos dos seres humanos modernos para que não se amem, não
amem a Deus, a humanidade e vivam em guerra para sempre e assim os go-
vernantes ganham mais dinheiro com as desgraças.
– De tanta maldade que os reis e os papas têm feito ao povo europeu em
nome de Deus e do dinheiro, o interesse na Europa pelo sistema democrá-
tico representativo garantidor e protetor de direitos tem aumentado entre as

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massas e os intelectuais europeus. Todo dia o céu muda de cor, quando a
humanidade mudar a consciência dela de baixa para alta haverá paz em to-
das as nações.
– Para os renascentistas humanistas iluminados em conhecimento cien-
tífico só haverá paz na Terra no dia em que todas as monarquias teístas do
mundo se tornarem repúblicas ateístas.
– O que é bom representa Deus e os reis e papas da Europa estão fazen-
do o povo europeu crer que Deus representa o que é mau.
– Os governantes reis, papas, políticos, empresários e banqueiros da
Terra estão tentando substituir as monarquias teístas por repúblicas ateís-
tas como meio de acabar de uma vez por todas as guerras na Terra por cau-
sa dos deuses.
– Os horrores das guerras amadureceram e sensibilizaram o espírito do
povo europeu que está muito insatisfeito com seus líderes políticos e espi-
rituais. Ninguém aqui sensato na Europa quer morrer nos campos de bata-
lha por causa de reis e papas. Pois bem, a negação e a contestação ao siste-
ma de leis monárquicas e o controle dos dogmas e penas da igreja católica
é um dos aspectos marcantes do Renascimento que representa a morte de
Deus dentro do coração do povo europeu e a passagem da consciência hu-
mana para a consciência animal. Quando os governantes de um planeta são
animais, todo o povo do planeta vira animal. É maravilhosa a vida entre os
animais, não é?
– É. Não se respeitam entre si. Vivem competindo por fronteiras, territó-
rios, água, terra, comida e abrigo sem verem Deus dentro de seus corações,
dos outros animais e dos seres humanos. Os seres humanos que vivem na es-
curidão são engraçados. Sem saber o que são e onde estão, seguem líderes
espirituais cegos que só falam de diabos, demônios e infernos.
– Os filhos dos répteis annunakis são assim mesmo. Nem matando eles
mudam de consciência na outra vida. Os animais vivem entre fronteiras sem
crer em Deus e os seres humanos vivem entre fronteiras competindo en-
tre si para ver quem é o maior, o melhor e a mais poderosa nação do plane-
ta Guerra. O primeiro passo para criar uma sociedade humana civilizada e

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avançada em conhecimento material e espiritual é criar um governo único
centralizado no bem comum que ensine a verdade e cumpra com o seu de-
ver de alimentar e educar o povo para que não fiquem doentes e nem pen-
sem em tolices como lutar entre si como animais por terras que pertencem
a Deus e a toda a humanidade. Os governantes são pagos para cumprir com
os deveres de dar a seus povos o que eles têm de direito. Um governante que
não dá o que o seu povo tem direito, não merece permanecer no poder, pois
está no poder para trabalhar em benefício da coletividade e como todo tra-
balhador que é pago para trabalhar e não trabalha, merece ser exonerado do
cargo por justa causa.
– É iminente a substituição das monarquias católicas por repúblicas an-
ticatólicas e a morte de Deus em toda a Europa. Os líderes espirituais das
religiões humanas ensinam os seres humanos a adorarem vários deuses com
vários nomes para que os seres humanos não se adorem como sendo Deus e
tudo o que existe dentro de si mesmos, pois se os seres humanos se adorarem
como sendo Deus eles adorarão a todos como sendo eles mesmos e não ha-
verá mais governos e fronteiras. Isto seria a morte do sistema feudal de con-
trole mental interestelar dos deuses annunakis e o começo de uma nova era
neste planeta Terra.
– Se os seres humanos não se adorarem, eles se odiarão, não é?
– É. E quando se odeiam, eles odeiam outros e quando odeiam outros,
eles matam, roubam, aleijam e queimam seres humanos na fogueira.
– Um sistema democrático de direito em todo o planeta ou em um país
só será feliz se as leis permitirem o povo eleger, reeleger e demitir seus re-
presentantes eleitos quando bem entenderem. Num sistema democrático de
direito cuja alma é a dignidade da pessoa humana, quem manda é o povo e
por ser o povo quem manda, ele tem o direito de participar diretamente de
todas as decisões de seus governantes por meio do voto direto, sigiloso e se-
creto. Para dar certo um sistema democrático de direito só deveria se candi-
datar quem for formado em direito e administração, pois toda nação é uma
pessoa jurídica de direito internacional que gira em torno de leis e matemá-
tica financeira. Enquanto houver moedas diferentes e vários países, nenhum

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sistema econômico-financeiro orçamentário dos Estados obterá a estabilida-
de que é fundamental para o desenvolvimento econômico, social, político,
cultural, jurídico, ideológico, militar e espiritual da humanidade. Somos nós
seres humanos partes de um mesmo ser e de um mesmo planeta, então por
que ficar lutando por ele?
Em 1453, os turcos otomanos, sob o comando do Sultão Maomé II to-
mam Constantinopla do Império Bizantino. Assim que a notícia chegou ao
reino de Granada, Elias disse à Leila:
– A capital do Império Romano do Oriente caiu nas mãos dos turcos
otomanos.
– Constantinopla é uma ponte comercial terrestre e marítima entre a
Europa e a Ásia. Como os cristãos irão agora buscar especiarias na Ásia para
vender na Europa?
– Vão ter que ir pelo norte da Europa ou pelo sul da África.
– Enquanto na Europa os cristãos tentam enfraquecer a força e a fé dos
judeus e dos muçulmanos, os turcos otomanos tentam enfraquecer o comér-
cio e a economia dos cristãos por meio da proibição de passagem pelas rotas
comerciais marítimas e terrestres entre a Europa e a Ásia.
– Os povos do Império Turco Otomano e o povo cristão da Europa são
dois povos e duas fés diferentes lutando pelo controle da Terra e ambos os
povos se odeiam e tudo isto por causa das mentiras sobre Jesus Cristo e so-
bre o anjo Gabriel inventadas pelos escribas judeus e árabes que motivaram
os povos árabes a tomarem as terras dos bizantinos, dos africanos e dos ger-
manos da Península Ibérica.
– Se todos soubessem que as terras pelas quais estão se matando há mi-
lhares de anos pertencem a Deus e a toda a humanidade, não fariam guer-
ras, mas os muçulmanos e os cristãos são tolos demais para compreenderem
esta grande verdade. Não existe verdade superior a esta e as religiões e ciên-
cias humanas estão ensinando a todos na Terra a não compreenderem esta
grande verdade.
Em 1478 é criada a Inquisição Católica Espanhola. Em Granada, Elias
disse à Leila:
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– Os reis católicos Fernando II de Aragão e Isabel de Castela instituí-
ram por meio de decreto lei e autorização do papado de Roma, o Tribunal
da Santa Inquisição na Espanha com a finalidade de converter por meio da
morte na fogueira os judeus e os árabes muçulmanos a fé cristã.
– Já faz 700 anos que os turcos muçulmanos, agora otomanos, estão ten-
tando conquistar a Ásia, a África e a Europa pelo leste e pelo oeste, os cris-
tãos e os mongóis também. 700 anos de ódio entre povos, tudo isto por culpa
dos governantes irresponsáveis dos seres humanos que estão sendo contro-
lados pelas mentiras dos deuses annunakis cabeças de lagartos e os povos da
Terra desprovidos de seus direitos pelas leis dos papas e dos reis.
Em 13 de março de 1492 tem fim o reino muçulmano de Granada. Em
Granada, Elias disse à sua amada companheira Leila:
– Acabou as pretensões dos turcos muçulmanos de conquistar a Europa
pelo oeste e de fazer os cristãos andarem com as cabeças enfeitadas de tur-
bantes e rezarem de joelhos e testas no chão.
– Os espanhóis conseguiram vencer os muçulmanos na Península Ibéri-
ca, por causa dos rifles alcabuzes, a pólvora criada pelos germanos.
– Vamos embora daqui e embarcar para a Arábia Saudita.
Por três dias um barco árabe chamado Maomé zarpou da Península Ibé-
rica em direção à Arábia Saudita com Elias e Leila. No mar Mediterrâneo,
Elias disse à Leila:
– Minha querida Leila, o Marco Polo escreveu no livro dele que além
do Oceano Atlântico há um continente cheio de ouro ainda não conhecido
pela África, Europa e Ásia.
– Quem foi este Marco Polo (1254-1324)?
– Foi um navegante veneziano que navegou com seus marujos até a
China, onde em 1271 foi contratado pelo imperador Kublai Khan (1215-
94), neto de Genges Khan parar prestar serviços de navegação. Depois de
26 anos trabalhando para Kublai Khan, retornou à Veneza e foi preso pelos
genoveses,
– E o João Gutemberg (1396-1468)? Quem foi?

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– Foi um germano nascido em Mainz que inventou a máquina de pren-
sar letras em folhas de papel.
– E Dante Alighieri?
– Foi um dos maiores poetas e romancistas da Idade Média. Ele ama-
va Beatriz, o amor de infância que inspirou seus poemas encantadores
de mentes. Travou conhecimento com o neoplatonismo de Boécio e a
filosofia aristotélica dos escolásticos. Envolveu-se apaixonadamente na
política de Florença. Sua obra mais conhecida é a Divina Comédia que
consiste em três seções principais definidas como Inferno, Purgatório e
Paraíso.
Em 3 de agosto de 1492, Cristóvão Colombo partiu do porto de Palos de
la Fronteira, Espanha, comandando a nau Santa Maria e as caravelas Pinta
e Santa Clara em direção ao Oceano Atlântico. Horas depois em alto-mar,
Colombo olhava as estrelas no céu e dizia a seu amigo e companheiro de
viagem, Antônio Dias:
– A Europa e o sol desapareceram da visão de nossos olhos, agora tudo o
que podemos ver é apenas água, esta caravela e as estrelas no céu.
– As estrelas são os guias de luz deste planeta e é por meio delas que en-
contraremos nos próximos dias as terras cheias de ouro da China para pre-
gar o evangelho de Cristo.
– Creio que não chegaremos à China.
– Acha que morreremos no caminho por gigantescos monstros marinhos?
– Acho que encontraremos um novo continente.
– Que continente é este?
– É a Atlântida, a morada dos deuses na terra.
– A Atlântida está no fundo do mar, somos marinheiros e não mergulha-
dores, como pretende achá-la? Ela não é uma lenda?
– Não. Está tarde e eu estou com sono. A gente termina a nossa conver-
sa amanhã. Tenha uma boa noite, capitão.
– Obrigado. Você também.

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Em 12 de outubro de 1492, um marinheiro espanhol, gritou do alto
do mastro:
– Terra à vista. Chegamos à China.
Antônio Dias ao ver a nova terra, disse ao amigo de infância Cristóvão
Colombo:
– Colombo meu amigo, chegamos à China. Olha ali os chineses na
praia com arcos e flechas nas mãos se escondendo com medo de nós atrás
dos coqueiros.
– Antônio Dias. Como tu és gozador.
Enquanto isto na praia, uma índia disse a outro índio:
– Amor. O que é aquilo?
– São os deuses annunakis voltando para beber nosso sangue e comer
nossos corações.
– Eles estão diferentes. Por que não vieram pelo ar?
– De tanto comer corações e beber o sangue do nosso povo estão se pa-
recendo com a gente.
Um índio correu até a tenda do líder dos lucaians e lhe disse com a pele
pálida como a de um fantasma:
– Mestre ancião, os deuses annunakis estão se aproximando da praia
pelo mar.
– Querida ave, descanse em paz aqui que sua asa melhorará. Ajude-me
a levantar e a caminhar até a praia. Quantos são?
– Não sei ao certo, mas talvez uns 1500.
– Como são as naves deles?
– São diferentes das anteriores feitas de luzes e metal cinza e dourado,
estas outras são feitas de madeira com grandes redes.
– Qual o tamanho delas?
– São do tamanho das ocas dos xamãs e dos curandeiros.
Depois do encontro amistoso com os índios, Colombo voltou a sua nau
e escreveu ao rei e rainha Fernando e Isabel em seu diário de bordo e viagem:

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– Querido rei Fernando do reino de Aragão e querida rainha Isabel dos
reinos de Castela e Leão, é com muita alegria que escrevo que hoje, 12 de
outubro de 1492, confirmamos a existência do novo continente. O Paraíso
terrestre está no fim do Oriente, pois essa é uma região temperada ao extre-
mo. Estou convencido de que aqui é o Paraíso terrestre, onde ninguém pode
chegar se não for pela vontade divina. Não concebo que o Paraíso terrestre
tenha a forma de uma montanha abrupta, como mostram os escritos a esse
respeito e sim que está sobre este pico, no ponto de que falei, que figura a
haste da pera, onde subimos, pouco a pouco, por uma inclinação tomada
de muito longe. Estou convencido de que isto é uma terra firme, imensa, so-
bre a qual até hoje nada se soube. E o que me reforça a opinião e o fato des-
te rio tão grande e do mar que é doce. A terra que descobrimos é habitada.
As mulheres daqui não se dedicam a nenhum exercício feminino e sim ao
exercício do arco e da flecha, fabricados, como é dito acima, de caniço. Elas
se armam e se cobrem de lâminas de cobre que tem em abundância. Creio
que há muitas ervas e muitas árvores bastante apreciadas na Espanha para as
tinturas e como medicamentos e especiarias, mas não as conheço, o que me
deixa deveras desgostoso. Há também árvores de mil espécies, todas com fru-
tos diferentes e todos tão perfumados que é uma maravilha, e estou profun-
damente desgostoso por não conhecê-las, pois estou certo de que têm todas
muito valor. Em suma, nestas terras deve haver muito ouro.
Enquanto isso, em Medina na Arábia Saudita, Elias disse à Leila en-
quanto retirava água de um poço artesanal:
– As guerras milenares entre as nações do planeta Terra têm sido o cata-
lisador de todas as mudanças sociais, políticas, econômicas e espirituais ocor-
ridas ao longo da história da humanidade. Muitos imperadores tentaram à
força conquistar outros reinos, mas não tentaram se controlar e a ambição
que os impulsionaram a tais erros. Iludidos pelo encanto da escuridão da ig-
norância, tais reis pensaram que eram Deus e a humanidade seus escravos.
Não somos escravos de Deus, mas partes do espírito, do amor, da consciên-
cia, da mente e do sonho de Deus. A igreja católica ensina ao povo da Eu-
ropa que o sol gira em torno da terra, mas segundo as teorias do astrônomo
e matemático polonês, Nicolau Copérnico, é o planeta Terra que gira em
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torno do sol. Ensina também que o universo é o inferno. Na escuridão, os
seres humanos adoram mentir para os outros e enganar a si mesmos pen-
sando que com isto estão enganando a Deus. Mentir não é pecado, mas é
feio e imoral. Sinceridade e honestidade são qualidades raras entre os seres
humanos de hoje. A mentira enfraquece e a verdade fortalece o amor. Tal
mau hábito de mentir os seres humanos adquirem desde a infância quando
erram e são punidas pelos pais pelos seus erros. Para não serem punidas por
seus erros, as crianças mentem e assim se viciam em mentir. Crianças têm
uma mente inquieta e por terem uma mente inquieta não devem ser puni-
das com violência por seus erros, mas perdoadas. Crianças que são criadas
com violência, seja ela institucional, estrutural, física, verbal, sexual, moral,
psicológica, de abandono, de negligência etc. se tornam adultos violentos e
psicopatas. Infelizmente, os pais na escuridão não têm consciência do que
estão fazendo, tratando seus filhos com tanta violência. Na escuridão, os se-
res humanos não se amam e nem amam Deus, pois se amassem tratariam
seus filhos com amor e respeito. As crianças de hoje como as do passado con-
tinuam sendo maltratadas por seus pais sem que haja nenhuma lei que as
protejam de tais atos desumanos e bárbaros.
Em 1494, os reinos de Portugal e da Espanha, assinaram o Tratado In-
ternacional de Tordesilhas sobre a divisão da América em portuguesa e es-
panhola. Neste mesmo ano em Meca, Elias e Leila morreram de causas na-
turais, suas almas viram seus guias de luz sorrindo, escutaram a canção doce
da morte representando o amor de Deus e voltaram ao céu para 3 dias de-
pois retornarem ao planeta Terra, ele em Eisleben e ela em Wimmelburg,
Sacro Império Romano Germano.

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CAPÍTULO XVI

MARTINHO LUTERO E A INQUISIÇÃO


DO TRIBUNAL DA IGREJA CATÓLICA

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E
m 1514, em Eisleben, Sacro Império Romano Germano,
um judeu chamado Jordan (Elias) orou a Deus ao amanhecer por
paz na Terra e foi caminhar pelas redondezas. Chegou à sinagoga
judaica com a paz de Jeová e viu Mia (Leila) rezando diante de alguns sím-
bolos sagrados do judaísmo. Ele sentou ao lado dela e lhe disse:
– Milhões de mulheres já viveram e morreram neste planeta, mas ne-
nhuma delas tinha um rosto tão belo quanto o teu.
– Já recebi muitas cantadas, mas nenhuma delas foi mais engraçada do
que esta. Quem é você?
– Um pequeno pedaço do espírito de Deus conhecido como Jor-
dan e você?
– Eu sou a Mia. Muito prazer em conhecê-lo.
– Obrigado. Eu lhe digo o mesmo. Você é daqui de Eisleben?
– Sou não. Eu sou de Wimmelburg.
– E os judeus de Wimmelburg têm sido muito perseguidos pelos cris-
tãos católicos de lá?
– Sim. Foi por causa deles que minha família inteira se mudou para Eis-
leben. E aqui também estão nos perseguindo?
– Estão cada vez mais intolerantes conosco e com a nossa religião.
– É direito nosso adorar Deus a nossa forma, mas os cristãos acham que
só eles têm o direito a adorar Deus em paz.
– A ignorância faz dos seres humanos egoístas e abusivos que não têm ne-
nhum respeito pelas leis, pelos seres humanos e por Deus. A ignorância é a
raiz de todo o mal neste planeta Terra e tal raiz deve ser arrancada da Terra
e queimada até que vire cinzas, pois se todos os seres humanos fossem sábios

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de verdade, eles não lutariam mais para conquistar aquilo que pertence a
Deus e a toda a humanidade.
– Perdoa os cristãos, pois vivem na escuridão amando aquele que foi cru-
cificado e odiando aqueles que o crucificaram.
– Quem crucificou Jesus Cristo foram os soldados romanos e não nós
judeus e quem deveriam odiar são os romanos e não nós, judeus filhos ama-
dos de Deus.
– Quem os cristãos devem odiar é ninguém, pois somente não odiando
ninguém é que eles vão poder sentir o amor de Deus vindo de suas almas às
suas mentes via coração.
Em janeiro de 1517 em Eisleben é publicado o livro Sobre os Judeus e
suas mentiras do monge agostiniano Martinho Lutero cujo trecho consistia
do seguinte:
– Finalmente, no meu tempo, foram expulsos de Ratisbona, Magdebur-
go e de muitos outros lugares. Um judeu, um coração judaico, são tão du-
ros como a madeira, a pedra, o ferro, como o próprio diabo. Em suma, são
filhos do demônio, condenados às chamas do inferno. Os judeus são peque-
nos demônios destinados ao inferno. Queime suas sinagogas. Negue a eles
o que disse anteriormente. Force-os a trabalhar e trate-os com toda sorte de
severidade. São inúteis, devemos tratá-los como cachorros loucos para não
sermos parceiros em suas blasfêmias e vícios e para que não recebamos a ira
de Deus sobre nós. Eu estou fazendo a minha parte. Resumindo, caros prín-
cipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não
vos serve, encontrai solução melhor, para que possamos nos ver livres dessa
insuportável carga infernal, os judeus.
Enquanto isso, em Wimmelburg, Jordan e Mia entraram em um res-
taurante antissemita, sentaram em uma mesa, fizeram o pedido e escutaram
um cristão protestante dizendo à sua esposa:
– O Martinho Lutero está certo. Os líderes da igreja católica de toda a
Europa se tornaram tão materialistas quanto os reis e como os reis se torna-
ram ladrões e assassinos. E a culpa dos reis e dos líderes da igreja católica te-
rem se tornado tão maus assim foram as mentiras dos judeus ensinadas no

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velho testamento da Bíblia. Tal velho testamento deve ser retirado da Bíblia,
assim como os judeus do sacro Império Romano germano. Somos arianos
puros e permitir que judeus vivam entre nós é um absurdo. Todos os judeus
do Sacro Império Romano Germano devem ser mortos a pauladas e seus
bens confiscados pelo povo. Se não for possível matá-los devem viver na mi-
séria e ter direitos diferentes dos nossos.
Ao saírem do restaurante antissemita, Jordan disse à Mia:
– Mia minha querida, aqui em Wimmelburg como em Eisleben e em
todo o sacro Império Romano germano, o antissemitismo contra nos ju-
deus está ficando cada vez mais intenso, negativo e negro. Os germanos es-
tão com ódio de nós judeus sem termos lhes feito nenhum mal. Pensam os
cristãos que somos Jesus Cristo para sermos perseguidos, torturados e cruci-
ficados por eles?
– Os antissemitas cristãos devido às mentiras inventadas por seus gover-
nantes acham que são diferentes e superiores em força e inteligência aos ju-
deus, mas a maioria deles por serem incultos não sabem que todos os povos
da Terra são iguais espiritualmente perante Deus e em direitos e deveres pe-
rante as leis. Em sociedade de incultos, impera a ignorância, a violência, o
desrespeito e o abuso.
Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero colou as 95 Teses na porta
da Igreja do Castelo de Wittenberg. As teses do monge Martinho Lutero fo-
ram copiadas pela imprensa e em dois meses percorreu toda a Europa. En-
quanto isto em Eisleben, Jordan disse à Mia:
– Minha vida, as 95 teses e as ideias do livro sobre a mentira dos judeus
de Martinho Lutero estão fazendo a cabeça de todos os europeus que es-
tão protestando contra os abusos da igreja católica e da nossa permanência
na Europa.
– Graças as ideias do Martinho Lutero, todos os germanos no sacro Impé-
rio Romano germano veem chifres em nossas cabeças, rabos em nossas bun-
das, pernas de bodes em nossas pernas e cabeça de bode em nossas cabeças.
– Numa miragem no deserto, aquele que vê miragens pensam que
elas são reais, mas são apenas ilusões de suas mentes. Da mesma forma, os

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cristãos veem judeus como um híbrido de ser humano e bode que serve ao
deus Ball, mas isto é só ilusão das mentes dos cristãos. Na escuridão, os se-
res humanos cristãos não podem ver que quem tem chifres, cabeças e per-
nas de bodes são eles.
– Já faz 1500 anos que os romanos trouxeram os judeus como escravos
para a Europa e a perseguição a eles ainda não teve fim.
– Os judeus são partes do espírito de Deus e por serem Deus merecem
ser tratados com respeito, igualdade e viver com dignidade na Europa que é
deles, de Deus e de toda a humanidade. Desigualdade é injustiça. A injus-
tiça é imoral. Imoral é o preconceito e a discriminação. Preconceito e dis-
criminação são crimes em um código de leis justas. Tortura, perseguição,
ameaça, confisco de bens, abuso de poder também. É abominável o que o
tribunal da Inquisição está fazendo com os condenados por heresias.
– Os papas fazem isto para mostrar ao mundo que demônios existem e
que são eles os tais demônios que perseguem, roubam e matam inocentes
judeus, ateus, protestantes e muçulmanos que amam Deus.
– Papas e padres nasceram para rezar missas e doutores em direito é que
nasceram para serem juízes.
– Espero que os juízes macabros da igreja católica não levem a Inquisi-
ção à América senão ela vai queimar todos os índios por causa de suas cren-
ças pagãs e os negros africanos por causa da prática da macumba.
– Em 1500 anos de era cristã não acabou a perseguição aos judeus na
Europa e nem a escravidão no mundo. Os europeus cristãos estão criando
colônias de escravidão em todas as partes do mundo. Nós europeus não nas-
cemos para escravizar o mundo inteiro, mas unir e libertar o mundo inteiro
da escravidão, do preconceito, do ódio, da ignorância, da miséria, das guer-
ras, da infelicidade, do medo e de um mundo dividido, separado por frontei-
ras que estão sempre a mudar para o progresso da indústria da guerra conti-
nuar seu desenvolvimento em direção ao extermínio de toda a humanidade.
Não sou nenhum vidente, mas posso ver como vai ser o futuro da humani-
dade daqui para frente com o grande afluxo de metais preciosos vindos das
colônias dos novos impérios europeus.

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– Como será?
– Vão construir com a ajuda do cientificismo lógico racional e matemá-
tico, armas cada vez maiores e mais letais para roubarem com mais facilida-
de as terras dos mais fracos. Os sistemas religiosos e os códigos de leis jurídi-
cas dos seres humanos estão levando-os em direção ao apocalipse bíblico e a
sua aniquilação e destruição. Ao negarmos aos germanos que a raiz da nossa
descendência era a antiga Suméria, estamos aniquilando nossa própria iden-
tidade cultural e ao negarmos a existência de Deus, estamos a negar a exis-
tência do amor e a aniquilação de nosso próprio eu espiritual. O Martinho
Lutero acha que a alma é mortal.
– Ele devia ser palhaço e não padre.
– Não é engraçado, mas abominável o que os papas estão fazendo com
os cristãos, judeus, muçulmanos e protestantes na fogueira do tribunal in-
justo e antidemocrático da santa Inquisição católica. O tribunal da Inqui-
sição é um mecanismo de tortura de uma organização criminosa com sede
em Roma que não tem respeito pelos direitos humanos.
– Quantas igrejas católicas têm a Europa?
– Não sei. Mas deve ter milhares.
– Elas pagam impostos ao governo?
– Pagam não, pois são órgãos públicos espirituais do Estado e seus órgãos
públicos não pagam impostos ao Estado, pois são criados para recolherem os
impostos para os papas no vaticano.
– Todo o dinheiro que as igrejas católicas arrecadam com dízimos, com-
pra de santos, terços na Europa vai para os cofres do vaticano.
– Não todo, mas grande parte. A Europa é como um belo cão e as igre-
jas católicas e protestantes como carrapatos drenando o sangue, a alegria, a
beleza e o dinheiro do povo pobre e inculto da Europa.
– Perseguição religiosa deveria ser crime, você não acha?
– Acho. A igreja católica já foi longe demais com as cruzadas e a Inqui-
sição e por esta razão não merece mais reinar. Vamos incitar o povo de todo

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o Sacro Império Romano Germano a tomar as terras das igrejas católicas e
distribuir para todos os pobres europeus.
– Povo europeu, povo asiático, povo africano, povo americano, que fres-
cura. Este bondoso planeta Terra cobiçado por seres humanos e extraterres-
tres deveria se chamar planeta Deus e o povo da terra inteira o povo de Deus.
– O povo de Deus tem uma consciência e uma inteligência tão baixa e
pequena. Querem conquistar o mundo inteiro por meio da força e da vio-
lência e não por meio da paz e da diplomacia.
– Estando controlados pelas inverdades ensinadas pelos deuses annu-
nakis e governantes humanos, a consciência e a inteligência da humanidade
vida após vida vive em forma de semente esperando a luz do amor de Deus
e da verdade desabrochá-la e a transformá-la em uma grande árvore do sa-
ber científico e espiritual. Mas lá no futuro, quando as inverdades deixarem
de controlar as mentes poderosas dos seres humanos, eles se reunirão numa
grande e universal assembleia de reis para fazer do mundo inteiro um só rei-
no com uma só lei e um só Deus.
– Também não vejo outra maneira de acabar, de uma vez por todas as
guerras por posses de terras no planeta. E a contrarreforma do catolicismo
da igreja católica romana?
– É uma tentativa da igreja católica romana de evitar que as ideias do
doutor em teologia e direito Martinho Lutero invada todos os países católi-
cos da Europa e das colônias da África e América.
– E o Gutemberg?
– Nasceu em 1398 em Mogúncia aqui no Sacro Império Romano
germano. Ele foi o primeiro ser humano na Europa a usar a impres-
são por tipos móveis de letras que deu início à imprensa, fabricação de
livros em massa, universidades e incentivo ao desenvolvimento da re-
nascença.
– Os antigos de Atenas no século V a.C. viviam pintando paredes, cons-
truindo estátuas e pensando em democracia e direitos humanos e agora es-
tamos fazendo o mesmo na Renascença.

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– Como em Atenas, muitos seres humanos em todo o planeta Terra ado-
ravam vários deuses e hoje continuam adorando vários deuses como Jesus,
Moisés, Krishna, Maomé, Buda, Jeová, Zaratustra e Alá.
– Se a consciência e a inteligência do ser humano não se desenvolver
por meio do conhecimento verdadeiro, a humanidade não mudará de poli-
teísta a monoteísta e nem de monarquia para democracia.
No dia seguinte, Jordan e Mia entraram em uma livraria de Eisleben e
ele lhe disse:
– Amor, olha aqui o livro servo arbítrio do Martinho Lutero publicado
em 1525.
– Abre uma página e lê um pedaço.
– O homem tem livre arbítrio para todas as coisas do plano inferior,
como o que vestir, o que comer, com quem casar etc. Entretanto, para as coi-
sas que pertencem à salvação eterna, a decisão cabe somente a Deus. Neste
ponto o homem não tem escolha, pois esta é um atributo divino, e não hu-
mano. Nas coisas da salvação, o homem é como um prisioneiro, incapaz de
se voltar para os propósitos divinos, está agrilhoado ao pecado ou é monta-
do pelo diabo, sendo um servo deste outro. É pela graça de Deus que o ho-
mem é tornado livre do pecado e passa a ser servo de Deus.
– Larga isso e põe de volta na estante. Até logo, Lutero. Que tipo de re-
alidade obscura é essa que as religiões humanas estão criando nas mentes
dos seres humanos?
– É a realidade da escravidão mental no plano da baixa consciência onde
reina absoluto os maus pensamentos, a escuridão, a negatividade, a inver-
dade, a insanidade, o preconceito, a desumanidade, a loucura, a ilusão, o
egoísmo, a ambição e a loucura. Martinho Lutero é um mestre não em te-
ologia, mas em termologia. É um mestre do exército de seres humanos na
escuridão liderados e controlados por seus governantes por meio do conhe-
cimento teológico que fala da existência do diabo e do conhecimento cien-
tífico que fala da não existência de Deus.
Em 1536 é instituído o tribunal da Santa Inquisição da igreja católica de
Portugal. Jordan diz à Mia em um lago de água doce em Eisleben:
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– O Martinho Lutero vive dizendo aos germanos por onde passa que os
judeus são os filhos do diabo, que estão possuídos por milhares de demô-
nios, que são as causas da desunião do povo germano e de todas as desgraças
do mundo e da humanidade, que vivem na escuridão da ignorância da ilu-
são com o deus Ball.
– O tribunal da santa Inquisição é o tribunal do inferno e os papas os fi-
lhos do cão. Foram os papas que incentivaram durante 200 anos as cruzadas
e criaram o tribunal da Santa Inquisição para queimar almas como estando
possuídas pelo diabo.
– Possessão demoníaca não é crime, crime é matar, roubar e torturar ino-
centes. No entanto, os papas que estão condenando os possuídos pelos de-
mônios a fogueira estão matando, roubando e torturando a vida dos hereges
e o povo pobre e inculto da Europa e das colônias não veem isto como sen-
do crime, mas a vontade divina de Deus.
– Como vão ver a verdade se estão vivendo na escuridão? Não sabe que
na escuridão nada se pode ver?
– Meu Deus, que mundo horrível é este em que os governantes, políticos,
empresários, banqueiros, militares e chefes de igreja estão fazendo só o mau
com os europeus e o povo pobre e inculto da Europa põe a culpa nos judeus?
Dias depois em Eisleben, Jordan disse à Mia enquanto jogava um jor-
nal no lixo:
– Olha, amor. Alguém esqueceu um livro aqui.
– Sobre os judeus e suas mentiras, Martinho Lutero.
– Como a peste negra e a igreja católica, as ideias desse monge racista
está se espalhando por toda a Europa por meio da imprensa do Gutemberg.
– As ideias do Martinho Lutero estão fazendo as cabeças de todos na
Europa porque os reis europeus não suportam mais o controle por meio do
medo a Deus da igreja católica romana sobre todos os reinos da Europa. De-
vido a influência das ideias de Lutero, muitos germanos cristãos católicos po-
bres, incultos, desinformados e ignorantes se converteram ao protestantismo
roubaram, mataram e expulsaram judeus e padres católicos em Eisleben.

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– A Inquisição católica foi criada na França, na Espanha e Portugal para
punirem os judeus, os muçulmanos, os cientistas, os cátaros, os valdenses e
os hussitas. Quem são os cátaros, os valdenses e os hussitas?
– Os cátaros são um grupo religioso de católicos heréticos desorienta-
dos e caolhos cuja filosofia baseava-se na ciência da moral, a ética que trata
da luta entre o bem e o mal. Para eles a criação de Deus está dividida entre
duas energias, uma boa e uma má, uma espiritual e a outra material. Para
eles, o espírito é puro e a carne é impura e entre impurezas e purezas vive a
alma e o corpo em guerra diária desde o nascimento à morte. As relações se-
xuais dentro e fora do casamento são proibidas, pois representa a prolifera-
ção do mal. Para estes loucos, o suicídio era a mais meritosa das ações, pois
representava o triunfo do espírito sobre a carne e o bem sobre o mal e que
Deus encarnou no corpo de Jesus Cristo e por ter encarnado nele, Jesus Cris-
to como Deus deve ser visto.
– O suicídio é o crime de assassinato por culpa própria e não uma ação
meritória, mas demeritória, como é demeritória roubar e matar outros po-
vos para que creiam à força em Deus, como fizeram os judeus monoteístas
com os árabes politeístas séculos atrás na Arábia Saudita. Por meio do amor
e do ódio eles ensinam suas verdades sobre Deus e o diabo e um homem que
sente amor e ódio nunca é feliz e nem infeliz, mas sempre feliz e infeliz na
dualidade da realidade e da ilusão.
– E os valdenses?
– Os valdenses são um grupo de católicos pobres, humildes, miseráveis
e incultos que se revoltaram, protestaram e contestaram a riqueza, o luxo, o
orgulho, a vaidade, a ambição, o egoísmo, a maldade e o exclusivismo da eli-
te eclesiástica católica de pregar o evangelho de Jesus Cristo de Nazaré. No
início, o movimento popular dos valdenses não foi considerado como um
movimento herético pela igreja católica, pois seu líder era Francisco, um
devotado membro e colaborador da doutrina cristã. Mas depois que os lei-
gos valdenses incultos começaram a pregar o evangelho e a se confessarem,
a igreja passou a vê-los como inimigos da igreja e do Estado que ameaçava

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o monopólio da igreja católica de pregar a palavra de Deus e ouvir as con-
fissões dos pecadores.
– E os lolardos?
– Eram membros de um movimento herético liderado por João Wycli-
ffe que traduziu a Bíblia do judaísmo para o inglês para que todos na Ingla-
terra pudessem ter acesso à palavra de Deus. Pregava ele a arrogância, a bru-
talidade, a corrupção, o egoísmo e a riqueza dos membros da igreja católica.
Dizia ele que a igreja deveria ser destituída de todas as suas posses que de-
veriam ser divididas entre os mais pobres. Ele pôs em dúvida o poder dos sa-
cramentos e da eucaristia.
– A igreja quer proibir todos os ingleses de terem acesso à palavra dos es-
cribas judeus e cristãos que julgam ser de Deus para que o povo pobre e in-
culto da Europa procure a palavra paga de Deus em suas igrejas?
– É isso mesmo.
– E os hussitas?
– Foi outro movimento herético liderado por João Huss, sacerdote de
Praga que foi queimado na fogueira santa da Inquisição em 1415 na Tche-
coslováquia por pregar a mesma mensagem de João Wycliffe.
– O monge Lutero vê demônios dentro das pessoas e odeia os judeus,
Deus e ele mesmo. Sorte a dele não haver inferno, pois se existisse, era para
lá que a alma dele iria após a morte física.
– Esse Martinho Lutero tem um coração de pedra e tudo o que ele vê
nos judeus é o que ele é. O Lutero cego que não vê Deus em nada, é um ver-
dadeiro doente mental que sofrerá em vidas futuras na roda do carma todo
o sofrimento que está infligindo aos judeus no presente. E tal castigo não
será dado por Deus, mas pelas mas ações e pensamentos negativos antisse-
mitas do próprio Lutero.
Em 1571 foram criados nas colônias espanholas do México, Lima e Car-
tagena, os tribunais do Santo Oficio ou da Inquisição americana. Assim que
a infeliz notícia chegou à Eisleben, Jordan disse à Mia:

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– Querida Mia, a peste negra da Inquisição atravessou o Oceano Atlân-
tico e agora está queimando índios e pretos por suas práticas espirituais pa-
gãs ou anticristãs.
– Quando é que os seres humanos vão aprender a respeitar o direito de
todos seguir, adorar e rezar para a religião, a fé e o Deus que quiserem?
– Não sei. Mas sei que este negócio sinistro de julgamento e punição na
fogueira por causa de religião não tem nada a ver, não é direito e nem justo.
Onde já se viu isto? Vou odiar meu vizinho só por que ele não crê em um
único e mesmo Deus que eu? Forçar por meio do terror e do calor da foguei-
ra os índios e pretos a aceitar Jesus Cristo como sendo o deus deles não tem
nada a ver, pois Jesus Cristo é só o mito do deus Hórus do Egito que não tem
poder para salvar da morte nem mesmo um mosquito.
– A salvação da roda do carma e a ida e volta eterna ao céu e a terra não
depende de Deus, mas de nós mesmos, pois só nós mesmos podemos nos
perdoar e nos salvar. Deus somos todos nós, apesar do velho, novo e novíssi-
mo testamento, judeu, cristão e muçulmano dizer que somos apenas seres
humanos imperfeitos e pecadores. Não somos imperfeitos e nem pecadores,
somos perfeitos e santos apesar de parecermos imperfeitos e pecadores, pois
para Deus não há erro e nem preconceito. Quando os seres humanos eleva-
rem suas consciências para o nível mais elevado de suas mentes, corações e
almas não queimarão mais seres humanos inocentes em fogueiras por cau-
sa de terra, ouro, ambição, egoísmo e religião.
Em 1573 em Eisleben, Jordan disse à Mia:
– Minha querida Mia. As ideias do monge louco, Martinho Lutero têm
disseminado o ódio aos judeus por toda a Europa e com tal filosofia racista,
discriminatória e infantil tem feito a cabeça dos incultos europeus cristãos
adoradores de ilusões e tornado a vida dos judeus um verdadeiro pesadelo.
– Devido às guerras milenares contra os povos da África, do Oriente Mé-
dio, da Ásia e da Europa, os europeus estão cheios de ódio e é do ódio que
surgem filosofias antissemitas insensatas e indesejáveis como a do monge
louco e cego, Martinho Lutero.

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– Não entendo Martinho Lutero. Ele crê em um único Deus. Ele crê
como sendo verdade tudo o que está escrito na Bíblia. No entanto persegue e
induz outros a perseguir os judeus. Todo judeu é um sujeito de direito e por
ser um sujeito de direito tem o direito de ser tratado com respeito.
– A guerra entre os judeus, os muçulmanos, os cristãos, os romanos e os
germanos há séculos têm sido por causa da Bíblia Sagrada e agora os euro-
peus estão levando-a aos milhares de barcos para América para assombrar as
mentes e as almas dos índios astecas, incas e maias com esta história sem gra-
ça de demônios, inferno e diabo. Como os judeus foram expulsos pelos assí-
rios de Israel, o mesmo os europeus estão fazendo com os povos nativos da
América. Em toda a América, índios e negros trazidos da África em porões
de navios cheios de ratos pelos europeus vivem acorrentados e sofrendo to-
dos os tipos de maus tratos e injustiças nas colônias dos impérios ultramari-
nos das nações europeias monarquistas, conservadoras, moralistas e desuma-
nas. Em 100 anos de colonização da América, os portugueses, os espanhóis,
os ingleses, os franceses e os holandeses já mataram milhões de índios ame-
ricanos inocentes.
– O genocídio dos índios da América é o assunto mais divulgado nos jor-
nais de toda a Europa.
– Os humanistas renascentistas da Inglaterra e da França são contra o ex-
termínio de milhões de crianças, mulheres e idosos índios por causa de suas
terras e crenças pagãs. Tais atos insanos dos reis, dos papas e dos militares
na América são atos atentatórios aos direitos e a dignidade do ser humano.
A doutrina da igreja católica apostólica romana cristã ensina o povo inculto
da Europa e da América que o ser humano foi feito à imagem e semelhança
de Deus, no entanto ela tem tratado os seres humanos deste planeta como
se fossem a imagem e a semelhança do satanás.
– O que nós europeus deveríamos fazer era reunir todos os padres, bis-
pos, papas, imperadores, reis e príncipes da terra na catedral de Aachen e
queimar dentro dela todos eles e instaurar a democracia em todas as nações
para que haja paz eterna na terra.

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– Se a Germânia fosse uma democracia e você candidato à presidência
da república, o que você diria ao povo germano num comício?
– Amado povo da República da Germânia. Só existem dois tipos de polí-
ticos. É o político que vive na escuridão e o político que vive na luz. O polí-
tico que vive na escuridão não se ama, não ama o povo e não vê Deus como
espírito dentro de si mesmo e dos demais cidadãos. O político que vive na
luz, se ama, ama o povo e pode ver Deus como espírito dentro de si mesmo
e dos demais cidadãos. O político que vive na escuridão só pensa no ouro e
em permanecer para sempre no poder, roubando o dinheiro dos impostos da
educação, da saúde, da moradia e da segurança do povo germano. O políti-
co que vive na luz só pensa no bem-estar da nação e permanecer para sem-
pre nos corações do povo. Eu me amo, eu amo o povo germano e posso ver
Deus dentro do meu coração e do seu. E você? O que diria?
– Querido povo da Germânia, sua felicidade é mais querida a mim que
a respiração da minha própria vida. Eu e você podemos mudar a Germâ-
nia e o mundo inteiro para um patamar mais elevado de consciência huma-
na, uma melhor qualidade de vida onde não haja mais miséria, ignorância e
violência em todos os municípios e estados do território nacional germano.
– Ainda bem que sonhar não paga imposto, senão estaríamos presos por
dívidas não cumpridas.
Em 1574 em Eisleben, Jordan disse à Mia:
– Mia. Você está bem?
– Estou, e você?
– Eu também.
Em 1600, Jordan e Mia morreram e suas almas voaram com seus guias
de luz em alegria ao encontro de Deus para 3 dias depois retornarem ao pla-
neta Terra, desta vez em Londres, capital do Império da Grã-Bretanha.

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CAPÍTULO XVII

O INCÊNDIO DE LONDRES

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E
m 1629, em Nova York (EUA), o advogado Carter (Jor-
dan) e a historiadora Charlote (Mia) casaram-se numa igreja cristã
protestante. Após o casamento, foram comemorar com os amigos
no porto de Nova York. Assim que o navio inglês The love of God chegou ao
porto, Carter e Charlote entraram e rumaram em direção ao alto mar. Em
alto mar, Carter, ao lado de Charlote lhe disse:
– Os portugueses, os espanhóis, os ingleses, os franceses e os holandeses
estão roubando as terras dos índios da América inteira. Tudo isso em nome
do ouro e da ambição por poder. Cada rei quer ser mais rico que o outro na
Europa. Os europeus vão matar os índios da América para se apropriarem
ilegalmente das terras deles e das riquezas que elas possuem.
– Os judeus em Jerusalém sofreram nas mãos dos cruzados financiados
pelos reis da Europa e dos papas da Igreja Católica. Foi uma chacina san-
grenta e cruel. Um holocausto, um genocídio. Os reis católicos e os papas
da igreja católica da Europa foram muito cruéis com os judeus por causa das
riquezas que eles possuíam. Eles também serão cruéis com os índios ameri-
canos. A igreja católica apoiou moralmente as cruzadas em vez de se opor à
pilhagem, o roubo e os assassinatos em massa de judeus em Jerusalém. Tam-
bém estão apoiando os reis a roubar e matar os índios da América. Aqueles
que representam a igreja católica deveriam ser os primeiros a se oporem con-
tra estes tipos de crueldades e injustiças.
– A igreja católica possui 60% das terras da Europa e ela ainda não está
satisfeita com o que tem. Ela quer mais, cada vez mais. Não tem fim e nem
limites a sua ambição por poder, terra, ouro e seguidores. A cobiça da igre-
ja católica e dos reis por riquezas alheias será a causa de sua queda do po-
der. Por causa das más ações dos representantes da igreja católica e das mo-
narquias católicas, toda nossa gente na Europa está perdendo fé em Deus e

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se tornando cada vez mais ateísta, egoísta e materialista. Se os reis e os papas
continuarem governando os povos da Europa e da América com mão de fer-
ro e chumbo, ambos perderão o poder que tem sobre o povo faminto e mi-
serável da Europa e das colônias. Entre os índios não há dinheiro e nem ve-
ículos com rodas, mas eles parecem mais felizes do que nós.
– São assim porque não entendem o valor que o ouro tem. Quando des-
cobrirem o valor que o ouro tem, esquecerão que Deus existe e matarão
qualquer um para obter uma vida cheia de conforto e luxo como as cortes
dos reis e das igrejas dos papas. Os papas não são juízes e nem foram criados
para serem, no entanto, estão julgando e punindo os inocentes na fogueira
da Inquisição. Os papas julgam e punem os seres humanos inocentes porque
a doutrina da Bíblia que seguem cegamente lhes ensinou que Deus julga
e pune os seres humanos. Controlados por tal encanto ilusório, eles acham
que julgando e punindo agradará a Deus, que os abençoará por tais malda-
des. Devido ao avanço do conhecimento científico, os seres humanos estão
se tornando cada vez mais humanistas. O que acontece dentro de suas men-
tes não é diferente do que acontece dentro da mente de Deus. A diferença
de Deus e os seres humanos é que enquanto os seres humanos vivem nas-
cendo e morrendo, Deus permanece vivendo no mesmo corpo para sem-
pre. No passado, quando os seres humanos viviam em cavernas e caçavam
com lanças e faziam guerras com pedras, Deus era muito jovem e sua cons-
ciência era pouco desenvolvida e à medida que nossas almas foram nascen-
do e morrendo neste planeta sucessivamente, o corpo de Deus foi se desen-
volvendo e com ele a sua consciência que passou de bárbara para civilizada,
de escura para clara e de desumana para humana.
– O que é o direito?
– É o rei do conhecimento científico formado por leis e princípios
jurídicos.
– O que são princípios jurídicos?
– São normas de direito hierarquicamente superiores as leis infraconsti-
tucionais do Estado.
– O que são leis infraconstitucionais?

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– São as leis não constitucionais.
– Interessante o mundo do direito, não?
– Sim. No mundo do direito não existe inferno, diabo, demônios, fantas-
mas, céu, Deus, anjos, julgamento, punição divina, reencarnação, vida eter-
na, amor eterno e nem nada que não possa ser comprovado por meio da ló-
gica e da razão.
– E como a ciência vê a religião?
– Como uma doutrina espiritual cujas leis baseadas em suposições e su-
perstições não têm base científica alguma.
– Qual é a história das ciências humanas?
– Foram criadas na Antiguidade com as escolas de mistérios do Egito,
grega e árabe que ensinavam química, física, matemática e medicina aos ini-
ciados que, baseados nas leis químicas e físicas da natureza, foram elaboran-
do as primeiras leis matemáticas.
– O que você acha do sistema de governo dos reis por meio dos papas da
igreja católica?
– Acho que é um sistema de governo que censura e não permite que os
cidadãos pensem e falem livremente e sem medo de serem presos, julgados
e assassinados na fogueira da igreja santa de Deus. O dever dos papas é pre-
gar a palavra de Deus e não queimar índios inocentes na fogueira. Os índios
americanos são seres humanos e cidadãos do mundo e, como todo cidadão,
merecem viver com dignidade e respeito e não na escravidão largamente
aplicada no mundo inteiro por reis e papas, com suas leis injustas e teorias
ilógicas como injustas e ilógicas são para os seres humanos as leis dos ani-
mais. As leis dos animais fazem dos animais ladrões e assassinos natos e é
pelo fato de todo o povo da terra ser governado por leis dos deuses annunakis
é que há tantos ladrões e assassinos na sociedade humana. Estamos vivendo
em uma nova era marcada por grandes tragédias e descobrimentos de novas
terras, novas culturas e novas ideias. O renascimento científico caracteriza a
transição do feudalismo para o capitalismo, cuja filosofia liberal é centrada
na livre concorrência e da não intervenção estatal na vida privada de cada ci-
dadão componente do Estado. O feudalismo entrou em colapso na Europa,
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com a formação dos estados monárquicos nacionais criados a partir do final
da Guerra dos Cem anos, entre a França e a Inglaterra. O renascimento trata
da valorização do ser humano como parte integrante de um Estado do qual
necessita do trabalho e impostos humano para se manter vivo. Essa valoriza-
ção do ser humano perante as leis democráticas é o fruto maduro do Renas-
cimento, chamado de Humanismo. Tanto o Renascimento como o Huma-
nismo são as bases do conhecimento científico do direito.
– Qual a diferença entre justiça e injustiça?
– Justiça e injustiça é a mesma coisa que direito justo e direito injusto,
humano e desumano, certo e errado, verdadeiro e falso, bom e mau, huma-
no e desumano, igual e desigual, moral e imoral, legal e ilegal. O direito jus-
to é aquele que possui leis justas e o direito injusto é o que possui leis injus-
tas. As leis justas são criadas pelos bons pensamentos e as leis injustas são
criadas pelos maus pensamentos. Toda ação boa ou má é causada por um
pensamento puro e um pensamento impuro. A boa ação em acordo com as
leis das igrejas e dos estados nacionais mantém o cidadão a salvo de processos
judiciais e da fogueira da santa Inquisição da França, Itália e Espanha. Nes-
tes países cujos reis e Estados são controlados pelos papas, não existem em
seus códigos de leis a liberdade de crença, consciência e pensamento, mas
apenas inúmeras leis injustas que impedem ilegalmente os cidadãos exerce-
rem livremente os seus direitos de crer em quantos deuses e diabos quiserem,
de pensar e dizer o que quiser, sem medo de ir para a fogueira da Inquisição.
Quarenta dias depois, o barco a velas The love of God com Carter e
Charlote chegou à ilha da Islândia debaixo de muita chuva e frio. Perto de-
les um papagaio disse:
– Terra à vista. Terra à vista.
Carter disse à Charlote:
– O papagaio tem muitas penas e eu tenho muito amor por você. Be-
las são as paisagens na terra, no céu e no mar, belo também é meu amor
por você.
Na areia da praia da ilha da Islândia, Carter escreveu com um galho e
folhas e flores presas a ele na areia e disse à Charlote:

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– Leia o que estou escrevendo na areia.
– Eu te amo, meu amor do cabelo preto.
– Me dá aqui o galho. Veja este coração. Ele está sem alma como o co-
ração de um ser humano morto. Ele agora está com uma alma como o co-
ração de um ser humano vivo. Este pequeno ponto dentro deste coração de
areia representa a alma, a vida, Deus, a beleza e a elegância do meu amor
por você.
– Estão nos chamando. Vamos voltar para o barco.
O barco a velas deixou a ilha da Islândia debaixo de muito sol. Assim
que anoiteceu, a lua cheia, o frio, as estrelas apareceram e Carter disse à
Charlote no convés do barco:
– Está com frio?
– Estou. Me abraça para se aquecer um pouco.
– Está com saudade de Nova York?
– Estou. Olhe o céu e o mar.
– Estou olhando. São tão belos quanto os seus olhos chorando de sau-
dade da América.
– O céu está cheio de estrelas e o mar de sal. O meu coração está cheio
de amor e minha mente de saudade.
– Não fica triste, em breve retornaremos à América.
– Queria tanto que a igreja católica e os reis da Europa parassem de cen-
surar, perseguir, torturar e matar nas fogueiras da Inquisição protestantes, ju-
deus, árabes, cristãos, pretos e índios inocentes.
– Isso vai acontecer um dia.
– Por que as monarquias e a igreja católica estão praticando tantos cri-
mes injustos com tantos inocentes em todos os continentes da terra?
– Para controlarem suas mentes por meio do ódio, do medo a Deus,
ao castigo da igreja e das leis bárbaras, incivilizadas, injustas, cruéis, desu-
manas, preconceituosas, discriminatórias, ilegais, insensatas, desiguais, imo-
rais, criminosas, insidiosas, negativas, paranoicas, escuras, obscuras, doentias,

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insanas, assustadoras, temíveis e odiosas, pois com medo de Deus, ódio do
diabo, da igreja e dos Estados nacionais todos sentem ódio e com ódio nin-
guém aprende a amar a Deus e a perdoar tais criadores de leis que as impõe
à força para que os odeiem e odeiem Deus e assim os controlem por meio
da raiva e do medo. Para controlar os líderes reais e espirituais da humanida-
de não se deve deixar dominar pela raiva, perdoá-los e rezar para que Deus
os abençoe e lhes dê bondade, sabedoria, paz e amor é a única maneira de
se libertar do controle de qualquer governo ou pessoa. A diferença das leis
dos Estados para as leis da religião é que a leis dos Estados são ateístas e as
leis das religiões são teístas. As leis são assim porque os pensamentos dos se-
res humanos estão presos nas duas realidades da dualidade das crenças e das
descrenças, de Deus e não a realidade. A realidade é aquela que está no ca-
minho do meio entre os dois caminhos alegres e tristes do amor a Deus e do
ódio ao diabo. Quando um ser humano se odeia, ele odeia a mãe, o pai, os
filhos, a pátria, Deus e toda a humanidade. A igreja católica, com seus dog-
mas, ensina aos cristãos a amar a Deus e odiar o diabo. Ao odiarem o diabo
que não existe, eles aprendem a odiar a si mesmos, à humanidade e a Deus
sem saber. Se os cristãos não odiassem o diabo, certamente odiariam as leis
injustas dos Estados que têm monopólio do poder militar espiritual estatal
por meio da violência, coação ilegal e brutalidade que impõe suas leis bár-
baras e obrigam todos a servirem sua vontade.
– Os ingleses estão tratando os índios da América como criminosos que
cometeram crimes hediondos e como mercadorias de grande valor comer-
cial. A escravidão tem sido uma prática normal entre os povos da África, Ásia
e Europa há milhares de anos. Isto não deveria mais existir nos dias de hoje
e nem no futuro. Os índios americanos não cometeram nenhum crime para
viverem presos, amarrados e acorrentados como animais. Quem deveria es-
tar preso dentro de jaulas é nosso rei, nossa rainha e os papas da igreja cató-
lica que tratam os seres humanos como animais. As leis da Inglaterra e das
13 colônias, são muito injustas e desiguais. Todos nós deveríamos ter direi-
tos e deveres iguais perante as leis, isso sim seria justo. Nosso rei é um ho-
mem muito ambicioso, egoísta, injusto e desumano. Ele deveria ser amarra-
do numa corda, jogado no porão de um navio cheio de ratos e mandado às

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13 colônias na América do Norte e lá forçado a plantar cana-de-açúcar, ta-
baco e algodão sem direito a remuneração para sentir o que os índios ame-
ricanos estão sentindo no corpo, na mente, no coração e na alma. Por cau-
sa de nosso rei, que pensa que é Deus, muita infelicidade estão sentindo os
índios e os negros das 13 colônias. Por causa da ambição de um rei, muitas
pessoas inocentes estão sendo injustamente maltratadas e mortas em nome
de Deus e ninguém se importa com isto. A mensagem de Jesus foi de amor,
compaixão, misericórdia e não violência. Na América matar um preto e um
índio é como matar uma galinha ou um peixe na Europa, não é ilícito ou
crime algum. Essas leis do império inglês são abomináveis e intoleráveis. Eu
tenho fé em Deus que um dia todos os seres humanos serão iguais em di-
reitos e deveres perante as leis. Quando este dia chegar, todas as pessoas no
mundo inteiro aprenderão a ter mais respeito umas pelas outras e assim fa-
rão leis que as igualem em direitos e deveres perante as leis humanas e os
olhos de Deus. Os seres humanos têm corações de vivos. Os seres desuma-
nos têm corações de mortos. É questão de tempo para as monarquias e as
igrejas católicas perderem o seu poder em toda a Europa cujo povo está fi-
cando cada vez mais cético acerca da existência de Deus. À medida que as
religiões e as monarquias humanas estão perdendo força e controle sobre as
mentes e pensamentos dos seres humanos na Europa, na Ásia e na África es-
tão ganhando cada vez mais força no continente americano. Pobres ameri-
canos. Poucos sabem ler e escrever. São como os europeus, os asiáticos e os
africanos antes da invenção da escrita. Como os europeus, os índios ameri-
canos viviam em guerras entre si para formarem grandes reinos e impérios.
Lá nas colônias europeias da Ásia, da África e da Ásia os colonos são gover-
nados todos com chicotadas e pauladas.
– Os reis europeus e os papas deviam se matricular em uma universida-
de, estudar Direito e defender os direitos humanos e não ignorá-los e atacá-
-los com a cruz de ferro nas mãos.
– Lá na América, os soldados, os nobres, os empresários, os políticos, os
magistrados, os sacerdotes e os marinheiros estão ferrando os africanos como
se ferram com fogo quente as vacas da Inglaterra e os vendendo como se fos-
sem um cachorro ou um jumento. Isto fere a dignidade da pessoa humana
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que é o bem mais valioso no sistema democrático de direitos humanos. Ape-
sar de todos os avanços da ciência, eu não vejo a ciência como uma grande
área do conhecimento humano, mas como um outro meio de controlar as
massas por meio da negação a Deus.
– Você é um cientista social que acabou de criar uma teoria científica e
como cientista é teu dever explicá-la e comprová-la por meio da lógica e da razão.
– Lembra da história dos cristãos no coliseu de Roma?
– Lembro. Eram vistos como inimigos da igreja politeísta e do Império
Romano do Ocidente e do Oriente. Em 300 anos, o cristianismo – como a
peste negra – se espalhou rapidamente por toda a Europa, cegando de amor
a Deus e ódio ao diabo os olhos da humanidade com estas historinhas infan-
tis de infernos, demônios, diabos e julgamento de Deus que foi crescendo
tanto entre os incultos do Império Romano que o imperador bizantino Teo-
dósio I teve que abolir a pena capital de crucificação dos cristãos e instituir
o cristianismo como religião oficial do Império Romano para não perder o
poder e o controle do Estado e da igreja sobre as mentes e os pensamentos
das massas do extinto Império Romano do oriente. Pois bem. Agora com o
renascimento científico e o iluminismo está acontecendo o mesmo para os
reis e a igreja não perderem o controle por meio do medo e do ódio próprio
sobre as mentes e os corações dos seres humanos idiotas.
– Como o céu de Londres neste momento está meio nublado, assim está
o meu entendimento sobre tua teoria.
– Como as nuvens desparecendo no céu e o sol aparecendo no céu, mi-
nha teoria científica permitirá que você a entenda. É simples. A quem per-
tencem as igrejas?
– Aos Estados nacionais.
– A quem pertence as universidades?
– Aos Estados nacionais.
– Antes do cristianismo, os Estados nacionais, antes Estados feudais que-
riam por meio de suas leis e de suas religiões que o povo inculto da época
acreditasse em vários deuses certo?

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– Sim.
– Quando os romanos politeístas começaram a serem convertidos pe-
las igrejas dos cristãos ao cristianismo, o que fez os líderes reais e espiritu-
ais de Roma?
– Converteram o politeísmo romano em monoteísmo cristão.
– Agora os cristãos para se vingarem das humilhações que sofreram nas
mãos dos romanos em Roma querem prender, processar, julgar e mandar
inocentes gritarem de dor na fogueira para que ninguém conteste as leis e o
poder, por meio da violência e do medo dos reis e dos papas das igrejas cató-
licas sobre as mentes, os pensamentos, os corações e as almas dos europeus.
No entanto, apesar de tanta violência por parte dos reis católicos e da igre-
ja católica, o Estado, agora por meio das universidades quer que o povo eu-
ropeu e o povo da Terra inteira pense que Deus não existe para que conti-
nuem não vendo Deus dentro dos corações de todos os seres vivos como um
só espírito. Sem crer em Deus, a humanidade continuará não vendo Deus
em ninguém, como há milhares de anos. Os Estados nacionais europeus
cristãos estão envolvidos em uma guerra contra eles mesmos e o mundo por
causa de colônias na África, Ásia, Oceania e América. A peste negra do ódio
e da guerra já contaminou todo o mundo e por causa de tal contaminação,
milhões de inocentes estão sendo mortos neste momento por causa da am-
bição dos reis e papas em busca de ouro, conhecimento e poder. Para atin-
gir tal fim usam falsamente o nome de Deus, matam e roubam em nome de
fé, crença, ouro e religião. Estas guerras e desrespeitos aos direitos em todo
o planeta é a Primeira Guerra Mundial entre Estados nacionais. São Esta-
dos nacionais porque agora são adeptos da religião ateísta conhecida como
conhecimento científico, lógico e racional, mas deveriam ser chamados de
Estados irracionais, ilógicos e anticientíficos. Na teoria, os Estados nacionais
nos ensinam por meio das universidades de ciência jurídica que o dever de
todo cidadão é respeitar as leis, as pessoas e defender o Estado contra as in-
vasões estrangeiras sob pena de prisão perpétua e ameaça de morte em caso
de não obediência. Antes da criação do judaísmo, a humanidade vivia em
uma sociedade humana extremamente desigual, onde poucos eram ricos e

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letrados e muitos, como hoje, pobres e incultos. Antes do judaísmo não havia
Deus e nem o diabo e com a revolução intelectual do saber cientifico, lógi-
co e racional, os Estados nacionais querem por meio das faculdades criarem
a mesma sociedade injusta, desigual e violenta sem Deus e sem diabo como
eram as sociedades humanas antes da criação do judaísmo. No entanto, cha-
mam esse movimento de ressurgimento da democracia ateniense. O mesmo
conhecimento do cidadão que nasce, envelhece, adoece e morre é ensinado
pelos animais aos outros animais que, por não se verem como sendo almas
da alma de Deus, se matam uns aos outros por água, terra e comida, apesar
de haver em abundância água, terra e comida para todos. Ao pensar que são
animais mortais, os seres humanos aniquilam sua própria existência espiri-
tual e ao aniquilar sua própria existência espiritual, se aniquila a existência
espiritual dos outros seres vivos e como o coração de um defunto ou de uma
estátua de pedra, chumbo, ferro e de animal, ele vive e pensa como um ani-
mal e por pensar como animal que não vê Deus em nada, ele não se impor-
ta em matar nada, pois na ilusão da ignorância da escuridão ele pensa que
não sofrerá no futuro todas reações de suas más ações praticadas em sua vida
presente e passadas. Sem ver Deus nos corações dos seres humanos e neles
mesmos, os cientistas nunca amarão a si mesmos, ao próximo, aos animais,
as plantas e nem a Deus. Sem amarem a si mesmos como sendo Deus e aos
demais, os seres humanos nunca viverão em paz com eles mesmos e com os
demais. A única coisa que podemos fazer para ajudar é orar a Deus para que
não se esqueçam que Deus ama todos eles como ama a ele mesmo, os pássa-
ros, os mares, as luas, os sóis, as estrelas e o mundo onde seu corpo repousa
enquanto tem este sonho misturado com pesadelo que criou com sua imen-
sa mente, cabeça, coração, pensamentos, consciência e alma.
– Na Roma antiga, as estátuas da justiça foram construídas com dinhei-
ro público com uma venda nos olhos, uma espada na mão e uma balança
na outra. O que significa a venda, a espada e a balança?
– A venda nos olhos da justiça significa que todos têm direitos iguais pe-
rante as leis, mas isto não é verdade, pois os europeus, asiáticos, africanos,
australianos e americanos não têm os mesmos direitos e deveres perante as
leis e por não terem, os olhos da justiça são cobertas por uma venda de pedra
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para que o povo da Terra não compreenda a verdade sobre o que é Deus e
sobre o que o povo é e representa para este planeta e este universo. As uni-
versidades são o universo do saber e as estrelas as ciências ensinadas em suas
salas de aulas para que os seres humanos não compreendam a verdade so-
bre o que são, de onde vieram, o que estão fazendo aqui neste planeta e para
onde vão após a morte física. Os governantes, por meio das universidades e
das ciências que estão preparando os futuros líderes das sociedades humanas
para que quem entenda de direito não entenda de economia, quem entende
economia não entenda de direito, quem entende biologia não entenda de
contabilidade, quem entende história não entenda de medicina, quem não
entende medicina, não entenda de administração, arte... E assim vai para a
liderança de cargos das entidades e órgãos dos estados nacionais que giram
em torno de leis e cálculos financeiros (contabilidade, economia, adminis-
tração). Todo problema por mais complexo que seja, como prova a matemá-
tica, sempre tem uma solução simples a fórmula correta for usada. No en-
tanto, os governantes da Terra têm usado a fórmula errada para não dar o que
o povo da Terra tem direito e dar o que o povo tem direito é o que se conhe-
ce por justiça. No entanto, os governantes reais e espirituais da Terra em vez
de darem o que o povo tem de direito, tomam ou negam o que o povo tem
de direito. Quando um direito é negado, um desejo insatisfeito é criado e
desejos insatisfeitos geram tristeza, raiva, medo e revoltas populares que ge-
ram guerras entre povos e governos. Quando há guerra entre governos e po-
vos não há paz, alegria e felicidade em nenhum lugar. Os Estados nacionais
são grandes empresas públicas estatais ou pessoas jurídicas de direito públi-
co internacional com milhões de funcionários responsáveis pelo atendimen-
to de todas as necessidades primárias, secundárias, terciárias e quaternárias
de seus povos e suas sociedades, que são seus clientes e contribuintes de im-
postos para que suas necessidades sejam atendidas e seus direitos respeita-
dos. A violência não é só física, mas verbal, psicológica, moral, patrimonial,
sexual, negligente, médica e abandono que são causadas pela violência es-
trutural que tem por raiz a violência institucional, aquela que ocorre quan-
do os políticos, os empresários e os religiosos por meio de dízimos e constru-
ção de grandes obras concentram a renda per capita dos Estados nas mãos

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de poucos e não cumprem seu dever de dar ao povo pobre o que tem direi-
to – educação, riqueza, paz e felicidade, partes dos direitos constitucionais
fundamentais do sistema democrático de direito que, apesar de ser ateu ou
laico, prega a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a proteção ao trabalho
infantil, da mulher, do idoso, horas extras, salários iguais a homens e mulhe-
res, repouso semanal, proibição do trabalho noturno a menores, descanso
semanal, horas extras etc.
– Deve haver milhões de empresas em forma de igrejas católicas na
América, na África, na Europa e na Ásia cobrando dízimos aos fiéis enga-
nados com falsas promessas de salvação do inferno e não pagando nenhum
tipo de impostos aos governos soberanos e absolutistas de direito divino dos
Estados nacionais. São justas ou não são as leis da doutrina católica e as leis
jurídicas dos Estados nacionais?
– São. São muitos justas, tão justas que chegam a ser quase perfeitas. Só
há dois tipos de justiças: a justiça de Deus e a justiça dos seres humanos in-
vejosos de Deus que querem matar Deus, para se apropriarem ilegalmente
de seus bens, que criou com tanto amor para que não faltasse paz, alegria e
nem nada a todos os seus povos. A justiça de Deus, julga e inocenta todos os
culpados e a justiça dos seres humanos julga e condena inocentes e inocen-
ta os culpados. A justiça dos cidadãos humanos é cega porque foram criadas
baseadas em teorias mal elaboradas. É cega as leis dos seres humanos desta
era da razão porque foram criadas pelos governantes que estão cegos e viven-
do na ilusão da ignorância criada por seus maus pensamentos, desorienta-
dos pelas suas ciências e religiões humanas. É difícil dizer nesta era de trevas
quem é a maior nesta terra, se é Deus ou é a ignorância, se é o amor ou é o
ódio. O amor e o ódio são como um relógio de areia. Quanto maior é a areia
em um lado, menor é a areia em outro lado e vice-versa. Da mesma forma,
quanto maior é o amor, menor é o ódio e vice-versa. Ponha o ódio e o amor
em uma balança da justiça e nela o ódio ficará em cima e o amor embaixo.
Tire a venda dos olhos da justiça e o amor ficará em cima e o ódio embaixo.
Enquanto os olhos dos seres humanos estiverem vedados pelas mentiras de
seus governantes, permanecerão infelizes e odiando a si mesmos, aos demais
e a Deus na escuridão da negatividade da ignorância. Quando todos tirarem
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as vendas dos olhos com as mãos da verdade e da sabedoria verão que Deus
existe e que vive em forma de vida em seus corações e nos corações dos de-
mais como testemunha oculta e silenciosa de todos os seus pensamentos e
segredos mais íntimos, como o melhor amigo sempre sem julgá-lo e conde-
ná-lo por suas más ações e crimes, pois Deus não é o Estado para julgar e
condenar nenhum cidadão ou alma à penitenciária e ao inferno.
– Do controle dos deuses annunaki por meio do ódio, medo, tristeza e
negação a Deus, não escapa rei, papa, empresário, político, magistrado, mili-
tar, cientista e povo e das leis de ação e reação do carma, não escapa nem os
deuses annunakis e nem Deus. Deus é o amor, o amor é o espírito de Deus,
com amor o espírito santo de Deus tudo criou. No entanto, em nada os se-
res humanos cegos podem ver o amor, o espírito de Deus em seus corações
e nos corações dos demais que estão neste momento sofrendo na escuridão,
nas chicotadas dentro de selvas e senzalas, ao trabalho forçado sem direito a
descanso para o almoço e jantar e sem remuneração mensal por seus servi-
ços prestados aos seus senhores feudais dia e noite.
– Não se preocupe com os seres humanos, Deus sabe o que faz. Se estão
passando por tantas provações é por causa de seus carmas e seus governantes
vampiros sedentos por ouro e sangue humano como seus deuses annunakis
de Nibiru. Com estas guerras todas na Terra por causa das inverdades que os
deuses annunakis do espaço ensinaram a humanidade, devem eles, os deu-
ses annunakis estar muito felizes com a nossa infelicidade, pois agora têm
mais cadáveres humanos para comer e vender no mercado negro de Nibiru.
– Certamente são eles infiltrados de humanos que ensinaram essa nova
ciência ateísta de cientificismo aos humanos para que matem Deus dentro
de si mesmos e de toda humanidade e vivam em guerra eterna para alimen-
tá-los com o seu sangue e a sua carne.
– O que é profano como violar as leis sensatas, crucificar e queimar se-
res humanos em cruzes de paus e fogueiras é sagrado para a igreja católica
annunaki cristã e escuridão para os deuses pleidianos. Iluminismo não é ilu-
minação em conhecimento científico, mas aniquilação do seu eu verdadei-
ro e de sua existência como parte eterna do espírito de Deus.

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Uma semana depois, o barco a velas Peace in the Earth chegou ao porto
de Londres, Carter e Charlote desceram com suas bagagens do barco, aluga-
ram um quarto em um prédio antigo de pedra e madeira e depois foram pas-
sear pelas margens do rio Tâmisa e no passeio viram um banquinho de ma-
deira e ferro muito bonito próximo a um poste de luz e a uma árvore cheia
de flores. No banquinho, Charlote disse a Carter:
– Como é belo o rio Tâmisa. Toca esse violão e uma canção para mim.
– Charlote, meu amor. Todas estas belas paisagens parecem uma mistura
de poesia e arte. A poesia é feita de letras que formam palavras alegres, boni-
tas e perfeitas que dão alegria à mente, ao coração e a alma de quem escreve
e de quem lê. O rio é formado de águas que faz a grama, as flores e as árvo-
res nascerem e florescerem de felicidade em suas margens de areia. Destas
flores e árvores, que são iluminadas pela luz do sol e da lua durante o dia e
durante a noite, nenhuma delas é mais bela que você. A luz do sol e da lua
faz o brilho das águas dos rios duplicarem a beleza das flores nas margens de
areia. Duas vezes maior e mais belo que o teu amor por mim é o meu amor
por você. O amor que sinto por você é tão elevado quanto o Monte Hima-
laia e enche de paz o meu coração e de felicidade a minha alma. O amor
é o rei dos bons sentimentos. O amor é fonte de felicidade enquanto vive e
de infelicidade enquanto morre. O amor é a meta suprema da vida, é a bon-
dade na sua forma mais pura. O amor é a luz da tua vida e o que sinto por
você dentro da minha cabeça e do meu peito. O amor pode ser verdadeiro
e interesseiro. O amor interesseiro não dá a alegria que dá o amor verdadei-
ro. O amor interesseiro é como o ferro que enferruja com o tempo e o amor
verdadeiro é como o ouro que permanece sempre puro. O amor interesseiro
é o falso amor. No amor interesseiro, o mais importante são os bens do par-
ceiro. No amor verdadeiro, o mais importante é a felicidade do parceiro. O
amor verdadeiro é como uma semente plantada em solo fértil e o amor in-
teresseiro é como uma semente plantada em solo pedregoso. O amor verda-
deiro é fiel e o amor interesseiro é traiçoeiro. O amor verdadeiro é belo e o
amor interesseiro é feio. O amor verdadeiro liberta as mentes e os corações
dos seres humanos da tristeza. O amor interesseiro priva as mentes e os co-
rações dos seres humanos de sentirem alegria. O amor verdadeiro é Deus e
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o amor interesseiro é a luxúria. Do amor verdadeiro surge a paz e a felicida-
de e do amor interesseiro surge a cobiça e a raiva. O amor interesseiro é um
amor sem graça, sem vida e sem alma. O amor verdadeiro é um amor engra-
çado com vida e alma. O amor interesseiro é um amor morto. O amor verda-
deiro é um amor vivo. O amor interesseiro e falso é azedo e mortal. O amor
verdadeiro e sincero é doce e imortal. Doce e imortal é o amor que sinto por
você dentro da minha mente, do meu coração e da minha alma. Entre um
amor interesseiro e viver solteiro, melhor mesmo é viver solteiro. Igual à fe-
licidade de um homem que se livrou de um casamento interesseiro, assim
sou eu vivendo com você um amor verdadeiro.
Um semana depois Carter e Charlote entraram numa caravela a vela e
retornaram à Nova York. Em 1642, o navegante holandês Abel Janszoon Tas-
man encontrou a Nova Zelândia. Ao desembarcar, ele foi atacado por po-
vos primitivos que viviam no sul da Nova Zelândia. A notícia rapidamente
chegou à Europa e à América. Em Nova York, o doutor Carter disse à pro-
fessora Charlote:
– Charlote, meu amor. Diz aqui no jornal da Inglaterra que os ho-
landeses encontraram novas terras no mar e na nova terra, no Ocea-
no Índico, muitos holandeses morreram numa batalha contra os nati-
vos do lugar.
– Pobres nativos neozelandeses. Serão escravizados, roubados, explora-
dos, humilhados e dizimados pelos republicanos holandeses como os índios
da América e os negros da África foram pelos ingleses, franceses, espanhóis
e portugueses.
– Os republicanos holandeses estão criando um grande império ultra-
marino neste planeta. Faz parte do império holandês o Ceilão, Java, Mala-
ca e Nova Zelândia.
– E o império inglês?
– As 13 colônias da América do Norte, Antígua, Barbados, Belize e
Jamaica.
– E o império francês?
– Canadá, Caribe, parte de Martinica, Guadalupe, Haiti e Senegal.
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– E o português?
– Angola, Congo, Cabo Verde, São Tomé e Brasil. Todos estes impérios
estão em guerra por causa das novas terras descobertas.
– Os renascentistas europeus dizem que o Renascimento marca o final
da idade das trevas e o início da idade das luzes, mas a humanidade não saiu
da idade das trevas, pois escravidão não é um avanço nas legislações referen-
tes ao desenvolvimento dos direitos humanos.
Em 1648, em Nova York, doutor Carter disse à sua adorada professo-
ra Charlote:
– Charlote meu amor, acabou a guerra entre os reinos na Europa.
– Quem eram as nações envolvidas nesta guerra?
– Suécia, Boémia, Dinamarca, Noruega, República Neerlandesa, Escó-
cia, Inglaterra, França, Saxônia, Palatinato, Transilvânia, Magiares contra o
Sacro Império Romano-Germânico, Liga Católica, Áustria, Baviera, Hun-
gria, Croácia e Espanha.
– Quais foram as causas desta guerra?
– As colônias da América, da África, da Nova Zelândia, a rivalidade en-
tre reis e reinos protestantes e católicos, terras, ouro, religião etc.
– Faz milhares de anos que os povos da Europa vivem brigando por ter-
ritórios. Eles não conseguem se entender, apesar de todo o conhecimento
que adquiriram por meio das religiões e das ciências humanas. Se não exis-
tissem mais fronteiras, não existiria mais rivalidades, nem guerras e nem
ódio entre povos, mas união, paz e prosperidade. Os governos devem ocu-
par as mentes de seus povos para amar a Deus e serem profissionais, cientis-
tas e artistas competentes para ajudar a humanidade a cumprir sua missão
na vida que é evoluir para se libertar da roda do carma. Os governos devem
fornecer tudo o que os cidadãos necessitam para serem felizes e viverem em
paz consigo mesmos, com Deus, a natureza, este planeta e a humanidade.
Como a vaca alimentando os seus bezerros com o seu leite, os governos de-
vem alimentar os seus povos com seu dinheiro. No entanto, os governantes

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da Europa ocupam as mentes dos seus povos para se tornarem soldados e
matadores profissionais.
– Toda essa rivalidade entre os cristãos católicos e os cristãos protestan-
tes é por causa da crença na existência do Jesus Cristo de Belém, o deus Hó-
rus do Egito.
– Loucos são aqueles que creem que o que é irreal é real. Não existe Je-
sus Cristo, não existe inferno, não existem demônios, não existe possessão de-
moníaca, não existe julgamento após a morte, mas existe Deus, existe amor
e Deus é o amor que eu sinto por você há muitas vidas.
– Você me ama e os europeus se odeiam, odeiam Deus e toda a huma-
nidade por causa das mentiras ensinadas aos povos da Terra pelos governan-
tes terráqueos e pelos deuses annunakis.
– Viu só o que a mentira faz? Viu só como grandes fortunas lapidam e
aformoseiam o caráter e a consciência humana para melhor? Só há dois ti-
pos de riquezas: a riqueza material representada pelo valor do ouro e a ri-
queza espiritual representada pelo valor da sabedoria. A riqueza material a
gente ganha nascendo e perde morrendo e a sabedoria a gente ganha nas-
cendo e morre com ela, pois para onde quer que nossas almas vão, elas vão
com a sabedoria. A riqueza material, que é temporária e ilusória, muitos reis
e líderes espirituais têm, mas sabedoria nenhum deles tem, pois o rei e lí-
der espiritual sábio não faz guerra por ouro, água, terra, não odeia, não in-
veja, não cobiça, não rouba, não mata, não queima e escraviza nenhum es-
cravo branco ou preto.
Em 2 de setembro de 1666 na padaria do padeiro Thomas Farriner em
Londres, Carter comprou alguns pães e disse ao padeiro:
– E então na noite de 18 de julho, no ano 64 d.C. em Roma, o impera-
dor Nero mandou incendiar Roma e pôs a culpa nos cristãos.
– Milhares de anos de guerras entre a humanidade, muitas cidades anti-
gas incendiadas, espero que isto nunca aconteça aqui em Londres.
– Foi bom revê-lo mais uma vez, cavalheiro. A gente se vê por aí. Até a
próxima vez.

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Assim que Carter saiu da padaria do amigo Thomas, Thomas sentiu um
cheiro de queimado e quando foi ver o que era, o fogo estava comendo vio-
lentamente a cozinha de madeira da padaria. Farriner tentou apagar o fogo
sozinho e com a ajuda de amigos, mas o fogo incontrolável foi consumindo
rapidamente a padaria e se espalhando para os outros imóveis de madeira vi-
zinhos. Depois de 3 dias ardendo nas chamas, Londres perdeu para o fogo
13.200 residências, 87 igrejas, 44 prédios públicos e 9 londrinos. Carter viu
um prédio desmoronando e disse à Charlote :
– Como está bela Londres. Agora é a cidade mais bela da Europa, não é?
– É. Meu Deus, deve haver uns cem mil desabrigados. Daqui a pouco
vão dizer os cristãos católicos e protestantes ingleses que este incêndio foi
culpa dos judeus.
Enquanto isto em seu palácio, o rei da Inglaterra, Jaime II, disse à sua
esposa Ana Hyde:
– Que tragédia horrível, minha rainha. Este foi o maior incêndio que
já houve em toda a história de Londres. Será que isto é castigo de Deus por
termos nós britânicos roubado, escravizado e matado tantos índios nas co-
lônias da América?
– É não. A culpa deste incêndio é de algum irresponsável que esqueceu
o fogo aceso em algum lugar e o fogo se espalhou rapidamente pelas ruas.
Por mais pecador que seja o povo, Deus jamais deixaria milhares de crian-
ças, mulheres e idosos desabrigados.
Em 1690, John Locke, publica o livro Ensaio acerca do Entendimen-
to Humano e Dois Tratados sobre o Governo e Cartas sobre a Tolerância. As-
sim que o livro de John Locke chegou a Nova York, Carter disse à Charlo-
te em uma livraria:
– Amor, olha aqui o livro do inglês John Locke.
– Quem é esse John Locke?
– É um cientista humanista e um dos maiores defensores dos direitos hu-
manos que já nasceu neste planeta.
– Lê um pedaço do livro dele para mim.

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– Ele, o homem, não pode separar-se da liberdade, exceto por aquilo que
o faça perder, ao mesmo tempo, sua preservação e sua vida, pois um homem,
não tendo poder sobre sua própria vida, não pode por um tratado ou por seu
próprio consentimento escravizar-se a quem quer que seja, nem sujeitar-se
ao domínio arbitrário e absoluto exercido por outra pessoa, ou mesmo dar
cabo de sua vida quando tiver vontade. Ninguém pode outorgar mais poder
do que a própria pessoa possui e aquele que não pode dar fim à própria vida
não pode outorgar tal poder a qualquer outra pessoa. Em verdade, se o ho-
mem der fim à própria vida, por algum ato que clame por morte, aquele por
quem ele perde a vida pode demorar a tirá-la e usá-la em serviço próprio, não
prejudicando-o por isso, pois no momento em que considerar que a provação
de ser escravo excede o valor de sua vida, ao resistir à vontade de seu amo irá
sentir-se atraído a ocasionar a si mesmo a morte que deseja.
– A escravidão não é uma prática antiga, caótica, bárbara, primitiva de
desumanidade e com exclusão abusiva e arbitrária de direitos fundamentais,
individuais e sociais?
– É. E escravidão humana é causada pelas guerras entre os seres huma-
nos. Se não houvessem várias nações não haveria guerras e escravidão no
planeta Terra. Não seria justo que todos os seres humanos na Terra tives-
sem os mesmos direitos à vida, à liberdade, à igualdade e à propriedade pe-
rante as leis?
– Seria sim. Seria muito justo, direito e correto como deve ser.
Em 1698 em Londres, Carter disse à Charlote:
– O Thomas Savery, engenheiro militar inglês, criou um motor que
está sendo utilizado no aumento da produção de manufaturados em me-
nos tempo nas fábricas da Inglaterra. Graças a esse progresso da ciência, a
mão de obra maquinal está substituindo a mão de obra humana nos cam-
pos e nas cidades, o que tem ocasionado um aumento assustador no núme-
ro de trabalhadores desempregados e de mão de obra barata em toda a In-
glaterra e Europa.
– Quanto maior é o número de desempregados, maior é o número de
assaltos. Quanto maior é o número de assaltos, maior é o caos na sociedade.

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Dias depois, a caravela a velas Peace and love partiu do porto de Lon-
dres e deixou a Europa em direção ao alto-mar. Em alto-mar, Carter disse
à Charlote:
– Por milhares de anos as monarquias e as religiões dos seres humanos
têm feito deste planeta Terra o pior lugar do universo para viver. Só haverá
paz eterna nesta terra somente quando as monarquias forem convertidas em
democracias e as democracias em uma só democracia. São as leis dos reis e
das religiões humanas que estão impedindo os seres humanos de exercerem
livremente seus direitos naturais e divinos que Deus lhes deu para que vivam
em paz e sem medo. Graças a estas maldições das monarquias e das religi-
ões humanas ninguém no planeta Terra tem direito à liberdade de expressão,
de imprensa, de crença, de livre-comércio, à propriedade privada e à igual-
dade perante as leis. Se o povo do planeta Terra soubesse o poder e direito
que tem perante as leis do sistema democrático de direito, não permitiriam
mais os reis e os papas limitarem sua felicidade. Tais reis e papas têm usado
a justiça e a força militar do Estado para praticarem injustiças impunemen-
te. Deveria haver leis no direito inglês coibindo a prática do crime de abuso
de poder. O abuso de poder dos reis e papas da igreja católica, a negação e
censura aos direitos humanos, a Inquisição, a escravidão, a tortura e os assas-
sinatos em massa dos povos índios e pretos da América têm repercutido ne-
gativamente pela imprensa da Europa em favor das monarquias e dos papas.
– Acredito que é questão de tempo para as monarquias serem abolidas
para sempre da face deste planeta Terra. O ódio é latente entre os povos do
oriente e do ocidente.
– Somente a verdade será capaz de pôr fim a tamanha desavença. Você
sabia que lá na França os reis, os nobres e os sacerdotes não pagam impostos
ao Estado monárquico absolutista francês?
– Sabia não. Quem é o rei de lá?
– É o Luís XIV.
– O que você sabe sobre ele?
– É o filho do rei Luís XIII da França e da rainha Ana da Áustria. Ficou
órfão de pai aos 5 anos de idade. Em 1661 aos 23 anos de idade se tornou

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o rei da França. Mandou construir o Palácio de Versalhes. Foi ele um dos
maiores defensores do poder divino dos reis. Foi o consolidador da monar-
quia absolutista na França. Mandou exércitos franceses lutarem em 3 fren-
tes na guerra Franco-Holandesa, dos nove anos nas colônias da Nova Ingla