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MELHORAMENTO GENÉTICO ANIMAL

1 Generalidades

 O melhoramento genético animal, tem como objetivo principal a utilização da variação


genética entre os indivíduos, para aumentar qualitativa e quantitativamente a produção dos
animais domésticos (TONHATI,1998);
 O melhoramento animal, apesar de ter a sua fundamentação teórica desenvolvida há alguns
anos, recentemente tem recebido grandes contribuições que são as principais responsáveis
tanto pela expansão quanto pelos progressos genéticos que têm sido observados nas mais
diferentes espécies de animais domésticos explorados comercialmente, já que o mercado
exige que aconteçam melhorias;

 A melhoria genética se processa com base na escolha correta daqueles que participam, ou
melhor, daqueles aos quais é dada a possibilidade de participar, do processo de constituição
da geração seguinte. Isso vale para a escolha dos indivíduos que produzirão filhos, ou
mesmo, para escolha de raças.

 O melhoramento animal tem por finalidade aperfeiçoar a produção dos animais que
apresentam interesse para o homem. Sabe-se que o fenótipo de um indivíduo nada mais é que
o produto da interação genótipo e meio ambiente. Sendo assim, pode-se elevar a produção
dos animais domésticos através de dois tipos diferentes de melhoramento, pois, se a produção
depende do patrimônio genético do indivíduo e do ambiente, está claro que se for
aperfeiçoado o meio, a produção sofrerá um acréscimo relativo aquela modificação. Este tipo
de trabalho recebe a denominação de melhoramento ambiental. Por outro lado, se levado em
conta o aprimoramento do genótipo do animal (através de seleção), a melhoria genética é
observada. Em ambos os casos, os benefícios são de excelente aproveitamento e o ideal é que
se aplicasse em maior escala em todo o mundo.

2 Papel do melhoramento genético animal

 É considerado importante por representar resultados de longo prazo;


 É fundamental ter consciência de que o momento, apesar de ser propício para se fazer
modificações no setor, sinaliza que qualquer falha pode ser extremamente maléfico em
relação a novas tecnologias;

 É importante ressaltar que os erros na tomada de decisão serão penalizados, ficando o lucro
muito reduzido ou mesmo nulo.

3 Critério de seleção vs objetivo-fim de um programa de melhoramento genético

 Deve estar baseado em metas muito bem definidas, coerentes com o mercado vigente e
condimentes com o ambiente;
 O objetivo-fim de um programa em melhoramento genético é a combinação de características
presentes no animal, a qual se procura melhorar. Portanto, essa mudança deve ocorrer para
que possa suprir o mercado, atendendo a demanda do mundo capitalista. Só assim haverá
retorno para tal investimento;

 Deve-se adotar um critério de seleção - característica a ser medida, a partir de qual será feita
a escolha do indivíduo. Esse critério de seleção pode ser a combinação de várias
características, resultando, assim, num índice final de seleção.

4 Ferramentas do Melhoramento Genético

 Seleção processo decisório que indica quais animais de uma geração tornar-se-ão pais da
próxima, e quantos filhos lhes serão permitido deixar. Em outras palavras, pode-se entender
seleção como sendo a decisão de permitir que os melhores indivíduos de uma geração sejam
pais da geração subseqüente. Objetiva-se a melhoria e/ou fixação de alguma característica de
importância. Isso quer dizer que ela tem por finalidade aumentar, na população, a freqüência
de alelos favoráveis.
 Acasalamento é um termo amplo que para animais domésticos, criados com fins
comercias, é importante quando resulta em concepção, gestação e nascimento de filhos.
Dessa forma, é um elemento complementar fundamental no processo de seleção;

 Cruzamento quando o acasalamento ocorre entre indivíduos pertencentes a raças ou


espécies diferentes;

A melhoria obtida em características quantitativas vai depender da herdabilidade da característica


em questão, e do diferencial de seleção. No entanto, é importante ressaltar que a seleção, apesar de
possibilitar a mudança da freqüência gênica da população, aumentando a freqüência de alelos
favoráveis, não cria novos genes. A mudança na freqüência dos genes é resultado da definição de
quais serão os pais da geração subseqüente e do número de filhos que estes pais deixarão.

 O cruzamento forma de conseguir melhoria genética e incrementos de produção e de


produtividade. Contudo, isso não elimina a necessidade, e muito menos diminui a
importância da seleção como método de melhoramento genético a ser realizado
concomitantemente. Raças puras melhoradas são, na verdade, elementos fundamentais ao
sucesso de qualquer programa de melhoramento.
 A seleção, além de fundamental para a melhoria das raças puras, tem de ser componente
essencial em um programa de cruzamentos. Cruzamento sem seleção resulta em vantagens
facilmente superáveis pela seleção em raça pura, ao passo que a associação das duas conduz
a uma sinergia positiva.

5 Uso das avaliações genéticas de gado de corte

 Avaliar a qualidade genética  estimar o seu valor genético aditivo, isso é, aquela parte dos
componentes genéticos cuja transmissão se consegue prever e dessa forma avaliar o impacto
na composição genética das gerações futuras;

Infelizmente, é impossível conhecer com precisão o valor genético dos animais.

 O fenótipo (desempenho dos animais) resultado do patrimônio genético que aquele animal
possui, o chamado genótipo, somado aos efeitos de meio ambiente, existindo ainda uma
interação entre os efeitos de genótipo e de meio ambiente;
 Alguns animais podem ser superiores a outros em alguns ambientes, mas podem se tornar
inferiores àqueles em ambientes diferentes. Se simbolizarmos o fenótipo com a letra F, o
genótipo com a letra G, o meio ambiente com a letra A e a interação entre o genótipo e o
ambiente com as letras GA, o desempenho dos nossos animais, seja qual for a característica
estudada (peso à desmama, peso a 1 ano, produção de leite, circunferência escrotal, etc.)
poderá ser colocado numa equação muito simples:

F = G + A + GA

Esta equação nos mostra que, infelizmente, o fenótipo que medimos nos animais não demonstra diretamente sua
qualidade ou potencialidade genética. Esse fenótipo, essa produção ou essa medida estarão sempre influenciado pelo
meio ambiente A e pela interação genótipo-ambiente GA, que podem assumir valores positivos ou negativos e que
alteram o valor genético dos animais, G. Como não se pode conhecer com exatidão o valor genético dos animais, lança-
se mão de técnicas de estimação desses valores. Pela análise da equação acima pode-se verificar portanto a necessidade
de estimar-se o valor genético dos animais sem a interferência dos efeitos de meio ambiente e da interação genótipo-
ambiente.

O valor genético dos animais depende:

 herdabilidade do caráter: quanto maior a herdabilidade maior a concordância entre o genótipo e


o fenótipo;

 número de informações : quanto maior este número, melhor a estimativa do valor genético;

 parentesco entre o animal avaliado e as fontes de informação:quanto mais próximo o


parentesco, maior a ênfase que a informação deve ter;

 grau de semelhança fenotípica entre o animal avaliado e as fontes de informação: uma forma
de avaliar os efeitos de ambiente que são comuns a diferentes fontes de informação, os chamados
efeitos permanentes de ambiente.

5.1 Estimação de parametros genéticos

 Herdabilidade

No tocante ao melhoramento genético, a herdabilidade de uma característica é uma de suas


propriedades mais importantes. Em bovinos, apenas os "valores fenotípicos" podem ser medidos
diretamente, mas é seu "valor genético" que determina sua influência na geração seguinte. A maior
importância da herdabilidade no estudo genético dos caracteres quantitativos é o seu papel preditivo,
expressando a confiabilidade do "valor fenotípico" como preditor do "valor genético".

O coeficiente de Herdabilidade (h2) é a fração da variância fenotípica que é atribuída às


diferenças entre os genótipos dos indivíduos de uma população. Em outras palavras, ele expressa a
proporção da variância total que é atribuível ao efeito médio dos genes. No estudo de características
quantitativas, a principal função da herdabilidade é seu caráter preditivo, ou seja, ela expressa o grau
de confiança do valor fenotípico como indicador do valor genético.

Em outras palavras, a herdabilidade mede o grau de correspondência entre fenótipo e valor


genético que é, em última instância, aquilo que influencia a próxima geração.
Pode, ainda, ser definida de acordo com a variância genética envolvida, sob dois pontos de vista,
herdabilidade no sentido amplo e herdabilidade no sentido restrito.

A primeira definição envolve uma razão entre variância genética total e variância total, h 2 = sg2/
(sg2 + se2). A segunda é representada pela razão entre a variância genética aditiva e a variância total,
h2 = sa2/(sg2 + se2), onde sg2 = sa2 + sd2, sendo sa2 e sd2 as variâncias genética aditiva e de dominância,
respectivamente.

Uma vez que o valor da herdabilidade depende da magnitude de todos os componentes de


variância, uma mudança em qualquer m dos componentes irá afetá-la.

 Repetibilidade

A repetibilidade expressa a proporção da variância fenotípica total que é devida às diferenças


genética e de ambiente permanente, estabelecendo o limite superior para o grau de determinação
genética e para a herdabilidade. Aumentando-se o número de medidas de qualquer característica
reduz-se a quantidade de variância devida ao ambiente especial na variância fenotípica. Esta redução
representa o ganho em acurácia. A vantagem do ganho em acurácia, para programas de
melhoramento é o aumento da proporção da variância genética aditiva. Quando a repetibilidade é
alta, a variância devida ao ambiente especial é pequena e o aumento do número de medidas implica
em pequeno ganho em acurácia. Quando a repetibilidade é baixa, a repetição das medidas conduz a
um ganho significativo em acurácia.

 Correlação genética

A importância do estudo de correlações está no fato de que a seleção para uma determinada
característica pode causar resposta em outra geneticamente relacionada. Ex: Perímetro Escrotal nos
machos x Idade ao 1º parto nas fêmeas.

A correlação genética entre duas características é a correlação entre efeitos dos genes que as
influenciam. Pode ser definida como correlação entre valores genéticos de um indivíduo para as
características em consideração

6 Variabilidade genética

No conceito de variabilidade genética, ou melhor dizendo, na sua existência, reside toda


capacidade de se promover seleção, e conseqüentemente melhoramento genético. À medida que se
processa um programa de seleção eficaz, e que este se perpetua por muitas gerações mantendo-se o
mesmo critério de seleção, há uma redução no nível de variabilidade genética como resultado do
incremento de homozigose. Além disso, um certo grau de homozigose é gerado por níveis variáveis
e inevitáveis de consangüinidade. Certo grau de consangüinidade é dito ser inevitável em função de
que determinados indivíduos selecionados são utilizados de maneira intensa, o que tem como
conseqüência o acasalamento de indivíduos com algum grau de parentesco maior do que aquele que
ocorreria em estrutura totalmente aleatória de acasalamentos. Para melhor entendimento da
variabilidade genética, e principalmente, sua importância, há necessidade de se conhecer a
constituição genética da população.
7 Cruzamento Industrial

Ao executar um programa de cruzamento industrial, o produtor tem interesse na rapidez do


retorno financeiro. Para realizar o lucro, é fundamental que se conheça a capacidade combinatória
das raças envolvidas e a contribuição particular de cada uma delas no esquema de cruzamentos. A
capacidade combinatória específica (CCE) entre raças, tem sido muito explorada em pequenas
espécies animais, como aves, coelhos e suínos, como também nas plantas, por exemplo o sorgo
forrageiro e o milho híbrido. Quanto maior a distância étnica original entre os grupos acasalados,
maior a heterose nos produtos (filhos), expressa como vigor, crescimento, resistência e fertilidade. A
contribuição particular é uma outra forma de aumentar o valor de cada raça envolvida no
cruzamento. Refere-se ao potencial de produção já existente, previamente desenvolvido, ao longo do
processo da formação, evolução e melhoramento genético do grupamento em foco. O sistema de
acasalamentos pode ser otimizado quando, em manejo simples, conseguimos obter o máximo de
cada contribuinte, conhecendo sua origem e capacidade de combinação . A definição de alguns
critérios, até o sobreano (18 meses), pode definir entre as raças de bovinos o sucesso nos
cruzamentos: Precocidade sexual, Precocidade de crescimento e Precocidade de acabamento.

8 A acurácia das avaliações genéticas

 Ao se promover seleção, além de ser importante ter-se uma idéia do que se espera com o
processo, ou seja, a predição do resultado da seleção, é importante ter-se uma estimativa da
segurança que se terá ao se adotar determinado procedimento. Esta segurança é definida pela
acurácia da seleção;
 A Acurácia (do inglês accuracy, também conhecida como repetibilidade da avaliação) de
uma estimativa é uma medida da correlação entre o valor estimado e os valores das fontes
de informação, ou seja, mede o quanto a estimativa que obtivemos é relacionada com o
"valor real" do parâmetro. Ela nos informa o quanto o valor estimado é "bom", ou seja,
quanto o valor estimado é "próximo" do valor real e nos dá a "confiabilidade" daquela
estimativa ou valor. Se estimarmos o valor genético apenas pelo desempenho do próprio
animal (em peso aos 365 dias, por exemplo), o valor da acurácia será de 0,50 (para
herdabilidade de 0,25), mas se a estimativa for baseada em 18 filhos (progênie) de um touro
com uma amostra aleatória (tirada ao acaso) de vacas, a acurácia subirá para 0,74. Quanto
mais informações tivermos a respeito de um touro, mais acurada, mais "confiável" é a
estimativa.

 Ela não depende somente do número de filhos de um reprodutor que foram medidos, mas,
principalmente do número de parentes medidos que esse reprodutor teve. Assim, é comum
touros com menor número de filhos do que outros terem acurácias maiores, devido à
contribuição de maior número de parentes na estimação de seu valor genético. Este conceito
de acurácia é muito importante para as decisões de um criador, pois indica o "risco" da
decisão. Se o criador tiver um pequeno rebanho de alto valor genético, fica muito difícil
utilizar-se um reprodutor cujo valor genético (DEP ou TA) tenha baixa acurácia, pois o valor
estimado não é muito "confiável" e quando aumentarem as informações a respeito daquele
reprodutor, por exemplo, na próxima avaliação ou no próximo ano, aquele valor genético
previsto poderá diminuir e o pequeno criador terá à venda então filhos de um touro inferior
ao que ele achava que teria. Mas aquele valor poderá também subir e então o criador terá
filhos de um bom touro. A acurácia nos informa em última análise a "segurança" que temos
de que aquele valor estimado vá mudar ou não.

Mas se o criador tem um porte maior e gosta de correr riscos (e talvez ter maiores lucros), ele poderá
investir adquirindo tourinhos (ou sêmen) com altos valores genéticos estimados e baixa acurácia, que
em geral são mais baratos, e usar este material genético em uma parte de seu rebanho. Se o tourinho
confirmar seu alto potencial e tiver maior acurácia na próxima avaliação, esse criador terá feito um
bom negócio, mas se tiver um pior desempenho, só parte dos seus produtos será originária de touros
"inferiores". Mas altas acurácias só são conseguidas a partir de muitas informações a respeito do
animal que está sendo testado, em geral obtidas a partir de muitos filhos e filhas do touro e isto
significa mais tempo entre o nascimento desse reprodutor e seu uso no rebanho, o que aumenta o
intervalo entre gerações e diminui o ganho genético por ano. Assim, usarem-se animais jovens, com
baixa acurácia, pode aumentar o risco, mas se a avaliação estiver sendo bem feita, o mérito genético
do rebanho como um todo cresce mais rapidamente do que se utilizar touros "provados", com altas
acurácias. A decisão é estritamente técnica e deve ser tomada caso a caso.

9 Intensidade de seleção

 A intensidade de seleção provê a indicação da magnitude da diferença entre a média dos


indivíduos selecionados e a média da população, em outras palavras, ela é medida pelo
diferencial de seleção.
 Na prática, a intensidade de seleção é limitada pela estrutura do rebanho ou população, pela
taxa de reprodução, pelo manejo reprodutivo utilizado, e pelo manejo geral voltado para o
aumento de natalidade e sobrevivência.
 A intensidade de seleção é representada por i ou z/p, onde, p é a proporção selecionada e z é
a altura da curva normal no ponto de truncamento, ou seja, no ponto acima do qual os
indivíduos são selecionados. Ela nada mais é do que o diferencial de seleção expresso em
termos de desvio-padrão da característica.
 O produto i x desvio-padrão, fornece o diferencial de seleção máximo possível de ser
atingido em uma dada população, dada a percentagem que deve ser selecionada.

10 Estimação dos Parâmetros Genéticos do Tamanho Adulto e da Habilidade de


Permanência de Matrizes da Raça Nelore

Na busca por animais possuidores de genótipos produtivos e ao mesmo tempo adaptados ao


meio ambiente de criação extensiva do Brasil, para a otimização dos custos de produção, existe o
interesse na realizaçao de estudos com características reprodutivas e produtivas. Apesar das
características reprodutivas serem de extrema importância como objetivo de seleção, sua utilização
não tem sido ampla em programas de melhoramento genético por serem consideradas de baixa
herdabilidade. Isto pode ser, pelo menos em parte, devido à natureza da característica que é avaliada
em categorias, não apresentando portanto expressão fenotípica contínua. Entre as características
existentes podem ser citadas a habilidade de permanência no rebanho (HP) até uma idade específica
(seis anos), que é uma característica reprodutiva binária, com probabilidade de sucesso (1) ou
fracasso(0) e a característica produtiva de tamanho adulto. A utilização destas características como
critérios de seleção podem contribuir para o melhoramento genético animal nos sistemas de
produção.