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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE Departamento de HIV&SIDA e Género Rua Marquês Soveral 960 - C.P.

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE Departamento de HIV&SIDA e Género Rua Marquês Soveral 960 - C.P. 821 - BEIRA - MOÇAMBIQUE Tel. 23.31.28.35 fax 23.31.15.20 e-m: reitoria@ucm.ac.mz

Disciplina Curricular

Habilidades de Vida, Saúde Sexual e Reproductiva, Género e HIV&SIDA

Vida, Saúde Sexual e Reproductiva, Género e HIV&SIDA Manual do Estudante Por: Prof. Doutora Hemma Tengler

Manual do Estudante

Por: Prof. Doutora Hemma Tengler

Prof. Dr. Pe Elton Laissone

Beira, Agosto 2015

1

Índice

Acronimos e abreviaturas

3

Lista de Exercícios

4

Introdução

5

Objectivo do Módulo Básico

6

Estrutura

do Manual

6

Exercício Motivador da Disciplina

7

Unidade

1. Personalidade

8

Unidade 2. Saúde Sexual e Reproductiva

27

Unidade

3. Informação Básica Sobre o HIV/SIDA

59

Unidade

4. Vícios e Dependências

88

Unidade

5. Habilidades da Vida

109

Bibliografia

119

2

Acrónimos e Abreviaturas

ABC

Abstinência, Fidelidade e Condom

ABCD

Abstinence, Be FaithFul, Change and Danger

AME

Aleitamento Materno Exclusivo

ARVs

Antiretrovirais

ATV

Aconselhamento e testagem voluntária

CD4

Célula de Defesa

CM

Circuncisão masculina

CV

Carga Viral

DIU

Dispositivo Intra-uterino

DETERMINE

Teste rápido de HIV para confirmar o teste UNIGOLD

DOT

Terapia directamente observada

DTS

Doença de Transmissão Sexual

ELISA

Teste laboratorial de diagnóstico de HIV (enzyme-linked immunosorbent assay)

EPI

Equipamentos de Protecção Individual

FGM

Mutilação genital feminina

HIV / VIH

Human Imunedeficiency Virus / Vírus de imuno deficiência humana

HSH

Homens que fazem sexo com outros homens

INSIDA

Inquérito sobre SIDA Estudo populacional de HIV de 2009

ITS

Infecções de Transmissão Sexual

LGTBI

Lésbica, Gay, Transgénero, Transsexual, Bissexual, Intersex.

NGO

Organização Não Governamental

ONUSIDA

Programa de HIV/SIDA das Nações Unidas (Joint United Nations Programme on HIV & AIDS = UNAIDS)

PCR

(Polymerase chain reaction) Teste laboratorial de diagnóstico de HIV

PEP

Profilaxia pós-exposição

PF

Planeamento familiar

PREP

Profilaxia pré exposição

PTV

Prevenção da Transmissão Vertical (Transmissão, da mãe para o filho)

PVHS

Pessoa ou pessoas vivendo com o HIV & SIDA

QQR

Quantidade, Qualidade e Rota

SIDA

Síndroma de imuno deficiência adquirida

SIV

Vírus da Imuno deficiência Símia

SK

Sarcoma de Kaposi

SSR

Saúde Sexual e Reproductiva

TARV

Tratamento Antiretroviral

TB

Tuberculose

TS

Trabalhadores do sexo

VABE

Valores, Atitudes, Crenças (Beliefs) e Expectativas

UN

Nações Unidas

UNIGOLD

Teste rápido de HIV mais comum (teste de anticorpos)

UATS

Unidade de Aconselhamento e Testagem em Saúde

3

Lista de Exercícios Exercício motivador Exercício 1.1: Auto reflexão As minhas forças, o meu temperamento Exercício 1.2: Crises da minha vida (para Adultos/Curso noturno)

OPCIONAL

Exercício 1.3: Avalia a tua Auto- estima Exercício 1.4: Os meus principais valores, crenças, atitudes e comportamento (VABEs)? Exercício 1.5: Preenche a árvore da cultura: Cultura e género Exercício 2.1: O cérebro do homem e da mulher: Verdade ou exagero? Exercício 2.2: Identidades sexuais LGTBIs Exercício 2.3: Testa a tua perceção da igualdade de género, na vida sexual e reproductiva Exercício 2.4: O aparelho reproductor e suas funções

Exercício 2.5: Actividade Risco de gravidez

Exercício 2.6: Estudo do caso Ivandro Exercício 2.7: O muro dos riscos de fazer sexo não protegido e não ser fiel, e a porta das

oportunidades Exercício 2.8: ITSs Testa o teu conhecimento Exercício 2.9: Relação saudável entre os parceiros Exercício 2.10: Estudo do Caso Volvétia Exercício 3.1: Testa o teu conhecimento sobre o HIV Exercício 3.2: Classificação do Risco de transmissão de HIV Exercício 3.3: Avalia o teu risco Exercício 3.4: Mitos e medos de fazer o teste de HIV - Teatro Exercício 3.5: Identifica pelo menos 5 métodos de prevenção Exercício 3.6: Estudo do Caso - Estrela Exercício 3.7: Dilemas Qual a tua opinião? Exercício 3.8: Um casal serodiscordante gostaria de ter um filho

Exercício 3.9: Testa a tua linguagem Exercício 4.1: Usando a tabela, identifica os vícios e dependência, suas causas, e efeitos. Exercício 4.2: Classificação de Drogas ilícitas e tipos de dependência

Exercício 4.3: O diário de consumo de álcool: Avalia e teu risco de te tornares alcoólatra Exercício 4.4: Situações que podem levar à actividade sexual não desejada Exercício 4.5: Estudo do caso do Marcolino e da Medina

Exercício 4.6: Teatro do Oprimido: O melhor Smartphone

Exercício 5.1. O caso do Luís Elaboração do plano de vida Exercício 5.2. Sonhos que não se realizam, por causa do comportamento.

OPCIONAL

OPCIONAL

OPCIONAL/Adultos

ESCOLHA da CENA 1 ou 2

Exercício 5.3. Exercício prático. Projecto de quatro semanas.

OPCIONAL

Exercício 5.4. O Estudo de Caso da Mónica

Para estudantes

Exercício 5.5. Exercício Prático. Faz aqui o teu plano de despesas do mês Exercício 5.6.Cinco passos para comunicar sobre um conflito. Trabalho de pares.

4

Introdução

A Universidade Católica é uma Instituição do Ensino Superior, cujo objectivo é dar formação humana, isto é, ter uma identidade própria e ser portadora de uma visão cristã do mundo e do homem. A sua

qualidade de ensino é centrada no aluno, e visa assegurar-lhe uma formação de nível universitário, não apenas académica, mas procurando que ele adquira não só uma competência científica e disciplinar a este nível, mas tenha também uma formação humana.

A formação humana implica a noção de que o homem é capaz de se tornar íntimo de si mesmo, da

sua personalidade, da sua corporeidade, do seu comportamento, dos seus impulsos, emoções,

valores, crenças e pensamentos, compreendendo a estrutura, a dinâmica e a interdependência de tais aspectos, tanto na forma particularíssima com que se manifestam no âmbito pessoal, como também nas variadas formas de expressão, nos outros seres humanos. Dentro desta perspectiva, todos os aspectos das necessidades psicológicas, físicas e sociais das pessoas devem ser tidos em conta e vistos como um todo baseado na visão holística, que aborda o cuidado da pessoa inteira - corpo, mente e espírito. Foi nesta perspectiva que foi introduzido o Módulo Básico, sobre Habilidades de Vida, Saúde Sexual e Reproductiva, Género e HIV, agora chamado a Disciplina de “Habilidades de Vida, Género, Saúde Sexual e Reproductiva e HIV”. Usando métodos participativos, a reflexão e o divertimento, esta Disciplina pretende promover a capacidade dos estudantes de fazerem escolhas conscientes e responsáveis, para uma vida saudável, e de fortalecerem os direitos e responsabilidades individuais e sociais, como uma parte da dignidade humana. A Disciplina foi introduzida, no ano lectivo de 2012. Em 2014, foi realizada uma avaliação de pares, envolvendo docentes e estudantes da Disciplina. Na base dos resultados, foi feita a revisão dos manuais didácticos. Como surge esta Disciplina? A política da UCM sobre HIV & SIDA prevê a integração do HIV no currículo, e perspectiva a introdução de um Módulo sobre esta matéria. A UCM também tem uma política sobre Assédio Sexual e, desde 2014, uma política sobre o género, que contempla a integração

do género no currículo. Durante os últimos anos, o trabalho de sensibilização sobre HIV&SIDA mostrou

que deve ser mais abrangente. Por isso, a Disciplina inclui a saúde sexual e reproductiva, as relações

de

género, e as habilidades de vida.

O

presente manual foi concebido pelos Coordenadores de HIV&SIDA, pelos Capelães da UCM e

representantes dos Núcleos de HIV&SIDA. Agradecemos a todos, pelo seu valioso contributo para este

manual, particularmente ao P.e Fidel Salazar (ex-Capelão Mor), ao P.e Elton Laissone (Capelão da FAGRENM), ao P.e Manuel Ferreira, SJ, e aos Oficiais do Departmeanto de HIV, Sónia Banguira e Leovigildo Pechem.

5

1.1

Objectivos da disciplina Os objectivos desta Disciplina são:

Conhecer-se a si próprio, como homem ou mulher, com as suas próprias características e

necessidades

Reconhecer os direitos e deveres de cada um, homem e mulher.

Aumentar as habilidades de fazer escolhas conscientes, responsáveis e saudáveis, para a

sua vida, particularmente nas áreas da saúde sexual e reproductiva.

Reduzir a transmissão do HIV, de ITSs e a gravidez não planificada.

Aumentar a consciência dos perigos de vícios e dependências, e desenvolver estratégias

de prevenir vícios e dependências.

Criar habilidades de gestão de vida, gestão de tempo, recursos e conflitos.

1.2 Estrutura do Manual

O Manual é composto por 5 unidades:

Unidade 1: Personalidade

Unidade 2: Saúde Sexual e Reproductiva

Unidade 3: Informação Básica sobre HIV/SIDA

Unidade 4: Vícios e Dependências

Unidade 5: Habilidades da Vida

Cada unidade começa pela introdução, seguida pelos objectivos, novos comportamentos desejados e

actividades, apresentados no modelo lógico. Depois segue uma combinação de textos, marcados com o símbolo i.

segue uma combinação de textos, marcados com o símbolo i. Em algumas Unidades, constam caixas de

Em algumas Unidades, constam caixas de texto, com a posição da Igreja Católica, sobre questões morais importantes. Parte importante é os exercícios compostos por uma variedade de actividades: reflexão, questionários, estudos de algum caso, teatro, testes de conhecimentos. Cada Unidade termina com um breve resumo chamado mensagens chave.

6

Exercício Motivador da Disciplina

Trabalho em 4 ou 5 grupos, compostos por 6 estudantes cada um. 1. Olhem para
Trabalho em 4 ou 5 grupos, compostos por 6 estudantes cada um.
1. Olhem para os cartazes e discutam sobre eles.
1
2. Qual o cartaz melhor? Qual o cartaz menos atraente? O grupo deve justificar a sua
escolha destes cartazes.
2
3. Se o tempo permitir, cada grupo deve desenvolver uma mensagem boa, acerca
duma vida feliz e saudável. Os grupos partilham a mensagem que produziram.

1

2

uma mensagem boa, acerca duma vida feliz e saudável. Os grupos partilham a mensagem que produziram.
uma mensagem boa, acerca duma vida feliz e saudável. Os grupos partilham a mensagem que produziram.

3

uma mensagem boa, acerca duma vida feliz e saudável. Os grupos partilham a mensagem que produziram.

4

uma mensagem boa, acerca duma vida feliz e saudável. Os grupos partilham a mensagem que produziram.

5

uma mensagem boa, acerca duma vida feliz e saudável. Os grupos partilham a mensagem que produziram.

7

Unidade 1.Personalidade

Introdução

Nesta primeira unidade, faremos uma reflexão sobre a personalidade, o que é ser pessoa, baseando- nos no ambiente, a que ela está exposta. Debruçar-nos-emos sobre os diferentes estágios de desenvolvimento psicossocial. Identificaremos valores, crenças e atitudes, que influenciam o comportamento, e que encontramos na sociedade. Particularmente, vamos identificar as normas sociais, que influenciam as relações de género. Os exercícios servem para a melhor reflexão e como impulso para a mudança de comportamento, aumento de auto estima e desenvolvimento da personalidade.

Modelo Lógico: Metas, Comportamentos desejados, Factores de risco e protecção e actividades da Unidade

Actividades da Unidade Factores individuais de risco e Comportamentos Metas 4 de protecção 3 2
Actividades da Unidade
Factores individuais de risco e
Comportamentos
Metas
4
de protecção
3
2
1
 Conhecer os
temperamentos
Consciência das forças e
fraquezas próprias.
 Autorreflexão sobre as
minhas forças e o meu
temperamento
Capitalizar as minhas
forças e controlar os
meus temperamentos
 Teste de autoestima e
reflexão
Percepção da minha auto-estima.
Agir com
autoconfiança
Desenvolver a
minha
personalidade
como
homem/mulher
a viver em
sociedade
 Conhecer os estágios de
desenvolvimento
psicossocial de Erikson
Crises da minha vida
Percepção dos meus valores,
 Como os meus VABEs
influenciam o meu
comportamento
crenças, atitudes e expectativas
Percepção da pressão das normas
de género prevalecenntes na
Agir na base dos
meus valores
 Preencher a árvore de
cultura, com exemplos
de género
nossa sociedade/cultura
Intenção de respeitar o outro/o
outro género
Respeitar a igualdade
de género

Conteúdo da Unidade

A personalidade

Tipos de temperamento

Estágios de desenvolvimento psicossocial

As capacidades humanas por desenvolver

Pilares da auto-estima

Valores Crenças Atitudes Comportamentos (VABEs)

Ser homem/ser mulher e a personalidade: A equidade de género

Cultura e género

8

1.1 A Personalidade A personalidade é o que nós somos, o que gostamos de ser,

1.1 A Personalidade

A personalidade é o que nós somos, o que gostamos de ser, fazer e ter, é aquilo que queremos parecer aos outros. A personalidade desenvolve-se, durante a vida, e é influenciada por factores físicos, psicológicos, psíquicos, culturais e morais. Estes factores interligam-se, dependendo de como o indivíduo se adapta ao ambiente, em que a pessoa vive, ao longo do tempo da vida.

São

personalidade de um indivíduo:

quatro

os

factores

apontados

pelos

antropólogos

como

determinantes

da

formação

da

1. As características biológicas e genéticas dos sistemas neurofisiológico e endocrinológico;

2. As características do ambiente natural e social, em que o indivíduo vive;

3. A cultura, de que o indivíduo participa;

4. As experiências biológicas e psicossociais únicas, ou a história de vida do indivíduo.

1.2 Os temperamentos

Temperamento designa, em psicologia, um aspecto especial da personalidade: as particularidades do indivíduo ligadas à sua forma do comportamento. Na essência, temperamento é um estilo pessoal inerente, uma predisposição natural. O filósofo grego Hipócrates foi o primeiro a formular uma teoria do temperamento, baseando-a na teoria dos quatro elementos. Segundo ele, há quatro tipos de temperamento, conforme predominar, no corpo do indivíduo, um dos quatro fluidos corporais (humores). A sua teoria influenciou todo o pensamento ocidental. Nova teoria foi formulada por Wundt (1903), que definiu duas dimensões do temperamento: a “intensidade dos movimentos internos (emoções)" e a "velocidade da variação dos movimentos internos (emoções)". Acerca da primeira dimensão, Carl G. Jung introduziu a classificação de introvertido (pessoa voltada para dentro ou fechada) e extrovertido (pessoa voltada para fora, aberta e mais simpática e acessível).

Os quatro tipos de temperamento de Hipócrates:

A.

Sanguíneo:

Características

temperamento de Hipócrates: A. Sanguíneo: Características positivo, prático. É alegre.  Pessoa marcante, que

positivo, prático. É alegre.

Pessoa marcante, que não passa despercebida. O seu

espírito é jovial, apaixonado, alegre e sociável.

É ágil e rápido, tem muita vitalidade, está sempre

animado, gosta do contacto com a natureza, tem amigos em toda a parte. O seu ritmo é rápido, entusiasta, os movimentos são amplos, dinâmicos e expansivos.

É um actor nato, exuberante. Tem um espírito

É apreciado, pelo seu carácter optimista e caloroso. Sempre demonstra amabilidade, mesmo quando não sente nada, podendo até cometer pequenas mentiras, aumentando ou diminuindo as situações, para aparecer ou conseguir o que deseja.

9

B. Colérico: Características

B. Colérico: Características  É uma pessoa calorosa, rápida, impulsiva. Zanga-se facilmente;  Esta pessoa é

É uma pessoa calorosa, rápida, impulsiva. Zanga-se

facilmente;

Esta pessoa é prática, tem muita força de vontade e é auto-

suficiente, e muito independente;

Tende a ser determinada e com opiniões fortes, tanto para si como para os outros, e tende a tentar impô-las.

C. Fleumático: Características

e tende a tentar impô-las. C. Fleumático: Características  É uma pessoa calma, tranquila, e raramente

É uma pessoa calma, tranquila, e raramente fica zangada;

As pessoas deste temperamento são bem equilibradas;

O fleumático é frio e é preciso, na tomada de decisão;

Ele prefere viver numa vida feliz, sem perturbações;

Pode se dizer que é o melhor temperamento.

D.

Melancólico: Características

É

uma pessoa com alto nível de sensibilidade;

o mais rico e o mais complexo de todos os temperamentos;

O temperamento melancólico geralmente faz com que a pessoa seja dedicada, talentosa e perfeicionista;

Esta pessoa é de natureza muito sensível, emocional, e é propensa à depressão;

É

É

a pessoa que mais aprecia as artes;

É

propensa à introspecção.

mais aprecia as artes; É  propensa à introspecção. Conclusão: Na realidade, é muito raro que

Conclusão:

Na realidade, é muito raro que uma pessoa tenha as características de um só tipo de temperamento. As personalidades são complexas. O indivíduo nasce com determinado temperamento, mas os factores ambientais podem modificar-lho: a educação; a alimentação; as doenças; o clima; os acontecimentos e outros factores causam algumas transformações, nos traços temperamentais. A vida ensina o homem a controlar ou a estimular o seu temperamento. Conhecendo-nos bem, podemos dominar os aspectos negativos e estimular e desenvolver os aspectos positivos.

Exercício 1.1: A sopa EU Personalidade e temperamento

Vamos cozinhar uma sopa com os ingredientes: reflecte, individualmente, sobre estes ingredientes, e

responde, o mais espontâneo e honesto possivel:

a. A base da sopa é o caldo: Qual o género, a orientação sexual, as características biológicas, o temperamento?

b. Os primeiros ingredientes: Qual o meu estatuto socioeconómico, o meu local de residência,

a minha educação, a minha estrutura familiar?

c. Ingredientes adicionais: Quais os hobbies, a religião, a inclinação política, a carreira?

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d.

Ingredientes secretos: Quais as minhas experiências pessoais, as minhas identidades escondidas, as minhas mudanças?

as minhas identidades escondidas, as minhas mudanças? Na base da reflexão, adiciona os teus ingredientes na

Na base da reflexão, adiciona os teus ingredientes na sopa EU:

Determina qual o teu tipo de temperamento e outros

ingredientes da sopa do EU.

Estás convidado a partilhar, no plenário, o resultado, numa frase:

Sou ………………………………………….……………, o que me marcou foi

………………….…………, gosto ……………………, penso ………………………,

Mudei …

………………….

Mudei … …………………. 1.3 Estágios do Desenvolvimento psicossocial O

1.3 Estágios do Desenvolvimento psicossocial

O Desenvolvimento da Personalidade

A personalidade desenvolve-se, ao longo da vida. Não nascemos com ela pronta.

O seu processo de amadurecimento pode dividir-se em três etapas:

* 1ª Fase: dos 0 aos 14 anos - Etapa do EU é caracterizada pela necessidade de receber, sendo

necessária uma correcta vivência da autoridade, dos limites, da orientação e coisas semelhantes.

*

2ª Fase: dos 15 aos 40 anos - Etapa do NÓS - ocorre aqui uma demanda do compartilhar, até atingir

o

NÓS.

* 3ª Fase: dos 40 aos 70 anos - Etapa do DAR - ocorre aqui a demanda do dar, até atingir a consumação da identidade.

O psicanalista americano Erik Erikson (1976) deu continuidade aos grandes psicólogos como Freud e

Piaget, na distribuição do desenvolvimento humano, por fases. Mas o seu modelo detém algumas características particulares:

Em vez do foco fundamental na sexualidade, como Freud, deu mais foco às relações sociais;

Ampliando a proposta de Freud, verificou que os estágios psicossociais envolvem outras partes do ciclo vital, além da infância. Erikson reconhece a importância do estágio infantil, mas observa que o que construímos, na infância, em termos de personalidade, não é fixo, e pode ser parcialmente modificado, por experiências posteriores;

A cada estágio, o indivíduo cresce, a partir não só das exigências internas do seu ego, mas também das exigências do meio, em que vive. Sendo, portanto, essencial a análise da cultura e da sociedade, em que vive o sujeito em questão;

Em cada estágio, o ego enfrenta e ultrapassa um conflito. Se este conflito for ultrapassado de forma positiva, resulta em saúde mental; se for ultrapassado negativamente, leva a um desajustamento;

Da solução positiva da crise, surge um ego mais rico e mais forte; da solução negativa, resulta- nos um ego mais fragilizado;

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A cada crise, a personalidade vai se reestruturando e reformulando, de acordo com as experiências.

É bastante importante perceber que um conflito e uma crise podem ser uma coisa positiva, uma oportunidade de se desenvolver, de ficar mais maduro, mais coeso, mais sábio!

A teoria de Erikson abrange oito estágios: Vamos estudá-los na figura 1.

Figura 1 : Os estágios de desenvolvimento psicossocial, segundo Erik Erikson

estágios: Vamos estudá-los na figura 1. Figura 1 : Os estágios de desenvolvimento psicossocial, segundo Erik
estágios: Vamos estudá-los na figura 1. Figura 1 : Os estágios de desenvolvimento psicossocial, segundo Erik

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Fonte: http://psico2013-08.blogspot.com/ Exercício 1.2 – Crises da minha vida (para Jovens, Adultos / Cursos

Exercício 1.2 Crises da minha vida (para Jovens, Adultos / Cursos Nocturnos) OPCIONAL

Vê a 5.ª, a 6.ª ou a 7.ª fase de Erikson, conforme a tua idade própria. Identifica uma crise, por que passaste, numa destas fases: O que aconteceu, e qual foi o resultado desta crise?

Se tiveres coragem, pedimos para partilhares a tua informação, na plenária. Se não, dá um exemplo da crise do teu filho/da tua filha, e qual foi o resultado.

da crise do teu filho/da tua filha, e qual foi o resultado. 1.4 As principais capacidades

1.4 As principais capacidades humanas, por desenvolver

O ser humano não nasce perfeito, e deve desenvolver a sua personalidade, durante toda a sua vida. Sublinhamos, aqui, cinco capacidades humanas, que consideramos importante desenvolver.

a) Domínio sobre a afectividade

Permite aproveitar a riqueza da afectividade, sem se lhe estar submisso .

Actua orientado por propósitos bem pensados, claros e assumidos conscientemente: não hesita em pedir ajuda e orientação, mas, ao mesmo tempo, determina-se de maneira autónoma.

Persevera, durante muito tempo, enquanto for necessária a acção, para atingir a finalidade proposta.

Supera a sua afectividade espontânea; sabe analisar os factos e as pessoas, de maneira mais profunda; nos conflitos com outras pessoas, sabe aguentar e superar situações.

Hierarquiza valores, colocando em primeiro lugar os que o projectam para fora de si, em direcção ao "outro" e, em último lugar, os que se referem directamente a ele próprio.

13

b) Prevalência do amor

Um amor, que se dá aos outros, num processo dinâmico e habitual de integração interpessoal.

Na vida do ser humano, existem diversas etapas, que o vão preparando para atingir a possibilidade de viver o amor maduro. Todas elas deverão ser vividas em plenitude. Para chegar ao amor maduro e enriquecedor, devemos percorrer um longo caminho:

O caminho do amor:

Na infância: amor receptivo

Na adolescência: treino para o amor

Na juventude: experiência do amor

Na idade adulta: maturidade, a vida do amor

do amor  Na idade adulta: maturidade, a vida do amor c) Capacidade de auto-reflexão, de

c) Capacidade de auto-reflexão, de auto-análise, de autocrítica e de crítica dos outros

É o dinamismo do aperfeiçoamento e crescimento pessoal.

A finalidade da crítica é a análise atenta e objectiva do modo de agir das pessoas e do acontecer, na sociedade. Isto supõe um processo de identificação de causas, de avaliação de situações e comportamentos e da procura de novas soluções: tudo se dirige à formulação de uma verdade.

O primeiro sinal, início do processo de amadurecimento pessoal, é o começo da auto-reflexão, da auto-análise e da

autocrítica. Esta atitude é gerada pela consciência da nossa possibilidade de errar, e da sincera aceitação da crítica, que os outros fazem de nós. Mas, para que a crítica seja objectiva e constructiva, deverá respeitar duas condições imprescindíveis:

o O reconhecimento sincero dos aspectos positivos da pessoa

ou do facto em avaliação. Sempre existem aspectos positivos. Não descobri-los é sinal de imaturidade.

o Não julgar as intenções (evitando o mecanismo da projecção das opiniões subjectivas).

Podemos afirmar que, para as pessoas maduras, tal tipo de crítica ou autocrítica é sempre um estímulo

para crescer

crítica ou autocrítica é sempre um estímulo para crescer Se eu fico "ferido", quando me criticam,

Se eu fico "ferido", quando me criticam, certamente será:

ou porque eu psicologicamente ainda não sou maduro;

ou porque a crítica não foi objectiva e constructiva.

Isso sempre acontece, quando interpretamos as intenções dos outros ou os outros interpretam as nossas.

14

d)

Sentido de responsabilidade

O

"sentido de responsabilidade" é fruto da vivência. Trata-se de um processo

gradual e progressivo da educação auto consciente. Consequentemente, o adulto responsável:

auto consciente. Consequentemente, o adulto responsável:  É eficaz no seu agir, consegue normalmente alcançar

É eficaz no seu agir, consegue normalmente alcançar as finalidades;

É despachado, evitando a moleza e a acomodação;

É constante, perseverante, não desanima ante os obstáculos, previstos ou imprevistos;

Responsabiliza-se também pelos que vão colaborar com ele na tarefa decidida.

O homem que foge das responsabilidades, que não se arrisca conscientemente, quando é preciso, que

não assume, não se compromete, tem os traços da maturidade de uma criança.

e)

Capacidade de Adaptação

O

adulto maduro tem a capacidade de adaptar-se, criticamente, às diversas circunstâncias da vida. A

adaptação da pessoa madura e psicologicamente adulta constitui-se, num hábito espontâneo de flexibilidade e sensibilização, face às exigências e expectativas das pessoas e situações, com que convive.

e expectativas das pessoas e situações, com que convive.  A adaptação prévia e fundamental é

A adaptação prévia e fundamental é a aceitação cordial e funcional da própria realidade individual. Não podemos adaptar-nos ao meio ambiente, sem termos aprendido a conviver, consciente e serenamente, com nós mesmos.

Uma adaptação madura exigirá que eu saiba administrar os conflitos, e não apenas evitá-los ou eliminá-los.

Para amadurecer, é preciso focalizar o triunfo. Se me sinto frustrado, quando não sou elogiado, estou a cair no infantilismo, porque não confio em mim mesmo. Se não sei elogiar, mas só criticar, estou a mostrar imaturidade (inveja, ciúme

Conclusão:

A maturidade humana, enfim, é: conquista pessoal favorecida pelo próprio esforço, pelo ambiente,

pela educação e pelo dinamismo da acção da graça de Deus no nosso ser. Santo Agotinho define, com muita sabedoria e simplicidade, o caminho do crescimento humano: "Orar, como se tudo dependesse de Deus, e agir como se tudo dependesse de nós.”

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Exercício 1.3. Avalie a sua auto-estima

O teste a seguir foi elaborado pela psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress

Management Association, no Brasil (Isma-BR), com base numa pesquisa internacional, sobre auto-

estima.

Faça o seu teste, e assinale a alternativa, que mais se aplica ao seu caso:

Pergunta

Raramente

Às vezes

Sempre

1

Fico ofendido, ao receber críticas

     

Quando passo por períodos de stress, a minha saúde fica debilitada e acabo doente

2

     

3

Faço coisas contra a minha vontade, para

     

agradar aos outros e ser aceite no grupo

Costumo exagerar os meus defeitos e minimizar as minhas qualidades

4

     

Ao conhecer alguém bem-sucedido, fico a pensar: "Porque não sou eu assim?"

5

     

6

Sinto que não posso contar com os meus

     

amigos, porque a nossa amizade é superficial

Sou perfeicionista e exijo muito mais de mim mesmo que dos outros

7

     

8

Relacionar-me com outras pessoas é uma

     

tarefa árdua, que me exige um enorme esforço

Antes de apresentar algum trabalho ou projecto, sinto que vou fracassar

9

     

10 Evito criar intimidade com outras pessoas

     

11 Sinto-me inseguro, ao encarar um novo

     

desafio

12

Culpo-me, quando as coisas não me saem

     

conforme o planeado

13

Quando o meu sucesso é reconhecido,

     

desconfio dos elogios

14

Acho que pedir ajuda, diante de um

     

problema, é sinal de fraqueza

15

Antes de um compromisso social, tomo

     

bebida alcoólica ou algum calmante, para me sentir mais seguro

Fonte: Rossi, A.M. (2007). Avalie sua auto-estima. Veja, 2015, 4 de Julho. Disponível em

O docente vai lhe instruir quantos pontos deve atribuir a cada resposta.

Calcule o total dos seus pontos.

Analise os seus resultados: Você tem muita auto-estima ou baixa auto-estima?

16

1. 5 Os Pilares da Auto-estima Em psicologia, a auto-estima inclui a avaliação subjectiva, que

1.5 Os Pilares da Auto-estima

Em psicologia, a auto-estima inclui a avaliação subjectiva, que uma pessoa faz de si mesma, como intrinsecamente positiva ou negativa, em algum grau (Sedikides & Gregg, 2003).

A auto-estima envolve umas tantas crenças autossignificantes (por exemplo, "Eu sou competente/incompetente") e emoções autossignificantes associadas (por exemplo, triunfo/desespero, orgulho/vergonha). Também encontra expressão no comportamento (por exemplo, assertividade/temeridade, confiança/cautela).

Psicoterapia para a baixa auto-estima

F. Potreck-Rose e G. Jacob (2006) propõem uma abordagem psicoterapêutica, para a baixa auto- estima, baseada no que elas chamam "os quatro pilares da auto-estima":

que elas chamam "os quatro pilares da auto-estima": 1. Auto-aceitação : uma postura positiva, com relação

1. Auto-aceitação: uma postura positiva, com relação a si mesmo, enquanto pessoa. Inclui elementos como: estar satisfeito e de acordo consigo mesmo, ter respeito a si próprio, ser "um consigo mesmo", e sentir-se em casa, no próprio corpo;

2. Autoconfiança: uma postura positiva. com relação às próprias capacidades e desempenho. Inclui as convicções de saber e conseguir fazer alguma coisa, e de fazê-la bem feita, de conseguir alcançar alguma coisa, de suportar as dificuldades e de poder prescindir de algo;

3. Competência social: é a experiência de ser capaz de fazer contactos. Inclui saber lidar com outras pessoas, sentir-se capaz de lidar com situações difíceis, ter reacções flexíveis, conseguir sentir a ressonância social dos próprios actos, saber regular a distância-proximidade com outras pessoas;

saber regular a distância-proximidade com outras pessoas; 4. Rede social : é estar ligado a uma

4. Rede social: é estar ligado a uma rede de relacionamentos positivos. Inclui uma relação satisfatória, com o parceiro e com a família, ter amigos, poder contar com eles e estar à disposição deles, ser importante para outras pessoas.

Conclusão

A auto-estima, como parte valorativa do conhecimento de si mesmo, ou seja, o juízo que eu faço sobre mim mesmo, pode ser concebida como a atitude de uma pessoa sobre si mesma. E também uma característica da personalidade, se bem que menos estável do que a auto imagem, por ser sensível a variações do humor. A auto-estima é uma situação-específica característica; ou seja, ela varia, de acordo com a situação: eu posso estar satisfeito comigo mesmo, quando passei num exame na universidade, mas insatisfeito, quando estou no campo de futebol, porque não marquei um golo.

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Resultados da auto-estima elevada:

Os sentimentos de ansiedade e insegurança diminuem

Os sentimentos de ansiedade e insegurança diminuem

Harmonia entre o que se sente e o que se diz

Harmonia entre o que se sente e o que se diz

A necessidade de aprovação diminui

A

necessidade de aprovação diminui

Maior flexibilidade aos factos

Maior flexibilidade aos factos

Autoconfiança elevada

Autoconfiança elevada

O amor-próprio aumenta

O

amor-próprio aumenta

Satisfação pessoal

Satisfação pessoal

Maior à vontade, em oferecer e receber elogios, expressões de afecto.

Maior à vontade, em oferecer e receber elogios, expressões de afecto.

em oferecer e receber elogios, expressões de afecto. 1.6 Valores – Crenças – Atitudes –

1.6 Valores Crenças Atitudes Comportamentos

Porque é que as pessoas se comportam da maneira como se comportam?

Segundo Glasser, o “comportamento” tem quatro componentes:

A actividade o que fazemos e dizemos.

O pensamento

Os sentimentos

A fisiologia (as reacções do nosso corpo).

O comportamento humano “total” é composto por todas estas componentes. Não são os eventos que afectam o homem, mas sim a percepção que deles temos. Na verdade, nós escolhemos a nossa resposta ao mundo. Um modelo de comportamento deve tomar em conta as heranças genéticas, bem como as influências do mundo que nos rodeia, e as percepções que temos destas influências, e os valores e pressupostos, que temos, de como o mundo devia ser, e as nossas emoções (Ellis & Harper,

1997).

Há uma fórmula desenvolvida por Clawson (2001), que explica a base do comportamento: Os VABEs (valores crenças atitudes expectativas).

Dicas importantes: - Os VABEs variam, em intensidade. - Os VABEs variam, de pessoa para pessoa

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Figura 2 Ilustração dos VABEs

Figura 2 Ilustração dos VABEs Fonte: Adaptado de Clawson, J. G., (2001). Why People Behave the

Fonte: Adaptado de Clawson, J. G., (2001). Why People Behave the Way They Do , Social Cience Resarch NetworkVol. , pp. 1-27, Available at SSRN: http://ssrn.com/abstract=910358

As pessoas têm VABEs, sobre como as outras pessoas se devem comportar (vista externa), e têm VABEs, sobre como elas próprias se devem comportar (vista interna).

A chave, para compreender por que as pessoas se comportam de uma determinada maneira, é a comparação entre o que as pessoas vêem (= percepção) e o que as pessoas crêem que devia ser (= os seus VABEs).

Um exemplo: Tu e a tua amiga combinaram encontrar-se à noite, para estudarem juntos. Ambos vocês se esqueceram, e não compareceram no encontro. Tu achas que ela não quis partilhar os seus conhecimentos contigo, e sentes-te decepcionado. Ficas com raiva, e, no próximo encontro, insulta- la. Mas ela pensou que todos cometemos erros, pediu-te desculpa, e ficou calma. Os eventos foram os mesmos, mas as crenças, os pressupostos, as atitudes e o comportamento não.

As fontes dos valores podem ser: a religião, a cultura, a família, os amigos/colegas, o local de trabalho (ética de trabalho, responsabilidades no trabalho), a escola/universidade, os eventos significantes da vida (casamento, morte, doença, acidente, desemprego), os eventos históricos (guerra, desastres naturais).

Exercício 1.4 Quais os meus valores principais? Um exemplo dos meus VABEs

a. Na lista de valores, a seguir, assinala dez (10) valores, com que te identificas.

b. Depois, faz uma pontuação: 10 pontos para o valor mais importante, 1 ponto para o menos importante.

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c.

Agora, dá um exemplo do teu VABE: Para o seu valor mais importante, completa a seguinte frase: O meu valor principal é …………., porque creio na ………………., acho certo fazer/agir

……………

e espero de outras pessoas que façam o mesmo. Por isso, faço /não faço …………….

Valor

Relevante

Pontos

Valor

Relevante

Pontos

para mim

para mim

Ser independente

   

Proteger a minha saúde

   

Ser influente

   

Ser financeiramente seguro

   

Ser “chique de doer”

   

Ser um bom pai/mãe

   

Ser um líder

   

Ser um bom parceiro/a

   

Ser um empregado

   

Ser feliz

   

Ser chefe

   

Ser optimista

   

Ser reconhecido como perito/especialista

   

Ser fiel (família, parceiro, amigos, chefe)

   

Ser um bom profissional

   

Ser honesto

   

Trabalhar em equipa

   

Ser rico

   

Ajudar os outros

   

Aprender sempre

   

Ser amado por outros

   

Ser chefe de uma família grande

   

Trabalhar para a justiça

   

Aceitar o outro como ele é

   

Defender os direitos dos outros

   

Defender as minhas convicções

   

Ser pacífico e tolerante

   

Amar os outros

   

Estar em harmonia comigo e com os outros

   

Conviver e partilhar com amigos

   

Exemplo: O meu valor principal é a honestidade, porque creio ser ela a base para uma boa relação com o parceiro, a família e os amigos. Acho certo ser honesto, e espero de outras pessoas que sejam honestas também. Por isso, digo a verdade, mesmo quando fiz alguma coisa errada.

isso, digo a verdade, mesmo quando fiz alguma coisa errada. 1.7 Ser homem/ser mulher e a

1.7 Ser homem/ser mulher e a personalidade: A equidade de género

Ser homem ou ser mulher significa muito mais do que possuir os atributos biológicos e fisiológicos do “macho” e da “fêmea”.

É a sociedade que define as crenças e costumes aceitáveis e as normas sociais. As normas do género

aprendem-se socialmente. O Género refere-se aos papéis do homem e da mulher, predefinidos, numa determinada sociedade, num certo período de tempo. As relações de género reflectem concepções de género interiorizadas por homens (=masculinidade = o que significa ser homem numa sociedade)

e mulheres (feminilidade= o que significa ser mulher numa sociedade). A masculinidade é o conjunto unitário da identidade, atitudes e comportamentos considerados masculinos. A feminilidade” é o

conjunto da identidade, atitudes e comportamentos considerados femininos.

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Se falarmos de sexo, pensaremos imediatamente num atributo biológico. Quando nasce uma menina,

sabemos que, quando ela crescer, será capaz de ter filhos/as e amamentá-los/as. Entretanto, segundo

a socióloga Teresa Citellli, o facto de a mulher ser, desde cedo, estimulada a brincar com bonecas e ajudar nos serviços domésticos, por exemplo, não tem nada a ver com o sexo, mas sim com os

costumes, as ideias, as atitudes, as crenças e as regras criadas pela sociedade, em que ela vive. A partir

da diferença biológica é que cada grupo social constrói, em seu tempo, os papéis, comportamentos,

direitos e responsabilidades de mulheres e homens.

O que é considerado natural não se pode mudar, mas o que é social e cultural pode se alterar, para corrigir desigualdades.

Papéis e responsabilidades baseados no género

Homens e mulheres desempenham papéis diferentes, na sociedade:

Papel reproductivo: inclui cuidar da criança/ responsabilidade de criação e trabalho doméstico (não remunerado).

Papel productivo: trabalho efectuado, para sustentar a vida individual e colectiva; inclui a produção para o mercado (trabalho remunerado) e a subsistência doméstica (trabalho não assalariado).

Papel da Gestão Comunitária: provisão e manutenção de recursos escassos de consumo colectivo, tais como a água, os cuidados de saúde e educação; normalmente, é um trabalho não remunerado.

Papel político: atividades executadas, ao nível comunitário, até nacional, ao nível formal político. Na maioria, são atividades remuneradas.

Pensem em exemplos de papéis de homens e mulheres. Pensem também em direitos e deveres de homens e mulheres. É fácil de ver que existem desigualdades e disparidades. Vamos agora familiarizar- nos com dois conceitos importantes: a igualdade e a equidade.

Igualdade: A igualdade é um direito humano, é a base de uma sociedade humana, e pré-condição para

o desenvolvimento sustentável. A igualdade de género refere-se à igualdade em direitos,

oportunidades e responsabilidades de homens e mulheres, rapazes e raparigas (Nações Unidas, 2008).

A igualdade de género não significa que homens e mulheres se tornam iguais, mas que os seus direitos, responsabilidades e oportunidades não dependem do facto de se ser homem ou mulher, como se uma

dessas categorias valesse mais, ou menos. Não. Mas depende apenas e simplesmente do facto de serem seres humanos e filhos do mesmo Deus. Por isso, as suas necessidades específicas terão que ser consideradas, reconhecendo a diversidade. A igualdade de género é um assunto de homens e mulheres.

Equidade: é uma categoria ética, é resultado da justiça (Aristóteles). O contrário é a iniquidade, que é

a consequência da injustiça. A equidade de género significa a distribuição justa de oportunidades, de

benefícios, de recursos e de responsabilidades, entre homens e mulheres. E pode ser garantida através

da boa governação e inclusão.

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Origens das iniquidades, entre homens e mulheres:

Normas de género baseadas na cultura e sociedade: definem a posição da mulher/do homem, as crenças e costumes aceitáveis, numa sociedade. A posição inferior da mulher limita-lhe o desenvolvimento, a mobilidade, a liberdade e a independência.

Sistema social e económico: atribui poderes e acesso a recursos, de maneira diferente, entre homens e mulheres. Exemplos: O patriarcado é um sistema, em que o homem tem uma posição económica e social privilegiada. Papéis de género: homens e mulheres têm papéis distintos e diferentes pesos de trabalho, com acesso desigual à remuneração. Na mudança, da economia de subsistência para a economia monetária, os homens obtêm postos de trabalho remunerados, enquanto que as mulheres ficam com as atividades domésticas e economicamente dependentes.

Educação: Os rapazes/homens são privilegiados, no acesso, na retenção na escola, e na progressão para os níveis mais altos do ensino.

Nas instituições: As instituições podem criar e/ou reforçar constrangimentos relativos ao género; por exemplo, inclusão/exclusão de mulheres, de posições de liderança;

O sistema juridico formal e o sistema jurídico comunitário: pode reforçar costumes e hábitos, atribuindo às mulheres uma posição inferior; dificulta a promoção da igualdade de homens e mulheres; por exemplo a lei da herança;

Acesso, controlo e benefícios dos recursos (terra, casa, meios financeiros), dos serviços, das actividades e do conhecimento.

Atitudes socioculturais e étnicas e obrigações de índole das classes sociais, que determinam as funções dos homens e das mulheres, as responsabilidades e as funções de tomada de decisões.

A África tem uma tradição longa de debate sobre o género e as relações de poder, e a sua ligação com

a cultura Africana. No passado, o foco do debate ficou mais em aspectos biológicos e não nos aspectos

de comportamentos relacionados com a socialização. Com a modernização, a definição dos papéis do homem e da mulher tornou-se uma questão socioeconómica.

Conclusão

O conceito de género não deve ser utilizado como sinónimo de “mulher”. O conceito é usado para distinguir e descrever as relações estabelecidas entre homens e mulheres. As relações de género estabelecem-se dentro de um sistema hierárquico, que dá lugar a relações de poder. Em muitas sociedades, a diferença de poder torna possível a hegemonia do homem. Se partirmos da premissa de que o feminino e o masculino são determinados pela cultura e pela sociedade, podemos mudar as diferenças, que se transformaram em iniquidades.

No plano de Deus, o homem e a mulher são dois seres complementares. Ninguém é maior e ninguém

é menor. É preciso distinguir as conceções culturais do momento, por um lado, e o desígnio de Deus,

por outro. O homem e a mulher, criados à Sua imagem e semelhança, são chamados, juntos a construir

um mundo melhor e mais humano em que todos, homens e mulheres, são iguais diante de Deus. A

22

questão de género deve ajudar a purificar as relações entre homem e a mulher para que cada um de nós possa olhar para o outro de acordo com o plano que Deus tem para nós.

O que fazer para alcançar a igualdade? O empoderamento da mulher

O empoderamento da mulher significa implementar medidas desenhadas especificamente para a

mulher, para melhorar a situação da sua vida e reduzir a sua discriminação: na educação, na

economia, na esfera social e política, e nos cuidados de saúde.

Mas ainda não é tudo: É preciso mudar as relações de género para a igualdade, e, ao mesmo tempo, empoderar a mulher.

para a igualdade, e, ao mesmo tempo, empoderar a mulher. 1.8 A Cultura e o Género

1.8 A Cultura e o Género

-

O Conceito de Cultura

Apesar das muitas definições, existe um consenso sobre o facto de que a cultura se

refere àquela parte do ambiente produzida pelos homens e por eles aprendida e utilizada. Segundo Taylor (1874), cultura é o conjunto de conhecimentos, crenças, artes, normas morais e costumes e muitos outros hábitos e capacidades adquiridos pelos homens, em suas relações, como membros da sociedade.

Para Hall (1994) a cultura surge, na base das condições históricas e das relações, como sistema de valores e meios de distintos grupos sociais e classes. Segundo ele, a cultura é a habilidade exclusivamente humana de se adaptar às circunstâncias e de passar esta habilidade e estes conhecimentos para as gerações subsequentes. Implica que a cultura é dinâmica. A cultura muda constantemente ou melhor pode ser constantemente mudada por nós.

As componentes principais da cultura são:

O sistema de crenças, normas espirituais e morais ou mitos, cuja interpretação guia as pessoas,

O

sistema de crenças, normas espirituais e morais ou mitos, cuja interpretação guia as pessoas,

para se comportarem de maneira aceitável, numa determinada sociedade.

O sistema de valores.

O sistema de valores.

A cultura está representada em coisas tangíveis, como, por exemplo a arquitetura, a roupa ou

A cultura está representada em coisas tangíveis, como, por exemplo a arquitetura, a roupa ou os

livros.

As partes visíveis e invisíveis da cultura

Olha para a ilustração da cultura, a seguir; da cultura como árvore: nós só vemos uma parte pequena da cultura (subterrânea), mas a cultura cresce e muda.

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Fig. 3 As partes visíveis e invisíveis da cultura

Fig. 3 As partes visíveis e invisíveis da cultura Exercício 1.5 Preenche a árvore da cultura:

Exercício 1.5 Preenche a árvore da cultura: Cultura e género

1.5 Preenche a árvore da cultura: Cultura e género ”C ultural ” significa o que um

”Culturalsignifica o que um grupo particular de pessoas tem em comum. Pensa na cultura, que te rodeia, e pensa no que se espera de homens e mulheres, que vivem nesta cultura.

1. Primeiro, preenche as partes invisíveis, na árvore da cultura, dando um exemplo dos valores, dos conceitos, das normas e de uma atitude que diga respeito a homens e mulheres. Se és um

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homem, pensa no que a cultura diz/ensina sobre a mulher, e se és uma mulher, menciona o que a cultura diz/ensina sobre o homem. 2. Segundo, dá exemplos da parte visível da cultura: exemplos, para comportamentos de homem/mulher. NB: Podes escrever na ilustração, ou fazer a tua própria ilustração no papel.

3. Vê estes dois exemplos de comportamento: Dá a tua resposta espontânea, acerca dos teus valores culturais; depois imagina como a tua avó/ o teu avô responderia:

Comportamento

Meu valor/Percepção

Valor/Percepção do avô

O

marido obriga a sua esposa a fazer sexo, mas ela

   

não está disposta para isso.

A

esposa carrega lenha à cabeça e, bebe, nas costas

   

do marido. O marido vai à frente dela e não carrega nada.

O

marido entrega o seu carro à mulher, para ela

   

conduzir.

Em resumo

1. Nós partilhamos a cultura com outras pessoas do grupo, mas cada um de nós tem uma sua cultura.

2. A cultura guia- nos, às vezes, sem nós sermos conscientes disso (Dahl,1998).

3. As culturas são diversas e inconsistentes, constantemente em movimento, ambíguas e contraditórias.

Isto significa que:

a. Nós nascemos em algumas culturas, outras adquirimo-las voluntariamente.

b. Cada sociedade tem uma variedade de culturas: Diversidade cultural.

c. A cultura é dinâmica, e está constantemente em mudança.

d. Nós somos alvo de influências culturais, mas não somos escravos da nossa cultura.

e. Não é fácil afastar-se de influências culturais, mas podemos geri-las conscientemente.

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Mensagens-chave da unidade 1

A personalidade é o que nós somos, o que gostamos de ser, fazer e ter,

A personalidade é o que nós somos, o que gostamos de ser, fazer e ter, é aquilo que queremos parecer aos outros.

O temperamento é um estilo pessoal inerente, uma predisposição. Distinguem-se quatro tipos de

O

temperamento é um estilo pessoal inerente, uma predisposição. Distinguem-se quatro tipos de

temperamento: Sanguíneo, colérico, fleumático, melancólico. Normalmente, uma pessoa reúne características de mais de um tipo de temperamento. É possível desenvolver a capacidade de controlar o seu temperamento e cultivar aspectos positivos.

O indivíduo tem uma identidade (personalidade) única, age (comporta-se), no seu meio ambiente

O

indivíduo tem uma identidade (personalidade) única, age (comporta-se), no seu meio ambiente

sócio-cultural, e, apesar de o grupo, em que vive, estabelecer regras de conduta e normas, o indivíduo é único e diferente de todos os outros.

O desenvolvimento da personalidade acontece, durante toda a vida. Conhecemos as 8 etapas do

O

desenvolvimento da personalidade acontece, durante toda a vida. Conhecemos as 8 etapas do

desenvolvimento psicossocial de Erikson, como um modelo que enfatiza as influências da cultura

da sociedade (exigências externas) e as exigências internas do crescimento do indivíduo. As crises, que podem acontecer em cada etapa, são chances para amadurecer.

e

Os VABEs (Values – Atitdes – Beliefs – Expectations / Valores – crenças - atitudes

Os VABEs (Values Atitdes Beliefs Expectations / Valores crenças - atitudes expectativas) manifestam-se no comportamento das pessoas e explicam por que as pessoas se comportam de maneiras diferentes.

O género (masculino e feminino) refere-se às relações e papéis atribuídos a homens e mulheres.

O

género (masculino e feminino) refere-se às relações e papéis atribuídos a homens e mulheres.

São resultado de uma dinâmica social, e não das características biológicas diferentes dos homens

e

mulheres. Essas relações e esses papéis atribuídas a homens e mulheres devem ser redefinidas

em função da vocação de cada um perante Deus. Por isso, devem permitir a realização efectiva de cada um. Ninguém é superior ou inferior em relação ao outro, mas os dois juntos fazem a imagem e semelhança de Deus. Por isso, na relação entre os géneros, todos os preconceitos culturais e históricos que criam relações de desigualdade e iniquidades devem ser superadas.

A cultura é o desenho da vida e consta de valores, conceitos e atitudes aprendidas

A

cultura é o desenho da vida e consta de valores, conceitos e atitudes aprendidas socialmente,

que se expressam no comportamento e em artefactos/produtos culturais. A cultura, com as suas

normas e padrões, alimenta a personalidade do indivíduo.

cultura tem partes visíveis (comportamento = costumes, hábitos, ritos, artefactos) e partes invisíveis (valores,

cultura tem partes visíveis (comportamento = costumes, hábitos, ritos, artefactos) e partes invisíveis (valores, conceitos, atitudes, padrões).

A

A cultura não é estática, mas dinâmica, e está em constante transformação.

A

cultura não é estática, mas dinâmica, e está em constante transformação.

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Unidade 2. Saúde Sexual e Reproductiva

Introdução

Nesta segunda unidade, gostaríamos de continuar a reflexão, sobre as relações entre homens e mulheres (género), com especial atenção à sexualidade. A sexualidade é um aspecto fundamental do ser humano. Temos compreende-la como um desígnio e um projecto de Deus. Ao longo da vida, a sexualidade vai se desenvolvendo. Há várias decisões a tomar, que contribuem para relações felizes, e que garantem a saúde sexual e reproductiva. Para além dos exercícios de reflexão, esta unidade também vai transmitir conhecimentos, sobre a saúde sexual e reproductiva.

Modelo Lógico: Metas, Comportamentos desejados, Factores de risco e protecção e actividades

Actividades da Unidade Factores individuais de risco Comportamentos Metas 4 e de protecção 3 2
Actividades da Unidade
Factores individuais de risco
Comportamentos
Metas
4
e de protecção
3
2
1
 Cartaz: Cérebro do
homem e da mulher
Percepção diferente da
sexualidade, entre homens e
Abster-se do sexo
casual e desprotegido
Vida sexual
responsável e
 Teste de igualdade de
género na vida sexual
mulheres.
Normas e práticas sexuais
prazerosa
Ser fiel ao parceiro
 Diagrama das partes e
funções dos aparelhos
reproductivos de homem
e mulher
prejudiciais para a saúde
Pressão social de ter múltiplos
parceiros
Actividade sexual com
um compromisso
 Informação sobre
métodos contraceptivos
Normas sociais de ter muitos
filhos e começar cedo com a
Planificar em conjunto
quando e quantos filhos
ter
Redução da
gravidez não
 Posições éticas da Igreja
actividade sexual
planificada
Católica (matrimónio,
)
 Conhecer as ITSs
Educação tradicional sexual
 Conhecer os direitos e
deveres sexuais
Intenção de respeitar pessoas
Não discriminar
pessoas com diferente
orientação sexual
Redução da
transmissão de
ITSs
 Estudo do Caso Ivandro
com outras orientações sexuais
 Vantagens de
abstinência e fidelidade
Aceitação da violência
doméstica por parte dos
Respeitar o “Sim” e o
“Não”
Redução da
 Código de conduta:
quando é que a relação é
saudável?
perpetradores e vítimas
Intenção de abster-se do sexo
Intenção de ser fiel
violência
Respeitar os direitos
sexuais e reproductivos
baseada no
género

Conteúdo

Sexo e Sexualidade um aspecto fundamental do ser humano

Orientações e identidades sexuais

As ITSs

A reprodução humana

Métodos do planeamento familiar

Relações saudáveis

Direitos sexuais e reproductivos

Violência sexual e violência baseada no género

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Exercício 2.1 O cérebro do homem e o da mulher: Verdade ou exagero? O que acha?

do homem e o da mulher: Verdade ou exagero? O que acha? 2.1 Sexo e sexualidade:
do homem e o da mulher: Verdade ou exagero? O que acha? 2.1 Sexo e sexualidade:
do homem e o da mulher: Verdade ou exagero? O que acha? 2.1 Sexo e sexualidade:

2.1 Sexo e sexualidade: A mesma coisa?

SEXO: Sexo é relativo ao lado natural, hereditário, biológico. Diferencia o macho da fêmea. O sexo é fixado pela natureza.

SEXUALIDADE refere-se ao lado afectivo, psicológico e sexual de uma pessoa do sexo feminino ou masculino, ou transgénero ou transsexual. Possui uma abrangência muito maior, levando à construcção dos papéis sexuais esperados para cada membro da sociedade (homem / mulher), dentro de um dado grupo social. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, “A SEXUALIDADE forma a parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano, que não pode ser separado de outros aspectos da vida. A SEXUALIDADE é a energia que motiva a encontrar o amor, o contacto e a intimidade, e se expressa, na forma de sentir, na forma de as pessoas se tocarem e serem tocadas, na busca de prazer”(OMS, 2004). Inclui sensualidade, erotismo, desejo de contacto, ternura e amor.

A sexualidade é fundamental, para o desenvolvimento do potencial humano de cada pessoa. A

integridade e dignidade, ao nível da sexualidade, requer o respeito e protecção dos direitos sexuais de todas as pessoas, o direito de controlo sobre o próprio corpo, e a liberdade de decisão a ser

sexualmente activo, negociar o sexo, praticar o sexo seguro, e prevenir a gravidez não desejada.

O desenvolvimento da sexualidade acontece, durante toda a vida, no ser humano, conhecendo as

etapas fisiológicas: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade. A sexualidade é produto de características genéticas, interacções ambientais, influências sócio-culturais e religiosas. Por exemplo, em algumas sociedades, promove-se a poligamia, enquanto em outras não.

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Ensinamentos da Igreja Católica sobre a sexualidade e o amor humano

O documento da Congregação para a Educação Católica “Orientações educativas sobre o amor humano”, publicado em 1 de Novembro de 1983, oferece-nos uma belíssima definição da sexualidade humana: “É uma componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, de expressar e viver o amor”. Quer isso dizer que a sexualidade abrange a pessoa na sua totalidade, condiciona-

a no seu núcleo mais profundo, repercute-se em todas as manifestações da sua vida. É

estrutura interior à pessoa, realidade pessoal, e não “algo” separado da pessoa, acidental ou extrínseco, não sexualidade-objeto modeladora de uma vivência descomprometida e despersonalizadora. A pessoa não tem um sexo, ela é sexuada.

Precisamente porque integradora e configuradora do todo pessoal, a sexualidade humana apresenta duas características específicas: é uma realidade multidimensional e dinâmica.

Enquanto realidade pluridimensional, podemos assinalar essencialmente três vertentes:

biológica, psicológica e social.

Na vertente biológica, importa sublinhar que a sexualidade humana é tão flexível que não permite ser reduzida a mera pulsão anárquica ou reflexo rigidamente encarcerado nos ritmos biológicos. Desta vertente, emergem duas dimensões: a procriativa e a unitiva. A primeira não pode ser regulada automaticamente, mas sim responsavelmente; e a segunda não pode ser encarada como algo secundário ou acidental, mas integrante. Aqui é imprescindível descobrir o “significado nupcial” do corpo: este é sempre corpo-eu que

“exprime a vocação do homem à reciprocidade, isto é, ao amor e ao mútuo dom de si” (Orient. Educ., 24). A vertente biológica está referenciada à vertente psicológica; isto é, o “sexo” abre-se ao “eros”, a “pulsão” torna-se “vivência”, e a sexualidade adquire nova profundidade clarificadora que aponta para um projeto de comunhão. Ela manifesta e expressa o mistério da pessoa como realidade relacional, isto é, ser-com e ser-para e torna- se o “lugar humano” da realização conjunta de si mesmo e do outro. Esta abertura ao outro não se esgota na relação eu-tu: no mútuo dar-receber está implicada a abertura ao “nós” que projeta a sexualidade para um horizonte social: aqui entram os filhos no matrimónio, e

a abertura a outros compromissos sociais.

A sexualidade é também uma realidade dinâmica que acompanha e plasma a maturação da

pessoa. Podemos, por isso, falar de uma sexualidade da criança, do adolescente, do jovem,

do adulto e do idoso, com características específicas. Importa, por conseguinte, avaliar equilibradamente os comportamentos sexuais presentes em cada etapa, evitando duas atitudes pedagogicamente reprováveis: fechar os olhos e deixar correr ou sobrecarregar humana e moralmente a pessoa. (pp.57-58)

29

Visualização dos ensinamentos da Igreja Católica sobre a sexualidade humana

ensinamentos da Igreja Católica sobre a sexualidade humana O Matrimónio é o espaço próprio e privilegiado

O Matrimónio é o espaço próprio e privilegiado da vivência e experiência efetiva da sexualidade em todas as suas dimensões: biológica, psicológica e social.

2.2 Os termos que expressam a nossa sexualidade

Figura 5 Os termos que expressam a nossa sexualidade

Figura 5 Os termos que expressam a nossa sexualidade Fonte:

Fonte:

Adaptado

de

Rolim,

E.

(2012).

Os

pilares

da

30

sexualide.

Acessivel

em

2.3 Orientações e identidades sexuais Na nossa sociedade, a orientação heterossexual é considerada como normal

2.3 Orientações e identidades sexuais

Na nossa sociedade, a orientação heterossexual é considerada como normal e saudável. A orientação homossexual (lésbica e gay) é considerada como fora do

normal e das regras estabelecidas. Isto tem a ver com o facto de que, durante muito tempo, se definiu a razão da sexualidade somente na biologia, e não se contemplaram aspectos psicológicos da sexualidade. Nos anos 40 e 50, a homossexualidade foi considerada uma doença, que pode ser curada. Somente com as pesquisas modernas foi possível ver que a sexualidade se manifesta em várias formas, e que muitas pessoas heterossexuais têm experiências com a homossexualidade. Foi também comprovado que a homossexualidade é uma forma de identidade sexual, que existe em todas as sociedades.

O facto de não se cumprir com o padrão da sexualidade estabelecido pela sociedade causou e está a causar discriminação, exclusão, assédio, violência perante as LGTBIs.

Em 2014, as relações homem com homem eram penalizadas com prisão e outras sanções, em 83 de 242 países, e as relações mulher com mulher, em 43 países. O número de países que criminalizam a homosexualidade está a aumentar (Novas leis anti-HSH: Nigéria, Camarões, Uganda, India). Em 7 países, há pena de morte para relações homossexuais 1 .

Exercício 2.2: Identidades sexuais LGTBs

Combina o termo com a definição correta: Lésbica, Gay, Transgénero, Transsexual, Bissexual, Intersex.

Pessoa que nasce com os genitália não distintamente masculinos ou femininos:Gay, Transgénero, Transsexual, Bissexual, Intersex. Mulher atraída sexualmente e emocionalmente por uma outra

Mulher atraída sexualmente e emocionalmente por uma outra mulher:os genitália não distintamente masculinos ou femininos: Pessoa que muda o seu papel de género/a sua

Pessoa que muda o seu papel de género/a sua aparência, várias vezes, durante a sua vida: _atraída sexualmente e emocionalmente por uma outra mulher: Pessoa atraída por pessoas do sexo oposto e

Pessoa atraída por pessoas do sexo oposto e por pessoas do mesmo sexosua aparência, várias vezes, durante a sua vida: _ Pessoa que muda o seu sexo físico,

Pessoa que muda o seu sexo físico, através da cirurgia, da terapia hormonal,por pessoas do sexo oposto e por pessoas do mesmo sexo Homem atraído sexualmente e emocionalmente

Homem atraído sexualmente e emocionalmente por um outro homem:seu sexo físico, através da cirurgia, da terapia hormonal,   A posição da Igreja e avaliação

 

A posição da Igreja e avaliação moral da homossexualidade

A

homossexualidade é entendida como a atracão erótica predominante e persistente

entre pessoas do mesmo sexo, uma atracão que, por consequência, desagua em relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Nesse tipo de relações, os intervenientes não

vivem a complementaridade homem/mulher, mas experimentam uma certa repulsa pelo sexo oposto. Pode-se dizer que há uma certa incapacidade de aceitar e apreciar as diferentes orientações e identidades sexuais.

A

avaliação moral deste tema leva-nos primeiramente a distinguir entre a tendência

1

homossexual (ou a homossexualidade como tal) e os actos homossexuais. A tendência

http://www.corresponsalesclave.org/2014/01/increase-in-the-number-of-lgtbi-unfriendly-

homossexual em si é um facto e não precisa de avaliação moral. Por sua vez, os atos

countries.html

homossexuais é que precisam de avaliação moral, pois aqui entra a escolha e a

preferência do sujeito. Tratando-se de uma tendência que leva a uma vivência, é muito

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importante não julgar, mas sim lançar um olhar misericordioso e compreensível de Deus para com as pessoas em causa.

A posição da Igreja e avaliação moral da homossexualidade (cont.)

Apesar de reconhecermos que os actos homossexuais não possuem aquela finalidade essencial do acto sexual (o “eu-tu” que leva ao “nós”, relação dos dois que leva à abertura a uma nova vida que nasce dos dois), precisamos de lutar contra todo o tipo de discriminação contra estas pessoas e promover práticas de vida e de inclusão saudáveis, pois Deus olha para cada um de nós com olhos de Pai sem exclusão nem discriminação. Diz o Catecismo da Igreja Católica, no seu n. 2358: “Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida, e se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição”. Porém eles, devido à sua condição, são desafiados pela Igreja a primarem pela castidade. Diz

o CIC, no seu n. 2359 que “as pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadores da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual

e resolutamente, da perfeição cristã”.

pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição

32

Exercício 2.3: Testa a sua percepção, sobre a igualdade de género, na vida sexual e reproductiva

Teste a tua percepção, sobre a igualdade de género, no quadro abaixo. Responde a cada pergunta, numa escala 1 (=De maneira nenhuma concordo) a 5 (=Concordo plenamente). Escreve o nível de concordância, por cada variável, na coluna direita. Calcula os subtotais A e B dos pontos.

 

Opções

Pontos

Variáveis

Não concordo=1, Concordo=5

1 2

3

4

5

1

O

homem é que decide sobre a forma como o

1 2

3

4

5

 

casal há de fazer relações.

 

2

O

homem precisa mais de sexo do que a mulher.

1 2

3

4

5

 

3

Sexo não se conversa, faz-se!

1 2

3

4

5

 

4

A

mulher, que anda com camisinha na bolsa, é

1 2

3

4

5

 

uma libertina.

 

5

a mulher é que deve tomar providências, para

1 2

3

4

5

 

não engravidar.

 

6

Quando se tem que tomar decisões, em casa, é o homem quem deve ter a última palavra.

1 2

3

4

5

 

7

O

homem sempre está disposto para

fazer

1 2

3

4

5

 

relações.

 

8

A

esposa sempre deve estar disposta para fazer

1 2

3

4

5

 

sexo com o marido.

 

9

Mesmo estando bem com a sua mulher, o homem precisa de ter outra.

1 2

3

4

5

 

10

Não se mete colher numa briga de um casal.

1 2

3

4

5

 

11

A mulher deve aguentar a violência, para manter

1 2

3

4

5

 

a família.

 

12

Seria uma ousadia a minha mulher me pedir para usar camisinha.

1 2

3

4

5

 

13

O

homem pode bater na sua mulher, se ela não

1 2

3

4

5

 

quiser fazer relações com ele.

 

14

Sinto vergonha, quando vejo um homem a expressar-se, de forma feminina.

1 2

3

4

5

 

15

Homem que é homem mulher.

faz relações só com

1 2

3

4

5

 

16

Se

o homem trair a mulher, ela pode lhe bater .

1 2

3

4

5

 

17

Se

a mulher trair o homem, ele pode lhe bater.

1 2

3

4

5

 

18

O

homem sempre merece o respeito da mulher e

1 2

3

4

5

 

dos filhos.

 
 

Subtotal A

   

33

   

Não concordo=1, Concordo=5

Pontos

Variáveis

1 2

3

4

5

19

O

casal deve decidir junto se quer ter filho.

1 2

3

4

5

 

20

Para mim, tanto o homem como a mulher podem propor o uso de preservativos.

1 2

3

4

5

 

21

Se o homem engravida uma mulher, o filho é da responsabilidade dos dois.

1 2

3

4

5

 

22

Numa relação sexual, é importante ele saber do que a sua parceira gosta.

1 2

3

4

5

 

23

muito importante que o pai esteja presente na vida dos filhos, mesmo após o divórcio.

É

1 2

3

4

5

 

24

O

homem e a mulher devem decidir juntos o tipo

1 2

3

4

5

 

de anticonceptivo que vão usar.

 

25

Se a mulher quiser, parceiro sexual.

ela pode ter mais de um

1 2

3

4

5

 

26

Ambos os parceiros têm o direito de dizer “não” ao fazer sexo.

1 2

3

4

5

 

27

O homem pode cuidar tão bem de crianças como

1 2

3

4

5

 

a mulher.

 

28

A mulher tem o mesmo direito que o homem de

1 2

3

4

5

 

trabalhar fora de casa e estudar.

 
 

Subtotal B

   

Calcula o teu subtotal A e o teu subtotal B. Discute a interpretação dos resultados.

o teu subtotal B. Discute a interpretação dos resultados. 2.4 A sexualidade: O desenvolvimento psicológico e

2.4 A sexualidade: O desenvolvimento psicológico e fisiológico

Na passagem da infância para a adolescência, o corpo feminino e masculino passa por mudanças, tanto a nível morfológico, como a nível do desenvolvimento do sistema reprodutor, até atingir a capacidadee de se reproduzir. Estas mudanças são acompanhadas por transformações psicológicas, que se reflectem no comportamento e no modo de pensar. A puberdade e a adolescência: O início da actividade sexual, os namoros e a procura do parceiro para a vida Há uma transformação morfológica, psicológica e social. Caracteriza-se pela busca de uma identidade e autonomia, pela atracção emocional e física, e pela aproximação a um/a amigo/a íntimo/a. A transformação é acompanhada de comportamentos agressivos e de oposição aos valores familiares e sociais. É um momento importante, para a integração dos jovens no mundo dos adultos. As mudanças morfológicas correspondem aos caracteres sexuais primários (mamas, pénis, escroto) e aos secundários, que nos rapazes se desenvolvem devido à actuação de hormonas produzidas nos testículos -testosterona-, e nas raparigas se desenvolvem devido à actuação de hormonas produzidas nos ovários - estrogénio e progesterona.

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Os adolescentes fazem as suas primeiras experiências com a sexualidade: descobrem a sua identidade sexual, os seus desejos e a atracção pelo outro. Nesta fase, precisam de uma boa informação, de serviços, de aconselhamento e acompanhamento. Muitas vezes, a sociedade não tem respondido, de maneira satisfatória, às necessidades dos adolescentes, sobre a sexualidade, a reprodução, a prevenção das ITS e do HIV.

A consciencialização deve contemplar os direitos bem como as responsabilidades, a participação activa do jovem nos processos relacionados com a vida particular e social.

Esta fase de desenvolvimento humano é uma fase de descoberta: da diferença entre amizade e namoro, entre namoro sem compromisso e namoro que se desenvolve numa relação duradoura, com finalidade de matrimónio.

O adulto O parceiro da vidae o matrimónio

As características físicas do adulto não sofrem mudanças tão bruscas como as mudanças durante a adolescência. Nesta fase, homens e mulheres têm a plena capacidade reproductiva. A maioria realiza o seu desejo de se casar e ter uma família e filhos. O matrimónio é um compromisso, para que as pessoas têm que se preparar bem. Viver como marido e mulher deve ser duradoro e diferente de ter amante, namorada. Infelizmente, as mudanças sociais do nosso tempo, a mobilidade, as expectativas divergentes entre os parceiros, a infidelidade e os conflitos de vária ordem são causas de altos níveis de divórcio, nas nossas sociedades.

Mensagens orientadoras:

Desfrutar de várias formas de viver a sua sensualidade e desejo de ternura, que não envolvam o acto sexual

Esperar pela vida e actos sexuais, até estar preparado, psicologicamente e fisiologicamente.

Respeitar a decisão do/da parceiro/a: Não significa Não!

Esperar pela relação sexual, até poder assumir um compromisso de longo prazo é um sinal do amor.

Ser preparado para assumir a responsabilidade de ser pai/mãe.

Ser fiel ao seu parceiro: Não a parceiros múltiplos e não a relações fora do matrimónio.

A terceira idade Relações maduras

As transformações biológicas, psicológicas e sociais também se fazem sentir, na transição para a terceira idade. Nas mulheres, destaca-se a menopausa. A principal característica da menopausa é a cessação das menstruações e do funcionamento dos ovários, e assim, a chegada ao termo da capacidade reproductiva da mulher. Geralmente, ocorre entre os 45 e os 55 anos. A capacidade reproductiva do homem continua para toda a vida.

35

A posição da Igreja Católica sobre o Matrimónio e a paternidade/maternidade responsável

2.4.1- O matrimónio

Se é verdade que “a família é a célula da sociedade” (cf. art. 1 da Lei da Família), então é preciso apostar na construção de famílias fortes e sólidas para termos uma sociedade melhor e mais humana. Falar de famílias fortes e sólidas é falar, primeiramente, da união matrimonial do homem e da mulher. O Direito Canónico diz que o Matrimónio está destinado para o bem dos cônjuges e para a procriação e educação dos filhos (Cân.1055, §1). Esta declaração, bem compreendida, é uma excelente fórmula em defesa da vida e da dignidade humanas, e o Matrimónio é o espaço próprio e privilegiado da vivência e experiência efetiva da sexualidade em todas as suas dimensões: biológica, psicológica e social.

O Matrimónio é constituído por um ato livre, em que um homem e uma mulher se entregam e se recebem para uma comunhão de vida a dois, para sempre. E, porque se trata de um projeto para toda

a vida, requer a unidade (um só homem para uma só mulher) e a indissolubilidade (o que Deus uniu o

homem não pode separar) (Câns.1056 e 1057, §2). Isto significa que não é lícito ‘fazer uma experiência’

de casar: “Se uma ou ambas as partes, por um ato positivo da vontade, excluírem o próprio Matrimónio ou um elemento essencial do Matrimónio ou alguma propriedade essencial, contraem-no invalidamente” (Cân.1101 §2). São duas vidas que se comprometem para um projeto com carácter definitivo. Esta comunhão íntima de vida, ordenada para o bem do casal e para a educação dos filhos, para os batizados foi elevada por Cristo à dignidade de Sacramento (Cân.1055).

O matrimónio, sendo uma “comunidade de vida e de amor”, integra dois valores igualmente relevantes

que os esposos são chamados a realizar sempre, e cuja chave última de leitura é o amor conjugal: a paternidade/maternidade responsável e a fidelidade conjugal. O Concílio Vaticano II sublinha a importância de que “o amor recíproco dos esposos se manifeste ordenadamente, progrida e se

desenvolva” (GS, 50), pois “quando a intimidade conjugal se interrompe, a fidelidade pode correr riscos

e o bem dos filhos ser comprometido” (GS, 51). (p.60)

2.4.2- A paternidade/maternidade responsável

A questão de paternidade/maternidade responsável situa-se no horizonte mais amplo do significado da

sexualidade, do matrimónio e da fecundidade humana. A pergunta mais fundamental e primeira que o casal deve fazer é: quantos filhos chamar à vida? A questão dos métodos vem em segundo lugar e é também importante, pois é consequência do princípio da transmissão responsável da vida. Portanto, na decisão de transmitir responsavelmente a vida, o casal deverá ter em conta um conjunto de critérios fundamentais e pondera-los com equilíbrio e bom senso (cf. GS, 50): o bem global dos próprios esposos; o bem dos filhos já nascidos; o bem dos filhos que prevêm virão a nascer; as condições sócio-económico-espirituais em que os pais se encontram; e o bem da própria família e da sociedade em geral.

Antes de entramos na avaliação moral do uso destes métodos, analisemos, primeiro, o processo da reprodução humana.

36

2.5 A reprodução humana A reprodução é o mecanismo que assegura a perpetuação da espécie.

2.5 A reprodução humana

A reprodução é o mecanismo que assegura a perpetuação da espécie. Para

o ser humano conseguir reproduzir-se, é necessário que o corpo esteja preparado e capaz de produzir um filho.

Exercício 2.4: O aparelho reproductor e suas funções

Conheces os nomes das partes dos aparelhos reproductores feminino e masculino? Completa os gráficos, com os respectivos termos.

masculino? Completa os gráficos, com os respectivos termos. Aparelho reproductor feminino: Vagina, Útero, Trompa de

Aparelho reproductor feminino: Vagina, Útero, Trompa de Falópio, Ovário, Cérvix

1

2

3

4

5

Aparelho reproductor masculino: Escroto, Próstata, Canal deferente, Uretra, Testiculo, Vesicula seminal, Pénis

Canal deferente, Uretra, Testiculo, Vesicula seminal, Pénis 1 2 3 4 5 6 7 Agora, explica

1

2

3

4

5

6

7

Agora, explica qual a função de cada um destes órgãos.

O sistema reprodutor feminino:

Os ovários da menina já contêm todos os óvulos, que ela produzirá, em sua vida fértil. Na puberdade, os hormónios sexuais criam o estímulo para o início da menstruação.

As trompas de Falópio (ou tubos uterinas) ligam o útero aos ovários, e estão posicionadas de tal forma, que o óvulo, quando expelido do ovário, no momento da ovulação, consegue chegar

a elas com facilidade.

O útero está ligado ao ovário através da tuba uterina, e é onde acontece a fertilização do óvulo.

O útero abriga o desenvolvimento do feto.

dilatação do colo do útero (ou cérvix) faz com que o bebé passe para fora da vagina.

vagina é ligada ao útero através da cérvix. Os espermatozóides entram no útero através da

A

A

cérvix.

37

A anatomia da vagina permite receber o pénis; recebe o sémen do homem, e serve de canal, para a saída do bebé.

O sistema reprodutor masculino

A produção de espermatozóides ocorre nos dois testículos. Os espermatozóides vão para o epidídimo, onde ficam a amadurecer, por 2-3 semanas, até passarem para os canais deferentes, para serem armazenados, antes da ejaculação.

Os testículos estão alojados no escroto.

As vesículas seminais, a próstata e a glândula bulbo-uretra são as glândulas que produzem o líquido ejaculatório.

O pénis é utilizado para a deposição, na vagina da mulher, do sémen, que contém os espermatozóides.

A uretra possui a função de conduzir e expelir o esperma, durante o processo de ejaculação.

O canal deferente tem a função de armazenar os espermatozóides e de os transportar em direcção à uretra. Além disso, ele é ainda responsável por reabsorver aqueles espermatozóides que não foram expelidos.

2.5.1. Como é que uma mulher engravida?

Para entender como acontece a gravidez, é preciso entender o ciclo menstrual da mulher, que dura aproximadamente 28 dias.

Para calcularmos o ciclo menstrual, contamos, desde o primeiro dia em que há saída de sangue, até ao último dia antes da menstruação seguinte.

Depois que o sangramento pára, um óvulo começa a crescer no ovário. Entre o décimo primeiro e o décimo quarto dia do ciclo, o óvulo sai do ovário e começa a mover-se, através das trompas de Falópio, em direcção ao útero. A mulher engravida, se este óvulo for fecundado por um espermatozóide, neste momento. Isto acontece, se ela fizer sexo, alguns dias antes de o óvulo ser libertado, ou mesmo no dia em que o óvulo é libertado.

Quando um óvulo é fecundado, passa a chamar-se “ovo”. Instala-se na parede do útero, onde vai desenvolver-se, e chama-se embrião. Quando completa um mês na barriga da mãe, mede cerca de um centímetro e meio, e tem cabeça, intestino, cérebro. No fim do 2.º mês, passa a chamar-se feto, e tem 5 centímetros, mãos, pés, olhos e boca já formados. Quando completa 3 meses, o feto já começa a mexer-se e a abrir e a fechar os olhos. O bebé fica protegido, no útero, enquanto cresce, até ao dia, em que vai nascer.

e a abrir e a fechar os olhos. O bebé fica protegido, no útero, enquanto cresce,

38

2.5.2.

O que é a menstruação? É doença?

Quando o óvulo não é fecundado, morre; e o forro do útero desfaz-se. O óvulo e estes forros saem, em forma de sangue, da menstruação. A menstruação é a limpeza das paredes internas do útero, quando não há fecundação.

A menstruação tem andado envolvida em muitos mitos. Tem-se dito que, quando está menstruada, a

mulher não pode ter relações sexuais, não pode tomar banho, não pode tomar medicamentos. Tudo isso é falso. A menstruação é um fenómeno completamente normal, não tem que alterar o ritmo de vida habitual.

2.5.3. Uma mulher pode ficar grávida, antes de ter o primeiro período menstrual?

Sim, uma mulher pode engravidar, antes do seu primeiro período, porque um óvulo pode ter começado a amadurecer, nos ovários, e pode ser fecundado.

2.5.4. Uma mulher pode ficar grávida, depois de fazer sexo apenas uma vez?

Sim, pode ficar grávida, porque tudo depende do ciclo menstrual. Se existe um óvulo maduro, que

saiu do ovário, no mesmo dia, em que a mulher faz sexo com um homem, ela pode engravidar. Isto pode acontecer, mesmo quando ela faz sexo, pela primeira vez na vida.

2.5.5. Qual a probabilidade de engravidar?

A probabilidade de ficar grávida, por mês, de sexo não protegido, é de 1 em 6.

Exercício 2.5 Actividade Risco de gravidez

OPCIONAL

Os participantes escolham um número, de 1 a 6

O Facilitador tira, dum saco, um número (teste de gravidez, no primeiro mês), e os participantes com este número são grávidas, e ficam de pé.

Reflexão: Como ia mudar a minha vida, se eu ficasse pai/mãe, sem ser preparado?

a minha vida, se eu ficasse pai/mãe, sem ser preparado? 2.6 Métodos de planeamento familiar O

2.6 Métodos de planeamento familiar

O que é o Planeamento Familiar (PF)?

Um dos pontos é a importância de uma decisão de consenso dum casal, sobre quando quer ter filhos. O Casal / Parceiro(a) deve ficar bem informado, sobre os métodos de PF disponíveis, e fazer a escolha do método mais apropriado, conforme a sua consciência.

O planeamento familiar ajuda a:

Evitar uma gravidez indesejada.

Diminuir as mortes maternas e infantis.

Ter melhores condições de saúde e vida, para os pais e as crianças, porque :

- A mulher pode ter mais tempo, para descansar, e ter mais energia e tempo, para cuidar de si, das crianças e de toda família.

- O bebé pode receber leite do peito materno, por mais tempo, e receber mais carinho dos pais.

- O homem e a mulher podem organizar melhor a sua família, e assegurar-lhe melhores condições económicas e de saúde.

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Para os adolescentes, o planeamento familiar faz com que se evitem as seguintes consequências de ter o seu bebé precoce e de forma não planificada:

Complicações para a saúde da rapariga,

Complicações para a saúde do bebé, como, por exemplo, o nascimento com baixo peso,

Consequências negativas para a vida do rapaz ou rapariga, como por exemplo: deixar de estudar, não ter condições financeiras, para uma família, conflitos nas famílias, etc.

Porque é que o homem deve participar no planeamento familiar?

Ter uma família e uma relação feliz é um desejo de ambos os parceiros. O planeamento familiar contribui para uma vida feliz e saudável, e por isso não é só um assunto de mulheres, é um assunto do casal.

Há métodos de PF só para homens. O homem pode ajudar a mulher a descansar, do uso dos métodos do PF.

Os métodos naturais do planeamento familiar são:

Abstinência: o método mais seguro de PF, e sem nenhum efeito colateral.

Coito interrompido: permanece um risco de gravidez, porque alguns espermatozóides podiam entrar na vagina, quando inicia a ejaculação e o pénis ainda não foi retirado.

Uso do calendário: precisa de um registo confiável.

Método de temperatura basal, para determinar os dias férteis da mulher, e abster-se das relações sexuais, durante estes dias.Depende do ciclo da mulher. Permanece um risco de engravidar.

Os métodos modernos do planeamento familiar são:

Pílulas,

Injectável (Depo-Provera),

Preservativo (masculino e feminino)

DIU (Dispositivo Intra-uterino)

Implante

Laqueação

Vasectomia

Em geral os métodos modernos do planeamento familiar são mais eficazes, mas têm algumas desvantagens, e implicam questões éticas.

A pílula

É um conjunto de comprimidos, que a mulher toma, para evitar a gravidez e espaçar os nascimentos.

A pílula deve ser tomada, uma vez por dia, sempre à mesma hora.

Em alguns casos, a pílula tem efeitos secundários: inchaços, aumento de peso.

40

por dia, sempre à mesma hora.  Em alguns casos, a pílula tem efeitos secundários: inchaços,

A

injecção (Depo-Provera)

 
Cada injecção destas protege a mulher, durante 3 meses. É um método eficaz, quando aplicado

Cada injecção destas protege a mulher, durante 3 meses. É um método eficaz, quando aplicado de 3 em 3 meses.

o

Os efeitos secundários podem ser:

Muitas mulheres têm menstruação em pequenas gotas e de forma irregular,

ou têm uma hemorragia prolongada.

 

o

o

Aumento de apetite e de peso.

Após um ano de uso, a mulher demora a conceber pelo menos cerca de 4 a 8

 

meses.

O

Dispositivo Intra-Uterino (DIU)

 

É um método, que consiste num pequeno objecto de plástico colocado dentro do útero da mulher, por um profissional da saúde.

método, que consiste num pequeno objecto de plástico colocado dentro do útero da mulher, por um

Benefício: para além de evitar a gravidez, a mulher pode ficar, no mínimo, quatro anos, com o DIU no útero.

Atenção: O DIU pode sair do lugar, sem a mulher perceber: Ela deve controlar sempre a presença dos fios, após a menstruação.

Efeitos secundários:

 

o

Em algumas mulheres, particularmente nas que nunca tiveram filhos, podem ocorrer menstruações abundantes e prolongadas, nos primeiros meses da colocação.

o

Em algumas mulheres, pode haver infecções no útero, porque a mulher fica mais sensível. Nestes casos, deve ir imediatamente à Unidade Sanitária.

O

implante

ir imediatamente à Unidade Sanitária. O implante  Consiste na introdução de 6 pequenas cápsulas de

Consiste na introdução de 6 pequenas cápsulas de um medicamento chamado “norplant”, por baixo da pele do braço, para prevenir a gravidez.

Benefícios: é muito eficaz e pode durar 5 ou mais anos. É um método que pode ser usado por mulheres de qualquer idade, com ou sem filhos.

Se a mulher quiser engravidar, pode ir à Unidade Sanitária, para lhe retirarem este medicamento e, pouco tempo depois, pode ficar grávida.

A mulher que amamenta pode usar este método, a partir do 6.º mês, depois do parto.

No pós-parto, pode implantar trimestralmente, se não estiver a amamentar o recém-nascido.

Efeitos secundários: ligeiras dores de cabeça, alterações, durante o período da menstruação, tais como a pouca saída do sangue, manchas no corpo, ou falta de menstruação. Estes desconfortos podem desaparecer, passado algum tempo.

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O preservativo masculino e feminino Vantagens

Protecção tripla: prevenção do HIV e das ITSs e evite a gravidez

Eficacia: Se usados em 100% das vezes, os preservativos proporcionam uma protecção de cerca de 80-85% contra o HIV e gonorreia e 50 a 66% contra a sífilis

(Segundo OMS, 2002 e NAM, 2011).

Não tem efeitos colaterais

Não há perigo de resistência (diferente dos medicamentos)

E barato

Apesar da eficácia, existem limitações importantes para garantir o uso efectivo do preservativo, tais como:

Desaprovação social, crenças e normas sociais e culturais e religiosas;

Necessidade da negociação do uso do preservativo (masculino) com o parceiro:

Relutância pessoal em usar preservativos;

Dificuldades para obter preservativos.

preservativos;  Dificuldades para obter preservativos. O diafragma e os espermaticidas O Diafragma consiste no uso

O diafragma e os espermaticidas

O Diafragma consiste no uso de uma tampinha macia colocada pela mulher no fundo da sua vagina, para impedir a entrada dos espermatozóides.

Os espermaticidas são produtos que matam os espermatozóides. São colocados pela mulher no fundo da vagina, antes da relação sexual. São menos eficazes do que o diafragma. Podem causar irritações e lesões vaginais.

A Laqueação

É um método de PF, que consiste numa pequena operação, para amarrar as trompas, a fim de evitar

a gravidez. Por ser permanente, a mulher fica com a certeza de que nunca mais vai engravidar. É um método benéfico para quem tiver tido muitos partos. A laqueação em nada afecta a saúde da mulher.

Pode ser feita, logo após o parto. Atenção: A laqueação é um método permanente, e só deve ser usado, depois de haver um consenso do casal/parceiro.

A Vasectomia

É um método de PF, que consiste numa pequena operação realizada no homem, para evitar que ele

venha a engravidar a sua parceira. A operação é muito simples e é feita pelos profissionais de saúde,

com uma anestesia local. Este método não afecta a potência do homem. Atenção: É um método de PF definitivo, porque, mesmo que tenha relações sexuais, o homem que fez esta operação, já não vai engravidar nenhuma mulher.

42

Avaliação moral dos métodos de planeamento familiar

Segundo o ensino da Igreja, o Planeamento Familiar tem espaço na discussão da paternidade/maternidade responsável. Portanto, só tem sentido e enquadramento no matrimónio. De facto, um dos pontos que aprendemos do estudo de caso é a importância de uma decisão de consenso dum casal sobre quando quer ter filhos e quantos filhos.

De acordo com o ensinamento da Igreja, o exercício da paternidade/maternidade responsável não se compagina com a mentalidade anticoncetiva que se funda ultimamente no egoísmo e no hedonismo. Mas também não se compagina com uma conceção reducionista do matrimónio, de matriz procriativista, pois o amor conjugal, ligado intimamente à procriação, não se limita a ela.

Os métodos de planeamento familiar devem ser analisados tendo em conta três parâmetros fundamentais:

 

Eficácia (inclue não somente a,

Inocuidade (amabilidade, inofensividade, sem efeitos colaterais) e

Aceitabilidade (psicológica, social, cultural, etc.).

Referenciando os diversos métodos anticoncetivos a estes parâmetros, constata-se que nenhum os realiza simultaneamente de modo ótima. Os métodos de ritmo (métodos

naturais) têm o inconveniente de baixa eficácia de evitar a gravidez e da certa dificuldade de utilização, porque dependem duma boa compreensão e da colaboração do casal. Tem, contudo, grande vantagem de prevenir o amor conjugal contra o “império do sexo” e ajudar

a

integrar a sexualidade na vivência complexiva do casal. Os métodos hormonais (pílulas)

têm elevado índice de eficácia, mas não são sempre inócuos e podem ter alguns efeitos colaterais. Os métodos mecânicos (diafragma, preservativo, etc.) apresentam um alto índice de inocuidade e de eficácia mas, em muitos casos, carecem de aceitabilidade por parte de quem os usa ou/e do parceiro sexual. O coito interrompido apresenta um elevado índice de falhas. Os espermicidas, para além da sua baixa eficácia, implicam realizar a relação dentro de certo tempo após terem sido colocados. Do que acabamos de referir emerge uma

conclusão clara: não se pode absolutizar nenhum método.

É somente ao casal a quem cabe a decisão sobre a escolha do método. Tal decisão deverá

ser fruto de um discernimento amadurecido. E, se se tratar de um casal católico, a sua opção deve ser iluminada pelos ensinamentos do Magistério da Igreja. Tendo em conta esses elementos, o casal agirá de acordo com a sua consciência, pois a consciência é inviolável e o homem não deve ser forçado a agir de forma contrária à sua consciência. A avaliação moral deve basear-se numa visão integral do matrimónio e do amor humano.

43

2.6.1 A gravidez não planificada

O contexto social e cultural, incluindo a religião, é um dos importantes factores que influenciam o

planeamento familiar.

Nas sociedades patrilineares, o “domínio do homem” dificulta a capacidade da mulher de influenciar

a decisão sobre a reprodução. As relações conjugais e familiares, o nível de educação, o acesso a

recursos financeiros e aos serviços de saúde são também factores determinantes, na capacidade da mulher fazer as suas opções, acerca das suas necessidades de saúde reproductiva.

Em Moçambique, onde a sociedade tradicional e as crenças culturais reforçam a dependência e a ausência de poder da mulher, onde as mulheres são pobres, poucas mulheres podem exercer os seus direitos reproductivos e sexuais. As adolescentes são, nestas circunstâncias, as mais vulneráveis, sendo mais susceptíveis à gravidez indesejada, tornando-se esposas e mães, numa idade muito precoce. A falta de acesso aos métodos contraceptivos conduz à gravidez indesejada, que termina, muitas vezes, num aborto inseguro, com todas as suas consequências sociais e para a saúde das adolescentes.

A gravidez é mais frequente nas adolescentes: de acordo com o último censo populacional, 17% das

adolescentes, entre os 15 e os 19 anos, tiveram já um filho.

2.6.2 A interrupção (propositada) da gravidez

Apesar de existirem muitas opções de planificação familiar, e apesar da educação e informação sobre a sexualidade, mulheres grávidas têm procurado resolver o seu problema, através do aborto.

O aborto inseguro, em Moçambique, é uma das principais causas da morte materna. Em 2010, a

mortalidade materna, no país, foi de 490 mortes por 100.000 nascimentos vivos 2 . Não é conhecida exactamente a magnitude do aborto inseguro. No período de 1990 a 2000, 8 a 11% das mortes maternas ocorridas foram devidas a complicações do aborto inseguro.

O aborto inseguro é um problema grave de saúde pública, não só devido à morte materna, mas

também devido às suas complicações imediatas e de longo prazo. As complicações imediatas mais comuns são: lacerações do colo do útero, hemorragia, infecção grave (sepsis), perfuração uterina e peritonite (acumulação de pus, na cavidade abdominal). As complicações a médio e longo prazo incluem a dor pélvica crónica, a gravidez fora do útero, e a infertilidade. São também de destacar as consequências sociais, tais como a destruição da família e a estigmatização da mulher.

A legislação de Moçambique estipula que o aborto é proibido, e penaliza a mulher e o abortador.

Respondendo à alta taxa de morbi-mortalidade, o Ministério da Saúde autorizou a interrupção da gravidez, em certos casos, como, por exemplo, a falha de contraceptivos, ou causas socio-económicas.

2 WHO. (2013). Global Health Statistics 2013, Geneva, p.72.

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Estudos recentes mostraram que as mulheres que recorrem ao aborto inseguro são significativamente mais jovens, sem uma relação estável, e estão em desvantagem em relação à educação, ao conhecimento e uso de contraceptivos, à habitação e agregado familiar. Estão também em maior risco de graves complicações 3 .

É importante salientar que muita dor e desespero podem ser evitados, com um bom aconselhamento

e uma planificação em conjunto. O aborto destrói uma vida que está a nascer. O aborto não é um método de planeamento familiar.

Avaliação moral do aborto

Este discurso parte do princípio de que desde o momento da fecundação, estamos perante uma vida humana. O óvulo fecundado é um ser humano pela sua origem, pela sua finalidade e pelas suas potencialidades humanas, e todo o processo embrionário é, desde o primeiro momento, um processo autónomo e contínuo, sem saltos qualitativos que permitam falar de um “antes” e de um “depois”.

A Declaração de Genebra (1948), versão atualizada do Juramento de Hipócrates, diz: “No momento de ser admitido como membro da profissão médica, prometo solenemente (…) manter o máximo respeito pela vida humana, desde o seu início”.

Por sua vez, a Igreja Católica tem sido constante na condenação firme de todos os atentados à vida humana (homicídio, genocídio, aborto, suicídio voluntário, etc. GS, 51). E o Papa João Paulo II diz que “o ser humano deve ser respeitado e tratado como uma pessoa desde a sua conceção e, por isso, desde esse momento, devem-lhe ser reconhecidos os direitos da pessoa, entre os quais e primeiro de todos, o direito inviolável de cada ser humano inocente à vida” (EV, 60).

Na discussão em torno da problemática do aborto, há alguns equívocos que precisamos de destronar:

a) O primeiro é perspetivar o aborto como um direito da mulher sobre o seu próprio corpo:

isto é falso, porque o embrião não é mero apêndice da mãe, mas antes uma realidade humana autónoma e, como tal, indisponível. Portanto, nunca se pode evocar o “direito a abortar”;

b) O segundo é argumentar com a prática do aborto clandestino e as más condições em que é realizado para exigir a descriminalização ou a legitimação do aborto;

c) O terceiro é pensar-se que o poder constituído, nomeadamente na sua vertente legislativa, tem competência para descriminalizar o que, por sua natureza, é crime: nenhuma lei positiva pode transformar em não mau ou bom o que é mau em si mesmo. (p.71-72).

Casos de salvar a vida salvável: aborto por indicações médicas. Casos em que a criança no

3

Machungo, F. (2004). O aborto inseguro em Maputo. Outras Vozes, Vol. 7. WLSA Mozambique. Maputo.

ventre da mãe mostra deficiências serias. Que fazer?

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em Maputo. Outras Vozes, Vol. 7. WLSA Mozambique. Maputo. ventre da mãe mostra deficiências serias. Que

Exercício 2.6: Estudo do caso Ivandro

Olá, amigos! Chamo-me Ivandro, tenho 26 anos, sou filho único. Sou licenciado em Contabilidade e Auditoria, pela Universidade Católica. Consegui, há pouco tempo, um bom emprego, na Cornelder, e posso vos dizer que financeiramente estou estável.

Já tive muitas relações e várias parceiras. A mulher, que marcou a minha vida foi a Deuclésia, que ficou

minha amiga, durante cinco anos, e acabámos por nos separar, por minha culpa, porque ela descobriu que eu estava a me envolver com uma outra. Depois dela, tive várias namoradas, até encontrar a minha actual namorada. Chama-se Zinaida, é 5 anos mais velha do que eu, e divorciada. Amo-a, mas ela faz muita pressão sobre mim: quer se casar comigo e ter filhos. Só que, sempre que vejo a Deuclésia, fico com vontade de a ver, morro de ciúmes dela. Os meus pais não aceitam a Zinaida, mas eu gosto dela, e por isso é que até hoje não nos separámos. Agora descobri que ela está grávida. Sinto que não estou preparado para aceitar ser pai. Quero tirar dinheiro para ela poder fazer um aborto, na clandestinidade. Encontro-me muito confuso. Eu quero formar uma família e quero ter filhos, mas não desta maneira. Para estudantes jovens:

Poe-te no lugar do Ivandro: Porque está ele nesta situação? O que deveele fazer?

Para adultos e pais: Ponha-se lugar do pai/da mãe do Ivandro: Porque é que o Ivandro está nesta situação? O que é que você podia ter feito, como pai, para isso não acontecer? O que é que vai fazer

agora?

pai, para isso não acontecer? O que é que vai fazer agora? 2.7 Saúde sexual e

2.7 Saúde sexual e saúde reproductiva

A saúde sexual refere-se às áreas da medicina envolvidas com a reprodução humana e comportamento sexual, as doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos, anticoncepcionais, entre outros.

Saúde Reprodutiva é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, em todas as matérias concernentes ao sistema reprodutivo, suas funções e processos, e não simples ausência de doenças ou enfermidades” (OMS).

A saúde reproductiva implica que a pessoa

Possa ter uma vida sexual segura (saudável!) e satisfatória,

Tenha a liberdade de decidir se quer ter filhos ou não, e quantos filhos quer ter, e quando tê-los

Nesta última condição, está implícito o direito de homens e mulheres de serem informados e de terem acesso aos métodos eficientes, seguros, aceitáveis e financeiramente compatíveis de planeamento familiar.

A finalidade da saúde sexual é a melhoria da qualidade de vida e das relações pessoais, e não o mero

aconselhamento e assistência relativos à reprodução e às doenças sexualmente transmissíveis.

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Figura 6

Necessidades de Saúde Sexual e de Saúde Reproductiva

6 Necessidades de Saúde Sexual e de Saúde Reproductiva A Saúde Sexual e Reproductiva diz respeito
6 Necessidades de Saúde Sexual e de Saúde Reproductiva A Saúde Sexual e Reproductiva diz respeito

A Saúde Sexual e Reproductiva diz respeito ao bem-estar emocional, através de uma vivência sexual prazeirosa, à relação respeitosa conjugal, e à autodeterminação, na vivência da sexualidade.

Exercício 2.7: O muro dos riscos e a porta das oportunidades

Vamos construir o muro dos riscos e a porta das oportunidades. Cada um recebe uma cartolina de cor azul e de cor verde, e um marcador.

Escrevam, nas cartolinas de cor azul "Razões de fazer sexo desprotegido e ter múltiplos parceiros" e "Razões do sexo seguro e da fidelidade". Uma ideia por cartolina!

Vamos avaliar as vossas ideias: Quando há consenso sobre que uma razão é uma razão válida e saudável, colocamos um "1", ao lado dele; quando há consenso de que a razão não é boa e saudável, o facilitador coloca um "0" ao lado.

Qual o resultado da avaliação? O que é que aprenderam?

Qual o resultado da avaliação? O que é que aprenderam? 2.8. As Infecções de Transmissão Sexual

2.8. As Infecções de Transmissão Sexual (ITSs)

As infecções de transmissão sexual (ITSs) são causadas por micróbios, que se

propagam, através do contacto sexual.

A maior parte das ITSs ( excepto o HIV e o herpes) podem ser curadas.

O HIV é um tipo de ITS.

O HIV e as infecções sexualmente transmitidas não só compartilham a mesma via de transmissão, mas também ajudam na progressão da doença, de uma forma mútua.

A probabilidade duma infecção por HIV aumenta dez vezes, com a presença concomitante de uma ITS. Porque algumas destas infecções provocam feridas abertas à volta dos órgãos genitais, por onde o vírus do HIV pode facilmente penetrar.

Contrair uma ITS significa que teve uma relação sexual desprotegida, com uma pessoa com uma ITS, provavelmente também infectada por HIV. Vê tu agora o grande risco para ti!

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As complicações de uma ITS não tratada são as seguintes:

Aborto;

Gravidez fora do útero;

Câncro da cerviz;

Esterilidade no homem e na mulher;

Os bebés nascidos de uma mãe infectada podem nascer com conjuntivite ou cegueira;

Doença mental do bebé.

Como é que me posso proteger de uma ITS?

A tua saúde e a tua protecção dependem de ti. É importante que conheças o funcionamento dos teus órgãos genitais, e reajas logo, no caso de alguma anomalia. As formas eficazes e seguras de prevenção

das ITS são:

Evitar ter parceiros ocasionais;

Ser fiel a um parceiro;

Abster-se das relações sexuais ocasionais.

Usar o preservativo, de modo consistente e correcto.

O que farei eu, se pensar que contraí uma ITS?

Vai ao hospital, o mais depressa possível, e faz também o teste de HIV;

Se descobrires que contraiste uma ITS e que estiveste envolvido com mais do que um parceiro sexual, deverás informar a todos, para que também eles possam fazer o tratamento, o mais depressa possível.

Se tiveres contraído uma ITS, deves abster-te da actividade sexual, até que tenhas completado o tratamento da ITS.

Estuda a tabela das ITSs, na página a seguir.

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Figura 7 - Tabela das ITSs

ITS

Gonorreia

Sífilis

Tricho-

Clamídia

Granolom

Candidíase

Herpes

 

Hepatite B

Cancróide

maníasis

a venérea

 

Como

se

Contacto

Contacto

Contacto Sexual

Contacto Sexual

Contacto

Contacto Sexual

Contacto

 

Contacto

Contacto Sexual

adquire?

Sexual

Sexual

Sexual

em mulheres/

Sexual,

Sexual

ou

homens, pode

contacto

contacto

com

surgir sem

 

com

a ferida

fluidos

do

contacto físico

 

corpo: sangue,

saliva, urina

Período

de

1-10 dias

Fase 1: 1-3 meses Fase 2: 3-6 meses Fase 3: anos

1 semana

1-3 semanas

3-12 dias,

 

2-20

dias

1-6 meses

4-10 dias,

incubação

Período

 

ao

máximo:

1

latente:

2-6

mês

semanas

Sintomas

Mulheres: dor

Fase 1: ferida que não dói Fase 2: febre, borbulhas e manchas no corpo Fase 3: muito doente, afecta o sistema nervoso

Mulheres:

Mulheres:

dor

Inchaço

dos

Mulheres:

 

Borbulhas

Fase

1;

úlceras

pélvica,

corrimento

pélvica, corrimento, ardor e dor urinar, sangramento Homens:

gânglios

corrimento

que

doem e

cansaço, perda

dolorosas,

corrimento

amarelo

ou

inguinais

e

branco, inchaço

arrebentam

de

peso,

dor

inchaço

dos

ardor

ao

verde,

comichão

ao

ruptura

da

vulva,

dor

para

feridas.

nas

gânglios

urinar, febre

nos

órgãos

para urinar,

Feridas órgãos sexuais e na boca

nos

articulações

inguinais

Homens;

genitais

Comichão

nos

gripe

ardor

ao

órgãos genitais

Fase

2:

urinar

Corrimento, dor

Homens:

 

Hepatite pele amarela

ao

urinar,

ou

inchaço,

 

sem sintomas

inflamação,

Fase

3:

 

comichão

no

recuperação

pénis

gradual

Tratamento

Antibióticos

Antibióticos

Antibiótico

Antibióticos

Antibiótico, às

Cremes vaginais

Não

tem

Repouso