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Escola Superior de Educação de Santarém

Psicologia do Desenvolvimento I

A Adolescência e os Comportamentos de Risco

Docente: Dr.ª Silvia Madeira


Educação Social 1º ano
Ano Lectivo 97/98

Trabalho elaborado por:


Catarina Miriam, n.º65
Clarisse Castanheiro, n.º66
Cláudia Fernandes, n.º67
Cláudia Correia, n.º91

Introdução

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Questionámo-nos várias vezes sobre o porquê da elaboração de um trabalho cujo
tema, é hoje em dia, um dos problemas que mais preocupam toda a sociedade. Antes de
mais, interessa ,desde já, dizer que gostaríamos de futuramente exercer uma profissão
relacionada com os comportamentos de risco, e de certo modo, poder solucioná-los.
Desta forma, parece-nos pertinente abordar este tema, pelo que consultámos alguns
autores e profissionais competentes neste domínio, que pudessem de certa forma
elucidar-nos quanto à complexidade que dele faz parte.
Temos consciência que, dado o facto deste ser o nosso primeiro trabalho sobre o tema,
jamais será perfeito, como gostaríamos que fosse. No entanto, atrevemo-nos a abordá-
lo, dada a sensibilidade que nos invade e a polémica que gera na sociedade.

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A Adolescência
A Família

Fala-se muito de televisão. Que frutos produzirá entre a humanidade?


Dependerá, sem dúvida, como para todas as invenções, do uso que dela se fizer. A seu
respeito, porém, arriscar um prognóstico que nos deve interessar muito: parece que
contam com ela para operar o reagrupamento das famílias em torno do seu pequeno
visor.
Deste modo, prova-se pelo menos que a família tem uma grande necessidade de
ser reagrupada. É caso para perguntar simplesmente se o visor, só por si, terá bastante
poder para operar este milagre. Porque, se a família anda dispersa, tem haver causas
mais profundas do que uma insuficiência de distracções ou uma utilização inapta dos
tempos disponíveis.
Costuma-se dizer muito bem da família e merece-o, porque é a transmissora da
vida, a perpetuadora da espécie, o meio mais excelente para o desenvolvimento das
crianças, transmissora aos mais novos das experiências adquiridas pelos mais velhos e
pelos antepassados. Também ela dá aos filhos a necessária educação moral, por preceito
e exemplo. É por isso que um “lar”, fonte de calor e de radiação que os poetas têm
cantado em todas as línguas; ou como M. Tiéche citou em o guia de formação pessoal:
“A família é, sem qualquer dúvida, a fonte mais suave das alegrias humanas, dos mais
puros êxtases do contentamento do ser humano; sobretudo é o meio mais poderoso de
transmissão prática da verdade e do bem, quando desempenha bem a sua missão”.
Contudo, quando se pensa no papel confiado à família e que se verifica que ela só o
desempenha por metade ou não o desempenha, temos por força que reconhecer que há
algo que arruina a humanidade e faz tudo quando pode, por astúcia e força, para
transformar esta instituição divina em maldição e num dos meios subtis e eficazes da
agravação do mal.

Causas e efeitos da família na vida dos adolescentes

A perturbação psicológica na infância não é uma questão puramente particular.


Embora sejam, em geral, os pais que em primeiro notam as dificuldades dos filhos.
Muitas crianças são classificadas como “perturbadas pela sociedade”, como Suia Wolff
descreveu em Traumatismos Infantis. Estas perturbações provocadas por inúmeros
factores e que vão reflectir-se, posteriormente, na adolescência. Passemos a descrever
alguns dos factores que pensamos serem mais relevantes na origem destes distúrbios.

Perda de um dos progenitores

É certo que os bebés e as crianças que mal andam, reagem à perda de um dos
progenitores. Mas como a sua capacidade de antever o futuro é limitada e a sua
compreensão das explicações verbais quase nula, uma separação temporária provoca as
mesmas reacções de uma perda permanente. A morte e a ausência têm o mesmo
resultado.
Qual é a prova de que uma separação prolongada ou a perda permanente da mãe
tem, na verdade, sérias consequências na vida futura? Sabe-se que a morte da mãe

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provoca, em geral, uma maior perturbação na família que a do pai. Poucos homens
assumem o duplo papel de provedor ao sustento da família e de prestar assistência no
lar. Na verdade, é frequente considerar-se impróprio para os homens cozinhar, limpar e
lavar depois do trabalho. Os viúvos com filhos pequenos são quase sempre forçados a
aceitar a ajuda de parentes ou de departamentos oficiais. Demasiadas vezes essa ajuda
obriga à desagregação da família, porque uma ou duas crianças vão para casa da avó, da
tia, ou ainda para pensionatos ou lares de adopção.

Ruptura familiar: o divórcio

As famílias incompletas devido à ilegitimidade e às desmembradas por divórcio


ou separação, são diferentes das famílias onde a morte foi a causa da ruptura, na medida
em que os pais vêm a ser censurados pela própria família e pela sociedade em geral.
Isso aumenta os seus sentimentos de ressentimento, de culpa e de fracasso.
Assemelham-se aos viúvos por ficarem material e emocionalmente mais dependentes da
família e dos serviços públicos, ao contrário deles, porém, na ajuda que recebem sente-
se a desaprovação. Também os pais que ficam sozinhos por terem falhado nas suas
relações íntimas estarão muito pior preparados para enfrentarem os problemas que daí
resultam, tanto psicológicos como de ordem prática, do que os que foram privados dos
seus cônjuges por morte.
Que os filhos de pais não casados ou de pais cujos casamentos falharam correm
riscos de ordem emocional, não tem discussão. É, porém, difícil fazer uma extensão
numérica do problema mas, é sabido, que o número é extremamente elevado.

Lares desfeitos

Sabe-se que os jovens de famílias separadas sofrem mais perturbações do


comportamento do que os jovens de lares intactos. A orfandade é de certo modo menos
importante neste aspecto do que a desunião da famílias devido ao fracasso do
casamento. O lar desfeito como causa de perturbação emocional na infância tornou-se
um cliché, tal como a privação materna. É mais acertado pensar na ruptura familiar
como causadora de outras circunstâncias prejudiciais na vida dos jovens do que
considerá-la significativa em si mesma. Uma das consequências comuns da
ilegitimidade e da ruptura familiar não é só a falta dos pais mas também a privação
social em geral. As crianças ilegítimas e as de lares separados vão muitas vezes parar,
temporária ou permanentemente a instituições. Se isso acontece na primeira infância,
são grandes as probabilidades de que se desenvolvam as perturbações de personalidade
aliadas ao tratamento institucional e que se vão reflectir ao longo de toda a sua vida.

Pais prejudiciais e má formação de consciência nos filhos

Quando os jovens têm o habito de roubar, fogem de casa ou adquirem um


comportamento sexual inaceitável, embora se conduzam em todos os outros aspectos
segundo os padrões sociais comuns, o seu comportamento estranho, delinquente, pode,
muitas vezes, ser o espelho da personalidade de um dos pais.

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O progenitor, com frequência a mãe, é ambivalente; sente uma satisfação pelo
comportamento do filho, perdoando-o habitualmente sem disso se aperceber, enquanto
exteriormente, com o adolescente, reage pela reprimenda e pela desaprovação.
Os pais podem provocar o comportamento anti-social sugerindo-o como uma
possibilidade. Muitas mães que se sentem ainda culpadas das suas experiências sexuais
pré- conjugais, prevenirão continuamente as filhas para “não se meterem em sarilhos”.
As suas advertências e constantes repressões sobre o comportamento das suas filhas
sugere a estas que a mãe tem delas uma imagem de promiscuidade sexual. Começam,
assim, a aceitar essa imagem de si próprias e a comportarem-se de acordo com ela.
Algumas mães desculpam o comportamento delinquente antes de ele tombar inesperada
e finalmente sobre o filho, muitas vezes apenas quando esse comportamento põe a
família em xeque perante os outros.
A delinquência nos jovens pode ser uma consequência, não de conflitos neuróticos
internos dos pais, mas de tensões entre eles. Muitas vezes os filhos são o campo de
batalha desses pais em conflito um com o outro.

A revolta contra os pais

Na adolescência, desencadeia-se quase inevitavelmente uma crise de oposição


contra o meio adulto.
Como é a fase de transição o período infantil e a fase adulta, o adolescente depara-se
com uma crise de auto-afirmação em que despreza tudo aquilo que adorou, revoltando-
se contra a autoridade dos pais e rejeitando os modelos de conduta que estes lhes
oferecem.
O adolescente depara-se, então, numa fase de crítica hostil em relação aos pais,
sobretudo se estes não forem “pais-modelo”.
Começam, contudo, a sentirem revolta e vergonha dos progenitores, principalmente
diante dos colegas e grupo.
Surgem, então, conflitos entre pais e filhos, pois os pais, que até ali, eram vistos como
modelo de vida, passam a ser uma forma de intromissão e crítica na vida dos filhos.
Frente à atitude condescendente do adulto, o adolescente sente-se imediatamente
postergado à situação de criança dependente; é a negação de todos os seus esforços para
se afirmar como ser autónomo; esforços desajeitados, no inicio, mas que querem ser
tomados a sério, já que é através deles que o jovem Eu, inseguro, começa a procura-se a
si mesmo , como tão bem Reymond Rivier descreveu no Desenvolvimento social da
criança e do adolescente.

A família - conclusão

Em suma, podemos dizer que as crianças de famílias socialmente desfavorecidas


estão em desvantagem sob diversos aspectos. Os factores genéticos determinam que a
sua inteligência potencial é, em média, de certo modo inferior à das crianças
socialmente mais privilegiadas a disparidade entre a atitude das crianças face à
educação e a desigualdade no acesso às oportunidades educacionais aumentam com a
idade, em consequência das diferenças culturais do meio familiar e da avaliação
preconceituosa dos professores na escola.
As características de personalidade que as crianças de classes humildes adquirem na
adolescência, levam-nos a reagir às frustrações do fracasso escolar com um

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comportamento agressivo e anti-social, o que provoca a desaprovação do meio escolar
e, por conseguinte, o aumento dos problemas familiares.
A ruptura familiar, a morte de um dos pais e os problemas de auto-afirmação perante o
meio adulto, contribuem para o “stress” e para o aparecimento de adolescentes
delinquentes.
Não é possível apurar sem lacunas que o papel da família é o principal na manifestação
destes problemas; mas a verdade é que os adolescentes não se conseguem relacionar
bem com as suas famílias, sofrem no seu amor próprio, não conseguem identificar-se
com uma cultura adulta em que se vêem excluídos. Em substituição, criam o seu próprio
mundo adolescente.
É, pois, destas duas gerações em constante confronto, o papel de tentarem ajustar-se e
melhorar os seus comportamentos, a fim de evitarem conflito e para que o mundo
futuro, que está nas suas mãos, seja um mundo melhor para todos.

Puberdade

A adolescência é um novo período na vida de um ser e coincide com uma série


de alterações no seu corpo e na sua mentalidade—a puberdade.
É na puberdade que se dão as principais “transformações corporais - o despertar das
necessidades sexuais que, pela primeira vez, se sentem como tais, constituem para o
jovem, um acontecimento que vem desmantelar o equilíbrio adquirido anteriormente, e
pôr em causa toda a sua pessoa. Com efeito, o crescimento na puberdade, que
revoluciona todo o organismo, põe em actividade uma revolução psicológica ainda mais
grave e duradoura que só em parte se explica”; como Reymond Rivier descreveu no
desenvolvimento social da criança e do adolescente.
As modificações psicológicas e corporais são tanto mais marcantes quanto existe uma
verdadeira “desarmonia evolutiva”, em que à maturação instrumental sexual genital não
corresponde a maturação psico-afectiva.
As repercussões desta desarmonia podem actualmente ser compreendidas à luz dos
recentes estudos sobre o desenvolvimento infantil precoce que permitem integrar as
vivências mais arcaicas do recém-nascido. Estes estudos chamam a atenção para a
“importância, na vida futura, da qualidade dos fenómenos interactivos mãe-filho, nos
quais o corpo do bebé ocupa um lugar central, dada a riqueza dos dados preceptivos,
sensitivos e sensoriais que veicula. Os cuidados dispensados pela mãe ao seu filho
constituem, com efeito, momentos privilegiados de relação, decisivos para todo o
desenvolvimento psicológico futuro da criança”.
A puberdade constitui um fenómeno biopsicológico com uma carga sexual, quantitativa
e qualitativa nova, verdadeiro motor do processo maturativo.
Segundo Dias Cordeiro, ao longo da infância, através de processos de imitação,
introjecção, identificação (desde as pré às pós-edipianas), a criança vai, sob pressão do
Super-Eu, interiorizando uma imagem “assexuada” dos pais, a que, classicamente se
chama “imago parental”. A necessidade de regressão e de fazer o “luto” das imagens
parentais deve-se, na adolescência, à maturação dos órgãos genitais e à intensidade da
“irrupção institivo-sexual”; às restrições morais do Super-Eu face a pais sexualizados:
com efeito, as fantasias que até aí eram aceitáveis, com os pais “des-sexualizados” pelo
Super-Eu, face a “imagos parentais re-sexualizados”.
Ainda segundo o mesmo autor, este considera que nas fantasias e nos sonhos, as figuras
parentais surgem-lhe agora incestuosas, demasiado próximas dos seus desejos mais
inconfessados e inconfessáveis. A ansiedade e o sentimento de culpa face aos seus

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desejos incestuosos e o medo de retaliação pelo pai castrador ultrapassam, por vezes, a
capacidade de adaptação do eu, já fragilizado pelo “tumulto institivo-afectivo da
adolescência”.
Constituindo o corpo do adolescente o suporte objectivo dos seus contornos e da sua
espessura como pessoa, não é de admirar que seja ao nível corporal que se expressam
muitas das suas contradições, dúvidas e receios.

O luto dos imagos parentais

Segundo J. Dias Cordeiro, a maturação biológica que ocorre durante a puberdade


e as transformações que provoca ao nível do corpo obrigam a um reajustamento, quer
do adolescente a si próprio, quer da parte das pessoas que o rodeiam, na relação com
este novo personagem fisicamente transformado. Com efeito, as alterações bruscas que
sofrem as proporções do corpo e os carácteres sexuais primários e secundários levam a
uma remodelação do esquema corporal em que a antiga imagem do corpo se torna
incompatível com a nova percepção do aspecto físico de si. Paralelamente à inquietação
que estas modificações desencadeiam, é corrente observar o interesse crescente do
jovem pelo seu corpo, atribuindo-lhe determinado significado, que condiciona todo um
conjunto de atitudes em relação a si próprio e aos outros. Nem sempre é fácil, para o
jovem adolescente, integrar as modificações de um corpo que lhe surge como estranho e
enquanto alguns aceitam facilmente a nova imagem do seu corpo sexuado, outros
tentarão negá-la.
A. Freud descreve “o luto” na adolescência como “o esforço do indivíduo para aceitar
um facto do mundo exterior- a perda do objecto investido- e para realizar as
correspondentes alterações no seu mundo interior”, isto é, proceder ao desinvestimento
libidinal do objecto perdido, como Cordeiro descreveu.
Segundo R. Diatkine, trata-se de uma “liquidação” das imagos parentais, ou por outras
palavras, da reformulação de uma determinada imagem que o adolescente foi criando
dos pais, ao longo das relações mútuas.
Também Melanie Klein insiste na analogia entre o luto e o sofrimento causados por
experiências dolorosas, na medida em que estas reactivam a “posição depressiva” da
infância. O encontro e o ultrapassar um obstáculo, como é o caso para o adolescente da
renúncia aos seus objectos de amor, implica um trabalho de elaboração mental que lhe
reduza o sofrimento e lhe permita prosseguir o desenvolvimento.
A partir da “liquidação” das imagos parentais (Melanie Klein) passa a existir a
possibilidade de estabelecimento de relações amorosas extra familiares. Caso contrário,
os novos objectos arriscam-se a não passar de uma simples repetição dos antigos laços
infantis.
O mecanismo de defesa do adolescente (segundo J. Cordeiro) é a regressão, que
constitui um meio de trazer ao Eu um certo apaziguamento, esvaziando os fantasmas
pré-edipianos, e edipianos da sua energia libidinal: as relações familiares reduzem-se ao
estado emocional de “identificações primitivas aos objectos”, na sequência de
movimentos regressivos, tanto ao nível do Eu como da líbido. A regressão surge
segundo alguns autores, não como uma defesa em si mesma, mas como um processo
psíquico essencial ao desenvolvimento normal da pessoa.

As identificações e o ideal do Eu

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No processo de desenvolvimento do adolescente as identificações e o ideal do
Eu ocupam um lugar particularmente importante.
Enquanto alguns autores consideram o ideal do Eu como uma parte do Eu e do Super-
Eu, para outros ele constitui, por si, uma estrutura distinta.
Já em 1914, o ideal do eu era considerado por S. Freud como uma formação
intrapsíquica relativamente autónoma, que servia de referência ao Eu para apreciar as
suas relações afectivas. Mais tarde, em “o Eu e o Id”, Freud considera o ideal do Eu
como sinónimo de Super-Eu: “é uma única instância formada pela identificação com os
pais correlativa do declínio do Édipo e que reúne as funções de interdição e de ideal”.
Para P. Blos, o Super-Eu representa “o herdeiro do Édipo positivo, sendo o ideal do Eu
o herdeiro do Édipo negativo”. Progressivamente, o ideal do eu atinge a sua organização
definitiva no declínio da fase homossexual do princípio da adolescência. Durante este
período, o ideal do Eu é confrontado com novas experiências, vindas do mundo
exterior, particularmente dos outros adolescentes com os quais o jovem se identifica.
Trata-se agora de identificações do Eu que, possuindo as mesmas qualidades que as
exigências precoces interiorizadas, podem considerar-se, segundo Laufer, como uma
parte do ideal do Eu do adolescente. Este, tem como função principal, por um lado,
modificar o modo da relação interna com os objectos infantis, e por outro lado, ajudam
a controlar a regressão do Eu, ao mesmo tempo que participa na adaptação social do
jovem. Esta instância do eu permite ao adolescente, por um lado, reforçar o seu esforço
para se assemelhar ao personagem parental do mesmo sexo; pode também servir para
conservar a repressão dos pensamentos, dos comportamentos e dos desejos “ego-
distónicos”. Nos casos mais favoráveis, o ideal do Eu permite ao adolescente o acesso à
maturidade a partir do momento em que as exigências do Super-Eu coincidem
intimamente, em cada momento, com as do ideal do Eu.

Jovens de grupos minoritários

Todos os jovens de grupos minoritários debatem-se com problemas


suplementares, quer sejam membros de uma seita religiosa especial, quer originários de
outros países. Consideremos primeiro todos os jovens de pequenos grupos sociais que
são simplesmente diferentes do grupo mais vasto em que se inserem, mas que não
pertencem a uma classe social desfavorecida. Há um certo número de seitas religiosas
em que os jovens têm de se reger por determinados padrões de comportamento social,
hábitos alimentares e culto religioso, bastante diferentes dos da maioria das pessoas.
Desde criança, cresce com a noção de que “somos diferentes dos outros”. Durante os
anos de escola primária as crianças gostam, em geral, da semelhança. Querem ser como
toda a gente. O que acontece com as crianças de grupos religiosos minoritários neste
aspecto, que estão em conflito directo com as instruções dos pais? Habitualmente,
procedem por reacção, tornando-se adeptos excessivamente devotados das crenças e
práticas específicas do grupo e proclamam o seu orgulho em serem membros dele. Com
essas atitudes provocam a curiosidade e incredulidade dos adultos. Ao mesmo tempo,
não lhes é permitido identificarem-se com os padrões “dos outros”.
O resultado é uma divisão latente da personalidade que, em geral, não se manifesta
antes da adolescência. A adolescência dos pertencentes a estes grupos minoritários é
muitas vezes um período particularmente agitado, em que vêem pela primeira vez ao de
cima conflitos escondidos. Por vezes, afastam-se, nesta altura, das tradições anteriores,
mas esse afastamento cava entre as gerações o verdadeiro fosso sem remédio. A

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alternativa mais comum é o jovem compreender plenamente as consequências de
pertencer a um grupo minoritário e escolhê-las e aceitá-las para toda a vida.
Jovens nascidos no estrangeiro ou filhos de pais estrangeiros, enfrentam problemas
diferentes. Tanto eles como os pais esforçam-se por se adaptar aos hábitos e costumes
do país de adopção.
Enquanto os jovens de grupos religiosos minoritários têm de lidar simultaneamente com
dois tipos divergentes de normas sociais, os jovens que emigraram para outro país,
educados numa determinada cultura, têm de mudar de um tipo de critérios e aspirações
para outro.
Os jovens de culturas minoritárias sofrem de dificuldades adicionais ao lutarem com
uma diminuição do seu rendimento, em regra sem gravidade, a menos que existam
também tendências neuróticas entre a família.
Os membros de grupos minoritários sofrem de stress grave só quando esse grupo
pertence, além do mais, a uma classe social desfavorecida dentro de uma mais vasta
sociedade.

O Grupo

Hoje reconhece-se que um grupo é mais que a soma dos seus membros, ou seja,
é diferente dessa soma. O grupo tem uma estrutura própria, objectivos próprios,
relações próprias com os outros grupos. A essência do grupo não é a semelhança ou a
diferença entre os seus membros, mas a sua interdependência. Assim, pode-se
caracterizar um grupo como “um todo dinâmico”.

O Grupo Familiar

Segundo as palavras de Brito Cabral, sociólogo, a família é o grupo de base. Em


todas as sociedades modernas, a família, constitui o lugar privilegiado da aprendizagem
do indivíduo. Esta, é determinante na formação do homem social.
Numa família, o comportamento de um dos seus membros, influencia todos os
outros. O comportamento, através da comunicação, influencia os outros e é por eles
influenciado. Se se trata de um grupo familiar pequeno (dois adultos com um ou mais
filhos), o movimento de alguns dos seus membros atingirá profundamente todos os
outros, chegando mesmo a criar uma interdependência insaciável. O casamento e a
família estão intimamente ligados a problemas vitais e à camada central da pessoa e aos
seus valores, ideais, emoções e estatutos. Afecta também a totalidade da pessoa, na sua
existência individual e social. Desta forma, no grupo familiar dá-se uma identificação
muito intensa com o grupo, e uma grande sensibilidade com os seus membros aos
problemas que afectam o outro.
O grupo familiar, desempenha um papel fundamental na formação e
desenvolvimento do indivíduo. No plano da criança, é fundamental que os eus pais
respondam aos seus estímulos, e mais do que isso, conheçam a palavra amor. O futuro
da criança tende a aproxima-se, a puberdade bate à porta...os problemas, tendem a
aumentar como podemos constatar já a seguir.

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A afirmação exterior do Eu

Aquele(a), que até ali se considerava uma criança inserida no grupo familiar,
tende a modificar-se completamente com o aparecimento da puberdade. Agora, o seio
familiar é alvo de críticas, e a revolta torna-se uma constante.
Em “Desenvolvimento da Criança e do Adolescente”, e segundo R.Rivier, o
aparecimento da puberdade desencadeia-se quase inevitavelmente numa crise de
oposição mais ou menos violenta, contra o meio adulto. Para deixar de ser a criança que
já não é, e para se afirmar como pessoa autónoma , o adolescente começa por queimar
tudo o que adorou, revolta-se contra a autoridade dos pais e rejeita os modelos que estes
lhe oferecem: em vez de ser sobrestimados, os pais são agora criticados. Os desvios dos
pais em relação aos modelos ou grupos com que agora o adolescente se identifica,
podem humilhá-lo e constituir uma profunda ferida. A necessidade ser compreendido é,
com a necessidade de afirmar a sua independência uma característica do adolescente. O
sentimento de não ser compreendido ou de não ser amado, acumula-se às dificuldades
que ele próprio tem em compreender-se e amar-se. Inicia-se então, a negação da atitude
condescendente do adulto e a tentativa de afirmação por parte do adolescente. O
adolescente quer ser levado a sério, procurando o jovem Eu que por vezes é ainda
impedido se surgir. É aqui que o adolescente começa a procurar-se a si mesmo, e ao
mesmo tempo, a identificar-se com o outro. A procura de um grupo de jovens com o
mesmo ideal e comportamento, é uma necessidade. Assim, o adolescente espera
encontrar um novo seio onde possa integrar-se e compartilhar os seus sentimentos,
angústias, e onde possa dar a sua amizade. O adolescente deixa fluir a sua própria
espontaneidade. Como nos diz Ortega y Gasset “Para cada geração, viver é uma tarefa
com duas dimensões: uma, consiste em receber o vivido ideias e valores; a outra, deixar
fluir a própria espontaneidade”. O adolescente entra numa outra dimensão...é o segundo
processo de separação em relação às figuras parentais.

O Grupo Juvenil

A revolta contra os pais e a rejeição dos ideais dos adultos, mergulham o


adolescente num estado de confusão e angústia intensas. O mundo familiar desaparece,
e o adolescente deixa de saber onde está inserido.
A tendência geral, é que ele procure fechar-se em si mesmo, já que a
incompreensão (real ou imaginária) por parte dos seus pais, tende agora a globalizar-se
incluindo por isso todos o que o rodeiam. A solidão é algo que caí em cima de um
jovem inseguro e que ainda não conquistou a sua autonomia. Deste modo, o adolescente
procura algo que o complete: a amizade, é o seu primeiro recurso; a vida em grupo, o
outro. Como teremos oportunidade de referir mais adiante, é neste período que podem
surgir os primeiros relacionamentos amorosos, pelo que será importante introduzirmos
um grande tema e de extrema importância para o jovem- A Sexualidade.
A amizade, acaba por ser nesta idade demasiado exclusiva e apaixonada. A
maioria dos adolescentes procuram a vida em grupo, e aglomeram-se com uma
facilidade desconcertante. Num excerto de um texto elaborado por Idalina Gomes in
Identidade Nacional e Social dos Jovens, foi-nos possível constatar algumas
observações feitas por Robert Merton . Este sociólogo, através de um inquérito, revelou
que os jovens consideram mais importante as relações com o grupo de amigos (83,1%),
sucedendo-lhes o meio familiar (51.4%), os colegas da escola (27,5%), e por fim as
relações de locais (26,9 %- vizinhos por exemplo). Desta forma, o grupo de amigos

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surge como o epicentro na organização da vida social juvenil. Rejeitando os antigos
modelos de identificação, o jovem procura encontrar novos modelos para poder, enfim,
ser ele mesmo. Para se imporem a novo grupo e ao meio, o adolescentes procuram a
originalidade bem como a excentricidade. Pela diferença, conseguem afirmar-se. Por
outro lado, se um jovem se sente distanciado do novo grupo, acomoda-se simplesmente
à imitação e ao conformismo. Ao identificar-se com os outros, recusa por vezes o seu
“eu”, para se confundir com o “nós”. Adquirem, portanto, a identidade social de que
careciam através da adesão a um ideal colectivo (o modo de vida, a tomada de posição,
ideais, modos de vestir, entre outros). O adolescente torna-se maleável em todos os
sentidos, o que se pode converter num comportamento de risco, como teremos
oportunidade de ver mais adiante. Importante será dizer, que assim como inicialmente o
grupo era benéfico para o adolescente , a partir de uma certa idade deixa de o ser. O que
acontece, é que o jovem de tão habituado que está a viver, pensar e agir segundo o seu
grupo, acaba por entravar a afirmação de si mesmo. Além disso, sente necessidade de se
apoiar no grupo e torná-lo um refúgio ou uma fuga a responsabilidades. O risco é maior
consoante o grupo e a personalidade do adolescente em caso de uma grande
maleabilidade. A incapacidade de um pensamento pessoal, o estado de imaturidade e a
procura excessiva de recursos exteriores a si mesmo, são um facto. Na altura devida, o
adolescente deverá saber distanciar-se do grupo (não na sua totalidade) para que possa
adquirir uma visão mais autónoma do que o rodeia, uma participação mais pessoal, e
claro, a sua autonomia. É importante dizer, que tanto o grupo familiar como juvenil, são
fases cruciais do indivíduo. Ambos são como que dois pólos dinamizadores daquele que
será um adulto- parte integrante da sociedade.
Os grupos na adolescência poderão, sem dúvida, ser um dos factores que mais
influenciam o jovem, contribuindo bastante no seu futuro. Após uma breve abordagem à
Sexualidade na Adolescência, tentaremos relacionar os factores que levam aos
comportamentos de risco.

A sexualidade na adolescência

Como já se disse anteriormente, é no grupo juvenil, que se estabelecem os


primeiros contactos amorosos (muita vezes confundidos com a amizade). É aqui, que
poderão surgir os primeiros contactos sexuais.
Parece-nos então pertinente, abordar mais pormenorizadamente alguns aspectos
relativos à Sexualidade juvenil.
“A educação sexual deve ajudar cada um a compreender que todo o indivíduo
bissexual ou homossexual, tem direito a ter uma actividade sexual que corresponda aos
seus desejos, contanto que não atente contra a liberdade sexual dos outros indivíduos
incluindo, portanto, este ponto de vista aceitação da sexualidade durante e antes da
puberdade” in L´ Expériance Scndinave, p.43 , Maj-Bright – Bergstromwalan.
“Não é necessário haver educação sexual, porque instinto sexual não precisa de
grandes ensinamentos para realizar o seu fim. E, se não está íntegro, não há ensinadelas
que cheguem, mais ainda o instinto sexual, sem quaisquer orientação pedagógica,
realiza-se de modo normal não perverso”. Pode portanto concluir-se que não há
necessidade de educação sexual, para que o instinto atinja normalmente o seu fim.
Contudo, é necessário os jovens estarem informados acerca da sexualidade.
Entenda-se por informar: “Informar crianças e adolescentes sobre anatomia e fisiologia
dos órgãos genitais não é fazer a sua educação sexual; é uma ponte, um passo

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indispensável por essa educação, mas não constitui a parte principal, a mais importante
e decisiva” in Para uma Pedagogia da Educação Sexual de João António Nabais.
Como já se disse anteriormente, a adolescência é o período que vai dos catorze
aos dezoito anos . Tudo se transforma nesses preciosos quatro anos: o corpo, antes de
tudo, e a alma.
Aquele que há pouco tempo dependia em tudo e por tudo dos pais, começa a
pensar de forma autónoma e independente.
A função sexual que se exprime nos desejos, fantasias, sonhos, num prazer
especial a que chamamos excitação e que pode levar a um prazer maior chamado
orgasmo. É uma função permanente do homem e da mulher, ao contrário do que se
passa com os animais e que embora muitas pessoas não saibam, se mantém também na
terceira idade.
É por esta função que um homem e uma mulher podem, pela relação sexual,
viver fisicamente o amor que os une.
O corpo da mulher é constituído para a possibilidade de ter filhos, a gravidez
pode ocorrer uma vez que a mulher começa a ser menstruada.
O período menstrual, é uma fase do chamado ciclo menstrual, que começa na
altura em que o óvulo amadurece e se prepara para deixar o ovário.
Este ciclo termina quando aparece a menstruação. Uma vez por mês, mais ou
menos em cada 28 dias, um óvulo minúsculo (cem óvulos têm aproximadamente o
tamanho da cabeça de um alfinete) é expelido por um dos ovários, e inicia o percurso,
através da trompa de falópio até ao útero. A isto se chama ovulação.

Perder a virgindade

Nem todas as raparigas encaram a perda da virgindade de forma positiva. Pelo


contrário, esta perda de virgindade apresenta sentimentos negativos. Estes sentimento
não ligados ao facto de ser desagradável ou dolorosa, estão relacionados sobretudo com
os conceitos que são transmitidos à medida que crescem, que a virgindade deve ser
preservada a todo o custo até ao casamento.
Para muitas raparigas a virgindade é algo de muito precioso. Desejam perdê-la
com alguém que amam e que lhes saiba retribuir de igual medida esse sentimento.
Os sentimentos negativos acerca da virgindade podem também originar-se na
sensação de que a rapariga deu um passo irreversível e que de alguma forma mudou
algo básico.
A maioria das raparigas experimenta conflitos internos e externos acerca da
virgindade, e possui emoções confusas sobre isso.

Gravidez na adolescência

Qualquer jovem menstruada que tenha iniciado uma relação sexual pode ficar
grávida. Embora utilizando qualquer tipo de contraceptivo, não fica excluída a hipótese
de uma gravidez.
A gravidez na adolescência é um assunto muito melindroso , e na grande maioria
dos casos, as jovens adolescentes não estão nem se sentem preparadas para exercer esta
“ profissão de mãe”, que embora pareça simples, não o é .
É bastante frequente nestas alturas, aquando de uma gravidez não desejada, as
jovens adolescentes optarem pelo aborto. Essa opção poderá ser feita ilegalmente

12
provocando danos não só a nível físico como também a nível psíquico .São muitas
vezes actos inconscientes que acarretam traumas juvenis, e que poderão sem dúvida
levar a comportamentos de risco, pelo caminho da autodestruição.
Será importante que a jovem jogue pelo seguro, tomando conhecimento dos
vários tipos contraceptivos. Assim, quase totalmente, ficará aniquilada a hipótese de
gravidez ou da contracção de doenças sexualmente transmissíveis, como teremos
oportunidade de verificar mais adiante.
Existem vários tipos de contraceptivos. Dentro destes, podemos distinguir os
contraceptivos mecânicos. Estes incluem o preservativo para o homem e o diafragma
para a mulher. São ainda os mais usados e actuam ambos como barreiras, impedindo o
espermatozóide de atingir o ovo. Os preservativos são feitos de borracha e colocados no
pénis para que, quando a ejaculação ocorrer, o sémen fique dentro do preservativo e não
na vagina. O diafragma é colocado na zona mais alta da vagina e usado com uma
espuma de creme contraceptivo. Existem também os métodos contraceptivos
hormonais. O outro método contraceptivo principal- a pílula- é baseada na utilização de
hormonas femininas que actuam evitando a ovulação (a pílula combinada, contendo
baixas de estrogénio e progesterona) ou tornando o cérvix, parede uterina e trompa de
Falópio hostis aos espermatozóides, evitando assim a ovulação. Tornar a pílula acessível
a adolescentes é ainda um assunto controverso no meio da classe médica, não só em
termos morais como puramente médicos. A pílula pode provocar efeitos colaterais em
qualquer mulher. Numa classe de risco especial estão as mulheres obesas, fumadoras e
hipertensas. Nas jovens, porém, o efeito colateral que mais preocupa os médicos é o
efeito a longo prazo sobre a fertilidade da jovem, se a ovulação mensal regular ainda
não se tiver estabelecido.
É fundamental para qualquer adolescente conhecer o seu corpo. No entanto, é
importante tomar consciência das doenças sexualmente transmissíveis. Umas com maior
repercussão que outras, como é o caso da SIDA e da Hepatite B . Existem mais doenças
que podem ser sexualmente transmitidas como é o caso da gonorreia, da sífilis, da
uretrite, da cistite e da vaginite.(ver anexos).
A Sexualidade, é sem dúvida, um dos aspectos mais relevantes no processo de
desenvolvimento do adolescente. É aqui, que ocorrem as grandes modificações no seu
corpo. É fundamental que o adolescente se conheça a si e ao seu corpo, para isso, é
necessário Ter consciência dos perigos que o rodeiam. Foi com base na pertinência
deste tema, que desenvolvemos este capítulo, intimamente ligado aos comportamentos
de risco.
Agora que estabelecemos a relação entre a Sexualidade e de certa forma o grupo
(porque é aqui que se iniciam os primeiros contactos amorosos), parece-nos pertinente
fazer um breve apanhado dos factores que levam o adolescente aos comportamentos de
risco. Passaremos então a mencioná-los já a seguir.

O grupo familiar, o grupo juvenil, e os factores que levam aos


comportamentos de risco

Aos doze anos, no seio familiar ou grupo familiar, a criança dispõe de


estabilidade, inteligência e equilíbrio. No entanto, existem sempre alguns problemas:
dificuldades de crescimento, atritos com os pais e irmãos... Mesmo assim, a criança
adapta-se facilmente ao meio familiar.
Como falamos de comportamentos de risco, interessa-nos sobretudo focar os
aspectos negativos por parte do grupo familiar, que poderão repercutir-se num futuro

13
adolescente... Sendo assim, e como o passado explica muitas vezes o futuro, passaremos
a apontar alguns desses aspectos com a ajuda da obra “A criança dos 6 aos 15 anos”, de
Pierre Galimard, e a partir de uma acção de formação intitulada “Desenvolvimento da
criança e do adolescente”, que se realizou no centro de formação do SPGL, em
Santarém.
Como vimos anteriormente, os membros que constituem o grupo familiar criam
entre si, uma interdependência insaciável. Deste modo, qualquer problema que afecte
um dos seus membros, acabará por repercutir-se em todos os outros. São os problemas
que incidem sobre os pais de uma criança os que na generalidade vão afectar e intervir
na sua evolução psicológica, que se perpetuará ao longo de toda a sua existência.
Começando por ouvir, ver e sentir o que se passa em redor da criança. Parece-nos mais
fácil para entender como mais tarde se constatarão uma série de conflitos. Uma criança
de onze/doze anos que vive no dia-a-dia: conflitos familiares; que é maltratada (física e
psicologicamente),que não tem mãe ou pai (porque faleceram); que foi abandonada; que
é hiper-protegida; que não recebe o amor, carinho e atenção dos pais; que não estabelece
o diálogo entre familiares; que foi abusada sexualmente; que ora vive com a mãe ora
com o pai (em caso de divórcio); que é constantemente pressionada e inferiorizada pelos
irmãos; em que o baixo nível económico do agregado familiar a impede de viver
segundo as necessidades básicas de sobrevivência; que nasceu com alguma anomalia;
que seja rejeitada pelos pais e que viva constantemente no seio de um grupo familiar em
que o ambiente é doentio, pesado e insuportável, com o surgir da puberdade terá decerto
vários problemas. Para além de perturbações psicológicas terá uma enorme dificuldade
em aceitar o que a rodeia, ao ver que é diferente e sentindo-se, por isso, inferior.
Surgirão alguns traumas infantis bem como outros problemas próprios da adolescência
o que provocará ainda uma maior instabilidade e aceitação para o que a rodeia. O
adolescente, antes de mais, acaba por não aceitar aquilo que é, e rejeita-se. Rejeita-se
porque talvez antes tenha sido rejeitado no seio familiar, e isso faz com que ele se
culpabilize. “Tenho medo das pessoas, medo dos juízos dos outros, acho que não sou
como toda a gente, que não sou normal, que sou inferior aos outros.” O adolescente não
gosta do seu corpo, tem medo de engordar, olha-se ao espelho e sente ódio de si própria.
Neste período de descobertas e modificações que podem ser tão benéficas para o
adolescente, juntam-se-lhe a frustração; a incapacidade; a falta de confiança e o
surgimento de agressividade, violência, espirito de contradição... Para além da revolta
contra os pais, que é já facto para aumentar um conflito interior, junta-se a possível
revolta pela não aceitação do grupo juvenil, que seria o seu “deposito” de frustrações.
Deste modo, procura imitar o que está nos outros, tornando-se muito influenciável... Ou
imita, ou procura a originalidade e a excentricidade. Uma vez integrado no grupo e
identificando-se com ele, a fuga às responsabilidades torna-se um facto. O adolescente
exige liberdade que lhe é negada pelos pais o que provocará uma maior revolta. É a
necessidade de se expandir.
Todos estes factores, poderão levar o adolescente aos comportamentos de risco e
quem sabe, ao suicídio. Teremos oportunidade de abordar estes comportamentos de
risco no próximo capítulo.

14
Os comportamentos de risco

O tabagismo

O tabaco é uma substância nociva a longo prazo. Embora não seja um vício que
leve ao extremo os actos de um adolescente, é bastante prejudicial. Cada vez mais , hoje
em dia, é habitual ver um jovem de cigarro na boca, mais drástico que o facto de fumar
em si, é vermos que os jovens iniciam esse acto cada vez mais cedo. Por vezes
encontramos crianças com apenas dez anos de idade a fumar. É um acto de
emancipação, a criança vê o adulto a fumar e tende a imitar para parecer mais velho.
Embora o tabaco não leve, propriamente a comportamentos de risco, faz diminuir as
capacidades mentais e físicas do indivíduo. Pode às vezes levar um adolescente sem
dinheiro a roubar para comprar tabaco. O tabaco provoca também dependência e pode
levar à morte, mas tudo isto a longo prazo.

O alcoolismo

O alcoolismo é um comportamento, hoje em dia, adoptado pela grande parte da


juventude. É socialmente bem aceite entre os grupos de jovens. O abuso do álcool leva
ao alcoolismo, que é a toxicodependência mais frequente no nosso país. É responsável
por inúmeros casos de doença, invalidez, acidente e até morte. É pois a mais grave das
toxicodependências em Portugal.
Os jovens abusam dele muitas vezes como acto social, um modo de passar uma noite
diferente com sensações diferentes, outras vezes como refúgio dos seus problemas.
Não têm consciência que o álcool é uma droga com um certo poder.
Problemas familiares, problemas escolares, problemas psicológicos como os provocados
por abusos sexuais, levam muitos jovens a beber para esquecer. Muitas das vezes, quer
para um jovem, quer para um grupo de jovens, o álcool torna-se uma dependência. Uma
dependência que pode levar ao extremo. Além de imensos jovens conduzirem
embriagados provocando acidentes, muitos chegam mesmo a um ponto de saturação em
que optam mesmo pelo suicídio.
Outros, fartos de terem sempre a mesma sensação, resolvem experimentar sensações
mais fortes, metendo-se assim no caminho da droga.

O alcoólico

No caso de consumo de drogas mais importantes, a degradação e a dependência


do indivíduo drogado instala-se rapidamente. O drogado é, geralmente, depressa
detectado e conduzido para a desintoxicação. No caso contrário morrerá.
Não se trata do mesmo para o alcoólico. Este intoxica-se progressivamente, por vezes
sem se dar conta, e quando chega ao estado de dependência, expõe aos olhos de todos
ao fim de meses e anos, o espectáculo da sua degradação moral e física. Rejeitado pela
família, corrido pelos amigos, excluído pelos seus colegas, o alcoólico, se não é ajudado
começa então uma vida de rua e um lento caminhar para a morte.

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O alcoólico sabe que bebe muito, mas não sabe por que bebe. Sabe somente que cada
manhã ao acordar, as náuseas e as tremuras o assaltam e constata que isso desaparece se
tomar uma bebida alcoólica. Face à incapacidade em que se encontra de resistir ao
chamamento do álcool e tratado como um culpado pelos que o rodeiam, julga-se mesmo
como tal, e sofre com esta situação. Anda à volta de um problema para o qual não
encontra saída senão o álcool. As chamadas de atenção, recriminações e ameaças não
resultam, aumenta o seu sofrimento e mais não fazem que lança-lo na sua solidão. Esta
solidão pode levar o indivíduo a “refugiar-se” na droga ou a suicidar-se.

Os jovens e a droga

O que mais me impressiona no debate sobre a droga que recentemente se iniciou em


Portugal é o facto de se falar mais sobre os tóxicos e os cifrões do que sobre as
pessoas, particularmente sobre os jovens.
Daniel Sampaio, “A Cinza do Tempo”

A toxicodependência é neste momento o grande flagelo da nossa sociedade. Está muito


na moda falar-se em toxicodependência, combate, prevenção, liberalização e despenalização. É
realmente um grande problema, que diz respeito a todos nós, seres que vivemos em sociedade.
A toxicodependência está a “atacar” as camadas mais jovens e tende a expandir-se. “ Há que
fazer algo!” frase que ouvimos por todo o lado e todos os dias. Frase que por vezes é dotada de
uma certa hipocrisia.
Há quanto tempo ouvimos falar em combate e prevenção à toxicodependência?
O que é que já vimos feito?! Praticamente nada!
É bom falar-se nisto, mas no fundo a grande parte da comunidade ainda tem muitos
preconceitos e medos para lutar contra este “vírus”!
Há que fazer algo urgentemente!
A nossa sociedade preocupa-se em fazer estudos, mas a prática é muito pouca! Não é só pegar
num toxicodependente e metê-lo num centro de recuperação. É talvez mais urgente prevenir o
aparecimento e desenvolvimento de toxicodependentes. É frequente ouvirmos dizer que a nossa
juventude está perdida, mas será que essas pessoas se chegam e questionar sobre o que é que
terá levado um jovem a enveredar pelo mundo da droga?!
A toxicodependência é um problema essencialmente dos jovens. A grande parte dos jovens que
seguem este caminho são pessoas a quem lhes falta algo na vida: motivação, trabalho, ocupação,
afectividade e muitas outras coisas.
A droga é um problema que tem merecido uma grande parte da atenção do nosso governo e de
várias entidades de grande importância. É urgente combatê-la!
Como diz Daniel Sampaio, em A Cinza do Tempo, “é importante reflectir sobre aquele
percurso individual que leva o adolescente um dia a experimentar uma substância em
busca de qualquer coisa diferente, tantas vezes indefinida.”
Analisamos inúmeros testemunhos escritos (alguns em anexo) por jovens que se
enfiaram na teia da droga. A adolescência é a fase crucial da vida de qualquer indivíduo.
É como se fosse um caminho de vidro, bastante inseguro.
Tentamos compreender e perceber o que leva um jovem a querer experimentar algo tão
diferente e perigoso como a droga.
J. Dias Cordeiro dá-nos algumas explicações sobre este tema: ”Os tempos livres, sem
trabalho nem ocupações, a falta de motivações no tipo de vida actual, os fracassos
escolares ou profissionais, o sentimento de isolamento- podem levar à formação de
grupos cujos interesses comuns são experiências evasivas nas quais se inclui o uso de
drogas.”

16
Tal como vimos atrás existem factores de grande importância na vida de um
adolescente. A família é apontada, muitas vezes como contributo ao mau estar do jovem,
sendo assim um factor que o leva a iniciar o seu culto tóxico. Factos como a ausência ou
insuficiente presença de um dos pais ou perturbações da comunicação no seio da
família, do tipo psicose, alcoolismo, relações intrafamiliares simbióticas, narcisistas ou
sadomasoquistas são frequentemente a causa do desvio do jovem. No entanto não é a
família a grande culpada deste comportamento na adolescência.
O jovem tende muitas vezes a ser exigente demais e a ser “egoísta” querendo que toda a
atenção lhe seja dirigida. Ao sentir-se “só” no mundo tende a Ter comportamentos
desviantes que chamem a atenção.
É talvez o grupo que tem a “função” de integrar um novo elemento no mundo da droga.
Um jovem tem tendência a unir-se sempre a um grupo, nem sempre o certo. Quando
tem problemas e não tem ajuda adequada, tende a isolar-se e marginalizar-se. Um jovem
não se mete no mundo da droga única e exclusivamente por causa dos seus problemas.
Hoje em dia, talvez o grande factor que leva um adolescente a meter-se na droga, seja a
curiosidade e o desejo de ser visto como membro activo de um grupo (considerado ,por
nós, de risco). “Começam a drogar-se por curiosidade, gosto de risco e aventura
próprios da idade” (Os jovens e a droga, colecção Projecto Vida).
Um toxicodependente cria um mundo muito próprio em que tudo e todos estão contra si.
Inicialmente começa com um cigarro de haxixe e acaba com uma seringa espetada no
braço. Ou porque acha que o haxixe já não é suficiente, ou porque é muito “in”, porque
os outros também já experimentaram, ele próprio, por mais que ache mal, experimenta
também substâncias mais fortes e nocivas, uma vez que também faz parte do grupo e
quer continuar a ser parte integrante dele. Em anexo encontram-se excertos de Os
Filhos da Droga, que nos impressionaram e mostraram algumas causas que levaram
uma jovem de doze anos a drogar-se e o início do seu percurso até à dependência.
Devemos preocupar-nos de facto com a toxicodependência no nosso país e dar um
passo em frente...
Os bairros degradados são os grandes poços na vida de um jovem toxicodependente.
Partilhamos da opinião de Daniel Sampaio em relação ao facto de o Dr. João Soares,
face ao problema da toxicodependência, Ter mandado derrubar o “Muro das
Lamentações” do Casal Ventoso, muro onde diariamente muitos se injectavam com
heroína. “Segundo o relato dos jornais, entrou no Casal Ventoso e mandou destruir o
muro onde diriamente muitos injectavam heroína, num terrível processo de destruição
que caminhava para o abismo aos olhos de todos nós. Ao proceder deste modo, mostrou
uma intenção face ao futuro e uma acção concreta desde já. ... Pela minha parte,
interessou-me a referência simbólica da acção e, desde já, declaro todo o meu apoio a
iniciativas do género.” São precisas iniciativas por parte de toda a sociedade. Primeiro é
necessário deixar de lado os preconceitos, depois prevenir e não menos importante é a
reinserção do toxicodependente na sociedade.
Talvez o principal factor que impede o toxicodependente de recuperar seja a barreira
que a sociedade lhe impõe. Por isso muitas das vezes a resolução do jovem dependente
é o suicídio.
A toxicodependência é de facto um comportamento de risco que provoca no indivíduo
tais alterações que o levam a outros comportamentos perigosos. Um jovem dependente,
normalmente, chega a um ponto em que o dinheiro que tem já não é suficiente para o
seu consumo diário, então arranja meios de conseguir o dinheiro que lhe falta. Os meios
adoptados pelo jovem não são de modo algum os mais indicados e correctos. Ou por
pensar que não tem capacidades para trabalhar, ou porque há meios mais fáceis de

17
arranjar o dinheiro, um toxicodependente opta mesmo por não trabalhar honestamente.
O mais frequente é vermos jovens a roubar, tornando-se criminosos e a prostituírem-se.
Estes comportamentos levam a que essas pessoas sejam rejeitadas pela sociedade e
consequentemente que se sintam tão marginalizados a ponto, não e se recuperarem mas,
de se suicidarem.

O suicídio

“Deprimem-se e deixam-se escorregar por um túnel fundo, de tristezas e


desesperos sem que ninguém à volta dê sequer por isso. São jovens, vivem no seio das
famílias sem problemas materiais, mas onde sobram pressas, os silêncios e as carreiras
dos pais” (Diário de Notícias, Helena Marujo -psicóloga e professora da Faculdade de
Psicologia e de Ciências de Educação da Universidade de Lisboa).
Com a ajuda da excelente obra de Daniel Sampaio Ninguém Morre sozinho, de alguns
artigos extraídos de jornais, e de um livro entitulado O Suicídio, terceira edição de dez
mil exemplares, tentaremos abordar este tema da melhor forma possível.
É este o grande ponto final dos jovens que sob forma de apelo e fuga põem termo ao
que lhes era motivo de preocupações.
Todos os aspectos que focamos no capítulo anterior (A Adolescência), poderão ser
motivo para levarem o adolescente aos comportamentos de risco, e por sua vez ao
suicídio. Este, é considerado um apelo, uma fuga, um desafio, um ponto final. Segundo
uma análise de Daniel Sampaio, podemos encarar a taxa de suicídio juvenil numa tripla
perspectiva: uma perspectiva individual relacionada com o vivido especifico do
adolescente; uma perspectiva familiar, em relação aos acontecimentos da sua família; e
uma perspectiva social na qual se refere ao enquadramento social do jovem, a sua
inserção em grupos e a sua participação na sociedade. Deste modo, podemos concluir
que todos os aspectos desenvolvidos ao longo deste trabalho estão estritamente ligados
ao suicídio. A taxa de suicídio surge, então, como um triplo fracasso após terem sido
tentadas outras formas de resolução da crise, isto é ,a conduta auto-destrutiva.
O jovem que tenta o suicídio fracassou no seu processo de desenvolvimento. Uma visão
negativa de si próprio, provavelmente desde a infância, eclodiu na adolescência (relação
com os pais e amigos, a sua identidade sexual...). A entrada na adolescência, e se ocorre
num grupo familiar e social desfavorável, determina uma subida de ansiedade. Deste
modo, trava-se uma luta por parte do adolescente, de modo a acabar com a angústia que
o invade. A sua instabilidade, impossibilita-o de uma organização estrutural o que
provoca um bloqueio no seu processo de desenvolvimento. As perturbações afectivas,
ocupam um lugar importante na compreensão do gesto suicida. No entanto, o jovem
sofre de aborrecimento, e uma falta de prazer nas actividades e relações com os outros.
Uma acentuada quebra da auto-estima, faz com que o auto-retrato do jovem suicida se
organize em redor do perfil “calado, triste, pessimista, inseguro, insociável”.
Uma instabilidade desde a infância, acentuada com dificuldades escolares e ruptura face
aos seus familiares, são o passado do jovem suicida. Famílias caracterizadas por uma
estrutura desfuncional, onde existem frequentes conflitos; onde existem dificuldades na
comunicação; e que se caracterizem por redes de sociabilidade muito pobres, poderá
influenciar o jovem na tentativa de suicídio. Por vezes a relação entre os jovens suicidas
e os seus progenitores é caracterizada por uma ausência de simpatia, falta de
disponibilidade para o diálogo, sentimentos de falta de apoio e sensações de abandono.
O grupo de jovens tem uma função socializante complementar à família. No entanto, há
uma enorme escassez de relacionamento do adolescente suicida com os amigos, o que

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faz com que a sua participação na sociedade esteja perigosamente limitada. Por outro
lado, o adolescente poderá integrar-se demasiado no grupo de amigos, chegando a
comportar-se do mesmo modo que eles. Este aspecto não exclui que o jovem
influenciável demais, siga os mesmos passos que os seus semelhantes, levando-o a
seguir rumos tais como o tabagismo, alcoolismo e toxicodependência. Já numa fase de
dependência de drogas, o jovem, incapacitado de lhe fazer frente, poderá recorrer ao
suicídio. O mesmo aconteceu aos três jovens suicidas a três de Fevereiro de 1996:
“estavam viciados em heroína e andavam em tratamento. As cartas de despedida que
deixaram foram um apelo aos amigos e restantes jovens: deixem de consumir”.
Muitos jovens acalentam em segredo pensamentos de morte, desejem ou não suicidar-
se. O certo é, que alguns fazem-no - “confirmam a triste tese da morte libertadora para
muitos nobre, que tantas vítimas fez, e vai fazendo entre a juventude” (Helena Marujo).
Para esta psicóloga e segundo a observação de duas mil e duzentas crianças e
adolescentes, a depressão, enquanto infelicidade, expectativa negativa quanto ao futuro,
desalento em relação ao presente, desgosto em relação a si próprio, e desejo de morte é
um factor eminente social e que afecta os jovens suicidas portugueses. Helena Marujo,
diz-se confrontada no que se refere à atitude dos pais, a começar na família,
aproveitando as situações de erro, por parte das crianças, a tentativa de não reprimi-las e
culpabiliza-las parece-lhe fundamental “a atitude mais correcta, é dar a volta à situação,
levando-a a encontrar a melhor solução para o problema criado”. Deste modo, é uma
questão de aprendizagem no sentido da construção e transmissão de uma filosofia de
vida mais positiva.
Assim podemos concluir que todos os aspectos focados ao longo deste trabalho,
poderão ter como consequência o suicídio. As causas dos comportamentos de risco, e
esses mesmos comportamentos, parecem-nos ser as principais razões que levam ao
suicídio “fica um corpo que acabou, que acabou com tudo. A imagem que fica daquela
que morre é o vazio - é a causa para olhares parados e vontade de mudar de assunto”,
(Ferreira Fernandes – Crónica do Diário de Notícias).
Assim, esperamos ter abordado este tema da melhor forma possível e terminamos com
palavras de Camilo Castelo Branco também suicida: “Aceitem o facto como ele é,
aceitem a vida como a puderem fazer. Corrijam-na, corrigindo-se. Moldem-se às
situações, ainda as que mais desprezam. (...)Aceitem as dores ,a cegueira, as
deformações, as aberrações, o desespero, as perseguições, a desgraça, a fome, a desonra,
a degradação, tudo, tudo o que de mau, de injusto, os que rastejando em desprezo a terra
lhes possa dar, que são ainda coisas excelentes em desiludida comparação ao que de
melhor possam chegar, pelo caminho do suicídio”( prefácio da segunde edição
“palavras aos desgraçados”).

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Conclusão

A adolescência e os comportamentos de risco, é de facto, um tema bastante


polémico. Ao elaborar-mos este trabalho ficámos elucidadas sobre os factos que mais
contribuem para que o adolescente viva à margem da sociedade. Lemos obras que de
facto nos interessaram e impressionaram bastante. Gostaríamos bastante de um dia
desenvolver este tema de uma forma mais prática, mas temos perfeita consciência de
que ainda não temos conhecimentos métodos e prática para desenvolver esta parte do
trabalho. Dada a nossa incompetência, própria de um inicio de carreira, apresentamos
um documento meramente teórico e baseado em teorias, testemunhos e trabalhos
desenvolvidos por pessoas que competentemente o fizeram.

20
Bibliografia

1 - Wolff, Sula, Traumatismos Infantis, Editora Ulisseia, 1969

2 - Tiéche, Maurício, Guia de Formação Pessoal, publicadora Atlântico, 1976

3 - Miguel, Nuno Silva, Os Jovens e a Sexualidade, edições ASA, 1989

4 - Stoppard, Mirian, O Guia da Rapariga, Círculo de Leitores, 1987

5 - Rivier, Reymond, Desenvolvimento Social da Criança, 1987

6 - Cordeiro, J., L’Adolescent et sa Famille, Privat Ed., 1975

7 - Ackerman, N. W., The Psychodynamics of Family life, Basic Books Inc.,


Publishers, Nova Iorque, 1958

8 - Glueck, S. E., Unraveling Juvenile Deliquency, Harward University Press,


1950

9 - Nabais, J. António, Para uma pedagogia da Educação Sexual, colecção “Por


uma Sexualidade Humanizante”,

10 - O livro da Saúde-Enciclopédia Médica Familiar, Selecção do Reader’s


Digest

11 - Galiamr Pierre, A Criança dos 6 aos 15 Anos

12 - Sampaio, Daniel, Ninguém morre Sozinho

13 - O Suícidio, 3ª Ed. De dez mil exemplares

14 - Existes, logo Pensa, Colecção Retalhos

15 - Gomes, Idalina, Identidade Nacional e Social dos Jovens

16 - Sampaio, Daniel, A cinza do tempo, Caminho editora, 1997

17 - F. Christiane, Os Filhos da Droga, Ed. Livros do Brasil, Lisboa, 1995

18 - Generalidades sobre O Alcoolismo, Sociedade Anti Alcoólica Portuguesa

21
Índice

INTRODUÇÃO 2A ADOLESCÊNCIA
3
A FAMÍLIA 3
CAUSAS E EFEITOS DA FAMÍLIA NA VIDA DOS ADOLESCENTES 3
Perda de um dos progenitores 3
Ruptura familiar: o divórcio 4
Lares desfeitos 4
Pais prejudiciais e má formação de consciência nos filhos 4
A revolta contra os pais 5
A família - conclusão 5
Puberdade 6
O LUTO DOS IMAGOS PARENTAIS 7
As identificações e o ideal do Eu 8
Jovens de grupos minoritários 8
O Grupo 9
O GRUPO FAMILIAR 9
A afirmação exterior do Eu 10
O Grupo Juvenil 10
A sexualidade na adolescência 11
Perder a virgindade 12
Gravidez na adolescência 13
O grupo familiar, o grupo juvenil, e os factores que levam aos comportamentos de risco 14
Os comportamentos de risco 16
O TABAGISMO 16
O alcoolismo 16
O alcoólico 16
Os jovens e a droga 17
O suicídio 19
Conclusão 21
BIBLIOGRAFIA 22