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Centro Federal de Educação Tecnológica – Celso Suckow da Fonseca – RJ

Curso Técnico de Eletrônica – Unidade Maracanã


Sistemas de Televisão
Turma: 3C-ELT SUB – 2018 – 2 semestre
Professor: Milton Torres

Aula 11 - 24 de outubro de 2018

AULA PRÁTICA: PRINCÍPIOS DE MANUTENÇÃO DE


EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS

OBJETIVOS
 Identificar os requisitos técnicos e de segurança para manutenção de um
equipamento eletrônico.
 Reconhecer as informações existentes em um Manual Técnico de um
equipamento eletrônico.
 Identificar as seções funcionais de um equipamento eletrônico, em seu
diagrama esquemático.
 Relacionar os componentes eletrônicos do diagrama esquemáticos com os
estágios do circuito.
 Localizar componentes na(s) placa(s) de circuito e no chassis do
equipamento eletrônico.

DESCRIÇÃO

Os equipamentos eletrônicos apresentam, geralmente, dois manuais


distintos: o de operação, destinado ao usuário, e o de manutenção (serviço ou
técnico), destinado à manutenção. Normalmente denominamos de Manual de
Serviço quando o equipamento eletrônico em questão é de uso doméstico
(receptores de TV, videocassetes domésticos, etc.) e de Manual Técnico quando o
mesmo é de uso profissional (editores de vídeo, transmissores de rádio/TV, etc.).

Todo o usuário de um equipamento eletrônico deveria proceder a uma


leitura atenta do manual de operação antes de ligá-lo pela primeira vez. Muitos
dos “defeitos” que o profissional técnico irá se defrontar estão relacionados ao uso
indevido do equipamento por parte do usuário, o que seria evitado com a leitura
deste manual.

O profissional técnico necessita, obrigatoriamente, consultar o manual de


manutenção para realizar qualquer serviço no equipamento, sendo a consulta ao
manual de operação importante quando se trata de equipamento profissional, com
recursos não familiares ao técnico.
O Manual de Manutenção traz instruções de instalação, teste, alinhamento
e reparação, além de diagramas esquemáticos, em blocos, de fiação e da
disposição dos componentes nas placas e no chassis. Como os equipamentos de
uso doméstico são em número muito maior que os profissionais, muitas vezes o
fabricante credencia outras empresas para prestarem os seus serviços de garantia
e assistência técnica (as “autorizadas”). Desta forma o fabricante estipula um
Manual de Serviço que atenda a grande maioria dos problemas, sem entrar em
maiores detalhes ou em defeitos mais complexos. O Manual Técnico de um
equipamento costuma ser mais detalhista e abrangente, já que normalmente o
fabricante edita o mesmo para o seu próprio corpo técnico.

É indispensável a consulta ao Manual de Serviço/Técnico para a


realização de qualquer ajuste, teste ou reparo, mesmo que se trate de
equipamento simples. Ainda que o técnico esteja familiarizado com o
equipamento, precisa seguir as instruções do manual, pois existe uma razão para
cada uma delas.

1. Manual de Operação

Este manual é destinado ao usuário leigo e, antes de mais nada, deve


informá-lo de como ligar e operar corretamente o equipamento. As informações
contidas no mesmo geralmente tratam de:

Entradas do
Equipamento: Saídas: Tipo
Voltagem, do Tubo,
Antenas, Cabos, .. Potência,…
Equipamento
Receptor TV

Controles: Som, Brilho, Cor, …

Outras informações estão presentes também, como potência consumida,


dimensões e peso. Também possui normalmente um pequeno guia de reparos
para o usuário com perguntas e respostas do tipo “A TV não liga? Verifique se a
tomada está ligada! Está sem som? Verifique o controle de volume está no
mínimo!” entre outras.

O profissional técnico deve atentar para dois fatos primordiais neste


manual:

 Um grande número de pedidos de manutenção é gerado pela não leitura


dos mesmos por parte dos usuários. Logo antes de tomar qualquer
medida mais drástica (abertura do equipamento, troca de componentes,
etc.) converse com o usuário e verifique se o mesmo tem o equipamento
há pouco tempo, quais as últimas atitudes tomadas, se o mesmo leu o
manual … e a partir destas informações é possível reparar qual foi o
procedimento indevido que causou o defeito;

 Nele estão listadas as causas em que a garantia do fabricante cessa, ou


seja, os casos em que o fabricante não se responsabiliza por possíveis
defeitos ocasionados no equipamento.

2. Manual de Manutenção

Como já foi dito anteriormente, qualquer atividade em um equipamento


eletrônico deve ser precedida pela leitura atenta da discrição deste serviço no
manual de manutenção. O mesmo possui seções que auxiliam no serviço a ser
executado, as principais seções são:

2.1 - Especificações, instruções, advertências e observações.

Estas seções trazem informações gerais do equipamento, que já foram


mencionadas no manual de operação, e principalmente as informações relativas à
segurança do profissional técnico, identificação dos componentes especiais
(sensíveis ou de fabricação exclusiva do fabricante), condições gerais para
efetuar medidas e ajustes, inspeções que devem ser realizadas no recebimento e
na entrega dos equipamentos. Esta seção é de leitura obrigatória antes de
executar qualquer atividade no equipamento.

2.2 - Características gerais, ajustes e alinhamentos.

Nestas seções encontramos as principais funções que o receptor de TV


pode realizar e como efetuar os diversos ajustes nos mesmos de forma correta e
sem causar interferências em outras funções.

2.3 - Descrição dos circuitos

A análise do funcionamento de circuitos mais complexos, como o de um


receptor de TV, pode se tornar muito difícil se apoiada apenas no diagrama
esquemático. Isto leva à existência de uma seção contendo textos explicativos,
diagramas de blocos simplificados, que podem ser mais ou menos detalhados,
dividindo-se em todos os circuitos em seções afins, separando-os em blocos com
funções específicas. Nesta seção temos informações detalhadas do
funcionamento de todos os circuitos, bem como seus principais componentes.
Podemos também ter diagramas detalhando a interligação entre os blocos,
podendo conter setas, indicando o sentido do fluxo do sinal.

2.4 - Dicas e fluxograma para análise de defeitos.


A parte de reparação do Manual de Serviço pode ser representada através
de fluxogramas, com a seqüência de atividades. Um exemplo desses fluxogramas
é a "árvore de defeitos", contendo os passos a serem executados para detecção
das possíveis causas de um defeito. No modelo de receptor de TV do nosso
laboratório podemos ainda ter uma indicação deste defeito através do número de
vezes em que o LED de POWER ON/STAND BY pisca em caso de defeitos.

2.5 - Diagramas esquemáticos, layout e oscilogramas.

O diagrama esquemático (ou esquema) é o mais básico de todos os meios


de visualização de um circuito. Ele mostra a interligação de componentes eletro-
eletrônicos, representados por símbolos padronizados, indicando seus valores e
códigos.

O diagrama de fiação impressa das placas (circuito impresso) e a


disposição dos componentes sobre estas são chamados de layout da placa.
Também é comum haver a reprodução da interligação entre placas de circuito,
entre placas e conectores e entre componentes externos à placa, indicando a
correspondência entre terminais, cores de fios etc.

Há várias maneiras de facilitar a interpretação de esquemas, começando


pelo desenho. A maioria apresenta os componentes agrupados por seções,
separando-as por linhas. A análise do sinal no esquema deve ser feito do mesmo
modo que efetuamos a leitura, ou seja, da esquerda para a direita, estando os
componentes de entrada na esquerda do esquema e os de saída à direita.

Todos os equipamentos atribuem códigos de esquema aos componentes,


além de colocar o código de fabricante (BC548, TDA2541, 1N4001 etc.) ou o valor
(27kΩ, 100µF etc.). O código de esquema utiliza letras específicas para cada tipo
de componente (R para resistor, C para capacitor, L para indutor; TR para
transformador; T ou Q para transistor; D para diodo; IC ou CI para circuito
integrado etc.) e um número de ordem no qual a centena pode indicar o estágio a
que pertence o componente (por exemplo, T610 pode ser um transistor de áudio,
enquanto T510 pode ser um do vídeo).

O fabricante fornece ainda as tensões características em determinados


pontos do circuito quando do funcionamento correto do mesmo e respeitadas as
condições estipuladas na seção Instruções Gerais. Outro dado fornecido pelo
fabricante que muito nos ajuda na análise dos defeitos é o Oscilograma que do
mesmo modo nos indica a forma de onda esperada em determinados pontos do
circuito.

2.6 - Lista de peças


Nesta seção temos os códigos do fabricante e as características principais
de todos os componentes do equipamento, o que é de muita valia no caso de
substituição de um componente danificado.

OUTRAS SEÇÕES

Podem existir ainda outras seções específicas, como para montagem e


desmontagem mecânica, vista explodida do equipamento, lista de material para
ajustes e manutenção entre outros. Lembremos que seções mais específicas e
detalhadas são características dos Manuais Técnicos.

PROVA DOMICILIAR – ENTREGAR JUNTO COM A P2


Faça uma TABELA COMPARANDO os manuais dos 3 equipamentos enviados.
Identifique os itens críticos OU que vc julgue importante.

ENTREGAR MANUSCRITO – DE MODO INDIVIDUAL – NO DIA DA P2

1. No manual do equipamento identifique:

a. Peso _______________
b. Dimensões _______________
c. Tensão de alimentação _______________
d. Consumo de potência _______________
e. Pelo menos 3 casos em que cesse a garantia do fabricante:
i. –
ii. –
iii. –
f. Principais medidas de segurança
g. Simbologia dos componentes especiais
h. Condições gerais para se efetuar as medidas

2. Identifique quais das medidas de precaução no ANEXO I abaixo são


aplicáveis neste equipamento. Para isso vc deve identificar no Manual do
equipamento:
a. Temos tensões elevadas no interior do mesmo?
b. Temos partes “vivas”/energizadas expostas no interior do mesmo?
c. Existe isolação da rede elétrica em seu interior, ou seja, a massa do
aparelho está isolada? Ou pode estar ligada ao terminal vivo da rede
(fase)? Caso afirmativo temos o risco de um choque elétrico a quem,
com o corpo, fechar o circuito entre a massa e o solo.
ANEXO I – MEDIDAS DE PRECAUÇÃO
PASSO À PASSO
Primeiro Passo - Antes de iniciar um trabalho - Requisitos Básicos para
execução:

 Tenha a mão o Esquema Eletrônico e o Manual de Serviço do equipamento


que vc vai trabalhar. Estude o mesmo antes de qualquer trabalho;
 Coloque o equipamento em um local apropriado e com boa iluminação.
 Certifique de ter todas as ferramentas e instrumentos de medição listadas
no Manual de Serviço à mão.

Segundo Passo - Antes de iniciar um trabalho - Desenergizar e isolar as


fontes de energia:
 Desenergize todas as fontes de energia ligadas ao equipamento;
 Desconecte ou trave, caso existam, controle que possam energizar
acidentalmente o equipamento, tais como, botões de partida, chaves
seletoras, intertravamento de segurança.
 Coloque trava e etiqueta em cada meio de desconexão usadon o para
desenergizar circuitos;

CASO JULGUE NECESSÁRIO:


 Coloque cadeados de forma a prevenir meios de operar os comandos;
 Etiquete cada cadeado.
 Em casos onde o cadeado não puder ser aplicado, uma etiqueta sem
trava precisa ser complementada por ao menos uma última e adicional
medida de segurança, que ofereça um nível de segurança igual ao do
cadeado.

Terceiro Passo - Eliminando energias residuais - A energia residual precisa


ser aliviada antes de iniciar o trabalho:

 Descarregue todos os capacitores que possam estar carregados;


 Curte-circuite e aterre todos os elementos de alta capacitância (Tubo de
imagem de TV).

Quarto Passo - Certificar que o sistema está desenergizado


• Certifique-se que o seu aparelho de voltímetro esteja funcionando
corretamente. Cheque em uma fonte sabidamente energizada de algumas
voltagens para assegurar que ele está funcionando, antes e depois de
checar o circuito no qual você estará trabalhando;
• Opere os controles do equipamento para checar se o mesmo não pode
ser religado;
• Use equipamentos de teste para testar o circuito e componentes elétricos
quanto à voltagem e corrente.

Quinto Passo - Para efetuar a reenergização do equipamento:


• Efetue testes e inspeções para assegurar que todas as ferramentas,
jampeadores elétricos, curtos circuitos, terras e outros dispositivos tenham
sido removidos;
• Avise aos outros trabalhadores para se manterem longe dos circuitos e
equipamentos;
• Somente a pessoa que aplicou os cadeados e etiquetas pode removê-los;
• Cheque visualmente se todos os empregados estão longe dos circuitos e
equipamentos.

MEDIDAS AUXILIARES

Os trabalhadores que lidam com equipamentos energizados precisam estar


acostumados com o uso apropriado de técnicas preventivas especiais,
materiais de isolamento elétrico e físico e ferramentas isolantes.

Portanto, quando for trabalhar em circuitos energizados:

• Isole a área de todo tráfego;

• Coloque placas e barreiras;

• Use um auxiliar, se necessário;

• Use ferramentas, tapetes e mantas isolantes.