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HISTÓRIA DA TROMPA (FRENCH HORN)

Origem da trompa
A história da trompa começa há milhares de anos, quando o homem aprendeu a usar
chifres de animais como instrumento. Quando passou-se a forjar metais, o instrumento
deixou de ser feito de chifre e passou a ser feito de metal. O tubo ganhou extensão,
ficando enrolado para ser mais compacto.

As primeiras trompas se destinavam mais para outros fins do que à execução musical,
como para amplificar e distorcer a voz, gritando ou falando através delas, e para anunciar decretos e ajuntar as pessoas
em ocasiões solenes ou religiosas. Entre os povos mais antigos, como os egípcios, época em que o homem aprendeu a
fazer instrumentos feito de chifres, madeira, caules e marfim. Passou também pelos povos etíopes, hebreus, gregos e
indianos.
Na idade média, a trompa de caça (corno di caccia) era usada pelos caçadores como uma forma de comunicação
e sinalização dentro da floresta. O instrumento não passava de um tubo metálico enrolado, com um pavilhão numa
extremidade e o bocal na outra. Mais tarde, descobriu-se por acaso que, ao colocar-se a mão obstruindo parcialmente a
campana, todos os sons baixavam meio tom, ampliando a gama de sons possíveis na época.
No século XIX o engenheiro alemão Heinrich Stoetzel (1780-1844) teve a ideia de adicionar válvulas que
modificavam o caminho percorrido pelo ar dentro do instrumento, alterando a nota emitida. Em um documento datado
de 06 de dezembro de 1814, Stoetzel solicita ao Rei da Prússia, Frederich William III, permissão para o uso da trompa à
válvula nas bandas militares dos regimentos da corte. Essa mudança demorou a ser acatada pelos compositores, que
preferiam a trompa de caça, de som mais puro.
Os judeus ainda hoje usam o Shofar, um chifre de carneiro oco com um orifício, que
serve de bocal. Esse instrumento é usado nas ocasiões solenes, sendo que seu som tem um
significado religioso para os hebreus.

A evolução da trompa
Durante séculos, trompas feitas de osso e madeira fizeram parte das culturas antigas, como
as dos gregos e etruscos. Um dos ancestrais da trompa na Europa é o olifante, instrumento
de sopro árabe feito com uma presa de elefante oca e adornada, que foi dado de presente ao
rei dos francos, Carlos Magno.

A trompa atual deriva de um instrumento de caça do século XVII, o cor de chasse (em francês,
chifre de caça). Era composto por apenas um tubo, de formato redondo, que terminava em
amplo pavilhão. As notas dependiam de seu formato e comprimento, e ele não tocava
melodias complexas. Assim, as trompas só eram usadas na composição musical quando a
intenção era imitar o ambiente de caça.

Quando, no século XVII, a trompa foi incrementada com mais tubos e roscas, ficou possível
alterar os sons. Ela começou a fazer parte da Orquestra Imperial de Viena em 1712 e descobriu-
se que, ao colocar uma das mãos no pavilhão do instrumento, era possível alterar a nota original
– é a origem da surdina. Já no início do século XVIII foram compostas peças que previam a trompa,
como o Concerto de Brandenburgo nº 1 de J.S.Bach.
A maior inovação da trompa se deu em 1815, com a inclusão de válvulas no tubo
principal. Inicialmente duas, depois três, as válvulas combinadas permitem um alcance maior de
notas, além da execução de melodias cromáticas. Hoje em dia, os avanços acontecem no material
usado em sua produção e na parte mecânica.

Trompa dupla
A trompa é um instrumento de sopro da família dos metais.
Consiste num tubo metálico de 3,7 metros de comprimento. Há quem diz que pode chegar a medir
5 metros. É ligeiramente cônico, com um bocal numa das extremidades e uma campânula (ou
pavilhão) na outra, enrolado várias vezes sobre si mesmo como uma mangueira, e munido de três
ou quatro chaves, de acordo com o modelo. O trompista aciona as chaves com a mão esquerda, e
com a mão direita dentro do pavilhão ajuda a controlar o fluxo de ar dentro do instrumento, e é
pela ação conjunta das chaves, da mão direita no interior da campânula, e do sopro (e, às vezes,
sucção) do trompista que as notas são produzidas em diferentes alturas e timbres. É um instrumento dificílimo de tocar:
o trompista não só tem que ter um ouvido afinadíssimo e saber solfejar com precisão, como também tem que ter uma
coordenação motora perfeita para controlar os músculos da mão direita e a própria respiração. O timbre da trompa é o
mais rico em harmônicos, assemelhando-se muito à voz humana. A mão dentro da campana permite uma enorme
variedade de timbres.
Trompas aparecem nas 10 últimas sinfonias de Haydn e Mozart, em todas as 9 de Beethoven, nas 4 de Schumann, nas 4
de Brahms, nas 6 de Tchaikovsky, nas 9 completas de Mahler. A partitura da Segunda Sinfonia de Mahler exige dez
trompas.

Cornu e Buccina
Estas duas trompas, usadas no tempo dos romanos, são frequentemente confundidas ou
apresentadas como sinônimos uma da outra, mas segundo Sibyl Marcuse as suas funções eram
bem diferentes: o cornu era usado para fins militares, cerimonias fúnebres e também no circo. A
buccina era usada pelos pastores, mas também servia para indicar as horas do dia à população.
O cornu tinha um longo tubo metálico (com cerca de 3 metros), de perfil estreito e cônico, com a
forma da letra "G. Uma barra transversal de madeira servia para dar solidez ao instrumento,
servindo simultaneamente de suporte. Em relação à buccina não existem elementos suficientes
para identificar convenientemente a sua forma.

Lur
Remontando ao final da idade do Bronze, o lur é uma trompa integralmente fundida em Bronze,
cujo comprimento geralmente oscila entre o 1,80 e os 2,50 m. Este instrumento tem sido
encontrado com frequência em escavações no norte da Europa, em particular na Dinamarca.
Geralmente encontrados aos pares, e enterrados em turfeiras.

Trompa Wagneriana

A trompa wagneriana é um instrumento musical de sopro, do grupo dos metais, que combina elementos tanto
da trompa quanto da tuba. Foi inicialmente criado para o ciclo O anel do Nibelungo de Wagner. Desde então, outros
compositores escreveram para ela, incluindo Anton Bruckner, Arnold Schoenberg, Richard Strauss, Igor
Stravinsky, Béla Bartók, Edgard Varèse, Felix Draeseke, Ragnar Søderlind, Elisabeth Luytens e Stephen Caudel.
Wagner foi inspirado a criar este instrumento após uma breve visita a Paris em 1853, quando ele visitou a loja
de Adolph Sax, o inventor do saxofone. Wagner queria um instrumento capaz de entoar o motivo do Valhala de um
modo sombrio como o trombone, mas de uma maneira menos incisiva como uma trompa. Nos seus trabalhos
de orquestração, Wagner se ressentiu de que não havia um instrumento intermediário entre as trompas e o trombone,
assim como entre as cordas existe a viola, que fica a meio termo entre o violino e o violoncelo; daí foi inventada a
trompa wagneriana.
A trompa wagneriana existe normalmente em dois tamanhos, tenor em si bemol e baixo em fá.

Trompa Alpina
Era usado pelos pastores da época para se comunicar, além de fazer música.
É retilíneo e de grandes dimensões, podendo atingir os quatro metros de comprimento. É feito
de madeira oca de Abeto, terminando numa campânula ligeiramente virada para cima.
É facilmente comparável ou originário da forma do corno (chifre) dos animais. O som da
Trompa é produzido pelo som da vibração dos lábios apoiados no bocal.
Segundo a documentação histórica da Suíça Central antiga, a Trompa dos Alpes, chamada na
altura de Buchel, era usada pelos pastores da época com várias finalidades: produzir música,
comunicarem entre eles e para reunirem as vacas nas pradarias dos Alpes e mantê-las calmas
durante a ordenha.
Nos dias de hoje, o instrumento é construído com objetivos diferentes: tocar nos festivais de canto tiroleses, é utilizado
em competições de luta suíça e para entreter os turistas.
Diz a história, que enquanto algumas raparigas francesas brincavam dançando o Cancan, os suíços orgulharam a sua
cultura exibindo e fazendo soar, com grande força e vigor, o seu instrumento.