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ESTADO DO ACRE
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

A POLÍTICA E ORGANIZAÇÃO DA
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO ACRE

RIO BRANCO – 2008

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Governo do Estado do Acre


Arnóbio Marques de Almeida Júnior
Secretária de Estado de Educação
Maria Corrêa da Silva
Secretária Adjunta de Gestão Interna
Maria Luiza de Oliveira Assis Pereira
Coordenadora da Educação de Jovens e Adultos
Fernanda Maria dos Santos Alves Nóbrega
Elaboração - Equipe Técnica da EJA
Aires Pergentino da Silva
Ana Lúcia Araújo Meireles Lopes
Carmem Cesarina Braga Pereira
Ciulnides Nunes Ferraz
Daryl de Oliveira Abedjb
Davi de Albuquerque Pinheiro
Elinete de Souza Frota
Edilene da Silva Ferreira
Francisca Euriângela Rodrigues de Melo
Glauber Nilson Abecassis dos Santos
Janisléia Emília de Souza Teles Machado
Karen Christine Ferreira da Silva
Maria Fabiana Arantes
Maria José do Nascimento Torres
Mariete Buriti de Souza
Milla Almeida de Oliveira
Morane Almeida de Oliveira
Queila Barbosa Lopes
Regina Célia da Costa Amaral
Valfisa do Nascimento Silva
Zoraide Gomes de Moura Cavalcante
Assessoria Pedagógica
Maria Marlene Fonseca de Araújo
Professores Colaboradores
Aníbal Vitélio Chavez
Antonia Geise Melo Vieira
Fábio Menezes da Silva
Hildo Cézar Freire Montysuma
Holderness Brito do Nascimento
Jorge Horácio Júnior
Jorge Queiroz da Silva
Maria Suely Portilho
Milvane Almeida de Oliveira
Paulo Nóbrega de Medeiros
Selma Barroso Cavalcante
Simei Silva de Santana
Wederson Marcos Freire de Souza
Revisores
Jaqueline Rodrigues Paiva
Milvane Almeida de Oliveira

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“É preciso criar pessoas que se atrevam a sair


das trilhas aprendidas, com coragem de
explorar novos caminhos, pois a ciência
constitui-se pela ousadia dos que sonham e o
conhecimento é a aventura pelo desconhecido
em busca da terra sonhada".
Rubem Alves

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APRESENTAÇÃO:

Nos últimos três anos, o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Estado de


Educação (SEE), por intermédio da Coordenação de Educação de Jovens e Adultos tem
buscado a construção de uma identidade para a EJA no Acre, bem como a efetivação de
uma política que dê acesso eqüitativo aos jovens e adultos que não concluíram todo o
ciclo da educação básica. Essa busca tem significado, inclusive, o empenho e esforços
no sentido de assegurar condições e meios para que gestores, coordenadores e
professores exerçam, fortaleçam e desenvolvam práticas pedagógicas eficientes que
garantam o acesso, a permanência e o sucesso do aluno da EJA.
Ações como: a formação continuada para professores e coordenadores que
atuam em todo o Estado, a elaboração de uma proposta pedagógica que considere as
especificidades de alunos jovens e adultos, a ampliação do atendimento às populações
rurais, a inserção da EJA no Planejamento Estratégico da SEE, além do financiamento
com Recursos Próprios de ações definidas como prioritárias para essa modalidade e que
vão desde a Alfabetização até o Ensino Médio; demonstram o compromisso do Governo
do Estado em estabelecer políticas públicas permanentes que garantam a continuidade
da escolarização através de uma educação inclusiva, cidadã e que respeite a diversidade.
As informações e as orientações prestadas nesse documento devem subsidiar os
professores, os coordenadores pedagógicos da Educação de Jovens e Adultos e os
dirigentes dos estabelecimentos de ensino e dos Núcleos de Educação nos Municípios
para que possam enfrentar o desafio em que se constitui a implementação de uma
proposta pedagógica. Assim, este trabalho torna-se um importante instrumento de apoio
à ação educativa dirigida aos jovens e adultos.
Os cursos de Educação de Jovens e Adultos são ofertados pela rede pública de
ensino do Estado do Acre tendo como eixos norteadores, a legislação vigente e a
realidade local. São cursos em nível de Ensino Fundamental ou Médio, organizados por
Segmentos e estes, em Módulos.
Iniciando o ciclo de formação, o curso EJA I tem duração de 900 (novecentas)
horas, sendo desenvolvido em 03 (três) semestres letivos com 300 (trezentas) horas cada
um. É um curso presencial, equivalente às antigas Fases I e II do Supletivo e às 4
(quatro) primeiras séries do Ensino Fundamental.
O 2º Segmento da EJA – Ensino Fundamental tem duração de 1.600 (um mil e
seiscentas) horas, sendo desenvolvido em 05 (cinco) semestres de 320 (trezentos e
vinte) horas cada um. O curso é presencial e equivalente à antiga Fase III e às 4 (quatro)
últimas séries do Ensino Fundamental.
O curso de Ensino Médio EJA tem duração de 1.200 (um mil e duzentas) horas,
sendo desenvolvido em 04 (quatro) semestres de 300 (trezentas) horas cada um. É um
curso presencial e equivalente à antiga Fase IV do Supletivo e às 03 (três) séries do

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Ensino Médio. Essa forma de organização substitui as “fases”, “etapas” e os “níveis”,


que serviam tanto como referencial de desenvolvimento curricular, quanto para
circulação de estudos.
A Educação de Jovens e Adultos segue as mesmas determinações legais das
outras modalidades de ensino, resguardadas as especificidades, uma vez que também é
parte integrante da educação básica. Desse modo, entendemos ser importante apresentar
aqui as práticas educativas e pedagógicas na EJA que efetivamente garantam o respeito
à diversidade de seus sujeitos.
Esta proposta tem como referenciais metodológicos, a pesquisa bibliográfica,
embasada nas teorias de FREIRE (1987 E 1997), GADOTTI e ROMÃO (2001),
PAIVA E OLIVEIRA (1987), PERRENOUD (1999), SAVIANE (2003), entre outros,
possibilitando, assim, um conhecimento teórico que servirá como alicerce para a
fundamentação de conceitos que envolvam a prática educativa de jovens e adultos.
Portanto, o presente documento “Política e Organização da Educação de Jovens
e Adultos no Acre”, consolida um trabalho que já vem sendo desenvolvido pela Equipe
da EJA, reafirma as políticas públicas para essa modalidade de ensino e o compromisso
com a inclusão educacional, bem como regulamenta toda a organização e
funcionamento dos cursos ofertados no sistema público estadual de ensino. E o mais
importante: é fruto de experiências vividas, observadas e compartilhadas com
professores e técnicos em diferentes situações pedagógicas no âmbito do Estado.

Coordenação de Educação de Jovens e Adultos

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PRESENTATION:

In last the three years, the work developed for the Education State Secretariat
(SEE), through the Youth and Adults Education Management, has searched the
construction of an identity for EJA in Acre, as well as the effectiveness of one policy
that gives equal access to young and adults who had not concluded the whole cycle of
the basic education. This search has meant, also, the persistence efforts in the direction
of assuring conditions and ways so that managers, coordinators and teachers exert,
fortify and develop efficient pedagogical practices that guarantee the access, the
permanence and the success of the EJA students.
Action as: the continued formation for teachers and coordinators who act in all
State, the elaboration of a pedagogical proposal that considers the specificities of young
and adults pupils, and the expansion of the attendance to the rural populations, the
insertion of the EJA in the SEE Strategic Planning, beyond the financing with its own
resources of actions definite as priorities for this modality and which include since the
literacy until High School; it demonstrates the commitment of the State Government in
establishing permanent public politics that guarantee the continuity of the education
through an inclusive, citizen education that respects the diversity.
Information and the guidelines given in this document must subsidize the
teachers, the pedagogic coordinators of Young and Adults Education and the leaders of
schools and Municipality Management of Education so that they can face the challenge
of this process that is the implementation of a pedagogic proposal. Thus, this work
becomes an important instrument of support young the directed educative action to the e
adult.
The Young and Adults Education courses are offered by the public education
network of the State of Acre having as guiding, the current legislation and the local
reality. They are courses in level of elementary or high school, organized for Segments
and these, in Modules.
Initiating the formation cycle, EJA I course has duration of 900 (nine hundred)
hours, being developed in 3 (three) periods of academic semesters with 300 (three
hundred) hours each one. It is a presence course, equivalent to old Phases I and II of the
Supplementary one and to the 4 (four) first series of Basic.
The EJA 2nd segment- Basic Education has duration of 1.600 (one a thousand
and six hundred) hours, being developed in 5 (five) semesters of 320 (three hundred and
twenty) hours each one. The course is a presence one and equivalent to old Phase III
and the 4 (four) last series of Basic Education.
The EJA High School has duration of 1.200 (one a thousand and two hundred)
hours, being developed in 4 (four) semesters of 300 (three hundred) hours each one. It is
a course and equivalent to old Phase IV of the Supplementary and to the 3 (three) series

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of High School. This form of organization substitutes the “phases”, “stages” and the
“levels”, that served in such a way as referential of curricular development, so as much
to studies circulation.
The Youth and Adults Education follows the same legal determination of the
other education modalities, considering its specificities, as also an integrant part of the
basic education. In this manner, we understand to be important to present here educative
and the pedagogical practices in the EJA that effectively guarantee the respect to the
diversity of its citizens.
This pedagogic proposal has as methodological references, the bibliographical
research, based in the theories of FREIRE (1987 and 1997), GADOTTI and ROMÃO
(2001), PAIVA AND OLIVEIRA (1987), PERRENOUD (1999), SAVIANE (2003),
among others, making possible, thus, a theoretical knowledge that will serve as
foundation for concepts that involve the young and adults educational practice.
Therefore, the present document “Policy and Organization of the Youth and
Adults Education in Acre”, consolidates a work that already is being developed for the
EJA staff, reaffirms the public politics for this education modality and the commitment
with the educational inclusion, well as it regulates all the organization and functioning
of the courses offered in the state education public system. The most important: it is
fruit of experiences lived, observed and shared with teachers and technician in different
pedagogical situations within the State.

Young and Adult Management

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .................................................................................................................................10
1. HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO ACRE......................................... 13
2. AMPARO LEGAL DA EJA ............................................................................................................. 21
3. MAPEAMENTO DAS UNIDADES DE ENSINO PARA ATENDIMENTO À DEMANDA ........ 24
4. DAS FINALIDADES E PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ................... 26
5. DOS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO ACRE ................................ 28
5.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO ENSINO
FUNDAMENTAL (EJA I E 2º. SEGMENTO) ..................................................................................... 29
5.1.1 - Objetivos Específicos do Curso EJA I – Ensino Fundamental............................................ 29
5.1.1.1 - Objetivos Específicos da Área de Linguagens............................................................. 29
5.1.1.2 - Objetivos Específicos da Área de Noções Lógico-Matemáticas ................................. 29
5.1.1.3 - Objetivos Específicos da Área de Estudos da Sociedade e da Natureza ...................... 30
5.1.2 - Objetivos Específicos do Curso Ensino Fundamental (2º Segmento): .................................. 30
5.1.2.1 - Objetivos Específicos da Área de Linguagens........................................................... 30
5.1.2.2 - Objetivos Específicos da Área de Noções Lógicas-Matemáticas ............................... 31
5.1.2.3 - Objetivos Específicos da Área de Ciências Naturais ................................................... 32
5.1.2.4 - Objetivos Específicos da Área de Ciências Sociais .................................................... 32
5.1.3 - Objetivos Específicos da Educação de Jovens e Adultos no Ensino Médio: ........................ 33
5.1.3.1 - Objetivos Específicos da Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias ................ 33
5.1.3.2 - Objetivos Específicos da Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias ............... 33
5.1.3.3 - Objetivos Específicos da Área de Matemática e suas Tecnologias ............................... 34
5.1.3.4 - Objetivos Específicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias.................... 35
6. DA IMPLANTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL ....................... 36
6.1 APONTAMENTOS PARA UMA MATRIZ EPISTEMOLÓGICA DE AVALIAÇÃO
EDUCACIONAL .................................................................................................................................. 37
6.1.1 AVALIAÇÃO FORMATIVA COMO PARÂMETRO NA EJA ............................................ 37
7. FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E METODOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E
ADULTOS ................................................................................................................................................. 39
7.1. CONHECIMENTO (O SABER SOCIALIZADO PELA ESCOLA) ............................................. 42
7.2. PERFIL DO ALUNO JOVEM E ADULTO DA EJA .................................................................... 44
7.3 O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM ........................................................................... 45
7.4 O PERFIL DO EDUCADOR DA EJA ............................................................................................ 46

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8. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E O MUNDO DO TRABALHO ................................... 49


8.1 PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS....................................................................................................... 50
8.2. ESTRUTURAÇÃO CURRICULAR .............................................................................................. 51
8.2.1 Eixo Integrador: Educação e Trabalho .................................................................................... 52
8.2.1.1 Sub-Tema 1 - Empregabilidade e Empreendedorismo..................................................... 53
8.2.1.2 Sub-Tema 2 - Sociedade Tecnológica e Trabalho ........................................................... 54
8.2.1.3 Sub-Tema 3 - Diversidades no Mundo do Trabalho ........................................................ 56
9. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS CURSOS ................................................................... 58
9.1 DOS CURSOS PRESENCIAIS ....................................................................................................... 58
9.1.1 Das Condições de Oferta .......................................................................................................... 59
9.1.2 Da Abertura de Turmas ............................................................................................................ 59
9.1.3 Da Estrutura Didática, Carga Horária e Duração: .................................................................... 60
9.1.4 Da Freqüência........................................................................................................................... 64
9.1.5 Da Matrícula ........................................................................................................................... 64
9.1.6 Da Transferência ..................................................................................................................... 65
9.1.7 Da Lotação de Professor na EJA .............................................................................................. 65
9.2 DOS CURSOS SEMIPRESENCIAIS E À DISTÂNCIA................................................................ 66
9.3 DOS EXAMES SUPLETIVOS ....................................................................................................... 66
9.3.1 Exames Especiais ................................................................................................................... 665
9.3.2 Dos Exames Supletivos Regionalizados e Unificados.............................................................. 69
10. DA CLASSIFICAÇÃO E RECLASSIFICAÇÃO ....................................................................... 70
11. DA CIRCULAÇÃO E APROVEITAMENTO DE ESTUDOS................................................... 71
12. DA AVALIAÇÃO E RECUPERAÇÃO ..................................................................................... 73
13. DA CERTIFICAÇÃO.................................................................................................................. 75
14. DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DA EJA ........................................................................... 77
15. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... 80
16. ANEXOS ..................................................................................................................................... 83

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INTRODUÇÃO

A Educação de Jovens e Adultos – EJA é uma modalidade de educação cada


vez mais forte no Acre, por se constituir de suma importância para o desenvolvimento
sócio, econômico, político e cultural do Estado.
Dentro de seu novo conceito, a EJA amplia-se ao integrar "processos
educativos desenvolvidos em múltiplas dimensões como a do conhecimento, das
práticas sociais, do trabalho, do confronto de problemas coletivos e da construção da
cidadania, ultrapassando o âmbito das ações que se desenvolvem na escola
compartilhada com a sociedade”. Dessa forma, age resgatando saberes, aperfeiçoando
potencialidades para formação e qualificação desses jovens e adultos que, por razões
diversas, não concluíram ou sequer tiveram acesso ao ensino na idade própria.
Essa educação buscando uma nova (re) significação do saber deve se
manifestar como uma educação que visa à formação integral do ser, devendo primar por
uma organização curricular flexível, tendo como condição primordial a diagnose da
realidade, a valorização da cultura e sua pluralidade, a igualdade de sexos, o respeito
aos povos da floresta, a preservação do meio ambiente, a democratização do acesso a
saúde, a inclusão dos portadores de necessidades especiais e a disparidade econômica,
como também primar pelo desenvolvimento de habilidades que enriqueçam e
aperfeiçoem suas qualificações técnicas e profissionais, preparando o indivíduo para o
exercício pleno de sua cidadania em uma sociedade fundamentada no conhecimento.
Segundo a Declaração de Hamburgo, a Educação de Jovens e Adultos é um
dos principais meios para se aumentar significativamente a criatividade e a
produtividade, transformando-as numa condição indispensável para enfrentar os
complexos problemas de um mundo caracterizado por rápidas transformações e
crescente complexidade e riscos.
A LDBEN (Lei Nº 9394/96) assegura em seu Artigo 37, parágrafo 1º, a
oferta gratuita de cursos e exames a jovens e adultos que não puderam efetuar seus
estudos na idade própria. Essas ofertas devem ser realizadas, levando em consideração
as características desse alunado, bem como seus interesses, condições de vida e de
trabalho. Portanto, se faz necessário viabilizar políticas públicas que lhes possibilitem o
acesso e a permanência na escola, assegurando-lhes a conclusão do Ensino Fundamental
e Médio, oportunizando a formação continuada dos mesmos.
A EJA, segundo o Parecer 11/2000, é uma categoria organizacional
constante da estrutura da educação nacional, com finalidade e funções especificas,
exigindo, portanto, uma escola de qualidade, onde novos desafios são colocados às
práticas existentes devido à exigência de um maior relacionamento entre os sistemas
formais e não-formais e de inovação, além da criatividade e flexibilidade, objetivando a
criação de uma sociedade instruída e comprometida com a justiça social e o bem-estar
geral.

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Sendo assim, a Secretaria de Estado de Educação propõe a implementação


de uma política para jovens e adultos que assegure a esses indivíduos que foram alijados
do processo e não efetivaram seus estudos em idade própria, o acesso ao saber
sistematizado, promovendo a universalização do atendimento na EJA através de cursos
presenciais, semipresenciais ou à distância em nível de Ensino Fundamental e Médio,
atendendo às necessidades desta parcela da população não escolarizada, além de
garantir sua permanência na escola.
Mais que oferecer oportunidade para esses jovens e adultos concluírem sua
escolarização, é necessário a elaboração de propostas que atendam às especificidades
dessa clientela, sendo imprescindível que a escola garanta a aprendizagem do saber
sistematizado sem, portanto, desconsiderar o saber adquirido nas práticas sociais, na
luta pela sobrevivência. É bom salientar que “o exercício da aprendizagem da
solidariedade emancipadora, o desejo e a luta pela justiça e pelo respeito das pessoas, se
(re) constrói no cotidiano das relações humanas na unidade escolar e fora dela”
(Padilha, 2004:80).
Este documento, como diz Paulo Padilha, apresenta os princípios e as
orientações teórico-práticos para o entendimento e a vivência de um currículo escolar e
de uma educação alegre e aprendente. Cabe a cada unidade escolar, fazer valer os
direitos desta clientela a quem se destina esta proposta, apresentando alternativas
pedagógicas que garantam aprendizagens significativas.
Segundo a Proposta Curricular Nacional para o 2º Segmento do Ensino
Fundamental, determinar a identidade de um curso de EJA pressupõe um olhar
diferenciado para seu público, acolhendo de fato, seus conhecimentos, interesses e
necessidades de aprendizagem. Pressupõe, também, a formulação de proposta flexível e
adaptável às diferentes realidades, contemplando temas como a cultura e sua
diversidade, as relações sociais, as necessidades dos alunos e da comunidade, o meio
ambiente, a cidadania, trabalho e o exercício da autonomia.
Vale ressaltar que um curso para jovens e adultos difere das outras
modalidades, não em sua carga horária reduzida, e sim, em relação à metodologia
adotada em sala de aula. A escola ao elaborar sua proposta pedagógica deve preocupar-
se em como fazer para atender essa clientela. Deve propor atividades que oportunizem
uma ação dialógica, construtiva e transformadora. Nesse sentido, o fazer pedagógico se
transformará em projeto de vida e deixará de ser simplesmente, o projeto da escola.
Para tanto, a escola deve está preparada para eventuais resistências por parte
dos alunos e, junto com os professores, “discutir um novo contrato didático, deixando
claro o que podem e devem esperar dos alunos e o que os alunos podem e devem
esperar deles. Mas isso implica que esses professores “tenham direito de aprender como
ensinar – que tenham acesso a programas de formação continuada e possam ampliar seu
repertório de conhecimentos, para aprimorar sua prática e conseguir proporcionar aos
alunos um ensino de qualidade” (MEC, 2002).

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1. HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO ACRE

A história da Educação de Jovens e Adultos no Acre é formada por um


extenso e diversificado percurso, que foi se constituindo através da adoção de práticas
cada vez mais voltadas para o atendimento das necessidades do cidadão no que se refere
à formação escolar.
Quando o Acre ainda era Território Federal, já se procurava oferecer às
pessoas com idade fora da faixa etária permitida para freqüentar os cursos do sistema
educacional, condições de retomada e continuidade de seus estudos.
Os caminhos trilhados por esta modalidade de ensino revelam uma crescente
busca pela excelência, de modo a possibilitar o acesso de todos à educação, condição
esta assegurada pela própria Constituição brasileira.
O primeiro passo para a efetivação deste direito no Estado foi formalizado
através do Primário Dinâmico, curso equivalente às quatro primeiras séries do ensino
fundamental, com duração de um ano. Os alunos recebiam um fascículo que era
trabalhado no 1º semestre, sendo que, no final desse período, era aplicada uma
avaliação. No 2º semestre, era trabalhado o segundo fascículo e os procedimentos eram
os mesmos do 1º semestre. No final do ano, após a segunda avaliação, os alunos
aprovados poderiam dar continuidade nos cursos intensivos estabelecidos de acordo
com o artigo 91 da Lei Orgânica do Ensino Secundário (Decreto-Lei nº 4.244, de
09/4/42) que, no seu título VII, franqueava certificado de licença ginasial aos maiores
de 16 anos, isto somente depois de freqüentarem o curso intensivo assegurado pelo
artigo 91 e fazer os Exames de Madureza, que constavam de provas escritas e orais. Na
prova oral, os alunos eram submetidos a uma sabatina realizada por uma banca de
professores.
Em 1957, a Lei nº 8531, de 29/10 do referido ano, modifica o artigo 91 da
Lei Orgânica do Ensino Secundário e eleva a idade dos alunos para prestarem exame de
madureza ginasial de 16 para 18 anos, estabelecendo a idade de 20 anos como mínima
para licença colegial.
Após essa definição, a Lei 4024/61, em seu artigo 99, autoriza aos maiores
de 16 anos o direito de fazer os Exames de Madureza para conclusão do curso ginasial,
considerando, inclusive, estudos realizados fora do regime escolar. A referida Lei
assegura, ainda, aos maiores de 19 anos, obtenção de certificado a nível colegial.
Posteriormente, a Lei 5379/67 cria uma fundação denominada Mobral
(Movimento Brasileiro de Alfabetização), cujo objetivo era erradicar o analfabetismo.
Após alguns anos de funcionamento do MOBRAL, sentiu-se a necessidade de
proporcionar aos alunos a continuidade dos estudos, sendo criado para esse fim o PEI

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(Programa de Educação Integrada) com equivalência de conteúdos de 1ª a 4ª série, o


qual era desenvolvido em um ano e sua avaliação era feita durante o processo.
Dando continuidade ao atendimento oferecido aos alunos do PEI, em 1970,
surgiu o Projeto Minerva, cujo objetivo era de garantir o ensino aos concludentes do
programa anterior. Este novo curso tinha equivalência de conteúdos de 5ª à 8ª série. Seu
funcionamento era através do rádio, transmitido pela Rádio Difusora Acreana, em fitas
k7 enviadas pela Fundação Roberto Marinho. Em cada sala de aula havia um rádio
sintonizado na Difusora que, em um horário determinado pela Secretaria de Educação,
transmitia o curso para todos os municípios do Estado. Os conteúdos eram organizados
em 13 (treze) fascículos, sendo o de número 13 uma revisão geral do curso. A avaliação
era bimestral. A Fundação Roberto Marinho elaborava as provas e encaminhava um
modelo de cada disciplina para a coordenação local reproduzir, fazer a distribuição e a
aplicação.
Na década de 80, tem-se o registro do Projeto João da Silva, com
equivalência ao ensino das quatro primeiras séries do ensino fundamental, paralelo ao
PEI. Era oferecido pela SUDHÉVEA (Superintendência de Desenvolvimento da
Borracha) em parceria com a Secretaria Estadual de Educação. O projeto era
transmitido através da emissora de televisão, TV Acre, para todos os municípios
produtores de borracha. Em cada sala de aula, havia um aparelho de televisão
sintonizado no canal da TV Acre, em horário estabelecido pela Secretaria de Educação.
O referido curso tinha duração de um ano letivo, não tinha seriação. A
avaliação final vinha da Fundação Padre Anchieta para a coordenação local, que se
responsabilizava pela aplicação e correção das provas.
Com a extinção da Fundação Educar em 1990, criou-se um enorme vazio em
termos de políticas para a educação de jovens e adultos. Mesmo assim, dos cursos até
então desenvolvidos como projetos, surgiram outros, tais como:
• PEB – Programa de Educação Básica - Curso com equivalência às
quatro primeiras séries, dividido em duas etapas. A 1ª etapa, no 1º semestre, trabalhava
os conteúdos equivalentes à 1ª e 2ª séries; os alunos aprovados teriam que efetuar novas
matrículas para cursarem a 2ª etapa, em que estudavam os conteúdos equivalentes às 3ª
e 4ª séries. Ao final da referida etapa, se obtivessem a nota exigida para aprovação,
recebiam o certificado de conclusão e faziam matrícula no SPG (Supletivo de Primeiro
Grau), para dar continuidade com os estudos de 5ª à 8ª séries;
• SPG – Supletivo de 1º Grau - Curso com equivalência de 5ª a 8ª séries,
era dividido em 3 (três) etapas, com o oferecimento de duas disciplinas em cada uma, e
duração de seis meses, perfazendo uma carga horária total de 1200 (mil e duzentas)
horas. Para ingressar nesse curso, era necessário ter 14 anos completos. A avaliação era
feita bimestralmente. A média de aprovação de uma etapa para outra era de 6 (seis)
pontos, conforme norma estabelecida pela SEE. Ao finalizar a 3ª etapa, e tendo
aprovação em todas as disciplinas, com a média final por disciplina de no mínimo seis,
o aluno recebia o certificado de conclusão para ingressar no 2.º Grau;
• SSG – Supletivo de 2º Grau - Para ingressar no SSG o aluno deveria ter
18 anos completos. O curso tinha uma carga horária total de 1.200 (mil e duzentas)
horas, divididas em 3 (três) etapas, com o número de disciplinas de acordo com suas
cargas horárias. As avaliações eram bimestrais (três bimestres por etapa), e para

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conseguir aprovação de uma etapa para outra e conclusão de curso, a média mínima era
também 6 (seis) pontos.
• Telecurso de 1.º e 2.º Graus - Cursos de 1º Grau (5.ª a 8.ª séries) e
Ensino Médio, respectivamente. Seu funcionamento era organizado através de teleaulas,
transmitidas pela emissora de televisão TV Acre. Utilizava fitas de vídeo VHS,
enviadas à coordenação local da Secretaria de Educação pela Fundação Roberto
Marinho, semanalmente, de onde eram conduzidas para a TV. Nesse curso existiam três
recepções para atendimento:
1ª - Recepção organizada: O aluno fazia sua matrícula na escola, e a
freqüência diária era obrigatória. O curso dividia-se em 3 (três) etapas, compostas pelas
disciplinas de acordo com suas cargas horárias e duração de 6 meses cada uma. A
avaliação ocorria no processo.
2ª - Recepção controlada: O aluno fazia sua matrícula na escola, estudava de
acordo com o seu tempo e só voltava nos dias agendados para fazer as provas, em cada
etapa.
3ª - Recepção livre: Nesse caso, os alunos não faziam matrícula na escola.
Assistiam as teleaulas em qualquer lugar e, quando a SEE oferecia os Exames de
Suplência Geral, esses alunos faziam suas inscrições e se submetiam às provas. Os
aprovados em todas as disciplinas recebiam certificado de conclusão do curso para o
qual haviam sido inscritos, enquanto os que conseguiam aprovação parcial eram
certificados apenas nas disciplinas em que estavam aprovados.
• Projeto Conquista - Correspondia a um Curso de Ensino Fundamental
de 5ª a 8ª séries. Funcionava em 3 (três) etapas de 6 meses cada uma, com as disciplinas
trabalhadas de acordo com suas cargas horárias.
As aulas eram transmitidas via TV Acre, em horário estabelecido pela
Secretaria de Educação. A Fundação Roberto Marinho encaminhava as fitas à
coordenação local na SEE, que se encarregava de enviá-las à TV. Em cada sala de aula
era instalado um aparelho de televisão sintonizado no canal e no horário pré-
estabelecido. Após assistirem a teleaula, professor e alunos davam continuidade à
discussão do conteúdo abordado.
A avaliação era feita durante cada etapa, bimestralmente. Os alunos
aprovados numa etapa, para ingressar na etapa seguinte, teriam que mostrar o
comprovante de aprovação ao fazerem nova matrícula.
• Educação de Jovens e Adultos - Fases I e II - Estes cursos eram
oferecidos em nível de 1ª a 4ª séries e de 5ª a 8ª séries, respectivamente. As grades
curriculares eram vindas do Paraná, em caráter experimental, para serem trabalhadas
apenas na zona urbana de Rio Branco, enquanto na zona rural e demais municípios do
Estado, continuaram sendo ofertados o PEB e SPG.
A Fase I compreendia um Curso com equivalência de 1ª à 4ª séries, dividia-
se em quatro etapas, cada uma com 300 (trezentas) horas, perfazendo um total de 1.200
(mil e duzentas) horas. Cada etapa durava 100 (cem) dias letivos, com 3 (três) horas
diárias. No final de cada etapa, quem obtivesse nota e conhecimentos suficientes para
prosseguir na etapa seguinte, apresentaria o comprovante de aprovação da etapa anterior
e faria nova matrícula. A avaliação era bimestral e mais uma final, por etapa.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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A Fase II compreendia um curso com equivalência de 5ª a 8ª séries. Tinha


uma carga horária total de 1200 horas, dividida em 4 (quatro) períodos. O 1º período,
equivalente à 5ª série, com 300 horas; o 2º período, equivalente à 6ª série, com 300
horas; o 3º período, equivalente à 7ª série, com 300 horas; e 4º período, equivalente à 8ª
série, com 300 horas. A avaliação era feita observando as mesmas orientações da Fase I:
avaliação bimestral e uma prova final, ao término de cada período.
Além dos cursos presenciais, o Departamento de Ensino Supletivo da
Secretaria de Educação oferecia dois cursos semipresenciais, um de formação integral
(1º e 2º Graus) e outro de formação profissional (Magistério).
• Escola Aberta de 1º e 2º Graus - Estes cursos funcionavam no CES
(Centro de Ensino Supletivo), onde existia uma equipe de professores atendia os alunos
que encontravam alguma dificuldade em relação aos conteúdos das disciplinas a serem
estudadas.
Os alunos se inscreviam em um dos cursos, recebiam o módulo inicial,
estudavam de acordo com o tempo disponível e, quando se sentiam preparados, faziam
a avaliação. Se reprovassem, tinham mais duas oportunidades; porém, eram aplicados
testes diferentes. Quando eram aprovados, a nota era lançada na ficha apropriada e
recebiam o livro seguinte. A nota mínima para aprovação era 8 (oito) e as provas já
vinham elaboradas pelo CETEB – Centro Técnico de Brasília.
• Projeto Logos II – Curso de Nível Médio Magistério - Este curso foi
trazido do Centro Técnico de Brasília – CETEB, com a finalidade de atender os
professores leigos em serviço. O professor lotado em sala de aula num turno diferente
ao de seu trabalho estudava e tirava dúvidas no Núcleo com os Orientadores e
Supervisores Docentes (OSD). Por estarem atuando em sala de aula, os professores
tinham o estágio supervisionado na própria sala. A avaliação era aplicada através de
provas vindas do CETEB, em cada módulo, totalizando 203, divididos por disciplina.
Ainda existiam, mensalmente, encontros pedagógicos chamados de micro-ensino. A
nota mínima exigida para aprovação era 8 (oito).
• Logos II de 1º e 2º Graus – Formação Integral - Após o término do
Logos II - Magistério, o CETEB autorizou o Departamento de Ensino Supletivo –
DESU do Acre, que fosse oferecido às pessoas interessadas o direito de fazer o Logos
em nível de 1º e 2º Graus – Formação Integral, também através de módulos. A nota
mínima para aprovação também era 8 (oito) pontos, por módulo. A diferença entre
Curso de Formação Integral e Magistério estava em o primeiro não oferecer as
disciplinas específicas do Magistério, o estágio supervisionado e o micro-ensino
(encontros pedagógicos realizados uma vez por mês), comumente aos sábados.
Para acessar o curso de 2º Grau, o educando deveria ter 21 (vinte e um) anos
e, para o ensino de 1º Grau, 18 (dezoito) anos completos. As provas de cada módulo
vinham prontas do CETEB, juntamente com a chave de correção. Ao esgotar o tempo
do projeto Logos II, em nível de Magistério, verificou-se que na zona rural, ainda, havia
um grande número de professores sem habilitação para o Magistério. Após esse
levantamento, a Secretaria de Educação autorizou ao DESU que oferecesse outro curso
equivalente ao Magistério para atender esses professores. A partir desta orientação foi
feito um planejamento para o referido curso.
• HAPRONT - Curso de habilitação para professores não-titulados da
zona rural. Esse curso funcionava somente nas férias escolares. O professor ministrante

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


17

trabalhava os conteúdos de acordo com a proposta do curso e, como recurso, usava o


material do Logos II - Magistério, além de outros. A avaliação era feita durante o
processo, sendo elaborada pelo professor ministrante.
• PAJA – Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos - O referido
programa teve início em março de 1996 e tinha como meta alfabetizar 10.000 (dez mil)
alunos durante 2 (dois) anos. Era dividido em 4 (quatro) etapas de 192 (cento e noventa
e duas) horas, sendo que cada etapa tinha a duração de 6 meses. As turmas só poderiam
ter 25 (vinte e cinco) alunos. As aulas aconteciam de 2ª a 5ª feira e a 6ª feira destinava-
se a encontros pedagógicos e de planejamento. A avaliação se dava no final de cada
etapa e era classificatória: só avançava para a etapa seguinte quem obtivesse nota e
conhecimento suficiente para tal.
• Exames de Suplência Profissionalizante - Ainda amparado pela Lei
5.692/71, o Departamento de Ensino Supletivo oferecia Exames de Suplência
Profissionalizante como: Auxiliar de Enfermagem, Técnico em Enfermagem, Técnico
em Contabilidade, Transações Imobiliárias, Edificações, Eletrônica, Eletrotécnica e
Telecomunicações, laboratórios Médicos, para pessoas engajadas no mercado de
trabalho que não tinham a devida habilitação.
• TC 2000 - Ensino Fundamental e Ensino Médio - A partir do ano de
1999, algumas mudanças começaram a ser realizadas com o objetivo de ampliar a oferta
da Educação de Jovens e Adultos e garantir maiores oportunidades de escolarização
para jovens e adultos do Estado. A Secretaria de Estado de Educação, em parceria com
o SESI, iniciou um projeto piloto de atendimento em Rio Branco, utilizando a
Metodologia do TC 2000, na qual são previstos livros e aulas associadas em vídeos,
para o desenvolvimento da aprendizagem. Como a experiência teve reflexos positivos,
nos anos seguintes se ampliou os cursos para outros Municípios do Estado,
permanecendo até hoje.
Quando o TC 2000 (Ensino Fundamental) foi implantado, estava estruturado
em 3 (três) etapas, de modo que os alunos cursavam todas as disciplinas em um ano e
meio, totalizando uma carga horária de 740 (setecentas e quarenta) horas. Já o Ensino
Médio era oferecido em 4 (quatro) etapas, com duração de dois anos, e carga horária
total de 932 (novecentas e trinta e duas) horas. Com a parceria, o acompanhamento
pedagógico e a capacitação dos professores passaram a ser realizados pela equipe
técnica do SESI e da SEE. O TC 2000 adotava a avaliação formativa e contínua,
obedecendo ao critério interno de aplicação de, a cada dez teleaulas, uma avaliação para
efeito de registro das disciplinas que estavam sendo estudadas.
• O Período Pós-1999 a 2006 - Os registros relatados sobre os projetos de
Educação de Jovens e Adultos no Acre revelam as inúmeras tentativas de garantir à
população não escolarizada o direito à educação, estabelecido pela Constituição Federal.
No entanto, a ausência de políticas públicas definidas e defendidas para essa parcela da
população contribuiu para o insucesso de muitas ações já realizadas, de modo que a taxa
de analfabetismo no Estado em 2000 correspondia a 24,55 % da população de 15 anos a
mais de 60 anos.
Para reverter essa situação e levando em conta que “a alfabetização tem
também o papel de promover a participação em atividades sociais, econômicas,
políticas e culturais, além de ser requisito básico para a educação continuada durante
toda a vida” (Declaração de Hamburgo, 1997), o Governo do Estado implantou no ano
de 2000, em parceria com mais de cem organizações da sociedade civil, o Movimento
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
18

de Alfabetização de Jovens e Adultos – MOVA, cujo formato era similar a outros


MOVA já em curso no país, atendendo jovens e adultos das áreas urbana e rural,
extrativista e indígena, com duração que variava de 6 (seis) a 8 (oito) meses.
O MOVA Acre fundamentou suas ações nas experiências positivas
desenvolvidas por entidades do setor público e privado, governamentais e não
governamentais no campo da educação, tendo como educador um professor escolhido
pela própria comunidade, o qual conhecia os alunos e desenvolvia o trabalho levando
em conta a realidade dos mesmos. Para atuar no MOVA o professor era submetido a um
processo de capacitação de 16 (dezesseis) horas durante seis dias, além de participar de
encontros pedagógicos mensais.
O sucesso do programa, que promoveu a inclusão de cerca de 40 mil pessoas
em apenas dois anos de funcionamento, impulsionado pelo Plano Nacional de Educação
que estabeleceu em 2001 como meta o desenvolvimento de programas visando a
alfabetizar 10 milhões de jovens e adultos, em cinco anos e, até o final da década,
erradicar o analfabetismo, firmou ainda mais o compromisso do governo estadual no
estabelecimento de uma política de combate ao analfabetismo, na intensificação do
atendimento e na criação de um novo formato de curso que valorizasse aspectos da
cultura regional, assegurando o direito à cidadania para os acreanos que não tiveram
acesso a informações básicas oferecidas pela linguagem escrita.
Para tanto, foi criado o Programa ALFA 100, com carga horária semanal de
10 (dez) horas semanais, totalizando 240 (duzentas e quarenta) horas em todo o curso
que passou a ser desenvolvido em seis meses. O material pedagógico utilizado foi
produzido por profissionais da Secretaria de Educação - “Caderno da Florestania” para
os alunos, e “Caderno com Orientações Pedagógicas” para os professores - baseados em
educação popular e fundamentados na pedagogia da libertação idealizada por Paulo
Freire, segundo a qual o cidadão constrói a leitura e a escrita, a partir da sua própria
realidade.
A implementação do programa ALFA 100 possibilitou o estabelecimento de
parcerias com o Governo Federal, as empresas TIM, Pirelli e Banco do Brasil com o
objetivo de garantir à população assistida melhor atendimento e acompanhamento às
atividades desenvolvidas. O acompanhamento do trabalho desenvolvido pelos
professores é realizado por Monitores de Campo através de visitas pedagógicas e pela
equipe técnica do ALFA 100 que orienta, planeja e capacita os professores durante todo
o curso. Segundo a proposta pedagógica do programa a avaliação dos alfabetizandos é
realizado no decorrer do curso, sendo considerado alfabetizado o aluno que, ao final,
venha a escrever um bilhete aplicado pelos Monitores. Desde sua implantação até 2006,
já foram alfabetizados em todo o Estado 66.817 jovens e adultos.
Paralelo às ações de alfabetização e com a crescente demanda para o Ensino
Fundamental da EJA – 1º Segmento, em 2003, foi proposta a reestruturação curricular
para o referido segmento. Essa nova proposta foi elaborada tendo em vista a
importância de se articular os conteúdos estudados com as necessidades dos jovens e
adultos, de assegurar aos egressos do programa de alfabetização a continuidade dos
estudos, bem como a inclusão de todos que foram alijados do sistema em idade regular
e que deixaram de concluir o ensino de 1.ª a 4.ª séries. A carga horária do curso passou
para 600 (seiscentas) horas, conforme Resolução n.º 10/99-CEE, com duração de 10
meses ou 200 (duzentos) dias letivos.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


19

Nesse novo formato, a avaliação passou a ser formativa e cumulativa e os


alunos que não desenvolviam as competências necessárias para cursar o 2º Segmento
ficavam retidos no processo para que, no ano seguinte, dessem continuidade nos
estudos.
Completado o ciclo de
aprendizagem os alunos retidos eram ACRE/SEE - EVOLUÇÃO DA
MATRÍCULA NOS PROGRAMAS
submetidos aos Exames Especiais através MOVA E ALFA 100
do CEJA e encaminhados para
MATRÍCULA
matrícula no 2º Segmento do Ensino ANO
INICIAL FINAL
Fundamental.
2000 18.704 6.103
Outro dado a ser considerado 2001 16.271 6.674
na evolução da história da EJA no Acre 2002 18.176 10.898
2003 18.306 11.093
foi a instituição da Gerência Pedagógica
2004 24.467 11.478
de Educação de Jovens e Adultos pela
2005 21.563 11.515
SEE no ano de 2003 e a constituição de 2006 16.124 9.056
uma equipe técnica multidisciplinar em Fonte: Coordenação do Alfa 100.
2004. Com a implantação dessa Gerência,
a EJA passa a se estabelecer enquanto
modalidade de ensino e a se firmar
enquanto política pública no Estado, EJA/ ACRE -EVOLUÇÃO DO QUADRO DE
PROFESSORES POR FORMAÇÃO - 2001 E 2006
visando garantir um ensino de qualidade.
Dentre as atividades
desenvolvidas pela equipe destacam-se: a 699
700 656
reestruturação do TC 2000 em 2005 600
2001
através da ampliação da carga horária do 500

Ensino Fundamental para 900 400


316

(novecentas) horas e do Ensino Médio 300 260 2006 173


200 148
para 1.200 (mil e duzentas horas; a 100 36 49 44
27 19 6
inclusão das disciplinas Educação Física, 0
1 5

Ensino Religioso, Filosofia e Sociologia


nos cursos da EJA; realização de Curso de EF MAGOUTRA LICENCIATURA
Formação Continuada para Professores e FORMAÇÃO
Coordenadores da EJA em todo o Estado;
ampliação da oferta em escolas e espaços
alternativos localizados na zona rural;
incentivo ao trabalho com projetos culminando com a instituição do “Prêmio EJA:
Desafios de um Educador”; contratação de professores licenciados; elaboração da
Proposta Pedagógica e de Referenciais Curriculares para EJA – Ensino Fundamental e
Médio; criação do Fórum Estadual da Educação de Jovens e Adultos; assessoramento
pedagógico aos coordenadores das escolas e dos Núcleos; intensificação da sistemática
de acompanhamento às escolas da EJA em todo o Estado; fortalecimento das ações de
parcerias com as equipes dos Núcleos; capacitação da equipe técnica da GPEJA para a
elaboração de itens; aquisição de livros didáticos e equipamentos para as escolas;
aquisição de kits para os alunos e kits para os professores da EJA de todo o Estado;
atendimento aos jovens internos das Casas de Medidas Sócio-Educativas e sistema
penitenciário, além da realização anual de Exames Supletivos Regionalizados e
Unificados.
Embora a política de atendimento ao público da Educação de Jovens e
Adultos tenha sido fortalecida nos últimos anos, dados do IBGE/PNAD de 2003
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
20

indicavam uma população de 71.473 jovens e adultos de 15 anos ou mais de idade com
menos de quatro anos de estudo no Acre. Considerando que de 2004 a 2006 foram
matriculados no 1º Segmento da EJA em todo o Estado um total de 38.245 alunos e que
no mesmo período o total de egressos do Programa Alfa 100 é de 32.049, conclui-se que
cerca de 65.277 jovens e adultos ainda continuam fora da escola e com baixa
escolarização. Tais dados confirmam a necessidade de se estabelecer parcerias com os
governos municipais, instituições privadas, organizações não-governamentais e toda a
sociedade civil, no sentido de que sejam definidas metas e estratégias para ampliar o
direito à educação a toda a população jovem e adulta do Acre, com garantia de acesso,
permanência e sucesso, esteja ela localizada em áreas rurais ou em áreas urbanas.
Contudo, para que a Educação de Jovens e Adultos continue avançando com
qualidade no ensino e cumprindo com responsabilidade o seu papel de inclusão social,
terá que continuar vencendo desafios como: garantir professores licenciados para turmas
rurais localizadas em áreas mais isoladas, bem como o transporte de alunos; reduzir os
índices de evasão nas turmas da EJA; implementar a proposta pedagógica da EJA em
todo o Estado; articular parcerias com instituições que atuam no campo da educação
profissional visando assegurar o ingresso de alunos da EJA em cursos técnicos e/ou de
formação inicial e continuada; mobilizar a população não escolarizada para matrícula
nos cursos da EJA; produzir material didático para as oficinas de Formação para o
Mundo do Trabalho; intensificar as visitas de acompanhamento/monitoramento às
escolas que ofertam a EJA; prestar assessoramento pedagógico aos professores que
lecionam em turmas da zona rural “in loco”; fortalecer o trabalho na EJA através do
desenvolvimento de projetos, promovendo a capacitação dos professores para sua
elaboração; articular parcerias com instituições de ensino superior para o oferecimento
de cursos de especialização na área de Educação de Jovens e Adultos no formato
presencial ou à distância; desacelerar o processo de matrícula nos Exames Supletivos
Regionalizados e Unificados através da oferta de cursos da EJA na modalidade à
distância ou semipresencial, possibilitando o acesso ao conhecimento e não somente à
certificação.
Os avanços conquistados no decorrer do período de 1999 a 2006 reforçam
a convicção de que “não há sociedades que tenham resolvido seus problemas, sem
equacionar devidamente os problemas de educação e não há países que tenham
encontrado soluções de seus problemas educacionais sem equacionar devida e
simultaneamente a educação de adultos e da alfabetização” (Moacir Gadotti).

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


21

2. AMPARO LEGAL DA EJA

A educação de adultos torna-se mais que um direito: é a chave para


o século XXI; é tanto conseqüência do exercício da cidadania como
condição para uma plena participação na sociedade. Além do mais, é
um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico
sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos,
do desenvolvimento socioeconômico e científico, além de um
requisito fundamental para a construção de um mundo onde a
violência cede lugar ao diálogo e à cultura de paz baseada na
justiça. (Declaração de Hamburgo sobre a EJA).

Toda legislação possui atrás de si uma história do ponto de vista social. As


disposições legais não constituem, apenas, um exercício dos legisladores. Estes, junto
com o caráter próprio da representatividade parlamentar, expressam a multiplicidade
das forças sociais. A aplicabilidade das leis, por sua vez, depende do respeito, da adesão
e da cobrança aos preceitos estabelecidos e, quando for o caso, dos recursos necessários
para uma efetivação concreta. É evidente que aqui não se pretende um tratado específico
e completo sobre as bases legais que se referiram à EJA. O que se pretende é oferecer
alguns elementos históricos para relembrar alguns ordenamentos legais anteriores, e
possibilitar o apontamento de temas e problemas que sempre estiveram na base das
práticas e projetos concernentes à EJA e de suas diferentes formulações no Brasil.
(Parecer CNE/CEB nº 11/2000).
A Constituição Federal do Brasil incorporou como princípio que toda e
qualquer educação visa o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (CF, art. 205). Retomado pelo
art. 2º da LDB, este princípio abriga o conjunto das pessoas e dos educandos como um
universo de referência sem limitações. Assim, a Educação de Jovens e Adultos,
modalidade estratégica do esforço da Nação em prol de uma igualdade de acesso à
educação como bem social, participa deste princípio e, sob esta luz, deve ser
considerada.
As políticas defendidas pela Secretaria de Estado de Educação do Acre têm
como suporte os seguintes documentos nacionais: Constituição Federal de 1988, Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96, Resolução 26/2007 do CEE/AC,
Pareceres nº 05/97, 12/97 e 11/2000 do Conselho Nacional de Educação, Decreto
Legislativo nº 40 de 1967 do Congresso Nacional e promulgada pela Presidência da
República mediante o Decreto nº 63.223 de 1968. Plano Nacional de Educação – PNE,
Lei nº 10.172/01.
O MEC considera os seguintes documentos internacionais: a Declaração de
Jomtien (1999, Tailândia), a Conferência Internacional sobre População e

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


22

Desenvolvimento (Cairo, 1994), a Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social, a


Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos – CONFITEA V (1997,
Alemanha), as Declarações de Nova Deli e Amann sobre educação para todos (1993 e
1996, respectivamente), bem como as recomendações das Conferências Gerais da
UNESCO, servindo de base para o fortalecimento desta modalidade de ensino.
A Constituição de 1988 em seus artigos 208 a 212 regulamenta o direito dos
cidadãos à Educação Básica, pública e gratuita, bem como da responsabilidade do poder
público para com a educação dos jovens e adultos. Para tanto, a lei nº 9394/96 –
LDBEN estabelece duas possibilidades de atendimento, específicas para essa parcela da
população:
• Pela educação escolar em cursos presenciais (art. 4, VII e art. 37);
• Por meio de exames supletivos (art. 38), cabendo aos sistemas de
ensino a regulamentação da oferta.
O Sistema Estadual de Ensino do Estado do Acre normatiza a EJA através da
Resolução nº 26/2007 do Conselho Estadual de Educação, a qual estabelece que a oferta
desta modalidade no Ensino Fundamental e Médio, deve ser oferecida sob a forma de
ensino presencial ou à distância, estipula a idade mínima para ingresso no Ensino
Fundamental de 15 (quinze) anos, e 18 (dezoito) anos para o Ensino Médio (art. 10). De
acordo com a mesma Resolução os cursos têm estrutura própria, são ministrados por
estabelecimentos de ensino devidamente credenciados, com avaliação da aprendizagem
durante o processo educacional.
Com referência aos exames supletivos destinados a jovens e adultos, a
LDBEN – Art. 38, dispõe que estes compreenderão a base comum do currículo, fixando
a idade mínima de 15 (quinze) anos para a prestação de exames do Ensino Fundamental,
e de 18 (dezoito) anos para o Ensino Médio, com orientação administrativa e técnica
sob o controle da SEE, e com autorização prévia do CEE (Resolução CEE nº 26/2007,
art. 16).
O Conselho Nacional de Educação, mediante homologação do Ministério de
Educação, aprovou as Diretrizes Curriculares Nacionais para EJA – Parecer CNE/CEB
nº 11/2000, estabelecendo funções (reparadora, equalizadora e qualificadora), impondo
limites de idades, distinguindo a educação de jovens e adultos da aceleração de estudos
que visa à regularização do fluxo escolar de adolescentes, assinalando a necessidade de
contextualização do currículo e das metodologias, e a correspondente formação
específica dos educadores, enfatizando os princípios da proporção, eqüidade e
diferença.
Tendo em vista a abrangência desses desafios, a Secretaria de Estado de
Educação – SEE tem a preocupação de implantar cursos voltados para realidade do
jovem e do adulto, explicitando a vontade política de desenvolver atividades que
possam agir efetivamente contra o analfabetismo funcional e garantir a continuidade dos
estudos.
O desafio está em educar ética e cientificamente para a cidadania e manter
viva a participação da sociedade civil, das organizações no debate com o governo e
demais esferas da vida pública, para continuar organizando lutas que expressem as
necessidades sociais, políticas e culturais da população, como vem acontecendo desde
1999 nos Encontros Nacionais de Educação de Jovens e Adultos e, após 2004, no
Fórum Estadual de EJA no Acre. Os espaços conquistados vêm contribuindo, e muito,

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


23

para a discussão e o fortalecimento de ações relacionadas à Educação de Jovens e


Adultos.

LEGISLAÇÃO

Constituição Federal de 1988 – Estabelece que “a educação é direito de todos e dever


do Estado e da família...” e ainda, que o ensino fundamental é obrigatório e gratuito,
inclusive sua oferta garantida para todos os que a ele não tiveram acesso na idade
própria.
Parecer 05/97 do Conselho Nacional de Educação – Aborda a questão da
denominação “Educação de Jovens e Adultos” e “Ensino Supletivo”, define os limites
de idade fixados para que jovens e adultos se submetam a exames supletivos, define as
competências dos sistemas de ensino e explicita as possibilidades de certificação.
Parecer 12/97 do Conselho Nacional de Educação – Elucida dúvidas sobre cursos,
exames supletivos e dá outras providências.
Parecer 11/2000 do Conselho Nacional de Educação – Faz referência às Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos.
Resolução 01/2000 do Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação
Básica – Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e
Adultos.
Plano Nacional de Educação - Lei nº 10.172/01 - Aborda todos os níveis da educação
básica em suas modalidades especiais, do campo e de jovens e adultos, com diretrizes e
metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial de Educação
para Todos.
Resolução 26/2007 do Conselho Estadual de Educação do Acre – Fixa normas para a
Educação de Jovens e Adultos – EJA nos sistemas de Ensino Estadual e Municipais do
Estado do Acre, de conformidade com a legislação educacional vigente.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


24

3. MAPEAMENTO DAS UNIDADES DE ENSINO PARA ATENDIMENTO À


DEMANDA

A política da SEE para atendimento à demanda da Educação de Jovens e


Adultos tem sido fortalecida através da ampliação da oferta de cursos e dos
investimentos realizados nos últimos anos, conforme demonstra o gráfico abaixo. No
entanto, o mesmo gráfico apresenta um dado preocupante: houve uma desaceleração a
partir de 2002 dos alunos egressos dos programas de alfabetização na matrícula para o
1º Segmento, o que requer maior atenção e estratégias de sensibilização para o processo
de continuidade ser efetivado em sua plenitude.
Por outro lado, a demanda do 2º
Segmento do Ensino Fundamental e Ensino EJA/ACRE - EVOLUÇÃO DA MATRÍCULA POR NÍVEL DE
ATENDIMENTO - 1999 A 2006

Médio, embora em queda, se mantém ainda 18000

elevada e, comparando com as informações 16000


14000

do gráfico que demonstra a evolução de 12000


10000
1º Segmento
2º Segmento
alunos concluintes, percebe-se que há certa 8000
6000
Ensino Médio

estabilidade, ou seja, quem ingressou até 4000


2000
2004 tem se mantido no processo até a 0
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
conclusão do curso. No entanto, com um
contingente populacional elevado ainda fora
da escola, ações de intervenção precisam ser ACRE - EVOLUÇÃO DE ALUNOS CONCLUINTES NA EJA
PERÍODO DE 1999 A 2006
desenvolvidas no sentido de mobilizar a
população não escolarizada a ingressar nos 8000

7000 2272
cursos da EJA e, portanto, concluir o ciclo de 6000
2805

867 1604 2009


formação referente à educação básica. 5000

4000
2889
709 2608
1454
2982

2372
Ensino Médio

2º Segmento
2451
O atendimento às comunidades 3000
1954
1937
1º Segmento
2000 1969
rurais de difícil acesso requer também ações 1000
1556
1308 1323 1322
1595 1539

especiais, acompanhamento pedagógico 0

1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005


sistemático e currículo adequado às suas
especificidades, visto que não há professores

devidamente qualificados nas localidades onde há demanda comprovada, sendo


necessário o remanejamento de profissionais para suprir as necessidades. No entanto o
potencial da demanda rural é significativo. Dados do Censo 2006 registram que dos
16.103 alunos matriculados no Ensino Fundamental EJA, 4.469 residiam em áreas
rurais. Já no Ensino Médio, de um total de 12.383 matrículas no ano de 2006, 5.994
alunos residiam em áreas rurais, o que correspondeu a 48,40% da matrícula. No
entanto, comparando com anos anteriores, a abertura de turmas em escolas rurais
reduziu em 2006 cerca de 11% em relação ao ano anterior.
No que diz respeito à demanda existente no sistema prisional a EJA se faz
presente desde 1999, quando iniciou atendimento em turmas de alfabetização tendo
intensificado as ações a partir de 2005. Em todo o Estado apenas 9,1% da população
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
25

carcerária é atendida. Esse trabalho objetiva oferecer ao reeducando assistência


educacional preparando-o para, além da elevação da escolaridade, a vida em sociedade,
a elevação da auto-estima (valores, atitudes, sentimentos) e a preparação para o mundo
do trabalho.

MUNICÍPIO POP.CARCERÁRIA % QUE ESTUDA


• Rio Branco 1.939 5,1
• Tarauacá 120 39,2
• Sena Madureira 250 20,8
• Cruzeiro do Sul 350 12,9
TOTAL GERAL 2.659 9,1

Fonte: IAPEN – Set. 2007

Contudo, para ampliar a oferta da EJA no sistema penitenciário necessário se


faz buscar parcerias e financiamentos que permitam a construção de salas de aulas,
investimentos na aquisição de equipamentos, mobiliários e contratação de professores
devidamente qualificados, bem como que seja feita adequação do currículo da EJA às
especificidades de seu público, redefinindo tempo e espaços de aprendizagem.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


26

4. DAS FINALIDADES E PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E


ADULTOS

A Educação de Jovens e Adultos – EJA no Acre deve ser compreendida não


somente como uma modalidade de ensino da educação básica, mas, sobretudo como um
processo pedagógico diferente que possibilite a criação de situações de ensino-
aprendizagem adequadas às necessidades educacionais e às relações que se dão entre
seus sujeitos, os quais possuem identidades, histórias e trajetórias de vida específica que
devem ser consideradas como ponto de partida nos processos sociais e educativos em
que estejam inseridos.
Isso implica dizer que a EJA está comprometida com a formação humana,
tomando como referência a pluralidade dos sujeitos que dela fazem parte, os quais
foram excluídos do processo educacional e privados do acesso aos bens culturais de
nossa sociedade. Esse contingente populacional hoje se constitui de: jovens e adultos
trabalhadores e não trabalhadores; pais, mães e filhos; populações urbanas, de periferias
e rurais; jovens cumpridores de medidas sócio-educativas; jovens e adultos privados de
liberdade, além de outros com necessidades especiais.
Esta ampla diversidade dos sujeitos aos quais se destina fazem da EJA uma
modalidade de ensino que tem por finalidades:
• O uso das várias linguagens como instrumentos de comunicação e como
processos de constituição de conhecimento e de exercício da cidadania. (PCN);
• A formação do sujeito enquanto pessoa humana, solidária, criativa, ética
e produtiva para a vida em sociedade e a intervenção consciente na sua realidade;
• O desenvolvimento da aprendizagem significativa, da autonomia
intelectual e do pensamento crítico;
• O domínio de competências e habilidades necessárias à sua inserção no
mundo do trabalho;
• O respeito à diversidade mediante e adoção de uma pedagogia que se
fundamente na justiça, na igualdade e na solidariedade.
Sendo assim, para que a Educação de Jovens e Adultos cumpra tais
finalidades, as experiências, histórias e conceitos construídos pelos jovens e adultos ao
longo da vida serão integrados à ação didático-pedagógica e aos conteúdos curriculares,
por se constituírem elementos culturais importantes para a realização da pessoa em sua
totalidade. Além disso, todas as ações devem estar fundamentadas nos princípios da
equidade, diferença e proporcionalidade, expressos na Resolução nº 26/2006 e
detalhados como:

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27

• Educação básica é direito fundamental de todos.


• A abordagem de conhecimentos básicos, possibilitando o acesso aos bens
socioculturais acumulados pela humanidade, é indispensável à formação do cidadão.
• Respeito aos jovens e adultos como sujeitos de direito na sociedade.
• Acesso às tecnologias da comunicação e informação para melhoria e
dinamização do processo educacional.
• Articulação do currículo da EJA com a educação profissional.

Todo conhecimento mantém um diálogo permanente com outros
conhecimentos – interdisciplinaridade.
• Dialogicidade e politicidade são indissociáveis do ato educativo.
• Ensino qualificado com responsabilidade social, orientado para a
formação de cidadãos democráticos e participativos.
• Respeito às necessidades de aprendizagem e à diversidade cultural
• Inserção de processos pedagógicos diferenciados e adequados aos jovens
e adultos.
•Igualdade de oportunidades para todos, que possibilite oferecer aos
indivíduos novas inserções no mundo do trabalho e na vida social;
• Respeito e valorização aos conhecimentos e experiências construídas ao
longo da vida pelos jovens e adultos.
• Formação e qualificação continuada para os professores;
• Mobilização e parceria da comunidade nas ações desenvolvidas pela
escola;
• Inclusão e valorização da cultura da paz.

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28

5. DOS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO ACRE

Um dos objetivos da EJA, desde a Constituição de 1988, é “assegurar o


direito à educação escolar a jovens e adultos que, pelas razões mais diversas, não
tiveram a oportunidade de freqüentar ou de concluir a educação básica”.
Nesse sentido, ao definir objetivos para a EJA no Acre é importante destacar
que os desafios vão além da ampliação da oferta de vagas ou de reformulação
curricular. Trata-se, portanto, da ruptura de conceitos, valores, preconceitos e atitudes
que se materializam ainda em algumas escolas através da ausência da equipe gestora
nos turnos em que a EJA funciona, no tratamento diferenciado para a distribuição de
material para os professores, na indiferença frente aos elevados índices de evasão nas
turmas do ensino fundamental e médio, além de outros aspectos não evidenciados.
Portanto, para garantir que esse direito seja assegurado através da oferta de
cursos e de ensino com qualidade, a SEE orienta que as práticas administrativas e
pedagógicas estejam voltadas para a formação do sujeito cidadão, uma vez que
Educação de Jovens e Adultos, enquanto política pública se propõe a:
• Desenvolver a autonomia, o respeito à diversidade e o senso de
responsabilidade, atendendo às dimensões do desenvolvimento, da auto-realização, da
inclusão social, da inserção no mundo do trabalho e do exercício da cidadania, de modo
que o aluno da EJA venha a se constituir como sujeito ativo no desenvolvimento sócio,
econômico, político e cultural do Estado.
• Desenvolver o potencial criativo e crítico do aluno e do professor por
meio de uma prática pedagógica problematizadora e do uso de estratégias
metodológicas diferenciadas para a aprendizagem dos conteúdos;
• Desenvolver as competências necessárias para a aprendizagem dos
conteúdos escolares, bem como a possibilidade de aumentar a consciência em relação
ao estar no mundo, ampliando a capacidade de participação social, no exercício da
cidadania (Diretrizes Curriculares Nacionais);
• Garantir uma aprendizagem significativa a partir dos conhecimentos
prévios, experiências de vida dos alunos e da interação entre os sujeitos;
• Assegurar a formação adequada, a partir da ação didático-pedagógica,
aos profissionais envolvidos no processo ensino-aprendizagem;
• Articular a educação de jovens e adultos ao mundo do trabalho e às
cadeias produtivas regionais, possibilitando a construção do conhecimento a respeito do
trabalho e de sua própria identidade como cidadão brasileiro trabalhador, percebendo-se
como sujeito de sua própria história;
• Mobilizar a sociedade civil, governos municipais, instituições privadas,
organizações governamentais e não-governamentais para a abertura de turmas em

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espaços e horários que permitam a participação da classe trabalhadora nos cursos do


ensino fundamental ou médio;
• Estabelecer parcerias com instituições que atuam no campo da educação
profissional para oferta de cursos de formação inicial ou continuada (FIC) ou cursos
técnicos aos alunos matriculados na EJA.

5.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO


ENSINO FUNDAMENTAL (EJA I E 2º. SEGMENTO)

• Garantir a jovens e adultos o domínio e a vivência das habilidades da leitura e


escrita, dos conhecimentos matemáticos e sociais, através da compreensão,
participação e construção coletiva;
• Propiciar a aquisição de conteúdos básicos que possibilitem ao jovem e ao
adulto a busca e o acesso a outras modalidades de conhecimentos, que
favoreçam sua inserção qualitativa no mercado de trabalho, suas relações
interpessoais e o exercício pleno da cidadania;
• Promover o desenvolvimento do jovem e do adulto dentro de suas características
individuais nas dimensões: pessoal, intelectual, física e sócio-afetiva;
• Estimular o exercício da autonomia pessoal, consciência ecológica e do respeito
mútuo, dentro dos mais diversificados contextos existentes na sociedade;
• Promover a auto-estima através da compreensão das características singulares e
intrínsecas a todo ser humano, levando o aluno a conscientizar-se da sua
importância enquanto agente transformador de sua própria realidade e do mundo
em que vive; Ampliar a compreensão e a valorização da vida em todas as suas
manifestações;

5.1.1 - Objetivos Específicos do Curso EJA I – Ensino Fundamental

5.1.1.1 - Objetivos Específicos da Área de Linguagens

• Fazer uso das diferentes tecnologias de comunicação em diferentes situações do


cotidiano escolar, profissional e em todas as situações significativas da vida.
• Refletir acerca das diferentes situações de linguagens no processo de
comunicação, percebendo-se como sujeito agente desse processo.
• Perceber na arte uma forma de conhecimento cultural e estético capaz de
propiciar significação e integração na organização mundial e identitária.
• Analisar criticamente os diferentes discursos existentes na sociedade,
compreendendo-os como.
• Reconhecer a importância das diferentes linguagens (verbal, artística, corporal,
etc.) para a atuação do sujeito na construção de sua própria identidade.

5.1.1.2 - Objetivos Específicos da Área de Noções Lógico-Matemáticas

• Valorizar a Matemática como instrumento para interpretar informações sobre o


mundo, reconhecendo sua importância em nossa cultura.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


30

• Apreciar o caráter de jogo da Matemática, reconhecendo-o como estímulo à


resolução de problemas.
• Reconhecer sua própria capacidade de raciocínio matemático, desenvolver o
interesse e o respeito pelos conhecimentos desenvolvidos pelos companheiros.
• Comunicar-se matematicamente.

5.1.1.3 - Objetivos Específicos da Área de Estudos da Sociedade e da Natureza

• Problematizar fatos observados cotidianamente, interessando-se pela busca de


explicações e pela ampliação de sua visão de mundo.
• Reconhecer e valorizar seu próprio saber sobre o meio natural e social,
interessando-se por enriquecê-lo e compartilhá-lo.
• Interessar-se pelas ciências e pelas artes como formas de conhecimento,
interpretação e expressão dos homens sobre si mesmos e sobre o mundo que os
cerca.
• Conhecer aspectos básicos da organização política do Brasil, os direitos e
deveres do cidadão, identificando formas de consolidar e aprofundar a
democracia no país. Interessar-se pelo debate de idéias e pela fundamentação de
seus argumentos.
• Reconhecer o caráter dinâmico da cultura, valorizar o patrimônio cultural de
diferentes grupos sociais, reconhecer e respeitar a diversidade étnica e cultural
da sociedade brasileira.
• Compreender as relações que os homens estabelecem com os demais elementos
da natureza e desenvolver atitudes positivas com relação à preservação do meio
ambiente, analisando aspectos da Geografia do Brasil.
• Compreender as relações que os homens estabelecem entre si no âmbito da
atividade produtiva e o valor da tecnologia como meio de satisfazer
necessidades humanas, analisando aspectos das Ciências Naturais, da Geografia
e da História do Brasil.
• Questionar sua realidade, identificando alguns de seus problemas e refletindo
sobre algumas de suas possíveis soluções, reconhecendo formas de atuação
política institucionais e organizações coletivas da sociedade civil.
• Conhecer e saber utilizar procedimentos de pesquisa da Geografia para
compreender o espaço, a paisagem, o território e o lugar, seus processos de
construção, identificando suas relações, problemas e contradições.
• Valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a sociodiversidade,
reconhecendo-a como um direito dos povos e indivíduos e um elemento de
fortalecimento da democracia.
• Confrontar as suposições individuais e coletivas com as informações obtidas,
respeitando as diferentes opiniões, e reelaborando suas idéias diante das
evidências apresentadas.

5.1.2 - Objetivos Específicos do Curso Ensino Fundamental (2º Segmento):

5.1.2.1 - Objetivos Específicos da Área de Linguagens

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


31

• Proporcionar aos alunos a construção de uma consciência crítica acerca dos


diversos usos das linguagens, compreendendo-as como elementos capazes de
integrar as diversas modalidades de comunicação, levando em consideração os
seus conhecimentos sobre língua materna para organizar experiências e explicar
a realidade.
• Perceber na arte e na cultura corporal meios de estruturação dos diversos
contextos históricos, de modo a conhecer e respeitar as diversidades de padrões
existentes nos diversos grupos socioculturais.
• Reconhecer e valorizar os diferentes usos da língua portuguesa, bem como a
linguagem do grupo social do qual faz parte, utilizando os diversos
conhecimentos adquiridos através de análise de situações lingüísticas, buscando,
dessa forma, uma melhor capacidade de análise crítica.
• Analisar de forma crítica o próprio discurso e os demais existentes, buscando a
valorização de sua própria identidade e uma melhor capacidade de avaliação de
diversas formas textuais.

5.1.2.2 - Objetivos Específicos da Área de Noções Lógico--Matemáticas

• Compreender a matemática como construção humana, relacionando o seu


desenvolvimento com a construção da sociedade.
• Ampliar formas de raciocínio e processos mentais por meio de indução,
dedução, analogia e estimativa, utilizando conceitos e procedimentos
matemáticos.
• Utilizar o conhecimento geométrico para realizar a leitura e a representação da
realidade, e agir sobre ela.
• Construir e ampliar noções de grandezas e medidas para a compreensão da
realidade e a solução de problemas do cotidiano.
• Construir e ampliar noções de variação de grandeza para a compreensão da
realidade e a solução de problemas do cotidiano.
• Interpretar informações de natureza científica e social obtidas de leitura de
gráficos e tabelas, realizando previsão de tendência, extrapolação, interpolação e
interpretação.
• Compreender conceitos, estratégias e situações matemáticas numéricas para
aplicá-los a situações diversas no contexto das ciências, da tecnologia e da
atividade cotidiana.
• Comunicar-se matematicamente, ou seja, descrever, representar e apresentar
resultados com precisão e argumentar sobre suas conjecturas, fazendo uso da
linguagem oral e estabelecendo relação entre ela a diferentes representações
matemáticas.
• Sentir-se seguro da própria capacidade de construir conhecimentos matemáticos,
desenvolvendo a auto-estima e a perseverança na busca de soluções.
• Interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente na
busca de soluções para problemas propostos, identificando aspectos consensuais
ou não na discussão de um assunto, respeitando o modo de pensar dos colegas e
aprendendo com eles.
• Utilizar os diferentes significados e representações dos números naturais,
inteiros, racionais e das operações envolvendo esses números, para resolver

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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problemas, em contextos sociais, matemáticos ou de outras áreas do


conhecimento.
• Ampliar e construir novos significados para os números naturais, inteiros e
racionais, a partir de sua utilização no contexto social e da análise de alguns
problemas históricos que motivaram sua construção.
• Identificar, interpretar e utilizar diferentes representações dos números naturais,
racionais e inteiros, indicadas por diferentes notações, vinculando-as aos
diferentes contextos matemáticos e não matemáticos.

5.1.2.3 - Objetivos Específicos da Área de Ciências Naturais

• Compreender a ciência como atividade humana, histórica, associada a aspectos


de ordem social, econômica, política e cultural.
• Compreender conhecimentos científicos e tecnológicos como meios para suprir
necessidades humanas, identificando riscos e benefícios de suas aplicações.
• Compreender a natureza como um sistema dinâmico e o ser humano, em
sociedade, como um de seus agentes de transformações.
• Compreender a saúde como bem pessoal e ambiental que deve ser promovido
por meio de diferentes agentes, de forma individual e coletiva.
• Compreender o próprio corpo e a sexualidade como elementos de realização
humana, valorizando e desenvolvendo a formação de hábitos de auto-cuidado,
de auto-estima e de respeito ao outro.
• Aplicar conhecimentos e tecnologias associadas às ciências naturais em
diferentes contextos relevantes para a vida.
• Diagnosticar problemas, formular questões e propor soluções a partir de
conhecimentos das ciências naturais em diferentes contextos.
• Formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais a partir
de elementos das Ciências Naturais, colocando em prática conceitos,
procedimentos e atitudes desenvolvidas no aprendizado escolar.
• Saber combinar leituras, observações, experimentações e registros para coleta,
comparação entre explicações, organização, comunicação e discussão de fatos e
informações.
• Valorizar o trabalho em grupo, sendo capaz de ação critica e cooperativa para
construção coletiva do conhecimento.

5.1.2.4 - Objetivos Específicos da Área de Ciências Sociais

• Refletir sobre as transformações temporais e espaciais utilizando conhecimentos


históricos e geográficos.
• Analisar os fatores histórico-geográficos da sociedade atual referente à
constituição do espaço, do território, da paisagem e/ou do lugar.
• Reconhecer a diversidade dos patrimônios étnico-culturais e artísticos em
diferentes sociedades.
• Compreender que os fundamentos básicos como cidadania e democracia devem
estar presentes na vida sociocultural do indivíduo.
• Analisar o processo de formação da sociedade brasileira, a partir de fatos e
documentos históricos existente no espaço.
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
33

• Conhecer e analisar criticamente os diferentes fatores tecnológicos que


interferem na transformação da paisagem geográfica.
• Compreender a organização e os diversos fatores sociais, culturais, políticos e
econômicos da sociedade contemporânea dentro do espaço geográfico e
histórico.

5.1.3 - Objetivos Específicos da Educação de Jovens e Adultos no Ensino Médio:

Os Objetivos do Ensino Médio na modalidade EJA são explicitados no


conhecimento como saber escolar, e se explicita nas disciplinas de tradição curricular do
ensino médio regular: língua portuguesa, matemática, história, geografia, biologia,
física, química, filosofia, sociologia, arte, educação física, língua estrangeira moderna
(Inglês e Espanhol).
É preciso destacar, que o conhecimento a ser trabalhado no Ensino Médio não
pode ser a reprodução das formas de organização e de método da academia. Ele deve ter
a especificidade de tratar as dimensões do conhecimento em sua totalidade. O que
implica numa abordagem teórico-metodológica que considere a interdependência das
dimensões científica, artística e filosófica do conhecimento, nos conteúdos de cada uma
das doze disciplinas do Ensino Médio. Isso pressupõe interdependência e diálogo entre
as disciplinas da matriz curricular na escola e implica, também, na necessidade de um
maior equilíbrio na distribuição de aulas essas disciplinas.

5.1.3.1 - Objetivos Específicos da Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

• Utilizar tecnologias de comunicação e informação na vida escolar, profissional e


em todas as situações relevantes para a vida.
• Ter conhecimento e usar línguas estrangeiras modernas para acessar informações
e outras culturas e grupos da sociedade.
• Usar e compreender a linguagem do corpo como essencial para a vida,
integradora da sociedade e formadora de identidade.
• Entender a arte como conhecimento cultural e estético propiciador de
significação e integrador da organização mundial e da identidade.
• Associar os conhecimentos científicos às linguagens, às tecnologias, aos
processos produtivos e à problemática que será solucionada, utilizando a língua
portuguesa como geradora de significados.

5.1.3.2 - Objetivos Específicos da Área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias


• Compreender as ciências como construções humanas, relacionando o
desenvolvimento científico ao longo da história com a transformação da
sociedade.
• Compreender o papel das ciências naturais e das tecnologias a elas associadas
nos processos de produção e no desenvolvimento econômico e social
contemporâneo.
• Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais
em diferentes contextos relevantes para sua vida pessoal.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


34

• Associar alterações ambientais e processos produtivos e sociais, e instrumentos


ou ações científico-tecnológicos à degradação e preservação do ambiente.
• Compreender organismo humano e saúde, relacionando conhecimento
científico, cultura, ambiente e hábitos ou outras características individuais.
• Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los a
diferentes contextos.
• Apropriar-se de conhecimentos da física para compreender o mundo natural e
para interpretar, avaliar e planejar intervenções científico-tecnológicas no
mundo contemporâneo.
• Apropriar-se de conhecimentos da química para compreender o mundo natural
e para interpretar, avaliar e planejar intervenções científico-tecnológicas no
mundo contemporâneo.
• Apropriar-se de conhecimentos da biologia para compreender o mundo natural
e para interpretar, avaliar e planejar intervenções científico-tecnológicas no
mundo contemporâneo.
• Reconhecer e avaliar o desenvolvimento tecnológico e contemporâneo, suas
relações com as ciências, seu papel na vida humana, sua presença no mundo
cotidiano e seus impactos na vida social.
• Selecionar e utilizar instrumentos de medição e de cálculo, utilizar escalas,
fazer estimativas, elaborar hipóteses e interpretar resultados.

5.1.3.3 - Objetivos Específicos da Área de Matemática e suas Tecnologias

• Compreender a matemática como construção humana, relacionando o seu


desenvolvimento com a construção da sociedade.
• Ampliar formas de raciocínio e processos mentais por meio de indução,
dedução, analogia e estimativa, utilizando conceitos e procedimentos
matemáticos.
• Construir significados e ampliar os já existentes para os números naturais,
inteiros e racionais e reais.
• Utilizar o conhecimento geométrico para realizar a leitura e a representação da
realidade, e agir sobre ela.
• Construir e ampliar noções de grandezas e medidas para a compreensão da
realidade e a solução de problemas do cotidiano.
• Construir e ampliar noções de variação de grandeza para a compreensão da
realidade e a solução de problemas do cotidiano.
• Aplicar expressões analíticas para modelar e resolver problemas, envolvendo
varáveis socioeconômicas ou técnico-científica.
• Interpretar informações de natureza científica e social obtidas de leitura de
gráficos e tabelas, realizando previsão de tendência, extrapolação, interpolação
e interpretação.
• Compreender o caráter aleatório e não determinístico dos fenômenos naturais e
sociais e utilizar instrumentos adequados para medidas e cálculos de
probabilidade, para interpretar informações de variáveis apresentadas em uma
distribuição estatística.
• Reconhecer e avaliar o desenvolvimento tecnológico, suas relações com as
ciências, seu papel contemporâneo na vida humana, sua presença no mundo
cotidiano e seus impactos na vida social.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


35

• Selecionar e utilizar instrumentos de medição e de cálculo, utilizar escalas,


fazer estimativas, elaborar hipóteses e interpretar resultados.
• Interagir com seus pares de forma cooperativa, trabalhando coletivamente na
busca de soluções para problemas propostos, identificando aspectos
consensuais ou não na discussão de um assunto, respeitando o modo de pensar
dos colegas e aprendendo com eles.

5.1.3.4 - Objetivos Específicos da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias

• Compreender os elementos culturais que constituem as identidades pessoais e


sociais dos educandos da EJA;
• Compreender a gênese e a transformação das diferentes organizações
territoriais e os múltiplos fatores que neles intervêm como produto das relações
de poder;
• Compreender o desenvolvimento da sociedade como processo de ocupação de
espaços físicos e as relações da vida humana com a paisagem e o que elas
podem causar;
• Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e
econômicas, associando-as às práticas dos diferentes grupos e atores sociais;
• Reconhecer alternativas de intervenção em conflitos sociais e crises
institucionais que respeitem os valores e a diversidade socioculturais;
• Compreender, valorizar e analisar o papel dos diferentes meios de
comunicação na construção da cidadania e da democracia de maneira que
favoreça a atuação do individuo na sociedade;
• Perceber-se integrante e agente transformador do espaço geográfico, as
implicações socioambientais do uso das tecnologias nos diferentes contextos;
• Entender o impacto das técnicas e tecnologias associadas aos diferentes
processos de produção e o desenvolvimento do conhecimento e a vida em
sociedade.
Esses objetivos mais amplos requerem, sobretudo, que os jovens e os adultos
adquiram competências para lidar com as situações que vivenciam ou que venham a
vivenciar no futuro, muitas delas novas e inéditas. Nada mais natural, portanto, que
substituir a preocupação central com os conteúdos por uma identificação das
competências que, se imagina, eles terão necessidade de adquirir em seu processo de
escolaridade.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


36

6. DA IMPLANTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE AVALIAÇÃO


INSTITUCIONAL

As experiências desenvolvidas na Educação de Jovens e Adultos apontam a


necessidade de implantação de um sistema de avaliação institucional que permita a
melhoria da qualidade da ação pedagógica desenvolvida nas escolas, aperfeiçoar o
funcionamento e alcançar melhores resultados em sua missão institucional.
Considerando os princípios da gestão participativa, o processo de definição
dos critérios norteadores para avaliação (indicadores) será pactuado com os diretores e
coordenadores dos Núcleos da SEE, através de ouvidoria coletiva. Os eixos centrais da
avaliação são os itens Gestão e Ensino, os quais abrangerão aspectos como:
• Ações de gestão e comunicação;
• A organização pedagógica - proposta pedagógica, matriz curricular e
metodologia / recursos didáticos;
• O processo de avaliação – desenvolvimento, registro, instrumentos;
• A documentação escolar – registro, organização das turmas, formas de
acesso, circulação e aproveitamento de estudos, reclassificação;
• Características dos alunos;
• Rendimento escolar por turma;
• Índice de evasão na EJA;
• Composição do corpo docente e formação continuada;
• Condições de trabalho e motivação dos professores;
• Infra-estrutura física e recursos materiais disponíveis, didáticos e
informacionais.
Com a instituição de uma prática participativa no processo de avaliação
institucional se estará legitimando o processo de avaliação, evitando que o mesmo seja
encarado como um instrumento de julgamento ou punição, e contribuindo para que seja
visto como uma maneira de inovar, aperfeiçoar e criar novas práticas pedagógicas na
modalidade EJA.
A fase se execução será realizada inicialmente por um projeto piloto, com a
aplicação do instrumento em escolas voluntárias da capital e do interior. De posse da
análise dos resultados, serão planejadas ações e políticas educacionais para aperfeiçoar
o ensino na EJA. Esse processo será ampliado às demais escolas de forma gradativa até
abranger cem por cento das instituições que ofertem cursos da EJA no Estado.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


37

6.1 APONTAMENTOS PARA UMA MATRIZ EPISTEMOLÓGICA DE


AVALIAÇÃO EDUCACIONAL
Entende-se por matriz epistemológica, uma determinada maneira de
conceber o tipo de relação que se estabelece com o sujeito que conhece e o objeto por
ser conhecido, resultando dessa relação, num sentido mais estrito, os próprios produtos
do conhecimento humano e num amplo, uma teoria do conhecimento.
Para Ranco (1997), a análise dos pressupostos epistemológicos
subjacentes as diversas práticas educativas, permitirão através de uma melhor
compreensão que:
• Faça-se uma opção mais consciente na organização da estrutura
curricular;
• Norteia uma tomada de decisão mais clara sobre a sistemática da
avaliação;
• Funciona como parâmetro para julgamento da relevância social do
conteúdo;
• Contribui para obtenção de um conhecimento mais realista a respeito dos
alunos.
Tentar determinar a matriz epistemológica1 que norteia este ou aquele
processo de avaliação não é uma tarefa simples, no entanto, a compreensão das mesmas
permite-nos abranger as limitações e vantagens diante das diversas situações de
ensino/aprendizagem, como também de sucesso e fracasso escolar em qualquer
modalidade de ensino.
A avaliação, em um contexto de ensino, tem o objetivo legítimo de
contribuir para o êxito do ensino, isto é, para a construção desses saberes e
competências pelos alunos. O que parece legítimo esperar do ato de avaliação depende
da significação essencial do ato de ensinar. A esperança de por a avaliação a serviço da
aprendizagem e a convicção de que isso é desejável não são, portanto, absolutamente o
fruto de caprichos pessoais ou manifestações de fantasias discutíveis. Trata-se de uma
esperança legítima em situação pedagógica que visa a emancipação do educando.

6.1.1 AVALIAÇÃO FORMATIVA COMO PARÂMETRO NA EJA


Para Hadji (2001), a primeira tarefa, para quem quer trabalhar em sua
emergência concreta, “é saber o que se deve entender exatamente por avaliação
formativa”. Para ele, a “avaliação formativa é uma avaliação informativa”. A tal ponto
que Philippe Perrenoud (1991, p.50), após ter relembrado que é “formativa toda
avaliação que auxilia o aluno a aprender e a se desenvolver, ou seja, que colabora para
regulação das aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de um projeto
educativo”, afirma que seria melhor falar de “observação formativa do que avaliação”.
Duas coisas são, pois, claramente declaradas: a avaliação torna-se formativa
na medida em que se inscreve em um projeto educativo específico, o de
favorecer o desenvolvimento daquele que aprende, deixando de lado qualquer
outra preocupação (...). A partir do momento em que informa é formativa,

1
Para aprofundamento das diferentes linhas metodológicas pesquisar: FRANCO, Maria Laura P.
Barbosa. Pressupostos Epistemológicos da Avaliação Educacional. In: Sousa, Clariza Prado de (org.).
Avaliação do rendimento escolar. 6.ed. Campinas: Papirus, 1997. (Coleção magistério e trabalho
pedagógico).
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
38

quer seja instrumentalizada ou não, acidental ou deliberada, quantitativa ou


qualitativa (...). Uma avaliação não precisa conformar-se a nenhum padrão
metodológico para ser formativa. HADJI (2001:20)
“A observação é formativa quando permite guiar e otimizar as
aprendizagens em andamento” (Perrenoud, 1991:50). A partir do momento que informa,
ela é formativa, quer seja instrumentalizada ou não, acidental ou deliberada, quantitativa
ou qualitativa. Uma avaliação não precisa conformar-se a nenhum padrão metodológico
para ser formativa. Para facilitar o próprio processo, basta-lhes informar os atores do
processo educativo.
Por isso, e esta é a segunda característica em geral considerada, uma
avaliação formativa informa os dois principais atores do processo. O professor, que será
informado dos efeitos reais de seu trabalho pedagógico, poderá regular sua ação a partir
disso. O aluno, que não somente saberá onde anda, mas poderá tomar consciência das
dificuldades que encontra e tornar-se capaz, na melhor das hipóteses, de reconhecer e
corrigir ele mesmo os erros.
Assim, e é sua terceira e mais importante característica, a essa função de
regulação voltada para o professor e para o aluno, acrescenta-se o que se designou como
função “corretiva”. De fato, o professor, assim como o aluno, deve poder “corrigir” sua
ação, modificando, se necessário, seu dispositivo pedagógico, com o objetivo de obter
melhores efeitos por meio de uma maior “variabilidade didática” (Hadji, 2001).
É neste sentido, que buscamos uma identidade para a EJA no Acre, na
pressuposição de que “avaliação formativa” corresponde ao parâmetro adequado de
avaliação, pois:
• Coloca-se deliberadamente a serviço do que lhe dá sentido: tornar-se um
elemento, um momento determinante da ação educativa;
• Propõe-se tanto a contribuir para uma evolução do aluno quanto a dizer o
que, atualmente, ele é;
• Inscreve-se na continuidade da ação pedagógica, ao invés de ser
simplesmente estrangeiro à atividade pedagógica.
Percebe-se finalmente que a afirmação segundo o qual se trata de um
modelo ideal repousa, segundo Perrenout (1991) e Hadij (2001), sobre duas séries de
considerações:
• O que a define é menos da ordem dos fatos, objetivamente observáveis,
que das intenções, que não podem ser apreendidas na extremidade das
práticas. É em sua destinação, no sentido do projeto no âmbito do qual
ela se inscreve que se “lê” a “formatividade” da avaliação.
• Em função disso, ninguém jamais pode estar certo de fazer avaliação
formativa. Não pode haver dispositivo pronto. O modelo ideal não é
diretamente operatório. E é sem dúvida por isso, como observamos no
início, que a avaliação formativa sempre terá uma dimensão utópica. No
entanto, é a vontade de ajudar que, em última análise, instala a atividade
avaliativa em um registro formativo.
Assim, esse modelo que abraçamos, não é um modelo científico, visto
que vai bem além da mera tentativa de descrever e de explicar rigorosamente as
práticas, tampouco um modelo de ação, visto que dele não decorre imediatamente
nenhuma regra técnica diretamente aplicável. Trata-se exatamente de um modelo
regulador, que indica o objetivo, que é compreender a ação avaliativa em diversos
contextos e modalidades.
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39

7. FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS E METODOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO


DE JOVENS E ADULTOS

Na perspectiva de mundo globalizado onde estamos inseridos, percebemos o


desejo de um mundo padronizado compondo uma massa de vivências dentro de um
caminho que leva a exclusão exacerbada e a quantificação das pessoas transformando-as
em números. A educação é por natureza contraditória, pois implica simultaneamente na
conservação dos dados do saber adquirido, e também, na criação e recriação, na crítica,
na negação e na substituição do saber existente. Desta maneira, torna-se eficaz, pois do
contrário seria uma eterna fonte do “saber” considerado definitivo, anulando toda
possibilidade de criação do novo.
Exige-se, hoje, uma educação que questione uma ação homogeneizadora que
tem ignorado ou calado, com freqüência, as diferenças e as desigualdades dos seus
alunos É preciso abolir essas práticas, valorizando a pluralidade cultural como
possibilidade de superar estereótipos, preconceitos e a hierarquização cultural. Numa
perspectiva crítica, questionam-se relações de poder estabelecidas no processo
educativo que legitimam valores, conhecimentos e práticas de certas culturas, em
detrimento de outras.
A organização do trabalho pedagógico na Educação de Jovens e Adultos
fundamenta-se na concepção de Educação enquanto processo que representa a própria
história individual e coletiva dos seres humanos, estando vinculada à fase vivida pela
sociedade em sua contínua evolução, num processo constitutivo dos sujeitos históricos
que dela fazem parte.
Nesse sentido, as ações da EJA no Acre se pautam na perspectiva crítica e
progressista de Educação, fundamentadas no universo de princípios filosóficos e
pedagógicos desenvolvidos por Paulo Freire. Essa concepção progressista aqui referida
pressupõe uma concepção de pessoa humana, de sociedade e da relação que se
estabelece com o mundo em que vivemos.
Segundo a Declaração de Hamburgo realizada em 1997, a educação de
adultos engloba todo o processo de aprendizagem formal ou informal, onde as pessoas
consideradas “adultas” pela sociedade desenvolvem suas habilidades, enriquecem seu
conhecimento e aperfeiçoam suas qualificações técnicas e profissionais, direcionando-as
para a satisfação de suas necessidades e as de sua sociedade.
Para tanto, as práticas educativas aqui propostas devem valorizar e relacionar
os conteúdos escolares às experiências vivenciadas pelos educandos na família e na
comunidade, com o objetivo de fortalecer a identidade cultural do grupo e, assim,
propiciar condições para o exercício pleno da cidadania dentro de suas diversas
realidades, sem deixar de considerar a complexidade das relações sociais, econômicas,
políticas e culturais que interferem na vida da sociedade.
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40

A Educação de Jovens e Adultos possui grande contribuição do pensamento


pedagógico de Paulo Freire, sendo entendida como conscientização, isto é, como
desenvolvimento da capacidade crítica sobre a realidade e a elaboração de uma
identidade própria e aquisição de conhecimentos necessários a uma intervenção
transformadora.
Freire falava da necessidade do aluno, além de se conhecer, conhecer
também os problemas sociais que o aflige. Ele não via a educação simplesmente como
meio para escolarização, mas falava da necessidade de estimular o educando a engajar-
se no todo social.
Na proposta pedagógica freireana, o educando não é apenas um receptor de
conteúdos prontos e acabados, “educação bancária”, termo a que se referia para
conceituar esse tipo de educação, mas é um sujeito capaz de refletir sobre os
conhecimentos, ter uma visão crítica e entender-se como sujeito histórico, construtor e
transformador da realidade. Paulo Freire observa que, enquanto seres da cultura que
somos, “transformamos o mundo ao mesmo tempo em que somos por ele
transformados”.
A educação de jovens e adultos possui um caráter popular, por sua origem,
por seu fim e por seu conteúdo. Todavia para ser popular, ela deve ser uma
possibilidade de inclusão para todos, já que por seu intermédio o homem adquire o
conhecimento sistematizado pela escola, passa a ver o mundo e a si mesmo de outro
ponto de vista.
A educação popular já conta com uma história muito rica, na qual estão
envolvidos numerosos educadores, movimentos sociais e populares e o próprio Estado.
Ela está ligada a todo um movimento, de um lado, pela extensão da educação formal
para todos e, de outro, pela formação social, política e profissional, sobretudo de jovens
e de adultos.
Nesse sentido, a Educação de Jovens e Adultos aqui proposta deve levar em
consideração as exigências de um mundo de relações complexas e diversificadas,
proporcionando ao aluno, não só um conjunto de experiências que lhe assegurem a
compreensão de sua realidade, mas também, uma fundamentação sólida em termos de
formação básica que o instrumentalize para atuar sobre a realidade de forma crítica, sem
restringir a ação que exerce sobre mundo a sua cultura de origem.
O educador de adultos não pode deixar de perceber que os indivíduos com os
quais atua são cidadãos, seres pensantes, portadores e produtores de idéias, dotados de
capacidade intelectual que se revela em suas interações. O educando é, por sua vez, um
sujeito atuante na sociedade, não apenas por ser trabalhador, mas também pelo conjunto
de ações que executa sobre um círculo de existência. Sendo assim, compete ao educador
desenvolver uma prática pedagógica que possibilite ao aluno a oportunidade de alcançar
através de saberes adquiridos na escola, a consciência crítica instruída de si e do mundo.
Para isso, a EJA como modalidade da educação básica, e por atender a um
público jovem e adulto que por algum motivo se encontra fora do sistema de ensino
regular, deve ter um tratamento que atenda às suas especificidades, que considere as
vivências, os conhecimentos e a cultura que esses alunos trazem para a sala de aula.
Assim, a escola em sua proposta pedagógica deve preocupar–se em como fazer para
atender seu alunado, de modo que seja assegurada a realização de atividades que
oportunizem uma ação dialógica, construtiva e transformadora. Desta forma, o fazer

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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pedagógico transforma–se em projeto de vida e deixa de ser, simplesmente, o projeto da


escola.
A educação de jovens e adultos possui três funções importantes no sentido
de garantir uma educação de qualidade: a função reparadora, a função equalizadora e a
função qualificadora.
Ao criar situações pedagógicas que atendam as necessidades de
aprendizagens específicas de seus alunos, a EJA está assegurando não só a entrada
desses jovens e adultos no âmbito escolar, mas também a sua permanência,
desempenhando, assim, uma função reparadora.
Além de facilitar o ingresso à escola, a EJA tem buscado desenvolver uma
prática pedagógica voltada para a promoção das pessoas, priorizando a articulação dos
conhecimentos estudados com as experiências anteriores, a atualização dos
conhecimentos, o acesso a novas formas de trabalho e cultura, enfim, em proporcionar
possibilidades de novas inserções ao educando, seja na vida social ou no mundo de
trabalho. Assim, ao criar tais possibilidades, a EJA está cumprindo com sua função
equalizadora.
A terceira função desempenhada pela EJA é qualificadora, referindo-se ao
caráter incompleto do ser humano quando se trata de educação permanente, voltada para
a solidariedade, a igualdade e a diversidade, envolvendo todos os aspectos da ação
educativa. Segundo a Proposta Curricular Nacional de EJA, a função qualificadora é
mais que uma função, é o próprio sentido da educação de jovens e adultos.
Para Paulo Freire educar é construir, é libertar o homem do determinismo.
Essa apreensão da realidade da educação é o primeiro passo para a mudança das
desigualdades, proporcionando ao educando oportunidade para se assumirem como
sujeitos sócio-históricos capazes de intervir no mundo a partir de suas ações. Essa
concepção é construída numa relação dialógica entre educador/educando, superando
uma relação vertical.
Desse processo, advém um conhecimento crítico, porque foi obtido de forma
autenticamente reflexiva que implica num ato constante de desvelar a realidade
posicionando-se nela. Do “saber” construído dessa forma, surge a necessidade de
transformar o mundo, porque assim, os homens se descobrem como seres históricos,
compreendendo e transformando a realidade que os cercam.
Portanto, a concepção de educação que norteia todo processo educacional da
EJA é de uma educação que ofereça acolhimento àqueles que não tiveram escolarização
na idade própria, respeitando suas singularidades, diferenças e reconhecendo toda a
diversidade de saberes trazido por eles, oportunizando um processo que gere a
promoção do “ser” enquanto sujeito histórico, desafiando-o a buscar respostas para
desafios propostos, construindo nesse processo o conhecimento problematizado a partir
de questões ligadas ao seu cotidiano, oportunizando, assim, a reflexão e a ação sobre o
ato de aprender.
Por último, o ideal da EJA se faz presente na luta por oferecer um ensino de
qualidade, baseado numa educação libertadora e cidadã, rompendo com toda forma de
exclusão, contribuindo para a promoção do educando em sua totalidade,
compreendendo que a educação é uma forma de intervenção no mundo.

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7.1. CONHECIMENTO (O SABER SOCIALIZADO PELA ESCOLA)

“O conhecimento escolar é um valor, e dominá-lo


é uma forma de se sentir (ou estar) incluído na
sociedade.”

Na concepção epistemológica interacionista/construtivista, o conhecimento é


entendido como uma relação de interdependência entre o sujeito e seu meio. Tem um
sentido de organização, estruturação e explicação a partir do experienciado. É
construído a partir da ação do sujeito sobre o objeto de conhecimento, interagindo com
ele, sendo as trocas sociais condições necessárias para o desenvolvimento do
pensamento.
A educação de jovens e adultos se apresenta como um espaço de práticas
educativas que, embora tendo em comum um segmento da população como objeto de
sua atenção, abriga uma diversidade de concepções. A síntese desses elementos é objeto
de preocupação e o campo curricular apresenta-se como um lugar privilegiado para se
analisar como tais concepções se acomodam ou se sobrepõem nas tentativas de se
elaborar um projeto educativo coerente onde se expressem as várias identidades da
educação de jovens e adultos.
Nessa perspectiva, o ensino propicia uma imensa riqueza no processo de
criatividade, e tem como papel principal o de construtor do conhecimento. O que
estudamos na escola deve ser ensinado porque é parte substancial de todo patrimônio
cognitivo da humanidade. A educação deve conter elementos enriquecedores do
pensamento na formação intelectual do aluno, tais como pensamento lógico-
demonstrativo, exercício criativo da intuição, da imaginação e dos raciocínios por
indução.
Ao ingressar em um curso da Educação de Jovens e Adultos, o aluno
não estará apenas sendo alfabetizado. Além da alfabetização, etapa
propedêutica, o aluno deve ter acesso aos conhecimentos que todo
indivíduo que freqüenta a escola na idade convencional está
recebendo (MEC, 2002, p.307).
São crescentes as exigências educativas, impondo às pessoas a necessidade
de dominar instrumentos da cultura letrada, acompanhar o desenvolvimento
tecnológico, compreender os meios de comunicação e atualizar-se diante da
complexidade do mundo do trabalho. A importância dos saberes não se restringe
somente à sua aplicação em problemas práticos do cotidiano ou àqueles que tomam
parte das atividades predominantes no mundo do jovem e do adulto, são também
instrumentos para produzir e comunicar conhecimentos de diversas áreas.
Os desafios da Educação de Jovens e Adultos exigem do professor um olhar
cuidadoso sobre as questões que norteiam a relação entre professor, aluno e
conhecimento, e podem interferir no sucesso escolar dos alunos.
Ao apontar as relações entre o aluno e o conhecimento, Freire coloca o aluno
como sujeito, e não como objeto do processo educativo, afirmando sua capacidade de
organizar a própria aprendizagem em situações didáticas planejadas pelo professor, num
processo interativo, partindo da realidade desse aluno.

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Na proposta freireana, o processo educativo não se caracteriza pelo


recebimento, por parte dos alunos, de conhecimentos prontos e acabados, mas pela
reflexão sobre os conhecimentos que circulam e que estão em constante transformação;
professores e alunos são produtores de cultura; todos aprendem e todos ensinam, são
sujeitos da educação e estão permanentemente em processo de aprendizagem.
Quando o homem é levado a refletir sobre sua ação e buscar respostas aos
desafios propostos, ele constrói conhecimentos. Assim, o conhecimento nasce da ação, e
é agindo que o educando se confronta com a necessidade de aprender.
Os alunos da EJA, quando chegam à escola, trazem consigo muitos
conhecimentos, que podem não ser aqueles sistematizados, mas são “saberes nascidos
dos fazeres”. Esses saberes devem ser respeitados como ponto de partida para a
aquisição de outros. Com isso, o aluno irá compreender que os conhecimentos
construídos na escola têm relação com os já construídos em sua vida cotidiana,
inferindo, a partir dessa relação, a importância de ampliá-los. Para isso, é necessário
romper a preconceituosa barreira que separa “saberes populares” de “saberes
científicos”, pondo em discussão a própria concepção de conhecimento.
O conhecimento, portanto, é resultado de um complexo e intrincado
processo de construção, modificação e reorganização, utilizado pelos alunos para
internalizar e interpretar os novos conteúdos, estabelecendo relações entre seus
conhecimentos prévios sobre um assunto e o que está aprendendo sobre ele. Isso nem
sempre é aceitável para os alunos, pois, muitas vezes, não acreditam que seus
conhecimentos sejam válidos.
Logo, a disponibilidade para a aprendizagem exige ousadia para se colocar
problemas, buscar soluções e experimentar novos caminhos. Entretanto, os alunos,
muitas vezes, não acreditam que dessa forma possamos adquirir conhecimentos, pois
consideram que a aprendizagem passa necessariamente pela transmissão de informações
prontas e acabadas.
Na educação de jovens e adultos retomar conhecimentos e construir pré-
requisitos não significa revê-los do mesmo jeito que em etapas anteriores, mas sim
iniciar com os alunos um novo processo de aprendizagem efetiva e significativa das
idéias fundamentais envolvidas nos assuntos abordados. Comporta um amplo campo de
relações, regularidades e coerências que despertam e instigam a curiosidade. Dessa
forma, a aprendizagem sendo desenvolvida de acordo com as orientações anteriores
favorece conquistas de ferramentas que ampliam a capacidade de raciocinar, prever,
generalizar, projetar e abstrair.
As considerações centrais nas definições das aprendizagens mostram a
presença das ciências em situações do cotidiano e em situações relacionadas com outras
áreas do conhecimento. Sendo assim, o aprendizado dessas ciências na EJA cumpre um
papel fundamental: favorecer e fortalecer a participação dos educandos, através do
desenvolvimento de atividades contextualizadas e significativas.
Em outras palavras, partir de situações contextualizadas para garantir a
aprendizagem significativa dos educandos e evidenciar os vínculos da Matemática, da
Língua Portuguesa, das Ciências Naturais e Sociais com o cotidiano da maioria dos
jovens e adultos, significa promover situações nas quais professor e aluno estarão sendo
motivados a desenvolver atitudes, tais como:

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• Respeitar e valorizar os conhecimentos prévios, visando favorecer o


estabelecimento de relações entre conhecimentos já construídos e conhecimentos novos.
• Dar oportunidade para que os alunos expressem seus conhecimentos,
identifiquem e apresentem suas dúvidas, formulem hipóteses e questões, antes da
exposição do professor.
• Considerar a bagagem cultural dos alunos, estabelecendo diálogo e
interação com eles, de modo que os professores atuem como mediadores,
esclarecedores, incentivadores e avaliadores da aprendizagem.
• Levar em consideração, que a avaliação deve ser realizada, observando
as especificidades desta modalidade de educação, considerando ainda a quantidade de
horas que os alunos estão expostos aos conteúdos.
Diante deste contexto, reconhecendo que todos os brasileiros, de qualquer
idade ou em qualquer situação social têm direito à educação e, por isso, não devem abrir
mão dele, esse curso não pode ser reduzido a uma mera sistematização de
disciplinas/conteúdos sem significação para o aluno, mas precisa habilitar o aluno a “ler
o mundo”. Conforme o pensamento de Paulo Freire: “Trata-se de aprender a ler a
realidade (conhecê-la) para, em seguida, poder reescrever essa realidade (transformá-
la.)”.

7.2. PERFIL DO ALUNO JOVEM E ADULTO DA EJA

Eu sozinho menino entre as mangueiras lia a história de


Robinson Crusoé, comprida história que não acabava
mais.E eu não sabia que minha história era mais bonita que
a de RobinsonCrusoé (Infância, Carlos Drumondde
Andrade).

A formação do educando, entendida como a promoção de aprendizagem,


reflexão sobre a própria prática e a busca de informações deve pautar-se em sua
realidade, não subestimando os saberes de experiências anteriores que traz para a escola.
Determinar a identidade desses alunos requer um olhar atento, voltado para as suas
necessidades cognitivas, articulando os conhecimentos já assimilados, construídos no
curso de suas relações sociais.
Assim, torna-se essencial organizar a escola de modo que atenda as
especificidades e perspectivas desses educandos, levando-se em conta também as
transformações pelas quais vem passando o sistema de ensino.
Segundo dados de levantamento realizado em 2004 pela Gerência
Pedagógica da Educação de Jovens e Adultos – EJA, no Acre, o perfil dos alunos em
muito se assemelha ao perfil nacional, cujo alunado trabalha, em sua grande maioria,
tendo ingressado no trabalho antes dos 14 anos. A faixa etária predominante é de 15 a
27 anos; 61,64% são do sexo feminino e 36,58% do sexo masculino; 40,02% são
trabalhadores que dedicam ao emprego seis a oito horas diárias. Outro dado que chama
a atenção é que 35,75% deles começaram a trabalhar no período em que deveriam estar
cursando as séries finais do ensino fundamental, ou seja, com menos de 14 anos, para
ajudar na renda familiar.
Em geral, esses alunos buscam retomar seus estudos para superar as
dificuldades encontradas em seu percurso de vida, satisfazendo, desta forma, uma
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aspiração pessoal e/ou profissional, uma vez que necessitam do estudo para alcançar
melhores condições nas diferentes esferas da sociedade, tais como: moradia, saúde,
alimentação, transporte, emprego e outras que estão na raiz do problema do
analfabetismo.
Diante desse quadro e considerando que os alunos que buscam a formação
almejada na EJA estão submetidos à circunstância de modalidade no serviço,
alternância de turnos de trabalho, cansaço, dentre outras circunstâncias, a escola deve
estar voltada para o desenvolvimento do educando como ser social, sujeito ativo do
processo histórico, comunicativo, transformador, criador, realizador de sonhos. Essas
condições possibilitam ao aprendiz questionar o conhecimento já formado, (re) elaborar
os saberes que possui e ampliá-los, na medida em que interage com educador e os
outros educandos.
Nesse processo interativo, o educador tem um papel preponderante no
sentido de adotar procedimentos que dinamizem sua prática educacional e estimulem os
alunos a aprofundarem seus conhecimentos, percebendo a escola como espaço
dialógico, onde as oportunidades se vislumbram. Desta forma, o professor precisa ter
consciência de que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades
para a própria produção ou a sua construção” (Paulo Freire, 1996).
Portanto, o aluno que se quer formar deve caracterizar-se como um ser
crítico, capaz de agir conscientemente sobre a realidade, assumindo o papel de sujeito
que faz e refaz o mundo, articulando saberes de sua prática com os conhecimentos
sistematizados.

7.3 O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Para que a Educação de Jovens e Adultos possa cumprir sua principal


função, preparar o jovem e o adulto para o mundo do trabalho e para o exercício da
cidadania é necessário que seja pensada como um projeto pedagógico próprio, criando
situações de ensino-aprendizagem adequadas que atendam às necessidades e
características psicossociais dos educandos, que considere a diversidade cultural e as
diferentes situações a que estão submetidos, além das habilidades e conhecimentos
adquiridos ao longo da vida.
Nessa perspectiva, a base teórica que fundamenta o processo de ensino e
aprendizagem das ações educativas desenvolvidas na educação de jovens e adultos
pressupõe: uma prática pedagógica que privilegie o ensino por resolução de problemas e
o desenvolvimento de projetos; o uso de diferentes estratégias metodológicas para a
aprendizagem de diferentes conteúdos; a aprendizagem partindo dos conhecimentos
prévios dos alunos; a interação entre sujeitos ativos envolvidos no processo visando à
troca de experiência e a construção de novos conhecimentos.
Vigotski desenvolveu seus estudos embasados na teoria histórico-cultural,
que se contrapõe ao modelo mecanicista de desenvolvimento. Seu trabalho possui base
marxista e uma visão historizadora do psiquismo humano. A teoria sócio-histórica,
como também é conhecida, considera o meio social como parte importante no
desenvolvimento dos sujeitos. Para ele, os indivíduos somente se tornam sujeitos
humanos na interação com o outro. Defende a íntima relação entre desenvolvimento e

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aprendizagem, pois esta fomenta processo de desenvolvimento, criando novas


possibilidades de aprendizagem.
Portanto, se a interação entre o sujeito e o objeto os modifica, então, cada
interação entre sujeitos individuais irá modificar os sujeitos uns em relação aos outros.
Assim, o conhecimento, com as relações interpessoais é algo vivo, estando em constante
mudança. Daí Piaget (1973) afirmar que a aprendizagem não se dá pela simples
transmissão de algo que está fora, mas sim, depende do desequilíbrio cognitivo, o qual é
provocado num processo de interação, da ação do sujeito sobre o objeto do
conhecimento, dos esquemas de significação que possibilitam o estabelecimento de
relações com o novo na busca de uma nova equilibração.
Para desenvolver o processo de ensino-aprendizagem na educação de jovens
e adultos é importante considerar que os alunos constroem conhecimentos na interação
com o contexto social, mesmo sem ter passado pelo processo de escolarização.
Valorizar esses conhecimentos e relacioná-los com novos conteúdos é imprescindível
para uma aprendizagem significativa e o planejamento de situações de aprendizagem
em que possam ampliá-los e/ou transformá-los, pois quanto maior a profundidade e
qualidade das relações melhor a aprendizagem se efetivará.
A abordagem de novos conteúdos deve ser planejada com cautela, uma vez
que os mesmos devem ser significativos, bem construídos e ter funcionalidade. Além
disso, ao selecionar os conteúdos o professor deve considerar as capacidades dos
alunos, suas possibilidades cognitivas e afetivas para que o processo de produção e re-
significação dos conteúdos possa permitir ao aluno o confronto com os conhecimentos
construídos pelos mesmos em suas experiências de vida.

7.4 O PERFIL DO EDUCADOR DA EJA

Na Educação de Jovens e Adultos, o professor deve estar permanentemente


se atualizando, ter competência pedagógica para produzir e desenvolver o seu trabalho
através da elaboração de um planejamento integrado, contextualizado e vivido,
participando das formações continuadas oferecidas pela Secretaria de Estado de
Educação.
Segundo Janssen (2004, p.52) “o educador é aquele que está continuamente
buscando de forma sistemática o aperfeiçoamento do seu trabalho e de si mesmo.” A
busca dessas capacidades vai contribuir para o desenvolvimento do professor no que se
refere às competências pedagógica, gerencial e política.
Na proposta curricular da EJA, tem-se a perspectiva de que o professor seja
um agente capaz de promover o aprendizado e de estimular o aluno a refletir sobre o seu
comportamento em relação à disciplina e ao mundo que o cerca, pois no sistema de
educação para jovens e adultos, o relacionamento professor e aluno, é um aspecto
fundamental para a aquisição de novos saberes.
Na concepção freireana, a missão do professor é possibilitar a criação e
produção de conhecimentos. Paulo Freire não comungava com a idéia de que o aluno
precisa apenas de que lhes fossem facilitadas as condições para o auto-aprendizado, de
modo que o sentido e o significado da aprendizagem precisavam estar evidenciados
durante todo o processo de escolaridade, estimulando nos alunos o compromisso e
responsabilidade, cabendo ao professor criar situações de aprendizagem, que

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favorecessem, aos alunos, o acesso a materiais educativos, à formulação e resolução de


questionamentos, a problematizações e desafios.
Para tanto, nesse processo de construção do conhecimento, é necessário a
interação entre educador e educando, de modo que sejam agentes e não meros
expectadores dessa construção. E isso só será possível, no momento em que ambos
tiverem clareza quanto aos objetivos a serem perseguidos, às opções metodológicas e às
orientações didáticas que nortearão as atividades de ensino-aprendizagem. Tais
orientações devem estar refletidas nos seguintes aspectos:
• Considerar o aluno como sujeito ativo da aprendizagem;
• Diagnosticar os conhecimentos prévios que os alunos trazem;
• Promover situações nas quais os alunos interajam entre si e consigo
mesmo;
• Considerar as práticas cotidianas de jovens e adultos, consolidando
aprendizagens a partir de suas experiências;
• Respeitar as diversidades de personalidades e de culturas.
Na sala de aula, o educador deve propiciar um relacionamento amistoso, não
paternalista, mas de respeito mútuo e atenção, sem distinção, porque o bom
relacionamento na sala de aula é tão importante quanto à variedade de métodos e
recursos instrumentais utilizados. Portanto, deve-se promover um ambiente onde haja
compreensão, possibilitando o aprendizado e o gosto para a permanência do aluno na
escola.
A disposição física da sala de aula é outro elemento importante na
construção da aprendizagem, sendo fundamental ter um espaço onde se estimule a
comunicação, a participação, a solidariedade e o trabalho cooperativo entre os alunos.
O desafio do professor consiste, portanto, em dominar e aplicar
metodologias e estratégias na organização e execução do seu trabalho, fazendo da sala
de aula um laboratório que proporcione a construção e a intervenção desses
conhecimentos, sendo importante que o aluno compreenda que os saberes construídos
na escola têm relação com os que já possuem.
A formação da cidadania participativa, a ser desenvolvida pelo educador da
EJA, deve transcender os muros da escola. Nesse sentido, as ações educativas
trabalhadas no espaço escolar, são desenvolvidas de modo a possibilitar ao aluno
assumir-se como elemento transformador dentro da comunidade em que está inserido,
principalmente, através da re-elaboração e da aplicação do conhecimento apreendido na
escola. Para tanto, faz-se necessário que a Pedagogia de Projetos esteja sempre a
fundamentar as práticas educativas desenvolvidas no âmbito da escola.
É importante, também, ressaltar o papel desempenhado pela família dos
alunos jovens e adultos no apoio a sua tomada de decisão em retornar à vida escolar, e
na compreensão em se estabelecer a divisão do espaço família/escola. O conhecimento e
a participação da família do aluno são indispensáveis para a eficácia do trabalho escolar.
Nesse sentido, a prática pedagógica do professor deve levar em consideração o
educando, seus códigos, suas necessidades específicas e suas relações sócio-culturais.
Ao optar por trabalhar na educação de jovens e adultos, o professor deverá
assumir com responsabilidade o seu trabalho e acreditar na transformação de seus

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alunos, pois é o professor quem influencia também essa mudança. O aluno da EJA tem
a necessidade de um incentivo constante que contribua para o resgate de sua auto-
estima. O bom relacionamento entre professor e aluno contribuirá para a formação e
permanência desse aluno na escola.
Portanto, é necessária a contínua atualização do educador, através de sua
participação em cursos, treinamentos, capacitações, projetos de formação continuada,
dentre outros, a fim de ampliar seus conhecimentos, aprimorar sua prática e
proporcionar aos alunos um ensino de qualidade.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


49

8. EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E O MUNDO DO TRABALHO

As análises e pesquisas sobre a relação educação-trabalho têm proliferado


nos últimos tempos. E não poderia ser diferente. Estamos vivendo um momento de
“estrangulamento” social originário, em grande medida, da crise do trabalho, ou como
alguns economistas definem, do desemprego estrutural, provocado pelo movimento de
hegemonia capitalista – coroado pela globalização – e por transformações no processo
de produção e consumo que afetam as próprias relações sociais, questões muito bem
analisadas por Kurz (1992), Harvey (1993) e Forrester (1997).
Neste sentido, compreendemos que a educação deve problematizar e
vivenciar pressupostos que ajustem a formação profissional diante das transformações
que ocorram no setor produtivo. Na segunda, cabe à educação compreender os conflitos
sociais (entre eles a estratificação social, a exploração, a retificação das relações
humanas) que se estabelecem em função do trabalho, como categoria sociológica e,
dentro da competência que lhe é própria, superá-los.
A Educação de Jovens e Adultos, assim como as demais modalidades de
ensino, prioriza a qualidade na formação integral do educando que freqüenta nossas
escolas. No intuito de alcançar essa meta, não podemos negligenciar a importância do
trabalho na vida dos jovens e adultos que freqüentam os cursos da EJA, sob pena de
perpetuar uma concepção de modalidade de ensino ‘certificadora’, a despeito das
funções que a caracterizam: reparadora, qualificadora, e equalizadora.
A Comissão Internacional sobre a educação para o século XXI, no chamado
Relatório Jacques Delors para a UNESCO (1996) afirma:
Uma educação permanente, realmente dirigida às necessidades das
sociedades modernas não pode continuar a definir-se em relação a um
período particular da vida_educação de adultos, por oposição à dos
jovens, por exemplo_ ou a uma finalidade demasiado circunscrita_ a
formação profissional, distinta da formação geral. Doravante, temos
de aprender durante toda a vida e uns saberes penetram e enriquecem
os outros. (p. 89).
A educação integral, e subseqüentemente permanente2, pela qual trabalham
os educadores que atuam na EJA implica na articulação do currículo com o mundo do
trabalho, considerando que a maior parte dos jovens e adultos dessa modalidade é ou
pretende ser trabalhador. Esta é uma característica do perfil do educando que busca a
escola fora da convencionada ‘idade escolar’, logo, precisa ser atendida essa

2
Referimo-nos a educação permanente como aquela que torna o educando um sujeito consciente da
eterna necessidade de aprender, estando o mesmo sempre aberto aos novos saberes que encontrará no
decorrer da vida, sabendo ainda avaliá-los e selecioná-los.
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
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necessidade de preparação para que disputem em equidade com os que não foram
alijados do processo ensino e aprendizagem escolar.
Para atender a demanda exigente da ‘sociedade do conhecimento’ e usufruir
das diversas possibilidades que ela oferece o educando deve encerrar sua vida escolar
como um sujeito preparado integralmente, apto tanto a iniciar um trabalho para o qual
perceba ter aptidões, como a contribuir de modo mais efetivo no trabalho em que
porventura, esteja inserido.

8.1 PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS

Tomamos como ponto de partida que a educação é um processo continuado


e permanente de socialização dos sujeitos humanos enquanto pessoas que agem, pensam
e se relacionam em sociedade, sendo, cada um, sujeitos e promotor de sua própria
educação, junto com os diversos coletivos sociais dos quais participa e que atuam
também, diretamente, nesse processo educativo.
Assim, entendemos que a escola é um serviço à educação, atuando num
campo específico das atividades humanos. Cabe a ela disponibilizar recursos e
condições necessárias que seus alunos, tendo como ponto de partida a produção cultural
historicamente acumulada, possam exercer atividades de aprendizagem em
conformidade com suas necessidades e em sintonia com a contemporaneidade dos
temas e conteúdos surgidos, inclusive, durante o desenvolvimento do processo.
A contextualização do fazer escolar diz respeito tanto ao desenvolvimento
dos alunos, adolescentes, jovens e adultos, provenientes de uma determinada categoria
social de trabalhadores, quanto aos conteúdos a serem trabalhados e experimentados,
relativos ao momento cultural no qual se vive. Tal contextualização, no entanto, não
pode incorrer nem na concessão ao reducionismo – com respeito aos educandos, por
uma pedagogia de “facilitadores”; com respeito aos conteúdos pedagógicos curriculares,
por um pragmatismo funcional – nem na tentação do imediatismo, de se responder
apressadamente ao que hoje se apresenta como as “competências necessárias”.
Consideramos como principio pedagógico comum a todas as áreas de
ensino:
™ O desvelamento da historicidade dos conhecimentos, das técnicas e das
relações instituídas, de tal maneira que as criações humanas sejam
percebidas como resultado de relações sociais dadas em cada momento
histórico, e que permanecem em constante recriação e reposição a partir dos
acúmulos, das necessidades e dos interesses em jogo de cada momento;
™ Afirmação do caráter social, ou sociedade das produções humanas em seus
diversos campos, inclusive o dos conhecimentos que, da mesma forma que
resultantes de um trabalho socialmente construído, são também apropriados
por meio de sua reconstrução social na experiência solidária da educação.
A interdisciplinaridade, que é característica de qualquer exercício do
pensamento e ação educativa não se põe, portanto, como mera disposição de áreas de
conhecimentos, e nem de um ponto de vista simplesmente conceitualista. Mas é tomada
como condição prévia a qualquer produção de conhecimento e constitutiva da formação
dos sujeitos humanos trabalhadores, pensadores e cidadãos, que buscam a expansão de
sua autonomia como sujeitos sociais e o aprofundamento de seus conhecimentos por

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meio da pesquisa, experimentação e criação de projetos que venham a contribuir na


construção da sociedade.

8.2. ESTRUTURAÇÃO CURRICULAR


O eixo integrador que estrutura a proposta curricular da Educação de Jovens e
Adultos, para atingir o objetivo a que se propõe, será desenvolvido da seguinte forma:

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8.2.1 Eixo Integrador: Educação e Trabalho

Para Novaes (2004), “as relações entre Educação e Trabalho, devem ser
compreendidas nas formas contemporâneas de organização do trabalho e em seus
diferentes significados para a juventude brasileira no exercício da cidadania, diante do
desenvolvimento das novas tecnologias e novas demandas profissionais”. Nisto, discutir
a relação dos jovens com o trabalho, os múltiplos significados do trabalho em suas
vidas, levando-os a perceber as várias dimensões do trabalho é o que chamaríamos de
preparo paro o exercício da cidadania.
A Constituição Federal do Brasil apresenta a concepção de educação como
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho. (CF, art. 205), não importando qual seja a modalidade
que o cidadão brasileiro esteja cursando.
Por outro lado, a sociedade tecnológica, na qual estamos inseridos, exige
uma preparação integral dos que anseiam ingressar no mundo do trabalho, de modo que
seu comportamento nesse ambiente seja produtivo sem que o sujeito-trabalhador se
permita ser explorado ou desumanizado, perdendo qualidade de vida em nome da
manutenção do ‘emprego’. É nessa perspectiva que se justifica, portanto, integrar ao
currículo da Educação de Jovens e Adultos o eixo “Educação e Trabalho”, o qual
permitirá que se aborde subtemas relacionados à Formação para o Mundo do Trabalho
(FMT), propostos nesse documento e explicitados nas próximas páginas.
A Educação de Jovens e Adultos no intuito de realizar suas funções
características: equalizadora, qualificadora e reparadora, inexoravelmente necessita
atender a necessidade de qualificação para o trabalho sob pena de não conseguir
alcançar os objetivos para o qual foi criada: dirimir a exclusão escolar,
disseminar/construir saberes e empregabilidade entre os cidadãos brasileiros que,
porventura, tenham sido alijados do processo educacional escolar por quaisquer razões.
É nesse sentido que o Parecer CNE/CEB 11/2000 esclarece,
Esta tarefa de propiciar a todos a atualização de conhecimentos por
toda a vida é a função permanente da EJA que pode se chamar de
qualificadora. Mais do que uma função, ela é o próprio sentido da
EJA. Ela tem como base o caráter incompleto do ser humano cujo
potencial de desenvolvimento e de adequação pode se atualizar em
quadros escolares ou não escolares. Mais do que nunca, ela é um apelo
para a educação permanente e criação de uma sociedade educada para
o universalismo, a solidariedade, a igualdade e a diversidade. (p. 11)
Para tanto, a EJA no Acre, consciente dessa necessidade, apresenta uma
proposta de trabalho pedagógico em que os educandos sejam preparados a partir do
Ensino Fundamental com a Formação para o Mundo do Trabalho (FMT), abordando em
seu processo de formação temáticas relacionadas à Empregabilidade e
Empreendedorismo, Sociedade Tecnológica e Trabalho e Diversidades no Mundo do
Trabalho. Tais temáticas poderão ser abordadas de três formas: a primeira, através de
Projetos Complementares (PC) utilizando-se de uma metodologia problematizadora e
material didático produzido para esse fim em oficinas de formação desenvolvidas no
próprio ambiente escolar, culminando com o desenvolvimento de projetos temáticos; a
segunda, através da oferta de cursos básicos de qualificação profissional, em parceria
com instituições que atuam direta ou indiretamente com a formação profissional,
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totalizando carga horária de até 300 (trezentas) horas, no próprio ambiente escolar ou
em espaços cedidos em outro turno para atendimento aos educandos da EJA; a terceira
de forma interdisciplinar, abordando as temáticas sugeridas na presente proposta,
contextualizadas à realidade e necessidades dos educandos.
Nessa perspectiva, a FMT se constituirá de um espaço em que os educandos
têm a possibilidade de construção do conhecimento a respeito do trabalho, e de sua
própria identidade como cidadão brasileiro trabalhador, de maneira que percebam quem
são e como são no mundo, e/ou ainda tenham a liberdade de mudar a sua história de
vida.
O educando da EJA deverá estar preparado para disputar em igualdade de
condições uma vaga no mercado de trabalho, comportando-se não como um ‘objeto’
nesse mercado, mas como sujeito histórico capaz de intervir de maneira muito positiva
na ordem estabelecida em nossa sociedade pós-moderna, como afirma Cavallet3
um profissional para contribuir, através da geração, intermediação e
inter-relação do conhecimento, de forma decisiva na busca de um
desenvolvimento baseado na eficiência, equidade e sustentabilidade.
Para esse novo profissional, o trabalho deve ser um ato político-social
consciente.
Portanto, no intuito de alcançar esse objetivo, percebemos ser necessário um
trabalho voltado não apenas para a formação profissional, pois entendemos que a
formação integral e a formação profissional são aspectos não dicotômicos e sim
complementares, sem os quais fica impossibilitado o alcance do objetivo desejado: a
humanização do trabalho e conseqüentemente da melhoria da qualidade de vida do
trabalhador.

8.2.1.1 Sub-Tema 1 - Empregabilidade e Empreendedorismo

Devido às transformações de mercado que vem acontecendo, em decorrência


do desenvolvimento tecnológico, da alta competitividade, dos programas de
produtividade e de qualidade que passaram a nortear as relações de trabalho no mundo
contemporâneo, o termo emprego entrou em declínio, abrindo espaço para um novo
entendimento: a empregabilidade.
Através da empregabilidade, novos padrões passaram a ser estabelecidos
exigindo do trabalhador maior versatilidade e o desenvolvimento de competências e
habilidades que permitam sua inserção e/ou mobilidade no mundo do trabalho.
Em um cenário de constantes mudanças há necessidade da educação
continuada e, conseqüentemente, a formação profissional de jovens e adultos torna-se
imprescindível. Isto porque as mudanças de paradigmas nas relações de trabalho
fortalecem a necessidade da formação continuada dos profissionais, sob pena destes
virem a ser excluídos do processo de desenvolvimento que se registra na sociedade do
conhecimento.
Por se tratar de uma modalidade de ensino que tem como princípio a
inclusão social, a Educação de Jovens e Adultos, para que cumpra realmente o seu

3
CAVALLET, Valdo José. Educação Formal e Treinamento: Confundir para doutrinar e dominar.
Disponível em: <http.www.sociologos.org.br/links/eduform.htm> . Acesso em: 10 out. 2006.
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
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papel, não pode ficar à margem dessa discussão, sendo necessário atuar de forma
decisiva na formação inicial e continuada de jovens e adultos trabalhadores,
fortalecendo o surgimento do espírito empreendedor, de autogestão e de novas formas
de organização coletiva do trabalho.
É nesse sentido que o subtema Empregabilidade e Empreendedorismo passa
a integrar o currículo da Educação de Jovens e Adultos, uma vez que oportunizará aos
sujeitos-educandos a construção de competências, habilidades e conhecimentos
relacionados ao mundo do trabalho. Para tanto, serão abordados numa perspectiva
problematizadora conteúdos relacionados à orientação profissional, emprego e trabalho,
economia solidária e trabalho, além de outros que estejam diretamente ligados à
diversidade do público da EJA, às cadeias produtivas e ao Programa de
Desenvolvimento Sustentável do Estado.
Além disso, através dessa abordagem se estará possibilitando ainda ao
educando da EJA:
- Autoconsciência que prepara e ajuda os indivíduos a desenvolver
valores pessoais, forças, potencialidades e aspirações que conduzem ao
desenvolvimento pessoal para a construção de um significado pessoal de uma
vida satisfatória e valorizada e que permitem equilibrar o trabalho com os
outros papéis que assume na vida.
- Percepção de oportunidades que permite identificar e analisar a
educação disponível, as oportunidades de treinamento e de emprego e acessá-
los, tendo em vista os próprios objetivos e como acessá-lo.
- Aprender a tomar decisão e a fazer transição que possibilita ao
indivíduo desenvolver sua capacidade de transferir habilidades a fim de
manejar situações inesperadas da vida. (Watts, apud Jenschke, 2001).
No entanto, é necessário que não esqueçamos: o que ensinamos só será
importante quando contribuir efetivamente para o desenvolvimento do educando. E isto
vai ocorrer na medida em que ele obtenha, na escola, informação para uma vida melhor.

8.2.1.2 Sub-Tema 2 - Sociedade Tecnológica e Trabalho

A educação tem papel crucial na chamada sociedade tecnológica. De fato, é


unicamente por meio da educação que o indivíduo terá condições, enquanto ser humano,
de compreender e de se situar na sociedade contemporânea como cidadão partícipe e
responsável.
Atualmente as discussões em torno das novas tecnologias e de sua influência
na sociedade, em todos os setores e dimensões, se apóiam sobre certo entusiasmo neste
tema, atribuindo-lhe praticamente o caráter de novo paradigma fundamental, futuro
regulador das interações sociais, culturais, éticas e profissionais numa nova sociedade
que anseia por tomar forma; qualquer que seja a ótica das discussões sobre o assunto, é
inegável, e isto vem sendo repetido continuamente, que precisamos aprofundá-lo, pois
suas repercussões sobre nossa sociedade ainda não foram suficientemente exploradas.
No entanto, não há como negar: novas tecnologias devem ser compreendidas
como elementos mediadores para a construção de uma nova representação da sociedade,
pois a análise de diferentes estudos sobre esta temática sugere que, qualquer que seja a
configuração futura da sociedade, a intervenção do indivíduo, enquanto cidadão
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
55

participativo e determinante em seu meio social continuará dependendo de sua posição


no sistema de produção.
No âmbito do processo de formação escolar, no sentido amplo do termo, a
introdução de novas tecnologias se manifesta segundo duas vertentes distintas, que
indicam e delimitam o que nós consideramos como ponto crucial na discussão em torno
da inter-relação de formação, cidadania e sociedade tecnológica: o futuro do trabalho e a
identificação do perfil do trabalhador em função da reestruturação do sistema produtivo.
Por um lado, acredita-se que a automação dos processos de produção e a introdução de
uma nova cultura tecnológica exigirão dos indivíduos uma formação qualitativamente
mais ampla. Tal formação ampla torná-los-ia aptos para o desempenho de atividades
integradas, o que os libertaria da rotina e da parcelização.
A Sociedade Tecnológica e Trabalho integrada ao Ensino Fundamental da
EJA se propõe a priori como um tema que tem o desejo ambicioso de permear e
problematizar os diferentes conteúdos disciplinares através da apropriação dos
conteúdos, formação de conceitos e a aquisição de competências para agir na realidade
de forma transformadora. Deve provocar a sensibilidade, a produção da consciência do
meio ambiente em geral, a compreensão crítica das questões da utilização dos recursos
pela sociedade humana no seu percurso histórico. Permite desenvolver nos alunos um
profundo interesse pelo meio ambiente e a vontade de participar ativamente na sua
proteção e melhoramento, bem como adquirir conhecimentos necessários para intervir
na resolução dos problemas sócio-ambientais, fomentando o valor e a necessidade de
cooperação local, nacional e internacional.
Inquestionavelmente, esta visão requer uma revolução educacional que não
só extrapole as orientações e conteúdos, mas também envolva práticas pedagógicas
inovadoras de caráter multi e interdisciplinar, privilegiando o planejamento coletivo e o
trabalho de equipe, em que cada componente curricular submeta seus interesses a um
objetivo mais amplo, que transcenda os limites de sua disciplina, que esteja à disposição
da sociedade de uma educação contextualizada, motivadora e de boa qualidade.
Nessa perspectiva, Sociedade Tecnológica e Trabalho torna-se um tema
gerador de grande importância neste início de milênio para pensar não só na tecnologia
mas também na educação e as implicações para o planeta.
Isto porque os paradigmas clássicos, fundados numa visão industrialista
predatória, antropocêntrica e desenvolvimentista, estão se esgotando, não dando conta
de explicar o momento presente e de responder às necessidades futuras. Necessitamos
de outro paradigma, fundado numa visão sustentável do planeta Terra. O globalismo é
essencialmente insustentável. Ele atende primeiro às necessidades do capital e depois às
necessidades humanas. E muitas das necessidades humanas a que ele atende, tornaram-
se “humanas” apenas porque foram produzidas como tais para servirem ao capital.
Na era da informação, diante da velocidade com que o conhecimento é
produzido e envelhece, não adianta acumular informações. É preciso saber pensar. E
pensar a realidade. Não pensar pensamentos já pensados. Daí a necessidade de firmar
nossos conhecimentos, no ato de saber aprender, de saber conhecer, das metodologias,
da organização do trabalho na escola.
A educação tecnológica para o mundo do trabalho nesta perspectiva vai de
encontro ao novo paradigma de formação: formar para a compreensão; formar para a
ética do gênero humano, não para a ética instrumental e utilitária do mercado. Educar

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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para comunicar-se. Não comunicar para explorar, para tirar proveito do outro, mas para
compreendê-lo melhor.
Precisamos escolher entre um mundo mais responsável frente à cultura
dominante que é uma cultura de guerra, do ruído, de competitividade sem solidariedade,
deixando o campo do idealismo para ação concreta, praticando a sustentabilidade na
vida diária, na família, no trabalho, na escola, na rua.
Sociedade Tecnológica e Trabalho não se refere apenas com a tecnologia,
economia e mercado de trabalho. Sociedade Tecnológica e Trabalho tem a ver com a
relação que mantemos conosco mesmos, com os outros e com a natureza dentro da
concepção de desenvolvimento sustentável. A escola deverá começar por ensinar,
sobretudo a ler o mundo, como nos diz Paulo Freire, o mundo que é o próprio universo,
por que é ele nosso primeiro educador. E isso será possível através da problematização
de temas geradores como: tecnologia e trabalho; globalização e trabalho; meio
ambiente, sustentabilidade e trabalho; qualidade de vida e consumo; cultura e lazer no
mundo do trabalho, dentre outros.
Portanto, esta leitura perpassa por outros afazeres do homem tecnológico e
suas implicações no mundo do trabalho. Daí a importância do tema Sociedade
Tecnológica e Trabalho levar o educando de EJA a pensar, refletir e agir para:
compreender a lógica do mercado globalizado e suas implicações; alcançar uma
qualidade de vida melhor pensando-se em alternativas sustentáveis de consumo;
entender as tendências do mundo do trabalho através das tecnologias e também
avançarmos no sentido de um entendimento mais amplo sobre o papel do lazer que
considere suas relações com o mundo do trabalho e da cultura.

8.2.1.3 Sub-Tema 3 - Diversidades no Mundo do Trabalho

A sociedade contemporânea exige de seus atores uma postura de tolerância e


respeito para com a diversidade. Somos todos iguais, ontologicamente, mas também
somos todos diferentes. Em todas as instâncias da convivência humana o aprender a
conviver com o diverso tem se tornado uma necessidade sempre mais ubíqua. No
mundo do trabalho essa capacidade pode ser a diferença que possibilita crescimento e
desenvolvimento, haja vista que o trabalho em equipe e, especialmente, com o diverso
propicia enriquecimento e criatividade ímpares.
O educando da EJA, como sujeito até então alijado do processo escolar,
precisa encontrar na escola um ambiente de discussão e preparo para o ‘encontro
criativo’ com a diversidade de nossa sociedade.
Para Ferreira (2003 e 2005), esse ‘encontro criativo’, pode ser entendido na
relevância de os jovens, principalmente os de baixa renda, terem acesso a programas
que lhes possibilitem o desenvolvimento das competências subjetivas. Outro aspecto
fundamental é a organização de sistemas que os favoreça ultrapassar os estreitos limites
de seus contatos sociais, obter informação sobre oportunidades e participar de processos
seletivos de forma mais democrática, sem a necessidade de depender de amigos com
poder para influenciar na contratação.
Esse pode ser o papel a ser desempenhado pelas redes públicas de ensino,
onde os alunos, pretensos candidatos teriam a oportunidade de oferecer-se a postos para
os quais estão sendo qualificados. Uma das vantagens indicadas aqui é o estudo das
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
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competências atualmente demandadas pelos empregadores e a qualificação dos


candidatos em geral. Com isso, é possível elaborar programas voltados para o
aprimoramento da força de trabalho dos candidatos. Uma outra vantagem é a de
oferecer canais de informação para trabalhadores que não participam de redes
influentes, sobretudo em virtude do modo frágil de inserção social.
Assim, a EJA na intenção de favorecer esta tarefa pedagógica, compreende
ser necessária atuação de profissionais que entendam as diversidades no mundo do
trabalho, no intento de,
[...] reduzir os problemas que essa diversidade possa trazer consigo e
utilizar suas virtualidades positivas. [...] As diferenças deveriam ser o
lugar para a compreensão, para o exercício de um tipo de diálogo e
relação com o (culturalmente) outro que asseguraria a emergência de
uma comunidade mais plural a que pertenceriam às pessoas com uma
identidade cultural mais completa, com uma mente mais ampla, com
formas de vida mais flexíveis e ricas, com um pensamento mais aberto
e com um tom emocional mais receptivo e tolerante. (p. 73)4
Alcançar o objetivo de estabelecer essas relações de alteridade no mundo do
trabalho implica na mudança integral do educando, pois não será apenas nesse ambiente
em que ele exercerá tal capacidade, mas em todos os ambientes em que estiver de modo
que será um sujeito construtor de uma sociedade mais humana e fraterna em que
violência e desrespeito não façam parte da realidade.
No intuito de alcançar essa audaciosa meta precisamos trabalhar conteúdos
que discutam as diferenças e suas virtualidades a partir de diversidades como: gênero,
juventude, trabalho no campo, diversidade sexual, juventude e trabalho, além de outros
temas que façam parte do contexto dos educandos da EJA.
Conhecer para respeitar as diferenças com as quais nos confrontamos no
cotidiano é tarefa imprescindível para a construção dessa sociedade que almejamos.
Diferenças étnicas, religiosas e diferentes pontos de vista discutidos no ambiente escolar
possibilitam a construção de uma identidade brasileira firme, no entanto, aberta aos
melhoramentos que o encontro com os diversos nos traz.
Relações como urbano e rural, juventude e gênero precisam ser discutidas
para que possamos entender as diferenças e conviver de modo produtivo com elas. A
visão de mundo de cada uma dessas diferenças constitui parte de um todo que é o
mundo em que vivemos e onde trabalhamos. Cada um desses ‘diversos’ olha o mundo
de sua posição-sujeito, de modo que para compreendermos suas posições é necessário
desprendimento de nossa própria posição para podermos compreender de fato o que e
como o outro5 pensa, produzindo assim uma compreensão real do que ele seja e de sua
contribuição como parte importante de nosso mundo.
Esse trabalho será possibilitado através do estudo e problematização de
temas geradores como: diversidades e trabalho; juventude e trabalho; mulher e trabalho;
trabalho no campo; segurança e saúde no trabalho, além de outros evidenciados pelos
educandos e/ou que façam parte de seu contexto social.

4
Tradução nossa.
5
Diverso, diferente.
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
58

9. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS CURSOS

A Educação de Jovens e Adultos - EJA destina-se aos alunos que não


tiveram acesso à educação ou não deram continuidade aos seus estudos em nível de
Ensino Fundamental e/ou Ensino Médio na idade própria, sendo oferecida pelo sistema
público estadual de ensino, com oportunidades educacionais apropriadas, através de
cursos no formato presencial, semipresencial ou à distância, estruturados em Módulos
de Ensino sem seriação. Além dos cursos também são oferecidos exames supletivos, em
nível de Ensino Fundamental e Médio, conforme critérios estabelecidos nesta proposta
pela Secretaria de Estado de Educação, em consonância ao que determina a Resolução
nº 26/07 do Conselho Estadual de Educação.

9.1 DOS CURSOS PRESENCIAIS

Para garantir o amplo direito à educação e o atendimento a todos os jovens e


adultos no Estado do Acre, os cursos da EJA no formato presencial em nível de Ensino
Fundamental e Ensino Médio podem ser ofertados em escolas da rede estadual de
ensino, escolas municipais, no Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA,
espaços alternativos cedidos pela comunidade, empresas, instituições governamentais e
não-governamentais, sindicatos, associações, casas de medidas sócio-educativas e
sistema prisional, mediante autorização da Secretaria de Estado de Educação e em
conformidade ao que estabelece a Resolução nº 26/07 do Conselho Estadual de
Educação.
Para tanto, são utilizados materiais específicos para essa modalidade de
ensino, respeitando-se as características e especificidades dos grupos, espaços, tempo e
localização.
O atendimento à população carcerária do sistema prisional dar-se-á mediante
adequação do currículo da EJA para a educação nas prisões, considerando o tempo e o
espaço dos sujeitos da EJA inseridos nesse contexto, de modo a enfrentar os desafios
que a Lei de Execuções Penais – LEP propõe em termos de reintegração social.
O atendimento aos adolescentes das casas de medidas sócio-educativas dar-
se-á mediante adequação do currículo da EJA para esse público, através do Centro de
Educação de Jovens e Adultos em Rio Branco, orientado pela proposta pedagógica
específica para os centros, anexada a este documento.

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9.1.1 Das Condições de Oferta

Os cursos da Educação de Jovens e Adultos, ofertados sob a forma


presencial e com avaliação no processo, funcionam com carga horária semanal mínima
de 15 (quinze) horas aulas, ficando a critério da escola e da comunidade, estabelecer o
horário de funcionamento, respeitando o tempo mínimo diário de 3 (três) horas de
atividades.
O agrupamento das turmas é feito por Módulo de Ensino e de acordo com a
demanda das comunidades, conforme critérios estabelecidos na presente proposta.
Serão considerados aptos a ingressar nos cursos presenciais da EJA alunos
que, no ato da matrícula, estejam com idade mínima de 15 (quinze) anos completos para
o Ensino Fundamental, e de 18 (dezoito) anos completos para o Ensino Médio.

9.1.2 Da Abertura de Turmas

Para viabilizar a abertura de turmas da EJA, em áreas urbanas, será


observada a matrícula inicial de, no mínimo, 25 alunos e, no máximo, 40 alunos. O
funcionamento dessas turmas deverá obedecer a uma freqüência mínima regular de 15
(quinze) alunos. Nas escolas da rede pública estadual de ensino, o agrupamento das
turmas ocorrerá, preferencialmente, em escolas pólos cujo mobiliário esteja adequado a
jovens e adultos.
Em se tratando de turmas localizadas em áreas rurais será observada a
matrícula inicial de, no mínimo, 15 (quinze) alunos e freqüência mínima regular de 10
(dez) alunos, respeitando-se as especificidades de comunidades isoladas e de difícil
acesso.
Para a abertura de turmas em espaços alternativos cedidos pela comunidade,
empresas, instituições governamentais e não-governamentais, sindicatos, associações,
casas de medidas sócio-educativas e sistema prisional, o coordenador responsável
encaminhará solicitação à Gerência Pedagógica da EJA na SEE e/ou ao Núcleo da SEE
nos Municípios que, mediante realização de visita, reunião com a comunidade e
confirmação da demanda, autorizará seu funcionamento, em conformidade com os
critérios estabelecidos na proposta pedagógica da SEE. Em Rio Branco, essas turmas
estarão vinculadas ao Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA ou a uma escola
da rede estadual localizada na mesma regional. O funcionamento das respectivas turmas
deverá obedecer ao projeto político pedagógico da escola ao qual esteja vinculada. Em
se tratando de turmas localizadas nos Municípios, estas ficarão vinculadas à escola pólo
da EJA, bem como ao seu projeto político pedagógico.
As turmas das casas de medidas sócio-educativas e sistema prisional que
funcionem em escolas devidamente regularizadas junto à SEE e CEE terão projeto
pedagógico específico orientado pela SEE em razão de suas especificidades e em
consonância com a legislação vigente, não se caracterizando espaços alternativos do
CEJA.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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9.1.3 Da Estrutura Didática, Carga Horária e Duração:

• EJA I:

O curso EJA I se constitui num curso especial de Ensino Fundamental


oferecido pela SEE correspondente ao período de integralização dos anos iniciais (1ª e
4ª séries), visando garantir aos alunos com insuficiência de aprendizagem, o apoio
necessário ao desenvolvimento das competências e habilidades exigidas para a
continuidade de seus estudos no ensino fundamental.
Ao ingressar no curso EJA I o aluno passará por um processo de triagem,
sendo posicionado no Módulo que esteja de acordo com seu nível de desenvolvimento.
Alunos não alfabetizados serão encaminhados para as turmas do Programa ALFA 100.
O curso EJA I tem duração prevista de um ano e meio e carga horária total
de 900 (novecentas) horas, distribuídas em três Módulos de Ensino, conforme
especificação abaixo:
Módulo I – Tem duração de cem dias letivos, carga horária semestral de 300
(trezentas) horas e jornada semanal mínima de 15 (quinze) horas, incluindo a
recuperação paralela e avaliações. É composto pelas seguintes áreas de conhecimento:
Língua Portuguesa, Arte, Matemática, História, Geografia, Ciências e Educação Física.
A ênfase deste Módulo incide no aperfeiçoamento do código da leitura e da escrita
(letramento) bem como dos cálculos matemáticos, utilizando-se dos conhecimentos dos
demais componentes curriculares trabalhados de forma articulada e interdisciplinar.
Módulo II – Tem duração de cem dias letivos, carga horária de 300
(trezentas) horas e jornada semanal mínima de 15 (quinze) horas, incluindo recuperação
paralela e avaliações. É composto pelas seguintes áreas de conhecimento: Língua
Portuguesa, Arte, Matemática, História, Geografia, Ciências e Ensino Religioso.
Módulo III – Tem duração de cem dias letivos, carga horária de 300
(trezentas) horas e jornada semanal mínima de 15 (quinze) horas, incluindo recuperação
paralela e avaliações. É composto pelas seguintes áreas de conhecimento: Língua
Portuguesa, Arte, Matemática, História, Geografia e Ciências.
As áreas de conhecimento que compõem o currículo do curso EJA I estão
estruturadas conforme Matriz Curricular anexa a esta proposta.
Embora o curso esteja organizado para ser desenvolvido em um ano e meio,
o tempo para aquisição desses conhecimentos dependerá do nível de desenvolvimento
das habilidades pelo aluno, mediante realização de processo de progressão, que inclui
avaliação escrita em todos os componentes curriculares e entrevista, não sendo exigido
cumprimento de carga horária mínima para o referido processo de avaliação. Além
disso, caso o aluno tenha cursado alguma série do ensino fundamental regular, o mesmo
poderá ser avaliado e matriculado no Módulo II ou III sem, necessariamente, ter cursado
o Módulo I. Sendo o resultado satisfatório, a escola formaliza o processo no relatório
final e faz o registro no histórico escolar do aluno.
A oferta do curso EJA I se dará apenas no formato presencial, devendo as
matrículas estar permanentemente abertas, de modo a garantir condições necessárias
para prosseguimento nos estudos e cursos seguintes.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


61

A Formação para o Mundo do Trabalho nesse período de integralização


será desenvolvida através de oficinas e/ou atividades interdisciplinares em que seja dada
aos alunos a possibilidade de construção do conhecimento a respeito do trabalho e de
sua própria identidade como cidadãos brasileiros trabalhadores, de maneira que reflitam
e percebam quem são e como são no mundo, e/ou ainda tenham a liberdade de mudar a
sua história de vida.
A disciplina Ensino Religioso será oferecida através de Projetos Escolares ao
longo da etapa letiva ou ao seu final, observando-se temáticas sugeridas pela
comunidade escolar em consonância com a proposta apresentada pela SEE para esse
segmento.
A dispensa total das atividades da disciplina Educação Física poderá ser
facultada conforme estabelece o Artigo 6º da Resolução Nº 07/2004 do CEE
“ao aluno que comprove exercer atividade profissional em
jornada igual ou superior a 6 (seis) horas; ao aluno maior de 30
anos de idade; ao aluno que estiver prestando serviço militar
inicial ou que, em outra situação, comprove estar obrigado à
prática de educação física na organização militar em que serve;
ao aluno amparado pelo Decreto Lei nº 1.044/69; à aluna que
tenha prole.”

• Ensino Fundamental (2º Segmento):

O curso Ensino Fundamental da EJA – 2º Segmento – corresponde às séries


terminais do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries). O curso tem duração de dois anos e
meio e carga horária total de 1.600 (um mil e seiscentas) horas, distribuídas em 5
(cinco) Módulos de Ensino de 320 (trezentas e vinte horas) horas. A carga horária
mínima diária a ser trabalhada é de 3 (três) horas aulas.
Estruturado a partir do Eixo Integrador “Educação e Trabalho”, o currículo
do Ensino Fundamental tem um total de 1.600 (um mil e seiscentas) horas, das quais
1.300 (um mil e trezentas horas) correspondem a Formação Geral e 300 (trezentas)
horas a Formação para o Mundo do Trabalho (FMT), a qual será oferecida pela SEE,
em parceria com instituições que atuem na área de educação profissional através de
cursos básicos de qualificação profissional ou ainda através de Projetos
Complementares (PC), com a utilização de material específico para esse fim.
Cada Módulo de Ensino é composto por disciplinas, conforme especificação
abaixo:
Módulo I (com equivalência à 5ª e 6ª séries) – Tem duração de cem dias
letivos, carga horária de 320 (trezentas e vinte horas) horas e jornada semanal mínima
de 16 (dezesseis) horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. É composto pelas
disciplinas Língua Portuguesa I, Arte, Educação Física e Educação Religiosa I.
Módulo II (com equivalência à 5ª e 6ª séries) – Tem duração de cem dias
letivos, carga horária de 320 (trezentas e vinte horas) horas e jornada semanal mínima
de 16 (dezesseis) horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. É composto pelas
disciplinas: Matemática I, Ciências I e Formação para o Mundo do Trabalho I (FMT I).

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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Módulo III (com equivalência à 5ª e 6ª séries) – Tem duração de cem dias


letivos, carga horária de 320 (trezentas e vinte horas) horas e jornada semanal mínima
de 16 (dezesseis) horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. É composto pelas
disciplinas: História I, Geografia I, Língua Estrangeira Moderna I (Inglês ou Espanhol)
e Formação para o Mundo do Trabalho II (FMT II).
Módulo IV (com equivalência à 7ª e 8ª séries) – Tem duração de cem dias
letivos, carga horária de 320 (trezentas e vinte horas) horas e jornada semanal mínima
de 16 (dezesseis) horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. Língua Portuguesa
II, História II, Geografia II e Língua Estrangeira Moderna II (Inglês ou Espanhol).
Módulo V (com equivalência à 7ª e 8ª séries) – Tem duração de cem dias
letivos, carga horária de 320 (trezentas e vinte horas) horas e jornada semanal mínima
de 16 (dezesseis) horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. É composto pelas
disciplinas: Matemática II, Ciências II e Formação para o Mundo do Trabalho III (FMT
III).
As áreas de conhecimento que compõem o currículo do Ensino Fundamental
- do 2º Segmento estão estruturadas conforme Matriz Curricular anexa a esta proposta.
As disciplinas de cada Módulo serão oferecidas de forma concomitante,
possibilitando ao aluno cursá-las alternadamente, o que permite melhor
acompanhamento, uma maior convivência social, bem como o desenvolvimento de
projetos interdisciplinares, conforme sugerem os referenciais de cada componente
curricular.
A disciplina Ensino Religioso será oferecida através de Projetos Escolares ao
longo da etapa letiva ou ao seu final, observando-se a problemática da comunidade
escolar em consonância com as temáticas propostas nos referenciais da respectiva área.
A dispensa total das atividades da disciplina Educação Física poderá ser
facultada conforme estabelece o Artigo 6º da Resolução Nº 07/2004 do CEE
“ao aluno que comprove exercer atividade profissional em
jornada igual ou superior a 6 (seis) horas; ao aluno maior de 30
anos de idade; ao aluno que estiver prestando serviço militar
inicial ou que, em outra situação, comprove estar obrigado à
prática de educação física na organização militar em que serve;
ao aluno amparado pelo Decreto Lei nº 1.044/69; à aluna que
tenha prole.”
A carga horária mínima semanal, por disciplina, estabelecida na matriz
curricular deverá ser observada quando da organização do horário semanal, de modo a
garantir que as disciplinas de cada etapa tenham a mesma duração letiva, ficando a
critério das escolas, definir se as aulas diárias terão duração de 60, 90 ou 180 minutos,
respeitando-se a duração mínima de três horas diárias por turno de funcionamento.

• Ensino Médio:

O curso Ensino Médio da EJA corresponde às três séries do Ensino Médio,


idade regular. Está estruturado em quatro Módulos de Ensino, com duração de 2 (dois)
anos e carga horária total de 1.200 (mil e duzentas) horas. Cada Módulo de Ensino tem

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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carga horária de 300 (trezentas) horas, distribuídas entre as disciplinas a serem


oferecidas no período letivo, conforme especificação abaixo:
Módulo I (com equivalência à 1ª e 2ª série) – Tem a duração de cem dias
letivos, carga horária de 300 (trezentas) horas e jornada semanal mínima de 15 (quinze)
horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. É composto pelas disciplinas Língua
Portuguesa I, Arte, Educação Física, Matemática I, Geografia I e História I.
Módulo II (com equivalência à 1ª e 2ª série) – Tem a duração de cem dias
letivos, carga horária de 300 (trezentas) horas e jornada semanal mínima de 15 (quinze)
horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. É composto pelas disciplinas Língua
Portuguesa II, Matemática II, Física I, Química I e Biologia I.
Módulo III (com equivalência à 3ª série) – Tem a duração de cem dias
letivos, carga horária de 300 (trezentas) horas e jornada semanal mínima de 15 (quinze)
horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. É composto pelas disciplinas Língua
Portuguesa III, Matemática III, Física II, Geografia II e História II.
Módulo IV (com equivalência à 3ª série) – Tem a duração de cem dias
letivos, carga horária de 300 (trezentas) horas e jornada semanal mínima de 15 (quinze)
horas, incluindo recuperação paralela e avaliações. É composto pelas disciplinas
Química II, Biologia II, Sociologia, Filosofia, Inglês e Espanhol.
As áreas de conhecimento que compõem o currículo do Ensino Médio estão
estruturadas conforme matriz curricular anexa a esta proposta, a partir do eixo
integrador Educação e Trabalho. O referido eixo será desenvolvido de forma
interdisciplinar através da abordagem de temáticas sugeridas nesta proposta e/ou através
de cursos técnicos ou FIC, em parceria com Instituto Estadual de Desenvolvimento da
Educação Profissional – IDEP/DM ou com outras instituições que também atuem na
área de educação profissional. A carga horária referente aos cursos técnicos não
integram às 1.200 horas do currículo do Ensino Médio, devendo, portanto, serem
acrescidas ao respectivo currículo, conforme duração dos cursos.
As disciplinas de cada Módulo serão oferecidas de forma concomitante,
possibilitando ao aluno cursá-las alternadamente, o que permite melhor
acompanhamento, uma maior convivência social, bem como o desenvolvimento de
projetos interdisciplinares, conforme sugerem os referenciais de cada componente
curricular.
A dispensa total das atividades da disciplina Educação Física poderá ser
facultada
ao aluno que comprove exercer atividade profissional em
jornada igual ou superior a 6 (seis) horas; o aluno maior de 30
anos de idade; o aluno que estiver prestando serviço militar
inicial ou que, em outra situação, comprove estar obrigado à
prática de educação física na organização militar em que serve;
o aluno amparado pelo Decreto Lei nº 1.044/69; à aluna que
tenha prole. (Artigo 6º da Resolução Nº 07/2004 do CEE)
A carga horária mínima semanal, por disciplina, estabelecida na matriz
curricular deverá ser observada quando da organização do horário semanal, de modo a
garantir que as disciplinas de cada etapa tenham a mesma duração letiva. Contudo, fica
a critério das escolas, definir se as aulas diárias terão duração de 60, 90 ou 180 minutos,
respeitando-se o tempo mínimo de três horas diárias por turno de funcionamento.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


64

9.1.4 Da Freqüência

O Art. 45 da Resolução nº 02/2000 estabelece que “a freqüência passa a ser


apurada sobre o total da carga horária do período letivo”.
Neste sentido, considerando que o período letivo dos cursos da Educação de
Jovens e Adultos é denominado Módulo de Ensino e tem duração total de 300
(trezentas) horas letivas, a freqüência mínima exigida para efeito de aprovação nos
cursos presenciais da EJA é de 75% (setenta e cinco por cento) da carga horária total de
cada Módulo e o limite de faltas não poderá ultrapassar 25% do total das 300 (trezentas)
horas letivas, estando o aluno reprovado no Módulo de Ensino, caso a freqüência seja
inferior aos 75% exigidos.
Alunos que tenham mais de 25% (vinte e cinco) por cento de faltas em um
componente curricular ou mais terão direito às aulas de compensação didático-
pedagógica para suprimento de freqüência, em horário pré-definido pela escola, além
das avaliações que forem oferecidas conforme calendário estabelecido para os demais
alunos, desde que suas faltas não ultrapassem aos 25% (vinte e cinco) por cento da
carga horária total do Módulo (300h).
O registro da freqüência dos alunos será efetuado diariamente pelo professor
na caderneta de registro de aulas e totalizada ao final de cada mês. Ao término do
período letivo a secretaria da escola registrará o total de faltas do Módulo de Ensino na
ficha individual do aluno e no histórico escolar.

9.1.5 Da Matrícula

A matrícula para os cursos de Ensino Fundamental e Ensino Médio da EJA


será efetuada por Módulo de Ensino e a cada início de etapa letiva, conforme
estabelecido no Calendário Escolar, mediante requerimento dos pais ou responsáveis,
no caso de ser menor de idade, ou do próprio aluno, quando este for maior de idade.
São critérios mínimos exigidos para se efetuar matrícula nos cursos da
Educação de Jovens e Adultos:
• Estar alfabetizado;
• Estar com idade de 15 (quinze) anos completos para ingressar no
Ensino Fundamental e idade de 18 (dezoito) anos completos para ingressar no Ensino
Médio;
• Apresentar cópia de documento de identificação (carteira de identidade
ou carteira de trabalho ou carteira de reservista ou carteira de motorista ou registro de
nascimento ou registro de casamento civil).
Para atender o aluno que não tenha documento comprobatório da escola de
origem e que apresente conhecimentos e habilidades necessárias, a escola deverá
proceder à avaliação diagnóstica mediante prova escrita em todos os componentes
curriculares e redação para reclassificação do aluno, obedecendo-se ao critério de idade
mínima estabelecida para ingresso na EJA, de modo a posicioná-lo no Módulo mais
adequado.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


65

No ato da matrícula o aluno deverá ser informado que, em caso de evasão


que comprometa a freqüência mínima exigida para o funcionamento das turmas, os
mesmos serão encaminhados para outras turmas e/ou escola, garantindo a continuidade
de seus estudos.

9.1.6 Da Transferência

A transferência de alunos da Educação de Jovens e Adultos de uma escola


para outra ou de um curso para outro, será efetivada mediante requerimento assinado
pelo aluno, quando maior de idade e pelo pai ou responsável, quando menor de idade,
tendo como referência os conteúdos da base nacional comum do currículo.
Para efeito de transferência antes do término do período letivo, a escola
fornecerá documento informando a freqüência e notas parciais, registradas no histórico
escolar do aluno, para que o mesmo possa dar continuidade em outra instituição escolar.
Quando se tratar de transferência de alunos decorrentes do fechamento de
turma, em razão de evasão, a escola de origem encaminhará solicitação de matrícula à
escola de destino, garantindo aos alunos a continuidade e conclusão do Módulo para o
qual foram matriculados.
A transferência de alunos oriundos de estabelecimentos de ensino
estrangeiros está sujeita aos procedimentos de avaliação dos estudos e reclassificação,
em consonância com a legislação vigente e mediante apresentação de documento
devidamente traduzido.

9.1.7 Da Lotação de Professor na EJA

Visando assegurar na Educação de Jovens e Adultos professores


devidamente qualificados, comprometidos com a inclusão educacional e que atendam
aos requisitos definidos nesta proposta é que a SEE estabelece como critério para
lotação de professores na Educação de Jovens e Adultos:
a) A formação mínima de Ensino Médio em Magistério para Alfabetização
e Séries Iniciais do Ensino Fundamental para atuar no EJA I e
licenciatura plena ou bacharelado com complementação pedagógica para
atuar no Ensino Fundamental (2º Segmento) e Ensino Médio,
salvaguardando-se as especificidades de escolas localizadas na Zona
Rural;
b) A participação efetiva nos cursos de Formação Continuada oferecidos
pela Coordenação da EJA e/ou pela escola, nos horários pré-
estabelecidos;
c) A realização de planejamento semanal na escola conforme critérios e
horários definidos pela escola e/ou SEE para esse fim;
d) A avaliação de desempenho positiva. Essa avaliação se dá ao final de
cada módulo e compreende: a aplicação de instrumento de avaliação
junto aos alunos da turma em que atuou; a avaliação do coordenador
pedagógico decorrente do processo de acompanhamento às atividades na
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
66

sala de aula e a avaliação referente ao processo de formação continuada,


realizada por técnicos da SEE.
Após a aplicação dos instrumentos é feita a tabulação dos dados, sendo
considerado professor com desempenho positivo aquele que corresponder positivamente
a 70% dos critérios avaliados. O professor, cujo desempenho não atender
satisfatoriamente aos critérios avaliados ficará impossibilitado de continuar atuando na
Educação de Jovens e Adultos.
Após a lotação do professor, constatado durante a etapa letiva o não
cumprimento ao estabelecido no item “b” e “c”, o professor será advertido e, caso
persista em não cumprir, o mesmo será devolvido à Coordenação de Lotação e terá seu
vínculo com a EJA cancelado.

9.2 DOS CURSOS SEMIPRESENCIAIS E À DISTÂNCIA


Em se tratando de jovens e adultos, a lei prevê a criação de proposta
alternativa para promover a igualdade de condições para o acesso e permanência do
aluno no processo educativo, bem como a utilização de concepções pedagógicas que
valorizem a experiência extra-escolar e a vinculação da educação com o trabalho e com
as práticas sociais.
Neste sentido os cursos semipresenciais (combinando educação à distância e
forma presencial) e à Distância, em nível de Ensino Fundamental ou Médio, serão
ofertados pelo Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA, em Rio Branco, com
possibilidade de ampliação para outros Municípios, verificadas as condições necessárias
e, desde que devidamente autorizados pela Secretaria de Estado de Educação e pelo
Conselho Estadual de Educação, conforme critérios de organização e funcionamento
estabelecidos em proposta pedagógica específica e em consonância com os referenciais
curriculares aprovados para a Educação de Jovens e Adultos.

9.3 DOS EXAMES SUPLETIVOS

O artigo 37, § 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional –


LDBEN Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 em conformidade com a Resolução Nº
26/2007, do Conselho Estadual de Educação estabelecem que “... os sistemas de ensino
assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos
na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as
características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante
cursos e exames”.
Neste sentido “os exames supletivos consistem na aferição de conhecimentos
e habilidades com o objetivo da emissão de comprovante de escolarização, total ou
parcial, do Ensino Fundamental ou Médio” (Art.16, Res. Nº 26/2007 - CEE), conforme
critérios estabelecidos na presente proposta.

9.3.1 Exames Especiais

Os Exames Especiais são realizados por solicitação dos interessados, para


atender necessidades ocasionais e emergenciais devidamente comprovadas, com o

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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objetivo da emissão de comprovante de escolarização, total ou parcial, do Ensino


Fundamental ou Médio, em tantas disciplinas quanto se fizerem necessárias, podendo
ser oferecidos, em Rio Branco, no Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA, e
em Cruzeiro do Sul, na Escola Hugo Carneiro.
É exigida a idade mínima de 15 (quinze) anos completos para efetuar
matrícula em Exames Especiais de Ensino Fundamental e de 18 (dezoito) anos
completos para matrícula em Exames Especiais de Ensino Médio.
Ainda poderá ser contemplado para efeito de conclusão do Ensino
Fundamental ou Médio na EJA, o jovem e/ou adulto que:
• Esteja em processo de conclusão do Ensino Fundamental ou
Médio, dependentes em até 02 (duas) disciplinas, na última série do Ensino
Fundamental ou Médio idade regular, desde que atenda ao critério de idade estabelecida
para os Exames (15 ou 18 respectivamente).
• Esteja concluindo curso de Educação de Jovens e Adultos com
dependência de, no máximo, até 2 (duas) componentes curriculares, para efeito de
conclusão do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) ou Ensino Médio da EJA.
• Tenha cursado o Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série (completo ou não)
e/ou o 1º Segmento do Ensino Fundamental da EJA e não tenha comprovação de
escolaridade, para efeito de conclusão do Curso EJA I.
• Esteja com 18 anos e fora da escola há mais de dois anos, tendo cursado
comprovadamente até a 7ª série (curso completo), para efeito de conclusão do Ensino
Fundamental – 2º Segmento na EJA.
• Esteja com 21 anos e fora da escola há mais de dois anos, tendo cursado
comprovadamente até a 2ª série (curso completo), para efeito de conclusão do Ensino
Médio na EJA.
• For militar e, comprovadamente, esteja impossibilitado de freqüentar os
cursos da EJA em formato presencial, mediante apresentação de requerimento escrito
solicitando abertura de processo, anexando declaração do órgão ao qual esteja
diretamente ligado e que comprove o fato, bem como cópia do documento de
identidade;
• Exerça atividade profissional em escalas de plantão e que,
comprovadamente, esteja impossibilitado de freqüentar os cursos da EJA em formato
presencial, mediante apresentação de requerimento escrito solicitando abertura de
processo, anexando declaração do órgão ao qual esteja diretamente ligado e que
comprove o fato, bem como cópia do documento de identidade;
• Resida em áreas rurais de difícil acesso em que não haja a oferta de
cursos presenciais da EJA e que esteja impossibilitado de freqüentar outros cursos,
mediante apresentação de requerimento escrito solicitando abertura de processo,
anexando cópia do comprovante de endereço que comprove o fato, bem como cópia do
documento de identidade;
• For portador de necessidades especiais e esteja impossibilitado de
freqüentar regularmente os cursos presenciais e/ou semipresenciais, mediante
apresentação de requerimento escrito solicitando abertura de processo, anexando
atestado médico que comprove o fato, bem como cópia do documento de identidade;

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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• Esteja freqüentando cursos preparatórios para Exames Especiais,


oferecidos nas unidades do sistema prisional e/ou centros de medidas sócio-educativos,
mediante apresentação de requerimento escrito solicitando abertura de processo
encaminhado pelo Coordenador Pedagógico da instituição, anexando cópia do
documento de identidade.
Para os casos acima descritos e/ou omissos, o requerimento de matrícula
para os Exames Especiais deverá ser feito no CEJA (Rio Branco), Escola Hugo
Carneiro (Cruzeiro do Sul) ou ainda nos Núcleos da SEE nos demais Municípios o qual
será encaminhado ao CEJA para abertura de processo. O referido requerimento deverá
ser feito pelo próprio interessado e/ou por seu representante legal através de procuração
particular, mediante apresentação da cópia do documento de identidade. Após a abertura
do processo, o mesmo será encaminhado à Coordenação da EJA na SEE, que analisará e
emitirá parecer com base na Resolução Nº 26/07 do CEE e documentos apresentados. O
requerimento que não atender aos critérios estabelecidos será indeferido.
A data para a realização dos Exames deverá ser agendada com um prazo
mínimo de 5 (cinco) dias úteis, obedecendo às vagas estabelecidas pela Coordenação
dos Exames. No dia agendado para a realização das provas o jovem e/ou adulto deverá
apresentar documento de identidade original. A não apresentação do referido
documento implicará no cancelamento de sua matrícula, devendo o candidato proceder
a um novo agendamento. Além disso, o não comparecimento implicará numa nova data
para os Exames, obedecendo às vagas disponíveis.
Será considerado aprovado nos Exames Especiais o candidato que obtiver
nota igual ou superior a 5,0 (cinco). No caso do candidato não alcançar esta média, o
mesmo só poderá realizar outra avaliação, decorridos 5 (cinco) dias, obedecendo às
vagas oferecidas. Em caso de não aprovação na segunda tentativa, o mesmo será
encaminhado para uma escola onde possa cursar a disciplina em que não obteve
rendimento suficiente, ficando impossibilitado de proceder a uma nova inscrição nos
Exames Especiais, no prazo mínimo, de 1 (um) ano.
Para avaliação de cada componente curricular será aplicada uma prova
escrita com 15 (quinze) questões objetivas, sendo que em Língua Portuguesa incluirá
também uma prova de Redação. As provas versarão sobre os conteúdos mínimos das
áreas de conhecimento da base nacional comum. No ato da matrícula serão distribuídos
aos alunos os conteúdos programáticos, conforme referenciais curriculares da EJA.
O horário para a realização da avaliação será estabelecido pela coordenação
responsável pela aplicação dos Exames Especiais em Rio Branco e em Cruzeiro do Sul,
sendo vetada a aplicação de avaliações a pessoas cujos nomes não constem na relação
de agendamento.
O jovem e/ou adulto que porventura incorrer em algum ato ilícito, terá sua
matrícula sumariamente vetada por um prazo, mínimo, de 1 (um) ano.
Os resultados das avaliações serão divulgados no prazo mínimo de 72
(setenta e duas) horas, após a realização da avaliação, em local de fácil acesso e visível
a todos os interessados.
Após a publicação dos resultados o jovem e/ou adulto poderá entrar com
recurso referente à questão da prova, no prazo máximo de 48 (quarenta e oito) horas,
contadas a partir da data de sua aplicação. Os recursos deverão apresentar argumentação
lógica e consistente, bem como indicar a bibliografia pesquisada e conter dados

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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relativos à identidade do reclamante, assinado pelo jovem e/ou adulto que prestou a
avaliação. Para tanto, devem ser devidamente protocolados no CEJA, na Escola Hugo
Carneiro e/ou nos Núcleos da SEE nos demais Municípios, no prazo estabelecido.
A equipe coordenadora dos Exames Especiais em Rio Branco e Cruzeiro do
Sul, terá um prazo de 5 (cinco) dias para avaliar o recurso e emitir parecer.
O candidato que obtiver aprovação em todos os componentes curriculares
através dos Exames Especiais receberá certificado de conclusão do curso ou atestado
parcial correspondente aos componentes em que obteve aprovação.
A equipe gestora do CEJA e da Escola Hugo Carneiro constituirá uma
equipe de professores para atendimento presencial, denominado Plantão Pedagógico,
com o objetivo de possibilitar aos candidatos aos exames o esclarecimento de quaisquer
dúvidas e orientação pedagógica nas diferentes disciplinas. A equipe será composta por
profissionais em sistema de rodízio, obedecendo ao quadro de horário de atendimento
elaborado pela escola.

9.3.2 Dos Exames Supletivos Regionalizados e Unificados

Os Exames Supletivos Regionalizados e Unificados são oferecidos uma vez


por ano em todo o Estado, pela Secretaria de Estado de Educação, através da Gerência
Pedagógica da EJA, em nível de conclusão do Ensino Fundamental para candidatos
maiores de 15 (quinze) anos, e de Ensino Médio para candidatos maiores de 18
(dezoito) anos.
Os conteúdos programáticos avaliados nos Exames Supletivos obedecerão
aos conteúdos mínimos das áreas de conhecimento da base nacional comum, abordados
nos referenciais curriculares da EJA.
A regulamentação dos Exames Supletivos Regionalizados e Unificados será
publicada, anualmente, em Edital específico para esse fim, após análise e parecer de
aprovação emitido pelo Conselho Estadual de Educação - CEE, mediante apresentação
do Plano de Atendimento para a respectiva demanda, conforme estabelece a Resolução
Nº. 26/2007 e Resolução Nº. 46/2007 do CEE.

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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10. DA CLASSIFICAÇÃO E RECLASSIFICAÇÃO

Segundo o Art. 23 da Resolução nº. 2/2000 do CEE, “a classificação é o


posicionamento do aluno ou do candidato, em etapa organizada sob a forma de série
anual, período semestral, ciclo, período de estudo ou outra forma adotada pela escola”.
Nesse sentido, além da classificação por promoção e por transferência, o
aluno que deseje ingressar na EJA e que tenha adquirido conhecimentos por outras vias
e/ou que não possua documentação comprobatória (histórico escolar) poderá ser
classificado, mediante avaliação escrita em todos os componentes curriculares e
entrevista, pela própria escola, para posicionamento posterior no Módulo de Ensino
adequado.
“A reclassificação do aluno é o seu reposicionamento em série, ciclo,
período ou outra forma de organização adotada pela escola, diferente daquela indicada
no seu histórico escolar” (Art. 26, da Resolução nº. 2/2000), sendo admitida apenas
quando solicitada no ato da matrícula ou em até, no máximo, 20 (vinte) dias após o
início das atividades letivas.
Para desenvolver o processo de reclassificação nos cursos, a escola deverá
realizar procedimentos para avaliação diagnóstica do aluno mediante aplicação de prova
escrita em todos os componentes curriculares e redação, de modo a posicioná-lo no
Módulo mais adequado, obedecendo-se ao critério de idade mínima estabelecida para
ingresso na EJA. Para a aplicação das provas será definido como parâmetro os
conteúdos que compõem a base nacional comum do currículo referente ao Módulo de
Ensino do curso pretendido na EJA.
Concluídos os exames com aprovação e mediante reclassificação do aluno
para o Módulo de Ensino a ser cursado no Ensino Fundamental ou Médio da EJA, será
expedido atestado de aproveitamento parcial através do qual o aluno efetivará sua
matrícula na escola. As provas, atas ou atestados que comprovem a reclassificação
deverão ser arquivados na unidade de ensino onde foi realizada a reclassificação,
devendo ainda ser registrado no histórico escolar do aluno e relatório final a ser
encaminhado ao DICRE.
Para atender o aluno que não tenha documento comprobatório da escola de
origem e que apresente conhecimentos e habilidades necessárias, se procederá à
reclassificação conforme procedimentos descritos anteriormente, não sendo admitida
reclassificação de aluno que tenha sido reprovado no ano letivo antecedente.

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11. DA CIRCULAÇÃO E APROVEITAMENTO DE ESTUDOS

A Educação de Jovens e Adultos se organiza na perspectiva de globalidade


da formação do aluno, sendo os conteúdos meios para a realização dessa formação. Nas
situações de transferência entre escolas ou de circulação de estudos (transferência de
uma modalidade de ensino para outra), cabe à escola que recebe o aluno posicioná-lo no
Módulo de Ensino correspondente ao seu nível de desenvolvimento, com base na
documentação apresentada no ato da matrícula e de acordo com a legislação vigente.
Nesse sentido, para garantir a circulação e o aproveitamento de estudos entre
as diferentes modalidades do ensino no âmbito da Educação Básica e verificar a
equivalência de estudos realizados entre séries, etapas e módulos com os cursos da EJA,
a escola fará a análise do histórico escolar expedido pela escola de origem com os
resultados de aprovação do aluno. A análise será feita através do confronto entre os
conteúdos dos componentes curriculares dos cursos de origem – os quais devem estar
anexados ao histórico escolar - e os conteúdos dos componentes curriculares dos
Módulos de Ensino dos cursos de EJA, observando a idade mínima prevista para
ingresso e conclusão dos cursos.
Em caso de comprovação da equivalência, o aluno fica dispensado de cursar
os componentes curriculares já cumpridos, sendo matriculado no Módulo de Ensino
adequado, conforme critérios estabelecidos a seguir:
• Estar com 15 (quinze) anos completos para ingresso no Ensino
Fundamental ou 18 (dezoito) anos completos para ingresso no Ensino Médio.
• Tendo concluído, comprovadamente, até a 5ª série do Ensino
Fundamental ou curso equivalente – o aluno deverá cursar todos os Módulos de Ensino
do Ensino Fundamental, por considerar que os Módulos I, II e III correspondem à 5ª e 6ª
séries e os Módulos IV e V correspondem à 7ª e 8ª série;
• Tendo concluído, comprovadamente, até a 6ª série do Ensino
Fundamental ou cursos equivalentes – o aluno deverá cursar os Módulos IV e V do
Ensino Fundamental, os quais correspondem à 7ª e 8ª série, ficando dispensado de
cursar os componentes curriculares dos Módulos I, II e III. Caso o aluno não tenha
cursado alguns componentes destes módulos nas séries já concluídas, o mesmo deverá
ser matriculado nos respectivos componentes que faltam e cursar, inclusive a Formação
para o Mundo do Trabalho I, II e III.
• Tendo concluído, comprovadamente, a 1ª série do Ensino Médio ou
curso equivalente – o aluno deverá cursar todos os componentes curriculares dos
Módulos I, II, III e IV do Ensino Médio.
• Tendo concluído, comprovadamente, a 1ª e 2ª série do Ensino Médio
ou cursos equivalentes – o aluno deverá cursar todos os componentes curriculares do
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
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Módulo III e IV do Ensino Médio EJA, desde que todos os componentes curriculares do
Módulo I e II tenham sido cursados nas séries anteriores, sem prejuízo à carga horária.
Caso o aluno não tenha cursado algum componente do Módulo I e II nas séries já
concluídas, o mesmo deverá ser matriculado no respectivo módulo para cursar o que
falta.
É importante ressaltar que o aproveitamento de estudos é um procedimento
pedagógico a ser aplicado pela escola a partir da análise da situação individual de cada
aluno, nos termos definidos no seu regimento.
Desde que caracterizada a conclusão do curso através do processo de
aproveitamento de estudos, o certificado de conclusão será expedido ao aluno que
comprovar aprovação nos componentes curriculares, seja através de cursos ou de
exames da EJA.
As disciplinas concluídas em Exames Supletivos poderão ser aproveitadas
para a integralização curricular, mediante apresentação de documento hábil no ato da
matrícula.
Alunos egressos de cursos de Educação de Jovens e Adultos realizados em
instituições de ensino estrangeiras deverão providenciar processo de revalidação para
reconhecimento de seus estudos realizados no exterior, junto ao Conselho Estadual de
Educação, mediante apresentação de documento devidamente traduzido.

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12. DA AVALIAÇÃO E RECUPERAÇÃO

Estando no centro de todas as questões relacionadas à promoção do ser, do


conhecer e do fazer, como processo participativo, contínuo e cumulativo, a avaliação
visa à ampliação dos saberes, podendo ocorrer em qualquer situação didática, de modo a
possibilitar ao aluno auto-avaliar-se e orientar-se quanto aos esforços necessários para a
superação de suas dificuldades. Nesse sentido, o professor utilizará em situações de
aprendizagem individuais e grupais um conjunto de instrumentos de avaliação que
permitam averiguar a evolução global dos educandos, dentre os quais destacamos:
trabalhos escritos, exercícios dirigidos, pesquisas, provas, seminários, debates,
simpósios, memoriais, relatórios, questionários, pré-testes.
A avaliação é um componente intrínseco do processo curricular, não sendo
possível dissociá-la de todo o percurso desenvolvido na sala de aula. Daí considerá-la
como um processo formativo, processual e cumulativo, onde os resultados qualitativos
devem prevalecer sobre os quantitativos e os resultados adquiridos ao longo do período
devem prevalecer sobre os resultados de eventuais avaliações aplicadas ao final de um
período letivo.
Para que a avaliação cumpra o seu papel e não seja restringida apenas ao
aspecto cognitivo, é imprescindível que se considere a avaliação formativa, considerada
um processo contínuo de acompanhamento da aprendizagem cuja função é nortear as
interferências necessárias à superação de dificuldades, visando adequar as situações
didáticas às reais necessidades do educando, com foco na aquisição e domínio de
habilidades e competências pré-estabelecidas. Durante esse processo o professor,
através de uma coletânea de registros sobre a aprendizagem de cada educando, passa a
ter uma visão evolutiva da aprendizagem, além de permitir ao próprio educando
acompanhar suas conquistas, dificuldades e possibilidades em todo o percurso,
fortalecendo sua auto-estima e auxiliando no momento oportuno para que se efetive a
aprendizagem significativa.
Além da avaliação formativa, ao final de cada etapa letiva, o professor
procederá à avaliação com fins diagnósticos, a qual permitirá identificar as habilidades
adquiridas e o nível de desenvolvimento dos educandos. O registro das informações será
feito em documento específico, conforme procedimentos da SEE, sendo utilizado como
parâmetro para o planejamento dos módulos seguintes. Vale ressaltar que os dados
fornecidos pela avaliação diagnóstica não devem ser tomados como um "rótulo" para o
educando, mas sim como um conjunto de indicações a partir do qual o mesmo possa ser
orientado a superar as dificuldades e garantir sua evolução no processo de
aprendizagem.
A avaliação somativa, com vista à promoção do aluno e, considerada como
uma apresentação concentrada de resultados obtidos e evidenciados pela avaliação
Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.
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contínua e cumulativa nas diferentes situações educativas será registrada na caderneta


de registro de aulas e em ficha para tal fim, sendo composta de 4 (quatro) notas, em
escala de 0 a 10, independente da carga horária de cada componente curricular.
Para o cálculo de cada nota (N) o professor distribuirá a carga horária do
componente curricular em quatro blocos de horas aulas, incluída a recuperação paralela,
utilizando-se de diferentes instrumentos de avaliação (trabalhos escritos, exercícios
dirigidos, pesquisas, provas, seminários, debates, simpósios, memoriais, relatórios,
questionários, pré-testes), aplicados no decorrer do período letivo. O valor atribuído a
cada nota será resultado da soma dos resultados obtidos através da combinação de
avaliações individuais, avaliações grupais e provas escritas, não podendo restringir-se
apenas a um instrumento, sob pena de não estar correspondendo à concepção de
avaliação definida para o currículo da EJA.
O cálculo da média final em cada componente será obtido através da
seguinte média aritmética: Nota 1 + Nota 2 + Nota 3 + Nota 4, divididas por 4 =
Média Final, podendo ser alterado de acordo com a normatização da SEE e do CEE.
A escola promoverá estudos de recuperação paralela, conforme estabelece o
Parecer Nº 15/2001 do CEE para os alunos que, durante o período letivo não
apresentaram resultados satisfatórios de aprendizagem nos componentes curriculares,
identificados no processo de avaliação. Os estudos de recuperação serão previstos no
planejamento do professor e desenvolvidos no decorrer do período letivo, devendo ser
registrado na caderneta de registro de aulas.
Será considerado aprovado o aluno que obtiver resultado igual ou superior a
5,0 (cinco) e freqüência igual ou superior a 75% do cômputo da carga horária total do
Módulo de Ensino nos cursos da EJA.

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13. DA CERTIFICAÇÃO

A escola credenciada para oferecer cursos da Educação de Jovens e Adultos


expedirá e registrará no DICRE os históricos escolares, certificados e declarações de
conclusão do Ensino Fundamental ou Médio da EJA, dos alunos que concluírem, com
aprovação, todos os componentes curriculares.
Os atestados de conclusão parcial de componentes curriculares obtidos
através de Exames Supletivos Regionalizados e/ou Exames Especiais realizados serão
expedidos pelo CEJA em Rio Branco ou pela Escola Hugo Carneiro, em Cruzeiro do
Sul, mediante solicitação do interessado. Serão válidos para a expedição de certificados
de conclusão do Ensino Fundamental ou Médio atestados de conclusão parcial com
média.
No caso de aproveitamento de estudos, o certificado de conclusão do curso
será expedido pela escola onde o aluno concluiu seu percurso escolar, observando-se os
critérios estabelecidos no item 10 (Da Circulação e Aproveitamento de Estudos), que
asseguram ao aluno o aproveitamento de componentes cursados no Ensino Fundamental
ou Médio regular, a saber:
• Tendo concluído, comprovadamente, até a 6ª série do Ensino
Fundamental ou cursos equivalentes, o aluno fica dispensado de cursar os componentes
curriculares dos Módulos I, II e III, exceto aqueles que porventura não tenha cursado
nas séries já concluídas, inclusive a Formação para o Mundo do Trabalho I, II e III.
• Tendo concluído, comprovadamente, a 1ª e 2ª série do Ensino Médio
ou cursos equivalentes, o aluno fica dispensado de cursar os componentes curriculares
do Módulo I e II, exceto aqueles que porventura não tenha cursado nas séries já
concluídas.
Além dos casos acima descritos, a escola fará ainda o registro de
aproveitamento de estudos de componentes curriculares concluídos em Exames
Supletivos ou cursados no TC 2000 e Sistema de Créditos (cursos anteriores à
implantação da Matriz 2008).
Em se tratando de componentes cursados no TC 2000 e Sistema de Créditos,
com carga horária inferior à estabelecida na Matriz 2008, a escola deverá proporcionar
ao aluno oportunidades para complementação de carga horária, somente nos casos em
que a soma total da carga horária apresentada pelo aluno seja inferior à carga horária
total do curso freqüentado pelo mesmo, de modo que esta passe a corresponder à carga
horária da Matriz 2008.
Aos alunos que concluíram Módulos de Ensino nos cursos da EJA, a escola
expedirá histórico escolar e/ou atestado de conclusão parcial, correspondente aos

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.


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componentes curriculares em que obteve aprovação, mediante requerimento


apresentado na Secretaria da escola.

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14. DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DA EJA

A partir da declaração de Hamburgo (1997), que ampliou a concepção de


Educação de Jovens e Adultos, ficou patente a necessidade de considerar os educadores
e educandos da EJA na multiplicidade de contextos em que atuam, demandando, por
parte das políticas públicas, o reconhecimento de sua heterogeneidade e a necessidade
de avançar em direção a propostas e programas de formação continuada. Por exigência
da crescente complexidade do mundo contemporâneo surgiram novos desafios para a
formação desses educadores, atentando para especificidades de aprendizagem dos
jovens e adultos, e voltando o olhar para a complexidade dos processos educativos
desses sujeitos.
É primordial o papel do professor na qualidade da educação, inclusive na de
jovens e adultos, pois sobre ele reside diretamente a responsabilidade de ensinar.
Além de todas as habilidades que o professor precisar ter para lidar com o
processo ensino-aprendizagem, ele precisa, antes de tudo, de comprometimento e
envolvimento com a tarefa de ensinar, entendendo a educação como um ato político.
Paulo Freire ressaltava que ensinar exige respeito aos saberes dos educandos.
Dessa forma, o professor da EJA não só deve respeitar os saberes trazidos pelos
educandos, sobretudo os das classes populares, mas também acrescentar outros,
construídos em sala de aula através de uma prática dialógica e emancipadora.
Quando se focaliza o educador da EJA, tem-se como referência de seu fazer
pedagógico uma postura crítica, engajada na luta por uma educação de qualidade,
emancipatória, muito próxima da proposta freireana de educação libertadora.
Para que toda prática pedagógica na sala de aula possa ser voltada para uma
autêntica Educação de Jovens e Adultos, respeitando suas dimensões, singularidades e
complexidades, é vital que os educadores assumam seu papel de “ensinantes”, como
enfatizava Freire, e percebam a necessidade de possuírem conhecimentos mais
aprofundados e atualizados, não só de questões que envolvam suas disciplinas, mas
também, daquelas que estão voltadas para a formação do indivíduo. É preciso que
amplie conhecimentos e habilidades, e isso implica no desenvolvimento de uma
contínua atividade de estudo, reflexão sobre a prática, reformulação de conceitos e
inserções que ajudem os alunos a superar desafios, o que justifica a existência de
programas de formação continuada.
A EJA entende a formação continuada como espaço e tempo de reflexão e
produção pedagógica, contribuindo e estimulando os professores a assumirem a
responsabilidade de seu próprio desenvolvimento profissional e pessoal.

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Os momentos de formação continuada são periódicos, e propõem a (re)


construção de práticas pedagógicas na EJA, o desenvolvimento de habilidades e
competências a serem construídas para o exercício da profissão, entendendo que o
professor precisa de um conjunto de conhecimentos teóricos e científicos que, somados
aos saberes relacionados às disciplinas, ao currículo, às experiências e à ação,
melhorarão sua prática em sala de aula.
A Resolução n. º 10/99 do CEE, que institui e orienta procedimentos sobre a
Educação de Jovens e Adultos nos Sistemas de Ensino Estadual e Municipais do Acre,
em conformidade com a Lei 9394/96, regimenta a formação do professor da EJA da
seguinte forma:
Art. 30 - Os docentes bem como os profissionais de educação para
administração, planejamento, supervisão e orientação educacional da Educação de
Jovens e Adultos deverão possuir a mesma formação requerida nos art. 62 e 64 da Lei n.
° 9394/96 para atuar na educação básica do ensino regular.
Art. 31 – A formação de docentes para a Educação de Jovens e Adultos,
além das diretrizes gerais necessárias à profissionalização, deverá se pautar por valores,
conhecimentos e competências gerais e específicos apoiados em:
I – Ambiente institucional com organização adequada à identidade do Jovem
e do Adulto;
II – Currículo que dê ênfase ao desenvolvimento de práticas educativas que
correlacionem a teoria e a prática, e contemplem a aprendizagem dos alunos;
III – Competência profissional adequada à identidade da Educação de
Jovens e Adultos;
IV - Educação continuada que favoreça a especialização do professor na
área.
Para que haja uma formação continuada que atenda tanto as necessidades
dos professores como dos alunos, é necessário que se vá além de explorar diferentes
teorias de ensino e aprendizagem, é preciso trabalhar questões referentes às estruturas
que afetam a dinâmica da sala de aula.
Em meio a todos esses conhecimentos e saberes, percebe-se que o saber da
experiência ou prática exerce uma importância fundamental na definição da identidade
profissional do docente da EJA, considerando a melhoria da prática como ponto de
partida e de chegada de todo o programa de formação continuada do educador.
É importante compreender, ainda, que os professores, como os demais
profissionais da educação, são sujeitos do conhecimento e possuem saberes específicos,
um saber fazer que, no cotidiano de suas práticas, vai sendo desafiado a construir, no
contato com os diferentes grupos com que atuam e com os demais profissionais da
educação, havendo necessidade de que na sua formação, quer inicial ou continuada,
sejam abordados pontos que atendam às especificidades da educação de jovens e
adultos, o que requer novos saberes para lidar com a complexidade das questões com
que se deparam e as temáticas que as envolvem.
A importância do professor na formação do sujeito crítico e emancipado,
sendo tarefa da educação transformadora e libertadora, presente em todo o percurso da
EJA, acontece frente a uma mudança na prática educativa, fazendo-se necessário,

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portanto, oferecer programas de formação continuada que tenham um referencial o mais


próximo possível da realidade docente.
O contexto social atual exige do professor um saber específico, voltado para
ensinar jovens e adultos, requer o domínio de novos saberes docentes ou profissionais,
apoiados naqueles adquiridos pela experiência.
Enfim, a sabedoria acumulada através da prática pessoal e coletiva, e que são
aprendizagens cotidianas, representa um conjunto de práticas e saberes que, somados
aos conhecimentos científicos e a uma concepção de educação que promova o “ser”,
agrega ideais reflexivos e transformadores em sua totalidade, o que se constituirá a
identidade do professor da EJA.

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15. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Branco: SEE, 2002.

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83

16. ANEXOS

Aprovada através do Parecer CEE Nº 88/2008 e Resolução CEE Nº 36/2009, de 18/02/09.