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** JUÍZO INVESTIGATIVO NOS ENSINOS DE JESUS **

Breve análise do tema pelo erudito adventista, Dr. Samuele Bacchiocchi:

RESPONSABILIDADE HUMANA. A noção de um Juízo Pré-Advento está também


implícita nas declarações de Cristo sobre responsabilidade humana. Jesus declarou que a
extensão de nossa responsabilidade inclui não só atos, mas também “toda palavra vã” (Mat.
12:36). Paulo expressa o mesmo pensamento quando escreve que Deus irá “julgar os segredos
dos homens, por Cristo Jesus” (Rom. 2:16). Tal completa investigação da conduta de bilhões de
pessoas que já viveram sobre este planeta pressupõe um processo judicial prévio ao Advento
porque, como feito notar anteriormente, o julgamento do Advento é basicamente o momento do
acerto de contas final, ou separação, e não instituição de um processo investigativo judicial.

Em algumas de Suas parábolas, Cristo ilustra o princípio da responsabilidade humana


quando do juízo final. Em Mateus, por exemplo, na parábola das Dez Virgens a ênfase está na
responsabilidade por nossa preparação espiritual (Mat. 25:1-13). Na dos Talentos, a área de
responsabilidade é a mordomia de nossas recursos, tais como tempo, dinheiro, e talentos (Mat.
25:14-30). Na das Ovelhas e Cabritos, a área coberta é nossa responsabilidade social para com
as necessidades dos outros (Mat. 25:31-46).

MORTOS RESSURRETOS JÁ JULGADOS. A responsabilidade de cada ser humano é


obviamente decidida antes que Cristo venha para chamar “os que tiverem feito o bem, para a
ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5:28-
29). A ressurreição da vida e da condenação representam o juízo executivo de Cristo que
pressupõe a terminação do juízo avaliativo. Neste texto se indica que as pessoas serão
ressuscitadas não para serem julgadas, mas já julgadas. Se os que são ressuscitados para a vida
eterna ou morte ainda tivessem que ser julgados, teríamos uma situação de incoerência em que
os resultados do juízo seriam atribuídos antes da própria convocação do próprio juízo.

A fase da “ressurreição do juízo” realmente significa “ressurreição da condenação”, uma


vez que é contrastada com a “ressurreição da vida”. Esse significado é muito bem exposto pela
New International Version: “aquele que fizeram o bem “ressuscitarão para viver, e os que
fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados”. O juízo que decide quem “ressuscitará
para viver” e quem “ressuscitará para ser condenado” deve obviamente tomar lugar antes da
própria ressurreição. Este pensamento é expresso por Cristo numa conversação com os saduceus
quando Ele fla dos que somente “são julgados dignos de alcançar o mundo vindouro, e a
ressurreição dentre os mortos” (Luc. 20:35).

A NOÇÃO DE SEPARAÇÃO. A idéia de separação que terá lugar quando da Vinda de


Cristo entre os salvos e os perdidos também pressupõe um Juízo Pré-Advento. Jesus descreve
essa separação quando do Advento numa variedade de maneiras. Ele a compara com a
separação que terá lugar ao tempo da colheita entre o joio e o trigo. Note-se que os que fazem a
colheita são instruídos: “ajuntai . . . o joio . . .; o trigo . . . recolhei-o” (Mat. 13:30). Não haverá
necessidade de que se assegurem qual é o trigo e qual é o joio, porque pelo tempo da colheita a
distinção entre os dois já está estabelecida.

Jesus ilustra a separação do Advento também pela parábola dos maus e bons peixes. Na
parábola a tarefa dos anjos não é determinar quais são os “bons” e quais os “justos”, mas
simplesmente separar uns dos outros (Mat. 13:49). O que fica implícito é que a determinação
da condição de cada já teve lugar.

Uma referência dramática à separação do Advento é encontrada no Discurso do Monte das


Oliveiras onde Jesus, falando do dia da “vinda do Filho do homem”, declara “Então, estando
dois homens no campo, será levado um e deixado outro; estando duas mulheres a trabalhar no
moinho, será levada uma e deixada a outra” (Mat. 24:40-41). A súbita sepração entre os salvos e
os perdidos pressupõe uma determinação prévia de seus respectivos destinos.
AS OVELHAS E OS CABRITOS. A separação do Advento é também comparada por
Cristo com um pastor que “separa as ovelhas dos cabritos”, colocando as primeiras à direita, e
os últimos à esquerda (Mat. 25:32-33). De modo semelhante, Cristo “dirá . . . aos que estiverem
à sua direita: Vinde. . .”, e “aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, . . . para o
fogo eterno” (Mat. 25:34, 41).

Alguns têm interpretado a reunião de todas as nações perante Cristo (Mat. 25:32) como
representando um juízo universal de investigação conduzido ao tempo do Retorno de Cristo.
Contudo, a descrição contém somente o convite e as palavras de condenação de Cristo
(Vinde, . . . Apartai-vos. . .) com a respectiva explicação (“Tive fome e deste-Me de comer” ou
“não me deste de comer”), mas não uma investigação de quem agiu ou não compassivamente. O
processo judicial que conduz a essa determinação é indicado como tendo já ocorrido.

A VESTE MATRIMONIAL. Um processo de avaliação pré-Advento também está


implícito na parábola de Cristo sobre “um rei que celebrou as bodas de seu filho” (Mat. 22:2).
Quando os convidados originais recusaram vir à festa, o convite para as bodas foi estendido a
tantos quantos pudessem ser achados “e encheu-se de convivas a sala nupcial” (vs. 3-10). O rei
gastou um bom dinheiro não só ao estender o convite, mas também, segundo o costume,
suprindo cada convidado com uma bela veste para trajar na ocasião. “Mas, quando o rei entrou
para ver os convivas, viu ali um homem que não trajava veste nupcial” (v. 11).

Evidentemente o rei examinou os convidados ANTES que começasse a festa nupcial. Em


Apocalipse 19, a Vinda de Cristo é comparada com as “bodas do Cordeiro” (vs. 7, 17). Esta
imagem coerentemente sugere que a festa nupcial de Mateus 2 é uma alusão à celebração que
acompanhará o Segundo Advento. A Igreja, esposada com Cristo pela fé (Efé. 5:32), aguarda,
como na parábola das Dez Virgens, pela Vinda do Noivo Celestial para celebrar a festa
matrimonial. Se esta interpretação for correta, então o exame pelo rei dos convidados à festa
ANTES das bodas representaria um processo de avaliação que terá lugar antes da Vinda de
Cristo.

Esta breve pesquisa indica que a ideia de um Juízo Pré-Advento é um pressuposto subjacente
em muito do ensino de Jesus sobre o juízo. Cada um dos temas examinados (recompensa,
responsabilidade, e separação) pressupõe uma obra de investigação pré-Advento que determina
quem é “considerado digno” de alcançar a ressurreição da vida e quem merece a ressurreição da
condenação (Luc. 20:35; João 5:28-29). Esta noção de um juízo avaliativo pré-Advento está
implicitamente expresso, como veremos agora, por outros escritores neotestamentários.