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III SINBOT e XXV ERBOT

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e


XXXV Encontro Regional de Botânicos MG/BA/ES

Lavras-MG
2015
Introdução

O Simpósio Internacional de Botânica Aplicada SINBOT surgiu a partir de uma


iniciativa dos professores da UFLA, Unifal-MG e UFSJ em conjunto com o Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada da UFLA com o intuito de proporcionar uma maior
integração entre os grupos de pesquisa e alunos dessas instituições, bem como de outros
grupos no Brasil e no exterior. Foram realizados dois eventos anteriores, em Lavras-MG
(2012) e Manaus-AM (2013).
A Sociedade Botânica do Brasil (SBB) é uma associação civil sem fins lucrativos
que congrega botânicos estudantes, profissionais, amadores e simpatizantes de todo o país e
do exterior. egionais que os organizam anualmente. A regional que congrega os estados de
Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo (SBB Regional MG/BA/ES) organiza anualmente o
ERBOT – Encontro Regional de Botânicos de MG/BA/ES desde 1981. Nos últimos anos os
encontros foram promovidos e realizados em Vitória-ES (2010), Viçosa-MG (2011),
Uberlândia-MG (2012), Belo Horizonte-MG (2013) e Salvador-BA (2014).
O evento duplo foi realizado de 12 a 15 de maio de 2015 em Lavras, Minas Gerais e
contou com apoio financeiro da CAPES e da SBB. O evento recebeu um total de 226
participantes de 12 Estados Brasileiros com 203 trabalhos científicos aprovados apresentados
na forma de poster. Os trabalhos foram avaliados pela comissão científica sendo
disponibilizados no presente documento, contudo a responsabilidade do conteúdo dos
trabalhos é inteiramente dos autores.

As instituições envolvidas na execução do III SINBOT e XXXV ERBOT foram:

 Universidade Federal de Lavras (UFLA);


 Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL);
 Universidade Federal de São João-del-Rei (UFSJ);
 Sociedade Botânica do Brasil (SBB) Regional MG/BA/ES.

Comissão organizadora

 Marcelo Polo (Unifal-MG)


 Fabricio José Pereira (UFLA)
 Evaristo Mauro de Castro (UFLA)
 Moacir Pasqual (UFLA)
 Gislene de Carvalho Castro (UFSJ)
 Rafael Pio (UFLA)
 Sandro Barbosa (Unifal-MG)
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Atenciosamente,

A comissão organizadora
A FORMAÇÃO DE BORDAS EM AMBIENTES FRAGMENTADOS ALTERA A
FENOLOGIA REPRODUTIVA DA ASSEMBLEIA ARBÓREA?

João Pedro Costa ELIAS1, Drélli Carvalho VERGNE¹, Mariane Patrezi ZANATTA¹,
Caroline Cambraia Furtado CAMPOS¹, Flavio Nunes RAMOS¹.

Entre os fatores que modelam a dinâmica de comunidades está a fenologia reprodutiva das
espécies. Um dos aspectos importantes dos estudos de fenologia é identificar a sinalização de
fatores externos que desencadeiam as fenofases. No entanto, a fragmentação altera várias
características ambientais, podendo modificar os padrões fenológicos das comunidades dentro
dos remanescentes florestais. Desta forma, o objetivo deste estudo foi evidenciar se a
formação de borda pela fragmentação altera o padrão fenológico da assembleia arbórea em
fragmentos florestais. O estudo foi conduzido a partir de dados coletados nos anos de 2010 e
2011 sobre a fenologia de árvores em sete fragmentos localizados no entorno do município de
Alfenas-MG. As fenofases floração e frutificação foram delimitadas, e categorizadas em 0 a 4
de acordo com sua intensidade (0 ausência de fenofase). Analisou-se o padrão da comunidade,
e de 14 espécies com dois ou mais indivíduos na borda e no interior. Foi amostrado um total
de 321 indivíduos (184 na borda, e 70 no interior), sendo 106 espécies e 36 famílias. Os
índices de similaridade apontaram que a composição de espécies é diferente entre borda e
interior (Jaccard 0.31 e Bray-Curtis 0.44). O teste ANOVA realizado para a porcentagem de
espécies em fenofase floração ou frutificação na comunidade não indicou diferença entre os
anos (F1,24=2,8; p=0,10 flor e F1,24=1,4; p=0,25 fruto), ou habitats (F1, 24=2,8; p=0,10 flor
e F1, 24=2,8; p=0,10 fruto). Para o Percentual de Intensidade de Founier também não houve
diferença na comunidade entre os anos (F1,24=0,008; p=0,92 flor e F1,24=0,484; p=0,5 fruto)
e habitats (F1,24=0,008; p=0,92 flor e F1,24=0,008; p=0,92 fruto); assim como não houve
para as 14 espécies entre os anos (F1,24=2,69; p=0,10 flor e F1,24=1,09; p=0,30 fruto), e
habitats (F1,24=2,69; p=0,10 flor e F1,24=2,69; p=0,10 fruto). A igualdade nos padrões
fenológicos entre a borda e o interior pode ser indicada como negativa para ecologia do
fragmento, podendo ser resultado de perturbações ambientais que favorece a colonização de
espécies pioneiras e generalistas. Outro fator de influência é a formação de clareiras, pois
estas podem levar à heterogeneidade de habitat, criando microclimas característicos de início
de sucessão no interior. É possível que a fragmentação nos remanescentes estudados tenha
ocasionado homogeneização das características bióticas e abióticas, resultando em
homogeneização do padrão fenológico da assembleia arbórea.

Palavras-chave:fragmentação, padrão fenológico, floresta semidecídua.

Créditos de financiamento: CAPES, CNPq.

1
Universidade Federal de Alfenas, Departamento Ciências da Natureza, Laboratório de
Ecologia de Fragmentos Florestais, Campos Sede, Rua Gabriel Monteira da Silva, nº 700,
Centro, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
*autor para correspondência: joaopedro.biologia@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 1
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ABSORÇÃO E ALOCAÇÃO DO CHUMBO EM Echinodorus grandiflorus ssp.
grandiflorus (ALISMATACEAE)

Estefânia Santos RIBEIRO1, Marcio Paulo PEREIRA1, Felipe Fogaroli CORREA1,


Evaristo Mauro de CASTRO1, Ana Lívia Martins SCARPA1 Fabricio José PEREIRA1*

O incremento dos metais tóxicos por atividades antrópicas ressalta a importância de estudos
que avaliem os efeitos desses poluentes sobre as plantas e a contaminação dessas espécies
vegetais. O objetivo do presente trabalho consiste na avaliação da capacidade da macrófita
Echinodorus grandiflorus ssp. grandiflorus de absorver e acumular chumbo. As plantas de E.
grandiflorus foram coletadas próximo à região de Lavras, MG, em uma área alagada, livre de
aparentes fontes de contaminação. Foram obtidos clones após 90 dias de cultivo em casa de
vegetação e uniformizados com base em critérios de tamanho e fitossanidade. Os clones
foram submetidos a seis diferentes concentrações de Pb sendo: zero (controle), 0,75; 1,5; 3,0;
6,0 e 9,0 µM de Pb(NO3)2 por um período de 60 dias. Foi analisada a concentração de Pb na
massa seca de raízes, rizomas e folhas de uma planta por tratamento, que foi submetida à
digestão nitroperclórica para posterior leitura em Espectrômetro de Absorção Atômica, sendo
feita três avaliações para cada órgão com parcela experimental de uma alíquota do produto da
digestão. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com seis tratamentos e
quatro repetições; os dados foram submetidos à análise de variância e teste de Scott-Knott
para p<0,05 ou regressão. E. grandiflorus conseguiu sobreviver em todas as concentrações
utilizadas no experimento por todo o período experimental. As plantas conseguiram acumular
um máximo de 134,74 mg Kg-1 de chumbo em sua massa seca que é considerado um valor
alto comparado com a literatura. Foi observado um aumento linear da concentração de Pb nas
raízes, nos rizomas e folhas sendo esse aumento proporcional á concentração de Pb na
solução nutritiva. O Pb foi retido nas raízes das plantas sendo a alocação desse elemento
menor nas folhas em todas as concentrações testadas. A retenção de Pb nas raízes é um
resultado semelhante ao descrito em outras espécies evitando a ação desse poluente nos
tecidos fotossintéticos. Portanto, E. grandiflorus apresenta tolerância ao Pb nas concentrações
testadas, estocando o elemento nas raízes e permitindo a sua sobrevivência por proteger os
tecidos foliares.

Palavras-Chave: Chapéu-de-couro, Metais Pesados, Ecofisiologia Vegetal, Fitorremediação.

Créditos de financiamento: CAPES, CNPq, FAPEMIG.

1
Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil
*
Autor para correspondência (fabriciopereira@dbi.ufla.br)
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 2
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ALTERAÇÕES CELULARES INDUZIDAS POR THYSANOPTERA EM FOLHAS
DE Myrcia splendens (Sw.) DC. (MYRTACEAE)
Nina de Castro JORGE1*, Rosy Mary dos Santos ISAIAS1
Galhas são estruturas formadas a partir do desenvolvimento anormal dos tecidos da planta
hospedeira induzidas por um organismo galhador, comumente um inseto, que se beneficia de
abrigo, nutrição e proteção contra inimigos naturais. O presente trabalho objetivou analisar as
modificações na folha de Myrcia splenedens (Sw.) DC. (Myrtaceae) sob indução de galhas de
enrolamento por um Thysanoptera galhador, visando definir o sítio de alimentação dos insetos
e sua relação com o processo ontogenético responsável pela forma final da galha. Folhas
galhadas e não galhadas (FNG) foram coletadas no Parque Estadual Serra Verde, Belo
Horizote, MG. O material coletado foi processado e preparado segundo métodos usuais para
estudos anatômicos e analisado sob microscópio de luz. A FNG apresenta epiderme pilosa
unisseriada, e células da face adaxial maiores que as da face abaxial. O mesofilo é
dorsiventral com uma camada de parênquima paliçádico e 5-7 camadas de parênquima
lacunoso. O córtex da nervura mediana é formado por parênquima de preenchimento com 15-
17 camadas de células. O sistema vascular é anficrival com xilema em arco. Fibras
pericíclicas estão presentes. Cavidades secretoras são visíveis em todo o órgão. A galha
madura é representada pelo estágio de completo enrolamento da lâmina foliar em direção à
face adaxial. Neste estágio, a epiderme se mantém unisseriada, no entanto é possível perceber
uma mudança na direção de alongamento das suas células, que passa a ser periclinal. O
mesofilo se mantém dorsiventral, mas há redução dos espaços intercelulares do parênquima
lacunoso que se torna mais compacto. Há hipertrofia das células secretoras e redução da luz
da cavidade. Os sítios de alimentação dos insetos galhadores apresentam reações de
hipersensibilidade. As galhas de enrolamento são consideradas estruturalmente simples por
não haver neoformação de tecidos, no entanto há formação de um microambiente favorável ao
desenvolvimento dos galhadores. Por serem sugadores, estes galhadores se alimentam
diretamente das células epidérmicas e, neste sistema acredita-se que também façam uso das
substâncias secretadas pelas glândulas. A forma final da galha é determinada pelo
alongamento diferencial das células, sem que haja rediferenciação de tecidos na lâmina foliar.
Palavras-chave: Myrtaceae, Tripes, Galhas, Anatomia.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Botânica, Programa de Pós-
Graduação em Biologia Vegetal, Instituto de Ciências Biológicas, caixa postal 486, CEP:
31270901, Belo Horizonte - MG, Brasil.
*autor para correspondência: ninacjorge@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 3
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ANÁLISE DE DUAS ESPÉCIES DE Lychnophora Mart. (Asteraceae Dumort:
Vernonieae) UTILIZANDO MICROSCOPIA ELETRÔNICA DE VARREDURA

Quênia Mara SILVA1*. Mariana Esteves MANSANARES 1.

Asteraceae é uma das maiores famílias botânicas, com cerca de 30000 espécies e cerca de
1500 gêneros, sendo que no Brasil ocorrem 1900 espécies e 180 gêneros. Sua distribuição é
ampla, ocorrendo em quase todos os continentes, representando 10% da vegetação mundial.
Dentro da família Asteraceae, encontra-se o gênero Lychnophora Mart., que é endêmico do
Brasil e ocorre em afloramentos rochosos de campos rupestres de Minas Gerais, Bahia e
Goiás. Lychnophora pode ser diferenciado de outros gêneros pelas características marcantes,
como a sincefalia e presença de papus caducos, porém suas espécies apresentam problemas
em suas circunscrições. Diante dessas dificuldades de identificação, procurou-se novos
métodos que auxiliassem na determinação destas espécies, lançando-se mão da Microscopia
Eletrônica de Varredura, que pode ser uma ferramenta bastante útil nas análises taxonômicas.
Neste trabalho foi utilizada a Microscopia Eletrônica de Varredura para análise da morfologia
dos frutos de duas espécies de Lychnophora, L. pohlii e L. rosmarinifolia. Para isso, frutos das
duas espécies foram coletados e fixados em solução de Karnovsky por 24 horas. Após esse
período, foram lavados em tampão cacodilato por 3 vezes, pós-fixadas em tetróxido de ósmio
1% por 4 horas em temperatura ambiente e lavados com água destilada por 3 vezes. Em
seguida, foram desidratadas em uma série de soluções de acetona (30, 50, 70, 90 e 100%) e
secos com dióxido de carbono em um secador de ponto crítico. As sementes foram montadas
em stubs com fita dupla face e revestidos com uma camada de ouro de 20ηm por evaporação
a vácuo. A observação foi feita em um microscópio eletrônico de varredura Evo40 Leo, no
Laboratório de Microscopia Eletrônica e Análise Estrutural da UFLA. As imagens obtidas
foram processadas para ajustes de brilho e contraste. Para a medição das estruturas dos frutos
foi utilizado software Image J. Verificou-se diferenças morfológicas entre os frutos das duas
espécies, como estrias e sulcos com diferentes disposições, sendo que em L. rosmarinifolia
são mais evidentes. O comprimento total dos frutos de L. pohlii foi 5,7 mm e de L.
rosmarinifolia foi 6,3 mm. O tamanho e a inserção dos papus também variou. Em L.
rosmarinifolia os papus são mais curtos (1,7 mm) que de Lychnophora pohlii (1,9 mm) e as
margens menos serreadas. Foi possível observar diferenças morfológicas relevantes entre as
espécies com a técnica, contribuindo para a diferenciação das mesmas.

Palavras-chave: Lychnophora, Microscopia Eletrônica de Varredura, Asteraceae, Papus,


Taxonomia.

Créditos de financiamento: CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
*autor do
Anais para
IIIcorrespondência: queniamsilva@yahoo.com.br
Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 4
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ANÁLISE HISTOLÓGICA DA PRESENÇA DE CRISTAIS DE CÁLCIO EM
HORTALIÇAS NÃO CONVENCIONAIS DO BRASIL

Gabriele Mikami COSTA1*, Luis Felipe Lima SILVA 1, Douglas Correa de SOUZA1,
Ana Carolina Silva PRESTES 1, Osvaldo Esteves de LUCENA1, Luciane Vilela
RESENDE 1

Hortaliças não convencionais são espécies pouco difundidas no mercado, geralmente


exploradas para fins familiares ou domésticos, normalmente sob um cultivo restrito a algumas
regiões mantendo grande influência na alimentação e na cultura local. Geralmente são ricas
em minerais, fibras, compostos antioxidantes e proteínas; entretanto podem conter também
compostos antinutricionais, tais como inibidores de proteínas, taninos e oxalato de cálcio. A
elevada quantidade de oxalato de cálcio no organismo aumenta o risco da formação de
cálculos renais, podendo também causar irritações na mucosa intestinal. O objetivo do
trabalho foi e realizar análises qualitativas visando verificar a presença de cristais de oxalato
de cálcio nas seguintes espécies de hortaliças consideradas não convencionais no Brasil
sendo: azedinha (Rumex acetosa L.), beldroega (Portulaca oleracea L.), caruru (Amaranthus
viridis L.), labaça (Rumex obtusifolius L.), Maria-Gorda (Talinum paniculatum) e taioba
(Xanthosoma sagittifolium L.). As amostras foliares das espécies foram coletadas na coleção
de germoplasma de hortaliças não convencionais da Universidade Federal de Lavras em
agosto de 2013 e encaminhadas para o no laboratório de histologia do Departamento de
Biologia da Universidade Federal de Lavras, onde foram realizadas secções transversais da
parte mediana das folhas em micrótomo. As secções foram coradas com azul de toluidina a
1% e posteriormente aderidas nas lâminas histológicas montadas com entellan. As
fotomicrografias foram obtidas por meio do microscópio de campo claro (Leica DMLS),
equipado com micro câmera (Nikon Digital Sight DS-Fi1) as quais foram utilizadas para
realizar as análises qualitativas visando identificar a presença dos cristais de oxalato de cálcio.
Foi confirmada a presença de drusas e ráfides em todas as espécies avaliadas. Com exceção
da taioba, não foram encontradas na literatura informações referentes presença de cristais de
cálcio nessas hortaliças. São necessários estudos que quantifiquem os teores de oxalato de
cálcio nessas espécies, a fim de que se fundamentem as indicações para um uso seguro dessas
hortaliças na alimentação humana.

Palavras-chave: Cálculo renal, fatores antinutricionais, hortaliças tradicionais, histologia,


saúde alimentar.

Créditos de financiamento: FAPEMIG, CNPq, Capes/MEC, UFLA.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura (DAG/UFLA), Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 5
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ANÁLISE MICROMORFOLÓGICA DA SUPERFÍCIE DO FRUTO DE Rhynchospora
Vahl (Cyperaceae)

Jaiane da Silva GONÇALVES1; Marcos SOBRAL2

O gênero Rhynchospora Vahl pertence à família Cyperaceae e tribo Rhynchosporeae, sendo


considerado o maior gênero desta tribo (cerca de 250-300 espécies). Ocorre em todos os
continentes e é o gênero mais diversificado na América Tropical, onde ocorrem 80% das
espécies. No Brasil está representado por 157 espécies. O fruto de Cyperaceae é denominado
aquênio e apresenta contorno obovoide ou ovoide a elíptico, com seção triangular, biconvexa
ou achatada. A limitação em se encontrar trabalhos específicos de Cyperaceae deve-se
principalmente à dificuldade de identificação de muitas espécies. Análises morfológicas da
superfície do fruto em Microscopia Eletrônica de Varredura vêm contribuindo para fornecer
caracteres diagnósticos para a separação dos táxons de Cyperaceae. Foram selecionados dois
aquênios maduros de nove espécies de Rhynchospora. As amostras foram fixadas em solução
Karnovsky (24h) e tampão cacodilato (3 vezes de 10 min) e pós-fixadas em tetróxido de
ósmio (4h). Em seguida foram desidratadas em diferentes concentrações de acetona, secas ao
ponto crítico de CO2 e recobertas por ouro metálico, para serem observadas e
eletromicrografadas em microscópio eletrônico de varredura. Foi constatado que todas as
espécies analisadas apresentam contorno do aquênio biconvexo, devido à presença de dois
estigmas. Os aquênios são considerados do tipo misto, com estruturas aderidas ao ápice
(estilopódio persistente) e/ou a base do fruto (cerdas hipóginas). Quanto ao padrão de
ornamentação da superfície, três espécies foram classificadas como reticulada, quando as
células epidérmicas se alinham longitudinalmente, com células adjacentes alternadas ou em
disposição transversal e ausência de corpos de sílica. O padrão de superfície rugoso apresenta
células epidérmicas organizadas de tal forma a se assemelharem a rugas, visto em apenas uma
espécie. Cinco espécies não apresentam ornamentações na superfície de seus frutos, sendo
classificados como lisos. Os aquênios de Rhynchospora asperula, R. consanguinea e R.
exaltata apresentam forma elipsoide, enquanto que R. brasiliensis, R. corymbosa, R.
dissistispicula e R. rugosa possuem frutos obovoides. Já R. nervosa e R. patuligluma
apresentam aquênios ovoides. Nenhuma espécie em estudo apresentou corpos silicosos na
superfície. As análises micromorfológicas das superfícies dos aquênios realizadas foram
capazes de distinguir as espécies, contribuindo para a taxonomia do gênero.

Palavras-chave: Aquênio, Microscopia Eletrônica de Varredura, Taxonomia.

Créditos de Financiamento: CAPES.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil
*autor para correspondência: jaianegoncalves@yahoo.com.br
2
Universidade Federal de São João del-Rei, Departamento de Ciências Naturais, Campus
Anais do III Simpósio
Dom Bosco, Praça DomInternacional de Botânica
Helvécio, Fábricas, CEP:Aplicada e XXXV
36301-160, Encontro
São João Regional
del-Rei-MG, de 6
Brasil
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ANATOMIA DA RAIZ E COLMO DE Eleocharis sellowiana E Eleocharis acutangula
(Cyperaceae)

Vinícius Politi DUARTE1*, Rodrigo Barbosa KLOSS1, Márcio Paulo PEREIRA1, Felipe
Fogaroli CORRÊA1, Fabricio José PEREIRA1

Eleocharis é um gênero constituído por macrófitas aquáticas de grande importância ecológica


sendo as espécies brasileiras ainda pouco conhecidas quanto aos aspectos estruturais. O
presente trabalho teve por objetivo descrever a organização estrutural de raízes e colmos de
duas espécies nativas do gênero Eleocharis sendo: E. acutangula (ROXB.) SCHULT e E.
sellowiana KUNTH. As plantas foram coletadas inteiras em regiões alagadas do Sul de Minas
Gerais e fixadas em F.A.A.70% e armazenadas em etanol 70% até a data das análises. Para as
avaliações anatômicas, fragmentos da região pilífera das raízes e medianas dos colmos foram
emblocadas com polietilenoglicol. Foram realizadas secções transversais em micrótomo
rotatório. As secções foram coradas com azul de toluidina 1% e montadas em lâminas
permanentes com bálsamo do Canadá. O laminário foi observado em microscópio óptico
acoplado a câmera digital para registro das imagens dos tecidos. As raízes das duas espécies
apresentaram epiderme unisseriada. O córtex possui células de duas camadas adjacentes à
epiderme formadas por parênquima fundamental com parede celular espessa e poucos espaços
intercelulares, constituindo a exoderme. Mais internamente, observa-se o aerênquima
ocupando grande extensão do córtex formado por trabéculas com células vivas e intercaladas
com grandes câmaras. Ambas as espécies apresentam periciclo contínuo formado de células
parenquimáticas. O floema está próximo ao periciclo intercalado com o xilema que é poliarco
com vários polos de protoxilema e metaxilema alinhados circundando a região central
formada por células parenquimáticas. A exoderme em E. sellowiana é formada por uma
camada de células parenquimáticas e de parede espessa. Observam-se câmaras de aerênquima
com grande quantidade de células vivas criando trabéculas. Mais internamente, observam-se
duas camadas de parênquima clorofiliano e epiderme intercalada por feixes de fibras ocorrem
feixes vasculares do tipo colateral fechado e dispostos paralelamente na região abaixo do
parênquima clorofiliano formando um anel. O aerênquima encontrado no colmo é formado
por trabéculas com padrão reticulado conectadas a feixes vasculares de grande calibre e
formando padrão atactostélico. Assim, as principais diferenças entre as espécies são: raiz com
medula e o colmo formando um padrão atactostélico em E. acutangula e em E. sellowiana,
raiz com um único vaso de metaxilema e feixes formando em anel no colmo.

Palavras-chave: Anatomia ecológica, macrófitas aquáticas, Aerênquima, clorênquima.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras - MG,
Brasil.
*autor para correspondência: viniciuspoliti@hotmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 7


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ANATOMIA DESCRITIVA DA MADEIRA DE Tectona grandis Linn. f
(VERBENACEAE) PROVINIENTE DE PLANTAÇÕES NO MUNICÍPIO DE
CÁCERES, MATO GROSSO, BRASIL.

Cassiana Alves FERREIRA1; Felipe Fogaroli CORRÊA1; Alessandra Ribeiro


OLIVEIRA1 ; Fábio Akira MORI2

O estudo anatômico do xilema secundário fornece dados significativos para a identificação e


diferenciação de espécies, capazes de subsidiar estudos relativos à filogenia e anatomia
ecológica, assim como de suas propriedades tecnológicas. Tectona grandis Linn. f. conhecida
como Teca, pertence a família botânica Verbenaceae, possui grande importância econômica,
sendo utilizada na indústria moveleira e na construção civil devido a estabilidade,
durabilidade e resistência natural (agentes xilófagos) de sua madeira e ainda facilidade de pré
tratamento. A espécie é endêmica das florestas tropicais no subcontinente índico e sudeste
asiático, estando bem adaptadas as condições edafoclimáticas do continente Sul-Americano.
O presente trabalho teve como objetivo a caracterização anatômica descritiva da madeira de
Tectona grandis provenientes de plantios comerciais no município de Cáceres no Mato
Grosso, Brasil. Discos de 5 cm foram retirados da base de quatro indivíduos, sendo que foram
utilizados a porção próxima a casca para as análises do presente estudo. As análises
anatômicas seguiram as normas do Comitê IAWA para anatomia da madeira de “hardwoods”.
Os resultados obtidos estão de acordo com a literatura, como camadas de crescimento
delimitadas pela porosidade em anel semi-poroso e ainda por faixas de parênquima marginal;
vasos predominantemente solitários, podendo ocorrer múltiplos de até 3, frequência de vasos
por mm2 média de 9 (7-15), apêndice presente nos vasos em uma das extremidades,
comprimento dos vasos em média 236,02 µm (195,97-260,77 µm), diâmetro tangencial dos
vasos 159,85 µm (135,82-180,65µm), diâmetro das pontoações inter-vasculares 3,58 µm
(3,02-4,06 µm); Placas de perfuração simples; Parênquima axial em faixas; Fibras libriformes
em média 868,74 µm (661,36-1085,98), espessura da parede em média 3,24 µm (2,81-3,60
µm); Raios multisseriados, heterogêneos, podendo ocorrer fusionados, com células quadradas
marginais e procumbentes, largura em média de 74 µm (53-90 µm), altura 616,68 µm
(513,78-713,61 µm).

Palavras Chave: Teca, Tectona grandis, anatomia da madeira.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Laboratório de
Ciência & Tecnologia da madeira, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
* autor para correspondência: cassianaaf@posgrad.ufla.br

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 8


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ANATOMIA FOLIAR DE ESPÉCIES DE CAMPO RUPESTRE

Leiliana Maria FERREIRA1, Jaqueline DIAS-PEREIRA1, Lorrayne de Barros


BOSQUETTI1, Lorenna Nunes SANTOS1, Ana Cláudia FERNANDES1

O campo rupestre é uma formação campestre do Cerrado e possui, em geral, uma


vegetação herbáceo-arbustiva. Ele ocorre em afloramentos rochosos acima de 900m de
altitude e possui alto endemismo. Objetivou-se conhecer a diversidade estrutural de
folhas das espécies endêmicas de campo rupestre. As coletas foram realizadas no
Parque Nacional da Serra do Cipó e no Parque Estadual do Itacolomi, Minas Gerais.
Foram coletadas amostras foliares dos indivíduos de Lychnophora sp., Microlicia sp.,
Paepalanthus sp., Singonanthus sp., Vellozia sp., Vellozia gigantea., Vellozia piresiana
e Xyris sp. As amostras foliares foram fixadas em FAA50%, desidratadas em série etílica
crescente e incluídas em historesina (LEICA) e, em parafina. Os cortes transversais
foram realizados em micrótomo rotativo de avanço automático, em diferentes
espessuras para cada espécie. Os cortes incluídos em parafina foram corados com
fucsina básica e azul de astra, e, em resina, com azul de toluidina; posteriormente as
lâminas foram montadas com Permount. Todas as espécies apresentaram características
xeromórficas. Todas as espécies são hipoestomáticas e, nas espécies de Vellozia, os
estômatos são encontrados em fendas. As espécies possuem feixes vasculares colaterais,
porém Singonanthus sp difere do padrão apresentando vários feixes juntos, com uma
bainha de fibras circundada por uma bainha parenquimática. Microlicia sp. foi a única
espécie que apresentou cutícula delgada. Apenas as espécies de Vellozia apresentaram
epiderme multiestratificada. Os mesofilos variaram de homogêneo nas espécies
Microlicia sp., Singonanthus sp. e Vellozia piresiana; dorsiventral em Lychnophora sp.
e Xyris sp., dorsiventral formado por parênquima paliçádico e homogêneo, em Vellozia
gigantea., Vellozia sp. e, isobilateral em Paepalanthus sp.. Somente as espécies de
Vellozia apresentaram parênquima aquífero. A presença de cutícula espessa, mesofilo
compacto e epiderme multiestratificada diminuem a transpiração foliar e os estômatos
em fendas criam um microclima que reduz a perda de excessiva de água na abertura dos
estômatos. A presença de parênquima aquífero proporciona uma reserva de água,
importante para evitar o superaquecimento no interior do órgão durante exposição à
intensa luminosidade. Todos esses caracteres são de extrema importância e possibilitam
a sobrevivência das espécies às condições de déficit nutricional e hídrico que ocorrem
nos campos rupestres.

Palavras chave: Anatomia foliar, Diversidade estrutural, Xeromorfismo.

1
Universidade Federal de Viçosa-Campus Rio Paranaíba, Instituto de Ciências
Biológicas e da Saúde, Laboratório de Anatomia Vegetal, caixa postal 22, CEP: 38810-
000, Rio Paranaíba-MG, Brasil.
*autor para correspondência: leiliana_ferreira@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 9
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ANATOMIA FOLIAR DE Piper aduncum L. (Piperaceae) CULTIVADA EM
DIFERENTES CONDIÇÕES DE RADIAÇÃO

Juliene dos Reis MOREIRA1*, Fernanda Ventorim PACHECO2, Roniel Geraldo AVILA1,
Marinês Ferreira PIRES³, Amauri Alves de ALVARENGA1, Evaristo Mauro de
CASTRO3

Piper aduncum, conhecida popularmente como pimenta-de-macaco, é uma espécie que possui
elevado potencial medicinal devido às propriedades antimicrobianas, inseticidas e a baixa
toxicidade do seu óleo essencial. A luz é um dos fatores ambientais de maior significancia para o
desenvolvimento das plantas. Adaptações a diferentes condições de irradiância estão associadas
com o ajuste do aparato fotossintético de modo a otimizar o aproveitamento da radiação incidente
nas folhas, resultando em modificações anatômicas específicas. Entretanto, existem poucos
estudos que relacionam a influencia das condições ambientais sob as características anatomicas de
plantas medicinais. Neste contexto, objetivou-se avaliar o efeito de diferentes condições de
radiação sobre a estrutura interna das folhas de Piper aduncum. Para isso, mudas de P. aduncum
foram cultivadas por quatro meses sob diferentes condições de radiação, utilizando sombrite (30%
e 50% de sombreamento), malhas fotoconversoras, nas cores vermelha e azul e um tratamento a
pleno sol (0% de sombra). Para as análises anatômicas foram coletadas, duas folhas expandidas,
localizadas no terceiro nó de cinco plantas por tratamento. A partir dessas folhas foram realizados
cortes transversais, com auxílio de um micrótomo de mesa, para avaliar a espessura da epiderme
adaxial e abaxial, cutícula da face adaxial, parênquima paliçádico, esponjoso e limbo foliar.
Através das seções transversais, observou-se um aumento na espessura da epiderme na face
adaxial e abaxial, na cutícula, no parênquima paliçádico e esponjoso e no limbo foliar das
plantas cultivadas sob 100% de irradiância, ocorrendo uma redução destas variáveis nos
tratamentos com menores irradiância (50% e 70%). Com relação às plantas cultivadas nas
malhas coloridas foi verificado um aumento na espessura da epiderme na face abaxial, na
cutícula, no parênquima paliçádico e no limbo foliar nas plantas cultivadas sob malha azul. A
partir dos dados observados nota-se que a espécie Piper aduncum altera a estrutura interna da
folha quando cultivada sob diferentes condições de radiação. Apresentando características
anatômicas foliares favoráveis para o seu desenvolvimento em condições de altas irradiâncias
e também apresenta respostas anatômicas que permite sua sobrevivência em condições
enriquecidas com comprimento de onda azul.

Palavras-chave: Luz, Pimenta-de-macaco, Parênquima paliçádico.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Agronomia/Fisiologia Vegetal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Agronomia/Plantas Medicinais Aromáticas e Condimentares.
3: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Botânica Aplicada.
*autor para correspondência: julienemoreira14@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 10


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ANATOMIA FOLIAR DE PLANTAS JOVENS DE Ormosia arborea (Vell.) Harms
(Fabaceae)

Fernanda Soares JUNGLOS1*, Mário Soares JUNGLOS¹, Julielen Zanetti


BRANDANI¹, Eliana Aparecida FERREIRA², Rosilda Mara MUSSURY¹, Silvana de
Paula Quintão SCALON³

Ormosia arborea (Vell.) Harms (Fabaceae), conhecida popularmente com Olho de Cabra, é
uma espécie nativa do Cerrado, um ambiente marcado por um longo período de seca e, diante
disso, alterações anatômicas foliares são observadas, fornecendo importantes contribuições à
elucidação da plasticidade adaptativa dessas plantas quando submetidas a essas condições
ambientais. Assim, objetivou-se caracterizar aspectos da anatomia do limbo de plantas jovens
de O. arborea ocorrentes no cerrado de Mato Grosso do Sul. A descrição anatômica e as
medidas dos tecidos/estruturas foram realizadas por meio de secções paradérmicas e
transversais a mão livre, em material fresco de folhas completamente expandidas de plantas
com dez meses de idade. Posteriormente o material foi fotografado com auxílio de câmera
digital Moticam 2000 acoplada ao microscópio óptico. As medidas da nervura central foram
realizadas na objetiva de 4 vezes de aumento e as medidas da parte internervural na objetiva
de 10 vezes de aumento. Pela secção paradérmica observou-se que as paredes celulares da
face adaxial e abaxial são sinuosas, existência de estômatos paracíticos na face abaxial
predominantemente. Em secção transversal, o limbo apresenta epiderme unisseriada com
células de espessura média de 5,2±3,4 μm para face abaxial e 5,5±2,81 μm para face adaxial,
recoberta por cutícula mais espessada na face adaxial (2,33±1,08 μm) do que na abaxial
(1,33±0,55 μm), com tricomas tectores unicelular e unisseriado, abundantes na face abaxial. O
mesofilo é dorsiventral, com 1 ou 2 camadas de parênquima paliçádico (20,6±11,31 μm) e 3
camadas de lacunoso (26,2±8,3 μm). A nervura central com tamanho médio de 390±19,48 μm
possui formato côncavo convexo, sendo revestida por epiderme unisseriada, encontrando
adjacente a essa uma faixa de colênquima angular. Nessa região há um grande feixe vascular
bicolateral fechado (245,2±3,69 μm) envolto por um arco de fibras de esclerênquima. Os
espaços entre o feixe e o colênquima são preenchidos por parênquima. O fato dos estômatos e
tricomas estarem predominantemente na face abaxial evita a incidência direta do sol, o que
junto com outras características foliares observadas podem explicar uma maior resistência da
planta a perda de água por transpiração e a torna uma espécie competitiva para sobreviver em
ambientes potencialmente estressantes como o Cerrado brasileiro.

Palavras-chave: Olho de cabra, Cerrado, Folha.

Créditos de financiamento: FUNDECT, CAPES, CNPq

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral/Bioprospecção, Unidade II, caixa postal 533,
CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
2: Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e
Ambientais, Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade,
Unidade II, caixa postal 533, CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
3: Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Agronomia/Produção Vegetal, Unidade II, caixa postal 533, CEP:
79804970, Dourados-MS, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 11
fernandajunglos@yahoo.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ARECACEAE DO HERBÁRIO CESJ DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ
DE FORA
Camila NARDY DELGADO1*, Andressa CABRAL 1, Fátima Regina Gonçalves
SALIMENA 1, Luiz MENINI NETO 1, 2
A família Arecaceae é composta por cerca de 2.400 espécies distribuídas em 183
gêneros, ocorrendo em todas as regiões tropicais e algumas subtropicais da Terra. No
Brasil ocorrem 264 espécies em 39 gêneros, sendo cerca de 40% endêmicas. Com uma
alta diversidade de hábito e formas, elas variam desde trepadeiras, a representantes
arborescentes do dossel, a plantas do sub-bosque. As coletas incluídas no Herbário
CESJ foram iniciadas na década de 1940 pelos padres Leopoldo Krieger e Luiz Roth, na
cidade de Santo Amaro, São Paulo. A coleção possui atualmente mais de 65000
registros, contando com espécimes da Europa e de todo Brasil, em especial Paraná,
Minas Gerais e Amazônia. O presente estudo visa revisar, levantar e informatizar os
dados das Arecaceae depositadas no acervo, construindo e atualizando o banco de
dados, e fornecendo registros das distribuições de espécies. Para realizar a
informatização, levantamento e revisão dos dados presentes em cada exsicata foi
seguido o protocolo do Herbário CESJ, através do software BRAHMS® (Botanical
Research and Herbarium Management System). A conferência da ortografia e
sinonímias foi realizada com auxílio dos seguintes bancos de dados: Missouri Botanical
Garden (www.tropicos.org), The Plant List (http://www.theplantlist.org/) e Lista de
Espécies da Flora do Brasil 2015 (http://floradobrasil.jbrj.gov.br/). Os espécimes
indeterminados foram identificados por especialistas ou por comparação com outros
exemplares da coleção. A família Arecaceae está representada no acervo por 33
espécies distribuídas em 19 gêneros, totalizando 107 registros. Os gêneros com o maior
número de registros são Geonoma Willd. (39 registros), Allagoptera Ness (oito
registros) e Astrocaryum G. Mey. (oito registros). Geonoma schottiana Mart. é a
espécie com maior número de registros (17 registros), seguido por Geonoma
brevispatha Barb. Rodr. (sete registros). Na coleção do CESJ, quatro táxons encontram-
se em certo grau de vulnerabilidade no Livro Vermelho da Flora do Brasil. Syagrus
macrocarpa Barb.Rodr. encontra-se no grau “criticamente em perigo” sendo este, o de
maior ameaça dentre os outros, visto que trata-se de uma espécie de rara ocorrência,
encontrada somente em áreas degradadas do Cerrado e Floresta Atlântica. Devido à
intensa exploração e extração de palmito, Euterpe edulis Mart. encontra-se
“vulnerável”, assim como Butia yatay (Mart.) Becc. e B. microspadix Burret ambas
ameaçadas em consequência das atividades agrícolas e silvicultura.

Palavra-chave: BRAHMS, coleção botânica, conservação, diversidade, informatização.

1
Universidade Federal de Juiz de Fora, 2 Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora,
CES/JF
Anais
*
autor do
paraIIIcorrespondência:
Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 12
camilanardybio@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ARQUITETURA FOLIAR DE Erythroxylum tortuosom (ERYTHROXYLACEAE)
Mariana Virginia de Freitas DIAS1, Fernanda de OLIVEIRA1, Luciana da SILVA2,
Manuel Losada GAVILANES3*
Vários autores ressaltam que a flora dos cerrados é muito diversa e pouco estudada. Muitas
espécies desta formação vegetal evoluíram sob forte pressão seletiva por herbívoros,
apresentam-se bem adaptadas a solos distróficos, ácidos, ricos em alumínio, e resistem a
períodos de seca, frequentemente prolongados. Alertam para a importância dos cerrados,
como um recurso genético ímpar destacando a necessidade de proteger e preservar sua
diversidade genética. Constata-se, também, que apesar de muitas das adaptações estruturais
das plantas de cerrado sejam conhecidas, as informações são limitadas a um número muito
pequeno de espécies. Os aspectos da morfologia e anatomia da maioria dos representantes do
cerrado são desconhecidos frente à riqueza e diversidade desta formação. Dentro do programa
de estudos anatômicos das folhas de plantas de espécies de cerrado, ocorrentes em Minas
Gerais, analisou-se Erythroxlum tortuosom Mart. (Erythroxylaceae). As observações
anatômicas foram realizadas em folhas plenamente desenvolvidas, coletadas em plantas que
ocorrem em áreas de cerrado, dentro do município de Lavras, na região sul do Estado. As
secções, obtidas a partir de cortes à mão livre, ou com auxílio de micrótomo de Ranvier,
foram realizadas em material fresco ou fixado em F.A.A70%. Foi utilizado safranina e a
mistura azul de Astra e safranina. Da observação das lâminas, anotou-se: epiderme da lâmina
foliar, glabra, é unisseriada quando vista em corte transversal e apresenta células com paredes
anticlinais sem sinuosidades e de formatos irregulares, tendendo ao formato poliédrico, nas
faces adaxial e abaxial, respectivamente. No corte paradérmico, estômatos ocorrem somente
na face abaxial das regiões internervurais, e são do tipo paracítico; em corte transversal as
células estomáticas situam-se no mesmo nível das demais células epidérmicas. Mesofilo
dorsiventral; tecido paliçádico constituído de uma camada celular e lacunoso com 3-6
camadas de células que variam o formato de globoso a irregular, próximo a epiderme abaxial.
Sistema vascular denso; no pecíolo, e nervura mediana, presença de apenas um feixe vascular
do tipo colateral; calotas de fibras ocorrem na face externa do floema, no pecíolo e nervura
mediana e na face externa do xilema e floema nas nervuras de menor porte. Venação do tipo
pinada, broquidódroma; rede de nervuras densa; presença de nervuras pseudosecundárias. Os
resultados apontam semelhanças com outras espécies do gênero Erythroxylum.

Palavras-chave: Arquitetura foliar, Erythroxylum tortuosum, Erythroxylaceae

1
1: Bacharelando em Biologia, Departamento de Biologia, Universidade Federal de Lavras-
UFLA, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2: Doutorando, Programa Pós-Graduação Botânica Aplicada, Departamento de Biologia,
Universidade Federal de Lavras, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3: Professor, Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa Pós-
Graduação Botânica Aplicada, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
* autor para correspondência: mlgavilanes@dbi.ufla.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 13
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
AS LEGUMINOSAS DOS CAMPOS RUPESTRES DO COMPLEXO DE SERRAS DA
BOCAINA E CARRANCAS, MINAS GERAIS.

Michel BIONDI1, Daniel Quedes DOMINGOS¹, Mariana Esteves MANSANARES².

Fabaceae tem distribuição cosmopolita com especial ocorrência no Brasil onde é a família
botânica mais representativa em número de espécies arbóreas. Composta por 630 gêneros e
cerca de 18000 espécies, das quais 2700 ocorrem no Brasil, distribuídas em 200 gêneros. É
considerada uma família monofilética, porém, sua tradicional divisão em três subfamílias é
constantemente posta a prova, já que, estudos recentes apontam a subfamília Caesalpinoideae
como parafilética. Seus hábitos vão de herbáceo a arbóreo sendo comuns em todos os
habitats, estando presentes inclusive nos Campos Rupestres. O complexo das Serras da
Bocaina e Carrancas, no planalto sul de Minas Gerais, tem seu extrato herbáceo arbustivo
ainda pouco estudado, sendo assim, escassos os trabalhos acerca do tema. O objetivo do
presente trabalho foi enriquecer o conhecimento da diversidade das leguminosas dos Campos
Rupestres no sul de Minas Gerais, com ênfase na região do complexo de Serras da Bocaina e
Carrancas. As expedições ocorreram entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2012 e o material
botânico foi herborizado seguindo as técnicas usuais de herborização e posteriormente
incorporado ao Herbário ESAL. As identificações foram realizadas através de análise
morfológica, uso de chaves taxonômicas e comparações com exsicatas do Herbário ESAL e
do INCT - Herbário Virtual da Flora e Fungos. Encontramos 21 espécies de Fabaceae
divididas em 12 gêneros, Chamaecrista (6); Eriosema (3); Mimosa (2); Stylosanthes (2);
Andira (1); Calliandra (1); Collaea (1); Clitoria (1); Crotalaria (1); Galactia (1); Senna (1);
Stryphnodendron (1); a subfamília mais representativa foi Faboideae, com 10 espécies, o que
é recorrente para áreas de Campo Rupestre. Chamaecrista, com 6 espécies, o mais
representativo dos gêneros, corrobora a literatura, pois é o gênero com maior número de
espécies dentro de Fabaceae no Brasil, ocorrendo em todo o território, com grande
representatividade na fitofisionomia de Campos Rupestres. Duas espécies são endêmicas do
estado de Minas Gerais, Chamaecrista linearifolia (G.Don) H.S.Irwin & Barneby e C.
potentilla (Benth.) H.S.Irwin & Barneby. Trabalhos como esse ampliam o conhecimento da
flora dos Campos Rupestres e são ferramenta essencial para a conservação da biodiversidade
em ambientes ameaçados.

Palavras-chave: Campos Rupestres, Chamaecrista, Fabaceae, Faboideae.


Créditos de Financiamento: FAPEMIG

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
* autor para correspondência: michel.biologicas@gmail.com
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Professor Efetivo, Campus
Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 14


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
AS TRIBOS BERTOLONIEAE Triana E MICONIEAE DC.
(MELASTOMATACEAE) NA SERRA NEGRA, MINAS GERAIS, BRASIL.

Luciana Leitão JUSTINO1*, Berenice CHIAVEGATTO2 & Fátima Regina


Gonçalves SALIMENA1

A família Melastomataceae reúne cerca de 4.500 espécies distribuídas em pelo menos


10 tribos e 150 gêneros. No Brasil, ocupa a posição de sexta maior família entre as
angiospermas, com 1.331 espécies, amplamente distribuídas pelo território. Situada no
complexo da Mantiqueira, a Serra Negra está inserida no sul da Zona da Mata mineira e
se estende da região de Bom Jardim até Santa Bárbara do Monte Verde. A vegetação
abriga remanescentes do domínio atlântico e é composta de um mosaico de tipos
vegetacionais, cuja biodiversidade mostra-se diversa e singular, adaptada às diferentes
condições ambientais esperadas para serras e florestas tropicais de altitude. Neste
ambiente as Melastomataceae se destacam pela diversidade de espécies, sendo a
segunda família mais numerosa. Visando contribuir para o maior conhecimento da
família na Serra Negra, o presente trabalho reúne os representantes das tribos
Bertolonieae e Miconieae ocorrentes na região. A tribo Bertolonieae caracateriza-se
principalmente pelo hábito herbáceo, cápsula triquetra e inflorescências escorpioides,
enquanto Miconieae destaca-se por ser a única a possuir frutos carnosos. Além disso,
alguns caracteres como estames isomórficos ou subisomórficos, sementes
frequentemente obiprimadas, granulosas ou aparentemente psiladas são importantes
para o reconhecimento desta tribo. O material coletado foi herborizado e incluído ao
acervo do Herbário CESJ, utilizando-se a metodologia usual de trabalhos florísticos,
através de coletas aleatórias em diferentes altitudes e fitofisionomias, iniciadas em
2003. Na Serra Negra Miconieae está representada por 37 espécies, inseridas nos
gêneros Clidemia D.Don. (2), Leandra Raddi (16), Miconia Ruiz & Pav. (17),
Pleiochiton Naudin ex A.Gray (1) e Ossaea DC. (1). Leandra pennipilis é o táxon com
distribuição mais restrita, sendo endêmico para Minas Gerais, enquanto Leandra aurea,
L. melastomoides, Miconia theizans, Pleiochiton blepharodes são exemplos de táxons
amplamente distribuídos, ocorrendo desde o nordeste até o sul do país. A maior parte
das espécies de Miconieae da Serra Negra é encontrada em interior de mata, seguido
pelas áreas de borda de mata, campo rupestre e ambientes antropizados. Bertolonieae
está representada apenas por Bertolonia mosenii, espécie rupícola, sempre associada a
ambientes de interior de mata, próximo de curso d’água e com elevada umidade.
Nenhuma espécie está classificada sob algum grau de ameaça.

Palavras-chave: Biodiversidade, Conservação, Floresta Atlântica, Florística, Serra da


Mantiqueira.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG

1
Universidade Federal de Juiz de Fora, Instituto de Ciências Biológicas, Programa de
Pós-graduação em Ecologia, Campus Universitário, CEP: 36036-330, Juiz de Fora-MG,
Brasiil.
2: Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora – CES/JF, Campus Arnaldo Janssen, CEP
36030-776, Juiz de Fora, MG, Brasil.
*autor para correspondência: luciana_lj@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 15
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ASPECTOS ANATÔMICOS DO GINECEU DE Oxypetalum appendiculatum
Mart. (Apocynaceae, Asclepiadoideae)

Flávio Antônio ZAGOTTA VITAL1*, Adriana Tiemi NAKAMURA2, Luciana da


SILVA1

A inclusão de Asclepiadaceae em Apocynaceae baseia-se em resultados de análises


cladísticas, que não sustentam a separação de Asclepiadaceae como um grupo
monofilético e independente de Apocynaceae. Um característica morfológica que
embasa a união do grupo, e que é compartilhada pelas 4555 espécies desta família, é a
morfologia do gineceu, formado por dois carpelos parcialmente livres, que se estreitam
gradualmente unindo-se ao nível dos estiletes e culminado com uma cabeça estigmática
compacta. Em Asclepiadoideae ocorre uma fusão posgênital entre as anteras e a cabeça
estigmática, resultando em uma estrutura altamente especializada denominada
ginostégio, que detêm grande relevância na determinação taxonômica do grupo.
Existem ainda dois prolongamentos no ápice do ginostégio, comumente encontradas em
Oxypetalum, que erroneamente são confundidos com a terminação do estigma,
denominado “anexo bífido do ginostégio”, cuja morfologia varia entre os táxons. Este
trabalho objetiva elucidar aspetos anatômicos do gineceu de Oxypetalum
appendiculatum, visando ampliar o conhecimento da morfologia floral de
Asclepiadoideae. Foram analisadas flores em antese, e estas passaram pela fixação em
Karnovsky, emblocamento em resina sintética, seccionadas longitudinal e
transversalmente em micrótomo rotativo semiautomático, coradas com Azul de
Toluidina pH 4.7, seladas em lamínulas, observadas e fotografados em microscópio
ótico. O ovário de O. appendiculatum apresenta a epiderme externa unisseriada, o
mesofilo contendo várias camadas parenquimáticas, e a epiderme interna apresenta
células de parede delgadas. Cada carpelo apresenta três feixes vasculares colaterais mais
desenvolvidos, sendo dois os marginais secundários, na base da placenta, e o maior, ο
feixe dorsal, na face oposta. A placentação é marginal, com numerosos óvulos
anátropos e unitegumentados. A epiderme do ginostégio é circundada por um tecido
secretor. Os estiletes são sólidos e apresentam um feixe vascular que não se unem na
soldadura do ginostégio, e nem atingem o anexo bífido do ginostégio, lascinado e de cor
vinácea. As cinco aberturas estigmáticas ficam voltadas para a parte basal do ginostégio.
Em O. appendiculatum, assim como nas Asclepiadoideae, as características anatômicas
do gineceu tendem a ser constantes em grande parte das espécies, sendo a disposição
dos feixes vasculares e a placentação marginal com óvulos anátropos, bons parâmetros
no auxilio na determinação de indivíduos deste grupo.

Palavras-chave: Ginostégio, Anexo bífido, Placentação marginal, Óvulos anátropos.

Créditos de financiamento: FAPEMIG


1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP:
37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Ciências Agrárias, Campus Monte
Carmelo, Rodovia LMG 746, Km 01, s/nº, CEP 38.500-000, Monte Carmelo-MG.
*autor para correspondência: flavio.zagotta@hotmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 16


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ASPECTOS DA PROPAGAÇÃO ASSEXUADA DE Dovyalis hebecarpa (Gardner)
Warb.: SUBSTRATOS PARA ENRAIZAMENTO DE ESTACAS

Fabíola VILLA1, André Renato RINALDI1, Daniel Fernandes da SILVA2

Dovyalis hebecarpa (Gardner) Warb. é uma espécie frutífera originária da Índia, cultivada em
diversas regiões tropicais e subtropicais, inclusive no Brasil. Seu fruto possui formato
esférico, polpa ácida e suculenta de uma coloração intensa que varia do laranja ao vermelho
arroxeado, características favoráveis ao processamento. Sabe-se que Dovyalis pode ser
propagado por sementes, estacas ou alporques, contudo, por ser a propagação sexuada fonte
de variação genética e a alporquia uma técnica muitas vezes inacessível ao produtor a estaquia
torna-se o método de propagação mais viável. Para que se obtenha uma porcentagem de
enraizamento satisfatória e a formação de mudas de qualidade é essencial a utilização um
substrato de qualidade que apresente características favoráveis a formação e desenvolvimento
do sistema radicular. Diante do exposto o objetivo do trabalho foi avaliar o enraizamento de
estacas de Dovyalis em diferentes substratos. O experimento foi desenvolvido na
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) em ambiente telado. Foram coletadas
estacas com comprimento médio de 15cm e 2 folhas, de plantas matrizes de Dovyalis
mantidas em campo. As estacas foram tratadas com AIB (2000mg L-1), e colocadas em
bandejas para enraizamento contendo diferentes substratos. O delineamento estatístico
utilizado foi DBC com 5 blocos de 20 estacas cada e 4 substratos sendo eles: fibra de coco +
substrato comercial + vermiculita expandida de textura média (1:1:1 v:v:v); latossolo +
vermiculita + areia fina lavada (1:1:1 v:v:v); latossolo + areia (1:1 v:v) e latossolo +
vermiculita (1:1 v:v). As estacas permaneceram por 70 dias em leito de enraizamento sendo
submetidas às seguintes avaliações após este período: número de raízes, comprimento médio
de raiz (cm), número de brotações, biomassa fresca de raiz e de brotações (g). Os dados
coletados foram submetidos à análise de variância, a 5% de probabilidade. Verificou-se
significância apenas para as variáveis comprimento das raízes e número de brotações sendo a
mistura de latossolo + areia a que proporcionou maior comprimento de raízes (31,3cm) e
latossolo + vermiculita + areia fina lavada e latossolo + vermiculita a que obteve maior
número de brotações (8,35 e 8,4 respectivamente). Considerando-se a importância do
desenvolvimento de raízes antes da fase de crescimento da parte aérea na propagação por
estaquia conclui-se que a mistura de latossolo + areia foi a melhor para formação de mudas de
Dovyalis.

Palavras-chave: Kettembilla, Ceylon gooseberry, Propagação assexuada, Estaquia.

Créditos de financiamento: CAPES

1
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Centro de Ciências Agrárias (CCA),
Campus Marechal Cândido Rondon, Rua Pernambuco, 1777, Centro, Caixa Postal 91, CEP:
85960-000, Marechal Cândido Rondon-PR, Brasil.
*Autor para correspondência: daniel_eafi@yahoo.com.br
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia (DBI), Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-
Anais do III Simpósio
000, Lavras-MG, Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 17
Brasil.
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ASPECTOS MORFOFISIOLÓGICOS DAS SEMENTES E DAS PLÂNTULAS DE
Hancornia speciosa Gomes (Apocynaceae)

Daiane Mugnol DRESCH 1 *, Silvana de Paula Quintão SCALON1, Rosilda Mara


MUSSURY2, ZefaVivaldina PEREIRA2, Tathiana Elisa MASETTO1

A Hancornia speciosa Gomes conhecida popularmente como mangaba, apresenta importância


para a economia da região do Cerrado por ter seus frutos consumidos na forma in natura, que
podem também ser utilizados na fabricação de sucos, sorvetes e geleia, entretanto a sua
população tem sido reduzida devido à exploração insustentável e ao desmatamento dessas
regiões. Diante da importância da espécie e das dificuldades de manutenção do germoplasma
de espécies tropicais, o conhecimento sobre os aspectos morfológicos do desenvolvimento
inicial das plântulas é importante para prover informações sobre o processo germinativo
subsidiando estudos de propagação e conservação da espécie. Com base nisso, objetivou-se
com esse trabalho descrever as características de germinação e aspectos morfofisiológicos das
plântulas de H. speciosa Gomes. A descrição das características de germinação compreendeu
o período que foi desde a embebição da semente até a emissão dos cotilédones com o
primeiro par de folhas formado. Para o teste de germinação, as sementes foram semeadas em
três folhas de papel Germitest®, umedecidos com água destilada na quantidade equivalente a
2,5 vezes a massa do papel seco e o teste conduzido em Biochemical Oxygen Demand (BOD)
com temperatura constante de 25ºC. As diferentes fases de desenvolvimento da plântula
foram acompanhadas pela fixação do material em FAA 50 e posterior conservação em álcool
70 e, posteriormente, desenhada em câmara clara. A morfologia inicial da plântula é hipógea.
O processo de germinação inicia-se lentamente, pela protrusão da raiz primária, que se
assemelha a um calo. É evidenciada a tuberização do hipocótilo que ocorre cedo no
desenvolvimento do sistema subterrâneo, caracterizando o xilopódio com predominante
estrutura caulinar. Posteriormente o epicótilo alonga-se exibindo o primeiro par de protofilos
opostos e simples. Segue-se a produção do primeiro par de eofilos também oposto e simples e
curto-pecioladas, sem estípulas, assim como os metafilos. O sistema radicular é simples,
constituído pela raiz pivotante e poucas raízes secundárias, finas, curtas, tenras, cilíndricas, da
mesma cor da raiz primária.

Palavras-chave: Cerrado, Germinação, Mangaba, Xilopódio.

Créditos de financiamento: CAPES/PNPD

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), Rodovia
Dourados - Itahum, Km 12 - Cidade Universitária, Cx. Postal 533 - CEP 79804-970,
Dourados, MS, Brasil.
2
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais
(FCBA), Rodovia Dourados - Itahum, Km 12 - Cidade Universitária, Cx. Postal 533 - CEP
79804-970, Dourados, MS, Brasil.
*autor para correspondência: daiamugnol@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 18
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ATIVIDADE ANTIOXIDANTE ENZIMÁTICA DE Lactuca sativa L. (Asteraceae)
EXPOSTA AO COBRE E ÓXIDO NÍTRICO

Rodrigo Miranda MORAES1*, Sandro BARBOSA1, Marília CARVALHO1, Marina de


Lima NOGUEIRA1, Plinio Rodrigues Santos FILHO2

O óxido nítrico é uma molécula que age contra vários tipos de estresses, incluindo estresse
oxidativo induzido por metais pesados em plantas. Por apresentar alta reatividade, a maioria
das pesquisas com óxido nítrico em organismos vivos envolve a aplicação de doadores como
o nitroprussiato de sódio. O cobre, em baixas concentrações, pode ser considerado
micronutriente essencial para as plantas, no entanto, é fitotóxico em concentrações elevadas
podendo provocar estresse oxidativo. Para combater o estresse, as plantas desenvolveram um
complexo metabolismo antioxidante que regula a detoxificação e/ou eliminação das espécies
reativas de oxigênio e, consequentemente, reduz o dano oxidativo. O objetivo do trabalho foi
avaliar as possíveis alterações na atividade antioxidante isoenzimática de Lactuca sativa L.
exposta ao CuSO4 e óxido nítrico. O possível efeito protetor do óxido nítrico foi verificado
pela utilização de nitroprussiato de sódio como doador. Foram avaliadas as atividades das
isoenzimas dismutase do superóxido, peroxidase do ascorbato, da guaiacol e catalase. Para
tanto, 50 sementes de L. sativa L. cultivar Grand Rapids foram distribuídas aleatoriamente em
placas de Petri forradas com dupla camada de papel germitest umedecidos com 5 mL de
solução de CuSO4 (250 e 500 µM) e do agente protetor óxido nítrico (100, 250, 500 e 750
µM) de forma isolada e associados, sendo água destilada utilizada como controle negativo. As
placas foram mantidas em câmaras de germinação, a 25ºC e fotoperíodo de 12 horas. O
experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, constando de 15
tratamentos e 4 repetições. Houve redução da atividade enzimática da peroxidase do ascorbato
com o aumento da concentração de CuSO4, diferentemente da catalase que teve sua atividade
aumentada. A dismutase do superóxido e a peroxidase da guaiacol tiveram maior atividade
nos tratamentos com 250 µM de CuSO4, sendo inibidas na concentração 500 µM. Quando
exposta ao nitroprussiato de sódio de forma isolada, houve atividade da peroxidase do
ascorbato e dismutase do superóxido no tratamento com 250 µM, enquanto que a atividade da
catalase foi reduzida com o aumento da concentração, sugerindo inibição. As plantas quando
expostas ao cobre associado ao nitroprussiato de sódio tiveram a atividade enzimática
aumentada, evidenciando o efeito protetor do óxido nítrico, modulando o efeito tóxico do
cobre.

Palavras-chave: Sistema antioxidante, Metais pesados, Espécie Reativa de Oxigênio.

Créditos de financiamento: CAPES (AUX-PE 2297.2011)

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental & Genotoxicidade
/ Instituto de Ciências da Natureza, Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº 700, Centro, CEP
37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade / Instituto de Ciências Biomédicas / Departamento de Bioquímica, Alfenas –
MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 19
digao.bio@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
AVALIAÇÃO DA POLUIÇÃO DO AR BASEADA NAS ESTRUTURAS FOLIARES
DE Tradescantia pallida (Commelinaceae)

Amanda Izadora ROMAN1, Thiago de Oliveira CARNEVALI¹, Rosilda Mara


MUSSURY¹*

À medida que os recursos naturais se tornam mais escassos e o avanço tecnológico amplia, a
maneira como se usam os recursos do meio ambiente e as formas de preservá-lo tornam-se
questões prioritárias. Problemas como a poluição do ar, água e solo, dentre outros, tornam-se
cada vez mais comuns. O presente trabalho tem como objetivo analisar a qualidade do ar na
microrregião de Dourados tendo como base aspectos estomáticos de Tradescantia pallida.
Foram analisadas as cidades que compõem as microrregiões da Grande Dourados, sendo elas:
Dourados, Itaporã, Douradina, Rio Brilhante, Nova Alvorada do Sul, Caarapó, Juti, Fatima do
Sul, Glória de Dourados, Vicentina, Jateí e a Mata (controle) durante quatro meses (maio,
julho, setembro e novembro). Para a análise estomática, foram realizados cortes paradérmicos
de cinco folhas de dois pontos diferentes nas cidades, com o auxilio de lamina de barbear. Em
cada lâmina foram analisados 10 campos totalizando 100 campos sendo analisada a densidade
estomática. A densidade estomática de cada ponto foi calculada pelo programa ANATI
QUANTI 2,0, versão desenvolvida pela Universidade Federal de Viçosa. O tráfego veicular
foi determinado pela contagem de veículos durante três horários nos dias de coleta (8-9h; 11-
12h; 16-17h) e comparados com os dados fornecidos pelo Departamento Nacional de
Transito. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado em
esquema fatorial, sendo 4 (épocas) x 13 (cidades) com cinco repetições. As parcelas foram
subdivididas no tempo de 0 (zero), 60, 120 e 180 dias. Os dados coletados foram submetidos
à Análise da Variância. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey 5% de
probabilidade e ajustados modelos de regressão utilizando o maior R2 considerando o limite
mínimo de 70%, com o auxílio do programa estatístico. Pode-se observar o tráfego veicular
nas cidades de Dourados (±559) e Rio Brilhante (±674) apresentaram os maiores fluxos,
demonstrando um perfil diferente das demais cidades. De forma direta houve aumento na
densidade estomática em Dourados (2880,18 mm2) e Rio Brilhante (3283,18 mm2) com
passar do tempo de avaliação diferindo do controle (1508,9 mm2). Diante do exposto, e em
visita in loco a essas cidades, observa-se que o tráfego veicular é um fator importante e está
diretamente relacionado ao aumento da densidade estomática, interferindo diretamente na
qualidade do ar nessas cidades, e assim, medidas que minimizem impactos devem ser
tomadas para reduzir os danos a população.

Palavras-chave: Biomonitoramento, Poluição aérea, Trapoeraba roxa, Anatomia foliar.

Créditos de Financiamento: FUNDECT, UFGD.

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Programa de Pós-Graduação em Biologia
Geral/Bioprospecção, Campus II, caixa postal: 533, CEP: 79800000, Dourados, MS-Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 20
maramussury@ufgd.edu.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
AVALIAÇÃO DE PROGÊNIES SUPERIORES DE CAFÉ COM BASE EM
CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS

Harianna Paula Alves de AZEVEDO1*, Janine Magalhães GUEDES², Tamara Cubiaki


Pires da GAMA², Dalyse Toledo CASTANHEIRA², Nagla Maria Sampaio de MATOS ²,
Rubens José GUIMARÃES²

O café é uma cultura de grande importância para o agronegócio brasileiro e mundial, sendo o
Brasil o maior produtor e o segundo maior consumidor do mundo. Diante disso cada vez
mais, tem se procurado cultivares mais adaptadas a diversas condições ambientais e
resistentes a pragas e doenças, além de cultivares com boa qualidade de bebida. E é nesse
aspecto, que a anatomia vegetal, aliada ao pré-melhoramento, vem sendo estudada com o
objetivo de dinamizar o processo de obtenção de novas cultivares cafeeiras, podendo
proporcionar, em um menor espaço de tempo, respostas às principais limitações que a cada
dia se colocam como novos desafios para a cafeicultura. Diante do exposto, este trabalho teve
como objetivo avaliar e selecionar progênies superiores de café em relação as características
anatômicas. Foram avaliadas 18 progênies e duas cultivares (testemunhas), pertencentes ao
grupo das resistentes à ferrugem, localizadas em Patrocínio-MG, na fazenda experimental da
Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais. Foi utilizado o delineamento
inteiramente casualizado com três repetições, sendo coletadas oito folhas completamente
expandidas do terceiro nó de ramos plagiotrópicos do terço médio das plantas. As secções
transversais foram obtidas em micrótomo de mesa tipo LPC. As lâminas foram observadas e
fotografadas em microscópio óptico, e as imagens analisadas em software para análise de
imagens UTHSCSA-Imagetool. Foram avaliadas a espessura do floema, o diâmetro dos vasos
do xilema e a contagem do número de vasos do xilema. Os resultados demonstraram
diferença significativa para número de vasos de xilema e diâmetro dos vasos do xilema pelo
teste F à 5% de probabilidade, indicando haver variabilidade genética entre os materiais
avaliados. Onze Progênies/cultivares se mostraram superiores em relação a característica
número de vasos do xilema. Em relação ao diâmetro de vasos do xilema apenas uma
progênie/cultivar se destacou entre todas avaliadas. Conclui-se que houve variabilidade entre
as progênies/cultivares estudadas em relação as características anatômicas, porém para
indicação de possíveis cruzamentos são necessárias outras avaliações complementares como
avaliações fisiológicas e avaliações agronômicas.

Palavras-chave: Melhoramento genético, Anatomia vegetal, Seleção

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Graduanda em Agronomia,
Campus Universitário, Caixa Postal 3037 CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
² Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós- Graduação
em Agronomia/Fitotecnia, Campus Universitário, Caixa Postal 3037 CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
* Autor para correspondência: harianna_tp@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 21
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
AVALIAÇÃO DE TRATAMENTOS PRÉ-GERMINATIVOS EM TAMARILLO,
Solanum betaceum (Cav.) Sendt. (Solanaceae)

Yasmini da Cunha CRUZ1*, Maria Aparecida Vilela de RESENDE2, Evandro


Alexandre FORTINI3

O tamarillo ou tomate de árvore, cientificamente conhecido como Solanum betaceum (Cav.)


Sendt., é um fruto originário da região andina da América do Sul, com diversas variedades e
adaptado ao clima subtropical e temperado. Trata- se de uma espécie alimentícia não
convencional que necessita ser melhor estudada e difundida, pois representa uma fonte
alternativa alimentar e de renda, sobretudo na agricultura familiar. O objetivo desta pesquisa
foi avaliar a eficiência de três tratamentos pré-germinativos nas sementes de tamarillo. O
experimento foi conduzido no laboratório de Biologia, da Universidade do Estado de Minas
Gerais, Campus Ubá. As sementes foram adquiridas a partir dos frutos de S. betaceum da
variedade amarela colhidos aleatoriamente de variados indivíduos. As sementes foram
preparadas para receber os seguintes tratamentos: embebição, com imersão em água destilada
por 24 horas; embebição freezer, em que as sementes foram imersas em água destilada e
mantidas no freezer por 24 horas; e secas freezer, onde as sementes secas foram levadas ao
freezer por 24 horas; além das sementes testemunhas que não receberam nenhum tratamento.
O substrato utilizado foi o papel germitest, umedecido com água destilada equivalente a 2,5
vezes seu peso. Os testes foram realizados em câmara de germinação, com temperaturas de
20-30°C. Foram determinadas a porcentagem de germinação e o índice de velocidade de
germinação. A primeira contagem foi realizada 15 dias após a semeadura, e as demais, de dois
em dois dias até a última, aos 41 dias. Foram contabilizadas plântulas com radícula maior ou
igual a 0,5 cm, sendo os resultados expressos em porcentagem. Os dados foram submetidos à
análise de variância e as médias comparadas pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade
utilizando o programa computacional Sisvar. Os resultados revelaram que a porcentagem de
germinação observada no tratamento testemunha foi a menor, de 47%, enquanto que os três
tratamentos pré-germinativos aplicados levaram à obtenção de germinação média de 67%. As
sementes embebidas por 24 horas apresentaram maior velocidade de germinação. O teste pôde
ser encerrado 35 dias após a semeadura, pois houve uma estabilização no número de plântulas
germinadas. Os tratamentos pré-germinativos sob as condições estabelecidas de temperatura e
umidade promoveram aumento da porcentagem e velocidade de germinação, sendo que a
embebição das sementes por 24 horas se mostrou mais vantajosa para a espécie.

Palavras-chave: Sementes, Germinação, Tomate de Árvore.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
*autor para correspondência: yasminicruz@hotmail.com
2
Universidade do Estado de Minas Gerais, Departamento de Ciências Biológicas, Campus
Universitário, CEP: 37500-000, Ubá-MG, Brasil.
3
Universidade Federal de Viçosa, Centro de Ciências Biológicas, Departamento de Biologia
Vegetal, Pós-Graduação em Botânica, Campus Universitário, CEP: 36570-900, Viçosa-MG,
Anais
Brasil.do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 22
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
Stryphnodendron polyphyllum Mart. (Fabaceae) PROTECTION FROM CERRADO
FIRE

Paula Cristina Benetton VERGÍLIO1, Carmen Regina MARCATI1

Cerrado woody vegetation has some protective adaptations from natural fire, as the thick bark.
The term "bark" designate all tissues present outside the vascular cambium, in other words, in
the secondary growth it refers to junction of periderm and secondary phloem, and can also
comprise primary tissues (cortex and primary phloem) and tissues isolated by periderm.
However, the mistakenly use of "bark" as synonym of "periderm" leads a lot of confusion in
the literature because some authors refer to "bark" as responsible for the plant fire protection,
while others claim that the protection function is only because of the "periderm". We test if
either the total bark thickness or the periderm thickness is what protects Stryphnodendron
polyphyllum Mart. (Fabaceae) from Cerrado fire. We sampled the bark of stem of five adult
individuals of S. polyphyllum in both fire-prone (cerrado sensu stricto) and non-fire-prone
(gallery forest) Cerrado habitats. We analyzed bark tissues sectioned after bark penetration
with polyethylene glycol and historesin. After measuring the absolute bark thickness, we
calculated the relative bark thickness to eliminate the dependence of stem diameter. We
compared the relative bark thickness by Student's t-test at 5% level of significance. S.
polyphyllum bark is composing by rhytidome (periderms and the tissues isolated by them),
secondary phloem and primary tissues. In both populations, each periderm has an irregular
course, rectangular cork cells with suberized and lignified thick walls, a single row of
rectangular phellogen cells, and thin walls rectangular phelloderm cells. Relative thickness of
total bark, secondary phloem and primary tissues were similar between both populations.
However, relative rhytidome thickness was higher in fire-prone population. We found a
higher amount of cell layers in the periderm of the fire-prone population (up to thirty cell
layers in the cork and up to eight cell layers in phelloderm) when compared to non-fire-prone
population (up to twenty cell layers in cork and up to six cell layers in phelloderm). Thus, the
rhytidome thickness is what protects S. polyphyllum from Cerrado fire, due mainly to the
increase of cork cell layers in the periderm. We emphasize here the importance of correct
definition of "bark" as a complex tissue comprising both periderm and secondary phloem. The
cork cells have essentially the function of plant protection.

Keywords: Fire, Bark thickness, Rhytidome, Cork.

Financial support: CAPES

1
Laboratório de Anatomia da Madeira, Faculdade de Ciências Agronômicas, Univ Estadual
Paulista, Rua José Barbosa de Barros 1780, CEP 18610-307, Botucatu-SP, Brasil.

Anais do III Simpósio
corresponding author:Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 23
paulavergilio@yahoo.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
BARREIRAS APOPLÁSTICAS EM RAÍZES DE MILHO SARACURA BRS 4154
CONTRASTANTES NA TOLERÂNCIA AO ALAGAMENTO

Marinês Ferreira PIRES11*, Evaristo Mauro de CASTRO1, Luana Portela Faria e


ÁVILA1, Marcela Aparecida Copati da SILVA1, Eduarda Natália de Carvalho ASSIS1,
Osmar de ALMEIDA JUNIOR1

O alagamento do solo é um dos fatores ambientais mais influentes sobre o crescimento e


sobrevivência das plantas. O milho é uma planta sensível ao alagamento, no entanto, a
cultivar Saracura BRS 4154, desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo, é considerada
tolerante a períodos de alagamento intermitentes. Com isso, este trabalho teve o objetivo de
avaliar as características anatômicas da epiderme, exoderme e endoderme radicular de plantas
dos ciclos de seleção genética do milho Saracura C1 (menos tolerante) e C18 (mais tolerante
ao alagamento), em diferentes tempos de alagamento: 0, 1, 3, 5 e 7 dias. Para isso, raízes
completas foram coletadas, fixadas em FAA 70% e, posteriormente, armazenadas em etanol
70%. Em seguida as raízes foram submetidas aos procedimentos usuais em micro técnica
vegetal para realização de cortes transversais da raiz e confecção de lâminas. O experimento
foi realizado em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 (ciclo de
seleção) x 5 (tempo de alagamento), com um vaso por parcela e três repetições. Após a
confecção, as lâminas foram fotografadas, as avaliações foram realizadas com o software
Imagetool e os dados analisados no Sisvar. Houve interação significativa entre ciclo de
seleção e tempo de alagamento para todas as variáveis analisadas. Em relação à epiderme,
observaram-se maiores modificações em C1, com redução da espessura nas raízes alagadas,
embora com valares maiores que C18 em 0 e 1 dia de alagamento. Por sua vez, a exoderme
apresentou maiores modificações em C18, havendo maior espessura nos primeiros dias de
alagamento. Já a endoderme exibiu aumento ao longo do tempo de alagamento, sendo maior
em C18. A epiderme é o primeiro tecido a entrar em contato com fatores estressantes, e sua
resposta evidencia a menor tolerância de C1 ao alagamento do solo. O espessamento da
exoderme pode representar uma estratégia de tolerância por atuar como barreira à perda radial
de oxigênio nos períodos iniciais de alagamento. Enquanto o espessamento da endoderme
pode impedir um possível efluxo de íons do cilindro vascular para o córtex em plantas com
baixa taxa transpiratória em função do alagamento. As respostas observadas demonstram que
o tempo de alagamento influência as características das barreiras apoplásticas relacionadas a
tolerância a esse estresse.

Palavras-chave: Zea mays, Anatomia radicular, Hipoxia.

Créditos de financiamento: FAPEMIG, CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Campus Universitário, Caixa
Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil
*autor correspondente: marinesfpires@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 24
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
BARREIRAS APOPLÁSTICAS RADICULARES EM Echinodorus grandiflorus
(Alismataceae) CULTIVADA NA PRESENÇA DE CHUMBO

Estefânia Santos RIBEIRO1, Gabriel de Resende BARONI1, Marcio Paulo PEREIRA1,


Felipe Fogaroli CORREA1, Wagner Alefe SCHIAVONI1, Fabricio José PEREIRA1*

O chumbo (Pb), apesar de ocorrer naturalmente na crosta terrestre, tem se acumulado em


ecossistemas devido às atividades antrópicas e provocado impactos ambientais e sociais.
Echinodorus grandiflorus (Alismataceae), conhecida como chapéu-de-couro, é uma macrófita
enraizada com folhas emergentes com ampla ocorrência no Brasil e Américas. O objetivo do
estudo foi averiguar os efeitos provocados pelo Pb nas barreiras apoplásticas das raízes de E.
glandiflorus uma vez que esses tecidos são responsáveis por reter o Pb nas raízes. Os
tratamentos foram constituídos de seis diferentes concentrações de Pb sendo: zero (controle),
0,75; 1,5; 3,0 6,0 e 9,0 µM de Pb(NO3)2. Aos 60 dias, duas raízes de cada repetição foram
coletadas, lavadas em água corrente e fixadas em F.A.A. 70% (formaldeído, ácido acético
glacial P.A. e etanol 70%) por um período de 72 horas e posteriormente conservadas em
etanol 70%. O laminário permanente foi confeccionado com as amostras desidratadas, coradas
com azul de toluidina 1% e montadas em bálsamo do Canadá. Foram avaliadas a espessura da
epiderme, da endoderme, do córtex e da exoderme. As análises foram realizadas no software
de análise de imagens UTHSCSA-Imagetool. Os dados foram submetidos à análise de
variância para p<0,05 e regressão. O Pb ocasionou modificações significativas nas estruturas
das raízes de E. grandiflorus, onde as partes mais externas sofreram redução devido ao
aumento da concentração desse elemento, observando-se uma queda proporcional na
espessura da epiderme e da exoderme. Entretanto, o córtex aumento sua espessura cerca de
50%, à medida que houve aumento na concentração de Pb. A endoderme apresentou também
um aumento proporcional à concentração de Pb na solução. O aumento do córtex e
endoderme pode promover uma queda na condutividade hidráulica reduzindo o fluxo para a
parte aérea, sendo uma característica favorável à tolerância da espécie. Portanto, a
concentração de Pb constitui um fator que provoca significativas modificações anatômicas
nas barreiras apoplásticas radiculares de E. grandiflorus, sendo tais modificações relacionadas
à possível maior tolerância ao elemento.

Palavras-Chave: Chapéu-de-couro, Metais pesados, Anatomia ecológica.

1
Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil
*
Autor para correspondência (fabriciopereira@dbi.ufla.br)
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 25
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
BIOACTIVITY OF MONOTERPENES AGAINST FUNGI PHYTOPATHOGENIC

Sergio Paulo Severo de Souza DINIZ1*, Priscila JORGE-ARAÚJO1

Natural terpenes have wide structural diversity, and its effects on pathogenic microorganisms
have been shown in previous studies. The objective of this work was to evaluate the
antifungal effect of seven compounds in this class (thymol, carvacrol, p-cymene, D-limonene,
(-) - carvone, (-) - menthol and (+) - menthol) on growth germination and mycelia fungus
Corynespora cassiicola. The monoterpenes used were purchased from Sigma-Aldrich, or
isolated from oils using chromatography on a silica gel column. The identification and purity
of monoterpenes were determined by gas chromatography coupled to mass spectrometry, and
by nuclear magnetic resonance. The C. cassicola was collected from infected cucumber plants
(Cucumis sativus L.). The C. cassiicola was cultivated on the Petri plates contained Potato
Dextrose Agar. The results showed that the tymol and carvacrol monoterpenes completely
inhibited the mycelial growth and spore germination at concentrations from 500 ppm. The (-)
- menthol and (+) - menthol, as well as carvacrol and thymol showed the same activity, but at
concentrations from 1000ppm. Thus, according to the results, the monoterpenes thymol,
carvacrol, (-) - menthol and (+) - menthol) were efficient on C. cassiicola in vitro control.
However, the additional field studies are needed to evaluate the potential use of these
compounds.

Keywords: Essential oils, Antifungal Activity.

Financial support: Embrapa

1
State University of Maringa, Department of Biochemistry, 87.020-900 Maringa, Pr, Brazil.
*corresponding author: dnz1210@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 26
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
BIOCHEMICAL AND PHYSIOLOGICAL ASPECTS OF INJURY IN THE
VEGETABLE TISSUE OF BANANA TREE LEAVES

Sergio Paulo Severo de Souza DINIZ1*

The injury caused to the tissue of banana leaves by different agents and in different ways was
investigated with respect to the levels of total polyamines and to some enzyme activities. The
polyamines, putrescine, spermidine and spermine have been shown to be involved in a variety
of plant growth, defense systems and developmental processes, including cell division,
vascular differentiation, root initiation, shoot formation and floral initiation. Plant defense
systems could be induced by microbial products in compatible (resulting in disease) and
incompatible (failure to result in disease) plant-microbe interactions. The objective of this
work was to determine the levels of total polyamines and specific polyamines (agmatine, nor-
spermidine, spermine, spermidine and putrescine) into the tissue of banana leaves submitted
to M. fijiensis. Also determine the levels of enzymes peroxidase, polyphenol oxidase and
lipoxygenase in response to the process of injury which the tissue of banana leaves was
submitted. The adding Micospharela fijiensis made the synthesis of the following polyamines:
agmatine, nor-spermidine, spermine, spermidine and putrescine.The presence of peroxidase,
polyphenol oxidase and lipoxygenase enzymes in altered levels in response to the process of
injury to which the tissue of banana leaves was submitted. This fact indicates the effective
participation of these enzyme activities in the defense of vegetable tissue.

Keywords: Polyamines, Banana Leaves, Mycospharela fijiensis.

Financial support: UEM/ CORBANA

1
State University of Maringa, Department of Biochemistry, 87.020-900 Maringa, Pr, Brazil.
*corresponding author: dnz1210@hotmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 27


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
BIOENSAIO IN VITRO UTILIZANDO Lactuca sativa L. (Asteraceae) EXPOSTA A
EXTRATOS DE Byrsonima spp.

Bárbara Christina Silva AMÂNCIO 1*, Kamilla Pacheco GOVÊA¹, Luciene de Oliveira
RIBEIRO¹, Thiago Corrêa de SOUZA¹, Sandro BARBOSA1
Byrsonima intermedia A. Juss. e Byrsonima verbascifolia Rich. ex A. Juss. são plantas nativas
do Cerrado brasileiro. Popularmente conhecidas como Murici-pequeno e Murici-cascudo,
respectivamente, são amplamente utilizadas na medicina popular devido às propriedades
farmacológicas de seus metabólitos secundários, contudo pouco ainda se sabe sobre as
interações ecológicas dessas espécies com o meio. Nesse contexto, foi objetivo deste trabalho
investigar o comportamento de Lactuca sativa L. quanto a germinação e crescimento inicial,
considerando sua exposição a extratos brutos de diferentes estruturas de Murici-pequeno e
Murici-cascudo. Foram realizadas coletas de folhas e frutos a partir de populações localizadas
no município de Ijaci-Minas Gerais. Para o ensaio de fitotoxicidade, 30 sementes foram
distribuídas em placas de Petri contendo 5mL de ágar, seguido da adição de extrato bruto nas
concentrações 10, 20, 30, 40 e 50mg, adicionando-se posteriormente mais uma camada de
5mL de ágar, conforme proposto para o método sanduíche. As placas foram mantidas em
incubadora do tipo Biochemical Oxygen Demand, a 20ºC e fotoperíodo de 12h. A
porcentagem de germinação foi avaliada após 24 e 48h e o Índice de Velocidade de
Germinação de 8 em 8h, totalizando 48h. No sétimo dia foi analisado o alongamento de raiz,
comprimento de parte aérea, número de plântulas normais e biomassa fresca. Após secagem
em estufa (65ºC), foi obtida a biomassa seca. Os dados foram submetidos à análise de
variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância. O Índice de
Velocidade de Germinação de Murici-cascudo apresentou redução mais evidente (63%)
quando comparado ao Murici-pequeno (70%). As variáveis número de plântulas normais,
biomassa fresca, biomassa seca e parte aérea não apresentaram diferença estatística
significativa entre as estruturas, concentrações e espécies. O alongamento de raiz, sob o efeito
das concentrações dos extratos brutos, variou em função das espécies e das estruturas. O
método sanduíche foi eficiente para avaliar o potencial alelopático das estruturas das
diferentes espécies. Alongamento de raiz foi o endpoint que permitiu evidenciar que o Murici-
pequeno apresentou-se mais fitotóxico.

Palavras-chave: Alelopatia, Murici-pequeno, Murici-cascudo.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental e Genotoxicidade
- BIOGEN, Instituto de Ciências da Natureza, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Ambientais, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
*autor do
Anais para
IIIcorrespondência: ba_amancio@yahoo.com.br
Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 28
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
BIOSPECKLE NA IDENTIFICAÇÃO DA ATIVIDADE BIOLÓGICA DE RAÍZES DE
Echinochloa crusgalli L. (Poaceae) COM ARSÊNIO

Juliana Costa Bueno SANTOS1*, Katiucia Dias FERNANDES1, Evaristo Mauro de


CASTRO1, Renan Oliveira REIS1, Roberto Alves Braga JUNIOR1, Marinês Ferreira
PIRES1

A contaminação por arsênio (As) no meio ambiente de fontes tanto antropogênicas quanto
natural ocorre em muitas partes do mundo. Solos contaminados com As, sedimentos e lodo
são as principais fontes de contaminação da cadeia alimentar, água da superfície, lençol
freático e água potável. Técnicas atualmente disponíveis para a remediação de áreas
contaminadas com As são caras e consomem tempo, sendo prejudiciais aos trabalhadores.
Assim, a rizofiltração, que é o uso de plantas para recuperar áreas contaminadas tem atraído
atenção como uma técnica de remediação de baixo custo. As gramíneas geralmente
apresentam facilidade de semeadura, rápido crescimento e estabelecimento e destacam-se
como potenciais para fitorremediação dessas áreas. As análises das imagens
do biospeckle laser representam uma nova técnica para a obtenção de informações sobre
tecidos vegetais. Esse estudo objetivou conhecer a atividade biológica evidenciada
pelo biospeckle laser do ápice radicular de capim-arroz (Echinochloa crusgalli), cultivado em
solução com As. As mudas de Echinochloa crusgalli foram mantidas por 15 dias em casa de
vegetação, em solução nutritiva. Utilizou-se DIC com 8 tratamentos e 4 repetições, sendo 10
plantas por repetição e 2 repetições por bandeja. As concentrações utilizadas nos tratamentos
foram: controle (0); 0,01; 0,03; 0,3; 1,5; 3,0; 6,0 e 12,0 mg L-1 de arsênio. Após 15 dias, as
raízes de Echinochloa crusgalli de cada repetição foram colocadas em tubo de ensaio
contendo 150 ml de meio de cultivo simples à base de Ágar-Ágar. As imagens dos padrões de
“speckle” foram capturadas em 128 imagens por raiz. De acordo com a análise estatística, as
menores concentrações de As não afetaram a atividade biológica da raiz. Mas a partir da
concentração de 0,3 mg L-1 houve uma redução nessa atividade, sendo que em 6,0 mg L-1
observou-se o menor valor. Entretanto em 12,0 mg L-1 de As ocorreu um pequeno aumento da
atividade, embora, permanecendo abaixo dos valores iniciais. A técnica do biospeckle foi
eficiente para evidenciar as modificações na atividade biológica de raízes de Echinochloa.
crusgalli na presença de As. Foi possível concluir que altas concentrações de arsênio reduzem
a atividade biológica da raiz de capim arroz.

Palavras-chave: Metais pesados, Biospeckle laser, Fitorremediação, Botânica aplicada

Créditos de financiamento: Capes

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
Anais
* autordo III correspondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 29
jubsantos05@yahoo.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CALOGÊNESE EM EMBRIÕES ZIGÓTICOS DE Garcinia brasiliensis Mart.
(Clusiaceae)

Maria Gessi TEIXEIRA1*, Marília CARVALHO1, Lucas Batista de SOUZA1; Milena


Rocha Lopes da SILVA1; Leila Mc LEOD1, Breno Régis SANTOS1

O Bacupari (Garcinia brasiliensis) produz diversos metabólitos secundários de interesse


econômico e medicinal como fenóis, xantonas e benzofenonas. Entretanto, na natureza, a
produção destes compostos é pequena, o que exige processos de extração dispendiosos
podendo levar a planta a exaustão. Para tanto, o cultivo in vitro de células vegetais é uma
alternativa biotecnológica para a otimização da produção de metabólitos secundários. Porém,
para haver síntese destes compostos in vitro, em uma quantidade satisfatória, é necessário
desenvolver um protocolo de calogênese que permita a produção de calos em quantidades
suficientes para a extração desses metabólitos. Para tanto, o objetivo do trabalho foi avaliar o
efeito do 2-isopentiladenina (2-iP) e do ácido 2,4-diclorofenoxiacético (2,4-D) na calogênese
em embriões zigóticos de G. brasiliensis. Embriões zigóticos foram segmentados
transversalmente e inoculados em placas de Petri contendo 30 mL de meio de cultura Wood
Plant Medium (WPM). Foram testados 25 tratamentos com diferentes concentrações de 2-iP
(0; 9; 18; 36; 72 µM) e 2,4-D (0; 2,05; 10,26; 18,47; 28,73 µM ). Foram utilizadas dez
repetições por tratamento sendo cada repetição composta por uma placa de Petri e cada placa
contendo dez segmentos de embriões. Após a inoculação as placas permaneceram em câmera
de germinação do tipo B.O.D. a temperatura de 30 ºC no escuro. Ao 16º dia da inoculação foi
avaliada a área coberta por calos por meio do programa Image J®. Embriões inoculadas em
meios suplementados com os tratamentos 36 µM de 2-iP + 10,26 µM de 2,4-D; 72 µM de 2-
iP + 18,47 µM de 2,4-D; 18 µM de 2-iP e 18,47 µM de 2,4-D e 72 µM de 2-iP + 28,73 µM
de 2,4-D apresentaram a área coberta por calos significativamente maior quando comparado
aos demais tratamentos, com valores de 0,066; 0,067; 0,071 e 0,080 cm2, respectivamente. Os
calos obtidos foram provenientes do câmbio vascular dos embriões zigóticos. Pode-se
concluir que combinando concentrações entre 18 e 72 µM de 2-iP e concentrações entre
10,26 e 28,73 µM de 2,4-D garantiram uma rápida e eficiente calogênese em embriões
zigóticos de G. brasiliensis.

Palavras-chave: Bacupari, 2-isopentiladenina, Ácido 2,4-diclorofenoxiacético.

Créditos de financiamento: CAPES (AUX-PE 2297.2011)

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade / Instituto de Ciências da Natureza / Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº 700,
Centro, CEP 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 30
mariagessiteixeira@hotmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS DA EPIDERME E EXODERME DE MILHO
SARACURA BRS4154 CICLO 11 SOB ALAGAMENTO

Fernanda de OLIVEIRA1*, Marinês Ferreira PIRES1, Luana Portela Faria e ÁVILA1,


Marcela Aparecida Copati da SILVA1, Eduarda Natália de Carvalho ASSIS1, Osmar de
ALMEIDA JUNIOR1

Modificações anatômicas na epiderme e exoderme de raízes podem ocorrer em resposta ao


alagamento, contribuindo na tolerância à hipóxia por prevenir a perda de oxigênio para o
ambiente. O milho é uma planta sensível ao alagamento, no entanto, a cultivar Saracura BRS
4154, desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo, é considerada tolerante a períodos de
alagamento intermitentes. Com isso, este trabalho teve o objetivo de avaliar as características
anatômicas da epiderme e exoderme radiculares em plantas do Ciclo de seleção genética do
milho Saracura C11 em diferentes tempos de alagamento: 0, 1, 3, 5 e 7 dias. Para isso, raízes
completas foram coletadas, fixadas em FAA 70% e, posteriormente, armazenadas em etanol
70%. Em seguida as raízes foram submetidas aos procedimentos usuais em micro técnica
vegetal para realização de cortes transversais da raiz e confecção de lâminas. O experimento
foi realizado em DIC, com cinco tratamentos e três repetições. Após confecção, as lâminas
foram fotografadas, as avaliações foram realizadas com o software Imagetool e os dados
analisados no Sisvar. Os resultados demonstraram que não houve influência do alagamento ao
longo do tempo na espessura da camada de epiderme e exoderme. Por ser o primeiro tecido a
entrar em contato com o meio e, consequentemente, a demonstrar sintomas de toxidez, a
epiderme da raiz mostrou capacidade de tolerância ao alagamento. Da mesma forma, a
ausência de modificações na espessura da exoderme pode ser indício de tolerância, evitando a
perda de oxigênio para a rizosfera e a absorção de fitotoxinas. Estas respostas são indícios da
tolerância do milho Saracura ao alagamento intermitente.

Palavras-chave: Zea mays, Anatomia radicular, Hipoxia.

Créditos de financiamento: FAPEMIG,CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Campus Universitário, Caixa
Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil

*autor para correspondência: olivernana@hotmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 31
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERÍSTICAS DOS FEIXES VASCULARES DE Piper aduncum L. (Piperaceae)
SOB DIFERENTES CONDIÇÕES DE LUMINOSIDADE

Fernanda Ventorim PACHECO1, Juliene dos Reis MOREIRA2*, Roniel Geraldo AVILA2,
Marinês Ferreira PIRES3, Amauri Alves de ALVARENGA2, José Eduardo Pereira Brasil
PINTO1

Piper aduncum é uma espécie popularmente conhecida como pimenta-de-macaco. Essa


espécie tem atraído a atenção de pesquisadores devido as propriedades medicinais
encontradas em seu óleo essencial. A luz é um fator de grande importância para o
desenvolvimento vegetal promovendo modificações anatômicas e na morfologia externa dos
órgãos. Embora existam vários estudos fitoquímicos relacionados ao óleo essencial de P.
aduncum, pouco se sabe sobre as modificações anatômicas dessa espécie quando cultivada em
diferentes condições ambientais. Desta forma, objetivou-se avaliar as características dos feixes
vasculares em folhas de P. aduncum cultivada sob diferentes condições de radiação. Mudas de P.
aduncum foram cultivadas por quatro meses sob diferentes condições de radiação, utilizando
sombrite (30% e 50% de sombreamento), um tratamento a pleno sol e malhas fotoconversoras nas
cores vermelha e azul. Para as análises anatômicas foram coletadas duas folhas, localizadas no
terceiro nó de cinco plantas por tratamento. A partir dessas folhas foram realizados cortes
transversais, com auxílio de micrótomo de mesa, onde foi avaliado a área do floema, proporção
do floema com relação à área total da nervura, diâmetro dos vasos metaxilemáticos, proporção
do xilema em relação à área total da nervura, número de vasos do xilema e o índice de
vulnerabilidade de Carlquist (diâmetro médio dos elementos de vaso/número de vasos do
xilema). Nos tratamentos com 70% de luminosidade e na malha azul foi observado aumento
na área do floema, não ocorrendo alterações na proporção desse tecido vascular em relação à
área total da nervura. Com relação ao xilema, o número e diâmetro de vasos metaxilemáticos
e a proporção de xilema em relação à área total da nervura foram maiores nos tratamentos
com 70% de luminosidade e na malha azul. Sendo, o número de vasos do xilema na malha
azul e em 70% de luminosidade maiores que os demais tratamentos, o que proporcionou
menores índice de vulnerabilidade de Carlquist. Os tratamentos com 50 e 100% de
luminosidade e na malha vermelha apresentaram redução nas variáveis relacionadas ao
floema e xilema. O aumento da área do floema e os baixos índice de Carlquist do xilema
observados nos tratamentos de 70% de luminosidade e na malha azul podem indicar melhor
distribuição de fotoassimilados e menor ocorrência de cavitação, respectivamente. Assim
essas condições propiciam modificações nos feixes vasculares que podem ser mais adequadas
para o crescimento da espécie.

Palavras-chave: Xilema, Floema, Malhas fotoconversoras.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Plantas Medicinais Aromáticas e Condimentares, Campus Universitário, caixa postal 3037,
CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2
: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Agronomia/Fisiologia Vegetal.
3
: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Botânica Aplicada.
Anais
*autordo III correspondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 32
julienemoreira14@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERÍSTICAS MORFOFISIOLÓGICAS DE FOLHAS DE SOL E SOMBRA
DE Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae)

Eder Marcos da SILVA*, Kárita Kristina Sousa FREITAS1, Daniela Pereira DIAS

Em uma mesma árvore podem existir folhas expostas a diferentes regimes de luminosidade.
As folhas que desenvolvem no estrato superior recebem uma maior intensidade de radiação
solar e são denominadas folhas de sol. Já as folhas presentes nos estratos inferiores da planta
estão expostas a uma menor taxa de radiação, sendo denominadas folhas de sombra. Folhas de
sol e sombra, geralmente, apresentam características morfofisiológicas contrastantes, devido à
capacidade plástica das plantas a responder a condições de estresse. O objetivo do presente
trabalho foi avaliar variações morfofisiológicas em folhas de sol e de sombra de Cecropia
pachystachya Trécul. O estudo foi conduzido durante a estação seca do ano de 2012
utilizando três indivíduos arbóreos. Em cada árvore, foram retiradas folhas expostas
diretamente ao sol e folhas desenvolvidas no interior da copa. Retiraram-se seis amostras
(disco foliar), com dois centímetros de diâmetro, de cada uma das posições. A área foliar
específica foi calculada pela razão entre área foliar e peso seco. As amostras coletadas para a
determinação dos teores de água foram pesadas e, posteriormente, submetidas à água para
obtenção da massa túrgida. Após serem pesadas novamente, as amostras foram secas até
atingirem peso constante e posteriormente pesadas. O cálculo do conteúdo relativo de água
foliar foi obtido por uma fórmula específica. Os dados foram submetidos à análise de
variância. As folhas de sombra apresentaram uma área foliar específica média de 129,40 cm2,
ao passo que seu conteúdo relativo de água foi 72,64%. Já as folhas de sol apresentaram uma
área foliar específica média de 122,10 cm2 e conteúdo relativo de água igual a 76,95%.
Estatisticamente, apenas a área foliar específica dos dois tipos foliares diferiu, sendo que as
folhas de sombra apresentaram valores superiores às folhas de sol, isso ocorre porque folhas
presentes no interior da copa são expostas a baixas intensidades luminosas. Logo, o aumento
da área foliar específica destas folhas pode ser um mecanismo de aclimatação que permite o
vegetal aumentar sua superfície fotossintetizante e promover um maior aproveitamento das
baixas intensidades de luminosidade. Por outro lado, não houve diferença entre o conteúdo
relativo de água das folhas de sol e sombra, demostrando que apesar da baixa disponibilidade
hídrica da estação seca, as folhas da espécie conseguem manter um adequado “status” hídrico
sem desenvolver estratégias de aclimatação.

Palavras-chave: Área foliar específica, Conteúdo relativo de água, Aclimatação.

1
Universidade Federal de Goiás – Regional Jataí, Departamento de Engenharia Florestal,
Campus Cidade Universitária BR 364, km 195, nº 3800 CEP: 75801-615, Jataí- GO, Brasil.
*
Autor para correspondência: edermarcos17@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 33
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERÍSTICAS VEGETATIVAS E FOTOPIGMENTOS EM Physalis angulata
L. (Solanaceae) MICROPROPAGADA SOB DIFERENTES QUALIDADES DE LED

Gustavo Costa SANTOS1*, Joyce Dória Rodrigues SOARES2, Moacir PASQUAL2

Na cultura de tecidos vegetais, a qualidade de luz pode ser manipulada utilizando diferentes
tipos de lâmpada. Na literatura, observa-se que o efeito de um mesmo diodo emissor de luz
(LED) varia significativamente nas diferentes espécies testadas. O efeito de diferentes
qualidades de LED ainda não foi testado em nenhuma característica da espécie Physalis
angulata cultivada in vitro. A manipulação biotecnológica dessa espécie é de interesse das
indústrias alimentícia e farmacêutica. Diante desta demanda, objetivou-se avaliar algumas
características vegetativas e o teor de alguns fotopigmentos de P. angulata, micropropagada
sob o efeito de seis qualidades de LED. Segmentos nodais da terceira repicagem foram
submetidos aos LEDs nas cores (i) amarela, (ii) azul, (iii) vermelha, (iv) roxa (70% azul e
30% vermelho), (v) verde e (vi) branca. Avaliou-se o efeito dessas lâmpadas em (i)
comprimento do primeiro segmento nodal, (ii) comprimento do segundo segmento nodal, (iii)
comprimento da parte aérea, (iv) comprimento do sistema radicular, (v) número de folhas, (vi)
área foliar média (AFM). Também se avalizou o efeito das diferentes LEDs em (i) teores de
clorofila a, (ii) clorofila b, (iii) clorofilas totais, (iv) razão de clorofilas a/b, e (v) carotenoides.
As avaliações foram realizadas após um mês. Dentre os vários resultados, observou-se que
nesta espécie as luzes azul e roxa oferecem menor crescimento nodal, da parte aérea e
radicular. Nos tratamentos com LEDs amarelo e vermelho, observou-se maior crescimento
nodal e da parte aérea. Os LEDs branco e verde apresentaram crescimento nodal e parte aérea
intermediário. A área foliar foi menor utilizando-se LEDs vermelho e amarelo. A luz branca
propiciou maior teor de clorofila a. As luzes branca e amarela propiciaram os maiores teores
de clorofila b. As luzes azul e roxa propiciaram menores teores das duas clorofilas e
carotenoides. Os diferentes resultados são interessantes dependendo do objetivo tecnológico,
por exemplo: crescimento lento e conservação in vitro, micropropagação, produção de hairy
root, produção de compostos secundários, e aclimatização. Conclui-se que as diferentes
lâmpadas de LED influenciam em várias características de interesse biotecnológico na espécie
P. angulata.

Palavras-chave: Botânica aplicada, Anatomia Ecológica, Pequenas Frutíferas, Cultura de


tecidos vegetais.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPQ

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós-Graduação
em Fitotecnia, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
Anais
*Autordo III correspondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 34
Gustavo.bio.ufla@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO ANATÔMICA DE CULTIVARES DE OLIVEIRAS

Thatiane Padilha de MENEZES1*, Adelson Francisco de OLIVEIRA2,


Afonso Ricardo de SOUZA3, Evaristo Moura de CASTRO4,
Luiz Fernando de Oliveira da SILVA5

A morfologia interna dos vegetais pode ser uma alternativa para a identificação de
plantas. Neste trabalho objetivou-se caracterizar cultivares de oliveiras protegidas do
Banco de Germoplasma da Epamig Maria da Fé por meio da anatomia foliar. Foram
utilizadas folhas do terço médio das plantas totalmente expandidas das cultivares MGS
Grapollo 541, MGS Grapollo 561, MGS Mariense, MGS Grapollo 556, MGS Mission
293, MGS Neblina, MGS Ascolano 322, MGS Ascolano 315. O material coletado foi
transportado para o Laboratório de Anatomia Vegetal da UFLA, submetido à
desidratação em série etílica, posteriormente foi colocado em solução de pré-infiltração,
solução de filtração (resina base), emblocamento e seccionamento transversal da lâmina
foliar. Foram registradas 128 fotomicrografias, sendo 64 do limbo foliar e 64 da nervura
central, dividas em 4 repetições. As medições das fotos foram feitas no software Image
J (domínio público). As folhas das cultivares de oliveira apresentaram estrutura básica
semelhante, com epiderme unisseriada em ambas as faces, abaxial e adaxial.
Imediatamente a epiderme da face adaxial encontra-se o parênquima paliçádico, seguido
pelo parênquima esponjoso, caracterizando esta espécie como dorsiventral. A nervura
central tem secção convexa. O feixe vascular é colateral e em formato de arco. Foi
verificado maior espessamento da epiderme abaxial para as cultivares MGS Ascolano
322, MGS Grapollo 541, MGS Grapollo 561, MGS Mission 293. Para a face adaxial, a
epiderme foi mais espessa nas cultivares MGS Grapollo 556 e MGS Grapollo 561. No
parênquima paliçádico foram observados maiores espessamentos para as cultivares
MGS Grapollo 556 e MSG Grapollo 561 e MGS Mariense. Para o parênquima
esponjoso foi notado nas cultivares MGS Ascolano 322, MGS Grapollo 556, MGS
Grapollo 561 maiores valores. A espessura do mesofilo e da nervura central foram
maiores nas cultivares MGS Grapollo 556 e MGS Grapollo 561.

Palavras-chaves: Banco de germoplasma, Olea europea L., Morfologia interna.


Crédito de financiamento: FAPEMIG.

1
EngªAgrª, D.Sc., Pós-doutoranda Epamig, Bolsista Fapemig, Universidade Federal de Lavras (UFLA),
Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: thatiagro@yahoo.com.br
2
Engº Agrº, D.Sc., Pesq. EPAMIG Sul de Minas, Lavras-MG. Email: adelson@epamig.ufla.br
3
Estudante de Agronomia, UFLA, Lavras-MG. Email: afonsoricardosouza@hotmail.com
4
Engº Agrº, D.Sc., Profº Depto. Biologia, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras -MG. Email:
emcastro@dbi.ufla.br
5
Engº Agrº, DSc., Pesq. EPAMIG Sul de Minas, Maria da Fé-MG. Email:
luizfernando.agronomia@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 35
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO DO CARIÓTIPO DE Dorstenia bonijesu Carauta & Valente
(Moraceae)

Thais Lazarino Maciel da COSTA1*, Alda Francisca Rodrigues de Sousa


FERNANDES¹, Paulo Marcos do Amaral SILVA¹, Tatiana Tavares CARRIJO¹, Milene
Miranda Praça FONTES¹

A espécie D. bonijesu, pertencente à família Moraceae, apresenta-se como uma espécie


potencial de importância medicinal e ornamental. Têm sido objeto de várias pesquisas
citogenéticas, visando subsidiar programas de melhoramento e estudos evolutivos no gênero.
Desse modo, a finalidade do trabalho é a caracterização cromossômica de D. bonijesus, por
meio da citogenética clássica. Indivíduos e ramos vegetativos das espécies foram coletados no
Parque Estadual de Mata das Flores, Espírito Santo. Para caracterização citogenética, raízes
foram obtidas por meio de sistema de hidroponia, tratadas com o bloqueador amiprofos-metil
(APM) na concentração de 4 µM, por 18 horas e fixadas em metanol: ácido acético (3:1), para
posterior digestão, coloração e observação das lâminas. Para a análise morfométrica, os
cromossomos foram caracterizados de acordo com a relação entre braços. A assimetria do
cariótipo também foi avaliada. As imagens dos cromossomos foram observadas com objetiva
de imersão de 100X capturadas pelo programa Imageproplus e editadas no Photoshop.
Utilizaram-se “softwares” específicos para análise e montagem do cariograma. As
preparações e técnicas citogenéticas empregadas nesse trabalho resultaram em 10 metáfases
adequadas para a caracterização do cariótipo da espécie D. bonijesu. Não houve sobreposição
dos cromossomos metafásicos, e os mesmos apresentaram centrômero bem definido, com
estrutura da cromatina preservada. Foram encontrados 32 cromossomos. O comprimento
absoluto dos cromossomos variou de 2,82 a 0,59 µm e o comprimento relativo variou de 7,97
a 4,59%. Com a obtenção dos dados morfométricos, a classificação dos cromossomos foi
determinda. D. bonijesu apresentou quatro pares metacêntricos, dez pares submetacêntricos e
dois pares acroscêntricos, caracterizando o cariótipo como simétrico, de acordo com a
predominância de cromossomos metacêntricos e submetacêntricos, o que foi confirmado em
D. bonijesu. Outro dado que corroborou com a caracterização do cariótipo da espécie como
simétrico, foi o índice de assimetria calculado, obtendo um valor de 0,16. Cariótipos mais
simétricos representam estágios mais primitivos na evolução de um determinado grupo de
plantas. Visto a importância da espécie, os dados do trabalho possibilitaram a caracterização,
pela primeira vez, de D. bonijesu. Os dados obtidos, por meio da citogenética clássica podem
ser utéis em vários estudos evolutivos, filogenéticos e citotaxonomicos, relacionados à
espécie.

Palavras-chave: Citogenética, Cromossomos, Medicinal, Morfometria.

1
Universidade Federal do Espírito Santo. Programa de Pós Graduação em Genética e
Melhoramento, Centro de Ciências Agrárias. Alto Universitário, s/n, Guararema. Caixa postal
16, CEP 29500000. Alegre, Espírito Santo.

*autor para correspondência: thaislazarinomaciel@hotmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 36


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO DO COMPORTAMENTO DE VISITANTES FLORAIS EM
CULTURAS FRUTÍFERAS E DE SUBSISTÊNCIA

Eliana Aparecida FERREIRA1* Mário Soares JUNGLOS², Fernanda Soares


JUNGLOS², Rosilda Mara MUSSURY¹, Leandro Pereira POLATTO³

Os polinizadores fornecem um serviço essencial aos ecossistemas e à agricultura, pois


mantém a conservação da diversidade biológica e estão intimamente ligados às melhorias na
produtividade agrícola. Este trabalho teve como objetivo definir o comportamento e a
frequência de forrageio dos visitantes florais de Passiflora alata Curtis (Passifloraceae),
Psidium guajava L. (Myrtaceae) e Bixa orellana L. (Bixaceae) e investigar o nível de
dependência que as respectivas espécies possuem em relação aos polinizadores para o sucesso
reprodutivo. Para estabelecer o nível de dependência de cada cultura foram realizados os
testes reprodutivos de autopolinização espontânea e polinização natural. Os visitantes florais
foram observados em cada cultura por três dias não consecutivos, utilizando-se plantas
distintas. Nos primeiros 20 minutos de cada intervalo de tempo (8:00 h, 12:00 h e 16:00 h)
foram registrados o número de forrageios e nos 40 min posteriores observou-se o
comportamento dos visitantes florais. Nas plantas de P. alata foi registrado 67,74% dos
forrageios realizados por pilhadores de néctar e pólen (Trigona spinipes), 29,03% por
polinizadores efetivos (Epicharis sp.) e 3,23% de insetos com comportamento não definido
(morfoespécies de Augochlorini). Na cultura de P. guajava houve a presença de polinizadores
ocasionais (Apis mellifera, Bombus sp., morfoespécies de Augochlorini e Exomalopsis sp.1)
com 79,17% dos forrageios, e furtadores de recurso (T. spinipes e morfoespécies de Diptera)
com 20,83%. Em B. orellana houve visitas de polinizadores efetivos como Oxaea flavescens,
Exomalopsis sp. 2, Bombus sp. e morfoespécies de Augochlorini (70,27%) e furtadores de
pólen como A. mellifera e T. spinipes (29,73%). B. orellana e P. alata mostraram-se
totalmente dependentes da ação de polinizadores, pois na ausência desses não houve formação
de frutos, diferindo-se de P. guajava que apresentou uma redução de 7,15% no número de
frutos produzidos. Conclui-se que nas culturas amostradas há ocorrência de polinizadores
efetivos, que geralmente polinizam as flores visitadas; polinizadores ocasionais, que nem
sempre contatam o estigma da flor; furtadores de recurso, não contatam o estigma durante a
coleta de pólen; e pilhadores, visitantes que realizam perfurações na face externa da corola na
altura do nectário e não promovem a polinização. As culturas de P. alata e B. orellana foram
as que apresentaram dependência completa de polinizadores para a produção de frutos.

Palavras-chave: Bixa orellana, Passiflora alata, Produtividade agrícola, Psidium guajava.

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Rodovia
Dourados Itahum, Km 12, caixa postal 533, CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil. *autor
para correspondência: lih.ferreira.ivi@gmail.com
²
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral e Bioprospecção, Rodovia Dourados Itahum,
Km 12, caixa postal 533, CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
³ Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Unidade Universitária de Ivinhema, Curso de
Anais do Biológicas,
Ciências III SimpósioAvenida
Internacional
Brasil,de Botânica
771 – CentroAplicada e XXXV
- CEP: 79740 000Encontro Regional
Ivinhema- de 37
MS, Brasil.
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO DOS FEIXES VASCULARES DE DIFERENTES GENÓTIPOS
DE CAFEEIRO

Janaine Lopes MACHADO1*, Tainah FREITAS2, Nagla Maria Sampaio de MATOS1,


Mariana Thereza Rodrigues VIANA1, Evaristo Mauro de CASTRO3, Rubens José
GUIMARÃES1

As variações anatômicas observadas na estrutura das folhas podem ser consideradas como
uma importante resposta plástica das plantas às condições ambientais. Objetivou-se
caracterizar os feixes vasculares de diferentes genótipos de cafeeiro. Foram avaliados dez
genótipos de cafeeiro do Banco de Germoplasma de café de Minas Gerais. As avaliações
foram realizadas na época seca e os genótipos avaliados foram: Typica, Bourbon Amarelo,
Bourbon Vermelho, Mundo Novo 502-9, Maragogipe, Caturra Vermelho, Catuaí Vermelho
IAC 99, Híbrido de Timor, Obatã IAC 1669-20, e Icatu Amarelo IAC 2946. Foram coletadas
três folhas de cada genótipo completamente expandidas do terceiro nó de ramos
plagiotrópicos, no terço médio das plantas. Foram realizados secções transversais utilizando-
se o terço médio das folhas, com posterior montagem de lâminas semipermanentes para
análise dos feixes vasculares. As lâminas foram observadas e fotografadas, sendo as imagens
analisadas em software para análise de imagens, com a medição de três campos por repetição.
Foram estimados o número de vasos do xilema, o diâmetro dos vasos do xilema e a espessura
do floema. Foi realizada a análise de variância para as características avaliadas e quando
significativas, foi aplicado o teste de Scott-Knott ao nível de probabilidade de 5% para a
comparação das médias, utilizando-se o programa estatístico Sisvar versão 4.0. Para o número
de vasos do xilema foram verificadas as maiores médias para o Caturra Vermelho, seguido
por Bourbon Vermelho, Mundo Novo 502-9 e Icatu Amarelo IAC 2944. Em relação ao
diâmetro dos vasos do xilema a maior média foi para o Maragogipe e as menores médias
corresponderam aos genótipos Typica e Icatu Amarelo IAC 2944. Normalmente o maior
número de vasos do xilema com menor diâmetro favorece a condutância hidráulica, reduzindo
a cavitação, nesse caso, genótipos com essa característica podem apresentar maior adaptação
em ambientes com déficit hídrico. Foram verificadas as maiores espessuras do floema para os
genótipos Bourbon Amarelo, Maragogipe, Obatã IAC 1669-20, Bourbon Vermelho, Mundo
Novo 502-9, Icatu Amarelo IAC 2944 e Caturra Vermelho. Os genótipos apresentaram
diferenças nas características anatômicas dos feixes vasculares na época analisada. As
diferenças anatômicas verificadas podem representar uma forma de plasticidade da planta
diante das alterações no ambiente. Isso pode afetar o transporte hidráulico pelos feixes
vasculares conferindo maior adaptação de determinados genótipos em diferentes ambientes.

Palavras-chave: Coffea arabica L., Anatomia foliar, Xilema, Floema.

Créditos de financiamento: CAPES.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós-Graduação
em Fitotecnia, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Graduação em Agronomia,
Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
Anais
*autoradopara
III Simpósio Internacional
correspondência: de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 38
janainelm@yahoo.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO E SELEÇÃO DE GENÓTIPOS DE Lactuca sativa L.
(Asteraceae) PARA ENSAIOS DE FITOTOXICIDADE

Simone Cristina SANTOS1*, Ursuléia Aparecida de OLIVEIRA¹, Luciene de Oliveira


RIBEIRO¹, Sandro BARBOSA¹

A espécie Lactuca sativa L. é um dos organismos-teste mais utilizados em bioensaios de


fitotoxicidade, devido a germinação rápida e uniforme, crescimento linear pouco sensível às
diferenças de pH e um alto grau de sensibilidade a agentes tóxicos, mesmo em baixas
concentrações de aleloquímicos. Porém, a espécie possui uma diversidade genotípica
significativa fazendo-se necessário caracterizar e selecionar cultivares que possuem melhor
resposta quanto aos aspectos germinativos e de crescimento inicial. Para tanto, sementes de
14 genótipos de L. sativa foram distribuídas em placas de Petri contendo duas folhas de papel
filtro umedecidas com 3mL de água destilada e mantidas em BOD, a 20ºC e fotoperíodo de
12h. A porcentagem de germinação (%G) foi avaliada após 24 e 48h e o índice de velocidade
de germinação (IVG) de 4 em 4h, totalizando 48h. No sétimo dia de cultivo foi analisado o
alongamento de raiz (AR) e obtidas biomassa fresca (BF) e seca (BS). O delineamento
experimental foi inteiramente casualizado, os dados submetidos à análise de variância e as
médias comparadas pelo teste de Scott-Knott, a 5% de significância. Avaliando %G com 24h,
observou-se que as menores médias foram dos genótipos Maravilha de Inverno (0,66%),
Rainha de Maio (2,66%) e Mimosa (3,33%); e as maiores médias foram Babá de Verão e
Grandes Lagos com 96%. Com 48h, a menor média foi mantida por Maravilha de Inverno
(14%) e as maiores foram Quatro estações (95,33%), Grandes Lagos (98,66%) e Babá de
Verão (99,33%). Com relação ao IVG, o genótipo Maravilha de Inverno também apresentou a
menor média (0,49), já as maiores foram Babá de Verão (12,22) e Grandes Lagos (12,46).
Para o AR, Maravilha de Inverno (5,49mm) e Boston branca (35,72mm) apresentaram a
menor e a maior média, respectivamente. Os genótipos Maravilha de Inverno (0,19g),
Mimosa (0,2g), Rainha de Maio (0,27g), Regina de Verão (0,3g) e Simpson Semente Preta
(0,31g) apresentaram menor BF, e a maior média foi registrada por Babá de Verão (0,77g).
Para BS, Rainha de Maio (0,023g) e Maravilha de Inverno (0,026g) registraram as menores
médias e as maiores médias foram obtidas por Simpson Semente Preta e Romana Branca de
Paris com 0,043g cada. Assim, para as variáveis e genótipos analisados Babá de Verão pode
ser considerado mais adequado para bioensaios vegetais e Maravilha de Inverno um genótipo
menos responsivo.

Palavras-chave: Alface, Alelopatia, Germinação, Crescimento inicial.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade - BIOGEN, Instituto de Ciências da Natureza, Programa de Pós-Graduação
em Ciências Ambientais, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG,
Brasil.
*autor para correspondência: si.c.santos@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 39
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO ESTOMÁTICA DE PROGÊNIES DE CAFÉ RESISTENTES À
FERRUGEM

Mariana Thereza Rodrigues VIANA1*; Tamara Cubiaki Pires da GAMA¹; Janine


Magalhães GUEDES¹; Harianna Paula Alves de AZEVEDO²; Cesar Elias BOTELHO3;
Evaristo Mauro de CASTRO4

Os programas de melhoramento genético do cafeeiro no Brasil têm buscado além do aumento


de produtividade, a obtenção de progênies mais adaptadas às condições ambientais das
principais regiões cafeeiras e resistentes às principais pragas e doenças da cultura. A cultura
do café apresenta base genética muito estreita, sendo necessário que se faça sua caracterização
não somente de morfologia externa, mas também de morfologia interna, para que quando
associadas, auxiliem na seleção de progênies superiores. Objetivou-se caracterizar os
estômatos de progênies de café resistentes à ferrugem, oriundas do cruzamento entre Dilla &
Alghe x Híbridos de Timor. Foram avaliadas 15 progênies de cafeeiro do Banco de
Germoplasma de café da Fazenda Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de
Minas Gerais, em Patrocínio-MG. As progênies selecionadas foram obtidas do cruzamento
entre Dilla & Alghe x Híbridos de Timor, pertencentes ao grupo das resistentes à ferrugem.
Cada progênie foi composta de 10 plantas, no delineamento experimental inteiramente
casualizado. As avaliações anatômicas foram realizadas utilizando-se o terço médio de folhas
completamente expandidas, coletadas em setembro de 2014 no terceiro nó de ramos
plagiotrópicos do terço médio das plantas. As secções paradérmicas foram obtidas a mão livre
com o uso de lâmina de aço e posteriormente montadas em lâminas semipermanentes e
fotografadas em microscópio óptico. Foram avaliadas a funcionalidade estomática
(considerada como a relação diâmetro polar por diâmetro equatorial dos estômatos) e
densidade estomática (número de estômatos por mm²). Por meio do “Programa Genes” foi
realizada a análise de variância para as características avaliadas e quando significativas foram
submetidas ao teste Scott-Knott a 5% de probabilidade para o estudo das médias. Os
resultados demonstraram a existência de diferenças significativas entre as médias das
progênies apenas para a característica densidade estomática, sendo que quatro progênies
foram consideradas superiores entre as 15 avaliadas. Conclui-se que existe variabilidade entre
as progênies avaliadas com base em características anatômicas, e com isso a possibilidade de
selecionar progênies superiores, auxiliando no processo de melhoramento genético do
cafeeiro.

Palavras-chave: Coffea arabica, Ferrugem, Anatomia Foliar.

Créditos de financiamento: CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós-Graduação
em Fitotecnia, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Graduanda em Agronomia,
Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3
Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Pesquisador, Campus UFLA, caixa
postal 176, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
4
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
*autora para correspondência:marianatrv@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 40
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DO ESTIGMA E ESTILETE DA FLOR
LONGISTILADA DE Erythroxylum suberosum A. St.-Hil (Erythroxylaceae)

Luciana da SILVA1*, Flávio Antônio ZAGOTTA VITAL1, Anderson de Oliveira


SELVATI1, Adriana Tiemi NAKAMURA2

Os representantes de Erythroxylum apresentam flores heterostílicas, com dois morfotipos,


longistilados e brevistilados. É sabido que as diferenças intramorfos não se restringem
somente ao comprimento do estilete, e estendem-se, por exemplo, à morfologia do grão de
pólen, ao tamanho do óvulo e semente e morfologia do estigma. Assim, o objetivo deste
trabalho foi caracterizar o estigma e o estilete do morfotipo longistilado de Erythroxylum
suberosum A. St.-Hil. Botões florais em pré-antese foram fixados em solução de Karnovsky,
conservados em álcool a 70%, desidratados e incluídos em hidroxietilmetacrilato Leica,
seccionados transversal e longitudinalmente e corados com Azul de Toluidina. A flor
longistilada apresenta gineceu tricarpelar sincárpico no nível do ovário, com estilete e
estigmas livres. O estigma apresenta formato circular em vista frontal; e em vista lateral é
plano na região central e na porção distal forma lobos. Anatomicamente, observa-se a
ausência de exsudato no estigma, sendo, portanto, classificado como seco. Em secção
longitudinal, observa-se epiderme com uma a duas camadas de células de formato alongado
radialmente, paredes e cutícula delgadas e com citoplasma contendo conteúdo fenólico. Na
região cortical observam-se células de formatos variados, com parede fina, citoplasma denso e
núcleo evidente. O estilete é do tipo sólido, que em secção transversal apresenta células
epidérmicas e subepidérmicas de formato cuboide e com conteúdo fenólico. A região cortical
é preenchida por cerca de duas camadas de células de parênquima e pelo tecido transmissor,
mais internamente, as quais apresentam células de tamanho reduzido e conteúdo denso. O
estilete é vascularizado por um feixe vascular de pequeno calibre. Estes resultados serão
importantes para posterior comparação com o morfotipo brevistilado da espécie.

Palavras-chave: Heterostilia, Gineceu, Anatomia.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG

1: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação


em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Ciências Agrárias, Campus Monte
Carmelo, Rodovia LMG 746, Km 01, s/nº, CEP 38.500-000, Monte Carmelo-MG.

*autor para correspondência: bio.luciana@gmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 41
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DO POLINÁRIO DE Oxypetalum
appendiculatum Mart. (Apocynaceae, Asclepiadoideae)

Flávio Antônio ZAGOTTA VITAL1*, Adriana Tiemi NAKAMURA2, Luciana


SILVA1

O polinário é uma estrutura altamente especializada, e intimamente relacionada à


polinização das Apocynaceae (Periplocoideae, Secamonideae e Asclepiadoideae). Cada
polinário é formado por uma parte superior, o retináculo, e por duas polínias situadas
lateralmente, ao qual se ligam ao retináculo através das caudículas. Assim como o grão de
pólen, o polinário é também um caractere-chave para a identificação específica de
indivíduos pertencentes à Asclepiadoideae, onde a forma, tamanho, posição, orientação de
polínias, fusão ao translador, posição do sulco, dentre outras, são critérios importantes para
o estudo da morfologia da polínia e muito uteis como ferramenta taxonômica. Partindo
deste pressuposto, este trabalho teve como objetivo analisar a morfoanatomia do polinário
e do grão de pólen de Oxypetalum appendiculatum, visando fornecer subsídios à
sistemática de Asclepiadoideae e contribuir para a compreensão do desenvolvimento de
suas estruturas reprodutivas. Foram coletadas flores em antese de O. appendiculalum que
foram fixadas em Karnovsky e destinadas a duas análises distintas: (1) os polinários foram
retirados e posteriormente observados e eletromicrografados em microscópio eletrônico de
varredura, afim de revelar parâmetros importantes da morfologia externa; e (2) a flor foi
emblocada em resina sintética e seccionada em micrótomo rotativo semiautomático,
evidenciando aspetos anatômicos e morfológicos. Em O. appendiculatum a epiderme
secretora dos estiletes é responsável pela secreção do translador. Durante a antese, este
fluido entra em contato com a polínia, formando o polinário, conjunto formado de polínia e
translador. As caudículas ao serem retiradas apresentam lesões basais, evidenciando uma
íntima associação com a antera. O retináculo apresenta uma expansão alada no ápice, e
outra projeção que cria um conjunto de dois ganchos, responsáveis pela fixação no agente
polinizador, o “mecanismo de clip”, que auxilia na dispersão do polinário. Na porção basal
do retináculo, uma projeção da epiderme do ginostégio fixa o translador e todo o polinário.
A polínia é envolta por uma película cristalina que isola cada um dos grãos de pólen,
isolando-os em lojas. Os grãos de pólen ficam individualizados dentro da polínia, sendo
tricelulares, inaperturados e sem ornamentação na exina. A morfologia do retináculo, com
a expansão alada, juntamente com a película hialina foram os caracteres mais relevantes do
polinário no auxilio da determinação do táxon.

Palavras-chave: Translador, Retináculo, Caudícula, Polínia, Grão de pólen.


Créditos de financiamento: FAPEMIG

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Ciências Agrárias, Campus Monte
Carmelo, Rodovia LMG 746, Km 01, s/nº, CEP 38.500-000, Monte Carmelo-MG.
*autor para correspondência: flavio.zagotta@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 42
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CARACTERIZAÇÃO RADIAL DO ÂNGULO MICROFIBRILAR DE Schizolobium
parayba var. Amazonicum Huber ex. Ducke (Fabaceae)

Eder Marcos da Silva1*, Cléber Rodrigo de Souza 2, Cláudia Viana Urbinati3, Noemi
Silva Siqueira2, Fábio Akira Mori2,

A espécie Schizolobium parayba var. Amazonicum Huber ex. Ducke (Paricá) possui rápido
crescimento, fuste reto e madeira com elevada cotação no mercado. Logo, vem sendo bastante
cultivada por empresas madeireiras do país. Sua madeira apresenta uso potencial para
diversos fins. No entanto, para uma contínua evolução no uso da madeira dessa espécie é
imprescindível um conhecimento científico profundo da mesma, visando seu uso
maximizado. O ângulo microfibrilar da camada S2 da parede celular, por exemplo, está
diretamente associado a propriedades da madeira, especialmente, estabilidade dimensional,
rigidez e resistência mecânica. Diante do exposto acima, objetivou-se caracterizar a variação
radial do ângulo microfibrilar da madeira de paricá aos quatorze anos de idade. Foram
retirados discos de madeira de 3 indivíduos na altura de 1,30m. Posteriormente realizou-se a
divisão de cada disco em quatro regiões: Cerne Madeira Juvenil próximo à medula, Cerne
Madeira Intermediária, Alburno Madeira Intermediária e Alburno Madeira Intermediária
próximo à casca. A mensuração do ângulo microfibrilar foi efetuada por meio de microscópio
Olympus BX 51, adaptado para a polarização de luz associado a um sistema de análise de
imagens Pro Plus. Realizou-se 30 medições para as diferentes amostras de cada região,
obtendo-se, por fim, suas respectivas médias. As médias foram submetidas à análise de
variância a 5% de probabilidade. O ângulo microfibrilar geral médio foi 11,50º. Para as
regiões cerne madeira juvenil próxima à medula e cerne madeira intermediária foi
respectivamente 11,64º e 10,91º, enquanto que, para o alburno madeira intermediária e o
alburno madeira intermediária próxima à casca, o ângulo microfibrilar foi de 11,61 e 11,87º
respectivamente. Realizando-se análise de variância foi obtido valor de p=0,00977, indicando
a existência de diferenças significativas no eixo radial. De modo geral, existe uma tendência
de que o ângulo microfibrilar diminua em direção à casca, sendo essa característica decisiva
para o destino final da madeira. No entanto, em espécies tropicais tal padrão pode não ser
encontrado, devido influências ambientais e tratos silviculturais diferenciados. Desta forma,
depreende por meio deste, a ausência de padrão bem definido de variação radial do ângulo
microfibrilar para a camada S2 da parede celular de paricá. Além disso, evidencia-se a
necessidade de estudos mais aprofundados que permitam uma melhor caracterização da
madeira da espécie.

Palavras-chave: Paricá, Parede Celular, Ângulo Microfibrilar.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3
Universidade Estadual do Pará, Campus Paragominas, caixa postal 479, CEP: 66010-145,
Belém – Pará, Brasil.
*Autor para correspondência: edermarcos17@hotmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 43


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
COMPARAÇÃO DA TOXICIDADE DOS SOLVENTES ACETONA E
DIMETILSULFÓXIDO EM BIOENSAIOS COM Lactuca sativa L. (Asteraceae)

Inêssa Rocha da COSTA1*, Luciene de Oliveira RIBEIRO¹, Marília CARVALHO¹,


Sandro BARBOSA¹, Diogo Teixeira CARVALHO2, Thiago Correa de SOUZA¹

Verificado a pequena solubilidade em água de algumas moléculas semissintéticas como é o


caso das cumarinas, faz-se necessário conduzir testes de solubilidade dessas moléculas em
diferentes solventes a fim de posteriormente utilizá-las em bioensaios de toxicidade. Testes
preliminares evidenciaram melhor solubilidade de cumarinas em acetona e dimetilsulfóxido
(DMSO). Assim, o próximo passo deve ser a realização de um teste piloto com o intuito de
verificar a influência destes solventes sobre a germinação de sementes de alface, organismo
teste utilizado em bioensaios vegetais. O objetivo do trabalho foi comparar o efeito fitotóxico
de diferentes concentrações de acetona e DMSO sobre a germinação de sementes de alface
visando a otimização dos protocolos de bioensaios com cumarinas. Foi efetuada a incubação
de 30 cipselas de Lactuca sativa L. cv. Grand Rapids em solução de acetona nas
concentrações de 5%, 10%, 20%, 40%, e em solução de DMSO nas concentrações de 0,5%,
1%, 1,5%, 2%, 3%, sendo água destilada utilizada como controle negativo e cada tratamento
com 3 repetições. As placas foram mantidas em câmaras de germinação tipo B.O.D. com
temperatura controlada de 20ºC e sob fotoperíodo de 12 horas. Foi avaliada a taxa de
germinação com 24 e 48 horas. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias
foram comparadas por meio do teste Scott-Knott com nível de 5% de significância. As
análises foram realizadas com auxílio do software Sisvar 5.0. Dentre os resultados, verificou-
se que a acetona apresentou uma maior toxicidade comparada ao DMSO. A solução de
acetona 5% não demostrou influência significativa sobre a germinação, comportando-se da
mesma maneira que o controle tanto na avaliação com 24 e 48 horas. A concentração 10% de
acetona foi estatisticamente diferente das demais, sendo as concentrações de 20% e 40% as
mais tóxicas e estatisticamente iguais entre si. Concentrações de DMSO acima de 1,5% se
mostraram tóxicas e inibiram a germinação em relação ao controle. A concentração de 3% de
DMSO se mostrou a mais tóxica permitindo taxas muito baixas de germinação, em torno de
8,9% com 24 horas e 55,5% com 48 horas. Portanto, recomenda-se o uso de solução de
DMSO abaixo da concentração de 1,5% para solubilização de moléculas semissintéticas como
as cumarinas, visando estudos de fitotoxicidade.

Palavras-chave: Solventes orgânicos, Germinação, Fitotoxicidade.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental e
Genotoxicidade, Instituto de Ciências da Natureza, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Ambientais, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Pesquisa em Química Farmacêutica,
Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Farmacêuticas, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
*autor para correspondência: inessa.rocha@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 44
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
COMPLEXAÇÃO DE ALUMÍNIO EM DUAS ESPÉCIES NATIVAS DO
CERRADO COM DIFERENTES MECANISMOS DE RESISTÊNCIA

Samara ARCANJO-SILVA1*, Daniel Batista Bastos PEREIRA1, Daniela Grijó de


CASTRO1, Aristéa Alves AZEVEDO1

Espécies nativas de solos ácidos, como as do Cerrado, apresentam mecanismos de


resistência que as permitem sobreviver à fitotoxidez do alumínio (Al) nestes solos. Dois
mecanismos, um de exclusão, cujas plantas evitam a absorção do metal, e outro de
acúmulo, em que as plantas absorvem e acumulam mais de 1 g kg-1de Al nas folhas são
conhecidos. O acúmulo de Al é acompanhado de mecanismos de destoxificação, dentre
eles, a complexação com ligantes como ácidos orgânicos, compostos fenólicos e tióis no
citosol e armazenamento no vacúolo. Visando comparar as concentrações de compostos
fenólicos e de tióis em folhas de plantas desses dois grupos selecionamos uma espécie
acumuladora de Al, Qualea parviflora Mart. (Vochysiaceae), e outra não acumuladora,
Eugenia dysenterica DC. (Myrtaceae), ocorrentes na FLONA de Paraopeba/MG. Esta
FLONA é uma Unidade de Conservação com 200 ha de Cerrado e um gradiente
pedológico-vegetacional bem marcado, onde são encontradas 5 combinações de solos x
fitofisionomias. Foram coletadas folhas de 5 indivíduos das espécies em 4 destas
combinações: cerrados sensu stricto sobre Latossolo amarelo (Css-LA), Latossolo
vermelho amarelo (Css-LVA) e Cambissolo amarelo (Css-Cxb), e no cerradão
mesotrófico sobre Latossolo vermelho (CM-LV). A disponibilidade de Al na camada
superficial destes solos segue a seguinte ordem: Css-LA > Css-Cxb > Css-LVA > CM-
LV, com 3,62, 2,86, 2,57 e 0,0 cmolc/dm3, respectivamente. As concentrações de fenóis
solúveis totais e de tióis totais, não proteicos e proteicos foram determinadas utilizando-
se os reagentes de Folin-Ciocalteu e Ellman, respectivamente. Foi realizada análise
fatorial, com desdobramento de espécies dentro dos solos e vice-versa. As médias foram
comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. A interação espécie*solo
não foi significativa para tióis totais e proteicos. A concentração de tióis não protéicos
foi maior em Q. parviflora do que E. dysenterica em todos os solos, e não variou
significativamente entre os solos em E. dysenterica. Em Q. parviflora foi maior nos
Css-LA e Css-Cxb do que nos Css-LVA e CM-LV. A concentração de fenóis também
foi maior nos Css-LA e Css-Cxb nas duas espécies, contudo, E. dysenterica apresentou
maiores médias do que Q. parviflora em todos os solos. Os resultados indicam que
ambos os compostos podem estar envolvidos na destoxificação do Al em Q. parviflora
e que em E. dysenterica o Al que chega à parte aérea seja complexado por compostos
fenólicos.

Palavras-chave: Eugenia dysenterica, Qualea parviflora, Compostos fenólicos, Tióis.

Créditos de financiamento: CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Biologia Vegetal, Programa de Pós-
Graduação em Botânica, Campus Universitário, Avenida P.H. Rolfs, s/n, CEP 36570-
000, Viçosa-MG, Brasil.
Anais
*autordo III correspondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 45
samara.arcanjo@yahoo.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
COMPORTAMENTO DE Lactuca sativa L. (Asteraceae) e Allium cepa L.
(Amaryllidaceae) EXPOSTOS A METAIS PESADOS

Dayane PEREIRA1*, Marília CARVALHO1, Marina de Lima NOGUEIRA1, Antonio


Rodrigues da CUNHA NETO1, Mariana Prósperi de Oliveira PAULA1, Sandro
BARBOSA1

Lactuca sativa L. e Allium cepa L. são organismos-teste amplamente utilizados em bioensaios


de fitotoxicidade, devido a germinação rápida e uniforme, crescimento linear pouco sensível
às diferenças de pH e um alto grau de sensibilidade a agentes tóxicos. Essas espécies são
consideradas eficientes indicadores biológicos para o monitoramento dos efeitos de metais
pesados contidos em amostras ambientais sobre plantas superiores. O objetivo deste trabalho
foi avaliar o comportamento de genótipos dessas duas espécies expostas aos metais cobre,
níquel e chumbo quanto aos aspectos germinativos e o crescimento inicial de suas plântulas.
Os organismos-teste utilizados foram Lactuca sativa cv. Grand Rapids e Allium cepa cv. Baia
Periforme. Foram distribuídas 30 sementes de cada genótipo em placas de Petri contendo duas
folhas de papel filtro e 3 mL de cada solução, contendo as diferentes concentrações: 50; 100;
250 e 500µM. Água destilada foi utilizada como controle negativo. O delineamento
experimental foi inteiramente casualizado com 5 tratamentos e 4 repetições. As placas foram
mantidas em câmara tipo Biochemical Oxigen Demand a 20°C para L. sativa (alface) e 15°C
para A. cepa (cebola) com fotoperíodo de 12 horas. As variáveis avaliadas foram porcentagem
de germinação, índice de velocidade de germinação, comprimento de raiz e biomassas fresca
e seca no 7º dia e 12º dia para a alface e cebola, respectivamente. Dentre os metais testados, o
cobre e o níquel foram os mais tóxicos para cebola e alface, respectivamente. O chumbo foi o
que mais afetou o índice de velocidade de germinação, retardando a germinação. Para o índice
de velocidade de germinação de alface, a concentração 500µM de cobre e níquel apresentou
maior toxicidade. Além disso, cobre propiciou maior germinação em cebola em relação ao
chumbo e níquel, pois esses tiveram efeito inibitório sobre a germinação. Para alface, a
germinação não foi influenciada pelas concentrações testadas e nem pelos diferentes metais
estudados. As maiores concentrações de cobre promoveram menor comprimento radicular,
comparado com os outros metais. Para L. sativa, níquel e cobre foram os maiores inibidores
do crescimento radicular, sendo o níquel o metal que mais reduziu a biomassa fresca. A
menor massa fresca em A. cepa foi observada para o metal cobre. A biomassa seca foi
reduzida com o aumento da concentração. Assim, pode-se concluir que, a dicotiledônea alface
apresentou maior sensibilidade aos metais em relação à monocotiledônea cebola.

Palavras-chave: Cebola, Alface, Toxicidade.


Créditos de financiamento: CAPES (AUX-PE 2297.2011)

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &Genotoxicidade
/ Instituto de Ciências da Natureza / Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº 700, Centro, CEP
37130-000, Alfenas-MG, Brasil.

*autor para correspondência: dayp8@hotmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 46
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
COMPORTAMENTO GERMINATIVO DE TRÊS ESPÉCIES DE CANGA
FERRÍFERA: Mimosa acutistipula var. ferrea, Ipomoea carajasensis E Solanum crinitum

João Marcelo de CARVALHO1, Ray SOUZA2*, José Ferreira LUSTOSA FILHO1,


Silvio RAMOS3, Antonio Eduardo FURTINI NETO4

Estudos de germinação de sementes de espécies nativas nas áreas de canga do Brasil são
escassos, apesar de terem um importante papel para a seleção de espécies a serem utilizadas
para recuperação de áreas degradadas, evitando assim, a utilização de espécies exóticas. Neste
trabalho é apresentado o comportamento germinativo de sementes de Mimosa acutistipula
var. ferrea, Ipomoea carajasensis e Solanum crinitum, na ausência e na presença de
tratamento pré-germinativo com ácido sulfúrico para superar a dormência. Mimosa
acutistipula var. ferrea (Fabaceae-Mimosoideae), conhecida popularmente como “mimosa-
de-canga e Ipomoea carajasensis (Convolvulaceae) com nome popular de “mutinha”, são
táxons considerados endêmicos da vegetação metalófita – canga da Serra de Carajás-PA.
Solanum crinitum é espécie arbustiva e conhecida popularmente como “jurubeba-fruto-
grande”, tendo ampla distribuição em vários países da América do Sul, e no Brasil do
Amazonas até o Rio de Janeiro, ocorrendo especialmente como espécie pioneira em clareiras
ou invasora de pastagens. Para cada espécie, as sementes foram divididas em dois lotes: Lote
1: sementes que não receberam nenhum tratamento químico; Lote 2: sementes que foram
imersas em ácido sulfúrico concentrado por 8 minutos, lavadas em água corrente até a
remoção completa do ácido. Após os tratamentos, as sementes foram semeadas em espuma
fenólica. O número de sementes germinadas foi avaliado diariamente, e calculou-se a
porcentagem de sementes germinadas, correspondente à porcentagem total de sementes
germinadas até o vigésimo dia após a instalação do teste. A taxa de germinação das sementes
variou entre as espécies. Independente do tratamento, as sementes de I. carajasensis não
germinaram no período avaliado. As sementes de M. acutistipula var. ferrea e de S. crinitum,
apresentaram baixa taxa de germinação sem tratamento químico, 25 e 30%, respectivamente,
mas incrementaram a porcentagem de germinação no tratamento com ácido sulfúrico. A M.
acutistipula var. ferrea apresentou incremento na taxa de germinação para próximo de 80%,
enquanto a S. crinitum ficou em 50%, quando tratadas quimicamente. Os resultados
mostraram que o tratamento com ácido sulfúrico pode favorecer a germinação de espécies
encontradas no ambiente de canga, e contribuir para maior eficiência na recuperação de áreas
degradadas.

Palavras Chaves: Canga, germinação, espécies nativas

Créditos de financiamento: Instituto Tecnológico Vale

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências do Solo, Campus Universitário,
caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil
2
Universidade Federal de Lavras, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil. *autor para
correspondência: rayrodriguessouza@hotmail.com
3
Instituto Tecnológico Vale, Mineração, Ouro Preto-MG, Brasil
4
Instituto Tecnológico Vale, Desenvolvimento Sustentável, Belém-PA, Brasil
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 47
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CONEXÕES FLORÍSTICAS E ESTRUTURAIS DO COMPLEXO VEGETACIONAL
NORTE MINEIRO

Paola Ferreira SANTOS1*, Rubens Manoel dos SANTOS2

As Florestas Estacionais Deciduais (FEDs) distribuídas na América do Sul ocorrem sobre


variados tipos de solo e clima, o que determina uma alta diversidade beta. O norte de Minas
Gerais é caracterizado por abrigar um complexo vegetacional que possui relações florísticas
com os domínios da Caatinga, Atlântico e Cerrado. O objetivo deste estudo foi determinar as
conexões florística e estrutural em diferentes FEDs no norte de Minas. A área estudada
compreende as coordenadas: latitude 13º45’14” à 17º8’48’’S e longitude 41º28’22’’ à
45º27’59’’. Abrange os municípios de Juramento, Jenipapo de Minas, Montes Claros,
Araçuaí, Salinas, Januária, Jaíba, Manga, Juvenília, Matias Cardoso, Pai Pedro, Bonito de
Minas, Itacarambi e Montalvânia. Foram selecionados 25 estudos fitossociológicos
disponíveis na literatura e realizados mais 5 levantamentos. Para a comparação entre as áreas
foi montada uma matriz de abundancia por espécie e a similaridade entre áreas, foi testada
através da análise de agrupamento com o método de ligação o Bray-Curtis. Foram catalogadas
457 espécies arbóreas, 61 famílias e 220 gêneros. Através da análise de similaridade detectou
se seis grupos. O grupo 1 formado por 3 áreas localizadas em Montes Claros, Juramento e
Jenipapo de Minas, região ecotonal com o domínio atlântico. O grupo 2 formado por 2 áreas
em Salinas e Araçuaí, situadas sobre o espinhaço e que sofrem influência florística e
estrutural das formações florestais do Planalto da Conquista. O grupo 3 é formado por 3 áreas
localizadas em Januária, Jaiba e Manga e estão sobe influência dos alagamentos periódicos do
Rio São Francisco. Já o grupo 4 formado por 3 áreas localizadas em Juvenília, apresentam
características ambientais muito parecidas com o grupo 3. Entretanto as áreas do grupo 4
sofrem influência de alagamentos periódicos causado pelo extravasamento das águas do Rio
Carinhanha. Já o grupo 5 é composto por 9 áreas em Jaíba, Manga, Matias Cardoso e Pai
Pedro. Estas áreas estão localizadas entre a margem direita do Rio São Francisco e o flanco
esquerdo da Cadeia do Espinhaço, exceto as áreas localizadas no município de Manga que
estão na margem esquerda do Rio São Francisco. As áreas que estão localizadas entre a
margem esquerda do Rio São Francisco e um grande maciço de afloramento de calcário que
vai do Município de Bonito de Minas a São Desidério na Bahia, formam o grupo 6 do
dendograma. A complexidade da vegetação do norte de Miinas pode ser entendida pela sua
ampla variação edáfica.

Palavras-chave: Florística, Estrutura de comunidades, Fitogeografia.

Créditos de financiamento: CAPES

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência:paoolapaz@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 48
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CONTEÚDO DE PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO, MALONDIALDEÍDO E
BETACIANINA EM QUINOA SOB ESTRESSE SALINO

Lissa Vasconcellos VILAS BOAS1*, Isabel RODRIGUES BRANDÃO1, Dayane Meireles


da SILVA1, Meline de Oliveira SANTOS1, Kamila Rezende Dázio de SOUZA1, Jose
Donizeti ALVES1

A quinoa apresenta alta capacidade de adaptação climática, sendo possível seu cultivo desde o
nível do mar até elevadas altitudes. No Brasil, a quinoa começou a ganhar espaço no cultivo,
visto que é uma planta tolerante a estresses abióticos como a salinidade. A ocorrência do
estresse pode desencadear uma maior produção de espécies reativas de oxigênio como o
peróxido de hidrogênio, sendo o seu aumento danoso às membranas celulares caracterizando a
peroxidação lipídica mensurada pelo conteúdo de malondialdeído. Além disso, as
betacianinas, compostos do metabolismo secundário, apresentam propriedades de
detoxificação das espécies reativas de oxigênio. Nesse sentido, o presente trabalho teve como
objetivo analisar o conteúdo de peróxido de hidrogênio, malondialdeído e batacianina de
plântulas de Chenopodium quinoa Willd frente a diferentes concentrações de cloreto de sódio.
Para isso, sementes de quinoa foram colocadas para germinar em papel de germinação
umedecido com água destilada por quatro dias e, em seguida, os tratamentos (0, 50, 100, 150,
200 mM de cloreto de sódio) foram impostos. Após sete dias de tratamento, as plântulas
foram coletadas, sendo as raízes e partes aéreas analisadas separadamente. Uma maior
produção de peróxido de hidrogênio foi encontrada nos tratamentos com 150 e 200 mM de
cloreto de sódio em parte aérea e maior peroxidação lipídica foi observada em parte aérea na
concentração de 200 mM de NaCl. Plântulas de quinoa apresentaram menor conteúdo de
betacianina penas em 200 mM de cloreto de sódio. No tratamento com 200 mM, na parte
aérea, além do aumento nos níveis de peroxidação lipídica, houve uma redução no conteúdo
de betacianina, sugerindo que a planta diminuiu seu investimento em metabólitos secundários,
para investir em estratégias de manutenção do seu metabolismo permitindo o seu crescimento
ao nível das plantas controle. Apesar de ter sido observado um aumento na peroxidação
lipídica na parte aérea de plantas submetidas a 200 mM de cloreto de sódio, ocorreu a
manutenção do crescimento das plântulas evidenciando se tratar de uma espécie
potencialmente tolerante ao estresse salino.

Palavras-chave: Chenopodium quinoa, Estresse oxidativo, Cloreto de sódio.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de pós graduação em
Agronomia/Fisiologia Vegetal, Campus universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
*
autor para correspondência: lissa-92@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 49
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
Convolvulaceae Juss. PARA O COMPLEXO DE SERRAS DA BOCAINA E DE
CARRANCAS, MINAS GERAIS, BRASIL

Iago Augusto de Castro ARRUDA1*, Daniel Quedes DOMINGOS¹, Mariana Esteves


MANSANARES¹

A família das Convolvulaceae comumente conhecida pelas flores das “manhãs gloriosas”,
compreende 55 gêneros e ca. 1600 espécies que estão amplamente distribuídas ao longo do
globo, especialmente na região tropical. No Brasil, estima-se a ocorrência de 18 gêneros e
aproximadamente 340 espécies. A família está incluída na ordem Solanales onde constitui um
grupo monofilético e pode ser facilmente reconhecida por seu hábito variado, podendo
apresentar látex, folhas alternas, limbo simples ou composto, inflorescências cimosas ou
reduzidas a uma flor, corola gamopétala com aspecto plicado e rotácea. O presente trabalho
buscou realizar o levantamento das espécies de Convolvulaceae nas áreas de campos rupestres
no Complexo de Serras da Bocaina e de Carrancas a fim de ampliar o conhecimento da
família e da flora na referida fitofisionomia. Para tal, foram realizadas 24 expedições no
período de março de 2010 a março de 2012. A coleta de material botânico compreendeu os
municípios de Lavras, Itumirim, Ingaí, Itutinga, Minduri e Carrancas. A identificação desse
material se deu por meio de consultas ao Herbário ESAL, da Universidade Federal de Lavras,
nos herbários virtuais (INCT e REFLORA) e literatura especializada. Nos campos rupestres
do Complexo de Serras da Bocaina, a família Convolvulaceae foi representada por 3 gêneros
e 7 espécies. O gênero mais diverso foi Evolvulus com três espécies: E .barbatus Meisn., E .
cressoides Mart. e E. glomeratus Ness & Mart. Os gêneros Ipomoea e Merremia
apresentaram duas espécies cada: o primeiro, I. rupestris Sim. Bianch & Pirani e I.
delphinioides Choisy.; o segundo, M. digitata (Spreng.) Hallier e M. tomentosa (Choisy)
Hallier. Das sete espécies encontradas, 3 são consideradas endêmicas do Brasil (E. cressoides,
I. rupestris e M. tomentosa) e a espécie E. barbatus está enquadrada na categoria
“Criticamente ameaçada” na lista vermelha de espécies de MG. Vale ressaltar que a família
mesmo sendo reconhecida por seu comum hábito de liana, nos campos rupestres se
apresentou predominantemente como ervas e subarbustos. Essa peculiar variação de hábitos
em Convolvulaceae presente em espécies dos campos rupestres pode ser decorrente da
singularidade das pressões evolutivas desse ambiente. Dessa forma, embora os trabalhos
taxonômicos referentes à família apontem para uma grande dificuldade na separação das
espécies os campos rupestres tem se mostrado ótimos campos de estudo para uma melhor
compreensão dos processos evolutivos do grupo.
Palavras-chave: Solanales, Campos rupestres, Levantamento.
Créditos de Financiamento: CAPES

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.

* Iago Augusto de Castro Arruda: iagoacarruda@gmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 50
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CORTICAL FEATURES OF EUCALIPTUS ROOTS CHANGES ALONG THE SOIL
DEPTH GRADIENT

Maëla Peron GOMIDE1*, Christophe JOURDAN³, Tatiane Maria RODRIGUES¹

The establishment of a deep root system is a strategy of adaptation to water deficit in


perennial species and is important to the water supply during the dry periods. It is known that
the most of the water and nutrient absorption in woody species occurs in the fine non-
suberized roots and that their cortical structure is important in the aeration process of the inner
tissues and tolerance to low oxygen conditions in deep soils. However, studies showing the
anatomy of fine roots of woody species in deep soils are lacking. The object of this work was
to analyze the anatomy of fine roots of Eucalyptus grandis Hill ex Maiden along 7 meters of
depth in the soil. Tranches were open at the soil in a plantation established in the Estação
Experimental de Ciências Florestais de Itatinga (EECFI), SP, Brasil. Fine roots with a
diameter between 1 and 2mm were collected from three adult individuals at a) 0-0.5m, b) 3-
4m and c) 7m of depth in the soil. Samples were excised from 0.3mm above the root apices
and were processed to anatomical studies. Morphometric analysis was performed in
transversal sections at the light microscope using the software Olympus Cell B. Roots from
all the analyzed depths presented uniseriate epidermis with hairs, cortex constituted by
parenchyma with evident exodermis and endodermis and central vascular cylinder. Fine roots
from 0-0.5 and 3-4m of depths presented a larger cortical area (92.815µm2 and 108.041 µm2,
respectively) than roots from 7m of depth (45.530 µm2). However, the relative area occupied
by the air spaces in the cortex was greater in roots from 7m of depth (60.8%) in comparison to
the most superficial roots (14%). It is known that the cortical aerenchyma plays an important
role on the ability of plants water absorption reducing the resistance to the apoplastic
transport. So, the biggest development of cortical aerenchyma in deep roots increases the
porosity of the root and can represent an adaptation to the tolerance of the water stress by
reducing the metabolic costs of soil exploration.

Palavras-chave: Eucalyptus grandis, Aerenchyma, Anatomy, Roots, Soil depth.

1
Universidade Estadual Paulista, UNESP, Instituto de Biociências de Botucatu, IBB
Departamento de Botânica, Campus de Botucatu, Distrito de Rubião Jr, S/N, caixa postal 510,
CEP: 18618-970, Botucatu, SP, Brasil;
2: Pós-graduanda em Ciências Biológicas (Botânica), IBB, UNESP;
3: Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement-
CIRAD, Ecologie fonctionnelle & biogéochimie des Sols & des agro-écosystèmes-
Eco&Sols, Montpellier, França.
*autor para correspondência: maelitaperon@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 51
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CRESCIMENTO E BIOACUMULAÇÃO DE Hymenaea courbaril L. (Caesalpinioideae)
EXPOSTA AO COBRE

Daniele Maria MARQUES1*, Dalvana de Souza PEREIRA2, Mariana Helena Machado


de FIGUEIREDO2, Thiago Corrêa de SOUZA3, Adriano Bortolotti da SILVA4, José
Ricardo MANTOVANI4

A contaminação causada por metais pesados é uma grande preocupação ecológica, devido ao
seu potencial nocivo à qualidade ambiental. O cobre (Cu) é um micronutriente essencial aos
vegetais, sendo cofator de várias enzimas e está envolvido em muitos processos biológicos
essenciais. Mas em excesso nos solos, torna-se fitotóxico para as plantas e pode causar várias
alterações na morfofisiologia dos vegetais. Nesse contexto, o objetivo dessa pesquisa foi
caracterizar o crescimento e acúmulo de cobre na espécie Hymenaea courbaril L.
(Caesalpinioideae) em solos com alta concentração desse metal pesado. O experimento foi
realizado com a espécie Hymenaea courbaril L. (Jatobá), sendo testado cinco concentrações
de cobre (0, 50, 100, 200 e 400 mg kg-1), com quatro repetições. As mudas foram plantadas
em vaso com capacidade de 8 litros e mantidos em casa de vegetação por um período de 90
dias. Foram avaliadas as características biométricas (altura e diâmetro) e o teor de cobre nos
diferentes compartimentos da planta (parte aérea e sistema radicular), bem como o
bioacumulado total. H. courbaril apresentou maior altura na concentração de 200 mg Kg-1 e
na concentração de 400 mg Kg-1 houve diminuição significativa para as variáveis altura e
diâmetro do caule. Ocorreu a bioacumulação do cobre no sistema radicular dessa espécie,
sendo observado um aumento deste elemento químico nos tecidos proporcionalmente ao
aumento das concentrações de cobre no solo. Esse comportamento pode ser explicado como
uma estratégia fisiológica usual das plantas que conseguem crescer em ambientes com
elevada concentração de metais pesados, já que o acúmulo nas raízes da planta visa preservar
a aparelhagem fotossintética presente nas folhas. Os resultados são sugestivos quanto à
importância da raiz como órgão de reserva de cobre. Conclui-se que Hymenaea courbaril L.
(Jatobá) possui potencial para ser empregada em programas de fitorremediação devido a sua
capacidade de fitoextrair e acumular cobre em suas raízes.

Palavras-chave: Jatobá, Fitorremediação, Metal pesado.

1
Mestranda, Universidade Federal de Alfenas, Instituto Ciência da Natureza - ICN, Programa
de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil. 2:
Graduanda, Universidade José do Rosário Vellano, Laboratório de Biotecnologia Vegetal,
Ciências Agrárias, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil. 3: Professor, Universidade Federal
de Alfenas, Instituto Ciência da Natureza - ICN, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Ambientais, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil. 4: Professor, Universidade José do
Rosário Vellano, Ciências Agrárias, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
*autor para correspondência: danimarques.bio@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 52
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CRESCIMENTO E TROCAS GASOSAS DE Coffe arabica L. (Rubiaceae) COM
APLICAÇÃO DE PALHA DE CAFÉ

Daniele Maria MARQUES1*, Deyvid Wilker de PAULA2, José Ricardo MANTOVANI2,


Adriano Bortolotti da SILVA2, Reinaldo Aguiar dos REIS2, Thiago Corrêa de SOUZA1

No cultivo do cafeeiro são geradas grandes quantidades de palha (casca), que pode ser
utilizado como adubo orgânico, sendo fonte principalmente de potássio. O objetivo dessa
pesquisa foi verificar o efeito da palha de café, incorporada ou aplicada na superfície do solo,
no crescimento inicial e nas trocas gasosas do cafeeiro. O experimento foi conduzido em
vasos, em casa de vegetação, em delineamento experimental em blocos ao acaso, em esquema
fatorial 6x2, com 4 repetições. Os tratamentos foram constituídos pela combinação de 6
concentrações de palha de café, equivalentes, com base na área da superfície de cada vaso, 0;
3,5; 7; 14; 28 e 56 t ha-1, aplicadas de 2 formas diferentes: na superfície ou incorporada no
solo. Porções de 7 dm3 de solo receberam calcário e adubo fosfatado, além da palha de café,
nos tratamentos com a incorporação desse adubo orgânico. Após a mistura, o solo foi
umedecido e submetido à incubação por 30 dias. A seguir, foi efetuado transplantio das
mudas e a aplicação da palha de café na superfície dos vasos, nos tratamentos com a aplicação
superficial desse adubo orgânico, e o experimento foi conduzido por cerca de 120 dias. Foram
avaliadas as características biométricas (altura e diâmetro) e os parâmetros de trocas gasosas
(fotossíntese, transpiração, condutância estomática, carbono interno). Nos tratamentos que
receberam aplicação superficial da palha de café, as plantas apresentaram crescimento médio
25% maior do que nos tratamentos controle ou no que a palha foi incorporada. Nos
tratamentos com aplicação de palha na superfície, houve aumento no crescimento e no
diâmetro do caule do cafeeiro até a dose estimada de 40 t ha-1 de palha. Nos tratamentos com
incorporação da palha o crescimento das plantas foi semelhante ao tratamento controle. Foi
observado que a fotossíntese foi maior nos tratamentos com a palha de café, o que
proporcionou maior crescimento vegetativo das plantas quando comparadas com o controle,
provavelmente, relacionado com o incremento de potássio no solo e na planta. A aplicação de
palha de café na superfície é mais indicada do que a incorporação desse adubo orgânico no
solo, e a dose recomendada é de 40 t ha-1.

Palavras-chave: Adubação orgânica, Fotossíntese, Potássio.

1
Universidade Federal de Alfenas, Instituto Ciência da Natureza - ICN, Programa de Pós-
Graduação em Ciências Ambientais, Campus Universitário, CEP: 37130-000, Alfenas-MG,
Brasil.
2
Universidade José do Rosário Vellano, Ciências Agrárias, Campus Universitário, Caixa
Postal 23, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
*autor para correspondência: danimarques.bio@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 53
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CRESCIMENTO INICIAL DE Alibertia edulis (Rubiaceae) EM FUNÇÃO DO
ARMAZENAMENTO DE SEMENTES

Tathiana Elisa MASETTO 1 *, Eliane Marques da Silva NEVES1, Daiane Mugnol


DRESCH1, Silvana de Paula Quintão SCALON1

Algumas espécies nativas do Cerrado merecem atenção especial devido seu uso na medicina
popular e dentre elas, Alibertia edulis (Rich) A. Rich. ex DC, também conhecida como
marmelo do Cerrado, apresenta também importância para a economia da região do Cerrado
por ser consumido in natura ou como geleia ou doces. Apesar da importância da espécie,
estudos sobre o crescimento inicial de plântulas oriundas de sementes submetidas ao
armazenamento são escassos, entretanto, podem ampliar o conhecimento e contribuir com a
propagação das espécies frutíferas nativas do Cerrado. O objetivo deste trabalho foi avaliar os
efeitos do armazenamento de sementes de marmelo do cerrado com dois teores de água sobre
o crescimento de plântulas. Foram utilizadas sementes com 5% e 10% de teor de água
acondicionadas em sacos plásticos transparentes com espessura de 0,25 mm, que foram
armazenadas nas condições de câmara fria e seca (16 ± 1ºC/ 40% UR), condição ambiente (25
± 1ºC/ 60% UR), geladeira (5 ± 1ºC) e freezer (-18ºC) durante 30 dias. O experimento foi
conduzido em delineamento inteiramente casualizado com quatro repetições de 25 sementes
cada. Após o período de armazenamento, o teor de água das sementes foi determinado e os
efeitos do armazenamento foram avaliados por meio da massa fresca de plântulas,
crescimento de raiz primária e de parte aérea e pelo tempo médio de germinação das
sementes. Sementes armazenadas com 5% e 10% de teor de água apresentaram em média
9,1% e 12,9% de teor de água após o armazenamento. Verificou-se efeito significativo do
ambiente de armazenamento sobre a massa fresca, comprimento de raiz primária,
comprimento de parte aérea e tempo médio de germinação das sementes. As condições de
ambiente e de geladeira proporcionaram plântulas com maior crescimento de raiz, seguidos
das sementes do controle e da câmara fria. As sementes que não foram submetidas ao
armazenamento apresentaram o maior crescimento de parte aérea, embora nestas sementes
tenha sido observado o maior tempo médio de germinação em relação às sementes
armazenadas em condição ambiente e câmara fria e seca, que necessitaram da metade do
tempo para a germinação e não variaram significativamente entre si. Os resultados sugerem
que, embora as sementes de marmelo sejam tolerantes à redução do teor de água até5%, a
longevidade durante o armazenamento é maior em sementes com 10% de teor de água.

Palavras-chave: marmelo do Cerrado, fisiologia de sementes, secagem de sementes.


Créditos de financiamento: CAPES/PNPD

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Rodovia
Dourados - Itahum, Km 12 - Cidade Universitária, Cx. Postal 533 - CEP 79804-970,
Dourados, MS, Brasil
Anais
*autor do IIIcorrespondência:tathianamasetto@ufgd.edu.br
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 54
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CRESCIMENTO INICIAL DE MUDAS DE Genipa americana L. (Rubiaceae)
SUBMETIDAS A DIFERENTES NÍVEIS DE SOMBREAMENTO

Julielen Zanetti BRANDANI1, Lucas Murillo Souza Santos FARIAS2, Mário Soares
JUNGLOS1, Fernanda Soares JUNGLOS1, Silvana de Paula Quintão SCALON1,
Rosilda Mara MUSSURY1

As vegetações florestais do Brasil vêm sofrendo níveis significativos de perturbação devido


ao avanço das fronteiras agropecuárias, das atividades madeireiras e à especulação
imobiliária. Neste contexto, vêm crescendo as iniciativas para a execução de projetos de
recuperação dessas áreas, principalmente com o uso de espécies arbóreas nativas. Em virtude
da carência de conhecimentos sobre a produção de mudas e o comportamento ecológico em
diferentes condições ambientais, são de extrema importância estudos para o desenvolvimento
da atividade florestal e para programas de conservação. Deste modo, o objetivo deste trabalho
foi analisar o efeito de diferentes níveis de sombreamento sobre o crescimento inicial de
mudas de Genipa americana L., a fim de subsidiar projetos de restauração. Mudas desta
espécie foram submetidas a diferentes níveis de sombreamento: 30, 50, 70% e pleno sol. As
avaliações aconteceram inicialmente, aos 120, 150 e 180 dias após o transplante, verificando a
sobrevivência, altura, diâmetro do colo, massas fresca e seca de raiz e parte aérea. As mudas
apresentaram alta taxa de sobrevivência (entre 95 e 100%), entretanto o tratamento a pleno sol
foi o que proporcionou maior porcentagem de mortalidade de plantas, e o tratamento de 50%
de sombreamento não gerou perdas. De modo geral, o crescimento das mudas de jenipapo foi
especialmente influenciado pela interação entre época de avaliação e níveis de sombreamento.
Para todas as variáveis analisadas, houve aumento médio com o aumento dos dias avaliados.
Para altura, não foi possível verificar diferença entre os tratamentos, pois todos os tratamentos
apresentaram médias semelhantes. Entretanto, os maiores valores foram verificados aos 180
dias atingindo 44,94 mm. Para diâmetro do colo e os parâmetros de massa, os melhores
resultados foram verificados para os tratamentos sombreados aos 180 dias após o transplante.
As maiores médias para diâmetro do colo (2,34 mm) e massa seca de raiz (0,1162 mg) foram
verificadas para o tratamento de 30% de sombreamento, enquanto que para massa fresca de
parte aérea (1,2118 mg), de raiz (0,5548 mg) e massa seca de parte aérea (0,3163 mg) as
melhores médias foram verificadas para o tratamento de 70% de sombreamento. Esse
resultado confirma que esta espécie pertence à categoria de sucessão secundária. Portanto,
para que mudas de G. americana apresentem resultados satisfatórios, o sombreamento deve
ser utilizado em sua produção.

Palavras-chave: Jenipapo, Luz, Espécie Arbórea, Recuperação, Áreas degradadas.


Créditos de financiamento: FUNDECT e CAPES

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral/Bioprospecção, Unidade II, caixa postal 533,
CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
²Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Unidade II,
caixa postal 533, CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.

*autor para correspondência: julielen_zanetti@hotmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 55
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CURVAS DE ABUNDÂNCIA DE ESPÉCIES EM UMA FLORESTA OMBRÓFILA
DENSA MONTANTA SOB REGENERAÇÃO NATURAL

Samantha Ramos GOMES 1*, Marco Aurélio Leite FONTES , Warley Augusto Caldas
CARVALHO², Antônio Carlos da Silva ZANZINI², Gabriel de Assis PEREIRA³

Pertubações são eventos relativamente descontínuos no tempo que causam mudanças abruptas
na estrutura de ecossitemas, comunidades ou populações e mudança na disponibílidade de
recursos, de subtrato ou no ambiente físico. Uma diversidade de processos exerce papel na
determinação de trajetórias sucessionais pós perturbação, incluindo: facilitação, inibição,
tolerância e composição florística inicial. No município de Itamonte, MG, no ano de 2000,
ocorreu um deslizamento de massa de terra em uma encosta coberta por uma Floresta
Ombrófila densa Montana. Esse tipo de pertubação tem como característica o rápido
deslocamento da matéria (solo e vegetação) encosta abaixo, causando a exposição do subsolo
na parte superior da clareira, e um acúmulo de material na parte mais baixa, iniciando-se o
processo de sucessão natural. As espécies mais conspícuas e abundantes (numericamente ou
em termos de biomassa) em uma comunidade vegetal são chamadas de dominantes. Uma
maneira de descrever hierarquias de abundância relativas é o uso de curvas de abundância,
essas proporcionam uma alternativa aos índices de diversidade. O objetivo desse trabalho foi
avaliar a diversidade de espécies em uma área de deslizamento de terra em uma floresta
ombrófila densa em Itamonte, MG, através de curvas de abundância para as espécies
ocorrentes na regeneração natural. Foram lançadas 26 parcelas de 4x2m onde foram
amostrados todos os indivíduos com circunferência à altura do solo (CAS) > 10 cm, e
subparcelas de 1x1m onde foi avaliada a regeneração anotando-se todos os indivíduos
maiores que 50 cm. Foram amostrados no total 237 indivíduos de 23 espécies diferentes,
pertencentes a 8 famílias, onde Asteraceae e Melastomataceae foram as que com maior
número de espécies (8 e 5 respectivamente). As curvas de abundância, tanto para os
indivíduos arbustivo-arbóreos quanto para os regenerantes, foram em forma exponencial
negativa, mostrando que as algumas espécies são dominantes enquanto a maioria é rara. As
duas espécies mais abundantes para o estrato arbustivo-arbóreo foram Eremanthus
erytropappus e Baccharis oreophila. As duas espécies mais abundantes para o estrato
regenerante foram Trembleya parviflora e Baccharis tarchonanthoides. Esse tipo de
comportamento é normal em ambientes que estão passando por sucessão secundária, devido
ao rápido crescimento associado às espécies pioneiras que se estabelecem após o distúrbio.

Palavras-chave: Floresta Ombrófila densa, Mata atlântica, Diversidade de espécies.

1Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Graduação em


Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
1 Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Docente em
Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
3 Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: samanthargomes@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 56
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
Cyperaceae Juss. NA SERRA DE SÃO JOSÉ, MINAS GERAIS, BRASIL

Jaiane da Silva GONÇALVES1; Marcos SOBRAL2

Cyperaceae Juss. é uma família monofilética de monocotiledôneas cosmopolitas, representada


por 5.500 espécies, distribuídas em 109 gêneros. No Brasil há registros de cerca de 670
espécies, pertencentes a 39 gêneros, representando 12% das espécies ocorrentes no mundo. A
Serra de São José é uma pequena cordilheira de quartzito localizada em Minas Gerais, a
noroeste da cidade de Tiradentes e oeste de Prados. Os campos rupestres e formações
florestais além da grande riqueza de espécies também abrigam um número expressivo de
espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Este trabalho teve como objetivo principal o
levantamento das espécies de Cyperaceae ocorrentes na Serra de São José, para contribuir
com um melhor conhecimento da família no estado de Minas Gerais. O material examinado
foi coletado no período de 2009 a 2013, em diferentes estações do ano, herborizado segundo
técnicas usuais e depositado no Herbário da Universidade Federal de São João del-Rei
(HUFSJ). Também foram revisados materiais coletados e depositados no Herbário do Museu
Nacional (R) e no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB). As identificações
foram realizadas através de análises morfológicas, com auxílio de chaves taxonômicas e
comparações com exsicatas de herbários. Constatou-se na área em estudo a ocorrência de 63
espécies distribuídas em dez gêneros: Bulbostylis Kunth (7 espécies), Cryptangium Schrad. ex
Nees (5 espécies), Cyperus L. (9 espécies), Eleocharis R.Br. (4 espécies), Fimbristylis Vahl
(3 espécies), Lagenocarpus Nees (2 espécies), Machaerina Vahl (1 espécie), Rhynchospora
Vahl (22 espécies), Scleria P.J.Bergius (7 espécies) e Trilepis Nees (3 espécies). Foi
constatada a ocorrência de 17 espécies endêmicas para o Brasil e três para o cerrado. Neste
trabalho foram elaboradas chaves de identificação para os gêneros e espécies, além de
descrições e fotografias, a fim de prover informações necessárias para a identificação das
espécies de Cyperaceae ocorrentes na serra de São José.

Palavras-chave: Diversidade, Levantamento florístico, Taxonomia.

Créditos de Financiamento: CAPES.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil
*autor para correspondência: jaianegoncalves@yahoo.com.br
2
Universidade Federal de São João del-Rei, Departamento de Ciências Naturais, Campus
Anais do III Simpósio
Dom Bosco, Praça DomInternacional de Botânica
Helvécio, Fábricas, CEP:Aplicada e XXXV
36301-160, Encontro
São João Regional
del-Rei-MG, de 57
Brasil
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DESCRIÇÃO ANATÔMICA DA FOLHA DE Physalis peruviana L. (Solanaceae)

Daniel Fernandes da SILVA 1*, Rosali Constantino STRASSBURG2, Fabíola VILLA3

O gênero Physalis (Solanaceae) vem ganhando destaque por suas inúmeras propriedades
medicinais e nutracêuticas, porém é um gênero que possui algumas espécies tóxicas que
devem ser distinguidas das alimentícias. Uma forma de diferenciação é a descrição anatômica
das espécies. Diante do exposto objetivou-se analisar anatomicamente a folha de Physalis
peruviana. As plantas foram cultivadas até atingirem idade reprodutiva quando tiveram suas
folhas analisadas. Os resultados demonstraram que a folha de Physalis peruviana em corte
transversal apresenta limbo foliar com epiderme monoestratificada em ambas as faces, onde
são observadas irregularidades, com células menores, estreitas e nucleadas na face abaxial e
maiores com núcleo saliente na face adaxial. A cutícula espessa e lisa pode ser observada na
superfície adaxial. O mesofilo é formado por parênquima paliçádico monoestratificado com
cloroplasto e vacúolo volumoso. Localizam-se na proporção de duas células paliçádicas
abaixo de cada célula epidérmica. O parênquima esponjoso é constituído por um tecido
frouxo com 3-4 camadas de células. Há ocorrência de drusas na primeira camada do
parênquima esponjoso, logo abaixo do parênquima paliçádico. A visualização da superfície da
lâmina foliar de P. peruviana demonstrou que a espécie possui células de contorno sinuoso,
entremeadas por numerosos tricomas tectores simples bicelulares em ambas as faces. Os
estômatos são do tipo anomocítico e anisocítico e a folha do tipo hipoestomática. Na nervura
central é observado um feixe vascular de forma semicircular e mais dois feixes grandes
laterais a este todos bicolaterais. Circundando o feixe vascular encontra-se o parênquima
fundamental com células grandes de diferentes tamanhos, arredondadas e espaço intracelular
mediano. O colênquima é angular com 2-3 camadas, descontínuo e localizado abaixo da
epiderme monoestratificada de células pequenas e arredondadas que circunda o contorno
biconvexo bem mais proeminente na superfície abaxial da nervura. O pecíolo também é
biconvexo, com duas proeminências laterais, piloso, com um feixe principal bicolateral,
grande, semicircular e mais dois feixes secundários menores, arredondados em cada
proeminência. A região cortical peciolar apresenta colênquima angular de 3 camadas e
parênquima fundamental com células grandes de formato irregular com pouco espaço
intracelular. A epiderme peciolar dessa espécie é uniseriada, uniforme, com células levemente
arredondadas.

Palavras-chave: Fisális, Anatomia vegetal, Biodiversidade.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia (DBI), Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
*Autor para correspondência: daniel_eafi@yahoo.com.br
2
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Centro de Ciências Biológicas e da
Saúde (CCBS), Campus de Cascavel, Rua Universitária, 2069, Jardim Universitário, CEP:
85819-110, Cascavel-PR, Brasil
3
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Centro de Ciências Agrárias (CCA),
Campus Marechal Cândido Rondon, Rua Pernambuco, 1777, Centro, Caixa Postal 91, CEP:
Anais do IIIMarechal
85960-000, SimpósioCândido
Internacional de Botânica
Rondon-PR, Aplicada e XXXV Encontro Regional de 58
Brasil.
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DESENVOLVIMENTO DE GALHAS INDUZIDAS POR ÁCAROS EM FOLHAS DE
Acnistus arborescens Schl. (Solanaceae)
Bruno Garcia FERREIRA1, Nina de Castro JORGE1, Sofia Caetano AVRITZER1,
Vinícius Stefano MORAIS1, Rosy Mary dos Santos ISAIAS1*
Galhas são parasitoses espécie-específicas caracterizadas por hipertrofia celular, hiperplasia e,
quando mais elaboradas, rediferenciação de tecidos da planta hospedeira. O presente trabalho
objetivou traçar os processos ontogenéticos envolvidos na formação das galhas de ácaro em
folhas de Acnistus arborescens Schl. (Solanaceae). Porções não galhadas das folhas galhadas
(PNG), e galhas em estágio I, II e III foram seccionadas, coradas, e analisadas sob
microscópio de luz. O mesofilo da PNG é dorsiventral, com uma camada de células de
parênquima paliçádico e 5-7 de parênquima lacunoso. A epiderme é unisseriada,
hipoestomática, com tricomas tectores multicelulares e glandulares mais numerosos na face
abaxial. O sistema vascular da nervura secundária apresenta arranjo bicolateralenvolto por
bainha lignificada. O córtex na região da nervura tem 5-6 camadas de parênquima homogêneo
e 3-4 de colênquima angular. A epiderme sobre a nervura é papilosa. Galhas em estágio I
formam-se através do crescimento em bolso da lâmina foliar, na direção ou abaxial ou
adaxial, e há formação de emergências a partir do meristema fundamental e da protoderme
que projetam-se cobrindo a câmara ninfal. Nas extremidades das emergências, as células
epidérmicas são alongadas, projetando-se sobre a abertura da galha. A epiderme permanece
unisseriada e o mesofilo se torna homogêneo (3-6 camadas) e compacto. A vascularização da
parede em bolso é discreta e em conexão com aquela da PNG. A epiderme que reveste a
câmara ninfal é papilosa e o revestimento da câmara apresenta-se irregular com reentrâncias.
No estágio II, há aumento do número de camadas de parênquima das emergências e da parede
em bolso. Há, também, aumento evidente da vascularização desta parede com incremento do
número de elementos traqueais. As reentrâncias da câmara são mais evidentes, onde é
possível observar ovos e ninfas. O estágio III caracteriza-se pela hipertrofia das células
parenquimáticas, não havendo incremento na vascularização. A diferenciação de células
papilosas na epiderme da câmara é devida principalmente ao incremento no tamanho destas
células, que são os sítios principais de alimentação dos ácaros. A formação dessas células e de
reentrâncias dentro da câmara aumentam a superfície de alimentação disponível aos
galhadores. Estas galhas apresentam um misto de processos ontogenéticos importantes, isto é,
a formação do bolso e das emergências, que garantem assim um sistema tamponado das
alterações ambientais.
Palavras-chave: Acari, Anatomia Vegetal, Herbivoria, Rediferenciação Celular.
Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de
Botânica, caixa postal 486, CEP: 31270-901, Belo Horizonte-MG, Brasil.
*Autor para correspondência: rosy@icb.ufmg.br

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 59


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DESENVOLVIMENTO DOS LATICÍFEROS NO EMBRIÃO DE Tabernaemontana
catharinensis A.DC. (APOCYNACEAE)

Yve CANAVEZE1*, Silvia Rodrigues MACHADO2

Os laticíferos constituem um potente sistema de defesa das plantas. Estruturalmente os


laticíferos são classificados em não-articulados e articulados. Laticíferos não-articulados
originam-se exclusivamente nas iniciais laticíferas no embrião, as quais crescem e emitem
ramos através de espaços intercelulares, sem que haja citocinese, enquanto laticíferos
articulados originam-se da fusão de protoplastos após a dissolução parcial ou total das paredes
transversais, podendo estar ou não presentes no embrião. Estudamos aspectos do
desenvolvimento dos laticíferos em embriões maduros de Tabernaemontana catharinensis
A.DC. (Apocynaceae). Removemos o embrião de sementes maduras de T. catharinensis
ocorrentes em áreas de cerrado na região de Botucatu/SP e processamos segundo técnicas
usuais em microscopias de luz e eletrônica de transmissão. Laticíferos do tipo articulado
anastomosado com crescimento intrusivo estão presentes por todo o embrião. Distinguem-se
das demais células por serem axialmente alongados e possuir formato irregular com projeções
entre as células adjacentes, onde há contato do laticífero com duas ou mais células do
meristema fundamental. Nessas regiões de contato, observamos imagens sugestivas de
degradação da parede do laticífero. O protoplasto é preenchido por material floculado elétron-
denso disperso em meio finamente granular. Encontramos corpos elétron-opacos rodeados por
conteúdo elétron-denso. Algumas células apresentam características intermediárias entre
laticíferos e células do meristema fundamental, apresentando formato irregular com projeções
entre as células adjacentes e protoplasto com conteúdos elétron-lucentes ou elétron-opacos e
corpos lipídicos dispersos, sendo possível observar uma profusão de membranas com
vesículas adjacentes. A presença dessas imagens sugere que células do meristema
fundamental são incorporadas ao sistema laticífero e alteram suas características,
assemelhando-se ao laticífero. Embriões maduros guardam sinais evidentes de processos
histogenéticos, permitindo-nos discutir questões referentes à formação e ao desenvolvimento
dos laticíferos durante a embriogênese. A presença de laticíferos diferenciados e ativos em
secreção no embrião contribui para a defesa desde as fases iniciais do desenvolvimento
vegetativo de T. catharinensis.

Palavras-chave: Apocynaceae; Anatomia; Desenvolvimento; Laticíferos Articulados;


Ultraestrutura.

Créditos de financiamento: Fapesp DR Proc.2012/16441-3 e TEM-Biota Proc. 2008/55434-7

1
Universidade Estadual Paulista - UNESP, Instituto de Biociências de Botucatu - IBB,
Programa de Pós-graduação Ciências Biológicas - Botânica, Botucatu, SP, Brasil.
* yve.canaveze@yahoo.com.br
2
Universidade Estadual Paulista - UNESP, Instituto de Biociências de Botucatu - IBB,
Anais do III Simpósio
Departamento Internacional
de Botânica, Botucatu,deSP,
Botânica
Brasil. Aplicada e XXXV Encontro Regional de 60
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DETERMINAÇÃO DO MELHOR HORÁRIO DE COLETA DE RAÍZES DE
ALFACE PARA APLICAÇÃO EM ESTUDOS ECOTOXICOLÓGICOS

Graciele Lurdes SILVEIRA1*, Maria Gabriela Franco de LIMA2, Larissa Fonseca


ANDRADE-VIEIRA¹

A alface, Lactuca sativa L. (Asteraceae), é um vegetal modelo altamente empregado em


bioensaios citogenéticos, pois apresenta um grande número de sementes, fácil e rápida
germinação, alta sensibilidade e cromossomos grandes, se mostrando eficiente em estudos
ecotoxicológicos que visam avaliar o efeito potencial tóxico de compostos lançados no
ambiente. Além do mais, se comparado com outros vegetais modelos a semente de alface é
comercializada por um baixo custo e diversas variedades estão disponíveis no mercado.
Apesar de ser um modelo utilizado nos bioensaios citogenéticos para avaliação de alterações
no ciclo celular, não há uma padronização quanto ao horário de coleta de suas raízes.
Portanto, o presente trabalho foi realizado no intuito de se determinar o melhor horário para
coleta de raízes de alface, visto que para aplicação do modelo em ensaios citogenéticos, é
requerido a avaliação de 500 células em divisão, havendo a necessidade da espécie utilizada
para este fim apresentar alto índice mitótico (IM). Estudos com L. sativa relatam que o
horário que se tem maior IM se encontra em torno do meio dia. Para tanto, sementes de L.
sativa var. verônica foram dispostas em Placas de Petri com papel filtro embebido com 3 mL
de água destilada e mantidas na BOD a 24ºC. Após dois dias da protrusão da raiz as coletas
foram realizadas nos horários de 10 h, 11 h, 12 h, 13 h e 14 h e as raízes foram fixadas em
álcool etílico e ácido acético (3:1) e armazenadas a -4ºC. Foram preparadas 5 lâminas para
cada horário de coleta pela técnica de esmagamento com Orceína 2%. Foram contabilizadas
1000 células por lâmina e anotado o número de intérfases, prófases, metáfases, anáfases e
telófases. Posteriormente o IM foi determinado pela razão entre o número total de células em
divisão pelo número total de células avaliadas. As médias do IM de cada horário de coleta
foram comparadas pelo teste de Tukey (p<0.05). As médias de todos os horários de coleta
diferiram entre si. O horário das 13 h apresentou maior IM (18,71%), e o das 11 h menor IM
(11,61%). Sendo assim, segundo os dados apresentados, indica-se o horário das 13 h para
coleta das raízes de alface para estudos de citogenotoxicidade aplicados a ecotoxicologia.

Palavras-chave: Índice Mitótico, Lactuca sativa, bioensaio citogenético

Créditos de financiamento: CAPES

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Campus Universitário, Caixa
Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 61
gralurdes@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DETERMINAÇÃO QUANTITATIVA DO TEOR DE FENÓIS TOTAIS E
FLAVONOIDES E AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DOS
EXTRATOS DAS FOLHAS DE Eugenia florida (Myrtaceae)

Renan Gomes BASTOS1, Carla Pereira ROSA1, Josidel Conceição OLIVERA1, Naiara
Chaves SILVA1, Amanda Latércia Tranches DIAS1, Marcelo Aparecido da SILVA1

As plantas nativas do Cerrado têm sido alvo de estudo por pesquisadores, principalmente no
que se refere ao seu uso terapêutico como antimicrobianas. Os compostos antimicrobianos são
aplicados no tratamento de várias infecções, mas atualmente há resistência ao tratamento com
drogas comerciais, levando os cientistas a investigarem o uso de plantas na terapia anti-
infecciosa, com destaque para o gênero Eugenia sp. Os compostos presentes neste gênero e
que apresentam atividade biológica pertencem à classe dos fenóis. Apesar desses dados,
várias espécies ainda são pouco estudadas, como a Eugenia florida. Popularmente conhecida
como pitanga-preta, trata-se de uma escolha promissora para que possam ser feitos os estudos
científicos. Portanto, o presente trabalho teve por objetivo quantificar os compostos fenólicos
totais e flavonoides, bem como avaliar o potencial antimicrobiano dos extratos das folhas de
Eugenia florida. As folhas foram coletadas na região da Fazenda Cachoeirinha (Alfenas-MG),
identificadas e depositadas no Herbário da Universidade Federal de Alfenas. As folhas foram
secas em estufa de ar circulante a 45ºC trituradas para obtenção dos pós, que foram
padronizados quanto aos seus tamanhos médios de partícula. O pó foi submetido à
percolação, utilizando etanol 70% como líquido extrator. Os percolados foram submetidos à
rota-evaporação e a água residual foi eliminada por liofilização. O resíduo dos percoladores
foi submetido ao processo de maceração simples com diferentes solventes (metanol, acetona,
acetato de etila e hexano). O teor de fenóis totais em cada extrato foi determinado pelo
método de Folin-Ciocalteau e o teor de flavonoides foi determinado pelo método de Kalia. Os
valores de concentrações inibitórias mínimas para microrganismos foram determinados pela
técnica de microdiluição em caldo. Os extratos foram avaliados nas concentrações entre 1000-
leveduras e bactérias. Os resultados mostraram que o extrato obtido com
acetato de etila foi o que apresentou maior concentração de fenóis e flavonoides. As análises
de atividade antimicrobiana mostraram que os extratos hidroetanólico e metanólico
apresentaram um maior espectro de atividade para Candida krusei, em comparação com os
demais. Portanto, a espécie Eugenia florida tem um potencial antimicrobiano relevante, mas
estudos avançados ainda poderão ser feitos para avaliar com maior precisão a sua composição
química, bem como o seu uso terapêutico.

Palavras-chave: Fenóis, Extrato, Microrganismos, Antimicrobiano.

Créditos de financiamento: CAPES.

1
Universidade Federal de Alfenas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Programa de Pós-
Graduação em Ciências Farmacêuticas, Campus Alfenas, caixa postal 221, CEP: 37130-000,
Alfenas-MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 62
rgbastos.rb@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DIFERENCIAÇÃO HIDRO-CLIMÁTICA DAS FITOFISIONOMIAS DA MATA
ATLÂNTICA E DO CERRADO

Ricardo Rabinovici TROTTA1*, Patrícia Vieira POMPEU², Carolina Njaime


MENDES³, Ravi Fernandes MARIANO³, Marco Aurélio Leite FONTES²

Dentre as variáveis climáticas responsáveis pelo zoneamento da vegetação destacam-se a


temperatura e a precipitação, sendo a quantidade de água disponível para a vegetação
determinante para diferentes fisionomias florestais. O objetivo do trabalho é demonstrar as
diferenças entre as variáveis hidro-climáticas avaliadas para os domínios da Mata atlântica e
Cerrado e também destacar as que mais contribuem para as peculiaridades fitofisionômicas de
cada domínio. Para a escolha dos 20 pontos amostrados amostraram-se na literatura as
formações Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Densa, Floresta Estacional
Semidecidual, Cerrado Stricto Sensu, Cerradão e Campo Sujo. As camadas das variáveis
hidro-climáticas foram selecionadas e importadas do WorldClim - Global Climate Data,
sendo elas: precipitação anual, precipitação do trimestre mais chuvoso, precipitação do
trimestre mais seco, temperatura media anual, temperatura média do dia, faixa de temperatura
anual, temperatura média do trimestre mais frio, temperatura média do trimestre mais quente.
Somente a variável hidrológica balanço hídrico, foi modelada a partir do programa online
Water World Modeling. Com o auxilio do programa ArcGis 10.3, todos as camadas das
variáveis hidro-climáticas foram combinadas para cada um dos pontos selecionados. Foi
realizada uma Análise de Componentes Principais (PCA) onde foram correlacionados os
dados hidro-climáticos e as fitofisionomias. O eixo 2 da PCA, com p = 0,238 não foi
significativo, enquanto o eixo 1 apresentou valor de p = 0,001, explicando 66% da variância
total, agrupando as Florestas Ombrófilas, sendo essas correlacionadas aos maiores valores de
precipitação e ao balanço hídrico. Não houve separação das formações do Cerrado.
Entretanto, as formações desse domínio e as Florestas Semideciduais foram agrupadas e
explicadas pelos maiores valores médios de temperatura anual e temperaturas do trimestre
mais frio e mais quente, sugerindo que essas formações não são distintas hidro-
climaticamente. Assim, as diferenças fisionômicas entre as Florestas Semideciduais e as
distintas formações do Cerrado poderiam ser explicadas por outras variáveis ambientais como
por exemplo, as edáficas e o regime de fogo.

Palavras-chave: Balanço Hídrico, Formações Florestais, Análise de Componentes Principais.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa Graduação
em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
*autor para correspondência: ricardortrotta@gmail.com
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Professor, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 63


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DINÂMICA POPULACIONAL DE Tapirira obtusa (Benth.) J.D.Mitch.
LOCALIZADO NO MUNICÍPIO DE LAVRAS, MINAS GERAIS

Kaline Fernandes MIRANDA1*, Rubens Manoel dos SANTOS 1, Cléber Rodrigo


de SOUZA1, Henrique Faria de OLIVEIRA1, Felipe de Carvalho
ARAUJO1,Geovany Heitor REIS 1.

Mata ciliar também conhecida como mata ripária é encontrada às margens de lagos e
rios e tem como importância proteger o solo, evitando assim o assoreamento nos cursos
d´água. O objetivo do trabalho foi verificar a dinâmica da população de Tapirira obtusa
(Benth.) J.D.Mitch., família Anacardiaceae,. O trabalho foi desenvolvido em uma área
de floresta Estacional Semidecidual Montana de 13,6 ha, localizado na margem
esquerda do Rio Capivari no município de Lavras, Minas Gerais. Em 1998, foram
alocadas 28 parcelas permanentes de 20 x 20 m, e todos os indivíduos da população de
T. obtusa dentro das parcelas com DAP (diâmetro à altura do peito) ≥ 5 cm foram
identificados, mensurados e marcados com plaquetas numeradas. Em 2003, 2009 e 2014
foram realizadas as remensurações dos sobreviventes, incorporando os recrutas e
registrando os mortos. Foram calculadas taxas de recrutamento (R) e mortalidade (M)
de indivíduos por ano e taxas de ganho (G) e perda (P) de área basal por ano para aos
três intervalos de mensuração. As taxas de dinâmica foram calculadas para a
amostragem total da população, sendo analisadas em contagens de indivíduos arbóreos,
tais como: quantidade de recrutas, de mortos, sobreviventes e área basal das árvores.
Nos levantamentos ocorridos em 1998, 2003, 2009 e 2014 foram registrados
respectivamente 63, 53, 32 e 17 indivíduos da espécie . Sendo que, foram contabilizados
11 indivíduos mortos em 2003, 21 em 2009 e 16 em 2014. Além de um recruta em
2003 e 1 recruta em 2014. No intervalo de 2009 a 2014 a área total amostrada
apresentou a taxa de ganho em 3,10% ano-1 enquanto que a taxa de perda teve 6,17 ano-
1 -1
, enquanto a taxa de mortalidade no mesmo período indicou 12,94% ano e a taxa de
-1
recrutamento teve 1,20% ano . Os resultados demonstram que a população está em
processo de redução de biomassa e abundância, indicado pelo desequilíbrio entre as
taxas de ganho e perda em área basal e das taxas de mortalidade e de recrutamento.

Palavras-chave: Levantamentos Florísticos, Dinâmica Populacional, Rio Capivari.

1
Universidade Federal de Lavras, Laboratório de Conservação e Manejo da
Biodiversidade, Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Inovações Ambientais,
Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*
Autor para correspondência: fkaline@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 64


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DINÂMICA POPULACIONAL DE Tapirira obtusa (Benth.) J.D.Mitch.
LOCALIZADO NO MUNICÍPIO DE LAVRAS, MINAS GERAIS

Kaline Fernandes MIRANDA1*, Rubens Manoel dos SANTOS 1, Cléber Rodrigo de


SOUZA1, Henrique Faria de OLIVEIRA1, Felipe de Carvalho ARAUJO1,Geovany
Heitor REIS 1.

Mata ciliar também conhecida como mata ripária é encontrada às margens de lagos e rios e
tem como importância proteger o solo, evitando assim o assoreamento nos cursos d´água. O
objetivo do trabalho foi verificar a dinâmica da população de Tapirira obtusa (Benth.)
J.D.Mitch., família Anacardiaceae,. O trabalho foi desenvolvido em uma área de floresta
Estacional Semidecidual Montana de 13,6 ha, localizado na margem esquerda do Rio Capivari
no município de Lavras, Minas Gerais. Em 1998, foram alocadas 28 parcelas permanentes de
20 x 20 m, e todos os indivíduos da população de T. obtusa dentro das parcelas com DAP
(diâmetro à altura do peito) ≥ 5 cm foram identificados, mensurados e marcados com
plaquetas numeradas. Em 2003, 2009 e 2014 foram realizadas as remensurações dos
sobreviventes, incorporando os recrutas e registrando os mortos. Foram calculadas taxas de
recrutamento (R) e mortalidade (M) de indivíduos por ano e taxas de ganho (G) e perda (P) de
área basal por ano para aos três intervalos de mensuração. As taxas de dinâmica foram
calculadas para a amostragem total da população, sendo analisadas em contagens de
indivíduos arbóreos, tais como: quantidade de recrutas, de mortos, sobreviventes e área basal
das árvores. Nos levantamentos ocorridos em 1998, 2003, 2009 e 2014 foram registrados
respectivamente 63, 53, 32 e 17 indivíduos da espécie . Sendo que, foram contabilizados 11
indivíduos mortos em 2003, 21 em 2009 e 16 em 2014. Além de um recruta em 2003 e 1
recruta em 2014. No intervalo de 2009 a 2014 a área total amostrada apresentou a taxa de
ganho em 3,10% ano-1 enquanto que a taxa de perda teve 6,17 ano-1, enquanto a taxa de
mortalidade no mesmo período indicou 12,94% ano-1 e a taxa de recrutamento teve 1,20%
ano-1. Os resultados demonstram que a população está em processo de redução de biomassa e
abundância, indicado pelo desequilíbrio entre as taxas de ganho e perda em área basal e das
taxas de mortalidade e de recrutamento.

Palavras-chave: Levantamentos Florísticos, Dinâmica Populacional, Rio Capivari.

1
Universidade Federal de Lavras, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade,
Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Inovações Ambientais, Campus Universitário,
caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*
Autor para correspondência: fkaline@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 65
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DINÂMICA POPULACIONAL DE Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeisch

Vanessa Pereira LAREDO1*; Rubens Manoel dos SANTOS²; Felipe de Carvalho


ARAÚJO³

O distúrbio é um fator que pode ser caracterizado como uma alteração da normalidade
do ecossistema, em que afeta não só a disponibilidade de recursos, como
principalmente o modo das espécies vegetais se distribuírem em um dado espaço e
tempo. Consequentemente, a regeneração sofre grande influência perante essa
perturbação. O objetivo do presente trabalho foi acompanhar o comportamento da
espécie de Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeisch após distúrbio. O estudo foi
feito no Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito, situado no município de Lavras,
MG. Foram plotadas 11 parcelas de 2x2m (4m²) onde ocorreu o fogo, onde todos os
indivíduos juvenis baixo de um metro de altura ou abaixo da Circunferência à altura
do peito ≥ 15,7 cm, foram amostrados. Foram realizadas três amostragens em janeiro
de 2012, 2013 e 2014. Foram calculadas as taxas de dinâmica para os intervalos 2012
a 2013 e 2013 a 2014 e as taxas foram calculadas para o número de indivíduos e área
basal. As taxas no primeiro intervalo foram: 38% ano-1 de mortalidade, 3,99% ano-1
recrutamento e 20,99% ano-1 de rotatividade e -5,34% ano-1 de mudança líquida para
indivíduos e ocorreu ganho de 89,91% ano-1, perda de 43,40% ano-1, 66,66% ano-1 de
rotatividade e 461,25% ano-1 de mudança líquida em área basal. No segundo
intervalo, obteve-se taxas de 86,84% ano-1 mortalidade, 11,09% ano-1 recrutamento,
49,96% ano-1 de rotatividade e -25,02% ano-1 de mudança líquida para indivíduos.
Em área basal 91,77% ano-1 de ganho, 93,82% ano-1 de perda, 92,80% ano-1 de
rotatividade e mudança líquida de -58,57% ano-1. A princípio, nota-se que os juvenis
foram favorecidos pelo fogo em relação à quantidade de indivíduos na análise de
2012. Apesar do aumento inicial da densidade no primeiro intervalo, houve alta taxa
de mortalidade. A taxa de ganho da área basal foi maior que a taxa de perda em área
basal e a taxa de mudança líquida em área basal foi positiva, o que se explica a
condição de incremento da biomassa. No segundo intervalo, houve queda do
recrutamento, aumento da rotatividade e a mudança líquida foi negativa, devido
principalmente à mortalidade. Após o fogo, a espécie aumentou em densidade, mas
demonstrou ao longo de dois anos uma queda brusca em número de indivíduos. A
fase regenerativa demonstra em vários trabalhos ser sensível às mudanças
microambientais e a resposta da população ao distúrbio compreendeu a instabilidade
dos regenerantes diante o fogo.

Palavras-chave: distúrbio; regeneração; mudança líquida.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Graduação
em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Professor,
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa
postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras, MG, Brasil.
3: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP:
37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: vanessa_laredo@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 66
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DINAMICA POPULACIONAL DE Eugenia uniflora L. EM UM REMANESCENTE
FLORESTAL DE CAATINGA ARBÓREA

Henrique Faria de OLIVEIRA1,*, Rubens Manoel dos SANTOS¹, Polyanne Aparecida


COELHO¹, Cléber Rodrigo de SOUZA¹

A família Myrtaceae é composta de aproximadamente 132 gêneros, estima-se que no Brasil o


gênero Eugenia possua aproximadamente 350 espécies, ocorrentes desde subarbustos até
árvores. Eugenia uniflora L., conhecida popularmente como pitangueira é uma espécie de
porte arbóreo, com cerca de 6-12 metros, com grande utilidade para o homem, podendo ser
utilizada no paisagismo assim como para pomares domésticos. É caracterizada como espécie
frutífera, tem grande importância para fauna silvestre, principalmente a avifauna, sendo de
grande valor em projetos de recuperação de áreas degradadas. Visto ser uma espécie de
grande importância para o homem, assim como para fins ambientais, estudos devem ser
realizados a fim de contribuir com o conhecimento da espécie. O presente trabalho teve como
objetivo avaliar a dinâmica populacional da espécie. A área de estudo é caracterizada como
floresta estacional decídua, sendo um remanescente de caatinga arbórea, no extremo Norte de
Minas Gerais, localizada no município de Juvenília. As amostragens foram realizadas nos
anos de 2005, 2010 e 2015, onde foram medidos todos os indivíduos com CAP
(circunferência à altura do peito) maior ou igual a 10 centímetros em dez parcelas distribuídas
na área, e com dados obtidos em campo foram calculadas as taxas de recrutamento,
mortalidade, ganho e perda de área basal. Foram encontrados no fragmento, nos anos 2005,
2010 e 2015, respectivamente, 183, 170 e 153 indivíduos da espécie. Para o primeiro
intervalo, de 2005 a 2010, a taxa de mortalidade foi de 1,69 %.ano-1, a taxa de recrutamento
foi de 0,23 %.ano-1, o ganho de área basal foi de 1,47 %.ano-1 e a perda foi de 1,97 %.ano-1.
Para o intervalo de 2010 a 2015, a taxa de mortalidade foi de 2,21 %.ano-1, a taxa de
recrutamento foi de 0,13 %.ano-1, as taxas de ganho e perda de área basal foram
respectivamente, 2,19 %.ano-1 e 2,43 %.ano-1. A população local apresenta constante declínio
no número de indivíduos, assim como constante declínio em biomassa no geral, pois a taxa de
perda de área basal foi sempre superior a de ganho no período de estudo, porém a maioria dos
indivíduos sobreviventes apresentou ganho em biomassa. Esses resultados mostram uma
população que vem sofrendo alterações em sua estrutura com menor número de indivíduos
por área, porém estes de maior porte, podendo os indivíduos menores estar sofrendo mais com
as condições ambientais e competição na comunidade.

Palavras-chave: Recrutamento, Área basal, Mortalidade.

1
Universidade Federal de Lavras, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade,
Departamento de Ciências Florestais, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
*
Autor para correspondência: henriqueengflorestal@yahoo.com.br

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 67


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DINÂMICA POPULACIONAL DE Handroanthus ochraceus (CHAM.) MATTOS EM
UM FLORESTA ESTACIONAL DECIDUAL

Henrique Faria de OLIVEIRA1*, Rubens Manoel dos SANTOS¹, Polyanne Aparecida


COELHO¹, Cléber Rodrigo de SOUZA ¹

As formações arbóreas da Caatinga, classificadas junto às Florestas Estacionais Deciduais,


assumem considerável importância por apresentarem características fisionômicas e florísticas
próprias, bem como extrema raridade, que as diferenciam das diversas outras formações do
Bioma. A despeito de sua extensa riqueza biológica tais áreas vem sendo alvo da exploração
de madeira e da abertura de áreas para atividades agropecuárias, o que associado ao descaso
dos órgãos públicos na aplicação das leis de proteção ambiental culmina em uma situação de
risco para estas formações. Desta forma, estudos que busquem conhecer os diversos
componentes destes ecossistemas são de altíssima relevância por produzirem informações
subsidiárias para práticas conservacionistas adequadas. Assim, objetivou-se por meio deste
conhecer a dinâmica da população arbórea de Handroanthus ochraceus (Cham.) Mattos no
período de 10 anos, em uma área de 10 ha de Floresta Estacional Decidual em Juvenília,
extremo Norte de Minas Gerais, Brasil. Foram distribuídas dez parcelas onde foram
mensurados todos os indivíduos da espécie que atingiram o critério de inclusão (CAP≥10,1
cm) em levantamentos realizados nos anos de 2005, 2010 e 2015, bem como identificados
indivíduos mortos e que alcançaram o valor limite nos intervalos entre medições. A partir dos
dados coletados foram obtidas taxas de recrutamento e mortalidade de indivíduos por ano,
bem como de ganho e perda de área basal por ano, para cada um dos intervalos entre
medições. Foram encontrados no fragmento, nos anos 2005, 2010 e 2015, respectivamente,
110, 114 e 112 indivíduos da espécie. As taxas de mortalidade e recrutamento para o primeiro
intervalo foram de 0,182 e 0,893 %.ano-1, respectivamente, ao passo que as taxas de ganho e
perda de área basal foram de 5,33 e 0,284 %.ano-1, nesta ordem. Para o segundo intervalo a
taxa de mortalidade foi de 0,355%.ano-1 e a de recrutamento nula, enquanto que as taxas de
ganho e perda de área basal foram de 0,146 e 2,202%.ano-1, respectivamente. Modificações
significativas em populações vegetais comumente estão relacionadas a mudanças em
condições ambientais, competições interespecíficas, intervenções antrópicas, entre outros
fatores que quando inexpressivos corroboram para que população tenda à estabilidade. Assim,
a pequena variação na população de H. ochraceus provavelmente é explicada pela
manutenção do estado de conservação do fragmento no período analisado.

Palavras-chave: Mortalidade, Recrutamento, Área basal

1
Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade,Universidade Federal de Lavras,
*Autor para correspondência: henriqueengflorestal@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 68
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DINÂMICA POPULACIONAL DE Sebastiania commersoniana (BAILL.) L.B.Sm. &
Downs (Euphorbiaceae) EM UMA MATA CILIAR

Raiza Serena Barbosa VOLTAN1*, Rubens Manoel dos SANTOS1 ; Cléber Rodrigo de
SOUZA1; Henrique Faria de OLIVEIRA 1; Polyanne Aparecida COELHO1

O estudo da dinâmica de uma população arbórea é de extrema importância para conhecer a


variação da quantidade de indivíduos que compõem a população ao longo do tempo. Dessa
forma, estudar as matas ciliares aprofunda o conhecimento da biodiversidade e ajuda na
conservação adequada de tal ambiente. Sendo assim, este trabalho teve como objetivo
entender a dinâmica populacional de S. commersoniana ao longo de quinze anos, através de
quatro levantamentos (1998, 2003, 2008 e 2014), em um fragmento de 10,6 hectares de
floresta estacional semidecidual às margens do rio Capivari, em Lavras, Minas Gerais. Foram
alocadas 28 parcelas de 20x20 metros, nas quais todos os indivíduos das espécies que
atingiram o critério de inclusão (CAP≥15,7 cm) foram mensurados. A partir dos dados
demográficos coletados nos quatro levantamentos, foram calculadas taxas de mortalidade e
recrutamento, além de taxas de perda e ganho de área basal para os intervalos entre medições.
Foram catalogados 49 indivíduos no ano de 1998 e 72 indivíduos em 2003, resultando em 8
mortes e 31 recrutamentos. No ano de 2008 registrou-se 9 mortes e 8 recrutamentos,
totalizando 71 indivíduos. No período de 2008 a 2014 ocorreram 15 mortes e 8 recrutamentos,
resultando em 60 indivíduos. As taxas de mortalidade e recrutamento para o primeiro
intervalo foram de 3,50 e 10,65%ano-1, enquanto que as taxas de ganho e perda de área basal
foram, nesta ordem, de 9,86 e 8,73%ano-1. Para o segundo intervalo estes valores se
modificaram para 2,63, 2,36, 5,06 e 4,93%ano-1 e para 4,63, 1,37, 4,45 e 3,67%ano-1 para o
intervalo entre 2008 e 2015. Desse modo, o número de indivíduos aumentou cerca de 20% ao
longo de 15 anos. A taxa de mortalidade diminuiu do primeiro intervalo para o segundo e
aumentou no terceiro. Observa-se, devido à redução do recrutamento, perda e ganho de área
basal, uma tendência à estabilização da população, fato este provavelmente associado à já
avançada recuperação das condições ambientais na área, atualmente em alto estado de
regeneração após uma intervenção pretérita. Em geral, a estrutura de uma população é função
direta das características ambientais da floresta, bem como das interações interespecíficas, de
forma que na ausência de modificações abruptas nestes fatores a população tende a
acompanhar na mesma medida. Assim, conclui-se que a população de S. commersoniana na
mata ciliar do rio Capivari vem se estabilizando temporalmente provavelmente em função do
estado de conservação da área.

Palavras-chave: S. commersoniana, Formações ripárias, Rio Capivari.

Créditos de financiamento: UFLA

1
Universidade Federal de Lavras, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade,
DCF, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*
autor para correspondência: raizavoltan@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 69
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DISTRIBUIÇÃO DE BROMELIACEAE EPÍFITAS EM UMA FLORESTA
ATLÂNTICA NEBULAR

Carolina Njaime MENDES1*, Ravi Fernandes MARIANO¹ Patrícia Vieira POMPEU²,


Rubens Manoel dos SANTOS², Warley Augusto Caldas CARVALHO², Marco Aurélio
Leite FONTES²

Em florestas tropicais a tendência de distribuição de epífitas é de aumento da abundância e da


riqueza de indivíduos com o aumento da altitude. Esses organismos representam cerca de
10% da diversidade da flora vascular mundial e as condições microclimáticas são o principal
fator capaz de afetar sua distribuição espacial. Dentre estas condições estão: a qualidade de
radiação recebida, influenciada pelo ângulo de incidência e pela abertura da copa; umidade;
precipitação; e nebulosidade. O objetivo do trabalho foi avaliar a distribuição de indivíduos de
Bromeliaceae em três cotas de altitude em uma Floresta Atlântica Nebular. As hipóteses são
de que o número de indivíduos irá aumentar com o aumento da altitude e que o efeito de
borda fará com que sua ocorrência seja maior no interior da floresta. O estudo foi realizado
em Itamonte, MG, na RPPN Alto-Montana, utilizando-se transeções de 5x60m partindo da
estrada de acesso, com seu maior comprimento em direção ao interior da floresta nas altitudes
de 1500m, 1700m e 1900m. De cada forófito foi mensurada a distância em relação à borda da
floresta e o número de epífitas no mesmo. Na altitude de 1500m não houve registro de
Bromeliaceae. Foram amostrados 15 forófitos, sendo sete a 1700m, com dez indivíduos de
Bromeliaceae e oito a 1900m, contendo 14 indivíduos. Na altitude de 1900m a ocorrência foi
registrada a partir de 10m de distância da borda e a 1700m registrou-se indivíduos a partir de
25m da borda. Os resultados encontrados corroboram com os estudos que afirmam que a
abundância de Bromeliaceae aumenta com a elevação da altitude, em consequência de
variações microclimáticas como, por exemplo, o aumento de umidade e precipitação
relacionadas ao aumento da nebulosidade. No que diz respeito às consequências do efeito
borda na distribuição destes indivíduos, a 1900m houve menor distanciamento da borda para
o início de sua ocorrência em relação ao observado a 1700m, fato que pode ser explicado por
esta área ser naturalmente mais úmida, minimizando a perda de água causada pela maior
incidência de ventos e luminosidade, características de ambientes de borda. Conclui-se
portanto, que as intervenções antrópicas na área têm consequências significativas na
distribuição de epífitas, sendo necessário aumentar o número de transeções e de variáveis
amostradas para que possam ser realizadas inferências mais precisas a respeito de sua
distribuição e das condições microclimáticas que determinam o seu estabelecimento.

Palavras-chave: Florestas Ombrófila Densa Alto-Montana, Microclima, Umidade, Epífitas.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: carolina.nmendes@yahoo.com.br
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Professor, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 70


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DO GÊNERO Genipa L. (Rubiaceae) NO
ESTADO DE MINAS GERAIS.

Fernanda Leite CUNHA1*; Vanessa Leite REZENDE²

O gênero Genipa L. pertence a família Rubiaceae. Este gênero pode ser considerado um
excelente modelo para o estudo de vegetação e para a escolha de áreas prioritárias de
conservação, devido sua presença em praticamente em todos os tipos de vegetação do
Bioma Cerrado e em suas áreas de transição com o Bioma Amazônia e a Floresta
Atlântica. O gênero apresenta apenas duas espécies: Genipa americana L. e Genipa
infundibuliformis Zappi & Semir. A primeira ocorre em todo neotrópico e a segunda é
encontrada apenas no sudeste do Brasil. Este gênero é de grande importância econômica
por causa de sua madeira, taninos presentes na casca e por ser utilidade na produção de
produtos alimentícios. Desta forma o objetivo deste estudo foi identificar os padrões de
distribuição geográfica das espécies de Genipa ocorrentes em Minas Gerais. Os dados
de ocorrência foram obtidos a partir do banco de dados do SpeciesLink. Após a
compilação destes dados, os registros foram plotados em mapas, utilizando-se o
programa QGis 2.4.0, um sistema de informação geográfica livre e aberto. Foram
encontrados 54 registros do gênero, sendo 44 de G.americana, sete de G.
infundibuliformis e três identificados apenas até o nível de gênero. A espécie G.
americana ocorreu praticamente em todo estado, com exceção da região sul, e nos três
biomas que ocorre em Minas Gerais (Cerrado, Caatinga e Floresta Atlântica). Já G.
infundibuliformis ocorreu apenas nas áreas de Floresta Atlântica, na região leste do
estado. Já a região central foi a que apresentou maior número de registro do gênero,
enquanto que a região sul não se registrou nenhuma ocorrência. Isso pode estar
relacionado às menores temperaturas encontradas na região, uma vez que para a
germinação da semente de G.america, temperaturas mais altas (~30°C) são mais
eficientes. Apesar da ampla distribuição e das duas espécies do gênero aparecem como
menos preocupante no livro vermelho da Flora do Brasil, G. infundibuliformis encontra-
se como vulnerável na lista vermelha da flora do Espírito Santo e G. americana como
em perigo pela lista da flora ameaçada do Paraná. Desta forma, observa-se que para as
duas espécies a principal ameaça é a perda de habitat decorrente de ações antrópicas.
Além disso, a degradação por meio de atividades antrópicas, a escassez de trabalhos
sobre o gênero e a exploração extrativista da fruta torna as espécies desse gênero
bastante vulnerável, fazendo com que o conhecimento da distribuição do gênero seja
muito importante.

Palavras-chave: Conservação, Degradação ambiental, SpeciesLink.

Créditos de financiamento: CAPES, CNPQ

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Laboratório de
Ecologia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG.
*autor para correspondência: fernandaleitecunha@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 71


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DIVERSIDADE DE AMARANTHACEAE NO COMPLEXO DE SERRAS DA
BOCAINA E CARRANCAS, MINAS GERAIS.

Michel BIONDI1, Daniel Quedes DOMINGOS¹, Mariana Esteves MANSANARES².

A circunscrição atual das Amaranthaceae apresenta 2300 espécies divididas em 170 gêneros,
dos quais 20 ocorrem em nosso país, totalizando 150 espécies. Esta circunscrição, baseada em
estudos recentes, deve ser ampliada, pois, Chenopodiaceae, considerada uma família distinta,
deve ser incluída, tornando-as assim monofilética. Amaranthaceae tem distribuição
cosmopolita, hábito herbáceo a arbustivo, preferindo ambientes alterados, salinos ou áridos.
No Brasil é comum em fitofisionomias abertas como o Cerrado e Campos Rupestres.
Trabalhos recentes tem demonstrado a tendência bioindicadora da família, com características
como seus sistemas subterrâneos, dispersão anemocórica e pirofitismo, que garantem o
processo inicial de sucessão ecológica pós fogo. Porém, o aumento das pressões antrópicas
nesta fitofisionomia, sejam elas por mineração, expansão agropecuária e urbana alteram o
regime de incendios, tornando estes eventos mais frequentes e com isto modificam as
interações ecológicas. Visando ampliar a base de dados que corroboram os argumentos de
proteção ambiental em nossa região, buscamos a partir de coletas feitas entre janeiro de 2010
e fevereiro de 2012, no complexo de Serras da Bocaina e de Carrancas, levantar a flora da
região. O material botânico foi herborizado seguindo técnicas padronizadas em taxonomia e
posteriormente incorporado ao Herbário ESAL. As identificações foram feitas por meio de
análise morfológica, uso de chaves taxonômicas, comparações com exsicatas Herbário ESAL
e INCT - Herbário Virtual da Flora e Fungos . Dados preliminares levando em conta apenas as
Amaranthaceae coletadas, demonstram a grande diversidade dos Campos Rupestres das serras
estudadas. Foram catalogadas cinco espécies, Gomphrena arborescens L. F., G. incana Mart.,
G. virgata Mart., Pfaffia jubata Mart. e Pfaffia sp., sendo G. incana Mart. endêmica de Minas
Gerais. Levantamentos realizados em outras serras mineiras, algumas com áreas de
preservação consolidadas, corroboram esse número. Este resultado indica alta diversidade de
espécies da família nas serras da região, porém são grandes as pressões a que elas estão
sujeitas. Ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade das serras, pode auxiliar na proteção
tanto delas como dos serviços ecossistêmicos que se perdem com sua destruição.

Palavras-chave: Amaranthaceae, Biondicador, Campos Rupestres.


Créditos de Financiamento: FAPEMIG

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós Garduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
* autor para correspondência: michel.biologicas@gmail.com
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Professor Efetivo, Campus
Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 72


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DIVERSIDADE DE GENÓTIPOS DE EUCALIPTO, RESISTENTES E SUSCETÍVEIS
À Ceratocystis fimbriata Ellis & Halst. (Ceratocystidaceae), POR MARCADORES ISSR
Paula Mikaely Henrique VIEIRA1*, Drielli CANAL1, Marina Santos CARVALHO1
Adésio FERREIRA1, Marcia Flores da Silva FERREIRA1
O gênero Eucalyptus é composto por espécies amplamente utilizadas na indústria madeireira,
de celulose e carvão. Apesar de sua importância, vários patógenos como o fungo Ceratocystis
fimbriata atacam severamente a cultura causando grandes prejuízos. Dado isso, muitos
estudos de diversidade buscam identificar a variabilidade entre genótipos e contribuir para a
obtenção de cultivares superiores. Objetivou-se avaliar por meio de marcadores ISSR oito
genótipos de eucalipto: dois considerados resistentes ao fungo C. fimbriata obtidos do
cruzamento entre E. urophylla e E. grandis: BA7346 e Super (AEC-1528); dois suscetíveis,
CO1407 (E. urophylla, puro) e G100 (Eucalyptus urophylla S. T. Blake); e quatro clones de
E. urograndis, dois resistentes (clones 1 e 2) e dois suscetíveis (clones 3 e 4). O DNA
genômico foi extraído seguindo o protocolo CTAB. As reações de PCR foram realizadas
utilizando oito primers ISSR UBS: (822, 827, 828, 842, 844, 861, 864 e 874). Os produtos da
amplificação foram separados por eletroforese em gel de agarose. A matriz de dissimilaridade
foi obtida pelo método de coincidência simples e o agrupamento realizado pelo método
UPGMA. Foi obtido um total de 69 amplicons, com média de 8,62 amplicons por primer.
Quatro grupos foram formados. O primeiro alocou quatro genótipos, todos apresentando
genealogia com E. urophylla: G100 (suscetível), E. urograndis (clone 3, suscetível), BA7346
(resistente) e CO1407 (suscetível). A menor dissimilaridade (0,27) encontra-se dentro deste
grupo e é dado pelos genótipos G100 e E. urograndis (clone 4, suscetível). Ambos os
genótipos são considerados suscetíveis à C. fimbriata, corroborando com os resultados de
dissimilaridade. O segundo grupo foi constituído pelo genótipo E. urograndis (clone
suscetível 4), o terceiro por E. urograndis (clone 1, resistente) e o quarto e último pelos
cultivares Super (padrão de resistência) e E. urograndis (clone 2, resistente). Os marcadores
ISSR foram eficientes em distinguir genótipos quanto a resistência a C. fimbriata, e indicaram
a menor dissimilaridade para indivíduos com padrões semelhantes de resistência e
pertencentes.
Palavras-chave: Eucalyptus urophylla, Melhoramento, Resistência, Ceratocystis.
Créditos de financiamento: CAPES, FAPES, CNPq

1
Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Biologia, Programa de Pós-
Graduação em Genética e Melhoramento, Campus Universitário, CEP: 29500-000, Alegre-
ES, Brasil.*autor para correspondência: paulamhvieira@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 73
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DIVERSIDADE ESTRUTURAL EM PLANTAS DE CERRADO APLICADAS AO
ENSINO DE ANATOMIA VEGETAL

Lorenna Nunes SANTOS1*, Jaqueline DIAS-PEREIRA1, Lorrayne de Barros


BOSQUETTI1, Ana Cláudia FERNANDES1, Leiliana Maria FERREIRA1

O Cerrado está entre os ecossistemas mais diversificados, sendo um dos principais centros de
prioridade para a conservação da biodiversidade do mundo, considerado como hotspot,
devido ao alto grau de degradação e endemismo das espécies. Objetivou-se confeccionar um
laminário histológico didático de algumas espécies do Cerrado a fim de destacar as suas
estratégias adaptativas. Foram coletadas amostras foliares dos indivíduos de Brosimum
gaudichaudii Trécul, Croton antisyphyliticus Mart., Davilla sp., Erithroxylum sp., Lafoensia
pacari A. St.-Hil., Maprounea sp., Miconia sp., Ouratea sp., Pouteria sp., Qualea parviflora
Mart. e Styrax ferrugineus Nees e Mart. As coletas realizaram-se em fragmentos de Cerrado,
nos limites do município de Rio Paranaíba, mesorregião do Alto Paranaíba, MG. As amostras
foliares foram fixadas em FAA50%, desidratadas em série etílica crescente, incluídas em
historesina (LEICA), cortadas transversalmente em micrótomo rotativo de avanço automático,
a 8 micrômetros de espessura, coradas em azul de toluidina e as lâminas montadas em
Permount. As espécies apresentaram características marcadamente xeromórficas devido ao
conjunto de fatores abióticos desse domínio, em especial, oligotrofismo nutricional e alta
concentração de alumínio. As folhas amostradas foram classificadas como hipoestomáticas.
Em todas as espécies deste estudo constatou a presença de cutícula na epiderme, sendo
algumas muito espessas como B. gaudichaudii, C. antisyphyliticus, Davilla sp., L. pacari,
Maprounea sp., Miconia sp., Pouteria sp., Q. parviflora e S. ferrugineus. As espécies de B.
gaudichaudii, Miconia sp., Pouteria sp., Q. parviflora e S. ferrugineus, foram as que mais
apresentaram tricomas tectores e, esporadicamente, glandulares. B. gaudichaudii e S.
ferrugineus apresentaram criptas com muitos tricomas e estômatos na epiderme da face
abaxial. Observou-se, ainda, idioblastos com drusas nos mesofilos de B. gaudichaudii, C.
antisyphyliticus, Miconia sp., Pouteria sp. e S. ferrugineus. Já as espécies Miconia sp. e
Ouratea sp. foram as únicas espécies que apresentaram mesofilo homogêneo em paliçada e
parênquima aerífero, cercado pelo parênquima braciforme. As lâminas das espécies de
Cerrado irão permitir maiores discussões sobre estratégias adaptativas de plantas de Cerrado e
servirão para comparar com as estratégias adaptativas de outros Domínios, Biomas, etc.,
contribuindo na qualidade das aulas práticas sobre diversidade estrutural em plantas do
Cerrado.

Palavras-chave: Anatomia vegetal, Laminário didático, Xeromorfia.

Créditos de financiamento: Laboratório de Anatomia Vegetal (LAV) – UFV-CRP

1
Universidade Federal de Viçosa- Campus Rio Paranaíba, Instituto de Ciências Biológicas e
da Saúde, Laboratório de Anatomia Vegetal, caixa postal 22, CEP: 38810-000, Rio Paranaíba-
MG, Brasil.
*autor para correspondência: lorenna1901@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 74
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DIVERSIDADE ESTRUTURAL EM PLANTAS DE MANGUE

Ana Cláudia FERNANDES1*, Jaqueline DIAS-PEREIRA1, Marcos Bruno SILVA1,


Leiliana Maria FERREIRA1, Lorenna Nunes SANTOS1

Os manguezais são ecossistemas peculiares encontrados nas regiões tropicais que sofrem
influência direta das marés, apresentam comunidades vegetais típicas de ambientes alagados,
com pouca oxigenação e resistentes à alta salinidade da água e do solo. Apesar da importância
dos manguezais na manutenção da vida marinha, esse ambiente tem sofrido profundas
alterações promovidas, principalmente, pela ocupação urbana. Dessa forma, objetivou-se
destacar as estratégias adaptativas estruturais das folhas das espécies típicas de mangue, visto
que a folha é o órgão vegetativo que apresenta maior variação estrutural em resposta às
alterações ambientais. O estudo foi realizado no Manguezal formado nas águas do Rio
Benevente, localizado na cidade de Anchieta, Espírito Santo. Foram coletadas amostras
foliares, a partir do 3º nó, de indivíduos adultos das espécies: Avicennia germinans (L.)
Stearn, Avicennia schaueriana Stapf & Leechm. ex Moldenke, Laguncularia racemosa (L.)
Gaertn. F. e Rhizophora mangle L.. As amostras foliares foram fixadas em FAA50%,
desidratadas em série etílica crescente e incluídas em historesina (LEICA). Os cortes, com 8
micrômetros de espessura, foram realizados em micrótomo rotativo de avanço automático e as
lâminas coradas com azul de toluidina e montadas em Permount. As folhas de todas as
espécies são hipoestomáticas, exceto L. racemosa, que é anfiestomática e apresentam cutícula
espessa e epiderme uniestratificada. Em A. schaueriana e A. germinans foram observados na
epiderme da face adaxial, glândulas de sal. As espécies analisadas apresentam camadas
subepidérmicas e presença de mesofilo dorsiventral, contendo idioblastos com drusas, com
exceção de L. racemosa que apresentou mesofilo tendendo a isobilateral. As adaptações
foliares observadas nas espécies de mangue refletem a alta adaptabilidade das espécies
endêmicas deste ambiente, associadas a outras adaptações morfológicas, como raízes aéreas,
pneumatóforos e propágulo em forma de “lança”, como o encontrado em Rhizophora mangle.

Palavras- chave: Anatomia vegetal, Halófitas, Manguezais.

1
Universidade Federal de Viçosa- Campus Rio Paranaíba, Instituto de Ciências Biológicas e
da Saúde, Laboratório de Anatomia Vegetal, caixa postal 22, CEP: 38810-000, Rio Paranaíba-
MG, Brasil.
*autor para correspondência: ana.fernandes2@ufv.br

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 75


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DO DIFFERENT WATER REGIMES INFLUENCE THE CAMBIAL ACTIVITY IN A
TROPICAL EVERGREEN SPECIES?

Natália Oliveira Totti de LARA1*, Magali Ribeiro da SILVA2, Carmen Regina


MARCATI2

In tropical woody species, cambial activity is generally related to water availability in the soil
while in temperate species it is related to temperature and daylength. Most of these studies
have been conducted in the field, and those experimental studies are lacking. We investigate
the influence of water availability in the soil to the cambial activity in Cordiera concolor
Cham. (Kuntze). The species is evergreen, shrubby, and occurs in cerrado (a savanna-like
ecosystem). Ninety young plants, one year old, were divided in two experiments: September
(mean temperature: 19.9°C; daylength: from 11: 57 to 12.36 hours) and March (mean
temperature: 23.9°C; daylength: from 12.28 to 11:49 hours). Each experiment was submitted
to three water regimes: 21% of moisture (waterlogged soil), 8% of moisture (field capacity)
and 3% of moisture (water deficit). Fifteen plants were studied each water regime in a
protected greenhouse. The water regimes were defined according to a water retention curve of
the cerrado soil. The weighing method was used to check the moisture in the pots of each
water regime. To each water regime, we collected the medium stem region of three plants
each week for five weeks in both experiments. The stems were 1,5 to 3,5 cm diameter. Stem
samples were prepared according to standard methods for plant anatomy. The cambial activity
was observed in the whole circumference of the stems. In the experiment of September, in all
five weeks, the vascular cambium was active in all plants from field capacity, and dormant in
most plants from the waterlogged soil and water deficit. In the experiment of March, first and
second weeks, the vascular cambium was active in all plants from waterlogged soil and field
capacity and dormant in all plants from water deficit. After the third, fourth, and fifth weeks,
the vascular cambium was active in all plants from waterlogged soil and dormant in all plants
from the other two water regimes. The water availability in the soil was the main factor in the
experiment of September when the temperatures were 19°C. However, in the experiment of
March, the higher temperature, besides the water availability in the soil, seems to be related to
the cambium activity. Our results indicate that the cambial activity in this tropical evergreen
species is influenced by a set of features and temperature is important to be considered such
as it is to the temperate species.

Keywords: Cordiera concolor Cham. (Kuntze), Evergreen species, Irrigation regimes,


Vascular cambium.

Finantial support: FAPESP.

1
Laboratório de Anatomia da Madeira, Faculdade de Ciências Agronômicas, Univ Estadual
Paulista, Rua José Barbosa de Barros, 1780, CEP: 18610-307, Botucatu-SP, Brasil.
2:Departamento de Ciência Florestal, Faculdade de Ciências Agronômicas, Univ Estadual
Paulista, Rua José Barbosa de Barros, 1780, CEP: 18610-307, Botucatu-SP, Brasil.

Corresponding author: natotti@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 76
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
DUPLICAÇÃO CROMOSSÔMICA DE BANANEIRA IN VITRO COM AMIPROFÓS-
METIL

Rafael Azevedo Arruda de ABREU 1*, Leila Aparecida Salles PIO1, Moacir PASQUAL1,
Adalvan Daniel MARTINS 1, Flavia Aparecida da SILVEIRA 1, Mylena Chaves
CARVALHO 1

O método de melhoramento mais utilizado em bananeira é o convencional por hibridação,


mediante o cruzamento de diplóides AA selvagens ou pré-melhorados (genitor masculino)
com triplóides comerciais e consequente geração de novas variedades tetraplóides, obtidas
através de duplicação cromossômica. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo de
verificar o efeito do Amiprofós-metil (APM) na duplicação de cromossomos em explantes da
bananeira “Ouro”, cultivar diploide (AA) que possui características importantes para o
melhoramento genético. O experimento foi realizado no Laboratório de Cultura de Tecidos,
situado no Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras – UFLA,
utilizando como material vegetal explantes de bananeira “Ouro”, diploide (AA), cedidos pela
EMBRAPA Mandioca e Fruticultura. Os explantes foram inicialmente estabelecidos in vitro
em meio MS suplementado com 2,5 mg L-1 de BAP (6-benzilaminopurina), 30 g L-1 de
sacarose, 1,7g L-1 de Phytagel e pH 5,8. Posteriormente foram repicados e transferidos para o
meio contendo o antimitótico APM. Foi utilizado delineamento inteiramente casualizados
com 20 tratamentos, que consistem nas 5 diferentes doses de APM e os 4 tempos de
exposição do explante ao antimitótico, sendo 13 plantas por parcela. Após estabelecimento in
vitro dos explantes, os mesmos foram repicados e transferidos para um meio MS
suplementado com o antimitótico APM nas seguintes doses: 0, 25, 50, 75 e 100 µM, onde
permaneceram por 2,4,6 e 8 dias. Terminado o tempo de exposição dos explantes ao APM, os
mesmos foram transferidos para meio MS novamente, porém sem nenhuma suplementação,
onde foram mantidos até o momento das análises de citometria de fluxo, que foram realizadas
30 e 60 dias após a última transferência de meio. Após a análise em citômetro de fluxo da
primeira leitura, observou-se 204 plantas diploides (78,5%), 30 mixoploides (11,5%), 5
tetraploides (1,9%) e 21 plantas mortas ou sem área foliar suficiente para análise (8,1%). Na
análise da segunda leitura observou-se 183 plantas diploides (70,4%), 23 mixoploides (8,9%),
4 tetraploides (1,5%) e 50 plantas mortas/sem folha (19,2%); percebe-se maior mortalidade no
tempo de exposição de 4 dias e nas dosagens mais altas. Diante disso podemos concluir que o
uso do antimitótico APM em substituição à colchicina (mais tóxica e fitotóxica) é viável,
porém necessita-se mais estudos acerca da dosagem e tempo de exposição ideais.

Palavras chave: Musa acuminata Colla ,citometria de fluxo, ploidia, poliploidização,


antimitótico.

Créditos de financiamento: FAPEMIG, CNPq, Capes.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura (DAG/UFLA), Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.

*autor para correspondência: rafaelarruda.agro@gmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 77
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ECOLOGIA COMPORTAMENTAL DE Siparuna guianensis AUBLET (Siparunaceae)
EM UMA FLORESTA RIPÁRIA

Raiza Serena Barbosa VOLTAN1*, Rubens Manoel dos SANTOS1 ; Cléber Rodrigo de
SOUZA1; Henrique Faria de OLIVEIRA 1; Polyanne Aparecida COELHO1

As formações ciliares tem participação efetiva na regulação do ciclo hidrológico, manutenção


da estrutura do solo, abrigo da biodiversidade, dentre diversos outros serviços ambientais
insubstituíveis. Logo, estudos que busquem seu entendimento, bem como o de seus
componentes, são essenciais para a execução de práticas conservacionistas e manejo
sustentável de sua biodiversidade. Assim, objetivou-se neste avaliar o comportamento
temporal da população arbórea de Siparuna guianensis Aublet (Siparunaceae), espécie
pioneira comum na região, integrante de um fragmento de 10,6 hectares de Floresta
Estacional Semidecidual às margens do Rio Capivari, em Lavras, Minas Gerais. Foram
alocadas 28 parcelas de 20x20 metros e mensurados todos os indivíduos arbóreos (CAP≥15,7
cm) da espécie em levantamentos realizados em 1998, 2003, 2008 e 2014, assim como
identificados indivíduos mortos e que atingiram o critério de inclusão no período entre
levantamentos. Para fim de comparação, para cada intervalo entre medições foram calculadas
taxas de recrutamento e mortalidade de indivíduos, bem como taxas de ganho e perda de área
basal. Nos anos de 1998, 2003, 2008 e 2014 foram registrados, 18, 30, 57 e 39 indivíduos
respectivamente. No primeiro intervalo, 1998 a 2003, a população apresentou dois mortos e
14 recrutas, ou seja, a taxa de recrutamento (11,81%) foi superior à taxa de mortalidade
(2,32%) e as taxas de perda e ganho de área basal foram 8,84% e 14,11% respectivamente. No
segundo intervalo, 2003 a 2008, a população obteve aumento na taxa de mortalidade (3,58%)
e aumento na taxa de recrutamento (15,19%) representando cinco mortos e 32 recrutamentos,
a perda e ganho em área basal foram, respectivamente, 2,31% e 17,06%. Enfim, no terceiro
intervalo, 2008 a 2014, obtiveram-se 40 mortos e 22 recrutas, apresentando taxa de
mortalidade (21,49%) maior que a taxa de recrutamento (15,30%), a perda e ganho de área
basal foi 23,23% e 19,00%, respectivamente. Observa-se uma acelerada oscilação
demográfica, com períodos de expansão e retração alternados. A estrutura de uma população
está diretamente relacionada às condições ambientais, interações ecológicas, bem como à
fatores intrínsecos da população. Assim, como as condições ambientais locais se modificaram
relativamente pouco no período, as flutuações encontradas estão associadas à características
da espécie como ciclo de vida curto, crescimento acelerado, entre outros atributos afins às
espécies pioneira.

Palavras-chave: S. guianensis, Formações ripárias, Rio Capivari.

Créditos de financiamento: UFLA

1
Universidade Federal de Lavras, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade,
DCF, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*
autor para correspondência: raizavoltan@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 78
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO ALELOPÁTICO DE CUMARINAS DERIVADAS DO EUGENOL SOBRE A
GERMINAÇÃO DE Lactuca sativa L. (Asteraceae)

Inêssa Rocha da COSTA1*, Luciene de Oliveira RIBEIRO¹, Marília CARVALHO¹,


Sandro BARBOSA¹, Diogo Teixeira CARVALHO2, Thiago Correa de SOUZA¹

Compostos secundários com efeito alelopático produzidos por plantas, como o caso das
cumarinas, ou seus derivados semissintéticos produzidos em laboratório, podem se mostrar
menos agressivos ao meio ambiente e economicamente viáveis, quando comparados aos
herbicidas sintéticos do mercado. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito alelopático de
duas cumarinas semissintéticas derivadas do eugenol em bioensaios com Lactuca sativa L.
Para isso, realizou-se a incubação das cipselas em diferentes soluções de cumarinas
(denominadas A e H) em 4 concentrações (50, 100, 250, 500 µg/mL) dissolvidas em
dimetilsulfóxido (DMSO), sendo a água destilada utilizada como controle negativo. As placas
foram mantidas em câmaras de germinação tipo Biochemical Oxygen Demand com
temperatura controlada de 20ºC e sob fotoperíodo de 12 horas. Foi avaliada a taxa de
germinação com 24 e 48 horas. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias
foram comparadas por meio do teste Scott-Knott com nível de 5% de significância. As
análises foram realizadas com auxílio do software Sisvar 5.0. Constatou-se que a cumarina A
é mais tóxica que H, demonstrando maior inibição da germinação de sementes de alface com
24h. Já com 48h não houve diferença estatística entre essas cumarinas. Com 24 horas foi
observado um comportamento concentração-dependente para a cumarina A, evidenciado pela
diferença estatística entre todas as concentrações, que diferem inclusive do controle, inibindo
a germinação à medida que aumenta a concentração dessa molécula. Já para a cumarina H,
com 24 horas o controle se mostrou diferente das demais concentrações, sendo 50, 100 e 250
µg/mL estatisticamente iguais, e a concentração 500 µg/mL apresentou-se diferente das
demais conferindo maior toxicidade. Nas avaliações com 48 horas para a cumarina A, apenas
a concentração de 500 µg/mL apresentou diferença estatística das demais, confirmando a
maior toxicidade. Já para a cumarina H não houve diferença estatística entre as concentrações,
sendo iguais inclusive com o controle. Conclui-se que as cumarinas A e H têm efeito
alelopático sobre a germinação de sementes de alface em todas as concentrações testadas,
sendo mais expressiva nas maiores concentrações. Além disso, a cumarina A apresentou maior
inibição da germinação comparada com a cumarina H.

Palavras-chave: Metabólitos secundários, Fitotoxicidade, Bioensaios vegetais.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental e Genotoxicidade,
Instituto de Ciências da Natureza, Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Rua
Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Pesquisa em Química Farmacêutica,
Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Farmacêuticas, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 79
inessa.rocha@hotmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO ALELOPÁTICO DE Myrsine umbellata MART. (PRIMULACEAE) NO
CRESCIMENTO DE Lactuca sativa L. (ASTERACEAE)

Thais Lazarino Maciel da COSTA¹*, Thammyres de Assis ALVES¹, Cristiana Torres


LEITE¹, Milene Miranda Praça FONTES1

Cada espécie vegetal aperfeiçoou, ao longo da evolução, diferentes mecanismos e


desenvolveram um conjunto de compostos de defesa, cujos efeitos compreendem o que
chamamos de toxicidade biogênica ou alelopatia. Grande parte das pesquisas em alelopatia
refere-se aos efeitos sobre a germinação e o crescimento do organismo-teste. Embora estudos
alelopáticos focando espécies nativas ainda sejam escassos, sabe-se que algumas espécies,
como as do gênero Myrsine, apresentam substâncias inibidoras cuja função primária é inibir o
crescimento aéreo e radicular das sementes. Diante disso, o objetivo desse trabalho foi
verificar o efeito de diferentes concentrações de extrato aquoso das folhas de Myrsine
umbellata no crescimento inicial de sementes de Lactuca sativa. Para tanto foram testadas
quatro concentrações diferentes do extrato de Myrsine umbellata (T1-100%, T2-50%, T3-
25% e T4-12,5%). Água destilada foi utilizada como controle negativo. As sementes de
Lactuca sativa foram dispostas em placas de petri forradas com papel filtro e tratadas com os
extratos. O experimento foi montado em delineamento inteiramente casualizado com 5
repetições, totalizando 25 placas de Petri. Após tratamento as placas foram lacradas com
papel filme e colocadas aleatoriamente na câmara de germinação a 24ºC, onde permaneceram
durante todo o experimento. Após 48 horas avaliou-se o crescimento radicular e após 120
horas aferiu-se o crescimento aéreo das plântulas. Os resultados encontrados foram
submetidos a análise de variância e ao teste estatístico de Dunnett com o nível de
significância igual a 5%.O tratamento 1 inibiu completamente o crescimento radicular e
aéreo. Para o tratamento 2 observou-se que o crescimento radicular ocorreu, porém inibiu o
crescimento aéreo. Para a variável crescimento radicular, os tratamentos 2, 3 e 4 apresentaram
uma diminuição de 95,64%, 84,18% e 40%, respectivamente, apresentando valores
estatisticamente diferentes em relação ao controle. Para crescimento aéreo o tratamento 4 não
diferiu do controle, diferentemente do tratamento 3 que teve uma redução de 86,84% no
tamanho de sua parte aérea em relação ao controle. Dessa forma, conclui-se que o extrato de
Myrsine umbellata apresenta efeito fitotóxico, resultando na inibição do crescimento das
mesmas, possuindo assim, características para ser utilizado como herbicida natural.

Palavras-chave: Bioensaio, Extrato aquoso, Herbicida natural.

1
Universidade Federal do Espírito Santo. Programa de Pós Graduação em Genética e
Melhoramento, Centro de Ciências Agrárias. Alto Universitário, s/n, Guararema. Caixa postal
16, CEP 29500000. Alegre, Espírito Santo.

*autor para correspondência: thaislazarinomaciel@hotmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 80
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DA CITOCININA E AUXINA NA CALOGÊNESE DE Garcinia brasiliensis
Mart. (Clusiaceae)

Antonio Rodrigues da CUNHA NETO1*, Marília CARVALHO1, Dayane PEREIRA1,


Sandro BARBOSA1

Garcinia é um dos 47 gêneros mais estudados da família Clusiaceae e dentre as espécies nele
contido destaca-se a Garcinia brasiliensis Mart. Essa planta é conhecida como Bacuparil,
Bacuri, Bacupari, Porocó e Bacuripari usado na medicina popular para o tratamento de úlcera
péptica, patologias urinarias e vários tipos de tumores. As técnicas de cultura de tecidos são
bastante aplicadas em pesquisas envolvendo plantas medicinais, com ênfase na
micropropagação. As auxinas e citocininas estão entre os mais importantes reguladores do
crescimento e morfogênese das plantas, sua interação depende da espécie e tipo de tecido
utilizado. Nesse contexto, objetivou-se com esse trabalho avaliar o efeito do 6-
benzilaminopurina (BAP) e ácido naftaleno acético (ANA) na indução da calogênese do
Bacupari. Os segmentos radiculares foram inoculados em meio Murashige e Skoog. O
delineamento experimental foi inteiramente casualizado com 16 tratamentos e 10 repetições
das combinações de BAP (0; 2,2; 4,4 e 8,8 µM) + ANA (0; 2,5; 5,0; 10 µM) avaliados ao
final de 150 dias em intervalos de 30 dias. As variáveis avaliadas foram: porcentagem de
formação de calos, avaliando-se o número de calos formados dividido pelo total de explantes
e a área coberta por calos de segmentos radiculares. Os dados foram ajustados por meio de
regressão polinomial e linear. O meio suplementado com 2,5 µM de ANA e ausência de BAP
promoveu maior porcentagem (30%) de formação de calos. Para os tratamentos de 0 µM BAP
+ 0 µM ANA; 0 µM BAP + 5,0 µM ANA; 2,2 BAP + 0 µM ANA; 2,2 µM BAP + 10 µM
ANA; 4,4 µM BAP + 5,0 µM ANA; 8,8 µM BAP + 0 µM ANA e 8,8 µM BAP + 10 µM
ANA não houve calogênese, sugerindo que na maior concentração houve inibição, resultado
da toxidez dos reguladores. Nos demais tratamentos houve formação de 10% de calos. A
combinação de 8,8 µM BAP + 2,5 µM ANA promoveu maior área coberta por calos (50%).
Com o aumento da concentração de BAP na presença de 2,5 µM ANA houve um incremento
de forma linear da área coberta por calos. Pode-se concluir que, as maiores concentrações dos
reguladores 8,8 µM BAP + 10 µM ANA não induz formação de calos em G. brasiliensis, não
sendo recomendada sua utilização. A maior concentração da citocinina BAP associada à
menor concentração da auxina ANA promove maior porcentagem e área coberta por calos
nessas condições de cultivo, portanto maior economia no uso do regulador auxina.

Palavras chave: Bacupari, Micropropagação, Reguladores de crescimento.

Créditos de financiamento: CAPES (AUX-PE 2297.2011)

1
Universidade Federal de Alfenas, Instituto de Ciências da Natureza, Laboratório de
Biotecnologia Ambiental & Genotoxicidade - BIOGEN, CEP: 37130-000, Alfenas-MG,
Brasil.
*autor para correspondência: antoniorodrigues.biologia@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 81
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DA QUITOSANA NO CRESCIMENTO INICIAL E NO TEOR RELATIVO
DE ÁGUA DE Zea mays L. (Poaceae)

Mayron MARTINS1*, Valdir Veroneze1 JÚNIOR, Thiago Corrêa de SOUZA1, Marília


CARVALHO1, Paulo César MAGALHÃES2

A quitosana, biopolímero natural derivado da quitina, vem sendo utilizada na agricultura,


proporcionando benefícios à proteção de plantas antes e após a colheita, estimulando o
sistema de defesa e regulando o crescimento e desenvolvimento das plantas. O Brasil,
terceiro maior produtor mundial de milho, enfrenta desafios na disponibilidade de genótipos e
na produção deste cereal, tornando relevante o estudo do efeito da quitosana no seu
crescimento inicial. O objetivo do estudo foi realizar um teste de fitotoxicidade para avaliar o
efeito da quitosana no crescimento inicial dos híbridos DKB 390 e DKB 390 Pró
(transgênico). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, constituído de 7
tratamentos (0, 50, 150, 300, 600, 1200 e 2400 ppm) e 4 repetições para cada híbrido, com 15
sementes em cada repetição, dispostas em Placas de Petri de 12 cm de diâmetro, forradas com
2 folhas de papel filtro e umedecidas com 3,6 mL das soluções. As sementes foram
submetidas a 7 dias de tratamento em câmara de germinação do tipo B.O.D. a 25°C e
fotoperíodo de 12h. As variáveis avaliadas foram: comprimento radicular e de parte aérea e
Teor Relativo de Água (TRA). Para o DKB 390, observou-se que o comprimento radicular foi
significativamente maior (89,24 mm) em relação ao DKB 390 Pró (66,55 mm), sendo o
controle superior em relação aos demais tratamentos, assim independentemente da
concentração, a quitosana reduziu o crescimento radicular do híbrido. Para o DKB 390 Pró, a
quitosana não influenciou no comprimento radicular, sugerindo que, o transgênico foi mais
tolerante à alta concentração de quitosana. O comprimento de parte aérea foi
significativamente maior no DKB 390 Pró (39,31mm) em relação ao DKB 390 (28,69 mm).
Para o DKB 390, independente da concentração de quitosana, houve redução do comprimento
de parte aérea. Para o DKB 390 Pró, os tratamentos de 50 e 2400 ppm promoveram maior
comprimento de parte aérea, não diferindo do controle, com isso o transgênico respondeu
melhor à exposição à alta concentração de quitosana. O TRA do DKB 390 Pró foi
significativamente maior (71,07 %) em relação ao do DKB 390 (67,42 %). Para o DKB 390,
as maiores concentrações de quitosana garantiram TRA equiparado ao controle, influenciando
positivamente. Para o transgênico, as maiores concentrações de quitosana reduziram o TRA.
Concluiu-se que a quitosana foi mais tóxica ao crescimento inicial do DKB 390 em relação ao
DKB 390 Pró, pois reduziu o comprimento radicular e de parte aérea.

Palavras – Chave: Biopolímero natural, Agricultura, Milho, Teste de fitotoxicidade.

Créditos de financiamento: CNPq.

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade / Instituto de Ciências da Natureza / Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº 700,
Centro, CEP 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro Nacional de Pesquisa de Milho e
Sorgo, Laboratório de Fisiologia, Rodovia MG 424 Km 65, Zona Rural, 35701-970 - Sete
Lagoas, MG - Brasil - Caixa-postal: 151
*autor para correspondência: mayron.martinsfreire@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 82
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DA QUITOSANA NO PROCESSO GERMINATIVO DE Zea mays L.
(Poaceae)

Mayron MARTINS1*, Valdir Veroneze JÚNIOR1, Thiago Corrêa de SOUZA1,


Marília CARVALHO1, Sandro BARBOSA1, Diogo Teixeira CARVALHO2

O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho (Zea mays) e enfrenta desafios na
produção e na disponibilidade de genótipos deste cereal. A quitosana, derivado
desacetilado da quitina, estimula mudanças fisiológicas em plantas, incluindo o milho e,
entre estas modificações, destaca-se o estímulo à germinação de sementes. Não há
estudos que comprovem a fitotoxicidade do biopolímero em si, suspeitando-se da
toxicidade dos solventes utilizados para dissolvê-lo, uma vez que o mesmo não é
solúvel em água, tornando relevante o estudo dos efeitos das soluções de quitosana na
germinação de sementes de milho. O objetivo do estudo foi testar a fitotoxicidade da
quitosana na germinação dos híbridos DKB 390 e DKB 390 Pró. Os tratamentos
utilizados foram 0, 50, 150, 300, 600, 1200 e 2400 ppm. O delineamento experimental
foi inteiramente casualizado, constando de 7 tratamentos e 4 repetições para cada
híbrido, sendo cada repetição composta por 15 sementes, dispostas em placas de Petri
de 12 cm de diâmetro, forradas com 2 folhas de papel filtro umedecidas com 3,6 mL das
soluções. As sementes foram submetidas a 7 dias de tratamento em câmara de
germinação do tipo B.O.D. a 25°C e fotoperíodo de 12 horas. As variáveis analisadas
foram: Índice de Velocidade de Germinação (IVG), avaliado de 12 em 12 horas por um
período de 7 dias e Porcentagem de Germinação, avaliada com 48, 60 e 72 horas. O
IVG do DKB 390 foi significativamente maior (3,43) quando comparado ao IVG do
DKB 390 Pró (3,25), entretanto, as diferentes concentrações de quitosana não
influenciaram o IVG das sementes para ambos os híbridos. A porcentagem de
germinação avaliada com 48 horas foi significativamente maior nas concentrações de
600, 1200 e 2400 ppm de quitosana, sugerindo que o biopolímero estimulou a
germinação do milho nas primeiras 48 horas. Por outro lado, com 60 e 72 horas de
exposição aos tratamentos, os híbridos apresentaram comportamentos distintos, no qual
o DKB 390 apresentou maior percentual de germinação (92,38 e 98,09 %)
respectivamente, quando comparado ao DKB 390 Pró (85,95 e 90,71 %),
respectivamente. Entretanto, as diferentes concentrações de quitosana não influenciaram
no percentual germinativo do milho nestes períodos. Assim, pode-se concluir que as
concentrações de quitosana testadas não foram tóxicas à germinação dos híbridos,
confirmando a eficácia da aplicação do biopolímero.

Palavras-chave: Milho, Germinação, Teste de fitotoxicidade.

Créditos de financiamento: CNPq.

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade / Instituto de Ciências da Natureza / Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº
700, Centro, CEP 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Pesquisa em Química Farmacêutica,
Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Farmacêuticas, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG,
Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 83
mayron.martinsfreire@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DE EXTRATOS DE FOLHEDO E CAMADA HÚMICA DA
SERAPILHEIRA NA GERMINAÇÃO DE ALFACE

Priscila Vasconcellos ROMANATTI 1*, Marcelo POLO1

O trabalho estuda como se dá a interação entre as substâncias encontradas na serapilheira e o


seu efeito na germinação das sementes de alface e estuda o que possivelmente pode estar
acontecendo para que haja a inibição das sementes na camada menos degradada da
serapilheira, e na sua camada logo abaixo, a sua germinação. O principal objetivo da pesquisa
é demonstrar que a serapilheira presente em fragmentos florestais apresenta papel regulador
na germinação de sementes, inibindo ou promovendo sua germinação dependendo do material
depositado e seu estágio de decomposição. Foram realizadas coletas de serapilheira em 3
fragmentos florestais na região de Alfenas, sendo separadas a camada do folhedo, constituída
pelo material recém depositado e a camada húmica, composta pelo material em processo de
degradação, depositado há mais tempo. O material foi seco em estufa ventilada a 45 °C e a
seguir moído em moinho de faca. A partir desse material foram preparados extratos aquosos e
feitos biotestes usando como planta alvo, sementes de alface (Lactuca sativa L) para testar
possíveis efeitos alelopáticos. Os extratos foram padronizados, diluídos e aplicados 4 mL por
placa. Os ensaios foram realizados em placas de Petri, contendo 20 sementes cada e 5
repetições, mantidas sob luz e temperatura de 25°C contínuos. A contagem da germinação foi
feita 24 e 48 horas após a montagem de cada ensaio. No geral, os resultados obtidos nos testes
com o extrato feito a partir do folhedo demonstram maior potencial inibitório de germinação,
quando comparados aos efeitos causados pelos extratos da camada húmica. Os extratos de
folhedo demonstraram potencial de inibir a germinação de sementes de alface e que a camada
húmica favorece a germinação. Isto se deve, provavelmente pela inibição dos aleloquímicos
encontrados no folhedo ou devido à sua degradação.

Palavras-chave: Lactuca sativa, Alelopatia, Bioensaio.

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental e Genotoxicidade,
Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas - MG, Brasil.
*autor para correspondência: priromanatti@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 84
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DO 2,4-D E 2Ip NA INDUÇÃO DE CALOGÊNESE EM Garcinia brasiliensis
Mart (Clusiaceae)

Antonio Rodrigues da CUNHA NETO1*, Marília CARVALHO1, Marina de Lima


NOGUEIRA1, Sandro BARBOSA1

Garcínia brasiliensis é uma espécie arbórea, perene, nativa da Amazônia e cultivada em todo
território brasileiro. Usada na medicina popular para o tratamento de úlcera péptica, patologia
urinaria e vários tipos de tumores. Devido à intensificação do consumo dessa planta na
medicina popular e sua difícil propagação natural, as técnicas de cultura de tecidos podem
auxiliar na recuperação das populações naturais dessa espécie, com ênfase na
micropropagação, destacando-se a organogênese indireta. Para formação de calos o ácido
diclorofenoxiacético (2,4-D) é bastante utilizado e tem o efeito de supressão da morfogênese,
enquanto que o isopenteniladenina (2Ip) tem papel fundamental na diferenciação dos tecidos.
Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do 2,4-D e 2Ip na indução de
calogênese em G. brasiliensis. As variáveis avaliadas foram: porcentagem de formação de
calos, avaliando-se o número de calos formados dividido pelo total de explantes e a área
coberta por calos de segmentos radiculares avaliados por meio da atribuição de notas sendo
nota 1 – 25%, 2 – 50%, 3 – 75% e 4 – 100%. O delineamento experimental foi inteiramente
casualizado com 16 tratamentos e 10 repetições das combinações de 2Ip (0; 2,2; 4,4 e 8,8 µ
M) + 2,4-D (0; 2,5; 5,0; 10 µM) avaliados ao final de 150 dias em intervalos de 30 dias. Os
dados foram ajustados por meio de regressão polinomial e linear. Não foi observada obtenção
de calos no período de 30 dias, entretanto com 40 dias de cultivo houve exposição do córtex
radicular em segmentos retirados da secção basal da raiz nos tratamentos com 8,8 µM de 2Ip
e ausência de 2,4-D com 50% de formação de calos, sendo que nos demais tratamentos foram
obtidos apenas 10 a 30% de calogênese. Dessa forma, a calogênese foi mais eficiente em
meios suplementados com 2Ip. A presença do 2,4-D não foi primordial para a indução da
calogênese, visto que a sua presença, mesmo que em baixas concentrações, reduziu o
surgimento de calos rizogênicos. Nos tratamentos contendo 2,2µM de 2Ip + 2,5 µM de 2,4-D
e 2,2µM de 2Ip + 5,0 µM de 2,4-D apresentaram 75% de área coberta por calos. Na ausência
de reguladores não houve expansão dos calos, assim como nas maiores concentrações das
combinações de reguladores inibindo a sua formação. Dessa forma, a combinação das
menores concentrações dos reguladores foi mais eficiente (2,2µM 2Ip + 2,5 µM 2,4-D e
2,2µM 2Ip + 5,0 µM 2,4-D) em relação ao meio desprovido, uso isolado ou em excesso dos
reguladores.

Palavras chave: Bacupari, Organogênese indireta, Reguladores de crescimento.

Créditos de financiamento: CAPES (AUX-PE 2297.2011)

1
Universidade Federal de Alfenas, Instituto de Ciências da Natureza, Laboratório de
Biotecnologia Ambiental &Genotoxicidade - BIOGEN, CEP: 37130-000 Alfenas-MG, Brasil.
*autor para correspondência: antoniorodrigues.biologia@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 85
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DO ALAGAMENTO NO CRESCIMENTO INICIAL DE Clitoria fairchildiana
R.A Howard (Fabaceae- Papilionoideae)

Lucivania de Oliveira BARBOSA1, Julielen Zanetti BRANDANI², Mário Soares


JUNGLOS², Fernanda Soares JUNGLOS², Mirian Analy ALVES³, Glaucia Almeida de
MORAIS¹

Áreas sujeitas ao alagamento sofrem ação de correntezas, liberação de íons tóxicos, exposição
à luz, baixa fertilidade e disponibilidade de oxigênio do solo, o que pode desencadear
mudanças bioquímicas, fisiológicas, morfoanatômicas e etológicas (comportamentais) nas
plantas, adaptações importantes para a redução do impacto do estresse a que são submetidas.
Tendo em vista a necessidade da restauração de áreas inundáveis, é essencial a seleção de
espécies adaptadas a esta condição de estresse. Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi
avaliar o efeito da inundação total e parcial do solo no crescimento inicial de Clitoria
fairchildiana R.A Howard, a fim de analisar se plantas desta espécie podem ser utilizadas em
programas de restauração. Para tanto, 3 condições ambientais foram simuladas: Alagamento
parcial – Tubete alagado até 8cm, alagamento total – 3 cm de água acima do nível do solo, e o
tratamento controle, mantido em capacidade de campo. Os tratamentos foram mantidos por 60
dias e durante este período as mudas foram avaliadas quinzenalmente quanto a mudanças
morfológicas (diâmetro do colo, altura das plantas, número de folhas e desenvolvimento de
estruturas acessórias, como lenticelas e raízes adventícias). Aos 15 dias de alagamento, 7,1%
das plantas sob alagamento parcial já apresentavam raízes adventícias e 21% das plantas em
alagamento total apresentavam raízes adventícias e/ou lenticelas. Aos 60 dias, em ambos os
tratamentos de alagamento, todas as mudas apresentavam estas estruturas acessórias.
Observou-se ainda aumento da espessura do colo e altura das plantas em todos os tratamentos,
sendo que as mudas sob alagamento apresentaram maior diâmetro da base do caule e altura
similar quando comparadas com o controle. A quantidade de folhas sob alagamento parcial
não sofreu diferença entre as medições, enquanto o alagamento total e controle apresentaram
tendência de redução no número de folhas durante o período experimental. Portanto, C.
fairchildiana desenvolve estratégias para tolerar o alagamento, indicando potencial de
sobrevivência em áreas temporariamente inundadas.

Palavras-chave: Sombreiro, Inundação, Áreas degradadas.

1
Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, Curso de Ciências Biológicas, Unidade
Universitária de Ivinhema, CEP: 79740000, Ivinhema-MS, Brasil. *autor para
correspondência: lucivania.lam@gmail.com
²Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral/Bioprospecção, Unidade II, caixa postal 533,
CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
³Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Agronomia-Produção Vegetal, Unidade II, caixa postal 533, CEP:
79804970, Dourados-MS, Brasil.
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 86
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DO ARMAZENAMENTO DE SEMENTES NO CRESCIMENTO E
QUALIDADE DAS MUDAS DE Alibertia edulis (Rubiaceae)

Danieli Pieretti NUNES1*, Thaliny BONAMIGO1, Silvana de Paula Quintão SCALON1,


Felipe CECCON1

O Cerrado vem sendo degradado pelas ações humanas, tornando-se necessário estudos sobre a
conservação das sementes e a preservação do germoplasma. O objetivo deste trabalho foi
avaliar o efeito do armazenamento das sementes de Alibertia edulis (Rich) A. Rich. ex DC.
em diferentes embalagens e temperaturas sobre o crescimento e qualidade das mudas. Os
frutos de A. edulis foram colhidos de diversas matrizes localizadas em região de Cerrado na
Fazenda Santa Madalena, no município de Dourados/MS. As sementes foram acondicionadas
em embalagens de papel alumínio, plástico e vidro, e mantidas em câmaras do tipo B.O.D.
(Bio Oxygen Demand) reguladas nas temperaturas de 5 e 10 ºC durante 7 e 21 dias.
Posteriormente, a semeadura foi realizada em bandeja de isopor com 128 células utilizando o
substrato Bioplant® e mantidas sob 70% de sombreamento. A semeadura antes do
armazenamento caracterizou o tempo zero. Aos 80 dias após a emergência foram avaliados o
número de folhas, comprimento de parte aérea e raiz e o índice de qualidade de Dickson. O
delineamento experimental foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 3 x 3 x 2
(embalagem x época de armazenamento x temperaturas de armazenamento), com quatro
repetições de 25 sementes cada. Os dados foram submetidos à análise de variância,
utilizando-se o programa estatístico SANEST. As sementes não armazenadas produziram
plantas com o maior número de folhas, entretanto, para o comprimento de parte aérea, raiz e
qualidade de Dickson os maiores resultados foram observados quando o armazenamento
ocorreu por 7 ou 21 dias a 5° C na embalagem de vidro. As sementes de A. edulis devem ser
semeadas logo após o processamento. Se for necessário o armazenamento, este deve ser
realizado em embalagens de vidro por 7 dias a 5 ºC. O armazenamento das sementes em
plástico durante 21 dias não deve ser realizado pois reduz o crescimento e a qualidade das
mudas.

Palavras-chaves: Cerrado, Marmelo, Embalagens, Temperaturas.

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), Rodovia
Dourados - Itahum, Km 12 - Cidade Universitária, Cx. Postal 533 - CEP 79804-970,
Dourados, MS, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 87
dany_pieretti@hotmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DO CHUMBO EM FOLÍOLOS DE Schinus molle L. (Anacardiaceae)

Vinicius Erlo RIBEIRO1*, Marcio Paulo PEREIRA², Felipe Fogaroli CORREA²,


Evaristo Mauro de CASTRO², Rodrigo Barbosa KLOSS1, Fabricio José
PEREIRA²

Este trabalho objetivou verificar as modificações na proporção de tecidos nos folíolos


de Schinus molle L. em diferentes concentrações de chumbo. Foi montado experimento
com plantas de S. molle com sete meses de idade, expondo-as a diferentes
concentrações de chumbo (Pb) [0; 0,25; 0,5 e 1,0 mM de Pb(NO3)2], por um período de
90 dias. As plantas foram cultivadas em areia lavada em vasos de 5 litros, a nutrição foi
mantida com solução nutritiva de Hoagland e Arnon modificada contendo as
concentrações de Pb citadas, irrigadas diariamente de acordo com a massa de água
perdida pela evapotranspiração. A cada 20 dias foi trocada a solução nutritiva para
manter os níveis de nutrientes das plantas e as concentrações de Pb utilizadas. Foram
coletadas folhas compostas já desenvolvidas para a análise anatômica e fixadas em
F.A.A.70% por 72 horas sendo armazenadas em etanol 70% até a data das análises. As
secções transversais do folíolo terminal das folhas foram feitas manualmente com
lâminas de aço e submetidas a procedimentos usuais de microtécnica vegetal. As
lâminas foram observadas em microscópio trinocular Olympus com sistema de captura
acoplado, sendo digitalizadas para posterior análise em software de análise de imagem
UTHSCSA-Imagetool. Foram avaliadas as áreas ocupadas pelos feixes vasculares,
epiderme, colênquima e parênquima clorofiliano e o percentual ocupado por essas
estruturas calculado em relação à área total de parte do folíolo. Os dados foram
submetidos à análise de variância e analise de regressão. Observou-se que com o
aumento do Pb na solução houve uma queda linear na área ocupada pelos feixes
vasculares nos folíolos. A epiderme não sofreu modificações mantendo uma media de
19,84% em relação à área foliar. À medida que aumentou a concentração de Pb ocorreu
uma queda na área ocupada pelo colênquima. E a área do parênquima clorofiliano
aumentou de acordo com a elevação de Pb na solução. Os feixes vasculares podem ter
diminuído para reduzir a translocação do chumbo para a planta evitando, assim, uma
toxicidade mais acentuada. A epiderme manteve a proporção devido ao fato da planta
ser resistente ao chumbo, já o colênquima diminuiu por causa do investimento da planta
em outros tecidos mais relevantes como o parênquima clorofiliano que aumentou sua
área com a elevação do Pb. Portanto, houve modificações nos folíolos de S. molle em
função da presença e Pb, contudo, as modificações auxiliam as folhas da espécie na
tolerância ao elemento.

Palavras-Chave: Aroeira, metais pesados, anatomia vegetal, fitorremediação.

1
Graduação em agronomia, Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000,
Minas Gerais, Brasil. *Autor para correspondência (viniciusribeiro@agronomia.ufla.br)
2
Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 88
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO PROTETOR DO ÓXIDO NÍTRICO SOBRE O TEOR DE PROLINA DE
ALFACE EXPOSTA AO COBRE

Rodrigo Miranda MORAES1*, Sandro BARBOSA1, Marília CARVALHO1, Marina de


Lima NOGUEIRA1, Plinio Rodrigues Santos FILHO2

O óxido nítrico é uma molécula sinalizadora que pode ativar uma sequência de eventos
metabólicos desencadeando respostas de defesa ao estresse oxidativo induzido por metais
pesados, em especial o cobre. Por apresentar alta reatividade, a maioria das pesquisas com
óxido nítrico em organismos vivos envolve a aplicação de doadores, como o nitroprussiato de
sódio. A aplicação exógena de óxido nítrico, sob a forma de nitroprussiato de sódio aprimora
a tolerância das plantas ao estresse induzido por metais pesados, podendo reduzir o acúmulo
de prolina, dependendo do nível do estresse ao qual foram expostas. Diante do exposto, o
objetivo deste trabalho foi determinar o efeito protetor do óxido nítrico sobre o teor de prolina
de Lactuca sativa L. exposta ao CuSO4. O efeito protetor do óxido nítrico foi verificado pela
utilização de nitroprussiato de sódio como doador de óxido nítrico. Cinquenta sementes de L.
sativa L. (Asteraceae) cv. Grand Rapids foram distribuídas aleatoriamente em placas de Petri
forradas com dupla camada de papel germitest umedecidos com 5mL das soluções do agente
toxicante CuSO4 (250 e 500µM) e 100, 250 e 500µM de nitroprussiato de sódio, sendo água
destilada utilizada como controle. Foi estudada a toxicidade do CuSO4 e do nitroprussiato de
sódio de forma isolada e associados. As placas foram mantidas em câmaras de germinação, a
25ºC e fotoperíodo de 12h. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado,
constando de 12 tratamentos e 4 repetições. Houve aumento significativo no teor de prolina
nos tratamentos com 250 µM (5,28 µmol g-1 de matéria fresca) e 500 µM (8,38 µmol g-1 de
matéria fresca) de CuSO4 e 500 µM CuSO4 combinado com 100 µM de nitroprussiato de
sódio (6,71 µmol g-1 de matéria fresca) em relação ao controle, evidenciando uma resposta da
planta a fitotoxicidade deste metal e indicando que a concentração de nitroprussiato de sódio
utilizada pode não ter sido suficiente para atenuar os efeitos tóxicos do CuSO4. Para os
demais tratamentos, os teores de prolina foram equivalentes ao controle, sugerindo um efeito
protetor desta molécula em relação ao estresse causado pelo metal. A utilização isolada do
cobre foi fitotóxica promovendo o acúmulo significativo de prolina das plântulas de L. sativa,
entretanto a aplicação exógena do nitroprussiato de sódio foi capaz de reduzir os efeitos
tóxicos do cobre normalizando o teor de prolina nas plantas.

Palavras-chave: Nitroprussiato de sódio, Metais pesados, Espécie Reativa de Nitrogênio.

Créditos de financiamento: CAPES (AUX-PE 2297.2011)

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental & Genotoxicidade
/ Instituto de Ciências da Natureza / Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº 700, Centro, CEP
37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2:Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade / Instituto de Ciências Biomédicas / Departamento de Bioquímica / Alfenas –
MG, Brasil.
*autor para correspondência: digao.bio@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 89
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITOS DO FOGO SOBRE A OFERTA DE RECURSOS FLORAIS EM UMA
COMUNIDADE DE CAMPO CERRADO

Priscila Teixeira TUNES1*, Vinícius Nunes ALVES¹, Geissianny Bessão de ASSIS2,


Heloiza CASSOLA¹, Adriano VALENTIN-SILVA¹ e Elza GUIMARÃES¹

O fogo exerce papel extremamente importante em savanas tropicais, como o campo


cerrado, pois pode influenciar a história de vida das espécies de forma positiva,
aumentando temporariamente a fertilidade do solo e intensificando a rebrota de algumas
espécies, ou negativa, levando à eliminação de espécies e levando à perda da parte aérea
de outras. Apresentando potencial para modificar a estrutura das comunidades de savana
como um todo, sendo assim, ele pode alterar o investimento na produção de estruturas
reprodutivas na estação seguinte à sua passagem, influenciando, portanto na
disponibilidade de recursos aos visitantes florais, incluindo mutualistas (por exemplo,
polinizadores), oportunistas (visitantes florais que coletam recursos sem causar danos às
flores) e antagonistas (coletam recursos violando a integridade floral). Objetivamos
investigar se, em curto prazo, a passagem do fogo altera a potencial oferta de recursos
disponíveis aos visitantes florais. Para isso, em uma área de campo cerrado,
submetemos aleatoriamente dez parcelas de 25 m² cada aos tratamentos fogo e controle
(cinco parcelas por tratamento). Registramos 47 espécies comuns aos dois tratamentos e
as agrupamos de acordo com os recursos florais por elas oferecidos. Incluímos as
espécies que oferecem mais de um recurso em mais de um grupo. Durante seis meses, a
cada 30 dias, contamos o número de rametas reprodutivos, iniciando-se a contagem um
mês após a passagem do fogo. Comparamos a porcentagem de rametas floridos, relativa
ao total inicial de rametas de cada espécie, entre os tratamentos e ao longo dos seis
meses de estudo por meio dos testes de Friedman e Mann-Whitney. Verificamos oferta
constante de recursos florais totais durante os seis primeiros meses de experimento,
tanto no controle quanto na área submetida ao fogo, não havendo diferença significativa
entre os tratamentos e entre os meses (p = 0,7269). As ofertas de néctar, pólen, óleos e
fragrâncias quando analisadas separadamente também não variaram entre os meses e os
tratamentos (p = 0,9285, p = 0,8198, p = 0,6773, p = 0,6310, respectivamente). Assim,
concluímos que não houve, pelo menos em curto prazo, influência do fogo na oferta de
recursos florais para mutualistas, oportunistas e antagonistas nessa comunidade de
campo cerrado.

Palavras-chave: Floração, Mutualistas, Antagonistas, Fogo.

1
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Biociências,
Departamento de Botânica – Laboratório de Ecologia e Evolução das interações
Bióticas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Botânica), caixa postal
510, CEP: 18618-970, Botucatu-SP, Brasil.
2: Programa de Pós Graduação em Botânica, Escola Nacional de Botânica Tropical,
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, ENBT/JBRJ, CEP: 22470-
070, Rio de Janeiro-RJ, Brasil.
*autor para correspondência: tunes.priscila@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 90
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFFECT OF RECOVERY IN ABILITY OF PHOTOPROTECTION IN Copaifera
langsdorffii Desf.

Angélica Lino RODRIGUES1*, Liane LIMA2, Thayssa Rabelo SCHLEY1, Luiz


Fernando Rolim de ALMEIDA1

The intensity and frequency of drought periods has increased according to climate change
predictions. Overcoming water deficiency and rapidly recovering are important adaptive
features for plant species found in regions with periods of water shortage. Copaifera
langsdorffii Desf. is a neotropical species that has developed leaves with physiological
mechanisms and morphological adaptations that allow it to survive seasonal water stress.
Through exposure to water stress and subsequent recovery, we observed physiological
responses necessary for saving water. We evaluated data from stomatal conductance and
relative water content to indicate water availability of plant tissue, and variables of
chlorophyll fluorescence to represent plant photochemical efficiency under stress and
subsequent recovery. We verified control mechanisms of water loss through the lower
stomatal conductance, even after re-watering, in contrast to the rapid recovery of leaves
indicated by the values of relative water content restored to previously unstressed plants.
Copaifera langsdorffii Desf. showed plasticity in photochemical efficiency even with water
restriction and rewatering. The plants not present heat dissipation viewed values of non-
photochemical quenching, but quenching photochemical, electron transport rate and effective
quantum yield of photosystem II were higher under rewatering conditions. In conclusion, the
specie revealed plasticity in photochemical efficiency even with water restriction and
rewatering. Thus, the passage through water stress and rewatering improved photochemical
performance C. langsdorffii.

Key words: Chlorophyll fluorescence, Relative water content, Stomatal conductance,


Photosystem II.

Créditos de financiamento: CAPES e FAPESP (Proc. 2010/15585-6).

1
Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista
(UNESP), Distrito de Rubião Junior, s/nº, 18618-970, Botucatu, São Paulo, Brazil.
2
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Av. André Araújo, 2936, 69060-001, Manaus,
Brazil.

*autor para correspondência: angelicarodrigues.bio@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 91


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
CYTOKININS ON IN VITRO MULTIPLICATION OF Billbergia zebrina (Herbert)
Lindley (Bromeliaceae)

João Paulo Rodrigues MARTINS1*, Suelen Francisca RIBEIRO2, Adalvan Daniel


MARTINS1, Lucas Alexandre BATISTA1, Moacir PASQUAL1

Tissue culture can contribute to the multiplication of several species with commercial interest,
such as bromeliads. This study aimed to evaluate the cytokinin type and its concentrations on
in vitro multiplication of Billbergia zebrina. Seeds of B. zebrina were previously established
in vitro in Murashige and Skoog medium (MS) solidified with 7 g L-1 of agar. At 45-days of
growth, obtained plants were transferred to test tubes containing 10 mL stationary liquid MS
medium supplemented with 30.0 g L-1 sucrose and plant growth regulators 6-
benzilaminopurine (BAP), kinetin (KIN) or thidiazuron (TDZ) with concentrations 0.0, 5.0,
10.0, 15.0 or 20.0 μM. The medium pH was adjusted to 5.8 before autoclaving at 120ºC and 1
atm, for 20 minutes. The inoculation procedure was performed in aseptic conditions in
laminar flow cabinet. After inoculation, the in vitro plant material was kept in a growth room,
at 27 ± 2ºC and a 16-hour photoperiod, under fluorescent lamps providing 25.2 μmol m-2 s-1
of photosynthetic photon flux. The evaluation was performed at 30-day of growth. Budding
(%), shoot average number and rooting (%) were analyzed. The cytokinin type showed a
strong influence on in vitro multiplication of B. zebrina. The budding (%) presented
quadratic-growing model with the concentration raise, independent on the cytokinin type
employed, acting positively in the break of apical dominance and in the induction of
adventitious shoots. The lowest values (25% of budding) were observed in the exogenous
cytokinin-free media (0.0 μM). When BAP was used in the medium, compared to KIN or
TDZ, it was observed a larger budding in the explants of B. zebrina. The highest shoot
average number were also observed in explants grown in media with BAP (6.15 shoots per
explant). The use of TDZ induced the callus formation in the explants and short shoots. The
largest rooting (97 %) were verified in explants grown in exogenous cytokinin-free media.
Plants cultivated in media with KIN showed highest rooting (higher than 41%) when
compared to BAP and TDZ. The use of 15.0 μM BAP was efficient in the in vitro
multiplication of B. zebrina.

Keywords: Bromeliad, Ornamental plant, Plant tissue culture.

Financial support: CAPES (Brazil).

1
Tissue Culture Laboratory of the Department of Agriculture, Postgraduate Program on
Applied Botanic at Universidade Federal de Lavras, 37200-000, Lavras, Minas Gerais, Brazil.
2
Plant Ecophysiology Laboratory of the Department of Biology, Postgraduate Program on
Applied Botanic at Universidade Federal de Lavras, 37200-000, Lavras, Minas Gerais, Brazil.
Anais do III Simpósio
*Corresponding author:Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 92
jprmartinss@yahoo.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ELEMENTOS TERRAS RARAS NA ANATOMIA FOLIAR DE Pistia stratiotes L.
(Araceae)

Ana Carolina Oliveira DUARTE1*, Sílvio Junio RAMOS2, Cynthia de OLIVEIRA3,


Evaristo Mauro de CASTRO1, Luiz Roberto Guimarães GUILHERME3

Os elementos terras raras (ETR) são elementos químicos com propriedades semelhantes,
incluem os lantanídeos, ítrio e escândio. Os ETR são componentes de produtos de alta
tecnologia e também encontrados em fertilizantes. O aumento das atividades de exploração de
ETR e na aplicação de fertilizantes e fosfogesso podem resultar na elevação dos teores desses
elementos no ambiente. A Pistia stratiotes é uma macrófita eficiente na acumulação de
elementos tóxicos no ambiente aquático, assim poderia agir como filtro biológico e acumular
ETR. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de ETR isolados e misturas nas
características anatômicas foliares de P. stratiotes. O experimento foi instalado em bandejas
de 20L (7 bandejas com 4 repetições) com a solução nutritiva e as seguintes concentrações: 0
(controle),10 µM de Ce, 40 µM de Ce; 10 µM de La, 40 µM de La; mistura de elementos: 10
µM de La e Ce, 3,5 µM de Sm e Gd e 5 µM de Nd (Mix1); mistura de elementos: 40 µM de
Ce e La, 7 µM de Sm e Gd e 10 µM de Nd (Mix 2), durante 45 dias. As folhas foram
coletadas, fixadas em F.A.A.70% e armazenado em etanol 70%. As amostras foram submetidas
à série de desidratação etanólica (70%, 90% e 100%), infiltradas e incluídas em hidroxietil-
metacrilato Leica®. As secções transversais das folhas foram realizadas em micrótomo
rotativo e coradas com azul de toluidina 1%. As lâminas foram observadas em microscópio
com sistema de captura acoplado, digitalizadas e analisadas no software Imagetool. Os dados
foram submetidos ao teste Shapiro Wilk, sendo aplicada a transformação quando necessário e
as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott, com 5% de significância no sofware Sisvar.
As avaliações dos tecidos foliares mostraram modificações significativas com a adição de
ETR, o Ce promoveu o espessamento da epiderme abaxial, parênquima paliçádico e espessura
do limbo. A mistura de ETR aumentou significamente a porcentagem de câmaras de
aerênquima e diâmetros dos elementos de vaso, além de redução na epiderme adaxial.
Elementos de vaso maiores permitem maior fluxo de água e nutrientes, porém mais ETR
chegam á parte aérea. Os aerênquimas podem ter aumentado em virtude da produção de
EROS (espécies reativas de oxigênio), como resposta ao estresse de ETR e,
consequentemente causou apoptose nas células do mesofilo. O aumento observado no
parênquima paliçádico nos tratamentos de Ce pode ser vantajoso, pois, permite maior
capacidade fotossintética e foi uma alternativa para a manutenção da fotossíntese.

Palavras-chave: ETR, alface d’agua, anatomia quantitativa.

1
Universidade Federal de Lavras, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2:Instituto tecnológico Vale
3: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciência do Solo, Campus Universitário,
caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil
*autor para correspondência: anacarolinaduarte@posgrad.ufla.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 93
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ELEMENTOS TERRAS RARAS NA ANATOMIA RADICULAR DE Pistia stratiotes L.
(Araceae)

Ana Carolina Oliveira DUARTE1*, Sílvio Junio RAMOS2, Cynthia de OLIVEIRA3,


Evaristo Mauro de CASTRO1, Luiz Roberto Guimarães GUILHERME3

Elementos terras raras (ETR) incluem os lantanídeos, ítrio e escândioe possuem propriedades
químicas semelhantes. Atualmente, os ETR são muito utilizados pela industria,
principalmente em ligas metálicas, supercondutores, ímãs, etc, além de estar presente na
composição de fertilizantes fosfatados e fosfogesso. Em ambientes aquáticos, principalmente
aos próximos a pilhas de fosfogesso, Pistia stratiotes poderia atuar como um filtro biológico e
retirar os ETR que foram lixiviados, pois já se mostrou eficiente na retirada de poluentes
nestes ambientes. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de ETR isolados e em mistura
nas características anatômicas radiculares de P. stratiotes. O experimento foi instalado em
bandejas de 20L (7 bandejas com 4 repetições) com a solução nutritiva e as seguintes
concentrações: 0 (controle),10 µM de Ce, 40 µM de Ce; 10 µM de La, 40 µM de La; mistura
de elementos: 10 µM de La e Ce, 3,5 µM de Sm e Gd e 5 µM de Nd (Mix1); mistura de
elementos: 40 µM de Ce e La, 7 µM de Sm e Gd e 10 µM de Nd (Mix 2), durante 45 dias. As
raízes foram coletadas, fixadas em F.A.A.70% e armazenado em etanol 70%. As amostras
foram submetidas à série de desidratação etanólica (70%, 90% e 100%), infiltradas e incluídas
em hidroxietil-metacrilato Leica®. As secções transversais de raiz foram realizadas em
micrótomo rotativo, e coradas com azul de toluidina 1%. As lâminas foram observadas em
microscópio com sistema de captura acoplado, digitalizadas e analisadas em software
Imagetool. Os dados foram submetidos Shapiro Wilk, sendo aplicada a transformação quando
necessário e em seguida, as médias foram comparadas pelo teste Scott-Knott, com 5% de
significância no sofware Sisvar. A anatomia radicular foi modificada significativamente em
função da presença de ETR, o Ce provocou o espessamento de tecidos radiculares, ocorrendo
aumentos na epiderme, exoderme, endoderme e cortéx. Endoderme reduziu nos tratamentos
com La e Mix. A proporção de aerênquima, o cortéx maiores em Mix 1 e 2. Um aumento na
espessura do córtex pode representar uma estratégia de tolerância relacionada a uma maior
capacidade de acúmulo dos elementos nos tecidos radiculares. As alterações na exoderme e
endoderme podem ser estratégias adaptativas para maior tolerância aos ETR, por dificultarem
a translocação do elemento à parte aérea.

Palavras-chave: ETR, Alface d’agua, Anatomia quantitativa.

Créditos de financiamento: CAPES

1
Universidade Federal de Lavras, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2:Instituto tecnológico Vale
3: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciência do Solo, Campus Universitário,
caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil
*autor para correspondência: anacarolinaduarte@posgrad.ufla.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 94
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EMERGÊNCIA DE Inga vera Willd. (Fabaceae-Mimosoidae) EM DIFERENTES
CONDIÇÕES DE LUZ

Mário Soares JUNGLOS1*, Fernanda Soares JUNGLOS1, Daiane Mugnol DRESCH³,


Jaqueline Clara Longo CASEMIRO³, Eliana Aparecida FERREIRA², Rosilda Mara
MUSSURY1

Inga vera Willd. (Fabaceae-Mimosoidae) é uma espécie recomendada para restauração de


ambientes fluviais ou ripários em áreas com o solo permanente encharcado. Nestas áreas,
além da inundação, a luz também varia ao longo do gradiente topográfico, sendo este fator
primordial, não só por fornecer energia para a fotossíntese, mas também por fornecer sinais
que estão intimamente ligados a regulação da germinação e o desenvolvimento da planta por
meio de receptores sensíveis a diferentes intensidades e qualidade espectral, podendo
desencadear uma extensa diversidade de respostas nos vegetais. Desta forma, o objetivo foi
verificar se diferentes intensidades luminosas interferem na emergência de Inga vera Willd.
Para tanto, frutos maduros foram colhidos diretamente das matrizes, em seguida abertos
manualmente para retirada da semente e do arilo mucilaginoso, e então selecionadas quanto
integridade, tamanho e colaração. As sementes foram semeadas em vasos preenchidos com
terra e areia na proporção de 1:1, e distribuídas em 3 condições, pleno sol, 30% de luz e 70%
de luz, com 3 repetições de 20 sementes. Após 30 dias da semeadura foi avaliado o índice de
velocidade de emergência (IVE), a porcentagem de emergência (%E), o tempo médio de
emergência (TME) e a taxa de sobrevivência. Os dados foram submetidos a análise de
variância (ANOVA), e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Observou-se que os diferentes níveis de luz não influenciaram a porcentagem de emergência
(100%) e a taxa de sobrevivência (100%) de plântulas de I. vera, porém, para o índice e
velocidade de emergência e o tempo médio de emergencia, 30% e 70% de luz apresentaram
os melhores valores, mostrando que a pleno sol as sementes desta espécie demoram mais para
emergir. Sendo assim, conclui-se que apesar das sementes de I. vera a pleno sol apresentarem
índice de velocidade de emergência e tempo médio de emergência maiores, as sementes
toleram todas as condições de luz estudadas, o que parece representar uma habilidade
importante para a espécie, pois propicia uma ampla distribuição, podendo emergirem em
áreas abertas à pleno sol, como nas grandes clareiras ou em áreas sombreadas como o sub-
bosque.

Palavras-chave: Sombreamento, Semente, Sobrevivência.


Créditos de financiamento: FUNDECT e CAPES

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral/Bioprospecção, Unidade II, caixa postal 533,
CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.*autor para correspondência:
mario_junglos@yahoo.com.br
²Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Unidade II,
caixa postal 533, CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
³Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Agronomia/Produção Vegetal, Unidade II, caixa postal 533, CEP:
Anais do IIIDourados-MS,
79804970, Simpósio Internacional
Brasil. de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 95
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTABELECIMENTO DO MEIO DE CULTURA PARA GERMINAÇÃO DE GRÃOS
DE PÓLEN DE OLIVEIRA (Olea europaea L.)

Carolina Ruiz ZAMBON1*, Luiz Fernando de Oliveira da SILVA2, Rafael PIO3,


Adelson Francisco de OLIVEIRA2, Emerson Dias GONÇALVES2, Pedro Henrique
Abreu MOURA3.

Esse trabalho objetivou determinar os componentes básicos do meio de cultura, identificar o


tempo e a temperatura de incubação e capacidade germinativa de grãos pólen de oliveira. A
Coleta do material foi realizada nos meses de agosto e setembro de 2013 na Fazenda
Experimental da EPAMIG em Maria da Fé - MG. O pólen foi obtido de anteras provenientes
de botões florais da cultivar Arbequina, devido a precocidade de seu florescimento em relação
a outras cultivares. As anteras foram colhidas e armazenado por 24 horas para liberação do
polén. Para a montagem desse experimento o estabelecimento do meio de cultura foi
implantado de maneira sequencial, sempre utilizando o melhor resultado do experimento
anterior, para montagem do tratamento subsequente. Sendo assim, o pólen foi espalhado sobre
a superfície de placas de Petri, contendo 20 mL de meio de cultura dos seguintes
experimentos sequenciais em esquema fatorial: 1) concentrações de ágar (4, 6, 8 e 10g.L-1) e
pH do meio (3,5; 4,5; 5,5 e 6,5); 2) concentrações de sacarose (0, 30, 60, 90g.L-1) e ácido
bórico (0, 400, 800, 1200 mg.L-1); 3) concentrações de nitrato de cálcio (0, 200, 400, 800
mg.L-1) e sulfato de magnésio (0; 0,5; 1,0 e 1,5 mg.L-1); 4) tempo de emissão do tubo polínico
(0; 12; 24; 36; 48; 60 e 72 horas após a inoculação) e; 5) temperatura de incubação dos grãos
de pólen (24; 26; 28; 30 e 32 °C). Para a contagem do pólen de cada uma dessas etapas foi
considerado grão de pólen germinado aquele que o comprimento do tubo polínico excedeu o
dobro do seu próprio diâmetro, sendo a leitura feita com o auxílio de um microscópio óptico
monocular (10x100). O Experimento foi conduzido em delineamento inteiramente
casualisado com quatro repetições, sendo cada repetição composta por um quadrante da placa
de Petri e cada repetição composta por cinco campos de visão. Os dados foram submetidos a
análise de variância e submetidos à regressão linear ou quadrática, a nível de 5% de
probabilidade, com o auxílio do programa estatístico Sisvar®. Com o meio de cultura
estabelecido, a taxa de germinação de grãos de pólen para a cultivar Arbequina foi
determinada sendo as concentrações de 4g.L-1 de agar, 90g.L-1 de sacarose, 400mg.L-1 de
ácido bórico com pH ajustado para 5,79 na ausência de nitrato de cálcio e sulfato de
magnésio, mantidos por 60 horas a temperatura de 28 °C, sendo alcançado 73,89% de
germinação do material inoculado.

Palavras Chave: Viabilidade polínica, Melhoramento genético, Botânica aplicada.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
2: Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Campus Universitário, caixa postal
176, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.:
3: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós-
Graduação em Fitotecnia, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 96
carol-rzambon@hotmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTABILIDADE GENÉTICA POR CITOMETRIA DE FLUXO EM PLANTAS DE
BANANEIRA “OURO” SUBMETIDAS À DUPLICAÇÃO CROMOSSÔMICA

Rafael Azevedo Arruda de ABREU1*, Leila Aparecida Salles PIO 1, Adalvan Daniel
MARTINS 1, Flavia Aparecida da SILVEIRA 1, Lucas Alexandre BATISTA 1, Aline
Ciacia de MENDONÇA 1

Plantas submetidas à duplicação de cromossomos com substâncias antimitóticas podem


voltar a sua condição diploide, devido principalmente ao número de células diploides
remanescentes que se multiplicam mais rapidamente. O melhoramento genético de bananeira
pode ser feito por métodos convencionais ou com o uso de técnicas como a duplicação de
cromossomos, dito isto, esse trabalho objetivou estudar a estabilidade genética de plantas de
bananeira “Ouro” ao longo do tempo, submetidas à duplicação cromossômica utilizando
diferentes doses e tempos de exposição dos explantes ao antimitótico Amiprofós-metil
(APM). O experimento foi realizado no Laboratório de Cultura de Tecidos, situado no
Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras – UFLA, utilizando como
material vegetal explantes de bananeira “Ouro”, diploide (AA), cedidos pela EMBRAPA
Mandioca e Fruticultura. Os explantes foram inicialmente estabelecidos in vitro em meio MS
suplementado com 2,5 mg L-1 de BAP (6-benzilaminopurina), 30 g L-1 de sacarose, 1,7g L-1
de Phytagel e pH 5,8. Posteriormente foram repicados e transferidos para o meio contendo o
antimitótico APM. Foi utilizado delineamento inteiramente casualizados com 20 tratamentos,
que consistem nas 5 diferentes doses de APM e os 4 tempos de exposição do explante ao
antimitótico, sendo 13 plantas por parcela. Após estabelecimento in vitro dos explantes, os
mesmos foram repicados e transferidos para um meio MS suplementado com o antimitótico
APM nas seguintes doses: 0, 25, 50, 75 e 100 µM, onde permaneceram por 2, 4, 6 e 8 dias.
Terminado o tempo de exposição dos explantes ao APM, os mesmos foram transferidos para
meio MS novamente, porém sem nenhuma suplementação, onde foram mantidos até o
momento das análises de citometria de fluxo, que foram realizadas 30 e 60 dias após a última
transferência de meio. A tendência geral, na maioria dos tratamentos foi o aumento de núcleos
no pico G1 da interfase na segunda leitura, caracterizando assim que o número de células
diploides está aumentando ao longo do intervalo de 30 dias, porém a proporção das ploidias
continua próxima entre as duas análises, na primeira leitura observou-se 78,5% de diploides e
1,9% de tetraploides, já na segunda observou-se 70,4% de diploides e 1,5% de tetraploides, o
que sugere estabilidade genética, a alteração no número de diploides se deve à maior
mortalidade ou ausência de folhas suficientes para análise na segunda leitura.

Palavras chave: Musa acuminata Colla, citometria de fluxo, melhoramento, poliploidização,


antimitótico.

Créditos de financiamento: FAPEMIG, CNPq, Capes.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura (DAG/UFLA), Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.

*autor para correspondência: rafaelarruda.agro@gmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 97
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTIMATIVA DA ÁREA FOLIAR DA AZEDINHA UTILIZANDO MÉTODO
DIGITAL E DIMENSÕES FOLIARES

Luis Felipe Lima SILVA1, Christiany Mattioli SARMIENTO 2, Gabriele Mikami


COSTA 1*, Douglas Correa de SOUZA1, Osvaldo Esteves de LUCENA1, Carolina
Queiroz SAMARTINI 1.

A azedinha (Rumex acetosa L.) é uma planta herbácea, perene, pertencente à família
Polygonaceae. Suas folhas são passíveis de serem utilizadas in natura, refogadas, drinks ou
sucos e existem relatos do uso de suas raízes na indústria farmacológica. A literatura
demonstra potencial nutricional e farmacológico a partir de minerais, antioxidantes,
vitaminas, fibras, nutrientes e proteínas presentes em suas folhas. Existem poucas
informações disponíveis no que se refere à caracterização biométrica das diferentes
variedades cultivadas dessa espécie. Por meio de estimativas das dimensões foliares e da área
foliar é possível, além da caracterização, obter índices de vegetação que servirão para o
planejamento de diferentes fases da produção. Para qualquer cultura as folhas são um
importante órgão, sendo o principal responsável pelo processo fotossintético e
evapotranspiração. A determinação da área foliar é uma importante ação que permite lidar
com uma variável que se relaciona diretamente com a capacidade fotossintética e de
interceptação da luz, interfere na cobertura do solo, na competição com outras plantas e em
várias outras características. Com isso, o objetivo do trabalho foi estimar a área foliar da
azedinha usando imagens digitais e dimensões foliares. Para isso foram avaliados
comprimento e largura de 5 folíolos de 90 plantas em campo, totalizando 450 folíolos, dos
quais foram estimados o comprimento e largura máximos apresentados. Os folíolos que
apresentaram maior comprimento e largura foram abertos contra fundo branco maciço para a
captura das imagens fotográficas juntamente com uma régua para indicar a escala real. As
imagens foram processadas no software Photoshop CS5, por meio do qual, utilizando a escala
de cada imagem relacionada com a quantidade de pixels que as compõe foi possível estimar a
área foliar de cada folíolo. As folhas se caracterizaram como sagitadas e glabras, e as maiores
dimensões apresentadas pelos folíolos foram de 13,43 cm de comprimento por 5,96 cm
largura. A área foliar estimada para estas dimensões foi de 67,00 cm². É o primeiro relato na
literatura da área foliar dessa espécie, sendo este dado importante para a caracterização da
variedade e para o embasamento de futuros estudos relacionados com estimativas de produção
e com identificação de danos econômicos causados por ataque de pragas e doenças nas folhas.

Palavras-chave: Caracterização morfológica, Hortaliça tradicional, Índice de área foliar,


Planejamento de produção.

Créditos de financiamento: FAPEMIG, CNPq, Capes/MEC, UFLA.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura (DAG), Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Agrícola (DEG), Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 98


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTRUTURA DIAMÉTRICA DE UMA FLORESTA TROPICAL SAZONALMENTE
SECA: SAINDO DO J REVERSO

Polyanne Aparecida COELHO1*, Cléber Rodrigo de SOUZA², Rubens Manoel dos


SANTOS¹

O Domínio da Caatinga, maior extensão contínua do bioma das Florestas Tropicais


Sazonalmente Secas, representa um importante centro de biodiversidade da América Latina.
No norte do estado de Minas Gerais encontra-se a Caatinga Arbórea, formação florestal
composta de florestas decíduas com distribuição restrita e ainda pouco estudada. Um
parâmetro importante para o conhecimento da estrutura das comunidades vegetais é sua
distribuição diamétrica, que informa sobre estágios sucessionais, estado de conservação da
floresta, crescimento e regeneração de indivíduos. Diante do exposto, este trabalho objetivou
conhecer a estrutura diamétrica de um fragmento de Caatinga Arbórea, localizado no
município de Juvenília, MG. O fragmento possui 10 hectares, com temperatura média anual
de 24,1ºC e 658 metros de altitude. Em fevereiro de 2015 foram amostradas 10 parcelas de
20x20m (400m²), onde os indivíduos arbóreos com circunferência à altura do peito igual ou
maior a 10cm foram marcados e tiveram sua medida de CAP anotada. Foram estabelecidas
cinco classes de diâmetro (3 a 6cm; 6 a 12cm; 12 a 24cm; 24 a 48cm; 48 a 96cm), onde os
indivíduos amostrados foram enquadrados de acordo com sua medida convertida de
circunferência para diâmetro à altura do peito. Foram amostrados 608 indivíduos arbóreos,
sendo que 108 se encontram na primeira classe de diâmetro (17,8% da comunidade), 278 na
segunda classe (45,7%), 192 na terceira classe (31,6%), 29 na quarta classe (4,8%) e apenas
um indivíduo na quinta classe (0,2%). O padrão obtido difere do geralmente postulado para
florestas tropicais, onde o maior número de indivíduos concentra-se na primeira classe e cai
progressivamente, formando o padrão conhecido como J-reverso. Na presente comunidade, a
classe com maior número de indivíduos foi a segunda, seguida pela terceira. Estudos
apontam a influência de distúrbios na explicação do menor número de indivíduos na primeira
classe, que age como filtro ambiental, prejudicando árvores de menor porte, que são
naturalmente mais sensíveis a mudanças no ambiente. No caso da floresta aqui estudada, que
não apresenta sinais de distúrbios antrópicos, a presença de uma estação seca marcante, com
grande déficit hídrico, pode ser considerada um distúrbio natural, atuando de maneira
marcante nas árvores de menor porte. Conclui-se que o padrão diamétrico de florestas
decíduas tende a ser diferente de florestas mais úmidas, mostrando o possível papel da
sazonalidade no recrutamento de indivíduos.

Palavras-chave: Caatinga Arbórea, Ecologia Florestal, Estrutura de Comunidades.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Florestal, Laboratório de Conservação e Manejo da
Biodiversidade, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
² Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Graduação em
Engenharia Florestal, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autora para correspondência: pcoelho.ufla@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de 99


Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTRUTURAS SECRETORAS INTERNAS E EXTERNAS NO LIMBO FOLIAR DE
Lantana camara L. (Verbenaceae): MORFOLOGIA, HISTOQUÍMICA

Stefany Cristina de Melo SILVA1*, Tatiane Maria RODRIGUES1

Lantana camara L. (Verbenaceae), popularmente denominada cambará, apresenta ampla


ocorrência no Brasil e é conhecida por suas propriedades aromáticas e medicinais. Os
compostos extraídos de suas folhas são utilizados no tratamento de diversas doenças,
principalmente infecções das vias respiratórias, além de apresentarem potencial
antimicrobiano e ação repelente de mosquitos do gênero Aedes. Este trabalho teve como
objetivo caracterizar morfológica e histoquimicamente as estruturas secretoras externas e
internas presentes no limbo foliar de L. camara. Folhas completamente expandidas foram
coletadas de indivíduos adultos vegetando no cerrado e processadas segundo técnicas usuais
em anatomia e histoquímica vegetal e microscopia eletrônica de varredura. Foram
identificados seis morfotipos de tricomas glandulares que diferem entre si quanto ao formato,
tamanho, número de células, forma de acúmulo e liberação da secreção e composição da
secreção produzida, existindo correlação entre o morfotipo glandular e a secreção produzida.
Lipídios totais, óleos essenciais, compostos fenólicos e polissacarídeos foram detectados em
todos os morfotipos de tricomas glandulares; proteínas foram identificadas nos morfotipos I,
II, IV, V e V; resina foi encontrada exclusivamente no morfotipo III. Idioblastos volumosos
produtores de lipídios totais, terpenos e mucilagem foram observados no mesofilo. Essas
células podem participar em conjunto com os tricomas glandulares das interações das plantas
com o ambiente protegendo os indivíduos contra ataque de herbívoros e infecções por
patógenos e atuar na manutenção do potencial hídrico dos tecidos foliares. Nossos resultados
colaboram no preenchimento da lacuna existente no conhecimento dos sítios de produção de
substâncias bioativas em espécies de Verbenaceae e poderão fornecer subsídios a pesquisas
que visam à manipulação dessa produção.

Palavras-chave: Cambará, Histoquímica, Idioblasto secretor, Secreção, Tricoma


Créditos de financiamento: FAPESP (IC 2013/07428-6)

1
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, Instituto de Biociências
de Botucatu, Departamento de Botânica, Distrito de Rubião Júnior, s/n, CEP: 18618-970,
Botucatu-SP, Brasil. *autor para correspondência: ste.cristina1@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de100
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTUDO DA GERMINAÇÃO E MORFOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO
PÓS-SEMINAL DE Paepalanthus crinitus Tissot-Sq. (Eriocaulaceae)

Camila Fernandes MIRANDA1,2*; Elaine Cristina CABRINI1.

No Brasil, a família Eriocaulaceae compreende quase 10% do total de variedades de


plantas vasculares da Cadeia do Espinhaço. É uma das mais ameaçadas dos campos
rupestres do estado de Minas Gerais e suas espécies são, geralmente, microendêmicas.
Reúne dez gêneros, sendo que o gênero Paepalanthus Kunth. apresenta a maior
variedade de hábitos e diversidade morfológica, com aproximadamente 485 espécies,
sendo considerado parafilético. Tendo em vista a escassez de informações sobre a
biologia da germinação do gênero Paepalanthus e o fato de Paepalanthus crinitus
Tissot-Sq estar entre as 20 espécies ameaçadas do gênero e ser uma das 16 espécies sob
proteção do PAN Sempre-vivas, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a influência
de diferentes condições de luz e temperatura, a qualidade fisiológica das sementes
através do teste de envelhecimento acelerado e analisar o desenvolvimento pós-seminal
da espécie citada para permitir a diferenciação de grupos taxonômicos muito
semelhantes entre si e auxiliar os estudos de levantamento florístico e de regeneração.
Os capítulos dos indivíduos de P. crinitus foram coletados manualmente no mês de
julho/2011, na estrada de Diamantina- Conselheiro Mata, MG, Brasil, e colocadas para
germinar em janeiro/2012. Foi feito o registro diário das sementes germinadas, com
auxílio de um estereoscópico. Os testes de germinação indicam fotoblastismo positivo
das sementes e a temperatura de 25º C sob fotoperíodo de 12 horas é a condição que
promove maior rapidez no processo germinativo. Os resultados do teste de
envelhecimento acelerado nos períodos de 24, 48 e 72 horas confirmam o potencial da
espécie no estabelecimento de mudas. Nos estágios bem iniciais da germinação
observou-se um opérculo pouco diferenciado aderido à semente. Após 7-15 dias de
embebição da semente, forma-se o eixo embrionário, constituído por células
meristemáticas. Foram observados rizóides, dando uma aparência pilosa a essa
estrutura. Cerca de 85% das sementes desenvolvem concomitantemente folhas e raízes a
partir do eixo embrionário, mas no restante, se desenvolve somente a raiz no primeiro
momento. As folhas podem aparecer após alguns dias, garantindo a sobrevivência da
plântula, ou não aparecer no desenvolvimento pós-seminal, o que resulta na mortalidade
das plântulas. Aproximadamente após 20 dias de germinação, as plântulas apresentaram
comprimento médio de 7 mm, cerca de três folhas recobertas por tricomas e, em média,
1 raiz.

Palavras-chave: Desenvolvimento Pós-seminal, Fotoblastismo, Envelhecimento


Acelerado, Campos Rupestres.

1
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Departamento de Biologia,
Campus JK, Rodovia MGT 367, Km 583, nº 5000, CEP: 39100-000, Diamantina-MG,
Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
Anais
* Autordopara
III Simpósio Internacional
correspondência: de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de101
fcamila16@hotmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTUDO DE CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS NA SELEÇÃO DE PROGÊNIES
DE CAFEEIRO

Dalyse Toledo CASTANHEIRA1*, Danielle Pereira BALIZA2, Samuel Pereira


CARVALHO1, Janaíne Lopes MACHADO1, Tainah FREITAS1, Helbert Rezende
Oliveira SILVEIRA3

Um programa de melhoramento genético do cafeeiro visando a uma maior tolerância às


diferentes condições ambientais está sendo desenvolvido na Universidade Federal de Lavras.
Nesse programa estão sendo utilizadas progênies de cafeeiro que possuem os grãos de maior
tamanho e peso que as das cultivares tradicionais. Atualmente, novos esforços são exigidos
dos programas de melhoramento genético do cafeeiro, visto que a cafeicultura atual passa por
grandes desafios frente às mudanças climáticas e às exigências dos consumidores por
produtos de melhor qualidade. A seleção assistida por meio da anatomia vegetal tem se
destacado como uma importante técnica para otimizar os trabalhos dos programas de
melhoramento genético, pois variações na anatômicas podem indicar características que
atribuem tolerâncias às diferentes condições de cultivo, como tolerância à seca e a patógenos.
Objetivou-se avaliar o uso de características anatômicas na seleção de progênies de cafeeiro.
Para as avaliações, foram amostradas vinte progênies oriundas dos três tipos de grupos de
procedência, com características de diferentes tamanhos dos frutos e folhas. O delineamento
foi inteiramente casualizado, com dois períodos de avaliação: período de chuva e seca. As
características anatômicas avaliadas foram: funcionalidade estomática; espessura da cutícula
da face adaxial, do mesofilo, do parênquima paliçádico, do parênquima esponjoso e da região
do floema, diâmetro e número de vasos do xilema. As progênies estudadas apresentaram
variabilidade genética em relação às características anatômicas estudadas. Em geral, a
variância genética das progênies é maior no período de seca, indicando que há maior
variabilidade entre as progênies nesse período. Características anatômicas se mostraram
potenciais como uma tecnologia para auxiliar a seleção de progênies de cafeeiro.

Palavras-chave: Coffea arabica L., Melhoramento genético, Anatomia foliar.

Créditos de financiamento: CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Campus Universitário, caixa
postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2: Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, Campus Avançado de Bom Sucesso, Rua da
Independência, 30, Bairro Aparecida, 37220000 - Bom Sucesso, MG – Brasil.
3: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Setor de Fisiologia, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: dalysecastanheira@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de102
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTUDOS ETNOBOTÂNICOS DE PLANTAS UTILIZADAS COMO MEDICINAIS
POR MORADORES DO MUNICÍPIO DE NEPOMUCENO, MINAS GERAIS.
Manuel Losada GAVILANES1*, Evaristo Mauro de CASTRO1, José Eduardo Brasil
Pereira PINTO2, Susan Kelly Vilela BERTOLUCCI2, Patrícia Alcântara SALGADO3
Pela sua ampla extensão e biodiversidade floristica, o Brasil apresenta-se com grande
potencialidade para pesquisas na área de plantas medicinais. Infelizmente devido aos escassos
estudos na área, das mais de 60 mil espécies encontradas nas formações vegetais brasileiras,
somente uma pequena percentagem é usada em função de suas propriedades terapêuticas.
Visando obter informações sobre a utilização de plantas medicinais pela população do
Município de Nepomuceno (situado na Mesorregião Campos das Vertentes de Minas Gerais,
Microrregião 57 - Lavras, nas coordenadas geográficas: 21o14'09" de latitude S e 45o19'09" de
longitude O) elaborou-se um questionário onde, além dos dados sobre as plantas e seus modos
de utilização, visou-se também conhecer o meio cultural das pessoas que as utilizam. Foram
coletadas amostras de material vegetal, utilizadas para identificação botânica, através de
comparação com material depositado nos Herbários ESAL (DBI/UFLA, Lavras, MG), PAMG
(EPAMIG, Belo Horizonte, MG) e FEVASF (FEVASF, Iguatama, MG). Foram aplicados 40
questionários na zona urbana (bairros) e 60 em comunidades rurais. Para cada espécie foi
anotado o nome popular, a forma parte da planta utilizada (raiz, folhas, etc.), o uso popular
(diurética, infecções, etc.) e a forma de emprego (infusão, cataplasma, etc.). Relacionam-se
170 espécies em 62 famílias botânicas, representadas por 165 nomes populares de plantas
utilizadas de alguma forma, nos mais diversos tipos de doenças e sintomas (afecções da
garganta, depurativo, calmante, etc.). Dentre as plantas mais citadas destacam-se: Erva-
cidreira (Lippia alba (Mill.) N.E. Br. – Verbenaceae), Boldo (Plectranthus barbatus Andr. –
Lamiaceae), Marcelinha (Achyrocline satureioides (Lam.) DC. – Asteraceae), Funcho
(Foeniculum vulgare Mill. – Apiaceae), Hortelã (Mentha arvensis L. – Lamiaceae), Carqueja
(Baccharis genisteloides – Asteraceae), Arnica-do-brasil (Solidago chilensis Meyen –
Asteraceae), Quebra-pedra (Phyllanthus tenellus Roxb. – Phyllantaceae), Babosa (Aloe vera
(L.) Burm. f.– Aloaceae), Cavalinha (Equisetum giganteum L. – Equisetaceae), Confrei
(Symphytum officinale L. – Boraginaceae), Gengibre (Zingiber officinarum – Zingiberaceae),
Mamão (Carica papaya L. – Caricaceae), Mentrasto (Ageratum conyzoides L. – Asteraceae),
Picão-preto (Bidens pilosa L. – Asteraceae), Romã (Punica granatum L. - ), Unha-de-vaca
(Bauhinia forficata Link.– Fabaceae: Caesalpinioideae), Tanchagem (Plantago major L. –
Plantaginaceae).
Palavras-chave: Medicina popular, Plantas medicinais, Etnobotânica

1
Professor, Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa Pós-
Graduação Botânica Aplicada, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2: Professor, UFLA, Depto de Agricultura, Programa Pós-Graduação Plantas Medicinais,
Aromáticas e Condimentares, Cx Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3: Engenheiro Agrônomo, EMATER-MG, CEP 37250-000, Nepomuceno-MG, Brasil.
*autor para correspondência: mlgavilanes@dbi.ufla.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de103
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTUDOS QUALI-QUANTITATIVOS DA ARBORIZAÇÃO URBANA NA CIDADE
DE NEPOMUCENO, MINAS GERAIS

Cipriano Tavares PEDOROSO JUNIOR1, Larissa Carvalho AMARANTE2, Manuel


Losada GAVILANES3*, Patrícia Alcântara SALGADO4

Arborização urbana refere-se à cobertura vegetal presente em áreas urbanas, que tem um
papel importante entre a relação do homem com o meio ambiente, garantindo uma melhor
qualidade de vida, além de uma valorização visual e ornamentação do espaço urbano. A
vegetação encontrada na área urbana, quando implantada de forma correta, é responsável por
minimizar o impacto ambiental causado pela ação antrópica para a expansão das cidades.
Poucas cidades possuem um planejamento, e um levantamento preciso das espécies
cultivadas, o que leva a população a cultivar, de forma errônea em vias públicas que, ao invés
de trazer benefícios, acaba em transtornos à mesma, devido a falta de informações. O projeto
está sendo desenvolvido dentro do perímetro urbano da cidade de Nepomuceno (situado na
Mesorregião Campos das Vertentes, fazendo parte da microrregião Lavras, no Estado de
Minas Gerais). O levantamento das espécies arborescentes, iniciado de forma esporádica,
através de visitas in loco em agosto de 2014, intensificado com frequência semanal a partir
de março 2015, é realizado pelo método de inventário quali-quantitativo, do tipo censo,
percorrendo ruas, avenidas, praças e prédios públicos da cidade, exceto jardins de residências.
Estão sendo analisados, nesta primeira etapa dos trabalhos, todos os indivíduos arborescentes,
com altura mínima de 1,5 m, quanto aos aspectos: características morfológicas da parte aérea,
nome(s) popular(es), localização do plantio, conflitos com a fiação elétrica, transtornos
provocados à via pública e deficiência arbórea da cidade. A identificação das espécies está
sendo baseada em bibliografia especializada, além da comparação com material do Herbário
ESAL (DBI/UFLA, Lavras-MG, Brasil). Dentre as espécies já identificadas, citam-se:
Sibipiruna (Caesalpinia peltophoroides Bentham – Fabaceae: Caesalpinioideae), Quaresmeira
(Tiboucinia granulosa (Desr.) Cogn. – Melastomataceae), Amendoeira-da-praia (Terminalia
catappa L. – Combretaceae), Resedá (Lagestroemia indica L. – Lythraceae), Oiti (Licania
tomentosa (Benth.) Fritsch – Chrysobalanaceae), Alecrim-das-campinas (Holocalyx balansae
Micheli – Fabaceae: Caesalpinioideae), Pata-de-vaca (Bauhinia variegata L. – Fabaceae:
Caesalpinioideae), Calabura (Muntingia calabura L. – Muntingiaceae), Aroeira-salsa
(Schinus molle L. – Anacardiaceae), Palmeira-rabo-de-peixe (Caryota urens L. – Arecaceae),
Magnolia-amarela (Michelia champaca L. - Magnoliaceae).

Palavras-chave: Arborização de vias públicas, Árvores ornamentais, Vegetação urbana.

1
Graduando em Agronomia, Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura,
Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2: Graduando em Engenharia Ambiental e Sanitária, UFLA, Departamento de Engenharia,
Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3: Professor, Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa Pós-
Graduação Botânica Aplicada, Caixa Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
4: Engenheiro Agrônomo, EMATER-MG, CEP 37250-000, Nepomuceno-MG, Brasil.
*autor para correspondência: mlgavilanes@dbi.ufla.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de104
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTUDOS TAXONÔMICOS EM ESPÉCIES BRASILEIRAS DE Canoparmelia S.L.
(Parmeliaceae, FUNGOS LIQUENIZADOS)

Camila Aparecida ZANETTI1*, Patrícia JUNGBLUTH2 & Marcelo Pinto MARCELLI3

Canoparmelia Elix & Hale, gênero de fungos liquenizados com grande diversidade no Brasil, é
caracterizado por talos geralmente cinzas ou raramente verde amarelados, contendo atranorina
e/ou cloroatranorina no córtex superior (ou raramente ácido úsnico); possui lobos eciliados
redondos ou sub-redondos com 3,0−5,0 mm de largura, medula branca, superfície inferior negra
com margem nua estreita e marrom, e rizinas simples e concoloridas. Os ascósporos são
pequenos, elipsoidais, 10−14 × 6−8 µm, e os conídios são fusiformes a bifusiformes, 7−10 µm de
comprimento. Neste trabalho foi realizado um estudo taxonômico de seis espécies comuns no
Brasil de Canoparmelia s. l. (três de Canoparmelia s.s. e três de Crespoa): Canoparmelia
caroliniana (Nyl.) Elix & Hale, C. cryptochlorophaea (Hale) Elix & Hale, C. texana (Tuck.) Elix
& Hale, Crespoa carneopruinata (Zahlbr.) Lendemer & Hodkinson, C. crozalsiana (B. de Lesd.
ex J. Harm.) Lendemer & Hodkinson e C. scrobicularis (Kremp.) Benatti & Lendemer. Foram
realizadas coletas em Luiz Antônio, Itirapina, Botucatu, Pardinho, Pratânia e Batatais (SP) e os
tipos foram solicitados aos herbários LD, H, S, W e SP. As análises morfológicas e químicas
foram feitas de forma padrão em liquenologia e os espécimes foram descritos baseados no
protocolo de descrição morfológica desenvolvido pelo Grupo de Estudos Liquenológicos, do
Instituto de Botânica de São Paulo. A cromatografia de Canoparmelia texana, mostrou três
espécimes com perfil químico bem diferente do isolectotipo e, portanto, trata-se de uma espécie
nova. Além disso, a análise do material tipo de Parmelia pseudorutidota Asahina, comumente
considerada sinônimo de C. texana, descrita para o Japão, apresenta relevo irregular com rugas
sinuosas e produz sorédios granulosos e grânulos que formam estruturas isidióides e, portanto,
trata-se de uma espécie bem estabelecida. Os demais sinônimos encontrados na literatura são
mantidos para as seis espécies estudadas.

Palavras-chave: Liquens, Fungos liquenizados, Canoparmelia, Cerrado, Taxonomia.

Creditos de financiamento: CAPES, FAPESP, CNPq

1
Universidade Estadual Paulista – UNESP, Instituto de Biociências, Departamento de Botânica,
Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Botânica), Distrito de Rubião Júnior s/nº,
Caixa Postal 510, CEP: 18618-970, Botucatu – SP, Brasil.
*autor para correspondência: camilazanetti11@yahoo.com.br
2
Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Maria,
Campus de Palmeira das Missões – RS, Av. Independência, nº 3751, Bairro Vista Alegre, CEP
98300-000 - Palmeira das Missões – RS, Brasil.
3
Instituto de Botânica, Seção de Micologia, Av. Miguel Stéfano 3687, Água Funda, CEP 04301-
902, São Paulo-SP, Brasil.

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de105
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ETILENO E FORMAÇÃO DE AERÊNQUIMA EM RAÍZES ALAGADAS DE
MILHO SARACURA BRS4154 CICLO 11

Bruna de Oliveira NADALETE1*, Marinês Ferreira PIRES1, Eduarda Natália de


Carvalho ASSIS1, Fernanda de OLIVEIRA1, Marcus Vinícius Moreira SANTOS1,
Evaristo Mauro de CASTRO1,

O etileno desempenha papel fundamental na indução de aerênquima lisígeno em plantas sob


alagamento . O milho é uma planta sensível a esse estresse, no entanto, a cultivar Saracura
BRS 4154, desenvolvida pela Embrapa Milho e Sorgo, é considerada tolerante a períodos de
alagamento intermitentes. Desse modo, o objetivo deste estudo foi analisar a produção de
etileno e formação de aerênquima no córtex radicular de plantas do Ciclo de seleção genética
do milho Saracura C11 em diferentes tempos de alagamento: 0, 1, 3, 5 e 7 dias. Para a
produção de etileno raízes foram incubadas em frascos vedados e amostras da atmosfera
interna foi analisada por cromatografia gasosa. Para a análise do aerênquima formado, raízes
foram coletadas, fixadas em FAA 70% e, posteriormente, armazenadas em etanol 70%. Em
seguida as raízes foram submetidas aos procedimentos usuais em micro técnica vegetal para
realização de cortes transversais da raiz e confecção de lâminas, para posterior análise
quantitativa do aerênquima formado com o software Imagetool. O experimento foi realizado
em DIC, com 5 tratamentos e três repetições. Após as avaliações, os dados foram analisados
no Sisvar. A Taxa de formação (TFA) teve como base a fórmula matemática da Taxa de
Crescimento Absoluto, utilizando os dados de área de aerênquima no córtex radicular. A TFA
foi maior nos momentos iniciais de alagamento, nas primeiras 24 horas, seguida por uma
redução ao longo do período de alagamento. Por outro lado, a maior produção de etileno
ocorreu no quinto dia de alagamento. Isso demonstra que em C11 não há relação direta entre
etileno e formação de aerênquima, nas condições analisadas. É provável que uma produção
inicial de etileno, não analisada neste estudo, possa estar envolvida na alta taxa de formação
de aerênquima nas primeiras horas de estresse.

Palavras-chave: Zea mays, Anatomia radicular, Hipoxia.

Créditos de financiamento: FAPEMIG, CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Campus Universitário, Caixa
Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil

*autor para correspondência: bruna_nadalete@hotmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de106
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ESTRESSE OXIDATIVO NAS GALHAS DE Eriogallococcus isaias Hodgson e
Magalhães (Eriococcidae) EM Pseudobombax grandiflorum (Cav) A. Robyns

Thiago Alves MAGALHÃES1*, Denis Coelho de OLIVEIRA2, Rosy Mary dos Santos
Isaias3

O desenvolvimento em galhas induzidas por insetos leva a formação de morfotipos espécie-


específico através da rediferenciação celular dos tecidos da planta hospedeira. Hipertrofia,
hiperplasia e acúmulo de espécies reativas de oxigênio são importantes na determinação da
forma final da galha. Compreender como a produção de espécies reativas de oxigênio pode
modificar a características citológicas nos tecidos da galha e se estes processos estariam
envolvidos em prováveis eventos de morte celular programada podem configurar passos
importantes para entender os mecanismos de reconhecimento e controle do estresse. Acredita-
se que o aumento no estresse causado pela atividade alimentar do galhador provoque
alterações no sistema de membranas das células, e que o excesso de espécies reativas de
oxigênio pode levar as células à morte celular programada. Para testar essa premissa foram
feitas: (1) análises citológicas, (2) análise histoquímica para detecção do acúmulo de espécies
reativas de oxigênio nos tecidos, (3) detecção de morte celular programada utilizando o ensaio
de TUNEL (Promega®) em folhas não galhadas e em galhas em três fases de desenvolvimento
(jovem, madura e senescente) no sistema Pseudobombax grandiflorum - Eriogallococcus
isaias, localizado na Gruta da Lapinha, Parque Estadual do Sumidouro, Município de Lagoa
Santa, Minas Gerais, Brasil. A ação de Eriogallococcus isaias nos tecidos da planta
hospedeira durante o processo de indução e estabelecimento da galha provoca alto estresse
oxidativo nos tecidos. Esse acúmulo de espécies reativas de oxigênio causou alterações na
estrutura e organização do sistema de membrana nas células, notadas principalmente nos
cloroplastos por perda de lamelação e formação de plastoglóbulos. A formação de
plastoglóbulos, por sua vez, é uma resposta ao estresse oxidativo. O estresse oxidativo pode
ainda provocar alterações na estrutura da parede celular por afrouxamento das microfibrilas
de celulose e consequente hipertrofia das células. A morte celular programada foi observada
somente na fase de senescência quando cessa o estímulo do galhador e os ciclos celulares se
encerram. A ausência da morte celular programada nas fases jovem e madura da galha,
mesmo em condições de alto impacto, pode estar relacionada à presença de arabinogalactanos
– proteínas na parede celular.

Palavras-chave: Citologia, Morte celular programada, Parede celular.

Créditos de financiamento: CAPES, CNPq, FAPEMIG

1
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Instituto de Ciências Agrárias,
Campus Unaí, CEP: 38610-000, Unaí, MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Biologia, Campus Umuarama, CEP:
38400-902, Uberlândia, MG, Brasil.
3: Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de
Botânica, CEP: 31270-901, Pampulha, Belo Horizonte, MG, Brasil.
*autor para correspondência: thiago.magalhaes@ufvjm.edu.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de107
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
FARMACOPEIA TRADICIONAL QUILOMBOLA: FATORES ENVOLVIDOS NA
SELEÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS PELOS MORADORES DE MONTE
ALEGRE

Leidiani Bino de CASTRO1*, Sara Pacheco VENTURA¹, Daniely Mielke DIAS¹, Juliana
de Lanna PASSOS¹*, Tatiana Tavares CARRIJO

Estudos etnodirigidos tem demonstrado a influência do ambiente na seleção de espécies tidas


como medicinais. No entanto, populações tradicionais podem utilizar diferentes estratégias
para identificar plantas com potencial medicinal. Dentre essas estratégias podem ser citadas a
seleção de plantas por meio das propriedades organolépticas como cheiro e sabor, bem como
o uso das características físicas pelo estabelecimento de analogias. Como ainda não temos
uma total compreensão das estratégias de apropriação da natureza alguns autores fazem
deduções, por exemplo, a partir da proporção entre espécies medicinais nativas e exóticas, o
hábito e a bioquímica ecológica em uma determinada cultura. No Brasil, é reconhecida a
contribuição das espécies medicinais como principal fonte de cuidados básicos de saúde por
parte significativa da população. A Organização Mundial da Saúde estima que, no mínimo,
25% de todos os medicamentos modernos são derivados, direta ou indiretamente, de plantas
medicinais, principalmente por meio da aplicação de tecnologias modernas ao conhecimento
tradicional. Diante do exposto, o objetivo deste trabalho foi identificar espécies medicinais
utilizadas pela comunidade quilombola de Monte Alegre (ES), registrando suas formas de
usos, hábito, ciclo vegetativo (anual, bianual, perene) e origem (nativas ou exóticas). Foram
entrevistados 28 informantes e as entrevistas conduzidas utilizando um questionário
semiestruturado. Todas as plantas mencionadas pelos entrevistados foram encontradas
cultivadas em seus quintais. As espécies citadas foram fotografadas, coletadas e depositadas
no herbário VIES. Foram identificadas até o momento 29 espécies, distribuídas em 17
famílias sendo Asteraceae a família mais representativa. A constante presença da família
Asteraceae em farmacopeias provavelmente esta relacionada ao sabor amargo atribuído a esse
grupo. Os usos citados foram para o tratamento da gripe, má digestão, problemas renais,
calmante e na cura de inflamações. Dentre as plantas levantadas encontram-se ervas, arbustos
e árvores que podem ser perenes, anuais ou bianuais. Os hábitos e ciclos de vida verificados
possivelmente refletem na disponibilidade do recurso para a comunidade além da relação
aparente com sua bioquímica. Uma das possíveis explicações para o cultivo de espécies
exóticas e nativas simultaneamente para fins medicinais pode advir da incapacidade das
plantas nativas em promover a cura de determinadas doenças recorrentes na comunidade.
Palavras-chaves: Etnobotânica, Quintais agroflorestais, Conservação.
Créditos de financiamento: FAPES

1
Universidade Federal do Espírito Santos, Centro de Ciências Agrárias, Departamento de
Biologia, Alegre, ES, Brasil.
*julpassos@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de108
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
FLORA DO ESPÍRITO SANTO: Ericaceae Juss.

Gerson Oliveira ROMÃO1*, Andressa CABRAL2

Ericaceae Juss. é uma família cosmopolita com cerca de 4.100 espécies pertencentes a 124
gêneros, ocorrendo principalmente nas regiões temperadas e subtropicais. No Brasil, a família
é representada por 12 gêneros e 98 espécies, das quais 71 são endêmicas, distribuídas
principalmente nas áreas de maiores altitudes do Cerrado, Floresta Atlântica e,
ocasionalmente, na Caatinga e Amazônia. O estado do Espírito Santo faz parte do Corredor
Central da Floresta Atlântica, a qual apresenta um grande número de espécies endêmicas
sendo considerada um dos principais hotspots mundiais de biodiversidade. Embora o Domínio
Atlântico apresente uma fitofisionomia majoritariamente florestal, a presença de ecossistemas
associados, como as restingas e ambientes campestres, permite uma riqueza considerável de
espécies de Ericaceae. Dessa forma, o presente estudo visa contribuir para o conhecimento da
família Ericaceae do Espírito Santo, tendo como objetivos inventariar os táxons ocorrentes na
região, além de fornecer descrições, chaves de identificação, ilustrações, distribuição nas
fitofisionomias, além de comentários ecológicos e taxonômicos. Para o estado do Espírito
Santo são encontradas 11 espécies pertencentes aos gêneros Agarista (2), Gaultheria (2) e
Gaylussacia (7). Dentre elas, as que possuem distribuição mais ampla no Brasil são:
Gaylussacia brasiliensis (Spreng.) Meisn. var. brasiliensis e Agarista oleifolia(Cham.) G.Don
var. oleifolia. Já Gaylussacia caparoensis Sleum., G. pallida Cham. e G. rugosa Cham. &
Schltdl. apresentam distribuição mais restrita, ocorrendo exclusivamente nos estados do
Espírito Santo e Minas Gerais. Vale destacar Gaylussacia caparoensis como endêmica do
Parque Nacional do Caparaó e também classificada como “Em Perigo” pelo Livro Vermelho
da Flora do Brasil uma vez que encontra-se fragilizada pelos intensos incêndios que ocorrem
nos campos de altitude da região. Em relação à distribuição nos ambientes, grande parte das
espécies é encontrada em áreas de campos de altitude, entre as quais Gaylussacia densa, G.
pallida e Gaultheria eriophylla ocorrem em afloramentos rochosos, podendo a última ser
encontrada próxima às matas nebulares. Já Agarista oleifolia var. oleifolia e A. oleifolia var.
glabra ocorrem em áreas de capões de mata ou em matas ciliares adjacentes aos campos de
altitude. E, por fim, Agarista revoluta e Gaylussacia brasiliensis var. brasiliensis ocorrem em
áreas de restinga, sendo a última também encontrada em bordas de matas.

Palavras-chave: Biodiversidade, Floresta Atlântica, Florística, Conservação.

1
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
* goromao@usp.br, acabral@outlook.com.br
Anais
2 do III Simpósio
Universidade Federal Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de109
de Juiz de Fora
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
FLORA DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO BRIGADEIRO, DEPOSITADA
NO HERBÁRIO HUEMG, MG, BRASIL.

Braz Antonio Pereira COSENZA1*, Cristiano Viana GUEDES², João Victor Motta
SALERNO² Max Antonioni SILVA²

O Parque Estadual da Serra do Brigadeiro com 14.984 ha encontra-se totalmente inserido na


Zona da Mata de Minas Gerais, na porção norte do conjunto serrano da Mantiqueira.
Apresenta relevo acidentado por escarpas e maciços com grandes áreas de afloramento
rochoso, com elevações que chegam a 1985 m de altitude. A vegetação do Parque é composta
por Floresta Estacional Semidecidual, com Campos de Altitude ocupando os platôs e as
escarpas isoladas em algumas áreas acima da cota de 1600 m. Foram inventariadas e listadas
todas as espécies coletadas no Parque Estadual do Brigadeiro, através dos projetos e
programas desenvolvidos em parceria com o Herbário da Universidade do Estado de Minas
Gerais e o Instituto Estadual de Florestas. Para isso, foi realizado um levantamento do
material coletado e depositado no Herbário da Universidade do Estado de Minas Gerais,
anotando-se as referências de famílias, gêneros, espécies, autor, coletor, data de coleta,
procedência, hábito, altitude, floração ou frutificação e demais observações ecológicas
importantes presentes nos ambientes nos ambientes do Parque Estadual da Serra do
Brigadeiro. Foi levantando um total de 277 espécies distribuídas em 181 gêneros e 67
famílias. Sendo Myrtaceae, Gesneriaceae, Solanaceae, Bromeliaceae, Melastomataceae,
Rubiaceae, Asteraceae e Orchidaceae as famílias com maior riqueza, correspondendo a 55,3%
de todas as espécies. Por ser uma área prioritária para conservação da biodiversidade, definida
como de “importância especial” para conservação da flora no estado de Minas Gerais e ainda
um dos maiores fragmentos de Mata Atlântica do leste de Minas Gerais, este trabalho busca
contribuir para ampliar o conhecimento da flora destes ambientes, fornecendo subsídios para
elaboração de políticas ambientais visando à conservação e gestão da biodiversidade.

Palavras-chaves : Unidade de conservação, Coleção científica, Flora.

1
Universidade do Estado de Minas Gerais – Departamento de Ciências Biológicas; Praça dos
Estudantes nº 23; Bairro Santa Emília; 36800-000; Carangola, MG; Brasil.
2- Centro de Estudos da Biodiversidade/Herbário HUEMG; Praça dos Estudantes nº 23;
Bairro Santa Emília; 36800-000; Carangola, MG; Brasil.
* autor para correspondência: brazcosenza@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de110
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
FLUORESCÊNCIA DA CLOROFILA DE MUDAS DE Campomanesia xanthocarpa O.
Berg. (Myrtaceae) SOB DÉFICIT HÍDRICO

Larissa Fatarelli BENTO1*; Silvana de Paula Quintão SCALON1; Daiane Mugnol


DRESCH1

Com as crescentes mudanças climáticas, evidenciadas atualmente pela redução nos níveis de
precipitação, tem-se observado uma grande preocupação quanto aos efeitos da restrição
hídrica sobre o desenvolvimento, produtividade agrícola e distribuição das espécies nas
diferentes zonas climáticas do globo. Dessa forma, objetivou-se neste trabalho verificar o
efeito de diferentes disponibilidades hídricas sobre a fluorescência da clorofila a em mudas de
Campomanesia xanthocarpa (gabiroba) espécie nativa do Cerrado, visando avaliar seu
potencial de tolerância a ambientes sujeitos ao déficit hídrico e consequentemente sua
utilização em programas de reflorestamento e/ou recuperação de áreas degradadas. A
semeadura foi realizada em tubetes 50 x 190 mm a um centímetro de profundidade contendo
Latossolo Vermelho distroférrico, areia e substrato comercial Bioplant® na proporção de
1:1:1. Os tubetes receberam irrigação de forma a manter 25, 50, 75 e 100% da capacidade de
retenção de água, sendo mantidos sob telado plástico para evitar contato com a água da chuva.
Foram medidas a fluorescência inicial (Fo), fluorescência máxima (Fm), a eficiência quântica
potencial do fotossistema II (Fv/Fm) e a eficiência efetiva da conversão de energia (Fv/Fo)
por meio de um fluorômetro portátil de luz modulada (Opti-Sciences. Chlorophyll
Fluorometer, modelo OS-30 p, Hudson,. USA). Os valores de Fo (fluorescência inicial), Fm
(fluorescência máxima) e Fv (fluorescência variável da clorofila a) foram maiores para
plântulas cultivadas na capacidade de retenção hídrica de 75% (0,351, 0,833 e 0,482 elétron
quantum-1, respectivamente), quando comparados as demais capacidades. Já para eficiência
quântica potencial do fotossistema II, verificou-se que as mudas cultivadas na capacidade de
100% de retenção hídrica apresentaram os maiores valores (0,643 elétron quantum-1). Não
houve diferença significativa para razão Fv/Fo entre as mudas mantidas sob as diferentes
capacidades de retenção hídrica. C. xanthocarpa em sua fase jovem, pode tolerar ambientes
com até 75% da capacidade de retenção de água, sem comprometer seu aparelho
fotossintético.

Palavras-chave: Cerrado, Eficiência quântica, Fisiologia do estresse.


Créditos de financiamento: CAPES, FUNDECT

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Agronomia/Produção Vegetal, Unidade II, caixa postal 533, CEP:
Anais do IIIDourados-MS,
79804970, Simpósio Internacional de Botânica
Brasil. *autor Aplicada e XXXV
para correspondência: Encontro Regional de111
larissafatarelli@gmail.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
FOLIAR ANATOMICAL CHARACTERISTCS OF Enterolobium contortisiliquum
(Vell.) Hauman (Fabaceae) UNDER LUMINOUS STRESS.

Vicente Luiz NAVES1*, Evaristo Mauro de CASTRO2, Fabrício José PEREIRA2,


Moacir PASQUAL3, João Paulo R. A. D. BARBOSA1, Jean Marcel Sousa LIRA1

Tamboril, Enterolobium contortisiliquum, is a leguminous tree, which can be used for the
reforestation of degraded lands, since this species shows fast juvenile growth. Moreover, it is
also utilized for the production of small boats, furniture, wooden toys and wooden parts. Due
to its economic and ecological importance, it is necessary to study anatomical characteristics
that affect the development of tamboril seedlings, which will lead to the success of
reforestation projects. Leaves are the organs responsible by gas exchange and the capture of
light. Leaf gas exchange is influenced by stomatal size, density, distribution between the leaf
adaxial and abaxial sides, as well as by pore dimensions, which have direct impact on
stomatal conductance (gs) and carbon fixation. Seedlings of tamboril were grown under three
different levels of light irradiance in greenhouses composed of: Full sun light (FS), Shaded
(S) and Understory (U) with 100%, 50% and 30% of PAR, respectively. In U, there was an
increase in the peak of the far-red light spectrum in relation to the two other environment,
which characterized that environment similar to a forest understory. We observed a greater
epidermal cell density (ED) in plants grown under FS (2050.mm-2), with no statistical
differences between plants grown under S (1525.mm-2) and U (1625.mm-2). The stomatal
density (SD) was greater in plants under FS (475.mm-2), followed by S (325.mm-2) and finally
by U (262.mm-2). The stomatal index follow the same behavior of stomatal density with the
greatest mean for FS (0.24), followed by S (0.21) and at the end by U (0.17). The foliar
lamina was thicker in plants grown under FS (43.4 m), followed by S (38.1 m) and plants
grown under U showed the thinnest foliar lamina of all (22.7 m). Polar diameter of the
stomata were greater under FS (18.82 m), followed by S (17.86 m) and finally by U (16.74
m). Equatorial diameter has not showed any difference under FS and S with values of
8.77m and 8.95 m respectively, and it was statistically shorter under U with 8.29 m. From
these results, we can conclude that tamboril showed an enormous control of light in the
development of its stomatal equipment and such control has significantly provided a better
performance for plants grown under higher luminous intensities in the environment.

Key words: Irradiance, shade, stomatal density, tamboril, understory


Financing Credit: CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-graduação em
Agronomia/Fisiologia Vegetal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil;
2 Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-graduação em
Botânica Estrutural, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil;
3 Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós-graduação
em Agronomia/Fitotecnia, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.

*autor para correspondência: naves.agro@hotmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de112
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
FORMAÇÃO DO AERÊNQUIMA NO CÓRTEX RADICULAR DE MILHO
SARACURA BRS 4154 CICLO 11 SOB ALAGAMENTO

Aline Martins MOREIRA1*, Marinês Ferreira PIRES1, Luana Portela Faria e ÁVILA1,
Osmar de ALMEIDA JUNIOR1, Marcus Vinícius Moreira SANTOS1, Evaristo Mauro
de CASTRO1

A formação de aerênquima é uma característica comum em plantas submetidas ao


alagamento, permitindo a difusão de gases em condições de hipoxia O milho é uma planta
sensível ao alagamento, no entanto, a cultivar Saracura BRS 4154, desenvolvida pela
Embrapa Milho e Sorgo, é considerada tolerante a períodos de alagamento intermitentes. Com
isso, este trabalho teve o objetivo de avaliar a taxa de Formação do aerênquima e a proporção
do córtex radicular ocupado por esse tecido em plantas do ciclo de seleção genética do milho
Saracura C11 em diferentes tempos de alagamento: 0, 1, 3, 5 e 7 dias. Para isso, raízes
completas foram coletadas, fixadas em escrever por extenso70% e, posteriormente,
armazenadas em etanol 70%. Em seguida as raízes foram submetidas aos procedimentos
usuais em micro técnica vegetal para realização de cortes transversais da raiz e confecção de
lâminas. O experimento foi realizado em DIC, com cinco tratamentos e três repetições. Após
confecção, as lâminas foram fotografadas, as avaliações foram realizadas com o software
Imagetool e os dados analisados no Sisvar. A proporção da área ocupada pelo aerênquima no
córtex foi calculada com base na divisão da área total de aerênquima formado pela área total
do córtex. A taxa de formação teve como base a fórmula matemática da taxa de Crescimento
Absoluto. A proporção de aerênquima no córtex foi maior nas raízes das plantas de milho
alagadas em comparação as não alagadas. Quanto à taxa de formação observou-se um maior
incremento na formação do aerênquima no início do período de alagamento, sendo menor nos
períodos finais. Os resultados demonstram que a maior proporção nas plantas alagadas se
deve, principalmente, a maior taxa de formação no início do alagamento.

Palavras-chave: Zea mays, Anatomia radicular, Hipoxia.

Créditos de financiamento: FAPEMIG, CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Campus Universitário, Caixa
Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil

*autor para correspondência: aline.martinsmoreira@gmail.com


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de113
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
FRUTIFICAÇÃO NATURAL E POTENCIAL REPRODUTIVO DE Jacaranda
oxyphylla (Cham.) Bignoniaceae

Marília Monteiro QUINALHA1*, Priscila Teixeira TUNES1, Camila Vaz de SOUZA1,


César Claro TREVELIN1, Anselmo NOGUEIRA1, Elza GUIMARÃES1

Estudos sobre reprodução sexuada em populações naturais de Bignoniaceae têm revelado


baixas taxas de frutificação, especialmente em representantes do gênero Jacaranda. Diversas
hipóteses relacionadas às características intrínsecas da planta têm sido propostas para explicar
esse fato, como a limitação de recursos maternos. Além disso, a reprodução sexuada de
grande parte das espécies de vegetais está diretamente relacionada à polinização. Entretanto, a
eficiência reduzida do polinizador ou a falta de pólen compatível na população, no caso de
espécies que apresentam autoincompatibilidade genética, podem afetar negativamente o
sucesso reprodutivo de espécies zoófilas. O objetivo desse trabalho foi caracterizar o sucesso
reprodutivo feminino natural e compará-lo com o potencial reprodutivo na ausência de
limitação de pólen em Jacaranda oxyplhylla. Para isso, estudamos uma população de J.
oxyphylla localizada em uma área de cerrado, pertencente à Estação Ecológica de Santa
Bárbara. Avaliamos, em 20 plantas expostas à visitação natural, a floração e frutificação, por
meio da contagem de todas as flores e frutos produzidos por planta ao longo de toda estação
reprodutiva. Dado que a variação na eficiência do polinizador ou a falta de pólen compatível
na população também poderiam afetar negativamente o sucesso reprodutivo de J. oxyplhylla,
polinizamos manualmente todas as flores produzidas ao longo de toda a floração em outras 20
plantas. Para isso, nós utilizamos uma mistura de pólen proveniente de 10 plantas doadoras
distantes pelo menos 300 metros das receptoras. Esses dados foram comparados aos dados de
frutificação natural por meio do teste de Mann Whitney, utilizando a razão fruto/flor. A
produção de frutos em plantas polinizadas manualmente foi significativamente maior (0.13,
0.02-0.42; med, min-max) quando comparada à produção de plantas expostas a visitação
natural (0.01, 0-0.09; med, min-max), sendo p < 0.001 e U= 8.0. J. oxyphylla, nesse sistema
natural, produziu menor quantidade de frutos que seu potencial reprodutivo, indicando que
apesar da aparente limitação de recursos maternos (0.13), a frutificação natural não foi
limitada pelos mesmos. Na população estudada sugerimos que o sucesso reprodutivo natural
de J. oxyphylla pode estar sendo afetado negativamente pela escassez de polinizadores ou pela
ineficiência dos mesmos, já que aparentemente não houve limitação de pares compatíveis na
população amostrada.

Palavras-chave: Sucesso reprodutivo, Limitação polínica, Jacaranda oxyphylla

Créditos de financiamento: CNPq, FAPESP

1
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Biociências,
Departamento de Botânica, Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Botânica),
Caixa posta 510, CEP: 18618-970, Botucatu-SP, Brasil.
*autor para correspondência: marilia_quinalha@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de114
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
GAS EXCHANGE BEHAVIOR OF Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong
(Fabaceae) UNDER LUMINOUS STRESS.

Vicente Luiz NAVES1*, Evaristo Mauro de CASTRO2, Fabrício José PEREIRA2, Moacir
PASQUAL3, João Paulo R. A. D. BARBOSA1, Jean Marcel Sousa LIRA1

Tamboril, Enterolobium contortisiliquum, is a leguminous tree, which can be used for the
reforestation of degraded lands, since this species shows fast juvenile growth. Moreover, this
species is also utilized for the production of small boats, furniture, wooden toys and wooden
parts. Due to its economic and ecological importance, it is necessary to study physiological
characteristics such as gas exchange, which affect the development of tamboril seedlings and
may lead to the success of reforestation projects. Leaves are organs responsible by gas
exchange and capture of light. Besides anatomical differences that can influence gas exchange
in leaves, the luminous environment also has a drastic influence on this parameter. Seedlings
of tamboril were germinated in a growth chamber, transferred into acclimation 40 days after
sowing (DAS) and definitely transferred into three different light treatments 85 DAS. The
treatments were composed of: Full sun light (FS), Shaded (S) and Understory (U) with 100%,
50% and 30% of PAR, respectively. In U, there was an increase in the peak of far-red light
spectrum in relation to the two other environments, which characterized that environment
similar to a forest understory. Gas exchange characteristics such as net photosynthesis – A,
transpiration – E, and stomatal conductance – gs were evaluated with the aid of a portable
infrared gas analyzer IRGA model Li 6400 XT – LiCOR, USA, 168 DAS. We observed a
greater A in plants grown under FS (10,60 molCO2.m-2.s-1), followed by seedlings grown
under S (7,21 molCO2.m-2.s-1) and finally in seedlings under U (4,47 molCO2.m-2.s-1). gs
was around two and a half times smaller in seedlings grown under U (0,08 molH2O.m-2.s-1)
and seedlings under FS (0,22 molH2O.m-2.s-1) and S (0,17 molH2O.m-2.s-1) did not show any
difference for this characteristic. E exhibited a similar behavior in relation to gs and was
around two and a half times smaller in plants grown under U (2,30 mmolH2O.m-2.s-1) and
seedlings grown under FS (5,64 mmolH2O.m-2.s-1) and S (4,17 mmolH2O.m-2.s-1) did not
show any statistical difference according to Scott-Knott test (P>0.05). From these results, we
conclude that seedlings of Enterolobium contortisiliquum show a great adaptation to higher
levels of irradiance but also exhibit a good tolerance of moderate levels of shading 50% of
PAR, which probably makes this species capable of exploiting an intermediate stage of the
forest succession or secondary succession.

Key words: Irradiance, shade, photosynthesis, tamboril, understory

Financing Credit: CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-graduação em
Agronomia/Fisiologia Vegetal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil;
2 Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-graduação em
Botânica Estrutural, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil;
3 Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós-graduação
em Agronomia/Fitotecnia, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de115
naves.agro@hotmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
GENE EXPRESSION OF Coffea arabica and Coffea canephora SEED OXIDATION
AND GERMINATION PROCESSES DURING DRYING

Gustavo Costa SANTOS1*, Sttela Dellyzete Veiga Franco da ROSA2, Édila Vilela de
Resende Von PINHO3

Seeds are an important dispersal strategy used by coffee plants. Oxidative stress resulting
from the drying process is a limiting factor for obtaining higher physiological quality seeds.
Obtaining high quality coffee seeds is essential for the new plants formation. Given the above,
it was proposed to study the effect of different drying methods and moinsture content on
Coffea arabica and Coffea canephora physiological qualities and gene expression of catalase
and peroxidase, related to enzymatic systems to combat oxidative stress. Fruit harvesting was
performed in the UFLA experimental field in Lavras / MG. Seeds were dried slowly and
faster until they reach the moisture contents of 40, 30, 20 and 12%. As a control, some seed
sample didn´t receive any drying treatment, staying with 46% moisture content. The samples
were analyzed for physiological quality using the variables protrusion and normal at 15 days,
normal and strong normal at 30 days, seedlings with cotyledon opening and dry matter of
hypocotyl and radicle at 45 days. The physiological analysis were carry out on CRD design,
with [(2x4) + 1] factorial. Seeds were subjected to isoenzymes analysis of esterase, catalase,
peroxidase and endo-β-mannanase. A search for target genes was performed in the Brazilian
coffee genome database. The sequences were analyzed by bioinformatics and then used for
making specific primers. The catalase and peroxidase gene expressions were evaluated by
real-time PCR. In C. arabica, best physiological quality results were observed at 20%
moisture content for faster dried seeds. In seeds subjected to slow drying, the best
physiological quality results were observed at 40 and 12% of moisture content. The best
results of physiological quality were obtained by seed fast drying, at C. canephora. In this
same species, there was a trend of loss of physiological quality by reducing the moisture
content in both drying methods. From the results we can infer that the seeds of C. arabica and
C. canephora showed higher desiccation tolerance when they were dried faster. There was a
reduction in the levels of expression of transcripts of catalase (CAT3) and peroxidase (Gosh)
with the seed drying process in both species. The expression patterns of peroxidase and
catalase genes are different, although both are linked to oxidative stress. The expression of
genes associated with the cellular oxidation process is influenced by drying method.

Keywords: Coffea arabica. Isoenzymes. Coffea canephora. Scavenger. Real-time PCR.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPQ, Embrapa Café

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
2
Embrapa Café, PqEB, Av. W3 Norte (final), Edifício Sede, CP 40.315, 70.770-901, Brasília,
DF, Brazil.
3
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós-Graduação
em Fitotecnia, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
Anais do III Simpósio
* Correspondence Internacional
Author: de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de116
gustavo.bio.ufla@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
GERMINAÇÃO DE Inga vera Willd. (Fabaceae-Mimosoidae) EM DIFERENTES
TEMPERATURAS

Mário Soares JUNGLOS1*, Fernanda Soares JUNGLOS1, Eliana Aparecida


FERREIRA², Mirian Analy ALVES³, Silvana de Paula Quintão SCALON³, Rosilda
Mara MUSSURY1

Inga vera Willd. (Fabaceae-Mimosoidae), apresenta potencial de exploração sustentável,


devido ao uso de leguminosas arbóreas e arbustivas para melhoria da produtividade em áreas
agrícolas, além disso esta espécie possui valor medicinal, ornamental, comestível e sua
madeira poder ser utilizada em caixotaria e na confecção de brinquedos e lápis. Entre os
vários fatores ambientais que afetam a germinação de espécies florestais está a temperatura,
visto que ela pode agir tanto sobre a velocidade de absorção de água, como também nas
reações bioquímicas que determinam todo o processo germinativo. O objetivo deste trabalho
foi avaliar se a temperatura influência na protusão e sobrevivência de sementes de I. vera.
Para tanto frutos maduros foram colhidos diretamente das árvores, em seguida abertos
manualmente para retirada da semente e do arilo mucilaginoso, e então selecionadas quanto
integridade, tamanho e coloração. Posteriormente foram semeadas em papel Germitest®
previamente umedecido, distribuídas em câmara de germinação tipo BOD regulados com
temperatura alternada de 20ºC a 30ºC, com fotoperíodo de 12 horas e temperaturas constantes
de 20º C e 25º C com luz contínua. O delineamento foi inteiramente casualisado, com 3
tratamentos e 4 repetições de 50 sementes, totalizando 600 sementes. Durante 30 dias foram
avaliados o índice de velocidade de germinação, o tempo médio de germinação, a
porcentagem de germinação e a taxa de sobrevivência. Foi observado que a taxa de
sobrevivência foi superior para 25°C, seguido da temperatura alternada 20º-30ºC. Para
porcentagem de germinação, tempo médio de germinação e índice de velocidade de
germinação a temperatura alternada de 20º-30º foi a melhor, seguida pela temperatura de
25ºC, no entanto para a variável porcentagem de germinação as temperaturas de 20ºC e 25°C
não diferiram. Os dados permitem inferir que a temperatura de 20°C influência negativamente
em todas as variáveis analisadas, se mostrando abaixo da temperatura ótima tolerada pela
espécie. Já a temperatura de 25° C apresenta a melhor taxa de sobrevivência e a temperatura
alternada 20ºC-30ºC proporcionou a obtenção dos melhores valores para o índice de
velocidade de germinação, tempo médio de germinação e porcentagem de germinação.

Palavras-chave: Sementes, Espécie Arbórea, Sobrevivência.


Créditos de financiamento: CAPES, FUNDECT, CNPq

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral/Bioprospecção, Unidade II, caixa postal 533,
CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.*autor para correspondência:
mario_junglos@yahoo.com.br
²Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Unidade II,
caixa postal 533, CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
³Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Agronomia/Produção Vegetal, Unidade II, caixa postal 533, CEP:
Anais do IIIDourados-MS,
79804970, Simpósio Internacional
Brasil. de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de117
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE Ormosia arborea (Vell.) Harms (Fabaceae) APÓS
ALAGAMENTO

Fernanda Soares JUNGLOS1*; Mário Soares JUNGLOS¹; Julielen Zanetti


BRANDANI¹; Daiane Mugnol DRESCH², Rosilda Mara MUSSURY¹, Silvana de Paula
Quintão SCALON²

O alagamento do solo restringe a disponibilidade de oxigênio para o embrião, necessário para


a ativação dos processos fisiológicos que caracterizam a germinação, no entanto algumas
espécies desenvolvem mecanismos de adaptação e crescem naturalmente nestas áreas, é o
caso da Ormosia arborea (Vell.) Harms, uma espécie nativa da Mata Atlântica e do Cerrado.
Assim, o objetivo foi avaliar o efeito da submersão seguida de escarificação na germinação de
sementes desta espécie. Para tanto as sementes foram distribuídas em “trouxas” de tecido tipo
voal e depositadas em uma caixa feita com tela Sombrite®, a qual foi submersa pelos períodos
de 0, 15, 30 e 45 dias, no Córrego do Zezão, município de Ivinhema, MS. Ao final de cada
período de submersão as sementes foram escarificadas por 0, 5, 10 e 15 minutos com ácido
sulfúrico puro, em seguida lavadas em água corrente, semeadas em papel Germitest®
previamente umedecido e depositadas em câmara de germinação tipo BOD, com fotoperíodo
de 12 horas e temperatura constante de 25ºC. O delineamento foi inteiramente casualizado em
esquema fatorial de 4 períodos de submersão (0, 15, 30 e 45 dias) x 4 tempos de escarificação
(0, 5, 10 e 15 minutos) com 4 repetições de 25 sementes. Após 40 dias de semeadura foram
avaliados a porcentagem de germinação, porcentagem de plântulas normais e massa seca
total. Não foi observada interação entre os dias de submersão e escarificação para todas as
variáveis analisadas, sendo que, a submersão das sementes não afetou o desempenho
germinativo de O. arborea e sementes não escarificadas não germinaram no tempo avaliado,
no entanto, quando escarificadas, a porcentagem de germinação e de formação de plântulas
normais foi alta, sendo 10 e 15 minutos os melhores tempos para porcentagem de germinação
e 10 minutos para formação de plântulas normais, porém a massa seca total não difere nos
diferentes tempos de escarificação, demostrando que a espécie estudada tolera o alagamento e
germina apenas após a superação da dormência tegumentar, o que parece ser uma importante
adaptação da semente para tolerar o alagamento.

Palavras-chave: Olho de cabra, Submersão, Escarificação.

Créditos de financiamento: FUNDECT, CAPES, CNPq

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral/Bioprospecção, Unidade II, caixa postal 533,
CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
²Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Agronomia/Produção Vegetal, Unidade II, caixa postal 533, CEP:
79804970, Dourados-MS, Brasil.

*autor para correspondência: fernandajunglos@yahoo.com.br


Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de118
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
GERMINAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE SEMENTES DE AROEIRA DO CERRADO
(Myracrodruon urundeuva Fr. Allemão – Anacardiaceae)

Tathiana Elisa MASETTO1*; Silvana de Paula Quintão SCALON1; Daiane Mugnol


DRESCH1; Rosilda Mara MUSSURY1

Myracrodruon urundeuva Fr. Allemão, conhecida popularmente como aroeira do cerrado, é uma
árvore que apresenta importância para a construção civil e potencial medicinal para tratamento de
infecções. Diante da importância da espécie, torna-se indispensável a obtenção de informações
sobre a fisiologia de suas sementes e de métodos que permitam maximizar sua propagação e
conservação. O objetivo desse trabalho foi avaliar os efeitos de tratamentos na germinação e
armazenamento de sementes de aroeira. Após a coleta as sementes foram levadas ao Laboratório
de Nutrição e Metabolismo de Plantas da Faculdade de Ciências Agrárias, pertencente à
Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados, MS. As sementes foram
imersas durante 24 horas em água destilada ou em giberelina 100 mg L-1 além do controle sem
imersão e posteriormente, foram mantidas em Biochemical Oxygen Demand (BOD) nas
temperaturas constantes de 18 ºC, 25 ºC e 30 ºC e na temperatura alternada de 20-30ºC sob
condições de escuro e sob luz branca. O armazenamento das sementes foi conduzido durante 100
dias sob temperatura ambiente; 100 dias sob temperatura ambiente seguido de 100 dias em
câmara refrigerada e 100 dias sob temperatura ambiente seguido de 200 dias em câmara
refrigerada. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado em esquema
fatorial 3 (tratamentos pré-germinativos) x 4 (temperaturas de incubação) x 2 (presença e
ausência de luz), com quatro repetições de 25 sementes cada. O efeito de tratamentos pré-
germinativos, temperaturas e luz foram avaliados aos 20 dias após a semeadura por meio de
porcentagem de germinação, utilizando-se como critério a protrusão da raiz primária com
comprimento mínimo de um centímetro; a porcentagem de plântulas normais, considerando-se a
formação de parte aérea e sistema radicular desenvolvidos e o índice de velocidade de
germinação das sementes. Pelos resultados obtidos, as sementes de aroeira do cerrado podem ser
semeadas sem tratamento pré-germinativo e incubadas a 18 ºC ou 25 ºC. O armazenamento
durante 100 dias sob temperatura ambiente e mais 100 dias sob refrigeração antes da semeadura
favorece a formação de plântulas normais de aroeira.

Palavras-chave: Cerrado, Conservação de Sementes, Fotoblastismo.


Créditos de financiamento: FUNDECT

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Rodovia Dourados - Itahum, Km 12 - Cidade
Universitária, Cx. Postal 533 - CEP 79804-970, Dourados, MS, Brasil
*autor para correspondência: tathianamasetto@ufgd.edu.br

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de119
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
GROWTH RINGS AND VESSELS OF A TREE SPECIES FROM DIFFERENT
PHYSIOGNOMIES OF ATLANTIC FOREST

Marcela BLAGITZ1*; Carmen Regina MARCATI1

Due to great extension of Brazilian territory, the Atlantic Forest is characterized by


heterogeneous physiognomies, such as rain forest and seasonal forest. In the rain forest,
rainfall occurs throughout the year while an annual dry season occurs in the seasonal forest. In
the rain forest, the soil is cambisol haplic dystrophic that are shallow soils, characterized by
moderate water holding capacity. In the seasonal forest, the soil is argisol red-yellow
eutrophic that is characterized by moderately deep and high water holding capacity at any
time of year. Taking into account that water is available throughout the year in the rain forest,
our question was: Do individuals of Moquiniastrum polymorphum (Less.) G. Sancho
(Asteraceae) from the rain forest present growth rings and vessel characteristics of mesic
environments compared to those from seasonal forest? To answer this question we collected
wood samples from the main trunk (1.3 meters above the ground level) of five individuals,
and processed the samples following usual techniques in wood anatomy. We followed IAWA
Committee instructions to characterize growth rings and vessels. Student's t-test at 5% level of
significance was used to compare the vessel features in both physiognomies. To our surprise,
growth rings, characterized by radially flattened latewood fiber walls, were distinct in
individuals of rain forest, and poorly distinct or indistinct in individuals of seasonal forest.
Also, high frequency of narrower vessels with smaller vessel-ray pits were found in
individuals from rain forest, and low frequency of wider vessels with larger vessel-ray pits
were found in individuals from seasonal forest.. Thus, individuals of M. polymorphum from
the rain forest do not present growth rings and vessel characteristics of mesic environments.
On the contrary, high frequency of narrower vessels in individuals from rain forest suggests a
safer water transport. Despite the water being available throughout the year, the water might
not be available to the plant in the rain forest as its soil is characterized by being shallow and
with moderate water holding capacity. The typical features from mesic environments (poorly
distinct or indistinct growth rings and low frequency of wider vessels with larger vessel-ray
pits) found in the seasonal forest might be explained by the higher water holding capacity of
its soil. The water might be available to the plant at any time of year in the seasonal forest.

Keyword: Moquiniastrum polymorphum, Ecological wood anatomy.

Financial support: CAPES

1
Laboratório de Anatomia da Madeira, Faculdade de Ciências Agronômicas, Univ Estadual
Paulista. Rua José Barbosa de Barros, 1780, CEP 18610-307, Botucatu - SP, Brasil.
Anais
* do III Simpósio
corresponding author:Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de120
mablagitz@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
HERBÁRIO DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS (HUEMG):
INSTRUMENTO DE ENSINO PARA EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL

Jaquelina Alves NUNES1*, Anny Carolinni Ferraz FERREIRA1

O herbário da Universidade do Estado de Minas Gerais (HUEMG) representa uma importante


coleção botânica regional e pertence ao Centro de estudos da biodiversidade (CEBIO) da
UEMG/Carangola. O presente estudo propôs realizar práticas educativas para a conservação
da biodiversidade da flora regional, utilizando o herbário HUEMG como objeto pedagógico e
de divulgação científica, nas escolas públicas de ensino fundamental e médio do município
de Carangola, Minas Gerais. O projeto incentivou os alunos, professores e graduandos em
Ciências Biológicas, numa descoberta do estudo da botânica. Visitas às escolas foram
previamente programadas e elaboradas com os professores de Ciências e Biologia junto à
direção escolar. Posteriormente, a vinda dos alunos ao HUEMG, propiciou aulas extraclasse,
o despertar do interesse pela natureza e entendimento pelas espécimes da flora regional. No
total, foram feitas 10 visitas técnicas à coleção do HUEMG, contemplando 210 visitantes.
Dentre esses, a maior parte correspondeu aos alunos do ensino básico (nível fundamental e
médio) de escolas do município de Carangola. O ensino da disciplina Botânica no ensino
básico é de extrema importância, destacando que é necessário que os alunos se empenhem e
também se sintam motivados. Desta forma, nossos resultados apontaram que professores após
conhecer a Coleção botânica do HUEMG, perceberam uma possibilidade de ser mais
dinâmico, fazendo com que o aluno possa relacionar conhecimentos novos com os que ele já
possuía e tenham oportunidade de inovar suas aulas, podendo assim, caracterizar-se pela
valorização ligada aos conteúdos e conceitos básicos. Assim sendo, as práticas realizadas no
HUEMG são importantes por propiciar o reconhecimento da flora de uma região, uma vez
que o aluno ao participar das coletas de materiais botânicos tem o contato direto com o
ambiente e interage em situações reais, confrontando a prática e a teoria, além de estimular à
curiosidade e aguçar o conhecimento científico. O HUEMG além de resguardar a flora local,
arremete a conscientização ambiental e contribui para o ensino facilitado da botânica no
ensino básico e superior. Trata-se de um local onde pesquisadores, biólogos, acadêmicos e
comunidade podem conhecer e estudar a flora de nossa região. Desta forma, o mesmo se
transforma em uma importante ferramenta no aprendizado de universitários dos cursos de
Ciências Biológicas, alunos e professores de educação básica.

Palavras-chave: Educação Não-formal, Coleção Biológica, Botânica.

Créditos de Financiamento: UEMG/ PAEX

1
Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade Carangola, Departamento de Ciências
Biológicas, Praça dos Estudantes, 23, Bairro Santa Emilia, 36800-000, Carangola-MG, Brasil.

*
autor para correspondência: jaquelina.nunes@uemg.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de121
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
HISTOLOCALIZAÇÃO DE ALUMÍNIO EM ÓRGÃOS VEGETATIVOS DE
DUAS ESPÉCIES NATIVAS DO CERRADO

Samara ARCANJO-SILVA1*, Daniela Pinto SOUZA-FERNANDES1, Francy


Hellen Moraes do NASCIMENTO, Daniel Batista Bastos PEREIRA1, Daniela
Grijó de CASTRO1, Aristéa Alves AZEVEDO1

O alumínio (Al) é um fator limitante para o crescimento de plantas em solos ácidos,


como os do Cerrado. Entretanto, espécies nativas destes solos apresentam mecanismos
de resistência, podendo acumular grandes quantidades do metal na parte aérea, sem
desenvolver sintomas de toxidez. Devido à alta afinidade do Al por hemiceluloses e
pectinas, as paredes pectocelulósicas são o principal sítio de sequestro do metal na
célula. Contudo, as espécies podem apresentar padrões de distribuição interna
diferenciados, e estudos envolvendo plantas nativas de biomas brasileiros são essenciais
para entender a resistência. Assim, nosso objetivo foi determinar a localização de Al por
meio de teste histoquímico em duas espécies nativas do Cerrado, Qualea parviflora
Mart. (Vochysiaceae), acumuladora de Al, e Eugenia dysenterica DC. (Myrtaceae), não
acumuladora. Foram coletados folhas e caules de 5 indivíduos de cada espécie em 4
ambientes da FLONA de Paraopeba/MG. A FLONA é uma Unidade de Conservação
com 200 ha de Cerrado e um gradiente pedológico-vegetacional bem marcado, onde são
encontradas 5 combinações de solos x fitofisionomias. As amostras foram coletadas nos
cerrados sensu stricto sobre Latossolo amarelo (Css-LA), Latossolo vermelho amarelo
(Css-LVA) e Cambissolo amarelo (Css-Cxb), e no cerradão mesotrófico sobre
Latossolo vermelho (CM-LV). A disponibilidade de Al na camada superficial destes
solos segue a seguinte ordem: Css-LA > Css-Cxb > Css-LVA > CM-LV, com 3,62,
2,86, 2,57 e 0,0 cmolc/dm3, respectivamente. Secções transversais obtidas conforme
metodologia usual em anatomia vegetal foram submetidas à reação com chrome azurol
S 0,5% para a detecção do Al. E. dysenterica apresentou reação negativa em todos os
tecidos, em caules e folhas. Q. parviflora, por sua vez, apresentou reação positiva nas
paredes de células da epiderme, hipoderme, parênquimas paliçádico e lacunoso,
colênquima, floema e parênquima do xilema nas folhas. A presença de Al também foi
evidenciada nos cloroplastos. Nos caules, foi observado acúmulo de Al nas paredes de
células do súber, parênquimas cortical e medular, floema, câmbio e parênquima do
xilema. Não houve diferença entre os sítios de acúmulo nos diferentes solos. Os
resultados comprovam a natureza acumuladora de Q. parviflora e a não acumuladora de
E. dysenterica, e demonstram que o Al é acumulado especialmente em tecidos com
parede celular primária, podendo também ocorrer em células com parede suberificada e
nos cloroplastos.

Palavras-chave: Eugenia dysenterica, Qualea parviflora, Chrome azurol S, Paredes


pectocelulósicas.

Créditos de financiamento: CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Biologia Vegetal, Programa de Pós-
Graduação em Botânica, Campus Universitário, Avenida P.H. Rolfs, s/n, CEP 36570-
000, Viçosa-MG, Brasil.
*autor para correspondência: samara.arcanjo@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de122
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
HISTOLOCALIZAÇÃO E CORRELAÇÃO DE METABÓLITOS NO
DESENVOLVIMENTO DE GALHAS EM Piptadenia gonoacantha (Mart.) MacBr.
(Fabaceae)

Cibele S. BEDETTI1* & Rosy M. S. ISAIAS1

Insetos galhadores causam estresse biótico nas plantas hospedeiras, alterando o padrão de
desenvolvimento estrutural e químico. Entre as alterações bioquímicas destaca-se a
localização diferencial de metabólitos e atividade enzimática relacionados à nutrição e defesa
do inseto galhador. O objetivo do estudo foi analisar os sítios de acúmulo de amido, açúcares
redutores, atividade da invertase, e de espécies reativas de oxigênio (ERO), de modo a
relacioná-los com o desenvolvimento da galha lenticular côncavo-convexa induzida nos
foliólulos de Piptadenia gonoacantha. Além disso, foram feitas análises citológicas das
camadas de tecidos da galha nos sítios de acúmulo destes metabólitos. Galhas em estágio de
maturação foram coletadas na Estação Ecológica da Universidade Federal de Minas Gerais,
Belo Horizonte, MG. Seções transversais do material fresco foram usadas para as análises
histoquímicas. Para as análises citológicas, as amostras foram fixadas e processadas segundo
metodologia para microscopia eletrônica de transmissão. Amido, açúcares redutores e EROs
foram detectados no córtex inferior das galhas, principalmente nas camadas laterais. A
atividade da invertase foi detectada no córtex inferior, principalmente nas camadas centrais e
foi interpretada como responsável pela eliminação das EROs através da quebra do amido e
produção dos açúcares redutores, glicose e frutose. As EROs, por sua vez, são consideradas
moléculas sinalizadoras geradas em resposta ao estresse da interação biótica, levando a sítios
de morte celular programada que moldam a forma da galha. Do ponto de vista citológico,
plastoglóbulos mostraram-se concentrados no córtex inferior e foram relacionados ao
mecanismo redutor dos danos celulares provocados pelo estresse oxidativo. A co-detecção de
amido, açúcares redutores e da atividade da invertase, comumente relacionada à nutrição do
galhador, é aqui interpretada como moduladora do crescimento da estrutura. As EROs
presentes nos mesmos sítios celulares permite inferir sua atuação como gatilho dos eventos
citológicos responsáveis pelo desenvolvimento das galhas lenticulares côncavo-convexas em
P. gonoacantha.

Palavras-chave: Interação inseto-planta, Invertase, Espécies reativas de oxigênio,


Plastoglóbulos.
Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de
Botânica, Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, caixa postal 486.31270-901,
Belo Horizonte-MG, Brasil.
*autora para correspondência: cibedetti@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de123
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
IMPACTOS DE NEMATÓDEOS GALHADORES EM ÓRGÃOS
REPRODUTIVOS DE Miconia spp. RUIZ & PAV. (Melastomataceae)

Bruno Garcia FERREIRA1*, Sofia Caetano AVRITZER1, Rosy Mary dos Santos
ISAIAS1

O ataque de um organismo galhador aos órgãos reprodutivos pode afetar o sucesso


reprodutivo da população hospedeira. Nematódeos galhadores (Ditylenchus
gallaeformans) diminuem a produtividade de inflorescências em Miconia albicans e M.
ibaguensis, investigada neste trabalho por meio de estudos anatômicos e citológicos. As
flores de Miconia albicans e M. ibaguensis possuem um ovário tricarpelar, ínfero, com
hipanto receptacular vascularizado por 10 feixes vasculares do receptáculo fundido ao
ovário. Há 5 pétalas livres, 5 sépalas conatas e 10 filetes. As flores fecundadas originam
bagas complexas, cuja parte carnosa corresponde ao receptáculo e ovário fundidos. A
placenta é responsável por reentrâncias suculentas nos lóculos, entre as sementes. Os
frutos são polispérmicos e carnosos, e os 10 feixes receptaculares originam, cada um,
um feixe envolto por espessa bainha lignificada. Quando as inflorescências jovens são
infectadas por D. gallaeformans, os meristemas florais cessam a diferenciação, e não
formam flores. Os eixos da inflorescência meristemáticos e os meristemas florais
indiferenciados dão origem a emergências curvas e vascularizadas que cobrem as
colônias de nematódeos. As emergências são revestidas externamente por epiderme com
tricomas, e têm 12-15 camadas de parênquima homogêneo e 3-4 camadas de uma zona
nutritiva meristemática que envolve a câmara, cujas células têm citoplasma denso e
núcleo evidente. Estas células constituem o sítio de alimentação das colônias de
nematódeos. A zona nutritiva possui regiões de crescimento e divisão que originam
novas emergências, permitindo a continuidade do crescimento à medida que a colônia
cresce. Se o meristema floral se diferencia antes de ser infectado, a diferenciação da flor
continua e segue-se a formação de frutos e sementes viáveis. Algumas destas flores
formadas sobre inflorescências galhadas podem possuir número anômalo de carpelos
(4), feixes receptaculares e estames (12). Tal fato indica que mesmo mantendo o
potencial para continuar sua diferenciação, a ação do nematódeo galhador altera a
dinâmica do meristema floral. As alterações diretas causadas por D. gallaeformans são
então restritas às regiões meristemáticas inibindo a diferenciação de muitas peças
florais. A indução das galhas afeta indiretamente as flores não galhadas que ocorrem
sobre as inflorescências infectadas. Estas, mesmo com número diferenciado de peças
florais são viáveis e completam o ciclo reprodutivo.

Palavras-chave: Anatomia vegetal, Ditylenchus gallaeformans, Galhas, Flor, Fruto.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq.

1
Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento
de Botânica. Av. Antonio Carlos, 6627, Belo Horizonte – MG. CEP 31.270-901.
*autor para correspondência: bruno.garcia.ferreira@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de124
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
IMUNODETECÇÃO DE EPITOPOS PÉCTICOS E PROTEICOS NA PAREDE
CELULAR DE GALHAS EM Piptadenia gonoacantha (Mart.) MacBr. (Fabaceae)

Cibele Souza BEDETTI1*, Franciele Carvalho GONÇALVES1, Rosy Mary dos Santos
ISAIAS1

O estresse biótico decorrente da formação de galhas pode alterar a composição da parede


celular do órgão hospedeiro, a qual pode ser avaliada pela imunodetecção de epitopos
moleculares. Este estudo objetivou verificar o papel das alterações na dinâmica péctica e
proteica das paredes celulares de foliólulos não-galhados (FNG) de Piptadenia gonoacantha
(Mart.) MacBr. (Fabaceae) no desenvolvimento das galhas globoides neles induzidas. Galhas
maduras (GM) e FNG (n ≥ 3, de cada) foram coletados na Estação Ecológica da Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG. As amostras foram fixadas em solução de
Karnovsky, incluídas em Paraplast®, seccionadas em micrótomo e tratadas com anticorpos
monoclonais (LM1, LM2, LM5, LM6, JIM5, JIM7) para observação em microscópio
confocal. Não houve marcação de extensinas e arabinogalactanos proteicos (LM1 e LM2) em
FNG e GM. A marcação dos demais epitopos diferiu em FNG e GM quanto à
presença/ausência e intensidade. Em GM, homogalacturonanos metil esterificados (JIM5 e
JIM7), geralmente envolvidos em processo de divisão, expansão e adesão celular, foram
detectados em todos os tecidos, exceto nas células esclerenquimáticas localizadas entre os
córtices externo e interno. Homogalacturonanos de alta metil esterificação (JIM7)
apresentaram menor intensidade de marcação em GM do que os homogalacturonanos de
baixa metil esterificação (JIM5). Isso indica a maturidade das células nas galhas, já que os
HGAs são sintetizados na forma altamente metil-esterificada, sendo posteriormente de-metil-
esterificados, conferindo rigidez às paredes. Galactanos e arabinanos (LM5 e LM6) foram
marcados com intensidade similar no revestimento e no córtex externo de GM, conferindo
adesão celular e rigidez às parede celulares. Assim, através da imunolocalização foi possível
determinar como a dinâmica péctica e proteica das paredes celulares alteram a funcionalidade
das camadas de tecidos dos foliólulos de P. gonoacantha para a o desenvolvimento das galhas
globoides.

Palavras-chave: Anticorpos monoclonais, arabinanos, galactanos, homogalacturonanos,


interação inseto-planta.
Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de
Botânica, Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, caixa postal 486.31270-901,
Belo Horizonte-MG, Brasil.
*autora para correspondência: cibedetti@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de125
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
INFLUÊNCIA DO ESTRESSE HÍDRICO E LUMINOSIDADE NO CRESCIMENTO
E PRODUÇÃO DE ÓLEO DE CAPIM LIMÃO

Ericka Kaori KAMIYA¹, Leticia Pungi LIPPI 1*, Marcelo POLO1

Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf, conhecido como capim limão, é uma herbácea aromática
de origem asiática cultivada para a extração de óleo essencial que é utilizado na medicina
popular e fins industriais, para a síntese de iononas e vitamina A. Devido ao crescente
interesse no consumo de plantas medicinais, práticas de cultivo têm sido estudadas com o
propósito de otimizar o rendimento extrativo do óleo essencial. O presente trabalho teve
como objetivo estudar o efeito do estresse hídrico e luminoso no crescimento foliar e na
quantidade de óleo essencial produzido. Conduzido na Casa de Vegetação no Horto
Botânico e Medicinal da UNIFAL-MG, 36 rizomas com uma gema foliar foram plantados
em sacos pretos de polietileno contendo 2L de terra e adubo orgânico. Estas plantas foram
divididas em 6 grupos e mantidas nos seguintes tratamentos: Grupo A: com irrigação a
100% de capacidade de campo (ψ=0kpa) e 100% de luminosidade; Grupo B: com irrigação a
100% de capacidade de campo (ψ=0kpa) e 50% de luminosidade; Grupo C: com irrigação a
100% de capacidade de campo (ψ=0kpa) e 30% de luminosidade; Grupo D: sob estresse com
irrigação a cada dois dias, mantendo o potencial hídrico do solo negativo capacidade de
campo (ψ= -0, 056 kpa) e 100% de luminosidade; Grupo E: sob estresse com irrigação a
cada dois dias, mantendo o potencial hídrico do solo negativo capacidade de campo (ψ= -0,
020 kpa) e 50% de luminosidade; Grupo F: sob estresse com irrigação a cada dois dias,
mantendo o potencial hídrico do solo negativo capacidade de campo (ψ= -0, 017 kpa) e 30%
de luminosidade. Aos 150 dias de cultivo foram avaliados os parâmetros: número de folhas,
área foliar e peso úmido. As folhas foram desidratadas e feita a extração do óleo por
hidrodestilação em aparelho de Clevenger. O resíduo foi seco e obtido o peso seco. Foi
medido o volume do óleo essencial e obtida a densidade. Os resultados evidenciaram que a
diminuição da luminosidade e o estresse hídrico acarretaram diminuição da área foliar, do
número médio de folhas e da massa seca, sendo uma estratégia morfofisiológica para a
redução da transpiração. O teor de umidade não sofreu variação, demonstrando apresentar
tolerância ao déficit hídrico. O maior rendimento de óleo ocorreu nos tratamentos com 50%
de luminosidade independente da disponibilidade hídrica.

Palavras-chave: Capim-limão, Óleo essencial, Estresse hídrico, Luminosidade

1
Universidade Federal de Alfenas – UNIFAL, Laboratório de Biotecnologia Ambiental e
Genotoxicidade – BIOGEN, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-
MG, Brasil. *autor para correspondência: leticia_gnr@hotmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de126
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
INFLUÊNCIA DA ADUBAÇÃO FOSFATADA EM ALGUNS DESCRITORES
MORFOLÓGICOS DA SOJA

Éder MATSUO1*, Marcos Morais SOARES2, Tuneo SEDIYAMA3, Cosme Damião


CRUZ4

Estudos envolvendo descritores morfológicos são importantes para o melhoramento genético


de soja (Glycine max L. Merr.). Desta forma, objetivou-se avaliar o efeito da adubação
fosfatada em alguns descritores morfológicos da soja. O experimento foi conduzido, em casa
de vegetação, no delineamento de blocos ao acaso com dez repetições (unidade experimental
foi a média de duas plantas cultivadas em um vaso), segundo esquema de fatorial 2x2x5, em
vasos plásticos contendo 3,0 dm3 da amostra do solo. Foram avaliadas plantas da cultivar
BRS Valiosa RR em função de duas doses de fósforo utilizadas no recobrimento das sementes
(com fosfato de sódio monobásico, sal p.a., na dose de 0,0 e 0,7 g.kg-1 de semente), duas
épocas de aplicação de fósforo (50% e 100% da dose total em semeadura) e cinco doses de
fósforo adicionadas no solo (50, 100, 200, 300 e 400 mg.kg-1 de P no solo, sendo o
superfosfato simples utilizado como fonte de P). As plantas foram avaliadas, no estádio V3,
quanto ao comprimento do hipocótilo (CH, em mm), do epicótilo (CE, em mm), comprimento
do internódio entre o nó das folhas unifolioladas e da primeira folha trifoliolada (CI, em mm)
e altura da planta (AP, em cm). As mensurações foram realizadas com paquímetro digital
(CH, CE e CI) e régua milimétrica (AP). Na análise estatística, procedeu-se a análise de
variância e, posteriormente, ajustou-se uma regressão linear simples para o tratamento
significativo. Os resultados indicaram que para as características CH, CE e CI não foram
detectados efeitos significativos de doses, recobrimento e época de aplicação do fósforo,
isolados e em interação, ao nível de 5% de probabilidade. Para AP, foi observado efeito
significativo, isoladamente, para os diferentes níveis de doses (à 1% de probabilidade)
indicando que os contrastes entre os tratamentos se diferem de zero. Ao estabelecer uma
regressão linear simples, verificou-se que a AP apresenta aumento linear em função do
aumento das doses de fósforo no solo. Assim, conclui-se que a adubação fosfatada não
influenciou o comprimento do hipocótilo, do epicótilo e do internódio entre o nó das folhas
unifolioladas e da primeira folha trifoliolada na cultivar BRS Valiosa RR; e a altura de plantas
apresentou-se dependente das diferentes doses de fósforo aplicada no solo.

Palavras-chave: Glycine max L. Merr., Melhoramento, D.H.E., Nutrição de plantas.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq.

1: Universidade Federal de Viçosa, Campus de Rio Paranaíba, Instituto de Ciências Exatas e


Tecnológicas, Rodovia MG230, Km7, Caixa Postal 22, CEP: 38810-000, Rio Paranaíba-MG,
Brasil.
2: Fundação Universidade do Tocantins, Quadra 203 Sul, QI 08, Alameda 11, Lote 16, Bairro
Plano Diretor Sul, CEP: 77015-222, Palmas-TO, Brasil.
3: Universidade Federal de Viçosa, Campus de Viçosa, Departamento de Fitotecnia, Campus
Universitário, Av. PH Rolfs, s/n, CEP: 36570-900, Viçosa-MG, Brasil.
4: Universidade Federal de Viçosa, Campus de Viçosa, Departamento de Biologia Geral,
Campus Universitário, Av. PH Rolfs, s/n, CEP: 36570-900, Viçosa-MG, Brasil.
Anais
* autordo III correspondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de127
edermatsuo@ufv.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
INFLUÊNCIA DE DIMETILSULFÓXIDO SOBRE A GERMINAÇÃO DE Lactuca
sativa L. (Asteraceae) PARA BIOENSAIOS ALELOPÁTICOS

Inêssa Rocha da COSTA1*, Luciene de Oliveira RIBEIRO¹, Marília CARVALHO¹,


Sandro BARBOSA¹, Diogo Teixeira CARVALHO2, Thiago Correa de SOUZA¹

Moléculas semissintéticas produzidas em laboratório têm sido propostas como uma


alternativa viável para produção de bioherbicidas. Contudo, muitas dessas moléculas são
pouco solúveis em água, e para sua utilização em bioensaios de alelopatia faz-se necessário o
uso de solventes, como o dimetilsulfóxido (DMSO), para solubilização dessas moléculas.
Para isso, primeiramente é necessário testar se esse solvente se mostra tóxico para a
germinação de sementes de alface, organismo teste utilizado nos bioensaios. O objetivo desse
trabalho foi analisar a influência de diferentes concentrações de DMSO sobre a germinação de
sementes de alface (Lactuca sativa L.) cv. Grand Rapids. Foi efetuada a incubação das
cipselas em solução de DMSO nas concentrações de (0,1%, 0,5%, 1%, 1,2%, 1,4%, 1,6%,
1,8% e 2%) e controle negativo composto por água destilada, cada um com 3 repetições
contendo 30 cipselas. As placas foram mantidas em câmaras de germinação tipo B.O.D., a
20ºC e fotoperíodo de 12h. Foi avaliada a taxa de germinação com 24 e 48 horas. Os dados
foram submetidos à análise de variância e as médias foram comparadas por meio do teste
Scott-Knott com nível de 5% de significância. As análises foram realizadas com auxílio do
software Sisvar 5.0. Com este estudo preliminar sobre o efeito de DMSO na germinação de
sementes de alface concluiu-se que nas concentrações acima de 1,6% houve redução no
percentual de sementes germinadas, sendo que nas demais concentrações testadas a influência
desse solvente não foi significativa sobre a germinação comparada ao controle, permitindo
taxas acima de 70% de germinação. Portanto, recomenda-se para bioensaios vegetais a
concentração de 1,4% para solubilização de moléculas semissintéticas, especialmente
cumarinas, já que não há interferência do DMSO nessa concentração sobre o padrão de
germinação das sementes de alface. Além disso, testes preliminares evidenciaram que essa
concentração se mostrou eficiente para dissolver completamente moléculas de cumarina.

Palavras-chave: Solvente, Fitotoxicidade, Organismo-teste.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental e
Genotoxicidade, Instituto de Ciências da Natureza, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Ambientais, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Pesquisa em Química Farmacêutica,
Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Programa de Pós-Graduação em Ciências
Farmacêuticas, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de128
inessa.rocha@hotmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
INFLUÊNCIA DE SACOLAS PLÁSTICAS NO ENSACAMENTO DE NOVAS
CULTIVARES E SELEÇÕES DE PESSEGUEIRO

Daniel Fernandes da SILVA1*, Fabíola VILLA2, Rafael PIO1, Ângelo Albérico


ALVARENGA3, Anderson SANTIN2

O pessegueiro é uma planta pertencente à família Rosaceae e ao gênero Prunus. Para a


produção de frutos de qualidade o pessegueiro requer condições climáticas específicas, visto
que estas podem alterar suas características físico-químicas. Uma das formas de garantir a
sanidade dos frutos é o ensacamento, técnica já bem estabelecida para esta frutífera, mas que
necessita estudos para novas cultivares e seleções e que também tem sido aprimorada por
meio da utilização de novos materiais para confecção das embalagens de ensacamento. Diante
disso, o objetivo do trabalho foi avaliar a qualidade pós-colheita de novas cultivares e
seleções de pêssegos produzidos sob ensacamento dos frutos com sacolas plásticas. O
experimento foi conduzido na Fazenda Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária
de Minas Gerais (EPAMIG), em Maria da Fé. As cultivares e seleções avaliadas quanto às
características físico-químicas foram ‘Cascata 663’, ‘Cascata 1015’, ‘Conserva 693’,
‘Conserva 845’, ‘Conserva 1050’, ‘Conserva 1122’, ‘Conserva 843’, ‘BRS Libra’,
‘Diamante’, ‘Fla 88-13’, ‘Ouromel 2’, ‘Sensação’, ‘Tropic Beauty’, ‘Azetec Gold’, ‘Cascata
1056’ e ‘Maciel’, que são cultivares e seleções de maturação precoce e mediana. O
delineamento experimental utilizado foi DBC com quatro blocos, contendo plantas que
tiveram seus frutos ensacados e plantas com frutos sem ensacamento, sendo uma planta por
parcela experimental. Para o ensacamento foram utilizadas sacolas plásticas de polietileno
branco perfuradas no fundo, presas ao ramo pelas próprias alças. As variáveis avaliadas
foram: sólidos solúveis, acidez titulável, pH e relação sólidos solúveis/acidez titulável dos
frutos. Verificou-se interação significativa entre a cultivar ou seleção e o ensacamento para
todas as variáveis analisadas. Constatou-se que o ensacamento proporciona redução da acidez
nas cultivares ‘Azetec Gold’, ‘Cascata 1056’, ‘Conserva 693’, ‘Conserva 843’, ‘Conserva
845’ e ‘Sensação’, ‘Maciel’, reduz o teor de sólidos solúveis apenas em ‘Conserva 845’ e
‘Maciel’ e aumenta a relação sólidos solúveis/acidez titulável na maioria das cultivares
excetuando-se ‘Cascata 1056’, ‘Conserva 1050’, ‘BRS Libra’, ‘Diamante’, ‘Tropic Beauty’,
‘Maciel’ além da cultivar ‘Conserva 845’onde os frutos tiveram maior relação sólidos
solúveis/acidez titulável quando cultivados sem ensacamento, sendo, portanto, o ensacamento
com sacola plástica uma técnica recomendável para todas as cultivares exceto ‘Conserva 845.

Palavras-chave: Prunus persica (L.) Batsch, Pós-colheita, Ambiência, Valor nutricional.

Créditos de financiamento: CAPES

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia (DBI), Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
*Autor para correspondência: daniel_eafi@yahoo.com.br
2
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Centro de Ciências Agrárias (CCA),
Campus Marechal Cândido Rondon, Rua Pernambuco, 1777, Centro, Caixa Postal 91, CEP:
85960-000, Marechal Cândido Rondon-PR, Brasil.
3
Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), Unidade Regional do Sul
Anais do III
de Minas, Simpósio
Campus Internacional
Universitário de Botânica
da UFLA, CaixaAplicada e XXXV
Postal 176, Encontro
Lavras-MG, Regional de129
Brasil.
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
INVENTÁRIO DA FLORA DO PARQUE NACIONAL DA SERRA DO CAPARAÓ,
DEPOSITADA NO HERBÁRIO HUEMG.

Braz Antonio Pereira COSENZA1,² *Cristiano Viana GUEDES ² João Victor Motta.
SALERNO ²Max Antonioni SILVA²

O Parque Nacional do Caparaó foi criado em 1961 e está localizado na divisa entre Minas
Gerais e Espírito Santo. Compreende uma área total de 31.800 hectares, situado numa região
montanhosa, com ponto culminante o Pico da Bandeira com 2.892 m de altitude e áreas mais
baixas a 997 m de altitude. O Parque está situado na província biogeográfica da Floresta
Pluvial do Brasil e pertence ao Domínio Atlântico, ou Mata Atlântica, com formações
vegetacionais de Floresta Ombrófila Densa, Floresta Estacional Semidecidual e Campos de
Altitude. Foi realizado um levantamento do material coletado na Unidade de Conservação,
depositado no Herbário da Universidade do Estado de Minas Gerais (HUEMG). Estas coletas
são provenientes de projetos e programas desenvolvidos com a parceria entre o Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e o HUEMG, além de doações de outros
herbários brasileiros, em especial o Herbário da Universidade Federal de Viçosa. Foram
extraídas das etiquetas informações sobre as famílias, gêneros, espécies, autor, coletor, data de
coleta, procedência, hábito, altitude, floração ou frutificação e demais observações
importantes referentes aos ambientes do Parque Nacional do Caparaó. Foi registrado um total
de 273 espécies distribuídas em 170 gêneros e 69 famílias, sendo Fabaceae, Melastomataceae,
Rubiaceae, Asteraceae, Solanaceae, Orchidaceae, Bromeliaceae, Piperaceae, Euphorbiaceae e
Myrtaceae responsáveis por 55% das espécies inventariadas. Essas informações ampliam o
conhecimento sobre a Flora do Parque Nacional do Caparaó, e reforçam a necessidade de
conservação desse importante remanescente de Mata Atlântica e suas formações
vegetacionais associadas, principalmente os campos de altitude, em função da riqueza e da
presença de espécies raras e ameaçadas de extinção.

Palavras-chaves :, Coleção científica, Flora, Unidade de Conservação.

1
Universidade do Estado de Minas Gerais-Departamento de Ciências Biológicas; Praça dos
Estudantes nº 23; Bairro Santa Emília; 36800-000; Carangola, MG; Brasil.
2- Centro de Estudos da Biodiversidade/Herbário HUEMG; Praça dos Estudantes nº 23;
Bairro Santa Emília; 36800-000; Carangola, MG; Brasil.
* autor para correspondência: brazcosenza@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de130
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
INVENTÁRIO FLORÍSTICO PARA AS TRIBOS: ASTEREAE,
GNAPHALIEAE, INULEAE E SENECIONEAE (Asteraceae), EM RIO
PARANAÍBA

Vinícius Resende BUENO1*, Silvana da Costa FERREIRA¹

O município de Rio Paranaíba pertence à região do Alto Paranaíba em Minas Gerais,


que está inserida no domínio Cerrado. A família Asteraceae Bercht. & J.Presl tem como
características principais o hábito herbáceo, inflorescências do tipo capítulo, flores com
cálice modificado (pápus), anteras sinânteras e frutos do tipo cipsela. O inventário
florístico desse grupo faz parte de um trabalho maior realizado no município de Rio
Paranaíba: o Levantamento de espécies da família Asteraceae. Para tanto realizou-se
coletas quinzenais de agosto/2011 até maio/2014. Os espécimes foram herborizados
segundo as técnicas convencionais e acondicionados no laboratório de Sistemática
Vegetal da UFV/CRP. Foram identificadas 18 espécies de quatro tribos diferentes:
Astereae Cass., Gnaphalieae (Cass.) Lecoq & Juill., Inuleae Cass. e Senecioneae Cass..
A tribo Astereae apresentou a maior riqueza de espécies, sendo oito do gênero
Baccharis L., e duas do gênero Conyza Less.; a tribo Senecioneae foi a segunda com
maior quantidade de espécies, com três espécies do gênero Erechtites Raf. e duas
espécies do gênero Emilia (Cass.) Cass.. Para a tribo Inuleae identificou-se duas
espécies do gênero Pterocaulon Elliott; e para a tribo Gnaphalieae encontrou-se apenas
a espécie Achyrocline satureoides (Lam.) DC.. As espécies encontradas são todas
consideradas nativas, sendo que as espécies Conyza bonariensis (L.) Cronquist, C.
canadensis (L.) Cronquist, Emilia sonchifolia (L.) DC. Ex. Wight e Emilia fosbergii
Nicolson são consideradas ruderais. Baccharis retusa DC. é endêmica do Brasil,
Baccharis pohlii (Baker) Deble & A.S.Oliveira é endêmica do Cerrado (Minas Gerais e
Goiás) e é o nono registro da espécie. Erechtites goyazensis (Gardner) Cabrera foi
coletada em Rio Paranaíba, sendo a quarta coleta da espécie em Minas Gerais e,
segundo a literatura, as últimas coletas no estado haviam sido realizadas durante o
período entre o ano de 1840 até a década de 1860, por Weddell, Regnell e Warming.

Palavras-chave: Compositae, Cerrado, Minas Gerais.

Créditos de financiamento: FUNARBIC; PIBIC/CNPq

1
Universidade Federal de Viçosa- Campus Rio Paranaíba, Instituto de Ciências
Biológicas e da Saúde, Laboratório de Taxonomia Vegetal, caixa postal 22, CEP:
38810-000, Rio Paranaíba-MG, Brasil.
*Autor para correspondência: vrbueno@outlook.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de131
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
INVESTIGAÇÃO DOS MARCADORES MOLECULARES PARA ESTUDOS
FILOGEOGRÁFICOS EM Mimosa radula Benth. (Leguminosae)

Aline Delon FIRMINO1*, Valquíria Ferreira DUTRA¹*

Mimosa radula é um arbusto endêmico do Cerrado, segundo maior bioma brasileiro, que
ocupa 23,9% do território nacional e apresenta alta biodiversidade e endemismo, estando
incluído entre os 35 hotspots de biodiversidade. A espécie apresenta cinco táxons
infraespecíficos: M. radula var. calycina (Benth.) Barneby, M. radula var. imbricata (Benth.)
Barneby, M. radula Benth. var. radula, M. radula var. radulina Barneby e M. radula var.
semitonsa Barneby, que se distinguem por caracteres multiestados, cuja amplitude de variação
pode ocorrer dentro de uma mesma população, tornando difícil a identificação morfológica
dessas variedades. Possuem ocorrência simpátrica em Goiás e no oeste de Minas Gerais e são
consideras ameaçadas de extinção neste Estado. Um estudo filogeográfico preliminar,
utilizando o genoma do cloroplasto trnD-trnT, aponta para uma provável parafilia entre as
variedades. A filogeografia investiga o fluxo gênico histórico na estruturação genética das
populações e promove informações suficientes para a tomada de decisão taxonômica, quanto
à delimitação de espécies, como demonstrado em estudos com as leguminosas Hymenaea
stigonocarpa Hayne e Oxytropis campestris (L.) DC. Este estudo teve como objetivo
investigar os marcadores moleculares trnH-psbA, psbC-trnS3, trnS-trnG e rpl32F-trnL, que
são frequentemente utilizados em estudos filogeográficos em Leguminosae, para utilização na
filogeografia de M. radula. Foi usado na análise o DNA cloroplastídico de 39 indivíduos de
quatro das cinco variedades, pertencentes a 16 populações. Nenhum produto de amplificação
foi obtido com o marcador trnS/trnG e para psbC-trnS3 e rpl32F-trnL não houve
amplificação satisfatória, havendo formação de bandas duplas. Para o marcador trnH-psbA,
apenas 10 indivíduos, de três variedades, foram amplificados e sequenciados com sucesso. A
amplificação do genoma do cloroplasto trnH-psbA produziu um fragmento de 397bp e o
alinhamento das sequencias revelou a presença de seis sítios polimórficos, caracterizados por
cinco indels e uma substituição de base na posição 356 (T→G). Este estudo piloto mostra
que, apesar dos marcadores testados serem amplamente utilizados na filogeografia de espécies
de Leguminosae, devido a ausência de amplificação, em trnS-trnG, a formação de produtos
secundários na amplificação de psbC-trnS3 e rpl32F-trnL, e o baixo polimorfismo encontrado
para o trnH-psbA, os mesmos não são úteis para estudos filogeográficos em M. radula.

Palavras-chave: polimorfismo, psbC-trnS3, rpl32F-trnL, trnH-psbA, trnS-trnG.

Créditos de financiamento: CNPq

1
Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais,
Departamento de Ciências Biológicas, Setor Botânica, Campus de Goiabeiras, CEP
29075-910, Vitória-ES, Brasil.
*autor para correspondência: valquiriafdutra@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de132
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
IRIDACEAE Juss. PARA O COMPLEXO DE SERRAS DA BOCAINA E
CARRANCAS - MINAS GERAIS, BRASIL

Cauê Paiva Vidigal MARTINS1*, Daniel Quedes DOMINGOS¹, Michel BIONDI¹,


Mariana Esteves MANSANARES¹.

Iridaceae apresenta distribuição cosmopolita, com cerca de 70 gêneros e aproximadamente


1.800 espécies, com maior representatividade em regiões tropicais e subtropicais, tendo o sul
da África como o maior centro de diversidade, seguido pela América do Sul. No Brasil
ocorrem cerca de 18 gêneros e 150 espécies, associadas principalmente a fisionomias abertas,
como os Campos Sulinos, o Cerrado, a Caatinga, Campos de Altitude e Campos Rupestres.
Os representantes desta família são ervas cujos principais caracteres taxonômicos estão
associados a morfologia do caule subterrâneo, das tépalas, dos estames e dos estiletes. A
família é reconhecida principalmente por possuir importância econômica, sendo utilizada
como ornamental. O presente estudo teve como objetivo contribuir com o conhecimento da
diversidade de espécies da família Iridaceae para os campos rupestres do Complexo de Serras
da Bocaina e Carrancas, Minas Gerais, região ainda pouco estudada do ponto de vista
florístico do extrato herbáceo. O trabalho foi desenvolvido entre março de 2010 e março de
2012, totalizando 24 expedições a campo. O material botânico coletado foi identificado
através de consultas ao acervo do Herbário ESAL, da Universidade Federal de Lavras, e dos
herbários virtuais New York Botanical Gardens, Neotropical Herbarium Specimes, INCT -
Herbário Virtual da Flora e dos Fungos, além de literatura especializada. Foram registradas
seis espécies divididas em dois gêneros, Sisyrinchium representado por quatro espécies (S.
Itabiritense, S. Palmifolium, S. vaginatum e S. sp) e Trimezia por duas (T. juncifolia e T.
lutea). Sisyrinchium é o gênero com maior representatividade de espécies nativas possuindo
cerca de 67 espécies, seguido por Trimesia com 22 espécies. Além desse estudo, estes dois
gêneros também são relatados como os de maior representatividade em diferentes áreas de
campo rupestre de Minas Gerais. Ambos os gêneros possuem como característica a presença
de flores vistosas e, ao contrário de gêneros exóticos como Iris, Gladiolus, Dietes, Trigidia,
suas espécies ainda são pouco utilizadas como ornamentais. Dentre as espécies coletadas
destaca-se o primeiro registro de Sisyrinchium itabiritens no Complexo de Serras da Bocaína
e Carrancas, sendo até então descrita apenas para a micro região da cidade de Ouro Preto.
Esses resultados enfatizam a importância do conhecimento da flora nativa, incentivando a
realização de trabalhos taxonômicos e de conservação.

Palavras-chave: Iridaceae, Campos rupestres, Serra da Bocaina, Carrancas.

Créditos de financiamento: FAPEMIG

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
*autor para correspondência: cauebioalfenas@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de133
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
LAMINÁRIO DIDÁTICO: ANATOMIA VEGETAL COMPARADA DE PLANTAS
VASCULARES

Eliane Vieira de SOUZA1*, Jaqueline DIAS-PEREIRA1*, Mirlem Gonçalves ROCHA1,


Silvana da Costa FERREIRA1

As plantas vasculares apresentam características estruturais diferenciadas em relação à


quantidade de órgãos, ao tipo de estelo, morfologia dos esporos, elemento condutor,
morfologia dos microfilos e megáfilos, etc.. Essas características estruturais são importantes
para realizar estudos comparativos entre os órgãos dos diferentes grupos taxonômicos. Além
disso, o curso de Ciências Biológicas, da Universidade Federal de Viçosa, Campus Rio
Paranaíba está completando 5 anos e, tem-se procurado proporcionar o oferecimento de mais
disciplinas optativas aos estudantes e, para isso, são necessários materiais didáticos
específicos. Objetivou-se, confeccionar um laminário histológico didático de plantas
vasculares para que seja oferecida a disciplina optativa anatomia vegetal comparada. As
amostras botânicas de órgãos vegetativos foram coletadas em diferentes regiões do Brasil e,
algumas amostras foram doadas pelo Laboratório de Anatomia Vegetal, da Universidade
Federal de Viçosa, Campus Viçosa. As amostras foram fixadas em FAA50%, desidratadas em
série etílica crescente e incluídas em historesina (LEICA), os blocos foram cortados,
transversalmente, em micrótomo rotativo de avanço automático e as lâminas coradas com azul
de toluidina. Para análise de venação e epiderme, foram realizadas as técnicas de diafanização
e dissociação de epiderme. As lâminas foram montadas em Permount e, algumas,
semipermanentes, foram coradas com safranina e montadas com gelatina glicerinada. Todas
foram fotografadas em fotomicroscópio Olympus. Já foram confeccionadas lâminas dos
diferentes órgãos de monilófitas (Anemia sp., Campyloneurum angustifolium,
Campyloneurum repens, Equisetum sp., Niphidium crassifolium, Pecluma recurvata,
Pleopeltis hirsutissima, Psilotum sp., Rumohra adiantiformis, Vandenboschia radicans) e
Espermatófitas (Cordyline sp., Ginkgo biloba, Rhododendron sp.). Evidenciou-se
características específicas dentro de cada grupo e de cada órgão, como a variação e
organização e morfologia dos esporos, presença de compostos fenólicos e cloroplastos nas
células comuns da epiderme, presença de escamas, nas monilófitas. Distribuição dos feixes
vasculares nos diferentes órgãos e entre as espécies e os tipos de estelo. Este laminário
enriquecerá as aulas práticas da disciplina optativa, permitindo uma maior compreensão dos
estudantes, pois, através das análises estruturais, permitirá relacionar também as novas
posições dos grupos, embasadas nos estudos filogenéticos.

Palavras-chave: Anatomia vegetal, Ensino em botânica, Monilófitas, Espermatófitas.


Créditos de financiamento: Bolsa PIBEN

1
Universidade Federal de Viçosa- Campus Rio Paranaíba, Instituto de Ciências Biológicas e
da Saúde, Laboratório de Anatomia Vegetal, caixa postal 22, CEP: 38810-000, Rio Paranaíba-
MG, Brasil.
*autor para correspondência: jaqueline.dias@ufv.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de134
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
LEAF PROLINE AND FRUIT PRODUCTION INDUCED BY POTASSIUM STRESS
IN EGGPLANT

Elen FAVARON1*, Douglas José MARQUES1, Hudson Carvalho BIANCHINI1, Lívia


Mendes BRANDÃO1, Fernanda de Paula FERNANDES1, Rafael de Oliveira
FERREIRA1

Eggplant (Solanum melongena L.) is a horticultural species that has been largely consumed in
world due to medical and nutritive potentials. Studying an antocyanin extracted of Solanum
melongena reported that this fruit promotes reduction of the total cholesterol in rats. That
eggplant fruit contain high ascorbic acid and phenolics contents, both being powerful
antioxidants. The major limitations to the cultivation of eggplant are related to the low
availability of water and nutrients in the soil during the cycle. The response of plant species to
abiotic factors such as salinity and water stress has been little studied in the culture of
eggplant. Currently domestic production of potash fertilizer in Brazil as K2O is above 16%
and import is 83%. The main potassium fertilizer used in agriculture is potassium chloride
followed by potassium sulphate to a lesser extent. Potassium sulfate is less “salty” than the
potassium chloride. Its salt content per unit of K2O is half the rate of potash, which makes it
more suitable for soils with a tendency to salinization. Potassium has in plants a number of
duties related to energy storage. Among the various functions is improved efficiency of water
use, due to control of stomata opening and closing. The aim of this study was to investigate
the influence of potassium stress through two potassium fertilizer (KCl and K2SO4) treatments
over leaf proline and fruit production in eggplant, as well as the modifications in electrical
conductivity of soil. The experiment design used was factorial scheme with randomized
blocks, 2 potassium sources (KCl and K2SO4) combined with 4 levels of K2O (250, 500, 750
and 1000 kg ha-1). The highest fruit production was obtained with K2O 500 kg ha-1using KCl
-1
compared to K2SO4 with an average electrical conductivity of 2.76 and 2.16 dS m . In this
study it was observed that excessive level of KCl and K2SO4 as K2O 1000 kg ha-1 resulted in
decrease of fruit production and increase of proline concentration in leaves of the eggplant.

Key words: Solanum melongena, mineral stress, potassium, proline.

Credit financing: CAPES

1
Universidade José do Rosário Vellano-UNIFENAS; Alfenas, MG, Brazil
* autor para correspondência: douglasjmarques81@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de135
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
LEVANTAMENTO DAS PTERIDÓFITAS OCORRENTES EM TRÊS ÁREAS DO
CAMPUS DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ.

Aline do Nascimento SOUZA1*; Bruna Caliane Silva Flôres GONÇALVES2; Alba


Lucilvânia Fonseca CHAVES3.

As Pteridófitas possuem ampla distribuição no mundo e são consideradas pioneiras no


processo de sucessão ecológica com relação às plantas vasculares. Elas tornam o ambiente
viável para o desenvolvimento de outras espécies seguindo a ordem evolutiva. As mesmas
podem apresentar forma de vida terrestres, rupícolas, epífitas, hemiepífitas, aquáticas ou
trepadeiras e geralmente possuem porte herbáceo, com exceção das famílias Cyatheaceae e
Dicksoniaceae que apresentam porte arbustivo. O projeto tem como objetivo levantar as
espécies de pteridófitas ocorrentes na área da UESC com coletas, identificação do material
coletado e descrição da forma de vida das mesmas. Iniciado em Outubro de 2014 o trabalho
está sendo desenvolvido na Cabruca, mata e área urbana do Campus, situado no município de
Ilhéus-Bahia. Até o momento foram realizadas sete coletas, através de caminhadas aleatórias
em trilhas pré existentes, utilizadas como referência. As espécies foram coletadas com auxílio
de enxada de jardinagem e espátulas, fotografadas e prensadas ainda em campo. A
identificação está sendo realizada pela observação das características morfológicas com
auxílio de lupa, literatura específica, como também em Banco de dados virtual do Jardim
Botânico do Rio de Janeiro, no Herbário André Maurício de Carvalho e posteriormente no
Herbário da Universidade Estadual de Santa Cruz. Até o presente momento foram
identificadas 11 famílias, 16 gêneros e 16 espécies. A família mais representativa é
Polypodiaceae com 4 gêneros e 6 espécies; Selaginellaceae e Pteridaceae com 2 gêneros e 2
espécies respectivamente; Anemiaceae, Blechnaceae, Cyathaceae, Lomariopsidaceae,
Lygodiaceae, Tectariaceae, Thelypteridaceae e Psilotaceae com um gênero e uma espécie
cada uma. Nas três áreas em estudo foram encontradas 23 espécies sendo que, sua distribuição
se dá da seguinte forma: Mata-9 spp; Cabruca-7 spp. e área urbanizada-7 spp.

Palavras-chave: Pteridófitas, Levantamento, Check-list, Taxonomia.

1
1: Discente do Curso de Ciências Biológicas - UESC –
*autor para correspondência: ali.nascimento@yahoo.com.br;
2: Discente do Curso de Ciências Biológicas - UESC;
3: Docente do Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Santa Cruz –
UESC; Campus Soane Nazaré de Andrade (Salobrinho), Km 16 - BR-415, BA, 45662-900.

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de136
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
LEVANTAMENTO DOS HERBÁRIOS VIRTUAIS BRASILEIROS: SBB E
SPECIESLINK

Eudes de Castro LIMA1*, Tatiana Dias CANTELLE2*, Luís Antônio Coimbra


BORGES3

Há consciência de que o conhecimento acerca da biodiversidade se faz necessário, em escala


local, regional, nacional e global. Desse modo, buscam-se por alternativas que visem
contribuir com o processo de difusão dessas informações. No que se refere as coleções
botânicas, os herbários vêm, ao longo das décadas, preservando a diversidade biológica
vegetal mediante a documentação de espécimes e exemplares que são indispensáveis à
investigação científica nas áreas da sistemática, taxionomia e ecologia vegetal. Todavia, com
o processo de informatização, os herbários transcenderam a estrutura física, permitindo o
acesso ao acervo digitalizado. Por essa razão, esse estudo foi conduzido com o objetivo de
levantar informações disponíveis sobre os herbários virtuais do Brasil nas bases de dados
selecionadas: Catálogo da Rede Brasileira de Herbários - Sociedade Botânica do Brasil (SBB)
e Herbário Virtual da Flora e dos Fungos (INCT) com a rede SpeciesLink. Foram encontrados
188 herbários ativos na SBB e 364 na SpeciesLink. Uma análise por região e estado, permite
identificar em ambas as bases a região sudeste com o maior número de herbários, sendo 64 e
170, e São Paulo com 30 e 84, na SBB e SpeciesLink respectivamente. Em relação aos
sistemas de software utilizados para informatizar o acervo, na SBB os mais utilizados foram o
Brahms, em 78 herbários e o Excel, em 31 herbários. Em contrapartida, na SpeciesLink 147
herbários utilizaram o Excel e 67 o Brahms. Quanto à disponibilidade do acervo, é possível
acessar todas as coleções disponibilizadas pela SpeciesLink. Na SBB, apenas 44 herbários
divulgam site próprio. Destes, 32 estão indisponíveis e 12 estão disponíveis dentre os quais,
apenas 6 permitem acesso ao acervo. A maior coleção na base da SBB pertence ao Instituto
Agronômico de Pernambuco cujo Herbário IPA, fundado em 1935, possui 890 mil
exemplares. Na SpeciesLink, a Fiocruz-CEIOC, inserida na base desde 2011, apresenta uma
coleção com 5 milhões de exemplares. Conclui-se que o processo de informatização dos
acervos é uma realidade. A Rede Brasileira de Herbários concentra seus esforços na
divulgação, por meio do acesso ao catálogo dos herbários brasileiros. O sistema SpeciesLink,
além de promover a divulgação dos herbários, integra os acervos, permitindo acesso aos
mesmos. Por esse sistema é possível gerar automaticamente relatórios e estatísticas. Por fim,
as bases analisadas contribuem significativamente para a divulgação dos acervos e herbários
brasileiros.

Palavras-chave: Acervo, Herbários virtuais, Informatização, SpeciesLink.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências da Computação, Grupo de
Estudo em Engenharia de Software. Campus Universitário, Caixa postal 3037, CEP 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Diretoria de Meio Ambiente, Programa de Pós-Graduação
em Tecnologias e Inovações Ambientais, Campus Universitário, Caixa postal 3037, CEP
37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Campus
Universitário, Caixa postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
Anais
* autordo III correspondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de137
taticantelle@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
LEVANTAMENTO ETNOBOTÂNICO DO GÊNERO Achyrocline (Less.) DC.
(Asteracea) “MACELA” NA SERRA DE SÃO JOSÉ-MG

Wanderley Jorge da SILVEIRA JUNIOR1*, Marco Aurélio leite FONTES2, Monique


Aparecida LOSCHI 3, Ricardo Tayarol MARQUES4 e Cleide Mara Martins de
OLIVEIRA5.

Existem cerca de 40 espécies de Achyrocline identificadas pelo mundo, a maioria na América


tropical e subtropical, sendo 25 descritas no Brasil, onde é conhecida popularmente como
“Macela”. Seu uso pela população cabocla existe há centenas de anos, como digestivo, anti-
inflamatório, antisséptico, emenagogo e como preenchimento de travesseiros. Estudos
etnobotânicos na Argentina, Bolívia, Colômbia e Equador apontam seu uso para fins
medicinais, como antidiabético, regulador da pressão sanguínea, expectorante, sudorífico,
antipirético e para tratamento de tumores. Resultados de estudos in vitro confirmam suas
propriedades farmacológicas, como antioxidante, anti-inflamatória, antiviral e antialérgicas e
protetoras dos sistemas nervoso e cardíaco. Diante da sua reconhecida relevância e sua grande
ocorrência na área de estudo, esta pesquisa buscou conhecer quais espécies ocorrem, suas
aplicações e de que forma é extraída e utilizada a Achyrocline nos municípios de São João del
Rei e Santa Cruz de Minas, em Minas Gerais, nos limites da Área de Proteção Ambiental da
Serra de São José e do Refugio Estadual da Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José.
Para tanto, além de revisão bibliográfica foram utilizados métodos de investigação qualitativa,
entrevistas semiestruturadas e notas de campo. Na área de estudo ocorrem apenas Achyrocline
alata, A. albicans e A. satureioides. Segundo os informantes extrativistas ocorrem dois
“tipos”, a amarela que se distribui nas partes mais baixas e úmidas da serra e a branca que é
mais encontrada nas partes mais altas, nos campos rupestres. O estudo identificou que os
extrativistas desconhecem as principais aplicações farmacológicas da planta, reservando-as
quase que em sua totalidade para a crescente demanda do comércio das flores para
preenchimento e para decoração. Entretanto, existe a preocupação em extrair somente nos
limites da APA, sempre após a primeira chuva, entre os meses de maio e agosto, retirando
somente as flores. Sua aplicação para fins medicinais se reservam à medicina antroposófica
praticada por um médico local. Conclui-se que a extração da Achyrocline é uma atividade
tradicional na região, onde todavia predomina o uso para fins comerciais, que é crescente
ameaçando a planta e a própria atividade de coleta. Para a conservação do extrativismo e suas
aplicações são urgentes estudos que subsidiem um manejo adequado da espécie, sobretudo
para auxiliar a população para uma extração sustentável.

Palavras-chave: Extrativismo, Unidades de Conservação, Sustentabilidade.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG. Brasil
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Florestal. Brasil.
3
Graduada em Tecnologia em Gestão Ambiental/Instituto Federal de Educação Ciência e
Tecnologia do sudeste de Minas Gerais/Barbacena.
4
Professor Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do sudeste de Minas
Gerais/Barbacena.
5
Especialista em Planejamento e gestão de áreas naturais protegidas/Instituto federal de
Educação, Ciência e tecnologia/Barbacena.
*Autor para correspondência: jjjuniorjf@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de138
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
INVENTÁRIO FLORESTAL COMO SUBSÍDÍO DE AUTORIZAÇÃO DE
SUPRESSÃO VEGETAL DE DOIS FRAGMENTOS FLORESTAIS NO MUNICÍPIO
DE VOLTA REDONDA, RIO DE JANEIRO.

Bárbara Costa LIMA1

A Mata Atlântica é a floresta tropical mais ameaçada pelo desmatamento, restando atualmente
apenas 5% de sua extensão original que recobria a costa atlântica brasileira, desde o Rio
Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. O bioma compreende as fitofisionomias: Floresta
Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Semidecidual e Decidual,
além de ecossistemas associados. Este trabalho teve como principal objetivo o inventário
florestal arbóreo e fitossociológico de dois fragmentos de Floresta Ombrófila Densa em uma
área de 1,046 ha, localizada em Volta Redonda - RJ, para subsidiar a autorização de supressão
vegetal junto ao órgão ambiental estadual. A metodologia adotada para a execução
compreendeu duas etapas: levantamento de campo em regime de censo florestal e
processamento dos dados. Adotou-se como critério de inclusão o Diâmetro à Altura do Peito
igual ou superior a cinco cm, equivalente a 15,7 cm de CAP (Circunferência à Altura do
Peito). Neste estudo, registrou-se a ocorrência de 695 indivíduos distribuídos em 55 espécies,
pertencentes a 48 gêneros e 23 famílias, sendo Fabaceae a maior em número de espécies. Do
total de espécies encontradas, 29 apresentaram três ou menos indivíduos. Em termos de
abundância, Cupania oblongifolia Mart. apresentou maior ocorrência. Não foi encontrada
nenhuma espécie classificada como ameaçada de extinção. O predomínio dos indivíduos de
C. oblongifolia foi mais uma vez ressaltado no cálculo de densidade. Para as espécies
Machaerium nyctitans (Vell.) Benth., Lonchocarpus sp. e Casearia sylvestris Sw., a
densidade pode ter determinado os valores de dominância. Em relação à distribuição
diamétrica, houve maior concentração de indivíduos nas primeiras classes de diâmetro, o que
pode caracterizar uma comunidade estoque. A altura média atingiu cerca de 7,5 m. Outros
levantamentos florísticos, também encontraram a família Fabaceae apresentando maior
riqueza de espécies na Floresta Atlântica do estado do Rio de Janeiro. Esta grande diversidade
encontrada em Florestas Ombrófilas está possivelmente associada há diversos fatores como os
diferentes gradientes altitudinais, às mudanças de temperatura, a precipitação e ao histórico de
uso do solo.

Palavras-chave: Fitossociologia, Florística, Mata Atlântica, Sistemática.

1
Bióloga
Anais
*autoradopara
III Simpósio Internacional
correspondência: de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de139
babitabiologia@yahoo.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MALPIGHIACEAE JUSS. NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO MESTRE
ÁLVARO, SERRA, ESPÍRITO SANTO, BRASIL

Paulo Henrique Dettmann BARROS1*, Valquíria Ferreira DUTRA¹

A Floresta Atlântica é a segunda maior floresta pluvial tropical do continente americano, mas
hoje possui apenas 91.930 km2 de extensão, o que corresponde a 7,8% de sua área original.
Sua flora é composta por aproximadamente 15.000 espécies de plantas vasculares, sendo
7.155 endêmicas, figurando entre os 34 hotspots mundiais de biodiversidade. Malpighiaceae
inclui 66 gêneros e cerca de 1.200 espécies, de distribuição tropical e subtropical, sendo a
América do Sul o seu maior centro de diversidade. No Brasil está representada por 44 gêneros
e 528 espécies, sendo 317 endêmicas. O objetivo deste trabalho foi realizar o estudo
florístico-taxonômico das espécies de Malpighiaceae da Área de Proteção Ambiental do
Mestre Álvaro (APAMA). A APAMA localiza-se na região metropolitana de Vitória, no
município da Serra, Espírito Santo, e possui uma área de 3.470ha, coberta por extensas áreas
de vegetação rupícola e por florestas, que ocorrem nos vales entre os afloramentos rochosos,
estando o ponto mais elevado a 833m de altitude. Faz parte do Corredor Ecológico Duas
Bocas-Mestre Álvaro e está inserida entre as áreas prioritárias para a conservação da Mata
Atlântica. As coletas de material botânico foram realizadas quinzenalmente, no período de
agosto/2012 a julho/2014, ao longo das trilhas do parque. Os espécimes coletados foram
herborizados e incluídos no acervo do Herbário VIES. Foram elaboradas chaves para
identificação, diagnoses e comentários sobre a distribuição geográfica e taxonomia das
espécies. Malpighiaceae está representada por nove espécies distribuídas em cinco gêneros:
Amorimia maritima (A. Juss.) W. R. Anderson, Heteropterys bicolor A. Juss., H. nitida
(Lam.) DC., H. nordestina Amorim, H. sericea (Cav.) A. Juss., Mascagnia sepium (A. Juss.)
Griseb., Niedenzuella poeppigiana (A. Juss.) W. R. Anderson, Stigmaphyllon acuminatum A.
Juss., S. lalandianum A. Juss. O número de espécies encontrado no local de estudo
corresponde a 10% e 14% das Malpighiaceae citadas para o Espírito Santo e para as Florestas
Ombrófilas do Estado, respectivamente. Na flora da APAMA, é a sexta família com maior
diversidade de espécies. Heteropterys e Stigmaphyllon, gêneros que apresentaram o maior
número de espécies, também são os gêneros de Malpighiaceae mais diversos na Floresta
Atlântica. Das espécies encontradas, quatro são citadas como ameaçadas de extinção no
Espírito Santo, sendo que S. acuminatum está na categoria em perigo.

Palavras-chave: Flora, Floresta Atlântica, Taxonomia.

Créditos de financiamento: FAPES

1
Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais,
Departamento de Ciências Biológicas, Campus de Goiabeiras, CEP: 29075-910, Vitória, ES,
Brasil.
*autor para correspondência: paulobarros1992@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de140
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
Malpighiaceae Juss. NA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO MESTRE
ÁLVARO: DIVERSIDADE, MORFOANATOMIA E HISTOQUÍMICA

Paulo Henrique Dettmann BARROS1*, Valquíria Ferreira DUTRA¹

A Mata Atlântica é um dos ecossistemas com maior biodiversidade e também um dos mais
ameaçados do mundo, sendo o estado do Espírito Santo uma área de elevado endemismo e
riqueza para o ecossistema. Diante da diversidade, importância econômica da família
Malpighiaceae e da necessidade de estudos na Mata Atlântica capixaba, o presente estudo
teve como objetivo fornecer informações sobre a diversidade e anatomia das espécies de
Malpighiaceae da Área de Proteção Ambiental Mestre Álvaro, localizada no município de
Serra, no estado do Espírito Santo. Através do estudo da flora da área foram encontradas sete
espécies sendo elas Amorimia marítima W. R. Anderson, Heteropterys bicolor A. Juss.,
Heteropterys megaptera A. Juss., Heteropterys sericea (Cav.) A. Juss., Mascagnia sepium (A.
Juss.) Griseb., Niendezuella poeppigiana (A. Juss.) W. R. Anderson. e Stigmaphyllon
lalandianum A. Juss. Foram realizados testes histoquímicos para a constatação da presença ou
ausência de amido, lipídios, lignina e compostos fenólicos, nas estruturas da folha, pecíolo e
caule. Utilizou-se Lugol para presença de amido, Cloreto Férrico para os compostos
fenólicos, Safrablau e Floroglucina para lignina e Sudan IV para compostos lipídicos. Na
análise histoquímica e anatômica observou-se lignificação e polissacarídeos em todas as
estruturas analisadas, os lipídios foram encontrados apenas na cutícula da epiderme de todas
as estruturas. Todos os espécimes analisados apresentaram epiderme unisseriada, camada
cuticular delgada e caules com um leve crescimento secundário. No estudo da morfoanatomia
do caule foram encontrados vários padrões de lignificação do parênquima medular como,
células solitárias, agrupamentos de células lignificadas e até a lignificação de toda a medula.
São necessários mais estudos sobre a natureza dos compostos fenólicos encontrados, pois são
compostos metabólicos secundários que podem ter valor em diversas áreas dentro da biologia
e medicina, mas em Malpighiaceae esses estudos acerca de compostos secundários ainda são
raros. Dentre as espécies estudadas foi possível identificar caracteres de valor para a
taxonomia de Malpighiaceae como a diferença da lignificação da medula no caule, ainda não
descritas em outros trabalhos.

Palavras-chave: Malpighiaceae, Anatomia Vegetal, Floresta Atlântica, Taxonomia.

Créditos de financiamento: FAPES

1
Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais,
Departamento de Ciências Biológicas, Campus de Goiabeiras, CEP: 29075-910, Vitória, ES,
Brasil.
*autor para correspondência: paulobarros1992@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de141
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
Malvaceae Juss. PARA O COMPLEXO DE SERRAS DA BOCAINA E DE
CARRANCAS, MINAS GERAIS, BRASIL

Iago Augusto de Castro ARRUDA1*, Daniel Quedes DOMINGOS¹, Elias Roma da


SILVA², Mariana Esteves MANSANARES¹

A família Malvaceae constitui um grande grupo de angiospermas amplamente distribuídas


pela região pantropical do globo. Desde a análise de dados moleculares realizados a partir da
APG I, a família sofreu a inclusão das antigas Bombacaceae, Sterculiaceae e Tiliaceae,
formando um único grupo monofilético com nove subfamílias. Os representantes de
Malvaceae são utilizados para diversos fins na sociedade atualmente, eles estão presentes na
alimentação, medicina, indústria têxtil, madeireira e na ornamentação dos ambientes. Embora
muito presente em várias práticas do nosso dia a dia, a diversidade da família, assim como de
muitos outros grupos, tem sido subestimada. O Brasil abriga 30% da diversidade mundial de
Malvaceae, com 752 espécies das 2.500 estimadas para o grupo, sendo grande parte delas
endêmicas do país. Essa rica diversidade é ameaçada pela constante perda de hábitat,
colocando em risco espécies cujos aspectos biológicos permanecem desconhecidos, carentes
ou desatualizados. Diante desse cenário, o trabalho teve como objetivo realizar uma análise
preliminar das espécies de Malvaceae no Complexo de Serras da Bocaina e de Carrancas a
fim de contribuir para o conhecimento da diversidade da família presente nos campos
rupestres da região. O levantamento florístico foi realizado através de coletas feitas no
período de janeiro de 2010 a fevereiro de 2012 e os materiais coletados foram depositados no
herbário ESAL da UFLA. No total foram encontradas 7 espécies: Luehea paniculata Mart. &
Zurcc., Sida linifolia Cav., Urena lobata L., Waltheria communis A.St.-Hil., W. indica L.,
Peltaea polymorpha (A.St.-Hil.) Krapov. & Cristóbal e Peltaea macedoi Krapov. & Cristóbal.
As duas últimas são consideradas endêmicas do Brasil. Tendo em vista a relação mais forte do
grupo com florestas tropicais, o registro dessas espécies em campos rupestres, formações com
condições ambientais extremas, abre caminho para uma nova perspectiva a respeito da
diversidade das Malvaceae. Esses ambientes ainda pouco estudados, tanto florística quanto
ecologicamente, sofrem pressões antrópicas das mais diversas, destacando a importância de se
realizar trabalhos taxônomicos e ações conservacionistas.

Palavras-chave: Malvaceae, Campos rupestres, Levantamento.

Créditos de financiamento: CAPES

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Graduação em Ciências
Biológicas, Herbário ESAL, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
* Iago Augusto de Castro Arruda: iagoacarruda@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de142
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MAPEAMENTO DOS TEORES DE CARBOIDRATOS EM DIFERENTES
POSIÇÕES DO DOSSEL DE CAFEEIRO

Paula Tristão SANTINI1*, Kamila Rezende Dázio de SOUZA1, José Donizeti ALVES1,
João Paulo Rodrigues Alves Delfino BARBOSA1, Amanda Tristão SANTINI2

Resumo: Os principais carboidratos, não estruturais, acumulados em folhas, ramos e frutos de


cafeeiro são o amido e os açúcares solúveis redutores e não redutores. Entre os açúcares
redutores, os principais são a glicose e frutose, enquanto o principal açúcar não redutor é a
sacarose, mobilizado nos processos de transporte na direção fonte/dreno. A compreensão da
alocação de fotoassimilados entre folhas, ramos e frutos de cafeeiro pode ser importante para
se identificar os períodos de maior demanda de fotoassimilados durante o estádio reprodutivo.
Com essa informação, seria possível maximizar, por meio de práticas culturais, a produção de
fotoassimilados nos períodos mais críticos, de forma que a planta viesse a produzir
carboidratos em quantidades suficientes para o desenvolvimento dos frutos e para manutenção
do crescimento vegetativo, reduzindo a bienalidade de produção. Na tentativa de mapear os
teores de açúcares redutores, totais e amido, na dinâmica do dossel de um cafeeiro, esse
trabalho teve como objetivo o mapeamento desses parâmetros, através de uma abordagem
geoestatística. Para tanto, as avaliações foram realizadas em cafeeiro (Coffea arabica L.) da
cultivar Catuaí Vermelho, medindo 1,7 metros de altura, coletando em um gradiente
horizontal da ponta dos ramos plagiotrópicos até o interior da copa próximo ao ramo
ortotrópico, sendo subdivididos em 3 partes: basal, mediana e apical, sendo a parte basal
aquela que recebe menor intensidade luminosa e a apical a que recebe maior, e vertical (do
ápice das plantas até a base da saia), sendo coletados em 4 alturas em uma planta de cafeeiro
cultivada em condição de campo. Há menor crescimento dos ramos de cafeeiros que
apresentavam mais frutos, indicando, também, a competição por carboidratos entre frutos e
crescimento dos ramos. Observou-se uma tendência clara de maiores concentrações de
hexoses nas folhas e frutos no lado Oeste da planta, em relação ao lado Leste; porém, em
relação aos ramos, foi evidenciado uma maior concentração no lado Leste na porção superior,
em relação ao lado Oeste. A menor concentração de carboidratos nos ramos, folhas e frutos na
parte interior do dossel, próximo ao ramo ortotrópico é evidenciada por maior gasto
energético na manutenção de maior taxa de crescimento vegetativo.

Palavras-chave: Carboidratos, Fotoassimilados, Mapeamento, Dossel.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Fisiologia Vegetal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
2: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, Departamento
de Biologia, Curso de Graduação em Ciências Biológicas, Campus Universitário, Bairro
Morro Preto, caixa postal 02, CEP: 37890-000, Muzambinho- MG, Brasil.
*Autor para correspondência: paulatsantini@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de143
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
METABOLISMO DE CARBOIDRATOS E AMINOÁCIDOS EM PLANTAS
SUBMETIDAS À VARIAÇÃO DE NITROGÊNIO

Felipe Girotto CAMPOS1*; Amanda Cristina Esteves AMARO1; Gisela FERREIRA1;


Carmen Sílvia Fernandes BOARO1;

Nos tecidos vegetais, a concentração de nitrogênio é um fator importante na regulação do


fluxo de carbono para a síntese de proteínas ou de carboidratos. Além disso, o baixo teor de
nitrogênio pode resultar em decréscimo na fotossíntese devido à diminuição de clorofila e de
aminoácidos foliares, importantes na síntese da Rubisco. Com base no exposto, estudamos a
influência da variação de nitrogênio, na distribuição de esqueletos carbônicos para
carboidratos e aminoácidos em plantas jovens de Annona emarginata (Schltdl.) H. Rainer.
Cultivadas em casa de vegetação do Instituto de Biociências, UNESP, Campus Botucatu,
plantas de A. emarginata variedade 'terra-fria' foram submetidas a solução nutritiva de
Hoagland e Arnon com níveis de nitrogênio, iguais a 2,24, 4,48, 6,71 e 8,94 mM. Aos 150,
164, 178, 192 e 206 dias após o transplante para a solução nutritiva, folhas frescas foram
coletadas para quantificação, por método colorimétrico, de açúcares total e redutor, sacarose,
amido e aminoácidos totais. Os aminoácidos totais decresceram nas plantas cultivadas com
2,24 mM de nitrogênio, que, no entanto, mantiveram constantes e maiores, ao longo do
período de avaliação, os açúcares redutores e amido, se comparadas com as plantas
submetidas aos demais níveis de nitrogênio. Esses resultados demostram que a menor
concentração de nitrogênio direcionou esqueletos carbônicos para a síntese de carboidratos.
As plantas submetidas a 4,48 mM de nitrogênio apresentaram em duas das cinco avaliações,
menores acúmulos de açúcares totais e redutores e maior concentração de aminoácidos,
indicando que em relação ao menor nível de nitrogênio, mostraram um inicio de
direcionamento de esqueletos carbônicos para o metabolismo do nitrogênio. As plantas
cultivadas com 6,71 mM de nitrogênio mantiveram a concentração de açúcares totais e
redutores elevados, apresentando diminuição de amido e maior concentração de aminoácidos,
condição em que os esqueletos carbônicos foram direcionados de modo mais equilibrado para
a síntese de carboidratos e aminoácidos. Já nas plantas cultivadas com 8,94 mM de
nitrogênio, houve maior acumulo de amido, menores concentrações de açúcares totais e
redutores e maior acumulo de aminoácidos apenas nas ultimas avaliações. As diferentes
concentrações de nitrogênio utilizadas influenciaram o fluxo de esqueletos carbônicos entre o
metabolismo do carbono e de nitrogênio.

Palavras-chave: Nitrato, Esqueletos, Carbônicos e Araticum-de-terra-fria.

Créditos de financiamento: CAPES.

1
Universidade Estadual Paulista, Departamento de Botânica, Programa de Pós-graduação em
Ciências Biológicas (Botânica), Instituto de Biociências, Caixa Postal 510, CEP 18618-970,
Botucatu-SP, Brasil.
*Autor para correspondência felipegttbio@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de144
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
METABOLISMO FOTOSSINTÉTICO DE Campomanesia xanthocarpa O. Berg.
(Myrtaceae) APÓS DÉFICIT HÍDRICO E REIDRATAÇÃO

Larissa Fatarelli BENTO1*; Silvana de Paula Quintão SCALON1; Daiane Mugnol


DRESCH1

Com a crescente conscientização ambiental, tem-se observado um aumento do interesse em


pesquisas com espécies nativas do Cerrado, buscando técnicas de cultivo e produção de
mudas, objetivando a exploração de forma sustentável, recuperação de áreas degradadas e/ou
reflorestamento. No entanto, um dos grandes desafios a serem vencidos em qualquer cultivo
principalmente o de plantas nativas onde o processo de seleção natural ainda se encontra em
andamento, está relacionado ao comportamento dessas plantas diante de estresses ambientais,
como o hídrico. Assim, objetivou-se avaliar o efeito do déficit hídrico e o potencial de
recuperação após reidratação em mudas de Campomanesia xanthocarpa (gabiroba). As
mudas foram produzidas em tubetes 50 x 190 mm a um centímetro de profundidade contendo
Latossolo Vermelho distroférrico, areia e substrato comercial Bioplant® na proporção de
1:1:1. Quando atingiram cerca de 15cm foram transplantadas para vasos com capacidade para
5 kg com o mesmo solo e aclimatadas durante 30 dias. Para a condução do trabalho as mudas
foram separadas em dois grupos: 1° Controle - hidratação com 70% da capacidade de
retenção de água e o 2° com a suspensão da irrigação, proteção da precipitação e reidratação
quando a taxa fotossintética apresentou níveis próximos de zero. Foram avaliadas a taxa
fotossintética, eficiência no uso da água e eficiência instantânea de carboxilação. As plantas
submetidas ao déficit hídrico atingiram valores próximos de zero para taxa fotossintética,
eficiência do uso da água e eficiência instantânea de carboxilação no 28° dia após suspensão
da irrigação, entretanto, quando as plantas foram reidratadas recuperaram rapidamente o seu
metabolismo, de modo que os valores alcançaram o mesmo nível do controle no 35º dia.
Dessa forma, as mudas levaram 7 dias para restabelecer a normalidade no funcionamento do
complexo fotossintético, demonstrando tolerância da C. xanthocarpa a restrições hídricas e
sua capacidade de recuperação quando as condições favoráveis são restabelecidas. Assim, a
espécie demonstra-se promissora para utilização em programas de recuperação de áreas
degradadas e formação de pomares comerciais, principalmente em regiões que apresentam
períodos de veranico como ocorre no bioma Cerrado.

Palavras-chave: Cerrado, Eficiência de carboxilação, Suspensão da irrigação.

Créditos de financiamento: CAPES, FUNDECT

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Agronomia/Produção Vegetal, Unidade II, caixa postal 533, CEP:
Anais do IIIDourados-MS,
79804970, Simpósio Internacional de Botânica
Brasil. *autor Aplicada e XXXV
para correspondência: Encontro Regional de145
larissafatarelli@gmail.com.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MODIFICAÇÕES ANATÔMICAS NA EPIDERME ADAXIAL DAS FOLHAS DE
Myracrodruon urundeuva Allemão (Anacardiaceae) EM DIFERENTES AMBIENTES

Paola Ferreira SANTOS1*, Marinês Ferreira PIRES1, Evaristo Mauro de CASTRO1,


Rubens Manoel dos SANTOS2

A espécie Myracrodruon urundeuva Allemão (Anacardiaceae), chamada popularmente de


aroeira-do-sertão se distribui naturalmente no Brasil pelas Regiões Nordeste, Sudeste e
Centro-Oeste. Possui um alto valor econômico e é utilizada principalmente em função da
madeira, e por suas propriedades medicinais. Esta espécie é bastante explorada e é
considerada como vulnerável. Devido a isso é importante conhecer as respostas adaptativas
desta espécie às condições climáticas e edáficas e os estudos anatômicos podem fornecer
informações importantes sobre as estratégias e respostas adaptativas a essas condições
ambientais. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar e comparar as modificações
anatômicas na epiderme adaxial das folhas de M. urundeuva em dois ambientes distintos. O
primeiro ambiente está localizado no município de Iuiu, Bahia caracterizado por Floresta
Estacional Decidual com clima As (clima tropical com estação seca de verão) e o segundo em
Buritizeiro, Minas Gerais caracterizado por Cerrado sensu stricto com clima Aw (clima
tropical com estação seca de inverno). Para as avaliações anatômicas foram coletadas folhas
completamente expandidas de cinco indivíduos de M. urundeuva em cada ambiente. As folhas
foram fixadas e armazenadas em potes de plástico contendo etanol 70%. As secções
paradérmicas adaxiais foram realizadas à mão livre e clarificadas com hipoclorito de sódio
50%. Estas secções foram lavadas em água destilada, coradas com solução de safranina 1,0%
e montadas em lâmina e lamínula com glicerol 50%. As lâminas foram fotografadas em
microscópio óptico acoplado à câmera digital e posteriormente analisadas. Após a avaliação
qualitativa verificou-se que houve pouca variação entre os dois ambientes (Iuiu x Buritizeiro)
em relação à quantidade de estômatos na epiderme adaxial. Observou-se a presença de pouco
estômatos, entretanto um maior número foi encontrado próximo das nervuras independente do
ambiente corroborando com outros trabalhos descritos na literatura. Este maior número de
estômatos próximo às nervuras pode estar relacionado no auxilio da redução da perda de água
pela transpiração estomática, já que esta espécie se encontra em dois ambientes de baixa
precipitação, altas temperaturas, e elevada intensidade de radiação. Com isso os resultados
demostram que não houve alterações aparentes na epiderme adaxial, porém é necessário que
haja mais avaliações para obter informações conclusivas.

Palavras-chave: anatomia foliar, Iuiu, Buritizeiro

Agradecimentos: CAPES

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência:paoolapaz@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de146
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MODIFICAÇÕES NA ESPESSURA DO MESOFILO EM FOLHAS DE Schinus
molle L. (Anacardiaceae) PROMOVIDAS PELO CÁDMIO

Marcio Paulo PEREIRA1*, Jean Paulo Vitor de OLIVEIRA2, Felipe Fogaroli


CORREA1, Evaristo Mauro de CASTRO1, Vinícius Erlo RIBEIRO, Fabricio José
PEREIRA1

O mesofilo é uma região da folha localizada entre as duas faces da epiderme, podendo
ser modificado dependendo do ambiente. Com isso, objetivou-se, com esse trabalho,
verificar as modificações na espessura do mesofilo de folhas de Schinus molle quando
expostas a concentrações diferentes de Cádmio (Cd). O experimento foi montado
utilizando 54 plantas de S. molle em casa de vegetação com temperatura de 25±2C°,
irrigadas em intervalos de 15 dias com solução de Hoagland e Arnon. Em seguida,
quando as plantas completaram sete meses de idade foram submetido a seis diferentes
concentrações de cádmio [0, 10, 20, 50, 125 e 250 μM de Cd(NO3)2] por um período de
90 dias. Após o período experimental as folhas foram coletadas e fixadas em FAA70% e
submetidas a procedimentos usuais de microtécnica vegetal. Após esse período as
lâminas foram fotografadas e as imagens analisadas em software de analise de imagem
(ImageJ). Os dados foram submetidos a análise de variância e as médias comparadas
pelo teste de Skott-Knott a 5% de probabilidade de erro. Observa-se que nas
concentrações de 10 e 20 μM, o Cd causou aumento na espessura do mesofilo. Já nas
maiores concentrações de 50,125 e 250 μM de Cd a espessura diminuiu. A maior parte
do mesofilo é constituído de parênquima clorofiliano, sendo que o aumento da
espessura dessa região pode refletir diretamente na capacidade fotossintética das
plantas. O Cd pode promover, em baixas concentrações, um maior potencial
fotossintético em folhas com mesofilo mais espesso e uma limitação nessa característica
em folhas menos espessas. Dessa forma, esse espécie pode apresentar maiores taxas
fotossintéticas em locais com baixo nível de contaminação de Cd devido a maior
quantidade de clorênquima por espessamento do mesofilo e demonstra tolerância a esse
elemento.

Palavras-Chave: Aroeira, clorênquima, metais pesados.

1
Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil
*
Autor para correspondência (marciopaulop@hotmail.com)
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de147
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MODIFICAÇÕES NO DOSSEL DE UMA ENCOSTA COM MONODOMINÂNCIA
DE Pteridium sp. APÓS OCORRÊNCIA DE FOGO

Bruno NATALI de Almeida1*, Rubens Manoel dos SANTOS1, Jean Daniel MOREL1,
Diego Gualberto Salles PEREIRA2

Ambientes florestais são fortemente influenciados pela estruturação do dossel, pois as


alterações em sua configuração são capazes de modificar a composição e a densidade de
espécies. Distúrbios ecológicos como o fogo são capazes de diminuir a cobertura do dossel
pelo consumo de biomassa e mortalidade de árvores, desencadeando diversas modificações
microclimáticas, como aumento de luminosidade e temperatura do solo, que pode, por
exemplo, favorecer o estabelecimento de gramíneas. Neste estudo foi avaliada a abertura do
dossel em um remanescente de Floresta Estacional Semidecidual de encosta, com
monodominância de Pteridium sp., com o objetivo de compreender a resposta da vegetação
ao incêndio ocorrido na área, no município de Lavras, MG. Para isso foram estabelecidos seis
pontos de amostragem, onde foram feitas fotografias hemisféricas com câmera digital
contendo uma lente olho de peixe. As fotos foram feitas de outubro de 2011 (logo após o
fogo) a outubro de 2014, sempre nos meses de abril e outubro, abrangendo as estações úmida
e seca, respectivamente. Os dados foram analisados nos softwares Gap Light Analyzer e
Microsoft Excel. Os pontos de amostragem exibiram comportamento heterogêneo, porém,
todos os pontos apresentaram maior fechamento do dossel em 2013, com variação na abertura
de 7,9% ±1,69 (abril/2013) a 82,6% ±1,26 (outubro/2011). De acordo com o conjunto dos
resultados, logo após o fogo os níveis de abertura mantiveram-se por volta de 60%,
decrescendo para cerca de 40% em 2013 e voltando à faixa de 60% em 2014, com a média
dos seis pontos variando de 68,6% ±1,92 (outubro/2011) a 38,5% ±4,77 (abril/2013). O fogo
afetou a cobertura vegetal, consumindo a biomassa dos poucos indivíduos arbóreos do
ambiente e grande parte da biomassa de Pteridium sp. que cobria a área, aumentando a
incidência de luz no solo. Isso favoreceu o estabelecimento de gramíneas, que tiveram um
crescimento vigoroso em 2013, recobrindo a área e diminuindo a abertura do dossel, visto que
as fotos são obtidas a um metro do solo. Em seguida, houve novo aumento nos valores de
abertura, devido à diminuição da densidade de gramíneas, diminuição que pode estar
relacionada com a redução da precipitação para a região de estudo. Assim, conclui-se que a
abertura de dossel para a região de estudo foi influenciada pela cobertura de gramíneas que se
desenvolveram na área após a passagem do fogo, com uma diminuição na sua cobertura
possivelmente relacionada à queda na precipitação.

Palvras-chave: Abertura do dossel, Fogo, Luminosidade, Gramíneas.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
* autor para correspondência: brunonatali1987@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de148
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MODIFICAÇÕES NO DOSSEL DE UMA FLORESTA ESTACIONAL
SEMIDECIDUAL NO MUNICÍPIO DE LAVRAS, MG

Bruno NATALI de Almeida1*, Rubens Manoel dos SANTOS1, Jean Daniel MOREL1,
Diego Gualberto Salles PEREIRA2

O dossel é um ambiente ecologicamente complexo, cuja dinâmica é capaz de alterar a


distribuição de espécies, dada sua influencia na disponibilidade de luz e características
microclimáticas. O dossel está sujeito aos efeitos de diferentes distúrbios, como fogo,
tempestades e queda de árvores, que podem alterar a configuração da copa. Nesse sentido, o
presente estudo buscou analisar o comportamento do dossel de um remanescente de Floresta
Estacional Semidecidual Aluvial no município de Lavras, MG, sob efeito de fogo. Foram
estabelecidos cinco pontos de amostragem para avaliação da abertura do dossel, desde
Outubro de 2011, logo após o evento de fogo que atingiu a área estudada, até Outubro de
2014, com medições ao final da estação seca (Outubro) e da estação chuvosa (Abril). Os
dados foram obtidos por meio de fotografias hemisféricas e extraídos com o software Gap
Light Analyzer. Os resultados encontrados por pontos de amostragem indicam uma variação
da abertura do dossel entre 11% (Abril/2012) e 44% (Outubro/2014). Em cada ponto de
amostragem a abertura do dossel assumiu curvas e amplitudes diferentes nas repetições.
Acredita-se que a ausência de um padrão no comportamento dos dados tem relação com os
efeitos do fogo. O distúrbio levou a criação de micro-hábitats onde o fogo agiu com
intensidades distintas, gerando um rearranjo da vegetação. Para o sistema como um todo
(médias dos pontos amostrados), os resultados indicaram maior abertura da copa em Outubro
de 2011 (28% ±1,4), seguida por um fechamento do dossel nas medições intermediárias (21%
±1,9 em Abril/2012, até 23% ±1,5 em Abril/2014), com novo aumento da abertura para as
últimas repetições (pico de 29% ±1,4 em Outubro/2014). Esse comportamento indica que
após os efeitos iniciais do fogo, a vegetação iniciou uma discreta recuperação de sua
cobertura, porém sofreu novo impacto, devido à queda de árvores, levando à formação de
clareiras. Essa queda de árvores está relacionada à mortalidade tardia de indivíduos que
sofreram impacto do fogo e apesar de uma resistência inicial, entraram em senescência com o
passar do tempo. Assim, conclui-se que a variabilidade na abertura do dossel está ligada a
efeitos combinados do fogo, como o consumo de biomassa seguinte ao evento e mortalidade
tardia de indivíduos arbóreos, indicando que distúrbios ecológicos são capazes de influenciar
na configuração da cobertura da floresta não só de imediato, mas ao longo do tempo.

Palvras-chave: Abertura do dossel, Fogo, Mortalidade tardia.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000,
Lavras-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação
em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
*autor para correspondência: bruno.natali@posgrad.ufla.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de149
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MODIFICAÇÕES NO SISTEMA VASCULAR EM FOLHAS DE Echinodorus
grandiflorus ssp. grandiflorus (Alismataceae) PROMOVIDAS PELO CHUMBO

Estefânia Santos RIBEIRO1, Vinicius Henrique Gomes Zuppa de ANDRADE1, Evaristo


Mauro de CASTRO1, Felipe Fogaroli CORREA1, Yasmini da Cunha CRUZ1, Fabricio
José PEREIRA1*

Solo e água contaminados por metais pesados representam um dos principais problemas
ambientais enfrentados atualmente. Dentre esses metais encontra-se o chumbo (Pb) sendo
considerado um elemento tóxico ao desenvolvimento de plantas. O objetivo desse trabalho foi
avaliar o efeito de diferentes concentrações de Pb nos tecidos vasculares da nervura central de
E. grandiflorus. Plantas de E. grandiflorus foram coletadas e propagadas em casa de
vegetação para a obtenção de clones aclimatizados. Os clones foram utilizados para
montagem de experimentos sendo cultivados em bandejas plásticas com 2,5 L de vermiculita
e 1,5 L de solução nutritiva de Hoagland e Arnon. As seguintes concentrações de Pb(NO3)2
foram aplicadas: zero (controle), 0,75; 1,5; 3,0; 6,0 e 9,0 μM. Aos 60 as folhas foram
coletadas e fixadas em F.A.A.70por 72 horas e submetidas aos procedimentos usuais em
microtécnica vegetal para preparação de lâminas permanentes. Foram avaliados os tecidos
vasculares na região da nervura central em 12 cortes por folha e dez campos por corte. Em
secção transversal foram avaliadas: a proporção do xilema, floema, fibras e bainha nos feixes
vasculares além do diâmetro dos elementos de vaso do metaxilema. O delineamento
experimental foi inteiramente casualizado com seis tratamentos e quatro repetições, os dados
foram submetidos à análise de variância e as médias à análise regressão. O Pb não
demonstrou toxicidade nos tecidos da nervura central de E. grandiflorus pois não houve
evidências de necrose. Contudo, os feixes vasculares nessa região foram modificados em
várias características. Ocorreu um aumento na proporção do xilema nos feixes vasculares até
a concentração de 3 µM de Pb, reduzindo nas maiores concentrações. Observou-se uma
redução na proporção do floema e fibras nos feixes vasculares, e um aumento na proporção da
bainha dos feixes em função do aumento da concentração de Pb. Ocorreu um aumento no
diâmetro dos vasos de metaxilema proporcional ao aumento da concentração de Pb na solução
nutritiva. O Pb não é tóxico para as folhas de E. grandiflorus e promove um aumento nas
características do xilema em detrimento dos floema e fibras contudo, sem prejuízo funcional
evidente.

Palavras-chave: Macrófitas, Metais pesados, Xilema, Floema, Nervura central.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
*
Autor para correspondência (fabriciopereira@dbi.ufla.br)
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de150
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MODIFICAÇÕES NOS CANAIS SECRETORES EM FOLÍOLOS DE Schinus
molle L. (Anacardiaceae) PROMOVIDAS PELO CHUMBO

Vinicius Erlo RIBEIRO1* , Marcio Paulo PEREIRA², Felipe Fogaroli CORREA²,


Evaristo Mauro de CASTRO², Rodrigo Barbosa KLOSS1, Fabricio José
PEREIRA²

As folhas de aroeira-salsa (Schinus molle L.) contêm óleos essenciais que são utilizados
na medicina popular. A espécie demonstrou tolerância ao chumbo (Pb) que é um dos
principais poluentes atualmente. Portanto, esse trabalho objetivou verificar as possíveis
modificações nos canais secretores da planta quando exposta a diferentes concentrações
de Pb. Foi montado experimento com plantas de S. molle com sete meses de idade,
expondo-as a diferentes concentrações de chumbo [0; 0,25; 0,5 e 1,0 mM de Pb(NO3)2],
por um período de 90 dias. As plantas foram cultivadas em areia lavada em vasos de 5
litros de solução nutritiva de Hoagland e Arnon, irrigadas diariamente de acordo com a
massa de água perdida pela evapotranspiração. A cada 20 dias foi trocada a solução
nutritiva para manter os níveis de nutrientes das plantas e as concentrações de Pb
utilizadas. Foram coletadas folhas compostas já desenvolvidas para a análise anatômica
e fixadas em F.A.A. 70%, por 72 horas sendo armazenadas em etanol 70% até a data
das análises. As secções transversais de folíolo terminal das folhas foram feitas com
auxilio de micrótomo manualmente com lâminas de aço e submetidas a procedimentos
usuais de microtécnica vegetal. As lâminas foram observadas em microscópio trinocular
Olympus com sistema de captura acoplado, sendo digitalizadas para posterior análise
em software de análise de imagem UTHSCSA-Imagetool. Foram quantificados o
número de canais secretores, diâmetro do lume dos canais secretores, diâmetro das
células do epitélio dos canais secretores e densidade de canais secretores por unidade de
área para todas as regiões amostradas. Os dados foram submetidos à análise de variância
e as médias submetidas à regressão. Apesar da manutenção da morfologia geral dos
canais secretores, observa-se claramente um efeito do Pb nas características
quantitativas. Ocorreu um aumento do diâmetro do lume do canal secretor nos
tratamentos até a concentração de 0,5 mM de Pb, sendo que a maior concentração
reduziu o diâmetro para valores próximos ao controle. Um efeito semelhante pode ser
observado para o diâmetro das células do epitélio do canal secretor, com um aumento
inicial e uma queda na maior concentração do elemento. A área percentual ocupada pelo
canal secretor no folíolo de S. molle também aumentou em função do aumento da
concentração de chumbo na solução. Portanto, ocorrem modificações nos canais
secretores foliares de S. molle em função do efeito do Pb.

Palavras-Chave: Aroeira, canais secretores, metais pesados, óleo essencial.

1
Graduação em agronomia, Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000,
Minas Gerais, Brasil.
2
Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
*
Autor para correspondência (viniciusribeiro@agronomia.ufla.br)
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de151
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MODIFICAÇÕES NOS TECIDOS VASCULARES EM RAÍZES DE Echinodorus
grandiflorus (Alismataceae) NA PRESENÇA DE CHUMBO

Estefânia Santos RIBEIRO1, Gabriel de Resende BARONI1, Marcio Paulo PEREIRA1,


Evaristo Mauro de CASTRO1, Wagner Alefe SCHIAVONI1, Fabricio José PEREIRA1*

O chumbo (Pb), é um dos principais contaminantes ambientais e tem acumulado no ambiente


devido à atividades antrópicas. Echinodorus grandiflorus (Alismataceae), conhecida como
chapéu-de-couro é uma macrófita que possui ampla distribuição com potencial para adaptar-
se a diferentes condições de contaminação dos corpos aquáticos. O objetivo do estudo foi
avaliar os efeitos do Pb em solução nutritiva nos tecidos vasculares das raízes de E.
glandiflorus, pois o xilema é responsável por conduzir o elemento à parte aérea e o floema
pela condução dos fotoassimilados. Os tratamentos foram constituídos de seis diferentes
concentrações de Pb sendo: zero (controle), 0,75; 1,5; 3,0 6,0 e 9,0 µM de Pb(NO3)2. Aos 60
dias, duas raízes foram coletadas, lavadas em água corrente e fixadas em F.A.A. 70%
(formaldeído, ácido acético glacial P.A. e etanol 70%) por um período de 72 horas e,
posteriormente, conservadas em etanol 70%. Foi confeccionado um laminário permanente
com as amostras desidratadas, coradas com azul de toluidina 1% e montadas em bálsamo do
Canadá. Foram avaliadas a proporção de células xilemáticas e floemáticas no cilindro
vascular e também a proporção de elementos de vaso no xilema e no cilindro vascular. As
análises foram realizadas no software de análise de imagens UTHSCSA-Imagetool. Os dados
foram submetidos à análise de variância para p<0,05 e regressão. As diferentes concentrações
de Pb provocaram mudanças nos tecidos vasculares das raízes, observando-se uma redução na
proporção de células xilemáticas e um aumento na proporção do floema no cilindro vascular,
em função do aumento na concentração de Pb na solução. Entretanto, observa-se um aumento
na proporção em área ocupada pelos elementos de vaso no cilindro vascular e na área do
xilema nas menores concentrações de Pb. Em concentrações superiores a 1,5 µM de Pb, há
uma queda na proporção de elementos de vaso. Dessa forma, os tecidos vasculares de E.
glandiflorus sofrem alterações em função das concentrações de Pb, onde as maiores
concentrações provocam modificações na proporção do xilema reduzindo a capacidade de
condução das raízes para a parte aérea da planta.

Palavras-Chave: Chapéu-de-couro, Metais pesados, Anatomia ecológica.

Créditos de Financiamento: Universidade Federal de Lavras

1
Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil
*
Autor para correspondência (fabriciopereira@dbi.ufla.br)
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de152
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MORFOLOGIA DOS TRICOMAS TECTORES E SEU ENVOLVIMENTO NO
ACÚMULO DE COMPOSTOS BIOATIVOS EM ESPÉCIES DE LAMIACEAE

Luiz Ricardo dos Santos TOZIN1*, Stefany Cristina de Melo SILVA1, Tatiane
Maria RODRIGUES1

Tricomas não glandulares são tradicionalmente conhecidos por sua atuação mecânica na
proteção das plantas contra estresses bióticos e abióticos. Entretanto, se estes tricomas
estão envolvidos nos processos de interação química das plantas com o ambiente
permanece desconhecido. O objetivo deste trabalho foi estudar a morfologia e
histoquímica dos tricomas tectores de três espécies de Lamiaceae buscando evidências
de sua participação no acumulo de compostos bioativos. Para isso, folhas expandidas
foram coletas de indivíduos adultos de Aegiphila verticillata Vell., Hyptis villosa Pohl.
Ex Benth. e Plectranthus barbatus Andrews (Lamiaceae) vegetando em remanescentes
de Cerrado no município de Botucatu, e processadas segundo técnicas convencionais
em microscopia de luz e eletrônica de varredura; testes histoquímicos foram realizados
para identificação de diferentes classes de substâncias químicas. Para todas as espécies
estudadas, os tricomas tectores apresentaram base multicelular e corpo cônico
unisseriado com extremidade afilada. Em A. verticillata e H. villosa os tricomas tectores
mostraram corpo constituído por 1-4 células e base em forma de roseta composta por de
8-12 e 4-6 células, respectivamente; em P. barbatus os tricomas apresentaram corpo
com 3-5 células e base proeminente constituída por dois verticilos em forma de roseta
com 8-10 células cada. Nos tricomas tectores de A. verticillata foram identificados
proteínas, terpenos, alcaloides, compostos fenólicos e polissacarídeos; em H. villosa os
tricomas tectores apresentaram proteínas, lipídeos totais, terpenos e alcaloides; e em P.
barbatus foi identificada histoquimicamente a presença de proteínas, lipídeos totais,
terpenos, alcaloides e compostos fenólicos. Os compostos detectados nos tricomas
tectores das espécies estudadas podem atuar na proteção das plantas contra herbivoria,
intensa radiação UV-B e dessecação, além de possuírem importante papel na atração de
polinizadores e na lubrificação dos primórdios foliares. Assim, além de atuarem na
defesa física das plantas contra fatores bióticos e abióticos, os tricomas tectores podem
estar envolvidos no acúmulo de substâncias de importância ecológica na relação planta-
ambiente.

Palavras-chave: Aegiphila, Hyptis, Histoquímica, Plectranthus, Secreção.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPESP

1
Universidade Estadual Paulista, UNESP, Instituto de Biociências de Botucatu,
Departamento de Botânica, Botucatu-SP, Brasil.
*: autor para correspondência: ricardo.tozin@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de153
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MORFOLOGIA FLORAL DE MERTHIOLATE, Jatropha multifida L.
(Euphorbiaceae) E UTILIZAÇÃO DA PLANTA EM UBÁ-MG

Maria Aparecida Vilela de RESENDE1*, Laís Gumier SCHIMITH1, Juliana da


Trindade GRANATO1

A planta conhecida como merthiolate, bálsamo ou flor de coral é bastante empregada na


cidade de Ubá-MG e região, devido às suas propriedades cicatrizantes e também ornamentais.
Objetivou-se nesse trabalho, estudar alguns aspectos da morfologia floral dessa planta, bem
como coletar informações sobre as formas de utilização da mesma por moradores de Ubá.
Foram coletadas inflorescências em quintais e jardins da cidade e realizadas entrevistas com
os moradores e pessoas diversas a respeito do uso e conhecimento da planta. A coleta e
entrevistas foram realizadas no período da tarde, de agosto a outubro de 2014. Foi aplicado
breve questionário a 40 pessoas de diferentes perfis, com perguntas diretamente relacionadas
à planta, à doença tratada e ao tempo necessário para cura. Foram coletadas 30 inflorescências
em 15 locais na cidade, as quais foram levadas ao laboratório para a contagem e
caracterização das flores com o uso de estereomicroscópio. Constatou-se que Jatropha
multifida é monóica com flores dos dois sexos reunidas na mesma inflorescência terminal do
tipo cima corimbosa. Cada inflorescência apresentou em média 85 flores, sendo 82
masculinas e 3 femininas. As flores masculinas apresentam pedúnculo e cálice gamossépalo
rosados, com 5 sépalas, corola dialipétala com 5 pétalas vermelhas e androceu com 8 estames
amarelos livres. As anteras são amarelas, ditecas e dorsefixas. As flores femininas também
apresentam coloração vermelha, cálice dialissépalo com 5 sépalas, e corola com 5 pétalas. O
ovário é súpero, trilocular, tricarpelar, triovular com placentação apical. Com relação ao uso
da planta, das pessoas entrevistadas 21, a haviam utilizado, sendo que 15 relataram a
aplicação do látex da planta em ferimentos externos, uma somente ingeriu e 5 usaram das
duas formas, com apenas uma alegação de efeitos adversos ao ingerir o látex. Obteve-se que a
maioria fez uso da planta por recomendação de pessoas próximas, principalmente familiares e
amigos, e que, o tempo necessário para obter o resultado desejado foi entre 2 e 3 dias. A
análise dos depoimentos, demonstram que essa planta age com rapidez e eficácia, causando
raramente, efeitos colaterais. Seu uso como medicamento foi disseminado por meio da
crendice popular, o que demonstra a carência de comprovação científica. Um maior
conhecimento da biologia da planta pode auxiliar em estudos científicos sobre princípios
ativos responsáveis por sua ação terapêutica.

Palavras-chave: Bálsamo, Flor de coral, Etnobotânica, Biologia floral

1
Universidade do Estado de Minas Gerais, Campus Ubá, Departamento de Ciências
Biológicas, CEP: 37500-000, Ubá-MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de154
maria.resende@uemguba.edu.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MUDANÇAS FLORÍSTICAS EM COMUNIDADES ARBÓREAS DE FLORESTA
ESTACIONAL DECIDUAL DO NORTE MINAS GERAIS

Geovany Heitor REIS1*, Rubens Manoel dos SANTOS¹, Paola Ferreira SANTOS¹, Jean
Daniel MOREL¹, Paulo Oswaldo GARCIA²

Florestas Estacionais Deciduais normalmente estão localizadas em regiões ecotonais, assim


como ocorrem no Norte de Minas Gerais e Sudeste da Bahia, apresentando alta Diversidade
Beta. Para compreensão dos processos ecológicos e mudanças nestas comunidades arbóreas, é
fundamental o conhecimento das informações temporais. Este estudo objetivou caracterizar as
mudanças florísticas em uma comunidade arbórea no intervalo de 5 anos. O estudo foi
realizado em um remanescente de Floresta Estacional Decidual localizado no município de
Juvenília, extremo Norte de Minas Gerais. Em 2005, foram alocadas 10 parcelas de 20x20m,
totalizando 0,4ha. Os indivíduos com circunferência à altura do peito (CAP) ≥ 10 cm foram
marcados com etiquetas numeradas e mensurados. Em 2010, no segundo inventário, foram
incorporados os recrutas, registrados os mortos e remedidos os sobreviventes com intervalo
de 5 anos entre as medições. Em 2005 foram registradas 46 espécies, pertencentes a 40
gêneros e 16 famílias, e em 2010 foram registradas 45 espécies, pertencentes a 40 gêneros e
16 famílias. O índice de Shannon-Wienner (H’=2,62 nats.ind-1 em 2005; H’= 2,60 nats.ind-1
em 2010) e a equabilidade de Pielou (J = 0,683 em 2005; J = 0.682 em 2010) não
apresentaram diferenças significativas entre os anos de amostragem. Os valores de
equabilidade apontaram forte dominância na comunidade arbórea da área. Houve a saída de
uma única espécie, Machaerium punctatum (Poir.) Pers., que possuía apenas um indivíduo, e
não houve a entrada de nenhuma espécie no intervalo de amostragem. As dez principais
espécies na ordem de VI foram Eugenia uniflora L., Pseudopiptadenia contorta (DC.)
G.P.Lewis & M.P.Lima, Poincianella pluviosa (DC.) L.P.Queiroz, Handroanthus ochraceus
(Cham.) Mattos, Terminalia phaeocarpa Eichler, Commiphora leptophloeos (Mart.) Gillett,
Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos, Combretum duarteanum Cambess.,
Myracrodruon urundeuva Fr. All. e Ruprechtia laxiflora Meisn., em 2005 foram responsáveis
por 69,63% do VI total, e permaneceram dentre as principais espécies em 2010 com 69,30%
do VI total, no entanto houve uma única mudança nas posições entre P. pluviosa (3ª em 2005
para 4ª em 2010) e H. ochraceus (4ª em 2005 para 3ª em 2010). A queda de uma posição de
P. pluviosa pode ser atribuída pela redução na frequência e dominância devido à morte de
indivíduos de grande porte. Enquanto que H. ochraceus subiu uma posição provavelmente
pelo aumento da densidade, frequência e dominância.

Palavras-chave: Região ecotonal, Diversidade, Informações temporais.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Programa de
Pós-Graduação em Ciências Florestais, Campus Universitários caixa postal 3037, CEP:
37200-000, Lavras – MG, Brasil.
2: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, Campus
Muzambinho, Estrada de Muzambinho, km 35, cx postal 02, CEP: 37890-000 - Muzambinho,
MG – Brasil.
* autor para correspondência: geovanyreis@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de155
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
MUDANÇAS TEMPORAIS DE UMA POPULAÇÃO ARBÓREA EM UMA
FLORESTA ESTACIONAL DECIDUAL.

Cléber Rodrigo de SOUZA 1*, Polyanne Aparecida COELHO ¹, Rubens Manoel dos
SANTOS ¹, Henrique Faria de OLIVEIRA¹

O Domínio da Caatinga se destaca por sua enorme heterogeneidade ambiental, diversidade de


formas de vida, endemismos entre outros fatores. Dentre os diversos ambientes nele incluídos,
a chamada caatinga arbórea ressalta-se por apresentar características florísticas e fisionômicas
próprias, bem como alta raridade de ocorrência. No entanto, apesar de sua enorme riqueza
biológica tais ecossistemas vem sofrendo gravemente as consequências da exploração
predatória de seus recursos e do descaso das leis ambientais. Assim, trabalhos que possam
fornecer informações relevantes acerca do funcionamento de tais formações são de suma
importância para políticas e práticas de conservação. Desta forma, este estudo objetivou
compreender a dinâmica temporal da população arbórea de Pseudopiptadenia contorta (DC.)
G.P. Lewis & M.P. Lima (Leguminosae) em uma Floresta Estacional Decidual localizada em
Juvenília, Norte de Minas Gerais, Brasil. Todos os indivíduos arbóreos (CAP≥10 cm) da
espécie foram mensurados por meio de 10 parcelas de 20x20m em levantamentos realizados
em 2005, 2010 e 2015, assim como identificados indivíduos mortos e que alcançaram o
critério de inclusão no intervalo entre medições. Tendo em base os dados demográficos foram
calculadas para cada intervalo taxas de recrutamento e mortalidade de indivíduos por anos,
bem como taxas de ganho e perda de área basal por ano. Em 2005 111 indivíduos formavam a
população. Em 2010, foram registrados cinco novos indivíduos e nenhuma morte, totalizando
por fim 116 indivíduos. Em 2015 a população não se modificou, permanecendo com 116
indivíduos. A taxa de recrutamento de indivíduos por ano foi de 0,87%ano-1 para o primeiro
intervalo entre medições e nula para o segundo. As taxas de mortalidade foram iguais à zero
para os dois intervalos. As taxas de ganho e perda de área basal por ano foram de 0,24 e
6,01%ano-1 para o primeiro intervalo e de 0,02 e 4,48%ano-1 para o segundo, respectivamente.
A estrutura de uma determinada população é função direta das condições ambientais e das
interações dentro da comunidade, de forma que na ausência de mudanças abruptas em tais
condições a população tende a variar na mesma medida. Assim, a pequena variação da
estrutura populacional de P. contorta provavelmente está associada à manutenção do estado
de conservação do fragmento de Floresta Estacional Decidual ao longo dos quinze anos de
estudo.

Palavras-chave: P. contorta, estacionalidade, caatinga arbórea

1
Universidade Federal de Lavras, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade,
Departamento de Ciências Florestais, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG,
Anais Brasil.
do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de156
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15diguinho@engflorestal.ufla.br
* autor para correspondência: de maio de 2015, Lavras-MG.
MUDANÇAS TEMPORAIS EM UMA COMUNIDADE DE CAATINGA ARBÓREA

Polyanne Aparecida COELHO1*, Cléber Rodrigo de SOUZA², Rubens Manoel dos


SANTOS¹

O Domínio da Caatinga estende-se por 735000km² e abriga diversas formações vegetais, desde
arbustos espinhosos de pequena estatura a florestas sazonalmente secas, conhecidas como
Caatinga Arbórea. Essas florestas de porte mais robusto foram largamente destruídas após a
colonização europeia, sendo suas madeiras utilizadas para a construção de casas e fazendas. Nos
tempos atuais, a caatinga arbórea é rara, esparsa e fragmentada, sendo o conhecimento sobre sua
biodiversidade e funcionamento ainda pouco estudados. Este estudo objetivou avaliar as
mudanças no número de indivíduos e na biomassa (área basal) ao longo de dez anos de estudo em
um fragmento de 10 hectares de Caatinga Arbórea, no município de Juvenília, norte de Minas
Gerais. O primeiro levantamento foi feito em 2005, a partir de 10 parcelas de 20x20m (400m²)
onde todos os indivíduos arbóreos com circunferência à altura do peito igual ou maior que 10 cm
foram marcados e tiveram sua medida de CAP anotada. Em 2010 foi feita nova mensuração nas
parcelas, anotando-se além da medida atual dos indivíduos, o número de mortos e recrutas
(indivíduos que alcançaram o critério de inclusão). O mesmo procedimento foi realizado em
2015. No primeiro levantamento, foram encontrados 720 indivíduos na comunidade. No segundo,
este número caiu para 686 e no terceiro, 608. Já para área basal, o primeiro levantamento
apresentou 7,66m²/ha, o segundo 8,21m²/ha e no terceiro, 8,56m²/ha. Percebe-se assim
comportamento distinto entre as duas variáveis. Enquanto o número de indivíduos caiu ao longo
dos anos, a área basal aumentou. Isso acontece principalmente devido à morte de indivíduos
menores e o crescimento dos indivíduos sobreviventes. Este é um comportamento evidenciado
em florestas em estágio mais avançado de sucessão, onde espécies de pequeno porte e ciclo curto
são gradativamente substituídas por espécies mais longevas, que tendem a ficar com maior porte.
Conclui-se assim que a floresta estudada encontra-se em uma fase mais tardia no processo
sucessional, com menor número de indivíduos porém incremento crescente de biomassa.

Palavras-chave: Floresta Tropical Sazonalmente Seca, Dinâmica Florestal, Estágio Sucessional.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Florestal, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade,
Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
² Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Graduação em
Engenharia Florestal, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autora para correspondência: pcoelho.ufla@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de157
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
NOVEL LIPASES FROM FRUIT BYPRODUCTS FOR PLAN OILS ENZIMATIC
PROCESSING

Clarissa Hamaio OKINO-DELGADO1;2*, Giovanna Lopes de MIRANDA2, Luciana


Francisco FLEURI2

The food industry has sought to reduce or reuse the volume of generated waste as a measure
to become more sustainable. In this context, fruit processing waste as orange and mango has
shown to be attractive, since it is abundant, low cost and contains biocatalysts with high
value, such as lipases. However, to predict what the possible applications of theses enzymes,
applicability tests are needed in different types of reactions in order to envision the potential
of these novel enzymes that are obtained from waste. The current study evaluated the
applicability of in vitro lipase obtained from orange and mango processing byproducts
regarding plant oils transformation by hydrolysis, esterification and alcoholysis. All matrices
were able to catalyze hydrolysis and esterification, reaching the esterification rate of 58.5% in
oleic acid. Five matrices were able to catalyze the alcoholysis reaction: mango peel and pulp
in corn oil, mango seed and pulp in soybean oil and orange frit in soybean oil. The results
showed the enzymes potential regarding their application in oil modification and in the
biodiesel industries.

Keywords: hydrolysis, esterification, alcoholysis, lipase, waste

Acknowledge: CAPES and FAPESP

1
Programa de Pós graduação em Ciências Biológicas – Botânica, Instituto de Biociências,
Universidade Estadual Paulista (UNESP), Caixa postal 510, 18618-000, Botucatu, SP, Brasil.
2
Departamento de Química e Bioquímica, Instituto de Biociências, Universidade Estadual
Paulista (UNESP), Caixa postal 510, 18618-000, Botucatu, SP, Brasil.
*E-mail: clarissaokino@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de158
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
NOVOS REGISTROS DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS PARA O MUNICÍPIO DE
CAXIAS, MARANHÃO

Elizete Ribeiro CASTRO1*, Carlos Augusto Silva de AZEVÊDO,2 Stênio Raniery de


Sousa NASCIMENTO3

Macrófitas aquáticas são plantas ativas encontradas submersas em água e/ou flutuantes na
superfície da água ou nas margens, tendo relação direta com os ambientes aquáticos
geralmente rasos. Estes vegetais são importantes para a fauna aquática e terrestre por fazer
parte da cadeia alimentar, servir de locais de reprodução para diversos organismos, como
indicadoras de qualidade de água, porém podem ocasionar problemas em lagos
comprometendo os corpos d´água nos ambientes urbanos e na geração de energia elétrica. O
objetivo deste estudo foi fazer um levantamento taxonômico das espécies de macrófitas
aquáticas encontradas no município de Caxias/MA, localizado na mesorregião do Leste
Maranhense, entre as coordenadas 04051’32’’S/43021’22’’W, sendo banhado pelo rio
Itapecuru e vários afluentes. Este estudo teve caráter taxonômico e de levantamento florístico,
em um trecho do rio Itapecuru, em lagos e lagoas da Área de Proteção Ambiental Municipal
do Inhamum no referido município. As coletas ocorreram entre novembro de 2014 a fevereiro
de 2015. Fez-se o registro fotográfico das variedades de macrófitas aquáticas encontradas, os
espécimes foram coletados com uso de tesoura de poda e catação manual. No Laboratório o
material foi seco, montado em exsicatas, identificados e incorporado ao Herbário do Centro
de Estudos Superiores de Caxias/Universidade Estadual do Maranhão. A identificação dos
táxons foi realizada com auxílio de bibliografia especializada e consulta a especialistas. Nesta
observou-se: 15 famílias, 25 gêneros, sendo 4 registros novos para o estado do Maranhão e 29
espécies, sendo 8 espécies consideradas registros novos para o mesmo estado: Montrichardia
arborescens Schott, Pistia stratiotes Linneau, Philodendron cf. muricatum Wilde., Lemna
aequinoctialis Welwex Schott., Lemna minuta Kunth, Hydrocotyle bonariensis. Lam, Tonina
fluviatilis Aubl. e Egeria densa Planch. Araceae e Cyperaceae foram as famílias que
apresentaram maior riqueza de espécies nestes ambientes podendo ser importantes na
estabilização de sedimentos, formação de micro-habitat essenciais à alimentação e abrigo para
a fauna. A presença de quatro novos gêneros para o Maranhão, assim como, as oito espécies
citadas, demonstra a necessidade de novos estudos e maior esforço de coleta para o
conhecimento da fitodiversidade dos ambientes aquáticos desta região.
Palavras-chave: Distribuição, Itapecuru, Inhamum, Fitobiodiversidade.

1Universidade Estadual do Maranhão – UEMA/, Dep. de Biologia, mestranda do Programa


de Pós-Graduação em Biodiversidade, Ambiente e Saúde –Centro de Estudos Superiores de
Caxias – CESC, Praça Duque de Caxias s/n Morro do Alecrim cep: 65604-380 Caxias-MA,
Brasil. *autor para correspondência: elizcastro_05@yahoo.com.br
2 Prof. Dr. da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA/ Centro de Estudos Superiores
de Caxias – CESC, Laboratório de Entomologia Aquática – LEAq.
3 Universidade Estadual do Maranhão - UEMA/Centro de Estudos Superiores de Caxias –
CESC.
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de159
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
NÚMERO CROMOSSÔMICO E CARACTERIZAÇÃO DO NÚCLEO INTERFÁSICO
DE ACESSOS DE Cynodon nlemfuensis Vanderyst (Poaceae)

Raquel Bezerra CHIAVEGATTO1*, Ana Luisa Arantes CHAVES2, Matheus Braga


Zanon VITORIANO2, Fausto Souza SOBRINHO3, Flávio Rodrigues Gandolfi
BENITES3, Vânia Helena TECHIO1

Cynodon é um gênero de plantas de regiões tropicais e subtropicais pertencente à família


Poaceae. Na literatura há controvérsias em relação ao número de espécies representantes do
gênero, com descrições variando entre 8 a 13 espécies. A classificação deste grupo com base
nas variações morfológicas é relativamente simples de construir. A partir destes dados foram
reconhecidos táxons morfologicamente bem definidos, alguns com classificações específicas,
geneticamente interligadas, porém morfologicamente distintos. Com isso, a dificuldade está
em determinar o grau de parentesco destes táxons. O número cromossômico é um dos
parâmetros mais utilizados para a caracterização citológica de uma espécie que, aliado a
outros caracteres citológicos, fornece informações para o entendimento das alterações
genéticas envolvidas. Uma caracterização clara e precisa do cariótipo de uma espécie é muito
importante quando se quer comparar citogeneticamente espécies diferentes, ou examinar a
variação entre indivíduos da mesma espécie. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi
caracterizar o núcleo interfásico e determinar o número cromossômico de três de clones
melhorados de Cynodon nlemfuensis selecionados pelo programa de germoplasma de plantas
forrageiras da Embrapa Gado de Leite-Juiz de Fora-MG. As radículas foram coletadas e pré-
tratadas por 2h45min a 4°C, com solução de 8-Hydroxyquinoline: ciclohexamina (1:1). Em
seguida foram fixadas em solução Carnoy (álcool etílico: ácido acético 3:1) e estocadas em
freezer para posterior análise. Para o preparo das lâminas, as radículas foram submetidas à
digestão enzimática a 37°C, por 1h10min e as lâminas foram preparadas pela técnica de
secagem a chama. As lâminas com núcleos interfásicos e metáfases apropriadas foram
analisadas e fotografadas. A partir das observações dos três acessos de Cynodon nlemfuensis
verificou-se que não há variação intraespecífica para a caracterização do núcleo interfásico.
Os três de clones apresentaram núcleos arreticulados com coloração da cromatina difusa,
evidenciando cromocentros grandes e bem definidos. A contagem cromossômica revelou um
número cromossômico de 2n=18, para os três de clones avaliados, corroborando com dados
descritos na literatura para o número básico de cromossomos x=9 e confirmando se tratar de
uma espécie diploide. Os resultados obtidos com esse trabalho contribuem para caracterização
citogenética dos acessos de C. nlemfuensis e poderão ser empregados futuramente para
comparação com outros acessos e espécies de Cynodon.

Palavras-chave: Citogenética, Cromossomo, Forrageira, Poaceae.

Apoio financeiro: CAPES, CNPq e FAPEMIG

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Graduação em Ciências
Biológicas, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3
Pesquisador Embrapa Gado de Leite
* autor para correspondência: raquelchiavegatto@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de160
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
O ACERVO DO HERBÁRIO ESAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE
LAVRAS (UFLA)

Elias Roma da SILVA1*, Iago Augusto de Castro ARRUDA², Mariana Esteves


MANSANARES³

O Herbário ESAL da Universidade Federal de Lavras (UFLA) foi fundado em 1937


pelo Professor Ezechias Paulo Heringer, com a colaboração de Antônio Mendes, ainda
como Escola Agrícola de Lavras. Nessa época, a catalogação de espécimes foi realizada
com auxílio de Frederico Carlos Hoehne, um dos primeiros e um dos maiores botânicos
do Brasil. Os Herbários constituem fundamental banco de dados sobre a biodiversidade
vegetal, detendo inestimável acervo de dados que podem servir a diversos propósitos.
São também de fundamental importância para o desenvolvimento de estudos
relacionados à morfologia e sistemática vegetal. O objetivo desse trabalho foi fazer um
levantamento geral de famílias e espécimes do Herbário-ESAL, afim de expor a
diversidade catalogada neste acervo. Foi realizada uma pesquisa no banco de dados do
herbário a fim de levantar as espécimes e famílias catalogadas. Além disso, as famílias
botânicas válidas foram conferidas segundo APG III, e os nomes genéricos e epítetos
específicos segundo o REFLORA e The Plant List. Atualmente, o Herbário-ESAL conta
com 25169 registros de espécimes, distribuídos em 182 famílias de Espermatófitas, 23
famílias de Pteridófitas e 6 famílias de Briófitas. Dentre estas famílias, as três mais
representativas em número de gêneros catalogados foram: Poaceae (137), seguida por
Asteraceae (128) e Fabaceae (122). Os gêneros com maior representatividade no acervo
ESAL foram Vernonia com 309 espécimes e Paspalum, com 292. Vale ressaltar que o
gênero Vernonia ainda precisa passar pela atualização dos nomes válidos, uma vez que
as espécies brasileiras deste táxon foram segregadas em outros 6 gêneros. Além desta
coleção, o herbário ESAL possui também uma coleção dendrológica. O Herbário ESAL
tem em seu acervo, 69% das famílias de fanerógamas com ocorrência no Brasil. Dessa
forma, o acervo biológico detêm registros de grande parte das famílias de maior número
de espécies ocorrentes no Brasil, principalmente de Minas Gerais. Devido a estudos de
professores pesquisadores, graduandos e pós graduandos na área de botânica e
sistemática de toda região, o acervo recebe exemplares com frequência, favorecendo
então para o seu enriquecimento.

Palavras-chave: Herbário ESAL, Coleção, Sistemática Vegetal.

Créditos de financiamento: PIBIC\UFLA

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Graduação em Ciências
Biológicas, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
*autor para correspondência: eliasderoma@hotmail.com
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP:
37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3: Universidade Federal de Lavras, Professora adjunta do Departamento de Biologia,
Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de161
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
EFEITO DA PROLINA NA GERMINAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE GIRASSOL
SOB ESTRESSE TÉRMICO

Marisa Taniguchi SARTO1*, Paula Tristão SANTINI*1, Patrícia Duarte de Oliveira


PAIVA¹, Michele Valquiria REIS¹, Junia Rafael M. FIGUEIREDO1,Drucylla Guerra
MATTOS2

O girassol ornamental é uma alternativa de cultivo, como flor de corte, para uso em arranjos e
ornamentações em geral, além de ser uma importante oleaginosa com ampla gama de utilidades.
No entanto, existem diferentes fatores de estresse abióticos que são o gargalo para o aumento da
produtividade de várias espécies, um deles é a alta temperatura. Objetivou-se com esse trabalho
avaliar o uso da prolina como um aminoácido sensível às condições de estresses na germinação
de sementes de girassol Sunflower e Sunflower Supreme, sendo que nessas condições acredita-se
que há um rápido acúmulo deste, atenuando o efeito do mesmo. Foi realizada a assepsia de 180
sementes dos cultivares ‘Sunflower F1 Neutral’ e ‘F1 Supreme’, em álcool 70% por 60 segundos,
imersas em hipoclorito de sódio 2,5% de cloro ativo por 5 minutos e logo após foram colocadas
em rolos (em câmera de fluxo laminar), sendo 3 rolos por tratamento contendo 10 sementes em
cada rolo. Foram usadas 3 folhas de papel germitex umedecidas com 2,5 vezes o peso do papel
com água destilada, os tratamentos foram acrescidos de concentrações variadas de prolina,( 0,5;
1,0; 1,5; 2,0 e 3,0 g L¹ de prolina), os rolos foram colocados em béquer de 2 litros de vidro,
cobertos com um saco plástico transparentes em seguida os béqueres foram colocados em BOD
com temperatura controlada para 35ºC, fotoperíodo de 16 horas e umidade a 70% por 15 dias,
após este período foi avaliada a porcentagem de germinação das plântulas. Não houve diferença
significativa na germinação entre as cultivares, porém o desenvolvimento das plântulas sobre alta
temperatura afetou todas as repetições. As plântulas apresentaram raízes pequenas e escuras, a
parte área com tonalidade amarela/marrom e sem abertura de folhas dicotiledonares, com
desenvolvimento desuniforme não sendo possível continuar essas avaliações. Portanto, a prolina
nestas concentrações não apresentou os resultados esperados como osmoprotetor, sendo
necessários estudos mais aprofundados sobre a influência da temperatura e os efeitos da prolina
no desenvolvimento de cultivares de interesse comercial como os de girassol.

Palavras-chave: Ornamental, cultivo, comercial, estresse.

Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG, CNPq.

1
Universidade Federal de Lavras - UFLA, Programa de Pós-Graduação em Fisiologia Vegetal,
Cx postal 3037, CEP 37200-000, Lavras, MG, Brasil. paulatsantini@gmail.com
2: Universidade Federal de Lavras - UFLA, Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia, Cx
postal 3037, CEP 37200-000, Lavras, MG, Brasil.
*Autor para correspondência: paulatsantini@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de162
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
O TEATRO DE DEDOCHE COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA O ENSINO
DE BOTÂNICA

Bárbara MOURÃO1*, João Augusto dos REIS NETO1, Antônio Fernandes


NASCIMENTO JUNIOR1

O tema “Critérios de classificação dos seres vivos” trazido pelo Currículo Básico Comum de
Minas Gerais visa construir a compreensão dos modos adotados pela ciência para agrupar os
seres vivos. Ensinar acerca desta temática é um desafio, pois a mesma envolve muitos
conceitos, que por vezes, não são compreendidos de forma adequada, dificultando assim seu
entendimento. Diante disto, o objetivo deste trabalho foi apresentar um relato de experiência
sobre o desenvolvimento de uma estratégia pedagógica, com o auxílio do teatro de dedoche e
desenvolvendo o tema transversal Pluralidade Cultural, para o ensino de Botânica Sistemática
para os alunos do 7º ano do Ensino Fundamental. A atividade foi desenvolvida na disciplina
de Metodologia do Ensino em Botânica, do 6º período do curso de Licenciatura em Ciências
Biológicas da Universidade Federal de Lavras. A aula, inicialmente, foi preparadaara turmas
do 7º ano do Ensino Fundamental, foi aplicada aos licenciandos participantes da disciplina. A
turma recebeu os dedoches semiprontos e o enredo da história parcialmente escrito para que
dessem continuidade à mesma e depois a interpretassem. Esta parte da atividade foi usada
como avaliação da prática, com o intuito de perceber a apropriação tanto do conteúdo
trabalhado quanto da discussão acerca da diversidade cultural e alguns problemas sociais,
como o racismo, gerados em nossa sociedade por tal diversidade. A Botânica, frequentemente,
é ensinada através de metodologias convencionais e desse modo, o conteúdo torna-se
desvinculado da realidade dos alunos e da escola. Por isso, o educador deve pensar
metodologias que permitam o questionamento, que estimule o debate e que promova a
investigação, como a metodologia proposta neste trabalho. A avaliação da atividade realizada
nos permitiu inferir que a aula possibilitou o aprendizado do conteúdo e a aproximação da
Botânica Sistemática com o cotidiano dos alunos de uma forma dinâmica. Além disso, a
prática possibilitou reflexão sobre os preconceitos praticados e vivenciados em nossa
sociedade, viabilizando a formação cidadã dos estudantes. A atividade nos permitiu perceber
que estratégias pedagógicas lúdicas são essenciais para um aprendizado significativo do
conteúdo, além de possibilitar uma formação crítica que vá além dos conteúdos e habilidades
técnicas, auxiliando a formação de valores e respeito à diversidade existente em nossa
sociedade.

Palavras-chave: Metodologia de ensino, Botânica sistemática, Ensino-aprendizagem.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Campus Universitário, Caixa
Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*
autor para correspondência: bmoubio@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de163
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
OBSERVAÇÃO DA INTERAÇÃO INSETO-PLANTA DE Paepalanthus crinitus
Tissot-Sq. (Eriocaulaceae)

Camila Fernandes MIRANDA1,2*; Elaine Cristina CABRINI1.

A família Eriocaulaceae é uma das mais ameaçadas dos campos rupestres do estado de
Minas Gerais e suas espécies são, geralmente, microendêmicas. É verificado um alto
grau de entomofilia no gênero Paepalanthus dessa família e este trabalho objetivou
analisar a relação inseto-planta da espécie Paepalanthus crinitus durante expedições
ocorridas em 2011 e 2012 na estrada para Conselheiro Mata, município de Diamantina,
Minas Gerais, entre os quilômetros 187 e 176, locais onde foram encontradas
populações da espécie. Uma grande variedade de insetos tais como formigas
(Formicidae) de diferentes espécies, moscas (Brachycera), larvas de Bruchidae,
gafanhotos (Caelifera), vespas, coleópteros e hemípteros foi encontrada sobre folhas e
inflorescências dos indivíduos, apresentando uma intensa interação inseto-planta.
Alguns indivíduos de P. crinitus sofreram herbivoria em suas inflorescências no período
maio/junho/julho de 2011, quando larvas de brocadores foram encontradas nas mesmas.
Cerca de 85% dos embriões e sementes das inflorescências coletadas foram destruídas
pelo ataque. Durante a coleta em julho de 2012, foi observado outro ataque efusivo, mas
de formigas cortadeiras nas folhas dos indivíduos. Em agosto do mesmo ano, outra
expedição foi feita a fim de verificar os efeitos desse ataque e alguns estavam
severamente danificados e tentavam o rebrotamento de folhas, mas desses, cerca de
60% não sobreviveu. Tornam-se necessários mais estudos sobre P. crinitus e sua
relação com insetos diante de tantos indícios, gerando conhecimento sobre a ecologia,
biologia reprodutiva e síndromes de polinização da espécie.

Palavras-chave: Paepalanthus, Eriocaulaceae, Interação inseto-planta, Campos


Rupestres.

1
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Departamento de Biologia,
Campus JK, Rodovia MGT 367, Km 583, nº 5000, CEP: 39100-000, Diamantina-MG,
Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
Anais
* Autordopara
III Simpósio Internacional
correspondência: de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de164
fcamila16@hotmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
OBTENÇÃO DE PRINCÍPIOS ATIVOS VIA CALOGÊNESE DO MAROLO Annona
crassiflora Mart. (Annonaceae).

Tatiane de Melo PEREIRA¹*, Natalia de Menezes LOPES¹, Letícia Favara LAURINO¹,


Geraldo Alves da SILVA², Breno Régis SANTOS³, Thiago Corrêa de SOUZA³

O Marolo é uma espécie arbórea frutífera utilizada na medicina popular no combate a várias
doenças relacionadas a pele e também no combate a úlceras. O objetivo deste trabalho foi
avaliar os potenciais princípios ativos das folhas de Marolo pela quantificação de compostos
fenóis e flavonoides, e avaliar1 fatores que permitirão obter a calogênese in vitro da espécie e
assim comparar possíveis variações de teor desses compostos na folha e em suspensões
celulares. Todo material botânico foi retirado da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em
Machado, Minas Gerais. A calogênese do Marolo foi induzida e o restante do material vegetal
passou por etapas como secagem, moagem, granulometria. Para a preparação do extrato seco,
o pó das folhas foi percolado com etanol 70% e assim todo o solvente do extrato
hidroetanólico foi rotoevaporado e após o mesmo foi seco através de uma chapa aquecedora
com temperatura de 45 graus Célsius. A determinação do teor de fenóis totais e do teor de
flavonóide nas folhas foram analisadas em espectrofotômetro. Realizou-se o meio Murashige
& Skoog afim de obter as suspensões celulares das folhas do Marolo por duas vezes,
entretanto, não foi possível obter resultados. Os primeiros meios foram contaminados por
fungos de textura cotonosa. E a segunda suspensão não produziu calos e nem ocorreu
contaminação, isso deve-se a morte do material botânico já que a desinfestação do material
aconteceu por um maior tempo. As folhas destinadas ao extrato hidroetanólico, que passaram
pela moagem e pelo processo de Granulometria tiveram um diâmetro médio de partícula de
368,63 micrômetros. O teor de fenóis totais nas folhas foi de 76,98 microgramas por mililitros
de extrato, e o teor de flavonoide presente nas folhas foi de 11,98 microgramas por mililitros
de extrato. A quantidade de fenóis encontrada nas folhas de Marolo pode estar interligada
com a propriedade antiulcerogênica e com a ação cicatrizante e antisséptica dessa espécie já
relatada na literatura. Já o teor de flavonoide pode estar relacionado a ação antioxidante,
também descrita para esta espécie, pois flavonoides têm o grupo orto-dihidroxi ou catecol no
anel B, e entre outras estruturas que contribuem para a deslocação dos elétrons.

Palavras-chave: Plantas do cerrado, Fitoquímica, Teor de flavonóide, Teor de fenóis.


Créditos de financiamento: Capes

1: Universidade Federal de Alfenas, Faculdade de Biotecnologia, Departamento de Farmácia


e Biotecnologia, Programa Jovens Talentos para Ciência, CEP: 37130-000, Alfenas-MG,
Brasil.
2: Universidade Federal de Alfenas, Faculdade de Farmácia, Laboratório de plantas
medicinais, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
3: Universidade Federal de Alfenas, Instituto de Ciências da Natureza, Laboratório de
Biotecnologia Ambiental e Genotoxicidade (Biogen), CEP:37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
*autor para correspondência: tatimepe@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de165
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
OCORRÊNCIA DE FOLHAS HOMOBÁRICAS E HETEROBÁRICAS EM
ESPÉCIES DE DIFERENTES PORTES NO CERRADO STRICTO SENSU

Katiane Reis MENDES1*, Valdemir FERREIRA JÚNIOR1, Tatiane Maria


RODRIGUES1

No limbo de folhas heterobáricas a bainha de células parenquimáticas ou esclerenquimáticas


que envolvem os feixes vasculares se estende até a epiderme levando à compartimentalização
do mesofilo. Importantes aspectos fisiológicostêm sido atribuídos às extensões da bainha dos
feixes vasculares, tais como a transferência de luminosidadepara as porções mais internas do
mesofilo e a facilitação do transporte lateral de água. Estudos sugerem que espécies com
folhas heterobáricas são predominantes em florestas decíduas, enquanto que espécies com
folhas homobáricas, que não apresentam extensões da bainha dos feixes, são mais comuns em
florestas sempre-verdes. Ainda, em florestas tropicais a ocorrência de folhas heterobáricas em
espécies arbóreas e arbustivas parece ser mais frequente que em espécies herbáceas. No
cerrado, estudos sobre a ocorrência de espécies com folhas homobáricas e heterobáricas e a
relação entre o porte das plantas e o tipo foliar não foram encontrados. Nesse trabalho
investigou-se a ocorrência de espécies com folhas homobáricas e heterobáricas no cerrado
stricto sensu e a ocorrência de relação entre a presença/ausência de extensões de bainha dos
feixes com o porte das plantas. Um quadrante de 20mx20m foi demarcado em uma área de
cerrado stricto sensu no município de Pratânia, São Paulo, Brasil. Foram coletadas folhas
completamente expandidas de 67 espécies (18 árvores; 24 arbustos e 25 herbáceas) de
angiospermas. Amostras da região mediana do limbo foliar foram processadas segundo
técnicas usuais em anatomia vegetal. Os resultados mostraram que a maioria das espécies
arbóreas (77,78%), arbustivas (58,33%) e herbáceas (64%) apresentou folhas homobáricas. A
ausência de extensões de bainha do feixe na maioria das espécies estudadas e a falta de
relação entre o porte das plantas e o tipo foliar apresentado podem estar associadas com a alta
intensidade luminosa recebida pelas plantas do cerrado, independente do estrato vegetacional
ocupado por elas. Além disso, no ambiente estudado, a possibilidade de maior movimento
lateral dos gases proporcionada pela ausência de extensões da bainha de feixes pode ser mais
vantajosa do que a transferência de luz para as camadas mais internas do mesofilo. Avaliações
de índices fisiológicos estão sendo realizadas e poderão contribuir para o entendimento do
papel das extensões da bainha de feixes no desempenho fotossintético foliar das espécies de
cerrado.

Palavras-chave: Arbustos, Árvores, Cerrado, Extensão da bainha de feixe, Herbáceas.

Créditos de financiamento: CNPq, FAPESP (Proc. 2014/12482-2)

1
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, Instituto de Biociências
de Botucatu, Departamento de Botânica, Distrito de Rubião Júnior, s/n, CEP: 18618-970,
Botucatu-SP, Brasil. *autor para correspondência: katiane@ibb.unesp.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de166
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
ONTOGENIA DAS CAVIDADES SECRETORAS DE Psidium grandifolium Mart. ex
DC. (Myrtaceae)

João Paulo Oliveira RIBEIRO1*, Valdnéa Casagrande DALVI2, Cleber José da


SILVA1*

Psidium grandifolium Mart. ex DC. é nativa do cerrado, conhecida como araçá felpudo,
araçá do campo e araçá fumaça. Suas folhas, raízes, cascas e frutos, são utilizados
popularmente no tratamento de diarréia, cicatrização de feridas e alimentação. A espécie
ocorre nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás,
Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. A ocorrência de cavidades secretoras é comum na
família Myrtaceae. As cavidades sintetizam e/ou acumulam óleos essenciais de composição
química variada e de interesse econômico por seu uso em diversos ramos da indústria
(cosméticos, aromatizantes, medicamentos, perfumes dentre outros). As cavidades secretoras
podem ter origem esquizógena (por afastamento das células), lisígena (morte celular
programada) ou esquizolisígena, ou seja, por combinação dos dois processos anteriores
descritos. O objetivo deste trabalho é a descrição da ontogenia das cavidades secretoras
presentes nas folhas de P. grandifolium. Foram coletados ápices vegetativos da espécie
ocorrentes no cerrado do município de Sete Lagoas-MG. Meristemas apicais de ramos
vegetativos foram selecionados com auxílio de microscópio esterioscópico (Zeiss Stemi
2000-C). As amostras destinadas à microscopia foram fixadas em FAA50, e posteriormente
estocadas em etanol 70%, desidratadas em série etílica e incluídas em metacrilato. Cortes
transversais e longitudinais de 4-6 µm de espessura foram obtidos em micrótomo rotativo de
avanço automático. Os cortes foram corados com Azul de Toluidina, para caracterização
estrutural. Lâminas permanentes foram montadas com resina sintética. As células de
cobertura das cavidades parecem se originar de células da protoderme. As cavidades
secretoras são oriundas de células do meristema fundamental com paredes finas e citoplasma
denso, que sofrem intensas divisões celulares originando precocemente o epitélio secretor
com células distintamente achatadas. Após a formação do epitélio secretor, ocorre
afastamento das células do interior da cavidade caracterizando processo esquizógeno. A
seguir ocorre a lise destas células com acúmulo de remanescentes no interior da cavidade.

Palavras-chave: Psidium grandifolium, Cavidades Secretoras, Ontogenia.

1
Universidade Federal de São João Del-Rei, Campus de Sete Lagoas, Departamento de
Ciências Exatas e Biológicas, Laboratório de Anatomia Vegetal, Rua Sétimo Moreira
Martins 188 – Itapoã, CEP: 35702-031, Sete Lagoas – MG, Brasil
2
Universidade Federal de Viçosa, Programa de Pós-Graduação em Botânica, Laboratório de
Anatomia Vegetal, Avenida Peter Henry Rolfs, s/n Campus Universitário, CEP: 36570-900,
Viçosa, MG, Brasil.
*autor para correspondência: cleberjs@ufsj.edu.br

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de167
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
PASTURE TREES: DOES DISTANCE FROM FOREST REMNANTS INFLUENCE THE
TREE COMPOSITION OF PASTURES?

Tamires GONÇALVES1*, Hisaias de Souza ALMEIDA², Caroline Cambraia Furtado


CAMPOS¹, João Pedro Costa ELIAS¹, Flavio Nunes RAMOS¹

The global demand for agricultural land results in fragmented landscapes with few forest
remnants isolated from one another. Scattered trees in pasture can be important to improve the
diversity in fragmented landscapes and the connectivity between forest remnants. However,
despite their ecological roles, pasture trees face density and diversity declines in many regions,
mainly due intensification of land use and the natural regeneration absent. The aims of this
research were to describe the vegetation structure and analyzed the influence of distance from
forest remnants on isolated trees from nine pastures in a semi-deciduous forest region in Brazil.
All plants with diameter at breast height (d.b.h) ≥ 5 cm were georeferenced, identified and
measured (d.b.h. and height) in 1.96 ha/pasture (total of 17.64 ha). The influence of distance
from forest remnant was analyzed by linear regressions. The pastures presented 700 trees (mean
of 39.7 trees/ha) belonging to 30 families and 90 species. The most abundant families were
Fabaceae (262), Asteraceae (61), Cannabaceae (57), Apocynaceae (37), Malvaceae (25),
Lamiaceae (23), and Boraginaceae (21), which accounted for almost 70% of the total trees. The
most abundant species were characteristic from initial succession phase. We also find exotic
species in some pastures that were planted by farmers for fruit or aesthetics uses. Most pasture
trees were represented by small individuals, with about 75% of the trees with d.b.h.≤ 20 cm and
88% of trees being shorter than 10 m. The tree abundance and species richness decreased with
increasing distance from the forest remnants (p<0.05). The abundance of anemochorous and
zoochorous trees and anemochorous species richness also decreased with increasing distance
from the forest remnant (p<0.05). On the other hand, tree size was not related to distance
(p>0.05). Our results suggest that aspects related to forest edge proximity and farmer
management may interfere in density and pasture tree species composition. The floristic
description provided in this study is an important step in better understanding the tree coverage
in pastures because floristic inventories are essential for restoration programs in abandoned
pastures and silvopastoral programs in active ones. Thus, the information generated may guide
actions that incorporate pasture trees within initiatives for sustainable agricultural management
as well as efforts to conserve biodiversity in agricultural landscapes.

Keywords: isolated trees; species richness; tree abundance.

Financial support: FAPEMIG; VALE; PNPD/CAPES.

1
Universidade Federal de Alfenas, Departamento Ciências da Natureza, Laboratório de Ecologia
de Fragmentos Florestais, Campos Sede, Rua Gabriel Monteira da Silva, nº 700, Centro, CEP:
37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Itajubá, Instituto de Recursos Naturais, Rua Dr. Pereira Cabral,
nº1303, CEP: 37500-903, Itajubá-MG, Brasil.
*authordofor
Anais IIIcorrespondence: tamiresgoncalves.bio@gmail.com
Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de168
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO E SACAROSE EXÓGENOS E A TOLERÂNCIA DE
Glycine max AO MANGANÊS

Kamila Rezende Dázio de SOUZA1*, Isabel RODRIGUES BRANDÃO1, Cínthia


Aparecida ANDRADE1, Dayane Meireles da SILVA1, Lissa Vasconcellos VILAS BOAS1,
Jose Donizeti ALVES1

Investigou-se a ação dos pré-tratamentos com peróxido de hidrogênio e sacarose na tolerância


de genótipos de soja ao excesso de manganês. As plantas de soja dos genótipos BRS Taura
RR, BMX Apolo e AN 8500, em estádio V1, foram transferidas para solução nutritiva e
aclimatadas por um período de 21 dias. Em seguida, foram aplicados diferentes tratamentos:
Normal manganês, Excesso de manganês, Pré-tratamento com peróxido de hidrogênio e Pré-
tratamento com sacarose, seguidos de excesso de manganês. O tratamento de normal
manganês constou de uma solução nutritiva completa, enquanto no excesso de manganês
utilizou-se a solução nutritiva completa acrescida de 1mM de manganês (MnCl2 . 4H2O). Nos
pré-tratamentos as plantas tiveram suas raízes imersas em solução de 10 mM de H2O2 ou 90
mM de sacarose por 6 horas e, em seguida, foram acondicionadas em solução nutritiva com
1mM de Mn. Durante o período experimental as plantas de todos os tratamentos foram
mantidas sob hipoxia e o pH da solução nutritiva foi ± 4,5. Aos 15 dias de tratamento,
quando as plantas se encontravam em estádio V5, foram analisadas a fotossíntese líquida e a
transpiração. Também foi coletado material vegetal para quantificação de clorofila e
determinação de massa seca de partes aéreas e raízes. O pré-tratamento com H2O2 levou a
maiores teores de clorofila e maiores taxas fotossintética líquida e transpiratória em plantas
dos genótipos BMX Apolo e AN 8500, quando comparadas com as plantas não pré-tratadas e
sob excesso de manganês. A sacarose promoveu aumento nos teores de clorofila em BRS
Taura RR, manutenção das taxas fotossintética líquida e transpiratória em BRS Taura RR e
aumento nestes dois parâmetros em AN 8500 em relação às plantas não tratadas. Quanto ao
crescimento, plantas AN 8500 não apresentaram diferenças entre os tratamentos. O pré-
tratamento com H2O2 promoveu o crescimento de BMX Apolo, enquanto a sacarose levou ao
maior acúmulo de massa seca em plantas BRS Taura RR. Os genótipos apresentaram
respostas fisiológicas diferenciadas ao excesso de manganês, sendo que a ação dos pré-
tratamentos também ocorreu de forma diferente para os genótipos desse estudo.

Palavras-chave: Soja, Pré-tratamento, Estresse oxidativo, Hipoxia

Créditos de financiamento: CNPq, FAPEMIG, CAPES pela concessão de bolsas de estudo.

1
Setor de Fisiologia Vegetal, Departamento de Biologia, Universidade Federal de Lavras,
Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*
Autor para correspondência: krdazio@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de169
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
PLANTAS MEDICINAIS: PERFIL DOS CONSUMIDORES E CONHECIMENTOS
TRADICIONAIS NO MUNICÍPIO DE CAMPESTRE DO MARANHÃO, MA

Jarisson de Oliveira TEIXEIRA1*, JhyenneMyrian Barros de SOUSA¹, Joana Ribeiro


SILVA¹, Nathani do Nascimento PEREIRA¹, Katiane Reis MENDES²

O consumo de plantas medicinais tem sido efetivado de forma abusiva e indiscriminada,


tornando-se um grande problema de saúde pública, principalmente devido à ausência de
conhecimento aprofundado sobre ações farmacológicas. O objetivo do estudo foi identificar o
público consumidor de plantas medicinais no município de Campestre do Maranhão e alertá-
los quanto aos efeitos negativos que podem ocorrer com o consumo indiscriminado de plantas
medicinais. A metodologia empregada para a realização dessa pesquisa teve como base, uma
abordagem focada no método qualitativo e descritivo. A coleta dos dados significativos para a
construção do projeto se deu através de uma pesquisa de campo (aplicação de questionário),
realizada com a população do Bairro Alfredo Santos do Município de Campestre do
Maranhão, Maranhão. Os dados coletados afirmaram que 50% dos entrevistados possuem
renda inferior a um salário mínimo; 42% pertencem ao seguimento da população com renda
familiar até um salário e apenas 8% recebem de 1 a 3 salários. Em relação ao grau de
escolaridade dos entrevistados, 48% relataram não ter educação formal; 34% concluíram o
ensino fundamental, seguidos de 18% referente ao ensino médio. Os resultados da pesquisa
demonstraram que 94% dos entrevistados fazem uso de plantas medicinais, orientados
principalmente por familiares (92%). Contudo, apenas 6% dos abordados afirmaram nunca
terem recorrido a esse tipo de prática como forma de tratamento de saúde. No que diz respeito
à percepção dos consumidores sobre os riscos envolvidos no uso de plantas medicinais, 80%
dos entrevistados disseram queas plantas são mais seguras, não apresentam contra indicação e
nenhum tipo de reações perigosas. Diante dos fatos expostos, cabe salientar que a crença por
parte dos entrevistados, de não ser ofensivo o consumo de preparos manipulados,
tradicionalmente, a partir de plantas medicinais, pode expor potencialmente esses usuários aos
mais variados tipos de riscos a sua saúde. Uma vez que não são levadas em consideração
possíveis sensibilidades a certas substâncias ou doenças já pré-existentes, portanto, essa forma
de pensar, pode contribuir para o surgimento de reações adversas ou interações indesejadas.

Palavras-chave: Plantas medicinais, Potencial tóxico, Saúde pública, Uso indiscriminado.

1
Programa Darcy Ribeiro/Universidade Estadual do Maranhão, Licenciatura em biologia,
Campus Universitário de Porto Franco, Avenida Tiradentes 2060,Vila São Francisco, CEP:
65970000, Porto Franco-Ma, Brasil. Autor para correspondência: jarissoncbj@gmail.com.
2: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, UNESP, Programa de Pós-
Graduação, Mestrado, em Ciências Biológica (Botânica) do Instituto de Biociências de
Botucatu, Departamento de Botânica, Distrito de Rubião Júnior, s/n, CEP: 18618-970,
Botucatu-SP, Brasil.
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de170
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
PLANTS ABUNDANCE AFTER FIRE EVENTS IN ATLANTIC FOREST

Aretha F. GUIMARÃES1*, Aline M. MOREIRA1, Rubens M. SANTOS1

Brazilian wood and spices exploration began in coastal areas, harvesting huge areas of
forests to explore wood and other natural resources. Those invasions lead to
overexploitation and overpopulation in brazilian southeast, making Atlantic Domain one
of the most threatened forests in the world. Anthropogenic activities such as fire events
may change landscapes, with direct consequences to seed banks. This study’s aim was
to evaluate a Tropical Forest seed bank abundance after one fire event. This work was
developed in Poço Bonito, Lavras, Minas Gerais, in the atlantic forest domain. Soil
samples were collected in six permanente plots, one year and half after fire, and taken to
greenhouses. Each sample was labeled and transfered to plastic platters and plants were
identified to species level. All plants abundance mesures were verified. Plants were
counted manually. No analysis were performed in this work. Thirteen species were
found, located in eight botanical families. Asteraceae was the most representative
family, holding 1860 individuals, followed by Cyperaceae and Poaceae, respectively.
Morithamnus ganophyllus (Mattf. ex Pilg.) R.M.King & H.Rob. was the most abundant
specie, with 1855 individuals. M. ganophyllus high abundance may be due to the fact
that Asteraceae is one of the most numerous, widely spread and representative families
among tropical forests around the world.

Keywords: Fire, Atlantic forest, Morithamnus ganophyllus

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de
Pós-Graduação em Ciências Florestais, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP:
37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: areguimaraes@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de171
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
POLIMORFISMO FLORAL EM Solanum lycocarpum A.ST.-HIL. (SOLANACEAE):
NOVO MORFO FLORAL DESCRITO PARA A ESPÉCIE

Vinícius Resende BUENO1*, Bruna de Deus CUNHA¹, Isabela Oliveira BATISTA¹,


Jaqueline DIAS-PEREIRA¹, Rúbia Santos FONSECA2

Solanum lycocarpum A.ST.-Hil. possui flores gamossépalas, gamopétalas, anteras conadas


com deiscência poricida e polinização por vibração realizada por abelhas . Nessa espécie,
foram descritos dois morfos florais para cada indivíduo: flores hermafroditas e estaminadas.
Entretanto, observações preliminares indicaram a presença de um terceiro morfo floral.
Objetivou-se quantificar e caracterizar os morfos florais de S. lycocarpum. Flores de
diferentes indivíduos foram contabilizadas e coletadas em Rio Paranaíba (MG). Foi realizada
a análise morfométrica dos verticilos florais (centímetro-cm) e anatômica do estigma para
cada morfo floral, usando as técnicas usuais em anatomia vegetal. Para tanto, 6671 flores
foram analisadas e 50 flores de cada tipo floral foram medidas. Os dados morfométricos
foram comparados pelo Teste de Kruskal-Wallis. As análises morfométricas caracterizaram
três morfos florais: hermafroditas (HE), estaminada de estilete médio (EM) e estaminadas de
estilete curto (EC). Verificou-se diferença no tamanho do cálice e da corola das flores
hermafroditas em relação aos outros dois morfos florais (cálice: HE=2,5, EM=2,17, EC=2,24;
corola: H=3,15, EM=2,75, EC=2,68; p < 0.05), o comprimento das anteras diferiu entre as
flores HE (1,93) com relação às EM (1,80; p < 0.05). A maior diferença vista foi o tamanho
do pistilo, que distinguiu os três tipos florais (p < 0.05): HE apresentam maior tamanho do
pistilo (2,77), com estigma situado acima do cone de anteras; nas EM o pistilo de 1,35, situou
o estigma na porção mediana das anteras; as EC apresentaram pistilódio alcançando o terço
proximal do cone, com 0,65. Além disso, esses morfos florais diferiram em relação à sua
frequência: 6,16% foram HE, 5,61% EM e 88,23% EC. Anatomicamente, foi marcante o
estigma dos três morfos florais, sendo que nas HE o estigma é totalmente diferenciado com
organização concêntrica do tecido parenquimático ao redor do tecido secretor; nas EM há uma
menor organização concêntrica do parênquima e menor presença de tecido secretor; já nas EC
o parênquima praticamente não apresenta organização tal como os demais e pouquíssima a
nenhuma área secretora. Logo, o estigma desses morfos apresenta uma gradativa organização
tecidual. Portanto, vê-se que a frequência, dados morfométricos e anatômicos dos morfos
florais corroboram a proposta de que há nessas espécies três morfos florais diferentes, um
funcionando como hermafrodita e dois como estaminados.

Palavras-chave: Biologia reprodutiva, Andromonoicia, Anatomia floral, Heteromorfia floral,


Cerrado.

1
1: Universidade Federal de Viçosa- Campus Rio Paranaíba, Instituto de Ciências Biológicas
e da Saúde, Laboratório de Anatomia Vegetal, caixa postal 22, CEP: 38810-000, Rio
Paranaíba-MG, Brasil.
2: Consultora da FAO/Inventário Florestal Nacional. Universidade Federal do Ceará, Campus
do Pici, Departamento de Biologia, CEP: 60455900, Fortaleza-CE, Brasil.
Anais
*autordo III correspondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de172
vrbueno@outlook.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
POLIPLOIDIZAÇÃO ARTIFICIAL: A SINCRONIZAÇÃO DO CICLO CELULAR
NÃO CONTRIBUI PARA A OBTENÇÃO DE POLIPLOIDES ESTÁVEIS DE Lolium
multiflorum (Lam.)

Roselaine Cristina PEREIRA*1, Lucas Silveira LOPES1, Andrea MITTELMANN2,


Vânia Helena TECHIO1.

A mixoploidia é um dos problemas encontrados no processo de poliploidização artificial e


normalmente é indesejável, pois pode comprometer a fertilidade e a estabilidade das plantas
no campo. Uma das causas da mixoploidia é a ação do agente poliploidizante sobre as células
dos explantes que estão em diferentes estágios do ciclo celular, resultando na
desuniformidade do número cromossômico no tecido. Acredita-se que, se a maioria das
células dos explantes estiverem no mesmo estágio, o efeito do agente poliploidizante torna-se
mais homogêneo podendo gerar indivíduos poliploides uniformes e estáveis quanto ao
número cromossômico e conteúdo de DNA. O objetivo deste trabalho foi verificar se a
sincronização do ciclo celular é eficiente para diminuir a mixoplodia em tratamentos para
indução de poliploides em L. multiflorum. Para isso, 200 seedlings de L. multiflorum foram
submetidos à sincronização do ciclo celular com solução de hidroxiureia (0.19g/L/14h). Na
sequência, 100 seedlings foram submetidos à duplicação cromossômica com solução de
colchicina na concentração de 0.1% e 100 na concentração de 0.25%, ambas as soluções
contendo 1% de dimetilsulfóxido, por 24h. Outros 200 seedlings, não submetidos ao
tratamento de sincronização, foram expostos à colchicina nas duas concentrações. Após 60
dias do tratamento avaliou-se a ploidia por meio da citometria de fluxo em tecidos foliares e
de pontas de raízes e por meio da contagem cromossômicas. O conteúdo de DNA foliar
mostrou que foram gerados 15% de plantas duplicadas, 55% de mixoploides e 30% de não
duplicadas para o tratamento de indução de poliploidia sem sincronização do ciclo celular. O
tratamento com sincronização do ciclo celular gerou 7.5% de duplicados, 47% mixoploides e
45% de plantas não duplicadas. Já por meio do conteúdo de DNA radicular e da contagem
cromossômica, constatou-se que todas as plantas obtidas eram mixoploides. Essa variação
pode ser explicada porque a raiz é o primeiro tecido em contato direto com os agentes
poliploidizante e de sincronização e os tratamentos não atuaram de forma homogênea sobre os
tecidos. Esses resultados indicam a necessidade de melhor integração entre os protocolos de
indução de duplicação e de sincronização e a definição do tipo de explante a ser usado nos
tratamentos, a fim de se obter plantas estáveis quanto ao número cromossômico e conteúdo de
DNA em todas as partes da planta.

Palavras-chave: Forrageira, Duplicação cromossômica, Melhoramento genético.

Apoio financeiro: CAPES, FAPEMIG, CNPq e EMBRAPA/Sulpasto.

1
Laboratório de Citogenética Vegetal, Departamento de Biologia, Universidade Federal de
Lavras, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
2
Embrapa Gado de Leite/Clima Temperado, Juiz de Fora –MG/Pelotas-RS, Brasil.
* autor para correspondência: rcristinapereira@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de173
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
POTASSIUM SOURCES ON THE ANTIOXIDANT ACTIVITY OF EGGPLANT

Elen FAVARON1*, Douglas José MARQUES1*, Mariana Ferreira DIAS1; Marlon José
Figueiredo Pereira JÚNIOR1; Hudson Carvalho BIANCHINI1, Fabio Augusto
ISHIMOTO1

Potassium (K) participates in the essential processes in plant physiology, however, the effects
of K sources on plant metabolism have been little studied. Also, in certain cases, K sources
and concentrations may cause undesirable effects, e.g., soil salinization. The objective was to
evaluate the effect of K sources and levels on the enzyme activity of the antioxidant system
and protein content in eggplant (Solanum melongena L.) leaves and to determine the most
suitable K sources for these physiological characteristics. The experiment was conducted in
randomized blocks, in a 2 × 4 factorial design, consisting of two K sources (KCl and K 2SO4)
and rates (250, 500, 750, and 1000 kg ha-1 K2O), with four replications. The following
variables were evaluated: plant height, number of leaves per plant, superoxide dismutase
(SOD), catalase (CAT), and leaf protein content. There was an increase in CAT activity with
increasing K levels until 30 days after transplanting (DAT), when K2SO4 was applied and
until 60 DAT, when KCl was used; after this period, the enzyme activity decreased under
both sources. The activity of SOD increased in the presence of KCl, but was reduced with the
application of K2SO4. For both K sources, increasing rates reduced the protein content and
number of leaves per plant, and this reduction was greater under KCl application. Thus it was
concluded that KCl tends more strongly to salinize the soil than K2SO4. Both for KCl and for
K2SO4, the increasing rates adversely affected the activities of CAT and SOD and the levels
of leaf protein in eggplant. For plant height was higher for the K2SO4. The potential of KCl to
reduce the enzyme activity of SOD and CAT, leaf protein content and plant growth of
eggplant was stronger than that of K2SO4.

Key words: Solanum melongena L., superoxide dismutase, catalase, protein.

Credit financing: CAPES

1
Universidade José do Rosário Vellano-UNIFENAS; Alfenas, MG, Brazil
*autor para correspondência: douglasjmarques81@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de174
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
PRODUÇÃO DE ETILENO EM RAÍZES DE MILHO CONTRASTANTES NA
TOLERÂNCIA A HIPOXIA

Bethânia Silva Morais de FREITAS1*, Marinês Ferreira PIRES1, Marcela Aparecida


Copati da SILVA1, Osmar de ALMEIDA JUNIOR1, Fernanda de OLIVEIRA1, Evaristo
Mauro de CASTRO1

Em condições de hipoxia, o aumento da síntese de etileno funciona como uma fase comum na
cadeia de eventos em que há uma variedade de respostas de tolerância. O milho é uma planta
sensível a hipoxia, no entanto, a cultivar Saracura BRS 4154, desenvolvida pela Embrapa
Milho e Sorgo, é considerada tolerante a períodos de alagamento intermitentes. Desse modo,
o objetivo deste estudo foi a produção de etileno em raízes de plantas do Ciclo de seleção
genética do milho Saracura C11 (mais tolerante) e da variedade sensível BR 107 em
diferentes tempos de alagamento: 0, 1 e 7 dias. A produção de etileno foi obtida por meio da
incubação das raízes em frascos vedados e análise das amostras da atmosfera interna por
cromatografia gasosa. O experimento foi realizado em DIC, em esquema fatorial 2 x 3, com
um vaso por parcela e três repetições. Após as avaliações, os dados foram analisados no
Sisvar. A produção de etileno foi reduzida em BR 107 ao longo de todo período analisado,
com média de 13,64 μL C2H4 h-1 kg-1. Nas raízes de plantas C11 a produção de etileno
permaneceu reduzida até 1 dia de alagamento, apresentando aumento considerável aos 7 dias.
A média de produção de etileno em C11 foi de 106, 29 μL C2H4 h-1 kg-1, portanto bem acima
do observado na variedade sensível. Essa resposta, provavelmente, se deve maior capacidade
do milho Saracura em tolerar períodos de alagamento intermitentes e pode estar relacionada a
outras respostas fisiológicas e anatômicas.

Palavras-chave: Zea mays, Anatomia radicular, Alagamento.

Créditos de financiamento: FAPEMIG, CAPES, CNPq

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Campus Universitário, Caixa
Postal 3037, CEP 37200-000, Lavras-MG, Brasil
*autor para correspondência: bethania.smf@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de175
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
REDUÇÃO DA SENSIBILIDADE À DESSECAÇÃO DE SEMENTES DE Hancornia
speciosa Gomes (Apocynaceae)

Daiane Mugnol DRESCH1*, Tatiane Sanches JEROMINI1, Silvana de Paula Quintão


SCALON1, Tathiana Elisa MASETTO1, Rosilda Mara MUSSURY 2 , Zefa Vivaldina
PEREIRA2

A Hancornia speciosa Gomes conhecida popularmente como mangaba, apresenta sementes


com sensibilidade a dessecação o que dificulta sua conservação ex-situ, desse modo, torna-se
necessário desenvolvimento de técnicas que possibilitem a conservação e manutenção da
viabilidade das sementes, e consequentemente sua propagação em viveiros. Com base nisso, o
objetivo desse trabalho foi avaliar a redução da sensibilidade à dessecação de sementes de H.
speciosa, por meio de osmocondicionamento com polietileno glicol (PEG) e ácido abscísico
(ABA). As sementes foram embebidas em polietileno glicol nos potenciais de PEG (6000) -
0,1 e -0,3 MPa por 120 horas associados ou não ao ácido abscísico (ABA) (10-4 µM). Após os
períodos determinados, as sementes foram lavadas em água corrente para a remoção do
excesso de solução e secas superficialmente sobre papel toalha. Em seguida, as sementes
foram submetidas à secagem rápida em sílica gel ativada até atingirem o teor de água de 15%,
posteriormente, foram determinadas as seguintes características para avaliação do potencial
fisiológico: protrusão da raiz primária, porcentagem de plântulas normais, índice de
velocidade de germinação, comprimento e massa seca de plântulas. O delineamento foi
inteiramente casualizado e os dados foram submetidos à análise de variância com comparação
de médias pelo teste de Scott-Knott. As sementes que não foram submetidas aos tratamentos
osmóticos e foram secas até o teor de água de 15% apresentaram os melhores resultados para
protrusão de raiz primária, plântulas normais e índice de velocidade de germinação (74%,
56%, e 1,444 respectivamente). Com relação ao comprimento de parte aérea, os maiores
resultados foram observados nas sementes sem tratamento osmótico (7,55 cm) e as
submetidas previamente em PEG -0,1 MPa sem ABA (6,61 cm) e PEG -0,3 MPa sem ABA
(6,91 cm). Para o comprimento de sistema subterrâneo, comprimento total e massa seca de
parte aérea não foram observados diferenças significativas entre os tratamentos, de modo que
apresentaram médias gerais de 9,93 cm, 16,21 cm e 0,0094 g cm respectivamente. O maior
acúmulo de biomassa no sistema subterrâneo foi observado nas sementes submetidas em PEG
-0,1 MPa (-) ABA (0,0409 g) e PEG -0,3 MPa (-) ABA (0,0372 g). O condicionamento
osmótico quando associado ao ácido abscísico, não foi eficiente para reduzir a sensibilidade à
dessecação das sementes de H. speciosa.

Palavras-chave: Cerrado, Mangaba, Condicionamento Osmótico, Ácido abscísico.


Créditos de financiamento: CAPES/PNPD

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), Rodovia
Dourados - Itahum, Km 12 - Cidade Universitaria, Cx. Postal 533 - CEP 79804-970,
Dourados, MS, Brasil
2
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais
(FCBA), Rodovia Dourados - Itahum, Km 12 - Cidade Universitaria, Cx. Postal 533 - CEP
Anais do IIIDourados,
79804-970, Simpósio Internacional
MS, Brasil de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de176
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
REGENERAÇÃO NATURAL DE GRUPOS ECOLÓGICOS APÓS FOGO EM UMA
FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL: ASPECTOS ESTRUTURAIS.

Felipe de Carvalho ARAÚJO1*, Rubens Manoel dos SANTOS2

A regeneração natural constitui uma importante fase no ciclo de vida das plantas, as quais são
muito sensíveis às mudanças causadas por distúrbios. A separação em grupos ecológicos
ajuda na compreensão do seu comportamento e funcionalidade após distúrbio. Objetivou-se
estudar uma Floresta Estacional Semidecidual quanto à sua regeneração natural após o fogo
em Lavras. Foram alocadas 38 parcelas em janeiro de 2012 em um gradiente altitudinal de
Floresta Estacional Semidecidual Aluvial até Montana. Destas 38 parcelas, 24 parcelas foram
queimadas por fogo antrópico. Cada parcela possui 2 m x 2 m e todos os indivíduos arbóreos
juvenis abaixo do critério de inclusão para adultos (CAP ≥ 15,7 cm) foram mensurados. Em
janeiro de 2013 e 2014, as parcelas foram reamostradas e assim, contabilizado o número de
indivíduos e calculado a área basal das espécies arbóreas. Em seguida, os indivíduos
amostrados foram separados em três grupos ecológicos: pioneira, exigentes de luz e exigentes
de sombra, nas 14 parcelas sem fogo (Controle) e nas 24 parcelas queimadas (Fogo). O
Controle apresentou baixa variação dos grupos ecológicos quanto a sua abundância e área
basal. As espécies exigentes de luz demonstraram compor o maior número de indivíduos e
área basal nos três anos com 199 a 230 indivíduos e 0,014 a 0,018 m², seguido das espécies
exigentes de sombra, 80 a 84 indivíduos e 0,012 a 0,015 m² e as pioneiras, 61 a 67 indivíduos
e 0,005 a 0,008 m². No Fogo, algumas modificações foram observadas. Em 2012, as pioneiras
se destacaram com 961 indivíduos e 2014 foram 376 indivíduos, contrário às exigentes de luz
que cresceram 325 a 471 indivíduos e exigentes de sombra de 76 a 134. A área basal
apresentou um aumento, sendo as espécies exigentes de luz tendo a maior área basal de 0,008
a 0,029 m², seguido das pioneiras de 0,004 a 0,019 m². As exigentes de sombra apresentaram
baixa variação de 0,003 a 0,007 m². O fogo afetou a distribuição estrutural da regeneração da
Floresta Estacional Semidecidual. Grupos ecológicos com demanda de luz para completar seu
ciclo de vida ganharam espaço e modificaram a estrutura da regeneração como pioneiras. A
abundância foi mais expressiva logo após o fogo e a área basal aumentou após três anos do
fogo. Esse comportamento é devido à perda de biomassa causada pela combustão do fogo,
que é recuperada à medida que abundância aumenta e a luz do sol se converte em compostos
orgânicos pela fotossíntese e assim tem o carbono fixado, aumentando a biomassa.

Palavras-chave: Pioneiras, Área basal, Distúrbio.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil. *autor para correspondência: carvalhoaraujo_f@yahoo.com.br.
2 Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Professor, Programa
de Pós-Graduação em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP:
Anais do IIILavras,
37200-000, SimpósioMG,Internacional
Brasil. de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de177
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
REGULAÇÃO NA TRANSPIRAÇÃO FOLIAR EM MILHO 'SARACURA' EM FUNÇÃO
DA DISPONIBILIDADE DE FÓSFORO E OCORRÊNCIA DE TABOA.

Rodrigo Barbosa KLOSS1, Marcio Paulo PEREIRA1, Felipe Fogaroli CORRÊA1, Vinícius
Erlo RIBEIRO1, Paulo César MAGALHÃES1, Fabricio José PEREIRA1*

O objetivo do trabalho foi verificar o efeito de três concentrações de fósforo sobre a características
da transpiração foliar do milho 'Saracura' em substrato saturado com água e na presença ou não de
taboa. As plantas de milho foram obtidas à partir de sementes, germinadas em bandejas plásticas
contendo vermiculita e solução nutritiva de Hoagland e Arnon à 40% de força iônica. Após a
germinação foram transplantadas quatro plantas para as bandejas com 60% de saturação hídrica
com água sendo a solução nutritiva reposta em intervalos de 15 dias. As plantas foram expostas a
solução de Hoagland e Arnon a 40% da força iônica, modificadas no teor de fósforo sendo uma de
ausência, uma concentração a 0,4 mM e 0,8 mM. As plantas foram mantidas nessas condições com
a presença ou ausência de taboa. Após 20 dias decorridos do transplantio foram feitas análises
utilizando o analisador de trocas gasosas por infravermelho (Li-Cor, LI-6400XT e câmara LED
Red-Blue) em duas folhas por repetição nas plantas de milho. Foi avaliada a taxa transpiratória (E),
condutância estomática (gs) e calculado o uso eficiente da água (UEA). O delineamento
experimental foi inteiramente casualizado com seis tratamentos e quatro repetições formando um
fatorial entre concentração de P e presença de taboa, os dados foram submetidos à análise de
variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott para p<0,05. Nenhuma das análises
apresentou interação entre a concentração de fósforo e a ocorrência de taboa. Para a gs houve efeito
da ocorrência de taboa produzindo médias três vezes maiores, contudo, não houve efeito do fósforo
para essa característica. A transpiração foi 110% maior na concentração de 0,4 mM e a presença da
taboa condicionou uma transpiração duas vezes maior para o milho. Quanto ao UER não ocorreu
efeito da concentração de P, mas a presença de taboa reduziu o UEA em cerca de 50%. Portanto, a
presença de taboa e uma concentração ideal de P contribuem para aumentar a transpiração das
plantas de milho Saracura, o que pode promover maior fluxo de nutrientes para a parte aérea,
favorecendo as plantas pois encontram-se em meio sujeito ao alagamento.

Palavras-chave: Typha domingensis, Ecofisiologia Vegetal, Zea mays.

1
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras, 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
Anais
2 do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de178
Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas, 35701-970, Minas Gerais, Brasil
Botânicos
* MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
Autor para correspondência (rkloss@agronomia.ufla.br)
RELAÇÃO HOMEM X VEGETAÇÃO EM COMUNIDADES RURAIS

Carolina Njaime MENDES1*, Aretha Franklin GUIMARAES1, Luciano Carramaschi de


Alagão QUERIDO2, Michel BIONDI3, Bárbara Coutinho Mourão CAVALCANTI4,
Carla Rodrigues RIBAS5

Uma das formas de se compreender as relações entre o homem e a natureza é a partir da


etnobiologia, área da biologia que se dedica a compreender às interações de sociedades
humanas tradicionais com o meio ambiente. Estes registros são de fundamental importância
frente à crescente urbanização, e consequente desvalorização dos saberes locais. O objetivo
do trabalho consiste em resgatar o conhecimento popular acerca da diversidade vegetal e de
seus usos. Realizamos entrevistas, utilizando questionários semi-estruturados, em quatro
comunidades rurais do município de Lavras, sendo elas: Funil, Paiol, Registro e Cachoeirinha.
Investigamos a respeito da presença de plantas no ambiente doméstico a partir de perguntas
sobre a presença de pomar, horta, plantas medicinais e agricultura, no caso de famílias que
possuíssem área para o cultivo. Também levantamos questões sobre a ligação entre as pessoas
e a vegetação natural, sendo o enfoque na relação de seu uso e na frequência de visitas.
Entrevistamos 41 moradores da região e quanto ao ambiente doméstico, 61,3% dos
entrevistados cultivam horta, 90,2% fazem uso e cultivam plantas medicinais e 87,8% tem
pomar. Apenas 36,6% trabalham com agricultura, sendo que estes também possuem pomar,
horta e utilizam plantas medicinais. Quando questionados sobre a relação com o ambiente
natural, 41,5% dizem frequentar estas áreas para fins de coleta de materiais madeireiros e não
madeireiros. Os resultados relacionados ao ambiente doméstico no meio rural demonstram
boa interação dos moradores com a vegetação, visto que a maioria dos entrevistados cultivam
horta, plantas medicinais e pomar. Por outro lado, poucos moradores da região trabalham
com agricultura em suas propriedades, este fato pode estar relacionado ao trabalho em
propriedades maiores, como caseiros nas comunidades do Paiol, Registro e Cachoeirinha. Já
na comunidade do Funil, os moradores afirmam que antes da instalação da Usina Hidrelétrica
do Funil trabalhavam com agricultura e pescaria nas áreas que agora encontram-se alagadas,
estas atividades foram impossibilitadas após a implantação do empreendimento, quando as
famílias foram realocadas em terrenos pequenos na comunidade e a pesca foi proibida. Apesar
da proximidade com o meio urbano e da interferência da Usina do Funil na região, os
moradores destas comunidades rurais apresentam forte relação com o cultivo e a utilização da
vegetação, mantendo preservados desta forma os conhecimentos populares.

Palavras-chave: Conhecimento Popular, Etnobotânica, Plantas Medicinais, Pomar, Horta.


Créditos de financiamento: CAPES, FAPEMIG

1
1: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: carolina.nmendes@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio
2: Universidade FederalInternacional de Botânica Aplicada
de Lavras, Departamento e XXXV Encontro Regional de179
de Biologia,
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
RESILIÊNCIA DO METABOLISMO FOTOSSINTÉTICO DE Campomanesia
adamantium (Cambess.) O. Berg (Myrtaceae) APÓS DÉFICIT HÍDRICO

Fernanda Soares JUNGLOS1*; Mário Soares JUNGLOS¹; Nathaskia Silva PEREIRA¹;


Daiane Mugnol DRESCH², Flávia Mitsuko KODAMA², Silvana de Paula Quintão
SCALON²

A seleção de espécies adaptadas a condições de estresse, ou ambientes alterados é essencial;


podendo esta ser a chave do sucesso de trabalhos de restauração. Campomanesia adamantium
(Cambess.) O. Berg (Myrtaceae) apresenta grande potencial de exploração sustentável, e é
uma espécie arbustiva nativa do Cerrado, um ambiente, potencialmente estressante para
algumas espécies, pois apresenta um longo período de seca e a ocorrência de incêndios,
promovendo o déficit hídrico. Desta forma, objetivou-se avaliar o efeito do déficit hídrico e o
potencial de recuperação após reidratação das mudas de C. adamantium, a fim de subsidiar
projetos de produção de mudas e de restauração de áreas degradadas no domínio Cerrado,
visto a importância da inserção de outras formas de vida vegetal, além das arbóreas. Para a
realização do estudo as mudas foram separadas em dois lotes: 1° Controle - hidratação com
70% da capacidade de retenção de água e o 2° com a suspensão da irrigação, proteção da
precipitação e reidratação quando a taxa fotossintética apresentou níveis próximos de zero.
Foram avaliadas a taxa fotossintética, eficiência no uso da água e eficiência instantânea de
carboxilação. A taxa fotossintética, a eficiência do uso da água e a eficiência instantânea de
carboxilação das plantas submetidas ao estresse de déficit hídrico alcançou ao 31° dia valores
próximos de zero, porém, quando as plantas foram reidratadas recuperaram rapidamente o seu
metabolismo, de modo que os valores alcançaram o mesmo nível do controle no 35º dia.
Assim, as mudas levaram apenas 4 dias para recuperar os parâmetros avaliados, evidenciando
a tolerância da espécie a seca, capacidade de recuperação rápida quando as condições
favoráveis são restabelecidas, sugerindo que C. adamantium tem potencial para ser utilizada
em trabalhos de restauração de áreas degradadas no domínio Cerrado.

Palavras-chave: Cerrado, Estresse, Guavira, Seca.


Créditos de financiamento: CAPES, FUNDECT, CNPq

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral/Bioprospecção, Unidade II, caixa postal 533,
CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil. *autor para correspondência:
fernandajunglos@yahoo.com.br
²Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Agrárias, Programa de
Pós-Graduação em Agronomia/Produção Vegetal, Unidade II, caixa postal 533, CEP:
Anais do IIIDourados-MS,
79804970, Simpósio Internacional
Brasil. de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de180
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
RESPOSTA FOTOSSINTÉTICA DO MILHO 'SARACURA' EM FUNÇÃO DA
DISPONIBILIDADE DE FÓSFORO E OCORRÊNCIA DE TABOA

Rodrigo Barbosa KLOSS1, Marcio Paulo PEREIRA1, Felipe Fogaroli CORRÊA1, Vinícius
Erlo RIBEIRO1, Paulo César MAGALHÃES1, Fabricio José PEREIRA1*

O presente trabalho tem como objetivo estudar o efeito de três concentrações de fósforo sobre a
fotossíntese do milho 'Saracura' em substrato saturado com água e na presença ou não de taboa. As
plantas de milho foram obtidas à partir de sementes, germinadas em bandejas plásticas contendo
vermiculita e solução nutritiva de Hoagland e Arnon à 40% de força iônica. Após a germinação
foram transplantadas quatro plantas para as bandejas com 60% de saturação hídrica com água sendo
a solução nutritiva reposta em intervalos de 15 dias. As plantas foram expostas a solução de
Hoagland e Arnon a 40% da força iônica, modificadas no teor de fósforo sendo uma de ausência,
uma concentração a 0,4 mM e 0,8 mM. As plantas foram mantidas nessas condições com a presença
ou ausência de taboa. Após 20 dias decorridos do transplantio foram feitas análises utilizando o
analisador de trocas gasosas por infravermelho (Li-Cor, LI-6400XT e câmara LED Red-Blue) em
duas folhas por repetição nas plantas de milho. Foi avaliada a fotossíntese líquida (Pn) e calculado
o uso eficiente da radiação (UER) divindo-se Pn pela radiação utilizada na câmara (1000 µmol m-²
s-¹). O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com seis tratamentos e quatro
repetições formando um fatorial entre concentração de P e presença de taboa, os dados foram
submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott para p<0,05. A
análise para Pn apresentou interação significativa (p<0,05) entre a concentração de P e presença de
taboa. Na presença de taboa a Pn no milho só responde à ausência de fósforo sendo a média 46,27%
menor. Na ausência de taboa a Pn no milho sofre efeitos negativos do tanto no excesso e quanto
ausência de P, apresentando média 59,96% maior na concentração ideal. Comparando-se em cada
concentração, na ausência de P não há diferenças para a Pn no milho, contudo, na concentração
ideal a média foi 29,56% maio de Pn foi na ausência de taboa. Entretanto, no excesso de fósforo a
Pn do milho foi 81,51% maior com taboa. Para UER não houve interação entre fatores. A
concentração ideal de P promoveu um aumento de 67,18% no UER contudo não houve efeito da
presença de taboa na bandeja. Portanto, a presença de taboa favorece a Pn em milho no excesso de
P provavelmente ligado a uma atenuação do P na solução promovida pela taboa.

Palavras-chave: Taboa, Ecofisiologia Vegetal, Fotossíntese, Zea mays

1
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras, 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
Anais
2 do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de181
Embrapa Milho e Sorgo, Sete Lagoas, 35701-970, Minas Gerais, Brasil
Botânicos
* MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
Autor para correspondência (rkloss@agronomia.ufla.br)
RIQUEZA DE ESPÉCIES EM UM FRAGMENTO DE FLORESTA ESTACIONAL
SEMIDECIDUAL MONTANA, LUMINÁRIAS - MG

Ravi Fernandes MARIANO1*, Carolina Njaime MENDES¹, Marco Aurélio Leite


FONTES², Rubens Manoel dos SANTOS²

A Mata Atlântica distribui-se ao longo de uma extensa área com grande heterogeneidade
ambiental, o que contribuiu para que seja uma floresta com alta biodiversidade. Atualmente
está reduzida a uma pequena parcela de sua cobertura original, sofrendo ainda processos de
degradação e redução de sua área. Este estudo teve como objetivo incrementar as informações
sobre a riqueza de espécies arbóreas na Floresta Atlântica, através da análise da riqueza de
uma Floresta Estacional Semidecidual Montana. O local de estudo é conhecido como Mata do
Paredão, com cerca de 500 ha, localizado na divisa dos municípios de Luminárias e São Tomé
das Letras, na região sul do estado de Minas Gerais. O levantamento da riqueza de espécies
foi realizado por meio de amostragem sistemática, sendo alocadas 19 parcelas quadradas de
400 m² distribuídas em 3 transeções, no sentido perpendicular ao paredão do Pico do Gavião.
Nas parcelas foram amostrados todos os indivíduos arbóreos vivos com circunferência a
altura do peito (CAP) ≥ 15,5 cm. A identificação dos exemplares coletados foi feita por
comparação de exsicatas no Herbário ESAL da Universidade Federal de Lavras, e de
consultas à literatura e especialistas. O sistema de classificação adotado foi o Angiosperm
Philogeny Group III. Foram amostradas 148 espécies, distribuídas em 106 gêneros,
pertencentes a 52 famílias, com destaque para as famílias Fabaceae com 20 espécies;
Myrtaceae com 14 espécies; Rutaceae com 8 espécies; Lauraceae com 7 espécies; e
Malvaceae com 6 espécies, representando juntas aproximadamente 37% da flora amostrada.
Neste trabalho, a família Fabaceae apresentou o maior número de espécies nas 19 parcelas
amostradas, assim como em outros estudos em áreas de Floresta Estacional Semidecidual,
onde esta família apresentou maior riqueza na amostragem, o que aponta para um padrão
nestas formações. Os gêneros com maior número de espécies foram Ocotea Aubl. e
Machaerium Pers., ambos com 5 espécies, e Casearia Jacq. com 4 espécies, representando
juntos aproximadamente 10% da flora amostrada. A elevada riqueza de espécies encontrada
reforça a necessidade de conservação das áreas de Mata Atlântica, e provavelmente está
relacionada à heterogeneidade ambiental da área amostrada e às influências das formações
vegetais próximas.

Palavras-chave: Mata Atlântica, Espécies Arbóreas, Biodiversidade.

Créditos de financiamento: CAPES.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Florestal, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: ravimariano@hotmail.com
2: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Professor, Campus
Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de182
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
RESPOSTAS ECOFISIOLÓGICAS EM DIFERENTES ESTÁDIOS DE
DESENVOLVIMENTO DE Euterpe edulis M. (Arecaceae) SOB DEFICIÊNCIA
HÍDRICA

Rodrigo Minici de OLIVEIRA1*, Angelo Albano da Silva BERTHOLDI2, Vera Lex


ENGEL1, José Raimundo de Souza PASSOS3, Luiz Fernando Rolim de ALMEIDA2

A palmeira-juçara (Euterpe edulis) possui ampla importância econômica e ecológica no


contexto da Mata Atlântica, embora esteja ameaçada de extinção. Sendo característica de
habitats úmidos, o estabelecimento da espécie em áreas fora da zona ótima de distribuição
pode ser dificultado, principalmente pela ocorrência de deficiências hídricas. Enquanto
plantas em estádios de desenvolvimento iniciais necessitam solos saturados para o
estabelecimento inicial, plantas em estádios mais avançados apresentam maior crescimento
em solos com menor umidade. Em florestas naturais, a mortalidade em plântulas é muito alta
(>95%) e quase nula em plantas com mais de 50 cm de altura, o que tem sido atribuído à
maior plasticidade fenotípica, embora não haja estudos que comprovem tal característica.
Testamos a hipótese que plantas de Euterpe edulis em diferentes estágios de desenvolvimento
respondem distintamente ao déficit hídrico. Em casa de vegetação, avaliamos duas classes de
plantas (A: 15 cm de altura/2 anos e B: 50 cm de altura/4 anos), ao longo de três regimes de
disponibilidade hídrica (déficit hídrico, reidratação e nova submissão ao déficit hídrico).
Analisamos alterações na condutância estomática, número de folhas e na relação entre massa
seca do sistema radicular e aéreo. A classe B mostrou-se mais eficiente do que a classe A em
resposta ao déficit hídrico e à reidratação, promovendo o fechamento e abertura dos estômatos
mais rapidamente. Essa eficiência atribui-se às diferenças morfológicas existentes entre as
classes, pois a classe B possuía maior superfície foliar e radicular comparada com a classe A,
o que permitiu o consumo da água disponível no recipiente mais rapidamente, bem como a
posterior reidratação dos tecidos. Com a nova submissão ao déficit hídrico a classe B
apresentou condutância estomática 100% acima do controle e a classe A 80% abaixo do
controle. Nesta situação, além das diferenças morfológicas existentes, aponta-se para um
ajuste mais eficiente na relação entre massa seca do sistema radicular e aéreo da classe B
(0,91±0,32) em comparação com a classe A (0,51±0,17). Concluímos que plantas de Euterpe
edulis pertencentes a diferentes estádios de desenvolvimento respondem de maneira distinta
ao déficit hídrico. Após histórico de seca e reidratação, indivíduos em estádios de
desenvolvimento mais avançados apresentam maior capacidade de tolerância a um ciclo
recorrente de déficit hídrico.

Palavras-chave: Condutância estomática, Alterações morfológicas, Déficit hídrico.

Créditos de financiamentos: FAPESP, CNPq, CAPES.

1
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Departamento de Ciência
Florestal, Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal, Campus Fazenda Experimental
Lageado, caixa postal 237, CEP 18603-970, Botucatu – SP, Brasil.
2: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Biociências,
Programa de Pós-Graduação em Botânica, Campus Rubião Júnior, caixa postal 510, CEP
18618-970, Botucatu – SP, Brasil.
3: Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Biociências,
Departamento de Bioestatística, Campus Rubião Júnior, caixa postal 510, CEP 18618-970,
Botucatu – SP, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de183
rodrigo.minici@florestal.eng.br
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
RUBIACEAE JUSS. DA RESTINGA DO ESPÍRITO SANTO, BRASIL

Aline Delon FIRMINO1*, Paulo Henrique DETTMANN BARROS¹, Diego TAVARES


IGLESIAS¹, Valquíria FERREIRA DUTRA¹

O Estado do Espírito Santo compreende a maior parte do Corredor Central da Mata Atlântica,
sendo uma área de extrema importância biológica, que abriga importantes centros de
endemismo. Dentre os tipos vegetacionais da Mata Atlântica a restinga é um ambiente de
fragilidade extrema, o que tem se agravado com o avanço imobiliário e turismo desordenado.
Rubiaceae Juss. está entre as famílias de maior representatividade na composição vegetal da
maioria das formações naturais, possuindo distribuição pantropical. Suas espécies possuem
flores vistosas que contribuem para diversificadas síndromes de polinização e frutos carnosos
dispersados por diversos animais frugívoros. Encontramos na restinga gêneros de Rubiaceae
Juss. de importância socioeconômica, como Borreria G.Mey, Amaioua guianensis Aubl.
(construção civil). Genipa americana L., o jenipapo, é utilizado na confecção de licores,
doces, consumo puro do fruto e também utilizado como tintura corporal por tribos indígenas.
Espécies de Palicourea Aubl. e Psychotria L., que possuem toxinas e são conhecidas como
“mata-rato” ou “erva de rato”. Na restinga, a família é considerada a quinta maior em riqueza
de espécies. O objetivo do estudo foi avaliar a dimensão amostral da família, status de
vulnerabilidade e ocorrência de endemismo, visando unificar o conhecimento das espécies de
Rubiaceae ocorrentes nas restingas do estado do Espírito Santo. Os dados das espécies foram
obtidos a partir de uma revisão da literatura e levantamento em herbários com o auxílio do
banco de dados SpeciesLink. Foram encontradas 51 espécies amostradas em 401 registros,
sendo que 32 espécies coletadas e registradas no banco de dados do Specieslink para a
restinga não foram confirmadas por especialistas da família, de acordo com a Lista da Flora
do Brasil. As espécies determinadas por especialista foram listadas e caracterizadas sendo
endêmicas, nativas ou naturalizadas. Duas espé cies encontradas na restinga, Melanopsidium
nigrum Colla. e Faramea bahiensis Müll.Arg. são consideradas ameaç adas de extinção de
acordo com a lista vermelha do Ministério do Meio Ambiente. Muitos estudos importantes
foram realizados para o conhecimento da flora das restingas do estado, todavia por meio do
levantamento dos trabalhos realizados verifica-se que mais estudos sobre a família Rubiaceae
no ecossistema restinga do Espírito Santo devem ser incentivados.

Palavras-chave: Mata Atlântica, Rubiaceae, Revisão.

1
Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais,
Departamento de Ciências Biológicas, Setor Botânica, Campus de Goiabeiras, CEP
29075-910, Tel: +55 27 4009-2200, Vitória, ES, Brasil.
*autor para correspondência: delonfirmino@yahoo.com.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de184
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
SECRETORY STRUCTURES IN “GUACO” Mikania laevigata SCH. BIP. EX
BAKER: HISTOCHEMICAL IDENTIFICATION OF MEDICINAL
COMPOUNDS

Ítalo Antônio Cotta COUTINHO1*, Maira Christina Marques FONSECA2,


Renata Maria Strozi Alves MEIRA1*

Mikania laevigata Sch. Bip. Ex Baker (Asteraceae), popularly known as “guaco”, has
been long employed in the folk medicine as antiseptic, anti-inflammatory and
antibacterial. Therapeutic properties have been exhibited by whole guaco plants,
however, the pharmacological effects of guaco are generally attributed to the leaves.
Although anatomical descriptions of the stem and leaf have been reported, no
correlations between the anatomical descriptions and the sites responsible for the
production of the guaco medicinal compounds have been performed. The present study
aimed to fill the knowledge gaps on the anatomy of the secretory structures reported for
M. laevigata as well as to conduct a histochemical study in order to reveal the sites
responsible for the synthesis and/or accumulation of the guaco metabolites in mature
leaves. Samples from three different cultivars (UNICAMP, UNAERP and
CENARGEM) were subjected to standard light microscopy techniques and
histochemical analyses. A single-layered epidermis on both adaxial and abaxial sides
and a hypodermis only the adaxial side were observed. Dorsiventral mesophyll,
collateral vascular bundles and secretory ducts associated with the xylem were present.
Secretory trichomes were found on the abaxial epidermis. Such trichomes are uniseriate
and have the apical cells turned downwards in a way that resembles a comma. The
midrib is composed of 3-5 vascular bundles, secretory ducts on both adaxial (associated
with the xylem) and abaxial (associated with the phloem or near it) sides and
subepidermal collenchyma. The ducts are lined with a single-layered secretory
ephitelium. The secretory trichomes turned positive results to polysaccharides and
lactones while the epithelial cells as well as the secretion of the duct lumem to oils,
resins, lactones and rubber. Our results show that the guaco medicinal metabolites are
produced by the secretory epithelial cells lining the ducts and such metabolites are made
up by a mixture of compounds. Although the literature reports that coumarins (lactones)
are the predominant compound in guaco tinctures, it is quite possible that the medicinal
properties of guaco are the result of such a mixture of compounds identified by the
histochemical tests instead of coumarins only.

Keywords: Folk medicine, Histochemistry, Leaf Anatomy, Secretory ducts, Secretory


trichomes.

Acknowledgements: EPAMIG, CNPq, CAPES, FAPEMIG, Projeto Floresta Escola

1
Universidade Federal de Viçosa – Departamento de Biologia Vegetal – Anatomia
Vegetal. Minas Gerais. Viçosa, 36.570–900, Brazil;
2
Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG). Viçosa, 36.570–900,
Brazil
*corresponding author: rmeira@ufv.br

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de185
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
SISTEMA ANTIOXIDANTE DE RAÍZES DE Glycine max PRÉ-TRATADAS E
SUBMETIDAS AO EXCESSO DE MANGANÊS

Kamila Rezende Dázio de SOUZA1*, Cínthia Aparecida ANDRADE1, Isabel


RODRIGUES BRANDÃO1, Meline de Oliveira SANTOS1, Ian Teodoro LIBECK1, Jose
Donizeti ALVES1

Investigou-se a ação dos pré-tratamentos com peróxido de hidrogênio e sacarose na tolerância


de genótipos de soja ao excesso de manganês. As plantas de soja dos genótipos BRS Taura
RR e BRS 246 RR, em estádio V1, foram transferidas para solução nutritiva e aclimatadas por
um período de 21 dias. Em seguida, foram aplicados diferentes tratamentos: Manganês, pré-
tratamento com peróxido de hidrogênio e pré-tratamento com sacarose. A solução de
manganês consistiu de solução nutritiva completa acrescida de 1mM de manganês (MnCl2 .
4H2O), enquanto nos pré-tratamentos as plantas tiveram suas raízes imersas em solução de 10
mM de H2O2 ou 90 mM de sacarose por 6 horas e, em seguida, foram acondicionadas em
solução nutritiva com 1mM de Mn. Durante o período experimental as plantas de todos os
tratamentos foram mantidas sob hipoxia e o pH da solução nutritiva foi ± 4,5. Aos 8 e 15 dias
de tratamento, quando as plantas se encontravam em estádio V5, foram realizadas as coletas
das raízes. Avaliou-se a atividade das enzimas catalase (CAT), peroxidase do ascorbato
(APX), bem como o conteúdo de peróxido de hidrogênio (H2O2), os níveis de peroxidação
lipídica e o acúmulo de massa seca. Observou-se que, de modo geral, os pré-tratamentos
levaram a uma redução na atividade das enzimas CAT e APX para ambos os genótipos. Os
pré-tratamentos também causaram um decréscimo no conteúdo de H2O2 em BRS Taura,
enquanto somente o pré-tratamento com H2O2 reduziu os níveis dessa espécie reativa de
oxigênio em BRS 246 aos 15 dias de tratamento. No entanto, reduções nos níveis de
peroxidação lipídica foram observadas em raízes de plantas de ambos os genótipos pré-
tratadas com H2O2, enquanto a sacarose manteve níveis próximos aos das plantas não pré-
tratadas. Apesar da variedade de resposta do sistema antioxidante dos genótipos aos pré-
tratamentos, a sacarose promoveu maior crescimento de raízes de BRS Taura RR em relação
às plantas de outros tratamentos, enquanto para BRS 246 o efeito dos pré-tratamentos foi de
manutenção ou redução do crescimento de raízes, quando comparadas aos outros tratamentos.

Palavras-chave: Soja, Sacarose, Peróxido de hidrogênio, Estresse oxidativo

Créditos de financiamento: CNPq, FAPEMIG, CAPES pela concessão de bolsas de estudo.

1
Setor de Fisiologia Vegetal, Departamento de Biologia, Universidade Federal de Lavras,
Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*
Autor para correspondência: krdazio@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de186
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
SOLANACEAE EM UM FRAGMENTO DE FLORESTA ESTACIONAL
SEMIDECIDUAL DA SERRA DA MANTIQUEIRA, MINAS GERAIS, BRASIL

Andressa CABRAL1*, Diego Rafael GONZAGA²* & Luiz MENINI NETO³

Solanaceae A. Juss. reúne no Brasil 33 gêneros e cerca 470 espécies, com grande
representatividade tanto no Cerrado quanto na Floresta Atlântica. O município de Barbacena
localiza-se na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais e, por suas características
físicas, estabelece um dos limites geográficos da Serra da Mantiqueira, cuja vegetação
compartilha características de transição entre os dois domínios geográficos. O objetivo deste
estudo é apresentar as espécies de Solanaceae que ocorrem em um fragmento de Floresta
Estacional Semidecidual (FES) na região, como parte de um estudo em desenvolvimento
sobre a flora vascular da área, contribuindo com o conhecimento da flora de Minas Gerais.
Esta área compreende um remanescente de cerca de 15 ha de FES em estágio secundário
avançado de regeneração (21°15'S, 43°45'W), com altitude média em torno de 1207 m.s.m. A
região apresenta clima tropical úmido (Cwb de Köppen), temperatura média anual de 18,4°C
e média de precipitação anual de 1.519 mm. Para o levantamento das espécies de Solanaceae
ocorrentes na área de estudo foram realizadas coletas mensais entre os meses de novembro de
2011 e maio de 2014, através do método de caminhamento, percorrendo trilhas preexistentes,
além de trilhas abertas especificamente para este estudo, cobrindo a maior extensão possível
em cada expedição de coleta. O material coletado está depositado no Herbário Leopoldo
Krieger (CESJ). Foram encontradas oito espécies distribuídas em três gêneros. As espécies
encontradas férteis são nativas para a flora brasileira e registradas neste estudo foram:
Brunfelsia obovata Benth., Cestrum strigilatum Ruiz & Pav., Solanum cernuum Vell., S.
chenopodioides Lam., S. lycocarpum A.St.-Hil., S. palinacanthum Dunal, S. paniculatum L. e
S. sisymbriifolium Lam. Todas as espécies são representadas por plantas de hábito terrícola de
áreas abertas ou bordas de matas. Destas espécies, apenas B. obovata consta na categoria de
ameaça “Em Perigo” (EN), segundo a Lista das Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção do
Estado de Minas Gerais. Este resultado demonstra que mesmo um fragmento de pequeno
porte é importante para a manutenção da diversidade local ou regional e a presença de uma
espécie ameaçada reforça a importância da conservação de tais fragmentos.

Palavras-chave: Barbacena, Cerrado, Flora, Floresta Atlântica.

1
Universidade Federal de Juiz de Fora, Instituto de Ciências Biológicas, Martelos, CEP:
36036-330, Juiz de Fora-MG, Brasil.
2: Escola Nacional de Botânica Tropical, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de
Janeiro, Pacheco Leão, 2040, Solar da Imperatriz, Horto, CEP: 22460-036, Rio de Janeiro-RJ,
Brasil.
3: Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, Campus Arnaldo Janssen, Luz Interior 345,
Santa Luzia, CEP: 36030-776, Juiz de Fora-MG, Brasil.
*autor para correspondência: diego.gonzaga@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de187
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
SPECIES RICHNESS IN A SEED BANK AFTER FIRE EVENT

Aretha F. GUIMARÃES1*, Aline M. MOREIRA¹, Geovany H. REIS¹, Matheus S.


LUZ¹, Polyanne A. COELHO¹, Rubens M. SANTOS¹

Atlantic Forest is one of the world`s most threatened biodiversity hotspots, suffering
both anthropogenic and natural disturbances. Natural fire can set changes on the
environment, acting direct in vegetation with major consequences for the seed banks.
Agressive challengers like herbs and ferns are also key factors that act directly
obstructing (chemical and physical) seedling's growth. This study aim's to evaluate if
there was any difference in a seed bank species richness over one year and a half after a
fire event in a permanent plot dominated by the fern Pteridium sp.. To acess if there was
any difference in the seed bank, soil samples were collected in october 2011 (BS1), april
2012 (BS2) and october 2012 (BS3). Samples were collected in six permanent plots in a
Atlantic Forest remaining where a natural fire event occurred, in Parque Ecológico
Quedas do Rio Bonito, Lavras, Minas Gerais. Soil samples was transported to a green
house and set in plastic numbered platters. Seedlings were identified to species level
and species richness were mesure in all samples. To calculate if there was any difference
between seed banks, Anova analyses were performed. There was no difference (p>0,05)
on the species richness in the verified months. Related to other areas dominated by
aggressive shrubs, it is likely that Pteridium sp. among with fire, created adverse
conditions to seed germination. Pteridium sp. is known for creating a physical coverage
with it's leaves that precludes seedlings to acess sunbeam and nutrients, and this could
be happening in our plots. It is also possible that this sample gap wasn't enough for the
vegetation to recover from the impact caused by fire. Both disturbances (fire and
Pteridium sp.) contributed to a low species richness and for none significant difference
among the months sampled.

Key words: Agressive shrubs, Dominance, Atlantic forest, Fire

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Ciências Florestais, Programa de
Pós-Graduação em Ciências Florestais, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP:
37200-000, Lavras-MG, Brasil.
*autor para correspondência: areguimaraes@gmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de188
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
SUBMERSÃO DE SEMENTES AFETA O CRESCIMENTO E ACÚMULO DE
BIOMASSA DE Inga vera Willd. (Fabaceae-Mimosoidae)?

Mário Soares JUNGLOS1, Fernanda Soares JUNGLOS1, Julielen Zanetti BRANDANI1,


Eliana Aparecida FERREIRA², Glaucia Almeida de MORAIS3, Rosilda Mara
MUSSURY1

Inga vera Willd. (Fabaceae-Mimosoidae) é uma espécie nativa do Brasil, um país composto
por diferentes domínios fitogeográficos que possuem diferentes características
edafoclimáticas e pirogênicas, o que lhe confere uma grande diversidade vegetal com uma
infinidade de adaptações a essas diferentes condições ambientais, entre essas condições está o
alagamento, já que todos os domínios possuem uma fitofisionomia denominada de mata ciliar,
que é um tipo de vegetação que margeia os corpos d’agua e está sujeita a inundações sazonais
ou permanentes. Desta forma, o objetivo desta pesquisa foi avaliar se a exposição das
sementes ao estresse por alagamento interfere no crescimento e acúmulo de biomassa de I.
vera. Antes da montagem do experimento as sementes foram selecionadas quanto a
integridade, tamanho e coloração, para então serem submersas por 0, 2, 4, 6, 8, 10, 20, 30, e
40 dias no córrego do Zezão município de Ivinhema-MS, que apresenta taxa de oxigênio
dissolvido de 4,27ppm, pH de 6,28 e temperatura de 28,13ºC. Ao final de cada tempo de
submersão as sementes foram retiradas do rio, semeadas em papel Germitest® e
acondicionadas em germinador tipo BOD, com temperatura constante de 25º C e fotoperíodo
de 12h. O experimento foi disposto em delineamento inteiramente casualisado com 4
repetições de 50 sementes para cada período de submersão. Após 30 dias da semeadura foram
avaliados o crescimento da parte área, número de folhas, comprimento de raiz, massa fresca e
seca da parte aérea e raiz. Havendo significância na análise de variância, os dados foram
submetidos ao teste de Tukey a 5% de probabilidade. A submersão das sementes em água não
afeta o comprimento de raiz e nem o número de folhas de I. vera quando comparadas com o
controle, porém 40 dias de submersão afeta negativamente o comprimento da parte área e a
submersão acima de 30 dias contribuiu para a redução da massa fresca e massa seca de raiz e
parte área. Desta forma, conclui-se que períodos menores de submersão da semente (até 20
dias) não afeta o crescimento e acúmulo de biomassa de plântulas de I. vera, no entanto, a
submersão acima de 30 dias interfere negativamente no acúmulo de biomassa e a submersão
por 40 dias no crescimento da parte aérea.

Palavras-chave: Alagamento, Estresse hídrico, Plântulas, Desenvolvimento inicial.


Créditos de financiamento: FUNDECT e CAPES

1
Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Biologia Geral e Bioprospecção, Unidade II, caixa postal
533, CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil. *autor para correspondência:
julielen_zanetti@hotmail.com
²Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais,
Programa de Pós-Graduação em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, Unidade II,
caixa postal 533, CEP: 79804970, Dourados-MS, Brasil.
³Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, Curso de Ciências Biológicas, Unidade
Universitária de Ivinhema, CEP: 79740000, Ivinhema-MS, Brasil.
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de189
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
TÉCNICAS ALTERNATIVAS EM AMOREIRAS-PRETAS PARA INDUÇÃO DA
DORMÊNCIA EM REGIÕES DE BAIXO FRIO HIBERNAL

Fabíola VILLA 1, Daniel Fernandes da SILVA2, Diego Ricardo STUMM1

A amora-preta, juntamente com outros pequenos frutos, vêm ganhando a atenção de técnicos
e produtores mundo a fora, porém no Brasil ainda é pouco difundida. Pertencente à família
Rosaceae, o gênero Rubus contém mais de trezentas espécies, nativas da Europa, África, Ásia
e América, muitas com frutos saborosos e nutritivos. Por se tratar de uma frutífera caducifólia
de clima temperado, as principais regiões produtoras de amora-preta no Brasil, situam-se no
Rio Grande do Sul, podendo ser encontradas plantações também nos estados do Paraná, São
Paulo e Minas Gerais. Excetuando-se as regiões de clbima temperado brasileiras, algumas
outras regiões onde é cultivada a amora-preta não possuem quantidade de horas de frio
hibernal suficientes para provocarem a queda total das folhas e indução da dormência, sendo
este processo importante por garantir a sobrevivência em temperaturas inadequadas, além de
influir no desenvolvimento vegetativo e na capacidade reprodutiva. Deste modo a desfolha
com produtos químicos nessas plantas pode tornar-se uma alternativa. Diante do exposto,
objetivou-se com o presente trabalho avaliar a aplicação de desfolhante em sete cultivares de
amoreira-preta, em substituição ao déficit de frio hibernal. Avaliaram-se dois tratamentos
relativos à aplicação de desfolhante (com e sem desfolhante) sobre 7 cultivares de amoreira-
preta (Guarani, Arapaho, Brazos, Cherokee, Comanche, Caigangue, Tupy). Como desfolhante
utilizou-se calda sulfocálcica aplicada 1 mês antes do período de poda. Realizaram-se
avaliações fitotécnicas das plantas e físico-químicas dos frutos. O delineamento experimental
utilizado foi blocos casualizados, com 4 repetições. A brotação e floração em ambos os
tratamentos ocorreram na mesma data, havendo diferença apenas entre as cultivares. Para os
parâmetros fitotécnicos avaliados, ocorreu diferença significativa entre os tratamentos apenas
para o número total de frutos, onde as cultivares Comanche e Guarani que receberam o
desfolhante tiveram menor número de frutos. Nas demais avaliações houve diferença apenas
entre as cultivares avaliadas, onde a maior produtividade foi atingida pela cultivar Brazos. Em
relação à qualidade dos frutos, os frutos das cultivares Caigangue e Tupy apresentaram maior
relação sólidos solúveis/acidez total (SS/AT), sendo indicados para consumo in natura. Frutos
das cultivares Brazos e Guarani apresentaram menor relação SS/AT, indicando frutos mais
ácidos. Em termos gerais, o desfolhante não foi efetivo para quebrar dormência das cultivares
de amoreira-preta estudadas.

Palavras-chave: Rubus sp., Pequenos frutos, Dormência, Frutificação.

Créditos de financiamento: CNPQ

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia (DBI), Programa de Pós-
Graduação em Botânica Aplicada, Campus Universitário, Caixa Postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
*Autor para correspondência: daniel_eafi@yahoo.com.br
2
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Centro de Ciências Agrárias (CCA),
Campus Marechal Cândido Rondon, Rua Pernambuco, 1777, Centro, Caixa Postal 91, CEP:
Anais do IIIMarechal
85960-000, SimpósioCândido
Internacional de Botânica
Rondon-PR, Aplicada e XXXV Encontro Regional de190
Brasil.
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
TEOR DE PIGMENTOS CLOROPLASTÍDICOS DE Lactuca sativa L.
(ASTERACEAE) EXPOSTA AO COBRE

Rodrigo Miranda MORAES1*, Sandro BARBOSA1, Marília CARVALHO1, Marina de


Lima NOGUEIRA1, Plinio Rodrigues Santos FILHO2

Níveis tóxicos de cobre ocorrem naturalmente em alguns solos ou são resultados de atividades
antrópicas como agricultura, indústrias de mineração e fundição, e descarte de lixo
tecnológico que liberam metais pesados no ambiente. A contaminação do ambiente de cultivo
gera modificações no aparelho fotossintético das plantas, as quais resultam em alteração na
eficiência, absorção e transferência de energia para os processos fotossintéticos. Nesse
contexto, alterações nos teores dos pigmentos cloroplastídicos, clorofilas a, b e carotenoides,
podem ser utilizadas como importantes indicadores de sensibilidade das plantas aos
contaminantes ambientais. O objetivo deste trabalho foi avaliar o teor de pigmentos
cloroplastídicos de Lactuca sativa L. exposta ao cobre. Para tanto, cinquenta sementes de L.
sativa cultivar Grand Rapids foram distribuídas aleatoriamente em placas de Petri forradas
com dupla camada de papel germitest umedecidos com 5 mL de solução de CuSO4 (50, 100,
250 e 500 µM), sendo água destilada utilizada como controle negativo. As placas foram
mantidas em câmaras de germinação, a 20ºC e fotoperíodo de 12 horas. A quantificação do
teor de clorofila a, b e carotenoides foi determinada pelo método da extração no sétimo dia de
cultivo. O delineamento foi inteiramente casualizado com quatro tratamentos e quatro
repetições por tratamento. Não houve diferença significativa entre os tratamentos, portanto as
concentrações utilizadas não alteraram o teor de pigmentos cloroplastídicos da planta-alvo.
Isso pode ser atribuído a uma possível limitação da mobilidade desse elemento, mesmo após
ser absorvido, uma vez que, não é prontamente móvel na planta permanecendo no sistema
radicular. Além disso, é possível que tenha ocorrido um armazenamento e imobilização desse
metal nos vacúolos celulares amenizando seu efeito tóxico. Assim, para as condições testadas,
o cobre não interferiu nos teores de pigmentos cloroplastídicos.

Palavras chave: Fitotoxicidade, Metais pesados, Alface.

Créditos de financiamento: CAPES (AUX-PE 2297.2011)

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental & Genotoxicidade
/ Instituto de Ciências da Natureza, Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº 700, Centro, CEP
37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2: Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade / Instituto de Ciências Biomédicas / Departamento de Bioquímica, Alfenas –
MG, Brasil.
*autor para correspondência: digao.bio@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de191
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
TEOR DE ZINCO EM PLANTAS DE Schinus molle L. EXPOSTAS A
DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE CÁDMIO

Marcio Paulo PEREIRA1*, Gabriel de Resende BARONI2, Felipe Fogaroli


CORREA2, Evaristo Mauro de CASTRO1, Vinícius Erlo RIBEIRO2, Fabricio José
PEREIRA1

O Cádmio (Cd) é um elemento do grupo 2B na tabela periódica. Esse elemento


apresenta similaridade química com outros elementos do grupo 2B, especialmente o
Zinco (Zn). Dessa forma, objetivou-se com esse trabalho avaliar o teor de Zn em plantas
de Schinus molle L. expostas a diferentes concentrações de Cd. O experimento foi
montado utilizando 54 plantas de S. molle em casa de vegetação com temperatura de
25±2C°, irrigadas em intervalos de 15 dias com solução de Hoagland e Arnon. Em
seguida, quando as plantas completaram sete meses de idade foram submetido a seis
diferentes concentrações de cádmio [0, 10, 20, 50, 125 e 250 μM de Cd(NO3)2] por um
período de 90 dias. Após esse período de exposição, folhas e raízes foram coletadas e
secas em estufa à 60°C por 72h. Em seguida a massa seca de cada órgão foi triturada em
moinho de facas. Depois de triturado, 500 mg de massa seca foi levado para digestão
nitroperclórica. O produto da digestão foi levado para leitura em Espectrômetro de
Absorção Atômica, modalidade chama, fazendo três avaliações para cada órgão. Os
dados foram submetidos à análise de variância em delineamento inteiramente
casualizado e realizados teste de regressão. Os teores radicular e foliar de Zn
apresentaram diminuição linear em função do aumento das concentrações de Cd na
solução. A regressão entre o teor radicular de Zn e o teor radicular de Cd demonstrou
que existe uma correlação (F = 8,62 e P = 0,01) negativa entre a absorção de Zn e Cd. O
Zn e um micronutriente que pode ter sua absorção inibida pelo cádmio Cd devido à
competição por sítios de absorção presentes nas raízes. Isso está relacionado a
similaridades químicas (eletronegatividade semelhante) entre esses dois elementos.
Dessa forma, os efeitos tóxicos do Cd nas plantas de Schinus molle podem estar
relacionados à inibição da absorção de micronutrientes importantes como o Zn.

Palavras-Chave: Aroeira, Micronutrientes, Metais pesados.

1
Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada,
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, UFLA, Lavras 37200-000, Minas Gerais, Brasil
*
Autor para correspondência (marciopaulop@hotmail.com)
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de192
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
TESTE Allium cepa L. (Amaryllidaceae) NA AVALIAÇÃO DA FITOTOXICIDADE
DE LODO TÊXTIL

Lenise Marques Silva BARBOSA1, Gabriela Moreira MACHADO1*, Marília


CARVALHO1, Luciene de Oliveira RIBEIRO1, Thiago Corrêa de SOUZA1, Fábio
KUMMROW2

O lodo têxtil resulta de uma mistura de matérias orgânicas e inorgânicas, que pode apresentar
metais pesados, e devido a isso, é dificilmente degradado. Esse resíduo pode apresentar alta
toxicidade, tornando seu descarte um sério problema ambiental. A fitotoxicidade do lodo pode
ser avaliada em bioensaios vegetais, que apresentam como principais vantagens o baixo custo,
fácil obtenção e manuseio dos organismos-teste. O objetivo desse trabalho foi avaliar a
fitotoxicidade de amostras de lodo têxtil para Allium cepa L. Foram realizadas quatro coletas
de lodo de uma indústria têxtil localizada no sul de Minas Gerais, no período de fevereiro a
outubro de 2014. Uma mistura de partes iguais das quatro amostras foi testada na forma de
uma amostra composta. O lodo têxtil foi previamente desidratado, pulverizado e padronizado
em malha fina (1 mm2). Foram preparados extratos aquosos das cinco amostras com água
destilada na proporção 1:4 m/v, com agitação por 24h. As amostras foram centrifugadas a
4000 rpm por 40 minutos. Os sobrenadantes foram coletados e as soluções teste foram
preparadas nas concentrações 20%, 40%, 60%, 80% e 100% de cada amostra. Água destilada
e sulfato de zinco foram usados como controles negativo e positivo, respectivamente. Foram
distribuídas 30 sementes de A. cepa em placas de Petri forradas com duas folhas de papel
filtro Whatman nº 2 e umedecidas com 3 mL de cada solução. As placas foram armazenadas
em câmaras de germinação, com 8 h de luz e 16 h de escuro, e 15°C constante. Os parâmetros
avaliados foram o índice de velocidade de germinação, porcentagem de germinação, biomassa
fresca e comprimento de raiz. O delineamento foi inteiramente casualizado, com 7
tratamentos e 3 repetições. Para o índice de velocidade de germinação, houve diferença
significativa entre as amostras, sendo a primeira amostra a mais tóxica. Para esta variável, a
segunda e terceira amostra apresentaram toxicidade nas concentrações maiores que 60% e
80%, respectivamente. A quarta amostra não influenciou a velocidade de germinação. Na
terceira amostra e na amostra composta, os tratamentos promoveram redução significativa da
biomassa fresca e índice de velocidade de germinação, respectivamente. A primeira amostra
reduziu a porcentagem de germinação, biomassa fresca e comprimento de raiz em
concentrações acima de 40%. Pode-se concluir que a primeira amostra foi a mais tóxica, dado
a redução significativa na germinação e crescimento inicial de A. cepa.

Palavras-chave: Cebola, Bioensaio, Fitotoxicidade

Créditos de Financiamento: FAPEMIG, CAPES

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade, Instituto de Ciências da Natureza, Rua Gabriel Monteiro da Silva, 700,
Centro, CEP 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de São Paulo, Campus Diadema. Rua Professor Arthur Riedel, 275,
Eldorado, CEP 09972-270, Diadema-SP, Brasil.
*autor para correspondência:gabrielasp@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de193
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
TRAZENDO A DIVERSIDADE VEGETAL PARA A SALA DE AULA

Felipe Girotto CAMPOS1*; Gisela FERREIRA1; Carmen Sílvia Fernandes


BOARO1;

Aulas expositivas dificultam a estimulação dos estudantes para a compreensão de


processos biológicos, incluindo aqueles que fazem parte do conteúdo de botânica. Nesse
sentido, os museus, centros de ciências e laboratórios auxiliam na transmissão,
construção e apropriação do conhecimento, uma vez que, aproximam os recursos desses
espaços, com hipóteses tratadas de modo abstrato na teoria. Como nem todas as escolas
contam com esses recursos, objetivou-se a criação de um modelo junto ao projeto de
extensão “Difundindo e popularizando Ciências na UNESP: Interação entre pós-
graduação e ensino básico”, do Instituto de Biociências, UNESP, Botucatu, para ser
utilizado em sala de aula por professores do ensino básico que auxilie a apresentação de
parte da diversidade vegetal para os seus estudantes. Para tanto, alunos da pós-
graduação em Ciências Biológicas (Botânica) e da graduação do Instituto de
Biociências idealizaram um espaço em sala de aula, para representar um ambiente
natural destacando a forma e função dos vários órgãos vegetais, mantendo-se tanto
quanto possível semelhança com o natural. Foram utilizadas plantas cultivadas em
vasos, galhos secos, pó de serra, papel pardo, bexigas e outros materiais para a
confecção de riachos, árvores, animais e esquemas destacando diferentes aspectos
morfológicos, anatômicos e fisiológicos. Além disso, caixas acústicas instaladas
reproduziram sons da natureza. Em meio ao que foi construído foram distribuídos
diferentes tipos de raízes, caules, folhas, flores, frutos e sementes, representando
adaptações vegetais, relacionadas às funções. Fotos, figuras, estereomicroscópios e
lupas possibilitaram a estimulação da curiosidade sobre estruturas vegetais como
estômatos e pólens, entre outras. Desde 2011 duzentos e cinquenta estudantes que
frequentaram os cursos de férias “Investigando a Vida das Plantas”, vinculados ao
projeto, visitaram as salas montadas, com um percurso definido a ser seguido para
observarem as plantas, suas formas e funções, momento de estimulação da curiosidade
para fomentar posterior discussão. Ao final do curso avaliação escrita realizada pelos
estudantes do ensino básico demonstra que o circuito criado permite que esses alunos
construam o seu conhecimento sobre parte da biodiversidade vegetal.

Palavras-chave: Planta, Botânica, Função e Ensino médio.


Créditos de financiamento: CAPES; FINEP;

1
Universidade Estadual Paulista, Departamento de Botânica, Programa de Pós-
graduação em Ciências Biológicas (Botânica), Instituto de Biociências, Caixa Postal
510, CEP 18618-970, Botucatu-SP, Brasil.
*Autor para correspondência felipegttbio@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de194
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
TRIAGEM FITOQUÍMICA E DETERMINAÇÃO QUANTITATIVA DA ATIVIDADE
ANTIOXIDANTE DO EXTRATO SECO HIDROETANÓLICO DAS FOLHAS DE
Eugenia florida (Myrtaceae)

Renan Gomes BASTOS1*, Carla Pereira ROSA1, Izabela Ferreira BINI2, Larissa
Pradela CASTALDINI2, Letícia Castro Dias SILVA2, Marcelo Aparecido da SILVA1

A Eugenia florida, popularmente chamada de pitanga-preta, é de grande importância


medicinal e encontrada na região do Cerrado brasileiro. Trata-se de uma árvore pequena e
com folhas simples. Essa espécie de planta, de acordo com a literatura, apresenta vários
compostos bioativos em suas folhas, principalmente taninos, saponinas, flavonoides e ácidos
fenólicos, que apresentam uma alta atividade antioxidante. Sabe-se que o estresse oxidativo é
caracterizado pela modulação desregulada de enzimas no organismo, bem como pelo aumento
da produção de radicais livres. A maioria desses radicais são espécies reativas de oxigênio e
podem ser gerados como subprodutos do metabolismo. Por conter compostos que apresentam
forte atividade antioxidante, a Eugenia florida é uma planta bastante relevante para serem
feitos tais estudos. Portanto, o trabalho teve por objetivo realizar a triagem fitoquímica do
extrato seco hidroetanólico da planta e avaliar a sua atividade antioxidante in vitro. As
triagens foram realizadas por reações químicas e por cromatografia em camada delgada, no
intuito de detectar taninos, flavonoides, antraquinonas, saponinas, alcaloides, polissacarídeos
e esteroides. Para as cromatografias, utilizaram-se a solução do extrato e as de padrões
autênticos em metanol. As análises foram feitas em microplacas de sílica-gel e a fase móvel
foi uma mistura de acetato de etila, metanol e água. Todas as placas foram reveladas com luz
ultravioleta e cada uma delas, separadamente, foi submetida a reveladores químicos
diferentes. A avaliação da atividade antioxidante foi feita em triplicata, através do
monitoramento do consumo de DPPH e os resultados obtidos foram expressos pela
porcentagem de sequestro do radical e pelo EC50. Dentre os grupos de metabólitos
secundários, foi possível detectar a presença de taninos, flavonoides, saponinas,
polissacarídeos e esteroides, porém não foram encontrados alcaloides e antraquinonas. A
porcentagem de sequestro de radical DPPH pelo extrato seco, na concentração de 10 g/mL,
foi de 32,68%, com EC50 de 12,29. Observou-se que essa porcentagem, no extrato seco, foi
bem menor do que a apresentada pelos padrões, porém o EC50 apresentou-se relativamente
próximo ao apresentado pela quercetina. Com os resultados obtidos, não é possível ainda
afirmar com certeza quais são os compostos químicos presentes no extrato e suas relações
com a atividade antioxidante, o que requer estudos mais aprofundados para comprovar a
eficácia da planta.

Palavras-chave: Antioxidante, Triagem, Metabólitos, Atividade.

Créditos de financiamento: CAPES.

1
Universidade Federal de Alfenas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Programa de Pós-
Graduação em Ciências Farmacêuticas, Campus Alfenas, caixa postal 221, CEP: 37130-000,
Alfenas-MG, Brasil.
2
Universidade Federal de Alfenas, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Curso de
Graduação em Farmácia (Formação Generalista), Campus Alfenas, caixa postal 221, CEP:
37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de195
rgbastos.rb@gmail.com
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
TROCAS GASOSAS E CRESCIMENTO DE Myroxylon peruiferum L. f.
(Fabaceae) EM DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE COBRE

Daniele Maria MARQUES1*, Dalvana de Souza PEREIRA2, Caroline Oliveira dos


REIS2, Thiago Corrêa de SOUZA3, Adriano Bortolotti da SILVA4, José Ricardo
MANTOVANI4

O cobre (Cu) é um micronutriente essencial para o crescimento das plantas e está


envolvido em muitos processos biológicos essenciais. No entanto, os solos
contaminados por cobre podem interferir no desenvolvimento fisiológico e no
estabelecimento dos vegetais. Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi avaliar as
trocas gasosas e parâmetros de crescimento da arbórea Myroxylon peruiferum L. f.
(Fabaceae) em concentrações crescentes de cobre. O experimento foi realizado com a
espécie Myroxylon peruiferum L. f. (Óleo bálsamo), com cinco concentrações de cobre
0, 50, 100, 200 e 400 mg kg-1, e com quatro repetições. As mudas foram plantadas em
vaso com capacidade de 8 litros e mantidos em casa de vegetação por um período de 90
dias. Foram avaliadas as características biométricas (altura e diâmetro) e os parâmetros
de trocas gasosas (fotossíntese, transpiração, condutância estomática, carbono interno).
M. peruiferum apresentou maior altura na concentração de 200 mg Kg-1, e o diâmetro
não foi significativamente afetado pelas concentrações de cobre. Foi observado que a
fotossíntese foi maior na concentração de 100 e 200 mg Kg-1 de cobre no solo. Esse
resultado provavelmente se explica por ocorrer nas concentrações menores onde o cobre
atua como micronutriente favorecendo as reações fotossintéticas (FSII). Os parâmetros
de trocas gasosas (fotossíntese, condutância estomática, carbono interno e transpiração)
foram menores na concentração de 400 mg Kg-1, possivelmente devido ao efeito tóxico
de Cu no aparelho fotossintético das plantas, podendo ser um efeito direto, através de
uma diminuição na concentração de pigmentos, e, indireto, através de interferência de
íons Cu no FSII. Conclui-se que mesmo em concentrações elevadas de cobre Myroxylon
peruiferum L. f. mantém o crescimento e as trocas gasosas foliares.

Palavras-chave: Óleo bálsamo, Fotossíntese, Metal pesado.

1
Mestranda, Universidade Federal de Alfenas, Instituto Ciência da Natureza - ICN,
Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, CEP: 37130-000, Alfenas-MG,
Brasil. 2: Graduanda, Universidade José do Rosário Vellano, Laboratório de
Biotecnologia Vegetal, Ciências Agrárias, CEP: 37130-000, Alfenas-MG, Brasil. 3:
Professor, Universidade Federal de Alfenas, Instituto Ciência da Natureza - ICN,
Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, CEP: 37130-000, Alfenas-MG,
Brasil. 4: Professor, Universidade José do Rosário Vellano, Ciências Agrárias, CEP:
37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
*autor para correspondência: danimarques.bio@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de196
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
USO DO ÁCIDO GIBERÉLICO NO CRESCIMENTO DE BROTOS DE Garcinia
brasiliensis Mart. (Clusiaceae) IN VITRO

Maria Gessi TEIXEIRA1*, Beatriz FONOFF1, Leila Mc LEOD1, Breno Régis SANTOS1,
Marília CARVALHO1

A Garcinia brasiliensis conhecida como Bacupari, é nativa da Região Amazônica e cultivada


em todo território brasileiro. É uma planta medicinal e destaca-se por apresentar várias
atividades farmacológicas como propriedade antianafilática, propriedade anti-HIV, atividade
antimicrobiana, antiinflamatória, efeito antiproliferativo em células de câncer humano, agente
anticárie e antiplaca bacteriana e atividade leishmanicida. Assim, técnicas de cultura de
tecidos são bastante aplicadas em pesquisas envolvendo plantas medicinais, com ênfase na
micropropagação. No cultivo in vitro, a ação do ácido giberélico (GA3), é responsável pela
indução do alongamento celular e de crescimento de entrenós. Nesse contexto, o trabalho
teve como objetivo avaliar o efeito do GA 3 no crescimento de brotos, estabelecendo um
protocolo eficiente para brotos in vitro para a micropropagação de G. brasiliensis. Brotos
provenientes de segmentos nodais estabelecidos in vitro foram inoculados em tubos de
ensaios contendo 15 mL do meio de cultura Wood Plant Medium (WPM) com três
concentrações de GA3 (0,39; 0,52, 0,64 mgL-1 e a sua ausência). Após a inoculação, os tubos
foram levados para câmera de germinação do tipo B.O.D. a temperatura controlada de 30 °C e
fotoperíodo de 12 horas por um período de 60 dias. O ponto de máximo de incremento do
crescimento foi determinado baseando-se na primeira derivada. Foi utilizado o ajuste
polinomial para a regressão. Ao final do experimento, os incrementos de crescimento dos
brotos foram 0,96; 1,06; 1,11 e 0,43 mm nos tratamentos com a ausência do GA3 e com as
concentrações 0,39; 0,52 e 0,64 mgL-1, respectivamente. Por meio do ajuste polinomial,
observou-se que a concentração de 0,254 mgL-1 de GA3 promoveu, em média, o incremento
máximo de 1,254 mm no comprimento dos brotos. A partir de 0,254 mgL-1 de GA3 o
incremento de crescimento foi reduzido. Assim, levando em consideração que a espécie
apresenta crescimento lento, baixas concentrações do GA3 garantiram o incremento no
crescimento dos brotos de G. brasiliensis, sendo a concentração de 0,254 mgL-1 de GA3 a
melhor para crescimento de brotos estabelecidos in vitro.

Palavras-chave: Bacupari, Micropropagação, Cultura de tecidos.

Créditos de financiamento: CAPES (AUX-PE 2297.2011)

1
Universidade Federal de Alfenas, Laboratório de Biotecnologia Ambiental &
Genotoxicidade / Instituto de Ciências da Natureza / Rua Gabriel Monteiro da Silva, nº 700,
Centro, CEP 37130-000, Alfenas-MG, Brasil.
*autor para correspondência: mariagessiteixeira@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de197
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
VARIAÇÃO TEMPORAL DA RIQUEZA NA DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA DE
EM UMA FLORESTA ESTACIONAL DECIDUAL.

Cléber Rodrigo de SOUZA 1*, Polyanne Aparecida COELHO ¹, Rubens Manoel dos
SANTOS ¹, Henrique Faria de OLIVEIRA¹

As Florestas Estacionais Deciduais do Norte de Minas Gerais, formações sujeitas à marcante


estacionalidade de forma que mais da metade dos indivíduos perdem suas folhas na estação
desfavorável, apresentam características florísticas e fisionômicas específicas, bem como alta
complexidade ecológica e raridade que as destacam das demais formações deciduais do
domínio da Caatinga. Assim, trabalhos que envolvam tais ecossistemas essenciais por
assumirem o papel de alicerce de medidas conservacionistas adequadas. Deste modo, este
trabalho teve como objetivo avaliar a variação temporal da distribuição da riqueza em classes
diamétricas em um fragmento de 10 ha de Floresta Estacional Decidual em Juvenília, extremo
Norte de Minas Gerais, Brasil. Todos os indivíduos com CAP≥10 cm foram mensurados e
identificados ao nível de espécie em 10 parcelas de 20x20m, em levantamentos realizados nos
anos de 2005, 2010 e 2015. A partir disto, foi realizada a divisão das espécies quanto à sua
frequência em cinco classes diamétricas (3 – 6 cm, 6,1 – 12 cm, 12,1 – 24 cm, 24,1 – 48 cm e
48,1 – 96 cm). Para verificar diferenças entre as distribuições, foi realizado Teste G com 5%
de significância. No ano de 2005 a primeira classe contou com 33 espécies, a segunda com
34, a terceira com 22, a quarta com 9 e a quinta com 1 espécie. Em 2010 estes valores se
modificaram para 29 espécies para a classe de 3 a 6 cm, 33 para de 6 a 12 cm, 22 para a de 12
a 24 cm, 9 para de 24 a 48 cm e 1 para a classe de 48 a 96 cm. Já em 2015 os valores foram de
25, 31, 21, 11 e 1 espécies para as classes, em sequência. Foram significativas as comparações
envolvendo os anos de 2005 e 2015(p=0,0001) e 2010 e 2015 (p=0,0055). Nota-se com o
passar dos anos a diminuição no número de espécies nas classes inferiores acompanhado de
aumento nas classes intermediárias, o que associado à diferenciação da distribuição do ano de
2015 em relação às anteriores pode ser indicativo de uma tendência ao desenvolvimento da
comunidade para estágios sucessionais mais avançados. Tal evolução ocorre em ecossistemas
florestais de forma natural ou na forma de recuperação em resposta às modificações das
condições ambientais, alternativa esta mais plausível quando considerado o histórico de
perturbações antrópicas na área. Assim, a variação da distribuição da riqueza em classes
diamétricas para este fragmento de Floresta Estacional Decidual no período estudado
provavelmente está associada à processos sucessionais.

Palavras-chave: Diversidade, Estacionalidade, Caatinga Arbórea.

1
Universidade Federal de Lavras, Laboratório de Conservação e Manejo da Biodiversidade,
Departamento de Ciências Florestais, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-
000, Lavras-MG, Brasil.
*
Autor para correspondência: diguinho@engflorestal.ufla.br
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de198
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
VARIAÇÕES ESTRUTURAIS DE Inga vera Willd. (Fabaceae) AO LONGO DO
TEMPO EM ÁREAS SAZONALMENTE ALAGÁVEIS

Geovany Heitor REIS1*, Rubens Manoel dos SANTOS¹, Kaline Fernandes MIRANDA¹

Inga Mill. possui cerca de 300 espécies lenhosas, são particularmente comuns em margens de
rios em toda região neotropical, ocorrendo desde a América Central até o Uruguai. Inga vera
Willd. é a espécie do gênero com maior distribuição ocorrendo principalmente em áreas
aluviais. A adaptação desta espécie as áreas sazonalmente alagáveis incluem suas estratégias
de germinação e dispersão de sementes, pois a germinação ocorre mesmo em hipóxia e a
dispersão é realizada pela água ou pelos peixes. Este estudo objetivou-se avaliar as
modificações estruturais ocorrida em uma população de I. vera ao longo de 23 anos. Em
1991, foram alocadas 71 parcelas permanentes contíguas de 15 x 15 m² em um fragmento de
Floresta Estacional Semidecidual, situado às margens do Rio Grande no município de Madre
de Deus de Minas. Parte desta floresta e consequentemente da área amostral sofre com
alagamentos sazonais devido ao regime de inundação do rio. Os indivíduos com
circunferência à altura do peito (CAP) ≥ 15,7 cm foram marcados com etiquetas numeradas e
mensurados. Em 1998, 2001, 2006, 2009 e 2014 foram realizadas as remensurações,
incorporando os recrutas, registrando os mortos e remedindo os sobreviventes. Foi calculada a
densidade absoluta, que consiste no número de indivíduos por hectare; e a área basal, que leva
em consideração o diâmetro dos indivíduos e é apresentada em metros quadrados. As
densidades de I. vera nos seis inventários foram de 95,18 ind.ha-1 (1991); 85,16 ind.ha-1
(1998); 77,02 ind.ha-1 (2001); 75,77 ind.ha-1 (2006); 76,40 ind.ha-1 (2009); 63,25 ind.ha-1
(2014), mostrando uma redução significativa (t=18,09; p>0,001). Houve diminuição na
abundância de 33,55%, passando de 152 indivíduos em 1991 para 101 indivíduos em 2014.
No entanto, houve um aumento significativo em área basal (t=12,74; p>0,001) apresentando
7,20 m² (1991); 9,55 m² (1998); 11,53 m² (2001); 12,15 m² (2006); 12,21 m² (2009); 12,54 m²
(2014). As modificações estruturais apresentadas devem-se, provavelmente, aos processos de
mortalidade e recrutamento ao longo do tempo. Possivelmente devido ao aumento da
mortalidade e/ou diminuição de recrutas, e consequentemente ocorrendo um decréscimo na
abundância e na densidade. Por outro lado, afetou positivamente os indivíduos sobreviventes
mostrando um ganho em biomassa.

Palavras-chave: Floresta Estacional, Regime de inundação, Informações temporais.

1
1: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Engenharia Florestal, Programa de
Pós-Graduação em Ciências Florestais, Campus Universitários caixa postal 3037, CEP:
37200-000, Lavras – MG, Brasil.
* autor para correspondência: geovanyreis@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de199
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
VERBENACEAE J. ST. HIL. DO PARQUE ESTADUAL DO IBITIPOCA,
MINAS GERAIS

Ludymila Viana Valadares CRUZ1*; Fátima Regina Gonçalves SALIMENA1

O Parque Estadual do Ibitipoca está situado na região sul da Zona da Mata de Minas
Gerais, na região da Mantiqueira Meridional, entre as coordenadas 21º40’-21º44’S e
43º52’-43º52’W com 1488 hectares, incluindo grande diversidade de ambientes onde
predominam os campos rupestres e florestas nebulares em altitudes que chegam a 1784
m s.n.m. Esta é uma das principais unidades de conservação de Minas Gerais, sob
responsabilidade do IEF e reconhecida como área prioritária para conservação da flora
do estado. A família Verbenaceae reúne 1200 espécies distribuídas em 34 gêneros com
maior riqueza nos neotrópicos, sendo que no Brasil são encontrados 16 gêneros e 286
espécies com 187 endêmicas, especialmente nos campos rupestres e cerrados. No
Parque Estadual do Ibitipoca a família está representada por quatro gêneros e seis
espécies: Glandularia lobata (Vell.) P.Peralta & Thode, Lantana fucata Lindl.,Lippia
hermannioides Cham., Lippia lupulina Cham., Lippia origanoides Kunth e
Stachytarpheta sellowiana Schauer. As espécies mais amplamente distribuídas são L.
origanoides e Lantana fucata, que ocorrem nas regiões tropicais e subtropicais das
Américas, enquanto Lippia lupulina é encontrada no Paraguai, Bolívia e Argentina,
sendo típica dos cerrados brasileiros. L. hermannioides é encontrada na Bahia e Minas
Gerais, nos domínios do cerrado e floresta atlântica. Glandularia lobata se distribui na
região sul-sudeste na floresta atlântica em altitudes acima de 1200m s.n.m. e nos
pampas. A espécie de ocorrência mais restrita é Stachytarpheta sellowiana, criticamente
ameaçada e endêmica da Mantiqueira Meridional, nos campos rupestres. São
apresentados chaves de identificação, comentários ecológicos e taxonômicos das
espécies.

Palavras-chave: Campos rupestres, Flora, Serra da Mantiqueira, Taxonomia.

Créditos de financiamento: CAPES

1
Universidade Federal de Juiz de Fora, Departamento de Botânica, Programa de Pós
Graduação em Ecologia/PGECOL, Juiz de Fora- MG, Brasil
*autor para correspondência: ludymilacruz@hotmail.com

Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de200
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
VERBENACEAE J. St.-Hil. PARA O COMPLEXO DE SERRAS DA BOCAINA E
CARRANCAS - MINAS GERAIS, BRASIL

Cauê Paiva Vidigal MARTINS1*, Iago Augusto de Castro ARRUDA¹, Michel BIONDI¹,
Daniel Quedes DOMINGOS¹, Mariana Esteves MANSANARES¹.

A família Verbenaceae é representada por 36 gêneros e aproximadamente 480 espécies


distribuídas por toda faixa pantropical, ocorrendo principalmente na porção neotropical. O
Brasil é o maior centro de diversidade desta família, reunindo 16 gêneros e cerca de 290
espécies, encontradas em todas as fitofisionomias. Os integrantes desta família podem ser
reconhecidos pelo hábito geralmente herbáceo a arbustivo; ramos teretos ou quadrangulares;
folhas simples, geralmente opostas; Inflorescência racemosa; flores hermafroditas,
zigomorfas, cálice e corola 4- ou 5-meros; estames 4(5); ovário súpero, sincárpico, 2- carpelar
ou 1-carpelar, um lóculo por carpelo; 2 óvulos por carpelo inseridos marginalmente em falsos
septos; fruto drupa ou esquizocarpo. Neste trabalho objetivamos inventariar a diversidade de
espécies da família Verbenaceae nos campos rupestres do complexo de serras da Bocaina e
Carrancas, Minas Gerais, região cuja flora ainda é pouco conhecida, situada geograficamente
entre os campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, campos de altitude da Serra da
Mantiqueira e a sudoeste da Serra da Canastra. Para a coleta de material botânico foram
realizadas 24 expedições de março de 2010 a março de 2012, a identificação do material foi
feita através de consultas ao acervo do Herbário ESAL, da Universidade Federal de Lavras, e
dos herbários virtuais New York Botanical Gardens, Neotropical Herbarium Specimes, e o
INCT - Herbário Virtual da Flora e dos Fungos, além de literatura especializada e consulta a
especialista. Registramos a ocorrência de cinco espécies das quais quatro pertencem ao gênero
Lippia (L. felippei, L. origanoide, L. rotundifolia, L. sericea) e apenas uma ao gênero
Stachytarpheta (S. sellowiana). Nossos resultados corroboram o padrão encontrado nas
formações vegetacionais de cerrado e campos rupestres amostrados em outros estudos, onde
Lippia e Stachytarpheta também são os gêneros com maior representatividade. Dentre as
espécies amostradas três são endêmicas do Brasil (L. rotundifolia, L. sericea e S. sellowiana)
com destaque para S. sellowiana a qual é endêmica para o estado de Minas Gerais e é
apontada como criticamente ameaçada de extinção. Com base em nossos resultados
reforçamos a necessidade de esforços que visem à conservação dos campos rupestres do
Complexo de Serras da Bocaina e Carrancas, com o objetivo de preservar espécies já
apontadas em risco de extinção, como também preservar parte da flora ainda pouco
conhecida.

Palavras-chave: Verbenaceae, Campos rupestres, Serra da Bocaina, Carrancas.


Créditos de financiamento: FAPEMIG

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
*autor para correspondência: cauebioalfenas@gmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de201
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
VIABILIDADE POLÍNICA EM ESPÉCIES DE Cynodon L. C. Rich.(POACEAE)

Dayanne Medrado SILVA1*; Yasmim Dutra SANTOS2; Fausto Souza SOBRINHO3;


Flávio Rodrigo Gandolfi BENITES3; Vânia Helena TECHIO1

As espécies do gênero Cynodon, possuem boa adaptação a solos ácidos e aos climas tropicais
e subtropicais e têm importância na forragicultura, paisagismo e cobertura de campos
esportivos. Estudos acerca desse gênero ainda são escassos, com base nisso o objetivo desse
trabalho foi avaliar e comparar a viabilidade polínica de Cynodon nlemfuensis Vanderyst
(ERX 14) e Cynodon dactylon var. dactylon (L.) Pers. (EGL 19), utilizando dois corantes. As
espécies pertencem ao banco ativo de germoplasma de plantas forrageiras da Embrapa Gado
de Leite-Juiz de Fora-MG. As inflorescências das espécies foram coletadas em torno das 9h e
fixadas em Carnoy (ácido acético e etanol) na proporção 3:1, acondicionadas em microtubos e
refrigerador. A preparação das lâminas se deu após a remoção das anteras das inflorescências
imersas em ácido acético 45% com auxílio de estereomicroscópio. As lâminas foram
preparadas por meio da técnica de esmagamento com aplicação dos corantes de Alexander e
carmim propiônico 1%. Para cada espécie, foram avaliadas cinco lâminas e 100 grãos de
pólen/lâmina. Para comparação de médias foi utilizado o Teste de Tukey. As espécies
apresentaram taxas de viabilidade de pólen diferenciadas entre si e para os dois corantes. A
porcentagem de viabilidade de pólen de C. dactylon var. dactylon (EGL 19) foi de75% e 68%
para os corantes carmim propiônico e Alexander, respectivamente. C. nlemfuensis exibiu 82%
e 72% de viabilidade de pólen quando avaliado com carmim propiônico e Alexander,
respectivamente. Em relação à análise estatística, considerando o primeiro desdobramento
entre espécies por corante, foram observadas diferenças significativas da viabilidade de pólen
para ambos os corantes e para as duas espécies. Para o segundo desdobramento dentro da
espécie por corante, também foram observadas diferenças significativas na taxa de viabilidade
de pólen estimada com os dois corantes utilizados. As variações de fertilidade em Cynodon
foram, portanto, melhor evidenciadas pelo corante de Alexander, pois permitiu identificar
com maior precisão os grãos de pólen inviáveis. Isso é possível devido às propriedades
químicas do corante de Alexander que é composto de verde malaquita, o qual tem afinidade
pela celulose presente na parede celular, e da fucsina ácida, que cora o protoplasma. C.
nlemfuensis apresentou maior taxa de viabilidade de pólen em comparação com C. dactylon
var. dactylon.

Palavras-chave: Cynodon dactylon, Cynodon nlemfuensis, Grão de pólen.

Apoio financeiro: CAPES, CNPq e FAPEMIG.

1
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação em
Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG,
Brasil.
2
Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agronomia, Campus Universitário, caixa
postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.
3
Pesquisador Embrapa Gado de Leite, Juiz de Fora- MG.
Anais
*autor do IIIcorrespondência:dayannebio7@gmail.com
para Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de202
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.
VINGAMENTO DE FRUTOS DE OLIVEIRA SUBMETIDOS À APLICAÇÃO DE
DIFERENTES PRODUTOS FITOSSANITÁRIOS

Carolina Ruiz ZAMBON1*, Luiz Fernando de Oliveira da SILVA2, Rafael PIO3,


Adelson Francisco de OLIVEIRA2, Pedro Henrique Abreu MOURA3, Flávio Gabriel
BIANCHINI3

O objetivo desse trabalho foi constatar se a utilização de alguns produtos químicos/


fitossanitários, na época da florada, pode interferir no vingamento de frutos de oliveira nas
condições brasileiras. Esse experimento foi realizado nos meses de agosto e setembro de 2014
na Fazenda Experimental da EPAMIG em Maria da Fé - MG, situada a 22°18’ latidude Sul e
45° 23’ longitude Oeste, a uma altitude média de 1.276 metros. O delineamento experimental
foi em blocos casualizados em esquema fatorial 2 x 4, sendo duas cultivares: Arbequina e
MGS GRAP541 e quatro produtos: um o tratamento controle sem utilização de nenhum
produto, óleo mineral (5 L / 100 L de água), extrato de neem (100 mL / 100 L de água) e
‘Perfekthion®’ (50 mL / 100 L de água). Sendo as concentrações dos produtos utilizados de
acordo com recomendação dos fabricantes. Durante o experimento foram separadas duas
plantas de cada cultivar e marcados cinco ramos floríferos em cada planta, totalizando assim
10 ramos (repetições). Posteriormente, contabilizou-se o número de inflorescência e de flor
por inflorescência e aplicou-se os produtos químicos. Decorrido a fase de florescimento, e
fase inicial de frutificação, foram contabilizados o número de frutos formados, determinando
assim a taxa de vingamento de frutos em porcentagem. Os dados coletados foram submetidos
a análise de variância e as médias submetidas ao teste de Tukeu em nível de 5% de
probabilidade, com o auxílio do programa estatístico Sisvar®. Houve diferença significativa
entre os tratamentos e a testemunha. Para a cultivar Arbequina, o tratamento sem a aplicação
de produtos químicos apresentou 6,7% de pegamento de fruto, sendo que houve diminuição
dessa porcentagem ao longo dos demais tratamentos, sendo 4,22% com utilização de óleo
mineral, 3,26% para extrato de Neen e 1,09% para ‘Perfekthion®’. A cultivar MGS
GRAP541 também apresentou o mesmo padrão sendo que o tratamento testemunha
apresentou 12,24% de vingamento de frutos, seguido pelo tratamento com ‘óleo mineral’
5,13%, ‘Neem’ com 5,93% e ‘Perfekthion®’ com 4,25% de frutos. Com base nesses
resultados a aplicação de produtos de origem química ou natural para controle de pragas deve
ser evitada na fase de florescimentopois, pois, os mesmo prejudicam o vigamento de frutos,
sendo que sugere-se continuidade desses estudos a fim de se encontrar um produto que atenda
a necessidade de controle fitossanitário da cultura sem interferência na florada e
comprometimento da safra agrícola.

Palavras Chave: Viabilidade polínica, Melhoramento genético, Botânica aplicada.

1 1: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Biologia, Programa de Pós-Graduação


em Botânica Aplicada, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
2: Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Campus Universitário, caixa postal
176, CEP: 37200-000, Lavras-MG, Brasil.:
3: Universidade Federal de Lavras, Departamento de Agricultura, Programa de Pós-
Graduação em Fitotecnia, Campus Universitário, caixa postal 3037, CEP: 37200-000, Lavras-
MG, Brasil.
*autor para correspondência: carol-rzambon@hotmail.com
Anais do III Simpósio Internacional de Botânica Aplicada e XXXV Encontro Regional de203
Botânicos MG/BA/ES, 12 a 15 de maio de 2015, Lavras-MG.