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21/10/2018

Aminoácidos, peptídeos,
proteínas
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Aminoácidos

> 300 naturais

20 a.a. predominantes em proteínas

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Aminoácidos

Aminoácidos

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Estereoquímica dos a.a.

a-C dos a.a. são quirais (excepto glicina)

Partilham configuração absoluta do L-gliceraldeído

Estereoquímica dos a.a.

20 são L-a-aminoácidos

Microrganismos também produzem D-a-aminoácidos

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Estereoquímica dos a.a.

Enzimas só actuam em isómeros L

Aminoácidos

Selenocisteína considerada 21º a.a.

Se no lugar do S da cisteína

Codificação genética mais complexa que a dos outros


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Aminoácidos
Algumas modificações com ocorrência natural formam
novos a.a.

Proteínas com diferentes propriedades

Por modificação genética possível criar novas


proteínas

Aminoácidos tóxicos

Algumas plantas usadas como alimentos


contêm a.a. potencialmente tóxicos

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Cargas dos a.a.


Em solução aquosa, formas carregadas e não
carregadas estão em equilíbrio

Ao pH fisiológico (7,4) maioria dos grupos carboxilo


existem como R-COO- e os amino como R-NHœ

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Cargas dos a.a.

Histidina e arginina formam híbridos de ressonância

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Cargas dos a.a.

Ex: efeito do pH sobre carga do ác. aspártico

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Cargas dos a.a.


Zwitteriões – moléculas com nº igual de grupos
ionizáveis de carga oposta

Carga global zero

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Cargas dos a.a.

Carga global do a.a. depende do pKa dos grupos


funcionais e do pH do meio

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Cargas dos a.a.


Ponto isoeléctrico (pI) – valor de pH intermédio entre
os valores de pKa dos grupos ionizáveis

Valor de pH ao qual a carga global é zero

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pI
Ex: alanina tem pKa 2,35 para a desprotonação de
R-COOH e 9,69 para R-NHœ

2,35 + 9,69
pI = = 6,02
2

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Curva de titulação para a.a.

A- 
pH = pK a + log  
 HA 

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Cargas dos a.a.

pKa varia com ambiente

Meio polar favorece Meio apolar favorece


formas carregadas formas não carregadas

Solúveis Não solúveis

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Reactividade dos a.a.


Grupos funcionais exibem as suas reacções
características

Ligação peptídica é a reacção mais importante

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Ligação peptídica

Carácter de dupla ligação parcial

Átomos em redor da ligação são coplanares porque


não há liberdade de rotação em torno da ligação

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Conformação

Relação espacial de cada átomo numa molécula

Pode haver interconversão entre confórmeros, sem


ruptura de ligações covalentes

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Classificações de proteínas

Com base na solubilidade

(Hidro)solúveis Não solúveis

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Classificações de proteínas

Com base na forma

Globulares Fibrosas

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Classificações de proteínas

Com base na composição

Lipoproteínas Glicoproteínas Metaloproteínas

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Estrutura primária

Número e sequência dos a.a. num polipeptídeo

Peptídeos escrevem-se colocando o resíduo com o


grupo a-amino livre à esquerda

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Estrutura secundária
Dobramento de pequenos segmentos (3-30 a.a.)
contíguos de um polipeptídeo em unidades
geometricamente ordenadas

Hélice a Folha b

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Hélice a

Grupos R de cada a.a. virados para o exterior

Só hélices a viradas para a direita estão


presentes nas proteínas

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Hélice a

Estabilizadas por pontes de H

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Hélice a
Grupos hidrofóbicos para um lado do eixo e hidrofílicos
para o outro – carácter anfipático

Formam interfaces entre regiões polares e não polares

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Folha b
Estruturas mais estendidas, com um
padrão em zigue-zague

Estabilizadas por ligações de H

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Folha b

Paralelas

Antiparalelas

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Folha b
Núcleo de várias proteínas globulares constituídos por
grupos de filamentos torcidos de folha b

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Estrutura secundária

Unidades de estrutura secundária unidas por dobras


e curvaturas

Segmentos curtos de a.a.

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Estrutura secundária

Alças contêm maior nº de resíduos de a.a.

Estruturas supersecundárias – entre as secundárias e


as terciárias

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Estrutura secundária

Alças têm papel biológico importante

Participam na Epítopos para


catálise ligação de …
enzimática anticorpos

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Estrutura terciária
Reunião das unidades secundárias em unidades
funcionais maiores - domínios

Secções da estrutura da proteína capazes de


realizar tarefas químicas ou físicas

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Estrutura terciária

Proteínas simples habitualmente têm um só domínio

Proteínas mais complexas podem ter vários domínios

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Estrutura quaternária
Unidades de proteínas oligoméricas e seus arranjos
espaciais

Proteínas com múltiplos domínios reunidas por


associação de vários polipeptídeos

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Estrutura das proteínas

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Protein Data Bank

http://www.rcsb.org/pdb/home/home.do

41

Estabilização das estruturas terciária


e quaternária

Maioritariamente por interacções não covalentes

Hidrofóbicas Pontes de H Pontes salinas

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Estabilização das estruturas terciária


e quaternária

Pontes dissulfeto (S-S)

Intrapolipeptídicas
Interpolipeptídicas
estabilizam
Ligações covalentes estabilizam estruturas
conformação dobrada
quaternárias
de um peptídeo

43

Estabilização das estruturas terciária


e quaternária

Pontes dissulfeto (S-S)

Proteína dissulfeto isomerase facilita a formação das pontes


dissulfeto que garantem estabilização da conformação nativa de
uma proteína

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Dobramento proteico

Proteínas têm várias conformações possíveis

Conformação biologicamente relevante é a


termodinamicamente favorecida

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Dobramento proteico

Desnaturação – perca do dobramento

pH Detergentes Solventes

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Dobramento proteico

Chaperonas

Proteínas que ajudam e aceleram o processo de


dobramento proteico

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Isomerização cis-trans

Todas as ligações peptídicas com a Prolina são


sintetizadas como trans

Cerca de 6 % são isomerizadas em cis pela enzima


prolina-cis, trans-isomerase

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Proteínas nativas

Proteínas na sua conformação funcional

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Perturbações da conformação
proteica
Doenças por
Alzheimer b-talassemias
priões

Proteínas
alteradas capazes Alteração da b- Alteração da
de replicação amiloide hemoglobina

50

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Proteínas fibrosas

Proporcionam força e/ou flexibilidade

Elementos repetitivos de estrutura secundária

Insolúveis em água

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Proteínas fibrosas

a-queratina Fibroína Colagénio

Cabelos, penas, Seda Tendões, ossos


unhas

52

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Proteínas fibrosas

Colagénio – proteína fibrosa

Hélice tripla confere grande resistência a alterações na


conformação

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Distúrbios nutricionais que


prejudicam maturação do colagénio

Deficiência de vitamina C Deficiência de cobre


(escorbuto) (síndrome de Menkes)

Necessária para síntese de Necessário para formação de


hidroxiprolina e hidroxilisina, ligações cruzadas covalentes
componentes do colagénio entre as fibras

54

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Proteínas globulares

Segmentos da cadeia (ou cadeias) enrolados

Formas mais compactas que as proteínas fibrosas

55

Proteínas globulares

Maior diversidade de funções biológicas

Enzimas Transporte Movimento Regulação Imunoglobulinas

56

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Proteínas globulares

Mioglobina e hemoglobina

Contêm hemo

Absorve luz e origina cor vermelha

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Proteínas globulares

Hemo tem diversos substituintes nas posições b

58

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Mioglobina

Mioglobina do músculo armazena O2

O2 libertado durante privação de O2

Síntese aeróbia de ATP

59

Mioglobina

Ca. 75 % dos resíduos de a.a. estão presentes em


8 hélices a (A-H)

Superfície da proteína rica em a.a. com cadeias


polares e carregadas

Interior tem maioritariamente grupos não polares

60

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Mioglobina

Grupos propionato polares do hemo virados para o


exterior

Fe coordenado aos N do tetrapirrol cíclico

Quinta posição de coordenação do Fe ligada a um N


de histidina da proteína

61

Mioglobina

Na presença de O2, Fe liga-se a um átomo de O na


sexta posição

62

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Mioglobina

Adequada para armazenar O2 mas não para o


transportar

Só liberta O2 a valores muito baixos de pressão

Para síntese de ATP nas mitocôndrias

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Hemoglobina

Bom transportador de O2

Grande afinidade para O2 a pressão elevada

A pressões mais baixas liberta O2 para os tecidos

64

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Mioglobina vs. Hemoglobina

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Hemoglobina

Tetrâmeros compostos por pares de duas


subunidades polipeptídicas diferentes

Cada subunidade semelhante à


mioglobina

66

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Hemoglobinas principais
HbA – hemoglobina adulta normal

HbF – hemoglobina fetal

HbS – hemoglobina falciforme

HbA2 – hemoglobina adulta menor

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Hemoglobina

Liga 4 moléculas de O2

Ligação cooperativa – O2 liga-se mais facilmente


quando outras moléculas de O2 já estão ligadas

Maximiza transporte e libertação de O2

68

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Hemoglobina

Ligação de O2 provoca alterações conformacionais


nas estruturas secundária, terciária e quaternária

Transição de um estado de baixa afinidade (T) para


um de elevada afinidade (R)

69

Hemoglobina
Transporta CO2 ligado aos amino terminais das
cadeias polipeptídicas

Dos tecidos periféricos para os pulmões

Carga nos amino terminais passa a negativa,


favorecendo pontes salinas entre cadeias a e b

70

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Efeito Bohr

Acoplamento inverso de protão e ligação


de O2

Depende de interacções entre hemos da


hemoglobina

71

Efeito Bohr

CO2 gerado nos tecidos periféricos forma


H2CO3

H2CO3 dissocia-se em H+ e bicarbonato

72

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Efeito Bohr

Desoxi-hemoglobina liga-se a H+ e
liberta-os nos pulmões

Efeito tampão

73

Efeito Bohr

Nos pulmões, hemoglobina capta O2 e


liberta H+

H2CO3 formado transforma-se em CO2


que é exalado

74

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Enzimas

Quase todas proteínas

Excepções incluem RNAs ribossomais e ribozimas

Catalisadores de processos metabólicos

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Enzimas

Estereoespecíficas

Especificidade para substrato

Especificidade para a reacção catalisada

76

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Classificação de enzimas

Oxidorredutases – catalisam oxidações e reduções

Transferases – catalisam transferência de moléculas


(grupos glicosilo, metilo, …)

Hidrolases – catalisam hidrólise de ligações C-C, C-O,


C-N, …

77

Classificação de enzimas
Liases – catalisam clivagem de ligações C-C, C-O, C-N,
… por eliminação de átomo, originando ligações duplas

Isomerases – catalisam alterações geométricas ou


estruturais numa molécula

Ligases – catalisam união de duas moléculas nas


reacções acopladas à hidrólise de ATP

78

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Grupos prostéticos

Componentes não proteicos que participam na ligação


ao substrato ou na catálise

Incorporados de forma estável na proteína por forças


covalentes ou não covalentes

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Exemplos de grupos prostéticos

Piridoxal fosfato Tiamina pirofosfato

Flavina mononucleotídeo Biotina


(FMN)

Flavina adenina Iões de Co, Cu, Mg, Mn e


dinucleotídeo (FAD) Zn

80

40
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Exemplos de grupos prostéticos

Metaloenzimas

Enzimas em que os iões metálicos servem como


grupos prostéticos

81

Cofactores

Componentes não proteicos que participam na ligação


ao substrato ou na catálise

Ligam-se, de forma transitória e dissociável, à enzima


ou a um substrato

82

41
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Exemplos de cofactores

Mais comuns são iões metálicos

Enzimas activadas por metal

83

Coenzimas

Transportadores recicláveis

Transportam substratos de um ponto para outro na


célula

Moléculas orgânicas não proteicas que formam


ligações fracas com as enzimas

84

42
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Exemplos de coenzimas

Vitaminas B

S-adenosil metionina

Algumas contêm adenina, ribose e grupos fosforil do


AMP ou ADP

85

Modelo de Fischer (chave e fechadura)

Enzima mais estável quando ligada a substrato

Complexo enzima-substrato (ES)

Enzimas têm um local de ligação – sítio activo

86

43
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Sítio activo

Local em que substratos alinham com cofactores,


grupos prostéticos e cadeias laterais de a.a.

Protege substratos da água e cria ambiente que pode


diferir daquele do citoplasma adjacente

87

Mecanismos de catálise

Por proximidade

Acidobásica

Por tensão

Covalente

88

44
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Catálise por proximidade

Moléculas reagem se estiverem à distância adequada

Quanto maior a concentração, maior a velocidade de


reacção

Quando enzima liga o substrato no seu sítio activo, cria


uma região de concentração elevada de substrato

89

Catálise por proximidade

90

45
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Catálise acidobásica

Grupos funcionais ionizáveis das cadeias laterais de


a.a. e dos grupos prostéticos agem como ácidos ou
bases

Contribuem para catálise

Catálise acidobásica pode ser específica ou geral

91

Catálise acidobásica específica

Velocidade da reacção sensível às mudanças de


concentração dos H+

Velocidade da reacção independente de outros ácidos


ou bases

92

46
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Catálise acidobásica geral

Velocidade da reacção depende de todos os ácidos ou


bases presentes

93

Catálise por tensão

Sobretudo em ligases

Enzimas ligam-se aos substratos de forma a favorecer


o estado intermediário de transição

Enfraquece a ligação e favorece a lise dessa ligação

94

47
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Catálise covalente

Formação de uma ligação covalente entre enzima e


substrato(s)

Enzima modificada comporta-se como reagente

Nova reacção tem menor energia de activação

95

Catálise covalente

Após reacção, enzima volta ao estado original

96

48
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Catálise covalente

Comum nas enzimas que catalisam transferência de


grupos funcionais

97

Modelo de ajuste induzido

Evolução do modelo de Fischer

Quando substratos se aproximam e ligam à enzima


induzem alteração conformacional

Enzima induz alterações recíprocas nos substratos

98

49
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Modelo de ajuste induzido

99

Isoenzimas

Versões distintas de uma enzima, que catalisam a


mesma reacção

Diferentes sensibilidades Diferente localização


a factores reguladores subcelular

100

50
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Isoenzimas

Adaptadas a tecidos ou circunstâncias específicas

Aumentam sobrevivência ao proporcionar cópias de


segurança de enzimas essenciais

101

Endonucleases de restrição

Enzimas que clivam a cadeia dupla do DNA em locais


específicos (sítios de restrição)

102

51
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PCR – Reacção em cadeia da polimerase

DNA-polimerase usada para produzir milhares de


cópias de um segmento de DNA

Permite caracterização de amostras muito pequenas de


DNA

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PCR – Reacção em cadeia da polimerase

104

52
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Ribozimas

Moléculas de RNA com capacidade auto-catalítica

Capazes de sofrer clivagem sem ajuda de enzimas


proteicas

Algumas ribozimas sofrem auto-eliminação, não se


regenerando como as enzimas

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Ribozimas

Os ribossomas são ribozimas

Sintetizam longas cadeias polipeptídicas, a partir da


codificação do mRNA

106

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Termodinâmica enzimática

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Variação da energia livre de Gibbs (DG)

Somatório das energias livres de formação dos


produtos menos o somatório das energias livres da
formação dos substratos

DG = DGP − DGS

108

54
21/10/2018

Variação da energia livre de Gibbs (DG)

DG0 – variação da energia livre padrão

Quando concentrações de 1 molar para substratos e


produtos

109

Variação da energia livre de Gibbs (DG)

DG0’ – variação da energia livre padrão a pH 7,0

110

55
21/10/2018

Variação da energia livre de Gibbs (DG)

Quando DG0 é negativo – reacção espontânea

111

Variação da energia livre de Gibbs (DG)

Para a reacção A + B ∏ P + Q K eq =
 P Q
 A  B

DG 0 = - RT ln K eq

R = 8,31 J/mol K

112

56
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Variação da energia livre de Gibbs


(DG)

Estado de transição

Intermediário transitório de uma reacção

E + R-L ∏ E∙∙∙R∙∙∙L DGF


E∙∙∙R∙∙∙L ∏ E-R + L DGP
113

Variação da energia livre de Gibbs (DG)

Considera-se DG geral como o somatório das variações


de energia de cada uma das “reacções parciais”

DG = DGF + DGD

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21/10/2018

Variação da energia livre de Gibbs (DG)

Energia de activação – energia necessária para


alcançar o estado de transição

Eact proporcional a DGF

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Cinética enzimática

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58
21/10/2018

Requisitos para que duas moléculas


reajam

Estar a distância suficiente para formar uma ligação

Possuir energia cinética suficiente para atingir o estado


de transição

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Velocidade de uma reacção

vel  e − Eact / RT

118

59
21/10/2018

Factores que afectam velocidade de


reacção

Temperatura

Concentração do reagente

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Temperatura

Aumento da temperatura aumenta energia cinética das


moléculas e frequência de colisões

Aumento da velocidade de reacção

120

60
21/10/2018

Concentração de reagente

Aumenta nº de colisões com energia suficiente para


ultrapassar barreira cinética

Aumento da velocidade de reacção

vel   A  B

121

Cinética de reacção

Para a reacção nA + mB ↓ P

vel = k1  A   B vel−1 = k−1  P 


n m

122

61
21/10/2018

Cinética de reacção

n + m definem ordem da reacção

vel = k1  A   B
n m

123

Cinética de reacção

Enzimas aceleram velocidade de reacção ao diminuir


DGF

Enzima não afecta DG0 nem o Keq

DG 0 = − RT ln K eq

124

62
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Factores que afectam velocidade de


reacções catalisadas por enzimas

Temperatura

Concentração de H+

125

Temperatura

Aumento da temperatura aumenta velocidade, até


atingir temperatura de desnaturação da enzima

Coeficiente de temperatura (Q10) – factor pelo qual a


velocidade de um processo biológico leva a um
aumento de 10 °C

126

63
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Temperatura

Velocidades da maioria dos processos biológicos


duplicam com um aumento de 10 °C

Q10 = 2

127

Concentração de H+

Maioria das enzimas intracelulares tem actividade


óptima entre pH 5 e 9

Enzima desnatura a valores baixos e altos

128

64
21/10/2018

Velocidade das reacções enzimáticas

Concentração de substrato em grande excesso


relativamente à enzima

Velocidade inicial (vi) idêntica à da reacção directa

vi proporcional à concentração da enzima

129

Efeito da concentração do substrato

Em A e B, variar [S] varia o nº de complexos enzima-


substrato

Variação correspondente de vi

130

65
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Efeito da concentração do substrato

Em C, quase toda a enzima está na forma de complexo


enzima-substrato

Não existe mais enzima livre e aumento de [S] não


afecta vi

131

Equação de Michaelis-Menten

Vmax S
vi =
K m + S

Km (constante de Michaelis) – concentração de


substrato em que vi é metade da velocidade máxima

132

66
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Equação de Michaelis-Menten

1) [S] ̧ Km

Km + [S] ≈ Km

Vmax S
vi 
Km
133

Equação de Michaelis-Menten

Vmax S
1) [S] ̧ Km vi 
Km

Como Vmax e Km são constantes, vi é directamente


proporcional a [S]

134

67
21/10/2018

Equação de Michaelis-Menten

2) [S] ̪ Km

[S] ≈ Km

vi  Vmax

135

Equação de Michaelis-Menten

2) [S] ̪ Km vi  Vmax

Velocidade da reacção não é afectada por aumentos de


[S]

136

68
21/10/2018

Equação de Michaelis-Menten

2) [S] = Km

Velocidade inicial é metade da velocidade máxima

Vmax
vi 
2
137

Gráfico de Lineweaver-Burk

Linearização da equação de Michaelis-Menten, que


permite obter os valores cinéticos com baixas [S]

1  K  1 1
  m  +
vi  Vmax  S Vmax

138

69
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Constante catalítica

Expressão da actividade catalítica quando se conhece o


nº de sítios activos da enzima

Vmax
kcat =
St

139

Constante de dissociação

Para a reacção

k−1
Kd =
k1

140

70
21/10/2018

Ligação cooperativa

Enzimas multiméricas que se ligam ao substrato em


múltiplos sítios

Equação de Michaelis-Menten não descreve estas


enzimas

141

Ligação cooperativa

Equação de Hill

log vi
= n log S − log k '
Vmax − vi

142

71
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Equação de Hill

n – coeficiente de Hill (empírico)

Função do número, tipo e força das interacções de


múltiplos sítios de ligação

143

Equação de Hill

n=1

Todos os sítios de ligação comportam-se de forma


independente

Aplica-se a cinética de Michaelis-Menten

144

72
21/10/2018

Equação de Hill

n>1

Ligação do substrato a um sítio aumenta a afinidade


dos restantes sítios

Enzima exibe cooperatividade positiva

145

Inibidores enzimáticos

Inibição competitiva

Inibição não competitiva

146

73
21/10/2018

Inibidores competitivos

Compostos semelhantes aos substratos

Diminui o nº de moléculas de enzima livres disponíveis


para se ligar ao substrato

147

Inibidores competitivos

Inibidores competitivos não têm efeito sobre Vmax

Inibidores competitivos elevam constante aparente


(K𝑚′ )

148

74
21/10/2018

Inibidores competitivos

ki
Ki =
k-i

−1   I  
Intersecção no eixo dos x é 1 + 
K m  Ki 

149

Inibidores não competitivos

Compostos não semelhantes ao substrato

Ligam-se em sítios diferentes dos da ligação do


substrato

150

75
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Inibidores não competitivos

Ligação do inibidor não afecta ligação do substrato

Podem formar-se complexos EI ou EIS

Quando enzima se liga ao inibidor, reduz a sua


eficiência

151

Inibição não competitiva simples

Enzima e complexo EI têm afinidade idêntica para


substrato

152

76
21/10/2018

Outros tipos de inibição não competitiva

Quando a ligação do inibidor afecta a afinidade


aparente da enzima pelo substrato

153

IC50

Concentração de inibidor que produz 50 % de inibição

Depende das circunstâncias específicas da


concentração de substrato

154

77
21/10/2018

Inibidores irreversíveis

Modificam quimicamente a enzima

Enzima permanece inibida mesmo depois de removido


o inibidor

155

Inibidores suicidas

Análogos do substrato

Forma-se um grupo reactivo que bloqueia a acção da


enzima

156

78
21/10/2018

Enzimas com dois ou mais substratos

Muitas enzimas têm dois ou mais substratos e


produtos

Mecanismos e modelos matemáticos mais complexos

157

Reacções com dois substratos e dois


produtos (BiBi)

Reacções sequenciais

Reacções pingue-pongue

158

79
21/10/2018

Reacções sequenciais

Ambos os substratos combinam-se com a enzima antes


do início da catálise

Complexo ternário

159

Reacções sequenciais aleatórias

Qualquer dos substratos pode ligar-se em primeiro


lugar

160

80
21/10/2018

Reacções sequenciais compulsórias

Um dos substratos liga-se sempre em primeiro lugar

161

Reacções pingue-pongue

Um ou mais produtos separam-se da enzima antes que


todos os substratos se tenham ligado

Envolvem catálise covalente e forma modificada


transitória da enzima

162

81
21/10/2018

Reacções BiBi

Tratadas de acordo com modelo de Michaelis-Menten

pingue-pongue

163

Aplicações de inibidores

Muitos fármacos actuam como inibidores de enzimas

Ex: estatinas inibem enzima interveniente na síntese


de colesterol

164

82
21/10/2018

Regulação metabólica

165

Metabolismo

Anabolismo – processo de síntese de moléculas


requeridas pelo organismo

Catabolismo – processo de degradação de


macromoléculas em pequenas moléculas

166

83
21/10/2018

Regulação do fluxo metabólico

Mecanismo passivo

Mecanismos activos

167

Mecanismo passivo

Alterações na concentração de substrato geram


alterações correspondentes no fluxo metabólico

Meio limitado de resposta a variações ambientais

Resposta diferente a um
aumento de [S]
próximo ou distante de Km

168

84
21/10/2018

Regulação activa do fluxo metabólico

Células estão em equilíbrio dinâmico

Reacções são reversíveis mas fluxo ocorre de forma


unidireccional

169

Regulação activa do fluxo metabólico

Fluxo unidireccional favorecido pela variação negativa


da energia livre total

170

85
21/10/2018

Regulação activa do fluxo metabólico

Compartimentalização

Processos metabólicos ocorrem em organelos


específicos

Ex: oxidação de ácidos gordos na mitocôndria

171

Regulação activa do fluxo metabólico

Diferença de energia livre entre substratos e produtos

DG muito mais favorável para a reacção no sentido


directo

172

86
21/10/2018

Controlo activo da homeostasia

Realizado por enzimas que catalisam reacções


limitantes

Em baixa quantidade ou com baixa eficiência

173

Turnover proteico

Proteínas continuamente sintetizadas e degradadas

Alterações nos teores de enzimas dependem de


factores fisiológicos, hormonais ou nutricionais

Afectam os processos de síntese e/ou de degradação

174

87
21/10/2018

Controlo da síntese enzimática

Indutores – substratos ou compostos que estimulam a


transcrição do gene que codifica para a enzima

Repressores – metabolitos em excesso que impedem


síntese da enzima

175

Controlo da degradação enzimática

Via da ubiquitina-proteossomo

176

88
21/10/2018

Inibição por retroalimentação


Produto final de uma via biossintética com várias
etapas liga-se e inibe uma enzima que catalisa uma
das etapas iniciais

Regulação alostérica – alteração da eficiência


catalítica pela ligação de ligantes dissociáveis

Sítio alostérico – local de ligação do efector


alostérico, diferente do sítio activo da enzima

177

Inibição por retroalimentação

Competitiva

Não competitiva

Parcialmente competitiva

Mista

178

89
21/10/2018

Inibição por retroalimentação

Enzimas alostéricas da série K

Cinética de saturação do substrato é competitiva

Km elevada não tem efeito sobre Vmax

179

Inibição por retroalimentação

Enzimas alostéricas da série K

Alteração conformacional pode enfraquecer ligações


entre substrato e os resíduos de ligação do substrato

180

90
21/10/2018

Inibição por retroalimentação

Enzimas alostéricas da série V

Inibidor diminui Vmax sem afectar Km

181

Inibição por retroalimentação

Enzimas alostéricas da série V

Alteração da orientação ou carga dos resíduos


catalíticos

182

91
21/10/2018

Mensageiros secundários

Efectores alostéricos sintetizados ou libertados por


efeito de impulsos nervosos ou hormonas

Alteram velocidade das reacções enzimáticas

183

Regulação por modificação covalente

Modificações covalentes reversíveis – proteína


modificada é restaurada ao estado original

Modificações covalentes irreversíveis – proteína


permanece alterada

184

92
21/10/2018

Pró-enzimas cataliticamente inactivas

Sintetizadas para responder rapidamente a


necessidades fisiológicas imediatas

Só se tornam activas quando necessárias, mas já estão


presentes antes da necessidade

185

Proteólise selectiva

Envolve clivagens proteolíticas altamente específicas

Resulta em alterações conformacionais que “criam” o


sítio activo da enzima

186

93
21/10/2018

Redes de controlo metabólico

Muitos sistemas de regulação actuam em conjunto

Resposta a diversos factores ambientais

187

a.a. nutricionalmente
essenciais

188

94
21/10/2018

a.a. nutricionalmente essenciais

9/10 a.a. necessários na dieta humana

Histidina Isoleucina Leucina Lisina Metionina

Fenilalanin
Treonina Triptofano Valina Arginina*
a

189

a.a. nutricionalmente essenciais

Arginina é semiessencial

Sintetizada em muito pequenas quantidades

190

95
21/10/2018

a.a. nutricionalmente essenciais

Alguns cientistas consideram que histidina não é


essencial

Só não sintetizada por adultos

191

Doenças por deficiência de a.a.

Kwashiorkor

Crianças que após desmame passam a dieta rica em


amido e pobre em proteínas

Deficiência em Trp e Lys

192

96
21/10/2018

Doenças por deficiência de a.a.

Marasmo

Deficiência em a.a. e em energia

193

a.a. nutricionalmente essenciais

Maior nº de enzimas necessárias para produzir os a.a.


essenciais que restantes

Necessária mais energia e nutrientes para sintetizar


DNA responsável

Organismo humano “prefere” poupar essa energia

194

97
21/10/2018

Catabolismo

195

Renovação proteica

Diariamente são renovadas 1-2 % das proteínas do


corpo humano

Ca. 75 % dos a.a. libertados durante degradação são


reutilizados

a.a. que não são reincorporados em novas proteínas


são rapidamente degradados

196

98
21/10/2018

Renovação proteica

Nos humanos, N dos grupos amino convertido em


ureia e excretado na urina

Ligações peptídicas internas degradadas por proteases


intracelulares

Peptídeos resultantes degradados por peptidases

197

Renovação proteica

A degradação das proteínas extracelulares associadas


à membrana e das intracelulares de longa vida é
independente do ATP

A degradação das proteínas com meia-vida curta e das


anormais ou com dobramento incorrecto exige a
presença de ATP e ubiquitina

198

99
21/10/2018

Ubiquitina

Pequeno polipeptídeo de 76 resíduos (8,5 kDa)

Presente em todas as células eucarióticas

Marca proteínas intracelulares para degradação

199

Renovação proteica

Proteínas solúveis sofrem poliubiquitinação

Ligação de quatro ou mais ubiquitinas adicionais

200

100
21/10/2018

Níveis de a.a. no organismo

Músculos e fígado responsáveis pela manutenção de


níveis circulantes de a.a.

Músculos geram mais de metade da reserva total de


a.a. livres

Enzimas do ciclo da ureia (processamento do excesso


de N) estão no fígado

201

Níveis de a.a. no organismo

Ala – alanina
Val – valina
Ser – serina
Gln - glutamina

Após absorção de nutrientes


202

101
21/10/2018

Ciclo glucose-alanina

Após uma refeição rica em proteína, tecidos viscerais


libertam a.a.

Músculos periféricos extraem a.a.

Sobretudo a.a. de cadeia ramificada

203

Ciclo glucose-alanina

204

102
21/10/2018

Biossíntese da ureia

Ocorre em quatro estágios

Desaminação
Transporte de Reacções do
Transaminação oxidativa do
amónia ciclo da ureia
glutamato

205

Biossíntese da ureia

Em jejum prolongado aumenta a síntese das enzimas


do ciclo da ureia

Amónia produzida é tóxica para sistema nervoso


central

Rapidamente convertida em ureia e removida da


circulação

206

103
21/10/2018

Biossíntese da ureia

1 mol de ureia requer 3 mol de ATP, 1 mol de NHŸ,


1 mol de aspartato e cinco enzimas

Reacções 1 e 2 ocorrem nas mitocôndrias hepáticas

Reacções 3, 4 e 5 ocorrem no citosol do fígado

207

Biossíntese da ureia

208

104
21/10/2018

Distúrbios metabólicos relacionados com ciclo


da ureia
Descritas cinco doenças relacionadas com defeitos em
cada uma das enzimas do ciclo

Sintomas incluem vómitos, ataxia, irritabilidade,


letargia e retardo mental

Dieta hiperproteica na forma de refeições pequenas e


frequentes pode ajudar

209

Catabolismo do esqueleto de C dos a.a.

13 a.a. convertidos em carboidratos

1 a.a. convertido em lípidos

5 a.a. convertidos em lípidos e carboidratos

210

105
21/10/2018

Catabolismo do esqueleto de C dos a.a.

Após remoção do N a-amino, esqueleto restante


degradado em intermediários anfibólicos

211

a.a. como percursores de produtos


especializados

Algumas proteínas contêm a.a. modificados para o


desempenho de funções específicas

Incorporação da Estabilização do
Ligação de Ca2+ prolina hidroxilada colagénio durante
no colagénio maturação

212

106
21/10/2018

a.a. como percursores de produtos


especializados

a.a. precursores de materiais biológicos

Hemo Purinas Pirimidinas Hormonas

213

a.a. como percursores de produtos


especializados

a.a. precursores de materiais biológicos

Neurotransmissores

Serotonina Dopamina Epinefrina Norepinefrina

214

107
21/10/2018

a.a. como percursores de produtos


especializados

a.a. precursores de materiais biológicos

Peptídeos biologicamente activos

215

a.a. como percursores de produtos


especializados

Ex: descarboxilação da histidina produz histamina

Amina biogénica activa em reacções alérgicas e


secreção gástrica

216

108
21/10/2018

Porfirinas

Compostos cíclicos capazes de formar complexos com


iões metálicos

Clorofila Hemo

217

Hemoproteínas

218

109
21/10/2018

Biossíntese do hemo

Succinil-CoA e glicina são os compostos de partida

219

Biossíntese do hemo

Na maioria das células de mamíferos, excepto


eritrócitos maduros (não têm mitocôndrias)

85 % nas células precursoras eritróides da medula


óssea

Maioria do restante nos hepatócitos

220

110
21/10/2018

Porfirinas

Coloridas e fluorescentes

Usadas em fototerapia do cancro

Tumores captam mais Laser de Ar excita porfirinas e


porfirinas que tecidos normais produz efeitos citotóxicos

221

Porfirias

Distúrbios causados por anormalidades na via


biossintética do hemo

Genéticas ou adquiridas

Sintomas: anemia, sintomas neuropsiquiátricos,


fotossensibilidade, …

222

111
21/10/2018

Bilirrubina

Originada no catabolismo do hemo

223

Bilirrubina

Visualizada num hematoma quando passa de roxo a


amarelado

Bilirrubina é transferida do sangue para a bile e


excretada

224

112
21/10/2018

Bilirrubina

Quando concentração ultrapassa a capacidade de


excreção ocorre hiperbilirrubinemia

Bilirrubina difunde para tecidos que se tornam


amarelos - icterícia

225

113