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CURRÍCULO INTEGRADO NO IF GOIANO:

POSSIbILIDADES E DESAFIOS

Simônia Peres da Silva 1 , Cláudio Virote 2 1 e 2 Instituto Federal de Educação, ciência e Tecnologia goiano E-mail: simonia.peres@ifgoiano.edu.br

1. INTRODUÇÃO

A proposta de integração da edu- cação geral com a educação profis- sional na rede EPcT, estabelecida pelo decreto nº 5.154/2004 e pela resolução cnE/cEB nº 6/2016, tem em sua origem orientações que vi- sam a promoção e desenvolvimento da formação integral dos educandos, no sentido de superar a dualidade histórica entre teoria e prática no processo de ensino-aprendizagem, bem como não reduzir a formação do trabalhador às necessidades do mercado de trabalho.

Entretanto, a efetivação da inte- gração curricular e pedagógica no ensino médio como preconiza os do- cumentos oficiais, requer a constru- ção de propostas alicerçadas em um comprometimento coletivo entre alunos, professores, coordenadores, diretores, corpo técnico administra- tivo, enfim, todos os setores deverão

estar engajados neste processo con- tínuo de integração.

nessa direção, a referida propos-

ta surgiu em função de uma deman-

da originária no curso de Formação Pedagógica continuada no qual le- vantaram-se as seguintes questões:

como construir, sob o ponto de vista prático, um PPc (ou matriz curricular) na perspectiva do currículo integra- do? como organizar os conteúdos

e práticas pedagógicas no currícu-

lo integrado? Assim, pensando em tais questões, foi sugerido que cada campos indicasse um servidor para compor um comitê, obrigatoriamen- te que estivesse participando do curso de formação pedagógica, com a finalidade de discutir, problemati- zar, construir e implementar um PPc numa perspectiva integradora, vi- sando buscar soluções para integra- ção dos componentes curriculares e nas práticas pedagógicas. dessa for-

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ma, durante a realização do Progra- ma de Formação em agosto/2016, foi criado o comitê Institucional, bem como o cronograma de atividades

e

atribuições de cada componente.

o

Projeto contou com a adesão dos

campi catalão, ceres, Hidrolândia e

Iporá.

o objetivo desse relato de experi- ência é apresentar os resultados par- ciais da construção e implementação do Projeto Piloto do currículo Inte- grado no âmbito do IF goiano, que teve início em 2016. como veremos

a seguir, foram desenvolvidas várias

atividades para efetivação da pro- posta, tais como: a reformulação co- letiva dos projetos pedagógicos dos cursos técnicos, alterações das matri- zes curriculares visando a articulação das disciplinas básicas e profissiona- lizantes, a construção de estratégias didático-pedagógicas de integração, socialização das experiências entre os campi, entre outras.

2. ALGUNS FUNDAmENTOS

um conceito norteador na elabo- ração e implementação do Projeto Piloto é que a força transformadora da escola está, portanto, nas suas práticas educativas e institucionais, na medida em que, por meio de- las, os alunos aprendem os conte-

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údos historicamente acumulados,

e apropriam-se da cultura, dos co-

nhecimentos, das habilidades e dos modos de pensar, agir e sentir de-

senvolvidos pela humanidade. Esse

conhecimento serve como elemento estratégico de emancipação social e política, na luta pela desarticulação do poder dos grupos dominantes e pela organização de uma nova or- dem social. conforme afirma libâ- neo (2009, p.10), a função da escola “é garantir a todos os alunos uma base cultural e científica comum e uma base comum de formação mo- ral e de práticas de cidadania, base- adas em critérios de solidariedade e justiça, na alteridade, na descoberta

e respeito pelo outro, no aprender a viver junto”.

nessa mesma direção, ramos (2003) afirma que é necessário ga- rantir o direito de acesso aos conhe- cimentos socialmente construídos, tomados em sua historicidade, sobre uma base unitária que sintetize hu- manismo e tecnologia. Assim, a am- pliação das finalidades da educação

escolar, que inclui a preparação para

o exercício de profissões técnicas, a

iniciação científica, a ampliação cul- tural, o aprofundamento de estudos, requer inicialmente o trabalho como

princípio educativo, a pesquisa como princípio pedagógico e a atividade

coletiva como princípio formador no ensino médio, antes de considerá-lo como prática estritamente produtiva pela qual se busca garantir a forma- ção exclusivamente para o mercado de trabalho.

Além dessa base teórica, as ativi- dades desenvolvidas no Projeto Pi- loto foram norteadas também pelas orientações do Plano de desenvolvi-

mento Institucional (PdI) do IF goia- no, que define os alguns princípios pedagógicos direcionadores das prá- ticas educativas: a) compromisso de romper com a dualidade entre teoria

e prática, dimensões indissociáveis

para a educação integral, pois ne- nhuma atividade humana se realiza sem elaboração mental, sem uma te- oria em que se referencie, apesar de ser a prática o objetivo final de toda aprendizagem; b) não admite a sepa- ração entre as funções intelectuais e técnicas, respaldando uma concep- ção de formação profissional que unifique ciência, tecnologia e traba- lho, bem como atividades intelectu-

ais e instrumentais; c) a educação, em todos os seus níveis e modalidades, deve ser encarada como referencial permanente de formação geral que encerra como objetivo fundamental

o desenvolvimento do ser humano

orientado pelos valores da justiça so- cial, equidade, solidariedade, gestão

democrática, respeito, transparên- cia e probidade pública, de maneira

a preservar a sua dignidade e a de-

senvolver ações junto à sociedade com base nos mesmos valores; d) a educação profissional e tecnológica pressupõe, portanto, uma qualifica- ção intelectual, ampla o suficiente para permitir o domínio de métodos analíticos e de múltiplos códigos e linguagens para consolidar, por sua vez, uma base sólida para a constru- ção contínua e eficiente de conheci- mentos específicos.

3. PROCEDImENTOS mETODOLÓGICOS

Mesmo definidos algumas dire- trizes gerais comuns, os coordena-

dores do Projeto Piloto, vinculados

a Pró-reitoria de Ensino, incentiva-

ram que cada campus construísse sua proposta pedagógica integrada. Acreditou-se que o sucesso do Proje- to só seria possível por meio da au- tonomia e protagonismo dos sujei- tos envolvidos. Em outras palavras, projetos desenvolvidos distantes das reais necessidades dos sujeitos que efetivamente implementam, sem le- var em conta as características orga- nizacionais de cada campus que irão aplicá-los, não só podem desperdi- çar um instrumento essencial para a

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integração do curso, como também, criam um campo fértil ao apareci- mento de resultados contraditórios com os próprios objetivos do proje- to. E isto porque cada campus dispõe de uma identidade própria que, via de regra, não é conhecida ou apro- veitada.

Assim, respeitada tais especifi- cidades, é possível afirmar que os campi construíram e deram início a implementação do Projeto Piloto considerando pelo menos cinco eta- pas: a) reformulação dos Projetos Pe- dagógicos de cursos; b) problemati- zação e diagnóstico da realidade; c) organização curricular; d) organiza- ção didática; e) avaliação do proces- so e replanejamento.

na primeira etapa foram refor- mulados os Projetos Pedagógicos de cursos (PPcs) do ensino médio inte- grado à educação profissional, que participaram do Piloto, buscando a integração da educação geral com a educação profissional, tendo como base os seguintes princípios:

a) base teórica associada ao trabalho como princípio educati- vo, o trabalho coletivo como prin- cípio formativo e a pesquisa como princípio pedagógico.

b) reelaboração coletiva do PPc integrador (discutir e elaborar

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coletivamente as estratégias aca- dêmico-científicas de integração);

c) considerar os estudos e ar-

ranjos produtivos locais, buscando identificar as oportunidades ocu- pacionais, as tendências da dinâ- mica sócioprodutiva local, regio- nal, nacional e global;

d) geração de tempos e espa-

ços docente para a realização de

atividades coletivas;

e) integração com familiares dos estudantes e a sociedade em geral.

f) indissociabilidade entre en-

sino, pesquisa e extensão.

Para tanto, foram realizadas vá- rias reuniões e encontros formativos com professores, coordenadores dos cursos e técnicos administrativos, vi- sando construir um diálogo e adesão desses profissionais.

com o objetivo de unificar a re- formulação dos Projetos Pedagó- gicos de cursos (PPcs) do ensino médio, buscando a integração da educação geral com a educação pro- fissional, foi criado coletivamente e com base nos dispositivos legais (re- solução cnE/cEB n. 6/2012; catálogo nacional de cursos - 3ª Edição, 2016; classificação Brasileira de ocupa-

ções - cBo) algumas diretrizes. desse modo, a carga horária máxima dos cursos técnicos integrados ao ensino médio ficou estabelecida a partir do mínimo estabelecido na resolução cnE/cEB n. 6, de 20 de setembro de 2012, em seu artigo 27, que estabe- lece que:

os cursos de Educação Profissio- nal Técnica de nível Médio, na forma articulada com o Ensino Médio, inte- grada ou concomitante em institui- ções de ensino distintas com projeto pedagógico unificado, têm as cargas horárias totais de, no mínimo, 3.000, 3.100 ou 3.200 horas, conforme o número de horas para as respecti- vas habilitações profissionais indica- das no catálogo nacional de cursos Técnicos, seja de 800, 1.000 ou 1.200 horas.

Foi estabelecido um excedente para a carga horária de até o limi- te de 10% (dez por cento) da carga horária estabelecida para a parte técnica, ou seja, 80, 100 ou 120 ho- ras, para cursos de 800, 1000 ou 1200 horas, respectivamente. solicitou-se aos campi Pilotos um cronograma previsto no calendário escolar para encontros de planejamento coletivo e formação específica para o currícu- lo integrado. Ficou acordado, que os encontros para planejamento coleti-

vo e formação para currículo integra- do deverão acontecer com periodici- dade semanal e será organizado pelo comitê local.

Em relação a matriz curricular dos cursos criados ou reformulados na perspectiva do currículo integra- do, ficou definido que deveriam ter como foco o perfil profissional de conclusão e deverá ser organizada a partir de três núcleos de formação:

a) núcleo Básico é constituí- do pelas disciplinas e conteúdos

vinculados à educação básica, es- truturados pelos conhecimentos

e habilidades nas áreas de lingua-

gens e códigos, ciências humanas, matemática e ciências da natureza.

b) núcleo Articulador é o espa- ço curricular organizado pelos fun-

damentos científicos, sociais, orga- nizacionais, econômicos, políticos, culturais, ambientais, estéticos e éticos que alicerçam as tecnologia

e a contextualização do eixo tec-

nológico no sistema de produção

social. Tem o objetivo de fazer a integração entre o núcleo Técnico

e núcleo Básico, criando espaços

contínuos para garantir meios de realização da politecnia, a forma-

ção integral, a omnilateralidade e

a interdisplinariedade.

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c) núcleo Profissional é cons- tituído pelas disciplinas e conte- údos relacionados à qualificações profissionais e especializações técnicas de nível médio, caracteri- zadas a partir do perfil do egresso, campo de atuação e atribuições previstas nas legislações especí- ficas referentes a educação pro- fissional (catálogo nacional de cursos; classificação Brasileira de ocupações (cBo); normas associa- das ao exercício Profissional).

Além disso, solicitou-se que as estratégias de integração deve- riam constar no PPc, no item que trata das metodologias, entretanto a escolha e o detalhamento da(s) me- todologia(s) devem constar em do- cumento à parte. Quanto as metodo- logias empregadas para integração, optou-se pelos seguintes instrumen- tos: projeto de ensino-aprendiza- gem; projeto integrador; regência compartilhada. definiu-se ainda, que todo planejamento coletivo deveria ser registrado em documento pró- prio detalhando todo o processo de construção curricular e implementa- ção do currículo integrado.

na etapa de Problematização e diagnóstico, os campi fizeram o le- vantamento preliminar da realidade do curso e dos estudantes, buscando identificar os problemas e contradi-

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ções, bem como propostas de supe-

ração. Para tanto, inicialmente foi re- alizada a escuta dos alunos, por meio de dinâmicas e rodas de conversas. nessas atividades, foi possível levan- tar várias informações importantes sobre a realidade concreta dos alu- nos e particularidades do curso. A partir dessa escuta, foi organizado um conjunto de dados e informa- ções que apresentassem significa- do para o aluno, problematizando e relacionando tais informações com

o processo produtivo da área profis-

sional. Todas essas informações, fo- ram organizadas para definição dos temas geradores e eixos temáticos como ponto de partida para elabo- ração das atividades e projetos inte- gradores.

na terceira etapa, foi reelaborada de forma coletiva (professores, técni- cos administrativos, coordenadores

e diretores) a organização curricular.

com base em rodrigues (2010) e ra- mos (2008), os professores analisa- ram, problematizaram e interpreta- ram as falas dos alunos, escolheram os temas geradores e construíram as atividades integradoras. Articulado a isso, foram realizadas reuniões para a abertura das ementas das disciplinas do curso a fim de identificar áreas e conteúdos a serem integrados, con- siderando as sobreposições de con-

teúdos, similaridades entre as disci- plinas e as afinidades apresentadas não apenas nos conteúdos, mas tam- bém entre os próprios professores.

no momento o Projeto Piloto está iniciando a quarta etapa, que se refe- re a organização didática. o objetivo dessa fase é planejar de forma coleti- va e individual as aulas, os projetos e as atividades pedagógicas, tendo em vista o tema gerador, os eixos temáti- cos e as relações presentes ou possí- veis na rede temática. Estão previstas reuniões semanais para o trabalho coletivo, momentos de troca de ex- periências e formação, prevista no PPc do curso. As aulas e práticas pe- dagógicas estão sendo planejadas, desenvolvidas e avaliadas conside- rando três momentos (estudo da re- alidade; aprofundamento teórico ou organização do conhecimento; apli- cação do conhecimento).

A quinta etapa, Avaliação do Pro- cesso/replanejamento, está sendo realizada durante todo o processo de planejamento e desenvolvimento do Projeto Piloto. o objetivo é fazer uma avaliação diagnóstica, processual, formativa e somativa, visando iden- tificar os limites e avanços do Projeto Piloto, e principalmente se os alunos estão aprendendo os saberes histo- ricamente produzidos pela humani-

dade. caso a avaliação diagnostique que o aluno não apreendeu deter- minado conceito ou conhecimento, este precisa ser retomado pelo pro- fessor.

4. RESULTADOS

o planejamento e implementa- ção do Projeto contou com a adesão de professores e técnicos adminis- trativos. Por meio de várias reuniões, os coordenadores de curso conse- guiram sensibilizar os professores, utilizando como argumento as van- tagens de trabalhar de forma inte- grada, a necessidade de aproveitar a autonomia docente para planejar e dinamizar a aula e, como fundamen- to da proposta, a observância da rea- lidade concreta do sujeito educando como fonte temática.

Foram criados grupos de traba- lhos vinculados a um comitê local, sendo um para estudar a legislação,

outro para trabalhar a questão “o que

é currículo integrado”e outro analisar

a matriz curricular do curso. A partir

de então, discentes, professores, téc- nicos e gestores puderam compar- tilhar momentos ricos e produtivos, nos quais foram reelaboradas cole- tivamente as estratégias de integra- ção que envolviam tanto as questões

curriculares, quanto os processos de

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ensino-aprendizagem. Além disso, discutiu-se a articulação das disci- plinas básicas e profissionalizantes, bem como o aproveitamento dos espaços de aprendizagem no am- biente de trabalho (visitas, estágios, atividades complementares etc.).

os professores e técnicos admi- nistrativos envolvidos no Projeto pas- saram a conhecer de fato o projeto pedagógico do curso e se aproxima- ram da realidade dos alunos a partir da escuta. na sala de aula, o trabalho integrado facilitou o aprendizado dos alunos, isso porque eles passa- ram a fazer relações entre os conte- údos das disciplinas e as situações cotidianas vivenciadas. outro ponto positivo, foi o melhor aproveitamen- to do tempo na sala de aula, na me- dida em que a abertura das ementas pelos professores do núcleo básico e profissional possibilitou a identifica- ção dos conteúdos sobrepostos.

outro resultado importante do Projeto Piloto foi a criação do Fórum do currículo Integrado do IF goiano. no primeiro encontro, que aconte- ceu em outubro de 2016, foram dis- cutidas as experiências de integração do IF Farroupilha e do curso Técnico em Biotecnologia/campus urutaí, além da apresentação dos Projetos de cursos dos campi Iporá e ceres.

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no segundo encontro, que será realizado no dia 26 de setembro de 2017, a proposta é discutir a imple- mentação do Projeto Piloto do currí- culo Integrado no âmbito do IF goia- no, buscando identificar os avanços e desafios desse processo e apresentar um plano permanente de formação para docentes e técnicos administra- tivos que já estejam participando da experiência piloto ou que tenham in- teresse na implementação em outros campi. ressaltamos que esse plano de formação prevê a abordagem dos fundamentos e concepções teóri- co-metodológicas que permeiam as categorias trabalho, trabalho como princípio educativo, trabalho coleti- vo, dentre outros.

Para tanto, além dos professo- res e técnicos administrativos, serão convidados para essa discussão alu- nos envolvidos no projeto e pesqui- sadores do IF goiano que trabalham com essa temática. como desdobra- mento, foi estabelecida uma data no calendário acadêmico institucional para realização do Fórum do currícu- lo Integrado no IF goiano com a par- ticipação de todos os campi.

REFERêNCIAS

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