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H

n Sobre 0
Fascismo
ERNEST: MANDEL

O fascismo não é simplesmente uma nova


eta-pa do processo pelo qua'l o exe-cutivo
do Estado burguês se torna cada vez mais
fortele independente.Não é simplesmente
a «ditadura aberta do capital monopolista«.
É um-a forma especial de «executivo forte»
e d-e --ditadura aberta-, caracterizada pela
destruição -completa de todas as organiza-
ções da classe operária -- mesmo as mais
moderadas e, sem dúvida, a própria social-
.democracia. O fascismo tenta impedir fisi-
camente toda a fo-rma .de auto.d.efesa da
parte dos trabalhadoresorganizados.ato-
mizando completamente estes últimos.iAr-
gumentarcom o facto de que a social-
-dem-ocra-oia prepara o terreno ao fascis-MO
para daí cõn'aluir qu-e -a s-ocial-de-mocracia
e o fascismosão..aliados,
e recugârtoda
a unidade co-m um parqcombater o outro. 321.94
é cometer um erro (pág. 47-48)
M271s

EDIÇÕES ANTÍDOTO
LISBOA
/

Colecção Argumentos l
« +

'J:

J.
SOBRE
O FASCISMO
de
Ernest Mandei

Com selecçãode textos


de
L. TROTSKY

â
antídoto
1 9 76
FICHA TÉCNICA

TÍtwZo.: Sobre o Fascismo, .E. .Zyam,deZ

e) F! Made)ero

Trctdwção.: M. Rodrigues

Direitos de rq)rodwção e adapfc&ção


desta edição
reseroados para fados os países de Zngwa portuguesa por

EDIÇÕES ANTÍDOTO l PAR'llE


R« da Beneficência, 121 - 1.' Dt

1..' edição, ,Abril de 1976

Edição n.' 9
SOBRE O FASCISMO
de
Í.!WP.28 ,f 6'G
Ernest Mandei

BIBLIOTECA NGK -PUC/SP

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100248496
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A história do fascismo é simultaneamentea


história da análise teórica do fascismo. A simul-
taneidade de aparição de um fenómeno social e
das tentativas feitas para o compreender é mais
wideuite no caso do fascismo do que em qualquer
outro exemplo da história moderna.
Esta simultaneidade explica-se pelo facto do
aparecimento súbito deste novo fenómeno parecer
vir a desviaro cursoda históriaparao«pro-
gresso». O choque sentido pelos observadores
atentos foi ainda maior por esta modificação da
história ser acomp'achada pelo exercício da vio-
lência física directa sobre os indivíduos. Destino
histórico e destino individual tomaram-se. brus-
camente,numa única e mesmacoisa para milha-
res e, mais tarde, milhões de seres humanos. Não
só os partidos políticos sucumbiram, como a pró-
pria existência e sobrevivênciafísica de impor-
tantes grupos humanos se tomou bruscamente
problemática.

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Compreende-se assim porque é que aqueles partidária do que de ciência'. Os factos dadosi
que eram directamente atingidos se empenharam indiscutíveis, da própria realiliade histórica con-
quase imediatamente em conseguir compreender porânea constituem material a tratar cientifica-
a situaçãoem que se encontravam.A questão mente. Cada geração de investigadores an ciên-
«o que é o fascism'o?» surgiu inevitavelmente das cias políticas e sociais herda a maior parte dos
chamas da primeira Casa do Povo que os bandos seus conceitos operatórios, por meio dos quais
fascistalsincendiaram em ltália. Durante qua- organizam e reorganizam este material. Estes
renta anos(até ao período do imediato após- conceitos só parcialmente são renovados- e podem
-guen'a) , esta questão fascinou tanto os princi- considerar-se, eles também, como adquiridos. Mas
pais teóricos do movimento operáz'iocomo a o-sconceitos operatór'ios e .o material não deter-
itzteZZige»tsiü burguesa. Ainda que a pressão dos minam de modo nenhum a maneira pela qual es-
acontecimentos históricos e do«passado- indó- tes instrumentos analíticos são aplicados ao ma-
mito» i(unmastere-d paist) tenha diminuído um terial, nem os resultadosa que conduza sua
aplicação. Objectivamente, por exemplo, p;oder-
pouco nestes últimos 'anos, a teoria .do fascismo
-se-ia, a partir do conceito -de p-ardido burocrático
permanece um tema obcecante das ciências polí-
ticas e da sociologia política. criado pór Robert Michels ou do de «intelligentsia
vacilante»(:floating intelligents:ia) inventadopor
Para quem sabe quanto as pre'tensasciências
Mannheim, caminhar em múltiplas -direcções.
da história são determin'idas socialmente,não é Mas o tratamento ci:entíficonão caminha em
de admirar que as tentativas: de intelTretação da
todas estas passivo-isdirecções ao mesmotempo,
maior tragédia da história europeia contemporâ- mas apEenas numa, ou algumas dentre elas.
nea contenha por vezes muito mais de ideologia Além disso,as principais orienta.Cães
da inves-

' O«passado indómito» está sem dúvida ligado ao ' As publicações mais recentes neste domínio são:
facto do na Alemanhaas relaçõessociaisque tomai'am o livro de Ernest Noite com mais de 500 págüias, T#eo-
possível a tomada, do poder pelos fascistas continuarem r en beber de Pasd 22}1w, Kiepenheur und Witshc, Wõln-
a existir. :Ê impossívelir às raízes da barbárie fascista -Berlin, 1967; Wolfang Abendroth, Fa80iaz7&ws w7zã (ya-
sanapõr a nu esta relação lcralusail
Nia medida :am que a pitaZisztt2m, Europaeische Verlagsanstalt, Fkankfurt, 1967;
dominação do capital alemão ocidental, que foi restabe- alguns textos do August Thalheimer, Otto Bauer, Her
lecida, é uma dominação de classe, não se pode esperar bert Marcuse, Arthur Rosenberg e A.ngelo Tasca sobre
da instituição escolaro universitária a denúnciadas suas a natureza do. fascismo; Walter Z. Laqueur e George
raízes. Enquanto o passadonão puder ser(ou não for) 1,. Mossa, /wterwaciowaZ f'c&scÍsm?}
-- 1920-1945, Rapper aiid
explicado do maneira exaustiva, não pode ser«domado». Row publishers, New publishers, New 'York, 1966.

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tigação apoia-segeralmente em concepçõespolí- Assim, o crescimento paralelo do fascismo e
ticas particulares que reforçam a confiançade da análise teórica do fascismo implica, necessa-
certas classessociais em si próprias, ao mesmo riamente,-uma certa inconsequência.O fascismo
tempo que reduzemgrandunente a sua vulnerabi- deve o seu rápido crescimento .durante vinte anos
lidade política e moral face aos ataques das clas- ao facto da sua natureza real não ter sida con'ec-
ses sociais que lhes são hostis. Assim, dificil- tamentecompreendida,
ao facto de faltar aos
mente podemos duvidar -de que estamos em pre seus adversários uma teori-a científica do fas-
vença de um caminhar funcional, isto é, que a cismoe ainda ao facto da teoria dominantena
interpretação dominante dum dado acontecimen- época ser uma teoria fa;lsa ou incompleta.
to histórico a,ssume uma função específica nos Falamos em inconsequênci:a p-orque pensamos
conflitos sociais em cursa '. que a vitória temporária do fascismo em ltália,
Parece-nos ser, portanto, evidente, que dificil- na Alemanhae em Espanta, não foi o resultado
mente se pode explicar a aparição simultânea do de forças cegas do -destino, inacessíveis à acção
fascismo e da análise teórica do fascismo apenas dos homens e das classes sociais,-mas sobretudo
pelo facto de a realidade empírica ser de uma tão o pro'duro das relações económicas, poli-bicas e
premente urgência. Os teóricos tentaram com- ideológicapsentre as classes sociais do neo-capi-
preender a essência do fasci.smo não só por gosta- talism:a(capitalismo tardio) , que podem ser com-
rem de sociologia ou do saber científico em geral, preendidas, medidas com precisão e domina,das.
mas também porque partiram da hipótese, pera Partindo da hipótese que a vitóri-a temporária
feitamente razoável e fácil de compreender, que do fascismo não era inevitável nem predestinada,
quanto melhor compreendessem a natureza do conclui-se que uma teoria correcta, esclarecedora
fascismo,melhor o poderiam combater. deste fenómeno, teria tomado muito mais fácil
a luta contra .o fascismo.

3 Seria muito interessante,por exemplo, comparar as


A história da fascismo é portanto, ao mesmo
fasesdo aumentoe de diminuiçãoda popularidade
da tempo, a história da inadequaçãoda teoria domi-
«teoria do totalitaMsmo» no Ocidente, com a fluxo e o nante sobre o fascismo.Isto não significa de
refluxo da guerra fria. Encontra-seaí uma clara correia modo nenhum que a teoria inadequadasobre o
çáo, não só a longo prazo, mas também em curtos perío- fascismo fosse a única. Na periferia das forças
dos(como, por exemplo,o períodode intensificaçãocon- políticas organizadas aom uma audiência de mas-
juntural da guerra fHa que se estendeudesdea cons-
trução do muro da B'erqimuité à caga da Cubo em 1962). sa, encontrava-se uma ênteZZige?temacuja precisão
Podem-sesubmeter a uma análise semelhante as teorias na análiseinspira hoje espantoe admiração.En-
contrárias do «conciliação» ( convergente theones). tes teóricos compreenderameste fenómenonovo.

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Bastante cedo, compre:enderam
-o perigo que re- Todavia, ná história nalda se produz em vão;
presentava. Alertaram os seus contemporâneos todos os factos históricos têm resultadospositi-
e indicaram como vencer o monstro ameaçador. vos a longo prazo. Apesar da teoria científica do
Fizeram tudo o que era possível fazer no domí- fascismo não 'ter tido nas m&ss8is uma influência
nio da teoria. suficiente para barrar a marcha triunfal dos ban-
Mas a -teoria sozinha não pede fazer a histó- dos falscist&s nos anos trinta e princípio -dos anos
quarenta, ela é, ainda hoje, pertinente. Se os seus
ria; para obter resultados deve ganhar a adesão
das massas. As buro'cracias que dirigiam as orga-
t ensinamentos forem assimilados, poderá esclare-
nizaições-demassa da classe operária mantiveram cer e explicar os novos fenómenos sociais do após-
as massas afastad-as da teoria adequada do fas- -guerra, preparar novos combates e evitar novas
cismo, da estratégia e -da táctica eficazespara o derrotas.
combater. O preço pago por estes burocratas foi Não é poz:tantopor acaso que o renascimento
um-ader'rota histórica e, muitas vezes,o exter- do marxismo criador na Alemanha Ocidental (um
mínio fí.Bico.O preço pago pela hu-manidadefoi renascimeaitosobretudo esitimu'ladopela radicali-
incomparavelmente maior. Mesma os sessenta zaçãomassiva dos estudantes) tenha despertado
milhões de mortos da Segunda Guerra mundial o interesse pela teoria do fascismo. :Ê por isso
constituemapenasuma parte do tributo pago lógico que o primeira volume das obras comple-
pela humanida,devisto que, sob mais de um as-
!.

tas de Léom Tratsky a ser publicado na Alemanha


pecto, as consequênciasobjectivas da vitória do Federal seja consagrado aos seus escritos s'obre
fascismo(especialmente na Alemanha) m-anifes- o fascismo. Porque, dentre o pequeno número
tam-se, ainda hoje, em mais de um domínios. de teóricos que compreenderam correctamente a
essência da função do fascism-o, 'l'rotsky ocupa,
inda.scutivelmente, o primeiro lugar.
l As consequências para além de outras que se devem H
ter em conta para estabelecereste balanço, são, por
exemplo,os efeitos que teve a tomada do poder por
llitler na estabilizaçãoda dominação estalinista na União
Soviética Q sobro os aspectos mais extremos da depor 11
mação burocrática que afectava a. pstlHutur&do Blstada l
Soviético; ou os efeitos a lo.ngo prazo que teve a inte- l A teoria do fascismo de Trotsky é o produto
racção do fascismo e do estalinismo sobre a desenvolvi-
mento do movimento operário da' Alemanha Ocidental e
l do método marxista. de análise .da sociedade.Ex-
sobro as condiçõesem que se iniciou a construçãodo Ç pz'ime de uma maneira clara a superioridade
socialismo na Europa Oriental. b deste método e dos resultados da sua aplicação

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em relação à plétora de teorias históricas e so- A grande maioria da burguesia americana
ciais burguesas. Esta superioridade, principal- fi-cou apavorada quando ido New DeaZde Roose-
mente pelo c:arácter«totalizante» do método velt; o mesmo o f'air .DeaZ de Truman provocou
marxista, compor'ta dois .aspectos : primeiro, a prat)estas indiign-arados contra o«sociailismo CFqES-
tentativa de englobar todos os aspectosda acti- cente». Mas nenhum observador objectivo do de-
vidade sociail tal coma estão ligadas e coordena- senvolvimento económicoe social da América du-
dos estruturalmente uns com os outros. Em se- rante estes últimos trinta e -Ginga anos, negará
gundo lugar, o esforço em identificar, no inte- hoje que a acumulaçãode capital longe de dimi-
rior deste todo, compor'b de relações em cons- nuir aumuitou durante este p-Criado,que as gran-
tante transformação, os elementosque o detenni- des sociedades americanas se tomaram incompa,-
nam, isto é, identificar as transformações que só ravelmente mais ricas e mais poderosasdo que o
se podem realizar por uma explosão violenta da a'am nos anosvinte, que a vontade,da pal'te de
estrutura social existente. outras classessociais(especialmenteda classe
:É chocante constatar a fraqueza de argumen- operária da indústria) , em põr fim no imediato,
tos com que a maior parte dos aspeciali:smasbur- política e socialmente, à dominação destas socio.
gueses se debruçam sobre a questão de saber se dadasé mais fraca hoje do que durante e imedia-
é o aspecto político ou e-conómicoque tem a prio- tamente após a Grande Depressão.Daqui se con-
ridade, questão que desempenhaum importante clui inevitavelmeaite que Roosevelt e T\íman con-
palpeino debatesobrea teori-ado fascismo.Com solidaram a dominação de clamo da burguesia
um pedantismo labborioso, tentam interpretar americana. Perante esta cmiclusão, considerar
esta ou aquela acção do regime hitleriano, pondo Truman 'e Ro-os-evelt«homens -deEstado anta-capí-
questõescomo:«Seria isto o interessedo grande talistas>$ não reflecte o resultado real, final das
capital?» «Seria isto contrária aos desejos explí- suas acções; revela pelo contrário uma incapaci-
citos dos capitalistas?» Mias não põem a questão
dadepara julgar os pai'tidos e os governosse-
fundamental: as leis imanentes que regem o
gundo o que realmente/agem e não segundo o
mo-dode produção capitalista eram realizadas ou
que dizem ou o que outros dizem deles.
negadas por este regime? :
Deve aplicar-se um método semelhantena
: Ver, por exemplo, a discussão entre Tim Mason e apreciação do fascismo. Não nos parece essencial
Eberhard Czichon em l)as .Argwment,n.' 41 e n.o 47, De que Krupp ou Thyssen considerem com entusias-
zembro de 1966e Julho de 1968.Infelizmente os marxis-
tas mecanicistas cometem erros semelhantes. Voltaremos mo, reserva ou antipatia, um ou outro aspecto
mais tarde e de forma detalhada ia este assunto, da dominaçãohitleri-ama.Mas é essencialdetermi-

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2

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nar se a ditadura de Hitler tendia a manter ou a pode, em última análise, reduzir-se à lógica ín-
destruir, a consolidar -ou a minar as instituições tema da economiade guen'a;.
sociais baseadasna propriedade privada dos Nunca ninguém pede demonstrar wta com-
meios de produção, -asubmissão dos trabalhado- pleta «autonomia»por pal'bedas camadaspolíti-
res, obrigados a vender a sua força de trabalho cas dirigentes, o que é, aliás, impossível de de-
sob a dominação do capital. A este respeito o ba- mcuistr'urr.A guerra e a economiade guerra não
lanço histórica parece-nas claro. Voltaremos mais caíram da céu, nem foram consequênciasnatu-
tarde a estes ;a.ssunto. rais da ideologia fascista. Têm as su.as raízes no
Também nos parece igualmente fraco o mé- mecanismopreciso e espwífico das contradições
todo que separadirectamentediferentesperío- económicas,dos coaiflitos imperialistas e das ten-
dos da dominação hitleri-ana e opõe o«fascismo dênci:asexpansionistas que correspondem aos in-
parcial», cuja característica principal reside no teresses dos grupos capitalistas-monopolistas que
facto de o grande capital exez'mr directamente o dominavam a sociedade burguesa alemã. Além
seu poder sobre um importante domínio, ao«fas- disso,a Pi'imeira Guerra Mundial tevelugar, ape-
cí$ma total» 2. Um tal método pressupõenão sar de tudo, antes de Hitler e, após a Segunda
Guerra Mundial, os Estados Unidos da .América,
somente uma autonomia total da direcção- polí-
vivem num estado de armamento permanente '.
tica, comoaindae sobretudoa autonomia
da
ecaiomia de guena em relação aos interesses das
classes sociais. Com efeito, cada intewuição do 3 Ver a este respeito, Franz Neumann, Behemoth --
The Strwcture and Praatice of N'ationaZ-SociaZism,
1933-
governo de liitler nas esferas económicas,nas 1944, Ferrar, Straus e Giroux Inc., New 'York, 1963.
quais o poder pertencia às grandes sociedades, $ O último capítulo de g'he .AccumwZatio% of (yapitaZ
de Rosa Luxemburg, Monthly Revue Press, New York,
1964, fornece o exemplo típico de um estuda preliminar
2 Ver Arthur Schweitzer, Bãg Bwd%es {% the 7'hird das raízes económicas do militaüsmo- na época imperia-
l?eich,Indiana University Press, Bloomington,1964.Tim lista. Para estudos mais recentes, especialmente do impe-
Mason utiliza o mesmo conceito, energicamente rejeitado rialismo alemão e americano, ver, entre outros, Frei J.
por Eberhard Czichon,Dietrich Eichholz, Kurt Gossweí- Cook,«Juggernant, The Warfare StateED,T#e ]gatioH, 20
[er e outros.]Dm 17êtZe7''s Social EeooZwtioH, de David da Outubro do 1961; Pau[ Baran e Pau] SweeW',]]fowo-
Schoenbaum,Weidenfeld e Nicholson, London, 1966,tem poZy (7apitcEZPMlonthly Review Press, -Jgew York, 1966,
sa um exemplo típico duma tentativa burguesapara capa' 7;Georges F.W'. Hallgarten, IZ'itZe2B, Reichsloehr
explicar o Estado nazi como uma simples estrutura do und /ndtntrie, Europaeischo Verlagsanstalt, Frankfurt,
poder político na qual a economia,«tornada impotente», 1955; Harry Magdoff, T#e .Age of /mperãaZisz2}, Monthly
estada completamente subordinada. Review Press, New York,. 1969:

18 19
As raízes da economia de guerra alemã estão Assim como é incapaz de compreendera
profundamente enterradas no período pré-hitle- essência do fascismo isolando um elemento par-
riano o. Por conseguinte,não se deve considerar ticular -- a autonomia da direcção política ou a
a economia de guerra e as suas leis de ferro como «primazia política» --, a ideologia burguesa mos-
qualquer coisa, oposta ao capitalismo monopo- tra toda a sua fraqueza ao ser incapaz de integrar
lista, mas antes como o prWno produto deste ceras particularidades históricas do fascismo
caipitalismo monopoli-s'La.E, quando a economia numa concepção total da sociedade. Para com-
de guerra, nas suas últimas fases, começoua preender a apai'irão do fascismo, Emst Noite
tomar fonnas qua, tanto do ponto de vista da atribui um grande valor ao conceito de«não-si-
classe capitalista no seu conjunto como do ponto multaneidade»(unsimultaneity) da história que
de vista dos capitalistas individuais, se revelaram foi primeiro -desenvolvido por Emst Bloco, isto
extremamenteirracionais, tais formas não eram é, a sobrevivência de velhas fonnas históricas na
unicamente imputáveis ao I''egime nazi. Expri- sociedade Contemporânea.(Este conceito foi de-
miam apenas,sob um aspectomais agudo, a irra- senvolvido,pelo menosde uma forma rudimen-
cionalidadeinerente aa próprio modo de produ- tar, por Labriola e Trotsky antes ou independen-
ção capitalista, a combinação levada ao extremo, temente de Bloco) '. Ê 'certo que as ideologias de
entre por um lado, a anarquia e a planificação pera;odes históricos anteriores, pré-capitalistas,
e por outro, entre a socialização objectiva e apro- corporativos(guild) e gemi-feudais, -desempe-
priação privada -- o a intensificação levada ao nham um papel nãa desprezívelna ideologia do
absurdo das relações s:ociai.s.Têm, finalmente, fascismo e na psicologia de massas de pequena
uma origem muito real e racional'. burguesia em vilas de perder os seus privilégios
de classe, a qual constitui a baw social dos mo-
' Ver, entre outros, Wolfang Birkenfeld, Geschichte vimentos dn massa fascista. Mas é claro que
der. dewtsc#en IP'ehr-wftã B e tung8toirtõchaft, li. Bolor,
Bopparda/R, 1966,em particular uma circular do gene
ral Thomas.
o U'tilizámos o conceito de«reprodução reduzida» do modo nenhum, apenas nos Blstados fascistas. O núcleo
(contracted reproduction) para descrever a desacumula- «racional» desta irracionalidade encontra-se no facto de
ção crescente(destruiçãodo capital) a que conduzuma que as guerras imperialistas-- como todas as outras--
economiade guerra, uma vez que ultrapasseum certo são conduzidascom a intençãodo seremganhas,e, em
limite. Ver Elnest Mande], ]Warz t Zconomic 2'he07]f, verba medida, é comprlaea)sívdque as perdas de capital
Monthly Review Press,New York, 1968,cap. IO. sejam mais que compensadas à custa do vencido,
Os exemplos fornecidos pela Grã-Bretanha e, sobre- 7 E. Noite, op. cát., pp. 38,. 54, etc.; Léon TI'otsky,
tudo, pelo Japão mostram que este fenómeno não existe, W'hat ás N'atêowc&Z SodaZ l& ?

20 21
Noite p-erpetua uma interpretação falsa quando o carácter específico do fascismo não reside no
escreve:«Se o fascismo é uma expressão de <Kteu- facto de exprimir«a agressividade enraizada na
dênoia,s militaristas e arcaicas», ele mergulha as natureza humana» -- pois isso f(Ê já -expresso
suas raízes em qualquer coisa de único e in'edu- em inumeráveis mcyvimentoshistóricos diferen-
tível, na naturezahumana.Não é um fruto do tes -=, mas antes no facto de, sobre esta agressi-
sistema capitalis:ta, apesar de, nesta época, só vidade imlpor uma forma paz'titular, social, polí-
poder surgir dos fundamentos do sistema capi- tica e militar que nunca existiu anteriormente.
talista, particularm:el):be
nos momentosem que Em consequência,
o fascismoé um produtodo
este sistema está ein perigo» '. capitalismo monop'alista e imperialista. Todas as
A única conclusão que podemos tirar da pú- outras ten.tativas para interpretar o fascismo em
meira frase está resumida no lugar comum que, termos puramente psicológicos enfermam da
se não houvesse«tendências agzeessivas» na na- mesma fraqueza fundamaital.
tureza humana,não haveria acçõesagressivas: A tentativa de explicar o fascismo coma pro-
sem agressividade, não há agressõe:s ou, como duto de características particulares de certos po-
exprimÊiu o imortal Moliêre:«O ópio adormece vos ou de certas raças ou, ainda, dum passado
os homens porque tem virtudes somníferas». histórico particular não é também válida meto-
Noite não parece compreenderque desta maneira dologicamente. Pas:sa-se da psicologia individual
de modo nenhum provou a segunda frase. Era à psicologia nacional sem explicar os factores
preciso que deunonstrasseque nos«bons velhos que, num sentido muito geral, permitiram a eclo-
tempos», as teuidências«militaristas e arcaicas» são do fascismo.
teriam podido produzir formas de governofas- Nem o atraso histórico da ltália, nem a tradi-
cista ou fascizante(fasoist-like) . hifelizmente, ção militar pl-ussiana da Alemanha, nem a«ne-
nessa época, estas <tendênoias» conduziram às cessidade do disciplina» ou o«temor da liber-
guem'aspela conquista dos mercadosde escra- dade» podem explica' adequadamente a ascensão
vos, às razãaõ dos«povos pastores»(pastoral peo- e a queda brusca do fascismo entre 1920 e 1945.
ples) nas ten'as dos cultivadores, às guerras de Estes argumaitos são, além disso, muitas vezes
cruzadas,tudo coisasque têm tanto a ver com contra,ditórios: enquanto que a ltália era relati-
as características
principaisdo fascismocoma vamenteretardatário, a Aleünanhaera a nação
uma cidade romana ou uma aldeia medieval tem m:ais indust;realizada do continente euros)eu. Se
a ver com uma fábrica moderna. Por conseguinte, a«tendência para a disciplina» era um dos traços
dominantes do«cara;ctm' nacional alemão» -(cuja
' n, Noite, op. cêt., p1 21. origem se pode encontrar na abolição tardia da

22 23
escravatura na Prússia) , que dizer então da ltá- tem~ mutuamente, como«pilares» muito parti-
lia qu-ese contava entre as naçõesmais«indisci- cular'es do fascismo. A mãiol'ia destes documen-
plinadas» da Europa e que não tinha quaisquer tos vieram confirmar o que já se sabia por intui-
tradições militares? Enquanto causas ou facto- ção ou por dedução teóüca, ou seja, que a indús-
res secundários, estes elementos desempenharam, tria pesada estava muito mais interessada do que
sem nenhuma dúvida, um determinado papel e a indústria ligeira na tomada do poder por Hitler
conferiram ao fascismo em cada caso particular e no reannamento, que«a organização» do capi-
um carácter nacional específico que correspondia tal judaico não desempenhounenhum papel im-
às particularidad'es históricas do capitalismo mo- portante na economiaalemãxo,que o trust l.
nopolista e da pequena burguesia de cada país. G. Farben desempenhouum papel particular-
Mas na medida em que se compreendao fascismo maite agressivo e influente numa série de deci-
como um fenómeuio universal que não conhece sões económicase financeiras da regime hitle-
nenhuma fronteira geográfica e que fez penetrar riano, e assim por -diantex:. Miasnão é propria-
as suas raízes em todos os países imperialistas mente necessário vasculhar um grande número
-- onde pode amanhã reaparecer-- as tentativas de documentos para ver que, na situação parti-
para explicar, sublinhando uma -ou outra par- cular do capitalismo alemão de 1934, os comer-
ticularidade nacional, são totalmente inadequa- ciantes de canhões, tanques e explosivos tiravam
das '. A publicação das transcrições e dos d08õea's mais lucros do rearmamento do que os fabrican-
do processode Nurenbergveio dar uma impor- tes do roupas interiores, brinquedos ou canivetes.
tância especial aos estudos detalhados em que No entanto, Noite cometeum erro típico quando
se consideram os diferentes grupos de interesses
e os sectoresdo grande capital que se comba-
:' As poucas modificações nas relações de propriedade
durante o lll.o Reich depois da tomada de poder e da in
D Ver os ensaios de Rena Remond, La Z)noite en Z'rawce trodução gradual de medidas anta-semitas,provam am
tZe18í5 â nos doure, Aubier, Paria, 1963 e Jean Plumêne piamente que o«grande capital judeu» não passavaduma
8 Raymond Lasierra, Les Fascismea Prançah, 1923-1963, legenda. Passa-se a mesma coisa hoje nos B]. U. A. Ver,
Lo Seuil, Paras,1963 que defendemeste ponto de vista entro outros, Ferdinand Lundberg, 2'heBica a d the 8 per
para trança, Eugen Weber, op. cêt., defende uma tese Rica, Lylo Stualt, New Ym'k, 1968, pág. 297-306.
semelhante,pág. 105, 123, etc. Desde 1928, que Daniel u A este respeito as primeMasteorias mandstas são
Guérin evidenciou as características fundamentais comuns as de Otto Bauer, Zwhchew zzoew WeZtkriegeK ?, Eugen
aos fascismosalemão e italiano, apesar das particulaH- Prazer Verlag, Bratislava, 1936,pág. 136 e Daníel Guérin,
dades nacionais, p'a8cêaHz}a?td Big Bwaness, Pioneer op. cêt.,pág. 27-53.A obra de Guéránfoi publicadaem
Publishers, New York, 1939i francês em 1938.

24 25
dec[ara.:«[...], mas quando e]e [Otto Bauer] dis- dominante, são «essenciaiis»:a,este modo de pro-
tingue diferentes sectoresda classecapitalista dução ou à sua classe dominante. Tudo isso exis-
com interesses essencia]mente]?] antagónicos tiu em celtas épocasda história da class'ebur-
[a indústria dos bens de consumo dependentedas guesa, e não noutras--ou pelo menos nãa à
exportações, onde se insere a claissepacífica dos mesma escala. O que é reailmente essencial é a
rendeiros, que se opõe à indústria pesada,esta propriedadeprivada e a possibilidadede acumu-
sim interessada nos benefícios obti;dos no arma- lar o capital e de extrair a mais-valia.
menta], a distinção tradicional e vulgar entre A este respeito as eslntísticas são esclarece-
classedirigente e castagovernantedeixa de ter doras. O lucro de todas as empresasindustriais
sentido e, em consequência,tudo o que se possa o comerciais passou de 6,6 biliões de marcos em
dizer do fas:cismo como órgão executivo do ca- 1933 para 15 biliões de marcos em 1938. Mas en-
pital«enquanto tal» deixa de ter fundamento. quanto que as vendas das fábricas têxteis de
A unidade económica assim cotos'truídaan teoria, Bremen estagnaram e as A. E. G.(Allgemeine
dissolve-se na multiplicidade dos seus elementos Elektrizitât Gesellschaft) só progrediram 55 %l
históHcos, e a única questão pertinente que resta, as da Siemensduplicaram, as das fábricas de tu-
é saberquaissãoos pressupostos
a partir dos bos Krupp e Maimesmanntriplicaram, as da Phil-
quais esta multiplicidade apare:cecomo uma uni- lip liollzmann e C.' viram as suas vendasmulti-
l dade e precisamente ein que medida esta unidade plicadaspor 6 e as da FábHca alemãde armas
l pode perder a posição dominante mas não ilimi- e munições por 10 ''. O interesse económico colec-
l ta-da que, sob muitos aspectos, deteve em muitos tivo da classe capitalista(que está longe de ser
Estados da Europa durante cento e cinquenta um puro conceitointelectual)transpm'ece
cla-
&H0$x2.» ramente nestes números. Ao mesmo tempo, no
Toda a discussão gira eün tomo da palavra interior de-ste quadro de interesse colectivo, os
«essencialmente»,
e i-ssasó pode ser esclarwido interesses específicos surgem e afinnam-se com
por uma análisedasprincipais caraicterísticas
do insistência. E a lei segundo a qual a propriedade
modo de produção capitalisítaf.Nem a maneira privada cale)italista provem e -se desenvolve a par-
como é conduzidaa política estrangeira,nem a tir da expropriação de numerosos pequenose de
possibilidade de falar e escrever livremente sa- alguns grandes proprietários não foi escrita no
bre quem'iões
políticas ou de confiar o governoa
representantes escolhidos directamente pela classe 13Charles Bettelheim, L'Ecowomie üZZemattde sola Ze
lmzisme, Riviêre, Pauis, pág., 2121Reeditado nas Edições
u E. Noite, op. cit., pág. 54. Maspero.

26 27
r

tempo de liitler, mas está enraizada na própria dade só pode ser compreendidacomo uma tota-
história deste modo de produção. lidade fechada e dinâmica na qual esseselementos,
As fraquezas met-o-dológicas de todos estas não isoladamente mas na =sua intrínseca, conexão
contributos( approaches)utilizados pela.steorias recíproca, podem explicar o ascenso,a vitória
burguesas do fascismo são evidentes. Por não e a que'dada ditadura fascista.
compreenderam as estruturas sociais e os modos a) O ascenso
do fascismoé a expressão
da
do produção,os ideólogosburguesessão inca- grave crise social do capitalismo decadente,uma
pazes de compreender a unidade dialéctica dos Crise estrutural que pode coincidir -- como no$
elementos contraditórios da realidade do fas- anãs 1929-1933 -- .com uma crise .económica clás-
cismo e de identificar os factores que determinam sica -desobreprodução, mas que é muito mais am-
ao mesmo tempo a integração e a desintegração pla do queuma simplesflutuaçãode conjuntura.
(a ascensão e a queda) destes elementos numa Fundamentalmente é uma -crise da reprodução
totalidade coerente. do capital: é a impossibilidadede continuar uma
A superioridade metodológica do marxismo acumulação«natural» de capital dadas as condi-
reside na sua capacidade am integrar com sucesso çõesde concorrência no mercado mundial (isto é,
os elementos analíticos -contraditórios que reflec- com um dado nível de salários reais, de produ-
tem uma realidade social contraditória. A ade- tividade do trabalho, de disponibilidadede ma-
são ao marxismo não oferece nenhumagarantia térias+primas e de mercados). A função histórica
dum tal sucessona análise e veranos neste livro. da tomadado poder pelo fascismoé a alteração
infelizmente, mais do que um- exemplo. Maa a pela força e violência, a favor dos grupos deci-
contribuição de TVotsky à teoria do fascismo sivos do capital monopolista, das condiçõesde re-
mostra claramente que o mar'cismo toma pos- produção do capital.
sível uma tal análise. b) Na épocado imperialismoe do movimento
operário contemporâneo, historicamente, desen-
volvido, a burguesia exerce o seu domínio polí-
tico do modo mais vantajoso,isto é, com um
mínimo de custos através -da democraciaparla-
A teoüa do fa,scismode Trotsky é formada mentar burguesa. Tal forma de domínio meanduas
por uma unidadede seis elementos;no interior grandes vantagens: permite por um lado, uma
desta unidade cada elemento possui uma certa redução periódica :das tensões sociais através da
autonomia e uma evolução determinada em vir- concessãode certas reformas sociais, e por outro,
tude das suas contradiçõw internals: mas a uni- permito que um sector importante da burguesia

28 29
participe directa ou indirectamenteno exercício ao capital monopolista -- enunciadapela primeira
do poder político através,de instituições burgue- vez por Rudolf Hilferding -- para«organizar» de
ses tais Como partidos, universidades, organiza- um modo«totalitário», na seu interesse,todo o
ções patronais, administraçõesmunicipais ou conjunto da v'ida sacia«l'. O fascismo é a realiza-
juntas regionais, cúpulas do amai'elhode Estada, ção de tal tendência pais que, an última análise,
o si-stema bancário central, etc. desempenhou essa função histórica; é a negação
Tal fonna de domínio da grandeburguesia da própria tendência pois contrariamente às ex-
-- que historicamente não é de forma alguma a pectativas de Hilferding, o fascismo só po-deexer-
única : -- depende da conservação dum -equilíbrio cer tal funçãoexpropriando
politicameüite
em
instável .de forças económicais e sociais; sempre larga medida a burguesia ;
que desenvolvimentos objectivos perturbam este c) Nas condições -do capitalismo industrial mo-
equilíbrio, a grande burguesia para realizar os nopolista contemporâneoe dada a imensa despro-
seus interesses históricos, nãa tem outra aitema- porção numérica entre os trabalhadores assala-
tiva que não seja a tentativa de instaurar uma riados e os grandes capitalistais, uma tão grande
forma ma.is centralizada do p:ader executivo do
Estado, mesmo com o risco de renunciar ao exer- 2 Paper económico sign#ica também poder político.
cício dure.ctodo poder político. Do ponto de vista A damihação sobro a econolnin fórnaw as rêde-as para
histórico, o fascismo é portanto ao mesmo tempo o exercício do padelrde Hstladk).Quanto ma=lorfar o grau
do concemt#açãona esfera aconómaaa,meras será limitada
a realização e a negaçãodas tendências inerentes
a .dominação da ]iistado. Hsba integração sistemática de
todos Os instrumentos do poder da Estado aparece Como
IA amnésiatotal dos ideólogosburguesesrelativa- a foulm& sup:flama da l)odes de ,B)gbaKlo,
io o Estada :enquanto
mente à história da sociedadeburguesanão deixa de instrumento inabalável da manutençãoda dominação eco
eq)antas.Nos dois séculosque seguiram à primeira levo nómioa... Nh $ua forrnü lnaíis acabada, o !capitais final
lução(industrial, as formas que o Estado tomou suces cdiiro é a roTIna suprem'a do radar !económicoie político
sivamento na Bluropa industrial foram: monarquia aris- detido pela oligarquia capitalista, acaba a ditadura dos
tocrática, o cesarismo plebescitária, o parlamentarismo magnates capitalistas. RudoU Hilferding, Z)as F lm zka
liberal-conservador(com 10 % -- e por vezes com me- pitas,1909,Verlag der Weiner Volksbuchhandlung,
Viela,
nos de 59a--da populaçãocom direito aa sufrágio).e 1923 P. 476.
autocracia declarada, e isto qualquer que seja o país cuja ; Por isso 1lilferding nas vésperasda sua morte trá-
história política se estuda.À parte num breve período gic:%'chegou à conclusão de que ia .Ailemaaaha
nazi já não
durante a Grande Revolução Francesa. a democracia era uma sociedadecapitalista e que o poder se:encontrava
parlamentar baseadano sufrágio universal tem sida nas mãos de uma bnlrocradla totalitáMa. Este ferro é con-'
praticamente sempre um produto, mas não da burguesia temporâneo da teso de Buniham, L'Ere dea ?zmnaga'õ
liberal, mas das lutas do movimento operado. (Tha mnnageriâü Ern)j

30 31
r
centralização do poder de Estado, que implica couiscientes,por meio de um imenso aparelho de
11 além disso a destruição da maior parte das con- vigilantes de prédio, polícias, e células do N. S.
quistais do movimento operário contemporânea B. O. ' nas fábricas, corno pode mesmo influenciar
11 (eunparticular de todos«os gérmens de democra- ideologicamenteos trabalhadores menos cons-
l
cia. proletária no quadro da democracia burguesa, cientes, particularmente os empregados, e reinte-
que são as organizações de massa do movimento grá-las paJ'cialmentenuma colaboraçãode classes
operário», segundoa correcta definição de 'lh'o- efectiva.
tsky) , é praticamente irrealizável por meios pu- d) Um tal movimento de massas apenas pode
ramente técnicos. Nem uma ditadura militar nem ser construído na base da pequena-burguesia, a
um Estado policial puro -- pai'a não falar de uma terceira classe social do capitalismo, que se en-
monarquia absoluta -- têm capacidade suficiente contra en.tre o proletaüado e a burguesia. Se esta
para atomizar e desmoralizar,por um longo pe- pequena-burguesia é atingida duramente pela
ríodo, uma classe s.ocial cone;ciente,com milhões crise estrutural do capitalismodecadente(infla-
de manbros, e, desse modo, impedir o reapareci- ção, falência das pequenasempresas, desemprego
mento dos mais elementares episódios da luta de maciço de diplomados, técnicos e desempregados
classes, episódios esses que são produzidos perio- das categorias superiores), de modo a cair no de-
dicamente pelo simples jogo das leis do mercado. sespero,surgirá, pelo maios numa parte desta
Para atingir aqueles objectivos a grande burgue- classe, um movimento tipicamente pequeno-bur-
sia tem necessidade dum movimento de massas guês feito de reminiscências ideológicas e rancor
qua mobilize um grande número de indivíduos, psicológico, que alia a um nacionalismo extremo
pois só um tal movam-eito pode -desgastar e des- e a uma demagogia anticapitalista õ violenta, pelo
moralizar os sectores mai's conscientes do prole- menosem palavras, um profundo ódio eln relação
tariado com o uso sistemático do terror de mas-
sas e dos combatesde rua, e após a tomadado
poder, destruir completamente as organizações + N. S. B.: NbtlonalgozlaliHbischo Betdebsorganiza-
tión: orgai3lzação da pazttido alazi(N. S. D, A. P.) nas
das massas do proletariado deixando assim e,ste fábücas.
não só atomizado como também desmoralizado 6 Etn toda o caBOtrata-se genxprtede uma fol-ma par-
e resignado. tia Zar do demagogia que se limita a atacar formas
Com o uso de métodos adequados, adaptados particulares de capitalismo(«a sujeição aos usurários»,
os grandes armazéns, o capital«monopolizados» em opo-
às exigências da psicologia de massas, um tal mo-
sição ao«criador», etc.). A propriedadeprivada enquanto
vimento de massaspode não só obter um controle tal e o domínio do patrão da fábrica nunca são postos
permanente sobre os assalariados politicamuite em causa.

32 33
3
r
ao movimento operado . organizado («abaixo o O ascendado movimento fascista é de certa ma-
marxismo», «aba;ixo o comunismo») . O fascismo neira uma institucionalizaçãoda guerra civil, na
nasce no momento eanque este movimento começa qual, no entanto, cada uma das pai'tes tem objec-
a atacar fisicamente os operários, as suas organi- tivameaitepossibilidadede vencer(esta é, entre
zaçõese a,ssuas manifestações.O movimento tem outras, a razão pela qual, só eun circunstâncias
primeiro um período de desenvolvimento autón(» muito especiais,«anoi7nais», a grande burguesia
mo, necessáHopara conseguir uma influência de apoia e financia semelhantes a(periências; ela
massa;s;em seguida, para chegar à tomada do corre desde o início um risco bem .determinaxio
poder, torna-se indisl)ensávelo apoio financeiro nesta política do tudo ou nada).
e político de impor'antes sectores do capital mo- Se os fascistas conseguem desmoralizar e es-
nopolista. magar o inim=igo-- a classe operária organiza-
e.) Para que a ditadura fascista possa cum- da-- a vitóHa está assegurada. Mais se, pelo con-
prir a sua função histórica, o movimenta operá- trário, o movimento operário consegue contra-
rio tean de ser previamente derrotado e esma- -atacar com sucass-o-etomar ele próprio a inicia-
gado; mas isto só é possível se antes da tomada tiva, infligirá uma derrota decisivanão só ao
do poder, o equilíbrio se deslocar a favor dos ban- fascismo, como também ao capitalismo que o en-
dos fascistas e em detrimento da classe operária, '. gendrou.
Isto acontece por motivos técnico'políticos,
o Se Isso nãn acontece e os trubaJhüdores m'anlJiverem
sócio-políticos e sócia-psicológicos. No il)leio os
a sua capacidade e vontade de lutar, a tomada do poder
bandos fascistas organizam apenas a fracção
pelos fascistas poldn tornar-sie u praia'dio de uma pode- mais resoluta e desesperada da pequena burgue-
rosa sublevaçãorevolucionária. Em Espinha ao putsch sia (a fracção «enfurecidas) . As massas pequeno'-
militar fascista de 1936 a classe operária respondeu com -burguesas, h,l como o sector não consciente e
uma sublevação revolucionária que ao cabo de poucos não organizada dos trabalhadores assalariados
diga impôs aos fascistas UMa derrota militar esmagadora
em todas as grandes cidades e nas áreas industriais e -- em particular os jovens trabalhadores operá-
que os obrigou a mfuginpenn-aenaa área-sagrícolas, subde- rios e empregados-- oscilarão geralmente entre
senvolvidasdo país. O facto de os fascistas,apósuma
árdua guerra civil que durou três anos, terem conseguido
tomar o poder foi devido,quer a factores exteriores,quer 1936. Em particular a direcção não foi capaz de minar
ao papel funesto desempenhadopela direcção do partido a última base de poder de Franca entre os camponeses
e do governo de esquerda.Esta direcção impediu à classe atrasados e os mercenários do Norte de Âfdca. recusan-
operárialevar a uma rápida consecução
a evoluçãoso- do-sea efectivar uma reforma agrária radica! e a pro-
cialista que tinha começado com sucesso em Judia de clamar a independênciade Marrecos.

34 35
os dois campos;taiderão a unir-se à parte que sido modificadas de modo . decisivo a favor da
demonstrar maior audácia e espírito de inicia-
grande burguesia, o interesse político desta cas-
tiva; eles pretendem jogar no cavalo vencedor.
tra-se na necessidadede produzir uma modifica-
B isto quepermite afinnar que,do pontode vista ção análoga no mercado mundial. A política do
histórico, a vitória do fascismo exprime a incapa- tudo ou nada do fascismo acaba por ser trans-
c,idade do movimento operário eun resolver de
portada da esfera sócic>'políticapara a financeü'a;
acordo com os seus proprios interesses e objec- estimula uma inflação permanente e por fim não
tivos, a crise estrutural do capitalismo deca- deixa outra alternativa a não ser a aventura mili-
dente. De facto,. tal crise oferece sempre de iní- tar no estrangeiro. Mas o conjunto desta evolução
cio ao movimento operário uma possibõilidade de traz c(meigoa deterioração mais do que a melho-
se impor; só quando este não alproveitar tal pos- ria da situação económica(devido à economiade
sibilidade porque mal conduzido, dividido e des-
guen'a) e política da pequena-burguesia -- com
moralizado, o conflito pode levar ao triunfo do
excepçãodaquela parte que pode ser mantida à
faascismo.
custa do aparelho de Estado tom.ado cada vez
/) Se o fascismo conseguir«esmagar o movi- mais autónomo. Não se trata do fim da«sujeição
mento operário sob as suas investidas», terá cum- ao capital usurário» mas, pelo contrário, da ace-
prido o seu dever do ponto de vista do capita- leração da concentraçãodo capital monopolista.
lismo monopolista,;o seu movimento de massas
Aqui se mostra o carácter de classeda ditadura
acaba por burocratizar-se e é an grande parte fascista, que não corresponde ao movimento fas-
absorvida pelo aparelho de Estado burguês; isto cista do maissas; ela não defende os interesses
é possível apenasna medida em que as formas
históricos da pequenaburguesia,mas sim os do
extremas de demagogia plebeia pequeno-burgue- capital monoplista. Logo que esta tendência se
sa, presentes nos«objectivos do movimentos, de- toma predominante, a base de massasconsciente
sapareçam e acabem por ser apagadas pela ideo- e aiotiva do fascismo restringe-se inevitavelmente.
logia oficialv. Tal evoluçãonão está de forma
A ditadura fascista tem tendênciapara reduzir e
alguma em contrad'irão com a tendênciaem tor-
esmagar a sua própria base de massas; os esqua-
nar autónomo o aparelho de Estado fortemente
drões fascistas tomam-se apêndicesda polícia.
centralizado. Com efeito, Joga que internamente Na fase do seu declínio o fascismo convem'te-se
o movimento operário tenha sido vencido e as
numa forma particular de bonapartismo '
c-ondições de reproduçã'o do cap-ital tiv-erem

' A distinção entale fama o banapaFtísmo será d®


' aE, ,emÊueoutit», Guérib, op. c t., p, 141-168.
cuida mais t&iFdo.

36
37
São estes os elementos constitutivos da teoria tores>, é-o peso das contradições objectivas que
trotskistasobreo fa,scismo.
Baseia-se
por um se deplora: a«relação de forças» não permitia
melhores resultados. O facto de, pela aicção, se
lado, numa análise das condiçõesparticulares em
que se desenvolvea luta de classesnos países poder modificam'esta relação de forças -- em par-
alta=nente industrializados no período da crise es- ticular, o facto de, pela própria passividade, se
trutural do capitalismo decadente(o próprio fazer pender a relação de forças eln favor' do ini-
'l-'rotsky falava da«época de decadênciado capi- migo de classe -- nunca fai assimilado por esta
escola. O'.conteúdo ess'encialdestas teorias apa-
talismo») por outro lado, deriva dum modo par-
ticular -- característico do marxismo de Trats- rece claramentena tese segundoa qual a agita-
ky -- de relacionar os factores objectivos e sub- ção radical dos«bolcheviques» fom.eceua oca-
jectivos na interpretação teórica da luta de clas- sião, ou, pelo menos,uma desculpaao fascismo
ses bem .como no seu :desenrolar concreto. para mobilizar as caJnadasamedrontadase con-
servadoras da população: o fascismo-é o castigo
que a grande burguesiainflige aa proletariado
pela sua agitação comunista.«Se não quiserem
lv assustar a pequena burguesia e aborrecer os
grandes capitalistas, mantenham-se moderados».
A wperteza muito liberal da«via dourada>$ : es-
Comosupoüa esta teoria tratskista do fas-
cismo o confronto com as teorias provenientes de
outras conentes do movimento operário? Quais ' No Mini/eito (Jomunêsta,Marx e Engels ridiculari-
são os traí'os iespecíficosque aparecem quando zavamjá o argumentoliberal segundoo qual os comu-
se comi)uln a 'teoria. de Trotsky com auitroswtu- nistasfaziam o jogo da reacçãoconservadora. Durante
dos bases;dos também no moto:do marxista, ? a revolução do 1848, repetia-se incansavelmenteque,
bastava que os patifes«socialistas» não tivessemlá es-
O que mais choca nos autor'es social-danocra- tado para que os regimes constitucionais liberais se tives-
tas é o pragmatismo, o tom de desculp-aque utili- sem podido consolidar por toda a parte; os sociahstaa
zam nas suas análises: a teoria deve vir eln auxí- tinham feito medo à burguesia e tinham-na lançadonas
lio de uma prática arqui-olnrtunista e o(plicar o braços da reacção. Depois da Revolução Francesa, os
por seu lado, utilizaram um argumento
conservadores,
seu fracasso pela«culpa dos nossosopositores». semelhantecontra os liberais; se não tivessemhavido
Nessa época, este:(4)or,tunísmo não tinha ainda os excessos
da Convenção e da Constituição«radical
de
cortado o cordão umbilical que o ligava ao mar- esquerda» do ano 11, a monarquia nunca teca sido res-
xismo vulgar, fatalista e objectivista de Kautsky. taurada. Manifestamente, não há hoje nada de novo sob
o sol.
Quando não se invoca« culpa dos nossos oposi-
39
38
quere com efeito que é precisamente a falência do organizado dos trabalhadores tanto como os ban-
parlamenM.risada burguês«moderado»,. rotineiro, dos fascistas, mesmo quando -o faziam de uma
confrontado com a intensificação da case estru- maneira mais«civilizadas. Querer utiliza-los como
tural do neo-capitalismo, que lança a pequena defesa contra estes bandos significa na realidade
burguesia desesperadanos braços dos fadistas. enfrenü,-los de mãos vazias.
Para impedir isto é necessáriopropor uma alter- O isolamento na análise (hipostatização) dos
nativa eficaz, surgida da activ:idade militante factores «crise económica»e «desemprego
de
quotidiana. Se esta alternativa não for avançada, massa»constitui um elemento importante na teo-
e se a pequena burguesia, pauperizada e an vias ria do fascismodos social-democratas:
se não
de perder os seus pHvilégios de classe, se encon- houvesse crise económica, o perigo- do faiscismo
trar perante a escolhaentre um parlamentarismo doaapareceria. Esquece-se assim que a crise es-
impotente e um fascismo em plena força, optará, trutural é mais importante que a crise conjun-
seun quailquer dúvida, pelo fascismo. E é precisa- tural, e que, enquantouma persistir, as melho-
mente a«moderação», a reserva e o teanor da rias experimentadaspela outra não podemde
classe operária que reforçam nas massas o sen- modo nenhum modificar fundamentalmente a si-
timeaito de que o fascismo será o ven.ceder, tuação. Isto, aprenderam os social-democratas
A fraqueza da teoria social-deanocratado fas- belgas Spaak e de Mana à sua custa, quando con-
cismo é particulannente revelada na tese«agar- centraram todas a.s suas forças para reduzir o
rei-vos à legalidade a qualquer preço». Esta tese desemprego -- sacrificando mesmo posições de
decore da fal-saconvicçãosegundoa qual, en- força, e mais ainda, a capacidadeda luta dos
quanto que os fascistas abandonama esfera da assalariados -- e, apesar disso, viram aumentar
legalidade, as organizações dos trabalhadores as- o não diminuir a vaga fascista.
sailariadosdevem contentar-se em agir estrita- Todos estes elementos da teoria social-demo-
mente no interi-or desta -esfera.Este ponto de crata do fascismo se encontravam já nos primei-
vista particular esqueceque a legalidade e o Es- ros livros que os social-democratasitalianos con-
tado não são reificações de conceitos abstractos, sagraram à ca:t;ásrb'ofe que se abatia sobre as
mas sim a expressão de clalsses e de.interesses suas cabeças.Assim, Giovanüi Zibordi escrwia
sociais concretos. A «legalidade» e o «Estados já an 1922: «[...] são os excessosdos extremis-
eram, an última análise, os juíza, os coronéis e tas os responsáveispor este clima, é tambémo
os comandantes cujas ligações com os seus«ca- movimento operário e social no seu conjunto o
maradas» do Stahlhelm e dos S. S. eraünmúlti- respons:ável por estes excessos empurrarem as
plas e que odiavam e combatiam o movimento camadas pequena-burguesas e intelectuais -- que

40 41
r
todavia não' tinham qualquer razão económica l ções com o fascismo e chegou à conclusão, mesmo
l depois da catástrofe na Alemanha, que era neces-
para temer e odiar o socialismo -- para os braços
dos falscist&s» '. Turati dirá a mesma coisa ailguns sário não alarmar a pequena burguesia. Moais
anos mais tarde:«Os excessospró"bolcheviques concretamente, trabalhou tão bun que a vaga de
E (philobolshevík), que eram tão inacreditáveis e entusiasmo e de vontade dos trab-alhadores.para
tão infantis, tiveram como consequência que o lugar por uma greve geral em 1935,se dissipou
temor das classesdominantes de perder os seus bruscamente; criou, assim, condições favoráveis
pz'iv'ilégios fosse, em certos momaitos, muito real a um enonne crescimento do fascismo na Bélgica
e muito intenso [...]. Pode-se logicamente con- a partir desseano. SÓLéon Blum foi suficiente-
cluir que, se não tivessesido esta atitude, a coo- mente perspicaz para declarar, depois da tomada
peração entre a plu'tocracia e os fascistas teria do poder por Hitl-er, que, se os nazis tinham alcan-
si-do. impossível» 3. :É lameuitávei constatar que çado a vitória, iss'o era o castigo pago pela social-
Angelo Tasca,outrora um comunistae um mar- -democracia alemã por ter esmagado os géiunens
xista, no livro que escreveu antes da Segunda da revolução proletária depois da. derrocada do
Guerra Mlundial, teaiha chegado à conclusão que Império al;emãoe por ter assim libertado e con-
era impossível c:ombater ao mesmo tempo o apa- solidado todos estas elementos(do exército a;o$
relho de listado e o fascismo, e que, portanto, era F'reikorps) qua os iriam agora destruir selvatica-
necessário estabelecer uma alian®. com um para mente 6. Mas, o mesmo Léon Blum, quando se viu,
11 combater o outro +. alguns anos mais tarde, face a uma greve de mis-
11

l A sociais-.democracia aluna serviu uma dose sais, limitou-se a reiterar a política de apazigua-
l
(rehsh) vulgar e superficial de teses semelhan-
l
tes. O seu maior teórico dos anos vinte, o anti- $ Ver, entre outros, Hendricl( De Mana, 8oeiaZ8ms
marxi-stabelga Huidrik de Mann, tentou-ligar wnd ]gcbtionaZ-Fascis%2&ws, A.' Pressa Verlag, Postdam,
1931; as memórias de Severing, ]Weênl,ebensweg, cap. ll:
a psicologia, da pequena burguesia às suas rela- «in. auf und ab der Politik», GrevesVerlag, Kõln, 1950;
as memóriasde Otto Braun, yon teimar zu ãitZelu,Elu-
z Giovaiani Zibordi, Der Fascis«t ws c&ls awtêsoziaZisti ropaVerlag, New York, 1940,etc.
c e KoctZitáo%, Noite, op. dt., pp 79-87. alto Braun desculpa a sua lamentável capitulação
' Filíppo Turati, Fctscismus, SoaiaZbmtw w?td Demo quando do golpe de Papersa 20 de Julho de 1932dizendo
kratie, Noite, op. dt., PP 143-155. que, devido à crise económica e aas milhões de desempre-
4 Angelo Tasca, Naacita e .4.utente deZ F'racismo, La gados,uma grevegeral comoa que tinha derrotadoo
Nuova ltalia. Firenzo, 1950; publicado em inglês sob o putsch do Kapp doze anos antes era impossível. Esquece
título T#e Bibe of ltdZian Faaciõz7t,1918-1922,Mthuen, que na altura deste putch a economia alemã atravessava
London, 1938. igualmenteuma crise profunda.

42 43
r
mento das Ebert e Scheideanaim,
o que levou ao da i-el)úblicade Weimar, teorias que dissimula-
ram aos olhos dos trabalhadores a natureza ca-
esmagameaito da 111 República e à tomada do
tastrófica da tomada do poder pelos fascistas,
poder pelo bonapartismosenil do regime de
Vichy. impedindo-os assim de combater este perigo imi-
A teoria do fascismo da lll Internacional nente. Tudo isto foi coroado pela teoria do«so-
cial-fascismo» que conduziu, sob a sua fobia ex-
Ooununistadepois de Lenine enfrentou esta prova
sem maior sucesso que a social-detnocracia. Sem trema, à tese segundo a qual seria necessárioder-
rotar primeiro a sociais-democracia para que fosse
dúvida que se podem encontrar nela os princípios
de uma compreensão
mais profunda do perigo depois possível veaicer o fascismo '. Por fim apa-
receram as adendas(addenda) tipicamente so-
que ameaçava o movimento operado ontem.aci(>
cial-democratas e fatalistas: «A mâ gestão de
nall. Podem encontrar-se elementos de uma teoria
marxista do fascismo nas obras de Clara Zel;kin,
Hitler fá-lo-áafundar-sea si próprio»(pelasua
incapacidade parra resolver a crise económica,
Radek, lgnazio Silone e mesmo, ailgumas vezes,
nas de Zinoviev. Mas, rapidamente, as lutas de entre outras razões) e«Depois de Hitller, será a
fracções do Partido Comunisü. da U. R. S. S. aba- nossa vez». Através desta última frase pode ver-
favam a obra teórica do Komintern. A finalidade -se como a tomada do poder por Hitler era consi-
deradainevitável e comow subestimavamincri-
já não era a de adquirir uma compreensão cien-
tífica dos processos objectivos em curso, mas sim velmenteas consequênciasdesta tomada do po-
a do dar a direcçãodo K. P. D.(Partido Comu- der no extermínio do movimento operário. Talas
nista Alemão) a uma fracção totalmente devo- estas análises só podiam parali-sar e desorientar
a re:sistência contra o ascell$o do nazismo.
tada e obediente a Estaline. Tudo o que dizia res-
Foram necessáriosvinte e cinco anos de má
peito à análise marxista e à luta revolucionária
de cla;asesestava subordinado a este objectivo. consciênci-a para que o movimento comunista
«oficiül>D iniciasse uma discussão crítica sobre a
O resultadoé bem conhecido:a teoüa que
considera o fascismo como ucpressão directa dos falsa teoria estalinista do fascismo. A rotura prá-
interesses dos«sectores mais agressivos do capi- tica com esta teoria teve lugar muito rapida-
tali-smo monopolista» esquece cotnpletamente o
carácter de massa, autónomo do movimento fas- 6 Ver a documentação exaustiva in Theo Pirker, ]ro-
cista. Desta concepçãoresultou a teoria segundo m ntern wnd Fascbmws 1920-1940,Deutsche Verlagsans-
a qua;l o fascismo seria o«irmão gémeo» da so- talt, München, 1965. O estudo da imprensa oficial do
Kominterne do K. P. D. entre1930e 1933forneceno
cial-democracia ao serviço do capital monopolis-
entanto os ensinamentos mais preciosos,
ta, assim como a teoria da«fascização gradual»
45
44
mente qu:andojá eru dema.fiado tarde. A viragem dirigente do Pax'tido Comunista Italiano, dizia
para a táctica de F'rentePopular teve lugar an em voz alta o que a maioria dos quadros comu-
1935 e implicou uma rwisão completa da teoria nistas pensavaem voz baixa e a oflci-al.Hütó7-ia
do«social-fascismo»e uma orientaçãopara um (Za movimento opa'dr4o aZe7ttão, publicada na
erro direitista paralelo, depois das consequências Alemanha Ocidental, submetia a teoria e a prá-
desastrosas do erro esquerdista '. Mas como os tica do K. P. D. de 1940 a 1933 a uma crítica pru-
escritos e proclamações de Estaline foram consi- dente mas metódica sem, no entanto, evitar novos
derados sacrossantos até 1956, a revisão prudente erros na definiçãoda naturezae da funçãodo
da teoria do «sociail-fascismo» só começou dep:ois fa;scismo9
do início da pretensa destalin.ilação '. Togliatti, A-s teorias da «fascização gradua;l» e do «so-
cial-fascismo» contêm não só uma apreciação
l N'a teoria do«social-fascismo»,o papel objectivo errada da conjuntura política e ©lros tácticos $o-
da direcçãosocial-democrata(queé certamenteum fac- sobre a forma de conduzir a luta contra o:ascenso
tor tendente a estabilizam' o atc&tw que da sociedade bur-
do fascismo, como ignoram também completa-
guesa em declínio) é arbitraHalnente isolado da base de
massaso da forma específicaque tinha; na telha da mente a, principal caractuística do fascismo que
Frente Popular, por outro lado, a vontade antifascista notsky soube revelar correctamente e à qual a
das massas e a pressão que elas exerciam sobre a direc- história deu um'a confirmação trágica.
ção social-democratapara a autodefesa,contra o perigo O fascismonão é simplesmente
uma nova
de extermínio que o fascismo representava, são também
arbitrariamente isolados do contexto social geral carac- etapa do process-o
pelo quail o executivodo Es-
terizadopela crise estrutural do neocapitalismo.
No pri- tado burguês se torna cada vez mais forte e inde-
meiro caso, as massassão paralisadas pela divisão; no pendente. Não é simplesm-ente a«ditadura abei'ta
segundo caso, são brutalmente drenadas por req)eito para do capita;l monopolista». :É uma folha e8peciaZ
com o parceiro burguês«liberal>ü
da política de Frente do «executivoforte» e de «ditadura abel-ta»,ca-
Popular. O pêndulo passou de um desvio oportunista de
esquerda a um dei;vio oportunista de direita, sem no en- racterizada pela destruição completa de todazeas
tanto passar pela posição correcta, que é a da unidade organizações da classie opu'ária -- me'smo as mais
de acção dos trabalhadores(dotada de uma, dinâmica moderadase, sem dúvida, da própria social-de-
clara, objectivamente anticapitalista).
8 Mesmo no fim dos anos cinquenta, tentava-se de-
sesperadamente justificam'a política do 1(. P..D. de 1930 o Gesc#ichte der dewtsc#ew ..ârbeiterbetoegwng, Dieta
a 1933.Ver, entro outros, a brocura Les Originemd%faõ- Verlag, Berlin, 1966, cap. IV, pp. 168, 171, 206, 239, 288,
cism7te, publicada na série«Recherches internationales à 303-310. 312. etc. Esta crítica tardia reconhece, sobre
la lumiêre du marxisme>, Editios La Nouvelle Critique, praticamente todos os pontos, que 'llrotsky tinha razão. ..
n..' 1, Pauis, 1957. sem mesmo citar o seu nome uma única vez!

46 47
111
mocracia. O fascismo tenta impedir fisicamente grupo de teóricos, das quais se poderia dizer que
toda Q fomna de -a;uto-decfesa
da l)arte dos traba- estão a meio-caminho entre o marxismo e o re-
lhadores organizados, atomizando completamente formismo vulgar. Assim, Man( Horkheimervê
estes últimos. Argumentar com o facto de que a no fascismo«:a fm'ma mais morfema da sociedade
social-democracia prepara o terreno ao fascismo capitalista de monopólio». Paul S-ering(Richard
para daí concluir que a social.democracia e o fas- Lowwenthal) defealdeuma irei-a bastante sune-
cismo são aliados, e recusar toda a unidade com Ihante quando diz que o nacional-fascismoé«o
um pai'a combatero outro, é cometerum erro. imperialismo planificado» :'. A origem destes
ü justamente o contráHo que é verdadeiro. Se dois pontos de vista encoilh'a-$:ena tese susten-
a social-democracia,ao praticar a colaboração de tada por Hilferding segundoa qual a centrali-
classese ao identificar-se com a democracia par- zaçãopolítica do poder no Estadoburguêse a
lamentar, já failida, boicotou a lutia de classe dos «fomna suprema da concentração de capital>$,
trabalhadores e prepai'ou a tomada do poder pe- para ele materializada no capitall financeiro, se
los fascistas, esta tomada de poder foi, por seu unem para formar um único todo. A predição que
lado, o toque de fina,dos da social-democracia.As Hilferding fez em 1907,por mais brilhante e pre-
massas social-democratas, assim como alguns das cisa historicamente(apesarde ce!'tassimplifica-
seu'sdirigentes, tomavam-se cada vez mais cons- ções')que fosse, revelou-se imperfeita durante os
cientes à medida que o desastre se aproximava e anos que precederam e seguiram imediatamente
projectava a sua sombra através üe numerosos a tomada do po-derpor Hitler. Não se pode com-
incidentes sangrentos. E esta tomada de cons- preender o fascismo se se afastarem os dois ele-
ciência, que exprime todas as contradiçõesda mentos seguintes da análise: o estado supremo
social-democracia, podia ter-se tomado, se uma de centralização do Estado burguês só pode ser
táctica con'efta de frente única tivessesido apli- atingido se a btrrgues-ia abdicar do seu poder polí-
cada,o ponto de partida para uma real unidade tico u, e, este novo fenómeaionãa é a«fomna mais
na acçãoe para a modificaçãoreal e súbita da
relação de forças social e política, que podia con- 10E. Noite, op. cát.,pp. 55, 66, etc.; llarold Lagki,
duzir não só à vitória sobre o fascismo comotam- RefZeations on the EeooZwtion of owr 2'êm7&e,
Allen and
bém sobre o capitalismo e, até, à vitóri.a sobre a Aiiwin, London, 1943.
política de colaboração e de conciliação de classes u Seria interessante procurar as causas profundas
da social-democracia. desta necessidade,que, segundonós, se encontram não só
na necessidadede atomizar a classe operária pelo terror
Esta mesma incapacidade em compreender o -- tarefa que um aparelho repressivo«normal» é incapaz
carácter específico do fascismo encontra-se num do levar a cabo--, mas tambémna própria naturezade

48 49
4
moderna da sociedade capitalista
mas, ao contrário, a fonna mais aguda da crise
de monopólio» ,
r «clássica» ou um bonapai'cismo :'.. Mias as defini-
ção que dá da«imaturidade política» do movi-
desta sociedadeze. mento operário acaba precisamente no ponto
No seu livro, O F'asciõ?7m -- .As szóaa odgetu ondecomeça
o problema.
Qua,lfoi o factorque
e o sew (üsenuoZui?7z,eito, lgnazio Silone tenta, impediu o movimento operário de se tornar o re.
não san sucesso,apresentar o fascismo como re- presentante de todas as camadas exploradas da
sultando da crise estrutural profunda da socie- nação, de ganhar ou neutralizar as largas cama-
dade burguesa itailiana e da incapacidade simul- das da pequenaburguesia e de colocar a lu'bapela
tânea, por parte do movimento (4)erário italliano, tomada do poder na ordem da dia? Não é por
em resolver esta,crise através duma transforma- acaso que o conceito de«revolução socialista»
ção socialista ". Estabellece correctamente a dis- quasenão apareceno livro de Silone e também
tinção entre o fascismoe uma dita,duramilitar não é por acaso que este autor não compreendeu
que, paJ'a realizar as tarefas complel:as que ele
um modo de produção baseado na propriedade privada
próprio descreveu,é necessárioum ph?m estra-
dos meios de produção. Porque, num tal modo de pro- tégico, um plano que só pode ser elaborado e rea-
dução, há sempre um elemento de competição que faz lizandopor um parido revolucionário, criado com
com que os representantes directos das diversas empresas esta finalidade. Apesar das suas críticas aos re-
só possam progredir para o interesse comum da classe formistas e aos maximalista,s italianos. assim
(ou melhor, da camada decisiva desta classe) negociando
o reconciliando os interessesparticulares e contraditórios. como às tendências f&t&listals e urra-esquerdistas
Para que o interesse comum se exprima de uma do joveun Partido Comunista ltalliano, serem cor-
forma imediata e centralizada,isto é, sem longas e difí- rectas, não conduzem a nenhuma ailtemativa. e
ceis discussõese negociações,
a instituição que repre- dão impressão de que a«imaturidade política» e
senta o interesse comum não pode simultaneamente de-
fender os interessesparticulares, o que significa que a a capacidade para alssumir a direcção política são
unidade do grande capital com a direcçãopolítica tem au acidentes bio]ógicos ( <na Rússia havia ]:.eni-
do ser eliminada. Compreende-se assim mais claramente ne>), ou resultados de algum destino místico.
a tendência para a abdicação política que a sociedade Compreende-sefao.Imente que Silone não podia
burguesa tem em período de crise. permanecer por muito tempo nesta posição típica
12 Robert A. Brady comete um erro semeUlante no
seu Livro T#e 8pár4tand Structwt'e of Geracln Fascism, de transição; ràpidamente se virou para o refor-
mas:mo.
Viking PressInc., New ork, 1937.
" lgnazio Silone, Der f'aõcãazzbus
-- Seiwe E%tõtehung
wnd seãweE twêckZuwg,Europa Verlag, Zünch, 1934, pp.
32, 46, 52, etc. 11 Ibid.: p, 276

50 51
Além da de Tlr-atsky, as duas contribuições léctica. Por um lado, mostra as forças motrizes
mais importantes à teoria do fascismo dum ponto que,na épocada crise estrutural do capitalismo,
de vista marxista, no decurso!dosanosvinte e tomavam poõMueZa conquista a o elnrcício do
trinta, são as de August Thalheimer e de Otto poder político pela class:eoperária. Evita fazer a
Bauer :'. A análise do Auguist Thalheimer apro- confusão,particulannente grave, entre a ima-
xima-se mais da de Tk'otsky. Mas, apegando-se turidade histórica objectiva da classeop:etária
deanasiado
à análisede Maia fez no séculoxlx francesaentre 1848e 1850e a imaturidadepura-
do bonapartislno e exagerando a«fascização gra- mente subjectiva 'da classe operál'ia alemã mitre
dual>, A. Thalheimer sub-estima a diferença qwa- 1918 e 1933 ean contradição directa com as pos-
Zitateuaentre bonapartismoe fa.soismo:no pri- sibilidades objectivas.
meiro, há uma autonomia crescente do amai'echo Por outro lado, 'a teoria do fascismo de Tbo-
de Estado acompanhadapor uma repressão«tra- tsky centra-se no -carácter funcional da«autono-
dicional» sobra o movimento revolucionário; no mia crescente»:do aparelho de Estado sob o fas-
segundo, há uma autoneania crescente do apor'e- cismo, autonomiaque tem precisamaite por fina-
Iho idQEstado, ucolnpa'nhadapela destruição de lidade transformar radicaílmenteas condiçõesde
todas as organizaçõesda classeoperária e pela produçãoe de extração da mais-valiaem favor
tentativa de atoinizar completamenteos traba- da grande burguesia, eliminando toda a resistên-
lhadores através de um movimento pequeno'bur- cia de classeorganizadal)or parte do proletá-
guês. Além di-se,a análise de Thalheimer reduz ria.do.A crise estruturall é assim teinporarialnente
o probleana do fascismo ao prK)blema da relação resolvida até à próxima explosão.
de forças socio-l)olítica( a -classeopu'ária não é Otto IBauer, na sua teoria, vê o faiscismo como
ainda capaz de exercer o poder político e a grande o resultado da unidade -detrês elementos:a perda
burguesia já não é capazude'o exercer) sem põr de alguns privilégios -de classe por Falte da pe-
em Teimo a ligação desta relação de forças com quena burguesia, devido à guem'a; a paup'erização
a crise estrutural do neo-capitalismo ze. de outros sectores devida à crise económica, que
A teoria de Trotsky sobreo fascismoreúne os lava a romper com a democracia burguesa;
os elementoscontraditórios numa unidade dia- e o interesse que tem -o grande capital ein elevar
a taxa de exploração
dostrabalhadores,
o que
" August Thalheimer, beba' ãez7t f'ascismweJ Aben-
exige a eliminação da oposiçãoda classeoperá-
drQth, op. cit., pp 19, 38; Bauer, op. dt., pp. 113-141.
I' Este asE)eito foi evidenciado por Ruediger Griepen- ria e das suas organizações iv. Reco1lhececoaTec-
burg e K. 11. Tjaden,«Fascismus und Bonapartismus2D
l)as .Argu?lwnt, n.' 41, Dezembro de 1966, pp. 461-472. 110. Bauer, op. cit., p. 113

52 53
l
{
tamente que <KO
fascismo não ganhou no momento se prol)agiu progressivamente depois da derrota
em que a burguesia estava ameaçaidal»la ]wo- dais iniciativas revolucionárias dos anos de 1918
l
lução proletária, mas sim num momento em que a 1923. .Não compreende que os quinze -anos que
o proletariadojá tinha sido enfraquece:do
e redu-. vão de 1919a 1933foram marcadospor fluxos
zido à defensivamuito tempo antes,num mo- e refluxos periódicos dais possibilidades revolu-
mento em que o ascensorwolucionário estava já cionárias, e de modo nenhum por um declínio
em refluxo. A classe caipitalista e os grandes pro- linear. A distinção mecânica entre«ofensiva» e
prietários não confiaram o poder de Estado aos «defensiva» só obscurece as relações que as ligam.
grupos fascistas para se praz;egerem duma revo- E .esta análise inadequada conduziu a graves
lução proletária ameaçadora,mas sim para redu- ecus tácticos. Acreditando estar numa«fase de-
zir os salários,destruir as conquistasda classe fensiva», Otto Bauer, o«socialista revalucioná-
operária e eliminar os sindicatos: e as posições rio>, pensava :que a única coisa a fazer ern per-
de força política ocupadaspela classeopa'ária; manecer nos s'eus postos e esperar o ataque da
não para -supümir um socialismo revolucionário reacção clerical-fascista contra as organizações
(t'evolutionary sociali-sm) mas p:ara destruir m da class-e operária. Nesse mom:ente, e só nesse
cmiquisl;as do socialismo reformista xs». mmnento,se devia organizar a defesapor todos
Apesar desta análise ser superior às dos re- os meios, incluindo as armas. E assim que se
fonnistas vulgares, que repetema própria tese assistiu à luta heróica do Schutzbund(Liga de
dos fascistas dizendo que o fawislno foi unica- derem.) em Viena, -emFwereiro de 1934 que, sem
mente uma resposta ao«perigo bõolchevique», dúvida, dominou a capitulação sem combate do
substima fatalmente a m'ise e frwfwraZ profunda S. P. D.(Partido social-deunocrataalemão) e do
que sacudiu o capitalismo em ltália de 1918a 1927 K. P. D. perante o regime nazi, mas que no entanto
e na Alamanhade 1929a 1933.]1lstacrise não estava votada ao fracasso. Porque só .quando o
consalidau,mas pelo contrário enfraqueceua mov'isento -operário reconhece a amplitude da
ordan social, e aumentou assim as condições íris:e estrutural e 'declara explicitamente que tem
objectivas -que torna,vam possível a existência a intenção de resolver esta icFise excliusivamante
duma e-stratégia open.tada pai'a a tomada do po- pelos seus proprios métodos, e assim define a lurba
der pela classeoperária. pelo pder como QnnobjaaUvo ünediato, poderá
Bater. como Thalheimer, vê na vitória do fas- ganhar as camadasmédias e os outros sectores
cismo o resultado lógico da contra-revolução que hesitantes da população, sectores que o õfafw qtm,
incluindo a estrita defesa das organizações op,e-
l
" Ibid., P, 126 tárias, nãa atrai.

54 55
Uln historia,dor clariví.dente como Arthur Ro- ensina este material sobre alguns pontas decisivos
senbergfez coinc-idir o fim da República de Wei- e controversos desta teoria?
mar com o ano de 1930.Escrowu: «Em 1930,a O testemunho mais claro diz respeito à função
república burguesa 'caiu na Alemanha porque a económicae po]ítica da ditadura fascista.])es-
sua sorte se encontrava nas mãos da burguesia e truindo o movimento op:erário organizado, Hitler
porque a classe operária já não era suficiente- cona'eguiu impar um congelamento de salários
mente forte para a salvar» 19.A historiografia tido pouca IJempoantas, pelo patronato alemão,
fatalista de Rosenberg esqueceque a classe ope- como um milagre. Ossalários horários foram fixa-
rária dispunha de três anos, se a direcção não dos ao iúvel dos da crise económica; o desapare-
tivesse falhado a gruatarefa, para salvei, não a cimento do desemprego massivo não conduziu a
democracia burguesa, mas os elementos demo- nenhum aumento importante dos salários. Nunca
cráticos mais válidos, extirpando-osà danocra- o capital, em toda a sua história, tinha canse:-
cia burguesa para os confiar ao sociali.smo. cuido impor os mesmos saIaM-osquer não hou-
vesse um só desempregado ou quer houvesse
cinco milhões. O salário horário do operei'ia qua-
lificado passou de 95,5 pfennings em 1928 pai'a
V 70,5 em 1933, 78,3 pfelmings em 1936,.79 eln
1940 e 80,8 pfennings em Outubro de 1942:. Es-
Depois 'de comparáxmos a teoria trotskista tes números referan-se ao salário médio de dezas-
do fascismo com outras tentativas de oçplicação, sete s:estoresda indústria. Outras fontes forne-
verificamos, desde logo, a sua inegável superio- cem números um pouco mais elevados pai'a o
ridade. Esta superioridade provem, eünpai'te, da salada médio dos operários qualificados no con-
sua capacidadeem integrar uma multitude de junto da economia do 1111Reich. Segundo estes
aspectosparcial-s numa ul)idade dialéctica. Hoje, números, os salái'ios passaram de 79,2 pfennings
dispomosde um material empíricoimportante para 78,5 aitre Janeiro de 1933 e 1937,depois
desconhecidopor Trotsky e doutros sectores mar- aumuitaram lentameuiteaté atingirem 79,2pfen-
xistas do p-eríodo que precedeu e seguiu imedia- nings em 1939, 80 depois aumentaram lentamente
l tamente a tomada do poder pelos nazis. Que nos até atingirem 79,2 pfennings em 1939,80 pfen-
l
nings ein])ezembro de 1941 e 81 pfennnings em
" Arthur Rosenberg, Geachichte der Wei?zmrer Re
pwbZih4
EuropaeischeVerlag, F+ankfurt, 1961,p, 211. : C, Bettelheim, op. cit., p. 210

56 57
Outubro de 1943 z. Mas estes números confiimaln Pa'ante tais números, afigura-se'nos inútil dis-
igualmente que os salários permaneciammuito cutir a natureza de classe do Estado fascista.
abaixo dos valores que se registavam antes da Dispomostambém hoje de um müteFiaPI fac-
crise -- um«magnífico» su-cesso a contar no tual exaustivo respeitante aos efeitos que o fas-
activo dum regime nazi confrontado ccanuma cismo teve sobre a aicumulaçãoe a concentração
falta crítica de mão-de-obra.Em resumo,Neu- do capital, que confirma completamentea tese
maim confirmou que a distribuição do rendimeuita marxista. O capital total de todas as sociedades
nacional alemão se deslocou largamente em favor alemãs passou de 18,75 biliões de Reichsmarks
do capital uitre 1932e 1938.A parte do capital (RM) em 1938 (20,6 biliões de RM em 1933) a
(juros, benefícios coma'dais e industriais, bene- mais de 29 biliões de RM no fim de 1942; durante
fícios industriais não redistribuídos) passoude esta mesmo período, o número de sociedadesbai-
17,4% do rendimento nacional em 1932 (21 % xou de 5519 para 5404; este número reduziu-se
un 1929) para 25,2 % em 1937e 26,6'Xoem 1938'. a metade em 1938 (10437 em 1931 e 9148 em
1933). Neste capital totail, a pal'te pertencente
às grandes empresas -- aquelas que tinham um
' Juergenl(uczinsky, i)ie Geschcale der baga der
..ârbeita' % l)ewtschZat&d,cap. 11: 1933 a 1946, Verlag die capital de mais de 200 milhõesde RM-- passou
frete Gewerkschaft, Berlin, 194V, pp. 199, lõ4. de 52,4% em 1933 para 53,6 % an 1939 e p-ara
3 F. Neumann, op. cit., p. 435. Perante estes factos 63,9% an 1942'
o números, torna-se ridículo tentar provar como Tim O Estadoprosseguiuesta concentração
de
Mason o«primado do político» depois de 1936,argumen-
tando que durante dois alias-- entre o Outono de 1936 capital pelos mais variados meios. A cartelização
e o Verão de 1938-- o govei'nade Hitler não «pede»aca-
bar com a liberdade dos trabalhadores de mudar de em-
prego o não«pôde» estabelecerum salário máximo... do um regime devotado, pelo menos demagogicainente,
à«comunidade nacional» ter decidido pâr em prática um
«A direcçãopolítica recusavaaplicar quer uma quer
outra destasmedidas,porqueum passotão radical con- controle parcial e deliberado da sua própria classe ope-
tra os interessesmateriais da classeoperária teria sido rária, abolindoa liberdadede deslocação,
e ter pemütido
incompatível com a tarefa política que consistia em edu- que enormes«superlucros nos armamentos» aumentas-
car os trabalhadores no nacional-socialismo.» Magoa,«Das sem os benefíciosdo grande capital. Não prova isto que
Primar der Politik», Das .4rgwme t, n.' 41, Dezembro os interesses da«direcção política:P tiveram de recuar pe-
do 1966, P. 485+ rante os do capitalismo de monopólio?; que não havia
Quemquer provar demasiadaacaba por provar que portanto um«primado do político»,mas antes um «pri-
está em erro. Aparentemente Tim Mason não vê que, aqui, mado do capitalismo do monopólio» ?
o elemento determinante não é Q facto destas medidas ' F, Neumann, op. cit., p: 613; C. Bettelheim, op. cit.,
terem sido adiadas durante dois anos, mas sim o facto P 63

58 59
forçada, as fusões sob controle dos«dirigentes à conclusão que os blocos de influência da indús-
da economia de detfesax»(leaders for defende eco- tria se«desagregaram» depois de 1936, que o
nomy) , a organização de «associações n&cion&issD poder da indústria,:em ternos de política econó-
(Reichsvereinigungen) e de câmaras económicas mica «se desfez em pedaços», e que «só se man-
regionais(Gauwirtschaftkammeln) conduziram tinham os interesses mais primários [ !] , os mais
à fonna suprema de fusão entre o capitall mono- imediatos de cada finna», e que «ultre 1936 e
polista e o Estado fascista.. A Socio-jadeNacional 1939, o interesso colectivo do sistema económico
de ferro e aço(ReiehsvereinigungEisen und capitalista se transformou a pouco 'e pouco numa
Stahl) era dirigida p:eloindustrial do San'e,Dr. soma de interesses particulares de cada compa-
Hermann Roechling; a Sociedade Nacionall de Dhiüo».
fibras sintéticas era dirigida pelo Dr. H. Vits, das Mlason defende o ponto de vista ingénuo e
Indústrias Associadas das fibras, que diügia tam-
formalista, segundoo qual o«interesse colectivo
bém os «grupos na'cion&is>P (Reichsgruppen) e os
do sisteEna capitalista» esta representado em pri-
«-comités princip:ais» (liauptausschuesse) . Oito
meiro lugar nas associaçõespatronais. Enquanto
destes quinze comités tinham à sua cabeça repre- quena reali(nade,e isto é um facto bastanteevi-
sentantes directos do grande capital: Mannes-
dente na época do capitalismo monopolista e,
mann,August ThyssenHuette(Fundições August mais particularmente,do neo-caipitalismo, estas
Thyssen),DeutscheWaffen und Munitions Fa-
associaçõesapenas tentam reconciliar os inte-
briken(Indústria alemã de alunas e munições) , resses da maioria dos p'equenose médios produ-
Henschdl-Flugzeugwerke(Coiwtruções aeronáu- toras com os das grandes companhias,ou defen-
ticas Henschel) , Auto-Union, Siemens, Weis e
der. de uma forma ou de outra, uns contra os
Freytag, Holnmelwerke6.
outros. O cap-itadismo monopolista engendra 8em-
Perante estes factos indesmentíveis, qu-een-
p'e uma identificação crescente do sistema com
travam em contradição não só com o programa os interesses particulares de algumas dezenas
demagógicodos nazis mas também com o seu
de grandes companhias, em detrimento das pe-
«interessepolítico paleiculanP(& manutençãode
quenase médiasempreisas
e não a«transfor-
uma base lai'ga, de massas, composta pela pe- mação»do sistema numa«simples adição dos
quena burguesia ,das camadas médias e pela pe- interessespróprios das empres;as».
E foi exacta-
quena empresa]smal] business]) , -dificilmente se
mente o que se passou na Alemanha fascista,
pode compreender como Tim Mason pode chegar

5 F. Neumann, op. cit., p. 591, 601. 8 T. Magoa, op. dt., pp. 482, 484, 487

60 61
numa proporção desagua;lantes e após este pe- Em pleaia guerra, quando se poderia ter espe-
ríada. rado dos parUdáMosda«guerra a todo o custo»
A fixação dos preços e das margens de lucro que se mostrassem intransigentes face a todos
na indústz'iade armamentoe as relaçõesentre os interessesprivados, passaram-sedois aconte-
os sectores privado e estatizado da economia,
fornecem indicações excel-entes sobre a relação
de for:as real que existe entre o capitalismode duas instâncias tenham a sua lógica interna própria em
virtude da divisão do trabalho, e portanto que, nas socie
monopólio e as burocracias do parti-do e do Estado.
danes de classes, exista um certo grau de independência
A tendência fun-damental não é a nacionalização, não somente da religião e da filosofia, mas igualmente
mas sim o retorno à iniciativa privada v, não é o do BastadoQ do exército. O importante não é saber se um
primado de uma determinada «direcçãopolítica», grupo de banqueirosou de grandes industHais ditou direi
mas sim o primado dos superlucros das grandes Lamento as decisões dos chefes do governo ou do exér
empresas 8. cito, mas antes se essasdecisõescorrespondiamaos in-
teressesde classeda alta finança e do grandecapital
e se elas só podiam ser apreendidasem relação com a
r Acerca do regressoda iniciativa privada, ver entre lógica imanente da defesa do modo de produção existente.
outros, C. Bettelheim, op. cit., p. 112; F. Neumann, op. cit., Tim Magoanão vê que o militarismo e a guerra tinham
p- 287; acerca do processo Gelsenkirchen e da importância já em grandeparte realizadoesta autonomiano capi-
determinante que exerceu atraindo grandes sectores da talismo do monopólio muito antes do Partida nazi ter apa-
indústria pesadapara o campode Hitler e sobrea repri- recido. De facto, o conceito do«primado do político» re
vatização do Vereinigten Stahlwerke em 1966, ver G. F. culta directamentedas circunstânciasda Primeira Guen'a
W Hallgarten, op. cát., pp 108-113; 1(urt Gossweiler,«Dle mundial Tim Magoa escreve:«Pode-sever, por vários
vereinigten Stahlwerke und die Grassbanken». Jahrbuch indícios, que os ataques à Polónía em 1939 e à Franca
fur Wirtschaftgeschichte, Akademie Verlag, Berlin, 1965, em 1940não eram aspectosinevitáveis da concepçãoglo-
4.' parte, pp. 11-53. bal da classedominante.:P(«Primatder Industrie? Ride
B A este respeito, gostaríamos de voltar uma vez Blrwiderung», Das Argument, n.' 47, Julho de 1968,p 206.)
mais ao problema levantado por Tim Magoa quando diz Não poderíamos dizer o mesmo -- com, retrospectiva-
que é a«formação da vontadepolítica» que é decisiva mente, pelo menos tanta convicçõo -- da aventura tentada
Qque«a política interna e externa da direcçãodo Estado por Churcill nos Dardanelosdurante a Primeira Guena
nacional-socialista escapava cada vez mais às decisões mundial, de Verdun e de outras batalhas onde foram
da classe económica domlinante». A palawa determinante registadas importantes perdas materiais, e, de facto, do
aqui é«decisões».De facto, não há aqui nada de contrá- desencadeamento da própHa Prüneira Guerra mundial ?
rio à interpretação marxista do Estado e da sociedade: Não teria sido«no interesse»do grande capital ter
mas trata-se antes duma aplicaçãovulgar e mecanicista chegado a um acordoentrea Sérviae a Bósniaa propó-
desta últikna: Oi mâlr:demoiknplRcanão existir uma iden- sito da exportaçãode porcos,e entre a Alemaalha
ea
tidade absoluta entre a superestrutura e a base,que estas Grã-Bretanha a respeito da penetração no Médio-Oriente,

62 63
cimentos respeitantes às anpresas Flick, que ilus- cionários do Estado respeitante ao fabrico de
tram com a maior claJ'ezaas relaçõesde produ- obuses para bazucas.
ção existentes.Em 4 de Maio de 1940,uma das Os funcicuiários do governo tinham calculado
empresasnegociou um contrato com altos fun- que, para ter um lucra razoável, Flick devia Tece:-
ber 24 RM por obus.Mas a companhiaexigiu
39,25 RM por obus. Finalmente chegaram a acordo
em vez de se ter registado as perdas imensas da guerra em 37 RM, um lucro suplementarde 13 RM por
B do se ter provocadouma revolução socialista? obus,isto é, mais de 35'%o,ou seja mais de um
Não foram os diplomatas,a clique imperialista e so- milhão de marcos suplementares por todos os
bretudo os membros do Estado-Maior quem, mais do que obusesfabricados até ao fim de 1943. Abstracção
as associações
patronais ou o comité dos directoresdo
Deutscho Band, tomou as decisões a propósito de Sarajevo
feita da ditadura nazi, a diferença ente'ea. Pri-
8 da Bélgica? Mas, não eram o militarismo, os conflitos meira e a Segunda Guerra mundiais não é assim
imperialistas, a ideologia militado-nacionalista, a corrida tão grande, apesar de tudo. Nos dois casos, os
aos arma:rnentos, a falta de matérias-primas da Alemã simples soldados acredi-tavam morrer pela pátria
nha, etc., os resultados inevitáveis de uma estrutura econó-
e, nos dois casos,morriam peloslucros suple-
mica e social muito particular, e não foi esta última, no mentares dos donos da indústria.
fundo, a causa da guerra? Não estiveram na sua origem
os esforços esÉ)ansionistasdo Deutsche Bank? leão esta O segundo exemplo é ainda«melhor». O exér-
vam os objectivosda guerra estreitamenteligados a esta cito .tinha construída as suas próprias fábricas
causa fundamental da corrida aos armamentos? (com capitais provenientesdos fundos públicos,
Ê neste sentido que se deve compreender a tese mar- evidentemente) . Estas fábricas eram geralmente
xista da natureza imperialista, capitalista monopolista do
regime nazi, e não no sentido estreito, mecanicista se- alugadasa empresasprivadas em troca de uma
gundo o qual os grandes banqueiros, ao que parece, teriam pal'ticipação do Estado nos lucros, da ordem de
tido uma maior influência na conduçãoda guen'a do que 30-35 %. Em 1942, a companhia Flick fez todo
os quartéis generais do exército, o que, também na Plí- o passível para tomar a direcção da Machinen-
meira Guerra mundial, não foi de forma nenhuma o caso.
DíetrichEichholze Kurt Gossweiler
citam,a este
respeito, os dizeres de um certo Karl Krauch. director de esÉ)frito dominante nos círculos decisivos do capita-
e membro do comité executivo de 1. G. Farben. A 28 de lismo do monopólio. Que este estado de espírito se tenha
Abril de 1939,Krach declarou:«Hoje,comoem 1914.a mostrado, depois, tão«irracional» como o da grande bur-
situação política e económica da Alemanha -- uma for- guesia sob Guilherme(e o de outras potências imperia-
taleza a8siediHd&peão mundo-- pároco ne'aessitar' de um& listas) prova que as guerras imperialistas em geral e o
declaração de guerra rápida acompanhada do aniquila próprio capitalismo do monopólio intensificam ao extremo
mento do inimigo logo no início das hostilidades.»(Z)aa a«irracionalidade racionalizada»(rationalizedirratlo-
Argaztent, n.o 47, Julho de 1968,p. 226.) Tal era o estado nality) inerente à sociedade burguesa.:

64 65
fabrik Donauwoerth G. M. B. H.(Sociedade de ces;sa
precisainaite quando se atinge o ponta fun-
construção de máquinas Donauwoerth). A 31 de damental: a acumulaçãode capital pelas gran-
Março, o montante do activo -da Donauwoerth des companhias.
elevava-se
a 9,8 milhõesde RM mercado.en- Os dados emir)tricaspião indicações preciosas
quanto que a cotação oficial era apenas de 3,6 mi- sobre as diferentes etapas que mai'cam a ascen-
lhões de RM. Flick comprou a fábrica(equipada são do movimento nazi desde as eleições para o
com o material mais moderno) )ao preço indi- Reichstag em 1930 até à tomada do poder em 30
cado pela cotação oficial (book vague). Klaus de Janeiro de 1933. Sabemos como cet'tos círculos
Drobisch avalia os seus lucros em mais de 8 mi- do grandecapital, primeiro relativamentelimi-
lhões do RM neste caso precisão. tados, começaram a financiar os nazis. Sabemos
Quando se retira a capa política, descobre-se as hesitaçõese divergências de opinião que sur-
a verdadeira força, a dominação de classe. So o giram euitre os grandes capitalistas e grandes pro
Estado nazi tivesse sistematicamente nacionali- prietário-squanto à atitude a adoptar face a Hitler
zado todas as fábricas de armamento,se tivesse e ao seu Partido nazi(N. S. D. A. P.). Sabemos
implacavelmente reduzido as margens de lucro que estas hesitações foram exarcebadan,entre
a 5 ou 6 %, se tevesseexigido,por exemplo,que outras coisas, pelo«jogo do tudo au nada» a que
pelo menosmetade dos directores das fábricas se entregava o- :candidato--ditador, mas também
participantes na esforço de guerra fosseunmpre- sabemos
que a passividade
e a pei'plexidade
do
sentantes directos do Estado e das forças arma- movimento -operário fizeram diminuir esses hesi-
das(porque, .semdúvida, tais são as necessidades tações. Sabemos corno o grande capital começou
duma guerra bem conduzida)), então, justificar- a identificar o seu programa(formulado em
-se-iam em parte certas dúvidas sobre o cara,crer 1931) -- e cujo fim era um Estado autoritário,
de classe desseEstado. Mas os factos mostram uma redução massiva dos salários e uma revisão
claramente o contrário: a subordinaçãobrutal do tratado de Vens:achespor qualquer preço'" --
de todos os interess'es aas dali grandes compa- com o de Hitler, à medida da sua ascaisão para
nhias. E a subordinação impiedosa, de todas as o poder, depois deste ter afastado a ala esquerda
exigênciassectoriaisa uma guerra«total», con- plebeia da sua base social e de ter dado aos senho-
duzida no interesse destas grandes companhias, res da indústi"ia todas as garantias necessáHas

p l(maus ])robisch,«Flick-Konzern und Faschistischer ío Existem numerosas fontes a esse respeito. Encon-
Staat, 1933-1939>, Monopole und Staat in Deutschland, tra-se uma exposição impressionante em G. F. W., llallgar
1917-1945, .Akademie Verlag, Berlin, 1966, P. 169, l ten, op. cát.,p. 104.

66 l
67
l
respeitantesà defesada propriedadeprivada e à
aplicação do«princípio do chefe» nas fábricas,
Gamofez, por exemplo, em 27 de Janeiro de 1932
num discurso perante o Clube industrial(Indus-
trial Club) . Sabemos porque crises teve de pas-
r lidades duma tal unidade de acção?Apesar do
material disponível sobre estes problemas sw na-
turalmente mais fragmentado do que o que diz
respeito às relações económicas ou à atitude de
um pequenogrupo de senhoresda indústria,.abun-
sar esta aproximaçãoentre o grande capital e o
N. S. D. A. P.(entre outras, a dificuldade cons- dam os testemunhosque provam que havia um
tituída pela den(Éa eleitoral do N. S. D. A. P. em desejoprofundo de combater conjuntamenteHi-
tler, tanto entre os trabalhadores :e os funcioná-
Novembro de 1932 e os embaraços financeiros que rios comum-star como entre os social-democratas.
se seguiram). Enfim, sabemos como o encontro
Dos volumes de memórias surgem r"ecordações
com o barão von Schroeder em Colónia, em 4 de
Janeiro de 1933, justamente após o escândalo fragmentares: o Reichsbanner(organização de
defesa do S. P. D.) enviou mensageiros à «direc-
dos subsídios concedidos aos grandes proprietá-
rios da Prús.siaoriental, consolidouo destinoda ção»(nunca esta palavra foi usada de maneira
república de Weimar n. tão reificada e alienante) para exigir o combate;
o sanguedas 'br&bâlhaldoFos não devia ser verltida,
A infonnação de que hoje dispomos confirma,
tal foi a resto'sta absurda que receberam( como se
sob todos os aspectosa análise detalhada que a vitória de llitler não significasse que o sangue
Ttotsky fez desses acontecimentos dramáticos dos
amas de 1930 a 1933. dos trabalhadores ia con-er a jorros, como Tro-
tsky previa) . As iniciativas locais para definir
Resta esclarecer um último ponto, não des- uma linha comum entre social-democratas e co-
prezível. Quais w'am 'as possibilidaidespara a munistas aumentaram até o último momento,
classeioperária de pela lmí'daidede acção, fazer
enquanto a direcção denunciava os golpes, desde
parar o avanço nazi? E quais eram as potencia-
a tomada do poder por liitler até ao incêndio do
Reichstag, -e desta provocação aos plenos poderes
n Também aqui ao fontes são numerosas.Cf., entre (a abdicação do Reichstag a favor do governo de
outras, H. S. Hegher, l)ie RdchshanzZei oon 1933-1945,
Hitler) , sem avançar sequer o mais modesto plano
Verlag Frankfurter Buecher,Frankfurt, 1959,p. 33 e
A1lan Bullock, Hitler: a 8t%dy %7'graKwy, Penguin Books, estratégico
para a protecção
e a auto-defesa
do
London, 1962, pp. 196, 243. William L Schirer apresenta moviunento operário :'. Os escritores fantasma-
um rlasalma dos tentem'ul)has mais ibnporbantes, especial- góricos e saturados de má consciência, de que dis-
mente o do Meissner, bem como uma bibliografia impor- pomos,apesar de redigidos sob o signo da auto-
tante em g'heB se and Z'aZZ
of t#e 7'#êrdReich,Simon
and Schusüer.Inc., Nlew York, 1960, p. 175 P. 181: justificação, constituem uma condenaçãoamarga
das direcçõesdo S. P. D., do K. P. D., e do
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69
A. D. G. B.(Allgemeiner deut©her Gewerk- damentaís com o :fascismo: um nacionalismo ex-
schafl)sbund -- Confederação geral das sindica- tremo, o culto do«chefe», por vezes, mesmo, o
tos alemães) da época. Nunca na história mo- anta-semiítismo.'lla,l como o fascismo, poda uicon-
derna, tantos homens pagaram tão caro os en'os tz'u.r i& 'sua base de massas lu pequena burguesia
desta)luizada e pa:ul)'erizaida.Mas a Kilifw'alça deci-
de alguns.
s;iva, em t:elmos de política económicae social,
en.t;reum tal movimentoe o fascismo,é evidente
se 'se consideram as posições do movimento para
oom as duas classes fundamentais da sociedade
moderna,: o grande capital e a classe operária.
Mias a teoria do fascismo de Trotsky não é O fascismoconsolidaa dominação
da pri-
apenas a condenação sem piedade do passado. meiro e oferece,Ihe o maior lucro económico,
B também uma visão do presente e do futuro, atomiza a classe operária e extermina as suas
uma advertência contra novos erros teóricos e
organizações.Pelo contrário, os movimentosna-
contra novosperigos. cionailistas da burguesia nacionall nos países semi-
O carácter específico do fascismo não pode -coloniais, muitas vezes falsa e abusivamente
ser -compreendidosenão no quadro do caipitalismo chamadas«fascistais.»,assestam geralmente gol-
imperialista de monopólio. :É absurdo caracteri- pes sérios e duráveis no grande capital, sobre-
zar os movimentosautoritários da mundosuni- tudo no capital estrangeiro, criando ao mesmo
-colonial como«fascistas>» simplesmente por jura-
tempo novas possibi'cidades organizacionais paJ'a
rem fidelida,de a um chefe ou pârexn as seus mem- os trabalhadores.O melhor uüeunploé o movi-
bros em uniforme. Num país onde a parte mais mento peronista na Argentina que, longe de ato-
importante do capitaisestá nas mãos de estran- mizar a classe -operária, permitiu, pela primeira
geir'os e cuide a sorte da nação é determinada pela vez, a organização profunda dos trabalhadores
dcaninação do impel'ialismo estrangeiro, é um nos sindicatoig que, desde então, exercem uma
contra-senso caracterizar Comofascista um movi-
influência importante no país.
mento da Inuguesia nacional que procura no seu É verdade que o pretenso poder desta,bur-
próprio interess-e libertar'se dessa dominação. Um
guesia nacional de manobrar entre o imperialismo
l tal movimento pode partilhar alguns traços fun-
estrangeiro o o movam-ente de massas indígena
é limitado histórica e socialmente, e que oscilará
12 Do todas as memórias que sãa disponíveis, men-
continuamente entre estes dois pólos principais.
cionaremos apenas Hein Trata«7&
del nicho ent/wc#rbar loas,
Pau List Vellag,Munchen,p. 83. Sem dúvida,, o seu interesse de classe leva-la-á

71
70
l
finalmente a contrair uma aliança com o impe- peso importante na população total, puderam
rialismo ao qual tentará extorquir, graças ao até agora, encontrar trabalho de fonna relativa-
desenvolvimento do movimento de massas, uma mente fácil no comércio, nos serviços ou na in-
ma.iorparte da mais-valiatotal. Por outro lado. dústria. :É um processo oposto ao dos anos de
um ascenso demasiado poderoso do movimento 1918 a 1933 o que se desenrola sob os nossos
do massas ameaçada a su-a própria dominação olhos. Nessa altura, as camadasmédias encon-
de classe.Evidentemente,um tal ataquecontra travam-se empobrecidassem terem sido no en-
as massas pode tomar a forma duma repressão tanto, pioletariza.das.
sangrenta assemelhando-seao fascismo, como a Com uma pequuia burguesia conservadora e
dos generaisindonésiosapós Outubro de 1965. no conjunto próspera, o neo-fascismonão tem
No entanto, a diferença fundamental entre os qualquer possibilidade objectiva de ganhar uma
dois processos-- o fascismo nas metrl5poles im- larga basede massas.Os ricos proprietários não
perialistas, e o que, no pior dos casos,constitui se lançam am combates de rua com os trabalhado
uma ditadura militar dura nos paísescoloniais res revolucionárias ou ,os estudantes de extrema-
do terceiro mundo -- deve ser claramente- com. .-esquerda(radical students). Preferem chamar a
preendida,de forma a evitar a confusãonos con- polícia e fornecer-lhemelhoresarmas para que
ceitos.
esta«se ocupe das desordens». Aqui se encontra
É igualmentemuito importante evitar a con- toda a diferença entre o fascismo que organiza
fusão entre a tendência contemporânea, que se os elementos des:esperadosda pequena burgue-
afirma cada dia mais claramente,para o«Estado sia, os utiliza para aterrorizar as grandes cida-
forte» e a tendência para a fascização«rastejan- des e as regiões operárias e o«Estado forte» au-
te» ou mesmo«aberta». Como foi sublizlhadomui- toritário que, evidentemente, utiliza a violência
tas e muitas vezes,o ponto de partida do fas- e a repressão, pode administrar duros golpes no
cismo encontra-se na pequena burguesia deses- movimento operári-o e nos grupos revolucioná-
perada e empobrecida.Após vinte anos de«as- rios, mas ruela-se incapaz de aniquilar as orga-
censãono ]ongo ciclo» (upward swing of the long nizações operárias e de atomizar a classe operá-
cycle), praticamente nenhum país imperialista ria. Mesmo uma comparação superficial entre a
ocideultal possui uma tal pequena burguesia. Alemanha del)ois de 1933 e a Franca delnis de
Quanto muito, algumas camadasmarginais do 1958, após a instalação d:o«Estado forte», faz
campesinato e das camadas médias urbanas são realçar ainda mais esta diferença. Tira-se igual-
afectadas por uma tendência ao empõbr'ecimento. mente a mesma conclusão quando se compara a
Mas estas camadas,das quais nenhuma tem um ditadura fascista em Espanha entre 1939e 1945
72
73
ao«Elstado forte» decadente de hoje- em dia que,
apesar da repressão severa desencadeada oca-
siaialmento pela polícia e o aparelho militar, se
T
ção económica,qualquer aventureiro inteligente
pode bem sw' inspirado a tentar extenniná-lo
completamente. Se a resistência não tiver sido
encontra na impossibilidade totaisde suprimir um preparada persistentemente nas batalhar quoti-
movimento de mas.sasem ascenda. dianas durante anos, não cairá miraculosamente
Seria nele:ssário que a situação económica do céu no último minuto.
mudasse de uma forma decisiva pai'a que o pe:- E é justamente porque a tarefa principal hoje
Figo imediato do fascismo real)arecessenos Es- ein dia não é a luta .contrao neo-fascismoimpo-
ü,dos capitalistas ocidentais. Que uma tal mu- tente, mas sim contra a ameaçareal de um «Es-
dançasobrevenhano futuro, não está de fonna tado fol'te», que é impor'tanto evitar a confusão
nenhuma excluído; mais, é uma eventualidade nas i.deias. Anunci'ar que as primeiras CSiC8P81HU-
muito provável. Mas, antes que isso aconteça ças sãa o iiúcio de uma luta decisiva e dar a im-
mais vale evitar ser f&scinaldop-elaame'açaine- prossãa que o fascismo («aberto» ou «rastejan-
xistente do fascismo, falar menos.de neo-fascismo tes») se identifica com os C. R. S. de Paras ou à
e trabalhar mais na luta sistemática contra a políci'a de Berlim-Oeste(que são ambas quase
tendênciamuito real e muito concretada bur- ineficazes) , é embotam a consciência das massas,
guesiapara o«Estado forte», au seja, para a re- desvia-la .do perigo real, ten'ívd, que rel)resen-
dução sistemática dos direitos danocrátic'oa dos taMa um fascismo dotado de almas tecnológicas
salariados( através de leis de excepção,leis anti- muito mais avançadas.Ê cometa'o mesmoerro
grwes, multas e penas de prisão pelas graves sel- fatal que as dirigentes do K. P. D. cometeram
vagens, iustrições ao direito de manifestação, ma- entre 1930 e 1933, quando apresentavam Brue-
nipulação capitalista e esrj;&t&ldas mass media, ning, Pap-en,Schleicher e Huganberg como a in-
min-stauraçãoda prisão preventiva, etc.) . O fun- camação do fascismo, o que levou os trabalhado-
do de vel\ia.dena teoria do«fascismo rastejante», res à conclusãoque o monstro não era tão ton'í-
é que ela sublinha o perigo do uma aceitação pas- vel como o apresentavam.
siva e não política da tais ataquescontra os di- Os germuis de um renascimento potencial do
reitos democráticoselementaresque só podem fascismo estão contidos na praga, consciente-
aguçar o apetite da classe dominante o leva-la a mente espalhada em alguns países imperialistas,
novos ataques mais duras. Se o movimento ope- constituídapela mentailidaderaleistae xenófoba
ráx-io se deixar conduzir seusresistência e se dei- (contra os neglus, os não-brancos, os trabalhado-
xar desapossar a pouco e pouco da sua potência, res emigrados, os Árabes, -atc.), na indiferença
então, à primeira mudança importante da situa- crescente para com os assassinatos políticos num

74 75
de 1929 a 1933, que parece bastante iml)ravável
país como os Estados Unidos :, no ressentimento tendo em c:opta o montante das.orçamentos e da
irracional para com os«acontecimentos desagra-
inflação hoje ein dia -- estes germ'ens presentes
dáveis» que são cada vez mais frequeüitesna por toda a E)uropaOcidentalpudessemflorescer
arena mundial, e no ódio, igualmente irracional, e dar livre curso a uma nova epidemia.fascista.
pelas minorias revolucionárias e não conformis- Mias a probabilidade do aparecimento de um tal
tas («a câmara de gás é o que vocês pre:casam»,
perigo é muito maior nos Estados Unidos que na
«o vossolugar é o campode concentração!»,
eis Europa. A grande burguesia europeia ja queimou
o género de imprecações lanç:idas à cara dos ma-
os dedosgravemente com uma experiência do fas-
nifestantes dos S. D. S. em Berlim Ociduital, na cismo. Em certas partes do mundo o resultado
Alemanha Federal e nos Estados Unidos pelos
defensoresda «lei e da ordem»). foi ter perdido tudo o que aí possuía, e noutras,
só conseguiu salvar a sua dominação de classe
Isto toma-se uma cegueira trágíc;a quando um n:oúltimo minuto. Ela está ainda menosincli-
universitário como o professor Haberma,s,ho-
nada a repetir esta aventura por esta experiên-
mem liberal e inteligente sob outros aspectos,se cia ter deixado traços profundos nas massaspo-
deixa arrastar a ponto de chamar a,osestudantes pulares e porque o r'enascimentosúbito de uma
revolucionários«fascistas de esquerKia»,eles que, ameaçafascista provocam'i-a sem dúvida reacções
justamente, seriam as primeiras vítima dum ter- violentas.
ror fascista. liloje como nos anos vinte ou trinta, A este respeito, a solução dos estudantes na
não é nas minorias não conformistas que se deve
Europa Ocidental é de bom augúrio. Nb princípio
ver o meio do cultura dos fascistas, mas sim nas
do século, os grupos estudantis constituíam o
filisteus que cl;amam
:«Respeito, llionra, Leal- meio do cultura intelectual do fascismo. Os pri-
dade!»
meiros quadros dos grupos fascistas foram re-
Não é de todo de excluir que, no caso da crutados neste meio. Foram eles que forneceram
economia capitalista mundial ser destruída -- não
os fura-grwes organizadosnos anos vinte, não
obHgatoriamente sob a foz'ma duma grande crise só na Alemanha, mas também na Grã-Bretanha,
económicamundial da, amplitude da dos anos durante a greve geral de 1926. Muito antes de ter
ocupadoo posto de chanceler,Hitler tinha já
IA lista dos leaders políticos assassinados estes últi- r
conqui-atado os universitárias. E depois da vitó-
mos anos nos Estados Unidos parece-se sinistramente com ria. da Frente Popular nas eleiçõesde 1936 em
a do período de Weimar: Malcolm X, Mártir Luther King, Fiança, os Cainelots do rei, grupo semifasoista,
Jonh F. Kennedy, Robert Kennedy e numerososleaders
do Black PanthersParty. continuavaa reinar no Quartier Latia..
77
76
Hoj'e a situação mudou compl'etamente.Em a sociedade neo-capitalista -é profundamente aba-
toda a Europa Ocidental,a tendênciageral nos la,da,a balança oscila seanpreprimeiro para a es-
estudantes é para a esquerda e a a(trema-es- querda e é só depor:sdo movimentooperárioter
querda e não para a extrema-ldireita.São os pi- sido demo'Ladoque a direita tem a sua opor'tuni-
quetes de greve e não os fura-greves que são re- dade. Miasa grande burguesia americana tem me-
crutados entre as estudantes,e estesvão para as nos expu'iência e age portanto com menos ro-
fábricas não para ajudar os patrões a«restabe- deios que a da Eurolpa Ociduital, porque pratica-
lecer a lei e a ordan», mas para encorajar os tra- mente nunca tw'e de sofrer as bons'equênciasdos
balhadores a pâr ;em causa a«ordem» neo-capíta- riscos em que incorreu. Por bons:equência,pos-
lisrta de uma forma muito mais radical do que o sui um instinto muito maios desenvolvidoquanto
fazem as organizações opu'árias tradicionais. aos limites naturais da política do«tudo ou na-
B muito improvável que esta tendência se modi- da»; além disso ela dispõe, a par da tradição não
fique nos próximos anos. Enquanto que depois políticade sectores importantes da população
da Primeira Guerra Mundial o fascismo era antes american-a,de um reservatório de conservantismo
de tudo um levantamentoda juventude,existem de extrema-direitaque,na eventualidadede uma
hoje muito poucos eleinantos que nos pemütam modificação na situação ou em ocasiõesnão apm-
afimial' que a juv-entude,em qualquer pal'te da veitadaspela ala revolucionária(radical lide)
Europa, possa ser atraída em grande número pela para transfonnar o país em basessacia;listas,po-
extrema.4direita. deüa oferecer muito mais aportunida;des de su-
A próxima vaga na Europa será paJ'a a es- cessoa uma aventura fascista do que na Euros)a.
querda e extrema-esquerda:isto vê-se nitida- O aumaito da violência, o carácter es:lplosivoda
mente pela leitura do sismógrafo da juventude questão racial e a audácia de certos cír'nulos im-
que possui .semprevários anos de avanço sobre periali:star tornam muita mais provável o desen-
o movimento de massas. E os acontecimentos de volvimento de uma tendênciafas;cizamte
do lado
Maio de 68 em Trança são só um prelúdio. Mas americanodo Atlântico 2
se esta vaga for quebraida por um fraicasso, e se
a decepção
da joveungeraçãocoincidir com uma
crise da economia, então, o fascis(no terá as suas 2 :Ê necessário lembrar que neste processode polari-
oportunidaides de sucesso.
zação -- que já começou nos últimos anos -- o actívismo
de direita declinou. Também nos Estados Unidos a parte
Também nos Estados Unidos a evolução po- politicainento activa da juventude tende irresistivelmente
deria adoptar o mesmo ritmo dialéctico que se para a esquerda. Como na Europa Ocidental, as confron-
encontra por todo o lado a partir de 1918. Quando taçõestem lugar não entre activistas de direita e de

78 79

/
B inútil insistir no terrívelperigoqueum tal Por esta razão, as análises claras e os gatos
fascismo representaria não só para a existência de Ca;ssandrade Trotsky são de uma pertinência
da cultura humaiu, mas também para a própria imediata. Porque, eaiquanto existir o capitalismo
existência física da raça humana. Imagina-se de monopólio, o mesmo perigo, talvez sob uma
facilmente o que s'e terá'aliassadoem 1944 se forma ainda mais ter!'ível e com uma barbárie
Hitler tivesse tido em seu poder um amenal de ainda mais humana, parte ressurgir.
armas nu'clearoscomo o que a América possui Dissemos no princípio deste texto que a supe-
hoje. Os extremistas de direita da John Birch So- rioridade das análises de Trotsky forçaria a
ciety e os Minutanen dizemjá«antes morto que admiraçãodo leitor. Miaso estudodos seusescri-
vermelho»(beter deadthan red) . Depoisda des- tos provoca muito mais a cólera e o desprezo
truiçãoda sociedade
capitalistano resto do do que a admiração. Como teria sido fácil tomar
mundo, quando dos últimas sobressaltos do com- em conta as advertências de Trotsky e evi'Eaz'
bate de moz'te para preservar a«sua» sociedade assim o desastre. Moral .da história: reconhecer
1:

caipitalista de monopólio,se o grande capital o mal de forma a combatê4o


a tempoe com
11 americano decide entregar o poder político a ho- sucesso.A catástrofe alemã não se deverepetir.
l mens completamente irracionais, isso seria um Ela não $:e reE)etirá!
golpe fatais para a humanidade. No fim dos anos
vinte e no princípio dos anos trinta, os marxistas
rwolucionários diziam que o combatecontra o
l
fascismo e por uma solução socialista da crise
1}
europeiaera uma batalha contra a barbáüe que
progredia nesta parte do mundo. Nos próximos
decénios,a luta por uma América socialista pode
tomar-se um combate de vida ou morte para toda
a humanidade.

esquerda, mas sim entre os activistas de esquerda e a


política. A prosperidade relativa das camadas médias da
população americana e o seu conservantismo correspon-
dente não são certamente estranhos a este estado de
coisas.

80 81
6
H P.AR'l:E

O QUE É O FASCISMO?
de

L. Trotsky
(Sel:ecção de itextos)
O QUE É O FASCISMO#

O que é o fascismo? Esse nome tem a sua ori-


gem na ltália. Será que todas as formas de dita-
dura contra-revolucionária
foram fascistas,ou
não(quer dizer, todas as fobias anteriores ao
advento do fascismo na ltália) ?
A antiga ditadura de Primo Rivwa, que
durou -de1923-30, é considerada pelo Komintem.
como seladofascista. Correcta ou incorrecta
malte? Cremos que incorrectamente.
1:
tÍ) movimuito fascista italiano era um movi-
mento espontâneo e massivo, com novos dirigen-
tes saídos das massas.Trata-se de um movimento
plebeu na sua origem, -dirigido e financiado por
grandes potentados .capitalistas, que se destacou
da pe-quena-burguesia, do lumpen-proletariado,
e mesmo,ein certa medida das massasproleü-

#(Extreüctas do uma calrta a um camarada inglês, de


15 Kle Novembro de 1931; uepraduzida no«Milúbant», de
16 dd Jameilo da 1932).

t
85
11
l
rias; Mussolini,um aiüigo se-ciclista,é um «self que maneira se verificará a sua evolução futura ?
made man» s;Ridodessemovimento. n necessárioproceder do fonna científica e mar-
Primo de Rivera era um aristocrata,que xista.
ocupava
um alto postomilitar e burocráticoe
era governadorda Catalunha.Ele realizouo seu
golpe com a ajuda de forças estatais e militares. COMO TRIUNFOU MUSSOLINI #
As folhas de ditadura existentesna Espalha e
na ltália são totalmente diferentes. IÉ necessário No momento em que a lpolícia e os recursos
destrinça-lasuma da outra. Mussolini teve difi- militares«normais» -da ditadura burguesa, jun-
culdadeem reconciliar muitas das velhas insti- tamente com os seus anteparos parlamentares
tuiçõesmilitares com a milícia fas-cinta,enquanto deixam de ser suficientes para manter a socie-
que esseproblema não se pâs a 'Primo de Rivera. dadenuma situaçãode equilítn'io-- é a hora da
O movimento na Al:emanha é no essencial aná- entrada em cena do regime fascista. Por meio
logo ao italiano. IÊ um movimento de massas, das agências fas:cintas, o capitalismo l)õe em !iio-
cujos dirigentes usam e abusam de demagogia vimento as massasda pequena-burguesiaem en-
socialista. Tal é necessáriopara a criação do mo- louqueci-da e os ban-dos do lumpen-proletariado
vimaito de massas. da pequena-burguesia, do lumpen.proletariado,
de gradada e -desmoralizada, -Lodosos inumeráveis
A base gemiína(-do fascismo) é a pequena-
-burguesia. Na ltália, o fascismo tem uma. ampla
seres humanos-queo próprio capital financeiro
base -- a pequena-burguesia das cidades e o cam-
levou a;o desespero e à fúria.
pesinato. Na .A:lemanha, do !mesmo modo, existe
A burguesia exige do fascismo um 'baba'lho
completo, uma vez que recorreu a métodos de
uma -larga base para o fascismo. ( ...)
guerra civil, ela preteuideter paz por um perioda
Podo dizer-se, e até certo ponto é verdade, de anos. E a agência fascista, utilizando a pe-
que a nova classemédia,os funcionáriosdo Es- quena-burguesia como ariéte, esmagando os(obs-
tada, os administradoresprivadas, etc., podem táculos no seu caminho, executa de facto um Ua-
cmistituir essa base. Mias essa é uma questão nova, balho completo. Após a vitória do fascismo,o
que deve ser analisada. (...) capitall financeiro concentra nas suas mãos, com-o
Para se prever alguma coisa a respeito do num torno de aço,todos os órgãose instituições
fascismo, é ne-corsário esboçar uma definição
desseconceito. O que é o lfascismo? Qual é a -sua #(E aBaFa? Questões vütaús paa'a o pmletaMada alê
base, a sua forma e as suas características? De mãa, 1932).

86 87
de soberania, os poderes executivo, administra- importante do crescimento do fascismo. Em Se-
tivo o educacional do Estado: todo o ap-orelha tanbro,a ofawiva rwolu:dionária
chegoua um
de Bastadojuntamente com o exército, as munici- ponto moita; em Novembro, wsistiu-se já à l)ri-
palidades,
as universidades,
as escolas,a im- meiru. grande maiüfesüção de foro'as idos fascistas
prensa, os sindicatos e as cooperativas;.Quando (a conquiaa de Bolonha :) .
um Elstadose t)oma fascista, 'isso não quer dizer IÉ verdade que, mesmo depois da. catástrofe
somente que as formas e métodos de governo mu- de Setembro,o proletariado foi ainda capaz de
dem de acordo com o modelo estabelecidopor sustentar combates defensivos. Mas a social-demo-
Mussolini -- em última análise, as mudanças a cracia só tinha uma preocupação:retirar os ope-
esse nível desempenham um l)apel secundário -- rários do campo de batalha, à -custa de todas as
mas que, geralmente em primeiro 'lugar, as orga- concessõesnecessárias. A social-democracia espe-
nizaçõesol)erárias são aniquilados; que o prole- rava que a atitude dócil dos operários voltasse de
tariado é reduzid-oa um estado amorfo; e que novo a«opinião pública» burguesa contra os fas-
é criado um sistema de administração que pene- cistas. Além de que os relfomnistasconfiavam até
tra profundamente nas massas e que serve para na ajuda -do rei Vector Emmanuel. Até ao último
frustrar a cHstalização independente do proleta- momento,coibiram com todas as suas forças os
riado. Ê nisso que consiste a essênciado fas- operários de dar batailha aos bandas de Mussalilii.
cismo. .
De nada lhes serviu. A coroa, ao lado da camada

O fascismo italiano foi o resultado directa da


l A aallapanlm ido violência Começou[em Bolollüm em
traição pelos refmunistas do levantamento da 21 de Novembro de 1920, quando os vereadores social-de-
proletariado italiano. Desde a fim da guerra que mocratas, vencedores das eleições municipais ao apresentar
o movimento revolucionário na ltália experi- o novo Presidente da Câmara, foram atingidos por tiros
mentavaum escemso que em ScrtembFO de 1920, do pistola que provocaram dez mortos e cem feridos.
Os fascistas prosseguiram com as suas«expedições
desembocou na ocupação de fábricas e empresas punitivas» nos campos dos arredores, baluai'tes das
pelos operários. A ditadura do proletária,doera «Ligas Vermelhas».«Blsquadrões do acção» do camisas
uma realidade; o que faltava era tão-somente or- negras transportados em veículos fornecidos por grandes
ganiza-la e leva-la à$ suas últimas consequências. proprietários tomaram aldeias em raides relâmpago
A social-democracia assustou-se e recuou. Depois sovando o matando os diligentes camponeses e operários,
Baqueando sedes operárias o aterrorizando a população.
de esforços audaciosos e heróicos, o proletariado
Encorajados pelos sucessosfáceis, os fascistas passaram
encontrou-se perante o vazio. A derrocada do mo- então a lançar ataques em larga escala nas grandes
vimento revolucionário tomou-se no factor mais cidades.

88 89
superior da burguesia l)'a s:ou-separa o lado do guês. Mussolini não podia ter feito outra, e-pisa,
fascismo.Convencidos no último instante de que dado que a deseüicantamento dais massas que ha-
o fascismo não podia ser detido pela obediência, via unificado se 'Uansforlnava l)ara ele no- pe!'igo
os social-democratas apelaram à greve geral. mais imediato. Burocratizada, o fascismo aprn
Mas a sua proclamaçãofoi um fiasco. Os refor- xima-se muito de outras formas de ditadura mi-
mistas -tinham molhado tanto a l)ólvora.,com o litar e policial, deixandode possuir a sua base
medo -de que explodisse, que, quando finalmente social anterior. A reserva mais importante do
Ihe chegaram com mão tremente um fósforo, a fascismo -- a p-equena.burguesia -- esgotou-se. SÓ
pólvora não se inflamou. a inércia histórica permite ao governo-fascista
Dois anos depois de nascer, o fascismo estava manter o proletariado num estado de dispersãoe
na poder. Conseguiu reforçar as suas posições desoa'tentação (...).
devido ao facto de que o primeiro perco-dodo seu A s:ocial-democracia alemã não acres;sentou
domínio coincidiu com uma conjuntura económica nada de seu na sua política em relação a liitler,
favorável, que sucedeu à depressão de 1921-22. limitando-se a repetir mais ponderadamentetudo
Os fascistas esmagaramo l)raletariado em reti- o que os reformistas italianos haviam realizado
rada 'com as forças impetuosas da pequena-bur- no seu tempo -commaiores rasgos temperamen-
guesia. Mas esse esmagamento não se fez de uma tais. Es'besuüplicarain o fascismo como uma psi-
só vez. Mesmo depois de ter ascendido ao poder, cose do pós-guu'ra; a social-democracia aluna vê
Mussolini procedeucom a precauçãodevida: fal- nela a psicose «de Versailhes»ou a psicose da
t&v&malhemodelos pré-existentes. Durante os dois crise a.Em ambos -oscabos,os:reformistas fecham
primeiros anos,nem a própria constituiçãofoi os olhos ao cai'ácter orgânico do fascismo como
alterada. O govem.ofascista tomou .a fonna de um mavim:entede massasque nascedo própüo
caalição. Entretanto, os bandos füscjsrE&snãa declínio do capitalismo.
tinham mãos a medir com os seus cacetes,facas Receando a mobilização revolucionária dos
e pistolas. O Estado fascista foi criado progres- operários, os reformistas italianos baseavamto-
sivamente, a que implicou .oestrangulamento com-
pleto de todas as organizaçõesde massasinde-
pendentes. 2 O Tratado da Versalhas, ímp'acto à Ailemaalha no 8m
Mussalini conseguiu-oà custa da burocrati- da l iGüamdo Giuarua; a sua -aar'láctea'ístãcü maus odiioH& ieEU
o !tlributosem füm piadaiatesaLIadasvitoriosos sob a fk)rrixa
zaçãoda próprio partido fascista.Depoisde se da«reparações» do dbmoB !e ipeiçdais -da gwarFa. A iolüHo defe-
servir daú forças ofensivas da pequena-burguesia, rida é :a deplresaão !económica rqua varK©u o mu1ldo capí-
o :Fascismoestrangulou-a na tomo do Estado bur- üaHiata Idepoia da bamaarrUba da Wuü] Stneet Eeün 1929H

90 91
das as suas esperançasno«Estado». A sua pala- O Pal'tido Comunista Italiano surgiu quase ao
vra-de-ordem era:«Socorro, Victor llgmmanuel. mesmo tempo que o fascismo. Mad as mesmas
intervém!» Ã social-democracia alemã falta um condições de refluxo revolucionário que lwaram
baluarte tão democrático como um monarca fiel os fascistas ao l)odes, refrearam o desenvolvi-
à constituição. IE)orisso, tem .dese contentar com muito do Partido Comunista.Este nãa.se deu
um presidente --«Socorro, Hindeaiburg a, inter- suficientemente conta. das dimensõesreais do pe-
vêm». rigo fascisd:a; embalou-sea só próprio com ilu-
Ao mesmo tempo que dava batalha a Musso- sões revolucionárias; mostrou-se irreconciliavel-
lini, isto é, que recuavaà sua frente,Turati4 mento hostil à política de frente única; em suma,
lançou o seu brilhante lema:«B preciso ter a sofria de todas as .doenças infantis. Não admira !
coragem de ser covarde '. Os reformistas alemães O PCI só tinha dois anos. A seus olhos, o fascismo
são menos frívolos na escolha dais suas pala- não era mais -doque«reacção capitalista». O Par-
vras-de-ordem. Exigem a«coragem de ser impo- tido Comum,sta era incapaz de discernir os traços
pular»(Mutsur Unpopulari'üt) -- o que vem a 2m7-ticzóZaresdo fascismo, que Ihe eram conferi-
dar no mesmo: não se deve recear' a impopulari- dos pela mobilização da pequena burguesia contra
dade levantada pela contemporização covarde com o proletariado. Segundocamaradas italianos, o
o inimigo. Partido Comunista, com a solitária excepção de
As mesmas causas produzem os mesmos efei- Gramsci ', nem sequer tomava em consideração
11 tos. Se a marcha dos acontecimentosfosse .deter- a possibilidade de os fascistas tomarem -opoder.
minada pela direcção do partido social-democrata. Uma vez denotado a revoluçãoproletária, uma
a carreira de Hitler estaria assegurada.
Porém, devemos admitir eln abono da verdade 5 Aaltomio Gramlsai(1891+1937). Um dos fundadores
que o Partido Comunista Alemão também não da Partida Oamiualüsüa
lta3Ramo;
l)raso por Mussoliniem
1926, morreu na pMsãa onze amasmais tarde. Hnvüou da
api'endeu grande coisa com a exl)eriência italiana. l)risco uma darüa+iem nome do Comité Político do PaaÊiklo
ltabama iem que prol:eHthv& contou % campanha de Estalin)e
'Mlarachal de-carllpo Paul von lãia3denbarg(1847- contra a OI»síção de esquaüda.Togliatti, então em Mos-
1934); gdnerul Jünkar que gaülhou fama na pa'imeilrh covo Como represeaitantb iÉâhaaloEio lComintern 'suprimiu
a aorta. DuFaint©a éFade Estaline u memória de Gramsci
gueiuu mundial e que lbi mais tarda pz'asideníbo
da R©pú-
blRcadü Weümar. Em 1932 os social-democliatas -aDoihrum foi idelúberuxlairnêmto
u4)ügaHa Cbutuda foi«rade$coberto:p
a sua reeleiçãocoma«mÀIünenoF»
em reacçãoiBOB
Nazis. pelo PurUda Oomua3ista :Etaglhüa no l)e!'iodo de dêstaMni-
N;omeou Hit)er chanceler lexn Jlaneüro de 1933. zação, e coulsiderada Rlm herói ie má;rítixt.Desde então os
' Filippa Turati(:1857 932). Diuqgemüe -a teórtao ro- seus escalas teóricas, especialnaeuiüo os mean caxíbrnos da
foMniBba do llartido Socialista ltaliaaao. prBão, têm sido objieata da aclanrlaçãoenter'nacional.

92 93
vezque o capitalismose mantwe firme e a con- levantar as vozes e lançar o alarme.Mas Esta-
tra-revolução triunfou, que outra forma de suble- line, juntamente com Manuilsky ' c-omlpeliu-os a
vação contra-revolucionária pode haver? Como desmentir as lições mais importantes da sua pró-
podia a burguesia sublevar-ee contra ela própria ! pria derrota. Já verificámos 'comque zelosarapi-
Tal era o âmagoda orientaçãopolítica do Pa:tudo dez Ercoli ' se passou para, a posiçã-o do social-fas-
Comunista Italiano. Apesar disso, não se deve cismo, isto é, para a posição da atentismo passivo
perder de vista o facto de -ofascismo italiano ser da vitória fascista na Alemanha.
nessa altura um fenómeno novo, em pleno.pro-
cesso de formação; mesmo para um partido mais
experiente,não teria sido tarefa fácil distinguir O PERIGOFASOISl:AESPRElll:A
os seus traços oslpecíficos. A ALEMANnA(*)
A direcção do Pai'tido Comunista Alemão re.. A:imprensa oficial do IKomintezu descreve
produz hoje quase literalmente a posição de que nesta momento os resultados das eleiçõesEde Se-
os comunistasitalianos faziam o seu ponto de tembro de 1930] na Alemanha coma uma prodi-
partida: a fascismo não é ?7zwisda que a reacção giosa vitória -do comunismo qua colocaria na
capitalista; do ponto -de vista do proletariado. ordem do día. a p-alavra-de-ordemda«Alemanha
as diferençasentro as diversalsfonnas de reac- Soviética». Os burocratas optimistas recusam-se
ção capitaliista são desprovidas .de importância. a reflectir sobre a relação de forças revelada T)elas
Esse radicalismo vulgar é tanto menos descul-
pável quanto o Partido .Allemãoé muito mais an- +(E agora? Questões vitais para o proletariado
tigo do que -o era o italiano no período corresl)on- alemão, 1932).
dente: suplementann-ente,o marxismo estaragora 8 Dmitd Maiiuildlçy (1883-1952). Encabeçou o l(omin-
tern de 1929 u 1934. üendk) o sou !afdsüalnento umumcühda
etu'aquecidopela trági-ca uaperiência italiana. Sus.
a vizngemdo ailtrü-eaquardüslno
para o uporbualiamo
ida
teuxtai'que o fascismo já chegou ou negam'a pró- Feriado daa 'Fk©mtesPolmlaüea. Aparos:eu maus üarüe nã
pria possibi-lidade de ele chegar ao poda', reduz- cena dilÉ)lomáüca,como delegado às Nbçõos Unidas.
-se politicamente a uma e a mesma coisa. A igno- T Hre(M. Paemdóniha dü lbgEatti(1893-1964) mas
râllcia da naturezaespwífica da fascismopw'a- pub$ioa.çõas ido l(omlntlaru. Dirigiu o Partido Oamxlhliaüa
liza inevitavelmente a vontade do combatê-lo. ltaüiâaxo depois da ip l ão de Gramwci. Toglúütti isobrevdveu
A responsabilidade principal incumbe neces- a todas as viragens dü liuih% mas iapósi&mo!'te de Blstaliuie
erHMcou o seu período de gávea'na ie !alguns doB seus traçou
sariaanenteà direcção do IKomintern. Mais do que que sla xnnntiveram na 'tJRSS ia no moviünento icomuniigta
todos os outros competia aoscomunistas italianos ®©QTDaçiK)wd

94 95
estatísticas eleitoral-s, examinando-o dado do au- jeita a social-democracia no poder. Do ponto de
mento da votação comunista independentemente vista dessas circunstâncias históHcas concretas.
das tarecfasrevolucionárias criadas pela situação o peso específico do Partido Comunista na vida
e dos obstáculos que esta coloca. O Partido Comu- social do país, apesardo acréscimode 1 300000
nista obteve cerca de 4600000 votos contra votos, permaneceproporcionalmente reduzido.
3300000 em 1928.Do ponto de vista de mecâ- A debilidade das posições do Comunismo está
nica parlamentar«normal>, o gallho de 1 300 000 indissolvelmenteligada com a política e o fun-
votos é considerável, mesmo se levannos em conta cionamento interno do Komintern; essa fraqueza
o crescimento do número de eleitores. Mas o ga- aparece mais claJ'amente se compararmos que as
nho do partido empalidece comi)letamente ao lado circunstânciashistóricas actuais deleexigem.
do -salto do fascismo de 800 000 para 6 400 000 vo- :É verdade que nem o próprio Partido C(xnu-
tos. De nãa menor importância para a apreciação nista esperava um acréscimo semelhante; mas
das eleiçõesé o facto de a social-democraucia,ape- isso só prova que sob o impacto dos a'ros e das
sar do perdas substanciais, ter conlservado os seus derrotas, a dil'wção do Partido Comunista se de-
quadrospüncipais e ter ainda recolhidoum nú- sabituou dos grandes objectivos e perspecUvas.
mero de votos opu'ários[8 600 000] considera- Se ontem subestimava as suas próprias possibili-
velmente supw'ior ao do Pai'tido Comunista. dades,hoje subestimauma vez mais as dificul-
Entretanto, se nos puséssemosa questãode dades. Nessa via, um perigo é multiplicado pelo
qual a combinaçãode circunstânciasinternacio- outro.
nais e internas capaz de voltar a classe operária Entretanto, a primeira característica de um
para o comunismo com maior rapidez, não eui- partido efectivamente revolucionário -- é $er ca-
contraríamos um exemplo de circunstâncias mais paz de olhar a realidade de frente.
favoráveis para, .essa viragem do que a Alemanha
de hoje: o nó do plano oung ', a crise económica, Para que da crise social possa nascer a Revo-
a desintegração dos governantes, a crise do par- lução Proletária é necessário ,que, para além de
lamentarismo, lu terrível exposição a que se su- outras condições, se verifique uma viragem deci-
siva das classes pequeno-burguesas em direcção
8 O :E'lado Young. l)a Ow©n D. Yoamg, grande ca@i- ao proletm'lado. Isso dará a.oproletariado a opor-
tall«a biDeMciauDque fai agente-gerar pura as Reparações
Aüêmãs noB anos vinte. Isto Vm'ão da 1929 eru DrbMdehl)o tunidade de se colocar à cabeça.danação como o
da comfwênaih que adoptou o sau plana, veDdroUdO
o frus- seu dirigente.
tFaKlo Plaaia Daww, paan«facilitar':> o pagamento de ule- As últimas eleições revelam -- e é aí que re-
panações pela AIUemaalha. side o seu significado sintomático essencial--uma
l 96 97
7
vh'agem na direcção oposta. Sob o !impacto da rejeitados pela curva das temperaturas políticas
crise, a pequena-burguesia balançou não em direc- e revelados pelas últimas eleições parecem indicar
ção à revolução proletáüa mas em direcção à que os ritmos de desenvolvimento da crise nacio-
reacção imperialista mais extrema, arrastando nall podem tornar--se extremamente rápidos. Por
atrás de si sectores consideráveis da proletariado. outras palawa.s,o curso dos acontecimentos no
O gigantesco crescimento do Nacional-Socia- futuro imediata, pode fazer ressuscitar na Ale-
lismo é a expressãode dois factores: uma pro- manha,um outro plano histórico, a velha e trá-
funda crise social que desequilibra a;s massas gica -contradição entre a maturidade da ,situação
pequeno-aburguesas, e a falta de um partido revo- rwalucionária, por um lado, e a fraqueza e a im-
lucionário desempenhando aos olhos das massas potência estratégica do partida revolucionário,
populares um papel de dirigente revolucionário. por outro. IÉ preciso dizê-lo claramente, albert&-
USe o Partido rComunista é o fmrtido (Za empa'a2tça mente, e, sobretudo, a tanpo.
re'lPoZtõdottárea, o fascismo, como movimento de Mascava deu já o sinal para uma política de
massas, é o pari ão (Zo dose poro conta'a-re-t;aZw- prestígio burocrático ;que -cubra os erros de ontem
cáo?zárçii8
Quando a esperança revolu:cionária gal- e prepare os de amanhã com falsas gritam-aaso-
vaniza ;o conjunto das ma,asasproletárias, estas bre o novo triunfo da linha. Ao mesmotempo que
arrastam inevitavelmente atrás de si na via da exagera monstruosamente a vitória do Partido,
revolução sectores considu'áveis e -crescentesda que substima monstruosamente as dificuldadoá,
pequena-burguesia. Precisamente u.:este respeito, iinterpretando inclusivamenteo êxito do fascismo
revelaram um quadro -simétüco: o -desesperocon- como um factor práitico para a RevoluçãoProle-
tra-revolu:cionário apoderou-se -com tanta força tária, a Pravdafaz no entantouma pequenare-
das massas pequeno'burguesas que estas atraíram serva:«O sucessodo paz'tidonãa nos devesubir
atrás de si largas camadas do proletariado. . . ( . ..) à cabeça».A pêrfida política da direcçãoestali-
O/asdamo torKow-se nü ÁZeman/m wm,pa'igoi nista, é fiel a si própria, mesmo neste caso. A aná-
real, como uma expressão aguda da posição de lise da 'situação é feita no espírito do urra-esquer-
impassedo regime burguês, do papel conservador dismo acrítico. Nesse sentido, o Partido é empur-
da social-democracia nesse regime e da impotên- rado consc'ientemente na via da aventureirismo.
cia a,cumulaKia da Partido Comunista ern aboli..Jlo. Ao mesmo tempo, 'Estaline prepara de antemão o
SÓ as cegos ou os fanfarrões o poderão negar( .. .) seuálibi com a ajuda da frase ritual sobrea
O perigo torna-se particularmente agudo no «vei-tigem do sucesso». IÊ precisamente esta polí-
que 'toca aos ritmos de desenvolvimento, que não tica míope sem escrúpu'losque poderá arruinar a
dependemunicamente de nós. Os acessosde febre Revolução Alemã.

98 99
Será p-ossívelcalcular de antemão a força da meiro degrau da escada? Isto não se pode prever
resistência conservadora dos opa'brios social- mecanicamente. SÓ pode ser determinada pela
-democratas? Não. Ã luz .dos acontecimentos do
acção. Ê precisamente a respeito do fascismo,
ano transacto, essa força parece ser gigantesca.
Mas :a verdade é que o que mais ajudou a coesi-o-
que é uma navalha afiada nas mãos do inimigo
nar a social-democraciafoi a política errada do de classeque uma política incorrectado Komin-
Partido Comunista,que encontrou a sua a(pres- tern pode produzir resultados fatais e,num prazo
são suprema na 'teoria absurda do se.cial-fascismo. muito curto. Uma política correcta,pelo contrá-
Para medir a r'osistênciareal das fileiras social- rio -- é verdade que não a um prazo tão curto--
-dem-ocratasé necessárioum padrão diferente, ou pode sapar as posições -do fascismo. ( ...)
seja, um-atáctica comunista correcta. Com essa Se o Partido Comunista, apesar das circuns-
condição---e não é pequena-- o grau de unidade tâncias paiticulannente favoráveis, se mostrou
interna da social-democracia pode revelar-se num impotente para abalar a estrutura da social-demo-
prazo comparativamente curto. cracia com a ajuda da fórmula do«social-fas-
O que se disse acima aplica-se, t-ambém embora cismo», o verdadeiro fascismo ameaçaagora essa
de uma fonna diferente, ao fascismo: ele desen- estrutura, não com fónnulas verbaisde um pre-
volveu-se em c-ondiçõesdiferentes, graças aos tenso radicalismo, mas coanas fórmulas químicas
estremecimento da política de Zinoviev-Estaline o. dos u(plosivos. Por mais verdadeiro que seja o
Qua;lé a suacapacidade
ofensiva?Qualo $eu facto de a s-ocial-democracia,por toda a sua polí-
grau de estabilidade?Terá já atingido a ponto tica, ter preparado o florescimento do fascismo,
culminante como nos asseguram os optimistas ex- hão é menos verdade que o fascismo é uma.ameaça
--officio,[o Komintern e os Paz-tidos Comunistas mortal antes de mais nada para essamesmaso-
oficiais-N.T.A.] ou encontra-seainda no pri- cial-democracia, cujo esplendor está indissolu-

o A ieatratégiÀda Zinovãev-Hstaline.Gregory Y. Zino- Alemã ldo 1923. [D?epoúÉ


da romper com Es];a]ine, Zinoviev
vüar(1883-1936), presldemüe do Komiuxüeiu desde :a sua
uniu os seREs'
seguidores à oposição de Esquerda de Trotsky.
fundação iem 1919 até uo sou afastamento l)or Estaline em Mas icm 1928,depoúB-daelcpulsãado Parado da Oposição
1926. Após a morde de lionine, Zimoviev le l(ainenev fize- de Esquerd% Zihoviev cal)ibulou uüüe B)staEne.Rendmitida
ram um blococomEataliao(a Troika) contraTrotsky, no Partido foi uiovnmento expulso eun 1932. Del)ois de
e dominaramo Partido soviético. No iparíada,dodomínio ranlMoiar :a toldas ais l)osiçãels .críticas fd. rdo movo reÊn-
de Zinoviev-Hstaüineno ](omintetoi, uma ]ülha oportunista l;egradu; meusem 1934 foi uapuls'o.e preso.«Confessou»
Conduziuu Rmi&série de derlDtas o de opartumdadesfa- 'no pl'imeiln dos gra03des
Fracassos
da Moscovoem 1936
]hadas, muito particularmente a capitulação dpa Revolução o fo:i e-#ecutado.

100 101
veemente ligado a formas e métodos de governo
democrático parlamentares e pacifistas.(
A política de frente única operária contra o
fascismo .decorre desta situação, e abre tremen-
das possibilidades ao Partido -Comunista. Porém,
. . .)
r «Mas em que é que o carniceiro é pior que o nego-
ciante -quenos 'trouxe para aqui com a forquilha» ,
responderam-lhe os bois que tinham
sua educação no instituto de MaJ)nilsky :'.«Mas
depois poderemos na mesma ajustar contas com
recebido a

a condição paJ'ao êxito é a refeição da teoria e da o marchante!» «Nada feito», replicavam os bois
prática do «social-fascismo», -cuja nocividade se de princípios ao que os aconselhava.» 'l'u só estás
torna numa ameaça real nas circunstâncias pre- a dar uma capa de esquerda aos noss:osinimigos
sentes. -- por isso também não passasde um social-car-
ne,ceira.»
A crise se-cialprovocará inevitavelmente vira-
gens profundas no seio da social-democracia. A ra- E recusaram-sea cerrar fileiras.
dicalização das massas -afectará os social-demo-
cratas. Teremos inevitavelmente que estabelecer
A POLÍCIA. E O EXERCI:l:O AllEMÃO #
acordos contra o fascismo com as diversas orga-
nizações e fracções sociaíl-democratas, pondo nesse
campo, e perante as olhos das massas, condições Em caso de perigo re'al, a social-democracia
precisas aos dirigentes. ( ...) Ê necessário aban- não depositaa sua confiançana«]i'rente de
donar a oca fraseologia oficial sobre a frente única Fea'ro»:: mas na polícia prussiana. É ignorar a
realidades O facto de a polícia ter sido inicia=1-
e reatar com a política de frente única tal como
mente recrubda em larga medida entre operâ-
foi formulada por Lenine e constantementeapli-
cada pelos bolchwiques em 1917.
100 instituto de ManuilÉky é o l(omintern. Ver nota 6.
+(E agua? Questões v$1Ja16
para o prolatu;riaxlo ale-
mão, 1932).
UMA FÃBtJllA DE ESOPO # 1:A«Fx-anho do Varro» foi um bloco entre ialgunls
grandes sindical(» 'e grupos«republicanas» burgueses
Um !narchante de gado levava os seus bois com [pouca adesão e prestígio 'el)trio 'Eusmas'sas. Fbi cr'iaxia

ao matadouro. O carniceiro aproxima-se com uma pelos socinü-domocrtatas no final da 1931. Fk)ram. p(fetos
do pé grupos do oounbate dos 'sindicatos, denomiaiadoB
faca afiada.«Cerremos fileiras © trespassemos <KPutlhode B'erro», a fortaün inbegraHos üla Frente ide Remo
bestacarrasco com os chifres», sugere um -dosbois. organizações 'despoaMvêus 'aparar'iaa. Contudo, & sun pn-
meÊra«babalha>$ foi a c'aünpai)ha peia reeleição do Presi-
#(E Afaz'a? Questões vüüab paio o proletariado ale- dente Hihdenburg A Fr-ente de F\orn\c}organízau desfiles
mão, 1932) . a .comíciosfem!que milhares Kleoperários lwamtavam os

103
102
rios social-democratas, é absolutamente insigni- que um presidente cansei-tucional possa então ser
ficante. Mesmo neste ca,se,a consciência é deter- eleito, por meio de uma aliança com a burguesia
minada pela existência. O operário que se torna parlamentar; e assim, será evitado o acessode
num políc'ia ao serviço do Estado capitalista é um Hitler ao poder por mais sete anos. (...)
polícia burguês, não um operário. Nos últimos Os políticos do reformismo, esses habilidosos
anos, essespolícias tiveram que se bater muito prestidigitadores, destros intriguistas e cartei-
mais com operários revolucionários do que com ristas, aiJperimentados manobristas parlamenta-
estudantes nazis. Esse treino deixa necessaria- res e ministeriais, mostram-se -- não há -expres-
mmto as suas marcas.E o essencialé quequal- são mais suave--bubões ineptos, logo que a
quer polícia sabe que emboraos governospos- marcha dos acontecimentosos projecta para fora
sam mudar, a polícia fica. da sua esfera habitual e os .Confrontacom factos
O órgão teórico da social-democracia. .Daa importantes.
F'rede Woz't (que folha miserável!), publica na Confiar num presidentenão é mais do que
Él
sua edição do Ano N:ovoum antigo em que a polí- confiar no «estado».Confrontada com o choque
tica de «tolerância» é exposta até às suas últimas iminente entre o proletariado e a pequena-bur-
consequências. Ao qua parece, Hitler nunca guesia fascista -- dois campos que, em conjunto,
poderá chegar ao poder contra a polícia e a compreendem a esmagadora maioria. da nação
li
Reichswehrro exército alemão] . Ora, segundo a alemã -- esses marxistas do Vorwãrts i3 ganem
constituição, a Reichswehr está subordinada ao
comandodo presidente da República. Logo, o fas-
napartistas -- BT'ünlng, Von Papers, Sohleícher, ou seja,
cismo não oferece qualquer periga -enquantoum chamcelars q'ue goveilnavam não lsegundo os processos
presidente fiel à -constituição se mantiver à ca- parlamentares nniqnals mas pior decretos de«lemergêncih».
beça do Estado. O regime -deBrüning " deve ser Estas personagens bonapanti:sttusaxvoravaln-ae em salva-
apoiado até às eleições presidenciais de forma a dores HocesgáiFilos
pai'a conduzir o país latFavésda .crise,
a poi'tanto corno que situados por cima das clalsses e par-
tidos. Não aep:emdiam
do velho sistema partiKíáriademo-
seus pamho$ grüavam«liberdzüde» e j:ullavam defender crático-burguês
Ditasdo seuc'omalndo
da polícia,do exér-
a demooiuucia. -As maHsa6 ido Partido social-democrata e cito o da ldamocracia estJaÉal. :Slalvamdo protJensaanemlJe ü
don sindicatos acreditavam realmente que essa organi- nação da :esquerda(soeiaüstas a aolnuMst'aB) e da afeita
zação seria -usadapara barrar o cauninhoQ llltler, o que (fascistas), düigiram os seus mMs duros Baldas'contra
não üconteaeu.
a esquerda, idade iqua o gau iobjecto primário Foraa sal-
:a lieinüch Brünling (1885-?), 'chanceler de 1930 n vação do capitallismo.
1932.O pasmado
parlamentar normal terminou na .Aletnailha " O«Vonvãr'tup aM o principal jor'nal social-dema-
em Âlarço lde 1930.:Seguiram-'seInda série do regimies ba- cra,ta.

104 105

l
ao guarda-nocturno para que lhes venha.em so- contra- o proletariado para proteger o:seu direito
corro : :«Estado, intervém!» ( staat, greif zu!). à exploração.
Os prograJnas políticos característicos dessas
três etapas -- o Jacobinü7tm x+, a {ümoa'aoãa re-
BURGIJESIA,PF;QUINA-BURGUESIA faz'mata (incluindo a social-democracia), e o
E PROLETARIADO# faacis?7zo -- são fundamentalmente programas de
correntes pequeno"burguesas.Esse facto por si
Uma análise séria da situaçãopolítica deve só, mais do que qualquer outra coisa mostra qual
tomar comoponto de partida as rel-açõesrecípro- a tremenda -- ou melhor, qual a, decisiva -- im-
cas entre as três classes: a burguesia, a pequena- portância da auto-determinaçãodas massaspe-
-burguesia(incluindo o campesinato)e o prole- queno-burguesas do povo para o destinodo con-
tariado. junta da sociedade burguesa.
Contudo, a,s relações entre a burguesia e a
A grande burguesia economia-amente
poderosa
sua base social fundamental, a pequena-burgue-
representaem si uma minoria infinitesimal da
nação.Para alicerçar a sua dominação,ela tem sia, não assentamde modo a,lgumna cmifiança
que manta' relações r'-ecíprocas bem definidas recíproca e na colaboração pacífica. Na sua
com a pequena'burguesia e, através desta, com o massa, a pequena-burguesia é uma classe explo-
ra.da e privada de direitos, que olha a burguesia
proletaJ'lado.
Para compreendera dialéctica das. relações com inveja e muitas vezescom ódio. A burguesia,
entre as três classesé necessáriodiferenciar três por seu lado, ao mesmo tempo que utiliza o apoio
etapas históricas: a aurora do desenvolvimento da pequena-burguesia, desconfi'a dela dado que
capitalista, em que a burguesianecessitavade receia a justo título a sua tendência para,destruir
métodosrevolucionários
para resolveras suas as ban'eiras que Ihe são impostas de cima.
tarefas; o pa'í.odo do florescimento e da maturi- Ao mesmo tempo que abriam e limpavam o
dade do regime calpitalista, em que a burguesia caminho para o desenvolvimento burguês, os ja-
datava a sua dominaçãode formas ordeiros, pací- cobinos envolveram-se a cada passo em choques
ficas, conservadoras, democráticas; finalmente, o brutais com a burguesia. Serviam-nalutando
declíni-odo capitalismo,em que a. burguesiaé
abrigadaa recorrera métodosde guerracivil 1+ 0s Jracobiaias eüaan a laia \esquerda das forças pe-
queno-burguesas na Gu'ande Revolução Frandüsa. N;a sua
élnca mais revoluaionáülia Mnm idirigidós por Rabes-
(O Único :caminho, Siehembra de 1932); Piem'o.

106 107
intransigentemente contra ela. Depois de desem- com as instituições da democraciaproletária (sin-
penhadoo seu papel histórico limitado, os jaco- dicatos e partidos políticos) mas também com a
democracia parlamenhr em cujo quadro se ergue-
binos caíram porque â dominaçãodo capital es-
tava pré-determinada. ram as organizaçõesoperárias. Ê por isso que
surge a campanha contra o«Mal=dsmo» por um
Ao longo de toda uma série de etapas a bur-
guesia afinnou o seu poder sob a fonna de demo- lado e contra o parlamentari;sana-demo'práticopor
outro.
cracia parlamentar. Mesmo então, não o fez pací-
fica e voluntariamente.
A burguesiatinha um l
Mas tal como as cúpulas dirigentes da bur-
guesa:a liberal foram incapazes no seu tempo, de
medomoral do sufrágio universal. Mas em última
instância,acaiboucom a ajuda de uma combina- eliminar por si sós o feudalismo,a monarquiae
a igreja, também os magnates do capital finan-
ção de medidas violentas -ede concessões,de pH-
vações e de reformas, por conseguir subordinar ceiro são incapazes,2Jors{ sós, de derrotar o pro-
letariado. Precisam do apoio da pequena-burgue-
no quadroda democracia
fonnal não só a pe- sia. Para esse fim, ela tem que ser fustigada,
quena-burguesia
mas em larga medida também
posta em pé de guena, mobilizada, armada..Mas
o proletariado, através da nova pequena-burgue-
essemétodo 'tem os seus perigos. Ao mesmo-tempo
sia -- a aristocracia operária. Em Agosto de
que utiliza o fascismo, a burguesia receia-o.
1914 n a burguesia imperialista foi capaz de, por
meio da democraciaparlamentar, conduzir mi- Pilsudsky :' viu-se obrigado, em Maio- de 1926,
a salvar a sociedade burguesa por meio de um
lhões de operados e camponesesà guerra.
golpe de Estada .directamente dirigido contra os
Mas é precisamentecom a guerra que começa partidos tradicionais da burguesia polaca. A coisa
claramente o -declíni-odo capitalismo e, sobretudo.
da sua forma de dominação democrática. Daí em foi tão longequeo dirigenteoficial da Partido
diante não se tratam já -de conceder reforma,s e
comunista Polaco, Warsky :', que passou de Rosa
esmolas, mas de suprimir e abolir as antigas. I' Joseph Pilsudsky(1876-1935). arigimulaiLente socia-
Desse modo, a burgu-esta entra em conflito não só lista com posições nacionalistas; am 1920conduziu as f(n'-
gas amti-soviéticas na Polómiã; iem 1926 dilligiu um golpe
de Estado io pestabeloaauuma düadura fascista.
" 4 de Agosto da 1914 foi u data da capltulaçãa da n A. Warsky, iamliga de Rosa Luxemburgo, defendeu-a
S'egumda Internacional Nesisa data, os 'reprosentaaltes nos diferentescom os bolcheviques.QuaaadO
o l<omínteiu
ziguezaguaou p:alr'u a lesquoraa na fasro do Tlorceiun.Pe-
do Palltúdo Social rata A.demãono Reichstag vota-
ruau o :orgamJentOde guerra do governo ilnperiblisba; no
1. ríodo», Warsky foi demitido da idinacçãodo Partido Comu-
mestra di&, !tepraseutamtes(]o Partido Socialista Francês nista P{)lago, mas não foi iexpuBso.D'es-apareceuna UltSIS
11 fizeram o mesmo na Câmara dos DPopuüadtw. dunanbela grande l)urra idc 1936-38.

tl 108 109

H
Luxemburgo não para liaiine, mas para B)sta- de resolver as suas :tarefa,s,que já não são pro-
Une, tomou o golpe de Estado de pi-lsudsky pela, gressivas mas inteiramente reaccionái'ias. Neste
via da«ditadura deunocrática revolucionária.» e sentido,o/a;sois?zzo
é ma caricat ra do jacobi-
amou os operáz'i(»a al)piar Pilsudsky. ? tS77t0.

«A burguesia é incapaz de se manter no poder


com os meios e métodos do Estado parlamentar
por ela própria afiado; precisa do fascismo como
dos acontecimentosna colónia: I'' uma afina de auto-defesa, pelo menos em situa-
«Tomado globalmente, o golpe de Pilsudsky ções críti-cas. Contudo, a burguesia não gosta do
e a maneira pequena-burguesa, «plebeia»,da re- método«plebeu» de resolver as suas tarefas. Ela
solver os problemascandentesda sociedadebur- sempre foi hostil ao jacobinismo, que abriu san-
guesa prusl)es a decompor-se e em declínio. Temos guinolentamente o caminho para o desaivolvi-
Ja aqui uma semelhançadure'ctacom o fascismo mento da soa-edadeburguesa. Os fascistas estão
italiano.
incomensuravelmente mais próximos da burgue-
«Estai duas correntes possuem indubitavel- sia decadentedo qu-eos jacobinosda burguesia
mente traços comuns: recrutam as suas tropas em 8isQcnsão.Porém, a burguesia sensata e mo-
do choque eznpr:imeira lugar na pequena-bui'We. derada não vê com muito agrado a maneira fas-
sia; Pilsudsky tal como Mussolini a,ctuou coar cista de res.alveros seusprobl-emas,
dado que
métodos extra-parlamentares, com & violência choques, ainda que se verifiquem no interesse da
aberta, com métodos de guerra civil; anil)os ti. sociedade burguesa, não deixam de comportar
ham como fim a preservação e não a' dmmição riscos. Daí a oposição entre o fascismo e os par-
da sociedade burguesa. Se num primeiro momento tidas burguesas.
puseram em pé de guerra -a pequenalburguesia, «A grande burguesia gosta tanto do fas'cismo
logo se alinharam,após a tomadado poder com como um homem com dores de dentes gosta que
a grande burguesia. Involuntariamente impõe-se
-nos aqui uma generalização históri.cai 'lembrando " Roga Luxem.burgo( 1870-1919).Graüide teórica io
a apreciação feita por Marx do jacobinismo, como dÊrigei3tovovoLuciomãria.Inibi:alm:enbacativa no lnovimiento
o método plebeu de ajuste de contas oom os ini- socialista da isca Polóiüa nataíb tornou"aemadetark3adiri-
migos feudais da burguesia Era a i#xMa dÓ gente -dü aaü -esquerda do Partida sociais-demacra;ba ale-
mão. ELa o Kart l;iebkenecht foram presas por se op(alem
asco?mo(Za Z)wrgesta. Podemos agora dizer, na à l Grtaaidé Guerra. Diüpois !da sua libertação, idirigMam
ie)mu do declínio da Sociedadeburguesa que a o Spartakusbund. Foram. ambos pnosos e assassinados
burguesia precisa novamente do método'«plebeu» durante t& Rx3ailograda Revolução de 1919.

110 111
lhos arranquem. Os círculos respeitáveis da so- primeira vez, pelo menos à escala de uma cidade,
ciedadeburguesa seguiram com desconfiançao tal Como a eacperiência da Revolução de Outu-
trabalho do dentista Pilsudsky, =als em última bro " a mostrou depoisa uma escalamuito supe-
análise conformaram-se com o inevitável, embora rior e ao longo de um período incomparaelmente
com ameaças, com regateios e todas as espécies maior, que a aliança da pequena-burguesiacom a
de traficâncias. Assim, o que era ontem o ídolo grande burguesia não é indis-solúvel.Comoa pe-
da pequena-burguesia transforma-se em polícia quen'aaburguesia é incapaz de prossegu'ir uma po-
do capital.» lítica {Hc8epe?tdeate(é também por isso qua a
A estateuitativa de delimitar o espaçohistó- «dil;ardura detnocrática» da pequ-ena-burguesia é
rico do fascismo como o instrumento de domina- inealizável) , não tem outra solução senão es-
ção que i-ende a 'social-danocracia, foi contra- colher entre a burguesia e o proletariaxio.
posta a teoria do social-fascismo. Inicialmente. Na épocada ascenso,
do crwoimentoe do
ela podia parecer uma estupidez pretensiosa e florescimento do capitalismo, a pequena-burgue-
jactanciosa mas inofensiva. Os acontecimentos sia, apesar de fortes ages'sosde descontentamen-
subsequentesmostraraan a influência perniciosa to, mantwe-se em geral atrelada à carroça capi-
exercida pela teoria estalinista sobre a evolução talligta. Nean p«lia fazer outra coisa. Mas nas
global da Internacional Comunista. condiçõesda desintegraçãocapa;l;alisa,
e do im-
É necessárioconcluir do papel histórico do passe da situação económica, a pequena-burgue-
jacobinismo, da democracia e do fascismo que a s;ia luta, procura, tenta libertar-se dos grilhões
pequena-burguesia está condenada a continuar a que a prandeln aos velhos senhorese dominado-
ser até ao fim dos seus dias um instrumento nas res da sociedade-.ELa é pel'feitamente capaz de
mãos do capital? Se isso fosse verdade, a dita- lagar o seu destino ao do prolerLariado.Para tal
dura do proletariado seria impossívelnuma série basta uma condição: que a pequaia-burguesia
de países em que a pequena-burguesia constitui se convença,
da capaciidade
do proletariadode
a maioria da nação,e, mais do qu-eiss-o,tomar- dar à saciedadeum novo rumo. Essa convicção,
-se-ia extremamenl:-edifícil noutros países em que
a pequena-burguesia representauma importante de Paras ldlrigiida par organizações operártlas ceOU o Sou
minoria. Felizmente, isso não é um facto. A ex- próprio govamo o 'rasiwbi-uaos esforços do governo burguês
da Versalhels .cairia o -dasaiqnaü'. A CbanxMa. reai©t:íü aas
periência da Comuna de Pauis :9 mostrou p-ela
aÊzüquosido 'exército da 'VeFsalhes de =18de Março de 21 de
Maço do 1871, altura eln !qua faí. lasmiaguKla.
" A Comuna de Paus foÊ a pHim'eiPn ditEudura dc} 2ü A IBevoluçãa do outubro fkli a Revolução bolctwv-
pralebariado No fim -da guorra fraaaoo-prussüüüia o povo dqu:e.

112 113
8
o proletai'adosó Iha podeinspirar pela sua
força, pela firmeza das sua-s acções, por uma há-
bil ofensiva contra o mim.igo,pelo êxito da sua
política ravolucionáHa.
r O oOLAPSO DA DE]MOoRACIA
BtJRGUESA+

Depois da guerra verificaram-seuma série


Miasai se o parrtidorevolucionadonão está de revo'luçõesbülhantemente vita#iosas na Rús-
à &ltuFl& da situação! A luta quotidiana do pr'-ole- sia, na Alemailha, na Ãustria-Hungria e mais
tariado agudiza a instabilid-ade da, soa-edade bur- tarde na Espinha. Mas fai unicamentena Rússia
guesa. As gz'wes e as perturbações p-olíticas que o prolet)ariaKiotom-ouo poder em mã(B, ex-
agravam a situação eccutóm-i-cado país. A peque- propHrauos exploradores
e coiweguliu
criar e
na-burguesia poder-se-ia confomar teunporaüia- manter um Estado operário. Em todos os outros
mente com as .crescentesprivações desde que che- casos, o prolat;amado, mau graúdo a sua vitóHa,
gasse pela experiência à convicção de que o pro- parou a meio camiEihodevido aos a'ros das suas
letariado é capaz de a conduzir numa nova senda. direcções. O resultado fai -que o poder Ihe esca-
Mias se o partida rwolucionária, apesar da agu- pou das mãos, pasmouda esquerKiapara a direita
11
dização inintem'upta da luta de classes,se mostra e ficou à mercê do fascismo.Numa série de ou-
sucessivnman'be incapaz de unir a classe operária tros paíseso poliu' passoupara as mãosde uma
à sua volta, se vacila, tergiversa e se contradiz, ditadura militar. Os parlamentosnão foram ca-
on'Lão a pequena-burguesa:a perde a paciência e pazesem nenhum Galgode reconciliar as contra-
começama ver nos operários revolucionários os dições de classe e de assegurar um desenvolvi-
responsáveispela sua própria miséria. Todos os mento pacífico dos acontecimentos. Os conflitos
paz'tidos burgueses, incluindo a social-democra- resolveram-se da armasna mão.
cia, procuram convencê-la desse facto. E é quan- :0 povo francês julgou durante muito tempo
do a crise soam-al
começaa adquirir uma intensi- queo faiscism'onada tinha a vor como seu país,
dade insupoz'Lavei que um partido especial apa- uma vez que ente era uma iq)ública em que todas
rece em cena cam o objectivo declarado de aque- a's qu'estõeseram tltait&d&spelo povo soberano
cer ao rubro a pequena-burguesia
e de diMgir o aítravésdo sufrágio universal. Mas a 6 de Feve-
seu ódio e o seu desespm'ocontra o proletariado. reiro de 1934 vários mlilhalresde fascistas e rea-
N:a Alemanha, essa função históMca é desempe'- listas. armados de revólveres, cacetese navalhas
nhada pelo Na,aional-Soaiaulismo(Nazismo) , uma
impuseram ao país o governo reaccionáHo de
ímans'acortei)to cuja ideologia se compõede to-
das as exa,lapõespútri-dasda sociedadeburguesa
em decomposição. #(Paau onde vai a Fraüiçu, 1934)

114 115
l

Doumergue ", sob cuja protecção os bandos fas- magar os operários através do uso da violência
cistas continuam a crescer e a armar-se. O que física. Contudo,é impossívelpâr termo ao des-
nos pt'epara o dia de amanhã? contentaaneazl)o
dos operários e camponesasunica-
É um facto que na Fiança, como noutros mente por meio da política. Moaisdo que isso, por
países europeus(na ]iiglaterra, na Bélgica, na vezes é mesmo impossível faze' o exército mar-
Holanda, na Suíça, nos países :escandinavos), char contra o povo: ele começapor desintegrar'-se
existem a;inda parlamentos, eleições, liberdades e acaba com a palssagemde uma grande parte
democráticas .ou os -seus vestígios. Mas em dos soldados para o lado do povo. É por isso que
todos esses paísm a luta de Classes a(acerba-se, o capital fin'anceiro se vê na necessidadede criei'
tal comoaconteceu
anterioimeillte
na ltália e na bandos ai'mudos especial.s treinaxios p'ara lutar
Alemanha.Os que se consol-am com a frase contra os operários tal como Gema;spaga,sde cães
«A Framça não é a Alemanha» estão perdidos. são treinados para caçar. A função histórica do
As mesa-asleis históricas, a,sleis do declínio ca- fasoismo é o esmagaanentoda classe opa'ária, a
pitallista, operam an todos os países. Se os meios destruição das suas organizações e a supressão
11 de produção continuai'em nas mãos de um pe- das liberdadespolíticas no momentoem que os
queno número de oapirt)allistas,não haverá qual- capitalistas se mo'stram incapazes de governar e
quer saída para a s;aeiedade,
que estará conde- de dominar com a ajuda da mecânica democrá-
nada a passar de crise para crise, da püvução tida
l
para a miséri%, de mal para pior. A decrepirtude Os fascistas encontram pri,ncipalmentena
e a desintegração do capitali.smo e2(pressas-se pequenia. burguesia o maÉeri'al humano de que
nos diversos países segundo fonnas diversas e a precisam. Completamente al'ruinaida pelo grande
rirtmos desiguais. Mas os traços geralis do pro- capital, não há para 'ela 'qualquer saída na ordem
cesso são os mesmos un todo o lado. A burguesia facial aotuall, mas ala nãa conhecenenhum-aou-
dirige a sua sociedade para a bancarrota com- tra. O ateu descontentamento, a sua indignação e
plerta.Não é capaz de garantir ao povo nem o pão o seu deseslperosão desvia'dasdo grande caril;arl
nem a paz :É por iss:o que ele já deixou de poder e virados contra os operári'ospelos fascistas..Po-
tol-erara ordem dunocrática, e é obrigaidaa es- de-se-dizerqu:eo fascismoé o a,otode colocara
pequeuta-burguesia à disposição doü seus piores
:l Gagton Dounüergue, o primeiro-ministro bonapar-
inimigos. Nesse emitido, o grande caipital ai'ruína
tbta da Franca -que sucedeu a n(]ouard Daludim'(o go- as elas:sesmedi-ase, em segu:ida,oom a ajuda de
verno 'da Dloladiar caiu no :dia idas distúrbios $asolsbas de demagogos fascistas contrataidos, incita -o pe-
6 de FewaFêauio de 1934). .Ver & nota 12.
queno-burguês -desesperado contra o operário.

116 117
O regime burguês já só pode preservada por mé- maior«justiça». O camponês e o ai@são são rea-
todo contra o(Werário. O regime burguêsjá só list-asà sua maneira. Compreendem
que nãa se
pode ser preservaKlo por mét-odes tão assassinos pode deixar de usar a força.
como eles. Por quumto tempo? Até ser dem'ubado É falso, é três vezesfalso afirma,rque a pe"
pela revolução prol-erEária. quena-burguesia actuail não se volta para os pal'-
tidos opu'árias porque tem-e« medidas elatremn.s».
É precisamente o contrário. A pequmia-burguesia
A PEQunxA-stnauEsiA IEM MEDO inferior, as suas amplasmassas,só vêemnos
DA REVOLIJÇÃO?# pal'tidos operári-osaparelhos parlamentares. Não
acreditam na sua força nem na sua capacidadede
Os cretinos parlamentares que gostam de se lutar, nam na sua vontade em, desta vez, levar o
combarbe até ao fim.
fazer passar por conhecedoresdo povo não per-
dem uma ocasião para repetir: «É necessário não E se é alas.im,
vailorá.a penasubstituir os re-
assustar as classes médias com a Revolução. Elas presentantes democráticos dos ca;Ntalistas pelos
não go:soamde -extremos».Nesta formulação ge- seus confrades parlamentares da esquerda? É as-
ral, esta afirmaçãoé absolutamentefalsa. É evi- sim que raciocinaou senteo propriotáüosomi-
dente que o pequenoproprietário prefere a ordem -expropri:ado, arrui-naido e dose'ontealte. Sem se
enquanto os negócios chorem andando. bem e en- compreenderesta psicologia dos camponeses,dos
quanto esperaque melhorarãomais ainda no artesãos, dos emípregadoü, dos pequenos funciio-
futuro. nários, etc. -- uma psicologia que decora'e da
Ma,s uma vez pu'diria essa esperança ele en- cri-se social -- é impasse'üell elaborar uma política
raivece-se facilmellte e é capaz de sê passar paJ'a can-ec'ba. A p-equina-burguesia é economicamente
as modiidãsma;isradicais. De ou'Uo modo, como dependente e paliticainente atomizad-a.Ê por isso
poderia ter denubado o Estada democrático e que não poide conduzir um:a política independente.
levado o fascismo ao po'du' na ltália e na.Ale- Precisa de um «dirigente» que Ihe inspire con-
manh'a? A pequena-burgudsl-auu-uiivecidavê no fiança. Essa direcção indiMdual ou colectiva,ou
tl
fa;scísmo, acima de tudo, uma força combativa s'eja, um personagem ou um par'bodo,pode ser-lhe
contra o grande caipital e acredita que, ao con- daida por uma ou pela outra das Classes funda-
trário dos partidos operári'os que só dão à língua, mentais -- a grande burguesia ou o proletariado.
o fascismousaráa força para estaibelecer
uma O fascisuno unifica e arena as massas dispersais.
De paaira humana organiza desrL&caMentos
de
+(Fura onda vai a F't'amç% 1934) combaíbe, dalxdo assim à pequena-burguesia a ilu-

118 119
r
são de ser uma força independente.Esta começa sões, de tapas 8is fr'-ases vazias. É necessário com-
a pensar que passará realmeaite a aonirolar o preender a situação e comprometer-se seriamente
Eslndo. Não é de aximimr qu-e cstaisi ilusões e na via da luta revolucionária.
esperanças subam à cabeça da pequena. burguwia!
Mas a pequena burguesia também pode en-
contrar um chefe na pessoa do proletaricado. Isso A MILÍCIA OPERARIA
foi demonsítrado na Rússia e parei-almente na E OSSEVS ADVERSÃRIOS*
Espinha. Na ltália, na Mmnanha e na Ãustria,
a pequena burguesia grava-tou n-essa direcção. Mas Para luta;r é necessáriocoaiservare íoforçar
os p-ardidosdo praletari-ado não estiveram à altura os insrErumentos e meias ide luta -- as organiza-
da, sua tal-Ma hi:stórica.
ções, a imprensa, os comícios, ctc. O fascismo
Pa.ra trazer a pequena-burguesia. puxa o seu [em Fiança-N. T. A.] ameaça tudo isso. directa
ca;mpo,o proletária,dotem de gana:ara sua con- e imediatamente.:Ê ainda demasiadofraco para
fiança. E para isso tem de ter confia,nçana sua lutar dir:ectamente pelo poda', mas já é suficien-
força.
temente forte para tentar abater passo a p:asse
Precisa d-e ter um pro'grau:a de acção clamo as organizações operárhs, para temperar os seus
e de estar pronto para lutar pêlo poder por todos band-os nesses seus at.alques e para esl)falhar nas
os meios possíveis. Temperaidopelo seu partido fileiras opm"árias e desânimo e a falta de con-
rwoluoionário para um combate decisivo e im- fiança nas suas proprias forças. Além disso,:o
põe'doba, o pro'letariado diz 8Jos camponesas e à fascismo encontra :ali:aços ,inconscientes em todos
pequena-burguesia das ci-danes:«Nós estamos a
os que afinnam que -a«luta física» é inadmissível
lutar pelo poder. Este é o nossoprograma. Esta- e sem espu'alça :eexigem ideDoumergue o desar-
mosprontos a discutir convoscoalteraçõesa fa- mamento da sua guarda fascista. Especialmente
zer nesse programa. SÓ empregaremos a vioilência na situaçãoactualnada é tãa perigosopara o
contra o grande capital e os seus laoatios,mas proletariado como o venenodos fascistasdo que
convosco, trab-alhadores, desejamos concluir uma o«p'acifismoxP m-ole -da pai'te das organizações
aliança ooun base num düterminaido l)rogllama. O$ operadas. Nada destrói tanto a -confiança das
vamp:oneses comprelenderão efta linguagem. Sim- classesmédias na classe operária -comoa contem-
plesm'ente,'Lêmde .ter fé na capacidadeJdoproleta- porização, a p-assividadeo a failta de vontade de
riado pa'ra tomar a p'oder. lutar.
Ma,spara tal é necessárioe::purgar a Frente
ünica de todos os equívocos, de todas as indeci- :P(Para onde vai a trança, 1934)

120 121
«Ln Populaire»[o jalnall Ido Partido S-ocia- «Precisamos da auto-defes-a de massas e não
[ist&üN.. T. A.] escreveu todos -os dias :«A frente da milícia», dizem-nosmuitas vezes.Mas o que
única é uma barreira con:tl'a o =Eawismo» ; «a fruite é essa«autoldeÊesa de massas» sem -organizações
única nã-o permitirá...»; «.os fascistas não se de combate, sem quadros especializados,sem ar-
atreverão...» ; :etc. lst)o são frases. É necessário mas? Remeter pala as massa:s desorganizadais e
.1 dizer ca;begoricamenteaos operários, socialistas impreparadas entregues a si próprias a defesa
e comunistas: não vos deixeis -embaciar pelas fra- contra o :Eascisnno,
seria desempexihar
um papel
ses de jornalistas e OI'a;dores superficiais :e irres- incomparavelmente mais baixa qua a de Pâncío
ponsáveis. O que :está em jogo são as vossas ca- Pilotos. Negar o papel da milícia é negar o papel
beças e o socialiszno». Não ;que peguemos a:im- da vanguarda. Então, para quê um paz'tido? San
portância -da F'rente única. Nós exigido-la quando o apoio das massas, a milícia não é nada. Mas sem
os dirigentes de ambos os pax'Lidos:arecusavam. destacamentos de coinbaite organizados, as mas-
A F'rente ünica abre numerosas possãbáZddades, sas mais heróicas serão esmagadas p-a,ssoa, passa
mas nada mais Ido que isso. SÓa lu:ta de massas elos batidos fascistas. É um absurdo c:ontrapâr
poderá decidir. A Frente ünica rev'dará o seu a minúciaà auto-defesa. A milícia é um órgão de
valor quando dest;arcamantos
comunistas acorre- auto-defesa.
ram a .ajudar destacamentos scpcialistns e vice- «Apelar à organizaçãode uma milícia» dizem
-versa, eun caso de ataque ao«lie Populaire» ou alguns adversál'ios, que são naturalmente os me-
aa«L'Humanüé» pelas bandos fascistas. Mas nos sérios e honestos,«é uma proa'acação». Isso
para isso -os destacaanentos prajertários de com- não é um al'gumento, é um insulta. S-e a neces-
bate têm de existir e de ser educados,treinados sidade da defesaldas organizações -operárias de-
o aiTnadas.E se não houver uma organização de corre da situação no seu conjunto, como então
defesa, isto é, uma milíícia operária, o«in Papu- não apelar à folTnaçãoda milícia? Talvez quei-
laire» e o«L'liumamité» poderão escrever os airti- ram dizer :que a czáarção de uma milícia«provo-
gos que quiserem sobre a -omnipotênciada Frente cará,» ataxãues fascistas e a repressão goverlm-
única, mas -o-sdois jornais encontrar-se-ãoinde- mental. Nessiecaso, é um argumento absoluta-
fesos perante o primeiro ataiquebem preparado mente reaccionário. O libra'alismo sempre disse
dos fascistas. aas operários que como a s;uafruta de classes eles
Prop'oma-mos fa«zer um estudo crítico dos «ar- .1

só «provou:avam.» a reacção.
gumento:s» e -das«teorias» dos adversa.rios da Os refwlnistas repetiram esta a,cusação contra
milícia :operáa'i:a,
;qu-esão muito numerosase in- os marxistas, os mencheviques contm. os bolche-
fluentes nos -dais parti'dos operários. viques. Estas acusaçõesreduziam-:seem última

122 123
análiseà profunda ideia de que Ée-osoprimidos a cada golpe com dois, l:evamtandoa coragem-dos
não se mexerem, as opressozlesnão se verão na oprim:idos e unindo-os em volta da sua b'andeira.
contingência de os abater. Essa é a-filosofia de IJma situação revoliucionária não cai do céu aos
Tolstoi e de Gandhi mas nunca a de Mlaix e de trambulhões, toma foi7na c-om a pai'ticip:anão
Lenine 'se o«LTiumanité» quiser depois disto activa da classerwolucionária, e do seupartido.
desenvolvera doutrina da«não resistência ao Os est;alinistas franceses argumentam agora
mal pela violência», deverá tomar como símbolo que a milícia não sailvaguardou o proletariado
não o martelo e a foice, o emblema, -da Revolução alemão da der'rata. Ainda ontem negavam com-
de Outubro, mas a piedosa cabra que afim:ente pletamentiequalqu'erden''ota na Alemanha e asse-
Gandhi c-omo seu leite. veravam que a política -dos estalinistas abemãas
«aliaso alTnamentodos op-eráriossó é ol)or- era correcta do princípio ao fim. Hoje vêem todo
tuno numa situação revolucionáHa,que ainda o mal na milí-ciaoperária alemã(note F\'ait) "
não existe». Este pro(fundo argumento significa Assim saltam de um erro para outro diametral-
que os operári-os !deveandeixar-.se massacrar até mente -opostoe não menos monstruoso. A milícia
em si não resolve a questão. É ?ze:cess(ÍHo ullm 2)o"
a situação s:etornar revolucionária. Os .que Oll:tem
pregavam o«terceiro período» 2znão querem ver ZÍtãcacorrecta. Entretanto a política. do estalinis-
mo na Alemanha( <o social.fascismo é -a inimigo
o que se passa diante d-ossau.s:olhas. A própria
questão .do andamento só se põs porque a situa- principal>, a cisão nos sindicatos, o namoro com
ção«pacífica»,«normal» e«democrática» deu o nacionalismo, o putschismo) l:evou fatalmente
lugar a uma .situação.tempestuosa,crítica e ins- ao:isolamento da vanguarda proletária, -e à sua
tável quese podetransformar tão depressanuma rum:a. Com uma estratégia 'que nada valia, ne-
situação revolucionária como numa situação con- nhuma milícia podia ter salvo a situação.
tra-revolucionária. É absurdodizer que a organizaçãoda milí-
ci.aem si mesmalwa à aventuram, provocao ini-
A alteimativa depende sobretudo de os operá-
rios avançados se deixarem atacar impunemente migo, substitui a ]uta p-o]íticape]a ]iuta física, etc.
e dem-atar passo a passo a pa'sso ou responderem Estas frases nãa contêm n:ada a não ser covardia
política.
': O«tercieüao l)eHodo», segundo o esquema estaliJlisÜa.
ar8 0 períodofinal do ciapltalÉslno,
o períododa sua
11 mo'rala Imeidiata imü'mento e da sua siubstituiçãa p'doa Jsov'la-
Roeu Frant(Frente Vwmelha). Milída hegemoni-
tas. Flor maü'cada pela táctica urra..esqumdista e -aventu- zada llelas com'ua)iscas bamúda pelo gorPeino saciail-demo-
rldirisüa dos comülBIÉstas, 8 lnruübo partioulannento polo crata dopar 'dasüncüdentes
-dol.' de Atado-emBarlim
conoeó;to de social-fascismo. em 1929.

124 125
A anilíciacomoforte organização
da van- com a -c-omsciência tranqunizada. A prostração
guarda é de facto a defesa mais seguiu. contra, fa;tailista -é mbstituída à teoria uiiilitante de Maxi,
asaveaituras,colltra o terrorismo individual, con- unicamaxte em proveito 'do inimligo de classe.
tra :explosõesespontâneas e sanguinárias. A ruína da p:equenaüburguesiaé, evidentemente,
A m=ilíciaé ao mesadateanpo:a úllica via se- produto da capitalismo. O crescimentodos ban-
gura para reduzir ao mínimo a guulu, civil que dos fascistasé, por seu latia, produ;toda ruína
o fascismo :imípõeao proletariado. Deixem os ope- da pequena-burguesia.Mas por outro lado, o au-
rários, apesar da:ausência de uma -«situaçãore- mento da miséria e da revolta. do proletariado são
voluciomál'ia», cor:iágir os pa;b'i-abas«filhos-famí- tambémproduto da capitalismo,e a milícia, por
lia» à .sua maneira, e o r-acrutamenta de novos seu lbado,é produto da exa'cerraçãoda lu:La.de
ban-dosfascistas tombar-se-á incomparavelmente classes.Porque é :então que para os«marxistas»
mais difícil. do «.L'llnmamitaire» os barLdOS fascistas são o
M.as(n estrategas enredadosaqui no seu lnó- produ;tolegítimo .dooapitalismae a milícia ope-
pria raciacínia adiantam ccaitra nós argumeuitos rária é um produto ilegítimo dos.. . trotskist;as?
ainda mais -espantosos. Ciítamos textualmente : Ê impossível -compreendergaja o que for na meio
«Sa respondermos aos tiros de rwólver dos fas- de conifusão semelhante.
cistas com -outrostiros de revólver>, escr©veo «Temosque eaicarar o sistema no seu con-
«L'llunnamité» de 23 de OutubraÍda 1934- junto» dizem-nos. Como? Por cima da cal)eça
üN'.T. A.],> perdemos-devista -of&ctiode que o dos seres human:os? Os nasci'star c:omeçaramnos
fascismo é com toda -o sistana qua nos debon- diferentes países co.mos seus revólveres e aca-
tamos.» IÊ difícil =acumularmaiioF confusão OU baram destruindo o«sistema» das organizações
mais erros an tão poucas linhas. IÊ impossível operar'ias no seu conjunto. Qu'e outra mine'ira
defandezlno-nasc-outraos fascistas porque «tes há. de refrear a of-ensina amuada do inimigo do
sao..-.«um produto do regime capitalista». Isso que a defesa alhada visando, por sua vez, passar
quer -dizer que teremos que renunciar a, toda a à.ofensiva?
luta, dado que os males sociais -contemporâneos O«L'Humanité» admite agora a defesaeln
são «produtos da sis-tema oapiltalista». pa;lavras, mas só sab a forma da«:auto-defesa
Quantia -asfascistas assassinam um revolucio- do massa-s». A milíc,ia é nociva porque, wtão a
nário ou inc-euideiam
a sededo um jornal prole. ver, .separa os destaic'ameutos de -bomba;te das
bário, os opw'árias devem suspirar filosofica- massas. Mas porque :e!(istem então destacamentos
mente:«.Ah! Os assassinose as fogos postos são arnillados independentes entre os fascistas, que
produto -do sistema -capitalista», e ir p:ara casa não estão isolados ,das massas reaccionária;s, m:as

126 127
que, pelo contrário, levantam a coragem -e esti- a ajuda de facas derrubavam o«sistema» da
mulnJn essas com os seus ataques bem organiza- democracia. Em todo o Caso, oouno é que os«Gru-
dos? Ou será talvez que as massasproletárias pos de a.utod-efesa»se irão defender con:h'aos
são wn {iisposição combativa, inferiores à pe- revólveres fascistas?«Ideologicamente>, claro.
quena-iburguesia desclassificada
Por -cubas palavras: só lhes t'esta esconderem-se.
Enredado desesperadamente nas duais -contra-
Não tendo à mão aquilo de que necwsitarli, terão
dições, 'o.«L'Humanité» começa finalmente a hesi-
que procurar a«a;ulta-defesa» nas pernas. E en-
tar: parece que a auto-defesa das massas exige
tret.adio (n fascistas saquearão impunemente as
a criação do«grupos especiais. de a,uto-defesa».
Elm wz da milícia rejeitada, propõem-se {lmtaca- organizações operárias. Mas se o praletaHado so-
frer uma derrota terrível nãa se terá em qual-
mellltos ou .grupos especiais. Ã primeüa vista l)a-
deria pare'cer que só há urna {liferença de nome. quer 'dos cas-ostomado icQlllpaido
de«putschismo».
O nome proposto pela«LTiumamité» não tem se. Fita fraseologia franddlenta agitaria,à sombra da
guramente iqualquer sigziificado. Pode falar.se de bandeira do «bolchevismo» não causa mais do
«auto»-defesa
de massas»mas é impossívelfalar qu:e repugnância e deWrezo.
de«Grupos de acto,defesia»,dado que o -objectivo Durall;te o«terceiro peHodo» de feliz manó-
dessesgrupos não é o de se defuidm'em -asÊpthó- ria, qu:ando os wtrategas do«L'Humaalüé» esta-
prios mias o de defenda' as orgaalizações operá- vam sob -oefeito do delírio das barra'caxlas,
quando
rias. Tod-avia,não se trata naturalmente de urna «conquistavaan» as ruas todos os dias e chama-
qu-estão -do nome. Os«Grupos de auto-defesa», va;m «sociai]-fascista»a todos 'os (]ue nãa parti-
segundo 'o <L'Humadúté» devem renunciar ao uso Inassem das suas extravagâncias, havíaanos pre'
de alunas de fogo a não ca-ir no «putschismo». dito:«No momento em que queimaram a ponta
Elstiessábios trattam o movimento operário como dos de'dos, esrbe$sellh'ares tom.ar-s'e-ão mos piores
uma a'lança a quem leão s:epede deixar' uma faca oportunistas». Essa previsão fd agora inrtegral-
nas mãos. Além disse, c-omosabemos,as facas mente comfirmaida.Num momelüo am que 110in-
são m(nlopóliodos Game.lotsdu Roi zó,que são terior do Parta-doSocialista crescee se reforça
um produto 'legítimo do capita.cismo, e- que, com o movimento em favor da milícia, -os dirigentes
do chaimado Pai'Udo Com:uilista correm em banca
:' Gaünelots du Roi eram monaü'quilStas franceses da mangueira para 'acalmar o desejodos operá-
agrupados à volta -do jarmail«Actuou Frlamça®eyD (lo (Rzarles rios:avançados de se o'rganizai''em em -colunas de
llaumla6, -qua se caraotaMzava peçassuaml)OSiçõesviolen- combate. Poder-s-e.ia imaginar uma actividade
tamente amtü-democráticas. mais -desmoralizaaiteou mais nefasta do que esta?

128 129
9
l

Nas fileir'as do Partido -Socialista ouve-se fre- ção exltr-e os paiüidos operários e -os.sün(h'cartas.
quentemente :a seguinte obje-chão: <KDeveHscfor- Lado a, lado, terão que mobilizar 'as massas.
mar uma milícia, mas não há aiecmMdaxienenhuma O ê)dto daEmilÍ:cia.popuílar egt;arácurta:ointeira-
de andar a aHUHciáúl& aos quatro ventos.» SÓ mexl:k garanhão.
podemos felicitar os camaradas que desejam pro- «Mas onde é que os :olperádos irão an'ainJ'ar
l teger u lado prático d'a quwtão de .olhose ouvidos armas?», objectam os «realistas» sóbrios -- isto
importunos. Mas seria deunasiado ingénua pemlsar- é. o-s fi]5steus 'ass;untados --«o inimigo beun 'espn-
-se que uma milícia se pode ez'iar imlE)erceptível galldas, caülhões, tainques, gases ;e 'a:vice. Os ope-
e secretamente dentro de :quatro paredes. Neces- rados rtêm p-ou-cas oentuxas de !'evólveres e de
sitamos de dezenase mais tarde de centenasde cainivdtesx$.
milhares de combatentes.Eles só vilão se milhões Nesta 'objecção amontoa-se tudo para aBsus''
de -operadose olnrárias, e -atrásdeles,de cam- tar .os operários. apor um lado, os moss:os esper-
poneses, compr'penderem a neoessidaxie da mib-cia talhões identificam as armas dos fasictas coma
e -criarem em tomo -dos voluntáHos uma artmos- as almas do Estado. Pw' -outro, voltam-se para
fera de aa-den;te simpatia, e de apoio a,cavo. .Os o Estado :e exigem-lhe que desaire os fascistas.
cuidados collspiraUvos podem e devem envolver l.ógica a,dmiaá'üel!De fa,cto, esta posiçãoé falsa
exclusivamente a aspecto técnico do problema. em ambos os casos. Ean Framga, os fascistas estão
A campaalha poZítioa dwe ser desdobralda aber- ainda louigede controlar a Esta-do.Em 6 de Feve-
ta.mente, mn comícios, nas fábricas, nas luas e reba envolveram-se nnm -comfHto andado com a
nas praças l)úblicas. polícia. -do E.soado. Ê por :isso que é falso falar de
Os qu-a,drosfundamentais da milícia devemser caínhões e de tanques quando Be 'trata da luta
os -operar'ias fabris 'agrupados s:egundo os seus axunada 4t?&ediata coiüra os fascistas. Os fascis-
locais !de trabalho, icoHhecidos ente-e si e capazes tas, evidenlbemeKl;te, são made ecos do que nós.
de proteger os s-aus destacamentos -de -combate Ê.lhes mais fácil 'comprai' i&Tm8s. Mas os o'perâ-
contra as provaaações de agentes inimigos c-om rios são mais numerosos,mais z'esolutos,mais
pulito maior facilidade -e segurança do que:os bu- devotados quando estão con)scientesda fimneza
rocratas mais elevad(B. -Sam um.a mobilização da sua dúrecçã-a revolwcioiiária.
aberta -das maM:as, os -estaidos-maioru. oomsPira- Para além .de oallh'as fontes, o$ op'erári:os 'po-
tivos fiicarão, no mameilto do .perigo, ílnpotente- dem-s.e armar à -custa dos fas-cintas, desaiman-
muite suspem'sos no -ar. Todas as -orgaEiizações do.os sbtamaücamente.
operárias devem meter mãos à obra. Nesta ques- Efta ,é agora uma das formas de luta mais
tã-o não ]E)adehaver qualquer linha !de demarca- séria contra:o fascismo. Quandoos ars-enaisope-
130 131
Párias começarem a encher-se à custa dos depó- ünlica» para xllna millícia, -operada, excedeMa lar-
süos de amnas dos fascistas, os bambose -ostrusts gamente 'essa cifra. As 'comtl'ibuliçõ-es dos paa''tidos
tomar-se-ã-omais prudentes no financiamento do e sindicatos, as recolhas de fundos e as subscH-
a:rznamanto dos seus qual-das -assassinos. Seria
ções volullttáx'ias possibilitam'iam gauamth' na em-
inclusivamente possível neste .caso -- maa so-
pa'ço de um mês -o axunameaúode 100 000 a 200 000
mente nmfe caço -- que a :autoridades alarmadas oambaitemtes -opw'álqos. A ica;nailh-& fascista poria
começassem realmente a impedir o amnammito imedi;atannante o rabo aitre as pernas. O conjuiúo
dos fascistas -dp forma a nã.o falece!-em uma
das l)erspaativas de desenvolvlimento 'teimar-se-
fonte aKhciomail
de almas para os :operários.Sa- -iam incompal'alzeümel)!te mais favoráveis.
bemos des-de há muito que só uma táctk.a revo- Invocar la fajlta de amnas. .ou outras razões
luci(xlárla ot'igina, como subprodutos, -<x-efoamas»
objectivas pai'a explicar porque é que ai:nda,não
ou concessões do govemio. f(Ê feia aité agora tlellhuma Mtativa pm'a cl'iar
Mas emanaentão desairvnar -osfascistas.? n eW- uma milícia, é illudlr-se a si pn5pdo e aos -ourbos.
dentemeaüe imp'ossívol fazê-Jo unicamente com O principal ot)stáculo -- pode mesmo(bnr-s'e, o
artigos nos jornais. Têm de ser cHadosesqua. úlúco .otntácuila -- tem ,as suas raízes mo -carácter
dr'ões de combate. Ê !mcessáüo csbalbelOCOFum
coawervadar e passivo -dos dil'igemtesi -das orgaaii-
serviço de informações. Surgirão de nodos os laKios za,iões operadas. 'Os céptic'os que sã-oos diügen-
milhares de illfolvnadoms e de 'auxiüares. anéis.
tes liã-o -a,cl-editazn!i.a.fol-Qa do l)roletaMado. Depo-
tososlogo que se aperceberem-deque }a qumtão sitam as suas esl)eramças
em toda a -espécie
de
foi seriamente abol'nada por nós. É Ihocessária milaigi-esvindos de cama, em vez de dar um ewoape
uma vontade p-araa aicçãoproletária. iwvoluci-onád-o às alergias que paüpitam em baixo.
Mas as ambas dos. fascistas nã.a .constituean
Os operei'ias conscientes devexn constranger os
natul'allnente a única fonte. Há em Franca mais seus Kj:iHgealtesa p'assar imediataKnente à 'cria,ção
de um milhão de opu'ári-as -organizados. Falando da imibcia operária ou alta-o a, dar lugar .aforças
em ternos gerais, é um númen'-areduzida. Mas é mais jovem)se frescas.
inteüalnellíbe s;uficiente para inibi;ar a organiza- Uma greve é inc-om-cebível s-eun propaganda
ção (]e uma lnilíéia operada. S-eos partidos. e sin- e sem agüação. É também inconcebívelsie= pi-
dicaitos aiunassem s-omonte um décimo dos seus quetes que, quando .podem,fazem uso .dapersua''
mombros,
iwo represemt)aria
já almaforça de são, mas que, quando -obrigados, FOCOFT'iO=à fol'çai.
100 000 homeaLS.. Não há qualquer eüpecie de dú- A grei'e é a.forma maiaselementar'-daluta de clas-
vida (]o que o número de voluntáüos que-se apie- ses, -que icombiH& samprol an prop'opções variá-
sental'iam na sequênci;a -de um -apelo da«Frente vel, métodos«ideológloos>b e métodos físicos.
132 133
A luta -c,outrao fascismo é basieaxx)elllte
unha,luta ARM:AMENTO DO PliOI.ETARIADO
política que necessitada milícia tal como uma H DOS CAMPONESES REVOI,UOIONÂRIOS! #
greve pFlecisade piquetes. BasÊoamenrbe,
o piquete
é o embi'ião da, milícia operada. Os que pexlsaim A milícia operária deve, em última análise,
poder renumcí-aa'
à luta«físicaxb têm (]e renunciar conglobar todos os trabalhadores. O cumprimenta
a qualquer fot'ma de luta, porque -o espíi'iEonão ê tegraZ desi:e pauglama $ó podeMa verificar-se
vive $em iC'âIFHe. num Estada Operário para cujas mãos p-assassem
Seguindo a magnífica frase do grande teorico- todos 'os maios de produção e consequemtemelüe
mMtar Clausewítz, :a guerra, é -a ;continuaçãoda também tod-osos meios de destruição, isto é, todas
lm[íüca por outros meios. ]®íta definição apüca- as alunas e fábricas que as produzem.
-se do mesmo modo integrallnemte à guena -civil.
Contluda, é imp-ossível ch,Cear-s-e -a um Esbaxio
A luta física é simplesmente um«outro =eioyõ de
Operada 'com as mãos vazias. SÓ inválidos.p'olí-
luta política.Ê ina;dlnissível
oç)âruma à entra, Uc;os como Renandel " p-odem falar duma via pa-
dado que é impossívelcom;l:erà vontade a luta
politica quandoela se tramsfouma,pela força da cífica, iconstituciomaíl, para a s-ociaílismo.A via
nec«cidade interior. em luta física. consütudonal está balvada pelas trincheiras
O dever do p'az'UdorevoluciouiáHoé o de pre- ocu4)a,das pelos bandos fascistas. Não há somealrte
ver a rtempo 'a inevitabilidade da, tramlsformação algumas trincheiras à nossa frente. A burguesia
da luíba política .em conflito -aJ'made declaraxio, não hesit'ará un rucorru' :a uma -dúzia de golpe:s
e de se px"epararoom todas as suas forças p'ara de Estado, ajudada pela polícia e pelo }exército,
esse momeEüo, hall como 'o fazem -as.iclassw. domi- para impedir o profeta,ria.do
de chegarao poder.
nnmte$.
Os destaicamelüos da milícia para u. defesa #(Para onde wal a Framça, 1934).
contra o fascismosão o primeiro p'assena senda " Pierre Renaudel (1871-1935). Anteriormente à
do alTnamemto do l)roletariado, :e não 'o úl;uma. l GraaideG.berra braço direito do dirigente socialista Jenn
Jaurês e editor -do«L'lluinamiümP. Duüamüea guerra, soaiai-
-lntHata do direúüa. Nos anos triüita,, elo o Â8aü'cel Dêat
dirigiram uma tealdência ruvjsionista«neO-gocinlisba». Diu'-
robadh na vo4nção do Congresso da 1933, tosta tendência
cindúu do Partido Socialista. D'epoiB dos distúrbios fas-
cistas de 6 de F\evereüro ido 1934, i& m'ainr partia dos«neo$Eb
aderiram ao Partido Rãdüc'al,o l)rikicil)a;l partida da ca@l-
tahsmo francês.
lL

134 135
Um Estado operária socialista só pode ser
criado por uma Re;solução M;toda-a.
Qualquer revoüuçãaé pxepurada pela marcha
do desenvolMmto ec-omómic'o e p'alítico,mas é
g sen)IE)re (decidida por collmtos amua;dos declaradias
entre desses hostisi. Uma Mrtóüa revoluciomá#ia
só se tomará possível -como iesuütado de urna
lcmga agiíbaçãopolítica, -de UM demorado período
de educ'anãoe w'gaa)izaçãodas nlnissas.
Mas o pn5prio c:onfhto axunaidortmndo mesmo
modo de sm' preparado -oom grande aínrte-ce(iência. ÍNDICE
Os operários avainç;idostêm de sabe' que terão
que travar e vencerllm combalbe
de m(nte. Têm
que arranjar -armas:,coma gaa'amai:a
da sua eman- IPARTE
üpação.
Sobre o Fascismo, de Brnest Mandei 7

llPARTE

O que é o fascismo,(fe L. Trotsky 83


O que é o fascismo 85
Como triunfou Mussolini 87
O perigo fascista espreita a Alemanha 95
Uma fábula do a;sapo 102

A policia o o exército Alemão 103

Burguesia, pequena-burguesiae proletariado 106

A pequena-burguesia tem medo da revolução ? 118

A milícia operária e os xseusadversários 121

Armamento do proletariado e dos camponesesrevê


lucionários! 135

11 136

l
Edições Antídoto

PwbZ cara«l

A Teoria Leninista da Organização, Zrwe t ]Wa?ldeZ

A Questão Parlamentar e a Internacional Comunista


Ziwot%eo, .Lenêne, Prof.sk2/, .Bwka2"ine e .Bordigct
0 25 de Abril e a Revolução Socialista em Portugal
e Colónias, .E. .lira?z,deZ

A Agonia do FYanquismae as Tarefas da RevoluçãoEspa-


nho[a, ]?esoZwção
do Sea'atar ado Unificado dct Qtmrta
.reter?Macio?mZ

A Rege)testaOperária à Inflação, Desemprego e Emigração,


Z. .ZUandeZ,.D. BaiZe3/, L. .ZUctita%,(J. .A. Udr3/.

A Revolução Portuguesa numa Encruzilhada, Tesesdo J//


Coq grossa do la. C. l.
introdução ao Marxismo, B. ]]fandeZ
A Revolução Permanente na Rússia, l,éon Trotõk3/

.A pwbZicar

A Revolução Desfigurada, Léow q'rotõk3/


A Quarta Internacional, riem'e Fra%k
Os Problemas da Guerra Civil, Léow Trotsky
Este livro foi composto e impresso
na Socieda.de Industrial Gráfica
Telles da Salva.Lda. para Edições
Antídoto o acabou de se imprimir
Abril de 1976