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02/11/2018 O que é o precariado?

– Blog da Boitempo

O que é o precariado?

Publicado em 22/07/2013 // 20 comentários

(h ps://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2013/07/13-07-22_giovanni-alves_o-que-c3a9-o-
precariado.jpg)Noite (Max Beckmann, 1918)

Por Giovanni Alves (h ps://blogdaboitempo.com.br/category/colunas/giovanni-alves/).

Tenho utilizado o conceito de precariado num sentido bastante preciso que se distingue, por exemplo,
do significado dado por Guy Standing e Ruy Braga. Para mim, precariado é a camada média do
proletariado urbano constituída por jovens-adultos altamente escolarizados com inserção precária
nas relações de trabalho e vida social.

Para Guy Standing, autor do livro The Precariat: The new dangerous class, o precariado é uma “nova
classe social” (o título da edição espanhola do livro é explicito: Precariado: una nueva clase social). Ruy
Braga o critica, com razão, salientando que o precariado não é exterior à relação salarial que
caracteriza o modo de produção capitalista, isto é, o precariado pertence sim à classe social do
proletariado, sendo tão-somente o “proletariado precarizado”.

https://blogdaboitempo.com.br/2013/07/22/o-que-e-o-precariado/ 1/9
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Para alguns intelectuais europeus, com o modo de desenvolvimento fordista-keynesiano do pós-


guerra, o proletariado transformou-se no salariado, sujeito de direitos portador da cidadania fordista.
Deste modo, com o suposto novo modo de produção social-democrata, teria desaparecido a luta de
classes. Entretanto, com a crise do fordismo ou crise da social-democracia e o desmanche da relação
salarial “fordista” a partir de meados da década de 1970, surgiu uma nova classe social: o precariado,
a “nova classe perigosa”, segundo Standing, tendo em vista que eles se sentiriam atraídos por
políticos populistas e mensagens neofascistas.

Na verdade, a história é outra: o salariado, a parcela estável do mundo do trabalho nos países
capitalistas centrais, parcela da classe trabalhadora inserida na cidadania industrial, não deixou de
ser proletariado, tornado-se tão-somente uma camada social distinta (os proletários estáveis e com
garantias, segundo Alain Bihr). O proletariado estável, organizado em grandes sindicatos
corporativos e burocratizados, tornaram-se o lastro das políticas social-democratas que cultivavam as
ilusões do consumo e os projetos de realização do bem-estar social nos marcos do capitalismo
afluente. Mas, é importante observar que, mesmo naquela época de ascensão histórica do capital, o
proletariado era constituído não apenas pela camada social estável e com garantias, mas também por
uma camada social precarizada, uma massa flutuante de trabalhadores instáveis, constituída por uma
série de categorias sociais precarizadas (trabalhadores terceirizados, temporários, por tempo parcial,
estagiários, trabalhadores da “economia subterrânea etc). Enfim, havia sim um proletariado
precarizado nos países capitalistas mais desenvolvidos no auge do fordismo-keynesianismo.

Outra coisa: no período de ascensão histórica do capital no imediato pós-guerra, vigorava sim o
modo de produção capitalista no interior da qual existiam duas classes sociais fundamentais:
capitalistas e trabalhadores assalariados. A luta de classes nunca deixou de existir naquela época,
assumindo, pelo contrário, formas candentes (e ocultas) nas lutas operárias e movimentos sociais das
camadas inquietas do proletariado precarizado e pobre. O era do fordismo nunca foi um paraíso ou
golden age para a toda a classe do proletariado. E para concluir: a crise do fordismo ou a crise da
social-democracia que se desenvolve a partir da década de 1970, foi, de fato, a crise do capitalismo
em sua etapa de desenvolvimento fordista-keynesiano.

Portanto, abandonar o horizonte da crítica do capitalismo como modo de produção e a crítica do


capital como sistema de controle estranhado do metabolismo social contribuiu para a visão distorcida
de Guy Standing e muitos intelectuais europeus que não conseguem ver o precariado como uma
camada social da classe do proletariado. Ao não perceberem isto, eles tendem a despreza o valor
ontológico da unidade política do proletariado na luta contra o sistema do capital. Considerar ou não
o precariado uma camada social do proletariado não é tão-somente um detalhe analítico
insignificante no plano político: como camada social da classe do proletariado, o precariado por si só
e incapaz de constituir uma alternativa política radical à sociedade capitalista.

Ao considerá-los “nova classe social perigosa”, oculta-se a importância das alianças políticas no
interior da classe do proletariado como tarefa crucial da alternativa radical capaz de enfrentar o
neofascismo em ascensão. Isolar a camada social do precariado no plano categorial seria condená-lo à
ineficácia política efetiva, tornando-o, deste modo, mero sujeito receptor das políticas da economia
solidária. Na verdade, a política radical deve deixar claro, como pressuposto necessário, a
importância crucial da unidade política e programática da classe do proletariado clivado de
segmentações sociais que impedem sua eficácia histórica no plano da práxis política.

Por outro lado, embora Ruy Braga (no livro A política do precariado
(h ps://blogdaboitempo.com.br/2012/11/27/lancamento-boitempo-a-politica-do-precariado-do-
populismo-a-hegemonia-lulista-de-ruy-braga/)) esteja correto em sua crítica do precariado como
classe social exterior à relação salarial, ele equivoca-se quando identifica o precariado meramente
com o “proletariado precarizado”, perdendo, deste modo, a particularidade heurística do conceito
capaz de dar visibilidade categorial às novas contradições do capitalismo global. Pars ele, o
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“proletariado precarizado” existiria desde os primórdios do capitalismo histórico. Ruy Braga remete-
se inclusive a Karl Marx para delimitar o conceito de precariado como sendo a “superpopulação
relativa”, excluídos tanto o lumpemproletariado quanto a população pauperizada. O que significa
que, para Ruy Braga, o precariado, nas suas origens históricas, confunde-se com o próprio conceito de
proletariado industrial, que é o coração do próprio modo de produção capitalista.

Deste modo, dos operários da construção civil em Jirau aos infoproletários dos call-center em São
Paulo, o conceito de precariado se dissolveria no impressionismo sociológico crítico das relações
salariais no Brasil. A particularidade histórica da camada social do precariado perderia sua
efetividade heurística (lembremos que metodologicamente, a categoria de particularidade é o coração
da própria dialética histórico-materialista).

Portanto, a distinção categorial de precariado, que não poderia ser considerado tão-somente como
proletariado precarizado, não é insignificante no plano heurístico: ampliar categorialmente o conceito
de precariado, reduzindo-o a “proletariado precarizado”, seria emascular o conceito de sua
capacidade de expor as novas contradições da ordem burguesa hipertardia que não se circunscreveria
hoje tão-somente à dinâmica política do lulismo, mas sim, à própria dinâmica do próprio modo de
produção capitalista na etapa de crise estrutural do capital.

Portanto, em nossas intervenções criticas, procuramos salientar o precariado como sendo, não uma
nova classe social, mas sim uma nova camada da classe social do proletariado com demarcações categorias
bastante precisas no plano sociológico: precariado é a camada média do proletariado urbano
precarizado, constituída por jovens-adultos altamente escolarizados com inserção precária nas
relações de trabalho e vida social.

Deste modo, num plano sociológico, o precariado como camada social média do proletariado urbano
precarizado seria constituído, por exemplo, por um conjunto de categoriais sociais imersas na condição
de proletariedade como, por exemplo, jovens empregados do novo (e precário) mundo do trabalho
no Brasil, jovens empregados ou operários altamente escolarizados, principalmente no setor de
serviços e comércio, precarizados nas suas condições de vida e trabalho, frustrados em suas
expectativas profissionais; ou ainda os jovens-adultos recém-graduados desempregados ou inseridos
em relações de emprego precário; ou mesmo estudantes de nível superior (estudantes universitários
são trabalhadores assalariados em formação e muitos deles, estudam e trabalham em condições de
precariedade salarial).

É importante salientar que a precarização do trabalho como precarização salarial e precarização


existencial torna-se crucial na delimitação do conceito de precariado, tanto que dedico a Parte III do
meu último livro – Dimensões da Precarização do Trabalho – para discutir o enigma do precariado.

Deste modo, a construção categorial do conceito de precariado como camada social da classe dos
trabalhadores assalariados implica delimitá-lo, num primeiro momento, pela variável salarial: trata-se
sim do “proletariado precarizado”, mas é preciso salientar: um proletariado jovem, altamente
escolarizado, frustrado em suas expectativas de ascensão profissional e sonhos, anseios e expectativas
de consumo. O que significa que, torna-se importante e fundamental incorporar, nesse caso, na
delimitação da nova camada social do proletariado precarizado, as variáveis etárias e as variáveis
educacionais propriamente ditas. Este recorte sociológico – juventude, precariedade salarial e nível
educacional superior – torna-se crucial para apreendermos as contradições radicais da ordem
sociometabólica do capital no século XXI. Enfim, existe algo de podre no reino do capitalismo do
século XXI.

O precariado ou a camada social de proletários jovens-adultos altamente escolarizados, tende a


cultivar um ethos de “classe média” baseado nos anseios de ascensão social por meio da carreira
profissional e desejo de consumo. Por isso, podemos considerá-los como pertencendo às camadas

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médias do proletariado urbano. É importante salientar que a nova dinâmica do mercado de trabalho
no Brasil na década de 2000 faz com que um contingente de jovens altamente escolarizados fique
desempregado ou inserido em relações salariais precárias tendo em vista a degradação do estatuto
salarial (por exemplo, contrato precário de trabalho e baixa remuneração salarial). Por exemplo,
segundo o jornal “O Estado de São Paulo” de 30/06/2013, o salário médio mensal dos trabalhadores
com mais anos de escolaridade recuou entre 2002 e 2011 no Brasil. A média de salário dos
profissionais com 12 anos ou mais de estudo caiu 8% nesse período, de R$ 3.057 para R$ 2.821 (a
variação já desconta a inflação do período). Isso significa que o poder aquisitivo desse grupo caiu em
10 anos.

Na verdade, as camadas mais escolarizadas do mundo do trabalho no Brasil viram aumentar a


concorrência na última década. Nos últimos anos, as pessoas ficaram mais tempo na escola e a oferta
de profissionais com ensino médio e superior aumentou. Cresceu a fatia dos trabalhadores brasileiros
com ensino médio e superior em andamento ou concluído. O crescimento da escolaridade também foi
impulsionado pelo aumento do número de universidades privadas. Enfim, houve mais ofertas de
trabalhadores assalariados altamente escolarizados, a maior parte deles jovens recém-graduados. E
muitos profissionais podem ter ingressado no nível mais elevado de escolaridade, mas com o mesmo
salário, o que reduziu a média de ganho da categoria. Deste modo, a camada social do precariado
possui, em si e para si, um misto de frustração de expectativas e insatisfação social e, por outro lado,
carecimentos radicais que o torna susceptível de atitudes de rebeldia.

O Brasil é um celeiro do precariado há algumas décadas – pelo menos desde a década de 1980. O
precariado como camada social da classe do proletariado não surgiu na década de 2000, embora
tenha assumido dimensões expressivas por conta do choque do capitalismo na era do
neodesenvolvimentismo. Por exemplo, desde a década de 1980 tornou-se perceptível a inflexão do
padrão desenvolvimentista de inserção ocupacional.

É o que observa Adalberto Cardoso no livro A construção da sociedade do trabalho no Brasil: “Em 30 anos
(1976-2006), ocorreu uma deterioração das chances de inserção ocupacional dos mais qualificados. Isto é, se
até 1976 a maior escolaridade abria as portas das melhores ocupações urbanas, em 2006 esse já não
parecia o caso. É a isso que denomino inflexão do padrão desenvolvimentista de inserção ocupacional,
resultante da operação de três vetores principais: o adiamento da entrada dos jovens no mercado de
trabalho; o desemprego no início das trajetórias de vida; e o consequente aumento da competição
pelas posições de mercado. Ou seja, a escola adquiriu cada vez maior centralidade nas chances de
inserção dos jovens, mas essas chances tornaram-se muito mais restritas e de acesso mais lento em
comparação com os jovens de gerações anteriores.”

Segundo Adalberto Cardoso, a inflexão do padrão desenvolvimentista de inserção ocupacional ocorrida no


final da década de 1990 se consolidou nos anos seguintes. A universalização do ensino fundamental
aumentou a pressão sobre e estrutura educacional e sobre os estudantes do ensino médio. A maior
qualificação ainda melhora as chances de mercado vis-à-vis os menos qualificados, mas vem caindo
(em termos salariais) o “prêmio” daqueles com mais anos de estudo. Além disso, é maior o
desemprego entre os pessoal com mais de 11 anos de estudo do que entre os com 4 anos ou menos.
Diz Cardoso que ter mais escolaridade é sempre melhor em termos médios, mas no
desenvolvimentismo a diferença entre os mais qualificados (minoria da população) e os outros era
imensa. Hoje há mais gente qualificada, mas poucos postos de trabalho para eles, o que aumenta a
competição entre os trabalhadores etc. Enfim, embora Adalberto Cardoso não utilize o conceito de
precariado, ele está delineando a produção do precariado no Brasil nas últimas décadas. Deste modo,
com o neodesenvolvimentismo não se alterou a nova dinâmica de precarização social do trabalho. Na
verdade, ela tornou-se mais visível tendo em vista o crescimento da economia brasileira na década de
2000.

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O precariado constituiu a espinha dorsal dos protestos nas ruas das 353 cidades brasileiras que
ocorreram em junho de 2013. Na medida em que cresceram por conta da exposição midiática, o corpo
das manifestações massivas que atingiram as cidades brasileiras incluíram outras camadas sociais,
frações e categorias de classe que ocuparam as ruas. Mas o que eu tenho salientado é que a espinha
dorsal da multidão massiva que ocupou as ruas era constituída pelo precariado.

De repente, o Movimento do Passe Livre (MPL) deu visibilidade nas ruas brasileiras à camada social
média do proletariado precarizado urbano (em contraposição, por exemplo, ao “subproletariado
pobre” que André Singer utilizou para caracterizar a nova base social do lulismo). O precariado seria,
deste modo, o filho prodigo do neodesenvolvimentismo que exige mudanças sociais na pauta do
novo padrão de desenvolvimento brasileiro. Por exemplo, no artigo “Que juventude é essa”,
publicado no jornal “Folha de São Paulo” de 23/06/2013, o sociólogo Marcelo Ridenti descreveu a
juventude que ocupou as ruas nas manifestações do Outono Quente do seguinte modo: “Ao que tudo
indica até o momento, são principalmente setores da juventude, até há pouco tida como
despolitizada, e que não deixa de expressar as contradições da sociedade. Parece tratar-se de uma
juventude sobretudo das camadas médias, beneficiadas por mudanças nos níveis de escolaridade, mas inseguras
diante de suas conseqüências e com pouca formação política” (o grifo é meu). O que Marcelo Ridenti
descreve, sem o saber, é o precariado.

Numa pesquisa feita pelo IBOPE sobre o perfil social dos manifestantes de junho de 2013 no Brasil
tornou-se claro a presença massiva do precariado nas ruas. Por exemplo, 63% dos manifestantes
tinham de 14 a 29 anos e 18% de 30 a 29 anos; 93% dos manifestantes tinham o colegial completo e
nível superior incompleto/completo; 76% dizem que trabalham, sendo 15% disseram que ganham até
2 (dois) salário-mínimos (S.M.); 30% disseram ganhar de 2 a 5 S.M. e 26%, de 5 a 10 S.M.

Além disso, é importante observar, no plano cultural, que o corte geracional torna a camada social do
precariado susceptível à utilização das redes sociais (facebook e twi er). O precariado é constituído
pela proletários nascidos na era digital. Ao mesmo tempo, tendo em vista que o precariado assumiu
dimensões expressivas na era do neoliberalismo, que aprofundou nas últimas duas décadas, a
imbecilização cultural, a despolitização e o irracionalismo social na sociedade brasileira, o precariado
tornou-se bastante susceptível às atitudes anarco-liberais, anarco-punks, neofascistas e esquerdistas
tout cort, isto é, atitudes “extremistas”, manipuladas tanto à esquerda como à direita, principalmente
numa conjuntura social instável e polarizada politicamente. Na verdade, partidos e sindicatos que
representam as camadas organizadas do proletariado urbano têm dificuldades em absorver as
insatisfações sociais, demandas radicais e formas de organização do precariado.

Enquanto camada média da classe social do proletariado, o precariado tem uma cultura e psicologia
social própria. Por um lado são movidos pela profunda insatisfação social. O que significa que a
rebeldia do precariado é expressão das novas dimensões da precarização do trabalho que ocorre no
Brasil. Não se trata apenas da precarização salarial tendo em vista o desemprego, baixos salários,
rotatividade do trabalho, contratos salariais precários e frustração de expectativas de carreira
profissional; mas trata-se também da precarização existencial que ocorre com a precariedade dos
serviços públicos nas cidades brasileiras – transporte público, saúde, educação, espaços públicos – e o
modo de vida just-in-time (discuto isso no meu último livro “Dimensões da Precarização do Trabalho
no Brasil”).

Por outro lado, a camada social do precariado é movida por carecimentos radicais – utilizando o
conceito de Agnes Heller. Enfim, a juventude proletária escolarizada torna-se vulnerável ao desalento
e angústia intrínsecos ao prosaísmo da vida burguesa e a incapacidade da sociedade das mercadorias
na etapa de capitalismo manipulatório em permitir uma vida plena de sentido. Enfim, o precariado
representa, em si e para si, a carência de futuridade intrínseca à ordem do capital. É por expressarem

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as contradições radicais da ordem burguesa hipertardia que a camada social do precariado é


suscetível a absorver em suas atitudes sociais, formas de irracionalidade que caracterizam a ordem
decadente do capital.

É importante salientar que o cerne da radicalidade do precariado é a contradição visceral entre


“ideais de classe média”, impulsionados pela educação do capital; e a condição de proletariedade que
caracteriza a situação existencial da juventude rebelde (discuti o conceito de condição de
proletariedade no meu livro homônimo, publicado em 2009). Por isso, os protestos de rua no Brasil
não dizem respeito a revolta da “classe média”. Na verdade, a pobreza heurística do conceito de
“classe média” tende a ocultar a condição existencial de classe da multidão insatisfeita das ruas,
multidão de jovens-adultos proletários altamente escolarizados insatisfeitos socialmente e carentes de
uma vida plena de sentido.

A tarefa política da esquerda radical é constituir a aliança interna das camadas sociais do proletariado
urbano – o que não ocorre nem na Europa onde as novas dimensões da luta de classes alcançou maior
desenvolvimento social. De um lado, os movimentos sociais do precariado; e de outro, as
manifestações das centrais sindicais e sindicatos do proletariado organizado com deformação
burocrática. Por um lado, as misérias do esquerdismo, e por outro lado, a miséria do burocratismo
impedindo a unidade política do proletariado como classe social capaz de fazer história. Divide et
impera torna-se hoje, mais do que nunca, nas condições da proletariedade universal, o lema da ordem
sociometabólica do capital.

***

O livro mais recente de Giovanni Alves, Trabalho e subjetividade


(h p://boitempo.com/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-169-7) (Boitempo, 2011) já está à venda
também em formato eletrônico (ebook) nas lojas da Gato Sabido
(h p://www.gatosabido.com.br/ebook-download/158444/giovanni-alves-trabalho-e-
subjetividade.html) e Livraria Cultura
(h p://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?
nitem=29199953&sid=181144134131216323501284767). O autor conta com um artigo na coletânea
Occupy: movimentos de protesto que tomaram as ruas
(h p://boitempoeditorial.com.br/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-216-8), à venda em ebook por
apenas R$5 na Gato Sabido (h p://www.gatosabido.com.br/ebook-download/159989/tariq-ali-mike-
davis-slavoj-zizek-immanuel-wallerstein-david-harvey-vladimir-safatle-giovanni-alves-emir-sader-
edson-teles-henrique-carneiro-joao-alexandre-peschanski-leonardo-sakamoto-occupy.html), Livraria
da Travessa
(h p://www.travessa.com.br/OCCUPY_MOVIMENTOS_DE_PROTESTO_QUE_TOMARAM_AS_RU
AS/eBook/49d 1c3-1f59-4d6a-93e8-846a9122f721), dentre outras
(h ps://boitempoeditorial.wordpress.com/ebooksboitempo/). Giovanni Alves conta também com o
artigo “Trabalhadores precários: o exemplo emblemático de Portugal”, escrito com Dora Fonseca,
publicado no Dossiê “Nova era da precarização do trabalho?” da revista Margem Esquerda 18
(h p://www.boitempoeditorial.com.br/livro_completo.php?isbn=1678-7684-18), já à venda em
ebook na Gato Sabido (h p://www.gatosabido.com.br/ebook-download/161173/heinrich-heine-
margem-esquerda-18.html).

***

Giovanni Alves é doutor em ciências sociais pela Unicamp, livre-docente em sociologia e professor
da Unesp, campus de Marília. É pesquisador do CNPq com bolsa-produtividade em pesquisa e
coordenador da Rede de Estudos do Trabalho (RET), do Projeto Tela Crítica e outros núcleos de
pesquisa reunidos em seu site giovannialves.org (h p://www.google.com/url?
sa=D&q=h p://giovannialves.org/&usg=AFQjCNGUmSl68nXCYYQnEcFZg1RCbMkKtg). É autor de
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02/11/2018 O que é o precariado? – Blog da Boitempo

vários livros e artigos sobre o tema trabalho e sociabilidade, entre os quais O novo (e precário) mundo
do trabalho: reestruturação produtiva e crise do sindicalismo
(h p://www.boitempoeditorial.com.br/livro_completo.php?isbn=85-85934-58-1) (Boitempo Editorial, 2000)
e Trabalho e subjetividade: O espírito do toyotismo na era do capitalismo manipulatório
(h p://www.boitempoeditorial.com.br/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-169-7) (Boitempo Editorial,
2011). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às segundas.

8 comentários em O que é o precariado?

1. observatoriodoprecariado // 25/02/2014 às 5:18 pm // Responder


Republicou isso em Projeto Observatório do Precariadoe comentado:
Giovanni Alves ensaia aproximações a categoria de precariado.

2. André // 23/04/2015 às 7:29 pm // Responder


Giovanni, parabéns pelo sua análise. Esta foi a primeira análise que li, publicada e vinculada a
grande midia web, que conseguiu exprimir um pouco a situação que levou a existencia das
manifestações de 2013.
Sinto na pele, a dificuldade de ser um precariado. Durante o mestrado e o doutorado, tive que me
sujeitar a bolsas, que não possuem garantias trabalhistas algumas, que inclusive não contam como
tempo de serviço. Hoje sofro com o sistema de sub-contratos, por meio de fundações, que tão
pouco me garantem direitos trabalhistas. Devido as necessidades imediatistas, fico
impossibilitado de lutar contra, uma vez que se saio, vem 10 em meu lugar. Em suma, sou refém,
das políticas impostas desde cima, onde não posso opinar, contribuir ou cobrar, mesmo sendo o
principal afetado.
Parabéns.

3. Luis Narval // 25/04/2015 às 8:02 pm // Responder


Sinceramente, não entendo o que você pretende afirmar com a expressão “altamente
escolarizados”. Será que o fato de um indivíduo passar 12, 15 anos de sua vida atrás de uma
carteira escolar o torna assim tão diferente ou tão mais “consciente”, socialmente mais
comprometido do que alguém que tem a metade disso, mas que adquiriu, por iniciativa própria,
mais saber e senso crítico, mesmo que não reconhecidos ou sancionados por um currículo
universitário? As universidades, você sabe muito bem, não têm a preocupação de formar
cidadãos, criaturas pensantes, ou seja, homens e mulheres em seu sentido pleno. As
universidades, em sua grande maioria, tratam apenas de formar/fornecer mão-de-obra
“especializada” para o mercado (se quer digo de trabalho, já que o trabalho propriamente dito
possui conotações e implicações de outra ordem) mas antes de meros agentes de produção de
bens e serviços. Assim, esses indivíduos que você chama de “altamente escolarizados”.
“Precariados?” não significam, em última instância, para aqueles que detêm os meios de
produção, nada além engrenagens supostamente mais bem azeitadas. E como jamais esteve nos
planos de qualquer empregador, viva ele dentro de um regime capitalista ou não, pagar mais que
um salário irrisório, estritamente de acordo como o que determina a lei (nesse caso subjetiva) de
oferta e procura para seus “colaboradores”, o fato deste mesmo colaborador ser mais
“preparado”, o que nem sempre quer dizer mais eficiente, não vai fazer com que ele (o
empregador) tire, por iniciativa própria, um centavo a mais do bolso.

4. Luiz Pedro Mendes do Amaral. // 26/04/2015 às 12:51 pm // Responder


Meus Parabéns! Você está conseguindo conscientizar uma parte dos intelectuais e parte do
proletariado. A sociedade atual vive no sistema de produção e não modo de produção. O sistema
de produção(capitalista) vive de crise, expansão e depressão. A sociedade é um modo de
produção, que deveremos escolher. O capitalismo chegou ao fim colimado. Agora, está
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atrapalhando o desenvolvimento tecnológico, tanto educacional, como na relação


trabalhista(capital x trabalho).
A nova relação trabalhista deverá ser Conhecimento x Trabalho, sem meio circulante de moeda.
Os Poderes não são só três(3) (Legislativo, Executivo e Judiciário) e sim sete(7): Conhecimento,
Filosófico, Imprensa, Executivo, Judiciário, Legislativo e Forças Armadas, Na sequência de
importância da Ordem e Progresso.
As Revoluções Históricas foram produzidas com sangue derramados de muitos, mas, hoje temos
as argumentações e refutações que podem causar Revoluções sem derramamento de sangue.
Vamos exterminar a atual classe dominante para que possamos ingressar na era de Justiça Social.
O sistema capitalista nos trouxe enganação, fraude, roubo, legislação opressiva, assassinatos,
ensino-aprendizagem sem questionamento, nos empurraram goela abaixo o capitalismo, sem
perguntar se nós estávamos aceitando, isso desde criança.
Obrigado por tudo, Graças a Deus.

Luiz Pedro Mendes do Amaral.

5. Alfredo Avelino Ayres // 26/04/2015 às 7:45 pm // Responder


Minha formação acadêmica é razoável, minha experiência de vida, longa. Porém, meu
conhecimento sociológico ainda é sofrível. Todavia, neste texto que Giovanni Alves analisa as
causas e consequências da luta social, enriqueci meu conhecimento sobre o tema. Havia tempos
que não lia algo com essa profundidade e tão bem explicado. É necessário agradecer ao autor e
segui-lo. Obrigado.

6. Nádia // 20/10/2016 às 3:12 pm // Responder


Olá Giovanni!
Sou estudante do primeiro semestre de Ciências Sociais e estamos fazendo seminários com vários
autores.
No meu grupo trataremos do Standing.
Depois de ler a visão dele sobre o precariado, fiquei com uma inquietação discordante, mas não
sabia explicar exatamente o que era. Seu artigo trouxe a luz à minha inquietação e esclareceu
perfeitamente o meu sentimento discordante.
Muito obrigado e parabéns pelo artigo.
Sucesso!

7. paulobretas // 05/01/2017 às 12:11 am // Responder


Republicou isso em A Estrada Vai Além Do Que Se Vê.

8. Valdecir da Silva // 21/01/2018 às 9:28 pm // Responder


Nosso presidente e nossos congressistas deveriam ler este artigo.
Deixariam de ser tão ingênuos e presunçosos…

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3. Prometeu envelhecido: proletariedade e velhice no século XXI | Blog da Boitempo
4. Terceirização: o futuro do trabalhador passa pela bancada do precariado | Rádio Sertões AM 1540
– Mombaça-CE
5. Terceirização: o futuro do trabalhador passa pela bancada do precariado | Portal Notícias e
Negócios
6. O complexo processo de ajuste fiscal | Blog dos Desenvolvimentistas
https://blogdaboitempo.com.br/2013/07/22/o-que-e-o-precariado/ 8/9
02/11/2018 O que é o precariado? – Blog da Boitempo

7. Desembaralhando as cartas à mesa | Passa Palavra


8. Artigo – O abuso de direito e fraude trabalhista na contratação de advogados como sócios e
associados em escritórios de advocacia – Blog do rodrigo carelli
9. O que é classe operária? Debate com PSTU, MAIS e NOS – Parte II – Quilombo Spartacus
10. Precariado - O Benedito
11. Com ou sem o lulismo o Brasil continua e continuará pobre | afalaire
12. “Precariado” ou crise subjetiva do proletariado? – Quilombo Spartacus

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