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ALBA

Assembleia Legislativa do Estado da Bahia

Técnico Legislativo - Agente de Polícia Legislativa

(Feminino e Masculino)

Edital N° 001 de 26 de Outubro de 2018

OT117-2018
DADOS DA OBRA

Título da obra: Assembleia Legislativa do Estado da Bahia - ALBA

Cargo: Técnico Legislativo - Agente de Polícia Legislativa


(Feminino e Masculino)

(Baseado no Edital N° 001 de 26 de Outubro de 2018)

• Língua Portuguesa
• Legislação Institucional
• Noções de Informática
• Raciocínio Lógico-Matemático
Conhecimentos Específicos
• Noções de Direito Constitucional
• Noções de Direito Penal e de Direito Processual Penal
• Noções de Direito Administrativo

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Diagramação/ Editoração Eletrônica


Elaine Cristina
Ana Luiza Cesário
Thais Regis

Produção Editoral
Suelen Domenica Pereira
Leandro Filho

Capa
Joel Ferreira dos Santos
APRESENTAÇÃO

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SUMÁRIO

Língua Portuguesa

Leitura, compreensão e interpretação de textos.......................................................................................................................................... 01


Estruturação do texto e dos parágrafos. ........................................................................................................................................................ 21
Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais...................................................... 21
Significação contextual de palavras e expressões. ..................................................................................................................................... 01
Equivalência e transformação de estruturas. ................................................................................................................................................ 21
Sintaxe: processos de coordenação e subordinação. ............................................................................................................................... 55
Emprego de tempos e modos verbais. ........................................................................................................................................................... 23
Pontuação. .................................................................................................................................................................................................................. 69
Estrutura e formação de palavras. .................................................................................................................................................................... 32
Funções das classes de palavras. ....................................................................................................................................................................... 32
Flexão nominal e verbal. ....................................................................................................................................................................................... 32
Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação. ...................................................................................................................... 80
Concordância nominal e verbal. ........................................................................................................................................................................ 72
Regência nominal e verbal. .................................................................................................................................................................................. 78
Ocorrência de crase. ............................................................................................................................................................................................... 78
Ortografia oficial. ..................................................................................................................................................................................................... 14
Acentuação gráfica.................................................................................................................................................................................................. 14

Legislação Institucional
Regimento Interno da ALBA (Resolução nº 1.193/1985, de 17.01.1985). .................................................................................................01
Lei nº 6.677/1994, de 26.09.1994 (Estatuto dos Servidores Públicos da Bahia). ....................................................................................24
Lei nº 8.902/2003, de 18.12.2003. ...............................................................................................................................................................................49
Lei nº 8.971/2004, de 05.01.2004. ...............................................................................................................................................................................51
Lei 13.801/2017. ..................................................................................................................................................................................................................58
Lei 13.962/2018. ..................................................................................................................................................................................................................62
Ato da Mesa Diretora n° 007/2010 de 24/03/2010 ............................................................................................................................................67
Ato da Mesa Diretora n° 133/2018.............................................................................................................................................................................77

Noções de Informática

1. Componentes de um computador: hardware e software.................................................................................................................... 01


2. Arquitetura básica de computadores: unidade central, memória: tipos e tamanhos............................................................... 01
3. Periféricos: impressoras, drivers de disco fixo (Winchester), disquete, CD-ROM. ..................................................................... 01
4. Uso do teclado, uso do mouse, janelas e seus botões, diretórios e arquivos (uso do Windows Explorer): tipos de
arquivos, localização, criação, cópia e remoção de arquivos, cópias de arquivos para outros dispositivos e cópias de
segurança, uso da lixeira para remover e recuperar arquivos, uso da ajuda do Windows. ....................................................... 01
5. Uso do Word for Windows: entrando e corrigindo texto, definindo formato de páginas: margens, orientação,
numeração, cabeçalho e rodapé definindo estilo do texto: fonte, tamanho, negrito, itálico e sublinhado, impressão de
documentos: visualizando a página a ser impressa, uso do corretor ortográfico, criação de textos em colunas, criação
de tabelas, criação e inserção de figuras no texto...................................................................................................................................... 28

Raciocínio Lógico-Matemático

Entendimento da estrutura lógica de relações arbitrárias entre pessoas, lugares, objetos ou eventos fictícios................ 42
Problemas de raciocínio: deduzir informações de relações arbitrárias entre objetos, lugares, pessoas e/ou eventos
fictícios dados............................................................................................................................................................................................................ 42
Compreensão e análise da lógica de uma situação. ................................................................................................................................. 01
Raciocínio verbal, raciocínio matemático e raciocínio sequencial........................................................................................................ 01
Orientação espacial e temporal. ........................................................................................................................................................................ 01
Formação de conceitos e discriminação de elementos. .......................................................................................................................... 01
Diagramas lógicos, tabelas e gráficos.............................................................................................................................................................. 13
SUMÁRIO

Noções de Direito Constitucional

Direitos e garantias constitucionais: art. 5º da Constituição;.................................................................................................................. 01


Direitos sociais; cidadania e direitos políticos............................................................................................................................................... 01
Normas Constitucionais relativas à Administração Pública e aos servidores públicos................................................................. 33
Defesa do Estado e das instituições democráticas: segurança pública; organização da segurança pública....................... 47
Ordem social: base e objetivos da ordem social; seguridade social; educação, cultura e desporto; ciência e tecnologia;
comunicação social; meio ambiente; família, criança, adolescente e idoso...................................................................................... 50

Noções de Direito Penal e de Direito Processual Penal

Infração penal: elementos, espécies. Sujeito ativo e sujeito passivo da infração penal............................................................... 01
Tipicidade, ilicitude, culpabilidade, punibilidade......................................................................................................................................... 02
Erro de tipo; erro de proibição............................................................................................................................................................................ 03
Imputabilidade penal.............................................................................................................................................................................................. 05
Concurso de pessoas.............................................................................................................................................................................................. 05
Crimes contra a pessoa.......................................................................................................................................................................................... 07
Crimes contra o patrimônio................................................................................................................................................................................. 08
Crimes contra a Administração Pública........................................................................................................................................................... 18
Abuso de autoridade (Lei 4.898/65).................................................................................................................................................................. 19
Tráfico ilícito de drogas (Lei 11.343/2006)...................................................................................................................................................... 24
Estatuto da Criança e do Adolescente............................................................................................................................................................. 39
Estatuto do Desarmamento.................................................................................................................................................................................. 93
Inquérito Policial, Notitia Criminis....................................................................................................................................................................100
Jurisdição e competência....................................................................................................................................................................................103
Prisão em flagrante e prisão preventiva........................................................................................................................................................105
Da prova: exame de corpo de delito, interrogatório e testemunhas.................................................................................................118
Das citações e intimações...................................................................................................................................................................................124
Do reconhecimento de pessoas e coisas......................................................................................................................................................125
Restituição das coisas apreendidas.................................................................................................................................................................126
Prisão especial.........................................................................................................................................................................................................127
Atuação do advogado na fase inquisitiva.....................................................................................................................................................127

Noções de Direito Administrativo

Estado, governo e administração pública: conceitos, elementos, poderes e organização; natureza, fins e princípios.........01
Organização administrativa da União; administração direta e indireta......................................................................................................04
Agentes públicos: espécies e classificação; poderes, deveres e prerrogativas; cargo, emprego e função públicos;..............13
Regime Jurídico: provimento, vacância, remoção, redistribuição e substituição; direitos e vantagens; regime disciplinar;
responsabilidade civil, criminal e administrativa...................................................................................................................................................14
Poderes administrativos: poder hierárquico; poder disciplinar; poder regulamentar; poder de polícia; uso e abuso do
poder. ......................................................................................................................................................................................................................................49
Controle e responsabilização da administração: controle administrativo; ...............................................................................................53
Lei 8.112/90 e suas alterações (Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União). ..............................................................64
Ética profissional..................................................................................................................................................................................................................64
LÍNGUA PORTUGUESA

1 Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados. ......................................................................................................... 01


2 Reconhecimento de tipos e gêneros textuais. ......................................................................................................................................... 05
3 Domínio da ortografia oficial. ......................................................................................................................................................................... 14
3.1 Emprego das letras. ................................................................................................................................................................................... 14
3.2 Emprego da acentuação gráfica. .......................................................................................................................................................... 14
4 Domínio dos mecanismos de coesão textual. .......................................................................................................................................... 21
4.1 Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e outros elementos de
sequenciação textual. ....................................................................................................................................................................................... 21
4.2 Emprego/correlação de tempos e modos verbais. ............................................................................................................................. 23
5 Domínio da estrutura morfossintática do período. ................................................................................................................................ 32
5.1 Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração. ..................................................................................... 55
5.2 Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração...................................................................................... 55
5.3 Emprego dos sinais de pontuação. ..................................................................................................................................................... 69
5.4 Concordância verbal e nominal. ........................................................................................................................................................... 72
5.5 Emprego do sinal indicativo de crase. ................................................................................................................................................ 78
5.6 Colocação dos pronomes átonos. ........................................................................................................................................................ 80
6 Reescritura de frases e parágrafos do texto. ............................................................................................................................................. 89
6.1 Substituição de palavras ou de trechos de texto. .......................................................................................................................... 89
6.2 Retextualização de diferentes gêneros e níveis de formalidade. ............................................................................................. 89
7 Correspondência oficial. .................................................................................................................................................................................... 95
7.1 Adequação da linguagem ao tipo de documento. ....................................................................................................................... 95
7.2 Adequação do formato do texto ao gênero..................................................................................................................................... 95
LÍNGUA PORTUGUESA

O que nos diz Franz Kafka a respeito do silêncio das


1 COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE sereias? Por que o silêncio seria mais mortal do que o seu
TEXTOS DE GÊNEROS VARIADOS. canto?
Ler um texto é muito mais do que decodificar um
código, entender seu vocabulário. Isso porque o conjunto
de palavras que compõem um texto são organizados de
Leia o texto abaixo de Franz Kafka, O silêncio das sereias: modo a produzir uma mensagem. Há várias formas de
se ler um texto. Iniciamos primeiramente pela camada
Prova de que até meios insuficientes - infantis mesmo mais superficial, que é justamente o início da “tradução”
podem servir à salvação: do vocabulário apresentado. Compreendidas as palavras,
Para se defender da sereias, Ulisses tapou o ouvidos com ainda nesse primeiro momento, verificamos qual tipo de
cera e se fez amarrar ao mastro. Naturalmente - e desde texto se trata: matéria de jornal, conto, poema. Entretanto,
sempre - todos os viajantes poderiam ter feito coisa semelhante, ainda assim não lemos esse conjunto de palavras em sua
exceto aqueles a quem as sereias já atraíam à distância; mas plenitude, isso porque ler é, antes de mais nada, interpretar.
era sabido no mundo inteiro que isso não podia ajudar em A palavra interpretação significa, literalmente, explicar
nada. O canto das sereias penetrava tudo e a paixão dos algo para si e para o outro. E explicar, outra palavra
seduzidos teria rebentado mais que cadeias e mastro. Ulisses importante numa leitura, consiste em desdobrar algo que
porém não pensou nisso, embora talvez tivesse ouvido coisas estava dobrado. Assim sendo, podemos entender que ler
a esse respeito. Confiou plenamente no punhado de cera e no um texto é interpretá-lo, e para tanto se faz necessário
molho de correntes e, com alegria inocente, foi ao encontro das desdobrar suas camadas, suas palavras, até fazê-las suas,
sereias levando seus pequenos recursos. para assim chegar a uma camada mais profunda do que a
As sereias entretanto têm uma arma ainda mais terrível inicial – a da mera “tradução” das palavras.
que o canto: o seu silêncio. Apesar de não ter acontecido isso, Um texto é sempre escrito por alguém. Um autor,
é imaginável que alguém tenha escapado ao seu canto; mas quando lança as palavras num papel, faz na intenção de
do seu silêncio certamente não. Contra o sentimento de ter passar uma mensagem específica para o leitor. Muitas vezes
vencido com as próprias forças e contra a altivez daí resultante temos dificuldades em captar qual a mensagem ele está
- que tudo arrasta consigo - não há na terra o que resista. tentando nos dizer. Entretanto, algo é sempre importante
E de fato, quando Ulisses chegou, as poderosas cantoras lembrar: textos são feitos de palavras, e todas as ferramentas
não cantaram, seja porque julgavam que só o silêncio poderia para se entender o texto estão no próprio texto, no modo
conseguir alguma coisa desse adversário, seja porque o ar de como o autor organizou as palavras entre si.
felicidade no rosto de Ulisses - que não pensava em outra Tudo isso pode ser resumido numa simples frase: texto
coisa a não ser em cera e correntes - as fez esquecer de todo e é uma composição estruturada em camadas de sentido.
qualquer canto. Da mesma forma que para conhecer uma casa é preciso
Ulisses no entanto - se é que se pode exprimir assim - não adentrá-la e entender sua estrutura, compreender um texto
ouviu o seu silêncio, acreditou que elas cantavam e que só ele é decompô-lo, camada a camada, desde o conhecimento da
estava protegido contra o perigo de escutá-las. Por um instante, autoria até o sentido final. Isso requer uma atitude ativa do
viu os movimentos dos pescoços, a respiração funda, os olhos leitor, e não meramente passiva.
cheios de lágrimas, as bocas semiabertas, mas achou que tudo Você já se perguntou por que em concursos públicos e
isso estava relacionado com as árias que soavam inaudíveis vestibulares é sempre exigida interpretação textual? Pense. Não
em torno dele. Logo, porém, tudo deslizou do seu olhar dirigido basta apenas conhecer as regras gramaticais de uma língua,
para a distância, as sereias literalmente desapareceram diante também é importante entender os sentidos que essa língua
da sua determinação, e quando ele estava no ponto mais pode expressar. Se não conseguimos interpretar um texto, como
próximo delas, já não as levava em conta. conseguiremos interpretar o mundo em que vivemos?
Mas elas - mais belas do que nunca - esticaram o corpo Assim sendo, ler o texto se faz da mesma forma que se
e se contorceram, deixaram o cabelo horripilante voar livre lê o mundo: a partir de suas peculiaridades, ultrapassando
no vento e distenderam as garras sobre os rochedos. Já a camada mais ingênua da vida e do texto, entendo as
não queriam seduzir, desejavam apenas capturar, o mais entrelinhas da mensagem, ou seja, o que está subentendido.
longamente possível, o brilho do grande par de olhos de Ulisses. Quando falamos de leitura, falamos antes de níveis de
Se as sereias tivessem consciência, teriam sido então leitura, pois é a partir desse processo que alcançamos uma
aniquiladas. Mas permaneceram assim e só Ulisses escapou delas. interpretação efetiva. Vejamos:
De resto, chegou até nós mais um apêndice. Diz-se que
Ulisses era tão astucioso, uma raposa tão ladina, que mesmo 1 – Níveis de leitura
a deusa do destino não conseguia devassar seu íntimo. Talvez
ele tivesse realmente percebido - embora isso não possa a) Primeiro Nível – é o mais superficial e consiste em
ser captado pela razão humana - que as sereias haviam iniciar o aprendizado dos significados das palavras. É o
silenciado e se opôs a elas e aos deuses usando como escudo próprio ato de decodificação de uma língua. Nesse nível
o jogo de aparências acima descrito. ainda não é possível realizar a interpretação de um texto,
(KAFKA, Franz. O silêncio das sereias. In. http:// já que não se possui ainda familiaridade com os sentidos
almanaque.folha.uol.com.br/kafka2.htm) de uma palavra.

1
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Segundo Nível – é o contato mais familiar com um 3) A frase representa a ideia centra, qual é essa ideia?
texto, através do conhecimento de qual gênero se trata O autor parece nos dizer que o silêncio é mais mortal
(notícia, conto, poema), do seu autor e dos benefícios que que a própria fala, ou seja, pode ferir mais.
essa leitura poderia trazer. Imagine você uma livraria. Há
vários exemplares para escolher. Então você analisa o título 4) Como o autor desenvolve essa ideia ao longo do
do livro, o autor, lê rapidamente a contracapa e também texto?
um trecho do livro. O segundo nível da leitura diz respeito a) Muitos já escaparam do canto das sereias, nunca do
a essa primeira familiarização com um texto. seu silêncio;
b) Quando o herói Ulisses passa pelas sereias, elas não
c) Terceiro Nível – é o momento da leitura cantam, precisam de uma arma maior;
propriamente dita. O primeiro passo é entender em c) Ulisses foi mais astuto que as sereias – frente o
qual gênero se encontram as palavras. Se forem textos silêncio mortal que elas lançavam, ele o ignorou, usando a
de ficção (como conto, romance) devemos nos atentar mesma arma do inimigo para enfrentá-lo.
às falas e ações das personagens. Caso se trate de uma
crônica ou texto de opinião, é importante prestar atenção 5) Quais as palavras mais recorrentes no texto?
no vocabulário utilizado pelo autor, pois nestes gêneros as Silêncio, canto, sereias, Ulisses, herói, astucioso.
palavras são escolhidas minuciosamente a fim de explicitar Assim sendo, o texto que inicialmente parecia
um determinado sentido. Quando se tratar de um poema, enigmático, após as respostas das perguntas sugeridas,
também é importante analisar o vocabulário do poeta, parece mais claro. Ou seja, Franz Kafka se utiliza da ficção
lembrando-se que na poesia a mensagem sempre diz mais para nos dizer que a indiferença é uma arma mais mortal
do que parece dizer. que o próprio enfrentamento.
No momento de interpretar um texto, geralmente
ultrapassamos o terceiro nível da leitura, chegando ao Analisemos agora um poema, um dos mais conhecidos
quarto e quinto, quando precisamos reler o material em da literatura brasileira, No meio do caminho, de Carlos
questão, centrando-se em partes específicas. Frente as Drummond de Andrade:
perguntas de interpretação, cuidado com as opções
muito generalizadoras, estas tentam confundir o leitor, já No Meio do Caminho – Carlos Drummond de
que representam apenas leituras superficiais do assunto. Andrade
Por isso mesmo, sempre muita atenção no momento da No meio do caminho tinha uma pedra
leitura, para que não caia nas famosas “pegadinhas” dos tinha uma pedra no meio do caminho
avaliadores. tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
2) Ideia central Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Um texto sempre apresenta uma ideia central e, muitas Nunca me esquecerei que no meio do caminho
vezes, na primeira leitura não a captamos. Assim, algumas tinha uma pedra
estratégias são válidas para atingir esse propósito. tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
1) Qual o gênero textual? (ANDRADE, Carlos Drummond de. No meio do
2) O texto poderia ser resumido numa frase, qual? caminho. In. http://www.revistabula.com/391-os-dez-
3) A frase representa a ideia central, qual é essa ideia? melhores-poemas-de-carlos-drummond-de-andrade/)
4) Como o autor desenvolve essa ideia ao longo do
texto? A mensagem parece simples, mas se trata de um
5) Quais as palavras mais recorrentes nesse texto? poema. Quando precisamos interpretar esse tipo de
gênero, é essencial perceber que as palavras dizem mais do
Caso você consiga responder essas perguntas que o senso comum, por isso se faz importante interpretá-
certamente você terá as ferramentas necessárias para las com cuidado. Vamos às perguntas sugeridas:
interpretar o texto.
Utilizemos como exemplo o texto de Franz Kafka citada 1) Qual o gênero textual?
anteriormente. Leia o texto novamente. Agora responda as Poema
questões:
2) O texto poderia ser resumido numa frase, qual?
1) Qual o gênero textual? Tinha uma pedra no meio do caminho
Trata-se de um conto, ou seja, um texto de ficção.
3) A frase representa a ideia central, qual é essa ideia?
2) O texto poderia ser resumido numa frase, qual? Pedra no caminho é uma frase de sentido popular que
Utilizando as palavras do autor: As sereias entretanto significa dificuldade. O poeta parece usar uma frase banal
têm uma arma ainda mais terrível que o canto: o seu silêncio num poema para indicar que pedra é muito mais do que
pedra, é uma dificuldade.

2
LÍNGUA PORTUGUESA

4) Como o autor desenvolve essa ideia ao longo do a) é de caráter narrativo;


texto? b) é de caráter reflexivo;
Através da repetição da frase “tinha uma pedra no c) evita-se a linguagem figurada;
meio caminho”. Escrito diversas vezes, soa como uma lição d) é de caráter descritivo;
a ser aprendida. e) não há metalinguagem.

5) Quais as palavras mais recorrentes nesse texto? 3. “Tão barato que não conseguimos nem contratar
Pedra, meio, caminho uma holandesa de olhos azuis para este anúncio.”
Quando realizamos essas perguntas, paramos para No texto, a orientação semântica introduzida pelo
refletir sobre a mensagem do texto em questão. E mais, termo nem estabelece uma relação de:
quando precisamos interpretar um texto, após a leitura a) exclusão;
inicial, é necessário ler detalhadamente cada parte (seja b) negação;
parágrafo, estrofe) e assim construir passo a passo o c) adição;
“desdobramento” do texto. d) intensidade;
e) alternância.
3) Dicas importantes para uma interpretação de
texto Texto para a questão 4.
- Faça uma leitura inicial, a fim de se familiarizar com o
vocabulário e o conteúdo; – Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Não interrompa a leitura caso encontre palavras – Esquece.
desconhecidas, tente inicialmente fazer uma leitura geral; – Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o
- Faça uma nova leitura, tentando captar as entrelinhas certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Mo
do texto, ou seja, a intenção do autor ao escrever esse diga. Ensines-lo-me, vamos.
material; – Depende.
- Lembre-se que no texto não estão as suas ideias, – Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se
e sim as do autor, por isso cuidado para não interpretar o soubesses, mas não sabes-o.
segundo o seu ponto de vista; – Está bem. Está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Nas questões interpretativas, atente para as (L. F. Veríssimo, Jornal do Brasil, 30/12/94)
alternativas generalizadoras, as que apresentam palavras
como sempre, nunca, certamente, todo, tudo, geralmente 4. O texto tem por finalidade:
tentem confundir aquele que realiza uma leitura mais a) satirizar a preocupação com o uso e a colocação das
superficial; formas pronominais átonas;
- Das alternativas propostas, haverá uma completamente b) ilustrar ludicamente várias possibilidades de
sem sentido (para captar o leitor mais desatento) e duas combinação de formas pronominais;
mais convincentes. Para escolher a correta, procure no c) esclarecer pelo exemplo certos fatos da concordância
texto indícios que a fundamente. de pessoa gramatical;
d) exemplificar a diversidade de tratamentos que é
Exercícios comum na fala corrente.
e) valorizar a criatividade na aplicação das regras de
1. De acordo com o ditado popular “invejoso nunca uso das formas pronominais.
medrou, nem quem perto dele morou”,
a) o invejoso nunca teve medo, nem amedronta seus 5. Bem cuidado como é, o livro apresenta alguns
vizinhos; defeitos. Começando com “O livro apresenta alguns
b) enquanto o invejoso prospera, seus vizinhos defeitos”, o sentido da frase não será alterado se continuar
empobrecem; com:
c) o invejoso não cresce e não permite o crescimento a) desde que bem cuidado;
dos vizinhos; b) contanto que bem cuidado;
d) o temor atinge o invejoso e também seus vizinhos; c) à medida que é bem cuidado;
e) o invejoso não provoca medo em seus vizinhos. d) tanto que é bem cuidado;
e) ainda que bem cuidado.
2. Leia e responda: Texto para as questões 6 e 7.
“O destino não é só dramaturgo, é também o seu
próprio contra-regra, isto é, designa a entrada dos “Eu considerei a glória de um pavão ostentando o
personagens em cena, dá-lhes as cartas e outros objetos, e esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei
executa dentro os sinais correspondentes ao diálogo, uma lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não
trovoada, um carro, um tiro.” existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há
Assinale a alternativa correta sobre esse fragmento são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta,
de D. Casmurro, de Machado de Assis: como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

3
LÍNGUA PORTUGUESA

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir 9. “– Mas se eu inventei, como é que não existe?”
o máximo de matizes com um mínimo de elementos. Segundo se deduz da fala espantada do amigo do
De água e luz ele faz seu esplendor, seu grande mistério narrador, a língua, para ele, era um código aberto:
é a simplicidade. Considerei, por fim, que assim é o amor, a) ao qual se incorporariam palavras fixadas no uso
oh minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e popular;
estremece e delira em mim existem apenas meus olhos b) a ser enriquecido pela criação de gírias;
recebendo a luz do teu olhar. Ele me cobre de glórias e me c) pronto para incorporar estrangeirismos;
faz magnífico.” d) que se amplia graças à tradução de termos científicos;
(Rubem Braga, 200 Crônicas Escolhidas) e) a ser enriquecido com contribuições pessoais.

6. Nas três “considerações” do texto, o cronista preserva, Texto para as questões 10 e 11.
como elemento comum, a idéia de que a sensação de
esplendor: “A triste verdade é que passei as férias no calçadão do
a) ocorre de maneira súbita, acidental e efêmera; Leblon, nos intervalos do novo livro que venho penosamente
b) é uma reação mecânica dos nossos sentidos perpetrando. Estou ficando cobra em calçadão, embora deva
estimulados; confessar que o meu momento calçadônido mais alegre
c) decorre da predisposição de quem está apaixonado; é quando, já no caminho de volta, vislumbro o letreiro do
d) projeta-se além dos limites físicos do que a motivou; hotel que marca a esquina da rua onde finalmente terminarei
e) resulta da imaginação com que alguém vê a si o programa-saúde do dia. Sou, digamos, um caminhante
mesmo. resignado. Depois dos 50, a gente fica igual a carro usado, é a
suspensão, é a embreagem, é o radiador, é o contraplano do
7. Atente para as seguintes afirmações: rolabrequim, é o contrafarto do mesocárdio epidítico, a falta
I - O esplendor do pavão e o da obra de arte implicam da serotorpina folimolecular, é o que mecânicos e médicos
algum grau de ilusão. disseram. Aí, para conseguir ir segurando a barra, vou acatando
II - O ser que ama sente refletir em si mesmo um os conselhos. Andar é bom para mim, digo sem muita convicção
atributo do ser amado. a meus entediados botões, é bom para todos.”
III - O aparente despojamento da obra de arte oculta os (João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo, 6/8/95)
recursos complexos de sua elaboração.
De acordo com o que o texto permite deduzir, apenas: 10. No período que se inicia em “Depois dos 50...”, o uso
a) as afirmações I e III estão corretas; de termos ( já existentes ou inventados) referentes a áreas
b) as afirmações I e II estão corretas; diversas tem como resultado:
c) as afirmações II e III estão corretas; a) um tom de melancolia, pela aproximação entre um
d) a afirmação I está correta; carro usado e um homem doente;
e) a afirmação II está correta. b) um efeito de ironia, pelo uso paralelo de termos da
medicina e da mecânica;
Texto para as questões 8 e 9. c) uma certa confusão no espírito do leitor, devido à
apresentação de termos novos e desconhecidos;
“Em nossa última conversa, dizia-me o grande d) a invenção de uma metalinguagem, pelo uso de
amigo que não esperava viver muito tempo, por ser um termos médicos em lugar de expressões corriqueiras;
“cardisplicente”. e) a criação de uma metáfora existencial, pela oposição
entre o ser humano e objetos.
– O quê?
– Cardisplicente. Aquele que desdenha do próprio 11. Na frase “Aí, para conseguir ir segurando a barra, vou
coração. acatando os conselhos...”. Aí será corretamente substituído,
Entre um copo e outro de cerveja, fui ao dicionário. de acordo com seu sentido no texto, por:
– “Cardisplicente” não existe, você inventou – triunfei. a) Nesse lugar
– Mas seu eu inventei, como é que não existe? – b) Nesse instante
espantou-se o meu amigo. c) Contudo
Semanas depois deixou em saudades fundas d) Em conseqüência
companheiros, parentes e bem-amadas. Homens de bom e) Ao contrário
coração não deveriam ser cardisplicentes.”
12. A prosopopéia, figura que se observa no verso
8. Conforme sugere o texto, “cardisplicente” é: “Sinto o canto da noite na boca do vento”, ocorre em:
a) um jogo fonético curioso, mas arbitrário; a) “A vida é uma ópera e uma grande ópera.”
b) palavra técnica constante de dicionários b) “Ao cabo tão bem chamado, por Camões, de ‘Tormentório’,
especializados; os portugueses apelidaram-no de ‘Boa Esperança’.”
c) um neologismo desprovido de indícios de significação; c) “Uma talhada de melancia, com seus alegres caroços.”
d) uma criação de palavra pelo processo de composição; d) “Oh! eu quero viver, beber perfumes, Na flor silvestre,
e) termo erudito empregado para criar um efeito que embalsama os ares.”
cômico. e) “A felicidade é como a pluma...”

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LÍNGUA PORTUGUESA

13. Gabarito
Folha: De todos os ditados envolvendo o seu nome,
qual o que mais lhe agrada? 01. C
Satã: O diabo ri por último. 02. B 
Folha: Riu por último. 03. B
Satã: Se é por último, o verbo não pode vir no passado. 04. A
(O Inimigo Cósmico, Folha de S. Paulo, 3/9/95) 05. E
06. C
Rejeitando a correção ao ditado, Satã mostra ter usado 07. D
o presente do indicativo com o mesmo valor que tem em: 08. C
a) Romário recebe a bola e chuta. Gooool! 09. E
b) D. Pedro, indignado, ergue a espada e dá o brado de 10. B
independência. 11. C
c) Todo dia ela fez tudo sempre igual. 12. C
d) O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos 13. E
quadrados dos catetos. 14. E
e) Uma manhã destas, Jacinto, apareço no 202 para 15. B
almoçar contigo.

14. Reflita sobre o diálogo abaixo: 2 RECONHECIMENTO DE TIPOS E GÊNEROS


X – Seu juízo melhorou? TEXTUAIS.
Y – Bom... é o que diz nosso psiquiatra.
Em Y:
(1) Bom não se classifica como adjetivo. TIPOLOGIA TEXTUAL
(2) é e diz estão conjugados no mesmo tempo.
Texto, tecelagem ou modo de estruturar as palavras,
(3) o é pronome demonstrativo.
é um artefato usado para a comunicação. Antes de seu
(4) psiquiatra é o núcleo do sujeito.
advento havia apenas a oralidade como ferramenta de
transmissão e, aqui, o modo mais eficiente de lembrar o
Somando-se os números à esquerda das declarações
que deveria ser emitido era a narração em versos, já que era
corretas com referência a Y, o resultado é:
mais fácil memorizar através dos ritmos proporcionados.
a) 6
Com o texto, já não era mais indispensável a presença
b) 7
daquele que criava as ideias, pois a textualidade por si só
c) 8 já era uma presença material. E, assim, o verso da oralidade
d) 9 foi sendo substituído pela linha reta da prosa. Quando a
e) 10 escrita foi popularizada, rapidamente foi se diversificando
o modo de usá-la, através dos gêneros textuais e literários,
15. “(...) a gíria desceu o morro e já ganhou rótulo de modos externos de se apresentar uma linguagem. Além
linguagem urbana. A gíria é hoje o segundo idioma do dos gêneros, há uma forma interna de organizar a grafia,
brasileiro. Todas as classes sociais a utilizam.” seja mais livre, impessoal ou argumentativa, e aqui estamos
(Rodrigues, Kanne. Língua Solta. O Povo. Fortaleza, falando dos tipos textuais, modos de organização
30/12/93. Caderno B, p. 6) interna de um texto. Nesse sentido, frente à variedade
infinita de gêneros textuais, há apenas cinco tipos de
Assinale a letra em que não se emprega o fenômeno textos: a narração, a descrição, a dissertação e a injunção.
lingüístico tratado no texto.
a) A linguagem tida como padrão, galera, é a das 1. O texto narrativo
classes sociais de maior prestígio econômico e cultural A narrativa é um texto cujo fim é relatar acontecimentos,
b) Gíria não é linguagem só de marginal, como pensam reais ou fictícios, dentro de um espaço e tempo específicos,
alguns indivíduos desinformados. vividos por personagens e estruturado por meio de uma
c) Apesar de efêmera e descartável, a gíria é um barato voz narrativa.
que enriquece o idioma. É através da figura do narrador que os fatos são
d) “A gíria enriquece tanto a linguagem como o poder organizados e sua presença é fundamental. Seja num relato
de interação entre as comunidades. Sacou?!” ficcional ou verídico, no texto narrativo somos apresentados
e) O economista começou a falar em indexação, aos conflitos e aventuras de seres que representam a
quando rolava um papo super cabeça sobre babados mil. realidade – as personagens – e geralmente tal tipo de
texto é marcado por diálogos, fluxos de pensamentos,
(Exercícios retirados de http://soldosana.blogspot.com. emoções. Diríamos, ainda, que é na narração nossa única
br/2012/03/simulado-portugues-iii-20-questoes-com. possibilidade de adentrarmos nos pensamentos de alguém,
html) pois pelo enredo apresentado pelo narrador temos acesso
total ao que as personagens pensam.

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LÍNGUA PORTUGUESA

A semente da narração está na epopeia clássica, gênero - Narrador Onisciente: considerado o narrador mais
em que um aedo – narrador clássico – entretinha multidões comum, transmite a história em terceira pessoa e não se
ao transmitir as aventuras dos grandes heróis. Sua passagem à constitui em personagem no enredo. Sabe de todos os
escrita transformou o verso em prosa, entretanto, sua função fatos e sentimentos vividos pelas personagens, geralmente
de prender a atenção do leitor/ouvinte é a mesma. Antes do narra a história utilizando tempo passado.
cinema e posterior ao teatro, o gênero narrativo contém em
suas páginas dramas e embates existenciais diversificados Ex.:
nos diversos gêneros que o utilizam: narrativa história, conto, NA PLANÍCIE avermelhada os juazeiros alargavam
novela, romance, diários. duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o
dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente
1. 1. Elementos estruturais andavam pouco, mas como haviam repousado bastante
na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas.
a) Narrador Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem
Também chamado de foco narrativo, o narrador é a voz
dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados
que relata a história. Temos acesso aos acontecimentos por
da catinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, Sinha
meio do ponto de vista do narrador, que pode se apresentar
Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o
das seguintes formas:
- Narrador Protagonista: aquele que conta a história em baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a
primeira pessoa, geralmente o relato de sua vida. Aqui assume tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão,
duas funções, a de narrador e a de personagem principal. a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho
e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-
Ex.: se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a
Não compreendo o que vi. E nem mesmo sei se vi, já que chorar, sentou-se no chão.
meus olhos terminaram não se diferenciando da coisa vista. (RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. In. http://www.
Só por um inesperado tremor de linhas, só por uma anomalia lettere.uniroma1.it/sites/default/files/528/GRACILIANO-
na continuidade ininterrupta de minha civilização, é que por RAMOS-Vidas-secas-livro-completo.pdf)
um átimo experimentei a vivificadora morte. A fina morte
que me fez manusear o proibido tecido da vida. É proibido b) Personagem
dizer o nome da vida. E eu quase o disse. Quase não me pude Do latim persona (máscara teatral), a personagem na
desembaraçar de seu tecido, o que seria a destruição dentro narrativa é o ser que viverá os acontecimentos organizados
de mim de minha época. Talvez o que me tenha acontecido pela voz do narrador. O encanto da personagem está em
seja uma compreensão - e que, para eu ser verdadeira, tenho seu caráter verossimilhante, sua aproximação com a vida, e
que continuar a não estar à altura dela, tenho que continuar a por isso é tão comum nos identificarmos com ela na leitura
não entendê-la. Toda compreensão súbita se parece muito com de um texto. Há as personagens que sofrem ao longo da
uma aguda incompreensão. história, aquelas que nos fazem repensar sobre questões
(LISPECTOR, Clarice. Paixão segundo G.H In. http:// como ética e comportamento, aquelas que cometem os
w w w. c a r l a p o r t u g u e s . co m . b r / s i t e / w p - co n t e n t / crimes os quais condenamos. E, mais, somente na narrativa
uploads/2013/04/apaixaosegundogh.pdf) podemos ter acesso a seus pensamentos, já que na vida
real nunca poderemos, de fato, saber verdadeiramente o
- Narrador Testemunha: o narrador relata os que o outro pensa.
acontecimentos em primeira pessoa, mas não é o Devido a sua complexidade, há os seguintes tipos de
protagonista, é um personagem secundário que testemunha
personagens:
os fatos vividos pelos protagonistas.
- Protagonista: é a personagem mais desenvolvida em
uma narrativa e sua experiência é o foco a ser apresentado.
Ex.:
- Coadjuvante: personagem secundário, ainda que
Encontramo-nos no dia seguinte, conforme o combinado,
e fomos ver o apartamento no número 221-B da Baker Street, auxilie no desenvolvimento do enredo. Geralmente possui
que consistia em dois confortáveis quartos de dormir e uma complexidade limitada pelo espaço ocupado na narrativa.
espaçosa sala de estar, alegremente mobiliada e iluminada - Antagonista: personagem que traz conflito à história,
por duas amplas janelas. Ele preenchia tão bem as nossas opondo-se às ações desenvolvidas pelo protagonista, pois
necessidades e seu preço era tão módico, dividido por dois, possuem objetivos contrário. É o famoso “vilão” da história.
que imediatamente o alugamos e recebemos a chave, Nessa
mesma tarde mandei vir do hotel as minhas coisas, e na manhã c) Tempo
seguinte Sherlock chegou com as suas várias caixas e maletas. O tempo é uma categoria essencial na narrativa, pois
Durante um dia ou dois estivemos ocupados com a arrumação situa as personagens dentro de um espaço temporal
dos nossos objetos pessoais. Feito isso, começamos, pouco a determinado. Numa narrativa o tempo pode surgir:
pouco, a nos adaptar ao nosso novo ambiente. - Histórico ou cronológico: baseado no ritmo do
(DOYLE, Arthur Conan. Um estudo em vermelho. calendário, esse é o tempo físico e objetivo, cuja função é
In.http://www.kbook.com.br/livraria/wp-content/files_mf/ organizar temporalmente as ações das personagens.
umestudoemvermelho.pdf)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Ex.: Descendo dois ou três dos largos degraus de pedra da


Mais um inverno passara e agora chegava a primavera. escada, encontrava-se uma ponte de madeira solidamente
Lúcio acordou tarde demais, percebeu que já devia passar da construída sobre uma fenda larga e profunda que se abria
uma da tarde. na rocha. Continuando a descer, chegava-se à beira do rio,
que se curvava em seio gracioso, sombreado pelas grandes
- Psicológico ou metafísico: não mantém nenhuma gameleiras e angelins que cresciam ao longo das margens.
relação com o tempo objetivo, centra-se na descrição (ALENCAR, José de. O Guarani. In. http://www.
interna das ações, por isso também é considerado tempo educacional.com.br/classicos/obras/O_guarani.pdf)
interior, o dos sentimentos e dos pensamentos.
Como podemos perceber no exemplo acima, a
Ex.: descrição capta as impressões de modo a representar o
Impossível não sentir saudade. As lembranças surgem descrito como numa fotografia. O tempo cronológico não
desavisadas, sem pedir permissão. Mais uma vez sua imagem é importante aqui, pois a descrição sempre trata de um ser
vem com seu sorriso frouxo, aquele sorriso que não valeria em um momento congelado do tempo.
um copo d´água. Por mais que eu saiba de tudo o que viera Características da descrição:
depois: as lágrimas, a humilhação, o abandono, ainda sonho - Paisagem verbal;
encontrá-lo no meio da rua e lhe dizer “olá, como vai”. - Presença de substantivos e adjetivos;
- Utilização de enumeração e comparação;
d) Espaço - Verbos flexionados no presente ou no pretérito;
É o lugar físico onde as personagens são situadas. Em - Advérbios ou locuções adverbiais localizadores;
algumas narrativas o espaço é uma categoria privilegiada - Pronomes demonstrativos.
por meio de extensas descrições, que podem ser naturais
ou artificiais. No período romântico, os romances eram Tipos de descrição:
iniciados com belíssimas descrições da natureza, já no
período moderno as cidades com seu caos estrutural - Descrição subjetiva: descrição realizada a partir do
passaram a ser alvo das lentes dos autores. ponto de vista das personagens, através de suas impressões
subjetivas.
e) Enredo
É o próprio desenrolar dos acontecimentos. Divide-se em: Ex.:
- Apresentação: início da narrativa em que são apresentadas Isabel abriu o armário e, por fim, encarou o vestido
as personagens e algumas circunstâncias da história. branco. As pérolas irregulares surgiam agora como olhos
- Complicação: quando os fatos apresentados são terríveis a mirar o seu fracasso, o véu, outrora símbolo de
atravessados por algum conflito, foco central da história. pureza e castidade, silenciava o grito mudo de uma noiva
- Clímax: momento da narrativa em que o conflito abandonada. Toda essa renda, pensava Isabel, toda a
chega a seu momento mais crítico. humilhação contida em cada bordado.
- Desfecho: final da narrativa, quando o conflito é
solucionado. - Descrição objetiva: descrição realizada de forma mais
concreta, apresenta maior compromisso com a realidade,
2. O texto descritivo deixando de lado impressões subjetivas.
Descrição é um texto que tem como foco a apresentação
das características de uma pessoa, objeto, lugar, em Ex.:
situação estática, sem interferência do tempo. Da mesma Entrou um homem no recinto. Cabelos negros, tez clara,
forma que um pintor desenha com tinta as características nariz afilado, lábios cheios. Um pouco baixo, um pouco
de uma paisagem, o escritor desenha com palavras as gordo, tinha a testa proeminente e as orelhas finas.
mesmas características. O objetivo de uma descrição é
fazer com que o leitor visualize mentalmente o que está Importante lembrar que a descrição pode ocorrer
sendo descrito, como se estivesse frente ao objeto. Veja o tanto em textos ficcionais (romances, contos, novelas)
exemplo extraído de O Guarani, de José de Alencar: como também em textos não-ficcionais ( jornais, textos
No ano da graça de 1604, o lugar que acabamos de científicos, etc…).
descrever estava deserto e inculto; a cidade do Rio de Janeiro
tinha-se fundado havia menos de meio século, e a civilização 3) Texto dissertativo
não tivera tempo de penetrar o interior. O texto dissertativo é o texto que pretende descrever
Entretanto, via-se à margem direita do rio uma casa e analisar, de maneira impessoal e objetiva, um tema
larga e espaçosa, construída sobre uma eminência, e específico obedecendo à seguinte estrutura: introdução,
protegida de todos os lados por uma muralha de rocha desenvolvimento e introdução. Muito utilizado na esfera
cortada a pique. A esplanada, sobre que estava assentado o acadêmica e científica, a dissertação visa um olhar analítico
edifício, formava um semicírculo irregular que teria quando sobre qualquer questão e não envolve enredo nem
muito cinquenta braças quadradas; do lado do norte havia personagens como requer uma narrativa. Pelo contrário, a
uma espécie de escada de lajedo feita metade pela natureza maior característica desse tipo de texto é a impessoalidade,
e metade pela arte. ou seja, o olhar formal daquele que tece as considerações.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Por exemplo, uma aluna do curso de Biologia decide questões pertinentes que serão desenvolvidas. Percebe-se
apresentar como trabalho de conclusão de curso uma também a contextualização histórica do problema, o que
dissertação sobre a reprodução das plantas. Certamente demonstra saber formal sobre o assunto.
não apresentará como resultado final uma narrativa ficcional - Desenvolvimento: as questões apresentadas
sobre o assunto. Antes, fará leituras e pesquisa, buscará superficialmente na introdução serão desdobradas no
evidências concretas, realizará experimentos científicos. E o desenvolvimento. Esse é momento de demonstrar saber
texto ideal para a apresentação dos dados é o dissertativo, histórico e filosófico sobre o tema, sem demonstrar
cuja estrutura – introdução, desenvolvimento e conclusão – subjetividade nas considerações. Um mecanismo
dará conta de todos os passos do processo. Assim sendo, importante no desenvolvimento de uma dissertação é o
o produto final, desprovido de subjetividade, poderá ser que se denomina de elementos de coesão, conectivos (tais
creditado como um trabalho objetivo, sem interferências como, entretanto, portanto, contudo, além disso, além do
pessoais do seu autor. mais…) que criam uma relação lógica entre as frases do
Da mesma forma, se é pedido a um aluno escrever texto. Há várias formas de se estruturar o desenvolvimento,
uma dissertação sobre a Revolução Francesa, terá ele de mas o mais efetivo é organizá-lo por meio do raciocínio
obedecer à estrutura exigida pela tipologia textual. Não lógico – causa e consequência, assim, o autor consegue
poderá escrever em primeira pessoa do singular, nem criar uma reflexão objetiva traçando o início do problema
apresentar considerações subjetivas a respeito do assunto. e sua eventual consequência. Por ser um texto de caráter
Além do mais, terá de analisar o tema, apresentá-lo ao leitor acadêmico, é importante demonstrar saber formal através
de forma clara, desenvolver aspectos pertinentes e lógicos da intertextualidade, menção ou citação de autoridades do
do assunto, inserir problematicidade aos fatos e, por fim, assunto.
concluir sua análise de modo a esclarecer a ideia central
defendida a cada linha. Ex.:
Muitas pessoas têm receio sobre esse tipo textual, Muitos sociólogos vão em direção ao mito do Prometeu,
considerado difícil. Entretanto, é importante esclarecer que é aquele que roubou o fogo da inteligência dos deuses a
um dos gêneros de mais fácil aprendizado, uma vez que não fim de ofertá-lo ao homem e manter sua sobrevivência.
exige criatividade, somente obediência à estrutura. E por Aliás, como superar as auguras do clima e da fome sem a
que tal estrutura é tão específica? Justamente para unificar civilização e suas descobertas? O homem existiria ainda
o modo de realizar análises científicas e formais em uma sem sua tecnologia? Justamente a primeira parte da história
esfera acadêmica. ocidental, narrada por José Fernandes, parte desse ponto de
vista. O narrador a cada página vai descrevendo a admiração
Estrutura do Texto Dissertativo: pelas conquistas da humanidade. Seja no projeto de ler
- Introdução: apresentação do tema, que pode ser uma infinita enciclopédia ou na dependência dos artefatos
exposto por meio de uma contextualização histórica. É uma da civilização, o príncipe da Grã-Ventura deposita nesses
das partes mais importantes de uma dissertação, pois é o valores sua teoria máxima: Suma Felicidade: Suma Ciência
momento de gerar interesse no leitor no tocante ao assunto X Suma Potência. Pode-se considerar essa personagem um
tratado. Já que uma dissertação pressupõe problematização perfeito representante de uma linha humanística que busca
de um tema, pode-se na introdução adiantar alguns aspectos a felicidade através da produção de próteses tecnológicas: só
que serão tratados ao longo do desenvolvimento. possui valor o que está fora do homem.

Ex.: - Conclusão: momento das considerações finais,


A cidade e as serras: entre a natureza e a civilização aqui o autor retoma o tema tratado ao longo do texto e
deve apresentar uma síntese das ideias apresentadas.
Desde a origem do conceito de homem e de civilização, o Importante iniciar a conclusão com uma frase que aponta
ser humano tenta superar suas limitações físicas em direção à para esse momento (Portanto, Enfim, Em virtude dos fatos
produção de utensílios que mantivessem sua sobrevivência. A mencionados, Dado o exposto) a fim de preparar o leitor
partir da pedra lascada, da descoberta do fogo e da invenção para o encerramento da análise.
da linguagem, o homem vai marcando sua passagem da
natureza à cultura. Podemos dizer que é um processo que Ex.:
marca a própria história da vida. Entretanto, quando se Diante das questões tratadas anteriormente, pode-se
supera totalmente os vínculos com a natureza, o que resta? afirmar que A cidade e as serras representa justamente um
Parece ser essa questão que Eça de Queiros tenta responder acerto de contas do homem com sua história. Se Prometeu
em seu livro póstumo A cidade e as Serras (1901). Afinal, pode realmente roubou o fogo dos deuses para salvar o humano,
o homem abandonar totalmente seu estado de natureza? mal sabia ele que o homem usaria essa oferta para destruir
Qual o limite do excesso de cultura? a si mesmo. A civilização é essencial à manutenção da vida,
entretanto, sem o diálogo com a natureza a vida se esvai
No exemplo citado acima a relação entre natureza e em reações automáticas e robóticas frente ao tempo. Deve
cultura na literatura é apresentada enquanto um problema ser por isso que o livro se finda com a modernização das
na introdução. Esse procedimento é importante para serras. Se não podemos nos desligar da cultura, que não
destacar a validade do tema tratado, além de sugerir abandonemos nossa essência elementar: a natureza.

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LÍNGUA PORTUGUESA

O texto dissertativo-argumentativo Devido a sua materialidade na página, o ato de escrever


foi adquirindo várias modalidades, poderia ser mais poético,
Modalidade comum em concursos públicos e mais realista, mais ficcional ou informativo. Para tanto, o
vestibulares, o texto dissertativo-argumentativo tem como conteúdo do que se quer escrever deve se adequar a um
característica a estrutura e a impessoalidade da dissertação gênero textual, uma forma específica de se escrever um
e a defesa do ponto de vista da argumentação. Ou seja, texto, utilizando uma linguagem correspondente.
a exigência de textos assim classificados é defender uma Há os gêneros literários, formas ligadas à arte de
ideia, de maneira impessoal, através de uma estrutura escrever (romance, poesia, conto); tipos textuais, forma com
caracterizada por uma introdução, um desenvolvimento e um texto se apresenta (narrativo, dissertativo, descritivo) e
uma conclusão. os gêneros textuais, com os mais variados tipos.

4) O texto injuntivo/instrucional CLASSIFICAÇÃO DOS GÊNEROS TEXTUAIS

Injunção significa ordem, instrução. O texto injuntivo tem 1. CARTA PESSOAL


por finalidade, assim, orientar o leitor na concretização de
uma ação, indicando procedimentos para realizar uma ação, Gênero epistolar utilizado entre indivíduos próximos,
tal como a montagem de um objeto ou a receita de um bolo. caracterizado por uma linguagem mais íntima e familiar,
A linguagem apresentada nesses textos deve ser além de ser originalmente apresentado em manuscrito.
simples e objetiva. E já que a injunção pressupõe instrução,
os verbos costumam estar no modo imperativo (faça, abra, Ex.:
leia…). Veja um exemplo: Florianópolis, 17 de julho de 1990
Querida Júlia,
Receita de panqueca
Depois de algum tempo sem te escrever, hoje, nessa
1) Bata todos os ingredientes líquidos e o sal no tarde chuvosa, comprei papel decorado para te fazer um
agrado. Como você vai, querida? Aqui no sul chove há dias,
liquidificador.
ando sem vontade de acordar cedo e Antônio não se oferece
2) Quando estiver homogêneo, acrescente a farinha aos
para me levar ao trabalho. Estou tão insatisfeita com esse
poucos e bata mais.
relacionamento! Não sei como me livrar dessa.
3) Pegue uma concha da mistura e despeje em uma
Daqui a um mês iniciam minhas férias, pensei em te
frigideira média em fogo médio. Espalhe virando a frigideira
visitar no Rio. O que você acha?
para que fique uma massa fina.
Saudade sincera,
4) Quando um lado estiver dourado, vire e doure o Patrícia
outro. Sirva com qualquer molho e recheio.
(http://gshow.globo.com/receitas-gshow/receita/massa- 2. CARTA COMERCIAL
de-panqueca-facil-51008c054d3885489100004e.html)
Gênero epistolar usado no âmbito empresarial, exige
No exemplo acima percebemos os verbos flexionados linguagem formal e impessoal, sem indícios de familiaridade.
no modo imperativo, apresentando uma linguagem direta e
simples. Outro exemplo de texto injuntivo muito comum é a Florianópolis, 17 de julho de 1990
bula de remédios, cuja função é também orientar seu leitor Prezada Sra. Júlia Almeida,
a realizar corretamente o procedimento.
Muitos linguistas diferenciam o texto injuntivo do Após auditoria nas contas da empresa Detalhe &
prescritivo, devido o caráter coercitivo do segundo. Co.confirma-se os dados apresentados e o agendamento
Enquanto os textos injuntivos apenas orientam, tal para a entrevista fiscal no dia primeiro de agosto de 2017,
como vemos em bulas e receitas, os textos prescritivos às 14hs.
asseguram uma obrigação no respeito aos procedimentos Lembramos ser necessário o porte de todos os documentos
apresentados, como em editais de concursos e contratos. originais.
Segue, anexada, a lista de instruções.
GÊNEROS TEXTUAIS
Atenciosamente
A palavra texto significa tecido, meio pelo qual se Patrícia Garcia
imprime uma letra e estabelece a comunicação escrita. O Auxiliar de Correspondência
advento da escrita remonta desde a pré-história, quando os
homens desenhavam caracteres nas paredes das cavernas, 3. MANUAL DE INSTRUÇÕES
no desejo de fazer lembrar algum fato real ou místico.
Entretanto, foi a partir do século XVI, com a invenção da Gênero cuja função consiste em apresentar
imprensa, por Gutemberg, que a grafia se tornou algo mais procedimentos que auxiliam na utilização de um
popular entre os homens, já que com a gráfica era mais fácil equipamento. Dotado de linguagem clara, muitas vezes
reproduzir documentos em larga escala. vem acompanhado de imagens instrutivas.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Ex.: 6. E-MAIL
Precauções de Segurança
3.1 Informações importantes de segurança Modalidade disponível na internet, o e-mail possibilita
• Mantenha sempre as crianças e os animais longe do o envio e o recebimento de mensagens de forma eletrônica.
fogão, pois durante o uso ele torna-se quente. Cuidados devem A linguagem depende a identidade do receptor e hoje é o
ser tomados para evitar o contato com as partes quentes do substituto das cartas pessoais e comerciais.
fogão. Use luvas térmicas de proteção no manuseio ou na
retirada de alimentos do forno. • Utilize sempre panelas com 7. EDITAL
fundo plano e com os cabos virados para dentro (f g.1).
• Não utilize panelas com fundo curvo (convexo) ou em anel. Comunicado oficial por meio do qual são anunciadas
• Esquente os alimentos com as embalagens abertas, pois regras, determinações e avisos a pessoas interessadas ou
nas totalmente fechadas o calor aumenta a pressão interna, de conhecimento geral.
podendo causar acidentes. Ao sentir cheiro de gás dentro de
casa, tome as seguintes providências: Ex.:
1.) Não mexa em interruptores elétricos; EDITAL Nº 01 / SCONC, DE 28 DE ABRIL DE 2017
2.) Abra as janelas e as portas, permitindo maior ventilação CONCURSO DE ADMISSÃO À ESCOLA PREPARATÓRIA
do ambiente; DE CADETES DO EXÉRCITO
3.) Feche o regulador de pressão de gás no botijão;
4.) Não acenda qualquer tipo de chama; O Comandante da Escola Preparatória de Cadetes do
5.) Entre em contato com o Serviço Autorizado de Fábrica Exército (EsPCEx), devidamente autorizado pelo Comando
para verificar o problema. do Exército – por intermédio do Departamento de Educação
( h t t p : / / w w w. c o l o m b o . c o m . b r / e Cultura do Exército (DECEx) – amparado na Lei nº 9.786,
produtos/228152/228152_1447765103336.pdf) de 8 de fevereiro de 1999 – Lei de Ensino no Exército, faz
saber que estarão abertas, no período de 01 de maio a 20 de
5. RECEITAS CULINÁRIAS
junho de 2017, as inscrições para o Concurso de Admissão à
EsPCEx, observadas as seguintes instruções:
Conjunto de orientações que auxiliam no processo de
preparo de um alimento.
CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS
Ex.:
Receita de pudim de leite condensado Art. 1º. O presente concurso será regido pelas Instruções
Reguladoras do Concurso de Admissão e da Matrícula na
Ingredientes: EsPCEx (IRCAM/EsPCEx – EB60-IR-15.001 - Port. nº 95/
2 latas de leite condensado DECEx, de 26 de abril de 2017) e pela Port. nº 96/DECEx, de
2 latas (leite condensado) de leite 26 de abril de 2017.
5 ovos
2 xícaras (de chá) de açúcar Art. 2º. O concurso destina-se a selecionar candidatos
2 1/2 xícaras (de chá) de água para o preenchimento de 400 (quatrocentas) vagas para o
1 pedaço de canela em pau sexo masculino e 40 (quarenta) vagas para o sexo feminino,
destinadas à matrícula no curso de Formação e Graduação
MODO DE PREPARO de Oficiais de Carreira da Linha de Ensino Militar Bélico, em
conformidade com o prescrito no Capítulo VIII deste Edital.
1. Coloque os ovos um a um no liquidificador e bata-os (http://www.espcex.eb.mil.br/downloads/Edital_
por 10 minutos. Acrescente o leite condensado e a medida do CA_2017_Publ_Internet.pdf)
leite e deixe bater por mais 10 minutos.
2. Para fazer a calda coloque o açúcar e a canela em 8. CURRICULUM VITAE
pau no caneco de alumínio, leve ao fogo e vá mexendo até
dourar. Assim que esteja dourado, acrescente as duas xícaras Currículo, em português, consiste num histórico
e meia de água e deixe ferver até dissolver o açúcar. Vire a escolar e profissional em que se apresenta uma síntese das
calda na forma de pudim e em seguida vire o conteúdo do qualificações e aptidões de um candidato, além de dados
liquidificador. Cubra a forma com papel alumínio. Coloque-a pessoais.
dentro da forma retangular, que estará preenchida com um
litro de água. Leve ao forno, em banho maria, á 280 graus por 9. TEXTO DE OPINIÃO
uma hora meia. Depois retire o papel alumínio e deixe dourar
por mais meia hora. Desligue o forno e deixe esfriar, colocando Gênero dissertativo-argumentativo no qual o autor
em seguida na geladeira. Depois de gelado, desenforme-o apresenta seu posicionamento crítico frente um tema atual
em um prato grande e sirva-o. ou de interessa da sociedade.
(http://gshow.globo.com/receitas-gshow/receita/pudim-de-
leite-condensado-da-magda-568286414d3885754700003f.html)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Ex.: 12. RESENHA

Ao comentar as mortes de crianças nos frequentes Tal como o resumo, a resenha consiste numa
massacres nos Estados Unidos, o presidente Obama foi às apresentação breve e sucinta de determinado
lágrimas. O homem mais poderoso do mundo revelava acontecimento ou documento. O que difere do outro
seu lado sensível e compaixão, provocando admiração e gênero é que na resenha o autor apresenta também uma
solidariedade. Afirmou que “não podemos deixar que esses avaliação crítica do material resumido, de modo a guiar o
massacres se tornem normais”. Denunciou a chantagem da leitor sobre o assunto em questão.
indústria de armas sobre o Congresso, que se recusa a votar
o controle de armas, mas advertiu que “o povo não será Ex.:
mantido refém” da indústria. De fato, 85% da população
é a favor de que as autoridades chequem os antecedentes O diabo veste Prada – Por Ana Lucia Santana
de quem quer comprar arma. Obama pretende avançar no
controle, tímido pelos padrões internacionais, através de Este filme revela de forma genial os bastidores do
decretos, proibindo a venda de armas de guerra para civis e universo fashion, particularmente os mecanismos que regem
criando bancos de dados sobre os proprietários . os editoriais de moda. Em O Diabo Veste Prada, inspirado
na obra de Lauren Weisberger, o enredo gira em torno da
( h t t p : / / w w w. g a z e t a d o p o v o . c o m . b r / o p i n i a o / arrogante  Miranda Priestly,  alterego da poderosa Anna
artigos/as-armas-e-o-erro-de-avaliacao- Wintour, editora de moda da Revista Vogue americana.
e4lzkaye9rc5zo5h7940yglww)
Na trama, Miranda, interpretada magistralmente por
10. RESUMO Meryl Streep, trabalha na Revista Runway, submetendo e
humilhando suas funcionárias e todos que, no mundo da
Síntese de um acontecimento ou documento com a moda, a temem e se submetem a ela, uma vez que a editora
finalidade de apresentar ideias gerais sobre seu sentido. parece comandar, de cima de seu trono Prét-à-Porter, os
Geralmente é finalizado com a apresentação de algumas destinos de grifes e estilistas, do próprio mercado fashion.
palavras chaves que norteiam o assunto. Andrea, vivida por Anne Hathaway, é a jornalista
recém-formada em busca de uma oportunidade de trabalho.
Ex.: Trazendo em sua bagagem inúmeras expectativas e um total
desconhecimento da esfera da moda, ela vai para Nova York
RESUMO: Pretende‐se neste artigo abordar aspectos e, sem imaginar o que a aguarda, é contratada para atuar
teóricos que norteiam o Projeto Educação Patrimonial, na Runway.
além de apresentar a forma como o mesmo vem sendo
trabalhado nos últimos seis anos. Em 2010 o mesmo (http://www.infoescola.com/cinema/o-diabo-veste-
recebeu a denominação “Projeto Educação Patrimonial VI: prada/)
Memórias da Rua”, contando com apoio da Diretoria de
Patrimônio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina‐ 13. NOTÍCIA
PR e financiamento do Programa Municipal de Incentivo a
Cultura – PROMIC. Esta iniciativa vem sendo desenvolvida, Gênero textual de cunho jornalístico em que se
ininterruptamente, desde 2005, demonstrando o interesse transmite informações e fatos diários a um público de larga
público pelo tema, garantindo ações educacionais e culturais escala. Por isso a linguagem deve ser objetiva e impessoal,
em conjunto com a população de Londrina. Na sua sexta destituída de subjetividade.
edição, o projeto visa dar continuidade a valorização e
divulgação do patrimônio histórico‐cultural do município Ex.:
a partir de ações que venham contribuir para a construção
de uma consciência voltada para sua preservação. É uma CIDADE DO PANAMÁ — Dezenas de banhistas em
proposta que parte das reflexões dos projetos anteriores, uma praia na Flórida, nos Estados Unidos, formaram uma
garantindo a continuidade de algumas ações e a uma corrente humana para resgatar nove pessoas, sendo seis
reavaliação e redirecionamento de outras. Este texto está de uma mesma família, no último sábado, em uma área
dividido em três partes: na primeira é apresentado alguns muito afastada da costa. Aproximadamente 80 pessoas
aspectos conceituais relativos a educação patrimonial. Na contribuíram para o salvamento do grupo.
segunda, tem‐se um pequeno histórico do projeto, com sua
dinâmica e seus resultados e, na terceira, é abordada sua fase — Eu honestamente pensei que iria perder minha
atual. PALAVRAS‐CHAVE: Educação Patrimonial, Patrimônio família naquele dia — afirmou Roberta Ursrey ao jornal
Cultural, PROMIC “The Panama City News Herald”. — Eu estava, tipo, “Ah, meu
Deus, é assim que vou morrer”.
(http://web.unifil.br/eventos/psicologia/pdf/resumo- Ela contou que ficou preocupada quando viu os dois
simples.pdf) filhos nadando em uma área muito afastada da praia, já
gritando por socorro. A mãe, então, entrou na água para

11
LÍNGUA PORTUGUESA

salvá-los, junto com o pai deles, um primo, a avó e mais Ex.:


três pessoas que se solidarizaram. No entanto, os nove
começaram a também pedir socorro, pois, uma vez que A Cigarra e a Formiga
alcançaram os garotos, não conseguiram mais sair e ficaram
submersos a 4,5 metros da superfície. Num dia soalheiro de Verão, a Cigarra cantava feliz.
Nesse momento de desespero, as pessoas que estavam Enquanto isso, uma Formiga passou por perto. Vinha
na praia de Panama City começaram a se mobilizar para afadigada, carregando penosamente um grão de milho que
salvar a família. Com isso, formaram uma corrente humana arrastava para o formigueiro. - Por que não ficas aqui a
que ia desde a areia até a localidade do grupo à deriva, conversar um pouco comigo, em vez de te afadigares tanto?
localizado a 100 metros da costa. Uma mulher sofreu um – Perguntou-lhe a Cigarra. - Preciso de arrecadar comida
infarto e precisou ser hospitalizada. Duas filhas de Roberta para o Inverno – respondeu-lhe a Formiga. – Aconselho-
também estavam na corrente. te a fazeres o mesmo. - Por que me hei-de preocupar com
Quando a americana Jessica Simmons percebeu que o Inverno? Comida não nos falta... – respondeu a Cigarra,
havia um grupo se afogando, ela foi em direção a eles com olhando em redor. A Formiga não respondeu, continuou o
o marido e outras pessoas se uniram a eles para formar a seu trabalho e foi-se embora. Quando o Inverno chegou, a
corrente humana que salvou os nove banhistas. Cigarra não tinha nada para comer. No entanto, viu que as
— Eu automaticamente pensei que eles tivessem visto Formigas tinham muita comida porque a tinham guardado
um tubarão — contou Jessica. — Eu corri de volta para a no Verão. Distribuíam-na diariamente entre si e não tinham
areia e meu marido veio ao meu encontro. Foi então que vi fome como ela. A Cigarra compreendeu que tinha feito mal.
que alguém estava se afogando. Moral da história: Não penses só em divertir-te.
(https://oglobo.globo.com/sociedade/corrente- Trabalha e pensa no futuro.
humana-de-80-banhistas-salva-familia-em-praia-na- (http://fabulasinfantis.blogs.sapo.pt/902.html)
florida-21576121)
16. CONTO
14. POEMA
Composição literária curta, em prosa, a qual gira
Composição em versos, caracterizado pelo trabalho em torno de um único conflito e número restrito de
aprimorado com a linguagem, notadamente lírico. personagens.

Ex.: Ex.:

Amor é fogo que arde sem se ver – Luís de Camões O anjo Rafael – Machado de Assis

Amor é um fogo que arde sem se ver;  Cansado da vida, descrente dos homens, desconfiado
É ferida que dói, e não se sente;  das mulheres e aborrecido dos credores, o dr. Antero da Silva
É um contentamento descontente;  determinou um dia despedir-se deste mundo.
É dor que desatina sem doer.  Era pena. O dr. Antero contava trinta anos, tinha saúde, e
É um não querer mais que bem querer;  podia, se quisesse, fazer uma bonita carreira. Verdade é que
É um andar solitário entre a gente;  para isso fora necessário proceder a uma completa reforma
É nunca contentar-se e contente;  dos seus costumes. Entendia, porém, o nosso herói que o
É um cuidar que ganha em se perder;  defeito não estava em si, mas nos outros; cada pedido de
um credor inspirava-lhe uma apóstrofe contra a sociedade;
É querer estar preso por vontade;  julgava conhecer os homens, por ter tratado até então com
É servir a quem vence, o vencedor;  alguns bonecos sem consciência; pretendia conhecer as
É ter com quem nos mata, lealdade.  mulheres, quando apenas havia praticado com meia dúzia
de regateiras do amor.
Mas como causar pode seu favor  O caso é que o nosso herói determinou matar-se, e para
Nos corações humanos amizade,  isso foi à casa da viúva Laport, comprou uma pistola e entrou
Se tão contrário a si é o mesmo Amor? em casa, que era à rua da Misericórdia.
Davam então quatro horas da tarde.
15. FÁBULA O dr. Antero disse ao criado que pusesse o jantar na mesa.
— A viagem é longa, disse ele consigo, e eu não sei se há
Composição literária curta, cujos personagens são hotéis no caminho.
geralmente animais com características humanas. Enquanto Jantou com efeito, tão tranquilo como se tivesse de
narrativa figurada, a fábula está sempre sustentada por ir dormir a sesta e não o último sono. O próprio criado
uma lição de moral, apresentada ao fim da história. reparou que o amo estava nesse dia mais folgazão que
nunca. Conversaram alegremente durante todo o jantar. No
fim dele, quando o criado lhe trouxe o café, Antero proferiu
paternalmente as seguintes palavras:

12
LÍNGUA PORTUGUESA

— Pedro, tira de minha gaveta uns cinquenta mil-réis chuva... Foi com estes sentimentos que entrei para o curso
que lá estão, são teus. Vai passar a noite fora e não voltes primário. Dediquei-me açodadamente ao estudo. Brilhei, e com
antes da madrugada. o tempo foram-se desdobrando as minhas primitivas noções
— Obrigado, meu senhor, respondeu Pedro. sobre o saber.
— Vai.
Pedro apressou-se a executar a ordem do amo. (BARRETO, Lima. Recordações do escrivão Isaías
O dr. Antero foi para a sala, estendeu-se no divã, abriu Caminha. SP, Editora Ática, 1998, p.21)
um volume do Dicionário filosófico e começou a ler.
(https://pt.wikisource.org/wiki/O_Anjo_Rafael/I) 19. CRÔNICA

17. NOVELA Gênero textual cuja característica consiste em relatar algum


fato do cotidiano que, embora inicialmente pareça banal, ao
Gênero literário mais curto que o romance e mais extenso longo dos parágrafos vai adquirindo complexidade. Com uma
que o conto, a novela é uma composição literária marcada linguagem mais pessoal, muitas vezes o autor utiliza a primeira
por enredo ativo e aventureiro, com muitos personagens, pessoa do singular, como se estivesse numa conversa informal.
como pouca complexidade dramática, já que intenciona
primeiramente o entretenimento. O texto O Alienista, de Ex.:
Machado de Assis, é um exemplo do gênero novela. Crônica de carnaval – Gregório Duvivier
Acorde cedo. Cedo mesmo. Vai parecer estranho. Logo vai
18. ROMANCE ficar normal. Você não vai ter fome. Mas coma. Pra sobreviver. De
preferência em pé. Não leve dinheiro demais. Não leve documento
Composição literária em prosa, cuja popularização é nenhum. Não leve nada que não seja leve. Não leve nada a sério.
contemporânea à ascensão da burguesia, no século XIX, Nem ninguém. Se for levar o celular, leve embrulhado num
tem com característica a apresentação de personagens saco plástico. Beba água – sem moderação. Se beber uma água
amarga, é Michael Douglas. Beba com moderação. Caso você
complexos, dramas sentimentais e sociais, além de mais de
tenha uma água amarga, ofereça pra mim. Tentarei beber com
um núcleo narrativo.
moderação. E pode confiar nos sacolés: nunca mataram ninguém.
Se esbarrar com um sacolé de cupuaçu, parabéns: você encontrou
Ex.:
Deus em sua forma líquida. Qual o melhor bloco? Impossível
dizer. Mas quanto mais velho o bairro, melhor o bloco. Quanto
Recordações do Escrivão Isaías Caminha - Lima Barreto
mais homens com camisa de time de futebol e chapéus de marcas
de cerveja, pior o bloco – a não ser que você tenha esse fetiche
I A tristeza, a compreensão e a desigualdade de nível
específico. Não siga as caixas de som. Quanto menos caixas de
mental do meu meio familiar, agiram sobre mim de modo som, melhor o som. Procure músicos a pé. Fuja dos blocos que
curioso: deram-me anseios de inteligência. Meu pai, que era tiverem carros, trios ou quaisquer máquinas automotoras. Prefira
fortemente inteligente e ilustrado, em começo, na minha máquinas como o trombone de vara (não se esqueça de tomar
primeira infância, estimulou-me pela obscuridade de suas cuidado com a vara) e o sousafone (aquela tuba que o músico
exortações. Eu não tinha ainda entrado para o colégio, enrola ao redor do corpo igual uma sucuri). Nos melhores blocos,
quando uma vez me disse: Você sabe que nasceu quando não há corda pra proteger os músicos da multidão. Ou melhor: a
Napoleão ganhou a batalha de Marengo? Arregalei os corda é você. Proteja os músicos como se disso dependesse a sua
olhos e perguntei: quem era Napoleão? Um grande homem, vida. É uma chance de estar no epicentro do som e ainda fazer
um grande general... E não disse mais nada. Encostou-se à um puta serviço para o Carnaval de todos. Sem espaço não há
cadeira e continuou a ler o livro. Afastei-me sem entrar música. Sem cerveja, também não. Ofereça cerveja aos músicos.
na significação de suas palavras; contudo, a entonação de Eles merecem. Capriche na fantasia, mas não demais – se tudo
voz, o gesto e o olhar ficaram-me eternamente. Um grande der certo ela vai estragar. Faça planos, mas não demais: se vir
homem!... o amor da vida ou um sousafone, agora que já sabe o que é,
O espetáculo do saber de meu pai, realçado pela siga-o. Beije sem moderação, mas a palavra “não” continuará
ignorância de minha mãe e de outros parentes dela, surgiu significando “não”. Carnaval não é estado de exceção. Não insista.
aos meus olhos de criança, como um deslumbramento. Não segure. Não empurre. Não seja chato. Evite pedir selfies pra
Pareceu-me então que aquela sua faculdade de explicar tudo, comediantes que beberam água amarga. Deixe-se levar. Perca-
aquele seu desembaraço de linguagem, a sua capacidade de se dos seus amigos. Apaixone-se sem moderação, desde que
ler línguas diversas e compreendê-las constituíam, não só não dure muito tempo. Se você vir a pessoa com outra pessoa,
uma razão de ser de felicidade, de abundância e riqueza, é de bom tom traçar uma linha reta na direção oposta e não
mas também um titulo para o superior respeito dos homens perguntar nada até quarta-feira (melhor mesmo é nunca
e para a superior consideração de toda a gente. Sabendo, mais perguntar nada). Importante: saiba voltar pra casa na
ficávamos de alguma maneira sagrados, deificados... Se hora certa. Nada de mágico acontece depois das 8 da noite.
minha mãe me parecia triste e humilde — pensava eu Amanhã tem mais. Acorde cedo.
naquele tempo — era porque não sabia, como meu pai, (http://vip.abril.com.br/comportamento/cronica-de-
dizer os nomes das estrelas do céu e explicar a natureza da carnaval-por-gregorio-duvivier/)

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LÍNGUA PORTUGUESA

3 DOMÍNIO DA ORTOGRAFIA OFICIAL.


3.1 EMPREGO DAS LETRAS.
3.2 EMPREGO DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA.

ORTOGRAFIA

Ortografia (do latim ortho – correto e grafos – grafia) significa a escrita correta das palavras de uma língua. Tal
denominação pressupõe regras específicas para a linguagem escrita que, muitas vezes, confunde o falante devido a uma
série de regras e exemplos.
Quado falamos de linguagem verbal devemos entender que há a língua oral, aquela que aprendemos desde o nascimento
e vamos absorvendo de modo natural; e a língua escrita, que é a passagem para outro mecanismo de comunicação.
Através da alfabetização se aprende a transformar os sons (fonemas) que emitimos em letras e assim as primeiras palavras
começam a ser escritas.
Desde a origem da grafia se testemunham modos distintos de escrever um vocábulo e a ortografia surgiu com a função
de organizar e apresentar uma forma correta, já que a unificação gráfica é fundamental para a manutenção de uma língua.
Imagine se cada região de um país escrevesse de modo diferente, as pessoas não se entenderiam com clareza.
Escrever é transformar o som que falamos em letras e tal processo pode confundir numa língua como o português, que
possui várias letras diferentes para um mesmo som (como é o caso do som [ze] que pode ser representado por “s”, “z” e “x”).

Orientações Ortográficas

1) Uso do H:
A letra “h” é usada:
- No início de palavras: homem, humildade, humano, habilidade, hábil, hesitar, humor, história, hostil, heterogêneo,
hipócrita, hegemonia.
- Em dígrafos “ch”, “lh”, “nh”: flecha, ninho, alho, fachada, chalé, alheio.
- Palavras compostas: super-homem, mini-hotel, sobre-humano, hiper-humano.
- Ao fim de algumas interjeições: Ah! Uh! Oh!

2) Uso do S/Z

Usamos o “s” nos seguintes casos:


- Depois de ditongos: coisa, maisena.
- Sufixos “ês”, “esa”, “isa” indicando profissão, origem ou título: portuguesa, francês, poetisa.
- Sufixos “oso”, “osa” indicando qualidade, quantidade ou circunstância: gostosos, feioso, bondoso, oleoso.
- Na conjugação dos verbos querer e pôr: puseram, quiseram.
- Entre vogais, emitindo o som de [ze]: casa, asa, casamento.

Utiliza-se o “z” em:


- Sufixo “izar”, formador de verbos: contabilizar, concretizar, batizar.
- Em substantivos abstratos criados a partir de adjetivos: sensato – sensatez, belo- beleza, magro – magreza, grande –
grandeza.

Grafia com “s” Grafa com “z”


Catequese Coalizão
Gás Bazar
Análise Verniz
Crise Cicatriz
Curiosidade Azeite
Decisão Buzina
Hesitar Azedo
Desejo Zebra
Colisão Proeza
Usuário Cuscuz

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LÍNGUA PORTUGUESA

Cortesia Xadrez
Besouro Giz
Querosene Surdez
Obséquio Cicatrizar

3) Uso do X/CH

Usa-se o “x” nos seguintes casos:

- Depois da sílaba -me: mexer, mexicano, mexerico.


- Depois da sílaba -en: enxada, enxame. Exceção: o verbo “encher” e seus derivados se escreve com “ch” - enchente,
encharcar .
- Depois de ditongo: ameixa, caixa, peixe
- Em palavras de origem indígena ou africada: xingar, xará.

Grafia com “x” Grafia com “ch”


Xeque – lance do xadrez Cheque – nota equivalente ao dinheiro
Taxar – pôr taxa Tachar – rotular
Chá - bebida Xá – soberano persa
Inexorável Chuchu
Êxito Chofer
Exausto Chacina
Êxodo Chalé
Xícara Cheio
Xenófobo Chamego
Xereta Chope
Xerocópia Chute

4) Uso do G/J

Usamos o “J” nos seguintes casos:


- Palavras oriundas do indígena ou da língua africana: pajé, jerimum, canjica, jabá, jiló.
- Conjugação do verbo viajar no modo subjuntivo: que eu viaje, eles viajem.

Utiliza-se o “g” em:


- Substantivos terminados em “-gem”: ferrugem, lavagem, serragem, coragem, vagem.
- Palavras terminadas em “-ágio”, “-égio”, “-ígio”, “-ógio”, “-úgio”: refúgio, litígio, relógio, adágio, vestígio.

Grafia com “g” Grafia com “j”


Tigela Jiboia
Agiotagem Canjica
Abranger Jiripoca
Apogeu Jiló
Gênese Jipe
Gerigonça Sujidade
Gim Jeito
Gengibre Jiripoca
Gíria Laje
Angélico Traje

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LÍNGUA PORTUGUESA

5) Emprego do S/SC/SS/SC/XC/XS com som de [sse] 03. (F. São Marcos-SP) Assinale a alternativa cujas
palavras estão todas corretamente grafadas:
Emprega-se o “s”: a) pajé, xadrês, flecha, misto, aconchego
- Em substantivos derivados de verbos terminar em b) abolição, tribo, pretensão, obsecado, cansaço
“-andir”, “-ender”, “-verter” e “-pelir”: c) gorjeta, sargeta, picina, florescer, consiliar
Expandir – Expansão d) xadrez, ficha, mexerico, enxame, enxurrada
Pretender – Pretensão e) pajé, xadrês, flexa, mecherico, enxame
Suspender – Suspensão
Perverter – Perversão 04. (NCE-RJ/UFRJ) O item abaixo que apresenta
palavra erradamente grafada é:
Emprega o “ç”: a) alteza - duqueza - baroneza;
- Em substantivos que derivam dos verbos terminados b) riqueza - dureza - fineza;
em “ter” e “torcer”: c) princesa - baixeza - burguesa;
Ater- Atenção d) freguesa - beleza - dureza;
Torcer – Torção e) certeza - camponesa - japonesa.
Manter – Manutenção
Contorcer – Contorção  05. (UNIMEP-SP) Assinale a alternativa que contém
o período cujas palavras estão grafadas corretamente:
Emprega-se o “SC”: a) Ele quiz analisar a pesquisa que eu realizei.
b) Ele quiz analizar a pesquisa que eu realizei.
- Em palavras de origem erudita: c) Ele quis analisar a pesquisa que eu realizei.
Imprescindível, plebiscito, miscível, miscigenação, d) Ele quis analizar a pesquiza que eu realisei.
transcender, ascensorista, ascensão, fascículo, fascínio. e) Ele quis analisar a pesquiza que eu realizei.

Usa-se o “sç”: 06. (UM-SP) Aponte a alternativa correta:


- Em algum verbos quando conjugados: a) exceção, excesso, espontâneo, espectador
Nascer – nasço b) excessão, excesso, espontâneo, espectador
Crescer – cresço c) exceção, exceço, expontâneo, expectador
d) excessão, excesso, espontâneo, expectador
Utiliza-se o “ss”: e) exceção, exceço, expontâneo, expectador
- Em substantivos originados de verbos terminados em
“-gredir”, “cutir”, “ceder”, “mitir”: 07. (Univ. Alfenas-MG) Assinale a alternativa em
Agredir – agressão que todas as palavras estão grafadas corretamente.
Discutir – discussão a) disenteria, páteo, siquer, goela
Progredir – progressão b) capoeira, empecilho, jabuticaba, destilar
Ceder – cessão c) boliçoso, bueiro, possue, crânio
Exceder – excesso d) borburinho, candieiro, bulir, privilégio
e) habitue, abutoe, quase, constróe
Usa-se o “xc” e o “xs”:
- Em dígrafos que apresentam o mesmo som que [sse]: (Exercícios retirados de http://www.
Excedente, Excelente, Exceção. gramaticaparaconcursos.com/2013/06/respostas-de-
ortografia-exercicios.html)
Exercícios

01. (ITA-SP) Dadas as palavras: 1) reaver, 2) Gabarito


inabilitado, 3) habilidade, constatamos que está (estão)
devidamente grafada(s) 1–d
a) apenas a palavra nº 1  2–a
b) apenas a palavra nº 2 3–d
c) apenas a palavra nº 3 4–a
d) todas as palavras 5–c
e) nenhuma das palavras 6–a
7–b
02. (CESCEA) Marque a única opção em que todas
as palavras estejam completas com x. USO DO HÍFEN
a) en__oval, __ingar, cai__eiro, en__ugar, __ícara
b) pu__ar, a__atar, en__ovia, in__ado, a__icalhar Hífen é um sinal gráfico cuja função principal é união de
c) pi__e, dei__ar, en__ugar, __adrez, bai__o mais de um radical, ou seja, criação de palavras compostas.
d) __u__u, amei__a, cartu__o, deslei__ada, trou__a Parece simples o seu uso, mas após a reforma ortográfica
e) pe__incha, co__a, broche, en__ada, en__arcado surgiram muitas dúvidas a respeito do emprego deste sinal.

16
LÍNGUA PORTUGUESA

Vejamos os casos em que o uso de hífen é obrigatório: c) quando a primeira palavra terminar com a letra
“b” e a segunda iniciar com “r”:
a) Como elemento de ligação entre pronomes Sub-reino
oblíquos e verbos: ab-rogar
Vou visitá-la mais tarde.
Vendi-o porque não o usava mais. d) depois de pré-, pós e pró:
Pré-natal
b) A fim de realizar separação de sílabas: Pós-parto
Escola – es-co-la
Aluno – a-lu-no e) circum, pan, após as letras “h”, “m”, “n”:
circum-navegação
c) Em substantivos compostos: há uma espécie
de formação de palavras chamada de “formação por f) Com os prefixos “além”, “aquém”, “recém” e
justaposição”, em que a partir de duas palavras se cria uma “sem”:
terceira com significado distinto, sem que com essa junção recém-casados
provoque perda fonética: além-mar

guardar – significado 1 g) Com o advérbio “mal” antes de vogal, h ou L:


chuva – significado 2 Mal-humorado
Mal-estar
guarda-chuva – significado 3 Mal-limpo
contar – significado 1 ACENTUAÇÃO GRÁFICA
gota – significado 2
As palavras podem conter uma ou mais sílabas.
conta-gotas – significado 3 E ao pronunciá-las, temos a tendência em proferi-las
intensificando uma sílaba frente as outras. Por exemplo,
d) Em formação composta de palavras que indicam
quando alguém fala a palavra “casa”, pronunciará com
espécies vegetais e zoológicas:
mais força uma das sílabas, no caso [ka]. Por que fazemos
erva-mate, couve-flor, formiga-grande
isso? Simplesmente porque a oralidade não é um sistema
de uma única entonação. Tal como a música, precisamos
e) Em palavras compostas cujo primeiro termo é
destacar partes de sons para manter a atenção do ouvinte.
numeral:
Imagine se falássemos todas as palavras utilizando uma
Primeiro-ministro, quarta-feira, segundo-tenente
única modulação?
Esta sílaba que entoamos com maior ênfase a
g) Nomes de lugares compostos por mais de
um radical, se iniciados por “grã”, “grão”, verbos ou chamamos de sílaba tônica, já que é nela que recai a
estejam ligados por artigo. tonicidade, o som que mais se destaca ao pronunciar uma
Passa-Vinte, Grã- Bretanha, Trás-os-Montes palavra. A gramática também nomeia esse acento tônico
como prosódico, pois está ligado à emissão dos sons na
O USO DO HÍFE E O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO fala. Todas as palavras com mais de uma sílaba possuem
uma – e somente uma – sílaba tônica, como podemos
Com a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa verificar nesses exemplos: úmido, ideia, cadeira, jacaré.
houve algumas modificações no tocante ao uso do hífen. Importante destacar que o acento tônico é um
Atentemos às regras que permaneceram: fenômeno fonético, pois referente à fala. Entretanto, quando
passamos a linguagem para outro registro, o da escrita,
Usa-se hífen em muitas vezes há a necessidade de enfatizar tal acento na
própria grafia, já que pode surgir erro de tonicidade. Na
a) quando o segundo termo iniciar com a letra “h”: origem da grafia, muitas palavras que não eram do uso
Super-homem comum dos falantes passaram a receber o acento gráfico
Pré-história a fim de reforçar textualmente o modo de pronunciá-las.
Assim sendo, há palavras que não recebem acento gráfico,
b) quando a primeira palavra terminar com a como porta, cortina, urubu, e outras que sim, como tônico,
MESMA LETRA que inicia a segunda: amável, paralelepípedo.
Anti-inflacionário Se em uma palavra há uma sílaba mais forte, como
contra-ataca chamamos as pronunciadas com menos intensidade? A
sub-bibliotecário gramática denomina sílabas átonas as mais fracas, que
inter-regional podem ser pretônicas ou postônicas dependendo de sua
posição frente a sílaba tônica.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Em uma palavra com mais de uma sílaba, portanto, - ã, ãs, ão, ãos – órgão, órfã, órgãos
haverá sempre uma com maior destaque fonético, a sílaba - um, uns, om, ons – álbum, fóruns, prótons
tônica. Entretanto, a ênfase em uma sílaba possui também - us – vírus, bônus
regras impostas pela própria fala. Por maior que seja um - i, is, júri, tênis
vocábulo, há apenas três modos de emitir tonicidade: - ei, eis – jóquei, jóquei
ênfase na última sílaba (oxítona), penúltima (paroxítona) ou
antepenúltima (proparoxítona): As paroxítonas e os erros de prosódia

- OXÍTONAS: palavras que apresentam a última sílaba Algumas palavras são acentuadas ou pronunciadas de
tônica, tais como jacaré, também, amor, rapaz. maneira equivocada, não respeitando sua tonicidade. É o
que chamamos de erros de entonação ou de prosódia, e que
- PAROXÍTONAS: Paroxítona significa literalmente, geralmente transformam paroxítonas em proparoxítonas:
“ao lado da oxítona”, e são as palavras que possuem a
penúltima sílaba tônica, como táxi, caráter, heroico, porta. Correto Errado
Vale destacar que a língua portuguesa é basicamente rubrica rúbrica
paroxítona, devido à maior quantidade de palavras com
recorde récorde
essa característica.
-PROPAROXÍTONAS: fenômeno menos comum, são libido líbido
as palavras que apresentam a antepenúltima sílaba tônica. pudico púdico
Alguns exemplos de proparoxítonas: exército, pêndulo, filantropo filântropo
quilômetro.
PROPAROXÍTONAS
A Língua Portuguesa também apresenta palavras com
uma única sílaba, as quais chamamos de monossílabos. Por se tratar de um fenômeno mais raro de
Estes são pronunciados com menor ou maior ênfase e, por entonação das palavras, temos a tendência de pronunciar
isso, podem ser átonos ou tônicos: erroneamente as palavras com a antepenúltima sílaba
tônica. Por isso mesmo todas as proparoxítonas devem ser
- Monossílabos átonos: sãos os enunciados com acentuadas para evitar esse equívoco.
menor intensidade e, por serem constituídos por uma
única sílaba, são dependentes foneticamente da palavra a Exemplos:
qual se apoiam, tornando-se praticamente uma sílaba da xícara, úmido, colocávamos, término, lógico.
mesma. As preposições, conjunções, artigos e pronomes Obs. Caso a vogal tônica for fechada ou nasal usa-se o
oblíquos átonos integram esse grupo. Vejamos as palavras acento circunflexo:
“amá-lo”. O pronome oblíquo “lo” é átono e é acoplado côncavo, estômago, sonâmbulo.
foneticamente á palavra amar.
ACENTUAÇÃO DOS MONOSSÍLABOS:
- Monossílabos tônicos: proferidos com maior ênfase,
possuem independência fonética: má, mim, eu, tu, mar, céu. Acentuam-se os monossílabos terminados em:
a) a, as: má, já, lá, cá, pás
Vejamos agora as regras de acentuação gráfica: b) e, es: crê, vês, pé
c) o, os: nós, nós, dó, pô-lo
1) OXÍTONAS:
ACENTUAÇÃO DOS DITONGOS E A NOVA
Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em ORTOGRAFIA
- a, e, o – seguidos ou não de “s”: sofás, crachás,
jacarés, filé, purê, dominó, cipós, metrô…. Segundo o Novo Acordo Ortográfico do Português,
- ditongo nasal -ém, -éns: mantém, ninguém, não são mais acentuados ditongos abertos em palavras
parabéns, amém… paroxítonas:
- ditongos abertos -ói, -éu, -éi, seguindo ou não de
“s”: herói, troféu, fiéis. Como era Como é agora
heróico heroico
PAROXÍTONAS:
idéia ideia
Acentuam-se as paroxítonas terminadas em: jibóia jiboia
- r: ímpar, cadáver apóia apoia
- l : réptil, têxtil paranóico paranoico
- n: éden, hífen
- x – xérox, tórax
- ps – bíceps, fórceps

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LÍNGUA PORTUGUESA

ACENTUAÇÃO DOS HIATOS TREMA

Chamamos de hiato o encontro de duas vogais em O trema, sinal de dois pontos usado sobre a letra “u”,
uma palavra que, no entanto, não fazem parte da mesma era utilizado para marcar a pronúncia da vogal em palavras
sílaba. A maior parte dos hiatos não são acentuados, mas marcadas pelo encontro vocálico, tais como “lingüiça” e
alguns levam acento para evitar erros de pronúncia. “freqüentar”. Entretanto, segundo a Nova Ortografia, não
Acentuam-se as vogais “i” e “u” que formam hiato com se deve mais usar essa marcação. A partir de agora as
a sílaba anterior: palavras são assim grafadas:
cafeína Frequentar, linguiça, linguística, bilíngue, cinquenta,
balaústre aguentar.
saúde
saída Exercícios
saúva
1. (EPCAR) Assinale a série em que todos os
No entanto, há uma exceção. Não são acentuados os vocábulos devem receber acento gráfico: 
hiatos seguidos por dígrafo “nh”, tal como rainha, moinho, a) Troia, item, Venus 
ruim, amendoim, ainda. b) hifen, estrategia, albuns 
Também evitamos acentuação em hiatos que não c) apoio (subst.), reune, faisca 
formam sílaba com letra diferente de “s”, como em juiz, cair, d) nivel, orgão, tupi 
sair, contribuiu. e) pode (pret. perf.), obte-las, tabu 
Segundo o Novo Acordo Ortográfico do Português,
não são mais acentuados os hiatos que vêm após ditongos: 2. (BB) Opção correta: 
baiuca, feiura, bocaiuva. Também os “ôos” e “êes” não a) eclípse 
levam mais acento: enjoo, voo, creem, veem. b) juíz
c) agôsto
EMPREGO do TIL d) saída
e) intúito  
O til [~] é um sinal e não um acento. No Português o til
aparece sobre as vogais “a” e “o” para indicar nasalização, 3. (BB) “Alem do trem, voces tem onibus, taxis e
som que sai pela boca e nariz. Tal sinal não se sobrepõe em aviões”. 
sílabas tônicas somente, podendo também estar em sílabas a) 5 acentos
pretônicas ou átonas: Exemplos: órgão, órfã, balõezinhos… b) 4 acentos  
c) 3 acentos 
O ACENTO DIFERENCIAL d) 2 acentos
e) 1 acento 
Como o próprio nome diz, o acento diferencial tem
como função marcar uma diferença. Há muitas palavras no 4. (BB) Monossílabo tônico: 
português que são homógrafas, ou seja, que possuem a a) o 
mesma grafia e, por isso, é necessário um sinal distintivo b) lhe 
para que não surjam equívocos. Vejamos: c) e 
d) luz
a) Pôde – Pretérito perfeito do indicativo e) com 
Pode – Presente do indicativo
5. (BB) Leva acento: 
b) Pôr – Verbo a) pêso 
Por – preposição b) pôde 
c) êste
É facultativo o uso do acento diferencial para distinguir d) tôda
as palavras forma e fôrma. Imagine a frase: qual a forma da e) cêdo 
fôrma de torta que você comprou?
O Novo Acordo Ortográfico do Português aboliu 6. (BB) Não leva acento: 
alguns acentos diferenciais, tais como em pelo (preposição) a) atrai-la 
e pêlo (substantivo), pára (verbos) e para (preposição): b) supo-la 
O pelo do gato está crescendo muito. c) conduzi-la 
Vá pelo caminho mais curto. d) vende-la 
Ele para para pensar. e) revista-la 

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LÍNGUA PORTUGUESA

7. (UF-PR) Assinale a alternativa em que todos os d) Hiatos: Ao contrário dos ditongos e tritongos,
vocábulos são acentuados por serem oxítonos:  separam-se os hiatos, já que indicam pausa entre as vogais.
a) paletó, avô, pajé, café, jiló  Ex.: sa-ú-de, fi-el.
b) parabéns, vêm, hífen, saí, oásis  e) Sílabas com os dígrafos rr, ss, sç, sc, xç: são
c) você, capilé, Paraná, lápis, régua  separados. Ex.: car-ro, as-sa-do, ex-ce-ção.
d) amém, amável, filó, porém, além 
e) caí, aí, ímã, ipê, abricó  A TONICIDADE DAS SÍLABAS

(Exercícios retirados de http://professorricardoandrade. Quando pronunciamos uma palavra emitimos


blogspot.com.br/2010/08/80-questoes-de-acentuacao- intensidade de entonação, principalmente quando o
grafica.html) vocábulo possui mais de uma sílaba. Certamente há
variação de tonicidade, ou seja, usamos mais força vocal
GABARITO numa sílaba e menos em outra. Por isso mesmo se diz que
cada palavra possui uma sílaba mais forte, a qual chamamos
1–b tônica e outras mais fracas, as átonas.
2–d
3–a EMPREGO DAS INICIAIS MAIÚSCULAS E
4–d MINÚSCULAS
5–b
6–c A linguagem oral e a escrita requerem algumas
7-a habilidades diferentes. Há empregos que só utilizamos
na linguagem oral, como entonação e dramaticidade. A
ESTUDO DA SÍLABA escrita também possui suas particularidades, tal como o
emprego das iniciais maiúsculas e minúsculas, isso porque
Quando entramos na escola e iniciamos os primeiros muitas vezes é através da letra que indicamos informações
passos no aprendizado da escrita, temos acesso simples, como início de frase, nome de pessoas, etc…
primeiramente às vogais (a, e. i, o, u) e às consoantes (b, Vejamos então algumas regras:
c, d, f….). O segundo passo é unir essas letras entre si a fim
de formar pequenas unidades sonoras, pois é a partir delas Emprego de iniciais maiúsculas
que as palavras serão construídas. Chamamos de sílabas
esses grupos fonológicos (sons) que formam as palavras. a) Nomes próprios, tais como nomes de pessoas, de
Uma vez que as palavras são verdadeiros organismos lugares (topônimos), entidades mitológicas, designações
complexos no tocante a sua formação, há diversas formas políticas e religiosas, altos conceitos nacionalistas:
de construção de uma sílaba. Vejamos sua classificação: Exemplos:
a) Monossílabas: palavras que possuem uma única Maria, Florianópolis, Apolo, Igreja Apostólica Romana,
sílaba. Ex.: mãe, meu, mar, céu. Partido dos Trabalhadores, Nação, Brasil.
b) Dissílabas: palavras que possuem duas sílabas. Ex.:
casa, feijão, amor, leitão. b) Início de frase, período, versos e citações diretas:
c) Trissílabas: palavras que possuem três sílabas. Ex.: Exemplos:
úmido, salvador, torneira. “Minha terra tem palmeiras, 
d) Polissílabas: palavras que possuem quatro ou mais Onde canta o Sabiá; 
sílabas. Ex.: paralelepípedo, antropomorfismo. As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá.
Algumas regras de separação silábica Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Se sílaba é um grupo de letras que, juntas, constituirão Nossos bosques têm mais vida, 
uma unidade sonora, há modos dessas letras se unirem. Nossa vida mais amores.” (Gonçalves Dias, “Canção
Haverá sílabas com mais de uma vogal (ditongos e do Exílio”
tritongos), com dígrafos (ch, nh, lh, rr) e encontros Já nos dizia Clarice Lispector: “Amar os outros é a única
consonantais (ps, pn). Assim sendo devemos entender as salvação individual que conheço: ninguém estará perdido
regras de separação silábica conforme as características de se der amor e às vezes receber amor em troca.”
cada unidade. Muitos se perguntam qual é o destino da vida. Mas tal
a) Sílabas com encontros vocálicos: Não se separam pergunta nem Freud respondeu.
ditongos e tritongos. Ex. Moi-ta, a-ve-ri-guou.
b) Sílabas com dígrafos ch, lh, nh, gu, qu: dígrafos c) Festas Religiosas, período histórico, data ou
constituem um único fonema, por isso não devem ser acontecimento importantes:
separados. Ex.: cha-ve, a-lho, que-rer. Exemplos:
c) Encontros consonantais: quando iniciarem palavras Período Barroco, Festa de São João, Proclamação da
não podem ser separados. Ex.: psi-có-lo-go, pneu-má-ti-co. República, Dia dos Pais

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LÍNGUA PORTUGUESA

d) Nos títulos de livros, jornais, produções artísticas,


literárias e científicas: 4 DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE COESÃO
Exemplos: TEXTUAL.
Dom Casmurro, Monalisa, Folha de São Paulo, Til. 4.1 EMPREGO DE ELEMENTOS DE
REFERENCIAÇÃO, SUBSTITUIÇÃO E
e) Nome de vias e lugares públicos:
REPETIÇÃO, DE CONECTORES E OUTROS
Exemplos:
Rua Quinze de Novembro, Praça de República, Rua ELEMENTOS DE SEQUENCIAÇÃO TEXTUAL.
João Nilo Morfim

f) Pronomes e expressões de tratamento COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL


Exemplos:
Excelentíssimo Senhor, Vossa Senhoria Leia o texto abaixo:
g) Siglas, símbolos e abreviaturas internacionais:
ONU, PSDB, Sra. “A juventude nos dias de hoje anda em perigo. Todos
os dias vemos a juventude entrar em caminhos perigosos,
h) Nomes de corpos celestes a juventude parece não ter preocupação com o futuro. O
Exemplos: futuro da juventude está em perigo. Há uma solução para a
Marte, Plutão, Saturno juventude.
Concluindo o texto, pode-se dizer que a juventude está
i) Nomes de artes, ciências e disciplinas: mais consciente nos dias de hoje.”
Língua Portuguesa, Cubismo, Matemática, Dadaísmo Podemos concluir que se trata de um texto devido à
união de frases. Entretanto, percebemos facilmente que não
j) Nomes de agremiações, repartições, edifícios, passa de uma construção rudimentar, já que os enunciados
parecem apenas “colados” entre si, sem relacionar nenhuma
estabelecimentos públicos e particulares:
relação de sentido. Além do mais, a leitura se torna cansativa,
Teatro Pedro Ivo, Ministério Público, Tribunal de Justiça
pois há excesso de repetição de palavras. E para finalizar, o
segundo parágrafo entra em contradição com o primeiro,
Emprego de iniciais minúsculas dando a entender que o autor não tem certeza do que está
falando.
a) nomes de dias e meses da semana Um texto é mais que uma “colagem” de frases entre
Exemplos: si. Deve interligar os elementos de forma lógica, evitando
terça-feira, domingo, março, dezembro repetição de termos, usando conectivos que una de maneira
inteligente os enunciados. Ou seja, para ser um texto, é
b) palavras compostas, mesmo as formadas com nome necessário coesão. Além disso, é fundamental que as ideias
próprio estejam caminhando numa única direção, sem defender
Exemplos: pontos de vistas contrários. Uma boa redação apresenta
joão-de-barro, pé de moleque coerência em suas posições. Vejamos a construção acima
agora respeitando essas condições:
c) No meio de nome de obras: “A juventude, nos dias de hoje, anda em perigo. Isso
Exemplos: porque todos os dias vemos adolescentes enveredando
O retrato de um artista quando jovem; Memórias por caminhos perigosos, sem a devida preocupação com o
Póstumas de Brás Cubas futuro. Ou seja, nossas crianças, recém-saídas da infância,
parecem periclitantes. Entretanto, por mais que isso nos
d) Palavras que designam nacionalidade ou origem: assuste, ainda há esperança: para todo mal há uma solução.
Exemplos: Após as ideias citadas acima, pode-se concluir que
catarinense, libanês, franco-alemão, paulista ainda que pareça incerto o destino de nossos jovens, através
de projetos educacionais pode-se, com certeza, torná-los
e) substantivos comuns que acompanham nomes seres mais conscientes.”
próprios: oceano Atlântico, planeta Terra Qual a diferença entre os dois textos? Enquanto que no
primeiro as frases parecem jogadas sem a devida preocupação
f) Alguns sinais de pontuação, com os dois pontos com a conexão de elementos e de ideias, no segundo evitou-se
Exemplos: a repetição de palavras através da substituição por sinônimos.
Só desejo uma coisa: que você seja feliz. Além do mais, usou-se conectivos tais como “isso porque”, “ou
seja”, “entretanto”, que criou entre os enunciados uma relação
de sentido, seja de explicação ou discordância. Houve, assim,
preocupação com a coesão textual, mecanismo responsável
pela harmonia no texto, o que se dá por meio do do uso de
palavras e conectivos que transformam um conjunto de frases
em uma composição.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Outrossim, percebemos que o segundo parágrafo não peca por contradição de ideias, e isso é essencial. A coerência é a relação
lógica das posições argumentativas apresentadas, sem cometer o erro de defender direções distintas.
Vamos aprender algumas técnicas para construir um bom texto.

- COESÃO TEXTUAL

Vejamos alguns mecanismo responsáveis por tornar um texto coeso:

a) coesão referencial: tem como função usar elementos referenciais, tais como pronomes pessoais e possessivos a fim de se
referir ao mesmo ser.
A juventude está em perigo. Seu futuro está incerto. Ela precisa de cuidados.
Dentre a coesão referencial temos a anafórica, em que um termo remete a uma palavra já citada e a catafórica, quando a
expressão antecede o vocábulo que será apresentado.
Conheço os jovens da atualidade. Eles estão em perigo. (anafórico)
O problema essencial é este: a falta de consciência prejudica o futuro. (catafórico)

b) Coesão lexical: se dá através do uso de sinônimos e palavras dentro do mesmo campo semântico do termo-chave, com o
objetivo de evitar repetições.
A juventude precisa de cuidados. Nossos adolescentes estão enveredando por caminhos perigosos.
A coesão por substituição é fundamental em qualquer texto, que gira em torno de um tema, uma palavra-chave. É muito
comum o escritor, no ato de escrever, não ter a noção precisa da repetição, por isso a revisão deve ser um ato contínuo.

c) Coesão por elipse: muitas vezes podemos ocultar um elemento já subtendido através do enunciado anterior. Esse recurso é
chamado de elipse e é uma ótima ferramenta para se evitar repetição.
Muitos adolescentes estão optando por um estilo de vida nada saudável. Não se preocupam com o devir de seus
destinos.
Percebemos que a palavra “adolescente” está elipsada na segunda frase, mas através do contexto é perfeitamente
compreendida.

d) Coesão por conjunção: a conjunção tem como função unir orações entre si, criando entre elas uma relação de
sentido. Em vez de utilizarmos frases curtas, o correto é criar períodos compostos por mais de uma oração, ligados pela
conjunção.
Estamos preocupados com os jovens, mas para todo o problema há uma solução.
Além dessas ferramentas de coesão, há uma série de conectivos responsáveis por tornar o texto uma cadeia significativa.
Vejamos:

C a u s a /
Afirmação Oposição Adição Explicação Conclusão Comparação
consequência
Em outras Da mesma
É certo que Entretanto Além disso Por isso Portanto
palavras forma
Do mesmo
Certamente contudo Outrossim Por causa de Para ilustrar Dessa forma
modo
Não há dúvidas todavia Não só Visto que Pois Logo Na outra ponta
É inegável No entanto Ainda mais De fato A exemplo de Assim sendo Bem como
Sabe-se que Apesar de Mais também De forma que Melhor dizendo Em suma Assim como

- COERÊNCIA TEXTUAL

Se a coesão textual é responsável pela harmonia das palavras dentro de um texto, a coerência garante a concordância
entre as ideias apresentadas. O maior pecado de um texto é a defesa de ideias díspares, já que demonstra falta de
conhecimento e segurança do autor no tocante a seu ponto de vista. Todo o texto deve apresentar uma única direção
argumentativa.
A revisão de um texto é essencial para que se evite a temida contradição
Vejamos alguns tipos de coerência:

a) coerência gramatical: se dá através do devido uso dos elementos de coesão, interligando de forma lógica os termos
em questão.
(1) Ainda que haja preocupação, (2) é dever do Estado garantir a segurança de todos os jovens.
Há uma relação coerente entre as orações (1) e (2), pois a conjunção em destaque harmoniza perfeitamente ideias
opostas.

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LÍNGUA PORTUGUESA

b) coerência semântica: é base da cadeia argumentativa d) Flexão de tempo


do texto. Quando se inicia a escritura a partir de um ponto Pretéritos
de vista, é extremamente proibido defender uma direção Presente
que negue ou desdiga a posição antes afirmada. Futuro
(1) O mundo está em perigo. (2) Por isso mesmo
devemos ter cuidado. e) Flexão de voz
As frases (1) e (2) estão caminhando na mesma direção, Voz ativa
apresentando harmonia das ideias. Voz passiva
Voz reflexiva
c) coerência referencial: certifique que os exemplos
citados estejam confirmando sua argumentação. Muitas 2) A estrutura do verbo
vezes, no desejo de demonstrar conhecimento sobre Radical CANT – VEND – PART
determinado assunto, apresentamos exemplos que nada Vogal Temática: A – E – I
acrescentam ao texto. Desinências – R – MOS – S
(1) A condição humana foi um assunto tratado
com afinco pela filósofa Hannah Arendt. (2) Um grande Chamamos de tema a união do radical com a vogal
exemplo dessa questão na contemporaneidade é nosso temática, que possui a função de apresentar a conjugação
condicionamento ao uso de celulares e aplicativos. (3) Somos do verbo.
animais domésticos inseridos num novo mundo virtual. - Verbos de 1º conjugação: (vogal temática a) – cantar,
O exemplo apresentado na frase (2) confirma o que foi amar, sonhar, falar
dito em (1). Por fim, em (3) temos uma conclusão coerente - Verbos de 2º conjugação: (vogal temática e) – comer,
com a discussão tecida nos enunciados anteriores. vender, escreve
- Verbos de 3º conjugação: (vogal temática i) – partir,
A maneira mais efetiva de manter a coerência de sorrir, exibir
um texto é escrevê-lo a partir da argumentação de
CAUSA e CONSEQUÊNCIA. Observação: verbos como por, compor são considerados
de 2º conjugação devido a sua forma arcaica poer.
A conjugação verbal influencia a flexão dos verbos.
4.2 EMPREGO/CORRELAÇÃO DE TEMPOS E Vejamos:
MODOS VERBAIS.
1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação
Verbo é a classe gramatical que indica ações, estados, Cant-o Vend-o Part-o
emoções e fenômenos climáticos. Cant-a-s Vend-e-s Part-es
Cant-a Vend-e Part-e
Ex.: Cant-a-mos Vend-e-mos Part-i-mos
a) O médico operou o doente. (ação) Cant-a-is Vend-e-is Part-is
b) Rodrigo está doente. (estado) Cant-a-m Vend-e-m Part-em
c) Maria permanece chorosa. (estado, emoção)
d) Chove muito em Brasília. (fenômeno climático) 3) Modos verbais
Indicam o modo com o qual o falante se posiciona
1) As flexões do verbo frente a ação verbal. Por isso os modos são:
O verbo é uma classe complexa, pois apresenta uma
a) Indicativo: indica certeza, ação certa
série de variações e flexões. Pode variar em número, pessoa,
b) Subjuntivo: hipótese, dúvida
tempo, modo e voz:
c) Imperativo: ordem, pedido.
a) Flexão de número:
4) Tempos verbais
Singular (um sujeito)
Os tempos verbais se referem ao tempo em que a ação
Plural (mais de um sujeito)
foi realizada. Surgem nos modos indicativo e subjuntivo.
b) Flexão de pessoa: O modo indicativo, por indicar ação certa, é o que mais
1º pessoa (emissor: eu, nós) apresenta flexões de tempo:
2º pessoa (receptor: tu, vós) - Presente do Indicativo: o verbo é conjugado no
3º pessoa (assunto: ele, ela, eles, elas) tempo presente em que a ação é feita
- Pretérito Perfeito do Indicativo: ação já foi finalizada
c) Flexão de modo: em tempo passado.
Indicativo - Pretérito mais que perfeito do Indicativo – ação foi
Subjuntivo feita em tempo remoto
Imperativo - Pretérito Imperfeito do Indicativo – ação tida como
hábito no tempo passado

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Futuro do Presente: ação que será realizada no futuro


- Futuro do Pretérito: ação condicionada por outra ação verbal.

Vejamos os diversos tempos verbais nos verbos das três conjugações:

- Presente do Indicativo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Cant-o Vend-o Part-o
Cant-a-s Vend-e-s Part-es
Cant-a Vend-e Part-e
Cant-a-mos Vend-e-mos Part-i-mos
Cant-a-is Vend-e-is Part-is
Cant-a-m Vend-e-m Part-em

- Pretérito Perfeito do Indicativo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Cant-ei Vend-i Part-i
Cant-a-ste Vend-e-ste Part-i -ste
Cant-ou Vend-e -u Part-i-u
Cant-a-mos Vend-e-mos Part-i-mos
Cant-a-stes Vend-e-stes Part-i -stes
Cant-a-ra-m Vend-e - ram Part-i-ram

- Pretérito mais que perfeito do Indicativo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Cant-a- ra Vend-e- ra Part-i- ra
Cant-a-ra -s Vend-e-ra -s Part-i -ra -s
Cant-a -ra Vend-e - ra Part-i -ra
Cant-á- ra -mos Vend-e-ra -mos Part-i-ra -mos
Cant-a- re-is Vend-e-re -is Part-i-re -is
Cant-a- ra -m Vend-e-ra-m Part-i-ra -m

- Pretérito Imperfeito do Indicativo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Cant-a -va Vend-ia Part-ia
Cant-a-va-s Vend-ia-s Part-ia-s
Cant-a -va Vend-ia Part-ia
Cant-á-va- mos Vend-ía-mos Part-ía-mos
Cant-á-ve -is Vend-íe-is Part-íe-is
Cant-a-va -m Vend-ia-m Part-ia-m

- Futuro do Presente do Indicativo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Cant-a -re-i Vend-e -re-i Part-i -re- i
Cant-a-rá-s Vend-e-rá-s Part-i -rá -s
Cant-a - rá Vend-e-rá Part-i -rá
Cant-á-re- mos Vend-e -re-mos Part-i -re -mos
Cant-a-re-is Vend-e -re -is Part-i – re -is
Cant-a-rão Vend-e- rão Part-i -rão

24
LÍNGUA PORTUGUESA

- Futuro do pretérito do Indicativo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Cant-a -ria Vend-e -ria Part-i -ria
Cant-a-ria -s Vend-e-ria -s Part-i -ria -s
Cant-a - ria Vend-e-ria Part-i -ria
Cant-a-ría - mos Vend-e -ría -mos Part-i -ría -mos
Cant-a-ríe-is Vend-e -ríe -is Part-i – ríe -is
Cant-a-ria- m Vend-e- ria -m Part-i -ria-m

5) O Modo Subjuntivo
É o que apresenta a ação verbal enquanto hipótese, dúvida. Apresenta três tempos, o presente do subjuntivo, o
imperfeito do subjuntivo e o futuro do subjuntivo.

a) Presente do subjuntivo
Indica hipótese e sua construção se dá através da substituição da vogal temática pela vogal de subjuntivo. Em verbos
de primeira conjugação se substitui a vogal temática “a” por “e”, nos verbos de segunda e terceira conjugação se substitui
as vogais “e” e “i” por “a”:

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Que eu cant-e Que eu vend-a Que eu part-a
Que tu cant-e- s Que tu vend-a -s Que tu part-a -s
Que ele cant-e Que ele vend-a Que ele part-a
Que nós cant-e- mos Que nós vend-a -mos Que nós part-a -mos
Que vós cant-e-is Que vós vend-a-is Que vós part-a -is
Que eles cant-e- m Que eles vend-a -m Que eles part-a-m

b) Imperfeito do Subjuntivo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


se eu cant-a-sse se eu vend-e-sse se eu part-i-sse
se tu cant-a-sse- s se tu vend-e-sse -s se tu part-i-sse -s
se ele cant-a-sse se ele vend-e-sse se ele part-i-sse
se nós cant-á-sse- mos se nós vend-ê-sse -mos se nós part-í-sse -mos
se vós cant-á-sse-is se vós vend-ê-sse-is se vós part-í-sse -is
se eles cant-a-sse- m se eles vend-e-sse -m se eles part-i-sse-m

c) Futuro do Subjuntivo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


quando eu cant-a-r quando eu vend-e-r quando eu part-i-r
quando tu cant-a-re- s quando tu vend-e-re -s quando tu part-i-re -s
quando ele cant-a-r quando ele vend-e-r quando ele part-i-r
quando nós cant-a-r- mos quando nós vend-e-r -mos quando nós part-i-r -mos
quando vós cant-a-rdes quando vós vend-e-rdes quando vós part-i-rdes
quando eles cant-a-re- m quando eles vend-e-re -m quando eles part-i-re-m

6) Modo Imperativo

O modo imperativo está ligado à ideia de ordem e pedido. Aqui temos o Modo Imperativo Afirmativo e o Imperativo
Negativo. A construção do Imperativo Afirmativo se dá reaproveitando desinências do modo indicativo e subjuntivo. Além
do mais, vale lembrar que este modo não é flexionado na 1º pessoa do singular.

25
LÍNGUA PORTUGUESA

2º pessoa do singular (tu) – presente do indicativo sem o “s”


3º pessoa do singular (você) – presente do subjuntivo
1º pessoa do plural (nós) – presente do subjuntivo
2º pessoal do plural (vós) – presente do indicativo sem o “s”
3º pessoa do plural (vocês) – presente do subjuntivo

Observação: por ser ordem direta não usamos o ele, eles, e sim o você (s), que possui a mesma flexão.

Imperativo Afirmativo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Canta tu Vende tu Parte tu
Cante você Venda você Parta você
Cantemos nós Vendamos nós Partamos nós
Cantai vós Vendei vós Parti vós
Cantem vocês Vendam vocês Partam vocês

Imperativo Negativo

No Imperativo Negativo usamos a mesma flexão do presente do subjuntivo

1º conjugação 2º conjugação 3º conjugação


Não cantes tu Não vendas tu Não partas tu
Não cante você Não venda você Não parta você
Não cantemos nós Não vendamos nós Não partamos nós
Não canteis vós Não vendais vós Não partais vós
Não cantem vocês Não vendam vocês Não partam vocês

7) Formas Nominais dos Verbos


Nas formas nominais dos verbos não temos flexão de modo e tempo. Podem exercer a função de verbo ou nome:
a) Infinitivo: cantar, amar, vender, partir, sorrir
b) Gerúndio: cantando, vendendo, partindo, amando, comendo
c) Particípio: vendido, comprado, amado, partido

8) Classificação dos Verbos:


a) Regulares: Verbos que apresentam flexões regulares, usando as desinências tradicionais. Ex.: cantar, amar, comer,
vender, partir
b) Irregulares: Verbos que apresentam flexões próprias, não utilizando as desinências regulares. Ex.: trazer, ir, fazer, dar,
poder

Presente do Indicativo

Trazer Fazer Poder


Trago Faço Posso
Trazes Fazes Podes
Traz Faz Pode
Trazemos Fazemos Podemos
Trazeis Fazeis Podeis
Trazem Fazem Podem

26
LÍNGUA PORTUGUESA

Pretérito Perfeito

Trazer Fazer Poder


Trouxe Fiz Pude
Trouxeste Fizeste Pudeste
Trouxe Fez Pôde
Trouxemos Fizemos Pudemos
Trouxestes Fizestes Pudestes
Trouxeram Fizeram Puderam

Pretérito mais que perfeito

Trazer Fazer Poder


Trouxera Fizera Pudera
Trouxeras Fizeras Puderas
Trouxera Fizera Pudera
Trouxéramos Fizéramos Pudéramos
Trouxéreis Fizéreis Pudéreis
Trouxeram Fizeram Puderam

Pretérito Imperfeito

Trazer Fazer Poder


Trazia Fazia Podia
Trazias Fazias Podias
Trazia Fazia Podia
Trazíamos Fazíamos Podíamos
Trazíeis Fazíeis Podíeis
Traziam Faziam Podiam

Futuro do Presente

Trazer Fazer Poder


Trarei Farei Poderei
Trarás Farás Poderás
Trará Fará Poderá
Traremos Faremos Poderemos
Trareis Fareis Podereis
Trarão Farão Poderão

c) Principais: em uma locução verbal (conjunto de dois verbos) são os verbos que apresentam a informação principal
referente à ação. Ex.: comprar, amar, vender...

d) Auxiliares: em uma locução verbal, são os verbos com pouco força semântica que apresentam informação gramatical
de tempo e pessoa. Ex.: ser, ir, estar…

27
LÍNGUA PORTUGUESA

Ser

Presente do Indicativo Pretérito Perfeito do Indicativo Pretérito mais que perfeito do


Indicativo
Sou Fui Fora
És Foste Foras
É Foi Fora
Somos Fomos Fôramos
Sois Fostes Fôreis
São Foram Foram

Pretérito Imperfeito do Futuro do Presente do Indicativo Futuro do Pretérito do Indicativo


Indicativo
Era Serei Seria
Eras Serás Serias
Era Será Seria
Éramos Seremos Seríamos
Éreis Sereis Seríeis
Eram Serão Serão

Presente do Subjuntivo Imperfeito do Subjuntivo Futuro do Subjuntivo


Que eu seja Se eu fosse Quando eu for
Que tu sejas Se tu fosses Quando tu fores
Que ele seja Se ele fosse Quando ele for
Que nós sejamos Se nós fôssemos Quando nós formos
Que vós sejais Se vós fôsseis Quando vós fordes
Que eles sejam Se eles fossem Quando eles forem

Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo


Sê tu Não sejas tu
Seja você Não seja você
Sejamos nós Não sejamos nós
Sede vós Não sejais vós
Sejam vocês Não sejam vocês

Estar

Presente do Indicativo Pretérito Perfeito do Indicativo Pretérito mais que perfeito do


Indicativo
Estou Estive Estivera
Estás Estiveste Estiveras
Está Esteve Estivera
Estamos Estivemos Estivéramos
Estais Estivestes Estivéreis
Estão Estiveram Estiveram

28
LÍNGUA PORTUGUESA

Pretérito Imperfeito do Futuro do Presente do Indicativo Futuro do Pretérito do Indicativo


Indicativo
Estava Estarei Estaria
Estavas Estarás Estarias
Estava Estará Estaria
Estávamos Estaremos Estaríamos
Estáveis Estareis Estaríeis
Estavam Estarão Estariam

Presente do Subjuntivo Imperfeito do Subjuntivo Futuro do Subjuntivo


Que eu esteja Se eu estivesse Quando eu estiver
Que tu estejas Se tu estivesses Quando tu estiveres
Que ele esteja Se ele estivesse Que ele estiver
Que nós estejamos Se nós estivéssemos Quando nós estivermos
Que vós estejais Se vós estivésseis Quando vós estiverdes
Que eles estejam Se eles estiveram Quando eles estiverem

Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo


Está tu Não estejas tu
Esteja você Não esteja você
Estejamos nós Não estejamos nós
Estai vós Não estejais vós
Estejam vocês Não estejam vocês

e) Anômalos: verbos que, quando conjugados, apresentam radicais distintos do radical primitivo.
Ex.: Eu sou, Eu era, Eu Fui…

Ir

Presente do Indicativo Pretérito Perfeito do Indicativo Pretérito mais que perfeito do


Indicativo
Vou Fui Fora
Vais Foste Foras
Vai Foi Fora
Vamos Fomos Fôramos
Ides Fostes Fôreis
Vão Foram Foram

Pretérito Imperfeito do Futuro do Presente do Indicativo Futuro do Pretérito do Indicativo


Indicativo
Ia Irei Iria
Ias Irás Irias
Ia Irá Iria
Íamos Iremos Iríamos
Íeis Ireis Iríeis
Iam Irão Iriam

29
LÍNGUA PORTUGUESA

Presente do Subjuntivo Imperfeito do Subjuntivo Futuro do Subjuntivo


Que eu vá Se eu fosse Quando eu for
Que tu vás Se tu fosses Quando tu fores
Que ele vá Se ele fosse Quando ele for
Que nós vamos Se nós fôssemos Quando nós formos
Que vós vades Se vós fôsseis Quando vós fordes
Que eles vão Se eles fossem Quando eles foram

Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo


Vai tu Não vás tu
Vá você Não vá você
Vamos nós Não vamos nós
Ide vós Não vades vós
Vão vocês Não vão vocês

f) Defectivos: verbos que não apresentam conjugação completa, em algumas pessoas verbais. Ex,: Polir, banir

Polir – Presente do Indicativo Banir – Presente do Indicativo


x x
x x
x x
Polimos banimos
Polis banis
x c

g) Abundantes: verbos que apresentam duas formas equivalentes no particípio, uma regular e um
irregular. Ex.: Aceitar = aceito, aceitado

Verbos abundantes da 1.ª conjugação


Verbo aceitar: aceitado (regular) e aceito (irregular)
Verbo entregar: entregado (regular) e entregue (irregular)
Verbo ganhar: ganhado (regular) e ganho (irregular)
Verbo matar: matado (regular) e morto (irregular)
Verbo pagar: pagado (regular) e pago (irregular)
Verbo pegar: pegado (regular) e pego (irregular)
Verbo salvar: salvado (regular) e salvo (irregular)

Verbos abundantes da 2.ª conjugação


Verbo acender: acendido (regular) e aceso (irregular)
Verbo eleger: elegido (regular) e eleito (irregular)
Verbo envolver: envolvido (regular) e envolto (irregular)
Verbo morrer: morrido (regular) e morto (irregular)
Verbo prender: prendido (regular) e preso (irregular)
Verbo revolver: revolvido (regular) e revolto (irregular)
Verbo suspender: suspendido (regular) e suspenso (irregular)

Verbos abundantes da 3.ª conjugação


Verbo expelir: expelido (regular) e expulso (irregular)
Verbo : exprimir exprimido (regular) e expresso (irregular)
Verbo extinguir: extinguido (regular) e extinto (irregular)
Verbo frigir: frigido (regular) e frito (irregular)
Verbo imprimir: imprimido (regular) e impresso (irregular)
Verbo incluir: incluído (regular) e incluso (irregular)
Verbo submergir: submergido (regular) e submerso (irregular)

30
LÍNGUA PORTUGUESA

h) Verbos Intransitivos: verbos que não necessitam de c)  Se você requizesse e seu advogado intervesse, talvez
complemento. Ex.: viajar, dormir, morrer, nascer. reaveria todos os seus bens.
i) Verbos Transitivo Diretos: Verbos que necessitam de d) Se você requisesse e seu advogado intervesse, talvez
complemento, mas sem a necessidade de preposição. Ex.: reaveria todos os seus bens.
Comprar, vender, falar e) Se você requeresse e seu advogado intervisse, talvez
j) Verbos Transitivos Indiretos: Verbos que se ligam ao reouvesse todos os seus bens.
complemento com o auxílio de preposição. Ex.: precisar (de),
necessitar (de) 02. (MED – SANTOS) A forma que pode estar no futuro
k) Verbos de Ligação: verbos com pouca força semântica do subjuntivo é:
que ligam o sujeito a seu predicativo (qualidade). Ex.: ser, estar, a) Quando virdes a realidade dos fatos…
permanecer, ficar, continuar, andar… b) Se irmos diretamente ao assunto…
l) Verbos unipessoais: verbos que apresentam uma c) Quando vos verdes em idênticas situações…
única pessoa verbal. Ex.: Latir, miar, coaxar. d) Se susterdes a palavra…
m) Verbos impessoais: verbos que não possuem sujeito. e) Se vós imposerdes a vossa idéia…
São eles os que indicam fenômenos climáticos (chover,
nevar), haver (no sentido de existir), fazer (indicando tempo 03.  (UFF) Assinale a frase em que há um erro de
decorrido). Assim sendo permanecem na 3º pessoa do conjugação verbal:
singular. a) Requeiro-lhe um atestado de bons antecedentes.
n) Verbos pronominais: verbos que exigem pronome. b) Ele interviu na questão.
Ex.: queixar-se, arrepender-se. c) Eles foram pegos de surpresa.
d) O vendeiro proveu o seu armazém do necessário.
Locução Verbal e) Os meninos desavieram-se por causa do jogo.
Chamamos de locução o conjunto de palavras que
exercem a função de uma única. No caso de locução verbal,
04. (UFF) Assinale a série em que estão devidamente
é quando dois verbos cumprem a função que poderia ser
classificadas as formas verbais destacadas:
exercida por um só verbo.
“Ao chegar da fazenda, espero que já tenha terminado
Ex.: a festa”.
Eu comprarei esta casa. - Aqui verificamos um único a) futuro do subjuntivo, pretérito perfeito do subjuntivo
verbo, cujo radical nos dá a informação temporal e as b) infinitivo, presente do subjuntivo
desinências informações gramaticais (pessoa, tempo e c) futuro do subjuntivo, presente do subjuntivo
número). d) infinitivo, pretérito imperfeito do subjuntivo
Eu vou comprar esta casa. - Já neste caso temos a e) infinitivo, pretérito perfeito do subjuntivo
presença de dois verbos: um auxiliar: “vou”, o qual contém
a informação de tempo e pessoa, e “comprar” que possui a 05.  (ENG – MACK) Só muito mais tarde vim, a saber,
informação semântica. que a chuva os ___________ na estrada e que não _________
Em uma locução verbal sempre verificamos dois verbos: ninguém que ______________.
um auxiliar + um principal. Veja outros exemplos: a) detera; houve; os ajudasse;
b) detivera; houve; os ajudasse;
a) Ainda estou estudando para a avaliação. c) detera; teve; ajudasse eles;
Estou – verbo auxiliar d) detivera; houve; ajudasse eles;
Estudando – verbo principal e) detivera; teve; os ajudasse.

b) João veio chorando. 06.  (FEB) “Ele ___________ o carro a tempo, mas não
Veio – verbo auxiliar ____________ a irritação e ___________ – se com o outro
Chorando – verbo principal motorista”.
a) freou – conteve – desaveio
c) Pode acontecer mais disso. b) freiou – conteu – desaveu
Pode – Verbo auxiliar c) freou – conteve – desaviu
Acontecer – verbo principal d) freiou – conteve – desaveio
e) N. D. A.
Exercícios
07.  (FEB) Assinale a alternativa que completa
01.  (MED – SANTOS) Assinale a frase inteiramente
adequadamente as lacunas:
correta:
a) Se você requisesse e seu advogado intervisse, talvez “Visto que a democratização do ensino é uma
reavesse todos os seus bens. necessidade, a escola pública ___________ de ser realmente
b) Se você requeresse e seu advogado interviesse, apoiada e defendida, embora muitos _______________ pois
talvez reouvesse todos os seus bens. abaixamento de nível”.

31
LÍNGUA PORTUGUESA

a) tenha – contestem – haveria Nos exemplos acima percebemos que as palavras


b) tem – contestam – há possuem elementos que se repetem entre si, seja no núcleo
c) tem – contestam – haveria significativo (cas/ livr) ou em informações de gênero (a/o)
d) tem – contestem – haveria e número (s). Isso nos indica que uma palavra é formada a
e) N.D.A. partir de elementos com funções específicas e que surgem
em outros vocábulos com a mesma função. Chamamos
08.  Se ele _________, não ___________ de rogado, de morfemas essas unidades mínimas significativas
___________ que não os receberei. responsáveis pela formação de uma palavra.
a) vir – te faças – diz-lhe
b) vier – te faz – diz-lhe Vejamos a lista de morfemas:
c) vir – te faça – dizer-lhe a) Raiz: é o morfema originário e contém o sentido
d) vier – te faças – dize-lhe básico de uma palavra. Podemos dizer que está na raiz o
princípio histórico de uma palavra, que ao longo do tempo
e) ier – te faças – diga-lhe
foi modificada pelos usos do homem.
Um exemplo disso é a palavra MAGRO. Sua raiz
(Exercícios retirados de http://www.coladaweb.com/
significativa não está explícita no vocábulo, já que este vem
exercicios-resolvidos/exercicios-resolvidos-de-portugues/
do Latim MACER (Com pouca gordura).
verbos)
Importante destacar que começa na raiz a viagem
histórica de uma palavra, cujo fim justamente desemboca
Gabarito
em sua estrutura atual. No caso do exemplo acima, se a
raiz de Magro é MACER, ao longo dos anos sua forma foi
1–b
modificando até chegar no modo atual. Agora não está
2–a
mais visível a raiz da palavra, já que esta se transformou no
3–b
radical MAGR, núcleo significativo da palavra.
4–e
b) Radical: Consiste no núcleo significativo de uma palavra,
5–b
responsável justamente por sua significação. Devido a essa
6–a
função, o radical de um vocábulo dá origem a muitos outros,
7–d
criando o que chamamos de grupo semântico. Vejamos:
8–d
Flor
Florista
Floricultura
5 DOMÍNIO DA ESTRUTURA Floreio
MORFOSSINTÁTICA DO PERÍODO.
Percebemos rapidamente a repetição de um termo em
todas as palavras e é justamente assim que identificamos
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS um radical, através do reconhecimento da unidade mínima
formadora de várias palavras:
Um tema fundamental na gramática diz respeito à estrutura Pedra
das palavras. Podemos imaginar que uma palavra é um termo Pedreiro
indivisível, mas estamos enganados. Tal como uma célula, um Pedregulho
vocábulo é o resultado de uma construção e organização de Pedrinha
componentes, ordenados de maneira lógica. Chamamos de
estrutura o modo de organização de uma palavra. Tal como Imagine se para cada ser referido nas expressões acima
uma casa, o vocábulo possui uma sustentação, a qual carrega precisássemos criar uma palavra completamente distinta uma
sua força significativa e outros componentes secundários, com da outra? Jamais lembraríamos de tantos termos. Por isso é
informações acessórias. Vejamos: válido lembrar: a linguagem é um sistema econômico de
comunicação e, assim, reaproveita todos os seus elementos
Cas-a para “economizar” termos e facilitar a memorização
Cas-eiro através de um vocabulário prático.
Cas-amento
c) Vogal temática: Ainda que um radical isolado possa
Livr-o constituir uma palavra (no caso de flor, por exemplo), na maior
Livr-aria parte das vezes ele necessita de um elemento que o complete. Essa
Livr-eiro é a função da vogal temática, morfema que se junta ao radical a
fim de completá-lo e receber outros morfemos, se necessário.
Gat-a Livro
Alun-a Casa
Estante
Gat-o-s Porta
Alun-o-s Revista

32
LÍNGUA PORTUGUESA

No tocante aos verbos, a vogal temática completa o radical FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
e informa a conjugação verbal:
Cant-a-r (verbo de 1º conjugação) Palavras existem para nomear os seres que povoam
Vend-e-r (verbo de 2º conjugação) o mundo. Nesse sentido, sempre testemunhamos a
Part-i-r (verbo de 3º conjugação) formação de novas palavras, já que de tempos em tempos
Chamamos de tema a união do radical com a vogal temática. surgem novos objetos e situações a serem definidas. Há
dois processos de formação das palavras: a derivação e a
Importante! composição. O que difere essas duas formas é a presença
A vogal temática não tem como função apresentar de um único radical (derivação) ou mais (composição).
informação de gênero, isso será tarefa das desinências
nominais, como veremos a seguir. Tipos de derivação: quando falamos em derivação
estamos tratando de formação de palavras através do
d) Desinências: são os morfemas responsáveis pelas flexões auxílio de um afixo. Assim sendo, temos a derivação
em uma palavra. Dividem-se em:
prefixal, sufixal, prefixal e sufixal e a parassintética.
*Desinências nominais: de gênero e número
1) Derivação prefixal: formação de palavra derivada a
partir da inserção de um prefixo.
Masculino/Singular Feminino/Plural
Desinência Ex.:
o a
de Gênero
Desinência
/ S Feliz – Palavra Primitiva
de Número
Infeliz – Palavra Derivada
Ex.:
Menina Leal- Palavra Primitiva
Aluno Desleal - Palavra Derivada
Verdades
* Desinências verbais: responsáveis pelas flexões de Moral – Palavra Primitiva
tempo e modo; número e pessoa. Amoral – Palavra Derivada

- Desinência modo-temporal: indica o modo e o tempo Fazer – Palavra Primitiva


do verbo. Refazer – Palavra Derivada
Ex.:
a) cantaria: desinência de futuro do pretérito do
indicativo
b) cantasse: desinência de pretérito imperfeito do
subjuntivo
c) cantará: desinência de futuro do presente do indicativo

- Desinência número-pessoal: indica o número e a


pessoa do verbo.
Ex.:
a) cantas: desinência de 2º pessoa do singular
b) cantamos: desinência de 1º pessoa do plural
c) cantais: desinência de 2º pessoa do plural.

e) Vogal / Consoante de ligação: morfemas cuja função


é facilitar a pronúncia de uma palavra (chamamos de motivos
eufônicos, “boa pronúncia”).
Vogal de ligação: Na união do tema com algum sufixo
muitas vezes verificamos a presença de uma vogal de ligação.
Ex.; gasômetro, inseticida.
Consoante de ligação: cafeteira.

f) Afixos: são morfemas secundários que se acoplam ao


radical a fim de formar palavras derivadas. Dividem-se em:
a) Prefixos: inseridos antes do radical. Ex.: Infeliz,
Desfazer, recolocar
b) Sufixos: inseridos depois do radical. Ex.: Felizmente,
Beleza, Insensatez.

33
LÍNGUA PORTUGUESA

Quadro de Prefixos

PREFIXOS
PREFIXOSGREGOS SIGNIFICADO EXEMPLOS
LATINOS
a, an des, in privação, negação anarquia, desleal, inativo
anti contra oposição, ação contrária antibiótico, contraditório
duplicidade, de um e outro
anfi ambi anfiteatro, ambivalente
lado, em torno
apo ab afastamento, separação apogeu, abstrair
di bi(s) duplicidade dissílabo, bicentenário
dia, meta trans movimento através diálogo, transfusão
e(n)(m) i(n)(m)(r) movimento para dentro encéfalo, induzir, irromper
movimento para dentro,
endo intra endovenoso, intracelular
posição interior
movimento para fora, mudança
e(c)(x) e(s)(x) explícito, excesso, estendido
de estado
epi, super, hiper supra posição superior, excesso epicentro, supervisor, supracitado
eu bene excelência, perfeição, bondade eufonia, benéfico
hemi semi divisão em duas partes hemisfério, semiárido
hipo sub posição inferior hipotermia, subsolo
para ad proximidade, adjunção paralelo, adjunto
peri circum em torno de periférico, circunferência

2) Derivação Sufixal: formação de palavra derivada através da adição de um sufixo, ao fim do radical.

Ex.:

Feliz – Palavra Primitiva


Felizmente – Palavra Derivada

Real – Palavra Primitiva


Realeza – Palavra Derivada

Leal – Palavra Primitiva


Lealdade – Palavra Derivada

Vejamos algumas listas de sufixos

Sufixos – Aumentativo

Sufixo Exemplo
aça, -aço, uça ricaço, dentuça
-alha, -alhão Fornalha, grandalhão,
-anzil corpanzil
-ão, -eirão, Carrão, vozeirão
-aréu fogaréu
Sufixos – Diminutivos

Sufixo Exemplo
- ebre casebre
- ejo vilarejo
- acho riacho
- inho carrinho
- eta saleta

34
LÍNGUA PORTUGUESA

Sufixos – Profissão Composição por estrangeirismo: inserção de palavras


estrangeiras no vocabulário.
Sufixo Exemplo Ex.: Shopping, abajour, soutien, delivery.
- ista pianista
Exercícios
- tor instrutor
- eiro porteiro 1. (IBGE) Assinale a opção em que todas as palavras
- ário bibliotecário se formam pelo mesmo processo: 
- dor vendedor a) ajoelhar / antebraço / assinatura 
b) atraso / embarque / pesca 
3) Derivação Prefixal e sufixal: formação de palavra c) o jota / o sim / o tropeço 
derivada a partir do acréscimo de um prefixo e um sufixo. d) entrega / estupidez / sobreviver 
Entretanto, se retirarmos um desses sufixos o vocábulo e) antepor / exportação / sanguessuga 
ainda terá sentido.      
Ex.:  2. (BB) A palavra “aguardente” formou-se por: 
Infelizmente – feliz / felizmente a) hibridismo    
Deslealdade – Desleal / lealdade b) aglutinação     
c) justaposição 
4) Derivação Parassintética ou parassíntese: formação d) parassíntese 
de palavra derivada através da adição de um prefixo e um d) parassíntese
sufixo simultaneamente. Neste caso, se retirarmos um dos
afixos a palavra perderá sentido completo. 3. (AMAN) Que item contém somente palavras
Ex.: formadas por justaposição? 
Entristecer a) desagradável - complemente 
Desalmado b) vaga-lume - pé-de-cabra 
c) encruzilhada - estremeceu 
Formação por composição d) supersticiosa - valiosas 
e) desatarraxou - estremeceu 
Composição é o modo de formação de palavras a
partir da união de dois ou mais radicais. Aqui a língua 4. (UE-PR) “Sarampo” é: 
trabalha com o sistema de reaproveitamento de material a) forma primitiva 
linguístico já existente para o processo de criação de novas b) formado por derivação parassintética 
expressões. c) formado por derivação regressiva 
Há as seguintes formas de formação por composição: d) formado por derivação imprópria 
justaposição, aglutinação, redução, hibridismo, e) formado por onomatopeia 
onomatopeia e estrangeirismo.
Composição por Justaposição: unem-se dois ou mais 5. (EPCAR) Numere as palavras da primeira coluna
radicais sem perda fonética ou gráfica das palavas primitivas. conforme os processos de formação numerados à direita.
Ex.: girassol, guarda-chuva, passatempo, autoescola, Em seguida, marque a alternativa que corresponde à
segunda-feira, couve-flor. sequência numérica encontrada: 
( ) aguardente    1) justaposição 
Composição por aglutinação: unem-se dois ou mais ( ) casamento     2) aglutinação 
radicais, mas aqui há perda fonética ou gráfica das palavras ( ) portuário       3) parassíntese 
primitivas. ( ) pontapé         4) derivação sufixal 
Ex.: aguardente (água ardente), fidalgo (filho de algo), ( ) os contras      5) derivação imprópria 
planalto (plano alto), embora (em bora hora). ( ) submarino     6) derivação prefixal 
( ) hipótese 
Composição por redução: referência a alguns termos a a) 1, 4, 3, 2, 5, 6, 1         
partir da forma reduzida de sua denominação. b) 4, 1, 4, 1, 5, 3, 6         
Ex.: auto (automóvel), micro (microcomputador), bici c) 1, 4, 4, 1, 5, 6, 6 
(bicicleta). d) 2, 3, 4, 1, 5, 3, 6 
e) 2, 4, 4, 1, 5, 3, 6 
Composição por hibridismo: composição de palavras       
através da junção de morfemas oriundos de línguas 6. (CESGRANRIO) Indique a palavra que foge ao
diferentes. processo de formação de chapechape: 
Ex.: automóvel = auto (grego) móvel (latim) a) zunzum         
b) reco-reco        
Composição por onomatopeia: criação de expressões c) toque-toque 
que tentam reproduzir sons emitidos por objetos e animais. d) tlim-tlim
Ex.: tic-tac, miau, toc-toc. e) vivido 

35
LÍNGUA PORTUGUESA

7. (UF-MG) Em que alternativa a palavra sublinhada 14. (UF-MG) Em todas as frases, o termo grifado
resulta de derivação imprópria?  exemplifica corretamente o processo de formação de
a) Às sete horas da manhã começou o trabalho principal: palavras indicado, exceto em: 
a votação.  a) derivação parassintética - Onde se viu perversidade
b) Pereirinha estava mesmo com a razão. Sigilo... Voto semelhante? 
secreto ... Bobagens, bobagens!  b) derivação prefixal - Não senhor, não procedi nem
c) Sem radical reforma da lei eleitoral, as eleições percorri. 
continuariam sendo uma farsa!  c) derivação regressiva - Preciso falar-lhe amanhã, sem
d) Não chegaram a trocar um isto de prosa, e se falta. 
entenderam.  d) derivação sufixal - As moças me achavam maçador,
e) Dr. Osmírio andaria desorientado, senão bufando de raiva.  evidentemente. 
      e) derivação imprópria - Minava um apetite surdo pelo
 8. (AMAN) Assinale a série de palavras em que todas jantar. 
são formadas por parassíntese:        
a) acorrentar, esburacar, despedaçar, amanhecer  15. (UF-MG) Em “O girassol da vida e o passatempo
b) solução, passional, corrupção, visionário  do tempo que passa não brincam nos lagos da lua”, há,
c) enrijecer, deslealdade, tortura, vidente  respectivamente: 
d) biografia, macróbio, bibliografia, asteroide  a) um elemento formado por aglutinação e outro por
e) acromatismo, hidrogênio, litografar, idiotismo  justaposição 
       b) um elemento formado por justaposição e outro por
9. (FFCL SANTO ANDRÉ) As palavras couve-flor, aglutinação 
planalto e aguardente são formadas por:  c) dois elementos formados por justaposição 
a) derivação           d) dois elementos formados por aglutinação 
b) onomatopeia      e) n.d.a
c) hibridismo 
d) composição 16. (UF-SC) Aponte a alternativa cujas palavras
e) prefixação  são respectivamente formadas por justaposição,
       aglutinação e parassíntese: 
10. (FUVEST) Assinale a alternativa em que uma das a) varapau - girassol - enfaixar 
palavras não é formada por prefixação:  b) pontapé - anoitecer - ajoelhar 
a) readquirir, predestinado, propor  c) maldizer - petróleo - embora 
b) irregular, amoral, demover  d) vaivém - pontiagudo - enfurece 
c) remeter, conter, antegozar  e) penugem - plenilúdio - despedaça 
d) irrestrito, antípoda, prever        
e) dever, deter, antever 17. (UF SÃO CARLOS) Considerando-se os vocábulos
seguintes, assinalar a alternativa que indica os pares de
11. (LONDRINA-PR) A palavra resgate é formada derivação regressiva, derivação imprópria e derivação
por derivação: sufixal, precisamente nesta ordem: 
a) prefixal          embarque 
b) sufixal          histórico 
c) regressiva  cruzes! 
d) parassintética porquê 
e) imprópria  fala 
       sombrio 
12. (CESGRANRIO) Assinale a opção em que nem a) 2-5, 1-4, 3-6     
todas as palavras são de um mesmo radical:  b) 1-4, 2-5, 3-6     
a) noite, anoitecer, noitada      c) 1-5, 3-4, 2-6 
b) luz, luzeiro, alumiar      d) 2-3, 5-6, 1-4 
c) incrível, crente, crer  e) 3-6, 2-5, 1-4 
d) festa, festeiro, festejar        
e) riqueza, ricaço, enriquecer  18. (VUNESP) Em “... gordos irlandeses de rosto
       vermelho...” e “... deixa entrever o princípio de
13. (SANTA CASA) Em qual dos exemplos abaixo uma tatuagem.”, os termos grifados são formados,
está presente um caso de derivação parassintética?  respectivamente, a partir de processos de: 
a) Lá vem ele, vitorioso do combate.  a) derivação prefixal e derivação sufixal 
b) Ora, vá plantar batatas!  b) composição por aglutinação e derivação prefixal 
c) Começou o ataque.  c) derivação sufixal e composição por justaposição 
d) Assustado, continuou a se distanciar do animal.  d) derivação sufixal e derivação prefixal 
e) Não vou mais me entristecer, vou é cantar.  e) derivação parassintética e derivação sufixal 

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LÍNGUA PORTUGUESA

19. (FURG-RS) A alternativa em que todas as palavras Gabarito


são formadas pelo mesmo processo de composição é: 
a) passatempo - destemido - subnutrido  1 - B 
b) pernilongo - pontiagudo - embora  2 - B   
c) leiteiro - histórico - desgraçado  3 - B  
d) cabisbaixo - pernalta - vaivém  4 - C   
e) planalto - aguardente - passatempo  5 - E   
       6 - E   
20. (UNISINOS) O item em que a palavra não está 7 - D   
corretamente classificada quanto ao seu processo de 8 - A   
formação é:  9 - D   
a) ataque - derivação regressiva  10 - E   
b) fornalha - derivação por sufixação  11 - C 
c) acorrentar - derivação parassintética  12 - B
d) antebraço - derivação prefixal  13 - E
e) casebre - derivação imprópria  14 - A
       15 - C
21. (FUVEST) Nas palavras: atenuado, televisão, 16 - D
percurso temos, respectivamente, os seguintes 17 - C
processos de formação das palavras:  18 - D
a) parassíntese, hibridismo, prefixação  19 - B
b) aglutinação, justaposição, sufixação  20 - E
c) sufixação, aglutinação, justaposição  21 - A 
d) justaposição, prefixação, parassíntese  22 - D
e) hibridismo, parassíntese, hibridismo  23 - E
24 - C
      
22. (UF-UBERLÂNDIA) Em qual dos itens abaixo
(Exercícios retirados de http://www.mundovestibular.
está presente um caso de derivação parassintética: 
com.br/articles/6110/1/Exercicios-Processo-de-Formacao-
a) operaçãozinha         
das-Palavras/Paacutegina1.html)
b) conversinha         
c) principalmente  Classes de Palavras
d) assustadora 
e) obrigadinho  ADJETIVO
  23. (OBJETIVO) “O embarque dos passageiros
será feito no aterro”. Os dois termos sublinhados Na origem das palavras, pode-se dizer que o homem
representam, respectivamente, casos de:  primeiramente sentiu a necessidade de nomear os
a) palavra primitiva e palavra primitiva  objetos a sua volta e suas próprias ações. Então surgiram
b) conversão e formação regressiva  os substantivos e os verbos. Entretanto, os seres foram
c) formação regressiva e conversão  apresentando características diversas e, apesar de fazerem
d) derivação prefixal e palavra primitiva  parte de um mesmo grupo, eram diferentes porque
e) formação regressiva e formação regressiva  possuíam qualidades diferentes. Por exemplo, há no grupo
       das flores: as belas e as feias, as cheirosas, as vermelhas e as
24. (UFF-RIO) O vocábulo catedral, do ponto de azuis. Como distingui-las? A partir dessa questão surgiram
vista de sua formação é:  os adjetivos, essa classe de palavras que tem como função
a) primitivo  qualificar os seres.
b) composto por aglutinação  Adjetivos são as palavras que designam qualidades,
c) derivação sufixal  provisórias ou permanentes, qualificando e particularizando
d) parassintético os seres. São satélites de um substantivo expresso ou
      e) derivado regressivo de catedrático subtendido, com o qual concordam em gênero e número.
Exemplos:
24. (PUC) Assinale a classificação errada do processo A casa está perfeita.
de formação indicado:  Os carros foram considerados adequados para a
a) o porquê - conversão ou derivação imprópria  competição.
b) desleal - derivação prefixal  Aquela mulher é lindíssima.
c) impedimento - derivação parassintética  Nos exemplos acima percebemos o adjetivo enquanto
d) anoitecer - derivação parassintética  uma palavra referente ao substantivo, concordando com
e) borboleta - primitivo  suas variações de gênero (masculino e feminino / singular
      e plural).

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LÍNGUA PORTUGUESA

Vejamos uma lista de adjetivos:

belo
feio
frio
quente
azul
verde
inteligente
ignorante
rápido
devagar
gracioso
desajeitado
mau
bom
triste
feliz

- Adjetivos Gentílicos:
Também chamados de adjetivos pátrios, os adjetivos gentílicos designam a origem de um indivíduo de acordo com seu
local de residência ou nascimento. Vejamos os adjetivos gentílicos referentes aos estados brasileiros:

Acre = acreano Manaus = manauense


Alagoas = alagoano Marajó = marajoara
Amapá = amapaense Maranhão = maranhense
Amazonas = amazonense ou baré Mato Grosso = mato-grossense
Aracaju = aracajuano ou aracajuense Mato Grosso do Sul = mato-grossense do sul
Bahia = baiano Natal = natalense ou papa-jerimum
Belém = belenense Niterói = niteroiense
Belo Horizonte = belo-horizontino Nova Iguaçu = iguaçuano
Boa Vista = boa-vistense Pará = paraense
Bragança = bragantino Paraíba = paraibano
Brasil = brasileiro Paraná = paranaense
Brasília = brasiliense Pernambuco = pernambucano
Cabo Frio = cabo-friense Petrópolis = petropolitano
Campinas = campineiro ou campinense Piauí = piauiense
Campos = campista Porto Alegre = porto- alegrense
Campos do Jordão = jordanense Porto Velho = porto-velhense
Cananeia = cananeu Recife = recifense
Ceará = cearense Ribeirão Preto = riberopretano
Cuiabá = cuiabano Rio Branco = branquense
Dois Córregos ( SP ) = duocorreguense Rio de Janeiro ( cidade ) = carioca
Espírito Santo = espírito-santense ou capixaba Rio de Janeiro ( estado ) = fluminense
Fernando de Noronha = noronhense Rio Grande do Norte = rio-grandense do norte
Florianópolis = florianopolitano Rio Grande do Norte = potiguar
Fortaleza = fortalezense Rio Grande do Sul = gaúcho
Foz do Iguaçu = iguaçuense Rondônia = rondoniano ou rondoniense
Goiânia = goianiense Salvador = salvadorense ou soteropolitano
Goiás = goiano Santa Catarina = catarinense ou barriga verde
Guarulhos = guarulhense Santarém = santarense
Ilhéus = ilheense São Luís = são-luisense

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LÍNGUA PORTUGUESA

Jabuticabal = jabuticabense São Paulo ( cidade ) = paulistano


Jacareí = jacariense São Paulo ( estado ) = paulista
Jaú = jauense São Vicente = vicentino
João Pessoa = pessoense Sergipe = sergipano
Juiz de Fora = forense Sertãozinho = sertanesino
Lajes = lajiano Teresina = teresinense
Leme = lemense Três Corações = tricordiano
Macapá = macapaense Vitória = vitoriense
Maceió = maceioense Xavantes = xavantino

(Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/portugues/adjetivos-gentilicos-e-patrios)

Classificação dos adjetivos


Antes de qualquer classificação gramatical, adjetivos possuem uma classificação semântica, ou seja, segundo sua
amplitude de qualificação de um ser. Por isso mesmo, eles se distinguem em:
a) adjetivos explicativos: apresentam característica intrínseca ao próprio ser.
Exemplo. Todo homem é mortal.
b) adjetivos restritivos: limitam as características do ser, exprimindo qualidades não essenciais.
Exemplo: Quando cheguei em casa a flor já estava murcha.

CLASSIFICAÇÕES MORFOLÓGICAS DO ADJETIVO

- I. SEGUNDO SUA ESTRUTURA


Quanto ao seu processo de formação, os adjetivos dividem-se em:

ADJETIVO SIMPLES Formado por um único radical Bonito, esperto, carioca, engraçado
Franco-brasileiro, verde-oliva,
ADJETIVO COMPOSTO Formado por mais de um radical
amarelo-canário
ADJETIVO PRIMITIVO O que dá origem a outros adjetivos Bela, bom, feliz
Derivados de substantivos, verbos
ADJETIVO DERIVADO Inteligentíssimo, ciumenta, bondoso
ou de outros adjetivos

II. QUANTO À SUA FLEXÃO

a) Gênero
Por ser palavra satélite do substantivo, o adjetivo varia seguindo as flexões apresentadas pelo nome. Nesse aspecto,
os adjetivos se dividem em:

- Biformes: apresentam flexão de gênero, variando em feminino e masculino

A bela moça.
O belo moço.

A tranquila professora.
O tranquilo professor.

- Uniformes: possuem uma única forma para o masculino e feminino.

A moça feliz.
O aluno feliz.

A competente funcionária.
O competente funcionário.

Caso o adjetivo seja composto, manterá seu caráter uniforme.


O problema político-social invade o Brasil.
A solução político-social é uma utopia.

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LÍNGUA PORTUGUESA

b) Número: Os adjetivos apresentam variação de São tão inteligente quanto você. - Grau comparativo
número seguindo as flexões numéricas dos substantivos. de igualdade
Neste grau utilizamos termos como “quanto”, “como”,
O carro novo. “quão”.
Os carros novos. João é mais inteligente que José. - Grau comparativo
O homem feliz. de superioridade.
As mulheres felizes. Aqui são usadas as expressões “mais (adjetivo) que”/
A boa mãe. “mais (adjetivo) do que”.
Os bons pais. José é menos inteligente do que João. - Grau
comparativo de inferioridade.
Entretanto, há palavras usadas como adjetivo que são No grau comparativo de inferioridade são utilizadas
originalmente substantivos. Vejamos o exemplo: as expressões “menos (adjetivo) que” / “menos (adjetivo)
O vinho estava muito agradável. (vinho = substantivo) do que”.
Comprei um paletó vinho. (vinho =adjetivo)
Atenção: há o chamado grau comparativo de
Nesses casos, os adjetivos não sofrem flexão de superioridade irregular, o qual faz uso de formas
número: sintéticas:
- (mais grande) : maior – João é maior do que Pedro
Paletó vinho. - (menos grande): menor – Pedro é menor que João
Paletós vinho. - (mais bom): melhor – A professora de Química é
melhor que a de Filosofia.
Tartaruga ninja - (menos bom): pior – A professora de Filosofia é pior
Tartarugas ninja. do que a Química.
Comício monstro. Grau superlativo
Comícios monstro.
No grau superlativo a qualidade atribuída a um ou
mais seres é realizada em escala bem mais elevada.
Número dos adjetivos compostos:
a) Grau superlativo relativo: é a realizada a
Chamamos de adjetivos compostos aqueles formados
caracterização de um ser em maior ou menor grau que
por mais de um radical, ligados normalmente por hífen.
os demais seres.
A regra geral nos diz que devemos flexionar somente o
segundo vocábulo, deixando o primeiro no masculino e no
singular. - Grau superlativo relativo de superioridade: utiliza-se
A clínica médico-veterinária. a expressão “o mais” (adjetivo).
Os cidadãos franco-brasileiros. Ex.: Catarina é a aluna mais aplicada da turma.
Sérgio é o mais rápido na pista.
No entanto, quando o segundo termo se tratar de
um substantivo adjetivado, todo o adjetivo composto - Grau superlativo de inferioridade: utiliza-se a
permanecerá invariável. expressão “o menos” (adjetivo).
A parede verde-mar Ex.: O funcionário é o menos interessado da equipe.
As paredes verde-mar. Vivian é a professora menos irritada da escola.

IMPORTANTE! b) Grau superlativo absoluto: qualifica um ou mais


Os adjetivos azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta sere , entretanto, sem comparação, em grau muito elevado.
e qualquer outro iniciado por “cor-de...” são sempre
invariáveis. - Grau superlativo absoluto analítico: a atribuição de
Já os adjetivos surdo-mudo e pele-vermelha terão grau se dá através dessa soma: palavra intensificadora
ambos elementos flexionados. (muito, bastante…) + adjetivo.
Ex.: A comida está muito saborosa.
c) Grau O clima está extremamente quente.
Além das variações de gênero e número, os adjetivos
podem variar de grau, a fim de indicar a intensidade da - Grau superlativo absoluto sintético: construído por
qualidade referida. Há dois graus possíveis: o comparativo meio de uma única palavra cuja estrutura é a seguinte:
e o superlativo. Adjetivo + Sufixo (-íssimo, -imo, ílimo, -érrimo):
Ex.: João é divertido – João é divertidíssimo.
Grau Comparativo: Maria é elegante. - Maria é elegantérrima
No grau comparativo, uma mesma qualidade é
atribuída a mais de um ser ou quando mais de uma
qualidade é destinada a um único ser.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Quanto ao grau superlativo absoluto sintético, há o de carneiro arietino


que chamamos de sintéticos eruditos, formas ligadas à raiz de cavalo equino, cavalar ou hípico
histórica da palavra. Vejamos alguns:
de chumbo plúmbeo
de chuva pluvial ou chuvoso
Adjetivo Superlativo absoluto sintético
de cidade urbano
acre acérrimo
de cinza cinéreo
agradável agradabilíssimo
de criança infantil ou pueril
alto altíssimo, supremo ou sumo
de cobre cúprico
amável amabilíssimo
de coelho cunicular
amargo amaríssimo
de dedo digital
amigo amicíssimo
de diamante diamantino ou adamantino
antigo antiquíssimo
de enxofre sulfúrico
áspero aspérrimo
de esmeralda esmeraldino
atroz atrocíssimo
de fábrica fabril
benéfico beneficentíssimo
de frente dianteiro
benévolo benevolentíssimo
de fogo ígneo
bom boníssimo
de gesso gípseo
célebre celebérrimo
de guerra bélico
crudelíssimo
cruel de hoje hodierno
de ilha insular
difícil dificílimo de intestino celíaco ou entérico
de lago lacustre
doce dulcíssimo ou docíssimo de lebre leporino
fácil facílimo de lobo lupino
feliz felicíssimo de lua lunar ou selênico
humilde humílimo ou humildíssimo de madeira lígneo
de marfim ebóreo ou ebúrneo
Locução adjetiva de pato anserino
Chamamos de locução adjetiva o conjunto de duas ou de pombo columbino
mais palavras que apresentam a função de adjetivo. de prata argênteo ou argírico
de quadril ciático
Observe a lista abaixo:
de vaca vacum
De baço Esplênico
Locução Adjetiva Adjetivo correspondente
de abdômen abdominal Exercícios
de abelha apícola
De abutre vulturino 1. Assinale a alternativa em que o adjetivo que
de águia aquilino qualifica o substantivo seja explicativo:
de alma anímico a) dia chuvoso;
b) água morna;
De aluno Discente
c) moça bonita;
De anjo Angelical d) fogo quente;
De ano Anual e) lua cheia.
De aranha Aracnídeo
De astro Sideral 2. Assinale a alternativa que contém o grupo de
de bispo episcopal adjetivos gentílicos, relativos a “Japão”, “Três Corações” e
de boca bucal, oral “Moscou”:
a) Oriental, Tricardíaco, Moscovita;
de bode hircino
b) Nipônico,Tricordiano, Soviético;
de boi bovino c) Japonês, Trêscoraçoense, Moscovita;
de bronze brônzeo ou êneo d) Nipônico, Tricordiano, Moscovita;
de cabra caprino e) Oriental, Tricardíaco, Soviético.
de cão canino

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LÍNGUA PORTUGUESA

3. Ainda sobre os adjetivos gentílicos, diz-se que quem 9.O item em que a locução adjetiva não corresponde
nasce em “Lima”, “Buenos Aires” e “Jerusalém” é: ao adjetivo dado é:
a) Limalho-Portenho-Jerusalense; a) hibernal - de inverno;
b) Limenho-Bonaerense-Hierosolimita; b) filatélico - de folhas;
c) Límio-Portenho-Jerusalita; c) discente - de alunos;
d) Limenho-Bonaerense-Jerusalita; d) docente - de professor;
e) Limeiro-Bonaerense-Judeu; e) onírico - de sonho.

4.No trecho “os jovens estão mais ágeis que seus pais”, 10. Assinale a alternativa em que todos os adjetivos
temos: têm uma só forma para os dois gêneros:
a) um superlativo relativo de superioridade; a) andaluz, hindu, comum;
b) um comparativo de superioridade; b) europeu, cortês, feliz;
c) um superlativo absoluto; c) fofo, incolor, cru;
d) um comparativo de igualdade. d) superior, agrícola, namorador;
e) um superlativo analítico de ágil. e) exemplar, fácil, simples.

5. Relacione a 1ª coluna à 2ª: (Exercícios retirados de http://www.portuguesconcurso.


1 - água de chuva ( ) Fluvial com/2009/07/adjetivos-exercicios-com-gabarito.html)
2 - olho de gato ( ) Angelical
3 - água de rio ( ) Felino Gabarito:
4 - Cara-de-anjo ( ) Pluvial
Assim temos: 1. D
a) 1 – 4 – 2 – 3; 2. D
b) 3 – 2 – 1 – 4; 3. B
c) 3 – 1 – 2 – 4; 4. B
d) 3 – 4 – 2 – 1; 5. D
e) 4 – 3 – 1 – 2.
6. A
7. C
6. Nas orações “Esse livro é melhor que aquele” e “Este
8. A
livro é mais lindo que aquele”, Há os graus comparativos:
9. B
a) de superioridade, respectivamente sintético e analítico;
10. E
b) de superioridade, ambos analíticos;
c) de superioridade, ambos sintéticos;
d) relativos; ADVÉRBIOS
e) superlativos.
Leia as frases abaixo:
7. Selecione a alternativa que completa corretamente as a) João cantou na festa.
lacunas da frase apresentada: b) João cantou muito bem na festa.
“Os acidentados foram encaminhados a diferentes
clínicas ____________________” . Percebemos que ainda que se trate da mesma
a) médicas-cirúrgicas; informação (João cantou em uma festa), no segundo
b) médica-cirúrgicas; exemplo os termos destacados apresentam uma
c) médico-cirúrgicas; circunstância que modifica o modo do verbo. Além de
d) médicos-cirúrgicas; cantar, João cantou muito bem.
e) médica-cirúrgicos. Há outras formas desse processo, vejamos:
Ontem recebi flores de meu amado.
8. Sabe-se que a posição do adjetivo, em relação ao Aqui também há uma modificação de circunstância
substantivo, pode ou não mudar o sentido do enunciado. referente ao verbo “receber”. Através da palavra “ontem”,
Assim, nas frases “Ele é um homem pobre” e “Ele é um pobre temporalizamos a ação, inserindo-a em um determinado
homem”. contexto. Justamente essa é a função da classe gramatical
a) 1ª fala de um sem recursos materiais; a 2ª fala de um chamada advérbios.
homem infeliz;
b) a 1ª fala de um homem infeliz; a 2ª fala de um homem Advérbios são palavras invariáveis que modificam
sem recursos materiais; e inserem circunstância aos verbos, adjetivos e a outros
c) em ambos os casos, o homem é apenas infeliz, sem advérbios.
fazer referência a questões materiais; Quando falamos em circunstância tratamos dos
d) em ambos os casos o homem é apenas desprovido diferentes contextos em que se pode modificar um verbo,
de recursos; um adjetivo ou outro advérbio. Por isso o advérbio possui
e) o homem é infeliz e desprovido de recursos materiais, uma extensa classificação.
em ambas.

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LÍNGUA PORTUGUESA

CLASSIFICAÇÃO DOS ADVÉRBIOS: a) Tempo: à noite, à tarde, às vezes, de dia, de manhã, de


vem em quando, em breve.
a) Advérbios de modo: modo de ação do verbo – b) Lugar: à direita, à esquerda, ao lado, de cima, de fora, de
bem, mal, melhor, pior, depressa, devagar, rapidamente e dentro, embaixo, em cima.
todos os adjetivos femininos terminados em -mente. c) Modo: às pressas, à vontade, às claras, em geral, em
O carro corria depressa. silêncio, em vão.
Joana estava mal na festa. d) Afirmação: Com certeza, de fato, na verdade, sem dúvida.
Por que Maria anda tão devagar? e) Negação: De modo algum, de forma alguma, de maneira
O aluno leu lindamente o poema. nenhuma.

b) Advérbios de lugar: localizam a ação do verbo – EXERCÍCIOS


aqui, lá, acolá, longe, fora, dentro, perto, acima, abaixo.
Aqui neva muito. 1. (ITA-2003) A questão a seguir refere-se ao texto
A professora mora longe da escola. abaixo.
Você vive perto de seus familiares? (…) As angústias dos brasileiros em relação ao português
são de duas ordens. Para uma parte da população, a que não
c) Advérbios de intensidade: intensificam ou teve acesso a uma boa escola e, mesmo assim, conseguiu
minimizam a ação do verbo, do adjetivo ou outro galgar posições, o problema é sobretudo com a gramática. É
advérbio – muito, pouco, menos, mais, bastante, tão, todo, esse o público que consome avidamente os fascículos e livros
completamente. do professor Pasquale, em que as regras básicas do idioma
Maria é a mais bela da sala. são apresentadas de forma clara e bem-humorada. Para o
Trabalhei muito no fim de semana. segmento que teve oportunidade de estudar em bons colégios,
Cantou muito bem na festa. a principal  dificuldade é com clareza. É para satisfazer a essa
demanda que um novo tipo de profissional surgiu: o professor
d) Advérbios de afirmação: confirmam a ação do verbo – de português especializado em adestrar funcionários de
sim, positivamente, certamente, efetivamente. empresas. Antigamente, os cursos dados no escritório eram de
Certamente farei a avaliação. gramática básica e se destinavam principalmente a secretárias.
Sim, amo muito você. De uns tempos para cá, eles passaram a atender primordialmente
gente de nível superior. Em geral, os professores que atuam
e) Advérbios de negação: negam a ação do verbo – nunca, em firmas são acadêmicos que fazem esse tipo de trabalho
não, jamais, nada esporadicamente para ganhar um dinheiro extra. “É fascinante,
O funcionário não concluiu o relatório. porque deixamos de viver a teoria para enfrentar a língua do
Nunca o deixarei. mundo real”, diz Antônio Suárez Abreu, livre-docente pela
Universidade de São Paulo (…)
f) Advérbios de dúvida: não confirmam ação do verbo – (JOÃO GABRIEL DE LIMA. Falar e escrever, eis a questão. Veja,
talvez, possivelmente. 7/11/2001, n. 1725)
Talvez viaje nas férias. O adjetivo “principal” (em a principal dificuldade é com
Possivelmente ela virá nos visitar. clareza) permite inferir que a clareza é apenas um elemento
dentro de um conjunto de dificuldades, talvez o mais significativo.
g) Advérbios de tempo: temporalizam a ação do verbo Semelhante inferência pode ser realizada pelos advérbios:
– agora, cedo, já, tarde, depois, antes, sempre, ontem, hoje, a) avidamente, principalmente, primordialmente.
amanhã. b) sobretudo, avidamente, principalmente.
Amanhã voltarei ao trabalho. c) avidamente, antigamente, principalmente.
Acordei cedo neste fim de semana, d) sobretudo, principalmente, primordialmente.
e) principalmente, primordialmente, esporadicamente.  
h) Advérbios interrogativos: inserem perguntas cujas
respostas serão advérbios – onde (lugar), como (modo), por que 2. Observe as palavras:
(causa), quando (tempo). I. Hoje.
Onde você mora? II. Aqui.
Quando você vem me visitar? III. Rapidamente.
IV. Bastante.
LOCUÇÃO ADVERBIAL V. Com certeza.

Já que o advérbio é a classe que insere circunstância a Classificam-se, respectivamente, como:


um verbo, haverá situações que outras classes exercerão a a) advérbios de tempo, lugar, modo, intensidade e afirmação.
mesma função, geralmente através da construção preposição + b) advérbios de modo, tempo, intensidade, afirmação e
substantivo. negação.
Chamamos de locução de adverbial o conjunto de palavras c) advérbios de dúvida, tempo, lugar, modo e intensidade.
que exercem a mesma função semântica de um advérbio. d) advérbios de tempo, lugar, modo, afirmação e dúvida.
Vejamos alguns exemplos: e) advérbios de dúvida, afirmação, lugar, modo e intensidade.

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LÍNGUA PORTUGUESA

3. Entende-se por advérbio: Atenção!


a) Unidade que significa ação ou processo, podendo Dentre essa regra dos lugares e nomes próprios, há
expressar o modo, o tempo, a pessoa e o número. alguns que atraem e outros que repelem o artigo.
b) Expressão modificadora do verbo, denota uma
circunstância de lugar, tempo, modo, intensidade, condição, Nomes de lugares que repelem artigo definido:
entre outras, e desempenha, sintaticamente, a função de Portugal, Roma, Atenas, Curitiba, São Paulo, Paris
adjunto adverbial.
c) Classe de palavras responsável por delimitar ou b) Também utiliza-se o artigo definido frente a nomes
qualificar o substantivo. de cidades, quando qualificadas:
d) Classe que designa os nomes dos objetos, pode ser A mágica Páris ainda encanta a muitos.
dividida em próprios e comuns. A histórica Roma possui ainda seus enigmas.
e) Palavra anteposta aos substantivos com reduzido
valor semântico. c) Após a expressão “ambos”: Ambas as alunas foram
advertidas na escola.
(Exercícios retirados de http://exercicios. Foram entrevistados ambos os políticos.
mundoeducacao.bol.uol.com.br/exercicios-gramatica/
exercicios-sobre-adverbio.htm) c) Determinando numeral na construção formada por
TODO + Numeral + Substantivo: Todas as quinze alunas
Gabarito: foram ouvidas.

1d d) Após os pronomes TODO/TODA, a fim de indicar


2a totalidade: Toda a cidade será reconstruída.
3b Vale destacar que sem esse artigo o mesmo pronome
ARTIGO denota “qualquer um”. Ex.: Todo homem é mortal.
Também é utilizado o artigo definido nas seguintes
situações:
Chamamos de artigo as palavras que se antepõem
ao substantivo, indicando seu gênero e número, além
e) Frente as estações do ano: A primavera está quase
de determiná-lo ou generalizá-lo. São classificados em
chegando. Ele não gosta do Outono.
definidos e indefinidos:
f) Antecedendo o adjetivo no grau superlativo
a) Artigos definidos: o, a, os, as. Possuem a função
relativo: João comprou os mais belos livros para Maria.
de satélite do substantivo, determinando-o e inserindo-o
num contexto já conhecido pelo leitor ou ouvinte, indicado g) Em frente a palavra “outro”, determinando-o: João
familiaridade. tem duas alunas: Maria e Lúcia. Maria é aplicada e a outra
Exemplos: nem tanto.
A discussão a respeito do cenário político atual ainda
persiste. h) Com expressões de medida: A maçã custa cinco reais
O funcionário da empresa foi contratado para sanar a o quilo.
crise.
Nos exemplos acima, além de informar o gênero Não utilizamos o artigo definido nos seguintes
(feminino/masculino) e número (singular/plural), o artigo contextos:
determina o nome, pressupondo um conhecimento anterior.
a) antes de meses do ano:
b) Artigos indefinidos: um, uma, uns, umas. Denotam Março chegou com muita chuva.
serem indefinidos, não identificáveis através do discurso.
Além do mais, uma das funções desse tipo de artigo é b) antes de pronomes de tratamento iniciados por
inserir o substantivo como um simples representante de pronomes possessivos
determinado grupo: Vossa Senhoria não entendeu a questão.
Uma mulher foi encontrada dentro de um trem
abandonado. c) antes de expressões que indicam matéria de estudo:
Contratou-se mais um funcionário na empresa. Vou estudar Matemática para a avaliação.
Já nas frases acima, apesar das informações de gênero
e número, o artigo não denota familiaridade do substantivo Importante!
acompanhado, inserindo-o numa relação de indistinção. Em algumas construções o uso do artigo definido é
facultativo, tais como em:
Utilizamos o artigo definido nas seguintes situações:
a) Com nomes próprios ligados a lugares: O Brasil é * Antes dos pronomes possessivos seu, sua: O seu
um país lindo. carro foi consertado.
A Bahia é minha terra natal. A sua sala está linda!

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LÍNGUA PORTUGUESA

* Antes de nomes próprios de pessoas: Maria saiu / A Maria saiu.


Vale ressaltar que neste caso, o artigo definido denota familiaridade com a pessoa mencionada.

Formas combinadas do artigo definido


É possível um artigo contrair-se a uma preposição, quando ocupa função de complemento ou adjunto:

Artigo
Preposições o a os aas
a ao às aos às
de do das dos das
em no na nos nas
por pelo pela pelos pelas

USO DOS ARTIGOS INDEFINIDOS


Neste caso, é sempre usado para marcar aproximação, sem informação exata, tal como em:
a) aproximação numérica: Devo ter economizado uns cinquenta reais.
b) indicando pares de objetos: Comprei umas botas confortáveis.
c) referir-se ao autor no lugar da obra: Meu sonho é ver um Picasso de perto.
d) em comparações: João é um Lord.

Formas combinadas do artigo indefinido


O artigo indefinido por unir-se às preposições em e de. Vejamos:

num numa nuns numas


dum duma duns dumas

Além do mais, o artigo tem função substantivadora, ou seja, transforma em substantivo qualquer classe gramatical que
anteceder.
Ele quer viver. (verbo)
Eu não sei o que é o viver (substantivo).

Exercícios

1. (ITA) Determine o caso em que o artigo tem valor qualificativo:


a) Estes são os candidatos que lhe falei.
b) Procure-o, ele é o médico! Ninguém o supera.
c) Certeza e exatidão, estas qualidades não as tenho.
d) Os problemas que o afligem não me deixam descuidado.
e) Muito é a procura; pouca é a oferta.

2. (Uberlândia) Em uma destas frases, o artigo definido está empregado erradamente. Em qual? a) A velha Roma
está sendo modernizada.
b) A “Paraíba” é uma bela fragata.
c) Não reconheço agora a Lisboa de meu tempo.
d) O gato escaldado tem medo de água fria.
e) O Havre é um porto de muito movimento.

(Exercícios retirados de https://cursinhodapoliusp.files.wordpress.com/2012/05/lista-de-exercc3adcios-pron-art-e-num.pdf)

Gabarito

1. b
2-d
SUBSTANTIVO

Substantivos são as palavras que dão nomes aos seres, sentimentos, lugares, qualidades, lugares etc…Devido a essa função
de nomeação, afirma-se que os substantivos são núcleo de um sintagma nominal, cujos satélites são os adjetivos, artigos,
numerais e pronomes. Ou seja, o substantivo determina a variação de gênero e número dessas outras classes gramaticais:
Ex. [A minha bela filha] foi promovida. - (como o substantivo está no singular, as outras classes que o circundam também estão.

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LÍNGUA PORTUGUESA

[As minhas belas filhas] foram promovidas. (aqui as Batalhão: grupo de soldados
classes satélites concordam em gênero e número com o Caravana: grupo de viajantes
substantivo). Cavalgada: grupo de cavaleiros
Chamamos a parte entre colchetes de sintagma nominal, Comunidade: grupo de cidadãos
uma vez que é o nome (o substantivo) o núcleo com a Corja ou Choldra: grupo de malandros
informação semântica predominante. Chusma: grupo de gente
Os substantivos são uma classe variável em gênero, Concílio: grupo de bispos
número e grau. Conclave: grupo de cardeais reunidos para eleger o papa
Congresso: grupo de parlamentares
1) Tipos de Substantivos Corpo docente: grupo de professores
Elenco: grupo de atores, artistas
Por ser uma classe tão ampla, divide-se os substantivos Exército: grupo de soldados
em: comum, próprio, simples, composto, primitivo, derivado, Falange: grupo de soldados ou anjos
concreto, abstrato e coletivo. Família: grupo dos parentes
Farândola: grupo de mendigos
a) Substantivo Comum: designam os seres integrantes Horda: grupo de bandidos invasores
da mesma espécie de modo genérico. Junta: grupo de médicos, credores, examinadores
Ex.: gente, trabalhador, aluno, funcionário, pedra. Júri: grupo de jurados
Legião: grupo de soldados, anjos ou demônios
b) Substantivo Próprio: iniciados por letra maiúscula, Malta: grupo de malfeitores
são os substantivos que particularizam os seres de uma Multidão: grupo grande de pessoas
mesma espécie. Orquestra: grupo de instrumentistas
Ex.: Paulo, Brasil, Jorge Amado, Vidas Secas. Plateia: grupo de espectadores
Plêiade: grupo de artistas correlacionados
c) Substantivo simples: aquele que possui um único População  ou  Povo: grupo de pessoas de uma
determinada região
radical.
Prelatura: grupo de bispos
Ex.: chuva, guarda, moleque, cabeça
Prole: grupo de filhos
Quadrilha: grupo de bandidos ou grupo de dança
d) Substantivo composto: o substantivo que possui
coletiva das festas juninas
mais de um radical, formado por duas ou mais palavras.
Tertúlia: grupo de parentes ou amigos
Ex.: guarda-chuva, quebra-cabeça, guarda-roupa.
Time: grupo de jogadores
Tripulação: grupo de marinheiros ou aviadores
e) Substantivo primitivo: aquele que não deriva de Tropa: grupo de soldados
outras palavras, mas que pode dar origem a outras. Turma: grupo de alunos de uma mesma classe
Ex.: pedra, flor, casa, mesa.
2) Gênero dos substantivos
e) Substantivo derivado: substantivos que derivam de Os substantivos variam de gênero (masculino e feminino)
outras palavras. e podem ser:
Ex.: pedreiro (pedra), floricultura (flor), casamento (casa).
a) biformes: apresentam duas formas, uma para o
f) Substantivo concreto: designa seres com existência masculino e outra para o feminino.
concreta, independente, real. Ex.: menino/menina, garoto/garota, aluno/aluna,
Ex.: casa, martelo, cadeira, cavalo. professor/professora.

g) Substantivo abstrato: substantivo que nomeia b) uniformes: apenas uma forma especifica os dois
sentimentos, ações, emoções, qualidades. Esse tipo de gêneros. Os substantivos uniformes podem ser:
substantivo depende de “alguém” que os sinta ou possua - epicenos: denomina animais e determina um único
para existir, não podem existir de maneira independente. gênero.
Ex.: amor, ódio, saudade, alegria, beleza, amizade, beijo. Ex.: borboleta, barata, cobra-macho, cobra-fêmea.

Obs.: Palavras como “fada”, “Deus’, “anjo” são substantivos - comum de dois gêneros: palavra invariável cujo
concretos, pois não se tratam de sentimentos abstratos. gênero é indicado através da presença do artigo que o
antecede.
h) Substantivo coletivo: aquele que designa um Ex.: o repórter/a repórter, o pianista/a pianista, o
conjunto de seres. jornalista/a jornalista.
Assembleia: grupo de pessoas
Banca: grupo de examinadores - sobrecomuns: apresenta um único gênero, mas se
Banda: grupo de instrumentistas refere ao masculino e ao feminino.
Bando: grupo de desordeiros Ex.: testemunha, verdugo, algoz, criança.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Importante: substantivos de gênero incerto Substantivos oxítonos terminados em -il: substitui-se


o “l” por “s”:
Alguns substantivos mudam de significado frente o Ex.: Fuzil – fuzis
artigo que o antecede. Além disso, são comuns alguns Barril – barris
erros no tocante à indicação de gênero de determinados Funil – funis
nomes. Vejamos: Civil – civis
Canil – canis
Substantivos de gênero masculino
Substantivos paroxítonos terminados por – il: substitui-
O dó, se “il” por “eis”:
O herpes, Ex.: Ágil – ágeis
O eclipse, Difícil – difíceis
O pernoite, Fóssil – fósseis
O champanha, Projétil – projéteis
O proclama
O grama (peso) e) Substantivos terminados em -s:
O cabeça (chefe) - Quando oxítonos formam plural com o acréscimo de
O capital (dinheiro) “es”:
O cólera (raiva) Ex.:Ananás – ananases
Revés – reveses
Revés – reveses
Substantivos do gênero feminino
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos são invariáveis:
A cal, Ex.: Lápis
A libido, Ônibus
A faringe, Pires
A pane, Atlas
A grama (capim)
A cabeça (parte da cabeça) f) Alteração de vogal tônica: alguns substantivos
A capital (centro administrativo) alteram o timbre quando flexionados no plural.
A cólera (doença) Ex.: Esforço – EsfOrços
Jogos – JOgos
3) Número dos substantivos Imposto – ImpOstos
Os substantivos variam de número (singular e plural) e Reforço – RefOrços
apresentam as seguintes regras de flexão: Tijolo – TijOlos

a) regra geral: acrescenta-se “s” ao fim da palavra. g) Substantivos terminados em -ão:


Ex.: casa/casas, aluno/alunos, gato/gatos. - Em sua grande maioria se substitui “ão” por “ões”:
Ex.: Ladrão – ladrões
b) substantivos terminados em -m: substitui-se tal Vilão – vilões
letra por “-ns” Eleição – eleições
Ex.: Álbum – álbuns Verão – verões
Personagem – personagens Lição – lições
Som – sons Missão – missões

- Poucas palavras substituem “ão” por “ães”:


c) substantivos terminados em -r, -z e -n: acrescenta-
Ex.: Alemão – alemães
se “es”:
Capitão – capitães
Ex.:Cartaz – cartazes Charlatão – charlatães
Algoz – algozes Capelão – capelães
Caráter – caracteres Catalão – catalães
Feitor – feitores
Abdômen – Abdômenes - Todas as paroxítonas e algumas oxítonas acrescentam
apenas o “s”:
d) substantivos terminados em – l: Ex.:Acórdão – Acórdãos
Substantivos terminados em -al, -el, -ol, ul – substitui- Cidadão – cidadãos
se o “l”, por “is”: Cortesão – cortesãos
Ex.: Anzol – anzóis Benção – bençãos
Capinzal – capinzais Órfão – órfãos
Móvel - móveis Órgão – órgãos
Tribunal – tribunais Sótão – sótãos

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h) Substantivos compostos separados por hífen : 4. Indique a alternativa em que todos os substantivos são
- palavra variável + palavra variável: ambos vão para o abstratos:
plural. a) tempo – angústia – saudade – ausência – esperança– imagem;
Ex.: guarda-florestal – guardas-florestais b) angústia – sorriso – luz – ausência – esperança –inimizade;
couve-flor – couves-flores c) inimigo – luz – esperança – espaço – tempo;
segunda-feira – segundas-feiras d) angústia – saudade – ausência – esperança – inimizade;
mão-boba – mãos-bobas e) espaço – olhos – luz – lábios – ausência – esperança.

- Verbo ou advérbio + substantivo ou adjetivo: apenas a 5. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são
segunda palavra vai para o plural. masculinos:
a) enigma – idioma – cal;
Ex.: Guarda-chuva – guarda-chuvas b) pianista – presidente – planta;
Sempre-viva – sempre-vivas c) champanha – dó(pena) – telefonema;
Beija-flor – beija-flores d) estudante – cal – alface;
e) edema – diabete – alface.
- Palavras repetidas ou onomatopaicas: apenas o segundo
elemento vai para o plural. 6. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm um
Ex.: Teco-teco – teco-tecos significado; e no feminino têm outro, diferente. Marque a alternativa
Pingue-pongue – pingue-pongues em que há um substantivo que não corresponde ao seu significado:

- Palavras unidas por preposição: apenas o primeiro a) O capital = dinheiro;


elemento vai para o plural. A capital = cidade principal;
Ex.: Estrela-do-mar – estrelas-do-mar
b) O grama = unidade de medida;
- Substantivo + elemento especificador: chamamos de A grama = vegetação rasteira;
elemento especificador o substantivo que denota a função
específica do primeiro do substantivo do. Aqui apenas o c) O rádio = aparelho transmissor;
primeiro elemento vai para o plural: A rádio = estação geradora;
Ex.: Caneta-tinteiro – canetas-tinteiro
Navio-escola – navios-escola d) O cabeça = o chefe;
Pombo-correio- pombos-correio. A cabeça = parte do corpo;

Exercícios e) A cura = o médico.


O cura = ato de curar.
1.  Numa das seguintes frases, há uma flexão de plural
grafada erradamente: 7. Marque a alternativa em que haja somente substantivos
a) os escrivães serão beneficiados por esta lei. sobrecomuns:
b) o número mais importante é o dos anõezinhos. a) pianista – estudante – criança;
c) faltam os hifens nesta relação de palavras. b) dentista – borboleta – comentarista;
d) Fulano e Beltrano são dois grandes caráteres. c) crocodilo – sabiá – testemunha;
e) os répteis são animais ovíparos. d) vítima – cadáver – testemunha;
e) criança – desportista – cônjuge.
2. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da
mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”: 8. Aponte a seqüência de substantivos que, sendo originalmente
a) vulcão, abaixo-assinado; diminutivos ou aumentativos, perderam essa acepção e se
b) irmão, salário-família; constituem em formas normais, independentes do termo derivante:
c) questão, manga-rosa; a) pratinho – papelinho – livreco – barraca;
d) bênção, papel-moeda; b) tampinha – cigarrilha – estantezinha – elefantão;
e) razão, guarda-chuva. c) cartão – flautim – lingüeta – cavalete;
d) chapelão – bocarra – cidrinho – portão;
3. Assinale a alternativa em que está correta a formação e) palhacinho – narigão – beiçola – boquinha.
do plural:
a) cadáver – cadáveis; 9. Dados os substantivos “caroço”, “imposto”, “coco” e “ovo”,
b) gavião – gaviães; conclui-se que, indo para o plural a vogal tônica soará aberta em:
c) fuzil – fuzíveis; a) apenas na palavra nº 1;
d) mal – maus; b) apenas na palavra nº 2;
e) atlas – os atlas. c) apenas na palavra nº 3;
d) em todas as palavras;
e) N.D.A.

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LÍNGUA PORTUGUESA

10. Marque a alternativa que apresenta os femininos de astro poetastro


“Monge”, “Duque”, “Papa” e “Profeta”: alhaz facalhaz
a) monja – duqueza – papisa – profetisa;
b) freira – duqueza – papiza – profetisa; aço filmaço
c) freira – duquesa – papisa – profetisa; orra cabeçorra
d) monja – duquesa – papiza – profetiza;
e) monja – duquesa – papisa – profetisa. No tocante ao grau analítico aumentativo, é função de
alguns adjetivos dar ideia de aumento:
grande
(Exercícios retirados de http://www.portuguesconcurso.
imenso
com/2009/07/substantivo-exercicios-com-gabarito.html)
enorme
gigante
GABARITO:
gigantesco
descomunal
1. D
grandíssimo
2. C colossal
3. E
4. D Já no grau diminutivo sintético, temos os seguintes sufixos:
5. C
6. E
7. D Sufixo Exemplos
8. C ilha cartilha
9. E inho carrinho
10. E eto libreto
eta saleta
GRAU DOS SUBSTANTIVOS – AUMENTATIVO E
ebre casebre
DIMINUTIVO
acho riacho
Substantivos são palavras que nomeiam os seres. E ote filhote
como estes são múltiplos, com características diversas, im espadachim
o substantivo precisa ser uma classe variável, alternando ejo lugarejo
sua forma conforme gênero e número. E uma vez que os eco, eca Jornaleco, soneca
seres também possuem tamanhos distintos, uma variante
possível do substantivo é o grau, podendo ser aumentativo No grau analítico diminutivo dispomos dos seguintes
ou diminutivo. adjetivos:
Há duas formas de realizar o grau aumentativo e o pequeno
diminutivo: através do processo sintético (unindo ao radical reduzido
da palavra um sufixo correspondente ao aumentativo ou minúsculo
diminutivo) e o analítico (a partir da união de um adjetivo pequenino
que denota aumento ou diminuição). Vejamos: miúdo
Grau normal: casa
Grau analítico aumentativo: casa grande EXERCÍCIOS
Grau analítico diminutivo: casa pequena
Grau sintético aumentativo: casarão 1. Assinale a alternativa em que o substantivo em destaque
Grau sintético diminutivo: casinha está flexionado no grau aumentativo ou diminutivo.
a)  O médico disse-me que o problema era o coração.
Quando tratamos do grau sintético aumentativo, b)  Atendi o vendedor no portão.
alguns sufixos são usados para essa função: c) O riacho é límpido.
d) O ferrão do marimbondo é sua defesa.
Sufixo Exemplos e) Muitas cartilhas escolares foram encontradas no lixo.
aça barcaça 2. O plural diminutivo de “mulher” e “cão” é:
alha muralha a)  mulherzinhas  e cãozinhos.
alhão grandalhão b)  mulherezinhas , cãezinhos.
ão carrão c) mulherezinhas e cãosinhos.
zarrão homenzarrão d)  mulheresinhas e cãezinhos.
eirão vozeirão e)  mulhersinhas e cãesinhos.
uça dentuça (Exercícios retirados de http://saladelinguaportuguesablog.
aréu povaréu blogspot.com.br/2014/05/exercicios-sobre-substantivo-com.html)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Gabarito

1–C
2-B

INTERJEIÇÃO

A linguagem é um sistema de comunicação. E quando nos comunicamos com o outro, muitas vezes as palavras e seus
significados são insuficientes, no tocante à expressão das emoções. Aí surgem as interjeições, palavras invariáveis que não
constituem parte essencial numa frase, mas têm como função exprimir sentimentos, emoções, reações do falante. Geralmente
estão em frases exclamativas.

Exemplos:
Ah! Uh-uh! Ui! (encontros vocálicos)
Nossa! Jesus! (palavras)
Meu pai amado! Que pena! (locuções interjetivas= conjunto de palavras com função de interjeição)

Classificação das interjeições e locuções interjetivas

a) De alegria: Viva! Opa!


b) De advertência: Atenção! Cuidado!
c) De estímulo: Força! Ânimo!
e) De surpresa: Caramba! Vixe!
f) De dor: Ai! Ui!
g) De alívio: Ufa!
h) De desejo: Tomara! Oxalá!
i) De medo: Credo! Cruzes!
j) De concordância: Claro! Tá!
k) De desaprovação: Francamente! Xi!
l) De cumprimento: Alô!Olá!
m) De socorro: Socorro! Ajuda!
n) De afastamento: Sai! Xô!

NUMERAL

Numeral é a classe gramatical que indica a quantidade de seres, assim como seu ordenamento em uma determinada série.
É considerado um satélite do substantivo dentro de um sintagma nominal já que determina o número dos nomes e sua ordem
em um enunciado. Veja os exemplos:
a) Encontrei dois gatos no acampamento.
b) É para ingerir um terço da medicação.
c) Joana ficou em terceiro lugar no concurso.

Classificação dos numerais

Os numerais são classificados em cardinais, ordinais, multiplicativos, fracionários e coletivos.

a) Numerais cardinais: apresentam a quantidade dos seres em geral.


Ex.: um, dois, três, dez, vinte, cem, mil.

b) Numerais ordinais: indicam a ordem, posição de determinado ser.


Ex.: primeiro, segundo, terceiro, quinto, décimo, vigésimo.

c) Numerais multiplicativos: determinam a quantidade de vezes que um elemento foi multiplicado, fazendo referência a
um aumento proporcional desse elemento.
Ex.: triplo, quádruplo, cêntuplo.

d) Numerais fracionários: indicam a segmentação, divisão de um elemento através de frações.


Ex.: um terço, um quinto, dois terços, dois vinte avos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

e) Numerais coletivos: referem-se, no singular, a um conjunto de seres, apresentando um número exato dos mesmos.
Ex.: uma dúzia, uma dezena, um cento.

Veja o quadro explicativo:

Números Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários Coletivos


1 um primeiro
duo, dueto,
2 dois segundo duplo ou dobro meio ou metade
dupla
3 três terceiro triplo ou tríplice terço trio
4 quatro quarto quádruplo quarto quarteto
5 cinco quinto quíntuplo quinto quinteto
6 seis sexto sêxtuplo sexto sexteto
7 sete sétimo séptuplo sétimo
8 oito oitavo óctuplo oitavo
9 nove nono nónuplo nono novena
10 dez décimo décuplo décimo dezena, década
undécimo ou décimo undécimo ou onze
11 onze undécuplo
primeiro avos
duodécimo ou décimo duodécimo ou
12 doze duodécuplo dúzia
segundo doze avos
13 treze décimo terceiro treze avos
14 catorze décimo quarto catorze avos
15 quinze décimo quinto quinze avos
dezesseis (dezas-
16 décimo sexto dezesseis avos
seis)
dezessete (dezes-
17 décimo sétimo dezassete avos
sete)
18 dezoito décimo oitavo dezoito avos
dezenove (deza-
19 décimo nono dezenove avos
nove)
20 vinte vigésimo vinte avos
21 vinte e um vigésimo primeiro vinte e um avos
30 trinta trigésimo trinta avos
40 quarenta quadragésimo quarenta avos
50 cinquenta quinquagésimo cinquenta avos
60 sessenta sexagésimo sessenta avos
70 setenta septuagésimo setenta avos
80 oitenta octogésimo oitenta avos
90 noventa nonagésimo noventa avos
100 cem centésimo cêntuplo centésimo centena, cento
200 duzentos ducentésimo duzentos avos
300 trezentos tricentésimo trezentos avos
400 quatrocentos quadrigentésimo quatrocentos avos
500 quinhentos quingentésimo quinhentos avos
600 seiscentos seiscentésimo seiscentos avos
700 setecentos septigentésimo setecentos avos
800 oitocentos octigentésimo oitocentos avos
900 novecentos nongentésimo novecentos avos
1 000 mil milésimo milésimo milhar
10 000 dez mil dez milésimos dez mil avos
100 000 cem mil cem milésimos cem mil avos
1 000 000 um milhão milionésimo milionésimo
um bilhão (mil
1 000 000 000 bilhonésimo bilhonésimo
milhões)
1 000 000 000 um trilhão (um trilhonésimo (bilioné- trilionésimo (bilio-
000 bilhão) simo) nésimo)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Flexão dos numerais c) Numa vaquejada que houve na fazenda vieram


todos os vaqueiros  daquelas bandas. Meu pai matou meia
Por ser uma classe gramatical do substantivo, o dúzia de vacas e abriu pipas de vinho  branco para quem
numeral pode apresentar variação de gênero e número, a quisesse beber. Nunca se tinha dado festa igual.(Graciliano
fim de estabelecer concordância. Ramos)
a) Variação dos numerais cardinais: os cardinais d) A educação indígena diferenciada e bilíngue no Acre
apresentam pouca variação de gênero, limitando-se aos ainda tem um longo  caminho a percorrer. A maior parte
seguintes casos: um, uma, dois, duas, e centenas a partir dos professores só leciona do 1º ao 5º  ano, mas já há um
de duzentos, duzentas, trezentos, trezentas etc… Quanto grupo ensinando do 6º ao 9º ano.(O Estado de S. Paulo)
à variação de número, verificamos os casos de milhão,  e) Durante o Festival Toonik Tyme, os inuits, habitantes
milhões, bilhão, bilhões, trilhão, trilhões. do ártico canadense,  revivem seus costumes milenares.
b) Variação dos numerais ordinais: apresentam
variação de gênero e número. Ex.: primeiro, primeira, 3) (UFPI)  Aponte a alternativa em que os   numerais
primeiros, primeiras, segundo, segunda, segundos, estão bem empregados.
segundas… a) Ao papa Paulo Seis sucedeu João Paulo Primeiro.            
c) Variação dos numerais multiplicativos: são b) Após o parágrafo nono virá o parágrafo décimo.
invariáveis quando não se tratar de adjetivos, qualificando c) Depois do capítulo sexto, li o capitulo décimo
um substantivo. primeiro.           
Ex.: João tem o duplo do salário de Maria. (numeral d)Antes do artigo dez vem o artigo nono.
invariável) e) O artigo vigésimo  segundo foi revogado.
Maria tem dupla função na empresa. (adjetivo
variável). 4) (Unitau)
“Vivemos numa época de tamanha insegurança
d) Variação dos numerais fracionários: podem externa e interna, e de tamanha carência de objetivos
apresentar variação de gênero e número, variação esta firmes, que a simples confissão de nossas convicções
condicionada pelo cardinal que anteceder o fracionário. pode ser importante, mesmo que essas convicções, como
Ex.: Comprei um quarto do terreno.
todo julgamento de valor, não possam ser provadas por
Comprei dois quartos do lote.
deduções lógicas.
Surge imediatamente a pergunta: podemos considerar
Foi vendido um terço do prédio.
a busca da verdade - ou, para dizer mais modestamente,
Foi vendida uma terça parte da empresa.
nossos esforços para compreender o universo cognoscível
através do pensamento lógico construtivo - como um
e) Variação dos numerais coletivos: variam apenas
em número. Ex.: uma dúzia, duas dúzias, um cento, dois objeto autônomo de nosso trabalho? Ou nossa busca da
centos. verdade deve ser subordinada a algum outro objetivo,
de caráter prático, por exemplo? Essa questão não pode
Exercícios ser resolvida em bases lógicas. A decisão, contudo, terá
considerável influência sobre nosso pensamento e nosso
1) Identifique se o termo destacado é numeral ou julgamento moral, desde que se origine numa convicção
artigo indefinido. profunda e inabalável Permitam-me fazer uma confissão:
a) Você só tem uma vida. Cuide bem dela. para mim, o esforço no sentido de obter maior percepção
b) Ele não fala uma palavra de chinês! e compreensão é um dos objetivos independentes sem os
c) Aqueles invasores podem representar uma ameaça quais nenhum ser pensante é capaz de adotar uma atitude
para os índios. consciente e positiva ante a vida.
d) A decomposição desse material pode demorar um Na própria essência de nosso esforço para
século. compreender o fato de, por um lado, tentar englobar a
grande e complexa variedade das experiências humanas,
2) Alguns substantivos ou adjetivos podem ser e de, por outro lado, procurar a simplicidade e a economia
empregados para indicar quantidades numéricas. nas hipóteses básicas. A crença de que esses dois objetivos
Identifique essas palavras em cada texto e escreva   seu podem existir paralelamente é, devido ao estágio primitivo
significado. de nosso conhecimento científico, uma questão de fé. Sem
a) Após uma década de perseguição, Maomé e essa fé eu não poderia ter uma convicção firme e inabalável
seus seguidores migraram para Medina, a cerca de 300 acerca do valor independente do conhecimento.
quilômetros de Meca. O profeta veio a governar  a cidade Essa atitude de certo modo religiosa de um homem
e, vários anos depois, ele e um pequeno exército de fiéis engajado no trabalho científico tem influência sobre toda
retornaram a Meca. (National Geographic) sua personalidade. Além do conhecimento proveniente da
b) Há pouco mais de um século, os imigrantes experiência acumulada, e além das regras do pensamento
trouxeram agitação para a   cidade de São Paulo. Sua lógico, não existe, em princípio, nenhuma autoridade cujas
grande riqueza é a sua diversidade cultural,  constituída de confissões e declarações possam ser consideradas “Verdade
mais de 70 grupos étnicos e nacionais. (Folha de S. Paulo) “ pelo cientista. Isso leva a uma situação paradoxal: uma

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LÍNGUA PORTUGUESA

pessoa que devota todo seu esforço a objetivos materiais As preposições são dividades em essenciais e acidentais.
se tornará, do ponto de vista social, alguém extremamente As preposições essenciais (aquelas que somente funcionam
individualista, que, a princípio, só tem fé em seu próprio como preposição) são:
julgamento, e em nada mais. É possível afirmar que o A – ante – até- após- com- contra- de- desde – em –
individualismo intelectual e a sede de conhecimento entre – para – perante - - por – sem – sob – sobre - trás
científico apareceram simultaneamente na história e
permaneceram inseparáveis desde então. “ Já as acidentais consistem em palavras advindas de outras
(Einstein, in: “O Pensamento Vivo de Einstein”, p. 13 classes gramaticais que podem atuar como preposições:
e 14, 5a. edição, Martin Claret Editores) Como – conforme – consoante – exceto – mediante –
salvo – segundo – senão
Observe:
EMPREGO DAS PREPOSIÇÕES
I. “Essa atitude de certo modo religiosa de ‘um’ homem
engajado no trabalho...” Considerando que as preposições unem termos entre si,
II. “Pedro comprou ‘um’ jornal” criando uma relação de sentido, elas podem se unir a outras classes
III. “Maria mora no apartamento ‘um’.” gramaticais, tais como artigo e pronome, a fim de promover esse
IV. “Quantos namorados você tem?” ‘Um’. elo significativo. Neste caso, haverá os processos que chamamos
de contração e combinação.
A palavra “um” nas frases acima é, no plano morfológico,
respectivamente: Combinação
a) artigo indefinido em I e numeral em II, III e IV. Chamamos de combinação a união da preposição a outra
b) artigo indefinido em I e II e numeral em III e IV. classe gramatical, sem perda fonética ou estrutural. Ou seja, a
c) artigo indefinido em I e III e numeral em II e IV. união mantém a estrutura das duas classes unidas.
d) artigo indefinido em I, II, III e IV.
e) artigo indefinido em III e IV e numeral em I e II.
Preposição Classe gramatical Combinação
(Exercícios retirados de http:// a O (artigo) ao
tudodeconcursosevestibulares.blogspot.com.br/2013/01/ a Os (artigo) aos
numeral-classificacao-e-flexao.html) a Onde (pronome) aonde

Gabarito Contração
Aqui a união da preposição com outra classe gramatical garante
1 - Numeral, Artigo, Artigo, Numeral perda fonética e transformação da estrutura das classes unidas.
2. década(dez anos), século(cem anos), meia dúzia(seis),
bilíngue( duas línguas), milenares(mil anos). Preposição Classe Gramatical Contração
3-D a a à
4-B de o do
de a da
PREPOSIÇÃO por a pela
por o pelo
Preposição é a classe invariável cuja função é ligar dois em aquele naquele
termos entre si, subordinando um ao outro, criando uma em aquela naquela
relação de sentido. de entre dentre
Chamamos de regente o termo que antecede a de um dum
preposição e regido o que a sucede de uma duma
em um num
Ex.:
em uma numa
1) Esta é uma casa de barro.
em o no
Termo regente: casa
Termo regido: barro em a na

Preposição antecedendo o sujeito do verbo


2) Voltou para casa a pé
Não é correto realizar a contração da preposição “de” com
Termo regente: casa
o artigo que determina o sujeito de um verbo:
Termo regido: pé
Está na hora de a menina começar a estudar (e não “da
Podemos perceber nos exemplos acima que, além de unir menina começar a estudar”)
dois termos entre si, as preposições “de” e “a” também criam uma
relação de sentido entre as palavras interligadas. No primeiro, “de
barro” informa o material do qual é feita a casa e, no segundo, o
instrumento da caminhada.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Valores semânticos da preposição 03. (Fameca-SP) As relações expressas pelas


preposições estão corretas na sequência:
Lugar Está em Brasília I. Saí com ela.
II. Ficaram sem um tostão.
Origem Veio do Sul
III. Esconderam o lápis de Maria.
Causa Morreu de fome IV. Ela prefere viajar de navio.
Assunto O livro é sobre política V. Estudou para passar.
Meio Veio de avião a) falta; companhia; posse; meio; fim
Posse O livro é do João b) companhia; falta; posse; fim; meio
Matéria A mesa é de madeira c) companhia; posse; falta; meio; fim
Companhia Vim com Pedro d) companhia; falta; meio; posse; fim
e) companhia; falta; posse; meio; fim
Ausência Estou sem ânimo
Modo Fique à vontade 04.  (UFPA) No trecho: “(O Rio) não se industrializou,
Tempo Dias após dia deixou explodir a questão social, fermentada por mais
Instrumento Cortou a linha com a tesoura de dois milhões de favelados, e inchou, à exaustão,
Especialidade Ela é formada em Medicina uma máquina administrativa que não funciona...”, a
Oposição Ele é contra a reforma preposição a (que está contraída com o artigo a) traduz
uma relação de: 
Finalidade O livro é para educar-se a) fim
b) causa
Locução Prepositiva
c) concessão
É a união de duas ou mais palavras com a função de
d) limite
preposição.
e) modo

A despeito de 05  (INATEL) Assinale a alternativa em que a norma


A fim de culta não aceita a contração da preposição de:
Através de a) Aos prantos, despedi-me dela.
Perto de b) Está na hora da criança dormir.
Ao encontro de c) Falava das colegas em público.
d) Retirei os livros das prateleiras para limpá-los.
Antes de
e) O local da chacina estava interditado.
Acerca de
Embaixo de 06. (CESGRANRIO) Assinale a opção em que a
Em cima de preposição com traduz uma relação de instrumento:
De acordo com a) “Teria sorte nos outros lugares, com gente estranha.”
b) “Com o meu avô cada vez mais perto de mim, o
EXERCÍCIOS Santa Rosa seria um inferno.”
c) “Não fumava, e nenhum livro com força de me
01. Indique a alternativa correta quanto ao valor prender.”
semântico das preposições nas frases abaixo. d) “Trancava-me no quarto fugindo do aperreio,
a) Morreu de pneumonia. (doença) matando-as com jornais.”
b) Falava de política. (modo) e) “Andavam por cima do papel estendido com outras
c) Morava numa casa de madeira. (matéria) já pregadas no breu.”
d) Veio de ônibus. (companhia)
e) Ele chegou de Lisboa. (nacionalidade) (Exercícios retirados de http://www.
gramaticaparaconcursos.com/2014/05/preposicoes-
02. (Ufac) “O que desejava... Ah! Esquecia-se. Agora exercicios.html)
se descordava da viagem que tinha feito pelo sertão, a
cair de fome.”  (Graciliano Ramos). A alternativa em que a Gabarito
preposição  de  expressa a mesma ideia que possui em “...a
cair de fome” é: 1–c
a) De tanto gritar, sua voz ficou rouca. 2–a
b) De grão em grão, a galinha enche o papo. 3–e
c) De noite todos os gatos são pardos. 4–e
d) Chegaram cedo de Cruzeiro do Sul. 5–b
e) Trazia no bolso uma caneta de prata. 6–c

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LÍNGUA PORTUGUESA

Geralmente contamos o número de orações num


enunciado segundo o número de verbos. No entanto, vale
5.1 RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO ENTRE
lembrar que quando houver uma locução verbal teremos a
ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO. presença de uma única oração:
5.2 RELAÇÕES DE SUBORDINAÇÃO ENTRE Maria saiu. (1 verbo – 1 oração)
ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO. Ainda que tenha estudado, não fui bem na prova. (2
verbos – 2 orações)
Amanhã vou comprar seu presente. (1 locução verbal
– 1 oração)
ANÁLISE SINTÁTICA
3. PERÍODO
O QUE É SINTAXE? Podemos dizer que o período une a frase e oração,
já que é um enunciado de sentido completo que gira em
Inicialmente, quando estudamos as palavras, fazemos torno de um ou mais verbos.
de maneira isolada, a partir de cada classe gramatical Atente aos exemplos:
separadamente. É o que se chama de morfologia.
Entretanto, as palavras só existem e são úteis se estão em a) Fogo!
conjunto num enunciado e, então, temos a sintaxe, que é Aqui se trata apenas de uma frase, já que não presença
justamente o estudo das palavras segundo sua ordem de de verbo.
apresentação numa frase.
b) Maria foi às compras.
INTRODUÇÃO À ANÁLISE SINTÁTICA: FRASE. Aqui temos uma frase ( já que é completa) e também
ORAÇÃO. PERÍODO. um período, uma vez que notamos a presença de um verbo
(portanto, de uma oração).
1. FRASE
Iniciando o estudo das palavras numa relação de IMPORTANTE!
ordenamento e de sentido o primeiro tópico a ser entendido UM PERÍODO É SEMPRE CONSTITUÍDO POR UMA
é o conceito de frase. OU MAIS ORAÇÕES, POIS A PRESENÇA DO VERBO É
Frase é todo enunciado de sentido completo, FUNDAMENTAL.
possuindo ou não um verbo. A função básica da frase é
expressar uma informação e possui como característica
Caso o período possua apenas uma oração, chamamos
estrutural ser finalizada pelo ponto final, de exclamação ou
de período simples ou oração absoluta. E se possuir mais
de interrogação. Vejamos os exemplos:
de um verbo é definida como período composto.
a) Maria foi à festa. (frase verbal declarativa)
b) Fogo! (frase nominal, sem verbos)
SINTAXE DO PERÍODO SIMPLES
c) Que menina bonita! (frase exclamativa)
Chamamos de período simples o enunciado formado
d) Quem? Eu? (frase interrogativa)
por uma oração absoluta, ou seja, um único verbo:
e) Saia já daí! (frase imperativa)
a) Compre aquela blusa, por favor!
Ainda que apenas na primeira e na última frase b) Choveu muito ontem.
visualizemos a presença de um verbo, todos os exemplos c) Precisa-se de operários.
citados acima se tratam de frase, pois cumprem a função de d) A menina ganhou a boneca.
enviar uma mensagem de sentido completo.
Em todos os exemplos citados percebemos a presença
2. ORAÇÃO de um único verbo e essa é justamente a condição de um
Oração é um enunciado que gira em torno de um período simples: ser formado por uma única oração que,
verbo. Não é necessário ter sentido completo e finalizar no por ser única, chamamos de absoluta.
ponto final, mas deve ter sentido, que pode ser completado Já que possui um único verbo, o período simples é
por outra oração. menos complexo que o período composto. Assim seu
Veja os exemplos: estudo se dedica às palavras (as quais chamamos de
a) Maria foi à festa. “termos”) que o constituem. A análise do período simples
b) Maria disse que iria à festa. se dedica aos seguintes aspectos:

No primeiro exemplo, temos uma frase e também a) Termos essenciais da oração


uma oração já que notamos a presença de um verbo na - Sujeito
construção do sentido completo. Já na frase b) temos - Predicado
uma frase (Maria disse que foi à festa) já que tem sentido
completo e ela é constituída por duas orações: 1 – Maria b) Termos integrantes da oração
disse; 2 – que iria à festa. Importante atentar que a segunda - Objeto Direto
oração completa o sentido da primeira. - Objeto Indireto

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LÍNGUA PORTUGUESA

- Complemento Nominal TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO


- Predicativo do Sujeito
- Agente da Passiva Termos essenciais da oração são os que constroem a
estrutura básica do período. Para que qualquer enunciado
c) Termos Acessórios da oração oracional tenha sentido, é fundamental um agente que
- Adjunto Adnominal condicione a flexão verbal e o verbo propriamente dito. Por
- Adjunto Adverbial isso, os termos essenciais são:
- Aposto
Exercícios a) Sujeito: termo da oração sobre o qual se declara
algo e interage com o verbo definindo sua flexão de
1.   Assinale as alternativas que não apresentam número e pessoa;
uma frase:
a) Que golaço!                                              b) Predicado: é tudo o que se diz sobre o sujeito,
b) Vocês assistiram à transmissão do jogo pela tevê? possuindo como número um verbo.
c) Em vez de nadar, preferiram jogar bola., Atente ao exemplo:
d) O futebol povo paixão pelo tem brasileiro. João viajou no último feriado.
e) Correram para a garagem e entraram no carro.   João = sujeito da oração. Além de ser o assunto do
f) O sobre verde era gramado céu. enunciado, é o elemento que exigirá a flexão do verbo (3º
g) Clara passeava com as crianças no jardim.           pessoa do singular)
h) Mão Luisinho trêmula. viajou no último feriado = predicado, informação a
respeito do sujeito (João), iniciado por um verbo.
2. Assinale com um X as frases nominais:
a) Que medo!                  Os termos essenciais da oração possuem classificações
b) Ele chutou a porta.                      específicas. Vejamos uma a uma:
c) Coitadinho do garoto!
d) O povo odeia os governantes corruptos.       - TIPOS DE SUJEITO
e) Transmitirei o recado a sua namorada.
f) Coragem, companheiro!  a) Sujeito simples: composto por um único núcleo,
g) Que voz estranha!  mesmo estando no plural.
h) A lanterna produzia boa claridade.
i) Luisinho, não!  Ex.:
j) As risadas não eram normais.      (1) Maria esqueceu de pagar o presente.
k) Que alívio! (2) Os lindos filhos de Maria começaram a escola
ontem.
3) Assinale com um X as frases verbais (orações):
a) Quanta gente hoje!      Tanto no primeiro exemplo quanto no segundo
b) Apresse-se, garota!            percebemos que o verbo é condicionado por um único
c) O filme foi bom. núcleo: Maria (1); filhos (2).
d) Não aguento essa poluição!   
e) Partiremos daqui a pouco.   f) Sempre juntos, sempre b) Sujeito composto: caracterizado pela presença de
amigos. mais de um núcleo, geralmente unido pela conjunção e:
g) Seu colega telefonou.  
h) Na praia, grande descontração.       Ex.:
i) Deus te guarde! (1) Maria e Antônio são refugiados.
j) Que ideia absurda!      (2) O aluno estrangeiro e a professora brasileira
k) As ovelhas são mansas e pacientes. participaram da mostra cultural.

(Exercícios retirados de https://pt.scribd.com/ c) Sujeito oculto: quando o sujeito não está presente
doc/215584825/EXERCICIOS-FRASE-E-ORACAO-docx) na oração, mas é facilmente compreendido pela flexão
verbal ou contexto.
Gabarito
Ex.:
1 – d, f, h (1) Saí de casa. (eu saí)
2 – a, c, f, g, i, k (2) Saímos de casa (nós saímos)
3 – b, d, e, g, i, k (3) Saíste de casa. (Tu saíste)

João não pretende sair de casa. Está cansado. (Na


segunda oração percebemos, pelo contexto, que o “estar
cansado” se refere a João, mencionado na primeira frase.

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LÍNGUA PORTUGUESA

d) Sujeito indeterminado: quando não é possível 2) No período: “Ser amável e ser egoísta são coisas
identificar o sujeito, marcado por verbos na 3º pessoa do distintas”, o sujeito é:
plural, a) indeterminável
(1) Roubaram a proprietária da loja. b)”ser amável”
(2) Encontraram a menina. c) “coisas distintas”
d) “ser amável e ser egoísta”
Também há a presença de sujeito indeterminado em e) n.d.a
verbos na 3º pessoal do singular mais a partícula se , a qual
chamamos de índice de indeterminação do sujeito. 3) Na oração: “Reprovaram alguns autores esta
história”, qual é o núcleo do sujeito?
Ex.: a) história
Precisa-se de vendedores. b) alguns autores
Vive-se bem em Florianópolis. c) reprovaram
d) autores
e) Sujeito inexistente: falamos em sujeito inexistente e) n.d.a
quando a oração contiver apenas predicado. Há casos em
que o predicado é marcado por verbos impessoais (que 4) “Em 1949 reuniram-se em Perúgia, Itália, a
não têm sujeito e, por isso, não variam em flexão de pessoa convite da quase totalidade dos cineastas italianos,
e número): seus colegas de diversas partes do mundo.” O núcleo do
sujeito de “reuniram-se” é:
- Verbos que indicam fenômenos climáticos: chover, a) cineastas
ventar, escurecer, nevar, amanhecer, anoitecer… b) convite
Ex.: c) colegas
Nevou muito no sul. d) totalidade
Sempre chove nessa época do ano. e) se

- Verbo haver no sentido de existir: 5) Aponte a alternativa em que ocorre sujeito


Ex.: indeterminado:
Houve muitos protestos na última semana. a) Na prova, havia, pelo menos, quatro questões difíceis.
Há pessoas no recinto. b) Revelou-se a necessidade de auxílio aos
desabrigados.
- Verbo haver e fazer indicando tempo: c) Aconteceram, naquela casa, fenômenos inexplicáveis.
Faz vinte anos que não o vejo. d) Come-se bem naquele restaurante.
Não o vejo há anos. e) Resolvemos não apoiar o candidato.

- Verbo fazer indicando fenômeno da natureza: 6) Qual a alternativa em que há sujeito


Ex.: indeterminado?
Faz frio nesse período do ano. a) Comecei a estudar muito tarde para o exame.
b) Em rico estojo de veludo, jazia uma flauta de prata.
- Verbo ser indicando tempo ou distância: c) Soubesse que o proprietário estava doente.
Ex.: d) Houve muitos feridos no desastre.
São seis horas. e) Julgaram-no incapaz de exercer o cargo.
São doze metros de comprimento.
7) Assinale a frase em que há sujeito indeterminado:
Exercícios a) Compram-se jornais velhos.
b) Confia-se em suas palavras
1) Em relação ao trecho: “Pregada em larga tábua de c) Chama-se José o sacerdote.
pita, via-se formosa e grande borboleta, com asas meio d) Choveu muito.
abertas, como que disposta a tomar voo”, podemos e) É noite.
afirmar que o sujeito principal da oração é:
a) simples, tendo por núcleo implícito alguém. 8) Aponte a alternativa em que a palavra se é índice
b) composto, tendo por núcleos formosa e grande. de indeterminação do sujeito:
c) simples, tendo por núcleo asas. a) Resolver-se-ão os exercícios.
d) indeterminado, tendo por índice de indeterminação b) Não se reprovarão estes alunos.
do sujeito a partícula se. c) Trabalha-se com afinco naquela empresa.
e) simples, tendo por núcleo borboleta. d) Vendem-se relógios.
e) Plastificam-se documentos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

9) Nas orações: “Considera-se a pesquisa reveladora” Gabarito


e “Fala-se muito na pesquisa sobre os jovens”, temos,
respectivamente: 1-e
a) sujeito paciente e sujeito agente 2 -d
b) sujeito paciente e sujeito indeterminado 3 -d
c) sujeito agente e sujeito agente 4 -c
d) sujeito indeterminado e sujeito indeterminado 5 -d
e) sujeito indeterminado e sujeito paciente 6 -e
7 -b
10) Aponte a alternativa em que ocorre sujeito 8 -c
inexistente: 9 -b
a) Alguém chegou atrasado à reunião. 10 -d
b) Telefonaram para você. 11 -e
c) Existiam, pelo menos, cinquenta candidatos. 12 -e
d) Deve fazer dez anos que ele desapareceu 13- d
e) Consertou-se o relógio. 14 -a

11) Qual a oração sem sujeito? - TIPOS DE PREDICADO


a) Falaram mal de você.
b) Ninguém se apresentou. A) Predicado Nominal: quando na oração o nome
c) Precisa-se de professores. (substantivo, adjetivo) oferece mais informação semântica
d) A noite estava agradável. do que o verbo. Para identificar esse tipo de predicado
e) Vai haver um campeonato. basta apenas reconhecer na oração um verbo de ligação
entre o sujeito e o complemento.
12) Assinale a oração sem sujeito:
a) Convidaram-me para a festa. Ex.:
b) Diz-me muita coisa errada. Maria é bonita.
c) O dia está quente. João permanece quieto.
d) Alguém se enganou. Pedro continua triste.
e) Vai fazer bom tempo amanhã.
Nos exemplos acima percebemos que o verbo cumpre
13) Em todas as alternativas, o termo sublinhado a função de ligar o sujeito à característica a ele referida.
exerce a função de sujeito, exceto em: Chamamos de predicativo do sujeito a referência que
a)  Quem  sabe de que será capaz a mulher de teu sucede o verbo de ligação.
sobrinho?
b) Raramente se entrevê o céu nesse aglomerado de b) Predicado Verbal: quando o verbo apresenta
edifícios. a informação essencial sobre o sujeito, e aqui os verbos
c) Amanheceu um dia lindo, e por isso todos correram precisam indicar ação:
à piscina.
d) Era somente uma velha, jogada num catre preto de Ex.:
solteiro. Pedro comprou uma casa na zona sul.
e) É preciso que haja muita compreensão para com João sempre corre aos domingos.
os amigos Letícia canta no coral da cidade.

14) Há crianças sem carinho. c) Predicado Verbo-Nominal: quando a oração


Disseram-me a verdade. apresenta um verbo de ação e um predicativo do sujeito.
Construíram-se represas.
Ex.:
Os sujeitos das orações acima são, respectivamente: Pedro comprou a casa apressado.
a) inexistente, indeterminado, simples João falou à Maria desolado.
b) indeterminado, implícito, indeterminado
c) simples, indeterminado, indeterminado Percebemos que nos exemplos acima temos verbos de
d) inexistente, inexistente, simples ação (com forte carga semântica) e predicativos (apressado
e) indeterminado, simples, inexistente e desolado) que também se referem ao sujeito.

(Exercícios retirados de http://www. Vale lembrar que verbos com dupla transitividade:
gramaticaparaconcursos.com/2013/11/sujeito-exercicios. transitivos diretos e indiretos também integram predicado
html?m=1) verbo-nominal.
Enviei uma carta para Pedro.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Verbos transitivos são os que se ligam ao 06. Assinale a alternativa em que apareça predicado
complemento sem o auxílio de preposição: verbo-nominal.
Ex.: Comprei uma casa a) A chuva permanecia calma.
Encontrei a chave b) A tempestade assustou os habitantes da vila.
c) Paulo ficou satisfeito.
d) Os meninos saíram do cinema calados.
Verbos transitivos indiretos são os que se ligam ao
e) Os alunos estavam preocupados.
complemento com o auxílio de preposição.
Ex.: Preciso de você 07. Observe a oração abaixo e assinale a alternativa
Fui à Bahia CORRETA:
“A inspiração é fugaz, violenta.”
Verbos transitivos diretos e indiretos (bitransitivos) Podemos afirmar que o predicado é:
são os que para terem seu sentido completo necessitam a) Verbo-nominal, porque o verbo é de ligação e vem
da presença de um complemento iniciado por artigo e seguido de dois predicativos.
outro por preposição: b) Nominal, porque o verbo é de ligação.
Enviei uma carta para Pedro c) Verbal, porque o verbo é de ligação e são atribuídas
duas características ao sujeito.
Exercícios d) Nominal, porque o verbo tem significação completa
e apresenta adjuntos adnominais e dois predicativos.
01. Assinale a alternativa em que aparece predicado e) Verbo-nominal porque apresenta um predicativo
verbo-nominal: seguido do objeto direto.
a) “Nesse samba te proclamo majestade do universo.”
b) O homem doou os agasalhos aos necessitados. 08. Sobre o exemplo: “A lua brilhou alegre no céu”,
c) Após o toque permaneceram na sala os alunos. afirmamos:
d) “Brasil és no teu berço dourado o índio civilizado.” I. O verbo brilhar é intransitivo.
e) “Lutar com palavras é a luta mais vã.” II. O verbo brilhar é transitivo direto.
III. O verbo brilhar é transitivo indireto.
02. Onde há predicado verbo-nominal? IV. O predicado é nominal.
a) Devolva os documentos ao diretor. V. O predicado é verbal.
b) Renata ficou feliz. VI. O predicado é verbo-nominal.
c) Ela confia em você.
d) A notícia deixou-o preocupado. a) Estão corretas I e VI.
e) Os viajantes partiram ontem. b) Estão corretas I e V.
c) Estão corretas II e V.
03. O professor entrou apressado. Os grifos indicam: d) Está correta apenas IV.
a) predicado nominal. e) Estão corretas III e VI.
b) predicado verbo-nominal.
c) predicado verbal. 09. Ocorre predicado verbo-nominal em:
d) objeto direto. a) A tua resposta não é verdadeira.
e) objeto indireto b) O cão vadio virou a lata de lixo.
c) Viraram moda os jogos eletrônicos.
04. Identifique a alternativa errada em relação à d) Todos permaneçam em seus lugares.
classificação dos predicados das orações a seguir: e) Pensativo e triste vinha o rapaz.
a) Todos nós consideramos a sua atitude infantil
(predicado verbo-nominal) 10. Indique a alternativa em que o predicado é verbo-
b) A multidão caminhava pela estrada poeirenta. nominal:
(predicado verbo-nominal) a) O soldado foi encontrado morto.
c) A criançada continua emocionada. (predicado nominal) b) Aquele homem tornou-se milionário.
d) A criançada continua no jardim. (predicado nominal). c) Hoje é dia 20 de novembro.
e) Demitiram o secretário da instituição. (predicado verbal) d) Alguns jogadores estão contundidos.
e) Os alunos parecem desinteressados.
05. Analise as orações e assinale a alternativa correta:
I. Paulo está adoentado. 11. Assinale uma das alternativas em que aparece um
II. Paulo está no hospital. predicado
verbo-nominal:
a) O predicado é verbal em I e II.  a) Os viajantes chegaram cedo ao destino.
b) O predicado é nominal em I e II. b) Demitiram o secretário da instituição.
c) O predicado é verbo-nominal em I e II. c) Nomearam as novas ruas da cidade.
d) O predicado é verbal em I e nominal em II. d) Compareceram todos atrasados à reunião.
e) O predicado é nominal em I e verbal em II. e) Estava irritado com as brincadeiras.

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LÍNGUA PORTUGUESA

12. Assinale a alternativa correta em relação à TERMOS INTEGRANDES DA ORAÇÃO


classificação dos predicados das orações abaixo:
I- Saíram ele e ela. São os termos que “integram” a oração, completando
II- Sua terra está completamente mudada. o seu sentido. Sem sua presença a frase permanece
III- Achei calma a aluna. incompleta. Vejamos os diversos tipos:
a) I predicado verbal; II - predicado nominal; III -
predicado verbo-nominal. a) Objeto Direto: completa o verbo transitivo direto,
b) I predicado nominal; II predicado verbo-nominal; III sem o auxílio de preposição.
predicado verbal. Olhei o quadro.
c) I predicado verbo-nominal; II predicado verbal; III Vendi a casa de praia.
predicado nominal.
d) I predicado verbo-nominal; II predicado nominal; III b) Objeto Indireto: completa verbo transitivo indireto,
predicado verbal. com o auxílio de preposição.
e) I predicado nominal; II - predicado verbal; III - Preciso de amor.
predicado verbo-nominal. Necessito de tempo.

13. Assinale a alternativa correta em relação à c) Complemento Verbal: completa o sentido de um


classificação dos predicados das orações abaixo: substantivo abstrato ou adjetivo.
I- Olhei a aluna na janela. Tenho medo de avião.
II- Aqui se trabalha. Ela é favorável à reforma política.
III- Ninguém saiu hoje satisfeito. Nos exemplos acima, o substantivo abstrato “medo” e
a) I predicado verbal; II - predicado verbal; III - predicado o adjetivo “favorável” ficariam incompletos e sem sentido
verbo-nominal. sem a presença dos complementos nominal.
b) I - predicado nominal; II predicado verbal; III
predicado verbo-nominal. d) Agente da Passiva: complemento preposicionado
c) I predicado verbo-nominal; II predicado verbal; III que representa o agente de ação de um verbo que está na
predicado nominal. voz passiva.
d) I predicado verbo-nominal; II predicado nominal; III Eu comprei um carro. (Aqui o verbo está na voz ativa. O
predicado verbal. agente da ação do verbo coincide com o sujeito da oração.)
e) I - predicado nominal; II - predicado verbal; III - O carro foi comprado por João. (percebemos que
predicado verbo-nominal. neste caso o agente da ação de comprar não é o sujeito
da oração – que aqui é “o carro”, mas sim João, classificado
14. Aponte a frase de sujeito simples e predicado aqui como agente da passiva.
verbo-nominal.
a) A jovem passeava tranquilamente. Exercícios
b) Mariana fez o concurso esperançosa.
c) Existem grandes possibilidades. 01 - A análise sintática é definida pela relação que se
d) Paulo e Marcelo estudam animados. estabelece entre palavras ou grupos de palavras dentro
e) Os cientistas retomaram da gruta às pressas. de um contexto. Relacione a 2ª coluna de acordo com
a 1ª, observando a correta classificação dos termos
15. Assinale a alternativa em que há uma oração com destacados. A seguir, assinale a alternativa CORRETA:
predicado verbo-nominal: 1. Objeto direto
a) O mar estava calmo naquela manhã. 2. Objeto indireto
b) Nenhum navio partiu ontem. 3. Complemento nominal
c) Achei esse sujeito muito antipático. 4. Agente da passiva
d) O homem ficou furioso com a brincadeira. ( ) “ A fome pode determinar a supressão de uma delas.”
e) Ele terminou o trabalho ontem à tarde. ( ) “ A destruição não atinge  o princípio universal e
(Exercícios retirados de http://solinguagem.blogspot. comum.”
com.br/2012/02/exercicios-de-predicado.html) ( ) “ Uma das tribos será exterminada pela outra.”
( ) ... e necessitam de mais alimento.
Gabarito a) 3, 1, 4, 2
b) 1, 2, 3, 4
1A - 2D - 3B - 4D - 5E - 6D - 7 B - 8A - 9E - 10A - 11D c) 2, 4, 1, 3
- 12A - 13A - 14B - 15C d) 4, 3, 2, 1
e) 3, 4, 1, 3

02. Em: Tinha grande amor  à humanidade / As ruas


foram lavadas pela chuva / Ele é rico em virtudes. Os termos
destacados são, respectivamente:

60
LÍNGUA PORTUGUESA

a) complemento nominal, agente da passiva, 09. Assinale, dentre as alternativas abaixo, a que contém
complemento nominal objeto direto preposicionado:
b) objeto indireto, agente da passiva, objeto indireto a) “Desesperado, deixou o cravo, pegou do papel
c) complemento nominal, objeto indireto, complemento escrito e rasgou–o”.
nominal b) Não desconfiei do candidato e corrigi o trabalho por
d) objeto indireto, complemento nominal, agente da inteiro.
passiva  c) Poucos jornais se referiram ao episódio.
e) objeto direto, objeto indireto, complemento nominal d) O jovem de hoje também necessita de espiritualidade.
e) Pela estrada ia passando um comboio de caminhões–
03. Assinale o item em que a função não corresponde tanques.
ao termo em destaque:
a) Comer demais é prejudicial à saúde. (complemento 10. Assinale a frase que contém agente da passiva:
nominal) a) Fiquei ouvindo aquilo por longo tempo.
b) Jamais me esquecerei de ti. (objeto indireto) b) Dei cinco reais pelo cachorrinho.
c) Ele foi cercado  de amigos sinceros. (agente da c) As colheitas foram levadas pela chuva.
passiva) d) Sempre saía a esmo pelos caminhos.
d) Não tens interesse  pelos estudos. (complemento e) Agrada–me por todas as formas.
nominal)
e) Ele tinha receio de tudo a sua volta.. (objeto indireto) (Exercícios retirados de http://odemartins.blogspot.com.
br/2014/04/termos-integrantes-da-oracao-exercicio.html)
04. Em todas as alternativas abaixo, há objeto direto
preposicionado, exceto em: GABARITO : 1A - 2A - 3E - 4B - 5B - 6A - 7B - 8B -
a) Acho que ela não consegue amar a ninguém. 9A - 10C
b) Dedicou–se a estudos matemático.
c) Para sair com a turma o diretor escolheu a nós. TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO
d) Ofenderam a mim e não a ele.
e) O professor elogiou a todos. São termos que são dispensáveis na oração, mas
acrescentam informação ou circunstância referente ao
05. O agente da passiva foi corretamente destacado substantivo ou ao verbo, enriquecendo seu sentido. São
em todas as opções, exceto em: considerados termos acessórios:
a) O presídio tinha sido cercado pelos soldados. a) Adjunto Adnominal
b) Ela é a única responsável pela festa. b) Adjunto Adverbial
c) O time foi derrotado pelo campeão da cidade. c) Aposto
d) O mestre foi homenageado pelos alunos.
e) A casa foi destruída pela inundação. a) Adjunto Adnominal: como a própria denominação
adianta, o adjunto adnominal é o termo que acompanha o
06. Assinale a frase em que o objeto direto é pleonástico: nome (o substantivo) na função de satélite, concordando
a) A borboleta negra, encontrei–a à noite. com ele em gênero e número. Podem ser adjuntos
b) Eu a sacudi de novo. adnominais as classes gramaticais: artigo, pronomes,
c) Fiquei a olhar o cadáver com simpatia. numerais, adjetivos ou locuções adjetivas.
d) Um golpe de toalha rematou a aventura. Ex.:
e) Vi dali o retrato de meu pai.
A linda professora publicou seu livro.
07. “A recordação da cena persegue–me até hoje”. Os
termos em destaque são: Substantivos: professora/ livro
a) objeto indireto – objeto indireto; Adjuntos adnominais: A/linda/seu
b) complemento nominal – objeto direto;
c) complemento nominal – objeto indireto; A casa da Maria foi vendida.
d) objeto indireto – objeto direto; Substantivo: Maria
e) agente da passiva – objeto indireto. Adjuntos Adnominais: A/da Maria

08. Dentre as opções abaixo assinale aquela em que há Qual a diferença entre complemento Nominal e
objeto direto preposicionado: Adjunto Adverbial?
a) Passou aos filhos a herança recebida dos pais;
b) Amou a seu pai, com a mais plena grandeza da alma; O complemento nominal é um termo integrante e sua
c) Amou sua mulher como se fosse a única; presença garante o sentido da frase:
d) Naquele tempo era muito fácil viajar para os infernos; Tenho necessidade (de que?) de amor.
e) Em dias ensolarados, gosto de ver nuvens flutuarem
nos céus de agosto.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Já o adjunto adnominal auxilia na produção de sentido, 3. Nos trechos:


mas pode ser descartado pois não causa prejuízo ao “Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau.”
entendimento do enunciado. “Não posso ver o mostrador assim às escuras.”
Os meus três lindos filhos de criação já se formaram.
(Qual é a informação básica? Filhos se formaram As expressões destacadas dão, respectivamente,
ideia de:
b) Adjunto Adverbial: termos que inserem uma a) modo, especificação
informação de circunstância a verbo. Como nos diz a b) lugar, modo
denominação, são os advérbios ou locuções adverbiais c) instrumento, modo
presentes na oração. d) instrumento, origem
Comi muito hoje.  e) origem, modo
Verbo: comi
Adjunto Adverbial de intensidade: muito 4. Na oração: “José de Alencar, romancista brasileiro,
Adjunto adverbial de tempo: hoje nasceu no Ceará”, o termo destacado exerce a função
Vejamos as circunstâncias possíveis de um adjunto sintática de:
adverbial: a) aposto
- circunstância de tempo: Ontem li o livro. b) vocativo
- circunstância de modo: Cantou bem. c) predicativo do objeto
- Circunstância de lugar: Vivo perto daqui. d) complemento nominal
- Circunstância de intensidade: Chorou bastante. e) n.d.a. 
- Circunstância de modo: Morreu de sede.
- Circunstância de companhia: Viajei com Pedro. 5. Na oração: “Cláudia, uma mulher simplesmente
- Circunstância de instrumento: Cortou com a faca. notável, é a melhor mãe que uma criança poderia ter”,
o termo destacado exerce a função sintática de:
3) Aposto: termo que possui a função de explicar, a) complemento nominal
b) aposto explicativo
esclarecer um termo previamente citado, apresentado na
c) vocativo
oração entre vírgulas.
d) aposto especificativo
e) ajunto adnominal 
Ex:
6. Dê a função sintática do termo destacado
João saiu às pressas.
em: “Não digo nada de minha tia materna,Dona
João, irmão de Maria, saiu às pressas.
Emerenciana”.
a) sujeito
Roma é cidade eterna. b) adjunto adverbial
Roma, que é capital de Itália, é a cidade eterna. c) objeto direto
d) vocativo
Exercícios e) objeto indireto
1. Na oração “Você ficará tuberculoso,  de (Exercícios retirados de http://www.
tuberculose morrerá”, as palavras destacadas são, gramaticaparaconcursos.com/2013/12/termos-acessorios-
respectivamente:  da-oracao-exercicios.html)
a) adjunto adverbial de modo, adjunto adverbial de
causa Gabarito
b) objeto direto, objeto indireto
c) predicativo do sujeito, adjunto adverbial 1 -c
d) ambas predicativos 2 -b
e) n.d.a. 3-c
4 -a
2. Aponte a alternativa em que há adjunto adverbial 5 -b
de causa. 6 -d
a) Compro os livros com o dinheiro.
b) O poço secou com o calor. SINTAXE DO PERÍODO COMPOSTO
c) Estou sem amigos.
d) Vou ao Rio. PERÍODO COMPOSTO
e) Pedro é efetivamente bom. Período composto é o enunciado de sentido completo
que gira em torno de dois ou mais verbos.
Ex.:
1) O funcionário chegou e assinou o documento.
2) Maria disse que não iria à festa.

62
LÍNGUA PORTUGUESA

Nos exemplos acima verificamos a relação entre as CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES COORDENADAS
duas orações. Entretanto, percebemos que, no exemplo SINDÉTICAS
1 a segunda oração não completa o sentido do verbo da
primeira, ambos os segmentos são independentes. Já na a) Oração coordenada sindética aditiva: estabelece
frase 2 a segunda oração possui a função de completar o uma relação de adição entre as orações, a partir das
sentido do verbo dizer. conjunções coordenativas aditivas e, nem ...nem, não só...
Por isso mesmo, afirma-se que há períodos em que como também, não só…mas também etc...
as orações estão unidas num enunciado em situação de Ex.
independência (exemplo 1). Denominamos esse período de A economia cresceu e progrediu.
período composto por coordenação. Além disso, há casos A economia não só cresceu mas também progrediu.
em que as duas orações não podem ser separadas, pois uma Nem estudou nem descansou.
completa a outra (exemplo 2), e isso se trata de um período
composto por subordinação. b) Oração coordenada sindética adversativa:
transmite uma ideia de contradição e oposição, através
Ex.: das conjunções coordenativas adversativas mas, porém,
entretanto, contudo, todavia etc…
3) Penso, logo existo. Ex.:
Trata-se de um período composto por coordenação Fui dormir tarde, mas consegui acordar cedo.
já que é possível transformar as duas orações em frases Gosto muito de você, porém preciso deixá-lo.
independentes:
Penso. Logo existo. c) Oração coordenada sindética alternativa:
estabelece uma relação de alternância com a oração anterior.
4) Perguntei se ele me amava. São usadas as conjunções coordenativas alternativas ou...
Vemos aqui um caso de período composto por ou…, já...já, quer...quer, ora...ora.
subordinação, pois se separarmos as orações tornando-as Ex.:
períodos simples, o enunciado perderá o sentido:
Ou durmo, ou estudo.
Perguntei. Se você me amava.
Ora durmo, ora estudo.
Cada um desses períodos apresenta características e
manifestações distintas.
d) Oração coordenada sindética conclusiva: cria uma
relação de conclusão com a oração anterior, oferecendo
PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO
a ideia de resultado. São utilizadas as conjunções
Denomina-se período composto por coordenação o coordenativas conclusivas pois, logo, portanto, por
enunciado de sentido completo composto por duas ou mais conseguinte, consequentemente.
orações coordenadas, ou seja, independentes. Nesses casos Penso, logo existo.
não há uma oração que se sobreponha à outra e, por isso Estudo, por conseguinte obterei o resultado almejado.
mesmo, não há uma oração principal, ambas são.
Por serem autônomas, as orações coordenadas podem e) Oração coordenada explicativa: estabelece uma
ser unidas apenas por vírgulas e aí são denominadas de ideia de explicação com a oração anterior, esclarecendo-a.
assindéticas, já que não apresentam nenhuma palavra de São usadas as conjunções coordenativas porque, isto é, ou
conexão entre si, como no exemplo: seja, a saber.
Ex.:
Vi, vim, venci. Viajei logo, porque tinha pressa.
Fiquei muito triste, uma vez que ele descumpriu o
Ainda que sejam independentes, as orações coordenadas trato combinado.
podem ser unidas também a partir de um elemento conectivo,
recebendo a denominação de orações coordenadas IMPORTANTE
sindéticas. A classe gramatical que cumpre essa função de Excetuando as orações coordenadas sindéticas
conectá-las é a conjunção. Esta não apenas une as orações, aditivas, todas as demais exigem o uso de vírgula antes da
estabelece entre elas uma relação de sentido. Vejamos: conjunção coordenativa:
a) O ciclista acordou tarde e comeu. Trabalhou muito, mas não concluiu a tarefa.
b) O ciclista acordou tarde, mas comeu. Ou esqueça, ou lute.
c) O ciclista acordou tarde, logo comeu. Está batalhando, pois ambiciona progredir.
d) O ciclista acordou tarde porque comeu. Ela chegara atrasada, porque houve greve na linha do
metrô.
Nos exemplos acima percebe-se que as conjunções em
destaque não apenas liga as duas orações, cria um sentido
específico entre elas. Por isso mesmo, a gramática estabelece
uma classificação específica a partir da relação de sentido
criado pelas conjunções.

63
LÍNGUA PORTUGUESA

Exercícios Quando falamos em orações subordinadas se


entende a presença de uma oração principal e uma
1.A oração “Não se verificou, todavia, uma transplantação oração subordinada que completará a mensagem da
integral de gosto e de estilo” tem valor: primeira.
a) conclusivo As orações subordinadas dividem-se em:
b) adversativo a) Orações Subordinadas Substantivas: completam a
c) concessivo oração principal exercendo a função de substantivo;
d) explicativo b) Orações Subordinadas Adjetivas: completam a
e) alternativo oração principal exercendo a função de adjetivo;
c) Orações Subordinadas Adverbiais: completam a
2. “Estudamos, logo deveremos passar nos exames”. A oração principal exercendo a função de advérbio.
oração em destaque é:
a) coordenada explicativa I – ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
b) coordenada adversativa
c) coordenada aditiva
Como dito acima, são as que integram a oração
d) coordenada conclusiva
principal exercendo a função de substantivo.
e) coordenada alternativa
Como assim?
3. No verso, “Tenta chorar e os olhos sente enxutos”, o
conectivo oracional indica:
Atente ao exemplo abaixo:
a) junção de ideias, logo é conjunção aditiva
b) disjunção de ideias, logo é conj. Alternativa  a) Falei verdades a João.
c) contraste de ideias, logo é conj. Adversativa  b) Trabalho é fundamental.
d) oposição de ideias, logo é conj. Concessiva c) Trabalho é fundamental.
e) sequência de ideias, logo é conj. Conclusiva. 
Nos períodos simples acima percebemos que as
4. Fez isso ______ não conseguiu o resultado. palavras destacadas exercem a função de substantivo e
___A_________________B_______________ podem ser substituídas por isso.
Qual das alternativas abaixo preenche a lacuna,
indicando que B é um fato anterior a A? a) Falei isso a João.
a) entretanto b) Trabalho é isso.
b) pois c) Isso é trabalho.
c) porém
d) enquanto Realizando uma análise sintática, classificamos os
e) e.  termos destacados como objeto direto (a), predicativo do
sujeito (b) e sujeito (c).
5.”Deus não fala comigo, e eu sei que Ele me escuta.” O Mas o ser humano pode produzir frase mais complexas,
conectivo “e” pode ser substituído, sem contrariar o sentido, por: constituídas por períodos compostos por mais de um verbo,
a) ou. e os mesmos exemplos citados anteriormente podem ser
b) no entanto assim reescritos:
c) porém a) Falei que não me casaria a João.
d) porquanto b) Trabalho é agir com responsabilidade.
e) nem c) É importante trabalhar.

(Exercícios retirados de http://questoesconcursos. O que foi feito? Substituímos os substantivos dos


b l o g s p o t . c o m . b r / 2 0 1 1 / 0 4 / q u e s to e s - d e - o r a c o e s - enunciados por verbos equivalentes e construímos orações
coordenadas-para.html) subordinadas substantivas.

Gabarito 1.b – 2.d – 3.a – 4.b – 5.b Classificação das orações subordinadas substantivas

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO a) Oração Subordinada Substantiva Subjetiva:


quando exerce a função sintática de sujeito do verbo da
Denomina-se período composto por subordinação o oração principal.
período integrado por duas ou mais orações em que se Ex.:
verifica entre elas uma relação de dependência semântica
e sintática. Ou seja, caso se retire uma das orações o 1) Sua participação foi importante. (sujeito)
enunciado perde o sentido. Foi importante sua participação. (sujeito)
Ex.:
Perguntei se ele viria. Foi importante que você tenha participado da
Chorou tanto que não conseguiu abrir os olhos. reunião. (oração subordinada substantiva subjetiva).

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LÍNGUA PORTUGUESA

2) A leitura é fundamental. (sujeito) Ex.:


É fundamental a leitura. (sujeito) Minha aluna necessita (de) que seus pais a auxiliem.
A coordenação insiste em que os pais auxiliem a
É fundamental que você leia. (oração subordinada aluna.
substantiva subjetiva) Nos exemplos acima percebe-se que tanto o verbo
- Estrutura das orações subordinadas substantivas necessitar quanto o insistir são verbos transitivos indiretos,
subjetivas: exigindo como complemento oração ou palavra antecedido
* Verbos de ligação mais predicativo: por preposição.
É importante – É fundamental – É essencial –
Foi imprescindível – Permanece preocupante – Está d) Oração Subordinada Completiva Nominal: exerce
comprovado a função de completar o sentido de um NOME, geralmente
um substantivo abstrato ou adjetivo.
Ex.:
É fundamental que as crianças estudem Ex.:
* Expressões iniciadas por verbos na voz passiva: Senti receio de que ele viesse alterado.
Tive medo de o avião atrasar por mais tempo.
Sabe-se – Conta-se – Percebe-se – Soube-se – É sabido Ela foi favorável a que João participasse do projeto.
– Comenta-se – Foi comprado – Foi anunciado
e) Oração Subordinada Substantiva Predicativa:
Ex.: cumpre a função de predicativo do sujeito, qualificando o
Conta-se que muitos alunos não realizaram a prova. sujeito enquanto “completa” um verbo de ligação.
* Verbos como: cumprir – convir – importar –
acontecer – ocorrer Ex.:
Minha preocupação é que ele não chegue a tempo.
Ex.: O fundamental é que ela se recuperou bem.
Convém que você estude mais.
f) Oração Subordinada Substantiva Apositiva:
b) Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: exerce a função de aposto, esclarecendo algum termo da
exerce a função de objeto direto, completando verbo oração principal.
transitivo direto.
Ex.:
Ex.: Meu desejo era esse: que ele não voltasse mais.
Maria não sabe que João viajou. Sempre apresentou essa desconfiança: que Joana não
O deputado perguntou se todos já haviam chegado. estava cumprindo o contrato.

Chamamos de conjunção integrante a conjunção Exercícios


que a qual inicia a subordinada substantiva objetiva
direta. Isso porque a ela cabe a atribuição de iniciar o 1. (UNAMA) No seguinte grupo de orações
complemento verbal. destacadas:
Peço que você saia. 1. É bom que você venha.
2. Não esqueças que és falível.
Orações Substantivas Objetivas Diretas Reduzidas:
Temos orações subordinadas, respectivamente:
Podem integrar/completar o verbo transitivo direto a) objetiva direta, subjetiva.
da oração principal orações subordinadas marcadas pelo b) subjetiva, objetiva direta.
verbo reduzido de infinitivo: c) objetiva direta, adverbial temporal.
d) subjetiva, predicativa.
Ex.: e) predicativa, objetiva direta.
Mandei-a nadar um pouco.
Ouvi João chorar o dia inteiro. 2. (UFBA) Em todos os períodos a oração
subordinada funciona como sujeito da oração principal,
Por isso mesmo, chamamos de orações desenvolvidas exceto em:
as caracterizadas por verbos flexionados e reduzidas com a) É claro que eles virão.
verbos apresentados no infinitivo. b) Acontece que ela mentiu.
c) Sabe-se que é um golpe.
c) Orações Subordinadas Substantivas Objetivas d) O certo é que tudo morre.
Indiretas: exercem a função de objeto indireto, e) Agora parece que é dia.
completando verbos transitivos indiretos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

3. (FMU-SP) No seguinte período: «Aí eu tive o c) absoluta; subordinada substantiva objetiva direta;
fervor de que ele carecesse de minha proteção, toda a subordinada substantiva objetiva direta. d) principal;
vida», a expressão destacada é: subordinada substantiva subjetiva; subordinada substantiva
a) oração subordinada substantiva apositiva. objetiva indireta.
b) oração subordinada substantiva objetiva indireta. e) coordenada assindética; subordinada substantiva
c) oração subordinada substantiva completiva nominal. subjetiva; subordinada substantiva objetiva direta.
d) oração subordinada substantiva predicativa.
10. (PUCCAMP-SP) «Se ele confessou não sei.» A
4. (UFPR) Qual o período em que há oração oração destacada é:
subordinada substantiva predicativa? a) subordinada adverbial temporal.
a) Meu desejo é que você passe nos exames vestibulares. b) subordinada substantiva objetiva direta.
b) Sou favorável a que o aprovem. c) subordinada substantiva objetiva indireta.
c) Desejo-te isto: que sejas feliz. d) subordinada substantiva subjetiva.
d) O aluno que estuda consegue superar as dificuldades e) subordinada substantiva predicativa
do vestibular.
e) Lembre-se de que tudo passa neste mundo. (Exercícios retirados de https://ocondedemontecristo.
files.wordpress.com/2011/03/un25.pdf)
5. (UFPR) Reconheça a oração subordinada
substantiva subjetiva: Gabarito
a) Veja se está tudo em ordem.
b) Perguntou quem era.
c) Que ele não compareceu, souberam.
d) É necessário que tenhamos paciência.
e) n.d.a.

6. (UEM-PR) «Parecia que o morro se tinha


distanciado muito.» No período acima, a oração II – ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
subordinada é: São as orações que equivalem a adjetivos, na função
a) substantiva objetiva direta. de qualificar ou esclarecer um termo da oração principal.
b) substantiva subjetiva. Vejamos:
c) adjetiva explicativa. a) Encontrei aquele menino bonito. (adjetivo)
d) substantiva predicativa b) Encontrei aquele menino que é bonito. (oração
e) adverbial consecutiva. subordinada adjetiva)

7. (UFPR) Julieta ficou à janela na esperança de que Nos exemplos acima percebemos como a oração
Romeu voltasse. A oração em destaque é: destaca em (b) equivale ao adjetivo do exemplo anterior.
a) subordinada substantiva subjetiva. Vale destacar que as orações subordinadas adjetivas,
b) subordinada substantiva completiva nominal. por exercerem a função de adjetivo, cumprem também
c) subordinada substantiva predicativa. a atribuição de adjunto adnominal.
d) subordinada adverbial causal.
e) subordinada adjetiva explicativa.
Essas orações são iniciadas por pronomes relativos:
que, o qual, a qual, as quais, os quais
8. (PUCCAMP-SP) Assinale o período em que a
oração destacada é substantiva apositiva: Ex.:
a) Não me disseram onde moravas. Vi o jogador que vive em Madri.
b) A rua onde moras é muito movimentada. Vi o jogador o qual vive em Madri
c) Só me interessa saber uma coisa: onde moras.
d) Morarei onde moras. Classificação das orações subordinadas adjetivas
e) n.d.a. Pensemos no adjetivo. Enquanto classe gramatical
qualificadora, pode especificar uma qualidade referente ao
9. (MACK-SP) No período: «Sabe-se que Jacó propôs substantivo ou simplesmente apresentar ou esclarecer uma
a Labão que lhe desse todos os filhos das cabras...», a característica geral:
alternativa que contém a análise correta das orações,
na sequência em que vêm no período é: Ex.:
a) principal; subordinada substantiva subjetiva; a) Maria é a aluna sueca. (Aqui o adjetivo restringe o
subordinada substantiva objetiva direta. substantivo, reduzindo-o a grupo dos estudantes suecos).
b) coordenada sindética aditiva; subordinada b) Todo homem é mortal. ( Já aqui o adjetivo apenas
substantiva objetiva direta; subordinada substantiva explica uma qualidade geral).
apositiva.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Da mesma forma, as orações subordinadas adjetivas 3) Identifique a alternativa que se encontra uma oração
podem reduzir o campo semântico ou simplesmente subordinada adjetiva explicativa.
esclarecê-lo e daí vem sua classificação: A) Eram músicas que contagiavam.
B) Os homens, que são seres racionais, merecem nosso
a) Oração Subordinada Adjetiva Restritiva: orações diálogo.
que cumprem a função de particularizar e restringir um C) A televisão apresenta cenas que agridem.
termo da oração principal. D) Viajaram a lugares por onde nunca sonharam passar.

Ex.: (Exercícios retirados de http://provasdeportugues.


Encontrei o repórter que vive em Tóquio. blogspot.com.br/2014/06/atividades-de-oracoes-
Admiro os alunos que estudam Português. subordinadas_25.html)
Foi entrevistada a atriz que recebeu o Oscar.
Gabarito
Nos exemplos acima todas as orações destacadas são
adjetivas restritivas, já que qualificam o nome reduzindo 1 -D
seu campo semântico. 2 -B
3–B
b) Oração Subordinada Adjetiva Explicativa: ao
contrário da anterior, não apresenta qualificação restritiva, ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
apenas explica uma ideia na função de esclarecer um termo
já citado. Essa oração costuma aparecer entre vírgulas. Chamamos de orações subordinadas adverbiais
aquelas que se acoplam à oração principal denotando
Ex.: uma circunstância, função típica dos advérbios. Quando
Lilian, que é economista, prevê a continuação da desenvolvidas, são sempre introduzidas por conjunções
inflação. subordinativas adverbiais e classificadas segundo as
O Ramadã, que é o período de jejum dos muçulmanos, circunstâncias que exprimem.
inicia na próxima segunda.
Diferenças entre as conjunções integrantes e pronomes Ex.:
relativos: o caso da palavra “QUE” a) Saiu para trabalhar à noite. (o termo destacado é
uma locução adverbial de tempo, já que oferece uma
Vimos que a palavra “que” pode ser uma conjunção circunstância ao verbo “trabalhar”)
b) Saiu para trabalhar quando anoiteceu. (a locução
integrante nas orações subordinadas substantivas e
adverbial foi substituída por uma oração, que exerce a
pronome relativo nas subordinadas adjetivas. Como
mesma função, apresenta uma circunstância temporal).
entender a diferença?
É fácil: o “que” conjunção integrante completa verbos
As orações subordinadas adverbiais dividem-se
transitivos e o “que” pronome relativo sucede um nome (e
em: causais, consecutivas, concessivas, conformativas,
não um verbo) cumprindo a função de iniciar a qualificação
comparativas, finais, proporcionais, condicionais e
do mesmo. temporais. Vejamos cada uma delas:
Exercícios 1) Oração subordinada adverbial causal: expressa
a ideia de causa, iniciada pelas conjunções subordinativas
1)  Quanto à classificação das orações subordinadas porque, como, uma vez que, visto que, posto que etc…
adjetivas abaixo, a correta opção é: Ex.:
Os pais que cuidam dos seus filhos merecem aplausos.  a) Como estava chovendo, o aluno não foi treinar.
Esta equipe,  cujo técnico não incentiva seus b) A escola não realizou o concurso, visto que não
atletas, sempre perde. havia o material necessário.
A casa, onde mora, parece abandonada.
A) restritiva, restritiva, explicativa 2) Oração subordinada adverbial consecutiva: indica
B) explicativa, explicativa, explicativa a ideia de consequência, precedida pelas conjunções
C) explicativa, restritiva, explicativa subordinativas que, de sorte que, de modo que etc…
D) restritiva, explicativa, explicativa. Ex.:
a) Estudou tanto que gabaritou a prova.
2) Identifique a alternativa que se encontra uma oração b) Estava tão nervosa de modo que não conseguiu
subordinada adjetiva restritiva. chegar até o fim da prova.
A) Sei que ainda não disse tudo.
B) Este é o apartamento que comprei. 3) Oração subordinada adverbial concessiva:
C) Ela chegou, lavou as mãos e saiu. expressa uma circunstância contrária a apresentada na
D) Assim que chegou, dormiu. oração principal, iniciada pelas conjunções subordinativas
embora, ainda que, conquanto que etc…

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LÍNGUA PORTUGUESA

Ex.: i) Oração subordinada adverbial temporal: indica


a) Embora estivesse chovendo, foi correr na avenida. uma circunstância de tempo à oração principal, iniciada
b) Conquanto Maria estivesse atrasada, conseguiu pelas conjunções subordinativas quando, enquanto, logo
realizar a prova. que, assim que, depois que etc…
Ex.:
4) Oração subordinada adverbial conformativa: a) Quando chegou, iniciou os procedimentos.
indica conformidade com a informação expressa na oração b) Realizou a entrevista assim que o convidado
principal, precedida pelas conjunções subordinativas apareceu.
conforme, consoante, como, segundo etc…
IMPORTANTE! ORAÇÕES SUBORDINADAS
Ex.: ADVERBIAIS EM SUA FORMA REDUZIDA
a) Conforme informou a previsão do tempo, choveu
bastante no sul do Brasil. Orações reduzidas são aquelas que apresentam verbos
b) Segundo dissera o professor, a prova fora adiada reduzidos de infinitivo, sem flexão, ou no gerúndio Algumas
em tempo. subordinadas adverbiais podem apresentar verbos com
essa característica:
5) Oração subordinada adverbial comparativa: tem a) Subordinadas adverbiais finais: Estou batalhando
como função estabelecer uma comparação com a oração para você ter um futuro melhor.
principal, iniciada pelas conjunções subordinativas como, b) Subordinadas adverbiais condicionais: Se você
que, tanto como, tal como, do que etc… chegar em tempo, poderemos estudar.
c) Subordinadas adverbiais temporais: Acordando
Ex.: amanhã, ligue para sua mãe.
a) Ele estuda tanto como sua irmã. (estuda) d) Subordinadas adverbiais consecutivas: Não
b) João treina tal como Pedro estuda. conseguiu ler o discurso sem gaguejar.
Percebemos na frase a) que quando o verbo de
comparação é o mesmo da oração principal, ele pode estar Exercícios
oculto.
1.  (MACK) “Na ‘Partida Monção’, não há uma
6) Oração subordinada adverbial final: Exprime atitude inventada. Há reconstituição de uma cena como
finalidade referente à ação do verbo da oração principal, ela devia ter sido na realidade.” A oração “como ela
precedida pelas conjunções subordinativas para que, a fim devia ter sido na realidade” é:
de que, que, porque etc… a) adverbial conformativa
b) adverbial proporcional
Ex.: c) adjetiva
a) Os jogadores treinaram muito para que pudessem d) adverbial causal
vencer o campeonato. e) adverbial consecutiva
b) Os alunos se prepararam muito para que
conseguissem aprovar o projeto. 2.  (FUVEST) No período: “Era tal a serenidade da
tarde, que se percebia o sino de uma freguesia distante,
7) Oração subordinada adverbial proporcional: dobrando a finados.”, a segunda oração é:
expressa a ideia de proporção junto ao verbo apresentado na a) subordinada adverbial causal
oração principal, iniciada pelas conjunções subordinativas b) subordinada adverbial consecutiva
à medida que, à proporção que, quanto mais...tanto mais, c) subordinada adverbial concessiva
quanto mais..tanto menos etc… d) subordinada adverbial comparativa
e) subordinada adverbial subjetiva
Ex.:
a) Quanto mais se trabalha, mais se engrandece. 3. (PUC) Assinale a alternativa em que a subordinada
b) À medida que envelheço, mais bela fico. não traduza idéia de consequência, comparação,
concessão e causa:
8) Oração subordinada adverbial condicional: a.  Porquanto, não fosse um ancião convencional,
apresenta uma condição para que se efetive a ação expressa enterrou-se de sobrecasaca e polainas.
pelo verbo da oração principal, precedida pelas conjunções b. Desde que era um ancião convencional, enterrou-se
subordinativas se, caso, desde que, contanto que etc… de sobrecasaca e polainas.
c. Ele era um ancião tão convencional que se enterrou
Ex.: de sobrecasaca e polainas.
a) Caso Maria compareça, faremos a reunião. d. Ele era um ancião mais convencional do que o que
b) Assinaremos o contrato se o presidente concorde se enterrou de sobrecasaca e polainas.
com os termos. e. Ele era um ancião convencional, na medida em que
se enterrou de sobrecasaca e polaina.

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LÍNGUA PORTUGUESA

4.  (FUVEST) Na frase “Entrando na faculdade, c.  Mas não estava neles modificar um namoro  que
procurarei emprego.”, a oração subordinada indica nascera difícil, cercado, travado - subordinada adjetiva
idéia de:  d.  O momento foi tão intenso  que ele teve medo -
a) concessão subordinada adverbial consecutiva
b) lugar e. Solta, que você está me machucando - coordenada
c) oposição sindética explicativa
d) consequência     
e) condição 10.  (FUVEST) No período: “Ainda que fosse bom
jogador, não ganharia a partida”, a oração destacada
5. (EFOA-MG) “Quando vejo certos colegas mostrando encerra idéia de:
com orgulho aquela rodela imbecil no pescoço ...” O período a) causa  
que apresenta uma oração com a mesma classificação da b) condição      
destacada na citação acima é: c ) concessão 
a) “Mal o sol fugia, começavam as toadas das cantigas.” d) proporção
b) “Caso o encontre, dê-lhe o recado.” e) fim
c) “Dado que a polícia venha, prenderemos o assassino.”     
d) “Uma vez que cheguem os reforços, atacaremos a 11.  (PUC) No período: “Apesar  disso a palestra
praça.” de Seu Ribeiro e D. Glória é bastante clara”, a palavra
e) “Contar-lhe-ei o caso, conquanto você guarde grifada veicula uma idéia de: 
segredo.” a) concessão  
b) condição  
6. (UFE-PA) No trecho “Cecília ... viu do lado oposto c) comparação
do rochedo Peri, que a olhava com uma admiração d) modo    
ardente”, a oração grifada expressa uma e) consequência
a) causa
b) lugar 12. (CESGRANRIO) Assinale o período em que
c) oposição ocorre a mesma relação significativa indicada pelos
d) explicação termos destacados em: “A atividade científica é tão
e) condição natural quanto qualquer outra atividade econômica.”
7.  (UF SANTA MARIA-RS) Leia, com atenção, os a) Ele era tão aplicado, que em pouco tempo foi
períodos abaixo: promovido.              
Caso haja justiça social, haverá paz. b) Quanto mais estuda, menos aprende.
Embora a televisão ofereça imagens concretas, ela não c) Tenho tudo quanto quero.                                                            
fornece uma reprodução fiel da realidade. d) Sabia a lição tão bem como eu.
Como todas aquelas pessoas estavam concentradas, e) Todos estavam exaustos, tanto que se recolheram
não se escutou um único ruído. logo.
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente,
as circunstâncias indicadas pelas orações sublinhadas: (Exercícios retirados de http://soslportuguesa.
a) tempo, concessão, comparação blogspot.com.br/2011/06/questoes-sobre-oracoes-
b) tempo, causa, concessão subordinadas_24.html)
c) condição, consequência, comparação
d) condição, concessão, causa Gabarito: 1-a, 2-b, 3-e, 4-e, 5-a, 6-d, 7-d, 8-b, 9-b,
e) concessão, causa, conformidade 10-c, 11-a, 12-d

8.  (UNIMEP) I - Mário estudou muito e foi


reprovado! II - Mário estudou muito e foi aprovado. Em 5.3 EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO.
I e II, a conjunção “e” tem, respectivamente, valor:
a) aditivo e conclusivo                  
d) adversativo e conclusivo
b) adversativo e aditivo                  REGRAS DE PONTUAÇÃO
e) concessivo e causal
c) aditivo e aditivo Na língua falada, quando estamos conversando
      com alguém, é comum utilizarmos pausas para marcar
 9. (UC-MG) A classificação da oração grifada está a entonação do discurso. Respiramos, damos um ritmo
correta em todas as opções, exceto em: coerente na locução pois nenhum falante se comunica em
a. Ela sabia que ele estava fazendo o certo - subordinada compasso acelerado. Entretanto, quando se faz a passagem
substantiva objetiva indireta da oralidade para a escrita há um problema essencial: como
b. Era a primeira vez que ficava assim tão perto de uma marcar ritmos e pausas entre as frases se agora não temos
mulher - subordinada substantiva subjetiva mais como instrumento a voz e o silêncio?

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LÍNGUA PORTUGUESA

Na língua escrita utilizamos os sinais de pontuação c) Entre o complemento nominal e o nome


entre as orações como recurso para estabelecer pausas e completado, ou entre satélites do substantivo (numeral,
inflexões de voz na leitura. pronome, adjetivo e artigo):
Veja os exemplos abaixo: Tenho medo, de altura. (INCORRETO).
a) Presenteei minha sobrinha, não meu filho, Tenho medo de altura (CORRETO)
b) Presenteei, minha sobrinha não, meu filho. Meus três, lindos, carros foram fotografados pela
revista (INCORRETO)
As frases acima, ainda que possuam as mesmas Meus três lindos carros foram fotografados pela revista.
palavras, mudam de sentido somente pelo uso das vírgulas. (CORRETO)
Por isso, é muito importante sabermos utilizar os sinais de
pontuação para que não cometamos erros de ambiguidade d) Antes de etc…
ou duplo sentido. A expressão etc é uma abreviatura de um termo em
latim et cetera, que significa e outras coisas. Já que está
1. USO DA VÍRGULA aglutinado a conjunção e não se utiliza vírgula.
Vi filmes franceses, persas etc…
A vírgula é um sinal que indica pausa entre orações ou
palavras elencadas. Apresenta a seguintes funções: 2) PONTO E VÍRGULA
A função básica deste sinal é separar termos
a) separar termos de mesma função sintática dentro enumerados:
de uma oração: Ex.:
Assim que cheguei, comi, bebi o vinho, dormi um Alguns pontos básicos da pesquisa é:
pouco. - conceito de sujeito grego;
- humanismo renascentista;
b) Separar um aposto: - o drama barroco;
Maria, irmã de João, viajou ao Canadá. - cidadão pós-revolução francesa.

c) Isolar um vocativo: Outra função é separar orações de sentido oposto ou


num período em que as orações coordenadas já tiverem
Maria, entre agora!
exigido vírgula:
d) Para marcar elipse verbal:
Alguns homens são bons; outros, maus. (SENTIDO
João comprou duas camisas, eu, três.
OPOSTO)
Muitos estudantes aprendem, leem, estudam; às vezes
e) Para indicar expressões explicativas:
também cansam.
Algumas pessoas estão ficando misantropas, ou seja,
isolando-se em si mesmas. 3) DOIS PONTOS:
Utilizamos dois pontos:
f) Para separar topônimos frente a datas e
endereços: a) quando apresentamos uma citação ou fala:
Florianópolis, 25 de maio de 2017. Como diria Hamlet: “Ser ou não ser, eis a questão”.
g) Para separar orações coordenadas sem conjunção b) quando se apresenta expressão enumerativa:
ou simplesmente palavras: Desejo os seguintes itens: macarrão, ovos, queijo e
Ontem comprei roupas, sapatos, brincos e uma bolsa. carne.
Eu viajei, dormi, descansei.
c) para completar aposto resumitivo:
h) isolar orações subordinadas adjetivas explicativas: Comer, rezar, amar: todos esses verbos me apetecem.
João, que esteve aqui ontem, é irmão de Pedro.
4) PONTO DE EXCLAMAÇÃO:
IMPORTANTE! NÃO SE USA VÍRGULA NOS Utilizado em interjeições ou frases de grande
SEGUINTES CASOS: expressividade:
Olá!
a) Entre o sujeito e o verbo de uma oração: Como você está linda!
João, comprou um carro. (INCORRETO) Socorro!
João comprou um carro. (CORRETO) Podemos utilizar mais de um ponto de exclamação
para realçar emoção ou surpresa:
b) Entre o verbo e seus complementos: Amo tanto a vida!!!!
João comprou, um carro. (INCORRETO) Além do mais, utiliza-se após sinal de interrogação
João comprou um carro. (CORRETO) para marcar expressividade ou surpresa em uma pergunta:
Por que você é tão difícil?!

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LÍNGUA PORTUGUESA

5) PONTO FINAL Mas também é usado após a fala para introduzir


Pode-se afirmar que o ponto final é uma pausa comentário do narrador.
mais prolongada, que encerra uma relação lógica entre Ex.:
elementos numa frase. Utilizamos nos seguintes casos: - Você não me ama? - perguntou Maria, insegura.
- Sim, mais que tudo. - respondeu João tranquilamente.
a) encerrar definitivamente um enunciado:
Muitas pessoas amam; outras odeiam, entretanto, isso Também é usado com a mesma função da vírgula ou
faz parte da natureza humana. parênteses:
Machado é o maior escritor realista – já nos diziam
b) separar parágrafos: nossos professores.
A crise financeira brasileira parece não ter data para
acabar. No entanto, muitos brasileiros estão fazendo das EXERCÍCIOS
próprias dificuldades ferramenta para mudar de vida.
O segredo dos dias de hoje é a audácia: feliz daquele 1. Assinale a opção em que a supressão das vírgulas
que arrisca mais. alteraria o sentido do anunciado:
a) os países menos desenvolvidos vêm buscando,
6) PONTO DE INTERROGAÇÃO ultimamente, soluções para seus problemas no acervo
O ponto de interrogação possui uma função específica: cultural dos mais avançados;
marcar mudança de entonação de voz frente a uma b) alguns pesquisadores,que se encontram
pergunta. Usamos em perguntas diretas: comprometidos com as culturas dos países avançados,
Ex.: acabam se tornando menos criativos;
Afinal, como você conseguiu chegar até aqui? c) torna-se, portanto, imperativa uma revisão modelo
Além desse comum uso, também se costuma utilizar presente do processo de desenvolvimento tecnológico;
para marcar surpresa ou indignação: d) a atividade científica, nos países desenvolvidos, é tão
Como assim? natural quanto qualquer outra atividade econômica;
O quê? Você não fez a prova? e) por duas razões diferentes podem surgir, da interação
de uma comunidade com outra, mecanismos de dependência.
7) RETICÊNCIAS
São usadas para marcar retirada de um trecho ou 2. Assinale a opção em que está corretamente indicada
mesmo para dar ideia de continuidade: a ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as
Segundo Foucault: “a liberdade é um sintoma moderno, lacunas da frase abaixo:
quiçá um conceito, além de mecanismo ideológico….” “Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas
Vimos muitas coisas no museu: esculturas, pinturas, devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica
instalações… que o trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que
possa ter.
8) ASPAS a) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula
Utiliza-se para indicar fala de alguém, expressões b) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula;
estrangeiras, conceitos e ironia: c) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
Ex.: d) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
E nos perguntou Freud: “O que quer uma mulher?” (fala e) ponto e vírgula, vírgula, vírgula.
de alguém)
A expressão “soledad” é um termo espanhol e indica a 3. Assinale o exemplo em que há emprego incorreto
ideia de solidão. (expressão estrangeira) da vírgula:
Ainda não entendi o conceito de “devir” de Deleuze. a) como está chovendo, transferi o passeio;
(conceito) b) não sabia, por que todos lhe viravam o rosto;
Dizem que ele é um moço “bem-educado”. (ironia) c) ele, caso queira, poderá vir hoje;
d) não sabia, por que não estudou;
9) PARÊNTESES e) o livro, comprei-o por conselho do professor.
Sua função básica é inserir uma explicação de algum
termo enunciado anteriormente: 4. Assinale o trecho sem erro de pontuação:
Ex.:Ainda que todos saibam o conceito de “devir” a) vimos pela presente solicitar de V.Sas., que nos
(transformação, mudança, vir-a-ser), poucos aplicam na informe a situação econômica da firma em questão;
vida prática. b) cientificamo-lo de que na marcha do processo de
restituição de suas contribuições, verificou-se a ausência da
10) TRAVESSÃO declaração de beneficiários;
Comumente vemos o travessão para indicar diálogos c) o Instituto de Previdência do Estado, vem solicitar de
em um texto: V.Sa. o preenchimento da declaração;
Ex.: d) encaminhamos a V.Sa., para o devido preenchimento,
- Você não me ama? o formulário em anexo;
- Sim, amo mais que tudo. e) estamos remetendo em anexo, o formulário.

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LÍNGUA PORTUGUESA

5. Assinale as frases em que as vírgulas estão incorretas: Primas – Substantivo, núcleo, feminino e plural
a) ora ríamos, ora chorávamos; Estas – pronome, concorda com o substantivo
b) amigos sinceros, já não os tinha; Três - satélite
c) a parede da casa, era branquinha branquinha; Lindas – adjetivo, satélite, concorda em gênero e
d) Paulo, diga-me o que sabe a respeito do caso; número com o substantivo
e) João, o advogado, comprou, ontem, uma casa.
2) Quando um determinante (satélite) se refere a
(Exercícios retirados de http://www.portuguesconcurso. mais de um substantivo
com/2009/07/pontuacao-exercicios.html)
a) se estiver depois dos substantivos, o satélite
Gabarito: concorda com o substantivo mais próximo (e aqui será
classificado como adjunto adnominal); ou concordará com
1. B todos os substantivos (na função de predicativo):
2. C
3. D Ex.:
4. D Ganhei uma calça e camisa importada. (concordância
5. C com o mais próximo)
Ganhei uma calça e camisa importados (concordância
com todos os substantivos, utilizando o gênero e número
predominante)
5.4 CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL.
Comprei quadros e tela artística. (concordância com o
mais próximo)
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL Comprei quadro e tela artísticos (concordância com
todos os substantivos)
Quando estudamos as palavras, inicialmente analisamos
b) se surgir antes dos substantivos, concorda com o
sua estrutura e características isoladamente. No entanto,
mais próximo apenas. Caso os nomes sejam substantivos
quando as palavras entram em relação entre si, precisam
próprios, concordará com todos eles.
estabelecer uma relação lógica. Além do mais, é essencial
que haja, entre os vocábulos que estejam se referindo ao
Ex.:
mesmo ente, concordância de gênero e número, pois não
Meu pai e tios vieram mais cedo.
é correto afirmar que cinco carros VELHO foram VENDIDO.
Ganhei nova camisa e sapatos.
A sintaxe nos oferece regras de concordância nominal
Ele chegou em péssimo momento e hora.
e verbal para evitar erros como o citado no exemplo acima.
Os exemplares João e Maria.
CONCORDÂNCIA NOMINAL c) caso o determinante ocupar a função de predicativo
do sujeito, teremos as seguintes construções:
Consiste na concordância entre o substantivo e seus A aluna e o irmãos eram aplicados.
respectivos determinantes e qualificadores (que chamamos Eram aplicados a aluna e o irmão.
de satélites): adjetivo, pronome, artigo e numeral. Era aplicada a aluna e o irmão.
Era aplicado o irmão e a aluna.
1) Regra geral:
O substantivo determina o gênero e número de seus 3) quando um substantivo for determinado por
satélites. mais de um satélite:
Ex.:
a) caso esteja no plural o substantivo determinado,
Minha mãe, minhas duas irmãs, estas três lindas seus satélites permanecem no singular, sem o auxílio de
primas, todas elas vêm à festa. artigo,
Ex.:
Mãe – Substantivo, impõe seu gênero e número a seu Estou estudando as línguas francesa e italiana.
satélite
Minha – pronome, satélite, concorda com o substantivo b) se o substantivo está no singular deve-se usar o
artigo, como auxílio à determinação.
Irmãs – Substantivo feminino flexionado no plural Estou estudando a língua francesa e a italiana.
Minhas – pronome, satélite, concorda em gênero e
número
Duas – numeral, satélite, concorda em gênero

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LÍNGUA PORTUGUESA

4) É preciso, é bom, é necessário, é proibido 10) Muito/ bastante

a) Ficam no masculino e singular caso o substantivo a) Quando determinarem um substantivo (e portanto,


não esteja determinado por artigo. tratarem-se de pronomes) variam em número:
Ex.: Ex.:
É proibido entrada de pedestres. Comprei bastantes camisas.
É necessário água no mundo. Vi muitos filmes.
É bom água com gás.
b) Quando expressarem circunstância ao verbo (função
b) Caso o substantivo vier precedido por determinante típica dos advérbios) permanecem invariáveis.
haverá concordância em gênero e número: Ex.:
É proibida a entrada de pedestres. Comemos muito na festa.
É necessária a água no mundo. Corri bastante.
É boa a água com gás.
11) GRAMA
5) O verbo no particípio sempre concorda com o Caso represente unidade de massa permanece no
substantivo: singular.
Foram comprados os ternos. Ex:
Foram compradas as camisas. Comprou um grama de ouro.

6) Meio 12) Numerais


a) Só não é flexionado quando se tratar de um advérbio, Se antecede o substantivo é ordinal (primeiro, segundo);
já que este é uma classe invariável. quando posposto é cardinal (um, dois)
Ex.:
Ex.: Li somente a primeira página do relatório.
Li somente a página um do relatório.
Comi meia maçã. (numeral)
Cheguei em casa meio dia e meia. (numeral)
13) POSSÍVEL
Meias verdades não me interessam. (adjetivo)
Unido a expressões como “o mais”, “o menos”, “o
Bebi meia garrafa de vinho. (numeral)
melhor”, “o pior” concorda com o artigo.
Estou meio envergonhada. (advérbio)
Ex.:
Vi obras o mais belas possível.
7) Anexo, incluso, apenso, junto Vi obras as mais belas possíveis.
Concordam com o substantivo a que se referem:
Ex.: 14) Obrigado, mesmo, próprio
Seguem anexos os relatórios. Ex:
Vieram anexas as planilhas. Concordam com o substantivo determinado.
Seguem inclusas as despesas. Muito obrigada, disse Maria.
Ela mesma fez a tarefa.
Exceção: caso anexo vier precedido da preposição em Isso são questões próprias do sistema.
ele se mantém no singular.
Exercícios
Ex.:
Segue em anexo os relatórios 1) O adjetivo não está corretamente empregado na
concordância em: 
8) A olhos vistos, pseudo, menos a) Eis teu romance: fantástico enredo e personagens, mas
Sempre se mantêm invariáveis. estilo pobre e imaturo.
Ex.: b) No porto vimos com espanto as esquadras inglesas e
Cresceu a olhos vistos. soviéticas unidas.
Tratam-se de pseudomédicos. c) Precisa-se de moça e rapaz devidamente habilitados.
Ela é menos agradável do que sua irmã. d) Fiel aos deveres paternal e fraternal, ambos silenciavam.
e) A flor e o fruto saboroso não existem.
9) TAL QUAL
Tal concorda com o termo precedente (ou 2) Assinale a frase incorreta considerando que o adjetivo
imediatamente posposto a ele) e qual com o termo em função de predicativo deve concordar no plural: 
subsequente. a) O caipira e sua mulher ficam desconfiados.
Ex.: b) Tenho o réu e seu comparsa como mentiroso.
Tal mãe quais filhas. c) Lúcio e Vera caminhavam amuados, lado a lado.
Ele é belo tal quais os irmãos. d) Tenho por mentirosos o réu e seu cúmplice.
e) Julguei-os capacitados, o aluno e a aluna.

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LÍNGUA PORTUGUESA

3) Quanto à concordância nominal, preencha as 8) (Ita 1997) - Assinale a opção que completa
lacunas das frases: corretamente as lacunas do texto a seguir:
(I) Era talvez meio-dia e .......................quando fora preso. “Todas as amigas estavam _______________ ansiosas
(II) Decepção é ..............................para fortalecer o _______________ ler os jornais, pois foram informadas
sentimento patriótico. de que as críticas foram ______________ indulgentes
(III) Apesar da superpopulação do alojamento, havia ______________ rapaz, o qual, embora tivesse mais aptidão
acomodações.............................para os homens. _______________ ciências exatas, demonstrava uma certa
(IV) Os documentos dos candidatos propensão _______________ arte.”
seguiram............................ às fichas de inscrição. a) meio - para - bastante - para com o - para - para a 
(V) As fisionomias dos homens eram as mais desoladas b) muito - em - bastante - com o - nas - em
................................naquele cortejo. c) bastante - por - meias - ao - a - à
d) meias - para - muito - pelo - em - por
a) meia - bom - bastantes - anexos - possíveis
e) bem - por - meio - para o - pelas – na
b) meio - bom - bastantes - anexo - possíveis
c) meia - boa - bastante - anexo - possível
9) (Mackenzie) -
d) meio - boa - bastante - anexos - possível  I - Não te molestaram, portanto cale a boca.
e) meia - bom - bastantes - anexo – possível II - Foi encontrado há seis anos atrás.
III - Vimos, agora, trazer-lhe nosso apoio.
4) Observando a concordância nominal nas frases: IV - Os homens de bem, nada reclamaram.
(I) É necessário compreensão. V - Permitiu-se a alguns luxos.
(II) A compreensão é necessária.
(III) Compreensão é necessário. Quanto à correção gramatical das frases anteriores,
(IV) Para quem a compreensão é necessário? afirma-se que:
Verificamos que:  a) todas estão corretas, com exceção da III. 
a) apenas a I e a IV estão erradas b) todas estão incorretas, com exceção da III. 
b) apenas a II e a III estão erradas c) todas estão corretas, com exceção da II. 
c) apenas a IV está errada d) todas estão incorretas, com exceção da V. 
d) apenas a II está certa e) todas estão corretas, com exceção da V. 
e) todas estão certas
10) Indique a frase sem concordância nominal:
5) Quanto ............................. interferências ................ a) Já é meio-dia e meia.
b) Bastante alunos estranham este plural.
................ , melhor ......................a) menas, existirem, serão
c) Os alimentos estão meio caros.
b) menas, existirem, será
d) Paguei caro aquelas coisas raras.
c) menas, existir, será
d) menos, existir, serão 11) Ocorre erro de concordância nominal na
e) menos, existirem, será alternativa:
a) No livro de registros faltava a folha duzentos.
6) Qual alternativa preenche as lacunas abaixo b) É necessária segurança para se viver bem.
corretamente? c) A janela estava meio aberta.
Segue _____ uma cópia do soneto composto pela ______ d) Eu e você estamos quites.
-poetisa, no qual a autora tenta imitar o grande Bilac,
usando as ______ imagens. (Exercícios retirados de http://portuguesvestibular.blogspot.
a) anexo, pseudo, mesmas com.br/2012/10/exercicios-de-concordancia-nominal.html)
b) anexa, pseuda, mesmas
c) anexa, pseudo, mesma Gabarito: 1) D   2) B   3) A   4) C  5) E  6) D  7) C   8) A 
d) anexa, pseudo, mesmas 9) B   10) A   11) B  
e) anexo, pseuda, mesmas
CONCORDÂNCIA VERBAL
7) (Uelondrina 1997) - Assinale a letra correspondente
Chamamos de concordância verbal quando o verbo se
à alternativa que preenche corretamente as lacunas da
flexiona para concordar com o sujeito.
frase apresentada.
As delegações .......... que .......... participar dos jogos 1) Regra geral
chegarão amanhã.  O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito.
a) latinas-americanas - vêem    Ex.:
b) latinas-americanas - vem         Eu comprei um carro. (verbo está na 1º pessoa do
c) latino-americanas - vêm  singular para concordar com o sujeito “eu”).
d) latinos-americanas - vêm                 Eles compraram um carro. (o verbo está na 3º pessoa
e) latinos-americanas – vem do plural para concordar com o sujeito “eles”).

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LÍNGUA PORTUGUESA

2) Sujeito coletivo: o verbo fica no singular. 10) A maioria, a maior parte, grande parte: O mais
Ex.: comum é usar o verbo no singular, em concordância lógica.
A população veio em massa ao protesto. Mas também pode ser usado no plural.
Ex.:
Caso esteja especificado por um adjunto adnominal A maioria das adolescentes usa muito o celular.
(que está no plural) também pode ir para o plural. A maioria das adolescentes usam muito o celular.
Ex.:
A multidão de ciclistas vieram à festa. 11) Quando os núcleos do sujeito estão compostos
A multidão de ciclistas veio à festa. por pessoas gramaticais diferentes: o verbo permanece
no plural, obedecendo à seguinte ordem de prioridade: (1º,
3) Partitivos: metade, a maior parte, maioria: o 2º e 3º pessoa).
verbo pode permanecer no singular ou plural Ex.:
Ex.: Tu e João comprastes muitos presentes.
Metade das mães veio à homenagem. Eu e tu nos tornamos amigos.
Metade das mães vieram à homenagem.
A maior parte dos eleitores veio à urna. 12) Sujeito composto constituído por sinônimos: o
A maior parte dos eleitores vieram à urna. verbo fica no singular ou no plural.
Ex.:
4) Pronome de Tratamento: o verbo é flexionado Felicidade e alegria faz bem à saúde.
apenas na 3º pessoa. Felicidade e alegria fazem bem à saúde.
Ex.:
Vossa Senhoria assinou o contrato? 13) Sujeito resumido por “tudo”, “nada”, “ninguém”:
Vossas Senhorias assinaram o contrato? o verbo fica no singular
Ex.:
5) Pronome relativo “que”: já que este pronome tem Luxo, riqueza, sucesso: nada disso me envaidece.
como função substituir um substantivo ou outro pronome,
14) Núcleos do sujeito em relação de gradação: o
o verbo concorda com o termo ao qual ele se refere.
verbo pode concordar com o mais próximo ou ir para o
Ex.:
plural.
Fomos nós que compramos a casa.
Ex.:
Foi ele que fez a planilha.
A areia, a casa, o edifício impressionou a todos.
A areia, a casa, o edifício impressionaram a todos.
6) Pronome relativo “quem”: geralmente fica na 3º
15) Um e outro, nem um nem outro: nessas
pessoa do singular, mas pode concordar com termo ao
expressões o verbo pode tanto ir para o plural quanto
qual ele se refere. permanecer no singular.
Ex.: Ex.:
Fomos nós quem comprou a casa. Um e outro veio ao evento.
Fomos nós quem compramos a casa. Nem um nem outro vieram ao evento.
7) Algum de nós, poucos de vós, quantos de, quais 16) Quando o sujeito composto estiver ligado por
de…: o verbo pode concordar com o pronome interrogativo “ou”:
ou com o pessoal. Ex.:
Ex.: Caso o verbo der a ideia de exclusão fica no singular, e
Poucos de vós me visitarão. no plural no sentido de inclusão.
Poucos de vós me visitareis.
Eu ou você vencerá a competição. (exclusão)
8) Quando o sujeito só surge no plural: caso não vier Eu ou você somos essenciais ao projeto (inclusão)
antecedido por artigo, fica no singular.
Ex.: 17) Verbos impessoais: permanecem no singular, já
Estados Unidos é um país poderoso. que são verbos sem sujeito.
Os Estados Unidos são um país poderoso.
Haver, no sentido de existir:
9) Mais de um, menos de, cerca de…: concorda com Ex.:
o numeral. Houve muitos acidentes na pista ontem.
Ex.:
Mais de um cidadão veio ao evento. Fazer, indicando tempo passado
Menos de trinta pessoas vieram ao evento. Ex.:
Cerca de vinte pessoas saíram mais cedo. Faz muitos anos que não o vejo

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LÍNGUA PORTUGUESA

18) Sujeito expresso e infinitivo pessoal 04.  “ De repente da calma fez-se o vento / Que
a) Permanece no infinitivo se o sujeito estiver dos olhos desfez a última chama / E da paixão fez-se o
representado por pronome oblíquo átono: pressentimento / E do momento imóvel fez-se o drama.”  
Ex.: (Vinícius de Morais)
Apreciei-o cantar. Com a palavra VENTO no plural, reescreveríamos,
obrigatoriamente, os versos iniciais da seguinte forma:
b) quando o infinitivo pessoal integrar uma locução A) De repente da calma fizeram-se os ventos / Que dos
verbal: não é flexionado, no caso de ser o verbo principal olhos desfizeram a última chama
da locução B) De repente da calma fez-se os ventos / Que dos
Ex: Acabei de comprar o livro de geografia. olhos desfizeram a última chama
C) De repente da calma fizeram-se os ventos / Que dos
Exercícios olhos desfez a última chama
D) De repente da calma fez-se os ventos / Que dos
01. Analise as frases abaixo: olhos desfez a última chama
I – Ela tomou atitudes o mais sensatas possível. E) De repente da calma fazem-se os ventos / Que dos
II – Era meio-dia e meio quando um e outro estudante olhos desfaz a última chama
esforçado viram caros livros na livraria.
III – É necessário, sob qualquer aspecto, a atenção de 05. Só não está correta a concordância verbal na
todos os alunos. alternativa:
IV – Comprei livros e frutas maduras. A) Os alunos parecia gostarem do assunto da prova.
V – Havia ali sapatos e camisas importados. B) Em tempos antigos havia mais homens machistas
VI – Os militares vigiam alertas, pois chegam a eles do que hoje.
meias notícias de que o primeiro e segundo batalhões C) Pede-se que todos permaneçam em seus lugares.
pretendem mesmo entrar em greve. D) Nestas salas já se assistiram a grandes eventos.
E) Foram eles quem pediu ao professor uma prova mais
Julgue os itens com base nas frases analisadas e
difícil.
assinale a alternativa correta:
A. A frase I está incorreta e há duas possibilidades de
06. Assinale a alternativa incorreta quanto à
corrigi-la.
concordância verbal:
B. Há apenas duas frases incorretas entre todas.
A) Soavam seis horas no relógio da matriz quando eles
C. A frase IV, por apresentar substantivo masculino,
poderia ter o adjetivo também no masculino. chegaram.
D. Há apenas um erro de concordância na frase II. B) Apesar da greve, diretores, professores, funcionários,
E. Em virtude de o substantivo estar determinado, na ninguém foi demitido.
frase III, deveria ser usado “necessária”. C) José chegou ileso ao seu destino, embora houvesse
muitas ciladas em seu caminho.
02. Levando em consideração as regras de D) O advogado referiu-se aos artigos 37 e 38 que
concordância nominal, assinale a alternativa correta: ampara sua petição.
A. Quando a senhora terminou de abrir as malas, já era E) Nestes tempos, precisa-se de políticos íntegros.
meio-dia e meio, mas tinha ainda menos fome.
B. A própria sogra presenciou a abertura das malas; 07. Observe a concordância verbal nas frases a
sim, ela mesmo! seguir e assinale a alternativa correta:
C. Anexo àquela carta, destinada ao pai da moça que I- Qual de nós contaremos a verdade?
fora atropelada, foram enviadas as joias. II- Boa parte dos funcionários recebeu aumento salarial.
D. Ao final da tarde, a senhora mostrava-se meio III- No relógio da escola bateu dez horas, foi quando os
cansada, tal quais suas pobres filhas. alunos saíram para o recreio.
E. O delegado fizera bastante ameaças, dizendo que as IV- Não devem haver muitas áreas verdes neste bairro.
mentiras custariam caras aos suspeitos.
A) Somente a frase I está correta.
03. Assinale a alternativa correta quanto à B) Somente a frase II está correta.
concordância verbal. C) As frases I e II estão corretas.
A) Queria voltar a estudar, mas faltava-lhe recursos D) As frases II e III estão corretas.
para tanto E) As frases III e IV estão corretas.
B) Foi então que começaram a chegar um pessoal
estranho. 08. De acordo com as regras de concordância verbal
C) Outras razões, certamente, deve haver para ele ter do padrão escrito culto, assinale a alternativa incorreta.
desistido. A) A maioria dos brasileiros já viveu situações violentas
D) Não haviam exceções neste caso, mas houveram em no cotidiano.
outros. B) Sem dúvida, deve haver formas de combater
E) Basta-lhe dois ou três dias para resolver isso. pacificamente a violência.

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LÍNGUA PORTUGUESA

C) No artigo em análise, tratam-se de questões 14. A única frase em que NÃO há erro de
referentes à origem histórica da violência. concordância verbal é:
D) Faz séculos que se verificam situações de opressão A) É da maioria dos estudantes que depende, pelo que
na sociedade brasileira. nos falaram os professores, as alterações do calendário
E) Sempre se ouvirão pessoas bradando contra o escolar.
comodismo. B) Acredito que deve haver, ao que tudo indica,
acomodações para mais de um terço dos convidados. 
09. Apenas uma alternativa preenche corretamente C) Se tiver de ser decidido, no último instante, as
os espaços das sentenças abaixo. Assinale-a: questões ainda não discutidas, não me responsabilizo mais
“Aquelas mulheres olhavam _______ porque queriam pelo projeto. 
aproveitar a liquidação e comprar ________ vestidos D) Houvesse sido mais explícitos com relação às normas
_________”.   gerais, os coordenadores de programa teriam evitado alguns
A. alertas, bastantes, bege. abusos. 
B. alerta, bastante, beges. E) Será que não foi suficiente, neste tempo todo, as
C. alerta, bastantes, bege. provas de fidelidade que lhes demos?                                                         
D. alertas, bastante, beges.
E. alerta, bastantes, beges. 15. Assinale a alternativa ERRADA:
A) Nas festividades havia muitos convidados.
10. A frase em que a concordância nominal está B) Precisa-se de doadores de sangue.
correta é: C) Assistiam-se a bons espetáculos naquele teatro.
A) A vasta plantação e a casa grande pintadas há pouco D) Buscam-se novas saídas para a crise econômica.
tempo eram os sinais da prosperidade familiar. E) Foram eles quem pediu por esta reviravolta.
B) Eles, com ar entristecidos, dirigiram-se ao salão
onde se encontravam as vítimas do acidente. 16. Assinale a alternativa em que a nova redação das
C) Não lhe pareciam útil aquelas plantas esquisitas que frases abaixo está de acordo com a norma culta.
ele cultivava em sua chácara. “Não existe estudo científico” / “Há diversas explicações”.
D) Quando foi encontrado, ele apresentava feridos a
perna e o braço direitos, mas estava totalmente lúcido.
A) Não devem existir estudos científicos / podem haver
E) Esses livro e caderno não são meus, mas poderá ser
diversas explicações.
necessário para a pesquisa que estou fazendo.
B) Não devem haver estudos científicos / pode existir
diversas explicações.
11. Assinale a alternativa errada:
C) Não há estudos científicos / existe diversas explicações.
A) O escritor e o mestre alemães admiravam o belo
D) Não existem estudos científicos / pode haver diversas
quadro.
B) Estudaram o idioma francês e o espanhol. explicações.
C) Os deputados e o ministro alagoanos votaram E) Não pode existir estudos científicos / deve haver
contra o projeto. diversas explicações.
D) Os argumentos e as opiniões expostos não
agradaram à plateia. 17.  A frase em que a concordância verbal NÃO
E) Considero fácil as questões e testes propostos na respeita a norma culta é:
prova. A) Não bastam, para entendermos o século XXI,
referências às conquistas tecnológicas e científicas. 
12.  Assinale a alternativa correta quanto à B) Foram herdados do passado muitos traços dos
concordância verbal. comportamentos atuais, inclusive o que permitiu, neste
A) Queria voltar a estudar, mas faltavam-lhe recursos.  século, a perseguição aos judeus. 
B) Foi então que começaram a chegar um pessoal C) Quanto mais separados os saberes, mais se
estranho.  fortalecerão, com toda certeza, os que estão no poder. 
C) Devem haver outras razões para ele ter desistido.  D) Colocam-se em questão, neste século, aspectos
D) Não haviam exceções neste caso.  importantes acerca da sobrevivência do planeta. 
E) Basta-lhe dois ou três dias para resolver isso.  E) Decorre do bem-estar (de que ninguém mais quer abrir
mão) vários dos problemas que hoje atingem a humanidade.
13. A alternativa que contém forma verbal
INADEQUADA à norma culta é: A) Já faz dois meses que 18. A opção em que há erro de concordância verbal,
não nos vemos.  segundo as normas da língua culta, é:
B) Tratam-se de assuntos triviais, pensem em coisas A) Descobriram-se muitos inventos novos na última
sérias!  década.
C) Choveu três dias sem parar um minuto.  B) É preciso que se realizem esforços para se atingir um
D) Nessa cidade, faz frio e calor no mesmo dia.  plano de desenvolvimento integrado.
E) Pelo que nos consta, deveriam existir duas páginas C) Foi necessário que se estendesse as providências até
ilegíveis.  alcançar os menos favorecidos.

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LÍNGUA PORTUGUESA

D) Nada se poderia realizar sem que se tomassem b) antes de verbos: já que o artigo feminino possui
novas medidas. como função determinar um substantivo, não faria sentido
E) Desenvolveu-se o novo projeto de que todos crase em frente a verbos, classe que não exige determinação
estavam necessitados. de artigos.
Ela começou a cantar quando ele chegou (cantar –
19. Indique a alternativa em que há erro: verbo no infinitivo)
A) Os fatos falam por si sós.
B) A casa estava meio desleixada. c) frente a nomes de cidades:
C) Os livros estão custando cada vez mais caros. Vou a Roma nas férias.
D) Seus apartes eram sempre os mais pertinentes Ele quis ir a Paris, mas não pôde.
possíveis.
E) Era a mim mesma que ele se referia, disse a moça.
Entretanto, caso especifiquemos a cidade com alguma
(Exercícios retirados de http://solinguagem.blogspot.
qualificação utilizaremos o sinal de crase.
com.br/2016/05/lista-de-exercicios-concordancia-verbal.
Vou à Roma de Fellini.
html)
O seu sonho é ir à Paris de Victor Hugo.
GABARITO: 1E - 2D - 3C - 4A - 5D - 6D - 7B - 8C - 9C -
10D - 11E - 12A - 13B - 14B - 15C - 16D - 17E - 18C - 19C. d) Entre substantivos que se repetem:
Nos confrontamos cara a cara.
Frente a frente nos debatemos.
5.5 EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE
CRASE. e) Diante de substantivos no plural:
A homenagem foi concedida a pessoas de honra.
O convite foi enviado a funcionários de longa data.

CRASE f) Antes de pronomes pessoais, demonstrativos,


indefinidos , de tratamento e relativos:
Vejamos as frases: Enviei a Vossa Excelência os convites.
Comprei uma casa. Isso não interessa a ninguém.
Preciso de você.
g) Frente a nomes femininos consagrados:
Percebemos que na primeira frase o verbo “comprar” A crítica fazia referência a Maria Madalena.
não exige preposição, ao contrário de “precisar”. Há, assim,
verbos que regem preposição e outros não. Além do mais, h) Antes da palavra “casa” se não estiver especificada:
alguns verbos exigem preposição “a”, no sentido de “para”: Com pressa ele retornou a casa.
Vou a Brasília. (para Brasília)
Vou à casa de Joana (para a casa de Joana). i) Em frente a palavra terra quando esta significar
“terra firme”:
Por que no segundo exemplo temos uma preposição Após o naufrágio, voltou a terra.
marcada pelo acento grave? Como podemos visualizar,
se o “a” preposição chocar com o artigo feminino “a”, a
No sentido de planeta Terra ocorre crase – O foguete
forma correta seria “vou a a casa de Joana”. Para evitar tal
retornou à Terra.
repetição sem sentido, há o fenômeno chamado crase, que
significa fusão, contração de duas vogais idênticas.
Se crase é a fusão da preposição “a” e o artigo “a” só - Quando usar crase:
pode ocorrer frente a palavras femininas
Sempre surgem dúvidas de quando usar o acento de REGRA GERAL: Haverá crase quando o termo
crase nas orações. Por isso mesmo, vamos aprender seus antecedente exigir a preposição “a” e o consequente
principais usos e também quando não usar. o artigo “a”

- Quando não usar crase: Comprei a blusa – (o termo antecedente “comprei” não
exige a preposição “a”. Aqui só temos o artigo feminino “a”)
a) diante de palavras masculinas: isso é certo. Uma Vou a Pernambuco – (o termo consequente não exige
vez que crase é fusão de uma preposição e um artigo o artigo feminino, só há aqui a preposição “a” regida pelo
feminino, não poderá anteceder palavras masculinas que verbo “ir”)
exigem o artigo “o”. Agora:
Ela veio a pé. (pé – palavra masculina) Fui à cidade.
Passeei pela fazenda a cavalo (cavalo – palavra
masculina)

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LÍNGUA PORTUGUESA

Neste caso o verbo “ir” exigiu a preposição “a” e o 2) Antes das expressões qual e quais:
substantivo “cidade” atraiu o artigo feminino “a”. Aqui Haverá crase caso o correspondente masculino for “ao
temos um exemplo clássico de crase. qual”, “aos quais”:
Esta é a blusa à qual me referi.
Sempre ocorre crase em : Aqueles são os sapatos aos quais me referi.

a) Indicação de horas: 3) Frente a topônimos (nomes de lugares)


Cheguei no evento às cinco horas da tarde. Atente às frases abaixo:
Vou à Bahia.
b) Expressões “à moda de”, “à maneira de”: Vou a São Paulo.
Fiz uma janta à (moda de) Fogaça.
Quis um cenário à (maneira de) Salvador Dali. Por que há crase no primeiro exemplo e não no
segundo?
c) Expressões adverbiais femininas: Ainda que pareça complexo, é muito simples não errar
O avião desceu em terra firme à noite. (tempo) nesses casos: é só substituir o verbo “ir” pelo verbo “voltar”,
Fizeram o trabalho às pressas. (modo). se exigir a preposição “da” é sinal de que ocorrerá crase:

USO FACULTATIVO DE CRASE Vou à Bahia.


Volto da Bahia.
1) Diante de nomes próprios femininos:
Enviei um bilhete a Lúcia. Vou a São Paulo.
Enviei um bilhete à Lúcia. Volto de São Paulo.

2) Antes de pronomes femininos possessivos: Vou à França.


Dedicou o trabalho a sua avó. Volto da França.
(Sua vó gostou da homenagem)
Vou a Salvador.
Dedicou o trabalho à sua avó. Volto de Salvador.
(A sua vó gostou da homenagem)
Exercícios
3) Após a preposição ATÉ:
Viajei até a cidade. 01.  Assinale a alternativa em que o uso da crase é
Fui a pé até à cidade. obrigatório:
a) Um rapazito de paletó entrou na rua e foi perguntar
CASOS ESPECIAIS DE CRASE à Machona pela Nhá Rita. (Aluísio Azevedo)
b) José Cândido não tinha nem a cor nem o título
1) Crase com pronomes demonstrativos “aquele”, convenientes à sua filha. (R. Braga)
“aquela”, “aquilo”: c) Mas o peru se adiantava até à beira da mata. (G.
Rosa)
Vejamos as frases abaixou: d) Todos, às vezes, precisam ficar bêbados, e por isso
Aquele rapaz foi escolhido para o cargo. bebem. (R. Braga)
Fiz referência à carta de João. e) (…) evitei acompanhar Dr. Siqueira em suas visitas
vespertinas à nossa bem amada. (J. Amado)
No primeiro caso aquele rapaz não vem depois de
nenhum verbo ou nome que exija a preposição “a”. No 02.  Qual das alternativas completa corretamente os
segundo exemplo há crase porque quem faz referência “a” espaços vazios?
algo. E agora: I. E entre o sono e o medo, ouviu como se fosse de
verdade o apito de um trem igual ____ que ouvira em
Fiz referência àquele rapaz. Limoeiro. (J. Lins do Rego)
Ainda que seja palavra masculina, o pronome II. Habituara-se ______ boa vida, tendo de um tudo,
demonstrativo aquele inicia-se com a vogal “a” e para regalada. (J. Amado)
evitar repetição de sons como em “Fiz referência a aquele III. Depois do meu telegrama (lembram: o telegrama
rapaz” utiliza-se acento de crase. em que recusei duzentos mil-réis ___ (pirata), a “Gazeta”
entrou a difamar-me. (G. Ramos)
Mais alguns exemplos: IV. Os adultos são gente crescida que vive sempre
Enviamos a carta àqueles alunos. dizendo pra gente fazer isso e não fazer _____.
Falei àquela professora. (Millôr Fernandes)

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LÍNGUA PORTUGUESA

a) àquele, aquela, aquele, aquilo Podemos deduzir que:


b) àquele, àquela, aquele, aquilo a) Apenas a sentença III não tem crase.
c) àquele, àquela, aquele, àquilo b) As sentenças III e IV não têm crase.
d) àquele, àquela, àquele, aquilo c) Todas as sentenças têm crase.
e) aquele, àquela, aquele, aquilo d) Nenhuma sentença tem crase.
e) Apenas a sentença IV não tem crase.
03.  (CESCEM) Sentou-se ___ máquina e pôs-se ___
reescrever uma ___ uma as páginas do relatório. 09.  (ABC – MED.) A alternativa em que o acento
a) a / a / à indicativo de crase não procede é:
b) a / à / à a) Tais informações são iguais às que recebi ontem.
c) à / a / a b) Perdi uma caneta semelhante à sua.
d) à / à / à c) A construção da casa obedece às especificações da
e) à / à / a Prefeitura.
d) O remédio devia ser ingerido gota à gota, e não de
04. (FASP) Assinale a alternativa com erro de crase: uma só vez.
a) Você já esteve em Roma? Eu irei à Roma logo. e) Não assistiu a essa operação, mas à de seu irmão.  
b) Refiro-me à Roma antiga, na qual viveu César.
c) Fui à Lisboa de meus avós, pois gosto da Lisboa de 10.  (FUVEST) Indique a forma que não será utilizada
para completar a frase seguinte:
meus avós.
“Maria pediu ____ psicóloga que ____ ajudasse ____
d) Já não agrada ir a Brasília. A gasolina…
resolver o problema que ___ muito ____ afligia.”
e) nenhuma das alternativas está errada.
a) preposição (a)
b) pronome pessoal feminino (a)
05. (ESAN) Das frases abaixo, apenas uma está correta, c) contração da preposição a e do artigo feminino a (à)
quanto à crase. Assinale-a: d) verbo haver indicando tempo (há)
a) Devemos aliar a teoria à prática. e) artigo feminino (a)
b) Daqui à duas semanas ele estará de volta.
c) Puseram-se à discutir em voz alta. (Exercícios retirados de http://www.coladaweb.com/
d) Dia à dia, a empresa foi crescendo. exercicios-resolvidos/exercicios-resolvidos-de-portugues/crase)
e) Ele parecia entregue à tristes cogitações.
Gabarito
06.  (ABC – MED.) Nas alternativas que seguem, há
três frases, que podem estar corretas ou não. Leia-as 1–D
atentamente e marque a resposta certa: 2–D
I.   O seu egoísmo só era comparável à sua feiura. 3–C
II.  Não pôde entregar-se às suas ilusões. 4–A
III. Quem se vir em apuros, deve recorrer à justiça. 5–A
a) Apenas a frase I está correta. 6–E
b) Apenas a frase II está correta. 7–E
c) Apenas as frases I e II estão corretas. 8–A
d) Apenas as frases II e III estão corretas. 9–D
e) As três frases estão corretas. 10 - E

07.  (FUND. LUSÍADA) Assinale a alternativa que


completa corretamente o período: ____ noite estava clara 5.6 COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS.
e os namorados foram _____ praia ver a chegada dos
pescadores que voltavam ____ terra.
a) Á / à / à
PRONOMES
b) A / à / à
c) A / a / à
Pronomes são as palavras que acompanham o nome
d) À / a / à
(substantivo) ou o substituem. Devido a essa dupla função
e) A / à / a são classificados em:
08. (ITA) Analisando as sentenças: * Pronomes substantivos: são os que substituem o
I.   A vista disso, devemos tomar sérias medidas. nome, exercendo a função de sujeito ou complemento
II.  Não fale tal coisa as outras. verbal
III. Dia a dia a empresa foi crescendo. Ex.: Joana adora fazer compras. Ela está sempre nas
IV. Não ligo aquilo que me disse. principais lojas da cidade.

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LÍNGUA PORTUGUESA

* Pronomes adjetivos: são os que acompanham o nome, exercendo a função-satélite de adjunto adnominal.
Ex.: Minha casa está à venda.

Os pronomes são uma classe variável, em gênero e número e se dividem em:


a) Pronomes Pessoais;
b) Pronomes Indefinidos;
c) Pronomes Demonstrativos;
d) Pronomes Interrogativos;
e) Pronomes Relativos;
f) Pronomes Possessivos;
g) Pronomes de Tratamento.

PRONOMES PESSOAIS

Pronomes pessoais são os que substituem as pessoas do discurso (emissor, receptor, assunto) e se dividem em:

a) Pronomes pessoais do caso reto: substituem o nome e exercem a função de sujeito do verbo (ou seja, determina
a flexão verbal).
Ex.: Nós compramos muitos presentes.

b) Pronomes pessoais do caso oblíquo: substituem o substantivo e complementam o verbo (não determinando,
assim, a flexão verbal).
Ex.: Você encontrou Maria nas últimas semanas? Faz tempo que não a vejo.
Atente à tabela abaixo para entender melhor sobre os pronomes pessoais.

Pessoas verbais Pronomes pessoais do caso reto Pronomes pessoais do caso oblíquo
1º pessoa do singular Eu Me, mim, comigo
2º pessoa do singular Tu Te, ti, contigo
3º pessoa do singular Ele, Ela O, a, lhe, se, si, consigo
1º pessoa do plural Nós Nos, conosco
2º pessoa do plural Vós Vos, convosco
3º pessoa do plural Eles, Elas Os,as, lhes, se, si consigo

Uso dos pronomes pessoais

Os pronomes pessoais do caso reto não podem exercer a função de complemento verbal:
Ex.: Esse presente é para eu? (INCORRETO)

Essa é uma atribuição típica do pronome oblíquo:


Ex.: Esse presente é para mim?

Além do mais, vale lembrar que somente os pronomes oblíquos podem ser precedidos por preposição:
Ex.: Esta festa é para ti.

Entretanto, o pronome reto pode surgir precedido por preposição quando cumprir sua função de sujeito do
verbo. Compare as duas frases:
a) Ele pediu um favor para mim.
b) Ele pediu para eu comprar o presente.

Na frase (a) o pronome é oblíquo pois completa um verbo, já na (b) está antecedendo um verbo, na função de sujeito.

Pronomes oblíquos e a transitividade verbal

Afirmou-se aqui que os pronomes oblíquos cumprem a função de completar o verbo. Entretanto, há verbos que
são transitivos indiretos, ou, seja, que exigem preposição antes do complemento. Assim sendo, vale destacar que alguns
pronomes oblíquos substituirão complementos de verbos transitivos diretos (sem preposição) e outros, transitivos indiretos
(com preposição):

81
LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes que substituem objetos diretos (completam verbo sem preposição): o, a, os, as, lo, la, los, las, no, na,
nos, nas.
Ex.: Comprei o carro. Comprei-o.
Encontraram a menina desaparecida. Encontraram-na.

Pronomes que substituem objetos indiretos (completam verbo com preposição): lhe, te.
Ex.: Enviei ao professor os documentos. Enviei-lhe os documentos.

PRONOMES POSSESSIVOS

São os que indicam a ideia de posse, informando a pessoa verbal do possuidor.

Pessoa verbal Pronome possessivo


Eu meu, minha (singular); meus, minhas (plural)
Tu teu, tua (singular); teus, tuas (plural)

Ele, Ela
seu, sua (singular); seus, suas (plural)
Nós nosso, nossa (singular); nosso, nossas (plural)
Vós vosso, vossa (singular); vossos, vossas (plural)
Eles, Elas seu, sua (singular); seus, suas (plural)
PRONOMES DEMONSTRATIVOS

Como indica a denominação, os pronomes demonstrativos têm por função indicar ou localizar algum termo do discurso.
Podem ser variáreis (esse, essa, este, aquela) ou invariáveis (isso, aquilo). Vejamos o quadro.

Conforme localização da pessoa verbal Pronome demonstrativo correspondente


Este (s) – Este carro é novo.

Próximo do emissor (eu, nós) Esta (s)– Esta caneta está ruim.

Isto – Isto é um cachimbo.


Esse (s) – Esse carro é seu?

Próximo do receptor com quem se fala (tu, você) Essa (s)– Bonita essa sua blusa.

Isso – O que é isso que você tem em mãos?


Aquele (s)– Aquele cartaz chama a atenção de todos.

Longe do emissor e do receptor Aquela (s) – Você conhece aquela moça?

Aquilo – O que é aquilo?


PRONOMES DE TRATAMENTO

São pronomes usados em situações formais, indicando conduta respeitosa.

Pronome de Tratamento Abreviatura Emprego


Você V./VV  Usado em situações informais.
Utilizado com pessoas mais velhas, ou
Senhor (es) e Senhora (s) Sr, Sr.ª (singular) e Srs., Srª.s. (plural)
como forma de respeito
Pessoas com alta autoridade, como
Vossa Excelência V. Ex.ª/V. Ex.ªs por exemplo: Presidente da República,
Senadores, Deputados.
Vossa Magnificência V. Mag.ª/V. Mag.ªs Reitores das Universidades.
Vossa Senhoria V. S.ª/V. S.ªs Em correspondências e textos escritos.
Vossa Majestade VM/VVMM Reis e Rainhas
Vossa Alteza V.A.(singular) e V.V.A. A. (plural) Príncipes, princesas, duques.
Vossa Santidade V.S. Utilizado para o Papa
Vossa Eminência V. Ex.ª/V. Em.ªs Usado para Cardeais.
Vossa Reverendíssima V. Rev.m.ª/V. Rev.m.ªs Sacerdotes e religiosos em geral.

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LÍNGUA PORTUGUESA

PRONOMES INDEFINIDOS

Como o próprio nome indica, os pronomes indefinidos sãos aqueles que substituem ou acompanham um substantivo a
partir de uma ideia de indefinição, imprecisão. São empregados na 3º pessoa do discurso. Podem ser variáveis ou invariáveis.

Pronomes Indefinidos Variáveis Pronomes Indefinidos Invariáveis


algum, alguma, alguns, algumas, nenhum, nenhuma, nenhuns,
nenhumas, muito, muita, muitos, muitas, pouco, pouca,
poucos, poucas, todo, toda, todos, todas, outro, outra, outros,
outras, certo, certa, certos, certas, vário, vária, vários, várias, quem, alguém, ninguém, tudo, nada,
tanto, tanta, tantos, tantas, quanto, quanta, quantos, quantas, outrem, algo, cada.
qualquer, quaisquer, qual, quais, um, uma, uns, umas.

Pronomes Relativos

Os pronomes relativos são os que substituem um substantivo já mencionado anteriormente em um enunciado.

Ex.: João é o homem que foi contratado pela empresa. (o pronome “que” faz referência a João)
Suzana foi a comissária a qual tranquilizou minha mãe. (“a qual” substituiu Suzana).

Pronomes relativos variáveis Pronomes relativos invariáveis


o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas,
quem, que, onde
quanto, quanta, quantos, quantas.

Exemplos com pronomes relativos:


a) Essa é a professora de quem falamos tanto.
b) Ele cumpriu tudo quanto prometera.
c) Essa é a casa onde moro,
d) Aqueles foram os alunos os quais viajaram para Madri.

Pronome relativo CUJO

O pronome cujo é variável de gênero (cujo, cuja) e de número (cujos, cujas) e substitui um termo dando uma ideia de
posse.
Ex.: Ela é mãe da aluna. A mãe foi conversar com a diretora.
Ela é a aluna cuja mãe foi conversar com a diretora.

Importante!
Não é correto inserir artigo após o pronome relativo “cujo”.

Ex.: Aquelas são as alunas cujos os trabalhos foram premiados. INCORRETO


Aquelas são as alunas cujos trabalhos foram premiados. CORRETO.

PRONOMES INTERROGATIVOS

São empregados em frases interrogativas cujas respostas se referem a substantivos.

Ex.: O que você comprou? Comprei meias. (o pronome interrogativo “o que” terá como resposta um substantivo
- “meias”)

Pronomes Interrogativos Variáveis Pronomes Interrogativos Invariáveis


qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas. quem, que.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Exercícios a) A ferrovia integrar-se-á nos demais sistemas viários.


b) A ferrovia deveria-se integrar nos demais sistemas
1. (IBGE) Assinale a opção que apresenta o emprego viários.
correto do pronome, de acordo com a norma culta: c) A ferrovia não tem se integrado nos demais sistemas
a) O diretor mandou eu entrar na sala. viários.
b) Preciso falar consigo o mais rápido possível. d) A ferrovia estaria integrando-se nos demais sistemas
c) Cumprimentei-lhe assim que cheguei. viários.
d) Ele só sabe elogiar a si mesmo. e) A ferrovia não consegue integrar-se nos demais
e) Após a prova, os candidatos conversaram entre eles. sistemas viários.

2. (IBGE) Assinale a opção em que houve erro no emprego 8. (FFCL-SANTO ANDRÉ) Assinale a alternativa correta:
do pronome pessoal em relação ao uso culto da língua: a) A solução agradou-lhe. 
a) Ele entregou um texto para mim corrigir. b) Eles diriam-se injuriados. 
b) Para mim, a leitura está fácil. c) Ninguém conhece-me bem.
c) Isto é para eu fazer agora. d) Darei-te o que quiseres.
d) Não saia sem mim. e) Quem contou-te isso?
e) Entre mim e ele há uma grande diferença.
9. (CESGRANRIO) Indique a estrutura verbal que
3. (U-UBERLÂNDIA) Assinale o tratamento dado ao reitor contraria a norma culta:
de uma Universidade: a) Ter-me-ão elogiado. 
a) Vossa Senhoria  b) Tinha-se lembrado. 
b) Vossa Santidade  c) Teria-me lembrado.
c) Vossa Excelência d) Temo-nos esquecido.
d) Vossa Magnificência e) Tenho-me alegrado.
e) Vossa Paternidade
10. (MACK) A colocação do pronome oblíquo está
4. (BB) Colocação incorreta: incorreta em:
a) Preciso que venhas ver-me.  a) Para não aborrecê-lo, tive de sair.
b) Procure não desapontá-lo.  b) Quando sentiu-se em dificuldade, pediu ajuda.
c) O certo é fazê-los sair. c) Não me submeterei aos seus caprichos.
d) Sempre negaram-me tudo. d) Ele me olhou algum tempo comovido.
e) As espécies se atraem. e) Não a vi quando entrou.

5. (EPCAR) Imagine o pronome entre parênteses no lugar 11. (MACK) Assinale a alternativa que apresenta erro de
devido e aponte onde não deve haver próclise: colocação pronominal:
a) Não entristeças. (te) a) Você não devia calar-se.
b) Deus favoreça. (o) b) Não lhe darei qualquer informação.
c) Espero que faças justiça. (se) c) O filho não o atendeu.
d) Meus amigos, apresentem em posição de sentido. (se) d) Se apresentar-lhe os pêsames, faço-o discretamente.
e) Ninguém faça de rogado. (se) e) Ninguém quer aconselhá-lo.

6. (TTN) Assinale a frase em que a colocação do pronome 12. (EPCAR) O que é pronome interrogativo na frase:
pessoal oblíquo não obedece às normas do português padrão: a) Os que chegaram atrasados farão a prova?
a) Essas vitórias pouco importam; alcançaram-nas os que b) Se não precisas de nós, que vieste fazer aqui?
tinham mais dinheiro. c) Quem pode afiançar que seja ele o criminoso?
b) Entregaram-me a encomenda ontem, resta agora a d) Teria sido o livro que me prometeste?
vocês oferecerem-na ao chefe. e) Conseguirias tudo que desejas?
c) Ele me evitava constantemente!... Ter-lhe-iam falado a
meu respeito? 13. (TFT-MA) “O individualismo não a alcança.” A
d) Estamos nos sentido desolados: temos prevenido-o colocação do pronome átono está em desacordo com a
várias vezes e ele não nos escuta. norma culta da língua, na seguinte alteração da passagem
e) O Presidente cumprimentou o Vice dizendo: - Fostes acima:
incumbido de difícil missão, mas cumpriste-la com denodo a) O individualismo não a consegue alcançar.
e eficiência. b) O individualismo não está alcançando-a.
c) O individualismo não a teria alcançado.
7. (FTU) A frase em que a colocação do pronome átono d) O individualismo não tem alcançado-a.
está em desacordo com as normas vigentes no português e) O individualismo não pode alcançá-la.
padrão do Brasil é:

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LÍNGUA PORTUGUESA

14. (SANTA CASA) Há um erro de colocação pronominal em: 21. (MACK) A única frase em que há erro no emprego do
a) “Sempre a quis como namorada.” pronome oblíquo é:
b) “Os soldados não lhe obedeceram as ordens.” a) Eu o conheço muito bem.
c) “Todos me disseram o mesmo.” b) Devemos preveni-lo do perigo.
d) “Recusei a idéia que apresentaram-me.” c) Faltava-lhe experiência.
e) “Quando a cumprimentaram, ela desmaiou.” d) A mãe amava-a muito.
e) Farei tudo para livrar-lhe desta situação.
15. (BB) Pronome empregado incorretamente:
a) Nada existe entre eu e você. 22. (BRÁS CUBAS) “Alguém, antes que Pedro o fizesse,
b) Deixaram-me fazer o serviço. teve vontade de falar o que foi dito.” Os pronomes assinalados
c) Fez tudo para eu viajar. dispõem-se nesta ordem:
d) Hoje, Maria irá sem mim. a) de tratamento, pessoal, oblíquo, demonstrativo
e) Meus conselhos fizeram-no refletir. b) indefinido, relativo, pessoal, relativo
c) demonstrativo, relativo, pessoal, indefinido
16. (UC-MG) Encontramos pronome indefinido em: d) indefinido, relativo, demonstrativo, relativo
a) “Muitas horas depois, ela ainda permanecia esperando o e) indefinido, demonstrativo, demonstrativo, relativo
resultado.”
b) “Foram amargos aqueles minutos, desde que resolveu 23. (PUC) Na frase: “Chegou Pedro, Maria e o seu filho dela”,
abandoná-las.” o pronome possessivo está reforçado para:
c) “A nós, provavelmente, enganariam, pois nossa a) ênfase 
participação foi ativa.” b) elegância e estilo 
d) “Havia necessidade de que tais idéias ficassem sepultadas.” c) figura de harmonia
e) “Sabíamos o que você deveria dizer-lhe ao chegar da d) clareza
festa.” e) n.d.a

17. (SANTA CASA) Do lugar onde ......., ....... um belo panorama, 24. (FUVEST) Assinale a alternativa onde o pronome pessoal
em que o céu ...... com a terra. está empregado corretamente:
a) se encontravam - divisava-se - se ligava a) Este é um problema para mim resolver.
b) se encontravam - divisava-se - ligava-se b) Entre eu e tu não há mais nada.
c) se encontravam - se divisava - ligava-se c) A questão deve ser resolvida por eu e você.
d) encontravam-se - divisava-se - se ligava d) Para mim, viajar de avião é um suplício.
e) encontravam-se - se divisava - se ligava e) Quanto voltei a si, não sabia onde me encontrava.

18. (UF-RJ) Numa das frases, está usado indevidamente um 25. (FMU) Suponha que você deseje dirigir-se a
pronome de tratamento. Assinale-a: personalidades eminentes, cujos títulos são: papa, juiz, cardeal,
a) Os Reitores das Universidades recebem o título de Vossa reitor e coronel. Assinale a alternativa que contém a abreviatura
Magnificência. certa da “expressão de tratamento” correspondente ao título
b) Sua Excelência, o Senhor Ministro, não compareceu à enumerado:
reunião. a) Papa ............... V. Sa 
c) Senhor Deputado, peço a Vossa Excelência que conclua b) Juiz ................. V. Ema 
a sua oração. c) Cardeal ........... V.M.
d) Sua Eminência, o Papa Paulo VI, assistiu à solenidade. d) Reitor ............... V. Maga
e) Procurei o chefe da repartição, mas Sua Senhoria se e) Coronel ............ V. A.
recusou a ouvir as minhas explicações.
26. (FGV) Assinale o item em que há erro quanto ao
19. (UF-MA) Identifique a oração em que a palavra certo é emprego dos pronomes se, si ou consigo:
pronome indefinido: a) Feriu-se quando brincava com o revólver e o virou para si.
a) Certo perdeste o juízo. b) Ele só cuidava de si.
b) Certo rapaz te procurou. c) Quando V. Sa vier, traga consigo a informação pedida.
c) Escolheste o rapaz certo. d) Ele se arroga o direito de vetar tais artigos.
d) Marque o conceito certo. e) Espere um momento, pois tenho de falar consigo.
e) Não deixe o certo pelo errado.
27. (PUC) Assinale a alternativa que preencha corretamente
20. (CARLOS CHAGAS) “Se é para ....... dizer o que penso, as lacunas da frase ao lado: “............................ da terra natal,
creio que a escolha se dará entre ....... .” ....................... para as antigas sensações adormecidas.”
a) mim, eu e tu  a) Nos lembrando - despertamos-nos
b) mim, mim e ti  b) Nos lembrando - despertamo-nos
c) eu, mim e ti c) Lembrando-nos - despertamos-nos
d) eu, mim e tu d) Nos lembrando - nos despertamos
e) eu, eu e ti e) Lembrando-nos - despertamo-nos

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LÍNGUA PORTUGUESA

28. (FATEC) Indique em que alternativa os pronomes estão 35. (CARLOS CHAGAS) Quando .......... as provas, ..........
bem empregados: imediatamente.
a) Deixou ele sair. a) lhes entregarem, corrijam-as
b) Mandou-lhe ficar de guarda. b) lhes entregarem, corrijam
c) Permitiu-lhe, a ele, fazer a ronda. c) lhes entregarem, corrijam-nas
d) Procuram-o por toda a parte. d) entregarem-lhes, corrijam-as
e) n.d.a e) entregarem-lhes, as corrijam

29. (FATEC) Assinale o mau emprego do pronome: 36. (CARLOS CHAGAS) Quem .......... estragado que .......... de ........ .
a) Aquela não era casa para mim, comprá-la com que dinheiro? a) o trouxe - encarregue-se - consertá-lo
b) Entre eu e ela nada ficou acertado. b) o trouxe - se encarregue - consertá-lo
c) Estava falando com nós dois. c) trouxe-o - se encarregue - o consertar
d) Aquela viagem, quem não a faria? d) trouxe-o - se encarregue - consertá-lo
e) Viram-no mas não o chamaram. e) trouxe-o - encarregue-se - o consertar

30. (SANTA CASA) Os técnicos .......... bem para os jogos, mas, 37. (BRÁS CUBAS) Apontar a sentença que deverá ser
.......... contra nova derrota, pediam que treinasse ainda mais. corrigida:
a) o haviam preparado - se tentando precaver a) Poderá resolver-se o caso imediatamente.
b) haviam preparado-o - se tentando precaver b) Sabes o que se deverá dizer ao professor?
c) haviam preparado-o - tentando precaver-se c) Poder-se-á resolver o caso imediatamente.
d) haviam-no preparado - se tentando precaver d) Sabe o que deverá dizer-se ao professor?
e) haviam-no preparado - tentando precaver-se e) Poderá-se resolver o caso imediatamente.
31. (SANTA CASA) Nas frases abaixo: 38. (FMU) Assinale a única alternativa em que haja erro no
1. Os miúdos corriam barulhentos, me pedindo dinheiro. emprego dos pronomes:
2. Dizia ele cousas engraçadas, coçando-se todo. a) Vossa Excelência e seus convidados.
3. Ficarei no lugar onde encontro-me. Tem sombra. b) Mandou-me embora mais cedo.
4. Quando me vi sozinho, tremi de medo.
c) Vou estar consigo amanhã.
A ênclise e a próclise foram corretamente empregadas:
d) Vós e vossa família estais convidados para a festa.
a) nas orações I e II 
e) Deixei-o encarregado da turma.
b) nas orações III e IV 
c) nas orações I e III
39. (UF-SC) Observe os períodos abaixo:
d) nas orações II e IV
1. Nunca soubemos quem roubava-nos nas medidas.
e) em todas as orações
2. Pouco se sabe a respeito de novas fontes energéticas.
32. (SANTA CASA) Devemos .......... da tempestade. 3. Nada chegava a impressioná-lo na juventude.
a) resguardar-mo-nos  4. Dar-lhe-emos novas oportunidades.
b) resguardar-nos  5. Eles apressaram-se a convidar-nos para a festa.
c) resguardarmos-nos a) Estão corretas I, II, III 
d) resguardarmo-nos b) Estão corretas II, III, V 
e) resguardar-mos c) Estão corretas III, IV, V
d) Estão corretas II, III, IV
33. (FAAP) Assinale a alternativa em que a colocação e) Estão corretas I, III, IV
pronominal não corresponde ao que preceitua a gramática:
a) Há muitas estrelas que nos atraem a atenção. 40. (SÃO JUDAS) Assinale a alternativa errada quanto à
b) Jamais dar-te-ia tanta explicação, se não fosses pessoa de colocação pronominal:
tanto merecimento. a) Apesar de se contrariarem não me fariam mudar de idéia.
c) A este compete, em se tratando do corpo da Pátria, b) Que Deus te acompanhe por toda a parte.
revigorá-lo com o sangue do trabalho. c) Isso não me admira: eu também contrariei-me com o
d) Não o realizaria, entretanto, se a árvore não se mantivesse caso.
verde sob a neve. d) Conforme foi decidido espero que todos se compenetrem
e) n.d.a de seu dever.
e) n.d.a
34. (CARLOS CHAGAS) Os projetos que .......... estão em
ordem; ........... ainda hoje, conforme .......... . 41. (FECAP) Assinale a frase gramaticalmente correta:
a) enviaram-me, devolvê-los-ei, lhes prometi a) Quando recebe-o em minha casa, fico feliz.
b) enviaram-me, os devolverei, lhes prometi b) Tudo fez-se como você mandou.
c) enviaram-me, os devolverei, prometi-lhes c) Por este processo, teriam-se obtido melhores resultados.
d) me enviaram, os devolverei, prometi-lhes d) Em se tratando disto, podemos contar com ele.
e) me enviaram, devolvê-los-ei, lhes prometi e) Me levantei assim que você saiu.

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LÍNGUA PORTUGUESA

42. (UNB) Assinale a melhor resposta - O resultado das COLOCAÇÃO PRONOMINAL


combinações: “põe + o”, “reténs + as”, “deduz + a”, é:
a) pões-lo, reténs-la, dedu-la  Quando iniciamos o estudo dos pronomes, atentamos
b) põe-no, retém-nas, dedu-la  que há os pronomes pessoais do caso reto e os pessoais
c) pões-lo, retém-las, deduz-la do caso oblíquo. O que diferencia um do outro é a posição
d) põe-no, retém-las, dedu-la frente ao verbo: enquanto os retos (eu, tu, ele, nós, vós,
e) põe-lo, retém-las, dedu-la eles) ocupam a posição de sujeito, os oblíquos exercem
a função de complemento e podem estar dispostos antes
43. (UM-SP) Ninguém atinge a perfeição alicerçado (PRÓCLISE), no meio (MESÓCLISE) e depois do verbo
na busca de valores materiais, nem mesmo os que (ÊNCLISE).
consideram tal atitude um privilégio dado pela existência. A colocação pronominal se refere ao estudo da
Os pronomes destacados no período acima classificam-se, disposição dos pronomes em relação ao verbo.
respectivamente, como: Primeiramente vejamos os pronomes envolvidos
a) indefinido - demonstrativo - relativo - demonstrativo nessas regras de colocação:
b) indefinido - pessoal oblíquo - relativo - indefinido
c) de tratamento - demonstrativo - indefinido -
demonstrativo Pronome
Pronome
d) de tratamento - pessoal oblíquo - indefinido - oblíquo
Pronome pessoa pessoal do
demonstrativo átono
caso reto
e) demonstrativo - demonstrativo - relativo - correspondente
demonstrativo 1° pessoa do singular eu me
2° pessoa do singular tu te
44. (UEPG-PR) “Toda pessoa deve responder pelos 3° pessoa do singular ele o, a, lhe
compromissos assumidos.” A palavra destacada é:
1° pessoa do plural nós nos
a) pronome adjetivo indefinido
b) pronome substantivo indefinido 2° pessoa do plural vós vos
c) pronome adjetivo demonstrativo 3° pessoa do plural eles as, as, lhes
d) pronome substantivo demonstrativo
e) nenhuma das alternativas acima é correta 1) PRÓCLISE: quando o pronome oblíquo antecede o
verbo em posição sintática.
(Exercícios retirados de http://www.mundovestibular.com. Eu a vi ontem.
br/articles/9073/1/Exercicios-de-Pronomes/Paacutegina1.html) Ninguém me concedeu vantagens.
Usa-se o pronome em posição proclítica nas seguintes
Gabarito situações:

1 - D     23 - D    a) Com advérbios e expressões negativas:


2 - A     24 - D    Nada o assustou.
3 - D     25 - D    Ninguém o viu ontem.
4 - D     26 - E    Nunca o abandonarei.
5 - D     27 - E    Aqui se encontra paz.
6 - D     28 - C    Talvez a ame para sempre.
7 - B     29 - B   
8 - A     30 - E    b) Com conjunções subordinativas: (que, se,
9 - C     31 - D    quando, embora, logo, que)
10 - B   32 - B    É importante que a trate bem.
11 - D   33 - B    Não sei se o amo.
12 - B   34 - E    Não retornei a ligação, embora a amasse demais.
13 - D   35 - C   
14 - D   36 - B    c) Com pronomes relativos, indefinidos e
demonstrativos:
15 - A   37 - E   
Isso lhe trouxe muita sorte.
16 - A   38 - C   
A professora que me encontrou se chamava Maria.
17 - A   39 - D   
Tudo o encantava.
18 - D   40 - C   
19 - B   41 - D    d) Em frases exclamativas:
20 - C   42 - D    Deus o guarde!
21 - E   43 - A    Macacos me mordam!
22 - E   44 - A   

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LÍNGUA PORTUGUESA

e) Com palavras proparoxítonas: 2. (MACKENZIE) Assinale a alternativa que apresenta


Nós o compreendíamos. erro de colocação pronominal:
a) Você não devia calar-se.
f) com verbos no gerúndio antecedidos pela b) Não lhe darei qualquer informação.
preposição EM: c) O filho não o entendeu.
Em se tratando de educação, ele é uma referência. d) Se apresentar-lhe os pêsames, faça-o discretamente.
e) Ninguém quer aconselhá-lo.
g) com palavras interrogativas:
Quando o encontrarei novamente? 3. (MED. SANTO ANDRÉ) Assinale a alternativa
Quem a magoou desse jeito? em que todos os pronomes pessoais estão colocados
corretamente, segundo o uso clássico da língua
2) MESÓCLISE: quando o pronome oblíquo é colocado portuguesa:
entre o radical do verbo e as desinências. Só é usado em a) Eu o vi, não lhe falei, darei-te o livro.
duas situações: b) Eu o vi, falei-lhe, nada lhe direi.
a) Na forma verbal futuro do presente: c) Nada dir-lhe-ei, não o estimo, Deus ajude-nos.
Falar-te-ei verdades. d) Deus nos ajude! Não quero te ofender, mas vai-te
Comprar-lhe-á um carro. embora.
Procurar-me-ão sem descanso. e) Me dá o livro, que eu te devolvo assim que o ler.

b) Na forma verbal futuro do pretérito: 4.Em que alternativa NÃO há erro na colocação do
Falar-te-ia verdades. pronome?
Comprar-lhe-ia um carro. a) Preciso vê-lo, me disse o rapaz.
Procurar-me-iam sem descanso. b) Este é um trabalho que absorve-se muito.
c) Far-se-á tudo para que se salvem.
3) ÊNCLISE: Quando o pronome se encontra depois do d) Não arrepender-se-ia de haver dito a verdade.
verbo. É na ênclise a localização natural do complemento, e) Em pondo-se o sol os pássaros debandam.
seguindo a sequência sujeito verbo complemento. 5. O pronome pessoal oblíquo átono está bem
Empregamos a ênclise nas seguintes situações: colocado em um só dos períodos. Qual? 
a) Isto me não diz respeito! Respondeu-me ele,
a) Períodos iniciados por verbos: (Não é correto afetadamente .
iniciar frase com pronome oblíquo) b) Segundo deliberou-se na sessão, espero que todos
Convidaram-me para a festa. apresentem-se na hora conveniente
Avistou-o de longe. c) Os conselhos que dão-nos os pais, levamo-los em
Encontraram-na triste. conta mais tarde.
d) Amanhã contar-lhe-ei por que peripécias consegui
b) Imperativo afirmativo: não envolver-me. 
Distribua-os agora.
Cale-se já. (Exercícios retirados de http://helenaconectada.
blogspot.com.br/2011/09/colocacao-pronominal-
c) Orações reduzidas de infinitivo: exercicios.html)
Quero amar-te para sempre.
Desejo beijá-lo assim que chegar. Gabarito
1c
d) Verbos no gerúndio NÃO antecedidos pela 2d
preposição “em” ou por expressões negativas: 3b
Ele vive enganando-se. 4c
5a
EXERCÍCIOS

1. (OMEC) Assinale a frase em que há pronome


enclítico:
a) Far-me-ás um favor?
b) Nada te direi a respeito.
c) Convido-te para a festa.
d) Não me fales mais nisso.
e) Dir-se-ia uma incoerência.

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LÍNGUA PORTUGUESA

No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-


6 REESCRITURA DE FRASES E PARÁGRAFOS sando desemprego.
DO TEXTO. Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, ape-
6.1 SUBSTITUIÇÃO DE PALAVRAS OU DE nas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase a alguns
TRECHOS DE TEXTO. termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repare que, para
obter a clareza tivemos que fazer o uso de vírgulas.
6.2 RETEXTUALIZAÇÃO DE DIFERENTES
Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado e
GÊNEROS E NÍVEIS DE FORMALIDADE. o que mais nos auxilia na organização de um período, pois
facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a vírgula
ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando produzimos
1. Reescrita de Textos/Equivalência de Estruturas frases complexas. Com isto, “entregamos” frases bem orga-
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase nizadas aos nossos leitores.
leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um O básico para a organização sintática das frases é a or-
texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmen- dem direta dos termos da oração. Os gramáticos estruturam
te devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar tal ordem da seguinte maneira:
e, posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo,
do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+ CIR-
acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e CUNSTÂNCIAS
a experiência de vida antecedem o ato de escrever. Obtido A globalização + está causando+ desemprego + no Bra-
um razoável conhecimento sobre o que iremos escrever, sil nos dias de hoje.
feito o esquema de exposição da matéria, é necessário sa- Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem todas
ber ordenar as ideias em frases bem estruturadas. Logo, contêm todos estes elementos, portanto cabem algumas
não basta conhecer bem um determinado assunto, temos observações:
que o transmitir de maneira clara aos leitores. A) As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.)
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso alia- normalmente são representadas por adjuntos adverbiais de
do para organizarmos as ideias de maneira clara em frases. tempo, lugar, etc. Note que, no mais das vezes, quando que-
Para tanto, é necessário ter alguma noção de sintaxe. “Sin- remos recordar algo ou narrar uma história, existe a tendên-
taxe”, conforme o dicionário Aurélio, é a “parte da gramá- cia a colocar os adjuntos nos começos das frases:
tica que estuda a disposição das palavras na frase e a das “No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas mi-
frases no discurso, bem como a relação lógica das frases nhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos e outros
entre si”; ou em outras palavras, sintaxe quer dizer “mistu- elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil existe…”
ra”, isto é, saber misturar as palavras de maneira a produ-
zirem um sentido evidente para os receptores das nossas Observações:
mensagens. Observe: Tais construções não estão erradas, mas rompem com a
1. A desemprego globalização no Brasil e no na está La- ordem direta;
tina América causando. É preciso notar que em Língua Portuguesa, há muitas
2. A globalização está causando desemprego no Brasil e frases que não têm sujeito, somente predicado. Por exem-
na América Latina. plo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Friburgo. São
quatro horas agora;
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma Outras frases são construídas com verbos intransitivos,
frase, as palavras estão amontoadas sem a realização de que não têm complemento:
“uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem relação O menino morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ adjun-
inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe ocorreu de to adverbial)
maneira perfeita e o sentido está claro para receptores de A globalização nasceu no século XX. (idem)
língua portuguesa inteirados da situação econômica e cul-
tural do mundo atual. Há, ainda, frases nominais que não possuem verbos:
cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a ordem
A Ordem dos Termos na Frase direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os termos exis-
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que tentes nelas.
ela é organizada de maneira clara para produzir sentido. Levando em consideração a ordem direta, podemos es-
Todavia, há diferentes maneiras de se organizar gramatical- tabelecer três regras básicas para o uso da vírgula:
mente tal frase, tudo depende da necessidade ou da von- Se os termos estão colocados na ordem direta não have-
tade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo, porém, rá a necessidade de vírgulas. A frase 2 é um exemplo disto:
acrescentado ênfase a algum dos seus termos. Significa di- A globalização está causando desemprego no Brasil e na
zer que, ao escrever, podemos fazer uma série de inversões América Latina.
e intercalações em nossas frases, conforme a nossa von- Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração
tade e estilo. Tudo depende da maneira como queremos por três vezes ou mais, então é necessário usar a vírgula,
transmitir uma ideia, do nosso estilo. Por exemplo, pode- mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta é a regra
mos expressar a mensagem da frase 2 da seguinte maneira: básica n.º1 para a colocação da vírgula. Veja:

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LÍNGUA PORTUGUESA

A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” Nota-se que a quebra da ordem direta frequentemente
causam desemprego… se dá com a colocação das circunstâncias antes do sujeito.
(três núcleos do sujeito) Trata-se da ordem inversa. Estas circunstâncias, em gramá-
A globalização causa desemprego no Brasil, na América tica, são representadas pelos adjuntos adverbiais. Muitas
Latina e na África. vezes, elas são colocadas em orações chamadas adverbiais
(três adjuntos adverbiais) que têm uma função semelhante a dos adjuntos adverbiais,
isto é, denotam tempo, lugar, etc. Exemplos:
A globalização está causando desemprego, insatisfação e Quando o século XX estava terminando, a globalização
sucateamento industrial no Brasil e na América Latina. (três começou a causar desemprego.
complementos verbais) Enquanto os países portadores de alta tecnologia de-
senvolvem-se, a globalização causa desemprego nos países
B) Em princípio, não devemos, na ordem direta, separar pobres.
com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo e o seu com- Durante o século XX, a Globalização causou desempre-
plemento, nem o complemento e as circunstâncias, ou seja, go no Brasil.
não devemos separar com vírgula os termos da oração. Veja
exemplos de tal incorreção: Observação:
O Brasil, será feliz. Quanto à equivalência e transformação de estruturas,
A globalização causa, o desemprego. um exemplo muito comum cobrado em provas é o enun-
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre ciado trazer uma frase no singular e pedir a passagem para
os termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas, o plural, mantendo o sentido. Outro exemplo é a mudança
assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é de tempos verbais.
a regra básica n.º 2 para a colocação da vírgula. Dito em
outras palavras: quando intercalamos expressões e frases SITE
entre os termos da oração, devemos isolar os mesmos com http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estu-
vírgulas. Vejamos: dos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/
A globalização, fenômeno econômico deste fim de século
XX, causa desemprego no Brasil.
1. SIGNIFICADO DAS PALAVRAS
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o
Semântica é o estudo da significação das palavras e
sujeito e o verbo.
das suas mudanças de significação através do tempo ou
Outros exemplos:
em determinada época. A maior importância está em dis-
A globalização, que é um fenômeno econômico e cultu-
tinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia) e
ral, está causando desemprego no Brasil e na América Latina.
homônimos e parônimos (homonímia / paronímia).
Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada.
As orações adjetivas explicativas desempenham fre- 1.1 Sinônimos
quentemente um papel semelhante ao do aposto explicati- São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto
vo, por isto são também isoladas por vírgula. - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir.
A globalização causa, caro leitor, desemprego no Brasil… Duas palavras são totalmente sinônimas quando são
Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o seu substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (cara
complemento. e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas quando,
ocasionalmente, podem ser substituídas, uma pela outra,
A globalização causa desemprego, e isto é lamentável, em deteminado enunciado (aguadar e esperar).
no Brasil…
Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não per- Observação:
tence ao assunto: globalização, da frase principal, tal oração A contribuição greco-latina é responsável pela exis-
é apenas um comentário à parte entre o complemento ver- tência de numerosos pares de sinônimos: adversário e
bal e os adjuntos). antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo;
contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo;
Observação: transformação e metamorfose; oposição e antítese.
A simples negação em uma frase não exige vírgula: A
globalização não causou desemprego no Brasil e na América 1.2 Antônimos
Latina. São palavras que se opõem através de seu significado:
ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - censurar;
C) Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-a, mal - bem.
tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a regra n.º 3 da
colocação da vírgula. Observação:
A antonímia pode se originar de um prefixo de sen-
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau- tido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; simpático e
sando desemprego… antipático; progredir e regredir; concórdia e discórdia; ativo
No fim do século XX, a globalização causou desemprego e inativo; esperar e desesperar; comunista e anticomunista;
no Brasil… simétrico e assimétrico.

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LÍNGUA PORTUGUESA

1.3 Homônimos e Parônimos Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-


 Homônimos = palavras que possuem a mesma ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
grafia ou a mesma pronúncia, mas significados diferentes. XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua Por-
Podem ser: tuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000.

A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e diferen- SITE


tes na pronúncia: http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-an-
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher (subst.); tonimos,-homonimos-e-paronimos
jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) e denuncia (ver-
bo); providência (subst.) e providencia (verbo). 1. DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO
Exemplos de variação no significado das palavras:
B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e dife- Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido li-
rentes na escrita: teral)
acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmonizar) Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido
e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela (arreio); figurado)
censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço (palácio) e pas- Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
so (andar). As variações nos significados das palavras ocasionam
o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou (conotação) das palavras.
perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pronúncia:
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e cedo A) Denotação
(adv.); livre (adj.) e livre (verbo). Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
apresenta seu significado original, independentemente
 Parônimos = palavras com sentidos diferentes, do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significado
porém de formas relativamente próximas. São palavras mais objetivo e comum, aquele imediatamente reconheci-
parecidas na escrita e na pronúncia: cesta (receptáculo de do e muitas vezes associado ao primeiro significado que
vime; cesta de basquete/esporte) e sesta (descanso após o aparece nos dicionários, sendo o significado mais literal da
almoço), eminente (ilustre) e iminente (que está para ocor- palavra.
rer), osso (substantivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ A denotação tem como finalidade informar o receptor
ou verbo “ser” no imperativo) e cede (verbo), comprimento da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo um ca-
(medida) e cumprimento (saudação), autuar (processar) e ráter prático. É utilizada em textos informativos, como jor-
atuar (agir), infligir (aplicar pena) e infringir (violar), deferir nais, regulamentos, manuais de instrução, bulas de medi-
(atender a) e diferir (divergir), suar (transpirar) e soar (emitir
camentos, textos científicos, entre outros. A palavra “pau”,
som), aprender (conhecer) e apreender (assimilar; apropriar-
por exemplo, em seu sentido denotativo é apenas um pe-
-se de), tráfico (comércio ilegal) e tráfego (relativo a movi-
daço de madeira. Outros exemplos:
mento, trânsito), mandato (procuração) e mandado (ordem),
O elefante é um mamífero.
emergir (subir à superfície) e imergir (mergulhar, afundar).
As estrelas deixam o céu mais bonito!
1.4 Hiperonímia e Hiponímia
Hipônimos e hiperônimos são palavras que pertencem B) Conotação
a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo o hipô- Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
nimo uma palavra de sentido mais específico; o hiperônimo, apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes in-
mais abrangente. terpretações, dependendo do contexto em que esteja inse-
O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipônimo, rida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que vão
criando, assim, uma relação de dependência semântica. Por além do sentido original da palavra, ampliando sua signifi-
exemplo: Veículos está numa relação de hiperonímia com cação mediante a circunstância em que a mesma é utiliza-
carros, já que veículos é uma palavra de significado genéri- da, assumindo um sentido figurado e simbólico. Como no
co, incluindo motos, ônibus, caminhões. Veículos é um hipe- exemplo da palavra “pau”: em seu sentido conotativo ela
rônimo de carros. pode significar castigo (dar-lhe um pau), reprovação (tomei
Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em pau no concurso).
quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili- A conotação tem como finalidade provocar sentimen-
zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita a tos no receptor da mensagem, através da expressividade e
repetição desnecessária de termos. afetividade que transmite. É utilizada principalmente numa
linguagem poética e na literatura, mas também ocorre em
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS conversas cotidianas, em letras de música, em anúncios pu-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sac- blicitários, entre outros. Exemplos:
coni. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Você é o meu sol!
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Cereja, Minha vida é um mar de tristezas.
Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo: Você tem um coração de pedra!
Saraiva, 2010.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Polissemia e ambiguidade
#FicaDica Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na
interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode
Procure associar Denotação com Dicionário: ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma interpreta-
trata-se de definição literal, quando o termo ção. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à colocação
é utilizado com o sentido que consta no específica de uma palavra (por exemplo, um advérbio) em
dicionário. uma frase. Vejamos a seguinte frase:
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada frequen-
temente são felizes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Neste caso podem existir duas interpretações dife-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. rentes:
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce- As pessoas têm alimentação equilibrada porque são feli-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São zes ou são felizes porque têm uma alimentação equilibrada.
Paulo: Saraiva, 2010. De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela
pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma interpre-
SITE
tação. Para fazer a interpretação correta é muito importan-
http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denotacao/
te saber qual o contexto em que a frase é proferida.
1. POLISSEMIA Muitas vezes, a disposição das palavras na construção
Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, co-
multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de micidade. Repare na figura abaixo:
um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra,
mas que abarca um grande número de significados dentro
de seu próprio campo semântico.
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo percebe-
mos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo. Possi-
bilidades de várias interpretações levando-se em consideração
as situações de aplicabilidade. Há uma infinidade de exemplos
em que podemos verificar a ocorrência da polissemia:
O rapaz é um tremendo gato.
O gato do vizinho é peralta.
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
sobrevivência
O passarinho foi atingido no bico. (http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-
-cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014).
Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras,
computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em mas duas seriam:
comum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido Corte e coloração capilar
de “entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, ou
que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão” ou Faço corte e pintura capilar
“jogo” – o sentido comum entre todas as expressões é o
formato quadriculado que têm.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
Polissemia e homonímia
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante co-
mum. Quando a mesma palavra apresenta vários significados, Paulo: Saraiva, 2010.
estamos na presença da polissemia. Por outro lado, quando SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
duas ou mais palavras com origens e significados distintos têm Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
a mesma grafia e fonologia, temos uma homonímia.
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode SITE
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é http://www.brasilescola.com/gramatica/polissemia.htm
polissemia porque os diferentes significados para a pala-
vra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma palavra Exercícios
polissêmica: pode significar o elemento básico do alfabeto,
o texto de uma canção ou a caligrafia de um determinado 1. (SUSAM/AM - Assistente Administrativo –
indivíduo. Neste caso, os diferentes significados estão in- FGV/2014) “o país teve de recorrer a um programa de ra-
terligados porque remetem para o mesmo conceito, o da cionamento”. Assinale a opção que apresenta a forma de
escrita. reescrever esse segmento, que altera o seu sentido original.

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LÍNGUA PORTUGUESA

A. O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa de Dentro da análise do Discurso há também o discurso
racionamento. estético, feito por meio de imagens, e que interpelam o
B. O país teve como recurso recorrer a um programa indivíduo através de sua sensibilidade, que está ligada ao
de racionamento. seu contexto também. A sensibilidade de um indivíduo se
C. O Brasil foi levado a recorrer a um programa de ra- define a partir do que, ao longo de sua vida, torna-se im-
cionamento. portante e desperta-lhe sentimentos. Com isto, podemos
D. O país obrigou‐se a recorrer a um programa de ra- analisar as artes produzidas em diferentes épocas da his-
cionamento. tória em todo o mundo e perceber as diferentes formas de
E. O Brasil optou por um programa de racionamento. interpelação e contextualidade presentes nas mesmas. O
discurso estético tem a mesma capacidade ideológica que
“o país teve de recorrer a um programa de racionamen- o discurso verbal, com a vantagem de atingir o indivíduo
to”. Assinale a opção que apresenta a forma de reescrever esteticamente, o que pode render muito mais rapidamente
esse segmento, QUE ALTERA O SEU SENTIDO ORIGINAL. o sucesso do discurso aplicado.
Em “a”: O Brasil foi obrigado a recorrer a um programa A partir da análise de todos os aspectos do discurso
de racionamento = mesmo sentido. chega-se ao mais importante: o sentido. O sentido do dis-
Em “b”: O país teve como recurso recorrer a um pro- curso não é fixo, por vários motivos: pelo contexto, pela es-
grama de racionamento = mesmo sentido. tética, pela ordem do discurso, pela sua forma de constru-
Em “c”: O Brasil foi levado a recorrer a um programa de ção. O sentido do discurso encontra-se sempre em aberto
racionamento = mesmo sentido. para a possibilidade de interpretação do seu receptor. O
Em “d”: O país obrigou‐se a recorrer a um programa de efeito do discurso é, claramente, transmitir uma mensagem
racionamento = mesmo sentido. e alcançar um objetivo premeditado através da interpreta-
Em “e”: O Brasil optou por um programa de racionamen- ção e interpelação do indivíduo alvo.
to = mudança de sentido (segundo o enunciado, o país não
teve outra opção a não ser recorrer. Na alternativa, provavel- 1.1 Tipos de Discurso: direto, indireto e indireto livre
mente havia outras opções, e o país escolheu a de “recorrer”).
GABARITO OFICIAL: E Vozes do Discurso
Ao lermos um texto, observamos que há um narrador
1. Análise e Tipo de Discurso
- que é quem conta o fato. Esse locutor ou narrador pode
A Análise do Discurso é uma prática da linguística no
introduzir outras vozes no texto para auxiliar a narrativa.
campo da Comunicação, e consiste em analisar a estrutura
Para fazer a introdução dessas outras vozes no texto, a voz
de um texto e, a partir disto, compreender as construções
principal ou privilegiada - o narrador - usa o que chama-
ideológicas presentes no mesmo.
mos de discurso. O que vem a ser discurso dentro do texto?
O discurso em si é uma construção linguística atrelada
É a forma como as falas são inseridas na narrativa. Ele pode
ao contexto social no qual o texto é desenvolvido. Ou seja,
ser classificado em: direto, indireto e indireto livre.
as ideologias presentes em um discurso são diretamente
determinadas pelo contexto político-social em que vive o A) Discurso direto: reproduz fiel e literalmente algo
seu autor. Mais que uma análise textual, a análise do Dis- dito por alguém. Um bom exemplo de discurso direto são
curso é uma análise contextual da estrutura discursiva em as citações ou transcrições exatas da declaração de alguém.
questão.  Primeira pessoa (eu, nós) – é o narrador quem
Michel Foucault descreveu a Ordem do Discurso como fala, usando aspas ou travessões para demarcar que está
uma construção de características sociais. A sociedade que reproduzindo a fala de outra pessoa: “Não gosto disso” –
promove o contexto do discurso analisado é a base de toda disse a menina em tom zangado.
a estrutura do texto, atrelando, deste modo, todo e qual- B) Discurso indireto: o narrador, usando suas próprias
quer elemento que possa fazer parte do sentido do discur- palavras, conta o que foi dito por outra pessoa. Temos en-
so. O texto só pode assim ser chamado se o seu receptor tão uma mistura de vozes, pois as falas dos personagens
for capaz de compreender o seu sentido, e isto cabe ao passam pela elaboração da fala do narrador.
autor do texto e à atenção que o mesmo der ao contex-  Terceira pessoa - ele(s), ela(s) – O narrador só usa
to da construção de seu discurso. É a relação básica para sua própria voz, o que foi dito pela personagem passa pela
a existência da comunicação verbal: emissão – recepção – elaboração do narrador. Não há uma pontuação específica
compreensão. que marque o discurso indireto: A menina disse em tom
As práticas discursivas geram também outros âmbi- zangado, que não gostava daquilo.
tos de análise do discurso, como o Universo de Concor- C) Discurso indireto livre: É um discurso no qual há
rências, que consiste na competição entre vários emisso- uma maior liberdade, o narrador insere a fala do persona-
res para atingir um mesmo público-alvo. A partir disto, os gem de forma sutil, sem fazer uso das marcas do discurso
emissores precisam inteirar-se do contexto da vida do seu direto. É necessário que se tenha atenção para não confun-
receptor, para que deste modo possam interpelá-lo segun- dir a fala do narrador com a fala do personagem, pois esta
do sua própria ideologia, fazendo com que sua mensagem surge de repente em meio à fala do narrador: A menina pe-
seja recebida e assimilada pelo receptor sem que o mesmo rambulava pela sala irritada e zangada. Eu não gosto disso!
perceba que está sendo alvo de uma tentativa de conven- E parecia que ninguém a ouvia.
cimento, por assim dizer.

93
LÍNGUA PORTUGUESA

1. Níveis de Linguagem Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a nor-


A língua é um código de que se serve o homem para ma culta, deixando mais livres os interlocutores.
elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basica- O momento neutro é o do uso da língua-padrão, que é
mente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas a língua da Nação. Como forma de respeito, tomam-se por
funcionais: base aqui as normas estabelecidas na gramática, ou seja, a
A) a língua funcional de modalidade culta, língua norma culta. Assim, aquelas mesmas construções se alteram:
culta ou língua-padrão, que compreende a língua literá- Eu não a vi hoje.
ria, tem por base a norma culta, forma linguística utilizada Ninguém o deixou falar.
pelo segmento mais culto e influente de uma sociedade. Deixe-me ver isso!
Constitui, em suma, a língua utilizada pelos veículos de Eu te amo, sim, mas não abuses!
comunicação de massa (emissoras de rádio e televisão, Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.
jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de Sou seu pai, por isso vou perdoar-lhe.
serem aliados da escola, prestando serviço à sociedade, co-
laborando na educação; Considera-se momento neutro o utilizado nos veículos
B) a língua funcional de modalidade popular; lín- de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista,
gua popular ou língua cotidiana, que apresenta grada- etc.). Daí o fato de não se admitirem deslizes ou transgres-
ções as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão. sões da norma culta na pena ou na boca de jornalistas,
quando no exercício do trabalho, que deve refletir serviço à
1.1 Norma culta causa do ensino.
A norma culta, forma linguística que todo povo civiliza- O momento solene, acessível a poucos, é o da arte poé-
do possui, é a que assegura a unidade da língua nacional. tica, caracterizado por construções de rara beleza.
E justamente em nome dessa unidade, tão importante do Vale lembrar, finalmente, que a língua é um costume.
ponto de vista político-cultural, que é ensinada nas escolas Como tal, qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa de
e difundida nas gramáticas. Sendo mais espontânea e cria- sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o come-
tiva, a língua popular afigura-se mais expressiva e dinâmi- te, passando, assim, a constituir fato linguístico registro de
ca. Temos, assim, à guisa de exemplificação: linguagem definitivamente consagrado pelo uso, ainda que
Estou preocupado. (norma culta) não tenha amparo gramatical. Exemplos:
Tô preocupado. (língua popular) Olha eu aqui! (Substituiu: Olha-me aqui!)
Tô grilado. (gíria, limite da língua popular) Vamos nos reunir. (Substituiu: Vamo-nos reunir)
Não vamos nos dispersar. (Substituiu: Não nos vamos dis-
Não basta conhecer apenas uma modalidade de lín- persar e Não vamos dispersar-nos)
gua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a es- Tenho que sair daqui depressinha. (Substituiu: Tenho de
pontaneidade, expressividade e enorme criatividade, para sair daqui bem depressa)
viver; urge conhecer a língua culta para conviver. O soldado está a postos. (Substituiu: O soldado está no
Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das nor- seu posto)
mas da língua culta. As formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos im-
pedir, despedir e desimpedir, respectivamente, são exemplos
1.2 O conceito de erro em língua também de transgressões ou “erros” que se tornaram fatos
Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos linguísticos, já que só correm hoje porque a maioria viu tais
casos de ortografia. O que normalmente se comete são verbos como derivados de pedir, que tem início, na sua con-
transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num jugação, com peço. Tanto bastou para se arcaizarem as for-
momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele fa- mas então legítimas impido, despido e desimpido, que hoje
lar”, não comete propriamente erro; na verdade, transgride nenhuma pessoa bem-escolarizada tem coragem de usar.
a norma culta. Em vista do exposto, será útil eliminar do vocabulário
Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua fala, escolar palavras como corrigir e correto, quando nos refe-
transgride tanto quanto um indivíduo que comparece a um rimos a frases. “Corrija estas frases” é uma expressão que
banquete trajando xortes ou quanto um banhista, numa deve dar lugar a esta, por exemplo: “Converta estas frases da
praia, vestido de fraque e cartola. língua popular para a língua culta”.
Releva considerar, assim, o momento do discurso, que Uma frase correta não é aquela que se contrapõe a uma
pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é o frase “errada”; é, na verdade, uma frase elaborada conforme
das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre ami- as normas gramaticais; em suma, conforme a norma culta.
gos, parentes, namorados, etc., portanto, são consideradas
perfeitamente normais construções do tipo: 1.3 Língua escrita e língua falada - Nível de lingua-
Eu não vi ela hoje. gem
Ninguém deixou ele falar. A língua escrita, estática, mais elaborada e menos eco-
Deixe eu ver isso! nômica, não dispõe dos recursos próprios da língua falada.
Eu te amo, sim, mas não abuse! A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação
Não assisti o filme nem vou assisti-lo. (melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no de-
Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo. correr do discurso), além da possibilidade de gestos, olhares,

94
LÍNGUA PORTUGUESA

piscadas, etc., fazem da língua falada a modalidade mais ex- qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Fe-
pressiva, mais criativa, mais espontânea e natural, estando, deral e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalida-
por isso mesmo, mais sujeita a transformações e a evoluções. de, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”.
Nenhuma, porém, sobrepõe-se a outra em importância. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios funda-
Nas escolas, principalmente, costuma se ensinar a língua fa- mentais de toda administração pública, claro está que de-
lada com base na língua escrita, considerada superior. De- vem igualmente nortear a elaboração dos atos e comunica-
correm daí as correções, as retificações, as emendas, a que ções oficiais.
os professores sempre estão atentos. Não se concebe que um ato normativo de qualquer
Ao professor cabe ensinar as duas modalidades, mos- natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou
trando as características e as vantagens de uma e outra, sem impossibilite sua compreensão. A transparência do sentido
deixar transparecer nenhum caráter de superioridade ou in- dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são re-
ferioridade, que em verdade inexiste. quisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável que um
Isso não implica dizer que se deve admitir tudo na lín- texto legal não seja entendido pelos cidadãos. A publicidade
gua falada. A nenhum povo interessa a multiplicação de lín- implica, pois, necessariamente, clareza e concisão.
guas. A nenhuma nação convém o surgimento de dialetos, Além de atender à disposição constitucional, a forma
consequência natural do enorme distanciamento entre uma dos atos normativos obedece a certa tradição. Há normas
modalidade e outra. para sua elaboração que remontam ao período de nossa
A língua escrita é, foi e sempre será mais bem-elaborada história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade –
que a língua falada, porque é a modalidade que mantém estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro de
a unidade linguística de um povo, além de ser a que faz o 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, o número de
pensamento atravessar o espaço e o tempo. Nenhuma refle- anos transcorridos desde a Independência. Essa prática foi
xão, nenhuma análise mais detida será possível sem a língua mantida no período republicano. Esses mesmos princípios
escrita, cujas transformações, por isso mesmo, processam-se (impessoalidade, clareza, uniformidade, concisão e uso de
lentamente e em número consideravelmente menor, quan- linguagem formal) aplicam-se às comunicações oficiais: elas
do cotejada com a modalidade falada. devem sempre permitir uma única interpretação e ser estri-
Importante é fazer o educando perceber que o nível da tamente impessoais e uniformes, o que exige o uso de certo
linguagem, a norma linguística, deve variar de acordo com a nível de linguagem.
situação em que se desenvolve o discurso. Nesse quadro, fica claro também que as comunicações
O ambiente sociocultural determina o nível da linguagem oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre um
a ser empregado. O vocabulário, a sintaxe, a pronúncia e até único comunicador (o Serviço Público) e o receptor dessas
a entoação variam segundo esse nível. Um padre não fala comunicações ou é o próprio Serviço Público (no caso de
com uma criança como se estivesse em uma missa, assim expedientes dirigidos por um órgão a outro) – ou o conjunto
como uma criança não fala como um adulto. Um engenheiro dos cidadãos ou instituições tratados de forma homogênea
não usará um mesmo discurso, ou um mesmo nível de fala, (o público).
para colegas e para pedreiros, assim como nenhum profes- Outros procedimentos rotineiros na redação de comu-
sor utiliza o mesmo nível de fala no recesso do lar e na sala nicações oficiais foram incorporados ao longo do tempo,
de aula. como as formas de tratamento e de cortesia, certos clichês
Existem, portanto, vários níveis de linguagem e, entre de redação, a estrutura dos expedientes, etc. Mencione-se,
esses níveis, destacam-se em importância o culto e o coti- por exemplo, a fixação dos fechos para comunicações ofi-
diano, a que já fizemos referência. ciais, regulados pela Portaria n.º 1 do Ministro de Estado da
Justiça, de 8 de julho de 1937.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se bus-
cou fazer das características específicas da forma oficial de
7 CORRESPONDÊNCIA OFICIAL.
redigir não deve ensejar o entendimento de que se propo-
7.1 ADEQUAÇÃO DA LINGUAGEM AO TIPO nha a criação – ou se aceite a existência – de uma forma es-
DE DOCUMENTO. pecífica de linguagem administrativa, o que coloquialmente
7.2 ADEQUAÇÃO DO FORMATO DO TEXTO e pejorativamente se chama burocratês. Este é antes uma
AO GÊNERO. distorção do que deve ser a redação oficial, e se caracteriza
pelo abuso de expressões e clichês do jargão burocrático e
de formas arcaicas de construção de frases.
1. O que é Redação Oficial A redação oficial não é, portanto, necessariamente árida
Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade básica
maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos – comunicar com impessoalidade e máxima clareza – impõe
e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista do certos parâmetros ao uso que se faz da língua, de maneira
Poder Executivo. diversa daquele da literatura, do texto jornalístico, da corres-
A redação oficial deve caracterizar-se pela impessoali- pondência particular, etc.
dade, uso do padrão culto de linguagem, clareza, concisão, Apresentadas essas características fundamentais da re-
formalidade e uniformidade. Fundamentalmente esses atri- dação oficial, passemos à análise pormenorizada de cada
butos decorrem da Constituição, que dispõe, no artigo 37: uma delas.
“A administração pública direta, indireta ou fundacional, de

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LÍNGUA PORTUGUESA

1.1. A Impessoalidade Ressalte-se que há necessariamente uma distância entre


A finalidade da língua é comunicar, quer pela fala, quer a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente dinâmica,
pela escrita. Para que haja comunicação, são necessários: a) reflete de forma imediata qualquer alteração de costumes, e
alguém que comunique, b) algo a ser comunicado, e c) al- pode eventualmente contar com outros elementos que au-
guém que receba essa comunicação. No caso da redação xiliem a sua compreensão, como os gestos, a entoação, etc.,
oficial, quem comunica é sempre o Serviço Público (este ou para mencionar apenas alguns dos fatores responsáveis por
aquele Ministério, Secretaria, Departamento, Divisão, Servi- essa distância. Já a língua escrita incorpora mais lentamente
ço, Seção); o que se comunica é sempre algum assunto re- as transformações, tem maior vocação para a permanência,
lativo às atribuições do órgão que comunica; o destinatário e vale-se apenas de si mesma para comunicar.
dessa comunicação ou é o público, o conjunto dos cidadãos, A língua escrita, como a falada, compreende diferentes
ou outro órgão público, do Executivo ou dos outros Poderes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Por exemplo,
da União. em uma carta a um amigo, podemos nos valer de deter-
Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal que minado padrão de linguagem que incorpore expressões ex-
deve ser dado aos assuntos que constam das comunicações tremamente pessoais ou coloquiais; em um parecer jurídico,
oficiais decorre: não se há de estranhar a presença do vocabulário técnico
a) da ausência de impressões individuais de quem co- correspondente. Nos dois casos, há um padrão de lingua-
munica: embora se trate, por exemplo, de um expediente as- gem que atende ao uso que se faz da língua, a finalidade
sinado por Chefe de determinada Seção, é sempre em nome com que a empregamos.
do Serviço Público que é feita a comunicação. Obtém-se, O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu caráter
assim, uma desejável padronização, que permite que comu- impessoal, por sua finalidade de informar com o máximo de
nicações elaboradas em diferentes setores da Administração clareza e concisão, eles requerem o uso do padrão culto da
guardem entre si certa uniformidade; língua. Há consenso de que o padrão culto é aquele em que
b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação, a) se observam as regras da gramática formal, e b) se em-
com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a um cidadão, prega um vocabulário comum ao conjunto dos usuários do
sempre concebido como público, ou a outro órgão público. idioma. É importante ressaltar que a obrigatoriedade do uso
Nos dois casos, temos um destinatário concebido de forma do padrão culto na redação oficial decorre do fato de que
homogênea e impessoal; ele está acima das diferenças lexicais, morfológicas ou sintá-
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se ticas regionais, dos modismos vocabulares, das idiossincra-
o universo temático das comunicações oficiais se restringe sias linguísticas, permitindo, por essa razão, que se atinja a
a questões que dizem respeito ao interesse público, é natu- pretendida compreensão por todos os cidadãos. Lembre-se
ral que não cabe qualquer tom particular ou pessoal. Desta de que o padrão culto nada tem contra a simplicidade de
forma, não há lugar na redação oficial para impressões pes- expressão, desde que não seja confundida com pobreza de
soais, como as que, por exemplo, constam de uma carta a expressão. De nenhuma forma o uso do padrão culto impli-
um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mesmo ca emprego de linguagem rebuscada, nem dos contorcio-
de um texto literário. A redação oficial deve ser isenta da nismos sintáticos e figuras de linguagem próprios da língua
interferência da individualidade que a elabora. literária.
A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de Pode-se concluir, então, que não existe propriamen-
que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais con- te um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do
tribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária impes- padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que
soalidade. haverá preferência pelo uso de determinadas expressões, ou
será obedecida certa tradição no emprego das formas sintá-
1.2. A Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais ticas, mas isso não implica, necessariamente, que se consa-
A necessidade de empregar determinado nível de lin- gre a utilização de uma forma de linguagem burocrática. O
guagem nos atos e expedientes oficiais decorre, de um lado, jargão burocrático, como todo jargão, deve ser evitado, pois
do próprio caráter público desses atos e comunicações; de terá sempre sua compreensão limitada.
outro, de sua finalidade. Os atos oficiais, aqui entendidos A linguagem técnica deve ser empregada apenas em
como atos de caráter normativo, ou estabelecem regras situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso indiscri-
para a conduta dos cidadãos, ou regulam o funcionamento minado. Certos rebuscamentos acadêmicos, e mesmo o vo-
dos órgãos públicos, o que só é alcançado se em sua ela- cabulário próprio à determinada área, são de difícil entendi-
boração for empregada a linguagem adequada. O mesmo mento por quem não esteja com eles familiarizado. Deve-se
se dá com os expedientes oficiais, cuja finalidade precípua ter o cuidado, portanto, de explicitá-los em comunicações
é a de informar com clareza e objetividade. As comunica- encaminhadas a outros órgãos da administração e em expe-
ções que partem dos órgãos públicos federais devem ser dientes dirigidos aos cidadãos.
compreendidas por todo e qualquer cidadão brasileiro. Para
atingir esse objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem 1.3. Formalidade e Padronização
restrita a determinados grupos. Não há dúvida que um texto As comunicações oficiais devem ser sempre formais, isto
marcado por expressões de circulação restrita, como a gíria, é, obedecem a certas regras de forma: além das já mencio-
os regionalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua nadas exigências de impessoalidade e uso do padrão culto
compreensão dificultada. de linguagem, é imperativo, ainda, certa formalidade de tra-

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LÍNGUA PORTUGUESA

tamento. Não se trata somente da eterna dúvida quanto ao de trechos obscuros e de erros gramaticais provém, principal-
correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento mente, da falta da releitura que torna possível sua correção.
para uma autoridade de certo; mais do que isso, a formali- Na revisão de um expediente, deve-se avaliar, ainda, se ele
dade diz respeito à polidez, à civilidade no próprio enfoque será de fácil compreensão por seu destinatário. O que nos
dado ao assunto do qual cuida a comunicação. parece óbvio pode ser desconhecido por terceiros. O do-
A formalidade de tratamento vincula-se, também, à ne- mínio que adquirimos sobre certos assuntos em decorrên-
cessária uniformidade das comunicações. Ora, se a admi- cia de nossa experiência profissional muitas vezes faz com
nistração federal é una, é natural que as comunicações que que os tomemos como de conhecimento geral, o que nem
expede sigam um mesmo padrão. O estabelecimento desse sempre é verdade. Explicite, desenvolva, esclareça, precise os
padrão, uma das metas deste Manual, exige que se atente termos técnicos, o significado das siglas e abreviações e os
para todas as características da redação oficial e que se cui- conceitos específicos que não possam ser dispensados.
de, ainda, da apresentação dos textos. A revisão atenta exige, necessariamente, tempo. A pres-
A clareza datilográfica, o uso de papéis uniformes para o sa com que são elaboradas certas comunicações quase sem-
texto definitivo e a correta diagramação do texto são indis- pre compromete sua clareza. Não se deve proceder à reda-
pensáveis para a padronização. ção de um texto que não seja seguida por sua revisão. “Não
há assuntos urgentes, há assuntos atrasados”, diz a máxima.
1.4. Concisão e Clareza Evite-se, pois, o atraso, com sua indesejável repercussão no
A concisão é antes uma qualidade do que uma carac- redigir.
terística do texto oficial. Conciso é o texto que consegue
transmitir um máximo de informações com um mínimo de 2. As Comunicações Oficiais
palavras. Para que se redija com essa qualidade, é funda-
mental que se tenha, além de conhecimento do assunto Introdução
sobre o qual se escreve, o necessário tempo para revisar o A redação das comunicações oficiais deve, antes de
texto depois de pronto. É nessa releitura que muitas vezes se tudo, seguir os preceitos explicitados no Capítulo I, Aspec-
percebem eventuais redundâncias ou repetições desneces- tos Gerais da Redação Oficial. Além disso, há características
sárias de ideias. específicas de cada tipo de expediente, que serão tratadas
O esforço de sermos concisos atende, basicamente, ao em detalhe neste capítulo. Antes de passarmos à sua análise,
princípio de economia linguística, à mencionada fórmula de vejamos outros aspectos comuns a quase todas as modali-
empregar o mínimo de palavras para informar o máximo. dades de comunicação oficial: o emprego dos pronomes de
Não se deve de forma alguma entendê-la como economia tratamento, a forma dos fechos e a identificação do signa-
de pensamento, isto é, não se devem eliminar passagens tário.
substanciais do texto no afã de reduzi-lo em tamanho. Trata-
-se exclusivamente de cortar palavras inúteis, redundâncias, 2.1. Pronomes de Tratamento
passagens que nada acrescentem ao que já foi dito.
Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe 2.1.1. Breve História dos Pronomes de Tratamento
em todo texto de alguma complexidade: ideias fundamen- O uso de pronomes e locuções pronominais de trata-
tais e ideias secundárias. Estas últimas podem esclarecer o mento tem larga tradição na língua portuguesa. De acordo
sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas existem com Said Ali, após serem incorporados ao português os pro-
também ideias secundárias que não acrescentam informa- nomes latinos tu e vos, “como tratamento direto da pessoa
ção alguma ao texto, nem têm maior relação com as funda- ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou-se a empre-
mentais, podendo, por isso, ser dispensadas. gar, como expediente linguístico de distinção e de respeito,
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto ofi- a segunda pessoa do plural no tratamento de pessoas de
cial. Pode-se definir como claro aquele texto que possibilita hierarquia superior. Prossegue o autor: “Outro modo de tra-
imediata compreensão pelo leitor. No entanto, a clareza não tamento indireto consistiu em fingir que se dirigia a palavra
é algo que se atinja por si só: ela depende estritamente das a um atributo ou qualidade eminente da pessoa de catego-
demais características da redação oficial. Para ela concorrem: ria superior, e não a ela própria. Assim aproximavam-se os
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpre- vassalos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa
tações que poderia decorrer de um tratamento personalista senhoria (...); assim usou-se o tratamento ducal de vossa ex-
dado ao texto; celência e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reve-
b) o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de rência, vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
entendimento geral e por definição avesso a vocábulos de A partir do final do século XVI, esse modo de trata-
circulação restrita, como a gíria e o jargão; mento indireto já estava em voga também para os ocu-
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a pantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para
imprescindível uniformidade dos textos; vosmecê, e depois para o coloquial você. E o pronome vós,
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que pro-
linguísticos que nada lhe acrescentam. vém o atual emprego de pronomes de tratamento indireto
É pela correta observação dessas características que se como forma de dirigirmo-nos às autoridades civis, milita-
redige com clareza. Contribuirá, ainda, a indispensável relei- res e eclesiásticas.
tura de todo texto redigido. A ocorrência, em textos oficiais,

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LÍNGUA PORTUGUESA

2.1.2. Concordância com os Pronomes de Tratamento As demais autoridades serão tratadas com o vocativo
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa in- Senhor, seguido do cargo respectivo:
direta) apresentam certas peculiaridades quanto à concor- Senhor Senador,
dância verbal, nominal e pronominal. Embora se refiram a Senhor Juiz,
segunda pessoa gramatical (à pessoa com quem se fala, ou Senhor Ministro,
a quem se dirige a comunicação), levam a concordância para Senhor Governador,
a terceira pessoa. É que o verbo concorda com o substanti-
vo que integra a locução como seu núcleo sintático: “Vossa No envelope, o endereçamento das comunicações di-
Senhoria nomeará o substituto”; “Vossa Excelência conhece o rigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, terá a
assunto”. seguinte forma:
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a A Sua Excelência o Senhor
pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: Fulano de Tal
“Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa ... vos- Ministro de Estado da Justiça
so...”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, 70064-900 – Brasília. DF
o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da pessoa A Sua Excelência o Senhor
a que se refere, e não com o substantivo que compõe a lo- Senador Fulano de Tal
cução. Assim, se nosso interlocutor for homem, o correto é Senado Federal
“Vossa Excelência está atarefado”, “Vossa Senhoria deve estar 70165-900 – Brasília. DF
satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada”,
“Vossa Senhoria deve estar satisfeita”. A Sua Excelência o Senhor
Fulano de Tal
2.1.3. Emprego dos Pronomes de Tratamento Juiz de Direito da 10.ª Vara Cível
Como visto, o emprego dos pronomes de tratamento Rua ABC, n.º 123
obedece a secular tradição. São de uso consagrado: 01010-000 – São Paulo. SP
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
Em comunicações oficiais, está abolido o uso do tra-
a) do Poder Executivo; tamento Digníssimo (DD), às autoridades arroladas na lis-
Presidente da República; ta anterior. A dignidade é pressuposto para que se ocupe
Vice-Presidente da República; qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida
Ministros de Estado; evocação.
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Dis-
trito Federal; Vossa Senhoria é empregado para as demais autorida-
Oficiais-Generais das Forças Armadas; des e para particulares. O vocativo adequado é:
Embaixadores; Senhor Fulano de Tal,
Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupan- (...)
tes de cargos de natureza especial; No envelope, deve constar do endereçamento:
Secretários de Estado dos Governos Estaduais; Ao Senhor
Prefeitos Municipais. Fulano de Tal
Rua ABC, n.º 123
b) do Poder Legislativo: 12345-000 – Curitiba. PR
Deputados Federais e Senadores;
Ministros do Tribunal de Contas da União; Como se depreende do exemplo acima, fica dispensado
Deputados Estaduais e Distritais; o emprego do superlativo ilustríssimo para as autoridades
Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particu-
Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais. lares. É suficiente o uso do pronome de tratamento Senhor.
Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento,
c) do Poder Judiciário: e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente.
Ministros dos Tribunais Superiores; Como regra geral, empregue-o apenas em comunicações
Membros de Tribunais; dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído
Juízes; curso universitário de doutorado. É costume designar por
Auditores da Justiça Militar. doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito
e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor con-
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas fere a desejada formalidade às comunicações.
aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido do Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência,
cargo respectivo: empregada, por força da tradição, em comunicações dirigi-
Excelentíssimo Senhor Presidente da República, das a reitores de universidade. Corresponde-lhe o vocativo:
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional, Magnífico Reitor, (...)
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Os pronomes de tratamento para religiosos, de acordo
Federal. com a hierarquia eclesiástica, são:

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LÍNGUA PORTUGUESA

Vossa Santidade, em comunicações dirigidas ao Papa. b) local e data em que foi assinado, por extenso, com
O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre, (...) alinhamento à direita: Exemplo:
Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssi- Brasília, 15 de março de 1991.
ma, em comunicações aos Cardeais. Corresponde-lhe o vo- c) assunto: resumo do teor do documento Exemplos:
cativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou Eminentíssimo e Assunto: Produtividade do órgão em 2002.
Reverendíssimo Senhor Cardeal, (...) Assunto: Necessidade de aquisição de novos computadores.
Vossa Excelência Reverendíssima é usado em comuni- d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é
cações dirigidas a Arcebispos e Bispos; dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser incluído
Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendís- também o endereço.
sima para Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos. e) texto: nos casos em que não for de mero encaminha-
Vossa Reverência é empregado para sacerdotes, clérigos mento de documentos, o expediente deve conter a seguinte
e demais religiosos. estrutura:
– introdução, que se confunde com o parágrafo de
2.2. Fechos para Comunicações abertura, na qual é apresentado o assunto que motiva a
O fecho das comunicações oficiais possui, além da fina- comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de”,
lidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o destinatário. “Tenho o prazer de”, “Cumpre-me informar que”, empregue
Os modelos para fecho que vinham sendo utilizados foram a forma direta;
regulados pela Portaria n.º 1 do Ministério da Justiça, de 1937, – desenvolvimento, no qual o assunto é detalhado; se
que estabelecia quinze padrões. Com o fito de simplificá-los o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas
e uniformizá-los, este Manual estabelece o emprego de so- devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere
mente dois fechos diferentes para todas as modalidades de maior clareza à exposição;
comunicação oficial: – conclusão, em que é reafirmada ou simplesmente rea-
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da presentada a posição recomendada sobre o assunto.
República: Respeitosamente, Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar- nos casos em que estes estejam organizados em itens ou
quia inferior: Atenciosamente, títulos e subtítulos. Já quando se tratar de mero encaminha-
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas mento de documentos, a estrutura é a seguinte:
a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição pró- – introdução: deve iniciar com referência ao expediente
prios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do documen-
Ministério das Relações Exteriores. to não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do
motivo da comunicação, que é encaminhar, indicando a se-
2.3. Identificação do Signatário guir os dados completos do documento encaminhado (tipo,
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da data, origem ou signatário, e assunto de que trata), e a ra-
República, todas as demais comunicações oficiais devem tra- zão pela qual está sendo encaminhado, segundo a seguinte
zer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo fórmula: “Em resposta ao Aviso n.º 12, de 1.º de fevereiro de
do local de sua assinatura. A forma da identificação deve ser 1991, encaminho, anexa, cópia do Ofício n.º 34, de 3 de abril
a seguinte: de 1990, do Departamento Geral de Administração, que tra-
(espaço para assinatura) ta da requisição do servidor Fulano de Tal.” Ou “Encaminho,
NOME para exame e pronunciamento, a anexa cópia do telegrama
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República no 12, de 1.º de fevereiro de 1991, do Presidente da Confede-
(espaço para assinatura) ração Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de mo-
NOME dernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.”
Ministro de Estado da Justiça – desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar
fazer algum comentário a respeito do documento que enca-
Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assi- minha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimento;
natura em página isolada do expediente. Transfira para essa em caso contrário, não há parágrafos de desenvolvimento
página ao menos a última frase anterior ao fecho. em aviso ou ofício de mero encaminhamento.
f) fecho (v. 2.2. Fechos para Comunicações);
3. O Padrão Ofício g) assinatura do autor da comunicação; e
Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes h) identificação do signatário (v. 2.3. Identificação do Sig-
pela finalidade do que pela forma: o ofício, o aviso e o memo- natário).
rando. Com o fito de uniformizá-los, pode-se adotar uma dia-
gramação única, que siga o que chamamos de padrão ofício. 3.2. Forma de diagramação
Os documentos do Padrão Ofício devem obedecer à se-
3.1. Partes do documento no Padrão Ofício guinte forma de apresentação:
O aviso, o ofício e o memorando devem conter as seguin- a) deve ser utilizada fonte do tipo Times New Roman de
tes partes: corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas
a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do de rodapé;
órgão que o expede: Exemplos: Mem. 123/2002-MF Aviso b) para símbolos não existentes na fonte Times New Ro-
123/2002-SG Of. 123/2002-MME man poder-se-á utilizar as fontes Symbol e Wingdings;

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LÍNGUA PORTUGUESA

c) é obrigatório constar a partir da segunda página o Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as
número da página; seguintes informações do remetente:
d) os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser – nome do órgão ou setor;
impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as mar- – endereço postal;
gens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas pá- – telefone e endereço de correio eletrônico.
ginas pares (“margem espelho”);
e) o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de 3.4. Memorando
distância da margem esquerda;
f) o campo destinado à margem lateral esquerda terá, 3.4.1. Definição e Finalidade
no mínimo, 3,0 cm de largura; O memorando é a modalidade de comunicação entre
g) o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem
cm; estar hierarquicamente em mesmo nível ou em níveis dife-
O constante neste item aplica-se também à exposição rentes. Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação
de motivos e à mensagem (v. 4. Exposição de Motivos e 5. eminentemente interna. Pode ter caráter meramente admi-
Mensagem). nistrativo, ou ser empregado para a exposição de projetos,
h) deve ser utilizado espaçamento simples entre as li- ideias, diretrizes, etc. a serem adotados por determinado se-
nhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor de tor do serviço público. Sua característica principal é a agili-
texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em dade. A tramitação do memorando em qualquer órgão deve
branco; pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de procedimentos
i) não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sub- burocráticos. Para evitar desnecessário aumento do número
linhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo, bor- de comunicações, os despachos ao memorando devem ser
das ou qualquer outra forma de formatação que afete a ele- dados no próprio documento e, no caso de falta de espaço,
gância e a sobriedade do documento; em folha de continuação. Esse procedimento permite formar
j) a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em uma espécie de processo simplificado, assegurando maior
papel branco. A impressão colorida deve ser usada apenas transparência à tomada de decisões, e permitindo que se his-
para gráficos e ilustrações; torie o andamento da matéria tratada no memorando.
k) todos os tipos de documentos do Padrão Ofício de-
vem ser impressos em papel de tamanho A-4, ou seja, 29,7 3.4.2. Forma e Estrutura
x 21,0 cm; Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do
l) deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de ar- padrão ofício, com a diferença de que o seu destinatário deve
quivo Rich Text nos documentos de texto; ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exemplos:
m) dentro do possível, todos os documentos elaborados Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
devem ter o arquivo de texto preservado para consulta pos- Ao Sr. Subchefe para Assuntos Jurídicos
terior ou aproveitamento de trechos para casos análogos;
n) para facilitar a localização, os nomes dos arquivos de- 4. Exposição de Motivos
vem ser formados da seguinte maneira: tipo do documento
+ número do documento + palavras-chaves do conteúdo. 4.1. Definição e Finalidade
Ex.: “Of. 123 - relatório produtividade ano 2002” Exposição de motivos é o expediente dirigido ao Presi-
dente da República ou ao Vice-Presidente para:
3.3. Aviso e Ofício a) informá-lo de determinado assunto;
b) propor alguma medida; ou
3.3.1. Definição e Finalidade c) submeter a sua consideração projeto de ato norma-
Aviso e ofício são modalidades de comunicação oficial tivo.
praticamente idênticas. A única diferença entre eles é que
o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente
para autoridades de mesma hierarquia, ao passo que o ofí- da República por um Ministro de Estado. Nos casos em que o
cio é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos têm assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição
como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos ór- de motivos deverá ser assinada por todos os Ministros en-
gãos da Administração Pública entre si e, no caso do ofício, volvidos, sendo, por essa razão, chamada de interministerial.
também com particulares.
4.2. Forma e Estrutura
3.3.2. Forma e Estrutura Formalmente, a exposição de motivos tem a apresenta-
Quanto a sua forma, aviso e ofício seguem o modelo ção do padrão ofício (v. 3. O Padrão Ofício).
do padrão ofício, com acréscimo do vocativo, que invoca o A exposição de motivos, de acordo com sua finalidade,
destinatário (v. 2.1 Pronomes de Tratamento), seguido de vír- apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para aquela
gula. Exemplos: que tenha caráter exclusivamente informativo e outra para
Excelentíssimo Senhor Presidente da República a que proponha alguma medida ou submeta projeto de ato
Senhora Ministra normativo. No primeiro caso, o da exposição de motivos que
Senhor Chefe de Gabinete simplesmente leva algum assunto ao conhecimento do Pre-

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sidente da República, sua estrutura segue o modelo antes Quanto aos projetos de lei financeira (que compreen-
referido para o padrão ofício. Já a exposição de motivos que dem plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orçamentos
submeta à consideração do Presidente da República a suges- anuais e créditos adicionais), as mensagens de encaminha-
tão de alguma medida a ser adotada ou a que lhe apresente mento dirigem-se aos Membros do Congresso Nacional, e
projeto de ato normativo – embora sigam também a estru- os respectivos avisos são endereçados ao Primeiro Secretário
tura do padrão ofício –, além de outros comentários julgados do Senado Federal. A razão é que o art. 166 da Constituição
pertinentes por seu autor, devem, obrigatoriamente, apontar: impõe a deliberação congressual sobre as leis financeiras em
a) na introdução: o problema que está a reclamar a ado- sessão conjunta, mais precisamente, “na forma do regimento
ção da medida ou do ato normativo proposto; comum”. E à frente da Mesa do Congresso Nacional está o
b) no desenvolvimento: o porquê de ser aquela medida Presidente do Senado Federal (Constituição, art. 57, § 5.º), que
ou aquele ato normativo o ideal para se solucionar o pro- comanda as sessões conjuntas.
blema, e eventuais alternativas existentes para equacioná-lo; As mensagens aqui tratadas coroam o processo desenvol-
c) na conclusão, novamente, qual medida deve ser toma- vido no âmbito do Poder Executivo, que abrange minucioso
da, ou qual ato normativo deve ser editado para solucionar exame técnico, jurídico e econômico-financeiro das matérias
o problema. objeto das proposições por elas encaminhadas.
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à expo- Tais exames materializam-se em pareceres dos diversos
sição de motivos, devidamente preenchido, de acordo Com órgãos interessados no assunto das proposições, entre eles o
o modelo previsto no Anexo II do Decreto n.º 4.176, de 28 de da Advocacia-Geral da União. Mas, na origem das propostas,
março de 2002. as análises necessárias constam da exposição de motivos do
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presente órgão onde se geraram (v. 3.1. Exposição de Motivos) – exposi-
que a atenção aos requisitos básicos da redação oficial (cla- ção que acompanhará, por cópia, a mensagem de encaminha-
reza, concisão, impessoalidade, formalidade, padronização e mento ao Congresso.
uso do padrão culto de linguagem) deve ser redobrada. b) encaminhamento de medida provisória.
A exposição de motivos é a principal modalidade de co- Para dar cumprimento ao disposto no art. 62 da Consti-
municação dirigida ao Presidente da República pelos Minis- tuição, o Presidente da República encaminha mensagem ao
tros. Congresso, dirigida a seus membros, com aviso para o Primei-
Além disso, pode, em certos casos, ser encaminhada có- ro Secretário do Senado Federal, juntando cópia da medida
provisória, autenticada pela Coordenação de Documentação
pia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário ou, ainda,
da Presidência da República.
ser publicada no Diário Oficial da União, no todo ou em parte.
c) indicação de autoridades.
As mensagens que submetem ao Senado Federal a indica-
5. Mensagem
ção de pessoas para ocuparem determinados cargos (magis-
trados dos Tribunais Superiores, Ministros do TCU, Presidentes
5.1. Definição e Finalidade
e Diretores do Banco Central, Procurador-Geral da República,
É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes Chefes de Missão Diplomática, etc.) têm em vista que a Cons-
dos Poderes Públicos, notadamente as mensagens enviadas tituição, no seu art. 52, incisos III e IV, atribui àquela Casa do
pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo para in- Congresso Nacional competência privativa para aprovar a in-
formar sobre fato da Administração Pública; expor o plano dicação.
de governo por ocasião da abertura de sessão legislativa; O curriculum vitae do indicado, devidamente assinado,
submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem acompanha a mensagem.
de deliberação de suas Casas; apresentar veto; enfim, fazer d) pedido de autorização para o Presidente ou o Vice-Pre-
e agradecer comunicações de tudo quanto seja de interesse sidente da República se ausentar do País por mais de 15 dias.
dos poderes públicos e da Nação. Trata-se de exigência constitucional (Constituição, art. 49,
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos Mi- III, e 83), e a autorização é da competência privativa do Con-
nistérios à Presidência da República, a cujas assessorias cabe- gresso Nacional.
rá a redação final. O Presidente da República, tradicionalmente, por cortesia,
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Con- quando a ausência é por prazo inferior a 15 dias, faz uma co-
gresso Nacional têm as seguintes finalidades: municação a cada Casa do Congresso, enviando-lhes mensa-
a) encaminhamento de projeto de lei ordinária, comple- gens idênticas.
mentar ou financeira. Os projetos de lei ordinária ou comple- e) encaminhamento de atos de concessão e renovação de
mentar são enviados em regime normal (Constituição, art. concessão de emissoras de rádio e TV.
61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1.º a 4.º). Cabe A obrigação de submeter tais atos à apreciação do Con-
lembrar que o projeto pode ser encaminhado sob o regime gresso Nacional consta no inciso XII do artigo 49 da Consti-
normal e mais tarde ser objeto de nova mensagem, com so- tuição. Somente produzirão efeitos legais a outorga ou reno-
licitação de urgência. vação da concessão após deliberação do Congresso Nacional
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Mem- (Constituição, art. 223, § 3.º). Descabe pedir na mensagem a
bros do Congresso Nacional, mas é encaminhada com aviso urgência prevista no art. 64 da Constituição, porquanto o § 1.º
do Chefe da Casa Civil da Presidência da República ao Pri- do art. 223 já define o prazo da tramitação.
meiro Secretário da Câmara dos Deputados, para que tenha Além do ato de outorga ou renovação, acompanha a
início sua tramitação (Constituição, art. 64, caput). mensagem o correspondente processo administrativo.

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f) encaminhamento das contas referentes ao exercício – relato das medidas praticadas na vigência do estado
anterior. de sítio ou de defesa (Constituição, art. 141, parágrafo único);
O Presidente da República tem o prazo de sessenta dias – proposta de modificação de projetos de leis financeiras
após a abertura da sessão legislativa para enviar ao Con- (Constituição, art. 166, § 5.º);
gresso Nacional as contas referentes ao exercício anterior – pedido de autorização para utilizar recursos que fica-
(Constituição, art. 84, XXIV), para exame e parecer da Co- rem sem despesas correspondentes, em decorrência de veto,
missão Mista permanente (Constituição, art. 166, § 1.º), sob emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual
pena de a Câmara dos Deputados realizar a tomada de con- (Constituição, art. 166, § 8.º);
tas (Constituição, art. 51, II), em procedimento disciplinado – pedido de autorização para alienar ou conceder terras
no art. 215 do seu Regimento Interno. públicas com área superior a 2.500 ha (Constituição, art. 188,
g) mensagem de abertura da sessão legislativa. § 1.º); etc.
Ela deve conter o plano de governo, exposição sobre
a situação do País e solicitação de providências que julgar 5.2. Forma e Estrutura
necessárias (Constituição, art. 84, XI). As mensagens contêm:
O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da a) a indicação do tipo de expediente e de seu número,
Presidência da República. Esta mensagem difere das demais horizontalmente, no início da margem esquerda:
porque vai encadernada e é distribuída a todos os Congres- Mensagem n.º
sistas em forma de livro.
h) comunicação de sanção (com restituição de autógra- b) vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e o
fos). cargo do destinatário, horizontalmente, no início da margem
Esta mensagem é dirigida aos Membros do Congresso esquerda;
Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secretário da Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal,
Casa onde se originaram os autógrafos. Nela se informa o
número que tomou a lei e se restituem dois exemplares dos c) o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
três autógrafos recebidos, nos quais o Presidente da Repú- d) o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do texto,
blica terá aposto o despacho de sanção. e horizontalmente fazendo coincidir seu final com a margem
i) comunicação de veto. direita.
Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constituição, A mensagem, como os demais atos assinados pelo Presi-
art. 66, § 1.º), a mensagem informa sobre a decisão de vetar, dente da República, não traz identificação de seu signatário.
se o veto é parcial, quais as disposições vetadas, e as razões
do veto. Seu texto vai publicado na íntegra no Diário Oficial 6. Telegrama
da União (v. 4.2. Forma e Estrutura), ao contrário das demais
mensagens, cuja publicação se restringe à notícia do seu en- 6.1. Definição e Finalidade
vio ao Poder Legislativo. Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar
j) outras mensagens. os procedimentos burocráticos, passa a receber o título de
Também são remetidas ao Legislativo com regular fre- telegrama toda comunicação oficial expedida por meio de
quência mensagens com: telegrafia, telex, etc.
– encaminhamento de atos internacionais que acarre- Por tratar-se de forma de comunicação dispendiosa aos
tam encargos ou compromissos gravosos (Constituição, art. cofres públicos e tecnologicamente superada, deve restringir-
49, I); -se o uso do telegrama apenas àquelas situações que não seja
– pedido de estabelecimento de alíquotas aplicáveis possível o uso de correio eletrônico ou fax e que a urgência
às operações e prestações interestaduais e de exportação justifique sua utilização e, também em razão de seu custo ele-
(Constituição, art. 155, § 2.º, IV); vado, esta forma de comunicação deve pautar-se pela conci-
– proposta de fixação de limites globais para o montan- são (v. 1.4. Concisão e Clareza).
te da dívida consolidada (Constituição, art. 52, VI); 6.2. Forma e Estrutura
– pedido de autorização para operações financeiras ex- Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a es-
ternas (Constituição, art. 52, V); e outros. trutura dos formulários disponíveis nas agências dos Correios
Entre as mensagens menos comuns estão as de: e em seu sítio na Internet.
– convocação extraordinária do Congresso Nacional
(Constituição, art. 57, § 6.º); 7. Fax
– pedido de autorização para exonerar o Procurador-
-Geral da República (art. 52, XI, e 128, § 2.º); 7.1. Definição e Finalidade
– pedido de autorização para declarar guerra e decretar O fax (forma abreviada já consagrada de fac-símile) é uma
mobilização nacional (Constituição, art. 84, XIX); forma de comunicação que está sendo menos usada devido
– pedido de autorização ou referendo para celebrar a ao desenvolvimento da Internet. É utilizado para a transmis-
paz (Constituição, art. 84, XX); são de mensagens urgentes e para o envio antecipado de do-
– justificativa para decretação do estado de defesa ou de cumentos, de cujo conhecimento há premência, quando não
sua prorrogação (Constituição, art. 136, § 4.º); há condições de envio do documento por meio eletrônico.
– pedido de autorização para decretar o estado de sítio Quando necessário o original, ele segue posteriormente
(Constituição, art. 137); pela via e na forma de praxe.

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Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com có- A função essencial da frase é desempenhada pelo predi-
pia xerox do fax e não com o próprio fax, cujo papel, em cado, que, para Adriano da Gama Kury, pode ser entendido
certos modelos, deteriora-se rapidamente. como “a enunciação pura de um fato qualquer”. Sempre que
a frase possuir pelo menos um verbo, recebe o nome de pe-
7.2. Forma e Estrutura ríodo, que terá tantas orações quantos forem os verbos não
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a auxiliares que o constituem.
estrutura que lhes são inerentes. Outra função relevante é a do sujeito – mas não indis-
É conveniente o envio, juntamente com o documento pensável, pois há orações sem sujeito, ditas impessoais –,
principal, de folha de rosto e de pequeno formulário com os de quem se diz algo, cujo núcleo é sempre um substantivo.
dados de identificação da mensagem a ser enviada, confor- Sempre que o verbo o exigir, teremos nas orações substan-
me exemplo a seguir: tivos (nomes ou pronomes) que desempenham a função de
[Órgão Expedidor] complementos (objetos direto e indireto, predicativo e com-
[setor do órgão expedidor] plemento adverbial). Função acessória desempenham os
[endereço do órgão expedidor] adjuntos adverbiais, que vêm geralmente ao final da oração,
Destinatário:____________________________________ mas que podem ser ou intercalados aos elementos que de-
No do fax de destino:_______________ Data:___/___/___ sempenham as outras funções, ou deslocados para o início
Remetente: ____________________________________ da oração.
Tel. p/ contato:____________ Fax/correio eletrônico:____ Temos, assim, a seguinte ordem de colocação dos ele-
No de páginas: ________No do documento:____________ mentos que compõem uma oração (Observação: os parên-
teses indicam os elementos que podem não ocorrer):
Observações:___________________________________ (sujeito) - verbo - (complementos) - (adjunto adverbial).

8. Correio Eletrônico Podem ser identificados seis padrões básicos para as


orações pessoais (isto é, com sujeito) na língua portugue-
8.1 Definição e finalidade sa (a função que vem entre parênteses é facultativa e pode
O correio eletrônico (“e-mail”), por seu baixo custo e ce- ocorrer em ordem diversa):
leridade, transformou-se na principal forma de comunicação
para transmissão de documentos. 1. Sujeito - verbo intransitivo - (Adjunto Adverbial)
O Presidente - regressou - (ontem).
8.2. Forma e Estrutura
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico 2. Sujeito - verbo transitivo direto - objeto direto - (ad-
é sua flexibilidade. Assim, não interessa definir forma rígida junto adverbial)
para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de lin- O Chefe da Divisão - assinou - o termo de posse - (na
guagem incompatível com uma comunicação oficial (v. 1.2 A manhã de terça-feira).
Linguagem dos Atos e Comunicações Oficiais).
O campo assunto do formulário de correio eletrônico 3. Sujeito - verbo transitivo indireto - objeto indireto -
deve ser preenchido de modo a facilitar a organização do- (adjunto adverbial).
cumental tanto do destinatário quanto do remetente. O Brasil - precisa - de gente honesta - (em todos os se-
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utili- tores).
zado, preferencialmente, o formato Rich Text. A mensagem
que encaminha algum arquivo deve trazer informações mí- 4. Sujeito - verbo transitivo direto e indireto - obj. direto
nimas sobre seu conteúdo. - obj. indireto - (adj. Adv.)
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de con- Os desempregados - entregaram - suas reivindicações -
firmação de leitura. Caso não seja disponível, deve constar ao Deputado - (no Congresso).
da mensagem pedido de confirmação de recebimento. 5. Sujeito - verbo transitivo indireto - complemento ad-
8.3 Valor documental verbial - (adjunto adverbial)
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensa- A reunião do Grupo de Trabalho - ocorrerá - em Buenos
gem de correio eletrônico tenha valor documental, e para Aires - (na próxima semana).
que possa ser aceito como documento original, é necessário O Presidente - voltou - da Europa - (na sexta-feira)
existir certificação digital que ateste a identidade do reme-
tente, na forma estabelecida em lei. 6. Sujeito - verbo de ligação - predicativo - (adjunto ad-
verbial)
Elementos de Ortografia e Gramática O problema - será - resolvido - prontamente.

Problemas de Construção de Frases Estes seriam os padrões básicos para as orações, ou


A clareza e a concisão na forma escrita são alcançadas, seja, as frases que possuem apenas um verbo conjugado.
principalmente, pela construção adequada da frase, “a me- Na construção de períodos, as várias funções podem ocor-
nor unidade autônoma da comunicação”, na definição de rer em ordem inversa à mencionada, misturando-se e con-
Celso Pedro Luft. fundindo-se. Não interessa aqui análise exaustiva de todos

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os padrões existentes na língua portuguesa. O que importa Erros de Paralelismo


é fixar a ordem normal dos elementos nesses seis padrões Uma das convenções estabelecidas na linguagem es-
básicos. Acrescente-se que períodos mais complexos, com- crita “consiste em apresentar ideias similares numa forma
postos por duas ou mais orações, em geral podem ser redu- gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo. Assim,
zidos aos padrões básicos (de que derivam). incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a elementos
Os problemas mais frequentemente encontrados na paralelos. Vejamos alguns exemplos:
construção de frases dizem respeito à má pontuação, à am- Errado: Pelo aviso circular recomendou-se aos Ministérios
biguidade da ideia expressa, à elaboração de falsos parale- economizar energia e que elaborassem planos de redução de
lismos, erros de comparação, etc. Decorrem, em geral, do despesas.
desconhecimento da ordem das palavras na frase. Indicam-
-se, a seguir, alguns desses defeitos mais comuns e recor- Na frase temos, nas duas orações subordinadas que com-
rentes na construção de frases, registrados em documentos pletam o sentido da principal, duas estruturas diferentes para
oficiais. ideias equivalentes: a primeira oração (economizar energia) é
reduzida de infinitivo, enquanto a segunda (que elaborassem
Sujeito planos de redução de despesas) é uma oração desenvolvida
Como dito, o sujeito é o ser de quem se fala ou que introduzida pela conjunção integrante que. Há mais de uma
executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter comple- possibilidade de escrevê-la com clareza e correção; uma seria
mento, mas não ser complemento. Devem ser evitadas, a de apresentar as duas orações subordinadas como desen-
portanto, construções como: volvidas, introduzidas pela conjunção integrante que:
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios
Errado: É tempo do Congresso votar a emenda. que economizassem energia e (que) elaborassem planos para
Certo: É tempo de o Congresso votar a emenda. redução de despesas.
Outra possibilidade: as duas orações são apresentadas
como reduzidas de infinitivo:
Errado: Apesar das relações entre os países estarem cor-
Certo: Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios
tadas, (...).
economizar energia e elaborar planos para redução de despesas.
Certo: Apesar de as relações entre os países estarem cor-
Nas duas correções respeita-se a estrutura paralela na
tadas, (...).
coordenação de orações subordinadas.
Mais um exemplo de frase inaceitável na língua escrita culta:
Errado: Não vejo mal no Governo proceder assim.
Errado: No discurso de posse, mostrou determinação, não
Certo: Não vejo mal em o Governo proceder assim.
ser inseguro, inteligência e ter ambição.
O problema aqui decorre de coordenar palavras (subs-
Errado: Antes destes requisitos serem cumpridos, (...). tantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).
Certo: Antes de estes requisitos serem cumpridos, (...). Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou por
transformá-la em frase simples, substituindo as orações redu-
Errado: Apesar da Assessoria ter informado em tempo, zidas por substantivos:
(...). Certo: No discurso de posse, mostrou determinação, segu-
Certo: Apesar de a Assessoria ter informado em tempo, rança, inteligência e ambição.
(...). Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso pa-
ralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equivalente) a
Frases Fragmentadas ideias de hierarquia diferente ou, ainda, ao se apresentar, de
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma forma paralela, estruturas sintáticas distintas:
oração subordinada ou uma simples locução como se fosse Errado: O Presidente visitou Paris, Bonn, Roma e o Papa.
uma frase completa”. Decorre da pontuação errada de uma
frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico Nesta frase, colocou-se em um mesmo nível cidades (Pa-
na literatura, a fragmentação de frases deve ser evitada nos ris, Bonn, Roma) e uma pessoa (o Papa). Uma possibilidade
textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a compreensão. de correção é transformá-la em duas frases simples, com o
Exemplo: cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar):
Errado: O programa recebeu a aprovação do Congresso Certo: O Presidente visitou Paris, Bonn e Roma. Nesta últi-
Nacional. Depois de ser longamente debatido. ma capital, encontrou-se com o Papa.
Certo: O programa recebeu a aprovação do Congresso
Nacional, depois de ser longamente debatido. Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado
Certo: Depois de ser longamente debatido, o programa pelo uso inadequado da expressão “e que” num período que
recebeu a aprovação do Congresso Nacional. não contém nenhum “que” anterior.
Errado: O projeto de Convenção foi oportunamente sub- Errado: O novo procurador é jurista renomado, e que tem
metido ao Presidente da República, que o aprovou. Consulta- sólida formação acadêmica.
das as áreas envolvidas na elaboração do texto legal. Para corrigir a frase, suprimimos o pronome relativo:
Certo: O projeto de Convenção foi oportunamente sub- Certo: O novo procurador é jurista renomado e tem sóli-
metido ao Presidente da República, que o aprovou, consulta- da formação acadêmica.
das as áreas envolvidas na elaboração do texto legal.

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LÍNGUA PORTUGUESA

Outro exemplo de falso paralelismo com “e que”: B) pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
Errado: Neste momento, não se devem adotar medidas Ambíguo: O Deputado saudou o Presidente da Repúbli-
precipitadas, e que comprometam o andamento de todo o ca, em seu discurso, e solicitou sua intervenção no seu Estado,
programa. mas isso não o surpreendeu.
Da mesma forma com que corrigimos o exemplo ante- Observe a multiplicidade de ambiguidade no exemplo
rior, aqui podemos suprimir a conjunção: acima, a qual torna incompreensível o sentido da frase.
Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas Claro: Em seu discurso o Deputado saudou o Presidente
precipitadas, que comprometam o andamento de todo o pro- da República. No pronunciamento, solicitou a intervenção fe-
grama. deral em seu Estado, o que não surpreendeu o Presidente da
República.
Erros de Comparação
A omissão de certos termos ao fazermos uma compara- C) pronome relativo:
ção, omissão própria da língua falada, deve ser evitada na lín- Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu cos-
gua escrita, pois compromete a clareza do texto: nem sempre tumava trabalhar.
é possível identificar, pelo contexto, qual o termo omitido. A Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração
ausência indevida de um termo pode impossibilitar o enten- faz referência “à mesa” ou “a gabinete”. Esta ambiguidade
dimento do sentido que se quer dar a uma frase: se deve ao pronome relativo “que”, sem marca de gênero. A
Errado: O salário de um professor é mais baixo do que solução é recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as quais,
um médico. que marcam gênero e número.
Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costu-
A omissão de termos provocou uma comparação inde- mava trabalhar.
vida: “o salário de um professor” com “um médico”. Se o entendimento é outro, então:
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costu-
salário de um médico. mava trabalhar.
Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o
de um médico. Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da
Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria. dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:
Novamente, a não repetição dos termos comparados Ambíguo: Sendo indisciplinado, o Chefe admoestou o
confunde. Alternativas para correção: funcionário.
Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima,
Portaria. deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria. Claro: O Chefe admoestou o funcionário por ser este in-
Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas disciplinado.
do que os Ministérios do Governo. Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma senhora
No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou chamou o médico.
“demais”) acarretou imprecisão:
Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi cha-
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas
mado por uma senhora.
do que os outros Ministérios do Governo.
Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas
SITE
do que os demais Ministérios do Governo.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manualre-
dpr2aed.pdf
Ambiguidade
Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em
Exercícios
mais de um sentido. Como a clareza é requisito básico de
todo texto oficial, deve-se atentar para as construções que
possam gerar equívocos de compreensão. 1. (TJ-PA - Médico Psiquiatra – Superior - VUNESP
A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de - 2014) Leia o seguinte fragmento de um ofício, citado do
identificar a qual palavra se refere um pronome que possui Manual de Redação da Presidência da República, no qual
mais de um antecedente na terceira pessoa. Pode ocorrer expressões foram substituídas por lacunas.
com: Senhor Deputado
Em complemento às informações transmitidas pelo te-
A) pronomes pessoais: legrama n.º 154, de 24 de abril último, informo ______de que
Ambíguo: O Ministro comunicou a seu secretariado que as medidas mencionadas em ______ carta n.º 6708, dirigida
ele seria exonerado. ao Senhor Presidente da República, estão amparadas pelo
Claro: O Ministro comunicou exoneração dele a seu se- procedimento administrativo de demarcação de terras indí-
cretariado. genas instituído pelo Decreto n.º 22, de 4 de fevereiro de
Ou então, caso o entendimento seja outro: 1991 (cópia anexa).
Claro: O Ministro comunicou a seu secretariado a exone- (http://www.planalto.gov.br. Adaptado)
ração deste.

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LÍNGUA PORTUGUESA

A alternativa que completa, correta e respectivamente, Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas
as lacunas do texto, de acordo com a norma-padrão da lín- a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição pró-
gua portuguesa e atendendo às orientações oficiais a res- prios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do
peito do uso de formas de tratamento em correspondências Ministério das Relações Exteriores.
públicas, é: GABARITO OFICIAL: CERTO
A. Vossa Senhoria … tua.
B. Vossa Magnificência … sua. 4. (ANP – Conhecimento Básico para todos os Cargos –
C. Vossa Eminência … vossa. CESPE/2013) Na redação de uma ata, devem-se relatar exaustiva-
D. Vossa Excelência … sua. mente, com o máximo de detalhamento possível, incluindo-se os
E. Sua Senhoria … vossa. aspectos subjetivos, as discussões, as propostas, as resoluções e as
deliberações ocorridas em reuniões e eventos que exigem registro.
Podemos começar pelo pronome demonstrativo. Mesmo ( ) CERTO ( ) ERRADO
utilizando pronomes de tratamento “Vossa” (muitas vezes con-
fundido com “vós” e seu respectivo “vosso”), os pronomes que Ata é um documento administrativo que tem a finalidade de
os acompanham deverão ficar sempre na terceira pessoa (do registrar de modo sucinto a sequência de eventos de uma reunião
plural ou do singular, de acordo com o número do pronome de ou assembleia de pessoas com um fim específico. É característi-
tratamento). Então, em quaisquer dos pronomes de tratamen- ca da Ata apresentar um resumo, cronologicamente disposto, de
to apresentados nas alternativas, o pronome demonstrativo modo infalível, de todo o desenrolar da reunião.
será “sua”. Descartamos, então, os itens a, c e e. Agora recor- (Fonte: https://www.10emtudo.com.br/aula/ensino/a_reda-
ramos ao pronome adequado a ser utilizado para deputados. cao_oficial_ata/)
Segundo o Manual de Redação Oficial, temos: GABARITO OFICIAL: ERRADO
Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
b) do Poder Legislativo: Presidente, Vice–Presidente e 5. (Tribunal de Justiça/SE – Técnico Judiciário – CES-
Membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (...). PE/2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas direcionadas
GABARITO OFICIAL: D a autoridades estrangeiras, deve-se fazer uso dos fechos Respei-
tosamente ou Atenciosamente, de acordo com as hierarquias do
2. (ANTAQ – Especialista em Regulação de Serviços destinatário e do remetente.
de Transportes Aquaviários – Superior - CESPE/2014)
( ) CERTO ( ) ERRADO
Considerando aspectos estruturais e linguísticos das corres-
pondências oficiais, julgue os itens que se seguem, de acordo
Segundo o Manual de Redação Oficial: (...) Manual estabelece
com o Manual de Redação da Presidência da República.
o emprego de somente dois fechos diferentes para todas as moda-
O tratamento Digníssimo deve ser empregado para to-
lidades de comunicação oficial:
das as autoridades do poder público, uma vez que a dignida-
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da Re-
de é tida como qualidade inerente aos ocupantes de cargos
pública: Respeitosamente,
públicos.
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia
( ) CERTO ( ) ERRADO
inferior: Atenciosamente,
Vamos ao Manual: O Manual ainda preceitua que a forma Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a
de tratamento “Digníssimo” fica abolida (...) afinal, a dignida- autoridades estrangeiras, que atendem a rito e tradição próprios,
de é condição primordial para que tais cargos públicos sejam devidamente disciplinados no Manual de Redação do Ministério
ocupados. das Relações Exteriores.
Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_oficial_ GABARITO OFICIAL: CERTO
publicacoes_ver.php?id=2
GABARITO OFICIAL: ERRADO 6. (ANTAQ – Especialista em Regulação de Serviços de
Transportes Aquaviários – CESPE/2014) Considerando aspec-
3. (Tribunal de Justiça/SE – Técnico Judiciário – Mé- tos estruturais e linguísticos das correspondências oficiais, julgue
dio - CESPE/2014) Em toda comunicação oficial, exceto nas os itens que se seguem, de acordo com o Manual de Redação da
direcionadas a autoridades estrangeiras, deve-se fazer uso Presidência da República.
dos fechos Respeitosamente ou Atenciosamente, de acordo O tratamento Digníssimo deve ser empregado para todas
com as hierarquias do destinatário e do remetente. as autoridades do poder público, uma vez que a dignidade é
( ) CERTO ( ) ERRADO tida como qualidade inerente aos ocupantes de cargos públicos.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Segundo o Manual de Redação Oficial: (...) Manual estabe-
lece o emprego de somente dois fechos diferentes para todas Vamos ao Manual: O Manual ainda preceitua que a forma de
as modalidades de comunicação oficial: tratamento “Digníssimo” fica abolida (...) afinal, a dignidade é con-
A) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da dição primordial para que tais cargos públicos sejam ocupados.
República: Respeitosamente, Fonte: http://www.redacaooficial.com.br/redacao_oficial_
B) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierar- publicacoes_ver.php?id=2
quia inferior: Atenciosamente, GABARITO OFICIAL: ERRADO

106
LÍNGUA PORTUGUESA

Assistir:
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL VTD: ajudar, prestar auxílio
Ex.: O médico assistiu os doentes.

VTI: ver
SINTAXE DE REGÊNCIA Ex.: As crianças assistiram ao jogo no domingo.

Regência é uma relação de subordinação entre palavras. Querer:


Algumas, para fazerem sentido, necessitam do auxílio de VTD: desejar
preposições para encadearem perfeitamente a ordem Ex.: Querem muito o jogo novo.
dos termos em uma oração. Ou seja, quando falamos de
subordinação entre palavras, subentendemos um termo VTI: ter afeição, carinho
regente (verbo ou nome) que exigirá ou não a presença de Ex.: Ela quer muito a seu pai.
um conectivo (termo regido) para se ligar a seu complemento.
Esquecer/lembrar:
1. REGÊNCIA VERBAL VTD: quando não pronominais
É a relação de dependência que se estabelece entre Ex.: Meu filho esqueceu a chave de casa.
o verbo e seus complementos. Quando o assunto é
complemento verbal, vale lembrar o conceito de verbo VTI: quando pronominais
transitivo, justamente aquele “transita”, que necessita de Ex.: Meu filho se esqueceu da chave de casa.
complemento para efeito de sentido. Dentre essa categoria,
há duas formas de o verbo transitivo se ligar a seu integrante: Pagar/Perdoar:

a) Forma direta: quando o verbo não necessita de VTD: quando o complemento se tratar de coisa.
preposição, e por isso o denominamos de verbo transitivo Ex.:Perdoou a dívida.
direto: Pagou a conta da loja.
Ex.:
O relator denunciou o empresário. VTI: quando o complemento se tratar de pessoa.
Compramos presentes para todos. Ex.: A mãe perdoou ao filho.
Pagamos ao gerente.
b) Forma indireta: há verbos mais fracos
gramaticalmente e, por isso, necessitam um “elemento Obedecer:
extra” para completar seu sentido. Esse elemento de ligação VTI: sempre exige a preposição a
chamamos de preposição, termo responsável pela união Ex.: O aluno obedeceu ao professor.
do verbo a seu complemento de forma indireta. Por isso O aluno obedeceu às regras.
chamamos tal categoria de verbo transitivo indireto:
Responder:
Ex.: VTI: quando houver apenas um complemento.
Preciso de mais tempo. Ex.: Respondi às questões da prova.
Aspiro ao cargo de coordenador.
OBS.: Quando possuir mais de um objeto teremos a
O estudo de regência visa, sobretudo, esclarecer quais seguinte forma:
verbos e em quais sentidos exigem a presença ou não Respondi as questões ao professor.
de preposição. Além do mais, há verbos que mudam de
significado frente a presença da preposição. Implicar:
VTD: acarretar
Aspirar: Ex.:A situação implica reflexões.
VTD: sorver, respirar:
Ex.: A garota aspirou o ar do campo. VTI: sentir antipatia
Ex.: João implica com o cunhado.
VTI: almejar, desejar
Ex.: Aspiro à vaga de assessora. Namorar:
VTD: sempre transitivo direto
Visar: Ex.: Minha filha está namorando João
VTD: olhar ou dar visto
Ex.: A funcionária visou com atenção os requerentes. Preferir:

VTI: almejar, desejar Verbo com dupla transitividade: alguém prefere uma
Ex.: Todos visam ao sucesso da empresa. coisa (objeto direto) a outra (objeto indireto):
Ex.: Preferem maçã à uva.

107
LÍNGUA PORTUGUESA

Informar, comunicar, avisar: 4. (IBGE) Assinale a opção em que todos os adjetivos


devem ser seguidos pela mesma preposição: 
Verbos com dupla transitividade a) ávido / bom / inconsequente 
b) indigno / odioso / perito 
a) Informa-se algo a alguém c) leal / limpo / oneroso 
Ex.: Ele informou a fuga aos policiais. d) orgulhoso / rico / sedento 
e) oposto / pálido / sábio
b) Informa-se alguém de algo
Ex.: Ele informou os policiais da fuga 5. (UF-FLUMINENSE) Assinale a frase em que está usado
indevidamente um dos pronomes seguintes: o, lhe. 
Enviar: a) Não lhe agrada semelhante providência? 
b) A resposta do professor não o satisfez. 
Verbo com dupla transitividade: envia-se algo a alguém
c) Ajudá-lo-ei a preparar as aulas. 
Ex.: O estagiário enviou o documento aos interessados
d) O poeta assistiu-a nas horas amargas, com extrema
dedicação. 
Morar, residir, situar-se:
e) Vou visitar-lhe na próxima semana. 
VTI: sempre regem a preposição “em”
6. (BB) Regência imprópria: 
Ex.: Minha professora mora em Brasília. a) Não o via desde o ano passado. 
b) Fomos à cidade pela manhã. 
Ir, voltar, chegar: c) Informou ao cliente que o aviso chegara. 
d) Respondeu à carta no mesmo dia. 
Solicitam a preposição “a”, “de” e “para”: e) Avisamos-lhe de que o cheque foi pago. 
Ex.: Vou a Roma
Vou para Roma. 7. (BB) Alternativa correta: 
Vou de Roma a Veneza. a) Precisei de que fosses comigo. 
b) Avisei-lhe da mudança de horário. 
Exercícios c) Imcumbiu-me para realizar o negócio. 
d) Recusei-me em fazer os exames. 
1. (IBGE) Assinale a opção que apresenta a regência verbal e) Convenceu-se nos erros cometidos. 
incorreta, de acordo com a norma culta da língua: 
a) Os sertanejos aspiram a uma vida mais confortável.  8. (EPCAR) O que devidamente empregado só não seria
b) Obedeceu rigorosamente ao horário de trabalho do regido de preposição na opção: 
corte de cana.  a) O cargo ....... aspiro depende de concurso. 
c) O rapaz presenciou o trabalho dos canavieiros.  b) Eis a razão ....... não compareci. 
d) O fazendeiro agrediu-lhe sem necessidade.  c) Rui é o orador ....... mais admiro. 
e) Ao assinar o contrato, o usineiro visou, apenas, ao lucro d) O jovem ....... te referiste foi reprovado. 
pretendido.  e) Ali está o abrigo ....... necessitamos. 
2. (IBGE) Assinale a opção que contém os pronomes
9. (UNIFIC) Os encargos ....... nos obrigaram são aqueles
relativos, regidos ou não de preposição, que completam
....... o diretor se referia. 
corretamente as frase abaixo: Os navios negreiros, ....... donos
a) de que - que 
eram traficantes, foram revistados. Ninguém conhecia o
b) a cujos - cujos 
traficante ....... o fazendeiro negociava. 
a) nos quais / que  c) por que – que 
b) cujos / com quem  d) cujos - cujo 
c) que / cujo  e) a que - a que
d) de cujos / com quem e) cujos / de quem 
10. (FTM-ARACAJU) As mulheres da noite ....... o poeta
3. (IBGE) Assinale a opção em que as duas frases se faz alusão ajudam a colorir Aracaju, ....... coração bate de
completam corretamente com o pronome lhe:  noite, no silêncio. 
a) Não ..... amo mais. / O filho não ..... obedecia.  A alternativa que completa corretamente as lacunas da
b) Espero-..... há anos. / Eu já ..... conheço bem.  frase acima é: 
c) Nós ..... queremos muito bem. / Nunca ..... perdoarei, a) as quais / de cujo 
João.  b) a que / no qual 
d) Ainda não ..... encontrei trabalhando, rapaz. / Desejou-..... c) de que / o qual 
felicidades.  d) às quais / cujo 
e) Sempre ..... vejo no mesmo lugar. / Chamou-..... de e) que / em cujo 
tolo. 

108
LÍNGUA PORTUGUESA

(Exercícios retirados de http://professorricardoandrade.blogspot.com.br/2010/08/100-questoes-de-regencia.html)

Gabarito

1 - D 2 -D 3 – C 4 – D 5 - E 6 - E 7 - A 8 - E 9 - E 10 – D

REGÊNCIA NOMINAL

É a relação de subordinação entre um nome (termo regente) e seus complementos. Há termos nominais que apresentam
uma relação indireta com seus complementos, através da preposição.
Ex.: Tenho horror a avião.
Ela está muito orgulhosa do filho.

O estudo da regência nominal abrange as diversas formas de um nome ligar-se a seus complementos. Vejamos a tabela
explicativa.

Regência dos substantivos

Medo de Obediência a Horror a


Doutor em Impaciência com Bacharel em
Respeito a, com, para com, por Capacidade para Atentado a, contra
Dúvida acerca de, em, sobre Admiração a, por Ojeriza a, por
Aversão a, para, por Cuidado com Proeminência sobre

Regência dos adjetivos

Vazio de Suspeito de Sito em


Insensível a Liberal com Natural de
Descontente com Diferente de Desejoso de
Contrário a Indeciso em Sensível a
Relacionado com Relativo a Hábil em
Habituado a Idêntico a Impróprio para
Semelhante a Satisfeito com, de, em, por Contíguo a
Contemporâneo a, de Compatível com Capaz de, para
Hábil em Próximo a Relacionado com
Benéfico a Grato a, por Ávido de
Relacionado com Propício a Prestes a
Prejudicial a Preferível a Fanático por
Favorável a Generoso com Fácil de
Análogo a Ansioso de, por, para Passível de
Essencial a, para Alheio a, de Escasso de
Paralelo a Agradável a Equivalente a

Regência dos Advérbios

Perto de Longe de

Exercícios

1) (Cescea) As palavras ansioso, contemporâneo e misericordioso regem, respectivamente, as preposições:


a) a – em – de – para.
b) de – a – de.
c) por – de – com.
d) de – com – para com.
e) com – a – a.

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LÍNGUA PORTUGUESA

2) (TJ – SP) Indique onde há erro de regência nominal: 9) (CTFMG) A regência nominal está conforme a norma
a) Ele é muito apegado em bens materiais. culta em:
b) Estamos fartos de tantas promessas. a) O filho tornou-se um profissional apto para exercer ao
c) Ela era suspeita de ter assaltado a loja. cargo de diretor.
d) Ele era intransigente nesse ponto do regulamento. b) A estrangeira mostrava muita devoção a pesquisa do
e) A confiança dos soldados no chefe era inabalável. HIV, naquele hospital.
c) A população simpatizava-se com as propostas
3)  Assinale a opção em que todos adjetivos podem ser apresentadas pelo Governo.
seguidos pela mesma preposição:  d) O homem deve obediência aos princípios harmônicos
a) ávido, bom, inconsequente  que a natureza lhe oferece.
b) indigno, odioso, perito 
c) leal, limpo, oneroso  10) (TJ – SP) Indique onde há erro de regência nominal:
d) orgulhoso, rico, sedento  a) Ele é muito apegado em bens materiais.
e) oposto, pálido, sábio b) Estamos fartos de tantas promessas.
c) Ela era suspeita de ter assaltado a loja.
4) As palavras ansioso, contemporâneo e misericordioso d) Ele era intransigente nesse ponto do regulamento.
regem, respectivamente, as preposições: e) A confiança dos soldados no chefe era inabalável.
a) a – em – de – para.
b) de – a – de. (Exercícios retirados de http://
c) por – de – com. tudodeconcursosevestibulares.blogspot.com.br/2013/01/
d) de – com – para com. regencia-nominal-regras.html)
e) com – a – a.
Gabarito

5)  Indique onde há erro de regência nominal: 1) C   2) A    3) D   4) C   5) A    6) A  


a) Ele é muito apegado em bens materiais. 7) à, à, de, a, com    8) C   19) D   10) A
b) Estamos fartos de tantas promessas.
c) Ela era suspeita de ter assaltado a loja.
d) Ele era intransigente nesse ponto do regulamento.
e) A confiança dos soldados no chefe era inabalável.

6) Diante das orações que seguem, analise-as e indique


aquela que não se adéqua ao uso da preposição “a”:
a) Estou ávido * boas notícias.
b) Esta canção é agradável * alma.
c) O respeito é essencial * boa convivência.
d) Mostraram-se indiferentes * tudo.
e) O filme é proibido * menores de dezoito anos.

7) Tendo em vista   a relação de dependência


manifestada entre um nome (termo regente) e seu respectivo
complemento (termo regido), reescreva as orações a seguir,
atribuindo-lhes a devida preposição.
a) O fumo é prejudicial * saúde.
b) Financiamentos imobiliários tornaram-se acessíveis *
população.
c) Seu projeto é passível * reformulações.
d) Esteja atento * tudo que acontece por aqui.
e) Suas ideias são compatíveis * as minhas.

8) Dentre as frases abaixo, uma apenas apresenta a


regência nominal correta. Assinale-a:
a) Ele não é digno a ser seu amigo.
b) Baseado laudos médicos, concedeu-lhe a licença.
c) A atitude do Juiz é isenta de qualquer restrição.
d) Ele se diz especialista para com computadores
eletrônicos.
e) O sol é indispensável da saúde.

110
LÍNGUA PORTUGUESA

• O garoto nunca foi bom em matemática. O garoto


2. ESTRUTURAÇÃO DO TEXTO E DOS fez a prova quase sem tempo para passar o gabarito.
PARÁGRAFOS. • O garoto nunca foi bom em matemática. Ele fez a
prova quase sem tempo para passar o gabarito.
• A minha namorada mora muito longe daqui. A
minha namorada viajou para me ver.
II - ESTRUTURA TEXTUAL • A minha namorada mora muito longe daqui. Ela
viajou para me ver.
Estruturar corretamente um texto vai extrair mais re- • O picolé de limão é muito ruim. O picolé de limão
sultados da sua audiência, além de deixar os leitores muito
deixa um gosto amargo na sua boca.
mais satisfeitos e engajados com suas publicações.
• O picolé de limão é muito ruim. Ele deixa um gos-
O que é um bom texto para você?
to amargo na sua boca.
Um texto tem como função comunicar um assunto, e
essa comunicação só é bem-sucedida se o leitor consegue Há, porém outros tipos de coesão que podem ser ex-
entender perfeitamente a mensagem. Um bom texto é plorados nos seus textos. Como a coesão por substituição,
aquele em que a comunicação acontece sem ruídos, e o se- também conhecida como anáfora. Podemos ver a coesão
gredo para alcançar esse sucesso está na estrutura textual. por substituição nas frases a seguir:
A estrutura textual é formada por vários fatores, sendo • Os alunos foram chamados a comparecer na dire-
os principais a coesão e a coerência. São elas as responsá- toria porque eram peraltas. Caso sejam peraltas novamen-
veis pela compreensão plena de um texto. te, os alunos serão suspensos do colégio.
Conheça abaixo quais os elementos formadores da es- • Os alunos foram chamados a comparecer na dire-
trutura textual e por que você precisa entendê-los! toria porque eram peraltas. Caso isso aconteça novamente
eles serão suspensos do colégio.
Coesão • Patrícia e Beatriz gostavam de brincar com suas
Coesão é o nome que a gramática dá à conexão entre bonecas, mas não podiam brincar com suas bonecas no
as ideias no texto. O ideal é existir um encadeamento de colégio. Caso brincassem com suas bonecas no colégio,
informações, que o leitor possa seguir como um fluxo, sem Patrícia e Beatriz teriam problemas.
pensar demais para estabelecer as relações entre as partes. • Patrícia e Beatriz gostavam de brincar com suas
Veja um exemplo: bonecas, mas não podiam fazer isso no colégio. Caso fi-
• Mariana viajou para o Rio de Janeiro nas férias.
zessem, elas teriam problemas.
Mariana fez novos amigos no Rio de Janeiro.
Temos também a coesão por elipse, a coesão por con-
As frases não têm nenhum erro de estrutura sintática
básica, de sujeito, verbo e complemento. O sujeito, Mariana, junção e a coesão lexical. Elas funcionam, respectivamente,
fez a ação de viajar e o destino foi o Rio de Janeiro. O omitindo uma ou mais palavras, relacionando termos com
mesmo sujeito fez novos amigos enquanto esteve por lá. o emprego de conjunções e adotando sinônimos, prono-
O erro aqui é a repetição desnecessária, que torna a lei- mes ou pronomes no lugar da repetição.
tura incômoda. Perceba como é possível tornar esse exem- Coerência
plo mais agradável: A coerência, por sua vez, é o conjunto de mecanis-
• Mariana viajou para o Rio de Janeiro nas férias e mos usados para que o texto faça sentido. Um texto é coe-
fez novos amigos por lá. rente quando não apenas a sintaxe  está impecável, mas
a semântica e a lógica também.
Bem melhor, não é? E a única mudança foi dar cadên- Assim como a coesão, a coerência é fundamental para
cia e ritmo à oração, eliminando a quebra que a repetição dar encadeamento às ideias inseridas no texto. Veja no
causava. exemplo abaixo:
Outros exemplos de coesão • Henrique chegava atrasado para todas as aulas,
Há tipos de coesão diferente e dominá-los vai ajudá- mas sempre conseguia entrar na escola por estar em cima
-lo a desempenhar a sua tarefa como  redator freelan- da hora.
cer  de uma maneira mais eficiente. Por isso, fique atento A expressão “estar em cima da hora” quer dizer que
às definições e exemplos que escolhemos para demonstrar
algo está bem próximo do horário marcado ou esperado
como os tipos de coesão funcionam na prática.
para acontecer, não necessariamente atrasado.
Chamamos de coesão por referência o tipo de estrutu-
Por isso, no exemplo acima o leitor fica sem saber se
ra que evita a repetição. Você já viu exemplos dela acima,
mas podemos torná-la ainda mais clara colocando-a em Henrique se atrasava frequentemente, ou apenas chegava
outros contextos. A coesão por referência sempre foge da sem nenhuma antecedência.
necessidade de reafirmar nosso sujeito, funcionando assim: Além das orações, não podemos negligenciar a cone-
• A menina gostava muito de brincar com sua bola xão entre os parágrafos e a ligação do título com o con-
de vôlei. A menina levou-a para a praia. teúdo. Um texto de título “5 dicas para livrar a sua casa dos
• A menina gostava muito de brincar com sua bola mosquitos” deve ensinar 5 formas de espantar mosquitos,
de vôlei. Ela a levou para a praia. e não uma receita de bolo de milho, por exemplo.

111
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplos de coerência Músicas e a linguagem literária também exploram er-


Os princípios que norteiam a coerência textual são: ros gramaticais por intencionalidade. Ainda assim, na re-
• a não contradição; dação para a web são raros os casos em que a intenciona-
• a não tautologia; e lidade aparecerá reproduzindo esse tipo de técnica. É que
• a relevância. embora tratem-se de textos com intenções de Marketing,
Não se contradizer é simples. Basta não construir racio- aqueles produzidos para a internet devem sempre respeitar
cínios que, necessariamente, dizem o oposto do que acaba a norma culta.
de ser dito. Como:
• Pedro gostava muito de jabuticaba. Era sua fruta Aceitabilidade
preterida. Por outro lado, a aceitabilidade é papel do leitor. Antes
• Vanessa nunca ouvia funk. Ela ia todos os dias para de começar a leitura, todo leitor cria uma expectativa sobre
o colégio escutando Mc Anitta. o que há no texto. Ou seja, ele busca entender o que está
Em ambos os casos supracitados a contradição está escrito, no mínimo, antes de tirar qualquer lição ou apren-
clara na segunda frase, que diz o exato oposto da primeira. dizado do conteúdo.
Em textos de humor o efeito da contradição pode ser ex- É comum, por exemplo, que alguns textos sejam
plorado para provocar o riso. Mas em uma redação formal interpretados diferentemente do que foi pensado pelo
não há vez para esse tipo de construção. autor. Em grande parte das vezes isso se deve a problemas
A não tautologia é um pouco mais complexa. Trata-se na estrutura textual, na coesão e na coerência das ideias.
de não empregar palavras diferentes para expressar uma Entender essa relação entre a intenção e a aceitação é
ideia idêntica. Dizemos que há tautologia, portanto, nos ví- muito importante para um produtor de conteúdo web. O
cios de linguagem abaixo: pilar central de uma estratégia de marketing de conteúdo é
• Vamos subir lá pra cima. a aceitação da persona, a identificação dela com os textos;
• Eu saí pra fora de casa. se a intenção do texto não atinge o leitor, a própria existên-
O princípio da relevância, por outro lado, diz que não cia do material se torna inútil.
é possível construir relacionamentos fragmentados em um
texto mantendo sua coerência. Por causa dele não pode- Fatores de aceitabilidade textual
mos criar parágrafos como: Ainda que a aceitabilidade resida no interlocutor é pa-
• Eu gostava muito de comprar pêras na feira. Nun- pel do redator proporcioná-la. Isso é feito utilizando recur-
ca fui de jogar. Meu melhor amigo era um gato chamado sos como a informatibilidade. Quando há informações o
Bolinha. As pêras eram deliciosas. Quando meu melhor suficiente no texto e elas suprem a expectativa do leitor, em
amigo miava eu sabia que ele queria jogar bola. geral, esse texto tem alta aceitabilidade.
O problema aqui é que nenhuma dessas frases adi- Investir em informatibilidade é particularmente útil na
ciona sentido nas outras. Elas são todas construções que, carreira de um redator web. Quanto mais conhecimento ele
individualmente, estão ok. Mas em um mesmo parágrafo conseguir transmitir para o seu leitor ao longo de um arti-
corroem a coesão textual. go, maiores são as chances de que a aceitabilidade de um
texto seja alta.
Intencionalidade
Todo texto tem uma intenção, um propósito. Conven- Situacionalidade
cer, educar, informar, contar uma história, suscitar uma dis- A situacionalidade é o fator que cuida da pertinência
cussão. Chamamos de intencionalidade tudo aquilo que o do texto. Toda produção textual precisa estar situada em
autor deseja expressar para o leitor por meio do texto. um contexto, em um ambiente, sob pena de prejudicar o
Para isso, são utilizados os mecanismos de coesão e entendimento da mensagem.
coerência, para que a comunicação seja bem-sucedida en- Você pode situar seu texto de duas formas. A primeira
tre as partes envolvidas. Assim, o sentido desejado pode é da situação para o texto, que significa adequar um dado
ser construído ao longo do texto. cenário à sua produção, como um contexto histórico ou
Intencionalidade na linguagem publicitária o exato momento em que o leitor vai interagir com o seu
É muito fácil encontrar exemplos de intencionalidade texto.
na linguagem publicitária. Isso pela sua própria natureza Veja um exemplo:
e construção. Publicitários escrevem textos que utilizam “Hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/ Não tem
recursos estilísticos, nem sempre formalmente corretos, discussão”
para determinar a intenção de um discurso. Para uma pessoa não familiarizada com a censura pra-
A intencionalidade está presente, por exemplo, em slo- ticada durante os anos de ditadura no Brasil, os versos da
gans como “Vem pra Caixa você também”. Neste, o mais música “Apesar de Você”, de Chico Buarque, podem falar
correto seria utilizar o imperativo, urgindo que o interlocu- sobre uma desavença qualquer entre duas pessoas, como
tor inscreva-se na Caixa Econômica Federal e torne-se um uma briga de casal.
cliente desse banco. Todavia, para criar harmonia e conse- Entretanto, para quem viveu ou estudou sobre o tema
guir construir um discurso que rima (e portanto fica preso a compreensão é totalmente diferente. Logo, o autor utiliza
em nossa mente) essas regras são dribladas intencional- isso em favor próprio, criando sentidos diferentes para o
mente. mesmo verso, de acordo com o público.

112
LÍNGUA PORTUGUESA

A segunda forma de situar um texto é fazendo o con- Informatividade


trário, adequando do texto para a situação. Um exemplo é Leitores apreciam textos pouco previsíveis, que trazem
narrar um acontecimento sob o seu ponto de vista. Quem muitas informações, dados, descobertas e aprendizado.
ler o seu relato vai entender que o fato ocorreu daquele jei- Chamamos esse fator de informatividade, e tanto a falta
to, mas se outra pessoa que também presenciou decidisse quanto o excesso de informatividade prejudicam a aceita-
contar a própria versão, com certeza alguns pontos seriam ção de um texto.
diferentes. Se, por um lado, textos pouco ou nada informativos
afastam os leitores, por outro uma produção embasada
Intertextualidade em toneladas de dados pode confundir o leitor e preju-
A intertextualidade é um fator muito rico para se usar dicar a compreensão do texto. O ideal é empregar dados
em um texto. Ela acontece quando o autor insere expres- apenas onde são necessários, para justificar opiniões, ilus-
sões, palavras ou personagens de outros textos na sua pro- trar panoramas ou atestar a pertinência de um argumento.
dução, fazendo ou não referências explícitas. Estrutura textual na redação web
Ao fazer referências, o autor deixa nas mãos do leitor a A  redação para web  leva em consideração todos os
interpretação e compreensão daquela parte do texto, de-
fatores que citamos acima. Entretanto, com o surgimento
pendendo do conhecimento prévio do receptor. A estrutu-
dos blogs e a adaptação para plataformas móveis (smar-
ra textual se beneficia muito do uso da intertextualidade,
tphones e tablets), algumas práticas se tornaram tão ne-
principalmente se as referências usadas são clássicas, que
cessárias quanto a coesão e a coerência, para garantir a
agregam valor e qualidade ao texto.
Os hipertextos são uma forma moderna de intertex- qualidade dos textos postados.
tualidade, em que indicamos para o leitor outro conteúdo O conceito da escaneabilidade é relativamente novo, e
que pode enriquecer a experiência de leitura, tirando como diz respeito a uma escrita mais consciente de sua estrutura
base o interesse em um primeiro texto. visual, para tornar a leitura mais agradável para o leitor.
São medidas de escaneabilidade:
Outros casos de intertextualidade • Frases curtas e parágrafos de 3 ou 4 linhas;
Duas formas comuns de se explorar a intertextualidade • Uso de tópicos para realçar informações impor-
em uma composição são a paródia e a paráfrase. A paródia tantes;
porque evoca uma outra obra na mente do leitor, recriando • Separação do texto em intertítulos;
um texto com objetivo crítico. Essa forma de intertextuali- • Imagens para “quebrar” grandes blocos de texto;
dade é muito comum na literatura e pode ser encontrada • Realce de termos em negrito e itálico e uso de
nos exemplos abaixo: hiperlinks.
MEUS OITO ANOS
(Casimiro de Abreu) (Extraído de https://comunidade.rockcontent.com/
Oh! que saudades que tenho estrutura-textual/)
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida Exercícios
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores, 1. Leia o texto a seguir para responder à próxima questão.
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras, Em 2008, Nicholas Carr assinou, na revista The Atlan-
Debaixo dos laranjais! tic, o polêmico artigo “Estará o Google nos tornando es-
[…] túpidos?” O texto ganhou a capa da revista e, desde sua
MEUS OITO ANOS publicação, encontra-se entre os mais lidos de seu website.
(Oswald de Andrade)
O autor nos brinda agora com  The Shallows: What the
Oh que saudades que eu tenho
internet is doing  with our brains, um livro instrutivo e
Da aurora de minha vida
provocativo, que dosa linguagem fluida com a melhor tra-
Das horas
dição dos livros de disseminação científica.
De minha infância
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra! Novas tecnologias costumam provocar incerteza e
Da rua de Santo Antônio medo. As reações mais estridentes nem sempre têm fun-
Debaixo da bananeira damentos científicos. Curiosamente, no caso da internet, os
Sem nenhum laranjais verdadeiros fundamentos científicos deveriam, sim, provo-
[…] car reações muito estridentes. Carr mergulha em dezenas
de estudos científicos sobre o funcionamento do cérebro
A paráfrase, por sua vez, é recriar um texto tendo outro humano. Conclui que a internet está provocando danos em
como suporte. Fazer uma paráfrase significa dar uma nova partes do cérebro que constituem a base do que entende-
versão discursiva para um conteúdo, mantendo o seu sen- mos como inteligência, além de nos tornar menos sensíveis
tido original intacto. a sentimentos como compaixão e piedade.

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LÍNGUA PORTUGUESA

O frenesi hipertextual da internet, com seus múltiplos são geométrica nos últimos anos. A facilidade de crédito e
e incessantes estímulos, adestra nossa habilidade de tomar a isenção de impostos são alguns dos elementos que têm
pequenas decisões. Saltamos textos e imagens, traçando um colaborado para a realização do sonho de ter um carro. E os
caminho errático pelas páginas eletrônicas. No entanto, esse brasileiros desses municípios passaram a utilizar seus carros
ganho se dá à custa da perda da capacidade de alimentar até para percorrer curtas distâncias, mesmo perdendo tempo
nossa memória de longa duração e estabelecer raciocínios em congestionamentos e apesar dos alertas das autoridades
mais sofisticados. Carr menciona a dificuldade que muitos sobre os danos provocados ao meio ambiente pelo aumento
de nós, depois de anos de exposição à internet, agora expe- da frota.
rimentam diante de textos mais longos e elaborados: as sen- Além disso, carro continua a ser sinônimo de status para
sações de impaciência e de sonolência, com base em estudos milhões de brasileiros de todas as regiões. A sua necessidade
científicos sobre o impacto da internet no cérebro humano. vem, muitas vezes, em segundo lugar. Há 35,3 milhões de
Segundo o autor, quando navegamos na rede, “entramos em veículos em todo o país, um crescimento de 66% nos últimos
um ambiente que promove uma leitura apressada, rasa e nove anos. Não por acaso, oito Estados já registram mais
distraída, e um aprendizado superficial.” mortes por acidentes no trânsito do que por homicídios.           
A internet converteu-se em uma ferramenta poderosa  (O Estado de S. Paulo, Notas e Informações, A3, 11
para a transformação do nosso cérebro e, quanto mais a uti- de setembro de 2010, com adaptações)
lizamos, estimulados pela carga gigantesca de informações,
imersos no mundo virtual, mais nossas mentes são afetadas. (MP/RS – 2010 – FCC) - Não por acaso, oito Estados já
E não se trata apenas de pequenas alterações, mas de mu- registram mais mortes por acidentes no trânsito do que por
danças substanciais físicas e funcionais. Essa dispersão da homicídios. A afirmativa final do texto surge como
atenção vem à custa da capacidade de concentração e de (A) constatação baseada no fato de que os brasileiros
reflexão. desejam possuir um carro, mas perdem  muito tempo  em
congestionamentos.
(Thomaz Wood Jr.  Carta capital, 27 de outubro de (B) observação irônica quanto aos problemas decor-
2010, p. 72, com adaptações) rentes do aumento na utilização de carros, com danos pro-
vocados ao meio ambiente.
(MP/RS – 2010 – FCC)  - Em relação à estrutura textual, (C) comprovação de que a compra de um carro é  si-
está correta a afirmativa: nônimo de status e, por isso, constitui o maior sonho  de
(A) Os quatro parágrafos do texto são independentes, consumo do brasileiro.
tendo em vista que cada um deles trata, isoladamente, de (D) hipótese de que a vida nas cidades menores
uma situação diferente sobre a internet. tem perdido qualidade, pois  os brasileiros desses municí-
(B) O 1º parágrafo, especialmente, está isolado dos de- pios passaram a utilizar seus carros até para percorrer curtas
mais, por conter uma informação, dispensável no contexto, distâncias.
a respeito das publicações de um especialista. (E) conclusão coerente com todo o desenvolvimento,
(C) Identifica-se uma incoerência no desenvolvimen- a partir de um título que poderia ser: Carro, problema que
to do texto, comprometendo a afirmativa de que as novas se agrava.
tecnologias provocam incerteza e medo, embora os sites
sejam os mais lidos. 3. Leia o texto a seguir para responder à próxima
(D) No 3º parágrafo há comprometimento da clareza questão.
quanto aos reais prejuízos causados ao funcionamento do
cérebro pelo uso intensivo da internet. CIDADE MARAVILHOSA?
(E) A sequência de parágrafos é feita com coerência,
por haver progressão articulada do assunto que vem sendo Os camelôs são pais de famílias bem pobres, e, então,
desenvolvido. merecem nossa simpatia e nosso carinho; logo eles se mul-
tiplicam por 1000. Aqui em frente à minha casa, na Praça
2. Leia o texto a seguir para responder à próxima General Osório, existe há muito tempo a feira hippie. Artistas
questão. e artesãos expõem ali aos domingos e vendem suas coisas.
Uma feira um tanto organizada demais: sempre os mesmos
Também nas cidades de porte médio, localizadas nas artistas mostrando coisas quase sempre sem interesse. Sem-
vizinhanças das regiões metropolitanas do Sudeste e do Sul pre achei que deveria haver um canto em que qualquer ar-
do país, as pessoas tendem cada vez mais a optar pelo carro tista pudesse vender um quadro; qualquer artista ou mesmo
para seus deslocamentos diários, como mostram dados do qualquer pessoa, sem alvarás nem licenças. Enfim, o fato é
Departamento Nacional de Trânsito. Em consequência, con- que a feira funcionava, muita gente comprava coisas – tudo
gestionamentos, acidentes, poluição e altos custos de manu- bem. Pois de repente, de um lado e outro, na Rua Visconde
tenção da malha viária passaram a fazer parte da lista dos de Pirajá, apareceram barracas atravancando as calçadas,
principais problemas desses municípios. vendendo de tudo - roupas, louças, frutas, miudezas, brin-
Cidades menores, com custo de vida menos elevado que quedos, objetos usados, ampolas de óleo de bronzear, passa-
o das capitais, baixo índice de desemprego e poder aquisi- rinhos, pipocas, aspirinas, sorvetes, canivetes. E as praias fo-
tivo mais alto, tiveram suas frotas aumentadas em progres- ram invadidas por 1000 vendedores. Na rua e na areia, uma

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orgia de cães. Nunca vi tantos cães no Rio, e presumo que 4. (DETRAN/RN – 2010 – FGV)  - A respeito do trecho
muita gente anda com eles para se defender de assaltantes. da Carta de Caminha e de suas características textuais, é
O resultado é uma sujeira múltipla, que exige cuidado do correto afirmar que:
pedestre para não pisar naquelas coisas. E aquelas coisas A) No texto, predominam características argumentati-
secam, viram poeira, unem-se a cascas de frutas podres e vas e descritivas.
dejetos de toda ordem, e restos de peixes da feira das terças, B) O principal objetivo do texto é ilustrar experiências
e folhas, e cusparadas, e jornais velhos; uma poeira dos três vividas através de uma narrativa fictícia.
reinos da natureza e de todas as servidões humanas. C) O relato das experiências vividas é feito com aspec-
Ah, se venta um pouco o noroeste, logo ela vai-se elevar, tos descritivos.
essa poeira, girando no ar, entrar em nosso pulmão numa D) A intenção principal do autor é fazer oposição aos
lufada de ar quente. Antigamente a gente fugia para a praia, fatos mencionados.
para o mar. Agora há gente demais, a praia está excessiva- E) O texto procura despertar a atenção do leitor para
mente cheia. Está bem, está bem, o mar, o mar é do povo, a mensagem através do uso predominante de uma lingua-
como a praça é do condor – mas podia haver menos cães e gem figurada.
bolas e pranchas e barcos e camelôs e ratos de praia e assal-
tantes que trabalham até dentro d’água, com um canivete 5. (DETRAN/RN – 2010 – FGV) - Em todos os trechos
na barriga alheia, e sujeitos que carregam caixas de isopor e a seguir podemos comprovar a participação do narrador
anunciam sorvetes e quando o inocente cidadão pede picolé nos fatos mencionados, EXCETO:
de manga, eis que ele abre a caixa e de lá puxa a arma. Cada A) “Pelo sertão, pareceu-nos do mar muito grande,...”
dia inventam um golpe novo: a juventude é muito criativa, e B) “... Porque a estender a vista não podíamos ver senão
os assaltantes são quase sempre muito jovens. terra e arvoredos,...”
C) “... Parecendo-nos terra muito longa.”
Rubem Braga D) “Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro...”
E) “Mas, a terra em si é muito boa de ares,...”
(UFRJ – 2010 – NCE/UFRJ)  Em vários momentos do
texto, Rubem Braga utiliza longas enumerações cujos ter- 6. Leia o texto a seguir para responder à próxima
mos aparecem ligados pela conjunção E. Esse recurso tem questão.
a seguinte finalidade textual:
Painel do leitor (Carta do leitor)
(A) trazer a ideia de riqueza da cidade, em sua ampla
Resgate no Chile
variedade;
(B) mostrar desagrado do autor diante da confusão rei-
Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de
nante;
salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo
(C) indicar o motivo de a cidade ser ainda considerada de uma mina de cobre e ouro no Chile.
“maravilhosa”; Um a um os mineiros soterrados foram içados com
(D) demonstrar simpatia pelo comércio popular; sucesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cum-
(E) procurar dar maior dinamismo e vivacidade ao texto. primentando seus companheiros de trabalho. Não se pode
esquecer a ajuda técnica e material que os Estados Unidos,
Leia o texto a seguir para responder às próximas 2 Canadá e China ofereceram à equipe chilena de salvamen-
questões. to, num gesto humanitário que só enobrece esses países. E,
também, dos dois médicos e dois “socorristas” que, demons-
A Carta de Pero Vaz de Caminha trando coragem e desprendimento, desceram na mina para
ajudar no salvamento.
De ponta a ponta é toda praia rasa, muito plana e bem
formosa. Pelo sertão, pareceu-nos do mar muito grande, (Douglas Jorge; São  Paulo, SP; www.folha.com.br – pai-
porque a estender a vista não podíamos ver senão terra e ar- nel do leitor – 17/10/2010)
voredos, parecendo-nos terra muito longa. Nela, até agora,
não pudemos saber que haja ouro nem prata, nem nenhuma (DETRAN/RN – 2010 – FGV) - Considerando o tipo
coisa de metal, nem de ferro; nem as vimos. Mas, a terra em textual apresentado, algumas expressões demonstram o
si é muito boa de ares, tão frios e temperados, como os de posicionamento pessoal do leitor diante do fato por ele
Entre-Douro e Minho, porque, neste tempo de agora, assim narrado. Tais marcas textuais podem ser encontradas nos
os achávamos como os de lá. Águas são muitas e infindas. trechos a seguir, EXCETO:
De tal maneira é graciosa que, querendo aproveitá-la dar- A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...”
-se-á nela tudo por bem das águas que tem. B)  “... após 69 dias de permanência no fundo de uma
mina de cobre e ouro no Chile.”
(In: Cronistas e viajantes. São Paulo: Abril Educação, C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...”
1982. p. 12-23. Literatura Comentada. Com adaptações) D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.”
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, desce-
ram na mina...”

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7. Leia o texto a seguir para responder à próxima (FAETEC/RJ – 2010 – CEPERJ) - O modo predominan-
questão. te de organização textual é:
A) descritivo
Os dicionários de meu pai B) narrativo
C) argumentativo
Pouco antes de morrer, meu pai me chamou ao escri- D) dissertativo
tório e me entregou um livro de capa preta que eu nunca E) injuntivo
havia visto. Era o dicionário analógico de Francisco Ferreira
dos Santos Azevedo. Ficava quase escondido, perto dos cinco 8. Leia o texto a seguir para responder à próxima
grandes volumes do dicionário Caldas Aulete, entre outros questão.
livros de consulta que papai mantinha ao alcance da mão
numa estante giratória. Isso pode te servir, foi mais ou menos Olhar o vizinho é o primeiro passo
o que ele então me disse, no seu falar meio grunhido. Era
como se ele,cansado, me passasse um bastão que de alguma Não é preciso ser filósofo na atualidade, para perceber
forma eu deveria levar adiante. E por um tempo aquele livro que o “bom” e o “bem” não prevalecem tanto quanto dese-
me ajudou no acabamento de romances e letras de canções, jamos. Sob a égide de uma moral individualista, o consumo
sem falar das horas em que eu o folheava à toa; o amor aos e a concentração de renda despontam como metas pessoais
dicionários, para o sérvio Milorad Pavic, autor de romances- e fazem muitos de nós nos esquecermos do outro, do irmão,
-enciclopédias, é um traço infantil de caráter de um homem do próximo. Passamos muito tempo olhando para nossos
adulto. próprios umbigos ou mergulhados em nossas crises existen-
Palavra puxa palavra, e escarafunchar o dicionário ana- ciais e não reparamos nos pedidos de ajuda de quem está
lógico foi virando para mim um passatempo. O resultado ao nosso lado. É difícil tirar os óculos escuros da indiferença
é que o livro, herdado já em estado precário, começou a se e estender a mão, não para dar uma esmola à criança que
esfarelar nos meus dedos. Encostei-o na estante das relí- faz malabarismo no sinal, para ganhar um trocado simpá-
quias ao descobrir, num sebo atrás da sala Cecília Meireles, o tico, mas para tentar mudar uma situação adversa, fazer a
mesmo dicionário em encadernação de percalina. Por den- diferença. O que as pessoas que ajudam outras nos mostram
tro estava em boas condições, apesar de algumas manchas é que basta querer, para mudar o mundo. Não é preciso ser
amareladas, e de trazer na folha de rosto a palavra anauê, milionário, para fazer uma doação. Se não há dinheiro, o
escrita a caneta-tinteiro. trabalho também é bem-vindo. Doar um pouco de conheci-
Com esse livro escrevi novas canções e romances, de- mento ou expertise, para fazer o bem a outros que não têm
cifrei enigmas, fechei muitas palavras cruzadas. E ao vê-lo acesso a esses serviços, é mais que caridade: é senso de res-
dar sinais de fadiga, saí de sebo em sebo pelo Rio de Janeiro ponsabilidade. Basta ter disposição e sentimento e fazer um
para me garantir um dicionário analógico de reserva. En- trabalho de formiguinha, pois,como diz o ditado, é a união
contrei dois, mas não me dei por satisfeito, fiquei viciado que faz a força! Graças a esses filósofos da prática, ainda
no negócio. Dei de vasculhar livrarias país afora, só em São podemos colocar fé na humanidade. Eles nos mostram que
Paulo adquiri meia dúzia de exemplares, e ainda arrematei o fazer o bem é bom e seguem esse caminho por puro amor,
último à venda a Amazom.com antes que algum aventureiro vocação e humanismo.
o fizesse. Eu já imaginava deter o monopólio (açambarca-
mento, exclusividade, hegemonia, senhorio, império) de di- (Diário do Nordeste. 28 abr. 2008)
cionários analógicos da língua portuguesa, não fosse pelo
senhor João Ubaldo Ribeiro, que ao que me consta também (AGENTE MUNICIPAL DE TRÂNSITO – 2009 – IEPRO/
tem um quiçá carcomido pelas traças (brocas, carunchos, UECE) 8 – Com relação ao gênero, o texto
gusanos, cupins, térmitas, cáries, lagartas-rosadas, gafanho-
tos, bichos-carpinteiros). A) é uma dissertação
A horas mortas eu corria os olhos pela minha prateleira B) mistura descrição com narração, com predomínio da
repleta de livros gêmeos, escolhia um a esmo e o abria a descrição.
bel-prazer. Então anotava num Moleskine as palavras mais C) mistura descrição com narração, com predomínio da
preciosas, a fim de esmerar o vocabulário com que embas- narração.
bacaria as moças e esmagaria meus rivais. D) mistura descrição, narração e dissertação, com pre-
Hoje sou surpreendido pelo anúncio desta nova edição domínio da narração e da dissertação.
do dicionário analógico de Francisco Ferreira dos Santos E) mistura descrição, narração e dissertação, com pre-
Azevedo. Sinto como se invadissem minha propriedade, revi- domínio da descrição e da dissertação.
rassem meus baús, espalhassem ao vento meu tesouro. Tra-
ta-se para mim de uma terrível (funesta, nefasta, macabra,
atroz, abominável, dilacerante, miseranda) notícia.
(Francisco Buarque de Hollanda, Revista Piauí, junho de
2010)

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Gabarito Em ões ou ães: charlatões/charlatães, guardiões/guar-


diães, cirugiões/cirurgiães.
1-E Em ões, ãos ou ães: anciões/anciãos/anciães, ermi-
2 - E  tões/ermitãos/ermitães
3-B
4-C - Plural dos diminutivos com a letra z. Coloca-se a
5-E palavra no plural, corta-se o s e acrescenta-se zinhos (ou zi-
6-B nhas): coraçãozinho – corações – coraçõe – coraçõezinhos.
7-B
8-A - Plural com metafonia (ô - ó). Algumas palavras,
quando vão ao plural, abrem o timbre da vogal “o”, outras
(Extraído de http://redacaocomhelenademelo.blogspot. não. Com metafonia singular (ô) plural (ó): coro-coros; cor-
com.br/2014/12/questoes-de-concursos-anteriores.html) vo-corvos; destroço-destroços. Sem metafonia singular (ô)
plural (ô): adorno-adornos; bolso-bolsos; transtorno-trans-
tornos.
9. FLEXÃO NOMINAL E VERBAL.
- Casos especiais: aval, avales e avaiscal − cales e cais-
cós − coses e cós – fel, feles e féis – mal e males – cônsul
FLEXÃO NOMINAL e cônsules.

Flexão de número: Os nomes (substantivo, adjetivo - Os dois elementos variam. Quando os compostos
etc.), de modo geral, admitem a flexão de número: singular e são formados por substantivo mais palavra variável (adjeti-
plural: animal – animais. vo, substantivo, numeral, pronome): amor-perfeito − amo-
res-perfeitos; couve-flor − couves-flores; segunda-feira −
- Na maioria das vezes, acrescenta-se S: ponte – pon- segundas-feiras.
tes; bonito – bonitos.
- Só o primeiro elemento varia. Quando há preposição
- Palavras terminadas em R ou Z: acrescenta-se ES: no composto, mesmo que oculta: pé-de-moleque − pés-
éter – éteres; avestruz – avestruzes. O pronome qualquer faz -de-moleque; cavalo-vapor − cavalos-vapor (de ou a va-
o plural no meio: quaisquer por). Quando o segundo substantivo determina o primeiro
(fim ou semelhança): banana-maçã − bananas-maçã (se-
- Palavras oxítonas terminadas em S: acrescenta-se melhante a maçã); navio-escola − navios-escola (a finali-
ES: ananás – ananases. As paroxítonas e as proparoxítonas dade é a escola).
são invariáveis: o pires − os pires, o ônibus − os ônibus Alguns autores admitem a flexão dos dois elementos.
É uma situação polêmica: mangas-espada (preferível) ou
- Palavras terminadas em IL: mangas-espadas. Quando dizemos (e isso vai ocorrer ou-
átono: trocam IL por EIS: fóssil – fósseis. tras vezes) que é uma situação polêmica, discutível, con-
tônico: trocam L por S: funil – funis. vém ter em mente que a questão do concurso deve ser
resolvida por eliminação, ou seja, analisando bem as ou-
- Palavras terminadas em EL: tras opções.
átono: plural em EIS: nível – níveis.
tônico: plural em ÉIS: carretel – carretéis. - Apenas o último elemento varia. Quando os ele-
mentos são adjetivos: hispano-americano − hispano-ame-
- Palavras terminadas em X são invariáveis: o clímax ricanos. A exceção é surdo-mudo, em que os dois adjeti-
− os clímax. vos se flexionam: surdos-mudos. Nos compostos em que
aparecem os adjetivos grão, grã e bel: grão-duque − grão-
- Há palavras cuja sílaba tônica avança: júnior − juniores; -duques; grã-cruz − grã-cruzes; bel-prazer − bel-prazeres.
caráter – caracteres. A palavra Quando o composto é formado por verbo ou qualquer
Caracteres é plural tanto de caractere quanto de caráter. elemento invariável (advérbio, interjeição, prefixo etc.)
mais substantivo ou adjetivo: arranha-céu − arranha-céus;
- Palavras terminadas em ão fazem o plural em ãos, sempre-viva − sempre-vivas; super-homem − super-ho-
ães e ões. mens. Quando os elementos são repetidos ou onomato-
Em ões: balões, corações, grilhões, melões, gaviões. paicos (representam sons): reco-reco − reco-recos; pin-
Em ãos: pagãos, cristãos, cidadãos, bênçãos, órgãos. Os gue-pongue − pingue-pongues; bem-te-vi − bem-te-vis.
paroxítonos, como os dois últimos, sempre fazem o plural Como se vê pelo segundo exemplo, pode haver algu-
em ãos. ma alteração nos elementos, ou seja, não serem iguais. Se
Em ães: escrivães, tabeliães, capelães, capitães, alemães.
forem verbos repetidos, admite-se também pôr os dois no
Em ões ou ãos: corrimões/corrimãos, verões/verãos,
plural: pisca-pisca − pisca-piscas ou piscas-piscas
anões/anãos.

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- Nenhum elemento varia. Quando há verbo mais Flexão de Grau:


palavra invariável: O cola-tudo – os cola-tudo. Quando há
dois verbos de sentido oposto: o perde-ganha – os per- Grau do substantivo
de-ganha. Nas frases substantivas (frases que se transfor- - Normal ou Positivo: sem nenhuma alteração.
mam em substantivos): O maria-vai-com-as-outras − os - Aumentativo: Sintético: chapelão. Analítico: cha-
maria-vai-com-as-outras. péu grande, chapéu enorme etc.
- Diminutivo: Sintético: chapeuzinho. Analítico: cha-
- São invariáveis arco-íris, louva-a-deus, sem-vergonha, péu pequeno, chapéu reduzido etc. Um grau é sintético
sem-teto e sem-terra: Os sem-terra apreciavam os arco-íris. quando formado por sufixo; analítico, por meio de outras
Admitem mais de um plural: pai-nosso − pais-nossos ou palavras.
pai-nossos; padre-nosso − padres-nossos ou padre-nossos;
terra-nova − terras-novas ou terra-novas; salvo-conduto − Grau do adjetivo
salvos-condutos ou salvo-condutos; xeque-mate − xeques- - Normal ou Positivo: João é forte.
-mates ou xeques-mate; fruta-pão − frutas-pães ou frutas- - Comparativo: de superioridade: João é mais forte
-pão; guarda-marinha − guardas-marinhas ou guardas-ma- que André. (ou do que); de inferioridade: João é menos
rinha. Casos especiais: palavras que não se encaixam nas re- forte que André. (ou do que); de igualdade: João é tão
gras: o bem-me-quer − os bem-me-queres; o joão-ninguém forte quanto André. (ou como)
− os joões-ninguém; o lugar-tenente − os lugar-tenentes; o - Superlativo: Absoluto: sintético: João é fortíssimo;
mapa-múndi − os mapas-múndi. analítico: João é muito forte (bastante forte, forte demais
etc.); Relativo: de superioridade: João é o mais forte da
Flexão de Gênero: Os substantivos e as palavras que turma; de inferioridade: João é o menos forte da turma.
o acompanham na frase admitem a flexão de gênero: mas- O grau superlativo absoluto corresponde a um aumen-
culino e feminino: Meu amigo diretor recebeu o primeiro to do adjetivo. Pode ser expresso por um sufixo (íssimo, érri-
mo ou imo) ou uma palavra de apoio, como muito, bastan-
salário. Minha amiga diretora recebeu a primeira prestação.
te, demasiadamente, enorme etc. As palavras maior, menor,
A flexão de feminino pode ocorrer de duas maneiras.
melhor, e pior constituem sempre graus de superioridade: O
carro é menor que o ônibus; menor (mais pequeno): com-
- Com a troca de o ou e por a: lobo – loba; mestre –
parativo de superioridade. Ele é o pior do grupo; pior (mais
mestra.
mau): superlativo relativo de superioridade.
Alguns superlativos absolutos sintéticos que podem apre-
- Por meio de diferentes sufixos nominais de gêne- sentar dúvidas. acre – acérrimo, amargo – amaríssimo; amigo
ro, muitas vezes com alterações do radical: ateu – atéia; – amicíssimo; antigo – antiqüíssimo; cruel – crudelíssimo; doce
bispo – episcopisa; conde – condessa; duque – duquesa; – dulcíssimo; fácil – facílimo; feroz – ferocíssimo; fiel – fidelíssi-
frade – freira; ilhéu – ilhoa; judeu – judia; marajá – marani; mo; geral – generalíssimo; humilde – humílimo; magro – ma-
monje – monja; pigmeu – pigmeia; píton – pitonisa; sandeu cérrimo; negro – nigérrimo; pobre – paupérrimo; sagrado – sa-
– sandia; sultão – sultana. cratíssimo; sério – seriíssimo; soberbo – superbíssimo.
Alguns substantivos são uniformes quanto ao gênero, FLEXÃO VERBAL
ou seja, possuem uma única forma para masculino e femi-
nino. Podem ser: As flexões verbais são expressas por meio dos tempos,
Sobrecomuns: admitem apenas um artigo, podendo modo e pessoa da seguinte forma: O tempo indica o mo-
designar os dois sexos: a pessoa, o cônjuge, a testemunha. mento em que ocorre o processo verbal; O modo indica a
Comuns de dois gêneros: admitem os dois artigos, po- atitude do falante (dúvida, certeza, impossibilidade, pedido,
dendo então ser masculinos ou femininos: o estudante − a imposição, etc.); A pessoa marca na forma do verbo a pes-
estudante, o cientista − a cientista, o patriota − a patriota. soa gramatical do sujeito.
Epicenos: admitem apenas um artigo, designando os Tempos: Há tempos do presente, do passado (pretérito)
animais: O jacaré, a cobra, o polvo e do futuro.

O feminino de elefante é elefanta , e não elefoa. Aliá Modo


é correto, mas designa apenas uma espécie de elefanta.
Mamão, para alguns gramáticos, deve ser considerado epi- Modo Indicativo: Indica uma certeza relativa do falante
ceno. É algo discutível. com referência ao que o verbo exprime; pode ocorrer no
Há substantivos de gênero duvidoso, que as pessoas tempo presente, passado ou futuro:
costumam trocar: champanha aguardente, dó, alface, eclip-
se, calformicida, cataplasma, grama (peso), grafite, milhar Presente: Processo simultâneo ao ato da fala, fato cor-
libido, plasma, soprano, musse, suéter, preá, telefonema. riqueiro, habitual: Compro livros nesta livraria. Usa-se tam-
Existem substantivos que admitem os dois gêneros: bém o presente com o valor de passado, passado histórico
diabetes (ou diabete), laringe, usucapião etc. (nos contos, narrativas)

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Tempos do Pretérito (passado): Exprimem processos 03. Indique a frase correta:


anteriores ao ato da fala. São eles: a) Mariazinha e Rita são duas leva-e-trazes.
- Pretérito Imperfeito: Exprime um processo habitual, b) Os filhos de Clotilde são dois espalhas-brasas.
ou com duração no tempo: Naquela época eu cantava c) O ladrão forçou a porta com dois pés-de-cabra.
como um pássaro. d) Godofredo almoçou duas couves-flor.
- Pretérito Perfeito: Exprime uma ação acabada: Paulo e) Alfredo e Radagásio são dois gentilhomens.
quebrou meu violão de estimação.
- Pretérito Mais-que-Perfeito: Exprime um processo 04. Flexão incorreta:
anterior a um processo acabado: Embora tivera deixado a a) os cidadãos
escola, ele nunca deixou de estudar. b) os açúcares
c) os cônsules
Tempos do Futuro: Indicam processos que irão acon- d) os tóraxes
tecer: e) os fósseis
- Futuro do Presente: Exprime um processo que ainda
não aconteceu: Farei essa viagem no fim do ano. 05. Mesma pronúncia de “bolos”:
- Futuro do Pretérito: Exprime um processo posterior a) tijolos
a um processo que já passou: Eu faria essa viagem se não b) caroços
tivesse comprado o carro. c) olhos
Modo Subjuntivo: Expressa incerteza, possibilidade ou d) fornos
dúvida em relação ao processo verbal e não está ligado e) rostos
com a noção de tempo. Há três tempos: presente, imperfei-
06. Não varia no plural:
to e futuro. Quero que voltes para mim; Não pise na gra-
a) tique-taque
ma; É possível que ele seja honesto; Espero que ele fique
b) guarda-comida
contente; Duvido que ele seja o culpado; Procuro alguém c) beija-flor
que seja meu companheiro para sempre; Ainda que ele d) para-lama
queira, não lhe será concedida a vaga; Se eu fosse bailari- e) cola-tudo
na, estaria na Rússia; Quando eu tiver dinheiro, irei para as
praias do nordeste. 07. Está mal flexionado o adjetivo na alternativa:
a) Tecidos verde-olivas
Modo Imperativo: Exprime atitude de ordem, pedido b) Festas cívico-religiosas
ou solicitação: Vai e não voltes mais. c) Guardas noturnos luso-brasileiros
d) Ternos azul-marinho
Pessoa: A norma da língua portuguesa estabelece três e) Vários porta-estandartes
pessoas: Singular: eu , tu , ele, ela. Plural: nós, vós, eles, elas.
No português brasileiro é comum o uso do pronome de 08. Na sentença “Há frases que contêm mais beleza do
tratamento você (s) em lugar do tu e vós. que verdade”, temos grau:
a) comparativo de superioridade
Exercícios b) superlativo absoluto sintético
c) comparativo de igualdade
d) superlativo relativo
01. Assinale o par de vocábulos que formam o plural
e) superlativo por meio de acréscimo de sufixo
como órfão e mata-burro, respectivamente:
a) cristão / guarda-roupa 09. Assinale a alternativa em que a flexão do substanti-
b) questão / abaixo-assinado vo composto está errada:
c) alemão / beija-flor a) os pés-de-chumbo
d) tabelião / sexta-feira b) os corre-corre
e) cidadão / salário-família c) as públicas-formas
d) os cavalos-vapor
02. Relativamente à concordância dos adjetivos com- e) os vaivéns
postos indicativos de cor, uma, dentre as seguintes, está
errada. Qual? 10. Aponte a alternativa em que haja erro quanto à fle-
a) saia amarelo-ouro xão do nome composto:
b) papel amarelo-ouro a) vice-presidentes, amores-perfeitos, os bota-fora
c) caixa vermelho-sangue b) tico-ticos, salários-família, obras-primas
d) caixa vermelha-sangue c) reco-recos, sextas-feiras, sempre-vivas
e) caixas vermelho-sangue d) pseudo-esferas, chefes-de-seção, pães-de-ló
e) pisca-piscas, cartões-postais, mulas-sem-cabeças

Respostas: 1-A / 2-D / 3-C / 4-D / 5-E / 6-E / 7-A / 8-A


/ 9-B / 10-E /

119
LÍNGUA PORTUGUESA

Classificação dos fonemas


LETRA E FONEMA
1) Vogais: consideradas o núcleo de uma sílaba, as
vogais são fonemas gerados quando o ar passa livremente
pela boca. Não há sílaba sem a presença de uma vogal.
FONÉTICA E FONOLOGIA - Vogais abertas: produzidas quando o ar sai somente
pela boca.
A Gramática visa analisar uma língua em sua plenitude Ex.: cAsA, sOfÁ.
e, por isso mesmo, dedica uma parte especial do estudo ao
fenômeno mais vivo de um sistema de comunicação verbal: - Vogais nasais: geradas quando ar sai pela boca e
sua oralidade. Antes de serem um conjunto de letras, as pelas fossas nasais.
palavras são uma reunião de sons, cuja performance é Ex.:
característica de cada ser falante, singular, individual, [ã]: ânimo, ânsia
variável. [e~]: enfermeiro, ensino
Quando falamos em sons, a expressão “letra” não é [i~]: mim, íntimo
mais correta, já que tal palavra se refere à língua escrita. [õ]: lombo, onça
Na oralidade, as palavras são conjuntos de fonemas, [u~]: algum, um
menor unidade sonora de uma língua. Há duas áreas da
gramática que investigam as particularidades dos sons das - vogais átonas: aquelas pronunciadas com pouca
palavras quando pronunciadas: a Fonética e a Fonologia. intensidade, as que não integram uma sílaba tônica.
Ex. casa, escola, sofá, anjo.
Fonologia
- vogais tônicas: as que são emitidas com maior
É a área da Gramática que investiga o conceito de intensidade, presentes nas sílabas tônicas.
fonema, seu comportamento e característica capaz Ex. casa, escola, sofá, anjo.
de, numa determinada combinação, criar significados Podemos também classificar as vogais quanto ao
diferentes. timbre e aí elas podem ser:

Fonética - abertas: égua, ótimo, mel, égide, molde, colo, hora.

Área da Gramática que estuda as possibilidades de - fechadas: escola, eficiente, horário, orifício, último.
variação de um fonema, que por se tratar da emissão de
um som, pode diferenciar a cada desempenho,
2) Semivogais: são os fonemas que servem de apoio
Diferença entre letra e fonema a uma vogal num encontro vocálico, são emitidas com
menos potência.
Somos habituados à expressão “letra”, mas pouco
familiarizados ao conceito de fonema. Enquanto a primeira Ex.: herói [vogal ó, semivogal i]
consiste num registro gráfico, próprio da língua escrita, saudade [vogal a, semivogal u]
fonema se define enquanto a menor unidade sonora a ser pais [vogal a, semivogal i]
pronunciada por um emissor, uma realidade acústica. heroico [vogal o, semivogal i]
Uma letra pode representar fonemas distintos. Por
exemplo a letra “x”, esta pode aparecer com o som de [z] Notemos que o “i” e “u” desempenham o papel de
em exímio, som de [ch] em xícara e som de [ks] como em semivogal num encontro vocálico. Vale lembrar que
táxi. Além disso, vale destacar que um único fonema pode sílabas constituídas por [m] com nasalizador também
ser caracterizado por letras diferentes. É o caso do fonema constituem encontros vocálicos com semivogais. Ex.:
[ch], representado em chuveiro, com as letras “ch” e luxo, cem [vogal e, semivogal [m]]
com “x”.
A Língua Portuguesa se destaca por essa particularidade, 3) Consoante: fonemas gerados quando o ar encontra
já que é a língua que mais apresenta letras diferentes para um “obstáculo” ao sair dos pulmões, surgindo como
um mesmo fonema. Isso acaba justificando os constantes verdadeiros ruídos. Sãos consoantes:
erros grafia das palavras.
b, c, d, f, g, h, j, k, l, m, n, p, q, r, s, t, v, x, w, z

120
LÍNGUA PORTUGUESA

Encontros fonéticos Dígrafos vocálicos

1) Encontros vocálicos: chamamos de encontros Fonemas Letras Exemplos


vocálicos a união de vogais e de semivogais em uma
ã am lâmpada
palavra. Há três tipos: ditongos, tritongos e hiatos.
an manto
a) Ditongos: encontro de uma vogal e uma semivogal e~ em tempo
em uma mesma sílaba. Podem ser: en emenda
i~ im límpido
- crescente: quando a semivogal antecede a vogal. Ex.: in lindo
cárie [i-semivogal, e- vogal] Õ om combo
- decrescente: quando a vogal surgir antes da
semivogal. Ex.: herói. [o -vogal, i -semivogal] on tonto
- oral: quando o ar sai somente pela boca. Ex. Dói, rói, u~ um chumbo
meu, un mundo
- nasal: quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais.
Ex.: mãe, irmão.
Exercícios
b) Tritongo: série constituída por uma semivogal,
vogal e outra semivogal, na mesma sílaba, Ex.: Uruguai, 1. Assinale a alternativa errada a respeito da palavra
Paraguai. “churrasqueira”. 
a) apresenta 13 letras e 10 fonemas
c) Hiato: encontro, em uma palavra, de duas vogais b) apresenta 3 dígrafos: ch, rr, qu
que integram sílabas diferentes. Há uma pausa entre os c) divisão silábica: chur-ras-quei-ra
dois fonemas. Ex.: saúde, saída, poesia. d) é paroxítona e polissílaba
e) apresenta o tritongo: uei
2) Encontros consonantais: chamamos de encontros
consonantais o agrupamento de duas consoantes, sem 2. Qual das alternativas abaixo possui palavras com
a presença de vogal intermediária, em uma palavra. Tal mais letras do que fonemas?
fenômeno pode surgir numa mesma sílaba (como no caso a) Caderno
de prego, claro, criança), ou sílabas diferentes (porta, b) Chapéu
mesmo, ritmo). c) Flores
d) Livro
3) Dígrafos: quando duas letras representam um só e) Disco
fonema. Há dígrafos vocálicos e consonantais.
3. Assinale a melhor resposta. Em papagaio, temos:
Dígrafos consonantais: a) um ditongo
b) um tritongo
c) um trissílabo
Letras Fonemas Exemplos
d) um oxítono
lh lhe alho e) um proparoxítono
nh nhe manhã
ch xe chuveiro 4. Assinale a série em que apenas um dos vocábulos
rr re carroça não possui dígrafo:
ss se massa a) folha - ficha - lenha - fecho
b) lento - bomba - trinco - algum
qu que queijo
c) águia - queijo - quatro - quero
gu gue guia, guerreiro d) descer - cresço - exceto - exsudar
sc se ascensão e) serra - vosso - arrepio - assinar
sç se desço
xc se exceção

121
LÍNGUA PORTUGUESA

5. Assinale a alternativa que inclui palavras da frase 11. Nas palavras alma, pinto e porque, temos,
abaixo que contêm, respectivamente, um ditongo oral respectivamente:
crescente e um hiato. As mágoas de minha mãe, que a) 4 fonemas - 5 fonemas - 6 fonemas.
sofria em silêncio, jamais foram compreendidas por b) 5 fonemas - 5 fonemas - 5 fonemas.
mim e meus irmãos. c) 4 fonemas - 4 fonemas - 5 fonemas.
a) foram - minha d) 5 fonemas - 4 fonemas - 6 fonemas.
b) sofria - jamais e) 4 fonemas - 5 fonemas - 5 fonemas.
c) meus - irmãos
d) mãe - silêncio
12. A alternativa que apresenta uma incorreção é:
e) mágoas – compreendidas
a) o fonema está diretamente ligado ao som da fala.
6. Assinale a sequência em que todas as palavras b) as letras são representações gráficas dos fonemas.
estão partidas corretamente. c) a palavra “tosse” possui quatro fonemas.
a) trans-a-tlân-ti-co / fi-el / sub-ro-gar d) uma única letra pode representar fonemas diferentes.
b) bis-a-vô / du-e-lo / fo-ga-réu e) a letra “h” sempre representa um fonema.
c) sub-lin-gual / bis-ne-to / de-ses-pe-rar
d) des-li-gar / sub-ju-gar / sub-scre-ver 13. Todas as palavras abaixo possuem um encontro
e) cis-an-di-no / es-pé-cie / a-teu vocálico e um encontro consonantal, exceto:
a) destruir.
7. Segundo as normas do vocabulário oficial, a b) magnésio.
separação silábica está corretamente efetuada em c) adstringente.
ambos os vocábulos das opções: d) pneu.
a) to-cas-sem, res-pon-dia e) autóctone.
b) mer-ce-ná-ri-o, co-in-ci-di-am
c) po-e-me-to, pré-dio 14. A série em que todas as palavras apresentam
d) ru-i-vo, pe-rí-o-do dígrafo é:
e) do-is, pau-sas a) assinar / bocadinho / arredores.
b) residência / pingue-pongue / dicionário.
8. Assinale a alternativa que não apresenta todas as
c) digno / decifrar / dissesse.
palavras separadas corretamente.
d) dizer / holandês / groenlandeses.
a) de-se-nho, po-vo-ou, fan-ta-si-a, mi-lhões
b) di-á-rio, a-dul-tos, can-tos, pla-ne-ta e) futebolísticos / diligentes / comparecimento.
c) per-so-na-gens, po-lí-cia, ma-gia, i-ni-ci-ou
d) con-se-guir, di-nhei-ro, en-con-trei, ar-gu-men-tou 15. Verificamos a presença de um hiato em:
e) pais, li-ga-ção, a-pre-sen-ta-do, au-tên-ti-co a) entendia.
b) trabalho.
9. Dadas as palavras: Sub-ter-râ-neo / su-bes-ti-mar c) conjeturou.
/ trans-tor-no, constatamos que a separação silábica d) mais.
está correta: e) saguão.
a) apenas n 1;
b) apenas n 2; 16. A alternativa que apresenta certa dificuldade de
c) apenas n 1 e 2; distinção entre ditongo crescente e hiato é:
d) em todas as palavras a) pai-saúde-mau-juízo.
e) n. d. a. b) Saara-preencher-cruel-doer.
c) faísca-degrau-chapéu-vôo.
10. Dadas as palavras: tung-stê-nio / bis-a-vô / du- d) piada-miolo-poente-miudeza.
e-lo, constatamos que a separação silábica está correta:
e) frear-foi-saída-rei.
a) apenas n 1
b) apenas n 2
17. A alternativa que apresenta uma incorreção é:
c) apenas n 3
d) em todas as palavras a) “chapéu” possui um dígrafo e um ditongo
e) n. d. a. decrescente.
b) “guerreiro” possui dois dígrafos e um ditongo
decrescente.
c) “mangueira” possui dois dígrafos e um ditongo
decrescente.
d) “enxagüei” possui dois dígrafos e um tritongo.
e) “exato” não possui dígrafos e nem encontro vocálico.

122
LÍNGUA PORTUGUESA

18. A alternativa em que as letras sublinhadas 24. Indique a palavra que tem 5 fonemas:
nas palavras constituem, respectivamente, dígrafo e a) ficha.
encontro consonantal é: b) molhado.
a) exceção / étnico c) guerra.
b) banho / desça d) fixo.
c) seguir / nascimento e) hulha.
d) aquático / psicologia 25. Assinale o vocábulo com ditongo nasal
e) occipital / represa decrescente:
a) quando.
19. Observe os encontros vocálicos e os dígrafos e b) zangou.
assinale a única afirmativa incorreta: c) misteriosos.
a) na palavra cãibra ocorre um ditongo nasal d) vitória.
decrescente. e) moravam.
b) na palavra frequente ocorre um ditongo oral
crescente. 26. A palavra “charuto” apresenta:
c) na palavra radiouvinte ocorre um tritongo oral. a) um dígrafo e seis fonemas.
d) na palavra pneumonia ocorrem um ditongo b) um dígrafo e sete fonemas.
decrescente e um hiato. c) sete letras e sete fonemas.
e) na palavra zoologia ocorrem dois hiatos. d) sete letras e dois dígrafos.
e) sete letras e cinco fonemas.
20. Observe os encontros vocálicos e os dígrafos e
assinale a única afirmativa incorreta: 27. Marque o item que apresenta erro na divisão
a) a palavra discente tem dígrafo consonantal e um silábica:
dígrafo vocálico. a) téc-ni-co
b) a palavra entranhas tem um dígrafo vocálico e um b) de-ce-pção
dígrafo consonantal. c) ad-jun-to
c) a palavra também tem dois dígrafos vocálicos. d) con-fec-ção
d) a palavra tranquilo tem um dígrafo vocálico e não e) obs-tá-cu-lo
apresenta dígrafo consonantal.
e) a palavra borracha tem dois dígrafos consonantais. (Exercícios retirados de http://www.mundovestibular.
com.br/ar ticles/5965/1/Exercicios-de-Fonetica/
21. O vocábulo cujo número de letras é igual ao Paacutegina1.html)
número de fonemas está em:
a) sucedida.
b) habitando.
c) grandes.
d) espinhos.
e) ressoou.

22. A palavra que apresenta ditongo crescente é:


a) acordou.
b) teriam.
c) noites.
d) jamais.
e) quando.

23. Só não existe hiato em:


a) atoleiros.
b) miaram.
c) ruído.
d) defendiam.
e) haviam.

123
LÍNGUA PORTUGUESA

Gabarito
ANOTAÇÕES
1 E 
2 B 
3 A  ___________________________________________________
4 C 
5 E  ___________________________________________________
6 C 
___________________________________________________
7 C 
8 C  ___________________________________________________
9D
10 C  ___________________________________________________
11 C
12 E ___________________________________________________
13 C ___________________________________________________
14 A
15 A ___________________________________________________
16 D
17 D ___________________________________________________
18 A
19 B ___________________________________________________
20 C ___________________________________________________
21 A
22 E ___________________________________________________
23 A
24 D ___________________________________________________
25 E
___________________________________________________
26 A
27 B ___________________________________________________

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LÍNGUA PORTUGUESA

ANOTAÇÕES

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LÍNGUA PORTUGUESA

ANOTAÇÕES

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EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Língua Portuguesa

1
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

1-) (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC/ (D) Um levantamento, (X) mostrou que os adolescentes
SP – ADMINISTRADOR - VUNESP/2013) Assinale a al- americanos, (X) consomem (X) em média (X) 357 calorias
ternativa correta quanto à concordância, de acordo diárias dessa fonte.
com a norma-padrão da língua portuguesa. (E) Um levantamento mostrou que os adolescentes
(A) A má distribuição de riquezas e a desigualdade americanos, (X) consomem (X) em média (X) 357 calorias
social está no centro dos debates atuais. diárias, (X) dessa fonte.
(B) Políticos, economistas e teóricos diverge em re-
lação aos efeitos da desigualdade social. RESPOSTA: “C”.
(C) A diferença entre a renda dos mais ricos e a dos
mais pobres é um fenômeno crescente. 3-) (TRT/RO E AC – ANALISTA JUDICIÁRIO –
(D) A má distribuição de riquezas tem sido muito FCC/2011) Estão plenamente observadas as normas de
criticado por alguns teóricos. concordância verbal na frase:
(E) Os debates relacionado à distribuição de rique- a) Destinam-se aos homens-placa um lugar visível
zas não são de exclusividade dos economistas. nas ruas e nas praças, ao passo que lhes é suprimida a
visibilidade social.
Realizei a correção nos itens: b) As duas tábuas em que se comprimem o famige-
(A) A má distribuição de riquezas e a desigualdade so- rado homem-placa carregam ditos que soam irônicos,
cial está = estão como “compro ouro”.
(B) Políticos, economistas e teóricos diverge = diver- c) Não se compara aos vexames dos homens-placa
gem a exposição pública a que se submetem os guardadores
(C) A diferença entre a renda dos mais ricos e a dos de carros.
mais pobres é um fenômeno crescente. d) Ao se revogarem o emprego de carros-placa na
(D) A má distribuição de riquezas tem sido muito criti- propaganda imobiliária, poupou-se a todos uma de-
cado = criticada monstração de mau gosto.
(E) Os debates relacionado = relacionados
e) Não sensibilizavam aos possíveis interessados
em apartamentos de luxo a visão grotesca daqueles ve-
RESPOSTA: “C”.
lhos carros-placa.
2-) (COREN/SP – ADVOGADO – VUNESP/2013) Se-
Fiz as correções entre parênteses:
guindo a norma-padrão da língua portuguesa, a frase
a) Destinam-se (destina-se) aos homens-placa um lu-
– Um levantamento mostrou que os adolescentes ame-
gar visível nas ruas e nas praças, ao passo que lhes é supri-
ricanos consomem em média 357 calorias diárias dessa
fonte. – recebe o acréscimo correto das vírgulas em: mida a visibilidade social.
(A) Um levantamento mostrou, que os adolescentes b) As duas tábuas em que se comprimem (comprime)
americanos consomem em média 357 calorias, diárias o famigerado homem-placa carregam ditos que soam irô-
dessa fonte. nicos, como “compro ouro”.
(B) Um levantamento mostrou que, os adolescentes c) Não se compara aos vexames dos homens-placa a
americanos consomem, em média 357 calorias diárias exposição pública a que se submetem os guardadores de
dessa fonte. carros.
(C) Um levantamento mostrou que os adolescentes d) Ao se revogarem (revogar) o emprego de carros-
americanos consomem, em média, 357 calorias diárias -placa na propaganda imobiliária, poupou-se a todos uma
dessa fonte. demonstração de mau gosto.
(D) Um levantamento, mostrou que os adolescentes e) Não sensibilizavam (sensibilizava) aos possíveis in-
americanos, consomem em média 357 calorias diárias teressados em apartamentos de luxo a visão grotesca da-
dessa fonte. queles velhos carros-placa.
(E) Um levantamento mostrou que os adolescentes
americanos, consomem em média 357 calorias diárias, RESPOSTA: “C”.
dessa fonte.
4-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011)
Assinalei com um “X” onde há pontuação inadequada Assinale a palavra que tenha sido acentuada seguindo a
ou faltante: mesma regra que distribuídos.
(A) Um levantamento mostrou, (X) que os adolescentes (A) sócio
americanos consomem (X) em média (X) 357 calorias, (X) (B) sofrê-lo
diárias dessa fonte. (C) lúcidos
(B) Um levantamento mostrou que, (X) os adolescentes (D) constituí
americanos consomem, em média (X) 357 calorias diárias (E) órfãos
dessa fonte.
(C) Um levantamento mostrou que os adolescentes Distribuímos = regra do hiato
americanos consomem, em média, 357 calorias diárias des- (A) sócio = paroxítona terminada em ditongo
sa fonte.

3
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

(B) sofrê-lo = oxítona (não se considera o pronome (...) O uso do pronome de tratamento Vossa Senhoria
oblíquo. Nunca!) (abreviado V. Sa.) para vereadores está correto, sim. Numa
(C) lúcidos = proparoxítona Câmara de Vereadores só se usa Vossa Excelência para o seu
(D) constituí = regra do hiato (diferente de “constitui” presidente, de acordo com o Manual de Redação da Presi-
– oxítona: cons-ti-tui) dência da República (1991).
(E) órfãos = paroxítona terminada em “ão” (Fonte: http://www.linguabrasil.com.br/nao-tropece-de-
tail.php?id=393)
RESPOSTA: “D”.
RESPOSTA: “E”.
5-) (TRT/PE – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2012)
A concordância verbal está plenamente observada na 7-) (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
frase: ... valores e princípios que sejam percebidos pela so-
(A) Provocam muitas polêmicas, entre crentes e ciedade como tais.
materialistas, o posicionamento de alguns religiosos e Transpondo para a voz ativa a frase acima, o verbo
parlamentares acerca da educação religiosa nas escolas passará a ser, corretamente,
públicas. (A) perceba.
(B) Sempre deverão haver bons motivos, junto (B) foi percebido.
àqueles que são contra a obrigatoriedade do ensino (C) tenham percebido.
religioso, para se reservar essa prática a setores da ini- (D) devam perceber.
ciativa privada. (E) estava percebendo.
(C) Um dos argumentos trazidos pelo autor do tex-
to, contra os que votam a favor do ensino religioso na ... valores e princípios que sejam percebidos pela so-
escola pública, consistem nos altos custos econômicos ciedade como tais = dois verbos na voz passiva, então te-
que acarretarão tal medida. remos um na ativa: que a sociedade perceba os valores e
(D) O número de templos em atividade na cidade princípios...
de São Paulo vêm gradativamente aumentando, em
proporção maior do que ocorrem com o número de es- RESPOSTA: “A”
colas públicas.
(E) Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 8-) (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
como a regulação natural do mercado sinalizam para A concordância verbal e nominal está inteiramente cor-
as inconveniências que adviriam da adoção do ensino reta na frase:
religioso nas escolas públicas. (A) A sociedade deve reconhecer os princípios e
valores que determinam as escolhas dos governantes,
(A) Provocam = provoca (o posicionamento) para conferir legitimidade a suas decisões.
(B) Sempre deverão haver bons motivos = deverá haver (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes
(C) Um dos argumentos trazidos pelo autor do texto, devem ser embasados na percepção dos valores e prin-
contra os que votam a favor do ensino religioso na escola cípios que regem a prática política.
pública, consistem = consiste. (C) Eleições livres e diretas é garantia de um verda-
(D) O número de templos em atividade na cidade de deiro regime democrático, em que se respeita tanto as
São Paulo vêm gradativamente aumentando, em propor- liberdades individuais quanto as coletivas.
ção maior do que ocorrem = ocorre (D) As instituições fundamentais de um regime de-
(E) Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação como mocrático não pode estar subordinado às ordens indis-
a regulação natural do mercado sinalizam para as inconve- criminadas de um único poder central.
niências que adviriam da adoção do ensino religioso nas (E) O interesse de todos os cidadãos estão voltados
escolas públicas. para o momento eleitoral, que expõem as diferentes
opiniões existentes na sociedade.
RESPOSTA: “E”. Fiz os acertos entre parênteses:
(A) A sociedade deve reconhecer os princípios e va-
6-) (TRE/PA- ANALISTA JUDICIÁRIO – FGV/2011) lores que determinam as escolhas dos governantes, para
Segundo o Manual de Redação da Presidência da Repú- conferir legitimidade a suas decisões.
blica, NÃO se deve usar Vossa Excelência para (B) A confiança dos cidadãos em seus dirigentes de-
(A) embaixadores. vem (deve) ser embasados (embasada) na percepção dos
(B) conselheiros dos Tribunais de Contas estaduais. valores e princípios que regem a prática política.
(C) prefeitos municipais. (C) Eleições livres e diretas é (são) garantia de um ver-
(D) presidentes das Câmaras de Vereadores. dadeiro regime democrático, em que se respeita (respei-
(E) vereadores. tam) tanto as liberdades individuais quanto as coletivas.
(D) As instituições fundamentais de um regime demo-
crático não pode (podem) estar subordinado (subordina-
das) às ordens indiscriminadas de um único poder central.

4
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

(E) O interesse de todos os cidadãos estão (está) vol- 11-) (TRE/AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010)
tados (voltado) para o momento eleitoral, que expõem (ex- A pontuação está inteiramente adequada na frase:
põe) as diferentes opiniões existentes na sociedade. a) Será preciso, talvez, redefinir a infância já que as
crianças de hoje, ao que tudo indica nada mais têm a
RESPOSTA: “A”. ver com as de ontem.
b) Será preciso, talvez redefinir a infância: já que
9-) (TRE/AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – FCC/2010) as crianças, de hoje, ao que tudo indica nada têm a ver,
A frase que admite transposição para a voz passiva é: com as de ontem.
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sa- c) Será preciso, talvez: redefinir a infância, já que
grado. as crianças de hoje ao que tudo indica, nada têm a ver
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma com as de ontem.
grande diversidade de fenômenos. d) Será preciso, talvez redefinir a infância? - já que
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da so- as crianças de hoje ao que tudo indica, nada têm a ver
ciedade, a própria sociedade e seu instrumento de uni- com as de ontem.
ficação. e) Será preciso, talvez, redefinir a infância, já que
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto as crianças de hoje, ao que tudo indica, nada têm a ver
da vida (...). com as de ontem.
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar ilu-
dido e da falsa consciência. Devido à igualdade textual entre os itens, a apresenta-
ção da alternativa correta indica quais são as inadequações
(A) O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagra- nas demais.
do.
(B) O conceito de espetáculo unifica e explica uma RESPOSTA: “E”.
grande diversidade de fenômenos.
- Uma grande diversidade de fenômenos é unificada e 12-) (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE –
explicada pelo conceito... ALUNO SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012)
(C) O espetáculo é ao mesmo tempo parte da socieda- No trecho: “O crescimento econômico, se associado à
de, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. ampliação do emprego, PODE melhorar o quadro aqui
(D) As imagens fluem desligadas de cada aspecto da sumariamente descrito.”, se passarmos o verbo desta-
vida (...). cado para o futuro do pretérito do indicativo, teremos
(E) Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido a forma:
e da falsa consciência. A) puder.
B) poderia.
RESPOSTA: “B”. C) pôde.
D) poderá.
10-) (MPE/AM - AGENTE DE APOIO ADMINISTRA- E) pudesse.
TIVO - FCC/2013) “Quando a gente entra nas serrarias,
vê dezenas de caminhões parados”, revelou o analista Conjugando o verbo “poder” no futuro do pretérito do
ambiental Geraldo Motta. Indicativo: eu poderia, tu poderias, ele poderia, nós pode-
Substituindo-se Quando por Se, os verbos subli- ríamos, vós poderíeis, eles poderiam. O sujeito da oração
nhados devem sofrer as seguintes alterações: é crescimento econômico (singular), portanto, terceira pes-
(A) entrar − vira soa do singular (ele) = poderia.
(B) entrava − tinha visto
(C) entrasse − veria RESPOSTA: “B”.
(D) entraria − veria
(E) entrava − teria visto 13-) (TRE/AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011)
Entre as frases que seguem, a única correta é:
Se a gente entrasse (verbo no singular) na serraria, ve- a) Ele se esqueceu de que?
ria = entrasse / veria. b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para dis-
tribui-lo entre os presentes.
RESPOSTA: “C”. c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas
críticas.
d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindica-
ções dos funcionários.
e) Não sei por que ele mereceria minha conside-
ração.

5
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

(A) Ele se esqueceu de que? = quê? 15-) (CETESB/SP - ANALISTA ADMINISTRATIVO -


(B) Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu para RECURSOS HUMANOS - VUNESP/2013 - ADAPTADA)
distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes. Considere as orações: … sabíamos respeitar os mais
(C) Embora devêssemos (devêssemos) , não fomos ex- velhos! / E quando eles falavam nós calávamos a boca!
cessivos nas críticas. Alterando apenas o tempo dos verbos destacados
(D) O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às reivindi- para o tempo presente, sem qualquer outro ajuste,
cações dos funcionários. tem-se, de acordo com a norma-padrão da língua por-
(E) Não sei por que ele mereceria minha consideração. tuguesa:
(A) … soubemos respeitar os mais velhos! / E quan-
RESPOSTA: “E”. do eles falaram nós calamos a boca!
(B) … saberíamos respeitar os mais velhos! / E quan-
14-) (FUNDAÇÃO CASA/SP - AGENTE ADMINIS- do eles falassem nós calaríamos a boca!
TRATIVO - VUNESP/2011 - ADAPTADA) Observe as (C) … soubéssemos respeitar os mais velhos! / E
frases do texto: quando eles falassem nós calaríamos a boca!
I, Cerca de 75 por cento dos países obtêm nota ne- (D) … saberemos respeitar os mais velhos! / E quan-
gativa... do eles falarem nós calaremos a boca!
II,... à Venezuela, de Chávez, que obtém a pior clas- (E) … sabemos respeitar os mais velhos! / E quando
sificação do continente americano (2,0)... eles falam nós calamos a boca!
Assim como ocorre com o verbo “obter” nas frases
I e II, a concordância segue as mesmas regras, na ordem No presente: nós sabemos / eles falam.
dos exemplos, em:
(A) Todas as pessoas têm boas perspectivas para o RESPOSTA: “E”.
próximo ano. Será que alguém tem opinião diferente
da maioria? 16-) (UNESP/SP - ASSISTENTE TÉCNICO ADMINIS-
(B) Vem muita gente prestigiar as nossas festas ju- TRATIVO - VUNESP/2012) A correlação entre as formas
ninas. Vêm pessoas de muito longe para brincar de qua- verbais está correta em:
drilha. (A) Se o consumo desnecessário vier a crescer, o
(C) Pouca gente quis voltar mais cedo para casa. planeta não resistiu.
Quase todos quiseram ficar até o nascer do sol na praia. (B) Se todas as partes do mundo estiverem com alto
(D) Existem pessoas bem intencionadas por aqui, poder de consumo, o planeta em breve sofrerá um co-
mas também existem umas que não merecem nossa lapso.
atenção. (C) Caso todo prazer, como o da comida, o da bebi-
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam. da, o do jogo, o do sexo e o do consumo não conheces-
se distorções patológicas, não haverá vícios.
Em I, obtêm está no plural; em II, no singular. Vamos (D) Se os meios tecnológicos não tivessem se tor-
aos itens: nado tão eficientes, talvez as coisas não ficaram tão
(A) Todas as pessoas têm (plural) ... Será que alguém baratas.
tem (singular) (E) Se as pessoas não se propuserem a consumir
(B) Vem (singular) muita gente... Vêm pessoas (plural) conscientemente, a oferta de produtos supérfluos cres-
(C) Pouca gente quis (singular)... Quase todos quise- cia.
ram (plural)
(D) Existem (plural) pessoas ... mas também existem Fiz as correções necessárias:
umas (plural) (A) Se o consumo desnecessário vier a crescer, o plane-
(E) Aqueles que não atrapalham muito ajudam (ambas ta não resistiu = resistirá
as formas estão no plural) (B) Se todas as partes do mundo estiverem com alto
poder de consumo, o planeta em breve sofrerá um colapso.
RESPOSTA: “A”. (C) Caso todo prazer, como o da comida, o da bebida,
o do jogo, o do sexo e o do consumo não conhecesse dis-
torções patológicas, não haverá = haveria
(D) Se os meios tecnológicos não tivessem se tornado
tão eficientes, talvez as coisas não ficaram = ficariam (ou
teriam ficado)
(E) Se as pessoas não se propuserem a consumir cons-
cientemente, a oferta de produtos supérfluos crescia =
crescerá

RESPOSTA: “B”.

6
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

17-) (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁ- 19-) (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁ-
RIA – VUNESP/2010) Assinale a alternativa que preen- RIA – VUNESP/2010) Assinale a alternativa em que as
che adequadamente e de acordo com a norma culta a palavras são acentuadas graficamente pelos mesmos
lacuna da frase: Quando um candidato trêmulo ______ eu motivos que justificam, respectivamente, as acentua-
lhe faria a pergunta mais deliciosa de todas. ções de: década, relógios, suíços.
(A) entrasse (A) flexíveis, cartório, tênis.
(B) entraria (B) inferência, provável, saída.
(C) entrava (C) óbvio, após, países.
(D) entrar (D) islâmico, cenário, propôs.
(E) entrou (E) república, empresária, graúda.

O verbo “faria” está no futuro do pretérito, ou seja, in- Década = proparoxítona / relógios = paroxítona termi-
dica que é uma ação que, para acontecer, depende de ou- nada em ditongo / suíços = regra do hiato
tra. Exemplo: Quando um candidato entrasse, eu faria / Se (A) flexíveis e cartório = paroxítonas terminadas em
ele entrar, eu farei / Caso ele entre, eu faço... ditongo / tênis = paroxítona terminada em “i” (seguida
de “s”)
RESPOSTA: “A”. (B) inferência = paroxítona terminada em ditongo /
provável = paroxítona terminada em “l” / saída = regra do
18-) (TJ/SP – AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁ- hiato
RIA – VUNESP/2010 - ADAPTADA) (C) óbvio = paroxítona terminada em ditongo / após
Assinale a alternativa de concordância que pode ser = oxítona terminada em “o” + “s” / países = regra do hiato
considerada correta como variante da frase do texto – (D) islâmico = proparoxítona / cenário = paroxítona
A maioria considera aceitável que um convidado che- terminada em ditongo / propôs = oxítona terminada em
gue mais de duas horas ... “o” + “s”
(A) A maioria dos cariocas consideram aceitável (E) república = proparoxítona / empresária = paroxíto-
que um convidado chegue mais de duas horas... na terminada em ditongo / graúda = regra do hiato
(B) A maioria dos cariocas considera aceitáveis que
um convidado chegue mais de duas horas... RESPOSTA: “E”.
(C) As maiorias dos cariocas considera aceitáveis
que um convidado chegue mais de duas horas... 20-) (POLÍCIA CIVIL/SP – AGENTE POLICIAL - VU-
(D) As maiorias dos cariocas consideram aceitáveis NESP/2013) De acordo com a norma- padrão da
que um convidado chegue mais de duas horas... língua portuguesa, o acento indicativo de crase está
(E) As maiorias dos cariocas consideram aceitável corretamente empregado em:
que um convidado cheguem mais de duas horas... (A) A população, de um modo geral, está à espera
de que, com o novo texto, a lei seca possa coibir os aci-
Fiz as indicações: dentes.
(A) A maioria dos cariocas consideram (ou considera, (B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à
tanto faz) aceitável que um convidado chegue mais de repensarem a sua postura.
duas horas... (C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos
(B) A maioria dos cariocas considera (ok) aceitáveis à punições muito mais severas.
(aceitável) que um convidado chegue mais de duas horas... (D) À ninguém é dado o direito de colocar em risco
(C) As (A) maiorias (maioria) dos cariocas considera (ok) a vida dos demais motoristas e de pedestres.
aceitáveis (aceitável) que um convidado chegue mais de (E) Cabe à todos na sociedade zelar pelo cumpri-
duas horas... mento da nova lei para que ela possa funcionar.
(D) As (A) maiorias (maioria) dos cariocas consideram
(ok) aceitáveis (aceitável) que um convidado chegue mais (A) A população, de um modo geral, está à espera (dá
de duas horas... para substituir por “esperando”) de que
(E) As (A) maiorias (maioria) dos cariocas consideram (B) A nova lei chega para obrigar os motoristas à re-
(ok) aceitável que um convidado cheguem (chegue) mais pensarem (antes de verbo)
de duas horas... (C) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à
punições (generalizando, palavra no plural)
RESPOSTA: “A”. (D) À ninguém (pronome indefinido)
(E) Cabe à todos (pronome indefinido)

RESPOSTA: “A”.

7
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

(TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 21-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO
- ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 - PAULO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VU-
ADAPTADO) Leia o texto, para responder às questões NESP/2013) Assinale a alternativa contendo passagem
de números 21 e 22. em que o autor simula dialogar com o leitor.
Veja, aí estão eles, a bailar seu diabólico “pas de (A) Acalme-se, conterrâneo. Acostume-se com sua
deux” (*): sentado, ao fundo do restaurante, o cliente existência plebeia.
paulista acena, assovia, agita os braços num agônico (B) Ô, companheiro, faz meia hora que eu cheguei...
polichinelo; encostado à parede, marmóreo e impas- (C) Veja, aí estão eles, a bailar seu diabólico “pas de
sível, o garçom carioca o ignora com redobrada aten- deux”.
ção. O paulista estrebucha: “Amigô?!”, “Chefê?!”, “Par- (D) Sim, meu caro paulista...
ceirô?!”; o garçom boceja, tira um fiapo do ombro, olha (E) Ah, paulishhhhta otááário...
pro lustre.
Eu disse “cliente paulista”, percebo a redundância: Em “meu caro paulista”, o autor está dirigindo-se a nós,
o paulista é sempre cliente. Sem querer estereotipar, leitores.
mas já estereotipando: trata-se de um ser cujas inte-
rações sociais terminam, 99% das vezes, diante da per- RESPOSTA: “D”.
gunta “débito ou crédito?”.[...] Como pode ele entender
que o fato de estar pagando não garantirá a atenção do 22-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO
garçom carioca? Como pode o ignóbil paulista, nascido PAULO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VU-
e criado na crua batalha entre burgueses e proletários, NESP/2013) O contexto em que se encontra a passa-
compreender o discreto charme da aristocracia? gem – Se deixou de bajular os príncipes e princesas do
Sim, meu caro paulista: o garçom carioca é antes século 19, passou a servir reis e rainhas do 20 (2.º pará-
de tudo um nobre. Um antigo membro da corte que grafo) – leva a concluir, corretamente, que a menção a
esconde, por trás da carapinha entediada, do descaso (A) príncipes e princesas constitui uma referência
e da gravata borboleta, saudades do imperador. [...] em sentido não literal.
Se deixou de bajular os príncipes e princesas do século (B) reis e rainhas constitui uma referência em sen-
19, passou a servir reis e rainhas do 20: levou gim tô- tido não literal.
nicas para Vinicius e caipirinhas para Sinatra, uísques (C) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma
para Tom e leites para Nelson, recebeu gordas gorjetas referência em sentido não literal.
de Orson Welles e autógrafos de Rockfeller; ainda hoje (D) príncipes, princesas, reis e rainhas constitui uma
fala de futebol com Roberto Carlos e ouve conselhos de referência em sentido literal.
João Gilberto. Continua tão nobre quanto sempre foi, (E) reis e rainhas constitui uma referência em sen-
seu orgulho permanece intacto. tido literal.
Até que chega esse paulista, esse homem bidimen-
sional e sem poesia, de camisa polo, meia soquete e Pela leitura do texto infere-se que os “reis e rainhas”
sapatênis, achando que o jacarezinho de sua Lacoste é do século 20 são as personalidades da mídia, os “famosos”
um crachá universal, capaz de abrir todas as portas. Ah, e “famosas”. Quanto a príncipes e princesas do século 19,
paulishhhhta otááário, nenhum emblema preencherá o esses eram da corte, literalmente.
vazio que carregas no peito - pensa o garçom, antes de
conduzi-lo à última mesa do restaurante, a caminho do RESPOSTA: “B”.
banheiro, e ali esquecê-lo para todo o sempre.
Veja, veja como ele se debate, como se debaterá 23-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO
amanhã, depois de amanhã e até a Quarta-Feira de Cin- PAULO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VU-
zas, maldizendo a Guanabara, saudoso das várzeas do NESP/2013) O sentido de marmóreo (adjetivo) equiva-
Tietê, onde a desigualdade é tão mais organizada: “Ô, le ao da expressão de mármore. Assinale a alternativa
companheirô, faz meia hora que eu cheguei, dava pra contendo as expressões com sentidos equivalentes, res-
ver um cardápio?!”. Acalme-se, conterrâneo. pectivamente, aos das palavras ígneo e pétreo.
Acostume-se com sua existência plebeia. O garçom (A) De corda; de plástico.
carioca não está aí para servi-lo, você é que foi ao res- (B) De fogo; de madeira.
taurante para homenageá-lo. (C) De madeira; de pedra.
(Antonio Prata, Cliente paulista, garçom carioca. Folha (D) De fogo; de pedra.
de S.Paulo, 06.02.2013) (E) De plástico; de cinza.

(*) Um tipo de coreografia, de dança. Questão que pode ser resolvida usando a lógica ou as-
sociação de palavras! Veja: a ignição do carro lembra-nos
fogo, combustão... Pedra, petrificado. Encontrou a respos-
ta?

RESPOSTA: “D”.

8
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Regimento Interno da ALBA (Resolução nº 1.193/1985, de 17.01.1985). .................................................................................................01


Lei nº 6.677/1994, de 26.09.1994 (Estatuto dos Servidores Públicos da Bahia). ....................................................................................24
Lei nº 8.902/2003, de 18.12.2003. ...............................................................................................................................................................................49
Lei nº 8.971/2004, de 05.01.2004. ...............................................................................................................................................................................51
Lei 13.801/2017. ..................................................................................................................................................................................................................58
Lei 13.962/2018. ..................................................................................................................................................................................................................62
Ato da Mesa Diretora n° 007/2010 de 24/03/2010 ............................................................................................................................................67
Ato da Mesa Diretora n° 133/2018..............................................................................................................................................................................77
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 3º - Após as providências previstas no parágrafo an-


REGIMENTO INTERNO DA ALBA terior, o Presidente, de pé, prestará o seguinte compromis-
(RESOLUÇÃO Nº 1.193/1985, DE 17.01.1985). so: “Prometo cumprir fielmente a Constituição Federal e a
Constituição do Estado da Bahia, promover o bem geral do
Estado e observar as suas leis” e, em seguida, feita a cha-
mada por um dos Secretários, cada Deputado, também de
REGIMENTO INTERNO pé, declarará: “Assim o prometo”.
TÍTULO I § 4º - Concluída a solenidade de posse dos Parlamen-
DA ASSEMBLEIA tares, o Presidente convocará outra sessão, destinada à
CAPÍTULO I eleição da Mesa Diretora.
Disposições Preliminares § 5º - A segunda sessão preparatória realizar-se-á com
a presença de mais da metade dos Deputados e, sempre
Art. 1º - A Assembleia Legislativa tem sede na capital que possível, sob a mesma Presidência e com os mesmos
do Estado da Bahia e reunir-se-á em Sessão Legislativa Secretários da Sessão anterior.
§ 6º - Nas sessões preparatórias não será permitido o
anual ordinária de 1º (primeiro) de fevereiro a 30 (trinta) de
uso da palavra para assuntos estranhos às suas finalidades.
junho e de 1º (primeiro) de agosto a 30 (trinta) de dezembro.
§ 7º - O compromisso a que se refere o § 3º deste ar-
Parágrafo único - As reuniões da Assembleia em Ses-
tigo será prestado em sessão pública, ou perante o Presi-
são Ordinária e Extraordinária ocorrerão no edifício em que dente em períodos de recesso, pelos Deputados empossa-
tem sua sede, podendo, entretanto, por motivo de conve- dos posteriormente ou por suplentes por ocasião de sua
niência pública e deliberação da maioria absoluta de seus primeira convocação.
membros, reunir-se temporariamente em qualquer cidade
do Estado. CAPÍTULO III
Da Eleição da Mesa
CAPÍTULO II
Das Sessões Preparatórias Art. 4º - A eleição da Mesa ou o preenchimento pos-
terior de qualquer vaga far-se-á por escrutínio secreto,
Art. 2º - Em preparação para a posse, o Deputado di- utilizando-se cédulas impressas ou datilografadas, atendi-
plomado deverá apresentar à Mesa, pessoalmente ou do sempre que possível, na sua composição, o critério de
por intermédio do seu partido, até o dia 25 (vinte e cin- proporcionalidade da Representação Partidária.
co) de janeiro do primeiro ano da legislatura, o respectivo § 1º - Havendo mais de um concorrente para o mesmo
diploma expedido pela Justiça Eleitoral, juntamente com a cargo a votação ocorrerá de forma individual, obedecida a
comunicação do nome parlamentar e da legenda partidária ordem hierárquica dos cargos, com a chamada nominal de
a que pertence. cada Deputado para depositar o voto na urna específica,
Parágrafo único - O Presidente da Assembleia Legisla- com o uso de cédula uninominal contendo a indicação do
tiva fará publicar, até o dia 31 (trinta e um) de janeiro, no cargo a preencher, previamente rubricada pela Mesa di-
Diário Oficial Eletrônico do Legislativo, a relação dos De- rigente dos trabalhos e colocada em sobrecarta também
putados diplomados, em ordem alfabética, com indicação rubricada pela Mesa.
do nome parlamentar e da legenda partidária respectiva, § 2º - A votação para os cargos onde houver candida-
incluindo ainda os suplentes diplomados, segundo a or- tura única será realizada em seguida àquela prevista no §
dem de votação. 1º, em um só ato de votação, no qual o Deputado colocará
em uma única sobrecarta tantas cédulas quantos forem os
nomes escolhidos, depositando-a em urna própria.
Art. 3º - A Assembleia Legislativa, no primeiro ano da
§ 3º - A votação para suplente da Mesa, não havendo
legislatura, reunir-se-á, em sessões preparatórias a partir
disputa, far-se-á na forma prevista no § 2º. Caso contrá-
de 1º de fevereiro, às 14:30h, para a posse de seus mem-
rio, a votação ocorrerá após concluída a votação para os
bros e eleição da Mesa, para um mandato de 2 (dois) anos, membros titulares, da mesma forma prevista no § 1º, no
vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição ime- que couber.
diatamente subsequente, dentro da mesma legislatura. § 4º - Concluído o processo de votação, o Presidente
§ 1º - Assumirá a direção dos trabalhos o último Presi- determinará a abertura das urnas, obedecida a ordem de
dente da Assembleia, se reeleito Deputado, ou, à sua falta, votação, procedendo-se a conferência do número de so-
sucessivamente dentre os Deputados presentes, o que haja brecartas com o número de votantes e em seguida a con-
mais recentemente exercido, por mandato, a Presidência tagem dos votos. Concluída a contagem dos votos e decla-
ou a Secretaria, na gradação ordinal destes cargos, sendo rado o resultado, serão de imediato destruídas as cédulas.
que, à falta de qualquer destes, assumirá o Deputado com § 5º - Serão anulados os votos contidos na mesma so-
maior número de legislaturas e entre estes o mais idoso. brecarta que resultem na indicação de mais de um nome
§ 2º - Aberta a Sessão, o Presidente convidará dois De- para um só cargo.
putados integrantes das Representações Partidárias mais § 6º - Serão considerados eleitos os Deputados que
numerosas, a fim de funcionarem como Secretários, e fará alcançarem maioria de votos em relação a cada cargo dis-
ler, por um destes, a relação dos Deputados diplomados putado e havendo empate será repetida a votação. Persis-
publicada no Diário Oficial Eletrônico do Legislativo. tindo o empate será eleito o mais idoso.

1
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 5º - À vista dos resultados, o Presidente da sessão III - cujo procedimento for declarado incompatível com
proclamará os eleitos, dar-lhes-á posse e passará a direção o decoro parlamentar;
dos trabalhos ao Presidente empossado, que, com o Pri- IV - que deixar de comparecer à terça parte das re-
meiro e Segundo Secretários, ocupará a Mesa. uniões ordinárias realizadas em cada período de sessão
legislativa, salvo por licença ou desempenho de missão au-
Art. 6º - Será permitido a um Deputado de cada Re- torizada pela Assembleia Legislativa;
presentação Partidária o uso da palavra com referência ao V - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
evento, após o que o Presidente anunciará a sessão solene VI - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos
de abertura dos trabalhos legislativos, dando em seguida previstos na Constituição Federal;
por encerrada a sessão. VII - que sofrer condenação criminal por sentença tran-
sitada em julgado.
Art. 7º - No terceiro ano da legislatura, à mesma data § 1º - Para os exclusivos efeitos do inciso IV deste arti-
e hora previstas no art. 2º deste Regimento, realizar-se-á a go, será considerado presente o Deputado que compare-
eleição da Mesa, obedecidas as regras deste Capítulo. cer ao Plenário ou se encontrar no edifício sede da Assem-
bleia, no horário das sessões.
TÍTULO II § 2º - O serviço próprio da Assembleia encaminhará
DOS DEPUTADOS ao final da sessão a relação dos Deputados presentes ao
edifício, na forma do parágrafo anterior.
CAPÍTULO I § 3º - Não será computada a falta, para fim de perda de
Do Nome Parlamentar mandato, decorrente da privação temporária de liberdade
em virtude de processo penal.
Art. 8º - Ao assumir o exercício do mandato, o Deputa-
do ou suplente convocado escolherá o nome parlamentar Art. 10 - Nas hipóteses dos incisos I, II, III e VII do art. 9º,
com o qual será identificado nos registros e publicações a perda do mandato será decidida pela Assembleia Le-
da Assembleia.
gislativa, por voto secreto e maioria absoluta, mediante
§ 1º - O nome parlamentar será composto de até 03
provocação da Mesa ou de Partido Político nela represen-
(três) elementos, não se podendo incluir além de nome ou
tado, assegurada ampla defesa.
prenome.
§ 2º - Ocorrendo coincidência entre os nomes esco-
Art. 11 - Quando a infringência versar a hipótese dos
lhidos, terá prioridade o Deputado mais antigo ou, tendo
incisos IV, V e VI do já referido art. 9º, a perda será decla-
ambos a mesma antiguidade, o mais idoso.
§ 3º - Em todos os registros da Assembleia será con- rada pela Mesa da Assembleia, de ofício ou mediante
signado o nome completo do Deputado, destacando-se em provocação de qualquer de seus membros ou de Partido
maiúscula os elementos constitutivos do nome parlamentar. Político, com Representação na Assembleia Legislativa ou
§ 4º - O Deputado poderá a qualquer tempo mudar com registro definitivo, assegurada ampla defesa.
o seu nome parlamentar, dirigindo comunicação à Presi-
dência. Art. 12 - Nos processos relativos a perda de mandato,
excetuadas as hipóteses dos incisos V e VI do art. 9º, serão
CAPÍTULO II observadas, sob pena de nulidade, as seguintes normas:
Da Perda e da Suspensão do Exercício do Mandato I - recebida a representação, o Presidente da Assem-
bleia a encaminhará à Comissão de Constituição e Justiça,
Art. 9º - Perderá o mandato o Deputado: que dentro de 10 (dez) dias emitirá parecer, concluindo
I - que, desde a expedição do diploma: pela admissão ou arquivamento da mesma;
a) firmar ou mantiver contratos com pessoa jurídica II - o parecer será encaminhado à Mesa ou ao Plenário
de direito público, entidades da administração indireta ou conforme a competência constitucional para julgamento
empresa concessionária de serviço público, salvo quando o da matéria;
contrato obedecer a cláusulas uniformes; III - aceita a representação pelo órgão competente,
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remu- o Presidente da Assembleia designará Comissão Especial
nerado, inclusive o de que seja demissível ad nutum, nas com 05 (cinco) membros para promover o processo;
entidades constantes da alínea anterior. IV - a Comissão fornecerá cópia da representação ao
II - que, desde a posse: Deputado, para que este apresente defesa escrita, no pra-
a) for proprietário, controlador ou diretor de empresa zo de 10 (dez) dias, prorrogáveis por mais 10 (dez), a seu
que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurí- requerimento;
dica de direito público, ou nela exerça função remunerada; V - no prazo da defesa poderá o interessado requerer
b) ocupar cargo ou função de que seja demissível ad as provas que julgar necessárias, indeferindo o Relator as
nutum, nas entidades a que se refere o inciso I, alínea a; impertinentes, cabendo recurso à Comissão em 03 (três)
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer dias;
das entidades a que se refere o inciso I, alínea a; VI - finda a instrução, o Relator abrirá vista do processo
d) for titular de mais de um cargo ou mandato públi- ao Deputado, para que, no prazo de 10 (dez) dias, se mani-
co eletivo; feste em razões finais;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

VII - o Relator apresentará parecer, no prazo de 15 Art. 18 - O pedido de licença para tratar de interesses
(quinze) dias, à Comissão Processante, que dentro de mais particulares será submetido à Assembleia, que indicará o
15 (quinze) dias fará a sua apreciação, encaminhando as prazo de sua duração, não excedendo 120 (cento e vin-
conclusões ao órgão próprio. te) dias por sessão legislativa.
Parágrafo único - À vista do pedido formulado, o Pre-
Art. 13 - Suspende-se o exercício do mandato por in- sidente da Assembleia o encaminhará ao Plenário, conside-
capacidade civil absoluta, julgada por sentença de inter- rando-se aprovado se não houver manifestação dentro de
dição irrecorrível. 05 (cinco) sessões ordinárias subsequentes ao recebimento.
Parágrafo único - A declaração da suspensão do man-
dato parlamentar, nos casos deste artigo, far-se-á por reso- Art. 19 - Excluído o pagamento das sessões extraordi-
lução da Assembleia publicada no Diário Oficial Eletrônico nárias, é integral a remuneração do Deputado, quando
do Legislativo. em licença, ressalvada a sua opção, na forma do art. 16
deste Regimento.
Parágrafo único - Ao parlamentar afastado para cuidar
CAPÍTULO III
de interesse particular nenhuma remuneração é devida.
Das Licenças
Art. 20 - O Deputado afastado do exercício do man-
Art. 14 - O Deputado poderá obter licença nos seguin- dato não poderá ser incumbido de representação da
tes casos: Assembleia.
I - para desempenhar missão diplomática ou de re-
presentação do Estado em caráter transitório; Art. 21 - Em qualquer das hipóteses previstas neste Ca-
II - para participar de congressos, conferências, reu- pítulo só haverá convocação de suplente quando a licença
niões culturais ou eventos semelhantes; for concedida por período superior a 120 (cento e vinte) dias.
III - para exercer funções constitucionalmente per- Parágrafo único - O Deputado, poderá, a qualquer
mitidas; tempo, desistir da licença.
IV - para tratamento de saúde;
V - para cuidar de interesses particulares. CAPÍTULO IV
Parágrafo único - Independe de licença o afastamento Da Vacância
do exercício do mandato para o desempenho de funções
de Ministro de Estado e Secretário de Estado. Art. 22 - Ocorrerá vaga na Assembleia Legislativa:
I - por falecimento;
Art. 15 - A licença para os fins previstos nos incisos I e II - pela renúncia;
II do artigo anterior dependerá de requerimento do inte- III - pela perda do mandato, na forma prevista na
ressado, que será submetido à Mesa, cabendo recurso ao Constituição;
Plenário, não podendo ser concedida por período superior IV - pelo afastamento temporário, mas por tempo
a 60 (sessenta) dias. indeterminado, previsto no inciso III do artigo 14 desta Re-
solução.
Art. 16 - Ao deixar o exercício do mandato para ocupar
função constitucionalmente prevista, o Deputado poderá Art. 23 - A convocação de suplente, em casos de va-
optar pela remuneração parlamentar ou por aquela atribuí- cância que a autorize, realizar-se-á, de ofício, por Ato do
Presidente.
da ao cargo que irá exercer.
Art. 24 - A renúncia constituir-se-á em ato acabado e
Art. 17 - Ao Deputado que por motivo de doença com-
definitivo desde que comunicada, por escrito, à Mesa da
provada se encontrar impossibilitado de atender aos deve- Assembleia e publicada no Diário Oficial Eletrônico do Le-
res do exercício do mandato, será concedida a licença para gislativo.
tratamento de saúde.
§ 1º - O requerimento dirigido ao Presidente da As- CAPÍTULO V
sembleia será feito pelo interessado ou, na sua impossi- Da Licença para Instauração de Processo Criminal
bilidade, pelo Líder do Partido, devendo vir acompanhado Contra Deputado
de laudo médico, firmado por 03 (três) peritos do serviço
da Assembleia, onde se estimará o tempo de duração do Art. 25 - A solicitação do Presidente do Tribunal de Jus-
impedimento. tiça do Estado para instaurar processo criminal contra De-
§ 2º - O Presidente, no prazo de 05 (cinco) dias, exami- putado será instruída com cópia integral dos autos da ação
nará o pedido, fixando o tempo da licença, que retroagirá à penal originária ou do inquérito policial.
data da enfermidade indicada no laudo.
§ 3º - Esgotado o prazo sem deliberação considerar- Art. 26 - No caso de prisão em flagrante de crime
-se-á concedida a licença pelo tempo estipulado no laudo. inafiançável, os autos serão remetidos à Assembleia Legis-
§ 4º - Durante a licença não serão substituídos os ser- lativa dentro de 24 (vinte e quatro) horas, sob pena de res-
vidores lotados no gabinete do titular. ponsabilidade da autoridade que a presidir, cuja apuração
será promovida de ofício pela Mesa.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 27 - Recebida a solicitação ou os autos de flagran- § 2º - Resultando da operação acima excedente fra-
te, o Presidente despachará expediente à Comissão de cionário, serão preenchidas as vagas remanescentes pelos
Constituição e Justiça, observadas as seguintes normas: Partidos cuja fração obtida mais se aproximar da unidade.
I - no caso de flagrante, a Comissão resolverá prelimi- § 3º - Havendo coincidência no coeficiente fracionário,
narmente sobre a prisão, devendo: o preenchimento da vaga far-se-á por sorteio.
a) ordenar a apresentação do réu preso, que permane-
cerá sob sua custódia até o pronunciamento da Assembleia CAPÍTULO II
Legislativa sobre o relaxamento ou não da prisão; Dos Líderes
b) oferecer parecer prévio, facultada a palavra ao De-
putado envolvido ou ao seu representante, no prazo de 72 Art. 31 - Os Deputados são agrupados por suas Le-
(setenta e duas) horas, sobre a manutenção ou não da pri- gendas Partidárias, cabendo-lhes escolher um Líder, que
são, propondo o projeto de resolução respectivo que será ocasionalmente pode ser substituído por Vice-Líder.
submetido até a sessão seguinte à deliberação do Plenário § 1º - Cada Líder poderá indicar Vice-Líderes, na pro-
pelo voto secreto da maioria absoluta de seus membros; porção de um por 6 (seis) Deputados ou fração que consti-
II - vencida ou incorrente a fase prevista no inciso I, a tua a Representação Partidária.
Comissão de Constituição e Justiça proferirá parecer, fa- § 2º - Os Partidos indicarão os seus Líderes à Mesa, em
cultada a palavra ao Deputado envolvido ou ao seu repre- documento subscrito pela maioria absoluta dos integran-
sentante, no prazo de 5 (cinco) sessões, concluindo pelo tes da Bancada.
deferimento ou indeferimento do pedido de licença ou
pela autorização, ou não, da formação da culpa, no caso de Art. 32 - Dentre outras atribuições regimentais compe-
flagrante, propondo o competente projeto de resolução; te ao Líder de Partido indicar à Mesa os membros de sua
III - o parecer da Comissão de Constituição e Justiça, Bancada para compor as Comissões da Assembleia ou, de
uma vez lido no expediente e publicado no Diário Oficial qualquer forma, para representar a Casa.
Eletrônico do Legislativo, será incluído na Ordem do Dia;
IV - incluído na Ordem do Dia, o parecer da Comissão
Art. 33 - São prerrogativas do Líder:
de Constituição e Justiça deverá ser votado no prazo máxi-
I - usar da palavra em qualquer fase da sessão, por 10
mo de 5 (cinco) sessões;
(dez) minutos para fazer comunicação inadiável, sempre
V - se da aprovação do parecer, pelo voto secreto da
que não haja orador na tribuna;
maioria absoluta dos Deputados, resultar admitida a acu-
II - manifestar-se, no Grande Expediente, no horário
sação contra o Deputado, considerar-se-á dada a licença
das Lideranças, pelo tempo que lhe for reservado, poden-
para instauração do processo ou autorizada a formação da
culpa; do indicar oradores;
VI - a decisão será comunicada pelo Presidente da As- III - encaminhar, pelo período de 05 (cinco) minutos, a
sembleia Legislativa ao Presidente do Tribunal de Justiça votação sobre requerimento de urgência;
dentro de 3 (três) sessões. IV - indicar à Mesa a ordem de sua substituição pelos
Vice-Líderes.
Art. 28 - Adotar-se-á a votação secreta para a delibe- Parágrafo único - As Representações Partidárias que
ração da solicitação da licença, devendo ser observados na não atinjam 1/10 (um décimo) do total dos Deputados têm
solicitação desta os procedimentos previstos neste Regi- asseguradas, através dos seus representantes, as prerroga-
mento. tivas conferidas aos Líderes com as seguintes ressalvas:
I - cada representante usará da palavra, em comunica-
Art. 29 - Estando em recesso a Assembleia Legislati- ção inadiável, por 05 (cinco) minutos;
va, as atribuições conferidas à Comissão de Constituição e II - no horário destinado às Lideranças, 30 (trinta) mi-
Justiça e ao Plenário serão exercidas cumulativamente pela nutos serão divididos entre as Representações Partidárias,
Mesa Diretora, ad referendum do Plenário. cabendo, em cada sessão, 10 (dez) minutos a cada uma das
Representações, obedecida a precedência pelo número de
TÍTULO III seus Deputados.
Da Representação Partidária
Art. 33-A - Os Líderes da Maioria, da Minoria, das
CAPÍTULO I Bancadas e dos Blocos Parlamentares constituem o Co-
Da Proporcionalidade dos Partidos no Âmbito das légio de Líderes.
Comissões § 1º - O Colégio de Líderes será presidido pelo Presi-
dente da Assembleia, com direito a voto, sendo substituí-
Art. 30 - Na constituição de Comissões, assegurar-se-á do, em sua ausência, por um dos Vice-Presidentes, obser-
a Representação proporcional dos Partidos ou dos Blo- vada a gradação dos cargos.
cos Parlamentares com assento na Casa. § 2º - O Colégio reunir-se-á ordinariamente uma vez
§ 1º - Calcula-se a proporcionalidade de Representação por quinzena, presente a maioria dos seus membros, e
de cada Agremiação Partidária, multiplicando-se o número extraordinariamente por iniciativa do Presidente ou por
de seus Deputados pelo número de membros de Comissão proposta da maioria dos seus componentes, sendo as suas
e dividindo-se este produto pelo total dos Deputados. decisões tomadas por maioria simples de votos.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

CAPÍTULO III TÍTULO IV


Dos Blocos Parlamentares DOS ÓRGÃOS DIRETIVOS DA ASSEMBLEIA

Art. 34 - As Bancadas e/ou Representações Partidárias, CAPÍTULO I


por decisão da maioria de seus membros, poderão consti- Da Mesa
tuir Bloco Parlamentar, sob liderança comum, vedada a
participação de cada uma delas em mais de um Bloco, des- Art. 39 - A Mesa da Assembleia compõe-se de Pre-
de que seja integrado, pelo menos, por 1/10 (um décimo) sidente, 04 (quatro) Vice- Presidentes e 04 (quatro) Se-
de Deputados. cretários.
§ 1º - A Mesa da Assembleia Legislativa, comunicará § 1º - Os Vice-Presidentes substituirão o Presidente,
imediatamente ao Plenário a constituição do Bloco, deter- segundo a gradação hierárquica, e os Secretários substi-
minando a publicação e o registro do ato. tuir-se-ão entre si, pela mesma forma, podendo substituir
§ 2º - Ao Bloco serão asseguradas as prerrogativas de o Presidente à falta de Vice-Presidentes.
Bancada. § 2º - A direção das Sessões Plenárias compete ao
§ 3º - No prazo de até 5 (cinco) dias, o Bloco indicará Presidente, cabendo a este, quando necessário, convocar
à Mesa da Assembleia Legislativa a escolha do Líder e dos um dos Secretários para a leitura do Expediente, proceder
Vice-Líderes. chamada nominal ou praticar outros atos necessários ao
§ 4º - As Lideranças agrupadas em Bloco Parlamentar andamento dos trabalhos, podendo, em casos de ausência
perderão suas prerrogativas regimentais enquanto se en- destes, funcionar como Secretário ad hoc qualquer um dos
contrarem nessa condição. Parlamentares presentes à Sessão.
§ 5º - O Bloco será extinto se o desligamento de Ban- § 3º - (Revogado)
cada ou Representação resultar em composição percentual § 4º - Não se achando presente o Presidente nem seus
inferior à exigida no caput deste artigo. substitutos, assumirá a Presidência da Sessão o Deputado
§ 6º - Os membros de uma Bancada ou de Represen- mais idoso entre os presentes.
tação não poderão integrar mais de um Bloco Parlamentar.
Art. 40 - Além de outras atribuições previstas na Cons-
Art. 34-A - No cálculo para constituição das Bancadas
tituição do Estado e neste Regimento, compete à Mesa:
ou Blocos Parlamentares, resultando número fracionário,
I - organizar e remeter ao Poder Executivo, no prazo
será desprezada a fração, se igual ou inferior a meio, e, se
legal, a proposta de orçamento da Assembleia, a fim de ser
superior, aproximar-se-á para a unidade seguinte.
incorporada ao projeto de lei orçamentária do Estado;
II - discriminar as dotações orçamentárias globais do
Art. 35 - Será sempre revista a Representação Par-
tidária nas Comissões da Assembleia Legislativa quando Poder Legislativo;
houver modificação ou dissolução de Bloco Parlamentar. III - opinar sobre elaboração do Regimento Interno e
suas modificações;
Art. 36 - Na mesma sessão legislativa ordinária e/ou IV - opinar privativamente sobre moções, indicações e
extraordinária, não será permitida a participação da Banca- requerimentos sujeitos à discussão em Plenário;
da ou de Representação, na formação de mais de um Bloco V - apresentar, privativamente, projetos de lei que
Parlamentar. criem ou extingam cargos nos serviços da Assembleia e fi-
xem os respectivos vencimentos;
DA MAIORIA E DA MINORIA PARLAMENTAR VI - apresentar projetos de resolução sobre os serviços
administrativos da Assembleia e elaborar o seu regulamento;
Art. 37 - A Maioria Parlamentar será constituída por VII - aprovar o quadro de contratados, autorizar o seu
Bancada, Bloco ou Representação Partidária, desde que preenchimento e prover os cargos dos diversos serviços;
composta pela maioria dos membros da Assembleia Le- VIII - decidir sobre os pedidos de licença de Deputa-
gislativa. dos, fundados nos incisos I e II do art. 14 do Regimento;
§ 1º - A Minoria Parlamentar será composta por IX - solicitar que sejam postos à disposição da Assem-
Bancada, Representação Partidária ou Bloco, agrupada bleia funcionários da administração direta ou indireta;
ou não, que expresse posição diversa da Maioria. X - exonerar, demitir, readmitir, reintegrar, promover,
§ 2º - As funções regimentais da Maioria serão assu- aposentar e licenciar o pessoal dos serviços administrativos;
midas pela Bancada ou Bloco Parlamentar que tiver maior XI - decidir, em última instância, recursos contra atos
número de representantes, desde que não tenha sido atin- da direção da Secretaria Administrativa;
gida na forma prevista no caput deste artigo; as da Minoria XII - dar parecer sobre o pedido de inserção de tra-
serão exercidas pela Representação Política ou Bloco Parla- balhos e documentos nos Anais, exceto quando lidos da
mentar numericamente inferior à Maioria, de forma agru- tribuna;
pada ou isoladamente. XIII - interpretar, conclusivamente, em grau de recurso,
o regulamento dos serviços administrativos;
Art. 38 - As Lideranças de Bancada, Bloco Parlamentar, XIV - julgar as licitações realizadas pela Assembleia;
Representação Partidária, Maioria ou Minoria Parlamentar XV - autorizar a reportagem fotográfica, a filmagem e a
serão constituídas na forma prevista neste Regimento. transmissão em rádio ou televisão das sessões da Assembleia.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 1º - As decisões da Mesa Diretora serão tomadas XIX - anunciar o resultado da votação e mandar proce-
por maioria dos votos, presentes mais da metade de seus der à sua verificação, quando requerida;
membros, cabendo recurso ao Plenário, através de reque- XX - organizar a Ordem do Dia, observado o disposto
rimento firmado pela maioria absoluta dos Parlamentares no art. 111 deste Regimento; XXI - assinar os Autógrafos
da Assembleia. dos projetos enviados à apreciação do Governador;
§ 2º - Serão eleitos 05 (cinco) suplentes, pelo processo XXII - promulgar as proposições da competência ex-
previsto neste Regimento, que funcionarão junto à Mesa, clusiva da Assembleia, bem assim as leis não sancionadas
cabendo aos eleitos a substituição, em regime de reveza- no prazo constitucional, ou que tiverem o veto recusado;
mento dos titulares, nas suas ausências ou impedimentos, XXIII - mandar proceder ao cálculo da representação
dentro da mesma Agremiação Partidária. proporcional dos Partidos e Blocos nas Comissões, anun-
ciando o seu resultado, de cuja proclamação caberá recur-
CAPÍTULO II so ao Plenário;
Da Presidência XXIV - promover a publicação dos debates da Assem-
bleia na ordem cronológica da sua ocorrência, não permi-
Art. 41 - Ao Presidente da Assembleia compete, além tindo a publicação de expressões antiparlamentares;
de outras atribuições previstas na Constituição do Estado e XXV - impedir a publicação de pronunciamentos que
neste Regimento: incidam em proibição prevista na Constituição Estadual,
I - zelar pelas prerrogativas e o bom nome da Assem- certificando o interessado, que poderá recorrer ao Plenário;
bleia, bem como pelos direitos e imunidades dos Deputados; XXVI - anunciar a leitura do Expediente, dar-lhe o com-
II - dirigir a polícia interna do edifício da Assembleia; petente destino e distribuir as matérias às Comissões;
III - assinar as carteiras de identidade dos Deputados; XXVII - anunciar a Ordem do Dia e enumerar em cada
IV - assinar a correspondência destinada aos Chefes sessão a matéria em pauta, declarando o respectivo prazo
dos Poderes da União e dos Estados; e a ementa das proposições;
V - ordenar e superintender as despesas da administra- XXVIII - designar oradores para as sessões especiais;
ção da Assembleia; XXIX - convocar o suplente de Deputados;
VI - assinar os atos de sua competência, inclusive os XXX - reiterar pedidos de informações ao Poder Exe-
relativos ao funcionalismo da Assembleia; cutivo;
VII - designar e dispensar o pessoal de seu gabinete XXXI - justificar a ausência de Deputados, inclusive
e gabinetes dos Vice- Presidentes, dos Secretários, dos Lí- componentes da Mesa, quando se encontrarem fora da
deres, dos Vice-Líderes e dos Presidentes das Comissões, Assembleia em Comissão de Representação ou Especial.
mediante proposta dos respectivos titulares;
VIII - representar a Assembleia em suas relações exter- Art. 42 - O Presidente poderá, a qualquer momento,
nas, ou designar Comissões para este fim; fazer comunicações ao Plenário e interromper, quando
IX - convocar, dirigir, suspender e encerrar as sessões necessário, os oradores, mas não poderá tomar parte em
da Assembleia, bem como propor a sua prorrogação; nenhuma discussão, salvo quando fora da cadeira presi-
X - fazer ler as atas pelo 2º Secretário, submetê-las à dencial.
discussão, votação e assiná- las depois de aprovadas; § 1º - Nenhum Deputado poderá interromper o Presi-
XI - conceder a palavra aos Deputados, na ordem de dente ou com ele dialogar.
inscrição ou a pedido oral; § 2º - O Presidente não poderá votar, exceto nos es-
XII - interromper o orador que falar contra o vencido crutínios secretos e nos casos de empate em votação os-
ou faltar com o decoro parlamentar; tensiva.
XIII - reiterar ao orador a advertência nas hipóteses do
inciso anterior e, havendo insistência, retirar-lhe a palavra; Art. 43 - Aos Vice-Presidentes competem a substitui-
XIV - retirar de pauta ou da Ordem do Dia qualquer ção do Presidente, obedecida a gradação regimental, bem
matéria para cumprimento de despacho, correção do avul- assim o desempenho de funções por delegação deste.
so ou a fim de sanar qualquer outra falha;
XV - por em discussão e votação a matéria a isto desti- CAPÍTULO III
nada, podendo estabelecer o ponto da questão a ser votada; Da Secretaria
XVI - declarar prejudicadas as proposições;
XVII - convidar, quando necessário, o Relator ou o Pre- Art. 44 - São atribuições do Primeiro Secretário, além
sidente da Comissão para explicar o parecer desta; de outras previstas neste Regimento:
XVIII - declarar rejeitado o projeto de lei, resolução ou I - ler em Plenário, na íntegra ou em resumo, a cor-
decreto legislativo que tiver recebido, quanto ao mérito, respondência e documentos recebidos pela Assembleia,
parecer contrário de todas as Comissões que o apreciaram, as conclusões dos pareceres, as proposições apresentadas,
salvo recurso ao Plenário, através de requerimento firmado quando seus autores não as tiverem lido, e em quaisquer
pela maioria absoluta dos Deputados e encaminhado ao outros papéis que devam constar do expediente;
Presidente da Assembleia no prazo máximo de 5 (cinco) II - encaminhar a matéria do Expediente, depois de
dias úteis a partir da decisão da última Comissão, para que despachada pelo Presidente;
este designe Relator, que emitirá parecer único para todas III - receber e responder a correspondência oficial da
as Comissões, submetendo-o à deliberação do Plenário; Assembleia, salvo as de competência do Presidente;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

IV - receber as representações, petições, memoriais, e Parágrafo único - Ao início de cada sessão legislativa,
convites dirigidos à Assembleia; a Mesa providenciará a organização das Comissões Perma-
V - assinar, depois do Presidente, as atas das sessões; nentes, no prazo de 10 (dez) dias.
VI - autenticar a lista de presença dos Deputados, or-
ganizada pela Secretaria da Mesa; Art. 50 - As Comissões Permanentes são compostas
VII - anotar as discussões e resultados das votações das de 8 (oito) membros, cabendo aos Partidos a indicação
proposições, autenticando as anotações com a sua assina- dos suplentes, até a metade da respectiva Representação.
tura, depois da respectiva data;
VIII - fazer a chamada dos Deputados, nos casos regi- Art. 50-A - As Comissões Permanentes poderão, me-
mentais; diante proposição de qualquer Deputado, aprovada pela
IX - proceder à contagem de votos nas verificações de maioria dos seus membros, submeter à Mesa Diretora
votação; proposta de criação de Subcomissão Especial, sem po-
X - dar conhecimento à Assembleia, na última sessão der decisório, para o desempenho de atividades específicas
do ano, da resenha dos trabalhos realizados;
ou o estudo de matéria relevante de sua área de compe-
XI - superintender os trabalhos da Secretaria Adminis-
tência, definidas no respectivo ato de criação.
trativa e fiscalizar-lhe as despesas.
§ 1º - A Subcomissão será constituída por prazo cer-
Art. 45 - São atribuições do Segundo Secretário, além to, não superior a 12 (doze) meses, e será composta de 4
de outras previstas neste Regimento: (quatro) membros, respeitado o princípio da representação
I - ler as atas das sessões e assiná-las depois do Primei- proporcional.
ro Secretário; § 2º - Na primeira reunião após sua criação, os mem-
II - lavrar e ler as atas das sessões secretas; bros da Subcomissão elegerão um coordenador para diri-
III - auxiliar o Presidente na apuração das eleições, or- gir os seus trabalhos.
ganizando a lista dos votados, com a respectiva votação. § 3º - Somente poderá integrar a Subcomissão Especial
o membro da respectiva Comissão Permanente.
Art. 46 - Salvo permissão do Presidente, os Secretários § 4º - Nenhuma Comissão Permanente poderá contar
conservar-se-ão de pé ao proceder a leitura de qualquer com mais de uma Subcomissão Especial em funcionamen-
papel ou documento, não podendo, enquanto participa- to.
rem dos trabalhos da sessão, como integrantes da Mesa, § 5º - O relatório final da Subcomissão deverá ser sub-
usar da palavra para outro fim, inclusive tomar parte em metido à apreciação da Comissão Permanente, exigindo-
qualquer discussão. -se, para sua aprovação, a maioria dos votos da Comissão.
Parágrafo único - Nas chamadas dos Deputados os Se- § 6º - No funcionamento das Subcomissões aplicar-se-
cretários poderão permanecer sentados. -á, no que couber, as disposições deste Regimento relati-
vas ao funcionamento das Comissões Permanentes.
TÍTULO V
DAS COMISSÕES Art. 51 - Funcionarão na Assembleia Legislativa as
seguintes Comissões Permanentes:
CAPÍTULO I I - Constituição e Justiça;
Disposições Preliminares II - Finanças, Orçamento, Fiscalização e Controle;
III - Agricultura e Política Rural;
Art. 47 - As Comissões da Assembleia são: IV - Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço
I - permanentes;
Público;
II - temporárias, as que se devam extinguir ao término
V - Saúde e Saneamento;
da legislatura ou quando preenchidas as finalidades para
que foram constituídas. VI - Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Tu-
rismo;
Art. 48 - Não se criarão Comissões Especiais com objeti- VII - Direitos Humanos e Segurança Pública;
vos que possam ser alcançados por Comissão Permanente. VIII - Direitos da Mulher;
Parágrafo único - O Deputado poderá propor a criação IX - Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos;
de Comissão Especial, inobstante a regra deste artigo, des- X - Defesa do Consumidor e Relações de Trabalho.
de que tenha requerido, com aprovação do Plenário, exame § 1º - À Comissão de Constituição e Justiça cabe opi-
por Comissão Permanente de determinada matéria, sem nar, salvo a competência privativa da Mesa (art. 40, IV), em
que esta se haja pronunciado no prazo de 30 (trinta) dias. todas as proposições, sobre o aspecto de constitucionali-
dade, legalidade e técnica legislativa, bem como elaborar
CAPÍTULO II a redação final, na forma do Regimento Interno, devendo
Das Comissões Permanentes apreciar ainda o mérito relativo às seguintes matérias:
I - organização judiciária e do Ministério Público;
Art. 49 - As Comissões Permanentes têm por finalida- II - registros públicos;
de o estudo, a discussão e o acompanhamento de as- III - desapropriações de bens do domínio estadual;
suntos de interesse público e social, bem assim a emissão IV - licença ao Governador e Vice-Governador para que
de pareceres, no âmbito de sua competência. se ausentem do País.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 2º - À Comissão de Finanças, Orçamento, Fiscalização I - direitos da criança e do adolescente;


e Controle compete a fiscalização das atividades da Admi- II - direitos do idoso;
nistração Pública centralizada e descentralizada, cabendo- III - integração social das pessoas com deficiência;
-lhe ainda opinar sobre: IV - discriminações étnicas e sociais;
I - assuntos tributários e orçamentários, abertura de V - comunidades indígenas;
crédito, empréstimo público e tomada de contas do Go- VI - política de segurança e manutenção da ordem pú-
vernador; blica;
II - subsídios e ajuda de custo dos Deputados, do Go- VII - sistema penitenciário e direitos dos detentos.
vernador, Vice- Governador e Secretários de Estado; § 8º - À Comissão dos Direitos da Mulher cabe debater,
III - todas as matérias que possam gerar obrigações opinar e propor em questões pertinentes aos direitos da
financeiras ou patrimoniais para o Estado, bem assim au- mulher e seu papel na sociedade, profissionalização e mer-
mentar ou diminuir a receita ou a despesa pública. cado de trabalho, discriminação social e todas as formas de
§ 3º - A Comissão de Agricultura e Política Rural opi- violência de que é vítima.
nará sobre: § 9º - À Comissão de Meio Ambiente, Seca e Recursos
I - agricultura, caça e pesca; Hídricos cabe manifestar- se acerca de toda a matéria que
II - recursos renováveis, flora, fauna e solo; direta ou indiretamente se relacione com a preservação do
III - estímulos financeiros e creditícios; meio ecológico e ambiental, e ainda sobre:
IV - padronização, seleção e inspeção de produtos vege- I - políticas públicas e iniciativas do setor privado orien-
tais e animais ou de consumo nas atividades agropecuárias; tadas para a eliminação da insustentabilidade econômica,
V - insumos agrícolas, estocagem, imunização; social, institucional e ambiental nas áreas afetadas pelas
VI - política agropecuária; secas no Estado da Bahia;
VII - matérias relativas à distribuição da terra. II - programas emergenciais e permanentes para o en-
§ 4º - A Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tec-
frentamento e a convivência com a seca, notadamente as
nologia e Serviço Público deverá manifestar-se sobre:
ações voltadas para conter o êxodo rural e que busquem
I - assuntos relativos à educação e instrução pública ou
a fixação do homem no campo e o atendimento social às
particular;
populações atingidas pela seca;
II - política de desenvolvimento cultural e proteção do
III - legislação específica que atenda, de forma diferen-
patrimônio cultural baiano;
III - divisão e organização administrativa, servidores ciada, o semiárido baiano;
públicos e demais matérias ligadas à Administração direta IV - políticas, programas e projetos públicos e da inicia-
ou indireta; tiva privada orientados para o desenvolvimento dos recur-
IV - concessão de serviços públicos; sos hídricos e da irrigação, incluindo gestão, planejamento
V - desenvolvimento científico e tecnológico; e controle dos recursos hídricos, regime jurídico de águas
VI - atividades esportivas e política de desenvolvimen- públicas e usos múltiplos das águas, bem como o gerencia-
to dos esportes. mento de bacias hidrográficas no Estado da Bahia.
§ 5º - A Comissão de Saúde e Saneamento manifestar- § 10 - A Comissão de Defesa do Consumidor e Rela-
-se-á sobre os temas ligados à higiene e saúde comunitá- ções de Trabalho manifestar-se-á sobre:
rias, bem como sobre a política de saneamento básico. I - assuntos de interesse do consumidor e alternativas
§ 6º - A Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento de sua defesa;
Econômico e Turismo tem a atribuição de opinar sobre po- II - composição, qualidade, apresentação e preços de
líticas públicas relacionadas a: bens e serviços, inclusive produzidos pela Administração
I - projetos, planos e programas de desenvolvimento centralizada e descentralizada e suas concessionárias;
social e econômico do Estado e de suas regiões; III - planos e programas governamentais que tenham
II - desenvolvimento e modernização da infraestrutura, como meta a geração de emprego e renda, o combate ao
obras públicas, transportes e comunicações; desemprego e ao subemprego e a melhoria das condições
III - indústria, inclusive artesanato e turismo, comércio, de trabalho dos servidores públicos e trabalhadores da ini-
serviços e agroindústria; ciativa privada.
IV - política de turismo, subvenções, incentivos, isen-
ções fiscais às empresas e atividades turísticas públicas ou Art. 52 - Por proposta de qualquer Deputado, aprovada
privadas; por 2/3 (dois terços) dos seus membros, as Comissões po-
V - planos de desenvolvimento, expansão e incremen- derão convocar ou convidar qualquer preposto da Admi-
to do turismo; nistração centralizada ou descentralizada do Estado, para
VI - programas e projetos governamentais de urbani- debater assunto de sua competência, bem assim promover
zação e melhoria da qualidade de vida das populações dos o deslocamento de seus membros às diversas regiões do
centros urbanos; Estado para estudo de sua problemática.
VII - política habitacional;
VIII - política mineralógica e energética. CAPÍTULO III
§ 7º - À Comissão de Direitos Humanos e Segurança Das Comissões Temporárias
Pública compete discutir, analisar e acompanhar em todo o
Estado as questões ligadas aos direitos da cidadania, com Art. 53 - As Comissões Temporárias, cujo número de
ênfase especial nos aspectos seguintes: membros será definido no ato de sua criação, compreendem:

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

I - as Especiais; Parágrafo único - Se forem diversos os fatos objeto do


II - as de Inquérito; inquérito, a Comissão dirá em separado, sobre cada um,
III - as de Representação. podendo fazê-lo antes mesmo de findas as investigações
dos demais.
SEÇÃO I
Das Comissões Especiais Art. 60 - As Comissões Parlamentares de Inquérito
funcionarão na sede da Assembleia Legislativa, poden-
Art. 54 - As Comissões serão constituídas para fim do todavia se deslocar pelo Estado, por deliberação da
relevante, com tempo de duração preestabelecido, por maioria de seus membros.
proposta da Mesa ou a requerimento de 1/3 (um terço)
dos membros da Assembleia. Art. 61 - Aplicam-se subsidiariamente os preceitos
Parágrafo único - É vedada a criação de Comissão Es- do Código de Processo Penal, no que forem cabíveis, às
pecial quando já existirem 3 (três) em funcionamento na normas de atuação da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Assembleia, ressalvado o disposto no art. 55 desta Reso-
lução e excetuada a que tenha por objetivo a reforma do Art. 62 - Salvo deliberação por parte da maioria absolu-
Regimento Interno. ta da Assembleia, não se permitirá a criação de Comissão
de Inquérito enquanto estiverem funcionando 5 (cinco)
Art. 55 - Deverão ser criadas, necessariamente, Comis- ou mais Comissões desta natureza.
sões Especiais para:
I - (Revogado); SEÇÃO III
II - organização de projetos de reforma constitucional; Das Comissões deRepresentação
III - (Revogado);
IV - processo relativo a perda de mandato de Depu- Art. 63 - As Comissões de Representação, que atua-
tado. rão em nome da Assembleia em seus atos externos, serão
constituídas por iniciativa da Mesa ou a requerimento
SEÇÃO II de qualquer Deputado, neste caso, com a aprovação do
Das Comissões de Inquérito Plenário.
Parágrafo único - Será considerado presente à sessão
Art. 56 - As Comissões de Inquérito serão criadas so- o Deputado componente de Comissão de Representação,
bre o fato determinado e por prazo certo, mediante nos dias necessários ao desempenho de suas atividades.
requerimento de 1/3 (um terço) dos membros da As-
sembleia. CAPÍTULO IV
DaOrganização das Comissões
Art. 57 - Constituída a Comissão de Inquérito cabe-lhe
requisitar por intermédio da Mesa, os funcionários dos SEÇÃO I
serviços administrativos da Assembleia, necessários aos Da Composição
seus trabalhos, bem como, nos termos da legislação em
vigor, solicitar os de qualquer órgão do Poder Executivo Art. 64 - Os integrantes das Comissões serão indicados
ou Judiciário que possam cooperar no desempenho de pela Liderança dos seus Partidos, atendida a proporcio-
suas funções. nalidade prevista neste Regimento.
§ 1º - Dentro de 3 (três) sessões ordinárias, contadas da
Art. 58 - No exercício de suas atribuições, poderá a instalação da sessão legislativa ou da criação da Comissão,
Comissão determinar diligências, ouvir indiciados, in- os Líderes dos Partidos Políticos indicarão os seus repre-
quirir testemunhas, requisitar de repartições públicas sentantes e respectivos suplentes.
e órgãos da administração descentralizada informações e § 2º - Esgotado o prazo previsto no parágrafo anterior,
documentos, ouvir Deputados, Secretários de Estado e Au- a Assembleia, em votação secreta, indicará os representan-
toridades estaduais ou municipais. tes e suplentes do Partido omisso.
§ 1º - Indiciados e testemunhas serão intimados de
acordo com as prescrições da legislação penal. Em caso Art. 65 - O mandato dos titulares e suplentes das
justificado a intimação será solicitada ao Juiz criminal da Comissões finda-se com o início da sessão legislativa
Comarca em que resida ou que esteja o indiciado ou a tes- anual, estendendo-se no caso das Comissões Temporá-
temunha, na forma do Código de Processo Penal. rias até o término destas.
§ 2º - O Presidente da Comissão Parlamentar de In- Parágrafo único - É permitida a renovação do mandato
quérito poderá incumbir qualquer de seus membros para do membro de Comissão, bem assim de seus suplentes.
realização de sindicância ou diligência necessárias aos seus
trabalhos. Art. 66 - Perderá a condição de integrante de Co-
missão:
Art. 59 - A Comissão Parlamentar de Inquérito redigirá I - o titular ou suplente que mediante comunicação es-
relatório, concluindo por projeto de resolução, se a As- crita manifestar a sua renúncia, que se tornará perfeita e
sembleia for competente para deliberar sobre o assunto, acabada com a publicação no Diário Oficial Eletrônico do
ou indicará as providências cabíveis em caso contrário. Legislativo;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

II - o Deputado que faltar a mais de 10 (dez) sessões CAPÍTULO V


consecutivas, ou 25 (vinte e cinco) intercaladas durante a Dos Trabalhosdas Comissões
sessão legislativa, salvo doença comprovada.
Parágrafo único - Para os efeitos do disposto neste ar- SEÇÃO I
tigo, será considerado presente à Comissão o Deputado Das Reuniões
que, no instante das suas sessões, se encontrar em missão
Art. 69 - As Comissões fixarão os dias reservados para
da Assembleia ou de suas Comissões.
as reuniões ordinárias, contanto que não coincidam com
os horários estabelecidos para funcionamento das sessões
SEÇÃO II plenárias.
Da Direção
Art. 70 - As sessões das Comissões serão públicas ou
Art. 67 - Compete a cada Comissão eleger, por escru- secretas, conforme o decidam os seus membros, atentos à
tínio secreto, um Presidente e um Vice-Presidente, até natureza da matéria em debate.
6 (seis) dias após sua constituição.
Parágrafo único - A eleição prevista neste artigo será Art. 71 - Poderão participar das Comissões quaisquer
presidida pelo Deputado mais idoso, que permanecerá no Deputados delas não integrantes, com direito a tomar par-
cargo de Presidente da Comissão, enquanto não se tiver te em suas discussões, mas sem voto.
realizado a escolha.
Art. 72 - As Comissões reunir-se-ão presente a maio-
Art. 68 - São atribuições dos Presidentes das Comis- ria absoluta dos seus membros, decidindo, entretanto, por
maioria simples.
sões Permanentes, Especiais e de Inquérito, além de ou-
tras admitidas neste Regimento: Art. 73 - Das sessões será lavrada ata ou o resumo das
I - dirigir os trabalhos e exercer o poder de polícia no principais ocorrências, incluindo-se necessariamente a rela-
local das reuniões da Comissão; ção das proposições recebidas e dos pareceres apresentados.
II - designar os Relatores das matérias, observando o
princípio da proporcionalidade dos Partidos, salvo nas Co- Art. 74 - Por motivo de urgência ou conveniência dos
missões Especiais e de Inquérito, em que haverá eleição; trabalhos, 2 (duas) ou mais Comissões reunir-se-ão em ses-
III - resolver as questões de ordem; são conjunta por convocação do Presidente da Assembleia
IV - dar conhecimento à Comissão ou Comissões reu- ou da maioria dos seus membros.
nidas, das matérias recebidas; Parágrafo único - Na apuração do quorum para a ses-
V - despachar o expediente e anotar nos processos os são conjunta será considerado o número mínimo para cada
resultados das deliberações, apondo-lhes data e assinatu- Comissão isolada.
ra;
SEÇÃO II
VI - funcionar como interlocutor entre a Comissão e a
Dos Pareceres
Mesa, as outras Comissões e os Líderes;
VII - dar execução às deliberações da Comissão, inclu- Art. 75 - Independente de publicação, as proposições,
sive quanto à convocação e ouvida de autoridades previs- inclusive emendas, serão logo após a sua apresentação e
tas na Constituição Estadual; numeração encaminhadas às Comissões, por cópia.
VIII - solicitar ao Presidente da Assembleia, em virtude
de deliberação da Comissão, os serviços de funcionários Art. 76 -Terminado o período da pauta, as Comissões
técnicos para o estudo de determinadas matérias; competentes, após o recebimento das emendas, ou cienti-
IX - convidar, por deliberação da Comissão, técnicos, ficadas da sua inexistência, pronunciar-se-ão sobre as pro-
especialistas e representantes de entidades para estudo, posições.
exposição ou debate de temas do interesse da Comissão; § 1º - Quando houver emendas o parecer necessaria-
X - desempatar as votações ostensivas; mente também sobre elas se manifestará.
XI - conceder a palavra aos membros da Comissão ou, § 2º - Decidindo-se o Relator do projeto em uma Co-
missão por apresentar emenda, esta terá que ter a sua
nos termos do Regimento, aos Deputados que a solicitarem;
constitucionalidade, legalidade e técnica legislativa apre-
XII - advertir o orador que se desviar dos debates ou
ciadas pela Comissão de Constituição e Justiça, sendo des-
faltar com o decoro parlamentar; considerada em casode rejeição nesta Comissão.
XIII - interromper o orador que estiver falando sobre
o vencido; Art. 77 - Cada proposição receberá parecer indepen-
XIV - conceder vista das proposições aos membros da dente, salvo se forem matérias idênticas e semelhantes que
Comissão; tenham sido anexadas.
XV - promover, quando julgar conveniente, a publica-
ção das atas da Comissão, bem assim de documentos por Art. 78 - No seu parecer as Comissões poderão ofe-
ela apreciados no Diário Oficial Eletrônico do Legislativo. recer emendas às proposições, ou propor subemendas às
emendas apresentadas.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 1º - Em única ou última discussão de proposição de § 2º - É de 3 (três) dias o prazo para a Redação Final,
qualquer natureza a Comissão poderá oferecer Substitu- salvo nos projetos de Código, cujo prazo de duração será
tivo, se as emendas alterarem o projeto de tal forma que de 20 (vinte) dias.
exijam uma nova reformulação da matéria. § 3º - Os prazos previstos neste artigo iniciam-se com
§ 2º - Se a Comissão concluir pela conveniência de de- o recebimento pela Comissão da matéria que a ela estiver
terminada matéria ser consubstanciada em proposição in- sujeita.
dependente, formalizará o respectivo projeto. § 4º - Esgotados os prazos previstos neste artigo o Pre-
sidente da Assembleia, a requerimento de qualquer Depu-
Art. 79 - Os pareceres serão ordinariamente escritos, tado ou Comissão, deverá incluir a proposição na Ordem
admitindo-se contudo a oralidade nos seguintes casos: do Dia, designando Relator para proferir parecer oral, se
I - nas matérias em regime de urgência; este não tiver sido emitido.
II - quando versarem sobre emendas à redação final; § 5º - Nos projetos com prazo de deliberação fixado
III - quando, esgotado o prazo da Comissão, for o pro- pelo Governador do Estado, a Presidência da Assembleia
jeto incluído na Ordem do Dia. fará incluí-lo na Ordem do Dia com antecedência de 10 (dez)
dias do prazo, se a Comissão não tiver oferecido parecer.
Art. 80 - Serão considerados favoráveis ao parecer os
votos que se manifestarem de acordo com a conclusão, Art. 85 - Se a Comissão de Constituição e Justiça con-
ainda que com restrições, reputando-se contrários aqueles cluir pela inconstitucionalidade de qualquer proposição,
que dela divirjam. seu parecer será imediatamente incluído na Ordem do Dia,
como preliminar, sobrestando-se a manifestação das de-
Art. 81 - Qualquer membro da Comissão, ressalvada a mais Comissões.
hipótese de tramitação em regime de urgência, poderá pe- Parágrafo único - Acolhida a preliminar, será o projeto
dir vista por 48 (quarenta e oito) horas de parecer ou pro- arquivado. Rejeitada, voltará à apreciação das demais Co-
posição que não tenham sido publicados ou distribuídos missões.
em avulso com antecedência de 24 (vinte e quatro) horas.
Parágrafo único - A vista, havendo mais de um interes- TÍTULO VI
sado, será sempre realizada em comum.
DAS SESSÕES
Art. 82 - Ressalvados os projetos de código e de re-
CAPÍTULO I
forma constitucional, em que a Comissão fixará o tempo
Disposições Gerais
de discussão, vigem nos demais casos os seguintes prazos:
I - 10 (dez) minutos para o Deputado estranho à Co-
missão; Art. 86 - As sessões são:
II - 20 (vinte) minutos para o membro da Comissão e I - preparatórias, as que precedem à instalação de
para o autor da proposição; III - 40 (quarenta) minutos para cada legislatura ou à inauguração dos trabalhos ordinários
o Relator. em cada sessão legislativa;
§ 1º - os integrantes da Comissão terão sempre pre- II - ordinárias, as realizadas no horário regimental para
ferência na discussão sobre os demais Deputados interes- o exercício das atividades específicas do Poder Legislativo e
sados. para o trato das proposições que lhe são submetidas;
§ 2º - a inscrição dos oradores, cuja ordem de priorida- III - extraordinárias, com o mesmo objetivo das or-
de se observará na convocação, valerá exclusivamente para dinárias, realizadas, contudo, fora do horário ou dos dias
cada sessão e poderá ser feita até o seu início. regimentalmente reservados a estas;
§ 3º - a qualquer momento, mediante deliberação de IV - especiais, compreendendo aquelas destinadas às
2/3 (dois terços) dos membros da Comissão, poderá a dis- comemorações ou homenagens, à posse do Governador
cussão ser encerrada. e Vice-Governador, à recepção de autoridades previstas
na Constituição do Estado, convocadas a prestar esclareci-
Art. 83 - Se o parecer sofrer alteração com a qual con- mentos, e ainda ao debate de assuntos de relevante inte-
corde o Relator, conceder-se-lhe-á prazo para a redação resse com a presença e participação de pessoas alheias ao
do vencido. quadro parlamentar estadual;
Parágrafo único - Se o parecer do Relator for rejeitado V - solenes, para instalação e encerramento de cada
pela Comissão, o Presidente designará um dos seus integran- período legislativo, ordinário ou extraordinário, e por de-
tes, fixando-lhe prazo para redação do parecer aprovado. signação do Presidente ou por deliberação da Assembleia,
quando as circunstâncias o exigirem.
Art. 84 - Ressalvadas as exceções regimentais, as Co- Parágrafo único - As sessões ordinárias e extraordinárias
missões terão prazo de 15 (quinze) dias para dar parecer às funcionarão com a presença mínima de 1/3 (um terço) dos
proposições ou emendas. Deputados. As especiais e solenes com qualquer número.
§ 1º - Em segunda discussão o prazo previsto neste
artigo fica reduzido a 8 (oito) dias. Só os projetos que tive- Art. 87 - As sessões ordinárias terão duração de 3 (três)
rem recebido emendas na segunda pauta serão apreciados horas e 30 (trinta) minutos, não podendo tal período ser
pelas Comissões, salvo se estas o requererem para sanar excedido nas extraordinárias, salvo prorrogação, admitidas
qualquer falha. em ambas.