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PROJETO CAFÉ LITERÁRIO: DESPERTANDO O GOSTO PELA LEITURA

Aline Nascimento

1. Introdução
O projeto Café Literário tem por finalidade estimular a leitura e a escrita no
Ensino Fundamental, apresentando aos discentes propostas de leitura e escrita feitas
com prazer, incentivando a fruição do momento no qual ocorrem essas ações. O nome
“Café Literário” surgiu por ser um evento que evidencia práticas de leitura em voz alta
e produção textual, em um momento de descontração com alimentos e bebidas
trazidas pelo/a docente e pelos discentes, em um momento de partilha intelectual e
gastronômica, objetivando associar a prática da leitura a algo prazeroso. O/a discente
precisa fazer uma pesquisa prévia para a seleção do texto a ser apresentado, levando-
o/a a novas leituras. Há o momento da produção textual feita fora do horário da sala
de aula, e o texto produzido será lido por seu autor/a.
A leitura de textos literários estimula a imaginação, a organização de ideias
na mente. Há incentivo da parte do docente para que o/a discente descubra o prazer
de ler, visto que, “a literatura ocupa um lugar único em relação à linguagem, ou seja,
cabe à literatura “[...] tornar o mundo compreensível transformando a sua
materialidade em palavras de cores, odores, sabores e formas intensamente humanas”
(COSSON, 2006, p. 17).

2. Justificativa
A criação do projeto Café Literário motivou-se pela constatação da falta do
hábito de leitura da maioria dos discentes, trazendo como consequências dificuldades

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na organização das ideias e empecilhos na hora da produção escrita. Promover um
evento lúdico possibilita o contato com a leitura de maneira prazerosa, possibilitando
ao alunado acesso a textos que, provavelmente, os estudantes não fariam sem a
mediação docente.
A utilização de diferentes gêneros literários, no momento do projeto,
possibilita ao alunado a ampliação da aquisição de vocabulário, o contato com
diferentes formas de escrita, a percepção da estrutura de diferentes gêneros literários.
A leitura do texto literário expande sua capacidade de se expressar através da leitura
em voz alta (principalmente na declamação de poemas), prática defendida pelos
Parâmetros Curriculares Nacionais (1998, p.74): “Dependendo do gênero selecionado,
alguns alunos podem preparar, com antecedência, a leitura em voz alta dos textos
escolhidos.”

3. Objetivos
 Promover o hábito da leitura de diferentes gêneros literários, levando o/a
discente a exercitar sua competência leitora na escolha do texto e na leitura silenciosa
e a ativar e potencializar sua capacidade de expressão na leitura em voz alta.
 Incentivar o hábito da leitura e da escrita.
 Incentivar o discente para a pesquisa;
 Associar a leitura de textos literários à fruição;
 Incentivar a produção textual escrita;
 Promover o desenvolvimento da capacidade de se expressar de cada aluno,
através da leitura em voz alta e apresentação dos textos selecionados.

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4. Metodologia
O Café Literário realizar-se-á uma vez por bimestre. Após as leituras e
comentários, partilharemos as bebidas e as comidas.
No 1º bimestre, o gênero literário será poemas. A/o docente trará poemas
em aulas anteriores ao Café Literário e lerá para o alunado, chamando atenção para a
entonação e a expressividade na maneira como um poema deve ser lido. Cada aluno
escolherá seu poema favorito e trará para ler para os colegas apresentando o texto de
sua escolha. Se na sala alguém já escrever poemas, será incentivado a trazer uma
produção de própria autoria.
Os alunos se reunirão em círculo no pátio da escola. No centro do círculo,
existirá uma mesa com todos os alimentos e bebidas que os estudantes e o/a docente
trouxerem para a partilha no momento final do evento.
No primeiro momento, um/a aluno/a escolhido/a pelo/a docente lerá um
texto de acolhida (texto para reflexão). Depois, o/a docente lerá seu texto de escolha.
O bom exemplo começa pelo/a professor/a. Em seguida, cada estudante falará um
pouco do motivo de sua escolha e em seguida lerá o poema selecionado para todos da
turma.
No 2º bimestre, o gênero literário escolhido será “Fábula”. Em sala,
contextualizaremos que cada aluno tem um sonho, um desejo; no entanto, o/a
docente pedirá que o (a) aluno (a) não o revele ainda. E perguntaremos como cada um
pode realizar esse sonho, como ele construiria uma história cujos personagens fossem
animais (típico da fábula) e que existisse uma moral explícita que dissesse ao leitor
algum ensinamento de como se realizaria ou não esse sonho. O (a) docente pede que

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cada aluno escreva em uma folha de papel, o seu nome completo e responda a
seguinte pergunta “Qual é meu maior sonho?”. Em seguida o alunado dobra a folha
com cuidado e entrega para o/a professor/a. O/a docente recebe todos os papéis,
mistura-os e entrega um para cada aluno. Quando todos estiverem com um papel, o/a
professor/a terá o cuidado de alertar para os alunos da importância de cada papel que
eles têm em mãos. Perguntas como “Por que esse papel é tão valioso?” trará respostas
como “Porque nele tem sonhos.”. Tudo isso incentiva o respeito mútuo entre os
estudantes.
Cada aluno lerá o sonho do colega de maneira discreta para não revelar
quem ele (ela) tirou. Em casa, o/a discente escreverá um texto contando como as
personagens agiram para realizar esse sonho. O/a docente trará fábulas diversas para
serem lidas durante as aulas. O/a professor/a deve incentivar a pesquisa no tocante a
profissões, lugares diferentes, viagens, etc.; de acordo com o sonho ali exposto.
No 3º bimestre, o gênero literário escolhido será o conto. Autores diversos
farão parte das leituras do alunado, contistas renomados como Machado de Assis,
Marina Colasanti, Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan e Clarice Lispector.
A sala será dividida em equipes. Cada equipe receberá um número para o
sorteio. Por exemplo, a primeira equipe sorteou o número 7, que corresponde ao
conto O Enfermeiro, de Machado de Assis; logo cada integrante da equipe lerá esse
conto para apresentar para a turma.
Os integrantes lerão o conto. Alguns integrantes da equipe terão que fazer
cartazes com imagens que resumam o enredo. No cartaz só poderá haver imagens
para contar a sequência da história para a turma. Depois da apresentação através das
imagens, a equipe apresentará uma peça, cujo texto encenado será inspirado no conto
sorteado. Por fim, um resumo impresso do conto será entregue em nome da equipe.

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Enfatizamos que cada equipe receberá um conto diferente.
No 4º bimestre, o gênero literário escolhido será a crônica, o qual será
trabalhado nas aulas. O/a docente falará das principais características da crônica, dos
principais cronistas. Trará diversas crônicas para serem lidas em sala de aula. Fará
leitura encenada com a participação de alguns alunos, utilizando-se de algumas
crônicas, como por exemplo, o texto “No restaurante”, de Carlos Drummond de
Andrade1.
Após essa preparação, cada aluno/a escolherá sua crônica favorita. Essa
pesquisa deverá ser feita fora do ambiente sala de aula. O/a discente fará um pequeno
resumo da história da crônica, recomendando a leitura para os colegas e explicado os
motivos de sua escolha. O/a discente deverá produzir sua própria crônica. Os textos
criados serão expostos em um mural na própria sala de aula e alguns podem ser
mandados para publicações em jornais de grande circulação que abram espaço para a
publicação de textos de leitores do jornal.

1
Crônica publicada no livro “Para gostar de ler”, volume 1, Editora Ática.
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Referências:

BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa. Brasília, 1998.


COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006.

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