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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS

Instituto de Ciências Humanas


Programa de Pós-Graduação em Antropologia

Trabalho final da disciplina: “Teoria Arqueológica I”

Cultura Material e Patrimonialização:


Um Duplo Olhar Sobre a Cultura Material

YURI ZIVAGO YUNG GRILLO

Pelotas, 2018
Yuri Zivago Yung Grillo

Cultura Material e Patrimonialização:


Um Duplo Olhar Sobre a Cultura Material

Trabalho apresentado à disciplina de “Teoria

Arqueológica I” da Universidade Federal de

Pelotas, ministrada pelo Prof. JORGE

EREMITES DE OLIVEIRA, como parte das

exigências da disciplina.

Pelotas, 2018
INTRODUÇÃO

O presente trabalho feito para a disciplina de “Teoria arqueológica I” é


resultado da tentativa de conciliar as pesquisas que tenho feito sobre a história de
Pelotas, a patrimonialização de edificações e bens, sob uma perspectiva crítica com
o objetivo de produzir um estudo de um grupo que possibilite a identidade em
relação a um território, que neste caso, trata-se da própria sociedade pelotense e
seus recortes de classe.

Para esta investigação escolhi a cidade de Pelotas devido à sua singular


história de relações entre a elite burguesa e aristocrática com os escravos e,
posteriormente, trabalhadores assalariados. Em termos de tempo, esta pesquisa tem
como foco o século XIX, considerado o “Século da História” (RIEGL, p. 44, 2014)
devido à valorização do passado manifestada na monumentalidade, estendendo-se
o século oitocentista até 1914 como discutido por Hobsbawm (1988). A escolha
deste período foi feita por ser este considerado de maior expressão artística nos
processos de conservação e patrimonialização, o que é atribuído, em grande parte,
à influência de artistas plásticos europeus de formação neoclássica que trabalharam
em Pelotas neste período (LONER, et all. p.15, 2017), e que influenciaram gerações
de artistas pelotenses até o início do século XX (LONER, et all. p.16, 2017).

O período que destaco para a realização desta pesquisa está


inextricavelmente unido a atualidade, estando presente no dia-a-dia dos cidadãos
pelotenses, através dos casarões, praças e parques, museus e monumentos,
representando majoritariamente o patrimônio burguês, ao mesmo tempo que
também está presente através das tradições populares, fábricas, bairros, clubes, e
logradouros com singular importância histórica, representando também os espaços
de luta, reivindicação e identidade popular. Desta forma, esta pesquisa estuda
fenômenos culturais que, tendo início no século XIX, transformaram e foram
transformadas pela sociedade pelotense e continuam existindo até a atualidade:

Estudar alguma coisa historicamente significa estudá-la no processo de


mudança; esse é o requisito básico do método dialético. Numa pesquisa,
abranger o processo de desenvolvimento de uma determinada coisa, em
todas as suas fases e mudanças - do nascimento à morte - significa,
fundamentalmente, descobrir sua natureza, sua essência, uma vez que "é
somente em movimento que um corpo mostra o que é". (VYGOTSKY, 1991,
p.46)

Desta forma, embora o foco seja no que permanece deste período,


entendo esta pesquisa como uma arqueologia da paisagem, da imagem e do
presente, sob um ponto de vista que procura ser crítico e engajado com as
comunidades sendo também, por este motivo, uma arqueologia social. Nesse
sentido, uso a seguinte definição como referência para trabalhar a arqueologia como
ciência social e do presente para entender o passado:

A arqueologia é uma ciência social no sentido de que ela procura explicar o


que aconteceu a um grupo específico de seres humanos no passado e fazer
generalizações a respeito do processo de mudança cultural. […] A
arqueologia infere comportamento humano, e também idéias, a partir de
materiais remanescentes do que pessoas fizeram e usaram, e do impacto
físico de sua presença no meio ambiente. A interpretação de dados
arqueológicos depende da compreensão de como seres humanos se
comportam no presente e, em particular, de como esse comportamento se
reflete na cultura material. (TRIGGER, p.33, 2004)

Como fonte de pesquisa, realizei revisão bibliográfica sobre a história de


pelotas no século XIX e imediatamente posterior, utilizando exclusivamente
trabalhos acadêmicos publicados em revistas locais na contraposição de ideias com
a literatura clássica sobre análise artística e histórica. Junto a isto, analiso a
paisagem atual que compõe o cenário pelotense, isto é, os casarões, monumentos,
museus, logradouros e espaços públicos de importância histórica e cultural. A
análise da paisagem é realizada de duas formas: por um lado, investigando a origem
e o significado da cultura material preservada que é identificada como herança
burguesa de Pelotas oitocentista, bem como traduzir a representação ideológica que
estes monumentos procuram retratar na tentativa de formação de consensos
históricos e discursivos no processo de formação da hegemonia (GRAMSCI, 1999);
por outro, através das comunidades não contempladas por estas políticas
patrimoniais, buscando identificar a continuidade de tradições populares deste
período até os dias de hoje e as manifestações desta na cultura material.

As ideias esboçadas até aqui, contudo, não constituem em totalidade o


corpo deste trabalho, sendo na verdade o objetivo do meu mestrado realizá-las. Aqui
apresento o que fiz até agora buscando vincular com a referida disciplina.
1. BREVE HISTÓRIA DE PELOTAS

Não é possível falar em termos históricos sobre a cidade de Pelotas sem


mencionar as charqueadas, tendo em consideração que este foi um importante meio
de produção econômica da localidade por muito tempo, estando, inclusive,
diretamente relacionado com a formação inicial da cidade. Este meio de produção,
por sua vez, determinou e foi determinado (em relação dialética) pela relação de
produção entre senhores e escravos. Esta relação, por sua vez, traduziu-se em
diferentes formas de apropriação da cultura material que pretendo investigar ao
longo desta pesquisa. Os Conceitos de “meio de produção” assim como “modo de
produção”,“relação de produção” e outros do Materialismo Histórico Dialético são
abordados por LUMBRERAS (1974), além de constituírem já termos bem
conhecidos e, por isto, não pretendo explicá-los aqui nesta fase inicial do meu
trabalho, da mesma forma que não abordarei exaustivamente a história de pelotas
neste momento. Porém, de maneira sucinta, podemos resumir a história da cidade
de Pelotas em sua origem na seguinte citação:

A cidade de Pelotas nasceu em razão da instalação de charqueadas nas


margens do arroio Pelotas e do canal São Gonçalo, tornando-se o local
onde as famílias dos charqueadores construíram suas residências urbanas
e o ambiente do qual passaram a fazer parte um número muito alto de
escravos e a classe média ligada ao comércio e aos serviços. Naquele
período, a cidade ficou conhecida pelos hábitos da elite pelotense, que
ostentava riqueza. (GASTAUD; ZECHLINSKI. p.90, 2009)

Pelotas é conhecida pelo epiteto de “Princesa do Sul”, devido,


supostamente, a sua refinada cultura em comparação ao resto do estado do Rio
Grande do Sul que era então chamado de província de São Pedro. Esta pretensa
superioridade da cidade envolve a valorização da burguesia que nasce da
exploração do charque. Ao todo 10 Charqueadores em Pelotas obtiveram o título de
barão, sendo que dois deles chegaram a ser promovidos a viscondes (LONER, et
all. p. 30, 2017). Ainda outros teriam recebido título de nobreza, porém, ligados
indiretamente as charqueadas ou raramente sem nenhuma ligação com esta
produção (LONER, et all. p.31, 2017). A acumulação primitiva de capital advinda da
exploração de mão de obra escrava nas colônias, conforme demonstrado por Karl
Marx (1985), bem como do trabalho feminino principalmente doméstico e não pago,
conforme é discutido por Silvia Federici (2016), permitiu o enriquecimento da
burguesia. Este enriquecimento no caso da burguesia local, foi a tal ponto que,
durante algum tempo, o Banco de Pelotas foi o terceiro maior do país, status que
durou até a sua falência, onde um dos motivos apontados para tal é a quebra da
bolsa de Nova York em 1929 (LONER, et all. p. 28, 2017).

Essa transformação da burguesia local pode ser contextualizada a nível


global. Se durante três séculos a dominação europeia mudou a história do planeta,
atuando em resposta a crise da classe dominante no final do medievo e
estabelecendo as bases do sistema capitalista (FEDERICI, 2018), é no século XIX
que o capitalismo concretiza-se como um sistema global e passa a sua nova faze, o
Imperialismo (LENIN, 1917).

Outras características deste enriquecimento através da exploração podem


ser observadas através da cultura material. Em Pelotas, as decorações dos
casarões que compõem o centro histórico da cidade, a maioria construídos no
século XIX e início do século XX, possuem elementos de origem europeia, como os
vasos e esculturas em faiança, que eram utilizadas como um símbolo de status e
ostentação econômica (SCOLARI, 2011). Foi o enriquecimento da burguesia local
que permitiu a esta importar mão de obra estrangeira de arquitetos e artistas
europeus, com o objetivo de “embelezar” a paisagem da cidade, o que é mantido até
os dias de hoje, sendo o principal foco das políticas de conservação e restauro na
cidade.

É evidente que a educação e a arte em Pelotas, recebendo o incentivo da


burguesia local, era manipulada ao seu bel-prazer, e isto refletia o domínio da elite.
Antônio Caringi, é um exemplo de escultor pelotense que recebeu o apoio e o
patrocínio da burguesia local. Caringi chegou a estudar com Arno Brecker, escultor
favorito de Hitler, e se especializou em plástica monumental (FARO, GONÇALVES,
p.18). Suas obras refletem o triunfo da elite e da colonização, um passado que
apaga o período da escravidão de negros, a dizimação indígena e retratam a mulher
de acordo com a ideologia vitoriana, ainda que as obras deste escultor sejam
posteriores a este período histórico.
Enquanto estes patrimônios da elite estão muito bem documentados e
conservados, questionamos o que acontece com o patrimônio popular e porque este
é esquecido. Lorena Almeida Gil (2005) relata que nas primeiras décadas do século
XX, Pelotas possuía 124 cortiços registrados pela contabilidade oficial e um número
ainda maior de cortiços não contabilizados. É digno de se perguntar onde estariam
esses cortiços ou seus vestígios, ou se algum deles, devido a sua inegável
importância histórica, foi patrimonializado?

No entanto, o conjunto histórico de Pelotas, tombado em 16 de maio de


2018, é o sexto patrimônio material de Pelotas tombado pelo IPHAN, ao lado de: o
Teatro Sete de Abril, três palacetes que pertenceram à elite dos charqueadores e a
caixa d'água localizada na Praça Piratinino de Almeida, por sua vez, importada da
Escócia em 1875 (MINC, 2018). O foco das políticas de patrimonialização tem sido,
em sua maior parte, demonstrar a suposta grandeza de um passado pertencente a
elite constituída sob a exploração de mão de obra escravizada para a produção do
charque, como o IPHAN em seu site noticiou em 10 de Maio de 2018 acerca da
patrimonialização do conjunto histórico de Pelotas: “Todos esses bens do Conjunto
Histórico apresentam uma semelhança importante: compartilham uma história
comum, em maior ou menor grau, relacionada com o ciclo do charque.” (IPHAN,
2018).

2. MEMÓRIA E PATRIMONIALIZAÇÃO

Segundo A. Leroi Gouhran, o uso de símbolos é uma das características


que nasce com o Homo Sapiens, sendo que até o seu surgimento não teria existido
nada semelhante: “a aptidão de fixar o pensamento através de símbolos materiais”
(p.83, 1985). Esta característica, de criar símbolos materiais, e que nos distingue
enquanto seres humanos de outras espécies, também foi observado por Vygotsky
(2003) e é por ele chamada de a capacidade de externalizar a memória, isto é, criar
auxiliares mnemônicos que não fazem parte da memória biológica, mas da memória
como um todo. Ainda segundo Vygotsky isto pode ser feito desde coisas simples
como gravetos, nós em uma corda, marcas em um pedaço de pau, etc., até a
própria escrita. Estas ferramentas da memória, que são os signos, alteram e
transformam os grupos sociais através da cultura: “O uso de signos conduz os seres
humanos a uma estrutura específica de comportamento que se destaca do
desenvolvimento biológico e cria novas formas de processos psicológicos
enraizados na cultura.”(VYGOTSKY, p.30, 2003). O próprio uso dos monumentos
com este objetivo também foi observado por Vygotsky:

Poder-se-ia dizer que a característica básica do comportamento humano em


geral é que os próprios homens influenciam sua relação com o ambiente e,
através desse ambiente, pessoalmente modificam seu comportamento,
colocando-o sob seu controle. Tem sido dito que a verdadeira essência da
civilização consiste na construção propositada de monumentos de forma a
não esquecer fatos históricos. Em ambos os casos, do nó e do monumento,
temos manifestações do aspecto mais fundamental e característico que
distingue a memória humana da memória dos animais. (p.37-38, 2003)

Portanto, os monumentos e museus são também objetos mnemônicos


que tem como objetivo lembrar a sociedade um acontecimento histórico, de forma a
alterar o próprio comportamento humano através da modificação na paisagem: A
memória e a sua representação compõem o “corpo e a alma do museu em si”
(FERREIRA, 1994). Por este motivo, a relação entre a memória e o museu pode ser
definida nos seguintes termos:

Memória evocada por objetos e construções que traz ao mundo dos vivos, o
que é preciso que se mantenha, e que assume o papel de ser coletiva, una.
Memória essa que ao envelopar as memórias individuais, lhe conferindo o
caráter nacional, nação, englobante, homogeneizadora. (FERREIRA. p. 47,
1994)

Maria Letícia M. Ferreira usa o termo “sacralização do espaço” e


“sacralização do tempo” para descrever ambientes de museus, onde o povo é
convidado a participar de maneira recatada e com um respeito religioso pelas obras,
objetos ou edificações de um passado glorioso. Questionando que passado seria
este, a pesquisadora nos responde: “Em geral, os museus tradicionais refletem, para
puro delírio de seus observadores, uma única fala, ou seja, a História das Elites, um
passado aristocrático.” (p.47, 1994). Des de o processo da formação dos museus
antigos, entre Gregos e Romanos, até a formação do Museu Britânico, os museus
têm seu acervo relacionado ao saque e a demonstração de dominação de uma
suposta cultura superior frente ao exótico, selvagem e bárbaro.
Portanto, e retomando o conceito de externalização da memória de
Vygotsky (2003), estas práticas que caracterizaram até hoje os processos de
patrimonialização são formas de externalização de discurso:

Ora, nada mais lógico pois, se entender a construção do museu como um


discurso, este possui seus construtores, e, no modelo clássico de Museus
Históricos, os objetivos traduzem-se pela única memória apresentada: a das
elites dominantes, a memória cristalizada em um ‘fato histórico’.
(FERREIRA. p.49, 1994)

Os monumentos patrimonializados são um importante símbolo que


destoam na paisagem urbana, sendo inegável a sua participação na memória, ao
menos como uma intenção que motivou a sua construção. A partir da análise de
monumentos da cidade, representando, em sua grande maioria o patrimônio da elite,
poderemos inferir sobre os símbolos e significados que refletem estes monumentos,
bem como a ideologia que estes propagam. A este respeito, levo em consideração a
definição e os estudos desenvolvidos por Alois Riegl sobre os monumentos:

Por monumento no sentido mais antigo e original do termo, entende-se uma


obra criada pela mão do homem e elaborada com o objetivo determinante
de manter sempre presente na consciência das gerações futuras algumas
ações humanas ou destinos (ou a combinação de ambos). Pode tratar-se de
um monumento de arte ou de escrita, conforme o acontecimento a ser
imortalizado tenha sido levado ao conhecimento do espectador com os
meios simples de expressão das artes plásticas ou com auxílio de
inscrições. Geralmente os dois meios encontram-se associados de forma
equitativa. (RIEGL, p.31, 2014)

Este tipo de análise tem a potencialidade de revelar, não só sobre a


assimetria entre classes sociais, mas também entre raça e gênero. Conforme
discutido por Lilian Panachuck (2013) a análise dos gestos pode nos revelar algo
sobre as relações de poder em cada e entre os gêneros. A pesquisadora utilizou
esta metodologia, avaliando os alcances e limites desta ferramenta, porém, aplicada
a cerâmica de sítios arqueológicos situados no baixo curso do rio Tocantins e Pará.
Não obstante isto, nada impede que o mesmo método possa ser aplicado para a
arqueologia histórica onde, da mesma forma, contataremos que dentro de um
processo dialético de transformação:

A cultura material aparece assim como resultado de processos corporais e


mentais, que envolve tanto o indivíduo quanto o grupo, em determinado
tempo e espaço. É ao mesmo tempo resultante da repetição e da criação,
da tradição e da transformação (PANACHUCK, p. 91, 2013).
Isto reforça o fato de que a cultura material, ao mesmo tempo que reflete
a sociedade em que é feita, atua para a sua transformação. Desta forma, a cultura
material é portadora e difusora de ideologia. Se identificarmos a ideologia do período
oitocentista e imediatamente posterior, encontraremos o seu reflexo no que foi
produzido neste período em Pelotas, da mesma forma que entenderemos melhor o
propósito das edificações e monumentos. Panachuck postula que em todas as
sociedades a valorização e o prestígio são relacionados ao domínio de um tipo de
técnica e de arte, ao mesmo tempo que as técnicas são receitas que são colhidas
em expressões linguísticas e nos mitos (p.91-92, 2013). Da mesma forma, foi um
determinado tipo de arte que as classes dominantes valorizaram na cidade, que na
arquitetura era o estilo Eclético Histórico, mas que podemos identificar em geral,
como a arte que visava a ostentação, o resgate histórico de um passado clássico
(Greco-Romano) e a educação da classe dominada através de uma “cultura
superior”. Nesse sentido, a distinção entre monumento artístico e histórico é de
pouca importância, pois como constatou Alois Riegl:

Na verdade, o "monumento de arte" entendido nesse sentido é um


"monumento histórico-artístico", assim, ele não possui "valor de arte", mas
"valor histórico". Resultaria, portanto, que a distinção entre monumentos
"artísticos" e "históricos" não é apropriada, pois os primeiros estão contidos
nos últimos e se confundem com eles. (RIEGL, p.33, 2014)

Em contrapartida, nas camadas populares diversos tipos de arte foram


valorizados que, embora muitas delas estejam apagadas e esquecidas, é um estudo
que necessitamos fazer para que este trabalho um dia seja concluído.

A arqueologia, sendo uma disciplina ligada a patrimonialização e a


construção da história, não escapa as tendências Colonialistas, Nacionalistas e
Imperialistas, identificadas por Bruce Trigger (1984), e que representaram diferentes
fases de dominação capitalista. Também Lumbreras (1974) observou esta tendência
na arqueologia, des de suas origens: já na renascença a arqueologia surgia com o
propósito de entreter a burguesia nascente (o que, Lumbreras também nos diz,
ainda acontece em alguns países até a atualidade), e que se estabeleceu em um
contexto colonialista de saque que foi feito ao Egito, Grécia e outros lugares pelos
países como França, Inglaterra e outros colonizadores. Ainda segundo Lumbreras,
também coube a arqueologia o papel de criar uma nova história, combatendo os
dogmas do Gênesis e, assim, destronando a aristocracia medieval cujo poder se
assentava sobre a religião, embora mais tarde esta aliança foi reatada com a própria
burguesia com novos termos (LUMBRERAS, p. 29, 1974).

Em outro trabalho de B. Trigger (2004) este compara a própria história a


um mito, já que seria possível, graças a abundância de testemunhas históricas,
comprovar quase qualquer coisa. Não obstante isto, o arqueólogo também nos diz
que os mitos podem servir para orientar a ação coletiva, e é aí que entra a
responsabilidade da e do arqueóloga e arqueólogo, para o bem ou para o mal.
Seguindo semelhante linha de raciocínio, Alfredo Mendonça de Souza (1991)
discorre sobre a relação entre território, cultura material e patrimônio, e de como
estas três coisas estão conectadas ao elemento ideológico para garantir a
dominação de territórios, o que é também reproduzido pela arqueologia:

Estas manipulações da arqueologia tem razões profundas, psicosociais, que


passam pelos conceitos de patrimônio cultural e de reconstrução do
passado, como formas de fixação de um caráter nacional, elementos de
ligação com um passado intangível mas, não obstante, essencial para a
leitura do presente. (p.46, 1991)

Souza, em seguida, nos conduz à reflexão de que não cabem mais


definições simples sobre o passado, pois, na verdade, quando se traz à luz algo do
passado, o que sempre é uma escolha em detrimento de outra, está na verdade se
construindo este passado. Portanto, aqueles que se dedicam à preservação devem,
ao contrário do que se pensava antes, compreender o presente para entender o
passado.

Se por um lado a arqueologia tem esta origem burguesa, conforme foi


relatado, por outro, as pesquisas arqueológicas, mesmo na atualidade, e em geral,
tem poucas e fracas ligações com a população trabalhadora e periférica ao sistema.
O mesmo B. Trigger, citado anteriormente, relata esta falta de ligação com o povo,
salvo a classe média, de onde são a maior parte dos arqueólogos hoje, e que os
trabalhos arqueológicos costumam refletir:

A reação do público aos achados da arqueologia é um indicativo da


necessidade de enquadrar sua história em um amplo contexto social. A
imagem popular da arqueologia é a de uma disciplina esotérica que não tem
qualquer relevância no tocante às necessidades e interesses do presente.
(TRIGGER, p.13, 2004)
3. TRÊS MONUMENTOS DA PRAÇA PEDRO OSÓRIO

Para a realização deste trabalho decidi não abordar o que poderíamos


conceituar como “Patrimônio Popular”, embora seja um dos meus objetivos para o
trabalho final no mestrado, mas sim apenas três monumentos da praça Pedro
Osório, nos quais toma-se nota da preponderante importância que os papéis de
gênero revelam a qualquer observador, representando o patrimônio da elite e
também sua ideologia. Esta presença que a sexualidade tinha nas expressões
artísticas do século XIX e início do século XX foi constatada pela teórica marxista
Alexandra kollontai:

No curso da história da humanidade não encontraremos, seguramente,


outra época na qual os problemas sexuais tenham ocupado, na vida da
sociedade, um lugar tão importante, atraindo como por arte de magia, as
atenções de milhões de homens. Em nossa época, mais do que em
nenhuma outra da história, os dramas sexuais constituem fonte inesgotável
de inspiração para os artistas de todos os gêneros da Arte. (KOLLONTAI,
1911)

Não obstante retratarem o passado épico, os monumentos trabalham com


o imaginário presente, servindo como instrumento de dominação ideológica e
criando um consenso hegemônico (GRAMSCI, 1999). Naturalmente, a mulher não
escapa a este domínio, sendo figura frequentemente representada através de
utensílios domésticos, vestuários requintados e todas as características da mulher
de “classe”, isto é, a mulher burguesa e aristocrata, submissa e que tem apenas a
beleza e os sentimentos maternos e piedosos a ofertar. Quando não são estes os
atributos retratados por um quadro ou escultura femininos, a mulher é representada
sob a forma de figuras mitológicas nuas, simbolizando os poderes indomáveis da
natureza. Aqui e ali, a mulher em ambos os casos aparece como sendo um ser
sentimental: se não sob o sentimento materno, ou então, religioso, ou ainda,
vaidoso, aparece, então, como um ser não domesticado, um Elemental da natureza
dominado por paixões e ódios e que, se deixado fora do controle ou de sua área de
atuação, produzem o caos e a destruição.
Estes elementos de dominação Hegemônicas, percebidos na cultura
material, são facilmente identificados em alguns dos monumentos da praça Coronel
Pedro Osório. A praça Coronel Pedro Osório é um dos bens tombados pelo IPHAN
em Pelotas. De todos os monumentos que se encontram nesta praça, com muitos
monumentos masculinos, apenas três retratam a figura feminina de forma
proeminente (na verdade, existem outros dois monumentos nesta praça que
retratam a mulher secundariamente e, por isto, não foram aqui avaliados):

Monumento às mães - Praça Cel. Pedro Osório - Foto de Elton Vergara-Nunes.


Fonte: https://br.pinterest.com/pin/14425661288010826/?lp=true
Fonte das Nereidas - Praça Cel. Pedro Osório - Foto de desconhecido. Fonte:
http://cenasperdidas.blogspot.com/2015/09/chafariz-praca-pedro-osorio.html

Monumento à Yolanda Pereira - Miss Universo 1930 - Praça Cel. Pedro Osório - Foto de
Osmar do Prado e Silva. Fonte:
http://pu3yka.com.br/homepage/brasil/riograndesul/Pelotas/centro/praca/praca-01.htm

A primeira imagem retrata o monumento às mães; o segundo é a Fonte


das Nereidas, elementais da água; e o terceiro é o monumento à Yolanda Pereira,
miss universo em 1930. Importante observar, também, que todos estes monumentos
retratam, de uma forma ou de outra, apenas a mulher branca. Não será feita uma
análise detalhada da história de cada uma destas obras nem da descrição de seus
autores, mas a respeito da ideologia por detrás delas. Em todos estes casos é
possível observar os reflexos da ideologia dominante do período, pois ou a mulher
se destaca como mãe e protetora do lar, ou então pela sua beleza excepcional e por
último, como uma figura mitológica de força da natureza. Desta forma constatamos
que o domínio sobre a mulher não era apenas físico, mas também ideológico,
confirmando o que diz Alexandra Kollontai a este respeito:

O ideal da posse absoluta, da posse não só do eu físico, mas também do eu


espiritual por parte do esposo, o ideal, que admite uma reivindicação de
direitos de propriedade sobre o mundo espiritual e moral do ser amado, é
que se formou na mente e foi cultivado pela burguesia com o objetivo de
reforçar os fundamentos da família, para assegurar sua estabilidade e sua
força durante o período de luta para conquista de seu predomínio social.
Esse ideal não só o recebemos como herança, como também chegamos a
pretender que seja considerado um imperativo moral indestrutível. A ideia
da propriedade se estende muito além do matrimônio legal. É um fator
inevitável que penetra até na união amorosa mais livre. Os amantes de
nossa época, apesar de seu respeito teórico pela liberdade, só se
satisfazem com a consciência da fidelidade psicológica da pessoa amada
[...]. Da mesma forma pretendemos fazer valer nossos direitos sobre o seu
eu espiritual mais íntimo. (KOLLONTAI, 1911)

Ao mesmo tempo que o patrimônio daquilo que exerce o poder é


lembrado e preservado, o outro lado, representando o patrimônio dos dominados, é
esquecido e apagado, e é assim que notaremos a carência de representações da
mulher como alguém que através de duras lutas conquistou seus direitos contra uma
sociedade injusta e patriarcal, já que o Dia das Mães está representado mas não o
Dia da Mulher, valendo o mesmo para negros, indígenas e trabalhadores de forma
análoga. Todos estes, em suas lutas e conquistas, mereciam monumentos e
museus dedicados às suas lutas assim como a preservação daquilo que é
relacionado com a identidade destes grupos, e que pode ir muito além de
monumentos e museus.

Lorena Almeida Gil (2005) apresenta como Instrumentos de Trabalho,


dois artigos do jornal Pelotense “A Tribuna” (1911-1912) em que o tema das
moradias é discutido e onde há a demanda pela construção de casas populares e
vilas operárias buscando a substituição dos cortiços. Destaco o seguinte trecho do
jornal Pelotense, onde pode-se observar um relato de como era a casa ideal do
proletariado de acordo com a visão positivista da elite, bem como de qual era o
papel da mulher no lar:
Augusto Comte, a este respeito, merece especial menção, pois de uma
maneira circunstanciada descreve o que deve ser a habitação operária,
onde reúne a família, cercada de todo conforto físico e espiritual e ligada
pelos estreitos laços da afetividade, sob a predominância moral da mulher -
superior ao homem pelas espontâneas e excelsas virtudes de seu formoso
coração. Para este filósofo, a casa proletária deve ter sete cômodos: - uma
sala para reunião e recepção, outra destinada ao preparo e consumo dos
alimentos, um quarto para os esposos; outro para os avós; dois para os
filhos, com separação dos sexos; e finalmente a capela[...] (A TRIBUNA,
19911- apud GIL, 2005)

De acordo com a ideologia positivista, então dominante entre a elite da


virada do século XIX para o XX, à mulher cabia o papel de submissa ao homem,
bem como o papel de “rainha do lar” e “anjo protetor da família” (TABORDA, 2012),
o que explica a representação feminina nos monumentos de Pelotas tal como é, em
linha totalmente oposta à representação do homem (burguês e branco) que aparece
como conquistador, dominador e pensador. As representações masculinas, não
foram retratadas neste trabalho devido ao espaço, já que são praticamente todas as
representações da Praça Pedro Osório, começando pela do próprio Coronel Pedro
Osório.

Evidentemente, a ideologia não era mantida apenas pela criação de


monumentos, havendo grande ênfase na criação de ideologia documentada e
escrita, que no caso da pesquisa arqueológica, deve servir como instrumento
auxiliar. É o caso da Revista Illustração Pelotense, onde encontra-se uma
entrevistada em 1920 reforçava a ideologia de um século que já estava adoecendo
mas recusava morrer, e mesmo hoje resiste com todas suas forças a ir para a
tumba:

O perfil de mulher ideal elaborado pela Revista Illustração Pelotense refletia


o interesse do seu público leitor em manter as mulheres no lar, voltadas
para o cuidado da família. Senhorinhas educadas, dóceis, religiosas e
satisfeitas com suas vidas eram ilustradas nas páginas da revista. A
necessidade de insistir nessa imagem pode ter sido um reflexo da resposta
favorável das mulheres à vida moderna e às novas possibilidades trazidas
por ela. Ao analisar a imagem e o discurso de uma das senhorinhas da elite,
a narrativa é a seguinte: a mulher tem um papel definido que gira em torno
do mundo masculino, sob o controle do pai e depois do cônjuge. A jovem
inserida nessas páginas construiu e reafirmou os modelos comportamentais
desejados pela sociedade pelotense da década de 1920. (TABORDA,
p.308. 2012)

Por último, não seria possível terminar sem mencionar algo sobre
referências culturais, sendo este um dos critérios principais nas políticas de
tombamento. Conforme discutido por Cecília Londres Fonseca (p.87, 2006) falar em
referência culturais significa buscar representações da identidade de uma população
que compõe um determinado cenário. Portanto, as referências culturais não dizem
respeito aos objetos, monumentos, etc, com valores intrínsecos, mas elementos
escolhidos pelos grupos sociais e que servem como uma representação coletiva
com as quais os indivíduos se identificam. A questão é desvendar quem está sendo
o porta-voz entre as políticas públicas de patrimonialização e a população, posto que
o que tem sido representado em geral são referências culturais de uma identidade
burguesa-aristocrática, branca e machista, e não da identidade popular, negra,
indígena, e da mulher mas até, ao contrário, antagônica a todas estas e visando a
sua dominação e domesticação, perpetuando o poder hegemônico.

5 CONCLUSÃO

Os museus, monumentos, edificações e, em geral, o processo de


patrimonialização, característicos de qualquer forma de educação desenvolvido pelo
Estado, entendendo o Estado no sentido amplo como a própria dominação de classe
e, por congruência, também de dominação de raça e gênero, atuando seja através
dos meios públicos ou privados conforme identificou Althusser (2001), têm a
característica de aparelho de dominação ideológica que serve para manter o poder
hegemônico (GRAMSCI, 1999). O Poder Hegemônico, por sua vez, atua através da
ideologia, com a criação dos consensos inquestionáveis e enraizados dentre a
população. Via de regra, as pessoas da alta classe têm os seus bens considerados
como patrimônio em detrimento de outros, em uma dialética entre o que é lembrado
e o que é esquecido, e que reforçam a manutenção de sua ideologia. O pouco que
pode ser encontrado contrariando esta regra, são pequenas concessões adquiridas
através de duras lutas e, ainda assim, predominam entre os bens imateriais e não
aos bens materiais patrimonializados. Mesmo entre os bens imateriais, também é
observado distorções, como a ausência de referência aos negros (e mesmo aos
ciganos) na criação dos doces de pelotas, que passam a ser vistos como uma
tradição portuguesa com o seu tombamento.
Não obstante, assim como existem dois tipos de intelectuais, tudo me faz
crer que seria possível uma outra alternativa que mudasse este quadro. Uma
iniciativa deste tipo precisaria ir além dos museus comunitários já existentes, posto
que precisaria rever a própria metodologia de criação e manutenção de memória.
Um museu orgânico, que significa vivo, dependeria da comunidade que organizada
através de seus coletivos possa opinar, escolher e criar o que será digno de
memória para as gerações futuras, trabalhando no presente com o passado, da
mesma forma que os museus tradicionais, no entanto, com uma atitude inversa,
permitindo também as futuras gerações se reinventar. Este tipo de iniciativa criaria
uma democratização direta do espaço de memória: “Assim, para que o Museu seja
de fato uma proposta nova para a sociedade, é preciso que esteja imerso no
conjunto de práticas, ideias, memórias enfim que compõem o cenário social,
contraditórias e conflitantes.” (FERREIRA. p.49, 1994).

Não sendo, portanto, a educação que lhes confere o apreço por estes
bens, mas trata-se de uma relação da própria identidade dos dominantes em
detrimento dos dominados e da forma de manter o seu poder e sua ideologia
atuando de forma hegemônica, é compreensível a preocupação da burguesia
quando esta se coloca como defensora dos bens patrimonializados. O que é
chamado de “carência” nas classes populares sobre estas “noções de preservação”
deve-se, não à exclusão dos meios do conhecimento, conforme a intelectuais
tradicionais propõe explicar (GRAMSCI, 1999), mas da própria elaboração do que
será patrimonializado e como será. Estas práticas significam, portanto, a exclusão
de sua própria identidade. Não contentes com isto, deseja-se forçar as mulheres, os
negros, indígenas e as classes populares, entre outros sujeitos à dominação, em
uma educação voltada para a preservação do que não é seu e do que não lhes traz
benefício. Reclama-se, portanto, quando setores populares fazem intervenção em
monumentos que representam figuras historicamente dominantes e opressoras, mas
não há a menor tentativa de ouvir e entender o outro lado.

Por outro lado, neste início do século XXI parece que o capitalismo tomou
um outro rumo. Como Riegl já dizia no início do século XX, “o valor da arte de um
monumento é medido pelo modo como ele atende às exigências do querer moderno
da arte” (RIEGL, p.35, 2014), e estas exigências estão sempre em constante
transformação. Com as tendências neoliberais formando a principal base ideológica
das classes dominantes, perde o significado a preservação com o objetivo de educar
e manter ideologicamente alinhada a população. Hoje a burguesia busca sem
escrúpulos o capital e a diminuição do Estado (enquanto aparelho público e direitos
sociais garantidos por este). Hoje a ideologia dominante, desvinculando da ideia
aristocrática de que os que estão no poder receberam este por graça divina ou
mérito de longo prazo, postulam que todos podem tornar-se bilionários, não havendo
mais distinção entre classes nem proletários nem burgueses, apenas
“colaboradores”.

A preservação de um passado que vincula estes herdeiros do capital com


a exploração de negros, indígenas e das mulheres, da opressão em geral, tornou-se
menos interessante e justificável para a atual elite, mas, ao contrário, indesejável.
Com o crescimento de teorias críticas dentro das ciências humanas, a tendência das
potestades econômicas tem sido, por um lado, proibir o ensino crítico dentro de
escolas e, por outro, negar aos museus a assistência necessária deixando ser
destruído até mesmo a memória da antiga burguesia aristocrática, como uma forma
de queima de arquivo: são restos de um passado que já não interessam ao capital.
Hoje necessitamos andar no fio da lamina entre: por um lado reivindicar o patrimônio
popular, para que ele, que nunca teve sua oportunidade, possa ser reconhecido
como um bem digno de memória e, do outro lado, trabalhar mesmo pela
preservação do velho patrimônio da elite, afim de que este seja lembrado como um
passado cruel e um momento de estupidez humana, mas que fez parte da nossa
história e que cujos reflexos negativos devem ser evitados e combatidos no
presente.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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