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Fórum FAAP de Discussão Estudantil – 2018

GuiA DE ESTuDOS / Study Guide

Guia de estudos / Study Guide

MERCOSULMercado Comum do Sul

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Guia de Estudos / Study Guide

De 30 de maio a 02 de junho de 2018


São Paulo
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(11) 3662-7262
Conselho de Curadores

Presidente
Srª. Celita Procopio de Carvalho

Integrantes
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Dr. Octávio Plínio Botelho do Amaral
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Srª. Maria Christina Farah Nassif Fioravanti

Diretoria Executiva

Diretor-Presidente
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Assessoria da Diretoria

Assessor Administrativo e Financeiro


Sr. Tomio Ogassavara

Assessor de Assuntos Acadêmicos


Prof. Rogério Massaro Suriani

Faculdade de Economia

Diretoria
Prof. Silvio Passarelli

Coordenação
Profª. Fernanda Petená Magnotta
Prof. Paulo Dutra Costantin

Fórum FAAP de Discussão Estudantil - Coordenação


Prof. Victor Dias Grinberg
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CARTA DE APRESENTAÇÃO

Caros delegados,

Sejam bem-vindos ao XV Fórum FAAP de Discussão Estudantil 2018 e ao comitê do Mercado Comum

do Sul (Mercosul).

O Mercado Comum é um estágio avançado de integração econômica e requer a livre circulação de

pessoas, bens e serviços. Entretanto, deve-se ressaltar que todos dos países-membros de um Mercado

Comum devem seguir os mesmos parâmetros para fixar a política monetária (fixação de taxas de juros),

a política cambial (taxa de câmbio da moeda nacional) e a política fiscal (tributação e controle de gastos

pelo Estado). Em outras palavras, os países-membros precisam concordar com o avanço integrado da

coordenação de suas políticas macroeconômicas.

Sem conseguir consumar seu potencial como projeto de integração regional ao longo de 25 anos de

existência, o maior bloco econômico latino-americano está literalmente paralisado: os países não conse-

guem concordar com a integração nem com a coordenação de uma política macroeconômica e, conse-

quentemente, não executam plenamente a fase de integração em que se encontram. Diante disso,

pode-se afirmar que o Mercosul vem enfrentando a crise mais grave de sua história.

Por isso, nessa edição, iremos refletir sobre o projeto, especialmente no que se refere à estrutura institu-

cional e a seus objetivos e planos de ação de curto e longo prazo - levando-se em conta que a integração

comercial entre seus países já é uma realidade - e, sobretudo, diante da decisão de incorporar novos

membros como Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.

À vista disso, nós da mesa, estamos ansiosos para auxiliá-los na discussão, que busca encontrar soluções

para a situação. Aguardamos a presença de todos no XV Fórum FAAP de Discussão Estudantil 2018.

Fernando Schirra,
Giulia Tenca,
João Paulo Gomes de Athayde,
Júlia Quintas.
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1. HISTÓRICO DO MERCOSUL mediante a integração competitiva das economias

nacionais ao mercado internacional.


“Nosso Norte é o Sul” - Lema do MERCOSUL

Inicialmente estabelecida como uma zona de


A América do Sul foi, ao longo de seus séculos
livre-comércio, ela converteu-se em uma tenta-
de colonialismo, palco das mais violentas bata-
tiva de união aduaneira, na qual seria possível,
lhas do continente americano, desde a chegada
entre os signatários, a cobrança das mesmas
dos europeus, Guerra da Cisplatina, Revolução
quotas nas importações dos demais países.
Farroupilha, Guerra do Paraguai, entre outras,

porém, isso não impediu as nações de desen- É uma organização intergovernamental fundada

volverem sistema econômicos cooperativos, como uma área de livre-comércio com o Tratado

mesmo que tortuosos. de Assunção de 1991, que foi complementado,

ganhando personalidade jurídica, pelo Proto-


Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a
colo de Ouro Preto em 1994, estabelecendo as
necessidade de integração entre os países se
bases institucionais da organização, sediado na
tornou primordial e, eventualmente, a criação
cidade de Montevidéu, Uruguai.
de blocos econômicos. Entretanto, não houve

uma união na América Latina que tenha obtido Conta, além dos membros plenos e fundadores,

resultados satisfatórios. com Chile, Equador, Colômbia, Guiana, Suriname,

Peru e Bolívia (em processo de adesão), como


Criado como um processo de integração regional
membros associados, e México e Nova Zelândia
inicialmente entre Argentina, Brasil, Paraguai e
como membros observadores. Somente a Vene-
Uruguai, dos quais hoje são considerados membros
zuela encontra-se como membro suspenso,
plenos, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) é
decretado em 2017, em razão do descumpri-
um processo aberto e dinâmico, tendo como obje-
mento de compromissos democráticos assumidos
tivo proporcionar um espaço comum que gerasse
com Protocolo de Ushuaia, assinado em 1998.
oportunidades comerciais e de investimentos,

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Cabe aos países-membros efetivos: países que Mercado Comum (GMC), órgão decisório execu-

fazem parte integralmente do Mercosul, adotam tivo, responsável por fixar e negociar acordos

a Transferência Externa Comum (TEC), compõem com terceiros em nome do Mercosul, por dele-

todos os acordos do bloco, além de possuírem gação expressa do CMC. O GMC se pronuncia por

poderes de votação em instâncias decisórias. resoluções e é integrado por representantes dos

Ministérios de Relações Exteriores e de Economia,


Aos países-membros associados: não fazem parte
e dos Bancos Centrais dos Estados Parte; por fim,
integralmente dos acordos do bloco, não adotam
a Comissão de Comércio do Mercosul (CCM), um
a TEC, porém ampliam suas trocas comerciais
órgão decisório técnico, responsável por apoiar
com os demais países do bloco.
o GMC quanto à política comercial do bloco, se

Por fim, aos observadores: membros que desejam pronunciando por Diretivas.

acompanhar o andamento e a expansão do bloco


A respeito dos demais órgãos consultivos do bloco:
sem compromisso de fazer parte dele, podendo
a Comissão Parlamentar Conjunta (CPC) é o órgão
se tornar associado ou efetivo no futuro.
de representação parlamentar, integrada por 16

Quanto à estrutura definida pelo Protocolo de parlamentares de cada Estado Parte, possuindo

Ouro Preto, o bloco dispõe de três órgãos de capa- caráter consultivo, deliberativo e de formulação

cidade decisória, e apenas um de organização de Declarações, Disposições e Recomendações; o

parlamentar, consultivo e de apoio operacional. Foro Consultivo Econômico Social (FCES), órgão

representante dos setores da economia e da


Os de capacidade decisória são: o Conselho do
sociedade, manifestando-se por recomendações
Mercado Comum (CMC), órgão supremo cuja
ao GMC. Por fim, a Secretaria do Mercosul (SM),
função é a condução política do processo de
que tem caráter permanente, sediada em Monte-
integração, formado pelos ministros de Relações
vidéu e é responsável pela prestação de serviços e
Exteriores e de Economia dos Estados Parte, que
tarefas técnicas aos demais órgãos do Mercosul.
se pronunciam por meio de Decisões; o Grupo

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Vale a pena ressaltar a importância de outra Orga- em compromisso democrático no Mercosul”, em

nização internacional dentro do contexto de inte- 5 de agosto de 2017, pelos Ministros das Relações

gração da América do Sul: a união de Nações Sul- Exteriores dos países-membros efetivos.

-Americanas (uNASuL). A Organização é composta


Tudo começou em 1985, com a assinatura da
pelos 5 países-membros efetivos do Mercosul e
Declaração de iguaçu, entre o presidente do
mais outros 7 países, são eles: Bolívia, Colômbia,
Brasil, José Sarney, e Raúl Alfonsín, presidente
Chile, Peru, Equador, Guiana e Suriname. Tem como
da Argentina, que consistia na base da primeira
comprometimento o fortalecimento da demo-
tentativa para a integração econômica do
cracia nesses países, eventualmente contribuindo
chamado “Cone Sul”. A aproximação entre os
e facilitando a integração regional econômica,
dois países que possuíam uma rivalidade histó-
social, cultural, e política que o Mercosul objetiva.
rica se deu principalmente no início dos anos
Portanto, conclui-se que o objetivo e diretrizes das
1970, após o Tratado de Não Proliferação de
duas Organizações são interdependentes.
Armas Nucleares (TNP), para a promoção de

O Mercosul possui como pilares a Democracia e uma cooperação nuclear para fins pacíficos.

o Desenvolvimento Econômico, impulsionando Além disso, ambos países acabavam de passar

a integração cultural entre os países envolvidos, por períodos ditatoriais que desordenaram suas

resultando na suma importância para seus habi- economias, portanto, havia uma necessidade de

tantes, incorporando as dimensões cidadã, social cooperação para reorientá-los ao mundo exte-

e produtividade no projeto da organização. rior e de propagar práticas democráticas.

A última ação conjunta dos países do bloco dos

quais promoveram o ideal democrático foi na rati-

ficação do documento “Decisão sobre a suspensão

da República Bolivariana da Venezuela do

Mercosul em aplicação do Protocolo de ushuaia

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2. HISTÓRICO DO PROBLEMA organização sempre enfrentou barreiras no seu

projeto de integração regional, como as diver-


No início dos anos 1990, com o fim da Guerra Fria,
gências de opinião que impedem que os países
foi estimulada em todo mundo a prática da coope-
cheguem num consenso sobre as várias deci-
ração e integração econômica e regional, que já
sões que precisam tomar, as assimetrias cultu-
vinha demonstrando bons resultados no mundo
rais e econômicas entre os países-membros, e
ocidental, tanto na Europa quanto nas Américas,
até mesmo barreiras burocráticas geradas por
e foi esse estímulo que levou à criação de organi-
imperfeições institucionais e normativas.
zações como a União Europeia e o Mercosul.

Além de problemas na organização, alguns


Por muitos anos o Mercosul viveu um período de
membros passaram ou ainda passam por crises
crescente integração, gradativamente institucio-
que atrapalham a coesão política dentro dos
nalizando as relações entre os países sul-ameri-
países, como é o caso da Venezuela, que está
canos e favorecendo a prática do comércio inter-
temporariamente suspensa do bloco por ser
nacional tanto entre os países que o compõem
acusada por alguns outros países de estar num
quanto entre o bloco e outros países.
regime ditatorial, e por conta da crise dos direitos

O crescimento o bloco se sustentou até a crise humanos que ocorreram devido à crise política,

financeira de 2008. Isso aconteceu porque o econômica e social que o país enfrenta.

Mercosul, apesar de aparentemente próspero,


Em escala menor, outros países também passaram
ainda era uma organização frágil, e assim que a
por crises políticas desde a criação do Mercosul,
crise atingiu as economias dos países-membros,
como o Brasil e a Argentina, os dois países com
esses decidiram tomar medidas que favoreceram
maior protagonismo.
seus interesses nacionais, e não o interesse

supranacional do bloco. Atualmente, a questão da supranacionalidade,

que antes era vista predominantemente com


Por isso, apesar de todo o esforço aplicado, a
bons olhos, está sendo colocada novamente em

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pauta e muito questionada, principalmente por Em outras palavras, os países-membros devem

causa das diversas fragilidades observadas após concordar com o avanço integrado da coorde-

a crise de 2008 não apenas na América do Sul, nação das suas políticas macroeconômicas.

mas em todo o mundo.


Diante disso, pode-se afirmar que o Mercosul

O Mercosul, particularmente, é uma das orga- tem enfrentando a crise mais grave de sua

nizações que mais têm dificuldade para se reer- história. Sem conseguir consumar seu potencial

guer e recuperar o estado de crescimento econô- como projeto de integração regional ao longo

mico e integração regional em que se encon- de 25 anos de existência, o maior bloco econô-

trava, o que acaba impedindo a consolidação mico latino-americano agora está literalmente

um mercado comum eficaz na região Sul, plane- paralisado: os países não conseguem concordar

jada pelo Brasil e pela Argentina desde antes da com a integração e coordenação de uma polí-

criação do bloco. tica macroeconômica, pela falta do principio da

supranacionalidade, e, consequentemente, não

conseguem executar plenamente a fase de inte-


3. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA
gração que se encontram.

O Mercado Comum requer a livre circulação de


Frente a isso, surgiu dúvidas a respeito da funcio-
pessoas, bens e serviços. Entretanto, deve-se
nalidade e efetividade do Mercosul, principal-
ressaltar que, além da livre circulação, todos os
mente se o bloco econômico tem capacidade
países-membros de um Mercado Comum devem
de fornecer benefícios tanto econômicos como
seguir os mesmos parâmetros para desenvolver
políticos para os Estados-membros e para a sub-
uma política monetária (fixação de taxas de
-região. Apesar do forte discurso pró-Mercosul,
juros), uma política cambial (taxa de câmbio da
que continua a ser disseminado no âmbito
moeda nacional) e uma política fiscal (tributação
interno dos governos-nacionais, desde o fim dos
e controle de gastos pelo Estado).
anos 1990, o bloco demonstrou ter dificuldades

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para avançar e atingir o que havia proposto Área de Livre-Comércio, e isso, se deu por falta

inicialmente: construir um mercado comum forte de uma política monetária e fiscal unificada.

e eficaz no continente latino-americano.


A ausência de uma centralização de políticas

Em face disso, será analisado e exemplificado as econômicas significa que os governos nacionais

razões internas que impedem o avanço e cresci- podem modificar unilateralmente e individu-

mento do bloco econômico. almente as “regras dos jogos”, tanto internas

como externas, alterando a forma como as suas

economias irão operar. E em um contexto de

3.1. Assimetria econômica países estruturalmente interdependentes, que

e comercial entre os possuem projetos em conjunto e que tem rela-

Estados-membros tiva integração econômica, como a conjuntura

do Mercosul, as ações individuais prejudicam o


O primeiro ponto a enfatizar quando pensamos
crescimento e avanço do bloco.
no Mercosul são as dimensões e a importância

dada ao Brasil e à Argentina, pois são esses Esse obstáculo demonstra a necessidade de uma

países que delimitam o ritmo e a direção em que sistematização macroeconômica mais rígida entre

as ações/projetos/planos do bloco se realizam. os Estados-membros e a adoção de estratégias

Com essa premissa, deve-se analisar o peso e a que se comprometam em fortalecer a supranacio-

relação que cada Estado-membro possui dentro nalidade do bloco. Essa situação também reforça

do Mercosul. a ambiguidade do discurso do Mercosul, como

um bloco econômico com enfoque regional.


Durante os 25 anos de história do Mercosul,

ocorreram episódios como a crise financeira Com o reconhecimento da existência de dife-

tanto no Brasil no fim dos anos 1990, quando o renças de tamanho entre as economias do bloco,

Real foi desvalorizado, como na Argentina, que foram desenvolvidas soluções para reformar seu

representaram um recuo do bloco em relação à formato institucional:

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a) Acabar com a Tarifa Externa Comum (TEC): em relação à adoção do Mecanismo de Adap-

a proposta apresentada por Roberto Gianetti tação Competitiva que agiria como uma medida

da Fonseca denotava a ideia de que o processo de salvaguarda e ajudaria na regularização do

de integração, em direção à formação de um comércio no bloco.

mercado comum e uma união aduaneira, deveria


A medida de salvaguarda são normas de caráter
parar e retroceder para uma zona de livre-
urgente aplicadas contra importações de determi-
-comércio. Dessa forma os Estados-membros
nados produtos (sobretaxação), e que só podem
poderiam negociar de forma interdependente
ser aplicadas durante um determinado prazo para
com outros mercados.
prevenir ou reparar o dano causado na economia

b) Arquitetura flexível: proposta apresen- do país. Em outras palavras é uma ação protecio-

tada pelos economistas Fábio Giambiagi e Igor nista, que funciona como um instrumento de regu-

Baremboim, propunha a ideia de uma maior lação do comércio do bloco e como um mecanismo

flexibilidade, que significava dividir o Mercosul de proteção para determinados setores internos

em dois lados. O primeiro entre Brasil e Argen- de um país, por exemplo o setor automobilístico.

tina que seriam responsáveis pela elaboração de


O tema das salvaguardas é uma questão que
estratégias para consolidar o mercado comum e
agita os membros do Mercosul, pois foi um
a criação de uma moeda comum, e o outro lado
acordo realizado entre dois dos quatro países.
o Uruguai e o Paraguai que se engajariam de

forma mais limitada no processo de integração. Outro ponto que vale ressaltar é que existem

assimetrias entre os Estados-membros, prin-


O Brasil se demonstrou totalmente contra a
cipalmente em relação ao voto. Muitas vezes,
segunda ideia, pois para este um retrocesso no
as tomadas de decisão são influenciadas pela
processo de integração no Mercosul seria invi-
Argentina e pelo Brasil, desconsiderando as
ável. Na Cúpula do Mercosul em novembro de
participações dos demais países. Tome como
2005, Brasil e Argentina chegaram a um acordo
exemplo a tentativa de adesão da Bolívia.

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Não há consentimento do Paraguai para a adesão não houve avanços na efetivação do Mercado

da Bolívia, entretanto os demais países-membros Comum do Sul, reforçou-se a necessidade de

do bloco, em específico a Argentina e o Brasil, realizar debates voltados para os temas político-

desconsideraram a opinião do governo do Paraguai -institucionais.

e já aceitam a entrada da Bolívia – uma vez que os


Uma coisa que vale ressaltar é que a funciona-
governos brasileiro e argentino têm interesse em
lidade do bloco tem sido avaliada apenas pelos
ter acesso ao gás boliviano de forma mais barata.
resultados comerciais positivos, mas em termos

de união econômica, a integração é vista como

limitada. Para superar a estagnação os Estados-


3.2. A necessidade de
-membros deveriam:
institucionalização do bloco

a) Desenvolver e/ou se apoiar em instituições


Ao contrário das questões comerciais que foram
comunitárias fortes, intragovernamentais e/ou
discutidas e debatidas durante todo o trajeto
supranacionais.
do Mercosul, a questão institucional foi negli-

genciada pelos próprios membros por existirem b) Criar uma identidade regional própria por

suposições de que: meio da supranacionalidade para que o Mercosul

possuísse mais força de negociação nas relações


a) A institucionalização do bloco poderia repre-
multilaterais.
sentar uma burocratização excessiva ao avanço

do Mercosul. c) Realizar uma sistematização e unificação

de políticas macroeconômicas, cuja finalidade


b) Significaria o enfraquecimento da soberania
seria favorecer a construção de um bloco econô-
dos Estados-membros.
mico unido em torno de interesses econômico

Contudo, o fato de que nos últimos anos tenham e políticos comuns.

ocorridos inúmeros conflitos comerciais, e que


O debate sobre as mudanças nas instituições e na

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estrutura do Mercosul tem gerado resistências de Na prática, não há como evitar o fato de que a

certos setores governamentais, especialmente transição de mercados nacionais para um único

da diplomacia brasileira. Normalmente, os argu- mercado altera a forma como ocorrem as rela-

mentos contrários se apoiam na preocupação ções entre os Estados-membros e entre suas

de que a burocratização e, consequentemente, economias. Da mesma forma, essas modifica-

a unificação de políticas macroeconômicas do ções geram transformação no jogo político entre

bloco pode ser a sua ruína, uma vez que o modelo os países, e com isso se torna necessário uma

vigente tem uma união aduaneira imperfeita e a revisão contínua dos instrumentos de decisão,

sistematização de normas monetárias implicaria mecanismos de regulamentação e representação

na perda de soberania do Estado sobre suas deci- e instituições que podem ser intragovernamen-

sões internas. tais e/ou supranacionais para que o bloco seja

operacional e eficaz.
Porém, esses argumentos são discutíveis já que

não é o excesso de normas ou de regras que O modelo da União Europeia ao combinar

compromete o funcionamento e o avanço do órgãos tanto intragovernamentais com supra-

bloco, mas a falta de participação de empresá- nacionais que se comunicam e estão conectados

rios (investimento), a falta de regras e institui- pelo princípio de subsidiariedade, é um exemplo

ções que dificultaram o pleno funcionamento de solução que pode ser seguido.

da TEC, e que consequentemente, impediu


Inclusive, no quesito de órgão supranacional, os
a implementação de uma União Aduaneira
países-membros decidiram criar o Parlamento
efetivamente. No que diz respeito à soberania,
do Mercosul como forma de ter maior engaja-
é verdade que um mercado comum traz cessão
mento no processo de integração política. Entre-
parcial de soberania, o que não significa que
tanto, antes de se tornar um organismo legisla-
seja algo negativo em um cenário em que os
tivo regional supranacional, o Parlamento do
diversos países pretendem cooperar politica-
Mercosul precisa definir ou redefinir a relação
mente e se integrar.

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do Parlamento com os Congressos Nacionais (que torne instrumento efetivo de integração. Além

são os que possuem capacidade legislativa legí- disso, não houve avanço na revisão do Protocolo

tima em cada país) para que haja certa compe- de Ouro Preto no que se refere ao processo deci-

tência recíproca. Em outras palavras, que o Parla- sório, de terminar com a exigência do consenso

mento do Mercosul consiga exercer sua função sobre as medidas de salvaguardas.

sem a interferência individual de um membro.

Celso Amorim foi um grande defensor do


3.3. União aduaneira imperfeita
Mercosul e acreditava que a “solução dos

problemas do Mercosul deveriam ser buscadas Desde sua formação, o Mercosul tem como meta

em mais Mercosul”. Em face disso, fez-se uma a constituição de um mercado comum que é uma

aposta para o futuro com o estabelecimento e das fases mais avançadas quando pensamos no

criação do Fundo de Convergência Estrutural processo de integração de um bloco. O mercado

destinado a reparar as arestas das assimetrias comum é antecedido pela zona de livre-comércio

econômicas e diminuir as desigualdades de parti- e pela união aduaneira.

cipação entre os Estados-membros (o valor total


A frente disso, o Mercosul é o maior e mais ambi-
e a cota de participação seriam indicados por
cioso projeto na América Latina e, por isso, os
cada Estado e acatados depois de uma decisão
Estados-membros aderiram ao compromisso
consensual). Amorim ainda apostou na harmo-
e à responsabilidade de promoverem a inte-
nização de trâmites jurídicos e nas regras de
gração regional na América do Sul. Na realidade
controle de mercadorias para favorecer as trocas
o Mercosul, passou por inúmeras fases, que
comerciais e os negócios.
inicialmente inclui a implementação de diversos

Todavia, algumas medidas ficaram de fora, fatores que favoreciam a criação de uma área

dentre elas a revisão da Tarifa Externa Comum de comércio livre, cuja finalidade era promover

(TEC), que impede que a União Aduaneira se o desenvolvimento econômico dos quatro

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países-membros e projetar o bloco no cenário setores/produtos listados para cada país são:

internacional. Depois da criação de uma área


a) Argentina: química e petroquímica com tarifas
livre de comércio, a próxima fase foi a implemen-
de 2% e convergência ascendente para a TEC de
tação, ou a tentativa, de União Aduaneira por
14%, papel e celulose com convergência descen-
meio da execução da TEC.
dente, siderurgia com convergência descen-

Entretanto, como citado, o Mercosul possui uma dente a partir de níveis médios vigentes de 24%,

União Aduaneira imperfeita, já que a TEC possui calçados com alíquotas de 30%, que deverão

uma extensa lista de exceções e estas acabam convergir para a TEC de 20%, e eletrodomésticos

prejudicando a unificação aduaneira do bloco. com convergência descendente para 20%.

Para consolidar o bloco e promover o avanço do


b) Brasil: químicos e petroquímicos, alimentos,
Mercosul, os países devem incluir em sua agenda
têxteis, material de construção, produtos de
a questão do aperfeiçoamento da TEC.
higiene e limpeza, couro e produtos de madeira,

A Tarifa Externa Comum (TEC) é composta por em geral produtos com tarifas reduzidas (em

mais de 8500 posições tarifárias das quais vigoram torno de 2%).

alíquotas de importação que variam entre 0 e


c) Paraguai: química e petroquímica, siderurgia,
20%. Em tese, esse mecanismo serve para que
alimentos, tabaco e eletrodomésticos.
países-membros estabeleçam tarifas comuns de

importação de produtos. Entretanto, existe exce- d) Uruguai: produtos lácteos com tarifas de

ções, já que cada país-membro pode apresentar 32% convergindo para a TEC de 16%, insumos e

listas de produtos cujas alíquotas são maiores produtos intermediários da química e petroquí-

que aquelas estabelecidas pela TEC. mica, em geral com tarifas reduzidas e trajetória

ascendente de convergência para a TEC.


Essas listas deveriam conter no máximo 300 itens

no caso da Argentina, do Brasil e do Uruguai, Como pode-se notar, os conteúdos de cada lista

e 399 itens no caso do Paraguai. Os principais nacional de exceção representam e demonstram

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o objetivo político protecionista e econômico 3.4. Deficiências estruturais no

de cada país. A finalidade da TEC é de proteger a MERCOSUL

indústria local, mas não deve inviabilizar a impor-


O relatório ao Conselho de Ministros, elabo-
tação de produtos competitivos em relação à oferta
rado pelo ex-embaixador Samuel Pinheiro
de produtos semelhantes nacionais, pois isso acaba
Guimarães, aponta que para ocorrer uma inte-
por afetar a qualidade da produtividade interna.
gração completa é necessário investimento em

No Mercosul, os produtos das listas nacionais de infraestrutura, uma vez que o bloco sofre com

exceção com tarifas superiores ao teto do TEC deficiências nas áreas de transporte, energia,

serviram como uma forma de compensar as indús- saneamento e comunicações prejudicando a

trias nacionais que não conseguiam competir infraestrutura comercial interna do bloco. Essas

com os produtos. Isso implicou em um aumento carências são prejudiciais para a expansão das

dos custos internos para o aumento de produção operações comerciais e produtivas interbloco,

interna. Por exemplo, o Brasil elevou as alíquotas que são fundamentais para a “formação de

de importação sob os automóveis, produtos mercados internos nacionais e regionais mais

eletrônicos e eletrodomésticos para 70% com a dinâmicos, capazes de absorver a mão de obra,

intenção de restringir o aumento de importações agregar valor e elevar o nível de renda e de

e preservar a indústria nacional. desenvolvimento humano”.

Em suma, as listas de exceções acabam prejudi- A baixa industrialização também é um ponto

cando a implementação de tarifas de importação ressaltado no relatório, pois entre as sociedades

comuns dentro do bloco, pois elas permitem que do bloco existe um grau elevado de urbanização,

cada país consiga estabelecer uma tarifa própria, porém “baixa capacidade de absorção de mão de

que satisfaça o interesse individual de cada ator obra da agricultura de grande escala e da mine-

para um mesmo produto, sendo que muitas vezes ração” para o setor industrial. Caso houvesse, o

o valor dessa alíquota é excessivamente alto. desenvolvimento da indústria no bloco geraria

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empregos e, com mais pessoas trabalhando e comum do Sul), deve ocorrer um crescimento

recebendo salários, aumentando as chances de progressivo com o ingresso de novos membros. E

um crescimento econômico e social. para que ocorra a consolidação do bloco, as rela-

ções econômicas, políticas e de cooperação entre


Outra questão que Guimarães aponta como
os países do continente sul-americano devem ser
causa da desintegração do bloco é a falta de
expandidas, para favorecer uma gradual e even-
harmonização legislativa (trabalho, previdência,
tual integração do bloco do Equador, Bolívia,
tributos, crédito). A falta de união deixa os
Suriname e Guiana.
Estados-Membros sujeitos a desequilíbrios e

tensões econômicas, provocados pelo aumento Entretanto, deve-se elaborar/melhorar os crité-

de competividade, falta de uma política mone- rios econômicos específicos para o ingresso desses

tária, fiscal, cambial e que acabam afetando a países ao bloco econômico, principalmente em

competividade relativa das empresas nacionais razão de cada um ter um nível de desenvolvi-

e o câmbio nacional. Diante disso, os Estado- mento econômico e interesse político diferente.

-Membros usam da TEC erroneamente para

ajudar nas suas economias e acabam fazendo

com que a União Aduaneira seja incompleta. 3.6. Intergovernabilidade

versus Supranacionalidade

No âmbito de tomada de decisão do Mercosul,


3.5. Perspectiva de novos
não há uma autoridade central com compe-
Membros
tência de impor, unilateralmente, as deliberações

Para atingir o que os países-membros haviam que deveriam, em tese, ser cumpridas por todos

proposto inicialmente, de construir um mercado os Estados-partes. Na realidade, quando há a

comum forte e eficaz no continente latino- necessidade de tomada de decisão, os membros

-americano e formar o Mercosul (um mercado acordam “horizontalmente”, levando em conta os

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interesses econômicos, sociais e políticos do bloco. d) Não existe jurisprudência do bloco, que serviria

como referência para adoção de determinadas


Dessa forma, no Mercosul existe um processo
políticas monetárias, cambiais e fiscais comuns.
decisório chamado de “coordenação de sobera-

nias”, no qual os países-membros decidem livre- e) Os cidadãos não conseguem participar direta-

mente quais políticas serão realizadas no bloco mente da integração, pois todas as decisões são

e quais devems ser considerado os interesses do tomadas pelo Estado.

Mercosul.
E, diante disso, levanta-se o questionamento

Entretanto, a realidade é outra. A maioria das deci- sobre a viabilidade institucional do bloco, e se

sões são acordadas entre a Argentina e o Brasil que no lugar da intergovernabilidade não deveriam

são os que mais contribuem no bloco, deixando o criar instituições com competência jurisdicional.

Uruguai e o Paraguai isolados, e muitas das deci-


Um dos pontos mais discutidos dentro do
sões são mais pensadas nos interesses nacionais
Mercosul é a questão da adoção da supranacio-
do que no interesse do bloco. E, além do mais,
nalidade como tomada de decisão. Como afir-
o modelo de intergovernabilidade, por mais que
mado anteriormente e disposto no Tratado de
respeite a soberania nacional, não permite:
Assunção, para se atingir um mercado comum

a) Aprofundamento no processo integracio- é preciso uma harmonização da legislação para

nista pois os interesses dos Estados sempre que ocorra o fortalecimento da integração

serão prioritários. econômica, mas para essa unificação são neces-

sárias instituições fortes.


b) Faz com que os Estados descumpram com as

normas decorrentes do Tratado, ao invocar a Dentro disso, existe uma corrente favorável

sua soberania. sobre a necessidade de se adotar órgãos supra-

nacionais para o bloco. Essa corrente acredita


c) Consequentemente isso provoca vulnerabili-
que as leis necessitam ser interpretadas de forma
dade no processo de integração.

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uniforme, sendo delegada a competência para crises políticas, sociais, financeiras e econômicas

um órgão permanente que poderia resolver as e, consequentemente, isso impacta o processo

divergências entre os Estados-membros, e não o de integração do Mercosul. Uma vez que um país

órgão intergovernamental ou tribunais ad hoc. esteja com problemas econômicos e políticos, o

seu foco irá para elaboração de medidas que


Um tribunal ou Corte de Justiça supranacional
resolvam seus problemas internos, e o processo
seria de grande ajuda para a consolidação do
de integração do bloco será colocado de lado.
processo integração do Mercosul, pois tal órgão

controlaria a conformidade de ação em relação Por isso, é fundamental estabelecer uma agenda

às normas regentes de integração e agiria como com cinco pontos para fortalecer e avançar no

um instrumento de solução de controvérsias projeto de integração sul-americano, de forma

entre os Estados. Ademais, um tribunal suprana- a preparar as condições necessárias que serão

cional exerce duas funções essenciais: em relação colocadas em prática uma vez que superado o

ao bloco garante o “controle de legalidade dos período da crise econômica vivida por um dos

atos da administração”, já que age como uma países-membros.

instituição de controle e fiscalização da aplica-


Os cinco pontos da agenda deverão ser:
bilidade das leis; e em relação a partes jurídicas

nacionais funciona como “uma instância de a) Eliminar as restrições comerciais que limitam

uniformização da aplicação e interpretação das o comércio entre os países do bloco, sob a forma

normas comuns” (CASELLA, 1999). de medidas salvaguardas e barreiras não tari-

fárias, e entre os países-membros com demais

blocos econômicos, por exemplo a Aliança do

3.7. Uma agenda para o Pacífico (TPP)

MERCOSUL
b) Consolidar a sua institucionalização de forma

Vários países do bloco passam atualmente por a garantir a eficácia e aplicabilidade das normas

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e regras estabelecidas entre os países. Para a Argentina, todas as ferramentas de

integração disponíveis devem ser usadas para


c) Manter a unidade do bloco em negociações
alcançar as realizações concretas e realizar uma
com a União Europeia, ao mesmo tempo que é
aproximação comercial com a Aliança do Pacífico
preciso avançar na coordenação e elaboração
(TPP). Devido às suas dimensões políticas, econô-
de estratégias intra-Mercosul nas negociações
micas, comerciais e demográficas, os países dos
multilaterais.
blocos não só têm a possibilidade, mas também

d) Os países-membros também devem discutir a responsabilidade para serem motores do

sobre a necessidade de coesão econômica e processo de integração, uma vez que quanto

social, bem com a superação das assimetrias de mais integrado o bloco, maior a possibilidade de

poder e de desenvolvimento dos membros, para uma melhor qualidade de vida.

concretizar a integração.
Bolívia

No fim do ano passado iniciou-se o debate a


4. PANORAMAS
respeito da incorporação da Bolívia como membro

Argentina pleno do Mercosul. Entretanto, para se incorporar

ao Mercosul, o país teria que abrir mão da Comu-


Em tempos em que algumas das principais potên-
nidade Andina de Nações (CAN), já que acordos
cias do mundo acreditam que o momento é de
bilaterais de livre-comércio com os andinos não
“olhar para dentro”, de fechar as economias, a
são permitidos pelo Mercosul. Em razão disso, a
Argentina realizou o caminho oposto. E o meio
adesão da Bolívia ao bloco é vista mais como um
para seguir esse caminho é o Mercosul. O Ministro
meio de alcançar um interesse político-ideológico
das Relações Exteriores pediu a manutenção de
do que uma utilidade econômica.
uma frente unificada e uma ação cooperativa

para negociar com o resto do mundo. De qualquer forma, com a entrada oficial da

Bolívia no bloco regional, os planos para reduzir

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as assimetrias entre os Estados-membros serão juntamente com outras economias emergentes

colocados em prática. Desde dezembro de 2012, (BRICS), e um dos maiores desafios do país é

a Bolívia participou como membro-associado conseguir equilibrar seus objetivos em prol dessa

externo nas cúpulas do Mercosul, o que lhe projeção global com sua projeção regional, prin-

deu voz, mas não o voto nessas reuniões. Como cipalmente porque não apenas o Mercosul como

membro-pleno, a Bolívia espera conseguir maior toda a ideia de integração regional se encontra

participação nas cúpulas do Mercosul com todos num momento frágil.

os direitos e obrigações. Serão elaborados planos


Chile
para reduzir as assimetrias entre os Estados-

-membros do Mercosul para favorecer um desen- O Chile entrou no Mercosul em 1996 e perma-

volvimento econômico, relativo e equilibrado no nece até hoje como membro-associado do bloco.

bloco econômico. Por ocupar uma grande parte do litoral pací-

fico nas Américas, o Chile é o membro que mais


Brasil
tem contato com os países da Oceania, como a

O Brasil, juntamente com a Argentina, criou em Austrália e a Nova Zelândia. O país possui uma

meados dos anos 1980 as fundações do que viria economia forte e tem grande peso na região,

a ser o Mercosul e é o maior e mais rico país do mas não tem interesse em se tornar membro

bloco, considerado por muitos uma potência pleno, enquanto alguns problemas de incompa-

regional na América do Sul. O Mercosul é um tibilidade não forem resolvidos, como a questão

ponto crucial no processo de projeção do poder da política comercial.

do Brasil sobre seus vizinhos, que recebem uma


Equador
grande parcela das exportações do país, sendo

uma de suas maiores fontes de superávit. Atual- Em 2013, o Equador anunciou seu interesse em

mente, a agenda da política externa brasileira aderir ao Mercosul. Entretanto, existem razões

está mais voltada para a sua projeção global suficientes para pensar que, embora o Mercosul

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constitua um horizonte interessante do ponto tem como prioridades comerciais a América do

de vista comercial, as motivações para mudar as Sul e Europa, justamente as regiões das quais o

políticas e atividades econômicas do Equador no comitê visa o fortalecimento de relações.

âmbito desse grupo respondem mais por razões


Paraguai
políticas e ideológicas.

Como país-membro originário do bloco, a Repú-


Estar associado ao Mercosul não é ruim, mas
blica do Paraguai mostra-se ávido apoiador de
ainda é questionável se ao se tornar um membro
qualquer reforma ou reestruturação necessária
do grupo, sua posição no cenário internacional
no comitê que vise o aprimoramento das relações
melhora até certo ponto. Para o Equador, a
bilaterais e multilaterais do MERCOSUL, e reitera
questão geopolítica não deve ser prioritária
a importância atribuída à vigência das instituições
dentro da agenda do bloco econômico como o
democráticas como essenciais para o aprofunda-
Mercosul. Por isso, o país possui certas ressalvas
mento dos processos de integração regional.
e analisa com pragmatismo a conveniência de

entrar no Mercosul. Trabalha conjuntamente com outros países-

-membros para que haja uma aproximação comer-


México
cial com a Aliança do Pacífico (TPP), visto que

Devido a atual conjuntura política, o MERCOSUL diversos países compõem os dois blocos, visando o

visa estreitar relações com países da América aliviamento de barreiras comerciais em um mundo

Latina, principalmente com os Estados Unidos de crescente protecionismo, e a aproximação com

Mexicanos devido a discursos de ataque à nação a União Europeia, fortalecendo assim ambos os

pelo Presidente Americano Donald Trump. processos de integração, o europeu e o latino.

O país norte-americano já demonstrou predispo- Nova Zelândia

sição em fortalecer laços econômicos com o bloco,


Um dos principais objetivos do Mercosul é poten-
visando se concretizar como membro associado e
cializar o poder de seus países-membros no

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cenário internacional, e esse processo consiste, Uruguai

muitas vezes, em fazer acordos e tratados comer-


A República Oriental do Uruguai, assim como
ciais com países de fora do continente, como a
outros países-membros efetivos do comitê,
Nova Zelândia.
reforça a ideia da projeção extrarregional como

O país entrou no bloco como membro obser- essencial para o processo de integração que visa

vador em 2010 com o objetivo de fortalecer suas o bloco, principalmente um tratado de livre-

relações comerciais com os países-membros e -comércio entre MERCOSUL e União Europeia.

possivelmente criar uma área de livre-comércio,


Apoia reformas infraestruturais regionais que
para não só aumentar o volume de seu inter-
possam impulsionar o desenvolvimento local,
câmbio comercial, mas também o de serviços e
como o melhoramento da utilização de hidrovias
os investimentos. Para que os objetivos do país
principalmente localizadas no Brasil, Argentina e
sejam atingidos, a solidez e a confiabilidade
Uruguai. Reforça também a importância do rela-
do Mercosul precisam aumentar e seus países-
cionamento histórico entre os países que consti-
-membros precisam trabalhar para o seu fortale-
tuem o bloco e alega que, a suspensão da Vene-
cimento e manutenção.
zuela não é irreversível e pode ser mudada se

Peru forem aplicados fundamentos jurídicos e demo-

cráticos no diálogo.
Devido à sua localização, o Peru, assim como o

Chile, já possui um histórico de relações comer-

ciais com a Oceania, o que fortalece sua posição 5. DOCUMENTO DE POSIÇãO


em relação ao fortalecimento do comércio entre OFICIAL (DPO)
os países do Pacífico. O país vê o Mercosul como
O Documento de Posição Oficial é o documento
uma forma de explorar oportunidades comerciais
elaborado por cada delegado, no qual deve
com seus países vizinhos e, dessa forma, fortalecer
apresentar seu posicionamento (política externa)
sua economia e aumentar o seu protagonismo.

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a respeito do tema do comitê. Para elaborar os e caixa-alta, conter o nome completo do país. Na

documentos, você pode responder às seguintes parte inferior do documento, do lado direito, o

perguntas: delegado deve assiná-lo. O tamanho do texto é

12, justificado, na fonte do Times New Roman.


• O seu país possui propostas para reestru-
As margens são de 2 cm.
turação do Mercosul?

Certifique-se de que o documento siga o


• O seu país demonstra estar dispostos a
formato uniforme exigido pelo Fórum FAAP de
desenvolver políticas comuns?
Discussão Estudantil

• Como o seu país vê a questão da adoção

da supranacionalidade?

• Quais as ressalvas do seu país em relação

a burocratização do Mercosul?

• Qual a perspectiva do seu país em relação

a entrada de novos membros, e proposta de

critérios para a adoção destes?

• Qual proposta o seu país tem para

resolver a união aduaneira imperfeita?

O Documento de Posição Oficial deve seguir

alguns padrões: no campo superior esquerdo

deve apresentar o símbolo do comitê, enquanto

que no superior direito deve apresentar o Brasão

de Armas ou Emblema Nacional. Entre o brasão

e o logotipo do comitê, em negrito, centralizado

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