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De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

SILVA, A1

O maior império da história nasce por volta do século 8 a.C., na região do rio Tibre, nos
assentamentos latinos que, sob influência de povos vizinhos, ergueram-se cidades, dando início a
um regime monárquico. A história fala de uma lenda, que diz sobre uma loba amamentar os gêmeos
Rômulo e Remo unem-se em 753 a.C. quando, Rômulo um personagem de uma lenda, evolui para
o plano real, como primeiro soberano romano, fundou a cidade de Roma. Nada como viajar em
Eneia de Virgilio, e perceber que Roma nasce dos designos dos deuses. Nascida da mitologia pela
mitologia esse grande império ainda inspora desejo de conhecer

(Liv. 29, 19, 11-3) Embora não a única, a principal fonte de Tito Lívio para os livros (21- 45)
foi Políbio, e não é por acaso que precisa a Sicília como local onde o avô por adoção de Cipião
Emiliano é retratado comportando-se como um grego, depois de enfrentar algumas vezes o estreito,
e que os embaixadores locrenses comparem a violência de Plemínio a Cila e Caríbdis. Além disso,
se correta, a cronologia proposta sugere que a cidade de Locros reconhecia em Políbio, amigo, ou
procurator de Cipião Emiliano, alguém com credenciais suficientes para entender suas demandas e
interceder por elas junto às autoridades romanas.

Por sua origem grega e suas relações políticas, Políbio é o homem ideal para a tarefa: além
do forte e conhecido vínculo com Cipião Emiliano (Plb. 31, 22-30), o historiador seguramente
estava nos melhores termos com Cipião Nasica, tio por adoção de Emiliano, bem como com
Manílio, sob cujo consulado em 149 a.C. Políbio será chamado à África, possivelmente por
influência do próprio Emiliano, então tribuno militar que em três anos se converterá em princeps
ciuitatis respeitado pelo aniquilamento de Cartago (AESTIN, 1967, p. 67). A importância de Cipão
é consequência das seculares atitudes.

As manobras políticas, ou seja as intrigas e manipulações, mediante as conspirações em 509


a.C. Os senadores destronaram o rei Tarquínio, o Soberbo, que tencionava diminuir o poder do
conselho, o senado. Amparando-se na insatisfação popular, em virtude do rigor excessivo das leis e
da alta carga de impostos, os conselheiros rebelam-se e criam a República de Roma, neste momento
da história, nada mais que, um corpo de conselheiros, que iniciou um movimento rebelde contra a
monarquia, e passaram a exercer o poder em nome do povo sob a sigla SPQR (Senatus Populus
que Romanus).

1
Pedagogo ;icenciado pela Uninorte-Laureate, especialista em Educação Especial LIBRAS pela Universidade
Arthur Thomas.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Começa a república, sob a direção do primeiro cônsul de Roma, Lúcius Brutus este é o
ponto de partida da EXPANSÃO. O gigantesco cerco à cidade fenícia de Cartago, maior inimiga de
Roma, encerrou de forma arrasadora o movimento de resistência da única civilização que fez frente
ao apetite expansionista dos romanos, Cartago.

Essa foi uma importante cidade do norte do continente africano na Antiguidade, localizada
na região costeira do Mar Mediterrâneo, próxima a capital da atual Tunísia. Fundada, no século IX
a.C., por fenícios originários da cidade de Tiro. Cartago foi na antiguidade uma próspera república
de comerciantes dominava o comércio marítimo era a principal atividade econômica dos
cartagineses.

Tinha respeitável força militar, Cartago chegou a dominar várias regiões do norte da África,
assim como a ilha da Sicília, Sardenha e áreas da atual Espanha. Chegou a formar um pequeno
império na região do Mar Mediterrâneo. A ilha da Sicília, ponto marítimo estratégico na
Antiguidade, foi conquistada após diversas guerras, entre os séculos V a.C. e III a.C., contra os
gregos.

Os cartagineses foram expulsos da ilha pelos romanos, após serem derrotados na Primeira
Guerra Púnica no ano 264 a.C. a 241 a.C.. O mais importante e famoso general cartaginês foi
Aníbal Barca nascido no ano 248 a.C. morreu no ano de 183 a.C. Um dos feitos mais notáveis,
que até os dias atuais é lembrado, ocorreu durante a Segunda Guerra Púnica no ano 218 a.C. ao ano
201 a.C. Ele comandou um exército, com aproximadamente 50 elefantes, passando pela Espanha,
Alpes até chegar ao norte da Itália.

O objetivo era conquistar Roma, porém a estratégia não deu certo. Cartago foi destruída e
dominada pelos romanos na Terceira Guerra Púnica iniciada no ano de149 a.C. Nesse ano Roma
nomeara novos cônsules, e o Senado escolhera o cônsul Públio Cornélio Cipião, nascido no ano
de 236 morreu no ano de 183 a.C., o responsável pela província de Hispânia, para combater Aníbal.

Anibal Barca, não iria aguardar que os romanos tomassem a frente da luta, ele decidira agir
imediatamente. Enquanto Cipião reunia as legiões romanas e partia para a Hispânia, Aníbal
marchava com seu exército em direção a Gália. Os romanos já tentavam conquistar a região, porém
muitas tribos ainda eram hostis a estes, então Aníbal viu nessa condição uma possibilidade de
aliança com estes "barbáros". Inicialmente isso não ocorreu, porém não tardou muito que os
gauleses se unissem ao exército cartaginês.
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O general Cipião recebeu, em 218 a.C, cerca de 14 mil soldados e 1.600 cavaleiros para dirigir-se a
Hispânia e Tibério Sempronio Longo, cerca de 16 mil e 1.800 respectivamente, para cumprir a
tarefa de invadir a África. É o que afirma. (MAGNOLI, 2009, p-64).

A derrota de Anibal Barca, em 146 a.C., a voracidade romana por territórios não encontraria i
obstáculos à altura de seu descomunal poderio militar. Sob o comando de Cipião Emiliano, em 149
a.C. legiões romanas cercam Cartago e iniciam um bloqueio por terra e mar. Na primavera de 146
a.C., enfraquecida, Cartago cai com a investida final dos romanos.

Roma macha insaciável com a anexação de províncias, a riqueza de Roma cresceu e, com
ela, as desigualdades sociais. A crise da República, um dos fatores para o enfraquecimento da
república foi provocada pelo assassinato do tribuno Tibério Graco, em 133 a.C., pelos senadores
romanos, o tribuno foi o primeiro político a pensar em reforma agrária. Graco era o encarregado de
defender os interesses do povo no Senado. Uma revolta de mais de 100 mil escravos, liderados pelo
gladiador trácio Spartacus, também desestabilizou o regime.

No ano 60 a.C., JÚLIO CÉSAR CHEGA AO PODER , César fez uma aliança chamada de
Triunvirato com os generais Marco Crasso e Pompeu Magno, dois homens de grande riqueza e
influência política para juntos controlarem a república. Nomeado cônsul, César fez uma campanha
arrasadora contra os celtas e os germânicos das províncias da Gália, aumentando seu poder. Após a
morte de Crasso, César venceu a disputa com Pompeu e, em 44 a.C., declarou-se ditador. A
conquista da Gália começa em 58 a.C. com a derrota dos helvéticos, tribo celta, e de uma tribo
germânica. Nos anos 55-54 a.C., César invade a Bretanha e domina os territórios germânico. O
desfecho se dá em 52 a.C., com o cerco à cidadela de Alésia. César derrota Vercingétorix, líder dos
gauleses.

Os Sonhos de Cesar em 49 a.C atrvessou Reno sobre uma ponte que levou dez dias para ser
construida para conquistar a Galia, e traduzidos em sucessos trouxe-o a Roma em 44 a.C A ambição
Ergueu Augustus, o primeiro Imperador Romano, o sangue foi o patamar da escalada dos Cesares,
violência e covardia vão escrever a história do maior Consul do império de todos os tempos
tombado Caio Julio César vai morrer nas mãos de Brutus a quem adotara e seus comparsas
senadores.

O Sangue eivado de ambição e poder corrumpido do senado romano, esquecia que, Roma
era o povo e o senado, e não o Senado e Povo como queriam impor. Cesares nascidos da Ambição
de Caio Julio Cesar o grande ditador assassinado por amigos dos amados amigos. Cesar pensava na
igualdade e na divisão dos espolios de guerra com os soldados. Quiçá soubesse da armadilha no
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senado naquele, mas como bom romano, deixou suas conquista ao sobrinho Otavius Augusto em
testamento, tendo Cícero com seu executor. Augustos César Otaviano herdeiro de Caio Julio César
vai ter que combater pela pax romana e se tornar o primeiro Imperador de Roma.

Marcus Antônio, o servil companheiro das campanhas de Julio César vai herdar Cleópatra e
a ira de Otaviano. Otávio dominou o senado romano mataram os senadores assassinos de Julio
César, o Império dividido o divorciado Otávio Casa com Lívia Mãe de Tibério, que passa a ser
herdeiro do Cesar. Casado Com a irmã de Otaviano, Marcus Antônio sem se divorciar da esposa,
casa-se com Cleópatra e alega que, Cesário filho de Julio César com Cleópatra era o verdadeiro
herdeiro do trono de Roma.
Otavianus irá pela força combater Marcus Antonio e sua Cleóprata. Sedenta de poder ela não
via limites em ampliação de poder. Agripa vence a armada egipícia destruindo a maior frota da
história dos combates navais já enfrentada por Roma, e Cêneca afirma: […] O Egito banhou-se em
sangue romano...[..]. É assim que Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus; Nascido em Roma, 23
de setembro de 63 a.C. Unifica o Império. Morreu Gaius em Nuvlana, 19 de agosto de 14 a C. Q
Fundou o Império Romano e tornou-se seu primeiro imperador, estabeleceu pax romana, o
mês de Agosto deriva de seu nome devido o verão. Um Devasso que estabeleceu leis que
dificultavam o divórcio, punia com severas multas o adultério e fomentou o casamento para
moralizar e promover um sociedade romana digna de dominar o mundo. Nascia a dinastia Julio-
Claudiana.
A espada romana ensina ao mundo, que se queres a paz, preparat-te para a guerra; sob seu
julgo Roma cresceu, o senado perdeu a força, todos estavam com o Imperador, que como seu tio
encheu Roma de glória. Divorciado casou com Livia Mãe de Tibério que irá sucedê-lo. Em 19 de
Agosto no ano 14 a. C. O pai de Tibérius era cônsul de Roma, morreu abatido por doença,
deixando sua mãe viúva. Alguns anos mais tarde Tibérius foi adotado por Augustus.
Ele casou-se com a primeira esposa Caio César, neto de Augusto e destinado a sucedê-lo no
trono de Roma, e após a morte do último em drusos menor, filho de Tibérius, que morreu em uma
idade jovem em 23, talvez envenenado pelo prefeito Sejanus que, o tinha como um obstáculo à sua
ascensão ao poder removeu-o do caminho fazendo com que assassinato parecesse ter sido trabalho
da estrangeira, para o mesmo Livilla, que desde então, aparentemente, havia se tornado amante de
Sejanus.
Julia Livia, filha de Otaviano casou-a pela primeira vez com o filho mais velho de
Germanicus, Nero César, e, em seguida, Rubellius Blando e eles tiveram Rubellius Plauto. Augusto
queria um herdeiro para criar sua dinastia. Julia sua filha era uma Augusta meretriz. Em 11 a.C.,
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Júlia voltou a casar, desta vez com Tiberius. O casamento foi uma imposição de Augusto, que
ordenou a Tibérius que se divorciasse da sua amada esposa, Vipsânia. Tibérius detestava Júlia e
depois do filho de ambos ser morto precocemente, abandonou-a e mudou-se para Rodes no ano 6
a.C.
Júlia entregou-se a partir de então a uma série de casos amorosos com homens de Roma,
entre os quais se encontrava o filho de Marco Antônio, Julo Antônio. Diz a uma lenda aceita como
fonte histórica, Julia levou muitos homens para a cama. Depois de uma investigação ter revelado
estes casos, Augusto, coerente com a lei que tinha ordenado sobre o adultério, exilou-a para a
inóspita Ilha de Pandatária.

Apesar de ter sido separada da filha trinta e sete anos antes, pois em Roma em caso de
divórcio o pai educava os filhos. Escribônia primeira esposa de Otávio, mãe de Julia Lívia, decidiu
acompanhar a filha Júlia para Pandatária, onde as duas viveriam até cerca de 3 d.C.
Impopularidade gerada pela atitude de Augusto, foi permitido às duas mulheres fixarem-se em
Régio, atual Calábria. Augusto faleceu em 14 d.C., deixando claro no seu testamento, que Júlia não
deveria ser sepultada no seu mausoléu.

A ascensão de Tibérius como novo imperador piorou ainda mais a vida de Júlia, uma vez
que este ordenou que a antiga esposa ficasse confinada à sua casa, sem possibilidade de receber
visitas. Sem poder dar suas fornicadinhas, Júlia faleceu em 14 d.C., aos 54 anos, isolada. Folha de
Otaviano cuja a fama de Augusta Meretriz atravessou a história provável pelos que nunca tiveram a
oportunidade de provar da festa de suas carnes. Otaviano transformou os extraordinários na guarda
Pretoriana e deu a essa elite do exército romano o signo do zoodíaco homenageado no mês de
nascimento daí o signo de câncer no escudo da guarda Pretoriana.

Tiberius Claudius Nero Cæsar, Nasceu em Roma, 16 de novembro de 42 a.C. e Morreu


em Misenum, em 16 de Março de 37 d.C. Foi o segundo imperador de Roma do ano 14 até sua
morte. Pertenceu à dinástia Julio-Claudiana e foi sucessor de seu padrasto, César Otaviano
Augustus. Não esquecer que falndo de puta,não podemos deixar de lado a contemporânea Judia de
Julia Lívia, a blíbica Salomé que pediu a cabeça de João Batista na banadeja entroca de uma
fornicada com seu padrasto Rei Herodes.

Não esquecer que foi no Império de Otaviano que Herodes vai matar recém nascido
temendo a professia, que falava do Messias. O rei da Judéias era servo de Roma; e pelo poder fazia
de sua gente moeda de troca. Herodes não queria a judéia livre. Roma e sua moral imposta pelas leis
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de Otaviano, que impunha a paz romana pelo fio da espada, tinha na judéia seu calcanhar de
Aquiles.

Tibérius veio da família Claudii, da aristocracia romana, e era filho do magistrado Tibérius
Cláudio Nero e de Livia Drusilla. Sua mãe separou-se do pai quando ele e o irmão Druso eram
bastante jovens, para casar com o imperador Augusto daí a dinastia Julio-Claudiana. Tibério foi
educado para a carreira militar e fez brilhantes campanhas na Panônia e Dalmácia, o que lhe
garantiu apoio popular.

Em 12 a.C. Tibérius é obrigado a divorciar-se da sua mulher Vipsânia e casar com a herdeira
de Augusto, Júlia Lívia Cesaris. É nomeado tribuno, mas, por não suportar a nova esposa, e por
outros motivos ainda não esclarecidos, auto-exilou-se na ilha de Rodes, sob o pretexto de estudar
retórica, deixando Júlia em Roma. Regressa anos depois, na altura da morte dos netos de Otaviano
Augusto, filhos de Júlia e Agripa, e do desterro de Júlia para a ilha de Pandatária. Conquista novas
vitórias na Germânia e é adotado por Augusto como filho em 4 d.C. Sem a perspectiva de ter um
herdeiro de descendência própria, Otaviano nomeia Tibérius seu sucessor.

Certamente sua mãe Livia deve ter trabalhado muito na destruição da honra da enteada e
tornar seu filho Tibérius Impderador de Roma. Foi no governo de Tibérus que o maior lider da
humanidade iniciou sua jornada, trazendo ao mundo uma nova ideia, uma nova pedagogia
totalmente diferente da Paidéia grega ou espartana, adotada por Roma, foi no décimo quinta ano
do imperador Tibérius que o Nazareno começou sua jornada que cuminou na cruz, que ainda hoje
servimos.Tibérius adotou Calígula que o sucedeu como Imperador de Roma.

Com a morte de Augusto, Tibérius permite que o Senado o aponte como imperador, com o
nome de Tiberius Julius Caesar Augustus. Pouco depois, as legiões do Reno se rebelam, preferindo
o seu comandante, Germânico, como sucessor. SUETÔNIO narra os momentos de Oataviano [..]
Hircio e Pansa morreram n'esta guerra, um n'um combate, outro dos ferimentos que recebera.
Divulgou-se que Augusto fora culpado d'estas mortes; que depois da derrota de António, a republica
estando sem cônsules, esperava vêr-se o único senhor do exercito victorioso. O certo é que a morte
de Pansa excitou taes suspeitas, que Glycon, seu medico, esteve algum tempo preso, sendo
accusado de lhe ter envenenado as feridas. Aquilio Niger affirma que foi o próprio Augusto que
matou Hircio na refrega. [..]Abriram o seu testamento, que estava depositado nas mãos das Vestaes.
escripto, em parte, do seu próprio punho, e em parte por dois libertos, Polybo e Hilarião, dividido
em dois cadernos, e acompanhado de três outros volumes sellados como mesmo sinete. Era datado
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de 3 dabril, 1 anno e 4 mezes antes da sua morte, do consulado de Silio e de Planco. Tudo foi lido
no senado. [...]Instituía seus herdeiros Tibério e Livia, um para os dois um terço, ordenando-lhes de
tomarem o terços, e a outra para seu nome. Chamava em substituição, a Druso, filho de Tibério,
para um terço, e a Germânico e seus três filhos para o resto. Substituia-lhes em terceiro logar seus
parentes e seus amigos.( SUETÔNIO).

SUETÔNIO Filho de um tribuno da XIII Legião romana, dedicou-se às armas e às letras.


Escreveu as VIDA DOS DOZE CESRES, tendo sido contemporâneo na idade adulta apenas do
último de seus biografados, Domiciliano. Viveu a era dos na época dos cinco grandes Imperadores
romanos NERVA, TRAJANO, ADRIANO, ANTONINO PIO e MARCUS AURÉLIUS. Teve
prestígio na corte de Adriano, tendo sido secretário as epistolis. Caiu, porém, em desagrado por ter
monopolizado o interesse da imperatriz Sabina. Foi afastado no ano 122 e a partir daí passou a se
dedicar a escrever história.s

Suetôonio nos conta que ao morrer OTAVIANO, legava ao povo romano 40 milhões de
sesterceos, 3 milhões e 500 mil sesterceos ás tribus latinas, 1:000 por cabeça aos soldados da sua
guarda, 500 aos da guarda da cidade, 300 aos soldados legionários; e este dinheiro devia ser pago
immedia tamente estava prompto no thesouro. […] Ajuntou diversos legados, dos quaes alguns não
excediam a 20 grandes sesterceos dava um anno para os pagar, desculpando-se com a mediocridade
da sua fortuna. Declarou não deixar aos seus herdeiros senão 150 milhões de sesterceos; comtudo
havia herdado em 20 annos mais de 5 biliões de sesterceos, mas havia-os gasto com o estado, assim
como seus dois patrimónios paternaes e outras heranças de família. Prohibia, no seu testamento, que
enterrassem com elle, no mesmo sepulchro, sua filha e sua neta. 0'estes três volumes, que havia
reunido, um continha ordens para as suas exéquias outro, um summario da sua vida, feito para ser
gravado em bronze, na frente do mausoléu.(SUETÔNIO).

Em sua administração como na administração anterior, o Senado perdeu influência, mesmo


as que Augusto lhes havia concedido, apesar de receber a prerrogativa da eleição dos magistrados.
Além disso, reduziu os gastos públicos, assegurou as fronteiras e reforçou a Marinha. Foi
responsável também por exilar a comunidade judaica de Roma e determinar o fim dos duelos de
gladiadores. Não esquecer que é sob o domínio de Tibérius que matam o Nazareno na Judeia.
Enfrentou conspirações palacianas como a organizada pelo seu principal conselheiro, Lúcio
Sejanus, que resultou em processos de lesa-majestade, execuções e suicídios.

O interesse do Imperador na agitada Judéia leva o membro do Senado a escrever ao César.


A carta do senador Publius Cornélius Lentulus ao imperador Tibérius Cesar, vide na íntegra: [...}
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“Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual
vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da
verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as
coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas
maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um
homem de justa estatura e é muito belo no aspecto, e há tanta majestade no rosto, que aqueles que
o veem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são
distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais
reluzentes.

Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos, o seu
rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor
moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos,
não muito longa, mas separada pelo meio, seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos
expressivos e claros, o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol,
porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando
ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade. Diz-se que nunca ninguém o viu rir,
mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz
raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa. É
o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara
beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma mulher tão bela, porém, se a majestade
tua, ó César, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de
mandá-lo o mais depressa possível. De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele
sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça.
Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.
Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os
hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus;
muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua
Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus. Diz-se que este Jesus nunca
fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado,
afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo,
aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido. Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e
obrigadíssimo… Publius Lentulus, Legado de Tibério na Judeia. Indizione settima, luna seconda.”
(PUBLIUS LENTULUS).
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A vida pessoal de Tibérius estava alegadamente repleta de costumes duvidosos, mesmo para
a sua época. De personalidade tímida e reservada, mandou matar muitas pessoas, entre estes vários
de seus anteriores amigos. Paranóico por conspirações, Tibério passou seus últimos dez anos na sua
Vila, em Capri, morrendo de causas naturais.

Dizem que Caligula teve acesso a esta carta, e que foi o ultimo a ver Tibérius com vida. O já
havia sido dividido entre o sobrinho neto Calígula e ao neto Tibério Gemelo. Pouco tempo depois,
Calígula manda matar o primo e torna-se o único imperador. Certo que tinha prazer em matar
cristãos, no seu governo os jogos tinham na arena cristãos alimentando as feras. Perverso tinha mais
apreço por seu cavalo que pelos que o serviam.

Nascido em 31 de agosto do ano 12 d.C., Caio Júlio César Augusto Germânico foi o terceiro
imperador romano e membro da dinastia Júlio-Claudiana instituída por Augusto. Era conhecido
entre seu povo como um imperador de natureza cruel, extravagante e depravado. Alcunhado de
Calígula, significa botinhas, alcunha dada pelos soldados das legiões comandadas pelo seu pai,
Germânico, pois acreditavam que o garoto ficava engraçado usando pequenas caligaes, sandálias
militares, nos pés. Com a morte de seu pai, o jovem Caio foi adotado pelo imperador de Roma,
Tibérius e aos 25 anos tornou-se imperador de Roma.

No começo de sua administração, Roma estava tendo um crescente período próspero e a


gestão era impecável. Contudo após uma série de exageros do imperador, passou a enfrentar crises,
principalmente a econômica, que gerou a fome na população. Na tentativa de melhorar alguma
coisa, Calígula empreendeu um conjunto de reformas públicas e urbanísticas que acabaram por
esvaziar o tesouro de Roma. Fazendo muitas dívidas, tomou medidas desesperadas para restabelecer
as finanças imperiais, até mesmo pedindo dinheiro à plebe. Quanto aos militares, eram
subordinados de seu Senhor, mas não discutiam as suas medidas. A violência era sua marca da paz
romana.

Megalomaníaco Calígula era apaixonado por orgias e bacanais. O começo do governo do


imperador foi calmo e liberal, tanto que os cidadãos romanos chegaram a pensar que este era o
início de uma era alegre para todos. Mas para o desapontamento dessas pessoas, Caio adoeceu
devido aos excessos de orgias que participava, e ao se recuperar revelou sua maldade; Calígula fazia
gastos exorbitantes, cobrava impostos muito altos e não tinha noção de quando parar de cometer
excessos na sua vida.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Isso piorou e muito a situação do povo, o imperador era conhecido por sua crueldade com os
presos e escravos, humilhando-os sempre que possível, os condenados submetidos e torturados pelo
próprio Calígula em frente aos seus familiares, Caio não admitia ser contrariado em absolutamente
nada e até gostava de ser odiado por seu povo, depravado Calígula inspirou muitos. Maquiavel deve
ter lido a vida de Calígula para se fundamentar ao escrever o Principe Negro, a impiedade do
Imperador era conhecida e como todo temerário governava pelo medo.

Mantinha uma casa de prostituição, afinal um tarado sem prostíbulos não faz sentido e
ordenou que, estátuas suas fossem colocadas em locais de destaque em todos os templos, até mesmo
nas sinagogas de Jerusalém. Foi assim que entrou com conflito com os judeus, que não aceitaram o
desejo do Impoerador de ser adorado como um Deus. Calígula se envolve em diversos escândalos,
como o de obrigar suas irmãs a se prostituírem e fazê-las manterem relações incestuosas com ele.
Não existiria Calígula sem os soldados apoiando. Todo e quqalquer governo não se sustenta
sem as armas dos militares, em qualquer tempo, em qualquer lugar. As legiões estavam com
Imperador apoiavam todas as suas loucuras transpunham o aceitável. Várias vezes Calígula escapou
de atentados, pois o povo o odiava profundamente. No entanto, depois de aguentarem calados os
absurdos cometidos pelo César, os soldados já aterrorizados e fartos, decidiram acabar com o seu
governo. Dizem que Messalina a Augusta Meretriz estava por trás do plano. Afinal era a esposa de
Cladius o coxo, ela deseja ser a meretrix Augusta, e se tornou. Grandes putas teve Roma na corte.

Calígula foi assassinado num túnel que ligava o palácio ao fórum, em 24 de janeiro de 41
d.C., evento que gerou a ira de seu tio Cláudio, que logo tomou o trono para si e ordenou a
execução dos assassinos de seu sobrinho. Calígula foi assassinado por oficiais da guarda pretoriana.
O que se tem certeza é que soldado romano não pensava, obedecia cegamente seu comandate. No
mesmo dia da morte de Calígula, seu tio Cláudius foi declarado imperador pelos próprios
pretorianos.

Na verdade Roma e aguarda pretoriana cansou de bancar Calígula e suas loucuras, de suas
depravações desagradou a tropa certamente o poder mudará de mãos.. Tiberivs Clavdivs Drvsvs
Germanicvs, Imperador do ano 41 a 54 d.C. Cláudius Foi o primeiro imperador nomeado pela
guarda pretoriana, nascido no ano 10 a.C.- morreu no ano 54 d.C. Foi Imperadaor do ano 41 ao 54
d.C. Quando os Senadores pensavam no restabelecimento da República e do poder do Senado.
Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus nasceu em Lugdunum, e morreu em Roma.
Filho de Nero Claudius Drusus e Antonia, era irmão mais jovem de Germanicus sucessor natural do
trono, morto em circunstâncias estranhas voltando de Antioquia, Germanicus foi acometido de uma
doença que se tornou fatal.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

As romanas tinham muito a ensinar sobre o poder feminino na Cidade Eterna, colocando-
se nos dias de hoje. Como amenizar as cores e suas matizes usadas para descrever, a imortal e
imoral Messalina, mulher de Claudio, chamada pelo satírico Juvenal de Meretrix Augusta sua
alteza, a meretriz. Para saciar o seu desejo, esperava o marido dormir, punha um capuz sobre a
peruca loira e se dirigia a um prostíbulo onde tinha cubículo privado. Lá ficava, nua e à venda, com
os mamilos dourados, sob o pseudônimo de A Loba, escreve afirmativamente JUVENAL.

Outros autores a mostram como incentivadora do adultério, conclamando mulheres nobres a


fazer, a imitá-la. Teria até desafiado uma prostituta em maratona sexual, saindo vencedora depois de
satisfazer o vigésimo quinto amante. As identidades das primeiras-damas de Roma eram vítima de
escritos feitos a partir da história e da reputação política dos imperadores, assim como pela reação
crítica aos seus governos.

Entre as mulheres dos césares são descritas, ora madrastas conspiradoras, caso de Agripina,
mãe de Nero, ora esposas sofridas, a exemplo de Claudia Otávia, primeira esposa consorte de Nero,
Ela era uma sobrinha-neta do imperador Tibérius, prima de primeiro grau pelo lado paterno de
Calígula e filha de Claudius, além de irmã de criação de seu esposo, Nero. Dizem que se divertia
matando estranhos nas vielas de Roma. Desfilam pelas páginas dos livros de História mulheres
como Julia, a filha de Augusto que se embebedava no fórum e promovia orgias na tribuna, ou
Popeia, a segunda mulher de Nero, que o levou a matar a mãe, Agripina, para ser aceita na corte.

A própria Agripina mãe de Nero, aviúva negra, aliás, fazia parte do perigoso trio, que incluía
Messalina e Lívia, alcunhada Ulisses de saia pelo seu bisneto Calígula. Primeira imperatriz,
companheira de Augusto, Lívia abre o relato de atrocidades com a qual teria eliminado com
indiferença impiedosa todos os adversários do filho Tibério. Também no seu caso as versões
contrastantes se multiplicam para alguns romanos satíricos.

O governador da Síria, Calpurnius Piso, que não mantinha boas relações com Germanicus,
foi acusado de envenená-lo. Cláudio, era coxo e gago, durante a infância fora assolada por diversas
doenças, que lhe enfraqueceram o corpo e lhe retardou a mente, considerado um tolo pela própria
mãe. Cláudius confessou que fingiu-se passar por retardado para passar despercebido a seu
sobrinho, Calígula, sobrevivendo assim ao seu reinado de terror. No entanto, o soberano
recomendava que lhe prestassem as homenagens devidas por ele pertencer à família Julia,
descendente directo de César, e também para que não se rissem dele, devido ao seu aspecto de
retardado e enfermo.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

A sua débil vontade foi moldada pelos seus libertos Palas e Narciso e pelas mulheres,
tornando-se ridículo pelas suas maneiras esquisitas de tímido e covarde, como nos foi legado pelos
historiadores Tacitus, Suetonius e Dion Cassius. Cláudio dedicou-se à literatura, escrevendo, além
de uma história de Roma não terminada, 28 livros de história Etrusca e cartaginesa, uma
autobiografia e um projecto de reforma ortográfica. O seu reinado foi marcado pela centralização do
poder e pela conquista.

No ano 42 anexou a Mauritânia, no norte da África, e no ano de 53, a ilha da Bretanha.


Anexou a seguir a Lícia, a Judeia e a Trácia de tantos gladiadores, e empreendeu a romanização das
novas províncias. Fundou a Colónia agripina nas fronteiras do Reno. Ordenou a execução de
importantes obras públicas.

Solucionou os problemas de abastecimento de Roma, mediante a construção de novos


aquedutos, envestiu em saneamento. Suetônio afirma […] Tendo completado o emissário, após 11
anos de trabalho incessante, com de cerca de 20.000 escravos e 10.000 carpinteiros, pedreiros,
especialistas, etc [...] O imperador queria comemorar o evento com uma solenidade que excede
todas as outras glória. [...] A galeria tinha 5640,54 metros de comprimento sendo que parte da
escavação envolvia rochas calcárias com áreas também muito duras, quebradas de rocha,
concreções calcárias e, por fim, argila pura e areia.

A abertura do emissário de Cláudio, segundo Tácito, ocorreu por volta de meados de 52 dC,
mas as águas pararam de fluir no final de 55 dC. por falta de manutenção e pela suspensão das obras
de escavação do canal que recebiam as águas da saída, embora o emissário Claudiano tivesse sido
objeto de uma administração adequada, sucedido por Cláudio, o filho Nero, ele não demonstrava
mais interesse em sua manutenção, tanto que ficou obstruído.

Adriano baixou novamente o túnel e também promoveu a construção de um canal em


direção ao centro do lago; Graças a estas atividades foi possível obter um fluxo contínuo que durou
varios séculos e deu prosperidade aos Marsicani. Cladius investiu na constrção de um porto em
Óstia, aterrou o lago Fucino e Como o povo queria, pão e circo, Cláudius, o coxo, organizou jogos e
divertimentos restaurando antigos teatros, e reproduziu uma batalha naval entre as esquadras da
Sicília e de Rodes, com 12 naus cada uma. Cláudio, tinha, como passatempo predilecto, ver
criminosos serem torturados até à morte. Tinha fascínio por Gladiadores tanto quanto sua mulher.

Mandou assassinar a sua terceira mulher, Messalina e a 300 amigos desta, entre eles o
famoso actor Mnester, e acabou por ser ele próprio vítima de assassinato pela sua quarta esposa,
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Agripina II a Jovem, bisneta de Augusto, mãe de Nero, depois de haver adoptado o filho desta,
Lucius Domitius, Nero como seu sucessor.

À semelhança dos seus antecessores Claudius foi deificado após a morte, Nero,
sarcasticamente, lembrou que os cogumelos eram o alimento dos deuses visto este ter sido
envemenado. Foi período de Cláudio, que a célebre frase dos gladiadores: Ave Cesar. Nós que
vamos morrer te saudamos.Foi agregada aos espetáculos.

Nero tornou-se imperador romano em 13 de outubro de 54, numa época de grande esplendor
do Império Romano. Nos cinco primeiros anos de seu governo, Nero mostrou-se um bom
administrador. Na política, usou a violência e as armas para combater e eliminar as revoltas que
aconteciam em algumas províncias do império. A paz de sempre vinha pelo fio da espada.

No tocante às guerras de expansão, Nero demonstrou pouco interesse. Quem era Nero antes
de Claudius; Lucius Domitius Ahenobarbus, gente Domícia da República Romana eleito cônsul em
54 a.C. com Ápio Cláudius Pulcro. Foi um dos grandes adversários do trivorato e defensor da
facção dos optimates no senado romano. Quando irrompeu na guerra civil aliou-se a pompeu. Era
filho de Cneu Domício Enobardo, cônsul em 96 a.C., irmão de Cneu Domício Enobardo, genro de
Cina, e pai de Cneu Domício Enobardo, cônsul em 32 a.C. É trisavô pela linha paterna do
Imperador Nero, adotado por Tibérius Claudius, como Nero Claudius Cæsar Augustus Germanicus.

De acordo com os historiadores da antiguidade, empreendeu apenas algumas incursões


militares na região do Reino Armênia. Suas decisões políticas, militares e econômicas eram
fortemente influenciadas por algumas figuras próximas. Entre elas, podemos citar sua mãe,
Agripina, e seu tutor, Lucio Sêneca. Nero foi marcado pelo incêndio que destruiu parte da cidade de
Roma, no ano de 64. Porém, de acordo com alguns historiadores, não é correto afirmar a
responsabilidade de Nero pelo incidente. O imperador estava em Anzio no momento do incidente e
retornou à Roma ao saber do incêndio. Os que apontam Nero como culpado baseiam-se nos relatos
de Tácito. Este afirma que havia rumores de que Nero ficou cantando e tocando lira enquanto a
cidade queimava.

O fato é que Nero culpou e ordenou perseguição aos cristãos, acusados por ele de serem os
responsáveis pelo incêndio. Muitos foram capturados e jogados no Coliseu para serem devorados
pelas feras. Além deste episódio, outros colaboraram para a fama de imperador violento e
desequilibrado. No ano de 55, Nero matou o filho do ex-imperador Cláudio. Em 59, ordenou o
assassinato de sua mãe Agripina. Nero se suicidou em Roma, no dia 6 de junho de 68, colocando
fim a dinastia Julio-Claudiana.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Nero nasceu da união do cônsul Cneu Enobardo com Agripina, irmã do imperador Calígula.
Cneu foi acusado pelo antecessor de Calígula, Tibério, de traição, mas escapou das acusações. Ele
morreu quando Nero tinha 2 anos. Agripina é suspeita de ter envenenado os dois homens com que
se casaria depois. Após a morte de Calígula, Cláudio foi coroado imperador.

Casou-se com Agripina e adotou Nero, que, assim, acabou tragado para o centro do poder.
Britânico, filho de sangue de Cláudio, foi preterido na política. Nero, que era mais velho, tornou-se
procônsul aos 14 anos e subiu ao trono aos 17, com a morte de Cláudio, no ano 54. Nero se
distanciou da mãe, que passou a apoiar Britânico na política. Convenientemente, no dia em que a
emancipação de Britânico, então com 14 anos, foi marcada, o vinho dele foi batizado com veneno.
Nero registrou a morte do oponente como um mero ataque epilético. O evento que denota seu
impeério é ser acusado de ter incendiado Roma. Julgava-se um artista, um mero depravado e
assassino.

A morte de Nero traz Roma um período de desgoverno, em dois anos quatro Imperadores se
erguem e são derrubados, a disputa pelo poder é ferrenha, cruel, imoral com a própria Roma.
Galba, a saber, Servius Galba César Augusto, nome original Servius Sulpicius Galba, nascido em 24
de dezembro de 3 a.C, morreu em 15 de janeiro de 69 d.C, Roma, imperador romano por sete meses
(68-69 dC), cuja administração era delicadamente justa, embora seus conselheiros supostamente
fossem corruptos.

Galba era filho do cônsul Gaius Sulpício Galba e Mummia Achaica, e além de grande
riqueza e antiga linhagem, gozava do favor dos imperadores Augusto e Tibério. Começou sua
carreira senatorial antes da idade normal, tornou-se cônsul a .d 33, recebeu o comando do exército
alemão superior no ano 40 a 42 e serviu como procônsul na África de 44 a 45. Galba foi nomeado
governador da Espanha mais próxima em 60 e serviu nesse cargo por oito anos.

Em 68, acreditando que o imperador Nero planejava seu assassinato, Galba aceitou e talvez
até provocou um convite de Vindex, o governador de Lugdunensis na Gália, para liderar uma
rebelião contra Nero. Ele então recrutou uma nova legião adicional na Espanha e construiu um
grande número de seguidores em muitas outras regiões do império, embora o próprio Vindex tenha
sido derrotado em uma batalha contra os exércitos do Reno.

O prefeito pretoriano, Gaius Nymphidius Sabinus, encorajou a guarda imperial a Guarda


Pretoriana a abandonar Nero por uma grande recompensa, e em 9 de junho de 68, Nero se suicidou.
Acompanhado por Otão, o governador da Lusitânia, Galba marchou sobre Roma e foi proclamado
imperador pelo Senado.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

A tentativa de Galba de reduzir os gastos extravagantes de Nero foi impopular, assim como
sua execução de tropas recrutadas por Nero e também de vários oponentes, incluindo Lucius
Clodius Macer, cuja revolta contra Nero, da África, havia cortado o suprimento de grãos de Roma.
A recusa de Galba em pagar aos pretorianos a doação prometida levou ao assassinato de seu aliado
Nymphidius.

Galba recompensou as partes da Gália que apoiaram Vindex e, assim, indignaram as legiões
da Alta Alemanha, que havia derrotado Vindex. Em 1º de janeiro de 69, as legiões da Alta
Alemanha recusaram o habitual voto de lealdade a Galba e logo se uniram às legiões da Baixa
Alemanha para proclamar o imperador Vitélio. Para conquistar o apoio do senado, Galba escolheu
como herdeiro de uma nobre família romana, Lucius Calpurnius Piso Frugi Licinianus, em vez de
Otão, que tinha sido seu leal aliado. Otão conquistou os pretorianos com a promessa de um doador,
e eles assassinaram Galba e Piso no Fórum Romano em 15 de janeiro. O historiador Tácito escreveu
sobre Galba.

Marcus Salvius Otho, Otão, nasceu em Ferentino, dia 28 de Abril do ano 32 d.C. Morreu
Bedríaco, em 16 de Abril do ano, foi imperador romano por três meses, de 15 de Janeiro até o seu
suicídio. Apareceu pela primeira vez nos escritos dos historiadores clássicos, quando passou a fazer
parte do círculo do imperador Nero, sendo classificado como imprudente e extravagante. Um
aventureiro dislumbrado com o poder.

Amigo de Nero, a amizade entre ambos quebrou-se quando a esposa Pompéia Sabino foi
apresentada a Nero numa ceia. Onde Nero estava estava a depravação, depois do jantar de
apresentação, Nero bacanaliza Pompéia, que divorvia-se de Otão, assume a relação com Nero e
entrega-se às conspirações palacianas. Popeia, que despertou desejaos do imperador, terminaria
morta três anos depois a chutes e pontapés, carinhos nerianos com requintes de crueldade. Antes de
morrer Nero, enviou o ex-marido de Pompéia, Otão para o exílio, ao que foi concedido por dez anos
o governo da provincia da Lusitânia na qualidade de questor.

Após dez anos de administração moderada, insólita nessa época, o destino ofereceu-lhe uma
oportunidade de vingar-se de Nero. Galba o governador da Hispânia Tarrconence sublevou-se
contra Nero em 68 d.C., tendo Otão como um dos seus fiéis adeptos; o ressentimento pelo trato
recebido, bem como a ambição pessoal decidiram o governador da Lusitânia a unir-se ao seu
vizinho, além disso, Galba não tinha descendência e estava numa idade muito avançada, pelo qual
Otão aspirava a ser nomeado o seu sucessor.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Embora a sua lealdade parecesse inquebrantável, Otão começou a negociar com os


pretorianos após a nomeação de Lucius Calpúrnius Pisão Frúgius Licianus, como sucessor do seu
aliado. Apesar de ser o estado das suas finanças desesperado, encontrou dinheiro suficiente para
comprar os serviços de todos os membros do corpo.

Na manhã do dia 15 de Janeiro, apenas cinco dias depois da adoção de Pisão, foi como de
costume, a apresentar os seus respeitos ao imperador. Tráido nas suas expectativas Otão foi
escoltado ao acampamento pretoriano, lá foi aclamado pela guarda pretoriana o Imperador. Não há
poder sem as armas que o sustente. Depois disso voltou para o Fórum com uma importante força, lá
encontrou Galba, que, alarmado pelos rumores do ocorrido, dirigia-se através de uma confundida
multidão para os quartéis dos pretorianos.

A corte que rondava pelo Palatino, a guarda Alemanha, que acompanhava o imperador,
desertou. Indefensos, Galba, Pisão e outros homens foram brutalmente assassinados pela Guarda
Pretoriana que elegeu Otão Imperador. Ao término do breve combate, os senadores investiram Otão
com o título de Augustus, com o poder tribunício, tribunicia potestas e com outras honras
exclusivas do imperador. Otão devia o seu sucesso ao ódio que suscitava a figura de Galba entre os
soldados como consequência da sua famosa recusa ao esbanjamento monetário. Os habitantes,
também descontentes com tal gestão, concederam-lhe o seu apoio. Não atendidas as expectativas
dos apoiadores.

Aulus Vitellius Germanicus, nascido em 24 de setembro de 15 d.C. Falecido em 22 de


dezembro de 69 d.C. foi o imperador romano aclamado pelas legiões que comandava, estacionadas
na Germânia, e venceu as tropas de Otão na Primeira Batalha de Bedriaco. marchava vindo da
Germânia em direção à Roma. Contava com as legiões de elite do império e Otão não desejava
iniciar nova guerra civil, mandou emissários para negociar a paz com o líder germânico.

Contudo, era tarde, Otão foi sofrendo uma série de pequenas derrotas até ser completamente
abatido na Batalha de Bedriacum. Derrotado, Otão se matou. Vitélio foi reconhecido imperador pelo
senado e foi para Roma. Seu governo foi marcado por um grande descontrole baseado em festanças
que levaram os cofres romanos à falência.

As dívidas em evidenciadas, cobrado, Vitélio mandou matar todos que fizessem cobranças.
E mais, assassinou todos os rivais que teve oportunidade também. Com o prestígio em baixa, as
províncias do Oriente Médio aclamaram Titus Flavius Vespasianus nascido na Falacrina em 17 de
Novembro do ano 9, veio a óbito em Roma no dia 23 de junho de 79, foi Imperador aclamado, o
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primeiro da dinastia Flaviana. Como imperador, avançando paulatiamente foi conquistando mais e
mais apoio e sendo reconhecido como imperador em outras regiões do Império Romano.

O exército liderado por Marco Antônio Primo esmagou o exército de Vitélio na segunda
Batalha de de Bedriacum. Vitélio ainda tentou manter o poder subornando a todos e tentando
negociar a paz com as legiões de Vespasiano, mas nada funcionou. O exército inimigo avançava
cada vez mais e, quando já estavam na entrada de Roma, Vitélio se preparou para fugir. Em um
último ato de saudosismo, Vitélio resolveu visitar o palácio pela última vez e lá foi preso e morto
por homens de Vespasiano. Dando origem a Dinastia Flaviana. Permaneceu no poder por 10 anos e
morreu de causas naturais em 79.

Destaca-se o programa de reformas financeiras que promoveu, tão necessário após a queda
da dinastia júlio-claudiana, a sua bem-sucedida campanha militar na Judeia e os seus ambiciosos
projetos de construção como o Anfiteatro Flávio, conhecido popularmente como o Coliseu,cuja as
ruinas ainda hoje estão em Roma. Instituiu um imposto sobre a urina humana, ingrediente chave na
indústria antiga da lavagem e processamento de tecidos, justificando com a famosa frase: Dinheiro
não tem cheiro”. Reformulou o senado e a Ordem Equestre, e desenvolveu um sistema educativo
mais amplo. Reprimiu o levante da Gália, mas incompatibilizou-se com o senadores.

O período de seu governo ficou marcado por uma eficaz administração econômica quer na
capital do Império, quer nas províncias, com um aumento significativo do tributo anual e a
implementação de medidas econômicas muito mais severas, o que permitiu atingir níveis de
progresso assinaláveis nas finanças do Estado, tendo inclusive levantado fundos para a construção
do templo dedicado a Jupiter Capitolino e para o Coliseu de Roma. Após a sua morte a 23 de junho
de 79, foi sucedido no trono pelo seu filho maior, Tito.

Titus Flavius Caesar Vespasianus Augustus, nasceu em Roma no dia 30 de dezembro do ano
39. Foi dado a sepultura em 13 de setembro do ano de 81 em Roma. Sucedeu Vespasiano foi
Imperador entre os anos de 79 e 81. Era o filho mais velho de Vaspasiano.Serviu sob as ordens de
seus pai na primeira guerra da Judeia antes de ser proclamado imperador, alcançou renome como
comandante militar nos anos 67 a 70 nessta campanha sofreu uma breve pausa após a morte do
imperador Nero no ano de 68.

Afinal estavam se matando pelo poder, quando Vespasiano foi proclamado imperador pelas
suas tropas em 21 de Dezembrode do ano de 69. Neste ponto, Vespasiano iniciou a sua participação
no conflito civil que assolou o império durante o ano da sua nomeação como imperador, conhecido
como o ano dos quatro imperadores. Após essa nomeação, recaiu sobre Titus a responsabilidade de
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

acabar com os judeus sediciosos, o comandante cumpriu seu dever, após demolir e incendiar o
templo no ano 70. A sua vitória foi recompensada e comemorada com a construção do Arco de
Titus. Seu pai o associou, tornou-o Tribuno da Roma.

No reinado do seu pai, Tito despertou receios entre os cidadãos de Roma devido ao seu
serviço como prefeito do corpo da guarda Pretotriana do imperador, a elite do exército romana,
violenta autoritária e com fama justificada de conspiradora, esta unidade de combate romana durou
340 anos criada na República foi ativa até Constantino dessativá-la, bem como, devido à sua
intolerável relação com a rainha Berenice da Cilícia. Esta era filha de Herodes Agripa rei da Judeia,
Titus era apaixonada por Berenice e chegou a propor casamento. Titus, porém, contra a sua vontade
e a vontade de Berenice, a mandou para longe de Roma.

O caso de amor entre eles começou no ano de 69 quando esteve em campanha na judeia, ela
veio para Roma no ano de 75, mas não era aceita pela população romana, foi mandada para a
Judeia retornando no ano de 79, quando Tito se tornou imperador, mas foi dispensada pela segunda
vez. Apesar destas faltas à moral romana, Titus governou com grande popularidade após a morte de
Vespasiano no dia 23 de junho de 79 e é considerado como um bom imperador por Suetônio e
outros historiadores seus contemporâneos.

O seu reinado teve como destaque o núnero de construção de edifícios públicos em Roma. A
enorme popularidade de Tito também foi devida à sua grande generosidade com as vítimas dos
desastres que sofreu o império durante o seu breve reinado: a erupção do Versuvio no ano 79 e o
incêndio de Roma de 80. Após dois anos no cargo, Titus faleceu vitimado de febre no dia 13 de
setembro do ano 81 aos quarente e dois anos de idade. A grnade popularidade do Imperador Titus
Flavius fez com que o SRQP o tornasse um deus.

Prometeu ser um imperador à altura do seu pai, mas o seu breve reinado foi marcado por
catástrofes. O vers vulcão Vesúvio destruiu as cidades de Pompéia e Herculano e, no ano 80, Roma
foi de novo consumida por um incêndio.

Estabeleceu um governo indulgente, respeitando os privilégios do senado e realizando


grandes obras públicas. Uma das ações mais importantes como imperador foi inaugurar, no ano 80 a
obra que seu pai, Vespasiano, iniciara, o anfiteatro Flávius, conhecido como O Coliseu, embora este
ainda estivesse incompleto. Titus foi sucedido pelo seu irmão menor, Domiciliano, pois Teria Julia
Flavia por amante. Viveu com ela, como marido e mulher, fazendo pouco esforço para disfarçar.
Então, por causa dos apelos do povo, ele se reconciliou com Domícia, mas continuou suas relações
com Júlia mesmo assim.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Titus Flavius Domitianus, nasceu de 24 de outubro do ano 51 e morreu no dia 18 de


setembro do ano 96, habitualmente conhecido como Domiciano, foi imperador romano do dia 14 de
setembro do ano 81 até a sua morte no dia 18 de setembro de 96. Titus Flavius Domitianus era filho
de Titus Flavius Sabinus Vespasianus com Domitila sua mulher e irmão de Titus, a quem ele
sucedeu. Flavio Josefo esclarece quem era a Berenice amante dos antoninos.

[…] Como filha de Herodes Agripa I e irmã mais velha de Drusila, Berenice nasceu cerca de 28
d.C. em uma família de raça mista aos treze anos casou-se com Marcos, filho de Tibério Júlio
Alexandre. Marcos morreu e ela casou-se em seguida com seu tio Herodes de Cálcis. Eles tiveram
dois filhos, Berniceano e Hiranco. Novamente viúva, cerca do ano 48 d.C., Berenice foi objeto de
escândalo incestuoso quando passou a viver com o próprio irmão Agripa II. Anos mais tarde casou-
se pela terceira vez com Ptolomeu, rei da Sicília. […] O casamento, porém, não durou e ela voltou a
companhia do irmão. Tempos depois, tornou-se amante dos imperadores romanos Vespaciano e de
seu filho Tito. Berenice, mulher de opinião forte, foi, em certa época, defensora indomita do povo
judeu. Algumas fontes relatam que chegou a arriscar a própria vida para interceder em favor dos
judeus. Sua fé era tão forte, que, em certa ocasião, rapou a cabeça e andou descalça para cumprir
um voto feito a Deus. Seu estilo de vida, entretanto, fez com que se desviassem, e Berenice
abandonou a sua fé judaica. Escreveu (FLAVIO JOSEFO).

Na juventude Titus Flavius Caesar Domitianus Augustus no começo da sua carreira


transcorreu à sombra do seu irmão Titus, que alcançou considerável renome militar durante as
guerras na Germânia e Judeia no ano 60 D. c. Esta situação manteve-se durante o reinado do seu
pai Vespasiano, coroado imperador. Enquato o seu irmão gozou de poderes semelhantes aos do seu
pai, ele foi recompensado com honrarias sem importância relevante, que não implicavam
responsabilidade alguma.

Segundo filho de Tito Flávio Vespasiano, e sucessor do irmão mais velho Tito Flávio
Vespasiano, o filho, limitou os poderes do Senado, irritando ainda mais os senadores ao acumular
os títulos de cônsul da ano 82 a 88 e de censor perpétuo do an 85 ao ano 96. Porém ainda
internamente reorganizou a administração do império e designou membros da nobreza rural para
importantes cargos públicos, para financiar os gastos do exército e a construção de grandes obras,
aumentou os impostos e promoveu confiscos de bens da aristocracia. Não se faz obras sem fundos
que a sustente.

No campo militar obteve grandes vitórias como a conquista da Bretanha. Construiu uma
fronteira fortificada ao longo do Danúbio e firmou uma paz vantajosa com os dácios.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Negativamente desenvolveu a repressão política e as perseguições contra Cristãos e Judeus que


aterrorizaram toda a população. Morreu assassinado foi no ano de 96, vítima de uma conspiração
palaciana da qual aparentemente participou sua própria mulher, Domitia Longina era a filha mais
nova do general e Cônsul Cneu Domicio Córbulo; e foi forçada a se divorciar de Lucius Aelius
Lamia para se casar com o imperador, com quem teve apenas um filho no ano 73 , este filho não
vingou morreu na tenra idade. Foi o ponto final na dinastia.

Historiadores descrevem-no como um tirano cruel e paranoico, localizando entre os


imperadores mais odiados ao compará-lo com Calígula e ou Nero. As afirmações a respeito dele
têm a sua origem em escritores que foram abertamente hostis para com ele, por seus
contemporâneos tais com Tácito, Plínio, o jovem e Suetônio. Estes homens exageraram a crueldade
do monarca ao efetuar adversas comparações com os cinoco melhores Imperadores, que o
sucederam.

A historiografia moderna recusa a maior parte da informação que contêm as obras destes
escritores por considerá-los pouco objetivos, é descrito como um autocrata impiedoso, mas
eficiente, cujos programas pacíficos, culturais e econômicos foram precursores do próspero século
II, comparado com o turbulento crepúsculo do século I. A sua morte denota o fim da dinastia
Flaviana, dando lugar a disnatia Nerva-Antonina.

IMPERATOR NERVÆ CAESAR AVGVSTVS nasceu dia 8 de novembro do ano 30,


morreu assassinado no dia 27 de janeiro de 98, foi imperador romano do ano 96 até a sua morte no
ano 98. O senado ao dia seguinte a morte de Titus Flavius Caesar Domitianus Augustus, elegeu e
aclamou um de seus membros, IMPERATOR NERVÆ CAESAR AVGVSTVS PATER PATRIAE,
imperador o primeiro dos Antoninos. Foi reputado senador, por isso talvez tenha sido indicado pelo
senado, o SPQR buscou alguém de reputação ilibada, esteve ao serviço do Império durante os
reinados de Nero, Vespasiano, Tito e Domiciano. Com Nero foi membro do séquito imperial e
desempenhou um papel de destaque na descoberta de uma conspiração contra o imperador, liderada
pelo então senador Caio Calpúrnio.

Foi recompensado por Nero com dois consulados, era homem que sabia escolher os lados
políticos e o memento de se retirar. A serviços de Vespasiano no ano 71,Político hábil e dotado de
grande honestidade de idade avançada para governar por muito tempo, semenou a paz política.
Promoveu o retorno de todos os banidos pelo imperador Domiciano, administrou de acordo com as
regras do Senado, diminuiu taxas e saneou as finanças públicas.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Trabalhou o caráter social, notadamente com a criação de instituições que doavam alimentos
a peble. Tão logo assumiu o poder, procurou conquistar as boas graças dos pretorianos, a elite do
exército romano que garqantia a vida do imperador, assegurou-lhes um donativo, espécie de
gratificação dada aos soldados. Mesmo assim a conspiração ocorrida no ano de 97 deixou evidente
que persistia o perigo de rebelião.

Antes de morrer, escolheu para sucessor Marco Trajano, seu filho adotivo e governador da
Germânia Superior. O segundo da Dinastia Nerva- Antonina. A história não esclarece grande parte
da vida de Nerva, é considerado pelos historiadores antigos como um imperador sábio e moderado,
interessado no bem-estar econômico, procurando reduzir as despesas do governo. Esta opinião foi
confirmada pelos historiadores modernos, um dos quais, Edard Gibbon, chama Nerva e os seus
quatro sucessores, os cinco Imperadores.

A adoção de Trajano como herdeiro finalizou com a tradição dos anteriores imperadores,
que nomeavam algum dos seus parentes como filho adotivo, caso não os sucedessem os seus
próprios filhos. Marcus Ulpius Traianus nasceu 18 de setembro do ano 53 em Itálica, na Béltica sul
da Hispânia, desencarnou no dia 9 de agosto de 117. Foi imperador do ano 98 ao ano 117. Expandiu
o império com as conquista do leste. Trajano político hábil, notado pelos seus extensos programas
de obras públicas e as políticas sociais implementadas durante o seu reinado. Manteve um contato
permanente e íntimo com a intelectualidade romana, revelada nas correspondência que manteve
com Caius Plinius Caecilius Secundus conhecido como o jovem e ou o moço. Nascido no de 61 em
Bitínia foi graade orador, amigo do Imperador Trajano, era político e jurista e governou a Bitíbia
onde morreu no ano 114; Sobrinho-neto de Plínio o velho.

Caius testemunhou a erupção do Versúvio, escreveu sobre Pompéia afogada em cinzas. As


cartas trocadas entre Plínio e o imperador Trajano, preservadas até os dias de hoje, são considerados
um dos mais valiosos documentos para entender a organização e a vida cotidiana do império
romano da época. Nelas, Plínio cita pela primeira vez o cristianismo num documento romano
conhecido. Além das relações com os intelectuais. Trajano reativou o comércio e a agricultura,
reduziu a carga tributária e a realizou um ambicioso programa de obras em todo o império. Além de
edifícios públicos, como o novo forum de Roma, construiu estradas, pontes, aquedutos, portos,
banhos públicos e infra-estrutura sanitária. Devota do Deus Falo Pompéia orgulhava-se dos
Lupanares, as Lobas uivavam pelas noites afim, nem o magma foi capaz de destruí-la. A carne e o
falo sempre juntos, o prazer e a gana de sangue romana.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Obras que ainda sobrevivem na Itália, Espanha, norte da África e Balcãs. Seu prestígio, no
entanto, não se deveu somente aos êxitos na política interna, mas também às conquistas militares e
territoriais, destinadas a aumentar e consolidar o poder de Roma e a proporcionar os recursos
necessários para suas reformas. Ampliou o Exército e reforçou as fronteiras com a Germânia,
derrotou os dácios em duas brilhantes campanhas e criou a nova província da Dácia no ano 106,
hoje Romênia.

Assegurou a fronteira oeste do império, voltou a atenção para o leste. Anexou o reino da
Nabatéia, a parte da Arábia que se estende a leste e sul da Judéia, e empreendeu uma guerra contra o
poderoso reino parto no ano 110, que culminou com a anexação da Armênia e da Mesopotâmia, a
conquista das principais cidades partas e a chegou com suas tropas até ao golfo Pérsico. Enfrentou
uma série de revoltas nos territórios recém-conquistados e nas comunidades judias de diversas
províncias orientais no ano 116, já com a saúde abalada, entregou o comando do Exército ao
sobrinho Adriano, que seria seu sucessor, e partiu de Antióquia de volta para Roma, porém morreu
na viagem no ano 117, em Selino.

Publios Aelius Hadrianus nesceu no ano 76 na Itálica, Béltica hoje espanha, morreu no ano
de 138. Sucedeu o imperador Trajano, pertencente à Dinastia dos Antoninos, foi escolhido seguindo
à concepção estoica do governo SPQR. No Estoicismo, oimperador devia ser um homem
moralmente superior, que trabalhasse para o bem de todos, acima dos próprios inetresses.

Adriano vinha exercendo cargos de responsabilidade e prestígio, como chefe do exército e


governador da Síria durante a guerra contra os povos partas. Era um homem sábio, letrado, amante
das artes e do direito. Sucedeu Trajano no ano de 117 e logo abandonou a política de conquistas do
seu antecessor e optou pelas alianças o que contribuiu para amenizar os riscos de revolta. As ações
de Adriano passificando, provocou o descontentamento de alguns generais que não aceitavam o fim
do expansionismo romano, conspiraram contra o imperador, mas logo reprimida com a morte de
seus principais líderes, os pretorianos eram implacáveis. Cabe aqui o chamamento as origens do
direito.

A Origem das Doze Tábuas

A origem das doze tábuas está ligada às revoltas dos plebeus frente ao domínio dos patrícios no
inicio da Republica da Roma Antiga. Em 494 a.C, os plebeus, em sinal de revolta, instalaram-se no
Monte Sagrado, exigindo reivindicações políticas. O resultado disso foi a origem dos tribunos da
plebe, representantes dos interesses dos plebeus perante as autoridades de Roma e do Senado. Nesse
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

período quem editava as leis romanas eram os Cônsules, dois patrícios eleitos pela Assembléia
Centurial pelo período de um ano, para propor leis e presidir o Senado e as Assembléias.

Os Cônsules se baseavam em costumes e normas que não estavam claras a todos, por isso, muitos
cônsules se aproveitavam para exercer os seus poderes de forma abusiva. Os poderes exercidos
pelos Cônsules eram considerados excessivos e passou-se a entender que deveriam ter limitações,
posto que se encontravam em uma República. As leis, até então transmitidas por via oral e
totalmente manipuladas pelos patrícios, deveriam ser escritas e públicas. A primeira tentativa de
limitar os poderes dos Cônsules partiu do tribuno Gaio Terentílio Arsa, no ano de 462 a.C, que
propôs a formação de um grupo de cinco legisladores, mas foi recusado por pressão do Senado e
dos patrícios. Após alguns anos, e depois de longos debates, os plebeus e patrícios chegaram a um
acordo para a limitação dos poderes dos Cônsules formando um grupo de dez homens responsáveis
pela elaboração das leis romanas escritas. Naquele período o contato de Roma com a Grécia era
constante e muitos se inspiraram nos direitos vigentes naqueles país. Assim, em 454 a.C. os
estudiosos de Roma foram enviados à Grécia para estudar as leis do celebre legislador Sólon.

Em 451 a.C. foram eleitos dez legisladores (decemviri legibus scribundis), conhecidos como
decenviros, todos da classe dos patrícios. Os decenviros eram os seguintes: Ápio Cláudio (o
presidente do grupo por sua popularidade junto à plebe), Tito Genúcio, Públio Séstio, Lúcio Vetúrio,
Caio Júlio, Aulo Mânlio, Públio Sulpício, Públio Curiácio, Tito Romílio e Espúrio Postúmio.

Os decenviros possuíam poder quase ilimitado, sendo imunes a qualquer ato que cometessem e
possuíam imunidades e poderes de ordem civil e penal. As magistraturas dos patrícios e plebeus
foram suspensas e o poder se concentrava no decenvirato. No primeiro ano, os decenviros
cumpriram com toda dedicação as funções que lhes foram delegadas e cuidaram da elaboração de
dez tábuas. Para a elaboração das normas os legisladores tomaram como base os entendimentos
gerais dos juizes e os costumes do povo de Roma, além dos estudos que fizeram nas leis da Grécia.
Após a elaboração de dez tábuas surgiu a necessidade de se criar mais duas no ano posterior.

Após a conclusão dos trabalhos legislativos o povo se questionou acerca da necessidade de


manutenção do decenvirato no poder, uma vez que já haviam cumprido o seu papel. O povo com a
ajuda do Senado revoltou-se contra os decenviros e os retirou do poder. Foram então eleitos
cônsules M.Valério e M. Horácio, os quais teriam publicado a lei das doze tábuas em bronze e
afixado em local público.

A Lei das Doze Tábuas foi estudada por todos os cidadãos romanos e, como afirma Cícero todos
haviam as decorado por inteiro.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Em 390 a.C a cidade de Roma foi incendiada pelos Gauleses, assim o texto original da

Lei das Doze Tábuas foi perdido. O que encontramos atualmente são meros fragmentos

coletados de autores romanos que os transcreveu em seus estudos. Tábua I: De in jus vocando (do
chamamento a Juízo) A primeira Tábua estabelece regras de direito processual, descrevendo como
deverá ser o procedimento de chamamento do réu a um processo e o inicio de um julgamento.

Página 1Demonstra claramente que é dever do réu responder quando chamado em juízo, porém, se
não o fazer cabe ao autor levá-lo, mesmo que seja usando suas próprias mãos ou a força. Si in ius
vocat, ito. Ni it, antestamino. Igitur em capito. “Se alguém for convocado para comparecer ao Juízo
deverá ir. Caso não comparecer o autor deverá apresentar testemunhas a essa recusa do réu e logo
em seguida deverá prendê-lo”. Se o réu tentar fugir ou pretender não comparecer ao julgamento o
autor poderá prendê-lo (lançar mão sobre o citado). Se por velhice ou doença o réu estiver
impossibilitado de andar, o autor deverá lhe fornecer a condução,na época um cavalo (iumentum).
Se o réu recusar o cavalo o autor deverá providenciar um carro, mas sem a obrigação de ser coberto.

A conciliação estava presente no direito romano desde esta época, observando a praticidade dos
acordos para resolver os conflitos. A regra era a de que se as partes fizerem um acordo deveriam
anunciar a todos e o processo estaria encerrado. Caso não houvesse nenhum acordo, o pretor
deveria escutar as partes no comitio ou no forum, antes do meio dia com ambas as partes presentes.
Depois do meio dia se apenas uma das partes estivesse presente o pretor deveria se pronunciar,
geralmente em favor do presente (um instituto similar ao da Revelia). Se ambos estiverem
presentes, por do sol seria o termo final da audiência e o inicio do julgamento.

Tábua II: De judiciis (do julgamento)

A segunda tábua tem a pretensão de continuar os ditames da primeira, estipulando regras de direito
processual. Contudo, não se encontra tão completa em decorrência das perdas ao longo dos séculos..
. . morbus sonticus . . . aut status dies cum hoste . . . quid horum fuit unum iudici arbitrove reove, eo
dies diffensus esto. A primeira parte do texto está incompleta, estudiosos dizem que determinava às
partes o depósito de certa quantia, denominada sacramentum. Na segunda parte vemos que se o juiz,
ou árbitro ou uma das partes se achar acometido de moléstia grave, o julgamento deverá ser adiado.
Cui testimonium defuerit, is tertiis diebus ob portum obvagulatum ito. Aquele que precisar de
alguma testemunha, deverá ir a sua porta e o chamar em alta voz para comparecer ao terceiro dia.
Na segunda tábua também estão incluídos as regras acerca dos furtos e roubos. Estabelecem que a
coisa furtada nunca poderá ser adquirida por usucapião e ainda que se alguém intentar uma ação por
furto não manifesto, que o ladrão seja condenado no dobro.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Dizem alguns que nessa tábua estaria escrito a regra de que se alguém cometer furto à noite
efor morto em flagrante, o que matou não será punido. Tábua III: De aere confesso rebusque jure
judicatis (da execução em caso de confissão ou de condenação) Essa tábua é considerada pelos
historiadores uma das mais completas e reconstituída com maior fidelidade.Trata da execução dos
devedores que confessaram a divida.

Aeris confessi rebusque iure iudicatis XXX dies iusti sunto. “Aquele que confessar divida
perante o juiz, ou for condenado, terá trinta dias para pagar”. Esgotados os trinta dias e não tendo
pago, deveria ser agarrado pelo autor e levado à presença do juiz. Se não pagasse e ninguém se
apresentasse como fiador, o devedor era levado pelo seu credor e amarrado pelo pescoço e pés com
cadeias com peso máximo de 15 libras; ou menos, se assim o quisesse o credor. O devedor preso
viveria as custas do credor. Tertiis nundinis partis secanto. Si plus minusve secuerunt, se fraude
esto. Esta é uma das regras mais marcantes das tábuas, permitindo que se parta o corpo do devedor
em tantos pedaços quantos forem os seus credores. “Depois do terceiro dia de feira, será permitido
dividir o corpo do devedor em tantos pedaços quanto forem os credores, não importando cortar mais
ou menos; se os credores preferirem poderão vender o devedor a um estrangeiro”. Adversus hostem
aeterna auctoritas esto.

Determina que contra um inimigo o direito de propriedade é valido para sempre. Tal norma é
decorrência das guerras travadas contra outros povos. Se um inimigo tivesse o domínio de
determinada terra essa ainda pertenceria a seu antigo dono, que poderia reavê-la por meio da força.
Tábua IV: De jure patrio (do pátrio poder) Nessa tábua está registrado o pátrio poder. De modo
direto vemos que o pai tinha, sobre a sua esposa e seus filhos o direito de vida, morte e de liberdade.
Porém o pátrio poder não era ilimitado pois se o pai vendesse o filho por mais de três vezes perderia
o direito paterno.

Si pater filium ter venum duit, filius a patre liber esto. Cito necatus insignis ad deformitatem puer
esto. “Se uma criança nascer com alguma deformidade deveria ser morta”. As crianças deformadas
não eram capazes de serem soldados romanos ou mesmo agricultores e, portanto, seriam um risco a
sociedade. Essa norma teve como base o direito dos espartanos na Grécia, sociedade tipicamente
militar. Tábua V: De haereditatibus et tutelis (do direito hereditário e da tutela)

A quinta tábua dita as regras acerca do direito hereditário e da tutela. Os intitutos são muito
similares aos que encontramos atualmente em nosso direito civil. “Se o pai de família morrer
intestado, não deixando herdeiro seu, que o agnado mais próximo seja o herdeiro.” Estabelece que
se alguém morrer sem deixar testamento, indicando um herdeiro seu impúbere, o agnado mais
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

próximo seria o seu tutor. Interessante observar que as dividas ativas e passivas (do de cujus) eram
divididas entre os herdeiros, segundo o quinhão de cada um.

Si furiosus escit, adgnatum gentiliumque in eo pecuniaque eius potestas esto. Se alguém


tornar-se louco ou pródigo e não tiver tutor, que a sua pessoa e seus bens sejam confiados à
curatelados agnados e, se não houver agnados, à dos gentis. Tábua VI: De domínio et possessione
(da propriedade e da posse) Nessa Tábua estão as regras relacionadas à propriedade e a posse. A
palavra de um homem era muito importante nos contratos, conforme a regra Cum nexum faciet
mancipiumque,

uti lingua nuncupassit, ita ius esto. “Quando alguém faz um juramento, contrato ou venda,
anunciando isso oralmente em público, deverá cumprir sua promessa”.Encontramos nesse
documento a regra de que se os frutos caírem sobre o terreno vizinho, o proprietário da arvore terá o
direito de colher esses frutos. Tábua VII ou VIII: De jure aedium et agrorum (do direito dos
edifícios e terras)

A sétima tábua parece ser uma continuação da anterior, tratando dos edifícios e das terras. Alguns
estudiosos entendem que essas regras pertencem a oitava tábua e não a sétima tábua. Viam
muniunto ni sam delapidassint, qua volet iumento agito. Essa regra pressupõe que toda
apropriedade deve ter uma estrada, porém se tal estrada for desmanchada poderá se trafegar por
qualquer parte das terras de alguém. “Se alguém destruir algo de alguém será obrigado pelo juiz a
reconstruir ou restituir tal coisa”. Trata-se de regra histórica para o direito civil, em especial na parte
da Responsabilidade Civil. Tábua VIII ou VII: De delictis (dos crimes) Considerada talvez a Tábua
mais importante, trata dos crimes e condutas ilícitas no A maioria das penas descritas são espécies
de compensações pecuniárias pelos danos causados.
Por exemplo temos a pena da “injúria feita a outrem” que é o valor de vinte e cicno as.
Porém se a injúria for pública e difamatória será aplicada a pena capital (pena de morte. “O ladrão
confesso (preso em flagrante) sendo homem livre será vergastado por aquele a quem roubou; se é
um escravo, será vergastado e precipitado da Rocha Tapéia; mas sendo impúbere, será apenas
vergastado ao critério do magistrado e condenado a reparar o dano causado.
Vemos que a noção da reparação também é algo observado pelos legisladores na elaboração
das leis: “Pelo prejuízo causado por um cavalo, deve-se reparar o dano ou abandonar o animal” ou
ainda [Se o prejuízo é causado por acidente, que seja reparado].
Sofria a pena de morte aqueles que cometessem homicídio, ajuntamento noturno de caráter
sedicioso e aquele que prender alguém por palavras de encantamento ou lhe der venenos.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Tábua IX: direito publico. A Nona Tábua estabelece algumas regras que tem características
públicas. Privilegia ne irroganto.Os privilégios não poderão ser ignorados nos cumprimentos das
leis. Tal regra era ditada especialmente à classe dos patrícios que possuíam muitos direitos frente
aos plebeus.

Conubia plebi cum patribus sanxerunt. Essa regra diz que não é permitido o casamento entre
os plebeus e os patrícios. Alguns estudiosos romanos entendem que essa regra fazia parte da Tábua
XI e não da IX. Interessante é a regra acerca da corrupção dos juízes: [Se um juiz ou um árbitro
indicado pelo magistrado receber dinheiro para julgar a favor de uma das partes em prejuízo de
outrem, que seja morto]. Tábua X: De jure sacro [do direito sagrado] Uma das poucas diferenças da
Lei das Doze Tábuas com relação ao direito grego da época está concentrada nessa tábua. A décima
tábua traz regras com relação aos funerais e o respeito aos mortos. Estabelecia a regra do Hominem
mortuum in urbe ne sepelito neve urito.[Nenhum morto será incinerado ou queimado dentro da
cidade].

Qui coronam parit ipse pecuniave eius honoris virtutisve ergo arduitur ei... Quando um homem
ganhar uma coroa ou seu escravo para ele... O texto está incompleto e o seu entendimento foi
prejudicado por isso. Alguns estudiosos entendem que a tradução para esse caso seria a proibição do
uso de coroas e turíbulos nos funerais.

Neve aurum addito. at cui auro dentes iuncti escunt. Ast in cum illo sepeliet uretve, se fraude
esto. Tal regra proibia colocar ouro em uma pira de funeral. Mas, se os dentes do morto estivessem
nele, ninguém seria punido por isto. Tal regra servia para evitar possíveis saques ou furtos aos
mortos. Tábua XI: (…) A décima primeira tábua foi perdida por completo em um maremoto
ocorrido em Roma. Tábua XII: De pignoris capio [da apreensão do penhor]

Os escravos eram considerados como incapazes para todos os atos, porque eram
considerados como objetos, portanto, a Lei escrevia a regra: Si servo furtum faxit noxiamve noxit.
[Se um escravo comete um roubo ou um outro delito prejudicial, será movida contra o seu dono
uma ação indireta] isto é, uma ação noxal. Si vindiciam falsam tulit, si velit is ... tor arbitros tris
dato, eorum arbitrio ... fructus duplione damnum decidito. A Lei das Doze Tábuas é um documento
histórico que é marco do direito romano. Tito Livio refere-se à Lei das XII Tábuas como [fons
omnis publici privatique iuris] fonte de todo o direito público e privado.

As execuções sem julgamento logo despertaram a reação do Senado, já indisposto com


imperador que simpatiava com as camadas populares, nas quais buscava apoio através de medidas
como a proteção dos pequenos proprietários e arrendatários, o cancelamento de dívidas fiscais e a
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

concessão de generosos donativos para as massas e pretorianos; e piorou bastante as relações


quando retirou do senado o poder de decidir sobre os negócios internos que passaram a ser
administrados, como nas províncias, por quatro cônsules.

A nomeação senadores de origem provincial e a transferência para o Estado do Consilium


Principis, órgão consultivo composto por políticos e juristas e também com a entrega dos altos
comandos do exército a membros da classe dos cavaleiros, antes reservados a homens do Senado,
os patrícios não ficaram felizes.

Governou viajando pelas províncias romanas reorganizando administrativamente e


reforçando as defesas das fronteiras do império. Ações tinha por princípio fundamental o lema “a
vontade do soberano é a suprema lei”. Controlava pessoalmente todos os setores da política e da
administração. As leis que regiam a escravidão foram revistas e seu amor pelo direito contribuiu
para a consolidação do direito romano encarregando o jurisconsulto Salvius Julianus de reunir e
revisar toda a legislação romana que foi unificada no Edito Perpétuo no ano de 131, que passou a
ser a lei fundamental do Império Romano. Estendeu o direito da região do Lácio às províncias,
dura lex sed lex. Com a finalidade conter a ameaça dos povos bárbaros, ordenou a construção de
muralhas e fortalezas nos limites da Mauritânia, Germânia, Dácia e da Britânia, conhecida como a
Muralha de Adriano, com mais de 100 quilômetros, para proteger as terras conquistadas contra os
habitantes das terras altas, atuais Escócia e País de Gales, na Bretanha.

Adriano faleceu em Baias, Itália, no dia 10 de julho de 138. Foi sepultado no Mausoléu de
Adriano, que mandou construir em Roma, no ano 135, hoje conhecido como Castelo de
Sant’Angelo. Vallum Aelium, o muro de Adriano é uma fortificação construída principalmente em
pedra e madeira no norte da Innglaterra aproximadamente na atual fronteira escossesa. Foi assim
denominada em homenagem ao Imperador Adriano, que ordenou a sua construção. É a primeira de
duas fortificações construídas na Bretanha, a segunda sendo a Muralha dos Antoninos menos
conhecida, porque seus vestígios são menos evidentes, mas teve a mesma importância estratégica,
afastar os inimigos de Roma. Iniciada no ano 122 foi concluída em 126 constitui-se na mais extensa
estrutura deste tipo construída na história pelo Império Romano..

A Muralha de Antonino é uma fortificação construída basicamente de turfa, um material


de origem vegetal, parcialmente decomposto, encontrado em camadas, geralmente em regiões
pantanosas e também sob montanhas a importância estratégica da Murulha é indiscutível. Formada
também de juncos, árvores etc e pedra pelos romanos na área atualmente conhecida como cinturão
Central da Escócia.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Foi assim denominada em homenagem ao imperador Antonio Pio, que governou Roma do
ano 138 ao ano de 161. Foi ele que ordenou sua construção. É a segunda fortificação romana
construída na Bretanha. Os soldados que construíram o muro comemoraram construção e suas lutas
contra os caledônios em uma série de placas decorativas, conhecidas como distance slabs, vinte das
quais ainda sobrevivem. Afinal eram eles que pagavam com a vida às incursões. Apesar deste início
auspicioso, o muro foi abandonado depois de apenas 20 anos e as guarnições se mudaram de volta
para a Muralha de Adriano.

Foi a nona, a mais exposta e mais ao norte de todas as legiões na Grã-Bretanha, que tinham
suportado o peso da insurreição, terminando seus dias combatendo insurgentes no tumulto do início
do século 2 na Grã-Bretanha. A perda de uma tal unidade militar de elite teve um toque inesperado
que reverbera até os dias atuais. Quando o imperador Adriano visitou a Grã-Bretanha à frente de um
grande aumento de tropas, ele percebeu que havia apenas uma maneira de garantir a estabilidade na
ilha - ele precisava construir um muro.

O Muro de Adriano foi projetado para manter os invasores fora do território romano, bem como
para garantir que insurgentes em potencial dentro da província não tivessem esperança de receber o
apoio de seus aliados ao norte. A partir deste ponto, as culturas de ambos os lados da grande divisão
desenvolveu-se a taxas diferentes e de maneiras muito diferentes.

O último legado da Nona foi a criação de uma fronteira permanente, dividindo para sempre a Grã-
Bretanha. As origens do que se tornariam os reinos independentes da Inglaterra e da Escócia podem
ser atribuídas à perda desta infeliz das legiões romanas.
Em 208, o imperador Septímio Severo (r. 193–211) restabeleceu legiões na muralha e ordenou
reparos, o que levou à muralha ser referida como o Muralha de Severo. No entanto, a ocupação
terminou apenas alguns anos mais tarde, e a muralha nunca mais foi utilizada. A maior parte da
muralha e suas fortificações foram destruídas ao longo do tempo, mas alguns restos ainda são
visíveis

Antoninus Pius; 19 de setembro de 86 — 7 de março de 161), foi imperador romano de 138 a 161.
Foi o quarto dos “cinco bons imperadores”, sucedendo a Adriano, que o adoptara como filho.

Pertencente à gens Aurélia, foi denominado "Pio" pelo facto de ter insistido na deificação de seu
predecessor Adriano e pai adotivo.
Antonino exerceu o poder em contato com o senado, cujo papel cerimonial aceitava, ainda que não
lhe cedendo qualquer parcela de poder real; ao contrário de Adriano, permaneceu em Roma durante
todo o seu reinado. Realizou uma política de austeridade, sem grandes edificações ou conquistas
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

militares - salvo um deslocamento para o norte da fronteira da Britânia, após as campanhas do


general Quinto Lólio Úrbico, que resultou na construção de um novo muro, a Muralha de Antonino,
ao norte da Muralha de Adriano, na fronteira entre as atuais Inglaterra e Escócia.
Antonino Pio de nome completo Titus Aurelius Fulvius Boionius Arrius Antoninus Pius (19 de
Setembro de 86 d.C. — 7 de Março de 161), foi imperador romano de 138 a 161. Nasceu em
Lanúvio, Lácio e sob a sua administração o Império Romano atingiu o apogeu, num período sem
inovações, mas de grande prosperidade e equilíbrio. Oriundo da nobreza, foi cônsul, governador da
província da Ásia e conselheiro de Adriano, que o adoptou e designou como seu sucessor.
Quando Adriano morreu, convenceu o Senado a atribuir-lhe honras divinas, o que lhe teria valido o
cognome Pio. Estabeleceu reformas na justiça, abrandando os rigores da legislação e administrou
habilmente as finanças. Uma rebelião na Bretanha levou-o a construir ali um muro de defesa, para
reforçar o erguido por Adriano e garantir o domínio romano na região. As revoltas na Bretanha,
Mauritânia, Judeia, Egipto e Dácia revelaram os primeiros sinais de fraqueza do império, mas não
chegaram para abalar a segurança.
Antonino Pio casou-se por volta de 110 - 115 com Ânia Galéria Faustina a Maior. Faustina era a
filha de cônsul Marco Ânio Vero e Rupília Faustina (meia-irmã da imperatriz romana Víbia
Sabina por parte da mãe, Matídia). Faustina foi uma formosa mulher, conhecida em Roma pela sua
sabedoria. Passou toda a sua vida ao cuidado dos desfavorecidos. Antonino Pio foi um dos poucos
imperadores que enfrentou as crises do seu governo sem sair da Itália, tratando os assuntos bélicos
provinciais através de governadores ou por meio de cartas a cidades como Éfeso.
O seu nome foi dado à dinastia iniciada por Nerva, em que a sucessão se fazia por adopção.
Sucedeu-lhe, após sua morte em Lório, na Etrúria, Marco Aurélio.

Marcus Aurelius; 26 de abril de 121 — 17 de março de 180), foi imperador romano desde 161 até
sua morte. Seu reinado foi marcado por guerras na parte oriental do Império Romano contra os
partas, e na fronteira norte, contra os germanos. Foi o último dos cinco bons imperadores, e é
lembrado como um governante bem-sucedido e culto; dedicou-se à filosofia, especialmente à
corrente filosófica do estoicismo, e escreveu uma obra que até hoje é lida, Meditações. O seu tio
Antonino Pio designou-o como herdeiro em 25 de fevereiro de 138 (pouco depois de ele mesmo ter
sucedido a Adriano). Marco Aurélio tinha, então, apenas dezessete anos de idade. Antonino, no
entanto, também designou Lúcio Vero como sucessor. Quando Antonino faleceu, Marco Aurélio
subiu ao trono em conjunto com Vero, na condição de serem ambos co-imperadores (augustos),
ressalvando, no entanto, que a sua posição seria superior à de Vero. Os motivos que conduziram a
esta divisão do poder são desconhecidos.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

No entanto, esta sucessão conjunta pôde muito bem ter sido motivada pelas cada vez maiores
exigências militares que o império atravessava. Durante o reinado de Marco Aurélio, as fronteiras
do Império Romano foram constantemente atacadas por diversos povos: na Europa, germanos
tentavam penetrar na Gália, e na Ásia, os partas renovaram os seus assaltos. Sendo necessária uma
figura autoritária para guiar as tropas, e não podendo o mesmo imperador defender as duas
fronteiras em simultâneo, nem tão-pouco nomear um lugar-tenente (que poderia, tal como haviam já
feito Júlio César ou Vespasiano, usar o seu poder, após uma portentosa vitória, para derrubar o
governo e instalar-se a si mesmo como imperador).

Marco Aurélio Assim sendo, Marco Aurélio teria resolvido a questão enviando o co-imperador
Vero como comandante das legiões situadas no oriente. Vero era suficientemente forte para
comandar tropas e, ao mesmo tempo, já detinha parte do poder, o que certamente não o encorajava a
querer derrubar Marco Aurélio. O plano deste último revelou-se um sucesso - Lúcio Vero
permaneceu leal até sua morte, em campanha, no ano 169.
De certa forma, este exercício dual do poder no início do reinado de Marco Aurélio parece uma
reminiscência do sistema político da República Romana, assente na colegialidade dos cargos e
impedindo que uma única pessoa tomasse conta do poder supremo - como sucedia com os cônsules,
sempre nomeados em número de dois. A colegialidade do poder supremo foi reavivada mais tarde
por Diocleciano, quando este estabeleceu a tetrarquia imperial em finais do século III. Marco
Aurélio casou-se com Faustina, a Jovem, filha de Antonino Pio e da imperatriz Faustina, a Velha,
em 145. Durante os seus trinta anos de casamento, Faustina gerou 13 filhos, entre os quais Cómodo,
que se tornaria imperador após Marco Aurélio, e Lucila, que se casou com Lúcio Vero para
solidificar a sua aliança com Marco Aurélio.
Marco Aurélio faleceu em 17 de março de 180, durante uma expedição contra os marcomanos, que
cercavam Vindobona (actual Viena, na Áustria). As suas cinzas foram trazidas para Roma e
depositadas no mausoléu de Adriano.
Poucos anos antes de morrer, designou o seu filho Cómodo como herdeiro (o qual foi o primeiro
imperador a suceder a outro por via consaguínea, e não por adopção, desde o final do século I),
tendo-o, ainda, feito co-imperador em 177.

Commodus; Lanúvio, 31 de agosto de 161 – Roma, 31 de dezembro de 192) foi um imperador


romano que governou de 180 a 192.
Lúcio Aurélio Cômodo, imperador romano aos 19 anos de idade, no ano de 180, apesar da esmerada
educação que seu pai, o rei-filósofo Marco Aurélio lhe proporcionou, tornou-se uma figura das mais
representativas da perversão que o poder absoluto provoca nos homens. Enquanto o pai foi homem
de letras, Cômodo deliciava-se com as lutas de gladiadores, sendo ele mesmo um praticante nesta
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

arte de matar. Morreu em 192, fruto de um conspiração palaciana, depois de um reinado de treze
anos de terror e vergonha.

Suetônio disse que Calígula pensou indicar Incitatus, sua montaria, como cônsul ânuo. Um século e
meio depois dele, Marco Aurélio fez pior, legou o império romano para seu filho Cômodo.
Enquanto o imperador louco nomeou um irracional de quatro patas; o outro, o imperador sábio, um
de duas patas.

É, por vezes, peça que o destino prega em pais ilustres ter catástrofes por filhos. O próprio Calígula,
demente, incestuoso, sanguinário, nascera de varão valentíssimo e honrado. Germânico, seu pai,
cônsul e general, era ilustrado em literatura latina e grega, língua em que cometeu algumas
comédias que perderam-se no tempo, e também fora um notável comandante de tropas, adorados
pelos legionários e pelo povo romano. Morrera moço, aos 34 anos, dizem que envenenado. Teve
sorte em não ver no que o filho iria se transformar. Quando Caio César, dito Calígula, veio à luz
num quartel de inverno no ano 12, um versículo pressagiou: "Nascido nos acampamentos, nutrido
nas batalhas paternas, tudo pressagiava um príncipe assinalado". Mas não demorou muito para que
se visse que ele "não conseguia dominar sua natureza feroz e depravada", fazendo com que vivesse
para "a sua infelicidade e a infelicidade dos outros", como asseverou certa vez Tibério, o imperador
que o adotara

A breve vida de Cômodo

O mesmo poderia dizer-se de Lúcio Aurélio Cômodo, nascido 150 anos depois. O seu pai era um
assombro. Era o sonho de Platão: um rei-filósofo. Marco Aurélio (121-180), não só admirava os
sábios gregos, era ele mesmo um pensador, dos que são apontados até hoje nos cânones da filosofia
ocidental. Dado a coletar preceitos de ordem moral, extraídos da visão estóica que adotara,
publicou-os com o título de Meditações, que tornou-se um clássico da literatura filosófica.

Alma benigna, tinha especial desvelo pelo seu único filho homem, a quem ele esperava orientar
pelos elevados princípios da escola de Zenão. No entanto, o jovem Lúcio Aurélio, criado como
Calígula, em meio ao vozerio chulo dos acampamentos militares e ao som das trombetas e gládios
de guerra, decidiu-se pela espada e não mais pelo livro. Quanto mais o pai refletia, mais o filho se
embestava.

Gibbon disse que foi o próprio Marco Aurélio quem arruinou o filho, ao torná-lo parceiro do poder
quando ele ainda era um adolescente. Porém, o mesmo Marco Aurélio fora ainda bem moço
iniciado nas coisas do estado por Antônio Pio. Mas o filho não saíra o pai. Cômodo, imperador aos
19 anos, desatinou-se no trono imperial. A seu favor, diga-se, que tudo começou com um atentado
fracassado contra a sua vida. O sicário, antes de tentar apunhalá-lo numa das saídas de um
anfiteatro, gritou "O Senado vos manda isto!"

No entanto, Cómodo, para além de ser egocêntrico, não estava preparado para o exercício do poder.
Por isso, muitos historiadores fazem coincidir o início do declínio de Roma com a morte de Marco
Aurélio e a ascensão ao trono de Cómodo. Diz-se até que a sua morte foi o fim da Pax Romana,
encerrando a era áurea do Império.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Publius Helvius Pertinax, (nascido em 1 de agosto de 126, Liguria [agora na Itália] - morreu em 28
de março de 193), imperador romano de janeiro a março de 193.
Filho de um escravo liberto, Pertinax ensinou a escola, depois entrou para o exército, comandando
unidades na Síria, na Inglaterra, no Danúbio e no Reno. Ele ganhou distinção durante a grande
invasão por tribos alemãs em 169. Dado o grau senatorial e comando de uma legião, ele foi logo
promovido aos comandos consulares de Moesia, Dacia e Síria, mas sob o imperador Commodus
(reinou 180-192) ele caiu em desgraça, juntamente com o futuro imperador Septímio Severo,
durante a ascensão do prefeito pretoriano Perennis (182-185). Nos últimos anos da vida de
Commodus, Pertinax tornou-se prefeito da cidade de Roma, enquanto Severo comandava os
exércitos do alto Danúbio. Quando Commodus foi assassinado em 31 de dezembro de 192, o
Senado se reuniu antes do amanhecer e proclamou Pertinax (então marechal sênior do império)
imperador. Ele tentou impor economias impopulares nos gastos civis e militares e foi assassinado
por um pequeno grupo de soldados depois de menos de três meses no poder.
O maior exemplo de falcatrua cometida pela guarda aconteceu em 193, quando, depois do
assassinato do imperador Pertinax, seus membros colocaram o trono à venda por um preço
consideravelmente alto. A guarda pretoriana seria reorganizada e, anos mais tarde, abolida pelo
imperador Constantino (r. 306–337), em 312. A partir daí, a guarda pretoriana não existia mais
como unidade homogênea e histórica, e cada imperador criou o seu próprio corpo de guarda
pessoal.
Criada por Otaviano com o tempo, e com a própria natureza ambiciosa dos homens que os
levou a desvios por dinheiro e poder. Os membros da guarda começaram a abusar do poder político
que detinham, utilizando-o de maneira inescrupulosa para escolher quais os imperadores deveriam
permanecer e quais deveriam sair do comando, de acordo com seus interesses. As negociatas
internas na guarda passaram a afetar por completo o governo dos imperadores, chegando ao cúmulo
de haver assassinatos encomendados e executados pelos membros dentro da própria cúpula do
governo. O que antes servia para proteger os imperadores acima de tudo, passou a ser uma ameaça
constante contra eles.

Segundo Edward Gibbon, foi Diocleciano quem, tendo em vista a necessidade de reformas,
desmobilizou a guarda pretoriana. Tal ação foi executada de forma deliberada e imperceptível ao
longo de vários anos. A guarda foi substituída por um grupo de veteranos fiéis a ele, os chamados
"Jovianos". Seu colega Maximiano, tinha uma força similar, os "Herculianos". Ambas eram
originárias de duas legiões da Ilíria, e sua fidelidade a seus senhores era excepcional. Os nomes
atribuídos a elas tem sua origem na identificação de Diocleciano com Júpiter - ou Jove - e de
Maximiano com Hércules. Talvez outros imperadores, como Galério, Constâncio Cloro e Maximino
tenham adotado esse tipo de guarda.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Existe ainda o lema da guarda pretoriana, que resume tudo isso: "A guarda pretoriana cuidará de
César, enquanto César cuidar dos interesses de Roma; Quando César não mais cuidar de Roma,
haverá outro César"
Quando Severo tornou-se imperador no final do ano, ele decretou honras divinas para o governante
assassinado e adotou o nome Pertinax.

DIDIUS JULIANUS (Marcvs Didivs Severvs Ivlianvs) Imperador - 193 d.C. Dídio Juliano,
Marcus Didius Severus Julianus nasceu em Mediolanum (Milan), no fim do reinado de Hadrianus,
filho de Quintus Petronius Didius Severus, uma importante família senatorial. Foi cônsul com
Helvius Pertinax em 174 ou 175 d.C., e governou uma série de importantes províncias militares. Foi
absolvido da acusação de envolvimento numa conspiração contra Commodus, e no começo da
década de 190 governou a África.
Quando Pertinax foi assassinado (28 de março de 193), Julianus estava a caminho de uma
reunião do Senado, foi abordado por dois tribunos da guarda pretoriana, que insistiram com ele para
que tomasse o poder e o levaram para o acampamento. Lá encontrou Flavius Sulpicianus, (tinha
sido senador, cônsul, governador da Ásia e era sogro de Pertinax, em 197, Septimius Severus
mandou matá-lo, sob a acusação de ter sido partidário de Clodius Albinus), que tentava ser
proclamado imperador; os dois disputaram então o poder por meio de ofertas de donativos aos
guardas. Julianus ganhou a disputa pagando vinte e cinco mil sestércios para cada homem, foi
proclamado imperador e prometeu restaurar o bom-nome de Commodus. Seu reinado durou apenas
sessenta e seis dias. Quando Septimius Severus invadiu Roma, Julianus foi forçado a defender a
cidade, mas o Senado, instigado por mensagens de Severus, condenou-o à morte depois de depô-lo.
Julianus foi assassinado no palácio, em 1 ou 2 de Junho, por um soldado comum. Sua mulher,
Manlia Scantilla e sua filha Dídia Clara não sofreram qualquer dano, tendo recebido o corpo
decapitado de Didius para o enterro.

A Tradição Latina

O florescimento da Civilização Romana não está isento do contágio pelo Helenísmo. De acordo
com as palavras de Horácio: “A Grécia conquistada conquistou por sua vez seu selvagem vencedor
e trouxe a civilização ao rude Lácio”. Porém, o fosso abissal que separava o "rude Lácio" do
elevado nível cultural atingido pelos Gregos foi rapidamente ultrapassado, como consequência da
enorme facilidade dos latinos para adaptarem e assimilarem os costumes das outras civilizações,
em particular da Civilização Helénica e Helenística.

Constata-se no entanto ter existido alguma resistência à invasão pelo Helenismo. Os pequenos
camponeses do Lácio, por exemplo, protegem-se contra as inovações estrangeiras pelo respeito de
uma tradição ancestral – o mos maiorum. De acordo com esta tradição, o fim da educação é prático
e social. Espera-se que a educação proporcione à criança o saber necessário para o exercício da sua
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profissão de soldado ou de proprietário rural, que inculque a ética que subordina o indivíduo a um
ideal superior – Roma e a Res Publica. O objectivo é formar o cidadão – o civis romanus.

No século II a.c., o pater familias concede à mãe, a matrona romana, os direitos sobre a educação
de seus filhos durante a primeira infância, gozando aquela de uma autoridade desconhecida na
Civilização Grega.Mas, por volta dos 7 anos de idade, a educação da criança passa a estar a cargo
de seu pai ou, na ausência deste, de um tio. Caberá ao pai a responsabilidade de proporcionar ao
filho a educação moral e cívica. Esta passa pela aprendizagem mnemónica de prescrições jurídicas
concisas e de conceitos, constantes nas Leis das XII Tábuas, símbolo da tradição Romana.

Esta forma de educação tem por base a preocupação natural de associar os valores culturais e o
ideal colectivo. Exalta a piedade, no sentido romano do termo pietas que traduz respeito pelos
antepassados. Nas tradicionais famílias patrícias, os antepassados representam orgulhosamente os
modelos do comportamento, repetidos geração após geração.

Quando o adolescente, por volta dos dezasseis anos de idade, finalmente se liberta da toga
praetexta da infância para vestir a toga viril, tem início a aprendizagem da vida pública, o
tirocinium fori. O jovem acompanhará o pai ou, se necessário, um outro homem influente, amigo
da família e melhor posicionado para o iniciar na sociedade. Durante cerca de um ano, e
anteriormente ao cumprimento do serviço militar, o jovem adquire conhecimentos de Direito, de
prática pública e da “arte do dizer”, concepção romana da eloquência.

Roma adopta a Educação Grega

Sabemos que Roma foi incapaz de permanecer imune ao contágio pelo Helenismo. Na constituição
do Império Romano, da baía ocidental do Mediterrâneo até ao mar oriental, ficarão integradas
diversas cidades Gregas. Mas, muito antes do Império, já os etruscos, haviam sido influenciados
pelos Gregos a quem foram buscar o alfabeto, bem como técnicas com vista à aprendizagem da
leitura e da escrita.

A influência Helénica não mais cessará de crescer, em particular com a invasão e posterior
anexação da Grécia e da Macedónia no século II a.c..

A partir de então, alguns preceptores gregos (se não de nascimento, pelo menos de formação)
apoiam a educação familiar dos jovens romanos. Na verdade, afugentados pelas agitações do
Oriente ou atraídos pela rica clientela romana, muitos gramáticos, retóricos e filósofos atenienses
dirigem-se a Roma. Serão estes os Mestres responsáveis pelo ensino de jovens e de adultos.
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Cedo os Políticos de Roma haviam compreendido que o conhecimento da Retórica ateniense seria
um factor decisivo com vista a melhorar a eloquência dos seus discursos junto das multidões. Com
a Retórica e a formação literária que lhe servia de base, Roma descortinou a pouco e pouco todos os
aspectos encobertos da cultura Grega. Mas o helenismo não é apenas apanágio de alguns. Ele
impregna toda a Roma, surgindo também na vida religiosa e nas artes, como seja nos teatros que
adoptam os modelos, temas e padrões helenísticos.

Não obstante se reconhecer que os tentáculos da Civilização Helenística se estenderam a todos os


domínios, em nenhum é esta influência tão notória como na cultura do espírito, e, por conseguinte,
na Educação. A original contribuição da sensibilidade, do carácter, e das tradições de Roma,
aparecerá somente sob a forma de retoques de detalhe e pequenas inflexões, favorecendo ou
reprimindo alguns aspectos do modelo educativo da Paideia grega.

Nesse entido, a aristocracia romana recorre, numa primeira fase, a escravos alforriados que a
conquista lhes havia proporcionado e, posteriormente, a Mestres de Grego especializados.

Paralelamente a esta preceptoria particular no seio das grandes famílias surge o ensino público do
grego, ministrado em verdadeiras escolas, umas vezes por escravos gregos que assumem o papel de
Mestres, outras, por Mestres Gregos qualificados. Não satisfeitos com este tipo de educação,
muitos jovens romanos deslocar-se-ão à Grécia para aí completarem os seus estudos.

Um indício marcante sublinha o êxito da influência grega na Educação e em particular no


desenvolvimento da escola. Roma vai buscar ao Helenismo o termo Paedagougos para designar o
escravo incumbido de acompanhar a criança à escola.

O Ensino em Roma

No entanto, o ensino em Roma apresenta algumas diferenças significativas face ao modelo


educativo dos gregos e algumas novidades importantes na institucionalização de um sistema de
ensino.

O ensino da música, do canto e da dança, peças chave da educação grega, tornaram-se objecto de
contestação por parte de alguns sectores mais tradicionais, que apelidaram estas formas de arte
como impúdicas e malsãs, toleráveis apenas para fins recreativos.

A mesma reacção de oposição surge contra o atletismo, tão essencial à Paideia. Jamais fazendo
parte dos costumes latinos, as competições atléticas só penetram em Roma por volta do século II
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a.c., sob a forma de espectáculos, e sendo a sua prática reservada a profissionais. Os romanos
chocam-se com a nudez do atleta e condenam a pederastia, de que o ginásio é o meio natural.
Optam assim pelas termas em detrimento do ginásio, que consideram exclusivamente um “jardim
de recreio” ou um “parque de cultura”.

O Programa educativo romano privilegia assim uma aprendizagem sobretudo literária, em


detrimento da Ciência, da Educação Musical e do Atletismo.

Porém, é aos romanos que se deve o primeiro sistema de ensino de que há conhecimento: um
organismo centralizado que coordena uma série de instituições escolares espalhadas por todas as
províncias do Império. O carácter oficial das escolas e a sua estrita dependência relativamente ao
estado constituem, não apenas uma diferença acentuada relativamente ao modelo de ensino na
Grécia, como também uma novidade importante.

É claro que um tal sistema tende a privilegiar uma minoria que, graças aos estudos superiores,
ascende àquilo que os romanos consideram ser a vida adulta simultaneamente activa e digna ou
seja, uma elite, com uma elevada formação literária e retórica.

O que não impede que, entre a imensidão de escravos que os romanos abastados do Império
possuíam como resultando das suas conquistas, houvesse a preocupação de lhes fornecer, em
particular aos mais jovens, os ensinamentos necessários à prática dos seus serviços. Para tal eram
reunidos, nas casas de seus amos, em escolas – as paedagogium - ae entregues a um ou mais
pedagogos que lhes inculcavam as boas maneiras e, em alguns casos, os iniciavam nas “coisas do
espírito”, designadamente na leitura, na escrita e na aritmética. É sabido que as casas dos grandes
senhores de Roma dispunham de um ou mais escravos letrados que desempenhavam funções como
secretários ou como leitores.

De qualquer forma, na Roma imperial, os Mestres Gregos são protegidos por Augusto, à
semelhança do que César havia já feito. Também a criação de bibliotecas, como a do Templo de
Apolo, no Palatino, e a do Pórtico de Octávio, é ilustrativa de uma política imperial de cultura.

Esta política, inspirada nas tradições gregas, vai no entanto inflectir algumas práticas anteriores,
delineando no estado romano um conjunto de políticas escolares inovadoras. Uma primeira
iniciativa é da autoria de Vespasiano, que intervém directamente a favor dos professores, ao
reconhecer-lhes uma utilidade social. Com ele se iniciam uma extensa série de retribuições e de
imunidades fiscais, atribuídas a gramáticos e retóricos. Segue-se a criação de cátedras de Retórica
nas grandes cidades, bem como o favorecimento e promoção da instituição de escolas municipais de
gramática e de retórica nas províncias.
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O nascimento das Escolas Latinas

As primeiras escolas latinas são inteiramente, na sua origem, de inspiração grega. Limitam-se a
imitá-las, tanto no que concerne ao programa, como aos métodos de ensino.

Porém, os romanos vão pouco a pouco organizá-las em três graus distintos e sucessivos: a instrução
primária, o ensino secundário e o ensino superior, aos quais correspondem três tipos de escolas,
confiadas a três tipos de Mestres especializados. As escolas primárias datam provavelmente dos
séculos VII e VI a.c., as secundárias surgem no século III a.c. e das superiores somente há
conhecimento da sua existência a partir do século I a.c.. A data em que surgiram as primeiras
escolas primárias permanece controversa. Pensa-se que o ensino elementar das letras terá surgido
em Roma muito antes do século IV a.c., provavelmente remontando ao período etrusco da Roma
dos Reis. Data do ano 600 a.c. a tabuleta de marfim de Marsigliana d’Albegna que possui gravada
na faixa superior do seu quadro um alfabeto arcaico muito completo, destinado a servir de modelo
de escrita incipiente que se exercitava escrevendo na cera da tabuleta.

As escolas secundárias terão surgido por volta do século III a.c.. Este “atraso” relativamente às
escolas secundárias gregas não é merecedor de espanto, se reflectirmos sobre a inexistência de uma
literatura romana propriamente dita, e sabendo-se à partida que o ensino secundário clássico na
Grécia se baseava na explicação das obras de grandes poetas, em particular de Homero. No entanto,
é somente no tempo de Augusto (século I a.c.), que o ensino secundário latino assume a sua forma
definitiva, rivalizando em valor educativo com o grego, quando Cecílio Epirota, um alforriado de
Ático, toma a ousada iniciativa de incluir o estudo de Virgílio e de outros poetas novos nos
programas do Ensino Secundário. Um romano culto será doravante aquele que conhecer a obra de
Virgílio, da mesma forma que um grego conhece na íntegra e recita os versos de Homero sempre
que tenha necessidade de exprimir, ressaltar ou afiançar um sentimento ou uma ideia.

O ensino superior, predominantemente retórico, surge em Roma por volta do século I a.c.. A
primeira escola de retórica latina foi aberta no ano de 93 a.c. por L. Plócio Galo, e pouco tempo
depois encerrada em virtude da censura levada a cabo por alguns sectores da aristocracia romana
que se inquietavam perante o “novo espírito” que a animava e que consideravam contrário ao
costume e à tradição dos antepassados.

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Instrução Primária
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Se é certo que a iniciação da criança nos estudos fica a cargo de um preceptor particular (em
especial nas famílias aristocráticas), por volta dos sete anos a criança é confiada a um Mestre
Primário – o litterator, “aquele que ensina as letras”, também designado por primus magister,
magister ludi, magister ludi literarii, ou, como viria a ser designado no século IV a.c., o institutor.
O primus magister é, em Roma, mal remunerado e pouco conceituado na hierarquia social.

Tal como na Grécia, também as crianças romanas se faziam acompanhar à escola por um escravo,
designado segundo a terminologia grega por Paedagogus. Este poderia, em determinadas
circunstâncias, ascender ao papel de explicador ou até mesmo de mentor, arcando assim com a
educação moral da criança. O Paedagogus conduzia o seu pequeno senhor à escola, designada por
ludus litterarius, e aí permanecia até ao final da lição. O ensino é colectivo, as meninas também
frequentavam a escola primária, embora para elas o preceptorado privado pareça ter sido a nota
dominante.

Cabe ao Mestre providenciar as instalações. Este resguarda os seus alunos debaixo de um pequeno
alpendre protegido por um toldo – pérgula - nas proximidades de um pórtico ou na varanda de
alguma mansão aberta e acessível a todos. Há conhecimento de ter existido em Roma uma escola
abrigada na esquina do Fórum de César. As aulas são portanto essencialmente ministradas ao ar
livre, em local isolado dos barulhos e das curiosidades da rua por meio de um tabique – o velum.

As crianças agrupam-se em torno do Mestre que pontifica da sua cadeira – a cathedra - colocada
sobre um estrado. O mestre é muitas vezes assistido por um ajudante, o hypodidascales. Sentadas
em escabelos sem encosto, as crianças escrevem sobre os joelhos.

A jornada escolar da criança romana tinha início muito cedo e durava até ao pôr-do-sol. As aulas
apenas eram suspensas durante as festas religiosas, nas férias de Verão (dos finais de Julho a
meados de Outubro) e também durante as nundinae que semanalmente se repetiam no mercado.

Além da leitura, o programa compreende a escrita em duas línguas (latim e grego) e um pouco de
cálculo no qual se inclui a aprendizagem do ábaco e do complexo sistema romano de pesos e
medidas. Para a aprendizagem do cálculo recorria-se vulgarmente à utilização de pequenas pedras -
calculi - bem como à mímica simbólica dos dedos.
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Números simbolizados pelos dedos

A técnica aprofundada do cálculo escapa no entanto à competência do primus magister, sendo


ensinada mais tarde por um especialista, o calculator. Este distingue-se do primus magister na
medida em que o seu papel está mais próximo do de um especialista, como os calígrafos ou os
estenógrafos.

Na aprendizagem da escrita começava-se por se aprender o alfabeto e o nome das letras, de A a X,


antes mesmo de lhes conhecer a forma. O nome das letras era seguidamente ensinado ao contrário,
de X a A e posteriormente aos pares, primeiro agrupados segundo uma dada ordem e logo após
agrupados de forma aleatória. Seguia-se a aprendizagem das sílabas, em todas as combinações
possíveis e, por fim, dos nomes isolados. Estes três tipos de aprendizagem constituem as categorias
sucessivas do abecedarii, syllabarii e nomirarri. Antes de passar à redacção de textos era ensaiada a
escrita de pequenas frases bem como máximas morais de um ou dois versos.

O ensino da escrita é simultâneo ao da leitura. A criança escreve em sua tabuleta as letras, palavras
ou textos cuja leitura deverá posteriormente efectuar. Empregam-se a princípio dois métodos
alternados: um que remonta às origens da escola grega e que consiste em guiar a mão da criança
para lhe ensinar o ductus, e outro mais moderno, talvez originário da escola latina, em que se
utilizam letras gravadas em concavidades na tabuleta que a criança retraça usando o estilete de ferro
e seguindo o sulco através da cera. Esta é alisada com o polegar logo que tenha terminado a tarefa,
para que assim possa reproduzir as letras na tabuleta. Quando surgem o pergaminho e o papiro a
criança passa a escrever com uma cana talhada e molhada em tinta.
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Os livros são feitos com folhas coladas lateralmente e enroladas à volta de uma varinha. Para ler, a
varinha é mantida na mão direita e com a outra mão desenrola-se a folha única.

Associada à leitura e à escrita encontra-se a declamação. A criança é incentivada a memorizar


pequenos textos à semelhança do que ocorria na Grécia.

Recorre-se frequentemente à emulação e mais ainda à coerção, às reprimendas e aos castigos. O


primus magister apoia a sua autoridade na férula, instrumento a que recorre para infringir os
castigos nas crianças. “Estender a mão à palmatória”, manum ferulae subducere, é na verdade para
os Romanos sinónimo de estudar.

Os alunos são agrupados em classes, de acordo com o seu rendimento escolar. O


autor (desconhecido) dos Hermeneumata Pseudodositheana salienta a necessidade
de “...levar em conta, para um e para todos, as forças, o adiantamento, as
circunstâncias, a idade, os temperamentos vários e o desigual zelo dos diversos
alunos.” Esboça-se uma modalidade de “ensino mútuo”, em que os melhores alunos
colaboram com o primus magister ensinando aos colegas as letras e as sílabas. O
titulos (designação latina para quadro preto) é também uma invenção romana.
Consiste num rectângulo de cartão preto em torno do qual os alunos se agrupam de
pé, ordeiramente..

Estes métodos começam a ser questionados por volta do século I da nossa era, tendo-se registado
desde então uma evolução no sentido de um abrandamento da disciplina em favor de uma
indulgência crescente para com as crianças.A rotina pedagógica foi a aligeirada com a introdução de
novas práticas de ensino que ficam a dever-se a Marco Fábio Quintiliano, reconhecido Professor de
Eloquência que viveu no século I da nossa era.

Quintiliano foi o primeiro professor pago pelo estado, no Império de Vespasiano, e teve como
alunos Plínio o Môço e o próprio Imperador Adriano. Quintiliano alerta para a necessidade de se
identificarem os talentos das crianças e chama a atenção para a necessidade de reconhecer as
diferenças individuais e de adoptar diferentes formas de procedimento perante elas. Recomendava
que se ensinassem simultaneamente os nomes das letras e as suas formas, devendo a eventual
imperícia do aluno ser corrigida obrigando-o a reproduzir as letras com o seu estilete na placa dos
modelos, previamente gravada pelo professor. É contrário aos castigos físicos, e portanto ao uso da
férula. Recomenda a emulação como incentivo para o estudo e sugere que o tempo escolar seja
periodicamente interrompido por recreios, já que o descanso é, na sua opinião, favorável à
aprendizagem.
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Ensino Secundário

O ensino secundário é bastante menos difundido que a instrução primária. A maioria das crianças
de fraca condição social abandonam a escola no final da Instrução Primária, passando então a
frequentar a casa de um Mestre de ensino técnico, por exemplo de Geometria, que os preparará para
o exercício de profissões como a carpintaria.

As restantes crianças iniciam por volta dos doze anos de idade um segundo ciclo de estudos,
continuando rapazes e raparigas a estudar lado a lado. No caso geral de estudos com a duração de
três anos, verifica-se a intervenção do grammaticus, correspondente latino do grammatikus grego,
que ensina Gramática e Retórica.

Cecílio Epirota empreende, em finais do século I a.c., o estudo de poetas latinos seus
contemporâneos, assim se estabelecendo uma formação nas duas línguas que implicará portanto a
participação de dois grammaticus: o grammaticus graecus e o grammaticus latinus. Existiam
portanto duas Instituições paralelas: uma para o estudo da língua e da literatura grega, a outra para o
estudo da língua e literatura romana. A primeira é uma réplica exacta das escolas gregas, a segunda
representava o esforço para salvaguardar as tradições romanas.

À semelhança do que se observava na Grécia, o grammaticus é bastante mais conceituado


socialmente que o primus magister. Também ele instala geralmente os alunos numa pérgula ou
numa residência existindo em Roma, no século IV da nossa era, cerca de vinte estabelecimentos
deste tipo. Requer cerca de seis horas diárias para o ensino da correcção da linguagem, assim como
para a explicação dos poetas. Adopta os princípios da metodologia grega, insistindo na ortografia e
na pronúncia, multiplicando os exercícios de morfologia e preparando com a escrita de redacções a
iniciação à Retórica. O essencial consiste porém no estudo dos clássicos, e sobretudo dos poetas
Virgílio, Terêncio e Horácio.

Os alunos aprendem também algumas noções básicas de Geografia, necessárias para a compreensão
da Ilíada e da Eneida. Estudam também Astronomia, “...desde que se levanta ou põe uma estrela até
à cadência de um verso.”

Ensino Superior

O ensino superior, também designado por ensino retórico, tinha início por volta dos quinze anos de
idade, altura em que o jovem recebe a toga viril, sinónimo da sua entrada na vida adulta. Estes
estudos superiores duravam até cerca dos vinte anos, podendo no entanto prolongar-se por mais
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

tempo. Tinham como finalidade formar Oradores, já que a carreira política representava o ideal
supremo.

Roma transformou-se num centro excepcional de estudos para os Mestres de Retórica Gregos. É o
caso de Dionísio de Halicarnaso, que viveu em Roma mais de vinte anos (de 30 a 8 a.c.), ali
compondo uma monumental História Romana.

No século II surgem os representantes da segunda sofística, os quais cultivam um discurso


preciosamente elaborado, bem como a improvisação, perante uma vasta audiência de romanos.

As retóricas latina e grega assemelham-se ainda mais quando o triunfo dos Césares desvia a
eloquência latina da vida política e a confina à arte do conferencista ou do advogado. Os retóricos
do Ocidente “latinizam” os assuntos que propõem a seus discípulos, ao mesmo tempo que os
obrigam a estudar os clássicos romanos, sobretudo Cícero.

Séneca foi juntamente com Quintiliano, um dos grandes representantes da nova etapa educativa.
Esta deixa de ser assunto particular e adquire um carácter mais técnico que filosófico, passando a
aplicar-se de preferência a problemas práticos. Nas suasoriae, o aluno é obrigado a pronunciar-se
sobre casos morais; nas controversiae, o futuro orador terá de pleitear um caso em função

Para lá do aperfeiçoamento da eloquência e da retórica, o ensino da Filosofia e da Medicina é


essencialmente feito por Mestres Gregos itenerantes, que espalham o seu saber de cidade em cidade.

Com muita frequência, os estudantes latinos vão completar os seus estudos superiores noutras
cidades, nomeadamente em Alexandria e sobretudo em Atenas. Sob o império de Vespasiano é
estabelecido em Roma um Ateneum semelhante ao Mouseîon de Alexandria, para estudos
aprofundados de Retórica. Criam-se cátedras de Retórica que concederam privilégios aos Mestres,
dando assim aos romanos a possibilidade de prosseguirem os estudos na própria pátria.

No âmbito do Direito, Roma desempenha um papel inovador oferecendo aos jovens estudantes uma
aprendizagem prática pasra além de um ensino sistemático. A complexidade crescente da produção
jurídica romana está na origem da fundação de duas escolas superiores de direito em Roma no
século II – a de Labeu e a de Cássio.

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As Escolas Cristãs
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Paralelamente às escolas pagãs, a partir dos séculos II e III da nossa era, surgem escolas cristãs,
criadas inicialmente com o intuito de formar os futuros homens da Igreja dos conhecimentos
necessários à compreensão da mundividência Biblica.

É o caso da escola cristã fundada em Alexandria, escola de ensino superior para a inteligência da fé
e das escrituras, onde, entre outras, se estudavam a filosofia, a geometria, a aritmética com a
finalidade de melhorar o conhecimento das Escrituras Sagradas.

Com legitimação político-religiosa do cristianiosmo sob o Império de Constantino, os cristãos


começam a deprecir a retórica e a cultura pagã e a acusar as escolas que dizem transmitir uma
literatura contrária ao espírito cristão, orientadas para valores diferentes dos do evangelho.

Quando cai o Império Romano, só a estrutura religiosa se mantém de pé e, apenas no seu seio, o
frágil brilho da ideia de escola vai apesar de tudo encontra alguma continuidade. Desaparecidas as
escolas públicas pagãs, caberá agora aos monges, hábeis defensores de todo um património cultural,
a tarefa de ensinar e conservar acesa na noite barbárica a chama da cultura clássica.

Principais teóricos

Marco Fábio Quintiliano (40-118) Nasceu em Calahorra, Espanha, no século I, mas muito
cedo se dirigiu para Roma, onde foi discípulo de Palêmon, gramático de Roma que gozou de
grande reputação no século I e de Domício Áfer, um orador latino.

Era conhecido como advogado e professor de eloquência, tendo-se tornado o primeiro professor
pago pelo estado, no Império de Vespasiano. Ensinou Eloquência durante duas décadas e teve
alunos famosos como Plínio o Môço e o próprio Imperador Adriano. Após deixar o ensino,
Quintiliano redige o De Institutione Oratoria, verdadeiro tratado de educação intelectual e moral.

De Institutione Oratoria é composto por doze volumes, numerados de I a XII, e propõe-se a formar
o orador, através da exposição pormenorizada dos objectivos da educação, dos programas e das
metodologias a adoptar. O volume I é consagrado à educação da criança na família e na casa do
gramático, onde permanece até cerca dos dezasseis anos de idade, altura em que é guiada até aos
cuidados do professor de retórica. O volume II versa justamente sobre os ensinamentos deste
último. Os volumes III a VII são dedicados aos géneros demonstrativo, deliberativo, judiciário,
narração e argumentação, entre outros. Os volumes VIII a X versam sobre a eloquência, sendo
expostos diferentes arranjos de palavras bem como diversos ritmos oratórios. O volume XI trata da
importância da memória e da acção e finalmente o volume XII refere quais as condições necessárias
a um futuro orador.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Os pressupostos teóricos em que a obra se fundamenta seguem a tradição retórica grega de


Isócrates, tal como foi transmitida por Cícero. O objectivo era a formação do homem bom, hábil no
uso da palavra. O aluno apto para tal formação deveria possuir a excelência moral inata, sem
defeitos de carácter, o qual poderia ser moldado através da disciplina de uma educação completa e
profunda.

"Penso que não se deve negligenciar o que é bom se for inato, mas aumentar e acrescer o que lhe falta."
(Vol.II cap.8)

Quintiliano opõe-se à preceptoria particular e considera que a criança deverá começar a frequentar a
escola o mais cedo possível.

De acordo com Quintiliano, o Mestre deverá ser um homem de carácter e de ciência, na medida em
que as suas atitudes e conduta influenciarão de forma determinante o desenvolvimento do aluno.

Quintiliano alerta para a necessidade de se identificarem os talentos nas crianças e coloca a


problemática das diferenças individuais (no que se refere às capacidades e ao carácter) e das formas
de procedimento a adoptar perante elas.

"Trazido o menino para o perito na arte de ensinar, este logo perceberá a sua inteligência e
o seu carácter." (Vol.I cap.3)
O Mestre deverá como tal mostrar-se atento à natureza individual de cada aluno, respeitando-a e
dela fazendo depender o tipo e grau de complexidade das tarefas que lhe são apresentadas.

"A variedade de espíritos não é menor que a dos corpos." (Vol.II cap.8)
"Logo que tiver feito essas considerações, o Mestre deverá perceber de que modo deverá
ser tratado o espírito do aluno." (Vol.I cap.3)
Sugere que os alunos sejam distribuídos por classis (classes) logo a partir da escola primária,
animadas por concursos, dado o pendor das crianças para o jogo.

"O gosto pelo jogo entre as crianças, não me chocaria, é este um sinal de vivacidade e nem
poderia esperar que uma criança triste e sempre abatida mostre espírito activo para o
estudo. Há pois para aguçar a inteligência das crianças, alguns jogos que não são inúteis,
desde que se rivalizem a propor, alternadamente, pequenos problemas de toda a espécie."
(Vol.I cap.3)
Refere ainda a importância do aproveitamento da memória do aluno como peça chave do processo
educativo.

"Nas crianças, a memória é o principal índice de inteligência, que se revela por duas
qualidades: aprender facilmente e guardar com fidelidade." (Vol.I cap.3)
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

A educação deverá assim contribuir para o desenvolvimento das disposições naturais de cada
aluno, sendo a natureza, para Quintiliano, sinónimo de “homem não educado”.

"....dirigir a instrução de maneira a ajudar, através dela, o desenvolvimento das


disposições naturais e a favorecer, principalmente, a tendência inata dos espíritos." (Vol.II
cap.8)
No que concerne à disciplina, Quintiliano mostra-se contrário ao uso abusivo da férula, por
considerar que a coerção física é não só degradante como também ineficaz.

"...gostaria pouco que as crianças fossem castigadas......Primeiramente porque é baixo e


servil e certamente uma injúria........Além do mais porque se alguém tem um sentimento tão
liberal que não se corrija com uma repressão, também resistirá ás pancadas como o mais
vil dos escravos." (Vol.I cap.3)
Recomenda a emulação e sobretudo o bom exemplo como incentivos para o estudo e sugere que o
tempo que lhe é reservado seja periodicamente interrompido por recreios, já que o descanso é, na
sua opinião, favorável à aprendizagem.

"A todos, entretanto, deve-se dar primeiro um descanso, porque não há ninguém que possa
suportar um trabalho contínuo. É por isso que aqueles cujas forças são renovadas e estão
bem dispostos têm mais vigor e um espírito mais ardente para aprender..." (Vol.I cap.3)
Outra inovação proposta por Quintiliano é a instrução simultânea de diversos conteúdos. Assim a
escola de gramática deveria familiarizar o aluno com toda a literatura, e a escola de retórica, de
modo idêntico, deveria conferir-lhe conhecimentos de música, de aritmética, de geometria e de
filosofia.

Quintiliano enumera as qualidades de um bom orador da seguinte forma: conhecimento das coisas
(adquirido por meio do domínio da literatura), bom vocabulário e habilidade para efectuar uma
escolha criteriosa das palavras, conhecimento das emoções humanas e o poder de as despertar,
elegância nos modos, conhecimento da história e das leis, boa dicção, e boa memória. Não obstante,
Quintiliano sustenta que um bom orador, terá que ser necessariamente um bom homem.

"...não é suficiente falar apenas com concisão, subtileza ou veemência... na verdade a


eloquência é com a cítara: não será perfeita a não ser que todas as cordas estejam bem
afinadas, desde a mais alta até à mais alta." (Vol.II cap.8)
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Marco Túlio Cícero (106-43)


De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Cícero foi o melhor representante do ensino humanista, uma espécie de educação de carácter
universal, humanística, supernacional. O seu ideal educativo teria um sentido cosmopolita,
universal.

De família de ordem equestre, nasceu em Arpino e viveu no período republicano. Estudou em


Atenas e Rodes e teve uma carreira política brilhante em que foi questor, edil e cônsul. Neste último
cargo, destacou-se por se opor a Catilina que queria derrubar o governo e saquear Roma, e por
aconselhar o senado a votar pela morte do conjurado foi apelidado de “Pai da Pátria”. A sua
honestidade era reconhecida nesta época em que as províncias eram pilhadas e saqueadas. Foi
decapitado em Fórmias.

Como escritor, Cícero é a suprema expressão do génio latino influenciado pelo génio grego. Os seus
tratados filosóficos, ao mesmo tempo que monumentos históricos, são modelos de eloquência.
Como escritor produziu muito e entre as suas numerosas obras contam-se, entre outras, Pro
Quinctio, Pro Sexto Roscio Amerino, Pro Tullio, Verrinas, In Catilinam, In M. Antonium orationum
Philippicarum, De Inventione, De Oratore, Partitiones oratoriae, Brutus, Orator, De republica, De
Legibus, Paradoxa Stoicorum, Academia, De finibus bonorum et malorum, Tusculanae
Disputationes, De natura deorum, De senectude, De amicitia, De officiis.

Nesta última obra, escrita em 44 e endereçada a seu filho Marcus, Cícero traça um programa de
estudos e um ideal de vida que gostaria de o ver realizar. O tratado está dividido em três partes. A
primeira trata do homem, a segunda do útil e a terceira examina as relações e conflitos entre o
honesto e o útil. Cícero exorta o filho a estudar Grego, Latim, Filosofia e Oratória e assinala a sua
supremacia no campo da Oratória mostrando que cultivou, como nenhum grego, ao mesmo tempo,
a Oratória e a Filosofia. Num capítulo seguinte, propõe os deveres como tema a ser analisado, e
enfatiza a sua honestidade, princípio que procurou sempre alcançar nas suas acções. Posteriormente,
investiga se todos os deveres são perfeitos, se a honestidade é um facto e se a utilidade não se opõe
à honestidade. Finalmente, mostra o homem como ser racional dotado de instinto gregário e sedento
de verdade.

[Topo]

Lúcio Annaaeus Séneca (4-65)

Séneca era natural de Córdoba, Espanha e viveu a maior parte da sua vida em Roma. É
representante da cultura dos primeiros anos do império. Foi exilado na Córsega por Cláudio e
chamado a Roma em 49 por Agripina, tornando-se então preceptor de Nero, que mais tarde, não
podendo resistir às censuras do filósofo, ordenou a sua morte.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Forma com Epíteto e Marco Aurélio um trinómio de filósofos estóicos que viam na serenidade
íntima o fim último do homem.

De Séneca restaram muitos escritos: Dialogorum libri, De providentia, De vita beata, De


tranquillitate animi, De breviate vitae, Ad Helvian matrem de consolatione; De beneficiis; Ad
Lucilium; Algumas tragédias imitadas de modelos gregos: Hécuba, Medeia, Fedra, Édipo,
Agamémnon e outras.

Ad Lucilius (Cartas a Lucilius), obra composta por 124 cartas em 20 livros, é um conjunto de
dissertações estóicas sobre a consolação, a cólera, a clemência, a brevidade da vida, a tranquilidade
da alma, a felicidade. As cartas contêm preciosas observações morais e ensinamentos delicados que
não envelhecerão jamais. Séneca formulou máximas que atravessam os séculos:

“Mostra-te surdo às palavras daqueles que te amam muito”.

“O trabalho é o alimento das almas generosas”.

“Uma árvore isolada não provoca admiração num lugar em que a floresta é muito alta”.

“O mal não está nas coisas, está nas almas”.

“Faz descer a filosofia no fundo do teu coração; alicerça a experiência de teu progresso
não sobre a coisa dita ou escrita, mas sobre a firmeza da alma e a redução dos desejos”.

Estas cartas foram lidas e meditadas por muitos espíritos nobres da Idade Média e Renascença tais
como Abelardo, Erasmo, Montaigne ou Roger Bacon, e entre os segundos.

Bibliografia

Gal, R. (1979) - A Educação nas Civilizações Antigas, Antepassadas do Mundo Ocidental, A


Educação Romana, in História da Educação, LisboaEditora Veja, pág. 40-44.
De Julio Cesar a Tibérius e deste a Marcus Aurélius

Giles, T.R. (1987) - A tradição de Roma: a formação do cidadão, in História da Educação, São
Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, pp. 31-43.

Marrou (1966) - Roma adopta a Educação Grega, in História da Educação na Antiguidade, São
Paulo: Herder, pp. 375-394.

Marrou (1966) - As escolas Romanas, in História da Educação na Antiguidade, São Paulo: Herder,
pp. 411-422,

Monroe, P. (1977) - Os Romanos. A educação como treino para a vida prática, in História da
Educação – Actualidades Pedagógicas, São Paulo: Companhia Editora Nacional, pp. 77-93.

Rosa, M.G. (1971) - A História da Educação através dos textos, São Paulo: Editora Cultrix.

Vial, J. e Mialaret, G. (1981) - As origens da “Pedagogia” Grécia e Roma – A Interpretação


Latina, in História Mundial da Educação, Porto : Rés Editora, vol.1, pp. 173-192.
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