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Centro Universitário do Distrito Federal – UDF

Escola de Engenharia
Campus Reitor Rezende Ribeiro de Rezende

Derrocamento

Disciplina: Portos e Vias Navegáveis II


Conteúdo

Derrocamento
Métodos de derrocagem
Derrocamentos
Entende-se por derrocamento ou derrocagem, os trabalhos
destinados a remover materiais rochosos submersos.

Tendo como materiais rochosos, aqueles cuja dureza não


permita a retirada pelos processos normais de dragagem.

Deve-se, desde logo, distinguir as duas situações:

• O derrocamento de pedras isolados nos cursos d’água navegáveis,


destinado a melhorar as condições de navegabilidade,

• E os derrocamentos de abertura de canais em longos afloramentos


rochosos.
Finalidade dos derrocamentos
O derrocamento tem como finalidade a remoção de rochas
visando aumentar a profundidade e a largura do canal
navegável nos locais onde essas se apresentem insuficientes ou
restritivas para permitir a passagem dos comboios.

Situação Atual
Definição dos locais a serem derrocados

Situação após as obras de derrocamento

Canal liberado para a navegação


Derrocamentos
Existem três fases no derrocamento: Desmonte, retirada, transporte e deposição.
Dependendo do material encontrados será feito por desmonte mecânico ou desmonte
com explosivos.
Desmonte mecânico:
• Derrocador de queda livre (martelo hidráulico)
• Perfuratriz
Desmonte mecânico

Derrocador de queda livre


Derrocador de 22 toneladas
(Salles, 1993)
Desmonte mecânico

Derrocador de queda livre


Derrocador de 15 toneladas
(Alfredini, 2009)
Desmonte com explosivos

Por explosivos é mais comumente utilizado; há maior


número de empresas em condições de participação (know-
how e equipamentos); menor custo com mobilização de
equipamentos; maior eficácia e produtividade.

Procedimento normatizado pela ABNT-NBR 9653 e em São


Paulo pela Cetesb D7.013.
Previamente executada na instalação de cargas.
Utilizam embarcações estacionárias com várias torres.
Desmonte com explosivos

Desmonte com explosivos com barco perfurador no Rio Tietê em Osasco/SP


– Décadas de 1980 a 1990
Derrocagem ocorrida no Porto de Santos, na Pedra de
Feffé e Itapema, em 2011.
Alargamento do canal de navegação, de 150 para 220
metros.
31.000 m3 de rochas foram retirados com a derrocagem
das pedras de Teffé (em 1999) e pedra Itapema, no Porto
de Santos.
A profundidade do canal também
aumentou: de 12 para 15 metros. O
empreendimento ficou orçado em R$
25,5 milhões, com recursos do
Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC). O desmonte foi
realizado pelo navio perfuratriz
chinês, Yuan Dong 007.
Cuidados com a derrocagem com explosivos.

Fatores a serem observados na utilização de explosivos:


• Interferências com tráfego e vias próximas;
• Dificuldade na locação dos furos e colocação das cargas
• Condição do tempo e visibilidade embaixo d’água (quando
subaquática);
• Vibração do terreno, impacto do ar e ultra lançamento
(arremesso de fragmentos de rocha além da área de
operação);
• Existência de sedimentos sobre o material a desmontar;
• Comunicação com a terra;
• Proteção do pessoal envolvido e no entorno; e
• Menor dano possível à rocha e estruturas existentes.
Processo de derrocamento empregado nas obras de ampliação
da calha do Rio Tietê
Impactos da Derrocagem

Obras de derrocagem podem gerar alguns riscos ou impactos. A


criação de medidas mitigadoras é essencial para a redução dos
riscos e impactos. Dentre estes impactos, se destacam:

• Risco de danos durante a operação de derrocagem


(patrimônio histórico e arqueológico, navegação e atividades
portuárias, além de afetar a pesca);
• Risco de acidentes com os explosivos;
• Abalo nas estruturas de obras civis; e
• Alteração de habitats (afetando a fauna).
Mitigação dos impactos da derrocagem
Dentre as medidas mitigadoras para redução dos impactos da
derrocagem, se destacam:
• Realização prévia de inventário de integridade das edificações a cada operação;

• Execução de valas de isolamento;

• Segurança no manuseio dos explosivos de acordo com as normas vigentes;

• Sinalização adequada na área de influência das obras;

• Realização de relatório com informações técnicas para possíveis medidas


corretivas;

• Inspeção realizada por mergulhadores após a derrocagem;

• Batimetrias de averiguação.
Material Retirado
Material retirado ou deslocado do leito dos corpos d’água decorrente da
atividade de dragagem e/ou derrocagem e transferido para local de
despejo autorizado pelo órgão competente.

Programa de investigação laboratorial terá 3 etapas:

• Caracterização física: quantidade a ser retirado, granulometria, peso


específicos dos sólidos.

• Caracterização química: Concentrações de poluentes nos sedimentos.

• Caracterização ecotoxicológica: Avalia os impactos potenciais a vida


aquática.
Propriedades do Material Dragado
Propriedades Físicas
Forma e composição – Corresponde à descrição geral dos sedimentos.

Granulometria : É a base para a classificação do material dragado. Deve ser


realizada de acordo com a Norma Brasileira NBR 7181.

Peso específico: O peso específico das partículas sólidas afeta a consolidação do


material disposto. É necessário no cálculo do índice de vazios.

Densidade in-situ: É importante para a determinação do volume in-situ, no


transporte e na disposição do material dragado.

Plasticidade: É relevante apenas para siltes e argilas. Testes mais comuns para a
sua obtenção são o Limite de Liquidez de Atterberg e o Limite de Plasticidade .

Volume de água: É usado para o cálculo do índice de vazios in-situ.

Viscosidade: Determina o comportamento do material dragado quando submetido


a uma tensão.
Propriedades do Material Dragado
Propriedades Físicas

Características de retenção de água.

Permeabilidade: É a medida da facilidade com que a água passa pelo material.

Velocidade de sedimentação: Determina a taxa com que as partículas em


suspensão atingem o fundo.

Consolidação: Descreve a reorganização das partículas do sedimento em um


estado mais denso, acompanhada pela expulsão de água.

Compactação: Mecanicamente, aumenta a concentração de sólidos por unidade


de volume do solo.
Propriedades do Material Dragado
Propriedades Químicas

Ph: É um dos parâmetros de maior utilidade. É uma medida da concentração e


atividade do hidrogênio ionizado.
Carbonato de cálcio equivalente - Indica a quantidade de cal necessária para
neutralizar a acidez presente no material dragado e manter o pH em um certo nível.
Salinidade: É a medida da concentração de sais solúveis.
Potencial Redox (EH): É uma medida da atividade dos elétrons.
Oxigênio dissolvido (OD): Sua deficiência é fatal para muitas espécies aquáticas.
Demanda bioquímica de oxigênio (DBO): corresponde à quantidade de oxigênio
consumido na degradação da matéria orgânica no meio aquático por processos
biológicos, sendo expresso em miligramas por litro (mg/L).
Propriedades do Material Dragado
Propriedades Químicas

Carbono orgânico total: É o melhor método de se obter o conteúdo de matéria orgânica.

Carbono orgânico dissolvido : É importante para sedimentos contaminados. Nutrientes


(compostos de nitrogênio e fósforo): São constituintes essenciais dos organismos vivos.

Taxa Carbono : Nitrogênio (C:N) - Determina se as condições do material dragado são


adequadas ao desenvolvimento de microorganismos e vegetais.

Potássio - Importante para o uso benéfico do material dragado para a agricultura.

Contaminantes - O tipo e quantidade de contaminantes presentes no material dragado


indicam a potencialidade de seus efeitos adversos no ecossistema aquático, terrestre e à
saúde humana.
Propriedades do Material Dragado
Propriedades Ecotoxicológica

Microorganismos: Os microorganismos de interesse são os patogênicos, vírus e


parasitas, como é o caso dos coliformes fecais e protozoários.

Características toxicológicas: Podem ser determinadas por uma variedade de


testes como: testes biológicos de toxicidade aguda, testes biológicos de toxicidade
crônica, testes de bioacumulação e biomarcadores.

Testes biológicos de toxicidade aguda : Testam os efeitos de exposições em curtos


períodos. A toxicidade é expressa como a concentração média letal (LC50),
concentração esta capaz de matar 50% dos organismos de teste em um
determinado intervalo de tempo.
Propriedades do Material Dragado
Propriedades Ecotoxicológica

Testes biológicos de toxicidade crônica: Avaliam os efeitos sub-letais resultantes de


exposições prolongadas a baixas concentrações.

Testes de bioacumulação: Determinam a biodisponibilidade e o potencial para


longos períodos de acumulação na cadeia alimentar aquática, a níveis que
poderiam ser prejudiciais aos consumidores do topo da cadeia, incluindo o
homem, sem que, no entanto, ocorra a morte dos organismos intermediários.

Biomarcadores: Disponibilizam informações sobre o efeito de baixas concentrações


contínuas de contaminantes.
Material Retirado
O transporte de material retirado poderá ser feito de acordo
com alguns fatores:

• Tipo de sedimento;
• Localização da obra;
• Distancia do bota-fora
• Infraestrutura viária existente;
• Custos;
• Rendimentos dos equipamentos ; e
• Legislação vigente.
Referência Bibliográfica

Alfredini, P., & Arasaki, E. (2009). Obras e gestão de portos e


costas: a técnica aliada ao enfoque logístico e ambiental.
Edgard Blücher. 2ª Edição.
Brasil (2006). Relatório de avaliação de programa: Programa
Manutenção de Hidrovias - Tribunal de Contas da União.
Brasília, 2006. Disponível em:
http://portal.tcu.gov.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?inlin
e=1&fileId=8A8182A14D92792C014D92877AFB4812, acessado
em 08/04/2016
DAAE - http://www.daee.sp.gov.br
Lima, L. R. D. S. (2008). Dragagem, transporte e disposição final de
sedimento de leito de rio-estudo de caso: Calha do Rio Tietê-
Fase II(Doctoral dissertation, Universidade de São Paulo).
Referência Bibliográfica
Manutenção Hidroviária em Departamento Nacional de Infraestrutura
em Transportes, disponível em:
http://www.dnit.gov.br/hidrovias/hidrovias-
interiores/manutencao-hidroviaria, acessado em 08/04/2016.
Porto Gente - https://portogente.com.br/portopedia/74169-
derrocagem
Plano básico ambiental da dragagem de aprofundamento do porto de
santos - Programa de Mitigação dos Impactos da Derrocagem. RTC
- 131011- Relatório de Atividades. Disponível em:
http://licenciamento.ibama.gov.br/Dragagem/ Dragagem%20-
%20Porto%20de%20Santos/Relatorios%20
de%20Monitoramentos/Derrocagem/RTC-
131011_Programa%20de%20 Mitigacao%20de%
20Impactos%20da%20Derrocagem.pdf, acessado em 10/04/2016