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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS CAMPUS SERTÃO

SÁVIO DOS SANTOS LIMA

OS GREGOS E A MAGNANIMIDADE DA ARTE TRÁGICA, EM “O


NASCIMENTO DA TRAGÉDIA”, DE FREDERICH NIETZSCHE

ÁGUA BRANCA – AL
2018
Sávio dos Santos Lima

OS GREGOS E A MAGNANIMIDADE DA ARTE TRÁGICA, EM “O


NASCIMENTO DA TRAGÉDIA”, DE FREDERICH NIETZSCHE

Projeto de dissertação apresentado ao Programa de


Licenciatura em História, na área de concentração
filosofia da arte e historia das ideias, como
requisito avaliativo da disciplina pesquisa
educacional.

Orientador: Dr. José Roberto

Água Branca
2018
Sumário

INTRODUÇÃO ............................................................................................................5

CAPÍTULO I – Nietzsche e Schopenhauer: O mundo como vontade e como


representação............................................................................................................6

O mundo como representação........................................................................................ 6

O mundo como vontade .................................................................................................. 7

A vontade como sofrimento ............................................................................................ 7

A vontade em “O nascimento da tragédia” .................................................................... 7

CAPÍTULO II – A origem da tragédia ática .............................................................8

Caracterização da tragédia.............................................................................................. 8

A metafísica do artista e o Gênio .................................................................................... 8

CAPÍTULO III – A música dionisíaca e a afirmação da vontade.................................... 9

A música como a própria manifestação da vontade ..................................................... 9

O coro ditirâmbico como fio condutor à afirmação da vida.......................................... 9


INTRODUÇÃO

A arte é objeto de inúmeros estudos em diferentes áreas e está sob


indagações desde os gregos. Na filosofia, a arte está sendo repensada
constantemente pelos vários autores que contribuíram que investigações profundas
sobre o tema, o que nos faz mergulhar nas obscuridades teóricas que foram
produzidas até então. no século XIX e o XX, a perspectiva sobre a arte sofreu
grandes alterações, desde o idealismo que tomou conta desde Kant até Hegel e uma
perspectiva mais materialista desde Karl Marx aos pós-modernos. Estes
subverteram significativamente parte da teoria da arte precedente, forçando-nos a
uma visão fragmentada do papel da arte em nossos dias. Subversão não sem
confrontos, lembremos-nos de Adorno e Horkheim. Então chegamos em Nietzsche,
este que, por sua vez, dá um destaque significativo a arte. Não se preocupa
constantemente em divagar sobre sua natureza em todos os seus livros, mas as
produções sobre ela cortam toda sua obra e tem um papel fundamental para o
entendimento do seu pensamento. No seu primeiro livro publicado, que traz reflexões
profundas sobre arte
Este trabalho busca identificar o papel da arte trágica na doutrina esotérica
dos gregos, tomando como texto base o primeiro livro publicado por Nietzsche: “O
nascimento da tragédia”, originalmente “O Nascimento da Tragédia no Espírito da
Música”, na edição de 1872, ou “O Nascimento da Tragédia, ou helenismo e
pessimismo” (1886).
No século XIX, havia uma tendência dos escritores alemães em projetar um
ideal para o futuro do país, que havia se unificado neste período. Não sendo
diferente, Nietzsche busca esse projeto idealista. Com sua filosofia arraigada em colo
Schopenhaueriano, a qual, na mesma obra, há um rompimento, pois Nietzsche
visualizando outros caminhos para se pensar mediante a arte trágica dos gregos.
Esse povo que tinha seus Deuses mortais no olimpo, como forma de encobrir o
espetáculo horripilante da verdade, mas tinham nos seus rituais à Dionísio viam suas
individualidades estraçalhadas em mil pedaços, mergulhados na essência criadora,
na contradição e no sofrimento. É onde Nietzsche percebe a arte trágica como júbilo
do povo grego.
A partir dos seus estudos filológicos, busca na sabedoria grega, que não está
nos conceitos, na teorização, mas nos seus mitos, os princípios que fundam a tragédia
ática. Defronta-se com dois Deuses Gregos, representatividades de dois impulsos
artísticos da natureza, o Apolíneo e o dionisíaco. O primeiro representa a força da
individuação, ordem e medida; Apolo é o Deus onírico, a representação que encobre
o sofrimento da verdade, a ilusão, é o “véu de Maya”, nas palavras de Schopenhauer.
Já Dionísio (Baco para os romanos), Deus do vinho, das orgias, da música e da dança,
é o êxtase. O impulso criador Dionisíaco rasga o véu de Maya, estabelecendo o caos, a
qual não se distingue as pessoas, a natureza ou o Uno-primordial, é o aniquilamento da
individuação. A arte trágica se fundamenta na correlação, posição, choque e
sobreposição desses dois impulsos, que se juntam e se separam infinitamente, criando
novas possibilidades para existência cada vez mais vigorosas.
Minha investigação tem como problema central: Por que os Gregos puderam
afirmar a vida como vontade, logo, sofrimento, mediante a arte ática?
A investigação será uma revisão bibliográfica, a qual tem como obra central o
livro “O nascimento da tragédia” para sua análise; autores que estão na base do
pensamento de Nietzsche, tal como Schopehuaer, Schiller e comentadores da obra.
Buscamos remontar a origem da tragédia grega; Correlacionar o pensamento de
Schopenhauer à obra primeira de Nietzsche; Destacar a representação do coro satírico
e o ditirambo dos servidores de Dionísio; Distinguir a visão pessimista de
Schopenhauer do entendimento de uma vida superabundante de força visto por
Nietzsche na arte àtica.

CAPÍTULO I – Nietzsche e Schopenhauer: O mundo como vontade e como


representação
Neste capítulo buscaremos as bases de Nietzsche na filosofia de
Schopenhauer.
O mundo como representação
Neste primeiro tópico abordaremos o mundo como representação, o qual ele
só existe com pela percepção do homem, como ilusão:
“Tudo o que existe, existe para o pensamento, Isto é, o universo inteiro
apenas é objeto em relação ao sujeito, percepção apenas, em relação a
um espírito que percebe, é pura representação” (SCOPENHAUER,
2001, p.9).
.
O mundo como vontade
Aqui, abordarei o diferencial do pensamento de Schopenhauer em relação ao
pensamento Kantiano, pelo qual fundamentou sua filosofia. A essência da vida é a
vontade, que manifesta-se no corpo do ser conhecedor, o homem.

“A consciência e o sentimento do nosso corpo como vontade leva-nos a


reconhecer que toda universalidade dos fenômenos, embora tão
diversos em suas manifestações, tem uma só e idêntica essência:
aquela que conhecemos mais diretamente, mais intimamente e melhor
do que qualquer outra, aquela que, enfúlgida manifestação, toma o nome
de vontade.” (REALE,1991, p.229).

A vontade como sofrimento


Neste tópico caracterizarei a vontade enquanto sofrimento, o que faz da vida dor
e tédio, segundo Schopenhauer. Esse pensamento está fincado nas bases do primeiro
livro de Nietzsche, que guiará a investigação do próprio aos mitos gregos.
“enquanto todo tender nasce de descontentamento com o próprio estado, é, portanto, um
sofrer enquanto não é satisfeito; mas nenhuma satisfação é durável, aliás, nada mais é do
que o ponto de partida de novo tender. O tender se vê sempre impelido, está sempre em luta,
sendo, portanto, sempre um sofrer. Não há nenhum fim último para o tender; portanto,
nenhuma medida e nenhum fim para o sofrer”. (REALE, 2003, p.230)

A vontade em “O nascimento da tragédia”


Aqui destacarei a diferença entre a vontade de Schopenhauer e como ela
aparece no livro do alemão de grande bigode. A vontade em Schopenhauer é
absoluta; A vida é uma manifestação da vontade. Para Nietzsche a vida se apropria
da vontade.
“É interessante notar que assim como em Nietzsche o processo da vida
se apodera da vontade como seu órgão e meio, em Schopenhauer,
pelo contrário, a vontade adquire aquele significado absoluto segundo
o qual a própria vida não é mais que uma de suas manifestações, um
meio de expressar-se a si mesma e de achar seu caminho. Para
Nietzsche, queremos porque vivemos, para Schopenhauer, vivemos
porque queremos” (SIMMEL, G. Schopenhauer y Nietzsche, p.38).

CAPÍTULO II – A origem da tragédia ática

Caracterização da tragédia
Neste tópico buscarei caracterizar os dois estímulos fisiológicos: O que é o
apolíneo? O que é o dionisíaco? e demonstrar, a partir de Nietzsche, a dinâmica dos
dois impulsos.
A metafísica do artista e o Gênio
Nesta parte do trabalho dissertarei sobre a metafísica do artista, a qual o
sofrimento da vida torna-se o sublime, é a redenção através da criação da aparência.
E, por conseguinte, como aparece a figura do gênio nesse processo.

CAPÍTULO III – A música dionisíaca e a afirmação da vontade


A música como a própria manifestação da vontade
Neste tópico falarei sobre a música dionisíaca como os coros satíricos,
diferenciando-a da música apolínea já presente no povo grego. Essa música é a voz
do querer; é força instintiva primordial, que leva ao homem a embriaguez, aniquilando
seu “EU’’.
O coro ditirâmbico como fio condutor à afirmação da vida
O último tópico tratará da experiência universal transformadora, criadora que
fortalece o homem. É quando acontece a ruptura da alma para que caiba “mais mundo”.
É no coro que se encontra o manifesto aos instintos e a afirmação deles:

REFERÊNCIAS:

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Trad.


Jair Barboza. São Paulo: Unesp, 2005
MACHADO, Roberto. Nietzsche e a verdade; São Paulo: Paz e Terra, 1999.DIAS,
Rosa Maria. Nietzsche, vida como obra de arte. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira:
2011
NIETZSCHE, Friedirich. Crepúsculo dos Idolos: ou como filosofar com o martelo.
Trad. Marco Antonio Casa Nova. Rio de Janeiro: Releme dumara, 2000.
NIETZSCHE, Friedirich. Ecce Homo: como cheguei a ser o que sou. Trad. Paulo
César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
NIETZSCHE, Friedirich. O Nascimento da Tragédia. Trad. J. Guinsburg. São Paulo:
Companhia das Letras, 1992. (GT)
REALLE, G.; ANTISERI, D..História da Filosofia: do romantismo até nossos dias. 6
ed. São Paulo: Paulus, 2003. vol. 3