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EXCELENTÍSSIMO JUÍZO DA VARA DO TRABALHO DE CAMPO

GRANDE -MS

JAQUELINE BATISTA DA SILVA, brasileira, solteira, auxiliar de marketing,


portador da cédula de identidade nº. 2098503, inscrito no CPF/MF sob o nº.
061.705.221-27, CT nº.0046982, série 0050, PIS nº. 139.61185.38-6 residente
e domiciliado na Rua khalil Abrão nº 127, Bairro Parati, na cidade de Campo
Grande, Estado de Mato Grosso do Sul, filha de , devidamente
representada vem, respeitosamente, por seus procuradores abaixo firmados,
ajuizar a presente:

Reclamatória Trabalhista em face de

RAFAEL MASSAMI BRUM KOGAWA ME CNPJ nº. 20.654.093/0001-85,


empresa localizada na Euclides da Cunha,nº518, CEP 79020-906, bairro
Jardim dos Estados, Campo Grande, MS, pelos fatos e fundamentos que passa
a expor:

1. DA CONTRATUALIDADE: A reclamante trabalhou para a reclamada como


“Auxiliar de Marketing” de 01/09/2017 a 08/03/2018, quando dispensada sem
justa causa, ocasião em que recebia como salário base o valor de R$4,80 a
hora.
Seu último salário foi de aproximadamente R$740,00.

2.VERBAS RESCISÓRIAS –: Até a presente data a reclamada não efetuou o


pagamento das verbas rescisórias da reclamante,e apesar da demissão ter
ocorrido de fato em 08/03/2018 a reclamada só devolveu a CTPS na data de
07/04/2018 decorrido muito mais que os prazos legais para devolução de
documentos e pagamento das verbas rescisória
Assim, a reclamante é credora de todas as verbas rescisória incluindo o aviso
prévio.

Deverá ser a reclamada condenada, ainda, à retificação da CTPS, para que


conste como data de baixa e extinção do pacto laboral a data correta da
demissão.

3. DA MULTA DO ART. 467 DA CLT: Caso reste incontroverso o


inadimplemento das verbas rescisórias acima mencionadas, e a reclamada não
satisfaça o valor devido por ocasião da audiência inaugural/una, requer, desde
já, a aplicação da multa do art. 467 da CLT, no montante de 50% sobre o valor
total a ser calculado para as verbas rescisórias.

4. DA MULTA DO ART.477 D A CLT: Na extinção do contrato de trabalho, o


empregador deverá proceder à anotação na Carteira de Trabalho e Previdência
Social, comunicar a dispensa aos órgãos competentes e realizar o pagamento
das verbas rescisórias no prazo e na forma estabelecidos neste artigo.
E demais parágrafos citados:
§ 6o A entrega ao empregado de documentos que comprovem a comunicação
da extinção contratual aos órgãos competentes bem como o pagamento dos
valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão ser
efetuados até dez dias contados a partir do término do contrato. (Redação dada
pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa


de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do
empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo
índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der
causa à mora. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989)

5. DO ART.478 DA CLT: A indenização devida pela rescisão de contrato por


prazo indeterminado será de 1 (um) mês de remuneração por ano de serviço
efetivo, ou por ano e fração igual ou superior a 6 (seis) meses.
§ 3º - Se pago por hora, a indenização apurar-se-á na base de 200 (duzentas)
horas por mês.

6. DOS CÁLCULOS:

04/2018 Aviso prévio 740,00


04/2018 Saldo salarial 172,67
04/2018 Multa art. 477 740,00
04/2018 Multa art. 467 86,33
13º Salário
vencidos e 246,67
04/2018
proporcionais

Férias
04/2018 vencidas e 657,78
proporcionais
Multa do art
04/2018 960,00
478
Total 3.603,45
3.603,45

7. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA: O valor total devido da verbas rescisória


deve ser corrigido pela permitido por lei.

8. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS: A reclamante é pessoa pobre, conforme


se depreende da declaração em anexo, de maneira que restam atendidos os
requisitos da Lei 1.060/50. Assim, são devidos os benefícios da AJG e Justiça
Gratuita (esta, a ser explanada pormenorizadamente a seguir) e, ante o
trabalho do advogado, fulcro Súmula nº. 450 do STF, o pagamento de
honorários de assistência judiciária/sucumbência, no percentual de 15% sobre
os valores brutos decorrentes da presente ação.

9. DA JUSTIÇA GRATUITA

Dessa forma, com fulcro no art. 790, § 3º da CLT, tendo em vista que a
reclamante percebia salário inferior a 40% (quarenta por cento) do limite
máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, e que no
momento encontra-se desempregada, merece ser concedido, de plano, o
benefício da Justiça Gratuita, dispensando a mesma do recolhimento de
custas, honorários periciais, honorários advocatícios à parte contrária, em caso
de sucumbência, e emolumentos.

10. DOS DANOS MORAIS

Para que reste caracterizado o dever da reparar, por dano moral ou material,
em decorrência da relação de trabalho, torna-se imprescindível a presença
destes requisitos cumulativos: o denominado ato ilícito (erro de conduta,
contrária a lei, do empregador ou de seu preposto), o dano ao ofendido e o
nexo de causalidade (entre a conduta antijurídica que origina o dano e o
prejuízo suportado pelo operário).

Prosseguindo na análise do caso, cumpre salientar que se encontram


presentes os requisitos da responsabilidade civil, previstos nos
artigos 186 e 927 do Código Civil - CC/02, quais sejam: a culpa, o dano e o
nexo causal. Observe-se:
A culpa é verificada pela falta de pagamento das verbas rescisórias, que é
obrigação da reclamada e, quando descumprida, constitui falta grave do
empregador. O dano, por sua vez, está configurado pelo constrangimento
sofrido pelo Reclamante, diante da impossibilidade do adimplemento de suas
obrigações cotidianas, e ademais o reclamado agendou diversas vezes com a
reclamante e nunca providenciou os pagamentos e ficou com a carteira de
trabalho por prazo superior ao previsto em lei, restando assim, o nexo causal
entre a conduta danosa e o dano,uma vez que durante o período em que reteve
de forma ilegal a CTPS da reclamante está se viu impossibilitada de participar
de processos seletivos que exigissem a apresentação do documento em tela.

É pacífico o entendimento na jurisprudência trabalhista acerca da concessão


de danos morais, devido a atrasos de salários e demais condutas danosas,
conforme a Ementa colacionada a seguir:

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.


INADIMPLEMENTO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS QUANTO AOS
CRÉDITOS DEVIDOS AO EMPREGADO, QUE SE ATIVOU EM FAVOR DA
TOMADORA. CULPA IN VIGILANDO. EXISTÊNCIA.

1. No Estado Democrático de Direito, que tem na garantia jurídica o respeito à


dignidade da pessoa humana um de seus pilares, não pode a Administração
Pública, seja ela direta, seja indireta, sob pena de ofensa aos princípios
constitucionais da moralidade e da legalidade, pretender esquivar-se à
responsabilização pela inobservância dos ditames constitucionais e legais que
garantem ao trabalhador que lhe prestou serviços a satisfação dos seus
direitos, ainda mais por ser princípio fundamental a valorização social do
trabalho (CRFB/88, art. 1º, inc. IV). Nesse sentir, demonstrada nos autos a
culpa in vigilando, consubstanciada na ausência de fiscalização eficaz na
adimplência dos haveres devidos ao laborista, obrigação da tomadora de
serviços, divisam-se preenchidos os requisitos que apontam para a
responsabilidade subsidiária desta.
2. LIMITAÇÃO DA CONDENAÇÃO. MULTA DOS ARTS. 467 E 477, §
8º DA CLT. MULTA DE 40% SOBRE O FGTS. A responsabilidade subsidiária
alcança todas as obrigações pecuniárias não solvidas pelo empregador
(inclusive aquelas que detêm caráter de penalidade), e não apenas aquelas
decorrentes da prestação de serviços, consoante disposição expressa do inciso
VI da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho.
3. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ATRASO REITERADO NO
PAGAMENTO DE SALÁRIOS. A reparação por dano moral decorrente do
contrato de trabalho pressupõe um ato ilícito ou um erro de conduta do
empregador ou de seu preposto, um dano suportado pelo ofendido e um nexo
de causalidade entre o comportamento antijurídico do primeiro e o prejuízo
suportado pelo último. No caso dos autos, ficou comprovada a ausência de
pagamento de salários à obreira por quatro meses (de dezembro de 2012 a
março de 2013). A reiterada impontualidade quanto ao pagamento dos salários
provoca uma enorme instabilidade ao empregado, que deixa de cumprir seus
compromissos, sem falar no próprio sustento e de sua família. Portanto, não há
como afastar a conduta dolosa da empregadora, bem como o dano sofrido pela
laborista e o consequente nexo de causalidade. Registro que a lesão moral,
subjetiva por essência, dispensa a necessidade de provas mais contundentes,
diante de casos como o presente em que a obreira, apesar de ter trabalhado
de modo regular, deixou de receber a principal contraprestação, sua
remuneração.
4. Recurso ordinário conhecido e desprovido.
(RO 01480-2013-014-10-00-7. Data de julgamento 27/05/2015, Relator:
Desembargador Brasilino Santos Ramos)

Ante o exposto, tendo em vista que a Justiça do Trabalho é competente para


processar e julgar pedidos de danos morais e patrimoniais decorrentes das
relações de trabalho (art. 114, VI, CF e súmula 392, TST), requer a
condenação da Reclamada ao pagamento de indenização por danos morais no
valor de R$ 2.000,00 (Dois mil reais).

11. DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto, requer:

1. Que seja deferido o benefício da assistência judiciária gratuita, devido a difícil


situação econômica do Reclamante, que não possui condições de custear o
processo, sem prejuízo próprio.

2 O pagamento das seguintes verbas rescisórias:

Saldo de salário – ...

- aviso prévio indenizado...

- 13º salário sobre aviso...

- férias salário sobre aviso...

- 1/3 de férias sobre aviso...

- multa de 40% do FGTS...

- multa do artigo 477...

multa do artigo 467

... multa do artigo 478..

3. A condenação da reclamada no valor de R$ 2.000,00 (três mil reais) a título


de danos morais.
4. Condenação do reclamado no pagamento de honorários advocatícios no
valor de 20%.

12. REQUERIMENTOS FINAIS

Diante do exposto, requer: a) notificação da reclamada para oferecer resposta


à reclamatória Trabalhista, sob pena de revelia e confissão quanto à matéria
de fato, e; b) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em
especial a prova documental, o depoimento pessoal e a oitiva de testemunhas.
Por fim, a procedência dos pedidos com a condenação da reclamada ao
pagamento das verbas pleiteadas, acrescidas de juros e correção monetária.

Atribui-se a causa o valor de R$5.603,45(cinco mil seiscentos e três reais e


quarenta cinco reais)

Nestes termos,

Pede deferimento.

CAMPO GRANDE 04 DE SETEMBRO DE 2018

advogado
OAB