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INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR - FANORTE

Zilmar de Oliveira Abreu

FARMACOTÉCNICA
PRINCIPAIS INCOMPATIBILIDADES DE ORDEM FÍSICA E QUIMICA EM
FARMACOTÉCNICA

CACOAL
2018
ZILMAR DE OLIVEIRA ABREU

FARMACOTÉCNICA
PRINCIPAIS INCOMPATIBILIDADES DE ORDEM FÍSICA E QUIMICA EM
FARMACOTÉCNICA

Trabalho apresentado para fins avaliativo na


disciplina de Farmacocinética no 6º período
do curso de Farmácia ministrado pelo Prof.
Ms. Maximiliano Faria Brito.

Cacoal - RO
2018
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO........................................................................................................................................................1

2. PRINCIPAIS INCOMPATIBILIDADES DE ORDEM QUIMICA.......................................................................1

3. PRINCIPAIS INCOMPATIBILIDADES DE ORDEM FÍSICA...........................................................................8

CONCLUSÃO............................................................................................................................................................10

REFERENCIAL TEORICO........................................................................................................................... 11
1- INTRODUÇÃO

A farmacotécnica é um ramo da farmácia, praticada por profissionais


farmacêuticos, e tem como objeto a manipulação dos princípios ativos para a fabricação de
medicamentos. Nesta área estuda-se o desenvolvimento de novos produtos e sua relação com o
meio biológico, técnicas de manipulação, doses, as formas farmacêuticas, as interações físicas e
químicas entre os princípios ativos e entre os princípios ativos e os excipientes e veiculos. Com o
aparecimento de novos fármacos, cada vez mais potentes, obriga a cuidados particulares no que
diz respeito às incompatibilidades físicas, químicas e biológicas a que podem dar origem
à incompatibilidade ou interações potencialmente perigosas ou ate mesmo fatal. Partindo nesse
contexto, o referido trabalho destaca nas paginas a seguirem, uma analogia descritiva dessas
incompatibilidades

2 – PRINCIPAIS INCOMPATIBILIDADES DE ORDEM QUIMICA

A incompatibilidade de ordem química é um assunto complexo, sobretudo na


farmácia hospitalar e na magistral, onde se trabalha com inúmeras substâncias e se manipula
com maior freqüência suas associações em uma formulação. As incompatibilidades
compreendem os efeitos recíprocos entre dois ou mais componentes de uma preparação
farmacêutica, com propriedades antagônicas entre si, que frustram ou colocam em dúvida a
finalidade para qual foi concebido o medicamento. As incompatibilidades podem prejudicar a
atividade, impedir a dosificação exata do medicamento e influir no aspecto da formulação,
tornando inaceitável até mesmo do ponto de vista estético.
Segundo VOIGT (1982) as incompatibilidades compreendem os efeitos
recíprocos entre dois ou mais componentes de uma preparação farmacêutica, com propriedades
antagônicasentre si, que frustram ou colocam em dúvida a finalidade para qual o
medicamento foi concebido. As incompatibilidades podem prejudicar a atividade, impedir a
dosagem exata do medicamento e influir no aspecto de sua formulação, tornando-o inaceitável
até mesmo do ponto de vista estético. Deve-se pensar em incompatibilidades no sentido amplo
da formulação. Elas podem se desenvolver entre os componentes presentes na formulação,
incluindo os materiais de envase que ficam em contato direto com o medicamento.
As interações que conduzem a incompatibilidades produzem-se entre: Princípios ativos entre si;
Princípios ativos e excipientes da formulação; Coadjuvantes entre si; Princípios
ativos/excipientes com os materiais de embalagem. Contaminantes das substância utilizadas com
os princípios ativos/excipientes.
Quando pensamos em incompatibilidades em farmácia, devemos pensar no
sentido amplo da formulação. As incompatibilidades podem se desenvolver entre as
substâncias ativas, entre as substâncias coadjuvantes (excipientes) da formulação, entre as
bases ativas e as coadjuvantes, ou entre uma ou outra e o material da embalagem ou
impurezas.
Segundo a sua origem e manifestação, podem ser classificadas em:
Incompatibilidades físicas e ou incompatibilidades químicas. Devido à extensão do assunto, é
interessante nos determos às incompatibilidades químicas de importância e de interesse aos
farmacêuticos manipuladores.
As incompatibilidades químicas caracterizam-se pela transformação parcial ou
total das substâncias associadas, formando compostos secundários, com novas propriedades
químicas e consequentemente novas propriedades farmacodinâmicas. Das classes de
incompatibilidades, essa é a que merece maior atenção, não só por ser a mais frequente, como
também pelos grandes prejuízos que pode acarretar à reputação do médico, ao farmacêutico
que prepara o medicamento e, acima de tudo, às condições do paciente. A associação de
substâncias quimicamente incompatíveis pode causar acidentes (ex. explosões, vapores
tóxicos), formar produtos tóxicos ou acarretar a inativação total ou perda parcial da atividade
farmacológica.
As incompatibilidades químicas podem levar à formação de compostos muito
pouco solúveis; precipitação de ácidos e bases fracas, pouco solúveis, devido à alteração do
valor do pH - as precipitações condicionadas pelo pH se originam principalmente pela adição
de sais de reação ácida ou básica a soluções medicamentosas. Para predizer e compreender as
reações de incompatibilidades, é requerido o conhecimento das condições de pH compatíveis
com os componentes da formulação. Precipitação devido à adição do mesmo íon já presente
na formulação - em preparações que se apresentam como solução saturada ou quase-saturada,
pode produzir-se precipitação pela adição de sais que contenham um íon comum da
formulação, o que diminui a solubilidade do sal. Ex. manipulação de soluções que contenham
cloridratos e que devam ser isotonizadas com cloreto de sódio (efeito do íon comum).
Precipitação devido à formação de sais muito pouco solúveis - reação iônica entre os
componentes de uma formulação que provoca a formação de um sal insolúvel ou
semissolúvel. Por diminuição da solubilidade do produto resultante, ocorre uma precipitação
ou uma turbidez. Frequentemente, a aparição de um precipitado é imputada a uma reação
química. Exemplos: Formação de sais alcaloídicos muito pouco solúveis: os alcaloides são
normalmente utilizados na forma de cloridratos ou nitratos. A adição de íons de halogênio (ex.
íons de iodo ou bromo) levam à precipitação, pois há formação de compostos correspondentes
dificilmente solúveis (ex. ioditratos e bromidratos alcaloídicos).
Salicilatos, acetatos, benzoatos, tanatos (taninos), citratos também levam à
formação de sais alcaloídicos dificilmente solúveis;
Formação de sais muito pouco solúveis de bases sintéticas nitrogenadas,
especialmente misturas de amônia quaternária. Ex. Cloreto de benzalcônio, cloreto de
cetilpiridíneo com nitratos, salicilatos e iodetos formando precipitados. Os sais de benzalcônio
são incompatíveis com a fluoresceína sódica utilizada no preparo de colírios para diagnóstico
com sais de benzilpenicilina e com o lauril-sulfato de sódio;
Formação de compostos muito pouco solúveis com tensoativos aniônicos do tipo
lauril sulfato de sódio: este, tal como outros tensoativos aniônicos, é incompatível e forma
precipitado insolúveis com substâncias catiônicas, tais como cloridrato de efedrina, fosfato de
codeína, cloridrato de procaína, cloridrato de tetracaína e com íons cálcio, bário e de metais
pesados.
Reações de Oxidação. O número de fármacos sensíveis à oxidação ou à redução é
extenso. As reações de oxidação são prejudiciais e causam problemas de estabilidade ao
medicamento. Quimicamente, a oxidação envolve a perda de elétrons de um átomo ou de uma
molécula. . Assim, o processo oxidativo se dá em cascata.
Classe dos fármacos suscetíveis à oxidação: Catecolaminas: ex. epinefrina.
Substâncias fenólicas: ex. fenilefrina, morfina. Fenotiazínicos: ex. clorpromazina,
prometazina. Esteroides. Oleofinas (alcenos): compostos alifáticos com duplas ligações.
Tricíclicos: ex. amitriptilina, nortiptilina, maprotilina.
Redução se trata de uma espécie química (átomo ou molécula) é reduzida quando
recebe elétrons, tem importância relativamente menor como fenômenos que originam
incompatibilidades. Ex.: formação de prata e mercúrio elementar a partir dos sais
correspondentes em presença de agentes redutores inorgânicos.
A hidrólise é um processo de solvólise (lise pela solvatação), no qual a molécula-
droga interage com moléculas de água, decompondo a molécula. Ex.: o ácido acetilsalicílico
combina-se com uma molécula de água e se hidrolisa em uma molécula de ácido salicílico e
uma molécula de ácido acético. Classes de fármacos suscetíveis à hidrólise: Ésteres R-CO-O-
R (ex. anestésicos locais, tais como a procaína e a tetracaína, ácido acetilsalicílico, alcaloides
da beladona, substâncias com sistemas de anéis do tipo das lactonas); Amidas R-CO-NH2 e,
especialmente, amidas com anéis do tipo lactâmico (ex. penicilina);
Complexação corresponde a moléculas de um composto ativo podem interagir
reversivelmente com excipientes para formar complexos que apresentam propriedades físico-
químicas diferentes do composto de origem. A tetraciclina é um exemplo clássico de fármaco
que é inativado por complexação.
Essa reação ocorre com íons multivalentes, tais como os de cálcio, magnésio,
ferro e alumínio. A tetraciclina não deve ser misturada com outras substâncias que contenham
alguns desses íons multivalentes.
Em geral, devido à pequena velocidade desta reação, os produtos da
incompatibilidade só são detectáveis analiticamente após certo tempo de armazenamento.
Ex.: Formação de acetato de prednisolona a partir de prednisolona base na
presença do ácido acetilsalicílico. Produção de um flicosídeo de procaína (sem atividade
anestésica) em soluções de cloridrato de procaína que contenham glicose.
Os bissulfitos, amplamente utilizados como antioxidantes, dão lugar a reações de
substituição de menor valor. Originam-se produtos finais sulfonados de escassa atividade
fisiológica. Ex.: A adrenalina reage com os íons sulfito originados a partir do bissulfito,
perdendo grande parte da sua atividade farmacológica.
Outras Interações Químicas importantes é a liberação de dióxido de carbono
(CO2) oriunda das reações devido à mistura de bicarbonatos ou carbonatos com ácidos ou
substâncias fortemente ácidas, podendo até causar explosões.
Composições com ácido acetilsalicílico associado à fenilefrina: o ácido acético
formado pela hidrólise do ácido acetilsalicílico pode interagir com a fenilefrina formando um
composto acetilado; a transacetilação também pode ocorrer entre o ácido acetilsalicílico e o
paracetamol.
Uma incompatibilidade comum, que pode ser exacerbada após o aquecimento a
altas temperaturas de formas sólidas, é a Reação de Maillard. Ocorre entre grupos aldeídicos
da glicose (ou outros açúcares reduzidos) e aminas primárias e secundárias (ex. aminoácidos,
fluoxetina) formando produtos de tons marrons. As principais incompatibilidades são devidas
à formação de misturas eutéticas ou de misturas coradas. Os compostos voláteis serão
absorvidos em drogas inertes e os líquidos que dissolvem a gelatina deverão ser concentrados
à secura e resíduo obtido disperso num óleo, que se acondicionara nos respectivos
receptáculos (PRISTA, 2002)
Incompatibilidades químicas entre fármacos e alguns excipientes. A estabilidade
química de um fármaco pode ser reduzida caso o mesmo seja incorporado em um excipiente
inadequado ou que contenha coadjuvantes farmacotécnicos compatíveis.

3. - PRINCIPAIS INCOMPATIBILIDADES DE ORDEM FÍSICA

A incompatibilidade física caracterizam-se pela nao uniformidade das


formulações , por serem desagradáveis ao paladar e pelo risco potencial de dosificações não
uniformes. A estabilidade de produtos farmacêuticos depende de fatores ambientais como
temperatura, umidade e luz; e de outros fatores como propriedades físicas e químicas de
substâncias ativas e excipientes farmacêuticos, forma farmacêutica e sua composição,
processo de fabricação, tipo e propriedade dos materiais de embalagem (SOUZA, 2009).
As incompatibilidades podem se desenvolver entre as substâncias ativas, entre as
substâncias coadjuvantes (excipientes) da formulação, entre as bases ativas e as
coadjuvantes, ou entre uma ou outra e o material da embalagem ou impurezas (FERREIRA,
1999). Os fármacos raramente são administrados isoladamente. Normalmente são
veiculados nos excipientes que constituem a forma farmacêutica. Esta pode conter mais de
um fármaco associado. Assim, os fármacos podem reagir entre si ou com um ou mais
excipientes do medicamento, comprometendo a estabilidade do produto (LEITE, 2005). As
consequências que podem ser geradas devido à incompatibilidade são as reações que podem
ocorrer entre fármacos, fármacos e excipientes ou entre fármacos e material de embalagem.
Essas reações levam à degradação do fármaco (LEITE, 2005).
Incompatibilidades físicas Caracterizam-se pela não-uniformidade das
formulações, por serem desagradáveis ao paladar e pelo risco potencial de dosificações não
uniformes.
As incompatibilidades físicas ou farmacêuticas podem ser classificadas nos
seguintes tipos: Solução incompleta: a mistura não resulta em um produto
homogêneo,devido à imiscibilidade ou insolubilidade. Ex. muitas gomas são insolúveis em
álcool; resinas são insolúveis em água; muitos tipos de silicones são imiscíveis com água.
Precipitação: ocorre quando uma substância precipita deuma solução quando
outro solvente no qual ela é insolúvel é adicionado a esta solução. substâncias
mucilaginaosas e albuminosas em soluções aquosas se precipitam quando se adiciona
álcool. Soluções coloidais podem precipitar pela adição de eletrólitos e adição de água ou
solução aquosa em uma solução alcoólica de ácido salicílico pode provocar a precipitação
do mesmo.
CONCLUSÃO

O Profissional Farmacêutico utiliza as incompatibilidades físicas e químicas para


realizar analisem dos medicamentos verificando-se assim a sua eficácia e seu efeito
terapêutico. É importante utilizar corretamente os excipientes, disponíveis para manipular
cada receita, pois determinados excipientes podem ser farmacologicamente incompatíveis
com certos princípios ativos. Deve-se atentar ao tipo, quantidade e qualidade da substância
inerte a ser utilizada no procedimento. Estudos constataram que Princípios Ativos idênticos
têm velocidade de dissolução variável quando manipulados diferentemente, dependendo do
excipiente e/ou concentrações envolvidas. Em certos casos, diversas formulações de cápsulas
ocasionaram uma diferença na biodisponibilidade, que pode diminuir ou até mesmo, inibir o
efeito farmacológico das drogas. Por isso, é necessário estabelecer critério sobre a utilização
de excipientes. Ja a RDC 67/2007 diz a respeito da responsabilidade do profissional
farmacêutico, 5.18.2. - Quando a dose ou posologia dos produtos prescritos ultrapassar os
limites farmacológicos ou a prescrição apresentar incompatibilidade ou interações
potencialmente perigosas, o farmacêutico deve solicitar confirmação expressa do profissional
prescritor. Na ausência ou negativa de confirmação, a farmácia não pode aviar e/ou
dispensar o produto.
REFERENCIAL TEORICO

CHARPENTIER, B. et al. Conceitos Básicos para a Prática Farmacêutica. São Paulo: editora Andrei, 2002. Pag.
796

Ensaios Farmacologico. Disponível em: https://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Farm


%C3%A1cia/52194803.html. Acesso em: 13/10/2018

FERREIRA, A. O; ADAMI, A.M; Incompatibilidades químicas na Farmácia Magistral. Rev.: RACINE. 1999.

Incompatibilidade Quimica. Disponóvel em:


https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/farmacia/incompatibilidades-quimicas/223. Acesso em:
13/10/2018

LEITE, E. G. Estabilidade: importante parâmetro para avaliar a qualidade, segurança e eficácia de fármacos e
medicamentos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005, 199 p

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC Nº 67/2007. Disponível em:


http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/IN_10_2016_.pdf/5c6384cd-4743-4a96-a4c7-
5ef5626c0a80. Acesso em 13/10/2018.

PRISTA, L. V. N.; ALVES, A. C.; MORGADO.R; LOBO. J.S. Técnologia Farmacêutica. 6. ed.v.1. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian, 2003

SOUZA, K.J.; ALÉSSIO, P.V.; GOMES, A.J.P.S, Revista Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, Araraquara,
v.30, nº 3, 2009, p.257- 261.