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INCLUSÃO E O ENSINO DA ARTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Cristiane Ertel1

Aurora Terezinha Döering Brustolin 2

Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó

Resumo: Atualmente há muitas discussões em torno da inclusão escolar, a partir disso, este trabalho
buscou descobrir como a arte poderia contribuir com a inclusão de pessoas com deficiência na
comunidade escolar. Para se adequar à proposta de inclusão, é preciso preparar e transformar a
realidade escolar para entender e aceitar as diferenças. Nesse sentido procurou-se desenvolver uma
pesquisa e prática docente voltada à inclusão de portadores de deficiência na comunidade escolar,
utilizando a arte como mediadora/contribuidora desse processo, visando a diminuição do preconceito
através do ensino da arte, socializar artistas portadores de deficiência, e proporcionar o conhecimento
de objetos de artes realizados por artistas com deficiência realizando atividades artísticas com os
alunos do ensino de Educação Infantil, durante o estágio supervisionado em Artes Visuais.
Procurando valorizar a inserção de pessoas com deficiência na sociedade escolar e embasada por
uma prévia pesquisa teórica, entre as atividades propostas na docência primeiramente foi trabalhado
com as crianças os diferentes tipos de deficiência (visual, física, auditiva e mental), auxiliando sua
compreensão sobre o assunto. Também foram mostrados vídeos de artistas com deficiência da
Associação de pintores com a boca e os pés. Através do vídeo sobre a vida do artista Daniel Rodrigo
Ferreira da Silva, sua situação e maneira com a qual realiza suas obras de arte, os alunos
compreenderam o sentido da inclusão na escola e na sociedade. Realizando atividades de pintura
utilizando os pés para pintar sobre papel, souberam dar importância às obras, valorizando o artista e
entendendo a real situação das pessoas com deficiência, que com sua vida servem de exemplo e
lição para os demais na comunidade. O ensino da Arte foi utilizado como instrumento fundamental no
processo, gerando conhecimento na área de Artes, da educação e na relação social.
Palavras-Chave: Inclusão. Ensino da Arte. Educação.

1.Introdução:

Partindo das inúmeras discussões em torno da inclusão escolar que


acontece atualmente, este trabalho de pesquisa e prática docente no ensino infantil
procurou descobrir como a arte poderia contribuir com a inclusão de pessoas com
deficiência na comunidade escolar, através da docência em escolas, durante o
estágio supervisionado em Artes Visuais.
É uma pesquisa ainda em andamento que será complementada com
docência no Ensino Fundamental e Médio, no decorrer do ano de 2011, porém aqui,

1
Cristiane Ertel- Acadêmica de Artes Visuais Licenciatura. crisertel@unochapeco.edu.br
2
Aurora Terezinha Döering Brustolin- Orientadora. Mestre em Educação: Docência no Ensino Superior,
professora da Unochapecó. doering@unochapeco.edu.br
expõe-se uma parte dela já aplicada e que pode contribuir com o tema Inclusão e o
Ensino da Arte.
Entende-se que a inclusão pode ser considerada como uma mudança de
hábitos e reações no modo de pensar e agir perante a sociedade. Para iniciar esse
processo de mudança é preciso preparar e transformar a realidade escolar, para
então trabalhar com os alunos as diferenças, a fim de tornar a sociedade mais
solidária e compreensiva com o seu próximo.
A proposta da inclusão é garantir as oportunidades ao aluno com deficiência
a ter direito de freqüentar a escola como qualquer outro aluno. Esse direito, hoje
assegurado por lei, proporciona a integração de todos em qualquer lugar, público ou
privado. As escolas, junto com professores, estão procurando se adequar à inclusão
na escola.
Não basta incluir um portador em meio a crianças que não apresentam
deficiência. Inserir o aluno portador em um ambiente de ensino, não basta para ele
sentir-se incluso a esse ambiente, é preciso acreditar nele, na sua competência e
oferecer-lhe oportunidades para que se sinta bem e útil no meio em que está
inserido.
Baseado em reflexões sobre o assunto, surgiu o interesse em desenvolver
uma pesquisa e prática docente voltada à inclusão de pessoas com deficiência na
comunidade escolar, utilizando a arte como mediadora/contribuidora desse
processo. Ao levar a questão à escola através da arte, procura-se mostrar ao aluno
a importância de uma convivência com portadores de deficiência, sem preconceitos
e diferenças.
No ensino de artes, o professor procura adequar a situação do aluno,
buscando atender suas necessidades de aprendizagem. Através da arte a criança
desenvolve suas habilidades motoras e psicológicas, auxiliando na compreensão do
seu eu em relação ao mundo ao seu redor.
Durante o estágio no Ensino Infantil, com alunos da escola regular, foram
trabalhados conteúdo sobre os tipos de deficiência, mostrado vídeos de artistas
com deficiência da Associação de pintores com a boca e os pés, procurando
valorizar a inserção de pessoas com deficiência na sociedade escolar, assim como
fazer com que essa inserção seja aceita de maneira natural entre os estudantes.
Essa pesquisa e docência visaram contribuir para a diminuição do
preconceito, socializar artistas com deficiência na sociedade proporcionando o
conhecimento sobre a vida e os objetos de artes realizados por eles e propor a
realização de atividades artísticas que possam ser utilizadas na escola.
O ensino da Arte foi o instrumento fundamental do trabalho, gerando
conhecimento na área de Artes, da educação e na relação social, para valorizar e
conscientizar a comunidade escolar sobre a importância da inclusão, tanto para o
próprio portador quanto para as demais pessoas que vivem e dividem o mesmo
espaço físico.

2. Materiais e métodos

Um portador de deficiência nos ensina a cada dia a verdadeira arte de viver.


A deficiência na primeira metade do século XX passou a ser estudada e
subdividida em categorias, tais quais os transtornos apresentados nas pessoas com
deficiência. As possibilidades de escolarização nessas crianças não eram
cogitadas, e crianças com deficiência não freqüentaria a escola regular.
Sentia-se a necessidade de saber e diagnosticar essas crianças sobre sua
situação e chegar a um aprofundamento de como agir com os mesmos. Com testes
de inteligência sobre essas crianças, chegariam a um resultado correto, e assim
encaminhar o aluno ao seu aprendizado escolar, sendo ele no ensino regular ou no
ensino especial, com escolas próprias a atender as necessidades de seus alunos,
com professores adequados e estrutura adequada.
Também foi estudado o desenvolvimento da criança especial, as influências
sociais, culturais e a necessidade de estímulos sobre a criança durante seu
processo de desenvolvimento, ou seja, de seu nascimento à fase adulta.
Nos últimos 20 anos, a educação passou por vários processos, se
estabeleceu em incluir crianças especiais em escolas regulares garantindo seu
direito de cidadão e de receber uma educação que lhe era de direito, que atendesse
suas necessidades respeitando suas potencialidades de ensino.

Para que o deficiente alcance a integração social é preciso que sejam


cumpridos os princípios da igualdade, que envolve o trabalho, a cidadania,
a dignidade da pessoa humana, o bem estar e a justiça social. Sendo
assim é dever do Estado e, acima de tudo, da sociedade civil promover
medidas práticas que rompam com velhos conceitos que geram
discriminação e exclusão social para o fim de permitir ao deficiente o seu
legítimo direito de ser integrado no meio social (REIS, 2009, p.9).

Com o tempo a educação especial sofreu transformações e ainda no século


XX, iniciou-se a inclusão de crianças especiais nas escolas regulares. Com isso, a
escola regular teve grande responsabilidade sobre a educação e integração do
aluno especial no meio educacional.
As escolas regulares estavam diante de uma nova realidade e com novas
oportunidades e responsabilidades com seus alunos, com objetivos de uma
educação de qualidade para todos os alunos independente de suas necessidades,
ou seja, uma escola inclusiva.
Cada criança apresenta uma forma diferenciada de assimilar a proposta do
professor. Mesmo que a criança seja da mesma faixa etária e apresente o mesmo
tipo de deficiência, sua forma de compreensão é diferenciada dos outros e sua
integração no grupo merece atenção especial.

A integração não deve ser entendida como um movimento que procura


unicamente incorporar os alunos das escolas especiais à escola regular...A
integração não é simplesmente a transferência da educação especial às
escolas de ensino comum, mas seu objetivo principal é a educação dos
alunos com necessidades educativas especiais. (MARCHESI, 2004, p. 23)

Incluir um aluno, não remete somente em tirar o aluno da escola especial e


inserí-lo na escola regular, mas sim poder atender as necessidades de todos os
alunos, não esquecendo aquele que sempre freqüentou a escola regular, mas que
apresenta dificuldades de aprendizagem e que também precisa ser inserido na
sociedade.
A escola pode fazer a “ponte” entre um aluno incluso e a sociedade, ela é um
suporte importante para a modernização do pensamento e sentimentos das
pessoas. Para que a inclusão escolar se torne real é necessário antes de tudo que
a escola se adapte as condições necessárias para poder receber um portador de
necessidades especiais, e que o professor que irá receber os alunos de ensino
regular e o com deficiência esteja á frente, preparado e adequado para transmitir
conhecimentos, informações e oportunidades a ambos.
O papel do professor é fundamental no processo de aprendizagem da
criança especial e a partir do momento que a escola assume o compromisso de se
tornar inclusiva, ela precisa estar ciente que é necessário adequar seu currículo,
sua estrutura e método de ensino, para poder atender as reais necessidades de
cada portador.
O professor precisa receber uma qualificação e acima de tudo estar disposto
a educar crianças com necessidades especiais em uma escola regular. Deve estar
preparado para a diversidade, para então alcançar seus objetivos de ensino.
Existem professores que preferem fechar seus olhos e se manter distante da
inclusão. Mas há também, professores que estão dispostos a enfrentar e aceitar um
aluno incluso e ir em busca de conhecimentos e adaptações para portadores de
necessidades nas escolas, em um esforço que mostra seu bom desempenho e
preparação para educar qual for a criança e sua situação ao chegar na escola.

O grupo de professores que se adapta ás exigências da escola inclusiva


identifica os bons professores dentro das instituições, porque, no cotidiano
de sua prática educativa, consegue sustentar o seu trabalho com qualquer
aluno e em qualquer ambiente escolar. ( SANT’ANNA, 2001, p.52).

O aluno especial ao entrar em contato com a escola ele passa a fazer parte
de toda a equipe educacional. O professor por si só não faz uma escola progredir,
mas sim o conjunto de profissionais que fazem parte da instituição. Assim o ensino
de um aluno especial não é responsabilidade somente de seu professor, mas sim,
do grupo familiar o qual é a estrutura fundamental do aluno, do grupo de
professores e equipe geral da escola assim como os demais alunos que fazem
parte da vivência desse aluno na escola.
No entanto, construir uma sociedade inclusiva é pensar na construção de
uma sociedade com democracia, em direitos e deveres. Um desafio de viver e
compreender o próximo, respeitando e aceitando as diferenças existentes em um
meio social, onde vivem pessoas com diferenças de vida, estilos, culturas e idéias.
A inclusão de crianças especiais na sociedade e nas escolas principalmente
mostra o quanto é importante para o processo aprendizagem de conhecimentos de
uma criança, em seu processo de desenvolvimento. O portador ao ser incluído está
vivenciando e aprendendo, tornando-se uma pessoa em processo de transformação
de aprendizagem em seu próprio cotidiano.
O convívio escolar traz muitos benefícios para uma criança em sua fase de
desenvolvimento, é essencial em sua aprendizagem e o professor tem papel
importante, seja qual for sua área de atuação.
A área de Arte Visuais tem uma função importante na educação de uma
criança seja ela portadora de deficiência ou não e auxilia na integração do individuo
na sociedade, assim como no inicio da civilização, onde já tinha sua importância
registrada desde as cavernas, sendo pesquisada e discutida até os dias atuais.
A Arte faz parte da vida humana desde que o homem começou a lutar pela
sua sobrevivência, ainda na pré- história. As primeiras manifestações de Arte
surgiram nas pinturas em cavernas, com representações de animais, onde o
homem acreditava que ao pintar o animal, sua alma era apreendida e assim séria
fácil capturá-lo.
Os homens pré-históricos eram nômades e no período Paleolítico
acreditavam que as pinturas em interiores de cavernas representavam um ritual.
Com o passar do tempo o homem pré-histórico passou do período Paleolítico para o
período Neolítico, se tornando sedentário, ou seja, fixando-se em um mesmo local
por mais tempo, vivendo em comunidades.
Com seu desenvolvimento, o homem foi descobrindo e buscando novas
formas de expressar-se. Atendendo suas necessidades, o homem pré-histórico
descobre a escultura, a dança, a música e a arquitetura. Todos os passos da
transformação do homem, na busca pela sua existência e sobrevivência ficaram
registrados pelas suas manifestações de arte em interiores de cavernas, nas
paredes, nas esculturas e arquiteturas. A tinta e os pinceis utilizados na pré-história
foram extraídos da natureza como o carvão, o sangue de boi, a gordura dos
animais, pedras e pêlos dos animais entre outros.
Para representar, construir ou reproduzir, o homem necessita de capacidade
de memorização, criatividade e iniciativa própria. A Arte é uma linguagem, pode ser
lida, expressada e interpretada. Através da Arte o homem se relaciona com seu eu
e com o mundo ao seu redor, possui a capacidade de perceber, identificar, analisar
e realizar. São potencialidades do ser humano desde a pré-história e que no
homem moderno estão mais ativas, devido às transformações e necessidades que
ocorreram na vida e no universo.

A Arte, enquanto linguagem, interpretação e representação do mundo, é


parte deste movimento. Enquanto forma privilegiada dos processos de
representação humana, é instrumento essencial para o desenvolvimento da
consciência, pois propicia ao homem contato consigo mesmo e com o
universo. Por isso, a Arte é uma forma de o homem entender o contexto ao
seu redor e relacionar-se com ele (BUORO, 1996, p.20).

Na educação a Arte tem uma função importante para a formação de um


individuo. Através dela o ser se torna mais criativo, crítico e perceptivo, podendo
transformar a sociedade em que vive. No ensino de uma criança a Arte está ligada
à sua alfabetização e na aproximação do seu eu com a sua interação na sociedade.
A Arte oferece ao aluno um contato mais próximo com suas vontades, atitudes e
vivencias. O aluno se torna mais expressivo e comunicativo.

Ao expressar-se por meio da Arte o aluno manifesta seus desejos,


expressa seus sentimentos, expõe enfim sua personalidade. Livre de
julgamentos, seu subconsciente encontra espaço para se conhecer,
relacionar, crescer dentro de um contexto que o antecede e norteia sua
conduta (BUORO, 1996, p. 33).

Através da representação de arte, o aluno mostra seu eu, interno e externo


em seus estudos. Esses podem ser de forma afetiva onde expõe os sentimentos, ou
de observação que o aluno tem contato em seu dia a dia, assim como podemos
observar a interação dos dois. O mundo interno com desejos, sentimentos e
emoções, e o mundo externo com vivencias e contatos do dia a dia. Com o ensino
de Artes na escola, passamos a ter um contato mais próximo com os alunos,
podendo compreender um pouco de seus desejos, vontades, angústias e medos.

O aluno ao chegar à escola, leva consigo uma história, e com ela um


conhecimento que adquiriu com experiências familiares. A criança aprende rápido e
aprende observando. Suas primeiras manifestações de comunicação visual são
através dos desenhos até chegar à escrita. A criança em sua fase de
desenvolvimento tem uma semelhança com o homem da pré-história, que passa
por um processo de transformações de representação e expressão até chegar a
sua alfabetização escolar.

O educador tem a importante função de desenvolver na criança suas


potencialidades e assim passar a conhecê-la. O professor deve instigar na criança a
vontade de pensar e de fazer, explorar sua criatividade de ver e reproduzir. O
desenho é considerado uma linguagem, através dele o aluno da pré-escola expõe
seus sentimentos e conhecimentos. As atividades de Artes proporcionam ao aluno
habilidades como a estimulação e coordenação motora, além de ser uma terapia
para a criança.
Assim também acontece na educação especial, onde as atividades
artísticas fizeram parte da história das escolas especiais, APAE. A primeira APAE,
criada em 1954 no Rio de Janeiro, possuía na grade escolar da instituição as aulas
de Artes, com dança, artes plásticas e cênicas.
Na década de 70 essas atividades tiveram um enfoque maior e assim
professores perceberam a importância da disciplina de Artes no desenvolvimento
dos alunos especiais. Mas mesmo assim, as atividades estavam mais relacionadas
com trabalhos psicopedagógicos, do que com atividade capaz de exercer sobre o
aluno a construção de conhecimentos e formas de linguagem.
Na década de 80, portadores de deficiência com habilidades artísticas
tomaram conta dos palcos e exposições, tornando-se conhecidos e respeitados. Em
1995, foi realizado o primeiro Festival Nossa Arte. Neste festival são realizadas
exposições de trabalhos de artes plásticas, cênicas, dança e música.
Os trabalhos artísticos realizados com alunos especiais são de suma
importância para sua formação pessoal, é através deles que desenvolvemos suas
potencialidades, a fim de prepará-los para um convívio social. Os alunos com
deficiência são estimulados e além das aulas de artes freqüentam as terapias
ocupacionais desenvolvidas por profissionais preparados para trabalhar com elas.
No ensino de artes na educação especial, os trabalhos a serem realizados,
devem ser de forma construtiva, e de direito a todos os alunos. O professor é
responsável em estimular a criança e atender suas necessidades. O trabalho deve
ser em conjunto, com demais profissionais da escola, pois o professor de artes por
si só não atinge os objetivos, e as aulas em parcerias com outras disciplinas sempre
serão mais válidas para o processo aprendizagem do aluno.
Cabe aqui ressaltar também um processo terapêutico de realizar atividades
a fim de facilitar a aprendizagem do aluno especial, que é a Arte terapia. Através da
arte terapia realizada com pessoas com deficiência, são estimuladas as expressões
a percepção e a memória, os movimentos corporais e os sentidos da pessoa.
A Arte terapia proporciona ao aluno uma reeducação do individuo. Estimula
no aluno a comunicação, a relação consigo e demais pessoas, a facilidade de
percepção, memorização, aprendizagem de organização, compreensão, expressão
de sentimentos, a criatividade e imaginação.
A inclusão traz para o aluno muitos benefícios, é na escola que conhecem
outras crianças, outras culturas e outras vivências. A socialização de uma criança
especial é de suma importância para seu crescimento como pessoa na sociedade.
Na escola, a disciplina de artes é fundamental para sua aprendizagem. Através da
arte o professor trabalha com a criança os cinco sentidos de uma criança.
A arte terapia pode ser trabalhada através de diversas técnicas, tais como a
pintura, o recorte e a modelagem entre outras, assim quanto mais materiais serem
utilizados melhor será o resultado do processo proposto.
A arte terapia conta com um terapeuta ocupacional, que trabalha na escola
que possui crianças especiais, auxiliando esses alunos a interagir com a escola e
colegas. Seu trabalho compreende a desenvolver atividades individuais e ou em
grupos dependendo das necessidades dos seus alunos. Essas atividades
demonstram ao aluno a relação de sua vida com o seu cotidiano, orientando-os em
suas atividades diárias.
A criança especial com o ensino da arte passa a se conhecer, compreender e
superar suas dificuldades da vida em seu cotidiano. Quando a criança especial
expõe seus medos, sentimentos, emoções e sonhos começa a construir uma nova
história, ou seja, de forma terapêutica se trabalha o sensível e recupera sua auto-
estima.
O conhecimento em arte pode contribuir para a socialização de pessoas com
deficiência na sociedade, com artistas que fazem parte da associação de pintores
com a boca e os pés.
A associação de pintores com a boca e os pés é internacional, fundada em
1956, por Arnulf Erich Stegmann. Com sua sede na Suíça, está presente em 79
países com mais de 702 artistas. No Brasil fazem parte da APBP 32 artistas, todos
com deficiência. A APBP não é uma associação beneficente. Os artistas se mantêm
com a venda de seus trabalhos artísticos, ou seja, enviam seus trabalhos para a
associação publicar e recebem por isso, por seus trabalhos realizados.
O objetivo da associação é inserir as pessoas com deficiência na sociedade
e proporcionar-lhes uma bolsa de estudos até seu aperfeiçoamento na pintura, e
sustentar-se com seus trabalhos sem ter que viver de caridade, ou seja, os
participantes da associação querem ser valorizados pelo que fazem e não pelo que
são. Querem que a associação seja vista como um negócio e não como uma
entidade de caridade. Seus trabalhos devem ser comparados a artistas “normais”
por sua estética e ser vendidos com valor igual aos demais.

3. Resultado e Discussão

Dessa associação, para este trabalho foi pesquisado sobre o artista Daniel
Rodrigo Ferreira da Silva e retirado do site do próprio artista, um vídeo foi
apresentado aos alunos na docência em artes, no pré-escolar do ensino infantil. O
vídeo apresenta Daniel utilizando os pés para segurar o pincel, pois nasceu sem
seus membros inferiores.

Ao comentar sobre o vídeo, os alunos mostraram-se interessados e


surpresos com o artista e obras apresentados. Questionados sobre a situação de
Daniel deficiente físico e sobre o modo pelo qual pintava, um aluno falou: - Quando
eu era mais pequeno eu colocava o bico no meio do pé.

Para proporcionar um maior conhecimento sobre o artista e suas obras foi


entregue imagens de três obras do artista Daniel com a finalidade de realizar uma
releitura de uma obra.

Figura 1-2. Imagem retirada de: www.apbp.com.br/danielferreira


Figura 3-4 - Desenhos dos Palhaços alunos do pré-escolar (Aluno A. e B). (Acervo Particular)

A criança é observadora por natureza. Olha atentamente examina, reflete e


especula o que acontece ao seu redor. Assimila e retém informações com
facilidade. Em muitas ocasiões é vista com admiração pelos adultos por
seus comentários inteligentes. Quando desenha, ela exerce grande
concentração. Então, não pode ser por incapacidade de observação que
simplifica o modelo representado. Ela desenha somente o que lhe
interessa, o que lhe chama mais a atenção, ou seja, o que considera ser
importante no motivo focalizado. (SANS, 1995, p. 37).

As crianças são observadoras e atentas a qualquer movimento ou situação


nova a elas, tem uma grande facilidade de percepção e aprendizado em torno do
que lhe é apresentado.

Ao estabelecer um conhecimento sobre as deficiências e trazendo um pouco


da realidade social aos alunos pode-se propiciar uma melhor relação entre ambos.
O conceito sobre a deficiência e a inclusão vem a fim estabelecer essa relação de
convivência social entre um deficiente e o não deficiente, evitando e diminuindo o
preconceito no convívio escolar e social.

Para auxiliar essa relação foi realizada com os alunos uma dinâmica do
“Gato cego”, colocando os alunos na situação de um deficiente visual. Essa
atividade proporcionou aos alunos o contato com a deficiência visual, mostrando-
lhes a situação de uma pessoa deficiente visual suas dificuldades de vivência em
meio a sociedade.

A inclusão traz para todos nós o desafio de mudarmos nossa forma de ver
o mundo, de agir e de pensar. Temos uma grande oportunidade quando
convivemos com as pessoas que são diferentes de nós. Oportunidades de
crescermos, de nos tornarmos melhores, mais solidários e mais humanos.
Todos se transformam nesta convivência. A escola tem um papel
fundamental para a mudança deste olhar. As crianças consideradas
“normais” que convivem com as crianças com deficiência têm uma
oportunidade de se tornarem adultos melhores do que somos. (HONORA,
2008, p. 32)

O aluno aprende rápido e aprende com a convivência, trocando experiência e


se relacionado com o próximo. Sendo assim a escola tem o papel de auxiliar o
aluno em sua convivência social, mostrando caminhos para um bom relacionamento
na sociedade. No mundo existem inúmeras pessoas, essas diferentes uma da
outras, sendo assim, diferentes opiniões, atitudes, comportamento, entre outros, e
cada uma deve assim respeitar o outro para então ser respeitado, em sua maneira
de ser.

Relembrando Daniel, na seqüência os alunos fizeram uma atividade sobre a


forma como ele pintava. Foi proposto que os alunos pintassem com os dedos dos
pés sobre papel pardo utilizando tinta guache.

Figura 5. Imagem retirada de: www.apbp.com.br/danielferreira


Figura 6-7. Pinturas realizadas com os pés pelos alunos do pré-escolar (Acervo particular)

É na escola que são ensinadas as primeiras regras de convivência em


sociedade, é onde nos deparamos com pessoas que são muito diferentes
de nós e onde são determinados alguns limites que devem ser seguidos,
diferente da convivência em nossa casa, onde algumas regras podem ser
mais maleáveis. (HONORA, 2008, p. 32)

A criança ao chegar a escola traz consigo conhecimentos adquiridos com a


convivência com seus familiares e na escola esses conhecimentos são propostos
em atividades de convivência com os outros , sendo assim elaborados
questionamentos e atividades a fim de mostrar aos alunos a realidade de seu
próximo essa diferente da sua.

O estudo das obras realizado pelos alunos, ofereceu oportunidades de


experimentações e descobertas através da observação e realizações práticas. Ao
entrar em contato com o universo artístico disponível através do ensino da arte o
aluno entra no campo da fantasia, trazendo para suas representações artísticas o
fantástico e a realidade do seu cotidiano, capaz de fazer o aluno navegar em seus
sonhos e desejos mais profundos.

Deve-se considerar que o aluno aprende a partir do momento que questões


lhe são propostas, levando conhecimentos sobre determinados assuntos,
despertando o interesse com contextualização - leitura de imagem - fazer artístico,
seja qual for a ordem de iniciação, que fazem parte do processo gerador de
conhecimento em arte e que contribui para o engrandecimento educacional/social.
3. Considerações finais:

Embora a pesquisa esteja ainda em andamento, os estudos e as atividades


do estágio aplicado no Ensino Infantil, realizadas até o momento encaminham-se
para a conclusão de que é muito importante promover o conhecimento sobre a
inclusão de pessoas com deficiência em meio à sociedade através do ensino de
Artes Visuais.

Entender a importância da inclusão contribui para a percepção de que se


pode viver e conviver com a deficiência e com as pessoas com deficiência. A
inclusão escolar é a arma para derrubar os muros do preconceito que estão diante
das pessoas e o conhecimento em arte, não apenas a utilização da arte como
instrumento recreativo ou lúdico, envolve os alunos, faz com que tornem-se
observadores, entendam a liberdade de expressão, de ser e de ver o mundo com
olhos mais humanos, vivendo a realidade como ela se apresenta.

É na escola que o aluno aprende e tem referencias para seu convívio social e
ao proporcionar o conhecimento sobre a importância de respeito com o próximo, faz
com seja propiciado um pouco de conhecimento e oportunidades para um mundo
melhor.

Ao observar as atividades realizadas pelos alunos e as respostas obtidas


nessa etapa do trabalho, percebe-se que foi satisfatório o período em que questões
como a inclusão de pessoas com deficiência em meio à sociedade, foram
abordadas no ensino da arte e aceitas pelos alunos.
4. Referencias:

ASSOCIAÇÃO dos pintores com a boca e os pés Ltda. Pintores com a boca e os
pés. Disponível em: http.//www.apbp.com.br/artistas.asp. Acesso em: 20 jun.2010.

BUORO, Amamelia Bueno. O olhar em construção: uma experiência de ensino e


aprendizagem da arte na escola. São Paulo: Cortez, 1996.

HONORA, Márcia; FRIZANCO, Mary L.E. Ciranda da Inclusão: Esclarecendo as


deficiências. S. Paulo: Ciranda Cultural, s/d.

MARCHESI, Álvaro; COLL, César; PALACIOS, Jesús. Desenvolvimento


psicológico: Transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas
especiais. Porto Alegre: Artemed, 2004.

REIS, Jogremir S. dos. (org). Arte como terapia no tratamento de pessoas com
deficiência. Araranguá: ACAPED, 2009.

SANS, Paulo de Tarso Cheida. A criança e o artista. S. Paulo: Papirus, 1995.

SANT’ANNA. Caderno de educação especial/ Universidade Federal de Santa


Maria. Centro de educação/ Departamento de educação Especial/ Laboratório de
pesquisa e Documentação- vol.2(2001)-nº18(2001)-112p. Santa Maria: LAPEDOC,
2001.