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Unidade 3

Unidade 2

MANEJO DE POLINIZADORES

3.1 INTRODUÇÃO

Um dos primeiros passos para se traçar um plano de manejo de polinizadores é


reconhecer as síndromes de polinização, descritas na outra unidade, podendo ser feito de
dois modos: indireta e ou direta. Indiretamente a partir de lista de espécies de uma
determinada área, sem necessariamente de observações no campo. Diretamente, com a
observação em campo do(s) polinizador(es), o comportamento deles, além de registros
de diversas características florais, como formato, tamanho, coloração, recurso oferecido,
presença de odor e horário de antese.

Dentre os polinizadores bióticos ligados as suas síndromes, a melitofilia é a mais


frequente nas comunidades (PRIMACK;INOUYE 1993; MACHADO; LOPES 2004;
YAMAMOTO et al. 2007; ISHARA; MAIMONI-RODELLA 2011), seguidas pela
miofilia e esfingofilia. Nos ambientes tropicais, plantas com síndromes ligadas a
vertebrados (ornitofilia e quiropterofilia) podem representar entre 10 a 30% das espécies
(MACHADO; LOPES 2004), enquanto a psicolfila e cantarofilia, apresentam uma
menor representatividade (MACHADO;LOPES 2004).

As síndromes de polinizacao biotica tendem a diminuir em ambientes mais abertos nos


trópicos, aumentando a síndrome abiótica da anemofilia (FREITAS; SAZIMA 2006;
YAMAMOTO et al. 2007).

1
Segundo Fahrig (2003) a fragmentação dos habitats naturais bem como sua supressão
constituem hoje uma dassérias ameaças à biodiversidade .

Além dos fatores considerados em relação as síndromes de polinização biótica, há de se


considerar o efeito de borda nos fragmentos, associados ao nível de estratificação nesses
fragmentos (BAWA et al. 1985; MARTINS; BATALHA 2007) e a formação de
clareiras favorece, nessas condições, a seleção de espécies de plantas pioneiras em
relação as espécies típicas da floresta climax (LAURANCE et al. 2006).

3.2 POLINIZAÇÃO EM SISTEMAS AGROFLORESTAIS


Os Sistemas Agroflorestais (Saf’s), principalmente aqueles que trabalhamcom uma
grande diversidade de espécies, os biodiversos, são os mais viáveis para a preservação
ambiental pois oportunizam um ambiente composto por uma grande diversidade de
espécies (GEMIM; SILVA, 2017).

Aliar a produção agrícola com a preservação ambiental constitui um grande desafio que
pode ser alcançado com a prática de uma agrofloresta, na qual além de promover a
sustentabilidade promove o aumento de emprego e geração de renda (DUBOC, 2008;
MAY, 2008).

Os Saf´s são compostos pela interação de plantas arbóreas com diversos tipos de
plantas herbáceas que se destinam a fins específicos e até mesmo com a criação de
animais. Nos Saf’s, temos a reprodução de um ambiente multidiverso proporcionando
microclimas favoráveis a manutenção dessas espécies, bem como a prestação de
serviços de polinização com a instalação de colmeias (WOLFF et al., 2009).

Dentre os inúmeros componentes da agrobiodiversidade, as abelhas são apontadas cmo


importantes visitantes florais em Saf´s (FERNANDES et al., 2009; FRANCO; SILVA,
2009; WOLFF et al., 2009; RAYOL; MAIA, 2013), sendo necessário o manejo

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adequado para criação das abelhas, além do conhecimento sobre sua diversidade
(TEIXEIRA, 2007).

Tordin (2015) relata resultados preliminares quanto a polinização, em três espécies


arbóreas comumente utilizada em Sistemas Agroflorstais (SAFs) As observações foram
realizadas no ano de 2015. Segundo a autora as três espécies observadas que ofereceram
recursos florais para as abelhas foram: aroeira-pimenteira (Schinus terebinthifolius),
urucum (Bixa orellana) e escova-de-macaco (Apeiba tibourbou).

Tordin (2015) cita que para aroeira-pimenteira, foram observadas a coleta de néctar
pelas abelhas sem ferrão, como a jataí, a iraí e a Apis mellifera, além da mirim
(Plebeia sp.). Para o urucum foram observadas visitas por abelhas que possuem a
capacidade de coletar pólen por vibração “Buzz plination” e também Apis mellifera e a
jataí. Para a escova-de-macaco abelhas silvestres com coleta de pólen. Em relação a
coleta de óleos florais, observou-se as seguintes abelhas Tetragonisca angustula (Jataí)
e Ephicaris sp.

Em outro trabalho relatado por Tordin (2017), das espécies visitadas por abelhas sem
ferrão destaca-se a Família Fabaceae.

3.3 POLINIZAÇÃO NA AGRICULTURA

Existem vários estudos mostrando a relevância das abelhas sem ferrão como
polinizadoras para várias culturas agrícolas (GARIBALDI et al. 2013; GARIBALDI et
al. 2014) e principalmente para as culturas que apresentam déficit de polinização,
recomenda-se colocar ninhos de abelhas (MAGALHÃES; FREITAS 2013;
JUNQUEIRA; AUGUSTSO 2016), para a viabilização da polinzação.

Vários alimentos dependem da polinização como: maças, açaí, acerola, maracujá e


castanha do Brasil, dentre outros. Outros como o café, a canola, soja, morango,o
tomate, entre outras culturas agrícolas o rendimento dessas culturas é muito maior com
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a polinização. Os frutos polinizados não apresentam deformidades possuindo formato
perfeito, alteração no valor nutricional e vida de prateleira mais longa (MALAGODI-
BRAGA; KLEINERT, 2004; BOMMARCO et al., 2012; KLATT et al., 2014;
JUNQUEIRA;AUGUSTO, 2016).

Segundo a CGEE (2017) outro exemplo de polinizador é Melipona fasciculata, abelha


sem ferrão, vibracional, visitando flores de berinjela (Solanum melongena), “Buzz
pollination” (NUNES-SILVA et al., 2013), em função da morfologia das anteras que
apresentam deiscência poricida associadas com a sinandria; de pimentão (Capsicum
annuum) e de tomate (Lycopersicon esculentum), ambas pertencentes a família
Solanaceae, garantindo a produção, aumento no peso do fruto e redução na deformação
destes (CRUZ et al., 2005; HOGENDOORN 2004; VELTHUIS;VAN DOORN 2006;
DEL SARTO et al., 2005; NUNES-SILVA et al., 2013).

Segundo CGE (2017) para plantios sob cultivo protegido, estudos pioneiros conduzidos
no Brasil têm demonstrado que algumas abelhas sem ferrão são extremamente eficientes
em programas de polinização em casas de vegetação.

Diferentes espécies de abelhas sem ferrão introduzidas em casa de vegetação


experimentais vêm demonstrando sucesso na polinização da berinjela por Melipona
fasciculata; em melão e mini melancia por Scaptotrigona sp.; morango (por
Tetragonisca angustula; pepino por Scaptotrigona depilis; pimenta e tomate por
Melipona quadrifasciata e pimentão por Melipona subnitida, obtendo-se excelentes
frutos quali e quantitativamente (MALAGODI-BRAGA et al. 2004; CRUZ et al. 2005;
DEL SARTO et al. 2005; BISPO-DOSSANTOS et al., 2008; CRUZ, 2009; NUNES-
SILVA et al., 2013; BEZERRA, 2014; BOMFIM et al. 2014).

Para o cupuaçu (Theobroma grandiflorum – Malvaceae) Gribel (2008) relata que sem
abelhas-sem-ferrão, não ocorre a frutificação., situação essa também para a produção
de castanha do Brasil (Bertholletia excelsa – Lecythidaceae), de acordo com Freitas &
Cavalcante, 2008). Kevan (1995) relata para o dendê (Elaeis guineensis - Arecaceae)
que é depende de polinização por besouros (cantarofilia).
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Quanto à polinização, para a cultura do café, segundo Marco-Coelho (2004) relata que
estudos indicam um aumento de produtividade em torno de 14%, enquanto que Ricketts
et al. (2008) relatam um aumento de 50%. Duran et al. (2010) mostram um aumento de
53% para a canola e Rizzardo et al. (2008) para a mamona, os cultivos polinizados com
abelhas apresentaram um incremento de 5% na produtividade e melhor qualidade do
óleo obtido.

A acerola (Malpighiaceae) produz óleos em glândulas especializadas denominadas de


elaióforos localizadas na sépalas (RAW 1979). Esse recurso atrai fêmeas de abelhas
solitárias que utilizam-no na alimentação de suas crias e na construção de seus ninhos.
Quando da coleta do óleo contatam as partes reprodutivas e realizam a polinização
(FREITAS et al.1999). A presença de abelhas coletoras de óleos para a produção de
frutos de acerola é considerada primordial . CGE (2017) relata o estudo realizado por
Oliveira e Schlindwein (2009) que apontou uma espécie de abelha Centris analis, para
manejo em áreas cultivos de acerola resultando aumentos da produção de até 1.798
kg/ha.

A manutenção dos polinizadores nos seus habitats naturais é preservando a vegetação,


principalmente dos locais em que ocorrem a nidificação de algumas espécies de abelhas,
como troncos apodrecidos, barrancos e outros habitats. Desta foram torna-se primordial
a conservação de ampliação e interconectividade dos fragmentos vegetacionais.
ALVES-DOS-SANTOS 2009, FREITAS; ALVES 2009; CORTOPASSI-LAURINO et
al. 2009).

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Tabela 1 Abelhas e plantas agrícolas

Grupos de abelhas Nome popular Polinizáveis

Abelha-de-mel ou Algodão, café, caju, canola, cebola,


Apina abelha-africanizada chuchu,
coco, girassol, goiaba, jabuticaba,
laranja, melão, maçã

Bombina Mamangavas- Abelhas de Abóbora, feijão, goiaba, melão,


chão morango,
pimentão e tomate.

Euglossina Abelhas-de-orquídeas Batata, berinjela, jabuticaba,


pimentão e
tomate.

Meliponina Abelhas-sem-ferrão Abacate, abóbora, algodão,


berinjela, café,
carambola, chuchu, coco, goiaba,
jabuticaba,
Laranja, mamona, manga,
manjericão,
melão, morango, pepino, pêssego,
pimentão,
pitanga, tomate e urucum.

Centridini Abelhas-coletoras de- Acerola, caju, feijão, goiaba,


óleo maracujá e tamarindo.

Xylocopini Mamangavas ou Abóbora, berinjela, feijão, goiaba,


mamangavas-de-toco maracujá,
morango, pimentão, pitanga e
tomate
Augochlorini Abelhas-vibradoras Abóbora, algodão, goiaba,
maracujá,
pimenta, tomate e urucum.

Megachilini Abelhas-cortadoras-de- Abóbora, feijão, maçã, melão,


Folhas morango e
vagem.

Exomalopsini Abelhas-vibradoras Algodão, berinjela, feijão, goiaba,


pimenta,
tomate e urucum.

Fonte: MARQUES et al. (2015)

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Tabela 2. Efeito da polinização em culturas agrícolas

POLINIZAVEIS ABELHAS IMPLEMENTO ITENS MELHORADOS,


%
Citrus sinensis var. Apis mellifera 30% Frutos mais doces
Pera-Rio. Toledo et al. (2013)

Passiflora edulis Xylocopa 92,3% Vingamento inicial de frutos


(Maracujá-amarelo) Silva et al. (2014)

Glycine max (Soja) Polinizadores 31,7 a 58,6 No número de vagens,


Bióticos (abelhas
diversas) 40,13% No peso da vagem

29,4 a 82,3% No número de sementes

95,5% Na viabilidade das sementes

81% No peso das sementes

Juliano (1977); Ribeiro;


Coutinho (2002)

Gossypium spp. Polinizadores 41% O número de casulos,


(Algodão) Bióticos (abelhas
diversas) 35-40%, Produz a mais algodão por casulo

Mais pluma por área,


26-43%
Mais sementes por casulo
5-6%
Apresenta um aumento no peso
9-14% por casulo
Pires et al. (2014)

Anacardium Polinizadores 70% Aumentar até peso e numero de


occidentale L. Bióticos (abelhas frutos
(Cajueiros) diversas Freitas et. al. (2014)

Fragaria vesca Tetragonisca Número maior de frutos


(Morangueiro) angustula- Jatai
Maior índice de açucares nos
fruto

Maior índices de vitamina C


Tavares (2017)

Canola Polinizadores 17% a 30%; Aumento geral da produção


Bióticos (abelhas Blochteinchtein et al. (2015);
diversas Agrolink (2015)

Malus sp (Maciera) Consorcio de Melipona 44% Aumento na produção de frutas


quadrifasciata e Apis
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mellifera Aumento da produção de
67% sementes
Viana et al. (2015); Agrolink
(2015)

Cucumis melo L. 15% Na produtividade


(Melão) Na qualidade do fruto;
50%
Kill et al. (2015)

Solanum lycopersicum 12%, Aumento de frutificação


(Tomate)
41% Ganho de peso

11% Maior número de sementes

Gaglianoni et al. (2015);


Agrolink (2015)

Fonte: Adaptado por Lidia M.R.C.Barreto

3.4 Plano de Manejo de Polinizadores


Para o sucesso na execução de um plano de manejo de polinizadores há necessidade de
se seguir alguns critérios e técnicas específicos relacionadas com a vegetação e os
agentes polinizadores envolvidos. Sendo as abelhas os mais importantes polinizadores
devemos levar em consideração:

 Fenologia floral;

 Morfologia Floral;

 Visitantes florais;

 Conservação de habitats de forrageamento;

 Enriquecimento com espécies;

 Construção, conservação de sítios de ninhos e manejo de vários tipos de


abelhas;

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 Eliminação de fontes de contaminação por agroquímicos;

 Manutenção, restauro e conectividade de fragmentos florestais.

De acordo com Morellato et al. (1990), a fenologia trata do estudo das fases de
desenvolvimento na planta como taxa de crescimento, emissão de folhas, época de
florescimento bem com as características florais como antese e visitação e frutificação.
Esses parâmetros podem estar envolvidos com fatores abióticos como clima e edáficos e
até mesmo entre as relações entre as diferentes espécies.

Maués et al. (2015), citam que os estudos fenológicos estão relacionados ao


conhecimento da espécie. Uma das etapas desse estudo fenológico está relacionadas
diretamente aos aspectos de polinização está nos estudos sobre a fenologia floral,
considerando a formação e desenvolvimento e abertura dos botões florais, oferta de
recursos florais, duração e período de oferecimento desses recursos florais, visitantes
florais, tempo de visitação e senescência da flor.

De acordo com Endress (1994) diversas características morfológicas florais e aspectos


relacionados com a oferta do recurso floral estão adaptadas para os insetos
polinizadores, marcados pelo processo co-evolutivo, gerando uma dependência inseto-
planta.

Quase que a totalidade dos polinizadores não conseguem sobreviver somente nas áreas
agrícolas, pois a produção é sazonal. A manutenção das plantas no entorno de áreas
agrícolas, representadas principalmente pelos fragmentos florestais e manchas de
clareiras são essenciais para a manutenção de fontes de alimento principalmente para as
abelhas, como importantes áreas para pólen e néctar.

A conservação de habitas naturais formando paisagens agrícolas heterogêneas quando


misturadas as áreas de cultivos torna-se essencial para a manutenção das populações dos
polinizadores silvestres. . Práticas de cultivo adequadas como o plantio de faixas com
plantas não cultivadas fornecedoras de recursos florais para os polinizadores e o
favorecimento de locais para a nidificação de abelhas sem-ferrão, bem como o
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planejamento do uso da terra e o estudo da dinâmica da paisagem são essenciais para a
conservação dos polinizadores.

Uma das práticas que pode ser adotada para a conservação da biota é o de conservar
outras plantas diferentes das culturas próximos a essas áreas, objetivando a oferta de
recursos florais. Portanto plantas que apresentam florescimento abundante. Também
pode-se colocar plantas em faixas nas entrelinhas das culturas.

O plantio de faixas, entre linhas ou no entorno do cultivo, com espécies vegetais


ruderais e/ou de cercas vivas com espécies arbóreas, como as grevíleas (Grevillea sp.),
cedro, dentre outras, que além de sombreamento oferecem maior aporte de recursos e
retenção de água no solo, além de servirem como barreiras a vento e até mesmo a
dispersão dos agrotóxicos, proteger os polinizadores dos agroquímicos.

Os agroquímicos são utilizados para combater insetos; no caso em questão, insetos -


praga. A maioria dos polinizadores são insetos, que, embora insetos benéficos, sofrem
as consequências (FREITAS; PINHEIRO 2012; ROCHA 2012). Embora os sistemas
agroecológicos são isentos de agrotóxicos, agroquímicos ou protetores de plantas
(conceitos iguais), deve-se levar em consideração o isolamento das áreas e o efeito
deriva do produto quando aplicado em, áreas de cultivo tradicional, comprometendo a
sanidade dos insetos polinizadores.

Para a manutenção dos polinizadores nativos, mais importante do que a manutenção de


grandes áreas naturais intactas é a manutenção de paisagens diversas e conectadas.

3.5 MANEJO EM ALGUMAS CULTURAS


Manejo no Maracujazeiro

Como exemplo de um planejamento utilizando-se área de cultivo de maracujá, e


levando-se em consonância com os itens abordados anteriormente, SILVA et al. (2014),
apresentam um plano de manejo para a cultura do maracujazeiro. Relatam que com a
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utilização de plantas nectaríferas como fonte alternativa para a atração das mamangavas
quando a cultura não esta em floração, mas quando florescem, as mamangavas se
deslocam para suas flores. Várias outras espécies se beneficiam com a presença das
mamangavas, como: abóboras, colza , feijão, girassol goiaba, grumixama, nêspera
quiabo, dentre outras. Como coleta de pólen forragem as seguintes flores pertencentes a
família Solanaceae: tomate, berinjela, jiló, pimentas e pimentões; mirtilo (Ericaceae)
e kiwi (Actinidiaceae), agindo como polinizadores eficientes e específicos para essas
culturas. Afirmam ainda que a presença de Apis mellifera é prejudial pois essas abelhas
não promovem a polinização e sim roubam o recurso. Os autores relatam também que
uma das estratégias para evitar esse comportamento é o deslocamento da Apis mellifera
para outras flores fora do cultivo. Podem ser utilizados o girassol, o cosmos
(Asteraceae), e calabura (Muntingiaceae), exceto a calabura, que é uma árvore, o
girassol e o cosmos (Bidens) em consorciação com o maracujá objetivando o deslocar a
Apis mellifera e minimizando os impactos da pilhagem. Outra planta bastante atrativa é
a aroeira-vermelha (Anacardiaceae).

SILVA et al. (2014) relatam também sobre as abelhas irapuãs (Trigona spinipes) no
manejo para a cultura do maracujazeiro. Para diminuir a presença dessas abelhas nas
suas flores, determindas plantas podem ser usadas para atração da irapuã como, por
exemplo, o girassol (Helianthus annuus – Asteraceae), a cebola (Allium cepa,
Amaryllidaceae), a couve (Brassica oleracea, Brassicaceae), dentre outras. Existe uma
diferença entre tipos de maracujá e os danos causados pela irapuãs. Em maracujá doce a
pilhagem do néctar não apresenta efeito negativo, pois não danifica a parte vascular da flor
o que causaria sua queda, o que acontece de forma oposta ao maracujá-doce.

Manejo do Meloeiro

A Apis mellifera (abelha africanizada) foi descrita como o principal polinizador da


cultura do meloeiro (REYES-CARRILLO et al., 2007; KEOGH 2010) em que apesar
serem observados outros polinizadores, somente elas apresentam estrutura floral

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adaptada à polinização principalmente em virtude do seu comportamento e frequência
de visitação, tornando-o um polinizador eficiente para a cultura.

A planta do melão produz flores estaminadas e hermafroditas, sendo ambas visitadas


pelas abelhas, porém, somente as hermafroditas formam os frutos, apresentando a
duração de apenas um dia. Ocorre um aumento da produção de flores hermafroditas a
partir da segunda semana (KILL et al., 2015). Segundo os autores a necessidade da
presença, na área de cultivo, dessas abelhas afim de garantir a produtividade, pode ser
suprida com a utilização dos serviços de polinização dada pela apicultura migratória

Manejo do Tomateiro

Segundo Deprá-Gaglianone (2014) os visitantes florais coletam o polen nas flores do


tomateiro, sendo classificadas como poliníferas. Como pólen não é o único alimento
necessário para as abelhas, no entorno deve ser oferecido fonte de néctar e até mesmo
de óleos florais e resinas. O manejo do habitat para garantir essa diversificação de
fontes produtoras de recursos florais torna-se necessário pois os polinizadores do
tomateiro são diversos variando no tamanho e preferencias e necessidades em relação a
concentração de néctar(GAGLIANONE et al. 2015).

A grande quantidade de espécies de abelhas que visitam a cultura do tomateiro está em


função da localização geográfica dessa cultura. Quanto mais próximas de fragmentos de
vegetação nativa, o numero de espécie pode variar de 18 a 41. Essa variação também
esta relacionada à localização da área de cultivo no mosaico vegetacional (SILVA-
NETO, 2011; DEPRÁ et al., 2014).

Segundo Deprá;Gaglianone (2014) realizando comparação entre duas área com plantio
de tomate verificou que na área com uma maior cobertura florestal, na proximidade , o
numero de polinizadores foi maior em comparação com outra área, sem cobertura
florestal, concordando com os outros autores.

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Os polinizadores pertencem aos seguintes grupos: Augochlorini, Centridini,
Exomalopsini, Meliponini, Oxaeini, Xylocopini, Bombini e Euglossini, (Gaglianone et
al. 2015) conforme observado na tabela 3.

Tabela 3 Abelhas polinizadoras da cultura do tomateiro em áreas de cultivo aberto no


Brasil

Grupo Taxônomico Nome popular Principais gêneros e


espécies
Exomalopsini Abelhas vibradoras Exomalopsis analis,
Examolopsis
auropilosa

Augochlorini Abelha de suor Augochloropsis spp e


Pseudaugochlora spp.

Bombini Mamangavas-de-chão Bombus morio e


Bombus pauloensis

Xylocopini Mamangavas-de-toco Xylocopa frontalis,


Xylocopa nigrocincta e
Xylocopra suspecta

Euglossini Abelhas-de-orquídeas Eulaema nigrita

Centridini Abelhas coletoras de óleo Centris aenea, Centris


fuscata e Centris
tarsata

Oxaeinae Abelhas solitárias Oxaea flavescens

Meliponini Abelhas sem ferrao Melipona


quadrifasciata

Fonte: Gaglianone et al. (2015)

13
3.3 Síntese da Unidade
Nesta unidade estudamos o plano de manjo em algumas culturas, bem como os apesctos
gerais que devem ser considerados num programa de um planejamento de polinização.

3.7 Para saber mais

Livros

SILVA, C.I.S.; ALEIXO, K.P.; NUNES-SILVA, B.; FREITAS, B.M.;


IMPERATRIZ-FONSECA, V.L. Guia Ilustrado de abelhas polinizadoras no
Brasil. São Paulo: Ministério do Meio Ambiente, 2014

GAGLIANONE, M.C. (Coord.) Polinizadores na agricultura: ênfase em abelhas.


Rio de Janeiro: FUNBIO, 2015

3.8 Atividades
Faça um planejamento em uma área objetivando plantas fornecedoras de recursos
florais para abelhas sem ferrão e africanizadas.

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REFERÊNCIAS

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