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Português

Profª Georgia – 16/05/2015

Questões de Interpretação – Uecevest.


Texto I
Chapeuzinho Amarelo – poema de Chico Buarque

Era a Chapeuzinho Amarelo


Amarelada de medo
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.

Já não ria
Em festa, não aparecia
Não subia escada, nem descia
Não estava resfriada, mas tossia
Ouvia conto de fada, e estremecia
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha

Tinha medo de trovão


Minhoca, pra ela, era cobra
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra

Não ia pra fora pra não se sujar


Não tomava sopa pra não ensopar
Não tomava banho pra não descolar
Não falava nada pra não engasgar
Não ficava em pé com medo de cair
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo
Era a Chapeuzinho Amarelo…

E de todos os medos que tinha


O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho


tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
e um chapéu de sobremesa.

Mas o engraçado é que,


assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina


olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.
O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,


com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem não estava falando:

LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Aí, Chapeuzinho encheu e disse:


“Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,


porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.


E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;


barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.
FIM

TEXTO II

Fita Verde no Cabelo, de João Guimarães Rosa

Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que
velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e
cresciam.

Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela,
um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.

Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase
igualzinha aldeia.

Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em
calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.

Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o
lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo.

Então, ela, mesma, era quem se dizia:

– Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me
mandou.

A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e
das horas, que a gente não vê que não são.

E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro,
encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vinha-lhe correndo, em
pós.

Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas
nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas
flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa.
Vinha sobejadamente.

Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque,
toque, bateu:

– Quem é?

– Sou eu… – e Fita-Verde descansou a voz. – Sou sua linda netinha, com cesto e pote,
com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.

Vai, a avó, difícil, disse: – Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.
Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.

A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim,
de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: – Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para
perto de mim, enquanto é tempo.

Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em


caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de
almoço. Ela perguntou:

– Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!

– É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta… – a avó murmurou.

– Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!

– É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta… – a avó suspirou.

– Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?

– É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha… – a avó ainda gemeu.

Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: –
Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…

Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e
tão repentino corpo.
1) Ambos os textos são recontagens do conto Chapeuzinho Vermelho, cada um
recriado a sua forma, possuindo temáticas diferentes. Assinale o item que diz as
temáticas principais de cada do poema de Chico Buarque e do conto de
Guimarães Rosa.

A) O poema de Chico Buarque trata dos medos que toda criança tem e o conto
de Guimarães Rosa trata do relacionamento da avó com a neta.
B) O poema de Chico Buarque trata da transformação da fase infância para a
fase adulta e o de Guimarães Rosa do poder que cada um dá aos seus medos.
C) O poema de Chico Buarque trata da inversão do papel do lobo e o de
Guimarães trata da morte.
D) O poema de Chico Buarque trata da importância que cada um dá aos seus
medos e o de Guimarães trata das mudanças da fase infância para a fase
adulta.

2) Em relação às ideias dos textos, escreva V para o que for verdadeiro e F para o
que for falso.

( ) O texto I foi feito em prosa e o texto II em verso.


( ) Ambos os textos desconstroem o mito da Chapeuzinho Vermelho.
( ) Ambas as Chapeuzinhos sofrem mudanças nos textos.
( ) A perca da fita verde representa uma metáfora.

Está correta, de cima para baixo, a sequência seguinte:


A) F, V, F, V.
B) V, F, V, F.
C) F, V, V, V.
D) V, F, F, V.

3) Marque a opção correta em relação às funções da linguagem dos textos,


respectivamente I e II.

A) Função apelativa e função emotiva


B) Função poética e função emotiva.
C) Função emotiva e função poética.
D) Função metalinguística e função apelativa.

4) Observe.

“Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio,
triste e tão repentino corpo.”
A morte da avó representa para Fita-Verde

A) a ruptura com o universo humano, com toda a sua complexidade.


B) a quebra da relação do indivíduo com o seu lugar de origem e suas raízes.
C) a perda da segurança, o sentimento de fragilidade ante um mundo novo e
incógnito.

D) o rompimento com a sociedade na qual, por meio dela e nela, o indivíduo se


expõe e vive seus dramas coletivos.

Texto 3

Qualquer que seja a chuva desses campos

devemos esperar pelos estios;

e ao chegar os serões e os fiéis enganos

amar os sonhos que restarem frios.

Porém se não surgir o que sonhamos

e os ninhos imortais forem vazios,

há de haver pelo menos por ali

os pássaros que nós idealizamos.

Feliz de quem com cânticos se esconde

e julga tê-los em seus próprios bicos,

e ao bico alheio em cânticos responde.

E vendo em torno as mais terríveis cenas,

possa mirar-se as asas depenadas

e contentar-se com as secretas penas.

(LIMA, Jorge de. In: Invenção de Orfeu. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1967. p.
57-58.)
18. Entre os versos 1 e 2, infere-se uma relação semântica de

A) causa.
B) consequência.
C) finalidade.
D) concessão.

Só sei dançar com você.

Tulipa Ruiz.
Você me chamou pra dançar aquele dia,
mas eu nunca sei rodar,
cada vez que eu girava parecia
que a minha perna sucumbia de agonia

Em cada passo que eu dava nessa dança


ia perdendo a esperança
você sacou a minha esquizofrenia
e maneirou na condução

Toda vez que eu errava "cê" dizia


pra eu me soltar porque você me conduzia,
mesmo sem jeito eu fui topando essa parada
e no final achei tranquilo...

Só sei dançar com você


Isso é o que o amor faz
Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz

Você me chamou pra dançar aquele dia,


mas eu nunca sei rodar,
cada vez que eu girava parecia
que a minha perna sucumbia de agonia

Em cada passo que eu dava nessa dança


ia perdendo a esperança
você sacou a minha esquizofrenia
e maneirou na condução
Toda vez que eu errava "cê" dizia
pra eu me soltar porque você me conduzia,
mesmo sem jeito eu fui topando essa parada
e no final achei tranquilo...

Só sei dançar com você


Isso é o que o amor faz
Só sei dançar com você
Isso é o que o amor faz·.

1) A música acima é uma representação artística dos sentimentos do eu lírico, e


estes são revelados através de uma dança. Estes passos de dança na verdade
representam uma metáfora para o real sentimento do eu lírico. Assinale a opção
que caracteriza os sentimentos vistos na letra da música.

a) É visto através da letra da música o sentimento de dependência do eu


lírico, que só consegue “dançar” com uma pessoa.
b) Através da letra da música é visto o sentimento de estar apaixonado (a),
pois quando o eu lírico diz “só sei dançar com você” ele metaforiza o
sentimento de só “encaixar-se” com a pessoa amada.
c) O eu lírico está aprendendo a dançar e nada mais.
d) O eu lírico está contando a história de como se apaixonou por sua
parceira de dança.

2) Quando o eu lírico diz “Toda vez que eu errava "cê" dizia pra eu me soltar
porque você me conduzia, mesmo sem jeito eu fui topando essa parada
e no final achei tranquilo...”, ele está querendo dizer que:

a) O eu lírico está querendo dizer que o processo de aprender a amar, a deixar-


se ser amado, foi difícil, mas ao ser ajudado pelo parceiro (a) ele pode
“aprender” a se permitir.
b) Ele está afirmando que cometeu vários erros com o parceiro (a), mas mesmo
assim continuou o relacionamento.
c) Ele fala do processo que é se relacionar com alguém e que você deve deixar
o outro conduzir para as coisas funcionarem.
d) O eu lírico está contando como aprendeu a dançar e ser conduzido pelo
parceiro (a).

3) Marque a alternativa que explica o porquê do eu lírico afirmar “Só sei dançar
com você Isso é o que o amor faz”.

a) O eu lírico afirma claramente o quanto é dependente da pessoa amada.


b) O eu lírico mostra que não sabe dançar com ninguém mais além da sua
parceira de dança.
c) O porquê dessa afirmação é a paixão fazer com que o eu lírico só consiga
enxergar o parceiro (a) e ninguém mais devido o amor.
d) O eu lírico mostra o quanto sofreu por causa do parceiro (a).

4)

Mafalda é uma criança muito esperta e vive escancarando as verdades do mundo,


levando isso em consideração marque a alternativa que indica o que ela estava pensando
ao usar os cremes da mãe no globo terrestre.

a) Indica que Mafalda não gostou de ver a situação atual do mundo, então ela quis
deixa-lo mais belo, acreditando que os cremes de beleza fariam isso.
b) Indica que Mafalda achou o globo terrestre feio e quis torna-lo mais bonito para
enfeitar sua casa.
c) Indica que Mafalda ficou triste ao assistir o Panorama Mundial.
d) Indica que Mafalda acha o mundo esteticamente feio e quer deixa-lo mais belo,
literalmente.

Massarrara
Selvagens à Procura de Lei.

Me conte uma mentira pra que eu fuja pra bem longe


Me aponte uma saída, eu faço maço, eu pego o bonde
Não sou da sua praça, eu sou sem graça, eu admito
Não vou ao seu encontro, eu não sou da sua tribo

Seu filho está na serra e o meu na favela


Seu filho faz direito e o meu faz a guerra
Eu quero o oco do coco, do soco, o moco, o olho cego
Areia na meia, ceia na veia do meu velho
Menino de rua, cidade 2000
Somos a praia do futuro do Brasil

Escolho um novo nome todo dia de manhã


Malícia, discuto, camaradas do meu clã
Corte no rosto, espetáculo ao vivo
Porque você também não vem dançar onde é proibido!

Beije os teus vidros, barriga e moeda


Samba de asfalto, tapete, miséria
Ala sem vala, governo, sala e senzala
Gato esperto disserto, todos netos de Pedro Bala

Menino de rua, cidade 2000


Somos a praia do futuro do Brasil

Vejam as cores, eles não são pintores


Vejam as dores, eles não são atores

Menino de rua, cidade 2000


Somos a praia do futuro do Brasil

5) A música a seguir tem feito bastante sucesso entre os jovens por mostrar uma
realidade vivida atualmente. Marque a opção que concretiza essa realidade.

a) A música “Massarrara” mostra o quadro atual do país, onde poucos têm


muito e muitos têm pouco, refletindo assim a miséria que assola o país.
b) A música acima traz uma crítica aos governantes atuais.
c) A música “Massarrara” faz uma crítica à população por não lutar pelos seus
direitos.
d) A música faz uma crítica à Copa que será sediada no Brasil.

6) A música pode se enquadrar no contexto vivido atualmente pelo país. Qual é


esse contexto?

a) A revolta com as greves e manifestações.


b) A situação crítica que tem assolado o país nos últimos tempos, com déficit
na educação, segurança e etc.
c) Não há um contexto que gere essa identificação.
d) Na verdade a música se enquadra no contexto do governo FHC.