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A eficácia da avaliação qualitativa no processo ensino-

aprendizagem

Durante certo tempo, o termo avaliar foi usado como sinônimo de medir. Isso aconteceu
fortemente na década de 40 devido ao aperfeiçoamento dos instrumentos de medida em
educação, principalmente na elaboração e aplicação desse teste. A partir de 1960, o termo
avaliação tornou a aparecer, com destaque na literatura especializada, devido a grupos de
estudo organizados nos Estados Unidos, na intenção de avaliar os novos programas
educacionais, tendo a avaliação da aprendizagem seus princípios e características no campo
da Psicologia. O termo avaliar voltou a destacar-se na esfera da avaliação curricular, e
posteriormente nas demais áreas, tais como na avaliação do processo ensino-aprendizagem.

Do ponto de vista educacional, quando se fala em testar e medir a ênfase recai na


aquisição de conhecimentos ou em aptidões específicas. Quando usamos o termo avaliar,
porém, estamos nos referindo não apenas aos aspectos quantitativos da aprendizagem, mas
também aos qualitativos, abrangendo tanto a aquisição de conhecimento e informação
decorrentes dos conteúdos curriculares, quanto as habilidades, interesses, atitudes, hábitos
de estudo e ajustamento pessoal e social do alunado.

Avaliação: Conceito e Princípios

A avaliação é um sistema de controle de qualidade pelo qual se pode determinar a cada


passo do processo ensino e aprendizagem, se este está sendo eficaz ou não, e caso não
esteja, indicar que mudanças devem ser feitas a fim de assegurar sua eficácia, antes que seja
tarde demais.

A avaliação é um processo contínuo e sistemático, compreensivo, comparativo,


cumulativo, informativo e global, que permite avaliar o conhecimento do alunado, portanto,
ela não pode ser esporádica nem improvisada, mas ao contrário, deve ser constante e
planejada, fornecendo feedback e permitindo a recuperação imediata quando for necessário.
Ela não tem um fim em si mesma, mas é sempre um meio, um recurso, e como tal, deve ser
usada.

Na avaliação da aprendizagem, o professor não deve permitir que os resultados das provas
periódicas, geralmente de caráter classificatório, sejam supervalorizados em detrimento de
suas observações diárias, de caráter diagnóstico. O professor que trabalha numa dinâmica
interativa tem noção ao longo de todo o ano, da participação e produtividade de cada aluno.

As avaliações a que o professor procede enquadram-se em três tipos: a avaliação


diagnóstica, que proporciona informações a cerca das capacidades do aluno antes de iniciar
um processo de ensino e aprendizagem; a formativa que visa informar o professor e o aluno
sobre o rendimento da aprendizagem no decorrer das atividades escolares para localizar suas
deficiências e corrigi-las e a soma que tem por propósito classificar os alunos ao final de cada
período de aprendizagem, de acordo com os níveis de aproveitamento.

O mito da avaliação é decorrente de uma caminhada histórica, sendo que seus fantasmas
ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações sobre o
nosso aluno. Na maioria das instituições de ensino a prática mais comum ainda é um registro
em forma de nota, procedimento este que não tem as condições necessárias para revelar o
processo de aprendizagem, tratando-se de uma contabilização de resultados. Quando se
registra de tal maneira, em forma de notas, o resultado obtido pelo aluno fragmenta-se assim
como o processo de avaliação e introduz-se uma burocratização que leva à perda do sentido
do processo e da dinâmica da aprendizagem. A avaliação deve estar comprometida com a
escola e esta deverá contribuir no processo de construção do caráter, da consciência e da
cidadania, passando pela produção de conhecimento, fazendo com que o aluno compreenda o
mundo em que vive, para além de usufruir dele, estando apto a transformá-lo, quando
necessário.

A forma como se avalia é crucial para a concretização do projeto educacional de toda


instituição de ensino, é ela que sinaliza aos alunos o que o professor e a escola valorizam.
Enquanto avaliação permanecer presa a uma pedagogia ultrapassada, a evasão permanecerá,
e o educando, o cidadão, o povo continuará escravo de uma minoria, que considera a elite
intelectual voltada para valores materiais. Mudar a nossa concepção se faz urgente e
necessário, basta romper com padrões estabelecidos pela própria história; mudar a avaliação
significa mudar a escola, se as metas são educação e transformação não resta alternativa
senão pensar uma nova forma de avaliar, rompendo paradigmas, contemplando o qualitativo,
descobrindo a essência e a totalidade do processo educativo, mudando nossa concepção e
construindo uma nova escola.