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DIREITO DAS OBRIGAÇÕES II

6 de Fevereiro de 2018
 ABERTURA DO CURSO.
8 de Fevereiro de 2018
 FALTEI. (MATÉRIA COMEÇA NA PÁGINA 661)
15 de Fevereiro de 2018
Falamos, na aula passada, dos sujeitos (se pode ocorrer a indeterminação dos sujeitos) e obrigações plurais
(que se opõe às obrigações simples), podem ser conjuntas ou solidárias.
✓ Obrigação conjunta: se é do lado passivo, quer dizer que cada um dos devedores só responde pela quota parte;
se for ativo o devedor só tem de prestar a cada um dos credores a quota parte da prestação que a estes dizem
respeito. A regra geral e de que as obrigações sejam conjuntas. OUVIR GRAVAÇÃO.
✓ Obrigações Solidárias: as solidárias, que têm por fonte a lei ou a vontade das partes. A solidariedade pode
resultar de um acordo entre as partes (convecção) ou legal. Se estivermos perante uma obrigação solidário do
lado passivo quer dizer que o credor pode exigir qualquer um dos devedores o cumprimento da obrigação sendo
que aquele e demando tem a obrigação de cumprir a prestação integral, libertando os restantes. Logo a
obrigação perante o credor, extingue-se, todavia aquele que cumpriu tem direito de regresso da quota parte dos
restantes devedores. A solidariedade passiva é a mais frequente. Art. 500 n.3  solidariedade imperfeita. A
solidariedade, objetivamente, permite salvaguardar os direitos do lesado, ou seja, se há 4 lesantes e se o lesante
poder exigir o montante integral a a qualquer um deles, o lesando tem 4 patrimónios a responder, logo é, no
fundo, são vários patrimónios a favor do credor para ele demandar, tendo ele de optar aquele que lhe der mais
garantias de reaver o seu crédito numa situação de responsabilidade civil se for o caso, nos outros casos…
✓ Obrigações quanto ao objeto:
➢ Prestações de facto: aquilo que se exige do devedor é um determinado comportamento, mas pode ser
passivo ou ativo. Aqui tem se o devedor adstrito a uma ação ou a uma omissão pq o devedor pode
assumir a obrigação de agir ou não agir, ou seja, positiva (elas podem ser ainda facto material ou de
facto jurídico) ou negativa. Pode-se assumir ainda as ditas Prestações de tolerância (há quem diga que
estão dentro das negativas), aqui o devedor obriga-se a tolerar um determinado comportamento de
outrem. Facto material: A obrigou-se a pinta o muro da casa de B (material, desta prestação não resulta
qq efeito jurídico, o devedor limita-se a assumir a obrigação de ter um determinado comportamento
ativo); se estivermos perante a celebração de um contrato CV em que A se Obriga a celebra rum contrato
definitivo com B, é uma prestação de facto, mas jurídico (pois resultam efeitos jurídicos desta prestação,
aqui há um comportamento ativo emite-se uma declaração de vontade e tem efeitos jurídicos.)
➢ Prestações de coisa: aquilo que é exigido ao devedor é a prestação de uma coisa, ou seja, pode ser
uma prestação de dar, entregar ou restituir. O facto de o devedor estar obrigado a um comportamento
que seja v.g a entrega de uma coisa, o que releva não é o comportamento, mas sim a coisa (aquilo que
o devedor se obrigou é entregar uma coisa, a satisfação do redor vai ser conseguida quando recebe a
coisa, não confundir com PRESTAÇAO DE FACTO A NIVEL DO COMPORTAMENTO, temos de
verificar qual é a prestação a que o devedor se obrigação: a prática de um comportamento ou a entrega
de uma coisa). OUVIR OS EXEMPLOS. Todas as prestações de coisas são por regra fungíveis!
✓ Prestações FUNGÍVEIS (767º CC, n. º1): podem ser realizados tanto pelo devedor como por sempre
será satisfeito o interesse do credor. A obrigação nasce, desenvolve-se e extingue-se tendo em vista
o interesse do credor.

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✓ Prestações INFUNGÍVEIS (767.º CC, n. º2): ou por convenção das partes, ou em determinadas
situações aquando a natureza da prestação, ou seja, a prestação é infungível quando só pode ser
realizada pelo devedor só porque o cumprimento pelo devedor satisfaz o interesse do credor. Vamos
supor que eu contrato um pintor para me pintar um quadro e não há dúvidas que estamos perante
uma prestação de facto, mas o pintor tem características suas que não podem ser substituídas. Há
um instituto que se aplica as infungíveis corresponde à sanção pecuniária compulsória (art. 829 A,
CC) esta sanção consiste numa forma de compelir o devedor ao cumprimento a através da fixação
de um determinado valor a que o devedor é condenado por cada dia, fração de tempo que apos se
ter constituído em mora, leve até cumprir. No fundo, a sanção pecuniária compulsória, este instituto
aplica-se nas situações em que devedor esta em mora. É uma consequência da mora do devedor.
Antes de mais. Por outro lado, a fixação de uma sanção compulsória não corresponde a uma
indemnização. Esta sanção tem sido debatida quer em termos doutrinários quer em termos
jurisprudencial porque este artigo não … se é certo que o número 1 do 829 A aplicasse a algumas
prestações infungíveis, se lermos ao número 4 chegamos a conclusão que podemos aplicar esta
sanção sempre que estejamos perante uma obrigação de coisa, sempre que tenha havido uma
sentença condenatória ao pagamento de uma determinada quantia ao credor…3 POSIÇÕES
JURÍDICAS:
1. Nossos tribunais: aplica-se a sanção pecuniária compulsória, por exemplo, numa ação de
despejo … o Estado recebe metade do valor da sanção pecuniária compulsória, não sendo
este o devedor e não tendo sido prejudicado, mas mesmo assim é beneficiário. A sanção
acresce à indemnização. Resulta do disposto do número 4 sempre que existir uma sentença
declarativa de condenação é sempre possível exigir e fixar a sanção pecuniária compulsaria,
5% sobre o capital.
2. Ouvir.
3. Ouvir.
✓ ATENÇÃO: Quando classificamos a prestação como fungível ou infungível, referimo-nos sempre a
realização da prestação por parte do devedor, ou seja, se o devedor pode ou não pode ser substituído por
outro no cumprimento daquela obrigação, ou seja, ser ou não ser satisfeita o interesse do credor. A
prestação de coisa é fungível. Outra coisa é a fungibilidade da coisa objeto da prestação, que pode ser
fungível (dinheiro) ou infungível (relógio raro), que pode ou não ser substituída por outra do mesmo género
ou qualidade.
20 de Fevereiro de 2018
TEMA: MODALIDADES DAS OBRIGAÇOES QUANTO AO OBJETO CLASSFICAÇÃO DAS PRESTAÇÕES
QUANTO AO TEMPO
✓ Prestações Fracionadas momento da constituição da obrigação (Elisa); Considera-se que estão mas perto
das duradouras, porque a verdade é que as fracionadas também se protelam no tempo, v.g. se eu tiver uma
divida liquidável em prestações sendo que por acordo entre mim e o credor ficou estabelecido que eu pagarei
essa divida ao longo de 10 anos sendo que a divida global e repartida em 10 anos e cada ano em 12 meses e
eu obrigo-me a pagar um x mensalmente, o tempo não tem influência mas protela-se no tempo.
✓ Prestações Duradouras protelam-se no tempo, mas ao contrario das fracionadas o tempo vai exercer uma
influência determinante na configuração do objeto da prestação. Dividem-se em dois grupos: periódicas ou
reiteradas (vão renovar ao longo de determinados períodos como seja obrigação a cargo do inquilino de pagar
a renda à senhoria, renova-se mensalmente) e de execução continuada (aquelas que se protelasse
interruptamente no tempo, v.g. prestação a cargo da senhoria que tem por obrigação permiti a utilização do
imóvel por parte do inquilino)

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✓ Diferença  as fracionadas têm logo determinada a prestação a cargo do devedor, no entanto, nas duradouras,
no momento da constituição da obrigação não se sabe o valor global do objeto da prestação porque é o fator
tempo que vai determinar esse fator global.
✓ Instantâneas  esgotam-se num só momento, ou aquelas em que o tempo é irrelevante, ainda que demore a
ser cumpridas.
✓ REGIME DAS FRACIONADAS (art. 781.º)  Faltando o cumprimento de uma prestação vencem-se
automaticamente as restantes; V.g. Vamos supor que temos uma dívida de 1200 euros que por acordo entre o
credor e devedor vai ser paga em 12 meses, 100 euros por mês. Esta regra a nível de regime pode ser aplicada
as fracionadas só o pode ser pq nos definimos as fracionadas como aquela que a prestação global esta
previamente determinada, sabemos o montante global.

1 MÊS 2 MÊS 3 MÊS 4 MÊS 5 MÊS 6 MÊS 7 MÊS 8 MÊS 9 MÊS 10 MÊS 11 MÊS 12 MÊS
100 $ 100 $ 100 $ (X) 100 $ 100 $
………………………………………………………………………………………………

Através do preceito do artigo 781.º do CC o credor pode agora exigir 1200 euros
(total da dívida), que provavelmente não vai ter (porque não conseguiu pagar a
prestação do 3.º mês) e agora vai ter de pagar 1000 (provavelmente será executado o
património do devedor).

✓ REGIME DAS DURADOURAS: não se aplica a regra a assim, é impossível a aplicação porque não se sabe
relativamente a duradoura qual é o valor global da prestação, a regra acima noa pode ser aplicada a um contrato
de arrendamento por exemplo, pois não se sabe a prestação global.
✓ RESOLUÇAO CONTRATO visa extinguir os efeitos do contrato, serve para colocar as partes na situação que
estariam se não tivessem realizado o contrato: nas prestações fracionadas opera retroativamente, ou seja,
abrange as prestações já efetuadas; nas duradouras a resolução só funciona para o futuro, porquê? Por exemplo,
no contrato de arrendamento, que hipóteses é que tem o inquilino de devolver a utilização que fez do imóvel, de
um uso? Não se pode.
✓ A propósito das prestações fracionadas, analisamos o regime do … as prestações fracionadas tem um regime
distinto das reiteradas ou periódicas, mas são duradouras. Essas duradoura não podem ter o regime das
fracionadas por nestas últimas o objeto global de aprestação esta predeterminado. Ainda respeito as fracionadas
identificamos a regra que diz respeito há não cumprimento da obrigação
✓ Art. 971 exceção ver art 934 porque 934.º é exceção, diz-nos que na compra e venda a prestações só ocorre o
vencimento das restantes prestações em face do não cumprimento se a prestação em falta exceder 1/8 do preço;
SE EXCEDER 1/8 do preço dá lugar ás restantes artigo diz-nos que se na compra e venda a prestações o
comprador não cumprir uma delas, neste caso, na segunda (esquema Elisa), o não cumprimento desta prestação
não dá lugar ao vencimento das restantes…. Tem de ser > 1/8. O credor da prestação global não tem de aguardar
que a somatória das prestações em falta excede 1/8 do preço para poder exigir o direito de exigir todas as
prestações seguintes.
✓ V.G. Vamos pensar que temos uma compra e venda a prestações em que o valor de 1000, acordou pagar em
20 prestações os 1000 euros, logo 50 euros por mês! Durante 20 meses A vai pagar 50 euros por mês. A não
cumpre uma prestação, se o contrato anda disse em contrário (pq pode ser convencionada outra coisa), A não
cumpre, o vendedor não pode exigir todas as prestações seguintes porque 1 prestação em falta corresponde a
1/20 do preço, que corresponde a uma quantia inferior a 1/8 do preço. Se não corresponder a 1/8 do preço ele
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não pode exigir, mas só artigo diz-nos apenas de 1 só prestação… se faltarem duas prestações, é irrelevante a
regra do 1/8 do preço, pois esta última só se aplica na falta de 1 prestação, se forem 2 prestações já e irrelevante
que seja maior que 1/8 do preço. SE SÓ FOR UMA PRESTAÇÃO, SO HÁ LUGAR AO VENCIMENTO DAS
RESTANTES SE EXCEDER 1/8 DO PREÇO.

Dia 22 de Fevereiro de 2018


CASOS PRÁTICOS
1. A celebrou com B um CCV de uma televisão cujo preço ascende a 2100 euros.
R: Estamos perante um contrato bilateral. Existem duas prestações de coisa, uma corresponde a TV e outra
corresponde a quantia em dinheiro. São fungíveis ambas as prestações, porque podem ser realizadas por terceiros, e
ainda assim o interesse do credor será satisfeito.
2. A contratou B para que construísse um muro na sua propriedade;
R: Prestação de facto positiva material (prestação assumida por B, corresponde a uma ação); a prestação é fungível,
qualquer construtor; instantânea, esgota-se num só momento, o tempo que leva a construi o muro é irrelevante; o
interesse do credor é satisfeito por B ou por C.
3. A obrigou-se a deixar que B passasse numa lagoa situada na sua propriedade;
R: Prestação de tolerância, infungível porque estamos a falar da lagoa de A; é uma prestação duradoura de execução
continuada. B é credor e A devedor … TODAS AS PRESTAÇÕES DE FACTO NEGATIVAS DE NON FACERE OU DE
TOLERANCIA SÃO SEMPRE INFUNGÍVEIS.
4. A contratou Mariza para que esta atuasse num evento que A iria realizar.
R: Prestação de facto positivo jurídico, prestação infungível porque é a Mariza (características artísticas), e o
interesse só será satisfeito se for a Mariza. Instantânea.
5. A, obrigou-se a pagar a B uma dívida no valor de 10.000 euros em 10 mensalidades;
R: Prestação de coisa (quantia em dinheiro, o dinheiro é fungível); enquanto prestação é fungível, todas as
prestações de coisa são fungíveis; quanto ao tempo é fracionada porque o objeto global são 10000 euros sendo que por
acordo entre as partes vai ser divido em 10 mensalidades, quer dizer que a esta prestação se aplica o 781.º CC, um
divida liquidável em prestações.
6. A celebrou com B um contrato de compra e venda de um automóvel pelo preço de 30.000 euros o qual
seria pago em prestações mensais iguais e sucessivas 3.000 euros cada uma;
R: contrato compra e venda é bilateral, e um contrato em que definimos como um acordo de vontades contraposta
entre si, mas perfeitamente harmonizáveis, as prestações são reciprocas e interdependentes; Dinheiro prestação de
coisa; quanto ao tempo é fracionada; não se aplica 91…, mas sim 934.º; é fungível porque é uma prestação de coisa ||
Carro prestação de coisa, instantânea, fungível.
7. A celebrou com B um contrato de arrendamento de um andar cito em lisboa, cuja renda acordada
corresponde a 1000 euros mensais;
R: ouvir a gravação; fungível, pois é prestação de coisa, instantânea (entrega das chaves); num segundo momento
existe uma prestação e facto, permitir que o inclino usufrua do local arrendado. Por outro lado, a cargo do inquilino esta
o pagamento da renda, é uma prestação de coisa, a renda pode ser paga pelo inquilino ou por terceiro, e, quanto ao
tempo, duradoura, reiterada ou periódica. A cargo da senhoria a prestação de facto é classificada quanto ao tempo como
duradoura de execução continuada, protela-se interruptamente no tempo.
8. A comprou a B um quadro da pintora Vieira da Silva pelo preço de 100.000 euros.
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R: Duas Prestação de coisa (fungível), a coisa objeto da prestação (quadro) é que é infungível. É um contrato de
compra e venda, é bilateral, a prestações são reciprocas e independentes: compra do quadro e entrega do dinheiro.
Enquanto prestações de coisa são ambas infungíveis, o quadro é infungível, e o pagamento do dinheiro é fungível. São
ambas prestações instantâneas, esgotam-se num só momento!
9. A obrigou-se a não abrir um restaurante na mesma rua onde funcionava a restaurante propriedade de B.
R: Prestação de facto negativa de non facere; quanto à fungibilidade é infungível (todas as prestações de facto
negativa são infungíveis), porque só aquele devedor poder fazer cessar a necessidade do credor; é uma obrigação
duradoura de execução continuada.
10. A celebrou com B um contrato promessa de compra e venda de um imóvel pelo preço de 250.000 euros.
R: cada um deles obriga-se a imitir no futuro uma declaração de vontade perante o contrato definitivo, cada um
vincula-se a celebrar no futuro o contrato prometido, logo cada um deles obriga-se a imitir uma declaração de vontade
correspondente a declaração de vontade exigida para a celebração do contrato futuro. São prestações de facto jurídico,
da emissão da declaração de vontade resultam efeitos jurídicos. Ambas as prestações são fungíveis, pois por exemplo,
é possível o recurso à execução especifica em ambas as partes (obter declaração de vontade com o objetivo de ser
emitido uma declaração de vontade por parte do outro), o tribunal pode emitir declarações de vontade em substituição
(art. 830.º). Em relação ao tempo,

MATÉRIA – MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES QUANTO AO TEMPO


➢ Sabermos quando é que se da o vencimento e exigibilidade de uma obrigação pura ou de uma obrigação a
prazo.
➢ A exigibilidade é a capacidade de ser exigido, a partir de que momento pode ser exigido pelo credor o
cumprimento por parte do devedor.
➢ Vencimento: momento em que o devedor esta adstrito de cumprir, se não cumprir incorre em mora;
➢ OBRIGAÇOES PURAS e exigibilidade dá-se a todo tempo, mas para a obrigação se vencer +e necessário
que o credor interpele o devedor para cumprir. A interpretação e o momento em que o credor exigir do devedor
o cumprimento da obrigação, mas é necessário nas obrigações puras esta atuação do credor que corresponde
a interpelação. Eu encomendo uma mobília uma empresa, mas não estabelecemos o momento do cumprimento,
estão perante uma obrigação pura, pode ser exigido a todo tempo desde que o devedor tenha a possibilidade
de a cumprir. “pretendo que me entreguem a mobília” estou a interpelar o devedor para cumprir, se não cumprir
incorre em mora. A interpelação pode ser judicial ou não judicial. NAS OBRIGAÇÕES PURAS O VENCIMENTO
SO OCORRE COM A INTERPELAÇÃO, APESAR DE SER EXIGIVEL A TODO O TEMPO, O VENCIMENTO SO
OCORRE NA INTERPELAÇAO. Se no caso a mobília eu encomendei a mobília e acordei com o fabricante que
a mobília seria entregue no dia 10 de fevereiro de 2018, no 10 de fevereiro deu-se a exigibilidade e o vencimento
daquela obrigação.
➢ SITUAÇAO DE MORA (REQUISITOS): O DEVOR NÃO TENHA CUMPRIDO quando ocorreu o vencimento da
obrigação; que o interesse do credor se mantenha (tem de se manter o interesse do credor na prestação); que
a prestação seja impossível. SE FALTAR UM DOS REQUISITOS, NAO ESTAMOS NUMA SITUAÇÃO DE
MORA, MAS SIM DE INCUMPRIMENRO DEFINITIVO.
➢ Se estamos perante uma prestação não haverá nunca incumprimento pelo devedor ate a obrigação se vencer.
➢ OBRIGAÇOES A PRAZO nenhuma atuação se exige por parte do credor.

Dia 27 de Fevereiro de 2018 (PEDIR À ELISA)

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OBRIGAÇÕES GENÉRICAS E ESPECIFICAS

• Obrigações divisíveis→ artigo 534


• Obrigações indivisíveis→
Cada um dos credores tem direito à sua quota parte porque ela é divisível. Se o credor estiver adstrito a entregar
a dois credores algo indivisível, o credor só pode cumprir, quando cumpre a integridade da prestação, ainda que
fisicamente ela possa ser divisível, mas basta que tenha sido convencionada a indivisibilidade para que ela não possa
ser dividida, ou seja, por regra se estivermos a falar num veículo automóvel estamos a falar numa coisa indivisível porque
não o podemos dividir em partes. O devedor para cumprir perante cada um dos seus credores tem de cumprir a prestação
na sua integridade porque só assim haverá a satisfação do credor. Portanto, o credor só ficará satisfeito se receber a
prestação e se ela for indivisível, se receber a prestação na sua integridade, ou seja, a prestação não pode ser dividida
em partes.
Nota! A indivisibilidade pode não resultar da própria natureza da obrigação, mas sim por convenção entre as
partes ou por imposição legal. Apesar dela ser materialmente divisível pode por convenção não poder ser dividida. Por
exemplo: vamos supor que temos que há 4 pessoas a ter uma casa de 4 andares em regime de copropriedade. Acontece
que é possível no âmbito da ação de divisão de coisa comum um dos proprietários que propõe a ação vir propor a sua
indivisibilidade, mas se nós tivermos o prédio em propriedade horizontal, não é possível dividir aquele imóvel em 4 frações
autónomas para que cada um fique vinculado a uma fração autónoma. Todavia, a lei permite, no âmbito da copropriedade
que numa situação deste tipo possa ser constituída a propriedade horizontal por decisão judicial de modo a que após a
divisão da propriedade horizontal cada um seja titular de uma fração. Mas supondo que estamos a falar de uma vivenda
e continuam a ser 4 os coproprietários. Neste caso o imóvel não é divisível, mas juridicamente não é. Apesar da lei dizer
que nenhum dos coproprietários está obrigado a manter-se na comunhão, este processo de divisão de coisa comum vai
terminar por se vender a um terceiro porque a divisão daquela coisa comum juridicamente não é possível e fisicamente
também não é. Isto acontece frequentemente quando por via de uma herança 4 pessoas herdam uma moradia. Não
chegam a acordo quanto aos bens dessa herança (moradia), recorrem a um processo de inventário, que hoje em dia
ocorre nos notários, e este processo também se não existir acordo, vai terminar com uma decisão por parte do notário
de que cada um fique a titular de ¼ daquele imóvel. Passámos da situação de uma herança jacente e de uma comunhão
sem determinação da parte ou do direito para, por força do processo de inventário, a determinação do direito de cada
um sobre aquele imóvel.

Vamos supor que A estava casada com B. B morre e deixam a C e D (filhos) uma propriedade. → Com a morte
de B, se o casal estivesse casado no regime de separação de bens, A, C e D têm direito a ⅓ da propriedade (quota
ideal) e vão registar estes seus direitos relativos a este bem através de uma escritura de habilitação de herdeiros de um
processo de imposto de selo. Acontece que este bem vai ficar registado em nome de A, C, e D, mas vai ficar registado
em comum e sem determinação de quota de direito. Isto porque a escritura só se destina a identificar os herdeiros
daquela pessoa falecida, não determina a quota parte de cada um. O que pode determinar a quota parte de cada um é
uma escritura de partilha em que ambos acordam que cada um fica a titular de ⅓ ou um processo de inventário em que
cada um fica a titular de ⅓, mas, esta determinação da quota parte só é possível ou no âmbito de um processo de
inventário ou no âmbito de uma partilha porque à morte de B e com a escritura de habilitação de herdeiros este imóvel
vai ficar registado em nome destas 3 pessoas, mas em comum e sem determinação de parte ou de direito. Passamos
ao inventário em que se a lei diz que o conjugue e os folhos herdam em partes iguais, ou seja, ⅓, mas qual é o ⅓??
será horizontal? Vertical? Misto? Apesar de estar determinada a quota parte de cada um relativamente aquele bem, se
o bem é um só e não é divisível a quota parte de cada um deles é uma quota ideal. Vamos supor que C vai propor uma
ação de divisão de coisa comum. A única solução que vai restar, sendo que estamos a tratar de um imóvel (indivisível)
será a venda a terceiros ou algum dos coproprietários tem de apresentar no momento da venda a terceiros uma proposta
do valor a propor para o todo sendo que só lhe é vendido a ele se não houver uma proposta mais alta.

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• Obrigações específicas → a prestação está especificada desde início. Ex.: A, tem 2 toneladas de milho para
vender a B. Se ele não tem mais de 2 toneladas estamos perante uma obrigação específica, porque nós desde
o início que especificámos qual é o objeto da obrigação
• Obrigações genéricas→ a obrigação determinada quanto ao género e quantidade, mas carece de uma esco-
lha, normalmente feita pelo devedor. A, tem 100 toneladas de milho. B pode escolher 2 toneladas das 100 que
ele tem. O artigo 539 diz-nos que se a obrigação for determinada apenas quanto ao género, compete a escolha
ao devedor, na falta de estipulação em contrário. Portanto, só está determinado o género e por regra e a quan-
tidade. Desta definição feita por este artigo resultam inúmeras questões:
Esta obrigação vai ter de se tornar específica num determinado momento. Qual é esse momento? Idealmente é o
momento do cumprimento, ou seja, no momento em que o devedor cumpre a obrigação perante o credor está
especificado o objeto da prestação pois deixou de ser genérica para passar a ser específica porque ocorreu a operação
de escolha e ele está a cumprir aquilo a que se obrigou a cumprir após a operação de escolha. Ou seja, ele está a cumprir
as 2 toneladas de milho que ele escolheu das 100 que resultaram da sua colheita. A este momento, em que a obrigação
passa de genérica para específica, chama-se: MOMENTO DA CONCENTRAÇÃO→ (a concentração ocorre por regra
no momento do cumprimento). Todavia, o nosso código vem-nos indicar 4 situações em que a concentração ocorre antes
do cumprimento, de acordo com o 541:
1. Quando resultar de acordo das partes;
2. Quando o género o género se extinguir a ponto de restar apenas uma das coisas nele compreendidas;
→ Vamos supor que eu tenho 100 toneladas de trigo e eu obrigo-me a entregar 2 toneladas. Ocorre um
incêndio no armazém. Perecem 98 toneladas de trigo. Concentrou-se a obrigação? A maioria dos autores con-
sidera que não a não ser que esse facto que levou À extinção em género tiver sido levado ao conhecimento do
adquirente para que ele possa tomar providencias. No sentido de se vir a saber se o risco passou a ser por conta
dele.
3. Quando o credor incorrer em mora; → ou seja, o credor não pratica os atos necessários ou recusa injustifica-
damente a prestação. É razoável que o risco continue a correr por conta do vendedor? Não, pois, se se transfere
a propriedade, transfere-se também o risco. Quando há mora do credor quer dizer que a obrigação ainda não foi
cumprida. Mas quem tem de cumprir a obrigação não é o credor, mas sim o devedor→ para percebermos isso
temos de recorrer à análise do artigo 813 em que o legislador nos define o que é a mora do credor, ou sejam
quando ele ou não aceita a prestação que lhe é oferecida nos termos legais ou não pratica os atos necessários
ao cumprimento da obrigação. O credor não está adstrito a cumprir a obrigação, mas pode incorrer em mora nos
termos do 813. vamos supor: a obrigação tem de ser cumprida no domicilio do devedor. Se o credor não se
desloca ao domicilio do devedor para receber a prestação, o devedor não pode cumprir pois há incumprimento.
Mas não é imputável ao devedor, então dizemos que o credor está em mora. Situação diferente é: se for o
devedor que tem de se deslocar ao domicilio do credor, se o devedor não se deslocar, obviamente há mora do
devedor. Mas se o devedor se deslocar ao domicilio do credor para cumprir e este recusar injustificadamente
receber a prestação, então estamos perante uma situação de mora do credor- 813.
Outra situação é quando os inquilinos têm de se deslocar a casa dos senhorios para pagar a renda, mas os
senhorios não respondem. Por regra a renda deve ser paga no dia 1 de cada mês, mas o código consagra uma
dilação possibilitado aos inquilinos que a paguem até ao dia 8 do mesmo mês, caso contrário incorre em mora.
A mora por parte do inquilino dá lugar ao pagamento de uma indemnização que não corresponde à prestação
que visa reparar os prejuízos causados ao credor, mas sim uma indemnização fixada por lei que corresponde a
50% do valor da renda. Sempre que o senhorio recusa que o inquilino lhe pague a renda e prolonga esta situação
para depois do dia 8 para poder receber os 50% do valor da renda o que na verdade se está a pagar é a
indemnização. Aquilo que se tem de pagar são esses 50% do valor da renda a titulo de indemnização+ o valor
da renda daquele mês. Só assim se ficará em dia com o pagamento da renda. Caso contrario ficaremos sempre
a pagar a indemnização e nunca o valor real da renda. Com o risco de daqui a 4 meses os senhorios indicarem
uma ação de despejo.
4. Quando estivermos perante os termos do artigo 797º. → ex: se eu tenho de mandar uma mercadoria para
Angola a partir de Lisboa. No momento em que eu dou a mercadoria à transportadora, estou-lhe a transferir o
risco. Ou seja, o risco já não da minha conta, passa a correr por conta do adquirente. Eu ao assinar o contrato

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com a transportadora e a obriga-la a transportar a mercadoria deixo de ser eu a suportar o risco, sendo agora
somente ela que fica responsável se ocorrer a deterioração ou extinção da coisa objeto da prestação.

No âmbito do CPCV nós falámos dos contratos reais quanto aos efeitos, ou seja, por mero efeito do contrato se
transmite o direito sobre a coisa → 408. Só que o 408 estabelece uma exceção no que se refere às obrigações genéricas
porque se através da compra e venda se transmite o direito sobre a coisa, quer dizer que o proprietário da coisa passa
a ser ainda que a coisa não esteja no seu direito. A responsabilidade pela perda ou deterioração da coisa objeto da
prestação ocorre a partir do momento em que o comprador celebra o contrato. Portanto, transfere-se o direito de
propriedade e simultaneamente transfere-se o risco de perda ou deterioração da coisa objeto da prestação. Admite-se
que ocorre a concentração da obrigação no momento do cumprimento, o risco transfere-se para aquele que adquire.
Enquanto o devedor não cumprir, o risco, à partida, não se transfere, mas o artigo 541 estabelece 4 situações em que
se dá a concentração. Por força da concentração da obrigação ocorre a transferência da propriedade e por força da
transferência da propriedade, temos de ir ao 796 e o risco passa a ser por conta do adquirente!

• Obrigações alternativas→ 543. Ex: A, está adstrito a entregar a B o BMW ou o Audi. Em obrigação temos 2
ou mais prestações e o devedor exonera-se cumprindo uma. Ou seja, o devedor está adstrito a entregar ou o
BMW ou o Adi por isso é que elas são alternativas.
• Obrigações com faculdade alternativa→ são aquelas que na obrigação têm uma só prestação (BMW) mas
em que o devedor se reserva ao direito de substituir esta prestação por uma outra. A diferença é que nas obri-
gações alternativas em obrigação nós temos 2 prestações e aqui só uma. O artigo 545 diz-nos que se” uma ou
algumas das prestações se tornarem impossíveis por causa não imputável às partes, a obrigação considera-se
limitada às prestações que forem possíveis”. Portanto, na obrigação alternativa, se temos 2 prestações na obri-
gação se uma se torna impossível, o devedor fica adstrito a cumprir outra. O mesmo não acontece com as
obrigações com faculdade alternativa porque em obrigação só temos 1 prestação, portanto as consequências
da impossibilidade do cumprimento daquela prestação hão de ser as mesmas consequências das gerais do não
cumprimento das obrigações porque a faculdade de ser cumprida outra para além daquela é uma faculdade de
que se reserva o devedor. Portanto, tornando-se impossível a aquela a que o devedor se obrigou, o credor não
pode exigir outra.
• Obrigações pecuniárias→ são aquelas que têm por objeto uma determinada quantia em dinheiro. Estas por
regra dividem-se em:
i. obrigações por moeda específica→ ex: uma liga de outro. São moedas com um determinado
valor legal, mas que não se refere a nenhuma moeda com curso legal em país nenhum
ii. obrigações de quantidade→ ex: 100 euros
iii. obrigações em moeda com curso legal no estrangeiro→ ex: 100 dólares. Em Portugal, qualquer
convenção em moeda estrangeira, pode ser cumprida como moeda do curso legal do país, ou
seja, vamos pensar que pensamos em convencionar uma determinada mercadoria em dólares.
O valor exonera-se no valor correspondente em euros ao câmbio do dia em que efetuar o pa-
gamento da obrigação.

• Obrigação de juros→ os juros correspondem à indemnização de uma obrigação pecuniária. Portanto, sempre
que o devedor está adstrito ao pagamento de uma obrigação pecuniária, em face do não cumprimento o legisla-
dor optou por ficar uma determinada taxa de juro que é devida pelo devedor caso não tenha sido convencionado
pelas partes uma outra taxa. A taxa de juro civil atualmente é de 4%. em regra, o devedor em caso de mora fica
responsável pelo prejuízo que cause ao credor com o atraso do cumprimento. Isso quer dizer, por regra, que o
credor tem de fazer prova dos prejuízos que o não cumprimento da obrigação lhe causou para poder exigir do
devedor a obrigação correspondente. Contudo há uma exceção: sempre que estivermos perante uma obrigação
pecuniária o devedor esta obrigado a pagar o capital e os juros devidos sem que tenha o credor de fazer prova
dos prejuízos que o não cumprimento da obrigação lhe causou porque nas obrigações pecuniárias reveste a
forma de juros de mora e estes são em falta de conceção das partes fixados por lei. Daqui resulta uma regra
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relativamente ao cumprimento das obrigações pecuniárias→ A, deve a B 100K+ 15K de juros. Vamos supor que
A paga a B 100K. → os 100K que A pagou a B vão liquidar previamente os juros e só depois o capita, pelo que
resta em dívida 15K de capital porque no nosso código é proibido o anatocismo, quer isto dizer que os juros não
podem vencer juros e se o legislador admitisse que os 100K liquidariam o valor do capital, o valor dos 15K
mantinha-se inalterável até ao momento do pagamento por parte de A ainda que ele demorasse 4 anos a pagar
porque sobre este valor de juros no podem incidir juros. Esta é uma regra de imputação→ que diz: quando o
devedor entrega ao credor uma prestação que não seja suficiente para liquidar o capital da indemnização, a
prestação entregue pelo devedor imputa-se primeiro na indemnização e só depois no capital. Se houver despe-
sas imputa-se primeiro nelas, depois na indemnização e só depois no capital para que o capital possa continuar
a vencer juros.

Dia 1 de Março de 2018


PARA QUINTA FEIRA
1. A vendeu a B 10 toneladas de trigo da colheita que iria realizar. Ficou acordado entre as partes que A se
obrigava a entregar as 10 toneladas de trigo a B decorridos 30 dias do termo da colheita. Após a colheita,
que nesse ano permitiu A obter 200 toneladas de trigo, ocorreu um incêndio que destruiu parcialmente
armazém de A onde se encontrava o trigo, destruindo-o quase na totalidade com exceção das 10
toneladas de trigo. Ocorre que 5 dias após o incêndio e 10 dias antes do termo do prazo para a entrega
do trigo o armazém de A ficou totalmente destruída merce de um temporal que assolou a região. B, que
tinha pago já o preço devido pelas 10 toneladas de trigo, pretende exigir a devolução do mesmo. Assiste-
lhe tal direito?
R: GRAVAÇÃO. obrigação genérica (quanto ao género e quantidade) transformou-se em especifica, deu-se a
concentração, ou seja, transfere-se a propriedade sobre as 10 toneladas de trigo e transfere-se o risco (796.º + 408.º),
que exceciona este preceito as prestações genéricas, pois se as prestações genéricas dependem de ma escolha que o
credor faça do objeto da prestação, co o e que u o credor pode adquirir um direito de propriedade sobre uma coisa que
não esta especificada? Este artigo diz eu por mero efeito do contrato transmite-se o direito sobre a coisa com exceções
com o que se refere as obrigações genéricas, logo este direito não se transfere; se não se transfere o direito da coisa, a
luz do 796 também não se transfere o risco, assim o risco só se vai transferir para o comprador no momento em que se
transferir o direito sobre a coisa, regra geral nas genéricas e no momento no cumprimento, ou seja, momento de
concentração).
No âmbito das obrigações genéricas, quando e que se transfere o risco e o direito de propriedade? Com a
concentração, ou seja, o momento do cumprimento da obrigação, aí transfere-se ambos, pois a concentração ocorre no
momento do cumprimento, é individualizada a prestação.
CONCENTRAÇÃO  o objeto passa de genérico para específico.
O legislador diz que há situações (541.º) em que apesar de não ter havido cumprimento, ocorre a concentração da
obrigação, aqui então há transferência do direito de propriedade e risco. A concentração tem por regra lugar no momento
do cumprimento. Mas há situações em que essa concentração ocorre ainda que não tenha havido cumprimento, logo
começa-se a aplicar o 408.º (transfere-se o direito sobre a coisa) + 796 (transfere-se o risco, quem suporta este risco).
DUAS OPÇÕES (DIZER NO TESTE): O CREDOR TEM CONHECIMENTO DO FACTO QUE GERA A
CONCENTRAÇÃO (extinção do género a ponte de restar o que deve ser cumprido), EXISTE A CONCENTRAÇÃO,
TRANSFERE-SE O PROPRIEDADE, LOGO TRANSFERE-SE, O RISCO CORRE POR B, NÃO TEM DIREITO; O
CREDOR NÃO TEM CONHECIMENTO DO FACTO QUE GERA A CONCENTRAÇÃO, NÃO EXISTE A
CONCENTRAÇAO, NÃO SE TRASFERE O RISCO , CORRE ENTAO POR CONTA DE A, LOGO TEM DIREITO A
DEVOLUÇAO.

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o Qual é o local de cumprimento da obrigação? No domicílio do devedor, local que se encontra o trigo, regras
supletivas do Código, ou seja, o legislador admite que as partes possam convencionar sobre esta matéria, mas
se não convencionarem o legislador indica quais as regras aplicáveis, o local do cumprimento, a situação da
prestação por outrem que não o devedor, as partes podem convencionar outra pessoa, art. 772.º;
1.1. A solução seria a mesma caso não tivesse ocorrido um incêndio e o temporal tivesse destruído
a totalidade do trigo existente no armazém de A, mas tal temporal teria ocorrido 35 dias após a
colheita?
R: O prazo determinado são 30 dias. 35 dias após foi B que não foi buscar, não A que não entregou, ou seja
existe mora por parte do credor. B não praticou os atos necessários ao cumprimento da obrigação (813.º, CC), não se
deslocou ao local de cumprimento para receber a prestação, ou seja, pelo 541.º, havendo mora do credor, a partir do
trigésimo dia da colheita, estamos numa situação e mora do credor, o risco passa a correr por conta do credor, logo, o B
não teria direito a reaver o valor que pagou pelo preço do trigo.
A mora do credor faz transferir para o credor o risco da perda da coisa objeto da prestação. Estamos no âmbito
de uma obrigação genérica, apesar de não ter havido cumprimento, houve concentração na mesma, uma fez que no
trigésimo dia o credor não compareceu para cumprir a obrigação.

Dia 6 de Março de 2018


➢ Obrigação de Indemnizar: artigo 562.º, e de acordo com este artigo aquilo que o legislador nos diz é que em
resultante de um dano provocado … o lesado deve ser colocado na situação que teria se o dano não se tivesse
verificado. No âmbito da RC esta só tem por objetivo a reparação de danos, sem dano não há responsabilidade.
O lesante ate pode praticar o facto ilícito, se o dano não for provado, não há lugar a reparação, ao contrario da
responsabilidade penal, aqui pode haver uma penalização sem que haja dano, porque no âmbito do direito penal
pune- se a tentativa. No âmbito a RC sempre que esta só se destina a reparar danos, não existindo danos não
há lugar a reparação, na esfera jurídica do lesante não há obrigação de indemnizar o lesado.
➢ DANO PATEIMONIAL VS DANO NÃO PATRIMONIAL O dano patrimonial é usualmente definido como aquele
que é avaliável em dinheiro, o dano não patrimonial, ab contrarium, não é avaliável em dinheiro logo no rigor dos
princípios o dano n patrimonial é compensável, ou seja, se a indemnização corresponde a avaliação pecuniária
de um determinado dano, se o dano não patrimonial não é avaliável em dinheiro, logo , no rigor dos princípios,
não deveria dar lugar a uma indemnização, na verdade, fala-se em compensação, ou seja compensa-se o lesado
por um determinado dano sendo que esse dano se não avaliável em dinheiro não pode ser objeto de nenhum
cálculo aritmético. Como e que se indemniza? Quando falamos em compensação falamos num critério que fica
na esfera jurídica de quem decide no sentido de o dano não patrimonial verdadeiramente depende do juízo e de
equidade, não há regras para definir o valor de um dano, logo os juízes decidem consoante aquilo que aprece
justo e razoável em termos de equidade compensar o lesado por esse dano.
➢ DANOS PATRIMONAIS: subdividem-se em danos emergentes e lucros cessantes. Os emergentes
corresponderem aos danos sofridos pelo lesado e que consistem numa diminuição do ativo ou aumento do
passivo; é um dano emergente v.g, a destruição que alguém faça de uma determinada coisa propriedade do
lesante, e um dano emergente as despesas que o lesante tem que fazer com a assistência medica e que e
prestada na sequencia de uma dano físico provado pelo lesante, é um dano emergente vamos supor no âmbito
de um acidente de viação o veículo do lesado merce de um facto praticado pelo lesante, facto que pode ser ilícito
ou não (v.g. o fator risco art.º 500). , o valor da reparação desse mesmo veiculo. Os lucros cessantes
correspondem a tudo aquilo que o lesado deixou de auferir em virtude da lesão, v.g. A sofre uma lesão física
que o impede de trabalhar durante 3 meses e por esse motivo deixa de auferir a renumeração correspondente,
essa renumeração é um lucro cessante; também e se o A que é proprietário de uma padaria, se em virtude de
um facto pratico pelo lesante a padaria é destruída, é lucro cessante tudo aquilo que o lesante deixou de auferir

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com aquela exploração da padaria. OUVIR GRAVAÇAO, PC DESLIGOU EXEMPLO DADO PELA
PROFESSORA;
➢ DANOS NÃO PATRIMONIAIS (MINUTO 38): nem todos os danos não patrimoniais são passiveis de
indemnização. Com efeito, se formos ao artigo 496.º, vemos que primeiro só são indemnizáveis o danos não
patrimoniais que pela sua gravidade mereçam a tutela do direito (os incómodos, as massadas não são
indemnizáveis; vamos supor que alguém sofre um acidente de aviação, é hospitalizado, é intervencionado, gasta
dinheiro em fisioterapia, deslocações, e a pessoa diz : e a massada que foi ir a fisioterapia, a fisioterapia é
indemnizável mas a “massada” não); Entram aqui o dor e sofrimento que alguém teve com o ferimento, entra
também o dor o sofrimento que alguém passa a sofre em virtude de uma cicatriz que passou a ter; cabem aqui,
no âmbito do 496, quer o dano moral propriamente dito como o dano estético;
➢ DANO MORTE o maior dos danos não patrimoniais; o artigo 496.º obriga-nos a distinguir o dano morte enquanto
“perde o direito à vida” o dano sofrido pelo lesado (o decujus) como o dano que sofreram os seus familiares
próximos pela dor e o sofrimento que tiveram pela morte do ente querido. Do dano morte resulta esta dupla
vertente de indemnização: sendo que quem tem o direito a receber a indemnização pela perda da vida, ou seja,
em face da morte de alguém só nasce o direito a indemnizar por esses danos e alguma das pessoas consagradas
neste artigo existirem. Vamos supor que alguém morre, não tem pais vivos, não tem filhos, cônjuges, mas tem
um afilhado que gosta muito, pois este afilhado não esta no elenco descrito no artigo 496.º, logo não pode ser
indemnizado pelo dano morte, pode, todavia, fazer parte da herança.
➢ Relativamente ao dano morte na perspetiva da dor e do sofrimento que sofrem essas pessoas deste artigo, a
primeira ideia que temos o dano morte e a perda do direito a vida: o que falece, o decujus. Muitos autores
começaram primeiro por discutir se deveria ou não ser indemnizado. PORQUÊ? Porque se o dano morte é um
dano não patrimonial, se os danos não patrimoniais não são avaliáveis em dinheiro, não há valor que compensa
a perda de uma vida, e se não há valor, então não há indemnização, se não conseguimos ver o valor da vida,
entoa não se indemniza; posteriormente, aqueles que sempre defenderam a indemniza pelo dano morte, então
, a ser assim, disseram eles mais vale matar do que ferir corporalmente, porque se o lesante se matar não e
obrigado a indemnizar, se ferir corporalmente já é; por outro lado quem defende que a indemnização pelo dano
morte no sentido de perda do direito à vida não deve existir, e porque considera que na realidade aquele que
sofre o dano não pode adquirir o direito à indemnização; outros dizem “e que a morte é a ultima manifestação
de vida, então a pessoa só morre porque está vida, logo no momento de ultima manifestação e vida, é também
o momento em que a pessoa adquire o direto”;
➢ A nossa jurisprudência encontrou uma boa forma de sair destas situações. Através da posição em que se
defende que aquando a morte da vitima, o direito à indemnização nasce ab initio na esfera jurídica das pessoas
presentes nesse artigo, as quais são titulares do direito de indemnizar relativamente a um dano provocado ao
decujus.
➢ No âmbito dos danos não patrimoniais, só se merecem a tutela do direito é que são indemnizáveis.
➢ A regra no que respeito ao dano é da reconstituição natural só que quando a reconstituição natural não é
possível é que o lesado será indemnizado, recebera um valor pecuniário que substitui a reconstituição natural;
➢ Dano real dano efetivamente sofrido;
➢ Dano de calculo cálculo monetário que resulta daquele dano real;
➢ Dano físico; dano material . a classificação de danos presente, tudo aquilo que apos a lesão se pode determinar
como dano sofrido pelo lesado enquanto que o dano futuro são todos e qq danos que resultem no futuro daquela
lesão.
➢ Dano físico prova pericial, uma prova requerida ao tribunal no sentido que o lesado seja submetido a um exame
medico legal para determinar os danos que sofreu em virtude daquela lesão. Nem sempre este exame medico
legal vai permitir a indemnização que é peticionada porque muitas vezes o que acontece é que os danos físicos
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que a pessoa que evoca que sofreu as vezes são antigos, preexistentes. É a melhor forma de fazer o cálculo de
um dano corporal através então da identificação dos danos, da fixação dos coeficientes de incapacidade se
existirem, e esses coeficientes são depois not tribunal aplicáveis ao rendimento da pessoa, para termos então
os lucros cessantes de um lado e por outro em termos da valoração do sofrimento, também há tabelas do dano
não patrimonial que é possível d indexar.
Dia 8 de Março de 2018
TEMA: NEXO DE CAUSALIDADE
▪ Nexo que tem de existir entre o facto e do dano para que exista a obrigação de indemnizar;
▪ Uma das teorias + importantes: sine qua non, há nexo de causalidade sempre que o facto surja como a condição
sem qual o dano não se teria verificado; ou seja, à luz desta teoria, haveria sempre de causalidade sempre que
do facto resulta-se um determinado bem; esta teoria leva longe de mais a possibilidade de existência do enxó
de causalidade porque à luz da sine qua non existiam situações que seria determinada a existência do nexo de
causalidade e obrigado o lesante a indenizar (surgir na esfera jurídica do lesante a obrigação de indemnizar)
quando e certo que não aprecia razoável que isso acontece-se: v.g eu faço um corte no braço de uma pessoa,
a pessoa, homofílica, vem a morrer do corte, porque o corte noa consegue estancar o sangue a pessoa morre.
Aplicando esta teoria, o facto foi a condição sem a qual o dano não se tinha verificado; v.g eu prego um susto a
B e a pessoa, merce do susto morre, mas morre porque sofria do coração, mas a verdade e que o facto de onde
resultou a morte da pessoa, não foi o ataque de coação que ela teve, mas o susto que eu preguei. LONGE DE
MAIS A POSSIVILIDADE DE DETMINAÇAO DA EXISTENCIA DO NEXO DE CAUSALIDADE.
▪ Surge depois uma teoria que vem introduzir alguns elementos a esta teoria: elementos de proximidade, só
haveria nexo de causalidade sempre o facto fosse…, mas o facto mais próximo do dano.
▪ Surge a teoria da causa adequada que se entende que é a que está consagra no 563.º que nos diz que o agente
só vai ter obrigação de indemnizar pelos danos que o lesado provavelmente não teria se não fosse a lesão; não
basta que o facto seja a condição sem a qual o dano não se teira verificada, é necessário que o facto seja uma
causa adequada a verificação do dano, tem de ser uma causa apta à produção do dano. Em face de que? De
todos os elementos que pudessem ser conhecidos pelo agente.
▪ É normal/previsível que um corte no braço de uma pessoa lhe provoque a morte? NÃO. LOGO, NÃO HÁ NEXO
DE CAUSALIDADE. O facto tem de conduzir aquele dano.
▪ É NORMAL QUE UM CORTE NUM BRAÇO DE UM HEMOFILICO LHE PROVOQUE A MORTE? SIM, então há
nexo de causalidade.
▪ Temos de ver se o facto é, ou não é apto a provocar aquele dano! Se for previsível que daquele facto resulte
aquele tipo de dano, então haverá nexo de causalidade. ADVÉRBIO “provavelmente”, os danos que o elado
provavelmente não teria sofrido se não fosse a lesão, temos um grau de probabilidade que é determinante para
concluirmos se há ou não há nexo de causalidade.
▪ TEORIA DA CAUSA ADEQUADA: tem duas vertentes, tem importância relativamente ao ónus da prova:
✓ POSIVITA: cabe ao lesado a prova de que aquele facto é uma causa adequada da produção do dano,
o lesado tem de fazer prova que aquele facto e apto a provar aquele dano, tem de fazer prova daquele
facto provavelmente resulta aquele tipo de dano;
✓ NEGATIV: considera-se que o lesado unicamente tem de fazer prova quem aquele facto foi condição do
dano, ou seja, se retirássemos aquele facto, o dano não se teria provado. ATENÇAO, feita esta prova,
só se determina da existência de nexo caso o lesante não prove que o facto condições extraordinárias
e anómalas, estas que condiram a produção do dano. V.g O HEMOGILIOCA TINHA DE PROVAR QUE
MORRE PELO CORTE; cabia ao lesante fazer prova que a morte ocorre em virtude de condições
anómalas e extraordinárias, o facto de ele ser hemofílico, coisa que ele não sabia (inversão do ónus da
prova, provar que eram circunstâncias extraordinárias e anómalas). O LEGISLADOR CONSAGRA A
TEORIA DA CAUSA ADEQUADA, MAS NA NEGATIVA.
▪ Na realidade, o nexo é o pressuposto que dá mais trabalho na resolução de uma hipótese, pois a adequação
tem de ser bem interpretada para concluir se há ou não obrigação de indemnizar – sem nexo não há obrigação
de indemnizar nem na responsabilidade contratual nem extracontratual.
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▪ Esta matéria do nexo estudamos que o facto donde resulta um determinado dano denominada da causa real do
dano. Por contraposição há causa virtual – que é uma causa que é apta a provocar aquele mesmo dano não
fosse de o ano resultar da causa real. A causa real pode ser um acontecimento real ou não, o que importa e que
a causa real é aquela que provoca o dano e a virtual é que e apta a provar aqueles danos, mas que não provoca
(porque o efetivamente é o real) e que provocaria ... (v.g. meto uma bomba num carro. No entanto o carro é
destruído por um terramoto, mas a bomba que eu coloquei no carro era apta a destruí-lo não fosse o terramoto
ter destruído o carro; a causa virtual e a bomba e a real o terramoto; v.g.2. o automóvel e destruído pela ruina
do edifício porque o edifício não tinha conservação, nesse mesmo dia, depois da destruição, ocorre um
terramoto, que destruiu todos os edifícios daquela zona, logo o terramoto é uma causa virtual e a falta de
conservação do edifício é uma causa real  não interessa o momento em que a causa virtual inicia o processo
causal). Se a causa virtual não provoca danos, não tem relevância no nosso OJ, há indemnização sem danos?
NÃO, logo a regra geral quanto à relevância da causa virtual é da sua irrelevância, a causa virtual é por regra
irrelevante – irrelevância da causa virtual. MAS HÁ EXCEÇÃO  o nosso legislador admite em determinadas
situações, por vezes admite atribuir a causa virtual alguma relevância.
▪ A causa virtual pode ter dois tipos:
✓ Positiva: fazer recair sobre o agente, autor da CV a obrigação de indemnizar; o nosso CC não admite
de todo; o autor não pode ser obrigado a indemnizar um dano que não provocou. A vertente positiva não
se aceita.
✓ Negativa: consiste no facto de autor da causa real ver afastada ou diminuída a sua obrigação de
indemnizar em virtude da evocação de uma causa virtual. Ou seja, pretende ver reduzida ou excluída a
obrigação de indemnizar – 491, 492 e 493, n.1, CC (exceções a regra geral de irrelevância), estes artigos
consagram duas exceções a duas regras gerias, são artigos que se referem a factos praticados por
omissão, logo consagram relativamente ao pressuposto culpa uma exceção a regra (presunção legal de
culpa). Estes factos por omissão muitas vezes são do que respeita a prova da culpa + difíceis de aferir,
muitas vezes e difícil para o lesado fazer prova da culpa, ou seja, o lesado esta dispensado de fazer
prova de culpa do lesante, cabe ao lesante provar que não teve culpa: é um ónus grande sobre a pessoa
do lesante. Ao excecionar estes artigos esta a onerar o lesante mas nos mesmos artigos em que
consagra a presunção de culpa o legislador vem de algum modo dizer que e verdade que o lesante fica
onerada com a presunção, mas também e verdade que o legislador admite a c... assim, se nos tivermos
uma situação consagrada no 491, 492 ou 493 em que o lesante não consegue provar que não teve culpa
mas prova que ainda que tivesse atuado de acordo com aquilo que dele era esperado e obrigado, o
dano sempre ocorreria, ele exime-se da responsabilidade. TEM DE SER UM FACTO NATURAL E NÃO
HUMANO.
✓ Ouvir exemplo minuto 40 2 parte da aula

▪ CASO PRÁTICO:
A, proprietário do cavalo X, pretende receber uma indemnização pela morte do seu cavalo, o qual estava
avaliado em 50.000 euros à data da morte uma vez que tinha já ganho alguns prémios em diversas corridas de
cavalos. A verdade é que o cavalo X foi morto com um tiro disparado por B o qual pretendia a morte do cavalo,
mas em momento anterior ao disparo do tiro por B, C tinha iniciado um processo de envenenamento do cavalo
X de modo a provocar-lhe a morte. Quem responde pelos danos causados a A, B ou C?
R: AO MATAR O CAVALO, B PRATICA UM ATO ILÍCITO E CULPOSO; O TIRO É CAUSA ADEQUADA DA MORTE DO
CAVALO.
A responsabilidade civil é um instituto mediante o qual alguém sofre danos provados por outrem, tem direito a ser
ressarcido pelos danos que foram causados. No fundo, a responsabilidade civil visa reparar danos, ou seja, visa
indemnizar todo aquele que sofre danos, desde que os pressupostos da responsabilidade civil estejam preenchidos. Os
pressupostos são o facto, ilicitude, culpa, dano e nexo de causalidade (art.º 483 CC).
• Facto: humano, por ação;

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• Ilicitude: Para ser ilícito, como diz o artigo 483.º, é necessário que se viole o direito de outrem ou qualquer
disposição legal destinada a proteger interesses alheios. NÃO HÁ CAUSAS DE EXCLUSÃO DE ILICITUDE.
• Culpa: traduz-se num juízo de reprovação sobre a conduta do agente, que resulta de se considerar que o agente
pode e devia ter agido de outro modo. No âmbito do nosso ordenamento jurídico a culpa é apreciada em abstrato,
porque o legislador nos diz no artigo 487 nrº 2 que a culpa é apreciada na falta de outro critério. DOLO DIRETO.
• Dano: o dano corresponde ao prejuízo causado ao lesado pela atuação do lesante. É patrimonial na medida em
que é avaliável em dinheiro. Podemos considerar que a morte do cavalo X seja um são efetivamente um dano
emergente, ou seja, o dano sofrido no património do lesado; consideramos lucro cessante se pensarmos que o
cavalo efetivamente traria algum tipo de benefício pecuniário a A, sendo que assim seria um lucro cessante, ou
seja, tudo o que o lesado deixou de auferir em virtude da morte do cavalo.
▪ Nexo de causalidade  Nexo que tem de existir entre o facto e do dano para que exista a obrigação de
indemnizar:
✓ Surge a teoria da causa adequada que se entende que é a que está consagrada no 563.º que nos diz
que o agente só vai ter obrigação de indemnizar pelos danos que o lesado provavelmente não teria se
não fosse a lesão; não basta que o facto seja a condição sem a qual o dano não se teria verificado, é
necessário que o facto seja uma causa adequada a verificação do dano, tem de ser uma causa apta à
produção do dano.
✓ Causa real: é o facto que, do ponto de vista jurídico, constituiu a causa de um certo dano. Sendo esse
facto um ato ilícito e culposo, impende sobre o seu autor a obrigação de indemnizar o lesado pelos
prejuízos que sofreu. Quando com a causa real coexiste uma causa hipotética, o autor da causa real
pode, em certos casos previstos na lei, ver excluída a sua responsabilidade pela prova da existência de
uma causa virtual. O TIRO PROVOCOU EFETIVAMENTE O DANO. EX: CAUSA REAL DO CAVALO
INDENIAR EM 40.000 IMAGINEMOS
✓ Causa virtual: é um facto que tenderia a provocar certo resultado danoso, se este não fosse causado
por um outro facto. ERA APTO A PRODUZIR A MORTE, NÃO FOSSE O TIRO. HÁ DANO CAUSADO
PELO VENENO, E ELE IRÁ SER RESPONSABILDIAZDO POR ISSO, NÃO PELA MORTE. SERA
OBRIGADO A INDMNIZAR PELA DIMUIÇAO DO VALOR DO CAVALO. EFEITO PARCIAL, VAI
INDEMNAIR NAOE NAUNTO AUTOR DE CAUA VIRTUAL, MAS UMA CAUSA REAL E OPERANTE
QUE É O VENENO. V.G. O ENVENANEMNTO FAZ O CAVALO VALER APENAS 10.000. SÓ há uma
causa virtual quando algo é apto a provocar.
✓ CONCLUSÃO: temos de perceber que este caso não se enquadra nem no 491.º, 492.º, nem 493.º, onde
se admite a relevância da causa virtual, são exceções. Logo temos de concluir que a causa virtual
(envenenamento) é absolutamente irrelevante. Temos de verificar se C que é autor da causa real morte

Dia 13 de Março de 2018 (aula com o professor)


SUMÁRIO: Capítulo IX – Garantia geral das obrigações; Meios conservatórios da garantia patrimonial;
noções fundamentais; N.72.º Noção de garantia geral das obrigações; N.73.º Meios conservatórios da garantia
patrimonial; N.74.º Declaração de Nulidade; N.75.º Sub-rogação do credor ao devedor; N.76.º Impugnação
Pauliana; N.77.º Arresto.
➢ A garantia patrimonial quer dizer que se o devedor não cumprir, pode o credor agir contra o património do último
 património bruto (valor do ativo antes do passivo, antes de descontados os débitos); O património liquido é
quando são descontadas as dívidas.
➢ Artigos 2070.º & 2071.º CC;
➢ A garantia geral das obrigações ... todos os bens que sejam anteriores à aquisição desses bens…
➢ Os credores estão todos numa situação de igualdade, mas podem os bens não chegar para satisfazer todos os
credores  artigo 604.º; a não ser que tenha uma causa de preferência, assim prevalece sobre os outros.
Disposição que já resultava do artigo 335.º n.1. Art. 229 do Código Penal também aborda esta questão.

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➢ Meios conservatórios  expedientes que o legislador criou para que o credor possa impedir o devedor de afetar
os seus bens ate um certo limite, 4 meios: declaração de nulidade; sub-rogação do credor ao devedor;
impugnação pauliana e o arresto;
• Declaração de nulidade (art. 605.º): v.g. ato simulado é um ato nulo, ato em que há a nulidade, não é
observada a forma legal; a lei permite que os credores alunem os atos…;
• Sub-rogação do credor ao devedor, propriamente dita (art. 606.º): permite ao credor que substituir
o devedor quando este exerce uma ação ... prevaleça certos direitos de que é titular; que é só se pode
substituir em conteúdo patrimonial; || há outro tipo de sub-rogação, que é a direta, que não devemos
confundir, quando o credor age no lugar ou em representação do devedor no exercício de um direito do
devedor (794.º + 803.º).
• Impugnação Pauliana (art. 610.º): quando o ato não é nulo e não há inércia do devedor, então o credor
tem de ir mais longe. Pode ser exercido por via da ação ou da injeção; pode agir quanto ao primei
adquirente, ou segundo, terceiro, etc.; impugnação pauliana  é a faculdade que a lei concede aos
credores de atacarem judicialmente certos atos válidos ou mesmo nulos celebrados pelos devedores
em seu prejuízo.
• Arresto (art. 619.º): apreensão judicial de bens jurídicos, suficientes para satisfazer a vontade do
credor.619.º
Dia 15 de Março de 2018
CULPA DO LESADO
➢ No âmbito da responsabilidade civil quando avaloamos os pressupostos da responsabilidade relativamente a um
determinado agente, um deles é a culpa. E quanto à culpa a regra é de que a prova da culpa do lesante cabe ao
lesado (art. 487.º), a não ser que sobre o lesante recaia uma presunção legal de culpa, caso em que inverte-se
o ónus da prova e cabe ao lesante provar que não teve culpa. Ou seja: ou a culpa do lesante carece de prova,
ou não carece, mas tem de ser culpo, e como? Fazendo funcionar a presunção, se o lesante não afasta, é
considerado culpado. A culpa do lesante pode ser uma culpa provada ou uma culpa presumida. Nas situações
em que seja feita prova da culpa do lesante, se esta concorrer” com a culpa provada do lesante, pode
eventualmente a responsabilidade do lesante ser excluído, mas o 570 n.1, pode ate ser mantida, reduzida, ou
excluída, ou seja, o lesante pode beneficiar de uma destas 3. Se tivermos na situação em que a culpa do lesante
é uma culpa presumida (recai uma presunção legal de culpa) que este não afastou, ou seja, não fez prova de
que não tinha culpa, nestes casos o 570 n2 a indemnização será totalmente excluída. Porque é que o legislador
no n1 decide diferente do n2? No n1 temos duas culpas provas , no nr 2 temos uma culpa presumida do lesante,
mas uma culpa provada do lesado. Assim o legislador considerou que a culpa provada do lesado se ira sobrepor
à presunção. Conclui-se que nestes casos o lesante vê excluída a sua responsabilidade. O lesado suporta os
danos que lhes foram causados.
➢ Se relativamente ao lesante estão reunidos todos os pressupostos da responsabilidade civil, ele e chamado a
responde. Todavia , e possível encontrarmos situações, apesar de estarem reunidos toso pressupostos da
RESPONSABILIDADE civil a cargo do lesante, é possível que este possa ainda assim ver a sua obrigação de
indemnizar, reduzida ou excluída, em face da prova que seja feita da culpa do lesado. E quando é que o elado
tem culpa? Quando contribui para a produção dos danos. E assim, o art 570.º vem nos dizer que se for feita
prova da culpa do lesado, o lesante pode ver a sua responsabilidade mantida, pq a culpa do lesado não é
suficientemente relevante/grave para a justificação de produção dos danos, pode ver reduzida ou excluída a sua
responsabilidade.
➢ Estamos numa situação em que rodos os pressupostos da responsabilidade civil estão reunidos, logo concluímos
necessariamente da existência de responsabilidade do lesante. Todavia, tendo sido feita prova culpa do lesado,
o tribunal pode decidir mante a responsabilidade .
➢ Há culpa do lesado quando este contribui para o agravamento ou produção dos danos. V.G. A atropela B não
só por imperícia, mas também por distração deste último, ou seja, A atropela B, mas B também tinha atravessado
a estrada de forma distraída, sem ter tomado as dividas precauções que devia para atravessar a estrada. Ou
seja, há uma contribuição do lesado para a produção dos danos. Todavia o legislador vem estabelecer uma regra

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especifica para as situações em que sobre o lesante recai uma presunção legal de culpa, que o lesante não
consegue afastar, mas que consegue provar a culpa do lesado (n.2, 570.º). ou seja: 1) a prova da culpa do
lesante resultou de prova feita pelo lesado, aplicamos o n1; 2) quando a prova da culpa do lesante não existe,
mas ele e chamado a responder com base na presunção legal de culpa que sobre ele recai, o facto de ser feita
prova de culpa, exclui a do lesante. A responsabilidade que cai sobre o lesante é uma responsabilidade baseada
numa culpa presumida, logo, neste caso, por um aldo temos a culpa presumida do lesante, mas para o outro
lado temos uma prova de culpa do lesado, esta deve-se sobrepor a presunção.
➢ V.g.: acidente em que um veiculo é conduzido por um comissario à luz do 503, n3, sobre o comissário recai uma
presunção legal de culpa. Vamos supor que o comissário não consegue afastar a presunção, mas é feita prova
da culpa do lesado. Exclui-se a responsabilidade do comissario, art. 570, n.2. se o comissário afasta a presunção
leal de culpa.
➢ Este art 570.º coloca a questão da prevalência das culpas entre lesado e lesante, ou seja, presunção legal de
culpa que recai sobre o lesante , é feita a prova de culpa? EXLCUI-SE A RSP DO LESANTE (570, n.º2); 570.º
n.º1 é feita prova culpa do lesante e lesado: indemnização pode ser mantida, excluída ou mantida.
➢ V.G. quando um veiculo é conduzido por um comissário… suponhamos que o comissário faz prova que não teve
culpa (afasta a presunção) e esta no exercício das suas funções, não responde. Todavia pode ser chamado a
responder o comitente 503 n1. V.G. o comissario não consegue afastar a presunção, logo a partida responderia
(esta no exercício das suas funções), mas consegue provar a culpa do lesado  570, n.2, exclui a
responsabilidade do lesante que é o comissário, porque este é chamado a responder com base numa culpa
presumida que é 503 n3. O COMISSÁRIO NÃO RSP, mas então o comitente? Continua a ser chamado do âmbito
do 503 n.º1 ? Não.
➢ CONCAUSALIDADE  QUANDO NÓS TEMOS VÁRIOS FACTOS QUE PRODUZEM O DANO, nestes casos,
quer dizer que o dano resultou de um facto praticado por mais do que um agente. Não só temos de determinar
a o grau de culpabilidade deles relativamente aos danos, para repartirmos a indemnização em função do grau
de culpa. DOIS FACTOS, DUAS ILICITUDES, DOIS ENXOS CAUSAIS, NÃO HÁ CAUSAS VIRTUAIS. HÁ
DUAS SITUAÇÕES SENDO QUE UM CONDUZ A UM RESULTADO (EX. PARTIR A PERNA) E OUTRO A
OUTRO (MORTE POR INJEÇÃO DE UM MÉDICO).

Caso Prático
1. No decurso de uma visita de estudo ao Museu Nacional de Arte Antiga, um aluno arremessou uma bola
de ténis a um jarrão da china o qual ficou completamente destruído. A professora que acompanhava os
alunos na visita de estudo não conseguiu aperceber-se da situação porquanto tinha atendido uma
chamada telefónica de um familiar. Em consequência de tal ocorrência o responsável pela fiscalização
da sala onde a mesma ocorreu, e após entrar na mesma, teve um ataque de histeria e foi conduzido ao
hospital onde lhe foi administrado um calmante que continha uma substância ao qual o responsável era
alérgico, tendo vindo a falecer. Ficou ainda provado, no mesmo dia, o museu foi vandalizado por intrusos
que nele se introduziram apos o fecho do mesmo, e que destruíram todas as obras de arte que se
encontravam na sala onde tinha estado em exposto o mencionado jarrão da china. Quem responde pelos
danos causados?
R: Omissão por parte da professora do dever de vigilância; o facto é ilícito , viola o direito de propriedade do museu
sobre o jarrão. Será quem tem culpa? Existe uma presunção legal de culpa sobre a professora encarregue da vigilância,
ela atendeu uma chamada, ela não consegue afastar a presunção legal de culpa que sobre si recai, ou seja, ela não
consegue provar que cumpriu o seu dever de vigilância (art. 491.º CC).
DANOS 1) destruição do jarrão; 2)morte do responsável pela aquela sala. Mas será que são todos relevantes?
Temos de saber se há nexo de causalidade entre a omissão do dever de vigilância e a destruição do jarrão (1) e a
omissão do dever de vigilância e a morte do responsável (2).

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NEXO DE CAUSALIDADE  A nível da teoria da adequação, o dano morte do responsável não pode ser imputável
à omissão de vigilância da professora. Relativamente ao jarrão, não há divíduas que estão preenchidos os 5 pressupostos
da responsabilidade civil, e, mais especificamente, no nexo de causalidade, de acordo com a teoria da causa adequada,
artigo 563.º, a omissão do dever de vigilância é uma causa adequada à produção do dano que corresponde à destruição
do jarrão.
Ao abrigo do 491.º a professora é chamada a responder. A ela caberia provocar que não teve culpa, pois existe uma
presunção legal de culpa; ela não a afasta, pois estava a atender o telefone quando a criança estava com a bola. Há
nexo de causalidade na medida em que é normal, provável e previsível que as crianças numa visita de estudo possam
destruir alguns objetos expostos se não forem devidamente vigiadas pela professora. MAS, a professora trabalha para
um colégio, então, à luz do art 500.º, o colégio poderia ser chamado a responder como garante a cargo da professora,
teria então direito de regresso sobre a professora.
Relativamente a morte do responsável, não há nexo de causalidade porque a pessoa que veio a falecer em virtude
da administração de um medicamento que tinha uma substância, será chamado a responder o medico, desde que o
medico não consiga provar que cumpriu o seu dever enquanto medico, ou seja, fazer uma análise que não fez, vai
responder pela morte do responsável porque não cumpriu as suas obrigações enquanto medico e administrou aquele
medicamento sem fazer uma análise prévia. Existe, pois, um dano não patrimonial indemnizável e um dano patrimonial
(a pessoa morreu, deixou de contribuiu para o seu agregado familiar, correspondente dos lucros cessantes; as pessoas
do 496 tem direito a indemnização pela morte).
QUANTO AOS INTRUSOS  a prova que foi feita quanto aos intrusos, leva-nos a concluir que existe uma causa
virtual: a vandalização daquela sala levaria a destruição do jarrão, uma vez que estes destruíram todas as pessoas
daquela sala, só não destruíam o jarrão porque já tinha sido pela omissão do dever de vigilância da professora. Será um
uma causa virtual, era apta a provar a destruição do jarrão, não tivesse a destruição do jarrão não fosse o dano tendo
sido ocorrido por outra causa que é a causa real. QUAL A RELEVÂNCIA  os intrusos não é um facto natural, o 491
consagra a relevância negativa da causa virtual (só é possível desde que a causa virtual seja uma causa natural, neste
caso não é). Ou seja, a professora responde, não beneficia da relevância negativa da causa virtual porque não
corresponde a uma causa natural e, apesar deste 491.º consagrar... a causa virtual só pode excluir ou reduzir a obrigação
de indemnizar, ou seja, só podemos atribuir relevância negativa da causa virtual 1) 491.º, 492.º e 493.º; 2) e sempre que
a causa constitua um facto natural. DIZER: na realidade, admite-se nestas situações a relevância natural da causa virtual,
conduzirmo-nos ia à situação em que o autor da prática de um facto ilícito de que resultam danos não seria obrigado a
indemnizar pela simples evocação que aquele dano sempre seria produzido por outro autor: assim o autor de causa
virtual não indemnizar, o autor real ... O LESADO NÃO RECEBERIA INDEMNIZAÇAO DE NINGEUM, NÃO PODE…
(GRAVAÇAO).

PÁGINAS  661 – 784 (TEORIA DA DIFERENÇA) – PARA O TESTE

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