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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ

CENTRO DE CIÊCIAS EXATAS


DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA

CLEVERSON GONÇALVES DOS SANTOS

Geometria Analı́tica e Álgebra Linear

Foz do Iguaçu - PR
2010
CLEVERSON GONÇALVES DOS SANTOS

Geometria Analı́tica e Álgebra Linear

Geometria Analı́tica e Álgebra Linear


Curso de Ciências da Computação
UNIOESTE - Campus de Foz do Iguaçu
PTI- Parque Tecnológico de Itaipu.
Cleverson Gonçalves dos Santos.

Foz do Iguaçu - PR
2010

ii
Sumário

1 Vetores 1

1.1 Operações com Vetores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3

1.2 Dependência e Independência Linear de Vetores . . . . . . . . . . . . . . 5

1.2.1 Vetores em R2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6

1.2.2 Vetores em R3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

2 Produto de Vetores 13

2.1 Produto Escalar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

2.1.1 Ângulo entre dois Vetores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

2.1.2 Projeção de Vetores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

2.1.3 Ângulos Diretores e Co-senos Diretores de um Vetor . . . . . . . . 20

2.2 Produto Vetorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

2.3 Produto Misto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

2.4 Duplo Produto Vetorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

3 Retas, Planos e Distâncias 33

3.1 Equações da Reta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33

3.1.1 Equações Paramétricas da Reta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34

iii
3.1.2 Equações Simétricas da Reta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

3.1.3 Equações Reduzidas da Reta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

3.2 Estudo da Reta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

3.2.1 Ângulos de duas Retas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

3.2.2 Condição de Coplanaridade de Duas Retas . . . . . . . . . . . . . 41

3.2.3 Posição Relativa de Duas Retas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42

3.3 Equação do Plano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44

3.4 Estudo do Plano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

3.4.1 Planos Paralelos aos Eixos e/ou Planos Coordenados . . . . . . . 48

3.4.2 Equações Paramétricas do Plano . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49

3.4.3 Ângulo de Dois Planos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

3.4.4 Ângulo de uma Reta com um Plano . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

3.5 Distâncias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

3.5.1 Distância de um Ponto e uma Reta . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

3.5.2 Distância Entre Duas Retas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

3.5.3 Distância de um Ponto a um Plano . . . . . . . . . . . . . . . . . 54

3.5.4 Distância Entre dois Planos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

3.5.5 Distância de uma Reta a um Plano . . . . . . . . . . . . . . . . . 57

4 Cônicas 59

4.1 Parábola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

4.1.1 Equação da Parábola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

4.2 Elipse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

4.2.1 Equação da Elipse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65

iv
4.3 Hipérbole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

4.3.1 Equação da Hipérbole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

4.4 Rotação e Roto-translação dos eixos Coordenados . . . . . . . . . . . . . . . 75

4.5 Cônicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85

4.5.1 Classificação das Cônicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86

5 Superfı́cies Quádricas 92

5.1 Elipsóide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92

5.2 Hiperbolóide de Uma Folha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94

5.3 Hiperbolóide de Duas Folhas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95

5.4 Parabolóide Elı́ptico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96

5.5 Parabolóide Hiperbólico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97

6 Matrizes e Determinantes 98

6.1 Operações com Matrizes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100

6.2 Operações Elementares entre Matrizes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

6.3 Inversa de uma Matriz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110

6.4 Determinante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117

6.4.1 Propriedades do Determinante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121

6.5 Posto de uma Matriz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134

Exercı́cios 136

7 Sistemas de Equações Lineares 142

7.1 Sistemas de Cramer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148

v
Exercı́cios 152

8 Espaços Vetoriais 155

8.1 Subespaços Vetoriais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 160

8.2 Combinação Linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165

8.3 Base e Dimensão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168

8.4 Coordenadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181

8.5 Processo Prático Para Determinação de Base . . . . . . . . . . . . . . . . 187

Exercı́cios 191

9 Transformações Lineares 196

Bibliografia 200

vi
Capı́tulo 1

Vetores

As grandezas que será vista aqui serão grandezas vetoriais, conhecemos bem
as grandezas escalares, contudo, essas grandezas não são suficientes para representar
todos os fenômenos fı́sicos, para as grandezas vetoriais precisamos dar a direção, a in-
tensidade (ou módulo) e o sentido, para isso iniciamos o conceito de segmento orientado.

Seja r uma reta, dizemos que a reta é orientada quando fixamos em r um


sentido de percurso e, consideramos positivo tal sentido e indicamos por uma seta. O
sentido oposto é negativo.

Definição 1.1. Dados um par ordenado de pontos (A, B), dizemos que A é a origem
do segmento e B a extremidade. Então o segmento orientado de origem A e extremidade
B será representado por AB e, geometricamente, indicado por uma seta.

Um segmento é dito nulo quando a origem e a extremidade coincidem.


Segmento Orientado Se AB é um segmento orientado, então o segmento orientado BA
é o oposto de AB.
.... ....
.......H .......H
...
.......
.......
.
...
..
...
.......
.......
.
...
..
B Fixada uma unidade de comprimento, a cada segmento orientado
....... .......
....... r ....... AB
...
...
.........
•...
...
......... pode-se associar um número real não negativo, que é a medida
A
do segmento em relação aquela unidade.
A medida do segmento orientado é o seu módulo ou intensidade. Indicamos
por AB o comprimento do segmento.
Segmento Unitário
u
Naturalmente, o segmento nulo tem comprimento zero e, ainda
| |
|
• | | | I
AB = BA.
A 4u.c B

Definição 1.2. Dois segmentos não nulos AB e CD tem a mesma direção se as retas
suportes desses segmento são paralelas. E são coincidentes se estão na mesma reta

1
suporte. Suponha que os segmentos AB e CD tenham a mesma direção:
a) Se as retas suportes de AB e CD são distintas, dizemos que AB e CD tem o mesmo
sentido caso os segmentos AC e BD tenham intersecção vazia. Caso AC ∩ BD 6= ∅,
dizemos que AB e CD tem sentidos contrários.
b) Se as retas suportes de AB e CD coincidem, tome A0 B 0 tal que A0 não perteça a reta
suporte de AB com A0 B 0 na mesma direção e sentido de AB. Então dizemos que AB e
CD tem o mesmo sentido se A0 B 0 e CD tem o mesmo sentido, caso contrário, dizemos
que AB e CD tem sentido contrários.
...
.....
.. .....
..... ..... ..... .....
..
......
. ...
...
...
.H
..
......
. ..... .....
.. ......... .. .
B ......................................................... ............ D ..... .....
......
. .
......
....... ... .
. ..
.....H .....
.....
B........ ...
.....
.
.......
. ..
.. H
..
..... . .......•
......... ....
.....
. .
.....
. ..... ... ......... ......... C
.
...
.....
.
.....
.
...
...
...... .. .. .... ........... .
...
.
..... .....
..... .... .. ......... ....
.....
..... ..... ..... .. ................. .....
..... ..... ..... ... .....
.
. .
. ..... ............ .....
A......•
.
..
..................
.
.....
.
.
.
....... ... ........... . ..
......
............. ..... .
... ....... ... .. .
....
..... ............. .......... ............... .. .....
.....
.....
.......•
...
.. A..• .......... .. .....
..
. .
.. .... .....
.
.... .
.... C ...
...... ..
. ........
.
..... .. ......
..... ....
..... .....ND
M esmo Sentido
Sentido Contrário

Definição 1.3. Dizemos que dois segmentos orientados AB e CD são equipolentes


quando tem a mesma direção, o mesmo sentido e o mesmo comprimento.

Representamos a equipolência dos segmentos AB e CD por AB ∼ CD.

Proposição 1.4. Propriedades de equipolência. Sejam AB, CD e EF segmentos ori-


entados. Então
i) AB ∼ AB (Reflexiva)
ii) Se AB ∼ CD então CD ∼ AB (Simétrica)
iii) Se AB ∼ CD e CD ∼ EF então AB ∼ EF (Transitiva)
iv) Dado um segmento orientado AB e um ponto C, existe um único ponto D tal que
AB ∼ CD.

Definição 1.5. Um vetor determinado por um segmento AB é o conjunto de todos os


segmentos orientados equipolentes a AB.

Se indicarmos com →

v este conjunto, simbolicamente poderemos escrever



v = {XY ; XY ∼ AB}.

2
−→
O vetor determinado por AB é indicado por AB ou B − A ou →

v.

Com a oriegem do espaço, podemos visualizar um representante de um vetor


e, se considerarmos todos os infinitos segmentos orientados de origem comum, estaremos
caracterizando, através de representantes, a totalidade de vetores do espaço.

As caracterı́sticas de um vetor →

v são as mesmas de qualquer um de seus
representantes, isto é, o módulo, a direção e o sentido do vetor são o módulo, a direção
e o sentido de qualquer um de seus representantes.

Vamos indicar o módulo de um vetor →



v por k→

v k. Caso k→

v k = 1 diremos
que o vetor é unitário.
−→ −−→
Dois vetores AB e CD são iguais se, e somente se AB ∼ CD. Ainda os


segmentos nulos, determinam um único vetor, chamado vetor nulo, indicado por 0 .
−→ −→ −→ −→
Dado um vetor →

v = AB, o vetor BA é o oposto de AB e se indica por −AB
ou −→

v.

Definição 1.6. O versor de um vetor não nulo →



v é o vetor unitário de mesma direção
e mesmo sentido de →−v

Sejam os vetores →

v e→

u . Dizemos que esses vetores são colineares se estiverem
na mesma reta, ou seja, pertencem a mesma reta ou a retas paralelas.

Se no mı́nimo três vetrores →



w, →

v e→

u pertencerem ao mesmo plano π. Dize-
mos que esses vetores são coplanares.

Note que quaisquer dois vetores são sempre coplanares.

1.1 Operações com Vetores

Sejam →

v e→

u representados pelos segmentos orientados AB e BC. Os pontos
A e C determinam um vetor →

s que definamos por soma de → −
v e→−
u , isto é, →

s =→

v +→

u.

As propriedades da soma de vetores são listadas abaixo:

3
Soma: Visão geométrica Propriedades:
B
J ..
.........
i) Comutativa: → −v +→ −
u =→ −u +→−v.
ii) Associativa: ( v + u ) + w = →

− →
− →
− −v + (→

v +→ −
.... ........

−u ....
.
.. .....
.....
..... w ).
. ..... → −


iii) Existe um só vetor nulo 0 tal que para todo vetor → −
...
. .....v
.....
...
.
...
A •..........
.....
..... v se tem
.....
.....
.....
.....
..
...... →
− →
− →
− →
− →


− s =→ − u +→ −. .
v....................
... v + 0 = v = 0 + v.
J
N
C
iv) qualquer que seja o vetor → −v , existe um só vetor −→−
v (vetor oposto de →

v ) tal que

− →

v + (−→ − v ) = 0 = −→ −v +→−v.


A diferença entre dois vetores →

v e→

u é dado pelo vetor d , representado por


d =→

v −→

u , ao vetor →
−v + (−→−
u ).
visão geométrica Consideremos o paralelogramo ABCD e os segmentos orientados
AB e AC respectivamente. Note que a soma → −
s = → −
v +→ −
B.
..→

J. ..
.. ...................
.. .... .→
. −
...... −
v −....→
u,

− .. d =
...
v.....
..
..
.u
....... .........
.........
.........D →
− −→ →− −→
..
..
..
..
.. ................ ..H
....... onde v = AB e u = AC é representado pelo segmentoAD e a
..
. .... .. →
− s =...→ − +→
− →

diferença d = →

v −→ −
. .. .. .. .. v u
. ..........
. .
.
..
•................
A
.
...........
...........
...........
..
..
.... ...
.
.. u é representado pelo segmento orientado

− .
..
u .................... ... .. .
.............
N
C
. CB.
Outra operação com vetor é o produto de vetor por um escalar real. Dado


um vetor →
−v 6= 0 e um número real k 6= 0, chama-se produto do número real k pelo
vetor →

v o vetor →

p = k.→
−v , tal que
a) Módulo: k→ −
p k = |k|.k→

vk
b) Direção: A mesma de → −
v
c) Sentido: O mesmo de →

v se k > 0, e oposto a →

v se k < 0.

− 1 → →

v

− →

O versor de um vetor v 6= 0 é o vetor unitário u = → − →

. v ou u = → .

kvk −
kvk

− k→− k→



− v vk vk
Note que k u k = →


= → − = → − =1
kvk kk v kk kvk
Propriedades: Se →

v e→−
u são vetores e α e β são reais. Então
i) α.(β.→
−v ) = (α.β).→

v (associativa)
ii) (α + β).→−
v = α.→−
v + β.→−
v iii) α.(→

v +→ −
u ) = α.→−
v + α.→−u (distributiva em relação a
soma)
iv) 1.→

v =→

v

Exemplo 1. Seja o paralelogramo ABCD e os segmentos orientados AB e AD, sendo


M e N pontos médios dos lados DC e AB, respectivamente. Resolva
−→ −−→ −→ −−→ −→ −−→ −→ −−→
i) AB + AD ii) BA + DA iii) AB + DM iv) AC − BC

4
−−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→
v) BM + N C vi) M D + M B vii) AN + BC viii) BM − 12 DC
Resolução: Consideramos o paralelogramoABCD
−→ −−→ −→ −→ −−→ −−→ −−→ −→
Paralelogramo ABCD i) AB + AD = AC ii) BA + DA = CD + DA = CA
D
J .........
... ... .................
−→ −−→ 3 −−→ −→ −−→ −→ −−→ −→
..
... ..
..
.......M
..•
......... iii) AB + DM = 2
DC iv) AC − BC = AC + CB = AB
...
.
.
...
..
..
..
...........
.........
.....
.. ..
•C
. − −→ −−
→ −
−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→
..
...
................
......
..
.. ............
..
.... .
..
. v) BM + N C = 2BC vi)M D + M B = M D + DN = M N
.
..
.
•................
. .. ..
..
..
−−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→ −−→
viii) BM − 12 DC = BM + M D = BD
........... ..
A ...........
..•
...........
.
N ............... ... ..
..
.. ..
.. vii) AN + BC = AM
........... . ..
......N
B

Exemplo 2. Seja o hexágono ABCDEF e os segmentos orientados CB, F C, HD, AE,


AC, CD e AG. Resolva
−→ −→ −−→ −→ −→ −→ −−→ −→ −−→ −→ −−→
i) CF + AG + HD ii) AC + AE − AG − HD iii) AG + HD + 12 F C + CD
Resolução: Consideramos o hexágono ABCDEF e os pontos G, H e O.
−→ −→ −−→ −→ −−→ −→ −→ −−→
hexágono ABCDEF
...........................................
i) CF + AG + HD = CF + OD = CF + F E = CE
..... .............
........... ......C
B .........................................................................J
......J ..............
.... . ..H ..
....... .. .. .....
..... ...
..... .
...
. .... ..... ..... .......
. ..
... .... −→ −→ −→ −−→ −→ −−→ −→ −→ −−→ −−→
...
..
....
.......
.......
.
.....
...
...
...
.... ... ....
... ... ii) AC + AE − AG − HD = AC + BD + OA = AC + BD + CB =
....
...
.... . .... ........
.....
... ..
... ...
... ... −−→
...
... ............
..............
....... ...
. .
.
..
..
.
.. ... ..
... ...
.....
......
AD
. . .
..
A•..............
. IG .•O
. H• J
I .
... ....... .
.. ...D
..
...
...
.........
....... ...
.
..
...
. −→ −−→ −→ −−→ −→ −−→ −→ −−→
...
...
...
.......
....... ....
.........
..

.. ...... ...
...
...
iii) AG + HD + 21 F C + CD = AG + HD + 12 F C + OE =
...
....
.... ...
.
... .............
. .......
....
.
..
... −→ −−→ −→ −→ −−→ −−→ −−→
....
..... .....
....... ..
..........
.•
.......
.......
....... ........
.............
.... AG + HD + F E = AG + HD + GH = AD
.. .... J
...
F ................................................................... E

1.2 Dependência e Independência Linear de Vetores

Dado um vetor →

v , queremos escrever →

v da seguinte forma



v = α1 →

v1 + α2 →

v2 + · · · + αn →

vn ,

onde α1 , α2 , · · · , αn são números reais. Para isso definamos o que segue.

Definição 1.7. Sejam →



v1 , →

v2 , · · · , →

vn vetores e α1 , α2 , · · · , αn números reais.
Chamaremos combinação linear dos vetores → −
v1 , →−
v2 , · · · , →

vn com coeficientes reais
α1 , α2 , · · · , αn ao vetor



v = α1 →

v1 + α2 →

v2 + · · · + αn →

vn .

Se →

v é uma combinação linear dos vetores →

v1 , →

v2 , · · · , →

vn , dizemos também
que →

v é gerado por →

v1 , →

v2 , · · · , →

vn .

5


Note que o vetor nulo 0 é gerado por →

v1 , →

v2 , · · · , →

vn quaisquer que sejam
estes vetores, pois



0 = α1 →

v1 + α2 →

v2 + · · · + αn →

vn = 0.→

v1 + 0.→

v2 + · · · + 0.→

vn .

Para evitar o golpe baixo na forma de escrever o vetor nulo, vamos definir
a questão de dependência e independência linear de vetores. Queremos com isso impor
quando os vetores →−
v , →−
v , ··· , →

v forem linearmente independentes que a maneira de 1 2 n

escrever cada vetor do espaço como combinação linear seja única, assim para o vetor nulo,
quando tais vetores forem linearmente independentes todos os escalares deverão ser nulos,
quando tal independência não ocorrer, deverá existir escalares não nulos satisfazendo a
igualdade.

Definição 1.8. Uma sequência de vetores →



v1 , →

v2 , · · · , →

vn é dito linearmente depen-
dente (LD) se, e somente se existir escalares α1 , α2 , · · · , αn não todos nulos tais que



0 = α1 →

v1 + α2 →

v2 + · · · + αn →

vn .

Caso contrário, se a única solução para equação acima for a trivial, ou seja,

α1 = α2 = · · · = αn = 0

então a sequência de vetores →



v1 , →

v2 , · · · , →

vn é dita linearmente independente (LI).

1.2.1 Vetores em R2

Dados dois vetores →



v1 e →

v2 , não colineares, qualquer vetor →

v (coplanar com


v1 e →−v2 ) pode ser decomposto segundo as direções de → −v1 e →

v2 .
Vetores no R2 Para isso basta escrever → −v como uma combinação linear
.
G.

........
.. .........

− →

dos vetores v e v , ou seja,
. ..
..
. ......C
......

1 2
.. ......
. .. ...... −
......v→
BJ.. ......2
..
.
..
.
..→
.
. ......
......
...... D
......


v = α1 →

v1 + α2 →

v2 .
.. −
v N.........
. 1 ......
..
. ......
......
A• ... ......
.. ......

No caso em que →

v tem a mesma direção de →

v1 ou →

. ......
... ......

.
.
.
.
.
..
.
..
.
.
..
..
...
...
...
..
...
..
..
..
...
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
..
.......
.....
......
......
......
......
......
......
......
......
..
..
.....
......
......
......
......
......
......
......
......
......
. ..
...............................I
.F
v2 , então
E• →− −
→ −

v = α1 v1 + α2 v2


v não pode ser a diagonal de um paralelogramo e, portanto, α1 ou α2 deve ser igual a

6
−→ − −−→ − −→
zero. Na figura consideramos →

v1 = AB, →
v2 = CD e →
v = EF . É sempre possı́vel fechar
o triângulo.

Se →

v for representado por



v = α1 →

v 1 + α2 →

v2

o par de vetores →

v1 e →
−v2 , não colineares forma uma base no plano. Ainda qualquer
conjunto de vetores {→

u , →−
u } de vetores não colineares constituem uma base no plano.
1 2

Os números α1 e α2 são chamados componentes ou coordenadas de →



v em relação a base
{→

v , →
1

v }. 2

Note que o conjunto {→



v1 , →

v2 } é ordenado.

O vetor α1 →

v1 é chamado projeção de →

v sobre →

v1 segundo a direção de →

v2 . De
forma análoga o vetor α →
−v é chamado projeção de →
2 2

v sobre →−
v segundo a direção de → −
v . 2 1

Definição 1.9. Uma base {→−


e1 , →

e2 } é dita ortonormal se os seus vetores forem ortogonais
e unitários, isto é, →

e ⊥→

e (lê-se →
1

e ortogonal à →
2

e ) e k→
1

e k = k→ −
e k=1 2 1 2

base .no
....
R2 Existem infinitas bases ortonormais no plano xy, paticularmente
y
a base canônica representada por segmentos orientados com a
origem O = (0, 0) e extremidade (1, 0) e (0, 1). Estes vetores

− → −

− →
− →
− são simbólicamente representados por i e j , respectivamente e
(0, 1) N j →− v = α1 . i + α2 . j →
− →

.......
.......
.......
.
...
H
..
a base { i , j }.
.
.......
.......
. →
− →
− →
− →

.......
.
...
.......
..
. →

i Assim, se v = α1 i + α 2 j , o vetor α 1 i é a projeção ortogonal
..
.. ..

− →
− →

de v sobre i e α2 j é a projeção ortogonal de →

− −
• I ..
(1, 0) x v sobre j .

− → −
Seja { i , j } a base canônica. Nestas condições, a cada vetor → −v do plano
pode-se associar um par (x, y) de números reias que são suas componentes na base dada,
por esta razão define-se.

Um vetor no plano é um par ordenado (x, y) de números reais e se representa



v = (x, y)

que é a expressão analı́tica de →



v.

A primeira componente x é chamada abscissa e a segunda y é a ordenada.

7
Exemplo 3. Escreva o → −v em sua forma analı́tica, onde:

− →
− →
− →
− →
− →
− →
− → −
a) →

v =5 i −3j b) →
−v = −3 i + 8 j c) →
−v = 15 i − 35 j d) →

v = i + j.
Resolução: a) →
−v = (5, −3), b) →

v = (−3, 8) , c) → −
v = 51 , − 35 e d) →


v = (1, 1).

− →

Note que i = (1, 0) e j = (0, 1).

Desta forma o plano pode ser encarado como um conjunto de pontos ou um


conjunto de vetores.

Sejam →

u = (x1 , y1 ), →

v = (x2 , y2 ) e α ∈ R. Definimos:
a) →
−u +→ −v = (x1 , y1 ) + (x2 , y2 ) = (x1 + x2 , y1 + y2 )
b) α.→
−u = α.(x1 , y1 ) = (α.x1 , α.y1 )
c) (x1 , y1 ) = →

u =→ −
v = (x2 , y2 ) se, e somente se x1 = x2 e y1 = y2

Exemplo 4. Sejam os vetores →



u = (5, 2) e →

v = (1, 3). Calcule →

u +→

v , 2→

u . Faça a
representação no plano.
Vetores


u +→ −
v = (5, 2) + (1, 3) = (5 + 1, 2 + 3) = (6, 5)
y
.....


..H... →−
............. u + v

− 2 u = 2.(5, 2) = (2.5, 2.2) = (10, 4)
....... ..... .
. ... ......... .......... ...
.. ..... ..
....... .....
....... ..... ..
....... .....
.....
........ H
....... ..... .. ........ 2→ −
. ....... . ......... u
....... ... .
.
.. .
......
... ..
.........
... . ... . .
...
.
.
. ......... ... ..... .. .
...
........
.
J
..→
. − ....... .. .
...
...
......
...
v ..
..... .. ......
..... ........
... .....
. .........
... ..... .. .............
.. ..
...... ..
..
...
.
H.........
. ... .... →
.
.. −
... ..... ............ u
... ..... ...........
..... ...........
... ..... ..........
... ........
. . ..... .........
... .......
.. ........
........
... ........ ..............
... ....................
................... ....
.
x

Muitas vezes um vetor é representado por um segmento que não parte da


−→
origem do sistema coordenado. Seja o vetor AB de origem A(x1 , y1 ) e extremidade
B(x2 , y2 ), note ainda que a origem O(0, 0) do plano com os pontos A e B formam
−→ −−→
segmentos orientados OA e OB respectivamente, cujas expressões analı́ticas são

−→ −−→
OA = (x1 , y1 ) e OB = (x2 , y2 ).

Por outro lado, do triângulo OAB, vem

−→ −→ −−→ −→ −−→ −→
OA + AB = OB, donde AB = OB − OA.

8
−→
Portanto, AB = (x2 , y2 ) − (x1 , y1 ) = (x2 − x1 , y2 − y1 )
−→
Razão pela qual escrevemos AB = B − A.

Exemplo 5. Sejam os pontos A(2, 3) e B(4, 2) e C(1, 3). Determine D(x, y) de modo
−−→ −→
que CD = 31 AB.
Resolução: Primeiramente, determinemos os vetores
−−→
CD = D − C = (x, y) − (1, 3) = (x − 1, y − 3)
−→
AB = B − A = (4, 2) − (2, 3) = (2, −1).

Logo, (x − 1, y − 3) = 13 (2, −1) = 2


− 13 .

3
,

Da igualdade de vetores
2 1
x−1= e y−3=−
3 3
5
e y = 83 . Portanto, D 5 8

Das equações acima, obtemos x = 3
,
3 3
.

1.2.2 Vetores em R3

Todas as considerações feitas até aqui para vetores no R2 podem ser realizadas
no espaço tridimensional de forma análoga.

Basta considerarmos qualquer conjunto {→ −


v1 , →

v2 , →

v3 } de três vetores não
coplanares, tal conjunto forma uma base, ou seja, todo vetor →−v do espaço é combinação
linear de {→

v1 , →

v2 , →

v3 } então tal conjunto é (L.I) e gera o espaço tridimensional, assim
sempre existem α1 , α2 e α3 escalares reais tal que



v = α1 .→

v1 + α2 .→

v2 + α3 →

v3 .


− → − → − →

A base canônica em R3 é representado por { i , j , k }, onde i = (1, 0, 0),

− →

j = (0, 1, 0) e k = (0, 0, 1).


A reta com a direção do vetor i é o eixo dos x denominada abscissas, a reta


com a direção do vetor j é o eixo dos y denominada ordenadas, a reta com a direção


do vetor k é o eixo dos z denominada cotas.

9
Os três eixos são chamados eixos coordenados. Cada dupla de eixos deter-
mina um plano coordenado, ou seja, os plano xy, xz e o plano yz.
Espaço Tridimensional A cada ponto P do espaço vai corresponder uma terna (x, y, z)
z
de números reais, chamadas coordenadas de P , denominadas abs-
..
...
....
.
cissa, ordenada e cota respectivamente.
...
.....
.
...
O espaço tridimensional é subdividido em 8 partes. Definiremos

−N ..
k ....
...
como:
...
...
....
..
1o Octante são os pontos (x, y, z) tais que x ≥ 0, y ≥ 0 e z ≥ 0.
....
..
...
2o Octante são os pontos (x, y, z) tais que x ≤ 0, y ≥ 0 e z ≥ 0.
.. ................... x
.......
....... .... .....................

....................
....... .. .......
....
.................•
........
.............
.
.......
.......
.......
....... .......
. ..
..
...
..
..
..
.
...
..
..
.
...
..
...H
.
..


i 3o Octante são os pontos (x, y, z) tais que x ≤ 0, y ≤ 0 e z ≥ 0.
.... ...............
...
..
...
.......
.......
J ...... 4o Octante são os pontos (x, y, z) tais que x ≥ 0, y ≤ 0 e z ≥ 0.
....
− ............

.
...
..
j y
Faça z ≤ 0 nos casos acima do 1o para o 4o , para os demais.

− →
− →

Consideremos o vetor → −
v = x i + y j + z k , onde x, y e z são componentes

− → − → −
de →

v na base { i , j , k }. Então o vetor →

v é a diagonal de um paralelepı́pedo e sua
expressão analı́tica é dada por


v = (x, y, z)

Localização do Ponto As operações se estende de maneira análoga. Assim, se


z →
−v = (x1 , y1 , z1 ) e →

u = (x2 , y2 , z2 ) são vetores e α é um
...
...
...
.... número real, temos
...
..
...
....

−v +→ −
u = (x1 , y1 , z1 ) + (x2 , y2 , z2 )
.... ....
....
.. ....
....

−N .
.
....
.. (x,
.......................................................................................................................
y, z) = (x1 + x2 , y1 + y2 , z1 + z2 )
z k ... .
.... .
.. .... . .
......H
............... ..
.
..


α v = α(x1 , y1 , z1 ) = (αx1 , αy1 , αz1 )
.. ............... ..
.... .

(x1 , y1 , z1 ) = →
− v = →−
. . .. →
− →
− . →


−N . .→−.v... =.......x ..
i + y ...j +zk
k .. ..
.
.
.. .....
.
...
.
.
..........
.
........... x ..
..
u = (x2 , y2 , z2 ) se, e somente se
... .....
..
.
.....
. .... ..

...
...
...
... .... ....
.
.....
.
..
.
..
...........
.. .. .
.......... ..
.. x1 = x2 , y1 = y2 e z1 = z2 .
... ........ ............H→
. .. .−
.........
.
...
..
. ..
.
.................H ..

− x i .......... . ..
. .
. ..
........ ..
........
........ .. .........................
. i ............. .
........ ... ...................... . .. . ........ ...
.... ..
.....
...................................................................
...• .
..... ... ...........→ . . −
.
w
.
→−
........ = x i + y j + 0 k.......
.. ........

−........
. ....
........ ...→
− .........H
.... ..
.. .. .. .
.
.
.
. .. ... .
..
.. . Se A(x1 , y1 , z1 ) e B(x2 , y2 , z2 ) são dois pontos no espaço,
........ ... ..........
........
.
....
..
...........
.......
−J..................................

.
............
então
... j N..........
..
... − ...................
→ −−→
yj ........
........
.. y AB = B −A = (x2 , y2 , z2 )−(x1 , y1 , z1 ) = (x2 −x1 , y2 −y1 , z2 −z1 )

Exemplo 6. Sejam →

v1 = (x1 , y1 ), →

v2 = (x2 , y2 ) e →

v3 = (x3 , y3 ) vetores em R2 não
nulos. Mostre que:
i) →
−v1 = (x1 , y1 ) é (L.I).
ii) Se →
−v1 = (x1 , y1 ), → −
v2 = (x2 , y2 ) não colineares, então são é (L.I).
iii) →

v = (x , y ), → −
v = (x , y ) e → −
v = (x , y ) é (L.D).
1 1 1 2 2 2 3 3 3

Dê exemplos de vetores como acima.


Resolução:

10


i) Seja α1 um número real, devemos mostrar que se α1 →

v1 = α1 (x1 , y1 ) = 0 então
α1 = 0.


Note que (α1 x1 , α1 y1 ) = α1 (x1 , y1 ) = 0 então α1 x1 = 0 e α1 y1 = 0, contudo
x1 6= 0 ou y1 6= 0, por hipótese, logo devemos ter α1 = 0.
ii) Por hipótese →−
v1 e →
−v2 são não colineares, logo para todo número real β2 não nulo
implica que →−
v 6= β →
1

v . Suponhamos agora que
2 2



α1 →

v1 + α2 →

v2 = 0 .

α2 −
v1 = − →
Se α1 6= 0 então →
− v2 = β2 → −
v2 , o que é um absurdo, pela nossa
α1


hipótese, assim α1 = 0, donde α2 →

v2 = α1 →

v1 + α2 →

v2 = 0 . Como → −
v2 é não nulo, exata-
mente como no item i) devemos ter α2 = 0.

Portanto, qualquer conjunto de vetores não colineares em R2 e (L.I).


iii) Note que se →

v1 = (x1 , y1 ), →

v2 = (x2 , y2 ) são não colineares, como já vimos é (L.I).
Seja →−
v = (x , y ) um terceiro vetor e suponhamos que
3 3 3



α1 →

v1 + α2 →

v2 + α3 →

v3 = 0 . (?)

α2 − α1 −
Se α3 6= 0, então →
−v3 = − → v2 − → v1 para todo α3 6= 0 e, portanto, →
−v3 é
α3 α3
escrito como combinação linear dos demais vetores, pertencendo a diagonal principal do
paralelogramo determinado pelos vetores →−
v e→ −
v , existindo assim pelo menos um escalar
1 2

não nulo satisfazendo a definição.

Logo, existe pelo menos uma solução não trivial para satisfazer a equação (?).

Sejam →

v1 = (2, 1), →

v2 = (1, 3) e →

v3 = (7, 9). Cada vetor sozinho é (L.I),
cada dois vetores é (L.I) e os três vetores juntos é (L.D).

Exemplo 7. Sejam → −
v1 = (x1 , y1 , z1 ), →−
v2 = (x2 , y2 , z2 ), →

v3 = (x3 , y3 , z3 ) e


v4 = (x4 , y4 , z4 ) vetores em R3 não nulos. Então:
i) →

v = (x , y , z ) é (L.I).
1 1 1 1

ii) Se →

v1 = (x1 , y1 , z1 ), →

v2 = (x2 , y2 , z2 ) não colineares, então é (L.I).

11
iii) →

v1 = (x1 , y1 , z1 ), →

v2 = (x2 , y2 , z2 ) e →

v3 = (x3 , y3 , z3 ) não coplanares, então é
(L.I).
iv) →

v1 = (x1 , y1 , z1 ), →

v2 = (x2 , y2 , z2 ), →

v3 = (x3 , y3 , z3 ) e →

v4 = (x4 , y4 , z4 ) é (L.D).

Exemplo 8. Considere o triângulo ABC e os segmentos orientados AB, AC e CB.


Sejam D, E e F os pontos médios de CB, AB e AC respectivamente. Mostre que
−−→ 1 −→
i) F D = AB. O que você pode dizer dos demais segmentos paralelos.
2
−−→ −−→ −−→ −→ −→
ii) Determine BF , AD e CE em função de AB e AC.
Triângulo ABC Resolução:
−→ −→C
.•
−−→ −→
...........
i) Note que 2F C = AC e 2CD = AB. Somando membro
...
... .............
... .......

...
.
...
.
−→ −−→ −→ −→ .......
.......
.......
F..• .
.
a membro as igualdades, tem 2(F C + CD) = AC + AB,
...
.. .......
.......
......D
•..........
.
.
...
.
...
−−→ −→ −−→ 1 −→ .......
.......
.......
.......
.
...
...
.
...
ou seja, 2F D = AB, segue daı́ que F D = AB. .......
.......
.......
. 2
•.......................................................................................•
A
E
..
...............................................................................................•
.
B
−−→ −→ −→
ii) Primeiro faremos BF em função de AB e AC. Note que

−−→ −→ −→
BF = AF + BA.

−→ −→ −→ −→
Por outro lado, 2AF = AC e BA = −AB, substituindo na igualdade acima,
temos
−−→ 1 −→ −→
BF = AC − AB.
2
−−→ −→ −→
Agora AD em função de AB e AC. Note que

−−→ −−→ −→
AD = BD + AB e

−−→ −−→ −→ −→
2BD = BC = BA + AC.

Assim,

−−→ 1 −→ −→ −→ 1 −→ 1 −→
AD = (BA + AC) + AB = AC + AB.
2 2 2

−−→ 1 −→ −→
Finalmente, CE = AB − AC, essa afirmação fica a cargo do leitor.
2

12
Capı́tulo 2

Produto de Vetores

Até o momento pouco aprofundamos no estudo de vetores, contudo, outras


relações importantes serão a partir de agora estudadas.

2.1 Produto Escalar

Definição 2.1. Chama-se produto escalar (ou produto interno usual) de dois vetores


− →
− →
− →
− →
− →
− →
− →

u = x1 i + y1 j + z1 k e v = x2 i + y2 j + z2 k

e se representa por →

u .→

v e/ou h→

u, →

v i ao número real dado por



u .→

v = x1 .x2 + y1 .y2 + z1 .z2 = h→

u, →

vi


− →
− →
− − →
− − →
→ −
Exemplo 9. Sejam →−
u =2 i −4j +8k e → v = 3 i − 2 j + k . Calcule →

u .→

v.
Resolução: →

u .→

v = x1 .x2 + y1 .y2 + z1 .z2 = 2.3 + (−4).(−2) + 8.1 = 22

Exemplo 10. Sejam os vetores → −


u = (3, α, −2) e → −
v = (α, 4, 3) e os pontos
−→
A(3, −1, 2) e B(2, 4, −1). Determine o valor de α tal que →

u .(→

v + BA) = 7.
−→
Resolução: Determinemos o vetor BA = A−B = (3, −1, 2)−(2, 4, −1) = (1, −5, 3).

Assim,
−→
7 = →

u .(→

v + BA) = (3, α, −2).((α, 4, 3) + (1, −5, 3))

= (3, α, −2).(α + 1, −1, 6) = 3.α + 3 − α − 12 = 2.α − 9

e, portanto, 7 = 2.α − 9 se, e somente se α = 8

13

− →
− →

Definição 2.2. O módulo de um vetor → −
v = x i + y j + z k = (x, y, z), representado
por k→

v k é o número real não negativo

k→

vk= → −v .→
− p p
v = (x, y, z).(x, y, z) = x2 + y 2 + z 2

Módulo em R3 Para compreender melhor a definição acima, consideremos



− →
− − →
− − →
− →

u1 = x i e → v1 = y j e → s1 = →−
u1 + →−
z
...
...
v1 = x i + y j . Tais
...
....
.. vetores formam um triângulo retângulo no plano xy. Do
...
... .... →
− →

....
..
....
....
....
....
teorema de Pitágoras e do fato que temos k i k = k j k = 1,
. ....
.
→−N
z k ...
...................................................................................................................(x,
.
.
......H
............. ..
...
y, z)
temos
k→
−s1 k2 = k→

u1 k2 + k→

.... . .
............
.
v1 k2 = x2 + y 2
. . ..
... . . .
.. ....... . ..
... ... = . . .→
. − →
− .. →


−N .
.. .→−.v ......
..... x i + y ..j
. +zk
k .. .
. ....

→ = z→ −
..
..... x ..

Seja ainda, − k que forma com → −


.. .. .
... .
..
...... ... .......... ..
..
...... ........
..
.... ...........
..... ...............
.
.............
. ..
.. w 1 s1 um triângulo
retângulo no espaço, considerando v = s + −

− →
− →. Temos
... ...
... ....... ...........H→
. −
........
.
..
........
........
.
.
.
.
. .
...
.
. ...
.
..... ...........H
................ →
−... x i ..........
i
..
..........
.... .
..
.. 1 1 w
........ .... .............................. ........
............ ...
.
..................................................................... . .
.
...........•
. . ............→
.
.
.
.− →− ..........

−.
. ..
......... ...... .....→

.........................H
.. .. .
. .. .

k→

v k2 = k→

s1 k2 + k−
→k2 = x2 + y 2 + z 2
.
....... .
. .w
........ = x i + y j + 0 k.........
...... . .............. . ...
... ........
....
..
w 1
...........
→ J ........
.
− ...................... ...
. ..
.........

...
j N..........
.. − ...................

yj ........

k→
− p ........
.. y
ou, equivalentemente v k = x2 + y 2 + z 2 .
Exemplo 11. Calcule o módulo de → −
v = (3, 2, −1).
√ √
Resolução: k→
− p p
v k = x2 + y 2 + z 2 = 32 + 22 + (−1)2 = 9 + 4 + 1 = 14

−→
O módulo de um vetor AB é o comprimento do segmento AB, entre os pontos
A e B tal comprimento determina uma distância, assim podemos definir.

Definição 2.3. A distância entre os pontos A(x1 , y1 , z1 ) e B(x2 , y2 , z2 ) é definida


como
−→
d = kABk = kB − Ak = k(x2 − x1 , y2 − y1 , z2 − z1 )k

e, portanto
p
d= (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 + (z2 − z1 )2

Exemplo 12. Sabendo que a distância entre os pontos A(1, 4, 2) e B(2, 6, m) é 30.
Determine m.
−→
Resolução: AB = (2, 6, m) − (1, 4, 2) = (1, 2, m − 2). Assim,
√ −→ p √
30 = d = kABk = 1 + 4 + (m − 2)2 = m2 − 4m + 9

Logo,

( 30)2 = m2 − 4m + 9 ou, equivalentemente m2 − 4m − 21 = 0

14
4 ± 10
Por Baskára temos m = , portanto m1 = 7 ou m2 = −3. Segue dai
2
que B(2, 6, 7) ou B(2, 6, −3)

Sejam →

v e→

u dois vetores, então se as retas suportes de →

v e→

u são paralelas,
então os vetores são paralelos, em outras palavras tais vetores são colineares. Portanto,
existe k um número real tal que


v = k→

u,

ou seja, →

v = (x1 , y1 , z1 ) = k(x2 , y2 , z2 ) = k →

u.

Da igualdade de vetores, temos

x1 = kx2 , y1 = ky2 e z1 = kz2 .

Logo, uma condição de paralelismo entre dois vetores →



v e→

u é

x1 y1 z1
k= = =
x2 y2 z2

Exemplo 13. Diga se os vetores →



v = (−4, 6, −8) e →

u = (−20, 30, −40) são paralelos.
Resolução:
1 1−
v = (−4, 6, −8) = (−20, 30, −40) = →
Sim, pois →
− u
5 5

Exemplo 14. Determine os valores de m e n para que sejam paralelos os vetores →



v =
(m + 2, 4, 2) e →

u = (7, 5, 2n + 2).
Resolução: Pela condição de paralelismo devemos ter

m+2 4 2
= = .
7 5 2n + 2

18
Logo, 5m + 10 = 28 e 8n + 8 = 10. Resolvendo as equações m =
5
2 1
en= = .
8 4

Exemplo 15. Dê as expressões das coordenadas do ponto médio do segmento de reta de
extremidade A(x1 , y1 , z1 ) e B(x2 , y2 , z2 ).

15
−−→ −−→
Resolução: O ponto médio M é tal que AM = M B. Seja M (x, y, z) o ponto médio a
ser encontrado. Então

−−→ −−→
(x − x1 , y − y1 , z − z1 ) = AM = M B = (x2 − x, y2 − y, z2 − z)

Da igualdade de vetores, obtemos

x2 + x1 y2 + y1 z2 + z1
x= , y= e z=
2 2 2

As propriedades do produto escalar será enunciada a seguir como uma proposição,


a qual é facilmente demonstrável, sendo um bom exercı́cio

Proposição 2.4. Para quaisquer que sejam os vetores →



u = (x1 , y1 , z1 ) →

v = (x2 , y2 , z2 )
e→

w = (x , y , z ) e m ∈ R. Temos
3 3 3


i) →
−u .→
−u ≥0 e →

u .→

u = 0 se, e só se →

u = 0 = (0, 0, 0) (Positividade).
ii) →
−u .→
−v =→

v .→

u (comutativa)
iii) →

u .(→
−v +→ −
w) = →

u .→
−v +→

u .→

w (distributiva)
iv) (m.→−u ).→

v = m.(→
−u .→
−v)=→
−u .(m.→

v)
v) →

u .→

u = k→

u k2 .

Exercı́cio 1. Sejam →

u = (1, 2, 3) →

v = (−1, 2, −1) e →

w = (2, −1, 1) e m = 2.
Calcule
a)→

u .→

u b) →

u .→

v =→

v .→

u c) →

u .(→

v +→

w) = →

u .→

v +→

u .→

w d) (m.→

u ).→

v = m.(→

u .→

v)
Respostas: a) 14 b) 0 c) 3 d) 0

Exemplo 16. Mostre que


a) k→

u +→

v k2 = k→

u k2 + k→

v k2 + 2.→

u .→

v
b) k→

u −→

v k2 = k→

u k2 + k→

v k2 − 2.→

u .→

v
Resolução: Vamos mostrar o item b) o a) é análogo.

Seja →

w =→

v −→

u , então k→

v −→

u k2 = k→

w k2 = →

w .→

w = (→

v −→

u )(→

v −→

u ).

Ainda, usando a distributiva, comutativa e a propriedade v) temos

(→

v −→

u )(→

v −→

u)=→

v .(→

v −→

u)−→

u .(→

v −→

u ) = k→

v k2 + k→

u k2 − 2→

u .→

v.

16
Portanto, k→

u −→

v k2 = k→

u k2 + k→

v k2 − 2.→

u .→

v

2.1.1 Ângulo entre dois Vetores


−→ − −→
Sejam →

u e→

v vetores não nulos tais que →

u = OP e →
v = OQ, onde O é a
origem, P e Q são pontos no espaço. Esses vetores tem um ângulo θ entre eles.

Se o espaço for unidimensional, então os vetores →



u e→

v são necessariamente
paralelos e, somente duas possibilidades podem ocorrer.
a) Os vetores →−
u e→−
v tem o mesmo sentido e, neste caso o ângulo entre eles é zero.
b) Os vetores →−u e→−
v tem sentido contrários e, neste caso o ângulo entre eles é π ou,
equivalentemente 180o .

Se o espaço for bidimensional ou tridimensional o menor ângulo formado pe-


los vetores →
−u e→−v pode variar de 0 (zero) à π (180 graus), ou seja, 0 ≤ θ ≤ π.
Ângulo entre Vetores

− − →


− u.. P
......H
Proposição 2.5. Seja →− 6 0, →
u = 6 0 e θ o ângulo entre os
v =
vetores →

u e→−
.........
.........
........
..
.............. v . Então
.........
.........
.........
................
.
.......
O•................. ...... θ
.........
.
........


u .→

v = k→

u k.k→

v k cos(θ)
........
........
........
........
........
........
........
........
........
........ → −
......v
De fato, pela Lei dos co-senos ao triângulo OP Q temos
.N
..
Q

k→

u −→

v k2 = k→

u k2 + k→

v k2 − 2k→

u kk→

v k cos(θ)
Por outro lado, já vimos que

k→

u −→

v k2 = k→

u k2 + k→

v k2 − 2→

u→−
v.

Logo,

k→

u k2 + k→

v k2 − 2→

u→−
v = k→

u k2 + k→

v k2 − 2k→

u kk→

v k cos(θ),

ou seja,


u .→

v = k→

u k.k→

v k cos(θ)

Observações:
a) Se →

u .→

v > 0, então cos(θ) > 0, neste caso 0 ≤ θ < 90o , ou seja, um ângulo agudo.

17
b) Se →

u .→

v < 0, então cos(θ) < 0, neste caso 90o < θ ≤ 180o , ou seja, um ângulo obtuso
ou raso.
c) Se →

u .→

v = 0, então cos(θ) = 0, neste caso θ = 90o , ou seja, um ângulo reto.
d) Segue que

−u .→
−v
cos(θ) = → .
k u k.k→
− −vk
Definição 2.6. Dois vetores → −u e→ −v não nulos são ortogonais se, e somente se o produto
escalar entre eles é nulo, isto é, se →

u .→

v =0

Exemplo 17. Calcule o ângulo entre os vetores.


a) →

u = (2, 1, 3) e →

v = (−1, 3, 2) b) → −
u = (2, 3, −2) e →

v = (−1, 2, 2).
Resoução: Usando o item d) da observação acima, temos
(2, 1, 3).(−1, 3, 2) −2 + 3 + 6 7 1
cos(θ) = = √ √ = = .
k(2, 1, 3)k.k(−1, 3, 2)k 14 14 14 2
π
Portanto, θ = ou, equivalentemente 60 graus.
3
b)
(2, 3, −2).(−1, 2, 2) −2 + 6 − 4
cos(θ) = = √ √ = 0.
k(2, 3, −2)k.k(−1, 2, 2)k 17 9
π
Portanto, θ = e os vetores são ortogonais.
2
Exemplo 18. Determine um vetor ortogonal aos vetores →

u = (2, −1, 2) e →

v =
(1, 0, −1).
Resolução: Seja →

w = (x, y, z) o vetor a ser encontrado. Queremos que



w .→

u =0 e →

w .→

v = 0.

Assim,

0 = (x, y, z).(2, −1, 2) = 2x − y + 2z e 0 = (x, y, z).(1, 0, −1) = x − z

Das equações acima, temos x = z e y = 3x + z, ou seja, y = 4z.

Portanto, os vetores ortogonais a →



u e→

v são da forma



w = (z, 4z, z) = z(1, 4, 1).

18
Note que os vetores →

w, →

u e→

v são ortogonais entre si, ou seja, dois a dois
ortogonais, ou seja, são não coplanares.

2.1.2 Projeção de Vetores

Sejam →−u e→−v vetores não nulos e θ o ângulo formado entre eles. Queremos
calcular um vetor →
−w que represente a projeção de →
−u sobre →−v , ou seja, determinar uma
constante real λ tal que →
−w = λ.→
−v.
Projeção de um Vetor


Podemos ter duas situações, θ um ângulo agudo ou
u
......
..
..H
......

−u
.....
obtuso.
...... H ....
...... .....
.
......
......
.
...
....... .....
.....
.....
.....
Do triângulo retângulo temos
...... ..... .......................θ
...... ..... ....... .....
............
. ...... ...

k→

..
.. ..... ...
...... ..... θ ..... ...
•.... ..•
I I J . I
wk
k→

w k = k→

O →

v →

w →

w O →

v
| cos(θ)| = →
− então v k.| cos(θ)|.
kvk
Contudo, →

v e→

w têm a mesma direção, ou seja, são paralelos, donde →

w = λ.→

v
para algum λ real. Então
k→

w k = kλ.→

v k = |λ|.k→

v k,

ou seja,
1 1 k→
−u .→

vk 1 k→−
u .→

vk
|λ| = k→

w k. →
− = k→
−u k.| cos(θ)|. →
− = k→−
u k. →
− →
− . →
− = .
kvk kvk k u k.k v k k v k k v k.k→

− −
vk

Logo,
→−u .→
− →

u .→

 
v v →

então →
− 2


.v = → − →
− .→
−v w = λ.→

v →

w =
kvk v.v
Exemplo 19. Determine o vetor projeção de →

u sobre → −
v.
a) →

u = (4, 3, 2) e →

v = (0, 1, −1) b)→
−u = (−1, 2, 1) e →

v = (3, −2, 2)
c)→

u = (1, 2, −1) e →
−v = (−1, 2, 1)
Resolução:
→ −u .→

v
 
(4, 3, 2).(0, 1, −1)



a) w = .→−
v = .(0, 1, −1) = 0, 1
, − 1



k v k2 k(0, 1, −1)k2 2 2

→
−u .→
−   
v (−1, 2, 1).(3, −2, 2)
b) →
− →
− .(3, −2, 2) = − 15 10
− 10

w = .v = , ,
k→
−v k2 k(3, −2, 2)k2 9 9 9

→
−u .→
−   
v (1, 2, −1).(−1, 2, 1)
c) →
− →− 1 2 1

w = →
− . v = .(−1, 2, 1) = − 3
, 3
, 3
k v k2 k(−1, 2, 1)k2

19

− → − → −
Exemplo 20. Seja →−
u = (x, y, z) e os vetores i , j e k . Calcule o vetor projeção de


u sobre cada um dos vetores canônicos.
Resolução: Fica a cargo!do leitor efetuar os calculos.

− →
− →
− →
− !

− →
− u. i →
− →
− −
→ = proj− →
− u.j →
− →

wi = proj−
→. u =
i − 2 .i =xi,
→ w j →. u =
j →
− .j =yj e
kik k j k2

− →
−!

→ →
− u.k →
− →

wk = proj−→. u =
k − 2 .k =zk

kkk


− →
− →
− →
− → − → −
Se →
−u = 2 i + 5 j + 3 k , então a projeção sobre i , j e k são os vetores

− → − →

2 i , 5 j e 3 k respectivamente.

2.1.3 Ângulos Diretores e Co-senos Diretores de um Vetor



− →
− →

Seja o vetor →

v =x i +y j +zk.

Os ângulos diretores de →

v são os ângulos α, β e γ que →−v forma com os

− → − → −
vetores i , j e k respectivamente. Os co-senos diretores de →
−v são os co-senos de seus
ângulos diretores, isto é, cos(α), cos(β) e cos(γ) dados por:

− →

v.i (x, y, z).(1, 0, 0) x
cos(α) = →
− − = p 2
→ =p
2
x + y + z .12 x + y2 + z2
2
k v kk i k

− →

v.j (x, y, z).(0, 1, 0) y
cos(β) = → →
− = =
k−
p p
v kk j k x2 + y 2 + z 2 .1 x2 + y 2 + z 2

− →

v.k (x, y, z).(0, 0, 1) z
cos(γ) = − = p 2
→ =p


k v kk k k 2
x + y + z .12 x + y2 + z2
2

Note que se o vetor →


−v = (x, y, z) tiver uma de suas componentes nula, ou
seja, se x = 0, ou y = 0 ou z = 0, então o vetor →

v é ortogonal ao eixo correspondente.

Exemplo 21. Calcule os co-senos diretores e os ângulos diretores do vetor →



v = 2, − 23 , 1 .

 7
Resolução: Primeiramente, k→

v k = 2, − 23 , 1 = (Verifique!).
3
Logo,

x 2 6
cos(α) = p = 7 = ≈ 0, 8571 e α ≈ 31o ∼
= 0.54109 rad
2 2
x +y +z 2
3
7

20
y −2 2
cos(β) = p = 7 3 = − ≈ −0, 28571 e β ≈ 107o ∼
= 1.866 rad
x2 + y 2 + z 2 3
7
z 1 3
cos(γ) = p = 7 = ≈ 0, 428571 e γ ≈ 65o ∼
= 1.134 rad
x2 + y 2 + z 2 3
7

Propriedades:
a) Seja →

v = (x, y, z). O versor de →
−v é o vetor unitário →

u dado por

−v (x, y, z)

x y z


−u = → = = , − , → = (cos(α), cos(β), cos(γ)).
k−vk k→
−vk k→
−v k k→ v k k− vk

b) Como o versor tem módulo 1, segue que, 1 = k→



u k = k(cos(α), cos(β), cos(γ))k.
Logo,
cos2 (α) + cos2 (β) + cos2 (γ) = 1.
− →
→ −
Exemplo 22. Um vetor → −
v forma com os vetores j e k ângulos de 120o e 60o respec-
tivamente. Determine →

v sabendo que k→

vk=4.
Resolução: Seja →

v = (x, y, z). Então

1 y y
− = cos(120o ) = cos(β) = p = então y = −2
2 x2 + y 2 + z 2 4

1 z z
= cos(60o ) = cos(γ) = p = então z = 2.
2 x2 + y 2 + z 2 4

Por outro lado,



4 = k→
− p p
v k = x2 + y 2 + z 2 = x2 + (−2)2 + 22 = x2 + 8.

√ √ √
Portanto, x = ±2 2 e →

v = (2 2, −2, 2) ou →

v = (−2 2, −2, 2).

Tudo que foi feito até aqui para vetores em R3 pode ser feito para vetores em
R2 , bastando para isso não considerar a cota z. Essas considerações ficam a cargo do
leitor.

2.2 Produto Vetorial



− →
− →
− − →
− →
− →

Dados os vetores →

u = x1 i + y1 j + z1 k e →
v = x2 i + y2 j + z2 k .

21
Definição 2.7. Chama-se produto vetorial dos vetores →

u e→

v , e se representa por →

u ×→

v
ao vetor


− →
− →
− →

u ×→

v = (y1 z2 − z1 y2 ) i − (x1 z2 − z1 x2 ) j + (x1 y2 − y1 x2 ) k

Da definição acima, podemos ver o vetor dado pelo produto vetorial na forma
de determinante de segunda ordem

x1 y1 →


− →
− y z →− x1 z1 →

u × v = 1 1 i −
x2 z2 j + x2 y2 k

y2 z2

Ou como um determinante de terceira ordem



−i → − → −
j k


u ×→−
v = x1 y1 z1
x y z
2 2 2

Muita vezes usamos a notação →



u ∧→

v para indicar o produto vetorial e lê-se


u vetorial →

v

Exemplo 23. Determine o produto vetorial →



u por →

v e→

v por →

u , onde


− →
− →
− →
− →
− →
− → − →

u =3 i +4j −2k e v =− i + j +3k.

Resolução: Usaremos o determinante de terceira ordem.



−i →− → −
j k →
− →
− →
− →
− →
− →
− →
− →
− →


− →

u × v = 3 4 −2 = 12 i + 2 j + 3 k − (−2 i + 9 j − 4 k ) = 14 i − 7 j + 7 k

−1 1 3
e
→ − →
−i → −
j k

− →
− →



v ∧→
− = −2→
− →
− →
− →
− →
− →


u = −1 1 3 i + 9 j − 4 k − (12 i + 2 j + 3 k ) = −14 i + 7 j − 7 k
3 4 −2

Podemos observar do exemplo acima que →



u ×→

v 6= →

v ×→

u , ou seja, não vale
a propriedade comutativa.

Note ainda que →



u ×→

v = (14, −7, 7) = −(−14, 7, −7) = −→

v ×→

u

22
Proposição 2.8. As seguintes propriedades do produto vetorial são verificadas
i) →

u ∧→

u = 0 para todo vetor → −
u
ii) →
−u ∧→−v = −→ −
v ∧→−u para todo vetor →−
u e→ −
v
iii) →
−u ∧ (→−
v +→ −w) = →
−u ∧→ −
v +→ −u ∧→−
w para todo vetor →

u, →
−v e→
−w
iv) (m→ −
u)∧→ −v = m(→ −
u ∧→ −
v ) para todo vetor →

u, →
−v e m uma constante real.
v) →−
u ∧→ −v = 0 se, e somente se um do vetores é nulo ou se →
−u e→
−v são colineares
vi) →−
u ∧→ −v é ortogonal simultâneamente aos vetores →

u e→−
v.

Demonstração: Vamos mostrar a propriedade vi). Sejam →



u = (x1 , y1 , z1 ) e


v = (x , y , z )
2 2 2

 

− →
− →
− y1 z1 x1 z1 x1 y1
u .( u × v ) = (x1 , y1 , z1 )
, −
,
y2 z2 x2 z2 x2 y2

y1 z1 x1 z1 x1 y 1
= x − y + z
y2 z2 1 x2 z2 1 x2 y2 1

= x1 y1 z2 − x1 z1 y2 − y1 x1 z2 + y1 z1 x2 + z1 x1 y2 − z1 y1 x2 = 0

De modo análogo para →



v .(→

u ×→

v ).

Para as demais propriedades, aplicar as propriedades de determinantes . 2

Exemplo 24. Determine um vetor →−w que seja ortogonal simultaneamente aos vetores


u e→
−v dados por →

u = (2, −1, 3) e →

v = (1, −1, −1).
Resolução: Basta tomarmos →

w =→ −
u ∧→

v ou →

w =→−
v ∧→−
u.
→ − →
−i → −
j k →
− − →
→ −

−w =→−
u ∧→−
v = 2 −1 3 = 4 i + 5 j − k
1 −1 −1

Exemplo 25. Mostre que as seguintes afirmações são verdadeiras.


a) k→

u ∧→

v k2 = k→

u k2 k→

v k2 − (→

u .→

v )2 .
b) Se →
− 6 0e→
u = − 6 0 e se θ é o ângulo entre os vetores →
v = −
u e→

v então

k→

u ∧→

v k = k→

u kk→

u ksen(θ)

23
c) O produto vetorial não é associativo, ou seja, →

u ∧ (→

v ∧→

w ) 6= (→

u ∧→

v)∧→

w.
Resolução: O item a) será dado a idéia a conclusão fica como exercı́cio.

Seja →

u = (x1 , y1 , z1 ) e →

v = (x2 , y2 , z2 ). Então

− →
− →

k→

u ∧→

v k2 = k(y1 z2 − z1 y2 ) i − (x1 z2 − z1 x2 ) j + (x1 y2 − y1 x2 ) k k2
(?)
2 2 2
= (y1 z2 − z1 y2 ) + (x1 z2 − z1 x2 ) + (x1 y2 − y1 x2 )

Por outro lado,

k→

u k2 k→

v k2 = (x21 + y12 + z12 ).(x22 + y22 + z22 ) e (→

u .→

v )2 = (x1 x2 + y1 y2 + z1 z2 )2 .

Dessas duas últimas igualdades, efetuando as operações

(x21 + y12 + z12 ).(x22 + y22 + z22 ) − (x1 x2 + y1 y2 + z1 z2 )2

conclui-se a igualdade (?).


b) Pelo item a) temos

k→

u ∧→

v k2 = k→

u k2 k→

v k2 − (→

u .→

v )2 = k→

u k2 k→

v k2 − k→

u k2 k→

v k2 cos2 (θ)

= k→

u k2 k→

v k2 (1 − cos2 (θ)) = k→

u k2 k→

v k2 sen2 (θ).

Como 0 ≤ θ ≤ π temos que sen(θ) ≥ 0 e, portanto, k→ −


u ∧→−
v k = k→

u kk→

u ksen(θ).
c) Se a igualdade fosse verdadeira deveria ocorrer para todos os vetores →

u, →

v e→−
w . Con-
sidere →

u = (1, 0, 1), →

v = (1, 1, 0) e →

w = (0, 1, 1) e faça o produto vetorial para
verificar que



u ∧ (→

v ∧→

w ) = (−1, 0, −1) 6= (0, 1, −1) = (→

u ∧→

v)∧→

w.

Paralelogramo ABCD Geometricamente, o módulo do produto vetorial dos vetores


C
.•
.
D
..•
.

− →

u e v mede a área do paralelogramo ABCD determinado pelos
...... ....
..... ....
−→ − −→
vetores →−
u = AB e →

− ..... ....
v.......... .
....
..

......
.....
... h ....
....
....
v = AC. Observe o paralelogramo ao lado,
.
...... ......... .....
.
.
....
•...
. ... θ
.
.
....
•... então
ÁreaABCD = k→
− h = k→

A →

u B
u kh, mas v ksen(θ).
Logo, a área do paralelogramo é

ÁreaABCD = k→

u kk→

v ksen(θ) = k→

u ∧→

v k.

24
Exemplo 26. Calcule a área do triângulo de vértices A(−2, 1, 1), B(2, 4, 3) e
C(−1, 4, 2).
−→ −→
Resolução: Calculamos a área do paralelogramo determinado pelo vetores AB e AC,
tomando a metade da área calculada temos a área do triângulo. Assim,
1 −→ −→ 1
A∆ = kAB ∧ ACk = k(4, 3, 2) ∧ (1, 3, 1)k
2 2
→ − →
−i → −
1 j k
1p 1√
= = (−3) 2 + (−2)2 + 92 = 94
4 3 2
2 1 3 1 2
2

Exemplo 27. Sejam os pontos A(2, 4, −1), B(−1, 0, −1) e C(6, 1, 4).
a) Mostre que o triângulo ABC é retângulo em A.
b) Calcule a medida da projeção do cateto AB sobre a hipotenusa BC.
c) Determinar o pé da altura do triângulo relativa ao vértice A.
−→ −→
Resolução: a) Devemos mostrar que os vetores AB e AC são ortogonais. De fato,

−→ −→
AB.AC = (−3, −4, 0).(4, −3, 5) = −12 + 12 + 0 = 0.

Isso mostra que os vetores são ortogonais.


−→ −−→
b) Calcular a projeção do vetor BA sobre BC. Onde

−→ −−→
BA = (3, 4, 0) = →

u e BC = (7, 1, 5) = →

v.

Logo,
 

− (3, 4, 0).(7, 1, 5) 25 1
proj−
v u =
→ .(7, 1, 5) = (7, 1, 5) = (7, 1, 5).
(7, 1, 5).(7, 1, 5) 75 3

5√


− 1
Ainda, proj−→v u = (7, 1, 5) =
3.
3 3
c) Seja D(x, y, z) o pé da altura ao vértice A. Pelo item b)

−−→ →
− 1
BD = proj−
v u = (7, 1, 5).

3

−−→
Por outro lado, BD = (x, y, z) − (−1, 0, −1) = (x + 1, y, z + 1).

25
Da igualdade de vetores, temos

7 1 5
x+1= , y= e z+1= .
3 3 3

4 1 2

Portanto, D(x, y, z) = , ,
3 3 3
.

Exemplo 28. Dados os vetores →



u, →

v e→

w não nulos tais que →

u ∧→

v =→

u ∧→

w.

Então será verdade que →



v =→

w.
Resolução: Em geral a igualdade não é verificada.

Se →

u ∧→

v =→

u ∧→

w se, e somente se →

u ∧ (→

v −→

w ) = 0. Logo, →

u e→

v −→

w
são vetores colineares e, portanto, existe uma constantes real λ tal que



u = λ(→

v −→

w ).

Assim, a igualdade →

v =→

w pode não ocorrer.

Considere →

u = (3, 0, 0), →

v = (2, 0, 0) e →

w = (1, 0, 0).

Note que os pares {→ −


u, →
−v } e {→

u, →

w } são L.D e, assim →

u ∧→

v =0=→

u ∧→

w,
mas →

v = (2, 0, 0) 6= (1, 0, 0) = →

w.

Considere →

u = (1, 1, 1), →

v = (1, 0, 1) e →

w = (0, −1, 0).

Note que os pares {→−u, →



v } e {→

u, →

w } são L.I e, →

u ∧→

v = →

u ∧→

w , mas


v = (1, 0, 1) 6= (0, −1, 0) = →

w.

2.3 Produto Misto



− →
− →
− − →
− →
− →

Dados os vetores →

u = x1 i + y1 j + z1 k , →
v = x2 i + y2 j + z2 k e

− →
− →
− →

w = x3 i + y3 j + z3 k .

Definição 2.9. Chama-se produto misto dos vetores →



u, →

v e→

w o número real dado por



u .(→

v ∧→

w ).

Indica-se o produto misto por (→



u, →

v, →

w ).

26
Como,

− →− →−
i j k y z → −

x2 z2 →


x2 y2 →


− →

v ∧ w = 2 2
x2 y2 z2 = y z i − x z j + x y k
3 3 3 3 3 3
x3 y3 z3

Fazendo o produto escalar por →−


u , vem


− →
− →
− y2 z2 x2 z2 x2 y 2
u .( v ∧ w ) = x − y + z .
y3 z3 1 x3 z3 1 x3 y3 1

Donde podemos escrever



x1 y1 z1
(→

u, →

v, →

w ) = x2 y2 z2 .
x3 y3 z3
Exemplo 29. Calcule o produto misto entre os vetores

− →
− − →
→ − − →
− →
− →
− →
− − →
→ −
u =2 i +4j + k, →
v =− i +2j +3k e →

w = −3 i + 2 j − k .

Resolução: Calcuando o determinante



2 4 1

− →
− →

( u , v , w ) = −1 2

3 = −4 − 36 − 2 + 6 − 12 − 4 = −52
−3 2 −1
Proposição 2.10. Sejam → − u, →

v e→

w vetores. Então
i) (→

u, →

v, →

w ) = 0 se, e somente se, um deles é nulo, dois deles são colineares ou os
três são coplanares.
ii) O produto misto independe da ordem circular dos vetores, ou seja,

(→

u, →

v, →

w ) = (→

v, →

w, →

u ) = (→

w, →

u, →

v)

Ordem Circular
.............................................. ...........
No entanto, o produto misto muda de sinal quando se trocam as
.... ...

− .................................................. ............
...
.........
v.....•
..
....... .....
.. ..
..... ....
posições de dois vetores consecutivos, isto é,
..... .... ....
... ... ..
... ... ...
.. ... ...

(→

u, →

v, →

w ) = −(→

v, →

u, →

. ... ....
.... ... ..
...
....
... •
...
.
...→

w)
... .... u
.
... .
.
... .
..
(→
− →
− →

w ) = −(→
− →
− →

... .
.... ..
...
.....
.....
........
• ........... .
.
.....
........
..... u, v, u, w, v)

− ............................
. ..
..
..
..
.
w
(→

u, →

v, →

w ) = −(→

w, →

v, →

u ).
Consequência da propriedade de determinantes pela permutação linhas.
iii) (→

u, →
−v, →

w +→ −r ) = (→−
u, →
−v, →

w ) + (→

u, →
−v, →
−r)
iv) (→−
u, →

v , m→
−w ) = (→−
u , m→−
v, →
−w ) = (m→
−u, →

v, →−
w ) = m(→
−u, →−
v, →−
w ).

Onde m é uma constante real arbitrária.

27
Exemplo 30. Verifique se os vetores são coplanares
a) →

u = (2, −1, 1), →

v = (1, 1, −1) e →
−w = (1, −2, 1).
b) →

u = (−1, −1, −3), → −v = (−1, 0, −2) e → −w = (−3, −1, −7).
Resolução: Vamos →
− → − → −
verificar se ( u , v , w ) = 0.
2 −1 1

− →
− →

a) ( u , v , w ) = 1
1 −1 = 2 + 1 − 2 − 1 − 4 + 1 = −3.
1 −2 1
Logo, os vetores não são
coplanares.
−1 −1 −3
b) (→

u, →

v, →

w ) = −1 0 −2 = 0 − 6 − 3 − 0 + 2 + 7 = 0.
−3 −1 −7
Como cada um dos vetores é não nulo e também não são dois a dois colineares,
devem ser coplanares.

Vamos fazer uma interpretação geométrica do módulo do produto misto. O


produto misto →

u .(→

v ∧→ −
w ) é igual, em módulo ao volume do paralelepı́pedo de arestas
−−→ − −→ − −→
determinadas pelos vetores →

u = AD, → v = AB e → w = AC.
Interpretação geométrica Lembre-se que o volume do paralelepı́pedo é


v ∧. → −
w
N ...............
.
...
.... D.................
..............
.........
......... ... ......................
...
..
...........
...........
V = (área da base) × (altura) = Ab × h.
...............• .. .......
.. .→ .
.− ............
............ .... ........... ...
... ...u ........ ...
.................. ...
.. ... ..

Já vimos que Ab = k→ −v ∧→ −


... ... ... .............. ...
... ... ... ...
h ..... θ.....
... ... ...
.... ....
..
... ...
....
w k, e sendo θ o ângulo entre os
.. ...
vetores u e v ∧ w , com →

− →
− →
− −v ∧→ −
.. .. ..
... ...
... ... →

... ..
.. ..
.. ...
...
..
..
w perpendicular a base, a
........ .
........•....C
. . .
.
.... ..w ............. ...
...........
...... .................
•.......................... ...
.
. ............
... ............
.........•
..
............... altura do paralelepı́pedo é dada por
...
............. .
. .......
.
A ............ .... ......................
• ..........

h = k→



v B
u k| cos(θ)|.
Logo, o volume do paralelepı́pedo é

V = k→

v ∧→

w kk→

u k| cos(θ)|.

Por outro lado



u .(→

v ∧→

w ) = k→

v ∧→

w kk→

u k cos(θ)

e, consequentemente

|→

u .(→

v ∧→

w )| = k→

v ∧→

w kk→

u k| cos(θ)|.

Assim,

28
V = k→

v ∧→

w kk→

u k| cos(θ)| = |→

u .(→

v ∧→

w )| = |(→

u, →

v, →

w )|

Todo paralelepı́pedo é equivalente a dois prismas triangulares iguais. Como


todo prisma triângular equivale a três pirâmides (que no caso são tetraedros) de base e
altura equivalente a base e altura do prisma, o volume de cada uma dessas pirâmides é
1
do volume do paralelepı́pedo.
6
Sendo A, B, C e D quatro pontos do espaço, não situados num mesmo plano,
e três a três não colineares, as arestas do paralelepı́pedo são determinados pelos vetores
−→ −→ −−→
AB, AC e AD e, portanto, o volume do tetraedro ABCD é

1 −→ −→ −−→
V = (AB, AC, AD) .
6

Exemplo 31. Sejam →



u = (x, 2, 1), →

v = (1, x − 2, 0) e →

w = (2, 1, 1).

Calcular o valor de x sabendo que o valor do volume do paralelepı́pedo deter-


minado pelos vetores →

u, →
−v e→ −
w é dado por 11 − 2x u.v (unidades de volume). Qual é
de fato o volume do paralelepı́pedo?
Resolução: O volume é dado por V = |(→

u, →

v, →

w )|.

Como,

x 2 1

− →
− →

( u , v , w ) = 1 x − 2 0 = x2 − 4x + 3.
2 1 1

Logo, 11 − 2x = V = |(→

u, →

v, →

w )| = |x2 − 4x + 3|.

Da definição de módulo devemos ter 11−2x > 0 valendo as igualdades abaixo.

x2 − 4x + 3 = 11 − 2x ou − x2 + 4x − 3 = 11 − 2x

equivalentemente,

x2 − 2x − 8 = 0 ou − x2 + 6x − 14 = 0.

29
A segunda equação não possui raizes reais (verifique!), já a primeira equação
tem como raizes x1 = 4 e x2 = −2 (verifique!).

O paralelepı́pedo determinado por →



u = (4, 2, 1) e →

v = (1, 2, 0) e →

w =
(2, 2, 1) tem volume correspondente a 3 u.v

O paralelepı́pedo determinado por →



u = (−2, 2, 1) e →

v = (1, −4, 0) e


w = (2, 2, 1) tem volume correspondente a 15 u.v

2.4 Duplo Produto Vetorial

Vamos achar uma expressão para (→



u ∧→

v)∧→

w , onde →

u = (x1 , y1 , z1 ),


v = (x2 , y2 , z2 ) e →

w = (x3 , y3 , z3 ).

Suponhamos que os vetores → −u e→


−v sejam linearmente independentes. Como


u ∧→ −
v é ortogonal à →

u e→−v , ainda (→

u ∧→−v)∧→ −w é ortogonal à →

u ∧→ −
v então o plano
determinado por →−
u e→ −v tem →
−u ∧→−v como vetor ortogonal, logo o vetor (→

u ∧→
−v )∧ →

w deve
pertencer a este mesmo plano, pois caso contrário o plano determinado por (→

u ∧→

v )∧→

w
e →

u teria →−
u ∧→ −
v como vetor ortogonal. Dois planos distintos possuindo um mesmo
vetor ortogonal em R3 não é possı́vel.

Sendo {→

u, →

v } L.I, existem α e β escalares reais tais que

(→

u ∧→

v)∧→

w = α→

u + β→

v.

Para determinarmos α e β escolhemos uma base ortonormal {→



e1 , →

e2 , →

e3 }
com →

e1 paralelo a →

u e→

e2 coplanar com →

u e→−v . Então



u = x1 →

e1 , →

v = x2 →

e1 + y2 →

e2 e →

w = x3 →

e1 + y3 →

e2 + z3 →

e3 .

Ainda,


e1 →

e2 →−
e3

− →

u ∧ v = x1 0 0 = x1 y2 →

e3
x2 y 2 0

30
e →

e1 →

e2 →


e3

− →
− →

( u ∧ v ) ∧ w = 0 0 x1 y 2 = −x1 y2 y3 →

e 1 + x1 y 2 x3 →

e2 .

x3 y3 z3

Comparando,
(αx1 + βx2 )→

e1 + βy2 →

e2 = αx1 →

e1 + β(x2 →

e1 + y2 →

e2 ) = α→

u + β→

v

= (→

u ∧→

v)∧→

w = −x1 y2 y3 →

e1 + x1 y2 x3 →

e2 .

Logo,
αx1 + βx2 = −x1 y2 y3 e βy2 = x1 y2 x3 .

Como y2 6= 0, então da segunda equação β = x1 x3 , substituindo na primeira


equação e do fato que x1 6= 0, resulta

αx1 = −βx2 − x1 y2 y3 = −x1 x3 x2 − x1 y2 y3 = x1 (−x3 x2 − y2 y3 ),

ou seja, α = −x3 x2 − y2 y3 .

Note que −→

v .→

w =αe→

u .→

w = β (Verifique!). Portanto,

(→

u ∧→

v)∧→

w = α→

u + β→

v = (−→

v .→

w )→

u + (→

u .→

w )→

v = (→

u .→

w ).→

v − (→

v .→

w ).→

u.

Pode-se mostrar que



u ∧ (→

v ∧→

w ) = (→

u .→

w ).→

v − (→

u .→

v ).→

w.

Quando {→

v, →

u } é L.D as equações são também válidas, fica a critério do
leitor a prova.

Exemplo 32. Mostre que









u→−
w →

u t
(→

u ∧→

v ).(→

w ∧ t)= →




v→−
w →

v t


Resolução: Lembre-se →
−u .(→

v ∧→−
w ) = (→
−u ∧→

v ).→

w . Pondo →

w ∧ t =→ −p , então

− →

(→

u ∧→ −
v ).(→

w ∧ t ) = (→−
u ∧→−
v ).→

p = → −u .(→

v ∧→−
p)=→ −u .(→

v ∧ (→
−w ∧ t ))

− − →

= →

u .((→

v . t )→
w − (→

v .→

w) t )

− →
− − →
= (→

u .→

w )(→

v . t ) − (→

u . t )(→
v .−
w ).

31
Que pode ser escrito como







u→−
w →

u t

− →
− →

( u ∧ v ).( w ∧ t ) = →




v→−
w →

v t

Exemplo 33. Sejam →− u e→−


v vetores. Mostre que
a) k→

u ∧→

v k2 ≤ k→

u k2 .k→

u k2
b) k→

u ∧→

v k = k→

u k.k→

u k se, e somente se →

u ⊥→

v.
Resolução: Verifiquemos a)



u .→

u →

u .→

v
k→

u ∧→
− →
− →
− →
− →

v k2 = ( u ∧ v )( u ∧ v ) =

− →
− →
− →

v.u v.v

= k→

u k2 .k→

v k2 − (→

u .→

v )2 ≤ k→

u k2 .k→

v k2

b) Se k→

u ∧→ −
v k = k→ −u k.k→
−v k então k→ −
u ∧→

v k2 = k→

u k2 .k→

v k2 . Pelo item a) vimos que
k→
−u ∧→−
v k2 = k→
−u k2 .k→
−v k2 − (→
−u .→

v )2 .

Das afirmações temos que (→



u .→

v )2 = 0, ou seja, →

u .→

v = 0 e, portanto, são
ortogonais.

Note que, k→
−u ∧→−
v k2 = k→−
u k2 .k→

v k2 − (→

u .→

v )2 = k→

u k2 .k→

v k2 , pois os vetores
são ortogonais, portanto, k→

u ∧→ −
v k = k→
−u k.k→−
v k.

32
Capı́tulo 3

Retas, Planos e Distâncias

Um dos pontos de estudo da geometria analı́tica é o estudo de retas, planos


e distâncias.

3.1 Equações da Reta

Seja r uma reta que passa pelo ponto A e tem direção de um vetor →

v não
nulo. Para que um ponto P do espaço pertença a reta r, é necessário e suficiente que os
−→ −
vetores AP e →v sejam colineares, isto é, existe uma constante k real tal que

−→
AP = k.→

v ou P − A = k.→

v.

visão geométrica Temos assim que


x ..
.............................
..............................
.................r
P = A + k.→ −v.
......

Sendo P (x, y, z), A(x1 , y1 , z1 ) e →



......
......
......
......
......
...... z..
... .y
v = (a, b, c). Escrevemos
...... .....
...... ... .....
......
......
...
. ..
......
.
...... ... ....
... .....
.
..
... .
......
......
......
......
...
...
. .
......
.
.....
..... (x, y, z) = (x1 , y1 , z1 ) + k.(a, b, c)
...... . .
..
.. ...
. ...... .... .........
. . .

− H .................................................. .......................
v ..... .................
.
. .
...
...
...
As equações acima são denominadas equações vetoriais da
....
..... ....
.
.... ..
.... ..
...
... . ...
reta.
...
...
. .
...
.


O vetor v = (a, b, c) é chamado vetor diretor da reta r e k é denominado
parâmetro.

Note que uma reta no espaço fica determinada por um ponto a ela pertencente
e um vetor diretor e, ainda qualquer vetor paralelo ao vetor diretor é também um vetor
diretor.

Exemplo 34. Determine a equação vetorial da reta r que passa pelo ponto A(3, 4, 7) e

33
tem a direção do vetor →

v = (−3, 1, −2).
Resolução: Seja P (x, y, z) um ponto qualquer da reta, então

(x, y, z) = (3, 4, 7) + k.(−3, 1, −2)

ou ainda, (x, y, z) = (3 − 3k, 4 + k, 7 − 2k)

3.1.1 Equações Paramétricas da Reta



− → − → − →
− → − → −
Seja 0 a origem do espaço e B = { i , j , k } uma base, então (0, i , j , k ) o
sistema de coordenadas, P (x, y, z) e A(x1 , y1 , z1 ) um ponto genérico e um ponto dado,

− →
− →

respectivamente da reta r e →

v = a i + b j + c k um vetor diretor de r.

Da equação vetorial

(x, y, z) = (x1 , y1 , z1 ) + k.(a, b, c)

vem 
 x = x1 + ak
y = y1 + bk (?)
z = z1 + ck



As equações em (?) nas quais a, b e c não são todos nulos (→
− 6 0 ), são
v =
chamadas equações paramétricas da reta r, em relação ao sistema de coordenadas fixada.

Exemplo 35. Determine as equações paramétricas da reta r, que passa pelo ponto
A(−1, 2, 2) paralela ao vetor →

v = (3, −1, 2)
Resolução: O vetor diretor é →

v = (3, −1, 2). Logo,

 x = −1 + 3k
y = 2−k
z = −2 + 2k

Para obter um ponto nesta reta, basta atribuir um valor para k. Em particular
se k = 2, vem x = 5, y = 0 e z = 2. Note que A(−1, 2, 2) é um ponto da reta, e neste
caso k = 0.

34
Exemplo 36. Encontre a equação da reta que passa pelos pontos A(x1 , y1 , z1 ) e
B(x2 , y2 , z2 ).
Resolução: Precisssamos encontrar um vetor diretor →

v . Como a reta passa pelos pon-
−→
tos A e B, podemos considerar o vetor →

v = AB. Assim,


− −→
v = AB = B − A = (x2 , y2 , z2 ) − (x1 , y1 , z1 ) = (x2 − x1 , y2 − y1 , z2 − z1 )

e a equação vetorial passando por A é dada por

(x, y, z) = (x1 , y1 , z1 ) + k(x2 − x1 , y2 − y1 , z2 − z1 ),

e a equação paramétrica passando por A é dada por



 x = x1 + (x2 − x1 )k
y = y1 + (y2 − y1 )k
z = z1 + (z2 − z1 )k

Considere neste caso A(2, 3, 4) e B(6, 2, 1), e as equações passando por A


são dadas por
(x, y, z) = (2, 3, 4) + k(4, −1, −3)

e 
 x = 2 + 4k
y = y1 − k
z = z1 − 3k

Quais seriam as equações passando por B, elas representam a mesma reta?

3.1.2 Equações Simétricas da Reta

Das equações paramétricas se a.b.c 6= 0, vem

x − x1 y − y1 z − z1
k= , k= e k= .
a b c

Logo,
x − x1 y − y1 z − z1
k= = = .
a b c

São chamadas equações simétricas ou normais da reta que passa por A(x1 , y1 , z1 )
na direção do vetor →

v = (a, b, c).

35
Exemplo 37. Determine as equações simétricas da reta passando por A(5, 1, 2) e tem
a direção do vetor →

v = (3, −4, 2).
Resolução:
x−5 1−y z−2
= = .
3 4 2

Exemplo 38. Sejam A(x1 , y1 , z1 ) e B(x2 , y2 , z2 ) dois pontos, tais que x2 − x1 6= 0,


y2 − y1 6= 0 e z2 − z1 6= 0. Determine a equação simétrica da reta passando pelo ponto A
ou B.
Resolução: O vetor diretor é dado por


− −→
v = AB = B − A = (x2 , y2 , z2 ) − (x1 , y1 , z1 ) = (x2 − x1 , y2 − y1 , z2 − z1 ).

Logo,

x − x1 y − y1 z − z1 x − x2 y − y2 z − z2
= = ou = = .
x2 − x1 y2 − y1 z2 − z1 x 2 − x1 y2 − y1 z2 − z1

são as equações simétricas passando por A ou por B respectivamente.

Dados três pontos A, B e C podem ocorrer dos pontos estarem em uma mesma
reta, neste caso dizemos que os pontos estão alinhados. Busquemos uma condição para
o alinhamento de três pontos. Sejam A(x1 , y1 , z1 ), B(x2 , y2 , z2 ) e C(x3 , y3 , z3 ), para
−→ −→
que eles estejam em uma mesma reta, então os vetores AB e AC devem ser colineares,
−→ −→
isto é, existir um número real λ tal que AB = λ.AC, ou seja,

x2 − x1 y2 − y1 z2 − z1
= = .
x3 − x1 y3 − y1 z3 − z1

Exemplo 39. Sejam os pontos A(2, 3, −1), B(−1, 0, −4) e C(3, 4, 0). Tais pontos
estão alinhados.
Resolução: Basta verificarmos a condição de alinhamento, ou seja,

−1 − 2 0−3 −4 + 1
= = = −3
3−2 4−3 0+1

portanto, os pontos estão alinhados.

36
Exemplo 40. São dadas as equações
2x + 2 2−y
= =z−2
4 3
a) A equação acima representa uma reta r?
b) Elas são equações na forma simétrica de r? Caso não sejam, passe para forma
simétrica.
c) Exiba um ponto e um vetor diretor de r.
Resolução: Notemos que,
x+1 2x + 2 y−2 2−y z−2
= , = e =z−2
2 4 −3 3 1
a) Sim, a equações representam uma reta r.
b) Não, contudo podemos passar na forma simétrica como:
x+1 y−2 z−2
= =
2 −3 1
c) A reta r passa por A(−1, 2, 2) e tem como vetor diretor →

v = (2, −3, 1).

3.1.3 Equações Reduzidas da Reta

Sejam as equações de uma reta r na forma simétrica, dada por


x − x1 y − y1 z − z1
= = .
a b c
x − x1 y − y1 x − x1 z − z1
Então, = e = , das igualdades temos
a b a c
b b c c
y = x + y 1 − x1 e z = x + z1 − x1
a a a a
b b c c
Pondo, m = , n = y1 − x1 , p = e q = z1 − x1 , obtemos as seguintes
a a a a
equações 
 y = mx + n
(?)
z = px + q

A equação (?) é chamada equação na forma reduzida da reta r.

Na equação acima deixamos y e z em função de x, contudo, qualquer duas


das coordenadas podem ficar em função da outra.

37
Exemplo 41. Estabeleça as equações reduzidas de r passando pelos pontos A(3, 2, 1) e
B(5, −1, 3).
−→
Resolução: Seja AB o vetor diretor de r, então →

v = (2, −3, 2). Assim,

x−3 y−2 z−1


= = .
2 −3 2

x−3 y−2 x−3 z−1


Dessas equações, vem = e = .
2 −3 2 2
Logo,
3 13

 y = − x+

2 2

z = x−2

Qual seria a equação se a reta passase por B?

Das equações reduzidas



 y = mx + n

z = px + q

podemos obter
x y−n z−q
= = ,
1 m p
comparando com a equação simétrica

x − x1 y − y1 z − z1
= = .
a b c

Verifica-se que as equações reduzidas representam a reta que passa pelo ponto
N (0, n, q) e tem a direção do vetor →
−v = (1, m, p).

Exemplo 42. Sejam as equações reduzidas da reta r



 y = 3x − 2

z = −2x + 5

Determine o vetor diretor e um ponto pelo qual a reta passa.


Resolução: Como vimos o vetor diretor e m ponto pelo qual a reta passa são dados por


v = (1, 3, −2) e N (0, −2, 5) respectivamente.

38
Exercı́cio 2. Sejam as equações reduzidas da reta r

 x = 3y − 2

z = −2y + 5

Determine o vetor diretor e um ponto pelo qual a reta passa.

3.2 Estudo da Reta

3.2.1 Ângulos de duas Retas

Seja a reta r1 que passa pelo ponto A1 (x1 , y1 , z1 ) e tem a direção de um


vetor →

v1 = (a1 , b1 , c1 ) e r2 que passa pelo ponto A2 (x2 , y2 , z2 ) e tem a direção de um
vetor →

v2 = (a2 , b2 , c2 ).

Chama-se ângulo de duas retas r1 e r2 o menor ângulo de um vetor diretor


de r1 e um vetor diretor de r2 . Logo, sendo θ este ângulo tem-se.
Representação geométrica
r1..
..
.. |→

v1 .→

v2 | π
.. cos(θ) = → , com 0 ≤ θ ≤
k v1 k.k→
− −
..

J ..−
.. v1
.
..

.
..
v2 k 2
........
.. ....... r2
. .......
..... ........
.............θ...........H
.
α..................... ............. v2
...−
→ ou em coordenadas
.. .........
.................
.
...
......... ...
.....
.......
.
...
.......
..
..
..
|a1 .a2 + b1 .b2 + c1 .c2 | π
.
...
..
........
.......
.
... .. cos(θ) = p 2 p , com 0 ≤ θ ≤ .
..
..
..
a1 + b21 + c21 . a22 + b22 + c22 2
...
.
..
..

Note que o ângulo entre os vetores diretores pode não ser θ, mas α como ilustra
a figura ao lado, contudo, α = π − θ e cos(α) = cos(π − θ) = cos(π) cos(θ) = − cos(θ),
isso justifique a presença do módulo na equação acima.

Exemplo 43. Calcular o ângulo entre as retas


 
 x =  x 2 + 4t = 3 − 2t
r1 = y = r2 = z −1 + t = 1−t
z = y t = 2 + 3t
 

Resolução: Os vetores diretores de r1 e r2 são −


v→
r1 = (4, 1, 1) e −
v→
r2 = (−2, 3, −1).

Assim,

|(4, 1, 1).(−2, 3, −1)| | − 8 + 3 − 1| 6 7
cos(θ) = = √ √ = √ = .
k(4, 1, 1)k.k(−2, 3, −1)k 18. 14 6 7 7

39
Portanto, θ ≈ 67, 79o ≡ 1, 1832 rad

Exemplo 44. Calcule o ângulo entre as retas



x−2 y+2 z+1 y = −3z + 1
r1 : = = r2 =
4 2 2 x = −2z + 3

Resolução: Os vetores diretores de r1 e r2 são −


v→ −

r1 = (4, 2, 2) e vr2 = (−2, −3, 1).

Assim,

|(4, 2, 2).(−2, −3, 1)| | − 8 − 6 + 2| 12 3 21
cos(θ) = = √ √ = √ = .
k(4, 2, 2)k.k(−2, −3, 1)k 24. 14 4 21 21

Portanto, θ ≈ 49, 10o ≡ 0, 7932 rad

Observações: Sejam as retas r1 e r2 duas retas, então tais retas são paralelas
se os vetores diretores −
v→ −

r1 = (a1 , b1 , c1 ) e vr2 = (a2 , b2 , c2 ) são paralelos, ou seja,

a1 b1 c1
= = .
a2 b2 c2

As retas são ortogonais se −


v→ −

r1 .vr2 = 0, ou seja,

a1 .a2 + b1 .b2 + c1 .c2 = 0

Vale ressaltar a diferença entre os termos retas ortogonais e retas perpen-


diculares. Retas ortogonais podem ser concorrentes ou reversas, enquanto que retas
perpendiculares são obrigatoriamente concorrentes.

Exemplo 45. Sejam as retas

r1 : (x, y, z) = (2, 1, 1) + t(−3, 2, 1) e r2 : (x, y, z) = (1, 0, 1) + t(0, −1, 2)

Verifique se são ortogonais. Verifique também se são perpendiculares.


Resolução: Note que −v→ = (−3, 2, 1) e −
r1 v→ = (0, −1, 2). Temos ainda,
r2

(−3, 2, 1).(0, −1, 2) = 0 − 2 + 2 = 0,

portanto, r1 e r2 são ortogonais.

40
Para que as retas sejam perpendiculares deve existir t0 tal que r1 em t0 e r2
em t0 produz o mesmo ponto, assim

(2, 1, 1) + t(−3, 2, 1) = (1, 0, 1) + t(0, −1, 2)

donde
(1, 1, 0) = t(3, −3, 1).

Da igualdade acima, vemos que não existe t0 tal que os vetores sejam parale-
los, portanto, as retas não são concorrentes, não sendo assim, perpendiculares.

3.2.2 Condição de Coplanaridade de Duas Retas

Coplanaridade Seja r1 uma reta que passa por um ponto A(x1 , y1 , z1 ) e tem a
.r1
...
...
direção de um vetor → −
v1 = (a1 , b1 , c1 ), e a reta r2 , que passa por um
ponto B(x2 , y2 , z2 ) e tem a direção de um vetor → −
. ....
..
...
...
... v2 = (a2 , b2 , c2 ),
....... .r2
...
... →
− →
− − →
→ ......

v 1J ..
...
...
são coplanares se os vetores v1 , v2 e AB forem coplanares, isto é, se
.. .
.
−→
for nulo o produto misto (→ −
v1 , →

.. .
... ...
... ...
..
...
... .
.
...
...
v2 , AB), ou seja,
A....... ..
...
H...
... .....
J...−→
... ......... ... v
... ... 2
..... .
.

.....
..... .
...
. a 1 b 1 c 1

..... .....
..... ...
..... →
− →
− −→
...
.....•
. B ( v1 , v2 , AB) = a2 b2 c2 =0
...

....
.
... x2 − x1 y2 − y1 z2 − z1
.
...

Exemplo 46. Determine se as retas



x+1 y−1 z−3
r1 : = = e r2 : (x, y, z) = (1, −3, 2) + k(2, −1, 2)
3 2 1

são coplanares.
Resolução: O vetor diretor de r1 é − v→
r1 = (3, 2, 1) passando pelo ponto A(−1, 1, 3),

e o vetor diretor de r2 é − v→
r2 = (2, −1, 2) passando pelo ponto B(1, −3, 2), assim
−→
AB = (2, −4, −1). Logo,

3 2 1

− →
− −→
( v1 , v2 , AB) = 2 −1
2 = 3 + 8 − 8 + 2 + 24 + 4 = 33.
2 −4 −1

Portanto, as retas não são coplanares.

41
Exemplo 47. Para que valor de p verifica-se a coplanaridade das retas

  x = 2 − 3t
y = px + 2
r1 : e r2 : y = −1 + t
z = 3x − 1
z = 1 − 2t

Resolução: O vetor diretor de r1 é −


v→
r1 = (1, p, 3) e passa por A(0, 2, −1) e o vetor
−→
diretor de r2 é −
v→
r2 = (−3, 1, −2) e passa por B(2, −1, 1). Logo, AB = (2, −3, 2) e

1 p 3

− →
− −→
0 = ( v1 , v2 , AB) = −3 1 −2 = 2 − 4p + 27 − 6 − 6 + 6p = 17 + 2p.
2 −3 2

17
Segue, que para p = − = −8, 5 as retas são coplanares.
2

3.2.3 Posição Relativa de Duas Retas

Duas retas r1 e r2 no espaço, podem ser:

(a) Coplanares, isto é, situados no mesmo plano. Nesta situação, podem ocorrer:

(I) As retas serem concorrentes: r1 ∩ r2 = {p}, onde p é o ponto de intersecção


das retas r1 e r2 .

(II) Paralelas: r1 ∩ r2 = ∅. ( Quando r1 e r2 são coincidentes, é um caso particular


de paralelismo.)

(b) Reversas, isto é, não situadas no mesmo plano, e ocorre que r1 ∩ r2 = ∅.

Sejam r1 e r2 duas retas com −


v→ −

r1 e vr2 os vetores diretores respectivos, e

passando pelos pontos A e B respectivamente.

(a) Se r1 e r2 forem paralelas, serão coplanares, isto é,


−→
(→

v1 , →

v2 , AB) = 0.

(b) Se r1 e r2 não forem paralelas, a igualdade


−→
(→

v1 , →

v2 , AB) = 0

exprime a condição de concorrência dessas retas.

42
−→
(c) Se (→

v1 , →

v2 , AB) 6= 0 as retas r1 e r2 são reversas.

Exemplo 48. Estude a posição relativa entre as retas


 
y = −3x + 2 x+1 y−2 z+1
r1 : e r2 : = =
z = 2x − 3 2 −1 2

Resolução: O vetor diretor de r1 é −v→


r1 = (1, −3, 2) e passa pelo ponto A(0, 2, −3)

e o vetor diretor de r2 é −v→


r2 = (2, −1, 2) e passa pelo ponto B(−1, 2, −1). Logo,
−→
AB = (−1, 0, 2) e

1 −3 2
−→
(→

v1 , →

v2 , AB) = 2 −1 2 = −2 + 6 − 2 + 12 = 14,
−1 0 2

portanto, as retas são reversas.

Exemplo 49. Estude a posição relativa entre as retas



  x = 1 − 3t
y = 4x − 6
r1 : e r2 : y = 2 − 12t
z = −x
z = 3t

Resolução: O vetor diretor de r1 é −


v→
r1 = (1, 4, −1) e passa pelo ponto A(0, −6, 0)

e o vetor diretor de r2 é −
v→
r2 = (−3, −12, 3) e passa pelo ponto B(1, 2, 0). Note que

v→ = (−3, −12, 3) = −3(1, 4, −1) = −3− v→.
r2 r1

Logo, as retas r1 e r2 são paralelas, tais retas não são coincidentes, pois os
pontos A e B não são pontos da mesma reta por exemplo.

Note que duas retas r1 e r2 coplanares e não paralelas são concorrentes, neste
caso existe A(x0 , y0 , z0 ) que pertence a ambas as retas simultaneamente.

Sejam as retas r1 e r2 , não paralelas, com as direções dos vetores −


v→
r1 =

(a1 , b1 , c1 ) e −
v→
r2 = (a2 , b2 , c2 ) respectivamente. Qualquer reta r, simultaneamente

ortogonal à r e r , terá um vetor diretor paralelo ou igual ao vetor −


1 2 v→ ∧ −
r1 v→.
r2

Nas condições dadas, uma reta r ortogonal a r1 e r2 estará bem definida


quando se conhece um de seus pontos.

43
Exemplo 50. Encontre uma equação de reta tal que r passa pelo ponto A(1, −2, 1) e
é ortogonal as retas

  x = 2 − 3t
z = 2y − 1
r1 : e r2 : z = 1−t
x = y+2
y = 2+t

Resolução: Os vetores diretores das retas são −


v→ −

r1 = (1, 1, 2) e vr2 = (−3, 1, −1)

respectivamente. E,

−i →− →−
j k →
− → − → − → − → − → − →
− → − → −

v→ ∧−→ =
r1 vr2 1 1 2 = − i −6 j + k −2 i + j +3 k = −3 i −5 j +4 k = (−3, −5, 4).
−3 1 −1

Logo,
r : (x, y, z) = (1, −2, 1) + k(−3, −5, 4)

é uma equação de reta ortogonal a r1 e r2 simultaneamente, passando pelo ponto A(1, −2, 1).

3.3 Equação do Plano

Denotaremos por π um plano. Seja A(x1 , y1 , z1 ) um ponto pertencente a



− →
− →

um plano π e →

n = a. i + b j + c k com →

n 6= (0, 0, 0).

Definição 3.1. O plano π é definido como o conjunto de todos os pontos P (x, y, z) do


−→
espaço tais que o vetor AP é ortogonal a →

n . O ponto P pertence a π se, e somente se


− −→
n .AP = 0

o vetor →

n é chamado vetor normal do plano π (e/ou ortogonal).

Da definição acima, sendo P (x, y, z) um ponto genérico, A(x1 , y1 , z1 ) um



− →
− →

ponto dado do plano e → −
n = a. i + b j + c k o vetor normal do plano, então
−→
0=→ −n .AP = (a, b, c).(x − x1 , y − y1 , z − z1 ) = ax − ax1 + by − by1 + cz − cz1

= ax + by + cz − (ax1 + by1 + cz1 ) = ax + by + cz + d


onde d = −(ax1 + by1 + cz1 ).

Portanto, ax + by + cz + d = 0 é denominada equação geral do plano.

44
Exemplo 51. Encontre a equação de um plano que é paralelo aos vetores →

v1 = (1, 2, 3)
e→

v = (−1, 1, 1) passando pelo ponto A(2, 1, −1).
2

Resolução: Como →−v1 e →



v2 são não colineares, podemos encontrar um vetor ortogonal a


v1 e →

v2 dado pelo produto vetorial dos dois vetores. Assim,

−i → − → −
j k →
− →
− →



n =→ −
v1 ∧ →

v2 = 1 2 3 = − i − 4 j + 3 k .
−1 1 1

Logo,
−→
0=→

n .AP = (−1, −4, 3).(x − 2, y − 1, z + 1) = −x + 2 − 4y + 4 + 3z + 3

= −x − 4y + 3z + 9

Observação. Na equação ax + by + cz + d = 0 um vetor normal é dado pelos


coeficientes de x, y e z, ou seja, →

n = (a, b, c).

Note ainda que qualquer múltiplo de →



n é também um vetor normal ao plano,
ou seja, →

p = k→
−n com k 6= 0.

As condições a seguir possibilitam determinar um plano, ou seja, possibilita


encontrar um vetor normal.

(i) Passa por um ponto A e é paralelo a dois vetores →



v1 e →

v2 não colineares. Assim


n =→ −
v ∧→ −
v .
1 2

−→
(ii) Passa por dois pontos A e B e é paralelo a um vetor →

v não colinear ao vetor AB.
−→
Neste caso, →

n =→ −
v ∧ AB.

−→ −→
(iii) Passa por três pontos A, B e C não colineares. Temos assim, →

n = AB ∧ AC.

(iv) Contém duas retas r1 e r2 concorrentes. Neste caso →



n =→

v1 ∧ →

v2 , sendo →

v1 e →

v2 os
vetores diretores das retas respectivamente. E qualquer ponto de uma das retas.

−→
(v) Contém duas retas r1 e r2 paralelas. Para este caso →

n = →

v ∧ AB, sendo →

v o
vetor diretor de uma das retas e A um ponto de r1 e B um ponto de r2 .

45
−→
(vi) Contém uma reta e um ponto não pertencente a reta. Assim →

n =→

v ∧ AB, sendo


v o vetor diretor da reta e A um ponto de r.

Exemplo 52. Determine a equação do plano que passa pelo ponto A(1, 2, 2) e contém
a reta 
 x = 2−t
r: y = 1 + 2t
z = 3−t

Resolução: Note que A 6∈ r, pois para t = 1 a ordenada y = 3 e não 2. Seja B(1, 3, 2)


−→ −→
um ponto da reta, então BA = (0, 1, 0) e →−n =→ −v ∧ AB = (1, 0, −1). Logo,

−→
0=→

n .AP = (1, 0, −1).(x − 1, y − 2, z − 2) = x − 1 − z + 2 = −x − z + 1

Na definição para a equação geral do plano é necessário um vetor normal




n que é obtido por dois vetores base desse plano, ou seja, dois vetores não colineares
pertencentes ao plano.

Seja A(x0 , y0 , z0 ) um ponto do plano e que é paralelo aos vetores → −


v1 =
(x1 , y1 , z1 ) e →

v2 = (x2 , y2 , z2 ) não colineares, se P (x, y, z) é um ponto qualquer do
−→ − →
plano, os vetores AP , → v e−
1 v são coplanares e, portanto, o produto misto deles é nulo,
2
−→ − →
isto é, (AP , →
v1 , −
v2 ) = 0, ou seja,

x − x0 y − y0 z − z0
−→ → − →

0 = (AP , v1 , v2 ) = x1 y1 z1

x2 y2 z2

isto é,
y1 z1 x1 z1 x1 y 1
(x − x0 )
+ (y − y0 )
(z − z0 )
=0
y2 z2 x2 z2 x2 y 2
ou ainda,

(x − x0 )[y1 z2 − y2 z1 ] + (y − y0 )[x1 z2 − x2 z1 ] + (z − z0 )[x1 y2 − x2 y1 ] = 0

portanto,
ax + by + cz + d = 0

onde, a = y1 z2 − y2 z1 , b = x1 z2 − x2 z1 , c = x1 y2 − x2 y1 e d = −x0 a − y0 b − z0 b.

46
Exemplo 53. Encontre a equação geral do plano que contém as retas

  x = 1 − 2t
y = 2x − 1
r1 : e r2 : y = −4t
z = −3x + 2
z = −3 + 6t

Resolução: O vetor diretor de r1 é −


v→
r1 = (1, 2, −3) e passa pelo ponto A(0, −1, 2).

A reta r2 tem como vetor diretor −


v→
r2 = (−2, −4, 6) e passa pelo ponto A(1, 0, −3).

Note que as retas r1 e r2 são paraleles (vetores diretores colineares) e não são
coincidentes, pois os pontos A e B são pontos exclusivos das retas respectivas.
−→
Os vetores bases são −
v→
r1 = (1, 2, −3) e AB = (1, 1, −5) para o ponto fixo

A desse plano (ou ponto B) e P (x, y, z) um ponto genérico. Assim,



x y+1 z−2
−→ − −→
0 = (AP , →

v1 , AB) = 1 2 −3 = −7x + 2y − z + 4
1 1 −5
ou
x−1 y z+3
−−→ − −→
0 = (BP , →

v1 , AB) = 1 2 −3 = −7x + 2y − z + 4
1 1 −5

3.4 Estudo do Plano

Da equação geral do plano

ax + by + cz + d = 0

na qual a, b e c não são todos nulos, temos que →



n = (a, b, c) é o vetor normal do plano
π.

Se o plano ax + by + cz + d = 0 passa pela origem então d = 0, pois

0 = a0 + b0 + c0 + d = d.

Assim a equação fica

ax + by + cz = 0

e representa a equação de um plano passando pela origem.

47
3.4.1 Planos Paralelos aos Eixos e/ou Planos Coordenados

Se apenas uma das componentes do vetor →



n = (a, b, c) é nula, o vetor é
ortogonal a um dos eixos coordenados, e, portanto, o plano π é paralelo ao mesmo eixo.

(i) Se a = 0, →

n = (0, b, c) ⊥ 0x, portanto, π//0x.

A equação geral dos planos paralelos ao eixo 0x é by + cz + d = 0.

(ii) Os planos paralelos ao eixo 0y tem equação na forma ax + cz + d = 0

(iii) Os plano paralelos ao eixo 0z tem equação na forma ax + by + d = 0

Observe que a variável ausente nas equações acima indica que o plano é
paralelo ao eixo desta variável.

Se duas das componentes do vetor normal →



n = (a, b, c) são nulas, →

n é

− →
− →

colinear a um dos vetores i = (1, 0, 0) ou j = (0, 1, 0) ou k = (0, 0, 1), e,
portanto, o plano π é paralelo ao plano dos outros dois vetores.



(i) Se a = b = 0, →

n = (0, 0, c) = c k , portanto, π//x0y.

A equação geral dos planos paralelos ao plano x0y é cz + d = 0 com c 6= 0, ou seja,


d
z=− .
c
São plano cuja equação são da forma z = k, k uma constante real.

(ii) Os planos paralelos ao plano x0z tem equação na forma y = k

(iii) Os plano paralelos ao plano y0z tem equação na forma x = k

Exemplo 54. Encontre a equação do plano que contém o ponto A(1, 2, 1) e a reta

x = 2
r:
y = 3

Resolução: A reta passa pelo ponto B(2, 3, 0) e tem a direção do vetor →



v = (0, 0, 1).
−→
Os vetores base são →

v e AB = (1, 1, −1). Sendo A (ou B) um ponto fixo desse plano

48
e P (x, y, z) um ponto genérico, deve-se ter

x−1 y−2 z−1
−→ → − −→
=y−2−x+1=y−x−1
0 = (AP , v AB) = 0 0 1
1 1 −1

Trata-se de um plano paralelo ao eixo 0z e, portanto, perpendicular ao eixo


x0y.

3.4.2 Equações Paramétricas do Plano

Seja A(x0 , y0 , z0 ) um ponto de um plano π, →



u = (a1 , b1 , c1 ) e →

v =
(a2 , b2 , c2 ) dois vetores não colineares. Um ponto P (x, y, z) pertence ao plano π
que passa por A e é paralelo aos vetores → −u e→

v se, e somente se, existem números reais
t e k tais que
−→
AP = t→

u + k→

v

ou ainda,
(x − x0 , y − y0 , z − z0 ) = t.(a1 , b1 , c1 ) + k.(a2 , b2 , c2 ).

Donde, 
 x = x 0 + a1 t + a2 k
y = y 0 + b1 t + b2 k
z = z0 + c1 t + c2 k

são as equações paramétricas do plano com parâmetros t e k.

Exemplo 55. Encontre as equações paramétricas do plano que passa pelo ponto A(2, 1, 3)
e é paralelo aos vetores →

u = (−2 − 2, 1) e →

v = (1, 2, −1).
Resolução: 
 x = 2 − 2t + k
y = 1 − 2t + 2k
z = 3+t−k

Para encontrar um ponto deste plano basta atribuir valores a t e k. Se t = 1


e k = 2 por exemplo o ponto B(2, 3, 2) é um ponto do plano.

49
3.4.3 Ângulo de Dois Planos

Sejam os planos

π 1 : a1 x + b 1 y + c 1 z + d 1 = 0

e
π 2 : a2 x + b 2 y + c 2 z + d 2 = 0

Os vetores →

n1 = (a1 , b1 , c1 ) e →

n2 = (a2 , b2 , c2 ) são os vetores normais de π1
e π2 respectivamente.

Definição 3.2. Chama-se ângulo de dois planos π1 e π2 o menor ângulo que um vetor
normal de π1 forma com um vetor normal de π2 . Sendo θ este ângulo, tem-se
|→

n1 .→

n2 | π
cos(θ) = →
− →
− , com 0 ≤ θ ≤
kn k.kn k1 2 2
ou em coordenadas
|a1 .a2 + b1 .b2 + c1 .c2 | π
cos(θ) = p 2 p , com 0≤θ≤
a1 + b21 + c21 . a22 + b22 + c22 2

Note ainda que se π1 //π2 (são paralelos) então os vetores normais → −


n1 =
(a1 , b1 , c1 ) e →

n2 = (a2 , b2 , c2 ) repectivos, são também paralelos, e neste caso,
a1 b1 c1
= =
a2 b2 c2
a condição de paralelismo entre dois planos.
a1 b1 c1 d1
Se ocorrer = = = , os planos π1 e π2 são coincidentes.
a2 b2 c2 d2
Ainda, dois planos são ortogonais se seus vetores normais são ortogonais.

Exemplo 56. Determine o ângulo entre os planos

π1 : x − 3y + 2z − 4 = 0 e π2 : 2x + y − z + 3 = 0

Resolução: Como →

n1 = (1, −3, 2) e →

n2 = (2, 1, −1) os vetores normais de π1 e π2
respectivamente. Então

|1.2 − 3.1 − 2.1| 3 21
cos(θ) = √ √ = √ = .
1+9+4 4+1+1 2 21 14

Logo, θ ≈ 70, 8933o ≡ 1, 2373 rad.

50
3.4.4 Ângulo de uma Reta com um Plano

Seja uma reta r com a direção do vetor →



v e um plano π com →

n seu vetor
normal.

O ângulo φ da reta r com o plano π é o complemento do ângulo θ que r forma


com uma reta normal ao plano.
π
Como θ + φ = segue, cos(θ) = sen(φ), então
2
|→

v .→

n| π
sen(φ) = → − →
− , com 0 ≤ θ ≤ .
k v k.k n k 2

Segue da equação acima que se r//π então →



v ⊥→

n e se r ⊥ π então →

v //→

n.

Exemplo 57. Calcule o ângulo da reta com o plano dados por



 x = 1 − 3t
r: y = 2t e π : x + y − 2 = 0.
z = 2+t

Resolução: A reta tem a direção de →


−v = (−3, 2, 1) e →

n = (1, 1, 0) é o vetor normal
de π. Assim,

|(−3, 2, 1).(1, 1, 0)| | − 3 + 2| 7
sen(φ) = = √ √ = .
k(−3, 2, 1)k.k(1, 1, 0)k 14. 2 14

Portanto, φ ≈ 10, 89o ≡ 0, 1901 rad

3.5 Distâncias

Já vimos que a distância entre dois pontos A(x1 , y1 , z1 ) e B(x2 , y2 , z2 ) é o


−→
módulo do vetor AB, isto é,
−→ p
d(A, B) = kABk = (x2 − x1 )2 + (y2 − y1 )2 + (z2 − z1 )2 .

3.5.1 Distância de um Ponto e uma Reta

Seja uma reta r definida por um ponto A(x1 , y1 , z1 ) e pelo seu vetor diretor


v = (a, b, c) e seja B(x0 , y0 , z0 ) um ponto qualquer do espaço.

51
−→
Os vetores →

v e AB determinam um paralelogramo cuja altura corresponde
à distância d de B a r que pretendemos calcular.
Distância Ponto-Reta Como a área Ap do paralelogramo é dada pelo produto da base
B(x0 , y0 , z0 )
J..
...
..
...
pela altura, temos
Ap = k→

... ...
...
...
...
.
... .
..
...
...
. v kd.
... ...
.. d ...
... ...
... −→
Já vimos que Ap = k→

... ..
.
... ...
.
•..
. ...
...
I
v
v ∧ ABk.
A(x1 , y1 , z1 )

Logo,
−→
−→ k→

v ∧ ABk
k→

v ∧ ABk = k→

v kd então d(B, r) = .
k→

vk

Exemplo 58. Calcular a distância do ponto A(1, 0, 2) a reta

r : (x, y, z) = (−1, 3, 4) + t(2, 1, 1).

Resolução: A reta r passa pelo ponto B(−1, 3, 4) com vetor diretor →


−v = (2, 1, 1).
−→
Ainda, BA = (2, −3, −2). Logo,

k(2, 1, 1) ∧ (2, −3, −2)k k(1, 6, −8)k 101
d(A, r) = = = √ u.c
k(2, 1, 1)k k(2, 1, 1)k 6

3.5.2 Distância Entre Duas Retas

Sejam r e s duas retas não concorrentes, pois sendo concorrentes a distância


d(r, s) = 0 por definição.

Se r e s são paralelas, então a distância de um ponto B(x0 , y0 , z0 ) de uma


das retas a outra, determina a distância entre as retas r e s, ou seja,

d(r, s) = d(B, s) B ∈ r ou d(r, s) = d(B, r) B ∈ s.

Neste caso o cálculo de distância entre retas paralelas se reduz ao caso de


distância entre ponto e reta.

Consideremos duas retas reversas r e s, a reta r passa por A(x1 , y1 , z1 ) e


tem como vetor diretor →

vr = (a1 , b1 , c1 ) e s passa por B(x2 , y2 , z2 ) e tem como vetor

52
diretor →

vs = (a2 , b2 , c2 ).
−→
Distância Reta-Reta Os vetores →−
vr , →

vs e AB = (x2 −x1 , y2 −y1 , z2 −z1 ) determinam um

→∧v
v r . s

→ paralelepı́pedo. A base do paralelepı́pedo é definida pelos vetores
N
....
.
... B
→...................................................

v
.........
.... s ..
..s .
...........
...........


vr e →−
vs e a altura corresponde à distância d entre as retas r e s,
......................
...............• ... ..........
. .. .. ...... ..
............ .. ........... ..
.. ..
... ...
............. ..........
. ....... ................. ...
... ...
.... ....
... ........
.... ...
...
....
porque a reta s é paralela ao plano de base de paralelepı́pedo.
.. . .. .. ..
d .... ..... ... ... ... Já vimos que o volume do paralelepı́pedo, é dado pelo módulo do
.. .. ... ... ...
.... .... .... .... ....
.. .. → ........ ..... ..
... ...
......

v
...........
.......•...................
...s ............
...
...
produto misto, ou seja
........................... .... ............ ....
...........
•..................... .. ...•
.. ...........
.
r............................ ..... ........................ −→
V = |(→

vr , →

A
.........
→•

v vs , AB)|.
r

Ainda, tal volume é dado pelo produto da área da base pela altura, e como
já sabemos a área da base é o módulo do produto vetorial entre os vetores diretores, ou
seja,
V = Ab .d = k→

vr ∧ →

vs k.d.

Das duas afirmações, temos


−→
−→ |(→

vr , →

vs , AB)|
k→

vr ∧ →

vs k.d = |(→

vr , →

vs , AB)| ou d(r, s) = .
k→
−vr ∧ →−
vs k

Exemplo 59. Calcule a distância entre as retas



  x = −4 − 4t
y = 3x + 2
r1 : e r2 : y = 2 − 12t
z = 3x
z = −12t

Resolução: Um vetor diretor de r1 é −


v→
r1 = (1, 3, 3) e um vetor diretor de r2 é

v→ = (−4, −12, −12). Note que
r2


v→ −

r2 = (−4, −12, −12) = −4(1, 3, 3) = −4vr1 .

Segue que os vetores diretores são paralelos, consequentemente as retas são


paralelas. Seja A(0, 2, 0) um ponto de r1 e r2 passando por B(−4, 2, 0) com vetor
diretor −
v→
r2 = (−4, −12, −12).

Assim,

−i →
− →

−→ j k →
− →



vr2 ∧ AB = −4 −12 −12 = 48 j − 48 k .
−4 0 0

53
Logo,
−→ √ √
k−
v→
r2 ∧ ABk k(0, 48, −48)k 48 2 12 2
d(r1 , r2 ) = d(A, r2 ) = = = √ = √ u.c
k−v→
r2 k k(−4, −12, −12)k 4 19 19
Exemplo 60. Calcule a distância entre as retas
(
y = 2 
y = 2x − 1
r1 : z−2 e r2 :
x−1 = z = x+1
3
Resolução: Um vetor diretor de r1 é − v→
r1 = (1, 0, 3) e um vetor diretor de r2 é

v→ = (1, 2, 1). Notes que as retas não são paralelas, a reta r passa por A(1, 2, 2) e r
r2 1 2

passa por B(0, −1, 1). Assim,



− →− →

i j k →
− →
− →


→ −

vr1 ∧ vr2 = 1 0 3 = −6 i + 2 j + 2 k .
1 2 1
e
1 0 3

→ −
→ −→
= −2 − 9 + 6 + 3 = −2.
(vr1 , vr2 , AB) = 1
2 1
−1 −3 −1

Logo,
→ −→ √
|(−
v→ −
r1 , vr2 , AB)| | − 2| 2 11
d(r1 , r2 ) = −→ −
→ =p =√ = u.c
kvr1 ∧ vr2 k 2 2
(−6) + 2 + 2 2 44 11

3.5.3 Distância de um Ponto a um Plano

Dados A(x0 , y0 , z0 ) um ponto e π : ax + by + cz + d = 0 um plano, tal que


A 6∈ π.
Distância Ponto-Plano
z
Considere P o pé da perpendicular conduzida por
A(x0 , y0 , z0 ) sobre o plano π e Q(x, y, z) um ponto qual-
quer do plano.
... →
O vetor normal → −
I −
.. n ... n = (a, b, c) de π tem a mesma direção
...
−→ −→ −→ −→
de P A ou AP . (P A = λ→ −n ou AP = λ→ −
...
A ...
•........... ...
... n ).
... .....
... ......
... .......
...
... −→
...
...
...
.....
...... ....
....... ...
..
Projetando ortogonalmente o vetor AQ sobre o vetor nor-
... .. . .........
...
...
...
.....
.......
... .......
... ......
mal do plano, temos
... ... .....
... ... .....
.....
... ... .....
−→
−→ → −
... . .....
... ... .
...............................................................................................π
.
n .AQ →
.−
.............
.. . . . . . . . .
...... .....................................................................Q
. . •. .......................
.......
.............................P .......• ..........................................................................
.
proj−
n AQ =
→ n
.....
k→

...
y ......................................................................... ...................
. ..... .
..
...........................................................
n k2
....... ..............................
...
. . ......
x ......

54
Então
−→
−→ |→

n .AQ|
kproj−
n AQk =

k→

nk

Por outro lado,

−→ −→ −→
d(A, π) = kAP k = kP Ak = kλ→

n k = kproj−
n AQk.

Assim,
−→
|→

n .AQ|
d(A, π) = .
k→

nk

Em coordenadas a equação acima se escreve,


−→
|→

n .AQ| |(x − x0 , y − y0 , z − z0 ).(a, b, c)|
d(A, π) = →
− = √
knk a2 + b 2 + c 2

|(x − x0 )a + (y − y0 )b + (z − z0 )c|
= √
a2 + b 2 + c 2

| − (ax0 + by0 + cz0 ) + (ax + by + cz)|


= √
a2 + b 2 + c 2

|(ax0 + by0 + cz0 ) − (ax + by + cz)| |ax0 + by0 + cz0 + d|


= √ = √
2
a +b +c2 2 a2 + b 2 + c 2

Portanto,
|ax0 + by0 + cz0 + d|
d(A, π) = √ .
a2 + b 2 + c 2

Observe que, basta substituirmos as coordenadas de A na equação do plano,


o módulo do resultado quocientado pelo módulo do vetor normal equivale a distância do
ponto ao plano.

Exemplo 61. Calcule a distância do ponto A(2, 1, 3) ao plano

π : 2x − 3y + z + 1 = 0

Resolução: Um vetor normal do plano é →



n = (2, −3, 1). Assim

|2.2 − 3.1 + 1.3 + 1| 5


d(A, π) = p = √ . u.c
22 + (−3)2 + 12 14

55
Exemplo 62. Calcule a distância do ponto A(0, 4, 3) ao plano

π : 3y + 4z + 1 = 0

Resolução: Um vetor normal do plano é →



n = (0, 3, 4). Assim

|0.0 + 3.4 + 4.3 + 1| 25


d(A, π) = √ = √ = 5. u.c
2
0 +3 +42 2 25

3.5.4 Distância Entre dois Planos

Seja π1 e π2 dois planos distintos, a distância d(π1 , π2 ) quando π1 é paralelo


a π2 se reduz ao cálculo da distância de um ponto a um plano, ou seja,

d(π1 , π2 ) = d(P, π2 ) = d(Q, π1 ) com P ∈ π1 ou Q ∈ π2 .

Caso π1 e π2 não sejam paralelos a distância será considerada nula.

Exemplo 63. Calcular a distância entre os planos

4
π1 : 3x − 4y + 12z + 2 = 0 e π2 : x − y + 4z + 8 = 0
3

Resolução: Os vetores normais são −


n→ −→ 4

π1 = (3, −4, 12) e nπ2 = 1, − 3 , 4 dos planos

π1 e π2 respectivamente.

Um ponto de π2 é A(0, 0, −2). Assim,

|3.0 − 6.0 + 12.(−2) + 2| 22 22


d(A, π) = p =√ = . u.c
32 + (−4)2 + 122 169 13

Observemos, como π1 é paralelo a π2 , então seus vetores normais são paralelos,


ou seja,

n→ −→
π1 = (a1 , b1 , c1 ) = λ(a2 , b2 , c2 ) = nπ2 .

Das equações dos planos

π1 : a1 x + b1 y + c1 z + d1 = 0 e π2 : a2 x + b2 y + c2 z + d2 = 0.

56
Vem,
π1 : 0 = a1 x + b1 y + c1 z + d1 = λa2 x + λb2 y + λc2 z + d1

= λ(a2 x + b2 y + c2 z + d2 ) + d1 − λd2

Se B(x0 , y0 , z0 ) ∈ π2 segue que λ(a2 x0 + b2 y0 + c2 z0 + d2 ) = 0. Então


|d1 − λd2 | |d2 − βd1 |
d(A, π1 ) = p 2 ; A ∈ π2 ou d(A, π2 ) = p 2 ; A ∈ π1 .
a1 + b21 + c21 a2 + b22 + c22

Onde λ ou β são as constantes de paralelismo entre os vetores normais dos


planos.

Exemplo 64. Calcular a distância entre os planos

π1 : 4y + 2z + 12 = 0 e π2 : 2y + z + 18 = 0

Resolução: Os vetores normais são −


n→ −→
π1 = (0, 4, 2) e nπ2 = (0, 2, 1) dos planos π1 e

π2 respectivamente.

Note que

− 1
n→ −→
π1 = (0, 4, 2) = 2(0, 2, 1) = nπ2 ou −
n→ −→
π2 = (0, 2, 1) = (0, 4, 2) = nπ1 .
2

Assim,
|d1 − λd2 | |12 − 2.18| 24 12
d(π2 , π1 ) = d(A, π1 ) = p 2 = √ = √ =√
a1 + b21 + c21 02 + 42 + 22 20 5
ou
|d2 − βd1 | 18 − 1 .12 12
2
d(π1 , π2 ) = d(A, π2 ) = p 2 2 2
=√ =√
a2 + b 2 + c 2 2 2
0 +2 +1 2 5

3.5.5 Distância de uma Reta a um Plano

Seja r uma reta e π um plano, se a reta r não for paralela ao plano π então
a distância da reta ao plano é nula, ou seja, d(r, π) = 0.

No caso em que a reta é paralela ao plano π a distância se reduz ao cálculo


de distânica de um ponto ao plano, isto é,

d(r, π) = d(A, π), com A ∈ r.

57
Exemplo 65. Determine a distância entre

y = 2x − 3
r: e π : −x − y + 3z + 4 = 0
z = x+2

Resolução: Um vetor diretor da reta r é →



vr = (2, 1, 1) e um vetor normal ao plano π
é −
→ = (−1, −1, 3). Como
n π



v r .−
→ = (2, 1, 1).(−1, −1, 3) = 0

segue que π e r são paralelos.

Um ponto da reta é A(0, −3, 2). Logo,

|(−1).0 + (−1).(−3) + 3.2 + 4| |3 + 6 + 4| 13


d(A, π) = p = √ =√
2 2
(−1) + (−1) + 3 2 11 11

Exemplo 66. Determine a distância entre



y = x−5
r: e π : −2x + 2z + 2 = 0
z = x−3

Resolução: Um vetor diretor da reta r é →



vr = (1, 1, 1) e um vetor normal ao plano π
é −
→ = (−2, 0, 2). Como
n π



vr .−
→ = (1, 1, 1).(−2, 0, 2) = 0
n π

segue que π e r são paralelos.

Um ponto da reta é A(0, −5, −3). Logo,

|(−2).0 + 0.(−5) + 2.(−3) + 2| | − 6 + 2| 4 2 √


d(A, π) = p = √ = √ =√ = 2
(−2)2 + 02 + 22 8 2 2 2

58
Capı́tulo 4

Cônicas

A equação da cincunferência, onde descreve o lugar geométrico de todos


os pontos que distam uma medida r (denominada raio) de um ponto 0(x, y) (denomi-
nado origem) já é bem conhecida. Como veremos tal equação é um caso particular de
uma elipse. Neste capı́tulo veremos equações que satisfazem propriedades semelhantes a
cincunferência.

4.1 Parábola

Definição 4.1. Consideremos num plano π um ponto F e uma reta r, F 6∈ r, fixos. O


conjunto de todos os pontos de π equidistantes de F e r se dá o nome de parábola.

Parábolas Sendo P 0 (x, y) o pé da perpendicular em relação a


....
....
....
...
...
....
P (x, y) doplano sobre a reta r, de acordo com a definição,
.... F.• ...
.... ....P (x, y)
• .....
.....
..... ... .....
........
..... .........
..... .....
..
.....
.
..•
.
(x, y) pertence à parábola se, e somente se
...... . ...
....... ........ .....
..................
..•
.......... .
..........•
.............
.......................
.............•
−→
V d(P, F ) = d(P, P 0 ) ou kP F k = kP P 0 k.
• • • • • r
P 0 (x, y)
Assim posto, consideramos elementos da parábola:
......
.........
P 0 (x, y) •
....
. .
........
....•
.......... P (x, y)
Foco: é o ponto F .
....... .
...... ...

.....
.....
.•
......
..
Diretriz: é a reta r.
..
... ..
..... ..
....
.........
..
.. Eixo: é a reta que passa pelo foco e é perpendicular a diretiz.
... ..
...
..
..
..
..
. ..
.
Vértice: é o ponto V de intersecção da parábola com o seu
.. .
• ...
• .. V
..
..
•...
..F
..
eixo.
... ..
... ..
... ..
... ..
....
.... ..
..... ..


.....
.....
......
•.......
.......
..
..
..
4.1.1 Equação da Parábola
....... ...
....... .
..........
........
• •.........
.........
..
Consideramos o plano xy com o sistema cartesiano or-
r

togonal.

59
Primeiramente, o vértice está na origem e o eixo da parábola é o eixo dos y.
Seja P (x, y) um ponto qualquer da parábola de foco F 0, β2 . Então


Parábolas com eixo dos y    


y
x − 0, y − β = x − x, y + β

....
.... ..
....
2 2
.... ....
 
....
.... F 0, β .
..
.
....
..... • 2 ...•
.... P (x, y)
.....
s 2 s
..... ..... 2
.....
......

....... ..
..
....... β β
........ .
........
...........
............................................... x x2 + y − = y+
2 2
r • • 
P 0 x, − β
x2 = 2βy. 2

Esta é a equação reduzida da parábola de vértice na origem tendo como eixo


o eixo dos y.

Notemos que x2 ≥ 0 para todo x ∈ R. Assim os sinais de β e y são sempre


iguais.

Se β > 0 então y > 0 e a curva (e/ou concavidde) é voltada para cima.

Se β < 0 então y < 0 e a curva (e/ou concavidde) é voltada para baixo.

Caso o eixo da parábola fosse considerado como o eixo dos x, de modo análogo
feito anteriormente chegarı́amos
 
2 β
y = 2βx com foco F ,0 .
2

Se β > 0 então x > 0 e a curva (e/ou concavidde) é voltada para direita.

Se β < 0 então x < 0 e a curva (e/ou concavidde) é voltada para esquerda.

Exemplo 67. Determine o foco, o vértice, a equação da diretriz das parábolas

x2 = 4y e y 2 = −6x.

Faça um esboço do gráfico.


Esboço Gráfico......
... .
Resolução: Seja a parábola x2 = 4y.
... y ...
...
...
...
... ....
.
...
.. Tal equação é da forma x2 = 2βy. Assim 2β = 4 se, e
... ...
...
...
....
....
.... .
....
...
.... somente se β = 2.
.
....
O foco para essa parábola é F 0, β2 = F 0, 22 = F (0, 1).
....
 
..... .....
.....
...... F•(0, 1) ...........
....... ..
..
...
.......... ..
....................................... ...
.
x

60
Esboço Gráfico
y....
O vértice é a origem V (0, 0), portanto a equação da diretriz é y = −1.
.......
.......
.......
......
......
.....
Seja a parábola y 2 = −6x.
.....
.....
....
....
Tal equação é da forma y 2 = 2βx. Assim 2β = −6 se, e somente se
...
...
..
...
...
β = −3.
O foco para essa parábola é F β2 , 0 = F −3
.
 
 • ......
F − 2 , 0 .... x 3 .
2
, 0 .
..

...
.
..
...
O vértice é a origem V (0, 0), portanto a equação da diretriz é x = 23 .
....
....
...
......
..
....... Os gráficos e os pontos de foco estão apresentados ao lado.
......
.......
.......
.......

Exemplo 68. Encontre a equação da parábola de vértice V (0, 0) passando pelo ponto
P (3, 2) e concavidade voltada para direita.
Resolução: A equação é da forma y 2 = 2βx. Como P (3, 2) pertence a parábola
devemos ter
22 = 2β.3

2
Logo, β = , o que significa que a concavidade é voltada para direita. Por-
3
tanto,
2 4
y 2 = 2. .x = x ou 3y 2 = 4x.
3 3

Seja um ponto O0 (h, k) arbitrário no plano xOy. Vamos introduzir um novo


sistema x0 O0 y 0 tal que os eixos O0 x0 e O0 y 0 tenham as mesmas unidade de medida, a
mesma direção e o mesmo sentido dos eixos Ox e Oy.

Tome um ponto P qualquer do plano tal que suas coordenadas são:


x e y em relação ao sistema xOy.
x0 e y 0 em relação ao sistema x0 O0 y 0 .
Sistema de
y..
Coordenadas
.....
Então
y0
N
• x = x0 +h e y = y 0 +k ou x0 = x−h e y 0 = y−k.
 •P (x, y)

Que são as fórmulas de translação para mudar as coorde-











nadas de um sistema para outro.



y= • • • I x0
O 0 (h, k)

Tal procedimento visa modificar a forma de equações.



 


 
k=


Por exemplo, seja a equação:


 


....
.
O| x
2
x0 = 8y 0 x0 O 0 y 0
{z }
| =h
=x
{z } no sistema
Consideramos O0 (2, 4) no sistema xOy, da fórmula de translação concluı́mos

61
x0 = x − 2 e y 0 = y − 4, então

(x − 2)2 = 8(y − 4) no sistema xOy

ou ainda,
x2 − 4x + 36 = 8y no sistema xOy

Reciprocamente, se

x2 − 4x + 36 = 8y (?)

é a equação no sistema xOy, a mesma equação no sistema x0 O0 y 0 é

2
x0 = 8y 0 .

De fato, de x = x0 + 2 e y = y 0 + 4, substituindo esses valores em (?), obtemos

2 2
0 = (x0 + 2)2 − 4(x0 + 2) − 8(y 0 + 4) + 36 = x0 + 4x0 + 4 − 4x0 − 8 − 8y 0 − 32 + 36 = x0 − 8y 0 .

2
Logo, x0 = 8y 0 .

Mediante uma adequada translação de eixos, a equação no sistema xOy


transforma-se numa equação bem mais simples no sistema x0 O0 y 0 , e ambas com o mesmo
gráfico.

Seja uma parábola de vértice V (h, k) e eixo paralelo ao eixo dos y, sendo
h e k coordenadas de V em relação ao sistema xOy e P (x, y) um ponto qualquer da
parábola.

Consideramos um novo sistema x0 O0 y 0 com a origem em O0 em V , então pelo


que já foi visto a equação da parábola no sistema x0 O0 y 0 é

2
x0 = 2βy 0 .

Mas, x0 = x − h e y 0 = y − k e daı́

(x − h)2 = 2β(y − k).

62
que é a forma padrão da equação de uma parábola de vértice V (h, k) e eixo paralelo ao
eixo dos y.

Ainda, a equação
(y − k)2 = 2β(x − h).

é a forma padrão da equação de uma parábola de vértice V (h, k) e eixo paralelo ao eixo
dos x.

As equações acima podem ser ainda reescritas como

x2 − 2hx + h2 = 2βy − 2βk ou y 2 − 2ky + k 2 = 2βx − 2βh.

Exemplo 69. Determinar a equação da parábola de vértice V (2, 1), sabendo que y = 2
é a equação de sua diretriz.
Resolução: Como o eixo da parábola é paralelo ao eixo dos y então a equação é da
forma
2
x0 = 2βy 0 , ou seja, (x − h)2 = 2β(y − k) (?)

Sendo o vértice V (2, 1) e a diretriz da parábola y = 2 implica em foco F (2, 0),


pois d(V, rd ) = 1 = d(F, V ), onde rd é a reta diretriz.

Vamos determinar o foco F 0 (x0 , y 0 ) da parábola no sistema x0 O0 y 0 , para então


encontrarmos o valor de β, lembremos que F 0 0, β2 .


Como x0 = x − 2, y 0 = y − 1 e F (2, 0), então x0 = 0 e y 0 = −1, consequente-


β
mente 2
= −1 e, portanto, β = −2.

Assim, h = 2, k = 1 e β = −2, substituindo em (?) vem

(x − 2)2 = 2(−2)(y − 1) ou x2 − 4x = −4y

Exemplo 70. Determine o vértice, o foco e a equação da dirtriz da parábola

y 2 − 4y + 2x + 2 = 0.

Resolução: Tal equação é da forma (y − k)2 = 2β(x − h).

63
Notemos que (y − 2)2 = y 2 − 4y + 4, então

(y − 2)2 = y 2 − 4y + 4 = −2x + 2 = −2(x − 1)

uma vez que y 2 − 4y + 2 = −2x.

Logo,
y 0 = y − 2, x0 = x − 1 e 2β = −2

Concluı́mos assim, que V (1, 2) é o vértice da parábola, F (0, 2) é o foco da


parábola, pois o F 0 (−1, 0).

A equação da diretriz é x = 2, pois d(V, rd ) = 1 = d(V, F ).

Podemos ainda, atravéz de uma rotação nos eixos coordenados, escrever a


equação de uma parábola, contudo nesse novo sistema o gráfico da parábola é alterado,
quando sobreposto um sistema no outro, mas quando visto em separados representam
equivalência entre os gráficos.

4.2 Elipse

É o lugar geométrico dos pontos de um plano cuja soma das distâncias a dois
pontos fixos desse plano é constante.
Elipse
................
.................................................•
P .
....................
Definição 4.2. Seja um plano π, e considemos dois pontos
.......... ...... .... ................
........ ......
........
....
............
......
...........
...
...
...
.......
......
.....
....
distintos F1 e F2 , tal que a distância d(F1 , F2 ) = 2c. Seja a
..... .......... ...
. ....
.
...
.
...
... ........ ......... ...
....
...
...
...
...
...
um número real tal que a > c.
.... ..... ..... .... ...
...
....
... F1•... .... ....... .
....
....
.F2
...•
...
.
...
O conjunto de todos os ponto P do plano π tais que
... ...
. . ..
.. ... .
.
...
... ... ...... ..
... .... .. .. .
...... ..
...
....
...
...
......
......
.....
...
...
... −−→ −−→
....
....
......
.......
........
...
...
...
. ......
.............
.......
.
.....
....... d(P, F1 ) + d(P, F2 ) = 2a ou kP F1 k + kP F2 k = 2a
......... ..... .......... ........
................... ..........
......................... ...................................
..•
0 ............
P
Elementos da Elipse é denominado elipse.
B
.....2
.......................• ...............................
.................. ..............
............ ...........
..........
.
................
........
......
.....
.....
Isso posto, denominamos elementos da elipse.
..... ....
. ....
..
.
....
.
...
...
...
Focos: são os pontos F1 e F2 .
.... ...
...
A1•...
...
F •1 •
C
F •2 •
..
..A2 2b
..
Distância Focal: é a distância 2c entre os focos.
... .
...
...
...
....
2c ...
....
. Centro: é o ponto médio C do segmento F1 F2 .
.....
..... .....
.....
......
.......
..........
............. .....
...........
.
..
.. ...... Eixo Maior: é o segmento A1 A2 de comprimento 2a (o seg-
.................... ..............
...................................
...................•
B1 mento A1 A2 contém os focos e os seus extremos pertencem a
2a
elipse.

64
Eixo Menor: é o segmento B1 B2 de comprimento 2b (B1 B2 ⊥ A1 A2 no seu ponto médio).
Vértices: são os pontos A1 , A2 , B1 e B2 .
c
Excentricidade: é o número e dado por e = . Como c < a tem-se 0 < e < 1.
a
Ainda em toda elipse vale a relação a2 = b2 + c2 .

4.2.1 Equação da Elipse

Consideremos o sistema xOy ortogonal, suponhamos ainda que o eixo maior


da elipse esteja sobre o eixo dos x e o centro seja a origem.

Seja P (x, y) um ponto qualquer de uma elipse de focos F1 (−c, 0) e F2 (c, 0).
Da definição de elipse temos

−−→ −−→
d(P, F1 ) + d(P, F2 ) = 2a ou kF1 P k + kF2 P k = 2a

Logo,
p p
(x + c)2 + y 2 + (x − c)2 + y 2 = 2a
p p
x2 + y 2 + 2xc + c2 = 2a − x2 + y 2 − 2xc + c2
p 2  p 2
2 2
x + y + 2xc + c 2 2 2
= 2a − x + y − 2xc + c 2

p
x2 + y 2 + 2xc + c2 = 4a2 − 4a x2 + y 2 − 2xc + c2 + x2 + y 2 − 2xc + c2
p
4a x2 + y 2 − 2xc + c2 = 4a2 − 4xc

a2 (x2 + y 2 − 2xc + c2 ) = (a2 − xc)2

a2 (x2 + y 2 − 2xc + c2 ) = a4 − 2a2 xc + x2 c2

(a2 − c2 )x2 + a2 y 2 = a4 − a2 c2 = a2 (a2 − c2 )

b 2 x 2 + a2 y 2 = a2 b 2

Dividindo ambos os membros por a2 b2 da equação acima, obtemos

x2 y 2
+ 2 =1 (??)
a2 b

65
A equação (??) é a equação reduzida da elipse de centro na origem e eixo
maior no eixo dos x.

De forma análoga a equação

x2 y 2
+ 2 =1
b2 a

é a equação reduzida da elipse de centro na origem e eixo maior no eixo dos y.

Na equação reduzida da elipse, consideramos sempre que dos denominadores


o número a2 é o maior dos denominadores, ainda o número a é a medida do semi-eixo
maior e, esse eixo maior está no eixo do qual a2 é denominador.

Exemplo 71. Considere as equações da elipse.

x2 y 2 x2 y 2
+ =1 e + =1
16 9 25 49

Em quais dos eixos coordenados está o eixo maior da elipse. Qual a medida
do semi-eixo menor da elipse.
Resolução: Para a primeira equação notemos que 16 > 9, então o eixo maior da elipse
está sobre o eixo dos x. A medida do semi-eixo menor é o valor de b, como b2 = 9, segue
que a medida é 3 u.c.

Para a segunda equação o eixo maior da elipse está sobre o eixo dos y, uma
vez que 49 > 25, ainda a medida do semi-eixo menor é 5 u.c.

Exemplo 72. Seja a elipse 16x2 + 36y 2 = 576, determine:


a) A medida dos semi-eixos da elipse. b) A excentricidade. c) Os focos da elipse.
d) Quais dos eixos coordenados está o eixo menor. e) Um esboço do gráfico.
Resolução: Considerando a equação 16x2 + 36y 2 = 576 então
2
x2
Gráfico Elipse 36...
+ y16 = 1
.................
y. .
............
.....................................
............................• .......... ............ x2 y 2
.. .......
.
..........
..........
........
....... + = 1.
....
.....
.... . .....
.....
.... 36 16
.... ...

...
...
. ...
...
...
a) O eixo maior da elipse tem medida 2a da equação acima
... ...
2
F2 ... temos que a = 36, concluı́mos que o o semi-eixo maior tem
•.... • • • .....
....x
...
...
F1
.
... ..
...
....
.....
..... .....
...
.
.
.
..
.
medida 6 u.c.
....... ......
.......
........
..........
............
................. ...........
................ O eixo menor da elipse tem medida 2b da equação acima temos
............................................................................

que b2 = 16, concluı́mos que o o semi-eixo menor tem medida
4 u.c.
66
c
b) A excentrididade é dada por e = , como c2 = a2 − b2 = 36 − 16 = 20 e c > 0 con-
√ a
√ 5
cluı́mos que c = 2 5 e e = .
3
c) Os focos da elipse são pontos do eixo maior da elipse o qual está sobre o eixo dos x,
√  √ 
segue daı́ que os focos são F1 −2 5, 0 e F2 2 5, 0 .
d) O eixo menor está sobre o eixo dos y.

Exemplo 73. Encontre a equação da elipse de centro na origem e que tem um foco no
ponto (0, 4) e a medida do eixo menor é 6.
Resolução: Como a elipse tem foco no eixo dos y temos que a equação da elipse é da
forma
x2 y 2
+ 2 =1
b2 a

Como o eixo menor mede 6 u.c então 2b = 6 e, assim b = 3.

Do ponto de foco temos que c = 4 e como a2 = b2 + c2 = 32 + 42 = 25,


concluı́mos que a = 5, portanto a equação da elipse é dada por
x2 y 2
+ =1
9 25

Assim como feito em parábolas, pode ocorrer que o centro da elipse não esteja
na origem, usando a fórmula translação de eixo, quando o centro da elipse é C(h, k) e
os eixos da elipse são paralelos aos eixos coordenados, as equações se tornam
(x − h)2 (y − k)2 (x − h)2 (y − k)2
+ =1 ou + = 1.
a2 b2 b2 a2
Exemplo 74. Uma elipse cujo eixo maior é paralelo ao eixo dos x, tem centro em
2
C(3, −1), excentricidade e = e eixo menor de medida 6 u.c. Qual a equação da
3
elipse.
Resolução: Como o eixo maior é paralelo ao eixo dos x, a equação da elipse é da forma
(x − h)2 (y − k)2
+ =1
a2 b2

Como o eixo menor mede 6 u.c, devemos ter b = 3, ainda da excentricidade


2 c
e= = , então 3c = 2a.
3 a
67
Ainda 2
4a2

2 2 2 2 2a
a =b +c =b + =9+ ,
3 9

9 5
portanto, a = .
5
Daı́,

(x − 3)2 (y + 1)2 5(x − 3)2 (y + 1)2


1 =  √ 2 + = + .
9 5 9 81 9
5

4.3 Hipérbole

O lugar geométrico dos pontos de um plano cuja diferença das distâncias,


em módulo de dois pontos fixos desse plano é constante, será chamado de hipérbole.
Hipérbole
......
......
...... ......
......
.
Definição 4.3. Sejam dois ponto F1 e F2 distintos num
...... ......
...... .......
......
......
......
...... .....
.....
......
...
.
plano π tal que d(F1 , F2 ) = 2c. Seja um número real a
..... ......
.....
.....
....
....
.... ....
....
.....
tal que a < c.
.... ...
....
P
.........

..... ..............
. ... ............ .
...............
...
. O conjunto de todos os pontos P do plano tais que
• .. .... ......• .
F1 ..... ... F
... 2
....
..... ...
..... −−→ −−→
....
....
....
.... ....
....
....
.....
|d(P, F1 )−d(P, F2 )| = 2a ou | kF1 P k+kF2 P k | = 2a
.... ......
..
...... ......
......
.......
. ......
........ ......
.... ......

.
..............
. ...
. ......
......
......
....
chama-se hipérbole.
....

Considese a reta que passa por F1 e F2 e sejam A1 e A2 os pontos de inter-


secção da hipérbole com esta reta. Seja outra reta perpendicular a esta reta passando
pelo ponto médio C do segmento F1 F2 .
Estudo da Hipérbole A hipérbole é uma curva simétrica em relação a
....
....
....
....P1
•....
.......
P2........
. ..
.•
estas duas retas, como também em relação ao ponto C,
........ .. .
....
.........
........
........ B.1 ...
....
.... ou seja, se P1 é um ponto da hipérbole, existem P2 , P3 e
... ..... J 2a •....
...
I ...
... ... ...
... .....
... ....
... ....
...
...
...
... ...
...
.. P4 tais que
... .... ... ..
... .... ....c .
... .... ...
... ...
... .... b ..
.... ... ..
...
...
...
...
....
....
....
....
...
... ....
.... ..
... .
. i) P4 é simétrico de P1 em relação a reta que passa por
F1 . .... a ....• .
..... F2
• • ...
....A1
•...
C ........
....
A2.....
...

F1 e F2 .
... .... ...
J ... .. .
.... ... I
2c .... ...
... ....
.... .....
....
... .... ...
.... ...
.... ..
ii) P2 é simétrico de P1 em relação a reta perpendicular
... .... ...
...
.
..
.....
...

.... ...
.... ....
.... ...
........
a reta que passa por F1 e F2 e pelo ponto médio do
.. . B2 ........
...

..
.
...
. ...
. . .......
.......
....
•...
segmento F1 F2 .
.. P
...
. ..
. 4 P3 ........
... ....
..
. ....
... ....
.
..
..... ....
.. iii) P3 é simétrico de P1 em relação ao ponto C.

68
Da simetria temos d(A1 , F1 ) = d(A2 , F2 ) e, por definição d(A1 , A2 ) = 2a.

Os elementos da hipérbole são:


Focos: são os pontos F1 e F2 .
Distância Focal: é a distância 2c entre os focos.
Vértices: são os pontos A1 e A2 .
Eixo real ou transverso: é o segmento A1 A2 de comprimento 2a.
Eixo imaginário ou conjugado: é o segmento B1 B2 de comprimento 2b.
O valor b é definido por
c 2 = a2 + b 2

onde a, b e c são as medidas dos lados do triângulo retângulo B1 CA2 .


c
Excentricidade da hipérbole: é o valor dado por e = .
a
Ângulo de abertura: é o ângulo entre a reta que passa por P1 e P3 com a reta que passa
por P4 e P2 , em relação aos focos.

Seja P (x, y) um ponto do plano, definiremos que P 1 (x, y) = x, ou seja,


P 1 (x, y) é a projeção ortogonal sobre o eixo dos x e, P 2 (x, y) = y, ou seja, P 2 (x, y) é
a projeção ortogonal sobre o eixo dos y.

Observemos a figura (Estudo da Hipérbole) e, sejam os pontos (A12 , B12 ) e


(A11 , B22 ) e seja r a reta que passa por esses dois pontos, considere ainda os pontos
(A11 , B12 ) e (A22 , B22 ) e seja s a reta que passa por esses dois pontos. As retas r e s
são chamadas assı́ntotas da hipérbole, são retas das quais a hipérbole se aproxima cada
vez mais à medida que os pontos se afastam dos focos, a tendência é que a hipérbole
tangencie suas assı́ntotas no infinito.

4.3.1 Equação da Hipérbole

Consideramos que o eixo real da hipérbole esteja sobre o eixo coordenado dos
x. Seja P (x, y) um ponto qualquer da hipérbole de focos F1 (−c, c) e F2 (c, 0). Temos

69
assim que
p p
| d(P, F1 ) − d(P, F2 ) | = 2a 2 2 2 2
ou (x + c) + y − (x − c) + y = 2a.

De modo análogo feito para a equação da elipse, podemos simplificar a equação


acima, para chegarmos em
x2 y 2
− 2 =1 (?)
a2 b
lembre-se que c2 = a2 + b2 .

A equação (?) é a equação reduzida da hipérbole de centro na origem e eixo


real sobre o eixo dos x.

Quando o eixo real da hipérbole está sobre o eixo dos y os focos são F1 (0, −c)
e F2 (0, c). Então
y 2 x2
− 2 =1 (??)
a2 b
a equação (??) é a equação reduzida da hipérbole de centro na origem e eixo real sobre
o eixo dos y.

Exemplo 75. Sejam as equações.

12x2 − 6y 2 − 72 = 0 e 16y 2 − 25x2 = 400

Tais equações representam uma hipérbole. No caso afirmativo determine.


a) Sobre qual eixo coordenado está o eixo real da hipérbole.
b) A medida dos semi-eixos. c) Os vértices d) Os focos
e) A excentricidade f ) As equações das assı́ntotas g) Um esboço do gráfico.
x2 y2 x2 y 2
Hipérbole − =1 Solução: Seja a equação 12x2 −6y 2 −72 = 0 então − = 1.
...
6 12
......
y 6 12
...
...
... ...
...
..
... a) O eixo real da hipérbole está sobre o eixo dos x.
... ..
... ...
...
...
... ...
...
... b) As medidas dos eixos da hipérbole são 2a e 2b, da equação
... ...
...
...
...
... ...
...
..
acima temos que a2 = 6 e b2 = √ 12, portanto segue daı́ que o
... ...
...
...
...
...
... ...
...
.
semi-eixo real tem√ medida√ a = 6 e o semi-eixo imaginário
... ...
...
...
...
....
..
...
tem medida b = 12 = 2 3.
• •
... .....
• • ...
F1 ...A
.... 1
A2... ..
...
F2 x c) Para determinarmos os vértices, fazemos
√  y = 0√na equação
... ... 
...
...
.. ...
...
...
...
da hipérbole, e os vértices são A1 − 6, 0 e A2 6, 0 .
..
d) Os√Focos, lembre-se que c2 =√a2 + b2 = 6 +√
. ...
...
...
... ...
...
...
...
12 = 18, portanto
..
. ...
...
...
... ...
...
...
c = 3 2, e os focos são F1 (−3 2, 0) e F2 (3 2, 0).
... ...
..... ...
...
... ...
... ...
... .

70

c 3 2 √
e) A excentricidade é dada por e = = √ = 3.
a 6 √ √  √ √ 
f ) As equações das assı́ntotas. Seja (A12 , B12 ) = 6, 2 3 e (A11 , B22 ) = − 6, −2 3 .
Então o coeficiente ângular da reta que passa por esses dois pontos é
√ √ √ √
y2 − y1 −2 3 − 2 3 4 3 2.3 2 √
m= = √ √ = √ = = 2
x2 − x1 − 6− 6 2 6 6

Então uma assı́ntota é dada por y= 2x.

Pela simetria dos pontos a outra assı́ntota é dada por y = − 2x.

Note que ambas equações passam pela origem.


y2 x2 y2 x2
Hipérbole − =1 Seja a equação 16y 2 − 25x2 = 400 então − = 1.
....
....
16
y...
25
....
..
..
25 16
....
....
....
....
....
....
....
.... a) O eixo real da hipérbole está sobre o eixo dos y.
.... .....
.
....
....
....
....
.
....
.....
......
b) As medidas dos eixos da hipérbole são 2a e 2b, da equação
..... .....
.....
......
.......
....... •F1 ............
.........
.
.....
acima temos que a2 = 25 e b2 = 16, portanto segue daı́ que o
........ .
............... ......................
....•......
A1 semi-eixo real tem medida a = 5 e o semi-eixo imaginário tem
medida b = 4.
.... c) Para determinarmos os vértices, fazemos x = 0 na equação
.
x

da hipérbole, e os vértices são A1 (0, 5) e A2 (0, −5).


.................•....A
...........2
..........
d) Os
√ Focos, lembre-se que c2 = a√ 2
+b2 = 25+16√= 41, portanto
....
......... .......
..

.....
.....
......
....... •F2
.......
......
......
.....
.....
c = 41, e os focos são F1 (0, − 41) e F√2 (0, 41).
.
..... ....
....
.
....... ....
.....
.... c 41
....
....
.... ....
....
.. e) A excentricidade é dada por e = = .
a 5
1 2 1 2
f ) As equações das assı́ntotas. Seja (B2 , A1 ) = (4, 5) e (B1 , A2 ) = (−4, −5). Então o
coeficiente ângular da reta que passa por esses dois pontos é

y2 − y1 −5 − 5 10 5
m= = = =
x2 − x1 −4 − 4 8 4

5
Então uma assı́ntota é dada por y = x.
4
5
Pela simetria dos pontos a outra assı́ntota é dada por y = − x.
4

Consideramos uma hipérbole de centro C(h, k) e seja P (x, y) um ponto


qualquer. Como
x2 y 2
− 2 =1
a2 b
é a equação da hipérbole de centro C(0, 0) e eixo real da hipérbole sobre o eixo dos
x, quando o eixo real da hipérbole for paralelo ao eixo dos x e centro C(h, k), então a

71
equação passa a ser
(x − h)2 (y − k)2
− =1
a2 b2
se o eixo real da hipérbole for paralelo ao eixo dos y e centro C(h, k), então a equação
da hipérbole passa a ser
(y − k)2 (x − h)2
− = 1.
a2 b2

Para eixo real da hipérbole paralelo ao eixo dos x, temos

F1 (h − c, k), F2 (h + c, k), A1 (h − a, k), A2 (h + a, k), B1 (h, b + k) e B2 (h, b − k).

Para eixo real da hipérbole paralelo ao eixo dos y, temos

F1 (h, k + c), F2 (h, k − c), A1 (h, a + k), A2 (h, k − a), B1 (h − b, k) e B2 (h + b, k).

(x − 3)2 (y − 4)2 (x − 2)2


Hipérbole − (y − 1)2 = 1 Hipérbole − =1
....... 4....... .......
9 4
....... y ..... y ...
....... ..... .....
....... ..... .....
.......
....... ......
.....
..... ..
......
...... ...... ..... .
.....
.
...... ...... ..... .....
...... ...... ..... .....
...... ........
. ......
...... ......
...... V1 B1 V2 .....
. ...... ......
...... ..... ...... ...
..
...... • • • ...... ........ •F1.............
...... ...... ...................................
.....
..... ..
....... V1 • • • V2
..... .. A1
..... .....
.... ....
... ...
... ...
... ..
.
... ..
• • .. • ..... •

F1 .....A1 C A2 ..... F2 B1• • •B2
... ...
.... C
...
. .....
....
..... .....
.....
..... .....
..... ......
..
....... ...... ...
...... • • • ...... ....
...... ...... x V3 • ....A
.............• ..........2 • V4
...... V3 B2 V4 ...... ..........
...........
...... ...... ........ •F2 ............
...
......... ......
...... ....... .....
....... ...... .......
.
......
...... ..
...... ....... .
.....
.
.. ..... x
....... ..... .....
....... .. .....
............. ..
.
.
...
.
. .....
..
...... .... .....
...... ..... .....
....... ..... .....
.....
..... .....
..
......
. .....
.....
..
....
. .....
..
.... ....
..
..

Exemplo 76. Sejam as equações


i) 4y 2 − 32y − 9x2 + 36x − 8 = 0
ii) x2 − 6x − 4y 2 + 8y + 1 = 0. Determine
a) O centro b) Localização do eixo real da hipérbole c) Os vértices d) Os Focos
e) As equações de assı́ntotas da hipérbole.
Resolução: Seja a equação 4y 2 − 32y − 9x2 + 36x − 8 = 0. Então
8 = 4y 2 − 32y − 9x2 + 36x = 4(y 2 − 8y) − 9(x2 − 4x)

= 4(y 2 − 8y + 16) − 9(x2 − 4x + 4) − 64 + 36

= 4(y − 4)2 − 9(x − 2)2 − 28

72
(y − 4)2 (x − 2)2
Logo, 36 = 4(y − 4)2 − 9(x − 2)2 e, portanto, − = 1.
9 4
a) O centro da hipérbole é C(2, 4).
b) O eixo real da hipérbole é paralelo ao eixo dos y passando pelo centro da hipérbole
C(2, 4).
c) Os vértices são dados pondo x = 2 na equação da hipérbole, feito isso obtemos que
y = 7 e y = 1.

Assim, A1 (2, 7) e A2 (2, 1).

Ou ainda, como h = 2, k = 4, a = 3 e b = 2, pode-se usar

A1 (h, k + a) = A1 (2, 4 + 3) = A1 (2, 7) e A2 (h, k − a) = A2 (2, 4 − 3) = A2 (2, 1)


d) Os focos, lembre-se que c2 = a2 + b2 = 9 + 4 = 13, portanto c = 13, assim
√ √
F1 (h, k + c) = F1 (2, 4 + 13) e F2 (h, k − c) = F2 (2, 4 − 13)

e) As equações de assı́ntotas.

Seja o retângulo de vértices V1 (B11 , A21 ), V2 (B21 , A21 ), V3 (B11 , A22 ) e V4 (B21 , A22 ),
então uma assı́ntota passa pelos vértices V1 (B11 , A21 ) e V4 (B21 , A22 ) e a outra passa pelos
vértices V2 (B21 , A21 ) e V3 (B11 , A22 ).

Como,

B1 (h − b, k) = B1 (2 − 2, 4) = B1 (0, 4) e B2 (h + b, k) = B2 (2 + 2, 4) = B2 (4, 4),

segue que
V1 (B11 , A21 ) = V1 (0, 7) e V4 (B21 , A22 ) = V4 (4, 1)

e a equação da reta passando por esses dois pontos é

3 3
y − 7 = − (x − 0) então y =− x+7
2 2

A outra assı́ntota passa por

V2 (B21 , A21 ) = V2 (4, 7) e V3 (B11 , A22 ) = V3 (0, 1)

73
e a equação da reta passando por esses dois pontos é

3 3
y − 1 = (x − 0) então y = x + 1.
2 2

Seja a equação x2 − 6x − 4y 2 + 8y + 1 = 0. Então

−1 = x2 − 6x − 4y 2 + 8y = (x2 − 6x) − 4(y 2 − 2y)

= (x2 − 6x + 9) − 4(y 2 − 2y + 1) − 9 + 4

= (x − 3)2 − 4(y − 1)2 − 5

(x − 3)2
Logo, 4 = (x − 3)2 − 4(y − 1)2 e, portanto, − (y − 1)2 = 1.
4
a) O centro da hipérbole é C(3, 1).
b) O eixo real da hipérbole é paralelo ao eixo dos x passando pelo centro da hipérbole
C(3, 1).
c) Os vértices são dados pondo y = 1 na equação da hipérbole, feito isso obtemos que
x = 1 e x = 5.

Assim, A1 (1, 1) e A2 (5, 1).

Ou ainda, como h = 3, k = 1, a = 2 e b = 1, pode-se usar

A1 (h − a, k) = A1 (3 − 2, 1) = A1 (1, 1) e A2 (h + a, k) = A2 (3 + 2, 1) = A2 (5, 1)


d) Os focos, lembre-se que c2 = a2 + b2 = 4 + 1 = 5, portanto c = 5, assim
√ √
F1 (h − c, k) = F1 (3 − 5, 1) e F2 (h + c, k) = F2 (3 + 5, 1)

e) As equações de assı́ntotas.

Seja o retângulo de vértices V1 (A11 , B12 ), V2 (A12 , B12 ), V3 (A11 , B22 ) e V4 (A12 , B22 ),
então uma assı́ntota passa pelos vértices V1 (A11 , B12 ) e V4 (A12 , B22 ) e a outra passa pelos
vértices V2 (A12 , B12 ) e V3 (A11 , B22 ).

Como,

B1 (h, k + b) = B1 (3, 1 + 1) = B1 (3, 2) e B2 (h, k − b) = B2 (3, 1 − 1) = B2 (3, 0),

74
segue que
V1 (A11 , B12 ) = V1 (1, 2) e V4 (A12 , B22 ) = V4 (5, 0)

e a equação da reta passando por esses dois pontos é

1 1 5
y = − (x − 5) = − x +
2 2 2

A outra assı́ntota passa por

V2 (A12 , B12 ) = V2 (5, 2) e V3 (A11 , B22 ) = V3 (1, 0)

e a equação da reta passando por esses dois pontos é

1 1 1
y = (x − 1) = x − .
2 2 2

4.4 Rotação e Roto-translação dos eixos Coordenados

Dado o sistema de eixos xOy de origem O(0, 0), já vimos como transformar
em um novo sistema x0 O0 y 0 de origem O(h, k) no sistema xOy, de modo que o eixo x0 seja
paralelo ao eixo x e o eixo y 0 seja paralelo ao eixo y. Veremos agora como transformar
o sistema xOy de origem O(0, 0) num sistema x? Oy ? de origem O(0, 0) no sistema
xOy, contudo, esses eixos não são paralelos aos eixos coordenados no sistema xOy, esta
transformação é a rotação dos eixos, ainda uma combinação de rotação com translação
tansforma em um sistam com origem em O(h, k) com eixos não paralelos aos eixos
coordenados, e a essa transformação denomina-se roto-translação dos eixos coordenados.
Sistema xOy Sistema. x? Oy ? (Rotação) Sistema x? O? y ? (Roto-Translação)
y..... . ...
y ?.......
...
y.... .
.
y ?........ y
.... ....
....
... ..... ?
... ..... x ....
... ...... ....
x? .....
... ...... .... .......
... ..
...... ....
.... .......
... .
...... .... ..
.......
... ...... .... .
.....
.
... ..... .... ......
... ...... .... .......
...
....... .... ......
...
...θ ...... .... .
.......
........... ........... .... . .
...
... ....... .... .......
... . θ ... ....θ ......
.......... . ............ .............
... ......
.
......
..
.. .
...
...
.
x ...............θ
.•
.
..... .O(h,
..
. .. k)
.
. . ...... .......
x. .....
......
......
. ...
...
...
......
.......
....... ....
....
...... ... .
... ....
...... ... ..... . ....
.
..... ... ...... .... ...

.
..
.
.
.....
.
.
....
.
..
. ...
...
...
... ...
..
......
......
....... ....
....
....
.
x
.
.... .. .
..... ...

Para fazermos uma rotação nos eixos coordenados. Consideramos os sistemas

xOy e x? Oy ?

75
− →
→ − →
− →

e seja { e?1 , e?2 } uma base em x? Oy ? , ainda sendo e?1 e e?2 vetores do plano, existem
escalares reias a11 , a21 , a12 e a22 tais que


−? →
−?
e1 = a11 →

e1 + a21 →

e2 e e2 = a12 →

e1 + a22 →

e2

onde {→

e1 , →

e2 } é uma base no sistema xOy.
−→
Seja P (x, y) e O(h, k) dois pontos do plano, então o vetor OP pode ser
− →
→ −
escrito como combinação de { e?1 , e?2 }, ou seja,

−→ →
− →

OP = x? e?1 + y ? e?2

ou ainda

− →

(x, y) = (h, k) + x? e?1 + y ? e?2 (4.1)

Seja θ a medida do ângulo de rotação (considerando positivo o sentido anti-


horário) que transforma o sistema xOy no sitema x? Oy ? .
− →
→ −
Sendo { e?1 , e?2 } uma base em x? Oy ? temos


−?
e1 = cos(θ)→

e1 + sen(θ)→

e2


−?
e2 = −sen(θ)→

e1 + cos(θ)→

e2

Neste caso a origem é comum, ou seja, O(0, 0) de (4.1), vem

(x, y) = (0, 0) + x? (cos(θ)→



e1 + sen(θ)→

e2 ) + y ? (−sen(θ)→

e1 + cos(θ)→

e2 )

= (x? cos(θ) − y ? sen(θ))→



e1 + (x? sen(θ) + y ? cos(θ))→

e2

Donde,
  ?
 x = x? cos(θ) − y ? sen(θ)  x = x cos(θ) + ysen(θ)
e
y = x? sen(θ) + y ? cos(θ) y ? = −xsen(θ) + y cos(θ)
 

são as fórmulas de rotação dos eixos coordenados.

Para a roto-translação a origem O(h, k), e de (4.1), vem


− →

(x, y) = (h, k) + x? e?1 + y ? e?2

76
E efetuando as operações, obtemos
  ?
 x = h + x? cos(θ) − y ? sen(θ)  x = (x − h) cos(θ) + (y − k)sen(θ)
e
y = k + x? sen(θ) + y ? cos(θ)
 ?
y = −(x − h)sen(θ) + (y − k) cos(θ)

são as fórmulas de roto-translação dos eixos.

As operações de translação, rotação e roto-translação é utilizada para fazer


algumas simplificações na equação da forma

Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0.

Como vimos, a translação simplificou algumas equações da forma

Ax2 + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0

para as formas da parábola, elipse e/ou hipébole, para o qual o produto misto xy não
aparecia na expressão.

Exemplo 77. Seja a equação

4x2 − 24xy + 11y 2 + 56x − 58y + 95 = 0.

representa:
a) Parábola b) Elipse c) Hipérbole d) N.D.A (Nenhuma das Alternativas).
Resolução: Na equação aparece parcelas de fatores lineares x e y, bem como fatores
não lineares com o produto xy.

Para eliminar os fatores lineares, devemos fazer uma translação, escolhendo


de forma adequada um ponto C(h, k). Onde

x = x0 + h e y = y0 + k

substituindo na equação temos

4(x0 + h)2 − 24(x0 + h)(y 0 + k) + 11(y 0 + k)2 + 56(x0 + h) − 58(y 0 + k) + 95 = 0

77
desenvolvendo os binômios e agrupando, obtemos a equação

2 2
4x0 − 24x0 y 0 + 11y 0 + (−24k + 8h + 56)x0 + (22k − 24h − 58)y 0 + G(h, k) = 0

onde G(h, k) = 4h2 − 24hk + 11k 2 + 56h − 58k + 95

Para eliminar o fator linear x0 e y 0 devemos impor

−24k + 8h + 56 = 0

22k − 24h − 58 = 0

2 11
Resolvendo o sistema acima, encontramos h = − ek= .
5 5
Calculando
   2     2    
2 11 2 2 11 11 2 11
G(h, k) = G − , =4 − − 24 − + 11 + 56 − − 58 + 95 = 20.
5 5 5 5 5 5 5 5

E a equação em termos de x0 e y 0 se torna

2 2
4x0 − 24x0 y 0 + 11y 0 + 20 = 0. (??)

Devemos agora fazer uma rotação para eliminar o termo de produto x0 y 0 que
aparece na equação. Para isso pomos
 0
 x = x? cos(θ) − y ? sen(θ)

y 0 = x? sen(θ) + y ? cos(θ)

substituindo na equação (??), vem


 2   
4 x? cos(θ) − y ? sen(θ) − 24 x? cos(θ) − y ? sen(θ) x? sen(θ) + y ? cos(θ) +

 2
+11 x? sen(θ) + y ? cos(θ) + 20 = 0

E obtemos,

2 2
(A0 )x? + (B 0 )x? y ? + (C 0 )y ? + 20 = 0 (? ? ?)

onde
A0 = 4 cos2 (θ) − 24 cos(θ)sen(θ) + 11sen2 (θ)

78
C 0 = 4sen2 (θ) + 24 cos(θ)sen(θ) + 11 cos2 (θ)
B 0 = −8 cos(θ)sen(θ) − 24 cos2 (θ) + 24sen2 (θ) + 22 cos(θ)sen(θ).

Portanto, para eliminar o fator x? y ? , devemos encontrar θ tal que B 0 = 0, ou


seja,

0 = −8 cos(θ)sen(θ) − 24 cos2 (θ) + 24sen2 (θ) + 22 cos(θ)sen(θ) = 7sen(2θ) − 24 cos(2θ)

Logo, qualquer θ satisfazendo

24
tan (2θ) =
7

é suficiente para nosso propósito.

Em graus temos 2θ ≈ 73, 739o no primeiro quadrante, ou 2θ ≈ 253, 739o no


terceiro quadrante e, portanto, em radianos temos que θ ≈ 0, 643501 rad ou θ ≈ 2, 21429.

Calculando os coeficientes A0 e C 0 , para esses valores de θ, obtemos

A0 = −5, C 0 = 20 para θ = 0, 643501 rad ou A0 = 20, C 0 = −5 para θ = 2, 21429

Substituindo esses valores de A0 e C 0 em (? ? ?), chegamos à

2 2 2 2
−5x? + 20y ? + 20 = 0 ou 20x? − 5y ? + 20 = 0

respectivamente.

Equivalentemente, temos
2 2
x? 2 y? 2
− y? = 1 ou − x? = 1
4 4

que representam uma equação de hipérbole.

Vamos dar condições para o processo de roto-translação. Seja a equação da


forma
Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0. (4.2)

79
Para eliminar os termos lineares, após uma translação, transformamos a
equação (4.2) na forma
2 2
Ax0 + Bx0 y 0 + Cy 0 + F = 0. (4.3)

Tal que o ponto (h, k) deve ser descoberto com o uso da fórmula de translação
x = x0 + h e y = y 0 + k que substituido em (4.2) obtemos a equação
2 2
Ax0 + Bx0 y 0 + Cy 0 + (Bk + 2Ah + D)x0 + (2Ck + Bh + E)y 0 + G(h, k) = 0

onde G(h, k) = Ah2 + Bhk + Ck 2 + Dh + Ek + F

Para determinarmos h e k, para excluir os fatores lineares, devemos impor


Bk + 2Ah + D = 0
(4.4)
2Ck + Bh + E = 0

Se o determinante

B 2A

= B 2 − 4AC

2C B

for diferente de zero, então existe uma única solução (h, k) que satisfaz o sistema (4.4).
Se for nulo, podem existem infinitas soluções ou pode não existir nenhuma solução. Nesta
situação, é impossı́vel eliminar os termos lineares.

Os coeficientes da equação (4.3) não se alteram, ou seja, são invariantes por


translação, contudo, o termo independente, é obtido calculando

F = G(h, k) = Ah2 + Bhk + Ck 2 + Dh + Ek + F

Considerando a equação (4.2), para eliminar o produto misto xy, devemos


determinar um ângulo θ de rotação que transforma a equação (4.2) numa equação da
forma
2 2
A 0 x? + C 0 y ? + D 0 x? + E 0 y ? + F 0 (4.5)

onde
x = x? cos(θ) − y ? sen(θ)

y = x? sen(θ) + y ? cos(θ)

80
que transforma a equação (4.2) numa equação da forma

2 2
A0 x? + B 0 x? y ? + C 0 y ? + D0 x? + E 0 y ? + F 0 (4.6)

onde os coeficientes são dados por


B
A0 = A cos2 (θ) + sen(2θ) + Csen2 (θ) D0 = D cos(θ) + Esen(θ)
2
B 0 = (C − A)sen(2θ) + B cos(2θ) E 0 = E cos(θ) − Dsen(θ)
B F0 = F.
C 0 = Asen2 (θ) − sen(2θ) + C cos2 (θ)
2
Para que (4.5) ocorra devemos ı́mpor em (4.6) que B 0 = 0, ou seja,

B 0 = (C − A)sen(2θ) + B cos(2θ) = 0

Note que B 6= 0, pois caso contrário o termo de produto xy não apareceria


na equação (4.2), sendo assim.
π 3π
Se C = A então cos(2θ) = 0 e, portanto, θ = ou θ = .
4 4
Se A 6= C então qualquer θ satisfazendo a equação

B
tan(2θ) =
A−C

serve.

Os coeficientes A0 e C 0 são raizes da equação




A−λ B
2 B2
= (A − λ)(C − λ) − =0 (4.7)

4

B
C −λ
2

e, ainda a equação acima possui sempre raizes reais. (Verifique as afirmações!).

A escolha de qual das raizes é A0 e qual é C 0 , depende da escolha de θ, que


está vinculado as condições

B A−C
tan(2θ) = e cos(2θ) = .
A−C A0 − C 0

De fato, A0 é raiz da equação (4.7), quando escolhido θ tal que B 0 = 0.

81
π 3π
Primeiro caso, A = C, então θ =
ou θ =
4 4
1 1 1
Neste caso, A0 = (A + B + C) = (2A + B) ou A0 = (A − B + C) =
2 2 2
1
(2A − B).
2
B2 B2
Como, (A − λ)(C − λ) − = (A − λ)2 − , vem
4 4
2 2
B2 B2 B2
 
2 1 2A − 2A ± B
(A − λ) − = A − (2A ± B) − = − = 0.
4 2 4 2 4

Portanto, A0 é uma raiz.


sen(2θ) B
Segundo caso, A 6= C então tan(2θ) = = , desta equação
cos(2θ) A−C
tiramos que

B 4 cos2 (2θ)
= B 2 sen2 (2θ) e B 2 cos2 (2θ) = (A − C)2 sen2 (2θ)
(A − C)2

Assim,
   
B 1 + cos(2θ) B 1 − cos(2θ)
A0 = A cos2 (θ) + sen(2θ) + Csen2 (θ) = A + sen(2θ) + C
2 2 2 2

B2
   
A C cos(2θ) sen(2θ) 1 cos(2θ)
= + + A+B − C = (A + C) + A−C +
2 2 2 cos(2θ) 2 2 A−C

B2 B2
Note que, (A − λ)(C − λ) − = AC − (A + C)λ + λ2 −
4 4
Então,
B2
  
1 cos(2θ)
0 = AC − (A + C) (A + C) + A−C +
2 2 A−C
2
B2 B2
 
1 cos(2θ)
+ (A + C) + A−C + −
2 2 A−C 4

(A + C)2 B2 (A + C)2
 
cos(2θ)
= AC − − (A + C) A − C + +
2 2 A−C 4
2
B2 cos2 (2θ) B2 B2
  
cos(2θ)
+ (A + C) A − C + + A−C + −
2 A−C 4 A−C 4

(A + C)2 cos2 (2θ) B 2 cos2 (2θ) B 2 sen2 (2θ) B 2


= AC − + (A − C)2 + + −
4 4 2 4 4

(A + C)2 cos2 (2θ) B 2 cos2 (2θ) B 2 B2


= AC − + (A − C)2 + + −
4 4 4 4 4

82
(A + C)2 cos2 (2θ) sen2 (2θ)
= AC − + (A − C)2 + (A − C)2
4 4 4

(A + C)2 (A + C)2 AC A2 C 2 AC A2 C 2
= AC − + = − − − + + =0
4 4 2 2 2 2 2 2
Exemplo 78. A equação
6x2 − 4xy + 3y 2 + 1 = 0

representa uma:
a) Parábola b) Elipse c) Hipérbole d) N.D.A.
Resolução: Como os fatores lineares não aparecem, basta fazermos uma rotação para
eliminar o termo misto xy. Vamos então determinar as raizes da equação

B2
(A − λ)(C − λ) − = 0,
4

onde 6x2 − 4xy + 3y 2 + 0x + 0y + 1 = 0.

(−4)2
0 = (6 − λ)(3 − λ) − = λ2 − 9λ + 14
4

cujas raizes são λ1 = 7 e λ2 = 2

Se A0 = 7 e C 0 = 2, 2θ está no quarto quadrante, pois

−4 4 6−3 3
tan(2θ) = =− e cos(2θ) = = .
6−3 3 7−2 5

Se A0 = 2 e C 0 = 7, 2θ está no segundo quadrante, pois

−4 4 6−3 3
tan(2θ) = =− e cos(2θ) = =− .
6−3 3 2−7 5

Após uma rotação apropriada, a equação se torna

7x2 + 2y 2 + 1 = 0 ou 2x2 + 7y 2 + 1 = 0

Em ambos os casos são somas de números positivos, tal equação não tem
solução, portatno, nenhuma das alternativas estão corretas, pois o conjunto é vazio.

83
Exemplo 79. A equação
4x2 − 4xy + 8y 2 − 5 = 0

representa uma:
a) Parábola b) Elipse c) Hipérbole d) N.D.A.
Resolução: Como os fatores lineares não aparecem, basta fazermos uma rotação para
eliminar o termo misto xy. Vamos então determinar as raizes da equação

B2
(A − λ)(C − λ) − = 0,
4

onde 4x2 − 4xy + 8y 2 + 0x + 0y − 5 = 0.

(−4)2
0 = (4 − λ)(8 − λ) − = λ2 − 12λ + 28
4

Temos ∆ = 144 − 4.1.28 = 144 − 112 = 32 e, as raizes são λ1 = 6 + 2 2 e

λ2 = 6 − 2 2
√ √
Se A0 = 6 + 2 2 e C 0 = 6 − 2 2, 2θ está no terceiro quadrante, pois

−4 4−8 1 2
tan(2θ) = =1 e cos(2θ) = √ √ = −√ = − .
4−8 6+2 2−6+2 2 2 2
√ √
Se A0 = 6 − 2 2 e C 0 = 6 + 2 2, 2θ está no primeiro quadrante, pois

−4 4−8 1 2
tan(2θ) = =1 e cos(2θ) = √ √ =√ = .
4−8 6−2 2−6−2 2 2 2

Após uma rotação apropriada, a equação se torna

√ √ √ √
(6 + 2 2)x2 + (6 − 2 2)y 2 − 5 = 0 ou (6 − 2 2)x2 + (6 + 2 2)y 2 − 5 = 0

ou equivalentemente
√ √ √ √
(6 + 2 2) 2 (6 − 2 2) 2 (6 − 2 2) 2 (6 + 2 2) 2
x + y =1 ou x + y =1
5 5 5 5

Em ambos os casos representa uma elipse.

84
4.5 Cônicas

As curvas da parábola, da elipse e hipérbole são exemplos de cônicas.

Definição 4.4. Dado um plano π um sistema ortogonal de coordenadas, e dada a equação

G(x, y) = Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0

com A2 + B 2 + C 2 6= 0, chama-se cônica ao conjunto dos pontos P (x, y) de π tais que


a equação G(x, y) seja verificada.

Da definição acima pode se provar que o conjunto solução da equação é


1) Conjunto vazio. 4) Uma reta. 7) Parábola.
2) Reunião de duas retas paralelas. 5) Um único ponto. 8) Elipse.
3) Reunião de duas retas concorrentes. 6) Circunferência. 9) Hipérbole.

E, pode-se classificar a cônica, usando apenas os seus coeficientes A, B e C,


ou seja,

Se B 2 − 4AC = 0, a cônica só pode ser: Vazio, reta, reunião de duas retas
paralelas ou uma Parábola. Neste caso dizemos que a cônica é do tipo Parabólico.

Se B 2 − 4AC < 0, a cônica só pode ser: Vazio, um ponto, uma circunferência
ou uma Elipse. Neste caso dizemos que a cônica é do tipo Eliptico.

Se B 2 − 4AC > 0, a cônica só pode ser: É necessariamente reunião de duas


retas concorrentes ou de uma Hipérbole. Neste caso dizemos que a cônica é do tipo
Hiperbólico.

As equações de uma parábola, elipse, hipérbole e circunferência já é bem


conhecida, para os outros cinco casos, podemos considerar por exemplo:
1) O conjunto vazio: G(x, y) = Ax2 + Cy 2 + 1 = 0, com A e C positivos.
2) Reunião de duas retas paralelas: G(x, y) = (x+y)(x+y+1) = x2 +2xy+y 2 +x+y = 0
3) Reunião de duas retas concorrentes: G(x, y) = (x + y)(x − y) = x2 − y 2 = 0
4) Uma reta: G(x, y) = (αx + βy)2 = α2 x2 + 2αβxy + β 2 y 2 = Ax2 + Bxy + Cy 2 = 0
5) Um ponto: G(x, y) = Ax2 + Cy 2 = 0, A e C com o mesmo sinal.

85
4.5.1 Classificação das Cônicas

Fixado um sistema ortogonal em R2 e, dada a equação

G(x, y) = Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0 com (A2 + B 2 + C 2 6= 0) (4.8)

podemos reescrever a equação sob a forma matricial

A 21 B 12 D
  
x
  
 1 1
 
G(x, y) = x y 1   2 B C 2
E  y  = 0
 
  
1 1
2
D 2E F 1

E, definimos a seguinte matriz associada a equação

A 12 B 12 D
 
 
 1 1

M =  2B C 2E


 
1
2
D 12 E F

e os números
1

A B
2
= − B − 4AC
2
∆1 = A + C, ∆2 = e ∆3 = det(M )
1B
4
2
C

Considerando a roto-translação

x = h + u cos(θ) − vsen(θ)
(4.9)
y = k + usen(θ) + v cos(θ)

substituindo na equação (4.8)


 2   
G(u, v) = A h + u cos(θ) − vsen(θ) + B h + u cos(θ) − vsen(θ) k + usen(θ) + v cos(θ)

 2  
+ C k + usen(θ) + v cos(θ) + D h + u cos(θ) − vsen(θ)
 
+ E k + usen(θ) + v cos(θ) + F = 0

que se torna
G(u, v) = au2 + buv + cv 2 + dx + ev + f = 0 (4.10)

86
onde,
B
a = A cos2 (θ) + B cos(θ)sen(θ) + Csen2 (θ) = A cos2 (θ) + sen(2θ) + Csen2 (θ)
2
b = (C − A)sen(2θ) + B cos(2θ)
B
c = Asen2 (θ) − B cos(θ)sen(θ) + C cos2 (θ) = Asen2 (θ) − sen(2θ) + C cos2 (θ)
2
d = (2Ah + Bk + D) cos(θ) + (2Ck + Bh + E)sen(θ)
e = (2Ck + Bh + E) cos(θ) − (2Ah + Bk + D)sen(θ)
f = Ah2 + Bhk + Ck 2 + Dh + Ek + F .

Associamos à equação (4.10) a seguinte matriz


a 21 b 12 d
 
 
 1 1 

m =  2b c 2e 

 
1 1
2
d 2e f
e os números correspondentes
1

a b 2
= − b − 4ac
2
δ1 = a + c, δ2 = e δ3 = det(m)
1b
4
2
c

Temos assim que


B B
δ1 = a + c = A cos2 (θ) + sen(2θ) + Csen2 (θ) + Asen2 (θ) − sen(2θ) + C cos2 (θ)
2 2

= A(cos2 (θ) + sen2 (θ)) + C(cos2 (θ) + sen2 (θ)) = A + C = ∆1

Note ainda que,


  
2 B 2 2 B 2
a.c = A cos (θ) + sen(2θ) + Csen (θ) Asen (θ) − sen(2θ) + C cos (θ)
2 2

B 2 sen2 (2θ) AB cos(2θ)sen(2θ)


= (A2 + C 2 ) cos2 (θ)sen2 (θ) − −
4 2
BC cos(2θ)sen(2θ)
+ + AC(cos4 (θ) + sen4 (θ))
2

B 2 sen2 (2θ) B(C − A) cos(2θ)sen(2θ))


= (A2 + C 2 ) cos2 (θ)sen2 (θ) − +
4 2

+ AC(cos2 (θ) + sen2 (θ))2 − 2AC cos2 (θ)sen2 (θ)

(C − A)2 sen2 (2θ) B 2 sen2 (2θ) B(C − A) cos(2θ)sen(2θ)


= − + + AC
4 4 2
87
e  2
b2 = (C − A)sen(2θ) + B cos(2θ)

= (C − A)2 sen2 (2θ) + 2B(C − A) cos(2θ)sen(2θ) + B 2 cos2 (2θ)

Portanto,
b2 − 4ac B 2 − 4AC
δ2 = − =− = ∆2
4 4

O sistema linear (4.9) pode ser escrito na forma matricial


       
x cos(θ) −sen(θ) h u u
       
       
 y  =  sen(θ) cos(θ) k  .  v  = T  v 
       
       
1 0 0 1 1 1

Note que o determinante da matriz T é um, bem como o da sua transposta.

Proposição 4.5. Os números δ3 = ∆3 , ou seja, são invariantes por roto-translação.

Demonstração: Tanto a equação (4.8) como a equação (4.10) são escritas sob a forma
matricial
   
 x  u
G(x, y) = x y 1 .M.  y  e G(u, v) = u v 1 .m.  v 
1 1
 
Mas, x y 1 = u v 1 Tt

E a equação (4.10) pode ser então reescrita na forma


 
u
G(u, v) = u v 1 T t .M.T  v 


Assim, das duas forma de representação para G(u, v), temos que
 
h i u
t

u v 1 m − T MT  v =0
1

para todo u e v.

88
Portanto, m = T t M T e, concluı́mos assim,

δ3 = det(m) = det(T t M T ) = det(T t ). det(M ). det(T ) = det(M ) = ∆3 .

Como querı́amos mostrar. 2

Teorema 4.6. Consideremos a forma cônica

G(x, y) = Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0 com (A2 + B 2 + C 2 6= 0)

então
I) Se ∆2 6= 0, existe um sistema ortogonal, em relação ao qual a cônica se torna

2 2
G(x, y) = Ax2 + Cy 2 + F = 0 com (A + C 6= 0)

II) Se ∆2 = 0, então
a) Se ∆3 6= 0, existe um sistema ortogonal, em relação ao qual a cônica se torna

G(x, y) = Ax2 + Ey = 0 com A 6= 0 e E 6= 0

ou
G(x, y) = Cy 2 + Dx = 0 com C 6= 0 e D 6= 0

b) Se ∆3 = 0, existe um sistema ortogonal, em relação ao qual a cônica se torna

G(x, y) = Ax2 + F = 0 com A 6= 0

ou
G(x, y) = Cy 2 + F = 0 com C 6= 0.

Demonstração: Provamos primeiramente I). Como ∆2 6= 0, podemos fazer uma


translação para eliminar os termos de primeiro grau e, em seguida fazemos uma rotação,
pois sempre é possı́vel, para eliminar o termo misto xy, e o sistema de roto-translação é
ortogonal, obtendo uma equação como no enunciado.

89
II) Sendo ∆2 = 0, efetuamos uma rotação para eliminar o termo misto, para
obtermos uma equação na forma

au2 + cv 2 + du + ev + f = 0

Neste caso a matriz m associada a equação é

a 0 21 d
 
 
 1 

m=  0 c e
2 
 
1 1
2
d 2e f

e, os números correspondentes δ1 = a + c e 0 = ∆2 = δ2 = ac, então a = 0 ou c = 0, não


podendo ser ambos nulos (Porquê?)

Reescrevendo a equação, vem

au2 + du + ev + f = 0 ou cv 2 + du + ev + f = 0

ae2 cd2
Note que ∆3 = δ3 = − ou ∆3 = δ3 = − .
4 4
6 0, devemos ter a 6= 0 e e 6= 0 ou c 6= 0 e d 6= 0.
a) Como ∆3 =
d f d2
Se a 6= 0 e e 6= 0 faça uma translação pondo u = x − ev=y− + 2
2a e 4a e
 
d
0 = au2 + du + ev + f = a u2 + u + ev + f
a
 2  2 !
2d d d
= a u2 + u + − + ev + f
2a 2a 2a
2
d2

d
= a u+ + ev + f − = Ax + Ey
2a 4a2

f e2 e
Se c 6= 0 e d 6= 0 faça uma translação pondo u = x − + 2 ev=y−
d 4c d 2c
b) Como ∆3 = 0, devemos ter a 6= 0 e e = 0 ou c 6= 0 e d = 0 e,

au2 + du + f = 0 ou cv 2 + ev + f = 0

90
d
Se a 6= 0 e e = 0, faça a translação u = x − ev=y
2a
2
d2

2 d
0 = au + du + f = a u + + f − 2 = Ax + F
2a 4a

e
Se c 6= 0 e d = 0, faça a translação v = y − eu=x
2c
 e 2 e2
0 = cv 2 + ev + f = c v + + f − 2 = Cy + F
2c 4c

Como se pretendia mostrar. 2

Algumas considerações, obtemos por roto-translação a equação

2 2
G(x, y) = Ax2 + Cy 2 + F = 0 com (A + C 6= 0)

com a hipótese de que ∆2 6= 0, ou seja, B 2 − 4AC 6= 0.


2
Como B 2 − 4AC = B − 4A.C = −4A.C.

Se −4A.C > 0 então A e C tem sinais opostos.

Se F > 0 ou F < 0 a equação é uma hipérbole.

Se F = 0 a equação é reunião de duas retas concorrentes.

Se −4A.C < 0 então A e C são ambos positivos.

Se F > 0 o conjunto é vazio.

Se F < 0 trata-se de uma elipse ou uma cincunferência.

Se F = 0 é um único ponto.

O caso em que ∆2 = 0 fica a cargo do leitor a classificação da cônica.

91
Capı́tulo 5

Superfı́cies Quádricas

A equação de grau 2 nas variáveis x, y e z tem a forma

Ax2 + By 2 + Cz 2 + Dxy + Exz + F yz + Gx + Hy + Iz + J = 0 (5.1)

Definição 5.1. Chama-se quádrica ao conjunto dos pontos P (x, y, z) em R3 tais que

Ax2 + By 2 + Cz 2 + Dxy + Exz + F yz + Gx + Hy + Iz + J = 0

onde, A, B, C, D, E, F , G, H, I e J são números reais e pelo menos um dos coeficientes


A, B, C, D, E ou F é não nulo.

Se uma superfı́cie quádrica é dada pela equação (5.1) for cortada pelos planos
coordenados ou por planos paralelos a eles, a curva de intersecção será uma cônica.

Após uma mudança de coordenadas (rotação e/ou translação), podemos re-


escrever a equação (5.1) em uma das formas
i) Ax2 + By 2 + Cz 2 = D iii) Ax2 + By + Cz 2 = 0
ii) Ax2 + By 2 + Cz = 0 iv) Ax + By 2 + Cz 2 = 0

A equação i) é centrada na origem, as equações ii), iii) e iv) são não centradas.

5.1 Elipsóide

Um subconjunto S de R3 é um elipsóide centrado na origem se existir um


sistema ortogonal de coordenadas e números a, b e c positivos tais que
x2 y 2 z 2
 
S = P (x, y, z); + 2 + 2 =1
a2 b c

92
Note que, a intersecção de S com os planos coordenados é uma elipse.

Ainda, a intersecção de S com o plano z = k é dada por


 2
y2 z2
 2
x x y2 k2
 2+ 2 + 2 = 1
  2 + 2 = 1− 2

a b c ou seja, a b c

 

z = k, z = k,

Na intersecção acima, pode ocorrer.


k2
Elipsóide Ser não vazia, para isso 1 − ≥ 0, ou seja, −c ≤ k ≤ c.
z c2
Se k = ±c, a intersecção se reduz a um ponto, I(0, 0, c) ou
......

.... .....
........
.........................................
.
.
.
.. ..... ..........
.
.....
I(0, 0, −c).
.. .. ...
..... .....

..
.
.
..
..
.
.
..
.
.
..
.. ...
...
.
..
...
....
....
....
Se −c < k < c, a intersecção é uma elipse.
. . . .
..
..
...
...
... .....................
.
.
.
. x
...............................................................
.
.
.. ..
..
.
...
...
... Se pelo menos dois dos valores a, b e c são iguais, o elipsóide
. .
. .... .......................
. ..
.
......................... . .. . . .......... ...
.. ... ..
...................
....
...
.................. .
.
.
.
................... ... ..
.. ...
..
.
. ..
........ ..
......
...
é de revolução. Por exemplo, seja a elipse
...... . ... .
. .................................... ...
.. .... .. ... .. .................. ........
.. ........... .. .... ....................
... ............ .. . .
..
. .
.. .
... y
. .........
y2 z2
............... .... .
... ......................... .. ....... ...
... . ........................................................ .
... ....... . ..
...
...
..
..
..
.
.
..
.
..
.
.
+ 2 = 1; x=0
...
...
...
.....
..
..
..
.
...
..
.
...
...
. ...
..
..
b2 c
..... ... ...
.....
...... ....
. .. ....
....... ... .... ....
.....
........
..............
.
.
....... ...... . .. . . ....
...
...
. então gerando a elipse do plano yOz em torno do eixo dos y
obtemos o elipsóide de equação
x2 y 2 z 2
+ 2 + 2 =1
c2 b c

A interpretação da intersecção de S com os planos x = k e y = k também


são elipses, e podem ser pensadas de forma semelhante.

Exemplo 80. Seja a elipse


x2 z 2
+ =1
9 4
obtenha o elipsóide de revolução, girando a elipse em torno do eixo dos x e em torno do
eixo dos z.
Resolução: Os elipsóides são
x2 y 2 z 2 x2 y 2 z 2
+ + =1 e + + =1
9 4 4 9 9 4
em torno dos eixos dos x e z respectivamente.

Se a = b = c, a equação do elipsóide se torna

x 2 + y 2 + z 2 = a2

93
que representa uma superfı́cie esférica centrada na origem C(0, 0, 0).

Se o centro do elipsóide é o ponto (h, k, l) e seus eixos são paralelos aos eixos
coordenados, a equação se torna
(x − h)2 (y − k)2 (z − l)2
+ + =1
a2 b2 c2
obtida por uma translação dos eixos.

A superfı́cie esférica assume a forma

(x − h)2 + (y − k)2 + (z − l)2 = a2

5.2 Hiperbolóide de Uma Folha

Um subconjunto S de R3 é um hiperbolóide de uma folha centrado na origem


se existir um sistema ortogonal de coordenadas e números a, b e c positivos, tais que
x2 y 2 z 2
 
S1 = P (x, y, z); + 2 − 2 =1
a2 b c
x2 y 2 z 2
 
S2 = P (x, y, z); − 2 + 2 =1
a2 b c
x2 y 2 z 2
 
S3 = P (x, y, z); − 2 + 2 + 2 = 1
a b c

Desta forma, temos que S1 está ao longo do eixo dos z, S2 ao longo do eixo
dos y e S3 ao longo do eixo dos x.

A intersecção de S1 com um plano z = k é dada por


 2
y2 z2
 2
x x y2 k2
 2+ 2 − 2 = 1
  2 + 2 = 1+ 2

a b c ou seja, a b c

 

z = k, z = k,

Tal intersecção é uma elipse.

A intersecção de S1 com um plano y = k é dada por


 2
y2 z2
 2
x x z2 k2
 2+ 2 − 2 = 1
  2 − 2 = 1− 2

a b c ou seja, a b c

 

y = k, y = k,

94
Em tal intersecção pode ocorrer:
k
Hiperbolóide de Uma Folha Se < 1, isto é, −b < k < b, a intersecção é uma
b
....................................z
..
.. .
... ..
............ .................
...........
............
........
hipérbole contida no plano y = k, com segmento focal paralelo
.... .... .. .........
..
... ...
.... ..
.... ..
....... .
..
.
..
.
.....
....
.... ao eixo Ox.
.......
........ ..
...
..
..
. k
.. ..............
... .. ...............
.
. .. ......................
...... ... ... .
.
.
................................
. .
....
.
Se > 1, isto é, k < −b ou k > b, a intersecção é uma
......... ... .. .. b
...
.........
......... .... ............................
.................. .. ................. .. ....... . .
.
.
................ .
.. ..
.x
...
.
..
.............. ...
.... .... ...................
......
...
... ....................... ..... ..............
............... ..
. hipérbole contida no plano y = k, com segmento focal paralelo
...... ... ..................... .... ......
... ....... .. ....... ........... ... ...
.. ..............................
.
.
.. ...... . ....................................................................
... ....... ....
.
. ......... .......
.
... ... ...........
. ao eixo Oz.
...
...
.
...
............................................................
... ...
... .. y
......... k
.....
..
...... .
...
................ ... ..
.............. ..
.
. .
.
Se = 1, isto é, k = −b ou k = b, a intersecção é um
.... ... ...........
...... b
... ... .. .....
.. .....
.... .
..... .. .. ....
.....
...... ....
..........
.
.
............
.
... ...
.. ..
.. ..
.
par de retas concorretes.
................. .. ....
.............................................................
Considerações semelhantes podem ser feitas para S2 e S3 .

5.3 Hiperbolóide de Duas Folhas

Um subconjunto S de R3 é um hiperbolóide de duas folhas centrado na


origem se existir um sistema ortogonal de coordenadas e números a, b e c positivos, tais
que
x2 y 2 z 2
 
S1 = P (x, y, z); − 2 + 2 − 2 =1
a b c
x2 y 2 z 2
 
S2 = P (x, y, z); − 2 − 2 + 2 =1
a b c
x2 y 2 z 2
 
S3 = P (x, y, z); + 2 − 2 − 2 =1
a b c

Desta forma, temos que S1 está ao longo do eixo dos y, S2 ao longo do eixo
dos z e S3 ao longo do eixo dos x.

A intersecção de S1 com um plano y = k é dada por

x2 y 2 z 2
 2
x z2 k2

 − 2+ 2 − 2 = 1
  2 + 2 = 2 −1

a b c ou seja, a c b

 

y = k, y = k,

A intersecção de S1 com os planos z = k ou x = k são hipérboles.

x2 y 2 z 2
 2
y z2 k2

 − 2+ 2 − 2 = 1
  2 − 2 = 2 +1

a b c ou seja, b c a

 

x = k, x = k,

95
Hiperbolóide de Duas Folha Em tal intersecção com y = k pode
ocorrer:
k
z ..
.............................
Ser não vazia, para isso ≥ 1, ou seja, k ≤ −b ou k ≥ b.
....
.....
.
.. ...
.. ......
...
b
... ..
...
..
.. ..
..
.. ...
..
.. k2
...
... ...
.
..
.
...
..
... Note que 2 − 1 ≥ 0, para a equação da elipse.
.... ...
....... ... ........
. y ...
..
... b
...... ... .

.....
. .
....................... ....
...... ...... .
.
.
. ......
.
.
... .... .......
..
........ ........ ... ..
..
..
.
Se k = ±b a intersecção se reduz ao ponto I(0, k, 0).
. . ... ...
........ ....... ... ......... . . . ..
. ....
...
..
... ........ .......
... .... ....... .
... .... ....... ........ ... .... .
...........
. . .. .... .......
................... .. .... ................. ....
.
. .. .. .
..
.
.
Se k > b ou k < −b a intersecção é uma elipse.
. .. .... ............... .... ... ..
.. ... .. ..... ...... ........
. ...... ........ ..
............................................................. ..
........................ ........ ... ....
...... ........
...... ..... .....
... . ... .
...
.............................. ...
... .... .... .
...... ..... ... ......
..
..
.. ......
...... .. .
.. .. ..
.. .... .....
x A intersecção de S1 com o plano x = k são hipérboles com
.. .......... ..
... ..... ..
.. ..
...
..
... ......
.. .....
... ..
segmento focal paralelo ao eixo dos y, o mesmo ocorrendo com a
... ... ..
...
...
....
.... ....
..
..
. ..
..
..
intersecção de S1 com o plano z = k.
..... .. ...
.
......... ....
.. ..................... Considerações semelhantes podem ser feitas para S2 e S3 .

5.4 Parabolóide Elı́ptico

Um subconjunto S de R3 é um parabolóide elı́ptico se existir um sistema


ortogonal de coordenadas e números a, b positivos e c não nulo tais que

x2 y 2
 
S1 = P (x, y, z); cz = 2 + 2
a b

y2 z2
 
S2 = P (x, y, z); cx = 2 + 2
a b
x2 z 2
 
S3 = P (x, y, z); cy = 2 + 2
a b

Desta forma, temos que S1 está ao longo do eixo dos z, S2 ao longo do eixo
dos x e S3 ao longo do eixo dos y.
Parabolóide Elı́ptico A intersecção de S1 com o plano xOz e yOz são
z parábolas, com o plano xOy é o ponto (0, 0, 0)
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Se c > 0, S1 está situada inteiramente acima do plano
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xOy e, para todo z = k tal que k > 0 a intersecção de S1 com
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... o plano z = k é uma elipse.
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Se c < 0, S1 está situada inteiramente abaixo do plano
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xoy e, para todo z = k tal que k < 0 a intersecção de S1 com
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.. o plano z = k é uma elipse.
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. . . Considerações semelhantes podem serem feitas para S2
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x
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e S3 .
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.........
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......... y
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96
5.5 Parabolóide Hiperbólico

Um subconjunto S de R3 é um parabolóide hiperbólico se existir um sistema


ortogonal de coordenadas e números a, b positivos e c não nulo tais que

y 2 x2
 
S1 = P (x, y, z); cz = 2 − 2
b a

z2 y2
 
S2 = P (x, y, z); cx = 2 − 2
b a
z 2 x2
 
S3 = P (x, y, z); cy = 2 − 2
b a

Pode-se ainda trocar os sinais do lado direito das equações em S1 , S2 e S3 .


O gráfico abaixo é conhecido como sela. Parabolóide Hiperbólico
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z
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........ z ... ..
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... ...... .. y ...

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x .
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x ...
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y .... ...
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As intersecções com os planos z = k, x = k e y = k ficam a cargo do leitor.


Note que em cada situação podem ocorrer, parábolas com concavidade para baixo, para
cima e/ou hipérboles, parábolas voltada para direita e para esquerda, para frente ou
para tráz, e as hipérboles.

97
Capı́tulo 6

Matrizes e Determinantes

Chamamos de matriz uma tabela de elementos dispostos em linhas e colunas.

Exemplo 81. Consideramos a tabela

Aluno A Aluno B Aluno C


Nota Matemática 70 80 85
Nota Fı́sica 75 90 75
Nota Quimica 80 65 80

E, abstraindo seu significado de linhas e colunas, temos a matriz nota, que


denotaremos por N .  
70 80 85
N =  75 90 75 
80 65 80

Representamos uma matriz de m linhas e n colunas por


 
a11 a12 · · · a1n
 a21 a22 · · · a2n 
Am×n =  .. ..  = (aij )m×n
 
.. ..
 . . . . 
am1 am2 · · · amn

e, denotamos por