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DIREITO DO TRABALHO

 AVISO PRÉVIO

 É a comunicação da rescisão do contrato de trabalho pela parte que decide extingui-lo, com
a antecedência a que estiver obrigada e com o dever de manter o contrato após essa
comunicação até o decurso do prazo nela previsto, sob pena de pagamento de uma quantia
substitutiva, no caso de ruptura do contrato.

 A CLT exige aviso prévio nos contratos por prazo indeterminado - art. 487 da CLT, sendo
inexigível nos contratos por prazo determinado.

 É cabível apenas na dispensa sem justa causa, dispensa indireta (CLT, art. 487, 4º), nos
casos de culpa recíproca (TST, sumula 14) e no pedido de demissão, sendo INCABÍVEL
nos outros modos de extinção do contrato. Existe debate nos casos de extinção da
empresa, quanto ao pagamento ou não da referida parcela.

 A lei não estabelece ato formal, porém, é praxe a carta de aviso prévio, que vem a ser a
comunicação. Sendo o aviso prévio trabalhado, a comunicação deve ser concedida por
escrito, em 2 (duas) vias, sendo uma para o empregado e outra para o empregador.

 Modalidades - Ocorrendo a rescisão do contrato de trabalho, sem justa causa, por


iniciativa do empregador, poderá ele optar pela concessão do aviso prévio trabalhado ou
indenizado, da mesma forma, quando o empregado pede demissão.

Assim, tem o aviso prévio:


o Indenizado: é aquele em que o empregador decide pelo desligamento imediato do
empregado, e, em tal caso a empresa efetua o pagamento da parcela relativa ao
respectivo período, além das verbas rescisórias.
E, quando o empregado pede para sair, a empresa tem direito de descontar o valor
respectivo em rescisão de contrato. Lembrando que caso a rescisão não cubra o
valor total a ser descontado o empregado não retira valor do seu patrimônio para
efetuar o pagamento do saldo devedor.
o Trabalhado: quando o empregado é dispensado e tem que cumprir o período
relativo ao aviso prévio com a redução prevista em lei (art. 488, da CLT). E, no caso
de ser o empregado quem pediu demissão e vai cumprir o período do aviso prévio
ele não fará jus a redução da carga horária.

 Prazo do aviso prévio é de 30 dias no mínimo, porém, hoje se tem que observar a mudança
ocorrida no mesmo através da lei nº 12.506/2011 que garante ao empregado demitido sem
justa causa, além dos 30 dias, três dias adicionais por cada ano de serviço trabalhado na
empresa. Com isso o aviso prévio ficou proporcional ao tempo de serviço, sendo acrescidos
aos 30 dias regulamentares, outros três dias adicionais para cada ano completo trabalhado
na empresa, limitado a um máximo de 90 dias. Só vale tal regra quando for o empregador
que der causa ao rompimento do contrato. NOTA TÉCNICA Nº 184/2012/CGRT/SRT/MTE .

OBS: O Ministério do Trabalho e Emprego tem entendido que essa proporcionalidade


somente se aplica ao empregador, na dispensa sem justa causa do empregado, e não

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- O material serve apenas como roteiro de aula, não se caracterizando como apostila.
- Há necessidade de utilização dos livros para acompanhamento, inclusive para as
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quando o empregado pede demissão. Nesse caso, o aviso prévio do empregado será
sempre de 30 dias, independentemente do tempo de serviço para a empresa.

 Da não concessão do aviso prévio resultam efeitos sobre as partes:

 Se a omissão é do empregado, o empregador terá o direito de reter o saldo do seu


salário - art. 487, 2º CLT, no valor correspondente ao número de dias do aviso
prévio não concedido.
 Se a falta de aviso é do empregador, terá de pagar ao empregado os salários dos
dias referentes ao tempo entre o aviso que deveria ser dado e o fim do contrato,
caso esse período fosse cumprido - art. 487, 1º CLT.

 Durante o prazo do aviso prévio cumprido pelo empregado em razão de dispensa pelo
empregador, haverá redução da jornada de trabalho em 2 horas por dia, ou então o
empregado poderá optar por concentrar essas horas em dias corridos, num total de 7 dias -
art. 488, parágrafo único, CLT, onde então trabalha 23 dias corridos e folga os últimos 7
dias.

 O aviso prévio dado pelo empregador, tanto trabalhado quanto indenizado, o seu período de
duração integra o tempo de serviço para todos os efeitos legais, inclusive reajustes
salariais, férias, 13º salário e indenizações.

 O empregado pode perder o direito ao pagamento do aviso prévio, se durante o


período do mesmo o empregado cometer falta grave, deixando assim de ter direito de
receber o salário a título do aviso prévio, além de todas as verbas indenizatórias pela
rescisão contratual, na forma prevista na súmula 73 do TST. Súmula nº 73 do TST

DESPEDIDA. JUSTA CAUSA. A ocorrência de justa causa, salvo a de abandono de


emprego, no decurso do prazo do aviso prévio dado pelo empregador, retira do empregado
qualquer direito às verbas rescisórias de natureza indenizatória.

 O empregador que dispensar o empregado do aviso prévio tem que observar que o aviso
prévio é irrenunciável pelo empregado, devendo no caso ser observada a súmula 276 do
TST, pois deverá ocorrer o pagamento do mesmo. Súmula 276 do TST:
O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado. O pedido de dispensa de
cumprimento não exime o empregador de pagar o respectivo valor,
salvo comprovação de haver o prestador dos serviços obtido novo emprego”.

 Aviso Prévio cumprido em Casa. Tal modalidade não é aceita nem pela doutrina ou pelos
tribunais, equivale ao aviso indenizado. Há o entendimento no sentido de que esse é um
artifício utilizado para evitar pagar as verbas rescisórias no prazo de 10 dias da dispensa.
Assim nesses casos o entendimento é que é devido a multa prevista no artigo 477 da CLT,
no valor de um salário do empregado.

 Prazos de pagamento das verbas rescisórias são importantes, pois daí decore multas a
favor do empregado pela não observância. Os prazos hoje previstos são:

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o Até 10 dias após a comunicação da dispensa ou do pedido de demissão, quando o


aviso é indenizado;
o No primeiro dia subsequente ao término do aviso trabalhado.

Com a reforma trabalhista a partir de 11/2017 os prazos para pagamento serão sempre em
até 10 dias, quer seja aviso indenizado, ou trabalhado.
A contagem do aviso prévio é fator determinante para pagamento da rescisão do contrato de
trabalho. A súmula 380 do TST estabelece que para o início a contagem do aviso
prévio, deve-se excluir o primeiro dia e contar o último (começa a contar sempre a partir do
dia seguinte a data da comunicação), redação conforme caput do art. 132 do Código Civil[2].

AVISO PRÉVIO. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 132 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002


(conversão da Orientação Jurisprudencial nº 122 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e
25.04.2005.
Aplica-se a regra prevista no "caput" do art. 132 do Código Civil de 2002 à contagem do
prazo do aviso prévio, excluindo-se o dia do começo e incluindo o do vencimento.

Assunto Regra Atual Nova Regra Dispositivo Legal

O pagamento das parcelas


constantes do instrumento
de rescisão ou recibo de A entrega ao empregado
quitação deverá ser de documentos que
efetuado nos seguintes comprovem a
prazos: comunicação da extinção
Prazo de contratual aos órgãos
Pagamento da a) ao 1º dia útil imediato ao competentes bem como o
Rescisão de término do contrato; pagamento dos valores Artigo 477 da CLT
Contrato de constantes do instrumento
Trabalho b) ao 10º dia, contado da de rescisão ou recibo de
data da comunicação da quitação deverão ser
demissão, no caso de efetuados até 10 dias
ausência do aviso-prévio, contados a partir do
indenização deste ou término do contrato.
dispensa do seu
cumprimento.

 Tem algumas situações em que não é possível dar o aviso prévio ao empregado,
ficando assim vedado ao empregador nos seguintes casos.
o Empregado estar em gozo de beneficio previdenciário;
o Estar em gozo de estabilidade provisória por um ano, após retorno do auxílio acidente;
o No mês que antecede o reajuste salarial;
o Os casos de o empregado estar em gozo de estabilidade;
o Estar em fruição de licença médica, maternidade, paternidade, ou seja tanto nos casos
de interrupção e ou suspensão do contrato de trabalho.

 A falta grave, tanto por parte do empregado, atos previstos no art. 482, quanto por parte do
empregador, art. 483, desde que, cabalmente comprovados, afastam a necessidade

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do aviso prévio. Ainda que já em curso, a falta grave anula a produção de efeitos do aviso
prévio, sendo devida aplicação da justa causa, ou, dispensa.

 Existe previsão no sentido de que - tanto o empregado quanto o empregador podem desistir
do aviso prévio concedido, pois a rescisão somente será efetivada no término deste período.
Porém, para que a reconsideração seja válida é necessário que a outra parte concorde com
a reconsideração, podendo a anuência ser expressa ou tácita, se aconselhando que seja
expressa.

Referências:
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho. Niterói: Impetus, 2015.
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho.6ª edição. São Paulo:
LTr, 2007.
LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Saraiva,
2015.
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 32ª ed. São Paulo: Atlas, 2016.
MOURA, Marcelo. Curso de Direito do Trabalho. São Paulo: Saraiva, 2014.
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. São Paulo: LTr,
2014
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. NASCIMENTO, SÔNIA MASCARO. Curso de
Direito do Trabalho. 29ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

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