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INTRODUÇÃO À

ENGENHARIA MECÂNICA
RIVÂNIA PAULINO ROMERO
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 2

“Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a


todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada.”
(Tiago 1:5)
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SUMÁRIO
Bibliografia 4

Cap.1 Chegando à Faculdade 5

Cap.2 Síntese Histórica 10

Cap.3 Conquistas da Engenharia Mecânica 16

Cap.4 Habilidade de Resolver Problemas 23

Cap.5 Utilização de um Modelo 27

Cap.6 Força Aplicada à Estrutura de Máquinas 32

Cap.7 Propriedade Mecânica dos Materiais 34

Cap.8 Engenharia dos Fluidos 40

Fórmulas Úteis 47
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BIBLIOGRAFIA
Livro Adotado:

Bazzo, Walter Antônio; Pereira, Luiz Teixeira do Vale. Introdução a Engenharia. Florianópo-
lis: Editora da UFSC, 2000.

Complementares:

USHER, Abbott Payson. Uma Historia das inovações mecânicas. São Paulo: Ed. Papirus,
1993.

KENIPER, John. D.; SANDERS, Billy R. Engineers and their profession. 5 ed. New York:
Ed. Oxford, 2001.

PEREIRA, Luiz Teixeira do Vale; BAZZO, Walter Antônio. Ensino de Engenharia: na bus-
ca de seu aprimoramento. Editora da UFSC.1997
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Cap. 1 Chegando à Faculdade


Quando o estudante chega à faculdade torna-se o principal agente no processo educaci-
onal, seu empenho é fundamental para uma formação de qualidade. Ele passa a viver uma
nova fase com maior liberdade pessoal e intelectual, que se torna uma fase de intenso ganho
em maturidade. Para muitos, a primeira experiência de vida fora de casa, como os estudante
que moram em repúblicas. Com maior liberdade os estudantes passam a criar novos tipos de
relacionamentos estudantes-professores, ele passa a discutir ideias e propor soluções. Esse
tipo de relacionamento é muito comum na fase final do curso quando há a necessidade de cri-
ar um trabalho de conclusão de curso (TCC) e o aluno possui professor orientador.

A faculdade oferece inúmeras oportunidades intelectuais, culturais e de lazer. O aluno


de um curso de graduação começa a adquirir capacidade técnica para realizar estágio em sua
área, pesquisas científicas, visitas técnicas e participação de congressos e discussões sobre o
oportunidades no mercado de trabalho (mesa redonda).

1.1 ESTUDANDO COM EFICIÊNCIA


Para haver a captação e processamento de novas informações de
modo eficiente é necessário seguir as três fases de estudo: prepara-
ção, capação e processamento.

Preparação: estabelecer as melhores condições possíveis para o


“esforço aprender”.

Captação: apreensão em sala de aula, leitura , participação e ob-


servação dos experimentos.

Processamento: fixação e integração de conteúdos.

1.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO


Os métodos atuais aceitos para avaliação do aprendizado são: provas, testes, listas de proble-
mas, projetos individuais e em grupo.
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1.3 PROGRAMA INOVA ENGENHARIA


O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) em 2006, Armando Monteiro
Neto, lançou em Brasília o Programa Inova Engenharia - Propostas para a modernização
da educação em engenharia no Brasil. O programa Inova Engenharia foi criado para pro-
mover uma ação de mobilização nacional em prol da modernização na educação da enge-
nharia brasileira.

1.4 PERFIL DESEJADO DO ENGENHEIRO (INOVA ENGENHARIA)

“ Os engenheiros devem ser capacitados não só em conhecimen-


tos técnicos, como para perceber, definir e analisar problemas e
formular soluções, para trabalhar em equipes, para se reciclar
continuamente ao longo de toda vida profissional, para fazer uso
de tecnologias de informação e incrementá-las”

“`É necessário que o engenheiro tenha iniciativa, criatividade,


espírito empreendedor e capacidade de atualização constante”

“ O Engenheiro deve ter capacidade de comunicação e saber tra-


balhar em equipes multidisciplinares. Ter consciência das implica-
ções sociais, ecológicas e éticas envolvidas nos projetos de enge-
nharia, falar mais de idioma e estar disposto a trabalhar em qual-
quer lugar do mundo”

1.5 ESTEREÓTIPO DO ENGENHEIRO

 Individuo frio e calculista

 Dedicado apenas assuntos técnicos e problemas práticos bem específicos;

 Os resultados dependem somente dos conhecimentos e dos desenvolvimentos tecnoló-


gicos dominados;

 Para solucionar os problemas existem técnicas próprias adequadas e fórmulas prontas


que, convenientemente aplicadas, resolvem qualquer um deles.
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1.6 ENGENHARIA E CRIATIVIDADE

“ Engenharia é a arte de aplicar conhecimentos científicos e tecnológicos a criação de


estruturas, dispositivos, processos e informações que possibilitem converter recursos
em formas adequadas ao atendimento das necessidades humanas”

Os Projetos de engenharia devem atender a três fatores essenciais: qualidade, quanti-


dade e diversidade. A criatividade é uma qualidade imprescindível para um engenheiro, pois
com frequência, há varias soluções possíveis para problemas de engenharia sendo que as
melhores delas provem das mentes mais criativas. Uma pessoa criativa tem capacidade de
sintetizar novas combinações de ideias e conceitos, entre formas comuns e usuais.
Requisitos para criatividade:
 Conhecimentos;
 Esforço exercido;
 Aptidão;
 Método empregado.

1.6.1 CONHECIMENTOS
Ideias criativas não surgem de um lampejo mágico ou espontaneamente, quanto mais amplo
o acervo de conhecimentos, maior o volume de matéria-prima para originar soluções criati-
vas. O principal requisito para a geração e soluções é o acervo de conhecimentos, pois quan-
to maior for, mais ampla será a fonte de informações e maior a probabilidade de gerar ideias.
Outros fatores também influenciem na criação de ideias tais como:

 Formação técnica nas ferramentas da engenharia;


 Noções de Economia, Administração, Direito;
 Concepção Ambiental.
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1.6.2 ESFORÇO EXERCIDO


A perseverança e um fator decisivo: “Não se pode desistir no primeiro obstáculo”.
Prosseguir no trabalho enquanto se visa possibilidade de sucesso é uma atividade mais
acertada. Qualquer pessoa pode aumentar o seu esforço num trabalho ate quando quiser.
Característica que tem a íntima relação com a formação educacional do indivíduo.

“Não se pode desistir no primeiro obstáculo.”

1.6.3 APTIDÃO
Sabe-se que determinadas pessoas tem mais aptidão que outras para certas atividades, os
tipos de inquietudes, incentivos que se tem desde a infância certamente é um fator
primordial que direciona o gosto que se adquire pelas diversas atividades. A aptidão tem
muito haver com o aprendizado empírico, uma relativa ausência de aptidão pode ser
amenizada pelos conhecimentos adquiridos, esforço e método empregado.

1.6.4 MÉTODO EMPREGADO


É o caminho ao longo do qual se pode chegar ao ponto desejado. Isto implica
intencionalidade e movimento: caráter dinâmico do método. É imprescindível a utilização de
um método na procura de soluções, pois economiza tempo com a eliminação de passos
desnecessários. Um método também auxilia a busca em fontes de consulta (livros revistas
cientificas, catálogos, internet, etc), realimentando o acervo de conhecimentos do

É imprescindível a
utilização de um método
na procura de soluções,
pois economiza tempo .
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1.6.5 PONTOS QUE PREJUDICAM A CRIATIVIDADE


 Hábito;
 Fixação funcional;
 Preocupação prematura com os detalhes;
 Dependência excessiva dos outros;
 Motivação em excesso;
 Medo de critica;
 Conservadorismo;
 Satisfação prematura;
 Rejeição prematura.
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Cap. 2 Síntese Histórica


A evolução da humanidade se processa de forma contínua, mas quando a humanidade esta
diante de grandes crises ou quando existe uma conjunção de fatores propícios, a evolução
têm dado alguns saltos. Um elemento constante da evolução é a capacidade do ser humano
dar formas a objetos naturais e a empregá-los para determinados fins. Estima-se que as
mais antigas ferramentas foram fabricas há cerca de 1.750.000 anos pelos moradores da
Tanzânia. As técnicas primitivas tiveram origem na descoberta da:
 Alavanca
 No domínio do fogo
 No polimento das pedras
 No cozimento dos alimentos
Por volta de 4.000 a.c. temos uma revolução técnica, provocando mudanças culturais,
basicamente pela introdução da agricultura, da domesticação do animais, da modelagem
cerâmica e da fabricação do vinho e da cerveja.

2.1 DESCOBERTAS E REALIZAÇÕES DE GRANDES OBRAS

 Pirâmides de Gizé em 2.600 a.c.


 Eolípila por Héron de Alexandria em 130 a.c.

Este período fica conhecido como Idade dos Metais (Idade do Bronze e Idade do Ferro).
Por volta do ano 2.000 a.c., mais ou menos junto com a invenção do alfabeto para a escrita
e a numeração, o homem passa a utilizar o processo de fundição dos metais.
Transformação das antigas sociedades rurais patriarcais em cidades governadas. Ainda
nesta época temos:
 O desenvolvimento da arquitetura;
 A invenção da roda;
 A construção das primeiras máquinas simples.
 “ Dê-me um ponto de apoio e moverei o mundo” (Arquimedes)
 Sistemas mecânicos (combinações de máquinas simples)
- Alavanca - barra rígida, reta ou curva
- Roldana - polia
- plano inclinado - elevar ou suavizar cargas
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Alguns fatos marcantes desta época:


 Utilização pelos egípcios do papiro para a escrita;
 A canalização do rio Nilo para irrigação;
 Desenvolvimento das técnicas de construção de navios pelos povos do
mediterrâneo e da Escandinávia;
 Sistema subterrâneo de fornecimento de água em Jerusalém;
 Publicação do primeiro manual de matemática na China.

2.2 ENGENHARIA DO PASSADO


Caracteriza-se pelos grandes esforços do homem no sentido de criar e aperfeiçoar
dispositivos que aproveitassem os recursos naturais. Foram os primeiros engenheiros
responsáveis pelo aparecimento de armamentos, fortificações, estradas, pontes, canais e
etc. Característica básica é o empirismo, trabalhavam com base na prática transmitida pelos
que os antecediam, na sua própria experiência e no seu espírito criador.

2.3 ENGENHARIA MODERNA


Com rápida expansão dos conhecimentos científicos e com a sua aplicação aos problemas
práticos, começa a surgir o engenheiro. A engenharia se estrutura, principalmente com o
desenvolvimento da matemática e da explicação de fenômenos físicos, até chegar no século
XVlll a um conjunto sistemático e ordenado de doutrinas. Este ponto é o marco divisório
entre a Engenharia do Passado e a Engenharia Moderna
Caracteriza-se pela aplicação generalizada dos conhecimentos científicos à solução de
problemas. Ela pode dedicar-se, basicamente, a problemas da mesma espécie que a
engenharia do passado, porém com a característica distinta e marcante que é a aplicação
da ciência.
Alguns exemplos, desta aplicação da ciência:
 Estrutura da matéria;
 Fenômenos eletromagnéticos;
 Composição química dos materiais
 Leis da mecânica;
 Transferência de energia;
 Modelagens matemáticas dos fenômenos físicos.
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2.4 MARCOS HISTÓRICOS


A tecnologia, tal como hoje é entendida, só apareceu há cerca de 400 anos, mas tomou corpo
apenas com a revolução industrial, quando se notou que tudo o que era construído pelos
homens poderia sê-lo usando os princípios básicos da ciências.
Em 1510, Leonardo da Vinci (1452 – 1519) projeta uma roda d’água horizontal, cujo
princípio foi utilizado na construção da turbina elétrica, reunindo o saber teórico ao prático.
Galileu Galilei (1564 – 1642) foi o real iniciador da mentalidade científica, iniciando a
substituição de longas argumentações lógicas da dialética formal pela observação dos fatos
em si mesmos.
Em 1638, Galileu publica um trabalho aonde deduz o valor da resistência à flexão de uma
viga engastada numa extremidade e suportando um peso na sua extremidade livre.
No final do século XVlll, Coulomb calculou a resistência à flexão de vigas horizontais em
balanço, e também elaborou um método de calculo de empuxos de terra sobre muros de
arrimo, com validade até os dias atuais.

Fig.: Flexão teórica de uma viga apoiada-articulada submetida a um ónus pontual centrada F

2.5 HISTÓRIA DA ENGENHARIA MECÂNICA


A invenção da roda certamente foi o primeiro passo em direção à constituição da Engenharia
Mecânica. Da mesma forma, deram sua contribuição os cientistas que a partir do
Renascimento aceleraram as descobertas das leis da natureza.
Galileu Galilei (1564-1642) foi um físico, matemático, astrónomo e filósofo italiano que teve
um papel preponderante na chamada revolução científica . Explicou vários fenômenos, como
a queda dos corpos, o movimento dos projéteis, a oscilação do pêndulo e alguns princípios
sobre resistência dos materiais e sobre o equilíbrio dos líquidos.
René Descartes (1596-1650) teorizou sobre a relatividade do movimento.
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Blaise Pascal (1623-1662) revolucionou as teorias sobre o vácuo, demonstrando as leis da


pressão atmosférica.
Christian Huygens (1629-1695) aperfeiçoou a teoria sobre a relatividade do movimento
Isaac Newton (l642-1727)
Jean Le Rond D'Alambert (1717-1783) estudou a mecânica dos fluidos.
Charles Coulomb (1736-1806) lapidou os conceitos sobre a resistência dos materiais
Isaac Newton (l642-1727) cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático,
conceituou várias leis da mecânica, elucidando a inércia, a ação das forças e a gravitação
do universo.

2.5.1 LEIS DE NEWTON


1ª. Lei: Inércia
-Todo o corpo permanece em estado de repouso ou com movimento retilíneo e uniforme,
enquanto sobre ele não atuar força qualquer.
2ª. Lei:
- A variação da quantidade de movimento é proporcional à intensidade da força motriz
aplicada, sendo a sua direção igual àquela em que atua a força..
3ª. Lei: Ação e Reação
- A qualquer ação opõe-se uma reação de intensidade igual e de sentido oposto. Por
outras palavras, as interações mútuas de dois corpos são sempre iguais e de sentidos
contrários.

2.5.2 LEI DA GRAVITAÇÃO UNIVERSAL


O momento culminante da Revolução científica foi o descobrimento realizado por Isaac
Newton da lei da gravitação universal.
A lei da gravitação universal diz que dois objetos quaisquer se atraem gravitacionalmente
por meio de uma força que depende das massas desses objetos e da distância que há
entre eles A lei da gravitação universal, descoberta por Isaac Newton, tem a seguinte
expressão matemática:

onde:
G = é a constante universal da atração gravitacional. (G = 6,67.10 − 11Nm2 / Kg2);
M e m = são as massas dos dois corpos;
d = é a distância entre os centros dos dois corpos.
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2.5.3 TEORIA DA RELATIVIDADE


A teoria inicia com a demonstração de que a velocidade da luz é constante em qualquer
situação. A experiência deu razão a Einstein: o tempo não transcorre na mesma velocidade
para a matéria em repouso e para a matéria em aceleração, e a matéria pode se manifestar
em forma de energia. Esta constatação permitiu compreender a dinâmica do sol e a origem
de sua energia, e se aproximar da própria natureza do universo. Também foi a forma de
aprender a liberar a fabulosa energia que representa uma simples gota d'água ou um grão
de areia, abrindo o caminho para a era nuclear e suas mais terríveis manifestações. Para
muitos Einstein é apenas o velhinho anárquico com a língua de fora.

Onde:
E = energia;
m = massa;
c = velocidade da luz no vácuo (299.792.458 m/s).

Fig.: A luz do Sol, demora aproximadamente 8 minutos para chegar à Terra.

2.6 DEFINIÇÃO DE ENGENHEIRO MECÂNICO


De acordo com o Colégio de Engenharia Mecânica da Ordem dos Engenheiros, o
Engenheiro Mecânico é o (a) profissional que estuda, desenvolve, investiga, concebe e
projeta componentes, máquinas, equipamentos, instalações e sistemas mecânicos e
térmicos, utilizando energias convencionais ou renováveis, superintende ou colabora nas
fases de fabricação, montagem, operação, fiscalização, controle de qualidade e
manutenção de todos os tipos de instalações, podendo ter ainda a seu cargo a gestão, a
coordenação e a elaboração de pareceres sobre os vários tipos de atividades anteriormente
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2.7 PRIMEIRAS ESCOLAS DE ENGENHARIA


1747 – criada na França a primeira escola de engenharia do mundo, École des Ponts et
Chaussées;
1774 – fundação da École Polytechnique em Paris, que tinha como finalidade ensinar as
aplicações da matemática aos problemas da engenharia;
1778 – implantação da École des Mines;
1794 – Conservatoire des Arts et Métiers;
Estas escolas, exceto a École Polytechnique, eram voltadas para o ensino prático,
estabelecendo assim uma divisão na engenharia entre os engenheiros práticos e os teóricos.
O próximo passo foi o desenvolvimento das escolas técnicas superiores nos países de
língua alemã:
1806 – Praga;
1815 – Viena;
1825 – Karlsruhe;
1827 – Munique, e a escola que teve a maior importância no aparecimento da engenharia
moderna, a escola de Zurique em 1854.
Nos Estados Unidos, a primeira escola foi a Academia Militar de West Point em 1794,
incendiada dois anos depois e somente reabrindo em 1802;
1824 – Reasselaer Polytechnic Institute;
1865 – MIT – Massachusestts Institute os Technology;
1905 – Carnegie Institute of Technology;
1919 – California Institute of Technology .

2.8 A ENGENHARIA MECÂNICA NO BRASIL


Início com a construção das primeiras casas dos colonizadores e em seguida as obras de
defesa, como muros e fortes. Entre 1648-1650 foi contratado o holandês Miguel Timermans
para ensinar sua arte e sua ciência.
1810 – fundação da Academia Real Militar, primeira escola de engenharia do Brasil;
1823 – um decreto permite a matrícula de alunos civis;
1874 – criação da Escola Politécnica do Rio de Janeiro;
1876 – criação da Escola de Minas de Ouro Preto;
1893 – Politécnica de São Paulo;
1896 – Politécnica do Mackenzie College;
1896 – Escola de Engenharia do Recife;
1897 – Politécnica da Bahia e a Escola de Engenharia de Porto Alegre;
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Cap. 3 Conquistas da
Engenharia Mecânica
3.1 AUTOMÓVEL
O desenvolvimento e a comercialização dos automóveis foram considerados os mais
importantes na E.M do século XX. Fatores responsáveis pelo crescimento da tecnologia
automotiva:
 Motores leves de alta potência;
 Processos eficientes para a fabricação desses motores em massa;
 Nicolaus Otto (alemão)- primeiro motor eficiente de combustão interna de quatro
tempos. Principal motor utilizado como fonte de energia para a maioria dos
automóveis.
A competição no mercado de automóvel levou:
 Avanços na área de segurança;
 Economia de combustível;
 Conforto;
 Controle de emissão de poluentes.
As mais recentes tecnologias:
 Veículos híbridos movidos a gás e eletricidade;
 Freios com dispositivo que evita travamento;
 Pneus de esvaziamento limitado;
 Airs-bags;
 Amplo uso de materiais compostos;
 Sistema de controle computadorizado de injeção de combustível;
 Sistema de navegação por satélite;
 Variável de válvulas;
 Células de combustível;
 Produção de automóvel;
 Constitui a maior indústria manufatureira dos USA;
 Cerca de 1 milhão de pessoas empregadas;
 Gerou 345 bilhões de dólares para a economia em 1999;
 Criações de minivans a carros esportivos e de luxo;
 O automóvel é uma das maiores contribuições da E.M. e exerce influência na
nossa sociedade e cultura.
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3.2 PROGRAMA APOLLO


Escolhido como uma grande conquista do século XX
 Em 1961, o presidente John Kennedy desafiou os USA a enviarem o homem a lua .
 A primeira parte foi realizada em menos de 10 anos mais tarde, quando Apollo 11
pousou na superfície da Lua em 20 de julho de 1969.
Tripulação:
 Neil Armstrong
 Michael Collins
 Buzz Aldrin
O programa Apollo baseou-se em 3 desenvolvimentos principais da Engenharia:
 O grande veículo espacial de três estágios, Saturn V, que produziu um empuxo da
ordem de 7,5milhões de libras força na decolagem;
 O módulo de comando e serviço
 O módulo de excursão lunar (foi o primeiro veiculo projetado para voar)
O programa Apollo é uma combinação de :
 Avanços tecnológicos
 Espírito de exploração
 Patriotismo.
Primeiro voo motorizado se deu em 1903 por Wilbur e Orville (mecânicos de bicicletas) em
Dayton-Ohio, declaram ter feito o voo com a duração de 12 seg. e 120 pés percorridos, após
66 anos o homem pisou na lua.
Alberto Santos Dumond, brasileiro, nasceu em 20 de julho de 1873, cidade de Palmira, atual
Santos Dumond em Minas Gerais, projetou, construiu e pilotou um avião motorizado
chamado 14 bis em 23 de outubro de 1906, o primeiro voo autônomo do mundo alcançando
uma distancia de 60 m , com duração de 7 seg.

Fig.: Chegada do homem à Lua foi uma das consequências do Programa Apollo.
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3.3 GERAÇÃO DE ENERGIA


Um aspecto da EM envolve projetar máquinas que convertem energia de uma forma em
outra, gera o aprimoramento no padrão de vida de bilhões de pessoas ao redor do globo
com:
 Crescimento econômico
 Prosperidade
 Geração de energia elétrica
Engenheiros mecânicos desenvolvem tecnologias eficientes para converter varias formas de
energia armazenada em eletricidade das seguintes formas:
 Manipulam a energia química armazenada em elementos combustíveis como
carvão, o gás nuclear em usinas elétricas, navios, submarinos e aeronaves;
 Utilizam a energia potencial dos reservatórios de água, que alimentam as
hidroelétrica.
Questões ligadas a geração de energia:
 Custo do combustível
 Custo das construções de estações e usinas de eletricidade
 As emissões de poluentes e o impacto potencial sobre o meio ambiente
 Confiabilidade e segurança permanentes
 Tecnologias avançadas tais como energia solar, dos oceanos e eólica.

Fig.: Parque Eólico de Sines.


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3.4 MECANIZAÇÃO NA AGRICULTURA


A mecanização da agricultura deu-se através:
 Abandono da tração animal para mecanização;
 Introdução de tratores em 1916 ;
 Desenvolvimento de colhedeiras para simplificação do processo de colheita de
grãos;
 Máquinas para realizarem colheitas automatizadas no campo sem intervenção
humana;
 Observações e provisões das condições metrológicas;
 Bombas de irrigação de alta capacidade;
 Ordenhadeiras automatizadas;
 Banco de dados informatizados para a gestão de colheitas e controle de praga.

3.5 O AVIÃO
Avião comercial de passageiros – viagens para fins comerciais e recreativos e viagens
internacionais. Exploradores e colonizadores do passado levavam:
 6 meses para cruzar a América do Norte em carros de tração animal;
 2 meses com barco a vapor, diligências e trem cerca de 4 dias.

Os aviões antigos eram movidos por motores a explosão movidos por pistões, em contraste,
os motores da General Electric Corporation, que movimentam alguns aviões Boeing 777
podem desenvolver um empuxo máximo de 100.000 lbf.

Fig.: Homem faz pose em turbina de avião.


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3.6 PRODUÇÃO EM MASSA DE CIRCUITOS INTEGRADOS


A indústria de computadores eletrônicos desenvolveu tecnologias notáveis para circuitos
integrados, chips de memória de computadores, microprocessadores.
O processador de ótima qualidade 8008, vendido inicialmente pela Intel Corporation em
1972, possuía 2500 transistores. O processador 386TM, disponível nos anos 1980, havia 275
mil transistores. O microprocessador Pentium 4 introduzido em 2001 existiam mais de 40
milhões de transistores. Outro Microprocessador da Intel, o Core i7 lançado em 2008 tem 731
milhões deles.

Fig.: Processador Core i7 da Intel.

3.7 CONDICIONAMENTO DE AR E REFRIGERAÇÃO


O calor excessivo sempre constitui um problema social não somente no ponto de vista de
conforto, mas também de suas implicações econômicas em razão da baixa produtividade,
deterioração de alimentos, urgências médicas. Em uma onda de calor recorde na Europa
durante o verão de 2003, mais de 10.000 pessoas, muitos idosos, morreram na França.
Aplicação dos princípios da transmissão de calor e conversão de energia:
 Projetar sistemas de refrigeração que preservam e armazenam alimentos na sua
fonte durante o transporte e nos lares.
 Produção sazonal é armazenada no estado fresco, os consumidores não
precisam comprar frios com a preocupação de que iram estragar se não forem
consumidos logo.
 Sistema de refrigeração estão disponíveis desde os anos 1880 limitando-se a
cervejarias, frigoríficos, fábricas de gelo e laticínios
 O desenvolvimento do fréon, em 1930 foi o marco na comercialização de
refrigeradores e aparelhos de ar condicionado domésticos seguros.
 Uso do fréon foi substituído por compostos químicos seguros que não contem
clorofluorcarbonos, que agora, sabemos, deterioram a camada protetora de
ozônio na Terra.
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3.8 TECNOLOGIA DA ENGENHARIA AUXILIADA POR COMPUTADOR


O termo EAC refere-se a uma ampla gama de tecnologias de automação aplicada a EM e
inclui o uso de computadores para realizar cálculos, desenhos técnicos, simular
desempenhos, controlar maquinas e ferramentas nas fábricas.
Os engenheiros mecânicos não projetam a arquitetura de um computador, mas o utilizam
como atividade meio, pois tem acesso a softwares avançados.
A automação teve inicio no começo dos anos de 1950 sendo primeiramente utilizada para o
desenvolvimento dos sistemas aeroespaciais e de defesa.
O Boeing 777 foi o primeiro avião comercial desenvolvido por um processo de desenho
auxiliado por computador (1990) e tem aproximadamente mais de 3 milhões de componentes.
Projetistas foram capazes de visualizar o encaixe de cada peca em um ambiente virtual,
através de simulação, antes de serem produzidas. O resultado foi que poucos testes com
protótipos e modelos e os aviões foram colocados no mercado, com menor prazo e de modo
mais econômico.

3.9 BIOENGENHARIA
A bioengenharia utiliza campos tradicionais da Engenharia com as ciências biológicas e a
medicina para resolução de problemas que ocorrem nos sistemas biológicos e envolvendo
avanços na área médica e a saúde do futuro.
Objetivos:
 Criar tecnologias para expandir as industrias farmacêuticas e médica incluindo a
descoberta de medicamentos;
 O projeto genoma;
 Imagens por ultrassom;
 Juntas artificiais para próteses;
 Marca-passos cardíacos;
 Válvulas cardíacas artificiais;
 Cirurgia auxiliada por robôs;
 Cirurgia a laser;
 A iridectómica a laser, os engenheiros simulam a temperatura do olho durante a
cirurgia.
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3.10 CÓDIGOS E NORMAS TÉCNICAS


Os produtos devem conectar-se e serem compatíveis com equipamentos e máquinas
desenvolvidos por outros profissionais.
Uma das funções dos códigos e normas técnicas é especificar as características físicas das
peças mecânicas, a fim de que outras pessoas possam compreender claramente sua
estrutura e operação.

3.11 OPÇÕES DE CARREIRA


 Projetista
 Pesquisadores
 Gestores de tecnologia para empresas que variam em tamanho
 Processos mecânicos de precisão
 Detalhes de produção diária
 Administração de negócios e cargos de direção

3.11.1 ENGENHEIRO SÊNIOR


Desenvolvimento tecnológico (área técnica)

 Engenheiro de equipe
 Engenheiro chefe
 Membro do conselho superior

Desenvolvimento empresarial (área administrativa)

 Engenheiro de projeto
 Gerente de engenharia
 Diretor técnico

Programa típico de estudo:


 Cursos de matérias gerais em humanas, ciências sociais e artes
 Cursos preparatórios em matemática, ciência e programação de computadores
 Cursos fundamentais da engenharia mecânica
 Cursos eletivos sobre tópicos especializados de seu particular interesse
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Cap. 4 Habilidade de
Resolver Problemas
4.1 OBJETIVOS
 Conceitos fundamentais dos sistemas de unidades;
 Conversão entre esses sistemas;
 Procedimento usado para verificar a coerência dimensional.

4.2 VALORES ENCONTRADOS NA ENGENHARIA MECÂNICA:


Forca, torque, condutividade térmica, tensão de corte ou cisalhamento, calor específico, vis-
cosidade do fluido, módulo de elasticidade, energia cinética, número de Reynolds, ....
Estes valores só fazem sentido quando se compreende a utilização desses valores quando
se fizer cálculos ou tiver de explicar resultados.
Cada valor encontrado na EM possui dois componentes: um valor numérico e uma dimensão.
Além das questões de dimensão os engenheiro devem obter respostas numéricas para as
questões:
 Qual é a força?
 Qual é o peso?
 Qual é a temperatura?
Geralmente em face de informações incertas e incompletas. No início de um projeto, a for-
mas e o tamanho são desconhecidos. Apenas estimativas aproximadas sobre as forças que
atuam em uma estruturam talvez estejam disponíveis. Os valores exatos nunca são conheci-
dos e sempre haverá variações entre as amostras dos materiais. Os engenheiros mecânicos
utilizam então:
 O bom senso;
 A experiência;
 A intuição;
 O conhecimento das leis físicas para obter respostas por meio de um processo
chamado de aproximação de ordem de magnitude.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 24

4.2 QUALIDADES NECESSÁRIAS PARA RESOLVER PROBLEMAS:


 Proficiência em utilizar números;
 Sistemas de unidades;
 Conversões;
 Dígitos significativos;
 Aproximações;
 Sistemas e conversões de unidades;
 Sistema Internacional de Unidades (SI);
 Sistema Norte-Americano;
 Unidades de base e Derivadas (adota-se também unidades básicas e secundárias).
Exemplo de unidades de base:
Para distâncias é o metro (m) no SI e o pé (ft) no AS.
Exemplo de Unidades derivadas:
A velocidade (distância/tempo), que é a combinação das unidades de base,
O litro que equivale a 10³m³ que é uma derivada para volumes no SI.
A milha equivale a 5280 fts é uma unidade derivada para distância no sistema AS.

4.3 UNIDADES NO SISTEMA INTERNACIONAL (SI)


Unidades base do SI
Distância Metro (m)
Massa Quilograma (Kg)
Tempo Segundo (s)
Temperatura Kelvin (K)
Corrente elétrica Ampère (A)
Quant. de uma substância mol (mol)

Unidades derivadas no SI
Comprimento Micrometro (10-6m)
Volume Litro (10-3m)
Força Newton 1N= 1(kg.m)/s2
Torque, momento de uma força Newton-metro (N.m)
Pressão ou tensão Pascal 1Pa=1N/m2
Potência Watt 1w=1 J/s
Temperatura Grau Celsius °C= K – 273,15
Energia, trabalho ou calor Joule 1J=1N.m
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 25

4.4 UNIDADES NO SISTEMA AMERICANO (SA)

Unidades base do SA
Distância pé pé (ft)
Força libra (lb)
Tempo segundo (s)
Temperatura Graus Rankine °R
Corrente elétrica ampère (A)
Quant. de uma substância mol (mol)

Unidades derivadas no SA
Milésimo de polegada 1 mil = 0,001 pol
Distância Polegada 1 pol= 0.0833 pé
Milha 1 mi = 5280 pés
Volume galão 1 gal = 0,1337 pé³
Massa slug 1slug = 1 (lb.s2)/pé
Onça 1N= 1(kg.m)/s²
Força
Tonelada 1 t= 2000lb
Torque, momento de uma força Pé- libra
Pressão ou tensão Libra/polegada² 1 psi = 1 lb/pol²
Potência Horse-power 1 HP = 550 (pé.lb)/s
Temperatura Grau Celsius °C= K – 273,15
pé-libra -
Energia, trabalho ou calor
Unidade térmica britânica (Btu) 1 Btu = 778,2 pé.lb

Observação:

Correto Errado

Km (quilômetro) Km, Kms, kms

l (litro) Lts, L, Ls

s (segundo) seg, S, segs.

mm (milímetro) m/m, mms, M/M

g (grama) grs, G, gs

t (tonelada) ton, tons, ts

h (hora) Hs, hs, H


FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 26

4.5 ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS


É aquele conhecido como correto e confiável à luz da imprecisão presente nas informações
fornecidas, de quaisquer aproximações feitas ao longo do caminho e da própria mecânica de
cálculo.
Regra: o último algarismo significativo na sua resposta a um problema deve ter a mesma or-
dem de magnitude que o último algarismo significativo dos dados apresentados no problema.

Exemplo na Prática: Imagine que um engenheiro registre em suas anotações sobre um proje-
to que a força que atua sobre o rolamento do motor de acionamento de um disco rígido provo-
cada por desbalanceamento rotacional seja 43,01 mN.
Essa informação significa que a força esta próxima de 43,01mN do que 43,00mN ou 43,02mN.
O valor 43,01 mN e seu número de algarismos significativos representam os valor físico real
da força pode ser encontrado em qualquer lugar entre 43,005 e 43,015mN. A precisão agora
é de +/- 0,005mN.

4.6 ESTIMATIVAS NA ENGENHARIA


Os engenheiros fazem aproximações razoáveis para que os modelos matemáticos sob analise
se tornem mais simples e conduzem a um resultado que demonstre precisão necessária para
realização da tarefa. Como algumas imperfeições e incertezas sempre estarão presentes nas
maquinas e equipamentos do mundo real, os engenheiros geralmente fazem estimativas da
ordem de magnitude . Ordem de magnitude significa que as quantidades consideradas nas
estimativas (e na resposta final) são exatas para um fator , digamos 10.

Exemplo na Prática: A força suportada por uma conexão parafusada é 1000lb, indicando que
a força provavelmente não será tão pequena como 100lb, nem tão grande quanto 10.000lb,
mas certamente poderia ser 800 lb ou 3000lb.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 27

Cap. 5 Utilização de
um Modelo
Em geral, é impraticável a solução de um problema de engenharia considerando todos os
aspectos fenomenológicos do processo. A simplificação da realidade é uma necessidade em
face às limitações nos conhecimentos, nos prazos e recursos disponíveis para a execução
dos projetos. De um modo geral, quanto maior a simplificação do problema, mais acessível
se torna sua solução, porém o desvio em relação à realidade se torna maior. A modelagem
depende da experiência e do nível de conhecimento do engenheiro.

5.1 TURBINAS À GÀS


Teoricamente, turbinas a gás são extremamente simples. Elas têm três partes:
 Compressor: comprime o ar de admissão por alta pressão;
 Câmara de combustão: queima o combustível e produz gás com alta pressão e alta
velocidade;
 Turbina: extrai energia do gás a alta pressão e alta velocidade vindo da câmara de
combustão.
A figura seguinte mostra o esquema de uma turbina a gás de fluxo axial - o tipo de motor
que aciona o rotor de um helicóptero, por exemplo.

Fig.: Turbina à gás de fluxo axial.

5.1.1 Introdução à turbina à gás


É difícil não notar os enormes motores dos jatos comerciais. Na maioria deles os motores
são turbinas a gás, do tipo turbofan. Turbinas a gás podem ter várias aplicações. Por exem-
plo, em muitos helicópteros, em usinas termoelétricas de pequeno porte e mesmo no tanque
M-1 (em inglês).
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 28

Exemplo: Projeto de turbina a gás


Os aspectos principais a serem cuidados são: segurança, custo e eficiência. Antes da constru-
ção e teste, é necessário partir da solução de um sistema físico que se aproxime tanto quanto
possível da realidade. Conhecimentos necessários: processos de fabricação, materiais, mecâ-
nica estrutural, termodinâmica, combustão, mecânica dos fluidos, máquinas de fluxo, transfe-
rência de calor.

5.1.2 Turbina a vapor


Muitas usinas utilizam carvão, gás natural, óleo ou um reator nuclear para produzir vapor. O
vapor passa por uma enorme turbina multi-estágio, cuidadosamente projetada para girar um
eixo, que aciona o gerador da usina.

5.1.3 Turbina de água


Represas hidroelétricas usam turbinas de água da mesma maneira para gerar força. As turbi-
nas usadas em uma usina hidroelétrica parecem completamente diferentes de uma turbina a
vapor porque a água é muito mais densa (e se move mais lentamente) do que o vapor, mas o
princípio é o mesmo.

5.1.4 Turbina de Vento


Turbinas de vento, também conhecidas como moinhos de vento, utilizam o vento como sua
força motriz. Uma turbina de vento não se parece nada com uma turbina a vapor ou uma turbi-
na de água porque o vento é mais lento e mais leve, porém, novamente, o princípio é o mes-
mo.

Turbina a Vapor Turbina de água Turbina de Vento


FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 29

5.2 CLASSIFICAÇÃO DOS MODELOS


 Icônico
 Diagramático
 Físico-matemático
 Representação gráfica

5.2.1 Modelo Icônico


Representa fielmente o sistema físico modelado. Os modelos podem ser bi ou tridimensionais,
preservando fielmente as proporções e formas que se pretende representar.
 Modelos bidimensionais: fotografias, desenhos em detalhe;
 Modelos tridimensionais: maquetes.
Modelos tridimensionais podem ser utilizados em laboratório para a obtenção de resultados
que podem ser aplicados a sistemas reais, com dimensões muito maiores, valendo-se das re-
lações de escala do processo físico.

Fig.: Modelo icônico do fusca.

5.2.2 Modelo Diagramático


O sistema físico é representado por um conjunto de linhas e símbolos representando a estru-
tura e o comportamento do sistema físico. Existe pouca semelhança física entre o modelo e
seu equivalente real. A grande vantagem é a facilidade de representação, eliminando os deta-
lhes de menor importância. A simplificação, porém, permite que apenas aqueles que conhe-
cem o assunto possam interpretá-lo corretamente. Na solução de problemas de engenharia,
recomenda-se sempre que possível a preparação de um modelo diagramático do processo.
5.2.3 Modelo Físico-matemático
Projetos geralmente envolvem um processo iterativo: após a proposição de uma solução, ela é
avaliada para se verificar se as especificações são atendidas, repetindo-se o processo até se
chegar a uma solução satisfatória. Isso depende de modelos matemáticos do sistema físico, a
partir dos quais o projeto proposto é avaliado. Por mais sofisticados que sejam, os modelos
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 30

matemáticos baseiam-se na idealização do processo físico. A arte da modelagem matemática


consiste em simplificar o problema de modo a se obter uma solução compatível com os recur-
sos disponíveis, porém sem perda da qualidade do resultado. Algumas características são:
 Ciclo aberto é tratado como um ciclo fechado do tipo Brayton;
 Não há transferência de calor da turbina para o meio externo;
 O atrito entre as partes em movimento é desprezível;
 O ar, o combustível e a mistura resultante da combustão se comportam como uma
mistura de gases ideais;
 A queda na pressão (perda de carga) é nula na câmara de combustão;
 As propriedades termo físicas são conhecidas com exatidão.

5.2.4 Representação Gráfica


Engenheiros primam pela comunicação através de gráficos. Atra-
vés desta técnica, o comportamento físico de um processo é apre-
sentado através de curvas uni, bi e tridimensionais. Com frequên-
cia, dados para a solução de problemas são extraídos de gráficos,
que devem se apresentados do modo mais preciso, incluindo as
unidades das grandezas envolvidas.
Fig.: Processo idealizado no compressor (1-2) e na turbina (3-4):
sem transferência de calor e atrito. (entropia constante). Processo
isobárico na câmara de combustão (2-3) e na rejeição de calor (4-
1). (pressão constante)

Exemplo 1:

Fig.: Acoplamento entre modelos


FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 31

Exemplo 2:

Fig.: Modelo de escoamento de uma asa.


FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 32

Cap. 6 Força Aplicada à


Estrutura de Máquinas
6.1 OBJETIVOS
 Dividir uma força em seus componentes retangulares e polares;
 Determinar a resultante de um sistema de forças usando os métodos de álgebra vetorial;
 Compreender os requisitos para o equilíbrio e ser capaz de calcular forças desconheci-
das em estruturas e máquinas simples;
 Do ponto de vista do projeto, explicar as circunstâncias nas quais se escolhe um tipo es-
pecial de rolamento e calcular as forças que atuam sobre tais corpos.

6.2 VISÃO GERAL


Os Engenheiros Mecânicos aplicam princípios da matemática e da física para projetar melhor
e mais rapidamente maquinas e equipamentos. Reduzem tempo e os custos associados com
a construção e teste de protótipos antes da construção de qualquer peça. Programas de pro-
jetos auxiliados por computador aumentam ainda mais o nível de sofisticação disponível para
se analisar um projeto e de terminar se ele vai funcionas. O processo de analise de forças é o
primeiro passo dado pelos engenheiros para determinar se uma peça que compõe o equipa-
mento ira operar de modo confiável

6.3 NECESSIDADE DO ENGENHEIRO MECÂNICO


O engenheiro mecânico necessita compreender o funcionamento interno das maquinas e
equipamentos mecânicos, tomando-se em conta o ponto de partida os rolamentos. Entre as
dez principais realizações da Engenharia Mecânica esta o trabalho principal dos engenheiros
mecânicos em construir maquinas que funcionem, sejam úteis e contribuam de alguma forma
para melhorar a sociedade. Seleciona resistores, capacitores e transistores produzidos em
serie para compor seus circuitos, possuem a intuição para determinar rolamentos, eixos, en-
grenagens, correias e outros componentes mecânicos.

6.4 FORÇA EM COMPONENTES RETANGULARES E POLARES


Antes que possamos determinar a influência das forças sobre uma estrutura ou uma máquina,
precisamos descrever a magnitude e direção da força. A análise será restrita às situações nas
quais todas as forças presentes atuam no mesmo plano. As forças são quantidades vetoriais,
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 33

uma vez que sua ação física envolve tanto a direção quanto a magnitude. A magnitude de
uma força é medida pro meio de dimensões de libras (lb) ou onças (oz, no SNA) e Newtons
(N) no SI.
Fatores de conversão entre as unidades SNA e SI para Força :

lb oz N
1 16 4,448

0,0625 1 0,2780

0,2248 3,597 1

Tab.: Tabela de conversão entre unidades SNA e SI

Representação do vetor de uma força em termos de suas componentes retangulares e pola-


res:

Fig.: Decomposição de força

Quais são os componentes retangulares e os componentes polares?

6.4.1 Resultante de várias forças


Um sistema de forças é um conjunto de várias forças que atuam simultaneamente sobre uma
estrutura ou máquina. Para encontrar tais forças ou componentes podemos utilizar dos méto-
dos:
 Método de álgebra linear
 Método do polígono vetorial

Fig.: Conjunto de forças atuando em um ponto


FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 34

Cap. 7 Propriedade
Mecânica dos Materiais
7.1 OBJETIVOS
A importância de conhecer as propriedades mecânicas dos materiais é a de poder identificar
as circunstâncias nas quais um componente mecânico sofre tração, compressão ou cisalha-
mento e calcular a tensão presente. Desenhar uma curva de tensão-deformação e usá-la para
descrever como um material reage as cargas aplicadas sobre ele. Explicar o significado das
propriedades dos materiais conhecidas como módulo de elasticidade e resistência ao escoa-
mento. Compreender as diferenças entre as reações elásticas e plásticas dos materiais e en-
tre os comportamentos dúcteis e frágeis. Considerar algumas propriedades e aplicações dos
metais e suas ligas das cerâmicas, dos polímeros e materiais compostos. Aplicar o conceito
de fator de segurança para projetar componentes mecânicos sujeitos aos esforços de tração e
de cisalhamento.

7.2 RESPONSABILIDADES DO ENGENHEIRO MECÂNICO


Projetar máquinas e equipamentos de modo que não se quebrem quando utilizados, suportan-
do de modo confiável e seguro as forças que atuam sobre ele. O cálculo das magnitudes e di-
reções da forças não é suficiente para determinar quão forte será a peça de um equipamento
para não falhar. Além do cálculo da forças existe o envolvimento das dimensões da peça e
das propriedades do material. Resistência do material descreve sua capacidade de resistir à
tensão aplicada sobre ele e de suportá-la. Quando ocorre falhas de um projeto: É necessário
combinar conhecimento de forças, os materiais e as dimensões para aprender com as falhas
ocorridas e melhorar e desenvolver o projeto da nova peça. O uso dos termos falhar ou falha
não significa apenas que o equipamento não quebrará. Um componente mecânico quando
chega a se quebrar, esticar ou entortar , não dependem apenas das forças a serem aplicadas
sobre eles. Quando a resistência é maior que a tensão presen-
te, esperamos que o componente de máquina seja capaz de
suportar as forças sem que ocorra dano.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 35

7.3 ÁREAS DA ENGENHARIA MECÂNICA


Relacionamento dos tópicos enfatizados no contexto do programa geral de estudo da enge-
nharia Mecânica:

7.4 TRAÇÃO E COMPRESSÃO


d2
A
4
Uma barra reta é esticada e colocada sob tração.

L
d  d
L
Contração ou expansão de uma seção transversal é o coeficiente de Poisson;

F
 
A
Comportamento elástico dos materiais;
Comportamento plástico dos materiais;
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 36

F- força interna distribuída sobre a área da seção transversal da barra.

a) Uma barra que foi distendida;


b) Uma seção cortada da barra para expor a força interna;
c) A tensão de tração distribuída ao longo da seção transversal da barra.

 Tração 0
 Compressão   0
 Pressão interna de um líquido ou gás, a tensão é interpretada como uma força distribuí-
da em uma área.
 Unidades de tensão e pressão:
 SI (1 Pa = 1 N/m2) e no SNA (1 psi = 1 lb/in2)
 Tensão se relaciona à intensidade da aplicação de uma força
 Deformação mede o valor de distensão da barra.

L
Alongamento por unidade de comprimento 
L

7.5 COMPORTAMENTO DOS MATERIAIS


Em geral, para um determinado nível de força cada barra seria alongada por um valor diferen-
te por causa das variações de diâmetro e comprimento. Para cada barra teremos:
F  kL
K- parâmetro de rigidez
  E
Lei de Hooke, cientista britânico Robert Hooke em 1678.
O módulo de elasticidade de um material está relacionado à resistência de suas ligações E
aço= 210GPa E alumínio= 70GPa.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 37

Curva tensão deformação idealizada ao aço estrutural:

Exemplo Prático: Distensão de uma barra


Uma barra cilíndrica é feita de liga de aço e possui as características de tensão-deformação
mostradas na figura: quando a barra é submetida a uma tração de 3500lb(aproximadamente o
peso de uma automóvel sedan), calcular a tensão e deformação apresentadas pela barra, o
valor da distensão da barra, a rigidez da barra.

7.6 MATERIAIS UTILIZADOS NA ENGENHARIA


 Metais e suas ligas
 Cerâmica
 Polímeros
 Materiais compostos
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 38

Exemplo Prático: Os automóveis


50% a 60% de aço na sua estrutura, no motor e nos componentes das partes móveis;
5% a 10% de alumínio nos componentes do motor e da carroceria;
10% a 20% de plásticos utilizados para componentes internos e esternos;
A fração restante inclui os vidros para as janelas, chumbo para bateria, borracha para pneus e
outros materiais.

7.6.1 Metais e suas Ligas


São materiais relativamente rígidos e pesados o que isto significa que a densidade e elastici-
dade são valores elevados. A resistência aumenta com tratamento térmicos e mecânicos e
por adição de ligas. Os metais são boas alternativas para estruturas e máquinas que supor-
tam grandes forças. Do ponto de vista negativo, são suscetíveis a corrosão e como conse-
quência podem deteriorar e perder a resistência com o tempo.

Características atraentes dos metais


 Muitos métodos de fabricação, moldagem e fixação;
 Fundição: o metal liquido é derramado em um molde, resfriado e solidificado;
Ex.: rotores de freios e os suportes do motor de automóveis;
 Os metais incluem ligas de aço, alumínio, titânio e cobre;
 Aço, o composto principal é o ferro, com pequenas frações de carbono, manganês, ní-
quel, cromo e molibdênio.

7.6.2 Cerâmica
Utilizada pela indústrias automotiva, aeroespacial, eletrônica, telecomunicações, informática e
médica em aplicações que demandam altas temperaturas, exposição a corrosão, isolamento
térmico e resistência ao desgaste. Produzida pelo aquecimento de elementos minerais encon-
trados na natureza e que são tratados quimicamente em forno para formar um componente
mecânico rígido. Característica importante da cerâmica é o fato dela suportar temperaturas
extremas e proporcionar isolamento térmico a outros componentes adjacentes.

Exemplo Prático: a cerâmica é utilizada como revestimento que proporciona uma barreira tér-
mica que protege as hélices de turbinas das altas temperaturas desenvolvidas no interior dos
motores a jato. Os foguetes utilizam dezenas de milhares de placas leves de cerâmica para
isolar a sua estrutura das temperaturas que atingem 2300ºF durante a entrada da nave na ór-
bita da Terra. Exemplos de cerâmicas: silício, alumina, carboneto de titânio. Utiliza-se em:
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 39

 Escapamento e no catalisador de automóveis.


 No drive de discos rígidos de computadores para sustentar os cabeçotes de gravação
acima da superfície dos discos giratórios.
 Reparação ou substituição de quadris, joelhos, dedos, dentes e válvulas cardíacas defei-
tuosas do ser humano.
 Um dos poucos materiais que podem suporta o ambiente corrosivo do interior do corpo
humano

7.6.3 Polímeros:
São moléculas gigantes formadas de cadeias longas de moléculas menores comparadas a
blocos de construção.
Tipos de polímeros: plásticos e elastômeros

7.6.4 Materiais Compostos


Resulta da mistura de vários materiais diferentes, geralmente formado por dois componentes:
a matriz é um material relativamente dúctil .
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 40

Cap. 8 Engenharia
dos Fluidos
8.1 OBJETIVOS
Reconhecer a aplicação dos fluidos pela engenharia em diversos campos, sistemas de tubu-
lações como a aerodinâmica e a engenharia médica, a engenharia dos esportes. Explicar em
termos técnicos as diferenças entre um sólido e um fluido, e o significado físico das proprie-
dades de densidade e viscosidade de um fluido. Compreender as características dos fluxos
laminares e turbulentos dos fluidos. Determinar as magnitudes das forças fluidodinâmicas
conhecidas como a flutuação, o arrasto e a sustentação em determinadas aplicações. Anali-
sar a vazão e a queda de pressão de fluidos no interior de tubos.

8.2 VISÃO GERAL


8.2.1 Classificação dos fluidos
Os fluidos são classificados como líquidos e gases. Divide-se em duas áreas:
 Estática: O cálculo da pressão e a força de flutuação dos fluidos que atuam sobre ob-
jetos estacionários incluindo navios, tanques e barragens.
 Dinâmica dos fluidos: O comportamentos dos líquidos ou dos gases quando estão
em movimento ou quando o objeto se move através de fluido.

8.2.2 A hidrodinâmica e a Aerodinâmica


São especialidades que se encontram nos movimentos da água e do ar. Abrangem não
apenas os projetos de veículos de alta velocidade, mas também os movimentos dos ocea-
nos e da atmosfera.

8.2.3 Modelos computadorizados


Movimento da partículas poluentes no ar, previsões aperfeiçoadas das condições climáticas
e precipitação de gotas de chuva e granizos.

8.2.4 Engenharia Biomédica


Dispositivos que aplicam remédios mediante a inalação de vapores e o fluxo do sangue nas
artérias e veias.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 41

8.2.5 Área micro fluídica


Avanços na pesquisa do genoma e na descoberta de novos medicamentos. Desenvolvimento
de laboratórios em um chip, capazes de realizar diagnósticos químicos e médicos explorando
as propriedades dos fluidos em escalas microscópicas.

8.3 PROPRIEDADES DOS FLUIDOS


Os engenheiros utilizam ferramentas informatizadas para diminuir a resistência do vento:
 Na economia de combustíveis dos automóveis;
 Nos projetos de bola de golfe capazes de percorrer uma distancia mais longa;
 No Auxílio de esquiadores, ciclistas, maratonistas e outros atletas a aperfeiçoarem seu
desempenho.

8.4 O QUE É UM FLUIDO?


Químicos classificam os materiais de acordo com suas estruturas atômicas e químicas no
contexto da tabela periódica. Um engenheiro elétrico talvez reúna os materiais de acordo com
o modo como reagem a eletricidade, como condutores, isolantes ou semicondutores. Um en-
genheiro mecânico classificam as substâncias como sólidos ou fluidos, a diferença esta no
comportamento quando submetidos a forças.

8.4.1 Fluido
É uma substância incapaz de resistir a força de cisalhamento sem se mover continuamente ,
não importa quão pequeno seja, qualquer valor de tensão de cisalhamento aplicado a um flui-
do fará com que ele se mova e continuará até que a força seja removida.

8.4.2 O Líquido
Em sistemas hidráulicos que controlam os comandos de voos de uma aeronave, os equipa-
mentos pesados de construção e os freios de automóveis derivam as suas forças da pressão
transmitida pelo fluido hidráulico líquido para os pistões e outros mecanismos de acionamen-
to. Outros líquidos: água, óleo, a gasolina e os líquidos de refrigeração.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 42

Um gás pode ser facilmente comprimido, e quando for este o caso o que acontece com a sua
densidade e pressão?
Exemplo prático: gases como o propano, nitrogênio, hidrogênio e ar.

Qual é a diferença primária entre um líquido e um gás?


Uma camada de óleo é cisalhada entre a placa móvel e uma superfície estacionária.
Uma camada de fluido também é cisalhada entre duas superfícies.
Exemplo: aquaplanagem.

A força aplicada F é equilibrada pela resultante da tensão de cisalhamento exercida pelo fluido
sobre a placa. F
 
A

8.5 VISCOSIDADE
É a propriedade de um fluido que lhe permite opor-se a força de cisalhamento pelo desenvolvi-
mento de um movimento em regime estacionário. Propriedade física de todos os gases e flui-
dos. Mede a aderência, o atrito ou a resistência de um fluido.

8.5.1 Fluido newtoniano


É um fluido em que cada componente da tensão cisalhante é proporcional ao gradiente de ve-
locidade na direção normal a essa componente. A constante de proporcionalidade é a viscosi-
dade dinâmica. A tensão é diretamente proporcional à taxa de deformação.
Exemplo prático: água, ar, óleos.
v
 
h
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 43

8.5.2 Fluido não-newtoniano


É um fluido cuja viscosidade varia de acordo com o grau de deformação aplicado. Como con-
sequência, fluidos não-newtonianos podem não ter uma viscosidade bem definida. A viscosi-
dade de tais fluidos não é constante.

8.6 PRESSÃO E FORÇA DE FLUTUAÇÃO


Forças de flutuação ou empuxo: está relacionada ao peso do fluido que é deslocado e se de-
senvolve quando um objeto simplesmente está imerso em um fluido.

O equilíbrio de um tubo cheio de líquido onde o equilíbrio de forças da coluna do líquido mos-
tra que a pressão na profundidade 1 será:
p1  p0  gh

8.6.1 Valores de densidade e viscosidade

Para vários gases e líquidos as temperatura e a pressão ambiente:


1P= 0,1 kg/m·s
1cP= 0,01 P
1Pa= 1 N/m
V= volume do fluido que é deslocado pelo objeto;
ρ densidade do fluido.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 44

A força de flutuação agindo sobre um submarino submerso:

8.7 FLUXO LAMINAR E TURBULENTO DE FLUIDOS


8.7.1 Fluxo laminar
É um escoamento ordenado em camadas. Quando um fluido passa suavemente por um obje-
to, o fluxo de ar em torno de uma esfera (a).

8.7.2 Fluxo turbulento


É um escoamento aleatório (fluxo randômico). À medida que o fluido se move mais rapida-
mente pela esfera, o seu fluxo começa a ser alterado e se torna irregular, especialmente na
parte posterior da esfera. Pequenos redemoinhos e turbilhões se desenvolvem na parte poste-
rior da esfera, e o fluido atrás da esfera se torna severamente agitado por causa da presença
dela. (b)

Fluxo Laminar Fluxo Turbulento

8.7.3 Critério para classificação do fluxo


Critérios para determinar se um fluido se move em um padrão laminar ou turbulento
 Tamanho do objeto que se move atrás do fluido ou o tamanho do tubo ou duto no qual o
fluido escoa;
 A velocidade do objeto ou do fluido ;
 As propriedades de densidade e viscosidade do fluido;
 O número de Reynolds. Os parâmetros adimensionais, que agora são reconhecidos co-
mo as variáveis mais importante na Engenharia de Fluidos, foram descobertos para des-
crever essa transição.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 45

8.7.4 O número de Reynolds (Re)


é definido pela equação :
vl
Re 

O número de Reynolds possui a interpretação física como o coeficiente entre as forças de


inércia e forças viscosas que atuam no fluido. A primeira é proporcional à densidade
(Segunda lei de Newton). A segunda é proporcional a viscosidade, fluido que move rapida-
mente, não é muito viscoso ou é muito denso, o número de Reynolds será grande. A inércia
de um fluido tende a rompê-lo e fazer com que ele escoe de maneira irregular. O efeito da vis-
cosidade são semelhantes ao atrito e por dissiparem energia, podem estabilizar o fluido de
modo que ele escoe suavemente.

8.8 FORÇA DE ARRASTO


Quando os engenheiros projetam automóveis, aviões, foguetes e outros veículos, geralmente
precisam saber sobre a força de arrasto FD que resistirá ao movimento em alta velocidade pe-
lo ar ou pela água.

8.8.1 Coeficiente de arrasto


Quantifica a qualidade da aerodinâmica que um objeto deverá ter usado para calcular a quan-
tidade de resistência que o objeto enfrentará à medida que se movimentar através de um flui-
do (ou a medida que um fluido escoa em torno do objeto).

Força de flutuação: Desenvolve-se em fluidos estacionários


Força de sustentação: Surgem da movimentação relativa entre um fluido e um objeto sólido.
Dinâmica dos fluidos: É o comportamento geral dos fluidos em movimento e o movimento
dos objetos através destes fluidos.
FAACZ — APOSTILA DE INTRODUÇÃO A ENGENHARIA MECÂNICA 46

Para valores do número de Reynolds que podem abranger os fluxos tanto laminares quanto
turbulentos, a magnitude da força de arrasto é determinada pela equação:

1
F D Av2CD
2
ρ - densidade do fluido
A - área do objeto, que enfrenta o fluxo do fluido, é chamada área frontal
v- velocidade

Qual seria a força de arrasto exercida sobre um automóvel que viaja na metade da velocidade
de um outro automóvel?
A força de arrasto depende da velocidade relativa entre um fluido e um objeto
(a) O fluido passa por um a esfera estacionaria e cria força de arrasto F D
(b) O fluido agora está estacionário e a esfera se move através dele.
Coeficiente de arrasto de esferas lisas se altera como uma função do número de Reynolds
sobre a faixa de 0,1 < Re< 100.000

Coeficiente de arrasto de esferas lisas se altera como uma função do número de Reynolds
sobre a faixa de 0,1 < Re< 100.000
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FÓRMULAS ÚTEIS