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Roteiro - Encontro Querigmático

• Acolhida
A acolhida é de fundamental importância para os jovens que estão participando do encontro,
portanto, cabe aqueles que organizam, preparar uma acolhida bem afetuosa, onde o jovem se
sente valorizado por estar ali. O abraço, o sorriso são de fundamental importância para que os
jovens sintam a sua importância em estar naquele ambiente. A acolhida deve ser verdadeira e
espontânea. Nossos jovens precisam ser bem acolhidos em nossos encontros, eles precisam
sentir o acolhimento de Cristo, através do nosso.

• Animação
A música é de fundamental importância para o bom êxito dos encontros, é preciso um estilo
musical jovem, com bastante animação para os momentos propícios, mas também, bastante
interioridade para os momentos litúrgicos e de oração. É preciso ser comedido e sem
exageros. O bom senso e o equilíbrio são de fundamental importância. Para isso é preciso
oração e ensaio. Não se deve ter momentos de orações longos conduzidos pelos cantores,
após a animação já teremos a oração própria para cada fase da missão. As músicas a serem
cantatadas precisam ser bem escolhidas, não dever ter caráter intimista “entra na minha casa,
entra na minha vida...”, pelo contrário, precisam revelar o caráter comunitário da vivência da
fé. Os estilos podem ser intercalados não reduzindo o reportório somente as músicas da
renovação, devemos valorizar as letras de carater bíblico, afinal, a Palavra de Deus será o
centro dos nossos encontros.

• Invocação ao Espírito Santo


Deve sempre iniciar o encontro com a invocação ao Espírito Santo, é Ele quem pode fazer de
cada um de nossos jovens, corajosas testemunhas de Cristo. O Espírito Santo edifica a Igreja,
impelindo-a e recordando-lhe sua missão. Por isso, chama jovens para o serviço dela,
concededendo-lhes os dons necessários. É Ele que nos abre a Deus, ensinando-nos a rezar
e ajudando-nos a estar disponível para os outros. O Espírito nos introduz cada vez mais na
comunhão com o Deus Trino.

• Aclamação ao Evangelho
A proclamação do Evangelho deve ser sempre precedida por um canto de aclamação, através
dele os jovens acolhem o Senhor que vai falar no Evangelho, saúda-o e professa sua fé.

• Leitura do Evangelho (relacionado ao tema de cada encontro)


A Palavra de Deus será o centro do projeto Jovens em Missão, portanto, devemos ajudar os
jovens a ganharem confidência e familiaridade com a Sagrada Escritura, para que ela seja
como uma bússola que indica a estrada a seguir. Muitas vezes encontramos neles uma
abertura espontânea à escuta da Palavra de Deus e um desejo sincero de conhecer Jesus,
por isso devemos ter a coragem de anunciar explicitamente esta mesma Palavra. Afinal, o
contato pessoal e comunitário com a Sagrada Escritura é o lugar privilegiado de encontro com
Jesus Cristo. Em meio a tantas vozes, temos o desafio de ajudar nossos jovens a escutar a
voz de Cristo, caminho, verdade e vida.

• Salmo
O Salmo deve ser correspondente ao evangelho proclamado, ele favorece a meditação da
Palavra de Deus.

• Pregação do tema
Devemos considerar que cada um dos temas deve reunir três características:

- Atual: Hoje
Não se trata de falar de acontecimentos perdidos no passado, nem sequer do que
sucedeu há 2.000 anos, mas de forma atual, fazendo presente a eficácia da salvação. Mais
que referir-se ao Deus eterno, apresentar o Deus que hoje ama, hoje cura, e hoje liberta; que
o homem atualmente necessita ser salvo, e que, nestes momentos, pode experimentar a
salvação, se hoje crê e se converte; que o dom do Espírito é para estes tempos e que urge
viver o Evangelho na comunidade cristã.

- Direto: a você
Não se trata de falar impessoal ou teoricamente do Amor de Deus, mas que “Deus te
ama pessoalmente”. Não se apresenta com erudição o tema sobre a essência do pecado,
mas se interpela diretamente ao evangelizado mais ou menos desta maneira: “Você necessita
de salvação, porque não pode salvar-se a si mesmo”. Mais que uma aula de Cristologia se
deve oferecer um Cristo Jesus vivo, com quem é possível ter um encontro pessoal para
receber o dom de Seu Espírito. Enfim, trata-se de aplicar cada ponto a cada evangelizado,
para não falar em abstrato, mas em concreto.

- Concatenado: os temas
Todos os temas estão intimamente relacionados e dependentes entre si levando um
sequência lógica. Assim o mostra a seguinte apresentação: Deus ama você, mas seu pecado
o incapacita para experimentá-Lo. No momento, Ele já lhe perdoou e libertou pela Morte e
Ressurreição de Cristo Jesus. A única coisa que você deve fazer é crer e converter-se, para
que receba Seu Amor, que é o Espírito Santo, e possa viver na Família de Deus, a
comunidade cristã. Onde será um agente de transformação de sua realidade social.
Com estas indicações, os temas ficam atualizados, personalizados e unidos.
Atenção: Muitas vezes o evangelizado (especialmente na evangelização grupal ou em
massa) não tem a oportunidade de fazer perguntas, mas o bom evangelizador as expõe em
seu nome e responde a elas.
• Testemunho
O testemunho é um elemento de fundamental importância na vivência da fé. Ao relatar o que
o Senhor realiza em nossa história, muitas vidas poderão ser tocadas pelo seu amor e
misericórdia.

• Abraço da Paz
O abraço da paz sempre nos remete a ressureição de Jesus Cristo e exprime a comunhão
eclesial e a mútua caridade entre os irmãos.

• Oração final
Todo encontro deve ser encerrado com as orações tradicionais da Igreja: Pai-Nosso, Ave-
Maria, Glória ao Pai.

 Meta para o tempo do Querigma

1- Primeira semana: Rezar uma dezena do terço a cada dia em prol do projeto Jovens em
Missão e também pedindo o discernimento a Deus para quem eu vou convidar para o
discipulado.
2- Segunda semana: Rezar duas dezenas do terço a cada dia em prol de suas famílias e
também pedindo o discernimento a Deus para quem eu vou convidar para o
discipulado.
3- Terceira semana: Rezar três dezenas do terço a cada dia em prol da juventude e
também pedindo o discernimento a Deus para quem eu vou convidar para o
discipulado.
4- Quarta semana: Rezar quatro dezenas do terço a cada dia pelas pessoas mais
necessitadas também pedindo o discernimento a Deus para quem eu vou convidar
para o discipulado.
5- Quinta semana: Rezar o terço pelos jovens que vou convidar, para que eles estejam de
coração aberto para acolher o convite.
Conteúdo e objetivo dos cinco temas:

I. O Amor de Deus: Deus ama você. (primeiro encontro)

Conteúdo: Não basta sabermos que Deus nos ama, é necessário fazermos a experiência
deste amor, crer e experimentar o Amor de Deus.
1. O Amor de Deus é pessoal, por que Deus é seu Pai (cf. Is 43,1-5; Gl 4,6). Deus te
formou desde o seio materno (cf.Is 43,1-5; Gl 4,6). Te teceu no seio materno (cf. Sl 138,13; Jr
1,5). Pode uma mulher esquecer o filho que amamenta? Ainda que esquecesse, Eu jamais
esquecerei de ti (cf. Is 49,15). Eis que estás gravado na palma de minhas mãos (cf. Is 49,16 e
Is 54,10). Deus nos ama e nos fez à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,26-27). Deus nos
ama porque somos seus filhos (cf.I Jo 3,1). Considerai com que amor nos amou o Pai, para
que sejamos chamados filhos de Deus. Deus é Todo Poderoso, entretanto existe algo que Ele
é incapaz de fazer! É deixar de te amar!
2. O Amor de Deus é incondicional, porque Deus é amor (cf. I Jo 4,8); não exige nada para
te amar, pois te amou primeiro (cf. Jr 31,3). Amo-te com amor eterno e por isso estendi a ti o
meu favor. O amor não consiste em que amemos a Deus; pois foi Ele que nos amou primeiro,
Ele tomou a iniciativa de nos amar (cf. I Jo 4,10). Não fomos nós que o escolhemos, foi Deus
que nos escolheu (cf. 15,16 e I Jo 4,19). Antes temos de nos deixar amar por Ele (cf. Jr 20,7).
Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir.

Resumindo: Deus é um Pai Amoroso que lhe ama pessoal e incondicionalmente, e quer o
melhor para você. Não lhe ama porque você é bom, mas porque Ele é bom. Deus por amor
criou o homem, fazendo-o a sua imagem e semelhança. Deus é amor e ao fazer o homem à
sua imagem, inscreve na humanidade a capacidade e a responsabilidade do amor e da
comunhão. “Deus não tem outra razão para criar a não ser o seu amor e sua bondade” (CIC
293).

Objetivo: O Evangelizador é veículo do amor de Deus, e como tal deve levar o evangelizando
a ter a mesma experiência desse amor transformador. O evangelho de Lucas 7, 36-50 nos
fala de uma mulher pecadora que era discriminada por todos e vivia à margem da sociedade
sem ser amada e aceita pelos homens. Um dia, no entanto, sabendo que Jesus estava na
casa de um fariseu de nome Simão, não se importou com críticas ou com a severa tradição
dos fariseus, adentrou se naquela casa num gesto decidido e convicto de que aquele homem
não a desprezaria, ao contrário, a acolheria. Assim ela rompe o tradicionalismo frio do
momento e se joga aos pés de Jesus e começa a derramar lágrimas para levar-lhe os pés.
Somente quem confia no amor do outro pode fazer um gesto desse. Com toda a certeza
aquela mulher sentiu-se atraída pelo amor daquele galileu e sabia que ele tinha muito amor
para dar, amor esse que ela não conhecia, pois não era amada, e, como todo ser humano,
queria experimentar esse sentimento, Sentir seu ser envolto pelo efeito milagroso do amor, e
jesus, por sua vez, acolhe aquela mulher, com toda a sua carência, apesar das críticas dos
presentes. O modo mais palpável para transmitir esse amor foi pelo perdão. Não foi
necessário nenhuma pregação por parte de Jesus sobre o amor. Ele simplesmente mostrou
como se deve amar. Da mesma forma, o evangelizado deve se jogar nos braços de Jesus
para experimentar esse amor, e não apenas ouvir falar desse amor. Deve-se fazer isso de
uma, maneira pessoal e incondicional. O evangelizador deve ser esse canal que possibilita
tão amorosa experiência.
Motivação: Deus ama você: Deus é um Pai Amoroso que lhe ama pessoal e
incondicionalmente, e quer o melhor para você. Não lhe ama porque você é bom, mas porque
Ele é bom. Não pede a você que o ame, mas que deixe Ele amá-lo.

Fundamentação Bíblica: Jr 31,3; 1 Jo 4, 8; Is 54,10; Is 43,1-5, Lc 15,11-32


II. O pecado e a Salvação. (segundo encontro)

Conteúdo: Deus nos ama! por que então a nível pessoal há tantos sofrimentos, medos,
inseguranças, desesperos, ansiedades, insatisfações, angústias, apegos, ganâncias,
preocupações, egoísmo, isolamentos, ódios, depressões, vícios escravizantes? Por que a
nível comunitário as famílias se desintegram, os filhos se rebelam, há marginalização dos
filhos, desunião e falta de paz, suicídios? Por que no plano social há tanta violência, injustiça,
assaltos, roubos, sequestros, chacinas, acidentes, guerras, miséria, fome, aborto, opressão,
imoralidade, estupro, heresias, pornografias, atingindo a política, a economia, Estado, Nação
e o Mundo todo?
O homem abandonou a Deus: Jr 2,13 - abandonou-me a Mim, fonte de água viva, para cavar
cisternas furadas, que não retêm água.
A resposta a essas perguntas é Rm 5,12, por um só homem entrou o pecado - a
desobediência - no mundo e pelo pecado, a morte que se estendeu a todo gênero humano.
Deus fez o homem para ser feliz e o colocou no Paraíso (cf. Gn 1,26-27), mas, com o pecado
dos pais, induzidos pela serpente, Caim mata Abel. Rm 6,23 - O salário do pecado é a morte.
Rm 3,23 - Porque todos pecaram e todos foram privados da glória de Deus (cf. Is 59,1-13). O
pecado é a causa de todos os males. Nos impede de irmos à Deus (comunicação), de
experimentar o seu amor e sua Salvação.
O homem não pode salvar-se a si mesmo e sendo incapaz de chegar até Deus quando já não
havia mais esperanças, Deus chega até o homem, desce de sua glória, impulsionado pelo
seu grande amor (cf. Ef 2,4; Jo 3,16), pois Deus não enviou o seu filho ao mundo para
condená-lo, mas para que seja salvo por ele (cf. Jo 3,17). (Ler Rm 5,18-20)
Nós já havíamos perdido tudo, estávamos na falência pelos títulos de desobediência que
contraímos contra o amor de Deus, não tendo com que pagar, deveríamos ir para o inferno!...
Jesus veio até nós que estávamos mortos e deu-nos a vida eterna, perdoando todos os
nossos pecados, cancelando o documento de condenação que existia contra nós, ao encravá-
lo na cruz (CÌ 2,13-14).
Jesus vence Satanás, o príncipe deste mundo, ele está destruído, foi esmagado, julgado e
condenado (cf. Jo 16,11). Jesus perdoa e esquece (cf. Hb 8,12). Eu Ìhes perdoarei e não me
lembrarei mais (cf. Hb 10,17). Jesus lhe liberta da escravidão! (cf. Jo 8,36). Se portanto o
Filho vos libertar verdadeiramente sereis livres. Portanto não recebestes um espírito da
escravidão (cf. Rm 8,15). Somos filhos de Deus (cf. Gl 4,7). Portanto já não somos escravos,
mas filhos, e também herdeiros de Deus. De agora em diante, já não há nenhuma
condenação para aqueles que estão em Cristo (cf. Rm 8,1). Todo aquele que está em Cristo é
uma nova criatura, passou o que era velho, eis que tudo se fez novo (cf. II Cor 5,17). Jesus é
vida nova, é vida abundante (cf. Ap 21,5 e J°10,10). Jesus já te salvou (cf. II Cor 1,9) Deus
nos salvou e nos chamou à Santidade pela graça em Jesus Cristo (cf. Ef 2,5) é por graça que
fostes salvos não pelo que fizemos, e sim, pelo que Jesus fez.

Resumindo: O pecado que consiste em não confiar nem depender de Deus, impede de
experimentar o Amor Divino. Você é pecador necessitado de salvação, porque não é capaz
de vencer a Satanás, nem libertar do poder do pecado.
Existe uma Boa Notícia: Jesus já salvou você e perdoou-lhe, pagando o saldo pendente, ao
preço de sangue. Com Sua Morte e Ressurreição deu a você vida: vida de filho de Deus. Já
estamos em paz com Deus e é possível a felicidade. Jesus não nos salva. Já nos salvou.
Jesus deu a vida por todos nós, ninguém está excluído da salvação que Ele veio trazer. Por
sua gloriosa cruz, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado que
os mantinha na escravidão. Segundo Gálatas 5,1 “é para a liberdade que Cristo nos libertou”.

Objetivo: O bom evangelizador tem uma meta inevitável: que o homem se reconheça
pecador ante Deus (não frente ao evangelizador) e tanto, necessitando de salvação. Muitos
acreditam que o pecado impede de aproximar-se de Deus e não se dão conta de que
reconhecer se pecador é a condição, a única para experimentar o perdão divino. Um fariseu e
um publicano pecador fiam ao templo para orar. O fariseu, posto de pé à frente, começou a
envaidecer-se de todas as suas boas obras, declarando-se melhor que o publicano, que
estava ajoelhado na parte posterior do templo, o qual se confessava pecador e solicitava a
clemência divina. Jesus afirma que este, e não o fariseu, que não só se sentia bom, e sim,
melhor que o outro, foi justificado por Deus. O ladrão crucificado ao lado esquerdo de Jesus
queria "sua" salvação, mas em nenhum momento reconheceu seu pecado. Queria aproveitar-
se de Jesus, sem aceitar que era pecador condenado justamente à cruz. Não se trata de
sentir-se acusado dos pecados cometidos, e sim, de ter absoluta consciência da própria
incapacidade para salvar-se. Por outro lado, neste tema, também deve-se descobrir as
mentiras de Satanás, que, de mil formas, nos segue seduzindo-nos para separar-nos do plano
de Deus.
Aceitar Jesus em seu Coração: O Evangelizador anuncia Jesus: "Olha que estou à porta e
chamo; se alguém ouve a minha voz e me abre a porta, cearei com ele e ele comigo" (Ap 3,
20). Esta Palavra é um convite que espera uma resposta. Chamado que deve ressoar tão
claro como questionante, dando a oportunidade para que seja respondido, procurando o
momento adequado para que o evangelizado abra seu coração e convide Jesus. Zaqueu não
experimentou a salvação em cima da árvore, nem sequer quando viu passar Jesus, ou
quando falou com Ele, e sim, quando abriu as portas de sua casa e de sua vida. Jesus entrou
até mesmo nas riquezas mal havidas deste publicano. Foi quando lhe declarou: "Filho de
Abraão", membro do povo de Deus. O Evangelizado abre expressamente as portas da vida e
de todo o ser a Jesus Ressuscitado, de uma maneira radical para que entre e permaneça
para sempre em seu coração.

Motivação: Reconhece teu pecado diante do Senhor. Jesus não te salva, já te salvou! Aceita-
O!

Fundamentação Bíblica: Pecado - Rm 3,23; Jo 8,24; Rm 6,23; Rm 11,32; 14,23; Sl 51,7; Gn


2,17; Jo 9,41; Pv 8,36.
A Salvação em Jesus - Jo 3,16-17; Jo 10, 10; Rm 4,24-25; Rm
5,8; Cl 2,13-14; Ef 2,4-5; I Jo 1,7; Jo 16,33; At 4,12; I Tm 2,5.
III. Fé e Conversão: aceita o Dom da Salvação. (terceiro encontro)

Conteúdo: A salvação já está realizada plenamente pelo sacrifício de uma vez para sempre,
de Cristo na Cruz. Jesus já nos salvou, mas como entrar em comunhão com Ele para
estender até nós a obra salvífica? Primeiramente pela Fé, através da qual nos apropriamos
daquilo que nos cabe por dom de Deus: os méritos da Morte e da Ressurreição de Cristo
Jesus. Nele somos herdeiros de todas as bênçãos celestiais e somos mais que vencedores
em toda a prova e tribulação. A fé, pois, nos conecta diretamente com a fonte de graça e nos
permite ter acesso à presença divina, livres de todo temor ao castigo, porque os nossos
pecados já foram perdoados, e estamos em paz com Deus.
A fé é o começo da Salvação humana, fundamento e raiz de toda justificação. Jesus já
ganhou vida nova para você. Recebe-a crendo e convertendo-se. Crer em alguém, mais que
em algo, confiando que seu caminho é melhor que o seu. Confessá-Lo Salvador pessoal e
renunciar qualquer outro meio de Salvação. Converter é trocar a sua vida pela vida de Jesus:
entregar sua vida de pecado e começar a viver a vida de filho de Deus. Proclamar Jesus
como Senhor de todas as áreas da sua vida. A fé é crer em uma pessoa (cf. Jo 14,1; Hb 11,6)
ora, sem fé é impossível agradar a Deus. . , crer, confiar, depender e obedecer.
A fé, pois, é a resposta que o homem dá a Deus. Não sentimento ou ideologia, mas um modo
de relacionar-se com Deus, vivendo de acordo com seu plano salvífico. Não é um
assentimento intelectual, mas sobretudo, uma entrega sem condições, aceitando a salvação
através de Cristo Jesus, o qual implica necessariamente renunciar a qualquer outro meio de
salvação. Não nos salvamos por nossa própria capacidade, mas mediante a fé. São Paulo é
enfático neste campo, afirmando que não é o cumprimento da lei nem as obras boas que nos
salva, senão a fé. “Pela graça fostes salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de
Deus. Não vem das obras, para que ninguém se encha de orgulho”(Ef 2,8-9). “O homem não
se justifica pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl 2,16).
A outra viga da ponte que nos conecta com a salvação é a conversão, a qual é expressão
necessária da fé. Fé sem conversão seria como fogo que não queima ou luz que não ilumina.
Seria uma fé morta e ineficaz. Em primeiro lugar, a conversão não se limita a uma mudança
moral. Isso seria muito pouco. É uma mudança de vida; não por nossas forças e propósitos, e
sim, pela fé que nos conduz a entregar nossa vida de pecado a Jesus e receber sua vida de
filho de Deus. - Ele começa a viver, amar, servir e atuar em nós e através de nós. A
conversão é uma mudança de vida.

Objetivo: Ante a apresentação da mensagem do morto e ressuscitado que oferecem


gratuitamente o dom da Salvação a resposta lógica deve ser um ato de fé e conversão.
Ato de fé - O mais importante não é falar da fé com seus fundamentos bíblicos ou
tecnológicos, e sim, dar ao evangelizado a oportunidade de fazer uma profissão de fé, que se
entregue totalmente a Jesus e o confesse seu Salvador pessoal. Inumeráveis casos do
Evangelho, por que não dizer todos, manifestam-se como uma expressão de fé. Destacam a
ação salvífica de Cristo Jesus: o cego de Jericó (cf. Lc 18, 39); a siro-fenícia (cf. Mc 7, 26 30);
o centurião romano (cf. Lc 7, 2-10); o paralítico (cf. Mc 2,5); o pai do epiléptico (cf. Mc 9, 24).
O evangelizado deve manifestar exteriormente sua fé em Jesus, proclamando-o como único
Salvador.
Ato de Conversão - O evangelizador tem de procurar a oportunidade para que o evangelizado
faça um ato concreto de conversão, na qual não é só um propósito de emenda ou uma troca
de moral, mas uma conversão de vida: a de Jesus pela do evangelizado. O ladrão da direita
da cruz de Jesus não mudou de conduta, pois, cravado como estava, não podia devolver
nada do que havia roubado. Simplesmente entregou a Jesus sua existência, e recebeu a
salvação nesse mesmo dia, a vida em abundância de Cristo Jesus. Ao confessar a Jesus
como Rei e Senhor de toda a sua vida, começou a experimentar o reinado do Rei dos Reis.
Há muitos batizados, confirmados e super-sacramentados que declaram que não fizeram
nada de mau, que vivem como justos... porém não vivem como filhos de Deus. O
evangelizado deve entregar sua vida a Jesus em um momento determinado, proclamando-o
Senhor de todas as áreas de sua vida.

Motivação: Abre as portas de teu coração a Jesus que chama.

Fundamentação Bíblica: Ef 2,8; Jo 3,3; At 3, 19; Ap 3,20; Jr 31,18; Rm 5,1-2; I Jo 1,9; At


2,38; Jo 9,1-41.
IV. O Dom do Espírito: A promessa é para você. (quarto encontro)

Conteúdo: Jesus se faz presente com sua Salvação por meio de seu Espírito. Ele está
sedento para dar-lhe a água viva do Espírito de filiação, que clama: Abba, Pai. O Espírito
Santo é a promessa de Jesus que se cumpre: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro
Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não
pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá
convosco e estará em vós” (Jo 14, 16-17).
Desde a primeira pregação apostólica, no dia de Pentecostes, as pessoas perguntaram o que
deveriam fazer para participarem da Salvação. Pedro respondeu claramente, explicando o
processo de evangelização: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de
Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados. Então, recebereis o Dom do Espírito Santo”.
(At 2,38-39). Paulo, também, expôs o processo de evangelização: “N’Ele, também vós tendo
ouvido a palavra da verdade o Evangelho da vossa salvação e nela tendo crido, fostes
selados pelo Espírito Santo”. (Ef 1,13). É o Espírito Santo quem outorga as primícias da
salvação definitiva, a qual culmina na vida eterna. O derramamento do Espírito é uma das
principais características dos tempos messiânicos. É o Espírito quem revela a verdade
completa sobre o plano da salvação, é quem dá o testemunho de Jesus como o único Senhor.
O Espírito está em nós para fazer-se presente em Jesus e em sua salvação, em todos os
tempos e lugares, até os confins da terra. É o Espírito Santo quem abre os corações para que
se creia na palavra da salvação, sendo Ele mesmo quem nos torna capazes de reconhecer,
em Jesus, o único Salvador e Senhor. O homem pode ter todas as boas intenções para
mudar sua vida; entretanto, sem o poder do Espírito Santo nada conseguirá: nenhum sistema,
terapia, programa ou instituição é capaz de transformar o coração do ser humano. Sem o
Espírito Santo, o homem não conseguirá mudar o desejo, as motivações, apenas a conduta
exterior. O homem necessita do poder do Espírito Santo para dar-lhe nova vida, para fazê-lo
renascer, para torná-lo capaz naquilo em que ele é incapaz. Em uma palavra: a presença e a
atividade do Espírito Santo não são optativas, mas, absolutamente, necessárias. O dom do
Espírito sela a obra da salvação, isto é, confirma a eficácia da obra salvífica; é o selo que
confirma que Jesus está realizando Sua obra do perdão e libertação neste mundo. O Espírito
Santo torna presente e efetiva a salvação.
Deus prometeu derramar o Espírito Santo para todos, Joel 3,1-3; Ez 11,19-20; Ez 36,25-27.
Cumprimento da Promessa no Novo Testamento, obrado Paráclito, Jo 16,7-13. Portanto, não
recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no medo, mas recebestes o Espírito
de adoção pelo qual clamamos Abba, Pai (cf. Rm 8,15; 1 Cor 2,12). A prova de que sois
filhos, é que Deus enviou o Espírito de seu Filho, que clama Abba, Pai (cf. Gl 4,6). Quem não
possui o Espírito de Cristo, não pertence a Ele (cf. Rm 8,9; Ef 5,18-20). Enchei-vos do Espírito
(cf. At 1,4-5; 1,8).

Objetivo: suscitar a sede de água viva de tal maneira que o evangelizado queira prová-la.
Jesus conseguiu que a mulher do cântaro cheio de água reconhecesse que tinha sede e
solicitasse essa água viva que jorra até a vida eterna, o Espírito Santo. Cada um haverá de
ter seu próprio Pentecostes, mediante uma oração onde se peça e receba uma efusão
abundante do Espírito Santo e este se manifeste através de seus dons e frutos.

Motivação: Pede e recebe o dom do Espírito Santo. Condições: Pedir, desejar, abrir-se (cf. Lc
11,13).
Fundamentação Bíblica: Ez 36,26; At 1,5; At 2,39; Ap 22,17; Jo 7,37-39; Lc 11,13; Ez 37,14;
Sl 3,14; Jo 20, 19-23.
V. A Vida em Comunidade. (quinto encontro)

Conteúdo: Deus não terminou a sua obra de transformação em nós, apenas iniciou nos
enchendo do Espírito Santo. O Seu plano é que reflitamos o rosto de Cristo, assim como
Cristo reflete o rosto do Pai (Deus Pai). Deus não quer só transformar corações; Deus quer
formar um povo Santo e uma nação consagrada (cf. Lv 20,26; Dt 7,6). É na comunidade que
formamos o corpo místico de Cristo (cf. I Cor 12,12-14; Ef 4,11-13). Pela prática do amor,
crescemos em todos os sentidos, em Jesus Cristo, a cabeça (cf. Ef 4,15; Ef 4,7-16). Na
comunidade partilhamos os dons e experimentamos a alegria de servir. Ajudai-vos uns aos
outros a carregar os vossos fardos (cf. GI 6,2). A cada um é dada a manifestação do Espírito
para proveito da comunidade (cf. I Cor 12,7; At 2,42-47). Não basta nascer, você terá que
crescer na vida nova. Para isso é necessário manter-se unido à videira (Jesus), vivendo como
parte do Corpo de Cristo nos leva necessariamente a encontrar o irmão, especialmente o
mais necessitado. A comunidade é o local do crescimento na fé e na vida nova. Nela
reconhecemos que Jesus também está em nosso irmão e juntos, permanecemos ligados à
videira para que produzamos frutos (Jo 15, 1–8).
Não basta um encontro ocasional com Jesus. O Reino pertence, precisamente, a quem
persevere, até o fim (cf. Mt 10,22), unido tanto a Jesus como a Suas palavras e a Sua
mensagem. Trata-se de uma comunhão tão profunda como a dos sarmentos com a videira,
razão por que o Mestre ordena a todos os Seus: “Permanecei em mim, como eu em vós...
Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto, porque, sem mim, nada podeis
fazer” (Jo 15,45).
Jesus está presente na comunidade dos remidos:- “E eis que estou convosco todos os dias
até a consumação dos séculos”( Mt 28,24). Separar-se da comunidade é privar-se da
presença gloriosa de Jesus Ressuscitado (fato que sucedeu ao apóstolo Tomé, quando
abandonou a comunidade de discípulos de Jesus - (cf. Jo 20,24). Para permanecer com
Jesus é necessário formar a comunidade cristã, razão porque quem recebeu Pentecostes
perseverou na comunidade. Portanto, é imperativo permanecer com Jesus em Sua
comunidade, vivendo o amor de Deus (que foi derramado pelo Espírito Santo), e crescendo
na nova vida, através dos meios assinalados em At 2,42-44, quais sejam:
1. o ensinamento dos apóstolos, que comunicam a doutrina de Jesus.
2. a comunhão e participação da vida divina e dos bens espirituais e materiais;
3. as orações, onde se partilha a vida com Deus e com os irmãos;
4. a fração do pão, que é o cume da iniciação cristã.
Maria Madalena foi libertada de sete demônios, mas logo Jesus a integrou em sua
comunidade para restabelecê-la plenamente. Ela prestava seus serviços à comunidade; isto à
ajudou a crescer na nova vida. O amor dado e recebido é o alimento e a garantia da nova vida
e o fruto que garante que o Espírito de Deus foi derramado em nossos corações.
O encontro com Jesus, necessariamente, ao encontro com o irmão. O primeiro mandamento -
“Amar a Deus” - vai, indissoluvelmente, unido ao segundo - “Amar ao próximo”. A salvação,
como a luz, é algo que não pode ser escondido: deve ser partilhado com o irmão,
especialmente, com o mais necessitado. Jesus está tão presente em cada pessoa que
qualquer falta de assistência ou indiferença frente às necessidades do irmão é considerada
como sendo feita ao próprio Jesus (cf Mt 25, 31-46).

Objetivo: O cume da evangelização e da iniciação cristã se dá quando os crentes se unem


participando do mesmo pão, da Palavra e da Eucaristia na ceia do Senhor, que é o memorial
do anúncio da morte e da proclamação da Ressurreição do Senhor Jesus. O evangelizador
deve colaborar de todas as formas possíveis para que o recém-evangelizado tome parte ativa
de uma comunidade que ajude a viver e perseverar na nova vida e partilhe o amor, distintivo
dos discípulos de Jesus. Leva o evangelizado a comprometer-se numa pequena comunidade
onde possa seguir caminhando e crescendo na vida do Espírito.

Motivação: Perseverar com Jesus na comunidade.

Fundamentação Bíblica: Rm 12, 5; Cl 2,19; 1 Pd 2,9-10; I Tm 3,15; Ef 2,20; 4,11-13; At 2,42;


Jo 15, 1–8.
O Testemunho

O testemunho pessoal é o centro e a chave de uma evangelização eficaz. Por


testemunho se entende a expressão verbal de como Jesus transformou a vida, e como se
vivem já os efeitos de sua morte, e as primícias da Ressurreição definitiva. Portanto, é
vivencial e pessoal. Não se apresentam idéias ou doutrinas, mas feitos concretos onde se
experimentou a salvação de Jesus. Se o evangelizador assegura que Jesus é o único
Salvador é porque ele pessoalmente viveu em áreas muito concretas. Como pode alguém
afirmar, com segurança e convencimento que Jesus salva, se ele mesmo não O experimentou
de alguma forma?
Tudo o que dizemos poderá sempre ser discutido, até a existência de Deus e de
Jesus. O único é irrefutável é quando apresentamos nossas experiências da salvação de
Deus e como Ele mudou nossa vida. Ao expor fatos salvíficos concretos, as palavras ganham
um valor singular e levam ao convencimento pessoal. De outra maneira, seria como anunciar
um produto que nem sequer o conhecemos, nem mesmo o provamos. Em um testemunho se
manifesta, não o que nós fizemos pelo Senhor, mas o que Ele realizou em nossas vidas (Mc
5, 19).

A) Três características do testemunho: ABC


ALEGRE: O Evangelho, comunicação de uma imensa alegria (cf.Lc 22, 10), não pode ser
transmitido eficazmente senão com o gozo do qual Jesus estava cheio (cf. Lc 10, 21), e
também os Apóstolos (cf. l Ts 6, 1- Jo 4, 2). Um testemunho deve estar envolto em uma
atmosfera de alegria, acompanhado de um sorriso, do fogo das palavras e da convicção do
olhar. O gozo é o primeiro sinal de quem encontrou um tesouro perdido. Este deve ser
manifesto, e tão contagioso que convide ao evangelizado a tê-lo também. Naturalmente, não
se trata de uma alegria porque não existem problemas, mas porque a alegria é nossa
fortaleza (cf. Ne. 8,10).
BREVE: Um bom testemunho é centrado no fundamental da obra salvífica de Deus, sem
entrar em detalhes acidentais ou complicados. Os relatos longos cansam, porque se perde
em enfoque fundamental. Não é necessário contar toda a vida, mas só que guarda relação
direta com a conversão. As situações de pecado (especialmente quando envolvem outros)
devem ser tratadas com delicadeza e prudência. Não convém identificar pessoas que possam
ser, de alguma maneira, afetadas com o que se expõe. Não se devem exagerar as coisas,
nem nosso pecado, nem a obra salvífica de Deus, inventando milagres ou aumentando os
fatos.
CENTRADO EM CRISTO: Um testemunho não se centra em quem o dá, para que os demais
o admirem, mas em Cristo mesmo e sua obra salvífica. O melhor exemplo é a Virgem Maria,
que exclama: "porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso". Logo termina
dando o reconhecimento e louvor ao mesmo Deus: "cujo nome é santo" (Lc 1, 49). O pronome
pessoal da primeira pessoa, "Eu", quase não deve aparecer: "eu fiz, eu mudei, eu sou, eu
tenho", porém a frase preferida deve ser: "O Senhor me...; O Senhor me salvou, Ele me
amou, Ele me deu Seu Espírito, etc.

B) Quatro partes do testemunho.


I) Antes de Cristo – Como éramos e como estávamos necessitados de salvação.
II) Encontro com Cristo – O encontro pessoal com Jesus pela fé.
III) Depois de Cristo – A mudança de tudo o que se enumerou no primeiro ponto.
IV) Motivação – O testemunho sempre deve terminar com uma explícita exortação: "Se o fez
em mim, o pode fazer em você. O Senhor quer fazê-lo também em sua vida".
C) O melhor testemunho: Muitas vezes não valorizamos nosso próprio testemunho, nem
somos conscientes de que quando o Senhor fez não foi só para proveito individual, mas
também para edificação de toda a comunidade. Há quem pense que os testemunhos
edificantes são unicamente coisas maravilhosas e mudanças grandiosas, acompanhadas de
milagres e sinais extraordinários. Necessariamente não acontece sempre assim. A cada um
Deus abençoa como mais lhe convém. Por isso, o melhor testemunho que existe é o que
cada um pode dar. Cada testemunho toca as pessoas que estão percorrendo um itinerário
semelhante. Há muita gente que se parece conosco e não precisam de testemunhos
'espetaculares'. Nosso testemunho lhe será uma grande ajuda. O seu evangelho só pode ser
conhecido se você o contar!

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