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09/05/2016

Aula 1

COMPETÊNCIAS NA SALA DE AULA


O que são competências? Como é possível
desenvolvê-las em sala de aula?
Competências e inteligências não são
palavras diferentes que expressam a mesma
coisa?

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Segundo o Aurélio (2010), competência é a


"qualidade de quem é capaz de apreciar e
resolver certos assuntos". Seria o mesmo que
habilidade ou aptidão. Competente é aquele
que pondera, aprecia, avalia, julga e depois de
examinar uma situação ou um problema por
ângulos diferentes
encontra a solução ou
decide.
Poderia ser ainda a
capacidade como
resultado de
conhecimentos
assimilados.

Um aluno competente é aquele que enfrenta


os desafios de seu tempo usando os saberes
que aprendeu e empregando, em todos os
campos de sua ação, as habilidades antes
apreendidas em sala de aula.

As inteligências são potenciais


biopsicológicos; são capacidades para
resolver problemas ou criar produtos
considerados de valor em um meio social;
capacidades de compreender, de se adaptar,
de contextualizar; “ferramentas”, sistemas
neurais que diferenciam
uma pessoa da outra.

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As inteligências (linguística, lógico-


matemática, sonora, cinestésico-corporal,
espacial, naturalista, intrapessoal,
interpessoal e existencial) são algo como facas
usadas para múltiplos fins e que as
competências constituem as pedras de amolar,
que as afiam e as tornam
mais agudas mais
cortantes.

Competências, Inteligências... e os
Conteúdos?
Nada pode ser ensinado, desvinculando-se de
certo conhecimento que se estrutura no que
chamamos de "conteúdos". Certamente, um
aluno do Ensino Médio sabe "comparar", mas,
peça a ele que "compare",
e verá que sua indagação
será sempre pelo
conteúdo: "comparar o
quê?"

A diferença, que realmente existe em se lidar


com inteligências e competências, em sala de
aula, está na forma diferenciada com que as
informações são trabalhadas, atribuindo-lhes
um significado, impregnando-as de uma
contextualização com a vida e o espaço, no
qual o aluno se insere.

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Trabalhar inteligências e competências não é


passar de um capítulo ao outro de um programa,
é antes trabalhar internamente esses momentos
para perceber onde seus temas se refletem no
cotidiano, de que forma seus saberes permitem a
geração de situações-problema. Os alunos serão
desafiados e motivados a
pesquisar essas situações,
a descobri-las e ver como
seria possível
apresentá-las com outra
"linguagem”.

Reter a informação não é tão importante


quanto saber lidar com a mesma, e dela fazer
um caminho para solucionar problemas;
aprender não é estocar informações, mas,
transformar, reestruturando passo a passo o
sistema de compreensão do mundo.

Competências na Sala de Aula

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Quais Competências Desenvolver nos


Alunos?
A escola tradicional e a família nuclear antiga
eram lugares onde as crianças deveriam ouvir e
calar-se. Ser criança, anos atrás, requeria que
se tivesse principalmente ouvidos e mãos, não
sendo de igual
importância a boca e o
olfato.

A escola atual e, não poucas vezes, a família


do século XXI não perceberam que os tempos
mudaram e, que hoje, esses espaços devem
representar essencialmente o lugar onde se
aprende a ler, falar e usar a linguagem —
palavras, imagens, números — como a mais
importante e "humana"
das ferramentas.

A aula deve ser o ponto central para o exercício


da leitura e da fala, da audição — e,
naturalmente, da visão em textos escritos — dos
professores necessitam de ouvidos e olhos
críticos para receber e aprimorar mensagens. O
grande professor será aquele que se preocupa
em ensinar o aluno a ler e
compreender um texto e a
se expressar com lucidez,
valendo-se da
"ferramenta" de seus
conteúdos.

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PERCEBER AS MÚLTIPLAS LINGUAGENS


Faça uma experiência pedagógica e reflita
sobre a magnitude de seus resultados. Ensine
seus alunos a perceberem o encanto e a
sensibilidade em um quadro de Monet ou
outro gênio da pintura,
se preferir. Mostre-lhes
depois a magia infinita
em uma composição de
Mozart ou Strauss;

Convide-os a descobrirem a sonoridade e a


harmonia excepcional de um poema de
Fernando Pessoa ou de Castro Alves e,
finalmente, faça-os descobrir a simetria
fascinante em uma obra de Niemayer ou
mesmo nos movimentos rítmicos de uma
dança ou esporte
perfeito.
Indague-lhes, depois,
qual, dentre as muitas
linguagens observadas,
seria a mais bela, a mais
perfeita.

As opiniões, é evidente, podem variar bastante, mas


certamente ocorrerá o consenso de se perceber que
a beleza se expressa por meio de inúmeras
linguagens e que os gênios da humanidade nos
ensinaram a aplaudi-la. Essa experiência singela
deverá sintetizar um convite para que seus alunos se
libertem da ideia anacrônica e retrógrada de que
seus saberes devem apenas
ser expressos através de
suas inteligências: linguística
e lógico-matemática.

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Apenas para ampliar um exemplo, suponha que


seus alunos acabaram de perceber a grandeza
ecológica do Pantanal ou a saga dos
Bandeirantes, o funcionamento do fígado ou o
máximo divisor comum. Solicite-lhes que contem
o que aprenderam, mas o façam com linguagens
diferentes. Você perceberá
que o texto de alguns é tão
extraordinário quanto o
desenho de outros, a
mímica de terceiros, sua
sonorização ou linguagens
de outrem.

Perceber a matemática em suas relações


com o mundo
Parece indiscutível crer que a Escola que
separava a matemática de "outros assuntos"
já não mais pode existir.

Um dia, chegaremos a sorrir da extrema


ingenuidade com que antes essa separação
era feita e teremos aprendido a perceber a
Matemática nas lições de História, nos
exemplos de Geografia, nas reflexões de
Ciências e na própria arquitetura de frases
corretas em uma língua
estrangeira ou em nossa
língua.

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Todas as disciplinas curriculares de forma mais


ampla e, naturalmente, a matemática de forma
específica necessitam estar presentes em todos
os momentos da vida de um aluno, nos passos
com que atravessa uma rua, nas gôndolas de
produtos em um supermercado, no uso que faz
do dinheiro de seu
lanche, nas notícias que
colhe, interpreta, das
páginas de uma revista
com que se informa e
diverte.

Competências na Sala de Aula

01) De que forma a relação interpessoal se configura nas


práticas cotidianas em sala de aula:
a) Através da convivência.
b) A partir da implementação de
técnicas pedagógicas, apenas.
c) Pela imposição dos direitos e
deveres.
d) Somente pela vontade do
professor.
e) Essa relação nunca ocorrerá em
sala de aula.

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01) Resp. A. A plenitude na relação entre professor e aluno


não é possível se concretizar, visto que as situações
pedagógicas são influenciadas por outros elementos. No
entanto, quando essa relação se
fundamenta em uma comunicação
adequada entre as partes,
é possível que a interação ocorra
positivamente

02) É correto afirmar sobre situações de aprendizagem vivenciadas


nas salas de aula:
a) Baseiam-se em atividades sem objetivos específicos, planejados
pelo educador.
b) Fundamentam-se em atividades
direcionadas e planejadas como objetivo
de contribuir para o processo de ensino-
aprendizagem.
c) Consiste em atividades direcionadas
apenas aos alunos que apresentam
dificuldades.
d) Funda-se em atividades recreativas
elaboradas pelo educando.
e) O aluno pode fazer o que bem
entender em sala de aula.

02) Resp. B. O contexto escolar atual exige que o processo de


aprendizagem considere o aluno pesquisador, ativo, capaz de
trabalhar em equipe de forma cooperativa e compartilhada. E
que o conhecimento por ele
adquirido esteja pautado em suas
vivências e articulados a sua
realidade social. Um conhecimento
funcional, que contribua na prática
para o desenvolvimento de novas
competências e habilidades.

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03) Quais são os pilares da educação, segundo a


UNESCO?

03) Resp.: Aprender a conhecer; Aprender a fazer;


Aprender a viver com os outros; Aprender a ser.

04) (VUNESP/2013) Em conformidade com o ponto de vista


defendido por Perrenoud (2000), pode-se afirmar que
A) participar da administração da escola foge inteiramente ao
escopo da função do professor,
não faz parte de seu papel.
B) os professores são os únicos
atores chamados a construir novas
competências.
C) encorajar uma instituição a ter um
projeto e, ao mesmo tempo,
controlá-la minuciosamente é uma
incoerência.

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D) uma instituição escolar, no setor público, é uma


empresa independente e autônoma.
E) o projeto de uma instituição de ensino é “político”
da mesma maneira que o
projeto de um partido político.

04) Resp.: Alternativa C) encorajar uma


instituição a ter um projeto e, ao mesmo tempo,
controlá-la minuciosamente é uma incoerência.

05) (VUNESP/2013) De acordo com Perrenoud, formar para


as novas tecnologias é
A) ensinar o uso de softwares atuais de navegação no
World Wide Web.
B) fornecer acesso gratuito e de
boa qualidade à Internet, pondo
fim à exclusão digital.
C) instrumentalizar os alunos para
que consigam uma boa colocação
no mercado de trabalho.

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D) disponibilizar manuais que permitam ao aluno


dominar as configurações do hardware.
E) formar o julgamento,
o senso crítico, o pensamento
hipotético e dedutivo do
aluno.

05) Resp.: Alternativa E) formar o julgamento,


o senso crítico, o pensamento hipotético e
dedutivo doaluno.

06) (VUNESP/2013) Ao se referir às 10 características de uma


situação-problema, Perrenoud (2000) afirma que esta funciona como
um “debate científico dentro da classe, estimulando os conflitos
_____________ potenciais”.
Assinale a alternativa que, de acordo
com o autor, preenche corretamente a
lacuna do texto.
A) violentos
B) desestruturantes
C) psíquicos
D) sociocognitivos
E) intrapsíquicos

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06) Resp.: Alternativa D) sociocognitivos

Competências na Sala de Aula

Compreender as redes de relações sociais


Uma família excepcionalmente culta e
extremamente dedicada que disponha de
recursos instrumentais de ponta, vivendo em
um local isolado, até pode prover a educação
de seus filhos quanto à

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quantidade de saberes essenciais, mas estará


privando essa educação de outro elemento
crucial e insubstituível na formação humana,
que é a sociabilidade e a rede de relações
humanas que necessitam envolver todo ser
humano com outros de sua espécie.

A escola, dessa maneira, não é apenas


importante pelo que ensina, mas pelas
relações sociais que oportuniza. Pena que na
maior parte das vezes os educadores não
percebem a imensa força dessa integração,
colocando-a a serviço de uma formação
completa.

Valorizar o Diálogo e as Relações Interpessoais


É competência essencial para a escola preparar o
aluno para ser um cidadão, se integrar aos
outros, descobrir e valorizar equipes, se organizar
em grupos, realizando o exercício integral do
diálogo, e a aprendizagem coerente nos debates
coletivos.

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Se uma escola não serve para ensinar a


dialogar, negociar, converter problemas em
oportunidades, aprimorar no aluno à defesa
de seus interesses, a lucidez de seus
argumentos, lidar com signos, dados e
códigos na expressão de suas relações, para
que serve a escola?

Saber acessar e usar as informações


Se não for a competência mais importante a se
buscar, será sem dúvida a mais imediata, pois,
desde a Educação Infantil e por todos os anos do
Ensino Fundamental e Médio, em todas as
disciplinas e aulas, os nossos alunos aprenderam
a falácia que muitas vezes
se ocultou por trás de uma
bela frase: a mentira que
se esconde em atraente
discurso.

Aconselhar é inútil, mas praticar, exercer,


experimentar, sugerir, mostrar será sempre
válido. Pense em um tema qualquer do conteúdo
que costuma trabalhar e imagine apresentá-lo
de diferentes maneiras, treinando seus alunos a
desconfiarem das palavras utilizadas, de seu
sentido, procurando por
sua etimologia, buscando
a lógica e a coerência na
forma com que se diz.

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Quais competências desenvolver nos


professores?
Abandonar a postura retrógrada de ministrar os
capítulos do livro didático ou da apostila,
segundo a ordem que seus autores
desenvolveram. Ao iniciar um ano letivo, refletir
sobre o que ensinar entre
toda enxurrada de temas
que os livros propõem,
mas, principalmente,

por que este e não aquele tema, sempre


considerando os objetivos que se buscam
alcançar. Nesse o que e por que ensinar deve-se
pensar no aluno, em sua vida, nos desafios que
enfrenta, nas relações que estabelece e para
tudo isso o que realmente necessita, para a
partir desses referenciais
e necessidades se chegar
à escolha dos temas a
serem trabalhados.

Conforme Paulo Freire (1997), "errar é como


procurar com os olhos à esquerda o objeto
que à direita se deixou". O erro do aluno é,
talvez, a maior riqueza diagnosticada de seu
caminho pela aprendizagem e o professor
deve buscá-lo, não para punir, mas para fazer
o caminho do acerto.

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