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S I S T E M A S EDM

E EBM
M A N U A L D E R E PA R O D E C A T Á L O G O 2 0 0 1R BE RAEG
AGE ENM
S

1. Apresentação

Este manual aborda todos os detalhes relativos aos reparos das


embreagens dos veículos comerciais.
Assim, procuramos compilar todos os dados, especificações,
etc, abrangendo, inclusive, o diagnóstico de falhas, passando
pelos sistemas de acionamento e suas regulagens, até chegar
ao conjunto da embreagem propriamente dito.
Remoção e instalação do conjunto de embreagem

Esta seção trata de todos os cuidados a serem tomados quando da remoção e instalação de um conjunto
de embreagem (platô, disco e mancal).

A. Antes de desmontar o conjunto

Antes da desmontagem, verifique:


1. Qual a queixa, ou seja, porque o veículo foi recolhido à oficina.
2. Se já foi feito um serviço relacionado à embreagem do veículo anteriormente. Verificar quando e o que .
3. Testar o sistema antes de fazer um diagnóstico da avaria.
Importante: muitos problemas podem ser eliminados sem que seja necessário remover o conjunto de embreagem -
ver capítulo “Diagnóstico de funcionamento da embreagem”.
4. Definir o que fazer e somente depois iniciar o trabalho.

B. Desmontagem

Calçar o pedal na posição de repouso, uma vez que o acionamento acidental do pedal, com o sistema desmontado, pode
provocar sérios acidentes.
1. Desacoplar a haste de acionamento do garfo da embreagem.
Nota: desacoplar o servo da embreagem ou o cilindro hidráulico auxiliar e as respectivas tubulações de ar e fluído, se neces-
sário.
2. Soltar e retirar a caixa de câmbio, alinhando sempre para não forçar o cubo do disco.
3. Marcar as peças, caso esteja removendo o conjunto para verificações e/ou análises.
4. Retirar o mancal.
5. Soltar os parafusos de fixação do platô.
Importante: soltar pouco a pouco cada parafuso, em cruz, até o alívio da tensão das molas.
6. Retirar o platô e o disco.
Importante: não lavar as peças. Retirar a poeira com uma trincha e com ar comprimido. Limpar as superfícies
metálicas com um pano embebido em solvente.

C. Verificações e análises

A análise das peças retiradas é importante para diagnosticar problemas operacionais e/ou falhas dos sistemas de acionamento,
bem como outros problemas mecânicos. Ela deve ser feita cuidadosamente, cada componente do sistema deve ser checado
para garantir um funcionamento suave e harmônico do conjunto.
Esta análise é dividida em diversas etapas e é o que veremos a seguir.
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Platô Desgastada Nova

1. Examinar quanto ao desgaste,


a mola-membrana,
alavanca ou
anel de debreagem.

Desgaste excessivo é sinal de rolamento em mal estado de


funcionamento, engripado e / ou desalinhado.

Nova

Desgastada

Nota: caso vá remover o anel de debreagem, marcar a posição de


Marcar posição de montagem antes
montagem para voltar a montar na mesma posição.
de remover o anel de debreagem.

A montagem fora de posição pode modificar a altura de


regulagem do conjunto.

Desgastada Nova
Platô
2. Examinar o estado das molas de retrocesso.
Mola de retrocesso deformada não produz recuo da placa e o
platô não libera o disco. A deformação da mola se dá por
redução brusca, falta de cuidado na montagem (aperto incorreto
do platô), queda da peça ou estocagem incorreta.

3. Examinar a placa de pressão quanto a desgaste, fissuras,


azulamento por calor excessivo e/ou deformação superior a
0,3 mm, substituir o platô.
Nota: verificar a deformação em pelo menos 3 direções.

Sinais de calor são indícios de: embreagem pré-acionada


e/ou patinação provocada por eventuais problemas opera-
cionais, mal costume do motorista (saídas em 2ª marcha,
segurar o veículo em rampas através da embreagem, etc.),
ou sistema de acionamento desregulado.
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Disco
O exame do disco de embreagem também é um importante
dado para diagnóstico de eventuais problemas operacionais e/ou
mecânicos.

Verificações:
1. Examinar as guarnições quanto a desgastes, fissuras, manchas
de superaquecimento ou outros danos mecânicos.
2. Examinar se há presença de óleo nas guarnições.
3. Examinar o desgaste do cubo. O disco deve deslizar com
facilidade sobre o eixo piloto, porém sem folga excessiva.
4. Examinar as molas de torção do disco quanto a quebras e
folgas.
5. Examinar o desvio lateral (empenamento) do disco e corrigir, se
necessário, em equipamento apropriado. A ponta do relógio
comparador deve ser posicionada entre o rebite e o diâmetro
externo do disco.
O empenamento do disco pode ocorrer na armazenagem, no
transporte ou durante o manuseio.
Veja aqui o exemplo de um disco empenado.

6. Substituir o disco se necessário.


Nota: não compensa reutilizar discos com menos de 0,5 mm de
revestimento útil para desgaste.

9
Mancal de embreagem
Examinar se gira livre, nível e forma do desgaste da bucha,
desgaste na superfície de contato com as alavancas ou linguetas
da mola membrana, desgastes nos pontos de contato com o
garfo e vazamento de graxa. Substituir se necessário.
Importante: o mancal de embreagem com bucha possue lubri-
ficação permanente e não deve ser lavado com qualquer
tipo de solvente. Limpar somente com um pano umedecido.

Eixo piloto
Limpar e examinar quanto a:
1. desgastes irregulares e/ou rebarbas na região de atuação do
disco de embreagem;
2. marcas de funcionamento do rolamento guia do virabrequim /
volante;
3. outras irregularidades;
Corrigir e / ou substituir o que for necessário.

Tubo guia do mancal (moringa)


Examinar quanto a:
1. desgastes irregulares / calosidades;
2. vazamento de óleo do câmbio;
3. verificar se o mancal desliza livre sobre a moringa.
4. outros danos mecânicos;
Corrigir anomalia / substituir se necessário.

Volante do motor
Se as fissuras ultrapassarem 50% da Limpar o volante com um pano umedecido em solvente e examinar:
área do volante, ele deve ser trocado. 1. canais abertos pelos rebites dos discos;
2. manchas de superaquecimento e fissuras;
3. roscas de fixação do platô e empenamento ou deformação;
4. outros problemas mecânicos.
Se necessário, remova-o para melhor análise e/ou usina-
gem - ver detalhes em “Usinagem do volante”.
Nota: Imperfeições na superfície de atrito do volante comprome-
tem a durabilidade do disco de embreagem.
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D. Montagem da embreagem

Antes de iniciar a montagem, proceda conforme abaixo:


1. Engraxar ligeiramente o estriado do eixo piloto e verificar se o
disco corre livre sobre o mesmo, porém sem folga excessiva.
Importante: utilizar um pincel para passar a graxa e elimi-
nar o excesso para evitar a contaminação do revestimento
do disco.
Atenção: graxas recomendadas
Unimoly R24 Klüber / Lubrification Lubrificantes Especiais Ltda.
Molikote G Rapid / Lumobras Imp., Com. e Indústria Ltda
2. Verificar se o mancal / rolamento corre livre sobre o tubo guia
“moringa” do câmbio e se o garfo está alinhado / centralizado.
Importante: o novo mancal dispensa lubrificação, uma vez
que vem equipado com uma bucha de teflon que é auto-
lubrificante.
Atenção: se for utilizar o mancal antigo, com engraxadeira,
utilizar as graxas recomendadas conforme:
Unimoly GLP 2 / Klüber Lubrification Lubrificantes Especiais Ltda.
Molikote Longterm 2 / Lumobras Imp., Com. e Indústria Ltda.
Para a montagem siga sempre os passos abaixo:
1.

1. Observar as marcas de desmontagem, caso algumas peças


venham a ser reutilizadas.
2. Colocar o disco sobre o volante, guiado por uma ferramenta
que simule o eixo piloto (mandril guia).
3. Colocar o platô e apertar gradativamente, em cruz, cada para-
fuso até que a carcaça do platô encoste no volante do motor.
2.
Nota: enquanto for apertando, verifique várias vezes se o mandril
guia pode ser movimentado livremente, indicando que o disco
permanece centrado.

Importante: substituir os parafusos de fixação do platô –


ver capítulo “Parafusos – Classe de resistência e torques”.

4. Torquear o platô com o torque recomendado – ver detalhes em


“Desmontagem e montagem das embreagens”
5. Instalar o mancal / rolamento no garfo, prendendo com os
respectivos grampos ou prendendo o garfo na mola do mancal.
6. Colocar o câmbio, apertar e torquear os parafusos – ver
detalhes em “Desmontagem e montagem das embreagens”.

Importante: guiar sem trancos e alinhado para evitar danos


ao cubo do disco.

7. Conectar os mecanismos de acionamento da embreagem.


8. Pressionar o pedal três vezes.
9. Sangrar o sistema hidráulico.
10. Regular o sistema de acionamento (pedal e servo).
11. Engatar uma marcha alta (5ª ou 6ª) e verificar manualmente
se o veículo dá embreagem.
12. Conectar o cardan e torquear.
13. Testar o veículo.
Molas helicoidais
do disco de embreagem

As molas helicoidais existentes no disco de embre-


agem têm a função de absorver as variações brus-
cas de torque do motor, gerando um conforto
maior para o motorista durante as mudanças de
marcha.

É comum no mercado associar ruídos de trans-


missão às “molas folgadas” do disco de embrea-
gem, o que não é real. Durante a vida útil do disco
há uma folga natural de suas molas de torção, o
que é aceitável e não prejudica o desempenho de
conjunto da embreagem. Alerta-se que a aplicação
inadequada ou uso abusivo do veículo (como por
exemplo, veículos com alterações em suas condições
originais ou com excesso de carga) causam desgaste
excessivo das molas, podendo gerar ruídos.

No caso de ruídos indesejáveis após a


montagem, certifique-se de que não existam
componentes da transmissão soltos ou com
desgaste, coxins de motor e câmbio em mau
estado e que a rotação da marcha lenta es-
teja correta antes de decidir-se pela remoção
do disco de embreagem.

1
A impregnação por lubrificantes
causa problemas na embreagem

A impregnação do disco de embreagem por óleo


ou graxa poderá ocasionar perda de potência
devido à patinação ou vibrações indesejáveis no
veículo em função da trepidação.
A impregnação pode ocorrer por vários motivos,
veja aqui os mais comuns:

Danos no retentor do volante do motor.

Falhas nas vedações do sistema de acionamento


hidráulico.

Retentor do eixo piloto em mau estado.

Manuseio das peças com as mãos impregnadas


de óleo ou graxa.

Cuidados na montagem visando evitar a


impregnação do disco de embreagem:

1. Utilize graxa grafitada ao lubrificar o


estriado do eixo piloto para evitar
escorrimentos em função da força
centrífuga exercida pelo motor, o que
poderia gerar a contaminação do disco de
embreagem.

2. Aplique apenas uma pequena


quantidade de graxa no estriado, suficiente
para o livre deslizamento do disco.

3. Deslize o disco do início ao fim do


estriado. Repita a operação uma ou duas
vezes para obter uma melhor distribuição do
lubrificante.

4. Retire o excesso de graxa utilizando um


pano que não solte fiapos.

2
Pedal duro e ruído
no acionamento da embreagem

Substituir o conjunto de Desgaste ou deformação ao longo do tubo guia


embreagem não se trata (moringa). O desgaste do tubo guia poderá gerar
apenas de retirar o platô, o acionamento irregular do rolamento causando
disco e rolamento usados ruídos.
e simplesmente colocar
outros novos no lugar.
Junto da embreagem,
existem vários compo-
nentes que se desgastam
simultaneamente e,
portanto, não devem ser
esquecidos. Problemas de
esforço excessivo de pedal Desgaste nas hastes do
e ruídos de acionamento, garfo de acionamento.
por exemplo, estão rela- Num garfo em boas
cionados a componentes condições de uso, a área
que forçam o sistema de de contato com o
acionamento da embrea- rolamento deve estar
gem. arredondada.
Por este motivo, o apli-
cador profissional verifica
todos os componentes
envolvidos e os substitui
sempre que necessário.
Fique atento aos princi- Desgaste nas áreas de contato do garfo com as
pais causadores de pedal buchas. As áreas desgastadas do garfo serão
de embreagem duro e impregnadas por resíduos, poeira ou sujeira,
ruídos de acionamento: gerando resistência ao movimento do garfo.

Buchas quebradas ou desgastadas. As buchas em


más condições geram folgas e conseqüentes
vibrações, além de dificultar o movimento do
garfo.

Cabo de embreagem
travado. Uma forma de
verificar a condição do
cabo é retirá-lo e verificar
se permite livre aciona-
mento. A verificação deve
ser feita com o cabo
flexionado.

3
Tipos de acionamentos das embreagens
de veículos de passeio e utilitários

Os motores à combustão não são capazes de trans- tensionado, curvado, a pick-up terá a trepidação.
mitir o torque até que a velocidade de marcha lenta Não podemos esquecer de verificar o paralelismo
seja ultrapassada e possuem uma margem de veloci- do volante e o estado dos coxins do veículo.
dade relativamente limitada para ser utilizada.
Uma embreagem ACIONADA EXTERNAMENTE, com- Sistema de acionamento tipo rígido
binada com uma transmissão por engrenagens, é
varão
capaz de solucionar estes dois problemas, desaco- Este tipo de aciona-
plando o motor do restante do POWERTRAIN. mento é utilizado nos
garfo
Quando falamos uma embreagem “ACIONADA veículos mais antigos.
EXTERNAMENTE”, falamos do sistema de aciona- Ele possui varões de
mento do veículo: é ele que aciona a embreagem, acionamento e são
e se ele vai mal, a embreagem não funcionará corre- mancal de articulados.
embreagem
tamente. Conheça aqui soluções para os quatro
olhal
tipos de acionamento e suas particularidades.

Sistema de acionamento por cabo


Falha: dificuldade de engate
olhal
Muito comum nos Esta falha acontece geralmente quando temos per-
veículos de passeio, da de acionamento. Geralmente perdemos aciona-
o sistema de aciona- mento por empenamento dos varões e folgas nas
mento por cabo se articulações.
cabo torna bastante viável
devido às facilidades Falha: patinação
mancal de
embreagem
de sua manutenção. A regulagem da folga entre mancal de embreagem
e os dedos da mola membrana deve ser obedecida.
garfo Neste sistema, recomendamos uma folga no pedal
de 2 cm. Caso o seu sistema não possua esta folga,
Falha: embreagem dura sua embreagem estará enforcada.
Neste sistema, o cabo é responsável por puxar o
garfo de embreagem e transmitir o movimento Falha: trepidação
até o mancal que acionará a mola membrana do Folgas excessivas, que podem ser claramente
platô. Cabos com desgaste, garfo em mal estado e percebidas no sistema de acionamento (buchas e
buchas do garfo com desgaste excessivo provoca- balancim) e deformações nos varões, causam
rão pedal duro. trepidação.

Falha: rangidos Falha: embreagem dura


É comum neste tipo de sistema, o aparecimento de O sistema de acionamento tem papel fundamental
rangidos durante o acionamento. Podemos afirmar para o esforço do pedal. Necessitamos verificar a
que o platô não produz o rangido durante o acio- lubrificação das articulações, oxidação no tubo
namento. Esta falha é provocada por desgaste das guia, desgaste do parafuso olhal e empenamento
partes móveis, garfo e buchas em mal estado e dos varões.
também a falta de lubrificação do sistema.

Falha: trepidação
Cabos enroscando provocarão a trepidação no
veículo. Na linha pick-up, alguns veículos possuem
este tipo de acionamento. Se o cabo não estiver
Sistema de acionamento hidráulico Sistema de acionamento hidráulico com mancal
convencional hidráulico
olhal reservatório reservatório
cilindro mestre
No sistema de aciona- tubulação
Este sistema é um dos
mento hidráulico mais atuais, aplica-se
temos como benefício tanto à linha leve
a diminuição do esfor- cilindro
mestre
quanto à linha pesada.
ço do pedal e um Ele não possui o garfo
tubulação
acionamento suave e de acionamento:
mancal hidráulico
sem ruídos. o mancal de embrea-
atuador
gem faz o papel do
mancal de embreagem garfo e do cilindro
atuador.
Falha: dificuldade de engate São duas funções em um só componente.
Geralmente esta falha acontece após a troca da
embreagem. É necessário a verificação do nível de Falha: embreagem dura
óleo do reservatório, a realização da sangria para Problema similar ao do sistema de acionamento
eliminação de ar no sistema, verificar possíveis hidráulico convencional.
empenamentos das hastes dos cilindros e tubula-
ção do óleo com restrições. Falha: dificuldade de engate
A perda de pressão no sistema causa a dificuldade
Falha: patinação de engate, assim como também a presença de ar
Este tipo de falha acontece quando o sistema fica no sistema ou tubulação com restrição.
“enforcado”, ou seja, o óleo não retorna para o É necessário verificar todo o sistema hidráulico
reservatório e assim mantém a haste do cilindro antes da remoção do conjunto de embreagem.
atuador acionada, provocando a patinação no veí-
culo. Falha: trepidação
A trepidação também poderá surgir quando o
Falha: embreagem dura sistema de acionamento estiver vazando. Nos
O atuador hidráulico está sujeito a desgastes inter- casos de volante “tipo pot” é extremamente
nos que prejudicam seu desempenho. As paredes necessária a verificação da profundidade do
internas dos cilindros são polidas e com o tempo rebaixo após a usinagem. Alguns mecânicos só
de uso elas vão criando rugosidades que afetam o retrabalham a superfície de atrito do disco e
curso do êmbolo devido ao atrito. Nem sempre esquecem de retrabalhar a superfície de apoio do
ocorrem vazamentos nestas situações, mas mesmo platô.
assim recomendamos a troca do atuador sempre
que for efetuada a substituição da embreagem. Falha: patinação
Obs.: geralmente o veículo já apresenta este A patinação, neste sistema, ocorre por motivo
problema com o conjunto de embreagem anterior. semelhante ao do sistema de acionamento hidráu-
lico convencional. Também é necessária a verifica-
ção de um possível travamento da haste do cilin-
dro mestre ou restrição na tubulação. Ambos
impedem o retorno do óleo ao reservatório.

A Sachs recomenda a substituição do mancal


hidráulico a cada troca de embreagem.

5
A embreagem em carros da linha Renault
Cuidados durante a substituição

Diagnóstico requer inspeção detalhada na


desmontagem
Ao desmontar a caixa seca, observe o pino olhal
(no destaque) e verifique se ele ainda está coberto
com uma bucha de nylon. No caso mostrado aqui,
o pino já aparece sem a bucha.
O desgaste da bucha causa perda de curso de
acionamento do platô, dificultando o engate das
marchas. Sua completa ausência, devido ao uso
excessivo, causa o contato do garfo com um pa-
rafuso da caixa seca, dando a sensação de degrau
toda vez que se aciona a embreagem. Pino olhal
SEM bucha

Lavagem é indicada para verificar o estado geral


Antes de realizar a substituição da embreagem, é
indicado lavar a caixa seca. Além de eliminar
resíduos e poeira que poderiam afetar o
funcionamento suave da nova embreagem, estes
elementos devem ser retirados para garantir a
eficiência da nova lubrificação que será aplicada
ao sistema. Áreas que apresentarem sinais de oxi-
dação devem ser igualmente tratadas, eliminando-
se os mesmos por completo. Fora isto, a lavagem
também é aconselhável para poder checar a
condição geral da caixa.
Somente assim é possível verificar fissuras ou
rachaduras.

Importante: trocar o garfo e a bucha


Fora o desgaste (ou mesmo a ausência) da bucha
no pino olhal, a redução das áreas de contato do
garfo (mesmo sendo
Bucha nova:
pequenas) também ela deve ser montada sobre
contribui para uma o pino olhal.
perda de curso de
Garfo novo:
acionamento e assim, ele deve substitur o
dificuldade nos enga- garfo antigo para
garantir engates
tes das marchas. suaves.
Em função disto, toda
vez que o platô e o Detalhe da parte interior de um garfo
disco forem trocados usado. Note o acúmulo de poeira e sujei-
é recomendável ra. São elementos abrasivos que aumen-
substituir o garfo e tam o atrito e diminuem a vida útil da
bucha por peças bucha de nylon e mesmo do garfo, crian-
novas. do folgas. Folgas que, posteriormente,
causarão a dificuldade no engate das
Área de contato marchas.
com desgaste

6
O toque final: lubrificar o garfo e a bucha
Por fim, para assegurar o funcionamento suave e
prevenir o desgaste prematuro do novo garfo e da
bucha, é indicado lubrificar ambos antes de
proceder a montagem final do sistema.

Lembrete
Ao trocar a embreagem de um Renault, sempre
troque também o garfo e a bucha de nylon.
O sinal mais claro do desgaste destas peças é a
necessidade de calços no cabo de embreagem
para permitir mais curso no acionamento.

7
A embreagem em carros da linha Fiat
com motores 1.0, 1.3, 1.5 e 1.6

Sistema de amortecimento torcional absorve


vibrações e reduz ruídos
Observe os componentes do novo kit de embreagem
Sachs para a linha Fiat, motores 1.0,1.3, 1.5 e 1.6.
O disco é do tipo VTB com pré-amortecimento
para absorver os ruídos da marcha-lenta. Conta tam-
bém com amortecimento principal robusto e de
grande angulação para absorver vibrações do
motor, reduzir ruídos e proteger a caixa de trans-
missão.
O resultado é um desempenho superior na absor-
ção das vibrações do motor. Isto, por sua vez,
reduz sensivelmente os ruídos do câmbio. Tudo
isto tem um objetivo claro e definido: aumentar o
conforto e a segurança de quem dirige.

Atenção para a posição CORRETA de montagem


do mancal
Para o funcionamento correto e livre de problemas Orelha do mancal
da embreagem da linha Fiat, é muito importante
verificar a posição de montagem do mancal.
Aqui vemos a posição correta do mancal quando
ele é instalado.
O dente de fixação no garfo precisa ser montado
para baixo e a orelha do mancal para cima.
Em destaque nos retângulos amarelos é possível
identificar o dente de fixação no garfo e a orelha
do mancal. São eles que determinam a montagem
correta do mancal. A orelha do mancal sempre
deve ficar PARA CIMA e o dente de fixação no
garfo PARA BAIXO.
Dente de
fixação no garfo

Repare como o mancal encaixa no tubo


guia, deixando uma boa parte dele à mostra.
É esta área marcada pela linha amarela.
Este é o modo CORRETO DE INSTALAÇÃO do
mancal. Se por algum motivo o tubo guia não
estiver descoberto como nesta foto ao lado, a
instalação está errada!

8
Veja o mancal montado na posição ERRADA
Tome muito cuidado ao montar o mancal. Na foto
ao lado, vemos o dente de fixação montado para
cima e a orelha do mancal para baixo (indicado
pelo dedo). Isto irá causar o seguinte problema: o
mancal vai tocar a caixa seca, impedindo o seu
retorno. O platô ficará então pré-acionado,
causando a popular “patinação” do sistema.
Outro problema decorrente da montagem errada:
será possível engatar as marchas sem que se
acione o pedal de embreagem.

Veja como a área marcada pela linha amare-


la é menor quando o mancal está instalado de
modo ERRADO. Ele não está encaixado
devidamente e a embreagem não funcionará
como deveria.

Verificação das buchas guia da caixa seca é


aconselhável
As buchas guia da caixa seca são o próximo item
que deve ser observado com atenção. Se elas
estiverem quebradas, amassadas ou até mesmo
ausentes, isto causará o desalinhamento entre
motor e câmbio.
Este desalinhamento vai fazer com que o disco
trabalhe forçado. A diminuição sensível de sua
vida útil e até uma quebra, serão as conseqüên-
cias. Portanto, deve-se checar as buchas antes de
se reiniciar a montagem do sistema e trocá-las, se
houver necessidade.

9
Para evitar a trepidação, verifique os coxins
Para otimizar o conforto e a segurança após a
substituição da embreagem, é aconselhável
verificar os coxins do câmbio e do motor. Se
apresentarem sinais de fadiga ou estiverem danifi-
cados, troque-os por novos. Coxins desgastados ou
quebrados causam trepidação ao veículo.

O toque final para um funcionamento suave


Os kits de embreagem Sachs vem acompanhados
de um sachê com graxa especial. Faça uso do mes-
mo de forma cuidadosa.
O novo mancal possui pista interna autolubrifican-
te, que dispensa manutenção e lubrificação exter-
na. Use a graxa somente para lubrificar levemente
a guia do rolamento, bem como o garfo.

Dica para a montagem da


embreagem (veja mais
detalhes na página ao lado).

Montar o platô
acionado é outra
ação que vai evitar os
transtornos causados
pela trepidação.

10
Evite problemas de trepidação
em embreagens de automóveis de passeio e
utilitários

Grande parte dos problemas de trepidação em


automóveis e caminhonetes equipados com platô
de carcaça estampada (como por exemplo os
veículos VW 1.6, 1.8 e 2.0) se deve ao aperto
irregular na instalação, ocasionando deformação
da carcaça ou dos dedos da mola membrana.

Quando o platô está na condição livre (antes do


aperto dos parafusos de fixação), sua placa de
pressão está avançada e recua forçadamente à
medida que o mecânico aperta os parafusos.

Dependendo da força exercida e da seqüência


de aperto dos parafusos, pode haver a
deformação da carcaça de chapa ou o
desalinhamento dos dedos da mola da membrana,
provocando a trepidação da embreagem.

É fácil prevenir este defeito mantendo-se o


platô acionado. Para isso, basta colocar um cabo
metálico ou plástico entre a carcaça do platô e a
mola membrana, o qual fará com que a placa de
pressão recue, permitindo instalar o conjunto de
embreagem mais facilmente. Recomenda-se
utilizar um cabo de aço, como por exemplo, o
“arame” de um cabo de embreagem.

1. Com o auxílio de uma pequena prensa,


pressione a mola membrana (chapéu-chinês) de Conforme o tamanho do platô e o espaço
modo que o platô fique acionado. Aconselha-se a entre a carcaça e a mola membrana, verifi-
utilização de um volante como base de fixação. que qual o melhor diâmetro para o cabo a
utilizar. No caso dos veículos VW 1.8 e 2.0
2. Com o platô acionado, insira o cabo metálico (Kit 6561 / platô 1307) recomenda-se utilizar
entre a carcaça e a mola membrana. um cabo de aço de aproximadamente 5mm
ou um cabo de vela.
3. Retire o platô da prensa e instale o conjunto
de embreagem normalmente, apertando os Não pressione a mola membrana excessi-
parafusos progressivamente (aos poucos) e vamente, o que poderia comprometer seu
alternadamente (em cruz). Naturalmente, você funcionamento.
perceberá um aperto mais fácil.
Utilize um calço no contato do punção da
4. Retire o cabo. prensa com a mola membrana para proteger
os dedos da mola.
Seguindo estes passos você realiza um
serviço de qualidade e evita problemas de
trepidação.

11
Peças com Defeito
Hábitos incorretos ao dirigir
que prejudicam a embreagem

Existem diferentes causas Utilize o pedal da embreagem somente no


que originam problemas na momento da troca de marcha. Quando o motoris-
embreagem, devido, ta descansa o pé sobre o pedal, provoca um
particularmente, a um uso aquecimento excessivo do sistema e um desgaste
inadequado do motorista. prematuro dos componentes.
Veja quais os pontos de
maior incidência, assim
como algumas dicas que Nunca segure o veículo numa rampa utilizando
ajudarão a melhorar a a embreagem como freio. Este hábito causa um
utilização e a vida útil da desgaste excessivo do disco. Nestas situações,
embreagem. utilize sempre o freio do veículo.

Evite sempre ultrapassar a capacidade de carga


especificada pelo fabricante do veículo, porque
afetará o funcionamento da embreagem e dimi-
nuirá a vida útil da mesma.

Evite sempre acionar e desacionar bruscamente


a embreagem para aumentar o torque ou alterar a
rotação do motor quando se encontrar em uma
velocidade compatível.

Não inicie bruscamente a marcha, evitando


arrancadas bruscas.

Nunca saia com o veículo em segunda marcha.

Evite reduções bruscas de velocidade, freando


ou desacelerando subitamente o motor.
O correto manuseio
e armazenamento de embreagens

As embreagens são fabricadas com a


mais alta tecnologia, sob rigorosos padrões de
qualidade. Porém, para que o consumidor
obtenha sua máxima performance, alguns
cuidados imprescindíveis no manuseio e
armazenamento devem ser tomados.
Apesar da aparência robusta, as embreagens
possuem alguns componentes sensíveis, como
por exemplo, as molas de retrocesso do platô,
que, quando deformadas devido a impactos na
peça, causarão dificuldade de engate.

Ao armazenar embreagens utilizando empilha-


mento horizontal excessivo, toda a carga
suspensa irá concentrar-se nas peças inferiores,
causando deformações.

Para evitar este problema, recomenda-se, por


exemplo, para o caso dos discos de embreagem e
kits da linha leve, o empilhamento vertical.

Problemas como desbalanceamento do platô e disco ou desalinhamento da placa de pressão


são comumente constatados devido a impactos no manuseio ou armazenamento incorreto.

Os 5 pecados no manuseio e armazenamento das embreagens.


Arremessar a embreagem Encaixar forçadamente Empilhar até o céu
Rolar a peça Armazenar em lugar desprotegido
Remanufaturamento x Recondicionamento
Entenda a diferença entre estas técnicas

A embreagem realiza o importante papel de Qualidade e confiança.


transmitir e permitir a interrupção da transmissão Somente o fabricante possui os recursos tecnoló-
do torque do motor para o câmbio do veículo. gicos necessários para atingir a qualidade,
Além disso, ela absorve as vibrações torcionais atendendo inclusive aos requisitos ISO / QS 9000.
do motor que provocam ruídos e desgaste de Por esse motivo, a embreagem remanufaturada
componentes do câmbio, proporcionando Extra Power é conhecida como a peça nova de
conforto para o motorista. novo, oferecendo a mesma garantia da
embreagem nova.

Perigos do recondicionamento da embreagem.


Alguns cuidados fundamentais não são tomados
pelo recondicionador, como por exemplo: balan-
ceamento da embreagem, substituição de compo-
nentes de desgaste, como molas helicoidais do
disco e mola membrana do platô, etc.
É importante ressaltar que somente alguns fabri-
cantes de embreagem desenvolvem o
revestimento (lona) do disco de embreagem
especialmente para esta aplicação, conferindo o
desempenho e a durabilidade desejada.

Você confia na embreagem recondicionada?


Embreagens recondicionadas geralmente
apresentam problemas de patinação, trepidação,
ruído ou ainda problemas mais graves, como
superaquecimento do conjunto ou centrifugação
do disco de embreagem. Uma embreagem não
balanceada provoca vibrações que podem
danificar mancais da transmissão e do eixo
virabrequim.
E isso tudo sem falar em durabilidade! A vida útil
da peça recondicionada é muito inferior a de uma
peça nova.

Jamais confunda REMANUFATURADO com


recondicionado.

A embreagem remanufaturada
aproveita somente os componentes
estruturais e substitui todos os demais.