A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA

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CAPITULO 1
INTRODUÇÃO

BREVE RESENHA HISTÓRICA SOBRE OS PRIMORDIOS DA FOTOGRAFIA AÉREA
É sabido que o desenvolvimento da fotografia aérea se baseia no desenvolvimento do balonismo militar, da fotografia propriamente dita, e mais tarde no nascimento da aviação militar já no sec. xx. Já tinham sido feitas experiências no campo da fotografia com processos ópticos e químicos antes do sec. IXX, no entanto é a invenção de Louis Daguerre (com a ajuda de Nicéphore Niepce) que em 1839 marcou o maior avanço no desenvolvimento da fotografia (negativo de Daguerre ou “Daguerre type”). Um novo estágio foi alcançado, quando em 1851 o negativo em vidro húmido se tornou sensível à luz, o que reduziu o tempo de exposição para apenas 2 segundos, mas implicava e existência de uma câmara escura portátil para uma revelação imediata do negativo. A primeira fotografia aérea é atribuída a Gaspard Félix Tournachon, que em Outubro de 1858 utilizou um balão de ar quente para tirar uma fotografia à capital Francesa. Infelizmente estas fotos não sobreviveram ao passar do tempo e actualmente a mais antiga fotografia ainda existente, documenta Boston e data de 1860. Em 1871 é atingida uma nova meta na história da fotografia com a invenção do negativo seco por Richard Maddox, consistindo em placas de vidro revestidas por uma emulsão gelatinosa composta por diferentes químicos. Estas placas fotográficas eram muito mais sensíveis à luz e permitiam um tempo de exposição de menos de um segundo. Adicionalmente estas placas podiam ser reveladas muito mais tarde, não sendo necessário ter presente uma câmara escura portátil. Devido a estas duas razões a fotografia aérea podia agora começar a ser explorada em larga escala. É a partir deste ponto que balões e dirigíveis são constantemente utilizados como plataformas de câmaras de fotografia aérea. Mas foram os eventos de 17 de Dezembro de 1903 que influenciaram profundamente a história quer da aviação quer da fotografia aérea. Nesse dia os irmãos Wright fizeram o primeiro voo em avião a motor, voo esse que durou apenas 12 segundos mas que abriu as portas à aviação moderna. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira

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É também atribuída a Wilbur Wright a primeira fotografia aérea tirada em avião em 1909, fotografia essa tirada sobre Itália. A partir desse momento uma nova plataforma fotográfica aérea seria explorada em todas as suas vertentes sendo então massivamente utilizada durante a primeira guerra mundial. A primeira fotografia aérea efectuada em Inglaterra com fins exclusivamente arqueológicos, foi tirada a Stonehenge pelo Tenente P. H. Sharpe em 1906 utilizando um balão como plataforma fotográfica, (Deuel 1969). Estas fotos revelam-se importantes porque mostram marcas nos campos cultivados que culminaram na altura em novas descobertas arqueológicas. No entanto noutras partes da Europa a fotografia aérea já tende a caminhar nesta direcção. Em Itália muitos monumentos e sítios arqueológicos foram fotografados no período de 1899-1911 sobre a direcção de Giacomo Boni.

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Logo no início da Primeira Grande Guerra, em Agosto de 1914, a esperada guerra de movimentos estratégicos, rapidamente mudou para uma guerra posicional nas trincheiras implicando grande número de voos de reconhecimento sendo a fotografia aérea a principal “arma” utilizada neste campo. A primeira guerra mundial torna-se uma regra chave no desenvolvimento futuro da fotografia aérea e no aproveitamento da sua aplicação na arqueologia. A importância da fotografia aérea aplicada a este campo era na altura muito pouco relevante, mas num dos importantes trabalhos sobre arqueologia aérea “Aerial Archaeology in Britain” (Riley 1996), Derrick Riley diz:

“O início da fotografia aérea arqueológica advém do resultado do ímpeto dado à aviação durante a primeira grande guerra, e ao crescimento do número de voos efectuados na altura. Os arqueólogos eram poucos na época, mas entre eles havia um que tinha sido observador na “Royal Flying Corps”, O. G. S. Crawford e que se tornou no mais importante pioneiro da fotografia aérea” (Riley 1996).

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1-1: Exemplo de fotografia aérea para fins militares tirada sobre Oosttaveern Wood 1917 (Fonte: Flanders Fields Museum). Na época uma importante descoberta feita através da fotografia aérea é atribuída ao alemão Carl Schuchhardt. Britânicos e Alemães. Theodor Wiegand é de entre todos os pioneiros neste campo. bem conhecido pela criação do “DEUTSCH-TURKISCHEN DENKMALSCHUTZKAMMANDO” (Departamento para a protecção UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 6 . Independentemente do grande desenvolvimento do avião da câmara fotográfica e das técnicas utilizadas nas películas no virar do sec. Fig. com fotos das linhas Romanas de Dobrujda (Roménia) em 1918. OUTROS TEATROS DE GUERRA DA ÉPOCA Noutros teatros de guerra algumas descobertas arqueológicas importantes foram feitas por iniciativa dos Franceses. IXX.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 Poder-se-á dizer que o início da fotografia aérea arqueológica foi o resultado do ímpeto dado à aviação em consequência da primeira guerra mundial e ao grande número de voos efectuados durante este conflito.

principalmente no Reino Unido. O INICIO DA OBSERVAÇÃO AÉREA COM FINS ARQUEOLÓGICOS Num curto período após a Segunda Grande Guerra. fornecidas pelo piloto e fotógrafo alemão. A recente história da fotografia aérea pode ser sumariamente referida como sendo a génese entre a observação aérea militar.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 de monumentos). fotografias essas. Beazeley. que na realidade era uma unidade que fazia parte do exército Turco baseou todo o seu trabalho na fotografia aérea de sítios arqueológicos. As fotografias aéreas obtidas pelos Ingleses e feitas por G. Tenente Falke. foram iniciadas. e muitas iniciativas. a aviação sofreu um desenvolvimento que se pode classificar de vertiginoso. Este departamento. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL Não há grande dúvida que foi a segunda guerra mundial que providenciou o estímulo para o desenvolvimento da fotografia aérea de observação. (“ver para lá da colina”). Durante os quatro anos de duração deste conflito e devido as exigências da guerra. o método da fotografia aérea tornou-se estável. A. o nascimento da fotografia e a invenção do avião. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 7 . assim como as técnicas de reconhecimento aéreo que paralelamente acompanharam este avanço consequente das necessidades do presente. Entre eles o mais relevante é a observação aérea da Universidade de Cambridge levada a cabo por parte da Royal Commission on the Historical Monuments of England. Retrospectivamente nota-se a forte associação das campanhas militares e o consequente progresso da arqueologia aérea. situados maioritariamente no deserto do Negev. de sítios da Mesopotâmia tinham uma qualidade superior devido à baixa incidência da artilharia antiaérea ao contrário do que se passava na frente Oeste.

podemos encontrar literalmente centenas de milhares de fotografias em diferentes colecções espalhadas pelo mundo inteiro e cuja qualidade é superior às restantes. Mas se olharmos para as fotos aéreas da Segunda Guerra Mundial. Estas fotos são uma grande fonte de informação para a prospecção arqueológica. A maioria destas fotos foi tirada antes da grande expansão das vilas e das cidades e da implementação da agricultura intensiva. quer urbano quer rural na Europa. As imagens aéreas históricas contêm grande quantidade de informação que pode ser aplicada em diferentes campos. podemos no entanto detectar marcas no solo ou nas culturas que nos podem guiar à descoberta de muitos novos sítios.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA PORQUÊ O USO DE FOTOGRAFIAS AÉREAS HISTÓRICAS? 2010/11 È legitimo perguntar. PORQUÊ O USO DE FOTOGRAFIAS AÉREAS MILITARES HISTÓRICAS? O uso de fotografias históricas que foram tiradas com fins militares dão-nos as mesmas vantagens que as que referimos no assunto anterior. porque nos devemos concentrar no uso da fotografia aérea para fins arqueológicos? A resposta é simples. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 8 . devido as avançadas técnicas utilizadas pelos militares. Não sendo a maioria delas tiradas com fins destinados a prospecção arqueológica. Estas fotos são também uma excelente fonte de informação para o estudo do desenvolvimento paisagístico. Como resultado é possível fazer um levantamento de sítios arqueológicos que consequentemente estarão actualmente completamente destruídos.

anterior.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 Fig. Recorrendo ao uso de tecnologia fotogramétrica moderna é já possível “reconstruir” estas paisagens em 3D. criando assim uma quase completa cobertura de fotografia aérea. Estes factos permitem estudar estas paisagens em grande pormenor. Ao mesmo nível foram tiradas fotografias aéreas ao longo das várias linhas de frente. Pela primeira vez na história da Europa uma batalha tinha sido travada a uma escala industrial. (Pode-se notar a grande diferença de qualidade em relação à fig.2-1: Exemplo de fotografia aérea tirada durante a Segunda Guerra Mundial sobre Poperinge. Se observarmos algumas das fotos aéreas obliquas recentemente tiradas de alguns destes locais de conflito podemos reconhecer os traços bem visíveis “marcas na agricultura” de sistemas de UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 9 .

A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 trincheiras em Lichtervelde.41). 4-1: Trincheira nas dunas da costa Belga. 3-1) ou de uma trincheira nas dunas da costa Belga (Fig. Fig. 3-1: Sistemas de trincheiras em Lichtervelde. Bélgica (Fig. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 10 . Bélgica. Fig.

Estruturas arquitectónicas ainda de pé que requerem fotos tiradas durante a hora do dia em que o sol se encontra com uma inclinação em relação à linha do horizonte ao ponto de provocar sombra no terreno. Eles voavam à procura quer de novas ruínas quer de marcas na agricultura que os levasse à descoberta de novos sítios arqueológicos. As horas e as estações do ano em que se fazem este tipo de voos depende das características daquilo que se pretende pesquisar. As marcas na agricultura (crop marks) que são mais visíveis durante o crescimento das sementeiras. consequente das pequenas deformações do terreno. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 11 . começaram a aparecer os chamados “arqueólogos voadores” tripulando aeronave ligeira e até mesmo helicópteros.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 A fotografia aérea tem sido em larga escala uma fonte inestimável de pesquisa não invasiva na Europa durante quase um século. O grande número de fotografias tiradas durante e imediatamente após o final da Segunda Guerra Mundial são só por si um valioso recurso e desde então.

000 e 1:50. A terceira dimensão ou percepção de profundidade. quando visto através de um estereoscópio. através dos nossos dois olhos. entre outros. simultaneamente de dois ângulos diferentes. captam-se duas imagens ligeiramente diferentes de cada objecto e essas imagens fundem-se no cérebro numa imagem tridimensional.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 CAPITULO – 2 A FOTOGRAFIA AÉREA CONTEMPORÂNEA Poder-se-ão considerar dois tipos de fotografia aérea como sendo os principais e os de maior utilização.000). obtém-se aquilo a que se chama de estereopar. A aeronave voará a uma altura fixa de maneira a tirar fotos à vertical do terreno (inclinação inferior a 4º) produzindo fotografias a uma certa escala (normalmente 1:10. Quando observadas simultaneamente. os quais designaremos de verticais e oblíquos. geram paralaxe estereoscópica que transmite a noção de profundidade (3D) entre pontos de observação e proporciona a percepção das três dimensões do terreno (relevo). Verticais Estereoscópicas Uma das características dos seres humanos. permitindo deste modo fazer observações rigorosas. De facto. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 12 . A partir de duas imagens sucessivas do mesmo local. recolhidas a partir de pontos diferentes.000 mas também poderão ser de 1:30.000 e 1:25. IMAGENS VERTICAIS Estas são frequentemente tiradas com uma máquina fotográfica fixa montada num avião de pesquisa aérea. resulta do facto de se captarem imagens do mesmo objecto. é terem a possibilidade de ver aquilo que os rodeia em três dimensões. com cerca de 60% de sobreposição longitudinal entre si. militar ou civil. e cada uma por um dos olhos do observador.

no decorrer dos disparos sucessivos. consideram-se como requisitos para a visão estereoscópica:  O estereopar tem de ter a mesma escala. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 13 . 1-2: Estereoscópio Fig. 2-2: Estereopar em software para foto interpretação Requisitos para visão estereoscópica: A fim de se conseguir tirar partido da visão estereoscópica é necessário cumprir certas condicionantes nas imagens observadas. Assim. Fig. tem de estar no mesmo plano vertical e ser perpendicular ao plano horizontal de referência do terreno.  O eixo óptico da câmara.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 (Estereoscópios são instrumentos ópticos que tornam possível a visão tridimensional das fotografias aéreas).

Elas não permitem visão estereoscópica e empregam-se como complemento das imagens verticais anteriormente referidas. pode obter-se uma perspectiva. A sua utilização é mais adequada em aprofundamento de estudos em locais já conhecidos do que na identificação de novos elementos. Este tipo de imagens tem o inconveniente de não permitir distinguir bem as periferias e carecem de uniformidade de escala. 3-2: Exemplo de fotografia vertical simples que mostra uma escombreira de remoção clandestina de materiais arqueológicos romanos na Quinta da Torre D’aires IMAGENS OBLÍQUAS Esta é a forma mais comum de fotografar estruturas arqueológicas e onde a máquina fotográfica não está fixa.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 Fig. Esta perspectiva apresenta-nos os objectos de uma forma mais familiar dado que a nossa visão do mundo é em perspectiva. uma visão panorâmica do terreno. ou seja. facilitando assim a sua análise. é tirada a uma menor altitude e este tipo de foto produz uma maior detalhe do que na vertical. Isto resulta numa foto angular tirada a um dado local. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 14 . Dependendo do grau de inclinação do eixo óptico.

A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 Fig. 4-2: Exemplo de fotografia obliqua que neste caso mostra a destruição sistemática de solo arqueológico na Quinta da torre D’aires (Hipotético local da localização da cidade romana de Balsa). UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 15 .

Uma vez delimitada a área de estudo. da fauna. deve-se passar então ao estudo concreto de interpretação da fotografia aérea para elaboração da foto carta com fins arqueológicos. das condições climatéricas. da flora. Pois será extremamente importante obter toda a informação possível referente as ocupações populacionais contemporâneas e passadas. Já foi amplamente demonstrada a grande utilidade que a fotografia aérea tem para a prospecção arqueológica. para se poder analisar da existência ou não de sinais no terreno que nos levara a novas descobertas cientificas. o acto de examinar imagens com o fim de identificar objectos. Nesta altura deve-se proceder ao relacionamento de pontos de “mapeamento” das UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 16 . mas toda a informação que é registado no papel fotográfico necessita de ser entendida. Ao fim de realizar estes estudos prévios. é uma ferramenta que nos ajuda a examinar as imagens fotográficas do terreno com propósitos diversos. ELEMENTOS A TER EM CONSIDERAÇÃO AQUANDO DA ELABORAÇÃO DE UMA FOTOCARTA COM FINS ARQUEOLÓGICOS. As possibilidades de predição de sítios que nos proporciona a interpretação de fotografias aéreas é uma das características que lhe confere o valor que tem como auxiliar da ciência e pratica profissional arqueológica. Pode então definir o conceito de foto interpretação como sendo. áreas ou fenómenos e ajuizar do seu significado. necessários e essenciais. etc.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 CAPITULO 3 A FOTO INTERPRETAÇÃO E A ARQUEOLOGIA A FOTO INTERPRETAÇÃO A foto interpretação (analise e interpretação de fotografias). assim como fazer uma investigação histórica arqueológica da mesma. assim como dos sistemas de mobilidade utilizados. e antes de proceder a interpretação da fotografia aérea será oportuno realizar uma investigação bibliográfica das características geológicas e geomorfológicas da região. aqui são analisados algumas das possibilidades de aliar a fotografia aérea à arqueologia.

Nesta foto poderemos detectar um circulo bem impresso no terreno que demonstra a existência de uma zona circular rica em nutrientes e humidade e que vai implicar um mais rápido crescimento da vegetação. 1-2: Exemplo da diferença de crescimento num campo cultivado UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 17 . estradas ou estruturas mais compactas não conseguem reter a humidade implicando um crescimento mais lento das culturas aí semeadas. implicam alterações de crescimento na vegetação de um dado local. Ou seja.000. a camada arqueológica do subsolo causa variações no crescimento das culturas.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 fotos relacionando-os directamente com a carta topográfica da região de preferência 1:25. Antigas valas ou muros soterrados causam uma observável diferença no crescimento e na cor da vegetação e é mais claramente visível em grandes e homogéneas áreas de cultura. utilizando para este fim as características geofísica do terreno associando os possíveis significados arqueológicos que cada unidade de interpretação possa ter. Marcas na agricultura “Marcas na agricultura” (crop marks) pode ser definido como sendo. enquanto muros. (marca de agricultura negativa). dependendo do tipo de cultura e é mais visível durante o pico do verão (entre Julho e Agosto). (marca de agricultura positiva). devido à variação na retenção da humidade no solo. VALA MURO OU PAREDE Fig. ou seja demonstra a existência de uma antiga vala soterrada. O período de visibilidade destas marcas é geralmente de curta duração. a detecção de sinais no terreno que nos poderá levar à descoberta de infra-estruturas soterrados que não estando visíveis.

A luz límpida e clara das manhãs e no Inverno do fim da tarde aplicam ao terreno contrastes de sombra e luz. que facilitam grandemente a detecção deste tipo de estruturas. A luz clara é essencial para melhor se detectar este tipo de sítios. Terá de ser o arqueologia a determinar o grau de seca do terreno e a interpretar a sua morfologia tendo em conta as áreas mais compactas do subsolo que são as que retêm menor quantidade de humidade. serão os locais mais indicados para utilizar este tipo de prospecção. no entanto pode ser imperceptível através de fotografia aérea. Estes locais não são de fácil detecção através de fotos verticais devido ao ângulo de incidência da objectiva que não permite ver o ligeiro relevo do terreno. terrenos apenas utilizados para o pastoreio. É possível ver estas marcas claramente em áreas relvadas como também em áreas cultivadas. etc. entretanto a janela de oportunidade para ver e identificar estes locais é só durante um período de tempo particularmente quente. aldeias medievais desertas sulco. tais como muros. Sítios de baixo perfil Um sítio com estruturas que tenham um baixo perfil em relação ao terreno poderá ser facilmente visível no chão. Fortificações. com o solo a apresentar altos na sua superfície como único sinal de estruturas enterradas. estradas. limites de aldeamentos são exemplos de monumentos que ficam mais nítidos depois deste tipo de fotografia aérea. Assim. onde são utilizados regularmente arados e niveladoras. “marcas de seca” aparecem durante os períodos de maior calor ou de falta de precipitação prolongada.VALA A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA MURO OU PAREDE 2010/11 Marcas de seca no terreno Como sugere o nome. Este tipo de estruturas normalmente só sobreviverão em áreas que não estiveram sujeito a cultivo. baldios etc. locais de planalto. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 18 ..

existência de muros. A sua grande utilidade deriva principalmente do fácil e económico manejo dos dados em relação à grande quantidade de informação que pode proporcionar. tipos de cobertura vegetal. expressão essa com origem nos anos 60’s para designar qualquer método de observação remota da superfície terrestre onde amplamente se destaca a técnica da fotografia aérea (principal método existente naquela época). aspectos arqueológicos. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 19 . etc. DIFERENÇAS ENTRE IMAGEM DE SATÉLITE E FOTOGRAFIA AÉREA As Imagens de Satélite permitem:  Registos discretos (digitais) a duas dimensões (2D). o parcelamento de áreas com fins arqueológicos. natureza e uso do solo. Com estas técnicas obtemos informações para analisar elementos geológicos. Os projectos arqueológicos que utilizam a análise da fotografia aérea incluem nos seus planos a utilização desta técnica com fins variados. O desenvolvimento da tecnologia espacial permitiu contar com plataformas de observação espaciais (satélites). calçadas. Assim a foto interpretação é o ramo da teledetecção que nos ajuda a examinar as imagens fotográficas do terreno com o propósito de identificar os diferentes componentes naturais de origem antrópica da paisagem. apesar da sua grande eficácia e aplicabilidade em prol das descobertas de novos e valiosos (a nível cientifico) sítios arqueológicos. etc. tais como a identificação de sítios arqueológicos.  Cobrir áreas extensas. mas não é utilizada em Portugal com a frequência que mereceria. o relevantamento de antigos sítios arqueológicos. dando lugar a uma variante da teledetecção: a teledetecção por meio de satélite. A interpretação de fotografias aéreas aplicadas à arqueologia é um recurso mais que reconhecido no seio da comunidade arqueológica mundial como de efectivo valor para esta ciência.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 A FOTO INTERPRETAÇÃO E A ELABORAÇÃO DE CARTAS ARQUEOLÓGICAS A palavra TELEDETECÇÃO é a tradução para português da expressão inglesa remote sensing.

 Ser multi-espectrais (conter informação da energia emitida e da energia reflectida). embora sobrepondo várias delas. segundo a qual.  Cobrir áreas restritas (dependendo da escala).  Uma disponibilidade quase directa em/para utilização em Sistemas de Informação Geográfica (SIG). As Imagens Fotográficas permitem:  Registos contínuos a duas dimensões (2D).  Ser multi-temporais.  Efectuar uma análise estereoscópica (ver a 3D).A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11  Ser processadas directamente por computados sem necessidade de serem digitalizadas. nas imagens se conservam as formas de organização espacial antigas.  O registo de pequenos objectos e estruturas dificilmente detectáveis pela vista humana (4 ou 5 linhas por mm) dado o elevado poder de resolução dos filmes actualmente utilizados em fotografia aérea (várias centenas de linhas por mm).  Ser verticais ou oblíquas.  Ser verticais ou oblíquas.  Ser digitalizadas para serem processadas por computador. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 20 .  Possibilitam a realização de uma arqueologia da própria paisagem através da “Lei da Persistência dos Planos”.  Facilidade em ampliar. Tanto as imagens de satélite como as fotografias aéreas:  Permitem realçar as relações que unem ou perturbam os elementos da paisagem.  Ser multi-sensoriais.

permitindo uma leitura (foto interpretação) mais clara do local. Durante a 2ª campanha de escavações em 2007. fazendo prever a importância dos achados que futuras escavações poderão trazer à luz do dia.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 CAPITULO 4 EXEMPLO DA UTILIZAÇÃO DA FOTOGRAFIA AÉREA NA DESCOBERTA DE NOVOS SÍTIOS ARQUEOLOGICOS LOS CASARES DE ARMUÑA Tomo como um dos muitos exemplos de como a fotografia aérea pode ser útil e esclarecedora no campo da arqueologia. permitindo assim a descoberta desta tão arqueologicamente importante Villa Romana. Supõe-se que esta villa tenha sido construída numa época de grande intensidade da cultura cerealífera na zona. Director do Museu de Segóvia. foi posto a descoberto um mosaico com nove metros de comprimento num excelente estado de conservação. Alonzo Zamara. mas sem descobrir nada especifico. Segovia. 1-4. algumas hipotéticas construções confusamente delimitadas. tirou várias fotografias aéreas onde se apercebiam diferenças de coloração no terreno. mas não havendo nada especifico que o provasse foi ficando no esquecimento até que em Abril de 1989. é considerado um dos conjuntos residenciais mais significativos do Baixo-império Romano em Castela. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 21 . Julio del Olmo efectua o mesmo tipo de voo. Villa da época de Teodósio I (379-395). o sítio romano de “Villa de los Casares” situado na vizinha Espanha (onde a fotografia aérea para fins arqueológicos é amplamente utilizada) a cerca de 3 km de Armuña. Este local era já desde a alguns anos referenciado como possível “aglomerado de construções da época romana”. (durante o Inverno e a Primavera de 1994-1995) conseguindo fotografias que aclararam e complementaram as fotografias realizadas 6 anos antes. fig.

UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 22 . Fig. Fotografia aérea de Julio del Olmo Martín. Segovia): Propostas de leitura.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 Fig.4: Planta da Villa de los Casares. 2 . Congresso Internacional La Hispania de Teodosio. tirada em 1994. 1 . Segundo a obra “La villa de los Casares (Armuña. 1997”. em Armuña. Vol 2.4: Vista aérea dos vestígios da “Villa de Los Casares”.

Mosaico. Foto: Sonia Llorente UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 23 . 3 .A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 Fig. Setembro de 2007. Foto: Sonia Llorente Fig.4: Trabalhos de escavação. Setembro de 2007. 4 .4: Trabalhos de escavação.

Mosaico.4: Trabalhos de escavação.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 Fig. 5 . Foto de Sonia Llorente UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 24 . Setembro de 2007.

A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 CAPITULO 5 A FOTOGRAFIA AÉREA COMO FERRAMENTA NO CONTROLO EVOLUTIVO DAS ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE S. pela negativa) de uma escavação arqueológica através da fotografia aérea. 1– 5 Sítio arqueológico de São Marcos: fotografia aérea (obliqua) das valas abertas durante a campanha de 1984. Fig. MARCOS Este será um dos muitos exemplos onde se pode observar a evolução (nesta situação específica. Aqui observamos como na generalidade muitos dos sítios arqueológicos são “devorados” pelo avanço urbanístico. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 25 .

2-5 Sítio arqueológico de São Marcos: levantamento topográfico das estruturas arqueológicas sobre ortofoto (vertical) da área 2004. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 26 .A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 Fig.

L. SANTOS. – Um projecto de prospecção geofísica de Balsa. P. STICHELBAUT. – Interpretación de Fotografias Aéreas y Arqueologia Socialmente Útil BRITISH ARCHAEOLOGICAL JOBS RESOURCE . . da S.Aerial Photography and Manual Image Rectification.A FOTOGRAFIA AÉREA E À ARQUEOLOGIA 2010/11 BIBLIOGRAFÍA Nuevos Elementos de Ingeniería Romana – III Congreso de las Obras Públicas Romanas. J. 313-340 SILVA.Images of Conflict ESPIRO. L. 2006: ET. Astorga 2006 Junta de Castilla y León – Colegio de Ingenieros T. – PAPETTI. J. – BOURGEOIS. V. – CHIELENS. N. – Aplicações de Sistemas de Informação Geográfica em Arqueologia. P. B. F. E. P. UNL-FCSH Licenciatura em Arqueologia Aluno nº 25439 Acácio Pedro Ferreira 27 . a Short Guide. de O. TRAIANVS. L. – SAUNDERS. p.

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