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Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda

Universidade de Aveiro

Topografia e Desenho Assistido por Computador

Agradecimentos

O presente estágio foi possível graças à disponibilidade da Empresa


TopoVagos, como tal gostaria de agradecer em primeiro lugar a esta entidade,
nomeadamente ao Engenheiro Nuno Paiva e ao colega Luís Santos.

Gostaria de agradecer também e manifestar o meu apreço a todos os que


colaboraram, directa ou indirectamente, no meu estágio.

Agradeço a ajuda no manuseamento do software AutoCad Civil 3D 2010 ao


Engenheiro Nuno Paiva, que me proporcionou um bom desempenho no último
trabalho realizado; ao Professor Coordenador Miguel Tavares pela colaboração
e experiência transmitida e por fim, não menos importante ao José mais
conhecido por Zé, o porta miras, da entidade, que me auxiliou do início ao fim
do estágio em tudo o que sabia.

A todos agradeço a simpatia com que me receberam assim como pelo


companheirismo, que me proporcionaram ingressar na prática da topografia.

Ivo Figueiredo
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Índice Geral

Introdução ................................................................................................... 6

Identificação ................................................................................................. 7

A empresa .................................................................................................... 8

Objectivos ..................................................................................................... 10

Planeamento de trabalho .............................................................................. 11

Definição de Planeamento em Topografia .................................... 11

O Meu planeamento ..................................................................... 12

Métodos de levantamento topográfico ........................................................ 14

GPS ............................................................................................... 14

Estação total .................................................................................. 14

Desenvolvimento ......................................................................................... 15

Definição de RENEP ....................................................................... 15

Definição de SERVIR ..................................................................... 15

Operar como porta miras ................................................................. 16

Estacionar a estação total ................................................................ 17

Operar com a estação total .............................................................. 18

O que é um trabalho georeferenciado .............................................. 19

Como georreferenciar um trabalho? .................................................. 19

Procedimentos para realizar

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Iintersecção Inversa................................................................. 20
Intersecção directa................................................................... 21

Download e upload de pontos .......................................................... 22

Implantação de pontos no terreno .................................................... 22

Implantação com GPS ........................................................... 23

Implantação com a estação Total .......................................... 23

Molduras para Impressão ................................................................ 24

Cuidados a ter com o equipamento ................................................. 24

Equipamento de protecção .............................................................. 25

Equipamento para a realização de levantamentos topográficos ..... 26

Trabalho Final Realizado em Autonomia ................................................. 28

Planeamento do trabalho de campo ............................................... 28

Criação do meu catálogo de objectos ............................................. 30

Construção do template .................................................................. 31

Como inserir ou criar blocos ................................................ 32

Como guardar o bloco para que fique no template ............. 32

Levantamento da área ................................................................... 32

Trabalho de gabinete ..................................................................... 33

Conclusão ................................................................................................. 36

Bibliografia ................................................................................................ 38

Anexos ...................................................................................................... 39

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Índice de Figuras

Figura 1 – Parte do programa onde se pode fazer o planeamento da constelação... 13

Figura 2 – Posicionamento certo da estação.............................................................. 18

Figura 3 – (Intersecção inversa).................................................................................. 20

Figura 4 – Capacete de protecção.............................................................................. 25

Figura 5 – Colete reflector ......................................................................................... 25

Figura 6 – Botas de borracha .................................................................................... 25

Figura 7 – Cones de sinalização ............................................................................... 25

Figura 8 – Martelo, estaca, marcador, bil-graf para materializar estações de terreno 26

Figura 9 – Estação total Topcon ................................................................................ 26

Figura 10 – Tripé para estação total .......................................................................... 26

Figura 11 – Tripé (aranha) para prisma ..................................................................... 26

Figura 12 – Prisma e bastão de prisma...................................................................... 27

Figura 13 – Base GPS com rádio............................................................................... 27

Figura 14 – Rover GPS .............................................................................................. 27

Figura 15 – Caderneta GPS ....................................................................................... 27

Figura 16 – Folha de bloco de notas .......................................................................... 34

Figura 17 – Saída gráfica ........................................................................................... 35

Figura 18 – Folhas de legenda .................................................................................. 35

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Índice de Anexos

Anexo I – Folhas de Moldura ( formato digital) ............................................. 39

Anexo II – Catálogo de objectos ................................................................... 40

Anexo III – Template ..................................................................................... 41

Anexo IV – Legenda de AutoCad ................................................................. 45

Anexo V – Levantamento topográfico .......................................................... 47

Anexo VI – Imagem do Google Earth do local ............................................. 48

Anexo VII – Folha dos pontos coordenados em Ponte de Vagos ................ 49

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Introdução

Ao entrar no CET, Curso de Especialização Tecnológica, de Topografia e


Desenho Assistido por Computador 2009/2010, da ESTGA, Escola Superior de
Tecnologia e Gestão de Águeda, o objectivo sempre foi acabar como técnico
qualificado, apto a manipular as mais recentes tecnologias e a utilizar as
metodologias de forma a realizar todo tipo de trabalhos propostos durante a
minha futura vida profissional como topógrafo.

Sendo a topografia uma ciência que estuda todos os acidentes geográficos,


definindo a situação e a localização deles que podem ficar em qualquer área
descrevendo-os num plano com os pormenores naturais ou artificiais que ele
apresenta1, o seu estudo não se poderia basear apenas numa formação teórica
mas também prática daí incluir estágio curricular, este é, digamos, a peça
fulcral do curso, com o estágio entramos realmente na realidade da topografia.

O meu estágio teve início a 10 de Maio de 2010 na empresa TopoVagos – Luís


Santos, sita em Vagos concelho que se distingue pelas suas assimetrias. O
Oeste é comandado pela triologia Sol, Mar e Ria, o interior já é constituído pelo
sistema florestal, Mata das Dunas de Vagos que ocupa uma área aplanada e
muito extensa, riquíssima em flora e fauna autóctone. A Este surge o Rio Boco
com mistura de águas de várias nascentes2.

O estágio, relatado ao longo destas próximas páginas teve uma duração de


doze semanas, com carga horária de nove horas diárias, juntamente com os
colegas de curso Luís Santos e Filipe Carvalho e teve como coordenador o
professor Miguel Tavares.

1
Enciclopédia Larousse

2
http://sig.cm-vagos.pt/website/pontosapoiovagos/viewer.htm

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Identificação

Nome: Ivo José dos Santos Figueiredo

Numero Mecanográfico: 37286

Morada: Rua da Estrada Velha N.º2

Landiosa

3750-033 Aguada de Baixo

Contacto: 966636957

E-mail: figueiredo.ivo@gmail.com

A empresa

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TopoVagos.LDA – é uma empresa situada na Rua Doutor Mendes Correia Pai,


nº 133, 1º Esquerdo 3840-443 Vagos.

É considerada uma empresa de elevada formação técnica, especialmente


vocacionada para serviços no âmbito da Topografia, com larga experiência na
elaboração e coordenação de todo o tipo de trabalhos topográficos.

Para tal, dispõe dos mais modernos equipamentos de topografia, que em


conjunto com os mais avançados Softwares, permitem a execução de projectos
com elevado grau de exigência e profissionalismo no que diz respeito a:

Topografia
- Levantamento topográfico com Estação Total e GPS
- Levantamento topográfico ligado à rede geodésica
- Levantamento arquitectónico (de fachadas)
- Medição de áreas
- Inventariação (avaliação de terrenos, relações de bens e partilhas)

Apoio a Projectos
- Levantamento topográfico
- Cálculo de volumes
- Estudo da directriz e perfil longitudinal
- Medições gerais

Apoio a Obras
- Implantação do projecto
- Acompanhamento de obra
- Fiscalização e coordenação

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Engenharia
- Projectos de Engenharia Civil3

É uma empresa constituída por um engenheiro topógrafo, um topógrafo, um


porta miras.

T: +351 234 781 342


T: +351 234 793 341
F: +351 234 781 340
Tml: +351 962 893 760
E: topovagos@topovagos.com

Objectivos

3
www.topovagos.com

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Como aluno do curso de Topografia e Desenho Assistido por Computador o
meu objectivo principal ao iniciar o estagio foi conseguir cumprir os objectivos
traçados no plano de estagio, assim como:

• Trabalhar como porta miras;

• Posicionar e calibrar uma estação topográfica;

• Conseguir efectuar levantamentos topográficos e a georeferenciação


dos mesmos;

• Em obra conseguir fazer implantações e piquetagem;

• Conseguir trabalhar com todos os softwares de topografia de forma a


conseguir realizar um trabalho desde o levantamento até ao projecto
final pronto a entregar ao cliente.

O objectivo geral do estágio não só consistiu na aprendizagem do


manuseamento do equipamento e software, mas também no saber colaborar
com os colegas de trabalho, com os clientes e com a população em geral.

Por isso, este relatório final funcionará como peça fundamental do “puzzle” em
que se tornou o curso, pois nele ficará relatado todo um momento de trabalho,
ou melhor, de início de actividade como topógrafo.

Planeamento de trabalho

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Todos os trabalhos de topografia são diferentes entre si, por inúmeras razões,
as mais comuns são, o fim para o qual o trabalho se destina e a topografia
natural do terreno (relevo, vegetação, área e altitude).

Tudo isto afecta de forma directa no orçamento que se apresenta ao cliente.

Para tal, e para que o trabalho não venha a dar prejuízo, gastando ele mais
tempo de que planeado, o topógrafo ao executá-lo deve proceder a um bom
planeamento do seu trabalho.

E um bom planeamento deve ter em conta alguns factores, tais como:

- Se o trabalho é georreferenciado ou não;

- A topografia natural do terreno;

- Se georreferenciado, quais os marcos geodésicos mais próximos, ou


no caso de utilizar rede servir ou renep, qual delas está mais próxima do
local onde se pretende realizar o trabalho.

Por todos estes factores, o planeamento do trabalho deve ser um ponto a ter
sempre presente. No meu caso e porque a minha experiência ainda não me
permite calcular determinados riscos, o planeamento para os trabalhos que me
são propostos são feitos de forma bastante minuciosa para que não haja
imprevistos de maior, os quais posso não conseguir resolver em tempo útil para
a execução do trabalho.

O meu planeamento de trabalho consiste nos seguintes pontos:

1º - Visitar o local onde se vai realizar o trabalho, ou utilizar ortofotomapas para


que possa ficar com uma ideia da zona do trabalho e analisar a topografia

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natural do terreno, e saber quais os equipamentos de que preciso ou os mais
indicados face às condicionantes naturais ou artificiais para a sua realização.

2º - Se for pedido um trabalho georreferenciado é preciso saber quais os


marcos geodésicos mais perto, ou se existe alguma rede de quarta ordem no
concelho para fazer calibração do aparelho. Caso o local de trabalho me
permita usar GPS, é necessário fazer uma pesquisa para saber como vai estar
a constelação dos satélites no dia em que se vai realizar o trabalho. Assim,
com esta pesquisa, poderei saber a constelação, o PDOP e qual a melhor hora
do dia para fazer o levantamento.

O programa que uso para fazer a pesquisa sobre a constelação é o (TOPCON


TOOLS v7.2) é um programa que para além de servir para fazer o planeamento
de trabalho com GPS, também faz o pós-processamento dos pontos que eu
preciso de utilizar como pontos onde vou estacionar a base do GPS.

(TOPCON TOOLS v7.2) é um programa muito útil no planeamento, e foi-me


fornecido pelo professor Jacinto, no contexto da disciplina SISTEMAS
GLOBAIS DE POSICIONAMENTO.

Fig. - 1 A figura representa a parte do programa onde se pode fazer o


planeamento da constelação

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3º - No caso de poder utilizar uma das duas redes geodésicas, (Servir ou
Renep), é preciso saber qual delas me vai ser mais vantajosa, isto é, qual das
redes está mais próxima do local, para que possa trabalhar sem quebras de
sinal e com maior precisão.

Exemplo: se o trabalho estivesse a ser realizado em Águeda, eu iria usar a


rede RENEP, pois existe uma antena no concelho. Em Aveiro iria usar a rede
SERVIR, pois a antena mais próxima está situada em S. Jacinto.

4º - No caso em que tenha de utilizar estação; e porque o GPS é um


equipamento muito útil e funcional, mas que por vezes em determinadas zonas
se torna inútil devido a falhas de comunicação por inúmeras razões, devemos
ter em conta os pontos de apoio com que se pode contar no local do trabalho,
ou se tenho que os criar, como por exemplo materializar um ponto de
coordenadas conhecidas no local, ou criar uma poligonal.

5º - É necessário saber o tipo escala em que o trabalho vai ser entregue para
que seja possível decidir o nível de pormenor a representar.

Métodos de levantamentos topográficos

(Mais utilizados no decorrer do estagio)

Os métodos de levantamento utilizados em campo para a realização de um


trabalho são de certa forma afectados pelo fim a que o trabalho se destina, no
decorrer do meu estágio os métodos de levantamento que mais utilizei foram:

• GPS

Rtk- Método de obtenção de coordenadas em tempo real, com este


método estaciono a base num ponto de coordenadas conhecidas e com
o rover faço leituras dos pontos que quero obter coordenadas, estas
são obtidas com três leituras.

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Pós-processamento – é feito com o método estático rápido, que
consiste em estacionar a base num ponto de coordenadas conhecidas,
de preferência pontos materializados no terreno, e posiciono o rover no
ponto onde quero obter as coordenadas durante 5 a 20 minutos.

Em gabinete faço o pós-processamento das coordenadas com o


programa (TOPCON TOOLS v7.2) e com o ficheiro de efemérides
disponibilizado pelo IGP .

• Estação total

Intersecção Directa – Neste caso estaciono em pontos de coordenadas


conhecidas e viso pontos dos quais se quer determinar as coordenadas.

Intersecção Inversa – Neste caso estaciono nos pontos cujas


coordenadas se querem calcular (desconhecidos) e oriento a dois
pontos de coordenadas conhecidas, depois da orientação feita a estação
está pronta para iniciar o levantamento, conhecendo já as coordenadas
do ponto onde está estacionada.

Desenvolvimento

Redes geodésicas nacionais

Definição de RENEP:

“ A RENEP é um serviço público de geo-posicionamento prestado pelo IGP


que, no âmbito das suas atribuições de manutenção do Referencial Geodésico
Nacional, disponibiliza aos utilizadores de equipamentos GPS dados que
facultam a determinação de coordenadas geográficas com precisão melhor que
10cm.
É constituída por Estações GPS/GNSS, de observação contínua, que difundem
observações no Sistema de Referência ETRS89, para posicionamento em
tempo-real, utilizando a técnica RTK, ou para pós-processamento com ficheiros

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RINEX.” Texto retirado de: http://o-topografo.blogspot.com/2008/05/renep-
rede-nacional-de-estaes.html

Definição de SERVIR:

“Este projecto consiste na criação de Estacões de Referência GNSS (Global


Navigation Satellite System) para RTK (Real Time Kinematic) com o intuito de
fornecer em tempo real correcções diferenciais, que permitem a um utilizador
obter coordenadas precisas de um Ponto. Assim, entrou em funcionamento, em
Abril 2006 a primeira fase do projecto SERVIR, tendo iniciado a 2ª Fase em
Abril de 2007 Consistindo esta 2ª Fase no alargamento da referida rede quer
ao Norte do País, quer ao Sul.”

“As Altitudes fornecidas pela rede SERVIR são Elipsóidais. Não são
Ortométricas (COTA). O IGeoE aconselha os utilizadores a efectuarem sempre
uma calibração local, no sistema de coordenadas pretendido, antes de
realizarem qualquer trabalho com os dados desta rede de estações GNSS de
referência.” Texto retirado de: http://o-topografo.blogspot.com/2008/05/renep-
rede-nacional-de-estaes.html

Operar como porta miras


A minha primeira fase na empresa, Topovagos, foi trabalhar como porta miras,
que durou cerca de cinco semanas. Esta era uma das fases à qual eu não dava
grande importância por pensar ser única e exclusivamente “segurar no bastão”
mas, estava bastante enganado.

Agora que trabalhei algum tempo como porta miras sei que não é assim, este
trabalho é por sinal bastante importante, tanto no levantamento de um terreno
como no decorrer de uma obra.

O trabalho de porta miras não se resume apenas a “segurar no bastão” mas é


uma ajuda essencial para o topógrafo, pois um bom porta miras sabe onde
colocar o bastão para que o topógrafo possa trabalhar, o que diminui bastante
o tempo do levantamento.

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Como me disseram algumas vezes na empresa “o porta miras é os olhos do
topógrafo no terreno” isto é, um bom porta miras tem conhecimento dos
objectos que são precisos levantar para determinados trabalhos, bem como os
deve levantar, as informações que transmite ao topógrafo tem que ser precisas
e inequívocas, pois a determinadas distâncias o topografo deixa de ter
percepção sobre os objectos, e qualquer erro efectuado em campo por má
percepção ou informação errada por parte do porta miras, vai-se reflectir
posteriormente no trabalho de gabinete.

Na minha experiência como porta miras pude adquirir alguns conhecimentos


que me puderam ajudar numa futura vida profissional como topógrafo, tais
como:

• Preparar a segurança no local de trabalho, isto é, colocar os cones e


triângulos de sinalização de forma correcta para haja percepção do
equipamento por parte de todos os que circulem junto do mesmo.

• Preparar o material para a realização do levantamento, não só fazer a


montagem do equipamento, mas também preparar estacas, bill-graf ou
pregos.

Na realização do levantamento aprendi a:

• Fazer o levantamento de postes; onde se deve posicionar o prisma ao


lado do poste, para que, o topógrafo possa tirar a distância e depois
roda a mira para o centro do poste para tirar o ângulo, assim a posição
irá ser bastante mais precisa.

• Levantamento de caixas de águas pluviais ou de telecomunicações;


redondas ou quadradas para uma maior precisão tem de ser dar
sempre três pontos.

• No levantamento de um muro; para que haja uma maior precisão deve-


se colocar o bastão na diagonal e o prisma na vertical junto á superfície
do muro, para que a distancia seja o mais precisa possível, de seguida
roda-se a mira do aparelho para a esquina da superfície do muro e lê-se
o ângulo.

• No final de cada levantamento é necessário proceder a verificação do


estado de todas as baterias do equipamento e coloca-las á carga se
necessário para o próximo trabalho.

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Estacionar a estação total

Estacionar a estação total é uma das tarefas diárias de qualquer topógrafo,


tarefa essa que com o decorrer do tempo se vai tornando simples e rápida,
mas para mim que não tenho experiencia é uma tarefa que por vezes se torna
complicada e morosa, o que varia em função do local onde a preciso
estacionar.

Para que esta tarefa seja bem realizada e porque a estação total mal
estacionada dá origem a erros grosseiros, há procedimentos que devem ser
seguidos, tais como

• Subir as pernas do tripé de forma que ele fechado fique à altura dos
olhos do operador, já com as pernas do tripé esticadas abrem-se as
mesmas de maneira a que formem triângulos iguais entre si, de modo
que a base esteja o mais horizontal possível. Fixa-se bem o tripé ao
chão (calcando bem as pernas) par que este não possa vir a
escorregar.

• Já com o tripé montado, coloca-se a estação total na base do tripé e


aparafusa-se (segurando sempre com a outra mão na pega superior da
estação total), para que ela não possa vir a cair, com pernas do tripé
(subindo ou descendo) nivelamos a estação, de seguida aliviamos um
pouco o parafuso que segura a estação ao tripé e a olhar pelo prumo
óptico fazemos deslizar a estação para que esta fique verticalizada com
o ponto coordenado no chão (se este for um caso em que estacionamos
num ponto de coordenadas conhecidas)

Fig. - 2 Posicionamento da Estação Total

• Por último nivela-se a tórica, utilizando os parafusos de nivelamento.

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Operar com a estação total


Para operar com a Estação Total num levantamento topográfico
georreferenciado (o tipo de levantamento mais pedido actualmente) é então
necessário ter pontos materializados no terreno com coordenadas conhecidas,
pontos que podem ser um prego, uma estaca ou marcados no chão com o bill-
graf.

Para criar os pontos de apoio no terreno existem duas formas de os fazer; com
a estação total, método mais moroso, ou com o GPS o método mais rápido e
mais utilizado, estes são feitos da seguinte forma:

Como quando se inicia o trabalho de campo já se deve ter o planeamento do


trabalho feito, então já se sabe quais os marcos geodésicos que se vão utilizar
para fazer uma calibração local e coordenar pelo menos dois pontos no terreno
ou, então utilizar uma das duas redes geodésicas (RENEP ou SERVIR).

Os pontos que se coordenam com o GPS no terreno são chamados de


estações e por norma são numeradas (9000,9001,9002...) que são inseridos de
forma manual na estação da seguinte forma:

Dentro de um trabalho já criado, no menu “pontos” vamos a “edit pontos” e


fazemos “adiciona”, dentro deste menu adicionam-se os pontos de estação
que pretendemos inserindo as coordenadas e o código de estação.

Coordenadas; (Norte, Este, Cota)

Ponto; (9001, 9002)

Código; (Estação)

A partir deste momento já se pode iniciar o trabalho, fazendo uma intersecção


inversa ou uma intersecção directa.

O que é um trabalho georreferenciado?


Um trabalho georreferenciado quer dizer que as suas coordenadas são
conhecidas com precisão num determinado sistema de referência, por outra
palavras esta ligado á rede geodésica nacional.

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Como georreferenciar um trabalho?


Este processo inicia-se com a obtenção das coordenadas (pertencentes ao
sistema no qual se pretende georreferenciar), que no meu caso foi o sistema
“Hayford-Gauss”, “datum 73”, isto é, no inicio de um determinado trabalho a
orientação inicial é feita a pontos com coordenadas conhecidas (ligados á rede
geodésica nacional), pontos esses que podem ser obtidos com o GPS e
implantados no terreno ou a partir marcos geodésicos ou redes de apoio
existentes em determinados conselho.

Procedimentos para realizar intersecção directa e inversa


na Estação total
 Intersecção inversa - Estaciona-se a Estação Total num ponto de
coordenadas desconhecidas e visa-se dois pontos de coordenadas
conhecidas;

Fig. 3 (intersecção inversa)

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Liga-se a estação total e no ecrã abrimos o programa TOPSURV 7, cria-se
um novo trabalho em; “ Novo” depois do trabalho criado, no menu “topog”
escolhe-se a opção “int.inversa”, e preenche-se os dados; “AP” altura do
prisma, “AI” altura do aparelho, em “OCOP” inserimos o número que
queremos dar ao sítio onde temos a estação estacionada;

(O método de enumerar na empresa é: 9000 para estações GPS e 8000


para estações da estação total)

Depois de todos os dados inseridos faz-se a orientação para os pontos de


coordenadas conhecidas; em “ponto” colocamos o número da estação para
a qual vamos visar primeiro (já inserido anteriormente de forma manual),
fazendo sempre 3 leituras, de seguida visa-se para a outra estação, coloca-
se o número da estação e repete-se o processo.

Com as leituras feitas, no menu “config medições” analisamos o erro que


obtivemos depois das leituras (x, y, z), cabe ao operador decidir se aceita
ou não o erro, se o erro estiver dentro dos limites “limites estabelecidos pelo
topografo ou especificações da obra” clica-se em “aceita” e gravamos,
fecha-se o menu e a estação total já tem a orientação feita e esta pronta
para começar a medir.

Para começar a medir clica-se novamente no menu “topog” e vamos a


“levantamento”, a partir daqui é só dar o numero por onde se quer começar
a marcar pontos e atribuir códigos ao que se esta a levantar.

 Intersecção directa – estaciona-se a Estação Total num ponto de


coordenadas conhecidas e visa-se outro ponto de coordenadas
conhecidas;

No decorrer do estágio e apesar do método mais utilizado de levantamento


com estação total ter sido a “intersecção inversa”, surgiram casos onde
utilizei a “intersecção directa”, que se processa da seguinte forma;

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Estaciona-se a estação total num ponto de coordenadas conhecidas, entra-
se no programa “TOPSURV 7” e clica-se em “novo” para criar um trabalho.

Depois do trabalho criado no menu “topog” escolhe-se a opção


“orientação”, introduz-se a altura do aparelho e a altura do prisma, e em
“ocop” vai-se buscar o número da estação onde está o aparelho
estacionado (as coordenadas já foram inseridas anteriormente de forma
manual, ex. 9001), de seguida vai pedir as coordenadas para onde se vai
orientar, clicando em cima do espaço que tem para introduzir o número do
ponto vai aparecer uma lista com os pontos que já estão gravados, escolhe-
se a estação para a qual vamos visar (ex. 9002) e faz-se as leituras.

Com as leituras feitas, no menu “config medições”, (repetimos o


procedimento da intersecção inversa)

Download e upload de pontos

Todos os pontos que são levantados no terreno precisam obrigatoriamente


de ser transferidos para o computador a fim de serem trabalhados num
programa de desenho (Autocad ou sierrasoft), dependendo com o qual a
empresa trabalha, o mesmo acontece com os pontos para piquetagem que
são transferidos do computador para a estação total ou GPS.

Na TopoVagos o equipamento é todo da marca “Topcon”, equipamento este


que tem a opção de poder utilizar cartão de memória, logo foi a única forma
com que fiz downloads e uploads dos pontos, tanto para GPS como para
estação total.

Contudo os pontos têm de se passar por uma folha do bloco de notas, seja
para fazer download ou upload para que possamos alterar o formato e
retirar nome de pontos que estejam antes do número, isto porque a
importação dos pontos tem que seguir uma regra igual para todos eles ex.
(NMPZD.txt)

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Implantação de pontos no terreno

No decorrer do presente estágio foram várias as obras em que estive a


implantar pontos, uma das obras onde passei mais tempo e que mais
pontos implantei foi na zona industrial de Vagos na empresa, Plafeza, onde
foram utilizados dois métodos de implantação.

Implantação com o GPS; método com menor precisão que a estação total
e com um erro associado que pode ir até aos dois centímetros. Este método
foi o mais utilizado por mim no decorrer do estagio, sendo que na maioria
das implantações feitas era necessário pouca precisão. Processa-se da
seguinte forma; os pontos para implantar no terreno são na maioria das
vezes fornecidos pelos responsáveis da obra, estes são carregados no GPS
por o cartão de memória.

Utilizando o exemplo da obra em Vagos o próximo passo é estacionar a


base do GPS no ponto de coordenadas conhecidas, abre-se o trabalho e
inicia-se a base, no rover entra-se no programa “TOPSURV 7” e abre-se o
mesmo trabalho, de seguida vamos ao menu “piquetagem” e clicamos em
“piquetar”, no ecrã do GPS vai aparecer o ponto que queremos piquetar
(sinalizado com um ponto) e a distância nos encontramos do mesmo (o
rover do GPS é sinalizado com uma cruz), começamos a deslocar o rover
na direcção do ponto até conseguir colocar à distância mais próxima de
zero possível, é nesse ponto que espetamos a estaca e a sinalizamos com
uma fita.

Implantação com a Estação Total; com a estação total o processo inicial é


idêntico, os pontos também são transferidos com o de cartão de memória,
para começar a implantar os pontos podemos utilizar a intersecção directa
ou inversa, desde que tenhamos dois pontos coordenados no terreno,
depois de estacionar a estação entra-se no programa “TOPSURV 7” e
abrimos o trabalho onde estão os pontos para implantar, orienta-se a

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estação (aos pontos coordenados no terreno), com a estação total já
orientada vamos ao menu “piquetagem” e clicamos em “piquetar”,
chama-se o ponto que queremos piquetar (dando dois cliques no ponto ou
escrevendo o número dele), como a estação que existe na empresa é
robotizada pode-se orientar para o sitio onde o ponto vai ser implantado de
duas formas; manualmente (no ecrã aparece a distancia e o ângulo do
ponto, roda-se a estação manualmente até o ângulo estar o mais perto de
zero possível), ou, de forma automática (carrega-se no botão que diz “S O”
e ela gira automaticamente), de qualquer uma das formas o passo final é
fazer leituras para o prisma, leituras essas que vão indicando a distancia a
que o prisma se encontra do ponto, quando chegar a zero coloca-se a
estaca.

Molduras para Impressão

Em todos os trabalhos que realizei deparei-me com várias dificuldades, mas


a mais difícil de resolver foi a questão da plotagem “impressão”, tendo em
conta que na empresa não me conseguiram ajudar, devido a trabalharem
com o “sierrasoft” e eu trabalhar com o “Autocad civil 3d”, posto isto, a
solução foi criar molduras para impressão, pesquisei as medidas e, fiz
várias molduras para várias escalas e várias folhas; (A1,A2,A3,A4,), para as
escalas; (1:1000; 1:500;1:200 e 1:100), tendo em conta que os formatos
mais utilizados.

Anexo 1 (Folhas de moldura para impressão; em formato digital)

Cuidados a ter com o equipamento

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- Sempre que estacionamos a estação total deve-se colocar cones reflectores;

- Pisar sempre muito bem as pernas do tripé, para que não se corra o risco de
ela poder vir a escorregar;

- Manter um bom ângulo de abertura entre as pernas para que ela não possa
vir a tombar com alguma rajada de vento;

- Quando chove deve-se colocar a protecção impermeável sobre a Estação


Total;

- Transportar a Estação Total sempre dentro da sua mala em longas distâncias;

- Quando queremos transportar a Estação Total para uma curta distância,


pode-se coloca-la sobre o ombro com o cuidado de se verificar se esta se
encontra bem fixa ao tripé, e ter atenção como se transporta, duas pernas do
tripé para a nossa frente onde colocamos as mãos e a terceira perna do tripé
para trás das nossas costas, tendo em conta que a estação deve estar sempre
o mais na vertical possível;

- Colocar a Estação Total sobre o tripé só quando este estiver o mais nivelado
possível.

Equipamento de protecção

Fig.4 - Capacete de protecção Fig.5 -


Colete reflector

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Fig.6- Botas de borracha Fig.7 - Cones de sinalização

Equipamento para a realização de levantamentos


topográficos

Fig.8 - Martelo, estaca, marcador e bil-graf para


materializar estações no terreno

Fig.9 - Estação total Topcon

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Fig.10 - Tripé para estação total

Fig.11 - Tripé aranha

Fig.13 Base GPS com rádio

Fig.12 Prisma e bastão de prisma

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Fig.15 Caderneta GPS

Fig.14 Rover GPS

Trabalho final, realizado em autonomia

A realização do meu trabalho final “realizado em completa autonomia”, é o


culminar de todos os conhecimentos que fui adquirindo durante o decorrer
do estágio, isto é, antes do levantamento propriamente dito, existem alguns
pontos que é preciso sublinhar tais como: o planeamento a construção do
meu catálogo de objectos e por fim a construção do meu template.

Planeamento do trabalho de campo.

Para a realização do meu trabalho final, houve algumas pesquisas e


aspectos que tive de ter em conta, tais como, o fim a que se destinava o
trabalho e a zona onde se iria realizar.

O trabalho foi realizado na localidade de Ponte de Vagos mais


precisamente na Rua do Repouso e teve como fim a recolha informações
topográficas do terreno para a colocação de um poste de alta tensão por
parte da EDP.

A linha vai ter uma distância de cerca de 200 metros, a partir da Rua da
Liberdade e ao longo da Rua do Repouso, a área que de levantamento foi
de 30.000 m2.

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O trabalho realizado servirá de base para os técnicos que virão a seguir
fazer o cadastro da zona.

Tendo essas informações passei então ao planeamento para a realização


do trabalho de campo, que consistiu em fazer uma pesquisa dos marcos
geodésicos que me serviram de apoio: o método de levantamento a utilizar
tendo em conta a topografia natural do terreno e por fim a escala a que vou
representar o desenho.

O meu primeiro passo foi fazer uma pesquisa no site da Câmara Municipal
de Vagos para saber quais os pontos coordenados a utilizar na realização
do levantamento.

O segundo passo foi consultar o “Google Earth” para recolher informações


sobre a zona onde se iria realizar o trabalho e onde se encontram os pontos
coordenados que me serviram de apoio.

Terceiro passo foi deslocar-me ao terreno para poder analisar e planear


onde criar os pontos de estação, bem como, quantos seriam precisos para
poder levantar toda a área.

Posto isto, para realizar o trabalho tive de fazer:

Uma calibração local do GPS no modo “Estático rápido”, tendo como apoio
pontos coordenados pela Câmara Municipal de Vagos:

V24 – situado em Parada de cima

V9 – situado em Ponte de vagos

V22 – situado em Santa Catarina

A minha calibração local foi feita, como referido em cima, em três pontos
coordenados, da seguinte forma. Estacionar a base do GPS num ponto
estratégico junto do local do levantamento e fazer “auto posicion”, isto vai
fazer com que a base se inicie com umas coordenadas arbitrárias, com o rover
vou ler os pontos coordenados, e deu-me umas coordenadas que não

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correspondem com as reais; de seguida introduzi as coordenadas referentes a
cada ponto lido, e fazer “ correcção de base”, com isto obtive as coordenadas
correctas do ponto onde estacionei a base do GPS, tendo já o GPS
estacionado com coordenadas precisas, criei pontos de estação.

Pontos de estação (pontos de apoio, onde vou estacionar a estação total ou


orientar para fazer intersecção inversa), foram criados a partir do ponto
coordenado no terreno (ponto da base), e foram realizados com quinze leituras
durante doze minutos no modo “estático rápido”.

Quanto à escala, a que vou representar o desenho, vai ser 1:1000, visto que
vou representar uma grande área e relativamente com pouco pormenor.

Criação do meu catálogo de objectos.

Na construção de um catálogo de objectos existem vários aspectos a ter em


conta tais como;

Cor – a cor deve ser sempre a mais relacionada possível com o objecto que
estamos a representar como por exemplo: (Rio representado pela cor azul)

Símbolos – representam um determinado objecto e devem ser o mais


representativo possível.

RGB – deve conter sempre os três números da cor existente na cor do


objecto exemplo: (cor - 36 corresponde a RGB – 127,63,0)

O tipo de linha exemplo: (line – continuous)

E a grossura da linha exemplo: (line weight – 0,60mm)

Com isto sublinho que um catálogo de objectos deve ser o mais


representativo possível para que haja uma boa representação no produto
final.

(catálogo produzido para trabalho final, ver anexo 2)

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Construção do template

Na criação de um template a fase inicial obedece sempre a um critério


inicial, critério este que passa por abrir uma folha em branco “template sem
definições”, depois da folha aberta em “edit drawing settins” definimos o
datum, escala, unidades de medida e ângulos.

(ver anexo 3)

Depois da fase inicial concluída, fase essa a que obrigatoriamente obedece


a criação de todos os templates, começa-se a personalizar consoante as
nossas necessidades.

Posto isto, comecei a inserir e a criar os meus blocos consoante o meu


catálogo de objectos.

Como inserir ou criar blocos;

No menu “insert”, clicamos em “block”, vai aparecer uma janela que nos
dá a possibilidade de criar o nosso “block” ou ir buscar blocos que
possamos ter guardado, se no caso quiser criar um bloco clico em “block
editor” e desenho o objecto ou figura que pretendo, clico em “save As” e
atribui-se o nome ao bloco, a partir daqui o meu bloco já esta guardado e
pronto a atribuir a um determinado grupo de pontos.

Nota: um template está sempre em constante melhoria; isto é, o


template é utilizado para desenhar inúmeros projectos, projectos
esses com exigências diferentes entre si, a maior parte das vezes é

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necessário criar novos símbolos para certos objectos levantados no
terreno, quando for o caso estes podem ser guardados e
acrescentados ao template a fim de o ir enriquecendo e melhorando.

Como guardar o bloco para que fique no template;

“dwt” – Guarda alterações no template.

“dwg” – Guarda alterações no desenho

Assim, quando se acaba um desenho em que foi necessário criar um novo


bloco “símbolo” para associar a um determinado ponto, fecha-se e guarda-
se o desenho com a extensão “dwg”, de seguida abre-se novamente o
mesmo desenho e apaga-se, assim vamos guardar as alterações feitas
“novo bloco” ao template já existente com a extensão “dwt”.

Levantamento da área

Depois de ter feito a calibração local do GPS, criei vários pontos de estação
dispersos pela área, tendo sempre especial atenção a que à medida que os
fosse criando conseguisse ter visibilidade para o anterior, isto para poder fazer
as orientações da Estação total.

Com os pontos de estação criados, no total oito, introduzi de forma manual


cada uma das coordenadas dos mesmos na estação total, com a numeração
de (9000 a 9008), e comecei a realizar o levantamento da área, numerando os
pontos onde estacionei a estação total de (8000 a 8010).

A realização do levantamento foi praticamente toda feita com a estação total,


com a excepção dos pontos de cota, que foram feitos a GPS, devido à
morosidade com que são feitos com a estação bem como o acesso e a
visibilidade existentes no local.

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As principais dificuldades que surgiram no decorrer do levantamento foram;

• O forte vento que se fazia sentir naquele dia, o que influenciava de forma
directa quando era necessário fazer nova orientação, (dificuldades em
aprumar o prisma), e quando era necessário retirar pontos a laser
(algumas casas onde não era possível entrar), com o vento havia
sempre folhas no ar bem como árvores a abanar junto às casas.

• Outra das dificuldades encontradas foi a fraca visibilidade devido ao


aglomerado de casas e muros, o que originou ter que mudar várias
vezes o aparelho de sítio.

Face ao fim a que se destinava o trabalho a realização deste levantamento


consistiu em levantar:

• Todo tipo de construções na área;

• Pontos de cota para posterior modelação do terreno;

• Árvores e todo tipo de objectos que excedesse os dois metros de altura.

Trabalho de gabinete.

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Em gabinete, o trabalho inicial foi fazer o download dos pontos recolhidos em
campo, os da estação total e do GPS, e juntá-los numa folha do bloco de notas.

Fig. 16 (download dos pontos levantados no terreno)

Depois de juntos numa folha do bloco de notas tiveram que ser tratados, isto é,
tiveram que ser retiradas as palavras que estão antes da coordenada, exemplo
(estação_1), só pode ficar o número do ponto, outra modificação foi substituir
os espaços por vírgulas.

O próximo passo foi importar os pontos para o programa de desenho, que no


meu caso é o “Autocad civil 3d”, esta importação foi feita na forma “NMPZD.txt
(delimitado por virgulas) ”, isto quer dizer;

N – número do ponto

M – coordenada este

P – coordenada norte

Z – cota

D – descrição do ponto

(delimitado por vírgulas) – entre cada um destes itens não existem espaços, os
espaços foram substitutos por vírgulas.

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Com os pontos já importados, foi começar a atribuí-los aos grupos que
pertencem “grupos feitos a quando a realização da minha template” e uni-los
de forma a representar o terreno que foi levantado.

Fig. 17 (desenho em autocad, após a importação dos pontos)

Para a saída gráfica utilizei as folhas de legenda criadas por mim.

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Fig. 18 (folhas de legenda)

Que neste caso vai ser a folha A3 á escala de 1:1000

Conclusão

No decorrer do estágio realizado na TopoVagos, tive a oportunidade de


efectuar grande parte das tarefas que competem a um topógrafo em termos de
implantação e operar como porta-miras. Realizei vários levantamentos na zona
de Ponte de Vagos, Anadia, Praia de Mira, Lisboa, Castelo de Paiva, Águeda,
Ovar e Estarreja o que me permetiu consolidar conhecimentos, ter uma
percepção da importância da precisão, ser mais expedito na manipulação do
equipamento, objectivo e claro na atribuição dos códigos,

Algo que concluo ao longo destes meses de estágio e tempo de aulas é que
na materialização dos pontos da rede de apoio topográfico, o tempo de
observação deve ser sempre maior quanto maior for a distância ao local.

Tenho como conclusão que ao longo destas semanas, a calibração da


Estação Total é bastante importante pois faz-nos ter com mais certeza que as
nossas medições estão com a precisão correcta, sem erros acumulados; o
facto de se fazer pós processamento dos dados de GPS é importante para
tentar eliminar os maiores erros.

Ou seja, qualquer trabalho tem de seguir os seus trâmites para ser bem
feito e surtir efeito no mercado, o que neste caso é: planeamento, levantamento
em campo e pós processamento em gabinete.

Posto isto, e analizando do ponto de vista de estagiário, não posso deixar


de fazer algumas observações quanto ao funcionamento da empresa,

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observações essas, que espero que sirvam para melhorar o funcionamento
desta:

• Falta de comunicação entre os membros da equipa, nomeadamente


aquando da realização de levantamentos, na minha opinião penso
que não serve só dizer que é para fazer “isto” acho que se deve
explicar como o fazer, bem como o que esperar no dia a seguir para
que as pessoas possam estar preparadas.

• Mas na minha opinião, uma das falhas mais graves é a falta de


organização, pois fez com que por vezes tivessemos que ir duas
vezes ao local de um levantamento bem como os planos de trabalho
estipulados para determinado dia fossem alterados de forma
drástica.

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Bibliografia

http://sig.cm-vagos.pt/website/pontosapoiovagos/viewer.htm

http://websig.civil.ist.utl.pt/jmatos/Documentos@237.aspx

http://websig.civil.ist.utl.pt/jmatos/Documentos@237.aspx

http://www.igeo.pt/Frameset-servicos.htm

http://www.igeo.pt/pesquisa_oinstituto.asp?
q=catalogo+de+objectos&btnG=Pesquisar

http://www.papodearquiteto.com/2009/07/autocad-2010-como-criar-blocos-
para-uso-em-desenhos-tecnicos/

http://engenium.wordpress.com/2006/04/12/autocad-principais-comandos-e-
alguns-truques-pelo-meio/

http://www.aditivocad.com/tutorial-autocad/template-autocad.php

ENCICLOPÉDIA LAROUSSE, Vol. 18, Temas e Debates, 2007

http://www.topovagos.pt

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Anexos

Anexo I

Folhas de Moldura / Levantamentos / Levantamento Final / Minha


Legenda / Minha Template/ Símbolos de catálogo / Pontos recolhidos
levantamento final – Formato digital

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Anexo II – Catálogo de objectos

Objecto Descrição Código BGB Cor Espessura de


linha
Poste de CTT 127,63,0 36 default
telecomunicaç
ões
Ponto estação EST 255,0,0 red default

Marco de MARCO 255,0,25 210 default


propriedade 5

Poste de PBT 255,0,0 red default


baixa tensão

Sarjeta SAR 0,255,25 130 default


5

Ponto de base BASE 255,255, 51 default


do GPS 127

Casa CASA 153,0,38 244 default

Anexo ANEXO 255,0,0 10 default

Caminho CAMI 38,66,76 129 default

Estrada ESTRA 128,128, 8 default


128

Muro MUR 255,0,25 210 default


5
Poço POÇO 204,0,0 12 default

Arvore ARV 153,204, 62 default


0

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Anexo III

Como criar a template


No menu file escolhemos new.

Escolhemos uma folha de template em branco, de autocad civil 3d

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De seguida começamos a definir os parâmetros consoante o fim que lhe


queremos dar, e isso é feito clicando em cima “drawing”

Com o botão direito do rato clicamos edit drawing settins

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E começamos a diferir o datum , escala , unidades de medida, grados para


ângulos e metros para distancia, e o pais

A figura representa a configuração base do template

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Estando isto feito, é só começar a personalizar a nossa template com os layers,
e os blocos que pretendemos consoante o trabalho.

Depois de criada e sempre que lhe é inserido um novo bloco ou símbolo, bem
como uma definição que queiramos guardar, esta deve ser guardada com a
extensão DWT.

Quando esta for aberta de novo vai aparecer o desenho onde foi inserido o
bloco ou símbolo, então apaga-se o desenho e faz-se “ SAVE AS”com o
mesmo nome em que foi guardada a template.

Isto porque a template é uma folha de desenho em branco, apenas com


definições previamente inseridas pelo utilizador e símbolos já agregados a
certos símbolos de pontos, também definido pelo utilizador.

Anexo IV

Criação de uma folha de legenda;


A criação de uma folha de legenda pode ser feita de duas maneiras;

1º Primeira maneira é fazer um rectângulo com um rebordo e acrescenta-lhe


uma tabela para inserir os dados da empresa e referentes ao levantamento.

Depois de criada a folha cria-se um bloco com todos os elementos que contem
a folha, e guarda-se com a extensão “DWG”.

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A figura representa a criação de um bloco com a folha de impressão

Assim sempre que se que imprimir um desenho, vai-se buscar a folha, escreve-
se “scale” e insere-se em cima do desenho com a escala do mesmo.

O que na minha opinião não é muito prático, pois é extremamente complicado


colocar a folha de acordo com a escala do desenho, ou é de certo uma das
minhas maiores dificuldades.

Posto isto;

Fiz uma pesquisa para melhorar e facilitar a utilização das folhas e encontrei
outra forma, certamente mais trabalhosa mas sem dúvida bastante mais
prática.

2º Maneira é saber as medidas de cada folha, no meu caso (A1,A2,A3 e A4), e


desenha-las todas no mesmo layaut, com uma determinada escala.

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A figura representa a folha A1 para as respectivas escalas

Contudo terá de se repetir o processo em várias escalas, ou seja, para folhas


por exemplo A1, desenha-se as quatro folhas para diferentes escalas no meu
caso (1:1000; 1:500; 1:200; 1:100), guarda-se com o nome legendas e
extensão “DWG”, e em outro layaut tornamos a repetir o processo mas desta
vez para folhas A2 em diferentes escalas.

Anexo V - Levantamento

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Representação do trabalho final

Anexo VI

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Imagem do Google Earth do local do levantamento

Anexo VII

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Mapa de localização de pontos coordenados disponibilizado no site da Câmara Municipal de


Vagos

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