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ABSTRACT

This piece has its main focus on establishing a general and critical explanation of the
main concepts and characteristics related to a totalitarian regime and more specifically,
Nazism. Academic renowned authors and publications relating to this subject were used
as bibliographical reference to this piece. As my methodology, I began with a critical
and general analysis of the concepts, seeking a clear explanation and connection to my
object of study. As a result I found that we are not immune to taking part in atrocities as
were committed in the past. At last, I conclude that the continuous study of totalitarian
regimes is of great importance to understand and prevent the phenomena that influence
and lead to the uprising of such regimes.

Key words: Totalitarianism. Nazism. Banality and nature of evil.


RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo estabelecer uma explicação geral e crítica de
conceitos e características ligadas aos regimes totalitários, no caso o Nazista. Como
material foi utilizado referências bibliográficas de estudiosos autores do tema. Como
metodologia parti de uma análise crítica e geral dos conceitos buscando, assim, explicá-
los e associá-los de maneira mais clara. Obtive de resultado que não estamos imunes a
cometer atrocidades como foram cometidas no passado. Por fim, concluo que o presente
estudo é de suma importância afim de que se evite e compreenda melhor os fenômenos
que influenciam o surgimento de regimes totalitários.

Palavras chaves: Totalitarismo. Nazismo. Banalidade e natureza do mal.


SUMÁRIO
1-INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5
2-CARACTERÍSTICAS, CONCEITO E CONTEXTO DO TOTALITARISMO .......... 5
2.1- Breve caracterização do contexto histórico ............................................................ 5
2.2- Culto ao líder .......................................................................................................... 6
2.4- Educação................................................................................................................. 7
2.5- Controle ideológico ................................................................................................ 8
2.6- Militarismo ............................................................................................................. 8
2.7.- Propaganda e censura ............................................................................................ 9
2.8- Intervencionismo estatal ....................................................................................... 10
3- ANÁLISE CONCRETRA DAS CARACTÉRISTICAS TOTALITÁRIAS NO
REGIME NAZISTA ....................................................................................................... 11
3.1- Nazismo ................................................................................................................ 11
4- REFLEXÕES ACERCA DA TEMÁTICA ............................................................... 13
5- CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 15
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 16
5

1-INTRODUÇÃO
Os regimes totalitários foram responsáveis pela morte de aproximadamente seis
milhões de pessoas, vítimas de ideologias vinculadas à raça. A consequência do
totalitarismo foi o aniquilamento do homem, devido ao fato de ter sua liberdade
limitada. Assim, nesse período presenciou-se a coisificação do ser humano. Para
entender de maneira clara e crítica a temática, o presente trabalho foi estruturado em
três partes.

A primeira explicando e conceituando, de maneira geral, as características dos


regimes totalitários. A segunda, trazendo tais características para um exemplo histórico
concreto, o nazismo. E, por fim, algumas reflexões e críticas acerca de conceitos
explorados ao longo do trabalho como a natureza e banalidade do mal.

2-CARACTERÍSTICAS, CONCEITO E CONTEXTO DO TOTALITARISMO

2.1- Breve caracterização do contexto histórico

O mergulho europeu no totalitarismo inicia-se com a primeira guerra mundial.


Mais que a demolição de estados, a guerra dá origem a minorias sem estados, opressão
de povos sobre outros, libertação de etnias e reorganização de estados nacionais. Além
disso, soma-se, também, a crise econômica mundial de 1929. Dessa forma, o aumento
da inflação, desemprego e miséria levou à ascensão das ideias totalitárias que
prometiam retomar o crescimento e voltar aos “tempos de ouro”.

É praticamente impossível, até mesmo nos dias atuais, descrever o que de


fato aconteceu na Europa no dia 4 de agosto de 1914. Os dias antes e os dias
depois do início da Primeira Grande Guerra estão separados não como o final
de um velho e o início de um novo período, mas como o dia anterior e o
posterior a uma explosão. Ainda assim, essa figura de linguagem é inacurada
como todas as outras, porque a quietude do pesar que se estabelece depois de
uma catástrofe nunca mais passa.A primeira explosão parece que disparou
uma reação em cadeia que nunca nos envolveu antes e que ninguém parecia
capaz de parar. A Primeira Grande Guerra explodiu a comunidade Europeia
de nações, além de qualquer reparo, algo que nenhuma outra guerra jamais
fez. A inflação destruiu toda uma classe de pequenos proprietários, além da
esperança de recuperação ou nova formação, algo que nenhuma crise
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monetária jamais fez de forma tão radical anteriormente. O desemprego,


quando surge alcançando proporções fabulosas, não estava mais restrito aos
trabalhadores, mas se apoderado de todas as nações a menos de
insignificantes exceções. As guerras civis que se seguiram e se espalharam
pelos vinte anos de paz inquieta foram não apenas sangrentas e mais crueis
que suas predecessoras; elas foram seguidas por migração de grupos que, ao
contrário de suas antecedentes nas guerras religiosas, não eram bem-vindas
em lugar algum e não podiam ser assimiladas onde quer que fosse. Uma vez
abandonado o torrão natal, eles permaneciam sem teto, uma vez que
deixavam seu estado, eles se tornavam apátridas; assim, que se sentiam
desprovidos dos direitos humanos, se tornavam sem-direitos, a escumalha da
terra. Nada do que tinha sido feito, não importa o quanto estúpido, não
importa quantas pessoas sabiam e anteviram suas consequências, poderia ser
desfeito ou prevenido. Cada evento tinha a finalidade de um último
julgamento, o julgamento que não tinha sido dado por Deus nem pelo Diabo,
mas que parecia como a expressão de uma irremediável e estúpida fatalidade”
(ARENDT, p. 268).-

O totalitarismo é um regime político no qual o Estado é centralizador,


antidemocrático, e autoritário. Nesse regime, há concentração dos poderes nas mãos do
governante, suprimindo o exercício da democracia e violando os direitos individuais. O
líder toma as decisões políticas e econômicas de acordo com suas vontades e, embora,
possa haver sistema jurídico e legislativo, esses acabam ficando às margens do poder.
Tal regime, mantem o poder político “total” devido a diversos pontos: culto ao líder,
partido único, educação, controle ideológico, militarismo, propaganda e censura e, por
fim, intervencionismo estatal. Far-se-á uma análise mais específica de cada um desses
pontos.

2.2- Culto ao líder

A figura de um líder carismático, poderoso e onipresente constituía-se como


fundamental para a manutenção do poder político no estado totalitário. Isso se deve ao
fato de que o dirigente é retratado como a única pessoa que possui as condições e
características essenciais para conduzir o povo a melhores condições de vida. Além
disso, vale destacar que, por meio da figura do líder, o indivíduo depositava nele as
consequências de seus atos, pois estariam apenas seguindo as suas ordens. Dessa forma,
diversas atrocidades eram cometidas, uma vez que o cidadão não mais tinha o
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sentimento de responsabilidade pelos seus atos. Encontrava-se livre do peso e


julgamento moral próprio. Instaura-se, assim o estado agêntico no indivíduo.

Tipicamente, o indivíduo que entra num sistema de autoridade não mais se


sente como autor dos seus actos, mas como agente executivo das vontades de
outrem. A partir deste estádio, o seu comportamento e o seu equilíbrio
interno sofrem alterações tão profundas que a nova atitude daí resultante
coloca o indivíduo num estado diferente daquele que precedia a sua
integração na hierarquia. É o que chamarei estado "agêntico", pelo qual
designo a condição do indivíduo que se considera como agente executivo de
uma vontade estrangeira, por oposição ao estado autónomo no qual estima
ser o autor dos seus actos. (MILGRAM, 1974, p.167)

2.3- Partido único

A forma unipartidária é adotada no regime totalitário como meio de suprimir o


exercício democrático plural e político. Nesse sentido, o partido , seja por meio do medo
ou pela ausência de opções, passa a ser idolatrado e tido como forma única para o
desenvolvimento da nação. Os cidadãos são chamados a participar da vida política
através de manifestações de massas, como festas patrióticas, concentrações em estádios
e desfiles. Essa idolatria e fanatismo mostram-se perigosa, uma vez que, em prol do
partido, atos inconcebíveis passam a serem tidos como necessários para alavancar o
desenvolvimento. O indivíduo passa, então, a trocar a bandeira de seu país pela bandeira
do partido.

2.4- Educação

A educação no regime totalitário busca, acima de tudo, produzir seres educados


que agem, incondicionalmente, de acordo a vontade de seus educadores. Ou seja, a
educação não permite que o indivíduo desenvolva seus próprios pensamentos,
criatividades e propostas, mas sim que apenas funcionem e não pensem.

Assim, o plano como um todo reflete, no fundo, uma autoridade aparente do


educador, que ao longo da sua execução funcionará, basicamente, como
imposição de idéias que transforma os educandos em uma massa sem
iniciativa própria absolutamente apta à obediência, contrariando assim todo o
sentido e finalidade da educação que tem como regra de ouro, possibilitar o
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indivíduo a pensar. Essa prática de impor aos outros o que eles devem
apreender, típico do pensamento totalitário, conduz o indivíduo ao
funcionamento, mas não ao pensar.( VICENTE, 2010,p.9)

Além disso, regimenta a infância e a juventude em clubes e organizações. As


crianças recebem treinamento militar, instrução sobre a ideologia do Estado e fazem
juramentos de fidelidade ao líder. Entende-se dessa forma que o aluno deixa de ser um
agente- produtor e crítico de conteúdo- e é reduzido a mero sujeito- receptor de informações-
tornando-se, assim, mudo e suscetível ao comando pelo partido.

2.5- Controle ideológico

Para controlar as mentes da população, além da doutrinação na educação, há


também o controle ideológico, por meio da criação de órgãos de repressão como a
polícia política. Tais órgãos são responsáveis por “corrigir” e suprimir, por meio de
tortura, sequestro e até assassinato, os divergentes, isto é aqueles que lessem,
propagassem ou discutissem ideias diferentes daquelas ensinadas pelo Estado. Fica
evidente a instauração de um permanente estado de medo e vigilância na população.
Estado esse, que se assemelha à teoria panóptica de Michael Foucault. O panoptismo
baseia-se em poder impor comportamentos em toda a população com base na ideia de
que estamos sendo observados. Procura generalizar um comportamento típico dentro de
um intervalo considerado normal, punir desvios ou premiar um bom comportamento.
Esse modelo social faz o indivíduo auto gerenciar seu comportamento, dificultando a
coordenação e a mesclagem com o grupo, a fim de manter o comportamento dentro de
um intervalo estabelecido como correto pelo poder. A formação e a ação de grupos
divergentes com a ordem estabelecida são difíceis e rapidamente suprimidas.

O homem vigiado, docilizado, submisso é o que se pretende obter com o


sistema de vigilância permanente e difuso que o panóptico propõe. As
disciplinas próprias deste sistema de controle “funcionam como técnicas que
fabricam indivíduos úteis” (FOUCAULT, 2011, p.199).
2.6- Militarismo

O militarismo era a ferramenta utilizada para manter a chama da “revolução”


acessa. Isso se deve ao fato de que promove o patriotismo, exalta os ânimos e mantem a
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cidadania em alerta. A constante fluidez do movimento faz-se fundamental para a sua


própria manutenção, como bem destaca ARENDT,

Essa impermanência tem certamente algo a ver com a volubilidade das


massas e da fama que as tem por base; mas seria talvez mais correto atribuí-la
à essência dos movimentos totalitários, que só podem permanecer no poder
enquanto estiverem em movimento e transmitirem movimento a tudo o que
os rodeia. (ARENDT,1989,P.340)
Incluem-se desde as práticas educacionais com lições de tiro e treinamento
físico, até a escolha de um inimigo que deverá ser odiado por todos. Além disso, as
tendências militaristas favoreciam os processos de anexação e expansão do território.

2.7.- Propaganda e censura

A propaganda e censura ganham um papel especial nos regimes totalitários, pois


a partir delas o Estado consegue irradiar, captar e controlar os cidadãos. A propaganda
era disseminada por diversos meios- jornal, televisão, panfletos e rádios- e tinha,
principalmente, por objetivo exaltar a personalidade e planos de ação do líder. De
acordo com Antonio Gramsci, citado por Maria Helena Weber (2000, p.151), dois tipos
de controle político são usados para que seja garantido o funcionamento de um regime:

a dominação direta do conjunto da sociedade, através da força e da coerção


física, e a direção exercida através do controle e dominação ideológicos.
Nenhum Estado, no entanto, funciona desenvolvendo apenas ações
repressivas; em algum momento, ele tem de conquistar a legitimidade e obter
o consenso do conjunto da sociedade, em particular das classes subalternas.
No século XX, os governos têm realizado grandes investimentos – políticos e
financeiros – para criar complexas estruturas de comunicação. Essa estratégia
transformou o exercício do poder ditatorial e demonstrou quão eficaz pode
ser a comunicação para a política. (GRAMSCI apud WEBER, M. H., 2000,
p. 151)
A censura era exercida por meio de órgãos especiais e permitia a divulgação
somente daquilo que ia ao encontro da ideologia do Estado. Desta maneira, a população
deixa de ter contato com novas ideias e ideologias e torna-se submissa ao status quo.
Marilena Chauí destaca a importância dessa propaganda ideológica,

ideologia é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações


(idéias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e
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prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem


pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir e
como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer. (CHAUÍ, 1998,
p. 113-115)
Em síntese, através da propaganda e da censura, buscava-se manipular a opinião
pública e fazer o povo trabalhar e viver pelo regime.
2.8- Intervencionismo estatal

No campo econômico, o intervencionismo estatal (anti-liberal) é outra


importante característica do totalitarismo, visto que o controle e o planejamento geral da
economia fica a cargo do Estado. Dessa forma, o poder público perpassa a esfera
privada e torna-se abrangente e poderoso frente à população. Tratando-se de poder, não há
como não abordar Hobbes defensor de que o Estado não se baseia em nenhuma lei que
estabeleça se há certezas ou enganos no interesse de cada indivíduo em relação a esfera pública,
isto é, as coisas públicas.

O poder, segundo Hobbes, é o controle que permite estabelecer os preços e


regular a oferta e a procura de modo que sejam vantajosas a quem detém este
poder. O indivíduo de início isolado, do ponto de vista da minoria absoluta,
compreende que só pode atingir e realizar seus alvos e interesses com a ajuda
de certa espécie de maioria. Portanto, se o homem não é realmente motivado
por nada além de seus interesses individuais, o desejo do poder deve ser a sua
paixão fundamental. (HOBBES apud ARENDT, 1989, p. 169)

Em síntese, todas essas ações totalitárias tinham uma proposta com objetivos
claros: produzir cidadãos ideias que seguissem incondicionalmente as ordens do
“Chefe”. Para isso, o totalitarismo libertou-se de tudo o que era capaz de oferecer-lhe
resistência.

Libertou-se da legalidade e se colocou acima de qualquer objetividade e


estabilidade da lei positiva: o “Chefe” decidia o que era bom e prejudicial para o povo,
inclusive, quem deveria morrer; libertou-se da realidade através da ideologia. A
ideologia era o instrumento básico da explicação mobilizado para que ninguém jamais
começasse a pensar, ou pelo menos, para tornar o pensamento dos indivíduos
“impotente, irrelevante e sem influência para o sucesso ou fracasso do
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poder”(BAUMAN,2000, p.94); por último, o totalitarismo libertou-se da pluralidade,


ao exigir a unanimidade e não tolerar nenhum tipo de debate de opiniões.

3- ANÁLISE CONCRETRA DAS CARACTÉRISTICAS TOTALITÁRIAS


NO REGIME NAZISTA

Agora, a fim de elucidar tais características far-se-á uma análise delas


relacionadas à realidade concreta do Nazismo.

3.1- Nazismo

O nazismo, ou nacional socialismo, foi a ideologia criada e defendida pelo


partido nacional socialista dos trabalhadores alemães. O partido foi fundado em 1920 e
Adolf Hitler assumiu a sua liderança em 1921. Em uma breve análise histórica do
contexto Alemão, em 1920 a Alemanha se encontrava imersa em uma crise econômica e
moral oriundas da derrota na Primeira Guerra Mundial e a posterior assinatura do
Tratado de Versalhes, que dentre outras medidas, impunha severas sanções ao país:
perda de territórios, limitação do exercito e armamentos e imensas indenizações. Tendo
isso em vista, o partido nazista defendia que a saída para essa situação que o país
enfrentava seria a instauração de um estado forte que retomasse a glória germânica e
combatesse os inimigos da nação. Em 1923 os nazistas intentam um golpe de estado,
mas fracassam e seu líder, Hitler, é preso. Durante seu período de cárcere, Hitler escreve
sua obra Mein Kampf (Minha Luta) em que expõe os princípios fundamentais do
nazismo: anticomunismo, antiliberalismo, ultranacionalismo, militarismo, racismo e
antissemitismo, principalmente contra os judeus que eram considerados os culpados
pelo caos Alemão.

Em 1929 a crise mundial aumentou o desemprego e a inflação na Alemanha,


assolando ainda mais a população. Tendo em vista esse cenário caótico que a Alemanha
vivia o partido nazista soube aproveitar e manipular as massas com seu discurso
desenvolvimentista a partir de um estado forte e em 1932 os nazistas chegaram ao
parlamento. No ano seguinte Hitler é nomeado primeiro-ministro e logo depois chefe
supremo e único da Alemanha. Tem início, assim, o Terceiro Reich sob o domínio de
Hitler- o Führer.
12

O Estado Alemão buscava a reconstrução de seu passado glorioso e por isso


empregava a palavra Reich, como afirma Evans:

A palavra Reich evocava entre alemães cultos uma imagem que ressoava
muito além das estruturas institucionais criadas por Bismarck: o sucessor do
Império Romano; a visão do Império de Deus aqui na terra; a universalidade
de sua reivindicação de suserania; em um sentido mais prosaico, mas não
menos poderoso, o conceito de um Estado germânico que incluiria todos de
língua alemã na Europa central - "um Povo, um Reich, um Líder", como viria
a propor o slogan nazista. (2010, p.44).

Promulgadas em 15 de setembro de 1935 as leis de Nuremberg, escancararam de


vez a eliminação da influência judaica no Estado alemão. Bryan Mark Rigg faz um
apontamento acerca:

As leis emitidas em 15 de setembro de 1935, aprovadas pessoalmente por


Hitler, privavam os judeus de cidadania, proibiam as casas judias de ter
criadas alemãs, proibiam qualquer alemão de casar-se com um judeu e
proscrevia as relações sexuais entre judeus e alemães. Estas leis impuseram
uma nova moral aos alemães (2003, p.119-120)

A partir disso, o caráter racista do regime se intensifica havendo perseguições e


eliminações de judeus, ciganos, homossexuais e deficientes. Vale destacar o trágico
acontecimento histórico dos campos de concentração e a chamada “solução final”- a
eliminação em massa dessas populações, culminando no holocausto. O objetivo é
direcionar certos ódios sociais para alvos concretos que funcionam como representação
para tudo aquilo que se detesta.
Para exercer a manutenção e legitimação desse estado nazista a propaganda e
censura foram fundamentais. Joseph Goebbels, ministro da propaganda, foi a figura
chave para todo esse processo. Utilizou de todos os meios possíveis: imprensa, rádio,
teatro, música, literatura e música. Todos esses meios tinham por fim convencer as
pessoas de que elas eram o centro de uma raça superior, sob a liderança de Adolf Hitler.
Como bem destaca Domenach,
A propaganda hitlerista mergulha suas raízes nas mais obscuras zonas do
inconsciente coletivo, ao gabar a pureza do sangue, ao glorificar os instintos
elementares de violência e destruição, ao renovar por meio da cruz gamada a
remotíssima mitologia solar. Ademais, emprega sucessivamente termos
diversos e até contraditórios com a única preocupação de orientar multidões
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ante as perspectivas do momento. (DOMENACH, 1963, p. 28).

A censura, ferramenta fundamental para suprimir opositores, foi exercida, em


grande parte, pela Gestapo- polícia secreta do Estado- e SA- camisas marrons. Dentre as
medidas adotadas, é possível destacar a tortura, sequestro, assassinatos, queima e
proibições de obras e visitas nas educações de ensino.

Instaura-se assim uma grande adesão, participação e legitimação da população


frente às decisões tomadas pelo partido nazista. Seria essa população má por natureza?
Desumana? Tais questionamentos serão abordados posteriormente sob a luz da
banalidade do mal de Hanah Arendt e o experimento de Milgram.

Outro motor fundamental do estado nazista foi a sua máquina de guerra. A tática
de guerra-relâmpago “Blitzkrieg” foi inovadora e devastou, de início, os adversários do
regime nazista. Dessa forma, o expansionismo e as tendências imperialista foram
fundamentais para a conquista do espaço vital “lebensbraum”- nazista. É possível
destacar a invasão dos Sudetos e da Polônia a qual deflagrou a Segunda Guerra
Mundial.

Em síntese, uma analise profunda do regime nazista não é cabível ao presente


trabalho, a breve explicação feita teve por fim elucidar de maneira concreta e empírica
as características, explicadas anteriormente, dos regimes totalitários.

4- REFLEXÕES ACERCA DA TEMÁTICA

Para responder os questionamentos anteriores: seria essa população má por


natureza? Desumana? Partirei de uma análise do conceito de banalidade do mal em
consonância com o experimento de Milgram sobre a obediência às autoridades.

O conceito de “Banalidade do Mal”, aprofundado por Hannah Arendt no livro


“Eichmann em Jerusalém”, diz que o mal pode ser banalizado, ou seja a execução da
maldade contra outro ser humano seja naturalizada, realizada de forma mecânica e sem
nenhum constrangimento. Isso se deve ao fato de que nesta obra a filósofa defende que,
em resultado da massificação da sociedade, se criou uma multidão incapaz de fazer
julgamentos morais, razão porque aceitam e cumprem ordens sem questionar. Para isso,
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analisou a atuação de oficiais nazistas, tomando como referência o julgamento de Adolf


Eichmann. Ele, um dos responsáveis pela solução final, não é olhado como um monstro,
mas apenas como um funcionário zeloso que foi incapaz de resistir às ordens que
recebeu. De acordo com Arendt, “Eichmann se declarou inocente de todas as
acusações” e não se sentia responsável pelo fato de ter cumprido ordens de seu governo
(ARENDT, 2013, p. 32). O mal torna-se assim banal e intrínseco ao indivíduo, basta
este ser estimulado pelo meio, pelo líder ou pelas condições do momento.

Partindo para a análise do experimento de Milgram. O experimento inquiria


como os participantes observados tendem a obedecer às instruções de autoridades,
mesmo que estas contradigam o bom-senso individual e firam outras pessoas. A
experiência pretendia inicialmente explicar os crimes bárbaros do tempo do Nazismo.
Para isso, em 1962, 40 homens entre 20 e 50 anos participaram voluntariamente de uma
pesquisa na Universidade de Yale, nos EUA, sobre a punição como método de
aprendizagem. Em trios (dois cúmplices e um voluntário), o voluntário atuava como
"professor", um cúmplice de fazia o papel de "aluno" e o outro de “cientista”. Cada vez
que o "aluno" errasse um exercício de memorização, o "professor" deveria lhe aplicar
choques, que começavam em 15 volts e iam progressivamente a 450 volts. O aluno
errava a resposta propositalmente na maioria das vezes, e, em cada vez, o professor deu-
lhe um choque elétrico. Quando o professor se recusava a administrar um choque, o
“cientista” (o cúmplice) lhe repetia uma série de frases de estímulo para garantir que
eles continuassem. Havia quatro frases, e se a primeira frase de estímulo não fosse
seguida, o experimentador lia a segunda frase, e assim por diante.

Estímulo 1: Por favor, continue.


Estímulo 2: O experimento requer que você continue.
Estímulo 3: É absolutamente essencial que você continue.
Estímulo 4: Você não tem outra escolha a não ser continuar.
Apenas uma pequena porcentagem interrompeu o experimento e deixou a sala.
A grande maioria – 65% – continuou e chegou ao choque máximo. Apesar do
experimento ter suas controvérsias, acerca das condições que foi realizado, seu
resultado é assustador.

Em uma análise conjunta da banalidade do mal de Hannah Arendt e dos


resultados do experimento, pode-se entender que, sendo o mal intrínseco ao indivíduo
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bastando esse ser estimulado, e quando estimulado esse tende a responder de maneira a
obedecer a autoridade e a ordem, entendo que a população Alemã no contexto do
Nazismo não era má ou desumana, mas sim que estava sendo manipulada e fora de si,
no estado agêntico. Dessa forma, tamanhas atrocidades foram cometidas.

5- CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho buscou conceituar e explicar, de maneira geral, as


características dos regimes totalitários e como elas se apicaram de maneira concreta no
regime Nazista. Elucidou-se, também, o conceito de banalidade do mal em consonância
com os resultados do experimento de Milgram, para que assim, pudesse chegar a uma
interpretação dos motivos que levaram à população Alemã cometer diversas atrocidades
durante o regime. Por fim, tais análises são muito importantes, pois mostram que, apesar
de serem acontecimentos do passado, não estamos imunes que estes se repitam, visto
que a conjuntura de uma sociedade influência severamente a natureza do indivíduo.
Cabe a reflexão da seguinte frase de ARENT,

“Será que a natureza da atividade de pensar, o hábito de examinar, refletir


sobre qualquer acontecimento, poderia condicionar as pessoas a não fazer o
mal? Estará entre os atributos da atividade do pensar ,em sua natureza
intrínseca, a possibilidade de evitar que se faça o mal? Ou será que podemos
detectar uma das expressões do mal ,qual seja, o mal banal como fruto do não
exercício do pensar?”( Hannah Arendt).
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BAUMAN, Zygmunt. Em Busca da Política. Tradução de Marcus Penchel. Rio de


Janeiro: Zahar, 2000.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2011.


Leia mais: https://www.sabedoriapolitica.com.br/products/o-panoptico/

MILGRAM, Stanley, Soumission à l´autorité, Un point de vue expérimental. Paris:


Calmann-Lévy, 1974

ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras,


1989.

EVANS, Richard J. A chegada do Terceiro Reich. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010.

RIGG, Bryan Mark. Os soldados judeus de Hitler. Rio de Janeiro: Imago, 2003.

DOMENACH, Jean-Marie. A propaganda política. São Paulo: Difusão Européia do


Livro, 1963.

ARENDT, H. Eichmann em Jerusalém um relato sobre a banalidade do mal. São


Paulo: Companhia das Letras, 2013