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Liderança e Gestão

das Instituições

Instituto da Segurança Social,


I.P.
Nome do Serviço
DDSP/UIJ/NATTAI
Liderança e Gestão das Instituições

1.º Dia:
Caraterização do acolhimento institucional
Princípios de atuação
2.º e 3.º Dia:
Identidade Organizacional
Missão
Visão
Teoria Organizacional
Responsabilidade Individual
Liderança
Gestor versus Líder
Gestão Estratégica

2
Auto – conhecimento

DINÂMICA DE GRUPO

Auto-conhecimento, simploriamente, é o conhecimento de si mesmo.

Conhece-te a ti mesmo (oráculo de Delfos que tanto influenciou


Sócrates)

Para conhecer-se a si mesmo, o sujeito precisa refletir, e interpretar a si


mesmo.
A Criança

A criança é, pelo simples facto


A criança é, pelo simples facto
de ser pessoa, revestida de
de ser pessoa, revestida de
dignidade humana.
dignidade humana.
LABORINHO LÚCIO

LABORINHO LÚCIO
A Criança

Os Direitos da Criança são Direitos Humanos


Têm as características próprias das várias fases de desenvolvimento até ser
atingida a idade adulta
MAS, só começaram a ser reconhecidos e proclamados em meados do século
XX.
Até aí, as crianças e jovens :
eram olhados pela sociedade como seres inferiores, sem quaisquer direitos
eram tratados como objeto de direitos dos pais, pertença destes
tinham a mesma dignidade que as coisas

Mary Ellen, de 9 anos de idade, em 1874 foi encontrada em casa, amarrada, subnutrida e vitima de maus
tratos físicos… o seu caso foi resolvido pela Associação Americana para a Prevenção da Crueldade
contra os Animais

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A Criança

Declaração Universal dos Direitos do Homem


Adotada em 1948, pela Assembleia Geral das Nações Unidas

Primeiro instrumento internacional que consagra não só direitos civis e


políticos, como de natureza económica, social e cultural, de que são titulares
todos os seres humanos, aqui se incluindo as crianças.

Artigo 25º, n.º 2


«a maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais.
Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma
proteção social».

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A Criança

Declaração dos Direitos da Criança


Aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 20 de Novembro de 1959

«A criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade de
uma proteção e cuidados especiais, nomeadamente, de proteção jurídica adequada, tanto
antes, como depois do nascimento».

«A criança deve beneficiar de proteção especial a fim de se poder desenvolver de maneira


sã e normal no plano físico, intelectual, moral, espiritual e social, em condição de liberdade e
dignidade, e, na adoção de leis para este fim, o interesse superior da criança deve ser a
consideração determinante».

A ênfase dada pelos instrumentos da primeira metade do século XX à necessidade de


proteção e cuidados especiais por parte da criança sofreu ligeiro desvio com a consagração,
ao nível dos direitos civis da criança, do direito a um nome e a uma nacionalidade.

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A Criança

Convenção Sobre os Direitos da Criança (CDC)


Aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, feita em Nova Iorque a 26 de Novembro de 1989.
Ratificada por Portugal em 10 de Agosto de 1990 e publicada no D.R. de 12 de Setembro de 1990

Primeiro instrumento jurídico internacional de carácter vinculativo para os estados


signatários

Consagra e defende, universalmente, quer a criança como sujeito autónomo de


direitos, quer o valioso e insubstituível papel da família na vida de cada um

Preâmbulo:
“a família, elemento natural e fundamental da sociedade e meio natural para o
crescimento e bem-estar de todos os seus membros, e em particular das crianças,
deve receber a proteção e assistência necessárias para desempenhar plenamente
o seu papel na comunidade”.

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4/20
A Criança
CDC (cont)

Artigo 9.º, n.1


“A garantia de que a criança não é separada dos seus pais, salvo se essa separação for
necessária, no interesse superior daquela, no caso, por exemplo, de ser maltratada pelos
mesmos”

Artigo 9.º, n.º 2


“O direito da criança, separada de um ou de ambos os pais de manter regularmente relações
pessoais e contactos diretos com os dois”

Artigo 18.º, n.º 1


O princípio segundo o qual ambos os pais têm uma responsabilidade comum na educação e
no desenvolvimento da criança, cabendo primacialmente aos mesmos e, sendo caso disso,
aos representantes legais, a responsabilidade de educar a criança e de assegurar o seu
desenvolvimento, devendo o interesse superior da criança constituir a sua preocupação
fundamental nessa tarefa

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Convenção Sobre os Direitos da Criança

Aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas,


feita em Nova Iorque a 26 de Novembro de 1989.
Ratificada por Portugal em 10 de Agosto de 1990 e
publicada no D.R. de 12 de Setembro de 1990.

Viragem na concepção dos direitos da criança, ao


reconhecê-la como sujeito autónomo de direitos e ao
encarar a família como suporte afectivo, educacional e
socializador essencial.
10

15
de
A Criança

Constituição da República Portuguesa


2 de Abril de 1976
Determina que :

Artigo 67.º
“a família, como elemento fundamental da sociedade, tem direito à proteção da mesma e do
Estado e à efetivação de todas as condições que permitam a realização pessoal dos seus
membros”

Artigo 36.º, n.º 6


“os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos, gozando os cônjuges
de iguais direitos e deveres; os filhos não podem ser separados dos pais, salvo quando
estes não cumpram os seus deveres fundamentais para com eles e sempre mediante
decisão judicial”

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Lei de Proteção das Crianças e Jovens em Perigo

Alguns Princípios Fundamentais


INTERESSE SUPERIOR DA CRIANÇA E DO JOVEM

A intervenção judiciária e não judiciária deve atender prioritariamente aos


interesses e direitos supremos da criança

PREVALÊNCIA DA FAMÍLIA E INVESTIMENTO NESSA CÉLULA NATURAL

Na promoção de direitos e na proteção da criança deve ser dada prevalência às


medidas que a integram na sua família ou noutra (adotiva/apadrinhamento
civil/tutela);

RESPEITO PELA RESPONSABILIDADE PARENTAL

A intervenção deve ser efetuada de modo a que os pais assumam os seus


deveres para com as suas crianças

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de
Ética e Deontologia

Respeito pelos direitos e dignidade.


Responsabilidade.
Integridade.
Competência.
Confidencialidade.

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ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL

Unidade de Emergência

caso não seja encontrada Centro de Acolhimento


alternativa institucional Temporário
num curto espaço de tempo

Lar de Infância e Juventude


Definição do
Projeto de vida
Definição do
Projeto de vida
Definição do
Projeto de vida

Autonomia
Família Adopção
de vida

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PARA, COM e DAS
CRIANÇAS/JOVENS
Contextos de Acolhimento
residencial

O Acolhimento residencial num contínuo do


sistema de promoção, nos serviços para
crianças em sede de proteção, numa
variedade de outros serviços.
(Abt Associates, 2008; James, Alemi & Zepeda, 2013)
Qualificação do Acolhimento Institucional

Intervenção que se pretende promotora de mudança no sistema de


acolhimento em Lares de Infância e Juventude.

Duas características:

1 - Perspetiva do acolhimento como transitório (promotor dos seus direitos e


desenvolvimento bio-psico-social, elaboração e dinamização de projectos de vida, trabalho com as
famílias)

2 - Perspetiva do funcionamento e ambiente familiar dos Lares (Atenção


individualizada, promoção da inclusão, assegurar a qualidade do funcionamento e organização da
instituição e recursos humanos adequados e especializados)
Perspetivas

As crianças/jovens em AR têm sido associadas,


na generalidade, a maiores grau de
perturbação, com um largo espectro de
psicopatologia desenvolvimental
(Abt Associates, 2008)

Investigação tem indicado que o AR pode ser


efetivo na melhoria em múltiplos domínios do
funcionamento de crianças/jovens
(Bean, White & Lake, 2005; Bettmann & Jasperson, 2009; Hair, 2005;
James, 2011; Lee, Bright, Svoboda, Fakunmoju & Barth, 2011)
As necessidades humanas

(Teoria clássica de Maslow e a hierarquia das necessidades)


As necessidades das crianças

Diferenças intra-individuais

Diferenças inter-individuais
Saúde mental na infância %
Qualquer Perturbação 20,9

Pert. Humor 13,0

Pert. de Comportamento Disruptivo 10,3


Pert. Depressivas 6,2

Pert. Abuso de Substâncias 2,0


Crianças institucionalizadas

-Perturbação de humor 91%


-Hiperatividade e deficit de atenção / impulsividade: 91%
-Comportamento oposição/agressão: 90%
-Perturbação de stress pós-traumático: 84%
-Perturbações de ansiedade: 80%
-Perturbação do comportamento: 79%
-Dificuldades de aprendizagem: 79%
-Comportamentos aditivos (álcool e drogas): 70%
-Perturbações psicóticas: 63%
-Perturbações da comunicação: 48%
-Perturbações do desenvolvimento: 40%
-Perturbações alimentares: 34%
-Perturbações do sono: 27%
-Problemas médicos e físicos: 25%
(NACBH & NAPHS, 2007)
Crianças institucionalizadas

Numa meta análise de várias investigações das


últimas três décadas, Johnson (2000), aponta:
Atrasos no desenvolvimento físico, psicomotor e
intelectual;
Perturbações ao nível da vinculação;
Problemas graves de comportamento e emocionais.
Crianças institucionalizadas – Portugal

-Tendência depressiva
-Elevados níveis de desestruturação
-Manifestam condutas agressivas
-A violência como meio de comunicação do sofrimento
-A delinquência

(Marques, 2006; Biscaia & Negrão, 1999)


Crianças institucionalizadas – Portugal

Estudo da FPCEUC (Alberto, 2002), N=30 (10-16 anos), níveis


médios de ansiedade, depressão; os temas das histórias versavam
sobre separações, encontros e reencontros familiares, tristeza e
ansiedade; índices reduzidos auto-estima, discursos de auto-
culpabilização e sentimentos de incompetência.

Os dados CASA dos últimos anos apontam para problemas


comportamento, problemas de saúde mental e comportamentos
aditivos.
CARACTERIZAÇÃO DO ACOLHIMENTO RESIDENCIAL Fonte: CASA

Evolução do número de crianças e jovens acolhidas

14.000

12.000

10.000

8.000

6.000

4.000

2.000

0
2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Crianças em acolhimento no ano 12.245 11.362 9.956 9.563 9.136 8.938 8.557 8.445

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15
de
MOBILIDADE
Fonte: CASA 2013

4.500

4.000

3.500

3.000

2.500

2.000

1.500

1.000

500

0
2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Entradas 2.111 2.242 2.155 2.187 1.945 2.112 2.289 2.253
Saídas 2.771 3.017 3.954 3.016 2.889 2.634 2.590 2.506

28

15
de
Idade das crianças e jovens em situação de acolhimento
Fonte: CASA, 2013

15
de
Características particulares
Fonte: CASA 2013

Suspeita de prostituição 23

Toxicodependência 31

Deficiência fisica 96

Doença física 163

Problemas de saúde mental 219

Consumos esporádicos 273

Deficiência mental 289

Debilidade mental 400

Problemas de comportamento 1428

15
de
O perfil das crianças…

O perfil da criança perturbada por problemas


emocionais e sofrimento psíquico

A maioria das crianças tem um denominador comum – a sua

perturbação emocional

Embora os detalhes dos seus percursos de vida sejam diferentes,

partilham percursos individuais tristes e traiçoeiros ao longo da sua

vida

31

15
de
O seu sofrimento

Sofrimento psíquico e emocional

Dificuldades graves e disrupções na relação parental desde muito cedo;

Baixa qualidade de vida e de cuidados junto da família;

Níveis graves de doença mental/ mal estar psicológico dos pais;

Agressões físicas ou abusos sexuais por parte das pessoas que deveriam
cuidar deles;

Perturbações na escolaridade, muitas vezes desde o início

32

15
de
Consequências…

Individualmente, têm tendência para não conseguirem pensar nas suas


experiências e sentimentos, reagindo com impulsividade;

Nas famílias, relacionavam-se de forma superficial, não lhes sendo


possível ser contidos emocionalmente, com segurança;

Nas interações sociais, são muitas vezes incapazes de fazer parte de


um grupo, ou de que um grupo funcione sem a sua disrupção ativa;

Na escola têm uma baixa capacidade de concentração e dificuldades


em generalizar a partir do particular, bem como um pensamento
excessivamente concreto

33
Da institucionalização à reunificação, adopção,
autonomia …
Síntese histórica, modelos e funções

O Acolhimento institucional é uma medida com longa e importante história na


proteção das crianças e jovens

Assiste-se a uma grande proeminência no séc. XIII, muito associado ao apoio às


crianças deficientes, mas caracterizando-se pela sua baixa qualidade de
atendimento;

Alarga-se também à proteção das crianças abandonadas e abusadas, focando,


essencialmente, as necessidades básicas (saúde, higiene e alimentação);

Uma função importante após as duas grandes Guerras Mundiais.


(e.g. Ribera, 1996)
Síntese histórica, modelos e funções

O Acolhimento institucional é uma medida com longa e importante história na


proteção das crianças e jovens

Resposta de caráter único e universal;


Resposta predominante;
Resultando num acolhimento por tempo indeterminado, em muitas ocasiões durante
toda a infância e adolescência, baseando-se na premissa que neste contexto
estariam assegurados melhores cuidados do que no contexto da sua família;
Sendo que o perfil destas famílias estava, fundamentalmente, associado a
carências socioeconómicas e não tanto associado a questões de abuso/negligência
e de comportamentos disruptivos ;
Suprir as necessidades mais elementares em substituição do ambiente familiar
deficitário.
(e.g. Alberto, 2002; Del Valle, 2008)
Síntese histórica, modelos e funções

A institucionalização consegue garantir a segurança e a subsistência fisiológica, mas fica bastante


aquém nas reais condições para proporcionar às crianças as vinculações e os suportes necessários
ao seu desenvolvimento psicossocial;
Impossibilidade de oferecer uma figura de referência, de proteção e de vinculação, o que constitui
uma lacuna grave e com forte impacto negativo no desenvolvimento futuro da criança;
Quanto maior é o período de institucionalização e quanto mais nova for a criança, maior é o impacto
negativo;
Crianças institucionalizadas até aos primeiros 6 meses de vida vão ter um atraso no seu
desenvolvimento a longo prazo;
As crianças e jovens institucionalizados tendem a desenvolver padrões comportamentais
problemáticos;
Os jovens saem aos 18 anos com fracas competências para se inserirem socialmente, sem projeto
formativo ou profissional e, por vezes, sem qualquer rede de suporte à sua inserção psicossocial;
Perceção negativa, por parte das crianças/jovens, com medida de acolhimento institucional;
Desgaste e burnout dos funcionários. Ausência de Equipa Técnica multidisciplinar.
(Entre outros: Alberto, 1999; Browne, et al, 2005; Carneiro et al, 2005; Carvalho, 2000; Cóias, 1995; Formosinho et al, 2002; IDS, 2000;
Johnson, et al., 2006;Raymond, 1998; Strecht, 2002; Vilaverde, 2000)
Refletir sobre o impacto da Institucionalização

Necessidade de considerar:

- Os fundamentos, as possibilidades e os limites subjacentes a esta política de


intervenção

- Reconhecer a diversidade das instituições, o seu tamanho, os seus objetivos, a


sua dinâmica interna, os seus recursos humanos e internos, os apoios e
suportes externos, etc.

- Mas também questionar sobre:


- Os sintomas manifestadas pelas crianças/jovens são fruto da institucionalização
ou estão associados às próprias vivências abusivas ?
- As características da institucionalização suscitam, promovem, minimizam estes
sintomas ?

(Alberto, 2002)
Modelos e funções
(EUROARRCC,1998) (Del Valle, 2001) (Villar, Torres, Arias, Rosales, Valdaliso, 2008)

Modelo Institucional Modelo Familiar


Macro instituições. Caracterizando-se por centros Micro instituições. Caráter mais familiar, com
fechados, auto-suficientes, centrados nas educadores de referência. Abertas à
necessidades elementares. Acolhimentos comunidade. Atendendo à individualidade.
diversificados. Acolhimento por tempo
indeterminado, substitutos da família.
Introdução da solução definitiva de tipo familiar.
Inicialmente, nos EUA “permanency planning”
(Mallucio et al., 1986) e, posteriormente, na
Europa.

Modelo Especializado
Emergência de novos perfis de menores/jovens. Associado a graves problemas de comportamento.
Implicam a especialização e atenção a determinadas necessidades.
TRANSIÇÃO PARA O MODELO RESIDENCIAL

MACROINSTITUIÇÃO ACOLHIMENTO RESIDENCIAL

-ACOLHIMENTO INDISCRIMINADO -DIMENSÃO REDUZIDA


-FECHADA -SISTEMA DE SERVIÇO SOCIAL
-AUTOSUFICIENTE -PROFISSIONALIZAÇÃO
-INSTRUÇÃO = EDUCAÇÃO -NORMALIZAÇÃO
-NÃO PROFISSIONAL -MODELO COMUNITÁRIO
-CUIDADOS BÁSICOS -EDUCAÇÃO INTEGRAL

40
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15
de
A Criança em Situação de Acolhimento Institucional

Acolhimento preferencial de órfãos e situações de grande pobreza


Modelo Institucional

Espaços físicos muito grandes, com lotações muito elevadas

Instituições fechadas

Profissionais muito pouco qualificados

A instrução e a monitorização confundem-se com a educação

Perspetiva assistencialista e caritativa

Intervenção muito limitada às necessidades básicas

Tempo de acolhimento muito prolongado

Pouco ou nenhum contacto com as famílias

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A Criança em Situação de Acolhimento Institucional
(Residencial)

Instituições de pequena dimensão ou organizadas por unidades residenciais

Número reduzido de crianças ou jovens


Modelo Familiar

Portas permanentemente abertas à família, sendo estimulada a sua


participação

Profissionais qualificados e com formação multidisciplinar

Utilização dos recursos da comunidade

Educação integral para o desenvolvimento biopsicossocial

Normalização

Dinamização dos projetos de vida (reunificação familiar,


adoção/apadrinhamento civil/tutela, promoção da autonomia)

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Contexto Europeu
(EUROARRCC,1998)

Significativa adaptação dos Lares de Infância e Juventude a estas novas


necessidades
Abandono do carácter único e universal;
Mudança de Resposta predominante para Resposta Especializada;
Acolhimento centrado na criança. Especificidades desenvolvimentais, comportamentais
e emocionais;
A necessidade de responder ao duplo trauma: do abandono e abuso;
Desenvolvimento de metodologias para um trabalho de qualidade;
Profissionalização do serviço, qualificação do pessoal técnico, educativo e de apoio;
Trabalho com as famílias;
Legislação regulamentar.
INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO

44

15
de
Instituições de acolhimento de crianças e jovens
Princípios inerentes da intervenção
Funcionamento
Educação
1. Garantir o bem-estar 1.Valorizar a recepão da
físico e psicológico das criança/jovem.
crianças/jovens. Disciplina 2. Obrigatoriedade de
2. Imprescindibilidade de 1. Clarificação de direitos ocupação plena da
manter um ambiente e deveres. criança/jovem.
securizante e de afeto. 2. Definir limites e 3. Participação ativa da
3. Papel nuclear da equipa “balizas” à intervenção criança/jovem e família
técnica e educativa disciplinar minimizando na intervenção
4. Criação e manutenção a arbitrariedade. 4. Respeito pelos direitos e
de mecanismos de liberdades pessoais da
comunicação entre a criança/jovem
equipa técnica e, entre 5. Modelação progressiva à
o pessoal técnico e as vida familiar e social
crianças/ jovens. normal
45
45
Casas de Acolhimento de Crianças e Jovens
Modelo Educativo Regulamento Interno
• Integração Escolar Regras de funcionamento
• Formação Profissional geral da instituição:
• Intervenção na família • Pessoal
• Ocupação Tempos Livres • Instalações
• Desporto • Funcionamento/
Organização

PPP Plano de Atividades


Instrumento de
Planeamento anual das
planeamento da
atividades a desenvolver,
intervenção específica a
adequadas ao perfil das
desenvolver com cada
crianças / jovens
criança / jovem
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de
Definição

O Acolhimento Institucional é uma Medida de Proteção destinada às


crianças/jovens que não podem permanecer no seu meio natural de vida.

Deverá assegurar uma adequada satisfação das necessidades de protecção,


educação e desenvolvimento.

Três características fundamentais:


-Carácter instrumental – resultado, projeto de vida, centrado na noção do
“permanency planning”
- Carácter “terapêutico” – estratégias reabilitadoras e terapêuticas; competências
pessoais, sociais e profissionais
- Carácter temporal – tempo determinado, mais curto espaço de tempo possível
A. Processo

Planeamento e
Projeto de vida:
Ação
Avaliação Integração familiar
Acolhimento PSEI
diagnóstica Adoção
PCI
Autonomia de vida
PII

Adaptado Gomes (2010)

48
15
de
O Projecto de vida ….

Define-se por um sistemático planeamento, orientado por objetivos, temporalmente programado, para com
as crianças no sistema de promoção e proteção, com vista a promover a sua estabilidade e
continuidade.

Baseado nas teorias da vinculação, com recurso na compreensão do desenvolvimento da criança e


formação da identidade.

Preconiza que a tomada de decisão deve ser individualizada, temporalmente e culturalmente apropriada. As
próprias crianças, família e técnicos/educadores (…) devem ser envolvidos neste planeamento.

Os profissionais/técnicos devem estar, devidamente, preparados para concretizar extensivas observações e


avaliações, com vista a servir o melhor interesse da criança quando toma decisões no âmbito do seu
projeto de vida.

(Tilbury & Osmond, 2006)


O Projeto de vida

Decisões no mais curto espaço de tempo sobre objetivos de vida, a curto e longo prazo, para
crianças em acolhimento institucional é crucial para a sua proteção e bem-estar.

Tais decisões devem ser, devidamente fundamentadas e teoricamente apoiadas, porque são
decisão cruciais/fundamentais podendo trazer consequências para as crianças, não só em
termos do seu bem-estar físico, mas também e termos do seu bem-estar social e
emocional, presente e futuro (Maluccio et al., 1994).

O racional subjacente é de uma intervenção efetiva que promova as aptidões/capacidades


parentais que permita a reunificação familiar. Caso não seja possível, devem-se considerar
outras alternativas de carácter permanente Adoção, autonomia de vida, confiança a
pessoa idónea……
Objetivos

Prioridade das relações familiares


Reunificação Trabalho educativo e Cooperação estreita com
familiar as famílias
Responsabilidades partilhadas paulatinamente

Integração estável Preparação da criança para o


acolhimento/adopção
em família
Protocolo para inclusão na família
alternativa
Competências pessoais e sociais
Independência Competências de vida independente
Autonomia de Vida Formação e Integração sócio laboral
Acompanhamento e programas de transição
O Projeto de vida

Não existe evidência que uma opção seja universalmente melhor que as outras; a melhor
opção depende das circunstâncias específicas da criança e família (Parkinson, 2003;
Thoburn, 2003; Balber & Delfabbro, 2005).

Normativos começam a indicar a Adoção como preferencial quando a reunificação não é


possível (Parkinson, 2003)

Contudo, não é só sobre ações instrumentais de que se trata. Mais importante, o projeto de
vida é sobre AFETOS, RELAÇÕES, IDENTIDADE, E SENTIDO DE PERTENÇA (Lathi,
1982; Fein & Malluccio, 1992; Brydon, 2004; Sanchez, 2004). É reconhecido que a
estabilidade e continuidade não é apenas sobre projeto/plano , mas, também, sobre
afetos, relacionamentos, identidade e sentido de pertença (Holland et al, 2005).
Da Terapia Individual para Organizações Terapêuticas

Uma instituição deverá ser, basicamente:

- Securizante – organização, estabilidade e segurança;

- Contentora de angústias – disponibilidade, a empatia, a confiança, a informação


e explicação, a promoção da auto-conhecimento e tomada de consciência;
- Promotora do desenvolvimento pessoal e da construção da identidade –
possibilitar a reconstrução do Eu;

- Pessoal técnico, educativo de apoio especializado e com suporte

Assegurar as necessidades emocionais


(Gomes, 2010)
Da Terapia Individual para
Organizações Terapêuticas

O sofrimento/trauma é uma poderosa força que envolve emoções, pensamentos


e comportamentos:

-Emoções “dolorosas” incluem estados internos negativos como: medo, raiva,


tristeza e vergonha.

- Pensamentos “dolorosos” incluem preocupações, desconfiança, ódio, culpa,


desesperança. Mecanismos de defesa como negação, culpa e racionalização
distorcem o pensamento em face de suprimir sentimentos dolorosos.

- Comportamentos em reação às emoções e pensamentos “dolorosos”, a


criança/jovem pode tentar escapar à dor, procurar lidar com a dor, reviver a dor,
bloquear a dor, causar dor aos outros ou até punir-se a si própria com mais dor.

(Brendtro & Toit, 2005)


Da Terapia Individual para
Organizações Terapêuticas
O Código da resiliência (Flash, 1989; Werner & Smith, 1992; Wolin & Wolin, 1933)
Vinculação/Pertença O ser Significante
“Eu sou importante para alguém”
Desenvolvimento de oportunidades de
construção de ligações de confiança,
vinculações e sentimentos de pertença

Mestria Competência
“Eu sou capaz de resolver problemas”
Requer oportunidades para criativamente
resolver os problemas, estabelecer objetivos
para a autorrealização

Independência Poder
“Eu sou responsável pela minha vida”
Oportunidades para crescer assumindo
responsabilidade e autonomia

Generosidade Virtude
“Eu considero os outros”
Oportunidades para desenvolver atos de
gentileza, de altruísmo, de participação
Desinstitucionalização

Deve ser planeada no dia-a-dia, em conjunto com a


criança jovem e com a família.

Acontece quando:
• a família reúne condições para receber a criança /
jovem;
• o jovem consegue assegurar a sua subsistência e
integrar-se socialmente.

Follow – up da integração

56
Substituição familiar temporal

Emergência e primeiro acolhimento

Funções básicas

Avaliação e Estudo

Reabilitação e Tratamento

57
FOCALIZAÇÃO NAS CRIANÇAS e JOVENS ACOLHIDAS

As Casas de acolhimento prestam serviço às crianças


e jovens que acolhem e, consequentemente, devem:
Compreender o seu desenvolvimento e as suas
necessidades atuais e futuras (avaliação diagnóstica)
Satisfazer os seus requisitos individuais - PSEI
Esforçar-se por exceder as suas expectativas (crianças e
jovens apoiados com sucesso)

58

15
de
Sintetizando …
Elevado número de criança/jovens em acolhimento institucional

Longos períodos de acolhimento

Desenvolvimento de padrões comportamentais problemáticos

Maior prevalência e incidência a partir dos 14 anos

Dificuldades na definição e concretização de projectos de vida

O encaminhamento das crianças e jovens nem sempre se consegue garantir


para a resposta/modalidade que seria mais adequada a cada caso, mas sim
para a vaga que numa qualquer resposta se encontra disponível, resultando daí,
subsequentemente, a tendência fácil para o recurso à transferência
institucional geradora duma rotatividade francamente prejudicial às mesmas

Os jovens saem aos 18 anos com fracas competências para se inserirem


socialmente, sem projecto formativo ou profissional e, por vezes, sem qualquer
rede de suporte à sua inserção psicossocial

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Desafios para o futuro …

Serviços específicos (Taylor, 2005)

Flexíveis, multifacetados e diferenciados (Axford & Little, 2004)

Baseados em evidências empíricas ( Axford & Little, 2004)

Desenvolvimento de competências afetivas e sociais;

Desenvolvimento de um programa individualizado adaptado às suas


capacidades e necessidades;

Frequência de atividades terapêuticas tendo em conta as suas necessidades


de desenvolvimento

(ISS-IP, 2011)

60
Desafios para o futuro …

Criação de respostas residenciais diversificadas e tipificadas face às


necessidades das crianças e jovens acolhidos e a acolher

A necessidade de uma maior especialização

Modelo especializado de acolhimento e a criação de apartamentos de


autonomização integrados em Lares de Infância e Juventude e de
residências especializadas

Centros de Acolhimento Temporário efetivamente qualificados para


promover a reunificação familiar sempre que viável, ou a adoção

(ISS-IP, 2011)

61
15
de
Desafios para o futuro …

Objetivo – Do Modelo Institucionalizador ao Modelo Familiar


Qualificação dos atuais Lares de Infância e Juventude
Definição e Concretização dos Projetos de Vida

Objetivo – Alargamento de Outras Medidas e Prevenção


Implementação de novas Medidas
Qualificação e alargamento da Medida de Acolhimento Familiar
Qualificação das Entidades com Competência em Matéria Infância e Juventude
Prevenção e avaliação do risco

Objetivo – A importância do AI
O Acolhimento Institucional representará sempre um papel fundamental
Avaliação do resultado e avaliação do processo (Skinner, 1992; Bullock, 1993)

62
Desafios

Traços característicos do Sistema de Acolhimento em Portugal:

Grande dimensão do universo de crianças e jovens acolhidos,


Longos períodos de permanência em acolhimento,
Instituições de grandes dimensões; fracos recursos técnicos, educativos e
de apoio

ASPECTOS A REFLETIR ….. A Necessidade de um olhar para o


FUTURO…
QUALIDADE

Em que se traduz?
1. No grau de satisfação das necessidades e
expectativas:
Das crianças e jovens (e suas famílias?)
Dos colaboradores
Da comunidade

2. No impacto positivo na sociedade


64

15
de
Acolhimento Institucional de Qualidade

Princípios da qualidade:

Individualidade e desenvolvimento;
Participação do Menor/Jovem;
Colaboração/intervenção com a família
Direitos e responsabilidades
Cuidados básicos
Educação
Saúde
Segurança
(EUROARRC, 1998)
GESTÃO DA QUALIDADE

CONJUNTO DE ATIVIDADES COORDENADAS

PARA DIRIGIR E CONTROLAR NO QUE RESPEITA

À QUALIDADE
ISO - International Organization for Standardization / Organização Internacional para Padronização

MAQRS – Modelos de Avaliação da Qualidade das Respostas Sociais

EFQM – Modelo de Excelência da European Foundation for Quality Management

EQUASS - European Quality in Social Services - Certificação da Qualidade dos Serviços Sociais

66
GESTÃO DA QUALIDADE/CULTURA ÉTICA

A ausência de qualidade contraria claramente os


direitos das crianças e jovens acolhidas
Garantir a qualidade exige uma conceção ética da
prestação de cuidado
Equilíbrio entre direitos, deveres e
responsabilidades

67

15
de
Princípios Fundamentais no Acolhimento Institucional

Ter funções securizantes, contentoras de angústias e promotoras de desenvolvimento pessoal e de construção da


identidade

Não substituem a família, mas sim as funções da família e apenas durante o tempo que para cada criança ou
jovem se revelar necessário, ou seja, até à concretização de um projeto em meio natural de vida

Ter dimensão estruturada de forma a promover ambiente de tipo familiar, personalizado, normalizador e bem
integrado na comunidade;

Ter metodologias de intervenção adequadas/especializadas face às necessidades particulares das crianças e


jovens acolhidos e ao seu plano de intervenção individual, fortemente imbuídas de um funcionamento integrado,
muito participado por todos os envolvidos, multidisciplinar e interinstitucional

Defender por todos os meios ao alcance, a prevenção de ruturas relacionais estabelecidas pela criança ou jovem
no meio institucional e assim, prevenir a sua transferência institucional, a não ser quando os respetivos planos socio-
educativos individuais o aconselharem, sendo ponderada a resposta que então se encontrará melhor habilitada a dar
continuidade à construção do projeto futuro de cada um;

Ter todos os colaboradores - dirigentes, técnicos-educativos e de apoio, imbuídos da missão e responsabilidade


educativa e terapêutica que detêm, envolvendo, respeitando e responsabilizando a família da criança ou jovem a
participar ativamente no processo da sua própria melhoria de capacitação parental, sempre que possível ou
aconselhável

15/04/2015 68
Características de uma equipa

Numero reduzido de elementos

Fortes laços afetivos

Complementaridade na ação

Constituição de uma unidade em torno de um líder

Objetivo comum aceite

Procedimentos
DINÂMICA DE GRUPO

Reflexão Conjunta

O Acolhimento institucional – Análise swot (oportunidades, ameaças,


forças e fraquezas) (Pearce & Robison, déc. 60-70)