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PREFÁCIO

Não Me FFaça
aça Pensar!
Pensar!

UMA ABORD
ABORDAAGEM DE BOM SENSO À
USABILIDADE NA WEB

TRADUÇÃO DA SEGUNDA EDIÇÃO

STEVE KRUG

[I]
PREFÁCIO

Não me faça pensar!


Do original Don´t Make Me Think! Second Edition Copyright © 2006 da Editora Alta Books Ltda.
Authorized translation from english language edition, entitled Don´t Make Me Think!, ISBN 0-321-
34475-8, by Steve Krug, published by New Riders, a division of Pearson Education,Copyright ©
2004 by Pearson Education.
PORTUGUESE language edition published by Editora Alta Books, Copyright © 2006 by Editora Alta
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Produção Editorial: Editora Alta Books


Coordenação Editorial: Fernanda Silveira
Tradução: Acauan Pereira Fernandes
Revisão: Carolina Menegassi
Diagramação: Fernanda Silveira

Impresso no Brasil

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[II]
PREFÁCIO

PRIMEIRA EDIÇÃO

Ao meu pai, que sempre quis que eu


escrevesse um livro,

Minha mãe, que sempre me fez acreditar


que eu conseguiria,

Melanie, que casou comigo – o maior


golpe de sorte da minha vida,

e meu filho Harry, que com certeza


escreverá livros muito melhores do que
este sempre que quiser.

SEGUNDA EDIÇÃO

Para meu irmão mais velho, Phil, que foi


um mensch durante toda sua ida.

[III]
PREFÁCIO

SUMÁRIO

P R E FÁ CI O Sobre a Segunda Edição VII

A P R E S E N TA Ç Ã O Por Roger Black X

I N T R O DU ÇÃ O Leia-me p rimeiro: Limpeza de garganta e isenção de


XII
responsabilidades

P R I N CÍ P I OS B Á SI COS

CA P Í T U L O 1 N ão me faça p ensar!: A primeira lei de Krug sobre


usabilidade 2

CA P Í T U L O 2 Como realmente usamos a Web: Examinando, fazendo o


q ue for suficiente e atingindo o objetivo 8

CA P Í T U L O 3 Introdução ao p rojeto de p ainéis: Projetando páginas para


serem olhadas, não lidas 14

Animal, vegetal ou mineral?: Por q ue os usuários gostam 20


CA P Í T U L O 4
de escolhas impensadas

CA P Í T U L O 5 Omita p alavras desnecessárias: A arte de não escrever 24


para Web

C O I S A S Q U E V O C Ê P R E C I S A FA Z E R C E R T O

CA P Í T U L O 6 Placas de rua e migalhas de p ão: Projetando a navegação 28

O p rimeiro p asso na recup eração é admitir que a p ágina


CA P Í T U L O 7 inicial está fora do seu controle: Projetando a página 58
i ni c i a l

A S S E GU R A N DO - S E DE Q U E F E Z CE R T O
"O Agricultor e o Criador de Gado Devem Ser Amigos": Por
q ue as brigas da eq uipe de projeto Web sobre 78
CA P Í T U L O 8
usabilidade são uma perda de tempo e como evitá-las

Testes de usabilidade a 10 centavos p or dia:Por q ue os 84


CA P Í T U L O 9
testes de usuário - fazendo apenas os necessários - são a
cura de todos os problemas do seu site

[IV]
PREFÁCIO

SUMÁRIO

P R E O C U PA Ç Õ E S M A I S I M P O R T A N T E S E I N F L U E N C I A S E X T E R N A S

Usabilidade como um favor comum: Por q ue seu Web site


C A P Í T U L O 10 102
deve ser um mensch

Acessibilidade, Cascading Style Sheets e você: Quando


CA P Í T U L O 11 108
você acha q ue terminou, um gato passa correndo com
uma torrada com manteiga amarrada nas costas
CA P Í T U L O 12 Socorro! Meu chefe quer que eu ___: Quando decisões de
projeto ruins ocorrem com pessoas boas

L E I T U R A S R E CO M E N DA DA S 120

A GR A DE CI M E N T O S 124

[V]
PREFÁCIO

Prefácio

Sobre a
Segunda Edição

[VI]
PREFÁCIO
“Quando achava que estava fora, eles me puxaram de volta para dentro.”
- MICHAEL CORLEONE, EM O PODEROSO CHEFÃO, PARTE III

Desde que Não Me Faça Pensar foi publicado pela primeira vez há quase cinco anos, as pessoas têm sido
maravilhosas com ele.

Recebo muitos e-mails gentis. Você não pode imaginar o quão agradável é começar sua manhã com alguém, que
você nunca viu, lhe dizendo que gostou de algo que você fez. (Recomendo isso enfaticamente.)

z Melhor ainda é o fato das pessoas parecerem gostar do livro pelas mesmas razões que eu. Por exemplo:

z Muitas pessoas apreciam o fato dele ser curto (algumas me disseram que o leram em uma viagem de avião,
o que era um dos meus objetivos declarados para a primeira edição; o recorde da “leitura mais rápida” parece ser
de em torno de duas horas).

z Uma quantidade gratificante de pessoas disse que gostou do livro porque ele pratica o que prega, na escrita
e no projeto.

Algumas pessoas disseram que ele as fez rir alto, o que eu realmente apreciei (um leitor disse que o fiz rir tanto
que saiu leite pelo seu nariz. Como algo assim pode ajudar, mas também fazer você sentir que seu tempo foi bem
gasto?).

Todavia, o mais satisfatório foram as pessoas dizendo que ele lhes ajudou a realizar melhor seu trabalho.

Mas o que você fez por nós ultimamente?


Só demorou em torno de um ano após o livro ter surgido para as pessoas começarem a me perguntar se eu iria
fazer uma segunda edição.

Por muito tempo, eu realmente resisti à idéia. Gostava do livro do jeito que ele estava e achava que ele funcionava
bem e, já que era sobre princípios de projeto e não tecnologia, não achei que fosse provável que ficasse desatualizado
logo.

Normalmente eu faria o truque do consultor/terapeuta de perguntar a eles o que eles mudariam e a resposta era
quase sempre: “Bom, acho que você poderia atualizar os exemplos.” Algumas pessoas apontavam que alguns dos
sites nos exemplos nem existiam mais.

Contudo o fato é que muitos dos sites no livro já tinham saído do ar quando ele chegou às livrarias. (Lembre-se de
que ele saiu antes do estouro da bolha da Internet.) O fato dos sites não estarem mais no ar não tornou os
exemplos menos claros.

Outras pessoas diziam: “Bom, você poderia falar sobre as coisas da Web que mudaram.” É verdade; algumas
coisas da Web mudaram nos últimos anos. Algumas das mudanças foram boas:

z Mais sites bons dos quais copiar

z CCS (Cascading Style Sheets) que realmente funcionam

z Convenções úteis como páginas de fácil impressão e o What’s this? (“O que é isto?”) da Amazon.com.

z O Google como ponto de partida para todas as ações

z A mudança nos modelos de negócio, de propagandas em banners (de coisas que eu não quero) para
propagandas do Google (de coisas que eu realmente poderia querer)

z Quase ninguém mais usa frames

... e algumas não tão boas:

z Pop-ups
[VII]
PREFÁCIO
z Roubo de informações

Contudo estas mudanças não me fizeram sentir uma necessidade de atualizar o livro, que é sobre princípios de
projeto, não peculiaridades de tecnologia ou implementação.

Também houve outro problema: eu estava muito orgulhoso do quão curto o livro era. Foi necessário muito trabalho,
mas era uma parte importante do negócio de “praticar o que se prega”. Se fosse acrescentar algum material novo,
teria de descartar algum material existente, e eu achava que tudo funcionava muito bem.

Então, o que estamos fazendo aqui?


Um dos melhores benefícios adicionais do livro para mim é que consegui passar tempo ensinando em seminários.

Nos seminários, tento fazer a mesma coisa que fiz no livro: mostrar às pessoas o que penso quando faço um
exame de usabilidade de um Web site.

E, já que todas as pessoas que vão aos seminários já leram o livro, naturalmente eu tive de levar exemplos
diferentes para expressar as mesmas opiniões e formas diferentes de explicar as mesmas coisas. Também faço
muitos exames de diferentes tipos de sites, porque todos que vêm ao seminário podem submeter uma URL, e
durante o dia faço “mini-exames especializados” de 12 minutos em algumas delas, e um teste de usuário ao vivo
de mais um ou dois.

Além disso, como qualquer pessoa que já ensinou algo sabe: ensinar é a melhor forma de aprender mais sobre
alguma coisa.

Assim, quando meu editor começou a me perguntar sobre uma segunda edição no ano passado, eu realmente
pensei sobre como ela poderia ser e, embora ainda achasse que não havia muito o que alterar ou excluir, percebi
que havia outras coisas sobre as quais poderia escrever e que poderiam ser úteis.

Como o quê?
O novo material entra na sua maioria em três categorias:

z Ah, agora eu entendo. Ensinar nos seminários me deu muitas oportunidades de pensar sobre o que
está no livro. Há algumas coisas que eu reescrevi com ligeiras alterações porque acho que as entendo um pouco
melhor agora ou que tenho uma forma melhor de explicá-las.

z Socorro! Meu chefe quer que eu _. Muitas perguntas que as pessoas fazem nos meus seminários
são do tipo “Eu sei a coisa certa a fazer neste caso, mas meu chefe/cliente/investidor insiste que eu faça a coisa
errada. Como posso convencê-lo do contrário?”

Já que muitas pessoas parecem gastar muito tempo tentando resolver os mesmos problemas de projeto, achei
que poderia ser uma boa idéia dar a elas alguns recursos.

Meu gerente de marketing insiste em obrigar as pessoas a nos fornecer muitas informações pessoais
desnecessárias antes que possam assinar nosso boletim informativo e parece não importar para ele o
fato de que 10% dos nossos assinantes se chamem “Barney Rubble”.

z Os capítulos “perdidos”. Havia dois capítulos que eu queria incluir no primeiro livro mas não o fiz,
principalmente para mantê-lo curto. Um, o Capítulo 10, é sobre a importância de tratar bem os usuários e o outro,
o Capítulo 11, é sobre acessibilidade na Web.

Também quis atualizar e aumentar a lista de leituras recomendadas, já que alguns livros muito bons surgiram
nos últimos cinco anos.

z Colocando mais do que cabe na embalagem

Embora eu já tivesse mudado minha opinião de que o livro estava bem daquela forma, ainda tinha um dilema
importante: se não houvesse nada que eu quisesse eliminar, como poderia acrescentar material novo e ainda
assim manter o livro curto o suficiente para ser lido em uma viagem de avião?

[VIII]
PREFÁCIO
Felizmente, nesse momento, segui meu próprio conselho e criei um formulário de teste de usuário: criei um
grupo de discussões e pedi aos leitores da primeira edição que me dissessem o que eu poderia deixar fora.
Felizmente, o teste fez o que os testes de usuário sempre fazem:

z Confirmou algumas coisas que eu já sabia

z Ensinou-me algumas coisas que eu não sabia sobre como as pessoas estavam usando o livro e ao que elas
davam mais valor nele

z Uma grande surpresa me permitiu melhorá-lo significativamente

A grande surpresa foi o grande número de pessoas que sugeriram passar os capítulos sobre testes de usuário
para outro livro (algumas delas haviam ouvido que eu estava planejando escrever outro livro que cobriria em
detalhes testes de usuário de baixo ou nenhum custo que eles mesmos poderiam fazer, e algumas disseram que
não sentiriam falta dos capítulos porque não planejavam executar elas próprias algum teste).

Eu havia pensado em fazer isso, mas não queria porque (a) achava que as pessoas sentiriam falta deles e (b)
acreditava que pareceria que eu estava tentando obrigar as pessoas a comprar o segundo livro. Contudo, assim
que comecei a ler o que os usuários tinham a dizer, a solução se tornou óbvia: compactando os três capítulos
sobre testes de usuário em um ligeiramente menor que cubrisse os pontos importantes que todos deveriam
conhecer, eu poderia ganhar vinte páginas a mais para usar com o material novo. Para quem quisesse a versão
maior anterior, eu poderia disponibilizar os capítulos originais de graça no meu Web site1. Problema resolvido.

Finalmente, algumas notas de administração interna:

z Os links. Se você quiser visitar alguma das URLs mencionadas no livro, encontrará também links atualizados
no meu site. (Só para o caso de algum dos sites, bem, você sabe... desaparecer.)

z Ainda não existe. A única coisa que as pessoas me perguntaram e que você não encontrará aqui é
alguma discussão sobre aplicações Web. Embora muitos dos princípios sejam os mesmos dos usados para Web
sites, este é realmente um tópico para um outro livro inteiro, e não sou eu a pessoa a escrevê-lo.2

De qualquer forma, obrigado por toda a ajuda. Espero que você ache úteis as novas partes.

Vejo você daqui a cinco anos.

STEVE KRUG

JULHO DE 2005

1
http://www.sensible.com/secondedition
2
Se esta é a sua área, você talvez queira dar uma olhada em Web Application Design Handbook: Best Practices for Web-
Based Software de Susan Fowler e Victor Stanwick.

[IX]
PREFÁCIO

Apresentação
NÃO ME FFAÇA
AÇA PENSAR NOVAMENTE
NOV

C ONSIDERANDO QU ANT
QUANT
ANTA A COISA MUDOU DESDE O ANO 2000, QU ANDO A
QUANDO
primeira edição deste livro foi impressa, é impressionante que o projeto básico da Web
tenha continuado tão semelhante.
Nos primeiros anos, a plataforma era volátil. Parecia que as características mudavam a
cada semana. Tínhamos a guerra dos navegadores, com o Netscape se opondo a todos
os novos e a WC3 trazendo novos padrões HTML a cada seis meses. Todavia, com a
vitória prevista da wehrmacht de Redmond, tudo se acalmou.
Isto foi um alívio para os projetistas da Web, que quase enlouqueciam com as constantes
alterações no código – e com o fato de que nós o estávamos fazendo à medida em que
seguíamos em frente.
Mas o alívio aos poucos se transformou em frustração.
A inflexibilidade da HTML, a falta de fontes, a adaptabilidade das páginas Web que
tornam o projeto tão impreciso, o confuso conjunto de resoluções de tela e navegadores
(mesmo se eles forem o Explorer na maioria dos casos) – todos estes fatores são irritantes.
O que piorou a situação dos projetistas foi uma quantidade de convenções restritivas,
como a de propagandas em banners. Nem todas as convenções são ruins, é claro. Na
verdade, os usuários gostam de convenções – mesmo se os projetistas as achem
restritivas. Para a maioria das pessoas, já é difícil o suficiente apenas fazer o computador
funcionar.
E, embora estas convenções possam mudar, há uma constante que nunca muda: a
natureza humana. Mesmo que a Internet tenha sido uma força social e comercial tão
radical e causadora de mudanças como de fato foi, ainda não causou uma mutação
visível nas espécies.
E, já que os projetistas de modo geral não entram em contato com seres humanos

[X]
PREFÁCIO

reais, é muito útil conhecer Steve Krug – ou pelo menos ter seu livro – porque Steve
conhece os usuários. Depois de mais de uma década de trabalho ele continua a olhar
cada Web site como se fosse o primeiro. Você não encontrará palavras apenas para
chamar a atenção: só bom senso e uma compreensão amigável da forma que vemos,
pensamos e lemos.
Os princípios que Steve compartilha aqui permanecerão os mesmos, não importa o
que aconteça com a Internet – com convenções web, o sistema operacional, banda
larga ou poder computacional. Então, puxe uma cadeira e relaxe.
ROGER BLACK
NOVA IORQUE, JULHO DE 2005

[XI]
INTRODUÇÃO

Introdução
Introdução

Leia-me Primeiro
Limpeza de garganta e insenção de
responsabilidades

[XII]
INTRODUÇÃO
Esta viagem é realmente necessária?
- LEMA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL ENCORAJANDO O RACIONAMENTO DE GASOLINA

QUANDO COMECEI A CONTAR ÀS PESSO


CONTAR AS QUE ES
PESSOAS TAVA ESCREVENDO UM livro sobre como eu faço
EST
o que faço, todas elas me perguntaram a mesma coisa: “Você não tem medo de ficar sem emprego?”

É verdade, eu tenho um ótimo emprego.

z As pessoas (“clientes”) me enviam projetos de páginas propostos para o novo Web site que estão criando
ou para a URL de um site existente que estão reprojetando.

Projeto de nova página A Projeto de nova página B Site existente

R el at ór io
z Eu olho os projetos ou uso o site e vejo se eles são fáceis o suficiente de serem de
U sa b il id a
de
usados (um “exame de usabilidade feito por um especialista”). Às vezes pago outras
Flozz.com
pessoas para tentarem usar o site enquanto assisto (“teste de usabilidade”.)1
22 de mar
ço de 1999
z Escrevo um relatório descrevendo os problemas que achei que provavelmente
afligiriam os usuários (“questões de usabilidade”) e sugerindo possíveis soluções2. Steve Krug
Ad va nc ed
Co m m on
Se ns e
z Trabalho com a equipe de projeto Web do cliente para auxiliá-la a descobrir como
consertar os problemas. Um relatório
de usabilida
de

... talvez se colocássemos as Poderíamos fazer isso


histórias principais sob a Gostaria de saber se desta forma, mas...
promo... ainda sobraram
rosquinhas...

Veja! Alguém trouxe


rosquinhas.

Às vezes trabalhamos pelo telefone... ... e, às vezes, pessoalmente

1
... não confundir com “voyerismo”.
2
Na verdade, esta é uma coisa que mudou desde a primeira edição. Veja no Capítulo 9 o motivo pelo qual parei de
escrever o que agora chamo de “relatório barulhento”.

[XIII]
INTRODUÇÃO
z Eles me pagam.

Sendo consultor, trabalho em projetos interessantes com muitas pessoas agradáveis e inteligentes e, quando
terminamos, os sites estão melhores do que quando começamos. Trabalho em casa na maior parte do tempo e
não preciso participar de reuniões aborrecidas todos os dias ou lidar com as políticas dos escritórios. Digo o que
penso e as pessoas geralmente gostam disso. E, além disso, sou bem pago.

Acredite, eu não faria nada para pôr em risco este tipo de vida3.

Contudo, a realidade é que há muitos Web sites precisando de ajuda – e tão poucas pessoas que fazem o que eu
faço – que, a menos que haja um colapso na explosão da Internet4, há pouca chance de eu ficar sem trabalho nos
próximos anos.

De repente, muitas pessoas com pouca ou nenhuma experiência anterior têm ficado responsáveis por projetos de
grande orçamento que podem determinar o futuro das suas empresas e estão procurando pessoas que lhes
digam se estão fazendo isso certo.

Projetistas e desenvolvedores gráficos acabam sendo responsáveis pelo projeto das interfaces – coisas como o
projeto de interação (o que acontece a seguir quando o usuário clica) e a arquitetura das informações (como tudo
é organizado).

Além disso, a maioria das pessoas não tem orçamento para contratar um consultor de usabilidade para inspecionar
seu trabalho – nem pensar em ter um em tempo integral.

Estou escrevendo este livro para as pessoas que não podem contratar alguém como eu. Espero que ele também
tenha valor para pessoas que trabalhem com um profissional de usabilidade.

Finalmente, espero que ele possa lhe auxiliar a evitar alguns dos debates sem fim e que não chegam a lugar algum
sobre projeto Web que parecem consumir tanto tempo.

Não é uma coisa do outr


outroo mundo 5 (It’s no
nott a rrock
ock
ockeet surger
surgeryy TM)
A boa notícia é que muito do que eu faço é apenas bom senso e qualquer pessoa com um pouco de interesse pode
aprender a fazê-lo.

Afinal, usabilidade significa na verdade assegurar-se de que algo funcione bem: que uma pessoa com habilidade
e experiência comuns (ou até menos) possa usar algo – seja um Web site, um caça a jato ou uma porta giratória
– para seu propósito desejado sem ficar frustrada com isso.

Como muito do bom senso, todavia, isto não é óbvio até depois que alguém tenha mostrado a você6.

Não há dúvida: se você puder, contrate alguém como eu. Todavia, se não puder, espero que este livro lhe permita
fazer você mesmo (no seu enorme tempo livre).

Sim, é um livro fino


Trabalhei duro para manter este livro fino – espero que fino o suficiente para você lê-lo em uma viagem de avião
longa. Fiz isto por dois motivos:

3
Agora eu tenho um trabalho mais agradável ainda. Desde que o livro foi lançado, passo muito do meu tempo
lecionando em seminários onde, diferentemente da consultoria, não há oportunidade para adiamentos e trabalho para
fazer em casa. No final do dia, você terminou tudo.
4
A explosão obviamente virou colapso não muito tempo após eu ter escrito isso (final do ano 2000). Mesmo assim, há
provavelmente mais pessoas trabalhando com usabilidade hoje do que havia naquela época.
5
N. do T.: Tradução livre da expressão “It’s not rocket surgery”
6
... o que é um bom motivo para o meu negócio de consultoria (na verdade apenas eu e alguns espelhos bem colocados)
ser chamado Bom Senso Avançado. “Não é nada de outro mundo” é o lema da minha empresa.
[XIV]
INTRODUÇÃO
z Se ele ffor
or ffino,
ino, é mais pr ováv
pro el q
vável ue seja realment
que realmente e usado 7.
Estou escrevendo para as pessoas que estão na trincheira – projetistas,
desenvolvedores, produtores de sites, gerentes de projeto, pessoal de
marketing, as pessoas que assinam os cheques e para o faz-tudo que executa
todas as tarefas sozinho. Usabilidade não é o trabalho da sua vida e você não
tem tempo para um livro extenso.

z Você não precisa saber tudo. Da mesma forma que em qualquer


outra área, há muita coisa que você poderia aprender sobre usabilidade.
Todavia, a menos que seja um profissional dessa área, há um limite à
quantidade do que é útil aprender8.

Acho que as contribuições mais valiosas que faço em cada projeto sempre
provêm do fato de ter apenas alguns princípios de usabilidade em mente.
Acho que há muito mais vantagem para a maioria das pessoas no
entendimento destes princípios do que em uma outra lista de coisas a serem feitas ou evitadas. Tentei resumir
em alguns pontos o que acho que todas as pessoas envolvidas na criação de Web sites devem saber.

Não estão aqui


Então, para que você não perca seu tempo procurando por elas, aqui estão algumas coisas que você não
encontrará neste livro:

z “A vver
er dade” sobre a fforma
erdade” correta
orma corre ta de prproje
ojetar
oje Web
tar W sites.
eb sit es. Trabalho com isto há muito tempo,
tempo suficiente para saber que não existe uma forma “correta” de projetar Web sites. Este é um processo
complicado e a resposta verdadeira para a maior parte das perguntas que as pessoas me fazem é “Depende”9.
Contudo, acho que há alguns princípios úteis que sempre ajuda ter em mente e esses são os que estou tentando
passar.

z Discussão sobre modelos de negócios. Se a história me ensinou alguma coisa, é que os modelos de
negócios da Internet são como ônibus: se você perder um, tudo que tem de fazer é esperar um pouco e outro
aparece. Não sou especialista no que diz respeito a fazer dinheiro na Web e, mesmo que fosse, qualquer coisa que
tivesse a dizer provavelmente estaria ultrapassada quando você a lesse.

z Previsões para o futuro da Web. Sei tanto quanto você. A única coisa da qual estou certo é que (a) a
maioria das previsões que escuto estão quase que com certeza erradas e (b) o que será importante virá como uma
surpresa, mesmo que pareçam perfeitamente óbvias.

z Falar mal de sites mal desenhados. Se você gosta de pessoas zombando de sites com falhas óbvias,
está lendo o livro errado. Projetar, criar e manter um ótimo Web site não é fácil. É como o golfe: há várias formas
de fazer com que a bola entre nos buracos e um milhão de formas de não consegui-lo. Qualquer pessoa que
consiga fazer metade das coisas de forma certa tem minha admiração.

Como conseqüência, você descobrirá que os sites que uso como exemplos tendem a ser excelentes sites com
pequenas falhas. Acho que você pode aprender mais olhando sites bons do que ruins.

z Exemplos de todos os tipos de sites. A maioria dos exemplos do livro são de sites de comércio
eletrônico, porém, os princípios que estou descrevendo se aplicam da mesma forma à página do meu vizinho, ao
site do time de futebol10 da sua filha ou à Intranet da sua empresa. A inclusão de ilustrações de todos os diferentes
tipos teria resultado em um livro muito maior – e menos útil.

7
Há um bom princípio de usabilidade aqui: se algo requer um grande investimento de tempo – ou parece requerer – é
menos provável que seja usado.
8
Sempre gostei da passagem de A Study in Scarlet onde o Dr. Watson fica chocado ao descobrir que Sherlock Holmes
não sabe que a Terra gira em torno do Sol. Dada a capacidade finita do cérebro humano, Holmes explica que não pode
se dar ao luxo de ter fatos inúteis tirando o lugar dos úteis:
“Que diabos isto significa para mim? Você diz que giramos em torno do Sol. Se girássemos em torno da
Lua, isto não faria a menor diferença para mim ou para o meu trabalho”.
9
Jared Spool e seu grupo de consultores na User Interface Engineering (www.uie.com) têm até camisetas “Depende”.
10
N. do T.: O futebol é um esporte muito popular entre meninas nos Estados Unidos.
[XV]
INTRODUÇÃO

Quem vem primeiro?


Por todo o livro, procurei evitar referências constantes ao “usuário” ou “usuários”. Isto se deve em parte devido
ao fator tédio, mas também para tentar fazer você pensar nas suas próprias experiências como usuário Web
enquanto estiver lendo – algo que a maioria de nós tende a esquecer quando começamos a projetar para Web. Isto
levou ao seguinte uso de pronomes neste livro:

z “Eu” sou eu, o aut or


or.. Às vezes sou eu o profissional de usabilidade (“Digo aos meus clientes...) e às
autor
vezes sou eu falando como um usuário Web (“Se eu não conseguir encontrar um botão Procurar...”), mas sou
sempre eu.

z “Você” é você, o leitor – alguém que projeta, cria, publica ou paga as contas de um Web site.

z “Nós” (“Como realmente usamos a Web”) somos todos os usuários Web,


Web o que inclui “você”
e “eu”.

Eu posso me desviar destas regras ocasionalmente, mas espero que o contexto sempre deixe claro sobre de quem
estou falando.

Esta viagem é realmente necessária?


Poderia citar algumas estatísticas aterrorizantes comuns sobre quantos numerosos zilhões de dólares serão
gastos este ano por sites que não se importam com sua usabilidade.

Entretanto, visto que você já tem em mãos um livro sobre usabilidade, provavelmente não precisa que eu lhe diga
que ela é importante. Você sabe pela sua própria experiência como usuário Web que prestar atenção na usabilidade
significa menos frustração e mais satisfação para os seus visitantes e uma maior chance de vê-los de novo.

Acho que minha esposa captou a essência disto melhor do que qualquer estatística que eu já tenha visto:

Se algo for difícil


de usar, eu não o
uso tanto.

Espero que este livro lhe auxilie a criar um site melhor e – se você puder evitar algumas discussões sobre projeto
– até mesmo a chegar em casa a tempo para o jantar de vez em quando.

[XVI]