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DIREITO EMPRESARIAL I

MONITORES 2017.1

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO DO


COMERCIAL/EMPRESARIAL

PRÉ- HISTÓRIA HISTÓRIA

Paleolítico Neolítico Idade dos Antiga Medieval Moderna Contemporânea


metais Escrita ± 1789
4.000 a.C. Revolução
Atividade Feudalismo. Francesa
comercial nas XI 1760
civilizações antigas Renascimento Revolução
sofreu retração Comercial. Industrial.
pela invasão dos
povos bárbaros. ±
476 queda do
Império Romano.

1. Fazer Comércio
- Fazer comércio é permutar produtos e valores (commutatio mercium), comércio in natura.
Obs. 1: escambo é como se chamava a relação “comercial” entre portugueses e índios.
Obs. 2: Surgimento de casas comerciais: casa de cânhamo (tipo de tecido na época do
renascimento comercial); casa da banha, casa do linho, shopping centers, etc.

FONTES DO DIREITO COMERCIAL/EMPRESARIAL

1. Fontes Históricas
1.1.Antiguidade
 Código de Hamurabi
- Séc. XX a.C. Hamurabi era o rei da Babilônia e seu código é a mais antiga coleção
de leis sobre a atividade mercantil. O código trata de várias atividades, mas
principalmente do transporte marítimo (pelo qual flui o comércio).
 Código de Manu
- Séc. XII a.C. Também apresenta leis marítimas.
 Fenícios
- Leis baseadas em costumes (direito consuetudinário), dominavam todo o comércio
do mar Mediterrâneo.
 Romanos
- Deixaram por escrito o que os fenícios tiveram como prática costumeira, deixando
como legado importantes leis mercantis, dentre elas a Lex Rhodia de Jactu. O
comércio era conferido a estrangeiros e fiscalizado pelos praetor peregrinus, os quais
eram nomeados pelos senadores.
Obs.:
Patrícios (aristocracia agrária, donos das terras)  senadores praetor peregrinus
Plebeus  funcionários
Comerciantes (estrangeiros)
Escravos por dívida ou por conquista

 Gregos
- A situação geográfica da Grécia propiciava grandes navegações, as leis eram
baseadas principalmente em usos e costumes, dentre elas a Nauticum Foenus, a qual
determinava que se houvesse prejuízo, todos perderiam.
1.2.Idade Média
1.2.1. Alta Idade Média
- Séc. VI-IX. O feudalismo chega ao seu ápice. Neste período só havia atividade
agrícola e não comercial (retração do comércio).
1.2.2. Baixa Idade Média
- Séc. IX-XIV. Época do declínio do feudalismo. Surge o renascimento
comercial em locais como Gênova, Veneza, Milão, Turim e Feiras de
Champagne (França). Nessas cidades, os burgos e seu comércio passam a entrar
em ascensão.
1.3.Idade Moderna
- Séc. XV (1453) – XVIII (1789).
- As corporações de mercadores consistiam em uma das principais origens do direito
comercial, elas eram uma organização de comerciantes, sendo chefiadas por um ou
mais indivíduos chamados de cônsules. Ao tomar posse, o cônsul respeitava os
costumes da corporação. Aqueles que não fossem filiados a corporações não poderiam
desenvolver atividade comercial. Cada uma das corporações possuía as suas próprias
leis e a sua própria jurisdição. Idade Moderna é marcada pela ausência do Estado e, por
conta disso, cada corporação tinha sua própria jurisdição.
- Surgem novas potências mundiais através das grandes navegações, como Portugal,
Espanha, Holanda, França e Inglaterra. Com o declínio das Repúblicas italianas, a Itália
perde a hegemonia econômica que até então dominava (1543), no entanto, a Itália não
perde a hegemonia de legislar, sendo muito importante para a contribuição ao direito
comercial, principalmente devido às grandes obras Tractatus de Mercatura seo
Mercatore(Tratado sobre Mercadoria e seus Mercadores) (Veneza, 1553) de
Benevenuto Stracta, obra inteiramente dedicada ao direito mercantil, sendo esta obra
considerada a origem da autonomia científica do direito comercial, além da obra
Tractatus de Commerciis et Cambio(Tratado sobre Comércio e o Câmbio) do jurista
italiano Segismundu Scaccia, procurando legislar sobre o direito comerciárioA
Inglaterra também começou a legislar, criou uma legislação chamada Navigation Act,
por Cromwell, em 1651, na Inglaterra. A França também começou a legislar,
principalmente através das chamadas ordenações, como a Ordonnance Sur le
Commerce de Mer, a qual dispunha sobre o direito marítimo e se preocupava não só
com o setor privado, mas também o administrativo.
1.4.Idade Contemporânea
- Revolução Francesa (1789)  Napoleão Bonaparte surge como direito civil, o direito
comercial francês (1807), havendo a abolição das corporações de mercadores.
- Código Comercial Espanhol (1829).
- Código Comercial Português (1833).
- Código Comercial Brasileiro (1850)  tinha 03 partes: 1ª) Sociedades, sendo
revogada pelo CC de 2002; 2ª) Direito Marítimo; 3ª) Quebras (Falências), sendo
revogada pela Lei 11.101/2005.
- Código Comercial Alemão (1861).
- Código Comercial Italiano (1865).
2. Fontes Materiais
- Seriam as fontes legislativas. Os órgãos legitimados a criar leis.
2.1. Poder Legislativo
- Municipal, Estadual, Federal.
2.2. Poder Executivo
- Decretos, Instrução normativa, Resoluções.
2.3. O Povo
- Iniciativa Popular.
3. Fontes Formais
3.1.Primárias
- Constituição Federal, Código Comercial (1850) – parte II (direito marítimo), Código
Civil (2002) – parte II (direito da empresa), demais leis (leis comerciais em geral,
esparsas, extravagantes).
3.2.Secundárias
- Analogia, usos e costumes.

CONCEITO DE COMERCIANTE/EMPRESÁRIO

1. A Origem da Palavra Comerciante


- Promulgação do Code de Commerce de Napoleão (1807).
- Comerciantes eram aqueles que exerciam “atos de comércio”, fazendo disso sua profissão
habitual.
- Na França os “atos de comércio” são mais importantes por conta da dificuldade de
jurisdição (jurisdição administrativa – gerida pelos Tribunais de Comércio / Jurisdição de
Direito).
2. Conceito de Comerciante
2.1. Sistema Francês
- Comerciantes são os praticantes dos “atos de comércio” e dele o fazem sua profissão
habitual.
2.2. Sistema Espanhol
- Código de 1828.
- “São comerciantes os que, tendo capacidade legal para exercer o comércio, tenham-se
inscritos, isto é, tenham matrículas de comerciantes, e se dedicam a ele de forma
habitual e ordinária”.
Obs.: temos entendimento parecido no CC brasileiro atual, com os artigos art. 967, CC
(“É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis
da respectiva sede, antes do início de sua atividade”) e art. 982, CC (“Salvo as
exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o
exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples,
as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se
empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa”).
2.3. Sistema Alemão
- Código de 1897.
- “Comerciante é aquele que exerce uma atividade comercial, tais como aquisição e a
venda...”.
- Nesse sistema temos 3 categorias de comerciantes:
 Musskaufleute (comerciantes de acordo com a lei)
- A lei é taxativa acerca das atividades que tornam um indivíduo comerciante.
 Solekaufleute (comerciantes por inscrição ou matrícula)
- Comerciantes inscritos no Registro do Comércio.
Obs.: no Brasil seriam os “despachantes aduaneiros”, “intérpretes”, “leiloeiros”, ou
os auxiliares ou colaboradores do comerciante, do empresário.
 Kannkaufleute (comerciantes facultativos ou por opção)
- Podem adquirir a qualidade de comerciantes.
Ex.: agricultor, pecuarista, e o silvicultor.
Obs. 1: o Brasil adotou essa teoria no art.971, CC/02 (“O empresário, cuja atividade
rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que
tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de
Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro”).
Obs. 2: a inscrição do empresário está abordada no art. 968, CC/02.
2.4. Sistema Italiano
- Código Civil 1942.
- Substitui-se a figura do comerciante pela figura do Empresário, o qual é aquele que
exerce profissionalmente uma atividade econômica organizada, destinada à produção
ou troca de bens ou serviços.
2.5. Sistema Brasileiro
- Código Comercial de 1850.
- Tinha 03 partes (do comércio em geral, do comércio marítimo, das quebras), a única
parte que não foi revogada foi a parte II, do comércio marítimo.
- Seguiu o sistema francês, pois exige:
 Exercício profissional do comércio;
 Matrícula, atribuindo ao comerciante proteção legal.
- Embora não tenha definido comerciante, estabeleceu requisitos para qualificação do
comerciante, como: matrícula, capacidade jurídica (maior de idade, agente capaz),
ausência de proibição legal, exercício profissional de mercancia.
- O Regulamento 737/1850 – complementa o que diz o Código Comercial e esclarece
melhor a competência dos Tribunais de Comércio. Houve revogação tácita do
regulamento 737, mas as definições de atos de comércio previstas nele ainda são
admitidas.
Obs. 1: neste regulamento a definição de mercancia está no art. 19, Regulamento
737/1850 – “Considera-se mercancia:
§ 1º A compra e venda ou troca de efeitos moveis ou semoventes para os vender por
grosso ou a retalho, na mesma espécie ou manufaturados, ou para alugar o seu uso.
§ 2º As operações de cambio, banco e corretagem.
§ 3° As empresas de fabricas; de com missões; de depósitos; de expedição,
consignação e transporte de mercadorias; de espetáculos públicos. (Vide Decreto nº
1.102, de 1903)
§ 4.° Os seguros, fretamentos, risco, e quaisquer contratos relativos ao cornmercio
maritimo.
§ 5. ° A armação e expediç1to de navios”.
- Os Tribunais de Comércio posteriormente foram substituídos pelas juntas comerciais,
as quais ficaram apenas com funções administrativas, e os juízos de Direito ficaram
com as funções jurisdicionais.
3. Conceito Moderno de Empresa e Empresário
- Existe uma grande dificuldade da doutrina em definir o que é empresa, o CC/02 define
empresário, mas não defini empresa, tendo os estudos, em sua maioria, partido da definição
de empresário para chegar à definição de empresa.
- Exemplos de referências legais às empresas no Brasil:
 Art. 19, Regulamento 737, 1850(ao enumerar os “atos de comércio,incluiu as
empresas)– “Considera-se mercancia:
§ 1º A compra e venda ou troca de effeitos moveis ou semoventes para os vender por
grosso ou a retalho, na mesma especie ou manufacturados, ou para alugar o seu uso.
§ 2º As operações de cambio, banco e corretagem.
§ 3° As emprezas de fabricas; de com missões ; de depositos ; de expedição,
consignação e transporte de mercadorias; de espectaculospublicos. (Vide Decreto nº
1.102, de 1903)
§ 4.° Os seguros, fretamentos, risco, e quaesquer contratos relativos ao cornmercio
maritimo.
§ 5. ° A armação e expediç1to de navios”.
 Art. 6º, Lei 4.137/1962 (coíbe o abuso de poder econômico) – “Considera-se
emprêsatôda organização de natureza civil ou mercantil destinada à, exploração por
pessoa física ou jurídica de qualquer atividade com fins lucrativos.
Parágrafo único. As pessoas físicas, os diretores e gerentes das pessoas jurídicas que
possuam emprêsas serão civil e criminalmente responsáveis pelos abusos do poder
econômico, por elas praticados”.
 Lei 8.934/1994.
 Art. 967, CC/02 – “É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de
Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”.
 Art. 998, CC/02 – “Nos trinta dias subseqüentes à sua constituição, a sociedade
deverá requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas
Jurídicas do local de sua sede.
§ 1o O pedido de inscrição será acompanhado do instrumento autenticado do
contrato, e, se algum sócio nele houver sido representado por procurador, o da
respectiva procuração, bem como, se for o caso, da prova de autorização da
autoridade competente.
§ 2o Com todas as indicações enumeradas no artigo antecedente, será a inscrição
tomada por termo no livro de registro próprio, e obedecerá a número de ordem
contínua para todas as sociedades inscritas”.
- O empresário é aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para
produção ou circulação de bem ou de serviços, excluída a profissão intelectual de natureza
científica, literária ou artística (art. 966, CC/02 – “Considera-se empresário quem exerce
profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de
bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão
intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de
auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de
empresa”). Sendo assim, existem 02 elementos fundamentais que se destacam para
caracterizar a figura do empresário: a iniciativa e o risco (bônus e ônus).
- Por empresa deve-se entender uma repetição de atos, uma organização de serviços em que
se explore o trabalho alheio, material ou intelectual; a intromissão se dá aqui, entre o
“produtor do trabalho” e o “consumidor” do resultado desse trabalho, com o intuito de
lucro. Pode-se definir o que é empresa considerando a sua estrutura, sua função no mundo
econômico e a atuação do seu elemento principal, no caso, o empresário.
Obs.: concordata: 02 anos sem pagar dívidas; substituída pela recuperação judicial.

A EVOLUÇÃP DA TEORIA DOS “ATOS DE COMÉRCIO” PARA


“TEORIA DE EMPRESA”

1. 1ª FASE: Fase Corporativista – Fase das Corporações de Mercadores (Fase Subjetiva)


- Esta primeira fase se deu fundamentalmente nas cidades-Estado como: Gênova, Veneza,
Florença (Itália), Hamburgo e Hanover.
2. 2ª FASE: Teoria dos “Atos de Comércio” ou Fase Napoleônica (Fase Objetiva)
- Esta fase teve como ponta-pé inicial o Code de Commerce de Napoleão (1807), tendo
indício com o liberalismo econômico, onde o “ato de comércio” era facultado a todos os
cidadãos, desde que praticassem determinados atos previstos em lei. Além disso, foram
extintas todas as “corporações de mercadores ou de ofício”, por serem consideradas
resquícios de uma sociedade feudal de privilégios.
3. 3ª FASE: Fase Moderna ou Empresarial
- Há o direito comercial como direito das empresas, sendo essa concepção uma influência
italiana (Codice Civile de 1942). Aqui há o duplo grau de jurisdição.

CARACTERÍSTICAS DO DIREITO COMERCIAL/EMPRESARIAL

1. Características do Direito Empresarial


- O direito comercial/empresarial se diferencia dos outros ramos do Direito, sobretudo do
direito civil, pelas características que lhe são próprias.
1.1. Cosmopolitismo
- No sentindo do universalismo, as práticas comerciais são comuns, os comerciantes
constituem um só povo e o comércio desconhece fronteiras.
1.2. Onerosidade
- Não concebe atividade comercial gratuita, a onerosidade é presumida e é regra.
1.3. Individualismo
- O lucro está diretamente vinculado ao interesse individual.
1.4. Fragmentarismo
- É formado por um complexo de normas fragmentárias e que muitas vezes deixa
lacunas.
1.5. Celeridade
- As contratações são rápidas, céleres, com muito dinamismo.
1.6. Informalismo
- Devido à rapidez da contratação, o formalismo foi suprimido, os meios de prova são
mais simples e mais numerosos que no direito civil, deve prevalecer a “boa-fé” nos
contratos comerciais/empresariais.
1.7. Boa-fé
- A boa-fé deve sempre ser preservada.
AUTONOMIA CIENTÍFICA DO DIREITO COMERCIAL E A
DICOTOMIA NO DIREITO PRIVADO

1. Início da Autonomia do Direito Comercial


1º) Tractatus de Mercatura seo Mercatore (Tratado sobre Mercadoria e seus
Mercadores)
- Veneza, 1553, de Benevenuto Stracta, obra inteiramente dedicada ao direito mercantil
da época, foi tão importante que deu/conferiu autonomia científica ao direito
comercial.
2º) Tractatus de Commerciiset Cambio(Tratado sobre Comércio e o Câmbio)
- Gênova, 1618, do jurista italiano Segismundu Scaccia, obra dedicada ao direito
cambiário.
3º) Navigation Act
- Inglaterra, 1651, por Cromwell.
4º) Ordonnance Sur le Commerce de Mer(Ordenações Francesas)
- França, 1673 e 1681.
2. 1ª Grande Polêmica
- César Vivante foi um dos maiores comercialistas dos tempos modernos e professor da
Universidade de Roma, mas escandalizou o mundo jurídico da Europa quando, no fim do
séc. XIX, ao proferir uma palestra na universidade de Bolonha (Itália), onde condenou a
autonomia científica do direito comercial.
3. A Defecção e Retratação de César Vivante
3.1. Argumentos Contrários à Autonomia
- Diz que o direito comercial mantém-se mais pela tradição do que por boas razões.
Invoca o direito inglês e o americano para demonstrar a possibilidade de regular com a
mesma teoria geral todas as relações privadas (argumento contrário à autonomia).
- Denuncia os gravíssimos danos que a separação causa, como por exemplo, submeter
ao regime do direito comercial pessoas estranhas ao comércio, que, por contratarem
com comerciantes, ficam sujeitas às normas que eles próprios instituíram.
- A autonomia do direito comercial serial prejudicial para o progresso científico.
- Contesta o ideal internacionalista que o direito comercial propicia, dizendo ser
impossível a unificação de todo o direito; seria uma ilusão um Código uniforme para
diversas nações.
3.2. A Retratação
- Algum tempo mais tarde, César Vivante aceitou a incumbência de elaborar o
anteprojeto de reforma do Código Comercial Italiano (1942), em contato profundo com
a elaboração positiva do direito comercial, teve o espírito altaneiro de se retratar,
confessando o erro doutrinário que cometera na aula de Bolonha, revela sua conversão
à dicotomia no seu clássico “Trattato”, diz ele alguns motivos, como: a unificação
“acarreta um grave prejuízo”, etc.
4. Tentativas de Unificação no Brasil
- Houve tentativas em 1859, 1900, 1941, 1949 e em 2002.
CAPACIDADE JURÍDICA PARA O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE
EMPRESARIAL

1. Capacidade para o Exercício da Atividade Empresarial


- Art. 972, CC/02 – “Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno
gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos”.
- A capacidade civil decorre da Lei: Art. 5º, caput, CC/02 (“A menoridade cessa aos dezoito
anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil”).
 Toda pessoa maior de 18 anos, portanto, é plenamente capaz de direitos e obrigações,
isto é, pode reger a sua própria pessoa e dispor de seus bens.
 Assim, todo o maior de 18 anos, tem capacidade para o exercício da atividade
empresarial.
Obs. 1: o menor, entre 16 e 18 anos, em regra, não pode exercer a atividade empresarial, e
se para eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando
inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior (art. 180, CC/02–
“O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximir-se de uma obrigação,
invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no
ato de obrigar-se, declarou-se maior”.)
 Art. 928, CC/02 – “O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas
por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios
suficientes.Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser
eqüitativa, não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele
dependem”.
 Art. 932, CC/02 – “São também responsáveis pela reparação civil: I - os pais, pelos
filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II - o tutor e
o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III -
o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no
exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV - os donos de hotéis,
hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para
fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos; V - os que
gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente
quantia”.
 Art. 934, CC/02 – “Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o
que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for
descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz”.
 Art. 943, CC/02 – “O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la
transmitem-se com a herança”.
 Enunciados aprovados nº 39, 40 e 41 da Primeira Jornada de Direito Civil– “39 –
Art. 928: a impossibilidade de privação do necessário à pessoa, prevista no art.
928, traduz um dever de indenização eqüitativa, informado pelo princípio
constitucional da proteção à dignidade da pessoa humana. Como conseqüência,
também os pais, tutores e curadores serão beneficiados pelo limite hum anitário
do 7 dever de indenizar, de modo que a passagem ao patrimônio do incapaz se dará
não quando esgotados todos os recursos do responsável, mas se reduzidos estes ao
montante necessário à manutenção de sua dignidade.40 – Art. 928: o incapaz
responde pelos prejuízos que causar de maneira subsidiária ou excepcionalmente
como devedor principal, na hipótese do ressarcimento devido pelos adolescentes
que praticarem atos infracionais nos termos do art. 116 do Estatuto da Criança e
do Adolescente, no âmbito das medidas sócio-educativas ali previstas.41 – Art. 928:
a única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 18
anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do art. 5º, parágrafo único,
inc. I, do novo Código Civil”.
Obs. 2: o menor, entre 16 e 18 anos, não pode ser sócio em uma sociedade, somente pode
participar de Sociedades LTDA, S.A., Sociedade em Comandita por Ações, desde que
tenha integrado totalmente as ações e/ou quotas, excepcionalmente, para continuar uma
atividade anteriormente exercida, caso, por exemplo, de sucessão causa mortis, em
sucessão hereditária (princípio da preservação da empresa precedida de autorização
judicial).
Obs. 3: justifica-se a proibição do menor de exercer atividade empresarial ou fazer parte de
sociedades com responsabilidades ilimitadas, para não colocar em risco ou evitar a
dilapidação do seu patrimônio.
2. Superação da menoridade
 Pela concessão dos pais, ou de um deles, na falta do outro, mediante instrumento de
escritura pública, independentemente de homologação judicial. Vale ressaltar que para
isso o filho tem que ter ao menos 16 anos completos.
 Por sentença judicial, se o menor tiver 16 anos completos, com a devida autorização dos
pais, a negativa dos pais não pode ser suprida pelo juiz, visto que o juiz não pode
emancipar o menor ex oficio.
 Pelo casamento, desde que tenha ao menos 16 anos.
 Pela colação de grau científico em curso superior.
 Pela preservação da empresa e empregos: função social da empresa e ao físico; o fim da
atividade pode ser mais danoso do que a continuação dela, ainda que com um incapaz,
nesse caso, a continuidade da atividade será precedida de autorização judicial, que
deverá ser averbada na Junta Comercial e o juiz antes de concedê-la analisará o risco da
empresa, bem como a conveniência de continuá-la: A autorização é dada em caráter
precário, podendo ser revogada a qualquer momento e o menor incapaz será assistido ou
representado por uma pessoa capaz, mas estes não adquirirão a condição de empresários.
Obs.: caso do menino sergipano.
 Pelo estabelecimento civil ou comercial ou pela existência de relação de emprego, desde
que em função deles, o menor com 16 anos completos tenha economia própria.
 Pelo exercício de emprego público efetivo, a prova é complexa, pois trata-se de questão
de fato e por isso cada caso tem suas características próprias.
3. Menor como sócio de uma sociedade empresarial
- Pode o menor ser sócio de uma sociedade empresarial, desde que suas quotas ou ações
estejam totalmente integralizadas e eles não participem da Administração da Sociedade.
4. Mulher casada
- Felizmente, não há mais a necessidade de outorga uxória (consentimento do cônjuge).
5. Casamento
- Observar a repartição.
6. Absolutamente incapazes
- Serão representados.
7. Relativamente incapazes
- São relativamente incapazes em relação a certos atos ou à maneira de exercê-los. Serão
assistidos. Mas se a incapacidade dor superveniente, eles podem exercer com autorização
do juiz por meio de auxílio de representantes, os curadores.
Obs. índios: art. 231 e 232, CF/88, Lei 6.001/73, Dec. 88.188/83, etc.
8. Proibidos de comerciar ou ser empresários
- As proibições que existem são encontradas em diversas leis dispersas, algumas de
conteúdo administrativo restritivas de direitos, outras de âmbito penal.
 Funcionários públicos em geral
– Art. 117, X, Lei 8.112/90 – “Ao servidor é proibido: [...] participar de gerência ou
administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o
comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário”.
- Ao servidor público é proibido participar de gerência ou administração de sociedade
privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de
acionista, cotista ou comanditário.
Obs. 1: sociedade personificada é aquele que precisa de registro.
Obs. 2: comanditados são aqueles que tinham o conhecimento do comércio e
comanditários são aqueles que tinham o dinheiro.
 Magistrados
- Art. 95, parágrafo único, CF/88– “Os juízes gozam das seguintes garantias:Aos juízes é
vedado: I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de
magistério; II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em
processo; III - dedicar-se à atividade político-partidária; IV receber, a qualquer título
ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou
privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; V exercer a advocacia no juízo ou
tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por
aposentadoria ou exoneração”.
- Art. 36, I e II, LC nº 35/79 (LOMAN) – “É vedado ao magistrado: I - exercer o
comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto
como acionista ou quotista; II - exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil,
associação ou fundação, de qualquer natureza ou finalidade, salvo de associação de
classe, e sem remuneração”.
 Ministério Público
- Art. 128, § 5º, II, c, CF/88 – “O Ministério Público abrange: [...] § 5º Leis
complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos
Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada
Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros: [...] II - as seguintes
vedações: [...] c) participar de sociedade comercial, na forma da lei”.
 Militares da ativa, bem como da aeronáutica
 Os médicos para o exercício simultâneo da farmácia ou farmacêutico para o exercício
simultâneo da medicina

EMPRESA EM NOME INDIVIDUAL (EI)

1. Empresa Em Nome Individual (EI)


- No caso do Empresário Individual, uma única pessoa física constitui a empresa, cujo
nome empresarial deve ser composto pelo nome civil do proprietário, completo ou
abreviado, podendo aditar ao nome civil uma atividade do seu negócio ou um apelido.
- Um empresário individual atua sem separação jurídica entre os seus bens pessoais e
seus negócios, ou seja, não vigora o princípio da separação do patrimônio. Sendo assim, o
proprietário responde de forma ilimitada pelas dívidas contraídas no exercício da sua
atividade perante os seus credores com todos os bens pessoais que integram o seu
patrimônio (casas, automóveis, terrenos etc.) e os do seu cônjuge (se for casado num
regime de comunhão de bens). Bem como, o inverso também acontece, visto que o
patrimônio integralizado para explorar a atividade comercial também responde pelas
dívidas pessoais do empresário e do cônjuge. Logo, a responsabilidade é ilimitada nos dois
sentidos
- A empresa em nome individual (EI) é a antiga figura do comerciante, hoje, é o empresário
individual que exerce atividade organizada (profissional), autônoma, habitual e
individualizada, não participando de uma sociedade mercantil (a empresa é do próprio
empresário, o empresário exerce a atividade mercantil em nome próprio e assumindo os
riscos)
Obs.: hoje existem poucas EI, pois houve o surgimento da EIRELI.
1.1. Características
1º) Exerce a atividade de forma:
 Organizada (Profissional);
 Autônoma;
 Habitual;
 Individual;
2º) Não participando de uma sociedade mercantil (a empresa é do próprio empresário, o
empresário exerce a atividade mercantil em nome próprio e assumindo os riscos);
3º) Responde com seus bens de maneira ilimitada, arriscando a totalidade do seu patrimônio
no seu empreendimento;
4º) Pode possuir quantos estabelecimentos comerciais quiser ter (filiais);
5º) Número indeterminado de empregados
6º) Não existe limite de capital mínimo ou máximo para iniciar a atividade mercantil.

MICROEMPREENDEDOR EM NOME INDIVIDUAL (MEI)

1. Microempreendedor em Nome Individual (MEI)


- O microempreendedor em nome individual (MEI) é a empresa que tiver um faturamento
anual de até 60 mil reais. Outras características são:
1º) Pode ter somente 01 estabelecimento (01 MEI);
2º) Pode ter somente 01 funcionário (empresário + 01),
3º) Tem uma quantia fixa de tributos, sendo os impostos de ± 42,00 reais ao mês
(INSS + IR);
4º) Está no simples.

EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA


(EIRELI)

1. Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI)


- Lei 12.441/2011.
- A empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI) é a empresa individual de
responsabilidade limitada constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital
social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-
mínimo vigente no país.
- Na EIRELI o empresário não responderá com a totalidade de seu patrimônio pessoal pelas
obrigações sociais, mas apenas com aquilo que afetar às atividades empresariais.
-Outro aspecto importante é que a Lei 12.441 conferiu personalidade jurídica ao
EIRELI (obs.: o empresário individual cuja responsabilidade não é limitada não possui
personalidade jurídica).
- Sendo assim, as principais características da EIRELI são:
1º) Uma única pessoa titular da totalidade do capital social;
2º) Possui personalidade jurídica;
3º) Capital social (inicial) devidamente integralizado não podendo ser inferior a
100 vezes o salário mínimo (93 mil e 700 reais);
Obs.: existe capital social mínimo determinado, mas não existe limite para capital
social máximo (capital social máximo indeterminado).
4º) Firma ou denominação + EIRELI;
5º) Responsabilidade limitada;
6º) Pode resultar da concentração de quotas, independente da razão;
7º) Apenas 01 EIRELI (não pode ter filiais);
8º) Pode possuir número indeterminado de funcionários (não existe limitação).
Obs.: Cia LTDA ≠ LTDA (responsabilidade limitada).

MICROEMPRESA (ME) E EMPRESA DE PEQUENO PORTE (EPP)

1. Microempresa (ME) e Empresa de Pequeno Porte (EPP)


- Art. 3º, I e II, LC 123/06 – “Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se
microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade
simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere
o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente
registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas,
conforme o caso, desde que:
I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou
inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e
II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta
superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$
3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais).
II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta
superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e
igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais) (Redação dada
pela Lei Complementar nº 155, de 2016)”.
- Em cumprimento à prescrição constitucional (art. 179, CF – “A União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno
porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela
simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias,
ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei”), editou- -se a Lei Complementar
n. 123, de 2006 (Estatuto Nacional da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte). Esta lei
confere garantia para que a ME e a EPP possam competir com as grandes empresas
(possuem mais empregados do que as de grande porte).Dessa forma, o Estatuto criou o
Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos Pelas
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, cuja sigla é Simples Nacional, tratando-se de
um regime tributário simplificado ao qual podem aderir as microempresas e empresas de
pequeno porte.
- Microempresa (ME) é aquela que tem faturamento anual de até 360 mil reais (paga
menos imposto).
- Empresa de pequeno porte (EPP) é aquela que tem faturamento anual maior que 360 mil
reais até 04 milhões e 800 mil reais.
Obs.: para saber se as demais classificações de empresa são ME ou EPP é preciso analisar o
faturamento delas.
1.1. Evolução das ME e EPP
- Em 2006: para ser ME deveria haver capital anual de 0,01 até 120 mil reais e para ser
EPP deveria haver capital anual de 120 mil e 01 centavo até 01 milhão e 200 mil reais
(acima disso já era empresa de grande porte).
- Em 2012: para ser ME deveria haver capital anual de 0,01 até 240 mil reais e para ser
EPP deveria haver capital anual de 240 mil e 01 centavo até 02 milhões e 400 mil
reais.
- Em 2013 (até hoje): para ser ME deve haver capital anual 0,01 até 360 mil reais e
para ser EPP deve haver capital anual de 360 mil e 01 centavo até 04 milhões e 800
mil reais (acima disso já é considerado empresa de grande porte).

NOME EMPRESARIAL

1. Nome Empresarial
IMPORTANTE: nome empresarial ≠ nome fantasia: o nome fantasia é facultativo.
- O nome empresarial é o nome através do qual os empresários (pessoa jurídica) exercem
suas atividades (a pessoa jurídica edifica sua atividade no mundo jurídico). Sendo assim, é
um atributo de personalidade da empresa através do qual o empresário se identifica e sob o
qual ele exerce os atos referentes à sua atividade mercantil, se obriga e assina seus atos. Do
ponto de vista prático-jurídico, nome empresarial é um direito pessoal, protegido pela lei
contra atos de concorrência desleal, com vistas ao interesse social e ao desenvolvimento
tecnológico e econômico do país.
- Para se ter o nome empresarial é necessário levá-lo no RPEM (Registro Público de
Empresas Mercantis) (juntas comerciais), para, então, se identificar perante a
sociedade/consumidores.
Obs.: respectiva sede (rural, cidade ou Estado): art. 971, CC (“O empresário, cuja atividade
rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam
o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para
todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro”).
Obs. 1: na formação do nome empresarial, tanto na firma quando na razão social, deve-se
utilizar o nome civil de todos os sócios por extenso ou abreviadamente. Na ausência de 01
ou mais sócios na composição do nome empresarial de sociedade empresarial, deve-se
utilizar a expressão “e companhia” ou “e Cia” (ex.: firmas: André Ramos Cursos Jurídicos
(EI), André Ramos Cursos Jurídicos LTDA (EIRELI), José da Silva Serviços Informáticos
LTDA).
Obs. 2: quando o nome vem com a expressão “LTDA” sabe-se qual a responsabilidade de
cada um, porque ela é limitada, já quando o nome vem com a expressão “Cia” se trata de
uma sociedade em nome coletivo, na qual não se sabe ao certo a responsabilidade de cada
sócio (a não ser se for Cia LTDA).
IMPORTANTE: o nome social é um atributo (ele nem sempre faz parte do
estabelecimento comercial).
IMPORTANTE: as LTDA podem usar razão social ou denominação social e as S/A só
podem usar denominação social.
IMPORTANTE: quando a expressão “Cia” vier no início do nome empresarial se trata se
uma S/A e quando a expressão vier sozinha (sem o LTDA) no final do nome empresarial se
trata de uma sociedade em nome coletivo.
1.1. Natureza Jurídica
- Atributo de personalidade, protegido mediante registro no órgão de registro de
empresa (RPEM).
1.2. Princípios
-As regras encontradas no Código Civil para a formação do nome empresarial são
bastante simples. A Lei n. 8.934/94, fala dos princípios e das características
(requisitos) do nome, as quais são novidade (originalidade), liberdade, e também a
veracidade), sendo requisitos para a constituição. Na formação do nome empresarial
deve-se seguir os princípios seguintes:
1.2.1. Princípio da Veracidade
- Nome que identifique os donos/sócios.
1.2.2. Princípio da Novidade (Originalidade)
- Nomes diferentes para não induzir o consumidor a erro.
1.2.3. Princípio da Plena Liberdade
- Liberdade para escolher o nome que bem entender para seu estabelecimento,
desde que não atente à ordem moral.
1.2.4. Princípio Eclético ou Misto
- Possibilidade de juntar dois nomes sem ferir o princípio da veracidade.
Ex.: Fulano de tal, sucessor de Sicrano.
1.3. Espécies
- São espécies de nome empresarial: a firma individual, a firma social (razão social) e a
denominação. Distinguem-se em razão da estrutura e destinação.
1.3.1. Firma Individual
Obs.: reconhecer firma significa reconhecer em cartório a assinatura da pessoa
física.
- Utiliza-se firma para empresas em nome individual (firmar compromisso,
reconhecer autenticidade). A firma é o nome adotado pelo empresário ou pela
empresa individual de responsabilidade limitada no exercício de sua atividade,
pelo qual se obriga no mundo empresarial (se identifica no mundo empresarial),
sendo composto pelo seu nome civil, completo ou abreviado (ex.: só o
prenome), acrescido ou não de designação precisa de sua pessoa, ou do gênero
de sua atividade (objeto social; atividade que vai desenvolver; objeto
explorado). ATENÇÃO: no caso de empresa individual de responsabilidade
limitada, deverá ser acrescido necessariamente da modalidade empresarial
(tipo/espécie societário, no caso, EIRELI). Sendo assim:

FIRMA INDIVIDUAL
Quem adota? - Empresário (empresa individual).
O que é obrigatório? - Nome civil (todo ou parte).
O que é facultativo? - Designação precisa da pessoa;
- Objeto social (gênero da atividade).
Exceção: - EIRELI  deve conter a modalidade
empresarial (tipo/espécie societário, no caso,
EIRELI).
Ex.: sem objeto social: João da Silva (EIRELI), José Ramos.
Ex.: com o objeto social: João da Silva Cursos Jurídicos (EIRELI), André
Ramos Serviços Gerais.
1.3.2. Firma Social/Comercial (Razão Social)
Obs.: a razão social pode ser o nome empresarial ou o nome fantasia.
- A razão social o nome adotado pela sociedade empresária para o exercício de
sua atividade, pelo qual se identifica no mundo empresarial, sendo assim, é o
nome composto pela combinação dos nomes civis ou (ou parte deles, no caso,
os prenomes) de todos os sócios da sociedade, sem outro acréscimo ou, ainda,
na ausência de algum deles (se omitindo o nome de algum dos sócios), a
expressão “e companhia” por extenso ou abreviada (“e Cia”), seguida ou não
do objeto social. ATENÇÃO: quando se tratar de sociedade limitada e em
comandita por ações, exige-se, na sua formação, a adição de expressões
indicadoras da espécie societária adotada (modalidade empresarial, no caso,
LTDA). Sendo assim:

FIRMA SOCIAL (RAZÃO SOCIAL)


Quem adota? - Sociedade empresarial.
O que é obrigatório? - Nomes civis dos sócios, ou na ausência de algum
se usa “e companhia” ou “e Cia”.
O que é facultativo? - Objeto social (gênero da atividade).
Exceção: - SOCIEDADE LIMITADA E EM COMANDITA
POR AÇÕES deve conter a tipo/espécie
societário (modalidade empresarial, no caso,
LTDA).

Ex.: sem o objeto social: João da Silva e Pedro Prates LTDA, J. Silva e Cia, J.
Silva e Cia LTDA, Souza e Castro LTDA.
Ex.: com o objeto social: João da Silva e Pedro Prates Serviços Informáticos
LTDA. Distribuidora Souza e Castro, Distribuidora Souza e Castro LTDA,
Distribuidora Souza e Castro e Cia (responsabilidade limitada).
1.3.3. Denominação Social
- A denominação social é o nome adotado pela empresa individual de
responsabilidade limitada e pela sociedade empresária para o exercício de sua
atividade, nome pelo qual se identifica no mundo empresarial, sendo formado
por expressão linguística que contenha o objeto social e o tipo societário (ex.:
no caso da empresa individual de responsabilidade limitada, a modalidade
empresarial, ou seja, a expressão EIRELI). Não se usa os nomes dos sócios, se
usa uma expressão qualquer (podendo se igualar ao nome fantasia), indicando
tanto quanto possível o ramo de atividade.

DENOMINAÇÃO SOCIAL
Quem adota? - Empresa individual de responsabilidade limitada
(EIRELI);
- Sociedade empresarial.
O que é obrigatório? - Objeto social;
- Tipo/espécie societário (modalidade empresarial);
- Não se usa os nomes dos sócios.
O que é facultativo? ----------------------------------------------------------------
Exceção: ----------------------------------------------------------------

Ex.: Comer Bem Restaurante LTDA, BB S.A., Distribuidora de Alimentos


LTDA, Água na Boca Restaurante LTDA, Drogaria São Paulo LTDA,
Comércio e Fabricação de Uniformes (EIRELI), CIA Siderúrgica Nacional,
Manjericão Comércio de Alimentos LTDA, Cervejaria Brahma S/A, Fiat
Automóveis do Brasil S/A, Banco do Brasil S/A.
1.4. Alteração no Nome Empresarial
- O nome empresarial pode ser alterado pela simples vontade do empresário, desde que
respeitadas as normas de formação já analisadas. É a hipótese de alteração voluntária
do nome empresarial, que depende exclusivamente da vontade do seu titular. Se
sociedade empresária, obviamente, a alteração voluntária exigirá a concorrência da
vontade de sócios que detenham participação do capital social que lhe assegure o
direito de alterar o contrato social. Além desta hipótese, há outras em que a alteração
do nome empresarial se opera independentemente da vontade do empresário. Trata-se,
agora de alteração obrigatória ou vinculada.

ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL

1. Estabelecimento Empresarial
- Arts. 1.142 a 1.149, CC.
- Art. 1142, CC – “Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para
exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária”.
- Antigamente era chamado de estabelecimento comercial, é também conhecido como
fundo de comércio (capital mínimo necessário para exercer atividade comercial), também
chamado pelos italianos de azienda ou patrimônio aziendal, o estabelecimento é, pois, todo
o complexo de bens organizado (bens tangíveis, intangíveis, corpóreos ou incorpóreos),
para o exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.
- Alguns autores como Carvalho de Mendonça, Dilson Dória e Oscar Barreto Filho,
definiram o estabelecimento comercial como um complexo de bens materiais ou imateriais,
pelos quais o comerciante ou empresário explora determinada espécie ou atividade
mercantil.
Obs. 1: quando ao complexo de bens, pode ser:
 Complexo de bens materiais (bens corpóreos) são os bens
visíveis/palpáveis que se atribui um valor, sendo necessários para determinadas
atividades.
Ex.: nos estabelecimentos industriais são os prédios, edifício, construções,
terrenos, máquinas, usinas, armazéns, equipamentos, dinheiro, matéria prima;
nas atividades intermediárias são os supermercados, magazines, lojas,
mercadinhos, instalações, mercadorias, mobiliários/móveis, etc.; nas empresas
de transportes aéreo/marítimo/ferroviário/rodoviário são os veículos de
transporte; nas atividades bancárias são os títulos de crédito e dinheiro.
 Complexo de bens imateriais (bens incorpóreos) são os bens que o
indivíduo às vezes não tem condição de ver de imediato, de visualizar com
precisão, pois não são bens físicos (não tem cor, formato, tamanho), mas têm
um valor de mercado.
Ex.: quanto aos sinais distintivos são os nomes empresariais, marcas de
produtos, marcas de indústria, marcas de comércio, sinais/signos de
propaganda; quanto aos privilégios industriais são as marcas, patentes de
invenções e registros de desenho industrial (Lei 9.279/96 – Lei da Propriedade
Industrial), modelos de utilidade; quanto às obras literárias (artísticas ou
científicas), pinturas, artes em geral são os direitos autorais (Lei 9.610/98);
quanto ao ponto comercial/empresarial são os locais de referência (não é o
prédio em si, ex.: Avenida Amélia Rosa).
Obs. 2: Algumas distinções:
 Não confundir o estabelecimento empresarial com o terreno e edificações em
que o empresário exerce suas atividades. O terreno é somente um dos
componentes do estabelecimento empresarial.
 Não confundir o estabelecimento empresarial (complexo de bens organizado)
com empresa (atividade) e com a pessoa do empresário (que é o titular do
estabelecimento).
 Não confundir, por fim, o estabelecimento empresarial com o patrimônio do
empresário ou da sociedade empresária. Por vezes, o patrimônio do empresário
(principalmente quando se trata de sociedade empresária) se resume no
estabelecimento empresarial. Trata-se, no entanto, de institutos jurídicos
distintos. Todo estabelecimento empresarial integra o patrimônio de seu titular,
mas este não se reduz àquele necessariamente. Os bens de propriedade do
empresário, cuja exploração não se relaciona com o desenvolvimento da
atividade econômica, integram o seu patrimônio, mas não o estabelecimento
empresarial. Além disso, também as obrigações passivas fazem parte do
patrimônio do empresário.
IMPORTANTE: o estabelecimento comercial faz parte da empresa, já o ponto comercial
faz parte do estabelecimento comercial. Entretanto, os fregueses/clientela não fazem parte
do estabelecimento, visto que eles são apenas um atributo.
2. Natureza Jurídica do Estabelecimento Comercial
- Apesar da grande discussão doutrinária sobre a natureza jurídica do estabelecimento
empresarial, nós consideramos que é a de universalidade de fato, a qual é um conjunto de
bens que pode ser destinado de acordo com a vontade do particular (difere da
universalidade de direito, a qual é um conjunto de bens a que a lei atribui determinada
forma imodificável por vontade própria, por exemplo, a herança).
3. Cessão e Transferência do Estabelecimento Comercial
- Arts. 1.143 a 1.146, CC – “Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de
direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a
sua natureza.
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do
estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da
inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas
Mercantis, e de publicado na imprensa oficial.
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a
eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou
do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua
notificação.
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos
anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor
primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos
vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento”.
- A cessão do estabelecimento comercial é a venda deste. Pela doutrina, o estabelecimento é
conhecido como bem móvel, visto que para fazer a transição ou a venda não é preciso o
registro no cartório de imóveis. A cessão e a transferência podem ser feitas de todo ou de
parte do complexo de bens do estabelecimento.
Ex.: exemplos de cessão parcial: license (aluga-se o estabelecimento); franquia.
3.1. Alienação do Estabelecimento Empresarial (Trespasse)
- O estabelecimento pode ser alienado. Essa alienação recebe o nome de trespasse (é a
“venda” para terceiro). Sendo assim, o empresário tem sobre o estabelecimento
empresarial a mesma livre disponibilidade que tem sobre os demais bens de seu
patrimônio, ocorre que a lei sujeita a alienação do estabelecimento empresarial à
anuência dos seus credores, e tal anuência pode ser expressa ou tácita, decorrendo esta
última modalidade do silêncio do credor após 30 dias da notificação da alienação,
notificação esta que o devedor lhe deve endereçar (art. 1.145, CC).
3.1.1. Aspectos Importantes do Trespasse
1º) O trespasse é a alienação do estabelecimento como um todo (e não
fragmentada), ou seja, a empresa procede à transferência de todo o
complexo de bens;
2º) Só produz efeito frente a terceiros quando averbado no Registro de
Empresas Mercantis (Junta Comercial) e publicado na Imprensa Oficial
(art. 1.144, CC).
3º) Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a
eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos
os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em
30 dias, a partir de sua notificação.
4º) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos
anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados,
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de 01
ano, a partir da publicação (quanto aos créditos vencidos) e a partir da data
do vencimento (quanto aos outros) (art. 1.146, CC).
3.1.2. Sucessão Empresarial
- Quando respeitadas as determinações legais para a realização do trespasse, o
que importa é ser analisada como o Código Civil estabeleceu os efeitos da
negociação unitária do estabelecimento empresarial.
- Dessa maneira, o art. 1.146, CC, diz que é o adquirente do estabelecimento
que responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que
regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente
obrigado pelo prazo de 01 ano, a partir da publicação (quanto aos créditos
vencidos) e a partir da data do vencimento (quanto aos outros). Isto é, o
adquirente do estabelecimento empresarial responde pelas dívidas contraídas
pelo alienante, desde que regularmente contabilizadas, ou seja, aquelas
constantes da escrituração regular do alienante, pois foram essas as dívidas de
que o adquirente teve conhecimento quando da efetivação do negócio.
- Apesar do adquirente assumir tais dívidas, o alienante fica solidariamente
responsável por elas durante o prazo de 01 ano, tal prazo terá maneiras distintas
de ser contado.
- Importante destacar que, o que está previsto no art. 1146, CC, diz respeito às
dívidas negociais do empresário, decorrentes das suas relações no exercício da
empresa, dívidas tributárias ou trabalhistas não se aplicam no disposto do artigo
mencionado.
- Por último, cumpre destacar que a nova legislação falimentar (Lei n.
11.101/05) trouxe uma importantíssima novidade que se relaciona diretamente
com a matéria ora em análise. Com efeito, determina a referida lei que a
alienação de estabelecimento empresarial feita em processo de falência ou de
recuperação judicial não acarreta, para o adquirente do estabelecimento,
nenhum ônus, isto é, o adquirente não responderá pelas dívidas anteriores do
alienante, inclusive dívidas tributárias e trabalhistas.
3.1.3. Cláusula de Não Concorrência (Não Restabelecimento)
- Art. 1.147, CC – “Não havendo autorização expressa, o alienante do
estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos
subseqüentes à transferência.
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a
proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato”.
- O mencionado artigo estabelece que, não havendo autorização expressa, o
alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos 05
anos subsequentes à transferência.
- Em razão do art. 170, IV CF (“A ordem econômica, fundada na valorização
do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos
existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os
seguintes princípios: [...] IV - livre concorrência”) a cláusula de não
restabelecimento deve apresentar limites materiais (ramo de atividade),
territoriais (âmbito geográfico) e temporais (prazo de não concorrência) pra não
ofender os princípios constitucionais da livre iniciativa e da livre concorrência.
A cláusula de não restabelecimento que vede a exploração de qualquer
atividade econômica ou não estipule restrições temporais ou territoriais não
gera o efeito pretendido pelas partes, por ser logicamente inconstitucional.
3.2. Locação Empresarial
- Arts. 51 a 57, Lei n. 8.245/91 (lei de locação).
- Se o empresário se encontra estabelecido em imóvel alheio, que locou, a proteção
jurídica do valor agregado pelo estabelecimento seguirá a disciplina da locação não
residencial caracterizada pelo art. 51, Lei n. 8.245/91 (lei de locação).
- Para que uma locação possa ser considerada empresarial, isto é, para que se
submeta ao regime jurídico da renovação compulsória, é necessário que satisfaça os
seguintes 03 requisitos do art. 51 da Lei de Locação:
1º) I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo
determinado;
2º) II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos
dos contratos escritos seja de cinco anos;
3º) III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo
mínimo e ininterrupto de três anos.
REGISTRO DE COMÉRCIO/EMPRESA

1. Histórico
- Tornou-se obrigatório antes mesmo do Brasil tornar-se independente.
- 1808  vinda da família real ao Brasil, com D. João VI, o qual tomou como uma das
primeiras medidas a abertura dos Portos às nações amigas. Nessa época foi criado o
Tribunal da Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábrica e Navegação do Estado do Brasil
e Domínios Ultramarinos (o qual passou a se chamar Tribunais de Comércio, sendo as
atuais Juntas Comerciais). Esses Tribunais de Comércio possuíam atribuições/funções
administrativas (fazer o registro das empresas do comerciante, etc.) e atribuições/funções
jurisdicionais (resolver conflitos envolvendo comerciantes [ex.: comerciantes X
comerciantes; comerciantes X não comerciantes]).
- 1822  independência do Brasil.
- 1824 1ª Constituição do Brasil, havendo a divisão dos poderes (Poderes Moderador,
Legislativo, Executivo e Judiciário). Criou-se uma incongruência entre o modelo instituído
pela nova Constituição e a função dos Tribunais de Comércio, devido à sua função de
julgar que passou caber ao Poder Judiciário.
- 1875  a incongruência se extingue por meio do Decerto 2.672, no qual as funções
jurisdicionais foram transferidas para os Juízes de Direito.
- 1891 2ª Constituição da República do Brasil, sendo promulgada como Constituição
Republicana. Ela determinou, entre outros aspectos, que cada Estado tivesse uma Junta
Comercial, ademais, essa configuração se mantém até hoje.
- Lei n. 8.934/94 dispõe sobre o registro público das empresas mercantis e atividades
afins.
- Dec. n. 1.800/94 Regulamenta dispositivos da Lei n. 8.934/94.
2. Registro de Comércio/Empresa
- Art. 967, CC- “É obrigatória a inscrição do empresário no registro público de empresas
mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade”.
- O registro é obrigação legal imposta a todos os empresários. Não obstante, um
empresário que não o faça não deixará de sê-lo por este motivo, encontrar-se-á, tão-
somente, em situação irregular.
Obs.: o empresário individual e a sociedade empresária devem se registrar no Registro
Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais. Já os outros tipos
societários (sociedade simples) devem ser registrados no Registro Civil de Pessoas
Jurídicas (art. 1.150, CC – “O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao
Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade
simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas
para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade
empresária”). Sendo assim:
 Empresário individual e sociedade empresária  RPEM (Juntas Comerciais);
 Outros societários (sociedade simples)  RCPJ.
2.1. Natureza Jurídica do Registro de Comércio/Empresa
- O registro tem natureza declaratória (não tem natureza constitutiva).
2.2. Finalidade do Registro de Comércio/Empresa
- Art. 1º, Lei n. 8.934/94 - “O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades
Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o
território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as
seguintes finalidades:
I - dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos
das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei;
II - cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento no País e
manter atualizadas as informações pertinentes;
III - proceder à matrícula dos agentes auxiliares do comércio, bem como ao seu
cancelamento”.
1º) Dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das
empresas mercantis;
2º) Cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento no Brasil e
manterem atualizadas as informações pertinentes.
3º) Proceder a matrícula do(s) comerciante(s), agentes auxiliares do comércio (ex.:
leiloeiro, técnico, contabilista, etc.), bem como seu conhecimento;
3. Composição e Atribuição do DNRC e Juntas Comerciais
- O DNRC (Departamento Nacional de Registro do Comércio) está contido no SIREM
(Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis).
- Como se sabe, o Poder Executivo é composto, além do Presidente da República, pelos
Ministérios, e dentre os Ministérios há o Ministério da Indústria e Comércio. Nesse sentido,
o SIREM (logo, o DNRC) está vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio. No
SIREM estão contidas as Juntas Comerciais, presentes em cada Estado do Brasil, que, do
ponto de vista administrativo, estão vinculadas ao Governo do Estado e suas diversas
secretarias, mais especificamente à Secretaria da Indústria e Comércio (sendo essa
secretaria responsável por cuidar das Juntas Comerciais do Estado).
Obs.: Poder Executivo  Ministério da Indústria e Comércio  SIREM/DNRC 
Governo de Cada Estado do Brasil e sua respectiva Secretaria da Indústria e Comércio.
3.1. Atribuições do SIREM/DNRC
1º) Supervisionar, orientar, coordenar e criar a nível nacional normas uniformes que
devem ser observadas pelas Juntas Comerciais de cada Estado;
2º) Quanto ao Registro do Comércio, a legislação em vigor prevê o Sistema Nacional
de Empresas Mercantis (SINREM), formado pelo Departamento Nacional de
Registro de Comércio (DNRC), órgão que integra o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, responsável pela supervisão,
orientação, coordenação enormatização, no plano técnico, e, supletiva, no plano
administrativo, com abrangência nacional; e as Juntas Comerciais órgãos locais
(com abrangência estadual), responsáveis pela execução e administração dos
serviços de registro. Assim, devidamente inscrita no Sistema Nacional, a empresa
terá seu Número de Identificação do Registro de Empresas – NIRE.
Obs.: Rubens Requião (em seu livro Direito Comercial V. 1) fala das atribuições.
4. Atos do Registro
- O registro público é constituído pelo Registro de Comércio, conforme previsto no
artigo 967 do Código Civil, levado a efeito pela Junta Comercial, órgão de publicidade,
responsável pelo registro das empresas mercantis e atividades afins, conforme previsto
na Lei n. 8.934/94. O registro compreende:
1º) A matrícula, que consiste no registro dos auxiliares do comércio;
2º) O arquivamento, que consiste no registro relativo à constituição, alteração,
dissolução e extinção de firmas mercantis individuais e sociedades mercantis;
3º) A autenticação de escrituração e documentos mercantis refere-se ao livro
mercantil, que deve ser levado à Junta Comercial para ser autenticado; e o
assentamento de usos e costumes comerciais, entre outras atribuições.
PREPOSTOS: GERENTES, CONTABILISTAS E AUXILIARES

1. Prepostos
- Arts. 1.169 a 1.178, CC.
- Art. 1.169, CC – “O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no
desempenho da preposição, sob pena de responder pessoalmente pelos atos do substituto e
pelas obrigações por ele contraídas”.
- O empresário, seja ele individual ou sociedade, jamais conseguiria atuar de forma
competitiva no mercado atual se não contasse com importantes auxiliares e
colaboradores, os quais o Código Civil reuniu e disciplinou sob a rubrica de prepostos.
- Como o contrato de preposição implica, necessariamente, poderes de representação típicos
do mandato, não se admite ao preposto a possibilidade de delegar poderes sem prévia
autorização do preponente, uma vez que as prerrogativas que a preposição lhe confere são
pessoais e intransferíveis. A regra do artigo em comento é simplesmente uma manifestação
especial da regra geral do mandato, constante do art. 667, CC.
Obs.: auxiliares do empresário:
 Contabilista;
 Leiloeiro;
 Preposto (funcionário representante da empresa em juízo);
 Intérprete;
 Gerente (obs.: gerente ≠ sócio-gerente).
1.1. Gerente
- Trata-se, talvez, do mais importante preposto do empresário, por ser aquele ao qual o
empresário confia poderes de chefia do seu negócio. Registre-se, por oportuno, que,
nesse ponto, o Código Civil não está se referindo ao gerente sócio, mas tão somente ao
gerente preposto, ou, melhor dizendo, ao gerente empregado.
- Segundo o art. 1.172, CC, “considera-se gerente o preposto permanente no exercício
da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência”. Como o gerente é o
preposto ao qual se atribuem funções de chefia, dispõe o art. 1.173, caput, CC que
“quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a
praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram
outorgados”. Se o empresário possuir mais de um gerente, consideram-se solidários os
poderes a eles conferidos, salvo se houver alguma estipulação expressa em sentido
diverso (art. 1.173, parágrafo único, CC).
1.2. Contabilista
- Quando da análise da escrituração do empresário, um de seus principais auxiliares é
o contabilista, popularmente conhecido como contador, se trata de profissional
legalmente habilitado, com formação especializada, encarregado de zelar pela
contabilidade do empresário. Só se pode dispensar o auxílio de contabilista se na
localidade não houver nenhum, conforme disposto no art. 1.182, CC.
- Como o contabilista é preposto responsável pela escrituração do empresário, dispõe
o art. 1.177, caput, CC que “os assentos lançados nos livros ou fichas do
preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem,
salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele”.
LIVROS OBRIGATÓRIOS E ESCRITURAÇÃO DO EMPRESÁRIO

1. Escrituração do Empresário
- Os empresários devem manter um sistema de escrituração contábil periódico, além
de levantar, todo ano, dois balanços financeiros: o patrimonial e o de resultado
econômico.
- A escrituração do empresário é tarefa que a lei incumbe a um profissional específico: o
contabilista, o qual deve ser legalmente habilitado, ou seja, estar devidamente inscrito no
seu órgão regulamentador da profissão (art. 1.182, CC).
- Todos os empresários estão sujeitos às três seguintes obrigações:
1º) Registrar-se no Registro de Empresa antes de iniciar suas atividades (art. 967,
CC);
2º) Escriturar regularmente os livros obrigatórios;
3º) Levantar balanço patrimonial e de resultado econômico a cada ano (art. 1.179,
CC).
1.1 Princípios Informadores
1º) Fidelidade  consiste na exigência legal de exprimir, com fidelidade e clareza, a
real situação da empresa;
2º) Sigilo  serve para a garantia do bom andamento da atividade empresarial, os
livros somente se submetem à exibição integral quando esta for necessária à
solução de questões relativas à administração ou gestão por conta de outrem,
comunhão ou sociedade, sucessão ou falência. O escopo do princípio do sigilo
imposto sobre os livros e documentos mercantis “é evitar ou impedir a
concorrência desleal”. Nos casos legalmente mencionados (art. 381, CPC, art.
1.191, CC e Súmula 260 do STF [“O exame de livros comerciais, em ação
judicial, fica limitado às transações entre os litigantes”]), a requerimento da parte
contrária, o juiz pode determinar a exibição integral dos livros comerciais
e dos documentos de seu arquivo;
3º) Liberdade  A regra brasileira sempre escolheu a liberdade de escolha,
caracterizada pelas expressões hoje utilizadas pelo art. 1.179, § 1º, CC (“Salvo o
disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos
interessados”). A exceção é o livro Diário, único livro obrigatório comum a todos
os empresários, matéria que será objeto de melhor explanação a seguir.
2. Livros
- Livros empresariais são aqueles cuja escrituração é obrigatória ou facultativa ao
empresário, em virtude da legislação comercial. Existem livros comerciais obrigatórios e
facultativos.
2.1 Livros Obrigatórios
- Os livros obrigatórios são aqueles cuja escrituração é imposta ao empresário, logo,
sua ausência traz consequências sancionadoras (inclusive no campo penal). Vale
ressaltar que existem livros obrigatórios a todos os comerciantes, bem como, existem
livros obrigatórios a determinadas atividades dos comerciantes ou obrigatórios a
determinadas categorias de comerciantes.
2.1.1. Livros Obrigatórios a Todos os Comerciantes/Empresários
Ex.: é um exemplo de livro comum a todos os comerciantes:
1º) O diário (ou fichas ou balancetes diários ou balanços)  devem
registrar quais as mercadorias, seus valores, etc.
2.1.2. Livros Obrigatórios a Determinadas Categorias de Comerciantes
Ex.: alguns exemplos são:
1º) Registro de duplicatas, para quem as emite;
2º) Entrada e saída de mercadoria de armazém-geral;
3º) Registro de ações nominativas para as S/A;
4º) Leiloeiros
5º) Corretores de mercadorias
6º) Sociedades corretoras
7º) Armazéns gerais
2.1.3. Livros Obrigatórios a Determinadas Atividades
Ex.: alguns exemplos são:
1º) Em relação a atividade das sociedades anônimas: estas possuem os
livros especiais como:
a) Livro das assembleias gerais ordinárias e extraordinárias
b) Livro do conselho fiscal
c) Livro de emissão de ações
Obs. 1: outros exemplos: Livros fiscais:
a) Entrada e saída de mercadorias
b) Apuração do ICMS
c) Apuração do IPI
Obs. 2: outros exemplos: Livros trabalhistas:
a) Registro de empregados.
2.2. Livros Facultativos/Auxiliares
- Os livros facultativos ou auxiliares são os quais os comerciantes não são obrigados,
sendo eles os livros que o empresário escritura com vistas a um melhor controle sobre
os seus negócios e cuja ausência não importa nenhuma sanção.
Ex.: alguns exemplos são:
1º) Livro de caixa
2º) Conta-corrente
3º) Copiador de cartas
4º) Obrigações a pagar e receber
5º) Borrador
6º) Razão
7º) Livro de estoque
3. Sigilo dos Livros Empresariais
-Arts. 1191 a 1993, CC.
- Nos livros empresariais se encontram todos os sucessos e fracassos do empresário,
podendo este saber em que aspectos de seu negócio ele teve bons ou maus resultados. É por
isso que os livros empresariais são invioláveis, não podendo seu conteúdo ser manuseado
por terceiros, senão autorizados pelo empresário.
- No entanto, há situações em que os livros comerciais podem ser utilizados em juízo.
- O livro deve manter boa estruturação (clareza em relação ao histórico do comércio), a fim
de exprimir tudo o que acontece no ambiente comercial.
3.1. Exceções ao Sigilo
1º) Art. 195, CTN  quebra do sigilo dos livros empresariais para o exame feito pelo
fisco (direito do fisco de examinar os livros), no entanto, os fiscais têm o dever de
manter o sigilo, isto, pois, é vedado aos fiscais divulgarem dados da empresa (art.
198, CTN);
2º) Exibição em juízo  por ordem do juízo (seja ex oficio ou por requerimento), o
sigilo pode ser quebrado, mas o magistrado deve agir com cautela;
3º) Decretação de falência  nesse caso, todos os livros devem ser arrestados do
cartório;
4º) Em litígio de sucessão empresarial inter vivos ou causa mortis;
5º) Sociedade anônimas  é possível abertura do sigilo quando pelo menos 05% dos
acionistas requerem em juízo essa abertura.
4. Força/Valor Probante dos Livros Empresariais
- Somente se extrai valor probatório de livros revestidos de formalidades de ordem
extrínseca (externa) e intrínseca (interna). Sendo assim, para que os livros comerciais
tenham poder de prova eles precisam preencher as chamadas:
 Formalidades intrínsecas (formalidade internas)  deve-se preencher corretamente
todas as informações do livro, sem vício em seu conteúdo, assim, há a necessidade
de serem completas, em idioma e moeda corrente nacionais, em forma mercantil,
com individualização e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem
intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes
sobre as margens (art. 1.183, CC).
 Formalidades extrínsecas (formalidades externas)  é sobre a conservação do livro,
a aparência física, se há carimbo da Junta Comercial (presumi-se a veracidade),
logo, refere-se ao modo de abertura e encerramento dos livros e fichas e seu
registro.
ATENÇÃO: A prova plena significa dizer que em relação ao empresário basta o registro. Já
a prova não plena quer dizer que em relação a terceiros depende de outros documentos para
além do registro.
Obs.: Algumas regras foram delineadas pelo legislador quanto à apreciação do conteúdo
probatório dos livros escriturados pelo empresário:
1º) Sempre provam contra seus possuidores, isto é, assumem o caráter de
confissão;
2º) Provam também a favor do possuidor quando, escriturados em vício extrínseco
ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios;
3º) Os lançamentos podem ser ilididos por comprovação de falsidade ou
inexatidão;
4º) A demonstração isolada extraída de lançamento contábil não será considerada
suficiente se a lei exigir escritura pública ou escrito particular revestido de
requisitos especiais;
5º) A escrituração contábil é indivisível, seguindo a regra da confissão, isto é, a
parte não pode aceitá-la no que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for
desfavorável.
5. Recusa de Apresentação de Livros
- Art. 1.192, CC – “Recusada a apresentação dos livros, nos casos do artigo antecedente,
serão apreendidos judicialmente e, no do seu § 1o, ter-se-á como verdadeiro o alegado pela
parte contrária para se provar pelos livros.
Parágrafo único. A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova documental
em contrário”
- O Código Civil distingue as soluções para a recusa da apresentação dos livros, as quais
são:
1º) Quando se tratar de exibição integral (comunhão, sucessão, gestão e falência), os
livros serão apreendidos judicialmente;
2º) Nas hipóteses de exibição parcial, ter-se-á como verdadeiro o alegado pela parte
contrária para se provar pelos livros. Entretanto, essa confissão resultante da
recusa pode ser elidida por prova documental em contrário.
6. Sanções Penais Decorrentes da Ausência ou Fraude na Escrituração dos Livros
Empresariais
Obs.: crimes em espécie: ver arts. 168 a 178, Lei n. 11.101/05 (lei de falências).
- Em relação à escrituração dos livros, o empresário pode sofrer penas de natureza criminal,
condicionada sua aplicação, porém, em alguns casos, à ocorrência do evento falimentar ou
processo de recuperação judicial, como, por exemplo, as hipóteses de agravação de pena
previstas no art. 168, § 1º, I, II e III, Lei n. 11.101/2005.
6.1. Fraude Contra Credores
- Art. 168, Lei n. 11.101/05 (lei de falências) – “Praticar, antes ou depois da sentença
que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou homologar a recuperação
extrajudicial, ato fraudulento de que resulte ou possa resultar prejuízo aos credores,
com o fim de obter ou assegurar vantagem indevida para si ou para outrem.
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
Aumento da pena
§ 1o A pena aumenta-se de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se o agente:
I – elabora escrituração contábil ou balanço com dados inexatos;
II – omite, na escrituração contábil ou no balanço, lançamento que deles deveria
constar, ou altera escrituração ou balanço verdadeiros;
III – destrói, apaga ou corrompe dados contábeis ou negociais armazenados em
computador ou sistema informatizado;
IV – simula a composição do capital social;
V – destrói, oculta ou inutiliza, total ou parcialmente, os documentos de escrituração
contábil obrigatórios.
Contabilidade paralela
§ 2o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até metade se o devedor manteve ou
movimentou recursos ou valores paralelamente à contabilidade exigida pela
legislação.
Concurso de pessoas
§ 3o Nas mesmas penas incidem os contadores, técnicos contábeis, auditores e outros
profissionais que, de qualquer modo, concorrerem para as condutas criminosas
descritas neste artigo, na medida de sua culpabilidade.
Redução ou substituição da pena
§ 4o Tratando-se de falência de microempresa ou de empresa de pequeno porte, e não
se constatando prática habitual de condutas fraudulentas por parte do falido, poderá o
juiz reduzir a pena de reclusão de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) ou substituí-la
pelas penas restritivas de direitos, pelas de perda de bens e valores ou pelas de
prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas”.
6.2. Na Omissão dos Documentos Contábeis Obrigatórios
- Art. 178, Lei n. 11.101/05 (lei de falências) – “Deixar de elaborar, escriturar ou
autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder a
recuperação judicial ou homologar o plano de recuperação extrajudicial, os
documentos de escrituração contábil obrigatórios:
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui crime
mais grave”.
6.3. Destruição de Livros Obrigatórios
- Art. 1.194, CC – “O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar
em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua
atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles
consignados”.
- Art. 205, CC – “A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado
prazo menor”.
- Art. 168, Lei n. 11.101/05 (lei de falências).