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Diagonalização de Operadores

Definição
Diz-se que um operador linear T : 𝑅 𝑛 → 𝑅 𝑛 é diagonizável , se existe uma base C de 𝑅 𝑛 tal
𝐶
que a matriz da transformacção [T] é uma matriz diagonal.
𝐶
Proposição
Seja T : 𝑅 𝑛 → 𝑅 𝑛 um operador linear. Seja B = {E1 , . . . , En }a base canónica de 𝑅 𝑛 . T
𝐵
é um operador diagonalizável se, e somente se, [T] é uma matriz diagonalizável.
𝐵
Conclui-se portanto que um operador linear é diagonizavel se e somente se a matriz do operador
em relação a uma base é diagonizável.
Demonstração
Se um operador linear T : 𝑅 𝑛 → 𝑅 𝑛 é diagonizável , então existe uma base C de 𝑅 𝑛 tal que
𝐶 𝐶 𝐵 𝐵
[T] é diagonal. Então existe uma matriz P tal que [T] = 𝑃−1[T] 𝑃, ou seja, a matriz A=[T]
𝐶 𝐶 𝐵 𝐵
é diagonizável.
𝐵
Do mesmo modo, se a matriz A=[T] é diagonizável, em que B = {E1 , . . . , En }, então existe
𝐵
uma matriz P tal que D=𝑃 −1A𝑃 é uma matriz diagonal.
Forma canónica de Jordan
Visto que nem todo operador T : 𝑅 𝑛 → 𝑅 𝑛 é diagonalizável, ou seja, nem sempre existe
𝐶
uma base C de 𝑅 𝑛 tal que a matriz [T] é diagonal. Entretanto, para várias aplicações é
𝐶
𝐶
suficiente que exista uma base C tal que a matriz [T] tenha uma forma bastante próxima de
𝐶
forma diagonal chamada forma canónica.
Uma matriz J, n ×n, está na forma canonica de Jordan, se ela é da forma
𝐽𝜆1 𝑂̅ … 𝑂̅
̅ … 𝑂̅
J= 𝑂 𝐽𝜆2
⋮ ⋮ ⋱ ⋮
[ 𝑂̅ 𝑂̅ … 𝐽𝜆𝑚 ]
Em que:
𝜆𝑗 0 … 0 0
1 𝜆𝑗 … 0 0
𝐽𝜆𝑗= ⋮ ⋮ ⋱ ⋮ ⋮
0 0 … 𝜆𝑗 0
[0 0 … 1 𝜆𝑗 ]

para j=1, . . . , m. 𝐽𝜆𝑗 é chamado bloco de Jordan.


As matrizes
2 0 0 0 5 0 0 0 −4 0 0 0 7 0 0 0
1 2 0 0 1 5 0 0 1 −4 0 0 0 7 0 0
[ ], [ ], [ ]e[ ]
0 1 2 0 0 1 −3 0 0 1 −4 0 0 0 7 0
0 0 0 2 0 0 1 −3 0 0 1 −4 0 0 0 7
As matrizes estão na forma canónica de Jordan. A primeira é formada de dois blocos de Jordan,
o primeiro sendo 3 ×3 e o segundo 1 ×1. A segunda matriz é formada de dois blocos de Jordan
2 ×2. A terceira, por somente um bloco e a última por 4 blocos 1 ´ ×1. A matriz
2 0 0 0
1 2 0 0
[ ]
0 1 2 0
0 0 1 −1
não está na forma canónica de Jordan. Pois como os elementos da diagonal não são iguais, ela
teria que ser formada por pelo menos dois blocos de Jordan e [−1]deveria ser um bloco de
Jordan 1 ×1. Entretanto, a entrada imediatamente acima de −1 não é igual a 0.
Autoespaco Generalizado
Seja C uma base em que, C = {𝑉 (1)1 , . . . ,𝑉 (1) 𝑚1 ), . . . ,𝑉 𝑘 1 . . . , 𝑉 𝑘 𝑚𝑘 } de 𝑅 𝑛 (𝑚1 +. . . +
𝑚𝑘 = n) tal que a matriz do operador linear T : 𝑅 𝑛 → 𝑅 𝑛 , esteja na forma canónica de
Jordan.
𝜆𝑗 0 … 0 0
𝐽𝜆1 𝑂̅ … 𝑂̅ 1 𝜆𝑗 … 0 0
𝐶 ̅ … 𝑂̅ em que 𝐽
[T] =𝐽 = 𝑂 𝐽𝜆2
𝜆𝑗= ⋮ ⋮ ⋱ ⋮ ⋮ 𝑚𝑗 𝑥 𝑚𝑗
𝐶 ⋮ ⋮ ⋱ ⋮ 0 0 … 𝜆𝑗 0
[ 𝑂̅ 𝑂̅ … 𝐽𝜆𝑘 ]
[0 0 … 1 𝜆𝑗 ]

Assim T(𝑉𝑗 𝑖 = λj𝑉𝑗 𝑖 +𝑉𝑗 𝑖 +1 ) ou (T −λj I )(𝑉𝑗 𝑖 ) = 𝑉𝑗 𝑖 +1 e T(𝑉𝑗 𝑚𝑗 )= λj 𝑉𝑗 𝑚𝑗

para i = 1, . . . , 𝑚𝑗 −1 e j = 1, . . . , k. Ou seja, (T −λj I )( 𝑉𝑗 𝑚𝑗 ) = 0

(𝑇 − 𝜆𝑗 𝐼)2 (𝑉𝑗 𝑚𝑗−1 ) = (𝑇 − 𝜆𝑗 𝐼 )(𝑉𝑗 𝑚𝑗 ) = 𝑂̅,

(T −λj I )𝑚𝑗 (𝑉𝑗 𝑖 )= (T −λj I ) 𝑚𝑗 −1 (𝑉𝑗 2 )= 𝑂̅.

Portanto, os vetores da base C, 𝑉𝑗 𝑖 e os elementos da diagonal de J, λj , satisfazem as equações


(𝑇 − 𝜆𝐼)𝑘 (V ) =𝑂̅ para k = 1, . . . , mj . Isto motiva a seguinte definiçao.
Definição
Seja T : 𝑅 𝑛 → 𝑅 𝑛 um operador linear. Um vetor V ∈ 𝑅 𝑛 não nulo é chamado autovetor
generalizado de T associado ao escalar λ se (𝑇 − 𝜆𝐼 𝑘 ) (V ) = 𝑂̅, para algum inteiro
positivo k.
Obs: Se V é um autovetor generalizado associado a λ e p é o menor inteiro positivo tal que
(𝑇 − 𝜆𝐼)𝑝 (𝑉) = 𝑂̅, então (𝑇 − 𝜆𝐼)𝑝−1 (𝑉) é um autovetor de T associado a λ. Portanto, λ é um
autovalor de T. Além disso, (𝑇 − 𝜆𝐼)𝑞 (𝑉) = 𝑂̅, para todo q ≥ p.
Definição
Seja λ um autovalor de um operador T : 𝑅 𝑛 → 𝑅 𝑛 . O autoespaco generalizado associado
a λ, é o subconjunto definido por:
𝑊𝜆 = {V ∈ 𝑅 𝑛 | (𝑇 − 𝜆𝐼)𝑘 (𝑉) = 𝑂̅, para algum inteiro k > 0 }.
O 𝑊𝜆 consiste dos autovetores generalizados acrescentado o vetor nulo e contém o autoespaço
associado a λ e 𝑊𝜆 é um subespaço.
Assim, obtém-se a sequência de subespaços encaixados:
N(𝑇 − 𝜆𝐼𝑛 ) ⊆ N(𝑇 − 𝜆𝐼𝑛 ) 2⊆ ··· ⊆ 𝑊𝜆 ⊆ 𝑅 𝑛 .
O seguinte resultado é muito útil na determinação das possíveis formas canónicas de Jordan
de um operador.
Teorema
Seja T : V → V um operador tal que seu polinómio característico é da forma 𝑝(𝑡) = (−1)𝑛 ...
(𝑇 − 𝜆𝑛 )𝑛𝑘 distintos. Então, dim(𝑊𝑖 ) = 𝑛𝑖 , para i = 1, . . . , k.
Seja T : 𝑅 3 → 𝑅 3 o operador definido por T(X) = AX, para todo X ∈ 𝑅 3 , em que
5 1 0
A= [−4 1 0]
−2 −1 3
O polinómio característico de T é dado por p(λ) = det(A −𝜆𝐼3 ) = −(𝜆 − 3)3.
Assim, o unico autovalor de T é λ = 3. A forma escalonada reduzida de
1
2 1 0 1 2 0
A - 3𝐼3 = [−4 −2 0] é [0 0 0]
−2 −1 0 0 0 0
Assim, N(T −3I ) = {(−β, 2β, α) | α, β ∈ R}. Agora, (𝑇 − 3𝐼 )2= O, a transformação linear
nula.
Portanto, 𝑊3 = N(𝐴 − 3𝐼3 )2= 𝑅 3 . Assim existe uma matriz P invertível tal que

3 0 0
−1
𝑃 𝐴𝑃 = [1 3 0]
0 0 3
que está na forma canónica de Jordan, ou seja, a menos de ordenação dos blocos esta é a unica
forma canónica de jordan do operador T.
Seja T : 𝑅 4 → 𝑅4 o operador definido por T(X) = AX, para todo X ∈ 𝑅 4 , em
que
2 −1 0 1
0 3 −1 0
𝐴= [ ],
0 1 1 0
0 −1 0 3
O polinómio característico de T é dado por p(λ) = det(A −λ𝐼4 ) = (𝜆 − 3)(𝜆 − 2)3 . Assim
os autovalores de T são 𝜆1 = 3 e 𝜆2 = 2. A forma escalonada reduzida de

−1 −1 0 1 1 0 0 −1
0 0 −1 0 0 1 0 0
𝐴 − 3𝐼4 = [ ]é[ ],
0 1 −2 0 0 0 1 0
0 −1 0 0 0 0 0 0

Assim, 𝑊3 = N(T −3I ) = {(α, 0, 0, α) | α ∈ R}. A forma escalonada reduzida de

0 −1 0 1 0 1 0 −1
0 1 −1 0 0 0 1 −1
𝐴 − 2𝐼4 = [ ]é[ ],
0 1 −1 0 0 0 0 0
0 −1 0 1 0 0 0 0

Assim, N(T −2I ) = {(β, α, α, α) | α, β ∈ R}. A forma escalonada reduzida de

−1 −1
0 −2 1 1 0 1 2 2
0 0 0 0
(𝐴 − 2𝐼4 )2 = [ ]é 0 0 0 0
0 0 1 0 0 0 0 0
0 −2 1 1 [0 0 0 0]

Assim, 𝑊2 = N(𝑇 − 2𝐼 )2 = {(γ, α + β, 2β, 2α) | α, β, γ ∈ R}. Assim existe uma matriz
P tal que

3 0 0 0
0 2 0 0
𝑃−1 𝐴𝑃 = [ ],
0 1 2 0
0 0 0 2
que está na forma canónica de Jordan. E a menos da ordem dos blocos esta
é a única forma canónica de Jordan possível do operador T.
Polinómio Minimal
Visto que para saber se uma matriz de um operador é diagonizável é preciso achar uma base
que é um conjunto de autovectores LI, mais torna-se complicado achar essa base cada vez mais
que a dimensão do operador for maior dai iremos falar do polinómio minimal que irá nos ajudar
a dizer se a matriz de um operador é diagoáalizavel.

Definição. Seja 𝑝(𝑥) = 𝑎𝑛 𝑥 𝑛 + ⋯ + 𝑎1 𝑥 + 𝑎0 um polinómio e A uma matriz quadrada.


Entao, 𝑝(𝐴) é a matriz

𝑝(𝐴) = 𝑎𝑛 𝐴𝑛 + ⋯ + 𝑎1 𝐴 + 𝑎0 𝐼

Quando 𝑝(𝐴) = 0 dizemos que 𝑝(𝑥) anula a matriz A.

1 4
Exemplo: Sejam 𝑝(𝑥) = 𝑥 2 − 9 e A = [ ]. Calcule 𝑝(𝐴).
2 1
1 4 1 4 1 0 0 0
Solução: 𝑝(𝐴) = 𝐴2 − 9𝐼 = [ ]× [ ]–9×[ ]= [ ]
2 1 2 1 0 1 0 0

Seja A uma matriz quadrada. Polinómio minimal de A é um polinomio

M(x)= 𝑥 𝑘 + 𝑎𝑘−1 𝑥 𝑘−1 + ⋯ + 𝑎0 tal que

(𝑖) 𝑚(𝐴) = 0, isto é, m(x) anula a matriz A

(𝑖𝑖) m(x) é o polinomio de menor grau entre aqueles que anulam A

Teorema. Seja T: V→ 𝑉 um operador linear e α uma base qualquer de V de dimensão n. Então,


𝛼
T é diagonalizável se e somente se o polinómio minimal de [T] é da forma :
𝛼

m(x) = ( 𝑥 − 𝜆1 ) × ( 𝑥 − 𝜆2 ) … . ( 𝑥 − 𝜆𝑛 )

com 𝜆1 , 𝜆2 , … . 𝜆𝑛 autovectores distintos.

Achar o polinómio minimal de T seria o resumo para se saber se um operador linear é


diagonalizável. Para obtermos esse polinómio minimal vamos considerar alguns teoremas.

Teorema de Cayley – Hamilton : Seja T: V→ 𝑉 um operador linear, ᵦ uma base de V e 𝑝(𝑥)



o polinómio característico de T. Então, 𝑝 ([𝑇]ᵦ ) = 0.

As raizes do polinómio minimal são as mesmas raizes (distintas) do polinómio característico.

Assim podemos dizer que encontrar o polinómio minimal significa encontrar o polinómio

característico de menor grau que anula [𝑇]ᵦ onde ᵦ é uma base qualquer de V.

Sejam 𝜆1 , 𝜆2 , … . 𝜆𝑛 os autovectores distintos de um operador linear de T. Então, T será


diagonalizável se, e somente se, o polinómio

( 𝑥 − 𝜆1 ) × ( 𝑥 − 𝜆2 ) … . ( 𝑥 − 𝜆𝑛 ) anula a matriz de T.
Exemplo. Seja T: 𝑅 4 → 𝑅 4 um operador linear definido por T(x,y,z,t) = (3𝑥 − 4𝑧, 3𝑦 +
5𝑧, −𝑧, −𝑡). T é diagonalizável?

Solucão:

Consideremos a base canónica então a matriz de T será

3 0 −4 0

[𝑇]ᵦ = [0 3 5 0
]
0 0 −1 0
0 0 0 −1

Seu polinómio característico é 𝑝(𝜆) = det ( [𝑇]ᵦ − 𝜆𝐼) = (3 − 𝜆)2 × (−1 − 𝜆)2.

Os autovectores sao 𝜆1 = 3 𝑒 𝜆2 = −1,ambos com multiplicidade 2. Então, os candidatos para


o polinómio minimal são:

𝑝1 (𝜆) = (3 − 𝜆)2 × (−1 − 𝜆)2 , 𝑝2 (𝜆) = (3 − 𝜆)2 × ( −1 − 𝜆)

𝑝3 (𝜆) = ( 3 − 𝜆) × (−1 − 𝜆)2 , 𝑝4 (𝜆) = (3 − 𝜆) × (−1 − 𝜆)



Assim, notamos que 𝑝4 ([𝑇]ᵦ) = 0 e é, dentre as possibilidades, o de menor grau. Então,

𝑝4 (𝑥)= (x-3)(x+1)

É o polinómio minimal. Portanto, T é diagonizável, isto é, existe uma base α de autovectores e


nesta base

3 0 0 0
𝛼
[𝑇] = [0 3 0 0
].
𝛼 0 0 −1 0
0 0 0 −1