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PATOLOGIA GERAL 

Segura na mão de deus e vai 

INTRODUÇÃO  
Etiologia​: é a ​causa ​– aquilo que inicia o processo de desenvolvimento da doença. Pode ser 
por fatores genéticos (alterações cromossômicas e mutações) ou por fatores adquiridos 
(biológicos, químicos e físicos). 

Patogenia​: os ​mecanismos ​de desenvolvimento da doença – o modo como o agente 


etiológico provocará as alterações moleculares e morfológicas. 

*​Rudolf Virchow: todo processo de doença iniciará com manifestações em níveis moleculares e 
celulares.  

Alterações moleculares e histomorfológicas​: ​alterações ​bioquímicas e ​estruturais 


induzidas nas células e órgãos do corpo. 

Manifestações clínicas​: ​consequências ​das alterações moleculares e morfológicas. 

VISÃO GERAL: RESPOSTAS CELULARES AO 


ESTRESSE E AOS ESTÍMULOS NOCIVOS 
Quando  surge  um  ​estresse  ou  ​estímulo  nocivo  (qualquer  agente  etiológico  causador  de 
uma  transformação  nas  condições  normais  de  uma  célula),  a  célula  pode  se  ​adaptar  ou,  na 
incapacidade  disso  ocorrer  e/ou  intensificação  do  estimulo  nocivo,  sofrer  ​lesão  celular. 
Caso  ocorra  a  lesão,  ela  pode  ser  classificada  em 
dois tipos: ​lesão reversível e ​lesão irreversível​. O 
que  determinará  se  essa  lesão  será  reversível  ou 
não  é  o  tipo  de  estresse/estímulo  nocivo/agente 
agressor e a resistência da célula.  

  *​Exemplo​:  em  quadro  de  hipóxia,  certas  células 


toleram  por  mais  tempo  a  falta  de  O2 
(cardiomiócitos  aguentam  ~  30  minutos)  e  outras 
células  não  suportam  tais  condições  por  muito 
tempo (com cinco minutos, os neurônios já começam a sofrer necrose). 

Lesão  Reversível​:  ao  fim  do  estresso/estímulo  nocivo,  a  célula  volta  à  homeostasia.  Se  o 
estímulo  nocivo  se  manter  por  muito  tempo,  a  lesão  pode,  então,  tornar-se  irreversível. 
Difere  da  adaptação  pois,  nela,  a  célula  se  modifica  para  conseguir  tolerar  conviver  com  o 
estímulo. A célula hipertrófica consegue manter normalmente suas funções 

Lesão Irreversível​: culmina em morte celular - necrose ou apoptose. 

Necrose: em processos necessariamente patológicos; há inflamação. 

Apoptose:  pode  ser  fisiológica  (geralmente  programada/fisiológica)  ou  patológica; A 


célula  se  desfaz  em  pequenas  vesículas;  não  há  extravasamento  do  conteúdo 
intracelular. Não há inflamação 

ADAPTAÇÕES  DO  CRESCIMENTO  E 


DIFERENCIAÇÕES CELULARES 
 

RESPOSTAS  ADAPTATIVAS​:  são respostas/alterações estruturais e funcionais ​reversíveis​. 


Respondem  a  estresses  fisiológicos  intensos  (como,  por  exemplo,  hipertrofia  muscular  no 
exercício físico) ou a processos patológicos.   

HIPERTROFIA 

Aumento  do  tamanho  de  células  que  podem  culmina  num  aumento  do  tamanho  do  órgão 
afetado. Costuma ocorrer em células com baixa capacidade replicativa/mitótica. 

  *​Exemplo.​ :  células  do  músculo  cardíaco  em  resposta  a  sobrecargas  hemodinâmicas; 


hepatócitos  em  pessoas  que  abusam  de  substâncias  tóxicas;  células  do  músculo  esquelético 
com a musculação... 

  Apesar  de  reversível  e  de  manter  as  funções  da  célula,  a  hipertrofia  pode  resultar  em 
quadro  patológico.  Isso  pode  ocorrer,  principalmente  quando  se  trata  de  uma  hipertrofia 
compensatória  (hipertrofia de algumas células para "compensar" outras do mesmo órgão que 
foram lesionadas). 

  *​Exemplo:​   cardiomegalia  é  uma  hipertrofia  dos  cardiomiócitos,  geralmente,  devido  a 


aumento  da  do  débito  cardíaco  (o  que  compromete  a  sístole)  e  leva  as  celulas  que  estão 
funcionando a aumentar de tamanho para compensar ????? 
● Mecanismos: 

 
Hipertrofia/remodelação cardíaca 
● Excêntrica:  Sobrecarga  de  volume  >>>  dilatação  da  cavidade  ventricular  + 
espessamento da túnica muscular do ventrículo  
● Concêntrica:  aumento  da  espessura  da  túnica  muscular  do  ventrículo  (sem  dilatar  a 
cavidade ventricular)  

*Obs.:  coração  hipertrofiado  tem  mais  demanda  metabólica.  Portanto  é  mais  suscetível  a 
vulnerável a insquemia e pode evoluir para insuficiência cardíaca. 

Hipertrofia fisiológica X patológica: 


●   Fisiológica:  não  apresenta  danos  ao  funcionamento  do  corpo  (hipertrofia  da 
musculatura estriada esquelética; hipertrofia da musculatura uterína).  
● Patológica traz consequências maléficas, como visto no exemplo da cardiomegalia. 

HIPERPLASIA 

Aumento  ​da  ​quantidade  de  células  de  determinado  tecido.  Estará  relacionada  a  tecidos 
com ​alta capacidade de replicação​.  
● Hiperplasia fisiológica X patológica: 
○   Fisiológica:  ocorre  quando  há  estímulo  (hiperplasia  hormonal/por fatores de 
crescimento)  para  o  crescimento  de  alguma  região  para  aumentar  a 
capacidade desse orgão. 
■ Exemplo​:  tecido  hepático,  que  é  capaz  de  regenerar-se  –  dependendo 
do  tipo  e  extensão  da  lesão  (para  compensar  as  células  que  foram 
perdidas  na  lesão);  glândulas  mamárias na gravidez (maior demanda); 
proliferação  de  células  precursoras  de  hemácias  (devido  à 
eritropoetina) após hemorragia aguda.  
○   Patológica:  causada,  geralmente,  por  excesso  de  hormônios  ou  fatores  de 
crescimento  (próprios  ou  induzidos  por  agentes  externos)  atuando  em 
células-alvo.  
■ Exemplo​.:  verrugas  causadas  por  papilomavírus;  hiperplasia 
prostática;  hiperplasia  endometrial  (induzida  por  hormônios); 
hiperplasia prostática (induzida por resposta a androgênicos). 

Mecanismos: 
Proliferação  de  células  maduras  induzida  por  fatores  de  crescimento  ou  ainda  pelo 
surgimento  elevado  de  novas  células  a  partir  de  células-tronco  teciduais.  Difere-se  câncer 
pois  a  hiperplasia  tem  proliferação  mais  lenta,  depende  de  agentes  estimulantes  (como 
hormônios) e é reversível. 

ATROFIA 

É  a  ​diminuição  ​adquirida  do  ​volume  ​de  um  ​órgão​/​tecido​.  Tende  a  ocorrer,  nesta 
adaptação,  hipoplasia  e  hipotrofia  simultaneamente.  Quando  há  apenas  hipotrofia  (sem 
hipoplasia) alguns autores chamam de “atrofia simples”. 

Atrofia fisiológica X patológica:  


● Atrofia  Fisiológica:  quando  ocorre  por  um  processo  natural  de  envelhecimento 
(diminuição da sinalização, quedas hormonais, etc).  
■ Exemplo​: atrofia do tecido glandular das mamas durante a menopausa. 

● Atrofia  Patológica:  vai  além  do  limite  normal  de  variabilidade.  Apresenta  alguns 
tipos: 
○ Por Inanição 
○ desnutrição: Menos síntese proteica >>> caquexia 
○ Por desuso:  
○ Por perda de inervação (tipo mais grave de desuso) 
○ Vascular:  devido  à  isquemia 
do  tecido  (bloqueio parcial do 
fluxo,  caso  contrário 
ocorreria necrose) 
○ Endócrina:  falta  de  estímulos 
hormonais  (ex.:  atrofia 
gonadal,  adrenal  e da tireoide 
após lesões na hipófise) 
○ Por  pressão/compressão: 
comprime  vasos  >>>  bloqueio  fluxo  sanguíneo  (​ex​.:  tumores,  cistos, 
aneurismas…) 

Mecanismos de atrofia 
A  atrofia  resulta  da  diminuição  da  síntese 
protéica  e  do  aumento  da  degradação  das 
proteínas  nas  células  (via  da 
ubiquitina-proteassoma).  Por  vezes  também 
há  autofagia  (em  casos  de  organelas 
defeituosas,  diminuição  do  suprimento 
sanguíneo…) 

METAPLASIA 

Alteração  ​reversível​,  na  qual  um  tipo celular é ​substituído ​por outro (mais “resistente” ao 


estresse).  
*​Exemplo1:  as  células  colunares  do  ​epitélio  respiratório  são  muito  sensíveis  à 
fumaça do ​cigarro​. Nesse caso, ​células colunares >>>> pavimentosas escamosas (que têm 
mais  resistência).  No  entanto,  essas  células  não  têm capacidade de secretar muco tampouco 
de movimentação dos cílios. Essa metaplasia, embora não seja câncer, pode aumentar o risco 
de câncer. 

*​Exemplo2​:  “Esôfago  de  Barrett”:  ​metaplasia  no  esôfago  de  ​epitélio  escamoso 
>>>>  colunar​.  Ocorre  devido a episódios longos e mais intensos de refluxo e esofagite. Pode 
ser terreno fértil para carcinoma de esôfago.  

Metaplasia NÃO é sinônimo de neoplasia 


● Metaplasia​: é uma alteração ​fenotípica ​e não e genotípica (​não há alteração 

genética​).  Os  estímulos  externos  irão  ativar  genes  (que  já  existem  no  código  genético)  e 
promover a mudança. 

● Neoplasia​, há uma alteração ​irreversível –


​ ​mutação ​genética. 

*Metaplasia  mais  comum:  de  colunar  pra escamosa (ocorre no trato respirário em fumantes; 


cálculos nos ductos excretores das glândulas salivares, do pâncreas ou das vias biliares…). 

Mecanismo 
Reprogramação  de 
células tronco. 

DISPLASIA 

Organização  anormal  ou  diferenciação  desordenada  de  células;  ​desarranjo  ​das  células  ​de 
um tecido​.  

 
PARTICIPAÇÃO DOS MACRÓFAGOS: os  monócitos  irão  se  diferenciar  em 
macrófagos  após  o  extravasamento  (exsudação  celular)  para  o  tecido  lesionado,  processo 
estimulado,  dentre alguns fatores, por substâncias secretadas pelos linfócitos T. Os produtos 
dos  macrófagos  ativados  servem  para  eliminar  o  agente  injuriante  e  iniciar  o  processo  de 
reparo,  e  são  responsáveis  por  grande  parte  da  injúria  tecidual  na  inflamação  crônica.  O 
acúmulo dessas células e persistência do processo infla 

UM  RESUMINHO  PELA  HONRA  E  GLÓRIA  DO  SENHOR  JESUS 


CRISTO: 

 
 
PATOLOGIA GERAL

NECROSE

CARACTERÍSTICAS: morte celular associada a um quadro patológico. A célula necessariamente irá


apresentar um edema, seguido ou não por ruptura da membrana citoplasmática (geralmente ocorre), ou quebra
imediata da membrana citoplasmática, além da ruptura das organelas. Acontece também desnaturação proteica
e, em alguns casos, coagulação (formação de depósitos proteicos na célula). Sempre há um processo
inflamatório associado.
As modificações citoplasmáticas observadas ao microscópio óptico (essas modificações são secundárias às
nucleares, sendo visíveis mais tardiamente) consistem na presença de granulações e espaços irregulares no
citoplasma. Este torna-se opaco, grosseiro, podendo estar rompida a membrana citoplasmática. Intensa
eosinofilia é característica, decorrente de alterações lisossomais e mitocondriais.

ALTERAÇÕES NUCLEARES:

Picnose: redução do volume nuclear e condensação da cromatina, devido à diminuição do pH citosólico (por
causa do acúmulo do lactato). Núcleo fica hipercorado.
 Uma das diferenças entre necrose e apoptose é que na primeira há um edema (inchaço) da célula, mas
uma retração do núcleo; já na apoptose, há retração da célula e do núcleo.

Cariorréxis: é quando começa o processo de fragmentação nuclear mediante a ação das endonucleases. A
cromatina está disposta na periferia do núcleo.

Cariólise: o núcleo da célula desapareceu. Haverá apenas resquícios do núcleo (leve coloração arroxeada –
em microscopia óptica corada por HE – na região que antes havia o núcleo).

TIPOS DE NECROSE:

Necrose por coagulação: sempre associada a uma isquemia. Há perda da nitidez dos elementos nucleares e
manutenção do contorno celular devido à permanência de proteínas coaguladas no citoplasma, sem haver o
rompimento da membrana plasmática.
Nem todos os tecidos que sofrem isquemia prolongada irão sofrer necrose por coagulação: a única exceção é o
sistema nervoso central; quando ocorre isquemia nessa área, há necrose por liquefação, por motivos ainda
não compreendidos.
Na necrose por coagulação, ocorre um processo de desnaturação proteica, principalmente das enzimas, o que
evita a degradação da estrutura celular. A membrana plasmática não se rompe.

Necrose por liquefação: há uma destruição da área afetada. Geralmente associada a uma infecção. Haverá a
destruição do agente infeccioso, das células do tecido e das células de defesa, o que irá formar exsudato. O
tecido necrótico fica limitado a uma região, normalmente cavitária, havendo a presença de grande quantidade
de neutrófilos e outras células inflamatórias. Um caso particular é a isquemia do tecido do sistema nervoso
central.
Necrose caseosa: relacionada geralmente a casos de
tuberculose. Devido à formação de granulomas, o
tecido afetado apresenta um caráter esponjoso,
esbranquiçado, granuloso, amolecido, com aspecto de
"queijo friável". Microscopicamente, o tecido exibe
uma massa amorfa composta predominantemente por
proteínas. Na sífilis, por ter consistência borrachóide,
é denominada de necrose gomosa.
 Granuloma: o bacilo de Koch vão ser
fagocitados pelos macrófagos alveolares. O bacilo
ficará envolvido em vesícula, chamada de fagossomo.
Normalmente, o fagossomo iria se fundir com o
lisossomo para que as enzimas deste atuassem na
digestão do conteúdo daquele. Porém, o bacilo de
Koch impede esse processo, o que permite que ele
continue a se multiplicar. A resposta do sistema
imunológico será, então, isolá-lo em um granuloma.
Linfócitos irão recrutar monócitos da corrente
sanguínea, que irão se diferenciar em macrófagos.
Esses macrófagos recebem estímulos dos linfócitos
para se diferenciarem em células epitelioides, de aspecto pavimentoso e achatado, dispondo-se em
torno do foco da infecção e formando camadas concêntricas ao redor do agente a ser isolado. Além
disso, essas células epitelioides irão produzir projeções em sua membrana para melhor adesão entre si.
Outros macrófagos irão se unir e se transformar em uma única célula multinucleada, com núcleos
dispostos na periferia do citoplasma, e que também irá compor essa barreira de contenção. Essas
células são chamadas de células gigantes ou gigantócitos. Possuem capacidade fagocitária.
Adjacentes a esses tipos celulares, e responsáveis por coordenar esse processo, estarão os linfócitos.
Eles irão liberar substâncias que irão permitir as diferenciações dos macrófagos. Quando as células
epitelioides começam a morrer, inicia-se um processo de deposição de proteínas e de cálcio. A
tendência, portanto, é que o granuloma se torne um nódulo hialinisado e calcificado.
A formação do granuloma não é exclusividade da tuberculose. Também ocorre na sífilis, na
paracoccidioidomicose, em acúmulos de proteínas, etc.

Necrose hemorrágica: quando há a presença de hemorragia no tecido em processo necrótico, o que dificulta
a eliminação natural da região necrosada e a recuperação do tecido.

Necrose gordurosa: refere-se a áreas focais de destruição gordurosa. Associar especialmente com a
pancreatite aguda. Nessa doença, há um dano nas células acinais do pâncreas e a parte da lipase produzida é
liberada, resultando em uma degradação dos lipídeos das vísceras adjacentes. Os lipídeos degradados pelas
lipases reagem com sais de cálcio e sofrem uma reação de saponificação.

GANGRENA: a gangrena é um conjunto de alterações em um tecido que já sofreu necrose. Não é um tipo
de necrose – é uma manifestação pós-necrótica. Geralmente ocorre em tecidos que sofreram necrose de
coagulação. Tipos:

Seca: a área necrótica perde água para o ambiente e apresenta um aspecto retraído e mumificado. A gangrena
seca é uma alteração ambiental.
Úmida: quando a região de necrose é colonizada por um microrganismo saprofítico (alimenta-se de matéria
morta). Ficará com um aspecto úmido e amolecido. Regiões necróticas, principalmente em necrose de
coagulação, sofrem degeneração especial por ação de microrganismos.

Gasosa: quando há a colonização de bactérias produtoras de gases, como as do gênero Clostridium.

PROCESSOS APÓS A NECROSE:

Calcificação: depósito de cálcio no tecido afetado.

Cicatrização: substituição por tecido conjuntivo denso. Pode ser concomitante ao processo de calcificação.

Regeneração: recuperação da integridade do tecido lesionado.

ELIMINAÇÃO DO TECIDO NECRÓTICO: o tecido necrótico é eliminado através de dois processos.

Eliminação direta: através dos condutores naturais. Geralmente ocorre em processo de necrose liquefativa.

Eliminação indireta: através de trajetos novos, formados pelo organismo (fístulas). Geralmente também
ocorre em processo de necrose liquefativa.

Fagocitose: ocorre em casos de necrose por liquefação e, especialmente, em necrose de coagulação. Fagócitos
irão migrar para a região e degradar o tecido necrótico.
No tecido do sistema nervoso central, há a formação de células fagocitárias granulo-adiposas, uma vez que os
fagócitos irão acumular lipídeos provenientes das células do SNC.

APOPTOSE

CARACTERÍSTICAS: não necessariamente ocorrerá em quadros patológicos. É uma forma “natural” (em
condições fisiológicas) de morte celular (morte celular programada).
O termo "apoptose" foi introduzido em 1972, mas somente no início da década de 90 começou a ser
intensamente investigado. A apoptose origina-se do grego e significa "cair fora", sendo o mecanismo pelo
qual a célula promove a sua autodestruição de modo programado Ocorre por ativação de mecanismos internos
(indutores da apoptose) e influências externas.

Fisiológica: É comum na embriogênese (por exemplo, o desaparecimento da notocorda). Processos


fisiológicos em geral, para evitar erros como mutações. Tecidos com alta taxa de renovação dependem desse
mecanismo de morte celular (por exemplo, epitélio intestinal). A apoptose fisiológica também pode ser
mediada pela ausência de estímulos hormonais. Além disso, células de defesa remanescentes de um processo
infeccioso também sofrem apoptose, para que não haja um acúmulo dessas células e uma possível reação
auto-imune. Linfócitos auto-reativos são induzidos naturalmente a sofrer morte celular.
Linfóctios T citotóxicos ligam-se a receptores de morte e são importantes indutores da morte celular.
Patológica: processos de doenças virais (hepatites); estímulos nocivos; atrofia patológica dos órgãos
parenquimatosos após obstrução ductal; tumores por alteração neoplásica (células que deveriam sofrer
apoptose, mas persistem); lesão de DNA; acúmulo de proteínas anormalmente dobradas. Pode ocorrer junto
com necrose.

MORFOLOGIA DA APOPTOSE:

Diminuição do tamanho da célula: a célula retrai. As organelas também estão mais compactadas.

Condensação nuclear: como ocorre na necrose, há uma picnose (mas não haverá cariorréxis e cariólise).

Formação de bolhas citoplasmáticas e corpos apoptóticos: a célula começa a se dividir em vesículas,


chamadas de corpos apoptóticos.

Fagocitose dos corpos apoptóticos por células adjacentes: os corpos apoptóticos são rapidamente ingeridos
pelos fagócitos e degradados pelas enzimas lisossômicas dos fagócitos.

Sem reação inflamatória adjacente: não há extravasamento nem liberação de substâncias químicas
indutoras da inflamação.

CARACTERÍSTICAS BIOQUÍMICAS:

Ativação das caspases: as caspases (enzimas de uma família das cisteína proteases) dividem-se em dois
grupos: desencadeador e executor, dependendo da ordem na qual são ativadas durante a apoptose.

Degradação de proteínas e do DNA: degradação principalmente das proteínas do citoesqueleto (ativada na


cadeia de reações das caspases). Haverá uma picnose inicial.

Reconhecimento fagocitário: na membrana dos corpos apoptóticos formados haverá alguns compostos
(como a fosfatidilserina) que permitirão a identificação pelos fagócitos, que antes estavam na face interna da
membrana plasmática.

MECANISMOS DE APOPTOSE:

Mecanismo interno (mitocondrial): mais relacionado à morte fisiológica; controlado pelas mitocôndrias,
pois estas organelas possuem compostos que, em condições normais, não podem extravasar para o citoplasma,
uma vez que são substâncias são pró-apoptóticas.
Quando a célula está em homeostase, há um equilíbrio entre compostos promotores da apoptose (como o Bax
e o Bak) e compostos inibidores da apoptose, com a predominância dos últimos, principalmente Bcl-2 e Bcl-x.
Quando a célula cumpre o seu tempo de vida, genes produtores de substâncias pró-apoptóticas são acionados.
O Bax e o Bak, por exemplo, aumentarão a permeabilidade da membrana mitocondrial, permitindo a
passagem das substâncias indutoras da apoptose, como o citocromo c.
O citocromo c, principalmente, irá atuar como ativador de caspases desencadeantes (promotoras), em uma
reação em cadeia de ativação de caspases até chegar nas caspases executoras (efetoras), que irão degradar o
citoesqueleto e estimular a ação das endonucleases, que irão fragmentar o núcleo.
 Indivíduos com problemas na expressão do gene P53 (relacionado à produção de caspases), podem
levar a formação de neoplasias.

Mecanismo externo (morte iniciada por receptor): ocorre através da ligação com o receptor de morte
(membros da família TNF [fator de necrose tumoral]). Os linfócitos irão apresentar ligantes compatíveis com
tais receptores; quando houve a interação ligante-receptor, será desencadeado o processo apoptótico na célula
através da ativação de caspases desencadeantes (promotoras). Ambos os mecanismos de apoptose culminam
nas caspases executoras (efetoras).
O mecanismo externo está mais relacionado a quadros patológicos.

DESREGULAÇÃO DA APOTOSE:

Consequências: cânceres, doenças auto-imunes, doenças neurodegenerativas.

Causas: infecções; mutações genéticas.

CARACTERÍSTICAS NECROSE APOPTOSE

Tipo de morte celular: Acidental. Programada (geralmente).

Tamanho celular: Aumentado (edema / tumefação / Reduzido (encolhe).


degeneração hidrópica).

Núcleo: Picnose, cariorréxis, cariólise. Fragmentação em partículas menores.

Membrana plasmática: Danificada (geralmente). Intacta, a estrutura está alterada.

Conteúdo celular: Digestão enzimática. Intactos; podem ser liberados na forma


de lipídios.

Inflamação adjacente: Frequente. Não.

Papel fisiológico ou Invariavelmente patológica. Geralmente fisiológica, uma forma de


patológico: eliminar células indesejáveis; pode ser
patológica após algumas formas de
lesão celular, especialmente dano ao
DNA.
PATOLOGIA GERAL

DEGENERAÇÕES CELULARES

CONCEITO: são alterações celulares não benéficas e reversíveis, sejam no citoplasma, no núcleo ou no
estroma; são distúrbios do metabolismo celular de substâncias endógenas, ou substâncias exógenas anormais
que se acumulam nos tecidos.

ACÚMULOS INTRACELULARES E OUTROS DISTÚRBIOS METABÓLICOS:

Degeneração vacuolar (alteração hidrópica): é uma alteração da regulação da água. As células ficam
tumefeitas, além de apresentarem vacúolos no citoplasma (célula com aspecto de balão).
 Etiologia: infecções agudas graves; tóxicos exógenos; tóxicos endógenos; carência de oxigênio; fome
grave.
 Patogênese: pode existir numa mesma célula a tumefação turva e degeneração vacuolar. Entrada de
água deve-se ao aumento de permeabilidade na membrana celular. A rapidez de entrada de água
ocorre devido ao rápido comprometimento do mecanismo da bomba de sódio-potássio.

Alterações lipídicas:
 Esteatose ou degeneração gordurosa: acúmulo de triglicerídeos nas células por defeitos entre a entrada
dos ácidos graxos e a saída das lipoproteínas. Comum no fígado e coração. Quando é leve não
prejudica a função celular. Quando é grave pode levar à morte celular.
 Patogênese: alteração progressiva celular (à medida que a célula vai sofrendo lesão, ocorre
um acúmulo de lipídeos). Ocorre nas células do: parênquima, estroma e matriz extracelular.
 Características microscópicas: em tecido hepático, pode ser: um processo difuso no lóbulo,
perilobular ou centrolobular. Citoplasma dos hepatócitos mostrando espaços vazios sob forma
de pequenos ou grandes vacúolos.
 Etiopatogenia: tóxica (excesso de álcool, por exemplo); anóxica (ausência de oxigênio);
caquexia cancerosa (quando uma neoplasia induz um processo de autólise); diabete mellitus
(indisponibilidade de glicose para as células força um aumento do catabolismo lipídico);
nutricional (ingestão aumentada de lipídeos).

O fígado é, normalmente, o órgão mais afetado por esse processo. É muito evidente nos hepatócitos
pela função dessas células na captação de lipídeos e envolvimento destes compostos em lipoproteínas;
em lesão causada por excesso de álcool, por exemplo, há uma queda na produção de proteínas
(comum em um processo de lesão celular) e, por conseguinte, uma queda na produção de
lipoproteínas. Pode ocorrer nos rins, coração e no tecido conjuntivo (lipídeos consumidos em excesso
tendem, naturalmente, a se acumular nos tecidos conjuntivos).

 Aterosclerose: degeneração associada à presença de gorduras; específica da túnica íntima das artérias
elásticas de grande e médio calibre. Quando o indivíduo possui dislipidemia (grande quantidade de
colesterol circulante), os colesteróis possuirão a tendência de sofrer oxidação. Nesse processo, eles
acabam se depositando na parede das artérias, causando um depósito no endotélio vascular, processo
que causa uma injúria às células do local. Isso irá desencadear uma resposta inflamatória: macrófagos
irão migrar para a região e começarão a fagocitar o colesterol, até o ponto em que o citoplasma
dessas células fique com um preenchimento muito grande de colesterol. A partir desse ponto, os
macrófagos (que irão se transformar em células espumosas pelo depósito de compostos lipídicos)
começam a se depositar no local, agravando o processo. Mais células de defesa migrarão para o
local. A resposta inflamatória fará com que essa região seja recoberta por uma membrana,
constituindo uma placa de ateroma. Há uma tendência de haver um desaparecimento da camada
endotelial afetada. Com o passar do tempo, haverá a deposição de cálcio e um enrijecimento da
estrutura, com a presença de cristais de colesterol. A placa de ateroma pode crescer até atingir um
quadro de estenose arterial – diminui-se, portanto, o lúmen do vaso. O fluxo sanguíneo pode
“arrancar” a placa de ateroma, que passará a ser denominado de êmbolo, capaz de obstruir um vaso de
diâmetro menor.
 Complicações: ulcerações (extravasamento do conteúdo da placa de ateroma); embolia
(desprendimento de toda a placa ou parte dela); calcificação (normalmente ocorre); obstrução
(mais raro, pois a placa de ateroma geralmente se forma em vasos de calibre maior); dilatação
do vaso; hemorragias.

 Hiperlipidemias:
 Primárias: origem genética; taxa de colesterol sanguíneo elevada só ou associada com outros
lipídeos.
o Xantomas: nódulos lipídicos que se formam principalmente nas articulações; podem
se depositar também na túnica íntima das artérias. Já os xantelasmas são acúmulos de
lipídeos nas pálpebras.
o Características microscópicas: os lípides estão presentes nos citoplasmas de
macrófagos como gotículas.
 Secundárias: surgem no diabete mellitus, síndrome nefrótica, hipotireioidismo, etc. Há
geralmente a presença de células gigantes (gigantócitos).
o Características microscópicas: os lipídeos estão presentes nos citoplasmas de
macrófagos como gotículas e em células gigantes.

Alterações proteicas: apresentam gotículas, vacúolos ou agregados eosinofílicos no citoplasma; ocorrem por
aumento da síntese de proteínas, defeitos na síntese ou acúmulo de proteínas anormais. Aparecimento de
material nos tecidos cujo aspecto é róseo nos preparos histológicos corados por hematoxilina e eosina.

 Degenerações hialinas intracelulares:


 Corpúsculo de Russell: acúmulo intracelular de substância hialina; encontrados em processos
inflamatórios crônicos, ricos em plasmócitos (por exemplo: paracoccidioidomicose);
 Gotículas de reabsorção nos túbulos renais: são observadas em doenças renais associadas à
perda de proteína na urina;
 Corpúsculo de Mallory: material grumoso hialino (homogêneo e eosinófilo) no citoplasma.
Uma manifestação morfológica altamente característica, mas não patognomônica, da ação
tóxica do etanol sobre o fígado.

 Arteriosclerose: um processo em que há a hialinazação das paredes da artéria; o vaso começa a sofrer
depósito de proteínas por causa de um quadro de lesão – comum em indivíduos com hipertensão
arterial sistêmica.

 Hialinização por fibras colágenas: acúmulo de proteínas no meio extracelular.


 Amiloidose: depósito de proteínas mal formadas no interstício; o amilóide é uma substância
proteinácea patológica, depositada no espaço extracelular em vários tecidos e órgãos do corpo em
várias situações clínicas.
 Primária: quando associada a algum transtorno de imunócitos.
 Secundária: quando ocorre como complicação de um processo inflamatório crônico ou
destrutivo de tecidos subjacente.
 Hereditária: causada por herança genética

 Queloide: produção e depósito aumentados de colágeno, criando uma estrutura protuberante e de


coloração mais escura que a pele ao redor.

Alterações glicogênicas: A síntese e degradação do glicogênio envolvem conjuntos separados de enzimas


funcionando de forma irreversível; ao menos oito enzimas envolvidas; a falta das enzimas do metabolismo do
glicogênio acarreta várias doenças autossômicas recessivas, chamadas de glicogenoses. Há pelo menos 12 já
descritas.
 Doença de Von Gierke ou glicogenose hepática tipo I: : há produção e armazenamento normais do
glicogênio, mas apresenta um problema no processo da quebra do glicogênio – deficiência de glicose-
6-fosfatase nos hepatócitos; notada geralmente em torno dos dois anos de idade, trata-se de uma
herança autossômica recessiva.
 Consequências: retardo de crescimento; ausência de retardo mental; grande hepatomegalia e
renomegalia; ausência de esplenomegalia ou de ascite; hipoglicemia que não responde à
adrenalina ou glucagon; hipoglicemia pode causar crises convulsivas. Morte precoce por
infecções intercorrentes. Aspecto microscópico no fígado: acúmulo de glicogênio no
citoplasma dos hepatócitos, dando aspecto de célula vegetal.

Alterações pigmentares:
 Exógenas: são inaladas, ingeridas e/ou absorvidas e acabam se acumulando no organismo.
 Siderose: se o órgão atingido é o pulmão, será uma pneumoconiose causada pela inalação de
poeiras e fumos contendo óxidos de ferro.
 Pneumoconiose: é um conjunto de alterações patológicas em que há a pigmentação
do tecido pulmonar por inalação e deposição de substâncias exógenas.

 Antracose: partículas de carbono da poluição atmosférica que se acumulam nos alvéolos. São
inertes no citoplasma dos macrófagos ou no interstício. Visualização na macroscopia:
manchas pretas pequenas na superfície pleural e de corte nos pulmões. Visualização na
microscopia: pigmento negro, livre ou fagocitado; partículas muito finas, não-refringentes.
 Silicose: lesão pulmonar permanente causada pela sílica (óxido de silício) inalada. Fibrose
permanente, difusa ou nodular, do parênquima pulmonar, da pleura (paquipleuris) e dos
linfonodos regionais. Causa pneumopatia restritiva (dificuldade de expansão pulmonar). A
sílica inalada age por décadas no tecido pulmonar, tornando-o fibroso. Microscopicamente,
observa-se partículas refringentes.
 Tatuagem: feita por sais de enxofre, mercúrio, ferro e outros corantes. A fagocitose, feita por
macrófagos, desses pigmentos pode provocar a transferência destes para linfonodos regionais.
Geralmente os macrófagos se depositam no local (não é uma condição patológica).

 Endógenas: produzidas pelo próprio organismo.


 Hemáticos: derivados da degradação da hemoglobina.
 Degradação de hemoglobina e metabolização da bilirrubina: o grupo heme da hemoglobina será
degrado em ferro e protoporfirina. Inicialmente, a protoporfirina será convertida em biliverdina, e,
posteriormente, esta será convertida em bilirrubina (composto hidrofóbico). Para circular na corrente
sanguínea, a bilirrubina irá se associar à albumina, que irá carreá-la até o fígado. Neste órgão, há a
separação da albumina e a conjugação da bilirrubina – associação com o ácido glicurônico. Com esse
processo, a bilirrubina se torna mais hidrofílica. Finalmente, ela será liberada juntamente com a bile.
Na região intestinal, será convertida por bactérias próprias da microbiota em estercobilina. A
bilirrubina que não for convertida é reabsorvida pelo intestino, até chegar aos rins, onde será
eliminada na urina (passando a se chamar de urobilina).
Icterícia: aumento da concentração de bilirrubina no sangue; amarelamento da esclera, pele e
mucosas. Pode ser pré-hepática (em anemias hemolíticas; há rompimentos intensos de hemácias, o
que satura a capacidade hepática de metabolização da bilirrubina), hepática (em condições que levem
a lesões ao fígado; ruptura dos hepatócitos leva a um extravasamento da bilirrubina) e pós-hepática
(quando há a obstrução dos ductos biliares).
o Hemossiderina: a hemossiderina é a armazenagem do íon ferro cristalizado. Este se
acumula nas células, principalmente do retículo endotelial. Tem uma coloração
amarelo-acastanhado.
o Bilirrubina: pigmento de cor amarelada. O acúmulo na corrente sanguínea causa
icterícia.
o Hematoidina: a hematoidina é o pigmento de coloração mais amarelada que a
hemossiderina, apresentando granulação sob a forma de cristais bem nítidos. Não
possui ferro, semelhantemente à bilirrubina. Forma-se em locais com pouco oxigênio.

 Não-hemáticos:
o Lipofuscina: é uma lipoproteína, não digerida pelos lisossomos e que nele se
acumula. Acumula-se, principalmente, em células de baixa capacidade replicativa.
Não é um quadro patológico necessariamente, pois está muito relacionado com o
processo de envelhecimento. Ocorre também em: emagrecimento intenso ou
caquexia; atrofia parda. Não lesa as células.
o Aumentos localizados de melanina:
 Nevos melanocíticos: proliferação não-neoplásica de melanóticos.
Geralmente é: simétrico, possui borda regular e uma cor uniforme, que varia
de castanho claro a castanho escuro.
 Melanomas: neoplasia invasiva. Diferente do nevo, o melanoma possui
bordas irregulares, superfície descamativa, borda irregular, assimetria e
variação de cores.
 Efélides ou sardas: hiperpigmentação na membrana basal causada por
melanoblastos. Não há proliferação de melanócitos; há um aumento da
produção de melanina.
o Diminuições localizadas de melanina:
 Vitiligo: comum nas mãos; causada pela diminuição da quantidade de
melanócitos produtores de pigmento na epiderme, manifestando-se
clinicamente como manchas apigmentadas.
 Albinismo: é uma condição autossômica recessiva; os melanócitos
encontram-se em número normal, mas não produzem pigmento.
CALCIFICAÇÃO

CALCIFICAÇÕES PATOLÓGICAS: ocorrem em concomitância com vários processos gerais, como as


necroses e degenerações e podem estar presentes em virtualmente qualquer lesão crônica.

Calcificação distrófica: se relaciona com áreas que sofreram agressões e que apresentam estágios avançados
de lesões celulares irreversíveis ou áreas já necrosadas; é a incrustação de sais em tecidos previamente
lesados, com processos regressivos ou necrose. Os sais de cálcio aparecem macroscopicamente como grânulos
ou grumos finos brancos, muitas vezes palpáveis como depósitos arenosos.
É comum observar calcificações distróficas nas paredes vasculares de indivíduos com ateroesclerose, cujo
processo se caracteriza por presença de necrose no endotélio vascular devido à deposição de placas de
ateroma. Granulomas, como os formados no caso de tuberculose, também tendem a sofrer calcificação com o
decorrer do tempo.
 Fosfatase alcalina: comumente observada nos processos normais de calcificação. Nos tecidos lesados
é aumentada a sua liberação, o que facilita a formação de fosfato de cálcio.
 Alcalinidade: nos tecidos necrosados, a alcalinidade está aumentada, provocando uma diminuição da
solubilidade do carbonato de cálcio. Este, agora menos solúvel, precipita-se mais facilmente.
 Presença de proteínas extracelulares: acredita-se que algumas proteínas, como o colágeno, possuem
afinidade pelos íons cálcio, principalmente nos processos normais de calcificação. Em tecidos
necrosados, essas proteínas podem estar "descobertas", mais livres para associação com o cálcio,
estimulando a deposição destes sobre essa matriz protéica.

Calcificação metastática: é o aumento da calcemia em tecidos onde não existe necessariamente uma lesão
prévia. Dentre as possíveis causas, estão: a remoção de cálcio dos ossos por cânceres, inflamações ósseas,
imobilidade ou hiperparatireoidismo e dieta
excessivamente rica em cálcio.  Os tecidos
calcificados metastaticamente (como pulmão,
vasos sanguíneos, fígado e mucosa gástrica)
podem ter sua função comprometida;
Entretanto, a situação de hipercalcemia é mais
preocupante clinicamente do que a calcificação
em si.

Calculose ou litíase: calcificação em estruturas


tubulares diferentes de vasos sanguíneos; não
difere muito dos padrões de formação da
calcificação distrófica; formação de um núcleo
calcificado de forma distrófica – esse núcleo se
desloca para a luz do ducto, onde cresce devido a
sucessivas incrustações ao redor de sua estrutura.
Ocorre principalmente pela presença de pH alcalino e pela concentração de carbonato de cálcio e de fosfato de
cálcio no local. A calculose pode levar à obstrução, à lesão ou à infecção de ductos, principalmente do
pâncreas, da glândula salivar, da próstata e dos tratos urinário e biliar.
PATOLOGIA GERAL

INFLAMAÇÃO AGUDA

VISÃO GERAL DA INFLAMAÇÃO: transformação morfológica e funcional do tecido, que visa destruir,
diluir ou isolar o agente lesivo, sendo, portanto, uma reação de defesa e de reparação do dano tecidual;
entretanto, a inflamação pode ser potencialmente prejudicial. A resposta inflamatória está intimamente ligada
ao processo de reparo; é um processo destrutivo.
É um mecanismo de defesa inato da célula. As inflamações sépticas (presença de microrganismos) e
assépticas (ausência de microrganismos).

INFLAMAÇÃO AGUDA: é uma resposta imediata ao agente agressor; reação de curta duração (minutos,
horas, dias), com a apresentação dos quatro sinais clínicos locais: rubor, calor, tumor e dor. Haverá alterações
hemodinâmicas, vasodilatação com aumento do fluxo sanguíneo, aumento da permeabilidade de vasos e
migração de leucócitos para o local da lesão.

Mecanismos: uma lesão causa a liberação de marcadores indutores da inflamação, principalmente, aminas
vasoativas (início da lesão). Esses compostos atuarão primeiro na musculatura lisa, promovendo uma
vasodilatação do vaso sanguíneo, o que aumenta o fluxo sanguíneo na região. Em compensação, isso
diminui a velocidade desse fluxo (estase sanguínea – tendência do sangue se acumular em um tecido).
As aminas vasoativas também promovem a contração das células do endotélio do vaso. Ao se contraírem, as
células endoteliais criarão fenestrações no endotélio, permitindo a passagem de plasma sanguíneo (exsudação
plasmática). O acúmulo de líquido será chamado de tumor ou edema.
Esse edema fará com que haja a compressão de terminações nervosas, relacionadas à percepção de dor.
Além disso, as células lesionadas irão liberar substâncias indutoras da sensação de dor, como a bradicinina,
que irá se ligar aos receptores nervosos.
Outro evento importante é a leucodiapedese. Nos vasos, normalmente, os leucócitos tendem a ficar mais
próximos às paredes, enquanto as hemácias se concentram na região central. Por conta da vasodilatação, e a
subsequente diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo, ocorre o processo de marginação leucocitária (os
leucócitos se aproximam das células endoteliais). As células endoteliais expressam mais proteínas (como a e-
selectina e a p-selectina) de ligação em sua membrana quando há uma inflamação no local, o que irá permitir
a interação entre leucócitos e as células endoteliais, interações fracas (fixação e desprendimento do leucócito –
processo chamado de rolamento). Isso continuará até que em determinado ponto há um fixação permanente e
ocorre a diapedese. O leucócito irá migrar de modo ativo e atravessar o endotélio vascular (exsudação
celular). Quimiotáticos leucocitários vão atuar atraindo os leucócitos para o local da inflamação
(quimiotaxia).

Os quatro sinais cardinais da inflamação:

 Rubor: causado pela vasodilatação. Como aumenta o fluxo sanguíneo na região (por causa da
vasodilatação), haverá uma maior quantidade de sangue na região, o que dará a coloração
avermelhada para o local. A vasodilatação ocorre pela liberação de marcadores, como a histamina
(uma amina vasoativa), pelas células lesionadas.
 Tumor: causado pelo o aumento da permeabilidade do vaso sanguíneo. O tumor (edema) é
caracterizado pelo extravasamento de plasma (exsudação plasmática) para a região lesionada.
 Calor (febre): o calor local também é causado pela vasodilatação. O aumento do volume de sangue na
região propicia o aumento de temperatura (a própria cinética do sangue estimula esse processo). O
calor sistêmico será estimulado por fatores pró-inflamatórios, como as interleucinas, que irão agir no
hipotálamo.
 Dor: compressão de terminações nervosas e liberação de substâncias indutoras da sensação de dor,
como a bradicinina, pelas células lesionadas.

Etiopatogenia:

 Endógenas: derivadas de degenerações ou necroses tissulares; derivadas de alterações na resposta


imunológica. Sem agentes externos – por exemplo: inflamações causadas por necroses de coagulação.

 Exógenas: agentes físicos (calor e frio; eletricidade; radiações; sons e ultra-sons; magnetismo;
gravidade; traumas mecânicos e atritos), agentes químicos (inorgânicos – cáusticos, metais pesados,
ácidos e bases fortes, etc. – e orgânicos – exo e endotoxinas bacterianas, micotoxinas, venenos
vegetais e animais), agentes biológicos (infecciosos – vírus, bactérias, micoplasmas, fungos e
protozoários – e parasitários – helmintos e artrópodes).

Patogenia – fases da inflamação aguda:

 Fase irritativa: modificações morfológicas e funcionais dos tecidos agredidos que promovem a
liberação de mediadores químicos, estes desencadeantes das demais fases inflamatórias. É a fase de
lesão, quando começa a lesão celular. Associada à dor (porque a bradicinina tem uma atuação muito
rápida).
 Mediadores de ação rápida do fenômeno irritativo: liberadas logo no início da lesão. Inicia a
resposta inflamatória.
o Aminas vasoativas: originárias
do tecido agredido. Atuam sobre
a parede vascular, não
exercendo quimiotaxia sobre os
leucócitos, como alguns
mediadores de ação prolongada.
Compreendem, dentre outros, a
histamina e a serotonina. Não
promove exsudação celular.
 Histaminas:
neuroestimulador;
sintetizada nos
granulócitos basófilos,
nas plaquetas e,
principalmente, nos
mastócitos, que a
liberam quando agredidos. Provoca contração das células endoteliais
venulares, com consequente aumento da permeabilidade vascular, e
vasodilatação. Tem destacada participação no mecanismo de formação do
edema inflamatório.
 Mediadores de ação prolongada do fenômeno irritativo: irão sugir em um segundo momento
da resposta inflamatória; liberados mais tardiamente, diante da persistência do agente
flogístico. Atuam nos vasos e, principalmente, nos mecanismos de quimiotaxia celular,
contribuindo para a exsudação celular.
o Substâncias plasmáticas: as substâncias plasmáticas estão divididas em três grandes
sistemas: o sistema das cininas (envolvendo principalmente a plasmina e a
bradicina), o sistema complemento e o sistema de coagulação (como os
fibrinopéptides).
 Plasmina: a plasmina é uma protease que digere uma ampla gama de
proteínas teciduais como fibrina, protrombina, globulina. A presença da
plasmina incrementa a permeabilidade vascular, provoca o surgimento de
fibrinopéptides (proteínas que atuam sob uma forma reticulada), libera
cininas e atua sobre o complemento.
 Bradicinina: ativado no interstício, esse peptídio tem ação vasodilatadora de
pequenas artérias e arteríolas, também aumentando a permeabilidade
vascular. Por atuar em terminações nervosas, é o principal composto
relacionado à dor. Boa parte das cininas é produzida no fígado.
 Sistema complemento: fragmento proteico originário de uma proteína
plasmática termolábil (sofre alterações de acordo com a variação da
temperatura) que se rompe devido a algumas reações entre proteínas
plasmáticas e intersticiais (como, por exemplo, as reações antígeno-
anticorpo). Aumenta a permeabilidade vascular por provocar a liberação de
histamina ou por ação direta sobre a parede vascular. Atividade de
quimiotaxia, contribuindo para a exsudação celular, principalmente de
neutrófilos (primeiras células de defesa a chegarem). O complemento,
considerado de mediação tardia, na verdade está presente em todos os
momentos da inflamação.
 Fibrinopéptideos: produto da transformação do fibrinogênio em fibrina (no
sistema de coagulação) ou da ação da plasmina sobre essas duas substâncias;
ação quimiotática sobre os leucócitos, evento observado na fase de exsudação
celular, e podem também aumentar a permeabilidade vascular.
 Prostaglandinas: participa de fases mais tardias da inflamação; é um
composto de cadeias longas formadas por ácidos graxos, tendo sido
observado primeiramente no líquido seminal; provocam contração das células
endoteliais e vasodilatação e potencializam as respostas vasculares oriundas
da ação da bradicinina. Mantém as reações vasculares da inflamação.

 Fase vascular: alterações hemodinâmicas da circulação e de permeabilidade vascular no local da


agressão. Os fatores liberados na fase anterior irão atuar nos vasos. Associada ao rubor e ao calor
local.
 Fenômenos vasculares: reúne todas as transformações ocorridas na microcirculação do local
inflamado. Ocorre minutos após do início da ação do agente flogístico; há a liberação dos
mediadores químicos e algumas respostas básicas: isquemia, hiperemia e edema. Essa tríplice
resposta (chamada de tríplice resposta de Lewis) é desencadeada por reflexos nervosos
locais provocados pelo agente inflamatório. Porém, nem sempre há isquemia em um processo
inflamatório. Ela ocorre normalmente quando há um processo lesivo mecânico: por frações de
segundos, há uma resposta do sistema nervoso autônomo de contração da musculatura lisa
dos vasos do local atingido pelo estímulo (nesse casso, nocivo) mecânico.
 Fase exsudativa: característica do processo inflamatório, esse fenômeno compõe-se de exsudato
celular e plasmático oriundo do aumento da permeabilidade vascular. Associada ao tumor.
 Exsudação plasmática e exsudação celular.
Fenômenos celulares: os fenômenos celulares da inflamação envolvem o acionamento das
capacidades celulares de movimentação, de adesão e de englobamento de partículas
(diapedese do leucócito para o local agredido).

 Fase degenerativo-necrotizante: composta por células com alterações degenerativas reversíveis (ou
não – neste caso, originando um material necrótico); derivadas da ação direta do agente agressor ou
das modificações funcionais e anatômicas consequentes das três fases anteriores. Associada ao calor
sistêmico (febre).

 Fase produtivo-reparativo: relacionada à característica de hipermetria da inflamação, ou seja, exprime


os aumentos de quantidade dos elementos teciduais - principalmente de células -, resultado das fases
anteriores. Essa hipermetria da reação inflamatória visa destruir o agente agressor e reparar o tecido
injuriado. Associada à perda de função.

Células de defesa características: granulócitos.

 Neutrófilos: granulócitos típicos de fenômenos agudos da inflamação, presentes em maior quantidade


nesta fase devido ao seu alto potencial de diapedese e rápida velocidade de migração. Têm ação
fagocítica e, se mortos, podem provocar necrose tecidual devido à liberação de suas enzimas
lisossômicas para o interstício.

 Eosinófilos: encontrados nas inflamações subagudas ou relativas a fenômenos alérgicos (e em alguns


processos neoplásicos). Também possuem capacidade de fagocitose, mas menor que os neutrófilos.

 Basófilos: acredita-se que eles também estão relacionados às alergias, assim como os eosinófilos, pois
produzem histamina e heparina (anticoagulante).

Classificação conforme o tipo de exsudato: os principais são:

 Serosa: exsudato rico em plasma e poucas células inflamatórias: lesões vesiculares da pele por vírus.
Característico de inflamação da mucosa nasal no resfriado comum e fase inicial das inflamações
purulentas. Ocorre em queimaduras também.

 Hemorrágica: exsudato rico em hemácias. Processos inflamatórios com lesão vascular;

 Purulenta: exsudato rico em leucócitos degenerados (pus);


 Abscesso: inflamação purulenta circunscrita com necrose liquefativa do tecido;
 Empiema: acúmulo de pus em cavidades pré-existentes;
 Flegmão: presença de pus não-circunscrito.

 Fibrinosa: exsudato rico em plasma, incluindo fibrinogênio, com precipitação de massas de fibrina.
Exemplo: pericardite fibrinosa.
INFLAMAÇÃO CRÔNICA

DEFINIÇÃO: reação prolongada (semanas ou meses) onde há inflamação ativa, destruição celular e
tentativas de reparo, simultaneamente. Os fenômenos vasculares, exsudativos e proliferativos podem ocorrer
na inflamação crônica (a inflamação crônica como uma continuidade da inflamação aguda). Porém, alguns
estímulos nocivos podem desencadear um processo inflamatório crônico diretamente.

CAUSAS: persistência do estímulo causador de inflamação aguda – causada por agentes como
Micobacterium sp, Treponema Pallidum e fungos (há uma persistência do agente lesivo por incapacidade do
organismo de eliminá-lo); interferência no processo normal de cicatrização; ataques repetidos de inflamação
aguda; resposta de baixo grau ao estímulo agressor; auto-imunidade.

MORFOLOGIA DA INFLAMAÇÃO CRÔNICA: haverá a presença de linfócitos e macrófagos, a


proliferação de fibroblastos e pequenos vasos sanguíneos, aumento do tecido conjuntivo (processo de fibrose
do tecido lesado), e destruição tecidual e/ou deformidades.

CÉLULAS DE DEFESA CARACTERÍSTICAS: agranulócitos.

Macrófagos: originados dos monócitos, essas células mononucleares são os "fagócitos profissionais", tendo
ação sobre ampla variedade de antígenos. Observados mais comumente em estágios de cronicidade e
granulomas. Liberam fatores pró-fibrogênicos (fatores de crescimento, como o fator de crescimento derivado
de plaquetas, citocinas e fatores angiogênicos). Haverá uma indução para o fibrosamento da região lesada.

Linfócitos e plasmócitos: migram mais lentamente que os neutrófilos para o foco inflamatório, tendo ação
coadjuvante nas atividades macrofágicas. Reconhecem antígenos e desenvolvem respostas para eliminá-los,
principalmente em quadros inflamatórios crônicos e granulomatosos.

INFLAMAÇÃO CRÔNICA GRANULOMATOSA: a característica principal é a presença de granulomas.


Algumas doenças cursam com granulomas, como tuberculose, hanseníase, sífilis, esquistossomose, e silicose.

Granuloma: [ler o tópico Granuloma em Necrose Caseosa para informações iniciais da estrutura do
granuloma] são compostos principalmente por células epitelioides, células gigantes e linfócitos.
 Componentes:
 Células epiteloides: macrófagos diferenciados em células pavimentosas. É a principal célula
do granuloma, circundando o agente nocivo de forma concêntrica. Possuem menor
capacidade fagocitária e maior capacidade de secreção extracelular.
 Células gigantes: também derivam dos macrófagos. São células volumosas e multinucleadas,
com núcleos numerosos e centrais (se for um granuloma do tipo corpo estranho) ou núcleos
dispostos na periferia (células do tipo Langhans). Possuem baixa atividade fagocitária.
 Linfócitos: coordenam a diferenciação dos macrófagos. Ocupam a periferia do granuloma em
forma de halo e podem ser acompanhados de plasmócitos. Além disso, podem estar ausentes
no granuloma do tipo corpo estranho. Como este tipo não induz resposta imunológica, não há
presença significativa de linfócitos.
 Necrose caseosa (em casos de tuberculose).
 Neutrófilos: aparecem geralmente em inflamações causadas por fungos (em casos de
paracoccidioidomicose).
 Eosfinófilos: aparecem geralmente em inflamações causadas por parasitas (em casos de
esquistossomose).

 Tipos de granuloma:
 Granuloma do tipo corpo estranho: é resposta a agentes flogógenos não-imunogênicos
(partícula estranha que não ativa o sistema imunológico). O tratamento é a remoção do corpo
estranho.
 Imunogranulomas: resposta a agentes flogógenos imunogênicos que induzem resposta
adaptativa do tipo celular com formação de granulomas.

 Patogênese: no caso do imunogranuloma:


 Bactérias resistentes à defesa inata se multiplicam;
 Apresentação de antígenos aos linfócitos através do complexo de histocompatibilidade
principal (HLA);
 Linfócitos T CD4 (eles não reconhecem antígenos – precisam ser apresentados aos antígenos
por outras células, como os macrófagos) ativados produzem citocinas (IL-2 e INF) que
estimulam monócitos, outros linfócitos, eosinófilos e basófilos;
 Transformação de macrófagos em células epitelióides e células gigantes;
 Exemplo clássico: granuloma da tuberculose (necrose caseosa central).

CONSEQUÊNCIAS DA INFLAMAÇÃO EXAGERADA OU DEFEITUOSA: causa aumento na


suscetibilidade a infecções e uma demora na cura das feridas e lesões tissulares. Excesso de inflamação é a
base de muitas categorias de doenças, como: alergia, auto-imunes, câncer, aterosclerose, doença cardíaca
isquêmica, Alzheimer.
PATOLOGIA GERAL

INFLAMAÇÃO AGUDA II

MECANISMOS DE EXTRAVASAMENTO VASCULAR:


Contração das células endoteliais: resulta em espaços interendoteliais aumentados; mediada por histamina,
bradicinina, leucotrienos, óxido nítrico e outras substâncias. Esse mecanismo é rápido e curto.

Injúria endotelial: ocorre em injúrias graves (mas também pode ser mediada por leucócitos). É uma resposta
rápida e de duração maior.

Transcitose: transporte aumentado de fluidos e proteínas através das células endoteliais. Fatores, como o
VEGF (fator de crescimento endotelial vascular), estimulam esse processo.

RECRUTAMENTO DOS LEUCÓCITOS:


Adesão ao endotélio: medida pelas moléculas de adesão cuja expressão está aumentada pelas citocinas. As
moléculas de adesão E-selectina e P-selectina se encontram no endotélio, enquanto nos leucócitos há a L-
selectina. Compostos como histamina, trombina e PAF (fator ativador de plaquetas) também estimulam a
expressão dessas moléculas. A firme adesão é mediada por integrinas.

Quimiotaxia: locomoção originada ao longo de um gradiente químico, tanto por substâncias exógenas quanto
por endógenas. Dentre as endógenas, tem-se: citocinas (principalmente quimiocinas), sistema complemento e
metabólicos do ácido araquidônico (especialmente leucotrienos).
Sinais iniciados com a ligação entre agente quimiotático e receptor induzem a polimerização da actina,
resultando em quantidades aumentadas de actina polimerizada na direção a borda da célula. O leucócito se
move pela extensão do filopódio que puxa a parte de trás da célula na direção da extensão.

RECONHECIMENTO DOS MICRORGANISMOS E TECIDOS MORTOS:


Reconhecimento:
 Receptores para produtos microbianos: receptores TLRs (Toll-like); induzem a produção de
mediadores, como citocinas – o resultado funcional é a amplificação da resposta inflamatória.

 Receptores acoplados a proteína G: estão envolvidos na quimiotaxia e adesão ao endotélio por


mudanças no citoesqueleto, além da produção de substâncias microbicidas.

 Receptores para opsoninas: o processo de revestimento de uma partícula para ser alvo de fagocitose é
chamado de opsonização – realizada pelas opsoninas (como anticorpos e proteínas do complemento).
A eficiência da fagocitose é aumentada quando os micróbios são opsonizados.

 Receptores para citocinas: relacionados com o estímulo para a produção de espécies reativas de
oxigênio, que irão atuar na degradação dos microrganismos fagocitados.

Remoção por fagocitose: a fagocitose de partículas envolve o reconhecimento e a ligação a receptores na


membrana do leucócito, englobamento e fusão dos lisossomos com os vacúolos fagocíticos. Isto é seguido
pela destruição das partículas ingeridas dentro dos fagolisossomas pelas enzimas lisossômicas e pelas espécies
reativas de oxigênio e nitrogênio. A morte microbiana é executada especialmente pelas espécies reativas de
oxigênio e de nitrogênio

TÉRMINO DA RESPOSTA INFLAMATÓRIA AGUDA: mediadores da inflamação possuem meias-vidas


curtas e são degradados pouco tempo após sua liberação; ativação de sinais de parada: liberação de lipoxinas
anti-inflamatórias, citocinas anti-inflamatórias e produção de mediadores lipídicos anti-inflamatórios.

OUTROS MEDIADORES DA INFLAMAÇÃO:


Metabólicos do ácido araquidônico: além das prostaglandinas (previamente comentadas), há também:
 Leucotrienos: sintetizados do AA a partir de lipoxigenases; possuem função de quimiotaxia,
vasoconstrição, broncoespamos e aumento da permeabilidade vascular (mais potentes que a
histamina).

 Lipoxinas: também sintetizadas do AA por enzimas lipoxigenases; têm ação inibidora da inflamação:
inibem o recrutamento de leucócitos e os componentes celulares da inflamação.

Fator ativador de plaquetas (PAF): derivado de fosfolipídio; estimula a agregação plaquetária, causa
vasoconstrição e broncoconstrição (em níveis muito baixos, induz vasodilatação). Também causa o aumento
da adesão de leucócitos ao endotélio, quimiotaxia, desgranulação e a explosão oxidativa.

Espécies reativas de oxigênio (ERO): a liberação de baixos níveis desses mediadores pode aumentar a
expressão de quimiocinas, citocinas e moléculas de adesão de leucócito endoteliais.

Óxido nítrico: causa vasodilatação por relaxamento da musculatura lisa vascular; por ter uma meia-vida
muito curta, tem uma ação limitada a locais próximos de sua produção. Também pode ser um inibidor do
componente celular das respostas inflamatórias (possivelmente como um mecanismo regulatório): reduz a
agregação e adesão plaquetárias e inibe o recrutamento de leucócitos, por exemplo.

INFLAMAÇÃO CRÔNICA II

PARTICIPAÇÃO DOS MACRÓFAGOS: os monócitos irão se diferenciar em macrófagos após o


extravasamento (exsudação celular) para o tecido lesionado, processo estimulado, dentre alguns fatores, por
substâncias secretadas pelos linfócitos T.
Os produtos dos macrófagos ativados servem para eliminar o agente injuriante e iniciar o processo de reparo,
e são responsáveis por grande parte da injúria tecidual na inflamação crônica. O acúmulo dessas células e
persistência do processo inflamatório (quadro de inflamação crônica) poderá acarretar em um fibrosamento da
região lesionada, uma vez que os macrófagos estimulam a deposição e remodelamento da MEC através de
algumas substâncias, como fatores de crescimento (como: PDGF – fator de crescimento derivado de
plaquetas; FGF – fator de crescimento dos fibroblastos; TGF- β – fator de crescimento transformador- β).

PARTICIPAÇÃO DOS LINFÓCITOS: os macrófagos expõem antígenos a linfócitos T e produzem


moléculas de membrana (coestimuladores) e citocinas (como a interleucina-2) que estimulam as
respostas da célula T. As células T ativadas produzem citocinas que recrutam os macrófagos e outras
que ativam os macrófagos (como o interferon-γ).

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