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O que é cultura?

Semana 1
Texto base 3

A transversalidade
da cultura
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O que é cultura?

A transversalidade da cultura

Ao lado das dimensões simbólica, cidadã e econômica de cultura já mencionadas, há


que se levar em conta as diversas transversalidades com que a cultura se apresenta nos
dias de hoje: com o meio ambiente, a educação, a tecnologia e tantas outras. Não se pode,
por exemplo, deixar de lado as profundas mudanças culturais trazidas pelos acelerados
avanços tecnológicos das últimas décadas. Do telefone único e coletivo nas salas de estar
aos smartphones; do disco na vitrola à escuta seletiva de músicas “baixadas” da rede e ouvidas
em dispositivos portáteis; dos rádios e jornais para os blogs e as redes sociais; do telex
ao acompanhamento ao vivo e a cores da queda das torres gêmeas norte-americanas; das
reuniões presenciais aos “encontros” pelo Skype, os comportamentos, práticas e valores
contemporâneos refletem mutações que são, acima de tudo, culturais. É importante observar
que, nos exemplos citados, a tecnologia fornece a infraestrutura para a consolidação de
novos modos de vida – estamos, portanto, falando de cultura, como vimos ao longo deste
texto.

Outra importante transversalidade da cultura se dá com as temáticas do desenvolvimento


e da sustentabilidade. No ano 2000, o pesquisador australiano John Hawkes lançou o estudo
O quarto pilar da sustentabilidade: o papel essencial da cultura no planejamento público. Desde
então, a questão vem sendo discutida em inúmeros fóruns internacionais – afinal, as mudanças
climáticas e os desafios ambientais se relacionam diretamente com mudanças profundas na
vida das pessoas e das sociedades. Nessa perspectiva, a cultura vem sendo incorporada ao
conhecido tripé da sustentabilidade (econômico/social/ambiental), como instrumento de
reflexão sobre o passado e de planejamento do futuro: o empreendimento sustentável passa
a ser aquele que é ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo, mas
que também incorpora uma visão contemporânea sobre cultura e diversidade cultural. A
Conferência RIO+20, realizada em 2012 no Rio de Janeiro, incluiu uma agenda voltada
especificamente

Em 2004, a Agenda 21 da cultura foi aprovada no primeiro Fórum Universal das Culturas, por
cidades e governos locais comprometidos com os direitos humanos, a diversidade cultural, a
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sustentabilidade, a democracia participativa e a criação de condições para a paz. O documento


foi, em seguida, adotado pela organização mundial Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU)
como referência para seus programas em cultura e eixo de articulação das cidades, governos
locais e redes que colocam a cultura no centro de seus processos de desenvolvimento.

Como vimos até aqui, o conceito de cultura é bastante complexo, como também são os
desafios apresentados ao gestor cultural no século XXI. É sobre eles que procuraremos refletir
ao longo deste curso.