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Administração de

MEDICAMENTOS
5 certos
para segurança de seu paciente

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Administração de
MEDICAMENTOS
5 certos
para segurança de seu paciente

2a edição
revista e ampliada

Organizadoras: Aline Laurenti Cheregatti


Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

Autores: Ana Paula Miranda Barreto


Fabiano Rodrigues dos Santos
Madalena Monterisi Nunes
Rodrigo Sala Jeronimo

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E XP ED I E N TE

P res i den te e edi tor Italo A m adio


D i reto ra edi to ri a l Katia F. Am adio
Edi to ra-as s i s ten te A n a P au la Ribeiro
A s s i s ten te edi to ri al A lin e N aom i Sas s aki
L ei tu ra crí ti c a Jan aín a H aide Rodrigu es Belem
Preparaçã o Geis a Math ias de Oliv eira
Ren ata Gon çalv es
Revi s ã o Ros a San ch es
C élia Aparecida da Silv a
L u cian a C h agas
Marcela Vaz
P ro j eto g ráf i c o Sergio A . P ereira
D i ag ram açã o P rojeto e Im agem
P ro du ção g ráf i c a H élio Ram os
P es qu i s a i co n o g ráf i ca Jaqu elin e Spezia
L u iz Fer n an do Botter

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Administração de medicamentos – 5 certos para segurança de seu


paciente / organizadoras Aline Laurenti Cheregatti, Rosangela
Aparecida Sala Jeronimo. – 2. ed. – São Paulo : Rideel, 2010.

Vários autores.

1. Enfermagem – Práticas 2. Medicamentos – Administração


I. Cheregatti, Aline Laurenti. II. Jeronimo, Rosangela Aparecida Sala.

10-05313 CDD- 615.6


NLM- WB 340

Índice para catálogo sistemático:


1. Medicamentos: Administração: Terapêutica 615.6

ISBN 978-85-339-1611-1

2 a edição
2 impressão
a

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total ou parcial, sem prévia permissão por escrito do editor.

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0611

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PREFÁCIO

Em setembro de 2008 foi divulgada uma pesquisa realizada pela


Fundação Oswaldo Cruz, sob a responsabilidade de Walter Mendes, em
que foram apresentados dados relativos à segurança do paciente. Entre
esses, Walter cita os erros de medicação, que totalizam 5,7% das prescrições
analisadas em 1.103 prontuários de pacientes internados em hospitais
universitários no Rio de Janeiro. Esses dados são alarmantes, visto que
muitas falhas poderiam ser evitadas.
O processo para a administração de medicamentos envolve várias
etapas, entre elas, a prescrição médica, a dispensa do medicamento pela
farmácia, a diluição, o cálculo e a administração de medicamentos realiza-
dos pela equipe de enfermagem. Em todas essas etapas, há a possibilidade
de falhas.
Em um processo tão amplo e complexo, a enfermagem tem partici-
pação fundamental. Os erros de medicação podem causar eventos adversos
ao paciente, e a equipe de enfermagem necessita ter conhecimento sobre
todo o processo para contribuir com a minimização das falhas, cuja meta
deverá ser “erro zero”.
Foi idealizando essa meta que os autores criaram esta obra. Com ela,
os profissionais e alunos da área de enfermagem têm a oportunidade de
adquirir conhecimentos de maneira clara e objetiva. O livro traz informa-
ções sobre as principais vias de administração, cálculos de medicamentos e
medidas de segurança, que deverão ser adotadas pelos executores.
As organizadoras

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SUMÁRIO

PARTE I – A SEGURANÇA NA PRÁTICA DE ADMINISTRAÇÃO


DE MEDICAMENTOS .........................................................11

CAPÍTULO 1 – ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS ........................................ 13

CAPÍTULO 2 – MEDIDAS INTERNACIONAIS DE SEGURANÇA ............ 19


Identificar os pacientes corretamente .................................................................... 22
Melhorar a comunicação efetiva ............................................................................ 23
Melhorar a segurança de medicamentos de alta vigilância .................................. 24
Aprazamento de medicamentos ............................................................................. 25
5 Certos .................................................................................................................... 27

CAPÍTULO 3 – FARMACOLOGIA GERAL ............................................... 31


Princípios básicos .................................................................................................... 32
Formas de apresentação dos medicamentos ......................................................... 39

CAPÍTULO 4 – CLASSIFICAÇÃO DE MEDICAMENTOS ..........................47


Medicamentos vasopressores .................................................................................. 47
Medicamentos inotrópicos ...................................................................................... 48
Medicamentos vasodilatadores ............................................................................... 49
Medicamentos anticoagulantes .............................................................................. 50
Insulinas ................................................................................................................... 53
Medicamentos analgésicos e antipiréticos ............................................................. 56
Medicamentos analgésicos potentes ...................................................................... 57
Medicamentos antiácidos ....................................................................................... 60
Medicamentos antiarrítmicos ................................................................................. 62
Medicamentos anticonvulsivantes .......................................................................... 67
Medicamentos antieméticos ................................................................................... 71
Medicamentos antifúngicos .................................................................................... 72
Medicamentos anti-hipertensivos........................................................................... 72
Medicamentos anti-histamínicos ............................................................................ 74
Medicamentos broncodilatadores .......................................................................... 75
Medicamentos corticoides....................................................................................... 76
Medicamentos glicocorticoides – Anti-inflamatórios esteroides ........................... 78
Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides .................................................. 79
Medicamentos anti-inflamatórios COXIBs .............................................................. 82
Medicamentos diuréticos ........................................................................................ 83

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Administração de Medicamentos
Medicamentos trombolíticos .................................................................................. 84
Medicamentos sedativos ......................................................................................... 84
Medicamentos antibióticos ..................................................................................... 87
Medicamentos psiquiátricos ................................................................................... 97
Medicamentos anticolinérgicos ............................................................................ 108

CAPÍTULO 5 – VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE MEDICAMENTOS ...... 111


Regras gerais .......................................................................................................... 111
Vias de administração ........................................................................................... 113

CAPÍTULO 6 – VIAS ESPECÍFICAS PARA INFUSÃO DE


MEDICAMENTOS ........................................................ 145
Administração por via epidural (peridural) .......................................................... 146
Administração por via intrapleural ....................................................................... 151
Administração por via intraperitoneal ................................................................. 154
Administração por via intra-articular ................................................................... 162
Administração por via intraóssea.......................................................................... 164

CAPÍTULO 7 – PREPARO DA MEDICAÇÃO ..........................................171


Segurança para administração dos medicamentos ............................................. 171

CAPÍTULO 8 – PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES DA TERAPIA


MEDICAMENTOSA ........................................................179
Via oral e gástrica .................................................................................................. 179
Via intramuscular (IM) ........................................................................................... 181
Complicações da terapia endovenosa (EV) ........................................................... 182
Via subcutânea (SC) ............................................................................................... 187

PARTE II – CÁLCULO DE MEDICAMENTOS ..................................... 189


CAPÍTULO 9 – A MATEMÁTICA E A ENFERMAGEM ........................... 191
Números decimais ................................................................................................ 192
Multiplicação de números por 10; 100; 1.000...................................................... 193
Divisão de números por 10; 100; 1.000 ................................................................ 194
Regra de três simples............................................................................................. 196
Unidades de medida ............................................................................................ 196
Porcentagem (%) ................................................................................................... 197
Exercícios ................................................................................................................ 198
Gabarito ................................................................................................................. 199
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Sumário

CAPÍTULO 10 – INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS ........................... 201


Interação farmacêutica (ou incompatibilidade) ................................................... 202
Interação farmacocinética..................................................................................... 202
Interação farmacodinâmica .................................................................................. 204
Administração oral ................................................................................................ 207
Interações de drogas que produzem alterações nas propriedades
químicas do conteúdo da luz intestinal .......................................................... 208
Cuidados de enfermagem para evitar as interações medicamentosas ............... 231

CAPÍTULO 11 – DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS –


DOSE UNITÁRIA ......................................................... 233
Sistema coletivo ..................................................................................................... 233
Sistema individualizado ....................................................................................... 234
Sistema misto......................................................................................................... 235
Sistema por dose unitária ..................................................................................... 235
Sistema de dispensão de medicamentos em dose unitária................................. 235

CAPÍTULO 12 – INFUSÃO DE SOLUÇÕES INTRAVENOSAS .............. 241


Cateteres agulhados............................................................................................... 241
Cateter sobre agulha.............................................................................................. 242
Cateteres de linha média....................................................................................... 242
Cateter periférico de duplo lúmen ....................................................................... 242
Cateteres venosos centrais..................................................................................... 243
Equipo macrogotas ................................................................................................ 244
Equipo microgotas ................................................................................................. 244
Equipo fotossensível .............................................................................................. 245
Equipo com câmara graduada .............................................................................. 245
Outros equipos....................................................................................................... 246
Infusão gravitacional ............................................................................................. 247
Infusão por bomba ................................................................................................ 248

CAPÍTULO 13 – INTERAÇÃO DE MEDICAMENTOS – NUTRIENTES .. 257


Definição ................................................................................................................ 258
Fatores de influência ............................................................................................. 259
Fase de ingestão .................................................................................................... 261
Fase de absorção ................................................................................................... 261
Fase de metabolismo ............................................................................................ 263
Pacientes em uso de nutrição enteral .................................................................. 264
Pacientes em uso de nutrição parenteral ............................................................. 268

CAPÍTULO 14 – CÁLCULOS DE MEDICAMENTOS ............................. 273


Gotejamento de soluções em gotas ...................................................................... 273
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Administração de Medicamentos
Gotejamento de soluções em microgotas............................................................. 275
Cálculo de dosagem de medicamentos ............................................................... 277

CAPÍTULO 15 – EXERCÍCIOS DE CÁLCULOS DE MEDICAMENTOS .... 287


Gabarito com resolução......................................................................................... 290

BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 301

CRÉDITOS DAS FIGURAS ..................................................................... 303

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Parte I
A SEGURANÇA NA PRÁTICA DE ADMINISTRAÇÃO
DE MEDICAMENTOS

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CAPÍTULO 1

ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS


Madalena Monterisi Nunes

“Pratique duas coisas ao lidar com as doenças: auxilie


e não prejudique o paciente.”
Hipócrates (430 a.C.)

Ética é definida pelo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001)


como

parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que


motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento hu-
mano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas,
valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade
social.

A Enfermagem pode ser definida como a ciência do cuidar, em que os


profissionais, utilizando conhecimento técnico-científico, prestam assistên-
cia ao indivíduo, nas suas necessidades biológicas, psicológicas e espiritu-
ais, e à comunidade onde ele esteja inserido. Compete também à Enferma-
gem a participação na educação dos pacientes e da comunidade, visando à
promoção da saúde.
Os profissionais da área da saúde e a equipe de enfermagem podem
vivenciar no dia a dia, conflitos de natureza ética, como eutanásia, escolha
por tratamentos alternativos, injustiça social, recusa de tratamento e doa-
ção de órgãos, fazendo-os refletir sobre seus valores pessoais, que, inúme-
ras vezes, não correspondem às escolhas dos pacientes.
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Administração de Medicamentos
A Resolução nº 311/2007 do Conselho Federal de Enfermagem
– Cofen – aprovou a reformulação do Código de Ética dos Profissionais de
Enfermagem, no qual constam os princípios, direitos, responsabilidades,
deveres e proibições pertinentes à conduta ética.
Segundo a legislação do Cofen, que aprova o exercício profissional de
enfermagem,

[...] o profissional de enfermagem participa, como integrante da


equipe de saúde, das ações que visam satisfazer as necessidades de
saúde da população e da defesa dos princípios das políticas públicas
de saúde e ambientais, que garantam a universalidade de acesso aos
serviços de saúde, integralidade da assistência, resolutividade, pre-
servação da autonomia das pessoas, participação da comunidade,
hierarquização e descentralização político-administrativa dos servi-
ços de saúde.

O profissional de enfermagem respeita a vida, a dignidade e os direi-


tos humanos, em todas as suas dimensões.

Entre as atividades desenvolvidas cotidianamente na enfermagem,


a administração de medicamentos é a mais realizada. Sua execução en-
volve aspectos legais e éticos, além da responsabilidade do profissional de
enfermagem.
No Brasil, essa atividade é realizada, na maioria das instituições de saú-
de, por técnicos e auxiliares de enfermagem sob a supervisão do enfermeiro.
O processo “administração de medicamentos” envolve várias etapas:
compreensão da prescrição médica, conferência do fármaco, cálculo de do-
sagem, preparo da medicação, administração do medicamento, entre ou-
tras. Em quaisquer dessas etapas podem ocorrer falhas, que podem ou não
causar danos ao paciente.
Dentre os artigos da referida resolução, pertinentes às responsabilida-
des e aos deveres, pode-se citar:

Art. 12 Assegurar à pessoa, família e coletividade assistência de en-


fermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência ou
imprudência.
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Aspectos Éticos e Legais

Art. 13 Avaliar criteriosamente sua competência técnica, científica,


ética e legal e somente aceitar encargos ou atribuições, quando ca-
paz de desempenho seguro para si e para outrem.

Art. 14 Aprimorar os conhecimentos técnicos, científicos, éticos e


culturais, em benefício da pessoa, família e coletividade e do desen-
volvimento da profissão.

Art. 17 Prestar adequadas informações à pessoa, família e coletivi-


dade a respeito dos direitos, riscos, benefícios e intercorrências acer-
ca da assistência de enfermagem.

Na seção Proibições, os artigos que envolvem a adminis-


tração de medicamentos são:

Art. 30 Administrar medicamentos sem conhecer a ação da droga e


sem certificar-se da possibilidade de riscos.

Art. 31* Prescrever medicamentos e praticar ato cirúrgico, exceto nos


casos previstos na legislação vigente e em situação de emergência.

Art. 32 Executar prescrições de qualquer natureza, que comprome-


tam a segurança da pessoa.

O Decreto no 94.406/1987, que regulamenta o exercício


profissional da enfermagem, em seus artigos 10, 11 e 13,
determina:

Art. 10 O Técnico de Enfermagem exerce as atividades auxilia-


res, de nível médio técnico, atribuídas à equipe de Enfermagem,
cabendo-lhe:
I – assistir ao enfermeiro:
[...]
b) na prestação de cuidados diretos de enfermagem a pacientes em
estado grave;
[...]

Art. 11 O auxiliar de enfermagem executa as atividades auxiliares,


de nível médio atribuídas à equipe de enfermagem, cabendo-lhe:

* O artigo 31 faz referência apenas ao profissional enfermeiro.


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Administração de Medicamentos
[...]
III – executar tratamentos especificamente prescritos, ou de rotina,
além de outras atividades de enfermagem, tais como:
a) ministrar medicamentos por via oral e parenteral;
[...]
Art. 13 As atividades relacionadas nos arts. 10 e 11 somente poderão
ser exercidas sob supervisão, orientação e direção de enfermeiro.

O profissional de enfermagem, independentemente do seu nível de


atuação, deve ter conhecimento teórico e prático dos procedimentos por
ele executados. A administração de medicamentos não fica fora dessa ne-
cessidade, uma vez que, para sua execução, são necessários conhecimentos
abrangentes, como: fisiologia, anatomia, farmacologia, matemática e as
técnicas de enfermagem, propriamente ditas.
No processo ético de cuidar, três acepções precisam ser definidas:
Imprudência: realizar uma ação sem o cuidado necessário. É uma
atuação precipitada, insensata ou impulsiva.
Imperícia: realizar um ato incompetente por falta de habilidade téc-
nica; desconhecimento técnico; falta de conhecimento no exercício de sua
profissão.
Negligência: falta de dirigência incluindo desleixo, preguiça, indo-
lência e descuido, podendo resultar da falta de observação dos deveres que
as condutas exigem, caracterizando-se por inércia, inação, desatenção, pas-
sividade, sendo sempre de caráter omisso.
As instituições de saúde, preocupadas com a qualidade da assistência
e melhoria contínua, procuram atuar sobre essas falhas e adotam as se-
guintes definições, conforme o Manual de Acreditação Hospitalar fornecido
pela Joint Commission International, versão 2008:
Erro de medicação: qualquer evento evitável que possa levar a um
uso inadequado de um medicamento ou que ponha em risco a segurança
do paciente.
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Aspectos Éticos e Legais

Evento adverso: ocorrência imprevista, indesejável ou potencial-


mente perigosa na instituição de saúde.
Evento sentinela: ocorrência inesperada que implique morte ou
perda grave e permanente de função.
Alguns exemplos de situações que podem ocorrer durante a presta-
ção de assistência que se enquadram nos critérios descritos são:
• Erro no cálculo de dosagem de medicamento.
• Erro na diluição de medicamentos.
• Medicamentos administrados em horários não prescritos.
• Medicamentos não administrados.
• Troca de medicamento por outro com nome semelhante.
• Medicamento administrado por via incorreta.
• Aprazamento errado do medicamento.
• Exposição corpórea do paciente durante o ato de administrar
medicamento.
• Exposição do paciente aos riscos de infecção e lesões decor-
rentes de erros de diluição e de técnica na administração de
medicamento.
Para o profissional cumprir as exigências do Código de Ética dos Pro-
fissionais de Enfermagem e do Decreto no 94.406/1987 é necessário ter co-
nhecimento de sua área de atuação, bem como manter-se atualizado sobre
novos medicamentos e técnicas introduzidas no mercado.
O processo de administração de medicamentos envolve vários pro-
fissionais da área de saúde, entre eles: médicos, enfermeiros, técnicos e
auxiliares de enfermagem, além dos farmacêuticos. Na ocorrência de um
erro de ação ou omissão, que leve a um prejuízo moral ou físico, o paciente
ou familiar pode acionar juridicamente o profissional e a instituição.
A conscientização por parte dos profissionais para que a sua atua-
ção seja baseada em saberes técnicos, científicos, culturais, morais e éti-
cos pode consolidar a prática de melhoria contínua e, consequentemen-
te, minimizar as falhas que envolvem a administração de medicamentos.
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CAPÍTULO 2

MEDIDAS INTERNACIONAIS DE
SEGURANÇA
Madalena Monterisi Nunes

Florence Nightingale escreveu, em 1863, Primium


non nocere, que em português significa: “Primeira-
mente, não cause danos”. Essa frase traduz a preo-
cupação, já naquela época, com a segurança do
paciente.

Há séculos, medicamentos são utilizados para o alívio de sintomas e


o tratamento de doenças. Apesar do desenvolvimento tecnológico e cientí-
fico, erros envolvendo medicamentos ainda são frequentes. Uma pesquisa
desenvolvida por Melo e Pedreira, em 2005, demonstrou que 21,1% dos
fármacos prescritos apresentam erros de dosagem ou diluição. Esse estu-
do foi realizado em um hospital universitário, por meio da observação em
prontuários de crianças. As falhas vão desde o não recebimento do medica-
mento até lesões e mortes decorrentes da administração de fármacos.

Vários fatores têm colaborado para essa estatística, entre eles:

• Diversidade de medicamentos disponíveis para uso.


• Desconhecimento de posologia.
• Desconhecimento de interação medicamentosa.
• Desconhecimento de técnicas de administração.
• Ilegibilidade das prescrições médicas.
• Inexperiência dos profissionais de enfermagem.
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Administração de Medicamentos
• Negligência por parte dos profissionais da área da saúde.
• Desatualização de avanços tecnológicos.
• Desconhecimento do manuseio de equipamentos.

Como pode-se observar por meio dessa pesquisa, muitos erros de me-
dicamentos podem ser evitados, com medidas relativamente simples por
parte dos profissionais envolvidos. Entre elas, estão:

• Prescrição médica legível.


• Aprazamento dos medicamentos não ser tão concentrado
em determinados horários.
• Constante atualização do profissional de enfermagem.
• Alteração de rótulos e nomes semelhantes para medicamen-
tos distintos.

Na Tabela 2.1 apresenta-se uma lista de falhas apuradas em um estu-


do de Carvalho & Cassiani (2000).
Tabela 2.1 – Erros de medicação (2000)

Frequência de erros de medicação observados

Falha na execução da técnica. 15%


Falha na identificação do paciente. 10%
Medicamentos com rótulo e embalagem semelhantes. 4%
Medicamento enviado pela farmácia com apresentação errada. 1%
Prescrição médica ilegível. 2%
Cálculo errado do padrão de infusão intravascular. 2%
Conhecimento deficiente por parte dos profissionais de enfermagem. 4%
Muitos medicamentos no mesmo horário. 2%
Atraso no horário de envio do medicamento para a enfermagem. 6%
Outras causas. 10%
Total 56%
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Medidas Internacionais de Segurança

Fonte: Carvalho & Cassiani, 2000.

Outro estudo, publicado quatro anos após o apresentado na Tabela


2.1, apresenta manutenção e elevação no percentual de erros de medica-
mento. Com isso fica evidente que as medidas tomadas pelas instituições
e profissionais não estão adequadas para atingir a redução desses índices.

Tabela 2.2 – Erros de medicação (2004)

Frequência de erros de medicação observados

Omissão de itens de identificação do paciente. 22%


Interação medicamentosa potencialmente perigosa. 15%
Overdose. 7%
Prescrição ambígua ou confusa. 6%
Prescrição ilegível. 3%
Omissão da via de administração. 3%
Alergia documentada ao medicamento. 1%
Concentração errada. 1%
Paciente errado. 1%
Uso de abreviações e nomenclaturas não padronizadas. 3%
Outros. 30%
Fonte: Néri, 2004.

Um estudo norte-americano conhecido mundialmente (Institute of


Medicine, 2000) demonstrou que 98 mil pessoas sofrem anualmente lesões
decorrentes ou causadas por erros de enfermagem ou de administração de
medicamentos que podem levar à morte. Esse estudo foi baseado em pes-
quisas feitas em vários hospitais dos Estados Unidos.
Uma campanha mundial criada pelo Institute for Healthcare Impro-
vement e lançada em 2006 está em andamento, com o objetivo de proteger
pacientes de incidentes e danos causados na assistência à saúde.
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Administração de Medicamentos
Essa iniciativa, conhecida como 5 Million Lives, é voluntária e voltada
para instituições, cujo foco é a segurança do paciente. No Brasil, vários hos-
pitais aderiram à essa campanha.
O processo de acreditação, certificado pela Joint Commission Inter-
national, define seis metas denominadas “Metas internacionais de segu-
rança do paciente” (apresentadas no Quadro 2.1), com o propósito de
promover melhorias em aspectos específicos do cuidado e da segurança
do paciente. As instituições que não forem certificadas pela Joint Com-
mission International podem seguí-las e adotá-las, com a finalidade de
ampliar e garantir a segurança do paciente.

Quadro 2.1 – Metas internacionais de segurança do paciente

Identificar corretamente o paciente.


Melhorar a comunicação efetiva.
Melhorar a segurança de medicamentos de alta vigilância.
Assegurar cirurgias com local de intervenção correto, procedimento correto e
paciente correto.
Reduzir o risco de infecções associadas aos cuidados de saúde.
Reduzir o risco de lesões ao paciente, decorrentes de quedas.
Fonte: Manual Joint Commission International, 2008.

Neste capítulo, abordaremos as metas que envolvem os medicamentos.

Identificar os pacientes corretamente

A identificação correta do paciente é fundamental para evitar falhas


relacionadas a todos os processos, desde o diagnóstico até o tratamento
proposto. Algumas situações podem possibilitar a ocorrência de troca de
pacientes e, consequentemente, erros de medicação, entre elas:
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Medidas Internacionais de Segurança

• Pacientes inconscientes por sedação.


• Pacientes desorientados em decorrência de alterações fisio-
lógicas.
• Troca de leito.
• Pacientes que apresentam barreiras de idioma (não enten-
dem o idioma do profissional).
• Pacientes com dificuldade para falar.
• Pacientes com diminuição da acuidade auditiva.
• Pacientes homônimos (comum no Brasil).

O fundamental é que o profissional garanta a correta identificação


do paciente antes de administrar medicamentos. A instituição de saúde
deverá ter rotinas específicas que assegurem a identificação do paciente e
a sua conferência pelos profissionais. Entre elas, podem ser citadas:
• Pulseiras com nome do paciente.
• Pulseiras com código de barras individual e uso de leitor
de códigos de barra pelos profissionais, antes da realização
de procedimentos.
• Pulseiras com identificação dos pacientes pelo nome e confe-
rência também do nome da mãe.
• Pulseiras de identificação com número de registro hospitalar.

Melhorar a comunicação efetiva


Neste caso, a instituição de saúde deve ter rotinas e normas para
que haja restrição de ordem verbal para a prescrição médica. A permissão
para prescrição verbal deverá ocorrer somente em situações que colo-
quem em risco a vida do paciente, como as situações de emergências ou
urgências.
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Administração de Medicamentos

Melhorar a segurança de medicamentos de


alta vigilância
Cada instituição de saúde deve criar rotinas para garantir o uso seguro
dos medicamentos. Medidas, como restrição de acesso para determinados
medicamentos e dupla checagem antes da administração, são exemplos de
rotinas que podem ser implantadas.
Um fator importante que pode ocorrer na administração de medicamen-
tos envolve a infusão não intencional de eletrólitos concentrados. São exemplos
de eletrólitos de uso frequente em instituições de saúde os citados a seguir.

Cloreto de potássio (KCl)

A intoxicação por cloreto de potássio pode ocasionar paralisia flácida


com parestesia e manutenção da consciência, arritmias cardíacas, bloqueio
atrioventricular, desaparecimento da onda P, alargamento do complexo
QRS, aparecimento da onda T apiculada. Concentração elevada de potássio
no sangue pode causar morte por depressão cardíaca; portanto, o eletrólito
deve ser diluído corretamente antes de ser administrado.

Cloreto de sódio (NaCl)

As soluções de cloreto de sódio são as que se assemelham à composi-


ção do líquido extracelular. Por isso, nos casos de infusão parenteral, ela é
amplamente distribuída pelo organismo, passando primeiro pelo coração,
fígado e rins. Altas doses podem resultar em edema e efeitos adversos, prin-
cipalmente em pacientes com histórico de insuficiência renal.

Fosfato de potássio (KMgPO4)

A solução com fosfato de potássio deve ser administrada exclusiva-


mente por via endovenosa. Em casos de administração por acesso venoso
24

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Medidas Internacionais de Segurança

periférico, a solução deverá ser diluída e transformada em isotônica ou hi-


potônica. Deve-se ter muita cautela em pacientes com uso de digitálicos e
histórico de insuficiência renal.
A instituição de saúde pode e deve determinar outros medicamen-
tos que considere de risco e que, portanto, devam ter vigilância quanto
à segurança de seu uso. São exemplos desses medicamentos, a insulina e
os psicotrópicos.

Aprazamento de medicamentos
O aprazamento de medicamentos pode ser definido como o ato de
colocar o horário no qual os medicamentos serão administrados pela equi-
pe de enfermagem. Para tanto, o profissional necessita ter conhecimentos
técnicos e científicos sobre os medicamentos e as patologias.
Algumas instituições de saúde adotam horários de administração de
medicamentos padronizados, porém, o profissional que realiza o apraza-
mento deve avaliar cada medicamento e alterar esse padrão, quando for
necessário. Diante dessas considerações, o ideal é que tal ato seja realizado
pelo enfermeiro, mas é importante lembrar que a responsalibidade é de
toda a equipe de enfermagem e, principalmente, daquele que administra
a medicação.
Exemplos de critérios e de falhas no aprazamento de medicamentos
são elencados nos Quadros 2.2 e 2.3.

Quadro 2.2 – Critérios para aprazamento de medicamentos


Critérios para aprazamento Exemplo de situação/prescrição
Não administrar medicamentos
Avaliar o estado geral do paciente.
por via oral, se o paciente estiver
inconsciente ou não conseguir
Farmacocinética.
deglutir.
Continua
25

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Administração de Medicamentos
Quadro 2.2 – Continuação
Critérios para aprazamento Exemplo de situação/prescrição
Horário de repouso do paciente. Evitar administrar medicamentos
durante a madrugada, exceto
Interação medicamentosa.
antibióticos ou prescrições que não
Normas da instituição. possam ser alteradas.
Proposta de tratamento, como Conhecer a interação
exames e cirurgias. medicamentosa que ocorre entre os
Horário de refeição do paciente. diversos medicamentos.

Quadro 2.3 – Falhas de aprazamento de medicamentos


Falhas no Exemplo de situação/
Comentários
aprazamento prescrição

Errado O aprazamento
Furosemida 20 mg IV 1x/dia deverá ser realizado
Aprazar diuréticos
às 22 horas. para o horário da
no horário
Certo manhã, para que o
noturno.
Furosemida 20 mg IV 1x/dia paciente descanse
às 10 horas. durante a noite.

Errado O aprazamento
Fluoxetina 20 mg VO 1x/dia deverá ser realizado
Aprazar
às 20 horas. para o horário da
antidepressivo no
Certo manhã, devido ao
horário noturno.
Fluoxetina 20 mg VO 1x/dia pico de ação do
às 8 horas. medicamento.

O horário da
Errado
Aprazar medicação deverá
Metaclopramida 10 mg IV
medicamentos ser colocado
às 14 horas S/N.
prescritos para somente quando o
Certo
administração se medicamento for
Metaclopramida 10 mg IV
necessário – S/N. administrado e após
S/N.
avaliação médica.
Continua
26

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Medidas Internacionais de Segurança

Quadro 2.3 – Continuação


Falhas no Exemplo de situação/
Comentários
aprazamento prescrição
Dipirona 1 amp. IV 6/6
Erro no horário do horas Horários corretos
aprazamento da 08 14 22 06
medicação. 08 14 20 02
Horários incorretos
IV: via intravenosa; VO: via oral; amp.: ampola.

5 Certos
Um dos métodos mais difundidos entre os profissionais da enferma-
gem, a fim de garantir a segurança do paciente na administração do medi-
camento, é conhecido como 5 Certos. Todo profissional, ao preparar uma
medicação, precisa atentar para as regras apresentadas no Quadro 2.4 e
seguir todas as fases ou etapas.
Quadro 2.4 – 5 Certos em medicação
Rotinas devem
Conferir o nome e os dados do ser determinadas
paciente, desde a dispensação do pela instituição
medicamento pela farmácia até o para garantir
momento da sua administração. a identificação
Paciente Certo
Exemplo: do paciente,
Confundir João José da Silva, leito principalmente
2 registro ABC com João José da nos casos em que
Silva, leito 8, registro JKL. haja barreiras de
comunicação.
O profissional deve conferir a Certificar que o
embalagem do medicamento com medicamento, que
a prescrição médica, evitando a foi separado pela
Medicamento administração de medicamentos farmácia ou solicitado
Certo com nomes semelhantes. pela enfermagem,
Exemplo: seja exatamente o
Confundir insulina regular com que foi prescrito pelo
insulina NPH. médico.
Continua
27

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Administração de Medicamentos
Quadro 2.4 – Continuação

A dosagem do medicamento
deve ser conferida na solicitação, A conferência
antes do preparo da medicação deve ser realizada
e antes da sua administração. tomando-se como
Dosagem Certa
Exemplo: referencial a dosagem
Fazer a correlação de gramas e considerada correta
miligramas: para o paciente.
1 g corresponde a 1.000 mg.
A via certa é definida pelas
características do medicamento e
condições clínicas do paciente. Deve-se conferir
se a apresentação
Via de Exemplo: do medicamento
Administração A utilização de abreviações pode corresponde com a
Certa confundir o profissional. via de administração
SC pode ser confundido com SL, prescrita pelo médico.
quando a prescrição é escrita
manualmente e não digitada.
O horário de administração segue
o aprazamento realizado pelo Atrasos ou
enfermeiro. adiantamentos
no horário da
Exemplo: administração de
Horário Certo Medicamentos prescritos para medicamentos
administração 1 vez ao dia podem provocar
podem ter o horário diferente a alterações no
cada dia, caso a instituição não tratamento do
possua rotina definindo o horário paciente.
padrão.

Quando ocorrer divergência entre a prescrição médica e a conferên-


cia realizada pelo profissional, deve-se esclarecê-la antes da administra-
ção do medicamento. Dependendo da dosagem e da via de administração
prescrita, a falha pode ocasionar complicações para o paciente, inclusive
a morte.
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Medidas Internacionais de Segurança

Como foi apresentado neste capítulo, evitar erros envolvendo medi-


camentos é algo que requer o comprometimento de todos os profissionais
envolvidos, inclusive das indústrias farmacêuticas.
As falhas devem ser relatadas, e medidas de correção e prevenção
precisam ser adotadas. Espera-se que os responsáveis orientem os profissio-
nais, através de uma postura educativa, e não punitiva, pois coerção pode
desencadear um comportamento de omissão e de não comprometimento.

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CAPÍTULO 3

FARMACOLOGIA GERAL
Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

O termo farmacologia é de origem grega – pharmakon – e apresenta


vários significados: substâncias de uso terapêutico, venenos, substâncias de
uso místico ou sobrenatural, entre outros. Já o termo droga tem sua origem
no holandês e significa folha seca (ervas), pois, até o início do século XX,
todos os medicamentos eram feitos utilizando-se plantas e demais produtos
de origem vegetal.
Os primeiros medicamentos produzidos por indústrias farmacêuticas,
utilizando substâncias sintéticas, estão registrados a partir de 1920. Uma
das primeiras drogas sintéticas registradas é a anfetamina, produzida a par-
tir de 1927, e indicada como vasoconstritor.
O estudo da farmacologia visa a proporcionar ao profissional conhe-
cimentos sobre como os agentes químicos e biológicos afetam os sistemas
biológicos dos seres vivos. A farmacologia é uma ciência e seu estudo pode
ser utilizado com finalidade:
• terapêutica: quando é destinada para a cura e/ou controle
de doenças e para o alívio de sintomas;
• preventiva: quando se destina à prevenção de doenças,
como é o caso das vacinas e da colocação de flúor na água
(fluoração); e
• diagnóstica: quando se utiliza contrastes em exames.

O profissional de enfermagem é figura fundamental no processo de


medicação de um paciente. Ele é responsável pelo preparo e administração
31

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Administração de Medicamentos
de medicamentos em pacientes internados em instituições de saúde e em
outros serviços, como ambulatórios, prontos-socorros, unidades básicas de
saúde, empresas (enfermagem do trabalho), atendimento domiciliar (home
care) etc. Todos os cuidados de enfermagem prestados a um paciente são
importantes; o ato de medicar pode ser considerado um dos que mais ofe-
recem riscos. Segundo artigo publicado na Revista de Saúde Pública, em
2009, com base em pesquisa abrangendo 4.026 prescrições médicas no ano
de 2001, observou-se que no total de 7.148 medicamentos de alto risco
prescritos foram registrados 3.177 erros, sendo mais frequente a omissão
de informação (86,5%).
Os aspectos legais que envolvem esse processo, assim como as res-
pectivas medidas de segurança, foram abordados nos capítulos anteriores.
Neste capítulo, serão esclarecidos conceitos que permeiam o processo me-
dicamentoso e estão diretamente ligados aos cuidados de enfermagem.

Princípios básicos
Ao administrar qualquer medicamento para um paciente, o profis-
sional da área da saúde, incluindo-se o de enfermagem, tem como objetivo
primordial alcançar os efeitos terapêuticos desejados provocando o mínimo
de efeitos colaterais. Para isso, é fundamental o conhecimento dos princí-
pios básicos que envolvem a farmacologia, a saber, a farmacocinética e a
farmacodinâmica, as quais podem ser assim definidas:
• Farmacocinética: é o ramo da farmacologia que estuda o
movimento do medicamento dentro do organismo nas fases
de absorção, distribuição, biotransformação e eliminação.
Descreve a ação do organismo sobre o medicamento.
• Farmacodinâmica: é o ramo da farmacologia que estuda o
local e o mecanismo de ação, e os efeitos do medicamento
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Farmacologia Geral

no organismo. Descreve a ação do medicamento sobre o or-


ganismo.

Com base nas definições anteriores, detalharemos alguns conceitos,


para melhor compreensão das ações e reações provocadas pelo uso dos
mais diversos medicamentos.

Absorção

Os medicamentos são administrados por diversas vias, fato que in-


fluencia sua absorção. A absorção é a passagem do fármaco do local onde
foi administrado para a corrente sanguínea. Essa etapa não acontece
quando o medicamento é diretamente administrado na circulação, como,
por exemplo, na via endovenosa. Os locais mais comuns onde ocorre a ab-
sorção são os músculos, a mucosa oral, a pele e o intestino.
Nos casos de medicamentos administrados por via oral, a absorção
ocorre no trato gastrointestinal e sofre influência de vários fatores, entre
eles: área disponível para absorção; fluxo sanguíneo regional; propriedades
físico-químicas dos medicamentos; concentração local do medicamento;
acidez gástrica; presença ou não de nutrientes no momento da adminis-
tração; alteração da função gastrointestinal (aumento da velocidade de es-
vaziamento gástrico, diarreia, constipação etc.); preparação do fármaco e
sua forma de apresentação (comprimidos, soluções etc.); concentração do
medicamento.
Nos medicamentos administrados por via sublingual, a absorção
ocorre na própria cavidade oral, através do sistema venoso bucal.
As vias de administração de medicamentos classificadas como pa-
renterais (principalmente a endovenosa, a intramuscular e a subcutânea)
apresentam certas peculiaridades quanto à absorção de medicamentos. No
caso da via endovenosa, o medicamento é administrado diretamente na
circulação sanguínea. Na via intramuscular, a absorção está relacionada ao
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Administração de Medicamentos
fluxo sanguíneo do local de aplicação e ao tipo de solução. Soluções que
utilizam água como base são absorvidas mais rapidamente que as soluções
oleosas. As características químicas dos fármacos também podem influen-
ciar a absorção por via intramuscular. Medicamentos administrados por via
subcutânea apresentam como característica a absorção lenta e contínua.
A absorção de medicamentos pela via transdérmica dependerá das
condições de integridade da pele. Tecidos lesionados promovem uma
absorção mais lenta que tecidos íntegros. A absorção também está rela-
cionada à extensão do local onde será aplicado o medicamento e o fluxo
sanguíneo na região.

Biodisponibilidade

Biodisponibilidade é definida como a fração do medicamento admi-


nistrado que atinge a circulação sistêmica. Nos casos de administração de
medicamentos por via endovenosa, a biodisponibilidade é 100%.
O percentual de biodisponibilidade de cada medicamento depende-
rá de vários fatores, entre eles, o grau e a velocidade de absorção desse
medicamento e a fração que é metabolizada pelo fígado (antes de atin-
gir a circulação). Alguns medicamentos apresentam um grande percentual
de absorção pelo intestino, mas a fração metabolizada também é grande,
proporcionando um pequeno percentual que atinge a circulação sistêmica.
Esse problema é solucionado nos casos em que o medicamento pode ser
administrado por via endovenosa. Por exemplo, o medicamento propra-
nolol, quando administrado por via endovenosa, tem dose padrão igual
a 5 mg, porém, quando administrado por via oral, sua dose varia de 40 a
80 mg, para atingir a mesma concentração de medicamento na circulação
sistêmica.
Problemas no fígado podem modificar a metabolização de um medi-
camento, alterando sua biodisponibilidade.
34

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Farmacologia Geral

Distribuição

A distribuição é definida como a passagem do medicamento da circu-


lação sanguínea para os diversos órgãos e tecidos.
Esse processo sofre influência de vários aspectos, entre eles:
• características físico-químicas do medicamento, como lipos-
solubilidade e grau de ionização;
• tamanho da molécula (complexo fármaco-proteína);
• pH local; e
• vascularização do tecido.

A distribuição pode ser dividida em duas fases. Na fase inicial, estão


envolvidos órgãos que apresentam alta perfusão e recebem a maior parte
do medicamento nos primeiros minutos. Esses órgãos são o coração, o fíga-
do, o trato gastrointestinal, os rins e o cérebro. Na segunda fase, os órgãos e
tecidos atingidos são os músculos, algumas vísceras, os tecidos com perfu-
são média e o tecido adiposo.
Outro fator importante relacionado à distribuição é a ligação protei-
ca. Somente medicamentos livres conseguem passar pelas membranas ce-
lulares, atingindo seu alvo e promovendo o efeito farmacológico desejado.

Eliminação

A eliminação é a retirada do medicamento do organismo. Esse pro-


cesso tem início assim que o medicamento atingir a circulação sistêmica. A
eliminação ocorre por modificação metabólica e por excreção.
O fígado é o órgão mais importante no processo de eliminação por
modificação metabólica, podendo ocorrer, também, nos rins, nos pulmões,
no trato gastrointestinal e na pele.
O processo de excreção ocorre principalmente nos rins. A excreção
também pode ocorrer nos pulmões, no trato gastrointestinal (fezes), no
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Administração de Medicamentos
suor, na saliva e nas lágrimas. Alguns medicamentos são eliminados pela
bile, sendo reabsorvidos e eliminados pelos rins.

Conceitos fundamentais
Para melhor compreensão dos conteúdos que serão abordados nos
próximos capítulos, é necessário que o profissional de enfermagem domine
as nomenclaturas mais utilizadas em farmacologia. Além dos termos já es-
clarecidos, há outros que também são fundamentais, dentre os quais:

• Bioequivalência: é o estudo em que são comparadas a bio-


disponibilidade de um medicamento de referência e a de um
medicamento genérico. Quando dois medicamentos têm a
mesma biodisponibilidade, ou seja, são bioequivalentes, um
pode substituir o outro.
• Concentração: é a quantidade de determinada substância
(ativa ou inativa) em certo volume ou massa de produto.
Exemplo: solução glicosada 5% significa que em cada 100 ml
de solução há 5 g de glicose.
• Dispensação: é o ato de fornecer o medicamento para o com-
prador (nos casos de drogarias) ou ao profissional de enfer-
magem que irá preparar o medicamento e administrá-lo ao
paciente.
• Dose de ataque: é a dosagem única de medicamento com ca-
pacidade de atingir rapidamente a concentração terapêutica.
• Dose de manutenção: é a dosagem de medicamento que
deverá ser repetida, periódica ou continuamente, para
garantir a estabilidade da sua concentração dentro de limites
terapêuticos.
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Farmacologia Geral

• Dose letal: dose com a qual a morte é atingida. É um efeito


indesejável, normalmente observado em pesquisas laborato-
riais em animais.
• Droga: é qualquer substância que apresenta como caracterís-
tica a capacidade de alterar a função dos organismos vivos,
acarretando mudanças fisiológicas e/ou comportamentais.
• Droga-tóxico: droga com ação maléfica sobre o organismo.
Pode-se também utilizar apenas o termo tóxico.
• Efeito adverso: consiste em uma ação indesejável e não espe-
rada ocasionada pelo medicamento.
• Fármaco: droga com ação benéfica sobre o organismo. Po-
de-se utilizar também o termo medicamento. Substância de-
nominada princípio ativo de um medicamento.
• Farmacopeia: conjunto de medicamentos (drogas) oficializa-
do pelo Ministério da Saúde, com ação consagrada e resulta-
dos eficazes e úteis para a população.
• Farmacovigilância: é a identificação e a avaliação dos efeitos
dos medicamentos sobre o paciente, incluindo o risco do uso dos
medicamentos pela população ou por grupos de pacientes
expostos a determinados tratamentos.
• Idiossincrasia: é a suscetibilidade anormal de um indivíduo
a uma droga, mesmo quando administrada em doses tera-
pêuticas.
• Janela terapêutica: área entre a dose mínima eficaz e a má-
xima permitida. Intervalo de dose no qual os resultados são
positivos.
• Medicamento de referência: é o produto inovador, registrado
no Ministério da Saúde, com eficácia e segurança compro-
vadas, protegido pela Lei de Patente, não podendo ser pro-
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Administração de Medicamentos
duzido, sem permissão do fabricante, por um determinado
período de tempo.
• Medicamento genérico: medicamento semelhante ao medi-
camento de referência, produzido após o tempo determina-
do pela patente, ou, em alguns casos, após quebra dessa pa-
tente por órgão governamental. No Brasil, os medicamentos
genéricos seguem legislação específica (Lei nº 9.787/1999 e
RDC nº 102/2000).
• Medicamento similar: tem os mesmos princípios ativos do
medicamento de referência, mas apresenta alguma diferen-
ça quando comparado (rótulo, forma de apresentação, prazo
de validade, excipientes etc.); portanto, não se pode dizer
que são bioequivalentes. Nesses casos, os testes de bioequi-
valência não são exigidos.
• Medicamento oficinal: produzido nas farmácias de manipu-
lação ou magistrais.
• Medicamento de controle especial: medicamento relaciona-
do pela Agência de Vigilância Sanitária e que tem a capacidade
de causar dependência física ou química.
• Medicamento de uso contínuo: utilizado no tratamento de
doenças crônicas, continuamente.
• Medicamento fitoterápico: medicamento cuja composição
utiliza, exclusivamente, vegetais como matéria-prima.
• Meia-vida: tempo necessário para a concentração plasmática
de um medicamento ser reduzida em 50%.
• Posologia: estudo da dosagem dos medicamentos.
• Placebo: medicamento preparado com substâncias inativas,
sem finalidade terapêutica. Pode ser empregado em pesqui-
sas clínicas ou ainda para satisfazer a necessidade psicológi-
ca do paciente de receber medicamento.
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Farmacologia Geral

• Pró-droga: substância que passará por transformação no or-


ganismo, tornando-se uma droga ativa.

Formas de apresentação dos medicamentos


Os medicamentos podem ser classificados por sua forma, apresen-
tação e, também, por sua ação. A classificação de acordo com a ação será
apresentada no próximo capítulo.
Quanto a sua forma e apresentação, os medicamentos podem ser
classificados em sólidos, líquidos, semissólidos e gasosos.
Os medicamentos disponíveis na forma sólida são divididos em com-
primidos, drágeas, pós, granulados, cápsulas, pílulas, supositórios e óvulos.
Os medicamentos na forma líquida são as soluções, os xaropes, os elixires, as
suspensões, as emulsões e os injetáveis. Já os medicamentos na forma gasosa
são os aerossóis, e os semissólidos são os cremes, as pomadas, os unguentos,
as loções, os géis e as pastas.

Forma sólida

• Cápsula: o medicamento sólido ou líquido é envolvido por


um invólucro de substância gelatinosa, normalmente no for-
mato cilíndrico. Apresenta como vantagens a possibilidade
de eliminar o sabor e/ou o odor desagradável do medica-
mento, facilitar a deglutição e a sua liberação.
• Comprimido: o medicamento sólido (pó) é submetido à
compressão e apresenta formato específico. Os comprimidos
podem ou não ser revestidos por substância açucarada
(Figura 3.2).
• Drágea: normalmente é um comprimido revestido por uma
substância resistente à acidez gástrica. Nesse caso, o medi-
camento é liberado no intestino. Apresenta as vantagens de
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Administração de Medicamentos
eliminar o odor e/ou o sabor desagradável da droga, além
de facilitar a deglutição e proteger o medicamento da ação
estomacal. Geralmente utiliza-se em medicamentos de ação
intestinal (Figura 3.3).
• Granulado: constitui-se de pequenos grãos a serem dissolvi-
dos em água, podendo ser efervescente ou não. Após a di-
luição total, o medicamento fica com aspecto líquido, o que
pode favorecer a ingestão (Figura 3.4).
• Óvulo: medicamento em forma ovoide destinado à aplicação
vaginal (Figura 3.5).
• Pastilha: essa forma apresenta a capacidade de dissolver-se
lentamente na cavidade bucal. Encontra-se disponível em
vários sabores para satisfazer o paladar do paciente, facili-
tando seu uso (Figura 3.6).
• Pílula: medicamento em forma de pó submetido à compres-
são, tomando o formato esférico. Pode ou não ser revestido
com substância açucarada (Figura 3.7).
• Pó: divide-se em dois tipos: os facilmente solúveis em água e
os não solúveis em água. Pode ser misturado em alimentos,
para disfarçar eventual sabor desagradável (Figura 3.8).
• Supositório: medicamento em formato cônico ou ogival, com
finalidade de administração por via retal (Figura 3.9).

Figura 3.1 – Cápsula Figura 3.2 – Comprimidos


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Farmacologia Geral

Figura 3.3 – Drágea Figura 3.4 – Granulados

Figura 3.5 – Óvulo Figura 3.6 – Pastilhas

Figura 3.7 – Pílula Figura 3.8 – Pó

Figura 3.9 – Supositório


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Administração de Medicamentos

Forma líquida

• Ampola: recipiente de plástico e/ou de vidro, utilizado para acon-


dicionar o medicamento líquido ou em pó. É necessário aspirar
o conteúdo com seringa e agulha para administrar ao paciente.
• Elixir: preparado líquido contendo álcool, açúcar, glicerol
ou propilenoglicol. Normalmente, apresenta como caracte-
rística, o sabor do álcool.
• Emulsão: é uma solução que contém pequenas partículas
de um líquido dispersas em outro líquido. Geralmente, as
emulsões envolvem a dispersão de água em óleo. É neces-
sário agitar antes de administrar (Figura 3.11).
• Frasco-ampola: é o acondicionamento de medicamento em
um frasco que permite a retirada de doses parciais, sendo
possível o reaproveitamento da dosagem restante, conside-
rando-se os cuidados necessários de manuseio e conserva-
ção. Possibilita o fracionamento da dose total em doses me-
nores, permitindo sua reutilização (Figura 3.10).
• Suspensão: é uma forma de apresentação em que se percebe
nitidamente a forma sólida e a forma líquida. Ao agitar-se
o frasco, a solução torna-se homogênea. É necessário agitar
antes de administrá-la.

Figura 3.10 – Ampolas Figura 3.11 – Emulsão


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Farmacologia Geral

Forma semissólida

• Creme: emulsão semissólida contendo água e óleo. Apresen-


ta boa penetração na pele (Figura 3.13).
• Xarope: solução preparada a base de açúcar e água com adi-
ção do medicamento. Existe versão para pacientes diabéticos
e para crianças, com diversos sabores. Apresenta sabor mais
agradável devido à presença do açúcar (Figura 3.14).
• Gel: formado por um material gelatinoso no qual a parte dis-
persa encontra-se em estado líquido, e a parte dispersante,
em estado sólido (Figura 3.15).
• Loção: formada por um pó insolúvel em água ou por subs-
tâncias dissolvidas em líquido espesso. É necessário agitar a
loção antes de administrá-la (Figura 3.16).
• Pasta: caracteriza-se pela elevada porcentagem de sólidos in-
solúveis em sua composição. Produz efeito protetor, oclusivo
e secante na pele onde é aplicada.
• Pomada: preparado de consistência pastosa, preferencial-
mente oleosa e de fácil adesão ao local de aplicação. Apre-
senta pouca penetração na pele (Figura 3.17).
• Unguento: é o medicamento com aparência de papa, utili-
zado em áreas do organismo que estejam doloridas ou infla-
madas. Pode ser extraído de plantas, gordura de animais ou
resíduos minerais.

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Administração de Medicamentos

Figura 3.13 – Creme Figura 3.14 – Xarope

Figura 3.15 – Gel Figura 3.16 – Loção

Figura 3.17 – Pomada


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Farmacologia Geral

Forma gasosa

• Aerossol: medicamento em forma de partículas suspensas


em gás (Figura 3.18).

Figura 3.18 – Aerossol

Um mesmo medicamento pode ser encontrado sob várias formas de


apresentação, facilitando, assim, sua administração em casos de restrições.
Por exemplo, a dipirona sódica pode ser encontrada nas formas líquida
(gotas, soluções e injetável) e sólida (comprimidos e supositórios). A apre-
sentação está diretamente relacionada à via de administração determinada
em prescrição médica.
Os profissionais da área da saúde devem saber os princípios e os con-
ceitos de farmacologia para prestar assistência adequada. O conhecimento
das várias formas de apresentação de um medicamento facilitará sua admi-
nistração nos casos em que a restrição de uso ocorre pelo estado clínico do
paciente. Por exemplo, um paciente com dificuldade de deglutição, para o
qual está prescrito medicamento em comprimido, pode ser beneficiado se
utilizada a forma líquida.
A definição da forma de apresentação e da via de administração é da
alçada do médico responsável pelo paciente, mas os demais profissionais po-
dem sugerir alterações, facilitando assim a administração do medicamento.
O profissional de enfermagem não pode alterar a prescrição médica
em nenhuma hipótese.
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CAPÍTULO 4

CLASSIFICAÇÃO DE MEDICAMENTOS
Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

Os medicamentos podem ser classificados de diversas maneiras. No


capítulo anterior, foi descrita a classificação quanto à apresentação e à for-
ma. Neste capítulo, será abordada a classificação quanto à ação.
Os profissionais de enfermagem necessitam conhecer os grupos de
medicamentos – antibióticos, vasodilatadores, analgésicos etc. Esse saber
é imprescindível para a prestação de assistência adequada, pois, ao admi-
nistrar um medicamento, o profissional deverá identificar, além da ação
da droga, as possíveis reações que o paciente pode manifestar.
Como a quantidade de medicamentos é muito grande, neste ca-
pítulo serão destacados os medicamentos mais utilizados no âmbito
hospitalar.

Medicamentos vasopressores
Os medicamentos vasopressores apresentam como ação a elevação
da pressão arterial sistêmica, através da vasoconstrição. Exemplos: dopami-
na, noradrenalina e adrenalina.

Cuidados específicos por parte da enfermagem:


• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de
apresentação do medicamento.
• Monitorar a pressão arterial.
• Observar nível de consciência e sinais de agitação e de con-
fusão.
47

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Administração de Medicamentos
• Controlar volume de débito urinário.
• Monitorar atividade elétrica cardíaca com ênfase à presença
de arritmias e taquicardias.
• Observar e manter a permeabilidade do dispositivo de aces-
so venoso.
• Observar sinais de superdosagem e/ou intoxicação.

Nos casos de superdosagem e/ou intoxicação, o paciente poderá apre-


sentar: vasoconstrição excessiva devido à atividade simpaticomimética,
náuseas, vômitos, dor anginosa, arritmias, cefaleia, hipertensão e sudorese.

Medicamentos inotrópicos
Os medicamentos inotrópicos apresentam ação sobre a energia de
contração das fibras musculares. Exemplos: dobutamina e milrione.

Cuidados específicos por parte da enfermagem:

• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de


apresentação do medicamento.
• Monitorar pressão arterial, frequência cardíaca, traçado de
eletrocardiógrafo e pressão venosa central.
• Comunicar alteração nos parâmetros verificados no item
anterior.
• Controlar volume de débito urinário.
• Controlar velocidade de infusões endovenosas.
• Manter permeáveis cateteres e/ou dispositivos de acesso
venoso central.
• Atentar para sinais e sintomas de flebite.
• Atentar para sinais e sintomas de infiltração de soluções
endovenosas.
48

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Classificação de medicamentos

• Atentar para a realização de desmame do medicamento do-


butamina.
• Atentar para sinais de superdosagem.

Nos casos de superdosagem, o paciente poderá apresentar: hiperten-


são, taquiarritmias, isquemia do miocárdio e fibrilação ventricular. Alguns
pacientes podem apresentar hipotensão.

Medicamentos vasodilatadores
Os medicamentos vasodilatadores agem expandindo os vasos sanguí-
neos, principalmente as arteríolas. Dois medicamentos merecem destaque:
o nitroprussiato de sódio e a nitroglicerina.
O nitroprussiato de sódio tem ação imediata, após a administração.
Apresenta efeito em artérias e veias. É indicado nos casos de hipertensão
arterial sistêmica, insuficiência cardíaca congestiva grave, pós-operatório
de cirurgia cardíaca e isquemia mesentérica.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


nitroprussiato de sódio:
• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de
apresentação do medicamento.
• Manter o medicamento protegido da luz, utilizando equipo
de infusão fotossensível.
• Proceder à troca da solução a cada 6 horas, pois sua deterio-
rização é rápida.
• Atentar para alterações bruscas de pressão arterial.
• Atentar para queixa de cefaleia persistente, administrando
analgésico prescrito.
• Atentar para sinais de toxicidade.
• Atentar para o aparecimento de efeitos colaterais.
49

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Administração de Medicamentos
Nos casos de intoxicação, o paciente poderá apresentar: hipotensão,
confusão mental, hiper-reflexia e convulsões (nos casos mais críticos).
O medicamento nitroglicerina é um potente vasodilatador coronariano,
indicado nos casos de angina instável, isquemia do miocárdio, insuficiência
cardíaca e hipertensão arterial sistêmica.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


nitroglicerina:

• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de


apresentação do medicamento.
• Monitorar pressão arterial.
• Atentar para alterações bruscas de pressão arterial e comuni-
cá-las, se verificadas.
• Utilizar somente frasco de vidro ou frasco de polietileno para
o acondicionamento da solução.
• Utilizar solução glicosada para diluição do medicamento.
• Atentar para sinais e sintomas de efeitos colaterais e comu-
nicá-los, se verificados.
• Atentar para sinais e sintomas de intoxicação.
Os efeitos colaterais mais frequentes são náuseas, vômitos, cefaleia
intensa e palpitações. Nos casos de intoxicação, o paciente pode apresentar
cianose e sangue com coloração semelhante à de achocolatado.

Medicamentos anticoagulantes
Os medicamentos classificados como anticoagulantes agem prolongando
o tempo de coagulação ou impedindo a sua ocorrência. Três medicamentos me-
recem destaque: heparina, varfarina e ácido acetilsalicílico (AAS).
A heparina pode ser administrada por via subcutânea (ação entre 2 e
4 horas) ou endovenosa (ação imediata).
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Classificação de medicamentos

O paciente em uso de heparina pode apresentar, como efeitos cola-


terais, o aumento de potássio e/ou lipídeos no sangue, prurido, diminuição
de plaquetas, dor moderada, hemorragia, manchas na pele, febre, dores
nas vértebras (costas) e prolongação do tempo de coagulação.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


heparina:

• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de


apresentação do medicamento.
• Não administrar por via intramuscular.
• Não massagear o local de aplicação, devido ao risco de he-
matoma.
• Não administrar com outras drogas.
• Orientar os pacientes quanto ao risco de sangramento, por
exemplo, ao escovar os dentes.
• Observar sinais e sintomas de hemorragia externa e interna.
• Observar sinais de hipersensibilidade à droga.
Os sinais e sintomas de hemorragia que o paciente pode apresentar são:
hematomas em membros, petéquias, epistaxe, melena, hematúria, dor torá-
cica e nos flancos. Nesses casos, pode-se utilizar a protamina como antídoto.
Os sinais de hipersensibilidade à droga são: urticária, calafrios, febre
e reação asmática.
O medicamento varfarina tem ação mais lenta se comparado à he-
parina. É adequado para regular o tempo de protombina e tem ação na
síntese da vitamina K. É indicado, também, no tratamento de arritmia atrial
(prevenção de embolia), doença cardíaca reumática, embolia pulmonar, in-
farto do miocárdio e trombose venosa profunda. A varfarina é administrada
por via oral. Há grande possibilidade de interação entre medicamento e
nutriente (essa situação está descrita no Capítulo 13).
51

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Administração de Medicamentos
Os pacientes em uso de varfarina podem apresentar, como efeitos
colaterais, hemorragia, lesões necróticas de pele e tecido subcutâneo, urti-
cária, dermatite, diarreia, náusea, êmese e leucopenia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


varfarina:

• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de


apresentação do medicamento.
• Orientar os pacientes quanto ao risco de sangramento, por
exemplo, ao escovar os dentes.
• Orientar o paciente quanto aos cuidados na prática de espor-
tes, devido ao risco de traumas.
• Observar sinais e sintomas de hemorragia externa e interna.
• Observar sinais de interação medicamento-nutrientes.

O medicamento ácido acetilsalicílico (AAS) age diminuindo a capa-


cidade de agregação plaquetária. Seu uso é indicado nos casos de angina
instável, profilaxia de infarto agudo do miocárdio e no pós-operatório de
cirurgia arterial.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


AAS:

• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de


apresentação do medicamento.
• Administrar por via oral.
• Observar sinais de superdosagem.
• Orientar o paciente sobre risco de hemorragia.

Nos casos de superdosagem, o paciente poderá apresentar náuseas,


vômitos, sangramento oculto, rush cutâneo e hematomas.
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Classificação de medicamentos

Insulinas
A insulina é um hormônio que promove o aumento do transporte da
glicose nos músculos e nas células, com a finalidade de reduzir o nível
de glicose no sangue. Seu uso é indicado nos casos de pacientes portadores
de diabetes mellitus. Há vários tipos de insulina, os quais diferem de acordo
com sua origem e tempo de ação. A escolha é feita pelo médico responsá-
vel, conforme o quadro clínico, a taxa de glicemia do paciente e o efeito
desejado.
A administração da insulina pode ser por via subcutânea, intramus-
cular ou endovenosa.
A insulina pode ser classificada quanto ao seu tempo de ação, como:
• Ultrarrápida: pode ser administrada por via subcutânea, en-
dovenosa ou intramuscular, próximo às refeições. É indica-
da nos casos de cetoacidose diabética, principalmente nas
administrações por via endovenosa e intramuscular. Pico de
ação em 1 hora.
• Rápida (regular): pode ser administrada por via subcutânea,
endovenosa ou intramuscular. É indicada nos casos de diabetes
descompensada associada a situações de infecção, choque e
trauma cirúrgico e cetoacidose. Pico de ação entre 2 e 4 horas.
• Intermediária (NPH): caracterizada por absorção lenta. Admi-
nistrada por via subcutânea, não é indicada em situações de
emergência, nem no tratamento inicial da cetoacidose. Pico
de ação entre 8 e 12 horas.
• Lenta: resulta da combinação de insulina ultralenta com
semilenta. Tem ação semelhante à da insulina intermediária
(NPH). Pico de ação entre 8 e 12 horas.
• Prolongada: seu início de ação é muito lento, podendo pro-
vocar hiperglicemia no período da manhã. Indicada para ser
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Administração de Medicamentos
administrada em dose única diária, não sendo aconselhável
dividir a dose. Não há pico de ação, pois sua liberação é pra-
ticamente contínua e com efeito prolongado.

Cuidados específicos por parte da enfermagem:

• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de


apresentação do medicamento.
• Não agitar o frasco antes de aspirar a insulina, apenas rolá-lo
na mão.
• Conservar o frasco de insulina, após sua abertura, sob refri-
geração.
• Atentar para o prazo de validade, após abertura do frasco.
• Remover as bolhas de ar antes de aplicar a insulina, nos ca-
sos de administração por via subcutânea e intramuscular.
• Utilizar seringa de insulina (graduação em Unidades Inter-
nacionais).
• Utilizar agulha adequada à via de administração prescrita.
• Atentar para a aparência da insulina, não administrando nos
casos de presença de grumos.
• Não massagear o local, após aplicação da insulina.
• Nos casos de administração por via subcutânea, respeitar o
rodízio do local de aplicação.
• Nos casos de administração por via endovenosa, a insulina
deverá ser diluída em solução fisiológica 0,9%.
• Preferencialmente, infundir a solução endovenosa por bom-
ba de infusão.
• Atentar para sinais e sintomas de encefalopatia, redução de
nível de consciência e vômitos, nos casos de administração
por via endovenosa.
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Classificação de medicamentos

• Manter o paciente sob contínua monitorização cardíaca, aten-


tando para sinais de arritmias, nos casos de infusão endovenosa.
• Realizar controle de diurese.
• Atentar para sinais e sintomas de hiperglicemia ou hipogli-
cemia.
• Atentar para sinais e sintomas de reações alérgicas e reações
locais.

Os sinais e sintomas de hiperglicemia são:


• sede excessiva;
• aumento do volume urinário;
• aumento da frequência de eliminação urinária (número de
micções);
• necessidade de urinar durante a noite;
• fadiga, fraqueza e tontura;
• visão turva, borrada;
• aumento de apetite; e
• perda de peso.

Os sinais e sintomas de hipoglicemia são:


• taquicardia;
• transpiração em excesso;
• tremores;
• ansiedade;
• confusão mental;
• alteração de comportamento;
• estupor;
• inconsciência; e
• coma.
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Administração de Medicamentos
Os sinais e sintomas de reações alérgicas são: desconforto, dispneia,
palpitação e sudorese. Os sinais de reação local são: edema, prurido, endu-
recimento da pele e dor anormal na região de aplicação.

Medicamentos analgésicos e antipiréticos


São medicamentos que agem no combate à dor (analgésicos) e tam-
bém na diminuição da temperatura corpórea (antipiréticos). São exemplos
de medicamentos analgésicos e antipiréticos, o ácido acetilsalicílico, a dipi-
rona e o paracetamol.
O ácido acetilsalicílico, além das ações analgésica e antipirética, age
como anti-inflamatório e antiagregante plaquetário. Sua administração é
somente por via oral. Pode apresentar os seguintes efeitos colaterais: náu-
sea, diarreia, vômito, gastralgia, hemorragia oculta, úlcera péptica, alergia
e disfunção plaquetária.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


ácido acetilsalicílico:
• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de
apresentação do medicamento.
• Avaliar o paciente entre 30 minutos e 1 hora após a admi-
nistração do medicamento, para verificar a diminuição da
temperatura e/ou da dor.

O medicamento dipirona tem ação analgésica, antipirética e antitér-


mica. Pode ser administrado por via oral, retal ou endovenosa. Os pacientes
em uso de dipirona podem apresentar, como efeitos colaterais: náusea, diar-
reia e vômito. Nos casos de infusão endovenosa, pode ocorrer hipotensão.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


dipirona:
• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de
apresentação do medicamento.
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Classificação de medicamentos

• Atentar para a diluição correta da dipirona por via endoveno-


sa e, nos casos de administração in bolus, fazê-la lentamente.
• Avaliar o paciente entre 30 minutos e 1 hora após a admi-
nistração do medicamento, para verificar a diminuição da
temperatura e/ou da dor.

O medicamento paracetamol tem ações analgésica e antipirética. Sua


administração é por via oral. Os pacientes em uso de paracetamol podem
apresentar, como efeitos colaterais: náusea, cólica abdominal, prurido, oli-
gúria, êmese e hipo ou hiperglicemia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


paracetamol:

• Atentar para a via de administração, a dosagem e a forma de


apresentação do medicamento.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
• Avaliar o paciente entre 30 minutos e 1 hora após a admi-
nistração do medicamento, para verificar a diminuição da
temperatura e/ou da dor.

Medicamentos analgésicos potentes


Entre os medicamentos classificados como analgésicos, alguns apre-
sentam um efeito mais potente. Dentre esses medicamentos, merecem des-
taque o tramadol, a morfina, a dolantina e o propofol.
O medicamento tramadol é um analgésico potente de ação central.
Pode ser administrado por via oral (comprimidos, cápsulas ou gotas) ou
endovenosa.
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Administração de Medicamentos
Os pacientes em uso de tramadol podem apresentar, como efeitos
colaterais: náuseas, vômitos, boca seca, sonolência, hipotensão, sudorese
e cefaleia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


tramadol:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Diluir o tramadol em solução fisiológica 0,9%, nos casos de
infusão endovenosa, a qual deverá ser lenta.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
• Nos casos de superdosagem, utilizar o antídoto que é o me-
dicamento naloxona.
• Orientar o paciente sobre os riscos de dirigir e operar máqui-
nas, devido à sonolência provocada pelo medicamento.

O medicamento morfina é um potente analgésico também classifi-


cado como opiáceo, podendo causar dependência química e psicológica.
A morfina pode ser administrada por via oral, retal, subcutânea, en-
dovenosa ou intramuscular.
O paciente em uso de morfina pode apresentar como efeitos colate-
rais: depressão respiratória, apneia, sonolência, náuseas, hiperemia, sudo-
rese, insuficiência cardíaca, hipotensão e êmese.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


morfina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Diluir a morfina, nos casos de infusão endovenosa, que deve-
rá ser lenta, com controle rigoroso de gotejamento.
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Classificação de medicamentos

• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.


• Orientar o paciente sobre os riscos de dirigir e operar máqui-
nas, devido à sonolência provocada pelo medicamento.

O medicamento dolantina é um analgésico narcótico, podendo cau-


sar dependência física e psicológica. Pode ser administrado por via endove-
nosa ou intramuscular. É muito utilizado no período pré-operatório.
Os pacientes em uso de dolantina podem apresentar, como efeitos
colaterais: ansiedade, dispneia, náuseas, tremores, êmese, hipotensão,
constipação e excitação.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


dolantina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Diluir a dolantina, nos casos de infusão endovenosa, a qual
deverá ser lenta.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento propofol é um analgésico potente, mas seu tempo de


ação é reduzido. A administração é por via endovenosa.
O paciente em uso de propofol pode apresentar, como efeitos colate-
rais: hipotensão, apneia, bradicardia, flebite, depressão respiratória, hiper-
capnia, acidose aguda, náuseas, vômitos, cefaleia e descoloração da urina.
Em pacientes epilépticos, o propofol pode desencadear convulsões.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


propofol:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Diluir o propofol, nos casos de infusão endovenosa, a qual
deverá ser lenta.
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Administração de Medicamentos
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos antiácidos
Os medicamentos antiácidos são indicados nos casos de acidez gástri-
ca, úlceras, duodenite, esofagite, gastrite, hérnia de hiato e úlcera péptica.
Merecem destaque o hidróxido de alumínio, a cimetidina, a ranitidina e o
omeprazol.
O hidróxido de alumínio é indicado nos casos de acidez gástrica, duo-
denite, esofagite, gastrite, hérnia de hiato e úlcera péptica. Sua administra-
ção dá-se somente por via oral.
Os pacientes em uso de hidróxido de alumínio podem apresentar,
como efeitos colaterais: constipação intestinal, diminuição do fosfato no
sangue, diminuição do peristaltismo, osteomalácia e perda de apetite.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


hidróxido de alumínio:

• Atentar para a forma de apresentação (comprimido ou sus-


pensão) e a dosagem prescritas pelo médico.
• Preferencialmente, administrar entre as refeições e antes do
paciente dormir.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

A cimetidina é indicada por sua ação antiulcerosa, podendo também


ser prescrita nos tratamentos de urticária e artrite reumatoide. Sua admi-
nistração pode ser por via oral (comprimidos e solução), intramuscular ou
endovenosa.
Os pacientes em uso de cimetidina podem apresentar, como efeitos
colaterais: diarreia, cansaço, confusão mental, cefaleia, náusea, êmese, rush
cutâneo, bradicardia, arritmia, trombocitopenia, hipotensão e neutripenia.
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Classificação de medicamentos

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


cimetidina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Nos casos de infusão endovenosa, diluir a cimetidina em
solução glicosada 5% ou solução fisiológica 0,9%.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento ranitidina é indicado como antiulceroso, no tratamen-


to de esofagite de refluxo, úlcera gástrica e duodenal. Pode ser administrado
por via oral (comprimido, comprimido efervescente e xarope), intramuscular
ou endovenosa.
Os pacientes em uso de ranitidina podem apresentar, como efeitos
colaterais: diarreia ou constipação intestinal, cefaleia, rush cutâneo, náu-
seas, êmese, ansiedade, taquicardia ou bradicardia, queimação local (se
aplicação endovenosa) e prurido.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


ranitidina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Nos casos de administração endovenosa, a infusão pode ser
feita lentamente in bolus.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento omeprazol é indicado como antiulceroso e no trata-


mento de esofagite de refluxo, úlcera gástrica ou duodenal. Sua administra-
ção pode ser por via oral ou endovenosa.
61

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Administração de Medicamentos
Os pacientes em uso de omeprazol podem apresentar, como efeitos
colaterais: náuseas, diarreia, constipação, parestesia, cefaleia, fraqueza,
boca seca, sonolência, rush cutâneo, leucopenia, trombocitopenia e anemia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


omeprazol:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos antiarrítmicos
São medicamentos indicados no tratamento de arritmias cardíacas.
Entre eles, merecem destaque: amiodarona, atropina, propanolol, digoxina,
lidocaína, quinidina, procainamida, deslanosídeo e verapamil.
O medicamento amiodarona é indicado nos casos de arritmia ven-
tricular. Pode ser administrado por via oral (comprimidos e gotas) ou
endovenosa.
Os pacientes em uso de amiodarona podem apresentar, como efeitos
colaterais: hipotensão (por vasodilatação), bradicardia, náuseas, êmese, ce-
faleia, perda de apetite, tontura, constipação intestinal, fibrose pulmonar,
alveolite e pneumonite intersticial.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


amiodarona:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Nos casos de administração por via endovenosa, diluir em
solução fisiológica 0,9% ou em solução glicosada 5%.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de tontura.
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Classificação de medicamentos

• Atentar para sinais e sintomas de flebite.


• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento atropina é indicado nos casos de intoxicação por
inseticidas organofosforados, intoxicação por inibidores de colinesterase
e bradicardia sinusal. Promove a inibição de secreção salivar, de secreção
brônquica e da sudorese, dilata as pupilas e aumenta a frequência cardíaca.
Em doses elevadas, pode diminuir a motilidade gastrointestinal e urinária,
assim como inibir a secreção de ácido estomacal.
A atropina pode ser administrada pelas vias endovenosa, intramus-
cular ou subcutânea. O paciente em uso de atropina pode apresentar,
como efeitos colaterais: agitação, alucinação, angina, ataxia, aumento da
temperatura corporal, aumento da frequência cardíaca, confusão mental,
constipação intestinal, desorientação, cefaleia, excitação, insônia, náuseas,
palpitação, retenção urinária, sede, sensibilidade à luz, tontura e êmese.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


atropina:
• Atentar para a via de administração e a dosagem prescritas
pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de desorientação.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento propanolol tem ação antiarrítmica, anti-hipertensiva
e ansiolítica. É indicado nos casos de angina pectoris, enxaqueca, arritmia,
hipertensão arterial e ansiedade. Pode ser administrado por via oral (cáp-
sula e comprimido) ou endovenosa.
Os pacientes em uso de propanolol podem apresentar, como efeitos
colaterais: ansiedade, nervosismo, fraqueza, congestão nasal, constipação
ou diarreia, diminuição da habilidade sexual, bradicardia, constrição brôn-
quica, insuficiência cardíaca congestiva, náuseas, êmese, sonolência e hipo-
tensão ortostática.
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Administração de Medicamentos

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


propanolol:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente sobre o risco de dirigir e de operar má-
quinas, devido ao risco de sonolência.
• Nos casos de administração por via endovenosa, controlar a
velocidade de infusão.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento digoxina é antiarrítmico, cardiotônico, inotrópico e
digital. É indicado nos casos de insuficiência cardíaca congestiva, taquicar-
dia atrioventricular paroxística e fibrilação atrial. Sua administração é por
via oral (comprimido, elixir e solução).
Os pacientes em uso de digoxina podem apresentar, como efeitos co-
laterais: agitação, arritmia cardíaca, aumento da intensidade da insuficiên-
cia cardíaca congestiva, cefaleia, fadiga, diminuição de apetite, náusea,
parestesia, queda de pressão arterial, tontura e êmese. Esses sinais e sin-
tomas são característicos de intoxicação digitálica, que ocorre pois a dose
terapêutica é muito próxima à dose tóxica.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


digoxina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de tontura.
• Verificar a frequência cardíaca do paciente antes da adminis-
tração do medicamento.
• Em casos de bradicardia, não administrar o medicamento e
comunicar o médico.
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Classificação de medicamentos

• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento lidocaína é indicado no tratamento de taquicardia


ventricular, fibrilação ventricular e extrassístoles sintomáticas. Como antiar-
rítmico, a lidocaína é administrada apenas por via endovenosa.
O paciente em uso de lidocaína raramente apresenta efeitos colate-
rais, mas os casos em que eles ocorrem podem referir ansiedade, nervosis-
mo, sensação de calor ou de frio, dormência, reações alérgicas e tontura.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


lidocaína:
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de tontura.
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem, a via de
administração e a concentração (1% ou 2%) prescritas pelo
médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento quinidina é indicado nos casos de arritmia ventricu-


lar, fibrilação atrial e flutter atrial. Sua administração é por via oral.
Os pacientes em uso de quinidina podem apresentar, como efeitos
colaterais: diarreia, náuseas, êmese, dor abdominal, cefaleia, vertigem,
zumbidos, delírio, desorientação, anemia hemolítica, urticária, fotossensi-
bilização e dermatite.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


quinidina:
• Atentar para a forma de apresentação e a via de administra-
ção prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de vertigem.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
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Administração de Medicamentos
O medicamento procainamida é indicado nos casos de arritmia ven-
tricular ou supraventricular. Pode ser administrado por via oral, intramus-
cular ou endovenosa.
O paciente em uso de procainamida pode apresentar, como efeitos cola-
terais: náuseas, vômitos, anorexia, diarreia, rush cutâneo, confusão mental, hi-
potensão, choque e alargamento do complexo QRS (traçado elétrico cardíaco).

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


procainamida:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de hipotensão.
• Manter o paciente em monitorização cardíaca, com atenção
especial ao traçado do complexo QRS.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento deslanosídeo tem ações antiarrítmica e digitálica,


sendo indicado nos casos de insuficiência cardíaca congestiva aguda ou
crônica, taquicardia paroxística ou supraventricular. Sua administração é
por via endovenosa.
O paciente em uso de deslanosídeo pode apresentar, como efeitos
colaterais: náuseas, vômito, fraqueza, apatia, diarreia, confusão, desorien-
tação, distúrbios visuais e anorexia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


deslanosídeo:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de desorientação.
66

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Classificação de medicamentos

• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento verapamil é antiarrítmico, antianginoso e anti-hiper-


tensivo. É indicado nos casos de hipertensão arterial, angina do peito crô-
nica estável e taquicardia supraventricular. Pode ser administrado por via
oral ou endovenosa.
O paciente em uso de verapamil pode apresentar, como efeitos co-
laterais: constipação, confusão mental, vertigem, fraqueza, nervosismo,
prurido, hipotensão, cefaleia, bradicardia, náuseas, desconforto gástrico e
aumento da transaminase.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


verapamil:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de vertigem.
• A administração endovenosa da dosagem de manutenção
deve ser feita com o uso de bomba de infusão contínua.
• Nos casos de administração por via endovenosa, manter o
paciente sob monitorização eletrocardiográfica.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais provo-
cados pelo medicamento. Em casos graves, pode-se utilizar
cálcio in bolus para a sua reversão.

Medicamentos anticonvulsivantes
São medicamentos indicados nos casos de crises convulsivas. Mere-
cem destaque: ácido valproico, fenobarbital, carbamazepina, lorazepan e
fenitoína.
67

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Administração de Medicamentos
O medicamento ácido valproico é indicado no tratamento de epilep-
sia e epilepsia mioclônica. Sua administração é por via oral (cápsula, com-
primido revestido, drágea, solução oral, xarope e comprimido).
Os pacientes em uso de ácido valproico podem apresentar, como efei-
tos colaterais: agressividade, alteração menstrual, alteração de peso corpo-
ral, hiperglicemia, constipação ou diarreia, depressão, dislalia, cefaleia, dor
abdominal, erupção na pele, náusea, êmese, sonolência, perturbação de
conduta e perturbação dos movimentos.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


ácido valproico:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da en-
fermagem, devido ao risco de perturbação dos movimentos.
• Orientar familiares sobre a possibilidade de perturbação de
conduta.
• Orientar sobre o risco de dirigir e operar máquinas, devido à
sonolência.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento fenobarbital é indicado nos casos de convulsão febril


(em crianças) e epilepsia. Sua administração pode ser por via oral (compri-
mido e gotas), intramuscular ou endovenosa.
O paciente em uso de fenobarbital pode apresentar, como efeitos co-
laterais: aumento da frequência de sonhos e pesadelos, colapso circulató-
rio, confusão mental, agitação (principalmente em idosos), constipação ou
diarreia, contração da laringe, deficiência de vitamina K (sangramento em
recém-nascidos de mães que utilizam o medicamento), depressão do sis-
tema nervoso central, depressão respiratória, bradicardia, cefaleia, dor no
estômago, urticária, êmese, sonolência, náusea e vertigem.
68

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Classificação de medicamentos

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


fenobarbital:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Na apresentação injetável, atentar para a distinção entre am-
polas para uso intramuscular e ampolas para uso endovenoso.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de vertigem.
• Observar que a administração endovenosa máxima é de
600 mg em 24 horas, em adultos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento carbamazepina é classificado como anticolvulsivan-


te, antinevrálgico, antiepiléptico e antipsicótico. Sua administração é por
via oral (comprimido e xarope).
Os pacientes em uso de carmazepina podem apresentar, como
efeitos colaterais: alterações nos resultados de exames laboratoriais de
sangue (como a leucopenia), confusão mental, constipação ou diarreia,
diminuição da atenção, distúrbio de humor, erupção na pele, febre, náu-
sea, perturbação dos movimentos, sonolência, tontura e ulceração na ca-
vidade oral.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


carbamazepina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de tontura.
• Orientar familiares sobre a possibilidade de distúrbio de humor.
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Administração de Medicamentos
• Orientar sobre o risco de dirigir e operar máquinas, devido à
sonolência.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento lorazepan é classificado como anticonvulsivante,


tranquilizante e ansiolítico. Sua administração é por via oral. No Brasil, não
há a apresentação injetável.
O paciente em uso de lorazepan pode apresentar, como efeitos cola-
terais: alucinações, boca seca, cansaço, depressão, dificuldade para urinar,
dor articular, dor no tórax, falta de coordenação dos movimentos, febre,
inflamação na boca e na garganta, palpitação, pesadelo, hipotensão ortos-
tática e diplopia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


lorazepan:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Pode-se usar no lugar do diazepam nos casos de crises con-
vulsivas, apresentando ação mais prolongada e com menos
efeitos colaterais.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da en-
fermagem, devido ao risco de falta de coordenação dos mo-
vimentos.
• Orientar sobre o risco de dirigir e operar máquinas, devido
ao risco de falta de coordenação dos movimentos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento fenitoína é indicado nos casos de convulsão, epilep-
sia e nevralgia do trigêmeo. Sua administração pode ser por via oral (cápsu-
la, comprimido e solução) ou endovenosa.
O paciente em uso de fenitoína pode apresentar, como efeitos cola-
terais, nos casos de administração por via oral: nistagmo, ataxia, diplopia,
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Classificação de medicamentos

confusão mental, irritabilidade, insônia, tontura, distúrbio visual, cefaleia,


depressão medular, êmese, reações alérgicas e rush cutâneo. Nos casos de
administração endovenosa, pode apresentar: hipotensão e choque (admi-
nistração rápida), depressão do sistema nervoso central e arritmia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


fenitoína:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de tontura.
• Orientar familiares sobre a possibilidade de confusão mental
e irritabilidade.
• Orientar sobre o risco de dirigir e operar máquinas, devido às
alterações visuais (nistagmo, diplopia, distúrbio visual).
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos antieméticos
Os medicamentos antieméticos são indicados nos casos de náuseas,
refluxo gastroesofágico e êmese. Como exemplo de antiemético, pode-se
destacar a metoclopramida. Sua administração dá-se por via oral (compri-
midos, gotas e xarope), endovenosa, intramuscular ou retal.
O paciente em uso de metoclopramida pode apresentar, como efeitos
colaterais: hipertensão, depressão, diminuição de desejo sexual, inquieta-
ção, insônia, náuseas, cefaleia, discinesia, distonia aguda, síndrome parkin-
soniana, acatisia, entre outros sintomas.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


metoclopramida:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
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Administração de Medicamentos
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
• Atentar para infusão lenta da droga, visando a diminuir o
risco de aparecimento de efeitos colaterais.

Medicamentos antifúngicos
Os medicamentos antifúngicos são indicados nos casos de candidíase
vaginal, candidíase orofaríngea, candidíase do trato gastrointestinal, candi-
díase cutânea ou sistêmica menos grave. Como exemplo de medicamento
antifúngico, pode-se citar o fluconazol. Sua administração pode ser por via
oral (cápsula e suspensão) ou endovenosa.
O paciente em uso de fluconazol pode apresentar, como efeitos colate-
rais: náuseas, êmese, dor abdominal, cefaleia, diarreia e choque anafilático.

Cuidados específicos por parte da enfermagem:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para os sinais e sintomas de choque anafilático (hi-
potensão, edema de glote, tremores e palidez).
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos anti-hipertensivos
Os medicamentos anti-hipertensivos que merecem destaque são:
captopril, enalapril, nifedipina e verapamil (este último foi descrito na clas-
sificação de antiarrítmicos).
O medicamento captopril é indicado nos casos de hipertensão arte-
rial sistêmica e insuficiência cardíaca congestiva. Sua administração dá-se
somente por via oral (comprimidos).
72

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Classificação de medicamentos

O paciente em uso de captopril pode apresentar, como efeitos co-


laterais: aumento de proteína na urina, colestase hepática, cefaleia, di-
minuição do paladar, náusea, dor articular, tontura, icterícia, dor no pei-
to, aumento de potássio no sangue, diminuição de glóbulos brancos e
pancreatite.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


captopril:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de tontura.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento enalapril também é indicado nos casos de hiperten-


são arterial sistêmica e insuficiência cardíaca congestiva. Sua administração
pode ser por via oral (comprimido) ou endovenosa.
Os pacientes em uso de enalapril podem apresentar, como efeitos
colaterais: colestase hepática, icterícia, cefaleia, perda do paladar, fadiga,
náusea, aumento de proteína na urina, tontura, desmaio (hipotensão), dor
articular e febre.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


enalapril:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de tontura.
• Orientar familiares sobre a possibilidade de desmaio.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
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Administração de Medicamentos
O medicamento nifedipina é indicado nos casos de hipertensão arte-
rial sistêmica e angina do peito crônica estável. Sua administração é por via
oral (cápsula e comprimidos).
O paciente em uso de nifedipina pode apresentar, como efeitos colate-
rais: náuseas, êmese, rubor, sensação de calor, bradicardia ou taquicardia, pal-
pitação, hipotensão grave, prurido, rush cutâneo, agranulocitose e pancreatite.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


nifedipina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem auxílio da enfer-
magem, devido ao risco de hipotensão.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos anti-histamínicos
Os medicamentos anti-histamínicos são indicados nos casos de aler-
gias. Como exemplo, pode-se citar a prometazina.
O medicamento prometazina, além de ser anti-histamínico, é indica-
do como antivertiginoso. Sua administração pode ser por via intramuscular,
endovenosa ou oral.
Os pacientes em uso de prometazina podem apresentar, como efei-
tos colaterais: hipertensão, boca seca, confusão mental, congestão nasal,
constipação, icterícia, desorientação, inquietação, náusea, diminuição de
apetite, retenção urinária, sonolência e depressão.

Cuidados específicos por parte da enfermagem:


• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
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Classificação de medicamentos

• Nos casos de administração por via endovenosa, não é in-


dicada a diluição do medicamento, atentando-se para não
extravasar (risco de necrose subcutânea).
• Orientar familiares sobre a possibilidade de confusão mental
e desorientação.
• Orientar sobre o risco de dirigir e operar máquinas, devido à
sonolência.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos broncodilatadores
Os medicamentos broncodilatadores agem expandindo os brônquios,
e, assim, facilitando a respiração do paciente. Os broncodilatadores que
merecem destaque são: aminofilina, sulfato de terbutalina e ipratrópico.
O medicamento aminofilina é indicado nos casos de asma brônquica,
bronquite, enfisema e doença pulmonar obstrutiva crônica. Sua adminis-
tração pode ser feita por via oral (comprimidos) ou endovenosa.
Os pacientes em uso de aminofilina podem apresentar, como efeitos
colaterais: náuseas, vômito, diarreia, cefaleia, arritmia cardíaca, taquicar-
dia, elevação da glicemia, parada respiratória e hipotensão.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


aminofilina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento sulfato de terbutalina é indicado no tratamento de


asma brônquica, bronquite e broncoespasmo. Sua administração pode ser
feita por via oral (comprimido e xarope), inalatória, subcutânea ou endove-
nosa (quando se pretende inibir o trabalho de parto prematuro).
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Administração de Medicamentos
O paciente em uso de sulfato de terbutalina pode apresentar, como
efeitos colaterais: alteração de pressão arterial, ansiedade, confusão men-
tal, cefaleia, náusea, arritmia cardíaca, parada cardiorrespiratória, azia e
palpitação.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


sulfato de terbutalina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Recomenda-se, como local de aplicação por via subcutânea,
a área lateral do músculo deltoide (membros superiores).
• Orientar familiares sobre a possibilidade de confusão mental.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento ipratrópico é indicado nos casos de asma, bronquite


crônica e enfisema. Sua administração é por via inalatória.
Os pacientes em uso do medicamento ipratrópico podem apresentar,
como efeitos colaterais: cefaleia, náusea, boca seca, taquicardia, palpitação
e retenção urinária.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


ipratrópico:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos corticoides
Os medicamentos corticoides, que merecem destaque, são o solucor-
tef e o solumedrol.
O medicamento solucortef é anti-inflamatório esteroide, imunossu-
pressor e cortisol. É indicado nos casos de asma brônquica, colite ulcerativa,
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Classificação de medicamentos

doença do colágeno, angioedema, inflamação grave, insuficiência suprarre-


nal e reação alérgica grave. Sua administração é por via endovenosa.
Os pacientes em uso de solucortef podem apresentar, como efeitos cola-
terais: o aumento da pressão intracraniana, síndrome de Cushing, sudorese e
cefaleia. A síndrome de Cushing é caracterizada por aumento de peso corpóreo,
elevação da pressão arterial e arredondamento da face (lembrando lua cheia).

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


solucortef:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• O tempo de infusão recomendado é de 30 segundos para
100 mg ou 10 minutos para 500 mg.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento solumedrol é um anti-inflamatório esteroide indi-


cado nos casos de inflamação e imunossupressão. Sua administração é por
via endovenosa.
Os pacientes em uso de solumedrol podem apresentar, como efeitos
colaterais: alteração de personalidade, choque anafilático, cefaleia, náusea,
retardo no processo de cicatrização e síndrome de Cushing.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


solumedrol:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• O medicamento deve ser reconstituído com o diluente que
acompanha o frasco. Após a reconstituição, diluir em solução
fisiológica 0,9% ou solução glicosada 5% e infundir por tem-
po superior a 40 minutos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
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Administração de Medicamentos

Medicamentos glicocorticoides –
Anti-inflamatórios esteroides
Os medicamentos glicocorticoides, que merecem destaque, são: de-
xametasona e prednisona.
O medicamento dexametasona é indicado nos casos de alergopatias,
reumatopatias, dermatopatias, oftalmopatias, endocrinopatias, pneumo-
patias, hemopatias e doenças neoplásicas. Sua administração pode ser por
via oral (comprimidos e elixir), intramuscular ou endovenosa.
Os pacientes em uso de dexametasona podem apresentar, como efei-
tos colaterais: distúrbios hidroeletrolíticos, distúrbios musculares, altera-
ções gastrointestinais, dermatológicas, neurológicas, alterações oftálmicas,
distúrbios metabólicos e náusea.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


dexametasona:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento prednisona é indicado nos casos de doenças endócri-


nas, osteomusculares, reumáticas, do colágeno, reações alérgicas, oftálmi-
cas, respiratórias e dermatológicas. Sua administração é por via oral.
Os pacientes em uso de prednisona podem apresentar, como efeitos
colaterais: alterações hidroeletrolíticas, gastrointestinais, dermatológicas,
endócrinas e metabólicas.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


prednisona:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
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Classificação de medicamentos

Medicamentos anti-inflamatórios
não esteroides
Os medicamentos anti-inflamatórios não esteroides podem ser classi-
ficados como derivados de:
• ácido salicílico;
• pirazolona;
• para-aminofenol;
• ácido fenilacético;
• ácido indolacético;
• ácido propiônico;
• ácido fenilantranílico; e
• ácido enólico.

Os anti-inflamatórios apresentam ação no combate à inflamação,


bem como ações analgésica e antipirética.
Os medicamentos derivados do ácido salicílico podem apresentar,
como reações adversas:
• alterações gastrointestinais: desconforto, náusea, vômito, he-
morragia, úlcera, gastrite etc.;
• aumento do tempo de coagulação (inibição da agregação
plaquetária);
• hipersensibilidade: urticária e choque anafilático;
• alterações do equilíbrio ácido-base: hiperventilação pulmo-
nar (alcalose respiratória), intoxicações graves (depressão do
centro respiratório); e
• intoxicações agudas ou crônicas.
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Administração de Medicamentos

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto aos


derivados do ácido salicílico:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Realizar lavagem gástrica, nos casos de intoxicação aguda;
• Orientar o paciente sobre risco de hemorragia gástrica.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
Os medicamentos derivados da pirazolona podem apresentar, como
reações adversas:
• retenção de sódio, cloro e água (nível renal);
• aumento do volume plasmático;
• redução do volume urinário;
• alterações cardíacas;
• intoxicação aguda (náuseas, vômitos, edema);
• intoxicação crônica (trombocitopenia, agranulocitose, icterí-
cia, febre e lesões orais).

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto aos


derivados da pirazolona:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
Os medicamentos derivados do para-aminofenol têm ação analgési-
ca, apesar de serem classificados como anti-inflamatórios não esteroides.
Podem provocar reações tóxicas, como necrose hepática, náuseas, vômitos,
dor abdominal e insuficiência hepática.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto aos


derivados do para-aminofenol:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
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Classificação de medicamentos

• Administrar N-acetilcisteína, nos casos de reações tóxicas.


• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Os medicamentos derivados do ácido fenilacético podem provocar,


como reações adversas: sangramento, ulceração da parede intestinal, hepa-
totoxicidade, endurecimento do local da aplicação intramuscular, insônia,
irritabilidade, convulsões, visão borrada e diplopia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto aos


derivados do ácido fenilacético:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• A administração por via intramuscular deve ser feita no mús-
culo glúteo, devido ao risco de endurecimento, abscesso e
necrose local.
• Orientar o paciente sobre risco de sangramento.
• Orientar o paciente sobre risco de queda, devido à visão bor-
rada e à diplopia.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
Os medicamentos derivados do ácido indolacético podem provocar,
como reações adversas: cefaleia, náusea, vômito, anorexia, dor abdominal,
vertigem, leucopenia e hipersensibilidade.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto aos


derivados do ácido indolacético:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente sobre risco de queda, devido à vertigem.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Os medicamentos derivados do ácido propiônico podem provocar rea-


ções adversas, como irritação do trato gastrointestinal e lesões pré-ulcerosas.
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Administração de Medicamentos

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto aos


derivados do ácido propiônico:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Os medicamentos derivados do ácido fenilantranílico podem pro-


vocar efeitos tóxicos, como cefaleia, tontura, perturbação gastrointestinal,
agranulocitose e hipersensibilidade.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto aos


derivados do ácido fenilantranílico:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Os medicamentos derivados do ácido enólico podem provocar rea-


ções adversas, como discrasias sanguíneas (anemia, trombocitopenia, púr-
pura e leucopenia), lesões gástricas, náuseas, vômitos, diarreia, gastrite e
aumento do tempo de coagulação.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto aos


derivados do ácido enólico:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos anti-inflamatórios COXIBs


São anti-inflamatórios inibidores de enzimas ciclo-oxigenases (COX),
essenciais para a síntese de prostaglandinas. Essas enzimas são classificadas
em COX 1 e COX 2.
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Classificação de medicamentos

Esse grupo de anti-inflamatórios inibe especificamente a COX 2, mas


também, em menor proporção, a COX 1. Com isso, torna-se mais efetivo no
tratamento álgico e provoca menos efeitos adversos, comparando-se aos
anti-inflamatórios não esteroides. São exemplos de medicamentos anti-in-
flamatórios COXIBs: etoricoxib, celecoxib e lumiracoxib. Sua administração
é por via oral.

Cuidados específicos por parte da enfermagem:


• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos diuréticos
Os medicamentos diuréticos promovem o aumento do volume uriná-
rio. Destacam-se a hidroclorotiazida e a furosemida.
O medicamento hidroclorotiazida é indicado nos casos de hiperten-
são arterial e edema associado à insuficiência cardíaca congestiva. Sua
administração é por via oral.
O paciente em uso de hidroclorotiazida pode apresentar, como efeitos co-
laterais, a hiperglicemia, aumento do ácido úrico no sangue e hipopotassemia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


hidroclorotiazida:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento furosemida é um diurético potente, cuja ação é rápi-


da e de curta duração. Sua administração pode ser por via oral (comprimi-
dos) ou endovenosa.
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Administração de Medicamentos
Os pacientes em uso de furosemida podem apresentar, como efeitos
colaterais: hipotensão, fotossensibilidade, desidratação. Há possibilidade
de coma hepático, hipopotassemia e diminuição da acuidade auditiva em
pacientes com patologias hepáticas graves.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


furosemida:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos trombolíticos
O medicamento trombolítico, que merece destaque, é o estreptoquinase.
O medicamento estreptoquinase é um anticoagulante, indicado nos
casos de trombose venosa profunda e trombose de artéria femoral após
cateterismo cardíaco. Sua administração é por via endovenosa.
Os pacientes em uso de estreptoquinase podem apresentar, como
efeitos colaterais: sangramento espontâneo grave, hemorragia cerebral,
hipersensibilidade e reações anafiláticas, febre, calafrios, hipotensão e
broncoespasmo.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


estreptoquinase:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos sedativos
Os medicamentos sedativos, que merecem destaque, são o tiopental,
midazolam, diazepam e hidrato de cloral.
84

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Classificação de medicamentos

O medicamento tiopental é anticonvulsivante e anestésico. Pode ser


utilizado em anestesia geral, em procedimentos de curta duração. Sua ad-
ministração é por via endovenosa.
Os pacientes em uso de tiopental podem apresentar, como efeitos
colaterais: anemia hemolítica, ansiedade, taquicardia, calafrios, cansaço,
colapso vascular periférico, depressão do miocárdio, depressão respiratória,
constrição da laringe, espirros, náusea, parada respiratória, perda de me-
mória, alteração de ritmo cardíaco, hipotensão, reações alérgicas e anafilá-
ticas, rubor cutâneo e êmese.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


tiopental:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento midazolam é anticonvulsivante e indutor do sono.


É indicado nos casos de insônia, sedação contínua e sedação pré-cirúrgica.
Sua administração pode ser por via oral, intramuscular ou endovenosa.
Os pacientes em uso de midazolam podem apresentar, como efeitos
colaterais: boca seca, episódios de perda de memória, náusea e êmese.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


midazolam:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento diazepam é anticonvulsivante, tranquilizante e an-


siolítico. É indicado nos casos de crise convulsiva, como relaxante muscular
esquelético e na sedação para exames de procedimentos médicos.
85

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Administração de Medicamentos
O paciente em uso de diazepam pode apresentar alterações de desejo
sexual, alucinação, ansiedade, boca seca, confusão mental, lipotimia, sono-
lência, tontura, náusea, excitação e parada cardiorrespiratória.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


diazepam:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• A administração endovenosa deve ser lenta (risco de parada
cardiorrespiratória em infusão rápida).
• Nos casos de administração endovenosa, o medicamento
pode ou não ser diluído. A opção pela diluição ficará a crité-
rio médico e deverá constar em prescrição médica.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento hidrato de cloral é um sedativo, indicado na sedação


para exames de imagem. Sua administração é por via oral.
Os pacientes em uso do medicamento hidrato de cloral podem apre-
sentar, como efeitos colaterais: depressão respiratória (pouco frequente),
apneia, parada cardíaca, apneia obstrutiva durante o sono, agitação, eufo-
ria, delírio, cefaleia, confusão.
Seu uso é contraindicado em pacientes com insuficiência hepática,
insuficiência renal grave e gastrite.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


hidrato de cloral:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento fentanil é um analgésico narcótico de curta duração.


Sua administração é por via endovenosa.
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Classificação de medicamentos

O paciente em uso de fentanil pode apresentar, como efeitos colate-


rais: depressão respiratória, bradicardia e vômito.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


fentanil:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• A administração deve ser lenta, devido ao risco de provocar
hipotensão.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos antibióticos
Os antibióticos que merecem destaque são: vancomicina, amicacina,
cefalexina, clindamicina, imipenem, oxacilina, ampicilina, cefalotina, cef-
triaxona, azitromicina, ciprofloxacina, metronidazol, amoxacilina, ceftazi-
dima e gentamicina.
O medicamento vancomicina é classificado como antibiótico e anti-
bacteriano. É indicado no tratamento de endocardite bacteriana, infecção
articular por estafilococos, infecção óssea e septicemia bacteriana. Sua
administração é endovenosa.
Os pacientes em uso de vancomicina podem apresentar, como efeitos co-
laterais: alterações no sangue, arrepios, hipertermia, náusea, queda de pressão
arterial, reações alérgicas, vasculite, vertigem, êmese e zumbido nos ouvidos.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


vancomicina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos. A diluição e o tempo
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Administração de Medicamentos
de infusão são determinados por protocolos institucionais
elaborados pela CCIH e Farmácia, específicos conforme o tipo
de antibiótico, a dosagem, a indicação do medicamento e a
idade do paciente (adulto ou criança).
• Orientar o paciente a não deixar o leito sem estar acompa-
nhado por profissionais de enfermagem, devido ao risco de
queda causado por efeitos colaterais (queda de pressão arte-
rial e vertigem).
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento amicacina é classificado como antibiótico e antibac-


teriano, indicado no tratamento de infecção do trato biliar, infecção óssea,
infecção articular, infecção do sistema nervoso central, infecção intra-abdo-
minal, pneumonia por gram-negativo, septicemia bacteriana, infecção de
pele e tecidos moles e infecção urinária. Sua administração pode ser endo-
venosa ou intramuscular.
Os pacientes em uso de amicacina podem apresentar, como efeitos
colaterais: toxicidade renal, neurotoxicidade, toxicidade auditiva e toxicida-
de vestibular.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


amicacina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Nos casos de administração endovenosa, o medicamento
deve ser diluído em solução fisiológica 0,9% (100 ml).
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento cefalexina é classificado como antibiótico e antibac-


teriano, sendo indicado no tratamento de amigdalite, faringite, infecção ar-
ticular, infecção de pele e tecidos moles, infecção orofacial por anaeróbios,
infecção por cocos gram-positivos, infecção urinária, otite média e pneu-
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Classificação de medicamentos

monia. Sua administração pode ser por via oral (comprimidos, drágeas,
suspensão oral e gotas) ou endovenosa.
Os pacientes em uso de cefalexina podem apresentar, como efeitos
colaterais: candidíase oral, candidíase vaginal, cefaleia, diarreia e diminui-
ção de protombina no sangue.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


cefalexina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos. A diluição e o tempo
de infusão são determinados por protocolos institucionais
elaborados pela CCIH e Farmácia, específicos conforme o tipo
de antibiótico, a dosagem, a indicação do medicamento e a
idade do paciente (adulto ou criança).
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento clindamicina é classificado como antibiótico, anti-
bacteriano e antiprotozoário. É indicado no tratamento de infecção arti-
cular, infecção de pele e tecidos moles, infecção intra-abdominal, infecção
óssea, infecção pélvica em mulheres, infecção orofacial por anaeróbios,
infecção por gram-positivo, pneumonia, septicemia e vaginite por gardne-
rella. Sua administração pode ser por via oral (cápsula) ou endovenosa.
Os pacientes em uso de clindamicina podem apresentar como efeitos
colaterais: abcesso estéril, alteração do nível de bilirrubina, alterações no
sangue, choque anafilático, diarreia intensa com presença de muco, icterí-
cia, dor abdominal, náusea e diminuição do apetite.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


clindamicina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
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Administração de Medicamentos
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento imipenem é classificado como antibiótico de amplo


espectro e antibacteriano, sendo indicado no tratamento de endocardite
bacteriana, infecção articular, infecção de pele e de tecidos moles, infecção
intra-abdominal, infecção óssea, infecção pélvica em mulheres, infecção uri-
nária, pneumonia e septicemia. Sua administração dá-se por via intramus-
cular ou endovenosa.
Os pacientes em uso de imipenem podem apresentar, como efeitos
colaterais: sialorreia, cansaço, diarreia, fraqueza, inflamação na língua,
náusea, reação alérgica, sudorese, tromboflebite e êmese.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


imipenem:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Manter a permeabilidade de acesso venoso, atentando para
sinais de flebite.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento oxacilina é classificado como antibiótico e antibac-


teriano, sendo indicado no tratamento de infecção por estafilococos. Sua
administração pode ser por via oral (cápsula), intramuscular ou endovenosa.
O paciente em uso de oxacilina pode apresentar, como efeitos colate-
rais: alteração no sangue, diarreia com presença de muco, convulsão, ele-
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Classificação de medicamentos

vação de enzimas hepáticas, irritabilidade neuromuscular, lesões na boca,


náuseas, nefrite, neuropatia e êmese.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


oxacilina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento ampicilina é classificado como antibiótico e antibac-
teriano, sendo indicado no tratamento de endocardite bacteriana, infecção
biliar, infecção ginecológica e obstétrica, infecção intestinal, infecção respi-
ratória, infecção urinária, meningite bacteriana, febre tifoide e septicemia.
Sua administração pode ser por via oral (cápsula, comprimido e suspensão
oral), intramuscular ou endovenosa.
O paciente em uso de ampicilina pode apresentar, como efeitos co-
laterais: angioedema, alterações no sangue, candidíase, choque, colite
pseudomembranosa, diarreia, náusea, vaginite, vasculite, reações na pele,
convulsão e dor articular.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


ampicilina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para não administrar ampicilina benzatina por via
endovenosa, somente por via intramuscular.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
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Administração de Medicamentos
• O medicamento cefalotina é classificado como antibiótico e
antibacteriano de primeira geração, sendo indicado no tra-
tamento de endocardite bacteriana, infecção articular, infec-
ção de pele e dos tecidos moles, infecção óssea, infecção pe-
rioperatória, infecção urinária, pneumonia e septicemia. Sua
administração pode ser por via endovenosa e intramuscular.
Os pacientes em uso de cefalotina podem apresentar, como efeitos
colaterais: candidíase oral, cefaleia, diarreia, dor abdominal, convulsões,
dor articular e reações alérgicas.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


cefalotina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento ceftriaxona é classificado como antibiótico e antibac-


teriano, sendo indicado no tratamento de gonorreia endocervical, gonor-
reia uretral, infecção articular, infecção de pele e de tecidos moles, infecção
intra-abdominal, infecção óssea, infecção pélvica em mulheres, profilaxia
de infecção perioperatória, infecção urinária, meningite, pneumonia e sep-
ticemia. Sua administração pode ser por via endovenosa ou intramuscular.
Os pacientes em uso de ceftriaxona podem apresentar, como efei-
tos colaterais: candidíase oral, candidíase vaginal, cefaleia, dor abdominal,
diarreia grave (que pode apresentar sangue) e hipertermia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


ceftriaxona:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
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Adm_Medicamentos_1_Backup.indd 92 18/05/11 20:44


Classificação de medicamentos

• A diluição do medicamento para infusão endovenosa pode


ser em solução glicosada 5% ou solução fisiológica 0,9%.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento azitromicina é classificado como antibiótico e anti-


bacteriano, sendo indicado no tratamento de bronquite bacteriana, cervi-
cite, faringite, infecção de pele e de tecidos moles, infecção orofacial por
anaeróbios e por cocos gram-positivos, pneumonia e uretrite. Sua admi-
nistração dá-se por via oral (cápsula, comprimido e suspensão oral) ou
endovenosa.
Os pacientes em uso de azitromicina podem apresentar, como efeitos
colaterais: alterações no sangue, angioedema, choque anafilático, diarreia,
dor abdominal, erupção na pele, flatulência, náusea, alterações hepáticas
e êmese.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


azitromicina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento ciprofloxacina é classificado como antibiótico de am-
plo espectro e antibacteriano, sendo indicado no tratamento de bronquite
bacteriana, gastroenterite, gonorreia endocervical, gonorreia uretral, infec-
ção articular, infecção de pele e de tecidos moles, infecção óssea, infecção
urinária, periodontite e pneumonia. Sua administração pode ser por via
oral (comprimido) ou endovenosa.
Os pacientes em uso de ciprofloxacina podem apresentar, como efeitos
colaterais: alterações do paladar, cefaleia, fotossensibilidade, prurido, erupção
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Administração de Medicamentos
e rubor na pele, alterações gastrointestinais, dor abdominal, náusea, êmese,
toxicidade do sistema nervoso central, sonolência ou insônia e hipertermia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


ciprofloxacina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente para não dirigir e não operar máquinas,
devido ao risco de sonolência.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento metronidazol é classificado como triconomicida, ame-
bicida e antibacteriano, sendo indicado no tratamento de infecções causadas
por bactérias anaeróbicas, septicemia, bacteremia, abscesso cerebral, absces-
so subfrênico, infecção puerperal e abscesso pélvico. Sua administração pode
ser por via oral (comprimido e suspensão oral) ou endovenosa.
Os pacientes em uso de metronidazol podem apresentar, como efei-
tos colaterais: alterações no paladar, alterações no traçado elétrico cardía-
co, alterações no sangue, ataxia, boca seca, candidíase vaginal, cistite, cólica
abdominal, colite pseudomembranosa, diarreia com presença de muco ou
constipação, confusão mental e congestão nasal.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


metronidazol:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Diluir o medicamento em solução fisiológica 0,9%, solução
glicosada 5% ou solução de ringer lactato.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
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Classificação de medicamentos

• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento amoxacilina é classificado como antibiótico e anti-


bacteriano, sendo indicado no tratamento de amigdalite, endocardite bac-
teriana, gonorreia, infecção de pele e partes moles, infecção odontogênica,
infecção respiratória, otite média e sinusite. Sua administração pode ser
por via oral (comprimidos, cápsulas e suspensão oral), intramuscular ou
endovenosa.
Os pacientes em uso de amoxacilina podem apresentar, como efei-
tos colaterais: agitação, alterações sanguíneas, ansiedade, candidíase oral,
choque anafilático, erupção na pele, lesão oral, náusea, tontura, urticária,
vertigem, êmese e diarreia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


amoxacilina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Orientar o paciente sobre risco de queda, provocado por ton-
tura e vertigem.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos. A diluição e o tempo
de infusão são determinados por protocolos institucionais
elaborados pela CCIH e Farmácia, específicos conforme o tipo
de antibiótico, a dosagem, a indicação do medicamento e a
idade do paciente (adulto ou criança).
• O frasco de solução, após aberto, deverá ser mantido sob re-
frigeração, conforme protocolo elaborado pela farmácia de
cada instituição de saúde, que deverá seguir orientações das
indústrias farmacêuticas.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
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Administração de Medicamentos
O medicamento ceftazidima é classificado como antibiótico e antibacte-
riano de terceira geração, sendo indicado no tratamento de infecção articular,
infecção de pele e tecidos moles, infecção intra-abdominal, infecção óssea,
infecção pélvica em mulheres, infecção urinária, meningite, pneumonia e sep-
ticemia. Sua administração pode ser por via endovenosa ou intramuscular.
Os pacientes em uso de ceftazidima podem apresentar, como efeitos
colaterais: candidíase oral, candidíase vaginal, cefaleia, colite pseudomem-
branosa, dor abdominal, dor gástrica, diarreia aquosa (que pode transfor-
mar-se em sanguinolenta) e diminuição da protrombina no sangue.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


ceftazidima:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• A administração endovenosa deve seguir o protocolo da ins-
tituição sobre diluição de antibióticos.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento gentamicina é classificado como antibiótico e an-
tibacteriano, indicado no combate a bacilos gram-negativos e a algumas
bactérias gram-positivas. É recomendado no tratamento de infecção do sis-
tema nervoso central, infecção intra-abdominal, pneumonia por gram-ne-
gativo, septicemia bacteriana, infecção de pele e de tecidos moles e infecção
urinária. Sua administração é por via tópica (creme) ou intramuscular.
Os pacientes em uso de gentamicina podem apresentar como efeitos co-
laterais: neurotoxicidade, toxicidade renal, oligúria, sede excessiva, diminuição
de apetite, náusea, êmese, toxicidade auditiva, toxicidade vestibular e tontura.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


gentamicina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
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Classificação de medicamentos

• Orientar o paciente sobre risco de queda, devido à tontura.


• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Medicamentos psiquiátricos
Os medicamentos, que merecem destaque neste item, são: haloperi-
dol, clorpromazina, levomepromazina, imiprarina e imiptrilina, sertralina
e fluoxetina, olanzapina, risperidona, quetiapina, ziprazidona, clozapina,
carbonato de lítio, carbamazepina, ácido valproico, benzodiazepínicos (dia-
zepam, midozolam, lorazepam e clonazepam) e tramilcipromina.
O medicamento haloperidol é classificado como antipsicótico, sendo
indicado nos casos de agitação grave, delírios, alucinações, distúrbios psicos-
somáticos, transtorno obsessivo-compulsivo grave, impulsividade e mania
psicótica. Sua administração pode ser por via oral (comprimidos e gotas) ou
intramuscular.
Os pacientes em uso de haloperidol podem apresentar, como efeitos co-
laterais: distonia, síndrome extrapiramidal, hipotensão ortostática, discinesia
tardia, acatisia, convulsões, rush cutâneo, náusea, visão turva, vômito, sialor-
reia, aumento do apetite, aumento de peso corpóreo, obstipação e disfagia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


haloperidol:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação medicamentosa com álcool, anestési-
cos, barbitúricos e metildopa, pois tais medicamentos poten-
cializam o efeito do haloperidol.
• Atentar para interação medicamentosa com anticonvulsi-
vantes, pois o medicamento haloperidol reduz o limiar con-
vulsígeno.
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Administração de Medicamentos
• Atentar para interação medicamentosa com anfetaminas,
pois o haloperidol diminui o efeito desses medicamentos.
• Atentar para a interação medicamentosa com guanetidina,
pois o haloperidol apresenta efeito antagonista ao anti-hi-
pertensivo.
• Atentar para a interação medicamentosa com antiácidos e
antidiarreicos, por inibir a absorção oral.
• Atentar para interação medicamentosa com epinefrina, pois
há risco de hipotensão.
• Orientar o paciente sobre risco de queda devido à hipoten-
são ortostática, convulsões e visão turva.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento clorpromazina é classificado como antipsicótico, sen-


do indicado nos casos de agitação grave, delírios, alucinações, distúrbios
psicossomáticos, transtornos obsessivo-compulsivos graves, impulsividade
e mania psicótica. Sua administração pode ser por via oral (comprimidos e
gotas) ou intramuscular.
Os pacientes em uso de clorpromazina podem apresentar, como
efeitos colaterais: distonia, síndrome extrapiramidal, hipotensão ortos-
tática, discinesia tardia, acatisia, convulsões, rush cutâneo, náusea, visão
turva, vômito, aumento do apetite, aumento de peso corpóreo, obstipa-
ção e disfagia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


clorpromazina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento levomepromazina é classificado como antipsicótico,
sendo indicado nos casos de agitação grave, delírios, alucinações, distúrbios
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Classificação de medicamentos

psicossomáticos, transtornos obsessivo-compulsivos graves, impulsividade


e mania psicótica. Sua administração pode ser por via oral (comprimidos e
gotas) ou intramuscular.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


levomepromazina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
Os medicamentos imiprarina e imiptrilina são classificados como an-
tipsicóticos, sendo indicados nos casos de depressão maior, distimia, trans-
tornos ansiosos e dor crônica. Sua administração é por via oral.
Os pacientes em uso desses medicamentos podem apresentar, como
efeitos colaterais e reações adversas: diminuição da secreção salivar, cons-
tipação intestinal, aumento do tônus do esfíncter vesical (causando dificul-
dade para urinar), glaucoma, alterações no sistema de condução cardíaca,
hipotensão postural, diminuição do limiar convulsígeno, estados de delírio,
hiperpirexia, náusea, vômito, diarreia, ansiedade e insônia.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto às


imiprarina e imiptrilina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação medicamentosa com álcool, pois es-
ses medicamentos potencializam o efeito depressor do siste-
ma nervoso central.
• Atentar para interação medicamentosa com anticonvulsivantes,
pois os medicamentos imiprarina e imiptrilina podem diminuir
os efeitos da medicação antidepressiva, baixar o limiar convulsí-
geno e acentuar a depressão do sistema nervoso central.
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Administração de Medicamentos
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

Os medicamentos sertralina e fluoxetina são classificados como an-


tipsicóticos, sendo indicados nos casos de depressão, transtorno de pânico,
transtorno obsessivo-compulsivo, bulimia nervosa e outros transtornos ali-
mentares. Sua administração é por via oral.
Os pacientes em uso desses medicamentos podem apresentar, como
efeitos colaterais e reações adversas: náuseas, diarreia, indisposição diges-
tiva, tremor, tontura, vertigem, insônia ou sonolência, sudorese, boca seca,
perda de apetite, perda de peso e disfunção sexual (homens).

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto às


sertralina e fluoxetina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação medicamentosa com clozapina, pois
pode ocorrer elevação de sua concentração acentuando o ris-
co de convulsões.
• Orientar o paciente a não dirigir e não operar máquinas, de-
vido ao aumento da sonolência.
• Orientar o paciente sobre risco de queda, devido à tontura e
à vertigem.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento olanzapina é classificado como antipsicótico, sendo


indicado nos casos de esquizofrenia, transtornos esquizoafetivos, delírios,
alucinações, hostilidade, agressividade, afeto diminuído, isolamento social,
pobreza de linguagem, agitação e mania bipolar. Sua administração pode
ser por via oral (comprimidos) ou intramuscular.
Os pacientes em uso de olanzapina podem apresentar, como efeitos
colaterais e reações adversas: aumento de peso, sedação, acatisia, disfun-
100

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Classificação de medicamentos

ção sexual, constipação, boca seca, tontura, tremores, síndrome neurolépti-


ca maligna, hipotensão ortostática e efeitos extrapiramidais.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


olanzapina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação medicamentosa com álcool, pois esse
medicamento aumenta o risco de convulsões.
• Atentar para interação medicamentosa com medicamentos
classificados como benzodiazepínicos, pois potencializam a
sonolência, a hipotensão postural e a depressão respiratória.
• Orientar o paciente para não dirigir e não operar máquinas,
devido ao risco de sonolência.
• Orientar o paciente sobre risco de queda, devido à hipoten-
são ortostática e tontura.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
O medicamento risperidona é classificado como antipsicótico, sendo
indicado no tratamento de esquizofrenia, transtornos esquizoafetivos, de-
lírios, alucinações, hostilidade, agressividade, afeto diminuído, isolamento
social, pobreza de linguagem, agitação e mania bipolar. Sua administração
é por via oral (comprimidos e solução oral).
Os pacientes em uso de risperidona podem apresentar, como efei-
tos colaterais e reações adversas: acatisia, agitação, ansiedade, aumento de
apetite, cefaleia, disfunção sexual, hipotensão postural, sedação, parkinso-
nismo, taquicardia e tremores.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


risperidona:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
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Administração de Medicamentos
• Atentar para interação medicamentosa com álcool, pois
pode aumentar o risco de convulsões, sedação e alterações
cardíacas.
• Atentar para interação medicamentosa com carbamazepina,
barbitúricos, omeprazol e glicocorticoides; eles reduzem os
níveis séricos da risperidona.
• Orientar o paciente sobre risco de queda, devido à hipoten-
são postural.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento quetiapina é classificado como antipsicótico, sendo


indicado no tratamento de esquizofrenia, transtornos esquizoafetivos, de-
lírios, alucinações, hostilidade, agressividade, afeto diminuído, isolamento
social, pobreza de linguagem, agitação e mania bipolar. Sua administração
é por via oral (comprimidos).
Os pacientes em uso de quetiapina podem apresentar, como efeitos
colaterais e reações adversas: aumento de peso, boca seca, constipação,
hipotensão, sonolência e tontura.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


quetiapina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação medicamentosa com álcool, pois es-
ses medicamentos aumentam a sedação.
• Atentar para interação medicamentosa com anti-hipertensi-
vos; eles potencializam o efeito da quetiapina;
• Atentar para interação medicamentosa com haloperidol e ris-
peridona, pois perdem o efeito se usados com a quetiapina.
• Atentar para a interação medicamentosa com barbitúricos e
carbomazepina, pois há redução do nível sérico da quetiapina.
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Classificação de medicamentos

• Atentar para interação medicamentosa com dopamina, pois


ela antagoniza os efeitos da quetiapina.
• Atentar para a interação medicamentosa com o cetoconazol,
pois este aumenta os níveis séricos da quetiapina.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento ziprazidona é classificado como antipsicótico, sendo


indicado no tratamento de esquizofrenia, transtornos esquizoafetivos, agita-
ção psicótica, mania bipolar e nas recidivas. Sua administração é por via oral.
O paciente em uso de ziprazidona pode apresentar, como efeitos co-
laterais e reações adversas: síndrome extrapiramidal, tontura, náuseas, ce-
faleia, coriza e hipotensão postural.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


ziprazidona:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento clozapina é classificado como antipsicótico, sendo


indicado nos tratamentos em que não há resposta com antipsicóticos tradi-
cionais, em virtude de os pacientes não tolerarem os efeitos colaterais. Sua
administração é por via oral.
Os pacientes em uso de clozapina podem apresentar, como efeitos
colaterais e reações adversas: agranulocitose, convulsões, sedação, sialor-
reia, aumento de peso corpóreo, hipotensão ortostática, náusea, enurese,
obstipação, taquicardia e visão turva.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


clozapina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
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Administração de Medicamentos
• Atentar para interação medicamentosa com carbazepina,
pois esta provoca diminuição dos níveis séricos de clozapina,
aumentando o risco de agranulocitose.
• O paciente deve ser submetido a controle de hemograma,
mensalmente.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento carbonato de lítio é classificado como estabilizador


de humor, sendo indicado no controle de episódios de mania. Sua adminis-
tração é por via oral.
Os pacientes em uso de carbonato de lítio podem apresentar como efei-
tos colaterais e reações adversas: náuseas, boca seca, diarreia, dor abdominal,
estomatite, tremor fino nas mãos, poliúria, aumento da sede, fala pastosa,
confusão, tontura, vertigem, cefaleia, ataxia, perda de memória, alopecia, pru-
ridos, incontinência urinária e edema.
A toxicidade do lítio pode aparecer com níveis séricos muito próximos
ao nível terapêutico.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


carbonato de lítio:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação medicamentosa com aminofilina, ca-
feína e bicarbonato de sódio, pois tais substâncias diminuem
a excreção urinária.
• Atentar para interação medicamentosa com diuréticos, pois
pode haver toxicidade, devido à capacidade do carbonato de
lítio de retardar a excreção renal, aumentando seu nível sérico.
• Atentar para interação medicamentosa com haloperidol,
pois há risco de neurotoxicidade e lesão cerebral irreversível.
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Classificação de medicamentos

• Atentar para a interação medicamentosa com metildopa e


tetraciclina, pois há risco de toxicidade, devido à diminuição
da excreção renal do carbonato de lítio.
• Atentar para interação medicamentosa com noraepinefrina,
pois pode provocar queda de pressão arterial.
• Atentar para a interação medicamentosa com relaxantes
musculares, pois eles podem potencializar ou prolongar o
efeito do medicamento.
• Atentar para dietas pobres em cloreto de sódio, pois o uso
do lítio diminui a capacidade de reabsorção de sódio pelos
túbulos renais.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento carbamazepina é classificado como anticonvulsivan-


te e estabilizador de humor. É indicado como alternativa ao tratamento
com lítio. Seus efeitos colaterais já foram descritos no item “Medicamentos
anticonvulsivantes”.
O medicamento ácido valproico é classificado como anticonvulsi-
vante e estabilizador de humor. É indicado no controle de episódios de
mania. Seus efeitos colaterais já foram descritos no item “Medicamentos
anticonvulsivantes”.
Os medicamentos diazepam, midazolam, lorazepam e clonazepam,
classificados como benzodiazepínicos, são indicados no tratamento de an-
siedade, abstinência alcoólica, espasmos musculares, sedação pré-anestési-
ca e crises convulsivas. Sua administração pode ser por via oral, intramus-
cular ou endovenosa.
Os pacientes em uso desses medicamentos podem apresentar, como
efeitos colaterais e reações adversas: confusão, cefaleia, ansiedade, tremo-
res, excitação, fadiga, depressão, insônia, alucinações, náuseas, vômitos,
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Administração de Medicamentos
constipação ou diarreia, anorexia, dermatites, hipotensão ortostática, taqui-
cardia, visão turva e midríase.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto ao


diazepam, ao midazolam, ao lorazepam e ao clonazepam:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação medicamentosa com carbamazepina,
pois ela pode diminuir a meia-vida dos benzodiazepínicos.
• Atentar para interação medicamentosa com cimetidina, pois
pode haver inibição do metabolismo hepático.
• Atentar para interação medicamentosa com depressores do
sistema nervoso central, álcool, analgésicos e anestésicos,
pelo fato de poderam potencializar a ação dos benzodiaze-
pínicos.
• Atentar para a interação medicamentosa com tricíclicos, pois
estes podem aumentar os efeitos dos benzodiazepínicos.
• Atentar para interação medicamentosa com isoniazida; ela
pode inibir a eliminação do diazepam e, consequentemente,
elevar seus níveis plasmáticos.
• Atentar para interação medicamentosa com fenitoína, pois
pode ocorrer diminuição do metabolismo, elevando os níveis
de fenitoína no plasma.
• Atentar para a interação medicamentosa com levodopa, pois
este pode diminuir o efeito dos benzodiazepínicos.
• Orientar pacientes sobre risco de queda decorrente de hipo-
tensão e visão turva.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.

O medicamento tramilcipromina é classificado como antidepressivo,


sendo indicado nos casos de depressão maior (quando não há resposta a
106

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Classificação de medicamentos

outros medicamentos), depressão atípica, transtorno de pânico, agorafobia


e fobia social. Sua administração é por via oral.
Os pacientes em uso de tramilcipromina podem apresentar, como
efeitos colaterais e reações adversas: hipotensão ortostática, fadiga, agita-
ção, aumento do apetite, bradicardia, cólica abdominal, diminuição de libi-
do, fraqueza, aumento de peso, sedação, tontura, vertigem, encurtamento
dos períodos de sono e alteração dos níveis séricos de glicose.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


tramilcipromina:

• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de


administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação com nutrientes que contenham ami-
nas vasoativas (queijo, fígado, embutidos, enlatados, peixes,
molho de soja, cerveja, vinho, chocolate, café, vodka, berin-
jela, espinafre, tomate etc.), pois pode haver agitação e en-
curtamento do sono.
• Atentar para interação medicamentosa com descongestio-
nantes nasais, anfetaminas, efedrina, fenilpropanolamina,
fenilefrina, metaraminol, metifenidato, anestésicos com va-
soconstritores, levodopa e antidepressivos, devido ao fato
de poderem causar crise depressiva.
• Orientar o paciente para risco de queda decorrente de tontu-
ra, vertigem e hipotensão.
• Atentar para sinais de intoxicação (cefaleia, tonturas, dor
precordial, confusão, agitação, convulsões, hipertermia, hi-
potensão ou hipertensão, euforia, dores musculares e pares-
tesias).
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
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Administração de Medicamentos

Medicamentos anticolinérgicos
O medicamento anticolinérgico a ser destacado é a prometazina,
indicada no tratamento de parkinsonismo induzido por drogas psicotró-
picas e no alívio de sintomas extrapiramidais (acatisia, reações distôni-
cas e salivação excessiva). Sua administração pode ser por via oral ou
intramuscular.
Os pacientes em uso de prometazina podem apresentar, como efeitos
colaterais e reações adversas: sonolência, cefaleia, boca seca, visão turva,
disúria, retenção urinária, taquicardia, arritmias, confusão mental, depres-
são, alucinações, convulsões, hipotensão ortostática, leucopenia, náusea e
vômito.

Cuidados específicos por parte da enfermagem quanto à


prometazina:
• Atentar para a forma de apresentação, a dosagem e a via de
administração prescritas pelo médico.
• Atentar para interação medicamentosa com álcool ou de-
pressores do sistema nervoso central, pois tais substâncias
aumentam o efeito dos sedativos.
• Atentar para interação medicamentosa com antiácidos, pois
podem reduzir o efeito das drogas antiparkinsonianas.
• Atentar para interação medicamentosa com antidepressivos
tricíclicos, pois podem potencializar o efeito das drogas anti-
parkinsonianas.
• Atentar para a interação medicamentosa com anti-histamí-
nicos, devido ao fato de poderem potencializar o efeito da
prometazina.
• Orientar o paciente sobre risco de queda decorrente de hipo-
tensão ortostática e visão turva.
• Atentar para sinais e sintomas dos efeitos colaterais.
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Classificação de medicamentos

Conhecendo, detalhadamente, os medicamentos mais utilizados nos


hospitais, o profissional de enfermagem passa a ter condições de prestar
assistência melhor direcionada e individualizada a cada paciente.
O conhecimento dos efeitos colaterais, das reações adversas e dos
cuidados de enfermagem específicos colaboram com essa individualização
da assistência de enfermagem.
Os medicamentos descritos neste capítulo estão apresentados sob a
forma do princípio ativo, permitindo ao profissional o conhecimento dessa
particularidade. Não há interesse em restringir-se ao nome comercial de
alguma indústria farmacêutica específica. Vale lembrar que a utilização do
princípio ativo é uma recomendação do Conselho Federal de Medicina e do
Conselho Federal de Farmácia.
Em muitas instituições de saúde, os medicamentos já são prescritos
por seu princípio ativo e não mais pelo nome comercial; portanto, é funda-
mental o conhecimento dessas substâncias por parte de todos os profissio-
nais da área da saúde, principalmente pelos profissionais de enfermagem.

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CAPÍTULO 5

VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DE
MEDICAMENTOS
Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

O processo de administrar medicamentos é complexo abrange vários


setores, dentre os quais:
• Compras: aquisição de medicamentos.
• Farmácia: armazenamento, dispensação, separação, confe-
rência e orientação.
• Enfermagem: preparo, diluição e administração de medica-
mentos.
• Médicos: prescrição dos medicamentos.

Esse procedimento é norteado por normas éticas e legais já descritas


no Capítulo 1.
A via de administração pode ser definida como o local onde o medi-
camento entrará em contato com o organismo. Os medicamentos poderão
ser administrados por várias vias, sendo necessários cuidados específicos
com cada uma delas.
Sua escolha envolve o tipo de medicamento, o tempo de ação espe-
rado, a habilidade do profissional, os efeitos colaterais do medicamento e o
estado físico geral do paciente.

Regras gerais
• Todo medicamento requer prescrição médica.
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Administração de Medicamentos
• O ideal é que a prescrição seja feita por escrito. Prescrições
por ordem verbal somente devem ocorrer em situações de
risco de morte.
• Todo medicamento deve ter rótulo.
• Todo medicamento deve estar dentro do prazo de validade.
• Não administrar medicamento preparado por outro profis-
sional.
• Informar-se sobre ação, dose e efeitos colaterais dos medica-
mentos.
• Em situações duvidosas, não administrar o medicamento.
• Manter os medicamentos em condições especiais para uso,
como refrigeração e fotossensibilidade.
• Os medicamentos devem ser armazenados em locais apro-
priados.
• Medicamentos controlados devem ser segregados.

Cuidados gerais no preparo de medicamentos

• Não conversar durante o preparo de medicamentos.


• A prescrição médica deve ser mantida com o profissional no
momento de preparo do medicamento.
• Seguir critérios de segurança como os 5 Certos: medicamento
certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Lavar as mãos antes e após o preparo do medicamento, a fim
de minimizar os riscos de contaminação.
• Checar a prescrição médica logo após a administração do
medicamento.
• Anotar em prontuário qualquer alteração na administração
de medicamento, como recusas, reações alérgicas e efeitos
colaterais.
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Vias de Administração de Medicamentos

• Seguir protocolos da instituição sobre diluição de medica-


mentos administrados por via oral ou endovenosa.
• Não misturar na mesma administração medicamentos dife-
rentes, com exceção dos casos prescritos pelos médicos.
• Administrar os medicamentos por via oral com água, exceto
em casos prescritos pelo médico.

Cuidados gerais em relação à anotação de enfermagem

• Observar e anotar reações alérgicas decorrentes da adminis-


tração de medicamentos.
• Realizar anotações de enfermagem relacionadas à adminis-
tração de medicamento.
• As anotações de enfermagem devem conter data, horário, as-
sinatura e identificação do Coren.
• Justificar, em anotação de enfermagem, qualquer tipo de
recusa da administração pelo paciente ou a suspensão do
medicamento. O horário para administração, colocado em
prescrição médica, deverá ser determinado.

Vias de administração
As vias de administração podem ser divididas em:
• Via enteral:
– oral;
– sublingual;
– retal.
• Via vaginal.
• Via parenteral:
– intravascular: intravenosa e intra-arterial;
– intramuscular;
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Administração de Medicamentos
– subcutânea;
– intradérmica;
– intracardíaca.
• Via tópica:
– dérmica;
– transdérmica;
– intraocular.
• Via nasal.
• Via inalatória.
• Via auricular.
• Via intratecal:
– peridural;
– subaracnoidea.
• Via intraperitônea.
• Via intra-articular.

Via oral (VO)

A administração de medicamentos pela via oral consiste em ofere-


cer o medicamento que será deglutido ou não com auxílio de líquidos. As
formas de apresentação dos fármacos para administração por via oral são:

• Comprimidos.
• Cápsulas.
• Drágeas.
• Soluções.
• Suspensão.
• Pó.
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Vias de Administração de Medicamentos

Quadro 5.1 – Vantagens e desvantagens da administração de medica-


mentos por via oral

Vantagens Desvantagens
Paladar desagradável de alguns
Facilidade para administração.
medicamentos.
Dispensa acompanhamento de Incerteza de dosagem absorvida pelo
profissional qualificado. organismo.
A ação da droga não é imediata,
Baixo custo financeiro. necessitando absorção gástrica ou
enteral.
Método não invasivo para Dificuldade de fracionamento de
administração. cápsulas, drágeas e comprimidos.

Contraindicações para administração de medicamentos por


via oral:
• Pacientes inconscientes.
• Pacientes com dificuldade de deglutição.
• Vômito.
• Pacientes em jejum para cirurgias e exames.

Material:
• Medicamento conforme prescrição médica.
• Bandeja inox.
• Copo descartável para colocar o medicamento.
• Copo com água, se necessário.
• Conta-gotas, se necessário.
• Canudo (se necessário).
• Espátula de madeira (se necessário para medicações pastosas
e pó).
• Etiqueta para identificação da medicação.
115

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Administração de Medicamentos
• Luva para procedimento não estéril (se necessário).
• Macerador de comprimidos (se necessário).
• Seringa descartável de 20 ml (se necessário).

Técnica:

• Higienizar as mãos.
• Reunir a medicação conferindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Identificar o medicamento.
• Colocar o medicamento no copo descartável sem retirar do
invólucro.
• Orientar o paciente sobre a administração do medicamento.
• Higienizar as mãos.
• Preparar o medicamento, se possível, na frente do paciente
ou de seu acompanhante.
• Deixar o paciente confortável, com a cabeceira elevada.
• Oferecer o medicamento ao paciente, retirando-o do invólucro,
com copo com água para deglutição. Caso não seja possível, au-
xiliar o paciente, colocando o medicamento na cavidade oral.
• Observar e certificar-se de que o paciente deglutiu o medica-
mento. Oferecer mais líquido, se necessário.
• Deixar o paciente confortável.
• Desprezar o material e manter a unidade em ordem.
• Higienizar as mãos.
• Checar o procedimento em prescrição médica conforme roti-
na da instituição.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao medicamento administrado.
116

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Vias de Administração de Medicamentos

Observações:

• Medicamentos em pó devem ser dissolvidos.


• Não deixar o medicamento no quarto do paciente, evitando
que ele ou o acompanhante realizem a administração.
• Verificar se o paciente não escondeu o medicamento sob a
língua para não deglutir.
• Em casos em que o paciente apresente dificuldade para de-
glutir ou resistência, como, por exemplo, cuspir a medicação,
comunicar à chefia imediata e ao médico para avaliação da
medicação e via de administração.
• Efeitos colaterais podem não ocorrer imediatamente após a
administração, portanto, o paciente necessita de observação
constante.
• Alguns medicamentos necessitam ser administrados em
jejum e outros com alimentos ou logo após a ingestão ali-
mentar.
• Para pacientes com dificuldade para deglutir, triturar o com-
primido e diluir com quantidade mínima de água, utilizar
seringa descartável para a administração.
• Quando houver dificuldade para diluir o comprimido, man-
tê-lo embebido em água filtrada por 15 minutos.
• Administrar a medicação líquida antes dos comprimidos.
• Utilizar canudo quando houver impossibilidade de elevar o
decúbito.

Via sublingual (SL)

A via sublingual consiste em administrar o medicamento diretamen-


te sob a língua e deixar que sua absorção seja realizada pela mucosa oral.
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Administração de Medicamentos
Essa via é muito utilizada em casos de administração de nitratos em pacien-
tes com angina pectoris, suspeita de infarto agudo do miocárdio ou para
administração de medicamentos anti-hipertensivos em casos de crises de
hipertensão arterial sistêmica.

Quadro 5.2 – Vantagens e desvantagens da administração de medica-


mentos por via sublingual

Vantagens Desvantagens
Número reduzido de medicamentos
Facilidade de administração. disponíveis para administração
sublingual.
Rapidez na absorção.
Método não invasivo para
Utilizada em pacientes conscientes.
administração.
Baixo custo financeiro.

Material:
• Bandeja inox.
• Copo descartável para colocação do medicamento.
• Luva de procedimento.
• Medicamento.

Técnica:
• Higienizar as mãos.
• Reunir a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Identificar o medicamento.
• Colocar o medicamento no copo descartável sem retirar do
invólucro.
• Calçar as luvas.
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Vias de Administração de Medicamentos

• Orientar o paciente sobre a administração do medicamento.


• Preparar o medicamento, se possível, na frente do paciente
ou do seu acompanhante.
• Deixar o paciente confortável, com a cabeceira elevada.
• Orientar o paciente para elevar a língua; administrar o medi-
camento sob a língua do paciente, não oferecendo líquidos
que auxiliem na deglutição.
• Observar e certificar-se de que o paciente não deglutiu o
medicamento.
• Deixar o paciente confortável.
• Desprezar o material e manter a unidade em ordem.
• Higienizar as mãos.
• Checar o procedimento em prescrição médica conforme
rotina da instituição.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao medicamento administrado.

Observações:
• Não deixar o medicamento
no quarto do paciente,
evitando que ele faça
autoadministração.
• Verificar se o paciente não
deglutiu o medicamento.
• Se necessário, ofertar água Figura 5.1 – Via sublingual
para o paciente enxaguar a
boca.
• Efeitos colaterais podem não ocorrer imediatamente após a
administração, portanto, o paciente necessita de observação
constante.
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Administração de Medicamentos

Via retal (VR)

É a via utilizada quando o paciente não apresenta condições de de-


glutir fármacos ou em casos nos quais é necessário que o medicamento não
tenha contato com a circulação ou com o suco gástrico. O medicamento
será introduzido na região anal do paciente.
A apresentação do medicamento será em forma de supositórios ou
clister medicamentoso.

Quadro 5.3 – Vantagens e desvantagens da administração de medica-


mentos por via retal

Vantagens Desvantagens
Absorção irregular e incompleta.
Irritação da mucosa retal.
Rápida absorção.
Posição desconfortável para o
paciente.

Material:

• Bandeja inox.
• Luva de procedimento.
• Gazes não esterilizadas.
• Medicamento.

Técnica:

• Higienizar as mãos.
• Reunir a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Identificar o medicamento e colocá-lo no copo descartável
sem retirar do invólucro.
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Vias de Administração de Medicamentos

• Orientar o paciente sobre a administração do medicamento.


• Higienizar as mãos e calçar as luvas.
• Preparar o medicamento, se possível, na frente do paciente
ou de seu acompanhante.
• Posicionar o paciente adequadamente (posição SIMS), dei-
xando-o confortável.
• Remover a roupa do paciente.
• Afastar com a mão esquerda a prega interglútea e, com a
mão direita, introduzir o medicamento no orifício anal.
• Instruir o paciente a comprimir as nádegas por 3 a 4 minutos
e permanecer na mesma posição por 15 a 20 minutos para
absorção do medicamento.
• Fazer ligeira pressão local ocluindo a saída do medicamento.
• Recolocar a roupa no paciente e deixá-lo confortável.
• Retirar a luva.
• Desprezar o material e manter a unidade em ordem.
• Higienizar as mãos.
• Checar o procedimento em prescrição médica conforme ro-
tina da instituição.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao medicamento administrado.

Observação:
Na posição SIMS, o paciente fica em decúbito lateral esquerdo com
os membros inferiores flexionados. Caso o medicamento seja indicado para
esvaziamento intestinal, deve-se auxiliar o paciente a ir ao banheiro ou co-
locar a comadre. Deve-se sempre observar e anotar o aspecto das fezes (cor,
consistência e quantidade).
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Administração de Medicamentos

Via vaginal
É a via de administração pela qual o medicamento é aplicado direta-
mente no canal vaginal. A ação do medicamento é local, e são administra-
dos cremes, óvulos, géis, tampões, supositórios e pomadas.

Material:
• Bandeja inox para apoiar o medicamento.
• Luvas de procedimento.
• Aplicador vaginal.
• Comadre, se necessário.
• Medicamento.

Técnica:
• Higienizar as mãos.
• Reunir a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Identificar o medicamento e colocá-lo no copo descartável
sem retirar do invólucro.
• Orientar a paciente sobre a administração do medicamento.
• Higienizar as mãos e calçar as luvas.
• Preparar o medicamento, se possível, na frente da paciente
ou de seu acompanhante.
• Colocar a paciente em posição ginecológica.
• Abrir os pequenos lábios, expor o orifício vaginal e introduzir
o aplicador com o medicamento. O aplicador deve ser intro-
duzido em direção ao sacro, para baixo e para trás, cerca de
5 cm, a fim de introduzir o medicamento na parede posterior
da vagina.
• Pressionar o êmbolo, introduzindo o medicamento.
122

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Vias de Administração de Medicamentos

• Pedir para que a paciente permaneça em decúbito dorsal,


por aproximadamente 15 minutos.
• Retirar a luva.
• Desprezar o material e manter a unidade em ordem.
• Higienizar as mãos.
• Checar o procedimento em prescrição médica conforme ro-
tina da instituição.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao medicamento administrado.

Via intravenosa (IV) ou endovenosa (EV)

Na via de administração intravenosa, o medicamento é injetado na


veia, diretamente na circulação sanguínea do paciente. A administração
do medicamento pode ser realizada
por uma única dose até uma solução
por infusão contínua. Essa via é in-
dicada em situações de emergência.
As veias de preferência para
a colocação dos dispositivos para o
acesso venoso periférico são:

• Metacarpianas.
Figura 5.2 – Rede venosa da mão
• Basílica.
• Cefálica e cefálica acessória.
• Veia intermédia do ante-
braço.
• Veia intermediária do coto-
velo.
• Veia braquial.
Figura 5.3 – Rede venosa do braço
123

Adm_Medicamentos_1_Backup.indd 123 18/05/11 20:44


Administração de Medicamentos
Em recém-nascidos, é habitual a punção em veias da região cefálica.
Veias localizadas em membros inferiores (MMII) são indicadas como
último recurso, em adultos.
A administração de medicamentos por via endovenosa pode ser feita
por acesso periférico ou central. Os dispositivos utilizados para punção de
acesso venoso periférico são:
• Cateter agulhado (ver figura 12.1, p. 241).
• Cateter sobre agulha (ver figura 12.2, p. 242).

Quadro 5.4 – Vantagens e desvantagens da administração de medica-


mentos por via intravenosa

Vantagens Desvantagens

Dor pela punção e irritação local


causada por alguns medicamentos.
Absorção rápida.
Lesão no paciente em caso de
falhas na punção.
Risco de infecção devido a
procedimento invasivo.
Obtenção de resultados mais seguros.
Após a administração, a medicação
não poderá ser aspirada.
Via preferencial para infusão de
soluções hipertônicas, devido à Contraindicação para medicações
facilidade imediata de diluição no oleosas e de depósito.
sangue.
A via intravenosa aceita grandes Requer profissional técnico
volumes de soluções na sua capacitado.
administração. As contraindicações
relacionadas ao volume estão Risco de promover flebites.
associadas com a patologia do paciente.
Continua
124

Adm_Medicamentos_1_Backup.indd 124 18/05/11 20:44


Vias de Administração de Medicamentos

Quadro 5.4 – Continuação

Vantagens Desvantagens

Risco de transfixação da veia.

A terapia EV é mais “onerosa” que a


terapia VO.

Risco de hematoma por trauma de


Maior precisão em determinar a dose punção.
desejada.
Punção inadequada pode
ocasionar extravasamento de
medicamento para o espaço
intersticial, desencadeando lesões
no paciente.

A administração de medicação pela via endovenosa pode ser realiza-


da por meio de duas técnicas distintas:
• Administração de medicamento com necessidade de instala-
ção de dispositivo venoso periférico prévio.
• Administração de medicamento com dispositivo venoso já
instalado.

Punção venosa

Material:

• Bandeja para acondicionar o material.


• Luvas de procedimento.
• Dispositivo venoso adequado para a rede venosa (considerar
o tempo de permanência necessário).
• Conector de sistema fechado.
• Algodão com álcool a 70%.
125

Adm_Medicamentos_1_Backup.indd 125 18/05/11 20:44


Administração de Medicamentos
• Material para fixação: fita adesiva hipoalergênica ou filme
transparente.
• Garrote.

Técnica:

• Higienizar as mãos.
• Separar o material necessário.
• Orientar o paciente sobre o procedimento a ser realizado.
• Higienizar as mãos e calçar as luvas.
• Avaliar as condições da rede venosa do paciente, identifican-
do o melhor local a ser puncionado.
• Garrotear o membro aproximadamente 5 cm acima do local
a ser puncionado.
• Abrir o material com técnica asséptica.
• Pedir para o paciente abrir e fechar a mão diversas vezes,
mantendo a mão fechada até a obtenção do retorno venoso.
• Fazer antissepsia ampla no local com compressa embebida
em álcool a 70% com movimento único de baixo para cima.
• Inserir o cateter na veia com a mão dominante com o bisel
da agulha voltado para cima, em ângulo de 30º, 1 cm abaixo
do local da punção.
• Após a verificação do refluxo sanguíneo, pedir para o pacien-
te abrir a mão, introduzir delicadamente o corpo do cateter
e retirar o mandril (cateter sobre agulha).
• Soltar o garrote.
• Adaptar conector de sistema fechado.
• Fixar o cateter com filme transparente.
• Reunir o material e deixar a unidade em ordem.
• Descartar o material.
126

Adm_Medicamentos_1_Backup.indd 126 18/05/11 20:44


Vias de Administração de Medicamentos

• Retirar as luvas.
• Higienizar as mãos.
• Checar o procedimento em prescrição médica.
• Fazer anotação de enfermagem, relatando local da punção e
dispositivo utilizado.

Observação:
É necessário retirar o ar do dispositivo antes de realizar a punção
venosa. Isso pode ser feito injetando-se soro fisiológico (SF) 0,9% antes da
punção no dispositivo ou permitindo o refluxo de sangue no momento da pun-
ção até o final do dispositivo.

Tabela 5.1 – Calibre dos dispositivos venosos periféricos

Calibre do
Calibre do cateter
cateter sobre Indicações
agulhado
agulha
Necessidade de infusão rápida;
19 G 14, 16 e 18 G
requer veia de grande calibre.
21 G 20 G Maioria das infusões; uso comum.
Crianças maiores (escolares),
23 G 22 G
adolescentes e idosos.
Veias de pequeno calibre e crianças
25 G 24 G
menores, lactentes e pré-escolares.
27 G 26 G Neonatos e lactentes.

Via de administração intramuscular (IM)

É a administração de medicamento no músculo. Os músculos de es-


colha são o grande glúteo, o glúteo médio e o vasto lateral da coxa. O mús-
culo bíceps somente é utilizado para vacinação.
127

Adm_Medicamentos_1_Backup.indd 127 18/05/11 20:44


Administração de Medicamentos
Essa via permite a administração de medicamentos em solução aquo-
sa e oleosa.

Quadro 5.5 – Vantagens e desvantagens da administração de medica-


mentos por via intramuscular

Vantagens Desvantagens
Ação mais rápida da droga, Permite infusão de pequenos
comparando-se à administração por volumes de medicamento, no
via oral. máximo até 5 ml.
Facilidade de visualização e acesso ao Pode causar dor no paciente, pois é
músculo. um procedimento invasivo.
Requer profissional capacitado para o
procedimento.
Maior ônus, comparando-se à via
Menor custo, comparando-se à via oral.
endovenosa.
Aplicações inadequadas podem
causar lesões em músculos e nervos.

Podem aparecer hematomas.

Material:

• Bandeja inox para acondicionar material e medicamento.


• Luvas de procedimento.
• Uma seringa de 3 ou 5 ml (dependendo do volume do me-
dicamento).
• Uma agulha 40 x 12 – para aspirar o medicamento.
• Uma agulha 30 x 7 ou 25 x 7 – para injetar o medicamento
no músculo.
• Algodão com álcool a 70%.
• Curativo adesivo.
128

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Vias de Administração de Medicamentos

Técnica:

• Higienizar as mãos.
• Separar o material necessário.
• Preparar a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medi-
camento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora
certa.
• Aspirar o medicamento com agulha 40 x 12 e seringa ade-
quada.
• Trocar a agulha 40 x 12 por agulha 30 x 7 ou 25 x 7.
• Orientar o paciente sobre o procedimento a ser realizado.
• Higienizar as mãos e calçar as luvas.
• Posicionar o paciente conforme local escolhido, deixando-o
confortável.
• Realizar antissepsia ampla no local, com compressa embe-
bida em álcool a 70%, com movimento único de cima para
baixo.
• Introduzir a agulha com o bizel lateralizado em ângulo de 90º.
• Aspirar, puxando o êmbolo para certificar-se de que não haja
refluxo de sangue. Em caso de refluxo, retirar a agulha e rei-
niciar todo o preparo da medicação, escolhendo outro local
para realizar o procedimento.
• Injetar a medicação em velocidade constante.
• Retirar a agulha e seringa.
• Fazer compressão local. Em caso de pequeno sangramento,
colocar curativo.
• Deixar o paciente confortável.
• Desprezar o material.
• Higienizar as mãos.
129

Adm_Medicamentos_1_Backup.indd 129 18/05/11 20:44


Administração de Medicamentos
• Checar o procedimento em prescrição médica.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao medicamento administrado.

Tabela 5.2 – Dimensões de agulhas em relação ao grupo etário

Magro Normal Obeso

25 x 6 30 x 6 40 x 6

Adulto 25 x 7 30 x 7 40 x 7
25 x 8 30 x 8 40 x 8
20 x 6 25 x 6 30 x 6

Criança 20 x 7 25 x 7 30 x 7

20 x 8 25 x 8 30 x 8

Região de administração e posicionamento do paciente:

• Região dorso-glútea: dividir mentalmente o glúteo em qua-


tro partes e aplicar no quadrante superior externo. O pacien-
te deve ser colocado em decúbito ventral, com a cabeça late-
ralizada para o lado do profissional, com os braços ao longo
do corpo.

Figura 5.4 – Administração em região dorso-glútea


130

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Vias de Administração de Medicamentos

• Região ventro-glútea: o profissional deve colocar a mão não


dominante no quadril do paciente, espalmando-a sobre a
base do trocanter do fêmur, localizando, assim, a espinha
ilíaca anterossuperior. Fazer a aplicação na área delimitada
pelos dedos (indicador e médio) abertos em V. O ideal é que o
paciente seja colocado em decúbito dorsal.

Figura 5.5 – Administração em região ventro-glútea

• Região vasto-lateral da coxa: dividir mentalmente a coxa em


três partes e fazer a aplicação na região antero lateral do ter-
ço médio. Preferencialmente, o paciente deve ser colocado
sentado com as pernas fletidas ou em decúbito dorsal com
as pernas estendidas.

Via subcutânea (SC)

A via subcutânea é a administração de medicamento no tecido sub-


cutâneo. É utilizada para administração de insulina, anticoagulantes, algu-
mas vacinas, adrenalina e hormônios.
Pode ser feita em várias regiões do corpo, em que haja camada subs-
tancial de tecido gorduroso. Os locais de preferência são: região dorsal, pe-
riumbilical e na face externa lateral do braço, próximo ao músculo deltoide.
131

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Administração de Medicamentos
Quadro 5.6 – Vantagens e desvantagens da administração de medica-
mentos por via subcutânea

Vantagens Desvantagens
Absorção lenta e uniforme. Pode causar lipodistrofia.
Efeito constante do medicamento. Procedimento invasivo.
Fácil aplicação. Requer treinamento do profissional
Permite autoaplicação. e paciente.

Administração de anticoagulante SC

Material:
• Bandeja para acondicionar o material e o medicamento.
• Seringa previamente preparada com medicamento.
• Algodão com álcool a 70%.
• Luvas de procedimento.

Técnica:
• Higienizar as mãos.
• Separar o material necessário.
• Preparar a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Orientar o paciente sobre o procedimento a ser realizado.
• Higienizar as mãos e calçar as luvas.
• Posicionar o paciente, conforme local escolhido segundo ro-
dízio, deixando-o confortável em DDH.
• Realizar antissepsia ampla no local, com compressa embebida
em álcool a 70%, com movimento único de cima para baixo.
• Manter a compressa entre os dedos mínimo e anular da mão
que vai expor a região delimitada.
132

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Vias de Administração de Medicamentos

• Realizar prega cutânea de aproximadamente 2,5 cm com os


dedos indicador e polegar.
• Inserir a agulha com a mão dominante no ângulo de 90º
para adultos e 45º para crianças, mantendo a prega cutânea
durante toda a aplicação do medicamento.
• Injetar lentamente o conteúdo da seringa.
• Retirar a agulha realizando movimento único, rápido e firme.
• Soltar a prega cutânea.
• Fazer discreta compressão no local com compressa embebi-
da em álcool, sem massageá-lo.
• Reunir o material e deixar a unidade em ordem.
• Descartar o material.
• Retirar as luvas.
• Higienizar as mãos.
• Checar o procedimento em prescrição médica.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao medicamento administrado.
Observações:
• O anticoagulante já vem preparado pelo fabricante. Na serin-
ga, há uma pequena bolha de gás que não deve ser retirada
para a aplicação do medicamento.
• É necessário realizar rodízio de locais ao aplicar injeções de
medicamento na região abdominal.
Administração de insulina e outras medicações por via subcutânea
Material:
• Seringa descartável de 1 cc com agulha 13 x 4,5.
• Bandeja para acondicionar o material e o medicamento.
133

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Administração de Medicamentos
• Algodão com álcool 70%.
• Luvas de procedimento.

Técnica:
• Higienizar as mãos.
• Separar o material necessário.
• Preparar a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Orientar o paciente sobre o procedimento a ser realizado.
• Higienizar as mãos e calçar as luvas.
• Posicionar o paciente, conforme local escolhido para aplica-
ção segundo rodízio, deixando-o confortável.
• Realizar antissepsia ampla no local, com compressa embe-
bida em álcool a 70%, com movimento único de cima para
baixo.
• Manter a compressa entre os dedos mínimo e anular da mão
que vai expor a região delimitada.
• Realizar prega cutânea de aproximadamente 2,5 cm de pele
e tecido adiposo entre o polegar e o dedo indicador.
• Inserir a agulha com a mão dominante no ângulo de 90º
para adultos e 45º para crianças.
• Aspirar o êmbolo para verificar que não foi atingido nenhum
vaso sanguíneo.
• Injetar lentamente o conteúdo da seringa.
• Retirar a agulha realizando movimento único, rápido e firme.
• Fazer discreta compressão no local com compressa embebi-
da em álcool.
• Descartar o material.
134

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Vias de Administração de Medicamentos

• Retirar as luvas.
• Higienizar as mãos.
• Checar o procedimento em prescrição médica.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao medicamento administrado.

Observações:

• Se houver retorno de sangue durante a aspiração, retirar a


seringa/agulha, comprimir o local e reiniciar o procedimento
em outro local.
• O volume máximo a ser administrado no tecido subcutâneo
é de 2 ml para adultos.
• Deve-se realizar o rodízio de locais ao aplicar injeções de me-
dicamento.

Tabela 5.3 – Ângulo da agulha em relação ao tecido subcutâneo sem


prega cutânea

Normais Obesos Magros


Agulhas 13 x 4,5 (insulina)
45º 60º 30º

Figura 5.6 – Administração via subcutânea


135

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Administração de Medicamentos

Via intradérmica (ID)

É a via de administração pela qual a droga é injetada na derme. É


pouco utilizada – somente para casos de testes alérgicos, vacinas e doses
pequenas de fármacos, como adrenalina.
A área de aplicação é a face interna do antebraço. A vacina de BCG é
aplicada na área de inserção inferior do músculo deltoide direito.
O volume máximo de administração é 1 ml.

Material:

• Bandeja para apoiar o material e o medicamento.


• Seringa de 1 ml ou insulina.
• Agulha para aspiração: 40 x 12.
• Agulha para administrar: 13 x 4,5.
• Algodão com álcool.

Técnica:
• Reunir a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Separar o material necessário.
• Lavar as mãos.
• Preparar o medicamento.
• Orientar o paciente e higienizar as mãos.
• Escolher o local de acesso, normalmente membros superio-
res (MMSS), na face interior.
• Fazer antissepsia com álcool a 70%.
• Introduzir a agulha com bisel para cima, em ângulo de 15º.
• Introduzir a medicação até que uma pápula seja formada.
• Retirar a agulha e não massagear.
136

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Vias de Administração de Medicamentos

• Deixar o paciente confortável.


• Desprezar o material.
• Lavar as mãos.
• Anotar no prontuário.
• Observar continuamente al-
terações orgânicas que pos-
sam estar relacionadas ao
Figura 5.7 – Administração intradérmica
fármaco administrado.

Via dérmica (VD)

É a aplicação de medicamentos sobre a pele, com objetivo de ação


local. Também é utilizada na aplicação em unha, cabelo e lesões cutâneas.
Vários tipos de medicamentos podem ser administrados por essa via, prefe-
rencialmente na forma de loções, pomadas, géis e cremes.

Material:
• Bandeja inox para apoiar o medicamento.
• Espátulas.
• Gazes.
• Luvas de procedimento.
• Medicamento.

Técnica:
• Reunir a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Separar espátula ou gaze para a aplicação.
• Lavar as mãos.
• Orientar o paciente.
• Calçar luvas.
137

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Administração de Medicamentos
• Posicionar o paciente, expondo a região onde será feita a
aplicação.
• Proceder à aplicação na região determinada.
• Se for necessário, manter a área coberta com gazes.
• Deixar o paciente confortável.
• Desprezar o material.
• Lavar as mãos.
• Anotar no prontuário.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao fármaco administrado.

Via de administração transdérmica (VTD)

É a via utilizada para administrar medicamento por meio da pele com


o uso de adesivos. Esses medicamentos podem ter ação local ou sistêmica.

Material:
• Bandeja inox para apoiar o medicamento.
• Luvas de procedimento, se necessário.
• Medicamento.

Técnica:
• Reunir a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Lavar as mãos.
• Orientar o paciente sobre a administração do medicamento.
• Escolher o local para fixação do adesivo, preferencialmente
áreas sujeitas a pouca movimentação.
• Limpar o local escolhido (lavar com água e sabão).
138

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Vias de Administração de Medicamentos

• Retirar o produto da embalagem e fixá-lo na pele, sem tocar


na parte adesiva.
• Deixar o paciente confortável.
• Desprezar o material.
• Lavar as mãos.
• Fazer anotação no prontuário conforme rotina da instituição.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao fármaco administrado.

Figura 5.8 – Administração transdérmica

Via de administração ocular

A instilação ocular consiste na administração de colírios ou pomadas.


Como qualquer outro fármaco, o colírio requer cuidados em sua adminis-
tração, principalmente os relacionados à dosagem e ao local (olho direito e
olho esquerdo).
Antes de aplicar o colírio, deve-se verificar o prazo de validade e a
ausência de partículas em suspensão.
Quando mais de um produto é prescrito para uso no mesmo olho,
deve-se dar um intervalo mínimo de 5 minutos entre eles. Em casos de
pomadas e colírios, deve-se administrar primeiro o colírio e, depois
139

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Administração de Medicamentos
de 5 minutos, a pomada. É importante lembrar que a pomada pode causar
aderência à superfície ocular, impedindo o contato do colírio.
Material:
• Bandeja inox para apoiar o medicamento.
• Lenço de papel para limpar o excesso.
• Luva de procedimento (casos de conjuntivite).
• Medicamento.

Técnica de instilação de colírios:


• Reunir a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-
mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Lavar as mãos.
• Calçar luvas de procedimentos em caso de conjuntivite.
• Orientar o paciente sobre a administração do medicamento.
• Preparar o medicamento, se necessário, na frente do pacien-
te ou de seu acompanhante.
• Puxar delicadamente a pálpebra inferior para baixo utilizan-
do o dedo indicador.
• Pingar o colírio sem encostar o aplicador no olho.
• Fechar o olho devagar.
• Com o olho do paciente fechado, fazer ligeira pressão no
canto do olho próximo ao nariz. Essa pressão evitará que o
colírio escorra para os canais de comunicação do olho, como
nariz e garganta, o que poderia aumentar o surgimento de
efeitos colaterais.
• Remover possíveis resíduos do medicamento com auxílio de
lenço de papel.
• Deixar o paciente confortável.
• Desprezar o material.
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Vias de Administração de Medicamentos

• Lavar as mãos.
• Fazer anotação no prontuário conforme rotina da instituição.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao fármaco administrado.

Observação:

• Em casos de paciente com dificuldade de aplicação do colírio


com o olho aberto, o fármaco pode ser aplicado com o olho
fechado, no canto interno, abrindo-o em seguida para que a
droga seja espalhada por toda a conjuntiva.

Via nasal
É a instilação de medicamentos diretamente nas narinas, para obten-
ção de efeito local e no sistema respiratório.
Via muito utilizada para aplicação de descongestionantes nasais e
broncodilatadores.

Material:

• Bandeja inox para apoiar o medicamento.


• Gazes para limpar excesso de medicamento.
• Medicamento.

Técnica:

• Separar a medicação seguindo os 5 Certos: medicamento cer-


to, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Lavar as mãos.
• Orientar o paciente.
• Posicionar o paciente com a cabeça para traz, fazendo hipe-
rextensão do pescoço.
• Instilar a medicação em uma narina de cada vez.
141

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Administração de Medicamentos
• Solicitar que o paciente aguarde nessa posição aproximada-
mente um minuto.
• Deixar o paciente confortável.
• Lavar as mãos.
• Anotar no prontuário.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao fármaco administrado.

Via inalatória
A via inalatória utiliza gases como meio de transporte para medicamen-
tos. Na sua maioria, os medicamentos assim administrados têm ação no siste-
ma respiratório. Popularmente, essa via é conhecida por inalação.

Material:

• Bandeja inox para apoiar o medicamento e o micronebuli-


zador.
• Micronebulizador adequado para o paciente (adulto ou
criança).
• Medicamento.
• Lenço de papel ou toalha de papel para o paciente secar o
rosto.

Técnica:

• Reunir a medicação seguindo a regra dos 5 Certos: medica-


mento certo, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Higienizar as mãos.
• Orientar o paciente sobre a administração do medicamento.
• Preparar o medicamento, se necessário, na frente do pacien-
te ou de seu acompanhante.
142

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Vias de Administração de Medicamentos

• Adaptar o micronebulizador à rede de gases (oxigênio ou ar


comprimido).
• Manter a vazão do gás entre 10 e 15 litros por minuto, ou a
critério médico.
• Orientar o paciente a respirar normalmente enquanto faz a
micronebulização.
• Remover possíveis resíduos do medicamento com auxílio de
lenço de papel.
• Deixar o paciente confortável.
• Desprezar o material.
• Lavar as mãos.
• Fazer anotação no prontuário conforme rotina da instituição.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao fármaco administrado.

Via auricular
Essa via de administração consiste em aplicar o medicamento direta-
mente no ouvido. É utilizada em casos de antibióticos, analgésicos e para
remoção de cerume, sendo esta a situação mais comum.

Material:
• Bandeja inox para apoiar o medicamento.
• Gazes não esterilizadas para limpar excesso, se necessário.
• Medicamento.

Técnica:
• Separar a medicação seguindo os 5 Certos: medicamento cer-
to, dose certa, paciente certo, via certa e hora certa.
• Higienizar as mãos.
143

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Administração de Medicamentos
• Orientar o paciente.
• Posicionar a cabeça do paciente lateralizada.
• Instilar o medicamento na dosagem prescrita.
• Aguardar aproximadamente cinco minutos para posicionar a
cabeça para o outro lado, caso a prescrição seja para os dois
ouvidos.
• Repetir o processo de instilação.
• Aguardar cinco minutos para permitir que o paciente mova
a cabeça.
• Deixar o paciente confortável.
• Desprezar o material.
• Lavar as mãos.
• Anotar no prontuário.
• Observar continuamente alterações orgânicas que possam
estar relacionadas ao fármaco administrado.

Neste capítulo, foram apresentadas e descritas as técnicas de adminis-


tração de medicamentos mais utilizadas. Os profissionais de enfermagem
precisam conhecer e dominar a execução dessas técnicas, minimizando,
assim, a ocorrência de falhas a elas relacionadas.

144

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CAPÍTULO 6

VIAS ESPECÍFICAS PARA INFUSÃO DE


MEDICAMENTOS
Ana Paula Miranda Barreto

Existem vias específicas que também podem ser utilizadas para a


administração de medicamentos parenterais, como o espaço epidural, o
espaço pleural, a cavidade peritoneal, a cápsula articular e o interior de
um osso longo.
Conforme protocolo da instituição, o profissional poderá ajudar a
administrar o medicamento ou, após receber treinamento especializado,
administrá-los por algumas dessas vias, como no caso de medicamentos
por cateter epidural, medicamentos na cavidade peritoneal e no interior de
um osso longo.
Conforme consta do Código de Ética, artigos 10 e 13, o profissional
tem o direito a:

• Recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competên-


cia técnica, científica, ética e legal ou que não ofereçam seguran-
ça ao profissional, à pessoa, família e coletividade.

• Avaliar criteriosamente sua competência técnica, científica, ética


e legal e somente aceitar encargos ou atribuições, quando capaz
de desempenho seguro para si e para outrem.

Segundo o Decreto no 94.406/1987, sobre o exercício da enfermagem,


no artigo 8o, inciso I, alínea h, cabe ao enfermeiro, privativamente:

• Cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que


exijam conhecimentos científicos adequados e capacidade de
tomar decisões imediatas.
145

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Administração de Medicamentos

Administração por via epidural (peridural)


Para a administração do medicamento pela via epidural, o médico
anestesista instala um cateter epidural por uma via percutânea no espaço
epidural, que está localizado entre o ligamento flavum e a duramáter, esten-
dendo-se desde o forame magno até a membrana sacrococcígea. Esse espaço
potencial é preenchido por veias epidurais, gordura e tecido areolar frouxo.

Espaço Epidural

Cordão
Espinhal

Líquido Espinhal Cateter Peridural

Figura 6.1 – Local de inserção de cateter peridural

Na anestesia epidural, o anestésico local é injetado, geralmente, atra-


vés dos espaços intervertebrais na região lombar, embora também possa
ser injetado nas regiões cervicais e torácicas. Para produzir analgesia do tó-
rax e do abdome superior, o cateter é posicionado entre a 5a e a 8a vértebras
torácicas, e, para produzir analgesia do abdome inferior e membros infe-
riores (MMII), o cateter é implantado entre a 2a e a 4a vértebras lombares.

Medicamentos que podem ser administrados pela via


epidural
Alguns medicamentos são administrados no espaço epidural, isola-
dos ou em combinação, proporcionando um sítio específico de analgesia.
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ias s ec ficas a a n são de edicamentos

Quadro 6.1 – Medicamentos administrados no espaço epidural

Os opiáceos administrados por essa via difundem-se


pela duramáter e misturam-se com o líquido cefalor-
raquidiano (LCR) do paciente. Em seguida, ligam-se aos
Opiáceos
receptores opioides, que bloqueiam a transmissão dos
estímulos dolorosos entre o gânglio da raiz dorsal e a
medula espinhal.
Os medicamentos lipossolúveis, como fentanil, sufenta-
Medicamentos
nil e bupivacaína, atravessam facilmente a duramáter e
lipossolúveis
produzem alívio imediato da dor.
Os agentes hidrossolúveis, como a morfina e a hidro-
Medicamentos morfona, atravessam lentamente a duramáter e, por
hidrossolúveis essa razão, proporcionam analgesia lenta e de maior
duração.

A administração simultânea de um opiáceo e uma anestesia local


pode produzir os efeitos analgésicos dos dois medicamentos. Possibilita-se,
assim, a utilização de doses menores e reduz-se os riscos de ocorrer efeito
colateral.
Os medicamentos administrados por essa via devem ser soluções
aquosas, neutras, isotônicas, rigorosamente estéreis e apirogênicas. Não
devem possuir conservantes germicidas, pois podem lesar o tecido nervoso.
Devido ao pequeno volume e à lentidão de movimento do LCR, as
preparações injetadas devem apresentar pH e tonicidade próximos dos va-
lores fisiológicos.

Vantagens da via epidural

As vantagens dessa via, comparada à sistêmica, estão no fato de as


doses necessárias para analgesia serem menores e causarem menos efeitos
colaterais e maior liberdade de movimentação para o paciente.
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Administração de Medicamentos

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais relacionados ao uso de morfina são: depressão


respiratória, náuseas, vômitos, retenção urinária, prurido, diminuição da
motilidade intestinal, sonolência e alucinações.

Complicações relacionadas ao cateter

• Infecção.
• Migração do cateter para o espaço subaracnoideo.
• Perda.
• Dobra – acotovelamento ou quebra acidental do cateter,
podem advir de manipulação inadequada nas trocas de
curativos ou por movimentação do paciente. Nesse caso,
a infusão deve ser interrompida e uma nova avaliação do
anestesista deve ser solicitada.
Prevenção de infecções
• Realizar a higienização das mãos antes e após a manipulação
do cateter.
• Observar a inserção do cateter (sinais flogísticos).
• Controlar rigorosamente a temperatura corpórea.
• Realizar curativo conforme padronização da instituição.
Contraindicações:
• Plaquetopenia.
• Distúrbios de coagulação.
• Infecção localizada.
• Anormalidade estrutural diagnosticada na coluna vertebral
ou no espaço epidural, artrite vertebral.
• Hipotensão.
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ias s ec ficas a a n são de edicamentos

• Hipertensão grave.
• Alergia ao medicamento prescrito.
Material:
• Medicamento prescrito previamente preparado.
• Compressas de gaze embebidas em álcool a 70% utilizado
para desinfecção.
• Seringa de 5 ml.
• Um par de luvas de procedimento.
• Máscara.
• Um pacote de compressas de gaze estéril.
Procedimento:
• Lavar as mãos.
• Colocar luvas e máscara.
• Colocar o campo fenestrado na região do cateter.
• Realizar desinfecção da tampa com álcool a 70% (deixar a
solução secar totalmente).
• Introduzir a agulha da seringa de 5 ml vazia na tampa para
injeção e aspirar. Caso retorne sangue ou LCR límpido, sus-
pender o procedimento e avisar o médico. Se não houver re-
torno, proceder à administração do medicamento, conforme
prescrição.

A administração por essa via pode ser prescrita em bolus, devendo ser
injetado o medicamento à velocidade prescrita, ou, ainda, pode ser pres-
crita infusão contínua, e o fluxo de infusão deve ser ajustado conforme a
prescrição médica. No caso da infusão contínua, deve-se conectar o filtro ao
recipiente que contém o medicamento e retirar todo o ar do sistema. Esse
filtro é de 0,2 mícron sem surfactante.
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Administração de Medicamentos
1. Realizar a identificação do frasco do medicamento e do cateter
com as palavras: Via Epidural, para evitar infusão acidental de ou-
tros medicamentos por meio dessa via de administração.
2. Enrolar o cateter e fazer a fixação preferencialmente com fil-
me transparente conforme protocolo da instituição, evitan-
do-se assim, a tração do cateter; observar a sua inserção e
localização.
3. Observar a inserção do cateter para avaliar: presença de sinais flo-
gísticos; extravasamento de medicação ao redor do cateter; deslo-
camento, dobra ou tração do cateter.
4. Realizar a limpeza e troca da fixação conforme protocolo da
instituição.
Cuidados importantes:
• Não utilizar soluções alcoólicas para limpar a inserção do
cateter, pois esse agente pode causar lesão nervosa se em
contato com o espaço epidural.
• Verificar a posição do cateter medindo seu comprimento ex-
terno.
• Realizar aspiração do cateter conforme protocolo da insti-
tuição.
• Se o paciente apresentar cefaleia pulsátil e prolongada, que
piora na posição sentada ou ereta, o cateter pode ter perfu-
rado a duramáter, possibilitando o extravasamento de LCR
do espaço epidural e reduzindo a pressão no canal medular.
Comunicar o médico, pois o paciente pode receber uma dose
excessiva do analgésico prescrito.
• Caso a cefaleia não ceda em 48 horas, o médico poderá pres-
crever injeções de cafeína ou um tampão sanguíneo (aspira-
ção de 10 ml de sangue de uma veia periférica do paciente e
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sua injeção no espaço epidural, que irá selar a área que está
vazando e atenuar a cefaleia).
• A tampa oclusora para administrar o medicamento e o filtro
do cateter epidural devem ser substituídos a cada 48 ou 72
horas, de acordo com o protocolo da instituição.

Administração por via intrapleural


O espaço intrapleural está interposto entre a pleura visceral, que re-
cobre a superfície dos pulmões, e a pleura parietal, que reveste a cavidade
torácica. Esse espaço contém uma quantidade pequena de líquido pleu-
ral, para permitir o deslizamento suave das membranas pleurais durante a
respiração.
A administração de medicamentos por essa via tem a finalidade de:
• tratar pneumotórax espontâneo;
• regredir derrames pleurais;
• administrar quimioterápicos.

Tais administrações podem ser realizadas da seguinte maneira:


• Empiema, derrame pleural ou pneumotórax – os medica-
mentos são administrados por um dreno torácico.
• Outras indicações – administração de agentes quimioterápi-
cos e analgesia. A administração é feita com um cateter in-
trapleural, que é introduzido entre o 4o e o 8o espaços inter-
costais, entre 7,5 e 10 cm da linha média posterior, atravessa
os músculos intercostais até perfurar a pleura em um ângulo
específico.

O profissional responsável por administrar medicamento por essas


vias é o médico, com auxílio e preparo do material realizado pela equipe
de enfermagem.
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Administração de Medicamentos
Contraindicações para utilização da via intrapleural:
Não utilizar essa via em pacientes portadores de fibrose, aderências, in-
flamação pleural, enfisema bolhoso, sepse ou infecção na região da punção
ou que estiverem recebendo pressão tele-expiratória positiva (por exemplo,
pacientes que estiverem fazendo uso de máscara de Bipap ou Cpap).
Material:
• Medicamento prescrito previamente preparado.
• Seringa de 60 ml.
• Um par de luvas estéreis.
• Máscara.
• Um pacote de compressas de gaze estéril.
• Clampe com ponta de borracha (ou um dreno torácico).
• Avental estéril.
• Solução de iodopovidona.
• Agulhas nos calibres apropriados (cateteres plásticos de te-
flon ou poliuretano tipo pig-tail 10F, 12F, 14F ou retos 11F).
• Uma agulha 40 x 12 para aspirar anestésico, caso seja neces-
sário.
• Uma agulha 25 x 7 para anestesiar o local, caso necessário.
• Lidocaína a 1%.
• Fita adesiva hipoalergênica.
• Campo estéril.
Procedimento:
• Verificar a prescrição médica.
• Calcular a dose do medicamento e fazer a sua diluição com
soro fisiológico ou diluente, conforme prescrição médica.
• Explicar o procedimento ao paciente.
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ias s ec ficas a a n são de edicamentos

• Higienizar as mãos.
• Administrar o analgésico narcótico ou antiemético, confor-
me prescrito, 30 minutos antes do início da administração
do medicamento por via intrapleural, conforme prescrição
médica. O antiemético somente será utilizado nos casos de
administração de quimioterápicos por via intrapleural.
• Aspirar o medicamento em uma seringa de 60 ml.
• Posicionar o paciente com o lado no qual será realizada a
administração voltado para cima.
• Retirar o curativo que cobre o cateter intrapleural ou o dreno
torácico.
• Clampear o dreno.
• Oferecer o material para o médico e auxiliar durante o pro-
cedimento.
Cuidados importantes:
• Avaliar a cada 15 minutos, após a administração do medi-
camento, o padrão respiratório do paciente, até completar
uma hora do término do procedimento.
• Manter monitorização contínua do paciente durante o proce-
dimento, para detectar qualquer reação adversa (por exem-
plo, alteração do nível de consciência, agitação, sonolência,
letargia, dispneia, taquipneia, queda na saturação de oxigê-
nio, alterações na frequência cardíaca, aumento ou diminui-
ção na pressão arterial).
• Caso o paciente esteja recebendo infusão contínua, identi-
ficar o frasco com as palavras: Apenas para uso intrapleural,
para evitar administrações acidentais por essa via.
• Manter próximo ao leito clampes com pontas de borracha,
caso aconteça uma rachadura acidental do frasco ou desco-
nexão do dreno.
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Administração de Medicamentos
• Observar sinais de pneumotórax de tensão, pois nenhum ar
pode sair do espaço pleural enquanto o dreno estiver clam-
peado.
• Manter um monitoramento rigoroso para as complicações
da administração de medicamentos por essa via, dentre as
quais: pneumotórax, pneumotórax de tensão, irritação quí-
mica pleural, presença de neutropenia e/ou trombocitope-
nia e infecção da região da inserção do dreno.
• Monitorizar sinais vitais – atenção para hipotensão.
• Observar distensão das veias cervicais, desaparecimen-
tos de sons respiratórios, desvio de traqueia, hipoxemia,
dispneia, taquipneia, sudorese, dor torácica, pulso rápido
e débil.
• Caso aconteça um deslocamento acidental do dreno, cobrir
imediatamente a região com uma compressa de gaze e fixá-
-la no local. Pedir ajuda a outro enfermeiro para que chame
o médico e, logo após, preparar um novo material para dre-
nagem torácica.

Administração por via intraperitoneal


O peritônio é uma membrana serosa que cobre os órgãos abdomi-
nais e reveste a parede abdominal e pélvica, funcionando como uma mem-
brana semipermeável. É composta por uma área da superfície corporal de
cerca de 22 mil cm². A administração de medicamentos por essa via é mais
comum para a realização de diálise ou infusão de quimioterápicos. Na ad-
ministração de medicamento, um cateter é colocado na cavidade perito-
neal e a solução dialítica é instalada. Água, eletrólitos e produtos tóxicos
do metabolismo passam do leito capilar do peritônio para o dialisado, por
osmose ou difusão.
A diálise peritoneal pode ser um tratamento de escolha para pacien-
tes com insuficiência renal, que não são capazes ou que não desejam se
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submeter à hemodiálise ou transplante renal. Por conseguinte, pacientes


com diabetes, doenças cardiovasculares, idosos e aqueles que podem estar
em risco de efeitos colaterais do uso sistêmico da heparina são candidatos
a esse método.

Tipos de cateteres para diálise

Cateter de curta permanência


É um cateter rígido e desenhado para uso único ou esporádico, por
exemplo, em pacientes que fazem quimioterapia uma vez por mês. Esse
cateter pode ser instalado à beira do leito e usado imediatamente. É menos
dispendioso e sua retirada é mais fácil.
Sua desvantagem é poder perfurar órgãos e causar mais dor,
quando comparado aos cateteres de longa permanência, além de ser
mais suscetível a vazamentos e expulsões da cavidade intraperitoneal.
Esse cateter deve ser trocado a cada três dias (72 horas), conforme pa-
dronização da Comissão de Controle de Infecção e Epidemiologia Hos-
pitalar – CCIEH.

Cateter de longa permanência


É um cateter de silicone ou de poliuretano (cateter de TencKhoff®),
possuindo um ou dois cuffs e uma película de Dacron de 1 a 1,5 cm de
comprimento, que envolve o cateter em sua porção extraperitoneal. O cuff
serve para fixar o cateter no seu trajeto, no interior da parede abdominal.
A película de Dracon tem como função prevenir a migração de bactérias do
paciente para o túnel subcutâneo.

Acesso subcutâneo
O cateter subcutâneo (tipo port-a-cath) é implantado sob a pele do
abdome, por um túnel produzido no tecido subcutâneo e comunica a cavi-
dade peritoneal do paciente com o acesso externo.
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Administração de Medicamentos
Esse acesso possui um reservatório para medicamentos e um septo de
silicone autobloqueável, que pode resistir até 2 mil punções com agulhas.
Dois manguitos ancoram o cateter no local, evitando, assim, seu desloca-
mento dentro da cavidade.
Os acessos intraperitoneais tendem a ser mais dispendiosos do que os
cateteres externos e não permitem a irrigação sob alta pressão, a irrigação
forçada ou a manipulação para desprender ou afrouxar coágulos. Porém,
se o tratamento do paciente for domiciliar, esse cateter é indicado, pois não
requer cuidados especiais e possui menor risco de infecção e perfuração
visceral do que os cateteres externos.
Esse tipo de acesso não é apropriado para pacientes com infecção,
desnutridos obesos ou que foram submetidos à radioterapia torácica ou
mastectomia. Nesse último caso, a restrição é quanto à colocação torácica
do cateter, podendo ser feita a implantação próxima à crista ilíaca ou ingui-
nal, sem contraindicação.

Realização de diálise peritoneal


Cada ciclo da diálise peritoneal compreende três fases:
• Infusão.
• Permanência.
• Drenagem do líquido.

Quadro 6.2 – Ciclo de diálise peritoneal

Infusão Permanência Drenagem


Nesta fase, ocorre o Há a remoção das
A solução é infundida
processo de difusão e escórias nitrogenadas
na cavidade
ultrafiltração. O tempo e do excesso de água.
abdominal, por força
de permanência varia A remoção das escórias
da gravidade, através
de acordo com as dependerá do equilíbrio
do cateter implantado
necessidades dialíticas entre a solução de diálise
no peritôneo.
do paciente. e o sangue.
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Material:
• Equipo de diálise em Y.
• Bolsa de drenagem.
• Líquido dialisado aquecido.
• Compressa com iodopovidona.
• Solução de iodopovidona.
• Luvas estéreis.
• Máscara.
• Avental estéril.
• Compressas de gaze estéril.
• Esparadrapo ou fita adesiva hipoalergênica.
• Dois protetores ou campos impermeáveis.
Procedimento:
• Explicar o procedimento ao paciente.
• Pesar o paciente em jejum.
• Verificar sinais vitais.
• Mensurar circunferência abdominal.
• Lavar as mãos e colocar o avental, a máscara e as luvas estéreis.
• Abrir o equipo em Y e, a seguir, conectar a linha de saída
única da bolsa de drenagem.
• Fechar os clampes do tubo.
• Retirar a cobertura de uma das pontas do tubo, introduzi-la
no dialisado e a outra na bolsa que contém a solução.
• Abrir o clampe entre a solução e o paciente.
• Retirar todo o ar do sistema e fechar o clampe.
• Abrir os clampes de modo que a bolsa de drenagem encha e
também seja preenchida essa parte do tubo.
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Administração de Medicamentos
• Fechar todos os clampes.
• Abrir o campo estéril.
• Colocar as compressas de gaze, a solução e as compressas
com iodopovidona sobre o campo estéril.
• Colocar outro protetor sobre a extensão do tubo que parte
do cateter.
• Retirar e descartar as luvas usadas.
• Calçar um novo par de luvas estéreis.
• Realizar a desinfecção da tampa do tubo de extensão e
conectar o tubo do cateter ao equipo de administração.
• Fixar a conexão com esparadrapo.
• Fixar uma alça do tubo no abdome do paciente para evitar
tensão do cateter.
• Abrir o clampe do tubo de extensão do cateter e do tubo do
equipo de administração, para iniciar a infusão para a cavi-
dade peritoneal.
• Deixar o paciente em posição confortável.
• Descartar o material utilizado em local adequado.
• Anotar a hora do início da infusão.
Cuidados importantes:

• Certificar-se de que o clampe da bolsa de drenagem está


realmente fechado para evitar a saída acidental da solução
da cavidade para a bolsa de drenagem.
• Após a infusão, fechar o clampe de entrada para evitar en-
trada acidental de ar na extensão e na cavidade peritoneal.
• Manter o líquido na cavidade conforme prescrição médica.
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• Se necessário, realizar movimentação passiva do paciente,


para proporcionar contato da solução com todas as superfí-
cies do peritônio.
• Ao término da permanência, drenar a cavidade abrindo o
clampe.
• Durante o período de permanência, o paciente pode referir
desconforto, com dor abdominal, sensação de plenitude e
dificuldade para respirar. Procurar deixá-lo em posição con-
fortável.
• Observar se todo o líquido infundido foi drenado.
• Anotar a quantidade e o aspecto do líquido drenado.
• Comunicar ao médico qualquer anormalidade detectada
(por exemplo, drenagem de sangue ou retenção de líquido
na cavidade).
• Repetir as fases de infusão, permanência e drenagem, até
completar o número de banhos prescritos, conforme prescri-
ção médica.
• Ao final das infusões, realizar desinfecção do cateter com
iodopovidona.
• Reunir e descartar todo o material.
• Realizar desinfecção da borda do cateter e colocar a tampa
estéril.
• Trocar o curativo e fixar o cateter.
Acesso implantável:
• Localizar o acesso peritoneal, palpando-o.
• Higienizar as mãos. Colocar máscara.
• Abrir o material com técnica estéril em campo estéril.
• Colocar as luvas e o avental estéril.
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Administração de Medicamentos
• Limpar a pele do paciente com gazes estéreis embebidas em
iodopovidona e deixar a solução secar.
• Usar a mão não dominante para firmar o acesso. Puncionar
com uma agulha sem mandril, que já tenha sido preenchida
previamente com soro fisiológico e que já esteja conectada a
um equipo de extensão.
• Fixar a agulha colocando esparadrapo, fitas adesivas estéreis
ou filme transparente sobre o mandril.
• Com uma seringa com soro fisiológico, verificar se a agulha
está bem posicionada, tentando aspirar líquido. Se não hou-
ver retorno de líquido, tentar lavar o acesso com soro fisio-
lógico.
• Conectar o equipo de administração e iniciar a infusão, con-
siderando todas as fases da diálise.
Cuidados com o cateter:
Nos primeiros dias após a implantação de um cateter para diálise,
ele deve ser mantido pérvio, de acordo com o protocolo da instituição ou
prescrição médica.
Exemplo:
• Irrigar o cateter com 500 ml de uma solução de diálise he-
parinizada a cada 2 ou 3 horas, durante três dias. A seguir,
preencher o cateter com 5.000 UI de heparina (1.000 U/ml) e
mantê-lo ocluído.
• Um período de cicatrização de duas semanas permite que o
cateter seja selado e não vaze.
• Realizar a troca diária do curativo até a cicatrização total.
• Manter o acesso implantável desobstruído, irrigando-o roti-
neiramente com 5 a 10 ml de soro fisiológico. Antes e após a
administração de medicamentos, realizar uma pequena irri-
gação com 20 ml de solução compatível.
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ias s ec ficas a a n são de edicamentos

• Ao retirar a agulha do acesso, manter pressão positiva no êm-


bolo.
• O médico deve retirar um cateter de longa permanência ou
um acesso implantável. O enfermeiro pode retirar um cateter
de curta permanência.
• Segundo o Decreto no 94.406/1987, sobre o exercício da En-
fermagem, artigo 8o, inciso I, alínea h, cabe ao Enfermeiro:
“cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e
que exijam conhecimentos científicos adequados e capacida-
de de tomar decisões imediatas”.
• Registrar os sinais vitais.
• Pesar e medir a circunferência abdominal do paciente, verifi-
car o aspecto da região do cateter, a solução ou medicamento
infundido, incluindo o volume, a dose e a taxa de adminis-
tração, a cor do efluente do cateter, a resposta do paciente ao
procedimento e as orientações dadas durante a diálise.
• São sinais de peritonite: febre, calafrios, hiperestesia abdo-
minal, espasmos generalizados, dispneia, náuseas, opacifica-
ção do líquido de drenagem peritoneal, eritema, edema ou
saída de secreção pela região do cateter. É importante uma
educação adequada e bem registrada, no caso de pacientes
que farão uso do cateter em domícilio.
Cuidados na administração da diálise peritoneal:
Em todos os tipos de cateteres, a técnica asséptica rigorosa é
imprescindível.
• Antes de iniciar a infusão, a bolsa deve ser aquecida em calor
seco, em torno de 36ºC.
• Soluções frias causam dor e menor eficiência da diálise em
virtude da vasoconstrição.
• Soluções quentes queimam o peritôneo.
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Administração de Medicamentos
• Atentar para queixas álgicas, sinais de infecção, desconforto
abdominal e respiratório, bem como mau posicionamento
do cateter.

Administração por via intra-articular


O medicamento administrado por essa via é liberado diretamente na
cavidade sinovial de uma articulação para suprimir a inflamação, atenuar a
dor, ajudar a conservar a mobilidade articular, evitar contraturas e retardar
a atrofia muscular.
Os medicamentos mais comumente assim administrados são corticoi-
des, anestésicos e lubrificantes, sendo utilizados no tratamento de artrite e
outras doenças articulares. Para que ocorra o efeito desses medicamentos,
eles precisam ser absorvidos pelos tecidos ou pelas células.
A via intra-articular é utilizada com cautela pelos médicos, devido
ao risco de infecção e à dificuldade associada à aplicação pela articulação
sinovial. Essa via é contraindicada para pacientes com infecção articular,
instabilidade ou fratura, infecção fúngica sistêmica, psoríase na região a ser
injetada, bacteremia ou artroplastia total.
Para acessá-la, o médico utiliza seringa e agulha comum. Inicialmente,
o médico aspira o líquido articular para diminuir a dor e a inflamação e au-
mentar a amplitude dos movimentos do paciente. Quando necessário, pode
ser realizada a coleta desse líquido para exame. Posteriormente, o médico faz
a administração do medicamento. Após o término da medicação, realiza-se
pressão no local e massagem da região durante 1 a 2 minutos para facilitar a
absorção do medicamento. Por fim, aplica-se uma bandagem.
Material:
Para preparar a medicação:
• Uma agulha de 2,5 cm 18 G ou 2,0 cm 26 G (o número da
agulha a ser utilizada pelo médico dependerá da articulação
acometida).
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• Medicamento prescrito.
• Seringas de 3, 5, 10 ou 20 ml (uma de cada tamanho).
• Toalhas estéreis.
• Travesseiros.
• Compressas de gaze
• Luvas estéreis.
• Cuba-rim (para o caso de vômitos).
• Iodopovidona ou outra solução, de acordo com o protocolo
da instituição.
• Campo.
• Lidocaína a 1%, etilcloreto ou outro anestésico.
• Bandagem adesiva.
• Tubos para exames para coleta de líquido sinovial.
• Lâminas para exames, caso seja necessário.

Procedimento:

• Aspirar a quantidade prescrita do medicamento, com uma


seringa de 5 a 10 ml. Rotular a seringa.
• Posicionar o paciente adequadamente e estabilizar as articula-
ções afetadas, sustentando-as com travesseiros, se necessário.
• Usando técnica asséptica, produzir um campo estéril abrindo
uma toalha ou campo estéril.
• Colocar as agulhas dos tamanhos apropriados, seringas e
compressas de gazes no campo.
• Com luvas estéreis, o médico realizará a limpeza do local.
• Realizar a anestesia e iniciar o procedimento, que poderá in-
cluir a coleta de líquido ou somente a injeção de medicamento.
163

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Administração de Medicamentos
• Anotar a data e a hora, o local da injeção e o nome do médi-
co que realizou o procedimento.
• Anotar o volume do líquido sinovial aspirado e a tolerância
do procedimento pelo paciente.
• Registrar o medicamento administrado e todas as orienta-
ções dadas ao paciente.

Administração por via intraóssea


O líquido injetado na medula drena rapidamente para os canais ve-
nosos centrais e chega à circulação sistêmica por meio das veias de menor
calibre. Além disso, possibilita administração rápida de líquidos e medica-
mentos na medula óssea.
Essa via de administração pode ser usada para lactentes, crianças ou
adultos, quando não for possível estabelecer um acesso venoso de emer-
gência nos primeiros dois minutos após o atendimento inicial no caso de
parada cardiorrespiratória. Pode também ser utilizada para administrar-
-se anestesia regional durante o tratamento de distúrbios ortopédicos, nos
quais não foi possível conseguir acesso venoso ou se tal fato for inexequível.
A agulha intraóssea deve ser retirada logo que o acesso venoso con-
vencional for estabelecido; varia segundo a idade e o tamanho do paciente.
Existem agulhas descartáveis desenhadas especialmente para infusão intra-
óssea. Um obturador pontiagudo protege a sua ponta e filamentos helicoi-
dais ajudam a penetrar no osso.

Figura 6.2 – Inserção da agulha intraóssea


164

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ias s ec ficas a a n são de edicamentos

Figura 6.3 – Equipamentos para punção intraóssea em adultos

Na ausência de uma agulha intraóssea, o profissional pode optar por


uma agulha de aço inoxidável para uso lipodérmico, espinhal ou esternal,
um trépano ou uma agulha de medula óssea convencional, desde que te-
nha as seguintes características:
• diáfise curta, para evitar deslocamento acidental;
• estilete para impedir obstrução da luz pelo osso;
• calibre grosso;
• rigidez;
• um cabo que firme o estilete durante a introdução.

A via intraóssea tem um índice elevado de sucesso e poucas compli-


cações. Porém, não deve ser usada em pacientes com uma área infectada,
em osso no qual o acesso intraósseo já tenha sido tentado, em osso com
fratura exposta, em paciente com tumor ou com osteoporose.
Os medicamentos ou líquidos podem ser infundidos por gravidade
ou por bomba de infusão. O tamanho da agulha, a densidade e as di-
mensões da cavidade da medula são fatores que interferem na taxa de
infusão. O uso da punção intraóssea por mais de 24 horas pode causar
osteomielite.

Qualificação para a técnica

Médico ou enfermeiro com treinamento específico.


165

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Administração de Medicamentos

Locais para infusão


Crianças
• Superfície anteromedial da tíbia proximal, 2,5 cm abaixo da
tuberosidade tibial.
• Tíbia e fêmur distais. A tíbia distal é preferível por ter uma co-
bertura fina de córtex ósseo e por possibilitar acesso mais difí-
cil, porque o osso está bem protegido por músculo e gordura.
• A inserção no esterno não é recomendável para crianças, de-
vido ao risco de perfuração.
• Nunca introduzir uma agulha intraóssea nas placas epifisá-
rias de uma criança.

Adultos
• Crista ilíaca ou esterno (com exceção do segmento antero-
posterior, no qual a agulha poderia penetrar por completo).
• Extremidade distal do rádio, a metáfise proximal do úmero e
uma região situada 3 a 4 cm antes da extremidade distal do
maléolo lateral ou medial.
• A agulha também pode ser introduzida no processo estiloide
da ulna, na epífise distal do segundo metacarpo, na epífise
distal do primeiro metatarso, na tíbia ou no fêmur distal.

Introdução de agulha intraóssea


Para realizar o procedimento de introdução de uma agulha intraós-
sea, o profissional precisa ter recebido treinamento específico.

Material:
• Uma agulha de acesso intraósseo com obturador de tama-
nho apropriado.
• Três pacotes de compressas de gaze com iodopovidona (ou
antisséptico padrão da instituição).
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ias s ec ficas a a n são de edicamentos

• Luvas estéreis.
• Seringa de 3 a 5 ml (uma de cada tamanho).
• Lidocaína a 1%.
• Soro fisiológico para irrigação.
• Um equipo.
• Medicamento prescrito.
• Fita hipoalergênica.
• Três pacotes de gaze estéril.
• Uma bomba de infusão.
• Controlador ou bolsa de infusão sob pressão, conforme a in-
dicação.

Geralmente, essa via é acessada durante uma emergência, o que


interfere muito no preparo adequado do paciente para administração de
medicamento. Contudo, a preparação é extremamente importante para o
sucesso do procedimento.

Procedimento:

• Explicar o procedimento ao paciente.


• Escolher o local mais apropriado para a introdução da agulha.
• Para encontrar o segmento proximal da tíbia, medir 2,5 a 5,0 cm
abaixo da tuberosidade tibial na superfície anteromedial.
• Higienizar as mãos.
• Colocar um campo estéril sobre o local.
• Se o membro for utilizado para infusão, deve ser colocado
em uma posição confortável. Se o paciente for uma criança,
será necessário conter o membro.
• Colocar as luvas estéreis e limpar vigorosamente a pele da
região a ser puncionada com iodopovidona. Deixar a solução
secar ao ar livre.
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Administração de Medicamentos
• Introduzir a agulha cuidadosamente. Em algumas institui-
ções, utiliza-se uma pistola de injeção óssea.
• Calçar um novo par de luvas estéreis.
• Caso tenha sido prescrito, anestesiar a pele com a lidocaína,
injetando o anestésico sob o periósteo. Avançar rapidamente
a agulha pela pele até chegar ao córtex ósseo. No caso de o
paciente ser uma criança, angular a agulha afastando-a do
espaço articular, para evitar perfuração da placa epifisária.
• Introduzir a agulha ainda mais, até chegar à cavidade me-
dular, mantendo pressão firme e um movimento de rotação
ou helicoidal para baixo. É possível sentir a agulha passando
pelo córtex ósseo e atingindo uma parte oca e macia (o osso
esponjoso).
• Quando se sente um estalo suave e redução da resistência,
sabe-se que se terá chegado à medula óssea. Quando a agu-
lha estiver introduzida no osso, permanecerá em posição re-
tilínea sem sustentação.
• Após atingir a medula óssea, retirar o obturador da agulha,
conectar uma seringa de 5 ml e aspirar um pouco de medu-
la óssea, para certificar-se de que a agulha está na posição
correta.
• Trocar a seringa por outra contendo soro fisiológico. A seguir,
irrigar a cânula para retirar o sangue e as partículas ósseas.
Se a agulha estiver posicionada adequadamente, não haverá
sensação de resistência durante a irrigação.
• Retirar a seringa e conectar o equipo.
• Fazer uma nova limpeza da região.
• Se o paciente estiver consciente, atenuar a dor durante a in-
fusão inicial retirando 2 a 5 ml de medula óssea e, em segui-
da, injetando lentamente 2 a 5 ml de lidocaína a 1% durante
60 segundos.
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ias s ec ficas a a n são de edicamentos

• Caso a primeira tentativa de introduzir uma agulha intraós-


sea não tenha obtido sucesso, usar outro osso na tentativa
subsequente. Assim, evita-se que o líquido infundido extra-
vase pelo local da primeira punção.

Neste capítulo, foram descritas técnicas de administração de medi-


camentos específicas e utilizadas por profissionais autorizados e treinados
– enfermeiros e médicos. Cabe aos técnicos e auxiliares de enfermagem au-
xiliar durante o procedimento, fornecendo materiais necessários e posicio-
nando o paciente, entre outras atividades. Para isso, necessitam conhecer a
técnica a ser executada, assim como os materiais utilizados.

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CAPÍTULO 7

PREPARO DA MEDICAÇÃO
Aline Laurenti Cheregatti

Segurança para administração dos


medicamentos
Alguns cuidados são importantes no preparo e na administração dos me-
dicamentos, reforçando a segurança na sua administração. Entre eles, citam-se:
• Prescrição por ordem verbal somente em situação de emer-
gência.
• Administrar medicamento somente com prescrição médica.
• Não administrar medicamento sem rótulo ou sem identificação.
• Verificar data de validade antes da administração.
• Não administrar medicamento preparado por outro profis-
sional.
• Ter conhecimento sobre o medicamento que será adminis-
trado, seu efeito colateral, incompatibilidade com outros
medicamentos e formas de apresentação.
• Verificar acondicionamento correto de medicamentos fotos-
sensíveis e termolábeis.
• Não conversar durante o preparo de medicamentos.
• Manter a prescrição médica próxima para realizar consultas
e checagem.
• Conferir os 5 Certos – medicamento certo, dose certa, paciente
certo, via certa e hora certa – para cada medicamento preparado.
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Administração de Medicamentos
Os cuidados envolvendo a administração de medicamentos são ne-
cessários, independentemente da via de administração prescrita. Os princi-
pais cuidados estão listados no quadro a seguir.

Quadro 7.1 – Administração de medicamentos por via oral e sublingual

Ingerir água fresca antes da


administração de medicamentos para
melhorar o paladar.
A melhora do amargor do
Medicamentos que possuem forte medicamento pode ser realizada
colocando-se gelo na boca, antes
paladar devem ser diluídos.
e depois da administração do
medicamento.
Acrescentar açúcar na diluição dos
medicamentos amargos melhora o
paladar.
Nunca se deve diluir ou misturar mais O aprazamento dos medicamentos
de um medicamento, devido ao risco deve ser realizado preferencialmente
de interação medicamentosa. em horários separados.
Os medicamentos administrados por Considerar interações que possam
via oral podem ser administrados com ocorrer entre medicamentos e
suco de frutas, água, leite ou chá. alimentos específicos.
Medicamentos em pó devem ser Considerar medicamentos
bem dissolvidos e administrados efervescentes como medicamentos em
imediatamente após sua dissolução. pó.
Para gotas, realizar contagem A contagem das gotas deve ser realizada
utilizando conta-gotas. uma a uma.
Verificar pressão arterial, antes de administrar hipotensores e frequência
cardíaca, antes de administrar digitálicos.
Utilizar luvas de procedimento em casos de isolamentos ou quando entrar em
contato com mucosa do paciente.
Todas as orientações devem ser realizadas, salvo contraindicações ou
orientação médica.

Os medicamentos administrados por via enteral requerem atenções


semelhantes aos administrados por via oral, acrescidos dos cuidados com a
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Preparo da Medicação

sonda para mantê-la permeável. As administrações por via enteral incluem


as administradas por meio de sonda enteral, sonda de gastrostomia e son-
da de jejunostomia.
Quadro 7.2 – Administração de medicamentos por via enteral

Os medicamentos com apresentação Os medicamentos devem ser diluídos


em comprimidos, gotas, soluções, e administrados separadamente.
suspensões e pós devem ser dissolvidos Verificar se há possibilidade de
em água e, depois, administrados com alteração do aprazamento do horário
auxílio de uma seringa. da medicação.
Outros tipos de apresentação do
medicamento facilitam a diluição
Sempre verificar com o farmacêutico
e a administração, diminuindo a
se o medicamento prescrito apresenta possibilidade de obstrução da sonda.
forma líquida para administração. O médico deve sempre ser consultado
para alteração da prescrição.
Antes, entre e após a administração
O intuito é manter a perviedade das
dos medicamentos, mesmo em
sondas, injetando água filtrada com
apresentação líquida, xaropes ou
pressão, levando-se em conta o tipo, o
soluções, as sondas devem ser lavadas
calibre da sonda e o paciente.
conforme padronização da instituição.
Todas as orientações devem ser realizadas, salvo contraindicações ou orientação
médica.

A administração de medicamentos por via retal é pouco utilizada


por gerar constrangimento em alguns pacientes. Para esse tipo de admi-
nistração, deve-se colocá-lo na posição de SIMS, em decúbito lateral es-
querdo, com o membro inferior esquerdo estendido e o membro inferior
direito ligeiramente flexionado.
Quadro 7.3 – Administração de medicamento por via retal
Manter a privacidade do paciente
Sempre que possível, permitir que o
Manter a privacidade e
paciente introduza o supositório sem
individualidade do paciente.
o auxílio da enfermagem.
Para a administração de supositório
Essa manobra evita que haja o
em crianças pode ser necessário leve
retorno do medicamento.
compressão das nádegas.
Continua
173

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Administração de Medicamentos
Quadro 7.3 – Continuação

Manter a privacidade do paciente


A comadre deve ser oferecida em casos de administração de enemas e
medicamentos laxativos.
O paciente deve sempre ser colocado em posição de SIMS para administração
do medicamento.
Todas as orientações devem ser realizadas, salvo contraindicações ou
orientação médica.

A administração por via vaginal é específica para alguns medicamen-


tos. A paciente deve ser orientada a aplicar a medicação e permanecer dei-
tada, para que não saia pela vagina. Deve-se colocá-la na posição ginecoló-
gica para facilitar a aplicação.
Quadro 7.4 – Administração de medicação por via vaginal

Manter a privacidade da paciente


Administrar preferencialmente o medicamento antes de a paciente se deitar.
O medicamento deve ser colocado no Normalmente, a embalagem de
aplicador (vem com o medicamento) medicamento já vem com aplicadores
na quantidade indicada pelo na quantidade necessária para o
fabricante. tratamento.
Sempre que possível, permitir que a Dessa maneira, respeita-se a
paciente introduza o medicamento privacidade e a individualidade da
sem o auxílio da enfermagem. paciente.
Após a administração do Essa orientação e conduta fazem
medicamento, a paciente deve ser com que haja total absorção do
orientada a permanecer em repouso. medicamento.
Avisá-la que poderá sentir Solicitar que a paciente relaxe e não
desconforto durante a administração faça força durante a introdução do
do medicamento. medicamento.
A paciente deverá sempre ser colocada em posição ginecológica para
administração do medicamento.
Todas as orientações devem ser realizadas, salvo contraindicações ou
orientação médica.
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Preparo da Medicação

A administração de medicamentos pela via nasal é específica e desti-


nada a poucos medicamentos.
Quadro 7.5 – Administração de medicamento por via nasal
O medicamento por via nasal é introduzido O conta-gotas é de uso
nas narinas com o auxílio de um conta-gotas. individual.
Administrar preferencialmente o medicamento com a cabeça do
paciente ligeiramente voltada para trás.
O medicamento deve permanecer no quarto do paciente.
Alertá-lo que poderá sentir desconforto durante a administração do
medicamento.
Todas as orientações devem ser realizadas, salvo contraindicações ou
orientação médica.

A administração de medicamento por via ocular é uma técnica sim-


ples para sua execução, mas apresenta certo grau de desconforto para o
paciente.

Quadro 7.6 – Administração de medicamento por via ocular

Podem ser aplicados, pela via ocular, colírios e pomadas.


O olho deve permanecer levemente aberto para que a gota seja instilada no
saco conjuntival.
O bico do frasco do colírio não pode encostar no olho do paciente.
Para aplicação da pomada, o profissional deve tracionar a pálpebra inferior e
aplicar o medicamento dentro do saco conjuntival.
O paciente deve ser orientado para fechar os olhos e fazer movimento com o
globo ocular, facilitando, assim, a absorção do medicamento.
Realizar higiene ocular antes da aplicação de colírios e pomadas.
Todas as orientações devem ser realizadas, salvo contraindicações ou
orientação médica.

A administração de medicamentos por via auricular é restrita a pou-


cos fármacos. Apresenta certo grau de desconforto para os pacientes, prin-
cipalmente crianças.
175

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Administração de Medicamentos
Quadro 7.7 – Administração de medicamentos por via auricular

Em adultos, para instilar o medicamento no ouvido, é necessário tracionar,


com delicadeza, o pavilhão auditivo para cima e para trás, com a finalidade
de expor o conduto auditivo.
Em crianças, para instilar o medicamento no ouvido, o pavilhão auditivo deve
ser tracionado para baixo e para trás.
A medicação deve ser administrada em temperatura ambiente ou levemente
aquecida, com a utilização da fricção com as mãos, para atingir a temperatura
corpórea.
Realizar higiene local antes da aplicação do medicamento.
Todas as orientações devem ser realizadas, salvo contraindicações ou
orientação médica.

A administração de medicamentos por via parenteral é a mais complexa


de todas. Ela engloba a administração pelas vias subcutânea, intradérmica,
intramuscular, endovenosa e intravenosa. Para a execução dessas técnicas, o
profissional necessita de amplo conhecimento e habilidades práticas, princi-
palmente quando é necessária a instalação de dispositivo de acesso venoso
para administração de medicamentos por via intravenosa ou endovenosa.
Atualmente, dispõe-se, no mercado, de vários tipos de dispositivos, o que faci-
lita a execução da técnica e garante maior conforto ao paciente.

Quadro 7.8 – Administração de medicamentos por via parenteral


As soluções administradas por via parenteral devem ser estéreis. O material
utilizado deve ser descartável e também estéril.
O medicamento deve ser introduzido de forma lenta e constante, evitando,
assim, a ruptura de capilares.
Ao preparar e administrar medicação por via parenteral, o profissional deve
certificar-se de não ter ocorrido contaminação com a solução e o material.
Preparo de medicamento ampola e Preparo de medicamento frasco
solução ampola e pó
1. Lavar as mãos. 1. Lavar as mãos.
2. Conferir os 5 Certos. 2. Conferir os 5 Certos.
Continua
176

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Preparo da Medicação

Quadro 7.8 – Continuação


3. Conferir se o medicamento 3. Retirar a tampa protetora
está no corpo da ampola. Caso do frasco (soluto), realizar a
esteja no gargalo da ampola, desinfecção da borracha protetora
fazer movimentos rotatórios com algodão e álcool a 70%.
para promover a descida do 4. Preparar a seringa e a agulha para
medicamento para o corpo da aspirar o medicamento.
ampola.
5. Realizar desinfecção da ampola
4. Fazer a desinfecção do gargalo de solvente com álcool a 70% e
utilizando algodão com álcool a aspirar seu conteúdo.
70%.
6. Perfurar com agulha o frasco do
5. Proteger os dedos com gazes ou soluto e introduzir o solvente no
algodão ao quebrar ampolas de frasco do soluto.
vidro.
7. Retirar a seringa e a agulha.
6. Abrir a embalagem da seringa e
8. Homogeneizar a solução com
conectar a agulha sem contaminar.
movimentos firmes e lentos, entre
7. Segurar a ampola entre os dedos as mãos, evitando a formação de
indicador e médio da mão espuma.
não dominante e introduzir a
9. Aspirar a solução com a mesma
agulha na ampola; com a mão
seringa e agulha e, depois, retirá-la
dominante, aspirar o volume
do frasco.
prescrito do medicamento.
10. Retirar o ar da seringa voltando a
8. Após a aspiração, retirar a agulha da
agulha para cima.
ampola, virar a agulha para cima e
11. Trocar a agulha por outra,
retirar o ar da seringa.
adequada para a administração do
9. Trocar a agulha utilizada para
medicamento.
aspirar o medicamento por outra
12. Lavar as mãos.
indicada para fazer a aplicação.
13. Administrar o medicamento logo
10. Não reencapar a agulha e
após o seu preparo.
desprezá-la em local apropriado.
11. Lavar as mãos.
12. Administrar o medicamento logo
após o seu preparo.
Todas as orientações devem ser realizadas, salvo contraindicações ou
orientação médica.

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Administração de Medicamentos

Figura 7.1 – Desinfecção da ampola Figura 7.2 – Abertura da ampola

Figura 7.3 – Aspirar com a seringa e a agulha

É importante ressaltar que, independentemente da via de adminis-


tração prescrita pelo médico, o profissional de enfermagem deve possuir
conhecimento geral e específico sobre o assunto. Além do conhecimento
sobre a técnica a ser executada, o profissional deve saber as informações
sobre os medicamentos que administrará, seu efeito, tempo de ação, prin-
cipais reações e efeitos colaterais.
Outro fator importante é não realizar a administração de medica-
mentos em caso de dúvidas, as quais deverão ser esclarecidas pelo enfer-
meiro ou pelo médico. Em situações de erros que envolvam medicamen-
tos, o médico deverá ser comunicado imediatamente para tentar reverter
a ação de tal fármaco.

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CAPÍTULO 8

PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES DA TERAPIA


MEDICAMENTOSA
Ana Paula Miranda Barreto

Via oral e gástrica


A administração de medicamentos por via oral (VO) é um método
seguro e barato, em comparação com outras vias de administração.
A absorção variável de uma substância ocorre pelo fígado, em que
um elaborado sistema enzimático pode inativá-la antes que ela passe para
a circulação sistêmica.
Alguns medicamentos por via oral irritam o trato gastrointestinal
(TGI), descolorem os dentes, têm sabor desagradável e podem ser aciden-
talmente broncoaspirados, quando o paciente tem deglutição prejudicada.

Fatores que interferem na administração de medicamentos


por via oral ou gástrica

Alterações no pH do TGI
O pH gástrico de uma criança é menos ácido do que o pH de um adulto.
O pH baixo do estômago impede a absorção significativa de drogas
básicas, que são absorvidas mais efetivamente na cavidade oral (pH 6,2 a
7,2), ou no intestino grosso (pH 7,0 a 7,5). As alterações do pH gástrico po-
dem diminuir a absorção ou fazer com que algumas drogas sejam absorvi-
das de maneira inadequada. Certos princípios ativos encontram problemas
na absorção devido a suas características físico-químicas.
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Administração de Medicamentos
Alterações na permeabilidade da membrana intestinal
O pH do intestino é neutro, fato que favorece a absorção da maioria
das drogas. O papel fisiológico do intestino é absorver produtos finais da
digestão dos alimentos, pois possui uma grande área de superfície e uma
grande vascularização. A diferença entre o pH do intestino e do estômago
pode alterar a absorção de muitas drogas.
Flutuações na motilidade gástrica
Conforme cresce a velocidade de esvaziamento gástrico, aumenta a
velocidade de absorção das drogas e diminui a latência. A diminuição da
motilidade retarda o esvaziamento gástrico e diminui a absorção.
A elevação da absorção das drogas pode ocorrer em crianças menores
de 2 anos de idade, por apresentarem o intestino mais curto, pois com o
aumento do trânsito intestinal, há a diminuição da taxa de absorção.
Alimentos no TGI
A plenitude gástrica torna a absorção irregular. Muitas drogas não
são absorvidas adequadamente na presença de alimentos, enquanto outras
devem ser administradas com o estômago cheio para diminuir os danos
causados à mucosa gástrica.
Medicamentos no TGI
A presença de mais de uma medicação no TGI pode causar interação
medicamentosa, inativação de algumas substâncias ou, ainda, potenciali-
zação da ação de outros medicamentos.
Vários componentes de alimentos ou drogas podem quelar ou adsorver
drogas intraluminalmente de uma maneira ativa, reduzindo sua absorção. Por
exemplo: os sais de cálcio, bário, magnésio, alumínio e ferro formam quelatos
(quando uma substância química gruda ou adere à outra, impedindo a sua
absorção pelo organismo) com antibióticos do tipo tetraciclina, o carvão ou a
colestiramina, e quelam muitas drogas ácidas, como Warfarim e tiroxina.
Os medicamentos líquidos, por exemplo, não devem ser misturados,
pois pode ocorrer uma reação química que resulta em precipitado.
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Principais Complicações da Terapia Medicamentosa

Salicilatos, digitálicos e corticoides irritam a mucosa gástrica e devem


ser administrados com as refeições.
Os xaropes devem ser administrados puros, pois quando são diluídos
pode ocorrer alteração da dosagem.
Em decorrência da administração de medicamentos no TGI, podem
ocorrer náuseas, vômitos, gastralgia e inativação da ação medicamentosa.

Via intramuscular (IM)


Quando o paciente está hipotenso ou tem um aporte sanguíneo defi-
ciente para o músculo, o medicamento administrado por via intramuscular
pode precipitar-se ou não ser absorvido.
Ocorre dor, no caso da injeção IM, porque a pele e o tecido subcutâ-
neo são ricamente inervados e os receptores da dor são estimulados pela
agulha, quando ela penetra e disseca o tecido conectivo. O músculo é me-
nos inervado, mas a infusão de solução no espaço intersticial pode ser mui-
to dolorosa, devido à irritação causada pela solução, ao pH ou à tonicidade
alta para a solução fisiológica.
Quando não se emprega a técnica correta de administração, pode-
-se, acidentalmente, injetar o medicamento na corrente sanguínea e causar
uma reação adversa ou overdose.
Podem ocorrer: irritação tecidual local, dor, lesão óssea, punção de
vasos sanguíneos causando hematomas, endurecimento local, lesão de ner-
vos, volume inadequado para o músculo, rompimento de tecido muscular
interferindo na mioglobina (marcador de IAM), distrofias, abscessos, reações
alérgicas no caso de sensibilidade ao fármaco e perda da funcionalidade do
membro.
A administração de medicamento IM pode ser ineficaz para crianças
desidratadas, devido ao volume circulante impróprio para dissolver e trans-
portar a substância para o sistema vascular.
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Administração de Medicamentos
As complicações mais comuns, após injeções no músculo vasto lateral
da coxa, são: desconforto do paciente, devido a intensa dor durante a apli-
cação; presença de manchas avermelhadas no local e extensão do mem-
bro e abdome; hiperemia; edema; hematomas difusos; vesículas contendo
fluido sanguinolento; abscessos; nodulações e escaras no local da injeção.
Tais fatores decorrem de local inapropriado da injeção, falta de rotatividade
dos locais, grande volume de medicação injetada em músculo pequeno e
técnica incorreta de assepsia. Porém surgir, por exemplo, no caso de admi-
nistração de penicilina G, procaína e diclofenaco de sódio.

Causas das complicações


• Tipo de medicação introduzida: medicação irritante, diluição
em solvente oleoso ou de absorção lenta, alta concentração.
• Volume injetado incompatível com a estrutura do músculo,
ocasionando um aumento da tensão local, compressão vas-
cular, edema local e, com o efeito tóxico, podendo causar
infarto muscular, fibrose e necrose.
• Local de aplicação errado em relação à qualidade da me-
dicação injetada. Existem medicações que exigem grande
quantidade de massa muscular, possibilitando aumento na
velocidade de absorção.

Complicações da terapia endovenosa (EV)


Infiltração

A infiltração é a administração de uma solução ou medicamento não


vesicante no tecido circunvizinho. Ocorre quando a cânula EV se desloca ou per-
fura a parede da veia. Caracteriza-se por edema ao redor do local de inserção,
extravasamento do líquido para fora do leito venoso, dor e sensação de frio na
área da infiltração e uma diminuição significativa na velocidade do fluxo.
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Principais Complicações da Terapia Medicamentosa

Quando a solução é irritante, pode ocorrer descamação do tecido. É


necessário monitorização intensiva do local para detectar uma infiltração,
antes que ela se torne grave.
Nem sempre o fato de haver um fluxo retrógrado de sangue significa que
não houve infiltração; isso pode indicar, por exemplo, que o cateter não está
bem posicionado, podendo ter acontecido de a sua extremidade distal ter perfu-
rado a veia. O fluido EV escorre para dentro dos tecidos, assim como flui dentro
da veia. Embora ocorra o retorno do sangue, a infiltração também aconteceu.
Uma boa forma de confirmar se a infiltração está ocorrendo é aplicar
um garrote acima ou próximo ao local de infusão e apertá-lo o suficiente
para restringir o fluxo venoso. Quando a infusão continuar a gotejar, apesar
da obstrução venosa, a infiltração estará acontecendo.
A infiltração de qualquer quantidade de produto sanguíneo, irritante
ou vesicante, é considerada grave.
O tratamento consiste em:
• Quando a infiltração for recente, aplicar compressas frias.
• Quando já tiver passado algumas horas, aplicar compressas
quentes no local.
• Elevar o membro para promover absorção do líquido e dimi-
nuir o edema.
• Puncionar um novo acesso em outro membro.
• Associar a terapia prescrita com o local da punção.
• Escolher uma cânula do tamanho e do tipo adequado para
a veia.

Extravasamento
O extravasamento é similar à infiltração e ocorre por uma adminis-
tração inadvertida de solução vesicante ou medicamento dentro do tecido
circunvizinho.
183

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Administração de Medicamentos
Medicamentos, como a dopamina, preparações de cálcio e agentes
quimioterápicos, podem provocar dor, queimação e rubor no local. Possivel-
mente, ocorrerá a formação de vesículas, inflamação e necrose dos tecidos.
A extensão da lesão é determinada pela concentração do medica-
mento, pela quantidade extravasada, pela localização da inserção para in-
fusão, pela resposta tecidual e pela duração do processo de extravasamen-
to. Deve-se interromper a infusão imediatamente. O enfermeiro e o médico
devem ser notificados.
O protocolo da instituição para extravasamento deve ser iniciado; ele
pode determinar os tratamentos necessários, incluindo antídotos específi-
cos para o medicamento que extravasou, e pode indicar se a linha EV deve
permanecer no local ou ser removida antes do tratamento. Com frequência,
o protocolo especifica que o local de infusão seja infiltrado com o antídoto
prescrito, depois da avaliação pelo enfermeiro e pelo médico e a aplicação
de compressa fria inicialmente, seguida por compressas quentes e elevação
do membro. Esse membro não deve ser usado para a instalação posterior
de cânula. Avaliações neurovasculares completas do membro afetado de-
vem ser regularmente efetuadas.

Flebite

A flebite é definida como a inflamação de uma veia devido a uma


irritação química e/ou mecânica. Caracteriza-se por uma área avermelhada
e quente ao redor do local de inserção, ou ao longo do trajeto da veia, e
edema.
A seguir, há a especificação dos tipos de flebite
Flebite Mecânica
É uma irritação mecânica, causando uma flebite ou inflamação na
veia; pode ser atribuída ao uso de cateter de calibre grande inserido em
uma veia pequena.
184

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Principais Complicações da Terapia Medicamentosa

Flebite Química
Muitos fatores contribuem para o desenvolvimento de flebite química.
Geralmente, é causada por administração de medicações ou soluções irri-
tantes, medicações diluídas ou misturadas impropriamente, infusão muito
rápida, presença de pequenas partículas na solução. Um fator contributivo
na formação de flebite química são partículas ínfimas na solução, tais como
partículas de drogas que não se dissolvem totalmente durante a diluição e
que não são visíveis. Infusões intermitentes heparenizadas causam menos
irritação na parede da veia no decorrer do tempo do que infusões contínuas.
Flebite Bacteriana
É a inflamação da parede interna da veia associada com a infecção
bacteriana. Fatores que contribuem para o desenvolvimento de flebite bac-
teriana incluem técnicas assépticas inadequadas de inserção do cateter, fi-
xação ineficaz do cateter e falha na realização de avaliação dos locais.
Flebite Pós-infusão
Trata-se de uma inflamação da veia que se torna evidente em 48 a
72 horas. Fatores que contribuem para seu desenvolvimento, são: técnica
de inserção do cateter, condição da veia utilizada, tipo, compatibilidade e o
pH da solução ou medicações infundidas, calibre, tamanho, comprimento
e material do cateter e tempo de permanência.

Quadro 8.1 – Classificação da flebite – Escala de Maddox


GRAVIDADE 0 Ausência de reação.
GRAVIDADE 1+ Sensibilidade ao toque sobre a porção IV da cânula.
GRAVIDADE 2+ Dor contínua sem eritema.
Dor contínua, com eritema e edema, veia dura, palpável a
GRAVIDADE 3+
menos de 8 cm acima do local IV da cânula.
Dor contínua com eritema e edema, endurecimento, veia
GRAVIDADE 4+
endurecida palpável a mais de 8 cm do local IV da cânula.
Trombose venosa aparente. Todos os sinais de 4+, mais fluxo
GRAVIDADE 5+ venoso = 0, o qual pode ter sido interrompido devido à
trombose. 185

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Administração de Medicamentos
A incidência de flebite aumenta conforme o período de tempo em
que a linha EV é mantida, dependendo da composição do líquido infundi-
do, especialmente seu pH e tonicidade, do tamanho da cânula e do local da
inserção, da filtração ineficaz, da fixação imprópria da linha e da introdu-
ção de micro-organismos no momento da inserção.
O tratamento consiste em troca da punção conforme protocolo da
instituição, geralmente a cada 72 horas, interrupção da linha EV, punção
em novo local e compressa morna e úmida no local afetado.

Tromboflebite
É a presença de um processo inflamatório de um segmento de uma
veia, geralmente de localização superficial, com a formação de coágulos, na
área afetada. Seus sinais são: dor localizada, rubor, calor e edema ao redor
da inserção ou ao longo do trajeto da veia.

Hematoma
Surge o hematoma quando o sangue extravasa para dentro dos teci-
dos circunvizinhos ao local da inserção EV. Ocorre em decorrência da perfu-
ração da parede vascular oposta durante a punção venosa, do deslizamento
da agulha para fora da veia e da pressão insuficiente aplicada ao local após
a retirada da agulha ou cânula. Os sinais de hematoma incluem equimose,
edema imediato e extravasamento de sangue no local.
O tratamento inclui a retirada da agulha ou cânula e a aplicação de
pressão com um curativo estéril, a utilização de bolsa de gelo durante as
próximas 24 horas no local e, em seguida, compressa quente para aumen-
tar a absorção do sangue, além de avaliação do local.

Coagulação e obstrução
Os coágulos podem formar-se na administração EV em consequência
de equipo torcido, de velocidade de infusão muito lenta, de espaço vazio ou
da falta de lavagem da linha após administração de medicamentos.
186

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Principais Complicações da Terapia Medicamentosa

Nunca se deve tentar desobstruir o cateter. Seringas grandes fazem


alta pressão, pode-se tentar aspirar o cateter com uma seringa de 1 a 3 ml.
A aspiração impede que se empurre o trombo para a circulação e previne
a formação de hematoma por rompimento da veia. Se não obter-se êxito,
deve-se retirar o cateter e realizar uma nova punção.
Deve-se interromper a infusão e reiniciar em outro local. O equipo
não deve ser irrigado ou ordenhado, nem a velocidade da infusão aumen-
tada, nem o frasco da solução elevado.

Via subcutânea (SC)


A via SC é utilizada comumente para administração de insulina e an-
ticoagulantes. As complicações mais comuns são reações alérgicas locais
(rubor, edema, dor e endurecimento do local, presença de pápula).
A lipodistrofia refere-se a uma reação localizada, na forma de lipoa-
trofia ou lipo-hipertrofia, ocorrendo no sítio das injeções de insulina. A li-
poatrofia é a perda do tecido adiposo subcutâneo e aparece como uma pe-
quena fóvea ou depressão mais acentuada do tecido adiposo subcutâneo.
O uso de insulina humana quase eliminou essa complicação desfigurante.
A lipo-hipertrofia – o desenvolvimento de massas fibroadiposas no
sítio da injeção – é causada pelo uso repetido de um sítio de injeção.
Quando a insulina é injetada em áreas cicatrizadas, a absorção pode
ser retardada. O paciente deve evitar injeções de insulina nessas áreas até
que a hipertrofia desapareça.

Os medicamentos trazem inúmeros benefícios para os pacientes,


mas, infelizmente, também podem gerar algumas complicações.
Há as relacionadas diretamente com os fármacos, que são conside-
radas efeitos indesejáveis, e o profissional tem pouca ação para minimizar.
187

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Administração de Medicamentos
Outros efeitos estão relacionados com as vias de administração, e,
neste caso, a participação do profissional é fundamental para minimizá-los.
O profissional de enfermagem deverá estar constantemente atento
para a ocorrência desses efeitos e atuar para que eles não aconteçam ou,
pelo menos, sejam minimizados, trazendo maior conforto e segurança
para os pacientes.

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Parte II
CÁLCULO DE MEDICAMENTOS

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CAPÍTULO 9

A MATEMÁTICA E A ENFERMAGEM
Rodrigo Sala Jeronimo

A história da matemática está intimamente relacionada com a tra-


jetória do homem. Atividades rotineiras envolvem operações matemá-
ticas, desde as mais simples, como o cálculo de um troco, até as mais
complexas, como calcular a velocidade de um carro para realizar uma
ultrapassagem.
Na enfermagem, a matemática tem um papel fundamental. Cálculos
de dosagem de medicamentos são feitos diariamente por profissionais que,
muitas vezes, não têm o conhecimento necessário sobre operações básicas.
A maioria das operações utilizadas na área da enfermagem são:
• adição (+);
• subtração (–);
• divisão ( / );
• multiplicação ( * ) ou ( x ).

E, ainda, regra de três, porcentagem, proporção, transformação de


unidades de medida e frações. Todos esses cálculos são feitos com números
inteiros e números decimais. Neste capítulo, serão abordadas as principais
operações realizadas pela equipe de enfermagem.
No Capítulo 14, serão devidamente detalhados os cálculos específi-
cos de dosagem de medicamentos. Já no Capítulo 15, serão vistos exercí-
cios e explicações de cálculos tendo como exemplos modelos de prescrição
médica.
191

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Administração de Medicamentos
Algumas dicas são importantes e serão muito utilizadas para calcular
dosagem de medicamentos:

Números decimais
São aqueles nos quais a vírgula separa a parte inteira da parte decimal.
Exemplo: 7,56

Adição de números decimais


326,45 + 56,32 =
Montando a conta:
Vírgula embaixo de vírgula.
326,45
56,32 +
382,77

Subtração de números decimais


498,35 – 78,29 =
Montando a conta: Vírgula embaixo de vírgula.
498,35 –
78,29
420,06

Multiplicação de números decimais


426,35 x 22,5 =
Montando a conta: Para aplicar a vírgula, é necessário contar
quantos números há depois dela: no primeiro
426,35 caso, há dois números, e, no segundo,
x 22,5 apenas um; portanto, no resultado deve
haver três números após a vírgula.
9592,875
192

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A Matemática e a Enfermagem

Divisão de números decimais


526,3 / 25,12 =
denominador 1o passo: igualar os números após a vírgula
numerador
entre o numerador e o denominador.
Neste caso, o numerador tem um número
após a vírgula, e o denominador tem dois
Elaborando a operação: números. Acrescentar zero, igualando o
526,30 25,12 numerador e denominador.

52630 2512

2o passo: cancelar as vírgulas e fazer o


cálculo como números inteiros.
52630 2512
23900 20,95 3o passo: realizar o cálculo até a casa
12920 centesimal, ou seja, dois números após a
vírgula.
0360

Multiplicação de números por 10; 100; 1.000


Números inteiros

Nesses casos, basta acrescentar a mesma quantidade de ZEROS ao


final do número:
4.596 x 100 = 459.600

Números decimais
A regra é alterar a posição da vírgula para a direita, na mesma quan-
tidade de ZEROS:
896,23 x 10 = 8.962,3
193

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Administração de Medicamentos

Divisão de números por 10; 100; 1.000


Números inteiros

Considerar que a vírgula está após o último número (direita) e mo-


vê-la para a esquerda na mesma quantidade de ZEROS:
596 / 10 = 59,6

Números decimais
Mover a vírgula para a esquerda na mesma quantidade de ZEROS:
468,56 / 100 = 4,6856

Razão
Pode ser definida como uma divisão entre dois números, nos quais o
denominador não pode ser ZERO.

Exemplo:
3
15
Pode ser representada por:
3
ou 3:15 ou 0,2
15
Priorizar o uso de números fracionados.

Proporção
Por definição, é a igualdade entre duas razões diferentes.
Exemplo:
No guarda-roupa de Fernanda, há 3 calças e 15 camisas. No de sua
irmã, Fabiana, encontram-se 9 calças e 45 camisas.
Montando-se as razões:
3 9
15 45 Dividir o numerador e o
denominador pelo mesmo
1 ou 0,2 1
ou 0,2 número. No caso, pelo número 3.
5 5
194

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A Matemática e a Enfermagem

Proporcionalmente, portanto, elas têm 1 calça para cada 5 camisas,


independentemente de uma possuir mais roupa que a outra.
Este cálculo também pode ser representado por:
3 9
= ou 3 : 15 = 9 : 45
15 45
meios
extremos
3 x 45 = 15 x 9
135 = 135
Essa regra é utilizada para o cálculo de regra de três.

Regra de três simples


A regra de três simples é um processo no qual conhecemos três va-
lores e precisamos descobrir um quarto, sendo que todos possuem uma
relação entre si.
Exemplo:
Uma criança recebeu 7 doces. Tenho um caixa com 112 doces. Quan-
tas crianças serão atendidas, recebendo a mesma quantidade de doces?
Solução:
Montando a tabela:

Crianças Doces
1 7
A 112

A: representa o número que preciso descobrir.


Fazendo o cálculo:
7 x A = 1 x 112
7 A = 112
A = 112 / 7
A = 16
195

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Administração de Medicamentos

Unidades de medida
Seguem exemplos, com o uso da regra de três:
1) Transformar 42 kg (quilogramas) em g (gramas).
1 kg à 1.000 g
42 kg à X
1 1.000
=
42 X
1 . X = 42 . 1.000
X = 42.000

Logo, 42 kg correspondem a 42.000 g.

2) Transformar 3 gramas (g) em miligramas (mg).


1 g à 1.000 mg
3gà X
1 1.000
=
3 X
1 . X = 3 . 1.000

X = 3.000

Logo, 3 g correspondem a 3.000 mg.

3) Transformar 20 litros (l) em mililitros (ml).


1 l à 1.000 ml
20 l à X
1 1.000
20 = X
1 . X = 20 . 1.000
X = 20.000
Logo: 20 l correspondem a 20.000 ml.
196

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A Matemática e a Enfermagem

Porcentagem (%)
O uso da porcentagem é muito frequente nos dias atuais. Diaria-
mente, veem-se exemplos de juros e descontos representados por taxas em
porcentagem.
Porcentagem é uma expressão que tem como base 100 unidades.

Exemplos:

1) Aumento no valor de um aluguel em 15%:


Isso significa que, a cada R$ 100,00 pagos de aluguel, houve um
acréscimo de R$ 15,00.

2) Desconto de 25% sobre o valor da etiqueta:


A cada R$ 100,00, haverá um desconto de R$ 25,00.

A porcentagem pode ser definida como o produto da multiplicação


de determinado valor por uma taxa conhecida.
Ela pode ser feita utilizando-se operações simples de multiplicação e
divisão.

Exemplo:

10% de 356:
(10 x 356) / 100 =
3.560 / 100 =
35,60
O resultado do cálculo é 35,60.

Pode-se utilizar também a regra de três:


10 100

A 356 onde A é o valor a ser descoberto.


197

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Administração de Medicamentos
100 x A = 356 x 10

100 A = 3.560
3.560
A=
100
A = 35,60.

Novamente, o resultado é 35,60.

Exercícios
1) 326 + 25,6 =
2) 548,36 + 57,12 =
3) 289,24 – 26,21 =
4) 1.258,36 – 69 =
5) 496,15 x 36 =
6) 214,36 x 0,35 =
7) 892,36 / 58 =
8) 26,36 / 0,2 =
9) 56% de 1.258 =
10) 5% de 568 =
11) Transformar 25 litros em mililitros.
12) Transformar 28 g em miligramas.
13) Transformar 360 mg em gramas.
14) Transformar 1.200 ml em litros.
15) Transformar 1.500 mg em gramas.

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A Matemática e a Enfermagem

Gabarito
1) 351,6
2) 605,48
3) 263,03
4) 1.189,36
5) 17.861,4
6) 75,026
7) 15,38
8) 131,80
9) 704,48
10) 28,4
11) 25.000 ml
12) 28.000 mg
13) 0,36 g
14) 1,2 l
15) 1,5 g

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CAPÍTULO 10

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
Ana Paula Miranda Barreto

A interação medicamentosa pode ser definida como a influência re-


cíproca de um determinado medicamento sobre outro. Um deles, adminis-
trado isoladamente, produz determinado efeito; porém, associado a outro
medicamento, alimentos ou, a substâncias, acarreta um efeito diferente do
esperado.
Uma interação entre dois ou mais medicamentos pode desencadear
uma diferença farmacológica (quando cada um age independentemente
dos outros, levando a uma resposta farmacológica diversa dos efeitos ha-
bituais, daqueles isolados) ou uma interação farmacológica (quando um
deles interfere sobre os demais), alterando o efeito esperado, qualitativa e
quantitativamente, podendo ocorrer sinergismo, antagonismo parcial ou
total e neutralização desses efeitos.
As interações podem causar resultados benéficos para o organismo,
quando utilizadas para aumentar os efeitos terapêuticos ou reduzir a toxici-
dade de um determinado medicamento, ou nocivos, diminuindo ou elimi-
nando a ação dos medicamentos e, em alguns casos, provocando doenças.
Uma atenção especial deve ser dada aos extremos de idade. A imatu-
ridade dos sistemas orgânicos de uma criança pode predispor a interação
medicamentosa.
Os medicamentos podem interagir durante o preparo, no momento
da absorção, distribuição, metabolização, eliminação ou na ligação ao re-
ceptor farmacológico. Dessa forma, os mecanismos envolvidos no processo
201

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 201 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
interativo são classificados de acordo com o tipo predominante da fase far-
macológica em que ocorrem:

• Farmacêutica.
• Farmacocinética.
• Farmacodinâmica.

Interação farmacêutica (ou incompatibilidade)


São do tipo físico-químicas, que ocorrem quando dois ou mais medi-
camentos são administrados na mesma solução ou misturados no mesmo
recipiente, e o produto obtido é capaz de inativar a terapêutica clínica.
Acontecem fora do organismo, durante o preparo e a administração
dos medicamentos parenterais (incompatibilidade entre os agentes admi-
nistrados e o veículo adicionado), e resultam, frequentemente, em precipi-
tação ou turvação da solução, mudança de coloração do medicamento ou
inativação do princípio ativo.

Interação farmacocinética
Interferem no perfil farmacocinético do medicamento, podendo afe-
tar o padrão de absorção, distribuição, metabolização ou excreção. São in-
terações de difícil previsão, pois ocorrem com medicamentos de princípios
ativos não relacionados.
Modificam a magnitude e a duração do efeito, com resposta final dos
medicamentos mantida.

Interações que modificam a absorção

Absorção é o processo de transferência para a corrente sanguínea.


202

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Interações Medicamentosas

Fatores como o fluxo sanguíneo do trato gastrointestinal, pH, motili-


dade, dieta e presença de outras substâncias e o tipo de formulação farma-
cêutica interferem.

Interações que modificam a distribuição

Distribuição é o evento de deslocamento do medicamento da cir-


culação sistêmica para os tecidos. Essa fase depende do volume de dis-
tribuição aparente e da fração de ligação dos medicamentos às proteínas
plasmáticas.
Medicamentos que possuem grande afinidade pelas proteínas plas-
máticas podem, quando associados com outros medicamentos, agir como
deslocadores e aumentar a concentração sérica livre do segundo medica-
mento, causando manifestações clínicas nem sempre benéficas.

Interações que modificam a metabolização

No processo de metabolização, os medicamentos são transformados


pelas enzimas microssomais hepáticas em frações menores, hidrossolúveis.
As interações que ocorrem nessa fase são precipitadas por medica-
mentos com capacidade de inibir ou induzir o sistema enzimático.
A inibição enzimática de sistemas como, por exemplo, do citocromo
P450, das colinesterases e das monoaminoxidases (MAO) acarreta lentifica-
ção da biotransformação do próprio medicamento e de outros que tenham
sido administrados simultaneamente. A consequência desse atraso é um
tempo maior de ação do medicamento, principalmente em pacientes com
distúrbio hepático ou renal.

Interações que modificam a excreção

A maioria dos medicamentos é eliminada quase totalmente pelos


rins. Dessa forma, a taxa de excreção de vários agentes pode ser modificada
por meio de interações ao longo do néfron.
203

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 203 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
As alterações do pH urinário interferem no grau de ionização de bases
e ácidos fracos, afetando as respostas farmacológicas. Por exemplo, o bicar-
bonato de sódio é utilizado para aumentar a excreção de ácidos fracos, em
casos de intoxicação por barbitúricos. A competição de medicamentos no
túbulo proximal pela secreção tubular é outro mecanismo utilizado como
estratégia farmacológica para prolongar o tempo de ação dos medicamen-
tos. Isso acontece com a probenecida e a penicilina, quando a primeira
inibe a secreção da segunda e eleva o tempo de ação do antibiótico.

Interação farmacodinâmica
Causa modificação do efeito bioquímico ou fisiológico do medicamento.
Geralmente, ocorre no local de ação dos medicamentos (recepto-
res farmacológicos) ou por meio de mecanismos bioquímicos específi-
cos, sendo capaz de causar efeitos semelhantes (sinergismo) ou opostos
(antagonismo).

Sinergismo

É um tipo de resposta farmacológica obtida a partir da associação de


dois ou mais medicamentos, cujo resultado é maior do que a simples soma
dos efeitos isolados de cada um dos fármacos.
O sinergismo pode ocorrer com medicamentos que possuem os mes-
mos mecanismos de ação (aditivo), que agem por diferentes modos (so-
mação) ou com aqueles que atuam em diferentes sítios farmacológicos
(potencialização). Das associações sinérgicas podem surgir efeitos terapêu-
ticos ou tóxicos. Estes últimos são frequentes nas combinações de medica-
mentos com toxicidade nos mesmos órgãos, por exemplo, aminoglicosídeo
e vancomicina (nefrotoxicidade) ou corticosteroides e anti-inflamatórios
não esteroidais (ulceração gástrica).
204

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Interações Medicamentosas

Antagonismo

Nesse caso, antagonismo a resposta farmacológica de um medica-


mento é suprimida ou reduzida na presença de outro, muitas vezes pela
competição destes pelo mesmo sítio receptor.

Todos os indivíduos submetidos à terapia farmacológica com dois ou


mais medicamentos estão expostos aos efeitos das interações medicamen-
tosas. Determinados grupos, no entanto, são mais suscetíveis, tais como, as
crianças, devido à imaturidade de seus sistemas orgânicos, e os idosos. No
caso destes, a degeneração dos sistemas orgânicos, o excesso de medica-
mentos prescritos, o tempo de tratamento, a prática de automedicação e os
inúmeros distúrbios de órgãos ou sistemas responsáveis pela farmacociné-
tica dos medicamentos tornam-nos o grupo com maior risco de ocorrência.
Daí a importância de conhecer cada sistema e as diferenças existentes entre
eles, conforme a idade do paciente.

Sistema renal
Desde o nascimento até cerca de 1 ano de idade, esse sistema apre-
senta reduzida capacidade de concentração de urina. Uma elevada resistên-
cia ao fluxo sanguíneo minimiza a perfusão. O desenvolvimento glomerular
e tubular incompleto afeta a taxa de filtração e a reabsorção e secreção dos
filtrados. Os rins tornam-se funcionalmente maduros em torno dos 2 anos
e meio de idade.
A função renal diminui conforme a idade avança e pode comprome-
ter em até 50% a eliminação dos medicamentos, mantendo, dessa forma, os
níveis sanguíneos dos medicamentos aumentados.
Em geral, as drogas podem interagir antes da administração (quando
misturadas em frascos IV, seringas etc.), durante a absorção, distribuição e
ligação ao sítio ou aceptor, nos processos metabólicos ou durante o meta-
bolismo ou excreção.
205

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 205 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos

Sistema gastrointestinal
O fígado interfere na capacidade da criança de metabolizar o medi-
camento até cerca de 1 ano de idade. O tempo de trânsito gastrointestinal
aumenta até a fase de 2 a 3 anos, quando se aproxima do tempo do adulto.
A acidez gástrica aumenta à medida que a criança atinge a fase de 2 a
3 anos de idade. O processo digestivo amadurece próximo à fase pré-escolar.
Com o avançar da idade dos pacientes e o surgimento de algumas pa-
tologias, ocorre a diminuição da secreção de ácido gástrico e da motilidade
gastrointestinal. Além disso, o corpo não é capaz de absorver de maneira ade-
quada muitos medicamentos, como no caso da digoxina, cuja faixa terapêuti-
ca está ligada à absorção. No caso de paciente que utiliza ácido acetilsalisílico
ou anti-inflamatório não esteroide, o risco de irritação gástrica torna-se maior.

Área de superfície corporal


Essa área se modifica à medida que a criança cresce. A proporção
da área de superfície corporal e o peso em um lactente de 2 meses pode
ser de 2,5 vezes a de um adulto. Em uma criança de 1 a 3 anos de idade, a
proporção diminui para quase 2 vezes a de um adulto. Em torno de 12 anos
de idade, a relação entre a área de superfície corporal e o peso é apenas
ligeiramente superior à de um adulto.

Metabolismo
O metabolismo aumenta durante a fase de lactância e na infância em
relação ao peso corporal. Em contrapartida, à medida que o corpo envelhe-
ce, as estruturas e os sistemas corporais modificam-se, alterando o modo
como o corpo responde aos medicamentos.

Composição corporal
Com a idade, a massa corporal total e a massa magra diminuem, e
a adiposidade corporal tende a aumentar. A água corporal total diminui,
206

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Interações Medicamentosas

bem como a quantidade de albumina plasmática, disponível para a ligação


com os medicamentos, afetando a relação entre o nível de medicamento e
a solubilidade do corpo.

Sistema cardiovascular
As respostas de barorreceptores diminuem e o tônus nervoso perifé-
rico altera-se, levando a efeitos hipotensivos exagerados dos diuréticos e
anti-hipertensivos.

Sistema hepático
Conforme o indivíduo envelhece, algumas enzimas hepáticas se tor-
nam menos ativas, e o fígado perde a capacidade de metabolizar os medi-
camentos. Consequentemente, níveis mais elevados de medicamentos per-
manecem na circulação, provocando efeitos mais intensos e aumentando o
risco de intoxicação medicamentosa.

Sistema neurológico
A barreira hematencefálica é facilmente afetada por várias substân-
cias lipossolúveis, como, os betabloqueadores, causando tonturas e confu-
são independentemente da idade do paciente.

Administração oral
As drogas que alteram a velocidade de esvaziamento gástrico ou a
motilidade intestinal podem provocar interações. A atropina e outros an-
ticolinérgicos, ou drogas oleosas, retardam o esvaziamento gástrico, au-
mentam ou diminuem a absorção de uma segunda droga, dependendo
do fato de ela ser ou não absorvida no estômago ou no intestino delgado,
respectivamente.
De maneira semelhante, agentes anticolinérgicos ou drogas consti-
pantes (opiáceos, agentes bloqueadores ganglionares) retardam a desin-
207

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 207 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
tegração e a dissolução de comprimidos, fazendo com que uma segunda
droga não tenha contato suficientemente adequado com a mucosa. Assim,
pode ocorrer toxicidade excessiva. Como exemplo, a clindamicina pode in-
duzir enterocolite em pacientes que tomam drogas antidiarreicas.
Um aumento do peristaltismo produzido por laxativos e outras dro-
gas pode reduzir o tempo de dissolução ou absorção de comprimidos re-
vestidos ou de liberação lenta. A alteração da velocidade ou nível do fluxo
sanguíneo da mucosa possibilita às drogas alterarem a absorção de outros
agentes.
A modificação ou eliminação da microflora do paciente pode alterar
a suscetibilidade a drogas. Os antibióticos de largo espectro, por exemplo,
ao destruírem a flora que sintetiza a vitamina K, potencializam a ação dos
anticoagulantes orais.

Interações de drogas que produzem


alterações nas propriedades químicas do
conteúdo da luz intestinal
A ampla faixa de variação do pH gastrointestinal favorece alterações
induzidas por drogas diretas, como os antiácidos, ou indiretas, no caso dos
anticolinérgicos.
Vários componentes de alimentos ou drogas podem quelar ou adsor-
ver drogas intraluminamente de uma maneira ativa, reduzindo sua absorção.

208

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Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Medicamentos e suas interações

Nome Ação Via Interação


Metoclopramida: ↑ absorção.
Antipirético,
Acetominofen VO Contraceptivos orais: ↓ nível sérico.
analgésico.
Isoniazida: ↑ efeito.
Inibidor da
anidrase carbô- Fenitoína: exacerba osteomalácia.
Acetazolamida nica. Tratamen- VO Quinidina, salicilatos: ↑ efeito e
to da alcalose nível sérico.
metabólica.
Acetazolamida, metotrexato,
Antiagregante hipoglicemiantes orais: ↑ efeito e
Ácido plaquetário, nível sérico.
VO
acetilsalicílico AINE, Antipirético, Antiácidos, probenecide: ↓ efeito
analgésico. e nível sérico. Warfarin: ↑ efeitos
colaterais.
Barbitúricos, clonazepam,
primidona, estossuximida,
depressores. SNC, IMAO, ADP,
fenitoína, carbamazepina,
Ácido valproico Anticonvulsivante. VO fenobarbital: tem efeito ↑ pelo
ácido valproico.
Fenitoína, carbamazepina,
dicumarol, fenibutazona, salicilatos:
↑ efeito.
Teofilina: ↓ efeito.
Adenosina Cardiotônico. IV/CC
Dipiridamol: ↑ efeito.
Várias drogas se ligam à albumina
Albumina Coloide, expansor e podem ter a sua porção ligada
IV
humana plasmático. à mesma aumentada ou reduzida
(Exemplos: fenitoína, furosemida).
Aerossol Teofilina: ↑ efeito.
Broncodilatador,
Albuterol NEB ↑ efeito de outros
2-agonista.
IV beta-adrenérgicos.
Continua

209

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 209 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Aminoglicosídeos: ↑ duração
dos efeitos. Neostigmina,
BNM de longa
Alcurônio IV piridostigmina: ↓ efeito.
duração.
Tetraciclina, clindamicina,
polimixina B e lincomicina: ↑ efeito.
Opioide-sedativo-
Alfentanil IV Eritromicina: ↓ efeito.
-analgésico.
Azatioprina: ↑ efeito e nível
plasmático.
Ciclofosfamida e 6-mercaptopurina:
↑ efeito e nível plasmático é
Inibidor da
Alopurinol VO potencializado pelo alopurinol.
xantinaoxidase.
Probenecid: ↓ efeito (metabolismo).
Diurético tiazídico: ↑ reação de
hipersensibilidade. Teofililina: tem
o nível ↑ pelo alopurinol.
Digoxina, flecainida, metoprolol,
finitoína, procainamida. Quinidina
Amiodarona Antiarrítmico. IV
e warfarin têm metabolismo inibido
pela amiodarona.

Antipirina, carbamazepina,
Bloqueador do ciclosporina, digitoxia, digoxina,
Amlodipina VO
canal de cálcio. metropolol, quinidina, teofilina: são
inibidos pela amlodipina.

SG5%: precipitada e ↓ atividade em


Inibidor
aproximadamente 13%.
Amrinona fosfodiesterase IV
Furosemida: é precipitada.
(cardiotônico).
Amirinona potencializa warfarin.
Fenitoína, aminoglicosídeos,
polimixina, lincomicina,
Bloqueador clindamicina: ↑ efeito.
Atracúrio IV
neuromuscular. Neostigmina, piridostigmina,
glicocorticoides, testosterona:
↓ efeito.
Fenotiazinas, ADT: antagonista de
Atropina Anticolinérgico. IV
receptores histemínicos H¹: ↑ efeito.
Continua
210

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Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Antiarrítmico III Outros antiarrítmicos: ↓ efeito.
Bretílio (bloqueador dos IV ↑ efeito de: catecolaminas,
canais de K+). diuréticos, vasodilatadores.
AINEs: ↓ efeito.
Fenitoína, cimetidina, barbitúricos,
metotrexato, hipoglicemiantes orais,
Bumetanida Diurético de alça. IV/VO
warfarin: ↑ efeito.
Bumetanida: potencializa
ototoxicidade de aminoglicosídeos.
Diuréticos poupadores de K+ e
suplementos de K+, aumenta
hipercalemia.
AINEs: ↓ efeito.
Captopril Inibidor de ECA. VO
Antiácidos: ↓ absorção.
Reduz excreção do lítio e digoxina:
↑ efeito destes. Aumenta reação de
hipersensibilidade ao alopurinol.
Ácido valproico, bloqueadores
de canais de cálcio, cimetidina,
eritromicina, isoniazida, lítio,
propoxifeno: ↑ efeito.
Fenitoína, primidona, clonazepam,
Carbamazepina Anticonvulsivante. VO fenobarbital: ↑ efeito.
Efeito de: ácido valproico, fenitoína,
primidona, ↓ efeito de clonazepam,
etossuximida, doxiciclina,
haloperidol, contraceptivo oral,
teofilina, warfarin.
↑ efeito e nível sérico de:
digoxina, mexiletine, bloqueador
de canais de cálcio, propanolol,
Cimetidina Bloqueador H². VO/IV ADP, sulfonilureias, warfarin,
carbamazepina, lidocaína,
teofilina, feintoína, fenobarbital e
benzodiazepínicos.
Agente
Cisaprida VO ↑ absorção de álcool e diazepam.
procinético.
Continua
211

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 211 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Trazadona: ↑ efeito e nível sérico.
ADT: ↓ efeito e nível sérico.
Clonidina Vasodilatador. VO/IV
Betabloqueadores: exacerba
hipertensão de rebote na retirada.

Fenitoína: tem o seu efeito ↓ pela


clorpromazina. Betabloqueador,
fenitoína, morfina: ↑ nível e efeito.
Clorpromazina Antipsicótico. IV/VO Fenobarbital: ↓ efeito e nível.
Meperidina: ↑ efeitos colaterais (prin-
cipalmente depressão respiratória).
Antiácidos: ↓ absorção oral.
Reações de hipersensibilidade
cruzada com as sulfas. Várias
Diurético interações medicamentosas
Clortalidona VO
tiazídico. provocadas pela mesma
(hiperglicemia, hipocalemia,
depleção de volume etc.).
Fenotiazinas, IMAO, ADP: ↑ nível
e efeito. Fenotiazinas: ↓ efeito
IV/SC
Codeína Analgésico. analgésico.
SC/VO
Anti-histamínicos. AAS: ↑ efeito
analgésico.
Álcool, depressores do SNC: ↑ efeito
depressor. Verapamil induz choque
Relaxante
Dantrolene IV cardiogênico.
muscular.
BNM: ↑ nível e efeito.
Incompatível com SG 5% ou SF 0,9%.
Ureia, clofibrato, fludrocortisona,
Análogo sintético AINES, carbamazepina, clorpropa-
Desmopressina
do hormônio IN mida: ↑ efeito antidiurético. Lítio,
(DDAVP)
antiurético. epinefrina, heparina, álcool: ↓
efeito antidiurético.
Anti-inflamatório Fenitoína, fenobarbital, efedrina,
Dexametasona IV/VO
hormonal. rifampicina: ↓ nível e efeito.
Expansor Potencializa efeito dos
Dextran IV
plasmático. anticoagulantes.
Continua
212

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 212 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Ácido valproico, digoxina,
Benzodiazepínico. dissulfiram, cimetidina, etanol: ↑
Hipnótico, IV/IM efeito e nível sérico.
Diazepam sedativo, Metroclopamida, etanol, antiácios,
relaxante VO teofilina: ↓ absorção Gl.
muscular. Teofilina: ↓ efeito e nível sérico.
Reduz efeito da levodopa.
Vasodilatador,
Diazóxido IV Reduz o efeito de warfarin.
hiperglicemiante.
Fenitoína, rifampicina, fenobarbital,
colestiramina: ↓ efeito e nível sérico.
Verapamil, diltiazem, di-idropi-
ridina, quinidina, amiodarona,
Antiarrítmico,
Digitoxina VO flecainida, espirolactona: ↑ efeito e
cardiotônico.
nível sérico.
Hipocalemia: potencializa as
arritmias digital-induzidas.
Hipercalemia: ↑ toxicidade.
Fenitoína, rifampicina, fenobarbital,
colestiramina: ↓ efeito e nível sérico.
Verapamil, diltiazem,
di-idropiridina, quinidina,
amiodarona, flecainida,
Antiarrítmico, espirolactona: ↑ efeito e nível
Digoxina IV/VO
cardiotônico. sérico.
Hipocalemia: potencializa as
arritmias digital-induzidas.
Hipercalemia: ↑ toxicidade.
Anfoterixina B: potencializa efeitos
colaterais.
Cálcio, glucagon, atropina: anulam
efeito.
Bloqueador de Digoxina, betabloqueadores:
canal de cálcio. ↑ efeito.
Diltiazem IV/VO
Vasodilatador, Diltiazen ↑ efeito de: ciclosporina,
antiarrítmico. digoxina, digitoxina, metoprolol,
prazozin, propanolol, quinidina,
teofilina.
Continua
213

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 213 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação

Álcool, anti-hipertensivos,
Dinitrato de
Vasodilatador. VO/SL betabloqueadores, fenotiazidas:
isossorbida
potencializam efeito hipotensor.
Antitérmico,
Dipirona IV/VO ↑ efeito de outros analgésicos.
analgésico.
Antiarrítmico
classe IA (antago-
Rifampicina, anticonvulsivantes:
nista seletivo dos
Disopiramida IV/VO ↓ efeito e nível sérico. Propanolol,
canais de sódio,
verapamil: ↑ depressão miocárdica.
com dissociação
intermediária).
Betabloqueadores: ↓ efeito.
Analgésicos em geral: grande
Amina aumento na incidência de arritmias
ventriculares.
dardiotônica,
Dobutamina IV Incompatível com soluções
inotrópico
alcalinas, teofilina, heparina,
positivo. insulina simples e cloreto de
potássio (quando associado no
mesmo recipiente).
Betabloqueadores: ação antagônica.
IMAO: possível crise hipertensiva
(contraindicado uso concomitante).
Fenitoína: ↓ PAM.
Dopamina Amina vasoativa. IV
Incompatível com soluções
alcalinas (bicarbonato), ampicilina,
penicilina, gentamicina (quando
associados no mesmo recipiente).
Outras aminas vasoativas: ↑
Alfa e
Efedrina IV efeito hipertensivo. Antagonistas
beta-agonista.
alfa-adrenérgicos: ↓ efeitos.
Diuréticos poupadores de K+ e
suplementos de K+: ↑ hipercalemia.
AINEs: ↓ efeito.
Enalapril Inibidor de ECA. IV/VO
Antiácidos: ↓ absorção.
Reduz excreção do lítio e digoxina:
↑ efeito.
Continua
214

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 214 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Antiarrítmico
classe 1c
(antagonista
Encainida seletivo dos VO Cimetidina: ↑ efeito e nível sérico.
canais de sódio,
de dissociação
lenta).
Alfabloqueadores: vasoconstrição
com crise hipertensiva, hemorragia
cerebral, bradicardia reflexa. IMAO,
Epinefrina Amina vasoativa. IV/SC
ADT: crises hipertensivas.
Anestésicos halogenados, digital:
aumenta o risco de taquiarritmias.
Sais de alumínio, colestiramina: ↓
absorção.
Fenitoína, rifampicina, fenobarbital,
fumo: ↓ efeito e nível sérico.
Esmolol Betabloqueador. IV Bloqueadores dos canais de Ca²+: ↑
bloqueio no sistema de condução.
AINEs: ↓ efeito hipotensor.
Incompatível com bicarbonato de
sódio (no mesmo recipiente).
Diurético
Salicilatos: ↓ efeitos e nível sérico.
Espironolactona poupador de VO
↓ o clearance dos digitálicos.
potássio.
AAS, dextran, heparina, warfarin,
Estreptoquinase Trombolítico. IV outros antiplaquetários: ↑ efeito e
possibilidade de sangramento.
Digoxina: bradicardia.
Betabloqueadores: hipotensão.
Agonista
Fenilefrina IV/VO Betabloqueadores: aumenta
adrenérgico.
vasoconstrição, crise hipertensiva.
IMAO, ADP: crises hipertensivas.
Continua

215

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Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Pentobarbital, ácido valproico,
carbamazepina, primidona,
clonazepam, diazepam,
etossuximida, alcoolismo agudo,
cimetidina, cloranfenicol,
clordiazepóxido, dicumarol,
furosemida, halotano, isoniazida,
ADT, fenotiazinas, salicilatos,
sulfonamidas, warfarin: ↑ nível e
Fenitoína Anticonvulsivante. IV/VO efeito sérico. Fenobarbital, ácido
valproico, primidona, diazepam,
antiácidos, alcoolismo crônico,
ácido fólico, piridoxina, reserpina:
↓ efeito e nível sérico.
Corticosteroide, warfarin,
digitoxina, doxiciclina, furosemida,
haloperidol, quinidina, rifampicina,
teofilina: tem ação reduzida pela
fenitoína.
Fenitoína, ácido valproico, ADP,
anti-histamínicos, corticoesteroides,
IMAO, narcóticos: ↑ nível e efeito
sérico.
Fenitoína, dicumarol, piridoxina:
↓ nível e efeito sérico. Reduz a
ação de: fenitoína, ácido valproico,
Fenobarbital Anticonvulsivante. IV/VO
clonazapam, carbamazepina,
cloranfenicol, clorpromazina,
dexametasona, digitoxina,
doxiciclina, griseofulvina, isoniazida,
metoprolol, contraceptivos orais,
propanolol, quinidina, ADP,
vitamina D, warfarin.

Outros beta-adrenérgicos e teofilina:


Fenoterol Broncodilatador. IN
sinergismo.

Continua

216

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 216 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Naloxona: antagoniza o efeito.
Fenotiazinas, IMAO, ADT: ↑ nível
Analgésico/ e efeito. Fenotiazinas: ↓ efeito
Fentanil IV
narcótico. analgésico.
Anti-histamínicos, AAS: ↑ efeito
analgésico.
Bloqueador
alfa-adrenérgico,
anti-hipertensivo
para diagnóstico Epinefrina e efedrina: antagoniza
Fentolamina IV
de feocromoci- efeito.
toma e durante
cirurgia para re-
moção de tumor.
Antiarrítmico
classe IC
(antagonista Digoxina, propanolol: ↑ nível.
Flecainida seletivo dos VO Propanolol e amiodarona: ↑ nível
canais de sódio, de flecainida.
com dissociação
lenta).
Antagonista dos Antidepressivos tricíclicos: riscos de
Flumazenil IV
benzodiazepínicos. convulsões.
Aminoglicosídeos: potencializa
otoxicidade.
Digoxina: potencializa efeitos
Furosemida Diurético de alça. IV colaterais.
Clofibrato: ↑ efeito.
Indometacina e outros AINEs:
↓ efeito.
Aminoglicosídeos, polimixina
ototoxicidade.
Digoxina: potencializa efeitos
Bloqueador
Galamina IV colaterais.
neuromuscular.
Clofibrato: ↑ efeito com paralisia
respiratória menos responsiva aos
anticolinesterásicos.
Continua
217

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 217 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Hormônio hiperglicemiante,
antagonista da insulina. Usado em
Hormônio
choque insulínico e em overdose
hiperglicemiante
Glucagon IV/SC IM por betabloqueadores.
antagonista da
Insulina: ↓ efeito.
insulina.
Betabloqueador: tem efeito
reduzido com glucagon.
Anticonvulsivantes, rifampicina:
Haloperidol Neuroléptico. IV/VO ↓ efeito e nível sérico. Inibe
metabolismo da isoniazida.
Sais de zinco: ↓ efeito.
Agentes antiplaquetários: ↑ efeito.
Protamina: neutraliza efeito da
heparina (1g neutraliza 100 UI).
Incompatibilidade para mistura
Heparina Anticoagulante. IV/SC
em um mesmo recipiente:
amicacina, aminofilina, epinefrina,
eritromicina, hidrocortisona,
canamicina, tetraciclina,
tobramicina.
Outras drogas anti-hipertensivas,
diuréticos: ↑ efeitos hipotensor.
Alimentos: ↑ biodisponibilidade.
↑ efeito do álcool.
IV/IM
Hidralazina Vasodilatador. Indometacina e AINEs: ↓ efeito
VO
anti-hipertensivo.
Betabloqueadores: reduzem a
taquicardia desencadeada pela
hidralazina.
Reação de hipersensibilidade
cruzada com as sulfas. Várias
interações medicamentosas
Diurético
Hidroclorotiazida VO relacionadas com os distúrbios
tiazídico.
provocados pela mesma
(hiperglicemia, hipocalemia,
depleção de volume etc.).
Continua

218

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 218 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação

Fenitoína, fenobarbital, efedrina,


rifampicina: ↑ nível e efeito.
AAS: aumenta a possibilidade de
Anti-inflamatório
Hidrocortisona IV sangramento. Hipoglicemiantes
hormonal.
orais e insulina: ↓ efeito.
Diuréticos de alça: potencializam
hipocalemia. ↓ efeito dos BNM.
Hormônio hipoglicemiante.
Drogas que aumentam efeito
hipoglicemiante: etanol,
antagonista beta-adrenérgicos,
salicilatos, indomentacina,
naproxen, teofilina, cálcio,
mebendazol, sulfonamidas,
tetraciclina, pentamidina,
IV/SC
Insulina Hipoglicemiante. piridoxina, subactan/ampicilina.
IM
Drogas que causam hiperglicemia:
epinefrina, glicocorticoides,
diuréticos, contraceptivos orais,
agonista beta-adrenérgico,
bloqueadores dos canais de cálcio,
fenitoína, clonidina, bloqueador H²,
morfina, heparina, ácido nalidíxico,
nicotina, diazóxido.
Broncodilatadores β²-adrenérgicos,
Broncodilatador. Nebuli- teofilina: ↑ efeito broncodilatador.
Ipatrópio
Anticolinérgico. zação Cromoglicato de sódio: incompatível
para mistura (precipita).
Betabloqueador: anulam ou
Agonista
reduzem efeito broncodilatador.
beta-adrenérgicos IV
Isoproterenol Digital: induz arritmias.
não seletivo. Aerossol
Incompatível com solução de
Broncodilatador.
bicarbonato de sódio.

Benzodiazepínicos: ↓ incidência
Ketamina Anestésico. IV/IM de efeitos colaterais. Barbitúricos e
narcóticos: ↑ tempo de ação.

Continua
219

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Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Colestiramina, sucralfato sulfato
ferroso, hidróxido de alumínio: ↓
absorção.
Fenitoína, rifampicina, fenobarbital,
Hormônio
L-tiroxina IV/VO fumo: ↓ efeito e nível sérico.
tireoidiano.
Estrogênio: ↓ efeito e nível sérico.
↓ efeito e nível sérico de:
anticoagulantes orais, insulina,
hipoglicemiantes orais.
Sais de alumínio, colestiramina: ↓
absorção. Fenitoína, rifampicina,
fenobarbital, fumo: ↓ efeito e nível
sérico.
Labetalol Betabloqueador. IV/VO
Bloqueadores de canais de Ca: ↑
efeito bloqueador no sistema de
condução.
AINEs: ↓ efeito hipotensor.
Antagonistas dos receptores H².
Betabloqueadores: ↑ nível e efeito.
Antiarrítmico Fenitoína: potencializa efeitos
classe IB colaterais (depressão cardíaca).
(antagonista Idosos, IH, ICC, choque:↑ meia-vida.
Lidocaína seletivo dos IV Incompatível para mistura em um
canais de sódio, mesmo recipiente com: aminofilina,
de dissociação ampicilina, gluconato de cálcio, dexa-
rápida). metasona, dopamina, dobutamina,
noradrenalina, adrenalina, cloreto de
potássio, penicilina, procaína.
Diuréticos poupadores de K+ e
suplementos de K+ aumentam a
hipercalemia.
AINES: ↓ efeito.
Lisinopril Inibidor de ECA. VO Antiácidos: ↓ absorção.
↓ excreção do lítio e digoxina: ↑
seus efeitos.
Aumenta reação de hipersensibilida-
de ao alopurinol.
Continua

220

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 220 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Tratamento de hiponatremia
crônica.
Carbamazepina, indometacina,
tiazídicos, metildopa: ↑ nível e
efeito.
Lítio (carbonato) Antidepressivo. VO
Depressores de SNC: ↑ efeitos
colaterais.
Diuréticos osmóticos,
acetazolamida, teofilina: ↑
excreção.

Ácido valproico, digoxina,


Benzodiazepínico.
dissulfiram, cimetidina, etanol: ↑
Hipnótico, seda- IV
Lorazepam efeito e nível sérico.
tivo, relaxante VO
Metoclopramida, etanol, antiácidos,
muscular.
teofilina: ↓ efeito da levodopa.

Íon divalente.
Magnésio Anticonvulsivante, Interfere na dosagem do Ca+ sérico
IV/VO
(sulfato) Laxativo, e urinário.
antiarrítmico.
Diurético Potencializa o efeito de outros
Manitol IV
osmótico. diuréticos.
Fenotiazinas, IMAO, ADP: ↑ nível
e efeito. Fenotiazinas: ↓ efeito
analgésico.
Anti-histamínicos, AAS: ↑efeito
Analgésico
Meperidina IV analgésico.
opioide.
Clorpromazina, ADP: ↑ depressão
respiratória.
IMAO: depressão respiratória,
delírio, hiperexia, convulsões.
Lítio, IMAO, trazadona: ↑ nível e
Metildopa Anti-hipertensivo. VO
efeito.
Continua

221

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 221 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Rifampicina, carbamazepina, feni-
toína, barbitúricos: ↓ efeito e nível
sérico.
AAS, AINEs: aumenta risco para
úlcera péptica gastrointestinal.
Ciclosporina: aumenta risco para
convulsões.
Anti-inflamatório
Metilprednisolona IV/VO Anfotericina B, diuréticos tiazídicos:
hormonal.
aumenta perda de K+.
Hipoglicemiantes orais, insulina:
antagonizam efeitos.
↓ efeito da ciclosporina.
Pode precipitar com: teofilina, glucona-
to de cálcio, cefalotina, insulina, nafci-
lin, penicilina G, tetraciclina, citarabina.
O hipertireoidismo aumenta a
Metimazol Antitireoidiano. VO
sensibilidade do warfarin.
Drogas anticolinérgicas: aumenta
efeitos colaterais.
Metoclopramida Antiemético. VO ↓ absorção de: cimetidina, digoxina.
↑ absorção de: acetaminofen,
hidroclorotiazida, etanol, lítio.
Propafenona, cimetidina, aloprui-
nol, metotrexato, hidralazina: ↑
efeito e nível sérico.
Rifampicina, contraceptivos orais,
amiodarona, bloqueadores dos ca-
nais de cálcio: ↓ efeito e nível sérico.
Verapamil: em pacientes com BAV
ou IVE, pode resultar em bradicar-
dia, hipotensão, ou assistolia.
Metropolol Betabloqueador. IV/VO Agentes anestésicos como ciclopro-
pano, dietiléster, fluroxane, tricloro-
etileno, metoxiflurano, enflurano: ↑
efeito inotrópico negativo.
Nifedipina, verapamil, nitratos:
potencializam o efeito antiaginoso.
Hidralazina, nifedipina: tem o efeito
anti-hipertensivo potencializado pelo
metroprolol ↓ clearance da lidocaína.
Continua
222

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 222 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Antiarrítmico clas-
Rifampicina, fenitoína: ↓ efeito e
se IB (antagonista
nível sérico. Lidocaína: aumenta a
Mexiletine seletivo dos canais VO
toxicidade.
de sódio, de disso-
↑ nível de teofilina.
ciação rápida).
Ácido valproico, digoxina,
Benzodiazepínico.
dissulfiram, cimetidina,
Hipnótico,
etanol: ↑ efeito e nível sérico.
Midazolam sedativo, IV/VO
Metoclopramida, etanol, antiácidos,
relaxante
teofilina: ↓ efeito e nível sérico.
muscular.
↓ efeito da levodopa.
Inibidor da fosfo-
diesterase, inotró- Incompatível com furosemida
Milrinona IV
pico e cronotrópi- (forma precipitado).
co positivo.
Fenitoína, aminoglicosídeos,
polimixina, lincomicina,
Bloqueador
Mivacúrio IV clindamicina: ↑ efeito. Neostigmina,
neuromuscular.
piridostigmina, glicocorticoides,
testosterona: ↓ efeito.
Acetilclina, anti-histamínicos,
anti-hipertensivos: ↑ efeito de
Mononitrato de
Vasodilatador. IV/VO hipotensão ortostática.
isossorbida
Simpaticomiméticos: reduzem
efeito antiaginoso.
Fenotiazinas, IMAO, ADP: ↑ nível
IV e efeito. Anti-histamínicos, AAS: ↑
Analgésico
Morfina IM/SC efeito analgésico. Clorpromazina,
opioide.
VO ADP: ↑ depressão respiratória,
delírio, hiperpirexia, convulsões.
↓ nível de: cefalexina,
aminoglicosídeos.
↑ nível de amoxacilina, doxiclina.
Aerossol Incompatível para mistura em um
N-acetilcisteína Mucolítico.
IV/VO mesmo recipiente com: penicilinas,
cefalosporinas, de primeira gera-
ção, tetraciclina, anfotericina B,
gentamicina.
Continua 223

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 223 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Analgésico Álcool, depressores do SNC,
Nalbufina IV
opioide. potencializa efeitos colaterais.
Antagonista
Nalorfina IV/IM Opioides: antagoniza efeitos.
opioide.
Antagonista IV/IM
Naloxona Opioides: antagoniza efeitos.
opioide. SC
Laxativos: ↓ absorção GI.
Aminoglicosídeos, oxitetraciclina,
IV/IM
Neostigmina Anticolinesterásico. lincomicina, clindamicina, quinidina,
VO
procainamida, propanolol, lítio,
clorpromazina: ↓ efeito.
Propanolol: ↑ efeito e nível.
Bloqueador dos Anti-hipertensivos: ↑ efeito hipotensor.
Nifedipina canais de cálcio, VO/SL ↑ efeito e nível de: ciclosporina,
anti-hipertensivo. digitálicos, metropolol, prazosin,
quinidina, teofilina.
Fenobarbital, fenitoína, carbamaze-
pina, cimetidina, ácido valproico: ↑
nível sérico. Drogas anti-hipertensivas:
Bloqueador de ↑ efeito hipotensor.
Nimodipina IV/VO
canal de cálcio. Betabloqueador: potencializa efeito
inotrópico negativo.
Interação com drogas incompatíveis
com álcool.
Outros vasodilatadores, potencializa
Nitroglicerina Vasodilatador. IV o efeito. Incompatível com frascos
de plásticos (usar frascos de vidro).
Agentes hipotensores, diuréticos,
Nitropussiato de
Vasodilatador. IV simpaticolíticos: ↑ efeito,
sódio
↑ clearance de digoxina.
Alfabloqueadores: hipotensão.
Betabloqueadores: vasoconstrição
com crise hipertensiva, hemorragia
cerebral, bradicardia reflexa.
IMAO, ADT: crises hipertensivas.
Norepinefrina Amina vasoativa. IV
Anestésicos halogenados, digital:
aumenta risco de taquiarritmias.
Incompatível para infusão associada
com: teofilina, bicarbonato de sódio,
cefalotina, cefoxitina.
224 Continua

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 224 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Inibidor da ↓ o metabolismo de fenitoína,
Omeprazol VO/IV
H²K++. ATPase. diazepam, warfarin.
Aminoglicosídeos, clindamicina,
polimixina, quinidina, hipnóticos,
anestésicos locais, analgésicos
Pancurônio BNM. IV
narcóticos, lítio: ↑ efeito. Neostigmina:
reverte o efeito (0,07 a 0,8 mg/kg) com
15 μg/kg de atropina).
Sais de alumínio, colestiramina: ↓
absorção. Fenitoína, rifampicina, feno-
barbital, fumo: ↓ efeito e nível sérico.
Pindolol Betabloqueador. VO Bloqueador de canais de cálcio: ↑
efeito bloqueador no sistema de
condução.
AINEs: ↓ efeito hipotensor.
Laxativos: reduz a absorção GI.
Aminoglicosídeos, oxitetraciclina,
Piridostigmina Anticolinesterásico. VO lincomicina, clindamicina, quinidina,
procainamida, propanolol, lítio,
clorpromazina: ↓ efeito.
Poliestirenossulfo- Resina de troca
VO Antiácidos: alcalose metabólica.
nato de cálcio catiônica.
Bloqueador
alfa-adrenérgico
Diuréticos e agentes hipotensores:
Prazosin pós-sináptico, VO
↑ efeito.
vasodilatador,
anti-hipertensivo.
Fenitoína, fenobarbital, efedrina,
rifampicina: ↓ nível e efeito.
AAS, AINEs e álcool: aumenta
possibilidade de sangramento.
Diuréticos de alça, anfotericina B:
Anti-inflamatório potencializam hipocalemia.
Prednisona VO
hormonal. A dexametasona ↓ efeito de warfarin,
hipoglicemiantes orais e insulina.
Estrógenos: ↑ efeito (terapêuticos e
colaterais).
Digital: aumenta possibilidades de
arritmias e intoxicação.
Continua
225

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 225 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Fenitoína, ácido valproico, ADP,
anti-histamínicos, coritcosteroides,
IMAO, narcóticos: ↓ efeito e nível
sérico. ↑ efeito e nível sérico quando
administrado concomitantemente:
Primidona Aniconvulsivante. VO
Cloranfenicol, clorpromazina,
dexametasona, digitoxina, doxicilina,
griseofulvina, isoniazida, metoprolol,
contraceptivos orais, propanolol,
quinidina, ADP, vitamina D, warfarin.
Antiarrítmico
classe IA (antago-
Amiodarona, cimetidina: ↑ efeito e
nista seletivo dos
Procainamida IV/VO nível sérico.
canais de sódio,
Fenotiazinas, ADT: ↑ efeito.
de dissociação
intermediária).

IV/VO Aumenta efeito sedativo de


Antialérgico, meperidina. Álcool e depressores do
Prometazina
anti-histamínico. SNC: ↑ efeito auditivo que atrapalha a
IM habilidade motora.

Antiarritmico Quinidina, anestésicos locais,


classe IC betabloqueadores, ADT, cimetidina:
(antagonista ↑ efeito e nível sérico.
Propafenona IV
seletivo dos canais ↑ nível sérico de propanolol,
de sódio, de metropolol, digoxina,
dissociação lenta). anticoagulantes orais.
Alta ingestão de iodo pode
Propiltiouracil Antitireoidiano. VO interferir na resposta ao tratamento
antitireoidiano.

Bloqueadores de canais de
cálcio, clorpromazina, flecainida,
antagonistas H², propafenona,
Betabloquea- quinidina: ↑ efeito e nível sérico.
dor. Antiarrít- Antiácidos, colestiramina: ↓
Propranolol mico classe II IV/VO absorção oral. Hidralazina: ↓ efeito
(antagonista e nível sérico.
beta-adrenérgico). Alopurinol, metotrexato: aumenta
biodisponibilidade por VO.
↑ nível sérico de: diazepam,
flecainida, nifedipina, nisoldipina.
226 Continua

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 226 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Antiarrítmico Betabloqueador de H², amiodarona,
classe IA (antago- bloqueadores de canais de cálcio: ↑
nista seletivo dos efeito e nível sérico.
Quinidina IV/VO
canais de sódio, ↑ nível sérico de: desipramina,
de dissociação imipramina, propafenona,
intermediária). propanolol, digoxina, digitoxina.
Antiácidos, carvão ativado, cloestira-
mina: ↓ absorção e nível sérico.
↑ nível sérico de: amitiprilina,
benzodiazepínicos, carbamezepina,
Antagonista de cloroquina, desipramina,
Ranitidina IV/VO
receptor H². felodipina, imiparamida, lidocaína,
meperidina, metronidazol,
metoprolol, nifedipina, fenitoína,
propranolol, quinidina, teofilina,
tocainide, warfarim.
Ativador tissular Anticoagulantes, antiagregantes
Rt-PA IV
do plaminogênio. plaquetários: ↑ efeito.
IV Aminofilina: provável aumento
B²-agonista, IM/SC efeito broncodilatador.
Salbutamol
broncodilatador. Inalação Diuréticos de alça: potencializam
Spray hipocalemia.
Bloqueadores de canais Ca++, clorpro-
mazina, flecainida, antagonistas H²
propafenona, quinidina: ↑ efeito e
Betabloqueador. nível sérico.
Antiarrítmico clas- Hidralazina: ↓ efeito e nível sérico.
Sotalol VO
se II (antagonista Antiácidos, colestiramina: ↓ absor-
beta-adrenérgico). ção oral. Alopurinol, methotrexate:
aumenta biodisponibilidade por VO.
↑ nível sérico de: diazepam, flecaini-
da, lidocaína, nifedipina, nisoldipina.
Aminoglicosídeos, clindamicina,
polimixina. Quinidina, hipnóticos,
anestésicos locais, analgésicos
Bloqueador
Succinilcolina IV/IM narcóticos, lítio: ↑ efeito. Digitálicos:
neuromuscular.
arritmias. Neostigmina: reverte o
efeito (0,07 a 0,08 mg/kg) com 15
μg/kg de atropina).
Continua 227

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 227 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Antiácidos: ↓ efeito (devem ser
administrados 30 minutos antes
Protetor
ou após o sucralfato). Esse reduz a
Sucralfato da mucosa VO
absorção e nível de: ciprofloxacin,
gastroduodenal.
teofilina, tetraciclina, fenitoína,
digoxina, amitiprilina.
Carvão ativado, cigarro, moricizine,
fenobarbital, fenitoína, rifampicina,
carbamazepina: ↓ efeito e nível sérico.
Ticlodipina, bloqueadores de canais
de cálcio, dissulfiram, antagonistas
de receptores H², mexiletine,
contraceptivos orais, quinolonas,
eritromicina: ↑ efeito e nível sérico.
Propranolol: antagoniza efeito.
Teofilina Broncodilatador. IV
Potencializa efeito hipotensor do
nitropussiato de sódio.
Incompatível para mistura em
mesmo recipiente: ampicilina,
gluconato de cálcio, dobutamina,
epinefrina, norepinefrina, vitamina
C, complexo B, penicilina,
vancomicina, cefalotina,
clindamicina.
Alimentos: redução absorção
IV/IM VO. Aminofilina: provavelmente
B²-adrenérgico.
Terbutalina aumenta o efeito broncodilatador.
Broncodilatador.
SC/VO Diuréticos de alça: potencializam
hipocalemia.
Outros antiagregantes plaquetários,
warfarin, AINEs: ↑ efeito, com
Antiagregante aumento da possibilidade de
Ticlopidina VO
plaquetário. sangramento:
↑ efeito e nível de teofilina,
digoxina.
Continua

228

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 228 18/05/11 21:57


Interações Medicamentosas

Quadro 10.1 – Continuação


Nome Ação Via Interação
Depressores do SNC, álcool,
anti-histamínicos, isoniazida,
metilfenidato, IMAO: aumenta
depressão do SNC.
Cloranfenicol, sulfanamida: ↑ efeito
Barbitúrico/
Tiopental IV e nível sérico.
hipnótico.
Tetraciclina, warfarin: ↓ efeito e nível
sérico de: cloranfenicol, griseofulvina,
contraceptivos orais, quinidina.
Potencializa hepatoxicidade de
anestésicos inalatórios.
Antiarrítmico
classe IB
(antagonista Lidocaína e outros agentes
Tocainida seletivo dos VO antiarrítmicos: ↑ efeitos
canais de sódio, eletrofisiológicos.
de dissociação
rápida).
AAS, dextran, heparina, warfarin,
Uroquinase Trombolítico. IV outros antiplaquetários: ↑ efeito e
possibilidade de sangramento.
Ureia, clofibrato, fludrocortisona,
AINEs, carbamazepina,
Hormônio clorpropamida: ↑ efeito
Vasopressina IV
antidiurético. antidiurético.
Lítio, epinefrina, heparina, álcool: ↓
efeito antidiurético.
Aminoglicosídeos, clindamicina,
polimixina, quinidina, hipnóticos,
anestésicos locais, analgésicos
Vacurônio BNM. IV narcóticos, lítio: ↑ efeito.
Neostigmina: reverte o efeito (0,07
a 0,08 mg/kg com 15 μg/kg de
atropina).
Continua

229

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Administração de Medicamentos
Quadro 10.1 – Continuação
Nome Ação Via Interação
Fenobarbital, rifampicina,
alopurinol, metotrexato: ↓ efeito e
nível sérico.
Agentes anti-hipertensivos
(IECA, propranolol, diuréticos,
Bloqueador dos vasodilatadores): ↑ efeito
Verapamil canais de cálcio. IV/VO hipotensor.
Antiarrítmico. Propranolol: ↑ BAV e depressão
miocárdica. ↑efeito e nível
de: propanolol, quinidina,
carbamazepina, ciclosporina,
digitálicos, metoprolol, prazosin,
BNM, anestésicos inalatórios.
Antiagregantes plaquetários,
clofibrato, cefalosporinas,
fenilbutasona, propoxifeno,
paracetamol, eritromicina,
corimazol, metronidazol,
cetoconazol, amiodarona,
Anticoagulante betabloqueadores, contraceptivos
Warfarin VO
oral. orais, tamoxifen: ↑ efeito e nível
sérico. Espirolactona, cimetidina,
carbamazepina, fenobarbital,
rifampicina, colestiramina: ↓ efeito
e nível sérico.
Vitamina K: antagoniza efeito do
warfarin.

Legenda das abreviações utilizadas no quadro:


ADT= antidepressivo tricíclico. IMAO= inibidor monoamina oxidase.
AINEs= anti-inflamatórios não esteroides. CC= centro cirúrgico.
BAV= bloqueio atrioventricular. NEB= nebulização.
BNM= bloqueador neuromuscular. AAS= ácido acetilsalicílico.
ECA= enzima conversora da angiotensina. DDAVP= acetato de desmopressina.
IV= intravenoso. GI= gastrointestinal.
IM= intramuscular. SL= sublingual.
SC= subcutâneo. ICC= insuficiência cardíaca congestiva.
VO= via oral. IVE= insuficiência ventricular esquerda.
SNC= sistema nervoso central.
230

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Interações Medicamentosas

Cuidados de enfermagem para evitar as


interações medicamentosas
• Racionalizar os horários da prescrição, evitando aplicar vá-
rios medicamentos intravenosos nos mesmos horários.
• Evitar misturar medicamentos na mesma solução ou no mes-
mo recipiente.
• Evitar administrar nos mesmos horários medicamentos
com mesmos efeitos tóxicos, tais como: aminoglicosídeos e
anfotericina B.
• Se possível, utilizar vias de infusão diferentes no caso de asso-
ciação de medicamentos de compatibilidade desconhecida.
• Sempre que viável, utilizar administração in bolus.
• Observar alterações na reconstituição do fármaco (turvação,
precipitação, mudança de coloração).
• Lavar sempre os dispositivos intravenosos, após administrar
medicação.
• Consultar manual de incompatibilidade, padronizado pela
instituição.
• Procurar o farmacêutico sempre que houver dúvidas em re-
lação à incompatibilidade dos medicamentos.
• Buscar sempre a não administração simultânea de vários
comprimidos.
• Evitar triturar comprimidos ou abrir cápsulas.
• Procurar manter um intervalo de cerca de duas horas na ad-
ministração de antiácidos e outros medicamentos.

Para muitos pacientes, faz-se necessária uma terapia que envolva a


administração de muitos fármacos, concomitantemente. Nessas situações,
231

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 231 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
os profissionais da saúde – entre eles, os de enfermagem – devem ter co-
nhecimento sobre as interações medicamentosas.
Ao deparar-se com esse quadro, a alternativa indicada é o esclare-
cimento das dúvidas com um farmacêutico, que poderá orientar sobre os
horários ideais de administração, evitando ou minimizando as interações
medicamentosas.

232

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 232 18/05/11 21:57


CAPÍTULO 11

DISTRIBUIÇÃO DE MEDICAMENTOS –
DOSE UNITÁRIA
Aline Laurenti Cheregatti

Os medicamentos, assim como os insumos médicos, representam im-


portante parcela dos gastos hospitalares e dos pacientes. Dentro desse con-
texto, a dispensação de medicamento é uma atividade extremamente im-
portante. A tríade custo, eficácia e eficiência deve ser aplicada e respeitada.
Este capítulo tem como objetivo a explanação sobre os sistemas de
distribuição de medicamentos, com ênfase no sistema de dispensação em
dose unitária, que é um dos modelos existentes, conforme descrito a seguir.

Sistema coletivo
Os medicamentos são dispensados na sua embalagem original, fazen-
do com que haja estoques nos setores.

Quadro 11.1 – Vantagens e desvantagens da dispensação coletiva de


medicamentos
Vantagens Desvantagens
Não há necessidade de altos Mínima integração do farmacêutico
investimentos iniciais. com a equipe de saúde.
Pequena infraestrutura no setor de Perdas de medicamentos por pouco
farmácia. uso e data de validade.
Uso de poucos funcionários na Grande estoque de medicamentos nas
farmácia. unidades assistenciais.

Continua
233

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 233 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
Quadro 11.1 – Continuação
Vantagens Desvantagens
Disponibilidade de medicamentos Aumento da probabilidade de erros de
nas unidades de internação. medicação.
Aumento do tempo gasto pela
Rapidez na dispensação.
enfermagem no seu preparo.
Medicamento acessível para qualquer
Pouca devolução de medicamentos. pessoa que adentrar o posto de
enfermagem.

Sistema individualizado
Os medicamentos são dispensados para cada paciente por um perío-
do de 24 horas. A prescrição médica pode ser transcrita pela enfermagem,
por impresso de solicitação de medicamento, sendo encaminhada para a
farmácia através de fax, scanner ou prescrição carbonada.

Quadro 11.2 – Vantagens e desvantagens da dispensação individua-


lizada
Vantagens Desvantagens

Diminuição na probabilidade de erros. Necessidade de investimentos iniciais.

Redução do tempo gasto pela Aumento da infraestrutura da


enfermagem no seu preparo. farmácia.

Aumento de devoluções para


Maior número de funcionários da
a farmácia em casos de altas e
farmácia.
transferências.
Possibilidade de erros com medicação,
Aumento da integração do embora reduzida, em comparação com
farmacêutico com a equipe de saúde. a dispensação não individualizada (dose
unitária).
Continua

234

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 234 18/05/11 21:57


Distribuição de Medicamentos – Dose Unitária

Quadro 11.2 – Continuação


Vantagens Desvantagens
Doses separadas pela enfermagem,
Maior controle sobre o estoque.
persistindo o gasto de tempo.
Redução de custos com medicamentos Necessidade de plantão 24 horas na
de pouco uso vencidos. farmácia.
Redução de estoque nas unidades
Inexistência de controle total de
assistenciais, evitando possíveis
custos.
desvios.

Sistema misto
Integração do sistema individualizado com o coletivo. Alguns medica-
mentos, como gotas e soluções, são dispensados para a unidade assistencial
e a dose é preparada pela enfermagem. Outros medicamentos, como com-
primidos e injetáveis, são dispensados para o paciente.

Sistema por dose unitária


Neste sistema, a cópia da prescrição é encaminhada para a farmácia.
O farmacêutico avalia a prescrição médica e dispensa o medicamento pron-
to para ser administrado pela enfermagem. Os medicamentos são dispen-
sados em embalagens unitárias para serem administrados na hora e dose
corretas, para cada paciente.

Sistema de dispensação de medicamentos em


dose unitária
O sistema de dispensação de medicamentos em dose unitária surgiu
no final da década de 1950, nos Estados Unidos. A ideia fundamental era
235

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 235 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
aperfeiçoar os métodos de distribuição de medicamento, com foco na ra-
cionalização da atividade.
Observou-se, na década seguinte, em hospitais daquele país, que a
incidência de erros de dispensação de medicamentos variava entre 5,3 e
14%, nos que adotavam o sistema de distribuição de medicamentos tradi-
cional, diminuindo para aproximadamente 0,6% naqueles com sistema de
dispensação por dose unitária.
As organizações certificadoras de qualidade (Joint Commisssion Inter-
national e Organização Nacional de Acreditação) recomendam a adoção do
sistema de dispensação de medicamentos em dose unitária.
Suas características são:
• Acondicionamento dos medicamentos em embalagens indi-
viduais.
• Produtos farmacêuticos dispensados prontos para o uso,
sempre que possível.
• Disponibilidade de medicamentos para períodos não supe-
riores a 24 horas.

As principais vantagens e desvantagens desse sistema são apresenta-


das no quadro a seguir.

Quadro 11.3 – Vantagens e desvantagens da dispensação por dose


unitária

Vantagens Desvantagens
Integração do farmacêutico com a equipe. Altos investimentos iniciais.
Garantia de terapia farmacológica Aumento da infraestrutura da
adequada. farmácia.
Melhor segurança, rastreabilidade e Aumento no número de
identificação dos medicamentos. funcionários.
Aumento da qualidade assistencial ao Necessidade de farmacêutico 24
paciente. horas.
Continua
236

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 236 18/05/11 21:57


Distribuição de Medicamentos – Dose Unitária

Quadro 11.3 – Continuação


Vantagens Desvantagens
Suporte para implantação da farmácia
clínica.
Redução importante nos erros de
medicamentos.
Redução do tempo gasto pela
enfermagem na preparação de
medicamentos.
Facilidade de devoluções de
medicamentos em casos de altas,
transferências de pacientes e alterações de
prescrição médica.
Controle de estoque é de responsabilidade
da farmácia, não havendo estoque nas
unidades assistenciais.
Redução de custos hospitalares sobre
medicamentos.
Aumento da segurança dos medicamentos
prescritos
Garantia de parte dos 5 Certos:
medicamento certo, dose certa, hora certa.
Acompanhamento do paciente pelo
farmacêutico.

No sistema de dose unitária, o farmacêutico avalia a prescrição mé-


dica com ênfase em:

• interações medicamentosas;

• incompatibilidade decorrente do aprazamento;

• legibilidade da prescrição médica;

• dosagens de medicamentos;

• via de administração.
237

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Administração de Medicamentos
Para a implantação desse sistema, alguns fatores precisam ser
considerados:
• Estrutura organizacional do hospital: necessidade de flu-
xogramas bem definidos sobre o processo de dispensação,
contendo todas as possíveis solicitações de medicamento,
rotinas de separação, rotinas de análises das prescrições mé-
dicas e formas de distribuição.
• Estrutura física: o tipo de estrutura física da instituição
pode facilitar ou não a dispensação de medicamentos.
Aquelas em prédio único levam vantagem sobre as consti-
tuídas por vários blocos.
• Características da assistência prestada pela instituição:
hospitais gerais apresentam um número mais diversifica-
do de medicamentos em relação aos especializados.

Requisitos necessários para a implantação do sistema de dispensação


de medicamento em dose unitária:
• Padronização de medicamentos: a instituição deve possuir
uma lista de medicamentos autorizados para prescrição, in-
cluindo substitutos e genéricos. É necessária também uma
rotina padronizando a solicitação de medicamentos espe-
ciais que não constem nessa lista.
• Prescrição individualizada: a prescrição médica precisa ser
encaminhada para a farmácia, podendo ser feita por prescri-
ção carbonada, fax, scanner, cópia ou prontuário eletrônico.
Toda prescrição deve conter: dados do paciente (nome, leito,
patologia, número de registro), dados da medicação (dosa-
gem, posologia, via de administração) e dados do médico
(nome legível, número do CRM).
238

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 238 18/05/11 21:57


Distribuição de Medicamentos – Dose Unitária

• Definição de aprazamento: a inserção do horário do me-


dicamento precisa ser definida, podendo ser feita pelo far-
macêutico ou pelo enfermeiro. O ideal é a padronização do
horário de administração de medicamentos pela instituição.
• Horário de funcionamento da farmácia: deve funcionar
24 horas, sempre com um farmacêutico responsável. Em ca-
sos de impossibilidade, uma rotina padrão deve definir a res-
ponsabilidade pela dispensação.
• Transporte dos medicamentos da farmácia para os se-
tores assistenciais: a instituição deve normatizar a entrega
pelos setores. O uso de carrinhos apropriados em que cada
gaveta destina-se ao armazenamento de medicamentos por
pacientes, a ser administrados no período de 24 horas, é o
mais recomendado.
• Os medicamentos devem ser embalados de forma indivi-
dual, contendo: nome genérico, dose, lote e validade. O uso
de código de barras é opcional.

Com essa estrutura o paciente tem maior garantia quanto ao rece-


bimento do medicamento certo, na dose certa e no horário certo. Outra
garantia para o paciente é em relação ao custo, pois o medicamento será
lançado na conta do paciente certo.
O sistema de dispensação deve ser o mais seguro e aplicável possí-
vel, para cada instituição. Atualmente, há a tendência pela dispensação por
dose unitária, com entrega fracionada por horário de administração. Essa
metodologia tem por objetivo ampliar a segurança para o paciente e evitar
desperdício de medicamentos.
O sistema de dispensação por dose unitária não elimina a responsabi-
lidade do profissional de enfermagem em realizar a conferência de horário,
dosagem, via de administração, medicamento e paciente, ou seja, a confe-
rência baseada nos 5 Certos: medicamento certo, dose certa, paciente certo,
via certa e hora certa.
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CAPÍTULO 12

INFUSÃO DE SOLUÇÕES INTRAVENOSAS

Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

A infusão de soluções intravenosas é uma das formas de administra-


ção parenteral, na qual o medicamento é introduzido diretamente na rede
venosa do paciente e possui diversas vantagens sobre as demais, como visto
no Capítulo 2.
Para essa administração são necessários dispositivos para punção ve-
nosa e equipos injetores. O primeiro grupo é composto por:

Cateteres agulhados
Feitos de aço inox, com comprimento entre 1,25 e 3,0 cm. Seu tama-
nho é dividido em números ímpares, variando do cateter de maior para o
de menor calibre. A numeração encontrada é: 17; 19; 21; 23; 25 e 27. Esses
dispositivos são utilizados para acesso venoso de curtíssima duração e ad-
ministração de doses únicas de medicamentos.

Figura 12.1 – Cateteres agulhados


241

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Administração de Medicamentos

Cateter sobre agulha


São cateteres flexíveis e dispostos sobre agulhas. Após a punção ve-
nosa, a agulha é retirada e o cateter permanece na veia do paciente. O
comprimento varia de 2,0 a 5,0 cm, e seu tamanho é dividido em números
pares, entre 12 e 24, dos cateteres de maior para os de menor calibre. São
utilizados para acesso venoso de curta permanência, devendo ser substitu-
ídos em até 72 horas.

Figura 12.2 – Cateter sobre agulha

Cateteres de linha média


São os cateteres inseridos na região antecubital, sendo indicados em
casos de acesso venoso de duração intermediária (média duas semanas).
Seu comprimento é de aproximadamente 15 cm.

Cateter periférico de duplo lúmen


São cateteres de inserção periférica, com dois canais para infusão dis-
tinta de medicamentos.
242

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Infusão de Soluções Intravenosas

Figura 12.3 – Cateter duplo lúmen

Cateteres venosos centrais


São dispositivos de acesso venoso de longa permanência. Sua instala-
ção é feita por médicos (cateteres percutâneos e cateteres venosos centrais
tonalizados) e por enfermeiros (cateter central de inserção periférica).

Figura 12.4 – Cateter central de inserção periférica

Figura 12.5 – Intracath®


243

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Administração de Medicamentos
Os equipos injetores podem sem classificados em:

Equipo macrogotas
São utilizados para infusão de medicamentos em grandes volumes,
por sistema gravitacional. A velocidade de gotejamento é controlada por
meio de uma pinça rolete. Pode ter ou não injetor lateral para medicamento.

Figura 12.6 – Equipo macrogotas

Equipo microgotas
Próprios para infusão de medicamentos em pequenos volumes, por
sistema gravitacional. A velocidade do gotejamento também é controlada
por pinça rolete, tendo ou não injetor lateral.

Figura 12.7 – Equipo microgotas


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Infusão de Soluções Intravenosas

Equipo fotossensível
Usados na infusão de medicamentos que apresentam sensibilidade
à luz. Apresentam coloração âmbar e são acompanhados de um invólucro
para proteção da solução. O gotejamento é em macrogotas.

Figura 12.8 – Equipo fotossensível

Equipo com câmara graduada


São utilizados para infusão de medicamentos de maneira intermiten-
te e com volumes reduzidos. O gotejamento é em microgotas.

Figura 12.9 – Equipo com câmara graduada


245

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Administração de Medicamentos

Outros equipos
Há também modelos distintos para infusões específicas, como os de
hemoderivados, que apresentam filtro.
No ambiente hospitalar, outros equipos também são encontrados,
com outros fins: para dieta enteral, para infusão de água enteral e, ainda,
para aferição de pressão venosa central.

Figura 12.10 – Equipo para infusão Figura 12.11 – Equipo para


de sangue dieta enteral

Figura 12.12 – Equipo para água Figura 12.13 – Equipo para


enteral aferição de PVC
246

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Infusão de Soluções Intravenosas

Infusão gravitacional
É o sistema de infusão mais comum para administração de medica-
mentos e dieta enteral. A medicação é introduzida no sistema venoso por
gravidade, sendo o frasco, com medicamento, mantido entre 20 e 30 cm
acima da cabeça do paciente. Se o frasco é disposto em um nível abaixo do
da inserção do dispositivo venoso, o sangue reflui para ele, fato não desejá-
vel. A altura do frasco determina a pressão necessária para contrabalançar
a pressão venosa, permitindo a correta infusão do medicamento.
Qualquer equipo descrito anteriormente, pode ser utilizado nesse
método de infusão.
O controle da velocidade de infusão é feito por pinça rolete, atra-
vés de um gotejamento por minuto. Esse valor é conseguido dividindo-se
o volume total pelo tempo de infusão, respeitando-se o uso de equipo de
macrogotas ou microgotas. A pinça rolete faz pressão sobre o equipo, regu-
lando o fluxo de passagem do medicamento.

Figura 12.14 – Sistema aberto Figura 12.15 Sistema fechado


247

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Administração de Medicamentos

Infusão por bomba


Bomba de infusão é definida como “um equipamento destinado a
regular o fluxo de soluções administradas ao paciente sob pressão positiva”,
segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Elas são uti-
lizadas para administração de soluções intravenosas. Há também bombas
de infusão para administração de dieta enteral e parenteral. Neste capítulo
são abordadas as utilizadas na administração de medicamentos.
Esse método permite maior precisão no volume e na velocidade de
infusão, se comparado com métodos de administração gravitacional.
Sistemas de infusão tradicionais dependem da gravidade para alcan-
çar a pressão necessária. Nos casos de bombas de infusão a pressão é obtida
com a utilização de um pequeno motor elétrico. Podem ser classificadas em
três grandes grupos: bomba de infusão volumétrica, bomba de seringa e
bomba de infusão ambulatorial.

Bomba de infusão volumétrica

É a bomba cuja vazão é seleciona-


da pelo operador e indicada pelo equipa-
mento, em volume por unidade de tem-
po. A maioria das bombas de infusão é
volumétrica.

Bomba de seringa

A administração é feita por uma ou Figura 12.16 – Bomba de infusão


mais seringas, nas quais o operador deter-
mina a vazão e o equipamento indica o volume por unidade de tempo. São
utilizadas para infusão de soluções de baixa vazão e necessidade de alta
precisão, como soluções para neonatos, anestésicas e quimioterápicas.
248

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Infusão de Soluções Intravenosas

Figura 12.17 – Bomba infusora de seringa

Bomba de infusão ambulatorial


A infusão das soluções é feita por sequência programada de vazões,
podendo ter fluxo contínuo, não contínuo e in bolus. A finalidade é a ad-
ministração de soluções fora do ambiente hospitalar. Esse equipamento é
leve, compacto e portátil.

A utilização de bombas de infusão tem demonstrado ser um procedi-


mento seguro. As falhas mais comumente encontradas estão relacionadas
ao seu manuseio e não ao seu funcionamento. O conhecimento sobre o uso
das diversas bombas é fundamental para garantir a segurança do paciente.
Algumas terminologias são encontradas na maioria das bombas de
infusão:
• Taxa de infusão: quantidade de tempo necessária para um
volume específico ser infundido. Sua unidade é ml/h.

Figura 12.18 – Painel da bomba de seringa

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Administração de Medicamentos
• Volume infundido: quantidade de solução que foi infundi-
da; serve para monitorar esse valor em determinado período
(plantões, por exemplo).
• Volume a ser infundido: quantidade de solução que está
para ser infundida.
• Sensor de gotejamento: controla a presença ou ausência
de fluxo. Pode ser externo (junto ao contador de gotas) ou
interno.

Figura 12.19 – Painel da bomba Figura 12.20 – Sensor de


de infusão gotejamento

• Alarme de ar no equipo (air-in-line): detecta bolhas de ar


visíveis ou microscópicas.
• Alarme de oclusão: detecta
ausência de fluxo, em razão do
aumento da pressão do equipo.
• Alarme de bateria fraca: in-
forma que a bomba precisa
ser conectada à rede elétrica
ou ter sua bateria trocada.
Figura 12.21 – Alarme de bateria
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Infusão de Soluções Intravenosas

• Alarme de mau funcionamento: avisa que o problema


da máquina não pode ser resolvido sem o auxílio de manu-
tenção.
• Alarme sem infusão: dispara quando os parâmetros de in-
fusão não estão todos regulados. Nesse caso, é necessária
nova programação.
• Alarme de programação incompleta: dispara quando o
usuário não concluiu toda a programação para o funciona-
mento correto da bomba.
• Alarme de equipo: aciona quando o equipo é colocado de
maneira incorreta ou é diferente do utilizado na bomba.
• Alarme de fluxo livre: dispara ao detectar infusão rápida,
além da que foi programada.

O controle da infusão, normalmente, é feito por um sistema de con-


tagem fotoelétrica das gotas ou de ultrassom a efeito Doppler.
Pelo sistema de contagem de gotas, um feixe de luz passa pela câma-
ra de gotejamento e sua interrupção é detectada pelo sensor fotoelétrico.
Baseado no tempo entre essas interrupções, a taxa de infusão é calculada.
Para isso, o tamanho das gotas precisa ser predeterminado.
O sistema Doppler controla a velocidade do medicamento com gran-
de precisão. Utiliza um feixe de luz em frequência apropriada, sendo refle-
tido, sensibilizando um transdutor.

O uso de bombas de infusão não garante a administração correta de


medicamentos. O funcionamento do equipamento pode estar correto, mas,
se os parâmetros não estiverem devidamente programados sua infusão
pode ser prejudicada. Para garantir a programação correta, a instituição de
saúde deve fornecer treinamento aos funcionários e também um programa
de manutenção preventiva e corretiva.
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Administração de Medicamentos

Figura 12.22 – Bomba de Figura 12.23 – Cassete


infusão com cassete

Figura 12.24 – Bomba de infusão pediátrica (seringa)

Figura 12.25 – Bomba Figura 12.26 – Bomba de


de infusão dieta enteral
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Infusão de Soluções Intravenosas

A infusão de medicamentos por via intravenosa tem como caracterís-


tica ser um sistema fechado, ou seja, desde a bolsa de solução até o dispo-
sitivo de punção venosa, não deve permitir a abertura para o meio exterior,
nem mesmo para introdução de outros medicamentos.
Pela RDC no 45, de 12 de março de 2003, fica definido:
• Solução parenteral: solução injetável, estéril e aterogênica,
de grande ou pequeno volume, própria para administração
por via parenteral.
• Solução parenteral de grande volume: solução acondicio-
nada em recipiente de dose única, com capacidade de 100
ml ou mais.
• Sistema aberto: sistema de administração de solução paren-
teral que permite o contato da solução estéril com o meio am-
biente, seja no momento da abertura do frasco, da adição de
medicamentos ou na introdução de equipo para administração.
• Sistema fechado: sistema de administração de solução pa-
renteral que, durante todo o preparo e administração, não
permite o contato da solução com o meio ambiente.

Na RDC no 45, anexo II, “Boas práticas de preparo e administração das


soluções parenterais”, destacam-se:
2.1.1 As atividades de preparo e administração das soluções parente-
rais devem ser realizadas por profissionais habilitados e em quanti-
dade suficiente para seu desempenho.

2.1.3 Todo profissional envolvido deve conhecer os princípios básicos


de preparo e administração de soluções parenterais.

2.1.7 O profissional deve ser orientado quanto às práticas de higiene


pessoal, em especial, higienização das mãos.

2.1.9 Não é permitido ao profissional: fumar, beber ou manter plan-


tas, alimentos, bebidas e medicamentos de uso pessoal nas áreas de
preparo e administração.
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Administração de Medicamentos
3.1.6 Quando se tratar de soluções parenterais de grande vo-
lume, os rótulos devem ser corretamente identificados com no
mínimo: nome completo do paciente, leito/registro, nome do
produto, descrição qualitativa e quantitativa dos componentes
aditivados na solução, volume e velocidade de infusão, via de ad-
ministração, data e horário do preparo e identificação de quem
preparou.

3.1.8 Agulhas, jelcos, escalpes, seringas, equipos e acessórios (filtros,


tampas e outros) utilizados no preparo das soluções parenterais de-
vem ser de uso único e descartados em recipiente apropriado.

3.1.9 Os produtos empregados no preparo das soluções parente-


rais devem ser criteriosamente conferidos com a prescrição mé-
dica, bem como inspecionados quanto a sua integridade física,
coloração, presença de partículas, corpos estranhos e prazo de
validade.

3.2.14 As soluções parenterais de grande volume devem ser adminis-


tradas em sistema fechado.

3.2.15 O paciente, sua família ou responsável legal devem ser orien-


tados quanto à terapia que será implementada, objetivos, riscos, vias
de administração e possíveis intercorrências que possam advir.

3.2.23 A administração das soluções parenterais, por via endovenosa,


só deve ser realizada depois de verificada a permeabilidade da via
de acesso, cumprindo rigorosamente o tempo estabelecido para a
sua infusão.

A responsabilidade pela administração de soluções parenterais é do


enfermeiro, com os demais membros da equipe: auxiliares e técnicos de
enfermagem.
O treinamento contínuo deve ser seguido por todas as instituições de
saúde, com o objetivo de capacitar os profissionais em relação a novas e
conhecidas tecnologias.

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Infusão de Soluções Intravenosas

Figura 12.27 – Manutenção do sistema fechado para infusão parenteral

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CAPÍTULO 13

INTERAÇÃO DE MEDICAMENTOS –
NUTRIENTES

Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

Quando um paciente está em tratamento medicamentoso, sua


ingestão de nutrientes deve ser avaliada. Embora seja um tema não
totalmente elucidado, sabe-se que muitos medicamentos podem in-
terferir na absorção de nutrientes, assim como ter sua ação e efeito
alterados por esses.
Tal interação pode ocorrer em diversos níveis e precisa ser compre-
endida pelos profissionais que atuam na área da saúde.
Em tratamentos crônicos ou prolongados, a avaliação do uso de me-
dicamentos torna-se contínua. Com a finalidade de evitar a interação, pre-
coniza-se que seja feita por profissional de nutrição.
Pode ocorrer em vários níveis, entre os quais, citam-se:
• ingestão do alimento;
• absorção da droga;
• absorção do nutriente;
• transporte por proteínas plasmáticas;
• processo de metabolização; e
• processo de excreção.

As ocorrências relacionadas à interação entre medicamentos e nu-


trientes exigem, além de sua identificação, a prevenção, a intervenção
precoce e a monitorização do evento. Todo esse processo visa à conscien-
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Administração de Medicamentos
tização dos profissionais de saúde e à ampliação do conhecimento sobre
o assunto.

Definição
A interação entre medicamento e nutriente pode ser definida como
uma alteração de um medicamento por ação de algum nutriente, ou a
alteração de um nutriente por ação de um medicamento. Também consi-
dera-se interação medicamentosa quando o estado nutricional de um pa-
ciente é alterado por ação de um medicamento.
Essa alteração pode ser cinética ou dinâmica. As alterações cinéticas
envolvem a quantidade de um medicamento, sua absorção, distribuição,
metabolismo e excreção. As alterações dinâmicas estão relacionadas com o
efeito clínico e/ou fisiológico do medicamento.
A interação entre medicamentos e nutrientes pode ser classificada
em quatro grupos:

• Tipo 1: através de reações bioquímicas ou físicas, tais como


a precipitação.
• Tipo 2: as que alteram a absorção de medicamentos ou nu-
trientes administrados por via oral ou enteral.
• Tipo 3: as que ocorrem após os medicamentos ou nutrien-
tes serem absorvidos pelo trato gastrointestinal e atingirem a
circulação sistêmica.
• Tipo 4: as que afetam a eliminação ou depuração do medi-
camento ou nutriente. Podem envolver modulação, antago-
nismo ou impedimento da eliminação (renal ou entero-he-
pática).
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Interação de medicamentos – nutrientes

Fatores de influência
Para facilitar a compreensão, estes serão divididos entre os relaciona-
dos ao paciente, também denominado hospedeiro, e os ligados ao medica-
mento ou nutriente.

Fatores relacionados ao paciente

• Idade: idosos e crianças são mais suscetíveis à interação. Os


idosos, em sua maioria, apresentam patologias concomitan-
tes com o uso de vários medicamentos, além de tendência ao
desenvolvimento de desnutrição, o que eleva a possibilidade
de sua ocorrência. As crianças apresentam uma precariedade
no desenvolvimento do sistema de desintoxicação.
• Características genéticas: algumas patologias alteram a ne-
cessidade de determinados nutrientes, tais como os polimor-
fismos da metileno-tetra-hidrofolato redutase, que podem
levar a um aumento da necessidade de ingestão das vitami-
nas B6, B12 e ácido fólico.
• Estilo de vida: tabagistas, por exemplo.
• Deficiências nutricionais: como carência de ácido fólico em
pacientes epilépticos, que pode alterar a farmacocinética da
fenitoína.
• Obesidade: para esses pacientes, o volume de distribuição
de fármacos é muito afetado, dada a variação da proporção
dos compartimentos corporais, que pode predispor a uma
resposta diferente de medicamentos e nutrientes.
• Desnutrição calórico-proteica: pacientes com essa patologia
podem apresentar alterações de oxidação, conjugação e liga-
ção de medicamentos e proteínas.
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Administração de Medicamentos
• Pacientes transplantados: a utilização de muitos medica-
mentos, devido ao risco de rejeição, facilita a ocorrência da
interação.
• Condições clínicas: alterações renais e hepáticas, por exem-
plo, podem estar relacionadas à variação sérica de proteínas
ou à biotransformação dos medicamentos.

Os pacientes enquadrados nas situações acima devem ser orientados


quanto às possíveis interações, para que sejam ajustados os horários de
medicamentos e ingestão de nutrientes.

Fatores relacionados ao medicamento ou ao nutriente

• Via de administração: como descrito na classificação das in-


terações, a do tipo 2 está relacionada à absorção de medica-
mentos e nutrientes por via oral ou enteral e pode ser anula-
da nos casos em que é possível alterar a via de administração
de oral para endovenosa.
• Dose e tempo de administração: quando a interação ocorre
na fase de absorção gastrointestinal, o ato de espaçar a admi-
nistração de medicamentos e a ingestão de nutrientes pode
resolver o problema.
• Apresentação dos medicamentos: alguns deles, quando ad-
ministrados na forma de comprimidos ou cápsulas, podem
ter a interação minimizada ou até anulada ao se alterar sua
apresentação para soluções e/ou suspensões. Essas formas
têm como característica a difusão, melhorando a mobilida-
de pelo trato gastrointestinal.
• Características químicas: alguns nutrientes necessitam de um
pH específico para sua absorção. Medicamentos que promovem
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Interação de medicamentos – nutrientes

alteração do pH tornam-se um problema. A cobalina da dieta,


como exemplo, necessita de pH ácido para que ocorra sua
absorção pelo intestino (íleo). Os medicamentos classificados
como inibidores da bomba de próton, ou antagonistas de re-
ceptores histamínicos, alteram o pH, impedindo sua absorção.
• Composição da refeição: os nutrientes de uma refeição co-
laboram na interação, tais como as verduras de coloração
verde-escura, como espinafre, que podem interagir com me-
dicamentos anticoagulantes orais (Marevan).

Fase de ingestão
A ingestão de nutrientes sofre efeito de vários medicamentos, entre
eles, os utilizados em programas de emagrecimento. As anfetaminas são
um ótimo exemplo disso, por serem uma droga que inibe o apetite e po-
dem acarretar a desnutrição dos usuários.
Uma situação oposta é a do ganho de peso decorrente do efeito de
drogas utilizadas em tratamentos psiquiátricos. Como exemplo, pode-se ci-
tar o lítio e o diazepam.
Outros medicamentos podem promover alteração no paladar (disgeu-
sia), redução da percepção do paladar (hipogeusia) ou provocar sensação
desagradável nesse sentido. Tome-se o caso das drogas utilizadas nos trata-
mentos oncológicos, os quimioterápicos, que provocam náuseas e vômitos
na maioria dos pacientes. Em consequência desses sintomas, a ingestão de
nutrientes fica reduzida.

Fase de absorção
A maior parte dos medicamentos é absorvida no intestino delgado
e sua interação com nutrientes está relacionada com vários fatores, entre
eles:
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Administração de Medicamentos
• dosagem da droga;
• tipo de nutriente ingerido;
• quantidade de nutriente ingerido;
• intervalo entre a ingestão de nutrientes e a medicação;
• presença de outras enfermidades;
• quadro clínico compatível com desnutrição.

A ingestão de nutrientes provoca o aumento do estímulo para produ-


ção de secreções gástricas e intestinais, o que pode facilitar a dissolução de
medicamentos na apresentação sólida.
Alguns alimentos e medicamentos promovem o aumento ou a diminui-
ção da motilidade gastrointestinal, o que pode acarretar alterações no processo
de absorção tanto de uns como de outros. A diminuição da motilidade traz o
surgimento de reações de toxicidade, pelo aumento da absorção. Já no aumen-
to observa-se uma falha terapêutica, ou seja, a quantidade de medicamento ou
nutriente absorvida não é a indicada terapeuticamente.
Uma interação frequente é a diminuição do tempo de trânsito gas-
trointestinal, causada por medicamentos, que pode provocar diarreia, de-
corrente do excesso de gordura nas fezes, também denominada esteator-
reia. Além da perda de gordura nas fezes, o paciente pode perder cálcio e
potássio.
Outra interação possível ocorre com medicamentos que afetam a ab-
sorção de vitaminas lipossolúveis e colesterol. Um exemplo é a cimetidina,
que diminui a absorção de vitamina B.
Alguns alimentos ricos em vitaminas do complexo B:
• B1 (tiamina): grãos de cereais integrais, pão, carne vermelha,
gema de ovo, hortaliças verdes, legumes, milho, frutas verme-
lhas, levedo de cerveja, germe e casca de grãos e nozes.
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Interação de medicamentos – nutrientes

• B2 (riboflavina): grãos integrais, leite, carne, ovos, queijo e


ervilhas.
• B3 (niacina): alimentos ricos em proteínas, como carne, levedo
de cerveja, leite, ovos, legumes, batatas e amendoim.
• B6 (piridoxina): fígado, arroz integral, peixe, manteiga, ger-
me de trigo, cereais integrais, soja.
• B12: fígado, carne, gema de ovo, aves domésticas e leite.
• B9 (ácido fólico): levedo de cerveja, fígado, hortaliças verdes,
grãos de cereais integrais e feijão.

Certos medicamentos provocam lesões na mucosa intestinal, como os


laxantes e alguns antibióticos (neomicina). As lesões em mucosas causam má
absorção de gordura, proteína, sódio, potássio e cálcio.
Como há uma variedade de alimentos que contêm vitaminas do com-
plexo B, é indicado que os pacientes em uso de medicamentos que possam
causar esse tipo de interação (medicamento e complexo B) sejam acompa-
nhados por um profissional da área de nutrição, que poderá adequar as
necessidades nutricionais ao uso de medicamentos, respeitando suas pre-
ferências e hábitos alimentares.
Outro fator a ser acompanhado por esse profissional é a composi-
ção da dieta, buscando a quantidade ideal de lipídios, proteínas e carboi-
dratos. Dietas ricas em proteínas aumentam a quantidade de citocromo
P-450, que está relacionado ao metabolismo oxidativo de determinados
medicamentos. Em contraposição, uma dieta rica em carboidratos diminui
sua quantidade.

Fase de metabolismo
Os medicamentos denominados antivitaminas inibem a síntese de
enzimas, pois apresentam a capacidade de competir com as vitaminas para
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Administração de Medicamentos
formar sua estrutura. Um exemplo de medicamento que apresenta essa
ação são os quimioterápicos, que impedem a replicação das células tumo-
rais, induzindo-as à morte, por competirem com o ácido fólico, levando a
uma deficiência específica desse nutriente. O ácido fólico é fundamental
para que ocorra a síntese de DNA, necessária para a reprodução celular.
Outro exemplo dessa interação medicamento-nutriente ocorre com a
isoniazida (utilizada no tratamento para tuberculose), que interage com
a vitamina B6 interferindo em seu metabolismo, podendo levar a uma de-
ficiência específica dessa vitamina.
A interação mais frequente na fase de metabolismo é a existente
entre os medicamentos utilizados em psiquiatria, classificados como ini-
bidores da monoaminoxidase, e as aminas vasoativas encontradas nos
alimentos. A presença no organismo de aminas vasoativas não oxidadas
causa constrição de vasos sanguíneos e elevação da pressão arterial, po-
dendo provocar hemorragia intracraniana, arritmias cardíacas e insufici-
ência cardíaca.
Um medicamento muito utilizado e que apresenta interação com
nutrientes é o ácido acetilsalicílico, o qual possui a capacidade de alterar o
transporte de folato (ácido fólico), diminuindo seu nível sérico.
Os alimentos ricos em ácido fólico são: fígado, feijão e vegetais frescos
de folhas verde-escuras (especialmente brócolis, espinafre e aspargo), carne
bovina magra e batata.
O exemplo acima serve de indutor para uma orientação importante a
ser feita e disseminada pela população, quanto à restrição do uso de medi-
camentos sem prescrição médica, dado a frequencia de uso desse fármaco.

Pacientes em uso de nutrição enteral


A via de administração de dieta enteral (por curtos ou longos perío-
dos) é, com frequência utilizada também para a administração de medi-
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Interação de medicamentos – nutrientes

camentos, podendo ocorrer um contato direto entre o medicamento e o


nutriente. Com a possibilidade de interação, por meio de reações biofísicas
e bioquímicas, pode ocorrer a inativação tanto de medicamentos como de
nutrientes.
Algumas formulações de soluções de dieta enteral podem diminuir a
absorção de medicamentos, como a varfarina, a tetraciclina, as fluroquino-
lonas e a fenitoína, se administrados concomitantemente.
A incompatibilidade entre os medicamentos e a nutrição enteral
pode acarretar a obstrução da sonda.
Para minimizar todos esses efeitos, o profissional de enfermagem
pode adotar alguns cuidados, tais como:
• Não administrar medicamento e nutrição enteral pela mes-
ma sonda, concomitantemente.
• Interromper a dieta antes e após a administração do medica-
mento. Esse período de tempo deve ser definido consideran-
do-se a necessidade calórica-proteica do paciente e o me-
dicamento utilizado, podendo variar entre 30 minutos e 2
horas. Nesse caso, a velocidade de infusão da dieta precisa
ser recalculada.
• Lavar a sonda com água filtrada ou solução fisiológica 0,9%,
antes e após a administração de medicamentos. O volume
mínimo utilizado é 20 ml, devendo-se considerar a estrutura
corpórea do paciente.
• Utilizar, preferencialmente, medicamentos na apresentação
líquida.
• Controlar o posicionamento da sonda, através de marcação
da fixação e/ou radiografia, garantindo assim o pH ideal para
a administração de medicamentos.
• Não adicionar medicamentos no frasco de dieta enteral.
265

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 265 18/05/11 21:57


Administração de Medicamentos
• Diluir medicamentos considerando-se a sua forma de apre-
sentação.
• Na existência de vários medicamentos, administrar primeira-
mente os menos viscosos.
• Esvaziar as cápsulas gelatinosas que contêm líquido.
• Pausar a ingestão de dieta enteral, quando o medicamento
necessitar de ausência de nutrientes para sua absorção.
• Aprazar os medicamentos em vários horários, evitando a ad-
ministração simultânea.

Seguem quadros relacionando o medicamento, sua apresentação e o


procedimento a ser seguido pela enfermagem, para pacientes recebendo
nutrição enteral.

Quadro 13.1 – Ação preconizada para determinados medicamentos


em comprimidos
Ação: triturar e administrar imediatamente
Ácido acetilsalicílico Aciclovir
Alopurinol Amiodarona
Amlopidina Atenolol
Biperideno Bromocriptina
Captopril Carvedilol
Cimetidina Ciprofloxacino
Clomipramina Clopidogrel
Complexo de vitamina B Dexametasona
Diltiazen Enalapril
Espirinolactona Fenobarbital
Furosemida Glibenclamida
Hidroclorotiazida Hidrocortisona
Isosorbida Levodopa + carbidopa
Continua

266

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Interação de medicamentos – nutrientes

Quadro 13.1 – Continuação


Ação: triturar e administrar imediatamente
Levotiroxina Lorazepan
Metilprednisolona Metrotexato
Morfina Neomicina
Norfloxacino Pirazinamida
Tiamina Verapamil
Warfarina
Organizado por: Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

Quadro 13.2 – Ação preconizada para determinados medicamentos


Ação: utilizar a apresentação em solução oral, disponível
pela indústria farmacêutica
Ácido fólico (comprimidos) Ácido valproico (drágea)
Carbamazepina (comprimidos
Amoxicilina (cápsula)
recobertos)
Cefalexina (cápsula) Ciclosporina (cápsula)
Claritromicina (comprimidos
Cisaprida (comprimidos)
recobertos)
Complexo de vitamina B
Clemastina (comprimidos)
(comprimidos)
Dexclorfeniramina (drágea) Diclofenaco (drágea)
Eritromicina (comprimidos recobertos) Fenitoína (comprimidos)
Fluconazol (cápsula) Fluoxetina (cápsula)
Sulfato ferroso (comprimidos) Metronidazol (comprimidos)
Morfina (comprimidos) Paracetamol (comprimidos)
Teofilina (comprimidos) Tramadol (cápsula)
Valproato sódico (comprimidos
Zidovudina (cápsula)
recobertos)
Organizado por: Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

267

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Administração de Medicamentos
Quadro 13.3 – Medicamentos com ações específicas: outras ações
Medicamento Ação
Amitriptilina (comprimidos recobertos) Sem alternativa, não triturar.
Bromazepan (cápsula) Abrir a cápsula e administrar
imediatamente
Calcitriol (cápsula) Sem alternativa, não triturar
Clindamicina (cápsula) Sem alternativa, não abrir a cápsula.
Fluconazol (cápsula) Abrir a cápsula e administrar.
Flurazepan (cápsula) Abrir a cápsula e administrar.
Hidralazina (drágea) Sem alternativa, não triturar
Miclofenolato mofetilo (cápsula) Abrir a cápsula e diluir em solução
glicosada 5% e administrar
imedicatamente.
Nifedipino (cápsula) Não triturar, administração
sublingual.
Omeprazol (cápsula) Sem alternativa, não triturar
Organizado por: Rosangela Aparecida Sala Jeronimo

Nos casos em que a indústria farmacêutica não orienta que o medica-


mento seja triturado para administração, o médico deverá substituí-lo por
outra forma de apresentação que permita o uso da via enteral.
Medicamentos com a orientação de ser administrados logo após a
abertura da cápsula, devem tê-la respeitada, com a finalidade de garantir
sua ação, conforme prescrição.

Pacientes em uso de nutrição parenteral


Em algumas situações clínicas não há disponibilidade de utilização
do trato gastrointestinal para a administração de nutrientes, podendo ser
indicada a nutrição parenteral.

268

Adm_Medicamentos_2_Backup.indd 268 18/05/11 21:57


Interação de medicamentos – nutrientes

Definida como uma solução ou emulsão, composta por carboidratos,


aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais, devidamente tornados estéreis
e apirogênicos, destina-se à administração por via endovenosa.
A Portaria no 272 da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomen-
da a utilização de acesso venoso central ou periférico de uso exclusivo para
a administração de nutrição parenteral.
Alguns pacientes apresentam dificuldade de manter mais de um acesso
venoso permeável, tornando-se necessária a utilização do mesmo acesso para
infusão de nutrição parenteral e medicamentos por via endovenosa. Para ado-
tar essa conduta é necessário considerar:
• o valor do pH do medicamento;
• a interação do medicamento com componentes da solução
de nutrição parenteral;
• a concentração de cálcio de magnésio na solução de nutrição
parenteral;
• a presença, ou não, de emulsão lipídica;
• a concentração final do medicamento na solução de nutrição
parenteral;
• as recomendações dos laboratórios fabricantes dos medica-
mentos e da solução de nutrição parenteral.

A instabilidade entre medicamento e nutrição parenteral pode ser


observada por meio de sinais clássicos, como:
• Reação de Maillard: reações químicas envolvendo aminoáci-
dos e carboidratos, provocando um escurecimento não en-
zimático. Essa reação pode ser favorecida pelo aumento da
temperatura ou do pH, pela exposição à luz e conforme o
tempo de contato entre os componentes.
• Degradação de vitaminas: a decomposição de vitaminas
promove alteração na coloração, podendo ocorrer escure-
269

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Administração de Medicamentos
cimento (formação de tiocromo na vitamina B1), perda de
coloração (fotólise na vitamina B2), descoloração (fotólise ou
oxidação na vitamina B12), escurecimento amarelo ou mar-
rom (hidrólise na presença de vitamina C), escurecimento
(oxidação na presença de vitamina E) e alteração de colo-
ração com escurecimento ou descoloração (isomerização ou
fotólise no betacaroteno).
• Separação de fases: pode ocorrer agregação (agrupamento
das gotículas de lipídio), formação de creme (acúmulo de
partículas de triglicerídeos), o que pode ser resolvido com
breve agitação da solução, coalescência (formação de gotas
maiores de triglicerídeos) irreversível (não pode ser adminis-
trada) e quebra de emulsão (formação de uma fase aquosa
e outra oleosa), que também não pode ser administrada ao
paciente.

Os profissionais da área da saúde, especialmente os da enfermagem,


devem seguir certas regras para minimizar os quadros citados nesse tópico:
• Utilizar preferencialmente cateter de único lúmen, com a
finalidade de garantir via de administração exclusiva.
• Nos casos da utilização de cateteres de múltiplos lumens,
manter uma via exclusiva para infusão de nutrição parente-
ral, devidamente identificada.
• Manter sistema fechado de infusão, conforme recomenda-
ção do SCIH (Serviço de Controle de Infecção Hospitalar) e
da EMTN (Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional) de
cada instituição.
• Em situações com suspeita de infecção relacionada ao ca-
teter, retirá-lo, seguindo conduta preconizada pela SCIH e
EMTN de cada instituição.
270

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Interação de medicamentos – nutrientes

• Seguir as recomendações da EMTN quanto à periodicidade


de irrigação do cateter utilizado para infusão de nutrição pa-
renteral. Essa orientação deverá ser preconizada pela equipe
de EMTN de cada instituição e dependerá da composição da
dieta, assim como das condições clínicas de cada paciente.
• Determinar o tipo de dispositivo intravenoso adequado à os-
molaridade e ao teor de glicose presentes nas formulações
de nutrição parenteral. A padronização dos cateteres utiliza-
dos para infusão da dieta parenteral deve seguir padroniza-
ção da equipe de EMTN, das condições clínicas do paciente e
do material disponível para uso na instituição.
• Conhecer as diversas apresentações de nutrição parenteral
disponíveis para uso.
• Utilizar bomba de infusão com a finalidade de controlar rigo-
rosamente a infusão de nutrição parenteral.
• Atentar para alterações visíveis na solução de nutrição paren-
teral, como turvação, precipitação e alteração de coloração,
por serem indícios de interação entre medicamentos e nu-
trientes, conforme descrito neste capítulo.
• Administrar a nutrição parenteral com a solução em tempe-
ratura ambiente.
• Atentar para a conferência de 5 Certos no momento de ad-
ministração da nutrição parenteral. A solução de nutrição
parenteral não é preparada pela enfermagem no momento
de sua administração, mas a conferência quanto à identifi-
cação do paciente, à dosagem dos componentes da solução,
ao horário e tempo de infusão, à via de administração exclu-
siva e à bolsa com a solução certa deve ser realizada.
271

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Administração de Medicamentos
Os profissionais que atuam na área da saúde, especificamente os da
área de enfermagem, necessitam ampliar seus conhecimentos sobre farma-
cologia, de modo geral.
Baseando-se nessa afirmação, este capítulo teve por finalidade escla-
recer e fornecer conhecimentos específicos sobre um assunto pouco divul-
gado e que ainda nos leva a cometer muitas falhas.
Com os avanços tecnológicos e farmacêuticos constantemente adqui-
ridos, nós, profissionais de enfermagem, precisamos buscar conhecimento
continuamente.
A interação entre medicamentos e nutrientes é algo com que nos de-
paramos diariamente, e muitas vezes por desconhecimento, não minimi-
zamos, a fim de alcançar nosso maior objetivo, que é proporcionar melhor
condição de saúde para os pacientes sob nossa responsabilidade.
Com explicações simples e exemplos de medicamentos comumen-
te utilizados nas instituições de saúde, este capítulo visou à ampliação do
conhecimento e à busca dos meios para atingir o grau de excelência no
atendimento prestado.
Não se pode deixar de reforçar a importância do profissional de nu-
trição, adequando a dieta do paciente e mantendo o valor calórico-proteico
que supre suas necessidades diárias. Esse profissional também é fundamen-
tal para orientar os familiares, elaborando cardápios que, além de atender
necessidades diárias, colaborem minimizando as interações, respeitando as
preferências individuais.

272

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CAPÍTULO 14

CÁLCULOS DE MEDICAMENTOS
Fabiano Rodrigues dos Santos

Os conhecimentos sobre matemática, adquiridos no Capítulo 9, serão


utilizados agora, pois abordaremos cálculos específicos de medicamentos e
gotejamento de soluções enterais e parenterais.
Como a maioria apresenta como resultados números decimais,
é necessário utilizar a regra de arredondamento, segundo a qual deci-
mais inferiores a 0,4 (inclusive) são arredondados para menos, e supe-
riores a 0,6 (inclusive) para mais. Serão mantidos os valores decimais
iguais a 0,5.

Gotejamento de soluções em gotas


É necessário para calcular a velocidade de infusão de uma solução, cujo
tempo é determinado na prescrição médica. O cálculo do gotejamento e, con-
sequentemente, o controle sobre ele, necessita de alguns dados, entre eles:
• volume total da solução;
• tempo de infusão.

O controle do gotejamento é feito em gotas por minuto. Para isto,


é necessário saber quantas gotas há na solução e quantos minutos foram
estipulados para sua infusão.
Exemplo:
A prescrição médica indica: “SG 5% 500 ml de 6/6 h por via
endovenosa”.
273

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Administração de Medicamentos
1o passo: calcular quantas gotas há na solução de 500 ml.
Sabendo que 1 ml tem 20 gotas, o cálculo a ser feito é:
1 ml 20 gotas

500 ml A gotas
1 x A = 500 x 20
1 A = 10.000
A = 10.000 gotas

2o passo: calcular quantos minutos há em 6 horas.

1h 60 minutos

6h B minutos

1 B = 6 x 60
B = 360 minutos

3o passo: dividir gotas por minutos.


10.000 / 360 = 27,77 gotas/minutos.

Usando a regra de arredondamento, o gotejamento é de 28 gotas/


minuto.
Há uma regra mais simples a ser seguida para esse cálculo:
V
Gotas/minuto =
Tx3
Onde:
V = volume total da solução, em ml
T = tempo de infusão, em horas
Seguindo o exemplo acima, temos:
500
Gotas/minuto=
6x3

274

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Cálculos de Medicamentos

500
Gotas/min. =
18
27,77 ou 28 gotas/min.

Tabela 14.1 – Padronização de volumes e tempo de infusão por con-


trole manual, em equipo de gotas/minuto
250 ml 500 ml 1.000 ml
6h 14 gts/min 28 gts/min 56 gts/min
8h 11 gts/min 21 gts/min 42 gts/min
12 h Não utilizado 14 gts/min 28 gts/min
24 h Não utilizado Não utilizado 14 gts/min

Os valores indicados como “não utilizado” fazem referência à dificul-


dade de controle manual com equipo de gotas/minuto. Nesses casos, há a
possibilidade de controle com equipo de microgotas/minuto e por bomba
de infusão, utilizada, principalmente, em pacientes críticos, ou medica-
mentos que requerem grande rigor no seu controle.

Gotejamento de soluções em microgotas


Uma microgota tem 1/3 do tamanho de uma gota, e, por isso, 1 ml é
composto por 60 microgotas.
São utilizados os mesmos critérios para o cálculo de gotas/minuto.

Exemplo:
A prescrição médica indica: “SF 0,9% 250 ml de 12/12 h por via
endovenosa”.

275

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Administração de Medicamentos
1o passo: calcular quantas microgotas há na solução de 250 ml.

1 ml 60 microgotas

250 ml A

1 x A = 250 x 60
A = 15.000 microgotas

2o passo: calcular quantos minutos há em 12 horas.

60 min 1h

B 12 h

1 x B = 60 x 12
B = 720 minutos.

3o passo: dividir microgotas pelos minutos.

15.000 / 720 = 20,83 microgotas/minuto.


Seguindo a regra de arredondamento, temos 21 microgotas/min.
Utilizando a regra simplificada para o cálculo:
V
Microgotas/minuto=
T
Onde:
V = volume total da solução, em ml
T = tempo, em horas
250
Microgotas/minuto =
12
Microgotas/minuto = 20,83 ou

21 microgotas/minuto

276

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Cálculos de Medicamentos

Tabela 14.2 – Volumes a serem infundidos pelo equipo microgotas


em controle manual, por tempo predeterminado

100 ml 250 ml 500 ml


6h 17 mgts/min 42 mgts/min 83 mgts/min
8h 13 mgts/min 31 mgts/min 63 mgts/min
12 h 8 mgts/min 21 mgts/min 42 mgts/min
24 h 4 mgts/min 10 mgts/min 21 mgts/min

Cálculo de dosagem de medicamentos


A dosagem do medicamento é prescrita pelo médico, mas nem sem-
pre se encontram frascos com a dosagem indicada. As indústrias farma-
cêuticas seguem uma padronização para cada tipo de fármaco, cabendo
ao profissional de enfermagem o cálculo para sua administração, bastan-
do, na maioria das vezes, o uso da regra de três.

Exemplo 1:
A prescrição médica indica: “garamicina 50 mg, intramuscular”.
A apresentação do medicamento é feita em ampola de 80 mg/2 ml.

Cálculo:
80 mg 2 ml

50 mg A
A x 80 = 2 x 50
80 A = 100
A = 100 / 80
A = 1,25 ml

277

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Administração de Medicamentos
Resposta:
O profissional deve aspirar 1,25 ml do medicamento para administra-
ção intramuscular. O restante será desprezado.

Exemplo 2:
A prescrição médica indica: “Rocefin 750 mg endovenoso”.
A apresentação do medicamento é feita em frasco/ampola de 1 g.
Por ser medicamento em pó, é necessária sua diluição, no caso, em
10 ml de água destilada.
1o passo: Transformar g em mg: 1 g tem 1.000 mg.
2o passo: Após diluir o frasco em 10 ml de água destilada, calcular
quantos ml serão aspirados.
1.000 mg 10 ml

750 mg A

A x 1.000 = 750 x 10
1.000 A = 7.500
A = 7.500 / 1.000
A = 7,5 ml

Resposta:
O profissional deve diluir o medicamento em 10 ml e aspirar 7,5 ml
para administração endovenosa. Após a diluição do frasco e aspiração
do volume, é feita nova diluição para administração do medicamento. A
maioria das instituições de saúde possui protocolo específico de diluição
de antibióticos para administração endovenosa, ficando entre 20 ml e
100 ml.

Exemplo 3:
A prescrição médica indica: “penicilina cristalina 2.800.000 UI por via
endovenosa”.
A apresentação do medicamento é feita em frasco/ampola com
5.000.000 UI.
278

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Cálculos de Medicamentos

Por ser medicamento em pó, é necessária sua diluição, no caso, em 8


ml de água destilada, pois a penicilina cristalina é o único medicamento no
qual, após a diluição, há um acréscimo de volume em 2 ml. Isso quer dizer
que, utilizando 8 ml de água destilada, o volume final da diluição é de 10 ml.

5.000.000 UI 10 ml

2.800.000 UI A

A x 5.000.000 = 2.800.000 x 10
5 A = 28
A = 28 / 5
A = 5,6 ml

Resposta:
O profissional deve aspirar 5,6 ml da medicação diluída e, depois,
diluir novamente, conforme protocolo da instituição, para finalmente
administrá-la por via endovenosa.
Exemplo 4:
A prescrição médica indica: “Slow K 200 mg por sonda enteral”.
A apresentação do medicamento é feita em comprimidos de 600 mg.
Por ser comprimido, é necessária sua maceração e diluição, no caso,
em 20 ml de água destilada.
600 mg 20 ml

200 mg A

A x 600 = 200 x 20
600 A = 4.000
A = 4.000 / 600
A = 6,66 ml

Resposta:
O profissional deve aspirar 7 ml, seguindo a regra de arredonda-
mento, já vista.
279

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Administração de Medicamentos
Exemplo 5:
A prescrição médica indica: “insulina NPH 25 UI por via subcutânea”.
A apresentação é feita em frasco com 100 UI/ml.
Utiliza-se seringa de insulina, na qual 100 UI corresponde a 1 ml.
Basta aspirar a insulina na quantidade determinada, na seringa apro-
priada. Não havendo seringa com graduação de insulina, e somente a de
1 ml, fazer o cálculo:

100 UI 1 ml

25 UI A
100 x A = 25 x 1
A = 25 / 100
A = 0,25 ml

Resposta:
O profissional deverá aspirar 0,25 ml e administrar por via subcutânea.

Exemplo 6:
A prescrição médica indica: “SG 10% 500 ml”.
Apresentação: SG 5% 500 ml e ampola de glicose de 25% com 10 ml.
Nesse caso, é necessário alterar a concentração do soro glicosado.

1o passo: Calcular quantos gramas de glicose há no soro existente na


instituição.
5% significa:
5g 100 ml

A 500 ml
100 x A = 5 x 500
100 A = 2.500
A = 2.500 / 100
A = 25 g
280

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Cálculos de Medicamentos

Resposta:
O soro disponível na instituição tem 25 g de glicose a cada 500 ml.
2o passo: Calcular quantos gramas de glicose há no soro prescrito.
10 g 100 ml

B 500 ml
100 x B = 10 x 500
100 B = 5.000
B = 5.000 / 100
B = 50 g

Resposta:
A prescrição médica solicita 50 g de glicose em 500 ml.

3o passo: Descobrir a diferença entre o soro prescrito e o soro dispo-


nível na instituição.
B – A = 50 – 25 = 25 g
É a quantidade de glicose que falta para completar a concentração
prescrita. Em geral, realiza-se a aspiração de ampolas desta substância para
chegar à dose necessária.

4o passo: Calcular a concentração de glicose da ampola a ser utilizada


para acrescentar a quantidade de glicose necessária no soro prescrito. Con-
siderar que a instituição possui ampolas de glicose a 25% com 10 ml.
25 g 100 ml

C 10 ml
100 x C = 25 x 10
100 C = 250
C = 250 / 100
C = 2,5 g

Resposta:
A ampola tem 2,5 g de glicose.
281

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Administração de Medicamentos
5o passo: Calcular quanto de glicose será necessário acrescentar no
soro disponível.
10 ml 2,5 g

D 25 g
2,5 x D = 25 x 10
2,5 D = 250
D = 250 / 2,5
D = 100 ml ou 10 ampolas
6o passo: Para acrescentar 100 ml de glicose no soro disponível é ne-
cessário desprezar 100 ml de soro, para manter o volume prescrito. Quanto
de glicose está sendo desprezado para reposição?
O soro a ser desprezado é SG 5%. Como são desprezados 100 ml e a
concentração é de 5 g a cada 100 ml, despreza-se 5 g de glicose.
Cada ampola de glicose tem 2,5 g. Para repor a glicose desprezada
são utilizadas 2 ampolas, perfazendo 5 g.

7o passo: Efetuar a transformação.


Desprezar 100 ml de SG 5%.
Acrescentar 12 ampolas de glicose 25% com 10 ml.

Exemplo 7:
A prescrição médica indica: “SF 2% 500 ml EV”.
A instituição tem disponível SF 0,9% 500 ml e ampola de NaCl 20%
com 10 ml.
Nesse caso, é necessário proceder à transformação do soro, de modo
que sua concentração original seja alterada para a concentração prescrita.

1o passo: Calcular a concentração de NaCl presente no soro prescrito.

2g 100 ml

A 500 ml
100 x A = 2 x 500
282

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Cálculos de Medicamentos

100 A = 1.000
A = 1.000 / 100
A = 10 g

2o passo: Calcular a concentração de NaCl presente no soro disponí-


vel na instituição.

0,9 g 100 ml

B 500 ml
100 x B = 0,9 x 500
100 B = 450
B = 450 / 100
B = 4,5 g

3o passo: Calcular a diferença de concentração entre o soro prescrito


e o soro disponível, para saber quanto é preciso acrescentar.
A – B = 10 – 4,5 = 5,5 g

4o passo: Calcular a concentração de NaCl de cada ampola de 10 ml.


20 g 100 ml

C 10 ml
100 x C = 20 x 10
100 C = 200
C = 200 / 100
C=2g

5o passo: Calcular quantos ml ou ampolas são necessários.


2g 10 ml

5,5 g D
2 x D = 5,5 x 10
283

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Administração de Medicamentos
2 D = 55
D = 55 / 2
D = 27,5 ml

6o passo: Como o volume a ser acrescentado é pequeno, não há ne-


cessidade de desprezar qualquer volume, bastando adicionar ao frasco de
500 ml de SF 0,9% o volume de NaCl 20% necessário (27,5 ml).

Exemplo 8:
A prescrição médica indica: “água bicarbonatada 2% 200 ml para hi-
giene oral”.
Nesse caso, é necessário acrescentar à água destilada o bicarbonato
de sódio, na concentração desejada.
Tem-se disponível ampola de bicarbonato de sódio 10% com 10 ml.

1o passo: Calcular a concentração de bicarbonato prescrito.


2g 100 ml

A 200 ml
100 x A = 2 x 200
100 A = 400
A = 400 / 100
A=4g

2o passo: Calcular a concentração de bicarbonato em cada ampola.


10 g 100 ml

B 10 ml
100 x B = 10 x 10
100 B = 100
B = 100 / 100
B = 1 g
284

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Cálculos de Medicamentos

3o passo: Calcular quantas ampolas são necessárias para atingir a


concentração prescrita.
1g 10 ml

4g C
1 x C = 4 x 10
C = 40 ml ou 4 ampolas

4o passo: Realizar o procedimento.


Desprezar 40 ml do frasco de 200 ml de água destilada.
Acrescentar 4 ampolas de bicarbonato de sódio.

Exemplo 9:
Preparar 3 litros de solução de KMnO4 na proporção de 1:4.000, sa-
bendo que o saquinho de permanganato de potássio tem 100 g.

1o passo: Calcular quanto de permanganato há na proporção prescrita.


1 g de KMnO4 4.000 ml

2o passo: Calcular quanto de permanganato há no volume prescrito.


1g 4.000 ml

A 3.000 ml
4.000 x A = 1 x 3.000
A = 3000 / 4000
A = 0,75 g

3o passo: Calcular quantos saquinhos são necessários.


1 saquinho 100 mg

B 750 mg
100 x B = 750 x 1
B = 750 / 100
B = 7,5 saquinhos
285

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Administração de Medicamentos
4o passo: Preparar a solução.
Colocar em uma bacia 3 litros de água limpa.
Adicionar 7,5 saquinhos de permanganato de potássio.

286

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CAPÍTULO 15

EXERCÍCIOS DE CÁLCULOS DE
MEDICAMENTOS
Fabiano Rodrigues dos Santos

1) Prescrição médica. Garamicina 60 mg IM. A instituição tem dispo-


níveis ampolas de garamicina 80 mg/2 ml. Quantos ml deverão ser
aspirados para administração?
2) Prescrição médica. Rocefin 650 mg EV. A instituição tem disponível
frasco/ampola 1 g. Em quantos ml deverão ser diluídos e quantos
ml serão administrados desta solução?
3) Prescrição médica. Decadron 3 mg EV. A instituição tem disponí-
vel frasco/ampola com 2,5 ml, sendo 4 mg/ml. Quantos ml serão
aspirados?
4) Prescrição médica. Penicilina cristalina 3.750.000 UI. A instituição
tem disponível frasco/ampola com 5.000.000 UI. Em quantos ml
deverá ser feita a diluição e quantos ml serão aspirados?
5) Prescrição médica. Rocefin 20 mg EV. A instituição tem disponível
frasco/ampola de 500 mg. Em quantos ml diluir e quantos aspirar?
6) Prescrição médica. Solumedrol 60 mg. A instituição tem disponível
frasco/ampola 125 mg/2 ml. Quantos ml deverão ser aspirados?
7) Prescrição médica. Slow K 450 mg por sonda enteral. A instituição
tem disponível comprimido de 600 mg. Como proceder?
8) Prescrição médica. Vancomicina 1 g EV, 100 ml de SF 0,9%, para ser
infundido em 45 minutos. Quantas gotas por minuto deverão ser
infundidas?
287

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Administração de Medicamentos
9) Prescrição médica. Ancoron 2 ampolas em SF 0,9% 200 ml, para
ser infundido em 50 minutos. Quantas microgotas por minuto
deverão ser infundidas?
10) Prescrição médica. SG 5% 500 ml + NaCl 20% 7 ml + KCl 19,1%
10 ml, para ser infundido em 12 horas. Quantas gotas por minuto
deverão ser infundidas?
11) Prescrição médica. SF 0,9% 200 ml para ser infundido em 6 horas.
Quantas microgotas por minuto deverão ser infundidas?
12) Prescrição médica. Flebocortid 180 mg. A instituição tem dispo-
nível frasco/ampola de 500 mg. Em quantos ml devem ser di-
luídos? Quanto aspirar dessa medicação, para ser administrado
em equipo de câmara graduada, com 100 ml de SF 0,9% em 45
minutos?
13) Prescrição médica. SG 5% 200 ml, com Revivan 250 mg. A insti-
tuição tem disponíveis ampolas de Revivan 50 mg/10 ml, para
infundir em 24 horas. Como diluir e quantos ml/hora infundir?
14) Prescrição médica. Meronem 250 mg. A instituição tem disponí-
vel frasco/ampola de Meronen de 1 g, para ser administrado em
SF 0,9% 100 ml, em 30 minutos. Como diluir e quantas gotas e
microgotas infundir?
15) Prescrição médica. SF 0,45% 500 ml. A instituição tem disponível
SF 0,9% 500 ml e AD 250 ml. Como deverá ser o procedimento?
16) Prescrição médica. SG 5% 500 ml + KCl 19,1% 20 ml + NaCl 20%
15 ml + sulfeto de magnésio 15 ml + gluconato de cálcio 10 ml,
para ser infundido 28 ml/h. Em quanto tempo será infundido?
17) Prescrição médica. Novalgina gotas 1,5 g VO. A instituição tem
disponível Novalgina em gotas, frasco com 500 mg/ml com 15
ml. Quantos ml e gotas deverão ser administrados?
288

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Exercícios de Cálculos de Medicamentos

18) Prescrição médica. Amoxacilina 350 mg VO. A instituição tem dis-


ponível amoxacilina solução via oral 100 mg/5 ml. Quantos ml
serão administrados?
19) Prescrição médica. Tylenol 400 mg VO. A instituição tem disponí-
vel Tylenol gotas 200 mg/ml. Quantas gotas serão administradas?
20) Prescrição médica. Liquemine 1.250 UI SC. A instituição tem dis-
ponível Liquemine 5.000 UI/ml. Quantos ml serão administrados?
21) Prescrição médica. Insulina NPH 28 UI SC. A instituição tem dis-
poníveis frasco de insulina 100 UI e seringa de 100 UI. Quantos
ml devem ser aspirados? Em caso de utilizar seringa de 3 ml,
quantos ml aspirar?
22) Prescrição médica. Insulina R 15 UI SC. A instituição tem disponí-
veis frasco de insulina 100 UI e seringa de 100 UI e 3 ml. Quantos
ml serão administrados?
23) Prescrição médica. Voltaren 45 mg IM. A instituição tem dispo-
nível ampola de Voltaren 75 mg/3 ml. Quantos ml deverão ser
aspirados?
24) Prescrição médica. Benzetacil 400.000 UI IM. A instituição tem
Benzetacil 1.200.000 UI com diluente de 4 ml. Quantos ml deve-
rão ser aspirados?
25) Prescrição médica. Flagyl 230 mg EV. A instituição tem disponível
frasco de Flagyl 500 mg/100 ml. Quantos ml serão administrados?
26) Quantos gramas de NaCl há em uma ampola na concentração de
20% e volume de 10 ml?
27) Quantos gramas de glicose há em uma ampola com concentra-
ção de 50% e volume de 20 ml?
28) Prescrição médica. SG 10% 500 ml. A instituição tem disponíveis
SG 5% 500 ml e ampolas de glicose de 50% com 20 ml. Como deve
ser o procedimento?
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Administração de Medicamentos

Gabarito com resolução


1) Solução:
80 mg 2 ml

60 mg A
A x 80 = 60 x 2
A = 120 / 80
A = 1,5 ml
Resposta: Serão aspirados 1,5 ml.

2) Solução:
1.000 mg 10 ml

650 mg A
1.000 x A = 650 x 10
A = 6.500 / 1.000
A = 6,5 ml
Resposta: Deverão ser diluídos em 10 ml e administrados 6,5 ml.

3) Solução:
4 mg 1 ml

3 mg A
Ax4=3x1
A=3/4
A = 0,75 ml
Resposta: Será aspirado 0,75 ml.

4) Solução:
5.000.000 10 ml (8 de AD + 2 pó)

3.750.000 A
290

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Exercícios de Cálculos de Medicamentos

A x 5.000.000 = 3.750.000 x 10
A = 37.500.000 / 5.000.000
A = 7,5 ml
Resposta: Será diluída em 8 ml e aspirados 7,5 ml.

5) Solução:
Devido ao volume aspirado ser pequeno, indica-se a rediluição.
1o passo:
500 mg 10 ml

A 1 ml
10 x A = 500 x 1
A = 500 / 10
A = 50 mg
É necessário aspirar 1 ml dessa primeira diluição e completar com
9 ml de AD perfazendo mais 10 ml.
50 mg 10 ml

20 mg A
A x 50 = 20 x 10
A = 200 / 50
A = 4 ml
Resposta: Diluir o frasco em 10 ml, aspirar 1 ml, rediluir em 10 ml e admi-
nistrar 4 ml.

6) Solução:
125 mg 2 ml

60 mg A
A x 125 = 60 x 2
A = 120 / 125
A = 0,96 ml
291

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Administração de Medicamentos
Resposta: Como o número não é exato, deverá ser utilizada seringa de insu-
lina (de 100 UI) para aspirar 96 UI, que corresponderão a 0,96 ml.

Caso não haja disponibilidade, utilizar a regra do arredondamento e


aspirar 1 ml.
7) Solução:
600 mg 20 ml

450 mg A
A x 600 = 450 x 20
A = 9.000 / 600
A = 15 ml
Resposta: Diluir em 20 ml de água filtrada e administrar 15 ml.

8) Solução:
Transformar minutos em horas, o que corresponde a 0,75 h.
V
Gotas/min =
Tx3
100
Gotas/min =
0,75 x 3
Gotas/min = 100 / 2,25
Gotas/min = 44,44
Arredondando pela regra matemática, 44 gotas/min.
Resposta: Deverão ser infundidas 44 gotas/minuto.

9) Solução:
200
Microgotas/min =
0,83
Microgotas/min = 240,96
Arredondando, 241 microgotas/min.
Resposta: Deverão ser infundidas 241 microgotas/minuto.
292

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Exercícios de Cálculos de Medicamentos

10) Solução:
V
Gotas/min =
Tx3
517
Gotas/min =
12 x 3

Gotas/min = 14,36
Arredondando, temos 14 gotas/min.
Resposta: Deverão ser infundidas 14 gotas/minuto.

11) Solução:
V
Microgotas/min =
T
200
Microgotas/min =
6
Microgotas/min = 33,33
Arredondando, têm-se 33 microgotas/min.
Resposta: Deverão ser infundidas 33 microgotas/minuto.

12) Solução:
500 mg 10 ml

180 mg A
A x 500 = 180 x 10
A = 1.800 / 500
A = 3,6 ml
Resposta: Diluir o frasco em 10 ml e aspirar 3,6 ml.
Fórmula:
V . 60
T
100 . 60= 133 microgotas/min
45
Arredondando, temos 133 microgotas/min.
293

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Administração de Medicamentos
13) Solução:
Revivan:
50 mg 10 ml

250 mg A
A x 50 = 250 x 10
A = 2.500 / 50
A = 50 ml ou 5 ampolas
Resposta: Acrescentando o medicamento no soro glicosado, o volume total
será de 250 ml.
250
ml/h =
24
ml/h = 10,41  10 ml/h

14) Solução:
1.000 mg 10 ml

250 mg A
1.000 A = 250 x 10
A = 2.500 / 1.000
A = 2,5 ml
Resposta: Diluir o frasco/ampola em 10 ml e aspirar 2,5 ml. Injetar 2,5 ml
no soro.
V
Microgotas/min =
T
100
Microgotas/min =
0,5
Microgotas/min = 200
Resposta: Serão infundidas 200 microgotas/minuto.

15) Solução:
A concentração prescrita é metade da concentração disponível.
Resposta: Nesse caso, o ideal é desprezar metade do volume do frasco dis-
ponível de SF 0,9%, ou seja, 250 ml, e acrescentar 250 ml de AD.
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Exercícios de Cálculos de Medicamentos

16) Solução:
V
ml/h =
T
560
28 =
T
T = 560/28
T = 20 h
Resposta: A solução será infundida em 20 horas.

17) Solução:
500 mg 1 ml

1.500 mg A
A x 500 = 1.500 x 1
A = 1.500 / 500
A = 3 ml
Resposta: 1 ml tem 20 gotas, portanto, 3 ml terão 60 gotas.

18) Solução:
100 mg 5 ml

350 mg A
A x 100 = 350 x 5
A = 1.750 / 100
A = 17,5 ml
Resposta: Serão administrados 17,5 ml.
19) Solução:
200 mg 1 ml

400 mg A
200 x A = 400 x 1
A = 400 / 200
A = 2 ml
Resposta: 1 ml tem 20 gotas, portanto, 2 ml terão 40 gotas.
295

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Administração de Medicamentos
20) Solução:
5.000 UI 1 ml

1.250 UI A
A x 5.000 = 1.250 x 1
A = 1.250 / 5.000
A = 0,25 ml
Resposta: Será administrado 0,25 ml.
Nesse caso, poderá ser administrada a medicação em seringa de 100
UI, nas quais se aspiram 25 UI (correspondentes a 0,25 ml).

21) Solução:
Na seringa de 100 UI aspirar 28 UI.
Na seringa de 3 ml, considerar que 1 ml corresponde a 100 UI.
100 UI 1 ml

28 UI A
A x 100 = 28 x 1
A = 28 / 100
A = 0,28 ml
Resposta: Na seringa de 3 ml, aspirar 0,3 ml, pela regra do arredondamento.

22) Solução:
A pergunta pede apenas quantos ml serão aspirados. Fazer o cálculo
por extenso, pois foi padronizado pelo autor no começo do gabarito.
100 UI 1 ml

15 UI A
A x 100 = 15 x 1
A = 15/100
A = 0,15 ml
Resposta: Na seringa de 3 ml será aspirado 0,15 ml.
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Exercícios de Cálculos de Medicamentos

23) Solução:
75 mg 3 ml

45 mg A
A x 75 = 45 x 3
A = 135 / 75
A = 1,8 ml
Resposta: Serão aspirados 1,8 ml.

24) Solução:
1.200.000 UI 4 ml

400.000 A
A x 1.200.000 = 400.000 x 4
A = 1.600.000 / 1.200.000
A = 1,33 ml
Resposta: Deverão ser aspirados 1,3 ml, pela regra do arredondamento.

25) Solução:
500 mg 100 ml

230 mg A
A x 500 = 230 x 100
A = 23.000 / 500
A = 46 ml
Resposta: Serão aspirados 46 ml.

26) Solução:
20 g 100 ml

A 10 ml
A x 100 = 20 x 10
A = 200 / 100
A=2g
Resposta: Há 2 g de NaCl na ampola.
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Administração de Medicamentos
27) Solução:
50 g 100 ml

A 20 ml
A x 100 = 50 x 20
A = 1.000 / 100
A = 10 g
Resposta: Há 10 g de glicose na ampola.

28) Solução:
1o passo: concentração no soro prescrito
10 g 100 ml

A 500 ml
A x 100 = 10 x 500
A = 5.000 / 100
A = 50 g
2o passo: concentração no soro disponível

5g 100 ml

B 500 ml
B x 100 = 5 x 500
B = 2.500 / 100
B = 25 g
3o passo: concentração na ampola

50 g 100 ml

C 20 ml
C x 100 = 50 x 20
C = 1.000 / 100
C = 10 g
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Exercícios de Cálculos de Medicamentos

4o passo: diferença de concentração entre os soros


A – B = 50 – 25 = 25 g

5o passo: quantos ml de glicose deverão ser acrescidos no soro


disponível

1 amp. 10 g

D 25 g
D x 10 = 1 x 25
D = 25 / 10
D = 2,5 ampolas ou 25 ml
Resposta: Acrescentar 25 ml de glicose 50% (ou 2,5 ampolas) ao soro
disponível.

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CRÉDITOS DAS FIGURAS
• p. 40/41
Figs. 3.1 a 3.9 – Aline Laurenti Cheregatti e Rosangela Sala Jeronimo

• p. 42
Fig. 3.10 – Alvimann/Morguefile
Fig. 3.11 – Aline Laurenti Cheregatti e Rosangela Sala Jeronimo

• p. 44
Figs. 3.13, 3.15 a 3.17 – Aline Laurenti Cheregatti e Rosangela Sala Jeronimo
Fig. 3.14 – Cheryl Casey/Shutterstock

• p. 45
Fig. 3.18 – Maria Herrera/SXC

• p. 119/123/130/131/135/137/139
Figs. 5.1 a 5.8 – Aline Laurenti Cheregatti e Rosangela Sala Jeronimo

• p. 146
Fig. 6.1 – Sergio A. Pereira

• p. 164
Fig. 6.2 – Aline Laurenti Cheregatti e Rosangela Sala Jeronimo

• p. 165
Fig. 6.3 – R2 criações

• p. 178
Figs. 7.1 a 7.3 - – Aline Laurenti Cheregatti e Rosangela Sala Jeronimo

• p. 241 a 250 e 252/255


Fig. 12.1 a 12.27 – Aline Laurenti Cheregatti e Rosangela Sala Jeronimo

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