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Sistemas de distribuição de água

Introdução
O sistema de distribuição de água aos aparelhos pode ser classificado em direto, indireto, hidropneumático e
misto. Assim, nesta aula, estudaremos as especificidades de cada categoria. Acompanhe!
Ao final desta aula, você será capaz de:
• distinguir as partes integrantes dos sistemas de distribuição analisando as vantagens e desvantagens de
cada.

Sistema de distribuição direto


No sistema de distribuição direto, a distribuição predial da água é feita diretamente da rede pública, isto é, não
existe reservatório na edificação. Assim, a distribuição predial é realizada de forma ascendente, ou seja, todos os
pontos de água na edificação são abastecidos diretamente da rede pública. (CARVALHO JR, 2013)
Carvalho Jr (2013) aborda algumas vantagens e desvantagens do sistema direto, conforme quadro a seguir.
Atente-se ao fato de que esse tipo de sistema é indicado em locais onde a pressão advinda da rede pública de
abastecimento é suficiente (CREDER, 2010).

Quadro 1 - Vantagens e desvantagens do sistema de distribuição direto

Fonte: Elaborado pela autora, baseado em CARVALHO JR (2013).

Nesse sistema, a água é de melhor qualidade em função da taxa residual de cloro existente e a inexistência de
reservatório. Normalmente, os problemas referentes à potabilidade em instalações de água têm como ponto de
origem os reservatórios prediais, que por execução ou até projeto inadequado permitem alterações nos índices
de potabilidade.

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Sistema de distribuição indireto
Os sistemas de distribuição indireto adotam reservatórios que possuem o objetivo de diminuir a irregularidade
no abastecimento de água, bem como as variações de pressões na rede pública de fornecimento (CREDER, 2010).
Aqui, a distribuição pode ser efetuada com ou sem bombeamento, conforme veremos a seguir.

Sistema indireto de distribuição sem bombeamento ou por


gravidade com reservatório superior
Creder (2010) menciona que quando se tem pressão da rede pública de abastecimento suficiente, mas sem uma
continuidade, usa-se o sistema indireto sem bombeamento, prevendo em projeto um reservatório superior.
Neste caso, a alimentação aos pontos de utilização de água será descendente.
Trata-se de um sistema muito comum em residências de até dois pavimentos, implementado conforme figura a
seguir.

Figura 1 - Sistema indireto sem bombeamento

Fonte: BOTELHO, RIBEIRO JR, 2014, p.5.

Segundo Carvalho Jr (2013), as vantagens deste tipo de sistema são: o reservatório garantir o abastecimento da
residência, mesmo que a o fornecimento público seja interrompido; e o baixo custo, porque não há gasto com
energia elétrica. Como desvantagem podemos citar: a menor qualidade da água que fica armazenada, devido ao
cloro; pressão menor, por causa da altura do reservatório; maior tempo de construção; e maior área construída.

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Sistema indireto de distribuição com bombeamento
Em projetos hidráulicos, quando a pressão da rede pública é insuficiente, adota-se o sistema de distribuição com
bombeamento.
Nesse sistema, faz-se necessária a instalação de um reservatório no nível da rua para receber a água da rede
pública, que é, então, bombeada até o reservatório superior, quando necessário, conforme figura a seguir
(MACINTYRE, 2010).

Figura 2 - Sistema indireto com bombeamento

Fonte: BOTELHO, RIBEIRO JR, 2014, p.6.

Carvalho Jr (2013) reporta como vantagens a absorção das variações no abastecimento e, devido ter dois
reservatórios, maior quantidade de água armazenada. Como desvantagem, cita: o consumo de energia elétrica;
custos com instalação, operação e manutenção dos equipamentos; a qualidade da água fica prejudicada, assim
como no sistema sem bombeamento, devido ao armazenamento de água em grande quantidade; e, em alguns
casos, a pressão ficar menor quando reservatórios são pouco elevados.

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FIQUE ATENTO
Alguns municípios, especificam no Código de Obras como deve ser adotado o reservatório
inferior, bem como a instalação das moto-bombas de recalque nas edificações. Por exemplo, o
município de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, na Lei Complementar nº. 60/00, no
artigo 221, determina que deve ser adotado reservatório inferior e instalação de moto-bombas
de recalque em edificações com quatro ou mais pavimentos (FLORIANÓPOLIS, 2000).

O sistema de distribuição indireto com bombeamento é mais utilizado em grandes edifícios, onde são
necessários grandes reservatórios de acumulação (MACINTYRE, 2010).

Sistema de distribuição hidropneumático


O sistema de distribuição hidropneumático é realizado por pressurização através de um tanque ou reservatório
contendo ar e água (MACINTYRE, 2010). Nele, o volume de ar se comprime de forma proporcional à pressão
manométrica.
Em edifícios com mais de 13 pavimentos e menos que 23, a solução adotada é a utilização de dois reservatórios,
cada um com atendimento para determinada faixa de pressão correspondente a um número certo de pavimentos
(MACINTYRE, 2010).

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Figura 3 - Instalação hidropneumático com dois reservatórios

Fonte: MACINTYRE, 2010, p.10.

Creder (2010) afirma que esse sistema dispensa o reservatório superior, entretanto, é recomendada para casos
especiais (reforço na estrutura do telhado).

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EXEMPLO
Na prática, para solucionar problemas da limitação da pressão estática máxima, em edificações
altas, adota-se a implantação de válvulas redutoras de pressão ou a instalação de um
reservatório intermediário. Entretanto, devido a problemas construtivos, como a falta de
espaço útil, a instalação do reservatório torna-se praticamente inviável, assim, a maioria dos
projetistas e engenheiros adere o uso de válvulas redutoras de pressão para solucionar o
problema.

O sistema hidropneumático requer um gerador de alternativo, em função da possibilidade de falta de energia,


que deixaria o sistema inoperante.

Sistema de distribuição misto


No sistema de distribuição misto, parte da distribuição é realizada pela rede pública de abastecimento
(abastecimento direto) e outra executada indiretamente, por reservatório (abastecimento indireto)
(MACINTYRE, 2010; CARVALHO JR, 2013).
Neste tipo de sistema de distribuição, algumas peças hidráulicas instaladas podem ser alimentadas diretamente
pelo fornecimento direto pela rede pública, como torneiras de jardim e tanques de área de serviço. A instalação
direta para esses pontos garante maior pressão, visto que a pressão fornecida pela rede pública é maior do que a
produzida a partir dos reservatórios. (MACINTYRE, 2010)

FIQUE ATENTO
A escolha de um sistema de distribuição depende de alguns fatores que deverão ser analisados
na fase de planejamento do projeto hidráulico, como: confiabilidade no sistema de
abastecimento da rede pública, condições operacionais de vazão e pressão no sistema de
abastecimento de água, dentre outras.

Creder (2010) e Macintyre (2010) reportam que, nesse sistema, há a vantagem de a água ser de melhor
qualidade (devido ao abastecimento direto) e o abastecimento contínuo. Como desvantagens, os autores
apontam a necessidade de instalação de torneiras duplas.

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SAIBA MAIS
A NBR 5626/98 (ABNT, 1998) traz algumas diretrizes quanto a adoção de sistemas de
distribuição de água. Entre outras informações, a norma estabelece a adoção de reservas para
controle de combate a incêndio e que a instalação de elevatória do tipo bombeamento direto
pela rede pública deve ser evitado, devido às perturbações provocadas na pressão da rede
pública.

O sistema de distribuição misto é considerado mais usual e vantajoso que os demais, visto que algumas peças
hidráulicas podem ser alimentadas diretamente pela rede pública de abastecimento, originando maior pressão e
mais eficiência para atividades da residência (CARVALHO JR, 2013).

Fechamento
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
• conhecer as especificidades dos sistemas de distribuição direto, indireto, hidropneumático e misto;
• reconhecer as vantagens e desvantagens de cada sistema;
• entender que o sistema de distribuição indireto pode ser efetuado com ou sem bombeamento.

Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉNICAS - ABNT. NBR 5626: Instalação predial de água fria. Rio de
Janeiro, 1998.
CARVALHO JR., Roberto de. Instalações Hidráulicas e o projeto de arquitetura. 7. ed. São Paulo: Edgard
Blucher, 2013.
CREDER, Hélio. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. 6. ed. LTC, 2010.
FLORIANÓPOLIS. Lei Complementar n. 60, de 11 de maio de 2000. Institui o Código de Obras e Edificações de
Florianópolis e dá outras providências. 2000. Disponível em: <https://leismunicipais.com.br/codigo-de-obras-
florianopolis-sc>. Acesso em: 17/01/2018.
MACINTYRE, Archibald Joseph. Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais. 4. ed. LTC, 2010.

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