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O Tabernáculo de Moisés e seu significado.

Neste estudo, vamos falar sobre o Tabernáculo construído por Moisés no deserto e o seu
significado para nós hoje. É um estudo um pouco mais aprofundado sobre o Tabernáculo ou
Tenda da Congregação do que você pôde ver nos assuntos relacionados. Falaremos sobre as
medidas do Tabernáculo e as cobertas que foram colocadas sobre ele, assim como o
significado dos materiais empregados: linho fino, cores dos fios, madeira, metais e peles ou
pêlos de animais, além dos utensílios sagrados e dos recintos separados para cada atividade
realizada ali: o Santo dos Santos, o Lugar Santo e o Átrio Exterior ou Pátio do Tabernáculo. Há
também um estudo sobre o óleo da santa unção dos sacerdotes e o incenso sagrado com as
especiarias aromáticas usadas para fazê-lo: estoraque, ônica, gálbano e incenso (olíbano). O
Tabernáculo levou um ano para ser construído (leia no final do texto).

Comentário inicial:
Antes de tudo, eu gostaria de deixar claro que este é um dos temas mais difíceis e mais
controversos, até mesmo entre os teólogos, pois muitos materiais utilizados no Tabernáculo
(como tecidos, tinturas, peles e pêlos de animais) têm um significado bastante incerto na língua
hebraica. A quantidade exagerada de versões bíblicas que temos hoje em dia com a desculpa de
purificação do texto, ao invés de esclarecer acabam trazendo mais dúvidas. Por isso, certas
perguntas deixam de ter importância para nós como Cristãos. O que importa é o

significado espiritual do Tabernáculo para nós hoje, ou seja, como podemos ser o verdadeiro
santuário para o Espírito de Deus.
Vale a pena lembrar que o AT foi uma ‘sombra’ do NT (Cl 2: 16-17; Hb 10: 1), ou seja, um
‘rascunho’ (nós podemos dizer assim) da realidade espiritual vivida no NT. Como a visão daquela
época era carnal e material, Deus precisava ensinar através de coisas físicas. O povo precisava
de símbolos, de coisas palpáveis para crer no Senhor. Por isso, Jeremias, Isaías e Ezequiel
encenavam suas profecias. Hoje, nós temos a compreensão das coisas invisíveis.
Só existe uma diferença entre este texto e os demais encontrados na Internet, baseados em
termos e conceitos puramente teológicos (na verdade, entre todos os textos e livros deste
ministério). Como este ministério não é firmado sobre a teologia propriamente dita como uma
meta de estudo, mas de vivência pessoal com o Senhor, onde a cura interior corre
paralelamente, as explicações que são dadas estão mais firmadas na revelação particular do
Espírito Santo e aplicadas à nossa vida diária do que sobre a teologia que compara tudo a Cristo,
inclusive este tema sobre o Tabernáculo.
Em outras palavras, ninguém nega que Jesus veio ao mundo para cumprir a Lei e não aboli-la, e
que o AT foi uma sombra das realidades espirituais do NT. O que eu quero dizer, em especial
neste texto, é que não basta dizer que o Tabernáculo é o ‘tipo de Cristo’ (um termo muito usado
na teologia para relacionar pessoas, eventos e objetos ao comportamento e à divindade de
Jesus). O que é importante para nós como crentes é viver em nós mesmos todos esses
ensinamentos, trazendo isso pra o nosso dia a dia, muito mais do que ter, simplesmente, o
entendimento racional e intelectual da bíblia e do Jesus fez em Seu ministério terreno ou na
cruz. Ele deu o exemplo para que nós façamos o mesmo. Quantas vezes Ele mesmo falou sobre
carregarmos nossa própria cruz, sobre fazer as coisas que Ele fez e outras maiores, e repetirmos
o Seu exemplo como um ser humano comum na terra! Não adianta pegar um texto do AT e
começar a encontrar o ‘tipo de Cristo’ em tudo. O que importa é: – “Estou fazendo isso em minha
vida material, carnal, humana? Ou só fico dizendo constantemente que o meu espírito é
renascido e tem o Espírito Santo dentro dele, mas a minha carne continua praticando os mesmos
atos do velho ‘homem’?”
Seria muito duro percebermos que continuamos com “dupla personalidade”, crente no espírito,
mas ímpio na carne, pois ela ainda não foi realmente tocada pela verdadeira transformação de
Cristo. Chega de hipocrisia religiosa! Se fôssemos seres totalmente guiados pelo Espírito de
Deus, seríamos realmente pessoas de confiança, sem medo, desconfiança ou antipatia de uns
pelos outros, porém um único Corpo de fato, com o mesmo e único objetivo e pensamento, o
Amor de Jesus, ao invés de brigarmos por doutrinas e maneiras individuais de pensar ou de viver
a Sua verdade em nossos corpos ou uma maneira diferente de pregar o evangelho.
A bíblia diz: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos
ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo 14: 26)... “Quanto
a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que
alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é
verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou” (1 Jo 2: 27).
Paulo entendeu isso: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou
procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo. Faço-vos,
porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu
não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo... não
consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim,
mas parti para as regiões da Arábia e voltei, outra vez, para Damasco” (Gl 1: 10-12; 16b-17).

Jesus disse: “Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está
escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me
adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens (Is 29: 13). Negligenciando o
mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens” (Mc 7: 6-8).

Vamos iniciar o nosso estudo:


Notas:
A versão evangélica aqui utilizada é a ‘Revista e Atualizada’ de João Ferreira de Almeida, 2ª ed.,
Sociedade Bíblica do Brasil.
Neste texto, nós também vamos usar a ‘Concordância Lexicon Strong’. A Concordância de
Strong é uma concordância da Bíblia King James (KJV), criada pelo teólogo inglês Dr. James
Strong (1822-1894), junto com uma equipe de teólogos, e publicada pela primeira vez em 1890.
Trata-se de uma referência cruzada entre cada palavra na KJV o no texto original em Hebraico
ou Grego. A cada palavra no idioma original foi dado um número de entrada para a concordância
bíblica da KJV. Léxico significa um dicionário de línguas clássicas antigas. Para interpretar
corretamente a Concordância Lexicon Strong é preciso levar em conta o contexto cultural da
época, pois os números de Strong não consideram figuras de linguagem, metáforas, expressões
idiomáticas, frases comuns, referências culturais, referências a eventos históricos ou
significados alternativos utilizados pelos escritores daquele período de tempo para expressar
seus pensamentos em sua própria língua (fonte: Wikipédia.org.br).
A medida de comprimento usada na época era o côvado, que corresponde à distância do
cotovelo à ponta do dedo médio da mão de um homem, variando entre 44,4 a 45 cm, ou ainda,
51,8 cm (em Ezequiel 43: 13, pois soma um côvado mais quatro dedos), também chamado
côvado sacro, côvado primitivo ou côvado mosaico. Neste texto sobre o Tabernáculo, usarei a
medida de 50 cm para facilitar o entendimento.

O Tabernáculo
Vou repetir o que escrevi no início do tema: ‘A arca da Aliança do Senhor’ sobre o Tabernáculo.
Em Êx 25: 8-9, o Senhor dá ordens a Moisés para construí-lo. O Tabernáculo (em
Hebraico, mishkan, que significa ‘moradia’) ou ‘tenda da congregação’ (como vimos no tópico
sobre os Levitas) era a tenda usada pelos israelitas como lugar de adoração enquanto viajavam
pelo deserto. Na verdade, a tenda onde Moisés se encontrava inicialmente com o Senhor (‘a
tenda da congregação’) foi armada fora do arraial (Êx 33: 7), pois o povo tinha pecado e o Senhor
lhe disse que Ele não mais seguiria no meio deles. Então, Moisés armou a tenda fora do
acampamento, e ali Deus falava com ele. Todo aquele que buscava ao Senhor saía à tenda da
congregação, que estava fora do arraial (Êx 33: 7). Em Êx 29: 42-46, o Senhor disse a Moisés que
seria no Tabernáculo (ou tenda da congregação) que Ele desceria para falar com ele e com Seu
povo. O Tabernáculo era também chamado de ‘santuário’ (Êx 25: 8) e ‘tenda do Testemunho’
porque nele estava guardado o Testemunho (as tábuas da Lei): Êx 38: 21; Nm 1: 50; Nm 9: 15;
Nm 17: 8. Mais tarde, o Tabernáculo passou a ser conhecido como ‘A Casa do Senhor’ (Dt 23:
18; Js 6: 24). Deus ordenou a Moisés que construísse o Tabernáculo para que o povo tivesse um
lugar de referência para a adoração e passassem a sentir Sua segurança junto com eles por onde
andassem (Êx 25: 8). A Tenda da Congregação era montada, carregada e cuidada pelos Levitas.
No lugar mais interior ficava o recinto conhecido como o Santo dos Santos onde era colocada a
arca e onde apenas o sumo sacerdote poderia entrar. Suas dimensões (o santuário
propriamente dito, a tenda onde estava a arca da Aliança) eram basicamente cinco metros de
largura, quinze de comprimento e cinco de altura (Ex 26: 15-30).

Materiais usados em sua construção


O material que dava estrutura ao Tabernáculo era a madeira, mais exatamente, madeira de
Acácia.
Em Êx 26: 16, a bíblia nos dá medida das tábuas. Levando-se em consideração o côvado de
cinqüenta centímetros, cada tábua teria: dez côvados comprimento (que, na verdade é a altura,
pois elas eram colocadas em pé, verticalmente – Êx 26: 15); então, cada tábua tinha cinco metros
altura. De largura, elas eram de 1 ½ côvados, portanto, setenta e cinco centímetros.
Em Êx 26: 18; 20; 22 (ou Êx 36: 20-34), a bíblia fala sobre o número de tábuas para o sul, para o
norte e para o oeste (‘o lado posterior do Tabernáculo’, pois o anterior, ou seja, a entrada era
para o lado leste, para o lado do nascente do sol). Sendo vinte tábuas de cada lado (norte e sul),
o comprimento do Tabernáculo seria de quinze metros; a altura seria a mesma das tábuas (cinco
metros), e a largura (medida do oeste do Tabernáculo – seis tábuas mais duas para cada canto
– Êx 26: 23; 25), de aproximadamente cinco metros. Assim: as paredes dos lados norte, sul e
oeste do Tabernáculo eram feitos de tábuas de madeira de acácia, colocadas verticalmente
sobre bases de prata (duas para cada madeira – Êx 26: 21) e encaixadas entre si, e cinco travessas
da mesma madeira, que passavam por argolas nas tábuas; as tábuas e as cinco travessas de cada
lado e para o lado posterior (Êx 26: 26-27) eram cobertas de ouro, e as argolas eram de ouro (Êx
26: 15-29).
Entretanto, é interessante perceber que a palavra hebraica que para nós foi traduzida como
tábuas é qerãshïm (= ‘um cone oco’ – Versão Concordante do Antigo Testamento), o que
significa que as tábuas não eram pranchas sólidas ao redor de todo o Tabernáculo, mas pilares
colocados sobre as duas bases de prata para cada um deles e reunidos por barras transversais
(‘travessas’, na nossa tradução) unindo toda a estrutura, e dispostos de uma maneira
eqüidistante (em Hebraico, shawlab’) uns dos outros. Isso teria as seguintes vantagens sobre as
pranchas sólidas: 1) eram muito mais leves e, portanto, menos sujeitas a empenamento; 2) em
lugar de esconder as cortinas bordadas (a 1ª coberta de que falaremos logo em seguida),
formavam um painel favorecendo as cortinas de serem vistas do lado de dentro. As travessas
corriam pelos dois lados e pelo fundo da armação, passando por argolas de ouro presas às
tábuas. A travessa do meio corria horizontalmente em toda a extensão do lado do arcabouço,
mas as outras quatro travessas eram menores. Elas formavam uma única armação.

Sobre essas tábuas eram colocadas coberturas de linho e peles de animais:


• Dez cortinas de linho, com estofos (NIV, fios) azuis, púrpura (NIV, roxo) e carmesim (NIV,
vermelho) desenhadas com querubins, e presas com colchetes de ouro (Êx 26: 1-6; Êx 36: 8-13).
Em Êx 26: 2, a bíblia diz o tamanho das cortinas: vinte e oito côvados de comprimento e quatro
de largura, ou seja, quatorze metros de comprimento e dois metros de largura. Elas eram em
número de dez, cobrindo todo o Tabernáculo (Ex. 26: 6 – ‘e o tabernáculo passará a ser um
todo’). Isso significa uma única estrutura. Em todo o comprimento, elas eram costuradas em 2
conjuntos de cinco cortinas. As laçadas e os colchetes de ouro prendiam um conjunto ao outro.
• Onze cortinas de pêlos de cabras, presas com colchetes de bronze (Êx 26: 7-11), também
chamada de ‘a tenda sobre o tabernáculo’ (Êx 26: 7). Em Êx 26: 8, a bíblia nos dá o tamanho das
cobertas de pêlos de cabras: cada uma tinha trinta côvados de comprimento e quatro côvados
de largura, ou seja, quinze metros de comprimento e dois metros de largura. Assim como as
cortinas faladas anteriormente, estas eram costuradas ao longo do comprimento do
Tabernáculo em dois conjuntos, um com cinco cortinas e um com seis, que se uniam na metade
do comprimento da tenda.
• Uma coberta de peles de carneiros tintas de vermelho (Êx 25: 5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 35: 23;
Êx 36: 19; Êx 39: 34). Quanto às medidas das cobertas de peles de carneiro curtidas, a bíblia não
nos fornece estes dados.
• Outra coberta de peles finas (Êx 25: 5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 36: 19; Êx 39: 34). A bíblia fala
também:‘animais marinhos’ (Êx 35: 23). Quanto às medidas das cobertas de peles de carneiro
curtidas, a bíblia também não nos fornece estes dados.

Acacia nilotica no deserto do Neguebe ao sul de Israel


Vamos começar falando sobre a madeira que foi empregada. A madeira simboliza algo que é
tirado da terra, da matéria, de uma árvore, portanto, um material perecível, mortal, humano.
No caso do Tabernáculo, ele foi construído com tábua de madeira de Acácia, muito encontrada
no Sinai onde Deus falou com Moisés. Em hebraico, ela é chamada de Seneh, também conhecida
como Shittim (português, Sitim – Joel 3: 18) e se refere à Acacia nilotica (ou Vachellia
nilotica), uma planta espinhosa da família das fabáceas, gênero acacia. Todo o mobiliário do
Tabernáculo e do Templo de Salomão (inclusive a arca da Aliança) foi construído com madeira
de acácia (Acacia nilotica), como foi indicado a Moisés nas revelações divinas. A acácia (ou
cássia) é uma árvore de muitas espécies, disseminada no Egito, Arábia e Palestina. Era a árvore
que fornecia sua madeira aos povos hebreus, a sagrada e aromática madeira de Sitim (ou ‘Vale
das Acácias’), fazendo parte do óleo da santa unção dos sacerdotes (Êx 30: 24-25 e 2 Co 2: 14-
16 – A mirra, o cálamo, a cássia, o cinamomo e o azeite de oliva). Sitim era lugar de idolatria e
imoralidade, defronte de Jericó, nas planícies de Moabe, a leste do Rio Jordão. A cássia (ou
acácia) significa: potencial, nobreza e, junto com o aloés e a mirra, compõe o óleo da alegria (Sl
45: 7-8) – complete este estudo com o tema ‘Óleos e essências na bíblia’.
Então, podemos entender que nós, como santuário do Deus Vivo na terra, somos carne frágil,
pecadora, este tabernáculo de material perecível como o pó da terra, mas revestidos pelo mais
precioso de Deus que é o mesmo Espírito que estava em Jesus (o ouro que cobria a madeira).
O ouro na bíblia, na maior parte das vezes, se refere às coisas que eram colocadas no
Tabernáculo ou no templo, despojos preciosos de guerra ou tributos a serem pagos a um
império. Portanto, nos dá a idéia de algo extremamente precioso, algo mais
diretamente separado para Deus ou muito importante para uma nação, como um resgate, por
exemplo. Pode simbolizar a glória de Deus.
A bíblia também fala que as tábuas de madeira eram colocadas verticalmente sobre bases
de prata. Havia quarenta bases de prata para vinte tábuas no norte e no sul, assim como duas
bases de prata para cada tábua no lado posterior da tenda. Este metal foi usado para os
colchetes, as laçadas e as argolas que sustentavam as cortinas do pátio exterior do Tabernáculo
e as bases para as madeiras de que falamos. A prata é o segundo dos metais nobres, depois do
ouro. Não mancha numa atmosfera pura, e pode ser polida até refletir como um espelho. O
processo de refinação pode significar obediência a Deus. Assim, as madeiras sobre bases de
prata simbolizam a nossa vida natural, carnal (e também espiritual, é claro) sustentada pela
obediência ao Senhor, o que nos leva a ‘crucificar’ nossa carne, nosso pecado, e sermos
cobertos pelo Seu sangue que nos santifica e nos purifica a cada dia da nossa jornada na terra.
Em outras palavras, nos redime do pecado. Judas traiu Jesus por trinta moedas de prata, não
foi? Por este preço (Zc 11: 12-13; Mt 27: 9-10), Jesus foi condenado à morte e com Seu sangue
redimiu nossa vida. Portanto, além de simbolizar obediência a Deus, a prata também
significa redenção.
Depois de tudo isso, nós podemos notar que a 1ª coberta da tenda era constituída de dez
cortinas de linho, com estofos (NIV, fios) azuis, púrpura (NIV, roxo) e carmesim (NIV, vermelho)
desenhadas com querubins, e presas com colchetes de ouro (Êx 26: 1-6; Êx 36: 8-13). Em relação
ao ouro, nós já comentamos que é a glória de Deus na presença do Seu Espírito, morando dentro
de nós, mais especificamente do nosso espírito, uma vez que o ouro revestia a madeira (a carne).
Nosso corpo é a morada do nosso espírito, não é?
Essas cortinas eram de linho fino, e a bíblia fala que o linho finíssimo, branco e puro, são os atos
de justiça dos santos (Ap 19: 8). Portanto, pela ação do Espírito de Deus em nós há pureza,
santidade e justiça em nosso ser. O linho era raramente fabricado na Palestina; era comumente
importado do Egito. O uso das vestes de linho pelos sacerdotes foi dado como orientação de
Deus para Moisés, e o povo as teceu com o linho (sua fibra) trazido do Egito. Samuel usava uma
estola de linho (1 Sm 2: 18); Davi dançou diante da arca usando uma estola de linho (2 Sm 6:
14). Parece mesmo que o uso do linho estava associado com pessoas especiais, santas. O linho
e o linho fino eram reputados como presentes preciosos a uma mulher amada por algum homem
(Ez 16: 10; 13, quando Deus compara Jerusalém à sua noiva). Por isso, como dissemos acima, a
bíblia diz que o Senhor separou para a Sua Igreja, para a Sua noiva, vestes de linho finíssimo,
resplandecente e puro, porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos (Ap 19: 8);
portanto, santidade, não se misturar com as “vestes do pecado” do mundo.
Mas podemos notar também que nesse pano de linho havia fios de várias cores: púrpura, (ou
roxo) carmesim (escarlate, vermelho) e azul. Também tinha desenhos de querubins. A cor
púrpura era muito usada nas vestes de reis e sacerdotes, portanto, fala
de realeza. O carmesim ou vermelho (também chamado escarlate) se relaciona à cor do
sangue, tanto dos animais que eram sacrificados quanto ao sangue de Jesus, o Cordeiro Santo e
sem mácula que foi sacrificado por nós. Isso fala de entrega, submissão, doação a Deus,
rendição total e incondicional à Sua vontade. A última cor é o azul, que está relacionado ao
céu, à morada de Deus e, logicamente, à Sua divindade e ao Espírito Santo. Ezequiel teve a visão
do trono de Deus como uma safira, cuja cor é azul (Ez 1: 26-28: “Por cima do firmamento que
estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta
espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem. Vi-a como um metal
brilhante, como fogo, ao redor dela, desde os lombos e daí para cima; e desde os seus lombos e
daí para baixo, vi-a como fogo e um resplendor ao redor dela. Como o aspecto do arco que
aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da
glória do Senhor; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava”). Outro
comentário interessante sobre a cor azul como correspondente ao trono de Deus está em Êx
24: 9-10 quando Moisés, Arão, seus filhos e os anciãos subiram ao Sinai por ordem de Deus para
confirmar Sua aliança com Seu povo. O texto diz: “E subiram Moisés, e Arão, e Nadabe, e Abiú,
e setenta dos anciãos de Israel. E viram o Deus de Israel, sob cujos pés havia uma como
pavimentação de pedra de safira, que se parecia com o céu na sua claridade”. Safira é azul.
Por fim, havia desenhos de querubins nas cortinas de linho. Os querubins, em hebraico
(kerühbïm, plural de ‘querube’ = celestial) são seres celestiais, e no livro de Gênesis está escrito
que tinham a incumbência de guardar o caminho para a árvore da vida [símbolo de Jesus] no
jardim do Éden (Gn 3: 24), assim como foram colocados sobre a arca da Aliança (Êx 25: 18-22;
Hb 9: 5) para proteger os objetos sagrados guardados nela (1 Sm 4: 4; 2 Sm 6: 2; 2 Rs 19: 15; Sl
80: 1; Sl 99: 1). O nome ‘querubim’ indica uma classe de anjos com grande força
de conhecimento, sabedoria e iluminação divina e que refletem a beleza do Criador. Por isso,
se diz que são conhecedores dos mistérios divinos (“cheios de olhos”, como diz o profeta
Ezequiel).

Dessa forma, podemos resumir assim: a 1ª coberta do Tabernáculo continha cortinas de linho
com fios de cor púrpura, (ou roxo) carmesim (escarlate, vermelho) e azul. Também tinha
desenhos de querubins. Isso significa que, além da presença do Espírito Santo no nosso espírito
(‘ouro’; ‘o tesouro em vasos de barro’ como diz o apóstolo Paulo: 2 Co 4: 7), nos trazendo a
redenção, a santificação e a purificação através da obediência (bases de prata), nós recebemos
do Senhor a bênção e a responsabilidade de manter Sua pureza, justiça e santidade (linho fino
e branco), sua realeza (púrpura), ou seja, a habilidade de exercer Sua autoridade na terra, assim
como a capacidade da auto-doação, da entrega à vontade de Deus (carmesim) e a adoção de
filhos, a marca da Sua divindade sobre nós (cor azul). Além disso, sabemos que somos protegidos
por Seus anjos, podemos refletir a beleza e a glória do Senhor e conhecer Seus mistérios,
quando recebemos e usamos corretamente Sua sabedoria.
Tudo isso só pode ser visto por quem está dentro da tenda, ou seja, apenas nós podemos
enxergar completamente sem barreiras o que foi colocado por Deus no nosso interior.
Púrpura = realeza.
Carmesim ou vermelho (escarlate) = entrega, submissão, doação a Deus, rendição total e
incondicional à Sua vontade.
Azul = divindade de Deus; cor relacionada ao Espírito Santo e corresponde ao trono de Deus.

Linho fino e branco = pureza, justiça e santidade.


A segunda coberta colocada sobre o Tabernáculo era composta de onze cortinas de pêlos de
cabras, presas com colchetes de bronze (Êx 26: 7-11), também chamada de ‘a tenda sobre o
tabernáculo’ (Êx 26: 7).
Vamos falar um pouco sobre o animal, a cabra (’ez, em hebraico), como está escrito aqui na
bíblia de acordo com a Concordância Lexicon Strong, embora a mesma palavra hebraica no
plural (ozim), pode se tratar do gênero masculino (‘peles de bodes’). O bode e a cabra são
animais ruminantes, ambos considerados limpos, e usados nos sacrifícios pelos pecados de
ignorância (não intencionais) do príncipe (bode – Lv 4: 22-23) ou de uma pessoa comum (cabra
– Lv 4: 27-28). A palavra original traduzida por ignorância significa: ‘vaguear’, como uma ovelha
que se desgarra do rebanho. Refere-se ao pecado oriundo da fraqueza do caráter humano, não
de uma rebelião mal-disfarçada ou de um mal premeditado. Associamos a culpa à intenção, mas
os antigos a associavam aos seus efeitos.
O filhote é chamado de cabrito. Os 2 sexos têm barba e chifre com o lado interno afiado. São
animais domesticáveis e muito apreciados pelos nômades no Oriente médio, que se beneficiam
de sua carne, leite e lã (As raças angorá e caxemira têm lã sedosa e macia), usada na produção
de roupas; as raças de pêlo mais áspero são mais usadas para tapetes, cortinas e tendas. As
cabras e bodes também podem ter pêlo comprido ou curto, dependendo do seu habitat e do
controle dos criadores. O couro é usado na fabricação de luvas, calçados e outros produtos afins.
Comparado ao carneiro, o bode tem uma constituição física mais leve (pesa entre 45 e 55 quilos)
e seu pêlo é um pouco mais liso. Tanto para cabras como para bodes, a região mais favorável
para encontrá-los é a região montanhosa, embora isso seja ainda mais aplicável aos bodes
selvagens.
As cabras da Síria são geralmente pretas. São animais capazes de subir terrenos íngremes e
rochedos sem escorregar, além do que seus pulmões são desenvolvidos para grandes altitudes.
Seu pêlo grosso os protege do frio; a altitude os protege dos predadores e, pela sua resistência
natural, são capazes de se adaptar às condições extremas (frio e calor). O bode e a cabra se
alimentam de grama e arbustos, muitas vezes de uma grama áspera e rala, onde vacas e
carneiros não conseguiriam pastar. As cabras são excelentes exploradoras e conseguem
encontrar sua própria comida. O maior problema com estes animais é que eles esgotam o pasto,
se o pastor não tiver muita experiência em lidar com eles. Geralmente, vivem em pequenos
rebanhos de no máximo vinte animais. Um rebanho de cabras, embora pequeno, tem por
condutor um bode e é metaforicamente empregado por ‘guia’ ou ‘líder’ em Jr 50: 8 e Zc 10: 3:
“Fugi do meio da Babilônia e saí da terra dos caldeus; e sede como os bodes que vão adiante do
rebanho”... “Contra os pastores se acendeu a minha ira, e castigarei os bodes-guias [em inglês:
‘os líderes’]; mas o Senhor dos Exércitos tomará a seu cuidado o rebanho, a casa de Judá, e fará
desta o seu cavalo de glória na batalha”.

Trazendo tudo isso para o nosso raciocínio sobre a tenda, podemos dizer que esta segunda
coberta não está relacionada mais às qualidades espirituais em nós, e sim às qualidades
colocadas por Deus dentro do nosso caráter, da nossa personalidade, da nossa alma, fazendo-
nos diferentes uns dos outros, como cabras são diferentes de cabras e bodes diferentes de
bodes, e bodes são diferentes de carneiros, mas que de um modo geral cooperam com o
espírito, ou seja, as qualidades presentes na alma, no caráter de cada um de nós, que não são
visíveis externamente pelas pessoas (como a coberta de pêlos de cabras também não era visível
do exterior), porém, nos dão resistência às condições adversas da natureza e da existência
humana na terra, e proteção àquilo que é mais precioso, que é a nossa salvação, a nossa fé em
Deus e nossa intimidade e comunhão com Ele. Em outras palavras, é aquilo que nos individualiza
e cobre o nosso verdadeiro ‘eu’ (nosso espírito) para não perder a santidade e a pureza, ou seja,
os pensamentos e valores que temos em nossa alma que nos protegem das influências danosas
e confusas de tudo o que vêm de fora para sujar o nosso templo. Não se trata da fraqueza da
carne (‘madeira’), como falamos anteriormente, mas de algo que é fortalecido pelo próprio Deus
em nós como uma verdade para a nossa vida, e que mantém a nossa meta em foco, nos mantém
posicionados e fortes para não sermos ‘levados junto com o vento’. Por isso essa segunda
coberta da tenda era composta de onze cortinas de pêlos de cabras, presas ao chão
com colchetes de bronze (Êx 26: 7-11).
Uma das qualidades em questão é a capacidade de ser uma pessoa ‘domesticável’ nas mãos do
Senhor. Outras características tiradas do exemplo das cabras:
ter perseverança e determinação para alcançar nosso propósito de vida; saber viver em
‘lugares altos’, longe da carnalidade mundana; saber ‘respirar as coisas do Espírito’ (pulmões
desenvolvidos para grandes altitudes), ou seja, reconhecer que só existe vida nas inspirações e
nas palavras que fluem do trono de Deus para nós; saber selecionar o alimento que é bom para
nós e não sermos ávidos pelas coisas materiais como os ímpios, que na sua voracidade ‘esgotam
o pasto’, pois não têm um Bom Pastor para guiá-los.
Sendo a cabra um animal para sacrifício, para nós é também um sacrifício entregar as nossas
deformidades de caráter, nossas opiniões e valores interiores nas mãos de Deus para serem
moldadas, mesmo sabendo que isso é necessário para o nosso crescimento. Assim como essa
coberta não era vista do interior do Tabernáculo, e dissemos que ela está na alma
(metaforicamente falando), todos esses nossos conteúdos estão muitas vezes inconscientes
para nós. Por isso, a sua entrega a Deus é um sacrifico, é o ‘crucificar’ da nossa carne. Em outras
palavras, isso diz respeito ao nosso sacrifício.

Resumo desta coberta – qualidades positivas da carne (alma) e o sacrifício da entrega a Deus
dos nossos valores interiores.
Vamos falar sobre os metais agora, especificamente o cobre:
A ordem na qual os principais metais entraram em uso foi: o ouro (Gn 2: 11), a prata, o cobre
(também chamado de bronze ou latão que, na verdade, é um amálgama de cobre e zinco – só
mais tarde entrou em uso, por volta de 1.000 AC) e o ferro.
O cobre era usado para revestir as colunas do pátio, suas bases e o altar para holocausto. A pia
(ou lavatório) e os colchetes eram de cobre maciço.
Este metal nos fala do juízo e do julgamento de Deus sobre o pecado, e falarei mais
pormenorizadamente sobre isso quando escrever sobre o pátio externo. Exceto nesta segunda
coberta, o cobre foi um metal usado no pátio externo do santuário, onde eram feitos os
sacrifícios por quem havia pecado e precisava do perdão de Deus.
A bíblia muitas vezes traduz indiferentemente a palavra ‘cobre’ em Hebraico (nehosheth – Ed
8: 27; em nossa versão em Português está escrito bronze – Almeida RA) por
bronze (nehushah) ou latão. Em Dt 8: 9 está escrito: ‘cobre’ (nehosheth). Em Jó 41: 27, também
está escrito ‘cobre’ em hebraico (nehosheth). Em Ez 1:4 a bíblia talvez descreva o verdadeiro
‘latão’ (ou bronze; como dissemos: um amálgama de cobre e zinco). A palavra usada pelo profeta
é hashmal – ‘metal brilhante’ na nossa tradução.
Metais brutos – ouro, prata, cobre e ferro

Em Ez 1:4 a bíblia talvez descreva o verdadeiro ‘bronze’. A palavra usada pelo profeta é hashmal
– ‘metal brilhante’

na nossa tradução (na tradução em Inglês: ‘gleaming amber’ (NRSV), ‘colour of amber’ (KJV),
como o âmbar.

Âmbar éa resina seca de árvore e endurecida pelo tempo, onde se encontram insetos e vegetais
preservados sem alterações.
A terceira coberta colocada sobre o Tabernáculo era uma coberta de peles de carneiros tintas
de vermelho (Êx 25: 5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 35: 23; Êx 36: 19; Êx 39: 34). Quanto às medidas
das cobertas de peles de carneiro curtidas, a bíblia não nos fornece estes dados. Há certa
dificuldade de interpretar corretamente este versículo, pois várias traduções bíblicas o
descrevem de uma maneira diferente. Por exemplo, em Inglês, dependendo da versão (Êx 26:
14), o termo é diferente da expressão Portuguesa (‘peles de carneiros tintas de vermelho’):
NRSV – tanned rams’ skins (peles de carneiros curtidas), por isso pareciam tintas de vermelho,
porque estavam queimadas pelo sol. É a única versão que usa o verbo ‘curtir’, ao invés de ‘tingir’.
NVI – ram skins dyed red (peles de carneiros tintas de vermelho)
KJV – rams’ skins dyed red (peles de carneiros tintas de vermelho)
ASV – rams’ skins dyed red (peles de carneiros tintas de vermelho)
Pesquisando um pouco sobre os dois processos* (curtimento e tintura), podemos ver que o
curtimento era usado para secar peles de animais, preparando-as para o uso. O couro era
raramente empregado para fazer tendas (Êx 25: 5), mas muito usado para fabricação de
sandálias, cintos, artigos militares como capacetes, aljavas, peças de dos carros de guerra,
fundas e escudos (inclusive ungindo-os com óleo). *Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª
ed. 1995, Ed. Vida Nova.
O curtimento era uma tarefa malcheirosa, por isso era efetuada fora das cidades, onde houvesse
abundância de água. Para o judeu, era algo cerimonialmente impuro, por isso Pedro teve que
vencer seus escrúpulos e preconceitos quando ficou na casa de Simão, o curtidor, fora de Jope
(At 9: 43; At 10: 6; At 10: 32). No ato de curtir as peles, primeiro se removia os pêlos com uma
aplicação de cal e alguns sulfatos, e depois se usava o sumo ácido de algumas árvores como a
tília ou a Periploca secamine (parece estar extinta) para terminar a remoção dos pêlos e da
gordura. O couro seco ao sol por dois ou três dias era tratado com sua imersão no sumo da
Acacia nilotica ou numa solução preparada com a casca ou folhas de pinheiro ou carvalho para
tornar o couro flexível. Algumas vezes eram tingidas, e para bolsas finas as peles eram tingidas
com sal mineral, geralmente o alume*, importado do Mar Morto ou do Egito.
*Alume = um composto adstringente incolor que é um duplo sulfato hidratado de alumínio e
potássio, usado na solução medicinal e em tintura.
A tinturaria era uma arte conhecida pelos israelitas desde a sua estadia no Egito, quando panos
usados para o tabernáculo foram tingidos de escarlata (carmesim) por sucos de insetos
esmagados, tipo cochonilha, encontrados nos carvalhos (Êx 26: 1; Êx 26: 31; Êx 36: 8; Lv 14: 4).
Este inseto, a cochonilha, é também conhecido como qermes, uma proeminência vermelha e
redonda que a fêmea do pulgão forma sobre as folhas duma espécie de carvalho, e da qual se
extrai um corante escarlate. O corante tírio (relativo à cidade de Tiro, na Fenícia) ou ‘imperial’,
de cor púrpura-negra ou violeta-vermelha, preparado dos moluscos Púrpura e Murex,
encontrados nas costas do leste do Mediterrâneo, era principalmente um monopólio fenício, e
era usado para tingir vestes caras, que denotavam a posição social ou nobreza do seu
proprietário (Jz 8: 26; Pv 31: 22; Lc 16: 19; Ap 18: 12; Ap 18: 16). Cada molusco produz uma
quantidade tão pequena de pigmento que, de acordo com um estudo, era preciso uns dez mil
moluscos para se produzir pigmento suficiente para tingir um manto ou capa num tom escuro
que pudesse ser chamado de púrpura real. Essa foi a mesma púrpura empregada na construção
do Tabernáculo (Êx 26: 31; Êx 28: 5), do véu do templo, sendo que o ‘azul, púrpura e carmesim’
eram variantes do mesmo corante (2 Cr 3: 14), bem como a capa posta sobre Jesus durante Seu
julgamento (Jo 19: 2; Jo 19: 5). Os hebreus empregavam o termo livremente para referir-se a
toda cor de tom avermelhado. Os corantes amarelos eram feitos de película de romã da terra,
sendo que os fenícios também usavam o açafrão e a açafroeira. O azul era obtido do anil
(Indigofera tinctoria), importado da Síria ou do Egito, e que, por sua vez, o importava da Índia.
Raramente era usado o pigmento do molusco Chilazon.
Por isso, podemos dizer com alto grau de certeza que essa coberta do Tabernáculo não era de
lã tingida e sim de pele de carneiro curtido, pois precisava ser impermeável, e mais tarde
veremos o porquê; mesmo porque a bíblia fala ‘peles’ (‘couro’, na bíblia em Inglês, ‘leather’) e
não ‘pêlos’.
Vamos falar um pouco sobre o animal, o carneiro. Ele é o macho da ovelha. Elas simbolizam a
inocência, a docilidade, a fertilidade; a ovelha é um animal responsivo à afeição, usado nos
sacrifícios, e são impotentes sem um pastor. O carneiro é um pouco mais agressivo que a ovelha
e tem chifres longos e recurvos, que os sacerdotes usavam como trombetas (Js 6: 4) ou como
receptáculo de azeite (1 Sm 16: 1). Os carneiros eram usados mais freqüentemente para os
sacrifícios, mais do que as ovelhas. Por exemplo: Lv 5: 15 – oferta pela culpa como sacrifício pelo
sacrilégio; Lv 5: 18 – oferta pela culpa como sacrifício pelos pecados de ignorância; Lv 6: 6 –
oferta pela culpa como sacrifício pelos pecados voluntários, como trapacear o próximo, roubo,
extorsão, falso juramento etc.
Portanto, assim como todo o animal sacrificado no altar, o carneiro era o substituto do homem.
O sangue do animal (qualquer deles) sempre foi o substituto do sangue do homem que cometia
algum pecado. E podemos ver algo de interessante aqui com o carneiro: ele era o animal mais
usado para a expiação pelo pecado de sacrilégio (ou seja, contra as coisas santas) e expiação
obrigatória para pecados por ignorância que exigissem restituição, purificando as máculas
desses pecados. O carneiro é mencionado também na bíblia em Lv 16: 3 e 5 (no dia da expiação
– no 10º dia do 7º mês – Lv 16: 29), junto com o novilho e os dois bodes, sacrificados pelo pecado
do sacerdote e da congregação respectivamente. O carneiro era oferecido como holocausto. O
holocausto, mais do que expiação por um pecado por ignorância, era um ato voluntário de
adoração, uma manifestação de devoção, de compromisso e de completa submissão a Deus (Fp
2: 5-8: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele,
subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo
se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homem; e,
reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e
morte de cruz”). Além disso, o carneiro também está mencionado em (Nm 7: 1), no dia que
Moisés acabou de levantar o Tabernáculo, e o ungiu, e o consagrou e todos os seus utensílios,
bem como o altar e todos os seus pertences. O carneiro foi escolhido como o animal para o
holocausto e para o sacrifício pacífico. Em Ez 43: 24-26, o carneiro foi o animal escolhido para o
holocausto na consagração do altar.
Vamos repetir que essa coberta do Tabernáculo não era de lã tingida e sim de pele de carneiro
curtido, algo duro, rijo, resistente, pois precisava ser impermeável; impermeável à chuva, aos
ventos do deserto, às pedras ou qualquer coisa que fosse atirada por maldade contra o
Tabernáculo (sacrilégio). Metaforicamente falando, ela é uma proteção à santidade de Deus em
nós, uma proteção aos nossos bens interiores, como uma casa ou qualquer moradia é um refúgio
que protege os bens, a mobília e até a vida de quem mora dentro dela. Ela significa a cobertura
que nos protege das coisas mundanas e de tudo aquilo que nos acusa e exige de nós uma
restituição (lembre-se de Levítico). A cor vermelha lembra a cor do sangue, do sangue de Jesus
nos justificando do pecado e de todo tipo de acusação e cobrança de homens e demônios.
Seguindo o nosso raciocínio: apesar de nos entregarmos a Deus e fazermos o sacrifico de abrir
mão da nossa vontade carnal para que a Dele prevaleça e nos submetendo ao Seu julgamento
(‘cortinas de pêlos de cabras, presas com colchetes de bronze’), apesar da força interior que Ele
colocou dentro de nós como a Sua verdade a ser seguida, podemos dizer que esta 3ª coberta da
tenda representa a proteção do sangue de Jesus, que supera todo esforço e todo sacrifício, e
de uma vez por todas nos justificou de todo pecado e cancelou o escrito de dívida que havia
contra nós (diabo nos reivindicava) – Cl 2: 14-15: “... tendo cancelado o escrito de dívida que era
contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente
na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo,
triunfando deles na cruz”.
Assim como o carneiro era oferecido como holocausto, ato voluntário de adoração a Deus, uma
manifestação de devoção, de compromisso e de completa submissão a Deus, Jesus fez tudo
isso por nós e pede de nós a devoção a Ele e ao nosso sacerdócio, à nossa missão. Esse
compromisso com o Senhor nos faz ‘impermeáveis’ às intempéries e às agressões, não só no
plano espiritual ou emocional como dissemos nas duas coberturas anteriores, mas também nos
garante a proteção no plano material, contra tudo o que tenta nos ferir com violência e roubar
o que conquistamos com tanto esforço; a proteção contra toda acusação e todo dardo lançado
por inveja de pessoas contra nós.
O fato desta coberta não ter uma medida significa que o sacrifico de Jesus e Sua proteção sobre
a nossa vida não têm medida. Seu amor por nós é imensurável.
A quarta e última coberta colocada sobre o Tabernáculo era uma coberta de peles finas (Êx 25:
5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 36: 19; Êx 39: 34). A bíblia fala também:‘animais marinhos’ (Êx 35: 23).
Na NVI em Português está escrito ‘couro’ (e a nota de rodapé diz: ‘provavelmente de animais
marinhos’. Em Inglês a NVI escreve: ‘hides of sea cows (namely, dugongs)’. Dugongo é um
mamífero sirênio com a cauda parecida com baleia e o focinho com o de uma vaca (por isso,
conhecido como vaca marinha, ou peixe-boi), ocorrendo em águas rasas tropicais da África
Oriental para a Austrália, da família ‘Dugongidae’, mais comumente presente no Oceano Índico
na Antiguidade, e atualmente mais encontrado na Grande Barreira de Coral ao largo da costa da
Austrália e na região da Indonésia. Os dugongos têm pêlos em seus corpos (em algum momento
de suas vidas), e dão à luz à prole ao vivo, ou seja, como são animais de sangue quente eles não
põem ovos como os peixes. Sirênios passam suas vidas inteiras na água. Provavelmente, o
mamífero mais popular dos Sirênios é o peixe-boi, como dissemos anteriormente. O nome
dugongo vem da palavra malaia ‘duyong’ ou ‘duyung’ (Etimologia do séc. XIX), que significa
‘sereia’. Os dugongos podem atingir três metros de comprimento e quinhentos quilogramas de
peso e, ao contrário do peixe-boi, possuem dentes afiados e por isso podem caçar animais
pequenos como lagostas e outros crustáceos. A palavra ‘Sirenia’ veio da palavra
‘sirene’. ‘Sirenes’ são lendárias beldades marítimas gregas que seduziam marinheiros no
mar. Pensa-se que as aparições de sereias nos tempos antigos eram, na verdade, Sirênios (os
animais) ao invés das entidades míticas, metade mulheres, metade peixes
.

O dugongo
A expressão ‘peles finas’ ou ‘animais marinhos’ na versão de King James traduzida como
‘badgers skins’ (peles de texugos), em hebraico é tahash – ‫( תחׂש‬plural: tahashim – ‫ )תחׂשים‬ou
tachash (plural: thchshim), e pronunciada como takh’-ash segundo a Concordância Lexicon
Strong, provavelmente é originada do egípcio thhs, ‘couro’, e do árabe tuhasum, ‘delfim’. Como
vimos acima, a ‘pele fina’ foi mencionada como coberta superior no Tabernáculo (Êx 25: 5; Êx
26: 14; Êx 35: 7; Êx 36: 19; Êx 39: 34; Êx 35: 23), e era também um material empregado na
fabricação de sandálias (Ez 16: 10). A Septuaginta diz hyakinthos, provavelmente com o sentido
de ‘peles da cor do jacinto’, cor esta difícil de precisar visto que os autores clássicos diferem a
respeito da mesma. A maioria das espécies é de cor azul, embora possa ser encontrada nas cores
branca, amarela, rosa e azul. Os eruditos modernos concordam que tahash significa ‘delfim’. As
peles-tahash eram preciosas nos tempos do AT (Ez 16: 10 – ‘couro da melhor qualidade’), e
mencionadas juntamente com pano bordado, linho fino e seda. Foram incluídas entre os
presentes dados para a construção do Tabernáculo (Êx 25: 5), junto com as peles curtidas de
carneiro para cobrir a tenda do Tabernáculo e a arca (Nm 4: 6).
O texto hebraico concordante interlinear (CHES – Concordant Hebrew English Sublinear),
baseado no vocabulário da Versão Concordante do Antigo Testamento (CVOT – Concordant
Version of the Old Testament), o hebraico transliterado: escreve a tradução de ‘Thchshim
(tachash – peles finas’) como ‘ones-azure’ (os de azul), onde ‘azure’ significa: azul-celeste, cor
do céu azul ou céu azul na cor, ou então, céu azul. É interessante que, quando olhamos a figura
do animal (o dugongo) sua cor é realmente azul.
Esta era a única coberta que podia ser vista de fora da tenda, e também era impermeável.
A cor azul confirmaria a proteção de Deus sobre a nossa vida para que os que estão fora possam
vê-la. Nosso templo interior seria, na verdade, um reflexo do céu. Esta 4ª coberta simboliza a
cobertura e a bênção de Deus Pai sobre nós ao olhar para o nosso templo interior e nos ver
cobertos pelo sangue do Seu Filho (3ª coberta), a disposição da nossa alma de se render à Sua
vontade e multiplicar Sua força e determinação colocadas por Ele mesmo dentro de nós, ainda
que sejamos seres impotentes por natureza (2ª coberta), e a presença do Seu Espírito em nós
nos fazendo desenvolver Seus dons e a nossa santificação, e seguindo o exemplo de Jesus (1ª
coberta). O mesmo comentário feito para a 3ª coberta é aplicado aqui, quanto à medida da
coberta exterior de peles finas. Isso significa que a proteção, a misericórdia, o perdão e o amor
de Deus sobre nós não têm medidas.

Vamos ler o Salmo 103: 1- 22: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim
bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um
só de teus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas
enfermidades; quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia; quem farta
de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. O Senhor faz
justiça e julga a todos os oprimidos. Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos
filhos de Israel. O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno. Não
repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os
nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia
acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o
Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece
de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa
estrutura e sabe que somos pó. Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor
do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em
diante, o seu lugar. Mas a misericórdia do Senhor é de eternidade a eternidade sobre os que o
temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos, para com os que guardam a sua aliança e para
com os que se lembram dos seus preceitos e os cumprem. Nos céus, estabeleceu o Senhor o seu
trono, e o seu reino domina sobre tudo. Bendizei ao Senhor, todos os seus anjos, valorosos em
poder, que executais as suas ordens e lhes obedeceis à palavra. Bendizei ao Senhor, todos os
seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade. Bendizei ao Senhor, vós, todas as
suas obras, em todos os lugares do seu domínio. Bendize, ó minha alma ao Senhor”.
E em Lamentações 3: 22-23 está escrito: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos
consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a
tua fidelidade”.

O Tabernáculo e suas cobertas

O átrio do tabernáculo – Êx 27: 9-19; Êx 38: 9-20.


Novamente, considerando o côvado como tendo cinqüenta centímetros de comprimento para
facilitar o entendimento, nós vamos descrever agora o átrio exterior do Tabernáculo ou pátio
ao redor do Tabernáculo.
O pátio ao redor tinha cinqüenta côvados de largura (aproximadamente vinte e cinco metros) e
cem côvados de comprimento (cinqüenta metros) – Êx 27: 9-19; Êx 38: 9-20. Ao redor, as
cortinas eram de linho fino retorcido (Êx 27: 9) com dois metros e meio de altura e suportadas
por quarenta colunas de bronze, com bases de bronze, ganchos e vergas de prata, distribuídas
em vinte colunas do lado sul e vinte colunas do lado norte. No lado oeste, as cortinas tinham
cinqüenta côvados de comprimento (vinte e cinco metros) e dez colunas com bases de bronze,
ganchos e vergas de prata. O lado oriental tinha cinqüenta côvados de comprimento, separados
em duas partes, com cortinas de quinze côvados de comprimento (sete metros e meio) para um
lado, com três colunas e três bases. O outro lado era de igual medida. Na entrada do pátio havia
uma cortina de estofo azul e púrpura e carmesim, e de linho fino retorcido, com quatro colunas
e quatro bases de bronze e ganchos de prata (Êx 27: 18; Êx 38: 18-20), e cujas medidas eram:
vinte côvados de comprimento (dez metros) e cinco côvados de altura (dois metros e meio de
altura). Em Êx 38: 19-20, podemos também ler em relação a isso: “As suas quatro colunas e as
suas quatro bases eram de bronze, os seus ganchos eram de prata, e o revestimento das suas
cabeças e as suas vergas, de prata. Todos os pregos do tabernáculo e do átrio ao redor eram de
bronze”. A bíblia também diz (Êx 27: 17) que todas as colunas ao redor do átrio eram ligadas por
vergas de prata; seus ganchos eram de prata, e as suas bases, de bronze. Todos os utensílios do
tabernáculo para o serviço dos sacerdotes (Êx 27: 19) eram de bronze.
Como dissemos anteriormente, o linho é símbolo da justiça, a justiça de Deus com a qual Ele
deseja que Seus filhos também estejam vestidos.
Voltando ao cobre (bronze) sobre o qual nos referimos na segunda coberta do Tabernáculo, este
metal nos fala do juízo e do julgamento de Deus sobre o pecado, o que implica em
arrependimento por parte do pecador (O Senhor me falou muito sobre isso no salmo 51 quando
Davi clama pelo Seu perdão após ter pecado com Bate-Seba), e justiça por parte de Deus. Todos
nós conhecemos o ditado evangélico que diz: “Deus ama o pecador, mas odeia o pecado”.
Antes de explicar melhor este conceito, eu gostaria de escrever um texto que é encontrado em
Mateus 12: 15-21: “Mas, Jesus, sabendo disto, afastou-se dali. Muitos o seguiram, e a todos ele
curou, advertindo-lhes, porém, que não o expusessem à publicidade, para se cumprir o que foi
dito por intermédio do profeta Isaías: Eis aqui o meu servo, que escolhi, o meu amado, em quem
a minha vida se compraz. Farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará juízo aos
gentios [NVI, ‘anunciará justiça às nações’]. Não contenderá, nem gritará, nem alguém ouvirá
nas praças a sua voz. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega, até
que faça vencedor o juízo [NVI, ‘até que leve à vitória a justiça’]. E, no seu nome, esperarão os
gentios”.
Compare o texto com Is 42: 1-4: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em
quem a minha alma se compraz [ele estava falando de Jesus]; pus sobre ele o meu Espírito, e
ele promulgará o direito para os gentios [‘trará justiça aos gentios’ – NVI]. Não clamará, nem
gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a
torcida que fumega [NVI, ‘pavio fumegante’]; em verdade, promulgará o direito [NVI, ‘com
fidelidade fará justiça’]. Não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o
direito [NVI ‘até que estabeleça justiça na terra’]; e as terras do mar aguardarão a sua
doutrina [NVI, ‘Em sua lei as ilhas porão sua esperança’]”.
Esta última passagem confirma que o Senhor viria também para os gentios, aos quais Ele daria
a conhecer a Sua justiça [‘direito’]. No penúltimo versículo de Mateus: ‘Até que faça vencedor o
juízo’ [NVI, ‘até que leve à vitória a justiça’], a bíblia possivelmente quer dizer: o juízo de Deus
sobre o pecado, juízo que foi realizado por Jesus na cruz, fazendo a justiça divina prevalecer, por
isso, os gentios esperariam por Ele seriam Seu povo também, um povo vingado da injustiça. Em
Isaías, a palavra hebraica para ‘direito’ é Mishpâth.
Mishpâth (mishpat, ‫ )משפט‬que dizer ‘julgamento, juízo’. Para nós, as palavras ‘juízo’ e
‘julgamento’ são discretamente diferentes de ‘justiça’ [escrita na NIV, e praticamente sinônima
de ‘direito’].
Justiça = retidão, fazer prevalecer o direito de alguém, tratar ou julgar alguém de forma justa
em conformidade com a lei.
Julgamento = colocar alguém à prova para ver se é culpado ou inocente; discernimento; fazer
distinções críticas e atingir um ponto de vista equilibrado, levando a uma decisão e ao
pronunciamento de uma sentença (veredicto). Há outros significados menos relevantes para
esta palavra.
Juízo = sentença, decreto, veredicto, pronunciados após a decisão tomada no julgamento. A
palavra ‘Juízo’ também pode se referir ao ‘Juízo Final’, quando Deus vai decidir o merecimento
ou a indignidade do indivíduo ou de toda a humanidade; decisão posterior de Deus
determinando os destinos finais de todos os indivíduos.

Ouro = algo extremamente precioso, algo separado para Deus, a glória de Deus.
Prata = obediência a Deus levando à santificação; redenção.
Cobre = juízo e julgamento de Deus sobre o pecado.
Então, por que chegamos a essa conclusão em relação ao cobre (ou bronze)? Porque na maioria
das vezes (exceto na segunda coberta do Tabernáculo), o cobre foi um metal usado no pátio
externo do santuário, onde eram feitos os sacrifícios por quem havia pecado e precisava do
perdão de Deus. Até os sacerdotes ofereciam sacrifícios por si mesmos e se purificavam para
depois entrar no Lugar Santo e queimar incenso. Para nós, hoje, isso diz respeito em especial
àqueles que ainda estão no mundo, em pecado (para fora das cortinas de linho), e não
conhecem o Senhor, e precisam se arrepender, receber o Seu perdão através do sangue da cruz
(passar pelo altar do holocausto e pela bacia de bronze), para depois ter acesso ao coração de
Deus e deixá-lO fazer dos seus corpos um santuário vivo para Ele (ser um tabernáculo onde o
Espírito Santo habita).
Quando Deus enviou Jesus à Terra, o homem já havia pecado demais e esgotado ‘o cálice da ira
de Deus’:
Is 51: 17: “Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que da mão do Senhor bebeste o cálice
da sua ira, o cálice de atordoamento, e o esgotaste”.
A ira de Deus é o Seu antagonismo firme, constante, contínuo e descomprometido para com o
pecado em todas as suas formas e manifestações:
Rm 1: 18: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que
detêm a verdade pela injustiça”.
A ira de Deus precisava ser propiciada.
Deus precisava fazer Sua justiça; e a justiça de Deus é o Seu modo justo de justificar os injustos
através do sangue, no caso, o sangue do Seu Filho.
A morte de Jesus na cruz pagando o preço dos nossos pecados nos libertou do diabo, cancelou
a nossa dívida e nos reconciliou com Deus. Em outras palavras, fez a justiça, nos justificou e nos
fez justos aos olhos de Deus Pai.

Utensílios do Átrio Exterior

A bacia de bronze
Vamos agora para Êxodo 38: 8 e Êxodo 30: 17-21, textos que falam sobre a bacia de bronze. A
bacia de bronze era o lugar onde os sacerdotes lavavam as mãos e pés antes de entrar na tenda
da Congregação para queimar o incenso sagrado, ou quando apresentavam ofertas queimadas
ao Senhor.
O altar do holocausto
Em Êx 27: 1-8 e Êx 38: 1-7, a bíblia descreve o altar do holocausto, de madeira de acácia e coberto
de bronze, medindo cinco côvados de comprimento, cinco côvados de largura e três de altura
(aproximadamente dois metros e meio x dois metros e meio x um metro e meio), com chifres
(pontas erguidas) em cada canto, que serviam para amarrar os animais do sacrifício. Para o
serviço no altar de bronze foram feitos alguns objetos como: recipientes para recolher a sua
cinza, pás, bacias para o sangue dos animais, garfos e braseiros, também de bronze. A grelha de
bronze era em forma de rede e tinha quatro argolas nos cantos, sendo colocada dentro do altar
até a metade da sua altura. O altar de bronze também tinha argolas na parte externa, por onde
se passavam os varais de madeira de acácia coberta com bronze para ser carregado.
O óleo da santa unção
Em Êx 30: 22-33, a bíblia fala sobre o óleo da santa unção, que só podia ser usado pelos
sacerdotes, tanto para ungi-los para o seu ofício quanto para ungir o Tabernáculo e os objetos
sagrados. Nenhum outro homem que não fosse sacerdote podia ser ungido com ele. Ele era
composto de quinhentos siclos (1 siclo = 11,5 a 12 gramas [NVI]) de mirra fluida
(aproximadamente seis quilos), duzentos e cinqüenta siclos de cinamomo (aproximadamente
três quilos), duzentos e cinqüenta siclos de cálamo (aproximadamente três quilos), quinhentos
siclos de cássia (aproximadamente seis quilos) e um him de óleo de azeite de oliva (1 him =
aproximadamente quatro litros).
Como foi escrito no tema ‘Óleos e essências na bíblia’ (veja as imagens lá), o azeite de
oliva significa unção e provisão de Deus para um propósito.

A mirra significa: libertação, cura, purificação, mudança de vida, assim como também era
usada pela realeza para ungir as vestes de casamento. Também era usado como perfume
sedutor. Foi usada para preparar Ester por seis meses, após os quais vieram mais seis meses
com outros ungüentos e perfumarias para levá-la ao rei Assuero (Et 2: 12-13). A mirra é um
arbusto que cresce nas regiões desérticas, especialmente na África (nativa da Somália e partes
orientais da Etiópia) e no Oriente Médio. É também o nome dado à resina oleosa de coloração
marrom-avermelhada obtida da seiva seca dessa árvore (Commiphora myrrha ou
Balsamodendron myrrha). A palavra origina-se do hebraico, maror ou murr, que significa
“amargo”, por isso é amarga e, muitas vezes, usada na bíblia como sinônimo de fel. Tem poder
de anestesiar e tirar as dores, por isso foi oferecida a Jesus na cruz. Em Pv 31: 6-7 está escrito:
“Dai bebida forte aos que perecem e vinho aos amargurados de espírito; para que bebam, e se
esqueçam da sua pobreza, e de suas fadigas não se lembrem mais”. A bebida forte a que se
refere era o vinho de alto teor alcoólico (em hebraico, shekhãr) misturado com a mirra dado
pelas mulheres judias aos condenados à cruz para que pudessem suportar a punição e o
sofrimento. No Sl 69: 21 (salmo profético de Davi) há outra referência à mirra: “Por alimento me
deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre”.
O cinamomo é a casca de um tronco que se restaura a cada estação. É a mesma família do louro,
da cássia e da canela. Significa: temor de Deus, resgate, restauração das coisas
pessoais, não voltar a cometer os mesmos erros do passado. A canela é semelhante a um
arbusto, oriunda do extremo Oriente. Como ela é macerada (a casca e a sementes) até se tornar
pó, é uma figura profética da aceitação de Jesus Cristo em Sua morte e cruz. Representa nossa
aproximação de Jesus em humildade, despindo-nos da nossa carne, tornando-nos mais como
Ele é, assim como também pode significar paz e amor no lar.
O cálamo (gr. Kalamos) significa: cana, caniço, junco. É uma raiz conhecida como Cana Doce. Só
exala perfume quando a raiz é quebrada. Era de cálamo (junco) a cesta de Moisés, quando foi
colocado, ainda bebê, no rio Nilo. Representa o preço que Jesus pagou pela nossa redenção,
reverência ao Senhor, voltar às raízes, renovação de alianças, humildade. Significa que devemos
ser dependentes do Senhor como crianças que necessitam crescer e ser ensinadas; que, de
tempos em tempos, precisamos renovar nossa aliança de fidelidade e compromisso com Ele.
Pode ser de várias maneiras; a ceia de que participamos na igreja é uma forma. A unção do
cálamo também significa que precisamos ser “partidos” por Deus, trabalhados por Ele no nosso
interior para que Sua essência possa ser exalada através de nós.
Cássia (Acacia nilotica) significa: potencial, nobreza. A acácia (ou cássia – nós vimos a imagem
da árvore no início do texto) é uma árvore de muitas espécies, disseminada no Egito, Arábia e
Palestina. Era a árvore que fornecia sua madeira aos povos hebreus, a sagrada e aromática
madeira de Sitim (‘Vale das Acácias’), fazendo parte do óleo da santa unção dos sacerdotes (Êx
30: 24-25) e foi muito empregada na construção do Tabernáculo. Sitim era lugar de idolatria e
imoralidade, defronte de Jericó, nas planícies de Moabe, a leste do Jordão. Há uma profecia em
Jl 3: 18: “E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite,
e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; sairá uma fonte da Casa do Senhor e regará o
vale de Sitim”. Isso quer dizer que após o arrependimento sincero, o povo que antes era
depravado, receberá a água doadora de vida, no “Dia do Senhor”.

A flor da Acacia nilotica

Assim, juntando o significado dessas quatro essências e do óleo de oliva, nós podemos dizer
que o Senhor nos ungiu para um propósito especial, além de colocar em nosso ser outros dons
e capacitações como: nobreza, amor, aliança e humildade, o temor a Ele, o Seu resgate,
libertação, purificação e cura para que possamos ser bálsamo e suavizar as dores dos aflitos e
desesperançados e elevá-los para um novo patamar. Além disso, Ele sempre nos dá uma chance
de mudar de vida e não voltar a cometer os mesmos erros do passado. É interessante notar que
este tipo de óleo só podia ser usado pelos sacerdotes e não por pessoas comuns da congregação.
Isso nos faz pensar que aqueles que o Senhor chamava mais fortemente para realizar Sua obra
como líderes espirituais daquele povo precisavam de uma unção muito maior, bem como de
uma entrega e de uma separação maior, pois era o seu exemplo que manteria ‘o rebanho’ em
aliança com Ele.
O incenso sagrado:
Em Êx 30: 34-38, a bíblia descreve o incenso sagrado:
“Disse mais o Senhor a Moisés: Toma substâncias odoríferas, estoraque, ônica e gálbano; estes
arômatas com incenso puro, cada um de igual peso; e disto farás incenso, perfume segundo a
arte de perfumista, temperado com sal puro e santo. Uma parte dele reduzirás a pó e o porás
diante do Testemunho na tenda da congregação, onde me avistarei contigo; será para vós outros
santíssimo. Porém o incenso que fareis, segundo a composição deste, não o fareis para vós
mesmos; santo será para o Senhor. Quem fizer tal como este para o cheirar será eliminado do
seu povo”.
Ele era composto de essências aromáticas: estoraque, ônica, gálbano e incenso puro em partes
iguais, e temperado com sal, puro e santo. Ele era queimado no altar do incenso ou altar de ouro
que ficava diante da arca da Aliança, do lado de cá do véu, no Lugar Santo. Este incenso era
considerado santo para o Senhor e seu único propósito era ser queimado para Ele, não para os
sacerdotes nem para o povo poder sentir seu odor (ser usado como perfume).
• Êx 30: 1; 6-9: “Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o
farás... Porás o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do
propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele
o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará. Quando, ao
crepúsculo da tarde, acender as lâmpadas, o queimará; será incenso contínuo perante o Senhor,
pelas vossas gerações. Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto, nem
ofertas de manjares; tampouco derramareis libações sobre ele”.
Estoraque – no hebraico, nãtãph (‫ – נטף‬podendo ser traduzido como breu), e no grego, staktē.
A goma aromática tinha um odor bastante apreciado e era extraído através da incisão nos ramos
e nas hastes do arbusto Styrax officinalis (uma das cento e trinta espécies do gênero Styrax),
distribuído em toda a Palestina. Styrax officinalis é um arbusto de folha decídua atingindo uma
altura máxima de sete metros. Tem uma forma simples, com folhas elípticas muito finas de cinco
a dez centímetros de comprimento e três e meio a cinco e meio centímetros de largura,
alternadas e espaçadas em talos avermelhados e finos, com uma casca escura e dura. Um botão,
pequeno e de cor verde muito clara, é, geralmente, uma haste auxiliar em cada folha. A
inflorescência (= ramo florífero) é curta e pouco florida. As flores nascem bem perto do caule,
têm a forma de sino e são brancas e perfumadas, com cerca de dois centímetros de
comprimento, geralmente com cinco ou sete pétalas e muitas anteras amarelas (antera = a parte
de um estame que contém o pólen; estame = órgão masculino da flor, formado pelo filete que
sustenta a antera). Período de floração se estende entre a primavera e o verão (maio-junho).
Esta planta é a fonte do Styrax, uma erva medicinal conhecida desde os tempos antigos. Alguns
acreditam que ela tenha sido a fonte de extração do estoraque usado na confecção do incenso
sagrado.
Styrax officinalis em Israel

Styrax officinalis – flor e frutos

Estoraque – grãos

Buscando a revelação do Senhor, Ele me falou sobre esta simbologia no Salmo 32: 1; 6 (“Bem-
aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada, cujo pecado é coberto... Sendo assim, todo
homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te. Com efeito, quando
transbordarem muitas águas, não o atingirão”). Assim, o estoraque simboliza a piedade, a
reverência ao Senhor e a humildade de reconhecer nosso próprio erro para alcançarmos o Seu
perdão.
Ônica – em hebraico é: sheheleth (‫ )שחלת‬ou shecheleth ou shachlt, que significa ‘rugindo como
um leão’, ‘descascando por concussão de som’. Sheheleth pode estar relacionada com a palavra
siríaca ‘shehelta’ que pode ser traduzida como ‘uma lágrima, destilação, ou exsudação’. Em
aramaico, a raiz shchl significa ‘recuperar’, ‘restaurar’ (um objeto físico). A Septuaginta usou a
palavra grega ‘onycha’, que significa ‘unha’ ou ‘garra’. A Versão Concordante do Antigo
Testamento (CVOT) traduz como black-murex-shell (a concha de murex negro). Alguns
pesquisadores detalham que se trata das válvulas em forma de garra que fecham as aberturas
das conchas de certos moluscos. Outros estudiosos relacionam a palavra ‘onycha’ com a pedra
preciosa ônix, devido à sua cor negra e translúcida, ou ainda com uma goma-resina da espécie
Styrax (onicha benjoim). Há ainda alguns pesquisadores que tentam relacionar a ônica à planta
‘bdélio’ e dizem que o bdélio é referido no início da história da Bíblia. Bdélio, como ônix, é o
nome tanto de uma goma odorífera como de uma pedra preciosa: “E o ouro dessa terra é bom;
também se encontram lá o bdélio e a pedra de ônix” (Gn 2: 12). A resistência por parte dos
judeus em relação ao fato de poder se tratar de um molusco é que eles afirmam ser o molusco
um animal imundo, como está escrito na Torah. Mas eu pergunto: a cor púrpura não era extraída
de um molusco? E quanto a outro molusco, o chilazon, que segundo fontes históricas provia a
cor azul ou púrpura para se colocar no talit ou nas vestes dos sacerdotes? Resumindo tudo isso:
o que realmente foi ‘ônica’ na antiguidade não se pode afirmar com certeza. Baseada na
tradução da Septuaginta, no significado de shecheleth, dado em primeiro lugar, e na Versão
Concordante do Antigo Testamento (CVOT), eu acho mais provável que fosse um produto
extraído da cobertura, das escamas, da concha deste molusco, da mesma família do molusco do
qual era extraída a tintura para a cor púrpura, quando descrevemos a terceira coberta do
Tabernáculo (peles de carneiros tintas de vermelho). Afinal, o que buscamos neste texto não é
discussão teológica do que havia há 3.000 anos, e sim o significado disso para nós hoje, que
vivemos debaixo da dispensação do Espírito de Deus.

A concha de murex

Buscando a revelação do Senhor, Ele me falou sobre esta simbologia em 1 Sm 14: 36-52
(principalmente nos versículos 41-43), quando Jônatas, filho de Saul, é impedido pelo povo de
ser morto pelo próprio rei por ter desobedecido seu voto (1 Sm 14: 24; 27; 28) feito ao Senhor
para lhe dar vitória sobre os filisteus. Como Jônatas não tinha ouvido a ordem dada pelo pai ao
povo de quem comesse alguma coisa naquele dia fosse morto, mesmo estando exausto da luta,
ele comeu um favo de mel. Mas quando Saul perguntou a Deus se ele deveria perseguir os
filisteus e o Senhor não lhe deu resposta, o rei chamou o povo e o questionou se alguém havia
pecado, e se colocou em frente deles com seu filho Jônatas. Então, pediu a Deus que lhe
mostrasse a verdade, ou seja, quem ali havia pecado, e Deus lhe revelou que era seu filho que
havia violado o voto (1 Sm 14: 41-43). Assim, a ônica simboliza a verdade, ou seja, não se
esconder dentro de uma concha quando for necessário se apresentar diante do Senhor ou ser
Seu instrumento em qualquer situação.
Gálbano – hebraico: helbenâ. Na verdade, a etimologia é incerta. Segundo alguns
pesquisadores, o gálbano é uma especiaria perfumada, como uma goma, originada de duas
plantas com muitas raízes, e sempre verdes (mantêm suas folhas verdes durante todo o ano):
Ferula galbaniflua (Sinônimo de Ferula gummosa) e Ferula rubricaulis, nativas da Pérsia, mas
também encontrada na Índia. Parece haver nove espécies da férula encontradas na Palestina. A
férula é uma árvore perene com fortes raízes. Ao se cortar o caule da planta, um líquido leitoso
começa a escorrer. Este líquido seca de maneira rápida e endurece, formando uma resina com
cheiro fétido, que se torna bastante penetrante, principalmente quando é incinerada (pois
contém enxofre). Ela é de um tom castanho-claro, amarelado ou amarelo-esverdeado, e tem
um sabor peculiar, amargo e desagradável. Atualmente é usado de forma medicinal, e na
preparação de vernizes. Por outro lado, a Concordância Lexicon Strong dá uma etimologia
diferente: galbanam, que diz respeito a uma goma odorífera, de aspecto ou cheiro gorduroso
(talvez como o da gordura de animais dos sacrifícios). A Versão Concordante do Antigo
Testamento (CVOT) escreve chlbne, e traduz como gordura (‫)חלבהנ‬.

Ferula galbaniflua e sua resina

É um pouco estranho pensar que Deus fosse escolher uma resina de cheiro fétido para ser
queimada junto com as especiarias aromáticas do incenso sagrado. A segunda ou terceira
hipóteses são mais prováveis, pois se igualam mais à orientação dada a Moisés para se queimar
separadamente a gordura dos animais (Lv 3: 3-4; Lv 3: 14-16: ofertas pacíficas; Lv 4: 8-9: oferta
pelos pecados de ignorância dos sacerdotes, onde apenas a gordura do novilho era queimada
no altar do holocausto e o resto do animal era queimado fora do arraial; Lv 7: 4-5: oferta pela
culpa; Lv 9: 10: oferta pelo pecado de Arão). O cheiro da gordura do animal se tornava
perfumado às narinas de Deus. Assim, baseados na própria ordem de Deus para separar a
gordura do animal para ser queimada a Ele de maneira separada em determinados sacrifícios,
podemos dizer que o gálbano nos fala de
separação, de dedicação ao Senhor.
Resina de gálbano e grãos de olíbano

Quanto ao incenso puro mencionado acima, trata-se do olíbano, também conhecido


como franquincenso, é uma resina aromática muito usada na perfumaria e fabricação de
incensos. É obtido de árvores africanas e asiáticas (Arábia e Índia) do gênero Boswellia. Embora
tenha sido re-introduzido na Europa pelos Francos, seu nome ‘franquincenso’ é derivado do
francês antigo ‘franc encens’ que significa ‘incenso de alta qualidade’; por outro
lado, ‘olíbano’ é derivado do árabe al-lubán (‘o leite’), em referência à seiva leitosa que escorre
após a incisão da casca da árvore de olíbano. Em hebraico, a palavra usada
é bownah ou u·lbne [‫ = לבונה‬franquincenso ou olíbano, segundo a Versão Concordante do
Antigo Testamento – CVOT] ou lbonah (pronuncia-se: leb-o-naw’ – Concordância Lexicon
Strong), que, por sua vez, é derivada de laban (pronuncia-se: law-bawn’) ou laben (pronuncia-
se: law-bane’), como Labão (em Gn 49: 12), que significa: branco (‫)לבנה‬. Assim, ficou conhecido
como olíbano pela sua brancura ou pela sua fumaça branca, que procede da combustão da
resina. A seiva da árvore seca e dá origem à resina. Embora a resina seja amarela e tenha gosto
amargo e picante, é bastante perfumada. Em Êx 30: 7-8, o Senhor ordenava a Arão que
queimasse o incenso de manhã e à tarde, assim como no dia da expiação (Lv 16: 12-13).
Buscando a revelação do Senhor, Ele me falou sobre esta simbologia em Ne 9: 7-8, ao descrever
a fidelidade de Abrão, por acreditar em Suas promessas e que isso lhe foi imputado para justiça
(Gn 15: 6). Por isso, o Senhor, que é justo, também cumpriu a promessa dada ao Seu filho, lhe
entregando nas mãos a terra dos cananeus. O texto diz: “Tu és o Senhor, o Deus que elegeste
Abrão, e o tiraste de Ur dos caldeus, e lhe puseste por nome Abraão. Achaste, o seu coração fiel
perante ti e com ele fizeste aliança, para dares à sua descendência a terra dos cananeus, dos
heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos jebuseus e dos girgaseus; e cumpriste as tuas
promessas, porquanto és justo”. Quando falamos sobre o linho fino e a sua cor branca, não
dissemos que o branco simboliza justiça e santidade? Pois então, o
olíbano ou franquincenso ou, simplesmente, incenso, conhecido pela sua resina branca ou pela
sua fumaça branca, que procede da combustão dela, simboliza a justiça de Deus entrando em
ação e cumprindo Sua promessa na vida daqueles que Lhe são fiéis, e justos como Abraão.
A bíblia também diz que o incenso assim preparado era temperado com sal. O sal [melah or
melach (‫ ])ממלח‬simboliza aliança (Lv 2: 13 e Nm 18: 19), fidelidade da promessa, natureza não
perecível do pacto, o amor imutável de Deus, sinal de purificação e santidade. Isso vem a
confirmar o que o Senhor disse para Moisés: que o incenso seria puro e santo, e isso seria mais
um sinal da Sua parte de que Ele estava disposto a fazer um pacto de fidelidade com o povo de
Israel, uma nova aliança com Seu povo. Algumas tribos do deserto esfregavam sal na pele da
criança recém-nascida para que esta suportasse melhor o calor. Por isso, também
significa proteção, fortalecimento, resistência às condições adversas.
Como falamos acima, o incenso estava relacionado ao sacerdócio e provocava a ira de Deus
quando era oferecido a outros deuses, ou quando era oferecido de outra maneira que não a que
foi ordenada aos sacerdotes. Por isso, dois filhos de Arão foram mortos pelo Senhor:
• Lv 10: 1-7: “Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles
fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não
ordenara. Então, saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor. E
falou Moisés a Arão: Isto é o que o Senhor disse: Mostrarei a minha santidade naqueles que se
cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão se calou. Então, Moisés
chamou Misael e a Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e disse-lhes: Chegai, tirai vossos irmãos de
diante do santuário, para fora do arraial. Chegaram-se, pois, e os levaram nas suas túnicas para
fora do arraial, como Moisés tinha dito. Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não
desgrenheis os cabelos, nem rasgueis as vossas vestes, para que não morrais, nem venha grande
ira sobre toda a congregação; mas vossos irmãos, toda a casa de Israel, lamentem o incêndio
que o Senhor suscitou. Não saireis da porta da tenda da congregação, para que não morrais;
porque está sobre vós o óleo da unção do Senhor. E fizeram conforme a palavra de Moisés”.
Há outros textos no AT que mencionam o incenso:
• 2 Cr 29: 11: “Filhos meus [o rei Ezequias estava dizendo para os levitas e para os sacerdotes,
ao abrir novamente o templo que ficou fechado durante o governo do seu pai Acaz por causa do
jugo assírio], não sejais negligentes, pois o Senhor vos escolheu para estardes diante dele para
o servirdes, para serdes seus ministros e queimarem incenso”.
• Sl 141: 2 (Salmo de Davi): “Suba à tua presença a minha oração, como incenso, e seja o erguer
de minhas mãos como oferenda vespertina”.
• Is 65: 3: “povo que de contínuo me irrita abertamente, sacrificando em jardins e queimando
incenso sobre altares de tijolos”.
• Jr 44: 8: “Por que me irritais com as obras de vossas mãos, queimando incenso a outros deuses
na terra do Egito, aonde viestes para morar, para que a vós mesmos vos elimineis e para que
vos torneis objeto de desprezo e de opróbrio entre todas as nações da terra?”.
No NT temos mais referências ao incenso:
• Ap 5: 8: “E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos
prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de
incenso, que são as orações dos santos”.
• Ap 8: 3-4: “Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe
dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro
que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso,
com as orações dos santos” [santos: os que são perdoados e santificados pelo sangue de Jesus
por terem aceitado o sacrifício da cruz e se separaram para Ele, casados ou solteiros].

Sabendo disso, ou seja, que para Deus, hoje, o incenso que Ele quer é a oração dos Seus filhos,
não precisamos mais queimar incenso em nossa casa, como muitos fazem para “purificar o
ambiente”; pecado não se defuma. Não é o ato de queimar incenso que nos purifica dos nossos
pecados, e sim o sangue de Jesus que é derramado sobre nós quando oramos arrependidos,
pedindo Seu perdão pelas nossas transgressões.
Trazendo isso para a nossa vida como Cristãos, o incenso é mais um componente do nosso
tabernáculo interior, ou seja, a nossa oração a Deus todos os dias exaltando Seu nome,
agradecendo por Sua ajuda e fazendo chegar a Ele as nossas súplicas Lhe é agradável, como o
perfume das especiarias usadas no passado.
A bíblia também nos fala da composição exata das essências aromáticas, e que não poderiam
ser feitas para nenhum outro propósito que não fosse para ser oferecido ao Senhor pelos
sacerdotes, e quem o fizesse simplesmente com a intenção de desfrutar o seu aroma, seria
eliminado do meio do povo. Isso significa que nós, como reis e sacerdotes que alcançamos a
misericórdia de Deus (1 Pe 2: 9-10) devemos entender que nas nossas orações alguns
‘ingredientes’ são necessários:
• a piedade, a reverência ao Senhor e a humildade de reconhecer nosso próprio erro para
alcançarmos o perdão de Deus – estoraque.
• sermos verdadeiros no nosso modo de agir e buscarmos sempre conhecer a Sua verdade, não
nos escondendo atrás de mentiras ou fantasias. Isso não só diz respeito à nossa oração, mas
também ao nosso posicionamento como profetas, liberando uma palavra de verdade
procedente da boca de Deus para correção, consolo ou ensino do Seu povo – ônica.
• dedicação ao Senhor e a nossa separação das coisas da carne e do mundo para podermos
andar como verdadeiros filhos de Deus na terra, puros e santos, da mesma forma que a gordura
era separada da carne e do couro do animal sacrificado. Ao entrarmos em oração, a palavra de
Deus deve sair como espada da nossa boca, separando alma e espírito, juntas e medulas, como
diz a bíblia (Hb 4: 12), ou seja, é ela que age no mundo espiritual desfazendo o que está oculto
e trazendo à luz a revelação de Deus – gálbano.
• sermos fiéis ao Senhor e crer nas Suas promessas, a fim de que a Sua justiça entre em ação
materializando-as na nossa vida – olíbano.
• ter a consciência do que Ele fez conosco quando nos chamou para sermos Dele, ou
seja: aliança, fidelidade da promessa, pacto imperecível, o amor imutável de Deus, sinal
de purificação e santidade – sal.
Quem fizesse esse incenso simplesmente com a intenção de desfrutar o seu aroma, seria
eliminado do meio do povo. Em outras palavras, quem não quiser se comportar da maneira
santa de Deus, quem não O leva a sério e zomba ou não dá o devido valor a Ele e às Suas coisas
não tem direito de desfrutar de Suas bênçãos ou da intimidade com Seu Espírito.
Por fim, podemos entender o que Paulo escreveu na epístola aos Coríntios: que nós somos o
bom perfume de Cristo para os que crêem:
• 2 Co 2: 14-17: “Graças, porém, a Deus, que em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por
meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos
para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem.
Para com estes, cheiro de morte para a morte; para com aqueles, aroma de vida para vida.
Quem, porém, é suficiente para estas coisas? Porque nós não estamos, como tantos outros,
mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com
sinceridade e da parte do próprio Deus”.
Os utensílios do Tabernáculo (do santuário)
Depois de termos descrito a medida do pátio exterior e seus os utensílios com seu significado,
voltemos mais uma vez para o santuário propriamente dito, a tenda da congregação, a fim de
descrever a mobília e os utensílios presentes no seu interior.
Havia colunas internas (que sustentavam a cortina entre o ‘Santo dos Santos’ e o ‘Lugar Santo’),
e as colunas externas, na porta da tenda. Elas eram de número diferente: quatro colunas
interiores e cinco colunas na porta. O texto se encontra em Ex 26: 31-32; 36-37. Ele diz: “Farás
também um véu de estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido; com querubins, o
farás de obra de artista. Suspendê-lo-ás sobre quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de
ouro; os seus colchetes serão de ouro, sobre quatro bases de prata... Farás também para a porta
da tenda um reposteiro de estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido, obra de
bordador. Para este reposteiro farás cinco colunas de madeira de acácia e as cobrirás de ouro;
os seus colchetes serão de ouro, e para elas fundirás cinco bases de bronze”.
Se você busca o significado dos números quatro e cinco, eu posso lhe dizer que quando escrevi
este texto o Espírito Santo não me permitiu colocar isso, pois me disse que, uma vez que a Nova
Aliança foi feita através de Jesus, para Ele isso estava enterrado no passado; não importa mais.
Por três vezes, quando abri a bíblia buscando Sua permissão para colocar esta informação, na
primeira vez eu abri na página onde está simplesmente escrito “Novo Testamento”, ou seja, a
salvação é alcançada pela fé e não por obras da Lei. Na segunda vez, Ele me mostrou o texto
onde Jesus chora por Jerusalém, que O rejeitou, assim como Seus profetas (Lc 13: 34-35); e na
terceira vez, Ele me falou em Daniel 7: 18: “Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o
possuirão para todo o sempre, de eternidade em eternidade”. Quem possuirá o reino de Deus
senão aqueles que receberam a salvação através de Jesus? Há uma Nova Aliança feita com o
homem agora, aliança esta que é definitiva, e já foi feita há dois mil anos com a vinda do próprio
Filho de Deus em carne.
Assim, podemos entender que havia uma separação dentro da tenda, isto é, dois recintos. Um
deles ficava atrás da cortina interior sustentada pelas quatro colunas de madeira de acácia
cobertas de ouro e sobre bases de prata. O outro recinto ficava entre esta cortina e a entrada
da tenda, onde também havia uma cortina do mesmo material, mas sustentada por cinco
colunas de madeira de acácia cobertas de ouro e sobre bases de bronze. O primeiro recinto se
chamava Santo dos Santos e era ali que a arca da Aliança fora colocada. O segundo recinto se
chamava Lugar Santo, e ali estavam: o altar de ouro, ou altar do incenso, a mesa com os pães
da proposição (para o norte) e o candelabro de ouro (para o sul). O altar do incenso, embora
colocado defronte da arca para fora do véu, no Lugar Santo, era considerada uma peça do Santo
dos Santos (Hb 9: 1-10). A primeira cortina simbolizava a separação entre o santo e o profano,
entre Deus e os homens. Foi o véu que se rasgou quando Jesus morreu na cruz, simbolizando
que Sua morte estava rompendo a separação entre Deus e nós. A partir daquele momento, Ele,
como sumo sacerdote, estava fazendo o sacrifício definitivo para nos dar livre acesso ao coração
do Pai.

No Lugar Santo, os sacerdotes entravam para oficiar todos os dias ao Senhor, de manhã e à
tarde, Arão e seus filhos.
• Êx 30: 1; 6-9: “Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o
farás... Porás o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do
propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele
o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará. Quando, ao
crepúsculo da tarde, acender as lâmpadas, o queimará; será incenso contínuo perante o Senhor,
pelas vossas gerações. Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto, nem
ofertas de manjares; tampouco derramareis libações sobre ele”.
No Santo dos Santos entrava apenas o sumo sacerdote uma vez por ano (no dia da expiação):
Lv 16:2, 12-14, 15; Hb 9: 7, 12, 24-28. Jesus, como nosso sumo sacerdote, ao morrer na cruz fez
essa expiação definitiva por nós, abrindo-nos o caminho para o altar, para o trono de Deus.
A arca da Aliança
Como nós dissemos no tema sobre a Arca da Aliança, esta era uma caixa construída de madeira
de acácia de dois côvados e meio de comprimento, um côvado e meio de largura e um côvado
e meio de altura (mais ou menos um metro e vinte centímetros x oitenta centímetros x oitenta
centímetros). A arca da Aliança era símbolo da presença de Deus com os homens, da Sua
aliança conosco.
Dentro da arca, o Senhor ordenou a Moisés que colocasse as tábuas da lei, que simbolizavam o
pacto ou aliança que Ele estava fazendo com o Seu povo.
Em Hb 9: 2-5a, quando o escritor fala sobre o antigo Tabernáculo ele comenta sobre a arca:
“Com efeito, foi preparado o tabernáculo, cuja parte anterior, onde estavam o candelabro, e a
mesa, e a exposição dos pães, se chama o Santo Lugar; por trás do segundo véu, se encontrava
o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos, ao qual pertencia um altar de ouro para o
incenso e a arca da aliança totalmente coberta de ouro, na qual estava uma urna de ouro
contendo o maná, a vara de Arão, que floresceu (Nm 17: 8-10), e as tábuas da aliança; sobre ela,
os querubins da glória, que, com sua sombra, cobriam o propiciatório”. E em Êx 16: 33-34 está
escrito: “Disse também Moisés a Arão: Toma um vaso, mete nele um gômer cheio de maná e
coloca-o diante do Senhor, para guardar-se às vossas gerações. Como o Senhor ordenara a
Moisés, assim Arão o colocou diante do Testemunho [NVI, as tábuas da aliança] para o
guardar”.
Isso significa:
Dentro do nosso ser Ele colocou Suas leis (tábuas – cf. 2 Co 3: 2-3: “Vós sois a nossa carta, escrita
em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de
Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente,
não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações”), Seu alimento (maná),
que é a Sua palavra para nos sustentar, e a Sua unção e autoridade como reis e sacerdotes (vara
de Arão que floresceu). Você pode ler mais sobre a Arca no tema correspondente a ela.
A mesa para os pães da proposição
A mesa para os pães da proposição ou pães da Presença está descrita em Êx 25: 23-30; Êx 37:
10-16. Suas medidas eram: dois côvados de comprimento, um côvado de largura e um côvado e
meio de altura (um metro comprimento, cinqüenta centímetros de largura e setenta e cinco
centímetros de altura). Sobre a mesa eram colocados os pães da Presença em número de doze,
um por cada tribo de Israel. Eles eram trocados todos os sábados, e só Arão e seus filhos podiam
comê-los (Lv 24: 5-9). A mesa significava comunhão e intimidade com Deus, e os pães, a comida
e a provisão divina.
O candelabro de ouro
O candelabro de ouro está descrito em Êx 25: 31-40; Êx 37: 17-24; Nm 8: 1-4; Hb 9: 2, e sua base
e a haste vertical eram de ouro puro batido. Havia seis hastes, três de cada lado, e pesava um
talento, ou seja, trinta e quatro quilos. Arão e seus filhos cuidavam dele para que as lâmpadas
se mantivessem acesas continuamente perante o Senhor; por isso havia o azeite de oliva puro,
de azeitonas batidas, ao invés de prensadas por uma pedra, como era de costume fazer para se
extrair o óleo (Lv 24: 1-4; Êx 27: 20-21). O candelabro significa a presença do
Espírito Santo conosco, a luz de Deus, um estilo de vida que deve fazer parte do modo de viver
de todo cristão.
O altar do incenso
Como dissemos anteriormente, o altar do incenso, embora colocado defronte da arca para fora
do véu, no Lugar Santo, era considerada uma peça do Santo dos Santos (Hb 9: 1-10). Ele era de
madeira de acácia, coberta com ouro, e suas medidas eram: um côvado de comprimento, um
de largura e dois de altura (aproximadamente cinqüenta centímetros x cinqüenta centímetros x
um metro – Êx 30: 1-10; Êx 37: 25-28). Ele também tinha quatro chifres (pontas erguidas) nas
suas bordas e quatro argolas dos lados por onde se passavam dois varais para poder ser
carregado.
O altar do incenso é um estilo de vida de oração e o brilho do Senhor (ouro) na nossa vida,
como um bom hábito que deve ser cultivado para que a nossa alma e o nosso espírito estejam
em sintonia com a palavra de Deus, ou seja, com os pensamentos do Senhor para nós, e assim,
possamos refletir Seu brilho e Sua verdade.
Significado total do Tabernáculo

O Tabernáculo assim construído tem uma semelhança com o nosso ser e com a nossa vida.
O Átrio Exterior representa nossos relacionamentos sociais em que muitas pessoas nos vêem,
nos cumprimentam, mas conhecem pouco de nós. O Lugar Santo é a nossa alma, da qual
participam pessoas mais próximas como a família e os amigos que nos conhecem melhor e
sabem do que se passa no nosso coração. Aí é que deveríamos vigiar mais para não deixar entrar
qualquer um e não sermos tão feridos (Ez 44: 5). No Santo dos Santos, que corresponde ao
nosso espírito, onde estão os mais íntimos dos nossos desejos e nosso verdadeiro eu, aí só o
Espírito de Deus tem acesso. Tudo o que é impuro e não tem comprometimento com o Seu
projeto deve ficar fora dos nossos muros ou da nossa tenda.
Quando Jesus veio, Ele cumpriu o papel do verdadeiro sumo sacerdote segundo a ordem de
Melquisedeque (Hb 5: 5-6), deu o exemplo de como ser o Tabernáculo de Deus na terra, nos
ensinou a importância da separação das coisas mundanas para podermos permanecer cobertos
pelo Seu sangue e debaixo da Sua bênção e da Sua aprovação sempre. Também nos ensinou a
fazermos o nosso sacrifício, ou seja, carregar a nossa cruz, vencer os nossos desafios e poder ser
o exemplo para aqueles que ainda não O conhecem possam entrar no Seu reino. Eles precisam
entender que é através do arrependimento sincero e se submetendo ao Seu julgamento que
eles conhecerão a Sua justiça e o significado do verdadeiro sacerdócio, que Ele já determinou
para todos os Seus filhos, lhes dando o direito de se achegar a Ele sempre que precisarem, sem
nenhum impedimento. Em Hb 4: 14-16 está escrito: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como
grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque
não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele
tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto,
confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça
para socorro em ocasião oportuna”.
Os israelitas levaram um ano para construir o Tabernáculo, de acordo com o projeto que foi
dado a Moisés no topo do Sinai. Este foi o tempo que eles permaneceram acampados ao pé da
Montanha Sagrada. Em Êx 19: 1-2 a bíblia diz: “No terceiro mês da saída dos filhos de Israel da
terra do Egito, no primeiro dia desse mês, vieram ao deserto do Sinai. Tendo partido de Refidim,
vieram ao deserto do Sinai, no qual se acamparam; ali, pois, se acampou Israel em frente do
monte”.
Eles gastaram três meses de caminhada do Egito até o Sinai.
• Êx 40: 2; 17; 34-35: “No primeiro dia do primeiro mês, levantarás o tabernáculo da tenda da
congregação... No primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês, se levantou o
tabernáculo... Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o
tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia
sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo”.
• Nm 9: 1-5: “Falou o Senhor a Moisés no deserto do Sinai, no ano segundo da sua saída da terra
do Egito, no mês primeiro, dizendo: Celebrem os filhos de Israel a Páscoa a seu tempo. No dia
catorze deste mês, ao crepúsculo da tarde, a seu tempo a celebrareis; segundo todos os seus
estatutos e segundo todos os seus ritos, a celebrareis. Disse, pois, Moisés aos filhos de Israel que
celebrassem a Páscoa. Então, celebraram a Páscoa no dia catorze do mês primeiro, ao
crepúsculo da tarde, no deserto do Sinai; segundo tudo o que o Senhor ordenara a Moisés, assim
fizeram os filhos de Israel”.
No primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês, se levantou o Tabernáculo. E no dia
14 deste mesmo mês, eles comemoraram a Páscoa, a segunda em suas vidas, pois a primeira
havia sido comemorada no Egito, antes que eles saíssem de lá.
• Nm 1: 1-2: “No segundo ano após a saída dos filhos de Israel do Egito, no primeiro dia do
segundo mês, falou o Senhor a Moisés, no deserto do Sinai, na tenda da congregação, dizendo:
Levantai o censo de toda a congregação dos filhos de Israel, segundo as suas famílias, segundo
a casa de seus pais, contando todos os homens, nominalmente cabeça por cabeça”.
• Nm 2: 1-2: “Disse o Senhor a Moisés e a Arão: Os filhos de Israel se acamparão junto ao seu
estandarte, segundo as insígnias da casa de seus pais; ao redor, de frente para tenda da
congregação, se acamparão”.
No segundo ano após a saída dos filhos de Israel do Egito, no primeiro dia do segundo mês, com
o Tabernáculo já construído, foi levantado o censo de toda a congregação dos filhos de Israel.
Deus mostrou como gostaria que Seus filhos se acampassem ao redor da Tenda.
Em outras palavras:
No 1º mês foi erguido o tabernáculo e no 2º mês foi feito o censo. Depois o Senhor lhes
mostrou como deveriam se acampar dali para frente. Por isso, a tenda inicial onde Deus falava
com Moisés foi armada fora do arraial, para que longe do povo, ele pudesse conversar em
santidade com o Senhor. É o mesmo que dizer: para que longe do pecado, ele pudesse entrar
em santidade na presença de Deus. Quem quisesse buscar o Senhor, precisava sair do arraial e
ir até a tenda, que passou a ser chamada de tenda da congregação:
• Êx 33: 7-11: “Ora, Moisés costumava tomar a tenda e armá-la para si, fora, bem longe do
arraial; e lhe chamava a tenda da congregação. Todo aquele que buscava ao Senhor saía à tenda
da congregação, que estava fora do arraial. Quando Moisés saía para a tenda, fora, todo o povo
se erguia, cada um em pé à porta da sua tenda, e olhavam pelas costas, até entrar ele na tenda.
Uma vez dentro Moisés da tenda, descia a coluna de nuvem e punha-se à porta da tenda; e o
Senhor falava com Moisés. Todo o povo via a coluna de nuvem que se detinha à porta da tenda;
todo o povo se levantava, e cada um, à porta da sua tenda, adorava ao Senhor. Falava o Senhor
a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial,
porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda”.
Agora leia:
• Nm 10: 11-13: “Aconteceu, no segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês, que a nuvem
se ergueu de sobre o tabernáculo da congregação. Os filhos de Israel puseram-se em marcha do
deserto do Sinai, jornada após jornada; e a nuvem repousou no deserto de Parã. Assim, pela
primeira vez, se puseram em marcha, segundo o mandado do Senhor, por Moisés”.
• Nm 10: 33-36: “Partiram, pois, do monte do Senhor caminho de três dias; a arca da Aliança do
Senhor ia adiante deles caminho de três dias, para lhes deparar lugar de descanso. A nuvem do
Senhor pairava sobre eles de dia, quando partiam do arraial. Partindo a arca, Moisés dizia:
Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam de diante de ti os que te
odeiam. E, quando pousava, dizia: Volta, ó Senhor, para os milhares e milhares de Israel”.
• Nm 9: 15-23: “No dia em que foi erigido o tabernáculo, a nuvem o cobriu, a saber, a tenda do
testemunho; e, à tarde, estava sobre o tabernáculo uma aparência de fogo até à manhã. Assim
era de contínuo: a nuvem o cobria, e, de, noite havia aparência de fogo. Quando a nuvem se
erguia de sobre a tenda, os filhos de Israel se punham em marcha; e, no lugar onde a nuvem
parava, aí os filhos de Israel se acampavam. Segundo o mandado do Senhor, os filhos de Israel
partiam e, segundo o mandado do Senhor, se acampavam; por todo o tempo em que a nuvem
pairava sobre o tabernáculo, permaneciam acampados. Quando a nuvem se detinha muitos dias
sobre o tabernáculo, então, os filhos de Israel cumpriam a ordem do Senhor e não partiam. Às
vezes, a nuvem ficava poucos dias sobre o tabernáculo; então, segundo o mandado do Senhor,
permaneciam e, segundo a ordem do Senhor, partiam. Às vezes, a nuvem ficava desde a tarde
até à manhã; quando, pela manhã, a nuvem se erguia, punham-se em marcha; quer de dia, quer
de noite, erguendo-se a nuvem, partiam. Se a nuvem se detinha sobre o tabernáculo por dois
dias, ou um mês, ou por mais tempo, enquanto pairava sobre ele, os filhos de Israel
permaneciam acampados e não se punham em marcha; mas, erguendo-se ela, partiam. Segundo
o mandado do Senhor, se acampavam e, segundo o mandado do Senhor, se punham em marcha;
cumpriam o seu dever para com o Senhor, segundo a ordem do Senhor por intermédio de
Moisés”.
• Êx 40: 36-38:“Quando a nuvem se levantava de sobre o tabernáculo, os filhos de Israel
caminhavam avante, em todas as suas jornadas; se a nuvem, porém, não se levantava, não
caminhavam, até ao dia em que ela se levantava. De dia, a nuvem do Senhor repousava sobre o
tabernáculo, e, de noite, havia fogo nela, à vista de toda a casa de Israel, em todas as suas
jornadas”.
No segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês, após terem levantado o censo, a nuvem
se ergueu de sobre o Tabernáculo pela primeira vez, e os filhos de Israel iniciaram a sua
peregrinação pelo deserto, por quarenta anos.
Conclusão:
Podemos resumir tudo o que lemos em poucas palavras: nós somos hoje o tabernáculo de Deus,
e com o Seu Espírito de vida dentro do nosso ser, nos ajudando a atravessar os desertos e a
conquistar as promessas do Senhor aqui mesmo na terra. Através da superação das nossas
provas e desafios e do exercício da palavra de Jesus, nós nos santificamos até a nossa morada
definitiva na Nova Jerusalém. Não precisamos mais de lugares especiais e suntuosos nem de
sacrifícios para falar com Ele, e sim de um coração arrependido e contrito que se alegra com a
simplicidade do evangelho que Jesus nos deixou como herança. A letra mata, mas o Espírito
vivifica, é o que diz a palavra de Deus (2 Co 3: 6 b).
Ao invés de ficarmos questionando a bíblia, em especial as coisas do Antigo Testamento,
querendo estudá-las de uma maneira científica e racional como se tentando provar se Deus
realmente existe seria melhor aceitarmos a Sua palavra como crianças e deixar o Seu Espírito
Santo nos ensinar. Só assim nós teremos a verdadeira revelação do porquê de tantas minúcias
divinas dadas ao Seu povo no passado.
A Antiga aliança foi extinta; a Nova Aliança através de Jesus já foi feita e está disponível para
todo aquele que quiser ser realmente liberto. Jogue fora as mentiras com aparência de verdade,
os conhecimentos desnecessários, os rituais, os dogmas e doutrinas religiosas e se entregue a
Jesus para que você possa ser salvo. Que importância tem sabermos se o animal era doninha,
antílope, texugo ou dugongo? Que importância tem sabermos se o incenso era feito com casca
de árvore ou casca de concha de molusco? O que importa é saber que Jesus é a nossa cobertura
quando temos um compromisso sério com Ele, e o único incenso que Ele deseja sentir o cheiro
é a nossa oração sincera e cheia de gratidão e devoção. O único sacrifício que Ele pede é o
arrependimento pela rebeldia e pelo orgulho de se achar auto-suficiente. E os dois únicos
mandamentos que são necessários se resumem em apenas dois: ‘Amai a Deus sobre todas as
coisas, e ao próximo, como a ti mesmo’.
Durante a redação deste texto, o Senhor me falou várias vezes neste texto de Lucas. Clame pela
Sua sabedoria e pela Sua ajuda e Ele vai ouvir:
“Naquela mesma hora, alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te e vai-te daqui, porque
Herodes quer matar-te. Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que, hoje e amanhã,
expulso demônios e curo enfermos e, no terceiro dia, terminarei. Importa, contudo, caminhar
hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém.
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas
vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas,
e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. E em verdade vos digo que não
mais me vereis até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Lc 13: 31-35).
Agora, olhe bem a imagem, medite e repita para você mesmo (a): – “EU SOU O TABERNÁCULO
DE DEUS NA TERRA”, e nunca mais se esqueça disso.
1. O Altar de Bronze (Êxodo 27: 1-8)
É o primeiro objeto encontrado ao entrar no átrio. Suas dimensões eram: cotovelos 5x5x3, então
era quadrado, um símbolo que lembra o alcance universal do Sacrifício da Cruz (4 ventos, 4
pontos cardeais, etc.). O altar é uma figura de Cristo ( madeira de acácia, ou de Sittim), mas de
Cristo como o objeto do julgamento de Deus sobre o pecado (bronze) (ver Números 16: 36-40).

O objetivo essencial do altar era para ser o local onde se ofereciam sacrifícios e
derramou sangue , o único que fez expiação no altar pelas almas (Levítico 17:11, ver também
Hebreus 9:22: n2 "Sem derramamento de sangue não há remissão) o altar fala de Cristo.
sacrifícios falar de Cristo, o padre fala de Cristo todo o que estava acontecendo no altar
apresenta a cruz Duas verdades fundamentais emergem do altar .. de bronze e dos sacrifícios
que foram oferecidos nele.
a. A necessidade de sangue para remover o pecado. Esta verdade é revelada do Gênesis
ao Apocalipse: "O salário do pecado é a morte " (Romanos 6:23); o sangue derramado
nos fala sobre a morte do culpado ou de uma vítima oferecida em seu lugar. Não há
outros meios para remover o pecado de Deus;
b. A doutrina essencial de substituição: de acordo com o pensamento de Deus, uma vítima
sem mancha pode ser oferecido para os culpados, então o carneiro oferecido em vez de
Isaac (Gênesis 22), ou o cordeiro pascal morreu em vez do primogênito (Êxodo
12) "Cristo sofreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos" (1 Pedro 3:18); "Aquele
que não conheceu pecado, nos fez pecar por nós" (2 Coríntios 5:21).
A grade de latão do altar, que sustentava o fogo do julgamento, também nos lembra de Cristo,
que passou pelo fogo do julgamento de Deus. Sendo tão sondado em todo o seu ser, ele
manifestou apenas suas próprias perfeições.
Os sacrifícios eram oferecidos no altar: holocausto , oferendas vegetais, sacrifícios de peixe ,
sacrifícios pelo pecado ou culpa (Levítico 1 a 7).
Vamos fazer uma pausa no sacrifício pelo pecado, conforme apresentado em Levítico 4: 27-
35. Eis um exemplo de um israelita que, tendo desobedecido a um dos mandamentos de Jeová,
"torna-se culpado" (VM) e depois consente com seu pecado. É o Espírito Santo quem convence
do pecado através da Palavra. Por um longo tempo um homem pode permanecer indiferente
aos pecados que cometeu, bem como ao seu estado pecaminoso diante de Deus, mas chega um
momento em que, em sua graça, Deus intervém através de seu Espírito para produzir nele esse
sentimento. de culpa. O que você deveria fazer então? O israelita deveria "trazer a sua oferta"
uma cabra ou cordeiro sem defeito (verso 28,32). Não o suficiente para saber como proceder
para que o pecado foi perdoado, mas era necessário para trazer efetivamente uma oferta: Vá
olhar em seu rebanho, sem mancha e passar a todo o acampamento de carro para o portão do
pátio para trazer isso para o altar. Uma vez lá, o israelita teve que colocar a mão sobre a cabeça
do sacrifício, colocando sobre esta vítima inocente e sem defeito, o pecado que ele reconheceu
culpado. Então, ele mesmo teve que cortar a garganta da vítima. É necessário que alguém ou
pessoalmente à cruz, que reconheça seu pecado, que aceite que isto tenha sido tomado pela
Santa Vítima, "sem mancha e sem contaminação"(1 Pedro 1:19), punido pelo julgamento de
Deus em vez do pecador.
O sacerdote pegou o sangue da vítima, colocou-o nas pontas do altar e derramou o resto ao pé
do altar; então ele queimou a gordura e fez propiciação pelo culpado. Este padre nos fala de
Cristo, que fez tudo pela purificação do pecador. A Palavra então declara formalmente duas
vezes: "e ele será perdoado" (v.31 e 35). O israelita podia voltar para sua tenda com a certeza de
ter sido perdoado, não porque sentisse algo em si mesmo, mas porque estava escrito na Palavra
inspirada: "E ele será perdoado". Da mesma forma hoje, a obra de Cristo nos dá a certeza da
Salvação, mas é a Palavra de Deus que nos dá a certeza disso: "Aquele que crê no Filho tem a
vida eterna" (João 3:36, ver também Hebreus 10:10 e 14).seguro de sua salvação, pegue sua
Bíblia e sob os olhos de Deus aceite o que está escrito e acredite.
Para os holocaustos (Levítico 1), o israelita que se aproximava do altar também devia "pôr a mão
sobre a cabeça do holocausto" (v. 4). Neste caso, não se tratava de ser perdoado; Aquele que
trouxe a oferta já foi perdoado, porque anteriormente ele teve que trazer um sacrifício pelo
pecado. Ele ofereceu esse holocausto como prova de gratidão e adoração. De alguma forma, os
méritos daquele. Deus "nos tornou aceitáveis para o Amado" (Efésios 1: 6). Deus vê os seus em
Cristo; por causa do holocausto que se eleva "a Deus em odor fragrante" (5: 2).
2. A Fonte do Bronze (Êxodo 30: 17-21; 38: 8)
A Fonte de Bronze, cujas dimensões não nos foram dadas, estava localizada entre o altar de
bronze e o Tabernáculo. Não servia para oferecer sacrifícios, mas para lavá-lo, o que Arão e seus
filhos tinham que fazer cada vez que entravam no altar para oferecer um sacrifício.
Em João 13, o próprio Senhor Jesus nos mostra o significado da Fonte de Bronze. Ao celebrar a
última ceia com seus discípulos, Ele se levanta da mesa e começa a lavar os pés. Pedro não
queria que ele fizesse isso com ele, mas Jesus lhe disse: "Aquele que está lavado precisa apenas
lavar os pés, pois tudo está limpo" (v.10).
Para aquele que tem todo o corpo lavado, isto é, que passou pelo novo nascimento para a
conversão, não é necessário repetir o que foi realizado de uma vez por todas (Tito: 3: 5); mas
acontece muitas vezes que o crente, por causa da carne que ainda está nele, pecou, manchou
os pés na estrada. Não é uma questão de ser "convertido" novamente, mas de ter seus pés
lavados. O Senhor mostra através da Palavra que ele estava faltando; então você deve confessar
sua culpa a Deus (1 João 1: 9) e lembrar que por causa desse pecado Cristo morreu (veja também
a figura da novilha vermelha em Números 19). Uma vez que o resgatado assim lavou seus pés,
ele pode ter parte com o Senhor, isto é, desfrutar da comunhão com Ele. Eu pergunto Por que
não praticamos no Templo?
Com efeito: quando um crente falha, a comunhão com o Senhor é interrompida. Não há mais
alegria, não há gosto pela Palavra. A salvação não está perdida. A vida eterna está sempre lá,
mas há uma nuvem. É necessário, então, retornar ao Senhor, confessar a falta, discernir suas
causas julgando a si mesmo, lembrar-se da eficácia de seus sacrifícios, e então é quando alguém
é restaurado. Mas lembremo-nos sempre de que todos os recursos estão à nossa disposição
para não ceder ao pecado, como o apóstolo João escreve: "Estas coisas vos escrevo para que
não pequeis" (João 2: 1).
É importante fazer esse julgamento de nós mesmos e de lavar os pés todos os dias; mas, assim
como os sacerdotes tiveram que fazê-lo antes de entrar no santuário ou antes de se
aproximarem do altar, é particularmente importante que o façamos, cada um por si, antes do
culto e antes de participar do jantar, segundo o ensinamento.de 1 Coríntios 11: 26-32. Nestes
versos nos é revelado que qualquer um que comer o pão ou beber o cálice do Senhor
indignamente será culpado do corpo e sangue do Senhor. Mas não é acrescentado que, devido
à mancha da estrada, é necessário se abster do jantar; Pelo contrário, é adicionado: "Prove-se
cada um e coma assim". Antes de entrar no santuário, julgue-se, passe pela fonte de bronze e
assim coma. Com um profundo sentimento do que é a graça que, por causa da obra de Cristo,
nos permite chegar mais perto, vamos participar do memorial de sua morte para responder ao
seu último desejo.
Negligenciar o julgamento diário de nós mesmos e participar do jantar em tal estado nos expõe
ao julgamento do Senhor. Tantos em Corinto eram fracos, doentes ou até adormecidos, isto é,
estavam mortos; mas nós vemos isso como um também ensinar moral , porque se nós
enjuiciarnos estabeleceu e teve jantar leve (abster-se talvez ainda pior), estaremos
espiritualmente fraco, ou doente (A ovelha doente longe do rebanho!) ou seremos vencidos
pelo sonho espiritual (Efésios 5:14). Se este é o caso, como é importante acordar, "ressuscitar
dos mortos" (VM) para redescobrir a luz do rosto de Jesus Cristo.
A Fonte de Bronze foi feita com os espelhos das mulheres que guardavam a porta do tabernáculo
do encontro (Êxodo 38: 8). Isso configura um ensino duplo:
a. Os espelhos nos falam, de acordo com Tiago 1:23, da Palavra de Deus, que revela
nossas falhas , a sujeira de nossos pés;
b. As mulheres que allegaban da tenda de reunião com aqueles que buscavam o Senhor
(Êxodo 33: 7) tinha um coração arranjou-lhe como. Eles gostei da sua presença, era fácil
alegremente abandonar o Senhor que era anteriormente o tema da vaidade.
3. A Mesa do Pão da Proposição (Êxodo 25: 23-30, Levítico 24: 5-9)
A mesa, de pequenas dimensões (dois côvados de comprimento, um côvado de largura e ½ de
côvado de altura) era feita de madeira de acácia (ou Sittim), coberta com uma folha
de ouro puro. Ele era, evidentemente, uma figura de Cristo liderando seu povo diante de Deus.
O pão na mesa, número doze (Levítico 24: 5-9), tem um duplo significado. Feitos de farinha fina,
coberta com incenso, como a oferta vegetal (Levítico 2), eles nos fazem pensar:
a. Primeiro em Cristo, nutrição dos sacerdotes no Santo Lugar. Esta comida é indispensável
para o Filho de Deus que quer crescer em um estado de "homem perfeito" (Efésios 4:13)
e não permanecer criança em Cristo. Sem comida, uma criança ou uma planta
murcha. Mas a comida deve ser saudável, se não a criança ou a planta perecer. Nosso
"homem interior" é formado por alimento espiritual. O Salmo 144: 12 expressa essa
oração: "Que nossos filhos sejam como plantas cultivadas em sua juventude ". Vamos
meditar frequentemente sobre a pessoaVamos procurá-lo nos Evangelhos e em toda a
Palavra. Um irmão disse: "Se você não encontrou Cristo nesta página da Bíblia, você leu
errado!". "Pesquise as Escrituras ... Eles são os que testificam de mim" (João
5:39). Lembremos de passagem que Cristo como alimento também nos é apresentado
na oferta vegetal, no sacrifício pelo pecado, no sacrifício da paz, no sacrifício da
consagração e no cordeiro da Páscoa; por outro lado, como maná e trigo do país;
b. Em Santos: vistos em Cristo, tendo a sua natureza (farinha), aceitável a Deus (incenso)
na ordem estabelecida por Deus (seis por linha), como descrito por , por exemplo, a
epístola aos Colossenses. Eles são os crentes à luz do Santuário, em sua posição diante
de Deus; um molde de uma extensão ao redor da mesa impedia que os pães caíssem, o
que é um emblema da segurança que os resgatados têm em Cristo;
c. Nas doze tribos de Israel , seja no tempo do deserto, ou no tempo futuro, quando a
administração na terra é confiada àquele povo; e, no santuário, sempre presente no
pensamento de Deus (Romanos 11).
4. O Candelabro (Êxodo 25: 31-40; Levítico 24: 1-4; Números 8: 1-4)
Ao contrário dos outros objetos do Tabernáculo feitos de madeira de acácia coberta de ouro, o
castiçal era totalmente de ouro puro, forjado em uma única peça. Ele nos fala do que é
essencialmente divino. Era feito de ouro batido ("martelado"), lembrando que aquele que
representa Cristo passou pelo sofrimento. O bezerro de ouro, por outro lado, foi simplesmente
lançado (Êxodo 32:34). O próprio candelabro, então, é uma figura de Cristo, enquanto o óleo é,
como em toda a Palavra, uma figura do Espírito Santo .
Um dos elementos do candelabro que é mencionado várias vezes são as flores da
amendoeira. Essas flores nos fazem pensar na haste de Arão que floresceu e produziu flores e
amêndoas, como vemos em Números 17: 8, que é uma figura da ressurreição de Cristo. A
amendoeira, de acordo com Jeremias 1: 11-12, afirma que Deus cumpre suas promessas em
Cristo. Precisamente foi um Cristo ressuscitado e glorificado que deu o Espírito Santo ao seu
povo.
No grupo formado pelo candelabro, o óleo e as sete lâmpadas acesas no santuário, também
podemos ver Cristo como ele é apresentado pelo Espírito Santo através dos vasos humanos do
ministério.
De fato, sob este aspecto, havia uma necessidade de "farejadores" (Êxodo 25:38) para remover
tudo o que teria impedido o livre fluxo de petróleo para produzir luz. Por outro lado, as sete
lâmpadas nos mostram que o ministério de Cristo através do Espírito é exercido por diferentes
canais.
Nós vemos o candelabro brilhar sob cinco aspectos:
a. O Senhor Jesus, falando do Espírito Santo, diz: "Ele me glorificará, porque tomará o que
é meu e lhe dirá" (João 16:14).
b. À sua frente (Êxodo 25:37), pois o maior e primeiro testemunho dado pelo Espírito Santo
é concernente ao próprio Cristo; É por isso que o primeiro objeto que atraiu os olhos ao
entrar no santuário foi o lustre totalmente iluminado.
c. O castiçal iluminou a mesa dos pães (Êxodo 26:35); é o Espírito Santo que coloca em
evidência a posição dos santos em Cristo no santuário.
d. O candelabro brilha em Números 8 em relação à purificação dos levitas: é o Espírito
Santo que deve dirigir todo serviço a Deus e ser seu motor .
e. Em Levítico 24, vemos o candelabro no início de um capítulo em que a oposição a Deus
no meio de Israel será manifestada: apostasia. Diante do mal que entra no povo de
Deus, somente o Espírito Santo é o remédio.
f. Em Êxodo 27:21 e 30: 8 é visto que o candelabro queimou a noite toda. (Deve-se notar
que, no templo de Ezequiel, durante "o dia" do milênio, não há candelabro). Somente
durante a noite da rejeição e a ausência de Cristo o Espírito Santo ilumina o santuário
na terra e produz a oração de intercessão e adoração.
Embora a comida seja essencial para crescer, a luz não é a menos importante. Uma planta
localizada em um lugar escuro, mesmo que bem regada, perecerá. Um jovem cristão que não
anda na luz não pode progredir. Pelo contrário, ele se afastará cada vez mais do Senhor. E a luz
do Espírito Santo geralmente não sai de repente para nós, mas deixamos pouco a pouco que
uma coisa primeiro e depois outra é colocada entre o Senhor e nós como um véu de luz, que
engrossa cada vez mais até nos privar da comunhão com ele, da alegria de sua Pessoa e parar
a açãodo Espírito Santo em nós. Então não pode haver crescimento nem alegria. O que é
necessário fazer? Volte para Ele com oração, busque Seu rosto e aproveite o tempo necessário
para passar com Ele, como Maria (Lucas 10: 38-42), se possível, horas que podem acontecer até
que Ele retorne a alegria de nossa salvação.
5. O Altar de Ouro (Êxodo 30: 1-10)
O Altar de Ouro era muito menor em tamanho que o Altar de Bronze, isto é, um côvado de
largura, um côvado de comprimento (quadrado) e dois côvados de altura. Era feito de madeira
de acácia coberta de ouro puro e fala essencialmente de Cristo. Localizado em frente do véu
(v.6), está legitimamente ligado à Arca e ao Propiciatório.
No altar de ouro o sacerdote oferecia o perfume, enquanto do lado de fora o povo rezava (Lucas
1: 9-10). É uma bela figura do Senhor Jesus que apresenta a Deus as orações de seu povo, seja
como intercessão, seja como adoração (Apocalipse 8: 3-4).
No Altar de Ouro, o Sumo Sacerdote intercede pelo povo, como Cristo em João 17, Hebreus 7:25
e Romanos 8:34.
Mas o Filho de Deus também pode vir ao Altar de Ouro hoje para oferecer incenso, isto é, as
perfeições de Cristo que sobem a Deus. Tal é o culto, o mais alto serviço do cristão. É um culto
que é oferecido em primeiro lugar na Assembléia (1 Pedro 2: 5), mas cada um de nós não pode,
de manhã e à noite como o sacerdote com o incenso, elevar a Deus seu reconhecimento pelo
inefável Dom de seu Filho. ?
O incenso era somente para Deus (Êxodo 30: 34-38); nem poderia ser oferecido a não ser no
lugar Santo e não deveria ser consumido por fogo estranho, mas apenas pelo que é retirado do
Altar de Bronze (ver Nadaba e Habilidade em Levítico 30: 34-38). Quão importante é que
estamos reunidos no sentimento de sua Presença quando abrimos a Palavra ou nos
aproximamos de Deus em oração, ou ainda mais quando estamos reunidos em torno do Senhor
em Assembléia! A distração, os olhares, os sorrisos lamentosos que se trocam entre banco e
banco, mesmo durante o culto, são, sem exagero, uma iniqüidade no Santo Lugar, nada da carne
deve ser tolerado ali. E a pressa de certas pessoas que, antes de terminar o serviço, se preparam
para sair!
Por outro lado, somente a Deus, Pai e Filho, são nossas orações e nossa adoração dirigida. Em
nenhum lugar da Palavra vemos que as orações deveriam ser dirigidas a outra pessoa. Só Ele
pode ser o objeto de adoração: "Curve-se a Ele, porque Ele é o seu Senhor"! (Salmo 45:11)
6. A Arca (Êxodo 25: 10-22)
Nas ordenanças do Tabernáculo dadas por Deus a Moisés, nos capítulos 25 a 27, a Arca ocupa o
primeiro lugar. Da mesma forma, quando Deus se revela para nós, ele sai do Santuário e sai para
o Átrio; ele nos apresenta primeiro o que é o objetivo supremo de seu Coração; a pessoa de
Cristo. Quando consideramos o caminho pelo qual nos aproximamos de Deus, vamos primeiro
ao Átrio, ao Altar, depois à fonte e só então podemos entrar no Santuário. É por isso que em
nossa palestra colocamos diante de nossos olhos esses capítulos, é sem dúvida porque a Pessoa
de Cristo deve ter o primeiro lugar em nossos corações. No Salmo 132, vemos a importância da
Arca para Davi. É notável que este Salmo seja seguido por 133, no qual é visto "
Você não podia ver a Arca exceto no Santo dos Santos. O acesso a Ele está aberto para nós
hoje; mas é apropriado que, quando nos ocupamos na Pessoa do Senhor, façamos sempre com
a maior reverência.
A Arca tinha 2 ½ côvados de comprimento, 1 ½ de largura, 1 ½ de altura, era feita de madeira
de acácia e ouro puro (para as tábuas não se fala de ouro puro), como uma figura da Pessoa de
Cristo, "o Verbo (Palavra) ... feito carne" (João 1:14), "Deus ... manifestado na carne" (1 Timóteo
3:16). Mistério antes do qual nós adoramos! Mas de modo algum deveríamos querer dissecar a
humanidade perfeita (madeira de acácia) da divindade (ouro), sempre apresentada na Palavra
maravilhosamente unida em uma Pessoa, como nos é revelada pelos Evangelhos e outras
páginas. das Escrituras . Porque eles queriam olhar para a Arca, os homens de Bete-Semes
morreram (1 Samuel 6:19) e, porque eles tocaram a Arca, Uzá foi mortalmente ferido (2 Samuel
6: 6-7).
A cornija ou coroa de ouro foi em torno da Arca (Êxodo 25:11), falando da glória exaltada de
Cristo, mas também formando uma espécie de proteção contra qualquer desrespeito ao
ministério da pessoa (a mesma borda visto em o Altar de Ouro e a Mesa dos Pães).
Como os outros objetos do Tabernáculo, a arca foi unida com varas para carregá-lo. Este último
tem uma importância particular no relacionamento com a Arca, quer se pense em todos os
estágios que ela viajou do Sinai para o seu descanso final no Templo de Salomão (1 Reis 8: 8),
quer ela mais uma vez enfatize a santidade do que o próprio Cristo representava: a Arca sempre
deve ser carregada em uma liteira e não colocada em um carro (1 Crônicas 15: 2).
Em Números 4: 4-5 vemos a Arca marchando pelo deserto, coberta de azul, exatamente como
Cristo neste mundo: "Aquele que vem do céu" (João 3:31). Sob o azul, as peles de texugo
cobriam suas várias glórias: o véu (v. 5), que era o único que poderia estar em contato com a
própria Arca. "Não há semelhança Nele, não há beleza, vamos vê-lo, mas sem atrativos para
desejá-lo" (Isaías 53: 2). Somente a fé podia discernir as glórias do véu, sob as peles dos
texugos. Quanto à própria Arca, "ninguém conhece o Filho, mas o Pai" (Mateus 11.27). É o
mistério inescrutável.
No deserto (mas depois de ter passado o Jordão), a Arca é chamada "A Arca do Testemunho"
(Êxodo 25:16). Havia no deserto deste mundo uma Testemunha fiel que respondia em tudo à
vontade de Deus (tábuas da lei na Arca) e que O glorificava na terra.
Em Números 10:33 temos "a Arca da Aliança", a base das revelações de Deus com seu povo; e
finalmente, há "a Arca do Senhor", quando se trata de mostrar o seu poder , como no Jordão,
em Jericó ou na casa de Dagom (Josué 4: 5; 6: 6-13; 1 Samuel 5: 3 ).
7. O propiciatório (Êxodo 25: 17-21 )
A Arca era um baú e tinha uma capa chamada de assento de misericórdia. O termo hebraico
traduzido por propiciatório deriva "capa ou capa". No Antigo Testamento, a propiciação
(expiação na Reina-Valera 1960) dos pecados significa que eles estavam "cobertos", como no
Salmo 32: 1; enquanto no Novo Testamento, uma vez que a obra de Cristo foi cumprida, os
pecados são "tirados" (Hebreus 9:26; 10: 4, 11-18). A palavra propiciatória, traduzida na versão
alemã por "Gnadenstuhl" e na versão inglesa por "trono de misericórdia" (ou "a sede da graça")
- também contém a idéia de graça, de misericórdia.
O propiciatório foi inteiramente feito de ouro puro, que fala da justiça inerente à natureza
divina. Por outro lado, no propiciatório havia dois querubins de ouro batido, um pedaço com o
propiciatório. Os querubins, sede do trono de Deus (Salmos 80: 1; 89:14), falam
fundamentalmente do julgamento de Deus; assim, a justiça divina exige o inexorável julgamento
de Deus sobre seu povo pecador; que de modo algum observam a lei (Êxodo 32:19).
Mas o querubim e o propiciatório foram colocados na Arca, o que é como dizer sobre Cristo, que
cumpriu a vontade de Deus e permitiu que ela cumprisse o amor pelo homem (a Arca continha
as tábuas da lei) ; então, no propiciatório, estava o sangue da vítima que o sacerdote havia
trazido para lá o grande dia da expiação (Levítico 16: 14-15). Os querubins não tinham espada,
como no Éden, mas, pelo contrário, asas para proteger, e seus rostos um diante do outro -
voltavam-se para o propiciatório, ou seja, olhavam para o sangue!
O todo - a Arca, o Propiciatório e os Querubins - tornou-se assim, não o trono de Deus em
julgamento, mas o trono da graça. Tudo nos fala sobre Cristo e seu trabalho; vemos nele, de
maneira surpreendente e profunda, como Ele respondeu plenamente à justiça e ao amor de
Deus (Salmo 85:10), o trono da graça é baseado na obediência de Cristo até a morte.
O propiciatório era o lugar de encontro de Deus com o homem em um duplo sentido:
a. Arão, o sacerdote, representando o povo diante de Deus, veio com o sangue.
b. Moisés, o enviado de Deus, o apóstolo, recebeu ali as mensagens de Deus para o povo
(Êxodo 25:22).
O Senhor Jesus, em Hebreus 3: 1, encontra o duplo caráter de Moisés e Arão quando. . Ele é
chamado de "apóstolo e sumo sacerdote da nossa profissão".
8. Conteúdo da Arca (Hebreus 9: 4)
a. As primeiras tábuas haviam sido quebradas entre a idolatria do povo (Êxodo 32:19). A
segunda comprimidos são apresentados a nós em Deuteronômio 10: 3-5, como fez até
depois da construção da Arca e colocou lá como Moisés desceu da montanha , só Cristo
a lei de Deus (Salmo 40: 8) poderia satisfazer; só por causa dele, figurado pelo povo.
b. As tabelas da lei
c. O vaso dourado (Êxodo 16: 32-34)
Este vaso dourado contendo o maná nos apresenta dois pensamentos:
 A fidelidade de Deus, que durante quarenta anos alimentou seu povo pelo deserto; era
conveniente ter isso em mente: "você se lembrará de todo o caminho" (Deuteronômio
8: 2).
 Ela é um memorial de Cristo descendo do céu, pão da vida, comida de seu povo no
deserto (João 6: 31-38, 58).
Deve-se notar a esse respeito que os israelitas coletavam um omer de mana todos os dias; essa
é a nossa parte: alimentar-se de Cristo todos os dias. Mas o último versículo de Êxodo 16 nos diz
que "um ômer (ou omer) é a décima parte de um efa", o que significa que o pouco que podemos
compreender de Cristo aqui na terra é apenas uma pequena parte de toda a medida que nós
teremos em glória.
a. A Haste de Arão (Números 17)
Esta haste, que havia surgido, produziu flores e amêndoas, fala de graça e ressurreição. Assim,
tudo o que a Arca nos ensina sobre a Pessoa de Cristo é completado por seu conteúdo: sua
perfeita obediência, sua humilhação como descendente do céu, sua graça e sua ressurreição.