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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS CAMPUS DO SERTÃO CURSO DE HISTÓRIA Disciplina: Técnicas de pesquisa histórica

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS CAMPUS DO SERTÃO CURSO DE HISTÓRIA

Disciplina: Técnicas de pesquisa histórica Docente: Sheyla Farias. Aluno: Lucas Brito Santana Da Silva.

Turma: N

FICHAMENTO

REFERÊNCIA DO TEXTO: KARNAL, Leandro e TATSCH, Flávia Galli. Documento e história: a memória evanescente. In: PINSKY & LUCA. (Orgs.) O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009, p. 9-27.

OBJETO: O documento histórico.

OBJETIVOS: Entender o que é um documento e o que faz dele um documento histórico em determinada conjuntura.

METODOLOGIA: Consulta bibliográfica, fontes primárias e secundárias; entre as primárias, destaca-se a infame carta de Pero Vaz Caminha.

PRINCIPAIS ARGUMENTOS: Desde o século XIX, o documento aparece como elemento fulcral para a História, a questão sobre o que é um documento passou muito tempo sendo negligenciada. Ora, o documento não é documento em si(KARNAL, TATSCH, 2009, p. 12), o que significa que a importância que ele venha a desfrutar não reside em si mesmo; a atenção que será prestada a um documento depende da conjuntura na qual ele se encontra, sempre numa relação dialógica entre o presente e o próprio documento e seus possíveis significados, estes, também, não estabelecem a si

mesmos, podendo variar segundo a localização espaço-temporal e as próprias possibilidades de leituras que o documento, em si, apresenta, assim como as possibilidades abertas pelos diferentes historiadores e pelos diferentes recortes que eles fazem em suas leituras – “todo documento é uma construção permanente(ibidem). Os autores, em contraposição aos metódicos e ao pós-estruturalismo, postulam que os significados do documento não podem ser instituídos a partir dele mesmo, e que por outro lado, a produção de sentido do documento não é, meramente, um exercício de subjetividade do historiador, mas sempre um diálogo. A preservação de um documento

e a sua importância histórica dependem, em parte, da fortuna do próprio documento, a outra parte dependerá das práticas ideológicas que em determinado momento concorrem para o apagamento/silenciamento de determinadas memórias. De vital importância para a extensão da concepção de documento será a Escola

dos Annales, que em detrimento da tradição metódica, com as iniciativas de Marc Bloch

e Lucian Febvre, proporá uma definição que abarca como documento histórico tudo

aquilo que contivesse a possibilidade de vislumbrar a ação humana(ibidem, p. 15). Ademais, Karnal e Tasch assertam que tão significativa quanto essa extensão da concepção será o questionamento do estatuto de verdade do documento. Todas essas mudanças no campo disciplinar da História possibilitará o surgimento de novos domínios, novas dimensões e abordagens, ainda que a sua validade venha a ser questionada. Ao fim do artigo, os autores deixam uma última definição de documento histórico, que para eles seria

qualquer fonte sobre o passado, conservado por acidente ou deliberadamente, analisado a partir do presente e estabelecendo diálogos entre a subjetividade atual e a subjetividade pretérita (ibidem,

p.24).

AUTORES E TEORIAS CITADAS: Francisco Adolfo de Varnhagen (historiador brasileiro do séc. XIX); Georges Duby (historiador do séc. XX, com foco no medievo); Laglois e Seignobos; Marc Bloch; François Dosse (autor da História em migalhas e da História do Estruturalismo, dois volumes); Jacques Le Goff; Carlo Ginzburg; Keith Jenkins; Walter Benjamin; João José Reis (historiador brasileiros, autor do livro A morte é uma festa).

PRINCIPAIS CONCLUSÕES: Se com a historiografia praticada no séc. XIX, alçada a História a disciplina científica, o documento histórico aparece enquanto a produção escrita de alguma instituição oficial ou de algum sujeito histórico privilegiado, com a Escola dos Annales no séc. XX, será contemplado como documento histórico todos os

suportes que mantivessem registro da ação do homem no tempo e no espaço. Não mais

o documento será visto como detentor de verdades irrefragáveis sobre o passado,

estando submetido, agora, a problematização constante. Com a renovação da concepção de história ter-se-á uma extensão dos campos de interesses da História, culminando na proliferação de campos históricos, indo além da dimensão política, com pesquisas que não mais privilegiam apenas as grandes personagens, trazendo, assim, á tona as pessoas comuns, os de baixo. Há uma dependência constante entre a conjuntura social e a importância que um documento histórico alcança, assim como uma variação entre casualidade e práticas ideológicas em sua sobrevivência. Quanto à operação historiográfica na produção de sentidos sobre os homens do passado a partir dos vestígios que eles deixaram, a variação se dá entre os recortes feitos pelos historiadores em suas leituras dos

documentos e as possibilidades de leituras que os documentos se prestam, levando-nos

a uma situação onde nem sujeito (historiador) nem objeto (documento) determinam, absolutamente, o processo de significação.

COMENTÁRIO PESSOAL: Perguntamo-nos o que intenta Karnal e Tasch ao tentar restabelecer alguma integridade ao documento histórico que vá além do historiador, apesar de que dele não se descole. Certamente, o artigo desses autores presta um serviço ao leitor ao esclarecer a concepção de documento histórico segundo escolas diferentes e ao apresentar o desenvolvimento da História depois da extensão dessa concepção. Porém, mais significativo do que a apresentação pedagógica do percurso de uma concepção em uma disciplina, História, é o modo que o discurso dos autores põe- se em oposição a outras concepções, particularmente a pós-estruturalista, onde a força do relativismo aí empregado, ao nosso ver, culmina na diminuição de poder que atravessa o discurso histórico. Daí a necessidade de escritos em defesa da História, aí está, para nós, um uso que validaria a produção de tal artigo, frente a imensa produção de escritos científicosque já trazem as mesmas informações, e em um nível mais íntimo, o que tornaria tal dispêndio existencial minimamente atrativo para os autores.

PALAVRAS- CHAVE: Documento histórico; Passado-Presente; Significado.