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O Dízimo, a doação e o Novo Testamento

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Índice analítico

O Dízimo, a doação e o Novo Testamento: Prefácio ...................................................................... 3


Dízimo, doação e o Novo Testamento: uma introdução................................................................. 6
Por que o dízimo não é para o crente do Novo Testamento? ......................................................... 7
Novo Testamento sobre a doação 2 Coríntios 8........................................................................... 17
Novo Testamento sobre a doação - 2 Coríntios 9 ......................................................................... 29
Novo Testamento sobre a doação - 1 Coríntios 16 ....................................................................... 40
Doação no Novo Testamento – Atos 2 e 4 ................................................................................... 43
Dando suporte aos salários de pessoal da igreja – o que diz a Palavra e o que ela não diz ............ 46
A doação no Novo Testamento- sustentação de missionários ...................................................... 61
A doação no Novo Testamento – sustentação às viúvas .............................................................. 64
Abraão e Jacó estavam pagando o dízimo? ................................................................................. 72
Abraão estava pagando o dízimo? .............................................................................................. 73
Jacó estava pagando o dízimo? ................................................................................................... 76
Em 2 Coríntios 11:8-9, o que Paulo estava recebendo enquanto estava em Corinto? .................... 78
O Dízimo, a doação e o Novo Testamento: Conclusão e o que fazer com a informação neste livro 83

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O Dízimo, a doação e o Novo Testamento: Prefácio

Eu me tornei um cristão no início de 1991, em uma confraria doméstica


em Tessalônica, Grécia. A confraria muito fortemente enfatizava a Bíblia como
a Palavra de Deus infalível e não errante e tinha uma visão bem balanceada do
Espírito Santo. Lá eu ouvi pela primeira vez que para ser salvo seria suficiente
acreditar que Jesus Cristo é o Senhor e Deus o renasceu dos mortos (Romanos
10:9). Lá eu ouvi sobre a salvação pela graça, sobre me tornar uma criança de
Deus, sobre pedir a Deus livremente como meu Pai e receber Dele. A lei
mosaica não mais era válida, aprendi. Cristo havia suprido ela toda. Foi um
grande momento e um grande companheirismo. Eu nasci novamente e
acredite-me que me senti desta forma! Então, em uma das prateleiras do líder
da confraria e caro amigo Dimitris – que estava passando, com amor, o tempo
necessário para responder às dezenas de questões que eu tinha – eu vi um
pequeno livro falando sobre o “dízimo”. Eu estava me perguntando o que seria
isto. A palavra “dízimo” era desconhecida para mim e eu não a havia visto em
minha leitura do Novo Testamento (agora eu estava imergindo na Palavra
como uma esponja, lendo e tomando parte de vários capítulos por dia). Eu
peguei o livro emprestado e comecei a lê-lo. Eu estava surpreso por descobrir
que ele era cheio de citações do Velho Testamento da lei, sustentando que o
dízimo ainda era válido e que como um cristão eu deveria dar 10% de meu
lucro (que mal dava naquele tempo para pagar meu aluguel e comida) paras as
organizações religiosas. Eu me senti muito culpado após ler o livro, e esta era a
primeira vez que eu me senti assim em poucos meses desde que eu era um
crente. Embora nós não aplicássemos o dízimo em nossa pequena confraria

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(Dimitris, o líder, a despeito do tempo que ele gastava conosco, jovens crentes,
era também um trabalhador em tempo integral e ainda um estudante,
ganhando seu sustento com trabalho duro), a pergunta permaneceu. Aqui
estava esta organização que parecia ter um claro entendimento da Palavra de
Deus e ainda eles estavam pregando sobre os princípios do dízimo do Velho
Testamento. Mas, eu pensei, se o dízimo ainda era válido, por que o sacrifício
dos touros não era válido também? Não eram ambos partes da mesma lei? Eu
deixei a questão de lado mas as perguntas continuaram. Desde então em
mudei de lugares e visitei várias igrejas. O que eu invariavelmente descobri é
que embora estas igrejas fossem diferentes em muitas coisas, elas tinham pelo
menos uma coisa em comum: elas estavam apontando para o dízimo ou
acreditavam na lei do dízimo. A referência ao dízimo era menos frequente ou
mesmo ausente (embora fosse o princípio aceitável) em congregações médias
ou grandes, mas muito frequentes, quase semanalmente, em congregações
pequenas. Longe disso, embora nossa confraria na Grécia não tivesse um
orçamento, muitas destas igrejas tinham orçamentos que valiam centenas de
milhares de dólares! Quantias enormes. Contudo, a maior partes destas
quantias orçamentárias era para os salários de pessoal, despesas com
construção e contas. Isto também não se encaixava bem! O Novo Testamento
não diz para ajudar os pobres? Nós não devíamos dar sustentação aos
missionários que espalham a palavra? E ainda além destas enormes quantias
orçamentárias, somente uma parte escassa era para as missões e quase
nenhuma parte era para os pobres. Esse foi um segundo baque. Então, no
começo de 2008, eu consegui um questionamento de um leitor de minha
revista online, o Journal of Biblical Accuracy, relativo a essa mesma questão, a
questão do dízimo. Eu comecei então a ver esta questão da perspectiva da

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Palavra de Deus e estabeleci isto, durante anos para mim, como


questionamento. Este livro contém os resultados deste estudo. Ele é feito à
luz da Palavra de Deus em relação à validade do dízimo e ao que o Novo
Testamento diz sobre a doação. Como nós poderíamos doar e quais eram as
igrejas do primeiro século se sustentando com suas contribuições? Eu estou
totalmente consciente de que este livro será considerado controverso por
alguns. Mas eu também espero que ele seja libertador para outros, que
podem ter lutado com as mesmas questões como eu, em relação a este tema.
É para eles que eu gostaria de dedicar este estudo.

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Dízimo, doação e o Novo Testamento: uma introdução

O dízimo é um tópico conflitante, talvez parcialmente porque o que quer


que se relacione a dinheiro tem o potencial de se tornar conflitante. Eu
gostaria de aproveitar a oportunidade para rever este tópico junto com o
tópico da doação em geral. É o dízimo para os dias de hoje? É o dízimo válido
na era do Novo Testamento, na era da graça na qual vivemos, ou ele é
obsoleto? O que o Novo Testamento diz sobre a doação? Começando da
primeira questão, olhando para o que é ensinado hoje do púlpito da maior
parte das igrejas poder-se-ia facilmente concluir que o dízimo é um princípio a
ser aplicado hoje. Isto é algo tão estabelecido na ordem eclesiástica e no
pensamento que nós não mais ouvimos sobre presentes e doadores, mas
sobre dízimos e contribuintes.
Tão bem estabelecido quanto esta visão possa parecer, existe, nas
mentes dos muitos crentes comuns, uma discrepância entre o que eles
frequentemente ouvem do púlpito e o que eles veem no Novo Testamento.
No Novo Testamento não há simplesmente nada mencionado sobre o dízimo,
como não há nada mencionado sobre os touros em sacrifício, ou seguindo
outras leis e práticas semelhantes do Velho Testamento. Pelo menos nada é
mencionado no sentido de manter e continuar com isso. O que o Novo
Testamento fala é sobre os doadores, presentes livres e apoio aos santos
pobres através destes presentes dados de forma feliz e voluntária. Mas vamos
dar uma olhada nestas questões de forma mais detalhada.

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Por que o dízimo não é para o crente do Novo Testamento?


Definindo o dízimo, conforme o termo é usado hoje, eu somente
estabelecerei aqui o que eu, como um crente normal, tenho percebido ser a
visão em 20 anos em que eu sou cristão.

De acordo com esta visão, dízimo é dar 10% de seu rendimento (pré-
fixado ou pós-fixado – as opiniões são diferentes) para a organização da igreja
a que você seja afiliado (a irmandade da igreja que você provavelmente assiste
aos domingos). Este dinheiro então é usado para dar sustentação ao
orçamento da igreja (aluguel, contas, salário de pessoal, missões, etc.). Para
muitos, não dar o dízimo é considerado um pecado. Muitas vezes você ouvirá
as pessoas recitarem Malaquias 3:8-12, que diz:

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: em que te


roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados,
porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos
à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois
fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir
as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não
haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei
o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide
no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos.”

Muitos usam estes versículos para dizer que não trazer os “dízimos e
ofertas” para a causa de Deus (conceito que eles tomam para significar a

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construção da igreja local) é um pecado e retira o povo de suas “bênçãos”. O


problema de usar a passagem acima, assim como outras passagens
semelhantes do Velho Testamento, para dar sustentação à aplicação do dízimo
é que esta passagem e a lei mosaica em que esta passagem é baseada eram
válidas quando isto foi escrito e pertence ao Velho Testamento. O Velho
Testamento é maravilhoso e é parte das Escrituras Sagradas inspiradas por
Deus. Conforme Paulo diz em Romanos 15:3-4

“Porque também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está


escrito: sobre mim caíram as injúrias dos que te injuriavam. Porque tudo
o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela
paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.”

O que quer que esteja escrito na Escritura foi escrito para o nosso
aprendizado. Nós podemos aprender pela leitura do Deuteronômio. Nós
podemos aprender pela leitura de Malaquias ou qualquer outro livro do Velho
Testamento. Contudo, embora tudo estivesse escrito para o nosso
aprendizado, nem tudo está escrito para a nossa aplicação. O Velho
Testamento é endereçado aos judeus que estavam vivendo sob a lei mosaica.
Jesus Cristo não havia chegado ainda. O preço pela indenização de nossos
pecados ainda não tinha sido pago. O sumo sacerdote ainda não havia
chegado. Como Paulo diz em Gálatas 3:23-26:

“Mas antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e


encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos
serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.

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Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. “Porque todos sois
filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.”

Houve o tempo antes do sacrifício e ressurreição de nosso Senhor. Este era


o tempo da lei. E houve o tempo após o sacrifício e ressurreição do Senhor.
Este é o tempo em que nós vivemos agora. Há vastas diferenças entre estes
dois períodos, pela simples razão de que o que era válido no primeiro período,
a lei, não é mais válido no segundo período. E o que é válido no segundo
período – a graça e ser criança de Deus através da fé em Jesus Cristo – não
estava disponível no primeiro período. Nós podemos aprender do que foi
válido no primeiro período? Definitivamente sim. Isso se aplica a nós? Não
necessariamente. Você pode ler os Salmos e os Provérbios e obter guia para
sua vida hoje. É a sabedoria eterna de Deus que atravessa o tempo. Por outro
lado, você pode ir para as passagens específicas da lei, tais como as passagens
sobre o dízimo, ou as passagens sobre o sacrifício de touros, ou a celebração
que eles tinham em Israel. Embora você possa aprender destas passagens, elas
não se aplicam diretamente a nós. O mesmo é válido para tudo o que se refira
à lei mosaica, pela simples razão de que esta lei foi abolida com o sacrifício de
Cristo. É como ler os códigos de leis que não têm mais validade. Você pode
aprender por eles, mas eles não serão aplicados, porque estão obsoletos.
Conforme diz Colossenses 2:13-14:

“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa


carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as
ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas

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ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do


meio de nós, cravando-a na cruz.”

E novamente em Efésios 2:14-15

“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e,


derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne
desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em
ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo
a paz”.

Agora se a lei é abolida, vamos aplicá-la novamente? Nós podemos


aprender disto, mas não é mais uma lei que é para nossa aplicação. Ele está
abolida! E o dízimo é parte desta lei também. O dízimo é uma palavra que
ocorre muito em tais livros da lei, como os Levíticos, Números e
Deuteronômio. Aqui estão algumas referências:

Levítico 27:30-34
“Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto
das árvores, são do Senhor; santas são do Senhor. Porém, se alguém das
suas dízimas resgatar alguma coisas, acrescentará a sua quinta parte
sobre ela. No tocante a todas as dízimas do gado e do rebanho, tudo o
que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao Senhor. Não se
investigará entre o bom e o mau, nem o trocará; mas, se de alguma
maneira o trocar, tanto um como o outro será santo; não serão

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resgatados. Estes são os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés,


para os filhos de Israel, no monte Sinai.”

Note no último versículo que dízimo é parte dos mandamentos, parte da lei
que Deus deu a Moisés para as crianças de Israel no monte Sinai. Esta era a lei
que foi abolida pelo sacrifício de Cristo. E o dízimo, sendo parte desta lei, foi
dado não para a aplicação geral, mas para as crianças de Israel, até seu
cancelamento pelo sacrifício e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Aqui
estão mais algumas passagens sobre o dízimo:

Número 18:20-32
“Disse também o senhor a Arão: na sua terra herança nenhuma terás, e
no meio deles, nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança
no meio dos filhos de Israel. E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos
os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o
ministério da tenda da congregação. E nunca mais os filhos de Israel se
chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado
e morram. Mas os levitas executarão o ministério da tenda da
congregação, e eles levarão sobre si a sua iniquidade; pelas vossas
gerações estatuto perpétuo será; e no meio dos filhos de Israel nenhuma
herança terão, Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao
Senhor em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto
eu lhes disse: no meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão. Então o
Senhor falou a Moisés, dizendo: também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás:
quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho
dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao Senhor, os

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dízimos dos dízimos. E contar-se-vos-á a vossa oferta alçada, como grão


da eira, e com plenitude do lagar. Assim também oferecereis ao Senhor
uma oferta alçada de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos
de Israel, e deles dareis a oferta alçada do Senhor a Arão, o sacerdote. De
todas as vossas dádivas oferecereis toda a oferta alçada do Senhor; de
tudo o melhor deles, a sua santa parte. Dir-lhes-ás pois: quando
oferecerdes o melhor deles, como novidade da eira, e como novidade do
lagar, se contará aos levitas. E o comereis em todo lugar, vós e as vossas
famílias, porque vosso galardão é pelo vosso ministério na tenda da
congregação. Assim, não levareis sobre vós o pecado, quando deles
oferecerdes o melhor; e não profanareis as coisas santas dos filhos de
Israel, para que não morrais.”

A passagem de Levítico nós lemos anteriormente aliada com o mandamento


às crianças de Israel para o dízimo. Onde se supõe que estes dízimos iriam e
para que eles seriam usados? Isto é respondido pela passagem acima de
Números: Conforme o versículo 21 nos diz:

Número 18:21
E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por
herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da
congregação.”

O dízimo seria para as crianças de Levi, os levitas, que estavam formando a


tribo sacerdotal de Israel, 1/12 dela. Isto deveria ser sua recompensa pelo
serviço do tabernáculo e depois do templo. Números 18:31 diz isso

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claramente: “porque vosso galardão é pelo vosso ministério na tenda da


congregação”. Isto seria contado por eles conforme “como novidade da eira, e
como novidade do lagar” (Números 18:30). De fato os levitas tinham que dar
seu próprio dízimo deste. Isto foi dado a Arão e era para ser a oferta alçada do
Senhor. Muitos pegam a passagem acima e erradamente tentam aplicá-la à
era do Novo Testamento, em nossa era, dizendo que nós devemos continuar a
dar o dízimo para pagar os salários dos padres, pastores e todo o clero em
geral. Mas esta visão não pode ser correta como no Novo Testamento não há
simplesmente nenhuma classe de cleros e padres. Como Pedro e João nos
dizem, falando para nós, os crentes no Senhor Jesus Cristo:

I Pedro 2:5
“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e
sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus
por Jesus Cristo.”

I Pedro 2:9
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo
adquirido”

Revelação 1:5-6
“Aquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e
nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para
todo o sempre. Amém.”

Também conforme o Senhor disse aos discípulos:

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Mateus 23:8-12
“Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso
Mestre, a saber Cristo, e todos vós sois irmãos. E a ninguém chamais
vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus. Nem vos
chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior
dentre vós será vosso servo. E o que a si mesmo se exaltar será
humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado."

Estas passagens não se referem a alguma classe especial de pessoas, mas a


todos os crentes. Todos os crentes são feitos padres pelo Senhor Jesus Cristo
para Seu Deus e Pai. Isto significa agora que nós não devemos sustentar
financeiramente os crentes que se movem por exemplo de cidade a cidade
estabelecendo igrejas e servindo o Senhor como missionários? Não significa
isto e nós veremos isso mais tarde neste estudo. O que quer dizer é que
sustentar e dar presentes no Novo Testamento não são mais regulamentados
pela lei do dízimo. Em vez disso, não há outros princípios no local para os
presentes do Novo Testamento e a doação e nós veremos estes conforme
formos nos aprofundando neste estudo. Esta parte do estudo dá ênfase no
que a Bíblia NÃO diz para nós em relação à doação - ainda que as pessoas
possam dizer isso. Conforme vamos continuando, daremos enfoque ao que a
Bíblia diz por nós.

De volta ao dízimo; era o acima – o dízimo para os levitas – o único dízimo?


Parece que não é, como em Deuteronômio 14:22-29 nós vemos novamente o
dízimo mencionado, mas em outro contexto e para o que parece ser outro

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propósito. Conforme lemos nesta passagem, todo ano os israelitas deviam


comer “os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os
primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas”(Deuteronômio 14:23) e ir ao
local que Deus definiria e lá: “Come-o ali perante o Senhor teu Deus, e alegra-
te, tu e a tua casa” (Deuteronômio 14:26). Se eles estivessem distantes era
permitido que eles vendessem os vários itens, conseguissem dinheiro e “darás
por tudo o que deseja a tua alma: por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por
bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma”(Deuteronômio 14:26). Isto
parece ser um dízimo festivo. As pessoas teriam este dízimo e usar-no-iam
para comer e beber diante do Senhor no lugar em que ele definiria. Note que
este dízimo é usado pelas pessoas mesmas. É diferente do que nós lemos em
Levítico e em Números anteriormente, onde o dízimo estava destinado aos
levitas. Isso é, portanto, um dízimo diferente. De fato, todo terceiro ano este
dízimo era para ser usado de forma diferente: no final daquele ano este dízimo
devia ser coletado “então virá o levita (pois nem parte nem herança tem
contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas
portas, e comerão, e fartar-se-ão ” (Deuteronômio 14:29). Além do mais a cada
sete anos deveria ter o Sabbath, no qual nada era semeado nem colhido pelo
proprietário da terra (Levítico 25:1-5), mas todas as pessoas eram chamadas
para comer o que a terra trouxesse de si mesma (Levítico 25:6-7), assim como
do grande excedente do sexto ano que Deus havia prometido dar (Levítico 25:
20-22).

Conclusão
Vamos resumir o que aprendemos até agora. Como vimos, o dízimo era
parte da lei do Velho Testamento, parte das ordenanças que Deus deu às

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crianças de Israel através de Moisés. Conforme parece para mim, havia dois
dízimos. O primeiro dízimo seria para os levitas, enquanto o segundo era
usada pelo povo mesmo, em regozijo, diante do Senhor ou no terceiro ano era
colhido para os pobres e (novamente) para os levitas. O dízimo é parte da lei e
como tal ele pertence à mesma categoria como sacrifícios animais e as muitas
e várias regulamentações que esta lei ditou. Nós também vimos que o Novo
Testamento dá ênfase clara que a lei com suas ordenanças foi abolida pelo
sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo. Por causa disto nós não estamos mais
sacrificando animais hoje. Se alguém pergunta por que nós não fazemos isto,
nós corretamente dizemos “porque isto é parte da lei mosaica e esta lei não
tem mais valor. Jesus Cristo, através de Seu sacrifício na cruz, aboliu em sua
carne a inimizade, a lei dos mandamentos contidos nas ordenanças. Nós não
mais estamos sob a lei”. A mesma razão que nós usamos para não sacrificar
animais é também verdadeira para o dízimo. O dízimo era, juntamente com o
sacrifício animal, assim como outras ordenanças, parte da lei mosaica. O que
quer que seja válido para um é válido também para o outro. A lei mosaica
tornou-se obsoleta a aproximadamente 2.000 anos atrás, com o sacrifício de
Cristo. Junto a isto, os sacrifícios de animais, o dízimo e as outras ordenanças
da lei também se tornaram obsoletas! Nós podemos aprender delas, mas isso
não significa que elas sejam para nossa aplicação direta. É portanto o dízimo
bíblico? Sim, é. Ele é bíblico como ele está na Bíblia. No entanto, o dízimo é
relevante e válido para o cristão? Aqui a resposta é não! O que é para nossa
aplicação direta em relação à doação é que nós vemos escrito no Novo
Testamento. E o que nós vimos lá não é dízimo e contribuintes, mas doação
alegre de coração, de acordo com a capacidade de cada um. Agora vamos
atentar para isto.

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Novo Testamento sobre a doação 2 Coríntios 8

Conforme nós dissemos no artigo: “Por que o dízimo não é para o crente
do Novo Testamento”, o dízimo é um termo quase desconhecido no Novo
Testamento. Eu preciso esclarecer aqui que quando estou falando de Novo
Testamento quero dizer a Nova Aliança, a aliança que foi instituída com o
sacrifício do Senhor Jesus Cristo. O Velho Testamento, a Velha Aliança, tem de
fato muito a dizer sobre o dízimo (esta palavra é usada lá 36 vezes), mas não o
Novo. Em contraste, o Novo Testamento diz muito sobre se dar. Para ver o
que a Palavra de Deus nos diz – quem vive sob a Nova Aliança, sob esta
presente administração de graça - nós começaremos por 2 Coríntios 8. Isto,
junto com 2 Coríntios 9 (que nós estudamos em um artigo separado), trabalha
diretamente com a questão da doação e contém muita riqueza de informação.
Nós exploraremos esta informação conforme se segue: Nós iremos ler blocos
da Escritura de 2 Coríntios 8 e então nós exploraremos o que elas estão nos
dizendo sobre a doação.

2 Coríntios 8:1-4: O que foi dado, como e para quais propósitos?

Assim, começando de 2 Coríntios 8:1-4 nós lemos:

“Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da


Macedônia; como em muita prova de tribulação houve abundância de seu
gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua

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generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico), deram


voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a
comunicação deste serviço, que se fazia com os santos.”

Esta passagem de 2 Coríntios fala sobre os crentes, o povo que fez as igrejas
da Macedônia. Paulo descreve aqui como eles se deram, e, embora haja mais
a ser descoberto nesta passagem, eu notei o seguinte:

1. O que eles deram era uma GRAÇA. Em outras palavras, uma tradução mais
acurada aqui seria: “que nós tivéssemos recebido a graça e o companheirismo
do ministério para os santos”. O que foi administrado aos santos na era da
graça não é chamado de “dízimo”, mas de “graça”. A doação do dízimo (dar o
dízimo) pertence à era da lei. Na era da graça o que você tem não é mais o
dízimo, mas a “graça de doar”.

2. “[Eles] deram voluntariamente” (2 Coríntios 8:3). Novamente é valioso ir até


o texto grego aqui. Nesse momento, a palavra usada é “authairetos”. Como
diz o dicionário de Vine sobre esta palavra:

“authairetos vem de autos, próprio, e haireoamai, escolher, auto-escolhido,


voluntário, de próprio acordo de alguém, ocorre em 2 Coríntios 8:3 e 17, das
igrejas da Macedônia como para seus presentes para os pobres santos e de
Tito em seu desejo de ir e exortar a igreja em Corinto em relação a este
assunto”. (Dicionário de exposição de Vine das palavras do Novo Testamento,
Mac Donald Publishing company, p. 25. A ênfase foi acrescentada.)

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Os crentes na Macedônia NÃO foram forçados a se doar. O que eles


deram foi de forma voluntária. Novamente há uma enorme diferença do
dízimo. O dízimo era obrigatório no Velho Testamento. Contudo, o que nós
temos aqui não é obrigatório. O que nós temos aqui não é dízimo, mas algo
completamente diferente. São as contribuições voluntárias para os santos,
dadas de forma livre e com a concordância das próprias pessoas. Em contraste
a isto, hoje muitas vezes nós ouviremos as pessoas pregando sobre o dízimo,
que as pessoas devem isso a Deus e à igreja e se elas não o dão elas
trapaceiam Deus. Desta forma, as pessoas são forçadas, baseadas em culpa, a
fazer o que o falante diz. Isto obviamente não tem nada a ver com o livre
desejo, as contribuições voluntárias sobre as quais Paulo está falando aqui.

3. “ministério para com os santos” (2 Coríntios 8:4). Agora para que era esta
graça? Era para a comunicação com os santos. Paulo nos diz mais sobre esta
“comunicação” em Romanos 15:25-26:

“Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos. Porque pareceu
bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre
os santos que estão em Jerusalém.”

Esta foi a última visita de Paulo a Jerusalém. Lá ele foi preso. Conforme ele
disse sobre o propósito desta viagem em Atos 24.17: “Ora, muitos anos depois,
vim trazer à minha nação esmolas e ofertas". Conforme vemos acima, o
ministério para os santos, a graça que os crentes na Macedônia e Acaia
(Corinto) contribuíram livremente, as contribuições voluntárias, foram
contribuição "para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém”

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(Romanos 15:26). O dinheiro estava indo para os irmãos e irmãs. Os membros


pobres da igreja eram o objetivo da doação. Administrar para os santos
pobres chama muita atenção nas Escrituras. Tiago, João e Pedro disseram a
Paulo:

Gálatas 2:9-10
“E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as
colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em
comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e
eles à circuncisão; recomendando-nos somente que nos lembrássemos
dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.”

Tiago, Pedro e João disseram uma coisa a Paulo: “lembre-se dos pobres”! E
Paulo executou isto. As pessoas hoje doam o seu dízimo para a igreja aonde
elas vão aos domingos, muito disso vai para as despesas de administração,
com uma pequena parte (se houver) deixada para os pobres. Na igreja do
Novo Testamento, contudo, era de outra maneira: as pessoas não estavam
doando involuntariamente – por culpa – mas voluntariamente, e embora
houvesse outros propósitos de doação (como nós veremos mais tarde), dar
para os santos pobres era provavelmente a coisa mais importante.

2 Coríntios 8:5-8: Exortação à doação: como Paulo fez isso?

Em 2 Coríntios 8:5-8 Paulo exorta os crentes a doar-se. Vejamos como ele


fez isso:

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2 Coríntios 8:5-8
“ E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se
deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.
De maneira que exortamos a Tito que, assim como antes tinha
começado, assim também acabasse esta graça entre vós. “Portanto,
assim como em tudo abundais em fé, e em palavra, e em ciência, e em
toda a diligência, e em vosso amor para conosco, assim também
abundeis nesta graça. Não digo isto como quem manda, mas para
provar, pela diligência dos outros, a sinceridade de vosso amor.”

Paulo exorta os crentes a doar-se abundantemente. “Assim também


abundeis nesta graça” (2 Coríntios 8:7), ele nos diz. Mas veja o quão gentil ele
é. Veja o que ele diz na próxima sentença: “não digo isto como quem manda”.
Você não encontrará em nenhum outro lugar no Novo Testamento a coerção e
o linguajar que você encontrará em algumas das igrejas de hoje quando se fala
de doar-se ou de “dar o dízimo”. Você não encontrará Cristo, Paulo, Pedro,
João ou qualquer outra pessoa coercitiva, recitando Malaquias ou outras
passagens do Velho Testamento, para dar seus “dízimos” ou qualquer coisa
mais ou elas serão ...amaldiçoadas (isso é o que está implícito por alguns dos
modernos sermões sobre dízimo). Paulo nada sabe disto. Ele gentilmente
exorta os coríntios a abundarem nesta graça tornando claro que ele não fala
com quem manda. Ele não os ordena a fazer tal coisa, mas ele os exorta a
fazer isso. Ele não tinha um orçamento para satisfazer os pobres santos. Ele
não conseguiu um número menor nas sedes e então estava pressionando ou
incitando as pessoas a fim de corresponderem a isso. O que ele estava

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fazendo era estabelecer a verdade. Conforme ele disse: “eu estou provando a
sinceridade de seu amor pela diligência dos outros” (2 Coríntios 8:8). Não eram
palavras vazias, mas suporte verdadeiro.

2 Coríntios 8:10-15: Doar além de nosso desejo e de acordo com o que se tem

2 Coríntios 8:10-11
“pois isto convém a vós que, desde o ano passado, começaste; e não foi
só praticar, mas também querer. Agora, porém, completai também o já
começado, para que, assim como houve a prontidão de vontade, haja
também o cumprimento, segundo o que tendes.”

Esta passagem trabalha com o desejo da doação e a realização destes


desejos. A primeira parte da passagem mostra o quão importante é não
somente doar, mas também DESEJAR. É o desejo mais a realização deste
desejo que Deus quer de Seu povo. Nenhum destes dois funciona sozinho.
Deus não quer que você deseje doar e nunca aja de acordo com isso! Dizer
sempre: “quão grande seria dar este presente pelo ministério daqueles
santos”, mas nunca realizá-lo, embora você tenha os meios. Isto é hipocrisia. E
vice-versa, Ele não quer que você dê sem desejar do íntimo de seu coração,
como se fosse um comando, da coerção de alguém. Mantenha sempre isto em
mente. Ao doar tanto o desejo quanto a ação deste desejo são importantes! A
motivação para dar é o desejo em seu coração. E como Filipenses 2:13 nos
dizem:

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“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a
Sua vontade”.

Deus está a trabalho em nós para termos vontade, desejar, querer e assim
fazer o que é de Sua vontade. Novamente, conforme observamos, a forma que
Deus trabalha é colocando totalmente um desejo em nosso coração. Esta é a
forma primária que Ele usa para nos motivar. A coerção e a culpa são
motivadores errados e inválidos.
Agora falando sobre desejo, e conforme nós também veremos
extensamente em nosso estudo de 2 Coríntios 9, um cristão verdadeiro que
tem o amor de Deus nele de fato tem um desejo de ajudar seus irmãos pobres.
João torna claro que se alguém vê um irmão em necessidades e tem como
ajudá-lo, mas escolhe “lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor
de Deus?” (1 João 3:16-18).
Continuando em 2 Coríntios 8:

2 Coríntios 8:10-15
“completai o já começado, para que, assim como houve a prontidão de
vontade, haja também o cumprimento, segundo o que tendes. Porque,
se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e
não segundo o que não tem. Mas, não digo isto para que os outros
tenham alívio, e vós opressão, mas para igualdade; neste tempo
presente, a vossa abundância supra a falta dos outros, para que também
a sua abundância supra a vossa falta, e haja igualdade; Como está
escrito: o que muito colheu e não teve de mais; e o que pouco, não deve
de menos.”

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Há tantas verdades nesta passagem que poderia ser pregado muito, muito
mais do que o dízimo do Velho Testamento. Paulo, falando para os Coríntios
sobre doação, nos diz que eles deveriam dar “segundo o que eles tivessem”!
Agora, se o dízimo fosse válido no Novo Testamento –o que não é – eu retiraria
Paulo para fazer um comentário geral: “você doa 10% de seu lucro. Ponto.”
Ele está dizendo alguma coisa desta forma? Você pode ter ouvido isso sendo
pregado (explícita ou implicitamente) de um púlpito, mas não ouvirá isso da
Palavra de Deus! E adivinhe quais palavras contam no final?! “segundo o que
tendes” significa “de acordo com o que você possua” e dessa forma não há mal
entendidos, Paulo torna isso claro: “não segundo o que não tem”(2 Coríntios
8:12)! Hoje algumas igrejas pressionam (gentilmente ou de outra forma) seus
membros a dar seu dízimo (i.e., 10% de seu lucro) para os fundos da igreja.
Fora o fato de que tal chamado é errado, não há também qualificação alguma
adicionada a isso. Espera-se da família pobre que pode mal corresponder às
suas expectativas que tire 10% de seu pagamento e o doe à igreja. Diz-se que
Deus os abençoará muito mais se eles fizerem isso. A questão é que a Nova
Aliança não conhece sobre tal doação. De acordo com a Palavra, o que é que
seja doado deve ser segundo o que se tem. Você não pode tirar das
necessidades de sua família para cobrir as necessidades de outra família, para
não dizer as necessidades da organização da igreja (contas, salário de pessoal,
etc.). Isto é o que a Palavra de Deus diz. Você somente dá o que você tem.
Você não tem, você não pode dar! Conforme Paulo disse a Timóteo:

I Timóteo 5:7-8

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“Manda, pois, estas coisas, para que elas sejam irrepreensíveis. Mas, se
alguém não tem cuidado dos seus, e especialmente dos da sua família,
negou a fé, e é pior do que o infiel.”

Primeiro espera-se que você forneça à sua própria família e a seu povo i.e.,
àqueles que são dependentes de você. Quem quer que não faça isso, diz a
Palavra de Deus, é pior do que um descrente. Depois que estas necessidades
estiverem cobertas você pode pensar nas necessidades que estão fora de sua
própria casa. Isso é fora do que você tenha, após as necessidades de sua
família terem sido supridas. Conforme Paulo torna claro na passagem acima
de 2 Coríntios 8:13-14:

Mas, não digo isto para que os outros tenham alívio, e vós opressão,
mas para igualdade; neste tempo presente, a vossa abundância supra a
falta dos outros, para que também a sua abundância supra a vossa falta,
e haja igualdade”.

Paulo não tinha intenção alguma de ajudar o pobre em Jerusalém tornando


os Coríntios pobres! Ele não tinha pensamento algum de oprimir alguém para
aliviar outros! Eles ajudariam dentro de suas abundâncias. Esta abundância
que supriria a falta dos santos pobres em Jerusalém neste momento, de forma
que a abundância destes, agora pobres, santos, poderia suprir a ausência dos
Coríntios em outro momento.

Seguindo adiante, nós mencionamos isso tendo diante do fato de que o


presente em si não seja suficiente. Tem que haver um desejo para isso. Não

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pode ser por comando! E em 2 Coríntios 8:12 Paulo repete novamente:


“Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer
tem". Prontidão, um coração desejoso é um pré-requisito para um presente.
Se (primeiro) esta prontidão estiver lá, então (em segundo) o presente é aceito
"segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem" (2 Coríntios
8:12).

Para resumir o que nós vemos em 2 Coríntios 8:10-15 nos dizendo: para um
presente ser aceitável, um coração desejoso é um pré-requisito. Deve haver
prontidão, vontade, um desejo de doar. E deve-se doar segundo este desejo.
Deve-se doar não segundo o que não se tem, mas segundo o que se tem. A
igualdade não é feita doando-se dentro de nossa falta, mas doando-se dentro
de nossa abundância, dentro de nosso excedente para cobrir a falta de alguém.
Seu excedente será reduzido e pode ser eliminado, mas sua falta será reduzida
e poderá ser eliminada também! Essa é a doação do Novo Testamento. Essa é
a graça da doação!

2 Coríntios 8:16-21: Transparência na administração do presente

Continuando em 2 Coríntios 8 e seguindo adiante nos versículos 16-21:

“Mas graças a Deus, que pôs a mesma solicitude por vós no coração de
Tito; pois aceitou a exortação, e muito diligente partiu voluntariamente
para vós. E com ele enviamos aquele irmão cujo louvor no evangelho
está espalhado em todas as igrejas. E não só isto, mas foi também
escolhido pelas igrejas para companheiro da nossa viagem, nesta graça

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que por nós e ministrada para glória do mesmo Senhor, e prontidão do


vosso ânimo; evitando isto: que alguém nos vitupere por esta
abundância, que por nós é administrada; pois zelamos do que é
honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens.”

Eu quero focar na parte da passagem acima que eu enfatizei. Paulo não


estava somente coletando contribuições para os santos pobres, mas ele
também se preocupava para que ninguém passasse vergonha diante dele e sua
equipe “por esta abundância, que por eles era administrada” (2 Coríntios 8:20).
Por que eles vituperariam isso? Por terem usado a graça de forma
inapropriada. Por usarem-na para si próprios. Por dizerem uma coisa mas
fazerem outra. Para evitar qualquer uma destas situações, Paulo tinha consigo
um irmão que fora escolhido pelas igrejas para viajar com eles com esta
graça. Se você estiver administrando as graças do povo de Deus, faça o que
Paulo fez: tome medidas de forma que ninguém possa vituperá-lo na
administração destas graças. Seja transparente! Tão transparente quanto
possível! Dê dados frequentes do que você vez com a graça. O que foi
recebido, onde foi gasto, o que sobrou? Consiga testemunhas pelo povo. Nada
deve ser escondido. Devemos estar abertos e transparentes com as graças.
Paulo cuidou de fornecer coisas honoráveis não somente aos olhos de Deus,
mas também aos olhos dos homens. Nós também devemos fazer assim.

2 Coríntios 8: Conclusão
2 Coríntios 8 e 9 são dois capítulos com riqueza de informação sobre o doar
e como isso se aplica na era do Novo Testamento. Neste artigo nós

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trabalhamos com 2 Coríntios 8; nós também lidaremos com 2 Coríntios 9 no


próximo artigo. Resumindo o que aprendemos de 2 Coríntios 8:

i) 2 Coríntios 8 fala sobre os presentes, os presentes das graças. Não fala sobre
dízimos e contribuintes, mas sobre graças e doadores.
ii) O propósito da graça era dar suporte aos santos pobres em Jerusalém (2
Coríntios 8:4). Dar suporte aos santos pobres não é o único propósito para o
qual as graças podem ser dadas. Nós veremos mais propósitos. No entanto,
doar-se para o pobre é um dos mais importantes Eu acredito, baseado na
Escritura, que dar apoio aos santos pobres deveria ser de prioridade muito alta
na doação das pessoas, assim como nas doações congressionais.
iii) As pessoas deveriam doar livremente e não serem forçadas a doar (2
Coríntios 8:5-8).
iv) Por outro lado: o desejo é um pré-requisito para se doar. É o motivador
primeiro. Não há lugar algum em 2 Coríntios 8 para as graças dadas pela culpa,
ou porque “é obrigatório” (2 Coríntios 8:10-15).
v) As pessoas deveriam doar segundo o que elas tivessem, e não segundo o
que elas não tivessem. Não havia percentagem fixa alguma de quanto uma
pessoa deveria dar. Tudo era uma combinação de a) um desejo e b)
capacidade, i.e., “de acordo com o que elas tinham” (2 Coríntios 8:12).
vi) Finalmente, Paulo estava tomando medidas não para permitir qualquer
oportunidade para alguém de forma a vituperá-lo em relação à administração
desta doação. Ele foi totalmente transparente em relação a este presente e
seu uso (2 Coríntios 8:20).

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Novo Testamento sobre a doação - 2 Coríntios 9

Este estudo é uma continuação do estudo respectivo de 2 Coríntios 8. A


riqueza de informação dada em 2 Coríntios 8 relacionada à doação continua
em 2 Coríntios 9 também.

2. Coríntios 9:1-5: o presente como uma benção e não como cobiça

2 Coríntios 9:1-5
“Quanto à administração que se faz a favor dos santos, não necessito
escrever-vos; porque bem sei a prontidão do vosso ânimo, da qual me
glorio de vós com os macedônios; que a Acaia está pronta desde o ano
passado; e o vosso zelo tem estimulado muitos. Mas enviei estes irmãos,
para que a nossa glória, acerca de vós, não seja vã nesta parte; para que
(como já disse) possais estar prontos, a fim de, se acaso os macedônios
vierem comigo, e vos acharem desapercebidos, não nos envergonhemos
nós (para não dizermos vós) deste firme fundamento de glória. Portanto,
tive por coisa necessária exortar estes irmãos, para que primeiro fossem
ter convosco, e preparassem de antemão a vossa bênção, já antes
anunciada, para que esteja pronta como bênção, e não como avareza.”

A palavra “benção” na última sentença da passagem acima vem da palavra


grega “eulogia”, que tem o mesmo significado de “benção”. Também o que

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está traduzido como "avareza” é a palavra grega "pleonexia", que significa


"cobiça".
Paulo chama o presente de “benção”. Não é um dízimo, não é nem uma
doação forçada. É uma benção! Assim é como nós devemos também pensar
de nossos presentes para os pobres santos: como bênçãos! Paulo estava
excitado que os Coríntios quisessem dar tanto, mas ele não os estava
pressionando sobre isso. O presente era “ser feliz como uma benção [grego:
eulogia]: e não como cobiça [grego: pleonexia]”. Aqui está o que um
comentarista diz sobre isto (Barnes: Notas sobre a Bíblia, de Albert Barnes):

“A palavra usada aqui (pleonexia) significa normalmente cobiça, ganância por


ganho, que conduz uma pessoa a defraudar as outras. A ideia aqui é que
Paulo teria isto como um ato de generosidade, ou de liberalidade da parte
deles, e não como um ato de cobiça de sua parte, não conforme exortado por
ele vindo deles"(ênfase acrescida)

Paulo queria o presente dos Coríntios como uma benção, e não algo que
fosse tirado de alguém, por cobiça. É uma pena que haja pessoas hoje que
façam o que Paulo faria: usar de manipulação e incitação para exortar
presentes das pessoas. As pessoas hoje não se preocupam com os meios tão
longo como seus objetivos são obtidos. Isso não seria desta forma. Isto não é
de forma alguma o que Deus quer. O que ele quer é que seu presente seja
uma benção, um ato de liberalidade, algo que você deseja e você pode dar, e
não é, de forma alguma, algo que seja tirado de você por culpa, incitação, ou
qualquer outra das técnicas que são muitas vezes usadas hoje. De volta a
Paulo, ele não teria ganancioso em relação ao presente. Ele queria que os

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Coríntios doassem, mas ele era muito cuidadoso, muito gentil. Ele estava
cuidado em 2 Coríntios 8 e está cuidadoso aqui também. Conforme Barnes diz
corretamente, ele queria o presente fosse um ato de bondade, de liberalidade,
por sua parte e não por um ato de cobiça de sua parte. O quão libertadora é a
Palavra de Deus e como tanta distorção existe na forma que muitos
demandam dinheiro.

2 Coríntios 9:6-7: a lei da semeadura e colheita e (novamente) como doar

2 Coríntios 9:6-7
“E digo isto: que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia
em abundância, em abundância ceifará. Cada um contribua segundo propôs
no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que
dá com alegria."

Se nós tivéssemos ouvido algo, e isto muitas vezes, de 2 Coríntios 9 é o


versículo 6 (“quem o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que
semeia em abundância, em abundância ceifará”). Mas Paulo não usa o
versículo 6 para manipular os crentes a darem. Ele já falou por quase um
capítulo e meio sobre como se dar, antes que ele chegasse neste versículo. O
que Paulo faz em 2 Coríntios 9:6 é estabelecer a simples verdade:
se você semear pouco, você colherá pouco, e se você semear com
abundância, você também colherá abundantemente. De acordo com o que
você semeia você também colherá. Haverá um retorno para seu presente, e
este retorno está de acordo com quanto você dá. NO ENTANTO, a doação tem

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de ser voluntária, do coração. Nenhum presente é bem vindo se ele for dado
relutantemente, com pena, sem ser feliz com isso, ou se é dado de forma
compulsória ou "por necessidade" (2 Coríntios 9:7). "Por necessidade" significa
porque você tem de fazer isso. Você não quer dar, mas você, de alguma
forma, é forçado a dar. E isto é o que acontece muitas vezes com o dízimo. Os
pregadores surgem, começam a recitar Malaquias e o Velho Testamento, em
passagens sobre o dízimo e terminam dizendo ou implorando que, se você não
dá o dízimo para a igreja você está contrariando Deus (ou está próximo a
contrariá-lo) e você o despreza. Então você segue em frente e coloca dinheiro
no cesto de dinheiro em resposta a isto. Na verdade você não deu de forma
voluntária, mas você deu porque você não queria importunar Deus e contrariar
– como o pregador lhe disse. Você preferiria alimentar os pobres, comprar
alguns sacos de arroz para as crianças no Haiti e dar apoio a aquele evangelista
que espalha a mensagem gospel na Índia. Mas agora você foi forçado pelo
pregador a dar alguma coisa mais que você na verdade não queria dar. Então
você dá com culpa, por causa da condenação. Agora, se não for dar com
tristeza e dentro de suas condições eu me pergunto o que seja . Caro irmão,
você não tem que se sucumbir a tais chamados! O que você disse não é
simplesmente a voz da Palavra de Deus, mas a voz da tradição e da religião que
distorce a Palavra de Deus. Você não deve doar porque alguém força você a
doar-se, mas porque você na verdade queria dar de coração. Se você der por
culpa, se você tiver que sofrer por isso, o presente não será de maneira alguma
bem vindo por Deus. Também, para aqueles que usam a condenação e a culpa
como técnicas para forçar as pessoas de Deus a dar por seus propósitos, eu
gostaria de apontar que: Paulo disse que ele não queria os presentes para
serem como dados, exortados deles. Deus não queria realmente tais

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presentes, porque as pessoas não os davam voluntariamente, mas eles eram,


de fato, furtados se você preferir! Não por força de poder, mas por força das
palavras!
Tendo dito o acima, vamos dar uma olhada em 1 João 3:16-18:

1 João 3:16-18
“Conhecemos o amor nisto: que Ele deu sua vida por nós, e nós devemos
dar a vida pelos irmãos. Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o
seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele
o amor de Deus?” “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de
língua, mas por obra e em verdade.”

A Palavra de Deus diz em 2 Coríntios 9:7 não para se dar forçadamente, ou


acima de suas necessidades, porque alguém disse a você para dar. Em vez
disso nós devemos doar de coração e ser generosos nisso. Deus ama aquele
que dá com alegria. Ele não aceita o presente que é dado com tristeza. Em
terreno igual é pecado ter qualquer amor pelo dinheiro. Conforme disse Paulo
“o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males” (1 Timóteo 6:10). Ele
também diz que a genuinidade de nosso amor é testada pelo quanto nós nos
preocupamos com os outros (2 Coríntios 8:8). E o que João descreve aqui é
uma situação real: você tem dois irmãos. Um tem seus produtos do mundo.
Ele tem camas vazias extras em casa. Tem muito dinheiro no banco. Tem
muita comida no celeiro. Agora este homem encontra um irmão que está em
necessidade. Uma necessidade que o primeiro pode satisfazer. O que deveria
fazer o primeiro irmão? Deveria ele orar por seu irmão em necessidade? Sim,
ele deveria fazer isto também, mas ele não deveria permanecer lá! Ele deveria

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doar–lhe e ajudá-lo. Ele não deveria fechar seu coração como João diz e
somente resmungar uma oração ou dizer “Deus o abençoe, meu irmão” e
seguir seu caminho. O teste de preocupação para com os outros prova a
sinceridade de nosso amor e se o amor de Deus está em nós ou não. E isto é
verdadeiramente uma questão muito séria.
Agora, voltando para o sistema de dízimo, há a outra distorção criada por
ele: as pessoas são forçadas a dar seu dízimo para o cesto de uma igreja local e
assim quando eles veem um irmão em necessidade, eles pensam: “eu já dei
meu dízimo à igreja”.
Assim nós damos além da necessidade para propósitos que dão pouca ajuda
aos pobres (muito do que é dado a um cesto de igreja local na verdade não
termina ajudando o pobre - isto é triste, mas é verdadeiro e uma olhada no
orçamento de uma igreja média, especialmente no mundo ocidental, é
suficiente para verificar isso) e então quando o pobre aparece nós não
queremos ou não podemos ajudá-lo. Isto é verdadeiro, triste e uma situação
incomum.
Retornando a 2 Coríntios 9:6, as pessoas muito frequentemente costumam
usar isso para contar as outros que se você der muito Deus retornará a graça a
você de forma multiplicada. De fato, em acréscimo a 2 Coríntios 9:6, eles
novamente usam Malaquias para isto:

Malaquias 3:10-12
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento
na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos
Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre
vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.

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E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os


frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o
SENHOR dos Exércitos.”

Alguns pregadores e ministros erradamente usam as passagens acima


incitando sua audiência a dar com a promessa de muitas bênçãos financeiras.
Assim as pessoas doam. Mas por quê? Qual é o motivo delas? Nenhum dos
motivos de 2 Coríntios ou a palavra remanescente de Deus. Não é um ato de
generosidade do coração, mas, em vez disso, ou um ato de culpa (eles doam
de forma que eles não ... trapaceiem Deus, como o pregador lhes disse) ou um
ato de ganância (eles dão de forma que possam receber muito mais). Deus é
apresentado desta forma como uma máquina de dinheiro, como um banco.
“Dê o seu dízimo e você terá de volta multiplicado”. Ter dinheiro como motivo
está errado! Embora Deus retorne com bondade a aqueles que dão com
bondade, seria fora do propósito e da característica para Paulo usar 2 Coríntios
9:6 para incitar os coríntios a dar sob as promessas de colheitas grandes e
maiores! O que eu acredito que Paulo queria fazer era estabelecer os fatos. Há
de fato uma colheita para os doadores. Há de fato uma recompensa. Eu não
sei o que é, mas por que deveria ser necessariamente uma colheita financeira
ou uma colheita que se refira somente à vida terrena presente? A principal
coisa é que há uma colheita! E aquele que semeia pouco colherá pouco, e
aquele que semeia abundantemente também colherá com abundância. Isto é
um fato! A palavra não fala de colheitas financeiras, ela fala de colheitas e que
pode haver muitos tipos diferentes delas, incluindo as financeiras. Você quer
chamá-las de “bênçãos”, aqui e no céu? Chame-as de bênçãos. Eu gosto mais
da palavra colheita! Você quer colher muito? Então semeie muito!

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2 Coríntios 9:8-15: “em tudo, toda a suficiência” garantida por Deus

2 Coríntios 9:8-9
“E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que
tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra;
Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece
para sempre.”
Deus, através de Paulo não deixa sombra alguma de dúvida: ninguém
entrará em necessidades por doar deliberadamente. Conforme ele deixa claro,
Deus assegura que eles terão em tudo toda a suficiência, e que seja sempre!
Eles terão uma abundância por todo bom trabalho! Deus mesmo garante isto!
Então Paulo questiona os Salmos 112:9: Ele espalhou, deu aos necessitados; a
sua justiça permanece para sempre.” Agora esta passagem não se refere a
Deus. Ela não diz: “Deus espalhou, deu aos pobres; a justiça de Deus
permanece para sempre.” Em vez disso, este Salmo se refere ao homem que
teme ao Senhor. Vamos lê-lo em sua totalidade, porque ele contém muitas
promessas:

Salmos 112:1-10
"Louvai ao SENHOR! Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor,
que em seus mandamentos tem grande prazer. A sua semente será
poderosa na terra; a geração dos retos será abençoada. Prosperidade e
riquezas haverá na sua casa, e a sua justiça permanece para sempre.
Aos justos nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo. O

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homem bom se compadece, e empresta; disporá as suas coisas com


juízo; Porque nunca será abalado; o justo estará em memória eterna.
Não temerá maus rumores; o seu coração está firme, confiando no
Senhor. O seu coração está bem confirmado, ele não temerá, até que
veja o seu desejo sobre os seus inimigos. Ele espalhou, deu aos
necessitados; a sua justiça permanece para sempre; e a sua força se
exaltará em glória. O ímpio o verá, e se entristecerá; rangerá os dentes,
e se consumirá; o desejo dos ímpios perecerá.”

Nós temos extensamente escrito em outro estudo sobre o temor do Senhor.


O homem que teme o Senhor será abençoado! E alguma das coisas que o
homem que teme o Senhor faz é doar-se aos pobres. Ele é liberal em sua
doação. Ele se dispersou. Ele não é avaro, mas generoso, porque Deus é sua
abundância. E como 2 Coríntios 9:8-9 nos disse, Deus próprio garante que
quando você doa deliberadamente para os pobres você não irá perder sua
semente. E continua:

2 Coríntios 9:9-15
“Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para
comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa
justiça; para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual
faz que por nós se deem graças a Deus. Porque a administração deste
serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é
abundante em muitas graças, que se dão a Deus. Visto como, na prova
desta administração, glorificam a Deus pela submissão, que confessais
quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para

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com eles, e para com todos; e pela sua oração por vós, tendo de vós
saudades, por causa da excelente graça de Deus que em vós há. Graças
a Deus, pois, pelo seu dom inefável.”

Deus que fornece a semente ao semeador e o pão para alimento fornecerão


e multiplicarão a semente que nós semeamos de forma que nós possamos
semear ainda mais. E Paulo explica que este presente, o presente para os
pobres, abundará em muitas ações de graças a Deus. No exemplo de Coríntios
os recipientes glorificariam Deus pelo compartilhamento liberal, a
generosidade de seus irmãos e irmãos coríntios.

2 Coríntios 9: Conclusão

Neste artigo nós consideramos o que 2 Coríntios 9 nos diz sobre a doação. O
que nós vimos aqui tem que ser acrescido ao que nós vimos no artigo
respectivo de 2 Coríntios 8. Aqui estão os pontos adicionais que nós vimos
neste estudo:
i) Paulo queria que o presente fosse um ato de generosidade pelo lado dos
coríntios, não um ato de cobiça ou avareza de seu lado, onde ele de alguma
forma exortaria o presente deles através da culpa ou de outra forma
manipuladora (2 Coríntios 9:1-5). Em contraste com muitos hoje, Paulo não
usou da culpa para conseguir a bênção. A benção não é a única coisa que é
importante. É igualmente importante saber como a doação é dada. Usar a
culpa para motivar as pessoas a doarem está errado. O único motivador válido
que eu vi é o desejo de coração para doar.

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ii) Então nós vimos que a graça não deveria ser dada de forma relutante ou
antes das necessidades (2 Coríntios 9:7). Em vez disso, deve-se doar com
alegria. Novamente nós vemos o mesmo conforme dito em i) acima. O
presente em si não é suficiente. É igualmente importante como o presente é
dado e qual é o motivador que fez alguém doar.
iii) Quem quer que semeie pouco também colherá pouco, e quem quer que
semeie abundantemente também colherá abundantemente (2 Coríntios 9:6).
Se você quiser uma lei, esta é uma lei, um princípio que nunca será violado.
Doar-se é como semear sementes. Você semeia muito, você colhe muito. Isso
não significa necessariamente uma colheita financeira, ou somente uma
colheita financeira. Significa colheita, e esta colheita pode ter várias coisas,
incluindo as colheitas “financeiras”. Paulo não estabelece isto para incitar as
pessoas de forma que elas doem por cobiça. Nada há de bom na cobiça e isto
nunca pode ser um bom motivador para nada. Ele diz isto para estabelecer um
fato, e a lei da semeadura e da colheita é um fato.
iv) Deus próprio dá segurança de que você de forma alguma ficará pobre por
doar-se deliberadamente (2 Coríntios 9: 8-10). Deus próprio garante isto.
Como a Palavra diz: “Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça,
a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a
boa obra" (2 Coríntios 9:8). TODA graça, TODA suficiência, em TODAS as
COISAS, SEMPRE, de forma que você tenha abundância em TODAS as boas
obras. Isso não pode ficar mais claro. Há alguém que garante por trás desta
promessa, e este é o próprio DEUS.

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Novo Testamento sobre a doação - 1 Coríntios 16

Embora 2 Coríntios 8 e 9 sejam as exposições mais longas em relação à


doação no Novo Testamento, existem na Escritura, que estão endereçados ao
corpo de Cristo, mais passagens sobre este tópico importante. Um deles está
em 1 Coríntios 16:1-5. Lá nós lemos:

“Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o
mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana
cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua
prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar. E,
quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar
a vossa dádiva a Jerusalém. E, se valer a pena que eu também vá, irão
comigo.”

Esta passagem é muito semelhante em caráter com 2 Coríntios 8 e 9.


Novamente a coleta é para os santos (pobres) em Jerusalém. Eles são os
mesmos receptores conforme em 2 Coríntios. Parece que os santos de
Jerusalém estavam em grande necessidade e os Coríntios, os macedônios e
talvez também os Gálatas, estavam contribuindo para ajudar as suas
necessidades. O que é novo nesta passagem é a referência ao ajuntar para os
pobres no primeiro dia da semana.

O texto grego traduziu aqui como “o primeiro dia da semana”, o que é "em
um dos sabbaths". Ele é usado em algumas ocasiões no Novo Testamento, mas

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não está claro para mim o que ele significa exatamente. Em relação a isto, o
que Paulo diz aqui para os Coríntios é que cada um deve manter um tipo de
fundo para os pobres, acumulando lá em uma base regular (“em um dos
sabbaths”) conforme se possa prosperar. Note a regra aqui: a regra não é o
dízimo. Ela não é: “acumule os seus dízimos”. Ela é “ponha de parte o que
puder ajuntar, conforme a sua prosperidade” (1 Coríntios 16:2). Tanto o rico
quanto o pobre poderiam ajuntar, cada um conforme a sua prosperidade, i.e.,
de acordo com os seus recursos. Em 2 Coríntios 8 e 9 pegue a isto a adição do
desejo, da alegria, da não relutância, mais os outros elementos que nós vimos
lá. A razão que Paulo apresenta em relação à necessidade da regularidade
destas contribuições é, conforme ele diz, “para que não se façam as coletas
quando eu chegar” (1 Coríntios 16:2). Esta é a razão por trás de se fazer as
contribuições em uma base regular. Estas contribuições continuariam para
sempre, ainda depois que Paulo chegasse? Não, não pelo menos para este
propósito. As contribuições eram para um propósito específico (“para os
pobres dentre os santos que estão em Jerusalém” - Romanos 15:26) e eram
feitas dentro de uma base regular (“no primeiro dia da semana” – 1 Coríntios
16:2) de forma que elas não seriam feitas de forma precipitada quando Paulo
chegasse. Depois que Paulo tivesse chegado eles não continuariam, pelo
menos não para este propósito. Mas o princípio está lá, e o princípio é que
como cristãos nós devemos ajudar aos nossos irmãos pobres. Isto não seria
uma doação errática – embora isto pudesse ocorrer também – mas poderia
também ser uma doação em uma base mais regular, baseada nas
necessidades. Nós poderíamos ser destinados a isso a partir de um
implantador de igreja (como Paulo aqui) ou poderíamos também ser levados

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para lá diretamente pelo Senhor ("O rico e o pobre se encontram; a todos o


Senhor os fez" – Provérbios 22:2).

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Doação no Novo Testamento – Atos 2 e 4


Os primeiros capítulos em Atos são muito bem conhecidos por causa do
compartilhamento que eles demonstram entre os crentes. Aqui estão algumas
partes:

Atos 2:42-45
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir
do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas
maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam
estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas
propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia
de mister.”

Atos 4:32-35
“E era um coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia
que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas
lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder,
testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia
abundante graça. Não havia, pois, entre eles, necessitado algum;
porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as,
traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos
apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada
um tinha.”

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Nós temos trabalhado extensamente com estas referências de Atos em

nosso estudo sobre as posses materiais2. Aqui estão alguns pontos desse
estudo:

i) O que aconteceu em Atos 2 e 4 foi voluntário, não por ordem. As pessoas


não tinham que vender suas posses nem este é um pré-requisito para ser um
cristão. Elas faziam isso por sua própria vontade. Prova? O que Pedro disse a
Ananias, o homem que vendeu uma posse e trouxe parte do lucro para os
apóstolos, apresentando-o como se fosse o preço total (i.e., ele mentiu).
Conforme Pedro disse a ele: “Enquanto permaneceu, não era seu? E depois
que foi vendido, não estava somente sob seu próprio controle?” Se Ananias
tivesse mantido sua propriedade e não a tivesse vendido, isso NÃO teria sido
um pecado. O pecado de Ananias não foi que ele possuísse terra, mas que ele
tivesse trazido parte do preço para os apóstolos, apresentando-a como se
fosse o preço total. Era legítimo ter terra e era legítimo manter todo o lucro de
sua venda. O que não era correto era apresentar esse lucro a Deus e à igreja
como se fosse o preço total da terra, quando ele somente ofertava parte desse
lucro. Isto foi uma mentira a Deus, e isso foi o que Pedro condenou. Disto nós
podemos deduzir que não é um pecado ter posses materiais, nem que no
século 1 da igreja todos tivessem que vender suas posses depois que se
tornassem cristãos.
ii) O que aconteceu em Atos 2 e 4 foi único e não era a prática geral da igreja
do Novo Testamento. De fato nós não encontramos esta prática em nenhum
outro lugar fora de Jerusalém. O que nós somente vemos em 1 Coríntios é que
todo mundo estava para colocar de lado em uma base regular o que se

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pudesse prosperar de forma que, quando Paulo chegasse, isso seria ajuntado e
levado para os santos pobres em Jerusalém.
iii) Embora não seja um pecado ter posses materiais, deve haver uma atitude
correta em relação a elas. E esta atitude é considerar ativamente tudo como
pertencente ao Senhor, e não a você, Seu administrador. Isso é buscar
ativamente o desejo do Senhor sobre tudo, inclusive as suas posses. Isso é
estar pronto para vender tudo, se você for chamado para fazer tal. Nós, é
claro, não falamos aqui sobre um desejo de ser rico, um desejo de conseguir
mais e mais posses. Tal desejo tem um nome na Palavra de Deus, e ele é
ganância, amor pelo dinheiro, a raiz de todo o mal (1 Timóteo 6:10). Tal desejo
não tem lugar algum na vida de um cristão genuíno.

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Dando suporte aos salários de pessoal da igreja – o que diz


a Palavra e o que ela não diz
Esta é outra questão muito importante quando se chega a falar de doação.
Por pessoal, aqui eu quero dizer as pessoas como os pastores, os pastores
assistentes, os pastores jovens, i.e., os “profissionais”, quem de alguma forma
supõe-se que execute o trabalho ministerial principal da igreja local. Esta
questão se torna ainda mais interessante porque os salários de pessoal
provavelmente compõem a maior porção das despesas que uma igreja
moderna tem. Antes que sigamos adiante, temos que notar que a hierarquia
da igreja que nós vimos hoje nas igrejas contemporâneas não é algo que nós
encontraremos na Bíblia. De acordo com esta hierarquia, nós temos o pastor
sênior que é – implícita ou explicitamente – algo como o cabeça/chefe da
igreja. Abaixo dele você tem outros profissionais semelhantes que fazem o
trabalho do jovem pastor, pastor assistente, etc., e eles são normalmente
empregados de tempo integral da igreja, trabalhando mediante as ordens do
pastor sênior. O pastor sênior em si pode estar sob a autoridade de um
“bispo”, que é um tipo de responsável pelo clero em uma região. Então você
tem os anciãos. Estes são normalmente não “profissionais”, i.e., eles são
pessoas com trabalhos em tempo integral, pessoas “normais” que participam
da administração da igreja. Finalmente, você tem todos os crentes, que, juntos
com os mais velhos, também são chamados de “leigos”. Embora nem todos os
seguidores da igreja sigam tais distinções explícitas, estas existem, ainda que
implícitas, na vasta maioria das igrejas. Indo ao Novo Testamento agora, nós
veremos que não havia tais estruturas lá. Lá você não vê pastores, pastores
assistentes, bispos e mais velhos como categorias separadas de pessoas. No

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Novo Testamento, o que você vê na liderança da igreja local são os mais velhos.
Estes também são chamados de pastores e bispos. No Novo Testamento, os
anciãos, pastores, bispos, são todos termos usados para o mesmo povo. A
função destas pessoas é ser pastor, arrebanhar para a igreja local,
supervisionando a congregação (a palavra grega para “bispo” significa
supervisor) conforme eles sejam irmãos mais velhos, i.e., mais velhos na fé,
crentes maduros. Há muitas escrituras que tornam isto claro e eu logo terei
outro estudo trabalhando exclusivamente com esta questão, mas aqui está
uma passagem que abrange tudo: Em Atos 20:17 Paulo, em seu caminho para
Jerusalém, passou por Éfeso, onde ele “clamou os anciãos da igreja”. Note que
há uma igreja, a igreja em Éfeso, e muitos anciãos. Note também que Paulo
chamou pelos anciãos. O texto não diz que ele chamou os anciãos, o pastor
sênior, os pastores assistentes e o bispo. Foram somente os anciãos! A mesma
coisa, sem nenhum título especial ligado a nenhum deles. Não havia pessoal
algum chamado de “pastor sênior”, ou “pastor assistente”, etc. Eles eram
todos anciãos. E eles eram muitos! Vejamos o que agora ele lhes disse:

Atos 20:28
“Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo
vos constitui bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele
resgatou com seu próprio sangue.”

Neste versículo você tem tudo. As pessoas convidadas nesta reunião eram
os anciãos da igreja em Éfeso. Agora qual era o papel destes irmãos? Seu
papel era o de SUPERVISORES. A palavra traduzida “supervisores” neste
versículo é a palavra grega “episkopos”. É esta própria palavra que em 1

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Timóteo 3:2 é traduzida como “bispo”, dizendo: “Convém, pois, que o bispo
[episkopos] seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio,...”. Ela
é novamente traduzida como tal em Tito 1:7 “porque convém que o bispo
(episkopos) seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus”. Os
anciãos da igreja em Éfeso – e por isto, os anciãos de toda a igreja do Novo
Testamento – eram “episkopoi”, o que significa supervisores. Por outro lado:
os "episkopoi” mencionados na Bíblia são os anciãos da igreja local. Conforme
Vine, em seu dicionário, diz:

“o termo “ancião” indica a experiência espiritual madura e o entendimento


desses então descritos; o termo "bispo”, ou “supervisor”, indica o caráter do
trabalho empreendido” (Dicionário de Vine, pp. 130-131).

Bispos e anciãos são a mesma coisa na Bíblia. Pode ser que no mundo de
hoje estes sejam apresentados como duas classes diferentes de pessoas, mas
tal distinção não vem da Bíblia.
Mas Atos 20:28 nos dizem mais: note que os anciãos foram apontados para
apascentar a igreja de Deus ou para serem pastores como algumas traduções
usam. A palavra “pastor” que aparece nesta passagem [em inglês] é a palavra
grega: “poimaino”, que significa: “agir como um pastor” (Dicionário de Vine, p.
427), em outras palavras, “arrebanhar”. Um pastor é alguém que alimenta um
rebanho. Não somente providencia o alimento, mas também o guia, indo à
sua frente. Além do mais, ele cuida dos alquebrados. Nós podemos encontrar
todas as funções de um pastor dentro da Palavra de Deus, mas, como eu disse,
eu não quereria ir mais adiante neste estudo, uma vez que seu propósito é
diferente. Haverá outro estudo a seguir trabalhando com estas questões. O

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que no entanto nós necessitamos manter em mente aqui é o seguinte: Em


qualquer lugar a Palavra de Deus faz as distinções que nós temos hoje na
maioria das igrejas. Ela nada sabe sobre pastores, bispos, pastores assistentes,
anciãos como categorias separadas de pessoas. Tudo de que ela fala é dos
anciãos que apascentam o rebanho de Deus, a igreja local, sendo observadores
dela. Estes anciãos não eram pessoal com graus teológicos. Eles eram pessoas
comuns da congregação. Eles eram crentes que haviam amadurecido e
estavam prontos para arrebanhar e supervisionar os crentes mais novos com
objetivo final de construírem-nos em Cristo. Não há indicação alguma na
Escritura de que estas pessoas tinham que deixar seus trabalhos seculares
normais. Não há também nenhuma indicação na Escritura de anciãos
conseguindo um salário mensal normal ou, de outra forma, um salário regular
da igreja local para o que eles estivessem fazendo. De fato, não havia
nenhuma igreja do Novo Testamento em que os anciãos que arrebanhavam,
supervisionavam a congregação fossem empregados em tempo integral da
igreja, conseguindo um salário regular da igreja. Nós temos uma prova disto?
Sim, temos. Somente leia a seguir.

Sobre os salários do pessoal da igreja: o exemplo de Paulo


Paulo e sua equipe eram trabalhadores apostólicos, indo de cidade em
cidade pregando o evangelho e implantando igrejas. Eles nunca
permaneceram em um lugar particular permanentemente. Eles estavam mais
ou menos sempre em movimento, pregando o evangelho. Por estas pessoas, e
nós também veremos mais tarde, o Senhor comandava:

1 Coríntios 9:14

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“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que


vivam do evangelho.”

Isto não é uma referência para os anciãos, residentes permanentes de uma


igreja local. Isso não é usado para eles em 1 Coríntios 9. A referência aqui é
para os apóstolos, os trabalhadores apostólicos que estavam indo de cidade
em cidade, pregando o evangelho e implantando igrejas. Em outras palavras,
eles eram o que nós chamamos hoje de missionários. Estes trabalhadores
apostólicos eram intitulados para viver totalmente o evangelho. Paulo era um
deles, Barnabé era outro. Conforme diz Paulo nos versículos 3-6 do mesmo
capítulo:

“Esta é a minha defesa para com os que me condenam. Não temos nós
direito de comer e beber? Não temos nós direito de levar conosco uma
esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do
Senhor, e Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de
trabalhar?

Para reelaborar a última questão de forma que ela se encaixe nas primeiras
perguntas que foram elaboradas: “Barnabé e eu não temos o direito de parar
de trabalhar?” A questão implica que os apóstolos não tinham em geral uma
segunda ocupação. Mas Paulo e Barnabé tinham. Paulo e Barnabé, com “o
cuidado de todas as igrejas" (2 Coríntios 11:28) sobre Paulo, ainda estavam
trabalhando. O Senhor havia dado a eles o direito especial de não ter uma
ocupação secular, mas de viver do evangelho. Mas eles não usavam deste
direito. Aqui está o que Paulo diz:

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1 Coríntios 9:14-18
“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que
vivam do evangelho. Mas eu de nenhuma destas coisas usei, e não
escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora
morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória. Porque, se anuncio o
evangelho, não tenho de me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e
ai de mim, se não anunciar o evangelho! E por isso, se o faço de boa
mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação
me é confiada. Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha
de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no
evangelho.”

Paulo tinha o direito de viver do evangelho. Apesar disso, ele não fez uso
deste direito, embora, como veremos, ele, de fato, ocasionalmente, recebia
dos crentes contribuições voluntárias não solicitadas. Ao mesmo tempo ele
estava trabalhando. Conforme em Atos 18: 1-3 nos diz:

“E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto. E, achando


um certo judeu por nome Áquila, natural do Porto, que havia pouco
tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado
que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, e, como
era do mesmo ofício, ficou com eles, E TRABALHAVA; pois tinham por
ofício fazer tendas.”

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O evangelho não tinha e não devia ter um preço relacionado a ele. Ele deve
ser livre de custos, e Paulo certificava-se de que ele o era. Mas também há
outra razão porque ele fez isso. E a mesma está mostrada em 2
Tessalonicenses 3:6-10:

“Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,


que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não
segundo a tradição que de nós recebeu. Porque vós mesmos sabeis
como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos
desordenadamente entre vós, nem de graça comemos o pão de homem
algum, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de
vós. Não porque não tivéssemos autoridade, MAS PARA VOS DAR EM
NÓS MESMOS EXEMPLO, PARA NOS IMITARDES. Porque, quando ainda
estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser
trabalhar, não coma também.”

Paulo e sua equipe tinham autoridade para “comer o pão de outros


gratuitamente”. Eles tinham autoridade para isto como trabalhadores
apostólicos, não como anciãos de uma igreja local. Mas eles nunca fizeram
isso. Em vez disso, eles trabalhavam, dia e noite, conforme ele diz. Por quê?
De forma que eles fizeram de si próprios um EXEMPLO para os irmãos
seguirem. “Exemplo” é a palavra-chave aqui. E qual é o exemplo: que eles
deveriam trabalhar, e se alguém não trabalhar, também não comerá.” Agora o
que isto significa para as igrejas que Paulo fundou, as igrejas do Novo
Testamento? Se Paulo e seus co-trabalhadores estivessem trabalhando
juntos onde quer que eles fossem, e eles estavam fazendo isto para ser um

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modelo, um exemplo para os outros crentes, você pensa que havia algum
ancião neste igreja que não estivesse trabalhando, mas tivesse seu salário da
igreja? Eu penso que não. Em acréscimo, embora os trabalhadores
apostólicos – implantadores de igreja – tenham o direito de escapar fazendo
sua vida através de uma ocupação secular, os anciãos não têm esta autoridade.
Mas as referências da Palavra de Deus para o exemplo de Paulo não param
aqui. 1 Tessalonicenses 2;9 nos dizem:

“Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois,


trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós,
vos pregamos o evangelho de Deus.”

Eles estavam trabalhando dia e noite de forma que eles não fossem um peso
para nenhum dos crentes. O ministério não era uma ocupação para eles; algo
de onde tirassem o sustento de suas vidas. Fazer o desejo de Deus era a vida
deles, mas eles não ganhariam suas vidas financeiras a partir disto. Para
conseguir seu sustento eles trabalhariam, como qualquer outra pessoa, dando
um EXEMPLO para todos mais.
Atos 20:33-35 é outra passagem característica. Ela é parte do mesmo
discurso em que nós vimos Paulo dando aos anciãos (pastores, supervisores)
da igreja em Éfeso. Veja o que ele lhes diz:

“De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário. Sim, vós
mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que
estão comigo, estas mãos me serviram. Tenho-vos mostrado em tudo
que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar

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as palavras do Senhor Jesus, que disse: mais bem-aventurada coisa é dar


do que receber.”

Novamente Paulo se apresenta como um exemplo para eles. Vocês sabem,


ele conta-lhes, que em minhas necessidades minhas mãos proveem. Esta é
uma referência clara ao fato de que quando ele estava em Éfeso, ele estava
trabalhando para sustentar a si próprio e aos outros. Mas há mais para isso.
Veja o que ele diz: Tenho-vos mostrado em tudo que, TRABALHANDO ASSIM,
É NECESSÁRIO AUXILIAR OS ENFERMOS, Paulo está falando aos anciãos
(pastores, supervisores) da igreja em Éfeso. Ele fala para a liderança da igreja
local. E o que ele está lhes dizendo? Ele está dizendo a eles “olhe como eu
caminhei entre vocês. Eu trabalhei duro para dar suporte às minhas
necessidades. FAÇAM O MESMO". De forma que “trabalhando assim é
necessário auxiliar os enfermos. E recordar as palavras do Senhor Jesus, que
disse: mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” A liderança da igreja
local estava para seguir o exemplo de Paulo, trabalhando duro para dar
suporte às suas necessidades. Eles não seriam os recebedores dos salários
oriundos da congregação. Paulo, o exemplo, não era um recebedor de tal
salário! Como eles podiam? Eles seriam provavelmente a ajuda e o apoio para
os fracos. Eles seriam, preferencialmente, os doadores, ao invés de tomadores.

Comentando sobre Paulo e seu exemplo aqui é o que alguns comentaristas

bem conhecidos dizem3:

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F.F. Bruce – (O Novo comentário internacional sobre o Novo Testamento. Atos


[Grand Rapids: Wm.B. Eerdmans, 1986] p.418)
“Retornando uma vez mais ao exemplo que ele havia lhes estabelecido, ele os
lembra de que finalmente aqueles que se preocupam com as pessoas de Deus
devem fazer sem pensar na recompensa material. Conforme Samuel chamou
toda a Israel para testemunhar quando ele estava para estabelecer seu
escritório como juiz (1 Samuel 12:3), então Paulo chamou os efésios anciãos
para testemunhar que todo o tempo que ele gastou com eles não cobiçou
nada que não fosse seu; ao contrário, ele nem se avaliou sobre seu direito de
ser mantido por esses cujo auxílio espiritual ele prestava, mas ganhava seu
meio de vida – e o de seus colegas-- por seus próprios esforços: “estas mãos”,
ele disse (inevitavelmente com a gesticulação atendente) “administraram
minhas necessidades, e para elas que estavam comigo" (v. 34). Deixe aqueles a
quem ele estava falando desta forma trabalhar e então dar suporte não
somente a eles próprios, mas aos outros também – o mal em particular."

Simon Kistemaker (professor de Seminário do Novo Testamento na Reforma


Teológica) - (Comentário do Novo Testamento: Atos [Grand Rapids: Baker Book
House, 1990] pp. 737,740)
“Em suas cartas ele [Paulo] desvela que trabalhou noite e dia com suas
próprias mãos para suportar a si próprio, de forma que ninguém seria capaz de
acusá-lo de depender dos ouvintes do Evangelho por suas necessidades
materiais (compare a 1 Samuel 12:3). Ele se recusou a ser um encargo nas
igrejas que ele estabeleceu. Por executar o trabalho manual, ele
proporcionou suas necessidades financeiras. Paulo recebeu presentes dos

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crentes em Filipo, conforme ele mesmo revela (Filipenses 2:25; 4:16-18), ainda
que ele declare que ele não solicitara esses presentes... Os anciãos efésios
haviam observado o ministério de Paulo e seu trabalho físico durante uma
estadia de três anos. Eles foram capazes de testemunhar que ele nunca havia
explorado ninguém (2 Coríntios 7:2), mas tinha sempre estabelecido um
exemplo de diligência e auto-suficiência, no bom sentido da palavra. Ele era
um modelo para os crentes e ensinou a regra: “Se alguém não quiser trabalhar,
não coma também” (2 Tessalonicenses 3:10)... parece que Paulo gerou recurso
suficiente para suportar não somente a si próprio, mas também as
companhias dele... Em toda a situação, diz Paulo aos anciãos de Éfeso, eu vos
ensinei a trabalhar duro e com seus recursos a ajudar os fracos... Ele os exorta
a seguir seu exemplo e trabalhar duro."

Roland Allen, autor do trabalho clássico, Métodos missionários: de São Paulo


ou nosso? (Grand Rapids: Wm.B. Eerdmans, 1962),
“quando eu escrevi este livro eu não havia observado que ao se endereçar aos
anciãos de Éfeso, São Paulo definitivamente os direciona a seguir o seu
exemplo e a sustentarem a si mesmos (Atos 20:34-35). O direito de dar
suporte é sempre citado para evangelistas e profetas perambulantes, não para
cleros locais estabelecidos( veja Mateus 10:10; Lucas 10:7; 1 Coríntios 9:1-14)
com as exceções duvidosas Gálatas 6:6 e 1 Timóteo 5:17-18, e ainda mais se
essas passagens se referirem a presentes em dinheiro, eles certamente não
contemplavam salários fixos que eram uma abominação aos olhos dos
primeiros cristãos (p.50)."

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Carl B. Hoch, Jr., professor de Novo Testamento em Seminário Batista Grande


Rapids (All Things New [Grand Rapids: Baker Book House, 1995] p.240).
“Nos dias do Novo Testamento, os líderes normalmente não eram pagos. Isso
é, o dinheiro era dado mais como um presente do que como um lucro ou um
salário. Líderes como Paulo podiam receber dinheiro, mas Paulo escolheu não
receber de ninguém dos coríntios (1 Coríntios 9:8-12). Ele queria servir sem
depender de nenhuma igreja para suporte financeiro. As igrejas tinham uma
responsabilidade de “recompensar o boi” (1 Timóteo 5:17) e compartilhar com
aqueles que ensinavam (Gálatas 6:6). Mas o dinheiro nunca era para ser a
força diretriz do ministério (1 Pedro 5:2). Infelizmente, as igrejas hoje não
chamam um homem até que elas sintam que possam apoiá-lo, e alguns
homens não considerarão seriamente uma vocação se o pacote financeiro for
“inadequado” (All Things New [Grand Rapids: Baker Book House, 1995] p.240).”

Watchaman Nee – A vida na igreja cristã normal (Anaheim, CA: Living Stream
Ministry, 1980)
“Não é necessário que os anciãos desistam de suas profissões usuais e
dediquem-se exclusivamente a suas responsabilidades em conexão com a
igreja. Eles são simplesmente homens locais, seguindo suas buscas comuns ao
mesmo tempo em que mantendo responsabilidades especiais na igreja. Os
relacionamentos locais devem aumentar, eles devem dedicar-se inteiramente
ao trabalho espiritual, mas a característica de um ancião não é que ele é um
“trabalhador cristão de tempo integral.” É simplesmente que, como um irmão
local, ele assume a responsabilidade na igreja local (pp. 62-63).”

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Para mim é acima de qualquer sombra de dúvida que não há nenhuma


igreja do Novo Testamento com pessoal assalariado. Que contraste com hoje!
Hoje eu ainda estou para encontrar uma igreja sem pagamento pessoal. Os
salários aumentam a colossais 50 a 60% do orçamento da igreja com uma
adição indireta em torno de 20 a 30% para despesas de construção. Outro
item que a igreja do Novo Testamento não tem. Triste dizer, embora verdade,
quase 80-90% de um orçamento da igreja moderna é para itens que os
cristãos do primeiro século não conheciam. Isto é definitivamente triste.

Dando suporte aos anciãos: o que a Bíblia diz?

Agora, tendo dito o acima, a Bíblia não fornece nada sobre aqueles que
gastam seu tempo ensinando e arrebanhando os outros? A resposta é sim, ela
fornece! Embora não haja nenhum empregado assalariado nas igrejas locais,
há, contudo, uma clara indicação nas escrituras de que os anciãos, os pastores
da congregação local, deveriam ser receptáculos de honra pelas pessoas.
Conforme 1 Timóteo 5:17 nos diz:

“Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada
honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; porque diz
a Escritura: “não atarás a boca ao boi quando trilhar”, e: digno é o obreiro do
seu salário.”

Note novamente que a passagem não fala sobre um ancião ou um


arrebanhador ou pastor. Ela fala sobre anciãos, muitos deles. O peso do

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arrebanhamento da igreja local nunca foi marcado para ser o trabalho de um


indivíduo, mas somente de muitos irmãos maduros diferentes. Esta é a
liderança coletiva do Novo Testamento sob a conduta do Senhor Jesus Cristo vs.
a liderança de um homem que é na maioria dos casos o modelo de hoje e
essencialmente através de muitos séculos passados. Retornando ao versículo
17, a referência à honra significa respeito, valorização, honra aos anciãos,
especialmente àqueles que trabalham na Palavra e doutrina. Isto poderia
também incluir oferendas voluntárias livres para eles.
Que a honra dupla inclui – embora não somente – suporte via presentes
voluntários é também óbvio da referência ao boi na passagem acima, assim
como da passagem seguinte de Gálatas 6:6, onde nós lemos:

“E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com


aquele que o instrui.”

Aqueles que são ensinados devem partilhar as coisas boas com aquele que
as está ensinando, e uma das funções de um irmão maduro é ensinar (1
Timóteo 3:2). Novamente, não é um salário, mas é um compartilhamento, um
suporte voluntário. Vendo pelo lado dos anciãos isto não é um trabalho para
sustento. Eles fazem isto não por dinheiro ou devido ao dinheiro. Eles devem
fazer isso de qualquer forma, sem qualquer dinheiro. Conforme Pedro diz
falando aos anciãos:

I Pedro 5:1-2
“Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também
presbítero com eles... Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós,

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tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe
ganância, mas de ânimo pronto;

Novamente note que os anciãos, pastores e supervisores (ou “bispos”) são


todos termos usados alternadamente. Como nós vemos, os anciãos deveriam
ser pastores do rebanho de Deus, supervisionando-o. Note também que
apascentar a igreja local não é um “trabalho”. Não é algo que você faz quando
você consegue um salário e algo que você não faz sem um. Apascentar a igreja
local é um presente, um ministério e tem que ser visto como tal. Agora, é
difícil ser visto desta forma quando a tarefa de pastorear está pousando nos
ombros de somente um irmão, de quem as pessoas chamam como “pastor”.
Mas nunca se supôs que fosse dessa forma. Este peso deveria descansar na
sombra de muitos irmãos, os maduros em Cristo. Eles deveriam compartilham
isso. E, para voltar ao nosso assunto, eles deveriam ser receptadores da honra
da congregação, incluindo então os presentes voluntários. Estes, contudo,
eram presentes, eles eram dados voluntariamente e não eram solicitados Os
anciãos não deveriam basear suas vidas neles. Eles tinham que conseguir
sustentar-se como todas as outras pessoas. Eles não tinham salários oriundos
da igreja. Eles não tinham que seguir o exemplo de seus pai na fé, Paulo, que,
com muitas responsabilidades sobre si, estava indo ao mercado para trabalhar
o seu comércio e os outros com ele. Este é tanto contraste para hoje onde o
Ministério é frequentemente considerado como sendo uma ocupação que
alguém não faria sem ser pago por isso.

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A doação no Novo Testamento- sustentação de missionários

Nós já tocamos nesta área. Conforme dissemos anteriormente, 1 Coríntios


9:14 nos diz:

“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que


vivam do evangelho.”

Conforme dissemos no último capítulo, esta passagem não se refere aos


anciãos, mas aos pregadores do evangelho, a pessoas como Paulo, Timóteo e
Barnabé, às equipes apostólicas que estavam indo de cidade a cidade
pregando o evangelho, para promover o reino de Deus. Estes eram
trabalhadores itinerantes, pessoas que hoje nós provavelmente chamaríamos
de missionários. Estas pessoas eram autorizadas e ainda são autorizadas a
viver do evangelho, embora Paulo e sua equipe não tivessem usado deste
direito. Contudo, Paulo recebeu presentes voluntários das pessoas, embora
ele nunca pedisse tais presentes em suas cartas. A carta aos Filipenses nos
mostra um caso onde uma igreja enviou-lhe suporte. Vejamos o registro
relacionado começando de Filipenses 4:10-13:

“Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa


lembrança de mim; pois já vós tínheis lembrado, mas não tínheis tido
oportunidade. Não digo isto como necessidade, porque já aprendi a
contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter
abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído,

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tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a
padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me
fortalece.”

O ministério de Paulo não era baseado em um salário de uma igreja. Sua


confiança não era um salário. Ele não o tinha. Ele era completamente
dependente do Senhor. Ele havia aprendido a estar contente de qualquer
forma que ele estivesse. Como? Através de Cristo que o fortalecia. Cristo era a
sua fundação, a fonte de seu contentamento. Note que ele aprendeu isto. Ele
não nasceu com isto. Ele teve que aprender isso. Talvez nós aprendamos isto
também. Note também que ele diz: “Não digo isto como necessidade”. Ele não
tinha uma lista de necessidades onde ele circulava ao redor. Depois de falar
para o povo, ele não correria uma caneca entre eles para coletar uma oferta.
Ele, em vez disso, iria ao mercado e exercitaria seu comércio. A propósito, ele
estava estabelecendo um exemplo para todos seguirem. Mas quando uma
igreja lhe enviou sustentação, ela foi recebida com agradecimento:

Filipenses 4:14-18
“Todavia fizestes bem em tomar parte na minha aflição. E bem sabeis
também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da
macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a
receber, senão vós somente; Porque também uma e outra vez me
mandastes o necessário a tessalônica. Não que procure dádivas, mas
procuro o fruto que cresça para a vossa conta. Mas bastante tenho
recebido, e tenho abundância. Cheio estou, depois que recebi de

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Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de


suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus.”

Os filipenses apoiaram Paulo. Apoiar os trabalhadores apostólicos, os


missionários que espalham o evangelho é mais uma área de doação viável. No
entanto, estes trabalhadores não deveriam basear sua confiança em tais
presentes, ou na regularidade deles, mas no Senhor. Eles e todo cristão
deveriam, como Paulo, contentar-se em qualquer estado em que se estivesse.
Note também o que Paulo está dizendo: “nenhuma igreja compartilhou
comigo em relação à doação e à recepção, mas somente vocês”. Paulo não
estava tendo suporte de nenhuma igreja, pelo menos, “no começo do
evangelho”, que novamente mostra que seu suporte pessoal não era uma
questão de que ele falasse sobre as igrejas. Além disso, ele também disse
“Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta.”
Havia um fruto associado ao presente. O presente produziria um fruto e este
fruto seria creditado à conta dos filipenses. Conforme o trabalho de Paulo
continua gerando fruto, acredito que a colheita dos filipenses é muito grande
nesse momento e vai se tornando maior.

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A doação no Novo Testamento – sustentação às viúvas

Outra área onde a sustentação no Novo Testamento foi direcionada foi para
as viúvas verdadeiras. As viúvas na Bíblia são aquelas mulheres que perderam
seus maridos através da morte. Agora alguns de vocês podem ficar surpresos
de modo que nós tenhamos que esclarecer tudo. Eu faço isso porque eu li em
algum lugar que esta palavra supostamente também inclui aquelas mulheres
que estão separadas ou divorciadas de seus maridos. Embora estas mulheres
de fato necessitem de suporte fraterno dos crentes, elas não podem ser
classificadas como viúvas. “Viúva” na Bíblia – e como uma palavra grega em
geral – é a mulher que perdeu seu marido através da morte.

Tendo tornado isto claro, é mostrado através da Bíblia que as viúvas têm um
local especial no coração de Deus. Aqui estão algumas passagens do Velho
Testamento:

Êxodo 22:22-23
“A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de algum modo os afligires, e
eles chamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor.”

Deuteronômio 10:17-18
“Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos
senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de
pessoas, nem aceita recompensas; Que faz justiça ao órfão e à viúva, e
ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa.”

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Deuteronômio 24:17-21
“Não perverterás o direito do estrangeiro e do órfão; nem tomarás em
penhor a roupa da viúva... Quando no teu campo colheres a tua colheita,
e esqueceres um molho no campo, não tornarás a tomá-lo; para o
estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será; para que o Senhor teu
Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos. Quando sacudires a
tua oliveira, não voltarás para colher o fruto dos ramos; para o
estrangeiro, para o órfão, e para a viúva será. Quando vindimares a tua
vinha, não voltarás para rebuscá-la; para o estrangeiro, para o órfão, e
para a viúva será.”

Como nós também vimos anteriormente os dízimos também tinham viúvas


como receptoras:

Deuteronômio 26:12-13
“Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano
terceiro, que é o ano dos dízimos, então os dará ao levita, ao estrangeiro,
ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem;
e dirás perante o Senhor teu Deus: Tirei da minha casa as coisas
consagradas e as dei também ao levita, e ao estrangeiro, e ao órfão e à
viúva, conforme a todos os teus mandamentos que me tens ordenado;
não transgredi os teus mandamentos, nem deles me esqueci.”

Deuteronômio 27:19

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“Maldito aquele que perverter o direito do estrangeiro, do órfão e da


viúva. E todo o povo dirá: amém.”

Salmos 146:9
“O Senhor guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva; mas
transtorna o caminho dos ímpios.”

Provérbios 15:25
“O Senhor desarraiga a casa dos soberbos, mas estabelece o termo da
viúva.”

Isaías 1:17
“Aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei
justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas."

Jeremias 7:6-7
“Se não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, nem derramardes
sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para
vosso próprio mal, eu vos farei habitar neste lugar, na terra que deis a
vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre.”

Jeremias 22:3
“Exercei o juízo e a justiça ...; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao
órfão, nem à viúva”.

Zacarias 7:9-10

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“Assim falou o Senhor dos Exércitos, dizendo: executai juízo verdadeiro,


mostrai piedade e misericórdia cada um para com seu irmão. E não
oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem
intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu irmão.”

Eu acredito que estas muitas passagens da Escritura tornam claro o quanto


as viúvas, juntamente com os órfãos e os estrangeiros, estão no coração do
Senhor. Isto continua no Novo Testamento também. Nós lemos em Atos 6:1
que houve uma murmuração “dos gregos contra os hebreus, porque as suas
viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano.” Por ministério se quer
dizer a distribuição que foi feita a todos, oriunda do fundo comum que a igreja
havia estabelecido e de acordo com as necessidades deles. Ninguém deveria
ser desprezado, mas as viúvas muito menos, uma vez que elas eram pessoas
por quem era necessário um carinho especial.

O Novo Testamento trata extensamente a questão das viúvas e a


sustentação a elas em 1 Timóteo 5. Lá nós lemos:

I Timóteo 5:3
“Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas.”

A honra conforme nós explicamos anteriormente sobre honrar os anciãos


inclui também o suporte material. Contudo nem todas as viúvas devem ter
esta honra. O simples fato de que uma mulher é uma viúva obviamente não
fará dela uma viúva verdadeira para quem a honra deve ser dada. Qual é a
distinção? Paulo torna isso claro:

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I Timóteo 5:5-6
“Ora, a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus, e
persevera de noite e de dia em rogos e orações; mas a que vive em
deleites, vivendo está morta.”

Existe a viúva que confia em Deus, cuja esperança é Deus e com expectativa
ora para Ele, continuamente, “noite e dia”. Mas existe também a viúva cujo
estilo de vida é valoroso. A frase “vive em deleites” é a palavra grega
“spatalao”. “Spatalao” significa “viver desordeiramente” (Dicionário de Vine, p.
871). A forma nominal do verbo ("spatali") significa "desordem excessiva, em
vão gasto excessivo de riqueza" (Mega Lexicon of the Greek Language, p.6621).
Tais viúvas, viúvas que têm um estilo de vida vão centrado no mundo, viúvas
que vivem desordeiramente, não são viúvas verdadeiras. Não é para estas
viúvas que a honra é devida.
Tendo tornado isto claro desde o princípio, Paulo torna também claro que as
crianças ou netos das viúvas verdadeiras são as primeiras que têm
responsabilidade por elas. Aqui está o que ele diz:

I Timóteo 5:4, 7-8


“Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a
exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus
pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus. ...Manda, pois,
estas coisas, para que elas sejam irrepreensíveis. Mas, se alguém não
tem cuidado dos seus, e especialmente dos da sua família, negou a fé, e
é pior do que o infiel.”

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Há uma responsabilidade clara das crianças por seus pais, incluindo os avós.
Conforme diz a Palavra, as crianças são “para recompensar seus pais”. E
Conforme menciona Vine em seu dicionário sobre esta palavra:

“A palavra “recompensar” é a palavra grega “amoive”, que significa


“recompensa (semelhante a ameibomai, a recompensar, não encontrada no
Novo Testamento), é usada com o verbo “apodidomi”, para traduzir, em 1 Tim.
5:4. Este uso é ilustrado nos papiros pela forma de fazer um retorno, conferir
um benefício em retorno por algo" (dicionário de Vini, p. 967).

Existe uma obrigação das crianças e netos em relação a seus pais. É a


obrigação de “honrar seus pais”, que inclui cuidar deles e do seu bem-estar.
No caso das viúvas, suas crianças e netos deveriam cuidar deles e de suas
necessidades. Cuidar de si próprio e de sua família é uma prioridade e de fato
uma obrigação que cada um de nós tem. Eu penso que nós tocamos nisso
anteriormente: Este tipo de "doação” tem preeminência sobre qualquer tipo
de doação. Outros tipos de doação são contribuições voluntárias. Esta não é.
Esta é uma obrigação. Não há nenhuma opção aqui. Isto mostra quanta
importância Deus dá a isso. Se você é um crente, você tem que “reproduzir
recompensa” para os seus pais (e avós), o que significa cuidar deles e de suas
necessidades. E dessa forma nenhuma dúvida é deixada no versículo 8, que
diz: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e especialmente dos da sua
família, negou a fé, e é pior do que o infiel.” Isto é verdadeiramente sério.

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Seguindo adiante na questão das viúvas, a Palavra de Deus nos diz mais
sobre a participação da igreja em relação ao cuidado com as viúvas:

I Timóteo 5:9-16
“Nunca seja inscrita viúva com menos de sessenta anos, e só a que tinha
sido mulher de um só marido; tendo testemunho de boas obras: se criou
os filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés dos santos, se
socorreu os aflitos, se praticou toda a boa obra. Mas não admitas as
viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo,
querem casar-se; tendo já a sua condenação por haverem aniquilado a
primeira fé. E, além disto, aprendem também a andar ociosas de casa
em casa; e não só ociosas, mas também paroleiras e curiosas, falando o
que não convém. Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem
filhos, governem a casa, e não deem ocasião ao adversário de maldizer;
Porque já algumas se desviaram, indo após Satanás. Se algum crente ou
alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja,
para que se possam sustentar as que deveras são viúvas.”

Existe um “número” (grego: katalaigo – alistar-se) no qual algumas viúvas


deveriam estar incluídas e algumas outras não. Qual é este “número”, este
alistamento? Embora Paulo não mencione isso explicitamente, parece ser
alguma coisa familiar a Timóteo e eu acredito que era o número de viúvas a
serem sustentadas pela igreja. Nem todas as viúvas deveriam estar neste
número, mas somente as velhas, com 60 anos de idade ou acima, e sob certas
condições adicionais. Para as viúvas mais jovens, Paulo, e Deus através de sua
Palavra, desejam que elas se casem novamente e tenham crianças. O último

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versículo da passagem acima acrescenta isso: se alguém tem viúvas em sua


família, ele deveria aliviá-las e não deixar a igreja ser sobrecarregada com seu
sustento. Contudo, a igreja de fato sustentaria as viúvas mais velhas que
fossem viúvas verdadeiras de acordo com as condições estabelecidas nos
versículos anteriores e se não houvesse ninguém mais de sua família capaz ou
desejando dar-lhes o suporte necessário.

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Abraão e Jacó estavam pagando o dízimo?


Em contraste com o que nós vimos nos primeiros capítulos deste estudo, e
para apoiar a aplicação do dízimo, muitos dizem que dar o dízimo de fato não é
parte da lei, porque ele era aplicado – eles dizem – antes da lei, por Abraão e
Jacó. Assim, com esta visão, ele é um princípio que transcende o tempo e as
administrações da Bíblia e se aplica igualmente a antes, durante e depois da lei
Mosaica. Antes de nós irmos para as passagens que eles usam, vejamos como
Jesus Cristo viu e classificou o dízimo. Mateus 23:23 nos conta:

Mateus 23:23
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o
endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei: o juízo, a
misericórdia e a fé;”

O Senhor está falando aos fariseus. Este povo estava pagando seus dízimos,
mas havia se esquecido do mais importante da lei. Eles eram hipócritas! A
frase “o mais importante da lei” faz uma comparação entre as mais brandas
“questões da lei” e as mais importantes “questões da lei”. O dízimo era uma
questão mais branda da lei. A justiça, a misericórdia e a fé eram questões mais
importantes da lei do que o dízimo. Isto não é uma comparação entre as
questões gerais, mas entre as “questões da lei” e o dízimo era classificado pelo
Senhor como uma “questão da lei”. E como tal ele é.

E agora vamos nos direcionar para os registros usados para dar suporte
de que Abraão e Jacó estavam na verdade dando o dízimo.

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Abraão estava pagando o dízimo?

Agora vamos nos mover para os registros de Abraão e Jacó, começando do


primeiro. Nós encontramos a passagem relativa em Hebreus 7. Paulo está
explicando lá Jesus como nosso Sumo Sacerdote. O último versículo de
Hebreus 6 nos conta:

Hebreus 6:20
“Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo
sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.”

Então o capítulo 7 cuida de falar mais sobre Melquisedeque e como ele era
um protótipo de Cristo como Sumo Sacerdote. Neste contexto nós lemos
sobre Abraão:

Hebreus 7: 1-6
“Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus
Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da
matança dos reis, e o abençoou. A quem Abraão deu o dízimo de tudo,
e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também
rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não
tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao
Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. Considerai, pois,
quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos
dos despojos. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio

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têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus


irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão. Mas aquele,
cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e
abençoou o que tinha as promessas."

Algumas pessoas usam esta passagem para dizer que o dízimo é um


princípio que transcende tempos e administrações e assim é válido hoje
também. Isto é porque – eles dizem – Abraão era um contribuinte do dízimo e
isto foi antes da lei. Da mesma forma nós, sem a lei, deveríamos ser
contribuintes do dízimo também. Mas eu não penso que é isto que a
passagem nos está dizendo. O foco principal da passagem é em
Melquisedeque e como Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote segundo a ordem de
Melquisedeque. Para mostrar como a ordem de Melquisedeque é grande, ela
se refere a Gênesis onde Abraão, retornando da matança dos reis, deu-lhe um
décimo das pilhagens que ele tinha conseguido. Mas isto não tinha nada a ver
com o dízimo, conforme nós sabemos, e aqui está a razão:

1. O que Abraão deu foi completamente voluntário. Ninguém disse a ele que
ele tinha que dar um décimo das pilhagens. Ele fez isso de forma
absolutamente voluntária. Em contraste, o dízimo é obrigatório, algo que você
tem que fazer, independente de se você realmente deseja ou não.

2. Além do mais, o dízimo é algo que você faz regularmente. Não somente
uma vez. Abraão fazia alguma coisa desta forma? Sua vida é bem
documentada na Bíblia com 14 capítulos de Gênesis dedicados quase que
completamente a ele. Embora esta seja a única vez em sua vida em que nós o

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vimos dando um décimo. Em outras palavras, o que é descrito em Hebreus e


Gênesis foi um evento de uma vez e não algo que era regularmente repetido,
semana após semana ou mês após mês.

3. O fato que o que Abraão fez foi algo extraordinário em vez de algo regular é
também óbvio pelo fato de que ele deu a Melquisedeque 10% das pilhagens
que ele conseguira. Isto não era seu lucro normal ou pertences, mas eram
pilhagens. Algo inesperado, um ganho inesperado. Hoje, tais ganhos são por
exemplo: prêmios de loteria, ou uma herança inesperada. Sua doação era
igual conseguir uma herança inesperada e então dar 10%. Novamente isto não
é o que as pessoas queriam dizer por dízimo.

Para resumir, o que nós vemos Abraão dando foi uma doação voluntária de
uma vez, de 10% de um ganho inesperado que ele recebera.

Sua doação era:


i) voluntária, não obrigatória;
ii) uma coisa de uma vez, não algo feito regularmente;
iii) finalmente era fruto de um ganho inesperado que ele
recebeu, não oriundo de seu rendimento regular;

Ele estava dando 10%? Sim, ele estava. Esta doação era um dízimo no
significado que é transmitido hoje (regular e obrigatoriamente doar 10% de
seu lucro)? Do que nós vimos, isto obviamente não era o caso.

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Jacó estava pagando o dízimo?

Em relação a Jacó, a passagem que é usada para sustentar que o dízimo é


um princípio que é aplicável hoje está em Gênesis 28. Somente para
apresentar o cenário: Isaque enviou Jacó para ir a Harã, o lugar onde Labão, o
irmão de Rebeca, estava morando. Em seu caminho para lá, ele parou em
algum lugar para dormir e viu em um sonho o Senhor prometendo-lhe estar
com ele, dar-lhe a terra em que ele estava dormindo, multiplicar-lhe
abundantemente e abençoar todas as pessoas na terra através dele e de seus
descendentes (Gênesis 28:10-15). Isto não foi um sonho comum! Imagine
como você ficaria depois de alguma coisa assim. Como uma reação a isto Jacó
fez o seguinte:

Gênesis 28:20-22
“E Jacó fez um voto, dizendo: se Deus for comigo, e me guardar nesta
viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; e eu em
paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR me será por Deus; e esta pedra
que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me
deres, certamente te darei o dízimo.”

A frase chave aqui é “fez um voto”. O que está descrito aqui não é algo que
Jacó tenha feito obrigatoriamente, nem algo que ele estivesse fazendo
regularmente. Em contraste, é um voto, algo que foi feito voluntariamente
com um “se” à frente da palavra voto. “Se vós fizerdes isto, Senhor, eu faço
um voto a vos dar um décimo do que me deres". Novamente é óbvio que isto

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não tem nada a ver com os dias modernos, e com o dízimo regular e
obrigatório.

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Em 2 Coríntios 11:8-9, o que Paulo estava recebendo


enquanto estava em Corinto?
2 Coríntios 11:8-9 é uma passagem frequentemente mal entendida, com
muitos usando-a para dar sustentação a que Paulo estava recebendo um
salário de uma igreja enquanto estava em Corinto. Seria bom para Paulo, um
trabalhador apostólico, “viver do evangelho”. Ele foi autorizado a fazer isto.
No entanto, conforme vimos anteriormente, ele escolher não fazer tal coisa,
dando um exemplo para os outros crentes. Antes de nós irmos a 2 Coríntios
11:8-9, vamos primeiro até Filipenses, onde lemos sobre a sustentação que
estes crentes davam a Paulo. Ela é necessária, de forma que nós conseguimos
a estrutura necessária para entender 2 Coríntios 11:8-9:

Filipenses 4:14-18
“Todavia fizestes bem em tomar parte na minha aflição. E bem sabeis
também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da
macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e
a receber, senão vós somente; Porque também uma e outra vez me
mandastes o necessário a Tessalônica. Não que procure dádivas, mas
procuro o fruto que cresça para a vossa conta. Mas bastante tenho
recebido, e tenho abundância. Cheio estou, depois que recebi de
Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de
suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus.”

Muitos consideram que a sustentação dos Filipenses a Paulo era somente


durante o tempo em que ele estava em Tessalônica. Contudo, isto não é o que

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a passagem nos está dizendo. Conforme se diz que os Filipenses sustentavam


Paulo “no começo do evangelho, quando ele partia da Macedônia".
Tessalônica era parte da Macedônia. Também veja que a passagem diz que
“Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário a Tessalônica”.
Em outras palavras,o que ele está dizendo é: “vocês me enviaram sustentação
no começo do evangelho, depois eu parti da Macedônia ... de fato vocês ainda
me enviaram sustentação quando eu ainda estava na Macedônia, em
Tessalônica". Agora, onde Paulo foi depois que partisse da Macedônia? Atos 17
e 18 nos dizem que ele foi para Atenas, onde ele permaneceu brevemente, e
de lá ele andou 50 milhas em direção a Sudoeste, para Corinto. Lá ele ficou um
ano e meio, pregando a Palavra de Deus e estabelecendo a igreja local. Eu
acredito que este foi o local onde ele recebeu sustentação dos Filipenses. Atos
18: 5 nos diz:

“E, quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, foi Paulo [agora


em Corinto] impulsionado no espírito, testificando aos Judeus que Jesus
era o Cristo.”

Os Filipenses ajudaram Paulo “no começo do evangelho, quando ele partia


da Macedônia". Onde ele estava quando ele conseguiu a ajuda deles? Eu
acredito que ele estivesse em Corinto, e ele conseguiu ajuda deles através de
Silas e Timóteo, os irmãos que “tinham chegado da Macedônia”. Então, Paulo
foi sustentado parcialmente pela igreja dos Filipenses em Corinto. Ele também
estava trabalhando, pelo menos em meio período. O fato que mostra que ele
estava trabalhando lá está claro em Atos 18:1-3:

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Atos 18:1-3
“E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto. E, achando
um certo judeu por nome Áquila, natural do Porto, que havia pouco
tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Claudius tinha mandado
que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles, e, como
era do mesmo ofício, ficou com eles, E TRABALHAVA; pois tinham por
ofício fazer tendas.”

Paulo estava trabalhando em Corinto. Ele também recebia suporte da igreja


em Filipo. Do registro dos Filipenses está claro que isto não era um suporte
involuntário extorquido por Paulo, mas um presente dado de forma voluntária.
Tendo esclarecido isto, vamos agora voltar para 2 Corintios 11:8-9, onde Paulo
está dizendo:

“Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e quando
estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado. Porque
os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em
tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei.”

A frase “recebendo delas salário” é uma tradução enganosa e infeliz.


Isto é reconhecido pelas traduções mais modernas, tais como a inglesa
NIV[Nova Versão em Inglês] e a ESV[Versão Padrão em Inglês], que traduziram
isto como “outras igrejas despojei por aceitar suporte delas" (ESV). Esta é uma
tradução mais acurada e também concorda com o contexto e as outras
referências quanto ao assunto. Paulo não estava recebendo “salários”,
proventos de outras igrejas. Ele recebia suporte. Este suporte era dado

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voluntariamente, porque nós nunca o vimos solicitando isso. Como ele


conseguiu este suporte? “Dos irmãos que vieram da Macedônia". De quais
igrejas? Nós já vimos uma: Os filipenses que "enviaram-no suporte no começo
do evangelho, depois que ele partiu da Macedônia” e foram para Corinto.
Outras igrejas macedônicas podem tê-lo apoiado também, embora tal suporte
não esteja mencionado explicitamente nas Escrituras. Ele roubou estas
igrejas? É claro que não. Eu acredito que ele usa esta frase como uma figura de
discurso, para abordar um ponto, porque Corinto era uma cidade muito
saudável. Conforme Strabo, um historiador e geógrafo do 1º século, informou-
nos:

“Corinto é chamada de ‘rica’ por causa de seu comércio, uma vez que ela está
situada no istmo e é mestre de dois portos, dos quais um conduz diretamente
à Ásia, e o outro à Itália; e torna fácil a troca de mercadoria de tanto os países
que estão muito distante quanto daqueles outros” (Geography, 8.6.20)”.

De acordo com fontes antigas, Corinto no momento de Paulo era mais rica e
próspera como nunca visto antes. Sua população era de 300.000 homens
livres mais 450.000 escravos, uma cidade de tamanho imenso para os padrões
antigos (e mesmo para os modernos). Paulo, ao dizer que despojava outras
igrejas, usa uma figura de discurso para dizer que ele era sustentado por
outras igrejas mais pobres em seu ministério para estes ricos cristãos corintos.
Figuradamente, isto seria “roubar”.

Para acrescentar:

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Paulo não estava recebendo um salário de uma igreja. Enquanto em Corinto,


ele estava trabalhando, pelo menos em meio período, e ele era parcialmente
sustentado de espontânea vontade, sem pedir, com doações dos irmãos da
Macedônia. Ele não rouba de nenhuma igreja literalmente, mas ele usa este
termo figurativamente para apontar que ele estava recebendo suporte das
igrejas mais pobres para pregar o evangelho para uma comunidade de pessoas
mais ricas.

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O Dízimo, a doação e o Novo Testamento: Conclusão e o que


fazer com a informação neste livro

Agora de tudo o dito acima vamos tomar uma conclusão não tão longa.

De nosso estudo ficou claro que não há dízimo algum em nossos tempos, na
era do Novo Testamento. O dízimo, junto com as outras ordenanças e
manuscritos da lei, tornou-se obsoleto, através da morte e ressurreição de
nosso Senhor Jesus Cristo. O que é válido no Novo Testamento são as ofertas
livres que foram dadas com os seguintes propósitos:

i) dar sustentação aos santos pobres. Esta é a mais comum


forma de oferenda e a única sobre a qual o Novo Testamento mais
fala;
ii) os presentes de livre e espontânea vontade aos
missionários e apóstolos, i.e., enviados (isso é o que a palavra
“apóstolos” significa) que saíram pregando a Palavra de Deus;
iii) presentes gratuitos, voluntários (não salários) para os
anciãos, i.e., para os irmãos mais maduros na fé (“mais velhos”) que
estavam atuando como pastores e supervisores do rebanho de Deus
na igreja local;
iv) sustentação das viúvas que confiaram em Deus e em
acréscimo eram velhas em idade, louváveis por seus trabalhos e que
não tinham mais ninguém de suas famílias para cuidar das mesmas.

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Os presentes eram livres e voluntários “de acordo com a prosperidade”, i.e.,


de acordo com o que se tinha. Eles eram dados conforme “o propósito no seu
coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá
com alegria." (2 Coríntios 9:7)
Embora eu acredite que cada parte da Escritura seja igualmente importante
eu acredito também que haja partes que são mais enfáticas do que outras, por
causa do espaço que é dado a elas. Se eu estiver falando a você e 90% do que
eu estiver falando for sobre A e 10% for sobre B, eu obviamente coloco mais
ênfase em A do que em B. E na questão da doação, 90% é sobre a doação para
os santos pobres (incluindo as viúvas) enquanto há 2 versículos sobre a doação
aos anciãos, outros poucos versículos sobre a doação aos implantadores de
igreja (missionários, apóstolos, enviados). Tudo é importante, mas o peso
escritural é, em minha opinião, para a sustentação dos santos pobres.
Comparação com hoje? Em uma igreja típica do século 21, aproximadamente
40-60% dos gastos se relaciona aos pagamentos de pessoal, com outros 20-
30% às despesas com contas e construções. Elas não tinham tais itens na
igreja do 1º século! Por que nós necessitamos tê-los? Por que não podemos
voltar ao modelo de igreja do Novo Testamento, estabelecer lideranças
coletivas de crentes, tendo cada um sua própria ocupação para ganhar o seu
sustento? Por que nós não nos encontramos em casas conforme estivermos
reunidos em vez de ter que sentar em um auditório para ouvir um sermão de
40 minutos todo domingo... que custa um pastor para dá-lo e a construção de
um prédio? Se esta é a forma como eles estavam fazendo no Novo Testamento,
por que nós não podemos fazer igual a eles? Por que nós pegamos o que
normalmente iria para os santos pobres e para as missões para aumentar o

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reino de Deus e damo-lo para manter estruturas e tradições que são


estranhas à Palavra de Deus? Pense sobre isso e faça questionamentos firmes.

O que fazer com o que você aprendeu neste livro

Tendo dito o acima, eu preciso esclarecer: Com estes questionamentos eu


quero desafiá-lo, mas não estou propagando que você deixe a sua organização
religiosa. Deixar uma igreja não é uma solução. É somente uma reação, e, na
verdade, imatura. A igreja, para mim, é algo muito mais do que as estruturas e
dízimos: é o seu povo, os irmãos e irmãs em Cristo. Para mim, eles - e não uma
construção feita de pedra, um sistema, ou um nome – são a igreja. Escrever
este estudo teve duas coisas para mim: primeiro foi o esclarecimento e a
originalidade. Descobrir as verdades da Palavra de Deus é sempre original e
libertário. Ao mesmo tempo, escrever este estudo foi doloroso, porque eu sei
que estou escrevendo algo que será controverso. A razão pela qual eu escrevi
este livro foi porque nós temos que estar informados sobre o que diz a Palavra
de Deus. Não podemos fechar nossos olhos e dizer para esquecer isso. Essa é
a verdade e assim, para mim, pessoalmente, eu decidi, com a ajuda do Espírito
Santo, seguir esta verdade. Eu tenho que mostrar-lhe o que eu vejo que a
Palavra de Deus diz. Esse é o meu trabalho, e eu tenho tentado fazer isso da
melhor maneira possível. Ao mesmo tempo, eu busco ter, com meus irmãos e
irmãs em Cristo, um grande grau de tolerância em relação às questões
teológicas. Eu sugiro o mesmo a você. Eu não tolerarei se alguém reclamar ser
um irmão em Cristo e dizer que ele não acredita que Jesus é o Filho de Deus e
que Ele nasceu dos mortos. Estas são questões fundamentais de nossa fé.

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Ninguém pode ser um crente sem acreditar nisso. Ele não é só salvo. Eu tenho
que apontar a verdade para esta pessoa em amor e eu farei isto
imediatamente. Mas com esses que acreditam que as verdades fundamentais
que tornam alguém um cristão (i.e., Jesus Cristo é o Senhor, o Filho de Deus, o
Messias, e Deus o renasceu dos mortos), eu não começarei uma disputa sobre
dízimo ou sobre o sistema de igrejas de hoje. Nem, é claro, abandonarei meus
irmãos e irmãs, que são a igreja, o corpo de Cristo, porque eles não estão
informados sobre o dízimo ou porque eles não concordam comigo. O sistema
não se muda desta forma. O sistema não é mudado com reações, mas com
ações. Ele muda, eu acredito, quando cada um de nós começa a buscar a
verdade da Palavra, Quando se está sedento por aprender o que diz a Palavra
sobre um assunto. quando não se está satisfeito com o que a igreja oficial ou
mesmo o que eu possa dizer, deve-se buscar as Escrituras por si próprio e ver
se isto é assim, conforme fizeram os habitantes de Bereia. Assim, após se
aprender, torna–se ávido para aplicar o que aprender no amor. Você
aprendeu com este livro que a Palavra de Deus dá muita importância em
ajudar-se os pobres e santos com problemas. Siga em frente e faça isso! Você
aprendeu por este livro que na Bíblia os anciãos, bispos e pastores não eram
pessoas que se graduaram em escolas teológicas e começaram uma carreira
como empregados de uma igreja. Eles eram pessoas com empregos e famílias
como você e eu. Eles eram pessoas comuns, simples, pessoas como o
pescador não letrado que o Senhor chamou para segui-Lo. Eles eram também
pessoas maduras em Cristo que se tornaram pastores, supervisores e jovens
crentes. Você é um cristão maduro? Se for, levante-se, de dentro ou de fora
do sistema, e faça o trabalho de um crente maduro. Se Deus quisesse
continuar o sistema levita com alguns indivíduos fazendo o ministério

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enquanto os remanescentes de nós pagássemos o dízimo para manter, Ele


teria feito isso. Mas Ele não o fez. Em vez disso, Cristo nos tornou pastores e
reis. Nós somos todos os pastores reais com nossa função ordenada por Deus.
Lutar contra o sistema de um homem faz tudo, dizendo o quanto isso está
errado e ao mesmo tempo tolerando o fato que nós somos irmãos e irmãs em
Cristo, eu acredito que seja somente uma reação imatura. A reação é levantar-
se, encontrar e ser o que Deus nos fez tornarmos no corpo de Cristo. Faça a
sua parte e função para o melhor de suas doações e capacidades. Você tem
que saber e ser informado sobre a Palavra de Deus, sobre o que está correto e
o que está errado. Isto é o que eu tenho tentado fazer neste livro em relação
ao dízimo e à doação. Isto é necessário, embora você possa não usar como
uma espada. Você deve fazer o que a Palavra de Deus diz para você fazer,
sem condenar ou se separar daqueles irmãos que não fazem isso.
Agora, se você é um pastor, eu também preciso esclarecer que não tenho
nada contra você. Não se sinta ameaçado, irmão. Sentir-se ameaçado é
novamente uma reação, e não uma ação. Eu não acredito que nenhuma igreja
expulsaria um pastor porque não é bíblico pagar salários pastorais. Esta não é
a forma de fazer. O que eu acredito que devesse ser feito é que todo mundo
reconhecesse que os pastores são irmãos, somente irmãos. Eles não são
chefes, eles não são a cabeça do corpo (como eu ouvi alguém dizendo em uma
reunião de igreja). Cristo é a cabeça do corpo, Cristo é o chefe, e todos os
outros são um membro deste corpo. Os pastores deveriam encorajar os
outros membros do corpo a crescerem, transferindo as tarefas e atividades
próprias deles para os crentes mais maduros. Por exemplo (e esse é somente
um exemplo): mal ou ruim, o foco principal de um serviço de igreja é o sermão.
Peça à congregação para assumir, como irmãos, e dar os sermões em

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acréscimo ao seu, rotativamente. Não somente um ou dois, ou quando você


estiver fora da cidade. Mas regularmente, na mesma quantidade em que você
o faz. Por que não? Não seria difícil para um irmão deixar o púlpito e não é
isso exatamente o que a igreja é: irmãos e irmãs chegando juntos em Cristo?
Eu tenho sete pastores que não recebem recompensa com a graça de ensinar.
Isto não é ruim. Por que deveria? Um pastor é somente outro membro do
corpo. “Porventura são todos apóstolos? São todos profetas? São todos
doutores?” diz a Palavra (1 Coríntios 12;29). A resposta obviamente é não.
Estas pessoas não podem ter uma graça de ensinamento, mas elas têm outras
graças maravilhosas. Elas ainda estarão pregando semana após semana,
porque, de acordo com o sistema, o sermão é uma tarefa do pastor. Isto é
triste, mas eu somente menciono isso como um exemplo. Esse não é o ponto
principal. O ponto principal é que os pastores deveriam ajudar a congregação a
desenvolver-se e os mais maduros deveriam pegar algumas das tarefas dos
pastores de forma que a sobrecarga fosse distribuída igualmente com os
irmãos maduros. O pastor então terá o funcionamento em sua verdadeira
dimensão como outro membro do corpo e não na dimensão distorcida de hoje,
como, implicitamente ou explicitamente, o “cabeça da igreja”. Ele então estará
livre para receber o seu salário trabalhando como todo mundo, e a
congregação o ajudará tornando possível encontrar um emprego para ele.
Não há nenhum terreno para divisões e lutas. Estas estão aparecendo
somente por causa das reações à verdade da Palavra, não por causa das ações.
Como a Palavra diz: “Da soberba só provém a contenda” (Provérbios 13:10). Se
nós, como crentes, queremos seguir o caminho de Deus, este caminho tem um
nome: ele é chamado de caminho do amor e da humildade, e nós podemos
fazê-lo. Nós podemos fazer o que os cristãos do primeiro século faziam. Isso

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pode parecer louco, arriscado e novo. É definitivamente mais fácil permanecer


como nós estamos. Mas por que deveríamos fazer isto? Por que deveríamos
desviar do que nós sabemos que a Palavra de Deus diz? Eu na verdade não vejo
razão alguma para fazer isto. Você vê?

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